Mundial 2026 | Hong Kong detém 150 pessoas devido a apostas ilegais de 35 ME

A polícia de Hong Kong anunciou a detenção de 150 pessoas alegadamente envolvidas num esquema de apostas ilegais através da Internet e voltou a apelar contra as apostas ilegais no Mundial 2026 de futebol.

Numa conferência de imprensa realizada na terça-feira à noite, a polícia estimou que o grupo terá movimentado mais de 320 milhões de dólares de Hong Kong desde Julho de 2025. Numa operação que decorreu ao longo de três dias, cerca de 600 agentes realizaram rusgas em unidades industriais em vários locais da região semiautónoma chinesa.

Os detidos têm entre 18 e 75 anos e incluem, além de 86 apostadores, titulares de contas bancárias usadas para branqueamentos de capitais e os alegados cabecilhas do grupo, que terão ligações às tríades.

A polícia acredita que desmantelou quatro centros de processamento de apostas, três centros de promoção e um local de recrutamento de apostadores, cujas apostas individuais atingiam 300 mil dólares de Hong Kong.

De acordo com a imprensa local, a operação teve como alvo oito portais não autorizados no território, que ofereciam apostas em futebol, corridas de cavalos e outros desportos. A concessionária sem fins lucrativos Hong Kong Jockey Club detém o monopólio das apostas em partidas de futebol e em corridas de cavalos na antiga colónia britânica.

A polícia apreendeu um milhão de dólares de Hong Kong em dinheiro, quatro milhões de dólares de Hong Kong em bens, assim como computadores e telemóveis.

18 Jun 2026

Médio Oriente | Pequim anuncia ajuda humanitária ao Irão e ao Líbano

A China anunciou ontem uma nova ronda de ajuda humanitária ao Irão e ao Líbano, destinada a apoiar esforços de recuperação e reconstrução após a crise humanitária provocada pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que Pequim acompanha com “profunda preocupação” os efeitos desencadeados pelo conflito na região.

“Tendo em conta as necessidades actuais, a China decidiu fornecer em breve uma nova ronda de ajuda humanitária ao Irão e ao Líbano, para apoiar os respectivos povos nos trabalhos de recuperação e reconstrução, bem como na melhoria das condições económicas e sociais”, declarou o porta-voz.

Lin acrescentou que a China continuará a promover o diálogo e as negociações de paz, para contribuir para o rápido restabelecimento da paz e da estabilidade no Médio Oriente.

Apesar de os Estados Unidos e o Irão terem anunciado, no domingo, um acordo para pôr termo a mais de 100 dias de guerra na região, as Forças Armadas iranianas advertiram ontem que Israel manteve operações militares em território libanês.

Segundo o comando militar iraniano, as acções israelitas provocaram novas vítimas no Líbano e contradizem os compromissos de desanuviamento promovidos por Washington e Teerão.

Desde o início do conflito, a China condenou repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, embora tenha também apelado ao respeito pela soberania e segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

18 Jun 2026

MNE | China apela a maior respeito pela ONU e maior representação do Sul Global

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem um maior respeito pela autoridade da ONU e uma reforma que aumente a representação dos países em desenvolvimento, alertando para o regresso da “lei da selva” nas relações internacionais.

Segundo declarações citadas pela imprensa estatal chinesa, Wang afirmou que a comunidade internacional criou a ONU há mais de 80 anos, após constatar a “catástrofe humana” provocada pelo predomínio da lei do mais forte durante as duas guerras mundiais.

“Hoje, se o multilateralismo parece falhar, não é porque as Nações Unidas tenham deixado de ser importantes, mas precisamente porque a sua autoridade e o seu papel não foram respeitados nem exercidos”, declarou o chefe da diplomacia chinesa, por ocasião da publicação do livro branco “Construir um sistema de governação global mais justo e razoável: as ideias, iniciativas e ações da China”.

Wang acrescentou que o regresso da “lei da selva” não se deve ao facto de a Carta da ONU estar “ultrapassada”, mas sim por não ter sido “cumprida nem defendida de forma eficaz”.

Perante os desafios globais, o ministro considerou “urgente” cumprir as obrigações previstas na Carta das Nações Unidas, praticar a igualdade soberana entre Estados, respeitar o direito internacional e opor-se à “intimidação dos mais fortes”.

O responsável apelou ainda ao apoio à ONU para que desempenhe um papel central na construção de consensos, na coordenação da acção internacional e na resposta aos desafios globais.

Posição clara

Wang defendeu também uma aceleração da reforma da organização para “responder às exigências dos países em desenvolvimento” e reforçar a representação e a voz dos países do chamado Sul Global.

A posição insere-se numa linha recorrente da diplomacia chinesa, através da qual Pequim se apresenta como defensora do multilateralismo e de uma ordem internacional “centrada na ONU”, em contraposição ao que descreve como “unilateralismo”, “hegemonismo”, “mentalidade de Guerra Fria” e “regresso à lei da selva”.

Esta narrativa tem sido frequentemente utilizada pela China em relação a conflitos como os da Ucrânia, Gaza e Irão, bem como em resposta a críticas ocidentais sobre direitos humanos e sanções.

18 Jun 2026

Qinghai | Dois novos sismos abalam província após terramoto que causou um morto

Dois sismos, de magnitude 3,3 e 4,1, abalaram, entre a noite de terça-feira e a manhã de ontem, a prefeitura de Haixi, oeste da China, na sequência do sismo que no dia anterior causou um morto e oito feridos.

O Centro de Redes Sismológicas da China informou que o primeiro dos novos tremores ocorreu às 22:19 de terça-feira, com magnitude de 3,3, a 10 quilómetros de profundidade.

O segundo ocorreu às 10:06 de ontem, com magnitude de 4,1 e também a 10 quilómetros de profundidade, segundo as medições oficiais. Ambos os tremores foram registados em áreas próximas do epicentro do sismo principal, ocorrido na terça-feira às 17:06, na prefeitura autónoma de Haixi, na província de Qinghai.

As autoridades de Qinghai elevaram para oito o número de feridos pelo sismo de terça-feira, face aos quatro inicialmente comunicados, e precisaram que todos receberam alta do hospital após receberem cuidados médicos.

O Governo provincial informou ainda que cerca de 3.000 pessoas foram alojadas em cinco pontos de acolhimento habilitados para os afectados, entre as quais 1.286 são estudantes e professores. Na zona foram mobilizados cerca de mil socorristas e 178 veículos, e as autoridades centrais chinesas enviaram 10.000 artigos de ajuda, aos quais se somaram outros 2.500 enviados pelos governos locais.

O oeste da China (onde se situam as regiões autónomas do Tibete e de Xinjiang, e províncias como Gansu ou Qinghai) é frequentemente afectado por estes movimentos sísmicos, devido à sua proximidade do local onde as placas tectónicas da Eurásia e da Índia se chocam, nos Himalaias.

No entanto, devido à baixa densidade populacional, estes fenómenos não costumam causar danos significativos.

18 Jun 2026

IA | DeepSeek supera 43 mil milhões de euros em valor de mercado, diz imprensa

A empresa chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek ultrapassou uma valorização de 50 mil milhões de dólares após a sua primeira ronda de financiamento, segundo a imprensa norte-americana.

A empresa, que lançou em Abril o seu mais recente modelo de IA, denominado V4, surpreendeu o seCtor tecnológico no início de 2025 com um modelo de linguagem de baixo custo capaz de rivalizar com concorrentes norte-americanos.

Segundo o Wall Street Journal e o The Information, que citam fontes próximas do processo, a DeepSeek arrecadou recentemente mais de 50 mil milhões de yuan, numa operação que avalia a empresa em mais de 50 mil milhões de dólares.

A título de comparação, a empresa norte-americana Anthropic está avaliada em cerca de 96,5 mil milhões de dólares após uma ronda de financiamento de 6,5 mil milhões de dólares, enquanto a OpenAI atingiu uma valorização de cerca de 85,2 mil milhões de dólares.

As duas empresas norte-americanas iniciaram nas últimas semanas diligências para uma eventual entrada em bolsa, o que poderá indicar que o ciclo de financiamento privado em valores recorde está a aproximar-se dos seus limites.

O Wall Street Journal e o The Information indicam ainda que o fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, realizou o maior investimento da ronda, no valor aproximado de 20 mil milhões de yuan. Os dois órgãos referem também que o Fundo Nacional de Investimento na Indústria da Inteligência Artificial, apoiado pelo Governo chinês, investiu cerca de mil milhões de yuan directamente na DeepSeek.

Entre os restantes investidores, figuram alegadamente a tecnológica Tencent, a plataforma de comércio electrónico JD.com, o fabricante de baterias CATL e a editora de videojogos NetEase. Os sistemas da DeepSeek são de código aberto (‘open source’), o que significa que o seu funcionamento interno é público e pode ser adaptado por programadores às suas necessidades.

18 Jun 2026

‘Instagram chinês’ Xiaohongshu prepara entrada em bolsa em Hong Kong

A Xiaohongshu, equivalente do Instagram na China, está a preparar-se para apresentar ainda este mês um pedido de entrada na Bolsa de Valores de Hong Kong, avançou ontem a imprensa local.

Segundo fontes citadas pelo portal noticioso chinês 163.com, a Xiaohongshu ainda não definiu aspectos como o calendário da oferta pública inicial (IPO), o montante que pretende angariar ou a valorização a que aspira.

O mesmo portal recorda, contudo, que a possibilidade de uma entrada em bolsa tem sido alvo de especulação recorrente nos últimos anos. Em 2018, a cofundadora da empresa, Miranda Qu, chegou a indicar 2021 como prazo máximo para concretizar a operação, algo que acabou por não se materializar.

Posteriormente, surgiram rumores sobre uma eventual cotação nos Estados Unidos, mas as informações mais recentes apontam para Hong Kong como destino da operação, em linha com a tendência seguida por várias tecnológicas chinesas face às tensões com Washington e às reservas de Pequim relativamente à cotação das suas empresas em mercados estrangeiros, como o de Nova Iorque.

Fundada em 2013 como uma plataforma de recomendações de compras e sediada em Xangai, a Xiaohongshu completou até agora sete rondas de financiamento, contando com o apoio de gigantes tecnológicos como Alibaba e Tencent, bem como de fundos de investimento como Sequoia e GGV Capital.

De acordo com a informação divulgada, estima-se que a empresa tenha registado lucros de cerca de 3.000 milhões de dólares em 2025, ano no final do qual a sua avaliação de mercado terá atingido aproximadamente 50.000 milhões de dólares.

Bom momento

A Xiaohongshu é uma das principais concorrentes da rede social chinesa Douyin, a versão local do TikTok, no sector das redes sociais. A sua aplicação internacional, RedNote, registou um forte crescimento em mercados como os Estados Unidos durante o breve período em que o TikTok, desenvolvido pela ByteDance, enfrentou uma proibição temporária naquele país.

Segundo a agência Bloomberg, o momento poderá ser favorável para uma entrada em bolsa em Hong Kong, mercado que vive uma forte recuperação das ofertas públicas iniciais. As estimativas apontam para um volume superior a 43.000 milhões de dólares em novas entradas este ano, o valor mais elevado dos últimos seis anos, impulsionado pelo interesse dos investidores em empresas tecnológicas chinesas.

No entanto, o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA), apontado como um dos principais motores do actual entusiasmo dos investidores, poderá também representar uma ameaça para o tráfego e os modelos de negócio de plataformas como a Xiaohongshu, acrescenta a Bloomberg.

18 Jun 2026

Encontro | Xi Jinping recebe líder de Myanmar

O líder de Myanmar cumpre uma visita de cinco dias à China numa altura de alguma tensão interna e externa

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem em Pequim estar “disposto a continuar a reforçar a coordenação” com o líder de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, que cumpre o segundo dia de uma visita oficial à China.

Xi descreveu Min Aung Hlaing como um “velho amigo da China”, numa altura em que o líder birmanês procura melhorar a imagem internacional do regime militar, que lidera, e promover uma transição política, contestada interna e externamente.

O chefe de Estado chinês acrescentou que os dois países, que partilham mais de 2.000 quilómetros de fronteira terrestre, devem “dar continuidade à amizade” e aprofundar a cooperação estratégica, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

A China é um parceiro fundamental de Myanmar, que enfrenta o isolamento diplomático desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então chefe das Forças Armadas, depôs o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi.

A China apoiou as últimas eleições no final de Janeiro de 2025, contestadas, que garantiram uma vitória ao campo pró-militar e levaram Min Aung Hlaing à presidência, tendo excluído do processo eleitoral vários partidos da oposição, incluindo o partido de Aung San Suu Kyi, ao mesmo tempo que reprimiram a oposição.

Min Aung Hlaing foi recebido por Xi Jinping numa cerimónia realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.

Amigos de sempre

O dirigente birmanês chegou à China na segunda-feira para uma visita de cinco dias e visitou nesse dia a Cidade Aeroespacial de Pequim, um centro ligado ao programa espacial chinês. Durante a deslocação, deverá também reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

A visita ocorre num momento em que as relações bilaterais sofreram tensões devido à proliferação de centros de fraude informática ao longo da fronteira comum, que recrutam e visam cidadãos chineses, segundo analistas.

Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim espera aproveitar a visita para “dar continuidade à amizade tradicional” entre os dois países e “aprofundar a cooperação estratégica abrangente”.

Apesar de a guerra civil ter agravado a crise económica em Myanmar, o país tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de terras raras, matérias-primas essenciais para a produção chinesa de tecnologias ligadas às energias renováveis.

Em Abril, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, prometeu apoio firme a Myanmar na defesa da sua soberania e segurança nacional durante um encontro com Min Aung Hlaing.

17 Jun 2026

Filipinas | Novo sismo de magnitude 6,2 abala o país

Um sismo de magnitude 6,2 na escala de Ritcher atingiu ontem a costa sul das Filipinas, anunciou o Serviço Geológico dos EUA, uma semana depois de um tremor semelhante na mesma região ter feito pelo menos 65 mortos.

O sismo ocorreu na costa da ilha de Mindanao às 17:18 locais, a uma profundidade de 112 quilómetros, adiantou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Não foi emitido um alerta de ‘tsunami’.

Até ao momento, não foram relatadas vítimas ou danos, afirmou o responsável do gabinete de catástrofes da província de Davao Oriental (Filipinas), Kaiser Cadiz, citado pela agência francesa de notícias AFP. “A nossa prioridade agora é monitorizar a costa para determinar se há sinais de que a água recuou”, o que indica um ‘tsunami’ iminente, explicou.

Há uma semana, a 08 de Junho, um sismo de magnitude 7,8 atingiu a costa da ilha de Mindanau, o ponto mais oriental do arquipélago filipino, provocando o colapso de vários edifícios, deslizamentos de terra e a deslocação de milhares de pessoas.

A agência nacional de catástrofes estimou ontem que o sismo da semana passada tenha provocado 65 mortos, sendo que pelo menos 36 pessoas continuam desaparecidas.

De acordo com informações avançadas no domingo pelo Ministério do Ambiente filipino, o sismo fez com que o fundo do oceano subisse até dois metros em algumas zonas costeiras. Localizadas no chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, uma zona de intensa actividade sísmica, as Filipinas sofrem sismos quase diariamente.

16 Jun 2026

Segurança alimentar | China convoca Walmart por alegados problemas

Os reguladores chineses convocaram representantes da cadeia norte-americana de supermercados Walmart devido a “vários problemas de segurança alimentar” registados nas lojas Sam’s Club, pertencentes ao grupo.

Num comunicado divulgado ontem no portal oficial, a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) informou que realizou recentemente uma “reunião formal de responsabilização” com dirigentes da Walmart, exigindo o cumprimento rigoroso das normas chinesas de segurança alimentar.

As autoridades determinaram que a Sam’s Club deve “colocar a segurança alimentar em primeiro lugar, cumprir rigorosamente as suas responsabilidades sociais corporativas, reduzir os riscos na cadeia de abastecimento e proteger a saúde pública”.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, a cadeia esteve envolvida em vários incidentes em diferentes regiões da China ao longo do último ano, tanto em lojas físicas como em entregas ao domicílio, incluindo denúncias de consumidores, que alegaram ter encontrado larvas ou ratos em produtos alimentares. No final do ano passado, a empresa contava com 63 lojas na China.

16 Jun 2026

Finanças | Novo sistema de pagamentos reduz dependência do dólar

A China está a preparar o lançamento de uma plataforma de moeda digital destinada a facilitar pagamentos internacionais, reduzir a dependência do dólar e reforçar laços financeiros com vários países, avançou ontem o jornal Financial Times.

A plataforma, conhecida como mBridge, é apoiada pelos bancos centrais da China continental, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Segundo o jornal britânico, será criada uma entidade sediada em Hong Kong para supervisionar as operações.

Fontes citadas pelo FT indicaram que os preparativos estão numa fase avançada, embora a data de lançamento ainda não tenha sido divulgada. As mesmas fontes afirmaram que os custos das transações deverão ser cerca de metade dos cobrados pelos sistemas internacionais convencionais.

O projecto pretende oferecer uma alternativa a pequenas e médias empresas que consideram sistemas como o Swift demasiado caros ou complexos para operações internacionais.

O desenvolvimento da plataforma coincide com um aumento da utilização do sistema chinês de pagamentos transfronteiriços na moeda chinesa, o yuan, conhecido como CIPS, impulsionado pela guerra entre o Irão e os Estados Unidos.

Embora complementares, os dois sistemas têm funções distintas: o CIPS facilita pagamentos internacionais em yuan convencional, enquanto o mBridge foi concebido para promover a utilização do yuan digital, conhecido como e-CNY. “Há uma corrida silenciosa entre sistemas financeiros alternativos”, afirmou Tom Keatinge, director fundador do Centro para Finanças e Segurança do instituto britânico RUSI, citado pelo FT.

Segundo o especialista, a China pretende garantir um papel relevante para a sua moeda digital no sistema financeiro internacional através de plataformas como o mBridge. “Pode dizer-se que é uma versão digital da Nova Rota da Seda”, afirmou.

Posições reforçadas

O projecto teve origem numa iniciativa conjunta entre a Autoridade Monetária de Hong Kong e o Banco da Tailândia, tendo assumido a designação actual em 2021, com a participação do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e dos bancos centrais da China, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong.

Segundo o FT, o mBridge utiliza tecnologia ‘blockchain’ para permitir transacções directas entre bancos centrais através das respectivas moedas digitais, reduzindo o papel do dólar como moeda intermediária e diminuindo para segundos operações cambiais que actualmente podem demorar horas ou dias.

Fontes ligadas ao projecto indicaram que bancos comerciais poderão participar nas operações sob supervisão dos respectivos bancos centrais.

Até ao momento, o sistema processou cerca de 470 mil milhões de yuan em transacções. Analistas citados pelo jornal consideram que o mBridge poderá reforçar a posição da China no comércio internacional e aprofundar a integração financeira com parceiros regionais.

“Para os exportadores, acelera a circulação de caixa e reduz o risco de problemas de liquidez”, afirmou Wang Jian, analista do sector financeiro da Guosen Securities. “De forma mais ampla, pode reforçar a voz da China na ordem monetária global e apoiar a internacionalização do yuan”, acrescentou.

16 Jun 2026

Filipinas | Sismo provoca subida do fundo do oceano até dois metros

O sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul das Filipinas, fez com que o fundo do oceano subisse até dois metros em algumas zonas costeiras, anunciou ontem o Ministério do Ambiente.

A elevação do leito marinho representa riscos ambientais significativos, particularmente para os recifes de coral, que podem estar expostos. O sismo causou pelo menos 61 mortos e 40 desaparecidos, de acordo com os dados mais recentes da agência nacional de gestão de catástrofes.

Os residentes da ilha de Mindanao, no sul do país, relataram um “levantamento costeiro” dois dias após o forte sismo, explicou o ministério, acrescentando que a linha costeira sofreu uma erosão de até 200 metros em alguns pontos.

A causa pode ser a deslocação da Fossa de Cotabato, a cerca de 50 quilómetros (30 milhas) da costa de Mindanao, que “empurrou para cima partes das costas de Sarangani e Davao Ocidental (…) expondo o leito marinho anteriormente submerso”, afirmou o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia em comunicado.

“O levantamento mapeado é de cerca de dois metros (6,5 pés)”, segundo a mesma fonte. Uma equipa enviada para a área “descobriu que longos trechos de costa, recifes de coral e pradarias marinhas foram expostos” à superfície, acrescentou o ministério.

Há relatos de moradores que contactaram as autoridades com receio que os vapores da decomposição da vida marinha sejam perigosos para a saúde. “Estes corais e pradarias marinhas expostos começaram a morrer juntamente com os seus organismos residentes, como peixes de recife, enguias, amêijoas e mariscos”, explicou o ministério.

As Filipinas estão localizadas no Círculo de Fogo do Pacífico, onde ocorrem aproximadamente 90 por cento dos sismos do mundo. Em Setembro de 2025, quase 70 pessoas perderam a vida e cerca de 150 ficaram feridas num sismo de magnitude 6,9 em Cebu (região central das Filipinas).

15 Jun 2026

Xanana Gusmão de visita a Portugal esta semana

O primeiro-ministro de Timor-Leste vai realizar uma visita a Portugal na próxima semana, após participar na cimeira entre a Rússia e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), anunciou Xanana Gusmão sexta-feira.

“Na próxima segunda-feira, viajo para a Rússia. Esta deslocação está relacionada com a ASEAN. Já participei anteriormente em encontros ASEAN-Japão e ASEAN-Austrália, quando Timor-Leste ainda não era membro. Agora que somos membros da ASEAN, tenho mesmo de estar presente”, afirmou o líder do executivo timorense.

Xanana Gusmão falava aos jornalistas após a reunião semanal com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, que decorreu no Palácio da Presidência, em Díli.

Depois da Rússia, o primeiro-ministro timorense anunciou que viaja para Portugal, sem precisar o dia, para participar numa conferência e num encontro com estudantes de Timor-Leste a estudar Direito em várias faculdades do país.

“Precisamos realmente de melhorar o sistema de justiça”, afirmou. “Não será imediato, mas a médio prazo teremos de melhorar esta área, porque um dos nossos maiores problemas é a língua portuguesa”, acrescentou.

Encontros agendados

O chefe do Governo informou também que pretende reunir-se com autoridades judiciais portuguesas para solicitar apoio a Timor-Leste. “Também me encontrarei com o Procurador-Geral e com o Presidente do Supremo Tribunal, em Lisboa”, explicou.

Segundo Xanana Gusmão, o objectivo é sensibilizar estas entidades para a necessidade de apoio ao país, e não para a assinatura de grandes acordos. “Queremos evitar situações em que os nossos juízes lêem documentos sem compreender plenamente o conteúdo e acabam apenas por os assinar.”

O líder nacional reconheceu que a questão da justiça é de extrema importância para Timor-Leste. Timor-Leste enviou em 2024 os primeiros 50 estudantes para frequentarem o curso de Direito em Portugal, na sequência da assinatura de protocolos de cooperação com cinco faculdades portuguesas.

Os protocolos de cooperação foram assinados com as faculdades de direito da Universidade Católica, Universidade do Minho, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto e Universidade Nova de Lisboa. O projecto prevê um total de 250 e 300 juristas formados em Portugal e será financiado na sua totalidade por Timor-Leste, num investimento inicial de cerca de 14,9 milhões de euros até 2028.

15 Jun 2026

Mongólia | Amizade com China é prioridade de política externa

O Presidente mongol afirmou que a amizade com Pequim constitui uma prioridade da política externa do país e manifestou vontade de aprofundar a cooperação bilateral, durante uma reunião em Ulan Bator com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

Ukhnaagiin Khürelsükh afirmou, no sábado, que os dois países têm vindo “a aprofundar continuamente” a “cooperação mutuamente benéfica” e manifestou confiança de que o comércio bilateral alcance este ano os 20 mil milhões de dólares, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O líder da Mongólia reiterou ainda que Taiwan “é parte inalienável” do território chinês e sustentou que as questões relativas a Hong Kong, Tibete e Xinjiang são “assuntos internos” da China, lê-se na nota.

Khürelsükh manifestou apoio às iniciativas globais promovidas pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ainda de acordo com o comunicado.

No encontro, Wang Yi assegurou que a política da China em relação à Mongólia mantém “continuidade e estabilidade” e reiterou que Pequim vai continuar a atribuir às relações com o país vizinho uma posição de relevo.

O chefe da diplomacia chinesa manifestou disponibilidade de Pequim para aprofundar a cooperação em vários domínios – incluindo energia, recursos minerais, comércio e investimento – bem como para explorar novas áreas de crescimento ligadas aos minerais críticos, ao desenvolvimento verde e à economia digital.

A agência oficial mongol Montsame informou, por seu lado, que durante o encontro os dois líderes falaram sobre o aumento do comércio bilateral, a expansão das exportações mineiras, o desenvolvimento de infraestruturas, a ligação ferroviária, o petróleo, a energia verde, a inteligência artificial e o comércio electrónico.

Durante a visita à Mongólia, Wang Yi deverá ainda reunir-se com o primeiro-ministro mongol, Uchral Nyam-Osor, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Batmunkh Battsetseg.

15 Jun 2026

Presidente de Myanmar na China na próxima semana

O novo Presidente de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, vai realizar uma visita oficial à China na próxima semana, anunciou sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Min Aung Hlaing “efectuará uma visita de Estado à China entre 15 e 19 de Junho, a convite do Presidente Xi Jinping”, indicou a diplomacia chinesa. Antigo líder da junta militar, Min Aung Hlaing tomou posse como Presidente em Abril, mantendo-se à frente do país asiático num cargo de natureza civil.

Durante a visita, terá encontros separados com Xi Jinping, com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com Zhao Leji, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (parlamento chinês), afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian.

“A China está disposta a trabalhar com Myanmar, por ocasião da visita do Presidente Min Aung Hlaing, para dar continuidade à tradicional amizade ‘Pauk Phaw’ e aprofundar a cooperação estratégica global”, declarou Lin.

A expressão “Pauk Phaw”, que em birmanês remete para uma relação familiar próxima, é frequentemente utilizada para descrever os laços entre os dois países vizinhos.

A China é um dos principais parceiros de Myanmar, que permanece diplomaticamente isolado desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então comandante das Forças Armadas, derrubou o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi.

Pequim mantém importantes investimentos no país vizinho e fornece apoio militar ao regime, partilhando com Myanmar uma fronteira de cerca de 2.100 quilómetros.

Uma espécie de eleições

Após cinco anos de governo militar, as autoridades birmanesas organizaram eleições legislativas entre Dezembro e Janeiro, apresentadas como um regresso à democracia.

As eleições não se realizaram em vastas áreas controladas por grupos rebeldes e resultaram numa vitória esmagadora dos partidos pró-militares, sem oposição significativa. Vários países e observadores internacionais classificaram o processo eleitoral como uma tentativa de manter o poder nas mãos dos mesmos dirigentes.

A China apoiou as eleições, num contexto de retoma das discussões sobre projectos de infraestruturas que tinham ficado bloqueados devido ao conflito interno.

Em Abril, durante uma visita a Myanmar, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, manifestou apoio aos esforços do país para “seguir uma via de desenvolvimento bem-sucedida” e prometeu ajuda chinesa para proteger a sua segurança e soberania.

15 Jun 2026

Hunan | Autoridades investigam causas da explosão que matou 37 pessoas

Altos responsáveis de serviços administrativos de Hunan estão na mira dos inspectores da comissão provincial por suspeitas de graves violações da lei

As autoridades anti-corrupção da província chinesa de Hunan abriram investigações a seis responsáveis da gestão de emergências, polícia e administração local na sequência da explosão de uma fábrica de fogo-de-artifício que causou 37 mortos no mês passado.

A comissão provincial de inspecção e disciplina anunciou na quinta-feira que três altos funcionários do sistema de gestão de emergências estão a ser investigados por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão habitualmente utilizada na China para designar suspeitas de corrupção ou abuso de poder.

Entre os visados estão Lei Min, director-adjunto do centro de comando de resgate de emergência para a segurança no trabalho do departamento provincial de gestão de emergências de Hunan, Zhong Caifa, antigo director-adjunto da agência municipal de gestão de emergências de Changsha, e Yang Hai, vice-secretário do Partido Comunista Chinês e director da agência municipal de gestão de emergências de Liuyang.

As investigações surgem menos de uma semana depois de as autoridades locais terem anunciado processos semelhantes contra Li Xiang, antigo vice-presidente da câmara de Liuyang, Gao Chengjian, ex-subchefe da brigada de patrulhamento policial da cidade, e Liu Yongqiang, funcionário da gestão de emergências da localidade de Guandu.

A sucessão de investigações está ligada à explosão ocorrida a 4 de Maio na fábrica Huasheng Fireworks Manufacturing and Display Company, em Liuyang, cidade sob jurisdição de Changsha e considerada a “capital mundial do fogo-de-artifício”. Além dos 37 mortos, o acidente provocou 51 feridos hospitalizados e uma pessoa continua desaparecida.

A explosão ocorreu uma semana depois de o Governo central ter introduzido novas normas de segurança para a indústria do fogo-de-artifício, destinadas a reduzir os riscos de explosões. No dia seguinte ao acidente, as autoridades ordenaram a suspensão imediata da produção em todas as fábricas de fogo-de-artifício da província para a realização de inspeções de segurança.

A Procuradoria Popular Suprema anunciou posteriormente que iria supervisionar a investigação, enquanto o Conselho de Estado criou uma equipa especial liderada pelo Ministério da Gestão de Emergências, com a participação do Ministério da Segurança Pública, da Administração Estatal para a Regulação do Mercado e do Governo de Hunan.

Combate nacional

A equipa realizou a primeira reunião a 8 de Maio, mas o relatório final ainda não foi divulgado. O reforço das investigações em Hunan coincide com uma campanha nacional contra falhas regulatórias e incumprimento das normas de segurança no trabalho.

Na quarta-feira, o Ministério da Gestão de Emergências lançou uma nova ronda de inspecções nacionais, que decorrerá até 10 de Julho, envolvendo 24 equipas destacadas para as 31 divisões administrativas provinciais do país.

A campanha visa detectar riscos graves para a segurança laboral, encobrimento de acidentes mortais e casos de corrupção, suborno ou negligência na fiscalização.

Também na semana passada, Zhang Heping, director-adjunto do departamento de gestão de emergências da província de Shanxi, foi colocado sob investigação na sequência de uma explosão numa mina de carvão que matou 82 pessoas no mês passado.

Segundo fontes do sector citadas pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, as fábricas de fogo-de-artifício de Liuyang enfrentavam pressão para cumprir encomendas antes da interrupção obrigatória da produção entre Junho e Agosto, devido aos riscos acrescidos associados às elevadas temperaturas do Verão.

A indústria é o principal motor económico de Liuyang. A cidade alberga 431 fabricantes de fogo-de-artifício, responsáveis por cerca de 60 por cento da produção nacional e por mais de 300 mil postos de trabalho. Em 2025, Liuyang exportou quase 13.800 contentores de fogo-de-artifício, mais de 70 por cento dos quais destinados aos mercados europeu e norte-americano.

15 Jun 2026

Espionagem | Confirmda detenção de cidadão norte-americano

A República Popular da China confirmou sexta-feira a detenção de um cidadão norte-americano, analista de um centro de investigação especializado em questões sobre Myanmar, por alegadas actividades de espionagem.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês, Lin Jian, disse que as autoridades de Pequim “acreditam” que Min Zin está envolvido em questões criminais, por alegadas actividades de espionagem que colocaram em risco a segurança nacional da República Popular da China.

Min Zin, cidadão norte-americano, é membro fundador do Instituto de Estratégia e Política sobre Myanmar (antiga Birmânia), um grupo de reflexão (‘think tank’) dedicado à análise política e estratégica deste país.

O representante da diplomacia chinesa não especificou a natureza das “medidas coercivas” que foram aplicadas ao cidadão norte-americano, uma expressão que, na terminologia jurídica chinesa, normalmente indica que a pessoa não é livre de se deslocar.

O MNE de Pequim disse ainda que o consulado geral dos Estados Unidos em Cantão, sul da República Popular da China, foi informado sobre o assunto, acrescentando que os “direitos legais estão totalmente garantidos”.

15 Jun 2026

Golfo de Omã | Três marinheiros indianos mortos em ataque dos EUA

O Governo da Índia confirmou ontem a morte de três marinheiros indianos que tinham sido dados como desaparecidos após um ataque norte-americano ao petroleiro MT Settebello, de bandeira de Palau, no Golfo de Omã.

“É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do trágico incidente a bordo do MT Settebello”. “A morte dos três marinheiros indianos, inicialmente dados como desaparecidos, foi confirmada após os seus corpos terem sido localizados e identificados”, indicou o ministro dos Transportes Marítimos da Índia, Sarbananda Sonowal, na rede social X.

Os militares norte-americanos confirmaram que um dos seus caças abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que, segundo os EUA, tentava exportar petróleo do Irão, apesar do bloqueio imposto por Washington. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou no X que o ataque teve como alvo a “casa das máquinas” do navio “depois de a tripulação se ter recusado a cumprir as ordens das forças norte-americanas”.

A Índia convocou o encarregado de negócios norte-americano em Nova Deli, na noite de quarta-feira, e manifestou um forte protesto em relação ao ataque, disse à Agência France Presse um alto funcionário do Governo indiano.

Vinte e quatro marinheiros indianos seguiam a bordo do petroleiro alvo do ataque. O Setebello é o oitavo navio atacado desde o início do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, segundo os militares norte-americanos.

Na segunda-feira, as equipas de resgate omanitas retiraram de helicóptero 24 marinheiros indianos de outro petroleiro registado em Palau, o Marivex, que foi alvo de disparos dos EUA enquanto navegava na costa de Omã.

12 Jun 2026

Filipinas | Sismo faz pelo menos 47 mortos

As autoridades das Filipinas elevaram ontem para 47 o número de mortos devido ao sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul do país.

Um balanço divulgado pelas autoridades na quarta-feira dava conta de 46 mortos. Este novo balanço, divulgado pelo Conselho Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes, indica ainda um total de 688 feridos e 31 desaparecidos.

As operações de resgate prosseguem em várias províncias do sul do arquipélago, onde dezenas de estruturas ficaram danificadas ou destruídas pelo sismo e pelas mais de duas mil réplicas que se seguiram. As autoridades mantêm mobilizados efectivos da Defesa Civil, das forças armadas e voluntários para localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.

O forte sismo, um dos mais intensos registados nas Filipinas nas últimas décadas, afectou cerca de 390 mil pessoas, de acordo com dados actualizados ontem pelo Departamento de Bem-Estar Social e Desenvolvimento do Governo.

O relatório eleva também para 18.614 o total de casas danificadas, das quais 3.330 ficaram completamente destruídas, e estima em 39.293 o número de pessoas deslocadas pela catástrofe, com danos e alcance ainda por ser quantificados.

O sismo também causou danos em edifícios públicos, estradas, pontes e redes de abastecimento de electricidade e água potável em várias zonas de Mindanau, a segunda maior ilha do arquipélago. De forma preliminar, o Governo estima que as perdas em infraestruturas ultrapassem nove milhões de dólares.

As Filipinas situam-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas com maior atividade sísmica e vulcânica do planeta, onde os terramotos são frequentes.

12 Jun 2026

Ormuz | Irão volta a fechar estreito

O Irão voltou ontem a encerrar completamente o estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás, em resposta aos mais recentes ataques norte-americanos, anunciou a autoridade marítima iraniana.

“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região, o estreito de Ormuz está fechado até nova ordem”, afirmou em comunicado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, que gere a passagem.

O Irão controla o estreito desde o início do conflito desencadeado por ataques norte-americanos e israelitas contra o regime de Teerão a 28 de Fevereiro, mas os militares têm permitido a passagem diária de cerca de 20 navios.

A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana disse ontem ter lançado mísseis balísticos contra uma base norte-americana na Jordânia, após anunciar ataques a bases dos EUA no Kuwait e Bahrein, em resposta aos últimos ataques de Washington.

A ofensiva de Teerão surge depois de o exército norte-americano ter lançado, na quarta-feira, novos ataques contra “múltiplos alvos” no Irão como “resposta às agressões” do país persa, de acordo com a justificação do Centcom.

“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar bombardeamentos adicionais de autodefesa hoje [quarta-feira] às 17:15 contra múltiplos alvos no Irão, sob a ordem do comandante-chefe”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu o organismo, com sede na Florida, numa mensagem na rede social X. O Centcom, que não esclareceu a duração dos ataques nem os alvos, afirmando apenas que os “bombardeamentos são uma resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irão”.

Ferro e fogo

A agência iraniana Mehr informou que as defesas antiaéreas foram activadas em Teerão, enquanto a Fars relatou explosões em cidades do sul, como Sirik e a ilha de Qeshm, entre outras.

Tanto o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, como Trump anunciaram durante uma conferência de imprensa na quarta-feira que os bombardeamentos contra o Irão seriam retomados nas horas seguintes, depois de ataques anteriores na sequência do abate de um helicóptero norte-americano Apache na segunda-feira, e após Trump ter dito no início da semana que o acordo de paz estaria em fase e últimos acertos e deveria ser assinado em “um ou dois dias”.

Esta quarta-feira, o Presidente norte-americano voltou a acusar Teerão de estar a empatar as negociações para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

Sem sentido

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão admitiu ontem que o cessar-fogo que entrou em vigor entre Teerão e Washington a 08 de Abril deixou de ter sentido após os ataques aéreos dos Estados Unidos. Um comunicado divulgado pela diplomacia iraniana, salienta-se que os ataques “ilegais e criminosos” levados a cabo pelos Estados Unidos nas últimas horas foram uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas.

Na mesma linha, os diplomatas do Irão sublinharam que os ataques norte-americanos tornaram o cessar-fogo num acordo “praticamente sem efeito”.

12 Jun 2026

Pequim quer impulsionar ainda mais a integração entre ferrovias e turismo

A China promoverá ainda mais o desenvolvimento integrado dos sectores ferroviário e turístico e implementará mais medidas para expandir o consumo de serviços, de acordo com um documento governamental divulgado na quarta-feira, indica o diário do Povo.

A China fortalecerá o apoio fiscal e financeiro para impulsionar a renovação de estações ferroviárias voltadas para o turismo e a construção de instalações de serviços turísticos, afirmou um comunicado conjunto emitido por oito autoridades, incluindo o Ministério do Comércio, o Ministério da Cultura e Turismo e a China State Railway Group Co., Ltd.

Localidades qualificadas são incentivadas a direccionar o investimento de capital privado para o desenvolvimento e operação de produtos de turismo ferroviário em conformidade com as leis e regulamentos, indica o comunicado.

O documento solicitou que as instituições financeiras forneçam melhor financiamento para a modernização tecnológica e a renovação de equipamentos de comboios turísticos.

Serão realizados esforços para avançar no projecto e desenvolvimento de comboios turísticos transfronteiriços entre a China e o Laos, a China e o Cazaquistão, a China e o Vietname, bem como a China e a Rússia, observou o documento, destacando ainda a necessidade de lançar comboios adaptados para turistas estrangeiros, acrescenta a publicação.

Os governos locais e as operadoras ferroviárias receberão apoio para integrar recursos turísticos, incluindo pontos turísticos, hospedagem, alimentação e eventos desportivos, às rotas de transporte ferroviário, rodoviário e hidroviário.

O documento também propõe medidas para a construção de um sistema de big data sobre turismo ferroviário, com o objectivo de monitorar, prever e analisar os fluxos turísticos e apoiar o planeamento, o desenvolvimento, o marketing e a operação de produtos de turismo ferroviário.

12 Jun 2026

Xing’an | Explosão numa rua faz sete mortos e 17 feridos

Pelo menos sete pessoas morreram e 17 ficaram feridas na sequência de uma explosão ocorrida ontem numa rua da localidade de Xing’an, na região autónoma de Guangxi, no sul da China, informaram as autoridades locais.

Segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Pública do distrito de Xing’an, a explosão ocorreu pelas 01:40 locais, na rua Lingxiang.

As autoridades de Guilin e Xing’an mobilizaram agentes da polícia, bombeiros, equipas médicas e serviços de emergência para as operações de socorro e busca. Após quatro rondas de buscas no local, foi confirmada a morte de sete pessoas, enquanto os 17 feridos transportados para hospitais se encontram fora de perigo, indicou a mesma fonte.

Outras pessoas com ferimentos ligeiros receberam assistência médica no local e foram posteriormente realojadas. As operações de resgate prosseguiam ontem na zona afectada. As investigações preliminares afastaram a hipótese de a explosão ter sido provocada por uma fuga de gás em condutas ou por factores semelhantes. A polícia mantém aberta uma investigação para apurar as causas do incidente.

12 Jun 2026

Automóveis | BYD quer tornar-se a maior fabricante do mundo até 2030

O desenvolvimento tecnológico de carros eléctricos chineses processa-se a toda a velocidade. A BYD já ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos

A fabricante automóvel chinesa BYD pretende tornar-se o maior produtor mundial de veículos até 2030, em termos de produção e de vendas, afirmou o fundador e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante a assembleia anual de accionistas.

Citado ontem pelo portal económico chinês Yicai, Wang considerou que um “sistema tecnológico maduro” permitirá à BYD expandir simultaneamente os mercados doméstico e internacional. O responsável destacou que o mercado chinês continua pressionado por uma intensa guerra de preços e pela redução dos incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos.

Após o lançamento de uma nova geração de baterias e de tecnologias de carregamento rápido, concebidas para responder aos principais desafios enfrentados pelos utilizadores de veículos eléctricos, Wang prometeu a introdução de “muitas mais” tecnologias “novas e exclusivas” nos próximos dois anos.

Com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, a BYD deixou de fabricar veículos com motores de combustão em 2022 e ultrapassou a norte-americana Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos.

Em 2025, as vendas globais da empresa aumentaram 8 por cento, para cerca de 4,6 milhões de veículos, o que a colocou na quinta posição mundial do sector, ainda longe da japonesa Toyota, que vendeu mais de 10 milhões de unidades pelo quinto ano consecutivo, segundo o Yicai.

Wang considerou que a actual conjuntura, marcada pela subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, é favorável à BYD.

Percalços ultrapassados

A empresa foi afectada no primeiro trimestre pela redução das isenções fiscais concedidas por Pequim à compra de veículos eléctricos, que passaram de 10 por cento para 5 por cento, com um limite máximo equivalente a 2.200 dólares.

Como consequência, as vendas da BYD caíram 30 por cento face ao mesmo período do ano anterior, para pouco mais de 700 mil unidades. No entanto, a recuperação registada nos dois meses seguintes fez com que o balanço dos primeiros cinco meses do ano fosse praticamente idêntico ao de 2025.

A desaceleração do mercado interno levou a BYD, à semelhança de outras fabricantes chinesas, a apostar na internacionalização para sustentar o crescimento. Em Maio, as vendas da empresa no exterior aumentaram 81 por cento, ultrapassando os 160 mil veículos, impulsionadas em parte pela produção local em países como Brasil, Tailândia e, futuramente, Hungria.

Paralelamente, a empresa está a estudar um investimento de cerca de dois mil milhões de euros para instalar uma rede de 3.000 postos de carregamento ultrarrápido de 1.500 quilowatts na Europa até ao final do próximo ano, depois de já ter iniciado a instalação de estações na Alemanha e no Reino Unido.

Segundo Wang, a BYD conseguiu construir uma imagem de marca “premium” nos mercados internacionais, prevendo que a empresa ultrapasse este ano a meta de 1,5 milhões de veículos vendidos no exterior.

12 Jun 2026

Banguecoque | China apoia condenação à morte de dois uigures por atentado

A China apoiou ontem a decisão da justiça tailandesa de condenar à morte dois homens identificados como uigures pelo atentado de Banguecoque de 2015, que provocou 20 mortos, incluindo sete cidadãos chineses.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que os autores do ataque cometeram crimes “extremamente graves” e classificou-os como “completamente desumanos”. “A China apoia a Tailândia na condução do julgamento de acordo com a lei e na punição severa dos responsáveis”, declarou Lin, em conferência de imprensa.

Um tribunal de Banguecoque condenou ontem à pena de morte Yusufu Mieraili e Bilal Mohammed, dois cidadãos chineses de etnia uigur, por envolvimento no atentado contra o santuário hindu de Erawan, um dos locais mais frequentados por turistas na capital tailandesa.

Segundo o tribunal, os dois homens foram considerados culpados de homicídio premeditado e de outros crimes relacionados com a colocação de um engenho explosivo no recinto religioso, em 17 de Agosto de 2015.

A explosão matou 20 pessoas, entre as quais vários turistas chineses, e feriu mais de uma centena. Durante a leitura da sentença, um dos juízes afirmou existirem “provas suficientes” para concluir que os arguidos cometeram homicídio e tentativa de homicídio com premeditação.

Os dois condenados negaram as acusações e anunciaram que vão recorrer da decisão, segundo o advogado de defesa. O processo prolongou-se durante quase uma década, devido à pandemia de covid-19 e a sucessivos atrasos processuais, incluindo dificuldades na obtenção de tradutores.

O atentado ocorreu semanas após a junta militar então no poder na Tailândia ter deportado à força 109 uigures para a China, o que levou vários observadores a interpretar o ataque como uma retaliação. A polícia tailandesa identificou inicialmente 17 suspeitos, mas apenas Mieraili e Mohammed chegaram a ser detidos e julgados.

12 Jun 2026

Irão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação

A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein.

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.

11 Jun 2026