Economia | Desemprego cai para mínimo histórico de 1,6% Hoje Macau - 3 Mar 2025 A taxa de desemprego em Macau caiu para 1,6 por cento entre Novembro e Janeiro, um mínimo histórico desde que começaram a ser divulgados dados sobre o desemprego, em 1992. Também a taxa de desemprego de residentes bateu recorde fixando-se nos 2,1 por cento No período entre Novembro e Janeiro, a taxa de desemprego desceu para 1,6 por cento, o valor mais baixo desde que a DSEC começou a recolher dados sobre o desemprego em Macau, em 1992, ainda antes da transição de administração do território, de Portugal para a China. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), depois de sete meses seguidos a rondar 1,7 por cento, o indicador caiu 0,1 pontos percentuais em relação ao período anterior, entre Outubro e Dezembro. Num comunicado, a DSEC explicou que a redução da taxa se deve “principalmente ao Ano Novo Chinês ter originado a redução do número de indivíduos à procura de emprego, a qual levou à diminuição do número de desempregados”. O sector dos casinos contratou mais 900 pessoas entre Novembro e Janeiro, atingindo uma mão-de-obra de 72.500, enquanto o comércio por grosso e retalho também contratou mais 200 pessoas. Macau recebeu em Janeiro quase 3,65 milhões de visitantes, mais 27,4 por cento do que no mesmo mês de 2024 e o segundo valor mais elevado de sempre, enquanto as receitas do jogo caíram 5,6 por cento em termos anuais. Reforços do exterior Também os números do subemprego caíram, com os subempregados a cair 700 pessoas para um total de 5.000 entre Novembro e Janeiro, face ao período anterior, com a taxa de subemprego a cair ligeiramente para 1,3 por cento. A DSEC indica que a maior parte dos subempregados durante o período em análise pertencia aos ramos “das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas”. Nos últimos três meses, a taxa de desemprego caiu para um mínimo histórico, apesar da mão-de-obra vinda do exterior, incluindo no Interior da China, ter aumentado em quase 5.900 durante o ano de 2024. Segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais em 5 de Fevereiro, Macau empregava no final de Dezembro mais de 182.500 trabalhadores migrantes. Um número ainda assim longe do pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019, antes do início da pandemia de covid–19. Aliás, a taxa de desemprego entre os habitantes com estatuto de residente caiu ainda mais, 0,2 pontos percentuais em relação ao período anterior, entre Outubro e Dezembro, para 2,1 por cento, valor que é também um mínimo histórico. Entre Novembro e Janeiro, o número de residentes desempregados encolheu em cerca de 500, para 6.200, o valor mais baixo desde há 27 anos. Desde 1998, no entanto, a população de Macau aumentou 61,5 por cento, para 686.600 no final de Setembro, de acordo com mais recente estimativa da DSEC.
Legionella | Homem em estado grave ligado a ventilador Hoje Macau - 3 Mar 2025 Um homem está em estado grave e ligado a um ventilador, depois de ter sido infectado por Legionella, naquele que é o primeiro caso do ano, de acordo com os Serviços de Saúde (SS). O homem de 71 anos de idade tem antecedentes de doenças crónicas. De acordo com as autoridades de saúde, a “22 de Fevereiro, o homem começou a ter muita expectoração”, mas optou por não recorrer às instituições de saúde. “No dia 25, apresentou febre e falta de ar, e foi transportado de ambulância para o Hospital Kiang Wu para tratamento médico” foi revelado pelos SS. “Os exames complementares evidenciaram pneumonia em ambos os pulmões, o doente necessitou de assistência respiratória por ventilador mecânico e, foi transferido, no mesmo dia, para o Centro Hospitalar Conde São Januário”, foi acrescentado. O diagnóstico foi feito a 27 de Fevereiro. “Actualmente, o doente encontra-se em estado considerado grave, e ainda tem necessidade de apoio respiratório por ventilador mecânico”, foi indicado.
Melco | Anunciados lucros de 484,6 milhões de dólares Hoje Macau - 3 Mar 2025 A operadora de jogo Melco anunciou lucros operacionais de 484,6 milhões de dólares em 2024, mais de sete vezes o valor do ano anterior. Em 2023, a Melco Resorts and Entertainment, com quatro casinos no território, tinha registado lucros de 64,9 milhões de dólares, indicou a empresa, num comunicado enviado na quinta-feira à bolsa de valores de Nova Iorque. Em 2024, as receitas operacionais do grupo foram de 4,64 mil milhões de dólares, contra 3,78 mil milhões em 2023. Este aumento de 22,8 por cento foi apoiado pela “melhoria do desempenho de todos os segmentos de jogo e das operações não relacionadas com o jogo, impulsionado pela recuperação contínua do turismo” em Macau, indicou a empresa de Lawrence Ho Yau Lung, filho do magnata do jogo Stanley Ho Hung-sun, falecido em 2020. “O ano de 2024 foi um ano de transição para nós em Macau. Investimos no nosso negócio para melhorar a experiência do cliente e construir uma base mais sólida para o crescimento”, afirmou Lawrence Ho, em comunicado. “As contribuições destas iniciativas são agora evidentes, com a quota de mercado no quarto trimestre de 2024 a crescer mês a mês e a visitação de propriedades a exceder os níveis pré-pandémicos. Estamos empenhados em continuar a cumprir os nossos objectivos estratégicos e esperamos continuar a revelar novos e excitantes projectos para apoiar o crescimento contínuo em Macau”, acrescentou. Os casinos da região fecharam 2024 com receitas de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023.
Jogo | Receitas sobem em Fevereiro, após queda de Janeiro Hoje Macau - 3 Mar 2025 Apesar dos números mais positivos, com as receitas de Fevereiro a atingirem 19,7 mil milhões de patacas, o total das receitas de Janeiro e Fevereiro ficou aquém do esperado pelos analistas As receitas do jogo aumentaram 6,8 por cento em Fevereiro, em comparação com o mesmo mês de 2024, voltando a subir após uma queda homóloga em Janeiro, foi anunciado no sábado. Os casinos arrecadaram mais de 19,7 mil milhões de patacas em Fevereiro, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Um valor que superou as expectativas dos analistas. Numa nota divulgada na quarta-feira, a empresa CreditSights, que faz parte do grupo da agência de notação financeira Fitch, disse que não tomava como certo um aumento homólogo nas receitas dos casinos do território em Fevereiro. Em Janeiro, os casinos de Macau tinham arrecadado menos de 18,3 mil milhões de patacas, uma queda de 5,6 por cento em relação ao mesmo período de 2024. Mas, com a recuperação em Fevereiro, o sector do jogo acabou por garantir o melhor arranque do ano desde 2019, antes do início da pandemia de covid–19. Nos primeiros dois meses do ano, os casinos de Macau registaram receitas totais de quase 38 mil milhões de patacas, mais 0,5 por cento do que no mesmo período de 2024. Este valor representa 75,5 por cento do acumulado nos dois primeiros meses de 2019. Arranque aquém Ainda assim, o arranque do ano ficou aquém das expectativas dos analistas da empresa JP Morgan Securities, que em 20 de Janeiro previram que as receitas do jogo em Macau iriam subir até 2 por cento em termos anuais em Janeiro e Fevereiro. Fevereiro incluiu grande parte da chamada ‘semana dourada’ do Ano Novo Lunar, uma época alta para o turismo em Macau. Este período de feriados na China continental, que varia consoante o calendário lunar, decorreu este ano entre 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro. Em 17 de Janeiro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, disse que esperava uma média diária de 185 mil visitantes durante a ‘semana dourada’. Mas, de acordo com dados da Polícia de Segurança Pública de Macau, entre 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro entraram na região semiautónoma chinesa, em média, mais de 163.700 turistas por dia. No total, quase 1,31 milhões de pessoas visitaram Macau durante a ‘semana dourada’ do Ano Novo Lunar, menos 3,5 por cento do que no mesmo período de feriados do ano passado. Macau fechou 2024 com receitas totais de jogo de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023, mas apenas 73,2 por cento do registado em 2019, antes da pandemia de covid-19.
Conectividade e Alegria Ana Cristina Alves - 3 Mar 2025 Ana Cristina Alves – Coordenadora do Serviço Educativo do CCCM Zhuangzi, filósofo taoista, que terá vivido entre o século IV e III a.C, possivelmente entre 369 e 268 a.C, deixou-nos na obra homónima 《莊(庄)子》, como era costume à época, os ensinamentos transmitidos possivelmente na primeira pessoa nos capítulos interiores (1-7), na segunda pessoa dos seus discípulos nos capítulos exteriores (8-21) e na terceira pessoa de outros intelectuais nos capítulos de miscelânea (22-33). É uma filosofia extremamente motivante que assenta, do meu ponto de vista, em três princípios fundamentais: a aceitação da natureza espontânea (道Dào); o princípio da transformação (物化wùhuà ), que conduz ao postulado de uma uniformidade essencial; e do não-agir (無為/无为 wúwéi), que pressupõe a aceitação duma harmonia pré-estabelecida e do destino. Estamos perante a melhor ordem possível, pelo que o certo é não interferir com o que nos é dado, deixando-nos conduzir por um ritmo de vida necessariamente tensional, mas que cujos desafios devem ser encarados sem reações negativas, seguindo o modelo existencial do bambu, quando é confrontado com ventos de proporções gigantescas, como são os dos tufões na China. Os capítulos 17 e 18, que agora aqui se trazem pertencem alegadamente aos seus discípulos mais próximos, que transmitem fielmente a filosofia do grande mestre taoista, sendo que o taoismo é a filosofia mais devotada a desenvolver um projeto pessoal, que funcionará, portanto, exemplarmente do ponto de vista existencial. A concluir o capítulo XVII, o das Cheias de Outono (Qiū Shuǐ dìshíqī), assiste-se a um diálogo simbólico entre o filósofo Zhuangzi e o seu grande amigo Huizi (惠子), conhecido na tradição sinológica, da qual o padre Thomas Merton se faz um bom arauto em A Via de Zhuangzi (1999, 126-127), como “A Alegria dos Peixes”, cujo princípio diretriz é o da conectividade comunicante entre todos os seres vivos, o mesmo que norteia um outro episódio, relatado no final do capítulo II, o do filósofo sonhar ser uma borboleta (Zhuangzi, 1999,38-40) . No capítulo XVII, Zhuangzi afiança ao incrédulo amigo Huizi perceber, ou melhor, intuir perfeitamente a alegria dos peixes, já que ao olhar para eles na ponte do Rio Hao reconhece os sinais que em si mesmo se manifestam quando se sente contente. O amigo Huizi, seguindo uma filosofia racionalizante e separatista, contrapõe que tal é impossível, sendo silenciado pelo pressuposto lógico da comunicação entre toda a natureza. Zhuangzi recorre ao argumento de que é possível estender o diálogo inteligente dos humanos a todos os seres vivos. O filósofo ao ganhar o debate alargou o domínio da linguagem, que passa a incluir a verbal, mas também a visual, muito mais próxima de uma comunicação silenciosa e intuitiva, muito valorizada pela escola taoista, sempre desconfiada de excessos palavrosos e discursivos. E garante, simultaneamente, o primado da conexão, ora visível ora invisível, entre toda a natureza, enraizada no Tao, sendo afinal essa conexão viabilizadora de um fluir de sentimentos entre todos os seres, que conduz à verdadeira alegria, contra o cosmos triste e solipsista defendido em algumas tradições filosóficas racionalistas, cujo primado assenta numa razão incapaz de estabelecer a conexão com o corpo, seja ele individual ou coletivo, como António Damásio teve oportunidade de denunciar em O Erro de Descartes (2011). Na verdade, o que importa para que a alegria fique garantida, inclusive entre humanos, passa por um alargamento da esfera da sensibilidade, do sentimento de si, ainda pensando em Damásio, ao sentimento dos outros, do reconhecimento da satisfação advinda da profunda conexão entre toda a natureza. Passe-se então à tradução do diálogo, do chinês tradicional para o contemporâneo e do contemporâneo para o português: 原文 Chinês clássico1 莊子與惠子遊於濠梁之上。莊子曰:“鯈魚2出遊從容,是魚之樂也。” 惠子曰:“子非魚,安知魚之樂?” 莊子曰:“子非我,安知我不知魚之樂?” 惠子曰:“我非子,固不知子矣;子固非魚也,子之不知魚之樂,全矣。” 莊子曰:“請循其本。子曰‘汝安知魚樂’雲者,既已知吾知之而問我,我知之濠上也。” 今译 Chinês contemporâneo 庄子和惠子在濠水桥上游玩。庄子说:“白鲦鱼从容不迫地游来游去,这是鱼的快乐啊!” 惠子说:“您不是鱼,怎么知道鱼是快乐的?” 庄子说:“您不是我,怎么知道我不晓得鱼的快乐?” 惠子说:“我不是您,固然不知道您;您本来也不知道鱼,那么您不知道鱼的快乐, 是完全可以肯定的了。“ 庄子说:“请回到原来的话题吧。您说‘您怎么知道鱼的快乐’这句话,就是您已知道我晓得鱼的快乐而来问我的,——我是在濠水桥上知道的啊!” (Zhuangzi, 1999, 282-3) Note-se que a Tradução que proponho para Português possui alguma adaptação à nossa língua, por exemplo, recorro a conjunções e locuções conjuntivas para unir orações e evito a repetição de certos verbos, com sentido não-filosófico, de modo a tornar a leitura mais fluída: Zhuangzi e Huizi estavam a passear na ponte do Rio Hao, quando Zhuangzi disse: “Os peixes nadam calma e despreocupadamente de um lado para o outro, eis a sua alegria!” Huizi respondeu: “Se não é peixe, como pode conhecer a alegria dos peixes?” Zhuangzi replicou: “Você não é eu, como pode conhecer que eu não sei da alegria dos peixes?” Huizi prosseguiu: “Eu não sou o meu amigo, razão pela qual não o conheço, e o senhor também não conhece os peixes, então é mais que certo que não conhece a alegria deles.” Zhuangzi concluiu: “Vamos voltar à raiz da questão. Proferiu a seguinte oração: ‘como pode conhecer a alegria dos peixes’, então já percebeu que eu sabia da alegria deles, por isso me perguntou, quanto a mim, conheci-a na ponte do Rio Hao!” Esta ligação espontânea e natural a tudo o que existe é fonte de grande alegria e felicidade, como nos é explicado no capítulo XVIII da obra, intitulado “Felicidade Perfeita”. Aqui se defende o princípio do não-agir (無為/无为 wúwéi), melhor dizendo, da concordância com a natureza, interior e exterior, sem procurar interferir com o mundo que nos rodeia, até porque se o objetivo for alcançar a felicidade, ela não é adquirível por nenhuma das nossas ações que tenham em vista valores materiais ou sociais, normalmente enaltecidos, como sejam a riqueza, as honras, a abundância e, até mesmo, a saúde ou a longevidade; chegámos a este mundo sem ser consultados e partiremos quando for a nossa hora, como bem ilustra o episódio da morte da mulher de Zhuangzi, relatado neste mesmo capítulo. Quando Huizi visita o amigo para lhe apresentar as suas condolências, encontra-o agachado a tamborilar numa bacia e a cantar, numa aceitação clara do destino: Sim, a mulher lhe tinha feito muito boa companhia ao longo de décadas, havia então que aceitar a lei da natureza e não revoltar-se contra a ordem pré-estabelecida, que nos diz haver saúde e doença, riqueza e pobreza, vida e morte num ciclo de eterna transformação. “A felicidade genuína é derivada da ausência de felicidade, assim como a fama perfeita deriva da ausência de fama.” (至樂無樂,至譽無譽 , na versão contemporânea em chinês simplificado, 最大的快乐在于‘无乐’,最高的荣誉在于‘无誉’ (Zhuangzi, 1999, 286). Ao não-agir, ou melhor, ao não-interferir seguimos os modelos existenciais do Céu claro/clarividente e da Terra tranquila, alcançando assim uma felicidade perfeita e uma imensa alegria em viver: 原文 Chinês clássico 天下是非果未可定也。雖然,無為可以定是非。至樂活身,惟無為幾存。請嘗試言之。天無為以之清,地無為以之寧,故兩無為相合,萬物皆化生。芒乎芴乎,無從出乎?芴乎芒乎,而無有象乎!萬物職職,皆從無為殖。故曰天地無為也而無不為也 今译 Chinês contemporâneo 天下的是非确实还难以下定论。尽管如此,“无为”可以定是非。最大的快乐能存活身心,而只有清静无为才几乎可以存活身心。请让我说说试试看:天“无为”,因而清虚; 地“无为”,因而宁静,天与地这两个无为的合一,才孕育出万物的存在。恍恍惚惚,不知道它们从哪里生出来!恍恍惚惚找不出一点迹象来!万物繁多,都从无为的生态中产生。所以说:“天地无心作为,却没有一样东西不是从它们之中产生出来的。” (Zhuangzi, 1999, 286) Proposta de Tradução para Português É muito difícil distinguir o certo do errado no nosso mundo, apesar disso o “não-agir” pode fazê-lo, sendo esta a maior felicidade. Permitam-me que o diga, o Céu é Clarividente, por causa do seu “não-agir”; a Terra é tranquila, por causa do seu “não-agir”. O não-agir conjugados do Céu e da Terra, conduz à gestação e existência de tudo o que vive, indistintamente, sem que se perceba donde surgiram! Indistintamente, sem vestígios, surgem as miríades de seres, todos criados a partir de um não-agir vital. Por isso se diz que: “o Céu e a Terra criam sem intenção, porém nada fica por gerar.” E acrescenta-se em jeito conclusivo que este não-interferir do Céu da Terra com a ordem natural dos “dez mil seres” traz grande alegria e até mesmo suprema felicidade na sequência do que é defendido pelo fundador do Taoismo, no capítulo VII do Livro da Via e da Virtude 《道德经•七》3, na tradução de António Graça de Abreu (2013): 天長地久 天地所以能長且久者 以其不自生 故能長生 (… …) Eternos, Céu e Terra. Porquê eternos? Não existem para si próprios, por isso permanecem para sempre. (…) (Abreu, 2013, 40-41) Bibliografia Abreu, António Graça de (trad.). 2013. Livro da Via e da Virtude. Tao Te Ching.道德经. Lisboa: Nova Vega. Damásio, António. 2011. O Erro de Descartes. Emoção, Razão e Cérebro Humano. Lisboa:Temas e Debates. Merton, Thomas. 1999. A Via de Chuang Tzu. Petrópolis: Editora Vozes. Qin Xuqing (秦旭卿), Sun Yongchang (孙雍长) (Trad Chinês Contemporâneo),Wang Rongpei() (汪榕培Trad. Inglês). 1999. Zhuangzi 庄子. Vol I e II. Hunan, Beijing, Hunan People´s Publishing House, Foreign Languages Press. Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo que as opiniões expressas no artigo são da inteira responsabilidade dos autores. https://www.cccm.gov.pt/ Os textos da presente edição mantêm a estrutura clássica, mas em chinês simplificado, no entanto, por uma questão de coerência temporal, os textos deste artigo terão chinês tradicional a acompanhar a estrutura clássica, enquanto que os de estrutura contemporânea serão apresentados em chinês simplificado, seguindo a edição sem quaisquer alterações. Um tipo de peixe muito vulgar nas águas dos rios da China, cujo nome científico é Leuciscus macropus. Os sinogramas do texto apresentado por Graça de Abreu foram convertidos para chinês tradicional, tal como sucedeu com a edição de Zhuangzi.
China /EUA | Pequim avisa que coerção não é a melhor forma de lidar com problemas Hoje Macau - 3 Mar 2025 O Governo chinês avisou sexta-feira que pressionar e coagir “não são a melhor forma de lidar com a China”, depois de Washington ter anunciado que vai duplicar para 20 por cento as taxas alfandegárias adicionais colocadas sobre produtos chineses. “A China lamenta e opõe-se a esta decisão e fará tudo o que considerar necessário para defender os seus interesses legítimos”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, em conferência de imprensa. Lin disse que as taxas unilaterais prejudicam tanto a Organização Mundial do Comércio como as relações comerciais internacionais e insistiu que “não há vencedores nas guerras comerciais”. Considerando o fentanil “um problema interno dos Estados Unidos”, o porta-voz da diplomacia chinesa disse que Washington está a utilizar a sua crise de opioides para “pressionar e coagir” a China, apesar de o país asiático ser “um dos mais duros” na luta contra a droga. O diplomata sublinhou ainda que Pequim tem apoiado os EUA na sua resposta ao problema do fentanil, uma cooperação transnacional com resultados que descreveu como “muito notáveis”. O diplomata instou Washington a voltar a abordar os problemas “através do diálogo e numa base de igualdade” e reiterou que a China está disposta a continuar a cooperar com os EUA para alcançar uma relação “sólida, estável e saudável”. A condenação do Ministério dos Negócios Estrangeiros segue-se à do Ministério do Comércio, que afirmou horas antes que a China tomará “todas as contramedidas necessárias” para “defender os seus direitos e interesses legítimos”. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu na quinta-feira que o seu país iria impor uma taxa adicional de 10 por cento à China, a juntar-se a outra taxa no mesmo valor anunciada anteriormente, com o argumento de que o país asiático não fez esforços suficientes para combater a entrada de fentanil nos EUA.
AVIC | Maior avião anfíbio do mundo conclui testes de certificação de voo Hoje Macau - 3 Mar 2025 O maior avião anfíbio do mundo, o AG600, completou na passada sexta-feira todos os testes de voo necessários para obter a certificação de aeronavegabilidade, anunciou a Aviation Industry Corporation of China (AVIC). O AG600, também o primeiro grande avião anfíbio construído na China, mede 39,6 metros de comprimento e 38,8 metros de envergadura, um tamanho semelhante ao de um Boeing 737, e tem um peso máximo de 53,5 toneladas. Um avião anfíbio é um modelo capaz de descolar e pousar em terra e na água. O avião, que foi concebido principalmente para missões de salvamento marítimo e de combate a incêndios, completou os últimos testes de voo na província de Shaanxi, no noroeste da China, informou a AVIC, um dos fabricantes de aviões estatais do país, em comunicado. Nos últimos dois anos, o AG600 completou 3.560 horas de voo em preparação para a certificação de aeronavegabilidade, acrescentou o consórcio estatal chinês. Os testes de voo foram realizados numa ampla gama de cenários, incluindo frio extremo, altas temperaturas e humidade e ventos fortes, para verificar as capacidades operacionais da aeronave. O AG600 é o maior avião anfíbio actualmente em funcionamento, comparável em escala a aviões de fuselagem estreita como o Boeing 737 ou o Airbus A320. A primeira descolagem da aeronave teve lugar a 24 de Dezembro de 2017, seguida de outro voo bem-sucedido em 2018. Em Junho de 2024, a China iniciou a produção em pequena escala da aeronave.
África | Corte no apoio dos EUA abre espaço à influência chinesa Hoje Macau - 3 Mar 2025 A decisão de Washington de cortar no apoio externo oferece uma oportunidade à China para incrementar a influência em África, afirmou à Lusa um analista, estabelecendo um paralelo com as doações feitas durante a pandemia. O Governo liderado por Donald Trump confirmou esta semana que vai eliminar mais de 90 por cento dos contratos de ajuda externa da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e 60 mil milhões de dólares em assistência geral em todo o mundo. Em África, os cortes devem ter um impacto particularmente grave na saúde, que ocupa a maior fatia do apoio prestado pelos EUA ao continente. À semelhança do ocorrido durante a pandemia da covid-19, os especialistas esperam que a China volte a preencher o vazio deixado por Washington. “Entre os líderes africanos, a China já construiu influência significativa. Agora tem a oportunidade de seduzir a opinião pública”, explicou Paul Natulya, investigador no Centro Africano para Estudos Estratégicos, instituto sob tutela do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e financiado pelo Congresso norte-americano. Os EUA fornecem mais de um quarto de toda a ajuda ao desenvolvimento no continente africano. Uma análise realizada pela International Futures, da Universidade de Denver, concluiu que os cortes podem atirar mais 5,7 milhões de africanos para abaixo do limiar de pobreza extrema, de 2,15 dólares por dia, no próximo ano. Durante o primeiro mandato de Trump, que coincidiu com a pandemia da covid-19, África tornou-se a região que mais beneficiou das doações chinesas de vacinas, testes, máscaras ou ventiladores, enquanto Washington diminuiu as suas contribuições e se retirou da Organização Mundial da Saúde. “Quando o Ocidente reteve doações de vacinas e equipamento médico, a China rapidamente preencheu o vazio”, lembrou Natulya. “Em troca, receberam muita publicidade e prestígio, por um investimento relativamente pequeno”, observou. Ultrapassagem no ranking Diferentes sondagens mostram agora que a China ultrapassou os Estados Unidos no índice de popularidade entre a opinião pública africana. Segundo uma sondagem internacional da Associação Gallup, a aprovação de Pequim entre os africanos passou de 52 por cento, em 2022, para 58 por cento, em 2023, enquanto a popularidade de Washington caiu de 59 por cento para 56 por cento, no mesmo período. Inquéritos conduzidos por outros institutos, como o Afrobarometer e a Ichikowitz Family Foundation, demonstram a mesma tendência. “A China está a utilizar todas as ferramentas à sua disposição para obter essa vantagem competitiva face os Estados Unidos”, descreveu o investigador. “Neste momento, aposto que, em Pequim, os funcionários estão a estudar o próximo passo e quando e como aumentar a contribuição da China”, apontou.
Diplomacia | Xi diz que Pequim e Moscovo devem reforçar a coordenação internacional Hoje Macau - 2 Mar 2025 O Presidente chinês reafirma a união entre os dois vizinhos face às alterações no panorama internacional O líder chinês, Xi Jinping, disse que a China e a Rússia devem continuar a reforçar a coordenação em assuntos internacionais e que os dois países são “verdadeiros amigos”, avançou no sábado a imprensa estatal chinesa. Xi falava num encontro com o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, em Pequim, na sexta-feira. O chefe de Estado chinês disse que Pequim e Moscovo vão implementar em 2025 “uma série de agendas importantes” e pediu ainda a manutenção de “uma comunicação estreita a todos os níveis”. Xi recordou que falou duas vezes este ano com o homólogo russo, Vladimir Putin, a última das quais esta semana. O líder chinês apelou ainda à maximização do papel do grupo BRICS de economias emergentes e da Organização de Cooperação de Xangai, dois blocos dos quais a China e a Rússia são membros. Shoigu disse que a Rússia “aprecia muito os esforços contínuos da China para promover uma resolução pacífica para a crise ucraniana”, mas a imprensa chinesa não indicou se Xi fez alguma menção ao processo de paz na Ucrânia. As declarações foram publicadas horas depois de um confronto verbal na Casa Branca entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o homólogo norte-americano, Donald Trump. De acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, o enviado russo disse que a aliança entre a China e a Rússia “desempenha um papel significativo no mundo e constitui um modelo para as relações entre potências”. Shoigu disse ainda que a relação entre os dois países “não visa terceiros”. Laços reforçados Antes de se encontrar com Xi, Shoigu manteve conversações com o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, referiu a agência oficial russa Tass. “Rússia e China têm abordagens coerentes para os principais problemas internacionais e regionais”, sublinhou Shoigu, de acordo com um vídeo publicado pela Tass. Shoigu afirmou que se deslocou a Pequim “a pedido do Presidente russo, Vladimir Putin, na sequência da sua conversa por telefone com o Presidente chinês, Xi Jinping”, sem dar mais pormenores. “O facto de termos conseguido organizar o nosso encontro num prazo tão curto demonstra a natureza especial do diálogo bilateral”, sublinhou Sergei. A visita do antigo ministro da Defesa russo surge após uma conversa entre Xi e Putin, na segunda-feira, durante o qual o líder chinês elogiou os “esforços positivos de Moscovo para desanuviar” a crise ucraniana. Moscovo e Pequim reforçaram os laços militares e comerciais desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, embora a China procure apresentar-se como neutra no conflito de três anos. De acordo com a imprensa russa, Shoigu “vai discutir questões de segurança bilaterais, bem como problemas internacionais e regionais, com altos dirigentes chineses”.
Fotografia | Conhecidos finalistas dos Sony World Photography Awards Hoje Macau - 2 Mar 2025 Já são conhecidos os finalistas da nova edição dos Sony World Photography Awards, considerados os mais prestigiantes prémios do sector. As distinções, incluindo na categoria “Fotógrafo do Ano”, serão conhecidas a 16 de Abril numa cerimónia em Londres. Segundo um comunicado, os “projectos fotográficos foram reconhecidos pelo domínio técnico e uma abordagem original à narrativa”, sendo os finalistas apresentados numa exposição na Somerset House, patente de 17 de Abril a 5 de Maio deste ano. Existem, assim, 30 finalistas nesta 18.ª edição, dos quais resultarão dez vencedores, tendo sido submetidas a concurso mais de 419 mil imagens de mais de 200 países e regiões. Um dos destaques desta edição dos Awards é a criação de uma nova categoria, o “Prémio Profissional do Japão”, que dá destaque “à criatividade e dinamismo da cena fotográfica contemporânea do Japão” e que “reconhece um vencedor e uma lista restrita de séries impressionantes de fotógrafos japoneses”. Monica Allende, presidente do júri dos prémios da Sony, disse que a equipa ficou “impressionada com a força e variedade dos trabalhos submetidos em 2025. É sempre um verdadeiro desafio seleccionar as listas restritas e os finalistas, e, enquanto júri, considerámos que as candidaturas mais alargadas não eram menos vitais e inspiradoras”. Na categoria “Architecture & Design” destaca-se a imagem “Twilight in San Ignacio”, de Andre Tezza, do Brasil, que “explora a resiliência da vernacular arquitectura do Belize”. Ulana Switucha, do Canadá, apresenta “Tokyo Toilet Project”. Na categoria “Creative” constam nomes como o da ucraniana Irina Shkoda, com “I Am Here for You”, que conta a sua própria experiência como refugiada. Em “Documentary Projects” inclui-se o trabalho do francês Alex Bex, com “Memories of Dust”, que “explora o vocabulário visual de um comboio, considerando-se novas formas de apresentação do arquétipo masculino”.
FDC aceita candidaturas a financiamentos em cinema e televisão Hoje Macau - 2 Mar 20253 Mar 2025 O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) aceita candidaturas até ao final deste mês para a primeira ronda de candidatos ao “Plano de Subsídio à Filmagem Cinematográfica e Televisiva em Macau”, sendo que esta iniciativa de financiamento a projectos privados terá quatro rondas de candidatura. Os objectivos, segundo uma nota do FDC, são “promover a imagem de Macau, incentivar equipas do exterior para filmagens em Macau e aumentar o prestígio internacional da RAEM através de obras cinematográficas e televisivas”. Serão aceites projectos a concurso dirigidos por uma equipa de filmagem estrangeira e que incluam filmagens em Macau não inferiores a três dias. Outra das condições, é que este projecto não pode ter tido qualquer parte filmada no território “antes da data de apresentação confirmada da candidatura”. Além disso, “as candidaturas devem ser apresentadas pelos empresários comerciais locais”, ou seja, “unidades de produção em Macau cujas actividades devem estar relacionadas com a produção cinematográfica e televisiva”. Até dois milhões Outra das regras do concurso, é que durante o período de apoio financeiro a exibição pública do projecto deva estar concluída, além de que “a duração do mesmo e dos locais de Macau que serviram de cenário devem estar em conformidade com os requisitos apresentados”. No tocante aos subsídios, serão concedidos até um limite máximo de 30 a 40 por cento das despesas orçamentais pensadas para as filmagens, no montante máximo entre 500 mil e dois milhões de patacas. “A avaliação será feita tendo em conta o efeito da promoção na imagem de Macau pelo projecto, a escala de produção e a popularidade de canais de exibição da obra cinematográfica ou televisiva”, bem como “o nível de participação do sector cinematográfico e televisivo de Macau”. Esta quinta-feira será organizada uma sessão de esclarecimento sobre este plano de financiamento, a partir das 15h, no sétimo andar do Edifício Centro Comercial Cheng Feng, onde está localizado o Fundo para o Desenvolvimento da Cultura.
Creative Macau | O espaço de Macau exposto em “Framing a Future Past” Andreia Sofia Silva - 2 Mar 20253 Mar 2025 A galeria da Creative Macau acolhe, a partir do dia 20 deste mês, a exposição “Framing a Future Past 2018-2024”, com curadoria de Sara Neves e trabalhos de Nelson Silva, fotografia; e João Nuno Marques, com desenho. Ambos arquitectos, expõem, através de imagens e desenhos, a visão de uma cidade em constante mutação urbanística e social Chama-se “Framing a Future Past” e é a nova exposição que chegará ao espaço da Creative Macau a partir do dia 20 de Março. Com curadoria de Sara Neves, ligada à área da arquitectura, esta mostra revela as visões de dois arquitectos radicados em Macau sobre o território em que habitam e que escolheram como casa. Nelson Silva apresenta as suas imagens, João Nuno Marques os seus desenhos. A ideia é, segundo um comunicado, explorar “as várias camadas do espaço construído de Macau”. A exposição, patente até ao dia 17 de Abril, mostra como, no território, a sensação de impermanência está sempre presente” em Macau, com “espaços, edifícios e locais que aparecem, se transformam e desaparecem”. “Dentro deste ambiente dinâmico, o acto de documentar a cidade torna-se essencial, com o objectivo de observar e capturar momentos fugazes”, é ainda descrito pela mesma nota de imprensa. “Como intervenientes na evolução da cidade, os arquitectos são desafiados a compreender a essência de um lugar e a lidar com as questões e incertezas sobre seu futuro.” “Framing a Future Past” apresenta “crónicas visuais” que foram produzidas nos últimos anos, nomeadamente desde 2018, sendo “resultado de um processo pessoal de descoberta da cidade, por parte destes dois arquitectos”, sem serem criadas especificamente para esta exposição. Da diversidade Com esta mostra, o público poderá observar “a diversidade de Macau, com especial foco nos elementos que poderão em breve fazer parte do passado da cidade”, além de se fomentar “o diálogo entre duas técnicas diferentes, a fotografia e o desenho, em torno de um tema, espaço e tempo comuns”. Fascinado pela natureza desde jovem, Nelson é apresentado como “arquitecto e fotógrafo dedicado”. Nelson estudou Arquitectura na Universidade do Minho e passou um ano transformador em Trondheim, na Noruega, onde despertou o seu interesse por viagens e diferentes culturas. Em 2018, mudou-se para Macau, onde se tem dedicado à arquitectura e à fotografia. Nelson é sócio da LBA Architecture & Planning e ganhou reconhecimento pelo seu trabalho fotográfico, incluindo o 2.º lugar no Concurso de Fotografia Arquitectónica de Macau de 2024. No caso de João Nuno Marques, a sua formação fez-se na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), tendo-se especializado em “Património Arquitectónico” e “Cooperação e Habitabilidade em Países em Desenvolvimento”, entre outras pós-graduações no domínio da arquitectura. O seu percurso profissional acumula períodos em Portugal, Espanha, Alemanha e Turquia, antes de se fixar em Macau em 2017. Tem dividido a sua actividade entre o exercício de arquitectura em diferentes sectores e a vertente académica na Universidade de São José (USJ), na qualidade de académico visitante. Além disso, João Nuno Marques integra a direcção do CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo de Macau. No seu caso, o desenho é usado “não apenas como parte do processo de trabalho, mas enquanto registo ‘in-situ’ dos lugares por onde passa, procurando captar as suas dimensões arquitectónicas e culturais”. Relativamente a Sara Neves, curadora desta mostra, tem formação ao nível do mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. Integrou, em 2016, a equipa da quarta edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, tendo-se mudado depois para Macau. A curadora é também académica visitante na USJ, ministrando a disciplina “Buildings of Macau and Hong Kong.” Em 2023, Sara concluiu o Curso de Práticas Curatoriais e Artes Contemporâneas em Veneza. Durante este período, co-curou a exposição “Broken in Three Places” com as obras de Sophie Jung e Maeve Brennan na Galeria “A plus A” em Veneza.
Imobiliárias políticas, Limitada André Namora - 2 Mar 2025 Eu estava num miradouro serrano para onde os meus pais e avós me levavam há cinquenta anos, quando tinha 10 anos de idade, para admirar a paisagem linda, olhando para cima, a serra cheia de neve e para baixo a globalidade da minha terra, a Covilhã. Resolvi sentar-me e escrever no caderno as primeiras linhas desta crónica sobre o que tinha acabado de ver e sobre as últimas notícias chocantes da semana passada. Há cinquenta anos, a Covilhã era um conjunto de casarios admiráveis sem quaisquer arranha-céus. Hoje, a cidade serrana é tão horrível cheia de prédios por todo o lado da urbe. Prédios de vários andares são infindáveis. Fiquei a pensar como é grandioso o negócio das imobiliárias. Deve ser um negócio melhor que os mais lucrativos do mundo, os gelados, as pizzas e o café. Uma vez, fui uma semana a Lisboa visitar uns familiares e numa só avenida contei dez imobiliárias. Os portugueses sabem que raramente conseguem comprar ou arrendar uma casa sem que seja através de uma imobiliária e que as comissões dessas empresas dão um lucro grandioso. E que se pretenderem adquirir um terreno, o ideal será que toda a papelada seja tratada por uma imobiliária, esteja o terreno perto de uma cidade, de uma vila ou mesmo num interior rústico. As imobiliárias tratam de tudo e as pessoas sujeitam-se ao que está definido no negócio deste tipo de intermediação no que respeita a imóveis, terrenos e ao que se tem de pagar às imobiliárias. Pois bem, na semana passada a discussão política andou à volta de imobiliárias. Chamar-lhes-ei imobiliárias políticas. Porquê? Porque depois de um secretário de Estado do actual Governo se ter demitido quando veio a lume que era proprietário de uma imobiliária e simultaneamente estava a participar na alteração à Lei dos Solos, a comunicação social trouxe à colação que o primeiro-ministro Luís Montenegro tinha uma imobiliária e que afirmou ter vendido, imagine-se, a sua quota à mulher e filhos. O assunto foi à baila na Assembleia da República e os deputados da oposição não ficaram satisfeitos com as explicações, sobre o tema, apresentadas pelo chefe do Executivo. Quanto a nós, Luís Montenegro não teve transparência ao ser interrogado sobre quem eram os clientes da sua empresa familiar. Era importante que se soubesse quem eram os parceiros de negócio, porquanto ficará sempre a suspeição de que esses clientes poderão vir a usufruir de benesses governamentais. Inclusivamente o semanário Expresso, na sua edição da passada sexta-feira, denunciou que os casinos ‘Solverde´ pagam 4.500 euro por mês à empresa de Montenegro. Depois, bem, depois tem sido um chorrilho de notícias sobre imobiliárias detidas por membros do Governo. O ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida, que tem a tutela das alterações à Lei dos Solos, também tinha uma imobiliária e veio dizer que já tinha vendido a sua parte, mas só depois da “bronca” com o primeiro-ministro. No entanto, posição diferente foi assumida pela ministra da Justiça, Rita Júdice, que veio a público afirmar que “não tem qualquer intenção de se desfazer do seu património pessoal, constituído com o seu trabalho e dos seus familiares”, nomeadamente as quatro sociedades com negócios imobiliários de que é sócia. A verdade é que da Cultura ao Trabalho, passando pela Defesa e Presidência do Conselho de Ministros, vários Ministérios empregam actuais e antigos sócios de empresas do sector imobiliário. No Ministério do Trabalho, já é público que a própria ministra Maria do Rosário Palma Ramalho inclui a gestão de património imobiliário na sua empresa ‘Palma Ramalho, Lda’. Mas não é a única: o secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, também inclui no oblecto da sua empresa de consultoria a “gestão de património, podendo para o efeito, alienar, adquirir e arrendar imóveis e proceder à revenda dos adquiridos”. A empresa chama-se agora ‘Orbis Terra – Consultoria e Gestão, Lda’, um nome mais discreto do que o anterior no que diz respeito à ligação ao imobiliário e o governante é sócio único. Mas o apetite pelos negócios imobiliários no Executivo de Luís Montenegro não se esgota nestes governantes e até a responsável pela pasta da Habitação no Ministério de Miguel Pinto Luz foi sócia de uma empresa que se dedica à compra e venda de bens imobiliários. Trata-se da ‘Promobuilding – Serviços Imobiliários Lda’. A empresa onde Patrícia Gonçalves da Costa foi gerente entre 2010 e 2015 e sócia minoritária até 2019 detém ainda 50 por cento da ‘Urbanquestion, Lda’, outra empresa criada em 2023 com o mesmo objecto que inclui a compra e venda de imóveis, construção de empreendimentos próprios para comercialização e promoção de estudos de urbanização. No Ministério da Defesa, o antigo deputado do CDS Álvaro Castelo Branco, agora secretário de Estado Adjunto, é sócio da ‘Rent 4 You – Sociedade Imobiliária, Lda’. Desta sociedade também faz parte o antigo deputado do PSD e actual membro do Conselho de Administração do AICEP Paulo Rios de Oliveira. O historial de actividades empresariais do ramo imobiliário estende-se ao Ministério da Cultura. O recém-nomeado secretário de Estado Alberto Santos deteve 90 por cento da sociedade ‘Villa Gallaecia – Mediação Imobiliária, Lda’, dedicada à mediação e angariação imobiliária, mas também à avaliação de imóveis e consultadorias várias. E a própria ministra Dalila Rodrigues teve quota numa empresa da família: trata-se da ‘Rita Aguiar Rodrigues Arquitectos Lda’, que como o nome indica presta serviços de arquitectura, mas também inclui no seu objecto a construção e remodelação de edifícios e a compra, venda e revenda de bens imóveis. Em comunicado divulgado na noite de terça-feira passada, tanto a ministra como o secretário de Estado confirmaram que detiveram aquelas quotas em sociedades, mas que as cederam antes de tomarem posse no Governo. E na Assembleia da República? Bem, não fiquem de boca aberta. No Parlamento, também não faltam deputados com empresas no ramo imobiliário. Além dos quatro parlamentares do Chega, o partido que viabilizou e tem adiado a votação que pode chumbar as alterações à Lei dos Solos, encontram-se muitos exemplos nas bancadas do PS e sobretudo do PSD. A dar o exemplo de empreendedorismo imobiliário num país onde o preço das casas e das rendas é incomportável para quem vive com salários baixos está o próprio presidente da Assembleia da República. José Pedro Aguiar Branco é sócio da ‘Portocovi – Gestão e Administração de Bens Lda’, que tem por objecto a compra e venda de bens móveis e imóveis, arrendamento, gestão e administração de bens próprios ou alheios e prestação de serviços. Confrontado com a divulgação pública sobre a sua empresa, Aguiar-Branco respondeu aos jornalistas queixando-se de “voyeurismo” sobre os titulares de cargos políticos, onde “tudo é escarrapachado: o seu património, a sua situação do ponto de vista financeiro, tudo o que tem a ver com um acervo particular, ainda que não exista alguma suspeita”. E o que queria Aguiar-Branco? Que os jornalistas fossem uns “macaquinhos” a silenciar, a não ouvir e a não ver? O mais importante é que tudo isto vem a público porque o Governo resolveu alterar a Lei dos Solos e na qual, futuramente, todas estas imobiliárias políticas poderão vir a usufruir de avultados rendimentos…
Hong Kong | Secretário para a Inovação procura negócios em Portugal Hoje Macau - 2 Mar 2025 O secretário para a Inovação, Tecnologia e Indústria de Hong Kong vai estar na quinta-feira em Portugal a “explorar oportunidades de negócios” para o sector da inovação e tecnologia, indicou ontem a região chinesa. Num comunicado, o Governo de Hong Kong disse que Sun Dong partiu ontem à frente de uma delegação de representantes da área da inovação e tecnologia, que estará em Lisboa a 6 de Março. O programa da visita inclui “reuniões e intercâmbios com líderes dos sectores político, empresarial e de inovação e tecnologia locais”, bem como visitas a infra-estrutura, parques tecnológicos, institutos de investigação e empresas. O objectivo é “reforçar os laços e a cooperação” com Portugal neste sector, “promovendo as vantagens da inovação e tecnologia de Hong Kong e explorando oportunidades de negócio no estrangeiro”, segundo o comunicado. A delegação inclui dirigentes de três instituições públicas: a HKSTP, uma empresa criada em 2001 para promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico na região, o Instituto de Investigação em Ciência e Tecnologia Aplicadas e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento da Microelectrónica. Além disso, vão estar em Lisboa dirigentes do parque tecnológico Cyberport, bem como representantes de 24 empresas ou instituições de inovação e tecnologia de Hong Kong. Antes de passar por Lisboa, a delegação de Hong Kong vai estar em Barcelona, no nordeste de Espanha, para participar no Mobile World Congress, considerado um dos eventos tecnológicos mais influentes a nível mundial. Esta vai ser a segunda visita a Portugal de um membro do Governo de Hong Kong no espaço de um ano, depois de o secretário para os Serviços Financeiros e Tesouro da região ter passado por Lisboa em Junho. Na altura, Christopher Hui Ching-yu pediu a Portugal para retirar Hong Kong da lista de paraísos fiscais e defendeu que já cumpre os padrões da União Europeia (UE) para combater a evasão fiscal.
Japão | Piores incêndios desde 1992 forçam retirada de duas mil pessoas Hoje Macau - 2 Mar 2025 Cerca de duas mil pessoas tiveram de abandonar as suas habitações no norte do Japão, onde os incêndios florestais queimaram já a maior área desde 1992 e fizeram um morto, disseram ontem as autoridades japonesas. A Agência de Resposta a Desastres e Incêndios japonesa (FDMA, na sigla em inglês) disse que foram evacuadas as zonas em redor da cidade de Ofunato, na região florestal de Iwate. Muitos refugiaram-se junto de amigos ou familiares, e mais de 1.200 foram levados para abrigos, acrescentou a FDMA. Pelo menos uma pessoa morreu nas chamas, que deflagraram na quarta-feira, e também danificaram mais de 80 edifícios. “Ainda estamos a tentar determinar a área afectada, mas é a maior desde 1992”, garantiu ontem um porta-voz da FDMA à agência de notícias France-Presse. Em 1992, um incêndio destruiu 1.030 hectares em Kushiro, em Hokkaido, no norte do país. Segundo a imprensa japonesa, o fogo já se alastrou a 1.800 hectares. Imagens aéreas da emissora pública japonesa NHK mostraram helicópteros militares a sobrevoar nuvens de fumo branco, quatro dias após o início do incêndio. Cerca de 1.700 bombeiros foram mobilizados em todo o país para tentar extinguir as chamas. A causa do incêndio ainda não é conhecida, mas acredita-se que tenha começado num barracão de trabalho e se tenha espalhado a partir daí para uma zona arborizada, onde as condições meteorológicas secas favoreceram a sua propagação. Este é o terceiro incêndio numa semana a afectar as zonas costeiras do sul de Iwate, que estão em alerta para o tempo seco desde 18 de Fevereiro.
Diplomacia | Paulo Rangel em Macau e Pequim no fim do mês Hoje Macau - 2 Mar 2025 Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, fará uma visita oficial a Macau e China no final de Março, confirmou o próprio gabinete do ministro à TDM. A agenda inclui uma ida a Pequim para um encontro com o seu homólogo, Wang Yi, com o ministro português a marcar presença no Fórum BOAO. O Fórum BOAO para a Ásia deste ano será realizado entre os dias 25 e 28 de Março na província de Hainão, dedicando-se ao debate em torno de assuntos comerciais, económicos e de cooperação entre países, com foco na Ásia. O tema da edição deste ano será “Asia num Mundo em Mudança: Em Direcção a um Futuro Partilhado”, focando-se “no desenvolvimento, na exploração de formatos inovadores e na promoção do desenvolvimento internacional e cooperação”, consta na informação oficial sobre o evento. Na RAEM está previsto um encontro entre Paulo Rangel e Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, bem como a realização de encontros com a comunidade portuguesa local e com Alexandre Leitão, cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong. A visita de Paulo Rangel não só será a primeira de um político português a Macau desde a pandemia, como é também a primeira vez que um representante do Estado português, ao mais alto nível, reúne com o novo Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai. Dose dupla Ainda segundo a notícia da TDM, Paulo Rangel deverá voltar mais tarde a Macau acompanhando a visita do Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. A comitiva portuguesa virá ao território por ocasião das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas. Na mesma notícia é referido que Portugal vai abrir novos postos diplomáticos a Oriente, sendo que o primeiro será uma embaixada no Vietname. As mais recentes visitas de governantes portugueses do Executivo de Luís Montenegro a Macau, passaram pela presença da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, em Junho do ano passado, bem como de Pedro Reis, ministro da Economia, que veio de propósito para a sexta reunião ministerial do Fórum Macau. Paulo Rangel é uma figura histórica do Partido Social Democrata e, durante anos, foi deputado no Parlamento Europeu, nomeadamente entre 2009 e 2024. É licenciado em Direito, tendo exercido advocacia.
DeepSeek | Nvidia deixa elogios e está atenta às taxas de Trump Hoje Macau - 28 Fev 2025 O fabricante norte-americano de semicondutores Nvidia elogiou o trabalho da empresa chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek e reconheceu incerteza face à política comercial dos Estados Unidos, durante uma conversa com analistas e investidores. Na sequência da apresentação dos resultados referentes ao último trimestre do seu ano fiscal, o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, destacou a procura pelo ‘chip’ Blackwell, de última geração, e falou positivamente da DeepSeek, apesar de o seu aparecimento ter sido visto como uma ameaça à liderança da empresa norte-americana e ter provocado uma forte queda nas suas acções, no final de Janeiro. “O OpenAI o3 ou o DeepSeek R1 são modelos de raciocínio que aplicam a inferência. Os modelos de raciocínio podem consumir 100 vezes mais computação. E os do futuro, ainda mais”, disse Huang. “O DeepSeek R1 provocou um entusiasmo global. É uma excelente inovação mas, melhor ainda, colocou um modelo de IA de raciocínio de classe mundial em código aberto. Quase todos os criadores de IA estão a aplicar o R1” ou técnicas semelhantes “para escalar os resultados dos seus modelos”, acrescentou. Questionada sobre as suas previsões de negócios, face à possibilidade de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor mais taxas alfandegárias sobre bens dos seus parceiros, a directora financeira da empresa, Colette Kress, admitiu existir um ambiente de “incerteza”. “Relativamente às taxas, é uma incógnita. É uma incógnita até percebermos melhor qual é o plano do Governo dos EUA ou o seu calendário. Estamos à espera”, afirmou. De acordo com Huang, a Nvidia, que planeia aumentar a produção do ‘chip’ Blackwell no próximo trimestre devido à “procura extraordinária”, está “no centro de todo este desenvolvimento”, referindo-se à nova vaga de IA denominada “agentic”, que envolve um pensamento mais autónomo.
Japão | Nascimentos caiem para novo recorde negativo Hoje Macau - 28 Fev 2025 O número de nascimentos no Japão caiu para um novo recorde, aumentando o desafio relacionado com os custos crescentes da segurança social numa sociedade envelhecida, com um grupo cada vez mais reduzido de trabalhadores que pagam impostos. O número de recém-nascidos em 2024 caiu 5 por cento em relação ao ano anterior, para 720.988, prolongando uma série de nove anos de declínio, de acordo com os dados preliminares sobre a população divulgados ontem pelo Ministério da Saúde do Japão. Esta leitura assinala o valor mais baixo desde que estes registos começaram, em 1899. Também as mortes aumentaram 1,8 por cento para um recorde de 1,62 milhões no mesmo período, resultando no maior declínio anual de sempre da população total, segundo o relatório. O declínio sustentado dos nascimentos no país aumenta a urgência sentida por um governo que já está a suportar a dívida mais pesada entre os países desenvolvidos. A dívida pública do Japão será de 232,7 por cento do produto interno bruto (PIB) do país este ano, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A situação demográfica no Japão está em sintonia com uma tendência global crescente. A taxa de fertilidade da Coreia do Sul aumentou no ano passado pela primeira vez em nove anos, mas, com 0,75, continua muito abaixo da taxa necessária para manter a população. A queda dos nascimentos em França acelerou em 2023, atingindo o ritmo mais rápido em meio século, enquanto a população da China diminuiu durante três anos consecutivos. Menos trabalhadores significa menos receitas fiscais para os cofres do Estado nipónico, ao mesmo tempo que pressiona as empresas, que enfrentam a escassez de pessoal. Esforços em vão Desde que a população em idade activa do Japão atingiu o seu máximo em 1995, o seu mercado de trabalho tem-se mantido relativamente apertado. A taxa de desemprego é de 2,4 por cento, a mais baixa entre os países da OCDE, e tem-se mantido abaixo dos 3 por cento há quase quatro anos. Até 2040, o Japão deverá enfrentar um défice de mão-de-obra de 11 milhões de pessoas, de acordo com uma estimativa do Recruit Works Institute, citada pela Bloomberg. Em 2024, um número recorde de 342 empresas japonesas foram à falência, devido à escassez de mão-de-obra, de acordo com um inquérito do Teikoku Databank, ainda segundo a agência de notícias. Entretanto, os custos da segurança social do Japão continuam a aumentar à medida que uma proporção crescente da população ultrapassa a idade da reforma. Para o ano fiscal que começa em Abril, o governo atribuiu 37,7 biliões de ienes à segurança social, um aumento de quase 20 por cento em relação à última década. O sistema de pensões do Japão também está sob pressão, com menos contribuintes e mais beneficiários. Nas últimas duas décadas, o número de contribuintes diminuiu em cerca de 3 milhões, enquanto o número de beneficiários aumentou quase 40 por cento, de acordo com o ministério japonês da Segurança Social. O declínio contínuo do número de nascimentos reflecte, em parte, a relutância das gerações mais jovens em ter filhos, apesar dos esforços recentes do governo. Com base numa iniciativa do seu antecessor, o primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, está a promover um pacote de políticas de cuidados infantis no valor de 3,6 biliões de ienes, que inclui apoio aos futuros pais e melhorias nas condições de trabalho dos trabalhadores das creches.
A Terapia de Casal ou O Amor na Tempestade Tânia dos Santos - 28 Fev 2025 Agora trabalho como terapeuta de casal, um sonho que há muito queria concretizar. A minha compreensão já não se baseia apenas em leituras incontáveis, mas também na experiência direta com o conflito dos casais. Deixo que essas vivências ressoem no meu conhecimento e na minha prática terapêutica, na esperança de que resultem em reflexões mais ricas neste espaço de escrita. Hoje, quero falar-vos sobre o amor na tempestade. Uma relação amorosa pressupõe um vínculo afetivo. Podemos discutir as muitas formas possíveis de “casal”, mas convido-vos a focarem-se na ideia de duas pessoas que se encontram e procuram conectar-se através do que têm de mais íntimo e profundo. Normalmente, nesse tipo de relação, há sexo—o mecanismo de ligação por excelência, que nos remete aos nossos desejos mais primários. A teoria sugere que escolhemos os nossos parceiros porque encaixam na longa história das nossas ligações afetivas, começando pelas relações mais primárias, como a dos nossos pais. Assim, estabelecemos vínculos românticos que, ao mesmo tempo que oferecem a possibilidade de reparação emocional, também alimentam as nossas disfunções. O amor não existe sem essa polaridade. O vínculo vive na tensão entre encontrar o amor das nossas vidas e o risco de esse mesmo amor se tornar no nosso maior inimigo. Esta é, claro, uma caricatura, mas quero que fiquem com a consciência desta dualidade. É comum que os casais, ao tomarem consciência dessa tensão, procurem a terapia. Surge, então, uma questão angustiante: como pode a pessoa que amo despertar em mim tanta tristeza, raiva ou frustração? É a própria evolução da relação que leva a esses caminhos sinuosos. As nossas crenças, a forma como moldam o nosso comportamento e até a nossa compreensão do amor romântico influenciam a maneira como lidamos com essa ambivalência. A verdade é que pouco nos preparamos para essa realidade. Recentemente, um marido em profunda angústia partilhou comigo: “Eu não traí, nem ando atrás de ninguém. Não percebo porque estamos assim.” Na terapia de casal, o objetivo não é eliminar o conflito, mas compreendê-lo. O desencontro é inevitável, e é por isso que se procuram ferramentas para melhor lidar com ele. Um dos pilares desse processo é criar um espaço onde se possa falar francamente sobre os desafios da relação. No entanto, esse desencontro é emocionalmente carregado e nem sempre de fácil resolução. Não basta oferecer um novo mapa para que o casal trilhe um caminho diferente. Nem é papel do terapeuta dar soluções simples. Para reconstruir uma relação, é necessário encarar uma tempestade—daquelas de chuva descontrolada, vento a 100 km/h e trovões ensurdecedores. O terapeuta ajuda a navegar essa tempestade, para que o casal compreenda que o amor contém, em si, essa possibilidade disruptiva. No fundo, o terapeuta confirma que, mesmo que o sofrimento pareça atroz e o desencontro confuso, está tudo bem. O desencontro faz parte da vida. A tempestade é um sintoma de um estado primitivo, um reflexo do corpo perante a frustração das suas necessidades emocionais—sejam elas de proximidade ou de afastamento. É um estado em que o pensamento racional é ofuscado pela reação instintiva. Pode manifestar-se como luta ou fuga, como se o parceiro fosse um predador, ou como evitamento, uma tentativa de se proteger de um parceiro que parece consumir a pouca energia emocional que resta. Em última instância, a forma como reagimos ao desencontro está ligada à maneira como lidamos com o vínculo afetivo. Independentemente da abordagem terapêutica utilizada, todas as escolas psicoterapêuticas convergem nesta estratégia essencial: tornar esses mecanismos internos evidentes. A partir dessa consciência, a terapia ajuda o casal a criar novas “danças” emocionais, promovendo compreensão e empatia para que o desencontro se torne menos destrutivo. Naturalmente, há casais que chegam à terapia num ponto em que o espaço terapêutico serve para preparar o divórcio ou a separação. Nesses casos, a mediação oferecida pelo terapeuta permite que se mantenham formas de comunicação baseadas no respeito. Muitos terapeutas “divorciam” casais, e isso também é um resultado de sucesso. O estigma associado à terapia em geral é uma barreira. Para além do jantar romântico esporádico, ou tempo de qualidade juntos, que muitos terapeutas irão certamente prescrever, a terapia ambiciona ir para outros sítios. Investir na relação é essencial para o amor, seja através da terapia ou de conversas honestas sobre a dinâmica do casal. Porque o amor não acontece simplesmente, ele sobrevive entre o conforto, o prazer e o conflito.
Livraria Portuguesa | Obra do fotógrafo Chris Stowers apresentada domingo Hoje Macau - 28 Fev 2025 Lançado em Janeiro, “Shoot, Ask… and Run!” é o retrato da vida de um fotógrafo britânico e das suas aventuras atrás da lente. Apresentado no próximo domingo na Livraria Portuguesa, com a presença do autor, o livro nasceu de diários mantidos por Chris Stowers durante as suas viagens pela Ásia As aventuras de um fotógrafo em vários países asiáticos nos anos 90 é o mote do livro de Chris Stowers, lançado em Janeiro. “Shoot, Ask…and Run!” é o nome da obra lançada no próximo domingo na Livraria Portuguesa a partir das 18h. O título do livro nasce de um conselho dado ao fotógrafo britânico no início das suas viagens que acabou por se revelar de grande utilidade no dia-a-dia. Segundo a sinopse do livro, Chris Stowers foi “atormentado por forças tempestuosas, tanto pessoais como internacionais”, tendo fugido “da máfia de Jacarta através das selvas do Bornéu, atacado com gás lacrimogéneo pela polícia de choque em Manila e atravessado de comboio uma União Soviética em implosão”. Mas as aventuras não terminaram aí: Stowers chegou mesmo a ser raptado “por um grupo de milícias sérvias fortemente armadas”. Desta forma, nas páginas deste livro “Stowers pinta um quadro duro, humorístico e muito humano da vida dos meios de comunicação social na Ásia – e não só – durante os anos de expansão do início da década de 1990”. O fotógrafo passou também por Hong Kong “nos últimos dias do império e da fotografia analógica”. O livro é, portanto, um desfilar de memórias de um homem que viajou imenso em busca do desconhecido. “Observador nato e nómada, coloca-se a questão: onde fica a sua casa?”, questiona-se ainda na sinopse. Com a chancela da Earnshaw Books, este livro é o segundo da sua série de memórias de viagem publicadas pela editora. Da Inglaterra para o mundo Chris deixou a Inglaterra em 1987, acabado de sair do liceu, com um bilhete de ida para Karachi, no Paquistão. Nunca mais deixou a Ásia, tendo vivido dez anos em Hong Kong antes da transferência de soberania, em 1997, trabalhando como fotógrafo para a revista “Asiaweek”. O seu amor pela fotografia começou logo através do convívio com fotojornalistas freelance empobrecidos em Peshawar, no Paquistão, devastado pela guerra, onde esteve no “The Frontier Post”. Chris Stowers entrou para a prestigiada agência fotográfica Panos Pictures em 1992. As missões fotográficas e o desejo de viajar levaram Chris a mais de 70 países, até à data, e o seu trabalho apareceu em todo o tipo de publicações, incluindo a Time, Newsweek, The Economist, Forbes, Businessweek, National Geographic Traveller e The New York Times. O fotógrafo fez ainda inúmeros guias para a “Insight Guides” e a “Dorling Kindersley”, sendo co-autor do livro de fotografia de viagens da “Insight Guide” e apresentador de vários documentários de viagens na televisão.
GP Macau | FIA confirma Taça do Mundo de GT Sérgio Fonseca - 28 Fev 2025 O Conselho Mundial da FIA da passada quarta-feira confirmou o esperado, que a oitava edição da Taça do Mundo de GT da FIA será realizada como parte do programa do 72.º Grande Prémio de Macau, entre os dias 13 a 16 de Novembro. Contudo, há uma grande novidade para a edição deste ano A federação internacional, que co-organiza esta corrida em parceria com o SRO Motorsports Group e com a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), aproveitou a ocasião para anunciar um novo modelo de qualificação para a prova. Para além da sessão de qualificação de 30 minutos igual à das edições anteriores (Q1), foi acrescentado um segundo segmento de qualificação (Q2), reservado aos dez melhores pilotos da primeira sessão. A sessão Q2 será realizada em formato de ‘Super Pole’, com cada piloto a ir para a pista individualmente para um total de duas voltas de qualificação, sendo também permitido a cada piloto utilizar um conjunto de pneus novos nessa sessão. Esta novidade permitirá que a qualificação seja decidida sem interferência de terceiros. O restante programa da prova rainha de GT permanecerá igual ao das edições anteriores, contando com a sessão de treinos-livres, a tradicional corrida classificativa de 12 voltas, na tarde de sábado, seguida da corrida principal de 16 voltas que decidirá o vencedor da Taça do Mundo no domingo. Elogios de veteranos Estas medidas introduzidas pela FIA foram muito bem recebidas pelos mais experientes pilotos de GT. Isto, porque o tráfego sempre foi um enorme obstáculo na obtenção de uma boa volta de qualificação no Circuito da Guia, algo essencial para quem ambiciona conquistar este título. “É uma excelente ideia introduzir a sessão de Super Pole em Macau”, disse o alemão Maro Engel, o vencedor da edição passada da Taça do Mundo pela Mercedes-AMG.“ Esta será uma das sessões mais espetaculares e emocionantes da temporada e deverá também garantir a justiça desportiva. Os fãs têm muito para ansiar.” Raffaele Marciello, por duas ocasiões vencedor deste troféu, e um dos pilotos de fábrica da BMW, também reagiu positivamente, acrescentando: “Em Macau, era sempre complicado fazer uma volta limpa. Com este novo formato, não vais ouvir a desculpa do trânsito ou de uma bandeira vermelha. Ter apenas duas voltas será muito desafiante, mas agora o piloto mais rápido provavelmente ficará na pole.” Esta é uma opinião partilhada por Laurens Vanthoor, o vencedor da Taça do Mundo em 2016, que afirmou que já não haverá “desculpas” na qualificação. O experiente piloto belga da Porsche acredita que “vai haver uma pressão acrescida porque só tens essas duas voltas”, pois num circuito difícil como este, “se cometeres um erro, não há mais nada a seguir. Numa qualificação normal, tens mais oportunidades. Pessoalmente, um ‘shootout’ é sempre algo que aprecio muito. Para os pilotos, numa pista como esta, será quase o ponto alto do fim de semana.” E dos mais novos também O piloto chinês Yifei Ye estreou-se no Grande Prémio no passado mês de Novembro na Taça do Mundo. O piloto oficial da Ferrari, que compete no Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC), deixou uma boa impressão no Circuito da Guia, e também ele vê com bons olhos as medidas agora introduzidas. “É bom eliminar essas intervenções de bandeira vermelha e bandeiras amarelas, para que, no final, aquele que for realmente o mais rápido consiga a pole position”, referiu Yifei Ye que poderá regressar este ano à corrida. “Em Macau, todos estão muito próximos em termos de tempos, por isso será extremamente difícil para os pilotos tentarem chegar à ‘Super Pole’. Acho que também será ótimo para os espectadores.”
Xiaomi | Valorização das acções tornam fundador no homem mais rico da China Hoje Macau - 28 Fev 2025 A subida de 5,8 por cento na cotação das acções da chinesa Xiaomi, na quarta-feira, tornou o fundador e director executivo da tecnológica, Lei Jun, no homem mais rico da China, noticiou a imprensa local. Lei, que é também o maior accionista da Xiaomi, terá assim ultrapassado o magnata Zhong Shanshan, fundador da empresa de água engarrafada Nongfu Spring, e outros bilionários do sector tecnológico, como Pony Ma, chefe da Tencent – o maior vendedor mundial de jogos de vídeo e criador da rede social WeChat – e Zhang Yiming, líder da ByteDance, dona do TikTok. Segundo a publicação Forbes, Lei Jun tem uma fortuna equivalente a cerca de 41,5 mil milhões de dólares, um valor muito superior aos 10,9 mil milhões de dólares que tinha em 2024. Nos últimos 12 meses, as acções da Xiaomi na Bolsa de Valores de Hong Kong subiram 286 por cento. A valorização é justificada pela incursão da empresa no emergente sector dos veículos eléctricos e pelos apoios avançados pelas autoridades chinesas para a compra de produtos electrónicos, como telemóveis e ‘tablets’. Lei disse no início de Fevereiro que está a estudar formas de a Xiaomi acelerar a produção de carros eléctricos, depois de o ‘sedan’ SU7, o primeiro modelo da empresa tecnológica, ter batido até as previsões internas ao ultrapassar as 135 mil vendas até ao final de 2024, após o lançamento em Março do ano passado. A Xiaomi planeia lançar este ano o seu primeiro SUV (automóvel utilitário desportivo) eléctrico, o YU7 – um potencial rival do Tesla Model Y -, com Lei a revelar que o objectivo é vender 300 mil veículos até ao final de 2025.
Mixue bate recorde de financiamento em oferta pública inicial em Hong Kong Hoje Macau - 28 Fev 2025 A fase de subscrição da oferta pública inicial (OPI) de acções da empresa chinesa de bebidas Mixue Bingcheng terminou ontem, com o montante do financiamento a fixar um novo recorde nas entradas em bolsa em Hong Kong. Na actual OPI, a Mixue Bingcheng, sediada em Zhengzhou, capital da província de Henan, no centro da China, planeia emitir quase 17,1 milhões de acções, com 1,7 milhões de acções atribuídas à oferta pública de Hong Kong e 15,4 milhões de acções atribuídas à oferta internacional, a um preço de 202,5 dólares de Hong Kong por acção. A Mixue Bingcheng referiu que as receitas da OPI em Hong Kong vão ser utilizadas para melhorar a cadeia de abastecimento, aumentar a capacidade de produção, actualizar a agilidade logística e estabelecer uma rede global de fornecimento para alimentar o crescimento no estrangeiro. A 31 de Dezembro, a Mixue Bingcheng tinha um total de 46.479 lojas em todo o mundo – com cerca de nove mil milhões de bebidas vendidas em 2024. Estes números ultrapassam nomes globais mais conhecidos, como a McDonald’s e a Starbucks, que são os únicos a ultrapassar a marca das 40 mil lojas em todo o mundo. O salto da Mixue do quarto para o primeiro lugar da tabela ocorreu no final do terceiro trimestre de 2024, segundo a consultora Momentum Works, de Singapura, que recorda que a grande maioria dos pontos de venda se situa na China, com apenas cerca de 4.800 espalhados por países da região, como Vietname, Malásia e Tailândia. No entanto, a cadeia chinesa continua a ser a quarta maior do mundo em termos de vendas no sector global de bebidas: os 6,59 mil milhões de dólares que vendeu em 2023 colocam-na atrás da Starbucks, da Inspire Brands – proprietária da Dunkin’ Donuts e da Baskin-Robbins – e da Tim Hortons. Em conta A Mixue concentra-se em bebidas de baixo custo, mantendo os preços dos produtos geralmente abaixo dos 10 yuan, um segmento em que espera um crescimento anual composto de 17,6 por cento, até 2028, altura em que este mercado atingirá o equivalente a cerca de 160 mil milhões de dólares. A Mixue deve estrear-se na Bolsa de Valores de Hong Kong a 3 de Março. A agência de notícias financeiras Bloomberg recordou que vários rivais locais também lançaram ofertas de acções em 2024 e que, em todos eles, a antecipação deu lugar a quedas nos preços das acções, face à forte concorrência no sector.
Clima | China pode perder 35% de terreno arável até 2100 Hoje Macau - 28 Fev 2025 A China pode perder até 35 por cento das terras aráveis até 2100 devido às mudanças climáticas, mesmo que os compromissos do Acordo de Paris sejam cumpridos, segundo um estudo publicado na revista Science China Earth Sciences. A investigação, conduzida pelo Centro de Análise e Dados Geográficos da Universidade Normal de Pequim, foi financiada pela Fundação Nacional de Ciências Naturais da China e liderada pelo investigador Gao Peichao, noticiou o South China Morning Post, um jornal de Hong Kong. O relatório alerta para o facto de as regiões mais afectadas serem a bacia de Sichuan e as planícies do norte e nordeste do país, onde muitos terrenos agrícolas serão transformados em zonas húmidas e florestas. Além disso, prevê-se uma redução significativa das terras cultivadas no sul e nas zonas costeiras, com uma expansão das zonas húmidas no leste e no sul do país. Consequentemente, as áreas de cultivo de alta densidade seriam reduzidas para quase metade, afectando significativamente a produção de cereais. Calor e stress Os investigadores utilizaram, para a realização do estudo, o CLUMondo e o Modelo de Avaliação das Alterações Globais para avaliar o impacto das alterações climáticas na utilização dos solos num cenário de aumento da temperatura global de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, o limiar estabelecido pelo Acordo de Paris em 2016 para evitar os piores impactos climáticos. A investigação sublinha a necessidade de os países aumentarem os seus esforços de redução das emissões até 2030, atingindo uma descarbonização mínima de 8 por cento por ano a partir dessa data. O estudo propõe medidas como uma monitorização mais rigorosa das zonas vulneráveis, a melhoria da qualidade dos solos agrícolas e a optimização da gestão dos recursos agrícolas para atenuar os efeitos da perda de terras cultivadas. O contexto mundial agrava a situação. A Organização Meteorológica Mundial informou que 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com uma temperatura média 1,55°C acima da época pré-industrial. Apesar disso, apenas 13 dos 195 países que assinaram o Acordo de Paris entregaram os seus planos de redução de emissões dentro do prazo, enquanto grandes economias como a China, a União Europeia e a Índia ainda não cumpriram este compromisso. O governo chinês recebeu os resultados do estudo, que pode levar a uma actualização das suas políticas de proteção das terras agrícolas, pouco antes do início da reunião anual do Assembleia Popular Nacional, um órgão que não tem poder de supervisão e está sujeito ao controlo do Partido Comunista Chinês.