Álvaro Barbosa, vice-reitor da Universidade de São José: “Visto de estudante é muito limitativo”

A Universidade de São José continua a saga de negociações com as autoridades chinesas para recrutar alunos do Interior da China. O vice-reitor Álvaro Barbosa espera, para breve, o aumento a quota de alunos de mestrado de 30 para 200. Quanto à internacionalização do ensino superior, o responsável defende mudanças nos vistos de estudante para facilitar o recrutamento

 

O recrutamento de alunos do Interior da China continua a ser uma questão pendente para a Universidade de São José?

É um processo que está em curso. Temos tido um apoio enorme do Governo de Macau nas negociações para a obtenção da quota para a nossa universidade, e eles têm sido incansáveis no esforço de tentar resolver as questões colocadas pelo Governo Central. Muitas das questões são legítimas e dizem respeito a preocupações que vão surgindo. Foi-nos concedido há cerca de quatro anos uma quota temporária de 30 alunos para mestrados durante um período probatório, que serviu para avaliar como nós, como universidade ocidental, iríamos acolher os alunos da China. Da parte da China, há essa preocupação com o acolhimento dos estudantes em Macau. Acho que temos feito um esforço enorme e os alunos que estão lá, incluídos nesse contingente, estão bastante satisfeitos.

Essa quota é apenas para mestrados?

Sim. Para licenciatura não temos ainda autorização. Desta forma, estamos, neste momento, na fase em que tentamos ultrapassar este período probatório a fim de obtermos uma quota de cerca de 200 alunos para mestrados. Estamos na fase final do processo de avaliação e tudo tem corrido bem. Vamos ter a possibilidade de, no próximo ano lectivo, expandir essa quota. Isso seria óptimo, porque para a nossa universidade, para termos um maior impacto da nossa missão em Macau, é fundamental termos acesso a alunos da China continental. Não podemos ser uma universidade de uma região integrada num país como a China, e não ter contacto com alunos da China.

É mais difícil, para a USJ, competir com outras universidades, como as de Hong Kong, pelos alunos estrangeiros, de fora da China?

A questão do recrutamento dos alunos internacionais tornou-se uma prioridade para as universidades de Macau. Nos últimos dois ou três anos, tem-se tornado evidente que é muito importante essa internacionalização. Qual a dificuldade que existe nisso? Há a questão relacionada com os vistos de estudante, pois actualmente esses vistos não permitem que os alunos façam qualquer tipo de trabalho, negando-lhes esse mecanismo de subsistência local, mínimo, para poderem fazer face a despesas. Também não se contempla a possibilidade de, quando o aluno conclui a sua formação, poder ficar no território e encontrar trabalho. O que todos os países e regiões que são competitivos na área do ensino superior fazem, como Singapura, Hong Kong ou Austrália, é ter políticas de incentivo. Permitem que os alunos trabalhem em tempo parcial, por exemplo. Em Hong Kong quando se termina uma licenciatura o aluno pode ficar no território até um máximo de dois anos para encontrar emprego. Esse tipo de medidas não existe ainda em Macau, mas penso que o Governo está a ponderar essa possibilidade. A partir do momento em que foi tomada a decisão de que é importante a internacionalização do ensino superior, tal tem de ser acompanhado com as medidas correspondentes. O visto de estudante actual é extremamente limitativo e não incentiva a vinda para Macau para estudar, apenas permite a vinda. Essa questão não estava tão presente como está agora, mas agora há uma política estratégica de internacionalização.

É também uma questão de sobrevivência para as universidades locais.

Sim. Talvez não haja maior exemplo de catalisador da diversificação da economia de Macau do que o ensino superior. Temos dez instituições, 60 mil alunos em cerca de 700 mil habitantes. É esse o potencial da internacionalização, o de fomentar a diversificação.

E também a investigação que sai do ensino superior.

A investigação, a dinâmica do trabalho que se faz. Há uma série de vectores que o ensino superior traz a uma região ou país, isso aconteceu com Portugal, por exemplo, com a política das bolsas de doutoramento para estudantes do exterior, que mudou completamente a dinâmica do ensino superior. Cabo Verde desenvolveu-se graças ao impacto do ensino superior.

Falta, então, flexibilizar mais o sistema em Macau.

Não sei se é mais uma questão de ter uma visão holística da estratégia. Pode haver uma ideia, mas depois não se intervém em todas as dimensões necessárias para atingir um certo objectivo. Mas estou muito optimista. Acredito que essa nova política para estudantes é um passo chave a ser tomado em Macau. A estratégia de internacionalização seguida por todos esses países e regiões de que falei, e que foram bem-sucedidos na captação de estudantes internacionais, foi sempre a mesma. Não é preciso inventar muito. Primeiro, deve-se aumentar a capacidade e notoriedade das universidades, e depois é preciso uma política de bolsas de estudo, que vão potenciar um fluxo de alunos, criando uma referência para o território, para que estudar lá se torne um hábito. Depois de haver esse fluxo de estudantes durante uns anos, já se cria uma imagem e pode-se retirar algumas bolsas de estudo, que os alunos vão continuar a escolher determinado território para estudar na mesma. Austrália tem uma enorme indústria do ensino superior, por exemplo, e penso que em Macau só temos de seguir as mesmas estratégias. Fazemos, na USJ, um pouco isso.

Como, em termos concretos?

Oferecemos muitas bolsas, e nesse sentido a Diocese de Macau tem-nos ajudado a construir esse fluxo de alunos internacionais que permita criar essa dinâmica que, esperamos, venha a ser sustentável, por si só, no futuro. Acho que o Governo está também a fazer isso. Sempre houve bolsas de estudo em Macau, atribuídas sobretudo pela Fundação Macau, mas essa medida será fortalecida. Resolvendo a questão dos vistos dos estudantes, criando um sistema de incentivos de bolsas durante cinco a dez anos, Macau terá um futuro brilhante como destino de ensino superior internacional. Mas é preciso investir, continuar, e isso leva alguns anos.

A USJ criou a plataforma “Macau Hub”, em parceria com o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em 2023. Em que fase está esse projecto?

Esse projecto tem a ver com o nosso interesse em desenvolver uma dinâmica de relação dos países lusófonos centrados em Lisboa na área do empreendedorismo, em primeiro lugar. Esse gabinete que temos no CCCM não tem por objectivo oferecer formação em Portugal, mas queremos fazer outra coisa. Como estamos posicionados na Grande Baía e junto a Hengqin, onde se pretende activar um ecossistema empresarial, queremos aproveitar o facto de termos relações com o mundo lusófono para activar o acesso das startups de Portugal, Brasil e Angola, sobretudo, à Grande Baía e Hengqin. Estamos a tentar criar uma espécie de incubadora de empresas transnacional, em que apoiamos o desenvolvimento de negócios lusófonos que queiram estabelecer-se na Grande Baía e também o sistema inverso. Estrategicamente, para uma universidade, é absolutamente fundamental ter uma dinâmica na área do empreendorismo. Actualmente, mais de metade dos nossos alunos não querem ir para o mundo corporativo, mas criar os seus próprios negócios. Da mesma forma que as universidades têm de ter soluções de empregabilidade, também têm de as ter para os empreendedores, que são cada vez mais. Então, uma universidade tem de ter uma incubadora de negócios. A minha visão de futuro para o ensino superior passa por aí: uma universidade, além de ter uma biblioteca e cantina, terá também a sua própria incubadora de negócios. Diria que grande parte dos alunos dos cursos de gestão ou economia sonham ter o seu próprio negócio, sobretudo na China. A China é, talvez, um dos países mais empreendedores do mundo. O CCCM acolhe essa iniciativa em Portugal, mas trabalhamos também com a Universidade Católica Portuguesa.

E resultados concretos, já têm?

Temos uma série de pequenos projectos iniciais que estão a começar agora, e trabalhamos também com muitas organizações empresariais. Negociamos agora uma série de projectos, e penso que tudo se vai desenvolver muito rapidamente, com base nas manifestações de interesse que temos. Estivemos em Angola em Dezembro e já alinhámos uma série de iniciativas, também temos projectos com o Brasil e Portugal.

Exposição de pintura em pigmentos minerais até fim do mês em Ka-Hó

A galeria do projecto Hold On to Hope, situada em Ka-Hó e gerida pela Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM), apresenta até ao dia 27 deste mês uma exposição em parceria com o grupo “Questionmark Workshop”, intitulada “Academia de Artes da China – Exposição de Instrutores da Classe de Pesquisa e Criação em Pintura com Pigmentos Minerais”.

Segundo um comunicado da ARTM, esta exposição “tem como objectivo promover a forma de arte tradicional da pintura com pigmentos minerais, reunindo oito professores influentes da China e do Japão nesta área”. Apresentam-se “criações únicas na área da pintura a cores de rocha, demonstrando uma perfeita fusão desta técnica ancestral com a arte moderna”, acrescenta-se.

A pintura com pigmentos minerais é ainda descrita como “uma importante técnica expressiva na pintura tradicional chinesa, é conhecida pelas suas cores ricas e métodos únicos”. Assim, esta mostra “não apenas destaca os estilos individuais dos artistas, mas também reflecte a sua profunda compreensão e exploração inovadora das técnicas de cor de rocha”.

A ARTM considera que “cada obra dos artistas carrega uma narrativa e emoção únicas, visando provocar a reavaliação e contemplação do público sobre a cultura da cor de rocha”. Com esta exposição, o público poderá “vivenciar o encanto da pintura com pigmentos minerais, sentindo a beleza da arte que funde tradição com modernidade”.

Quem é quem

No tocante aos artistas participantes nesta mostra, destaque para a presença de trabalhos de Wang Xiong Fei, director do Rock Color Painting Institute na China Academy of Art [Academia de Artes da China], e ainda reitor e professor no Institute of Eastern Art na Hebei University of Fine Arts [Universidade de Belas Artes de Hebei]. Podem também ver-se obras de Yiqiwava Yasumiqi, professor honorário na Tama Art University, no Japão; e vice-presidente da Japan Art Academy.

Outro artista presente, é Yu Lv Kui, graduado pela antiga Zhejiang Academy of Fine Arts, actualmente Academia de Artes da China, e antigo aluno da Tokyo Gakugei University, no Japão. Zhang Lee, Wang Long, Li Han Ning, Sheng Xin Yi, Han Dian Liang são outros artistas que participam nesta mostra com as suas obras de arte.

Sismo | Número de mortos em Myanmar aumenta para 3.471

O número de mortos do sismo de 28 de Março em Myanmar aumentou para 3.471, com mais de 4.600 feridos e 214 desaparecidos, avançou ontem a junta militar no poder no país.

As forças armadas divulgaram este novo balanço através do jornal oficial Global New Light de Myanmar, numa altura em que as equipas de resgate, incluindo algumas estrangeiras, continuam a remover escombros e a procurar os desaparecidos.

O anterior balanço, divulgado no sábado, apontava para 3.354 mortos, 4.850 feridos e 220 desaparecidos, tendo sido resgatadas pelas equipas de socorro 653 pessoas. O sismo de magnitude 7,7 atingiu uma grande área do país, causando danos significativos em seis regiões e estados, incluindo a capital Naypyitaw, deixando ainda muitas áreas sem energia e comunicações.

O abalo agravou também a crise humanitária desencadeada pela guerra civil do país, que deslocou internamente mais de três milhões de pessoas, de acordo com as Nações Unidas.

O líder do Governo militar, general Min Aung Hlaing, adiantou que o sismo foi o segundo mais forte da história do país, após o terramoto de magnitude 8 registado a leste de Mandalay, em Maio de 1912.

Ajudas globais

O regime explicou ainda que mais de 150 toneladas de ajuda humanitária — de países como a China, Estados Unidos, Singapura, Índia e Tailândia — entraram no país desde o sismo.

Uma estimativa menciona o colapso ou danos parciais em pelo menos 21.783 casas, 805 edifícios de escritórios, 1.690 pagodes, 1.041 escolas, 921 mosteiros e conventos, 312 edifícios religiosos, 48 hospitais e clínicas e 18 hectares de plantações. Min Aung Hlaing, confirmou — noutro artigo publicado ontem pelo jornal oficial — o plano de construir escolas temporárias para garantir que as crianças regressam às aulas o mais rapidamente possível.

As forças armadas voltaram ontem a acusar as guerrilhas étnicas e a oposição democrática de cometerem “actos terroristas”, referindo-se a alegados ataques contra instalações estatais e militares, em plena disputa territorial que se agravou desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021.

Os militares e vários grupos de resistência armada declararam um cessar-fogo temporário na quarta-feira, após o terramoto, para facilitar o fluxo de ajuda humanitária. Na quarta-feira, o Gabinete das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusou a junta militar de não respeitar o cessar-fogo, tendo efectuado, pelo menos, 16 ataques desde a trégua e um total de 61 desde o terramoto.

Em 28 de Março, um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter, com epicentro em Myanmar (antiga Birmânia) foi sentido em vários países do Sudeste Asiático, incluindo a Tailândia, onde um total de 22 pessoas morreram na capital.

Sondagens da treta

O que é uma sondagem? É um inquérito realizado por empresas criadas para indagar junto das pessoas algo de que se pretende ter uma ideia generalizada. Bem, generalizada nunca é possível.

Porque a maioria das sondagens políticas é uma treta. Existem os mais variados tipos de sondagens: encomendadas pelos partidos políticos, por canais de televisão e de rádio, por jornais e algumas simplesmente por grupos económicos. As sondagens políticas em Portugal têm sido um chorrilho de enganos relativamente ao resultado final em dia de eleições. Houve um ano, em que as sondagens todas realizadas junto dos inquiridos davam a vitória ao Partido Socialista e quem venceu as eleições foi o PSD. E o contrário também já aconteceu.

As sondagens que ultimamente têm sido divulgadas, em relação à próximas eleições legislativas antecipadas e marcadas para o próximo dia 18 de Maio, têm deixado a maioria da população desorientada. E porquê? Ora, porque as sondagens são uma treta. Algumas sondagens têm sido realizadas – numa população de milhões de pessoas – junto de 500, 800 ou 1000 pessoas, com a agravante de os contactos serem efectuados para números de telefones fixos.

E quem é que tem hoje em dia telefone fixo? Uns quantos velhotes e pouco mais. Ora, uma sondagem deste género, incrivelmente encomendada por uma estação de televisão, outra de rádio e um jornal diário, tem alguma credibilidade? Não tem, mas influencia o potencial eleitorado. E aqui é que está o busílis da questão. Há sondagens que apenas visam a influência mental dos eleitores.

Existem sondagens para todos os gostos. Chega mesmo a ser vergonhoso. Certas sondagens sabemos que estão pagas à nascença por certo partido político e apresentam sempre esse partido à frente. É a manipulação total. Temos tido outras sondagens que são a disparidade total.

Umas dão a vitória à coligação PSD-CDS por seis pontos à frente do Partido Socialista. Outras, apresentam a vitória do PS com três pontos percentuais sobre o PSD-CDS. Há sondagens que dão ao Chega 12,3 por cento enquanto outras fornecem um resultado aos populistas de 18,5 por cento. Obviamente que algo está errado. Até a Universidade Católica que sempre teve a maior credibilidade junto dos portugueses no que respeita a sondagens, para que desta vez não errasse, apresenta um empate técnico entre o PS e o PSD-CDS. A maioria das sondagens é manipuladora do voto futuro do eleitor.

A diferença numérica entre as diferentes empresas de sondagens, mostra bem que não bate a bota com a perdigota. Lembramo-nos perfeitamente do que aconteceu nas eleições de 2022, quando os socialistas conquistaram a maioria absoluta com todas as sondagens a darem a vitória ao PSD? O PS acabou por ter mais 5,5 por cento do que aquilo que as sondagens previam e o PSD teve menos 5,5 por cento. As sondagens foram manipuladas para assustar as pessoas e levá-las a votar de uma determinada maneira.

O PS nunca teria tido maioria absoluta, se as empresas de sondagens como a Intercampus e não só, não andassem a falar num empate técnico e num taco-a-taco entre PS e PSD, que pura e simplesmente não existia. Um erro colossal, um desfasamento clamoroso entre as sondagens e o que aconteceu na realidade, ou resulta de um festival de incompetência, ou foi uma estratégia criminosa de manipulação geral do eleitorado, leia-se uma burla colossal. No primeiro caso essas empresas de sondagens nunca mais deviam ser contratadas, no segundo teria de haver perdas de alvará.

E em ambos os casos, sugerimos que se acabe com a divulgação de sondagens tanto na pré, como em plena campanha eleitoral. Está bem à vista de todos o que se está a passar para as eleições de 18 de Maio. Algumas empresas de sondagens estão mesmo a manipular o eleitorado, inclusivamente quanto ao número de indecisos. Umas sondagens opinam que existem ainda 18 por cento de indecisos, outras dizem que os indecisos andam à volta de 3 ou 4 por cento.

Está mais que provado que na maioria dos casos estamos perante sondagens da treta. Porque manipulam, mentem e obedecem a quem encomenda. Por outro lado, temos dirigentes partidários que se riem dos resultados de algumas sondagens. É sabido que os partidos políticos encomendam sondagens apenas para análise interna. E em certos casos, há partidos que têm sondagens bem realizadas e com um vasto número de inquiridos e sabem que a intenção do voto dos portugueses é absolutamente contrária ao que está a ser divulgado por certos canais de televisão e certos jornais.

Entretanto, o Partido Popular Monárquico, que foi afastado da AD, contestou judicialmente que o nome Aliança Democrática (AD) continuasse a figurar nos boletins de voto para 18 de Maio. E o tribunal deu-lhe razão e o PSD e o CDS foram proibidos de usar a sigla Aliança Democrática.

Mas, como em política a vilanagem é uma constante, logo os dirigentes do PSD e do CDS inventaram uma manobra, para que o Tribunal Constitucional não pudesse reprovar. E apresentaram a denominação “AD-coligação PSD-CDS”. Pronto, venceu a esperteza saloia. Acontece é que existem em Portugal muitos mais monárquicos do que votantes no CDS. Mesmo assim, o PPM já recorreu judicialmente no sentido de suportar que é ilegal manter a sigla AD.

Esta campanha eleitoral vai ser dura. Luís Montenegro será confrontado com todos os cambalachos que lhe incumbem. Pedro Nuno Santos não se salvará de ser acusado de inventar três aeroportos para Lisboa de um dia para o outro e de ter prejudicado o país com tudo o que se passou na TAP. E o André Ventura? Bem, esse está a perder eleitores em cada mês que passa e hoje diz uma coisa e amanhã outra. A credibilidade do seu Chega está a baixar paulatinamente, porque também não lhe têm faltados os casos e casinhos, tais como deputado que roubava malas, outro que é suspeito de pedofilia e tantos outros factos que têm levado potenciais eleitores para outras paragens.

Somos! | Moçambicano vence concurso fotográfico sobre religiões e crenças

Já são conhecidos os vencedores do concurso fotográfico da associação local Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa. Marcos Júnior, de Moçambique, sagrou-se vencedor de um concurso que tinha como tema “O Homem e o Divino”, apresentando a fotografia tirada numa igreja em Moçambique

 

O moçambicano Marcos Júnior foi o vencedor da sexta edição do concurso fotográfico da associação de Macau Somos – ACLP, dedicado ao tema “O Homem e o Divino”, foi ontem anunciado.

Num comunicado, a Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) anunciou que Marcos Júnior venceu com uma fotografia tirada numa igreja em Moçambique que retrata o gesto de um padre a abençoar um crente, “reflectindo a intermediação entre o terreno e o celestial”.

O moçambicano vai receber um prémio no valor de dez mil patacas e uma viagem e estadia em Macau, para participar na cerimónia de inauguração da exposição do concurso e em ‘workshops’ organizados localmente.

A exposição será organizada, a partir de finais de Maio, no complexo do hotel-casino Parisian Macau, com as fotografias premiadas e cerca de outras 40 que foram seleccionadas pelo júri.

Os portugueses Adelino Meireles e João Carlos completam o trio de premiados, com fotografias da fé da comunidade ucraniana em Portugal e uma imagem inspirada na iconografia clássica da Madonna e o menino Jesus, respectivamente.

Os dois fotógrafos portugueses vão receber prémios no valor de sete mil patacas e cinco mil patacas. A Somos – ACLP sublinhou ter recebido “o maior número de sempre de participantes com cerca de três centenas de fotografias a concurso, com elevada qualidade”.

Mundo lusófono

A avaliação das obras candidatas coube a um júri presidido pelo fotojornalista português radicado em Macau Gonçalo Lobo Pinheiro e que conta ainda com António Leong (Macau), Samba M. Baldé (Guiné-Bissau) e José Sena Goulão, Reinaldo Rodrigues e Alexandre Coelho Lima (Portugal).

Lobo Pinheiro disse, citado no comunicado, que “o nível das obras submetidas surpreendeu o júri”, que recebeu “imagens vindas de diferentes cantos do mundo lusófono, revelando olhares diversos e narrativas visuais potentes”.

O júri atribuiu ainda três menções honrosas, a começar pela brasileira Ana Cláudia Talieri, graças a “Prece no relento”, o retrato de Lucas, homossexual e HIV positivo.

Bruno Taveira, com a fotografia “Cruz nas mãos, Fé no coração”, tirada num domingo de Páscoa, em Trás-os-Montes, e o também português Bruno Pedro, com “O Guardião do Tempo e da Tradição”, a imagem de um homem idoso parado à porta de uma mesquita, receberam as outras menções honrosas.

No arranque do concurso, em Fevereiro, a presidente da Somos – ACLP, Marta Pereira, disse à lusa que o objectivo é contribuir para uma “maior compreensão das diferentes ideologias e credos” entre as regiões onde se fala português.

O concurso, define o regulamento, destina-se “a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia ou residentes de Macau” com trabalhos realizados em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

Ilhas Diaoyu | Guarda Costeira expulsa navio de pesca japonês

A Guarda Costeira chinesa anunciou ontem ter repelido um navio de pesca japonês que se encontrava em águas junto às ilhas Diaoyu, conhecidas como ilhas Senkaku no Japão, mas reivindicadas pela China.

O porta-voz da Guarda Costeira, Liu Dejun, explicou em comunicado que o navio japonês “entrou ilegalmente nas águas territoriais das ilhas Diaoyu nos dias 05 e 06 de Abril” e que os navios da guarda costeira chinesa “tomaram as medidas de controlo necessárias contra ele, de acordo com a lei”, enquanto “o alertaram para se manter afastado”.

“A Guarda Costeira chinesa continuará a proteger a soberania nacional e os direitos e interesses marítimos”, alertou o porta-voz na declaração oficial, acrescentando que as ilhas “são território inerente da China”. O porta-voz pediu ainda ao Japão que “interrompa as suas actividades ilegais” na zona.

Em Maio de 2024, a China concedeu à sua guarda costeira novas capacidades, incluindo a autoridade para deter embarcações estrangeiras suspeitas de entrar ilegalmente nas suas águas territoriais, no meio de crescentes tensões territoriais com o Japão e as Filipinas.

A Guarda Costeira chinesa viu também as suas capacidades operacionais reforçadas do ponto de vista material, graças ao envio de mais embarcações e ao aumento do apoio logístico.

A disputa pelas ilhas Diaoyu, conquistadas pelo Japão após a guerra com a China em 1894-95, intensificou-se depois de o Japão ter nacionalizado três delas, em Setembro de 2012.

Localizadas no mar do Leste da China, a cerca de 150 quilómetros a nordeste de Taiwan, que também reivindica a soberania, as desabitadas ilhas Diaoyu cobrem uma área de cerca de sete quilómetros quadrados e as águas adjacentes podem conter depósitos significativos de gás e petróleo.

Travado acordo para venda de TikTok nos EUA após Trump impôr tarifas

O Governo da China bloqueou um acordo para a venda a investidores norte-americanos da TikTok, plataforma controlada pela chinesa ByteDance, após a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, disse uma fonte.

A fonte, que pediu para não ser identificada, disse à agência de notícias Associated Press (AP) que a presidência dos Estados Unidos acreditava que as partes estavam perto de um acordo. O acordo previa que as operações da TikTok nos EUA fossem separadas numa nova empresa, sediada no país, detida e operada por uma maioria de investidores norte-americanos, com a ByteDance a manter uma posição minoritária.

O optimismo em torno de acordo terá levado o Presidente norte-americano, Donald Trump, a afirmar sexta-feira que iria manter por mais 75 dias a TikTok operacional no país, na véspera de expirar o prazo para venda da plataforma.

“O meu governo tem trabalhado muito num acordo para SALVAR O TIKTOK, e fizemos um progresso tremendo”, publicou nas redes sociais Trump, que na quinta-feira afirmou que o negócio estava iminente. “Estamos ansiosos por trabalhar com o TikTok e a China para fechar o acordo”, disse ainda o Presidente norte-americano.

Mas Pequim travou o acordo na quinta-feira, um dia depois de Trump ter anunciado tarifas abrangentes em todo o mundo, incluindo uma tarifa adicional de 34 por cento sobre as importações vindas da China.

Por resolver

Os representantes da ByteDance ligaram para a Casa Branca para indicar que a China não iria aprovaria o acordo até que houvesse negociações sobre comércio e tarifas, disse a fonte à AP. O acordo foi construído ao longo de meses, com a equipa do vice-presidente JD Vance a negociar directamente com vários potenciais investidores e funcionários da ByteDance.

O plano previa um período de 120 dias para concluir os procedimentos regulatórios e o financiamento. O acordo contava com a aprovação dos investidores existentes, dos novos investidores, da ByteDance e do Governo dos EUA. Um porta-voz da ByteDance confirmou, em comunicado, que a empresa tem vindo a discutir uma “potencial solução” com o Governo dos EUA, mas salientou que um “acordo não foi implementado”.

“Há questões importantes a resolver”, disse o porta-voz. “Qualquer acordo estará sujeito a aprovação ao abrigo da lei chinesa”, acrescentou. A ByteDance lançou a aplicação Douyin em 2016, e depois do êxito na China, criou, em 2017, uma versão global, o TikTok, crescendo mais depressa que as rivais Facebook e Instagram.

OMC | China apresenta queixa sobre tarifas dos EUA

Pequim contesta veementemente as taxas aplicadas por Trump às suas exportações, acusando os EUA de violarem as regras básicas da Organização Mundial do Comércio

 

A China anunciou sexta-feira que remeteu para a Organização Mundial do Comércio (OMC) a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos às suas exportações, tendo apresentado queixa no mecanismo de resolução de litígios.

“A China apresentou uma queixa no mecanismo de resolução de litígios da OMC”, anunciou o Ministério do Comércio de Pequim, em comunicado citado pela AFP.

A China anunciou também sexta-feira a imposição de uma tarifa de 34 por cento a importações de todos os produtos dos EUA a partir de 10 de Abril, em resposta às novas tarifas impostas pelos EUA.

“A imposição pelos Estados Unidos das chamadas ‘tarifas recíprocas’ viola gravemente as regras da OMC, prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos dos membros da OMC e prejudica gravemente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e a ordem económica e comercial internacional”, afirmou o Ministério do Comércio.

“É uma prática típica de intimidação unilateral que põe em perigo a estabilidade da ordem económica e comercial global. A China opõe-se firmemente a isto”, acrescentou.

As medidas da China surgem depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto, na quarta-feira, uma nova tarifa de 34 por cento sobre os produtos chineses, parte do que Washington chama de tarifas “recíprocas” sobre os países de todo o mundo. No caso de Pequim, estas tarifas são adicionais às tarifas de 20 por cento já em vigor, o que faz com que as importações chinesas passem a estar sujeitas a uma tarifa de, pelo menos, 54 por cento.

Ásia atacada

O Ministério do Comércio chinês manifestou, na quinta-feira, a sua “firme oposição” às tarifas e prometeu retaliar, para “salvaguardar” os direitos e interesses do país asiático. No início de Março, a China anunciou tarifas de 10 por cento e 15 por cento sobre os produtos agrícolas dos Estados Unidos em resposta às tarifas de 20 por cento que Trump impôs sobre os produtos chineses.

Durante a sua primeira presidência (2017-2021), Trump já tinha tido uma relação tensa com Pequim ao impor várias rondas de tarifas no valor de cerca de 370 mil milhões de dólares anuais, às quais a China respondeu com taxas sobre as exportações dos EUA.

O Presidente dos EUA também impôs tarifas elevadas na quarta-feira aos países para os quais as fábricas chinesas se mudaram após o primeiro conflito comercial, incluindo o Vietname (46 por cento), o Camboja (49 por cento) e o Laos (48 por cento), bloqueando a saída de produtos chineses.

Exportações lusófonas para a China caem mais de 30% até Fevereiro

As exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 30,7 por cento nos primeiros dois meses de 2025, em comparação com igual período do ano passado.

De acordo com informação do Serviços de Alfândega da China, em Janeiro e Fevereiro o bloco lusófono vendeu mercadorias no valor de 17 mil milhões de dólares para o mercado chinês. Segundo os dados, reunidos pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), este é o valor mais baixo para os dois primeiros meses de um ano desde 2021, em plena pandemia de covid–19.

A descida deveu-se sobretudo ao maior fornecedor lusófono do mercado chinês, o Brasil, cujas vendas caíram um terço (33,4 por cento) para 13,7 mil milhões de dólares. Além disso, também o segundo maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, Angola, viu as exportações decrescerem 16,4 por cento para 2,37 mil milhões de dólares. Também as vendas de mercadorias de Portugal para a China diminuíram 13 por cento para 444,4 milhões de dólares.

Pelo contrário, as exportações de Moçambique subiram mais de um terço (34,4 por cento) para 332,2 milhões de dólares. Já as exportações da Guiné Equatorial para o mercado chinês desceram 71,2 por cento, para 85,6 milhões de dólares, enquanto as vendas de Timor-Leste encolheram 98 por cento. As exportações de São Tomé e Príncipe também caíram 53,3 por cento, embora o país não tenha vendido mais de mil dólares em mercadorias.

Já Cabo Verde e a Guiné-Bissau não venderam qualquer mercadoria para a China nos primeiros dois meses de 2025.

Por outro lado

Na direcção oposta, as exportações chinesas para os países de língua portuguesa também diminuíram 9 por cento, para 12,2 mil milhões de dólares.

Os dados revelam que o Brasil foi o maior comprador no bloco lusófono, com importações vindas da China a atingirem 10,3 mil milhões de dólares, uma queda de 7,8 por cento em termos anuais. Em segundo na lista vem Portugal, que comprou à China mercadorias no valor de 932,4 milhões de dólares, menos 10,5 por cento do que no mesmo período de 2024.

A China registou um défice comercial de 4,78 mil milhões de dólares com o bloco lusófono nos primeiros dois meses de 2025. Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 29,2 mil milhões de dólares, menos 23,1 por cento do que no mesmo período do ano passado.

Grande Prémio Consumo | Mais de 130 residentes desqualificados

Até ao dia 30 de Março, o Grande Prémio do Consumo gerou cerca 115 milhões de patacas em negócios. Segundo dados do Governo, até sábado tinham sido detectados 131 residentes envolvidos em transacções anormais, que acabaram por ser desqualificados da iniciativa destinada a estimular o consumo

 

Durante a primeira semana do Grande Prémio do Consumo, ou seja, até 30 de Março, “foram utilizados benefícios electrónicos no valor de mais de 23,6 milhões de patacas e desconto imediato para idosos no valor de cerca de 6,15 milhões de patacas”. Segundo dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), na primeira semana da iniciativa, que arrancou a 24 de Março, foi gerado consumo no valor de cerca de 115 milhões de patacas.

Apesar do crescimento do volume de negócios, uma das prováveis falhas no sistema previstas pelas autoridades veio a confirmar-se. Até ao passado sábado, foram identificados 131 utentes de instituições de pagamento e plataformas online de takeaway envolvidos em transacções anormais, que acabaram por ser “imediatamente desqualificados de participar nesta actividade”, não podendo participar nos sorteios de cupões de desconto ou de os usar, descreve a DSEDT.

As situações anómalas verificam-se quando os residentes obtêm oportunidades de sorteio com meios irregulares, depois de comprarem produtos num valor superior a 50 patacas na “plataforma de takeaway”.

As irregularidades foram descobertas através de um mecanismo de supervisão estabelecido em conjunto pela DSEDT e as instituições de pagamento e plataformas de takeaway, de forma a “garantir a justiça”.

Pontaria certeira

Mais de 20 mil estabelecimentos comerciais aderiram a esta edição do Grande Prémio do Consumo, aceitando os benefícios electrónicos e descontos imediatos para os idosos. A DSEDT acrescenta que mais de 120 destas lojas e restaurantes lançaram “em simultâneo, ofertas adicionais de consumo”.

Como a iniciativa tem o objectivo de estimular os negócios do pequeno comércio e restauração dos bairros comunitários, os descontos não podem ser utilizados para pagar contas de água, electricidade, gás natural, combustíveis, serviços de telecomunicações, transportes transfronteiriços, serviços médicos, serviços prestados por instituições públicas. Também não podem ser usados em casinos, bancos, seguradoras e outras instituições financeiras, casas de penhores, supermercados de grande escala, administração de propriedades, instituições de ensino, parques de estacionamento, táxis, parquímetros, e em produtos de máquinas de venda automática. A iniciativa irá decorrer até ao dia 1 de Junho.

Crime | Jovem transferiu 600 mil patacas para burlões

Um jovem local foi burlado em 600 mil patacas, em mais uma burla em que os criminosos se fizeram passar pela polícia do Interior. O caso aconteceu a 30 de Março, quando o jovem foi contactado por telefone. Do outro lado da linha, disseram-lhe que o seu número de telefone estava associado a vários crimes, pelo que tinha de ser investigado.

Para garantir uma investigação e provar a inocência as alegadas autoridades pediram ao jovem que indicasse as suas informações pessoais, entre as quais os dados bancários.

O residente fez o que lhe foi pedido, através de uma aplicação. No entanto, dias depois, foi contactado pelo seu banco, sobre uma transferência de 600 mil patacas. Foi nessa altura que o jovem percebeu que tinha sido burlado e apresentou queixa junto das autoridades.

Burla | Idoso perde 78 mil patacas

Um homem de idade avançada foi burlado em cerca de 78 mil patacas depois de acreditar que ia receber uma comissão de 12 mil patacas para ajudar uma alegada escola a comprar produtos de limpeza.

De acordo com o jornal Ou Mun, o caso aconteceu a 31 de Março, quando um homem foi adicionado por um contacto desconhecido na aplicação WeChat. Esse contacto apresentou-se como um director de uma escola, que precisava de comprar produtos de limpeza para a instituição.

Contudo, o alegado director contou ao idoso que tinha discutido com o fornecedor, pelo que para ter acesso aos descontos habituais precisava que a transacção fosse feita por outra pessoa.

Ao idoso foi assim prometida uma comissão de 12 mil patacas, que seria paga depois de a escola receber os produtos de limpeza. Sem desconfiar de nada, o homem fez o pagamento online, no valor de 78 mil patacas. Como acabou por não receber a comissão prometida, percebeu que tinha sido burlado e apresentou queixa junto da Polícia Judiciária.

Aeroporto | Arrancou transporte de carga para Madrid

A primeira rota de carga de longo curso entre Macau e Madrid está a ser operada pela companhia Ethiopian Airlines, da Etiópia. O director para a China da empresa defende que Macau é “uma plataforma importante” para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa

 

A primeira rota de carga de longo curso entre Macau e Madrid arrancou na quinta-feira, com um Boeing 777F operado pela Ethiopian Airlines, que levantou voo do Aeroporto Internacional de Macau (MIA).

A companhia aérea etíope efectuará duas viagens de ida e volta por semana, e os Boeing 777F transportarão principalmente mercadorias de comércio electrónico transfronteiriço, de acordo com uma nota da empresa gestora do MIA, a que a Lusa teve acesso.

“A nova rota irá melhorar ainda mais a rede de carga aérea entre a Ásia e a Europa, fornecendo um apoio logístico mais eficiente às exportações da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau (GBA), e impulsionando a competitividade logística” desta região, acrescenta-se na nota.

Segundo a gestora do MIA, Madrid é um dos principais centros logísticos da Europa, pelo que “a abertura desta nova rota irá satisfazer a crescente procura de carga aérea, ao mesmo tempo que reforça a conectividade entre a GBA e os mercados europeus”, esperando-se que os volumes de carga sejam “cada vez maiores”.

O director nacional para a China da Ethiopian Airlines, Aman Wole Gurmu, citado na nota, afirmou que Macau é “uma plataforma importante” para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, pelo que o lançamento da nova rota irá reforçar esse papel, constituindo-se como um corredor logístico aéreo que ligará a Europa e a Ásia.

Preencher lacunas

“Esta nova rota não só preenche a lacuna no transporte de carga entre Macau e Espanha, mas também aproveita a rede local em Espanha para ligar Macau aos mercados em África e na América do Sul, formando uma rede logística triangular ‘Ásia-África-Europa’”, segundo Aman Wole Gurmu, ainda que a rede perseguida pareça ser “quadrangular”, atendendo à inclusão do continente americano na equação.

“Isto ajudará Macau a tornar-se um centro-chave para as exportações transfronteiriças de comércio electrónico e transporte de carga na área da Grande Baía”, acrescentou.

De acordo com a empresa gestora do MIA, assiste-se a um crescimento constante do negócio de carga nos últimos anos, com a procura de logística aérea a ser impulsionada pelo rápido aumento do comércio electrónico transfronteiriço, tendo o aeroporto de Macau estado envolvido num volume de transporte de carga na ordem das 108.000 toneladas em 2024.

Turismo | Mais de 320 mil visitantes entraram em Macau em dois dias

Na sexta-feira, em que se assinalou o feriado do Cheng Ming, e no sábado, entraram em Macau 321.961 visitantes. A afluência de turistas nos dois dias obrigou as autoridades a implementar medidas, que incluíram o controlo do fluxo de pessoas nas imediações das Ruínas de São Paulo na sexta-feira. Além disso, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) interrompeu temporariamente o trânsito na Rua da Nossa Senhora do Amparo, desviando o tráfego para a Rua das Estalagens.

O dia em que se registaram mais entradas de visitantes foi na sexta-feira, quando entraram em Macau 173.256 turistas, com o posto fronteiriço das Portas do Cerco a chegar quase às 78 mil travessias. Nos dois dias, entraram na RAEM pelas Portas do Cerco 148.874 visitantes.

O posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau registou o segundo maior fluxo de travessias, com a entrada de mais de 61.100 visitantes no total dos dois dias, seguido do posto de Hengqin, por onde entraram 51.100 visitantes.

Em relação a ontem, até ao fecho desta edição, os últimos dados do CPSP apontavam para a entrada em Macau de 27.671 visitantes até às 11h.

Emprego | Criticada aposta em licenciados de fora sem experiência

O deputado Ron Lam acusa o Governo de se ter desviado da intenção política de permitir às empresas locais a contratação de não-residentes com experiência e sucesso internacionais, e, em vez disso, estar a emitir autorizações de residência para jovens licenciados de fora sem currículo

 

O legislador Ron Lam atacou a política do Governo de permitir a importação como “talentos” de não residentes com formação académica, mas sem qualquer experiência profissional. A crítica surge numa interpelação escrita, em que o membro da Assembleia Legislativa indica que a política é incoerente, dado que se atravessa uma fase em que o desemprego de recém-licenciados está cada vez pior.

No documento divulgado ontem, Lam exige ao Governo que termine com o novo estatuto de autorizar a residência de recém-formados com notas elevadas, mas que sem qualquer experiência profissional.

Na perspectiva do deputado, estas autorizações de fixação de residência em Macau contrariam as políticas apresentadas pelo Governo, e que foram aprovadas na Assembleia Legislativa, que visavam a importação de mão-de-obra qualificada do exterior extremamente bem-sucedida profissionalmente nas suas áreas de actividade.

Ao mesmo tempo que se contrata no exterior, o deputado indica que os jovens licenciados atravessam uma fase muito complicada de entrada no mercado do trabalho, e que as pessoas de Macau que se licenciaram no exterior encontram igualmente um mercado de trabalho com muitos desafios, com dificuldades para encontrarem um emprego de longa duração.

Neste contexto, o deputado pergunta ao Executivo se vai eliminar o regime que permite a contratação de licenciados não-residentes sem experiência profissional.

A realidade dos números

Sobre o problema do desemprego entre os mais jovens, o deputado cita as estatísticas oficiais do ano passado para indicar que 47,1 por cento dos desempregados locais tinham como grau académico pelo menos uma licenciatura. E entre os desempregados com formação no ensino superior, 28,1 por cento tinha entre 25 e 34 anos.

“Os números mostram que em comparação com 2019, a situação do desemprego é mais grave. Muitos jovens e pessoas de meia-idade que têm formação académica ao nível do ensino superior disseram-nos que é cada vez mais difícil encontrar um emprego e que as empresas só querem trabalhadores não-residentes”, descreve Ron Lam.

O deputado escreve também que as várias feiras de emprego organizadas pela Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais oferecem empregos pouco atractivos, e que em muitos dos casos as vagas de emprego são “falsas”, não levando a contratações.

Lam critica ainda a forma como as estatísticas do desemprego são compiladas, indicando existirem discrepâncias entre os diferentes dados publicados, que em teoria deviam ser semelhantes. O deputado pede ao Governo que corrija este problema o mais rapidamente possível, para poder tomar medidas de emprego de acordo com a realidade do mercado local.

Wong Kit Cheng pede resposta para aumento da criminalidade juvenil

A deputada Wong Kit Cheng está preocupada com a criminalidade juvenil e pretende saber como as autoridades vão lidar com o problema. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, em que a legisladora ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau destaca que no ano passado os níveis de criminalidade entre os mais novos ultrapassaram os níveis de 2023, havendo um grande crescimento em comparação com 2019.

Com base nos números oficiais, a deputada indica que no ano passado foram registados 131 casos de delinquência juvenil, um aumento de 23 casos face a 2023. Em comparação com 2019, o último ano antes da pandemia, os dados mostram um aumento de 71 casos de delinquência juvenil no ano passado.

Ao mesmo tempo, o número de jovens envolvidos em crimes subiu para 181, o que representou um aumento de 30 jovens face a 2023, quando houve 151 jovens detectados em actividades criminosas.

“Os números reflectem uma tendência contínua de aumento da criminalidade juvenil nos últimos anos, o que é motivo de preocupação”, alerta Wong. “Os jovens são socialmente inexperientes e curiosos em relação a coisas novas, pelo que são facilmente aliciados por pessoas sem escrúpulos para se envolverem em actos ilegais”, acrescentou.

Comércio paralelo

Entre as actividades que têm aliciado os mais novos, Wong Kit Cheng indicou o comércio paralelo, em que os jovens são utilizados para transportarem para o Interior, de forma ilegal, bens que depois são revendidos. Contudo, a deputada também recordou os casos dos jovens atraídos com ofertas de emprego para Taiwan e o Camboja, onde acabaram envolvidos em esquemas de burlas.

“A comunidade espera que as autoridades intensifiquem o trabalho de prevenção e eliminação da criminalidade juvenil, que o desenvolvam em profundidade e à luz da evolução do ambiente social e dos padrões de criminalidade”, foi indicado.

A deputadas das Mulheres pede às autoridades políticas para lidar com o fenómeno e que sejam apresentados planos para garantir que os jovens têm espaço para crescer num ambiente saudável, sem serem aliciados para actividades criminosas.

Além disso, são ainda pedidas medidas, não só para punir os mais novos, mas também para garantir que se voltam a integrar na sociedade, após o cumprimento das penas.

Jiangxi | Sam Hou Fai quer estreitar laços nas áreas do turismo e economia

Equipa que ganha, não mexe. Sam Hou Fai reuniu com mais um dirigente do Interior da China e voltou a afirmar a vontade política de reforço da cooperação na área to turismo, economia e comércio

 

O Chefe do Executivo defendeu o reforço da cooperação com a província de Jiangxi, principalmente ao nível do comércio. A posição foi tomada na quinta-feira, durante um encontro com o vice-secretário do Comité Provincial de Jiangxi do Partido Comunista Chinês e governador da província de Jiangxi, Ye Jianchun.

Na reunião, Sam Hou Fai destacou a posição de Macau como “Centro Mundial de Turismo e Lazer” e defendeu o aumento da cooperação com Jiangxi, que afirmou ser “uma província rica em recursos turísticos”.

Na perspectiva do Chefe do Executivo, as duas partes encontram-se numa situação de complementaridade, podendo alcançar “uma situação com benefícios mútuos”. Sam Hou Fai também indicou que “os dois territórios podem ainda reforçar a colaboração nas áreas economico-comercial, medicina tradicional chinesa, culturas criativas, convenções e exposições e serviços topo de gama”.

Ao mesmo tempo, o líder do Governo de Macau convidou a província do Interior a “tirar melhor proveito do papel singular de Macau como plataforma entre a China e os países lusófonos”, indicando que a RAEM pode ser um ponto de partida para a província implementar políticas de “expansão para o exterior” e “atracção de capital estrangeiro”.

Trabalho de revitalização

No encontro, Sam Hou Fai fez igualmente um balanço do projecto de “revitalização rural do distrito de Xiushui da província de Jiangxi”, que indicou ser “uma iniciativa conjunta do Governo da RAEM e Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM”. De acordo com o Chefe do Executivo, o projecto está na “terceira fase” e “foram concluídas as modalidades previstas”.

A versão oficial da reunião, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, não permite conhecer o que se entende por “terceira fase”, nem o investimento realizado pela RAEM no projecto. Porém, o Chefe do Executivo indicou que, “de seguida, Macau e Jiangxi irão continuar a aprofundar uma cooperação pragmática, no sentido de promoverem em conjunto o projecto de revitalização, alcançando, constantemente, novos progressos e novos resultados de eficácia”.

Além do Chefe do Executivo, participaram no encontro o secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, Cheong Chok Man, e a presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man.

Adelina Moura, docente e formadora: “O telemóvel é como um canivete suíço”

Formada na área das tecnologias educativas, Adelina Moura irá conduzir palestras para pais, alunos e professores sobre o uso de tecnologias digitais nas salas de aula, no âmbito do festival “Letras&Companhia” do Instituto Português do Oriente. A professora entende que proibir o telemóvel nas escolas não é solução

 

Quais os desafios sentidos por professores com a introdução das tecnologias na sala de aula? O telemóvel pode, de facto, ser um complemento à aprendizagem?

Sim. Venho dizendo isso desde 2005. O telemóvel pode ser uma excelente ferramenta de aprendizagem, um meio para motivar os alunos e para que enriqueçam a sua aprendizagem. Temos aqui uma espécie de canivete suíço, um equipamento poderosíssimo nas mãos dos alunos e há uma falha da escola, porque não se trabalha e ajuda os alunos a potenciar esse equipamento que têm. O que acontece é que os alunos aprendem da pior maneira, de uma forma desestruturada, por tentativa-erro. Há uma lacuna, pois os alunos não são alertados para o potencial positivo de utilização do telemóvel. Encaram o telemóvel como uso do tempo livre, gastando tempo nas redes sociais e a fazer “scrolling”, e o tempo consome-se. É essencial que os professores sejam utilizadores, nas suas práticas, do telemóvel, quer para a preparação de aulas e outros projectos, para saber preparar os alunos. Considero que a escola perdeu várias etapas de preparação e sensibilização dos alunos para a utilização destes equipamentos que levam para as aulas e com os quais as escolas não gastaram nenhum dinheiro. Com a proibição de levar o telemóvel para a sala de aula não avançamos nada nesse sentido.

No período da pandemia, por exemplo, o uso das tecnologias, com o ensino à distância, foi bastante potenciado.

Mas durante a pandemia também queimámos algumas etapas em relação ao uso do digital pelos professores, porque antes da pandemia muitos professores não acreditavam e nem usavam. Achavam que era uma moda e não viam grande utilidade no uso dos telemóveis e outras tecnologias. Com a pandemia a utilização desses equipamentos provou que, sem eles, a situação do ensino teria sido muito pior. Nestes anos de pandemia, os professores ficaram mais conscientes das tecnologias que já existem e que estão disponíveis para qualquer um. Com acesso à internet no telemóvel, algo que existe desde 2007 com o lançamento do primeiro Iphone, potencia-se o sistema E-learning e depois passamos para o “mobile learning”, em que é possível aprender em qualquer lugar e qualquer hora com os dispositivos móveis. É esta realidade que vemos um pouco afastada da escola.

E depois da pandemia, como tem sido?

Julgo que vamos dar mais alguns passos em relação à literacia digital. Com a inteligência artificial (IA), parece que estamos como na fase em que criei o meu primeiro website, em 1999, ou o email, em 1995. Estamos no início. Mas são já 30 anos de tecnologia em que houve muitas mudanças, e a tecnologia vai de facto avançando e se no imediato não percebermos o que temos disponível, nós e alunos, ajudamos a criar um fosso que já aconteceu no passado em relação ao digital. Face à IA, se não olharmos para trás e não percebermos o que não foi feito e devia ter sido ao nível da escola, estamos a perder tempo. Só daqui a uns anos as pessoas vão ficar alerta à IA, e a lacuna vai aumentando. Daí ser muito importante apostar agora, já nesta fase inicial, na formação de professores, alunos e famílias.

Há muita ignorância dos pais, afastamento dessa realidade?

Temos pais que são deste século. Ou seja, nasceram com a existência dos computadores, Internet, viram o aparecimento do smartphone. Mas quando estudaram, a escola não falava do potencial do digital. Então, esses antigos alunos, vieram para a sociedade e não trouxeram essa sensibilidade para o digital, para educar os filhos. Nós, professores, quando damos formação no digital, estamos a fazer um bem à sociedade porque também estamos a preparar estes jovens para o futuro, pois vão ser pais e devem ter essa consciência para educar os filhos. Na escola não preparamos apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida pessoal e familiar. Daí a formação de professores ser essencial. O convite que recebi do IPOR parece-me uma excelente visão holística de tudo, porque a escola inclui diversos actores, de ligação com a sociedade.

Como a IA deve ser introduzida na sala de aula?

Assistimos actualmente a mudanças nos motores de busca, de facto. Temos motores de busca criados de raiz para a era da IA, por exemplo. A melhor maneira de introduzir a IA na sala de aula é perguntar aos alunos o fazem e como a utilizam, e já recorrem a essa ferramenta. No início do ano lectivo peço sempre aos alunos para responderem a um questionário sobre as suas rotinas digitais, e aí fico a saber mais ou menos as suas práticas. Em 2023, quando saiu o ChatGPT, introduzi a IA nas minhas aulas, e percebi que os alunos estavam a usar essa ferramenta para enganar os professores. Os alunos têm de perceber que, ao usar a IA, estão a cair numa certa armadilha, porque não estão a aprender. É a lei do menor esforço, igual à fase em que surgiu a Internet, em que os alunos seleccionavam, copiavam e enviavam para o professor. Temos agora o problema de as respostas estarem em português do Brasil, por exemplo, e vejo logo que foi usada a IA. Temos, portanto, de desmontar na cabeça dos alunos esta actuação e enfrentá-los. Digo-lhes que estão a ser desonestos intelectualmente e que não leram a resposta obtida pela IA, por exemplo. Sinto, desde 2023, que os alunos, nas respostas a esse questionário que faço, dizem ter receio de usar o ChatGPT porque têm medo de ser apanhados pelos professores. Ou seja, parece terem ganho alguma consciência.

Vai dar estas palestras num contexto educacional diferente, na Ásia, em que o uso do telemóvel pode ser mais precoce. Como vai lidar com essas diferenças, ou entende que os problemas do uso da tecnologia na sala de aula são transversais?

É uma questão transversal. Temos de nos questionar se o uso de determinado equipamento e ferramenta nos vai tornar mais sábios? A mim parece-me que não, pois podemos ter o equipamento, mas o uso que fazemos dele varia muito. Digo aos meus alunos que eles deveriam ter vergonha, porque têm um acesso muito mais fácil aos conteúdos do que no meu tempo, em que tínhamos verdadeiramente de fazer pesquisa e ler em formato físico. Digo-lhes que, com esta tecnologia, deviam todos ter nota 20, e que estão a desperdiçar recursos, sendo desonestos intelectualmente, porque assinam trabalhos que não são deles e não leem, sequer, o que entregam. Um dos trabalhos que temos com os alunos é ensiná-los a fazer referências bibliográficas, referir as fontes. Mas eu sou optimista por natureza, e espero que daqui a uma década os alunos do ensino secundário que sejam pais e mães consigam lidar com estes problemas das redes sociais e aumento de fraudes com os seus filhos. É essa “escola de pais” que a escola pode ajudar a criar. Estamos num momento sem retorno do digital, e proibir é a situação mais cómoda, mas não é a melhor para enfrentar a realidade. Temos de usar as palavras certas para alertar. Temos nesse tempo de alertas e de consciências, de incentivo ao espírito crítico dos nossos alunos, que é pouco actualmente.

 

Formar quem ensina

Adelina Moura irá ministrar um workshop para professores do território no sábado, com a sessão “Literacia Digital – Promoção de Interacções Positivas em Linha”, dirigida a professores e agentes do ensino infantil, primário e secundário. A sessão decorre na sede do IPOR, entre as 10h e as 13h.

No mesmo dia, mas à tarde, a sessão será dirigida para pais e filhos. Licenciada em Ensino do Português e Francês, mestre em Supervisão Pedagógica do Ensino do Português e doutorada em Ciências da Educação, na especialidade de Tecnologia Educativa, Adelina Moura tem vindo a desenvolver investigação na área do Mobile Learning, com várias publicações em Portugal e no estrangeiro.

É docente do ensino básico e secundário, tutora de cursos de formação à distância do Instituto de Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e formadora da formação contínua de professores, em didácticas específicas (Português e Francês) e tecnologia educativa. Na quarta-feira, a partir das 18h30, Adelina Moura, Nuno Gomes e Min Yang vão debater “A Inteligência Artificial na Educação”.

Sismo | Junta militar de Myanmar declara cessar-fogo na guerra civil até 22 abril para facilitar ajuda

A junta militar no poder em Myanmar declarou hoje um cessar-fogo na guerra civil até 22 de abril, para facilitar a ajuda à população, após o sismo de magnitude 7,7 que atingiu o país a 28 de março.

O cessar-fogo temporário foi também decretado para mostrar compaixão para com as pessoas afetadas, informou hoje a televisão estatal de Myanmar (antiga Birmânia). O anúncio, feito num comunicado do alto comando militar, segue-se a cessar-fogos temporários unilaterais declarados por grupos de resistência armada que se opõem ao regime militar.

A notícia televisiva indicou que os grupos armados étnicos e as milícias locais devem abster-se de atacar as forças de segurança do Estado e as bases militares, e não devem organizar-se, reunir forças ou expandir as suas áreas de influência.

Se tais grupos não cumprirem essas condições, o Exército tomará as medidas necessárias, segundo o comunicado. Um novo balanço hoje divulgado pelas autoridades elevou para 2.886 o número de mortos e 4.639 o número de feridos no terramoto de há cinco dias, enquanto prosseguem as operações de busca por sobreviventes.

Segundo a oposição democrática, que controla partes do país, cerca de 8,5 milhões de pessoas foram “diretamente afetadas” pelo terramoto no país em guerra. No fim de semana, a junta militar afirmou que mais de 2.600 edifícios, incluindo casas, igrejas, escolas e pagodes, ruíram devido ao sismo e às réplicas.

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) afirmou que só na capital, Naypyidaw, mais de 10.000 edifícios ficaram destruídos ou gravemente danificados.

Águas pluviais | Obras de estação elevatória vão arrancar

Vai ser construída na zona do Cotai, mais concretamente no cruzamento da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental com a Rua Marginal dos Jogos da Ásia Oriental, uma nova estação elevatória de águas pluviais, para aumentar a capacidade de drenagem das mesmas.

Segundo informações do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a nova estação e box-culvert de águas pluviais vai ocupar uma área de 500 metros quadrados, dispondo a estação de oito bombas de água e uma capacidade de bombar a água de 37,6 metros cúbicos por segundo.

Tal equivale à possibilidade de aspirar, em cerca de 50 segundos, o volume de água de uma piscina padrão, “ajudando, assim, a melhorar a eficiência de drenagem de águas pluviais da box-culvert da Baía de Nossa Senhora da Esperança e do bairro antigo da Taipa durante marés altas e chuvas intensas”, descreve o IAM.

O plano de drenagem foi recentemente apresentado ao Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais e ao Conselho Consultivo de Serviços Comunitários, tendo sido já lançado o concurso. Prevê-se um baixo impacto no trânsito, uma vez que “a área da estação elevatória não envolve nem abrange vias rodoviárias e ciclovias existentes”.

A próxima fase do projecto “será a construção de uma pequena estação de bomba de reforço de águas pluviais numa esquina do Estádio da Taipa, para aliviar a pressão da estação elevatória de águas pluviais existente no Pai Kok e acelerar a drenagem de águas pluviais”. Neste sentido, “prevê-se também que o processo de concurso seja lançado ainda este ano”.

Jogo / Receitas | JP Morgan e Seaport Partners com visões distintas

As receitas de 19,66 mil milhões de patacas em Março ficaram dentro das expectativas do mercado, mas a correctora Seaport Research Partners avisa que as recentes campanhas contra as trocas ilegais de dinheiro podem fazer cair o volume das apostas

 

“Não foram más de todo”, foi desta forma que o relatório mais recente do banco de investimento JP Morgan Securities (Asia Pacific) classificou as receitas brutas do jogo de Março, que atingiram os 19,66 mil milhões de patacas. A reacção do banco de investimento foi citada, na quarta-feira, pelo portal GGR Asia.

As receitas neste mês de Março representaram um aumento de 0,8 por cento face ao período homólogo, mas uma redução de 0,4 por cento em comparação com Fevereiro.

Todavia, o relatório assinado por DS Kim, Selina Li e Shi Mufan, aponta que o montante total ficou “um por cento acima das estimativas da JP Morgan [e do mercado] e do consenso [entre os analistas] que previam que não houvesse crescimento”.

O documento indica ainda que a média diária das receitas nos casinos foi de 634 milhões de patacas, o que foi apontado como um volume das receitas diárias semelhante aos dos meses de Janeiro e Fevereiro deste ano. Por isso, os analistas apontaram que as receitas em Março atingiram valores “muito respeitáveis”.

No mesmo sentido, a JP Morgan considerou que os sinais do mercado são animadores para a segunda metade do ano. “Isso é um bom presságio para o crescimento melhorar no segundo semestre de 2025”. “Mantemos a nossa previsão do crescimento das receitas do jogo em 2025 de 3 por cento, com o primeiro semestre a apresentar um crescimento de 0 a 1 por cento, e o segundo semestre com um crescimento entre 5 e 6 por cento”, foi acrescentado.

Abaixo das expectativas

Por sua vez, a correctora Seaport Research Partners teve uma reacção diferente face às receitas, citada pelo portal GGR Asia, dado que tinha previsto um crescimento maior do que o registado.

Segundo o relatório de ontem, assinado por Vitaly Umansky, as receitas “foram mais fracas do que as previsões feitas no início do mês, mas que mesmo assim não deixaram de ultrapassar ligeiramente as estimativas da Bloomberg, que indicava que não haveria qualquer crescimento”.

Por outro lado, a Seaport Research Partners indica que as receitas do final de Março ainda reflectem o possível impacto da campanha das autoridades contra dois grupos de troca ilegal de dinheiro, que actuavam nos casinos, e que envolviam pelo menos 43 pessoas.

Por isso, em Abril a Seaport Research Partners espera que as receitas apresentem uma redução de 0,1 por cento face ao período homólogo e de 5,8 por cento, em comparação com Maio. “A nossa estimativa para Abril é ligeiramente afectada pelos efeitos adversos potenciais de curto prazo ligados à repressão dos cambistas [ilegais]”, foi justificado.

Matadouro | Prejuízos crescem 460 mil patacas num ano

O consumo de carne de vaca, a mais cara, está em contracção no território, com o número de abates de bovinos a cair para o valor mais baixo desde que há registos. A empresa Matadouro de Macau justifica a mudança com novos hábitos de consumo

 

A empresa Matadouro de Macau registou no ano passado um prejuízo de 4,17 milhões de patacas no ano passado, um crescimento de 12,38 por cento das perdas, ou de 460 mil patacas, em comparação com 2023, quando o resultado negativo foi de 3,71 milhões de patacas. A empresa alerta que o território está a registar novos hábitos de consumo, com o abate de gado bovino a atingir o valor mais baixo desde que há registos, excluindo o período da pandemia.

Em 2024, as receitas da empresa registaram um aumento inferior a 1 milhão de patacas, devido às receitas com o abate de animais, que subiram para 10,98 milhões de patacas, face aos 9,98 milhões de patacas de 2023.

Contudo, a subida foi contrariada por um aumento de despesas como os custos com a água e electricidade, que subiram para 1,19 milhões de patacas, face aos 1,07 milhões anteriores, ou gastos com serviços de limpeza e outros fornecimentos, que atingiram 1,97 milhões de patacas, quando no ano anterior não tinham ido além dos 1,37 milhões e patacas.

Também a nível dos salários dos 81 trabalhadores houve um aumento de despesa, de aproximadamente 278 mil patacas.

Diferentes hábitos

O relatório de 2024 do Matadouro mostra também uma empresa a funcionar a duas velocidades, com o abate de suínos a atingir o valor mais elevado desde 2019, enquanto o abate de bovinos caiu para o valor mais baixo desde que há registos.

A gestão da empresa explica o aumento no abate de porcos de 10,86 por cento, para um total de 108.660 animais, com o facto de no último trimestre de 2023 o preço do porco ter registado uma diminuição “de quase 20 por cento”, o que serviu para estimular o mercado em 2024. “A procura pela população da carne fresca de porco aumentou, levou a um aumento do volume do abate a crescer mais de 10 por cento”, foi indicado.

No entanto, o abate de bovinos teve uma quebra de 7,88 por cento, com um total de 1.333 abates, o valor mais baixo pelo menos desde 2015, excluindo 2022, quando o número de abates tinha sido de 1.301, porque o funcionamento do Matadouro foi suspenso. “O volume do abate de gado bovino em 2024 voltou a estabelecer um novo recorde negativo nos registos da empresa, e a principal razão é a alteração dos hábitos de consumo”, foi indicado. “A direcção da companhia espera que esta tendência se continue a verificar nos próximos anos, com a diminuição a ser relativamente gradual”, foi acrescentado.

Nos últimos anos, a economia tem enfrentado uma situação em que é cada vez mais frequente sair para o Interior da China para consumir, ao mesmo tempo que os turistas vindos do outro lado da fronteira têm menos poder de compra.

Novos investimentos

O ano de 2024 ficou ainda marcado pela renovação da concessão para o abate de animais que se vai prolongar até 2029. Além disso, o Governo da RAEM financiou as obras de renovação das cadeias de abate, que estavam em funcionamento, de acordo com o relatório da administração, desde 1987.

Com as obras, o matadouro ficou com uma cadeia de abates só para suínos e outra só para bovinos. No entanto, em caso de necessidade, estas podem ser alteradas para outros animais.

A empresa tem como accionistas o Instituto para os Assuntos Sociais, com uma participação social de 61 por cento, a Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau), com 27,5 por cento, a Teixeira Duarte-Engenharia e Construção (Maca), com 5,8 por cento, e ainda Ngan Yuen Ming, 3,125 por cento, e Ma Iau Lai, com 2,5 por cento.

Zona A | Leong Sun Iok pede melhores transportes nos novos aterros

Leong Sun Iok interpelou o Executivo sobre a necessidade de melhorar o sistema de transportes na zona A dos novos aterros.

“Recentemente foi aberta a selecção dos agregados familiares habilitados para as 3017 fracções de habitação económica da Zona A dos Novos Aterros, portanto, os mesmos vão poder mudar-se para lá num curto prazo. No entanto, as diversas infraestruturas estão ainda por concluir e por abrir ao público”, disse.

O deputado alertou também para o facto de não existirem “instalações complementares”, além de que “os transportes públicos que passam por lá só asseguram a ligação entre Macau e a Taipa e a ligação ao Edifício do posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau”.

Desta forma, considera ser “premente resolver esta situação”, até porque, na sua visão, “a Zona A dos Novos Aterros continua a ser um grande estaleiro de obras e, nos próximos anos, várias obras vão continuar”. Assim, Leong Sun Iok questiona também se vão existir “mecanismos de apresentação de queixas e de coordenação dos trabalhos, para resolver, de imediato, os incómodos causados pelas obras”.

Hospital das Ilhas | Centro Médico com consultas de 52 especialidades

Os Serviços de Saúde (SS) apontam que o Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital, no Hospital das Ilhas, disponibiliza consultas médicas de 52 especialidades desde a sua abertura, a 16 de Setembro de 2024, em áreas como a nefrologia, ginecologia, tratamento de varizes ou da osteoporose, entre outras patologias.

Além disso, “as vagas diárias para marcações dos serviços de especialidade médica aumentaram 50 por cento face ao período inicial da sua inauguração, de modo a atender à crescente procura dos serviços de cuidados de saúde por parte dos residentes de Macau”, descreve a mesma nota. Desde o dia 17 de Março que o Centro Médico passou a disponibilizar consultas externas aos não residentes, titulares do visto de estudante, portadores do Título Especial de Permanência e outros indivíduos de longa permanência em Macau.

Inquérito | 170 residentes realizam análises

Os Serviços de Saúde realizaram recentemente quatro sessões do inquérito-piloto do “Inquérito sobre a Saúde de Macau 2026”, que contaram com a participação de 170 residentes, entre 200 inscritos, que além de responderem a questões foram submetidos a um check-up de saúde. Para tal, fizeram análise ao sangue e urina, procederam à medição da pressão arterial, altura, peso e circunferência da cintura, da força de preensão manual e da audição.

Duas semanas após a conclusão do exame, os residentes podem consultar ou receber o relatório através da “Minha Saúde 2.0” na “Conta Única de Macau”, ou por correio registado ou e-mail. Especialistas e académicos da Peking Union Medical College vieram a Macau para fazer o controlo de qualidade e orientação dos chamados inquéritos-piloto.

Saúde | Alerta para aumento da obesidade e hipertensão

Apesar do aumento da esperança de vida nas últimas duas décadas e meia, o Governo está preocupado com a subida gradual da obesidade, hipertensão, e elevados níveis de colesterol e açúcar no sangue. Em 2024, cerca de 80 por cento das mortes registadas em Macau estiveram relacionadas com doenças crónicas

 

Dados do Inquérito sobre a Saúde de Macau divulgado em 2016 já mostravam que mais de metade da população adulta tinha peso a mais. No entanto, a situação actual deve ser pior, indicou ontem a chefe da Divisão de Promoção da Saúde do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde (SS), Wong Weng Man, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

Tendo em conta que será lançado no próximo ano um novo inquérito à saúde da população, a responsável prevê que a proporção dos casos de obesidade irá aumentar e que a tendência crescente do excesso de peso é um dos desafios dos SS para os próximos anos.

“O risco de excesso de peso, obesidade, hipertensão arterial, colesterol e açúcar elevados no sangue aumenta gradualmente,” explicou Wong Weng Man, ressalvando que os indicadores de excesso de peso e obesidade em Macau são mais rigorosos do que noutras regiões. Uma das estratégias das autoridades passa por alertar os residentes para a importância de monitorizar o peso e mais cedo possível.

Seguindo tendências

Para inverter a tendência, o Governo pretende cooperar com grupos comunitários e informar a população sobre a gestão de peso e formas seguras de combater a obesidade. Além disso, os SS querem alargar a especialidade de medicina através da formação de médicos e criar uma plataforma online para os residentes acederem a médicos, enfermeiros, médicos de medicina tradicional chinesa, dentistas, nutricionistas, psicoterapeutas e fisioterapeutas. Serão também instalados vários postos de controlo de pressão arterial no território.

Wong Weng Man salientou o perigo da obesidade enquanto causa de doenças crónicas, que foram a principal causa de morte, em cerca de 80 por cento dos casos, durante o ano passado.

A representante dos SS destacou ainda o aumento da esperança de vida média em Macau, que subiu cinco anos desde 1999, e se fixou em 83,3 anos em 2024. Importa referir que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a esperança de vida média a nível global também subiu cinco anos entre os anos 2000 e 2015.