Hoje Macau China / ÁsiaMarinha | China e Indonésia terminam manobras perto de Taiwan As marinhas da China e da Indonésia concluíram exercícios navais conjuntos em águas a leste de Taiwan. O Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular da China informou que a fragata chinesa Honghe e a fragata indonésia KRI I Gusti Ngurah Rai-332 concluíram “todos os exercícios planeados” na manhã de quarta-feira. De acordo com o comunicado, divulgado na rede social Weibo, na quarta-feira, as tripulações praticaram comunicações marítimas, movimentos em formação, reabastecimento em alto-mar e procedimentos de separação de navios após as manobras. “Ambos os lados manobraram com flexibilidade, coordenaram-se e cooperaram estreitamente, concluindo com sucesso todos os objectivos”, afirmou o comando militar. O comunicado descreveu os exercícios como uma demonstração da vontade de ambos os países em cooperar “de forma pragmática” e “manter conjuntamente a paz e a estabilidade regional”. A Marinha da Indonésia desvalorizou o carácter excepcional do exercício, descrevendo-o como um exercício rotineiro de diplomacia marítima realizado durante o regresso do navio KRI I Gusti Ngurah Rai-332 à Indonésia, após participar em exercícios com a Marinha da Rússia em Vladivostok, no extremo oriente. De acordo com a agência de notícias pública indonésia Antara, o chefe do Serviço de Informação da Marinha da Indonésia, Tunggul, afirmou que este tipo de exercício de passagem são “interacções rotineiras de boa vontade” entre as marinhas e fazem parte da “camaradagem naval e da diplomacia marítima”.
Hoje Macau EventosMICAF | “Paz e Futuro” apresentado este domingo O 3.º Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau acolhe este domingo, a partir das 14h45 no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), o espectáculo de variedades “Paz e Futuro”, da responsabilidade da Companhia Artística Anjo da Paz Soong Ching Ling. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), esta apresentação traz a Macau “a rica essência e a vitalidade contemporânea da excepcional cultura tradicional chinesa através de diversas expressões artísticas, incluindo ópera de Pequim, dança, música folclórica, canto coral e artes marciais”. Na sinopse do espectáculo, lê-se que será evocado, em palco, “o espírito da antiga Rota da Seda”, apresentando-se elementos como a “percussão tradicional, ópera de Pequim, pipa, bem como o som exótico do morin khuur (instrumento de cordas mongol) e artes marciais”. “Ao fundir ritmos antigos com a criatividade moderna, o evento realça a diversidade e o espírito contemporâneo da China. Numa entusiástica demonstração das suas capacidades, jovens artistas de Macau irão juntar-se para nos oferecer uma intensa e confiante celebração de unidade cultural”, é referido. A companhia artística funciona sob alçada da Fundação Soong Ching Ling. Também no domingo, às 18h30, acontece a flash mob deste espectáculo junto ao espaço Anim’Arte Nam Van, “levando o ambiente artístico do palco directamente à comunidade”. A festa infantil “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece”, bem como o “Dia de Diversão MICAF – Artes em Festa”, tem lugar entre hoje e domingo na Praça do Centro Cultural de Macau.
Hoje Macau Manchete PolíticaCidade Universitária | Investimento acima de 18 mil milhões O projecto da futura Cidade Universitária irá implicar um investimento de cerca de 18 mil milhões de renminbis. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, os dados foram divulgados no âmbito da divulgação do relatório “Construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin”, pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL). A deputada Song Pek Kei, que preside à Comissão, explicou que as autoridades planeiam aumentar, gradualmente, o número de estudantes na Cidade Universitária para mais de 20 mil. No que respeita a políticas transfronteiriças, a deputada explicou que os estudantes do interior da China podem passar a fronteira sem barreiras, e quem vem de outros países e regiões consta de uma “lista branca”, que lhes facilita a passagem. Outro plano para a futura Cidade Universitária, é a criação de um novo posto fronteiriço com corredores específicos para os estudantes do campus da Universidade de Macau. Os estrangeiros e estudantes internacionais podem passar livremente a fronteira depois de apresentar uma declaração junto das autoridades da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin.
Hoje Macau PolíticaIp Sio Kai quer criar fórum de finanças sino-lusófonas O deputado Ip Sio Kai propôs ontem, na Assembleia Legislativa (AL), a criação de um fórum financeiro internacional anual para aprofundar o papel do território como plataforma de cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola. O fórum seria “organizado pelo Governo e co-organizado por instituições do sector financeiro, como a Associação de Bancos de Macau, contando com a participação de instituições financeiras, entidades tutelares, especialistas e académicos, e representantes do Interior da China e dos países de língua portuguesa e espanhola”, acrescentou. Ip afirmou que o fórum, tendo como foco os países de língua portuguesa e espanhola, criaria uma rede de intercâmbio financeiro com “características próprias”, “com painéis dedicados a Portugal, ao Brasil e aos restantes países de língua portuguesa, bem como aos países de língua espanhola”. Assim, “poderia promover a conjugação no âmbito do investimento transfronteiriço, finanças verdes, tecnologia financeira e internacionalização do yuan” e “elevando a visibilidade de Macau no intercâmbio financeiro internacional e na cooperação financeira regional”, acrescentou. Numa intervenção antes da ordem do dia, Ip Sio Kai defendeu que Macau “deve aprofundar as vantagens” enquanto plataforma de serviço para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, “ao mesmo tempo que expande os intercâmbios financeiros com os mercados internacionais, designadamente os países de língua espanhola”. Maior maturidade Ip Sio Kai considerou que, actualmente, as condições para o desenvolvimento da indústria financeira moderna “são mais maduras”, uma vez que o âmbito da indústria “tem vindo a alargar-se” e as infraestruturas financeiras e o apoio em termos de quadros qualificados “têm vindo a ser aperfeiçoados”. “É agora o momento adequado para integrar os recursos existentes e elevar o nível do intercâmbio financeiro, através da criação de uma plataforma de intercâmbio financeiro de alto nível, com características próprias de Macau e projecção internacional”, defendeu. Ip acrescentou que, se Macau conseguir aproveitar bem os fóruns financeiros e os eventos de intercâmbio, integrando os recursos do Governo, do sector financeiro e das instituições académicas para criar “uma plataforma de diálogo financeiro de alto nível”, isso “contribuirá para elevar a visibilidade de Macau no domínio financeiro internacional e criar mais oportunidades de cooperação para a indústria financeira e para a diversificação económica”.
Hoje Macau Manchete PolíticaDroga | Actualizada legislação com inclusão de “petróleo espacial” A Assembleia Legislativa aprovou ontem, com cariz de urgência, a revisão da lei de combate à droga com a inclusão de proibição da substância “etomidato”, também conhecida como “petróleo espacial”. José Pereira Coutinho sugeriu a inclusão de pareceres médicos e farmacológicos O hemiciclo aprovou ontem uma proposta do Governo para actualizar a lei de combate à droga, incluindo na lista de controlo de substâncias proibidas o etomidato, um analgésico usado para produzir uma droga sintética conhecida como “petróleo espacial”. A proposta, apresentada com carácter de urgência pelo Conselho Executivo, adapta a legislação local a decisões das Nações Unidas, que no ano passado incorporaram substâncias sujeitas a controlo internacional aprovadas pela Comissão de Estupefacientes da ONU, e adicionaram seis novas substâncias ao controlo global. Se aprovado na especialidade, o diploma vai introduzir o controlo de substâncias análogas ao etomidato que surgiram recentemente no mercado regional, designadamente o metomidato, propoxato e isopropoxato. O etomidato é um anestésico geral de uso exclusivamente hospitalar e de circulação proibida no mercado, que tem sido usado para fabricar uma droga sintética consumida por jovens, através de cigarros electrónicos, sob a designação popular de “petróleo espacial”. Estreia em 2023 Em Macau, já foram detectados quatro casos de consumo desta substância, com a primeira apreensão a ocorrer numa escola local, em Outubro de 2023, enquanto em Hong Kong as autoridades suspeitam que esteja associada a pelo menos três mortes. Após a aprovação, o deputado Che Sai Wang questionou a razão para o desfasamento entre a entrada em vigor de medidas do controlo destas substâncias em Macau quando comparado com a região vizinha de Hong Kong, enquanto o deputado José Pereira Coutinho pediu que de futuro seja realizado um processo de consulta pública para esclarecer o público sobre os perigos destas substâncias. “Como deputados não temos capacidade técnica e de análise para saber os tipos de drogas. Confiamos no Governo, mas seria importante ter pareceres de especialistas nas áreas da medicina e farmacologia nos quais Macau e a própria AL se possam basear para carregar no botão e aprovar a proposta de lei”, acrescentou. Hong Kong classificou, em Fevereiro do ano passado, vários ingredientes-chave utilizados na produção do “petróleo espacial”, incluindo o etomidato, que passou a classificar como uma droga perigosa, em vez de como uma substância tóxica de Classe 1. Por seu lado, a China continental proibiu o etomidato em Outubro de 2023, classificando a sua posse, tráfico, fabrico e consumo como infracções. O diploma aprovado abrange ainda sete novas substâncias análogas ao etomidato não sujeitas a controlo internacional: TF-Etomidate, Butomidate, secButomidate, Isobutomidate, 4F-Etomidate, ABP-700 e 2,6-diCl-3F-Etomidate. Segundo as autoridades, estas sete substâncias foram descobertas no Interior da China e colocadas sob controlo em Julho de 2025 devido à “grave ameaça para a saúde pública”, tendo Hong Kong também passado a controlar seis delas no mesmo mês. “Sem utilidade médica conhecida, possuem efeitos anestésicos e de sedação semelhantes ao etomidato, provocando dependência e danos para a saúde, sendo frequentemente adicionadas ao líquido de cigarros electrónicos para dificultar a sua detecção”, indica a proposta de lei. Embora as autoridades de Macau ainda não tenham registado apreensões destas sete substâncias análogas, o Executivo alertou que a proximidade geográfica com o Interior da China e Hong Kong aumenta consideravelmente o risco do seu uso abusivo na RAEM, justificando uma intervenção preventiva. Segundo o Governo, a atualização legislativa visa “evitar que as novas drogas causem ameaças à segurança da saúde pública e melhor prevenir e combater os crimes relacionados com a droga em sintonia com as regiões vizinhas e até com a comunidade internacional”.
Hoje Macau China / ÁsiaMarinha | China e Indonésia realizam exercícios conjuntos As marinhas da China e da Indonésia vão realizar exercícios navais conjuntos em meados de Agosto em águas a leste de Taiwan. Num comunicado divulgado na terça-feira, o Ministério da Defesa chinês informou que a fragata Honghe e um navio de guerra indonésio vão realizar exercícios focados nas comunicações e no reabastecimento no mar, sem especificar uma data ou local exactos. De acordo com o ministério, as manobras visam melhorar as capacidades operacionais conjuntas, aprofundar a cooperação e contribuir para a manutenção da paz e da estabilidade regional. O analista Zhang Junshe disse ao jornal estatal chinês Global Times que serão os primeiros exercícios navais entre a China e um país estrangeiro em águas a leste de Taiwan, uma área onde a presença de Pequim aumentou significativamente desde o final de Maio, com o envio de navios de investigação e da guarda costeira. “Convidar navios estrangeiros para treinar em águas sob jurisdição própria é normal e razoável”, afirmou o especialista. Embora não mantenha relações diplomáticas com Taipé, a Indonésia é um dos maiores grupos de imigrantes em Taiwan, com mais de 300 mil residentes. As manobras navais entre a China e a Indonésia — ainda não confirmadas por Jacarta — poderão ocorrer em paralelo com a fase final dos exercícios Han Kuang, os principais exercícios militares anuais de Taiwan, que terminam a 14 de Agosto.
Hoje Macau Grande PlanoVacinas | OMS preocupada com nova ofensiva de Trump A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou ontem preocupação com as novas recomendações sobre vacinação anunciadas esta semana pelo Presidente dos Estados Unidos, considerando que não se baseiam nos dados científicos disponíveis. “A política em matéria de vacinação deve basear-se numa análise rigorosa, independente e transparente dos melhores dados científicos disponíveis, e não em influências políticas”, advertiu o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, nas redes sociais. Donald Trump assinou na segunda-feira um decreto com novas recomendações em matéria de vacinas, apelando para que se espaçasse a administração às crianças, e referiu-se repetidamente ao autismo ao apresentar o texto. “A OMS está preocupada com as recentes alterações introduzidas na política de vacinação nos Estados Unidos não estarem em consonância com os dados científicos comprovados acumulados ao longo de décadas”, afirmou Tedros. Esses dados “indicam os períodos em que as crianças estão mais vulneráveis às doenças, os momentos em que as vacinas oferecem a melhor protecção, o número de doses necessárias, bem como as vacinas que podem ser administradas simultaneamente com toda a segurança”, destacou, sublinhando que as vacinas são objecto de uma análise contínua à medida que novas informações são recolhidas em todo o mundo. “As evidências actuais são inequívocas: as vacinas, incluindo a VASPR [sarampo, papeira e rubéola], são seguras e não causam autismo”, afirmou, tendo a OMS já sublinhado em várias ocasiões a ausência de ligação entre a vacinação e este distúrbio do desenvolvimento neurológico. O director-geral da OMS alertou também para que “adiar a vacinação ou espaçar desnecessariamente as doses não torna a vacinação mais segura e pode deixar as crianças desprotegidas”. Lei da ignorância A investigação médica nunca estabeleceu ligações entre o autismo e as vacinas, mas tanto o Presidente dos EUA como o secretário da Saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., continuam a sugerir que pode existir uma. Conhecido pelas posições anti-vacinas, Robert Kennedy Jr. iniciou, desde que foi nomeado para aquele cargo, uma ampla revisão das vacinas, algumas das quais utilizadas há décadas, reformulou o calendário de vacinação pediátrica e cortou o financiamento para o desenvolvimento de novas vacinas, medidas todas veementemente condenadas pela comunidade médica e científica. No início deste ano, a justiça norte-americana tinha suspendido a reformulação da política de vacinação dos EUA que Robert Kennedy Jr. tinha iniciado. O decreto assinado na segunda-feira por Donald Trump recomenda, em particular, administrar separadamente as vacinas contra o sarampo, a rubéola e a papeira, em vez de as administrar numa única injecção.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio | Tempestade tropical deixa milhares de casas sem energia A tempestade tropical Chan-hom deslocou-se ontem para oeste, depois de ter atingido a área metropolitana de Tóquio durante a noite, derrubando árvores e deixando milhares de casas sem energia. Chan-hom perdeu significativamente força depois de atingir, na terça-feira à noite, a província de Ibaraki, no sul do país, onde cinco pessoas sofreram ferimentos ligeiros. Na manhã de ontem, a tempestade estava perto de Gifu, no centro do Japão, enquanto se dirigia para a baía de Wakasa, na costa centro-norte do arquipélago. Chan-hom atingiu o Japão dias depois de o tufão Dolphin ter causado estragos em zonas do sul do país, paralisando o trânsito e obrigando centenas de pessoas a procurar abrigo. Depois de enfraquecer para uma tempestade, Dolphin matou 10 pessoas nas Filipinas e causou inundações na China, obrigando centenas de milhares de pessoas a deslocarem-se. Em Tóquio, os comboios suburbanos e os voos operavam ontem normalmente e o comércio seguia quase como habitualmente, embora a agência meteorológica tenha previsto fortes chuvas e trovões ao longo do dia no norte e oeste do Japão. Na manhã de ontem, mais de três mil casas estavam sem energia eléctrica em Ibaraki e na província vizinha de Tochigi, segundo a operadora TEPCO Power Grid. A tempestade derrubou árvores em vários locais de Tóquio, incluindo uma na popular zona comercial de Omotesando, embora ninguém tenha ficado ferido, segundo a emissora pública japonesa NHK. O fenómeno afetou muitos viajantes durante a semana de feriados budista “Bon”, no Japão, dedicada à homenagem aos espíritos ancestrais. Cerca de 60 voos com partida e chegada no aeroporto de Haneda, em Tóquio, foram cancelados na terça-feira. Na província de Ibaraki, a popular praia de Oarai estava vazia, uma vez que foi encerrada devido à tempestade. A chegada de um tufão ou tempestade à costa em Ibaraki na terça-feira foi a primeira desde que a Agência Meteorológica do Japão começou a manter registos, em 1951.
Hoje Macau VozesAssociações de Macau: uma reforma que merece ser bem discutida Por Manuel Silvério* Nos últimos dias, alguns dirigentes associativos têm-me perguntado o que penso sobre a reformulação do Regime Jurídico das Associações agora colocada em consulta pública pelo Governo da RAEM. Não foram perguntas feitas apenas por curiosidade. Senti alguma preocupação, sobretudo entre pessoas que há muitos anos dedicam parte do seu tempo às associações, muitas vezes voluntariamente, e que agora procuram perceber o que poderá mudar e que novas responsabilidades lhes poderão ser exigidas. Compreendo essa preocupação. Talvez também porque acompanhei de perto outra fase da história do associativismo em Macau. Na sequência das transformações políticas e administrativas iniciadas com a Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974, o desporto de Macau foi adquirindo progressivamente maior autonomia organizativa. Vivi um período em que foi necessário criar associações desportivas territoriais representativas das diferentes modalidades, capazes de organizar a actividade local e permitir que Macau participasse, com identidade própria, em organizações e competições regionais, asiáticas e internacionais. Essas associações não nasceram para aumentar números nem preencher registos. Nasceram porque eram necessárias. Depois, Macau mudou e o associativismo mudou com Macau. Multiplicaram-se as actividades, aumentaram os praticantes e as competições e intensificaram-se os intercâmbios com associações e clubes das cidades vizinhas. Foram surgindo muitos clubes e associações de natureza desportiva, recreativa, cultural, social ou semelhante. Grande parte nasceu naturalmente dessa vitalidade. Muitos continuam hoje a desenvolver um trabalho útil. Outros foram perdendo actividade e alguns terão simplesmente deixado de funcionar. Por detrás dessas associações estiveram — e continuam a estar — pessoas que aceitaram ser dirigentes sem receber nada em troca, organizaram actividades depois do trabalho, acompanharam jovens, promoveram cultura e desporto e ajudaram a manter vivas pequenas colectividades. Esta dimensão humana não deve ser esquecida quando discutimos uma reforma jurídica. Ao mesmo tempo, cresceram os apoios públicos ao associativismo e as associações passaram também a desempenhar um papel em diferentes mecanismos de representação social e política. Todo este universo se tornou progressivamente mais amplo e complexo. Seria injusto generalizar ou pôr em causa o trabalho meritório de milhares de dirigentes. Mas também seria pouco realista olhar para todas as associações como se tivessem a mesma origem, dimensão, actividade ou função social. É neste contexto que os números merecem atenção. Das menos de duas mil associações existentes antes do estabelecimento da RAEM passámos para mais de 12 mil. Segundo o documento de consulta, apenas cerca de 60 por cento mantêm algum nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou nunca chegaram verdadeiramente a funcionar. O próprio documento utiliza uma expressão particularmente elucidativa: “associações adormecidas”. Há, portanto, razões objectivas para rever o sistema. Uma reforma necessária Considero a iniciativa do Governo oportuna e necessária. E é precisamente por reconhecer essa necessidade que considero importante aproveitar a consulta pública para discutir não apenas os problemas que a nova legislação pretende resolver, mas também a forma como as soluções propostas poderão funcionar na prática. A minha posição é simples: não contra a reforma, mas a favor de uma boa reforma. O documento de consulta apresenta como objectivos uma melhor garantia da liberdade de associação e dos direitos e interesses legítimos das associações, procurando simultaneamente promover o seu desenvolvimento ordenado e sustentável. Parece-me igualmente razoável simplificar procedimentos actualmente repartidos por diferentes serviços e concentrar na Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) competências relativas à constituição, registo e fiscalização das associações. Menos burocracia, procedimentos mais claros e informação actualizada podem beneficiar tanto a Administração como as próprias associações. Mas estamos perante mais do que uma reorganização administrativa. A DSI passará a dispor de poderes mais amplos sobre o funcionamento das associações. Poderá solicitar informações, determinar a sanação de irregularidades e, nas circunstâncias previstas no novo regime, decidir a extinção de uma associação. Importa, contudo, distinguir situações diferentes. Perante determinadas irregularidades — como a falta de eleição ou designação de novos titulares dos órgãos ou a não realização da assembleia geral para aprovação das contas — está previsto um mecanismo de sanação. A associação será notificada e terá oportunidade de regularizar a situação antes de uma eventual extinção. Regularizar não significa necessariamente extinguir. E uma boa lei deve saber distinguir um erro ou uma situação corrigível de uma realidade em que uma associação deixou efectivamente de funcionar. Doze mil associações, realidades diferentes Uma associação que organiza regularmente actividades para centenas de pessoas, um pequeno clube recreativo, uma associação de moradores, uma organização profissional, uma colectividade cultural e uma associação que deixou de funcionar há vinte anos podem ter a mesma natureza jurídica. Mas não representam a mesma realidade. Uma legislação destinada a organizar mais de 12 mil associações deverá, tanto quanto possível, saber reconhecer essas diferenças. Resolver a situação das associações que apenas sobrevivem no papel é compreensível. Exigir a actualização dos órgãos sociais, o cumprimento dos estatutos e maior transparência também o é. Mas modernizar não pode significar apenas fiscalizar mais. Uma verdadeira modernização mede-se também pela simplicidade dos procedimentos, pela clareza das regras, pela proporcionalidade das obrigações e pela segurança proporcionada a quem procura cumpri-las. Vejo ainda uma possível vantagem nesta actualização do universo associativo, embora não decorra necessariamente da proposta actualmente em consulta. Saber com maior rigor quais são as associações que efectivamente funcionam poderá ajudar, no futuro, a tornar mais justa e criteriosa a atribuição de subsídios e outros apoios públicos. Os recursos disponíveis não são ilimitados. Parece-me razoável que a actividade efectiva, a regularidade do funcionamento, o interesse dos projectos, as pessoas realmente beneficiadas e a boa utilização dos apoios anteriormente recebidos possam ajudar a orientar a aplicação das verbas públicas. Não se trata de premiar associações grandes e esquecer as pequenas. Uma pequena colectividade pode realizar um trabalho extraordinariamente útil para um bairro, para jovens, para uma modalidade desportiva ou para preservar uma tradição cultural. Trata-se de conhecer melhor a realidade para decidir melhor. Uma melhor organização do universo associativo poderá servir não apenas para fiscalizar melhor, mas também para apoiar melhor. Segurança nacional Há outra dimensão da reforma que não deve ser ignorada. Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China e a sua realidade deve ser compreendida dentro do quadro constitucional do País e num contexto internacional bastante diferente daquele em que o actual regime das associações foi concebido. A segurança nacional tornou-se uma preocupação cada vez mais presente num mundo marcado por maior competição geopolítica e novas formas de interferência. É compreensível, por isso, que esta dimensão esteja também presente na revisão do enquadramento jurídico das associações da RAEM. A proposta prevê a intervenção da Comissão de Defesa da Segurança do Estado em determinadas situações relacionadas com a constituição ou extinção de associações. A salvaguarda da segurança nacional é uma responsabilidade fundamental da RAEM e não questiono a necessidade de mecanismos adequados quando esteja efectivamente em causa essa segurança. Também não vejo a liberdade de associação e a segurança nacional como princípios necessariamente opostos. O importante será que as regras sejam claras e proporcionais, para que os dirigentes compreendam as suas responsabilidades e as associações que actuam legitimamente possam continuar a desenvolver normalmente as suas actividades. Uma associação política por identificar O documento contém ainda uma particularidade que talvez possa ser esclarecida durante a consulta pública. O Governo refere a existência de uma associação política constituída antes da entrada em vigor da Lei n.º 2/99/M, prevendo para ela um regime transitório que permita a sua manutenção. O documento não identifica essa associação. Não considero esta uma questão central da reforma. Mas, uma vez que a sua existência justifica uma solução específica no novo regime, parece-me natural perguntar de que associação se trata. É também para isto que serve uma consulta pública: esclarecer dúvidas, ouvir preocupações e permitir que a sociedade compreenda melhor uma legislação que terá consequências para milhares de organizações e para muitas mais pessoas. Reformar para fortalecer Macau mudou profundamente e o seu movimento associativo mudou com ele. Passar de menos de duas mil para mais de 12 mil associações justifica naturalmente uma revisão do respectivo enquadramento jurídico. Mas os números não contam toda a história. Por detrás deles estão associações com décadas de actividade e forte implantação social, pequenos clubes, organizações que trabalham com jovens, colectividades culturais, associações profissionais, entidades que prestam serviços à comunidade e também associações que há muito deixaram de funcionar. Por detrás dos números estão, sobretudo, pessoas. Uma boa reforma deverá saber distinguir estas realidades: regular melhor as associações que efectivamente funcionam, dar oportunidade de regularização às que apresentam situações sanáveis, resolver o problema das que permanecem apenas no registo e evitar encargos desnecessários para quem procura cumprir normalmente as suas obrigações. Se uma informação mais rigorosa sobre a actividade efectiva das associações puder também contribuir, no futuro, para uma utilização mais justa e eficaz dos apoios públicos, haverá aí um benefício adicional para toda a comunidade. As associações tiveram um papel importante na construção da sociedade de Macau — no desporto, na cultura, na educação, na juventude, na solidariedade e em tantas outras áreas. A reforma não deve apagar essa história. Deve ajudar a dar-lhe continuidade em condições mais claras, responsáveis e adequadas ao Macau de hoje. É por isso que considero esta reforma necessária. E é precisamente por considerá-la necessária que vale a pena discuti-la bem. Há, contudo, uma segunda dimensão que merece reflexão própria. Muitas associações de Macau mantêm relações com organizações do Interior da China, de Hong Kong e do exterior, algumas através de filiações regionais e internacionais. As novas obrigações previstas nesta matéria levantam questões diferentes: transparência, cumprimento de regras, financiamento externo, segurança nacional e articulação com os serviços públicos. Será esse o tema da próxima reflexão. * Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional (Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Companhia chinesa lança rota pelo mar do norte da Rússia O serviço China-Europe Arctic Express, lançado pela Sea Legend Shipping, prevê que o transporte de contentores para a Europa demore entre 20 e 22 dias Uma companhia marítima chinesa prevê lançar esta semana um serviço regular de transporte de contentores para a Europa através da Rota Marítima do Norte (NSR) da Rússia, numa iniciativa que visa transformar o tráfego ártico. A empresa Sea Legend Shipping estreia este mês o seu serviço China-Europe Arctic Express (CAX), com o qual prevê realizar oito partidas entre Agosto e Outubro, com sete navios e tempos de travessia previstos entre 20 e 22 dias, de acordo com a imprensa local. O serviço transportará carga proveniente de vários portos do leste da China, como Qingdao ou Xangai, antes de fazer escala em Ningbo-Zhoushan e partir rumo a Felixstowe (Reino Unido), com ligações a outros portos europeus como Roterdão (Países Baixos), Hamburgo (Alemanha) ou Gdynia (Polónia). No calendário publicado pela companhia marítima constam, por enquanto, duas rotas: a primeira, do navio “Dubai Tower”, que, em princípio, deverá partir de Ningbo em 15 de Agosto e chegar a Felixstowe em 07 de Setembro, e uma segunda programada para o navio “Riyadh Mukaab”. O novo serviço surge na sequência da viagem realizada no ano passado pelo navio “Istanbul Bridge”, considerada a travessia inaugural desta rota comercial. Ao contrário daquela, organizada como uma viagem pontual, o CAX conta agora com datas de partida fixas, navios atribuídos de forma permanente e um tempo de travessia planeado. Segundo informou na altura a Sea Legend Shipping, o percurso pelo Passo do Nordeste reduz quase para metade o tempo de navegação em comparação com a rota tradicional pelo Canal do Suez, que demora cerca de 40 dias, e é também cerca de cinco dias mais rápido do que o percurso ferroviário China-Europa, de cerca de 25 dias. Benesses do degelo Hu Qimu, professor do Instituto da Rota da Seda Marítima da Universidade de Huaqiao, salientou ao jornal Global Times a importância de desenvolver rotas alternativas face aos riscos crescentes das vias tradicionais, tais como o aumento dos custos do combustível e das operações em alguns corredores devido a tensões geopolíticas. Por enquanto, a Rota do Mar do Norte só é navegável durante o Verão, mas o derretimento do gelo ártico poderá alargar o período em que os cargueiros podem operar, oferecendo à Rússia oportunidades económicas e geopolíticas.
Hoje Macau China / ÁsiaTencent | Lucro sobe10% até Junho para 14,6 mil ME O lucro da gigante digital chinesa Tencent subiu 10,31 por cento até Junho, face a igual período de 2025, para 114,115 mil milhões de yuans, divulgou ontem o conglomerado tecnológico. De acordo com o comunicado dos resultados do semestre, a Tencent, que está cotada na bolsa de Hong Kong, registou um aumento de 10,07 por cento das receitas para 401,243 mil milhões de yuans. A tecnológica diz estar a fazer “progressos consideráveis” na reformulação de si própria como um grupo “impulsionado pela inteligência artificial (IA)” — área na qual, no mês passado, lançou a versão completa do seu modelo Hunyuan 3 (Hy3) e onde o seu assistente de escritório WorkBuddy e o seu assistente de programação CodeBuddy “lideram claramente os seus respectivos segmentos” no mercado chinês. Quanto à infraestrutura, a Tencent “aumentou significativamente” as suas compras de equipamento de computação, o que lhe permitirá converter a utilização das suas aplicações e modelos “em receitas futuras”. “Continuamos a melhorar os nossos serviços existentes, impulsionados pelo crescimento sustentado das receitas de serviços de marketing, pelo lançamento recente de vários videojogos de sucesso e pelo rápido aumento das visualizações de vídeos” na popular rede social WeChat, refere a Tencent. Entre os principais segmentos que a Tencent detalha, a divisão de serviços de marketing apresentou o melhor desempenho, registando um aumento de 20,9 por cento nas receitas. Este desempenho superou o de divisões maiores, como a dos “serviços de valor acrescentado” — que engloba os videojogos e as redes sociais e representa quase metade (48,5 por cento) das receitas do grupo —, que cresceu 6 por cento, e a dos serviços financeiros (fintech), que registou um aumento de 8,8 por cento. O negócio das redes sociais aumentou 0,8 por cento entre Abril e Junho, em termos homólogos, e a rede social WeChat fechou o primeiro semestre com 1.439 milhões de utilizadores activos mensais, mais 28 milhões que um ano antes.
Hoje Macau SociedadeLucros do BNU caem 1,3% na primeira metade de 2026 O Banco Nacional Ultramarino (BNU) anunciou ontem lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas na primeira metade do ano, uma queda homóloga de 1,3 por cento. Ainda assim, os resultados mostram uma melhoria face ao primeiro trimestre, período em que o lucro da instituição financeira recuou 17 por cento em termos anuais. O banco apontou como principal razão para a melhoria no segundo trimestre um aumento de 0,9 por cento, para 434,2 milhões de patacas, na margem financeira líquida, a diferença entre receitas provenientes de empréstimos e juros pagos por depósitos. “Este desempenho reflectiu o crescimento do volume de negócios, apesar do impacto da redução das taxas de juro na rentabilidade dos activos”, referiu o BNU, num comunicado. Isto depois de a Autoridade Monetária de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, acompanhando a Reserva Federal norte-americana. Pelo contrário, as receitas de serviços e comissões cobradas pelo banco caíram 2,3 por cento, para 44,5 milhões de patacas e a margem financeira complementar foi afectada “pela redução dos resultados de operações financeiras”. O BNU indicou ainda que contabilizou perdas de 14,7 milhões de patacas com crédito malparado e aplicações financeiras, menos 62 por cento do que no mesmo período de 2025. Esta redução “reflecte a contínua resiliência da qualidade dos activos, (…) em linha com a abordagem prudente do banco na gestão do risco”, sublinhou a instituição. Em contra-mão O BNU registou em 2025 uma queda de 26,3 por cento nos lucros líquidos, o segundo ano consecutivo em que os proveitos da instituição financeira encolheram, depois de uma diminuição de 0,4 por cento nos lucros em 2024. De acordo com dados oficiais, os bancos de Macau obtiveram lucros de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento).
Hoje Macau Manchete SociedadeMedia | Paulo Rego na Comissão de Gestão do canal “Conta Lá” A assembleia-geral do Conta Lá elegeu uma Comissão de Gestão, composta por Rui Rego, Diogo Alexandre e Paulo Rego, que toma posse na segunda-feira com mandato até Dezembro, disse à Lusa o dono do Plataforma Macau. A reunião magna tinha sido suspensa no segundo ponto, que tinha a ver com a análise e decisão sobre o plano de reestruturação da empresa, para quarta-feira. Na assembleia-geral (AG) estavam presentes todos os accionistas, encerrou-se a atual reunião magna e convocou-se uma outra para cerca de 10 minutos depois. Nesta segunda AG foi anulada a decisão do ponto um da anterior e aprovada a conversão total do capital investido em capital social. De acordo com o dono do Plataforma Macau, Paulo Rego, todo o capital investido é transformado em capital social. Na reunião magna extraordinária de ontem foi mandatada uma Comissão de Gestão até Dezembro para preparar a empresa para ser nomeada uma Comissão Executiva de longo prazo que corresponda à nova composição accionista num aumento de capital previsto até cinco milhões, sendo que a primeira tranche será definida até segunda-feira por um conjunto de quatro accionistas (três actuais que vão ao aumento de capital num bloco que inclui o Plataforma). A Comissão de Gestão é composta por Rui Rego (advogado, com pós-graduação em gestão), Diogo Alexandre (actual director de programas) e Paulo Rego, dono do Plataforma Macau. Com a tomada de posse na segunda-feira, há quatro prioridades: “Corte de custos, pagamento de salários, pagamento das dívidas críticas, nomeadamente ao Estado e a fornecedores críticos” e elaborar “planos de gestão da dívida”, disse Paulo Rego. A Comissão de Gestão tem de fechar o aumento de capital até cinco milhões de euros e negociações para novos investidores estão em curso. Além disso, é preciso gerir a dívida e ter capacidade de investimento, nomeadamente tecnológica. Os trabalhadores estão com salários em atraso há três meses.
Hoje Macau PolíticaFDC | Aceites candidaturas para apoio financeiro O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) aceita, entre hoje e o dia 8 de Setembro, candidaturas para o “Plano de Apoio Financeiro” para actividades ou projectos culturais a realizar em 2027. Segundo um comunicado do FDC, pretende-se apoiar “actividades e projectos que tenham como orientação principal elementos como ‘exploração de recursos sobre figuras históricas'”, ou ainda “preservação e promoção do património cultural tangível”. Incluem-se ainda temas como a “aplicação da integração entre cultura digital e tecnologia”, “criação colectiva”, “interligação cultural entre Macau e Hengqin”, entre outros. Os candidatos devem ser associações ou fundações locais sem fins lucrativos, constituídas nos termos da lei até 31 de Dezembro de 2023, e devem ser as entidades organizadoras das actividades a realizar. O período de apoio financeiro decorrerá de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2027, e abrange áreas como artes visuais, criação literária, música ou património cultural tangível, entre outras. As propostas serão avaliadas pela Comissão de Avaliação de Actividades e Projectos do FDC. Alguns dos critérios para a concessão do apoio passam pela apresentação de “conteúdos de qualidade, planeamento bem estruturado, orçamento razoável”, além de que o projecto deve contribuir “para o desenvolvimento da cultura e das artes em Macau”. Serão realizadas, a 21 de Agosto, duas sessões de esclarecimento, no Edifício Centro Comercial Cheng Feng, das 14h30 às 15h45, e ainda das 16h às 17h15. As inscrições decorrem no website do FDC.
Hoje Macau SociedadeIdosos | Registado aumento de pedidos de ajuda devido ao calor Pun Ka Lon, chefe do Centro de Serviços de Tele-Assistência “Peng On Tung”, da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong), afirmou que têm recebido mais pedidos de ajuda por parte de idosos devido às elevadas temperaturas. Actualmente, o Centro dá apoio a cerca de seis mil idosos com cuidados domiciliários, tendo ainda cerca de 1,5 mil utentes para cuidados no exterior. Com a subida das temperaturas, têm sido recebidas cerca de 300 chamadas por dia com pedidos de ajuda ou simples consultas de informações, sendo que 10 dizem respeito a casos de emergência na área da saúde. Nestas situações, os idosos dizem sentir tonturas, desconforto a nível da função cardíaca e problemas físicos. Num só dia o Centro recebeu 16 pedidos de ajuda, indicou Pun Ka Lon. Segundo escreveu o jornal Ou Mun, o responsável lançou um apelo para que as famílias possam passar mais tempo com os idosos a fim de lhes prestar apoio nestes dias de maior calor. No que diz respeito às tarifas de electricidade, o dirigente disse esperar que o Governo distribua mais subsídios nos meses de Verão tendo em conta a maior necessidade de ligar o ar condicionado e ventoinhas durante maiores períodos de tempo.
Hoje Macau Manchete PolíticaDespesas públicas sobem 4,9% até Julho após reforço dos apoios sociais As despesas públicas de Macau subiram 4,9 por cento nos primeiros sete meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais, de acordo com dados oficiais. Um relatório publicado pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na segunda-feira indica que Macau gastou até ao final de Julho 53,2 mil milhões de patacas, 48,7 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 14,7 por cento, para 31,3 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. Por outro lado Já os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 9,3 por cento até Julho, para 8,75 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro, que irá chegar às Portas do Cerco. As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,3 por cento, para 9,25 mil milhões de patacas), depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo. Tal como a despesa pública, também a receita corrente de Macau subiu 8,6 por cento nos primeiros sete meses de 2026, para 67,9 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 9,3 por cento, para 58,3 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,6 por cento do total. Com as despesas a crescer menos do que as receitas, o território registou um excedente nas contas públicas de 15,8 mil milhões de patacas, mais 29,7 por cento do que até Julho de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.
Hoje Macau China / ÁsiaPacífico | China protesta contra participação de Taiwan em Fórum A China pediu ontem ao líder do Fórum das Ilhas do Pacífico que “evite prejudicar o desenvolvimento saudável e estável” das relações diplomáticas, após Baron Waqa ter confirmado a participação de Taiwan na próxima cimeira. Os protestos de Pequim, que reivindica a soberania sobre Taipé, tinham levado à exclusão de Taiwan do Fórum das Ilhas do Pacífico em 2025, acolhido pelas Ilhas Salomão. Mas Palau, o arquipélago onde se realiza a cimeira deste ano, entre 30 de Agosto e 04 de Setembro, está entre os restantes aliados diplomáticos de Taiwan, juntamente com Tuvalu e as Ilhas Marshall. A participação de Taipé foi confirmada na sexta-feira pelo secretário-geral do Fórum, Baron Waqa, numa conferência de imprensa. “Taiwan é um parceiro de desenvolvimento muito importante. Não é um parceiro de diálogo, no entanto, interage com os membros da nossa família do fórum”, disse Waqa. “A China pede ao secretário-geral do Fórum das Ilhas do Pacífico que adira estritamente ao princípio de Uma Só China, que lide adequadamente com as questões relacionadas com Taiwan e que assegure que não prejudica o desenvolvimento saudável e estável das relações entre a China e o Fórum”, disse ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Hoje Macau PolíticaIC | Descoberto caso de conluio com duas empresas de limpeza O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou ontem um caso suspeito de concertação, por parte de duas empresas na área da limpeza, num concurso público. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o CCAC sugeriu maior fiscalização por parte deste organismo para evitar que casos do género voltem a acontecer. O CCAC descobriu que “os membros dos conselhos de administração eram semelhantes às duas empresas, podendo existir uma situação de conluio ou concertação entre elas”. Porém, aquando da realização do concurso público, o IC não verificou esta situação. Nenhuma das empresas ganhou o concurso, mas o CCAC alerta o IC para a importância de ter “responsabilidade na promoção e garantia de concorrência justa nos procedimentos de contratação pública, a fim de prevenir situações de concertação ou conluio entre os concorrentes”. A notícia destaca o facto de o CCAC ter chamado a atenção para a entrada em vigor, a 1 de Setembro, da nova Lei de Contratação Pública, que “estabelece o princípio da concorrência leal”. Entretanto, o IC diz “concordar com as recomendações do CCAC”, tendo “procedido à actualização das orientações internas de trabalho”. Desta forma, “ficou estabelecido que, durante a análise das propostas, a comissão [do concurso público] deve consultar os documentos escritos do registo comercial apresentados pelos concorrentes e verificar a composição dos seus órgãos de administração, de modo a determinar se existe uma eventual situação de conluio”.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Revisão de alerta de stress térmico após recorde de temperatura As sucessivas ondas de calor levam o Governo a justar os níveis de alerta de stress térmico. Em Sheung Shui, a temperatura atingiu 39,7 graus no domingo O Governo de Hong Kong prometeu ontem rever o sistema de alerta de stress térmico, que não passou do nível mais baixo, apesar de a região chinesa ter registado um novo máximo histórico de temperatura. Hong Kong registou no domingo a temperatura mais elevada desde que existem registos, em 1884, ao atingir 36,9 °C na sede da agência meteorológica, cujas medições servem de referência para a cidade. O Observatório de Hong Kong sublinhou que a temperatura chegou a 39,7 graus na zona de Sheung Shui, a mais elevada desde a instalação de estações meteorológicas automáticas, na década de 1980. No entanto, o Sistema de Alerta de Stress Térmico no Trabalho, sob a tutela do Departamento de Trabalho, manteve-se no nível amarelo, o mais baixo da escala de três níveis. O Comissário do Trabalho prometeu ontem melhorar o sistema de alerta, que admitiu ser mais sensível a condições de “clima abafado” do que a altas temperaturas e forte radiação solar. O sistema tem em conta factores como a temperatura do ar, a humidade, a velocidade do vento e a radiação solar, numa ponderação pensada para se adequar ao clima da região, sublinhou Sam Hui Chark-shum. “Em Hong Kong, o stress térmico nem sempre acompanha a variação real da temperatura”, disse o dirigente, citado pela imprensa local. “Quando a humidade é elevada e a velocidade do vento é baixa, a nossa capacidade de arrefecimento cai drasticamente, mesmo que a temperatura não seja tão elevada, e o risco para a saúde associado pode ser maior do que num espaço aberto e bem ventilado com uma temperatura mais elevada”, sublinhou Sam Hui. O sistema, desenvolvido pelo Observatório e pela Universidade Chinesa de Hong Kong, serve para avisar patrões e trabalhadores quando trabalham ao ar livre ou em ambientes fechados sem ar condicionado. Durante um alerta amarelo, os funcionários devem ter períodos de descanso adicionais. Quando um alerta vermelho ou negro (o mais elevado) está em vigor, os trabalhadores devem suspender as atividades. Ajustes em curso Hui sublinhou que as autoridades previam que o alerta fosse para além do nível amarelo, após uma expansão do sistema de monitorização, em Abril, de apenas uma para nove estações. “Quando descobrimos que o nível de alerta não subiu durante o fim de semana, apesar das altas temperaturas, também ficámos com muitas dúvidas”, disse o comissário. “Estamos a considerar ajustar o limiar de activação a altas temperaturas. Ao reduzir os limiares de temperatura e radiação solar, seria mais fácil atingir os critérios para emitir um alerta de nível superior”, explicou. Hui prometeu trabalhar com o Observatório para encontrar “uma abordagem baseada em dados e cientificamente sólida” e concluir uma revisão do sistema até ao final do Verão.
Hoje Macau China / ÁsiaChina pede para participar nas consultas pedidas pelo Brasil contra EUA na OMC A China pediu para participar nas consultas abertas na Organização Mundial do Comércio (OMC) na sequência da disputa iniciada pelo Brasil contra os Estados Unidos sobre tarifas adicionais aplicados a determinados produtos brasileiros, revelou segunda-feira a organização. O pedido chinês foi apresentado em 06 de Agosto e comunicado ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, refere um documento divulgado pela organização. A China, detalha, pretende juntar-se às consultas solicitadas pelo Brasil no âmbito da disputa “Estados Unidos – Direitos adicionais sobre determinados produtos originários do Brasil”, cujo pedido foi distribuído pela OMC em 30 de Julho. Pequim justificou o pedido com o argumento de que possui um “interesse comercial substancial” nas consultas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam de autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China. Brasília accionou a OMC contra duas tarifas aplicadas pela administração de Donald Trump, sendo uma de 25 por cento pelo facto de Washington entender que o Brasil adopta práticas desleais relativamente às empresas norte-americanas. Os EUA também aplicaram tarifas de 12,5 por cento ao Brasil, assim como a outras dezenas de países que supostamente falharam na fiscalização de importação de produtos produzidos a partir do trabalho forçado. Pequim destacou que essas medidas afectam as suas exportações para o mercado norte-americano, com excepção de determinados produtos, e alteram as condições de concorrência dos produtos chineses devido às tarifas adicionais impostas. Manobras de Donald Também segunda-feira, a Organização Mundial do Comércio informou que os EUA aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. No documento, Washington sinalizou estar disponível para reunir com representantes da missão brasileira numa data que seja conveniente para ambas as partes. A aplicação das sobretaxas dos EUA ao Brasil é mais um capítulo da crise diplomática entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto. O executivo liderado pelo Presidente Lula da Silva tem dito, reiteradas vezes, que são falsas as alegações de Washington contra o Brasil e acusa Donald Trump de aplicar sanções ao país como forma de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Hoje Macau China / ÁsiaTufão Dolphin | China mantém alerta de chuva O tufão Dolphin continuou ontem a perder força, enquanto se deslocava para o interior da China, mas as autoridades mantiveram o alerta devido à previsão de fortes precipitações em grandes áreas do país. Às 05:00 de ontem, o Centro Meteorológico Nacional chinês localizou o centro do Dolphin – agora já classificado como uma tempestade tropical – sobre a cidade de Anqing (leste), com ventos máximos sustentados de 20 metros por segundo. A agência prevê que o sistema se desloque para oeste-noroeste a uma velocidade de 15 a 20 quilómetros por hora e continue a perder força, embora tenha mantido o alerta laranja, o segundo nível mais elevado, para chuvas fortes. Para hoje, as autoridades prevêem chuvas fortes a torrenciais em grandes áreas do leste, centro e norte da China, com aguaceiros particularmente intensos em províncias como Henan (centro), onde algumas áreas poderão acumular entre 250 e 300 milímetros. O Centro Meteorológico alertou ainda para a possibilidade de ventos fortes, granizo e, em algumas zonas, tornados. No leste da China, a situação do tráfego aéreo apresentou alguma melhoria ontem, embora os cancelamentos tenham persistido. Danos e pagamentos Entretanto, as seguradoras sediadas no leste da China também desencadearam os procedimentos de indemnização por danos relacionados com o tufão. Só em Xangai, tinham sido recebidos 5.271 pedidos de indemnização até à tarde de segunda-feira, com prejuízos estimados em 94,8 milhões de yuan, segundo a emissora estatal chinesa CCTV. O Dolphin, o décimo terceiro tufão da temporada segundo a classificação chinesa, atingiu terra por volta das 17:30 de domingo na cidade de Yuhuan, em Zhejiang. O tufão trouxe chuvas recorde para Xangai, onde uma estação meteorológica central registou 312,9 milímetros em 24 horas, o maior volume em mais de 150 anos, segundo a imprensa local. De acordo com as autoridades, mais de 1,6 milhões de pessoas foram retiradas das suas habitações por razões de segurança.
Hoje Macau SociedadeFilipinas | Influencer chinesa assassinada Kong Limei, influencer chinesa conhecida pelo nome de Athena Liya, foi assassinada nas Filipinas depois de um sequestro ocorrido em Junho de 2023. A influencer ficou em terceiro lugar no concurso “Miss World”, realizado em 2021 em Macau. A notícia foi agora divulgada por vários meios de comunicação social do interior da China a propósito da extradição, dos EUA para a China, de Liu Hanwen, cabecilha de um grupo criminoso e responsável por vários casos de sequestro e homicídio nas Filipinas. As notícias dão conta que Athena Liya foi enganada por uma amiga, que a incentivou a viajar para Manila a pretexto de fazer uma viagem e tirar fotografias. Porém, a influencer foi sequestrada, e apesar de a família ter pago os 800 mil dólares americanos exigidos para o resgate, acabou por ser assassinada. Naquela altura, depois de terem sido divulgadas informações sobre o sequestro, surgiram boatos nas redes sociais de que Athena Liya teria sido vendida para o Camboja.
Hoje Macau SociedadeNAPE | Homens vestidos de mulher roubam cliente Dois homens de nacionalidade filipina vestiram-se de mulher e furtaram 41 mil patacas a outro homem, não residente, numa casa de massagens. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na noite desta segunda-feira, com a vítima a ser abordada pelos suspeitos nas imediações de um hotel na zona do NAPE. O homem de meia-idade, que não é residente, percebeu depois que lhe tinha sido furtado o dinheiro, tendo conseguido interceptar os dois filipinos na rua e comunicar a ocorrência às autoridades. Os dois homens, na casa dos 20 anos, prestaram declarações, sendo que um disse estar desempregado e outro trabalhava como maquilhador. Ambos foram constituídos arguidos por suspeita do crime de furto qualificado. A Polícia Judiciária (PJ) está agora a investigar o caso, a fim de perceber se os suspeitos praticaram outros crimes semelhantes. Para já, não há provas de que este caso esteja relacionado com prostituição.
Hoje Macau SociedadeRua do Patane | Governo recupera terreno O Governo recuperou um terreno situado na Rua do Patane, na península de Macau, devido à abertura de uma via e criação de uma zona de lazer temporária. Segundo foi ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), este espaço “integra um dos 39 terrenos que o Governo da RAEM planeia utilizar provisoriamente”, estando até à data ocupado ilegalmente. O terreno tem uma área aproximada de 985 metros quadrados e tinha portões metálicos, tapumes, estruturas de suporte e coberturas, bem como “um grande número de veículos” estacionados. Esta recuperação ocorre depois de ter sido emitido um aviso para a desocupação, que não foi cumprido pelos ocupantes ilegais. Obras | Encerrado viaduto da Horta e Costa Estará encerrado entre sábado e terça-feira, 18, o viaduto da Avenida de Horta e Costa em direcção ao Túnel da Guia, não sendo possível o trânsito nessa zona. Segundo uma nota conjunta da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) e Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o encerramento deve-se à necessidade de obras no local dado haver “desgaste nas juntas de dilatação do viaduto”. Serão utilizados “novos materiais a fim de eficazmente fazer aumentar a durabilidade das juntas de dilatação e de reforçar a segurança rodoviária”. Desta forma, não será possível circular entre as 10h do dia 15 e as 16h do dia 18, sendo que os veículos poderão seguir pela Avenida de Sidónio Pais e pela Rua da Fonte da Inveja, na faixa de rodagem junto ao Jardim da Flora, para se dirigirem ao Túnel da Guia.