Brasil | Lula critica taxação dos EUA e vira-se para a China

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou terça-feira a decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25 por cento e disse que o país procurará novos mercados caso sofra restrições de Washington.

“Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro”, declarou Lula, afirmando que tem “muita sorte”, porque a China reconheceu que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa.

“Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje (terça-feira) para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês”, declarou (ver texto secundário).

Lula mostrou-se surpreendido com a decisão anunciada terça-feira por Washington, lembrando que, quando se reuniu com o Presidente norte-americano, Donald Trump, há três semanas, na Casa Branca, os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do “tarifaço”, e que três reuniões já ocorreram entre os dois países sem haver uma definição.

Os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25 por cento sobre todas as mercadorias de origem brasileira, depois de concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.

Entre as práticas que supostamente “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, protecção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol.

A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas “práticas desleais” do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de Julho.

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