Coreia do Sul | Presidente nomeia PM especialista em tecnologia

O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, nomeou ontem como primeira-ministra a actual titular da pasta das Pequenas e Médias Empresas, Han Seong-sook, uma especialista em tecnologia que liderou o portal da Internet Naver.

Segundo a agência de notícias EFE, que cita uma declaração do chefe de gabinete do Governo sul-coreano, Kang Hoon-sik, a escolhida por Lee é justificada com a capacidade para “realizar com sucesso a transição decisiva para a inteligência artificial e impulsionar o crescimento da Coreia do Sul”.

O anúncio da mudança no cargo, que no sistema presidencial da Coreia do Sul é principalmente cerimonial, surge num momento em que Lee assinala o seu primeiro ano à frente do executivo, num contexto de fortalecimento do Partido Democrático (PD), no poder, que arrasou nas eleições locais realizadas esta semana, mas não conseguiu conquistar a Câmara Municipal de Seul.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap descreve Han como uma especialista em tecnologias da informação, que iniciou a carreira profissional como jornalista e acabou por desempenhar um papel fundamental na consolidação da Naver como a maior plataforma de Internet do país asiático.

A candidata a primeira-ministra, de 59 anos, assumiu em 2017 o cargo de directora-executiva da Naver, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo na empresa. Se for aprovada pelo parlamento, Han tornar-se-á a segunda mulher na história do país asiático a ocupar o cargo de primeira-ministra, depois de Han Myung-sook ter governado entre 2006 e 2007.

8 Jun 2026

Alunas da UM vencem concurso internacional de escrita em português

Duas estudantes chinesas descreveram à Lusa como a violência doméstica e os direitos das mulheres as inspiraram para escrever as histórias vencedoras de um concurso internacional de contos em português.

Li Renlan e Wang Siyi, ambas do Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), receberam o primeiro prémio nas categorias Jovens e Adultos da competição “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, impondo-se entre mais de 120 candidaturas oriundas da Ásia, Europa, América e África.

O concurso foi coorganizado pela Porto Editora, pelo Instituto Camões e pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) do Governo português, tendo como tema “Direitos Humanos: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?”.

Na categoria Jovens e Adultos (nível C1–C2), Wang Siyi, estudante de 21 anos da província de Jiangxi (sudeste), venceu com ‘O Batom’, uma obra que transforma o batom vermelho em “símbolo de dignidade, resistência e liberdade”.

“Escolhi este tema porque também sou mulher e é natural que me sinta próxima dos assuntos relacionados com a vida, os direitos e a voz das mulheres”, explicou. “Esse contexto ajudou-me a ligar a história de uma mulher à ideia de liberdade, mudança e conquista de direitos”, descreveu.

Para a aluna, ganhar esta distinção é “uma grande honra”, que lhe dá “confiança e motivação para continuar a estudar português e a desenvolver a escrita criativa”.

“Para mim, aprender português significa muito. A língua portuguesa ajudou-me a conhecer melhor o mundo, a aproximar-me de mais pessoas e a descobrir novas formas de pensar”, afirmou à Lusa.

O lugar da avó

A outra premiada, Li Renlan, inspirou-se na história da avó para o conto ‘O Lugar ao Lado da Cozinha’, vencedor na categoria Jovens e Adultos (nível B1–B2), numa história que considera “marcada pelo silêncio e sacrifício de uma geração de mulheres invisíveis”.

“Queria mostrar que, com a mudança dos tempos, também mudaram as vontades, a consciência e a voz das mulheres. O esforço dessas mulheres não deve ficar invisível, merece ser reconhecido e lembrado”, afirmou a estudante de 21 anos, da província de Anhui (leste).

A estudante descreveu que aprender português começou por curiosidade, que acabou por se transformar em paixão e “verdadeiro desafio”. “Acabei por me apaixonar pela língua. Receber esta distinção foi uma grande surpresa. Mais do que um prémio, significa que a história da minha avó e a minha reflexão sobre a mudança social foram ouvidas e valorizadas”, afirmou

Ambas as vencedoras foram orientadas pela professora Carla Lopes, que destacou o “esforço notável” das alunas. “Escrever um conto em português, sendo esta uma língua estrangeira, é um desafio exigente, porque implica não só domínio linguístico, mas também criatividade e sensibilidade para tratar temas complexos, ligados aos direitos humanos. Penso que ambas conseguiram fazê-lo com muita maturidade e com uma voz própria”, disse.

A docente sublinhou ainda que a distinção “reconhece o talento, o trabalho e a evolução das alunas” e constitui “um reconhecimento importante para a Universidade de Macau e para o Departamento de Português”, pois mostra que os seus alunos “conseguem participar com qualidade num espaço internacional de criação literária”.

8 Jun 2026

Visita | Xi Jinping na Coreia do Norte pela primeira vez desde 2019

O Presidente chinês, Xi Jinping, está de visita à Coreia do Norte, naquela que é a primeira deslocação ao país vizinho em quase sete anos, anunciaram sexta-feira os dois países.

Xi está na Coreia do Norte entre hoje e amanhã, segundo breves comunicados divulgados na sexta-feira pelos órgãos de comunicação estatais dos dois países. A última visita do líder chinês a Pyongyang ocorreu em Junho de 2019. O anúncio surge um dia depois de a Coreia do Norte ter revelado uma nova instalação destinada à produção de materiais para bombas nucleares.

Especialistas consideram que a divulgação da unidade sugere que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pretende reforçar o estatuto do país como potência nuclear, antes da visita de Xi. A deslocação ocorre poucas semanas depois de Xi ter recebido, separadamente, em Pequim, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Rússia, Vladimir Putin.

Nos últimos anos, Kim deu prioridade ao aprofundamento das relações com a Rússia, enviando tropas e armamento convencional para apoiar a invasão lançada por Moscovo na Ucrânia. No entanto, o líder norte-coreano também tem procurado reforçar os laços com a China, principal parceiro comercial e maior fornecedor de ajuda económica da Coreia do Norte.

Xi e Kim encontraram-se em Pequim, em Setembro, e comprometeram-se a reforçar a cooperação bilateral e o apoio mútuo. Kim deslocou-se então à capital chinesa para assistir a um desfile militar, ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo Putin.

As Forças Armadas da Coreia do Sul avaliaram a nova instalação nuclear como uma unidade de enriquecimento de urânio. Durante uma visita ao local, Kim anunciou planos para reforçar as capacidades nucleares do país “a um ritmo exponencial”.

8 Jun 2026

Ensino superior | Quase 13 milhões de chineses começam hoje o exame de acesso

Cerca de 12,9 milhões de jovens estudantes chineses, segundo o Ministério da Educação, começaram ontem a fazer o ‘gaokao’, o temido exame nacional de admissão à universidade. Este exame altamente selectivo, que ocupa um lugar central na sociedade chinesa, determina o acesso às melhores universidades e, por extensão, as futuras oportunidades de carreira.

O ‘gaokao’ tem a duração de vários dias e inclui testes de mandarim, matemática, inglês, ciências e humanidades. Os resultados serão anunciados no final de Junho.

À porta de um centro de exames em Pequim, dezenas de polícias e seguranças mantinham a ordem enquanto os pais, de telemóveis na mão, esperavam filmar os filhos a entrar na sala de provas. Alguns estavam vestidos de vermelho, uma cor da sorte na cultura chinesa.

“Estou um pouco ansioso”, admite Zhang Xinnan, de 18 anos, com o seu uniforme escolar, momentos antes do início dos exames. “Mas domino as coisas que precisava de saber”, acrescenta.

O ensino superior desenvolveu-se rapidamente na China nas últimas décadas, à medida que o desenvolvimento económico levou a uma melhoria dos padrões de vida, mas também a maiores expectativas dos pais em relação aos estudos e carreiras dos seus filhos.

No entanto, o mercado de trabalho para jovens licenciados já não é tão promissor como antes, sendo a elevada taxa de desemprego jovem uma grande preocupação. De acordo com os dados oficiais, cerca de um em cada seis chineses entre os 16 e os 24 anos, excluindo os estudantes, está desempregado.

As atitudes em relação aos exames estão a mudar, com os estudantes e os pais cada vez menos dispostos a sacrificar a saúde física e mental para obter bons resultados. “Sou bastante liberal”, diz Deng Ju, de 53 anos, segurando uma pilha de cadernos para a filha, que está a rever até ao último minuto com uma amiga. “Estou mais preocupada com a saúde física; o exame é apenas uma formalidade”, acrescenta.

8 Jun 2026

JALP | Advogada chinesa lidera associação internacional de língua portuguesa

A nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) defendeu à Lusa que, perante “desafios geopolíticos complexos”, os profissionais jurídicos têm a responsabilidade de “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”.

A associação elegeu como presidente, até 2028, Un I Wong, uma advogada chinesa de Macau formada na Universidade Católica Portuguesa e que exerce há nove anos em Portugal. Un recordou ter iniciado o percurso na sociedade Morais Leitão, em Portugal, onde foi, “durante algum tempo, a única advogada de origem chinesa da equipa”.

“Mais tarde, passei a integrar [a MdME], uma sociedade com presença em Macau, Hong Kong e Lisboa, tendo ainda realizado uma experiência em Pequim. Estas vivências permitiram-me observar diferentes formas de trabalhar e de encarar a profissão jurídica em contextos distintos”, explicou.

Na China continental, destacou, “existe uma forte cultura profissional orientada para a rapidez de execução, capacidade de resposta e proactividade”.

“Costumo dizer, em tom de brincadeira, que na advocacia chinesa parece vigorar o modelo ‘007’, isto é, disponibilidade de meia-noite a meia-noite, sete dias por semana”, acrescentou. Em Portugal, apontou, há “uma maior valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, bem como do debate jurídico e da construção argumentativa”.

Macau, por sua vez, “ocupa uma posição particularmente interessante”, conjugando a matriz jurídica portuguesa com um ambiente de trabalho “mais próximo do modelo português”, mas que beneficia “da proximidade ao dinamismo económico da Ásia”, explicou Un.

“No fundo, esta experiência internacional reforçou a minha convicção de que não existe um único modelo de sucesso. Os melhores profissionais são aqueles que conseguem integrar diferentes formas de pensar e trabalhar e navegar entre culturas, sistemas jurídicos e realidades profissionais distintas”, concluiu.

Construir pontes

A advogada apontou que ter estudado e trabalhado entre a Europa e a Ásia reforçou a convicção de que a “advocacia do futuro não deve limitar-se às fronteiras nacionais”.

“Hoje, os advogados desempenham também um papel relevante na construção de pontes entre culturas, economias e sistemas jurídicos”, afirmou. Un sublinhou que os jovens advogados lusófonos possuem “uma vantagem única” de integrar uma comunidade que se estende por vários continentes, e “marcada por diversidade económica e cultural”.

“Num contexto global cada vez mais interligado, mas também marcado por desafios geopolíticos complexos, acredito que os jovens advogados lusófonos podem afirmar-se como profissionais globais”, acrescentou.

Fundada em 2020, a JALP é uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar, integrar e representar jovens advogados dos países de língua oficial portuguesa. Reúne actualmente mais de 300 associados.

Os novos órgãos sociais, para o triénio 2026-2028, integram representantes de Angola, Brasil, Macau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. A direcção vai ser presidida por Un, tendo como vice-presidentes Pedro Leão Trigo e Lukeno Ribeiro Alkatiri.

Un destacou como prioridade “reforçar a JALP como plataforma activa de ligação entre jovens advogados lusófonos” e aprofundar a “ligação entre diferentes jurisdições”, “promovendo a partilha de conhecimento, experiências e boas práticas”.

Outra meta, será preparar os jovens advogados para a “transformação acelerada da profissão”, com a “tecnologia, a inteligência artificial e novas exigências dos clientes a redefinir a prática da advocacia”. Apesar das dificuldades, Un descreveu que “nunca existiram tantas possibilidades de colaboração internacional”, ou de acesso ao conhecimento e utilização de tecnologia para potenciar o trabalho dos advogados.

A responsável anunciou ainda planos para parcerias da associação com universidades, ordens de advogados e organizações internacionais, e dialogar com entidades ligadas ao ecossistema de tecnologia legal.

“Assumimos o compromisso de reforçar a proximidade entre os jovens advogados lusófonos, promover a inovação na profissão jurídica e contribuir para a construção de uma comunidade jurídica mais internacional, colaborativa e preparada para o futuro”, concluiu a nova presidente da JALP.

8 Jun 2026

Prostituição | Rede desfeita com cinco polícias entre os detidos

A Polícia Judiciária anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas

“A nossa agência desmantelou uma rede criminosa de exploração sexual organizada, desmantelou vários locais de prostituição e deteve 26 homens e mulheres de Macau, da China continental e de Hong Kong”, escreveu a Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira numa mensagem enviada aos jornalistas.

De acordo com o canal de rádio em língua chinesa da TDM, o grupo criminoso operava desde 2019, com saunas ligadas ao grupo a gerarem lucros de 790 milhões de patacas desde 2024.

A TDM, que citou um porta-voz da PJ, afirmou que os três agentes da lei no activo do Corpo de Polícia da Segurança Pública (CPSP) e os dois reformados da PJ aceitaram “subornos substanciais”, de três milhões de patacas cada, em troca de fornecerem informações sobre rusgas policiais. Os cinco são suspeitos de associação criminosa, exploração de prostituição e corrupção passiva.

A operação, realizada na segunda-feira da semana passada pela PJ, envolveu buscas em três saunas, cinco escritórios e outros 23 locais. As autoridades apreenderam bens no valor de 50 milhões de patacas, “livros de registos” e “uma grande quantidade de utensílios criminais”.

De acordo com a TDM, o grupo criminoso explorava saunas sob o pretexto de fornecer serviços de ‘spa’ e massagem, contratando mulheres para prestarem serviços sexuais a preços entre aproximadamente 2.000 patacas e 8.000 patacas por sessão.

Os estabelecimentos em causa operavam um sistema de classificação e tabela de preços com base na nacionalidade das mulheres e nos serviços prestados. As mulheres recebiam entre 1.000 patacas e 2.000 patacas por acto sexual.

Profundamente chocados

Durante a operação, a PJ levou para investigação um total de 381 pessoas, incluindo trabalhadores ilegais, trabalhadores não documentados, pessoas em situação de estada irregular e prostitutas.

Numa nota enviada à Lusa, o CPSP afirmou que os três agentes deste departamento foram encaminhados para o Ministério Público para investigação pela suspeita de envolvimento numa rede de prostituição. “O nosso gabinete está profundamente chocado e entristecido com este incidente e cooperará plenamente com as investigações”, afirmou o CPSP.

O CPSP acrescentou que leva o assunto “muito a sério” e instaurou processos disciplinares contra os funcionários envolvidos, estando estes em suspensão preventiva. A PJ, por sua vez, declarou dedicar “grande atenção” à suposta prática de crimes por agentes reformados, de acordo com um comunicado.

“A PJ reitera que não tolera qualquer acto ilegal e que vai actuar com imparcialidade e justiça, sem qualquer favorecimento, defendendo firmemente a equidade e a justiça no cumprimento da lei e a boa reputação da polícia,” declarou.

8 Jun 2026

Medicina | Estudantes de Timor-Leste aprendem em Macau

Estudantes de Medicina da Universidade Católica Timorense (UCT) participam em Macau num programa intensivo que privilegia a prática, colmatando lacunas de formação existentes em Timor-Leste, disse na sexta-feira à Lusa o responsável pela delegação.

Os oito estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da UCT, que se encontram nas instalações da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês) para mais um dia de formação intensiva, começaram por abordar procedimentos necessários para a reanimação cardiorrespiratória. Uma aprendizagem “muito importante”, considera João Câncio Freitas, vice-reitor da UCT.

“Tem lá [em Timor-Leste], mas é muito básico. Agora aqui, principalmente com a introdução da IA [Inteligência Artificial] nestes laboratórios, é muito fundamental”, refere o também líder da delegação timorense.

Câncio Freitas está a acompanhar o segundo grupo de alunos da UCT que vem a Macau, depois de em Novembro do ano passado ter estado no território com outros 14 estudantes, fruto de uma cooperação que as duas instituições universitárias têm há três anos e que arrancou com a formação de docentes.

A UCT foi fundada em Dezembro de 2021 e a Faculdade de Ciências Médicas encontra-se ainda “numa fase muito preliminar em termos de laboratórios”.

A cooperação com Macau, reflecte o responsável, permite “não só interiorizar melhor a parte teórica, mas mais a parte prática, porque a Medicina não é só a questão teórica”. “É importantíssimo na formação de futuros líderes na área da Medicina, e por isso é que eles têm de dominar mesmo a área que tem a ver com AI ou outras tecnologias avançadas para poderem desenvolver melhor o conhecimento e traduzir isto na prática, na área da Medicina, porque a área da saúde é muito precária em Timor-Leste”, reflecte ainda Câncio Freitas, ex-ministro da Educação timorense.

8 Jun 2026

929 Challenge | José Alves alerta para contraste com discursos oficiais

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge, José Alves, avisa que os obstáculos ao empreendedorismo fazem sentir-se principalmente entre estrangeiros que tentam lançar empresas na RAEM

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu na sexta-feira que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros.

A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias seleccionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças.

“As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projectos de avançar.

“A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou. Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projectos-piloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente.

Solidariedade empresarial

“As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1.420 equipas e mais de 6.000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizar‑se de 3 a 4 de Dezembro deste ano como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Pensar na Grande Baía

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso directo a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e electrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa pós‑competição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e de mais de 100 especialistas.

“A China está rapidamente a tornar‑se o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge. O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em Dezembro de 2026.

8 Jun 2026

Festival de cinema ‘queer’ em Macau é espaço para dialogar

O Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que arranca esta sexta-feira, pretende ser um palco de diálogo e onde se questionam preconceitos, disse ontem à Lusa o director Jay Sun.

A decorrer entre 05 e 27 de Junho, o MIQFF apresenta 24 propostas, com “uma parte significativa” das obras com origem em países europeus, disse à Lusa o director e fundador do evento, ressaltando “a estreita colaboração com consulados europeus e internacionais”.

“Não se limita, de forma alguma, à Europa. Contamos também com a ‘Asian Vision’, que apresenta histórias queer de toda a Ásia”, sublinha.

É precisamente com uma obra de Hong Kong que arranca a quarta edição deste evento cinematográfico: “Cyclone” (2026), de Philip Yung, narra a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

A projecção do filme, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, vai contar com a presença do realizador, do actor Liu Yuqiao e da argumentista Annabelle Kayee Li.

Outro dos destaques desta edição, indica Sun, é “Rosebush Pruning” (2026), uma tragicomédia do brasileiro Karim Ainouz, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde integrou a competição oficial, e tem agora estreia asiática em Macau. Inspirado no clássico italiano de 1965, “De Punhos nos Bolsos”, esta co-produçao de vários países europeus acompanha uma família abastada e disfuncional isolada numa propriedade em Espanha.

O filme aparece descrito no portal da Berlinale como uma “sátira negra”, no Festival de Cinema de Sydney, onde vai estar em cartaz este mês, como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB atribui como “comédia negra, thriller e drama”. Na classificação etária em Macau, as autoridades atribuíram a categoria de “Pornografia”, aparecendo no programa a imagem de promoção deste filme – uma fotografia de família – desfocada.

Sobre esta decisão, Jay Sun, diz “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC), não estando o festival “envolvido no processo”.

A agência Lusa perguntou ontem ao IC qual o critério para esta classificação, mas até ao momento não recebeu nenhuma resposta. De acordo com a lei de Macau, são considerados produtos “pornográficos ou obscenos” aqueles que “contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública”. “Ainda assim podemos mostrar o filme, desde que respeitemos a lei: projectar após as 23:30 e pagar a taxa correspondente”, nota.

Mais participação

Na secção asiática, destaque para “East Palace, West Palace” (1996), do chinês Zhang Yuan, e “3670” (2025), obra do sul-coreano Park Joon-ho. Ao longo destes dias, é possível também assistir a “Whisperings of the Moon” (2025), filme cambojano da cineasta chinesa Lai Yuqing, que morreu há poucos meses aos 23 anos.

O festival presta ainda homenagem a Rosa von Praunheim (1942-2025), nome artístico de Holger Mischwitzki, com a exibição de várias obras do cineasta alemão, um dos mais influentes defensores dos direitos LGBTQ+ na Alemanha. Sobre a receção do MIQFF, já na quarta edição, Jay Sun, refere que hoje existe “mais abertura para ao cinema ‘queer’ e eventos culturais LGBTQ+”: “Vemos um maior interesse por parte do público, uma maior representação nos ‘media’ tradicionais e mais pessoas dispostas a envolver-se com diferentes tipos de histórias.”

Mas o “progresso não é uma linha recta”, admite. “Continuamos a assistir a retrocessos em várias partes do mundo, seja na forma de censura ou de restrições aos direitos da comunidade LGBTQ+. Por isso, não creio que possamos dar por concluído o trabalho”, continua.

Por essa razão, diz, este tipo de eventos continua a ser importante, com os filmes a “gerarem diálogos, a desafiarem preconceitos e ajudarem a criar empatia”.

5 Jun 2026

AMCM | Lucros de bancos disparam 20,7 por cento até Abril

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,48 mil milhões de patacas nos primeiros quatro meses do ano, mais 20,7 por cento do que no mesmo período de 2025.

De acordo com dados oficiais divulgados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 30,3 por cento, para 6,47 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, subiram 4 por cento em comparação com Abril de 2025, fixando-se em 1,08 biliões de patacas. Mas os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram ainda mais, 6,9 por cento, para 1,44 biliões de patacas no final de Abril passado, disse a AMCM.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento).

5 Jun 2026

FRC | Quarteto de cordas com canções de embalar amanhã

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 17h, o concerto “Ainda Mais Canções de Embalar à Volta do Mundo”, conduzido pelo Quarteto Familiar de Cordas de Vit Polášek, a que se juntam desta vez quatro vozes locais para interpretar cantigas tradicionais infantis de diferentes nacionalidades. Nesta sessão, o público vai ser convidado a escutar 12 novos temas, em representação da Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Índia, Mali, Filipinas e China.

A família de Vit Polášek tem vindo a recolher diferentes canções de embalar, provenientes dos quatro cantos do globo, pedindo a amigos que vivem em Macau, amadores e profissionais, que as cantem ao vivo e as partilhem com os espectadores na Galeria da FRC. A família gravou e publicou no YouTube alguns temas no passado, mas a maioria terá estreia neste evento, segundo o mentor do projecto.

O quarteto de cordas – composto por dois violinos, uma violeta e um violoncelo – foi fundado por Vit Polášek e a mulher Lu Yan, ambos membros profissionais da Orquestra de Macau, acompanhados pelos seus dois filhos, Vit e Lukas, também já peritos em instrumentos de cordas.

5 Jun 2026

FRC | Recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta” acontece hoje

Acontece hoje, na Fundação Rui Cunha, mais uma sessão musical com o recital de voz e flauta “Canções à Janela, Sombras da Flauta”. A partir das 18h o público pode desfrutar das actuações de Omyl e Claire, alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau

Em mais uma parceria com a comunidade local, a Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h, o recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta”, com a voz de Omyl que se junta ao som da flauta de Claire. Ambas são alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau, sendo acompanhadas ao piano pela professora Irene Leong Kei Tong.

Segundo uma nota da FRC, o repertório de hoje inclui peças dos compositores franceses Camille Saint-Saëns e Francis Poulenc, o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, o italiano Giuseppe Verdi, o russo Aleksandr Alyabyev, e os chineses Li Yan e Hu Yanjiang.

“A educação artística é uma área de ensino que o Colégio Baptista de Macau sempre privilegiou e continua a implementar no seu programa escolar”, pode ler-se, sendo que desde 2006 “que o ensino fundamental oferece aulas de música instrumental aos novos alunos, para que todos tenham a possibilidade de aprender um instrumento”.

A criação do Curso Vocacional de Música em 2008, ao nível do ensino secundário, “veio aprofundar o ensino das competências musicais”, sendo uma iniciativa de sucesso, já que os alunos têm sido aceites “em instituições musicais de prestígio na China – como o Conservatório Central de Música em Pequim ou o Conservatório de Música de Xinghai em Cantão –, em Hong Kong, Taiwan, Singapura, Estados Unidos, ou Suíça, produzindo resultados encorajadores”.

Talentos natos

Hoje pode ouvir-se a voz de Omyl, que se dedica ao estudo de Canto sob orientação da professora Wang Yali, e é também membro do Ensemble Vocal e Coral do CBM. Omyl participou em apresentações importantes e competições internacionais e nacionais, incluindo o 12.º Concurso Internacional de Canto, o 8.º Concurso Liszt-Ferenc, os 13.º Jogos Mundiais de Coros nas categorias de Música Sacra e Ensino Secundário, o 2.º Festival de Música Jovem Pequim-Hong Kong-Macau (BMF), das 36.ª à 41.ª Competição Interescolar de Canto de Macau, entre outras actividades.

A aluna possui ainda o certificado ABRSM de Grau 8 em Canto e o certificado de Grau 5 em Teoria Musical. Após a sua graduação, Omyl frequentará o Departamento de Música da Universidade Nacional Sun Yat-Sen (Kaohsiung, Taiwan) para se especializar em Performance Vocal.

Claire também integra o Curso Vocacional de Música, onde estuda Flauta com a professora Chow Wai lam. É membro da Banda Sinfónica B e da Orquestra do CBM, bem como do Quinteto de Sopros. Ingressou na Orquestra Jovem de Sopros de Macau em 2020 e, em 2024, recebeu o certificado de Grau 8 em Flauta da ABRSM, com distinção.

A estudante participou no 3.º Concurso Internacional de Flauta de Hong Kong e no Concurso Internacional de Flauta Clássica MAESTRIO, frequentou masterclasses com Vincent Lucas (Flautista Principal da Orquestra de Paris), Federica Lotti (Professora de Flauta do Conservatório de Veneza), Gareth Davies (Flautista Principal da Orquestra Sinfónica de Londres) e o flautista húngaro András Adorján. Após a licenciatura, Claire dará continuidade aos estudos de Performance de Flauta na Academia de Artes Cénicas de Hong Kong.

Irene Leong Kei Tong é uma jovem pianista, natural de Macau, formada pela Universidade de Educação de Hong Kong com um Mestrado em Educação Musical. Possui os certificados de Piano e Teoria Musical de Grau 8 da Royal Schools of Music (ABRSM), o Diploma de Performance de Piano da ABRSM (DipABRSM) e a Licenciatura da Royal Schools of Music em Performance de Piano (LRSM). Durante os estudos, recebeu orientação do conceituado pianista britânico Jeremy Carter. Participou em diversas apresentações e competições nacionais e internacionais em Macau, Hong Kong, Zhuhai e Taiwan. Actualmente, é Professora Assistente na Escola de Música da Academia de Artes Performativas de Macau e colaboradora da Orquestra Jovem de Zhuhai.

5 Jun 2026

Diplomacia | Pequim proíbe entrada de quatro deputados neozelandeses

A China proibiu a entrada no país de quatro deputados neozelandeses que visitaram Taiwan em Maio, uma decisão que Wellington classificou como surpreendente. Os quatro parlamentares, pertencentes a diferentes partidos políticos da Nova Zelândia, deslocaram-se a Taiwan no início de Maio, segundo a rádio pública neozelandesa RNZ.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, disse ter ficado “surpreendido” com a decisão anunciada pela embaixada chinesa em Wellington e pediu aos diplomatas neozelandeses que abordassem o assunto junto das autoridades chinesas.

O gabinete de Peters sublinhou que a visita é compatível com a política de “Uma Só China” seguida por Wellington, segundo a qual a Nova Zelândia reconhece a posição de Pequim sobre Taiwan.

“Os membros do parlamento neozelandês são livres de tomar as suas próprias decisões sobre convites para deslocações ao estrangeiro, independentemente do Governo”, indicou um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Um participante na visita, o deputado trabalhista Duncan Webb, revelou que os parlamentares tinham sido previamente avisados pela embaixada chinesa de que poderiam enfrentar sanções caso viajassem para Taiwan.

A embaixada chinesa em Wellington afirmou que os quatro deputados ignoraram “repetidos avisos” e que a visita teve “graves consequências políticas”, constituindo uma “ingerência” nos assuntos internos da China.

Segundo a RNZ, a missão diplomática indicou ainda que a proibição poderá ser levantada caso os parlamentares apresentem um pedido de desculpas.

5 Jun 2026

Cuba | China acusa EUA de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar embargo

A China acusou ontem os Estados Unidos de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar o embargo a Cuba, após Washington ter associado a ilha ao terrorismo e a alegadas operações de espionagem chinesas.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem que “fabricar pretextos e difundir rumores e difamações” não pode servir para justificar o “brutal bloqueio” e as “sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba.

Em conferência de imprensa, Mao defendeu que as medidas norte-americanas prejudicam há décadas a economia e o bem-estar da população cubana e sustentou que a comunidade internacional se opõe amplamente a essa política. A diplomata reiterou o apoio de Pequim à soberania e à segurança de Cuba e apelou a Washington para que ponha fim “imediatamente” ao embargo, às sanções e às medidas de pressão contra Havana.

As declarações surgem depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado perante a Comissão de Relações Externas do Senado que Cuba apoiou “quase todos” os grupos violentos de esquerda da América Latina.

Rubio defendeu ainda que a ilha necessita de uma nova liderança e de uma transição baseada em “reformas sérias” para deixar de representar uma ameaça para os Estados Unidos.

A administração de Donald Trump reforçou a pressão sobre Cuba desde o início do ano, através de novas restrições e de medidas contra o sector petrolífero, que as autoridades cubanas consideram responsáveis pelo agravamento da crise económica na ilha.

5 Jun 2026

DeepSeek | Nova ronda de financiamento de 6,3 mil milhões de euros

A chinesa DeepSeek está a ultimar uma ronda de financiamento de até 7,4 mil milhões de dólares, numa das maiores operações de capital de risco de sempre na China, segundo a Bloomberg.

De acordo com a agência noticiosa, que cita fontes anónimas, os principais investidores na operação são a gigante tecnológica chinesa Tencent e a fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, contando ainda com o apoio de um fundo estatal chinês dedicado ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Segundo a mesma fonte, os investidores externos deverão injectar cerca de 30 mil milhões de yuan, dos quais um terço será assegurado pela Tencent.

O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, deverá contribuir com outros 20 mil milhões de yuan, elevando o montante total da operação para cerca de 50 mil milhões de yuan. A concretizar-se, a ronda atribuirá à empresa uma avaliação de aproximadamente 350 mil milhões de yuan, colocando-a entre as mais valiosas empresas privadas do sector tecnológico chinês.

A Bloomberg adianta que a Alibaba participou nas negociações preliminares, mas acabou por não avançar com um investimento. Segundo responsáveis da DeepSeek, a empresa pretende privilegiar a investigação em inteligência artificial em detrimento da rentabilização a curto prazo.

Liang Wenfeng afirmou que o objectivo da empresa é expandir as fronteiras da tecnologia e aproximar-se da chamada inteligência artificial geral (AGI), um conceito teórico que descreve sistemas capazes de igualar ou superar as capacidades cognitivas humanas.

Alta competição

A notícia surge semanas depois de a DeepSeek ter apresentado a versão preliminar e de código aberto do modelo V4, que a empresa afirma oferecer um desempenho comparável ao de modelos norte-americanos em áreas como raciocínio, conhecimento geral e agentes autónomos.

A tecnológica ganhou notoriedade internacional no início de 2025 com o lançamento do modelo R1, que demonstrou capacidades semelhantes às de rivais norte-americanos a uma fracção do custo.

O anúncio surge num contexto de forte concorrência no sector da inteligência artificial, onde empresas como Tencent, Alibaba, ByteDance, MiniMax e Baidu aceleraram o desenvolvimento de novos modelos, impulsionadas pela rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos e pelos esforços de Pequim para reforçar a auto-suficiência tecnológica.

5 Jun 2026

Mitra | Homem chega ao hospital inconsciente devido a incêndio

Ontem de manhã, por volta das 11h, um apartamento no segundo andar de um prédio nas imediações do Mercado da Mitra, no centro de Macau, irrompeu em chamas que, segundo o Corpo de Bombeiros, terão começado devido a um curto-circuito no fio de uma ventoinha.

Por volta das 11h30, dois homens receberam cuidados médicos no local, com a contabilidade a apontar a cinco pessoas feridas, algumas a serem transportadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, que fica nas proximidades.

Segundo o relato das autoridades, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, uma das pessoas levadas para o hospital foi um trabalhador não-residente de 39 anos que se sentiu mal durante o incêndio, e acabou por chegar ao hospital inconsciente. As autoridades adiantaram que, às 15h, o ferido ainda estava inconsciente. Até ao fecho da edição, não foram divulgados detalhes sobre o estado clínico do homem.

Os bombeiros referiram ainda que o incidente obrigou 20 pessoas a serem retiradas de casa. Entre estas pessoas, quatro homens e uma mulher ficaram retidos no apartamento devido ao fumo intenso e necessitaram de assistência dos bombeiros para abandonarem o edifício. Os bombeiros acrescentaram que estas pessoas que precisaram de ajuda têm idades compreendidas entre 33 e 70 anos.

A sala de estar do apartamento ficou danificada, assim como dois quartos e a cozinha, que ficaram enegrecidos. As autoridades referiram que as chamas se terão alastrado numa área entre cinco a seis metros.

O Corpo de Bombeiros mobilizou nove veículos de emergência para o local, característico pelas ruas estreitas e de sentido único, e 37 soldados da paz. À chegada, depararam-se com janelas e paredes enegrecidas pelo fumo, aparelhos de ar condicionado queimados e vidros espalhados na rua. A operação levou ao encerramento de algumas artérias nas redondezas.

5 Jun 2026

IIM | O Clarim distinguido com Prémio Identidade

O Instituto Internacional de Macau (IIM) anunciou a atribuição do Prémio Identidade ao jornal O Clarim, semanário trilingue de orientação católica. A revelação foi feita ontem, através de um comunicado.

“O Clarim, fundado em 1948, é o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em publicação regular. Desde a fase inicial da sua existência, e ao longo de muitas décadas, deu um contributo fundamental para a afirmação da comunidade macaense, maioritariamente católica”, justificou o IIM. “Propriedade da Diocese de Macau, ele é hoje um semanário trilingue, ao serviço da multiculturalidade da população católica de Macau, acompanhando a evolução demográfica do território”, foi acrescentado.

O júri terá ainda considerado que “o jornal aborda, à luz de uma perspectiva cristã, variados assuntos de natureza educacional, social e assistencial” que promove “a coesão em torno dos valores ecuménicos”.

O IIM atribui o Prémio Identidade desde 2003 e tem como objectivo “distinguir entidades que, pela sua acção, obra e exemplo, hajam contribuído, activa e significativamente, para o reforço, preservação e valorização da Identidade de Macau”.

No passado, esta distinção foi atribuída a personalidades como Manuel Teixeira, o escritor e advogado Henrique de Senna Fernandes, o comendador Arnaldo de Oliveira Sales, o arquitecto e investigador António Manuel Pacheco Jorge da Silva ou instituições como a Diocese de Macau, a Santa Casa da Misericórdia de Macau, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, a Universidade de Macau, entre outras.

5 Jun 2026

Pensões | ATFPM quer nova actualização em 2027

A Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) espera que o Governo de Portugal apresente uma nova actualização do valor das pensões, para o próximo ano. A posição foi tomada por Rita Santos, presidente da Assembleia-Geral da associação de Macau, durante um encontro com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.

A revelação sobre o conteúdo do encontro partiu de José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM e deputado de Macau, que divulgou um comunicado através da comunicação social.

Na reunião, Rita Santos “manifestou, em nome de todos os pensionistas residentes em Macau, o profundo agradecimento ao Primeiro-Ministro pela decisão de actualizar as pensões no ano de 2026”. Segundo a conselheira das comunidades portuguesas esta foi “uma medida muito apreciada por toda” a comunidade de pensionistas.

Depois do agradecimento, chegou o pedido de actualização para o próximo ano: “a ATFPM expressa a esperança de que o Governo de Portugal pondere oportunamente a apresentação de uma proposta de actualização das pensões igualmente para o ano de 2027”, pode ler-se no comunicado assinado por Coutinho.

Além disso, Rita Santos apresentou o “profundo reconhecimento pelo apoio que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro tem prestado aos portugueses residentes em Macau” principalmente aos “antigos funcionários públicos da administração portuguesa já aposentados” na resolução de “diversas questões”.

5 Jun 2026

Residentes do Iao Hon descrentes em relação à reabilitação

As autoridades avançaram com um plano de demolição do bairro de Iao Hon, mas o projecto enfrenta muros intransponíveis e os residentes não acreditam que a reabilitação avance. A deterioração dos edifícios do bairro há muito que começou a fazer-se sentir, com fissuras visíveis no betão armado na generalidade das infra-estruturas, saneamentos entupidos, e infiltrações.

Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto, disse à Lusa que os edifícios “deviam ser reconstruídos”, que “o sistema de água devia ser todo substituído”, e que os prédios deviam dispor de elevadores, atendendo à idade avançada de muitos residentes.

As actuais condições de vida no Iao Hon levaram vários residentes a pedir a renovação do complexo, mas, apesar de planos já aprovados pelas autoridades, ainda não existe uma data oficial para as obras.

Um dia destes

Um plano, a cargo da Macau Renovação Urbana (MUR, na sigla inglesa), foi divulgado em Abril para apenas um edifício – Son Lei, que é, de facto, um complexo de sete edifícios -, tendo como objectivo aumentar as unidades residenciais do lote de 224 para 236.

O plano prevê o aumento de 20 por cento da área útil bruta por fracção, com a altura máxima dos edifícios a atingir os 90 metros e o índice de aproveitamento do terreno a crescer de seis para dez. Pelo menos 35 por cento da área do terreno deverá ser ocupada por espaços verdes, uma raridade no bairro actual.

O ‘site’ Macaobuilding.net, uma plataforma ‘online’ local sobre engenharia e construção, apontou que o início da construção estaria previsto para 2028. A Lusa questionou a comissão de Planeamento Urbano de Macau da Direcção dos Serviços de Solos, Construção Urbana e Habitação sobre a data prevista para a demolição do bloco em causa, mas não obteve resposta em tempo útil. A MUR também não confirmou a data prevista no ‘site’ de engenharia e construção.

O deputado e engenheiro civil, Leong Hong Sai, admitiu em declarações à Lusa que a data prevista “provavelmente não se concretizará”, devido ao facto de “não haver pessoas suficientes a concordar” com o plano.

Paredes como esponjas

Ao abrigo da lei de renovação urbana de Macau, edifícios com mais de 40 anos necessitam de 80 por cento de concordância dos proprietários para qualquer projecto de renovação avançar. Um estudo da MUR de 2021, que cobriu 70 por cento das unidades do Iao Hon, concluiu que entre os proprietários 90 por cento querem a reconstrução, mas apenas 55,2 por cento estão “dispostos a pagar a sua parte”.

Chen Wo In, de 81 anos, que comprou o apartamento no Iao Hon na década de 1980, luta há anos pela reabilitação do complexo. Em Abril deste ano, entregou uma carta ao Governo a pedir que este lidere o projecto de reabilitação. Confrontada com a ideia de que a lei impõe custos aos proprietários pela reabilitação, respondeu com um grito: “É impossível! Não pode ser!”.

Filipe Afonso, arquitecto, estima que o plano da Macau Renovação Urbana prevê que cada apartamento T1 irá custar “pelo menos, dez milhões de dólares de Hong Kong”, de acordo com preços de mercado. “Eles [os proprietários] compraram os apartamentos por 20.000 dólares de Hong Kong na época. Não têm dinheiro para pagar o preço de mercado actual”, sublinhou.

Numa visita ao bairro com a Lusa, o arquitecto apontou vários “problemas de segurança”: “os edifícios estão a desfazer-se, pedaço a pedaço”. Afonso explicou ainda que os prédios foram construídos como “casas de legos”, com escadas e colunas pré-fabricadas, e que há infiltrações “por todo o lado” nas paredes exteriores, construídas apenas com cimento, o que faz com que “absorvam água como uma esponja”. O Iao Hon não beneficiou de “qualquer manutenção desde que foi construído, nos anos 1970”, observou.

5 Jun 2026

Iao Hon | Um dia num dos bairros mais densamente povoados do mundo

O bairro do Iao Hon vive a braços com problemas de higiene e prostituição, enquanto espera a reabilitação de edifícios muito degradados. O processo não tem sido fácil, numa das zonas mais densamente povoadas do mundo onde o progresso teima em não chegar

Ratos e manchas de urina, lixo espalhado, cabos emaranhados, canos a pingar, avisos sobre prostitutas, gaiolas de aço nas janelas, idosos às compras, assim é Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo.

No plano da rua, tudo parece normal: ourivesarias abertas, supermercados, cafés, restaurantes, um templo… Ao olhar-se para cima, porém, vê-se as fachadas a desfazerem-se, bolor negro e esverdeado, janelas partidas, fissuras, cimento em falta, ferro enferrujado.

Construído nos anos 1970, o Iao Hon tem sete quarteirões, 46 edifícios e 2.566 unidades, maioritariamente residenciais. A última estimativa, em 2020, registou 12.014 residentes, numa densidade superior a 140.000 por quilómetro quadrado. É uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, na cidade que tem também uma das maiores concentrações de população em todo o mundo.

Chiu Mingming, 57 anos, passou toda a vida no Iao Hon. Embora viva agora com o filho num “edifício melhor” nas redondezas, continua a gerir uma banca de artigos religiosos chineses no mercado ao ar livre, um lugar que ocupa há mais de três décadas.

Os pais de Chiu imigraram da China continental para Macau e trabalharam nas limpezas em fábricas e nos sete quarteirões do Iao Hon. Chiu recorda que, quando era jovem, a luta por espaço era constante.

“Eu, os meus pais e os meus irmãos, cinco pessoas, vivíamos todos num quarto, e depois havia uma casa de banho lá em cima”, conta à Lusa, apontando para um edifício chamado Kat Cheong. O apartamento inteiro tinha cerca de 30 metros quadrados. “Era pequeno, escuro, e não se conseguia respirar”, é como Chiu descreve a casa, que dava para uma viela estreita entre edifícios.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Enquanto fala, Chiu cumprimenta os vizinhos, idosas param para lhe comprar incenso, parece saber o nome de toda a gente.

Antes do bairro ser construído, continua, o terreno era um hipódromo. Na década de 1970, a área do Iao Hon era ocupada por quintas, fábricas e casas com telhados de zinco. A família de Chiu já aí vivia antes de se mudar para o Iao Hon. “Até criávamos porcos”, recorda com um sorriso.

A caminho de um pequeno parque dentro do Iao Hon, onde numerosos idosos se sentam de ombros colados, paredes e recantos exibem vários avisos aos transeuntes, escritos e afixados pelos residentes: “Se ali fores, vai dar que falar”, diz um alerta para dissuadir a prostituição. Outro: “cão, não mijes e não cagues aqui”.

Vida que passa devagar

No parque, alguns idosos conversam, outros fazem exercício, outros passeiam aves engaioladas, outros ainda limitam-se a olhar o vazio.

A poucos passos da banca de Chiu, numa viela ao lado de um restaurante, uma mulher desdentada está atarefada a apertar e amontoar pilhas de cartão. Ao lado, vários idosos conversam, sentados em cadeiras de plástico. Não se percebe o que dizem, mas, se questionados sobre a vida ali, queixam-se da higiene, da desordem e da segurança. Nos últimos dois anos, dizem, têm notado “pessoas suspeitas”, com bolsas, a vaguear pela área. Ninguém sabe exactamente o que fazem ali.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Catarina Chan, jornalista de 32 anos, frequentou uma escola perto do Iao Hon. Naquela época, recorda-se de ver das janelas da escola homens a falar com prostitutas. Hoje ainda tem medo de atravessar o bairro. “Era muito assustador”, diz. “Havia prostitutas na rua, e os homens passavam para perguntar o preço. A forma como olhavam para mim e para as minhas amigas… Ficávamos aterrorizadas”, conta.

Chan Kam Peng, 67 anos, reformada da construção civil, está sentada com um grupo de idosos com uma marmita que acaba de custar-lhe 20 patacas, comprada a um vendedor ambulante.

Concorda em mostrar à Lusa o apartamento onde vive sozinha. O marido morreu há uns dez anos. Tem um filho e uma filha, que a visitam às vezes. A caminho de casa, um corredor liga os apartamentos: “Isto aqui cheira tão mal, parece um caixote do lixo”, diz. Para trás vão ficando frigoríficos abandonados, máquinas de lavar, mesas, paletes, camas desmontadas, roupas penduradas, sacos com objectos, tudo alinhado no corredor estreito. “Aqui há muitos ratos e prostitutas”, solta.

Nas escadas, o cimento dos degraus desfaz-se sob os pés e cada parede parece descascar-se. Em alguns poucos espaços de parede plana, novos avisos, desta vez um específico sobre prostitutas vietnamitas.

Enquanto sobe, Chan pára várias vezes para descansar, está ofegante depois de subir cinco andares. Os filhos são ambos casados, também eles com filhos, trabalham em casinos onde ganham, um como a outra, cerca de 20.000 patacas, diz Chan. Às vezes, quando a filha trabalha no turno da noite, dorme lá em casa. Como desta vez, por isso a Lusa não pode entrar.

Luta pela requalificação

Chan Wo In tem 81 anos e, como a grande maioria das pessoas no Iao Hon, é imigrante da China continental, e trabalhou como funcionária pública antes de se reformar. Pertence ao movimento que luta pela requalificação do Iao Hon. Criou dois filhos no apartamento onde mora, e hoje também vive sozinha.

Chan Wo In, sim, abriu a porta de casa à Lusa. Uma pequena estátua de uma deusa chinesa guarda a entrada. Os ladrilhos do chão axadrezados brancos e verdes, típicos dos anos 70, conduzem a uma cadeira de madeira junto à porta. Uma panela de sopa de galinha e um par de pauzinhos ainda estão sobre a mesa do almoço. Uma cama de casal ocupa a maior parte do quarto arrumado. No tecto, uma fissura larga estende-se por mais de dois metros. As paredes estão forradas com bolor. “Comprei esta casa porque não tinha dinheiro”, diz.

Uma empresária de 70 anos de apelido Leong é proprietária da Farmácia Chinesa Iao Kei, que vende ginseng, cogumelos e barbatanas de tubarão. Imigrou para Macau e abriu a loja no Iao Hon na década de 1980. “A segurança era má naquela altura”, recorda. A loja foi assaltada várias vezes. Roubaram-lhe o colar de ouro nos anos 80 e, desde então, nunca mais usou joias.

Sou Fong tem 71 anos e é proprietária de uma banca de frutas no mercado, onde trabalha todos os dias. Comprou um apartamento de apenas um quarto de dormir no quarto andar do prédio onde mora por 30.000 patacas nos anos 2000. “Olhar para cima e ver o sol, conversar um pouco, é mais um dia”, diz em resumo da vida. “Não é tão bom não nos preocuparmos tanto com tudo? Os filhos já são crescidos e tenho dinheiro suficiente do Governo para as refeições”, conclui.

Sou, como tantos proprietários privados em Iao Hon, arrenda o apartamento que comprou a trabalhadores migrantes, que hoje são cerca de um terço da população do bairro.

Uma porta entreaberta de uma dessas casas permite contar rapidamente quatro ou cinco camas com redes mosquiteiras penduradas sobre elas, amontoadas numa sala de estar sem janelas. Ocupantes, nenhum. No Iao Hon, já quase não há crianças e só os idosos andam por lá durante o dia.

5 Jun 2026

MAM | Aceites obras para nova edição de exposição anual

Decorre entre 12 e 14 de Junho o prazo de recolha de obras de arte para a “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau”, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM). Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), esta exposição “tem como objectivo a recolha de obras de meios de expressão ocidental”, abrangendo “obras bidimensionais, tridimensionais, de vídeo e criações multimédia”.

As submissões devem ser de artistas com residência de Macau, não sendo permitida a participação de um artista em mais do que uma candidatura. Cada participante ou equipa pode apresentar apenas uma obra ou um conjunto de obras originais concluídas em 2024 ou em data posterior.

Quanto aos prémios, será instituído um “Grande Prémio do Júri” com um prémio de 80 mil patacas, sendo a obra premiada integrada na colecção do MAM, com atribuição de certificado. Destaca-se o “Prémio de Criatividade Emergente” destinado a incentivar jovens criadores até 30 anos, com prémios de 10 mil patacas. Mantêm-se os “Prémios de Obras Excepcionais”, com 10 vencedores, recebendo, cada seleccionado, um prémio pecuniário de 30 mil patacas.

Será depois organizada uma exposição colectiva “em instituições culturais e museológicas fora de Macau”, com o objectivo de “incentivar os vencedores a continuar a criar”, bem como “ampliar as oportunidades de intercâmbio e exibição das obras”. Esta mostra deverá ser realizada no próximo ano.

Na mesma nota, o IC diz esperar que, “com um sistema mais aperfeiçoado, prémios mais generosos e um mecanismo de colecção de obras, possa atrair mais quadros artísticos locais para participar na Exposição Anual e promover o desenvolvimento vigoroso das artes visuais em Macau”.

4 Jun 2026

Imprensa | Trump pediu a Xi que ajude a desbloquear negociações entre Rússia e Ucrânia

O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu pessoalmente ao homólogo chinês, Xi Jinping, que utilize a influência de Pequim sobre Moscovo para pôr fim à guerra na Ucrânia, segundo fontes citadas pelo jornal South China Morning Post.

De acordo com pessoas familiarizadas com as conversações realizadas durante a cimeira entre os dois líderes, em Maio, em Pequim, Trump transmitiu a Xi que as negociações entre Rússia e Ucrânia se encontram bloqueadas e apelou à China para convencer o Presidente russo, Vladimir Putin, a regressar à mesa de negociações com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu o jornal de Hong Kong.

O pedido reflecte a necessidade de Washington envolver Pequim nos esforços para resolver um conflito que entrou no quinto ano e que Trump colocou no centro da sua agenda de política externa desde o regresso à Casa Branca.

A guerra foi um dos temas abordados durante a cimeira, embora o comércio e o investimento tenham dominado as conversações. Segundo as mesmas fontes, questões como Taiwan e o Irão tiveram também maior destaque do que a Ucrânia nas discussões entre os dois líderes.

Trump confirmou publicamente que o conflito foi abordado durante os encontros, mas limitou-se a afirmar que se trata de um tema que os Estados Unidos gostariam de ver resolvido.

A ficha informativa divulgada pela Casa Branca após a cimeira não fez qualquer referência à guerra, enquanto o comunicado chinês apenas indicou que Xi e Trump trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e outros assuntos internacionais. Pequim aprofundou as relações com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, tornando-se um importante apoio económico e diplomático para a Rússia.

A China nunca condenou publicamente a invasão e tem rejeitado as acusações ocidentais de que ajuda a sustentar o esforço de guerra russo através do fornecimento de bens de dupla utilização, insistindo que controla rigorosamente as exportações e que o comércio com Moscovo decorre dentro da normalidade.

Dias após a partida de Trump de Pequim, Xi recebeu Vladimir Putin na capital chinesa. Na ocasião, os dois países assinaram uma declaração conjunta na qual a Rússia manifestou apoio ao desejo da China de desempenhar um “papel construtivo” na resolução da crise ucraniana por vias políticas e diplomáticas.

Trunfos no terreno

As fontes indicaram ainda que as exportações chinesas de terras raras também estiveram em destaque durante a cimeira. Washington continua insatisfeito com os controlos impostos por Pequim à exportação destes minerais estratégicos, fundamentais para a produção de semicondutores e sistemas de defesa.

Segundo as mesmas fontes, são esperadas novas negociações entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

A China impôs no ano passado amplas restrições à exportação de terras raras, suspendendo posteriormente parte dessas medidas no âmbito da trégua comercial alcançada por Trump e Xi durante a reunião realizada em Outubro, em Busan, na Coreia do Sul.

De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca em Maio, Pequim comprometeu-se a responder às preocupações dos Estados Unidos relacionadas com falhas nas cadeias de abastecimento de terras raras e outros minerais críticos.

4 Jun 2026

China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa

A China reconheceu terça-feira todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após mais de 20 anos de negociação entre os dois países, informou o Governo brasileiro. O reconhecimento sanitário amplia as possibilidades de exportação de produtos bovinos e suínos brasileiros para o mercado chinês, incluindo miúdos e carnes com osso, segundo comunicado da diplomacia do Brasil.

A decisão ocorre um ano após a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, “consolidando décadas de trabalho dos serviços veterinários oficiais, dos produtores rurais e dos governos estaduais em prol do fortalecimento da sanidade animal”, informou o Ministério de Agricultura e Pecuária do Brasil em comunicado. A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, inclusive na exportação de proteína animal.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e, desse total, cerca de 1,7 milhões de toneladas foram para a China. Esse volume representou 8,8 mil milhões de dólares em receitas.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, informou, em nota, que, este ano, a China também reconheceu o estatuto do Brasil livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira.

“E, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do ‘status’ de livre de febre aftosa sem vacinação”, destacou. “Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado”, afirmou.

O Governo brasileiro lembrou que, durante a missão presidencial de Lula da Silva à China, em Maio de 2025, os dois países assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias. “O instrumento fortalece a cooperação bilateral e amplia o diálogo entre os dois países em temas relacionados à sanidade animal e vegetal”, lê-se no comunicado.

4 Jun 2026

Brasil | Lula critica taxação dos EUA e vira-se para a China

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou terça-feira a decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25 por cento e disse que o país procurará novos mercados caso sofra restrições de Washington.

“Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro”, declarou Lula, afirmando que tem “muita sorte”, porque a China reconheceu que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa.

“Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje (terça-feira) para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês”, declarou (ver texto secundário).

Lula mostrou-se surpreendido com a decisão anunciada terça-feira por Washington, lembrando que, quando se reuniu com o Presidente norte-americano, Donald Trump, há três semanas, na Casa Branca, os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do “tarifaço”, e que três reuniões já ocorreram entre os dois países sem haver uma definição.

Os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25 por cento sobre todas as mercadorias de origem brasileira, depois de concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.

Entre as práticas que supostamente “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, protecção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol.

A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas “práticas desleais” do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de Julho.

4 Jun 2026