Saúde | Governo quer ligação permanente com comissão nacional João Luz - 17 Jan 2026 O Chefe do Executivo reuniu com dirigentes da Comissão Nacional de Saúde e defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente com a entidade nacional. A formação profissional e a promoção da big health como uma das indústrias nucleares de Macau foram alguns dos temas discutidos O Chefe do Executivo reuniu na quarta-feira com o director e secretário do Grupo de Liderança do Partido da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, com a agenda marcada pela vontade de aprofundar a cooperação, promover o desenvolvimento da indústria de big health, e a formação integrada de quadros qualificados. Sam Hou Fai defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente entre o Governo da RAEM e a Comissão Nacional de Saúde para “desenvolver ainda mais a indústria de cuidados de saúde e de big health, tanto no Interior da China e como em Macau”, um sector caracterizado como nuclear para a economia do território. A ligação entre negócios e saúde foi um dos fios condutores da reunião, com Sam Hou Fai a destacar a necessidade de “promover a diversificação adequada da economia e aproveitar plenamente as vantagens regionais e políticas de Macau”. Outra das vertentes que o líder do Governo de Macau gostaria de ver desenvolvida com a comissão nacional, é o reforço da prevenção e o controlo de doenças transmissíveis, sem que, no entanto, tenham sido dados detalhes sobre o assunto. Conversas a três O “cultivo” de quadros qualificados interdisciplinares na área de saúde foi mais um objectivo que Sam Hou Fai enfatizou, afirmando “esperar que a comissão preste um forte apoio a Macau para que a cidade aproveite plenamente o seu papel enquanto plataforma sino-lusófona”. O objectivo será elevar o nível de profissionalismo da equipa médica e de enfermagem através da formação de quadros “capazes de servir organizações internacionais”. Perante o director do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, Liu Zhengyin, que também participou na reunião, o Chefe do Executivo sublinhou o simbolismo que a unidade representa para o “projecto de cooperação marcante entre a RAEM e o Interior da China no domínio da saúde, sob o princípio de ‘um país, dois sistemas’”. Os dirigentes da Comissão Nacional de Saúde viajaram até Macau para participar na 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau. Estiveram ainda presentes no encontro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, além de vários dirigentes de entidades do Interior da China.
Corrupção | Filipinas quer repatriação de ex-deputado Hoje Macau - 15 Jan 2026 O Presidente filipino ordenou ao Governo do país que explore todas as opções para que Elizaldy Salcedo Co seja repatriado de Portugal, onde se acredita que o ex-deputado esteja a viver, de acordo com a imprensa filipina. Mais conhecido por Zaldy Co, o antigo deputado do partido Ako Bicol é alvo de um mandado de detenção por alegado envolvimento no escândalo dos “projectos-fantasma” de infraestruturas para o controlo de cheias. Dezenas de proprietários de empresas de construção, funcionários do Governo e representantes eleitos em todo o arquipélago são acusados de desvio de fundos ou de execução de projectos de baixa qualidade. Além de enfrentar três processos criminais decorrentes do escândalo de corrupção, Zaldy Co também fez alegações explosivas numa série de vídeos a acusar Marcos Jr. e um primo deste, o ex-presidente da Câmara dos Representantes das Filipinas Martin Romualdez, de receber milhares de milhões de pesos em subornos, de acordo com o jornal filipino Inquirer. O secretário do Interior, Jonvic Remulla, disse na terça-feira que a directiva do Presidente Ferdinand Marcos Jr. ordena que seja verificado se Zaldy Co pode ser extraditado de Portugal, onde se acredita que esteja localizado. “Ainda estamos a estudar o caso porque a situação é complicada. Não temos um tratado de extradição [com Portugal], mas há outras vias que podemos seguir e que ele quer investigar”, disse Remulla, de acordo com o jornal filipino em língua inglesa. Outras vias O Governo, continuou o responsável, está a ponderar outras opções, incluindo a coordenação com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), a ONU e outras agências internacionais, acrescentou. “Um tratado [de extradição] demoraria demasiado tempo. Um tratado leva anos e anos a ser concluído. Por isso, as outras vias possíveis, conforme instruído pelo Presidente, são sobre como podemos levar a cabo a sua extradição sem passar por um tratado”, referiu ainda na terça-feira. Através da repatriação, refere-se ainda no Inquirer, uma pessoa pode ser devolvida ao país de origem por escolha própria ou à força. No caso da extradição, “trata-se de um processo legal em que um país entrega uma pessoa acusada ou condenada por um crime a outro país para enfrentar um julgamento ou punição”. O jornal lembra ainda que o departamento dos Negócios Estrangeiros (DFA) cancelou o passaporte filipino de Co em 10 de Dezembro do ano passado, por ordem de um tribunal anti-corrupção. Remulla, no entanto, frisou que Co também pode estar a usar um passaporte português obtido há muitos anos. Sem notícias De acordo com o DFA, a Embaixada das Filipinas em Lisboa ainda não recebeu informações sobre o paradeiro de Co nem qualquer confirmação do Governo português de que realmente concedeu um passaporte ao antigo deputado. Também Leila de Lima, deputada do partido Mamamayang Liberal, disse na terça-feira que o Governo de Marcos deveria negociar com Portugal a deportação de Co para as Filipinas, em vez de trabalhar num tratado de extradição “que exige muito mais esforço e mais tempo”. “A deportação pode ser negociada diplomaticamente de imediato, mesmo sem a formalidade de celebrar um tratado de extradição”, indicou Leila de Lima, notando que “um tratado de extradição não é indispensável para o regresso de um fugitivo ao país”. Entre os suspeitos estão aliados e opositores de Marcos Jr. Estão em causa 9.855 projectos de controlo de drenagem, avaliados em mais de 545 mil milhões de pesos filipinos (oito mil milhões de euros), que deveriam ter sido construídos desde que Marcos assumiu o poder, em meados de 2022. Em Setembro, o ministro das Finanças das Filipinas, Ralph Recto, admitiu que, desde 2023, podem ter sido desviados 118,5 mil milhões de pesos (cerca de 1,75 mil milhões de euros).
Portugal e o Cenário Presidencial de 2026 Jorge Rodrigues Simão - 15 Jan 202615 Jan 2026 “When societies feel unheard, they do not fall silent – they change the way they speak.” – Zygmunt Bauman A 18 de Janeiro, Portugal encontra-se perante um dos momentos mais significativos da sua história democrática recente. O ciclo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, iniciado em 2016 e concluído este ano, encerra-se com a impossibilidade constitucional de recandidatura, abrindo espaço a uma disputa plural e inédita. A eleição presidencial, marcada para 18 de Janeiro, com eventual segunda volta prevista para 8 de Fevereiro, não é apenas um exercício democrático rotineiro; é um teste à maturidade institucional do país, à capacidade de renovação das elites políticas e à resiliência da sociedade portuguesa perante os desafios globais. O sistema semipresidencialista português, consagrado na Constituição de 1976, atribui ao Presidente da República funções moderadoras, mas com poderes relevantes em momentos de crise, como a dissolução da Assembleia da República ou a nomeação do Primeiro-Ministro. Desde a Revolução de 25 Abril de 1974, todos os presidentes cumpriram dois mandatos consecutivos, e a impossibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa se recandidatar abre espaço a uma competição original. A presidência portuguesa tem sido marcada por figuras que simbolizam diferentes fases da democracia com Ramalho Eanes como militar fundador da estabilidade pós-revolucionária, Mário Soares como europeísta e defensor da integração, Jorge Sampaio como moderador social, Cavaco Silva como economista liberal e Marcelo como comunicador empático. A sucessão de 2026 insere-se nesta linha histórica, mas com características próprias, como a ausência de incumbente, a fragmentação partidária e a emergência de novos actores políticos. Entre os candidatos destacam-se figuras de diferentes quadrantes políticos e sociais. Luís Marques Mendes, pelo PSD, representa a continuidade institucional e a ligação ao centro-direita tradicional. António José Seguro, pelo PS, aposta na coesão social e na defesa dos valores de Abril. Henrique Gouveia e Melo, independente, surge como candidato com forte apelo popular e imagem de competência técnica, fruto da liderança na campanha de vacinação contra a COVID-19. André Ventura, pelo Chega, aposta num discurso securitário e nacionalista, procurando capitalizar o descontentamento social. João Cotrim de Figueiredo, pela Iniciativa Liberal, defende a redução do peso do Estado e a liberalização económica. Catarina Martins, pelo Bloco de Esquerda, centra-se na justiça social e nos direitos humanos. Esta pluralidade reflecte uma sociedade mais diversificada, mas também mais polarizada. As sondagens sugerem que nenhum candidato deverá alcançar maioria absoluta na primeira volta, tornando provável uma segunda volta entre dois candidatos de blocos distintos. Portugal entra em 2026 com uma economia marcada pela recuperação pós-pandemia, mas também por desafios estruturais, como a baixa produtividade, o envelhecimento demográfico e a dependência energética. O turismo continua a ser o motor económico, mas enfrenta pressões de sustentabilidade e necessidade de diversificação. A transição digital e ecológica é imperativa, exigindo políticas públicas consistentes e investimento em inovação. Socialmente, o país vive tensões entre a valorização dos serviços públicos e a pressão fiscal, entre a integração europeia e o ressurgimento de discursos nacionalistas. O envelhecimento da população coloca desafios à sustentabilidade da segurança social e à coesão intergeracional. A desigualdade social, embora mitigada por políticas redistributivas, continua a ser preocupação central. A presidência, embora não detenha competências executivas, pode desempenhar um papel simbólico e mobilizador, influenciando agendas e promovendo consensos. A cultura portuguesa, profundamente enraizada na memória histórica e na projecção lusófona, desempenha um papel central na afirmação internacional. A presidência simboliza a continuidade de valores republicanos e democráticos, sendo o Presidente visto como garante da estabilidade e da unidade nacional. A pluralidade de candidatos reflecte diferentes visões sobre identidade nacional, desde a defesa de Abril à retórica securitária, da empatia social à tecnocracia institucional. A diversidade cultural portuguesa, marcada pela coexistência de tradições locais e pela abertura ao mundo, encontra na presidência um espaço de representação simbólica. A eleição de 2026 será também um momento de afirmação identitária, em que se debatem valores como solidariedade, liberdade e pertença europeia. Portugal mantém-se como membro activo da União Europeia, participando nos debates sobre integração económica, transição energética e defesa comum. A presidência de 2026 será crucial para garantir estabilidade diplomática num contexto global de tensões geopolíticas. A escolha de um presidente com perfil conciliador ou mais interventivo poderá influenciar a percepção externa do país. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa continua a ser espaço privilegiado de afirmação internacional, reforçando laços históricos e culturais. A pertença à NATO garante segurança estratégica, mas também implica responsabilidades em contextos de tensão geopolítica. Portugal, pela sua posição atlântica e lusófona, desempenha papel de ponte entre continentes e culturas, e a presidência simboliza essa vocação internacional. O Presidente é visto como garante do equilíbrio e da unidade nacional, sobretudo em momentos de crise. Para além das competências formais, a presidência possui uma dimensão simbólica, representando valores e identidades colectivas. A filosofia da presidência portuguesa assenta na ideia de que o Presidente deve ser árbitro e moderador, mas também inspirador e mobilizador. A eleição de 2026 coloca em debate diferentes concepções do cargo com uma presidência mais interventiva, centrada na autoridade moral, ou uma presidência mais discreta, focada na mediação institucional. Esta reflexão filosófica é essencial para compreender o significado da eleição. As sondagens disponíveis até 13 de Janeiro de 2026 continuam a mostrar uma corrida presidencial portuguesa extremamente competitiva e fragmentada, marcada pela ausência de um favorito claro e pela persistência de um elevado número de indecisos. O panorama mais recente revela uma recomposição significativa no grupo da frente em que António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo surgem agora como os candidatos com maior dinamismo, enquanto André Ventura e Henrique Gouveia e Melo registam ligeiras quebras e Luís Marques Mendes desce para o quinto lugar, com valores que oscilam entre cerca de 15% e 17%, afastandose da disputa imediata pela passagem à segunda volta. António José Seguro beneficia de uma tendência de crescimento contínuo desde o final de 2025, apoiado por um perfil percebido como estável e institucional. João Cotrim de Figueiredo, por sua vez, consolidou uma trajectória ascendente que o aproximou do núcleo dos principais candidatos, reforçando o seu apelo entre eleitores jovens, urbanos e liberais. André Ventura mantém um núcleo duro de apoio expressivo, mas continua a enfrentar dificuldades em alargar a sua base eleitoral, surgindo sistematicamente fragilizado nos cenários de segunda volta. Henrique Gouveia e Melo preserva um capital relevante de confiança pública, embora tenha perdido algum fôlego nas últimas semanas, reflectindo um ambiente político mais volátil e competitivo. Luís Marques Mendes, que chegou a liderar intenções de voto no final de 2025, enfrenta agora uma quebra consistente que o coloca fora do grupo mais competitivo, ilustrando a sensibilidade do eleitorado a movimentos de última hora e a reposicionamentos estratégicos. O quadro geral permanece marcado pela coexistência de perfis muito distintos com candidatos independentes com forte reputação pública, figuras com longa experiência partidária e protagonistas de discursos mais populistas e securitários. Esta diversidade reflecte um eleitorado dividido entre a procura de estabilidade institucional, a valorização da competência técnica e o desejo de renovação política. A presença continuada de Ventura no grupo da frente, mesmo com fracas hipóteses de vitória numa segunda volta, confirma a consolidação de um discurso contestatário que encontrou espaço na sociedade portuguesa. Em paralelo, o crescimento de Cotrim de Figueiredo evidencia a procura de alternativas liberais e reformistas, enquanto a recuperação parcial de Seguro demonstra a relevância de perfis moderados num contexto de incerteza. As candidaturas com menor probabilidade de alcançar a segunda volta como Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto ou Manuel João Vieira continuam a desempenhar um papel importante na pluralidade do debate, representando agendas específicas e contribuindo para a vitalidade democrática do processo. No seu conjunto, as tendências até 13 de Janeiro de 2026 revelam um país em reflexão profunda sobre o tipo de liderança que deseja para a próxima década. Entre tradição e inovação, continuidade e mudança, integração europeia e afirmação nacional, o futuro Presidente será chamado a preservar os valores republicanos e democráticos, interpretar as expectativas de uma sociedade em transformação e oferecer uma visão capaz de unir diferentes sensibilidades num contexto global cada vez mais exigente. Estas sondagens colocam André Ventura num intervalo aproximado entre 19,5% e 20% das intenções de voto na primeira volta das eleições presidenciais. A partir destes valores, é possível projectar o número de votos que poderá alcançar em diferentes cenários de participação eleitoral. Se a afluência às urnas for semelhante à das últimas presidenciais, com cerca de 4,2 milhões de votantes, Ventura deverá situarse entre aproximadamente 820 mil e 840 mil votos, permanecendo abaixo da fasquia simbólica de um milhão de votos neste cenário de participação mais reduzida. Caso a participação se aproxime da registada nas legislativas de 2024, em torno de 6,5 milhões de votantes, o mesmo intervalo percentual traduzirseia num total entre cerca de 1,26 milhões e 1,30 milhões de votos, valor ainda assim inferior ao patamar alcançado pela AD nas legislativas. Nos cenários de segunda volta, as sondagens colocam Ventura num intervalo entre 25% e 29%. Aplicando estes valores a uma participação semelhante à das presidenciais, o candidato poderá obter entre cerca de 1,05 milhões e 1,22 milhões de votos. Se a afluência for comparável à das legislativas, o intervalo projectado sobe para valores entre aproximadamente 1,62 milhões e 1,88 milhões de votos. Uma votação tão expressiva num candidato com este perfil é frequentemente entendida como o reflexo de tensões sociais acumuladas ao longo do tempo. Revela um sentimento de insatisfação com o funcionamento das instituições, a percepção de desigualdades persistentes e a ideia de que questões como segurança, justiça, custo de vida, imigração ou a qualidade dos serviços públicos não têm recebido respostas eficazes. Ao mesmo tempo, o crescimento de discursos mais directos e confrontacionais mostra que uma parte significativa do eleitorado procura linguagem simples, posições firmes e uma atitude de desafio perante o sistema político tradicional, mesmo que isso acentue divisões. Este fenómeno também evidencia a fragmentação do sistema partidário, com menos fidelidade aos partidos tradicionais e maior abertura a alternativas que rompem com o padrão habitual. Tal dinâmica altera equilíbrios, estratégias e até a forma como as campanhas são conduzidas. Contudo, mesmo com uma votação elevada, subsistem limites claros à capacidade de transformar notoriedade em maioria, o que indica resistência noutros sectores da sociedade e contribui para um ambiente político mais polarizado, mas não necessariamente dominado por um único bloco. Para o sistema político, um resultado deste tipo funciona como um aviso. Mostra que há grupos que se sentem excluídos, políticas que não estão a corresponder às expectativas e percepções de injustiça ou insegurança que permanecem sem resposta convincente. Este sinal obriga os partidos tradicionais a repensar prioridades, a ajustar a forma como comunicam e a reforçar a proximidade com diferentes segmentos da população. Por fim, este movimento inserese numa tendência mais ampla observada em vários países europeus, onde candidatos com discursos semelhantes têm ganho espaço. Muitos analistas interpretam este fenómeno como consequência de transformações culturais, económicas e tecnológicas que estão a alterar profundamente a relação das pessoas com a política e com as instituições democráticas.
Pelo menos 25 mortos após guindaste cair sobre comboio na Tailândia Hoje Macau - 15 Jan 202615 Jan 2026 Pelo menos 25 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um guindaste de construção sobre um comboio de passageiros no nordeste da Tailândia, disseram as autoridades. O guindaste caiu numa altura em que o comboio viajava da capital Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, causando o descarrilamento e um incêndio, de acordo com o Departamento de Relações Públicas da província de Nakhon Ratchasima. O acidente ocorreu por volta das 09:00, envolvendo um guindaste que estava a ser utilizado na construção de uma ferrovia elevada de alta velocidade. O departamento informou numa publicação nas redes sociais que o incêndio estava controlado e que as equipas de resgate estavam agora a procurar pessoas dentro do comboio, muitas das quais estavam presas em vagões de comboio tombados. As operações de resgate tinham sido temporariamente suspensas devido a uma “fuga química”, informou a polícia local, sem especificar a origem. “Mais de 80” pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Thatchapon Chinnawong, responsável de uma esquadra de polícia de Nakhon Ratchasima, a nordeste de Banguecoque. O ministro dos Transportes, Piphat Ratchakitprakan, disse que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e afirmou ter ordenado uma investigação sobre o acidente, que ocorreu em Ban Thanon Kho, a 32 quilómetros de Banguecoque. Os meios de comunicação da Tailândia e os cibernaturas publicaram nas redes sociais inúmeras imagens do desastre, mostrando parte do incêndio e dezenas de socorristas no local. “Ouvi um barulho forte (…) seguido de duas explosões”, disse Mitr Intrpanya, de 54 anos, um habitante que estava no local. “Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei o guindaste apoiado num comboio de passageiros de três vagões. O metal do guindaste parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, acrescentou. Pouca fiscalização O guindaste fazia parte de um vasto projecto de construção de comboios de alta velocidade na Tailândia, iniciado em 2017, com uma década de atraso. O projecto de 5,4 mil milhões de dólares tem como objectivo ligar Banguecoque a Kunming, no sul da China, passando pelo Laos. O primeiro troço está previsto ser inaugurado em 2028 e o segundo em 2032. A linha é apoiada pela China como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, lançada para impulsionar o comércio na região. Os acidentes industriais, de construção e de transporte são relativamente frequentes na Tailândia devido à fiscalização, por vezes pouco rigorosa, das normas de segurança. Em 2020, 18 pessoas morreram na Tailândia quando um comboio de mercadorias colidiu com um autocarro que transportava passageiros para uma cerimónia religiosa. Oito pessoas morreram também em 2023, numa colisão entre um comboio de mercadorias e uma carrinha que atravessava uma ferrovia no leste do país.
Hong Kong | John Lee promete “ir ao fundo” de incêndio Tai Po Hoje Macau - 15 Jan 2026 O líder da antiga colónia britânica reiterou a intenção de punir os responsáveis pela tragédia que fez mais de 160 mortos no bairro social de Tai Po e encontrar soluções adequadas para os desalojados O Chefe do Executivo de Hong Kong prometeu ontem “ir ao fundo” do incêndio mortal em Tai Po, responsabilizar os culpados e encontrar soluções a longo prazo para alojar os afectados, informou a emissora pública. De acordo com a RTHK, John Lee Ka-chiu indicou no Conselho Legislativo (LegCo, na sigla em inglês) que os trabalhos de recuperação pós-desastre são uma “tarefa urgente”, tendo o Executivo apresentado uma moção de apoio na primeira reunião do parlamento. O Governo, indicou o responsável aos deputados, “vai finalizar o plano de alojamento a longo prazo para as famílias afectadas o mais rápido possível, para que se possam estabelecer nas suas novas casas em breve”. Lee garantiu que os culpados pela tragédia de 26 de Novembro vão ser responsabilizados. “As autoridades policiais e o comité independente não deixarão pedra sobre pedra”, disse, prometendo “ir ao fundo desta questão”. “Aqueles que devem ser responsabilizados, sejam eles funcionários públicos ou não e independentemente do seu nível, serão responsabilizados de acordo com os factos”, completou. O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, alvo de obras de reparação, começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres e matando um total de 161 pessoas. Ontem, também, o Chefe do Executivo revelou as expectativas que tem em relação aos deputados do LegCo, eleitos em 07 de Dezembro, pouco depois do incêndio. “Terei todo o prazer em ouvir as vossas opiniões, concordem ou não com o Governo”, disse. Estas foram as segundas eleições desde a reforma eleitoral introduzida em 2021 por imposição de Pequim, que reduziu de 35 para 20 os assentos eleitos por sufrágio universal, ampliou o peso dos mecanismos não directos e transformou o escrutínio numa votação na qual “apenas (candidatos) patriotas” podem concorrer. A votação decorreu sem os dois principais partidos pró-democracia: o Partido Cívico, dissolvido em 2023, e o Partido Democrata, em declínio. Siga para LegCo Embora inicialmente o Executivo tenha ponderado a possibilidade de adiar as eleições depois do incêndio e dos três dias de luto e suspensão das atividades de campanha que se seguiram, acabou por decidir mantê-las na data prevista. As autoridades argumentaram que realizar o sufrágio demonstra maturidade institucional e que o processo pode coexistir com o respeito pelas vítimas e a gestão da emergência. No total, 161 candidatos disputaram 90 lugares: 51 em circunscrições territoriais, 60 em circunscrições funcionais e 50 designados pela Comissão Eleitoral, dominada por perfis próximos ao Governo central chinês. Os círculos funcionais representam grupos profissionais, sectores comerciais ou interesses especiais específicos e apenas os eleitores registados nestes sectores podem votar neles, o que tem suscitado críticas pela representatividade limitada a favor dos interesses corporativos e das elites. “Quando discordarem das políticas governamentais, por favor, apontem os problemas e apresentem recomendações e sugestões. Consideraremos as vossas sugestões com seriedade. Quando estivermos a agir correctamente, por favor, sejam justos connosco”, disse Lee, citado pela RTHK. O Chefe do Executivo indicou ainda que os legisladores devem falar com base nos factos e filtrar as informações erradas quando se dirigem ao público.
Comércio entre Brasil e China cresce para valor recorde em 2025 Hoje Macau - 15 Jan 2026 As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2 por cento em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43 por cento de todo o saldo positivo do país com o mundo. O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo sector agropecuário e extractivo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45 por cento de todo o petróleo exportado pelo Brasil. As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48 por cento, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53 por cento e 36 por cento, respectivamente. Por outro lado Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25 por cento, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100 por cento eléctricos sofreram uma queda de 37 por cento nas importações. A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39 por cento nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina. Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94 por cento dos quais oriundos da venda de petróleo. Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2 por cento de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano.
China | Excedente comercial atinge 1 bilião de euros em 2025 Hoje Macau - 15 Jan 202615 Jan 2026 O excedente comercial da China atingiu um novo recorde de quase 1,2 biliões de dólares em 2025, segundo dados ontem divulgados, apesar da guerra comercial com os Estados Unidos. De acordo com os dados, divulgados pelas autoridades aduaneiras chinesas, as exportações cresceram 5,5 por cento em 2025, totalizando 3,77 biliões de dólares, enquanto as importações se mantiveram praticamente inalteradas em 2,58 biliões de dólares. Em 2024, o excedente comercial tinha sido de 992 mil milhões de dólares. Em Dezembro, as exportações aumentaram 6,6 por cento, em termos homólogos, superando as previsões dos analistas e o crescimento de 5,9 por cento registado em Novembro. As importações também subiram 5,7 por cento em Dezembro, face a um crescimento de 1,9 por cento no mês anterior. Economistas prevêem que as exportações continuem a ser um dos principais motores do produto Interno Bruto (PIB) chinês em 2026, apesar das tensões comerciais e geopolíticas. “Continuamos a esperar que as exportações desempenhem um papel importante no crescimento económico este ano”, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no banco BNP Paribas. Obstáculos superados Embora as exportações para os Estados Unidos tenham caído acentuadamente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca e a intensificação da guerra comercial com Pequim, a quebra tem sido compensada por um aumento das vendas para mercados da América do Sul, Sudeste Asiático, África e Europa. As exportações robustas têm permitido à China manter um crescimento económico próximo da meta oficial de 5 por cento, embora tenham também suscitado preocupação noutros países, que temem a concorrência de importações a preços reduzidos para as industriais locais. A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou recentemente à China para corrigir os desequilíbrios estruturais da sua economia e acelerar a transição de um modelo centrado nas exportações para um crescimento impulsionado pela procura interna e pelo investimento. A crise prolongada no sector imobiliário, após o reforço das restrições ao endividamento excessivo, continua a afectar a confiança dos consumidores e a travar a procura interna. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, prevê que as exportações da China cresçam cerca de 3 por cento em 2026, abaixo dos 5 por cento registados no ano passado, estimando que o excedente comercial se mantenha acima de 1 bilião de dólares este ano.
Canadá | PM inicia visita à China em período de tensão com Washington Hoje Macau - 15 Jan 2026 O primeiro-ministro Mark Carney iniciou ontem uma visita de três dias à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em quase uma década, num momento de tensão crescente com os EUA. Durante a estadia, Carney deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro, Li Qiang, bem como com empresários e outros dirigentes políticos, visando relançar os laços comerciais e estratégicos entre os dois países, após anos de fricções. Pequim encara a visita como uma oportunidade para promover o que designa como “autonomia estratégica” de Otava em relação a Washington. A imprensa estatal chinesa tem instado o Canadá a definir uma política externa independente dos Estados Unidos. Isto numa altura em que o Presidente norte-americano Donald Trump impôs novas tarifas ao país vizinho e principal parceiro comercial, além de elevar a retórica hostil, sugerindo mesmo que o Canadá poderia tornar-se “o 51.º Estado” dos EUA. “Se o lado canadiano reflectir sobre as causas profundas dos retrocessos nas relações bilaterais dos últimos anos – as políticas do governo anterior de Justin Trudeau para conter a China em alinhamento com os Estados Unidos – perceberá que pode evitar o mesmo desfecho mantendo a sua autonomia estratégica na gestão das questões relacionadas com a China”, escreveu esta semana o jornal oficial China Daily, em editorial.
Mário Laginha edita “Retorno”, segundo álbum em nome próprio Hoje Macau - 15 Jan 2026 O pianista e compositor Mário Laginha edita o segundo álbum em nome próprio, “Retorno”, a 5 de Fevereiro, quando se apresenta no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, regressando no dia seguinte. “Neste CD fiz uma coisa que nunca tinha feito, que foi pôr improvisos totais, o que eu tenho muito noutros álbuns são introduções improvisadas para chegar ao tema, e, alguns destes improvisos [incluídos em ‘Retorno’ acabam por ter um mote que eu sigo do princípio ao fim, o ‘Improviso II – Para a Francisca’ é um desses, isto eu nunca tinha feito. Não é uma coisa nova no mundo, mas é para mim”, disse o músico em entrevista à Agência Lusa. “Retorno” é o segundo álbum em nome próprio de um dos mais regulares músicos nos palcos de jazz portugueses, 19 anos depois de “Canções e Fugas”. Sobre a escolha do título, o pianista afirmou que, por um lado, retorna ao seu primeiro disco a solo, mas a ideia surgiu de um tema que compôs com o mesmo nome para a banda sonora de “Campo de Sangue” (2022), de João Mário Grilo, a partir do romance homónimo de Dulce Maria Cardoso, publicado em 2018. Laginha é o autor desta banda sonora que inclui o tema “Retorno”, cujos Direitos de Autor, no contexto do filme tinha vendido e não podia usar, mas queria de alguma forma envolver a autora do romance, e que escreveu um outro romance intitulado “O Retorno” (2012) e pediu-lhe autorização para usar o título no CD. “‘Retorno’, eu gosto e soa-me bem, e apesar de tudo, não é um título imediato”, argumentou, referindo que também assinala um retorno a si próprio, enquanto compositor. Mais livre O músico reconheceu que se sentiu mais livre neste álbum, uma consequência relativamente ao álbum “Canções e Fugas”, que “foi um disco muito estruturado” em que quis fazer “uma graça com os Prelúdios e Fugas, de Bach”. “Eu tinha uma canção e uma fuga, nas fugas não há qualquer improviso, foram escritas segundo a sua técnica e neste disco queria algo mais livre”, explicou, referindo que em todos os temas há improvisações e no 1º tema, “Fugato Baião”, que liga ao seu primeiro álbum a solo, “começa com uma ideia de fuga e depois liberta-se, e onde já pus improvisação”. “É um disco muito mais livre, com muito mais improvisação”, sublinhou. “Retorno” é constituído por 14 composições, todas de sua autoria e interpretadas ao piano. Um dos temas, “Santo Amaro”, é inspirado “numa aldeia à beira mar”, onde o músico passa férias, habitualmente, e a melodia remete para uma ondulação, como acontece em Santo Amaro. “O nome só surgiu depois de o compor”, disse. O álbum inclui cinco improvisos, e do alinhamento fazem parte “Improviso-A Dança dos Camiões”, “No Segundo Dia”, “Batuque” ou “Mãos Abertas”, entre outros temas. Sobre o tema de abertura, “Fugato Baião”, Laginha referiu que “é invulgar, num disco a solo, começar com uma melodia que não tem acompanhamento, é meio inesperado”. Nos dois concertos no CCB Mário Laginha conta apresentar o alinhamento completo de “Retorno”. A escolha de tocar a solo, foi “fazer um disco e por cá para fora, e tem mais a ver com a decisão de juntar essa música e dá-la a conhecer”.
Venetian | Steve Chou, cantor e compositor de Taiwan, em concerto dia 24 Andreia Sofia Silva - 15 Jan 2026 O palco da Venetian Arena prepara-se para receber, no próximo dia 24, um concerto de um músico de Taiwan. Trata-se de Steve Chou, que traz na bagagem a sua “LINGERING – REUNION Tour”, um espectáculo que remete para a ideia de reunião e celebração com os fãs, e das memórias que permanecem depois de 30 anos de carreira É já no próximo dia 24 que a Venetian Arena recebe mais um concerto de um músico asiático com uma longa carreira. Trata-se de Steve Chou, de Taiwan, que apresenta um concerto integrado na “LINGERING – REUNION Tour”. No dia 24, a música arranca às 20h, em forma de celebração e reunião com os fãs, num espectáculo interligado às ideias de permanência das memórias. Segundo a apresentação do espectáculo por parte da Venetian, este é o primeiro concerto a solo de Steve Chou em Macau, “sendo também a estreia num recinto fechado da digressão”. Fica a promessa de que a Venetian Arena terá “um design e ajustes especiais” para que possa ser criada “uma experiência mais imersiva junto do público, fazendo com que este possa sentir uma ressonância apaixonada com música e alegria”, sentimentos ligados “às memórias queridas da juventude”, tendo em conta a longa carreira de Steve Chou. “Steve Chou espera que este encontro sirva como um gesto caloroso de agradecimento aos fãs que o acompanharam ao longo de todos estes anos, oferecendo os seus sinceros votos de Ano Novo”, lê-se ainda. Nas três décadas de carreira do músico de Taiwan cabem músicas icónicas como “Dusk”, “Cold Lonely Sandbar” ou “Blue Flower”, interpretações essas que lhe deram a alcunha de “Padrinho das Canções de Amor”. “Steve Chou parece eternamente uma ‘criança travessa’ no mundo da música, apaixonado e sincero, cativando membros do público de forma tão profunda que estes se tornam fãs instantaneamente, após um concerto”, descreve ainda a organização do concerto. Um “banquete de reencontro” Há músicas mais clássicas do que outras na carreira de Steve Chou, e nessa categoria entram faixas como “Blue Flower”, “Betrayal” e “Winter’s Secret”. São composicões que, com esta digressão, voltaram a ser ouvidas e amadas, “e amplamente populares”. “Estas melodias, que outrora iluminaram a juventude de uma geração, continuam a irradiar energia vibrante na nova era, atraindo e influenciando um vasto número de jovens ouvintes”, descreve a organização. Esta digressão é uma continuação de espectáculos anteriores, nomeadamente “LINGERING” e “LINGERING RESONANCE”. Agora, Steve Chou “renovou a lista de músicas”, enquanto que a equipa “fez melhorias em termos de som, design do palco, iluminação e efeitos especiais”. “Numa estreita colaboração com a equipa criativa, Steve Chou criou um conceito que gira em torno da ideia de celebração, utilizando um sistema inteligente de iluminação, imagens VJ e diversas instalações em palco para apresentar ao público um grande banquete de reencontro”, lê-se ainda. O êxito “Dusk” faz parte de um dos seus primeiros álbuns, “Transfer”, editado em 2000. Três anos depois saía para o mercado discográfico “Dubbing (By Your Side)”, com canções já editadas e um novo material que fez sucesso. Desde aí que a carreira de Steve Chou esteve sempre em franco crescimento, a conquistar inúmeros prémios.
IA | Docentes alertam para erros na plataforma de correcção de trabalhos Hoje Macau - 15 Jan 2026 Vários professores dizem temer as falhas de uma nova plataforma de inteligência artificial anunciada pelo Executivo para ajudar na correcção de trabalhos de alunos. Um dos docentes, da escola Pui Va, diz que a plataforma pode obrigar à correcção de erros de forma manual As autoridades de Macau anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial” (IA). Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”. Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam à Lusa as limitações actuais da tecnologia. Estes defendem que a IA pode, de facto, ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta plataforma, nomeadamente quando utilizada para a correcção de trabalhos dos alunos. “Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correcção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va. Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”. A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correcção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu. Um ponto de partida Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza, pelo menos, 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e, pelo menos, seis horas para professores de outras disciplinas. “No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas lectivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores.
Creches gratuitas | 22 candidaturas em dois dias João Luz - 15 Jan 2026 Nos primeiros dois dias de inscrições para o plano de “Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social recebeu 22 candidaturas, sete destas foram já processadas. As inscrições estão abertas até ao dia 23 de Janeiro Na segunda e terça-feira, os primeiros dois dias em que foi possível submeter inscrições para o “Regime de Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social (IAS) recebeu 22 candidaturas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, sete das candidaturas já tinham sido processadas ontem. O plano de creches grátis para famílias com carências implementado este ano alarga o escopo dos serviços que já conferiam prioridade nas inscrições em creches subsidiadas a crianças em agregados familiares carenciados. A chefe da Creche da Caritas Fai Chi Kei, Ng Fei Lei, afirmou à emissora pública que a nova medida, que irá substituir a antiga política de prioridade nas inscrições, poderá aliviar a pressão de muitas famílias. Como tal, a responsável estima que o número de candidaturas irá aumentar. Além da creche no Fai Chi Kei, subsidiada pelo IAS, a Caritas opera mais duas creches, que ofereceram 555 vagas no ano lectivo corrente, correspondente a uma taxa de ocupação de 65 por cento. Do total de vagas ocupadas no ano lectivo 2025/2026, Ng Fei Lei indica que 3 por cento são crianças provenientes de famílias carenciadas. Apesar de elogiar a medida, a responsável considera que as inscrições deveriam estar abertas o ano inteiro, em vez de apenas durante menos de duas semanas em Janeiro. Requisitos a preencher O regime de creches gratuitas é um plano gerido pelo IAS em coordenação com mais de 30 creches subsidiadas para atender às necessidades de crianças com menos de três anos provenientes das famílias desfavorecidas, monoparentais, com membros deficientes, com doentes crónicos, compostas apenas por avós e netos ou beneficiárias do subsídio regular do IAS. O programa tem também um requisito financeiro, com metas mínimas de rendimentos estabelecidas para os agregados familiares, consoante o número de pessoas que os compõem. Famílias com duas pessoas têm um rendimento mensal máximo fixado em 19.975 patacas, com três pessoas sobe para 27.550 patacas, e 33.475 patacas com quatro pessoas. O limite máximo de rendimentos mensais para famílias com oito ou mais membros é de 50.675 patacas.
Ensino infantil | Cerca de 2.900 crianças inscritas pela primeira vez Hoje Macau - 15 Jan 2026 Até às 15h da passada segunda-feira, cerca de 2.900 crianças foram inscritas pela primeira vez no registo central de acesso escolar das crianças ao ensino infantil para o ano lectivo 2026/2027, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O processo de registo, que começou no dia 6 de Janeiro e termina amanhã, está a “decorrer sem dificuldades”, indicou ontem o Governo. As inscrições contabilizadas foram realizadas na aplicação Conta Única e no portal da DSEDJ. Os destinatários do registo para o próximo ano lectivo são “crianças que, até 31 de Dezembro de 2026, completem entre 3 e 5 anos de idade (nascidas entre 1 de Janeiro de 2021 e 31 de Dezembro de 2023) e possuam as condições requeridas para acesso ao ensino infantil em Macau pela primeira vez”, refere a DSEDJ. Para as crianças que ainda não estão inscritas, pais e encarregados de educação podem usar as ferramentas digitais mencionadas, ou recorrer aos balcões de atendimento da DSEDJ. As escolas publicarão, entre 10 e 12 de Fevereiro, as datas e horários das entrevistas de admissão.
Comunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade” Hoje Macau - 15 Jan 2026 O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais. “A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido. “A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou. Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.
IAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares Hoje Macau - 15 Jan 2026 Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação. No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços. Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.
Fronteiras | Criticados atrasos na promoção de espaços comerciais João Santos Filipe - 15 Jan 2026 Song Pek Kei está preocupada com a falta de aproveitamento das zonas comerciais nas fronteiras, ao contrário do que acontece em Zhuhai. Para a deputada, o comércio nas zonas fronteiriças é essencial para a diversificação da economia A deputada Song Pek Kei criticou o subdesenvolvimento do comércio nas fronteiras de Macau com o Interior e pede ao Executivo medidas para solucionar um problema que se arrasta nos últimos anos. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Associação de Fujian. No texto da interpelação, a deputada destaca que 2025 foi o melhor ano de sempre em termos da entrada de turistas, ultrapassando-se o anterior recorde, estabelecido em 2019 com a entrada de 39,4 milhões de visitantes. Como parte deste aumento, Song Pek Kei aponta que o número de pessoas a utilizar a Fronteira de Qingmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau cresceu significativamente. No entanto, o comércio nas fronteiras não está a acompanhar a tendência de crescimento, nem a abertura de espaços comerciais em Qingmao contribuiu para uma maior actividade para os comerciantes ou para desviar turistas da Fronteira das Portas do Cerco, a mais utilizada: “O desempenho operacional global está actualmente muito aquém das expectativas, não conseguindo alcançar o efeito desejado de atrair fluxos de passageiros, o que faz com que os benefícios comerciais sejam muito limitados”, atirou a deputada. Song indica também que a atracção de empresas para explorarem os espaços comerciais nas fronteiras tem sido um desafio constante, com excepção das Portas do Cerco. A legisladora recorda que a empresa responsável pela exploração das lojas na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau pediu para rescindir o contrato em 2024, e desde então tem havido problemas para ocupar todas as lojas. Eles fazem melhor Em contraste, Song aponta que as autoridades de Zhuhai têm aproveitado o novo fluxo de turistas para promover o comércio no seu lado da fronteira com muito sucesso. Neste contexto, a legisladora questiona o Governo sobre os planos para “aproveitar as vantagens dos novos fluxos fronteiriços para o desenvolvimento económico” e “reforçar o papel de desvio do fluxo da Fronteira das Portas do Cerco”. A deputada quer também saber quando vai ser lançado um novo concurso público para a exploração das áreas comerciais da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e se vai ser adoptado um novo modelo de exploração. Por último, Song indica que “a economia fronteiriça” é “fundamental para a diversificação moderada do desenvolvimento económico de Macau, pelo que pergunta se existem planos para criar um grupo de trabalho que tenha como tarefa exclusiva definir o futuro desta área da economia.
Terrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer João Luz e Nunu Wu - 15 Jan 202615 Jan 2026 O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa. A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis. De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função. Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo. Para dar seguimento No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos. Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos. Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.
Exposição | Eric Fok mostra “Dreaming of the Occident” em Taiwan: “Em Portugal, vejo vestígios da minha cidade” Andreia Sofia Silva - 15 Jan 2026 O ano começou com um novo projecto de Eric Fok, que apesar de viver em Portugal não deixou Macau e o Oriente. “Dreaming of the Occident” está exposta na galeria Helios, em Taipei, e pode ser vista até 24 de Janeiro. Ao HM, o artista local revela que quer explorar artisticamente o universo da bifana de Vendas Novas, pela ligação à costeleta de porco de Macau Como está representado o Ocidente nesta exposição? Sempre me fascinou o cruzamento entre as culturas do Oriente e Ocidente, e já explorei a forma como Macau foi um território moldado por missionários e navegadores ocidentais que trouxeram novas ciências e ideias para o Oriente. A propósito de uma anterior exposição, e durante o processo de pesquisa, percebi como era raro os chineses viajarem para a Europa na época dos Descobrimentos. Li com entusiasmo os relatos dos poucos que o fizeram. Há diários que recriam de forma vívida as perigosas viagens marítimas e como era a vida nas antigas cidades europeias. Isso permitiu projectar-me nas suas histórias, fazendo a ponte entre o passado e o presente, entre o Oriente e o Oriente. Essas diferenças culturais não são apenas história para mim, mas tornaram-se numa rica fonte de imaginação para o meu novo trabalho. Como artista de Macau, de que forma a história do território, marcada pelo intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente, moldou a sua forma de pensar esta mostra? Tudo começou com o mapeamento de Macau para a série “Paraíso” [exposição de 2014], um projecto que nasceu da minha curiosidade sobre o passado da cidade num contexto de rápida expansão das indústrias do turismo e jogo. Através deste diálogo com a história local, comecei a compreender verdadeiramente a cidade. Passei de ter o foco nos pequenos detalhes da vida urbana para ter uma perspectiva macro do mundo, relevando o papel significativo de Macau na história global. Isso inclui o estatuto de porta de entrada para a China durante os Descobrimentos, a contribuição para o início da globalização, ou ainda ter sido um espaço de difusão do catolicismo a Oriente. [Não podemos esquecer] a profunda influência da cultura marítima. Todos estes temas constituem uma extensão da minha exploração em torno da experiência histórica, e singular, de Macau. Pode descrever com mais detalhe o processo criativo para “Dreaming of the Occident”? Além dos mapas de Macau, esta exposição apresenta também mapas da Eurásia e de várias colónias asiáticas, onde exploro temas como a navegação, o comércio e o império. A minha investigação estende-se também à experimentação de materiais. Além de usar o papel e a madeira, incorporei suportes não convencionais, como ovos de avestruz. Estes objectos funcionam como telas para narrar histórias sobre espécies endémicas e a história da migração, estabelecendo uma ponte entre um lado biológico e histórico. A exposição pretende criticar a influência ocidental em Macau, reflectir sobre ela ou simplesmente observá-la? Na minha exploração destes temas interesso-me sobretudo pelas dimensões culturais da história. Quando os europeus chegaram pela primeira vez à Ásia, viam o mundo de uma perspectiva eurocêntrica. O termo “Extremo Oriente” não era apenas uma designação geográfica, mas um símbolo de poder e uma visão específica do mundo. Mas, por outro lado, o termo “Extremo Ocidente” representa uma imaginação global inicial, no sentido de ser um espaço de compreensão mútua, ainda que incompleta. Hoje, que vivemos numa era de muita informação, em que a conectividade é instantânea, perdemos esse sentido de mistério, e o meu trabalho procura recuperar um pouco daquilo que é a fantasia da distância. Espera leituras diferentes da exposição ou um conhecimento mais profundo do que é Macau, em termos culturais e históricos? No processo criativo dou privilégio à expressão pessoal como respostas à sociedade e ao mundo em que vivemos. Embora expor numa galeria comercial traga, inevitavelmente, uma dimensão de mercado ao meu trabalho, o meu foco é sempre na integridade da obra. Nos últimos anos, a minha vontade de que o público “descodifique correctamente” a minha arte foi-se alterando, no sentido em que, embora sinta uma profunda satisfação quando alguém se conecta com o meu mundo interior, passei a aceitar esse “vazio” na narrativa do meu trabalho. Essas lacunas destinam-se a ser preenchidas pelas experiências e emoções de quem vê, ou talvez pelo próprio tempo e pela história. Num tempo de mudanças rápidas e efémeras, utilizo o pincel para documentar e preservar. O meu trabalho consiste numa partilha da experiência urbana que convida o público a criar uma ligação emocional com as cidades, promovendo uma reflexão profunda sobre identidade e pertença. Tem vivido entre Macau e Portugal. De que forma isso influencia o seu trabalho e a visão da história e cultura de Macau? No momento em que respondo a esta entrevista encontro-me em Vendas Novas, uma localidade em Portugal que é famosa pela bifana. Actualmente, estou a explorar se existe alguma ligação directa entre esta especialidade local e o pão com costeleta de porco de Macau. Há séculos atrás, os portugueses procuraram construir um “lar” em Macau, deixando estruturas portuguesas que definiram o horizonte da minha cidade. Actualmente, estando em Portugal, vejo vestígios da minha cidade por todo o lado. Sendo asiático, e estando rodeado por diferentes raças e línguas, encontro um certo sentimento de pertença que tanto pode trazer uma ideia de alienação como de algo profundamente familiar. A enorme distância geográfica é encurtada pela cultura e história, que são partilhadas. Esta troca de identidades e o movimento entre lugares constituem profundas inspirações para o meu trabalho. A busca por um lugar desconhecido No portal de Internet da galeria Helios, a nova exposição de Eric Fok é descrita como uma busca por uma Europa que, do lado oriental, se sabia existir, mas que estava longe de ser conhecida, sobretudo a partir de meados do século XVI, quando surge o termo “Taixi” como referência ao “Grande Ocidente”. A expressão chinesa foi usada pelo missionário jesuíta Matteo Ricci e é um dos focos do trabalho do artista de Macau em “Dreaming of the Occident”. Segundo a apresentação da Helios, “Taixi” era um termo atribuído à “terra extremamente distante no Ocidente e que foi, outrora, um espaço em branco nos mapas, ainda por explorar”. Desta forma, os mapas imaginados de Eric Fok exploram as ideias de um lugar ausente e desconhecido, sendo analisada também “a identidade do eu, o transporte de memórias, poder e ideologia”. Com recurso a pesquisa histórica, o artista de Macau “redescobre a ‘Taixi’ a partir do olhar do Extremo Oriente, por meio da escrita e da representação cartográfica”. Eric Fok investigou também “as visões do mundo que existiam no passado, formadas pela interligação entre o poder e a crença”, é descrito.
Embaixador do Irão em Lisboa condenou “institucionalização do uso indevido da força” Hoje Macau - 14 Jan 2026 O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou “institucionalização de uma nova política”, concretizada com o instrumento do “uso indevido da força”, aludindo aos Estados Unidos e a Israel. Numa entrevista à agência Lusa, Tafreshi advertiu que este processo irá “alastrar-se” se os países, sobretudo os ocidentais, “não tomarem medidas sérias” contra os Estados Unidos e Israel, “que têm incitado à agitação pública”. “Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia”, destacou Tafreshi, lembrando a actuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba. A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros. O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos “colegas académicos” e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado “Diálogo entre Inimigos”, na procura de uma “paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão”, bem como a criação de novos mecanismos – como uma União da Ásia Oriental – “poderia constituir uma iniciativa com significado”. “Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si – como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interacções humanas”, argumentou o diplomara iraniano. Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, “alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos”, incluindo acções armadas que, segundo relatos, “envolveram indivíduos com treino prévio”. “Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns”, afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da “repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de Dezembro, segundo uma organização não governamental. O embaixador do Irão em Lisboa referiu os “milhões de cidadãos iranianos” que participaram segunda-feira em manifestações públicas, “reflectindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico”, o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais. Incentivos exteriores Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, “em menor grau”, e os Estados Unidos, “que têm incentivado a agitação pública”, bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas” por Washington. “Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afectado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde”, denunciou. “O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica”, acrescentou. Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias”. Poder do povo Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi – filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 – em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o “apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas”, parece estar a tentar desempenhar o papel de um “Robin dos Bosques”. “No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão”, respondeu. Tafreshi negou, por outro lado, que o regime – “o termo “regime é uma expressão ilegítima e enviesada” – esteja em risco, destacando novamente “os milhões” de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão. “A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos”, sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm “boas relações” com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.
Mia Soave!… Amélia Vieira - 14 Jan 2026 Poemas há que precisamos deles de forma total. Quem não sabe lembrar nenhum em tempos especiais e adaptá-lo à sua situação padece de um recurso que não é passível de ser substituído por nenhuma outra competência. Sem poema aprendido estamos despojados de humanidade perante os bravios golpes do destino, a nossa composição neuronal não tem ligações e tudo se desalinha de forma imprecisa. Nós estamos no estertor olhando a morte daqueles que vimos nascer, a nossa dor imensa não necessita de psicólogos, padres, mentores, gurus, só necessitamos de algo que venha em nossa direção e que possamos agradecer aos céus por termos tido dela conhecimento. O poema. Na madrugada agonizante um poema se solta como ave bem-dita na despedida:« – Mia Suave..- Ave?! … Almeia?!… Mariposa Azul… Transe!… » e assim dissemos adeus na fronteira entre morte e vida onde o som do poema ressoava na noite telepática «Não dói por Ti Meu Peito…/ Mia Soave…- Ave! – Almeia!…» E a alma lustral ainda em ferida foi capaz de soletrar canções dos velhos anjos, e suavizar passagens, contornar o asfalto da falta grave de um amado ser. É um poema de Ângelo de Lima que o dedicou a seus amigos do Orpheu introduzindo uma tal eloquência que somente em situações sagradas o lembramos, mas são as coisas que nos lembram e se cruzam no efeito certo dos propósitos, e grande é o poeta que nos abençoa e encaminha em momentos tão derradeiros. Poderemos dizer: que poema é este? É um poema. Parece um poema concreto feito de significados aleatórios que visam quebrar a monotonia das frases feitas do sentir, da sua métrica sequencial, do seu propósito canónico, e por isso estar distante e esquecido do terreiro das coisas dadas nesta matéria, que por outro lado é o mais belo poema da língua portuguesa do século vinte sem apelo nem anotação no marasmo das descrições de todo o género que não chegam a bálsamo nos instantes vitais. É com um misto de surpresa e encantamento que uma coisa assim nos acontece, é uma iniciação. Ângelo de Lima foi barbaramente assassinado nos corredores das psicanálises e pareceres psiquiátricos de então, a sua obra nem chegou a ganhar fôlego nas correntes literárias, mas quando nos visita, tudo muda. «– Do Ocaso pela Epopeia… Dorto… Stringe… O Corpo Elance… Vai À Campa… – Il C´or descanse…- Mia Soave… – Ave!… – Almeia!…» Este poema está cheio de luz e de lágrimas, só quem o conhece é por ele visitado na hora grave de uma despedida. Ele canta mais do que soletra, ele é mais poema que coisa escrita, ele afaga, enobrece e enaltece, e quando tudo se turva de amor desfeito ele dá-nos ainda o bálsamo dos grandes mistérios. Mia Soave, meu Amor « – Não dói Por Ti Meu Peito…/ Não Choro no Orar Ciclo…/ Em Profano…- Edd´ora…Eleito!…» A madrugada ia avançando, a lua alta estava, e um poema visitava a curva da despedida como um cântico de amor e morte, mas surpreendentemente numa esperança futura que não sabe ainda onde irá de novo nascer. Um mantra assim pode levar-nos a pensar que o sopro que dali vem salva a nossa alma para sempre, dando àquela que parte uma dimensão até então desconhecida, e aos que ficam a certeza que só a grande, grande poesia, salva os seres e os distingue. E este é um grande poema. Transfigurador, milagroso, belíssimo. O que vem dizer sequencialmente é um desafio. Que nada diz coisa nenhuma se a palavra não tiver a dimensão que aqui nos traz.
Diplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços Hoje Macau - 14 Jan 2026 A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região. “Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times. Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN. Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio. “Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião. Pontos comuns A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”. Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”. “Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”. “Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi. O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano. “A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.
Espaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar Hoje Macau - 14 Jan 2026 A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem. A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível. Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar. Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite. Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra. Novas missões na calha Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural. A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas. O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.
Irão | China pede que se preserve a estabilidade face a ameaças dos EUA Hoje Macau - 14 Jan 2026 A China apelou ontem a que se “preserve a estabilidade” do Irão e manifestou a sua “oposição a qualquer ingerência externa ou ao recurso à força”, em resposta aos avisos de Washington sobre uma possível escalada contra Teerão. Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim “espera e apoia que o Irão mantenha a estabilidade nacional” e reiterou a oposição da China à “interferência nos assuntos internos de outros países” e à “ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais”. As declarações surgem depois de órgãos de comunicação norte-americanos terem noticiado que a Casa Branca está a ponderar diferentes opções, incluindo medidas militares, em relação ao Irão, ao mesmo tempo que Washington instou os seus cidadãos a deixarem o país por razões de segurança. Mao declarou que a China “espera que todas as partes façam mais para contribuir para a paz e a estabilidade no Médio Oriente”. Sobre a situação de segurança e os protestos no Irão, a porta-voz garantiu que a China “acompanhará de perto a evolução dos acontecimentos” e que adoptará “todas as medidas necessárias” para proteger os seus cidadãos no país. No plano económico, Mao reiterou a posição já expressa ontem pela embaixada chinesa em Washington face às ameaças tarifárias do Presidente norte-americano, Donald Trump, dirigidas aos países que mantenham relações comerciais com o Irão. A porta-voz sublinhou que “não há vencedores numa guerra tarifária” e frisou que a China “defenderá firmemente os seus direitos e interesses legítimos e legais”. As declarações surgem depois de Trump ter anunciado a imposição de tarifas adicionais aos países que “façam negócios” com o Irão, uma medida que a China tem vindo a classificar como uma sanção unilateral, num contexto de crescente tensão diplomática e de segurança em torno do país persa.
Arte contemporânea | Workshop com Delfim Sardo este domingo Andreia Sofia Silva - 14 Jan 2026 Acontece este domingo, dia 18, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM), o “Workshop de Curadoria de Arte Contemporânea com Delfim Sardo”, onde se analisam “abordagens curatoriais para transformar a forma como percebemos e nos relacionamos com o mundo”. Este workshop realiza-se no contexto da exposição sobre o trabalho da artista portuguesa Helena Almeida, intitulada “Helena Almeida: I Am Here – Presence and Resonance”, acolhida pelo MAM a partir do dia 23 e de que Delfim Sardo é curador-chefe. Trata-se de uma mostra organizada pelo Instituto Cultural e pelo MAM. Segundo informações disponibilizadas pelo MAM, neste workshop pretende-se reflectir “sobre as múltiplas facetas da curadoria de exposições de arte contemporânea”, além de se analisarem “estudos de caso, apresentação de conceitos, processos e desafios curatoriais”. Pretende-se ainda uma “interacção dinâmica”, sendo “incentivadas perguntas e discussões para estimular a troca de ideias”. O workshop tem a duração de seis horas, decorre em inglês das 10h às 13h e depois das 14h30 às 17h30. A inscrição é gratuita e pode ser feita no Sistema de Inscrição em Actividades da Macao One Account. A lista de admissão será conhecida esta quinta-feira. Delfim Sardo é professor de arte e curador, descrito como uma “figura central na cena artística contemporânea portuguesa”. “Sardo tem uma sólida formação filosófica, com especialização em estética, e a sua visão curatorial é profundamente influenciada pela teoria crítica e pela ética da representação. O seu trabalho curatorial vai além da simples disposição de objectos, apresentando ensaios profundos no espaço expositivo que levam os espectadores a repensar o papel público da arte”, descreve-se ainda. Em 1999, Delfim Sardo foi curador da Representação Portuguesa na Bienal de Veneza, tendo sido, anteriormente, director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, entre outros cargos. É professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde coordena um programa de mestrado em Crítica de Arte e Estudos Curatoriais.