Prostituição | Rede desfeita com cinco polícias entre os detidos

A Polícia Judiciária anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas

“A nossa agência desmantelou uma rede criminosa de exploração sexual organizada, desmantelou vários locais de prostituição e deteve 26 homens e mulheres de Macau, da China continental e de Hong Kong”, escreveu a Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira numa mensagem enviada aos jornalistas.

De acordo com o canal de rádio em língua chinesa da TDM, o grupo criminoso operava desde 2019, com saunas ligadas ao grupo a gerarem lucros de 790 milhões de patacas desde 2024.

A TDM, que citou um porta-voz da PJ, afirmou que os três agentes da lei no activo do Corpo de Polícia da Segurança Pública (CPSP) e os dois reformados da PJ aceitaram “subornos substanciais”, de três milhões de patacas cada, em troca de fornecerem informações sobre rusgas policiais. Os cinco são suspeitos de associação criminosa, exploração de prostituição e corrupção passiva.

A operação, realizada na segunda-feira da semana passada pela PJ, envolveu buscas em três saunas, cinco escritórios e outros 23 locais. As autoridades apreenderam bens no valor de 50 milhões de patacas, “livros de registos” e “uma grande quantidade de utensílios criminais”.

De acordo com a TDM, o grupo criminoso explorava saunas sob o pretexto de fornecer serviços de ‘spa’ e massagem, contratando mulheres para prestarem serviços sexuais a preços entre aproximadamente 2.000 patacas e 8.000 patacas por sessão.

Os estabelecimentos em causa operavam um sistema de classificação e tabela de preços com base na nacionalidade das mulheres e nos serviços prestados. As mulheres recebiam entre 1.000 patacas e 2.000 patacas por acto sexual.

Profundamente chocados

Durante a operação, a PJ levou para investigação um total de 381 pessoas, incluindo trabalhadores ilegais, trabalhadores não documentados, pessoas em situação de estada irregular e prostitutas.

Numa nota enviada à Lusa, o CPSP afirmou que os três agentes deste departamento foram encaminhados para o Ministério Público para investigação pela suspeita de envolvimento numa rede de prostituição. “O nosso gabinete está profundamente chocado e entristecido com este incidente e cooperará plenamente com as investigações”, afirmou o CPSP.

O CPSP acrescentou que leva o assunto “muito a sério” e instaurou processos disciplinares contra os funcionários envolvidos, estando estes em suspensão preventiva. A PJ, por sua vez, declarou dedicar “grande atenção” à suposta prática de crimes por agentes reformados, de acordo com um comunicado.

“A PJ reitera que não tolera qualquer acto ilegal e que vai actuar com imparcialidade e justiça, sem qualquer favorecimento, defendendo firmemente a equidade e a justiça no cumprimento da lei e a boa reputação da polícia,” declarou.

8 Jun 2026

DICJ | Negada manipulação de casinos para prejudicar clientes

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio negar algumas publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, que acusam os casinos de manipularem a distribuição das cartas de jogo

Após terem começado a circular publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio a terreiro negar a existência de batota nos casinos do território. A posição foi tomada numa resposta enviada ao Canal Chinês da Rádio Macau.

“A DICJ salienta que todo o equipamento de jogo em funcionamento nos casinos de Macau é rigorosamente regulamentado e tem o dever de cumprir das leis, normas técnicas e requisitos de segurança relevantes”, pode ler-se na resposta à emissora. “Todo o equipamento de jogo electrónico, deve ser submetido a testes e certificação por entidades independentes, acreditadas pelas DICJ, antes da entrada em funcionamento. Este processo confirma a sua conformidade com as normas técnicas, e os equipamentos só podem ser utilizados após a DICJ ter feito uma análise a autorizado a utilização”, foi acrescentado.

A DICJ explicou também que “para garantir a conformidade contínua dos equipamentos” que são realizadas “inspecções nos locais de jogo em todos os casinos, através de visitas programadas e também inspecções sem aviso prévio”.

As inspecções “abrangem a integridade dos selos dos equipamentos, comparações de versões de software, verificações de software, registos operacionais e mecanismos de geração de números aleatórios”. As autoridades revelaram também que as inspecções mais recentes tinham sido feitas entre 27 a 29 de Maio, não tendo havido o registo de “violações em nenhum dos equipamentos”.

Abertos a denúncias

Na tomada de posição, as autoridades garantem também que se forem “detectadas anomalias”, os equipamentos serão retirados dos locais de jogo e aplicadas as “medidas legais” necessárias, que não foram especificadas.

A DICJ comunicou ainda que tem agentes destacados para os casinos 24 horas por dia e se os clientes tiverem dúvidas sobre o funcionamento das máquinas podem abordar esses agentes que acompanharão o caso imediatamente.

No final da resposta à emissora, a DICJ apelou ainda ao “público a não acreditar nem a partilhar mensagens online não verificadas”, e prometeu continuar a “regulamentar rigorosamente o equipamento de jogo” para “manter a imagem positiva de Macau”.

Segundo algumas publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, as caixas que baralham as cartas são manipuladas por alguém que está nos casinos, de forma a alterar a distribuição das cartas e atribuir uma mão fraca aos jogadores. O conteúdo das publicações indica também que as pessoas perdem em Macau porque há batota e não porque têm azar.

Jogo | Controlo de Capitais vai assustar investidores

O banco de investimentos CLSA acredita que a nova legislação que intensifica o controlo de fuga de capitais do Interior vão ter impacto na indústria do jogo. Segundo o relatório mais recente da CLSA, citado pelo portal GGRAsia, não se espera que o impacto aconteça ao nível das receitas de jogo, mas antes na forma como os investidores mostram vontade para comprar acções na bolsa das concessionárias.

No relatório, a corretora justifica que os canais para trazer dinheiro do Interior para Macau “já são alvo de um escrutínio e de controlos rigorosos há muitos anos”, pelo que não espera que as mudanças “alterem significativamente” a forma como a maioria dos visitantes financia as suas actividades de jogo. As novas medidas de Pequim visam essencialmente um maior controlo dos canais existentes que permitem aos cidadãos e às empresas comprarem acções no exterior.

8 Jun 2026

929 Challenge | José Alves alerta para contraste com discursos oficiais

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge, José Alves, avisa que os obstáculos ao empreendedorismo fazem sentir-se principalmente entre estrangeiros que tentam lançar empresas na RAEM

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu na sexta-feira que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros.

A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias seleccionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças.

“As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projectos de avançar.

“A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou. Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projectos-piloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente.

Solidariedade empresarial

“As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1.420 equipas e mais de 6.000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizar‑se de 3 a 4 de Dezembro deste ano como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Pensar na Grande Baía

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso directo a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e electrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa pós‑competição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e de mais de 100 especialistas.

“A China está rapidamente a tornar‑se o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge. O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em Dezembro de 2026.

8 Jun 2026

APOMAC esclarece que aumentos de pensões em Portugal são automáticos

A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) emitiu um comunicado a esclarecer que a actualização de pensões em Portugal se deveu à lei, e não a uma decisão do Executivo liderado por Luís Montenegro.

Foi desta forma que a associação que tem como presidente da Assembleia Geral Jorge Fão reagiu às notícias e publicações colocadas a circular pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), sem nunca identificar esta instituição.

Numa mensagem dirigida “a todos os aposentados e pensionistas de sobrevivência residentes na RAEM” é indicado que as “pensões são actualizadas sempre que se tenha verificado inflação e aumento no custo de vida, uma vez que a actualização é, hoje automática, não estando dependente, por conseguinte, da boa vontade ou do capricho de quem esteja a governar em Portugal”. A APOMAC indica também que a actualização decorre assim do “dever de cumprir a Lei que, por bem, foi promulgada, em tempo oportuno”.

“Uma notícia propagada aos ‘quatro ventos’, como aquela que anda a circular, carece, normalmente, de fundamentos, o que não aconteceu no caso em apreço. Merece, por isso, o presente esclarecimento, para que os incautos e, mais ainda, os iliteratos não sejam seduzidos pela vertigem de quem pretende disseminar informações para fins inconfessáveis”, foi acrescentado.

Comunicado da discórdia

Na semana passada, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) emitiu um comunicado, assinado pelo presidente e deputado de Macau, José Pereira Coutinho, sobre uma visita de Rita Santos a Portugal.

Durante um encontro com Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Rita Santos era citada a agradecer a decisão de Luís Montenegro de actualizar as pensões para este ano. No encontro, a conselheira das comunidades portuguesas era igualmente citada a pedir um aumento das pensões para o próximo ano.

Este tipo de mensagens foi igualmente divulgado nas redes sociais, principalmente através das páginas da conselheira. No comunicado de ontem, a APOMAC nunca identifica a ATFPM nem refere os seus dirigentes, apesar de citar o conteúdo dos comunicados e indicar a existência da visita.

8 Jun 2026

Cooperação | Macau quer promover laços entre Hebei e a lusofonia

O Chefe do Executivo quer ajudar Hebei a “fortalecer o intercâmbio e a cooperação” com os países lusófonos. Numa reunião com o Governador da província chinesa, Sam Hou Fai levantou a possibilidade de partilha de experiências na formação de quadros qualificados no sector do turismo

O Governo de Macau “está empenhado em tornar-se numa ponte importante para a abertura de alto nível do país e uma janela crucial para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”, afirmou o Chefe do Executivo numa reunião com o Governador da província de Hebei, Wang Zhengpu, na passada quinta-feira. Com a missão de desempenhar o papel, Sam Hou Fai indicou que Macau pode “ajudar a província de Hebei a fortalecer o intercâmbio e a cooperação com os países lusófonos”, segundo um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS) na quinta-feira à noite.

Para tal, Sam Hou Fai sugeriu o aprofundamento da cooperação entre Hebei e Macau em áreas como economia, comércio, cultura, turismo e educação, para que os dois territórios se possam expandir para mercados internacionais.

A partilha de experiências na formação de quadros qualificados foi também referida pelo Chefe do Executivo como uma oportunidade de cooperação no “sector do turismo e na organização de projectos de convenções e exposições”.

Solidez industrial

Em relação aos objectivos da RAEM, Sam Hou Fai salientou a missão de diversificar a economia e promover o desenvolvimento saudável da sociedade, “alavancando melhor as suas vantagens únicas”, como o “apoio da pátria-mãe e interligação com o mundo”, de forma a construir “um centro, uma plataforma, uma base” e um “pólo de quadros qualificados”.

Por sua vez, o governador Wang Zhengpu afirmou que a província de Hebei possui uma longa história, património e inúmeros recursos culturais e turísticos. O responsável frisou que Hebei é uma província importante no domínio da medicina tradicional chinesa, com uma base industrial sólida, pelo que as perspectivas para o aprofundamento da cooperação com Macau nesta indústria são amplas.

O Governador garantiu que a província de Hebei continuará a participar em conferências, exposições e actividades de promoção económica e comercial em Macau para ajudar empresas de Hebei a “globalizarem-se” e “a promover a cooperação económica e comercial e de indústrias com os países de língua portuguesa e espanhola”.

A nota divulgada pelo GCS não indica a presença no encontro de qualquer representante de países lusófonos ou de língua espanhola.

8 Jun 2026

CCCM | “China tem ainda dificuldade em seduzir”, diz ex-ministro

Nuno Severiano Teixeira, professor e antigo ministro, defende que a China ainda não é uma potência global na área do “soft power”, porque “consegue conquistar, mas ainda tem dificuldade em seduzir”. A ideia foi avançada durante a apresentação do livro “Is China a Global Power?”, de Francisco José Leandro

Será a China uma verdadeira potência global nas vertentes militar, económica e do chamado “soft power”, ou seja, na capacidade de influência de outros países por uma via mais branda? O novo livro de Francisco José Leandro, “Is China a Global Power? The Three Great Walls of the Middle Kingdom” afirma que o país tem um maior poderio militar e tecnológico a nível global, o que confere o estatuto de potência, mais do que pela via negocial com outros países, ou na arte de influenciar de forma plena as relações internacionais.

A obra, editada pela Palgrave Macmillian no ano passado, foi apresentada na semana passada no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), tendo sido comentada por Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na área da Ciência Política e Relações Internacionais e antigo Ministro da Administração Interna e Ministro da Defesa Nacional.

Na sessão, Severiano Teixeira indicou que a China ” está ainda longe de atingir” esse estatuto de potência global” ‘no soft power’. “No que diz respeito aos aspectos culturais e da vida imaterial, ainda não atingiu o seu objectivo. Usando a expressão de Joseph Nye, se no ‘hard power’ a China o atingiu, no ‘soft power está ainda longe de o atingir. Ou seja, a China consegue conquistar, mas tem ainda dificuldades em seduzir”, acrescentou.

A obra de Francisco José Leandro, professor na Universidade de Macau (UM), apresenta a metáfora da muralha para descrever as várias vertentes em que a China demonstra o seu poder, seja a nível militar, cultural, económico ou de negociação diplomática, da chamada “governança global”. Segundo explicou Nuno Severiano Teixeira, “em cada uma destas muralhas o ponto em que a China se encontra é diferente”, sendo que a nível económico e tecnológico, o país “atingiu o seu objectivo de ser uma potência global “.

Neste contexto, o docente da UM disse “ter quase a certeza que os próximos cinco a dez anos vão ser surpreendentes do ponto de vista da evolução tecnológica e económica”. Estes dois aspectos estão, aliás, interligados num dos capítulos do livro, estando em causa “uma estratégia financeira com vários níveis de governação”.

Francisco José Leandro apresentou vários exemplos de como a China tem evoluído em termos tecnológicos, o que lhe pode conferir o estatuto de potência global neste domínio. Relativamente ao sistema europeu de satélites, “a China não teve acesso e criou o seu sistema, que é um dos melhores do mundo”. Depois há a aposta no Espaço: “temos uma estação internacional e depois temos a estação chinesa, exactamente porque à China não foi dada essa possibilidade”.

“Em termos de capacidades militares, a China já ultrapassou, em muito, o número de activos [face a outros países]”, declarou o académico, referindo que “a China foi a potência que mais satélites colocou no espaço em 2012”, apresentando-se “uma taxa de sucesso impressionante comparativamente às agências europeia e americana”.

Outra visão

Nuno Severiano Teixeira declarou como a China tem hoje “uma visão alternativa para a ordem internacional em que vivemos”, podendo-se questionar se o país “é um consumidor das regras, das normas internacionais, ou se é um produtor” de normas; ou se é “capaz de legitimar, do ponto de vista internacional, essa visão ou não”.

A obra de Francisco José Leandro destaca como Pequim não domina ainda o mundo a nível da chamada governança global. Conforme disse Nuno Severiano Teixeira, “a China não é ainda um grande arquitecto, mas um grande artesão que está, a pouco e pouco, a mudar”. “Diria que, depois de ler o livro, que a China é quase uma potência global, está muito perto de o ser, disso não há dúvidas nenhumas”, assumiu. Isto numa altura em que existe “numa ordem internacional complexa e muito inútil”, disse Nuno Severiano Teixeira, que defendeu que a China tem aproveitado para desenvolver algumas áreas tendo em conta as últimas políticas norte-americanas, nomeadamente “as asneiras que o Presidente Trump está a fazer com as universidades americanas”.

A China capta talentos, desenvolve o conhecimento científico, “mas não encontrou ainda o seu Hollywood”, disse o professor, numa referência à aposta que os Estados Unidos fizeram na indústria cinematográfica para se expandir e que, é hoje, das mais importantes do mundo.

Muralhas imaginárias

“Is China a Global Power?” nasce das provas de agregação que Francisco José Leandro fez no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, sob o tema “Contemporary China”, em 2022. O livro traz reflexões em torno de quatro temas, nomeadamente as três “muralhas” do “acesso tecnológico e económico”, que permitem o acesso do país ao poder material; a muralha do “acesso cultural e intangível”, que levam ao “poder intangível” e ainda a muralha “do acesso político e governança global”, que permite o “poder da governação” a Pequim. O livro faz ainda a “avaliação da capacidade de poder abrangente da China”, com recurso a “observações no terreno em que o autor argumenta que a China possui uma visão e ambição globais, posicionando-se como uma quase-potência global”, descreve-se numa sinopse divulgada pelo ISCTE.

Tiago Vasconcelos, outro dos oradores da sessão do CCCM, e docente nas áreas de Estratégia e Geopolítica, destacou que a obra deixa a reflexão sobre se as três muralhas “são as que a China tem de construir para se proteger ou controlar os fluxos de ideias, pessoas, capitais, bens e serviços, ou as suas fronteiras, um pouco à maneira da grande muralha original”; ou se, pelo contrário, “são muralhas que a China teve de derrubar ou ultrapassar, para se tornar, ou ser percebida como potência global”, isto “se já o for?”.

“No domínio material do poder o autor presta atenção à importância global da China nas questões económicas, incluindo as que respeitam a competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos da América. A questão que aqui se invoca é que se a China já ultrapassou esta grande muralha, que dificulta o acesso de novos entrantes ao patamar do poder económico e tecnológico de classe global”, questiona o académico.

Desta forma, “a conclusão [do livro], é que actualmente a China já é reconhecida como uma potência económica global”. Porém, Tiago Vasconcelos acrescentou que, ao nível “das questões culturais globais” e do “domínio intangível do poder”, a China é ainda, segundo o livro, “uma potência predominantemente interregional”.

Um certo receio

Tiago Vasconcelos disse ainda ser importante evitar “categorizações simplistas” para avaliar “um fenómeno tão complexo como é o crescimento do poder da China”. Porém, o analista considerou ser “bastante natural a preocupação com as possíveis consequências de um fenómeno tão potencialmente transformador da política mundial como é a ascensão da China, e isto é inegável”.

Em “Is China a Global Power?”, Francisco José Leandro “observa como em certas áreas o poder crescente da China tem precipitado narrativas de securização”, com o fomento de “medo nas elites e no público em geral”, por estar em causa “um fenómeno realmente novo para a maior parte das pessoas vivas, mas que alimenta, por vezes, populismos que perturbam processos de decisão”, adiantou Tiago Vasconcelos.

8 Jun 2026

Festival de cinema ‘queer’ em Macau é espaço para dialogar

O Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que arranca esta sexta-feira, pretende ser um palco de diálogo e onde se questionam preconceitos, disse ontem à Lusa o director Jay Sun.

A decorrer entre 05 e 27 de Junho, o MIQFF apresenta 24 propostas, com “uma parte significativa” das obras com origem em países europeus, disse à Lusa o director e fundador do evento, ressaltando “a estreita colaboração com consulados europeus e internacionais”.

“Não se limita, de forma alguma, à Europa. Contamos também com a ‘Asian Vision’, que apresenta histórias queer de toda a Ásia”, sublinha.

É precisamente com uma obra de Hong Kong que arranca a quarta edição deste evento cinematográfico: “Cyclone” (2026), de Philip Yung, narra a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

A projecção do filme, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, vai contar com a presença do realizador, do actor Liu Yuqiao e da argumentista Annabelle Kayee Li.

Outro dos destaques desta edição, indica Sun, é “Rosebush Pruning” (2026), uma tragicomédia do brasileiro Karim Ainouz, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde integrou a competição oficial, e tem agora estreia asiática em Macau. Inspirado no clássico italiano de 1965, “De Punhos nos Bolsos”, esta co-produçao de vários países europeus acompanha uma família abastada e disfuncional isolada numa propriedade em Espanha.

O filme aparece descrito no portal da Berlinale como uma “sátira negra”, no Festival de Cinema de Sydney, onde vai estar em cartaz este mês, como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB atribui como “comédia negra, thriller e drama”. Na classificação etária em Macau, as autoridades atribuíram a categoria de “Pornografia”, aparecendo no programa a imagem de promoção deste filme – uma fotografia de família – desfocada.

Sobre esta decisão, Jay Sun, diz “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC), não estando o festival “envolvido no processo”.

A agência Lusa perguntou ontem ao IC qual o critério para esta classificação, mas até ao momento não recebeu nenhuma resposta. De acordo com a lei de Macau, são considerados produtos “pornográficos ou obscenos” aqueles que “contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública”. “Ainda assim podemos mostrar o filme, desde que respeitemos a lei: projectar após as 23:30 e pagar a taxa correspondente”, nota.

Mais participação

Na secção asiática, destaque para “East Palace, West Palace” (1996), do chinês Zhang Yuan, e “3670” (2025), obra do sul-coreano Park Joon-ho. Ao longo destes dias, é possível também assistir a “Whisperings of the Moon” (2025), filme cambojano da cineasta chinesa Lai Yuqing, que morreu há poucos meses aos 23 anos.

O festival presta ainda homenagem a Rosa von Praunheim (1942-2025), nome artístico de Holger Mischwitzki, com a exibição de várias obras do cineasta alemão, um dos mais influentes defensores dos direitos LGBTQ+ na Alemanha. Sobre a receção do MIQFF, já na quarta edição, Jay Sun, refere que hoje existe “mais abertura para ao cinema ‘queer’ e eventos culturais LGBTQ+”: “Vemos um maior interesse por parte do público, uma maior representação nos ‘media’ tradicionais e mais pessoas dispostas a envolver-se com diferentes tipos de histórias.”

Mas o “progresso não é uma linha recta”, admite. “Continuamos a assistir a retrocessos em várias partes do mundo, seja na forma de censura ou de restrições aos direitos da comunidade LGBTQ+. Por isso, não creio que possamos dar por concluído o trabalho”, continua.

Por essa razão, diz, este tipo de eventos continua a ser importante, com os filmes a “gerarem diálogos, a desafiarem preconceitos e ajudarem a criar empatia”.

5 Jun 2026

Aperfeiçoamento contínuo | Suspeitos de burlas no programa

O CCAC detectou um caso suspeito de burla num estabelecimento de ensino envolvendo subsídios do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O responsável da instituição terá oferecido descontos em supermercados para aliciar familiares e amigos a inscreverem-se nos cursos subsidiados

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) revelou ontem ter detectado um caso suspeito de burla praticada por uma instituição de ensino para obtenção de subsídios no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O caso nasceu de informação enviado pelo Comissariado da Auditoria sobre a suspeita de registos falsos em cursos subsidiados.

Após investigação, o CCAC considerou que existiam fortes indícios de o responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau terem praticado o crime de burla para a obtenção de subsídios atribuídos através do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo.

As autoridades alegam que o responsável da instituição usou “vales de desconto para supermercados, entre outras vantagens, como contrapartidas para aliciar, familiares, amigos e outros residentes a inscreverem-se em diferentes cursos”. Os subsídios seriam aproveitados, “através das contas de aperfeiçoamento individual de cada um, atribuídos pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude”.

Verdade e consequência

O CCAC acrescenta que “alguns indivíduos admitiram” ter feito “inscrições nos cursos com o único objectivo de obter os vales de desconto para supermercados”, e que “não sabiam nada sobre os cursos em que se inscreveram”, nem tinham intenção de os frequentar.

Os cursos suspeitos terão sido ministrados a partir de Setembro de 2023 até este ano, no âmbito dos programas referentes aos anos 2023 a 2026.

“O responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau são suspeitos da prática do crime de burla previsto no Código Penal, tendo o caso sido encaminhado para o Ministério Público para os devidos efeitos”, referiu ainda o CCAC.

Foi também sublinhada a importância de cumprir a lei no uso de subsídios do Governo. O CCAC acrescentou que “os serviços responsáveis devem também reforçar proactivamente a fiscalização, para assegurar uma utilização adequada do erário público”.

5 Jun 2026

Eléctricos | Pedidos carregamentos em postos tradicionais

Leong Sun Iok pede ao Governo que equacione distribuir apoios para incentivar as gasolineiras a diversificar a oferta para carregamentos eléctricos. O deputado diz que a falta de infra-estruturas de carregamento é o principal desafio à compra de veículos menos poluentes

O deputado Leong Sun Iok quer saber se o Governo tem planos para instalar postos de carregamento para veículos eléctricos nos postos de combustíveis tradicionais. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Segundo o deputado, a adopção de veículos eléctricos faz cada vez mais sentido devido à oscilação dos preços dos combustíveis tradicionais, assim como a necessidade de adoptar políticas ambientais.

No entanto, o caminho da diversificação dos veículos em circulação apresenta resultados limitados. “Nos últimos anos, Macau tem envidado grandes esforços na promoção de veículos eléctricos, mas até ao primeiro trimestre deste ano este tipo de veículos ocupava apenas cerca de 7 por cento do total de veículos existentes”, afirmou Leong Sun Iok.

O deputado explicou igualmente que apesar de “muitos residentes manifestarem interesse em utilizar veículos eléctricos em prol da protecção ambiental”, há “vários desafios”, como a natureza dos bairros antigos, com grande densidade populacional, que fazem com que faltem infra-estruturas de carregamento de veículos eléctricos.

Segundo Leong Sun Iok, as limitações indicadas “contribuem para a desistência dos residentes na utilização dos veículos eléctricos”, o que faz com que a população tenha de “suportar os custos das deslocações” e “pressão dos preços dos produtos decorrentes das oscilações do preço dos combustíveis”.

Seguir Hong Kong

O legislador sugere ao Governo para seguir a “experiência de Hong Kong” e incentivar os postos de combustíveis tradicionais a disponibilizarem espaço para carregamento de veículos eléctricos. “Olhando para Macau, existem 21 postos de abastecimento de combustível com uma vasta cobertura geográfica e potencialidades para a reconversão”, considerou.

Leong admite que não é a primeira vez que aborda este assunto, mas que no passado o Executivo recusou distribuir incentivos às gasolineiras para fazer a reconversão, por considerar que essa mudança tem de partir das empresas, enquanto acto comercial. Agora, o deputado volta a insistir e quer que o Governo distribua apoios financeiros para que a conversão seja acelerada.

Além disso, Leong pretende a criação de “um grupo de trabalho interdepartamental” para rever e alterar os diplomas legais, e ainda definir objectivos para acelerar a construção de infra-estruturas para novas energias.

5 Jun 2026

Trânsito | Conselheiros pedem medidas imediatas após atropelamento

Vários membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediram medidas para reforçar a segurança rodoviária, de forma garantir a integridade de condutores e peões

A necessidade de implementar medidas de segurança junto das passadeiras marcou a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, que se realizou na quarta-feira. Após o atropelamento mortal na semana passada de uma criança de 10 anos, vários conselheiros abordaram o assunto nas intervenções antes da ordem do dia.

De acordo com o jornal Cheng Pou, o membro do conselho Leong Kim Kio foi um dos presentes a abordar a questão da segurança rodoviária para indicar que recentemente tem ocorrido “uma vaga de acidentes com peões em várias zonas de Macau”. Para justificar estas ocorrências, o interveniente atribuiu responsabilidades aos condutores e aos peões. Em relação aos que dirigem os veículos acusou-os de terem por hábito não ceder prioridade nas passadeiras, nem sequer abrandar a velocidade dos veículos. No que diz respeito aos peões, Leong indicou que tanto os residentes como os turistas estão demasiado focados nos seus telemóveis, pelo que atravessam as estradas sem terem o cuidado de garantir que o fazem em segurança.

O conselheiro defendeu assim a instalação nas passadeiras de sistemas de avisos aos peões, para que se foquem na estrada, em vez dos telemóveis. O responsável pediu que se siga o modelo de Hong Kong, com sinais sonoros e também luzes e marcações na estrada, para alertar melhor os peões de que estão a atravessar uma passadeira, assim como indicações pintadas no solo a indicar “olhe para a esquerda” e “olhe para a direita”.

Em relação às medidas para os veículos, Leong pediu a instalação de semáforos com a cor amarela intermitentes nas rectas e proximidades das escolas para lembrar os condutores que devem reduzir a velocidade.

Diferenças regionais

Por sua vez, a conselheira Tam Nga Lei, ligada à Associação dos Moradores, defendeu que “que as diferentes interpretações das regras de trânsito e os hábitos de circulação” nas várias regiões estão a dar origem a “problemas cada vez mais graves”.

Tam acusou os condutores de fora de apenas saberem obedecer aos semáforos e “ignorarem por completo” qualquer marcação na estrada, como passadeiras ou sinais indicativos de cedências de passagem. A conselheira considerou que todas as pessoas que tiraram a carta fora de Macau devem “frequentar” um curso online, que inclui um teste escrito, para poderem conduzir na RAEM.

Em relação às passadeiras, Tam Nga Lei defendeu a instalações de mais sinais luminosos, a pensar nas travessias da estrada à noite, mas também de pinos a separar as diferentes vias de trânsito, para impedir ultrapassagem antes das passadeiras.

Também o conselheiro Tam Chi Hou abordou o assunto, defendendo a instalação de sinais de zonas perigosas e riscos de atropelamento junto de passadeiras e cruzamentos com mais acidentes.

5 Jun 2026

EPL | Actividade na guarnição com mensagem de harmonia e igualdade

No domingo, centenas de alunos do ensino primário participaram numa actividade no Quartel militar da Taipa de celebração da “consciência da etnia” e patriotismo. O IAS garante que o evento ensinou os estudantes a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria

No passado domingo, em jeito de celebração do Dia Mundial da Criança, centenas de estudantes do ensino primário de Macau participaram na “Representação cultural e artística dos estudantes do ensino primário e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês”, no Quartel militar da Taipa. Segundo o comunicado do Instituto de Acção Social (IAS) que antecipou o evento, o programa incluiu “uma sessão de interacção entre os estudantes do ensino primário e os militares do exército, de modo a permitir que os estudantes do ensino primário sintam a atmosfera festiva e celebrem a consciência da etnia e promovam o amor pela Pátria e por Macau”.

Em resposta ao HM, o IAS indicou que as actividades para celebrar o Dia da Criança “têm como objectivo sensibilizar o público para os direitos e o bem-estar das crianças, bem como facilitar o intercâmbio cultural e artístico entre crianças de diferentes culturas e etnias, transmitindo mensagens de harmonia e igualdade”.

A entidade liderada por Hon Wai salienta que desde o regresso à pátria, o Governo da RAEM tem organizado todos os anos actividades para assinalar o Dia Internacional da Criança, recebendo sempre o apoio e resposta entusiástica das escolas locais.

Além disso, o IAS realça o aspecto educativo da actividade na guarnição em Macau. “Por um lado, permite aos estudantes presenciar de perto o valor e galhardia dos militares, aprender com a sua excelente disciplina e ganhar um entendimento intuitivo do desenvolvimento nacional. Por outro lado, permite aos estudantes aprender a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria cultura”, acrescentou o IAS.

Como o arco-íris

O IAS enfatiza que, na implementação de políticas e actividades relacionadas com crianças, “o Governo da RAEM respeita sempre a Convenção sobre os Direitos da Criança, assegurando que os direitos das crianças são respeitados, sem discriminação baseada em raça, nacionalidade ou contexto social”.

Sobre os valores que a organização pretendia passar às crianças do ensino primário na actividade na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, o IAS apontou à relevância de inculcar sentidos nacionalistas.

“O Governo da RAEM sempre atribuiu grande importância à promoção e transmissão dos valores fundamentais do amor à pátria e a Macau, e está empenhado em formar uma nova geração dotada de patriotismo e perspectiva internacional”.

5 Jun 2026

Iao Hon | Um dia num dos bairros mais densamente povoados do mundo

O bairro do Iao Hon vive a braços com problemas de higiene e prostituição, enquanto espera a reabilitação de edifícios muito degradados. O processo não tem sido fácil, numa das zonas mais densamente povoadas do mundo onde o progresso teima em não chegar

Ratos e manchas de urina, lixo espalhado, cabos emaranhados, canos a pingar, avisos sobre prostitutas, gaiolas de aço nas janelas, idosos às compras, assim é Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo.

No plano da rua, tudo parece normal: ourivesarias abertas, supermercados, cafés, restaurantes, um templo… Ao olhar-se para cima, porém, vê-se as fachadas a desfazerem-se, bolor negro e esverdeado, janelas partidas, fissuras, cimento em falta, ferro enferrujado.

Construído nos anos 1970, o Iao Hon tem sete quarteirões, 46 edifícios e 2.566 unidades, maioritariamente residenciais. A última estimativa, em 2020, registou 12.014 residentes, numa densidade superior a 140.000 por quilómetro quadrado. É uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, na cidade que tem também uma das maiores concentrações de população em todo o mundo.

Chiu Mingming, 57 anos, passou toda a vida no Iao Hon. Embora viva agora com o filho num “edifício melhor” nas redondezas, continua a gerir uma banca de artigos religiosos chineses no mercado ao ar livre, um lugar que ocupa há mais de três décadas.

Os pais de Chiu imigraram da China continental para Macau e trabalharam nas limpezas em fábricas e nos sete quarteirões do Iao Hon. Chiu recorda que, quando era jovem, a luta por espaço era constante.

“Eu, os meus pais e os meus irmãos, cinco pessoas, vivíamos todos num quarto, e depois havia uma casa de banho lá em cima”, conta à Lusa, apontando para um edifício chamado Kat Cheong. O apartamento inteiro tinha cerca de 30 metros quadrados. “Era pequeno, escuro, e não se conseguia respirar”, é como Chiu descreve a casa, que dava para uma viela estreita entre edifícios.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Enquanto fala, Chiu cumprimenta os vizinhos, idosas param para lhe comprar incenso, parece saber o nome de toda a gente.

Antes do bairro ser construído, continua, o terreno era um hipódromo. Na década de 1970, a área do Iao Hon era ocupada por quintas, fábricas e casas com telhados de zinco. A família de Chiu já aí vivia antes de se mudar para o Iao Hon. “Até criávamos porcos”, recorda com um sorriso.

A caminho de um pequeno parque dentro do Iao Hon, onde numerosos idosos se sentam de ombros colados, paredes e recantos exibem vários avisos aos transeuntes, escritos e afixados pelos residentes: “Se ali fores, vai dar que falar”, diz um alerta para dissuadir a prostituição. Outro: “cão, não mijes e não cagues aqui”.

Vida que passa devagar

No parque, alguns idosos conversam, outros fazem exercício, outros passeiam aves engaioladas, outros ainda limitam-se a olhar o vazio.

A poucos passos da banca de Chiu, numa viela ao lado de um restaurante, uma mulher desdentada está atarefada a apertar e amontoar pilhas de cartão. Ao lado, vários idosos conversam, sentados em cadeiras de plástico. Não se percebe o que dizem, mas, se questionados sobre a vida ali, queixam-se da higiene, da desordem e da segurança. Nos últimos dois anos, dizem, têm notado “pessoas suspeitas”, com bolsas, a vaguear pela área. Ninguém sabe exactamente o que fazem ali.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Catarina Chan, jornalista de 32 anos, frequentou uma escola perto do Iao Hon. Naquela época, recorda-se de ver das janelas da escola homens a falar com prostitutas. Hoje ainda tem medo de atravessar o bairro. “Era muito assustador”, diz. “Havia prostitutas na rua, e os homens passavam para perguntar o preço. A forma como olhavam para mim e para as minhas amigas… Ficávamos aterrorizadas”, conta.

Chan Kam Peng, 67 anos, reformada da construção civil, está sentada com um grupo de idosos com uma marmita que acaba de custar-lhe 20 patacas, comprada a um vendedor ambulante.

Concorda em mostrar à Lusa o apartamento onde vive sozinha. O marido morreu há uns dez anos. Tem um filho e uma filha, que a visitam às vezes. A caminho de casa, um corredor liga os apartamentos: “Isto aqui cheira tão mal, parece um caixote do lixo”, diz. Para trás vão ficando frigoríficos abandonados, máquinas de lavar, mesas, paletes, camas desmontadas, roupas penduradas, sacos com objectos, tudo alinhado no corredor estreito. “Aqui há muitos ratos e prostitutas”, solta.

Nas escadas, o cimento dos degraus desfaz-se sob os pés e cada parede parece descascar-se. Em alguns poucos espaços de parede plana, novos avisos, desta vez um específico sobre prostitutas vietnamitas.

Enquanto sobe, Chan pára várias vezes para descansar, está ofegante depois de subir cinco andares. Os filhos são ambos casados, também eles com filhos, trabalham em casinos onde ganham, um como a outra, cerca de 20.000 patacas, diz Chan. Às vezes, quando a filha trabalha no turno da noite, dorme lá em casa. Como desta vez, por isso a Lusa não pode entrar.

Luta pela requalificação

Chan Wo In tem 81 anos e, como a grande maioria das pessoas no Iao Hon, é imigrante da China continental, e trabalhou como funcionária pública antes de se reformar. Pertence ao movimento que luta pela requalificação do Iao Hon. Criou dois filhos no apartamento onde mora, e hoje também vive sozinha.

Chan Wo In, sim, abriu a porta de casa à Lusa. Uma pequena estátua de uma deusa chinesa guarda a entrada. Os ladrilhos do chão axadrezados brancos e verdes, típicos dos anos 70, conduzem a uma cadeira de madeira junto à porta. Uma panela de sopa de galinha e um par de pauzinhos ainda estão sobre a mesa do almoço. Uma cama de casal ocupa a maior parte do quarto arrumado. No tecto, uma fissura larga estende-se por mais de dois metros. As paredes estão forradas com bolor. “Comprei esta casa porque não tinha dinheiro”, diz.

Uma empresária de 70 anos de apelido Leong é proprietária da Farmácia Chinesa Iao Kei, que vende ginseng, cogumelos e barbatanas de tubarão. Imigrou para Macau e abriu a loja no Iao Hon na década de 1980. “A segurança era má naquela altura”, recorda. A loja foi assaltada várias vezes. Roubaram-lhe o colar de ouro nos anos 80 e, desde então, nunca mais usou joias.

Sou Fong tem 71 anos e é proprietária de uma banca de frutas no mercado, onde trabalha todos os dias. Comprou um apartamento de apenas um quarto de dormir no quarto andar do prédio onde mora por 30.000 patacas nos anos 2000. “Olhar para cima e ver o sol, conversar um pouco, é mais um dia”, diz em resumo da vida. “Não é tão bom não nos preocuparmos tanto com tudo? Os filhos já são crescidos e tenho dinheiro suficiente do Governo para as refeições”, conclui.

Sou, como tantos proprietários privados em Iao Hon, arrenda o apartamento que comprou a trabalhadores migrantes, que hoje são cerca de um terço da população do bairro.

Uma porta entreaberta de uma dessas casas permite contar rapidamente quatro ou cinco camas com redes mosquiteiras penduradas sobre elas, amontoadas numa sala de estar sem janelas. Ocupantes, nenhum. No Iao Hon, já quase não há crianças e só os idosos andam por lá durante o dia.

5 Jun 2026

Zhuhai | Novo espaço do LMA abre em Wanzai

A Live Music Association, espaço de música ao vivo que funcionou durante vários anos na Avenida do Coronel Mesquita, terá agora nova morada do outro lado da fronteira, em Wanzai, Zhuhai. O acesso mais fácil para lá chegar é através do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior, na Ponte 16.

O anúncio da reabertura do espaço foi feito ontem na página de Facebook do LMA, com a mensagem “New LMA open in China now!” [Novo LMA abre na China!]. O primeiro concerto está agendado para o dia 13 deste mês, a partir das 21h, com a actuação dos “Fusion Rock Power Project” com os músicos Chung e Ka Hou.

Vincent Cheang, responsável pelo projecto do LMA, disse ao HM que o novo espaço em Wanzai “combina actuações ao vivo com o estúdio de arte pessoal”. “O espaço apenas estará aberto ao público para concertos, e irá funcionar como antes”, isto quando o LMA tinha portas abertas em Macau.

Recorde-se que o LMA começou por suspender temporariamente a actividade, encerrando depois de forma definitiva, no período da covid-19. Vincent Cheang contou que o novo LMA “está instalado numa antiga fábrica de cassetes e CDs”, “um local profundamente ligado à música”, motivo que cativou o responsável pelo espaço.

A abertura do lado de lá da fronteira aconteceu devido a alguns entraves em Macau relacionados com a lei do ruído. “As actuais leis de ruído de Macau são demasiado rigorosas, e os cidadãos abusam do mecanismo de reclamação. Então, para nós, é quase impossível encontrar um local em Macau que não resulte na apresentação de mais reclamações.”

Vincent Cheang diz querer “continuar a missão de promover a música independente num local que seja próximo de Macau”, uma proximidade que seja “conveniente para bandas, produtores musicais, DJs e o público”.

4 Jun 2026

SMG | Depois do tempo quente, chuva torrencial a caminho

As temperaturas altas dos últimos dias deverão manter-se até sábado, devido a um anticiclone em alta altitude, com os termómetros nas áreas urbanas a poderem chegar aos 37 graus. A partir de domingo, os serviços meteorológicos estimam o regresso de tempestades e chuva torrencial

Macau vive nos últimos dias uma calma escaldante antes das tempestades. Segundo um alerta publicado ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), regista-se um calor intenso com temperaturas elevadas, com particular incidência nas zonas urbanas, e vento fraco. Estas condições devem manter-se até sábado, quando se estima que as temperaturas máximas já apresentem descidas.

“Macau tem registado um tempo escaldante nos últimos dias devido à influência contínua de um anticiclone em alta altitude, e prevê-se que as temperaturas elevadas se mantenham durante os próximos dois a três dias. No entanto, espera-se que a monção de sudoeste se intensifique na próxima semana, e o tempo em Macau tornar-se-á mais instável devido à influência de uma depressão”, indicam os SMG.

Para hoje e amanhã, estão previstas temperaturas acima dos 34 graus, com a possibilidade de serem mais quentes “dois a três graus nas áreas urbanas”, com a possibilidade de aguaceiros ao fim da tarde e à noite.

O outro lado

A previsão dos SMG aponta para o surgimento de tempestades e chuva torrencial a partir de domingo, com a possibilidade de este cenário se manter, pelo menos, até à próxima terça-feira.

“Prevê-se que a monção de sudoeste atinja a sua intensidade máxima a partir da próxima semana, transportando grandes quantidades de ar quente e húmido para a costa do sul da China, marcando o início do pico da época pré-inundações”, indicam as autoridades.

Além disso, uma depressão atmosférica afectará a costa do sul da China a partir do início da próxima semana, o que irá intensificar os aguaceiros e trovoadas a partir de domingo.

Os SMG indicaram também que ontem se estava a desenvolver uma zona de baixa pressão na zona central do Mar do Sul da China, com a possibilidade de se transformar em ciclone tropical. As autoridades acrescentam que as previsões indicam que a tempestade se irá deslocar para Taiwan, “com poucas probabilidades de afectar directamente Macau”. Porém, ressalvam que existem estimativas divergentes quando à evolução e intensidade da tempestade entre os vários modelos de previsão.

4 Jun 2026

Táxis | Novo concurso pode colocar 700 veículos nas ruas

A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou um novo concurso para empresas. As propostas podem ser entregues até 8 de Julho e exigem um pagamento de pelo menos 2,5 milhões de patacas

A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) lançou ontem um concurso público para atribuir 14 licenças de táxis, que podem colocar a circular nas ruas mais 700 viaturas de transporte de passageiros. O anúncio foi feito através da publicação de um aviso sobre o concurso no Boletim Oficial e de um comunicado.

“Tendo em conta a expiração gradual de alguns alvarás de táxi com prazo determinado e em resposta à procura dos serviços de táxi por parte do público, o Governo da RAEM lança este concurso público para licenças de táxi”, é justificado.

Estas licenças dizem respeito aos táxis classificados como “normais” que exibem a cor preta e que são chamados pelas pessoas quando circulam nas ruas, por oposição aos outros táxis, definidos como especiais, chamados por telefone ou aplicações móveis, alguns dos quais permitem a deslocação de pessoas com dificuldades motoras.

Segundo as estatísticas mais recentes do portal da DSAT, até ao final de Março deste ano tinham sido emitidos alvarás para a circulação de 1.254 táxis normais. A estes, juntavam-se mais alvarás para 200 táxis especiais.

Segundo o modelo do concurso revelado ontem, agora vão ser atribuídas 14 licença de táxis para empresas, que permitem às companhias escolhidas colocarem em circulação até 50 veículos, cada uma, num total máximo de 700 novos táxis. As licenças terão uma validade de oito anos.

Regras do jogo

Como parte dos requisitos do concurso público, as empresas escolhidas no âmbito do concurso público comprometem-se a “utilizar automóveis ligeiros híbridos ou movidos a energias amigas do ambiente, com lotação igual ou superior a seis passageiros”.

Além disso, é igualmente exigido que todos os veículos tenham meios para aceitar pagamentos electrónicos, e que pelo menos dois dos 50 táxis autorizados por cada uma das 14 licenças assegurem “o transporte de pessoas com mobilidade reduzida”, o que significa que pelo menos 28 dos 700 táxis têm de preencher este requisito.

Segundo as condições do concurso, este é aberto apenas a sociedades registadas em Macau que tenham como “objecto social exclusivo a exploração da actividade de transporte de passageiros em táxis”. A DSAT esclareceu também que cada sociedade só pode concorrer a uma licença e não pode deter, isoladamente ou em conjunto, mais de 300 alvarás de táxi.

O preço base do concurso é de 2,5 milhões de patacas, acrescendo os impostos de selo sobre a licença e os alvarás. A participação no concurso exige uma caução no valor de 3,5 milhões de patacas e tem de ser feita até 8 de Julho.

4 Jun 2026

MGM Resorts | Aquisição pode levar a venda da subsidiária em Macau

A possível aquisição da MGM Resorts International pelo People Inc. pode levar a multinacional a considerar vender a participação na concessionária de Macau. O dinheiro da venda pode ser utilizado para recuperar parte do investimento ou investir no Japão

A potencial aquisição da MGM Resorts International pelo grupo People Inc., ligado ao empresário Barry Diller, pode levar a multinacional americana a vender a concessionária MGM China. O cenário é traçado por analistas, na perspectiva do investidor pretender recuperar o dinheiro investido na compra da multinacional ou pretender canalizar os fundos para o Japão.

Segundo o banco de investimento CBRE Equity Research, citado pelo portal Macau News Agency, a participação da MGM Resorts International na MGM China está avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de dólares americanos. Ao mesmo tempo, todos os anos, a MGM China gera um fluxo de caixa para a empresa-mãe de 316 milhões de dólares, entre 201 milhões de dólares em dividendos e 115 milhões em receitas com despesas de administração.

O dinheiro da venda da MGM China pode ser assim considerado atractivo e utilizado para financiar o investimento na construção e exploração do primeiro casino MGM no Japão: “[A People Inc] poderá considerar a alienação da totalidade ou de parte da sua participação na MGM China para ajudar a financiar a aquisição proposta, financiar o compromisso de capital em Osaka ou devolver capital aos seus sócios minoritários”, justificou a corretora.

A possibilidade de a potencial compradora vender a participação em Macau foi igualmente abordada pela correctora Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal Macau News Agency, e tem por base a lógica do comprador tentar recuperar parte do dinheiro investido. “A MGM China vai tornar-se uma peça interessante no puzzle que é o Grupo MGM”, pode ler-se no relatório. “Tem apresentado um desempenho significativamente superior ao do mercado de Macau nos últimos anos e manteve uma quota de mercado superior à que esperávamos nos últimos trimestres”, é explicado. “Caso o negócio com a MGM venha a ser concretizado, acreditamos que existe alguma possibilidade de a People Inc. vir a procurar alienar a sua participação na MGM China”, acrescentou a Seaport.

Cenários múltiplos

Segundo a mesma fonte, a MGM Resorts International tem actualmente uma participação social de 56 por cento na MGM China.

Caso a subsidiária em Macau seja colocada à venda, a Seaport identifica como potencial compradora a empresária Pansy Ho, que já é accionista na MGM China, com uma participação superior a 24 por cento. A corretora admite que neste caso, a filha do magnata falecido Stanley Ho poderá tentar encontrar parceiros para investir.

Uma segunda possibilidade, pode passar pela participação ser adquirida pelas concessionárias Galaxy Entertainment Group ou Sands China. A Seaport Research Partners considera que ambas têm os fundos necessários e que a aquisição pode ser vista como uma forma de reforçar a posição no mercado do jogo de Macau, ao “controlar” um concorrente directo. Todavia, os analisas avisam que neste cenário a compra por uma das outras concessionárias vai estar sempre dependente da autorização das autoridades locais, que podem querer manter a competitividade no mercado.

No último cenário, é equacionada a compra da concessionária por outros agentes, que não estão activos em Macau. Este cenário é tido como mais complicado, porque a Seaport considera que o comprador vai ter de conseguir a aprovação não só de Macau, mas principalmente de Pequim. Sobre um eventual comprador, a corretora aponta que a preferência deve ser dada a um investidor chinês ou asiático.

Proposta fresca

O grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, apresentou no início da semana uma proposta para controlar a totalidade da empresa MGM Resorts International.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

4 Jun 2026

CAM | Tai Kin Ip no conselho de administração e comissão executiva

Apesar de ter saído do Governo por “motivos pessoais” nunca explicados, Tai Kin Ip vai agora integrar a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, onde pode receber um salário mensal superior a 125 mil patacas. Sam Hou Fai nomeou como novo presidente da empresa Chui Sai Cheong

O ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip foi nomeado membro do conselho de administração e membro da comissão executiva da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. A nomeação de Sam Hou Fai foi revelada ontem, através do Boletim Oficial, numa altura em que apenas se sabe que a saída de Tai Kin Ip do Governo se deveu a “motivos pessoais”, nunca clarificados.

Como administrador e membro da Comissão Executiva da sociedade responsável pela exploração do aeroporto, Tai Kin Ip terá direito a um salário definido pela Assembleia Geral da empresa. Ontem, a informação sobre o vencimento e a nomeação de Tai ainda não tinha sido actualizada no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Contudo, outros membros com as mesmas funções, como Chu Tan Neng, Kan Cheok Kuan ou Lei Si Tai, recebiam anualmente cerca de 1,75 milhões de patacas, o que divido por 12 meses significa um salário mensal superior a 146 mil patacas.

Além de Tai Kin Ip, o Chefe do Executivo nomeou o empresário e antigo vice-presidente da Assembleia Legislativa Chui Sai Cheong presidente do Conselho de Administração da CAM. Tal como acontece com Tai Kin Ip, a nomeação é válida durante um período de três anos. Actualmente, a posição de presidente do Conselho de Administração da CAM é desempenhada por Ma Iao Hang, que recebe um salário anual de 249.500 patacas, equivalente a mais de 20 mil patacas ao longo de 12 meses.

Sam Hou Fai substitui assim um membro da família Ma, ligada ao falecido empresário Ma Man Kei, por um Chui, que integra o clã criado pelo empresário da construção civil Chui Tak Seng e do qual também faz parte o ex-Chefe do Executivo Fernando Chui Sai On.

As nomeações para a CAM de pessoas com anteriores responsabilidades políticas não se ficam por aqui. Também Pun Weng Kun, anterior presidente do Instituto do Desporto, vai passar a integrar a CAM, nos mesmos moldes que Tai Kin Ip, ou seja, como administrador e membro da Comissão Executiva. O mesmo acontece como Simon Chan Weng Hong, ex-presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau, e Andy Wu, ligado à indústria do turismo, nomeados em condições semelhantes às de Tai e Pun.

Cargo vazio

Apesar da nomeação de Tai Kin Ip para a CAM, o lugar de secretário para a Economia e Finanças no Governo da RAEM continuar por preencher, um procedimento que exige uma indigitação por Sam Hou Fai, como Chefe do Executivo, e a nomeação pelo Governo Central.

Actualmente, Macau está há cerca de um mês e 20 dias sem secretário para a Economia e Finanças, cargo que está a ser desempenhado por Sam Hou Fai, em conjunto com as funções de líder do Governo. Para encontrar um período tão longo em que a RAEM esteve sem um secretário nomeado é preciso recuar ao final de 2006 e o início de 2007. Na altura, Ao Man Long, secretário para os Transportes e Obras Públicas foi exonerado, devido a um caso de corrupção, a 7 de Dezembro. A nomeação de Lau Sio Io apenas foi realizada a 14 de Fevereiro, após dois meses e sete dias. A tomada de posse de Lau aconteceu a 1 de Março de 2007, o que significou que o cargo de secretário ficou por ocupar durante dois meses e 25 dias.

4 Jun 2026

Natalidade | Apoios para escolas podem ir até 12 milhões de patacas

O Governo adiantou novos detalhes sobre os subsídios que serão criados, já no próximo ano lectivo, para que as escolas possam lidar com a baixa taxa de natalidade. Enquanto o subsídio para a fusão pode chegar a 12 milhões de patacas, o apoio para a mudança de finalidade de uma escola vai até 5 milhões

A matemática parece simples para lidar com números de consequências mais complexas para Macau: o decréscimo de nascimentos. São quatro as medidas referidas ontem, na Assembleia Legislativa (AL), por O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, para que as escolas se adaptem à baixa taxa de natalidade.

Já no próximo ano lectivo de 2026-2027 será criado o “Subsídio para a fusão de escolas”, que vai dos 4,5 a 12 milhões de patacas. Será também criado o “Subsídio para a transformação de escolas”, com valores que vão de 1,5 a 5 milhões de patacas. Tudo suportado pelo Fundo Educativo da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

“Em termos dos apoios para as infra-estruturas, vamos lançar o subsídio para a fusão das escolas, de 4,5 a 12 milhões de patacas, e vamos dar apoio em termos técnicos”, disse, em resposta a uma interpelação oral dos deputados Song Pek Kei e Chan Lai Kei.

No que diz respeito à reconversão das escolas, O Lam explicou que serão atribuídos entre “1,5 a 5 milhões de patacas para as escolas que queiram reconverter” a sua finalidade, sendo uma das opções a criação de cursos para “alunos da terceira idade”. “Iremos fazer um trabalho de orientação tendo em conta o panorama de desenvolvimento do nosso sistema de ensino, fazendo um ajuste de acordo com as necessidades reais”, adiantou.

Kong Chi Meng, director da DSEDJ, disse aos deputados que estão em diálogo com 11 escolas que se encontram em processo de mudança por falta de alunos, sendo que “neste ano lectivo [2025/2026] quatro escolas se decidiram pela fusão, sendo que uma das formas [escolhida] foi a transformação total da escola”. “Além da transformação, falou-se ainda na aposta na educação contínua ou em aulas nocturnas para idosos, mas tudo irá depender da capacidade da escola e vontade da direcção”, acrescentou.

O Lam defendeu que a “baixa taxa de natalidade é um grande desafio” para o Executivo, referindo que se pode apostar na qualidade do ensino, ao invés da quantidade. “Temos de ver a estabilidade e garantia dos docentes, que são questões alvo da nossa atenção. Vamos introduzir ajustes ao corpo docente para que isso seja resolvido.”

Professores, inovem!

Outro dos apoios criado, é o “Subsídio para promoção do desenvolvimento da escola”, que visa “financiar as escolas que apresentem um número insuficiente de alunos no 1.º ano do ensino infantil”. Também no próximo ano lectivo, com arranque em Setembro, haverá “medidas de apoio transitórias de subsídio ao ensino infantil, alargando-se o âmbito do subsídio às turmas do 2.º ano que satisfaçam os requisitos”.

Será ainda criado o “Subsídio de formação para efeitos de transição”, pensado para professores que queiram fazer a sua reconversão profissional, apostando-se ou na mobilidade interna ou na formação profissional.

“Em termos de mobilidade interna, no ano lectivo de 2026-2027, iremos realizar uma formação complementar para o ensino primário, para que os professores possam leccionar no ensino secundário. Vamos ter uma acção de formação para a educação inclusiva e dar financiamento para que os docentes se possam mobilizar a nível interno”, disse a secretária.

O deputado Chan Hao Weng interveio no debate dizendo que “no futuro vai ser mais grave a situação da baixa taxa de natalidade”. “Recentemente foram despedidos oito ou nove professores de uma escola e creio que haverá mais casos destes. Mas a baixa taxa de natalidade é uma oportunidade de mudarmos da quantidade para a qualidade, podendo melhorar o rácio entre professor e número de alunos por turma.”

O deputado deixou ainda um apelo, dizendo que “os professores têm de ser mais versáteis”, podendo “fazer muitas actividades, participar em muitas competições”, sendo feita uma “melhor distribuição” pelas escolas.

4 Jun 2026

Jogo | Seaport diz que receitas superaram as expectativas

Após ter sido revelado um crescimento anual de 6,7 por cento das receitas do jogo em Maio, a Seaport Research Partners aponta que o resultado foi melhor do que o esperado

Um resultado que “superou as expectativas mais recentes”. Foi desta forma que a correctora Seaport Research Partners reagiu à divulgação das receitas brutas do jogo nos casinos, que atingiram 22,61 mil milhões de patacas em Maio, um crescimento anual de 6,7 por cento.

Segundo o relatório mais recente da Seaport sobre o mercado de Macau, citado pelo portal GGR Asia, Maio superou as expectativas dos analistas, o que foi justificado com “uma forte actividade no segmento premium”. Este é um segmento do mercado de massas em que as apostas podem chegar às 100 mil patacas por mão.

Apesar dos resultados positivos, a Seaport Research Partners indica que o segmento dos grandes dos apostadores, também conhecido como VIP, apresentou receitas mais “modestas”, o que se poderá ter ficado a dever a uma maior incapacidade para motivar os jogadores a regressarem às mesas de jogo.

“Acreditamos que as receitas brutas do jogo em Maio foram afectadas negativamente pela baixa retenção dos jogadores VIP, que se segue igualmente a uma baixa retenção em Abril”, foi explicado.
Também no relatório divulgado na segunda-feira, o analista Vitaly Umansky afirma que a procura pelo jogo continua “saudável”, dado que é apoiada pelo mercado premium e pela liquidez continua.

Em relação ao que resta do ano, a Seaport Research Partners espera um abrandamento da taxa de crescimento das receitas. Nos primeiros cinco meses do ano houve um crescimento anual de 10,9 por cento, para 108,4 mil milhões de patacas. No entanto, Umansky perspectiva que na segunda metade este ritmo abrande, pelo que no final do ano as receitas irão apresentar um amento de 6,2 por cento.

Força do segmento premium

No documento de análise ao mercado do jogo, a Seaport Research Partners aponta que a recuperação do jogo pós-covid está a ser impulsionada principalmente pelo segmento premium, tido como o “principal motor da recuperação do mercado”.

Sobre este segmento, em comparação com 2019, o último ano em que as receitas não foram afectadas pela pandemia da covid-19, Vitaly Umansky aponta que o segmento premium apresenta um crescimento de aproximadamente 170 por cento.

Como factores positivos para este segmento do mercado, o analista aponta as políticas de emissão de vistos mais flexíveis e o fácil acesso ao crédito. Em Maio, as receitas do jogo cresceram anualmente 6,7 por cento de 21,2 mil milhões de patacas para 22,6 mil milhões de patacas. Nos primeiros cinco meses do ano o crescimento anual foi de 10,9 por cento, de 97,7 mil milhões de patacas para 108,4 mil milhões de patacas.

3 Jun 2026

Trânsito | Coutinho pede medidas para aumentar segurança

Pereira Coutinho quer medidas urgentes para melhorar a segurança rodoviária na sequência do atropelamento mortal de um menino de 10 anos. O deputado sugere a optimização das passadeiras e sinalização de trânsito, assim como formação obrigatória para condutores de fora

O deputado Pereira Coutinho defende a implementação urgente de medidas que melhorem a segurança rodoviária, em reacção ao atropelamento mortal de um menino de 10 anos, quando atravessava a estrada numa passadeira da Avenida do Conselheiro Borja na semana passada.

Numa interpelação escrita, o legislador pergunta às autoridades se vão corrigir os problemas rodoviários dos chamados pontos negros, como passadeiras instaladas em curvas, e se há planos para relocalizar passadeiras, rever a sinalização e instalar semáforos. Pereira Coutinho defende que as autoridades devem dar prioridade à “segurança dos peões, especialmente crianças e idosos, nas vias de elevada sinistralidade”.

Na altura do acidente mortal, foi divulgada a matrícula do veículo envolvido e alguns internautas publicaram a identificação condutor, que alegadamente teria um nome que em pinyin aparentava ser de Taiwan. Como tal, Pereira Coutinho pediu medidas para colmatar a falta de conhecimento de condutores de fora em relação às regras e condições rodoviárias de Macau.

Apesar do recorrente desprezo local pela cedência de prioridade a peões em passadeiras do território, o deputado defende que as autoridades devem garantir que os condutores de fora cumprem “os padrões de segurança locais” e reduzir riscos de acidentes. O deputado sublinha “o agravamento dos riscos devido à mentalidade e costumes de condutores habituados a conduzir noutras zonas adjacentes que desconhecem as regras e costumes locais bem como as particularidades rodoviárias do burgo, agravado por diferenças linguísticas e culturais”.

Como tal, pede regulamentação, fiscalização, formação obrigatória ou limitações laborais de condutores oriundos do exterior.

Inteligência ao volante

O deputado pergunta também ao Governo se estão previstos investimentos para “superar o actual atraso tecnológico implementando-se um verdadeiro sistema de transporte inteligente em Macau com recolha e análise de dados em tempo real, a sincronização semafórica, a fiscalização electrónica”.

São também elencados problemas de trânsito, que o deputado considera estruturais, como “duplicação de obras de escavação com transtornos para moradores e prejuízos para lojistas”, “concepção deficiente de passadeiras sem semáforos em vias de alto risco”.

Na passada segunda-feira, verificou-se um novo atropelamento numa passadeira na Avenida Ouvidor Arriaga, desta vez sem consequências graves, quando um motociclo atropelou uma idosa e uma criança de cinco anos, avó e neta. As vítimas foram assistidas no Centro Hospitalar Conde de São Januário devido a ferimentos ligeiros nas mãos e pernas, mas os seus estados clínicos não inspiraram cuidados.

Família pede fim de homenagens

A família do menino de 10 anos morto a tentar atravessar a estrada na passadeira pediu à população para colocar um fim às várias homenagens ao seu filho.

A mensagem da família foi deixada pelo director da Escola Lin Fong Pou Chai, Ho Man Fai, que nos últimos dias recebeu donativos oferecidos pela população para família afectada pela tragédia. Em declarações à comunicação social, Ho Man Fai afirmou que a família agradece “as sinceras condolências da população nos últimos dias”, inclusive com visitas dos residentes à Casa Mortuária do Kiang Wu.

Contudo, chegou a altura do funeral, pelo que a família espera ter “paz” para se focar na última despedida. Ho Man Fai também revelou que depois do acidente foi enviada uma carta às autoridades a apresentar a situação rodoviária junto da escola e a pedir que sejam tomadas medidas para melhorar a segurança e tentar evitar que ocorram mais situações deste género.

3 Jun 2026

Comunidades | Presidência de Rui Marcelo confirmada

O diferendo na secção local de Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas continua a marcar as reuniões do Conselho Permanente. Desta vez, foi revelado que Rita Santos tentou marcar uma reunião para escolher o presidente da secção local

O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas confirmou Rui Marcelo como presidente da secção local da China/Macau. A decisão foi tomada a 21 de Março, era contestada por Rita Santos, e consta da acta da reunião do Conselho Permanente.

Segundo o documento que relata o encontro de 21 de Março, é possível perceber que Rui Marcelo marcou uma reunião electrónica para 10 de Março com os membros efectivos da secção de Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas: o próprio, a secretária do conselho Marília Coutinho e ainda Rita Santos.

No dia da votação apenas terão comparecido Rui Marcelo e Marília Coutinho, com o actual presidente a ser eleito com os dois votos necessários, entre os três membros efectivos do conselho. Todavia, a data da votação foi contestada por Rita Santos, que tentou marcar a reunião para 11 de Março, embora sem sucesso, porque estaria ocupada na data de 10 de Março: “A Conselheira Rita Santos contestou, afirmando que havia convocado reunião para 11 de Março, a qual foi declarada ilegal por Rui Marcelo, que em alternativa marcou eleições para 10 de Março, data incompatível com as suas obrigações associativas”, pode ler-se no documento oficial.

Rita Santos criticou também Rui Marcelo por não ter convocado os conselheiros suplentes para a reunião electrónica. “Rita Santos criticou ainda a exclusão dos conselheiros suplentes da reunião electrónica”, é indicado.

Suplentes com Rita

As críticas de Rita Santos foram apoiadas pelos suplentes Luís Nunes e Maria João Gregório: “Os suplentes do Círculo da China, Luís Nunes e Maria João Gregório, lamentaram a ruptura com a prática anterior de inclusão, afirmando que, desde que Rui Marcelo assumiu a coordenação, os suplentes foram afastados das reuniões e das actividades, e que o tom utilizado pelo Presidente da Secção era frequentemente inquisitivo”, foi relatado.

No encalço das dúvidas, Maria João Gregório “solicitou formalmente” e “por escrito” um “esclarecimento definitivo sobre o papel, os direitos de participação e os limites de actuação dos suplentes”.

Na resposta, Flávio Alves Martins, presidente do Conselho Permanente, “reconheceu a legitimidade da eleição do Conselheiro Rui Marcelo, baseada na maioria dos membros efectivos presentes”, dado que houve uma maioria de dois membros efectivos num total de três. O presidente do Conselho Permanente também indicou que “qualquer juízo de valor sobre o desempenho deverá ser emitido futuramente pela comunidade local em sede eleitoral”.

Sobre o papel dos conselheiros suplentes, Flávio Alves Martins prometeu uma resposta por escrito, mas esclareceu que podem “ser convidados a participar nas reuniões com direito de voz, mas não de voto”.
Flávio Alves Martins avisou também os membros suplentes que não podem emitir “qualquer documento escrito em nome do CCP” se que haja a assinatura de um membro efectivo, que “assume a responsabilidade perante o Conselho”.

3 Jun 2026

Cheque | 56 mil pedidos de residentes com menos de 183 dias na RAEM

Entre os pedidos de residentes, que estiveram menos de 183 dias em Macau, para receber o cheque pecuniário, cerca de 53 mil foram aprovados, 1.000 foram recusados e os restantes estão a ser avaliados

Até ontem, as autoridades receberam cerca de 56 mil pedidos de cidadãos que passaram menos de 183 dias no território em 2024 e que pretendem receber o Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico para o Ano de 2025. O número foi adiantado ontem por Chan Pou Wa, presidente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social (FSS), durante uma conferência de imprensa.

“Em relação ao ano de 2025, até agora recebemos 56 mil requerimentos [de pessoas que não ficaram 183 dias em Macau]. Entre estes, 53 mil requerimentos foram aprovados e já receberam o dinheiro”, afirmou Chan Pou Wa. “Mas o número vai aumentar porque o tempo para apresentar pedidos ainda está a correr”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, a responsável indicou que foram recusados cerca de 1.000 pedidos por não reunirem os requisitos, enquanto os “restantes” ainda estão a ser analisados.

Segundo as novas regras de atribuição do plano de comparticipação pecuniária, que entraram em vigor no ano passado, apenas os residentes que passam pelo menos 183 dias na RAEM ficam habilitados a receber 10 mil patacas, se forem residentes permanentes, ou 6 mil patacas, se forem residentes não-permanentes.

No entanto, as regras contemplam excepções, para menores de 22 anos cujo um dos pais esteja habilitado a receber o cheque, as pessoas que recebam pensão de invalidez ou subsídio de invalidez, aqueles que precisam de estar fora de Macau para receberem tratamento médico, que estudam no exterior ou trabalham na Grande Baía.

Ontem, os representantes do FSS afirmaram não terem ainda dados sobre o montante que foi efectivamente gasto no âmbito do programa de 2025. No entanto, Chan admitiu que foram aceites pedidos de residentes não-permanentes que passam menos de 183 dias em Macau. Os pedidos de isenção em relação ao cheque de 2025 podem ser entregues até 31 de Dezembro de 2028.

Avisos à navegação

Durante a conferência de imprensa de ontem, o chefe de Divisão de Assuntos Gerais do Regime de Previdência do FSS, Ho Hoi Sang, avisou a população para não tentar falsificar documentos comprovativos da ausência do território, para receberem o cheque pecuniário. “Se houver declarações falsas, além de terem de devolver a verba recebida, também têm de assumir responsabilidade criminal”, afirmou.

No entanto, o responsável reconheceu que no ano passado não se registou qualquer caso de falsificação.

A conferência de imprensa de ontem serviu essencialmente para o FSS apresentar as alterações e simplificação dos procedimentos de preenchimento dos pedidos de isenção dos 183 dias face ao cheque deste ano, através da Conta Única.

O portal para os pedidos de isenção vai ser publicado online a 15 e Junho, data em que os pedidos também podem ser apresentados através da Conta Única e nos balcões de atendimentos dos serviços da RAEM.

Uma vez que os pedidos de isenção podem ser apresentados durante um prazo de três anos, até 31 de Dezembro de 2029, Chan Pou Wa pediu à população para não correr para os balcões de atendimento logo nos primeiros dias.

3 Jun 2026

Governo revela prudência em projecto da quinta travessia Macau-Taipa

Não há data para o início da construção da quinta ligação entre a península e a Taipa, segundo indicou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado José Pereira Coutinho.

“Os trabalhos relativos à quinta ligação Macau-Taipa encontram-se ainda em fase de estudo”, estando prevista a “ligação entre a zona do NAPE e Zona D dos Novos Aterros Urbanos através de túnel”.

Segundo explicou o secretário, “esta solução irá permitir não só escoar de forma eficaz o trânsito entre as zonas, como também acompanhar o desenvolvimento da Zona D e da futura Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, a implantar no lote de terreno marginal situado a leste da Torre de Macau”.

Raymond Tam disse ainda que a futura ligação poderá “integrar vias rodoviárias no nível superior e a circulação do Metro Ligeiro no nível inferior, articulando-se com a Linha da Taipa Centro prevista no plano de desenvolvimento das linhas do Metro Ligeiro, bem como estabelecendo ligação à Linha da Taipa Norte, com destino final na Estação do Jockey Clube”.

Com tranquilidade

Da parte dos deputados ficaram ideias de prudência quanto à edificação de mais um projecto de obras públicas de grande dimensão. “Temos de ter cautela na concepção da quinta travessia entre Macau e Taipa, e temos de saber o panorama de utilização da Ponte da Amizade e de Sai Van”, disse Ip Sio Kai.

O secretário disse que está a ser analisada ainda a viabilidade de construção da quinta ponte tendo em conta o panorama geral de trânsito e as conexões com regiões vizinhas. Foi referido no debate um estudo realizado há dez anos sobre o trânsito em Macau, mas Raymond Tam lembrou que a situação, entretanto, mudou.

“Estamos a fazer situações de triagem na Ponte da Amizade. A densidade de circulação de veículos é muito elevada na Ponte Macau e temos de desviar alguns veículos pesados para outras pontes. Quanto à quinta ligação, alguns deputados pedem maior rapidez, outros querem que se trabalhe de forma mais prudente, mas vamos trabalhar consoante a situação de trânsito. Vamos ponderar a situação de trânsito das quatro ligações existentes”, concluiu o secretário.

3 Jun 2026

Casinos-satélite | Governo revela existência de projectos de investimento

O Executivo assegura que existem planos de investimento para transformar os casinos-satélite em “espaços comerciais multifuncionais” com áreas de restauração. Raymond Tam prometeu analisar a criação de mais zonas pedonais nos arredores dos casinos encerrados

O Governo parece já ter uma ideia para o aproveitamento dos espaços que albergavam os casinos-satélite encerrados no ZAPE – Zona de Aterros do Porto Exterior. Em resposta a uma interpelação oral do deputado Kevin Ho, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, assegurou que “encontram-se em curso projectos de investimento destinados à criação de espaços comerciais multifuncionais”, e que deverão abranger “o comércio a retalho de armazéns e quinquilharias, restauração, farmácias de suplementos de saúde, entre outros”. O secretário garantiu que já existem “alguns estabelecimentos da zona de retalho de armazéns e quinquilharias abertos ao público”.

No debate realizado ontem na Assembleia Legislativa, o governante explicou que, segundo a Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), “em Março deste ano todos os procedimentos relativos ao encerramento dos casinos-satélite foram concluídos”, sendo que, “em princípio, todos os espaços podem ser aproveitados”.

“O Governo deixa uma mensagem clara: encorajamos os interessados a aproveitar estes espaços e vamos colaborar nesta iniciativa”, disse o secretário, garantindo que o processo de pedido de licenças não deverá ser complexo. “No pedido de licença administrativa que não envolva mudança de finalidade, o processo não deverá ser muito prolongado.”

Neste ponto, o deputado Kevin Ho, autor da interpelação oral, sugeriu a realização de “actividades pop-up”, ou seja, de curta duração, nos espaços deixados vazios pelo fecho destes casinos. “Acredito que as associações podem aproveitar estes espaços para a realização de actividades que levem pessoas a esta zona”, disse.

Neste caso concreto, Raymond Tam disse mesmo que “se não for preciso requerer licença, o procedimento é ainda mais simples”. “Não sei se está em causa a vontade dos investidores e não tenho uma conclusão, mas penso que estes espaços não estão sujeitos a processos administrativos complexos”, adiantou.

Condições difíceis

Na reunião plenária de respostas a interpelações orais, vários deputados deixaram sugestões e alertas sobre o difícil panorama económico que se vive em Macau, que pode fazer com que não haja vontade de reaproveitar os antigos casinos-satélite. “Têm de haver sectores dominantes para trazer negócios para a zona e nesta situação complicada ninguém quer investir em Macau”, referiu José Pereira Coutinho.

Já José Chui Sai Peng disse que “amigos do sector empresarial desejam saber se há um desenvolvimento favorável na zona”, dado existirem no ZAPE “equipamentos muito bons para investimentos”. A sugestão do deputado foi o arrendamento de espaços para a “dinamização com actividades que são famosas no Interior da China”.

Ip Sio Kai aconselhou a criação de “passagens superiores de peões com características”, ou seja, com temas específicos a fim de atrair visitantes que podem, depois, dinamizar o comércio. “As pessoas podem, depois, fazer ‘check-in’ [participar em actividades com recurso a formatos digitais, como códigos QR]. Este tipo de sítios característicos pode captar muitas pessoas”, disse.

Raymond Tam prometeu também analisar a criação de mais zonas pedonais na zona. “Antes do encerramento dos casinos-satélite melhorámos alguns passeios para facilitar a circulação pedonal na zona, mas se for necessário vamos continuar a trabalhar [nesse projecto]. O ZAPE é uma zona muito movimentada e já há bastantes passeios para facilitar o fluxo de pessoas, mas vamos continuar a melhorar o nosso trabalho”, rematou.

3 Jun 2026