Economia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos Hoje Macau - 27 Abr 2026 Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países. Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções. As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China. Riscos persistentes Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes. Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”. O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.
Quatro décadas de joias de Vivienne Westwood expostas em Macau Hoje Macau - 27 Abr 2026 Quatro décadas do trabalho de joalharia da estilista britânica Vivienne Westwood (1941-2022) vão estar expostas no hotel-casino Grand Lisboa Palace a partir de 29 de Abril, anunciou a organização. Macau é a quarta paragem desta exposição, depois de “Vivienne Westwood & Jewellery” ter passado pela Nova Zelândia e pelas cidades chinesas de Xangai (este) e Chengdu (centro). “Esta prestigiada exposição chega agora à região da Grande Baía, unindo elegantemente o Oriente e o Ocidente através dos designs visionários deste lendário ícone britânico”, lê-se num comunicado da concessionária de jogo SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Resorts. A mostra, que decorre até 15 de Julho, tem curadoria da equipa Vivienne Westwood, apresentando “quatro décadas de joias raras de arquivo e de passarela reunidas pela primeira vez como colecção única”. O evento, lê-se ainda na nota, oferece uma “perspectiva única sobre o mundo de Vivienne Westwood, uma das designers de moda e activistas mais influentes dos séculos XX e XXI”. Percurso original A organização apresenta outras razões para visitar a mostra, com entrada gratuita. Trata-se de uma oportunidade de explorar a “linguagem de design e o espírito subversivo” de Westwood, num percurso por oito salas, e descobrir “combinações ecléticas de joias e peças de vestuário que demonstram a requintada mestria da casa de design britânica e a sua profunda influência na moda, na cultura e na sustentabilidade”. Ainda de acordo com a operadora, a apresentação da colecção “exemplifica o compromisso contínuo da SJM em enriquecer a experiência turística de Macau através de ofertas culturais” e contribui para a estratégia do Governo local de diversificação da economia do território, profundamente dependente do sector do jogo em casino. Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 1941, tendo sido uma das designers de moda mais conhecidas do mundo pelas suas roupas irreverentes e provocadoras. Juntamente com o seu parceiro, Malcolm Mclaren, músico e manager dos Sex Pistols, estendeu a sua maneira de vestir e de fazer roupa ao mundo do punk, estabelecendo uma ligação com os próprios Sex Pistols, nos anos 70. Vivienne Westwood morreu em Londres, em 2022.
FRC | Literatura de António Lobo Antunes hoje em discussão Hoje Macau - 27 Abr 2026 A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma sessão dedicada à literatura de António Lobo Antunes, um dos grandes vultos das letras portuguesas contemporâneas recentemente falecido. A sessão, integrada no ciclo “Pauta de Histórias”, chama-se “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, começa às 18h30 e conta com Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático da Universidade de Macau A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a conferência “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, dedicada ao conhecido escritor português falecido no passado dia 5 de Março. A palestra de hoje insere-se no ciclo “Pautas de Histórias” e tem a presença de Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático do Departamento de Português da Universidade de Macau. Segundo uma nota da FRC, pretende-se nesta sessão “oferecer uma visão panorâmica da obra de António Lobo Antunes, de modo a enfatizar o merecimento literário ímpar da sua vasta criação romanesca”, fazendo-se uma homenagem ao “gigante da nossa literatura”. A ideia é oferecer aos participantes “a visão de António Lobo Antunes sobre a escrita, não como um acto de invenção pura, mas como um processo de escuta intensa e profunda do que está oculto”, relativamente às “vozes interiores, as memórias e a realidade, muitas vezes dolorosa”. “A expressão terá surgido numa entrevista, após a publicação de um dos seus livros, quando questionado sobre o projecto seguinte. O escritor e médico psiquiatra terá respondido que se sentia “angustiado, à espera que surjam novas vozes”, descreve Guimarães de Sousa, citado pela mesma nota. Lobo Antunes terá dito também que “escrever é escutar com mais força. É só organizar as vozes, é um delírio organizado”, sendo estas ideias debatidas na conferência de hoje. Prémio adiado Repetidamente indicado como potencial candidato ao Prémio Nobel da Literatura, que em Portugal foi unicamente, até à data, atribuído a José Saramago, António Lobo Antunes foi “um autor lúcido e atormentado, acutilante e sorumbático, dono de uma melancolia seca, muitas vezes irónica, resultante das experiências que o marcariam para a vida: a guerra do ultramar, a medicina e a escrita”, é descrito. Esteve na guerra do Ultramar, como tantos jovens da sua idade, sendo que a passagem por Angola, onde foi alferes miliciano, “está reflectida em grande parte da sua obra, de modo inequívoco e fracturante”. Uma das obras de Lobo Antunes onde a guerra está muito presente é na colectânea de cartas que escreveu à sua esposa nestes anos, intitulada “Cartas da Guerra – D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, e adaptada ao cinema por Ivo M. Ferreira, no filme “Cartas da Guerra”. Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942, e tirou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo-se especializado em Psiquiatria. A mobilização para o serviço militar chegou em 1970. Os seus primeiros livros foram “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se “Conhecimento do Inferno” em 1980. “A Ordem Natural das Coisas”, editado em 2025, foi o seu último livro publicado. Carreira cheia Sérgio Guimarães de Sousa é doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade do Minho, onde começou a leccionar em 1997. Não obstante a sua especialização em estudos camilianos, é co-autor do “Dicionário da Obra de António Lobo Antunes”, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2008, ao lado de Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Eunice Cabral, Maria Fernanda Afonso, e Agripina Carriço Vieira. Em 2015, a Texto Editora lançou também a obra “Quem sou eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes”, em que é autor individual do VI Volume da Colecção António Lobo Antunes. Actualmente a leccionar na Universidade de Macau, Sérgio Guimarães de Sousa foi ainda professor convidado na Universidade Blaise Pascal (Clermont Ferrand, França) e na Universidade de São Paulo, Brasil; foi FLAD/Visiting Associate Professor na Brown University, nos EUA, e Associate Professor na mesma instituição, por concurso internacional; foi também Professor Visitante na University of Massachusetts Dartmouth, EUA, e na Universidade Federal do Paraná, Brasil. É ainda coordenador científico do Centro de Estudos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, Conselheiro da Cátedra Camilo Castelo Branco (Universidade de Lisboa/Câmara Municipal de Sintra), Director do Centro de Estudos Mirandinos e membro dos órgãos sociais da Fundação Cupertino de Miranda. É também membro do PEN Club português, da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Estudos Franceses.
Visitantes | Registado novo recorde até Março Hoje Macau - 27 Abr 202627 Abr 2026 Macau registou a entrada de mais de 11,2 milhões de visitantes no primeiro trimestre do ano, um recorde na história do território para os três primeiros meses do ano, indicam dados divulgados na sexta-feira. No primeiro trimestre de 2026, entraram na RAEM 11.213.904 visitantes, mais 13,7 por cento do que no mesmo período do ano anterior (9.862.665), indica-se num comunicado da Direção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Nunca na história do território a cidade recebeu tantos visitantes entre Janeiro e Março. Há 10 anos, em 2016, entraram cerca de 7,5 milhões de visitantes em Macau e, em 2006, o valor alcançou cerca de 5,2 milhões de entradas. O valor mais alto registado anteriormente, nos três primeiros meses de um ano, foi em 2019, antes da pandemia da covid-19, com quase 10,4 milhões de visitantes. Ainda em relação ao primeiro trimestre de 2026, o número de entradas de excursionistas (cerca de sete milhões) e o de turistas (cerca de 4,2 milhões) aumentaram, em termos homólogos, 20,3 por cento e 4,1 por cento, respectivamente. A maioria dos visitantes durante o período em análise continua a ser da China continental, com cerca de 8,4 milhões, uma subida de 16,4 por cento, em termos anuais, referiu ainda a DSEC. O número de entradas de visitantes de Hong Kong (cerca de 1,8 milhões) e de Taiwan (285.464) aumentaram 1,8 por cento e 29,1 por cento, respetivamente, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Nos primeiros três meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 755.756, ou seja, mais 10,7 por cento, em termos anuais.
Crime | Funcionária apropria-se de 600 mil patacas de propinas Hoje Macau - 27 Abr 2026 Uma ex-funcionária de uma associação de natação foi detida, por suspeitas de utilizar a sua posição para cobrar propinas a 159 alunos, arrecadando mais de 600 mil patacas. A mulher apropriou-se do dinheiro, simulando que estavam a ser oferecidas promoções no pagamento das propinas. De acordo com a informação da PJ, a associação organiza cursos de natação de Verão desde 2021. Como os cursos tinham muita procura, a mulher foi contratada, em 2023, para tratar de aspectos administrativos, incluído a cobrança das propinas. No entanto, os dirigentes começaram a estranhar o facto de apesar do número de alunos continuar a aumentar, as receitas ficarem abaixo do esperado. Quando foi pedida informação à trabalhadora, esta adiou por várias vezes a apresentação de contas, até que em Novembro do ano passado desapareceu, e ficou totalmente incontactável. A associação apresentou queixa e a PJ descobriu que entre Abril de 2024 e Novembro do ano passado, a mulher ofereceu promoções falsas, em nome da associação, para levar os pais a pagarem o dinheiro, com o qual ela ficava. As propinas eram pagas na sua conta privada de Mpay, com a vítima a receber entre 1,5 mil até 3,7 mil patacas de cada inscrito. O caso foi encaminhado para o MP e a mulher está indiciada pelo crime de burla de valor consideravelmente elevado. Apesar dos problemas, os inscritos vão poder continuar a frequentar as aulas.
CAM | Negociações para criar ligação Macau- Lisboa João Santos Filipe - 27 Abr 2026 A CAM quer mais voos para grandes centros de transporte no Interior, que permitam mais partidas de Macau para a Europa, com escalas pelo meio. A nível do transporte de carga, os dados oficiais mostram uma procura cada vez maior A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau está em negociações com a Capital Airlines, transportadora do Interior, para lançar voos entre Macau e Lisboa. A revelação foi feita por Edman Lei, subdirector do Departamento de Marketing da CAM, em declarações à TDM. “Esperamos lançar voos da Capital Airlines de Hangzhou para Macau de forma a podermos usar Hangzhou como ponto de trânsito nos voos directos para Lisboa”, revelou Edman Lei. A Capital Airlines tem actualmente um voo entre Hangzhou e Lisboa. O objectivo da CAM é voar para Hangzhou, como ponto de trânsito para os passageiros apanharem nesse aeroporto os voos directos. Os planos da empresa passam não só por utilizar este método no voo para Lisboa, mas igualmente em outras ligações aéreas. “Utilizando Pequim, Chengdu e Chongqin como centros de trânsito, o aeroporto tem como objectivo manter os tempos de ligação nas três horas e oferecer um serviço de check-in de bagagem num único ponto para voos com destino a países como Espanha e outros europeus”, explicou. O voo entre Macau e Portugal, com escala em Hangzhou, faria assim parte da estratégia da CAM de diversificar a oferta de voos do território para centros de aviação no Interior, aproveitando a maior oferta destes aeroportos. Aposta na carga Nas declarações prestadas à TDM, os responsáveis da CAM destacaram ainda o maior crescimento do transporte de cargas, que contrasta com a situação a nível dos passageiros, que no ano passado sofreu uma quebra. “Em 2025, o volume de carga nas rotas europeias foi de aproximadamente 31.700, representando cerca de 29,3 por cento do volume total de carga do aeroporto. Deste total, a rota para Madrid movimentou aproximadamente 8.700 toneladas, representando cerca de 8 por cento”, revelou Frank Wu, director do Departamento Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM. “O comércio electrónico transfronteiriço é o principal motor, representando 90 por cento do volume de carga do aeroporto. Para rotas de longa de distância, o aeroporto planeia promover voos na plataforma sino-portuguesa e pretende expandir-se para a América do Sul, tal como o Brasil. O Brasil tem uma grande população e uma elevada frequência de utilização de serviço de comércio electrónico”, acrescentou.
Natalidade | Creches com menos inscrições Hoje Macau - 27 Abr 2026 As inscrições nas creches ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong) e à Associação Geral das Mulheres de Macau apresentam uma redução anual de cerca de 24 por cento e seis por cento. Os dados foram divulgados no sábado. Segundo o jornal Ou Mun, as quatro creches dos Kaifong ofereceram 322 vagas e receberam 669 candidaturas, significando a proporção de duas candidaturas por cada vaga disponível. Os Kaifong consideraram que o número deste ano já correspondeu à previsão e mostrou a tendência contínua da queda de natalidade. Por seu turno, as oito creches das Mulheres receberam 2120 candidaturas, uma queda de 150 candidaturas em termos anuais, enquanto o número de inscrições não repetidas foi de 1.261 candidaturas, uma diminuição de 419 candidaturas. Trânsito | Menos acidentes no primeiro trimestre A Polícia de Segurança Pública anunciou que foram registados 3.426 acidentes de trânsito no entre Janeiro e Março deste ano, o que representou uma diminuição de 5,52 por cento em comparação com o período homólogo. Destes 3.426 acidentes, 133 envolveram peões. Registaram-se ainda 1.325 pessoas feridos, sem que tenham sido assinaladas mortes. Nos primeiros três meses do ano, a polícia instaurou processos em 164 casos de não cedência de passagem a peões nas passadeiras e passou 20 multas por excesso de passageiros. Foram instaurados processos num total de 1.467 casos de peões que atravessaram a estrada ilegalmente, o que representa uma diminuição de 38 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.
IA | Lançado projecto para colocar robôs a ajudar idosos Hoje Macau - 27 Abr 2026 O Executivo pretende promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, numa altura em que o envelhecimento no território se acentua O Governo apresentou na sexta-feira um projecto para promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, em rápido crescimento no território, que inclui robôs a ensinar tai chi e inteligência artificial (IA) para combater a solidão. As autoridades lançaram uma área de exposição de cuidados inteligentes para idosos e de gerontecnologia, para promover o uso de tecnologia no apoio à população de terceira idade da cidade. Na cerimónia de abertura, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, sublinhou que “o Governo de Macau definiu a ‘big health’” e “a tecnologia inteligente”, como áreas prioritárias no plano de apoio à comunidade idosa até 2035. Segundo o responsável, o Governo Central apresentou no 14.° Plano Quinquenal pela primeira vez o combate “activo do envelhecimento populacional” como uma estratégia nacional. A China tem registado quedas populacionais anuais, numa tendência inédita desde o início da década de 1960. As autoridades estimam que, até 2035, mais de 400 milhões de chineses terão mais de 60 anos, o que representará cerca de um terço da população e aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e o crescimento económico. Em Macau, a população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com as autoridades locais a preverem uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041. Com o número de nascimentos a cair, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam já 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Dar explicações As autoridades do território indicaram na sexta-feira quererem organizar sessões explicativas dirigidas a empresas de ‘design’ de interiores e de remodelação, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do sector sobre a adaptação do ambiente domiciliário para idosos, com novas tecnologias a apoiar esta população no dia-a-dia. Entre os expositores presentes no evento, esteve o Centro de Ciência de Macau, que apresentou um robô humanóide produzido pela empresa chinesa AgiBot, que pode ser programado para comunicar e fazer companhia a idosos. “Este tipo de robô já é um sucesso de vendas no interior da China e pode fazer companhia aos idosos, conversar, mudar expressões faciais e até ensinar tai chi ou dançar (…) Apesar das limitações em tarefas complexas, o robô é visto como uma ferramenta para combater a solidão”, descreveu à Lusa. A companhia de Xangai obteve mais de mil milhões de yuan em receita em 2025, exportando quase 10.000 robôs humanóides globalmente, segundo informação da empresa. Ao mesmo tempo, a Votee, uma startup tecnológica de Macau e Hong Kong, apresentou na sexta-feira ‘software’ de IA que “pode ajudar a treinar assistentes sociais a lidar com idosos, melhorar a sua capacidade de resposta e até fazer companhia, registando memórias e histórias de vida”, descreveu o director comercial, Jeff Tai, à Lusa. Segundo o responsável, a tecnologia entende cantonês, a língua mais falada em Macau, e pode “conversar com eles e transcrever o que dizem, ajudando-os a exercitar o raciocínio e a chamar assistência em caso de emergência, mesmo através da leitura de expressões faciais”. Alerta de imobilidade Já Alex Siu, director de Inovação em IA e Big Data da Companhia de Telecomunicações de Macau, destacou a tecnologia desenvolvia pela maior empresa de telecomunicações do território, que permite a monitorização de tendências de mobilidade da população idosa através de GPS em telemóveis. “Podemos ver as áreas em que eles se movimentam mais, ou se passam mais tempo em casa. No entanto, não monitorizamos cada pessoa individualmente, só a tendência de movimento da população em grupo. Isto pode ajudar o Governo a planear medidas que possam ajudar esta população”, contou Siu à Lusa.
ZAPE | Associação pede simplificação de licenças para esplanadas Hoje Macau - 27 Abr 2026 A Associação Industrial e Comercial da ZAPE de Macau espera que o Governo facilite as candidaturas à licença de esplanada e acelere os procedimentos de aprovação, com o objectivo de apoiar a transformação da ZAPE. Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Wu Tat Chong, explicou que apesar de o Governo ter relaxado as regras para as esplanadas, os processos de candidatura e de aprovação são longos e rigorosos, o que desencoraja os comerciantes a montarem estes espaços. Por esta razão, o responsável defende que como a ZAPE tem o ambiente ideal para esplanadas, o Governo deve facilitar os processos e adoptar medidas de apoio para atrair a mais comerciantes. Wu Tat Chong também deu o exemplo de Singapura, afirmando que o Governo da cidade-Estado ouviu as opiniões dos comerciantes. Desemprego | Taxa dos residentes desce para 2,1 por cento Entre Janeiro e Março de 2026 a taxa de desemprego dos residentes diminuiu 0,1 pontos percentuais para 2,1 por cento, em comparação com o período entre Dezembro de 2025 a Fevereiro de 2026. Os dados foram revelados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em relação à taxa de subemprego dos residentes, ou seja, dos trabalhadores que fazem menos horas pagas do que aquelas que desejavam, a taxa foi de 2,1 por cento, não havendo alterações. Em termos globais, a taxa de desemprego foi de 1,6 por cento, apresentando uma diminuição de 0,1 pontos percentuais face ao período anterior, enquanto a taxa de subemprego se manteve em 1,6 por cento. A mediana do rendimento mensal do emprego dos residentes empregados e a da população empregada no primeiro trimestre de 2026 foram de 22 mil e 18,3 mil patacas, respectivamente.
Economia | Inflação fixou-se em 1,06 por cento em Março Hoje Macau - 27 Abr 2026 O Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu 1,06 por cento em Março, em termos anuais, e caiu 0,18 por cento, em termos mensais, foi anunciado na sexta-feira. Os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas subiram 1,12 por cento, face a Março de 2025, “devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away'”, e o índice de preços da secção dos transportes subiu 1,89 por cento, “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, indicou a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado. Também os preços da secção dos produtos e serviços diversos – como cuidados pessoais, seguros, artigos de joalharia, ourivesaria e relógios – subiram 3,12 por cento, e os preços da secção de lazer, recreação, desporto e cultura registaram um aumento de 3,02 por cento, em termos anuais. Já o índice de preços da secção das bebidas alcoólicas e tabaco baixou 0,26 por cento, em termos anuais, lê-se na nota. O IPC Geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores (Abril de 2024 a Março de 2025), ascendeu 0,53 por cento, refere-se ainda no comunicado da DSEC.
Lusofonia | Macau quer profissionais de saúde, tecnologia, finanças e eventos Hoje Macau - 27 Abr 2026 O desejo foi deixado por Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, num encontro com a direcção da Universidade de Lisboa As autoridades de Macau querem atrair para o território quadros qualificados de países lusófonos de sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, realizou a sua primeira visita oficial a Portugal de 17 a 21 de Abril, com uma delegação de 120 empresários e membros do Governo. Durante a visita, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), Kong Chi Meng, encontrou-se com a direcção da Universidade de Lisboa, sublinhando a necessidade de quadros qualificados em sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira à noite pelo Gabinete de Comunicação Social. A instituição de ensino portuguesa manifestou interesse em reforçar a cooperação académica e científica com Macau, através de programas conjuntos de investigação e formação. Os representantes da CDQQ reuniram-se também com a Câmara de Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME), presidida por Y Ping Chow, e com representantes de empresas portuguesas dos sectores da medicina tradicional chinesa, turismo e outros. Durante a reunião, Kong Chi Meng apresentou as políticas do território para a captação de quadros qualificados, destacando a terceira edição dos programas de recrutamento, que introduzem critérios específicos para candidatos lusófonos. Sem grandes novidades O plano de atracção de talentos de Macau, lançado em 2023, foca-se na captação de quadros qualificados, incluindo lusófonos, para sectores financeiros, tecnológicos e científicos, oferecendo benefícios fiscais e facilidades de residência. O programa recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas. Entre as medidas estão a valorização da proficiência em português, o reconhecimento de diplomas das principais universidades dos países de língua portuguesa e a inclusão de prémios e títulos internacionalmente reconhecidos. Este programa tornou-se a única alternativa para cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território através de trabalho. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Segundo o comunicado, a CDQQ e a câmara de comércio acordaram em promover em Portugal as políticas de captação de talentos de Macau, funcionando como “cabeça de ponte” para atrair profissionais e empresas lusófonas para Macau, ao mesmo tempo que apoiam a entrada de empresas do território chinês e do Interior da China no mercado português.
OMC espera apoio da RAEM à adesão de mais países lusófonos Hoje Macau - 27 Abr 2026 A directora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, declarou esperar que Macau ajude a impulsionar a entrada de mais países de língua portuguesa na instituição. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu-se na quinta-feira, em Genebra, com Ngozi Okonjo-Iweala, no âmbito da visita oficial à Europa, que arrancou há uma semana em Lisboa. A responsável nigeriana disse “ter pleno conhecimento” da forma como Macau tem desempenhado o “importante papel como plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa” e afirmou que o território pode “contribuir para impulsionar a adesão de mais países de língua portuguesa à OMC”, de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS). Entre os países de língua portuguesa, apenas Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe não fazem parte da OMC, sendo ambos membros observadores. Brasil, Portugal, Moçambique e Guiné-Bissau integram a organização desde 1995, Angola desde 1996, Cabo Verde tornou-se membro em 2008 e Timor-Leste em 2024. Macau também entrou para a organização desde que esta foi fundada, em 1995, e ainda antes da transferência de soberania do território de Portugal para a China, em 1999. De acordo com o comunicado do GCS, no encontro em Genebra, “as duas partes trocaram impressões ainda sobre a consolidação da posição de Macau no sistema de comércio multilateral” e a “promoção das relações económicas e comerciais entre os membros da OMC e o interior da China, especialmente os países de língua portuguesa”. Questões de tamanho O Chefe do Executivo destacou, na ocasião, que Macau “vai continuar a apoiar plenamente a OMC nos esforços de manutenção e promoção do sistema de comércio multilateral” e “estudar continuamente a forma como as economias de pequena dimensão podem integrar-se melhor neste sistema”. “Com base na experiência bem-sucedida enquanto economia de pequena dimensão, Macau tem um grande potencial e pode desempenhar um papel activo e significativo, contribuindo assim para os respectivos trabalhos da OMC”, referiu Sam Hou Fai, ainda de acordo com o comunicado. UE | Sam quer cooperação com embaixada na Bélgica No sábado, o Chefe do Executivo visitou as instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, junto da União Europeia, em Bruxelas, para se inteirar do seu funcionamento e deixar instruções de trabalho para o futuro. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai indicou que a delegação deve “reforçar a cooperação com a Embaixada da China na Bélgica e com a missão da China junto da União Europeia”, para “consolidar e alargar a relação estratégica de cooperação económica e comercial com a União Europeia e outros estados-membros. O governante indicou também que a delegação deve reforçar o contacto com o Serviço Europeu para a Acção Externa da União Europeia para retomar a Comissão Mista da União Europeia e Macau e impulsionar o intercâmbio em áreas como economia e comércio, indústria de alta tecnologia e formação de quadros qualificados. Durante a visita, Sam Hou Fai inspeccionou as instalações da delegação, secundado pela chefe da entidade, Lúcia Abrantes dos Santos.
UE | Sam Hou Fai quer retomar comissão mista com Bruxelas João Luz - 27 Abr 2026 Sam Hou Fai pediu apoio ao Parlamento Europeu para retomar os trabalhos da comissão mista da União Europeia e Macau. Num encontro com o vice-presidente da instituição europeia, o Chefe do Executivo apontou à cooperação em áreas como a inovação, desenvolvimento tecnológico e indústrias verdes O Governo da RAEM quer reiniciar o mecanismo de diálogo e cooperação entre Macau e União Europeia através da Comissão Mista da União Europeia e Macau. A intenção foi transmitida por Sam Hou Fai ao vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, num encontro realizado no sábado em Bruxelas, a quem o dirigente de Macau pediu apoio para relançar a comissão mista. O encontro teve como pano de fundo temas como a consolidação e alargamento das parcerias económicas e comerciais entre Macau e a União Europeia, o “reforço do intercâmbio entre a população” e o aproveitamento da plataforma de Macau para “apoiar” a relação entre Bruxelas e Pequim. Sam Hou Fai adiantou também que o seu Executivo espera reforçar a articulação com a Europa em “áreas como a inovação e o desenvolvimento tecnológico, as indústrias verdes e a colaboração entre a indústria, a academia e a investigação”. O governante realçou a importância destas parcerias para reforçar as relações entre a União Europeia e a China para alcançar “benefícios mútuos e resultados para ambas as partes na conjuntura de abertura ao exterior de alto nível”. A relação “amigável” de longa data entre Macau e a União Europeia foi enaltecida por Sam Hou Fai, que relembrou a assinatura do acordo de cooperação com a Comunidade Económica Europeia em 1992 e o papel que teve na consolidação de parcerias comerciais. Grandes êxitos O princípio “Um País, Dois Sistemas” e o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping foram também temas apresentados pelo líder do Governo da RAEM. Sam Hou Fai realçou a “harmonia e estabilidade da sociedade, o crescimento contínuo da economia e o aperfeiçoamento ininterrupto do bem-estar da população” como consequências da realidade política da RAEM. O Chefe do Executivo mostrou-se esperançado que a visita a Bruxelas aumente o “conhecimento geral do Parlamento Europeu sobre o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. Por seu turno, Younous Omarjee mencionou as “características singulares culturais” de Macau como ponto de partida para o reforço do intercâmbio cultural e artístico com os países europeus. O vice-presidente do Parlamento Europeu apontou também à cooperação “em áreas como as indústrias inovadoras, o desenvolvimento verde, os transportes e a logística, os serviços de convenções e exposições e as finanças”.
Estudo | Desporto em Macau incorpora “legados coloniais e integração chinesa” Andreia Sofia Silva - 27 Abr 2026 Qual o papel do desporto em Macau nos últimos anos, tendo em conta a história da região? Um estudo dos académicos Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu responde à questão, descrevendo como o desporto “incorpora a coexistência de legados coloniais e integração chinesa”, revelando ligações a Portugal e mantendo um papel diplomático O desporto em Macau tem funcionado, ao longo dos séculos, como um espelho da multiplicidade de funções do território, que durante séculos teve administração portuguesa. Esta é uma das ideias deixada no estudo “Exploring Sports and Identity in Macau: A Historical Perspective on Portuguese Influence and Contemporary Significance” [Explorando o Desporto e a Identidade em Macau: Uma Perspectiva Histórica sobre a Influência Portuguesa e a Relevância Contemporânea], da autoria de Emanuel Leite Júnior, investigador associado do International College of Football da Tongji University, em Xangai; e Dongye Zyu, leitor do College of Education Sciences da Hong Kong University of Sciences and Technology. O trabalho, publicado na revista académica “The International Journal of the History of Sport”, “argumenta que a experiência desportiva de Macau incorpora a coexistência de legados coloniais e integração chinesa”, e que, ao longo dos anos, “o desporto em Macau funcionou tanto como um instrumento de governação colonial quanto como um espaço de adaptação local”. Desta forma, as diversas práticas desportivas, que incluem futebol, hóquei de campo ou até torneios de cariz regional, revelam “como identidades culturais e políticas foram negociadas num contexto não soberano”, ou seja, em que Portugal apenas administrou o território. No caso do futebol e do hóquei, nomeadamente de campo, reflectiram “a interacção entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense ao longo dos períodos colonial e pós-transferência de soberania”, sendo que, já na fase da RAEM ocorreram “grandes eventos internacionais”, nomeadamente os Jogos do Leste Asiático, em 2005, ou os Jogos da Lusofonia, no ano seguinte. Estas competições vieram mostrar “o papel renovado do desporto na diplomacia e na visibilidade global” no território. Os autores chamam a atenção para o facto de Macau sempre ter sido “um território chinês não soberano administrado por Portugal durante mais de quatro séculos”, ocupando “uma posição distintiva na história global dos impérios”, por ter funcionado como uma colónia na prática, embora “nunca foi formalmente designado como tal pelas Nações Unidas”. Desta forma, o desporto acabou por “reflectir e reformular o sentimento de pertença cultural num espaço suspenso entre império e nação”. Ao longo da sua história, Macau foi lugar de troca de experiências culturais e sociais, nomeadamente no desporto, “que se tornou um dos primeiros espaços de interacção entre tradições ocidentais e chinesas”, indicam os académicos. Como já foi referido, a era da RAEM levou a uma perspectiva mais diplomática do desporto já que, “com o apoio de Pequim”, houve uma “reinvenção”, com Macau a “acolher grandes eventos como os Jogos do Leste Asiático, os Jogos da Lusofonia e os Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, utilizando o desporto como meio de afirmar a sua hibridez cultural e visibilidade internacional”. Desporto desde os jesuítas O estudo de Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu traça uma perspectiva histórica sobre as diversas práticas desportivas em Macau, começando no século XVI, quando os portugueses se começaram a estabelecer no território para fins comerciais, trazendo consigo membros da Companhia de Jesus. “O desporto escolar emergiu como um aspecto significativo desta transformação, tendo as escolas religiosas de Macau desempenhado um papel pioneiro na introdução do conceito de educação física na China”, pode ler-se, nomeadamente “em meados do século XVI”, quando “os jesuítas estabeleceram escolas em Macau, onde actividades físicas como a dança, o teatro, as caminhadas, a natação e o montanhismo reflectiam os programas de educação física escolares predominantes na Europa no mesmo período”. Citando estudos de Carmo Azevedo, entre outros, os autores destacam como havia “pouca interação entre os ocidentais e os chineses”, com as “actividades físicas promovidas pelos portugueses tinham um ‘intenso espírito de propaganda’, enquanto os chineses permaneciam confinados a uma parte da cidade, entretendo-se com actividades tradicionais como o p’ai kau (Paijiu), o uâi-k’ei (weiqi) e jogos proibidos pelos mandarins, como jogos de cartas, de moedas ou de dados, bem como o combate de kung fu (gongfu)”. No início do século XIX deu-se então “a segunda fase do desporto em Macau”, com os ingleses a promover também alguma actividade física, como “o críquete, as corridas de cavalos, as regatas, o croquet e, mais tarde, o ténis de relva”. A partir de 1870 e 1880 surgiram “os primeiros clubes desportivos associativos” que reuniam “elites locais”, nomeadamente o Grémio Militar (1870), Associação Club Y-On (1881), Club China Sang-Li (1881), Club China Tum Vo (1882) e Club União (1887). Só no início do século XX o desporto, “especialmente o futebol e o ténis”, passou a estar “mais integrado na sociedade macaense”, deixando de “estar restrito à elite”. Desta forma, ao longo dos anos o desporto em Macau “desenvolveu as tensões das relações coloniais, atenuando as diferenças entre colonizadores e nativos e estimulando uma maior identificação com a ideia de nação, ‘formando um maior sentido de pertença à ‘comunidade imaginada’ portuguesa'”. O estudo revela mesmo que o desporto “desafiou o paradigma colonial, cujas dinâmicas sociais ora promoviam a segregação racial e implicavam heterogeneidade cultural, ora ajudavam a estabelecer uma imagem de solidariedade entre Portugal e as suas colónias, reforçando a ideia de nação”. Uma vida melhor Só a partir da revolução republicana portuguesa de 1910 começa a regularização da prática desportiva em Macau, já que as autoridades locais perceberam “a importância do desporto para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento social”. Um dos exemplos dessa regularização ocorreu em Janeiro de 1911, quando foi fundada a Associação Desportiva de Macau, “o primeiro organismo administrativo criado pelo Governo para supervisionar o desporto no território, embora continuasse a excluir a população nativa”, ou seja, os chineses. O estudo refere ainda a existência de um “período áureo do desporto moderno em Macau ocorreu entre 1925 e 1936, quando as relações entre portugueses e chineses se estabilizaram após o Incidente de 29 de Maio de 1922”. Em 1928 seria assinado o Tratado de Amizade e Comércio entre Portugal e China, o que contribuiu para a estabilidade. Um dos exemplos descritos é a criação do hóquei em campo, graças ao estabelecimento do Hóquei em Campo Clube de Macau. Aqui o desporto “deixou de ser um monopólio português, passando a reflectir uma sinergia sino-portuguesa”. Nesta fase, “equipas macaenses começaram a competir em torneios intermunicipais e até internacionais”, nomeadamente os Jogos Provinciais de Guangdong, os Jogos Provinciais Aquáticos e até os Jogos Nacionais, como o realizado em 1935 em Xangai, “no qual a equipa de ténis de mesa de Macau conquistou o campeonato”. No caso concreto do futebol, “desde o início do século XX” que Macau o adoptou “como prática cultural simbólica e desportiva popular profundamente enraizado na sua ligação histórica a Portugal”. Segundo Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu, “o futebol português desempenhou um papel relevante na formação da cultura popular nas cidades coloniais”. Destaca-se que “os primeiros registos de clubes de futebol em Macau datam de 1919, como o Colégio de S. José, o Macao Chinese Football Club, o Fantasma, o Macau Football Club e a South China Athletic Association”, enquanto que em 1923 e 1926 “surgiram outros clubes, como Almirante, Associação Desportiva Macaense ou “República A”. Havia também clubes a representar a comunidade chinesa, e nos anos 20 já eram tantos que se fez “primeira tentativa de organizar uma competição, criando-se uma liga com duas divisões”, mas “não há registos da continuidade desse campeonato macaense”. “A Associação de Futebol de Macau foi criada em 1939, tornando-se membro da FIFA e da Confederação Asiática de Futebol a partir de 1978”, é ainda indicado. Actualmente, ainda existem associações que representam os grandes clubes portugueses, nomeadamente o Benfica, Sporting e FC Porto. O trabalho destaca também a importância do hóquei em campo e em patins no território, que “desempenhou um papel central na formação da cultura desportiva de Macau, reflectindo as particularidades do seu contexto colonial e da sua identidade híbrida”. Trata-se de desportos que foram “introduzidos pelos portugueses”, tendo sido “rapidamente apropriados e reinterpretados pela população local, tornando-se símbolos de prestígio e excelência atlética”. No caso do hóquei em campo, “destacou-se desde meados do século XX pela sua intensidade competitiva e frequência de torneios internacionais realizados em Macau, que acolheram equipas da Europa, Ásia e Oceânia — muitas vezes derrotadas por equipas locais, demonstrando elevado nível técnico”. A questão olímpica O estudo de Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu chama também a atenção para o “paradoxo do reconhecimento olímpico de Macau”, por não ser reconhecido pelo Comité Olímpico Internacional (COI), não obstante “o crescente papel internacional de Macau”. Os autores destacam que, “apesar da frustração por ainda não ver o seu comité olímpico reconhecido pelo COI, a Associação de Futebol de Macau é membro da FIFA desde 1978, ou seja, desde o período em que o território era dependente de Portugal, tendo mantido esse estatuto após a transferência de soberania para a China em 1999”. Numa fase mais contemporânea, os académicos referem como o “desporto tem também funcionado como instrumento de diplomacia e soft power”, já que desde o início do século XXI “Macau tem vindo a integrar-se cada vez mais com a China continental no âmbito do conceito da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau”. O estudo destaca a realização da 15.ª edição dos Jogos Nacionais da China, tendo sido a “primeira vez na história deste evento que várias regiões administrativas de nível provincial o organizam em conjunto”. Em suma, “a experiência desportiva de Macau sintetiza a sua identidade paradoxal”, ou seja, num território que funciona como “um espaço onde os legados coloniais coexistem com a integração nacional e a aspiração global”. Por um lado, “os traços culturais portugueses permanecem visíveis em instituições, práticas e ligações ao mundo lusófono”, mas “a diplomacia desportiva e a orientação política da cidade afirmam a sua posição como Região Administrativa Especial da República Popular da China, dependente do apoio de Pequim para a sua projecção internacional”. Verifica-se, portanto, uma “dualidade entre heranças coloniais e dependência política contemporânea”, o que faz “do desporto um espelho poderoso da identidade complexa e em constante evolução de Macau”.
Cooperação | Coreia do Norte e Rússia concluem ligação de ponte Hoje Macau - 24 Abr 2026 A Coreia do Norte e a Rússia concluíram as obras para ligar a ponte que une os dois territórios, com vista à inauguração “o mais rapidamente possível”, afirmou ontem a imprensa estatal norte-coreana. As obras terminaram na terça-feira, de acordo com a agência de notícias KCNA, que escreve que o importante projecto se destina a “reforçar e fortalecer a infraestrutura vital para a cooperação económica” bilateral. A agência acrescentou que ambos os países estão a “trabalhar intensamente” para concluir e inaugurar o mais rapidamente possível a ponte rodoviária, que permitirá atravessar o rio Tumen, na fronteira terrestre de apenas 20 quilómetros que ambos os países partilham. As obras de construção da ponte começaram em Março de 2025, e o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a ponte vai ser inaugurada até ao final do ano. À ponte junta-se o reinício dos voos e da ligação ferroviária com Pyongyang, em 2025, embora, segundo afirmaram em Março os meios de comunicação russos, a ligação aérea entre Moscovo e Pyongyang não tenha atingido a ocupação desejada. A Rússia e a Coreia do Norte reforçaram a cooperação desde o início da guerra na Ucrânia, durante a qual Pyongyang forneceu armamento e tropas a Moscovo. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu divisas, bens e tecnologia russa. Ainda esta semana, o ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokoltsev, acordou reforçar a cooperação policial com o homólogo norte-coreano, Pang Tu-Sop, numa reunião bilateral realizada em Pyongyang.
Samsung | Milhares de trabalhadores pedem bónus e ameaçam com greve Hoje Macau - 24 Abr 2026 Milhares de trabalhadores da Samsung Electronics protestaram ontem em Seul para pedirem bónus mais elevados à multinacional sul-coreana, tendo ameaçado com uma greve de 18 dias caso as negociações falhem. Segundo as estruturas sindicais, esta manifestação, junto ao complexo de Pyeongtaek, deverá ter sido o maior protesto dos trabalhadores da fabricante sul-coreana de ‘chips’. O protesto foi convocado por uma plataforma conjunta de três sindicatos e decorreu junto ao maior centro de fabrico de semicondutores do mundo, no sul de Seul, noticia a Efe. De acordo com as autoridades, estiveram presentes 34.000 participantes – abaixo da estimativa de 39.000 da organização –, diz a Efe, que remete para os locais JoongAng Daily e Chosun Daily. Os trabalhadores exigem a eliminação actual do limite para o bónus de desempenho, fixado em até 50 por cento do salário anual, e pedem a substituição por um sistema que aloque 15 por cento do lucro operacional a incentivos. O jornal local JoongAng Daily aponta que se a empresa obtivesse este ano um lucro operacional de 300 biliões de wons (173.400 milhões de euros), o fundo para bónus seria de 45 biliões de wons (26.010 milhões de euros). O dirigente sindical Choi Seung-ho alertou que se a produção for interrompida durante 18 dias, tal terá um impacto próximo de 18 biliões de wons (10.404 milhões de euros). À falta de acordo, a greve deverá ocorrer entre 21 de Maio e 07 de Junho.
TPI | Ex-Presidente filipino Duterte vai ser julgado Hoje Macau - 24 Abr 2026 O antigo Presidente filipino Rodrigo Duterte vai ser julgado por crimes contra a humanidade, anunciou ontem o Tribunal Penal Internacional, confirmando as acusações de violência na guerra contra a droga e de autorização de milhares de execuções extrajudiciais. Segundo o painel de três juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), cuja decisão foi unânime, há “razões substanciais” para acreditar que o antigo líder foi responsável por dezenas de assassinatos, primeiro como presidente da câmara da cidade de Davao, no sul das Filipinas, e depois como Presidente. Duterte, de 80 anos, foi detido nas Filipinas no ano passado e nega as acusações que lhe são imputadas. Na sua decisão de 50 páginas, os juízes concluíram que as provas mostram que Duterte “desenvolveu, disseminou e implementou” uma política “para ‘neutralizar’ os alegados criminosos”. De acordo com os procuradores que o acusam, a polícia e os membros dos esquadrões da morte realizaram dezenas de assassínios a mando de Duterte, motivados pela promessa de dinheiro ou para evitar tornarem-se alvos. “Para alguns, matar atingiu o nível de uma forma perversa de competição”, disse a procuradora-adjunta Mame Mandiaye Niang ao tribunal, em audiências preliminares realizadas em Fevereiro. A data para o início do julgamento ainda não está definida. O advogado principal de defesa de Duterte, Nick Kaufman, disse aos juízes, durante as audiências de fevereiro, que o ex-Presidente filipino “defende resolutamente o seu legado e mantém a sua [declaração de] absoluta inocência”. Kaufman argumentou que a acusação “seleccionou a dedo” exemplos da “retórica bombástica” de Duterte e que as palavras do seu cliente nunca tiveram a intenção de incitar à violência. Contabilidade trágica As estimativas do número de mortos durante o mandato presidencial de Duterte variam, desde os mais de 6.000 reportados pela polícia nacional até aos 30.000 alegados por grupos de defesa dos direitos humanos. A maioria dos mortos eram pessoas pobres, muitas vezes sem ligação comprovada ao tráfico, incluindo crianças e opositores políticos. Duterte não esteve presente no tribunal em qualquer audiência porque renunciou ao seu direito de comparecer. No mês passado, os juízes consideraram-no apto para ser julgado, depois de terem adiado uma audiência anterior devido a preocupações com a sua saúde. Os procuradores do TPI avançaram, em 2018, que iriam abrir uma investigação preliminar sobre as violentas repressões das drogas. Numa manobra que, segundo os activistas dos direitos humanos, visava evitar a responsabilização, Duterte, que era Presidente na altura, anunciou que as Filipinas iriam abandonar o TPI. Na quarta-feira, os juízes de recurso rejeitaram um pedido da equipa jurídica de Duterte para arquivar o caso, alegando que o tribunal não tinha jurisdição devido à retirada das Filipinas. Contudo, o tribunal mantém a sua posição, justificando que os crimes foram cometidos enquanto o país era membro o TPI.
É tempo de respostas Paul Chan Wai Chi - 24 Abr 2026 Recentemente, deparei-me com a notícia da descoberta de um cadáver em Macau. O exame preliminar da Polícia Judiciária não detectou sinais de violência praticada por terceiros no corpo, mas sim de ferimentos causados por uma queda de alguns metros de altura. Embora a causa exacta da morte esteja ainda a ser investigada, apenas algumas centenas de palavras são usadas para descrever o fim de uma vida. Em notícias anteriores sobre este assunto, era citado o incitamento aos cidadãos feito pelo Instituto de Acção Social (IAS) no sentido de cuidarem a si próprios e dos seus familiares e amigos. Referia-se ainda que em períodos conturbados, podiam sempre ligar para a “Linha Aberta sobre Vida da Cáritas (2852 5222) ou para a Linha Aberta de 24 horas de Aconselhamento do IAS (2826 1126). Mas nesta notícia mais recente, não existia informação sobre estas linhas de apoio, o que não deixa de ser desanimador. As pressões da vida moderna têm muitas origens, como as condições socio-económicas, o ambiente familiar e o estado emocional. Os problemas a qualquer destes níveis podem ser sufocantes para algumas pessoas. Se não encontrarem forma de dar vazão ao stress que se acumula devido a circunstâncias negativas, ou se nunca tiverem apoio dos mais próximos, mesmo pessoas crentes podem sentir que essa pressão é insuportável. A situação económica de Macau não pode melhorar apenas com “histórias bonitas contadas para o exterior”. O “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” lançado pelo Governo da RAEM, e que terá lugar entre Abril e Junho, é uma medida pragmática que pode na verdade aliviar a pressão financeira sobre as pequenas e médias empresas e sobre os residentes de Macau. Tendo em vista o período de graduação dos estudantes do ensino secundário e universitário, que ocorre nos próximos meses, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) lançou o “Programa de Estágios no Interior da China para Estudantes do Ensino Superior de Macau de 2026”, que se estenderá de Junho a Setembro, disponibilizando mais de 1000 vagas de estágio para os estudantes qualificados. A DSEDJ pode organizar estágios para os diplomados, mas quanto aos professores que se confrontam com a redução de turmas e com despedimentos devido à diminuição da taxa de natalidade, o que está a ser feito? A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) já tem estatísticas sobre o número de professores afectados? Que medidas vai a DSEDJ tomar para garantir que se dará prioridade a residentes de Macau qualificados nas contratações para o ensino? Está na hora dos deputados da Assembleia Legislativa do sector da educação falarem pelos professores! Em tempos de dificuldade, ficar em casa só aumenta os sentimentos depressivos. Quando a economia enfrenta um estrangulamento, sair de Macau parece ser a melhor opção. Porque é que os portugueses foram à descoberta do mundo pelo mar? Porque se rumassem a Oriente entravam por Espanha. Mesmo que tivessem conseguido passar os Pirinéus, atravessar França não seria tarefa fácil. A actual situação de Macau é de certa forma semelhante ao que acabámos de dizer. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau supera Macau em competividade e em contenção de custos no que respeita aos recursos humanos, aos níveis salariais, à capacidade de produção e aos serviços. Com a disponibilização de plataformas comerciais online, o consumo dos residentes de Macau na zona da Grande Baía, incentivado pela política de “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”, e às centenas de trabalhadores não residentes que atravessam a fronteira todos os dias, a Grande Baía tornou-se, sem dúvida, o mercado consumidor dos residentes de Macau. Lamentavelmente, o antigo secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, licenciado em Economia na Universidade Católica Portuguesa, não “partilhou um barco para navegar em conjunto” com o Chefe do Executivo na visita a quatro países europeus com vista a explorar o mercado externo. Depois do regresso de Macau à soberania chinesa, os dois ex-Secretários para a Economia e Finanças, Tam Pak Yuen e Leong Vai Tac, vieram do sector empresarial e possuem considerável conhecimento sobre operações comerciais. Com a sua extensa experiência neste sector e sendo actualmente funcionário público, Tai Kin Ip merece certamente o título de “tecnocrata”. Macau tem muitos aspectos lamentáveis e é tempo de encontrar respostas para evitar arrependimentos.
Índia | Dois estados-chave da Índia vão às urnas Hoje Macau - 24 Abr 2026 Dois importantes estados indianos, Bengala Ocidental (leste) e Tamil Nadu (sul), votaram ontem para eleger os parlamentos locais, que até agora se mantiveram fora do controlo do partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi. Mais de 36 milhões de eleitores — de uma população de quase 100 milhões — estão aptos a eleger 294 representantes em Bengala Ocidental, onde a chefe do governo Mamata Banerjee e o partido All India Trinamool Congress estão no poder desde 2011. A votação decorre em duas fases: 152 lugares serão agora preenchidos e os restantes 142 a 29 de Abril. A campanha eleitoral tem sido turbulenta em Bengala Ocidental, onde a exclusão de nove milhões de pessoas dos registos eleitorais gerou um debate aceso entre os partidos. A eleição é considerada “muito sensível”, disse o chefe local da comissão eleitoral, Manoj Agarwal. Mais a sul, ao longo da baía de Bengala, os eleitores de Tamil Nadu, cuja população ultrapassa os 80 milhões, elegem 234 representantes. Neste estado, um dos mais ricos da Índia, o partido no poder, Dravida Munnetra Kazhagam, enfrenta a concorrência do principal rival, o All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam, aliado ao Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi. Os resultados das duas eleições são esperados em 04 de Maio.
Myanmar prevê “coisas boas” para ex-líder detida Aung San Suu Kyi Hoje Macau - 24 Abr 2026 O chefe da diplomacia tailandesa declarou, após reunir-se com o líder birmanês, que Myanmar (antiga Birmânia) prevê “coisas boas” para a ex-líder Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de Estado. O general birmanês, que se tornou Presidente, Min Aung Hlaing, afirmou que Aung San Suu Kyi está a ser “bem tratada” e que planeia “coisas boas” para a ex-líder, sem dar mais detalhes, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow. “Deve ser um bom sinal”, acrescentou o diplomata, numa mensagem de vídeo, antes de regressar à Tailândia na quarta-feira à noite. Min Aung Hlaing, na altura chefe das forças armadas birmanesas, derrubou em 2021 o governo eleito da Prémio Nobel da Paz, mergulhando o país do Sudeste Asiático numa guerra civil. Assumiu a presidência no início do mês, na sequência das eleições no país, denunciadas no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob um disfarce civil. Esta transição foi acompanhada por recuos em certas medidas repressivas implementadas pela junta nos últimos cinco anos. Questão de imagem O antigo presidente Win Myint, braço direito de Aung San Suu Kyi, também detido durante o golpe de Estado, foi libertado na semana passada, no âmbito de uma ampla amnistia. Um gesto apresentado como um esforço de reconciliação, mas que os observadores consideram destinado a melhorar a imagem do novo Governo, composto maioritariamente por antigos militares. A amnistia concedida a Win Myint reacendeu, no entanto, os apelos diplomáticos para a libertação de Aung San Suu Kyi, detida num local mantido em segredo, aos 80 anos de idade. Os defensores de Suu Kyi consideram que as acusações contra a antiga dirigente, nomeadamente de fraude eleitoral, foram forjadas para permitir que os militares regressassem ao poder, pondo fim a uma década de experiência democrática no país.
Combustíveis | Exportações chinesas de energia alternativa disparam Hoje Macau - 24 Abr 2026 A crise energética, provocada pelo ataque conjunto de israelitas e americanos ao Irão, está a fazer com que exportações chinesas de produtos solares alcancem valores nunca antes atingidos As exportações chinesas de energias alternativas aos combustíveis fósseis dispararam com a subida dos preços do petróleo e do gás após a guerra no Irão, com a energia solar a atingir níveis recorde. Segundo a consultora Ember, as exportações de produtos solares atingiram 68 gigawatts (GW) em Março, duplicando face a Fevereiro. O aumento foi impulsionado sobretudo por países de África e da Ásia, regiões mais afectadas pelo bloqueio “de facto” do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito. Estas duas regiões concentraram três quartos do aumento das vendas, com destinos como Índia, Malásia, Laos, Nigéria, Quénia ou Etiópia, embora também tenham sido registados níveis recorde de compras na Austrália e União Europeia. No total, 50 países bateram recordes de importações e outros 60 registaram máximos semestrais, enquanto o Médio Oriente foi a única região sem crescimento, devido às dificuldades logísticas. A Ember sublinha que alternativas como a energia solar, baterias e veículos eléctricos serão essenciais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, num contexto de preços elevados e incerteza geopolítica. Por partes Por categorias, a China exportou 32 GW de painéis solares em Março, mais 91 por cento do que em Fevereiro, enquanto as vendas de células e lâminas de silício mais do que duplicaram (108 por cento), atingindo cerca de 36 GW. “À medida que os efeitos dos preços elevados do petróleo e do gás se fazem sentir no mercado global de energia, alternativas como a solar, as baterias e os veículos eléctricos serão fundamentais para ajudar os países a tornarem-se mais resilientes e a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis”, indica a Ember. As vendas combinadas destes três segmentos aumentaram 70 por cento em termos homólogos em março e 38 por cento face ao mês anterior. No caso dos veículos eléctricos, a frota global destes automóveis representou uma procura equivalente a 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 13 por cento da produção dos Estados Unidos. Segundo a analista Leah Fahy, da Capital Economics, a China representa cerca de 25 por cento das exportações globais de veículos eléctricos (em valor) e mais de metade das exportações de células solares e baterias de iões de lítio, três sectores que, embora representem apenas 4,5 por cento do total das exportações chinesas, contribuíram com quase 20 por cento do crescimento no ano passado. A analista estima que, se estas vendas crescerem 50 por cento este ano, poderão acrescentar dois pontos percentuais ao crescimento total das exportações chinesas, podendo chegar a cinco pontos caso dupliquem.
China apela ao Camboja para “erradicar totalmente” centros de burla Hoje Macau - 24 Abr 2026 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ontem ao Camboja para “erradicar totalmente” os centros de fraude ‘online’ que proliferam no país, durante um encontro com o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, em Phnom Penh. O Camboja tornou-se, nos últimos anos, um dos principais polos de cibercriminalidade, onde burlões, por vezes a trabalhar sob coação, enganam internautas em todo o mundo, nomeadamente através de falsas relações amorosas ou investimentos em criptomoedas. Sob pressão de vários países, incluindo a China, de onde são oriundos muitos dos autores e vítimas, as autoridades cambojanas, acusadas de durante anos terem fechado os olhos ao fenómeno, dizem estar agora a combater com firmeza esta indústria, avaliada em milhares de milhões de euros. “As actividades criminosas transfronteiriças relacionadas com jogos de azar e burlas comprometem a segurança das pessoas e dos seus bens”, afirmou Wang Yi a Hun Manet, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “É preciso combatê-las com firmeza e erradicá-las completamente”, acrescentou Wang Yi, ao lado do ministro da Defesa chinês, Dong Jun. Amigos inseparáveis Pequim e Phnom Penh mantêm estreitas relações comerciais, diplomáticas e militares, tendo Wang Yi voltado a elogiar uma amizade “verdadeiramente inabalável”. O Camboja tem vindo a intensificar esforços para não comprometer os laços com a China, o seu principal parceiro comercial. Em Fevereiro, Hun Manet prometeu “limpar tudo isto”, referindo-se aos centros de burla, e, no mês seguinte, o Governo aprovou um projecto de lei que prevê penas severas para os envolvidos em cibercrimes. O líder cambojano indicou ainda ter discutido com os responsáveis chineses temas como política, comércio, investimento, defesa e infraestruturas de transporte. Relativamente ao conflito com a Tailândia, Wang Yi manifestou apoio à normalização das relações bilaterais, após confrontos mortais em 2025 na fronteira comum. A China “está disposta a oferecer uma plataforma para uma comunicação mais abrangente e eficaz entre os dois países” e a prestar ajuda humanitária para a reinstalação de populações nas zonas fronteiriças cambojanas, acrescentou. Um cessar-fogo foi alcançado a 27 de Dezembro, mas a situação permanece frágil, com Camboja e Tailândia a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.
Mar do Sul | Pequim define ilhas que reclama como eixo estratégico Hoje Macau - 24 Abr 2026 A China definiu as ilhas que reivindica no mar do Sul da China como um eixo estratégico para o desenvolvimento e a segurança, sublinhando o seu valor económico, ecológico e militar, segundo um documento oficial divulgado ontem. O texto, publicado pelo Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, e assinado por um grupo dirigente do ministério dos Recursos Naturais, indica que o país conta com mais de 11.000 ilhas, que constituem uma “fronteira estratégica para salvaguardar os direitos e interesses nacionais e garantir a segurança”. O documento descreve ainda estes territórios como um suporte essencial para “expandir o espaço de desenvolvimento da economia marinha”, em linha com o objectivo de transformar a China numa potência marítima. O documento defende a necessidade de “coordenar o desenvolvimento de alta qualidade e a protecção de alto nível das ilhas”, propondo melhorias na infraestrutura, conectividade e gestão destes territórios, e sublinhando o seu papel como “importante plataforma para participar na governação oceânica global”. O texto acrescenta que “as grandes potências competem para deslocar o seu foco de desenvolvimento para o oceano”, num contexto de reajustamentos na economia marítima global, e sustenta que o desenvolvimento insular deve conciliar a exploração de recursos com a preservação ambiental.
Hong Kong | PwC multada em 142 ME e imposta proibição após caso Evergrande Hoje Macau - 24 Abr 2026 Hong Kong aplicou à PwC uma multa de 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong e proibiu a aceitação de novos clientes por seis meses, após uma investigação à auditoria no caso Evergrande. A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros (SFC) indicou que a firma das “Big Four” cometeu “graves violações dos deveres profissionais de auditoria” nas contas da construtora Evergrande em 2019 e 2020. Numa decisão separada, o regulador contabilístico de Hong Kong proibiu a PwC de aceitar novos clientes durante seis meses, classificando as falhas como “particularmente graves”. O Conselho de Relato Financeiro e Contabilidade (AFRC) multou ainda dois antigos sócios da PwC em 10 milhões de dólares de Hong Kong por irregularidades nas auditorias. Segundo a SFC, a operação da PwC em Hong Kong irá reservar mil milhões de dólares de Hong Kong para compensar accionistas minoritários da Evergrande. O incumprimento da Evergrande, em 2021, expôs uma crise de liquidez no sector imobiliário chinês, altamente endividado, e teve impacto na economia, onde grande parte da riqueza das famílias está concentrada no imobiliário. Reguladores chineses concluíram em 2024 que a operação da PwC na China continental “ocultou ou até tolerou” fraudes na Evergrande nos anos anteriores ao colapso, agravando as consequências financeiras para a auditora. A PwC China reconheceu que o seu trabalho nas auditorias à Evergrande “ficou muito aquém” das suas elevadas expectativas e das expectativas das partes interessadas, considerando que a resolução destes processos “é um passo importante” para a empresa.