BNU | Maiores dificuldades em contratar portugueses

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) está a ter mais dificuldades para contratar portugueses actualmente, do que antes da pandemia. O cenário foi traçado pelo CEO da instituição bancária, Carlos Cid Álvares, durante uma conferência realizada na Fundação Rui Cunha.

“Temos menos portugueses do que tínhamos antes da pandemia. Como banqueiro, 99 por cento dos nossos clientes são chineses, mas como banco português, também precisamos de ter profissionais portugueses. Quando precisamos, tentamos arranjá-los, mas agora não é tão fácil como antes, uma vez que não podem pedir uma residência não permanente como antes”, afirmou Carlos Cid Álvares, citado pelo portal da revista Macau Business.

Apesar das promessas de transformar Macau numa plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, em Setembro de 2023, o Governo de Ho Iat Seng e a Assembleia Legislativa, eliminaram o estatuto preferencial de aquisição de residência para cidadãos portugueses com base no vínculo contratual.

Na opinião partilhada, Carlos Cid Álvares não defendeu o regresso do estatuto de residente para potenciais funcionários do banco, mas considerou que deveria haver um regime que permitisse vistos com a duração de cinco a seis anos. “Não creio que as pessoas queiram ou precisem de se tornar residentes permanentes. Precisam de menos burocracia e, pelo menos, de um visto de cinco a seis anos. Depois desse tempo, podem decidir”, observou.

ATFPM | Realizados contactos com Timor, S. Tomé e Guiné Equatorial

Rita Santos, na qualidade de presidente da assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), e Rui Marcelo, conselheiro das Comunidades Portuguesas, reuniram em Pequim esta semana com os embaixadores de Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial.

Em comunicado, é referido que o objectivo da visita foi o de “aprofundar o estatuto de Macau enquanto plataforma essencial para a cooperação económica, comercial e cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Já os embaixadores destes países em Pequim, disseram que as estratégias dos seus países passam pela “integração harmoniosa de diversas actividades económicas como a indústria, a pesca, o turismo, a educação e a tecnologia, juntamente com o fortalecimento das pequenas e médias empresas”, em prol de uma “estratégia eficaz para promover um crescimento económico equilibrado e sustentável”.

Rita Santos prometeu recorrer à ATFPM para “transmitir às associações empresariais do território os temas abordados nos encontros” para que haja maiores “oportunidades de cooperação”.

Trabalho | Ron Lam diz que residentes são “complemento” de TNR

Ron Lam considera existir uma contradição entre a realidade e o discurso político de prioridade dos residentes locais no acesso ao emprego. Aprovações “opacas e discricionárias” de blue cards e menor segurança na manutenção de um emprego a tempo inteiro por residentes são situações para as quais o deputado pede solução

 

“Os residentes tornaram-se um suplemento dos trabalhadores não-residentes”. Esta frase resume grande parte dos problemas identificados por Ron Lam numa interpelação escrita divulgada ontem sobre a precariedade laboral que os residentes sofrem no acesso ao emprego. “A maioria dos trabalhadores estrangeiros são contratados para trabalhar a tempo inteiro, enquanto os residentes trabalham a tempo parcial”, refere o deputado, acrescentando ser frequente o despedimento de residentes após a aprovação de quotas para contratar trabalhadores não-residentes (TNR).

Apesar de sublinhar a deterioração no acesso ao mercado de trabalho, o subemprego e as mudanças no ambiente económico, Ron Lam não menciona diferenças salariais entre os dois tipos de trabalhadores.

O deputado defende que é cada vez mais difícil assegurar a protecção dos direitos e interesses dos residentes no mercado de trabalho. Para tal contribuem factores como o impacto da pandemia, falta de políticas que confiram prioridade efectiva a locais no acesso ao emprego e aprovações “extremamente discricionárias e opacas” de blue cards.

Segundo plano

Ron Lam denuncia também falta de transparência no que diz respeito à proporção de TNR e residentes empregados pelas concessionárias de jogo e a falta de cooperação do Governo. “Por duas vezes pedi ao Governo o número de trabalhadores residentes e não-residentes que trabalham nas seis concessionárias de jogo, e os postos que ocupam, mas o Governo não providenciou essa informação”, revela o deputado.

A precariedade laboral dos residentes é patente numa prática que o deputado diz ser mais frequente, em que os empregadores, “mesmo em empresas de venda a retalho, restauração, convenções e exposições em empresas de jogo”, que recorrem a intermediários para contratar locais pagos à hora. Ron Lam refere que este método é usado para aumentar a proporção de empregados residentes e, assim, justificar a abertura quotas para contratar TNR.

Também as exigências pedidas aos dois grupos demográficos nas candidaturas a vagas de emprego são injustas, na óptica do deputado, sendo exigidos aos residentes experiência no sector e conhecimentos de línguas estrangeiras que os TNR também não possuem.

Os últimos dados oficias sobre o desemprego, referentes ao terceiro trimestre deste ano, mostram que a taxa de desemprego global permaneceu em 1,7 por cento, face ao trimestre anterior, enquanto a taxa de desemprego dos residentes se fixou em 2,3 por cento, em linha com o registo anterior. Ambos as taxas ficaram dentro dos limites do que é designado internacionalmente como “pleno emprego”, ou seja, todos os que estão legalmente habilitados para trabalhar encontram em pouco tempo, e sem esforço, um emprego.

Em relação ao subemprego, o terceiro trimestre deste ano trouxe uma descida de 0,4 por cento em termos trimestrais, com a taxa a ficar-se pelos 1,1 por cento.

Miguel Gomes, realizador: “O cinema não é um tribunal”

Molly e Edward têm casamento marcado, mas na hora de ir buscar a noiva ao comboio, Edward decide fugir, iniciando a “Grand Tour” pela Ásia. A película é um dos filmes de Miguel Gomes exibido no Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que está a decorrer até 13 de Dezembro, dia em que é exibido “Grand Tour”

 

É um dos realizadores em foco neste festival de cinema que decorre em Macau. Como se sente pela oportunidade de mostrar o seu mais recente filme, “Grand Tour”, nesta região?

Poder mostrar o filme em qualquer sítio do mundo é sempre um objectivo para alguém que quer fazer filmes, pois estes só existem a partir do momento em que são vistos. O filme tem uma relação com a Ásia e a China. Foi comprado para Hong Kong, e não sei se será exibido comercialmente no território e quais são os planos dos distribuidores. Independentemente deste festival em Macau, o filme terá visibilidade nessa parte da China.

O filme é uma homenagem ao cinema antigo, pelo menos foi assim que o encarei.

Não. Acho que o cinema não precisa de ser homenageado, pelo facto de a história do cinema ser um património que homenageamos vendo-a. É muito importante que essa memória continue a fazer parte das nossas vidas e que os filmes possam ser exibidos. Em Lisboa temos a sorte de ter uma cinemateca muito competente e forte e que cumpre essa missão. O cinema de hoje está vivo, apesar de não ter um papel social tão forte como teve no século XX, e acho que não precisa de homenagens. O “Grand Tour” é um filme de hoje, mas digamos que tem a memória de outros filmes que foram feitos. Não pretendo homenagear o cinema, mas sim explorar o potencial que ele tem, fazendo duas coisas muito diferentes.

Quais são?

Uma delas terá a ver, de facto, com a história do cinema e do seu património histórico, que ligo ao trabalho em estúdio. Isso é uma coisa que o cinema fez muito, inventar mundos que não são o nosso mundo real. Por outro lado, quis captar a realidade, pois o cinema também tem esse potencial de colocar a câmara à frente de pessoas, filmar acontecimentos, lugares e poder registar isso.

Quando me refiro a essa homenagem ao cinema antigo refiro-me à presença de uma certa maneira de filmar que já esteve em voga. Queria misturar elementos cinematográficos antigos e contemporâneos?

Queria trabalhar com a Ásia fabricada, que nunca existiu, que o cinema criou.

Com a visão ocidental da Ásia.

A visão que os americanos e europeus criaram. Grande parte do cinema americano foi inventado por europeus, gente como [Josef von] Sternberg, que saiu da Alemanha e terá sido o expoente máximo de um autor de cinema que trabalhou com uma imagem da Ásia romantizada.

E filmou em Macau, inclusivamente. [O filme “Macao”, de 1952]

Exacto. Queria trabalhar com esse imaginário, tentando criar um diálogo em que pudéssemos sair para fora do estúdio e estar numa Ásia que correspondesse a um tempo colonial em muitos daqueles países, mas que depois, noutros momentos, pudéssemos estar num tempo presente. Esse tempo seria o futuro das personagens, já num outro tempo histórico pós-colonial.

“Grand Tour” era o nome dado ao percurso que então muitos ocidentais faziam para descobrir uma certa Ásia. Para fazer o filme presumo que tenha sido necessária alguma pesquisa histórica. Como foi esse processo?

Não lhe chamaria uma pesquisa muito profunda, porque não era esse o objectivo. [O “Grand Tour”] não é um filme de cariz sociológico, é uma fantasia de cinema. Está mais desse lado do que do lado sociopolítico, digamos assim. O ponto de partida foram duas páginas de um livro de viagens [o conto ‘Mabel’, de W. Somerset Maugham], que nos deram esse itinerário. A situação descrita [no conto] corresponde àquilo que vemos no filme, com um casal de noivos, com ele a viver na Birmânia e ela a regressar de Londres. Ele entra em pânico e foge no dia em que é suposto ir buscá-la ao cais de Rangum. O casal faz então esse itinerário, sendo que no livro ela consegue apanhar o noivo e casam-se, mas no filme é diferente.

Presumo que seja difícil comparar filmes. Mas entende que o “Grand Tour” marca uma viragem na sua carreira relativamente a produções anteriores?

Acho que não. É um filme pessoal, como todos aqueles que tive oportunidade de fazer. É pessoal no sentido em que não me foram impostas limitações ou qualquer caderno de encargos do produtor. Pude fazer exactamente o que queria. Vejo elementos comuns deste filme a outros que fiz. Acho que se insere numa continuidade do meu trabalho. Houve depois a questão da recepção do filme e do facto de ele ter ganho um prémio em Cannes [o de Melhor Realizador], o que obviamente me ajuda a continuar a trabalhar e ter uma receptividade mais favorável neste momento.

É um grande reconhecimento.

Antes de fazer este filme estava a tentar fazer outro no Brasil, uma adaptação do livro de Euclides da Cunha, “Os Sertões”, e é um projecto complicado, que envolve uma grande logística de produção. No período em que estava a tentar fazer o filme foi difícil [continuar] por várias razões, e uma delas chama-se Jair Bolsonaro [ex-Presidente do país]. Hoje estamos a retomar esse processo, de voltar ao filme. Houve uma altura de desânimo, em que pensei que tinha mesmo de abdicar do projecto, e hoje o processo de refinanciamento do filme está a avançar muito mais rapidamente. As perspectivas são mais animadoras.

Sente que o prémio ganho em Cannes é também do cinema português?

Espero que sim. Da minha parte, não tenho dúvidas de que aquilo que faço devo-o ao esforço de outros realizadores que filmaram antes de mim, e alguns deles continuam a fazê-lo. Eles tiveram de se confrontar com as características do nosso mercado e sociedade, conseguiram filmar num país onde não há indústria porque não há mercado para isso. Tiveram de lutar muito para poder filmar e fazer os filmes que fizeram. Reconheço uma experiência de identidade nesses filmes, revejo-me nisso, apesar dos filmes serem todos muito diferentes. Há, de facto, essa identidade na história do cinema português, talvez a partir dos anos 60, com o Cinema Novo, com produtores e realizadores que lutaram muito para poderem filmar. Fizeram filmes que, para mim, são muito importantes. Hoje em dia, com o sistema criado com a luta deles, é mais fácil para mim e para os meus colegas do que terá sido nos anos 60 e 70.

As condições políticas também eram outras, com menos investimento.

As condições políticas foram mudando ao longo do tempo, mas a vida deles também não foi fácil a seguir ao 25 de Abril de 1974. A forma como o cinema português se conseguiu impor e ganhar espaço para que existisse foi sendo travada em tempos históricos e interlocutores diferentes. E foi difícil.

Voltemos ao “Grand Tour”. Disse numa entrevista que a rodagem do filme foi “surrealista”. Que momentos que destaca dessa fase?

Quando disse isso referia-me a um momento específico da rodagem, na China, que foi muito surrealista. Esta ocorreu a milhares de quilómetros, estava em Lisboa porque não conseguia entrar no país por causa da covid-19. Depois de dois anos de espera para poder filmar, decidi que a única forma de fazer o filme seria ter uma equipa chinesa e eu estar em Lisboa e fazer a rodagem à distância. Estava num Airbnb no Areeiro, rodeado de monitores e a discutir aquilo que se deveria filmar com a equipa chinesa. Aí foi tudo muito surrealista, sim.

Alguma vez teve medo de não conseguir captar a essência do lugar, da cultura asiática, tendo em conta todas essas condicionantes?

Achava que a coisa não ia funcionar. Desconfio muito da técnica, sou bastante analógico, e achava que não ia funcionar. Para resultar tinha de ter a imagem em directo, dar um “acção” e um “corta” em tempo real, que pudesse ter a imagem geral, o que estava à volta no lugar além da imagem da câmara. Precisava de ter um sistema de comunicação que funcionasse com o director de fotografia e o responsável de câmara para lhe poder dar indicações na altura em que estávamos a filmar. Isso tudo foi possível, e fiquei espantado com isso. Por outro lado, a ideia de captar a essência do lugar, ou uma coisa mais profunda da cultura de um destes países, neste caso na China, parece-me um fardo demasiado pesado. Não era essa a minha intenção no filme, porque é algo impossível. Acredito que um filme é sempre o resultado de uma negociação entre alguém que olha e aquilo que existe para ser olhado. Há um lado subjectivo. Aquilo que nos interessa, que nos apela, que dialoga connosco e nos suscita o desejo de filmar pode existir na China, no Vietname, em África ou aqui na esplanada do café onde estamos. Parti para a Ásia como parti para a zona de Arganil para fazer um filme anterior, “Aquele Querido Mês de Agosto”.

Numa aldeia.

Sim, uma zona rural de Portugal, e não sei se olhava de maneira diferente numa situação ou outra. Há sempre qualquer coisa que acho bonito ou que me toca de maneiras diferentes. O que se passa em “Grand Tour” é uma série de desencontros, o do casal, mas parece-me que há também um desencontro entre aquelas personagens europeias na relação com o território. Parece que estão sempre desconectados do espaço onde habitam. Vivem um bocado numa bolha.

Mas o colonialismo também foi um pouco isso.

Sim. Concordo, acho que há pessoas que podem ver isso no filme, essa dissociação entre aquilo que as personagens estão a viver e aquilo que se passa em redor delas. Muitas vezes optámos por não traduzir o que se passava à frente deles para que o espectador ocidental possa estar tão intrigado e perdido como as próprias personagens. Também acho que, hoje em dia, há uma ideia, da qual discordo totalmente, que o cinema existe para corrigir a história e as injustiças todas do mundo. É também tarefa demasiado pesada para o cinema. Parece-me profundamente desajustado, porque o cinema não é um tribunal para julgar nem um espaço para punir espectadores e personagens, é outra coisa. Os filmes não têm de ser denúncias, prisioneiros de uma expectativa. Tentei fazer um filme onde a questão colonial pudesse ser tratada, mas sem ter de punir nem os espectadores, nem as personagens.

Qual era a sua relação com a Ásia ou a sua ideia de Orientalismo?

Quis trabalhar a ideia de que houve uma Ásia inventada e fabricada pelo olhar europeu, e tinha consciência que isso existiu e que tinha de trabalhar com isso no filme. O mundo da ficção, por outro lado, tem como uma das vertentes essa ideia de exotismo, independentemente da questão sociológica, de ter havido um olhar ocidental sobre o Oriente, quase como uma visão superficial desse mundo. Mas a ficção trabalha com estereótipos, e isso não é mau. É o cimento para depois fazer qualquer coisa com esses estereótipos.

Miguel Gomes na Cinemateca

Depois da primeira exibição ontem de “Aquele Querido Mês de Agosto”, a Cinemateca Paixão será o local para ver os filmes de Miguel Gomes seleccionados para a edição deste ano do Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa. No próximo dia 8 é vez de “As Mil e Uma Noites – Volume 1, O Inquieto”, de 2015; seguindo-se “As Mil e Uma Noites – Volume 2: O Desolado” na terça-feira dia 10. Segue-se depois, na quarta-feira, 11 de Dezembro, o episódio da saga, com o nome ” As Mil e Uma Noites – Volume 3: O Encantado”. “Grand Tour” tem uma única exibição na sexta-feira, 13 de Dezembro.

Macau propõe dança folclórica portuguesa para Património Cultural Intangível

O Instituto Cultural de Macau (ICM) anunciou na quarta-feira uma consulta pública sobre a possível inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território.

A consulta, “para efeitos de auscultação da opinião pública” começa a 04 de dezembro, inclui uma sessão aberta à população a 07 de dezembro e irá e durar 30 dias, disse o ICM, num comunicado.

A líder de um grupo de dança folclórica portuguesa disse à Lusa que a possível listagem como património cultural intangível de Macau pode ajudar a preservar a cultura de matriz lusa na região chinesa. “Temos sempre de lutar bastante para manter o mínimo da cultura portuguesa que ainda está viva em Macau, não é fácil”, disse a presidente da Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’.

“É muito boa essa iniciativa e se [a dança folclórica portuguesa] entrar realmente na lista era ótimo para a nossa cultura”, defendeu a macaense Ana Manhão Sou. Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, composta sobretudo por lusodescendentes, com raízes no território.

Manhão Sou disse estar confiante que os residentes de Macau já encaram a dança folclórica portuguesa não como algo estrangeira, mas sim como parte integrante da cultura do território. “Qualquer evento grande que é realizado pelo Governo, a dança é sempre convidada”, recordou a presidente da ‘Macau no Coração’, que elogiou “o apoio máximo” das autoridades da região na promoção do grupo.

Manhão Sou disse que o grupo “é um míni Macau”, que junta pessoas das comunidades macaenses, chinesa e portuguesa, mas admitiu que continua a ser “muito difícil” atrair rapazes para a dança folclórica.

Além da dança folclórica portuguesa, estão na lista de 12 novas manifestações recomendadas para inscrição a confeção de massas Jook-Sing (uma rara especialidade feita com ovos de pato), biscoitos de amêndoa, bolos de casamento tradicional chinês e pastéis de nata. Os pastéis de nata de Macau, inspirados pelo pastel português, foram inventados por um britânico radicado na cidade, Andrew Stow.

A lista inclui ainda a crença e costumes de Tou Tei (o deus chinês da Terra), o festival e a regata de barcos-dragão, a dança do dragão, a dança do leão, o Festival da Primavera (que inclui o Ano Novo Lunar) e a arte marcial Tai Chi.

Em 2019, Macau já tinha inscrito como património cultural intangível as procissões católicas do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e de Nossa Senhora de Fátima, a gastronomia macaense e o teatro em patuá, o dialeto crioulo da comunidade.

Em 2021, a gastronomia macaense e o teatro em patuá foram também incluídos pela China na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional.

Xinjiang | Volkswagen anuncia venda das suas operações

O construtor automóvel alemão Volkswagen anunciou ontem a venda das suas operações na região chinesa de Xinjiang, onde Pequim é acusada de violações dos Direitos Humanos.

A empresa vai vender a sua fábrica na capital de Xinjiang, Urumqi, bem como uma pista de testes em Turpan, a uma empresa chinesa, informou um porta-voz do grupo, em comunicado. A empresa invocou “razões económicas” e um “realinhamento estratégico” para justificar a sua decisão.

Desde há vários anos, governos ocidentais e organizações de defesa dos Direitos Humanos acusam Pequim de exercer uma campanha repressiva contra os uigures e outras minorias étnicas de origem muçulmana em Xinjiang.

A região do noroeste da China alberga uma série de fornecedores de empresas multinacionais, incluindo grandes marcas europeias e norte-americanas. Há muito que a Volkswagen está no centro das atenções por causa da sua fábrica de Urumqi, inaugurada em 2013, na qual a empresa tem uma participação através do seu parceiro local SAIC.

No início deste ano, o diário financeiro alemão Handelsblatt afirmou que a construção da pista de testes da VW em Turpan, em 2019, poderia ter envolvido trabalho forçado. A Volkswagen respondeu que não tinha encontrado provas de violações dos Direitos Humanos relacionadas com o projecto.

No seu comunicado de imprensa, o fabricante alemão declarou que todas as suas operações na região seriam transferidas para a empresa chinesa Shanghai Motor Vehicle Inspection Center.

CPLP | Festival de cinema arranca em Díli com “Grand Tour” de Miguel Gomes

O Festival de Cinema da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa começou ontem em Díli com a estreia do filme do realizador português Miguel Gomes “Grand Tour”, prémio de melhor realização no Festival de Cinema de Cannes.

“O festival tenciona trazer também para Timor-Leste cinema em língua portuguesa”, afirmou à Lusa a embaixadora de Portugal em Díli, Manuela Bairos, momentos antes do início do festival.

Segundo a diplomata, a CPLP tem países “com grande tradição de cinema”, dando como exemplo o Brasil, mas também o novo cinema angolano. “Queremos que isso seja um começo para talvez no próximo ano se faça um festival de maior ambição” e, disse, dar a conhecer a Timor-Leste que “há cinema em língua portuguesa”.

O festival começou no Cineplex, em Díli, com o “Grand Tour” de Miguel Gomes, que ganhou em Maio o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, em França. No sábado, será projectado o “Central Brasil”, um clássico do cinema brasileiro.

Timor-Leste estará presente no dia 3 de Dezembro com a projecção, no Arquivo e Museu da Resistência, de um documentário e entrevista com Nino Konis Santana, que comandou a guerrilha timorense entre 1993 e 1998. O festival, que inclui também a projecção de curtas-metragens e outros filmes de realizadores da CPLP, termina em 12 de Dezembro.

“Esta é uma forma de também diversificarmos a nossa oferta cultural. Há coisas que são mais clássicas, mas o cinema também merece ser impulsionado e o cinema destes países é muito o cinema de arte, são filmes muito bem trabalhados”, acrescentou Manuela Bairos.

Hong Kong defende integridade financeira e adverte Estados Unidos

O governo de Hong Kong advertiu que as acções políticas norte-americanas podem ameaçar as relações bilaterais, em resposta a uma carta da Câmara de Representantes dos EUA que questiona o estatuto da cidade como centro económico internacional.

O executivo da região semiautónoma chinesa repudiou esta carta enviada à secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, afirmando ser infundada e prejudicial à reputação da região, de acordo com um comunicado divulgado pelas autoridades na terça-feira.

Além disso, o governo de Hong Kong garantiu que tem vindo a aplicar as sanções impostas pelas Nações Unidas e que mantém um mecanismo eficaz para aplicar as resoluções, incluindo o controlo de navios e empresas suspeitas, para evitar a evasão às sanções.

Um porta-voz das autoridades da antiga colónia britânica classificou o documento como uma “tentativa grosseira e repreensível” de espalhar desinformação para fins políticos.

Sublinhou que as leis de segurança nacional da cidade “garantem um ambiente estável e previsível que permite o crescimento da economia e das empresas”, referindo que a comunidade empresarial internacional continua a ter confiança em Hong Kong.

O porta-voz salientou a integridade dos sistemas financeiros locais, destacando que os bancos e instituições do território cumprem as normas internacionais, nomeadamente em matéria de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo.

As autoridades locais reafirmaram ainda o empenho no Estado de Direito no âmbito do quadro ‘um país, dois sistemas’, salientando que os direitos e liberdades fundamentais são protegidos pela Lei Básica.

O conceito ‘um país, dois sistemas’, originalmente proposto pelo líder chinês Deng Xiaoping e aplicado pela primeira vez em 1997 e 1999, com a transferência de soberania de Hong Kong e de Macau, respectivamente, prevê ao longo de 50 anos um determinado grau de autonomia para as duas regiões, com foco no respeito pelas liberdades e garantias dos cidadãos.

Dedo apontado

Na segunda-feira, legisladores norte-americanos instaram as autoridades dos EUA a reavaliar o tratamento dado aos bancos de Hong Kong e acusaram a cidade de se ter tornado “um centro de lavagem de dinheiro e de ajuda aos países autoritários para contornar as sanções”.

“Desde a imposição da Lei de Segurança Nacional por Pequim, Hong Kong deixou de ser um centro financeiro global de confiança para se tornar um actor fundamental no crescente eixo autoritário que inclui a China, o Irão, a Rússia e a Coreia do Norte”, argumentaram.

Os congressistas acrescentam que Hong Kong “se tornou líder mundial em práticas como a importação e reexportação para a Rússia de tecnologia ocidental proibida, a criação de empresas de fachada para a compra de petróleo iraniano proibido, a facilitação do comércio de ouro de origem russa e a gestão de navios fantasma envolvidos no comércio ilegal com a Coreia do Norte”.

Pequim impôs em Hong Kong uma lei de segurança nacional em Junho de 2020 que proíbe actos de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras, em resposta aos protestos que abalaram em 2019 a cidade. Depois disso, em Março deste ano, a antiga colónia britânica promulgou a própria lei de segurança nacional.

A sensibilidade trágica perdida dos Estados Unidos (I)

(continuação)

No entanto, é com as presidências Obama e Trump, em substancial continuidade apesar de inegáveis diferenças, que um novo momento na arte da governação americana ganha forma. O erro colossal da “Guerra ao Terror” abre uma contestação popular mais ampla da política externa, um cepticismo claro não sobre os fins do projecto americano de construção de uma ordem mas sobre os custos, riscos e frustrações tradicionalmente associados a ele. Os americanos rejeitam certos pilares do papel global do seu país como o aumento das despesas de guerra (financiadas pela dívida), acordos de comércio livre, promoção da democracia e dos direitos humanos, protecção dos aliados, defesa pela força de certas normas internacionais. Por isso, elegem governantes animados por uma visão do mundo ingénua, perigosa e a-histórica.

Brands e Edel gostariam que os americanos aceitassem o seu papel e aplicassem constantemente o poder necessário para manter a ordem. O argumento é muito elitista, mas aponta para um problema real que são as capacidades narrativas da América atrofiaram. Os governantes perderam a capacidade de explicar como o modo de vida americano mudaria sem o império ou se os rivais prevalecessem. Falta a capacidade descritiva. Durante a Guerra Fria, a maioria da população tinha a noção racional de que o contra-modelo soviético era inaceitável. Hoje em dia, em parte devido à desconfiança popular em relação às instituições e aos círculos mediáticos que são incapazes de mudar de opinião, os contornos das ameaças e dos riscos para o americano médio não estão bem definidos.

O que é dito de que se a China ganhar, diminui a prosperidade americana; se a Rússia ganhar, não se fica pela Ucrânia; a América é uma nação indispensável para a estabilidade mundial. O como é escasso, o domínio da imaginação realista. Domínio da tragédia. Para sair da amnésia, Brands e Edel sugerem que se redescubram alguns princípios e convenhamos que a natureza humana não mudou e que o mundo não quer ser como nós; é impossível criar uma ordem verdadeiramente pacífica, mas não devemos deixar de tentar; não podemos concordar com os rivais porque não podemos saciar um revanchista (corolário implícito são os jogos da Conferência de Munique de 1938); para evitar a catástrofe, é necessário agir preventivamente para desviar os acontecimentos da sua trajectória (deixemos de ser reactivos, respondamos com força aos testes de credibilidade dos rivais, até agora todos falhados).

Apelam (último imperativo) ao sentido da proporção e da medida para não caírem na hybris, esgotarem-se e retirarem-se do mundo. No entanto, na prática, as afirmações mais prudentes e necessárias do poder americano não parecem ser muito diferentes da abordagem predominante da liderança dos Estados Unidoa nas últimas décadas. É aqui que entra Robert Kaplan. Na sua opinião, a tragédia é um tipo particular de catástrofe; a anarquia, o maior e mais fundamental medo dos gregos. Também ele concebe a tragédia como um meio de informar o público sobre os perigos do esquecimento de certos princípios básicos. A tónica é, no entanto, colocada no sentido da medida. Definido como modéstia, humildade, pessimismo construtivo, consciência dos limites, previsão ansiosa, extrema parcimónia no uso da força, contemplação do irracional. Embora exortando os intelectuais e a população a compreenderem os constrangimentos dos detentores do poder e a razão de Estado, o seu principal público-alvo é a “nomenklatura” de Washington e Nova Iorque. A crítica durante os últimos trinta anos, ignorou o elemento dionisíaco dos assuntos humanos e mundiais, baseando-se em suposições alegres.

Por exemplo, o fim da Guerra Fria conduziria a uma expansão imparável da democracia e dos mercados livres; quanto mais negociarmos com a China, mais rica e mais liberal se tornará; a terapia económica de choque tornará a sociedade russa democrática e capitalista; a geopolítica desapareceu da história, substituída pela geoeconomia, enquanto o que aconteceu foi a fusão entre as duas numa mistura ainda mais perigosa e explosiva para tornar a guerra melhor. A acusação mais forte de que a classe dirigente não tem um medo visceral da anarquia, nunca teve de negociar o trânsito num posto de controlo durante uma guerra civil e, por isso, subestimou demasiadas vezes uma lição de que os picos de regime são menos perigosos e aterradores do que nenhum regime. Saddam e Kadhafi acenam com a cabeça nos seus túmulos. Kaplan também se centra no conceito de defesa da ordem, mas como um apelo à modéstia para não alimentar ainda mais a desordem.

Insta a liderança americana a ser mais subtil e humilde no seu pensamento, menos maximalista e prepotente. Nas palavras de Joseph Conrad em “Under Western Eyes” as comunidades humanas oscilam entre governos autocráticos ferozes e imbecis e a resposta não menos imbecil dos ideais utópicos. O pecado crucial das últimas décadas é ter espalhado o caos em nome de objectivos ambiciosos e inatingíveis. Agora os Estados Unidos já não se podem dar a esse luxo. Nesta nova era, o nível e a qualidade do erro de cálculo que gerou o Iraque e o Afeganistão conduziriam o mundo à catástrofe. O mesmo pensamento que deu origem a guerras intermináveis, se não for moderado, corre o risco de levar a América a uma guerra total. A referência implícita é à facilidade com que os Estados Unidos ainda concebem a mudança de regime como uma solução para as rivalidades.

Não é um objectivo concretamente perseguido no desafio com a Rússia e a China, apesar de mais do que alguns o exigirem abertamente. Mas se o foco da retórica americana continuar a ser a inaceitabilidade destes regimes, em vez de apostas mais negociáveis e específicas, corre-se o risco de convencer o adversário de que a sua sobrevivência e identidade estão em jogo. Acima de tudo, diminui a possibilidade de negociar uma coexistência, mesmo que temporária, para ganhar tempo para reconstruir os factores de poder que permitem a competição. Os americanos, admite Kaplan, são alheios à ideia de que as tiranias não governam no vácuo, mas têm pelo menos algum apoio popular porque se legitimam como uma alternativa à desordem.

Corrupção | Pequim diz que notícia sobre ministro da Defesa é “especulação”

O Governo chinês descreveu ontem como “especulação” a informação avançada pelo jornal Financial Times de que o ministro da Defesa chinês, Dong Jun, está a ser investigado por corrupção. “Estão a perseguir sombras”, reagiu Mao Ning, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa.

No entanto, Mao não desmentiu a informação. Citando actuais e antigos funcionários norte-americanos familiarizados com o caso, o jornal referiu que o caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre a corrupção nas Forças Armadas chinesas.

A confirmar-se, Dong seria o terceiro ministro da Defesa consecutivo a ser acusado por este tipo de delito na China. Antigo comandante da Marinha, Dong Jun foi nomeado ministro da Defesa em Dezembro de 2023, na sequência da súbita destituição do antecessor Li Shangfu, apenas sete meses após a sua entrada em funções.

Li Shangfu foi posteriormente expulso do Partido Comunista Chinês por “suspeita de corrupção” e acusado de ter “recebido grandes somas de dinheiro”, segundo a televisão estatal. O antecessor, Wei Fenghe, que também era suspeito de corrupção, foi igualmente expulso do Partido.

Também foram afastados, nos últimos meses, entre outros, os dois chefes da Força de Foguetões, de que depende o programa nuclear chinês. Após ascender ao poder, há pouco mais de dez anos, Xi lançou uma vasta campanha contra a corrupção, que se estendeu ao Exército.

Indústria | Lucros das empresas chinesas caem 4,3% entre Janeiro e Outubro

Os lucros das principais empresas industriais da China caíram 4,3 por cento, em termos homólogos, entre Janeiro e Outubro deste ano, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE) do país.

Os lucros das empresas analisadas foram de 5,87 biliões de yuan nos primeiros dez meses de 2024.A instituição notou que os lucros destas empresas caíram 10 por cento em Outubro, em termos homólogos, uma queda que é, no entanto, inferior à queda de 27,1 por cento registada no mês anterior.

O estatístico do GNE, Yu Weining, atribuiu esta redução do valor mensal ao efeito das medidas de apoio anunciadas por Pequim nas últimas semanas, apontando especificamente os sectores da indústria transformadora, como a maquinaria e a alta tecnologia, como impulsionadores.

Os lucros acumulados até agora este ano mostram um valor pior em Outubro, uma vez que entre Janeiro e Setembro tinham caído 3,5 por cento, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em 2023, os lucros das principais empresas industriais chinesas registaram uma queda de 2,3 por cento, em comparação com o ano anterior. Para elaborar esta estatística, o GNE apenas tem em conta as empresas industriais com um volume de negócios anual superior a 20 milhões de yuan.

Blinken insta Pequim a usar influência para travar aliança entre Rússia e Coreia do Norte

O secretário de Estado norte-americano instou terça-feira a China a utilizar a sua influência para travar a aliança entre a Rússia e a Coreia do Norte, alertando que esta associação obrigará a Europa e a Ásia a reforçar a defesa.

“A China tem um papel importante a desempenhar no uso da sua influência sobre a Coreia do Norte e a Rússia. Caso contrário, os países da região e da Península Coreana, incluindo os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, irão dar novos passos para reforçar as suas capacidades de defesa”, frisou Antony Blinken, numa conferência de imprensa no final da cimeira do G7 em Itália.

Blinken, que se despede deste fórum antes do regresso à Casa Branca do republicano Donald Trump, explicou a “profunda preocupação” que esta colaboração entre regimes suscita.

“Não só por causa do que a Coreia do Norte está a fazer pela Rússia na sua agressão contra a Ucrânia, mas por causa do que a Rússia faz e pode fazer pela Coreia do Norte em termos das suas capacidades de mísseis ou nucleares”, detalhou o chefe da diplomacia norte-americana.

Esta aliança fará com que os países vizinhos reforcem as suas forças de defesa, o que poderá enervar Pequim.

“Sem dúvida, estas medidas não são dirigidas à China, mas a China não irá gostar delas. Como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, penso que todos esperamos que a China use a sua influência e tente pôr fim a isto”, insistiu.

Amizade condenada

Os ministros do G7, o grupo das democracias mais industrializadas do planeta, reuniram-se nas cidades italianas de Fiuggi e Anagni, sob a liderança rotativa italiana.

Na declaração final da cimeira, o G7 denunciou o “crescente apoio” da China à indústria de defesa da Rússia, o que, na sua opinião, lhe permite continuar a invasão da Ucrânia e ameaça ter impactos de “grande escala” na segurança.

“Ao procurar relações construtivas e estáveis com a China, reconhecemos a importância do envolvimento directo e sincero para expressar preocupações e gerir as diferenças”, frisou o grupo. Esta cimeira de dois dias concentrou muita atenção nas relações com a China e a região Indo-Pacífico, e no apoio de Pequim ao regime de Vladimir Putin.

“Pedimos à China que cesse a transferência de veículos de ataque aéreo não tripulados e de materiais de dupla utilização, incluindo armas e componentes materiais”, exigiram ainda os países, na declarações finais.

Instaram também Pequim a “intensificar os esforços” para promover a paz e a segurança internacionais e a “solicitar à Rússia que cesse os seus ataques militares e retire imediata, completa e incondicionalmente as suas próprias tropas da Ucrânia”.

Condenou ainda “com a maior firmeza” a “crescente cooperação militar” entre a Rússia e a Coreia do Norte, especialmente o envio de tropas de Pyongyang na guerra contra a Ucrânia. O G7 garantiu que está a trabalhar “em conjunto com parceiros internacionais para dar uma resposta coordenada” à aliança entre Moscovo e Pyongyang.

Comércio | Pequim garante próxima colheita de soja brasileira face a crescentes tensões

Antes que a previsível guerra comercial anunciada por Trump se torne uma realidade, o governo chinês tenta assegurar trocas comerciais a preços razoáveis

 

Os compradores chineses estão a garantir a soja brasileira da próxima colheita, visando salvaguardar a oferta e garantir bons preços, numa altura em que se prevê um agravamento das tensões comerciais entre Pequim e Washington.

As compras de feijão brasileiro por empresas chinesas significam que pelo menos metade da procura chinesa para o período Fevereiro-Abril já foi coberta, bem como cerca de 20 por cento para Maio-Junho, segundo a agência Bloomberg.

Espera-se que a próxima colheita seja a maior de sempre da nação sul-americana, ajudando os comerciantes chineses a obterem boas margens.

Os compradores normalmente reservam as cargas com cerca de dois meses de antecedência. Os preços das cargas brasileiras estão cerca de 2 dólares por tonelada abaixo dos preços da Costa do Golfo dos EUA, para Fevereiro, e 22 dólares mais baratos para Março, segundo dados da Commodity3.

Os trituradores chineses também estão a tomar a medida invulgar de garantir algumas cargas brasileiras para entrega em Dezembro e Janeiro, durante a época baixa no Brasil, que é mais cara, antes da próxima colheita, disseram os operadores, citados pela Bloomberg. Este período é tipicamente quando os EUA dominam o mercado global, após a sua própria colheita.

Embora o Brasil já seja o maior exportador do mundo, as últimas compras destacam a crescente dependência da China em relação à soja do país. As preocupações com um potencial choque de abastecimento se Pequim aumentar as taxas alfandegárias sobre as importações de produtos agrícolas dos EUA estão a aumentar o incentivo para armazenar noutros locais.

Ameaças conhecidas

O presidente eleito norte-americano, Donald Trump, disse na segunda-feira que planeia impor taxas alfandegárias adicionais de 10 por cento sobre os produtos oriundos da China, logo após assumir funções. Anteriormente, comprometeu-se a aumentar as taxas para 60 por cento para todos os produtos da nação asiática, suscitando o risco de os produtos agrícolas norte-americanos serem apanhados em medidas de retaliação.

Os EUA têm cerca de quatro milhões de toneladas de vendas de soja pendentes para a China na temporada 2024-25, segundo dados do Governo. Ainda assim, esse é o menor valor para esta época desde 2018 – durante o primeiro mandato de Trump.

Os compradores estão cautelosos com as preocupações sobre taxas mais altas, disse a consultora chinesa Mysteel Global, num relatório emitido na semana passada.

A previsão é que a China importe cerca de 109 milhões de toneladas de soja na actual temporada. A sua procura global de culturas, incluindo cereais, tem vacilado à medida que o país se debate com um abrandamento económico.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares, em 2004, para 157,5 mil milhões, em 2023. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20 por cento das importações agrícolas e pecuárias do país asiático.

A segunda maior economia mundial alimenta quase 19 por cento da humanidade com apenas 8,5 por cento das terras aráveis do planeta. Em comparação, o país latino-americano tem quase 7 por cento das terras aráveis para 2,7 por cento da população mundial.

Galeria Tap Seac | Nova exposição inaugura sexta-feira

Será inaugurada amanhã a “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau 2024 – Categoria Meios de Expressão Ocidental”, na Galeria Tap Seac. A mostra contou com a participação de um total de 181 criativos, tendo sido recolhidas 178 peças ou conjuntos de obras com uma variedade de meios de expressão ocidental, incluindo desenho, aguarela, pintura a óleo, gravura, escultura, cerâmica, bem como fotografia, vídeo, técnica mista e arte de instalação, apresentadas em formato bidimensional, tridimensional e multimédia.

A selecção final apresenta 45 peças ou conjuntos de obras, que, segundo uma nota do Instituto Cultural, “são impressionantes e ricas em temas, demonstrando as capacidades artísticas e a criatividade desinibida dos artistas locais”.

A “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau” tem como objectivo incentivar “a inovação”, servindo também para “apresentar obras de arte contemporânea com o espírito dos tempos, a fim de mostrar o mais recente desenvolvimento das artes visuais em Macau”.

A chamada de trabalhos e processo de escolha decorreram em Julho deste ano, tendo sido convidados para o júri cinco especialistas e académicos da área das artes visuais do Interior da China e de Singapura. Os 45 trabalhos apresentados nesta mostra incluem os dez vencedores do “Prémio para Obras Excepcionais”.

A mostra pode ser vista até ao dia 29 de Dezembro. Haverá visitas guiadas aos sábados, domingos e feriados, bem como nos dias 23, 26 e 27 de Dezembro, em cantonense, pelas 15h, e em mandarim pelas 16h15.

Obras candidatas ao Sovereign Portuguese Art Prize expostas em Lisboa

Uma exposição com obras de 33 artistas plásticos residentes em Portugal seleccionadas para o prémio de arte Sovereign Portuguese Art Prize 2024, no valor de 25 mil euros, foi inaugurada ontem na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Trata-se da terceira edição deste prémio anual, que é atribuído pela Associação SAF, filial portuguesa da Sovereign Art Foundation, criada em 2003 em Hong Kong para promover, apoiar e reconhecer a arte contemporânea e incentivar a produção artística, bem como financiar programas para crianças desfavorecidas em Portugal, explicou Howard Bilton, fundador e presidente da Sovereign Art Foundation (SAF), numa apresentação à imprensa.

Natural de Yorkshire e advogado fiscal de formação, Howard Bilton viveu 28 anos em Hong Kong, onde decidiu que queria “transformar o que era um passatempo de coleccionador de arte numa actividade de caridade”.

“Por isso, criámos o conceito de prémios de arte, e a minha motivação para o fazer foi sempre, antes de mais, caritativa. Queria angariar fundos para ajudar crianças desfavorecidas, crianças com dificuldades de aprendizagem, com dificuldades comportamentais, que tenham sido vítimas de abusos físicos, mentais, sexuais, seja o que for, porque a arte é uma terapia muito poderosa para crianças nessas condições”, afirmou.

Foi assim que surgiu o conceito do prémio de arte, que traz consigo um “produto secundário muito agradável” que é o facto de ajudar os artistas e impulsionar as suas carreiras, numa espécie de troca recíproca: “Os artistas ajudam-nos a angariar dinheiro e nós ajudamo-los com o seu perfil”.

Portugal é o terceiro terreno geográfico onde está a ser aplicado este modelo, que já tem 20 anos na Ásia e vai na 4.ª edição em África, explicou o responsável.

Até Dezembro

Até ao dia 14 de dezembro, vão estar expostas obras dos 33 artistas finalistas, nomeados por profissionais independentes de arte, com o objectivo de lhes dar maior visibilidade pública, exposição no mercado da arte e um maior número de seguidores internacionais.

Pintura, colagens, escultura, fotografia e instalações compõem o conjunto artístico exposto, da autoria de nomes como Jorge Queiroz, vencedor da primeira edição do prémio, Rogério da Silva, Rodrigo Oliveira, Pedro Barateiro, ±maismenos± (Miguel Januário), José Pedro Cortes, Conceição Abreu, Ana Pais Oliveira, Jaime Silva e Isabel Sabino.

As obras finalistas são escolhidas por “nomeadores independentes”, seleccionados pelos promotores do prémio, ou seja, “pessoas que são especialistas em arte, mas que não têm um interesse comercial nas artes”.

“Fazemo-lo desta forma porque, se abordarmos as galerias, elas nomeiam obviamente os seus próprios artistas”, explicou, acrescentando que procura que a escolha dos nomeadores recaia sobre directores e conservadores dos museus, críticos de arte, jornalistas e especialistas em arte, “que terão uma visão ligeiramente diferente”.

Durante a mostra, realiza-se também uma venda das obras seleccionadas, com o objectivo de angariar um montante significativo tanto para os artistas, como para causas de solidariedade social.

Em paralelo, decorre uma mostra dedicada aos 30 finalistas da edição deste ano do prémio para estudantes, que visa reconhecer e premiar talentosos alunos do ensino secundário em Portugal, com um valor monetário de 500 euros para o estudante e 1.500 euros para a escola.

Está previsto também para ambos os concursos um prémio do público, apurado a partir de todos os visitantes que queiram votar numa das obras, o que pode ser feito ‘online’ ou através da leitura de um QR Code.

Oficinas Navais | IA é protagonista em mostra de Cai Guo-Qiang

Chama-se “cAI™: Soul Scan” e é a exposição do artista Cai Guo-Qiang patente nas Oficinas Navais nº 1, na Barra. Aqui, a inteligência artificial é a protagonista deste projecto artístico feito a partir do modelo de IA com o nome “cAI™”. São 20 peças criadas através de IA, que revelam a crescente presença da tecnologia no panorama artístico

 

Cai Guo-Qiang, artista natural de Quangzhou, província de Fujian, e residente em Nova Iorque desde os anos 90, acaba de revelar em Macau um conjunto de peças que mostram como a tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial (IA), estão cada vez mais de mãos dadas com a arte e produção artística.

A exposição “cAI ™: Soul Scan” pode ser vista na galeria das Oficinas Navais nº 1, na zona da Barra, até 1 de Junho do próximo ano, sendo um projecto apoiado pelo MGM. Segundo um comunicado, o cAI™ é um modelo de IA desenvolvido por Cai Guo-Qiang desde 2017 no seu estúdio. Pronuncia-se AI Cai e está ligado às áreas da filosofia e metodologia artística, “aprendendo profundamente com obras de arte, arquivos e áreas de interesse de Cai [o artista], como a cosmologia ou o mundo invisível”.

Estes trabalhos foram criados exclusivamente para Macau tendo por base “a profunda aprendizagem [por parte do artista] da rica história e cultura” do território. A mostra começa por uma introdução gerada pelo cAI™, seguindo-se a apresentação de pintura, em dois espaços com instalações interactivas.

Citado por um comunicado do MGM, Cai Guo-Qiang explicou que a ideia é tentar “interagir com a geração mais jovem, com um conteúdo e perspectivas orientadas para o futuro que se irão conectar ao passado e presente, e também com o velho e o jovem”. Acima de tudo, para o artista já é difícil “comunicar de formas tradicionais em lugares tradicionais”.

“Através da interação e participação do público, a exposição pretende convidar residentes e turistas a juntarem-se ao artista na exploração e interligação entre a IA e espiritualidade”, em que, “os participantes irão desbloquear e experimentar as possibilidades de uma dimensão alternativa”.

O modelo cAI™ é também um “pintor de pólvora”, que apresenta as suas obras nesta exposição, um “mestre de fogo de artifício” e um “adivinho”, sendo que o público irá interagir com estas duas vertentes do modelo de IA.

O cAI™ faz referência a “figuras históricas e contemporâneas que Cai Guo-Qiang admira, desenvolvendo mais de dez ‘personas’ diferentes, como Einstein, Nietzsche, Ptolomeu, um poeta chamado Vale, um louco chamado Psychic e até uma persona chamada Storm com tendências bipolares”. Essencialmente, o artista chinês visa, através da sua criação, criar um cenário movido a IA em que “estas diferentes personas se debatem entre si, formando uma comunidade livre e independente, impedindo que o cAI™ se torne demasiado semelhante ao Cai [o artista], como se tivesse apenas uma única persona”.

Outras obras

Esta não é a primeira vez que o artista chinês apresenta projectos artísticos com este modelo desenvolvido em IA. Em Dezembro do ano passado o cAI™ colaborou na obra “Mirage”, de Cai Guo-Qiang, presente no Museu de Arte Contemporânea de Quanzhou (QMoCA). Ainda este ano, mas em Agosto, o cAI™ gerou uma animação digital para “ressuscitar” os fogos de artifício diurnos não realizados de Cai Guo-Qiang para a “Ressurreição dos Jogos Olímpicos de Paris: Uma proposta para os Jogos Olímpicos de Paris de 2024”. O resultado foi um vídeo lançado como uma obra de arte digital.

Em Novembro o cAI™ actuou como directora visual e de cenografia da exposição Cartier organizada e comissariada pelo Museu de Xangai, concluindo o design sob a orientação de Cai e da sua equipa.

A mesma nota descreve que o cAI™ “não é apenas uma obra de arte de Cai, mas também o seu parceiro de diálogo e colaboração”, sendo que, no futuro, “poderá até criar arte por si só”. O artista chinês desenvolveu o “cAI™ Lab”, uma divisão central do estúdio do artista que usa este modelo “como uma plataforma para explorar aplicações pioneiras e originais de tecnologia de ponta nos campos criativos”.

Cai Guo-Qiang já realizou mais de 650 exposições e projectos em cinco continentes, incluindo 120 mostras a título individual, sendo que as suas maiores exposições passaram por espaços como o Metropolitan Museum of Art in New York, em 2006, ou uma mostra retrospectiva no Solomon R. Guggenheim Museum, também em Nova Iorque, apresentada dois anos depois.

Excursionistas | Número continua a subir

Em Outubro, o número de visitantes que chegaram em excursões a Macau foi de 194 mil, mais 14,2 por cento, face a Outubro de 2023, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Entre os excursionistas, 173 mil eram provenientes do Interior e 19.000 vieram do mercado considerado internacional pela DSEC, o que representa aumentos de 10,5 por cento e 56,5 por cento. O número de entradas de visitantes em excursões da Coreia do Sul (11.000) e da Índia (2.000) subiram 122,5 por cento e 148,9 por cento.

No pólo oposto, em Outubro, o número de pessoas a dormir nos hotéis teve uma redução de 5,8 por cento em comparação com o ano passado, para um total aproximado de 1,18 milhões de pessoas. A taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes fixou-se em 87,3 por cento, sendo a taxa de ocupação dos hotéis de 5 estrelas de 89,7 por cento, a dos hotéis de 4 estrelas de 82,6 por cento e a dos hotéis de 3 estrelas de 85,1 por cento.

Oceanos | Pedida flexibilidade no financiamento

David Gonçalves, director do Instituto para as Ciências e Ambiente da Universidade de São José, defende uma canalização em Macau do investimento para a investigação científica sobre os oceanos e biologia marinha, a fim de flexibilizar projectos entre a China e países de língua portuguesa

 

O director do Instituto para as Ciências e Ambiente da Universidade de São José (USJ), David Gonçalves, considera que o investimento público em investigação académica na área da defesa dos oceanos deve estar centrada em Macau e não apenas em Pequim, a fim de melhor assegurar o funcionamento das equipas de investigação.

A ideia foi deixada ao HM no contexto da realização, na USJ, desde ontem, da quinta edição da SINOPORT Ocean Conference – Simpósio Anual para o Centro de Investigação Conjunta em Biologia Marinha [International Joint Research Center of Marine Biology], um encontro organizado pela Universidade do Algarve e a Shanghai Ocean University. O evento, que reúne académicos de Macau e de outras regiões, termina hoje.

“A questão que se coloca é se o Governo Central e local querem, de facto, atribuir o papel de plataforma na cooperação científica a Macau. Se sim, têm de surgir os mecanismos necessários, de natureza financeira, que neste momento não existem. O Governo de Macau deverá querer chamar a sim o papel de centralização nos mecanismos de financiamento. Penso que deveria haver um entendimento directo entre o Governo Central e Macau sobre o verdadeiro papel de plataforma e que mecanismos devem ser criados”, disse.

A ideia surge porque, neste simpósio, irá ser discutido o trabalho desenvolvido por dois laboratórios de investigação que são financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que reúnem académicos da China, Europa e Portugal.

“Quando o financiamento é dado por parte da China, torna-se difícil que chegue a todos os parceiros [de um grupo de investigação], o que faz com que a cooperação não seja eficaz. Macau teria mais facilidades nesse campo, de poder canalizar financiamento para outros parceiros, e do ponto de vista prático seria mais fácil progredir se Macau fosse esse motor de arranque”, acrescentou. David Gonçalves espera ainda que esta questão seja discutida no simpósio.

“Actor natural”

O evento culminou, para já, na assinatura de um memorando de entendimento entre a USJ, Universidade do Porto e a Shanghai Ocean University. Hoje é a vez de Gui Menezes, da Okeanos e Universidade dos Açores, falar na sessão “Explorando o desconhecido: A evolução e o futuro da investigação marítima nos Açores”.

Joel Reis, da Universidade de Macau, apresenta o projecto ORVIS, que se trata de um “veículo robótico oceânico para a intervenção em águas pouco profundas”.

David Gonçalves referiu ao HM que a USJ foi convidada para acolher este simpósio, o que faz todo o sentido, pelo facto de Macau “ser um actor natural no entendimento entre a China e os países de língua portuguesa”. “A única coisa que falta é haver luz verde do Governo Central e do Governo local para pôr em prática esses mecanismos de cooperação”, salientou.

O financiamento já atribuído por Pequim levou à formação de dois laboratórios conjuntos virados para a investigação sobre os oceanos e vida marinha, que junta a USJ, a Shanghai Ocean University, a Universidade do Algarve, o Instituto de Oceanografia da China e o Instituto Português do Mar e Atmosfera, entre outras entidades.

No simpósio que hoje termina pretende-se “debater a cooperação que tem vindo a ser feita neste âmbito e perceber se as diferentes iniciativas se podem agregar para juntar esforços e aumentar a cooperação entre a China com os países de língua portuguesa na área dos oceanos, além de se perceber o papel que Macau pode desempenhar no futuro”, rematou David Gonçalves.

Burlas | CPSP lançou vídeo de rap a “desrespeitar” burlões

Em resposta a uma interpelação escrita de Ngan Iek Hang sobre sensibilização da população para burlas, o gabinete do secretário para a Segurança deu conta das campanhas de informação. “No vídeo de sensibilização mais recente do CPSP, ‘DISS aos Burlões’, foi adoptado o estilo rap, preferido pelos jovens, para atrair mais a atenção do público”, indicam as autoridades. Uma música “Diss” é ataque a um rapper “adversário”, muitas vezes associado a um gang rival. A expressão é um diminutivo para a palavra “desrespeito” em inglês.

Numa perpectiva mais global, nos primeiros nove meses deste ano, a Polícia Judiciária (PJ) partilhou nas suas plataformas online um total de 1.190 publicações sobre prevenção de burlas. Durante o mesmo período, a PJ lançou online “24 vídeos sobre as burlas que têm ocorrido com maior frequência nos últimos anos, nomeadamente o falso funcionário de órgãos governamentais, a compra de bilhetes online, o emprego a tempo parcial para aumentar o registo de encomendas e os phishing websites”.

O gabinete de Wong Sio Chak salientou que em 2015 a PJ criou contas oficiais no Wechat e no Youtube e em 2016 lançou a página oficial “Aulas da PJ” no Facebook. Além disso, “foram ainda criadas, sucessivamente, contas oficiais nas plataformas sociais mais usadas, tais como Instagram, Weibo, Douyin, Toutiao e Xiaohongshu”.

Indonésia / Vistos | Residentes barrados após alteração de regras

De acordo com o jornal Cheng Pou, desde 14 de Novembro que o país do sudeste asiático está a recusar emitir vistos à entrada para os titulares do passaporte de Macau. A medida apanhou alguns residentes desprevenidos

 

Alguns residentes de Macau foram impedidos de entrar na Indonésia, depois do país ter deixado de emitir vistos à chegada para os cidadãos da RAEM. Segundo o jornal Cheng Pou, o caso foi denunciado online, com os residentes a queixarem-se de que os portais do Governo da RAEM não actualizaram a informação com as novas exigências.

De acordo com o relato apresentado pela publicação, desde 14 de Novembro que a Indonésia deixou de emitir vistos à chegada para os residentes de Macau que se desloquem ao país do sudeste asiático. Este é um cenário diferente do que acontece para os cidadãos portugueses ou das Filipinas, aos quais ainda é permitido recorrerem a este tipo de visto à chegada.

Contudo, a medida terá apanhado os residentes locais e o Governo desprevenidos, dado que online houve algumas pessoas a queixarem-se de terem sido impedidas de entrar, no domingo, por não terem visto, pelo acabaram por ser forçadas a regressar a Macau.

Além disso, as fotografias captadas por estes residentes do portal da Direcção de Serviços de Identificação (DSI) mostram que a informação do Governo da RAEM não estava actualizada, indicando que era possível fazer o visto à chegada à Indonésia.

O relato partilhado online também indica que depois de estes cidadãos terem pedido auxílio à Direcção de Serviços de Turismo (DST) a informação sobre o cancelamento da política de vistos à entrada foi actualizada no portal da DSI.

Actualização a 25 de Novembro

O Cheng Pou verificou os registos e adianta que a informação sobre as condições de entrada na Indonésia foi actualizada no portal da DSI a 25 de Novembro. Os portais da RAEM deixaram assim de indicar a possibilidade de fazer o visto à chegada na Indonésia, pelo que os residentes têm de tratar dos documentos necessários antes de viajarem.

Apesar disso, há 147 países e territórios que concedem a isenção de visto ou a possibilidade de fazer visto à chegada aos titulares do passaporte da RAEM. No pólo oposto, o portal do Governo da RAEM indicava que os cidadãos da Indonésia podem entrar em Macau, sem necessidade de qualquer visto, podendo permanecer cerca e 90 dias na região.

Actualmente, Macau tem um alerta de nível 1 em vigor para deslocações para a Indonésia, o que significa que existe uma “ameaça à segurança pessoal”. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar em alerta quanto à sua segurança pessoal. É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, é acrescentado.

Escarlatina dispara com mais de 50 ocorrências em Outubro

Em Outubro, foram registados 53 novos casos de escarlatina no território, uma das principais causas de mortalidade infantil até ao início do século XX, altura em que foram descobertos os antibióticos. Os dados foram revelados pelos Serviços de Saúde (SS), ontem, através de um comunicado.

No passado mês de Outubro, foram assim registados 53 casos de escarlatina, um aumento de 230 por cento face ao ano passado, quando o número de novas ocorrências não tinha ido além dos 16 casos. Em relação a Setembro, quando foram registados 36 casos, houve um aumento de 47,2 por cento nas ocorrências.

A escarlatina é uma doença causada pela bactéria streptococcus pyogenes (Streptococcus do grupo A), e tem como sintomas mais comuns a dor de garganta, garganta vermelha, febre, dores musculares, náuseas, erupções cutâneas, entre outros. A informação do sistema nacional de saúde de Portugal, considera a escarlatina uma “doença benigna”.

Em matéria de doenças transmissíveis, foi ainda revelado que em Outubro foram registados 39 casos de varicela, um aumento de 100 por cento face aos 16 casos de Outubro do ano passado. Em termos mensais, o aumento foi de 180 por cento, uma vez que em Setembro foram registadas 14 ocorrências da doença.

Mais salmonela

Outra doença infecciosa que registou um aumento de casos face ao ano passado, foram as infecções por Salmonela. Com 33 ocorrências em Outubro, houve um aumento de 50 por cento face a Outubro de 2023, quando se registaram 22 casos. Contudo, em comparação com Setembro deste ano houve uma diminuição de 41,1 por cento.

Os dados dos SS mostraram também que em Outubro houve menos casos de papeira, apenas 3 face aos 4 de Outubro de 2023, de infecções de enterovírus, uma redução de 38,8 por cento de 230 casos para 142, assim como de infecções por norovírus que caíram 77,2 por cento face ao período homólogo de 57 para 13 ocorrências.

Em Outubro deste ano foram ainda registados 32 casos de tuberculose, 18 casos importados de dengue, um caso de dengue local, um caso assintomático de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), um caso de SIDA e um (1) caso de infecção por Legionella.

Procriação assistida | Programa subsidiado arranca segunda-feira

Os casais com problemas de infertilidade podem inscrever-se no programa de comparticipação de tratamentos de procriação assistida a partir de segunda-feira. O Governo espera que a medida ajude a inverter o declínio da taxa de natalidade

 

Hoje em dia, cerca de 200 mulheres com problemas de infertilidade recebem tratamento no Hospital Conde de S. Januário.

A partir de segunda-feira, os casais afectados por problemas de fertilidade podem inscrever-se no novo programa de comparticipação de tratamentos de procriação medicamente assistida. A medida anunciada na terça-feira enquadra-se nos planos de Governo para responder à tendência de baixa fertilidade e envelhecimento populacional.

Os serviços de tratamento serão prestados no novo Hospital das Ilhas, depois da realização de uma avaliação prévia aos candidatos ao programa.

Na apresentação do programa, o subdirector do novo centro hospitalar, Lei Wai Seng, sublinhou a importância de examinar de forma profissional as causas que estão na origem dos problemas. Como tal, os candidatos aceites no programa serão examinados pelo departamento de infertilidade do Hospital da Ilha.

“Após uma consulta na clínica, os pacientes não serão imediatamente submetidos a cirurgia, pois podem ter outras doenças associadas, como diabetes ou outras situações que terão de ser tratadas antes da intervenção”, afirmou Lei Wai Seng, citado pela imprensa local.

O programa permite aos casais elegíveis receberem até dois ciclos de serviços de tratamento de procriação medicamente assistida. Os tratamentos em questão são a fertilização in vitro, para problemas de infertilidade feminina (que afectam dois terços dos casais inférteis) e a injecção intracitoplasmática de espermatozoides para contornar a infertilidade masculina.

A ajuda necessária

O subdirector dos Serviços de Saúde, Kwok Cheong U, prevê que o número de novos pacientes que vão recorrer ao programa não ultrapasse uma centena. Para já, actualmente, cerca de 200 mulheres recebem tratamento na Clínica de Infertilidade do Hospital Conde de S. Januário. O dirigente das autoridades de saúde frisou a importância de proceder a uma avaliação cuidadosa das pacientes antes da transferência para a nova unidade hospitalar no Cotai.

Em relação à duração do programa de tratamentos subsidiados, Kwok Cheong U afirmou que o Governo não está comprometido com uma data fixa. “Esperamos implementar a medida até que o declínio da taxa de natalidade possa ser controlado de forma eficaz”, indicou.

Recorde-se que a lei que regula as técnicas de procriação medicamente assistida entrou em vigor a 11 de Fevereiro deste ano, estabelecendo um enquadramento legal que limita o recurso a estes tratamentos apenas em hospitais públicos ou em unidades autorizadas.

No ano passado, nasceram em Macau 3.726 bebés, total que representou uma quebra de 15 por cento em comparação com 2022, que já vinha registando um declínio na taxa de natalidade.

Revitalização | Ella Lei pede balanço do investimento das concessionárias

A deputada da FAOM pede ao Governo um balanço dos primeiros meses de implementação dos planos de revitalização, a cargo de concessionárias de jogo, em seis zonas históricas da cidade. Ella Lei pergunta também que oportunidades foram criadas para as PME

 

A deputada Ella Lei pretende que o Governo faça um balanço do projectos de investimento nas seis zonas históricas de Macau, de responsabilidade das concessionárias do jogo. O pedido surge no âmbito de uma interpelação oral, que vai ser apresentada no hemiciclo na próxima segunda-feira.

Os planos preveem investimentos de curto, médio e longo prazo em áreas como a Barra (investimento da MGM China), Rua da Felicidade (Wynn Macau), Avenida de Almeida Ribeiro e Ponte-Cais n.º 16 (SJM), Zona das Pontes-cais nº 23 e 25 (Melco), Rua das Estalagens, zona da Fábrica de Panchões Iec Long e Casas da Taipa (Sands China) e Estaleiros Navais de Lai Chi Vun (Galaxy).

Agora, a legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) pretende saber quais foram os resultados alcançados nos primeiros meses de desenvolvimento dos planos. “Qual é o ponto de situação do investimento e da execução dos projectos no âmbito do plano de revitalização das seis zonas?”, perguntou. “Quais foram os resultados obtidos na dinamização do desenvolvimento económico dos bairros comunitários e na melhoria do ambiente das respectivas zonas?”, acrescentou.

Ella Lei pretende também que o Governo esclareça os deputados sobre o andamento dos planos de médio e longo prazo, que ainda não são conhecidos. “Recentemente, as autoridades afirmaram que os planos de médio e longo prazo para algumas zonas já estavam definidos. Então, quais são esses planos?”, interrogou.

E as PME?

Na interpelação, a deputada recorda que um dos objectivos dos planos passava pela criação de oportunidades de negócio para pequenas e médias empresas (PME). Segundo Ella Lei, o Governo tinha traçado como objectivo “impulsionar o sector da cultura de Macau e promover o desenvolvimento das PME locais, e através da experiência e da sensibilidade do mercado das empresas de jogo”, de acordo com uma filosofia de negócio em que “as grandes empresas abriam o caminho para as pequenas”.

Como tal, a deputada pretende saber se essas oportunidades foram realmente criadas: “As autoridades disponibilizaram espaço suficiente e flexibilidade para as empresas participantes poderem desenvolver e ajustar os planos de acordo com as necessidades do mercado e a realidade das diversas zonas, para promover, de forma mais eficaz, a participação das PME e dos residentes?”, perguntou. “Que balanço as autoridades fazem quanto aos efeitos do aumento do fluxo de pessoas na promoção do desenvolvimento das PME, na sequência dos planos de revitalização já iniciados?”, interrogou.

Economia | Au Kam San sublinha ambiente de crise

O ex-deputado Au Kam San lamentou o ambiente económico que se vive em Macau e teme que a situação não vá melhorar nos próximos anos. A opinião foi deixada numa publicação nas redes sociais

“Não é alarmismo dizer que Macau está a enfrentar um ambiente económico difícil. O sector empresarial está numa situação muito difícil, com todas as profissões e indústrias a pedir apoios”, afirmou Au. “Muitas pessoas pensam que este é o pior momento dos últimos 25 anos, e o pior é que não conseguem ver uma saída para a crise”, acrescentou.

Au Kam San explicou igualmente que os residentes estão a perder todo o poder de negociação e capacidade para impedir abusos dos patrões, devido à contratação de muitos não-residentes. “Os patrões queixam-se das suas dificuldades e os assalariados estão a passar por momentos ainda mais difíceis. Para estes últimos, as más condições económicas de Macau criaram poucas oportunidades de emprego e a pressão de 180 mil trabalhadores importados fez com que os assalariados locais sejam sobrecarregados”, indicou. “Uma única palavra dos patrões chega para silenciar os trabalhadores, que já estão muitos pressionados pelas finanças pessoais: ‘se não queres, há muitos outros que querem’”, destacou.

Au espera também que a realidade do Interior da China não se estenda a Macau. “No início de 2019, havia um ditado no Interior que dizia: ‘Este ano é o pior ano da década passada, mas é o melhor ano da próxima década’. E tem sido verdade todos os anos desde então”, indicou. “Macau é parte integrante da China, e este ditado tem-se aplicado todos os anos no Interior. Será que também se vai aplicar em Macau? Espero que não!”, concluiu.