BRICS+ | Navios da China, Rússia, Irão e África do Sul em exercício militar

Desde sexta-feira, que a frota naval com navios de países dos BRICS participa na operação “Vontade de Paz 2026” em território sul-africano

Navios da China, Rússia e Irão juntaram-se à anfitriã África do Sul onde iniciaram sexta-feira um exercício militar, em que participam ainda outros países do grupo BRICS+, elevando as tensões geopolíticas com os Estados Unidos.

Segundo o exército sul-africano, esta operação, baptizada de “Vontade de Paz 2026” e conduzida pela China, visa “garantir a segurança do transporte marítimo” e “aprofundar a cooperação” entre os membros do bloco, estando previsto que os exercícios decorram até 16 de Janeiro.

A frota naval, que conta com navios chineses, russos e iranianos, inclui o contratorpedeiro chinês Tangshan, de 161 metros de comprimento, e com a previsão de envio de navios pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto países como o Brasil, Indonésia e Etiópia participam na qualidade de observadores.

Um porta-voz das forças armadas sul-africanas afirmou que não era possível confirmar todos os países participantes, como a Índia, Egipto e Arábia Saudita, nos exercícios.

O Ministério da Defesa da África do Sul salientou que este exercício naval “não tem nada a ver com a Venezuela”, descartando qualquer ligação com as apreensões de navios ao largo do país da América Latina, que Washington começou em Dezembro, antes de destituir o chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro.

“Este exercício estava em preparação desde 2025 e foi adiado devido à cimeira do G20 que se realizou no mesmo período” em Joanesburgo, África do Sul, acrescentou. Uma tentativa de apaziguamento sem efeito sobre os Estados Unidos, que boicotaram esta primeira cimeira do grupo dos 20 países mais desenvolvidos realizada em África.

Donald não gosta

O bloco de países emergentes que são os Brics+ foi acusado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de conduzir políticas “antiamericanas”.

Em Fevereiro, Trump, afirmou, num decreto, que a África do Sul apoia “maus actores no cenário mundial” e destacou as suas relações com o Irão como uma das razões para os EUA cortarem o financiamento ao país.

De acordo com o investigador do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória Priyal Singh, “Washington tem Pretória na mira desde o início da actual administração Trump” e “a imagem veiculada pelos próximos exercícios navais provavelmente será usada pelos decisores políticos em Washington como um exemplo perfeito para mostrar por que as relações bilaterais com a África do Sul devem ser revistas”.

A África do Sul há muito afirma seguir uma política externa não alinhada e permanecer neutra, mas a presença russa no extremo sul do continente africano já prejudicou as suas relações com os EUA anteriormente. Estes exercícios navais devem acrescentar ainda mais tensão as relações entre os EUA e a África do Sul, que é a economia mais avançada da África e uma voz de liderança no continente.

A complexidade do evento é ainda reforçada pela participação da marinha iraniana num período de crescente instabilidade interna e protestos contra a liderança da República Islâmica no país. Os membros do grupo BRICS são o Brasil, China, Rússia, Índia e a África do Sul, membros de longa data, enquanto o Irão, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos aderiram ao grupo em 2024.

12 Jan 2026

Diplomacia | Adiada visita oficial à Somália

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China adiou a visita à Somália prevista para sexta-feira, no âmbito da sua digressão por África, anunciou a presidência somali.

“Lamentamos que a visita prevista do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês tenha sido adiada à última hora. Pedimos desculpa”, declararam à agência espanhola EFE fontes da presidência somali, sem darem uma justificação para o adiamento, nem indicarem uma nova data para a visita oficial.

A deslocação de Wang Yi seria a primeira de um chefe da diplomacia chinesa a este país do Corno de África desde a década de 1980. O cancelamento ocorreu numa altura em que a capital somali, Mogadíscio, se encontrava praticamente paralisada devido a um forte dispositivo de segurança em toda a cidade, montado para receber o responsável da diplomacia chinesa.

O adiamento surge num momento em que o Governo somali procura apoio internacional, depois de Israel ter reconhecido, em Dezembro, a região secessionista somali da Somalilândia como Estado independente, tornando-se o primeiro país a dar esse passo. Essa decisão provocou uma ampla rejeição internacional, sobretudo em África, no mundo islâmico, na China e na União Europeia.

A Somália vive numa situação de conflito e caos desde a queda de Mohamed Siad Barre, em 1991, o que deixou o país sem um Governo efectivo e nas mãos de milícias islamistas, como o Al-Shebab, e de senhores da guerra.

12 Jan 2026

Saúde | Recebidos 480 pedidos de apoio para procriação assistida

Desde que o Governo lançou o Programa de Comparticipação no Tratamento de Procriação Medicamente Assistida, em Dezembro de 2024, até Novembro do ano passado, os Serviços de Saúde (SS) receberam 480 pedidos de residentes, indicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, em resposta a uma interpelação escrita assinada por Leong Sun Iok.

No mesmo período temporal, Alvis Lo revelou que 352 casais foram encaminhados para a consulta externa de infertilidade do Centro Médico Macau Union, dos quais “cerca de 130 casos estão em condições de receber os serviços de técnica de fertilização in vitro ou técnica de injecção intracitoplasmática de espermatozoides”.

Sobre o acesso a este tipo de cuidados de saúde, o director dos SS indicou que, a partir de Outubro de 2025, estes serviços encontram-se disponíveis, de forma gradual, com o objectivo de que todos os casos elegíveis possam ser atendidos dentro do primeiro semestre” de 2026.

Alvis Lo acrescentou que “o Centro Médico de Macau Union alocou 16 trabalhadores, incluindo médicos, técnicos de análises laboratoriais e profissionais de enfermagem, entre outros, para apoiar os serviços de procriação assistida”.

Actualmente, os subsídios abrangem despesas de recolha de ovócitos e de transferência de embriões em dois ciclos (cada ciclo inclui uma cirurgia de recolha de ovócitos e uma transferência embrionária). Porém, o director dos SS sublinhou que o programa “ainda se encontra numa fase inicial de implementação”, mas que no futuro poderá ser revisto após uma avaliação à sua eficácia.

12 Jan 2026

UM | Primeira faculdade de medicina pública vai ter 4.000 estudantes

A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da Universidade de Macau, em construção desde 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau

A Universidade de Macau (UM) anunciou que a primeira faculdade de medicina, criada em colaboração com a Universidade de Lisboa (ULisboa), vai ter 4.000 estudantes.

Num comunicado, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina vai ser criada através da expansão da actual Faculdade de Ciências da Saúde, com o objectivo de “tornar-se uma escola de medicina de classe mundial”. A nova faculdade vai incluir departamentos de Ciências Farmacêuticas e Nutrição, Medicina Dentária e Medicina Clínica, este com um programa conjunto desenvolvido com a ULisboa, disse a UM na sexta-feira.

“Com base na experiência da Faculdade de Medicina em programas conjuntos internacionais, a UM irá expandir os programas de colaboração com universidades de renome mundial nas áreas da ciência da informação, engenharia e design”, acrescentou a nota.

A universidade está empenhada em atrair estudantes internacionais, recrutar talentos de alto nível para o ensino e a investigação, construir plataformas internacionais para o intercâmbio científico e tecnológico, acolher grandes conferências internacionais e apoiar o desenvolvimento de revistas académicas.

A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da UM, cuja construção arrancou em 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, na vizinha ilha da Montanha.

Construção de três anos

O novo campus ocupará 376 mil metros quadrados na zona económica especial e a construção deverá demorar três anos, com a inauguração parcial prevista para 2028 e a conclusão das obras em 2029. Quatro novas faculdades irão nascer em Hengqin, incluindo as de Ciências de Informação, Design e Engenharia, assim como a primeira faculdade de medicina pública de Macau.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Em Junho, o director da Faculdade de Medicina da ULisboa disse à Lusa que os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM poderão também exercer em Portugal. A ULisboa está a colaborar com a UM para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse Luís Graça.

Em Dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que o novo campus apostará em “‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”. O novo campus em Hengqin deverá permitir à UM passar dos actuais 15 mil alunos para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais, numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM.

12 Jan 2026

Turismo | Preços subiram 1,7 por cento no ano passado

Em 2025, o Índice de Preços Turísticos (IPT) médio subiu 1,71 por cento, face ao ano de 2024, devido principalmente ao aumento de preços da joalharia e do divertimento e lazer. Os dados divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos mostram uma redução no preço dos quartos de hotéis.

No ano passado, a análise dos “bens diversos”, como joalharia, relógios e artesanato, mostram um aumento dos preços de 13,46 por cento. Em relação a “divertimento e actividades culturais” o aumento anual foi de 8,2 por cento. Todavia, o índice de preços do alojamento apresentou uma redução de 2,88 por cento, assim como o índice de preços de medicamentos e bens de uso pessoal com uma diminuição de 1,93 por cento.

No quarto trimestre de 2025, o IPT cresceu 4,95 por cento, em termos anuais, impulsionado pela subida de preços da joalharia (17,33 por cento), dos quartos de hotel (7,33 por cento) e dos bilhetes de avião (6,05 por cento).

12 Jan 2026

FAOM | Elogia subsídios de casinos, mas pede mais medidas

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) elogiou a opção das concessionárias atribuírem bónus aos trabalhadores, mas pediu mais medidas, principalmente ao nível da redução das longas cargas de trabalho. A posição foi tomada por Choi Kam Fu, vice-presidente da FAOM.

De acordo com declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Choi Kam Fu considerou que os bónus das concessionárias do jogo reflectem uma política de “partilha dos frutos do desenvolvimento” da sociedade, que contribui para que os trabalhadores se sintam valorizados e felizes.

No entanto, o dirigente associativo alertou que muitos dos trabalhadores das concessionárias enfrentam longos períodos de trabalho que estão a ter um impacto significativo a nível físico e mental dos trabalhadores.

Face à pressão acrescida pela recuperação do jogo, Choi Kam Fu apelou às concessionárias para melhorarem os salários e outros benefícios dos trabalhadores, investirem mais tempo em formação e aumentarem o número de vagas de trabalho, para corresponderem às necessidades efectivas, em vez de forçarem os trabalhadores actuais a realizar turnos com durações excessivas.

12 Jan 2026

Estudo | Empresas planeiam menos e menores aumentos

Cerca de 76,76 por cento das empresas tem a intenção de aumentar os ordenados dos trabalhadores ao longo deste ano, de acordo com um estudo elaborado pela MSS Recruitment e Hello Jobs.

O inquérito foi realizado junto de 99 empresas locais e mostra que em comparação com os resultados do ano passado há menos empresas disponíveis para aumentar os trabalhadores. Os resultados do inquérito de 2025 mostravam que 83,87 por cento das companhias inquiridas tinham planos para aumentar os funcionários.

No espaço de um ano também há mais empresas que afastam de todo qualquer aumento salarial. Os resultados mais recentes mostram que 23,23 por cento das empresas inquiridas não têm intenção de aplicar aumentos. Em 2025, apenas 16,13 por cento das empresas não planeavam aumentos.

Não só há menos empresas a planear subir ordenados, como também os aumentos vão encolher ao longo deste ano. Segundo as conclusões da MSS Recruitment e Hello Jobs, os aumentos ao longo de 2026 deverão acontecer a uma média de 2,23 por cento do ordenado. No ano passado, as empresas apontavam para aumentos médios de 2,72 por cento.

O inquérito questionou também as empresas sobre o valor do bónus e concluiu que vai manter-se no valor equivalente a um salário mensal, o que não mostra alterações face ao ano anterior.

12 Jan 2026

Imprensa | Cancelado registo do All About Macau

O Governo anunciou o cancelamento do registo do jornal ‘online’ e publicação mensal impressa All About Macau, que em Outubro tinha anunciado o encerramento por “pressões crescentes”. O Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Executivo disse que em 2025 revogou o registo de seis publicações, incluindo o All About Macau, “nos termos das disposições aplicáveis da Lei da Imprensa e do Regulamento do Registo de Imprensa”.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o GCS não revelou as razões para o cancelamento dos registos das publicações. Uma carta enviada pelo GCS ao All About Macau em Outubro e citada pelo portal Macau News Agency aponta como razão para a revogação do registo a “ausência prolongada” do proprietário da empresa.

A Lei de Imprensa, que data de 1990 diz que as publicações periódicas “têm obrigatoriamente, pelo menos, um responsável residente na Região Administrativa Especial de Macau, que exercerá as funções de director”. O All About Macau cessou as operações em Dezembro, devido às “pressões crescentes”, falta de recursos e por ter sido impedido de aceder a lugares abertos ao público.

12 Jan 2026

Japão | Membro do regulador nuclear perde telemóvel na China

As autoridades japonesas estão a investigar a perda de um telemóvel profissional, alegadamente na China, que continha uma lista confidencial de contactos da Autoridade de Regulação Nuclear, segundo confirmou à France-Presse um responsável do organismo.

O incidente, tornado agora público, terá ocorrido no aeroporto de Xangai, em 03 de Novembro, quando o funcionário atravessava o controlo de segurança. A ausência do dispositivo só foi notada três dias depois, e, de acordo com a imprensa japonesa, não foi possível bloqueá-lo ou apagar remotamente os seus dados por já se encontrar fora de alcance.

Embora o telemóvel não contivesse acesso directo a dados nucleares, segundo o responsável citado – que não quis ser identificado – a lista incluía nomes e contactos de membros da divisão de segurança nuclear da entidade reguladora – informação que não é de acesso público devido à sensibilidade das funções.

A revelação surge num contexto de crescente tensão entre Pequim e Tóquio, após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido em Novembro que o país poderia intervir militarmente em caso de agressão chinesa contra Taiwan.

Simultaneamente, a operadora Tokyo Electric Power (TEPCO) procura a aprovação final para reactivar a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, encerrada após o desastre de Fukushima, em 2011. O Japão tem vindo a retomar gradualmente a energia nuclear, com 14 reactores já reactivados, no quadro de metas de neutralidade carbónica até 2050 e aumento da procura de eletricidade devido à inteligência artificial.

O telemóvel perdido foi reportado às autoridades japonesas de protecção de dados em novembro, de acordo com o regulador nuclear. O caso reacende preocupações sobre segurança da informação no sector da energia nuclear num momento delicado da política energética japonesa.

9 Jan 2026

Torre de Macau | Espectáculo celebra cultura sino-portuguesa

Um novo espectáculo teatral sobe ao palco amanhã para explorar como os 500 anos de contacto entre as culturas portuguesa e chinesa deram a Macau “uma identidade única”.

Na terceira edição da série “Macasaphis”, o grupo de teatro experimental Frost Ice Snow Creative junta música, teatro, moda, histórias orais e comédia ‘stand-up’ no auditório da Torre de Macau. A directora, Sileas Ko Weng Si, disse ontem à Lusa que, após uma pausa de dois anos devido à falta de financiamento, o grupo decidiu regressar com o tema “a cultura sino-portuguesa”.

“A cultura sino-portuguesa está por todo o lado, mas já nem nos apercebemos. As pessoas às tantas ficam confusas, sem compreender como isso influencia as nossas vidas”, explicou Sileas Ko. A primeira edição da “Macasahpis”, em 2022, já tinha sido dedicada a elementos particulares da região.

“A presença das línguas chinesas e portuguesa, os monumentos históricos, o facto de termos o maior número de feriados do mundo, tanto os budistas como os católicos”, disse Ko. O português é uma das duas línguas oficiais de Macau, pelo menos durante os primeiros 50 anos da nova região semiautónoma chinesa, segundo o acordo bilateral que permitiu a transição de administração, em Dezembro de 1999.

A edição de 2023 teve como convidados a Tuna Macaense, um grupo musical da comunidade euro-asiática, composta maioritariamente por lusodescendentes, que toca canções no dialecto crioulo, o patuá. Mas desta vez o grupo decidiu ir mais longe e celebrar como a influência portuguesa também se sente entre os chineses de Macau, disse à Lusa a produtora do espectáculo, Casta Lai Chit.

“Talvez as pessoas ainda sintam alguma vergonha de definir a nossa cultura e identidade, porque somos chineses, mas não somos iguais aos outros”, explicou Casta Lai, que tem nacionalidade portuguesa. “As pessoas têm orgulho na cultura de Macau, mas têm algum pudor em demonstrá-lo”, lamentou Sileas Ko. “A cultura sino-portuguesa torna a nossa cidade ainda mais especial. Sem ela, só haveria casinos”, acrescentou.

Poder cultural

Com uma área de apenas 33 quilómetros quadrados e menos de 680 mil habitantes, Macau “é um peixe minúsculo” no contexto da China, com uma população de 1,4 mil milhões, sublinhou Casta Lai. “Se não fosse a cultura sino-portuguesa, Macau não teria importância nenhuma”, defendeu a produtora.

O espectáculo inclui uma parte em que, de forma humorística, a população de Macau é tratada como “uma espécie em vias de extinção” e não apenas por a cidade ter a taxa de natalidade mais baixa do mundo, disse Sileas Ko. Casta Lai alertou que “talvez depois de 50 anos a cultura seja diferente. Se isso acontecer, se calhar as pessoas vão olhar em volta e sentir falta do que se perdeu”.

9 Jan 2026

Hong Kong | Zhipu AI lidera ronda de estreias em bolsa no valor de 1.030 ME

O interesse dos investidores no mercado tecnológico continua a dar frutos e leva cada vez mais empresas chinesas ligadas à Inteligência Artificial a entrar na bolsa de Hong Kong

A empresa chinesa de inteligência artificial Zhipu AI estreou-se ontem na bolsa de Hong Kong, num dia em que outras duas tecnológicas também entraram no mercado, angariando em conjunto 1.200 milhões de dólares. A Zhipu, oficialmente designada Knowledge Atlas Technology e que adopta o nome Z.ai nos mercados estrangeiros, registava uma tendência ascendente ao meio da sessão, com uma valorização de 11,19 por cento, após ter angariado cerca de 559 milhões de dólares.

Trata-se da primeira empresa chinesa especializada exclusivamente em modelos de linguagem de grande escala a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Segundo o seu cfundador e director executivo, Zhang Peng, a escolha desta praça financeira está relacionada com as ambições de internacionalização da companhia.

Zhang referiu que Hong Kong e o Sudeste Asiático serão os primeiros mercados a serem explorados, seguindo-se o Médio Oriente, a Europa e o chamado “Sul Global”. O responsável apontou os baixos custos como principal atractivo da Zhipu face a modelos concorrentes, no objectivo de conquistar novos utilizadores.

A tecnológica junta-se assim a outras empresas chinesas do sector que têm aproveitado o interesse dos investidores no crescimento da IA no país. Uma das principais concorrentes da Zhipu, a MiniMax – também rival da OpenAI (criadora do ChatGPT) e da Anthropic (desenvolvedora do Claude) – tem estreia marcada para sexta-feira na mesma bolsa.

Outras estreias

Ontem, também se estrearam em Hong Kong a fabricante de chips gráficos Shanghai Iluvatar CoreX Semiconductor, que abriu com ganhos de 31,5 por cento após angariar 473 milhões de dólares, e a produtora de robôs cirúrgicos Edge Medical, que subiu 36,4 por cento, arrecadando cerca de 154 milhões de dólares.

Na semana passada, a Biren Technology, especializada em chips de IA, valorizou-se quase 76 por cento no seu primeiro dia de negociação. Em Dezembro, outras duas empresas do sector, a Moore Threads e a MetaX, registaram subidas superiores a 100 por cento na bolsa de Xangai.

Apesar de admitir que os modelos chineses estão a reduzir a distância face aos norte-americanos, Zhang Peng reconheceu que ainda persistem lacunas em áreas como investigação, recursos e inovação. A Zhipu foi colocada numa lista negra comercial pelos Estados Unidos em 2025, o que dificulta o seu acesso a tecnologia norte-americana.

9 Jan 2026

Camboja liquida banco de magnata líder de rede de burlas

O Camboja anunciou ontem a liquidação imediata do Prince Bank, propriedade do magnata chinês Chen Zhi, detido esta semana e extraditado para a China, onde é investigado por liderar uma rede transnacional de fraude e tráfico de pessoas.

Numa resolução publicada pelo Banco Nacional do Camboja, a entidade ficou impedida de aceitar depósitos e conceder empréstimos, um dia após Phnom Penh confirmar a detenção e entrega de Chen a Pequim. A liquidação será supervisionada pela empresa Morisonkak MKA, que deverá garantir o levantamento dos depósitos pelos clientes e a continuação do pagamento dos créditos em curso.

O Prince Bank era uma das mais de 100 empresas do conglomerado Prince Group, fundado por Chen Zhi, que ao longo da última década expandiu-se em áreas como turismo, tecnologia, logística, alimentação e finanças. Várias dessas empresas foram identificadas por Washington como fachadas para esquemas de burla ‘online’ e redes de tráfico humano no Sudeste Asiático.

O ministério do Interior cambojano afirmou que a detenção de Chen, de 37 anos, ocorreu na terça-feira, “no âmbito da cooperação para combater o crime transnacional e a pedido das autoridades chinesas”. A operação incluiu também a captura dos cidadãos chineses Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, igualmente extraditados.

Investigação conjunta

Phnom Penh revelou que Chen foi despojado da nacionalidade cambojana em Dezembro, por decreto real, meses depois de garantir que o empresário a tinha obtido legalmente. A detenção, segundo o comunicado, foi resultado de “meses de investigação conjunta” com a China.

Em Outubro passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Chen de crimes financeiros ligados ao trabalho forçado. As autoridades norte-americanas alegam que o empresário liderava uma operação de burla ‘online’ “em escala industrial”, envolvendo centenas de vítimas mantidas sob coação em instalações semelhantes a prisões no Camboja. A justiça dos EUA confiscou 15 mil milhões de dólares em bitcoin ao grupo, na maior apreensão de criptomoedas na sua história.

No ano passado, o porta-voz do ministério do Interior do Camboja declarou que Chen não se encontrava no país e que nem ele nem a sua empresa enfrentavam acusações locais. A mudança de posição foi agora interpretada como sinal de maior alinhamento com Pequim no combate ao crime financeiro e às redes de burla transfronteiriça.

9 Jan 2026

Taça Davis | Tiago Pereira estreia-se pela selecção com a China

Tiago Pereira é a novidade da selecção nacional de ténis para o encontro da Taça Davis com a China, em 06 e 07 de Fevereiro, que inclui ainda Nuno Borges, Francisco Cabral, Jaime Faria e Henrique Rocha, foi ontem anunciado. “O Tiago Pereira tem vindo a evoluir bastante e, nos últimos meses, tem obtido bons resultados não só em singulares como em pares, o que faz dele uma opção para as duas variantes”, referiu o capitão Rui Machado sobre o estreante.

Além do algarvio, de 21 anos, classificado na 265.ª posição do ranking mundial, a aposta de Rui Machado recaiu em Nuno Borges (45.º) e Francisco Cabral (20.º), os melhores tenistas lusos da actualidade em singulares e pares, respectivamente, além de Henrique Rocha (157.º) e Jaime Faria (151.º).

Portugal não compete em casa desde Setembro de 2022, então frente ao Brasil, e a condição de visitante tem sido favorável, mas Rui Machado confia no grupo que vai levar para a China.

“Temos noção que vai ser uma eliminatória bastante difícil frente a uma equipa com jogadores experientes, com bastante potencial e que já provaram conseguir jogar a um nível muito alto”, considerou sem saber ainda os escolhidos do homólogo Di Wu. Portugal vai visitar a China no play-off do Grupo I da Taça Davis em ténis, no qual tentará evitar a descida ao Grupo II, onde não está desde 2015.

9 Jan 2026

EUA | Pequim condena intercepção de navio ligado à Rússia

Pequim denunciou ontem a apreensão por parte dos Estados Unidos de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais, classificando a acção como “arbitrária” e uma violação do direito internacional. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a detenção de navios de outros países em alto-mar “contraria gravemente o direito internacional” e os princípios da Carta das Nações Unidas.

As declarações surgem após a Guarda Costeira dos EUA ter interceptado o petroleiro Marinera – anteriormente conhecido como Bella 1 – no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude.

Moscovo já qualificou a operação como uma “intercepção ilegal” e exigiu um tratamento “humano e digno” para a tripulação. Pequim reiterou também a sua oposição às sanções unilaterais impostas por Washington sem respaldo das Nações Unidas, considerando que estas “carecem de base legal”.

Em resposta a notícias sobre um possível agravamento das sanções norte-americanas contra a Rússia – com advertências dirigidas a empresas de países como a China, Índia ou Brasil – Mao Ning sublinhou que a cooperação económica, comercial e energética entre Pequim e Moscovo é “normal” e “não visa terceiros”, pelo que “não deve ser interferida”.

A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas.

Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada “frota fantasma” usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington, Moscovo e agora também Pequim.

9 Jan 2026

Primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida na Ásia inaugura dia 23

O Museu de Arte de Macau (MAM) vai inaugurar no dia 23 de Janeiro a primeira retrospectiva da artista portuguesa Helena Almeida (1934-2018) na Ásia, disse uma das curadoras da mostra.

A exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” é “uma das mais abrangentes alguma vez apresentadas” e estará patente até 26 de Abril, disse nas redes sociais Margarida Saraiva. A curadora do MAM afirmou que a retrospectiva será dividida em cinco secções, “de forma cronológica e temática”, incluindo uma dedicada às primeiras pinturas e outra ao “corpo como escultura e o diálogo entre corpos”.

Saraiva apontou Helena Almeida como “uma das mais relevantes artistas portuguesas e europeias da sua geração”, que “transformou o acto de autorrepresentação numa exploração intensa do corpo, do espaço, da resiliência e da impermanência”.

“Os seus gestos performativos — captados apenas através da lente do seu estúdio — continuam a desafiar e expandir os limites da pintura, do desenho e da fotografia”, explicou a curadora. “Esta mostra é simultaneamente uma homenagem ao extraordinário legado de Helena Almeida e uma afirmação do poder da colaboração curatorial entre culturas”, defendeu Saraiva.

A retrospectiva tem como curador principal Delfim Sardo, professor da Universidade de Coimbra e autor do livro “Helena Almeida, Pés no Chão, Cabeça no Céu”, e como co-curador o chinês Song Zhen.

Dividir por dois

Em Dezembro, o Instituto Cultural de Macau indicou num comunicado que a mostra irá reunir cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa. Uma outra parte da mostra, “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, já foi inaugurada em 19 de Dezembro, com peças de seis artistas de Macau e da China continental, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida.

Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, dando origem a um trabalho que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o seu corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo. Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz.

A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais.

Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos.

A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Colecção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.

9 Jan 2026

IPIM | Recebidas 13 candidaturas a plano para empresas internacionais

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau anunciou que recebeu 13 candidaturas nos primeiros dois meses de um programa lançado para atrair empresas internacionais para a RAEM. Mais de 500 companhias pediram informações sobre o plano de apoio

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) revelou num comunicado, divulgado na quarta-feira, ter recebido 13 candidaturas ao “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito do Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, aberto em Novembro do ano passado. A entidade acrescentou estar a analisar as candidaturas para conceder “apoios financeiros de acordo com a capacidade orçamental e o interesse público”.

O Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau fornece um apoio até um milhão de patacas. Para receber o apoio máximo, as empresas devem seguir alguns requisitos, como estabelecerem-se no NAPE, Areia Preta, Iao Hon, área de San Kio, Praia do Manduco, Fai Chi Kei, Doca do Lam Mau, Bairro de Tamagnini Barbosa ou Ilha Verde. Além disso, devem ter uma área mínima, assim como um determinado número de empregados locais contratados a tempo inteiro.

O IPIM sublinhou ainda que mais de 500 empresas pediram informações sobre o programa, que foi lançado em 1 de Novembro. O plano dura três anos e tem seis fases de candidatura, sendo que a primeira decorre até final de Janeiro. No fim de Novembro, o presidente do instituto, Che Weng Keong, disse na Assembleia Legislativa que entre as empresas que pediram mais informações sobre o plano estavam “marcas de Portugal”.

O IPIM recordou que “tomou a iniciativa” de contactar entidades da China continental, do Sudeste Asiático e dos países de língua portuguesa e espanhola.

Colher frutos

O programa, que tem o objectivo de “enriquecer o encanto turístico de Macau e dinamizar a economia comunitária”, foi apresentado em Lisboa e no Porto, no início de Outubro, por responsáveis do IPIM, que realizaram depois apresentações também na vizinha Espanha, em Madrid e Barcelona.

O IPIM prometeu continuar a divulgar o plano, incluindo através da participação em eventos de convenções e exposições, “incentivando a cooperação entre empresas de Macau e marcas estrangeiras, incluindo de países lusófonos”.

9 Jan 2026

Habitação | Chan Lai Kei alerta Governo para problemas de infiltrações

O deputado Chan Lai Kei alertou o Governo para as necessidades dos residentes que têm infiltrações em casa e não conseguem entrar em contacto com os vizinhos para resolver o problema. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, em que o deputado indica que existem actualmente 1.700 edifícios em Macau que apresentam problemas de envelhecimento estrutural.

“À medida que tanto os residentes como os edifícios envelhecem, as infiltrações de água e os esgotos entupidos causados pelo envelhecimento dos sistemas de drenagem dos edifícios tornaram-se problemas persistentes que incomodam os residentes”, escreveu o deputado.

Face a esta situação, o deputado indica que o Centro de Interserviços para Tratamento de Infiltrações de Água nos Edifícios da Administração Pública recebeu mais de 1.900 pedidos de auxílio e informações entre Janeiro e 12 de Dezembro. “Quase 90 por cento foram resolvidos através de mediação, mas aproximadamente 152 casos ficaram por resolver, uma vez que os proprietários não cumpriram ou não cooperaram após a mediação”, revelou. “Os residentes que enfrentam problemas de infiltração de água deparam-se constantemente com três grandes dificuldades: obter acesso à propriedade, realizar inspecções e obter uma indemnização”, alertou.

O legislador pede assim ao Governo que promova uma campanha sobre a obrigação dos proprietários das fracções que recusam cooperar com os vizinhos para resolver infiltrações. O deputado pede ainda ao Executivo que tome medida “preventivas” para lidar com estes problemas.

9 Jan 2026

Grande Baía | Prometido alinhamento de sistemas de segurança social

Os governos de Guangdong e Macau reiteraram o compromisso de aprofundar a cooperação nas matérias laborais e de segurança social, num périplo de uma delegação da RAEM a Guangzhou, Jiangmen e Zhongshan. A delegação composta por representantes da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e do Fundo de Segurança Social participou em seminários e visitou centros de serviços públicos e de formação profissional.

Durante as visitas, os representantes da RAEM e as autoridades de Guangdong acordaram detalhes para implementar estágios profissionais para os jovens de Macau, assim como um mecanismo de partilha de dados em matéria de segurança social entre Guangdong e Macau. Foi também prometido o reconhecimento recíproco dos níveis de técnicas profissionais e de exames de “formação de quadros qualificados com competências técnicas na área de reabilitação por acidentes de trabalho”.

Em relação às visitas propriamente ditas, a delegação de Macau esteve no Centro dos Serviços Administrativos em Jiangmen para analisar o processo dos serviços de segurança social providenciados pelo Balcão Único aos residentes de Macau e projectos industriais montados na cidade.

Em Zhongshan, a delegação visitou o instituto de formação de técnicos, “onde observou a base nacional de formação de doçaria e pastelaria ocidental, conhecendo os trabalhos de formação dos referidos quadros qualificados”, indicou ontem a DSAL em comunicado.

9 Jan 2026

Aeroporto | Reconhecimento facial agiliza controlo de segurança

A empresa que gere o Aeroporto Internacional de Macau anunciou ontem a entrada em funcionamento do novo sistema de reconhecimento facial na área do controlo de segurança, depois de um período experimental de uma semana. A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau especificou que o sistema passou a permitir que os passageiros façam o controlo de segurança em dois minutos (sem necessidade de abrir a bagagem de mão ou revistas corporais).

Os passageiros com mais de 11 anos, que tenham documentos de viagem electrónicos, podem fazer o registo nos balcões de check-in, quiosques de auto-atendimento ou nos portões de segurança electrónicos. Feito o registo, o reconhecimento facial fica associado aos dados do passaporte e do cartão de embarque, permitindo prosseguir até ao avião sem mostrar documentos físicos ou o bilhete da viagem.

Foi acrescentado que, actualmente, todos as portas ligadas às portas de embargue ligadas a pontes para o avião estão “equipadas com sistemas de auto-embarque para conveniência dos passageiros. O sistema de reconhecimento facial faz parte do plano de modernização da área de segurança no aeroporto que implica um investimento de 43 milhões de patacas.

9 Jan 2026

Gronelândia | China apela ao respeito pela Carta da ONU

Pequim defendeu ontem que as relações entre países devem respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas, após declarações dos Estados Unidos sobre uma possível acção militar para assumir o controlo da Gronelândia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning disse em conferência de imprensa que a posição de Pequim tem sido consistente ao defender que as relações entre Estados devem ser geridas de acordo com os objectivos e princípios da Carta da ONU, sem fazer mais comentários sobre o caso.

O tema surgiu após Washington ter sugerido novamente a possibilidade de utilizar meios militares na sua estratégia para adquirir ou influenciar o controlo da Groenlândia, uma questão que tem gerado oposição de países europeus e do próprio governo dinamarquês, que afirmam que o território só pode decidir o seu futuro soberanamente.

As declarações de Mao ocorrem num contexto de tensão internacional ampliado pela recente operação militar dos EUA na Venezuela, na qual as forças norteamericanas capturaram o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e que suscitou debate sobre a legalidade do uso da força e o respeito pela soberania de Estados.

A China tem intensificado apelos ao respeito pelo direito internacional e à soberania dos Estados na sequência das ações externas dos EUA, sublinhando que qualquer controlo de território soberano por outro país deve respeitar as normas e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.

8 Jan 2026

Hong Kong | Nuno Borges segue para os quartos de final após bater Marin Cilic

O número um português Nuno Borges qualificou-se ontem para os quartos de final do Open de Hong Kong em ténis após bater o croata Marin Cilic em dois parciais.

O primeiro parcial foi mais equilibrado, com o jogador natural da Maia, 47.º do ranking ATP, a ser o primeiro a quebrar o serviço do veterano de 37 anos, número 70 do mundo. O vencedor do Open dos Estados Unidos em 2014 ainda respondeu na mesma moeda, mas Borges voltou a quebrar o jogo do veterano bósnio para conquistar o primeiro parcial por 7-5.

O português entrou melhor no segundo ‘set’, vencendo os três primeiros jogos, vantagem que manteve para fechar o parcial em 6-3 e vencer a partida ao fim de apenas 47 minutos. Nos quartos de final, Borges vai defrontar o vencedor do encontro entre o terceiro cabeça de série do torneio e 16.º mundo, o russo de 28 anos Andrey Rublev, e o chinês de 26 anos Wu Yibing, o número 179 do mundo, que veio da qualificação.

Borges é o oitavo cabeça de série do torneio da região chinesa, que serve também de preparação para o Open da Austrália – um dos quatro Grand Slam, os principais torneios do ténis mundial – que arranca a 12 de Janeiro.

Na temporada de 2025, o maiato bateu, pela primeira vez na carreira, um jogador do top 10, o número oito mundial, o norueguês Casper Ruud, na segunda ronda de Roland Garros, em Maio. Borges chegou também à quarta ronda no Open da Austrália, em Janeiro de 2025, e no Open dos Estados Unidos, em Agosto, sendo ainda o primeiro português a atingir os oitavos de final do Masters 1.000 de Xangai, na China, em Outubro.

8 Jan 2026

Comércio | Pequim anuncia nova medida contra o Japão

A China agravou ontem a tensão comercial com o Japão ao anunciar uma investigação ‘antidumping’ sobre importações dum gás químico usado na produção de semicondutores, depois de impor restrições à exportação de produtos de uso dual.

O ministério do Comércio chinês justificou a medida com base numa queixa da indústria doméstica, que alegou uma queda de 31 por cento nos preços das importações japonesas de dicloro silano entre 2022 e 2024. “O ‘dumping’ de produtos importados do Japão prejudicou a produção e as operações da nossa indústria nacional”, lê-se no comunicado.

A decisão surge após Pequim ter proibido na terça-feira a exportação para o Japão de bens considerados de uso dual – com possíveis fins civis e militares. As relações entre os dois países deterioraram-se nas últimas semanas, depois de a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido que as Forças Armadas do Japão poderiam intervir caso a China tomasse medidas contra Taiwan.

As tensões aumentaram ainda mais na terça-feira, quando o deputado japonês Hei Seki – sancionado anteriormente por Pequim por “espalhar falsidades” sobre Taiwan – visitou a ilha e declarou que Taiwan é um país independente. “Vim a Taiwan para demonstrar isso e dizer ao mundo que Taiwan é um país independente”, afirmou, segundo a agência oficial de notícias de Taiwan, CNA.

Questionada sobre estas declarações, a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, respondeu: “Palavras odiosas de um vilão insignificante não merecem comentário”.

O director para os Assuntos da Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Masaaki Kanai, apelou à China para levantar as restrições comerciais e classificou como “inaceitável” qualquer medida dirigida exclusivamente ao Japão e fora das práticas internacionais. Tóquio, no entanto, ainda não anunciou retaliações.

Trunfos raros

Cresce, entretanto, a especulação de que a China poderá impor restrições à exportação de terras raras para o Japão, à semelhança do que já fez com os Estados Unidos no contexto da guerra comercial entre os dois países. A China detém a maior parte da produção mundial de terras raras pesadas, essenciais para a produção de ímanes resistentes ao calor utilizados nas indústrias de defesa e veículos eléctricos.

Embora o ministério não tenha mencionado novas restrições neste sector, o jornal oficial China Daily citou fontes anónimas segundo as quais Pequim está a considerar limitar exportações de certos metais raros para o Japão – informação não confirmada de forma independente.

Enquanto as relações com o Japão se agravam, a China tem procurado estreitar laços com a Coreia do Sul. O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, concluiu ontem uma visita de quatro dias à China – a primeira desde que assumiu funções, em Junho – durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, e supervisionou a assinatura de acordos nas áreas da tecnologia, comércio, transportes e proteção ambiental.

Durante a visita, foram assinados 24 contratos de exportação, no valor total de 44 milhões de dólares, segundo o ministério sul-coreano do Comércio e Indústria. A imprensa chinesa assinalou ainda que, durante o feriado de Ano Novo, a Coreia do Sul ultrapassou o Japão como principal destino de voos internacionais a partir da China continental.

Pequim tem desaconselhado as viagens ao Japão, alegando que as declarações das autoridades japonesas sobre Taiwan representam “riscos significativos” para a segurança dos cidadãos chineses no país.

8 Jan 2026

Venezuela | Global Times adverte para “grave erosão” da ordem internacional

Um editorial de um jornal do Partido Comunista Chinês advertiu ontem que a operação militar dos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente venezuelano, representa uma grave erosão da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

O Global Times denuncia a “subversão dos princípios fundamentais do direito internacional”, incluindo a igualdade soberana, a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados e a proibição do uso da força, ao permitir que “certos países decidam unilateralmente quem é culpado, quem deve ser punido e de que forma”.

“Se tais práticas forem toleradas, o direito internacional será reduzido a uma ferramenta aplicada selectivamente, e o mecanismo colectivo de segurança estabelecido pela Carta das Nações Unidas será esvaziado”, lê-se no editorial. O jornal sublinha que a detenção e transferência de um chefe de Estado em funções, sem mandado claro das Nações Unidas, não é apenas uma violação da soberania de um país, mas um ataque directo à previsibilidade e à autoridade do direito internacional.

“O que está em causa não é apenas a segurança da Venezuela, mas o futuro da ordem jurídica internacional”, escreve o jornal em língua inglesa, recordando que vários representantes expressaram preocupações semelhantes numa reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O Global Times considera que a imposição da força sobre as regras multilaterais representa um retorno ao “estado de natureza” hobbesiano, onde os fortes ditam as regras. “A esmagadora maioria dos países não deseja regressar a uma selva internacional regida pela lei do mais forte”, afirma.

Fábrica de histórias

A publicação também critica o que classifica como “narrativas fabricadas” por Washington para justificar a operação, afirmando que substituir normas jurídicas por julgamentos políticos arbitrários apenas gera instabilidade global e enfraquece o sistema multilateral.

Pequim tem-se manifestado abertamente contra a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, afirmou esta semana que os EUA “pisotearam de forma arbitrária a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela”, apelando à libertação imediata de Maduro e da sua esposa.

Contra intimidação

O Governo chinês considerou ontem como um acto de intimidação a alegada exigência dos Estados Unidos à Venezuela para que esta rompa relações económicas com Pequim como condição para explorar e comercializar o seu petróleo.

Questionada em conferência de imprensa sobre a informação avançada pela cadeia de televisão norteamericana ABC News, Mao Ning declarou que a Venezuela “é um país soberano e goza de plena e permanente soberania sobre os seus recursos naturais e todas as actividades económicas no seu território”. Segundo a ABC News, a Administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, terá exigido à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, o fim dos laços com China, Rússia, Irão e Cuba como précondição para reiniciar a produção e venda de crude.

Mao qualificou a alegada pressão como “uso descarado da força” e afirmou que a tentativa de condicionar o acesso aos recursos energéticos venezuelanos a uma lógica de “Estados Unidos primeiro” constitui um “caso típico de intimidação” que “viola gravemente o direito internacional, infringe seriamente a soberania da Venezuela” e “prejudica os direitos do povo venezuelano”. Mao reiterou que Pequim defende a cooperação económica entre Estados soberanos e destacou que a China “sempre desenvolveu intercâmbios e cooperação com outros países com base no respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco”.

8 Jan 2026

Taiwan | Pequim acusa William Lai de “sabotar a paz”

A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “sabotar a paz”, após o seu discurso de Ano Novo, no qual alertou para o aumento da pressão de Pequim e apelou ao reforço da defesa da ilha.

A reacção partiu do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, cujo porta-voz, Chen Binhua, classificou a mensagem como “cheia de mentiras, hostilidade e malícia” e acusou Lai de repetir “falácias separatistas” sobre a independência de Taiwan e de “incitar à confrontação entre os dois lados do estreito”.

Segundo Pequim, Lai recorreu à retórica de “democracia contra autoritarismo” para “confundir os compatriotas taiwaneses e enganar a opinião pública internacional”, demonstrando uma postura “incorrigível” de apoio à independência da ilha. Chen Binhua foi mais longe ao descrever Lai como um “desestabilizador da paz”, “criador de crises” e “instigador da guerra”, argumentando que o líder taiwanês “intensificou deliberadamente as tensões” desde que assumiu o cargo e promove uma estratégia de “preparação para a guerra com o objectivo de alcançar a independência”.

“O fracasso da independência de Taiwan é inevitável”, lê-se no comunicado, que reitera que “Taiwan faz parte da China” e apela à população da ilha para “se opor firmemente ao separatismo e à interferência externa”.

8 Jan 2026