China | Energia solar deve superar o carvão até ao final do ano

A capacidade instalada de energia solar na China deverá superar pela primeira vez a do carvão em 2026 e, juntamente com a eólica, representar metade do total, segundo previsões do sector eléctrico.

O Conselho de Electricidade da China (CEC) indicou num relatório divulgado ontem que o consumo de eletricidade no país deverá crescer entre 5 por cento e 6 por cento este ano, impulsionado por uma expansão estável da economia e pelo desenvolvimento de novas infraestruturas ligadas à inovação e modernização industrial.

Segundo o documento, intitulado “Relatório de análise e previsão sobre a situação nacional da oferta e da procura de electricidade”, a capacidade instalada de energia solar deverá ultrapassar a do carvão pela primeira vez, enquanto a soma da energia eólica e solar deverá atingir cerca de metade da capacidade total instalada até ao final de 2026.

No âmbito dos objectivos de “duplo carbono” – que prevêem atingir o pico das emissões antes de 2030 e a neutralidade carbónica até 2060 –, a incorporação de novas energias deverá manter um ritmo elevado. A nova capacidade instalada este ano deverá ultrapassar os 400 milhões de quilowatts, dos quais mais de 300 milhões corresponderão a fontes renováveis.

Como resultado, a capacidade total instalada de geração eléctrica na China deverá atingir cerca de 4.300 milhões de quilowatts até ao final do ano, com aproximadamente 63 por cento proveniente de fontes não fósseis, enquanto o peso do carvão deverá recuar para cerca de 31 por cento.

Organizações como a Greenpeace consideram que a China se encontra num ponto de inflexão na transição energética, com o rápido crescimento da energia eólica e solar a poder contribuir para antecipar o pico de emissões. Ainda assim, alertam que a expansão do uso do carvão continua e que o ritmo de instalação de renováveis começa a mostrar sinais de abrandamento.

29 Abr 2026

Índia | Homem leva corpo da irmã a banco para levantar dinheiro

Um homem de uma comunidade tribal no estado de Odisha, no leste da Índia, levou os restos mortais da sua irmã a uma agência bancária para levantar as suas poupanças, depois de o banco se ter recusado a conceder-lhe acesso aos fundos.

“Fui ao banco várias vezes e as pessoas disseram-me para trazer a titular da conta para levantar o dinheiro depositado em nome dela. Mesmo dizendo que estava morta, não me ouviram e insistiram para que a trouxesse ao banco. Cavei a campa e retirei o seu esqueleto como prova da sua morte”, contou Jeetu Munda aos meios de comunicação social.

O incidente ocorreu depois de o banco ter exigido a certidão de óbito da irmã de Munda, documento necessário para processar o levantamento legalmente. Quando os funcionários se recusaram a processar o levantamento sem a certidão, Munda, que o banco alegou estar embriagado, colocou os restos mortais da irmã em frente à agência para comprovar a sua morte.

Segundo o comunicado de imprensa divulgado ontem pelo Indian Overseas Bank, o principal do banco rural do país, a intenção da instituição era proteger os fundos na conta desta mulher que pertencia a uma comunidade tribal pobre, sublinhando que “não houve nenhum caso de assédio”.

Segundo a polícia, a irmã de Munda faleceu há dois meses e tinha aproximadamente 19.300 rupias indianas (cerca de 170 euros) na sua conta bancária. O homem, que as autoridades dizem ser analfabeto, está a receber auxílio da polícia com a documentação necessária para obter a certidão de óbito que lhe permitirá recuperar o dinheiro da sua família.

29 Abr 2026

Karting | Macau vai participar nas 24 horas de Genk

Uma equipa de Macau vai participar nas 24 Horas de Genk, prova de karting na Bélgica. A prova está agendada para este fim-de-semana, decorre entre 2 e 3 de Maio, num circuito lendário por onde passaram vários pilotos de Fórmula 1 e onde se estreou o tetracampeão Max Verstappen.

O território vai estar representado pela equipa ‘IXO Models Racing Team – Macau’, contando com seis residentes, entre eles o veterano Rui Valente, um dos pilotos mais experientes da RAEM, que tem somado presenças assíduas no Grande Prémio de Macau, assim como em várias provas no Interior.

A equipa vai ser liderada por Jean Peres, empresário de Macau, também com ligações à modalidade, tendo competido no campeonato asiático de karting (Rotax Asia Challenge), tal como o irmão Eric Peres, outro dos membros da equipa.

“Era um objectivo de longa data, mas só agora foi possível pôr este projecto em andamento. Vamos à experiência, mas queremos ser competitivos”, afirmou Jean Peres, gerente da PCT, grupo que detém a IXO Models, empresa de Macau que é uma das maiores fabricantes de miniaturas ‘diecast’ a nível mundial. Sérgio Lacerda, outro piloto com provas dadas no Circuito da Guia, também foi ‘recrutado’ para o desafio. A equipa conta ainda com dois aficcionados da modalidade: Duarte Machado, piloto de aviões radicado em Lisboa, e Pedro Maia, ex-jornalista.

“É um grupo interessante, entre pilotos com maior experiência e outros que também já demonstraram talento em pista. Já nos conhecemos há algum tempo e sabemos o que cada um pode acrescentar à equipa. Uma corrida de 24 horas é muito exigente. Não só a nível físico como também a nível mental. Depois existe toda a parte que envolve a organização e a estratégia. Será um grande desafio”, considerou Jean Peres.

Traçado com história

As 24 Horas de Genk são consideradas uma das melhores corridas de endurance da modalidade, envolvendo normalmente entre 30 a 40 equipas. A prova decorre todos os anos no mítico Kartódromo de Genk, um traçado homologado pela FIA, por onde passaram alguns dos pilotos mais conhecidos do mundo, entre os quais Max Verstappen, Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Jenson Button.

O regulamento da prova obriga a fazer 32 paragens obrigatórias na boxe durante as 24 horas, com reabastecimento de combustível. Nas paragens é possível efectuar a troca de pilotos. Os treinos livres estão agendados para sexta-feira, 1 de Maio. As sessões de qualificação decorrem durante a manhã de sábado. O arranque da corrida está marcado para as 15h, hora local, com o final previsto para a mesma hora de domingo.

29 Abr 2026

FAM | Apresentada programação de edição de 2026. Tiago Rodrigues traz nova peça ao festival

Arranca no próximo dia 8 de Maio mais uma edição do Festival de Artes de Macau, que traz ao território uma peça do encenador português Tiago Rodrigues. O monólogo “Entrelinhas” é interpretado por Tonan Quito e é um dos destaques da programação, que traz também mais uma peça dos Doci Papiaçam di Macau: “Agora como?” (E agora?), em patuá

O monólogo “Entrelinhas” do português Tiago Rodrigues, interpretado por Tónan Quito, é um dos destaques da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que arranca a 8 de Maio, foi ontem anunciado.

Numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM), Leong Wai Man, sublinhou que apesar de ser um monólogo, o espectáculo consegue, “através de uma pessoa a actuar num palco, contar uma história completa”. “Entrelinhas” estará a 19 e 20 de Maio na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V. Dada a ligação histórica entre Macau e Portugal, a peça “faz todo o sentido” para a edição de 2026 do FAM, cuja tema é “Rota Marítima da Seda como Ponte para o Intercâmbio Cultural”.

O ICM sublinhou que Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador, actor, director artístico do Festival d´Avignon, escreveu a peça especialmente para Tónan Quito, numa das várias colaborações entre os dois. “Através de um labirinto narrativo, entrelaça o Édipo Rei de Sófocles com as cartas de um recluso à sua mãe — palavras encontradas nas entrelinhas de uma tragédia grega descoberta na biblioteca de uma prisão”, explicou o ICM.

Na apresentação do programa, o ICM recordou que a “relação intimista com o público” de “Entrelinhas” valeu a Tónan Quito a nomeação para Melhor Actor pela revista Time Out em 2024. Em Abril de 2025, Macau recebeu a peça “O Cerejal”, original do dramaturgo russo Anton Tchékhov, com encenação de Tiago Rodrigues e interpretada pela actriz francesa Isabelle Hupert.

Apoio cultural

Com um orçamento de 22 milhões de patacas, menos 6 por cento do que em 2025, o FAM vai apresentar, entre 8 de Maio e 27 de Junho, espectáculos e actividades de ópera, dança, música, artes teatrais e exposições.

A companhia local Dóci Papiaçám di Macau irá levar ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) a peça em patuá “Agora como?” (E agora?), em 23 e 24 de Maio. O teatro neste crioulo de origem portuguesa faz parte da Lista de Património Cultural Imaterial Nacional chinesa desde 2021. À margem da apresentação, o encenador dos Dóci Papiaçam, Miguel Senna Fernandes, disse que a peça irá abordar “a distância bastante grande” entre “a recuperação brutal” dos negócios dos casinos e as dificuldades económicas dos pequenos negócios.

“No fundo, é questionar até que ponto, para aqueles que gostam de Macau, querem ficar e recusam-se a partir, o que fazer?” explicou Senna Fernandes. O encenador acrescentou que será “uma espécie de tragicomédia”, mas “com muita picardia”. “Afinal, julgo que neste momento somos o único grupo de sátira aqui em Macau”, sublinhou Senna Fernandes.

Doci não encerram

Ao contrário do que é tradição, os Dóci Papiaçám di Macau não irão encerrar o festival. A presidente do ICM justificou a alteração com a extensão da FAM, que este ano “dura mais tempo, quase dois meses”. Mas Leong Wai Man lembrou que o patuá “faz parte da cultura de Macau”, defendeu que a peça “continua a ser uma actividade de destaque” e que “é muito amada pelos residentes”.

A dirigente disse que o festival irá ainda assinalar o ano de intercâmbio cultural entre a China e o Cazaquistão, que se celebra em 2026. O espectáculo de abertura é “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”, que junta no CCM o Grupo de Danças e Cantares Birlik, do Cazaquistão, com grupos de dança locais.

Também do Cazaquistão vem a Companhia de Dança Teatro Jolda, que leva ao palco do CCM o trabalho “Duo de Dança”, em 22 e 23 de Maio. O programa inclui ainda uma mostra de espectáculos ao ar livre, de entrada gratuita, nos dias 22, 23 e 24 de Maio, no Jardim do Mercado de Iao Hon, com a participação da associação Casa de Portugal em Macau.

29 Abr 2026

Souto de Moura ganha medalha da União Internacional dos Arquitectos

O arquitecto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitectos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou ontem a Ordem dos Arquitectos. Em comunicado, a Ordem – que submeteu a candidatura do arquitecto do Porto – realçou que se trata da “mais alta honra mundial atribuída a um arquitecto em vida”, o que “representa um marco histórico para a obra de Eduardo Souto Moura, para Portugal e para a Arquitectura Portuguesa”.

Citado em comunicado, o presidente da Ordem dos Arquitectos, Avelino Oliveira, afirmou que “Souto Moura é autor de uma obra maior, disruptiva e intemporal”, tratando-se esta medalha do “culminar de um percurso pessoal e profissional de ampla produção arquitectónica e que faz de Portugal um dos lugares incontornáveis da arquitectura contemporânea”.

“Para a Ordem, este é um momento de projecção internacional que reforça a imagem de Portugal como referência mundial na arquitectura dos nossos dias. Para a arquitectura portuguesa, trata-se da confirmação de uma escola sólida, reconhecida e admirada globalmente”, pode ler-se no mesmo comunicado. Segundo a Ordem dos Arquitetos, a entrega da Medalha de Ouro vai ocorrer no dia 30 de Junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitectos.

Carreira de sucesso

A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o “Nobel da arquitetura”, em 2011, pelo conjunto da obra. Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte – Portugal, em 1996.

Nos Estados Unidos, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.

A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projectos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.

29 Abr 2026

Museu de Macau | Mostra “Grandioso Espírito de Han” até Junho

O Museu de Macau acolhe até ao dia 14 de Junho a mostra “Grandioso Espírito de Han – Exposição de Tesouros da Dinastia Han de Xuzhou”, que inaugurou no passado dia 17 de Abril. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), pretende-se “fomentar o intercâmbio histórico e cultural entre Jiangsu e Macau e promover a civilização chinesa”.

O público pode ver quatro secções temáticas integradas nesta mostra, nomeadamente “Palácios e Funcionários Um Sistema Paralelo ao da Capital”, “Os Valorosos Soldados de Chu e Han Um Exército Poderoso e Bem-Equipado”, “Prosperidade e Esplendor de uma Era Próspera” e “O Sonho da Eternidade Tratar a Morte como se Fosse a Vida”.

No museu, são apresentadas cem peças ou conjuntos de obras que pertencem ao Museu de Xuzhou, “incluindo sinetes de rara perfeição, estátuas de terracota minuciosamente preservadas e jades translúcidos”, sendo que esta colecção “oferece um retrato multidimensional da história do Reino de Chu da dinastia Han e das diversas facetas da vida quotidiana durante esse período”.

O IC descreve que o público, ao visitar esta exposição, pode também ficar a conhecer “a força e prosperidade da dinastia Han e a sua influência duradoura nas gerações posteriores”. O MAM oferece ainda projecções de música e dança da dinastia Han, “permitindo ao público mergulhar no ambiente artístico do período”, além de ter sido criada uma mostra virtual que permite um acesso mais alargado a esta iniciativa.

29 Abr 2026

Seul | Ex-primeira dama condenada a quatro anos de prisão

O tribunal de recurso da Coreia do Sul condenou ontem a ex-primeira-dama Kim Keon-hee a quatro anos de prisão, aumentando a pena inicial de 20 meses por corrupção.

Na sentença transmitida em directo pela televisão sul-coreana, o Tribunal Superior de Apelação de Seul condenou Kim Keon-hee a quatro anos de prisão e impôs uma multa de 50 milhões de won (cerca de 29 mil euros). Kim Keon-hee, de 53 anos, é casada com o ex-chefe de Estado Yoom Suk Yeol, que desempenhou funções entre 2022 e 2025.

Em Agosto de 2025, o Tribunal Distrital Central de Seul emitiu um mandado de detenção contra Kim Keon-hee por várias acusações de corrupção, incluindo suborno e fraudes no mercado bolsista incluindo manipulação de preços de acções. Na altura, a ex-primeira dama foi acusada também de influenciar indevidamente as listas de candidatos do Partido do Poder Popular.

Em Dezembro de 2024, o ex-Presidente Yoom Suk Yeol declarou a lei marcial para alegadamente combater elementos “pró-Coreia do Norte” no Governo de Seul tendo revogado a medida poucas horas depois. Recentemente o Tribunal Distrital Central de Seul considerou-o culpado de liderar uma insurreição e condenou o ex-chefe de Estado a prisão perpétua.

29 Abr 2026

Execuções na Coreia do Norte aumentaram desde pandemia de covid-19

Um relatório divulgado ontem por uma organização não-governamental sul-coreana concluiu que a Coreia do Norte intensificou consideravelmente as execuções desde a pandemia, em particular por consumo de produtos culturais estrangeiros e infracções políticas.

Pyongyang fechou as fronteiras em Janeiro de 2020 para travar a propagação do coronavírus e, nos anos seguintes, empenhou-se em reforçar a segurança, como atestam regularmente estudos de investigação e artigos da imprensa. Organizações não-governamentais (ONG) afirmam que o confinamento agravou as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte, considerado um dos Estados mais repressivos do mundo.

O relatório da ONG sul-coreana Transitional Justice Working Group (TJWG) revela que as condenações à morte e as execuções mais do que duplicaram nos quase cinco anos que se seguiram ao encerramento das fronteiras, em comparação com o mesmo período anterior a este. O TJWG recolheu dados junto de centenas de norte-coreanos que fugiram do país e de vários meios de comunicação social que mantêm redes de fontes no interior deste Estado isolado, desprovido de imprensa independente.

Desde a pandemia, as autoridades intensificaram o recurso à pena capital para infracções como o consumo de filmes, séries e música sul-coreanos, indicou a organização. As condenações à pena de morte relacionadas com a cultura estrangeira, a religião e “a superstição” aumentaram 250 por cento após o encerramento das fronteiras, de acordo com o documento.

Críticas fatais

Além disso, o forte aumento das execuções por crimes políticos, tais como críticas ao líder Kim Jong-un, pode sugerir que o Governo “está a reagir a um descontentamento interno crescente ou a intensificar a violência de Estado para reprimir a contestação política”, estima a ONG.

Quase três quartos das execuções foram realizadas em público, tendo a maioria das pessoas sido mortas a tiro, indica ainda o relatório. O Governo norte-coreano é também acusado de tortura, trabalhos forçados e restrições consideráveis à liberdade de expressão e de circulação. Além disso, á acusado de explorar quatro campos de prisioneiros políticos onde até 65 mil pessoas seriam sujeitas a trabalhos forçados, de acordo com um relatório de 2025 do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.

29 Abr 2026

Qinzhou | Chuvas intensas provocam inundações e evacuações

Inundações provocadas por chuvas torrenciais deixaram carros submersos e forçaram a retirada de mais de 200 residentes na cidade de Qinzhou, no sul da China, segundo órgãos de comunicação estatais. Equipas de resgate mobilizaram barcos insufláveis para retirar moradores que ficaram presos nas suas casas, na cidade situada na região de Guangxi, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

Imagens divulgadas pela agência mostraram socorristas a caminhar com água até ao peito, enquanto bombeiros transportavam idosos ao colo. As autoridades locais indicaram que a estação meteorológica de Qinzhou registou mais de 270 milímetros de chuva em 24 horas, até às 08:00 de segunda-feira, o valor mais elevado para um único dia de Abril.

Num comunicado publicado na rede social WeChat, o analista meteorológico Lin Nan referiu que episódios de chuva tão intensa nas regiões costeiras do sul da China costumam ocorrer apenas após a chegada da monção de Verão, entre meados e o final de Maio, sendo raro no final de Abril. Na manhã de onetm, as escolas retomaram as aulas e o tráfego circulava normalmente na maioria das zonas da cidade, segundo um órgão de comunicação ligado às autoridades chinesas de gestão de emergências.

29 Abr 2026

PCC promete reforçar segurança energética face a conflito no Irão

A cúpula do Partido Comunista Chinês apelou ontem ao reforço da segurança energética face ao impacto da subida dos preços do petróleo e do gás, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

O Presidente chinês, Xi Jinping, presidiu a uma reunião do Politburo na qual foi sublinhada “a necessidade de enfrentar de forma sistemática as perturbações e desafios provenientes do exterior”, segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

Perante a conjuntura, a liderança do PCC defendeu a importância de “responder às diversas incertezas com a certeza do desenvolvimento de alta qualidade”, numa referência ao novo modelo económico que Pequim procura consolidar, num contexto de abrandamento do crescimento.

Os dirigentes apontaram ainda para uma política fiscal “mais proactiva” e uma política monetária “moderadamente flexível”, com liquidez “ampla” no sistema financeiro, bem como para medidas de estímulo à procura interna, estabilização do emprego e das expectativas dos mercados.

Entre as preocupações destacadas, estão também a taxa de câmbio do yuan, o sector imobiliário, a concorrência excessiva em alguns sectores, a dívida oculta de governos locais e a necessidade de avançar na regulação da inteligência artificial.

No plano energético, o Politburo apelou ao reforço da planificação e construção de novas redes hídricas e eléctricas, infraestruturas subterrâneas urbanas e sistemas de computação, comunicações e logística. “É necessário (…) promover o arranque de projectos-chave quando as condições forem adequadas”, refere o comunicado.

Abastecimento garantido

A reunião ocorreu um dia após um responsável da Administração Nacional de Energia ter destacado a resiliência do sector petrolífero chinês face aos riscos decorrentes da guerra com o Irão, classificando como garantido o abastecimento de crude e gás, graças ao aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

O bloqueio ‘de facto’ do Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito, afetou toda a Ásia. No caso da China, a rota é particularmente sensível, dado que por ali passam cerca de 45 por cento das suas importações energéticas.

O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis no país, obrigando as autoridades a limitar temporariamente os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual, tendo sido registada na semana passada a primeira descida em 2026.

A China beneficiou parcialmente do contexto, com um aumento das exportações de tecnologias ‘verdes’, como painéis solares, baterias e veículos eléctricos, impulsionadas pela subida global dos preços do crude. Pequim condenou repetidamente os ataques de Washington e Telavive contra Teerão, mas sublinhou também a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

29 Abr 2026

China | Pena de prisão perpétua para menor de 15 anos por violar e matar uma colega

Um tribunal chinês condenou ontem a prisão perpétua um menor que tinha 14 anos à data dos factos por violar e matar uma colega de 15 anos, num caso que reacendeu o debate sobre a delinquência juvenil no país.

O Tribunal Intermédio da cidade de Qujing, na província de Yunnan, sudoeste da China, condenou o arguido, de apelido Jiang, a prisão perpétua pelos crimes de violação e homicídio intencional, além de lhe impor a privação de direitos políticos para toda a vida, informou a agência oficial China News Service.

Segundo a sentença, os factos ocorreram entre a noite de 6 de Julho e a madrugada de 07 de Julho de 2025, quando o menor tentou agredir sexualmente a vítima, estudante do mesmo estabelecimento de ensino. Posteriormente, ao temer que o crime fosse descoberto, estrangulou-a com as mãos. O tribunal considerou que os actos constituem crimes de violação e homicídio intencional e devem ser punidos de forma conjunta, nos termos da lei.

A mesma instância sublinhou que as circunstâncias foram “particularmente graves” e as consequências sérias, o que justificou a aplicação de uma pena severa. Ainda assim, por se tratar de um menor à data dos factos, a legislação chinesa não permite a aplicação da pena de morte, tendo o tribunal optado pela prisão perpétua após avaliar a natureza do crime e o impacto social.

O julgamento contou com a presença de familiares da vítima, bem como de representantes de órgãos legislativos e conselheiros políticos, além de meios de comunicação social.

Violência em debate

O caso surge após outros episódios recentes que suscitaram preocupação com a violência entre menores na China. Em Dezembro de 2024, um tribunal da província de Hebei, norte do país, condenou a prisão perpétua um adolescente de 13 anos pelo homicídio de um colega de escola, num caso que gerou amplo debate sobre a responsabilidade penal de menores.

O Código Penal chinês estabelece que menores entre os 12 e os 14 anos podem assumir responsabilidade penal em casos graves, mediante aprovação do Ministério Público. Nos últimos anos, vários casos reacenderam o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção da violência nos ambientes escolares e de melhorar os sistemas de protecção de menores no país.

29 Abr 2026

China / EUA | Representantes esperam que encontro entre Xi e Trump relance relações

O encontro entre os dois líderes deverá acontecer entre 14 e 15 de Maio em Pequim

Responsáveis chineses e norte-americanos indicaram ontem, em Hong Kong, esperar que visita prevista de Donald Trump à China, em Maio, relance as relações bilaterais entre os países. Durante numa conferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong (AmCham), o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China naquele território, Cui Jianchun, afirmou que a forma como as duas maiores economias do mundo “se relacionam vai moldar o panorama global fundamental”.

“O único caminho a seguir é através do diálogo e da consulta”, disse, acrescentando que relações estáveis “servem os interesses comuns da comunidade internacional”.

Trump deverá visitar Pequim nos dias 14 e 15 de Maio para se reunir com Xi, naquela que será a primeira deslocação de um Presidente norte-americano em funções à China em quase uma década. A viagem, destinada a estabilizar as relações económicas e comerciais, estava prevista para Março, mas foi adiada devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. Está também prevista uma visita de Xi a Washington ainda este ano.

Cui afirmou que a abordagem de Pequim assenta em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, incluindo o respeito pelos sistemas políticos e interesses fundamentais de cada parte, bem como a gestão das divergências sem conflito. “Desde que a China e os Estados Unidos respeitem estes princípios, as relações bilaterais terão um futuro melhor”, afirmou.

O responsável confirmou que as duas partes mantêm contactos sobre a visita planeada de Trump, acrescentando que relações “estáveis, sólidas e sustentáveis” irão “reforçar a confiança da comunidade empresarial norte-americana” e aprofundar a cooperação económica.

No mesmo evento, a cônsul-geral dos Estados Unidos em Macau e Hong Kong, Julie Eadeh, destacou tanto as oportunidades como as tensões na relação bilateral. “Os desafios que enfrentamos na relação entre os Estados Unidos e a China são reais e, em alguns casos, estão a aumentar”, afirmou, reiterando o compromisso de Washington com o diálogo.

“Os Estados Unidos procuram uma relação com a China assente na equidade e na reciprocidade, que torne o nosso país mais seguro, mais forte e mais próspero”, acrescentou, sublinhando a necessidade de “condições de concorrência equitativas” e de um “acesso ao mercado justo e recíproco”.

Diálogo e incerteza

Eadeh referiu que mais de 1.400 empresas norte-americanas operam em Hong Kong, atraídas pelos “mercados de capitais e conectividade internacional” do território, descrevendo a cidade como um espaço historicamente propício ao “diálogo construtivo”, embora reconhecendo que “a cidade mudou de forma significativa” e que a política dos EUA se ajustou.

Pequim reforçou, desde 2023, o controlo de Hong Kong ao implementar duras medidas de segurança nacional e ao suprimir a oposição política local. David Butts, responsável pela AmCham em Hong Kong, afirmou que a conferência ocorre num momento de elevada incerteza.

“Não há dúvida que o clima empresarial deste ano é dos mais turbulentos”, disse, classificando 2026 como “um ano decisivo” para as relações económicas entre EUA e China, e considerando que a suspensão de um ano de sanções comerciais impostas pelos EUA está prevista terminar em Novembro.

“Estamos a antecipar desenvolvimentos significativos”, afirmou Butts, apontando para a possibilidade de vários encontros entre Trump e Xi este ano, bem como para marcos políticos importantes, incluindo a aprovação do novo plano económico quinquenal da China e a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC na sigla inglesa), prevista para Novembro em Shenzhen.

29 Abr 2026

Poesia chinesa | (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

越中逢天台太一子

仙穴逢羽人

停艫向前拜

問余涉風水

何事遠行邁

登陸尋天台

順流下吳會

兹山夙所尚

安得聞靈怪

上逼青天高

俯臨滄海大

雞鳴見日出

每與仙人會

來去赤城中

逍遙白雲外

莓苔異人間

瀑布作空界

福庭長不死

華頂舊稱最

永願從此遊

何當濟所屆

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai

Junto a uma gruta dos Imortais encontrei um homem emplumado; 1

Desembarcando, dirigi-me a ele para prestar respeito.

Perguntou da minha travessia sobre as águas batidas pelo vento:

De que serve embarcar em viagens longínquas?

“Podem-se cruzar desertos em busca de Tiantai,

Ou seguir corrente abaixo até Kuaiji em Wu.

Essa montanha reverenciei toda a vida,

Mas como saber dos seus numinosos prodígios?

Erguendo-se, enche as alturas do céu azul;

Em baixo, olha a extensão do mar turquesa.

Ao cantar do galo vê-se o sol aparecer,

Estamos sempre acompanhados pelos Imortais.

Vão e vêm no Pico da Falésia Vermelha,

Livres e leves além das nuvens brancas.

Líquen e musgo são diferentes dos do reino da morte,

E um lençol de espuma delineia os limites do espaço.

De entre os pavilhões a que a morte nunca vem

O mais elogiado sempre foi o da Crista Florida.

Peço poder partir de onde estou,

Para me ir até onde quero chegar um dia.”

Uma pessoa emplumada é alguém que transcendeu este “mundo de pó” e viaja pelo espaço como se tivesse asas. A residência terrena destas pessoas é em “grutas celestes (洞天), nas profundezas de montanhas sagradas, como Tiantai, que dão acesso a outros mundos, a mundos paralelos.

29 Abr 2026

Burla | PJ alerta para falsa assistência jurídica

A Polícia Judiciária (PJ) alertou que nos últimos dias foram descobertos vários anúncios falsos a prometer assistência jurídica, em nome da própria PJ. O aviso foi deixado num comunicado, depois dos anúncios terem circulado nas redes sociais. O organismo explicou que estas publicidades falsas prometem auxílio jurídico aos residentes que queiram obter compensações por terem sofrido burlas.

Contudo, a PJ explicou que o objectivo é levar os residentes a carregarem nos links e fornecerem as suas informações privadas. A PJ indicou ainda que este tipo de burla já foi registado nas zonas vizinhas e que os burlões se aproveitam das fragilidades psicológicas das vítimas, que querem recuperar o que perderam. Além de ser fazerem passar pelas autoridades, os burlões simulam ainda ser advogados, detectives ou empresas de cobrança de dívidas.

Furto | Detido por apropriar-se de bicicleta

Um homem foi detido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por suspeitas de ter furtado uma bicicleta. A informação foi divulgada ontem e o CPSP indicou que o crime terá acontecido a 25 de Fevereiro no Vale das Borboletas, em Seac Pai Van. O meio de transporte foi avaliado em 1.300 renminbis.

A detenção foi feita a 26 de Abril, e o CPSP conseguiu recuperar a bicicleta, porque estava estacionada perto do local do crime. Às autoridades, o homem, com cerca de 60 anos, não comentou a alegada acusação, mas declarou estar desempregado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP) e o homem está indiciado pelo crime de furto, que prevê uma pena máxima de três anos de prisão. A tentativa também é punida.

NAPE | Preso por troca ilegal de dinheiro

Um homem foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), por alegadamente ter sido interceptado quando fazia uma troca ilegal de dinheiro nos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE). Segundo a PJ, citada pelo jornal Ou Mun, o homem de 28 anos foi interceptado quando realizava uma transferência de dinheiro através de um Código QR no telemóvel com uma jogadora.

Como consequência desta operação, a mulher recebeu 10 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo, depois de pagar 8.900 renminbis, que utilizou para jogar nas mesas de jogo onde perdeu todo o dinheiro.

Quando confrontada pelas autoridades com a operação, a mulher reconheceu a troca de dinheiro para o jogo. Além da detenção do homem, a polícia apreendeu ainda 430 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo e um telemóvel. Suspeita-se que o homem estivesse a dedicar-se a esta actividade desde Fevereiro do ano passado, e que tenha obtido ganhos de 90 mil renminbi.

29 Abr 2026

Trânsito | Idoso atropelado em estado grave no hospital

Um homem com 76 anos foi transportado em estado grave para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de ser atropelado, de acordo com a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O atropelamento aconteceu na noite de segunda-feira, por volta das 19h38, quando uma viatura privada atingiu o homem na Rua do Campo.

Quando os bombeiros chegaram ao local encontraram o homem, residente na zona, com ferimentos no pescoço. Foi levado para o hospital, mas o seu estado de consciência deteriorou-se durante a viagem, embora ainda tivesse pulso e estivesse a respirar. Até ontem, ainda não havia informações sobre a evolução do estado de saúde.

Gripe | Registados mais quatro casos colectivos

Os Serviços de Saúde (SS) revelaram que foram registados mais quatro casos de gripe colectiva em instituições de ensino, com um total de 38 infectados. De acordo com os dados dos SS, um dos casos foi identificado na Escola Kao Yip, com 20 infectados. No Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa) houve outro surto, com oito alunos infectados.

O terceiro caso, ocorreu na da Creche da Ana Sofia Monjardino da Associação UGAMM, com três infectados, e o quarto no Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Chinesa) com sete alunos diagnosticados com gripe. “Desde o dia 20 de Abril, os doentes começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior, como febre e tosse, tendo alguns deles sido submetidos a tratamentos médicos. As condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações”, foi indicado.

29 Abr 2026

UE | China ameaça retaliar contra lei industrial

O ministério do Comércio da China afirmou ontem que a proposta de lei do acelerador industrial da União Europeia introduz “barreiras graves ao investimento” e “discriminação institucional” contra empresas estrangeiras e advertiu que responderá se Bruxelas avançar.

Em comunicado publicado no seu portal oficial, a tutela indicou que, na passada sexta-feira, apresentou formalmente às autoridades europeias os seus comentários ao projecto legislativo, nos quais expressa “grave preocupação” com o conteúdo.

Segundo Pequim, a iniciativa impõe “numerosos requisitos restritivos” ao investimento estrangeiro em quatro scetores estratégicos emergentes e dominados pela China: baterias, veículos eléctricos, energia fotovoltaica e matérias-primas críticas. O ministério criticou ainda a inclusão de cláusulas “discriminatórias” de “origem UE” na contratação pública e nas políticas de apoio estatal.

O ministério do Comércio sustentou que a proposta “poderia violar” princípios básicos como o de “nação mais favorecida” e o “tratamento nacional”, além de contrariar acordos internacionais sobre tarifas, investimento, propriedade intelectual ou subsídios.

A tutela acrescentou que a lei prejudicaria as expectativas de investimento das empresas chinesas na Europa, seria contrária à “concorrência justa” e poderia travar a transição verde europeia, além de afetar o sistema multilateral de comércio.

Resposta pronta

Pequim instou Bruxelas a retirar do texto os requisitos considerados discriminatórios para investidores estrangeiros, as exigências de conteúdo local, as disposições sobre transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual e as restrições na contratação pública.

O ministério avisou também que acompanhará de perto o processo legislativo e que, se a União Europeia “ignorar” as suas observações e a norma prejudicar empresas chinesas, Pequim “não terá mais opção senão adoptar contramedidas”. A Comissão Europeia apresentou o projecto em Março como um dos pilares da estratégia para reindustrializar o continente e reduzir dependências em sectores estratégicos face a potências como a China ou os Estados Unidos.

A proposta prevê a exigência de um mínimo de produção europeia na atribuição de apoios públicos e a imposição de condições a grandes investimentos estrangeiros, o que afecta empresas chinesas.

28 Abr 2026

Corrupção | Julgamento de Netanyahu novamente adiado

O depoimento do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no julgamento por corrupção foi ontem novamente adiado por motivos de segurança, noticiou a imprensa de Israel.

O depoimento do primeiro-ministro, que estava previsto ser retomado ontem após um adiamento de relacionado com a guerra de Israel contra o Irão, foi suspenso uma hora antes do início, devido a “preocupações de segurança” evocadas pelo advogado, Amit Hadad.

De acordo com os meios de comunicação israelitas Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada a nova data para a continuação do julgamento do primeiro-ministro. Netanyahu solicitou formalmente um indulto ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a 30 de Novembro do ano passado.

No domingo, Herzog afirmou que não vai analisar o pedido até que as tentativas de chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem. Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos de alegada corrupção em que está envolvido.

Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais: dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave.

Este último relaciona-se com alegados favores concedidos pelo primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura mediática favorável.

28 Abr 2026

Farmácia | Indiana Sun Pharm compra grupo norte-americano Organon por 10.000 ME

A farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou ontem que concluiu um acordo para adquirir o grupo americano Organon, especializado em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares.

O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das acções da Organon ao preço de 14 dólares por acção, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto. A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração dos dois grupos e deve estar concluída “no início de 2027”, sujeita à obtenção das aprovações regulatórias necessárias e ao acordo dos accionistas.

Esta operação está “em linha recta” com o projecto da Sun Pharma de desenvolver a sua actividade de “medicamentos inovadores”, acrescenta o comunicado, destacando que também permite ao gigante indiano tornar-se um dos dez principais actores globais do mercado de biossimilares.

“O portfólio, as capacidades e o alcance global da Organon são muito complementares aos nossos”, declarou o presidente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, num comunicado. “Acreditamos que a fusão destas duas organizações permitirá criar uma plataforma mais sólida e diversificada”, sublinhou.

A presidente da Organon, Carrie Cox, estimou que esta aquisição representava um “valor imediato e convincente” para os accionistas. O laboratório americano Organon oferece medicamentos e soluções terapêuticas para mulheres, cobrindo uma gama que vai da contracepção à fertilidade, passando por doenças cardiovasculares e cancros. A Índia, frequentemente denominada “farmácia do mundo”, exportou mais de 31.000 milhões de dólares em medicamentos no último exercício fiscal.

28 Abr 2026

Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de Pequim

O filme “Justa”, de Teresa Villaverde, recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor actriz secundária.

“Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a actriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Actriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film. Os prémios foram atribuídos pela actriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos actores Zhang Yi e Zhang Xiaofei.

“Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França). Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal. A acção da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas.

Ficção e realidade

“Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.

Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas. No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois da morte do marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento. Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu.

“Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se vêem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas.

Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio. O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com selecções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.

28 Abr 2026

Pequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito

A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”.

Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano.

Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”.

Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou.

Ásia em foco

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações.

No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026.

A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.

28 Abr 2026

IA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta

A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram.

A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio.

A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas.

A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional.

Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.

28 Abr 2026

Indústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre

Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março.

O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento.

Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas.

No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão.

Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.

28 Abr 2026

Yuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores

Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times.

O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico.

Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante.

“Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais.

Papel de relevo

O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total.

A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos.

Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis.

O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.

28 Abr 2026

Turismo | Macau acolhe nova edição da feira PATA Travel Mart em 2027

Macau vai receber no próximo ano, entre os dias 20 e 22 de Setembro, mais uma edição da PATA Travel Mart, uma feira dedicada ao turismo que visa promover negócios e bolsas de contacto. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e Associação de Turismo da Ásia Pacífico (Pacific Asia Travel Association – PATA).

Segundo um comunicado oficial, esta edição da PATA “reunirá responsáveis pelo turismo e profissionais do sector da região Ásia-Pacífico e de todo o mundo”, tendo Helena de Senna Fernandes, directora da DST, adiantado que já foi dado início “aos vários trabalhos preparatórios” para o evento.

“A realização da PATA Travel Mart voltará a evidenciar as vantagens únicas da cidade na ligação entre o Interior da China e o mundo, trazendo excelentes oportunidades para os operadores de diversas regiões”, foi acrescentado.

Esta será a terceira vez que a PATA Travel Mart se realiza no território, depois das edições de 2010 e 2017. Fundada em 1951, a PATA é uma associação de filiação sem fins lucrativos dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável da indústria de turismo e viagens na Ásia-Pacífico. Macau é membro da PATA desde 1958.

28 Abr 2026