Hoje Macau China / ÁsiaCtrip | Voos de turismo espacial por 660 mil euros A maior agência de viagens da China, a Ctrip, incluiu ontem no seu catálogo um pacote de turismo espacial da Virgin Galactic para 2027 por 5,1 milhões de yuan por pessoa. A oferta, disponível na aplicação da Ctrip, tem como ponto de partida Las Cruces, no estado norte-americano do Novo México, e reserva os primeiros quatro dias para actividades e preparação antes do voo, previsto para o quinto dia. O itinerário inclui uma visita ao Spaceport America, o porto espacial a partir do qual opera a Virgin Galactic, treino numa cabine simulada e um ensaio geral antes da descolagem, ficando o sexto dia reservado para o regresso. O preço inclui, entre outros serviços, cinco noites de alojamento, actividades de preparação e o voo espacial, mas não abrange as viagens de avião para os Estados Unidos, o visto e outras despesas pessoais, segundo a informação disponibilizada pela Ctrip. A plataforma apresenta ainda um contador que indica 681 unidades vendidas.
Hoje Macau SociedadeCrime | Detido por apanhar auscultadores esquecidos Um homem foi detido na sexta-feira por ser suspeito de se ter apropriado de uma caixa de auscultadores perdida. A informação foi revelada ontem, e o detido é um trabalhador não residente do Interior suspeito do crime de apropriação em caso de acessão ou de coisa achada. A investigação do caso começou depois de um residente local ter parado a mota na Estrada Marginal da Areia Preta, por volta das 19h50 de 21 de Julho, para atender uma chamada telefónica. No entanto, quando arrancou esqueceu-se da caixa no local. Cerca de 10 minutos depois regressou, mas a caixa tinha desaparecido. Fez queixa e calculou o prejuízo em 1.500 patacas. Após investigação e com recurso ao sistema de videovigilância Olhos no Céu, a PSP identificou o suspeito e interceptou-o na passada sexta-feira no seu local de trabalho, na Rua do Praia da Manduco. A caixa de auscultadores foi recuperada. Questionado pelas autoridades, o detido confessou a prática do crime e mostrou-se disponível para indemnizar a vítima.
Hoje Macau SociedadeCentros de saúde | Lançado serviço que antecipa consultas O subdirector dos Serviços de Saúde, Tai Wa Hou, revelou ontem que será lançado em breve um serviço que irá prestar informações ao médico antes das consultas. Este serviço, que o responsável não explicou se seria promovido através de uma máquina, ou de qualquer outra tecnologia, vai arrancar primeiro nos centros de saúde, antes de chegar às urgências hospitalares. O serviço, prometido pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura na Assembleia Legislativa no final de Julho, permite introduzir informações do utente enquanto espera para entrar no consultório, incluindo sintomas. Os dados são analisados por um software de inteligência artificial e enviados para o médico para auxiliar no diagnóstico. Tai Wa Hou salientou que a tecnologia será testada em centros de saúde ainda este ano e que, após avaliação de eficácia, será expandida aos hospitais e serviços de urgência. As autoridades esperam que a ferramenta digital ajude a reduzir o tempo de espera e melhorar o atendimento. O subdirector dos Serviços de Saúde acrescentou que será dada assistência a idosos, ou quem não está familiarizado com produtos digitais, por profissionais de saúde e pessoal de triagem.
Hoje Macau SociedadeAreia Preta | MRU abre arrendamento de 95 lojas no Lote P Os espaços comerciais no Lote P da Areia Preta estão disponíveis para arrendamento, indicou ontem a Macau Renovação Urbana (MRU) em comunicado. As 95 lojas estão localizadas nos edifícios Ut Koi e Lok Koi, destinados à habitação temporária, e nos seis blocos do Pearl Metropolitan, o complexo construído para os compradores lesados do Pearl Horizon. Os espaços comerciais ocupam uma área total de cerca de 32.000 metros quadrados e situam-se em zonas exclusivamente pedonais, ao longo da Avenida do Nordeste, da Rua da Pérola e da Avenida da Pérola Oriental. Segundo a MRU, os espaços comerciais estão destinados a cafetarias e restauração, comércio a retalho e supermercados, assim como para espaços de lazer e serviços de apoio de dia. A empresa de capitais públicos refere que tem como objectivo criar uma zona comercial dinâmica, atraindo marcas comerciais diversificadas e salienta a boa localização das lojas, próximas dos acessos à Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, da Ponte de Macau, e dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao. Foi realizada na segunda-feira uma sessão para esclarecer dúvidas de agentes imobiliários sobre os detalhes do arrendamento dos espaços.
Hoje Macau Manchete SociedadeIPOR | Mais de dez universidades suspendem português na China Mais de dez universidades no Interior da China suspenderam estudos de língua portuguesa nos últimos três anos, após um pico de cerca de 60 instituições com oferta curricular, indicou o Instituto Português do Oriente “Existem 39 universidades da China com cursos de português, a que somamos mais cinco de Macau, ou seja, 44 no total”, referiu à Lusa a direcção do Instituto Português do Oriente (IPOR). O pico da oferta formativa, continuou o IPOR, “foi no ano lectivo 2022/2023, com cerca de 55 a 60 universidades a proporcionarem estudos em português”. “Não conseguimos ter dados exactos”, reforçou o instituto, que tem como missão preservar e difundir a língua e a cultura portuguesas no Oriente. A Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, foi um dos estabelecimentos visados, notou à Lusa o académico da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Manuel Duarte João Pires, que leccionou anteriormente naquela instituição do Interior da China. “Tinha um programa de ‘minor’, que era um programa de 2+2, ou seja, de dupla certificação, e agora não tem”, reflectiu o académico, também autor do estudo “Vinte anos de ensino de Português na China: exponencial, saturado e o futuro”, publicado em Agosto. Na investigação, Pires traça o percurso do ensino da língua portuguesa na China, com o primeiro curso de licenciatura a ser estabelecido no Instituto de Radiodifusão de Pequim (hoje Universidade de Comunicação da China), “focado em formar profissionais para atender à demanda de relações diplomáticas com países de língua portuguesa, especialmente aqueles de África que então lutavam pela independência”. Depois de uma suspensão e “envio de muitos professores e alunos para trabalhos rurais” durante a Revolução Cultural (1966-1976), houve “um renascimento do ensino de línguas estrangeiras”. Nas últimas duas décadas, o ensino da língua portuguesa passou de uma presença residual para uma expansão acelerada. Até 2005, aponta o autor, apenas três universidades ofereciam licenciaturas em português, mas a “globalização e modernização da China” e a intensificação das relações económicas com países de língua portuguesa, sobretudo Brasil e Angola, transformou o idioma numa ferramenta de empregabilidade. Dezenas de instituições abriram cursos, num crescimento descrito como exponencial: de acordo com fontes consultadas pelo autor, no ano lectivo 2012/2013 eram 19 universidades; em 2017 chegavam a 37 e em 2022 contabilizavam-se 56, com mais de seis mil alunos e mais de 300 professores. Momento disruptivo Nos últimos anos, porém, esse crescimento entrou em fase de estagnação, com a suspensão de cursos e universidades a redimensionarem a oferta. “Depois veio a pandemia, agora a questão da inteligência artificial [IA], também os cursos de STEM [sigla para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática], muito procurados pelas famílias, pelo meio académico”, indica Pires. A articulação com a sociedade civil, particularmente com empresas e instituições que operam no espaço de língua portuguesa, é essencial para a revitalização do português na China, defende. “Vejo isso muito parado, não sei se por questões políticas, mas a sociedade civil entrar na universidade é algo muito difícil”, refere à Lusa. Estágios profissionais integrados nos planos de estudo, projectos desenvolvidos em colaboração com empresas e a participação regular de profissionais activos nas universidades podem ajudar a reduzir o fosso entre a formação académica e as exigências do mundo profissional, propõe-se na investigação. O autor sugere ainda a “diversificação dos enfoques de ensino a favor de abordagens especializadas adaptadas às necessidades específicas de diferentes sectores profissionais”. No contexto chinês, completa, esta adaptação pode assumir “formas concretas como a criação de programas interdisciplinares onde o português fosse ensinado como ferramenta de trabalho”, em áreas como engenharia civil, para projectos em Angola ou Moçambique, saúde pública, para cooperação com o Brasil, ou comércio electrónico, para plataformas digitais como a Ali Express nos mercados de língua portuguesa. À Lusa, o investigador salienta que este processo de estagnação, face ao crescimento da IA, não é exclusivo do português, mas alcança o ensino de línguas em geral. “Desde o início que se associa à língua ao seu poder económico. Ou seja, isso é indissociável”, ressalva, sublinhando que “a médio prazo” o lugar do português vai depender sempre das relações económicas e políticas com os países da esfera da lusofonia. “Já chegou também a um patamar de 56 universidades, não haverá muito mais para crescer a nível de ensino superior”, complementa, notando que “o crescimento exponencial não é sempre infinito” e este talvez seja um “processo natural”. Pires admite que a situação é diferente em Macau, onde o português é uma das línguas oficiais”: “É mais difícil as coisas mudarem como muda no Interior da China, onde há uma perspectiva mais pragmática, mais económica em relação aos cursos”.
Hoje Macau PolíticaZona A | Admitidas 22 propostas para construir escolas A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) admitiu 22 de 24 propostas submetidas a concurso público para as “Obras de superestrutura no terreno para fins educativos do lote B1 da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Este-2 de Macau – Zona 1”, ou seja, na Zona A dos Novos Aterros. Segundo uma nota da DSPOP, os orçamentos apresentados variam entre 460 milhões e mais de 530 milhões de patacas, com prazos de execução de obra que rondam os 503 e 504 dias de trabalho. A obra será feita numa área superior a 30 mil metros quadrados, sendo construídas quatro escolas e um centro de actividades educativas. Por sua vez, a cave destina-se ao parque de estacionamento e zona para a tomada e largada de crianças. As obras devem começar no segundo trimestre de 2027.
Hoje Macau PolíticaJustiça | Julgamento de Au Kam San arrancou com forte presença policial O julgamento do ex-deputado Au Kam San começou ontem à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão. Vários agentes da polícia foram mobilizados ontem de manhã para o exterior do Tribunal Judicial de Base (TJB), onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa. Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB.
Hoje Macau PolíticaHengqin | Mais de metade de inquiridos satisfeitos Um inquérito da Associação Geral das Mulheres de Macau revela que 75 por cento dos residentes inquiridos estão satisfeitos com os serviços e infra-estruturas promovidas por Hengqin, nomeadamente ao nível de serviços governamentais, saúde, recursos educativos e transportes públicos. Segundo um comunicado, o estudo, cujos resultados foram divulgados esta terça-feira, mostram também que a fatia de 90,6 por cento dos residentes entrevistados mostram-se satisfeitos com as zonas de consumo para as necessidades do dia-a-dia e outros serviços. A equipa responsável pelo inquérito disse que os dados mostram que o fomento da integração de Macau com Hengqin continua a gerar resultados e a injectar vitalidade na diversificação da economia local. Além disso, mostram ainda como a Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin se vai tornando, cada vez mais, numa opção para as famílias da RAEM que procuram mais qualidade de vida.
Hoje Macau China / ÁsiaGaza | ONU pede acesso para investigadores internacionais O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos pediu ontem acesso para investigadores internacionais à Faixa de Gaza “para ajudar na recolha de provas”, que poderão indicar possíveis violações e crimes de guerra cometidos por Israel. “Estão a ser exumados, actualmente, em locais devastados pelos ataques israelitas, os restos mortais do que parecem ser famílias inteiras”, declarou Volker Turk, em comunicado, sublinhando que “a descoberta de um grande número de corpos sob os escombros na cidade de Gaza reacende as preocupações sobre crimes de guerra e outros crimes atrozes”. “Temo que os restos mortais encontrados até agora representem apenas a ponta do icebergue. Grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeamentos israelitas ou por operações de demolição e remoção de escombros com recurso a maquinaria pesada e explosivos. Ainda hoje, muitas zonas de Gaza onde o Exército israelita está posicionado continuam a ser niveladas por tratores, sem qualquer respeito pelos mortos que jazem sob os escombros”, acrescentou. Assim, para “preservar as provas de violações, incluindo nos locais destruídos”, Turk pediu “que os investigadores internacionais tenham permissão para aceder a todas as zonas de Gaza de forma a ajudar na recolha de provas”. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos referiu que “Israel recusa a entrada de maquinaria pesada destinada à remoção de escombros”. Cuidar dos mortos Segundo o órgão da ONU, a Defesa Civil palestiniana recuperou mais de 630 corpos e outros restos humanos dos escombros de edifícios destruídos em toda a Faixa de Gaza entre Novembro de 2025 e Setembro de 2026. A Defesa Civil palestiniana estimou que mais de 8.000 pessoas dadas como desaparecidas estejam sob os escombros. “É necessário fazer todo o possível para documentar e identificar estas vítimas, preservar os dados médico-legais e as amostras biológicas, registar os locais de sepultamento e informar as famílias”, indicou Turk. Entre 27 de Junho e 27 de Agosto, a Defesa Civil palestiniana retirou de 233 corpos dos escombros de 20 edifícios destruídos, sobretudo na cidade de Gaza. Entre estes corpos, foram contabilizadas 74 crianças e 106 mulheres. “O direito das famílias a saber o destino dos seus entes queridos não se limita à identificação e a um enterro digno. Elas merecem saber toda a verdade”, declarou o alto-comissário da ONU.
Hoje Macau China / ÁsiaMais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas após inundações O Nepal declarou ontem que mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas no país, incluindo 610 estrangeiros, quase três semanas depois de uma enxurrada ter atingido o país e a vizinha região chinesa do Tibete. O balanço mais recente da Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA, na sigla em inglês) situa em 1.399 o número de corpos e restos mortais recuperados e em 4.089 o número de desaparecidos. Entre os desaparecidos, há duas portuguesas. Apenas 103 mortos foram entregues às suas famílias até à data, enquanto as autoridades prosseguem uma grande operação para identificar os restos mortais recuperados. Muitos corpos foram sepultados temporariamente em locais como Gokarna ou Pokhara, após a recolha de amostras genéticas. Segundo a polícia nepalesa, as autoridades recolheram cerca de 3.200 amostras de ADN, dos quais 1.300 referem-se aos restos mortais recuperados e 1.900 de familiares que procuram os seus entes queridos, incluindo amostras obtidas no estrangeiro para ajudar na identificação de turistas desaparecidos. Pensar o futuro Na segunda-feira, o primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, reuniu-se com os responsáveis dos governos locais dos distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Tanahun — as zonas mais afectadas pelas cheias — para discutir as operações de busca em curso e o futuro plano de reconstrução, cujo custo estimado pelo Governo ultrapassa 4,7 mil milhões de dólares. “Os representantes da população manifestaram o seu compromisso em desenvolver áreas verdes nas regiões ribeirinhas afectadas pelas cheias e em avançar com o realojamento das comunidades para locais seguros nas proximidades”, escreveu na segunda-feira, na rede social Facebook, o director da NDRRMA, Dharam R. Uprety. As análises realizadas até ao momento indicam que as enxurradas de 26 de aAosto começaram com o colapso de um glaciar a grande altitude, em território nepalês — uma explicação aceite pela China e posteriormente corroborada pelas análises de satélite internacionais. A avalanche de gelo, rochas e lama atingiu também o Tibete, onde as autoridades chinesas contabilizam 43 mortos e 519 desaparecidos. Entre as pessoas ainda não localizadas, 261 são estrangeiros oriundos de 23 países.
Hoje Macau EventosFM | História de Macau traduzida para português e inglês A Fundação Macau (FM) acaba de editar as versões em português e inglês de uma obra ilustrada sobre a história de Macau. Em português, a obra intitula-se “Esta cidadezinha ao longo do tempo – Uma introdução simples à história de Macau”, da autoria de três académicos locais: Alex Chan, Alex Lou e Sio Kit Meng. Segundo um comunicado da FM, a versão original, em chinês, foi editada em 2022, estando organizada em cinco partes e 20 capítulos. O livro conta a história do território desde a “Idade da Pedra” até 1945. A tradução aconteceu para a “eliminação das barreiras linguísticas na disseminação cultural” e também para “promover a história e cultura de Macau”. A FM destaca como a tradução desta obra vai permitir que “a história de Macau não seja apenas partilhada entre leitores chineses, ajudando a construir uma base sólida para a disseminação internacional da história e cultura de Macau”. O livro já vendeu mais de 3.500 exemplares desde que foi publicado, indo já na terceira edição. A tradução para português foi feita por Mu Shuang, mestre pela Universidade de Macau, cujo trabalho foi revisto pelo sinólogo, autor e docente Giorgio Sinedino, director do Centro de Ensino Bilingue e Formação em Chinês e Português da Universidade de Macau. A FM destaca como os livros, nas versões traduzidas, se mantém “fiéis ao conteúdo e essência do original, contendo uma linguagem clara e fluente”, a fim de permitir um maior acesso por parte dos leitores. Cada livro tem um custo de 50 patacas e está à venda em diversos locais, como a Livraria Portuguesa e outras livrarias, estando a ser planeado, para breve, o seu envio para as escolas do território.
Hoje Macau China / ÁsiaIdosos | Promovido uso de robôs domésticos na China As autoridades chinesas estão a promover robôs domésticos, dispositivos de monitorização da saúde e soluções inteligentes de cuidados para idosos, com o objectivo de estimular o “consumo de casas inteligentes”. O Ministério do Comércio e outros sete departamentos emitiram na segunda-feira um aviso que delineia o Plano de Acção para a Promoção do Consumo Doméstico Inteligente. O plano apoia a “remodelação adaptada aos idosos” e as “modernizações inteligentes de imóveis mais antigos”, e tem como objectivo “expandir a oferta de produtos de alta qualidade para satisfazer as necessidades de consumo de diferentes grupos”. “Promover produtos adaptados aos idosos, tais como robôs de serviço doméstico, dispositivos de monitorização da saúde e soluções de cuidados inteligentes, e incentivar as empresas a adoptarem princípios de design adaptados aos idosos em áreas como o tamanho dos produtos, a facilidade de utilização, o reconhecimento de dialectos e as funcionalidades de segurança”, refere o comunicado. O plano apela também à promoção da certificação de produtos para idosos no sector das casas inteligentes adaptadas aos idosos, com o Governo chinês a afirmar que irá subsidiar a aquisição de novos produtos para casas inteligentes, destinados a substituir mobiliário tradicional. No final de 2025, a população chinesa com 60 anos ou mais tinha atingido os 323 milhões, representando aproximadamente 23 por cento da população total do país, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | MNE iraniano chega hoje a Pequim O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniana vai reunir-se hoje, em Pequim, com o homólogo chinês, Wang Yi, anunciou onten a diplomacia chinesa, num breve comunicado sem mais pormenores sobre o encontro. A visita de Abbas Araghchi ocorre num momento de incerteza no conflito que opõe, desde Fevereiro, Estados Unidos, Israel e Irão, depois de Teerão ter sublinhado ontem de manhã (hora local) que não negociará com Washington enquanto não forem cumpridas as suas condições. A posição iraniana surgiu em resposta às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou na segunda-feira estar disponível para dialogar com Teerão. No domingo, Araghchi disse que os Estados Unidos devem regressar aos “compromissos estipulados no Memorando de Islamabad”, assinado em Junho entre Teerão e Washington, sob mediação do Paquistão, como condição para o Irão reabrir o estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra, em 28 de Fevereiro. Desde o início do conflito, a China tem defendido uma solução negociada e feito repetidos apelos para o fim das hostilidades e o início do diálogo entre as partes, posição reiterada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. Pequim condenou repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que pediu respeito pela soberania e pela segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitos laços políticos. A visita coincide ainda com a abertura, hoje, do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China (ver texto principal). A instabilidade no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz deverão estar entre os temas em debate no encontro, juntamente com a guerra na Ucrânia e a competição tecnológica e militar entre Pequim e Washington.
Hoje Macau China / ÁsiaChina defende uso pacífico do cosmos após EUA reconhecerem ter armas em órbita A China defendeu ontem o uso pacífico do espaço e pediu aos Estados Unidos para deixarem de expandir a presença militar naquele domínio, depois de Washington ter reconhecido, pela primeira vez, manter armas em órbita. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Pequim sempre defendeu a segurança espacial e opôs-se à militarização e à transformação do espaço num campo de batalha. “Pedimos aos Estados Unidos que deixem de expandir a presença militar no espaço e salvaguardem, através de acções concretas, a estabilidade estratégica global”, afirmou o porta-voz, que não esclareceu se a China dispõe deste tipo de armamento em órbita. Guo disse que Pequim espera que o espaço se torne “uma plataforma de cooperação e benefício mútuo para a humanidade” e afirmou que a China está disposta a trabalhar com todos os países na exploração e utilização pacíficas daquele domínio. O diplomata reiterou ainda a oposição chinesa à militarização do espaço e defendeu a promoção do progresso científico e tecnológico no sector. Agarrados às armas Na segunda-feira, o secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, afirmou estar em curso um reforço da “preparação perante as ameaças existentes”, acrescentando que os Estados Unidos “têm armas de controlo espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra acções hostis dos adversários”. Meink referiu que estas armas destinam-se a proteger as forças norte-americanas de acções hostis, embora a Força Aérea não tenha especificado que sistemas estão actualmente em órbita, quantos existem ou quando foram colocados no espaço. O responsável anunciou, na conferência Air, Space and Cyber, realizada no estado de Maryland (costa leste), também progressos noutros programas espaciais norte-americanos, incluindo o desenvolvimento de um sistema de interceptores baseados no espaço e de uma constelação de satélites destinada a detectar e acompanhar alvos móveis a partir da órbita. A China, por sua vez, estabeleceu como objectivo realizar uma missão tripulada à Lua antes de 2030 e avançar com a construção de uma futura base de investigação no polo sul lunar.
Hoje Macau China / Ásia MancheteIA | Fórum chinês defende controlo mas rejeita lógica de blocos entre China e EUA Governação das tecnologias emergentes, estabilidade estratégica e competição entre grandes potências, são temas em debate a partir de hoje em Pequim na 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China Especialistas reunidos ontem em Pequim defenderam o reforço da supervisão humana, dos mecanismos de segurança e da cooperação internacional perante os riscos da inteligência artificial, rejeitando que outros países tenham de escolher entre China e Estados Unidos nesta tecnologia. O debate decorreu no âmbito da 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, que será formalmente inaugurado hoje. A agenda deste ano inclui entre os principais temas a governação das tecnologias emergentes, a estabilidade estratégica e a competição entre grandes potências. O antigo secretário-geral da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Vladimir Norov afirmou que os riscos associados à IA são “sérios” e defendeu que os governos reforcem a capacidade de supervisão, em conjunto com empresas tecnológicas e centros de estudos. Norov alertou que a tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das instituições para a regular, defendendo a criação de mecanismos de partilha de informação sobre riscos e incidentes graves relacionados com a IA. O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão e presidente da Associação de Inteligência Artificial da Ásia Central afirmou que os sistemas de IA estão a evoluir rapidamente e que “nenhum país consegue geri-los sozinho”. O general reformado dos Emirados Árabes Unidos Obaid Al Ketbi, antigo alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros do país, afirmou que o avanço dos agentes de IA, capazes de planear, coordenar e executar tarefas complexas, obriga a colocar o controlo humano no centro das prioridades. “Se deixarmos as coisas nas mãos da IA sem controlo humano, será realmente duro e difícil”, afirmou Al Ketbi, que defendeu uma regulamentação proporcional aos riscos. Outra lógica Os dois participantes rejeitaram também uma lógica de blocos entre Pequim e Washington. Norov afirmou que os países da Ásia Central não querem ser “consumidores passivos” de IA nem ser obrigados a escolher entre China e Estados Unidos, mas procuram uma “parceria, não dependência” e transferência de tecnologia. Al Ketbi defendeu uma posição semelhante para o Médio Oriente, afirmando que a região deve poder cooperar com ambas as potências e, simultaneamente, desenvolver capacidades próprias. O debate ocorre depois de responsáveis do sector tecnológico norte-americano terem defendido um abrandamento do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados devido aos riscos de segurança, posição rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera que uma maior regulamentação poderá beneficiar a China. Pequim tem defendido nos últimos dias uma IA “orientada para o bem”, ao mesmo tempo que acusa Washington de utilizar argumentos relacionados com a segurança para limitar o desenvolvimento tecnológico chinês.
Hoje Macau SociedadeSaúde | Nick Lei pede reforço de apoio psicológico a alunos Os estabelecimentos de ensino de Macau devem estar apetrechados de sistema de alerta para detectar precocemente riscos de segurança e mecanismos reforçados de apoio psicológico aos alunos, defende Nick Lei. Numa interpelação escrita, o deputado exige medidas para prevenir casos como o que se registou no início deste ano lectivo quando um aluno da Escola São João de Brito atacou com um líquido corrosivo uma professora, que era a sua directora de turma. A docente, com mais de 60 anos, sofreu queimaduras químicas de terceiro grau na cara e noutras partes do corpo e corre o risco de ficar cega do olho esquerdo. Nick Lei pede ao Executivo de Sam Hou Fai que aposte em campanhas de sensibilização, dentro e fora da escola, que promovam a saúde mental dos jovens. Pegando no exemplo da agressão na Escola São João de Brito, o deputado pede melhorias na “avaliação preventiva de riscos, identificação de perigos e controlo na fonte” de possíveis incidentes. O legislador da bancada parlamentar de Fujian perguntou ao Governo se tem um mecanismo de avaliação preventiva, que permita fazer a identificação sistemática e padronizada para vários tipos de crises de segurança, assim como directrizes para responder a lacunas de segurança.
Hoje Macau PolíticaEconomia | Conselheira pede mais incentivos ao consumo Face às dificuldades económicas das pequenas e médias empresas, Chan Hio Teng, vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, defende a criação de um “mecanismo regular” de incentivo ao consumo. A posição consta de um comunicado divulgado pela integrante da associação Aliança do Bom Lar. Chan aponta que “sob a influência de factores do ambiente interno e externo” a predisposição dos residentes para consumirem no território “enfraqueceu”. A conselheira reconhece que este factor não é novo, e que se tem verificado “nos últimos anos”. No entanto, neste ambiente económico difícil, Chan Hio Teng quer que o Governo lance mais iniciativas de promoção do consumo, como o Grande Prémio Para o Consumo, cuja última edição aconteceu na primeira metade deste ano. No entanto, a responsável avisa que se o futuro passar por mais uma ronda do Grande Prémio Para o Consumo vai ser necessário implementar alguns ajustes. Citando a opinião de alguns comerciantes, Chan Hio Teng aponta que o impacto da iniciativa de promoção do consumo é limitado ao tempo em que são oferecidos os descontos. Por este motivo, a conselheira pede ao Executivo que pense numa outra forma de incentivar os residentes a gastarem mais e durante mais tempo nos bairros comunitários. No seguimento do que tem acontecido recentemente, Chan Hio Teng aponta também que o Executivo deve pensar ainda mais na realização de actividades culturais nos bairros comunitários, como forma de incentivar o consumo nessas zonas.
Hoje Macau SociedadeOCBC | Banco afirma compromisso com Macau Após ter sido anunciado que o Banco OCBC Macau vai deixar de prestar vários serviços no território, como a disponibilização de cartões de crédito ou de empréstimos hipotecários residenciais, a instituição nega qualquer intenção de fechar as portas. “Estes ajustamentos inserem-se nos esforços contínuos do OCBC Macau para optimizar a sua carteira de negócios e distribui de recursos, permitindo ao banco reforçar o foco nas suas actividades essenciais e consolidar ainda mais a sua capacidade de prestação de serviços”, foi explicado. “As medidas não afectam o compromisso do banco com Macau, a sua capacidade de servir os clientes nem o apoio que lhes proporciona. O OCBC Macau continuará a operar de forma sólida e estável, prestando aos clientes serviços financeiros fiáveis”, foi acrescentado. No comunicado, o banco com sede em Singapura afirma ainda estar “empenhado em investir em Macau” e em “aprofundar as suas raízes no mercado local”. A instituição apontou também que “vai permanecer firmemente enraizada” na RAEM e a pensar nas operações e no desenvolvimento “a longo prazo”. “Sendo parte integrante de uma das principais instituições financeiras do Sudeste Asiático, o OCBC Macau conta com o apoio da vasta rede regional do Grupo OCBC, da sua sólida base financeira e de capacidades financeiras abrangentes. Com base nestes trunfos, o Banco irá reforçar ainda mais a sua gestão de fortunas e as competências bancárias fundamentais, avançar na transformação da banca digital, investir nos seus serviços e na experiência do cliente, bem como formar um grupo sólido de profissionais com especialização em gestão de fortunas”, foi apontado.
Hoje Macau PolíticaMadeiras | Moçambique estreia-se em fórum sobre comércio O secretário de Estado da Terra e Ambiente moçambicano vai estar em Macau, marcando a estreia de Moçambique num evento anual sobre o comércio sustentável de madeiras tropicais. Segundo um comunicado do Governo de Macau, o Fórum Global de Madeira Legal & Sustentável (GLSTF, na sigla em inglês), marcado para 22 e 23 de Setembro, vai contar, “pela primeira vez”, com “altos funcionários de Moçambique e uma delegação oficial do México”. O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) sublinhou que as estreias “reforçam ainda mais” o papel do território como plataforma para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola. A China estabeleceu Macau como plataforma económica e comercial com os mercados de língua portuguesa em 2003. Mais de duas décadas depois, o Governo alargou o foco aos países que falam espanhol. De acordo com o programa do GLSTF, o secretário moçambicano Gustavo Djedje será um dos palestrantes principais do arranque do Fórum, juntamente com ministros da Tailândia, Camarões e República Centro-Africana. O programa prevê ainda que o director nacional de Florestas e Fauna Bravia de Moçambique, Imede Falume, irá participar num fórum com dirigentes da China, Gana e Indonésia. O GLSTF vai contar ainda com Bruno Leão, director da Associação da Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará, no norte do Brasil, e o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Ivan Tomaselli. O IPIM indicou que o Fórum deverá contar com participantes de 49 países e regiões, incluindo do Gabão, Togo, Malásia, Equador, Peru, Suíça e França. O evento deverá marcar o arranque dos preparativos para a elaboração de uma norma internacional para o combustível de aviação à base de biomassa e do Sistema de Gestão de Normas Verdes de Macau.
Hoje Macau PolíticaAMCM | Coutinho acusa entidade de omissões e falta de resposta O deputado José Pereira Coutinho acusa a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) de “insuficiência e falta de objectividade” nas respostas a uma interpelação por si apresentada, a 20 de Julho, relativamente a “operações estruturadas de empréstimo com hipotecas de moradias, pagamento da dívida por terceiros com fundos próprios e remuneração por elevadas taxas de juros”. Na interpelação escrita, Pereira Coutinho frisou que a resposta da AMCM, de 10 de Agosto, revelou-se “genérica, evasiva e desprovida de objectividade, não respondendo de forma directa e concreta a nenhuma das três questões formuladas”. Para o deputado, a entidade limitou-se a responder com “enunciados gerais sobre os poderes de supervisão da AMCM, a emissão de directivas complementares e o acompanhamento contínuo do mercado financeiro”. Porém, “não aborda as situações descritas na interpelação e não confirma nem nega a existência de comunicações prévias por parte das instituições bancárias sobre estas operações”. A AMCM também “não apresenta qualquer calendário para a revisão da desactualizada” circular relativa a regras e orientações para o lançamento e distribuição de produtos financeiros.
Hoje Macau PolíticaPatriotismo | Mais de 300 jovens participam em acampamento Mais de 300 jovens de Hong Kong e Macau vão participar no evento “Unidos pela Mesma Causa, o País é Forte Connosco: Jovens de Hong Kong e Macau no Acampamento Militar”, organizado pela Polícia Armada do Povo, pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau da Província de Guangdong e as autoridades de Hong Kong e Macau. O anúncio foi feito por Jiang Bin, porta-voz do Ministério da Defesa. O acampamento vai ser realizado entre meados e o final deste mês e os jovens vão participar numa “experiência imersiva da vida militar”, segundo a descrição oficial. Jiang Bin afirmou que se espera, através desta actividade, que “os jovens de Hong Kong e Macau assimilem o espírito patriótico, temperem o seu carácter e reforcem continuamente a aspiração, a determinação e a confiança como chineses”. O porta-voz deixou ainda a esperança de que o evento permita aos jovens “percorrerem a sua própria ‘Grande Marcha’” e aumentar a predisposição para participarem “no grande projecto de desenvolvimento de Hong Kong e Macau, de construção de um país forte e de revitalização nacional”. Este ano assinala-se o 90.º aniversário da Grande Marca, uma retirada militar do exército comunista. Ainda de acordo com os pormenores do evento, haverá um “concerto de educação para a defesa nacional” com o tema ‘Caminho do Fortalecimento Militar: Unidos pela mesma causa numa Nova Jornada’.
Hoje Macau Grande Plano MancheteJuíza portuguesa diz que tribunais constitucionais “estão a ser atacados” A juíza do Tribunal Constitucional (TC) português Maria Benedita Urbano avisou ontem que os tribunais constitucionais “estão a ser atacados” face à ascensão do populismo e autoritarismo em sociedades democráticas. “Somos alvo de ataque por aqueles que querem desmantelar o Estado de Direito democrático, porque o Tribunal Constitucional defende os direitos fundamentais, de expressão, manifestação, participação política”, disse a magistrada. Urbano, que é também docente na Universidade de Coimbra, falava durante o 29º Encontro de Professores de Direito Público, que decorreu pela primeira vez em Macau. O TC “assegura que competição política é justa e igualitária”, sublinhou Urbano, e “garante o jogo de pesos e contrapesos, que o executivo não usurpe as funções do legislativo”. A juíza defendeu que a pandemia de Covid-19 “foi a tempestade perfeita”, ao levar à imposição de restrições às liberdades fundamentais, algo que “acelerou estas tendências” para o populismo. Urbano alertou para vários métodos que podem ser usados para reduzir o papel do TC como “guardião da Constituição por excelência”, incluindo a “asfixia financeira”, a limitação da jurisprudência e a substituição de juízes. A magistrada deu como exemplo a “campanha pública de deslegitimação” do Supremo Tribunal Federal do Brasil, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) tentou nomear “mais juízes sensíveis à sua causa”. Urbano sublinhou que a situação não é tão grave em Portugal, mas lembrou que em 2022 juristas apelaram ao fim ou à redução do número de juízes nomeados pelos outros membros do TC. Nos termos da Constituição, o TC é composto por 13 juízes, sendo dez designados pela Assembleia da República e os outros três cooptados por estes. Dos 13, seis são obrigatoriamente escolhidos de entre juízes dos restantes tribunais e os demais de entre juristas. “Há quem defenda que a cooptação deve deixar de existir, que os três juízes devem ser nomeados pelo Presidente da República”, disse Urbano. Mas a magistrada disse que essa mudança “é de evitar”, porque pode levar à nomeação de “juízes leais ao poder político do momento” e “favorecer o controlo do poder judicial pelo executivo”. Para evitar uma “deslegitimação, que com o tempo se pode agravar”, Urbano sublinhou que o TC deve manter “total respeito pela separação dos poderes”. “É preciso manter o prestígio do Tribunal Constitucional, manter e transmitir uma imagem de tribunal independente e parcial, para que seja a própria população a defender a instituição”, disse a juíza. Cenários políticos Em Maio, a vice-presidente do grupo parlamentar do partido português Chega, Cristina Rodrigues, acusou o TC de “activismo político” e desrespeito pela separação de poderes. Isto depois do TC ter declarado como inconstitucional um decreto do parlamento que previa a perda de nacionalidade como sanção acessória pela prática de certos crimes. “A esquerda perdeu a maioria na Assembleia da República, mas continua a ter a maioria no TC e nos juízes que ocupam os cargos para os quais são nomeados. E isto tem tido consequências, consequências à vista de todos, principalmente nos últimos tempos”, afirmou Rodrigues.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Dirigentes de operadora nuclear demitem-se após falsificação de dados Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se ontem na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reactivação de dois reactores. A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de “mega-sismo”, estava sujeita a controlos de segurança para retomar actividade. Em Janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos. Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício. Hayashi declarou sentir “um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso”, lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas. Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direcção para acelerar o reinício dos reactores colocaram o pessoal sob pressão e foram “um dos factores que contribuíram para as falhas” registadas. O Japão encerrou todos os reactores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano. No centro das avaliações de segurança está a estimativa de “movimento sísmico máximo à superfície”, crucial para o desenho antisísmico das centrais. Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em Fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em Dezembro.
Hoje Macau China / ÁsiaFilipinas | Tiroteio mortal a poucas horas de votação em região autónoma As mesas de voto abriram ontem em Bangsamoro, região de maioria muçulmana, para eleger, pela primeira vez, o parlamento local, poucas horas após a morte de três pessoas num tiroteio entre facções de um grupo rebelde A votação constitui o culminar de um processo de paz intermitente, iniciado no final da década de 1990, que resultou na criação da região autónoma de Bangsamoro, no sul do país de maioria católica. Mais de dois milhões de eleitores são chamados a eleger 80 assentos, disputados por 13 formações políticas. Até agora, os parlamentares eram nomeados. Em Marawi, cidade devastada em 2017 por cinco meses de confrontos entre fundamentalistas islâmicos e forças governamentais, um jornalista da agência France-Presse (AFP) observou longas filas de espera em frente às mesas de voto, sob a vigilância de membros das forças de segurança e de veículos blindados. “Estamos ansiosos, viemos para cá logo esta manhã”, exclamou Mohammad Actar Macabada, de 18 anos, logo após ter votado. “Estou nervoso porque talvez venha a ser o caos. Antes, era o caos. Agora, está tudo tranquilo”, acrescentou o eleitor, que está “ansioso por saber os resultados”, realçou. Nesta região marcada pela violência política e pelas vinganças familiares, uma eleição sem incidentes seria considerada um sucesso, revelaram recentemente líderes partidários a jornalistas da AFP. Esta paz foi, no entanto, abalada apenas algumas horas antes do início das eleições. Três pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas no domingo, pouco antes da meia-noite, durante um tiroteio em Cotabato, a capital da região autónoma. Elevada contagem De acordo com o chefe da polícia local, Jibin Bongcayao, o tiroteio ocorreu quando membros de facções políticas rivais disputavam o direito de votar em primeiro lugar. “Inicialmente, tratava-se de uma disputa entre dois grupos pelas vagas na fila” em frente a uma escola que servia de secção de voto na capital regional, explicou o responsável policial. A disputa “provocou empurrões que degeneraram numa briga e, por fim, foram disparados tiros numa zona lotada”. O agente acrescentou que os homens envolvidos no tiroteio pertenciam a facções rivais do maior grupo rebelde das Filipinas, a Frente Islâmica de Libertação Moro (Milf), que luta há décadas pela autonomia da região. No total, a violência separatista já causou 150 mil mortos desde a década de 1970. A segurança foi reforçada em toda a região, parcialmente situada na ilha de Mindanau, com a mobilização de mais de 20 mil membros das forças de segurança. No mês passado, uma comitiva que transportava o chefe interino do governo local — nomeado pelo presidente Ferdinand Marcos Jr. — foi atacado. Além disso, um homem morreu no hospital na madrugada de ontem, na sequência de uma explosão ocorrida perto de uma secção de voto, numa ocorrência que a polícia está a investigar.