Hoje Macau PolíticaPromovida internacionalização de empresas em Fujian Uma delegação do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) esteve na província chinesa de Fujian a promover o território como plataforma de internacionalização de negócios nos países lusófonos e hispanófonos, foi ontem divulgado. Num comunicado, o IPIM indicou que a iniciativa, realizada entre 15 e 18 de Setembro, incluiu a realização das “Sessões de Promoção das Vantagens da Plataforma de Macau” em Fuzhou e Quanzhou, atraindo mais de 150 empresários de sectores prioritários como medicina tradicional chinesa, finanças modernas, manufactura de alta gama, tecnologia e comércio transfronteiriço. Durante a deslocação, os representantes do IPIM visitaram 14 empresas líderes de Fujian e organizaram mais de uma centena de sessões de bolsas de contactos. Interesses diversos A província costeira de Fujian ocupa o 8.º lugar no ranking do PIB total entre as 31 províncias e regiões administrativas da China, registando em 2025 um volume de comércio externo de cerca de 1,98 biliões de yuan. De acordo com o organismo responsável pela promoção do comércio e investimento em Macau, várias empresas locais manifestaram interesse em expandir projectos para o espaço lusófono com o apoio do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, bem como em abrir contas bancárias em Macau para facilitar operações financeiras internacionais. O vogal do IPIM, Sam Lei, sublinhou durante o evento que as ações concretas dão seguimento aos acordos estabelecidos na reunião de altos dirigentes entre Fujian e Macau realizada em Agosto. O responsável destacou o novo posicionamento estratégico de Macau e a zona económica especial na vizinha Hengqin como elo de ligação entre a China continental, os países de língua portuguesa e o mercado hispanófono. As acções em Fujian contaram com a participação do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/ Espanhola (CECPS, do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa em Hengqin e do Fundo de Cooperação China-PLP, além de empresários de Macau com experiência no mercado lusófono.
Hoje Macau Grande Plano MancheteXangai | Feira das profissões apresenta talentos portugueses ao mundo Arrancou ontem em Xangai a WorldSkills, uma feira profissional com 300 espaços de exposição e mais de 100 actividades interactivas, onde concorrem jovens de todo o mundo em profissões tão variadas como designers digitais, técnicos de robótica, floristas ou cabeleireiros. Portugal faz-se representar por alguns jovens talentos Um robô que recebe uma entrega, chama sozinho o elevador e a leva até ao quarto do hotel surpreendeu Daniel Silva em Xangai, onde o jovem português de 21 anos compete no WorldSkills em robótica móvel. A WorldSkills Xangai começou ontem e termina no domingo. “Em Portugal temos, por exemplo, o carrinho com o gatinho que leva os pratos”, contou à agência Lusa, referindo-se aos robôs autónomos utilizados em alguns restaurantes. Mas, na China, encontrou uma versão mais sofisticada da mesma tecnologia. “Já vi um robô do género em que chega alguém de fora com comida, entrega ao robô e aquilo entra no elevador e sobe”, contou. “Chama o elevador sozinho, entra no elevador e vai até ao quarto. É uma coisa muito diferente”, descreveu. Daniel, natural do distrito do Porto, representa Portugal na categoria de robótica móvel, em equipa com Duarte Serra, na maior competição mundial de profissões, que decorre ao longo desta semana em Xangai, a “capital” económica da China. A área envolve sistemas autónomos capazes de executar tarefas que reproduzem situações reais, combinando programação, visão artificial e capacidade para transportar ou manipular objectos. “Existe um pedido e depois o robô tem de completar esse pedido”, explicou, dando como exemplo a deslocação de um objecto de um ponto para outro. As aplicações podem ir muito além dos pequenos veículos utilizados em restaurantes ou hotéis. A China é actualmente o maior mercado mundial de robótica industrial. Mais de dois milhões de robôs operam nas fábricas do país e, só em 2024, foram instaladas 295.000 novas unidades, mais do que o resto do mundo combinado. A rápida automatização é acompanhada pelo crescimento da indústria local: mais de metade dos robôs industriais produzidos no mundo são já fabricados na China, ao mesmo tempo que empresas como a Unitree procuram acelerar a comercialização de robôs humanoides. É precisamente a diversidade de aplicações que atrai Daniel. Segundo o jovem, os princípios que aprende podem ser aplicados a diferentes sistemas autónomos, desde veículos a aviões ou submarinos. “Não precisa de ser especificamente uma solução programada de uma certa forma e acabou. É um conceito”, explicou. O percurso de Daniel começou no ensino profissional, inicialmente na área da mecatrónica, antes de se virar para a robótica móvel. “A mecatrónica é fixe, é uma máquina que temos que montar e programar, mas é estática”, explicou. “A robótica móvel permite inventar mais”, acrescenta. Após concluir formação de níveis 4 e 5, Daniel prosseguiu para o ensino superior e frequenta actualmente Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Quanto às possibilidades de Portugal na competição, Daniel prefere manter expectativas moderadas. “Realisticamente, nós sabemos que não estamos muito perto dos melhores. Temos dois olhos na cara e vemos o que eles fazem e o que têm feito ao longo dos últimos anos”, disse. Um 12.º lugar seria já um resultado que o deixaria satisfeito, admitiu. “Vamos fazer o nosso melhor”, assegurou. Um espaço maior Para Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, a dimensão do evento constitui, por si só, um desafio para os jovens portugueses. Portugal participa com dez jovens, distribuídos por sete profissões: robótica industrial, robótica móvel, mecatrónica, soldadura, controlo industrial, cabeleireiro e maquinação CNC. “O recinto é esmagador, são 1.400 jovens a participar de mais de 60 países”, afirmou Seia à Lusa, explicando que a preparação inclui também apoio na gestão da pressão e das emoções durante a competição. Para o coordenador, para lá dos resultados, a competição serve para mostrar aos jovens as possibilidades destas áreas. “Estas profissões valem a pena e são uma óptima opção para quem vai entrar no mercado de trabalho”, disse. Mas nem só de tecnologia é feita a WorldSkills. Prova disso é a presença de Leonor Silva, que representa Portugal na profissão de cabeleireiro. Aos 15 anos, quando muitos colegas ainda tentavam perceber o que queriam fazer no futuro, Leonor Silva decidiu aprender uma profissão e entrar logo no mercado de trabalho. “Tinha uma grande vontade de trabalhar e gostava da área da beleza. E foi um bocado por aí que decidi escolher um curso profissional”, explicou à agência Lusa a jovem de Santa Maria da Feira, hoje com 20 anos. Leonor começou uma formação em cabeleireiro em 2021, com cerca de dois anos e meio de duração. “Comecei logo a trabalhar na área. E depois, quando concluí a formação, continuei a trabalhar”, contou. A jovem integra a equipa portuguesa que marca presença na WorldSkills, sendo que Portugal está ligado a esta competição desde a sua origem. Juntamente com Espanha, inaugurou a competição em Madrid, em 1950. Peso do ensino técnico A composição da equipa espelha também a diversidade do actual ensino profissional, cada vez mais ligado a áreas tecnologicamente avançadas e para as quais existe procura de trabalhadores qualificados. Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, estrutura integrada no IEFP, considera que Portugal continua a enfrentar falta de mão-de-obra nestas áreas. “O nosso país ainda carece de mão-de-obra qualificada”, afirmou, atribuindo parte do problema a uma “hipervalorização do científico-humanístico”, que durante anos levou muitas famílias a privilegiar a universidade em detrimento da formação profissional. Segundo o responsável, apesar de a percepção ter melhorado, “há trabalho a fazer” para acabar com o estigma associado a esta via de ensino. “Estas profissões são eminentemente manuais”, mas exigem trabalhadores “altamente qualificados” e devem ser valorizadas também ao nível da remuneração, acrescentou. Para o coordenador da WorldSkills Portugal, uma das principais vantagens do ensino técnico-profissional continua, no entanto, a ser o acesso ao mercado de trabalho. “As profissões que trazemos são profissões com alta empregabilidade”, disse Gustavo Seia, considerando que um jovem que conclua este tipo de formação dispõe de boas perspectivas de encontrar trabalho, mesmo que decida simultaneamente prosseguir os estudos. Foi precisamente a possibilidade de se tornar independente ainda muito jovem que atraiu Leonor. “Eu queria começar a fazer carreira”, disse. “Queria começar logo a fazer a minha vida”. O WorldSkills apresenta profissões nas áreas dos Transportes e Logística, Tecnologia de Manufacturas e Engenharias, Moda e Artes Criativas, Tecnologias da Informação e Comunicação, Serviços Pessoais e Sociais e ainda Tecnologias da Construção e de Edifícios. O mote deste evento é que os participantes possam mostrar aquilo que valem em profissões com uma forte componente prática, como montagem de ares condicionais, pinturas de casas ou carpintaria, entre outras, embora a área digital marque presença. Nas áreas mais criativas, não faltam representantes em joalharia, floristas, costura ou merchadising visual. O evento acontece no Centro Nacional de Convenções e Exposições de Xangai.
Hoje Macau SociedadeMadeira | Maputo quer rever acordo com China para combater contrabando Maputo quer rever um memorando de entendimento sobre o sector florestal assinado com Pequim, num contexto de esforços para combater o contrabando de madeira, disse ontem à Lusa o director nacional de Florestas e Fauna Bravia moçambicano. “Já estamos a rever o memorando [de entendimento], no sentido de assinar, e é um memorando que ajusta aquilo que acontece actualmente, aquilo que nós fomos verificando, e achamos que, se a parte chinesa concordar com os princípios que nós estamos a apresentar, vamos assinar”, explicou à Lusa Imede Chafim Falume, à margem do Fórum Global de Madeira Legal e Sustentável (GLSTF) 2026. Os governos da China e de Moçambique assinaram em 2018 um acordo para permitir a troca de informações sobre a madeira exportada para o país asiático. “Acreditamos que eles vão apoiar-nos bastante nisto”, afirmou ainda Chafim Falume sobre a China, que, segundo apontou, absorve 90 por cento da madeira comercializada por Moçambique. Desde 2002 que existem restrições à exportação de madeira em toro, as quais foram reforçadas em 2017 para proibir a saída de espécies nativas de Moçambique. Em 2023, a proibição foi alargada a todas as espécies. Apesar das restrições do Governo moçambicano à exportação, a organização não-governamental internacional Environmental Investigation Agency (EIA) estimou em 2024 que, entre 2017 e 2023, foram enviadas para a China cerca de 3,7 milhões de toneladas de toros, com um valor calculado de 1,3 mil milhões de dólares. À Lusa, Imede Chafim Falume destacou o trabalho “muito grande” de combate ao contrabando desde o ano passado, que passou por “encerrar as vias de acesso”, uma “fiscalização intensa” e a introdução de um sistema digital de controlo da exportação da madeira. “O grande problema de Moçambique era, efectivamente, o contrabando para efeito de exportação. Nós achamos que o trabalho que desenvolvemos rapidamente [está a resultar], os cartéis, penso, andam meio aflitos, mas nós vamos continuar a fazer o nosso trabalho. Os níveis de contrabando reduziram bastante, comparando com os anos anteriores”, indicou. Qualidade garantida O responsável disse querer transmitir as preocupações moçambicanas aos principais compradores do sector durante este fórum, onde se encontram “os grandes ‘players’ no processo de comercialização de madeira”. “Queremos que eles venham ao nosso país instalar as unidades de processamento, e a partir de lá exportar os produtos. Acreditamos que vamos convencer, porque a nossa madeira é de muita qualidade”, salientou. Ainda de acordo com o responsável, Moçambique enfrenta desafios estruturais na gestão das florestas e um deles é a desflorestação, estimada em “mais de 267 mil hectares por ano”. “Há um desmatamento em níveis que achamos que é um bocado elevado”, disse ainda à Lusa. Entre os principais factores que identificou estão a agricultura itinerante, queimadas descontroladas, a produção de carvão vegetal e a urbanização. Ainda de acordo com o director nacional de Florestas e Fauna Bravia de Moçambique, cerca de 60 por cento da população moçambicana vive em zonas florestais e utiliza esses recursos no dia a dia. A quarta edição do Fórum Global de Madeira Legal e Sustentável reúne até hoje 800 participantes de 49 países e regiões. A presença de representantes de países de língua portuguesa, como Moçambique e Brasil, ou de países de língua espanhola, incluindo México, Peru e Equador, reforça a “dimensão internacional do Fórum e o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação”, disse ontem no discurso de abertura o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau, Che Weng Keong.
Hoje Macau China / ÁsiaNuclear | Seul defende congelamento do programa de Pyongyang O Presidente da Coreia do Sul disse que os Estados Unidos devem trabalhar para congelar o programa nuclear do Norte, em vez de procurar a sua eliminação imediata, em troca do alívio das sanções. “Acredito que há um interesse considerável em encontrar um meio-termo entre as sanções — que, de qualquer forma, não são particularmente eficazes — e a interrupção do desenvolvimento de novas armas nucleares e de tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais”, declarou Lee Jae-myung. “Procurar a desnuclearização nas circunstâncias actuais garante que nada será alcançado”, afirmou o líder da Coreia do Sul, numa entrevista ao jornal norte-americano New York Times, publicada ontem. Uma posição reiterada por Lee em respostas por escrito a perguntas feitas pela agência de notícias Associated Press, antes de partir para Nova Iorque, onde irá participar na sessão anual da Assembleia Geral da ONU. “Para mudar a direcção de um veículo em movimento, é preciso primeiro pará-lo”, disse o Presidente sul-coreano. “Uma abordagem faseada — paragem, redução e desmantelamento — é uma forma prática de resolver eficazmente a questão nuclear norte-coreana”, acrescentou. “Dada a extensão do avanço das capacidades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, não é uma solução realista esperar até que a desnuclearização completa possa ser alcançada de uma só vez”, disse Lee. A imprensa oficial da Coreia do Norte disse ontem que o país testou no domingo uma arma de “novo tipo”, num teste acompanhado pelo líder Kim Jong-un, sem adiantar mais pormenores.
Hoje Macau China / ÁsiaUE e Filipinas concluem as negociações sobre tratado comercial A União Europeia (UE) e as Filipinas alcançaram ontem um “acordo substancial” sobre um tratado de livre comércio, que deverá ser assinado oficialmente em 2027, após vários anos de negociações. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o avanço na rede social X, após uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr. “Acabámos de chegar a um acordo sobre o pacto de livre comércio! [O acordo] chega exactamente três anos após a minha visita a Manila para relançar as negociações”, disse Von der Leyen numa mensagem acompanhada de um comunicado em que sublinha a intenção de regressar ao arquipélago em 2027 para assinar o tratado. “Um avanço e uma vitória para ambas as partes”, escreveu o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, nas redes sociais, após uma videoconferência com a secretária do Comércio e Indústria das Filipinas, Maria Cristina Roque. O pacto, segundo Sefcovic, aprofunda os laços com “uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático”, apresentando uma ampla margem de crescimento além das trocas actuais, que rondam os 18 mil milhões de euros em bens e os 10 mil milhões em serviços. Entretanto, a presidente da Câmara de Comércio Europeia das Filipinas, Diana Edralin, destacou que o pacto é um “marco significativo na longa relação económica entre as Filipinas e a União Europeia”, alcançado “após anos de empenho e trabalho”. “A conclusão destas negociações é um testemunho do compromisso de ambas as partes com a construção de uma relação comercial mais sólida e previsível”, afirmou, em comunicado. Bom caminho Em Julho, as chefes da diplomacia europeia e filipina assinaram um acordo em Manila para reforçar laços políticos e económicos, no contexto das negociações do tratado de livre comércio e da incerteza global. “A relação entre a União Europeia e as Filipinas encontra-se numa trajectória positiva. Hoje, concordámos em reforçar os nossos laços através do lançamento da Parceria Reforçada”, declarou a responsável europeia, Kaja Kallas, ao lado da homóloga Theresa Lazaro. O reforço das relações com as Filipinas surge no âmbito dos esforços de Bruxelas para diversificar os parceiros comerciais e reduzir a dependência do bloco em relação aos Estados Unidos, na sequência da política de tarifas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde o final de 2025, Bruxelas assinou com Indonésia, Índia e Austrália acordos de livre comércio que estavam em suspenso há uma ou duas décadas, e que se somam aos que já tinha na região com Singapura, Vietname, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia, bem como ao que está a ser negociado com a Tailândia.
Hoje Macau China / ÁsiaMNE | “China e UE não devem travar guerra comercial”, diz chefe da diplomacia chinesa O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ao homólogo alemão, Johann Wadephul, que a China e a União Europeia (UE) “não devem travar uma guerra comercial”, informou a diplomacia chinesa. Wang fez as declarações durante uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com Wadephul, na qual ambos abordaram as relações bilaterais, a situação internacional e as tensões comerciais entre a China e a UE. De acordo com o comunicado chinês, Wang afirmou que a China e a Alemanha, enquanto duas grandes economias e parceiros estratégicos abrangentes, devem “reforçar a comunicação estratégica”, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação prática face ao “impacto do unilateralismo e da desglobalização”. O chefe da diplomacia chinesa defendeu que ambos os países enviem um sinal positivo de defesa conjunta do multilateralismo e do comércio livre, bem como contribuam para reforçar a confiança da comunidade internacional nas relações entre Pequim e Bruxelas. Wang manifestou a esperança de que “a Alemanha mantenha uma atitude racional e pragmática, desempenhe um papel positivo no seio da UE e incentive o bloco a defender o comércio livre”. O ministro afirmou ainda que a China e a UE são “parceiros estratégicos abrangentes” e que as duas partes não devem entrar numa guerra comercial, num contexto de endurecimento do tom europeu sobre o défice comercial, o excesso de capacidade industrial chinesa e o acesso das empresas europeias ao mercado chinês. Wadephul, segundo a versão chinesa, afirmou que a Alemanha mantém a vontade de reforçar os intercâmbios de alto nível com a China, aprofundar a cooperação no comércio e no investimento e elevar o nível dos laços bilaterais.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção | PCC expulsa duas altas patentes militares O general de mais alta patente do Exército chinês e outro alto oficial militar foram expulsos do Partido Comunista, por suspeitas de corrupção e deslealdade, noticiou ontem a imprensa estatal. As expulsões dos generais Zhang Youxia — vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central e segundo na hierarquia militar, atrás apenas do Presidente Xi Jinping — e Liu Zhenli — chefe do Estado-Maior Conjunto da comissão — enquadram-se numa ampla e contínua campanha de purga de oficiais militares e de combate à corrupção, segundo a agência AP. Ambos foram acusados de serem “desleais e desonestos para com o Partido”, bem como de abusarem dos seus poderes para favorecer promoções de terceiros e de aceitarem indevidamente presentes e uma “enorme quantidade de dinheiro”, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. Os dois “violaram gravemente a disciplina e as normas políticas” e também falharam na “supervisão dos seus familiares e de membros próximos das suas equipas”, adiantou a Xinhua. Os casos, resultantes de uma longa investigação, foram encaminhados para os procuradores militares, acrescentou a agência. Xi Jinping tem exigido que a alta cúpula militar esteja livre de corrupção e demonstre uma lealdade inabalável à liderança do Partido Comunista. “Não pode haver ninguém nas forças armadas que nutra deslealdade para com o Partido (Comunista)”, disse Xi em declarações publicadas pela Xinhua em Março.
Hoje Macau China / ÁsiaAPEC | Ministro de Taiwan participa em reunião na China “sem contratempos” O ministro do Trabalho de Taiwan, Hung Sun-han, participou na segunda-feira numa reunião da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) na China “sem contratempos”, numa deslocação invulgar face às actuais tensões entre Taipé e Pequim. “A participação de Hung e da sua delegação decorreu sem contratempos e o lado chinês tomou as disposições necessárias segundo as práticas e normas da APEC”, indicou o ministério do Trabalho de Taiwan, num comunicado citado pela agência CNA. O governante chegou no domingo à noite ao aeroporto internacional de Nanjing, no leste da China, para participar, no dia seguinte, na oitava Reunião Ministerial sobre Desenvolvimento de Recursos Humanos da APEC, realizada na mesma cidade. A deslocação constituiu a primeira visita à China de um ministro taiwanês desde a tomada de posse, em Maio de 2024, do líder da ilha, William Lai, frequentemente descrito pelas autoridades de Pequim como “independentista” e “perturbador”. Embora as visitas de políticos taiwaneses à China sejam relativamente frequentes – a líder da oposição, Cheng Li-wun, reuniu-se em Abril passado, em Pequim, com o Presidente chinês, Xi Jinping –, são menos comuns as deslocações de figuras ligadas ao governante Partido Democrático Progressista (DPP).
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Lançado novo chip três vezes mais potente que modelo anterior A corrida tecnológica não pára com a Alibaba a apresentar uma estratégia assente em modelos de IA, chips e computação em nuvem A tecnológica chinesa Alibaba apresentou ontem um novo chip de inteligência artificial (IA), que classificou como o “mais potente” da China, numa altura em que as restrições norte-americanas aceleram o desenvolvimento de alternativas domésticas. O anúncio foi feito pelo presidente executivo do grupo, Eddie Wu, durante a conferência anual Apsara, realizada em Hangzhou, no leste da China, onde a empresa apresentou uma estratégia assente em três pilares: modelos de IA, chips e computação em nuvem. Wu afirmou, segundo uma transcrição divulgada pelo portal corporativo Alizila, que o novo Zhenwu V900, desenvolvido pela T-Head, a unidade de semicondutores da Alibaba, oferece um desempenho três vezes superior ao do Zhenwu M890, o modelo anterior. Segundo o responsável, um ‘cluster’ baseado no V900 poderá suportar até 500 mil placas para tarefas de treino e inferência de modelos avançados, e a empresa prevê um forte aumento das entregas anuais de chips de IA. A apresentação ocorre em plena corrida das tecnológicas chinesas para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, como a norte-americana Nvidia, cujos semicondutores mais avançados estão sujeitos a controlos de exportação de Washington por motivos de segurança nacional. As restrições transformaram a capacidade computacional num dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas chinesas de IA. O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, afirmou nos últimos meses que a maior diferença face aos Estados Unidos não reside no talento nem na tecnologia, mas nos “recursos computacionais”. Mais capacidade A Alibaba anunciou também que pretende que a capacidade global dos centros de dados operados pela Alibaba Cloud ultrapasse os 20 gigawatts em 2032, perante uma procura por IA que Wu classificou como “excepcionalmente forte”. O responsável reconheceu que a procura do sector a médio e longo prazo “supera largamente” a capacidade de oferta da empresa. A tecnológica indicou ainda que a equipa responsável pela Qwen, a sua família de modelos de IA e um dos principais eixos da aposta na computação em nuvem, planeia treinar um novo sistema com entre cinco e 10 biliões de parâmetros. A empresa apresentou em Agosto o Qwen3.8-Max, com 2,4 biliões de parâmetros, e tem apostado também em modelos de código aberto destinados a programadores e empresas. A Alibaba lançou no mesmo mês uma emissão de acções superior a 10 mil milhões de dólares para financiar infraestruturas de IA, no âmbito de um plano para investir 380 mil milhões de yuan em IA e computação em nuvem ao longo de três anos.
Hoje Macau EventosAlbergue SCM | Festival do Meio Outono celebrado esta sexta-feira O Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) acolhe, esta sexta-feira, uma festa de celebração do Festival do Meio Outono, com o nome “Celebration of the Moon – Mid-Autumn Festival 2026” [Celebração da Lua – Festival do Meio-Outono 2026]. A celebração tem entrada gratuita e decorre entre as 18h30 e as 21h, sendo que neste dia também será inaugurada a exposição das tradicionais lanternas do coelho, intitulada “Little Rabbit Lanterns – An Exhibition by Carlos Marreiros and Friends – Part 20 | Celebration of the 77th Anniversary of the People’s Republic of China” [Lanternas do Coelhinho – Uma Exposição de Carlos Marreiros e Amigos – Parte 20 | Celebração do 77.º Aniversário da República Popular da China]. Segundo um comunicado do Albergue SCM, haverá “diversas actividades” para celebrar esta data do calendário, muito ligada à cultura chinesa, disponibilizando-se também petiscos tradicionais e música ao vivo. Do rol de actividades inclui-se, por exemplo, uma “sessão de partilha e decoração de lanternas”. Na festa participam também membros da Associação de Mulheres Calígrafas, Pintoras e Escultoras de Macau [Macau Women Calligraphers, Painters and Sculptors Association], que prometem apresentar “os seus dotes artísticos” nesta sessão com as lanternas. “Os participantes poderão levar consigo uma lanterna decorada com tinta e assistir a demonstrações de caligrafia chinesa ao vivo”, é revelado. A exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Outubro, apresenta lanternas com criações únicas de artistas locais, tratando-se de uma “mostra cativante que combina cultura e criatividade de artistas de várias partes do mundo”. O evento é organizado pelo CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, fundado no território em 1985 por figuras reconhecidas do panorama artístico local, alguns deles já falecidos, como é o caso do pintor Mio Pang Fei. Carlos Marreiros, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros também fizeram parte do grupo fundador do CAC.
Hoje Macau SociedadeGripe | Vacinação arranca no final do mês As autoridades de saúde anunciaram que a vacinação contra a gripe sazonal vai arrancar a partir de dia 29 deste mês. A revelação foi feita por Leong Iek Hou, directora do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde. Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Leong indicou que o plano começa por dar prioridade aos grupos de alto risco. Por isso, a partir do próximo mês, os SS vão enviar pessoal médico a escolas, creches e lares para administrar as vacinas a idosos, estudantes, docentes e pessoal auxiliar nas escolas. Ao mesmo tempo, Leong Iek Hou avisou ainda que, de acordo com os dados de monitorização da gripe, o vírus tem estado “relativamente activo”. Na semana passada, a taxa de positividade do vírus atingiu os 23,5 por cento, valor superior à linha de alerta de 15 por cento. Apesar dos números elevados, Leong negou que se trate de um problema exclusivamente local, e justificou que os dados estão em linha com o que aconteceu no Interior e em Hong Kong. A responsável adiantou também que os SS têm planos para adquirir 215 mil doses da vacina contra a gripe, um número considerado suficiente. Contudo, se a procura ultrapassar a oferta vão ser adquiridas doses adicionais.
Hoje Macau SociedadeDemência | Governo diz que avalia três mil pessoas por ano Os Serviços de Saúde (SS) referem que avaliam, por ano, mais de três mil pessoas para despiste de demência sendo que, após a avaliação do paciente, “cerca de 650 novos doentes são transferidos para tratamento na consulta da memória do Centro de Avaliação e Tratamento da Demência”. Numa nota, é ainda explicado que “o tempo médio de espera por um novo caso é inferior a quatro semanas, o que eleva a eficiência e a acessibilidade dos serviços de diagnóstico e tratamento da demência”. Os SS adiantaram estes dados a propósito da organização de actividades de celebração do “Mês Mundial da Demência”, celebrado em Setembro por designação da Alzheimer’s Disease International. Existe em Macau a “Comunidade amiga das pessoas com demência”, sendo que 209 unidades locais aderiram à “Aliança da comunidade amiga da demência”, existindo 120 embaixadores que chamam a atenção para a doença.
Hoje Macau SociedadeCocaína líquida | PJ desmantelou caso de tráfico A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem ter detectado o primeiro caso de tráfico de cocaína líquida em Macau. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a ocorrência envolve uma mulher boliviana de 26 anos que tentou entrar no território através do Aeroporto Internacional de Macau. A cocaína estava escondida nas costuras das peças de roupa encontradas dentro da mala de viagem da detida. No âmbito da intercepção, a PJ apreendeu 3,9 quilos de cocaína avaliados em 11,8 milhões de patacas. As autoridades indicaram ainda que estavam atentos à suspeita, devido à análise de risco feita com base no seu itinerário. Quando fizeram uma revista à mulher, as autoridades estranharam o peso anormal das roupas. À polícia, a detida confessou ter sido recrutada para servir como mula dos estupefacientes a troco de 5 mil dólares americanos. A PJ acredita que Macau não era o destino final da droga contrabandeada, pelo que continua a investigar o caso.
Hoje Macau PolíticaLAG 2027 | Prazo para recolha de opiniões termina hoje O período de recolha de opiniões sobre as Linhas de Acção Governativa para 2027 termina hoje, lembrou ontem o Gabinete de Comunicação Social em comunicado. O Governo apelou a todos os sectores da sociedade e aos residentes para aproveitarem o último dia do período auscultação da população, que começou a 24 de Agosto, e “apresentem activamente opiniões e sugestões”. Os residentes interessados podem submeter opiniões através da aplicação para telemóvel Conta Única de Macau, ou através das linhas de fax (2882 3426), gravação de mensagens (2883 9919), correio electrónico (comment@dsepdr.gov.mo), ou por via portal para Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, (Rua do Desporto, n.º 185 -195, Taipa, Macau). Imposto de rendimentos | Pagamentos até ao dia 30 A Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) aceita até ao dia 30 deste mês o pagamento do imposto complementar de rendimentos numa única prestação, bem como o pagamento da primeira prestação. A DSF explica em comunicado que, “nos casos em que a primeira prestação não seja paga dentro do prazo legal, além da cobrança de juros de mora e 3 por cento de dívidas, acontece também o vencimento imediato da prestação vincenda”. Os pagamentos podem ser feitos através das plataformas “Macau Tax”, “Plataforma para Empresas e Associações”, “Conta Única de Macau”, website da DSF ou ainda de forma presencial, tanto nas instalações da DSF como no Centro de Serviços da RAEM.
Hoje Macau PolíticaObras Públicas | Tam diz que tutela tem convicção no amor à pátria Ontem, todos os responsáveis de altos cargos da RAEM emitiram comunicados de teor nacionalista. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, “afirmou que a sua equipa mantém sempre firme a convicção central do amor pela pátria e por Macau”. O secretário garantiu que a sua tutela irá reforçar a comunicação com jovens, em articulação com associações juvenis de Macau, “auscultando as suas opiniões sobre o planeamento dos transportes, a construção urbana e a conservação ecológica”. Paralelamente, Raymond Tam indicou que a equipa que lidera “continuará a impulsionar a construção urbana de alta qualidade e as obras de interesse público”. Administração e Justiça | Wong espera que jovens dignifiquem a bandeira O secretário para a para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, espera que estudantes de Macau compreendam o significado da Bandeira Nacional, defendam a Bandeira Nacional e dignifiquem a Bandeira Nacional. As declarações foram proferidas no final da visita de cinco dias de cerca de mais 300 alunos e professores de Macau a Pequim. O secretário recuou mais de 70 anos para destacar o nacionalismo de Macau. “Já em 1 de Outubro de 1949, dia da Fundação da Nova China, a directora da Escola Hou Kong de Macau, Tou Nam, hasteou pessoalmente na escola a primeira Bandeira Nacional de Cinco Estrelas, demonstrando o profundo sentimento de amor à pátria e a Macau por parte da sociedade de Macau”, observou. Nacionalismo | O Lam pede enriquecimento do esplendor da bandeira A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, prometeu orientar os jovens de Macau “a integrarem-se e a servirem a conjuntura do desenvolvimento nacional, bem como a assumir a missão de enriquecer o esplendor da bandeira nacional”. A governante, que esteve em Pequim com a delegação da RAEM nas actividades do içar da bandeira, referiu que a sua tutela “irá estudar com afinco o espírito das instruções relevantes do Presidente Xi Jinping, implementar as exigências do vice-primeiro ministro Ding Xuexiang”. A secretária afirmou que revelou que Ding Xuexiang transmitiu “cumprimentos e votos carinhosos do Presidente Xi Jinping” e formulou desejos de que os jovens conheçam “o valor da bandeira nacional”. Segundo O Lam, as palavras do responsável do Conselho de Estado “deixaram os jovens de Macau bastante entusiasmados e encorajados”.
Hoje Macau PolíticaEPM | Director João Miguel Gonçalves inspirado em Pequim A Escola Portuguesa de Macau (EPM) também participou na visita a Pequim. Em declarações ao jornal Ou Mun, o director, João Miguel Gonçalves, disse estar muito satisfeito por participar na visita do sector educativo de Macau à capital chinesa, ocasião que lhe permitiu conhecer a indústria da inteligência artificial nacional, servindo-lhe de inspiração para o trabalho na RAEM. O responsável indicou que durante a estadia em Pequim, visitaram escolas e empresas de tecnologia e mostrou-se esperançado na realização de intercâmbios com estudantes do Interior e cooperação com empresas, permitindo aos alunos estar a par do estado actual da inteligência artificial e do desenvolvimento tecnológico chinês.
Hoje Macau Grande Plano MancheteÓbito | Jorge Palma morreu aos 76 anos vítima de paragem cardiorrespiratória Jorge Palma, um dos mais importantes músicos portugueses, morreu na noite de segunda-feira vítima de paragem cardiorrespiratória. Deixa êxitos que marcaram gerações, como “Frágil”, “Bairro do Amor” ou “Dá-me Lume”. O músico actuou duas vezes em Macau, nos anos 90 e em 2015 O músico Jorge Palma, que morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória, trocou a música clássica pelo rock no início da adolescência, acabando por se tornar num dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea. Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos seis anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10. Embora as aulas tenham começado bem cedo, Jorge Palma começou a tocar antes disso, em casa, onde havia um piano. “Era o meu brinquedo. Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira-discos reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela minha mãe, que também tinha estudado piano. Daí ter-me posto a estudar aos seis anos”, partilhou numa entrevista, publicada em 2024 no jornal digital “Mensagem” de Lisboa. Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa. Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro ‘single’ em nome próprio, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock. Na altura, o que o movia “eram miúdas, festa, aquelas coisas”. No liceu, começou “a ouvir a pop rock, a começar por [Elvis] Presley, mas sobretudo [The] Beatles e [The Rolling] Stones”. “Aí abandonei completamente os estudos clássicos, chumbei no Liceu Camões, no 4.º ano, deixei de ir à ginástica, às aulas de piano”, recordou Jorge Palma, em entrevista à Lusa, em 2022. Após terminar o liceu, entrou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que frequentou durante dois anos, até desistir. Início sindical Antes de se apresentar em nome próprio, Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys. Na mesma época, começou a trabalhar em composição, orquestração e gravação. Em 1972, gravou “The Nine Billion Names of God”, o primeiro ‘single’ em nome próprio, cujo pagamento recebeu em electrodomésticos. O título do tema foi retirado de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado no livro “O Despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier. “Gostei muito desse conto, ‘The Nine Billion Names of God’, que é um conto pequeno em que há um confronto entre a mística, o espiritualismo dos monges tibetanos, e os computadores do mundo ocidental. E consegui, num inglês ainda académico, fazer uma canção que não está nada mal feita. Tinha eu nessa altura 22 anos”, contou ao jornal Público, em 2022. Quando quis gravar “The Nine Billion Names of God” e o lado B do ‘single’, “Come, Morpheus”, Jorge Palma foi ter com “o grande músico e maestro” Thilo Krasmann, que o gravou, cedendo espaço de estúdio para que gravasse a maquete, de piano e voz, mas “não pertencia a nenhuma editora”, recordou em entrevista à Lusa em 2022. O músico foi então “bater à porta da Arnaldo Trindade, cujo director era o Carlos Cruz, que ouviu, achou piada e disse: ‘Nós pagamos-te a gravação e fazemos a gravação’”. O pagamento chegou na forma de “uma máquina de lavar roupa e um frigorífico”. “O Arnaldo Trindade [1934-2024] tinha um negócio de electrodomésticos”, explicou Jorge Palma, lembrando que, naquela altura, tinha acabado de se casar com a primeira mulher. A saída da ditadura Pouco depois, em 1973, foi convocado para o serviço militar, mas decidiu abandonar o país e instalar-se na Dinamarca. Antes de partir, leiloou ‘o pagamento’ que recebeu pelo primeiro ‘single’ entre os amigos. “Consegui licença militar para sair 15 dias antes de entrar para a tropa. Quando obtive essa licença, em Setúbal, saí aos saltos cá para fora. Quem me tivesse visto deveria ter pensado que eu era maluco. Cheguei ao aeroporto com um bilhete para Londres, e de Londres viajei para Copenhaga”, lê-se na biografia oficial de Jorge Palma, “Na Palma da Mão”, da autoria de Pedro Teixeira. No mesmo livro conta-se que, em Copenhaga, Jorge Palma trabalhou num hotel onde desempenhou tarefas na manutenção e lavagem dos elevadores e na limpeza dos quartos, entre outras. Em 1974, regressa a Portugal, após o 25 de Abril, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, criado numa altura em que o músico estava “muito influenciado pelo rock sinfónico, Genesis, Yes, etc.”. “Foi sob essa influência que escrevi as canções desse álbum. Somos só três instrumentistas: Vítor Mamede na bateria, que veio do meu grupo Sindicato, Rui Cardoso, sopro, flautas e ‘saxes’, e eu toquei tudo o que era teclas, baixo, as guitarras todas. Fomos só três pessoas a fazer aquele ‘sonzão’, com a voz muito fininha, novinho”, recordou em entrevista à Lusa, em 2022. Ainda na década de 1970, troca Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro, cantando sobretudo Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Crosby, Stills and Nash e ‘bluegrass’. Depois de “Como uma viagem na palma da mão” gravou mais 13 álbuns de originais, e “cada um corresponde a um momento” da vida de Jorge Palma. “Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único”, disse à Lusa na mesma ocasião. A chegada de “Só” Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava “Só”, editado em 1991, a primeira colectânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores. Jorge Palma tinha 40 anos quando gravou as 15 canções de “Só”, nos antigos estúdios da Valentim de Carvalho. “É um disco intimista, é um ambiente íntimo que reflecte de facto o que aconteceu na escuridão daquele enorme estúdio. Reflecte-se que há uma entrega grande, que há um empenho”, referiu em entrevista à Lusa em 2016. Do alinhamento fazem parte, por exemplo, “Bairro do amor” (1977), “Na terra dos sonhos” (1980), “O meu amor existe” (1982), “Estrela do mar” (1984), “Deixa-me rir” (1985) e “Frágil” (1989). Na altura, “a editora não estava muito abonada para um artista como eu que não é um grande vendedor de discos”, recordou. Deram-lhe a possibilidade de gravar piano e voz, e 30 anos depois ainda era abordado por pessoas que lhe elogiavam o disco. Depois de “Só”, Jorge Palma passou o resto dos anos 1990 com a discografia que tinha, avançou com o Palma’s Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau), fez música para teatro, fez parte do grupo Rio Grande, compôs para outros, até editar um novo álbum de originais, “É proibido fumar”, em 2001. Seguiram-se “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007) e “Com todo o respeito” (2011). O álbum mais recente, o derradeiro, “Vida”, foi editado em 2023. Em Maio de 2025 estreou o espectáculo “3 palmas na mão”, no qual se apresentava em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. O título do espectáculo começou por ser o nome do grupo de Jorge Palma e filhos na plataforma Whatsapp, antes de se transformar numa canção incluída no álbum “Vida” e ganhar depois a forma de um concerto. Vicente Palma faz parte da banda que acompanha o pai há cerca de 20 anos. Sobre os filhos, Jorge Palma disse, numa entrevista ao Mensagem de Lisboa, em 2024, que “têm vozes muito fixes, são muito afinados: o Vicente mais piano do que guitarra, o Francisco mais guitarra do que piano. Escrevi o ‘Três Palmas na Mão’, que em estúdio fomos nós três a tocar, cada um com a sua guitarra, guitarras e voz”. Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com “Jorge Palma”, e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum “Com todo o respeito”. Em 2020, Jorge Palma recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em Abril de 2026, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa. Jorge Palma actuou em Macau por duas vezes: em 1990, no Teatro D. Pedro V, e em 2015, por ocasião das celebrações do 25 de Abril. Jorge Palma actuou num trio composto pelo filho Vicente Palma (guitarra, piano e voz), e Gabriel Gomes (ex-Madredeus e ex-Sétima Legião, no acordeão). Políticos destacam legado de Jorge Palma A morte de Jorge Palma foi lamentada por vários políticos portugueses, nomeadamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que escreveu na rede social X, que “Jorge Palma parte, mas a sua música fica”. “Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais. Em meu nome e em nome do Governo, deixo à família e aos amigos as mais sentidas condolências”, destacou. Também Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, falou num “dia triste – muito triste – para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam”. Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, “ficam a voz, os poemas e o carisma”. Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico – “O que eu não vivi, hei-de inventar contigo” -, e termina-a garantindo: “O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele”. Já a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, agradeceu o legado do músico, considerando-o um “cantautor extraordinário”. Numa publicação na rede social X, Margarida Balseiro Lopes considerou o autor de temas como “Frágil”, “Dá-me Lume” ou “Bairro do Amor” uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas e endereçou “sentidas condolências” à família e amigos.
Hoje Macau China / ÁsiaRússia/Eleições | Putin renova maioria parlamentar O partido que apoia o regime do Presidente Vladimir Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram ontem as autoridades eleitorais russas. O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP. Numa primeira reacção, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que os resultados “demonstram um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno” de Putin. Os resultados de mais de 95 por cento das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58 por cento dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central. Outros 225 deputados foram escolhidos em círculos uninominais, e os resultados mostraram os candidatos do partido afecto ao Kremlin (presidência) a liderar em 208 dessas disputas, noticiou a agência norte-americana AP. A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse que os resultados preliminares indicavam que o RU deverá obter pelo menos 355 lugares dos 450 que compõem a Duma Federal, a câmara baixa da Assembleia Federal. Pamfilova congratulou-se com um recorde de afluência às urnas, que ultrapassou oficialmente os 59 por cento. “Trata-se, precisamente, da taxa de participação mais elevada de sempre registada em eleições deste nível”, afirmou. Os resultados definitivos estão previstos para sexta-feira. Votos em tempo de guerra A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022. Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022. A votação também se realizou na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014. A Ucrânia denunciou como ilegal a votação nas cinco regiões, cuja soberania reclama a Moscovo com o apoio dos aliados ocidentais de Kiev. Já a China felicitou ontem a Rússia pelas “bem-sucedidas eleições” e considerou que “os resultados reflectem a vontade popular”. “A China apoia firmemente a escolha independente [dos eleitores] e está preparada para trabalhar com a Rússia para avançar nas relações bilaterais”, disse o porta-voz da diplomacia de Pequim Guo Jiakun, citado pela agência espanhola EP. O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em Agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia. O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais. Alguns políticos antiguerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral. O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto. A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de “duplos critérios” pelas críticas a Moscovo.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Tufão Dujuan aproxima-se com chuvas fortes O forte tufão Dujuan avançava ontem em direcção à costa do leste do Japão, com rajadas de até 198 quilómetros por hora e chuvas intensas na região de Tóquio, provocando restrições de trânsito. O Dujuan, o 25.º tufão da temporada segundo a classificação japonesa, estava às 09:00 a cerca de 120 quilómetros a oeste-sudoeste da ilha de Hachijo e avançava para nordeste a 25 quilómetros por hora, com ventos sustentados de até 144 quilómetros por hora, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês). O Gabinete Nacional de Estradas de Chiba começou, durante a madrugada, a restringir de forma preventiva o trânsito numa passagem subterrânea da cidade, após a emissão de um aviso de perigo devido às fortes chuvas. O temporal obrigou também a Tokyo Game Show, a maior feira de videojogos da Ásia, a encerrar um dia mais cedo do que o previsto. A 30.ª edição do evento — a maior da sua história — terminou no domingo, em vez de ontem. A JMA prevê, até às 06:00 de hoje, um volume de chuva até 350 milímetros em Tokai, 300 milímetros em Kanto (região que inclui Tóquio) e nas ilhas Izu, e 200 milímetros em Tohoku. A agência prevê ventos muito fortes na zona oeste dos 23 distritos de Tóquio e alertou ainda para o risco de deslizamentos de terras, inundações e transbordo de rios.
Hoje Macau China / ÁsiaAustrália | Peças de caças F-35 em Hong Kong A Austrália defendeu ontem os seus protocolos de segurança após notícias de que peças sobressalentes do avião de combate norte-americano F-35, fabricadas perto de Sydney e destinadas aos Estados Unidos, foram parar a Hong Kong. “O Governo australiano leva muito a sério a proteção de tecnologias classificadas e sujeitas a controlos de exportação”, declarou um porta-voz das forças de defesa australianas em comunicado. O meio de comunicação Politico relatou que uma carga de peças sobressalentes do F-35 foi desviada para Hong Kong após sair da Austrália, levantando receios de que a China possa ter tido acesso ao sistema de armas. A carga incluía uma cúpula com um revestimento especial para cobrir a cabina de pilotagem cuja tecnologia permite reduzir a assinatura de radar, de acordo com a agência francesa AFP. O Politico referiu que se desconhece o motivo pelo qual o material foi desviado para a região chinesa e quem o detém actualmente. O fabricante Lockheed Martin disse ao órgão de comunicação social que não podia prestar declarações sobre as exportações por razões de segurança. A Austrália possui 72 aviões F-35 e faz parte dos sete países, fora dos Estados Unidos, que partilham um inventário global de peças sobressalentes. A lista integra ainda o Canadá, a Dinamarca, a Itália, os Países Baixos, a Noruega e o Reino Unido. Doze outros países compraram o caça F-35, entre os quais o Japão, Singapura e a Coreia do Sul.
Hoje Macau VozesDe Jiangxi para Macau: o que a história nos ensina sobre o futuro dos jovens Por Mak Soi Kun, ex-deputado Macau já foi uma cidade de nível mundial. Vale a pena recuperar essa ideia quando se discute o futuro dos jovens. A Colina da Ilha Verde era originalmente uma ilha isolada no meio do mar. Os nossos antepassados aterraram o mar e ali construíram uma das primeiras fábricas de cimento da China — a Fábrica de Cimento da Ilha Verde, fundada pelo empresário chinês Yu Ruiyun. Li Hongzhang, alto funcionário da Dinastia Qing, enviou Tang Tingshu a Macau para uma visita de inspecção; este levou a tecnologia de volta para o Interior da China, contribuindo para a fundação de uma das primeiras fábricas de cimento nacionais. Macau desempenhou, assim, um papel pioneiro na indústria cimenteira chinesa. A produção de incenso, panchões e fósforos floresceu nas décadas de 50 e 60 do século passado. Em 1930, a exportação de panchões e fósforos chegou a representar 31% do total das exportações de Macau, sustentando toda a cidade. As Ruínas de São Paulo, antigo Colégio de São Paulo fundado em 1594 pela Companhia de Jesus, albergaram a primeira universidade de estilo ocidental no Extremo Oriente, formando missionários que se espalharam pela China, Japão e Sudeste Asiático. Em 16 de Julho de 1948, ocorreu em Macau o primeiro sequestro de um avião comercial registado no mundo — o hidroavião «Miss Macau», que fazia a rota Macau-Hong Kong, foi desviado e caiu no mar. Um episódio que marcou a história da aviação internacional e que mostra que Macau já era um nó da aviação internacional há mais de setenta anos. As pessoas de Macau nunca foram provincianas. Ao longo da história, os macaenses sempre foram de nível mundial. De onde veio esta capacidade de abrir caminhos? Uma visita de estudo a Jiangxi, feita recentemente com um grupo de jovens com uma média de idades de cerca de trinta anos, oferece uma pista. Do Museu Comemorativo do Levantamento de Nanchang, a 1 de Agosto, a Jinggangshan, encontrámos outro tipo de «primeiro». Em 1927, em Nanchang, um levantamento armado marcou o início da luta do Partido Comunista Chinês contra o regime então dominante. As forças envolvidas não alcançaram os objectivos imediatos e retiraram-se para as montanhas de Jinggangshan, onde viria a ser estabelecida a primeira base revolucionária rural. As condições eram extremamente difíceis: faltavam alimentos, medicamentos e armas. Ainda assim, os que lá estavam conseguiram abrir um caminho que ninguém antes tinha percorrido. Jinggangshan ocupa um lugar muito especial na memória chinesa. Foi ali que se formou aquilo a que se chama o seu «espírito»: manter firme o ideal, buscar a verdade nos factos e abrir novos caminhos, enfrentar as dificuldades com perseverança. Para gerações de chineses, esta não é uma celebração do passado, mas uma referência moral — a ideia de que as dificuldades não são um destino, mas um ponto de partida. Na altura, a teoria dominante defendia «atacar as grandes cidades». Mas os que estavam em Jinggangshan reconheceram a realidade: a população rural da China era muito maior do que a urbana. Para vencer, era preciso o apoio da maioria. Começaram por estabelecer bases no campo, unindo a maioria dos camponeses, e só depois se expandiram gradualmente para as cidades. Mais do que os nomes ou os acontecimentos, o que importa reter é o espírito: partir da realidade, ousar abrir novos caminhos, não recuar perante as dificuldades e, depois de reconhecer a direcção certa, avançar com determinação. Os «primeiros» da história de Macau foram, provavelmente, criados com este mesmo espírito. Hoje, porém, muitos jovens de Macau sentem-se presos. Ao organizar as conversas com os membros do grupo depois da viagem, tornou-se claro que, sem dar por isso, tinham sido feitas muitas entrevistas. As histórias reflectem a situação real de muitos jovens: não encontram emprego depois de formados, não têm perspectivas de progressão na carreira, não sabem por onde começar para mudar de área, não têm coragem para constituir família. Estas histórias não são apenas «tristes» — são a realidade. Não é por falta de esforço, mas porque se sentem presos numa encruzilhada, sem saber como virar. Não se trata apenas de uma questão de emprego ou de rendimento. É também uma questão de direcção e de sentido. Macau hoje não carece de condições materiais; o que falta é, sobretudo, motivação espiritual. Quanto mais abundante é a vida material, mais se precisa de ideais, curiosidade e sentido de missão como sustento. Neste aspecto, Macau não parte do zero. A estratégia «1+4» do Governo da RAEM aponta para a diversificação — turismo como pilar principal, mais quatro indústrias. A Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin já concede apoio financeiro aos jovens de Macau que queiram criar negócios, e várias cidades da Grande Baía disponibilizam postos de estágio em áreas como tecnologia, finanças e saúde. Não são slogans, são oportunidades reais. A questão que se coloca é como cada um as aproveita. O Governo apresenta opções; cada pessoa decide se e como as utiliza. Como numa equipa de futebol, a estratégia pode estar definida, mas são os jogadores que têm de entrar em campo e decidir como jogar. O Governo não decide por ninguém; abre mais uma porta e mais um caminho, para que cada um possa desenvolver os seus talentos. Mas as oportunidades só se transformam em resultados quando alguém decide agir. O legado de Jinggangshan ensina a «buscar a verdade e ser pragmático»: reconhecer a realidade — do que precisam os jovens? Que espaço há na sociedade? Que políticas existem? Só depois de esclarecer isto se encontra a direcção certa. A lição de Nanchang é a perseverança: depois de escolher um rumo, aguentar a pressão e avançar passo a passo. Há três atitudes que a história de Jiangxi torna especialmente claras. A primeira é não deixar que o medo defina as escolhas — as dificuldades enfrentadas naquela época eram bem mais severas do que as que muitos jovens de Macau temem hoje. A segunda é reconhecer que a direcção já está indicada, mas o caminho só se faz caminhando. A terceira é transformar o descontentamento em movimento: queixar-se é compreensível, mas agir rende mais do que ficar apenas nas palavras. Quase um século depois, a direcção «1+4» está traçada, a Zona de Cooperação Aprofundada abriu portas e a Grande Baía está interligada. As oportunidades existem. O que a história de Jinggangshan e de Nanchang continua a lembrar é simples: reconhecer a realidade, escolher uma direcção e avançar com persistência. Os que nos precederam construíram o presente com determinação. Cabe agora aos jovens de Macau decidir que capítulo escrever a seguir. O amanhã será melhor se houver preparação, confiança e determinação.
Hoje Macau Eventos“Artes na Rua” | Visita comentada este sábado no Consulado Chega ao fim este sábado, dia 26, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, sendo que o público pode ter acesso, às 16h, a uma visita comentada com Catarina Cortesão Terra, Conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau e Hong Kong. Segundo um comunicado do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Catarina Cortesão Terra “acompanhou a execução do projecto e irá abordar a sua perspectiva sobre a relação entre as artes e o espaço público durante o período revolucionário português (1974-1978)”, ou seja, quando terminou o regime ditatorial do Estado Novo, a 25 de Abril de 1974. A mostra abrange também os meses do chamado PREC – Processo Revolucionário em Curso, em 1975, e a implementação da primeira Constituição pós-ditadura, em 1976. Esta mostra teve curadoria de Margarida Brito Alves e Cristina Pratas Cruzeiro, apresentando uma narrativa crítica estruturada em cinco temas, nomeadamente “Celebração, Cooperação, Participação, Comunicação e Dissensão”. Foi inaugurada, pela primeira vez, a 11 de Abril, em Portugal. Segundo a mesma nota, convidam-se os interessados “a participar num evento de celebração e reflexão sobre a arte, a cidadania e a memória”.
Hoje Macau EventosGastronomia | Clube Militar apresenta pratos de Belmiro de Jesus O Clube Militar acolhe uma nova edição do Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Sabores e Aromas do Outono 2026, com as iguarias do chef português Belmiro de Jesus, fundador do restaurante Belmiro, em Lisboa. Na cozinha, vai estar também José dos Santos Em Lisboa é o nome por detrás do restaurante Belmiro. Em Macau, o chef português Belmiro de Jesus promete apresentar as suas melhores criações gastronómicas já a partir desta semana, entre os dias 25 de Setembro e 4 de Outubro, no Clube Militar. A vinda do chef português acontece por ocasião da nova edição do Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Sabores e Aromas do Outono-2026, sendo que Belmiro de Jesus se faz acompanhar do seu assistente, José dos Santos. De notar que este evento se realiza há mais de 20 anos. Segundo uma nota do Clube Militar, Belmiro de Jesus é “um reconhecido chefe português”, sendo conhecido pelas suas criações dentro do universo da gastronomia tradicional portuguesa. Natural de Fiolhoso, em Trás-os-Montes, o chef construiu uma carreira sólida ao longo de várias décadas dedicadas à restauração, tornando-se uma referência na preservação e valorização dos sabores autênticos da cozinha nacional. O percurso na cozinha começou em 1990, tendo trabalhado na “Adega da Tia Matilde”, em Lisboa. Em 2005 ajudou a criar o restaurante “Salsa & Coentros”, tendo depois lançado o projecto “Bel’empada”, marcado pelas empadas artesanais, que se tornaram na sua imagem de marca. O restaurante Belmiro, “um dos seus projectos mais pessoais”, abriu portas em 2020, sendo um espaço onde “apresenta uma cozinha genuinamente portuguesa, com especial destaque para pratos de caça, receitas tradicionais de tacho e preparações que respeitam os métodos clássicos da culinária nacional”. Sempre a qualidade No Belmiro, o seu criador defende “uma cozinha baseada na qualidade dos ingredientes, no respeito pelas tradições e na valorização do património gastronómico nacional”. Já José dos Santos construiu uma carreira sólida e multifacetada em hotelaria e restauração, tendo já 43 anos de experiência nestas áreas. Ao longo do seu percurso, passou por prestigiadas unidades hoteleiras portuguesas e pelo exigente sector dos cruzeiros internacionais. Segundo a nota do Clube Militar, José dos Santos integrou equipas na Quinta da Penha Longa, Hotel Albatroz e o histórico Hotel Palácio Estoril, “tendo adquirido elevados padrões de qualidade, rigor e atenção ao detalhe”, é descrito. A parceria com Belmiro de Jesus existe desde 2000, tendo-se transformado também “numa amizade duradoura, muito assente na paixão comum pela defesa e valorização da cozinha tradicional portuguesa”. Ambos “procuram preservar e promover os sabores, os produtos e as tradições que fazem parte da identidade gastronómica nacional”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteVisita | Confirmada ida de Xi aos EUA entre 23 e 25 de Setembro A visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos está confirmada. O encontro entre Xi e Trump deverá colocar em cima da mesa temas como a Inteligência Artificial, relações comerciais ou a guerra no Irão A China confirmou ontem que o Presidente, Xi Jinping, vai realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos entre amanhã e sexta-feira, a convite do homólogo norte-americano, Donald Trump, deslocação já anunciada por Washington. A confirmação foi divulgada numa breve nota pela agência noticiosa oficial Xinhua, que não forneceu, para já, mais pormenores sobre a agenda do chefe de Estado chinês. A visita decorrerá poucos dias depois das negociações realizadas em Nova Iorque entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e deverá ter na agenda questões como a guerra no Irão, a inteligência artificial (IA), disputas comerciais ou Taiwan. Segundo a agenda anunciada por Washington, Xi chegará na quarta-feira aos Estados Unidos e será recebido no dia seguinte, juntamente com a mulher, Peng Liyuan, por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca. Estão previstas uma cerimónia de boas-vindas, uma reunião entre os dois chefes de Estado e um jantar de Estado. IA e outras histórias Será o segundo encontro entre Xi e Trump este ano, depois da visita que o Presidente norte-americano realizou a Pequim em Maio, durante a qual os dois governos acordaram, entre outras questões, criar um canal intergovernamental de diálogo sobre inteligência artificial. No plano comercial, os dois países mantêm desde Outubro de 2025 uma trégua na guerra comercial, que expira em 10 de Novembro. No âmbito daquele acordo, Washington e Pequim suspenderam parte das tarifas e restrições adoptadas durante meses de escalada, incluindo alguns controlos chineses sobre as exportações de terras raras. As conversações de domingo entre He e Bessent abordaram precisamente a aplicação dos acordos alcançados em anteriores rondas, o comércio e o investimento bilateral, e incluíram também um diálogo sobre inteligência artificial, que as duas partes prevêem prosseguir.