PCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros

A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês

O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC.

A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna.

Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime.

O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo.

Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos.

Modelo exemplar

Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong.

Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores.

Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas.

O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros.

Espaço de eleição

Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico.

Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas.

Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição.

Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.

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