China | Excedente comercial atinge 1 bilião de euros em 2025

O excedente comercial da China atingiu um novo recorde de quase 1,2 biliões de dólares em 2025, segundo dados ontem divulgados, apesar da guerra comercial com os Estados Unidos. De acordo com os dados, divulgados pelas autoridades aduaneiras chinesas, as exportações cresceram 5,5 por cento em 2025, totalizando 3,77 biliões de dólares, enquanto as importações se mantiveram praticamente inalteradas em 2,58 biliões de dólares.

Em 2024, o excedente comercial tinha sido de 992 mil milhões de dólares. Em Dezembro, as exportações aumentaram 6,6 por cento, em termos homólogos, superando as previsões dos analistas e o crescimento de 5,9 por cento registado em Novembro. As importações também subiram 5,7 por cento em Dezembro, face a um crescimento de 1,9 por cento no mês anterior.

Economistas prevêem que as exportações continuem a ser um dos principais motores do produto Interno Bruto (PIB) chinês em 2026, apesar das tensões comerciais e geopolíticas. “Continuamos a esperar que as exportações desempenhem um papel importante no crescimento económico este ano”, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no banco BNP Paribas.

Obstáculos superados

Embora as exportações para os Estados Unidos tenham caído acentuadamente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca e a intensificação da guerra comercial com Pequim, a quebra tem sido compensada por um aumento das vendas para mercados da América do Sul, Sudeste Asiático, África e Europa.

As exportações robustas têm permitido à China manter um crescimento económico próximo da meta oficial de 5 por cento, embora tenham também suscitado preocupação noutros países, que temem a concorrência de importações a preços reduzidos para as industriais locais.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou recentemente à China para corrigir os desequilíbrios estruturais da sua economia e acelerar a transição de um modelo centrado nas exportações para um crescimento impulsionado pela procura interna e pelo investimento.

A crise prolongada no sector imobiliário, após o reforço das restrições ao endividamento excessivo, continua a afectar a confiança dos consumidores e a travar a procura interna. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, prevê que as exportações da China cresçam cerca de 3 por cento em 2026, abaixo dos 5 por cento registados no ano passado, estimando que o excedente comercial se mantenha acima de 1 bilião de dólares este ano.

15 Jan 2026

Canadá | PM inicia visita à China em período de tensão com Washington

O primeiro-ministro Mark Carney iniciou ontem uma visita de três dias à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em quase uma década, num momento de tensão crescente com os EUA. Durante a estadia, Carney deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro, Li Qiang, bem como com empresários e outros dirigentes políticos, visando relançar os laços comerciais e estratégicos entre os dois países, após anos de fricções.

Pequim encara a visita como uma oportunidade para promover o que designa como “autonomia estratégica” de Otava em relação a Washington. A imprensa estatal chinesa tem instado o Canadá a definir uma política externa independente dos Estados Unidos.

Isto numa altura em que o Presidente norte-americano Donald Trump impôs novas tarifas ao país vizinho e principal parceiro comercial, além de elevar a retórica hostil, sugerindo mesmo que o Canadá poderia tornar-se “o 51.º Estado” dos EUA.

“Se o lado canadiano reflectir sobre as causas profundas dos retrocessos nas relações bilaterais dos últimos anos – as políticas do governo anterior de Justin Trudeau para conter a China em alinhamento com os Estados Unidos – perceberá que pode evitar o mesmo desfecho mantendo a sua autonomia estratégica na gestão das questões relacionadas com a China”, escreveu esta semana o jornal oficial China Daily, em editorial.

15 Jan 2026

Mário Laginha edita “Retorno”, segundo álbum em nome próprio

O pianista e compositor Mário Laginha edita o segundo álbum em nome próprio, “Retorno”, a 5 de Fevereiro, quando se apresenta no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, regressando no dia seguinte.

“Neste CD fiz uma coisa que nunca tinha feito, que foi pôr improvisos totais, o que eu tenho muito noutros álbuns são introduções improvisadas para chegar ao tema, e, alguns destes improvisos [incluídos em ‘Retorno’ acabam por ter um mote que eu sigo do princípio ao fim, o ‘Improviso II – Para a Francisca’ é um desses, isto eu nunca tinha feito. Não é uma coisa nova no mundo, mas é para mim”, disse o músico em entrevista à Agência Lusa.

“Retorno” é o segundo álbum em nome próprio de um dos mais regulares músicos nos palcos de jazz portugueses, 19 anos depois de “Canções e Fugas”.

Sobre a escolha do título, o pianista afirmou que, por um lado, retorna ao seu primeiro disco a solo, mas a ideia surgiu de um tema que compôs com o mesmo nome para a banda sonora de “Campo de Sangue” (2022), de João Mário Grilo, a partir do romance homónimo de Dulce Maria Cardoso, publicado em 2018. Laginha é o autor desta banda sonora que inclui o tema “Retorno”, cujos Direitos de Autor, no contexto do filme tinha vendido e não podia usar, mas queria de alguma forma envolver a autora do romance, e que escreveu um outro romance intitulado “O Retorno” (2012) e pediu-lhe autorização para usar o título no CD.

“‘Retorno’, eu gosto e soa-me bem, e apesar de tudo, não é um título imediato”, argumentou, referindo que também assinala um retorno a si próprio, enquanto compositor.

Mais livre

O músico reconheceu que se sentiu mais livre neste álbum, uma consequência relativamente ao álbum “Canções e Fugas”, que “foi um disco muito estruturado” em que quis fazer “uma graça com os Prelúdios e Fugas, de Bach”. “Eu tinha uma canção e uma fuga, nas fugas não há qualquer improviso, foram escritas segundo a sua técnica e neste disco queria algo mais livre”, explicou, referindo que em todos os temas há improvisações e no 1º tema, “Fugato Baião”, que liga ao seu primeiro álbum a solo, “começa com uma ideia de fuga e depois liberta-se, e onde já pus improvisação”. “É um disco muito mais livre, com muito mais improvisação”, sublinhou.

“Retorno” é constituído por 14 composições, todas de sua autoria e interpretadas ao piano. Um dos temas, “Santo Amaro”, é inspirado “numa aldeia à beira mar”, onde o músico passa férias, habitualmente, e a melodia remete para uma ondulação, como acontece em Santo Amaro. “O nome só surgiu depois de o compor”, disse.

O álbum inclui cinco improvisos, e do alinhamento fazem parte “Improviso-A Dança dos Camiões”, “No Segundo Dia”, “Batuque” ou “Mãos Abertas”, entre outros temas. Sobre o tema de abertura, “Fugato Baião”, Laginha referiu que “é invulgar, num disco a solo, começar com uma melodia que não tem acompanhamento, é meio inesperado”.

Nos dois concertos no CCB Mário Laginha conta apresentar o alinhamento completo de “Retorno”. A escolha de tocar a solo, foi “fazer um disco e por cá para fora, e tem mais a ver com a decisão de juntar essa música e dá-la a conhecer”.

15 Jan 2026

IA | Docentes alertam para erros na plataforma de correcção de trabalhos

Vários professores dizem temer as falhas de uma nova plataforma de inteligência artificial anunciada pelo Executivo para ajudar na correcção de trabalhos de alunos. Um dos docentes, da escola Pui Va, diz que a plataforma pode obrigar à correcção de erros de forma manual

As autoridades de Macau anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial” (IA).

Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”. Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam à Lusa as limitações actuais da tecnologia. Estes defendem que a IA pode, de facto, ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta plataforma, nomeadamente quando utilizada para a correcção de trabalhos dos alunos.

“Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correcção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va. Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”.

A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correcção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu.

Um ponto de partida

Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza, pelo menos, 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e, pelo menos, seis horas para professores de outras disciplinas.

“No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas lectivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores.

15 Jan 2026

Ensino infantil | Cerca de 2.900 crianças inscritas pela primeira vez

Até às 15h da passada segunda-feira, cerca de 2.900 crianças foram inscritas pela primeira vez no registo central de acesso escolar das crianças ao ensino infantil para o ano lectivo 2026/2027, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O processo de registo, que começou no dia 6 de Janeiro e termina amanhã, está a “decorrer sem dificuldades”, indicou ontem o Governo. As inscrições contabilizadas foram realizadas na aplicação Conta Única e no portal da DSEDJ.

Os destinatários do registo para o próximo ano lectivo são “crianças que, até 31 de Dezembro de 2026, completem entre 3 e 5 anos de idade (nascidas entre 1 de Janeiro de 2021 e 31 de Dezembro de 2023) e possuam as condições requeridas para acesso ao ensino infantil em Macau pela primeira vez”, refere a DSEDJ.

Para as crianças que ainda não estão inscritas, pais e encarregados de educação podem usar as ferramentas digitais mencionadas, ou recorrer aos balcões de atendimento da DSEDJ. As escolas publicarão, entre 10 e 12 de Fevereiro, as datas e horários das entrevistas de admissão.

15 Jan 2026

Comunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade”

O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais.

“A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido.

“A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou.

Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.

15 Jan 2026

IAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares

Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação.

No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços.

Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.

15 Jan 2026

Embaixador do Irão em Lisboa condenou “institucionalização do uso indevido da força”

O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou “institucionalização de uma nova política”, concretizada com o instrumento do “uso indevido da força”, aludindo aos Estados Unidos e a Israel. Numa entrevista à agência Lusa, Tafreshi advertiu que este processo irá “alastrar-se” se os países, sobretudo os ocidentais, “não tomarem medidas sérias” contra os Estados Unidos e Israel, “que têm incitado à agitação pública”.

“Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia”, destacou Tafreshi, lembrando a actuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba.

A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.

O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos “colegas académicos” e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado “Diálogo entre Inimigos”, na procura de uma “paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão”, bem como a criação de novos mecanismos – como uma União da Ásia Oriental – “poderia constituir uma iniciativa com significado”.

“Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si – como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interacções humanas”, argumentou o diplomara iraniano.

Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, “alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos”, incluindo acções armadas que, segundo relatos, “envolveram indivíduos com treino prévio”.

“Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns”, afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da “repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de Dezembro, segundo uma organização não governamental.

O embaixador do Irão em Lisboa referiu os “milhões de cidadãos iranianos” que participaram segunda-feira em manifestações públicas, “reflectindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico”, o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais.

Incentivos exteriores

Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, “em menor grau”, e os Estados Unidos, “que têm incentivado a agitação pública”, bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas” por Washington.

“Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afectado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde”, denunciou.

“O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica”, acrescentou.

Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias”.

Poder do povo

Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi – filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 – em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o “apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas”, parece estar a tentar desempenhar o papel de um “Robin dos Bosques”.

“No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão”, respondeu.

Tafreshi negou, por outro lado, que o regime – “o termo “regime é uma expressão ilegítima e enviesada” – esteja em risco, destacando novamente “os milhões” de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão.

“A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos”, sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm “boas relações” com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.

14 Jan 2026

Diplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços

A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região.

“Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times.

Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN.

Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio.

“Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião.

Pontos comuns

A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”.

Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”.

“Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”.

“Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi.

O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano.

“A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.

14 Jan 2026

Espaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar

A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar

A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem.

A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível.

Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.

Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite.

Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra.

Novas missões na calha

Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural.

A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas.

O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.

14 Jan 2026

Irão | China pede que se preserve a estabilidade face a ameaças dos EUA

A China apelou ontem a que se “preserve a estabilidade” do Irão e manifestou a sua “oposição a qualquer ingerência externa ou ao recurso à força”, em resposta aos avisos de Washington sobre uma possível escalada contra Teerão.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim “espera e apoia que o Irão mantenha a estabilidade nacional” e reiterou a oposição da China à “interferência nos assuntos internos de outros países” e à “ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais”.

As declarações surgem depois de órgãos de comunicação norte-americanos terem noticiado que a Casa Branca está a ponderar diferentes opções, incluindo medidas militares, em relação ao Irão, ao mesmo tempo que Washington instou os seus cidadãos a deixarem o país por razões de segurança. Mao declarou que a China “espera que todas as partes façam mais para contribuir para a paz e a estabilidade no Médio Oriente”.

Sobre a situação de segurança e os protestos no Irão, a porta-voz garantiu que a China “acompanhará de perto a evolução dos acontecimentos” e que adoptará “todas as medidas necessárias” para proteger os seus cidadãos no país.

No plano económico, Mao reiterou a posição já expressa ontem pela embaixada chinesa em Washington face às ameaças tarifárias do Presidente norte-americano, Donald Trump, dirigidas aos países que mantenham relações comerciais com o Irão. A porta-voz sublinhou que “não há vencedores numa guerra tarifária” e frisou que a China “defenderá firmemente os seus direitos e interesses legítimos e legais”.

As declarações surgem depois de Trump ter anunciado a imposição de tarifas adicionais aos países que “façam negócios” com o Irão, uma medida que a China tem vindo a classificar como uma sanção unilateral, num contexto de crescente tensão diplomática e de segurança em torno do país persa.

14 Jan 2026

Concerto | CCM acolhe “Romper da Aurora”, da Orquestra Chinesa

O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe esta sexta-feira um espectáculo de música clássica. Trata-se de “Romper da Aurora”, o primeiro concerto da Orquestra Chinesa de Macau deste ano. Faz-se a promessa de sonoridades que simbolizam a esperança e um novo começo, depois de 2025 ter ficado para trás

A Orquestra Chinesa de Macau apresenta, esta sexta-feira, o seu primeiro concerto do ano. Trata-se de “Romper da Aurora” com início marcado para as 19h45, no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), e tem como tema, precisamente, a aurora, “símbolo de esperança e de um novo início”. Promete-se, assim, conduzir o público “numa emocionante viagem artística que celebra o nascer do sol através de um repertório de obras chinesas clássicas e contemporâneas”, descreve uma nota oficial sobre o espectáculo.

Ao palco, sobe Hou Guangyu, o “conceituado intérprete” de um instrumento tradicional chinês, o dizi, uma flauta de bambu chinesa. O maestro será Liao Yuan-Yu, apresentando-se o concerto para dizi “Devaneio do Bambu”, para dar expressão “às inúmeras formas do bambu através de uma profusão e combinação complexa de notas na flauta e remetendo, à medida que a melodia se desenvolve, para a interacção entre a realidade e a ilusão”.

Hou Guangyu não é apenas o homem do dizi, é também especialista em outros instrumentos tradicionais chineses como o xun, xiao e xindi de 11 orifícios, sendo “uma figura de destaque na interpretação contemporânea do dizi”. No currículo tem ainda as funções de Chefe do Naipe de Dizi da Orquestra Chinesa da Rádio e Televisão da China, em Pequim, com a qual actuou por todo o mundo.

Sol e outras sonoridades

O espectáculo desta sexta-feira conta ainda com a actuação do Chefe do Naipe de Ruan da Orquestra Chinesa, Lin Jie, que interpretará “Ode ao Sol” com os restantes músicos da Orquestra. Segundo a mesma nota, apresentam-se ainda “uma série de peças de destaque, incluindo a nova obra ‘Ruptura de Formação: Contempo”, onde se “reinterpreta várias melodias tradicionais através de uma linguagem musical contemporânea”.

No pequeno auditório do CCM, haverá ainda lugar à interpretação de “Aspirações”, composição que “simboliza um futuro risonho e promissor”, e ainda “Impressões de Macau”, uma peça “encomendada pela Orquestra para retratar musicalmente a paisagem cultural da cidade”.

O espectáculo terá a duração aproximada de 1h30, estando os bilhetes à venda com preços entre as 150 e as 200 patacas.

14 Jan 2026

Cotai | Presa por roubar medicamentos

Uma mulher foi detida por alegadamente ter roubado sete caixas de medicamentos de uma farmácia num hotel no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) com o furto a acontecer no dia 5 de Janeiro. Os trabalhadores da farmácia comunicaram o roubo no dia seguinte, após descobrirem a perda avaliada em 1.900 patacas. A mulher foi detida no dia 7, no mesmo hotel, e todos os bens roubados foram recuperados.

A mulher do Interior tem cerca de 50 anos e afirmou ser dona de casa. O caso foi remetido ao Ministério Público para investigação adicional. A detida está indiciada por furto, punido com uma pena de prisão de três anos.

CPSP | Detida por ficar com bracelete de ouro

Uma mulher de Hong Kong foi detida pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), depois de se ter apropriado de uma bracelete de ouro que encontrou caída perto de um casino no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo CPSP e citado pelo jornal Ou Mun. De acordo com o relato, a situação ocorreu a 26 de Novembro do ano passado, e a bracelete estava avaliada em cerca de 30,7 mil patacas.

Após ser apresentada queixa, as autoridades identificaram a mulher que foi detida a 11 de Janeiro, perto de um hotel na Taipa. Depois de ter sido interrogada, a detida confessou que se tinha apropriado da bracelete e que tinha guardado o objecto em casa, em Hong Kong. A mulher ter cerca de 50 anos e o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Está indiciada da prática do crime de apropriação ilegítima em caso de acessão ou de coisa achada, que prevê uma pena de prisão que pode chegar a um ano.

14 Jan 2026

Casinos | Transacções suspeitas caem 6,1 por cento em 2025

Os dados oficiais mostram que o número de transacções suspeitas caiu no último ano para um total de 3.603

O número de transacções suspeitas registadas em casinos caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 3.603 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Numa publicação feita na plataforma chinesa WeChat na segunda-feira à noite, o GIF apontou “a diminuição do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a queda do número total, também de 6,1 por cento.

No ano passado, o gabinete recebeu 4.925 participações, 73,1 por cento vindas das concessionárias de casinos, enquanto 20,5 por cento vieram de bancos e seguradoras e 6,4 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2024, o GIF recebeu 5.245 participações, sendo que a maioria veio dos casinos do território: 3.837, mais 11,8 por cento do que no ano anterior e um novo recorde.

A cumprir

Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

Em Julho, o GIF disse que tinha ultimado os procedimentos para assinar, também com Angola, um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete indicou que o acordo esteve na mesa num encontro com representantes da Unidade de Informação Financeira da República de Angola, à margem da reunião do Grupo Egmont entre 6 e 11 de Julho, no Luxemburgo. O Grupo Egmont é uma organização internacional de luta contra a lavagem de dinheiro, que reúne 181 unidades de informação de todo o mundo.

14 Jan 2026

Zona A | Lojas e restaurantes abertos antes do Ano Novo Chinês

A Zona A dos Novos Aterros deverá começar a ter vida além dos estaleiros de obras, com as lojas que foram arrendadas nos edifícios Tong Chong e Tong Kai com inauguração prevista para Fevereiro, ainda antes do Ano Novo Chinês, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau.

Segundo a emissora pública, o Governo especificou que os estabelecimentos incluem restaurantes, supermercados e farmácias, mas também está prevista a abertura de infra-estrututas culturais, sociais e recreativas para responder às necessidades quotidianas da população. Neste âmbito, o centro de saúde no lote B9 já está em funcionamento.

No capítulo dos transportes, a Zona A é servida por três carreiras que ligam à península, Taipa, Cotai e Hengqin. Antes do Ano Novo Chinês, o itinerário da carreira 101XS será alargado na Zona A.

Segundo os mais recentes dados do Instituto de Habitação, foram vendidos 2.241 apartamentos nos três blocos de habitação pública nos edifícios Tong Chong, Tong Kai e Tong Seng. Destes, foram entregues chaves a moradores de 1.636 fracções, enquanto mais de 500 ainda não completaram o processo de empréstimo bancário.

14 Jan 2026

Saúde | Governo instala postos de saúde e bem-estar pela cidade

Começou na segunda-feira o funcionamento de oito Estações de Saúde e Bem-Estar para proporcionar serviços regulares de promoção da saúde em espaços públicos, indicaram ontem os Serviços de Saúde. Estes postos são dinamizados pelo Instituto Cultural, Instituto do Desporto e Serviços de Saúde, com “divulgadores culturais”, “instrutores de ginástica” e “promotores de saúde”.

Além de prestarem informações sobre actividades culturais, desportivas e relativas à saúde, serão proporcionadas medições gratuitas de pressão arterial, avaliações de saúde, bem como apoio na marcação de consultas em centros de saúde, incluindo para fazer rastreios de doenças, vacinação e avaliação psicológica.

As estações vão estar activas até 31 de Março, na primeira fase, de segunda a sexta-feira (excepto feriados, dias com condições climáticas adversas e durante períodos de manutenção), das 08h às 10h e das 16h30 às 18h30. As estações estão instaladas no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, Jardim de Luís de Camões, Zona de Lazer do Jardim Lok Ieong, Jardim Vasco da Gama, Zona de Lazer da Alameda da Tranquilidade, Parque Dr. Carlos d ‘Assumpção, Jardim de S. Francisco e Zona de Lazer da Avenida Olímpica da Taipa. No futuro, o número de estações será ampliado para 12.

14 Jan 2026

Jogo | Isenções fiscais atingiram 150 milhões de patacas em 2024

Em 2024, o Governo concedeu um total de 150 milhões de patacas em isenções fiscais às concessionárias de jogo, devido à contribuição para tornarem o mercado mais atractivo para os jogadores internacionais. O número foi revelado pelo Governo, representado através do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, num encontro com a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, liderada pelo deputado Ip Sio Kai.

De acordo com a lei do jogo, o Chefe do Executivo pode aprovar isenções fiscais às concessionárias que podem chegar até 5 por cento das receitas brutas, face à atracção de jogadores estrangeiros. O Executivo tem optado por não divulgar os números de forma consistente, nem explicar o critério adoptado para definir a proporção da isenção. A falta de transparência sobre este assunto levou mesmo o deputado José Pereira Coutinho a escrever uma interpelação sobre o tema, a pedir maior transparência e mais informação.

No entanto, ontem, numa reunião para analisar a execução do orçamento de 2024, Ip Sio Kai revelou que o montante da isenção tinha atingido 150 milhões de patacas. Em 2024, as receitas do jogo atingiram 226,8 mil milhões de patacas.

Apesar deste dado, o Governo não terá abordado as concessionárias que gozaram das isenções maiores nem especificou o montante da isenção para cada concessionária. Por sua vez, a comissão considerou todas as explicações do Governo clarificadoras, pelo que a discussão da execução do orçamento de 2024 no âmbito da comissão foi dada como concluída.

14 Jan 2026

Eleições 2021 | Arrancou julgamento de Lee Sio Kuan

Arrancou ontem o julgamento de Lee Sio Kuan, mandatário da lista Ou Mun Kong I, por corrupção eleitoral ligada às Eleições Legislativas de 2021. De acordo com o jornal Ou Mun, Lee é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Todas as 10 testemunhas ouvidas ontem de manhã recusaram ter participado em qualquer excursão.

De acordo com o Ministério Público, as ofertas terão visado reunir as 300 assinaturas necessárias para que a lista pudesse participar no acto eleitoral, o que veio a acontecer.

Além de Lee Sio Kuan, que era igualmente presidente da Associação de Força do Povo e dos Operários, o caso envolve mais 17 arguidos, entre os quais Ho Ion Kong, cabeça-de-lista que acabou por desistir antes das eleições. Na manhã de ontem, foram ouvidas 10 testemunhas em tribunal, entre estas, sete estavam ligadas à Associação de Força do Povo e dos Operários ou tinham participado em manifestações ou entregas de cartas promovidas pela associação.

Todas as testemunhas recusaram ter participado nas excursões organizadas pela Associação de Força do Povo e dos Operários ou pela lista Ou Mun Kong I a 21 de Junho de 2021. Quando o representante do Ministério Público mostrou as assinaturas alegadamente das testemunhas no documento de recolha de assinaturas para elaboração da comissão eleitoral, todas negaram ter assinado os documentos apresentados.

14 Jan 2026

Cáritas Macau pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025, disse um conselheiro à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas opera uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês. No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%.

“A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço. Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense.

Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”.

“Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok.

“Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou. Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. O diretor da Caritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais.

“Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em outubro a emissora pública do território.

Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024.

13 Jan 2026

Inquérito | Empresas prevêem subida de 2,23% nos salários

As empresas de Macau prevêem um aumento médio de 2,23 por cento nos salários em 2026, menos 0,49 pontos percentuais do que no ano passado e abaixo da subida de 2,9 por cento no salário mínimo, segundo um inquérito. Mais de 23 por cento das 99 empresas inquiridas pela empresa de recursos humanos MSS Recruitment disseram não ter planos para uma revisão salarial, mais 7,1 por cento do que em 2025.

A directora executiva da MSS Recruitment disse que os resultados reflectem “um ambiente económico cauteloso e mais estável em Macau”, depois da recuperação da crise causada pela pandemia de covid-19. As empresas estão a concentrar-se no “controlo de custos e na sustentabilidade a longo prazo, em vez da expansão”, acrescentou Jiji Tu, citada pelo portal de notícias Macau News Agency.

Em 01 de Janeiro, entrou em vigor um aumento de 2,9 por cento do salário mínimo, que subiu 211,4 patacas, para 7.280 patacas mensais. Esta é a primeira revisão do valor do salário mínimo, dois anos depois de a lei ser implementada, e foi aprovada no parlamento do território em 18 de Dezembro, por unanimidade, apesar das queixas do sector patronal.

Apesar de terem votado a favor, três deputados que representam os sectores industrial, comercial e financeiro alertaram para o possível impacto negativo do aumento do salário mínimo. A recuperação depois da crise económica causada pela pandemia “ainda é desequilibrada”, lamentaram, numa declaração de voto, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Si Ka Lon.

Os deputados destacaram sobretudo as pequenas e médias empresas, que “enfrentam muitas dificuldades e podem não conseguir responder a novos encargos”, incluindo um aumento nas despesas com salários. O Governo estimou que o aumento do salário mínimo irá abranger cerca de 18 mil pessoas, ou 4,4 por cento da força de trabalho total.

Fim da pirâmide

Na sexta-feira, o presidente da Associação dos Empregados do Sector de Serviços, Kuong Chi Fong, disse à TDM – Teledifusão de Macau que cerca de 2.200 pessoas com estatuto de residente recebem o salário mínimo nas áreas da limpeza e segurança de edifícios.

Também segundo a emissora pública, o secretário-geral da Associação de Administração de Propriedades, Ieong Kuong, estimou que os trabalhadores migrantes representam um terço daqueles que recebem o salário mínimo.

A revisão voltou a excluir os empregados domésticos, devido à “‘natureza única’ do trabalho doméstico e à necessidade de o trabalhador se ‘integrar’ na vida familiar do empregador”, disse em Novembro o director dos Serviços para os Assuntos do Trabalho (DSAL).

Chan Un Tong referiu que o salário mediano para estas contratações ronda 3.800 patacas. De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela DSAL, o número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021.

13 Jan 2026

FRC | “No Trilho de Matteo Ricci” apresenta-se hoje ao público

A exposição de arte colectiva “No Trilho de Matteo Ricci”, que inaugura hoje na Fundação Rui Cunha, apresenta um conjunto de 33 trabalhos de diversos artistas e alunos de doutoramento da Universidade de Macau. Trata-se de um conjunto de imagens, feitas a tinta-da-china e cor, que recuperam os locais por onde passou Matteo Ricci, padre jesuíta italiano que deixou a sua marca em Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição de arte colectiva “Trail of Matteo Ricci” [No Trilho de Matteo Ricci], cujos protagonistas são os estudantes de doutoramento do Departamento de Arte e Design da Universidade de Macau (UM), com supervisão do professor Zhang Yan. A curadoria do projecto é da responsabilidade dos artistas Li Ranqing e Lei Meihang, com organização do Centro de História e Cultura Chinesa da UM.

Em exposição vão estar 33 obras, a tinta-da-china e cor, que resultam de uma viagem de estudo organizada no ano passado, com partida de Macau para o Interior da China e até Itália, recuperando o itinerário do padre jesuíta italiano Matteo Ricci, figura fundadora das missões católicas na China, há mais de quatro séculos. O tema há muito suscitava a curiosidade de Zhang Yan, oriundo da cidade de Zhaoqing, por onde passou o missionário no final do século XVI, trazendo ecos do ocidente.

Um dos curadores, Li Ranqing, esclarece que a viagem começou em Macau, indo até Guangzhou, Zhaoqing e Shaoguan [província de Guangdong], e daí seguiram para Roma, Macerata, Génova, Veneza, Milão e Florença.

“Utilizámos o pincel e a tinta da pintura tradicional chinesa como a nossa caneta histórica, para completar esta busca transtemporal até às raízes. Como curador, imagino este projecto como um trabalho prático de campo contemporâneo de pintura chinesa, tecido em torno da rota de intercâmbio cultural de 400 anos. Como um dos artistas participantes, também sei bem que cada obra incorpora a hesitação, a transformação e a repercussão da experiência, vividas durante a criação in loco”, disse, citado por uma nota da FRC.

As 33 obras expostas “retêm grande parte da ‘temperatura in loco’: as fendas espalhadas pelo vento no papel Xuan de arroz e o pó da rua nas margens das pinturas a pastel não são imperfeições, mas extensões naturais da filosofia da pintura chinesa de ‘observar as coisas através da visão interior’. Escolhemos apresentar a exposição em Macau porque não é, apenas, o ponto de partida da viagem de Ricci, mas também a âncora espiritual da nossa criação”, acrescentou o co-curador.

Referências intemporais

Para Li Ranqing, “quando se vê o pôr do sol sobre a Roma antiga na aguarela e a esquina de um beco de Lingnan nos pastéis, está-se perante não só paisagens, mas um toque suave entre duas civilizações realizado através da arte”.

“Tal como Matteo Ricci introduziu o conhecimento ocidental na China, através da tradução chinesa há séculos, utilizámos a linguagem da pintura chinesa para tentar transformar esta trajectória através de montanhas e mares, num diálogo contínuo entre civilizações”, remata o artista e curador.

A exposição conta com a co-organização do Comité de Arte da Pintura Tradicional Chinesa da Associação de Artistas da China; da Aliança de Artistas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau; e do Comité de Arte da Pintura de Paisagem da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O projecto artístico beneficiou ainda do apoio dado pelo Centro Provincial de Intercâmbio Cultural Internacional de Guangdong e pela Associação de Artistas de Guangdong. As obras vão estar expostas até ao próximo dia 24 de Janeiro.

13 Jan 2026

Timor-Leste | MNE em Lisboa para discutir presidência da CPLP e Guiné-Bissau

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste viajou ontem para Lisboa, numa visita de trabalho para discutir a presidência timorense da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação na Guiné-Bissau.

A visita de Bendito Freitas “enquadra-se no contexto da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a assumir por Timor-Leste no período entre 2026 e 2027, na sequência da decisão tomada na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Dezembro de 2025”, pode ler-se numa informação divulgada à imprensa.

A visita a Portugal vai decorrer entre quarta-feira e dia 21 de Janeiro. Em Lisboa, o chefe da diplomacia timorense vai participar em reuniões de coordenação sobre a presidência da CPLP, entregar os estatutos revistos ratificados pelo parlamento à secretária executiva da organização, Maria de Fátima Jardim, e participar na reunião extraordinária do comité permanente.

Bendito Freitas vai também reunir-se com o homólogo português, Paulo Rangel, num encontro em que “serão abordados temas relacionados com o reforço da cooperação bilateral, incluindo a situação política na Guiné-Bissau e a presidência da CPLP de Timor-Leste”, indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

O programa da visita inclui igualmente encontros com o prémio Nobel da Paz, bispo Ximenes Belo, e com estudantes e a comunidade timorense em Coimbra.

Timor-Leste assumiu em Dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau, na sequência de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, após o golpe de Estado no país que depôs Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de Novembro.

Integram a CPLP, que assinala este ano o 30.º aniversário, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

13 Jan 2026

Japão | Missão em águas profundas para extrair terras raras

A viagem do navio de perfuração científica, Chikyu, em direcção à remota ilha Minami Torishima no arquipélago japonês, onde se estima existir mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, visa diminuir a dependência do país nipónico do fornecimento chinês

Um navio de investigação japonês iniciou ontem uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00 de ontem, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos.

Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho. A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, director de programas do Gabinete do primeiro-ministro.

“Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir. Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para sectores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

Tensões regionais

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92 por cento da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, o Japão depende da China para 70 por cento das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de Fevereiro.

13 Jan 2026

Gronelândia | EUA avisados para não usar outros países como pretexto

Pequim reafirma o seu compromisso com o direito internacional e adverte as autoridades norte-americanas para não inventarem narrativas com vista a satisfazer os seus interesses próprios

A China avisou ontem os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional. “Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir actividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa.

“As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou. Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”.

Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

O povo é quem mais ordena

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, tinha ontem um encontro marcado com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que desejava discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no sector comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojecto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

13 Jan 2026