Literatura | Sérgio Raimundo escreve em Macau sobre piratas chineses

Sérgio Raimundo, escritor moçambicano, vai estar no território durante um mês para escrever sobre a deportação de piratas chineses para Moçambique em 1910. Trata-se de um projecto desenvolvido no âmbito da terceira edição do Programa de Apoio a Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

O escritor moçambicano Sérgio Raimundo está a realizar uma residência em Macau para preparar um livro de ficção cujo enredo parte da deportação, em 1910, de piratas chineses para o norte de Moçambique.

Em Julho de 1910, forças portuguesas atacaram a ilha de Coloane e libertaram dezenas de crianças que tinham sido raptadas por piratas de uma tríade chinesa. Oito cabecilhas foram depois condenados a 28 anos de degredo em Moçambique.

Os piratas foram deportados para a ilha de Ibo, no arquipélago das Quirimbas, para cumprirem “penas de trabalhos forçados longe das suas redes de influência”, explicou à Lusa Raimundo, que vive em Portugal desde 2020.

O escritor estará em Macau durante um mês, após ter sido um dos quatro seleccionados da terceira edição do Programa de Apoio a Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

“Eu parto de um personagem que é o principal nesse livro, que é um descendente desses piratas, mas nascido em Moçambique e que decide sair para Macau em busca das suas outras raízes”, disse Raimundo.

Coloane como pretexto

Mas o também professor, jornalista e cronista sublinhou que “não vai ser um livro histórico”, mas sim usar o episódio de Coloane “como pretexto para desenvolver vários outros assuntos”, incluindo a natureza do poder.

“Ainda vivemos uma espécie de uma madrugada colonial, ainda nos falta um amanhecer nosso, porque a estrutura de poder que temos é uma estrutura colonial”, disse o autor do livro “O colono preto saiu do guarda-fato”.

Raimundo publicou em 2023 “As ancas do camarada chefe”, um conjunto de crónicas que lhe valeram ameaças, sobretudo devido ao termo “camarada chefe”, usado para identificar as lideranças do partido no poder (Frelimo).

As palavras do escritor também foram utilizadas, como palavras de ordem, durante os protestos da juventude que se seguiram à morte em 2023 do ‘rapper’ Azagaia, um cantor de intervenção social.

Raimundo compara a deportação de piratas de Macau com o envio de “pessoas totalmente despreparadas, que só fizeram seis, sete meses de tropa” para combater a actual insurgência armada na província de Cabo Delgado.

Cabo Delgado (norte), rica em gás natural, enfrenta desde 2017 ataques de grupos associados ao Estado Islâmico, que provocaram mais de 6.600 mortos e 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.

Identidade ao barulho

Outro tema do livro será a identidade, uma questão que “todos os países falantes de português em África andam a discutir muito a questão” e algo que Raimundo já tinha abordado no romance “A Ilha dos Mulatos”.

A obra recebeu em 2019 o Prémio Literário da Imprensa Nacional Casa da Moeda Moçambique / Eugénio Lisboa, um galardão que visa homenagear o escritor moçambicano que lhe dá o nome. “Parece-me que estamos a voltar a um discurso que nos torna mais fechado, esta questão de pensar que é moçambicano quem tem uma cor da pele um pouco mais escura”, lamentou Raimundo, de 34 anos.

“Não é bem assim. Até a própria luta de libertação em Moçambique nos mostra o inverso. Tivemos dentro das fileiras dos nossos combatentes pessoas que eram de origem portuguesa”, recordou o escritor.

Esta é uma questão sem “respostas imediatas”, defende Raimundo, “principalmente num país como Moçambique e ainda mais num continente como África, onde não existe uma única identidade, são identidades”.

14 Set 2026

Guterres diz que mundo “precisa de paz” perante líderes da Rússia e do Irão

O secretário-geral da ONU sublinhou ontem a necessidade de pôr fim aos conflitos mundiais, perante os líderes da Rússia, Irão, Emirados Árabes Unidos e da China, reunidos na cimeira dos BRICS, na Índia. “De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até à Ucrânia, ao Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz”, afirmou António Guterres, durante a sua intervenção, citado pela Efe.

A sessão plenária na capital indiana, Nova Deli, a segunda e última da cimeira do bloco, juntou Guterres a líderes como o russo Vladimir Putin, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan.

As palavras de Guterres surgem após os membros terem assinado no sábado uma declaração conjunta com 140 pontos, que dedicou vários capítulos a Gaza, à Palestina e ao Líbano e mencionou expressamente Israel, mas que não incluiu qualquer referência à Ucrânia.

No seu apelo, o português defendeu a liberdade de navegação internacional, o respeito pela integridade territorial e pela independência política dos Estados ao abrigo do direito internacional.

“À medida que avançamos de forma irreversível para um mundo multipolar, os países devem trabalhar para reforçar e salvaguardar um sistema multilateral que responda às necessidades de todos”, acrescentou Guterres.

Reformas urgentes

O líder da ONU voltou a exigir uma reforma abrangente do seu Conselho de Segurança e das instituições financeiras internacionais que, no seu entender, já não reflectem a realidade do planeta, por terem sido criadas no âmbito de uma ordem hoje obsoleta.

“As realidades económicas, demográficas e geopolíticas de hoje não são as de 1945 (…). Isto exige a reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e o sistema de Bretton Woods, para reflectir o mundo actual”, acrescentou.

A propósito da adopção, este Setembro, de um novo mapa-mundo na Assembleia Geral, que corrige as distorções do tradicional mapa de Mercator, Guterres instou as instituições a “fazer o mesmo” perante uma nova realidade de poderes.

Putin e o Novo Banco

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu ontem o fortalecimento das capacidades do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, já que as necessidades de financiamento superam significativamente os volumes que actualmente a instituição financeira fornece.

“Fortalecer ainda mais o potencial do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e actualizar o seu modelo de negócio parece ser uma tarefa urgente. O banco já financiou 123 projectos no valor de quase 40.000 milhões de dólares. Isso é, sem dúvida, um bom resultado, mas as necessidades de financiamento são muito maiores”, declarou Putin durante a cimeira alargada dos membros do BRICS em Nova Deli. Segundo o líder russo, uma nova plataforma de investimento poderia ajudar a satisfazer aquelas necessidades.

14 Set 2026

Médio Oriente | Líderes pedem máxima contenção face a escalada na guerra

Os líderes dos BRICS, entre os quais o Presidente chinês Xi Jinping, pediram sábado máxima contenção perante a escalada na guerra no Médio Oriente, a manutenção do movimento do comércio e energia e rejeitaram sanções unilaterais contrárias ao direito internacional.

“Manifestamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Médio Oriente e, recordando as nossas respectivas posições nacionais, apelamos para a máxima contenção e que se evitem acções que possam agravar ainda mais a situação”, de acordo com a Declaração de Nova Deli, assinada pelos 11 líderes dos BRICS e citada pela agência de notícias espanhola EFE.

O documento, aprovado por unanimidade na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, exige também a protecção dos civis e das infraestruturas civis, assim como o respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados.

Entre os 140 pontos da Declaração de Nova Deli, os líderes dos BRICS sublinharam, ainda que sem mencionar o estreito de Ormuz, que é fundamental “manter o fluxo constante do comércio global, das cadeias de abastecimento e de energia”.

Outros dos pontos da declaração, refere-se à exigência de eliminar medidas que estes países consideram ilegais: “Condenamos a imposição de medidas coercivas unilaterais contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, incluindo, entre outras formas, sanções económicas unilaterais e secundárias, têm profundas implicações negativas para os direitos humanos”.

A aprovação deste documento pôs fim a algumas questões que estavam ainda em aberto antes da reunião de líderes, sendo o consenso o principal desafio deste encontro, uma vez que estiveram representados 11 países com posições distintas sobre os principais conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente e na Ucrânia.

14 Set 2026

BRICS | Xi dá apoio para acelerar desenvolvimento tecnológico

O Presidente da China discursou na cimeira de líderes dos BRICS em Nova Deli onde apelou ao desenvolvimento do Sul Global

O Presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu ontem o apoio da China para acelerar o desenvolvimento tecnológico e industrial dos países que fazem parte dos BRICS, com especial ênfase na Inteligência Artificial (IA).

Xi fez a proposta durante a sua intervenção na segunda e última sessão da cimeira de líderes dos BRICS deste fim de semana em Nova Deli, onde o mandatário chinês apresentou cinco iniciativas de cooperação que impulsionem o crescimento do chamado Sul Global nos campos da IA, comércio e investimento, indústria digital, manufactura inteligente e desenvolvimento de talentos, segundo a agência oficial Xinhua.

Entre as ofertas do governante da segunda maior economia do mundo, destacam-se a de ajudar os países do bloco a implementar modelos abertos de linguagem que permitam estabelecer uma zona de IA “aberta e inclusiva” para os BRICS, construir fábricas inteligentes, habilitar uma plataforma na nuvem para a indústria digital dos membros do bloco e formar jovens talentos em inovação e tecnologia avançada.

Segundo Xi, o 15.º Plano Quinquenal aprovado este ano não é apenas o roteiro do desenvolvimento da China, mas também “uma lista de oportunidades de cooperação para o mundo” com a qual o gigante asiático continuará a promover “o desenvolvimento de alta qualidade”, a abertura de alto nível, a iniciativa das Novas Rotas da Seda e “criando prosperidade juntamente com outros países do mundo”.

Unidos venceremos

Na mesma sessão, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, tinha advertido que o uso da tecnologia e dos minerais críticos como armas geopolíticas pode fraturar a coesão do bloco, em plena corrida de desenvolvimento tecnológico mundial.

Por outro lado, e como já fez no seu discurso no primeiro dia da cimeira, o líder chinês voltou a pedir ao bloco e ao Sul Global que unam forças em torno do multilateralismo, da autoridade e do papel das Nações Unidas e da reforma das instituições multilaterais para as tornar mais eficientes, incluindo a da Organização Mundial do Comércio (OMC) “na direcção certa”.

Também sustentou que os BRICS, e sobretudo as maiores economias do grupo, devem manter estáveis e sem obstáculos as cadeias de fornecimento, assim como fomentar a integração dos mercados.

“Um mundo sem regras é como um cruzamento sem semáforos onde o caos e a desordem seriam inevitáveis”, considerou Xi, que defendeu que as regras globais sejam estabelecidas com consenso comum e aplicadas com igualdade e sem duplo padrão.

Depois da Índia neste ano, a China assumirá em 2027 a presidência dos BRICS, bloco que integra Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

Esta foi a primeira viagem de Xi à Índia em sete anos, uma visita que incluiu uma reunião com Modi e que representa um novo passo na normalização das relações bilaterais iniciada em 2024.

14 Set 2026

El Niño | SMG alerta que tufões podem tornar-se mais intensos

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos avisam a população para se preparar para o impacto de supertufões ainda este ano. Devido ao El Niño, esperam-se menos tufões, mas cada vez mais intensos

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram que o fenómeno El Niño aumenta o risco de o sul da China ser atingido por tufões mais intensos ainda este ano. O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente nove a doze meses.

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau alertaram que, quando o El Niño ocorre, “o número de tempestades tropicais que entram no mar do Sul da China é, em geral, inferior ao normal, mas a sua intensidade tende a ser mais forte”.

Isto porque “as águas quentes do Oceano Pacífico equatorial acumulam-se nas regiões central e oriental do oceano”, pelo que “os locais de formação das tempestades tropicais deslocam-se para leste”, explicaram os SMG, num comunicado.

“Como as tempestades tropicais dispõem de mais tempo para se desenvolver sobre o oceano, absorvendo continuamente o vapor de água e a energia térmica oceânica, a sua intensidade costuma ser também mais forte”, sublinhou a agência. Além disso, referiram os SMG, o El Niño deverá transportar “mais ar quente e húmido para a região” do sul da China, “resultando num nível de precipitação no inverno de Macau superior ao normal”.

O mais forte

A agência recordou que, de acordo com previsões da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China, o El Niño poderá ser o “mais forte desde que há registos observacionais”.

“As previsões apontam para que a sua intensidade possa evoluir para o nível “superforte” (ultrapassando os +2,5 °C), e se mantenha até Fevereiro de 2027″, disseram os SMG. Em Maio, o director-adjunto interino da agência meteorológica de Hong Kong já tinha avisado que o fenómeno aumenta o risco de o sul da China ser atingido este ano por supertufões.

O dirigente do Observatório de Hong Kong, Choy Chun-wing, previu que a região deverá ser afectada por entre quatro e sete tempestades tropicais em 2026, menos do que as 14 registadas no ano passado. No entanto, Choy alertou que o El Niño aumenta a probabilidade de as tempestades tropicais se transformarem em supertufões.

Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do Oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e o sul da China é atingido todos os anos por dezenas dessas tempestades tropicais.

Cenário esperado

No final de Março, os SMG de Macau não excluíram a possibilidade de a região ser afectada por supertufões semelhantes ao Ragasa, a mais poderosa tempestade registada no planeta em 2025.

Segundo um estudo publicado em 2024, os tufões na região estão a formar-se mais perto da costa do que no passado, intensificando-se mais rapidamente e permanecendo mais tempo sobre terra, em consequência das alterações climáticas.

De acordo com cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo.

14 Set 2026

MUST | Investigação em ciências marinhas integra projecto da ONU

Um projecto de investigação em ciências marinhas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) foi seleccionado como projecto oficial da Década do Oceano das Nações Unidas.

A Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) lançou esta iniciativa para estimular a inovação na ciência marinha e promover o desenvolvimento sustentável dos oceanos.

De acordo com um comunicado divulgado pela MUST, os projectos reconhecidos são considerados como tendo o potencial para avançar a ciência marinha através da colaboração, inovação e soluções práticas.

A investigação vai estudar a integração entre as ciências marinhas, a sociedade e as políticas de governação, para garantir que os oceanos continuam a manter emissões negativas de carbono, refere o comunicado.

O projecto é liderado pelo Chen Mingbao, professor do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável e do Centro para o Desenvolvimento Marinho da MUST e pretende “colmatar toda a cadeia desde a investigação científica até à formulação de políticas e à acção social”.

A investigação irá ser coordenada com instituições e investigadores marinhos em países como o Brasil, Noruega, Espanha e Argentina, e colaborar com a Universidade de Xiamen, a Universidade da Ciência e Tecnologia do Sul e a Universidade Oceânica da China.

Chen Mingbao foi também recentemente seleccionado como especialista para o Processo Regular das Nações Unidas para a Elaboração de Relatórios e Avaliação Globais do Estado do Meio Marinho.

14 Set 2026

BIR | José Cesário vê “sinais positivos” da parte do Governo de Sam Hou Fai

O deputado acredita num novo regime para facilitar a aquisição de residência por cidadãos portugueses e declara haver “intenções positivas” no que diz respeito à presença portuguesa em Macau

O líder da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, considera que “há sinais positivos” que podem desbloquear a emissão do bilhete de identidade de residentes para cidadãos portugueses. As declarações foram prestadas ao canal em língua portuguesa da TDM, durante uma visita a Macau.

“Sei que há, eu diria, intenções positivas no sentido de dar garantias de que os portugueses continuam presentes em Macau. Recentemente foram nomeados dois magistrados portugueses para Macau e isso é muito importante”, afirmou o deputado do Partido Social Democrata. “O actual Chefe do Executivo é muito interessado, muito empenhado nesta relação, na presença portuguesa em Macau. Eu acho que tem havido sinais positivos e acho que poderá haver ainda mais”, frisou.

Desde 2023 que a Administração Pública de Macau acabou com o acesso preferencial de portugueses ao bilhete de identidade para residente, justificado pelo desempenho do exercício de funções técnicas especializadas.

Com as regras actuais, os portugueses que se mudem para Macau ficam abrangidos pelo regime de trabalhadores não residentes, o que impede a fixação de residência permanente e obriga a que os contratos de trabalho tenham um termo fixo, normalmente renovado a cada dois anos.

À espera da Comissão Mista

Desde as alterações legais que os políticos portugueses que visitam Macau, entre eles o primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressam o desejo da criação de um novo regime especial para os cidadãos portugueses.

Este assunto deverá ser um dos tópicos de debate entre as duas partes na próxima Reunião da Comissão Mista, um acordo de cooperação entre as duas partes.

Não há qualquer reunião plenária da Comissão Mista desde 2019, antes da pandemia, e, apesar de as duas partes fazerem promessas frequentes de um novo encontro, este tem sido adiado ano após ano.

Sobre o futuro encontro, José Cesário mostrou-se confiante: “Não tenho qualquer informação privilegiada, acabou de reunir uma subcomissão [mista de educação]. Sei que é vontade dos Governos a sua realização breve, mas não sei mais do que isso”, apontou. “Acredito que a reunião se realize em breve”, reconheceu.

José Cesário realizou uma visita a Macau, onde, como tradicionalmente acontece, visitou a sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Sobre a visita, Cesário, o também ex-secretário da Comunidades Portuguesas, afirmou servir para ouvir os portugueses. “Eu tenho sempre muita expectativa. Não venho cá apenas para debitar um discurso, venho sobretudo ouvir”, explicou. “Já tive a oportunidade de avaliar bem a importância que tem o facto de termos de fazer todos um esforço para manter a presença muito viva de Macau em Portugal e também manter a presença de Portugal aqui, em Macau”, apontou.

14 Set 2026

FSS | Mais de 377,3 milhões de patacas em contribuições

No ano passado, o Fundo de Segurança Social (FSS) arrecadou 377,385 milhões de patacas em contribuições, de acordo com os dados que constam no Relatório Anual de 2025.

A maior contribuição teve origem no regime obrigatório, ao gerar 81 por cento total, o que significou 305,86 milhões de patacas. As contribuições do regime facultativo foram de 52 milhões de patacas, correspondendo aos restantes 19 cento.

O número total de beneficiários que efectuaram contribuições fixou-se em 351.469 pessoas, representando uma ligeira redução anual de 0,1 por cento, o que significa menos 393 inscritos.

No total, 281.642 beneficiários contribuíram para o regime obrigatório e 69.827 para o regime facultativo. Os valores mensais das contribuições mantiveram-se inalterados durante o exercício, fixando-se em 90 patacas no regime obrigatório, repartidas entre 60 patacas a cargo do empregador e 30 patacas a cargo do trabalhador. No regime facultativo, a totalidade do montante de 90 patacas é assumida integralmente pelo beneficiário.

14 Set 2026

Finanças | Excedente das contas públicas dispara 26,2% até Agosto

O maior excedente deveu-se ao aumento das receitas com o jogo, até porque a despesa com apoios sociais também cresceu. O salto dos apoios ficou abaixo do previsto no orçamento

O excedente das contas públicas subiu 26,2 por cento até Agosto, em comparação com igual período de 2025, sobretudo devido ao aumento das receitas dos impostos sobre os casinos. De acordo com dados publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente foi de quase 19 mil milhões de patacas entre Janeiro e Agosto. Recorde-se que no orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas.

O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

O excedente beneficiou de um crescimento de 6,2 por cento na receita corrente, para 76,6 mil milhões de patacas. A principal razão para este aumento foi um acréscimo de 6,9 por cento, para 66,2 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representaram 85,1 por cento do total.

As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos.

Mais receitas e despesas

As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Agosto 169,1 mil milhões de patacas, um aumento de 3,7 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado.

As despesas públicas também subiram 2,2 por cento nos primeiros oito meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais. A região gastou até ao final de Agosto 58,8 mil milhões de patacas, 53,9 por cento do previsto para todo o ano.

A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 11,1 por cento, para 34,4 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro.

Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo.

Pelo contrário, os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 13,2 por cento até Agosto, para 9,54 mil milhões de patacas.

14 Set 2026

TJB | Julgamento de Au Kam San arranca quarta-feira à porta fechada

O ex-deputado Au Kam San será julgado no Tribunal Judicial de Base, com a primeira sessão de audiência marcada para quarta-feira. O Ministério Público pediu que as audiências decorram à porta fechada para prevenir “prejuízo aos interesses da segurança do Estado”

Mais de um ano depois de ter sido detido, o julgamento do ex-deputado Au Kam San vai começar na próxima quarta-feira, numa sessão que irá decorrer à porta fechada, segundo um comunicado emitido pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) na sexta-feira. Au Kam San é o primeiro arguido a ser julgado num processo relativo à segurança do Estado.

“A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indica o TJB.

Recorde-se que a Comissão de Defesa da Segurança do Estado é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central.

A defesa de Au Kam San, cidadão português, é outra questão definida pela lei da Comissão de Defesa da Segurança de Estudo. No fim da discussão em Conselho Executivo, o secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, afirmou que mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Estes advogados podem ser excluídos pelo juiz, após decisão da comissão, sem direito a recurso.

Longa espera

Au Kam San foi detido a 30 de Julho de 2025 por suspeitas de violação da Lei de Segurança Nacional, a primeira detenção por este tipo de crime desde a fundação da RAEM.

Um dia depois, a Polícia Judiciária emitiu um comunicado a alegar que Au, deputado na Assembleia Legislativa durante duas décadas, actuou em conluio “uma organização estrangeira anti-China” desde 2022, a quem forneceu “uma grande quantidade de informações imprecisas e incendiárias” para serem divulgadas fora da China e também na Internet.

Au Kam San foi também acusado de manter “ligações de longa data” com várias entidades estrangeiras anti-China e de lhes fornecer “repetidamente” informações “imprecisas” sobre Macau, assim como a órgãos de comunicação social controlados por essas entidades.

14 Set 2026

Hengqin | Elogiada reunião de Xia Baolong

Os membros do Governo elogiaram a reunião do director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, Xia Baolong, realizada em Hengqin.

Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, afirmou que a RAEM vai continuar a cooperar com as autoridades de Guangdong e Hengqin para desenvolver a integração de Hengqin e Macau. Wong considerou ainda que a palestra das autoridades do Interior vai ser o guia para esta integração que tem como referência os discursos de Xi Jinping.

Por sua vez, o director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, apontou que a construção da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin contou com o apoio do Governo Central, e que a primeira fase da obra foi concluída, também como meio de corresponder às “instruções importantes de Xia Baolong”.

Kong Chi Meng garantiu ainda que vai continuar a concretizar o espírito do discurso do Presidente Xi Jinping, que defendeu durante uma visita a Macau, em 2024, que a RAEM tem de se constituir como uma base para quadros qualificados internacionais de alto nível.

14 Set 2026

HK | Tribunal condena jornal por impedir repórter de assumir cargo sindical

A justiça de Hong Kong condenou ontem a empresa que detém o jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) por impedir uma repórter de assumir um cargo sindical, mas rejeitou a acusação de despedimento injustificado.

A ex-repórter do WSJ Selina Cheng Kar-yue, também presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla em inglês), iniciou uma acção judicial privada contra a Dow Jones Publishing Co. (Asia) Inc. após ter perdido o emprego em Julho de 2024.

O juiz David Cheung condenou a Dow Jones por impedir ou desencorajar Selina Cheng de exercer o direito de participação sindical, mas afirmou que a defesa levantou dúvidas razoáveis suficientes em relação à segunda acusação, de que a empresa rescindiu o contrato de trabalho da repórter em retaliação.

Sem apoio

Selina Cheng tinha declarado em tribunal que a sua supervisora, Deborah Ball, editora do WSJ para a Ásia, lhe disse que a candidatura à liderança da HKJA era problemática e que precisava de discutir a questão com a direcção do jornal, em Nova Iorque, e com os advogados internos da Dow Jones.

A jornalista afirmou ter sido informada, mais tarde, por e-mail, por Kerene Ko, então directora de recursos humanos da Dow Jones, de que não teria “a aprovação da empresa” para assumir o cargo de presidente da HKJA.

Numa conferência de imprensa realizada em Julho de 2024, no dia em que foi despedida, Selina Cheng disse que o WSJ lhe tinha comunicado que os funcionários do jornal não deveriam ser vistos como defensores da liberdade de imprensa “num lugar como Hong Kong”.

Em 2025, a Dow Jones declarou-se inocente das duas acusações, sendo que cada uma pode acarretar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong.

Durante o julgamento, a empresa tentou convencer o tribunal de que Selina Cheng foi despedida devido a uma redução de pessoal, numa altura em que o WSJ mudou a base asiática de Hong Kong para Singapura, e argumentou que a acusação não tinha provado que a administração do jornal tinha dado quaisquer ordens a Deborah Ball.

A defesa da Dow Jones acusou ainda a jornalista de agir de má-fé, numa outra audiência. A sentença será proferida em data posterior.

11 Set 2026

Automóveis | Exportações chinesas ultrapassam até Agosto total de 2025

As exportações chinesas de automóveis de passageiros nos primeiros oito meses do ano já superaram o total de 2025, apesar de as vendas no mercado interno continuarem em queda, indicou ontem uma associação do sector.

As exportações de automóveis de passageiros aumentaram 67,1 por cento em Agosto, face ao mesmo mês do ano anterior, para cerca de 890.000 unidades, impulsionadas pelos veículos híbridos e totalmente eléctricos, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, na sigla em inglês).

Entre Janeiro e Agosto, a China exportou mais de 6,2 milhões de automóveis de passageiros. No conjunto de 2025, o país exportou 7,1 milhões de veículos de todos os tipos, incluindo cerca de seis milhões de automóveis de passageiros, de acordo com dados da CAAM.

A China, o maior exportador mundial de automóveis, deverá registar este ano um crescimento entre 50 por cento e 70 por cento nas exportações de veículos de passageiros, segundo a agência de notação financeira S&P Global Ratings.

As exportações chinesas de automóveis têm apresentado um desempenho superior ao esperado este ano, beneficiando de preços competitivos e da qualidade dos veículos, afirmou Stephen Chan, diretor associado da S&P Global Ratings. “É provável que o forte crescimento das exportações compense em grande medida a fraqueza do mercado interno”, afirmou.

Nos últimos meses, o choque energético provocado pela guerra no Irão e a subida dos preços dos combustíveis levaram mais condutores de veículos a gasolina e gasóleo a optar por veículos eléctricos.

As elevadas taxas alfandegárias têm, na prática, mantido a maioria dos automóveis de passageiros fabricados na China fora do mercado norte-americano. Os fabricantes chineses têm, porém, aumentado as exportações e vendas para a Europa, América Latina, África e Sudeste Asiático. As marcas chinesas estão também a instalar um número crescente de fábricas no estrangeiro.

11 Set 2026

Huawei | China critica repressão dos EUA

A China manifestou-se ontem contra a “repressão e contenção” de empresas chinesas pelos Estados Unidos, após ter começado esta semana, em Nova Iorque, um processo penal contra a tecnológica Huawei.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa breve declaração durante a conferência de imprensa diária do ministério, que Pequim “apoia firmemente” as empresas chinesas na defesa dos direitos e interesses legítimos e legais.

Segundo o processo judicial, a Huawei, com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, e algumas das subsidiárias fizeram negócios na Coreia do Norte apesar das sanções norte-americanas.

A tecnológica chinesa é também acusada de ter instalado equipamentos de vigilância que ajudaram as autoridades iranianas a espiar manifestantes durante os protestos antigovernamentais de 2009. A selecção do júri começou na terça-feira e o julgamento, presidido pela juíza federal Ann Donnelly deverá prolongar-se durante cerca de três meses, de acordo com o portal norte-americano Axios.

Os advogados da Huawei tentaram que o processo fosse arquivado, argumentando que as acusações são imprecisas e que os procuradores norte-americanos procuram estender indevidamente a jurisdição dos Estados Unidos a atcividades realizadas noutros países. A Huawei enfrenta acusações de, entre outros crimes, roubo de segredos comerciais e fraude bancária.

Nos últimos anos, os Estados Unidos impuseram restrições à empresa que limitaram o acesso a ‘chips’ e outras tecnologias, levando a Huawei a reforçar a capacidade de produção de semicondutores, em linha com os esforços de Pequim para reduzir a dependência tecnológica do exterior.

11 Set 2026

“À Procura do Dramaturgo” chega ao CCM no final do mês

O pequeno auditório e bastidores do Centro Cultural de Macau (CCM) recebem, nos dias 26 e 27 de Setembro, quatro sessões do espectáculo “À Procura do Dramaturgo”, uma obra encomendada pelo Instituto Cultural (IC) no âmbito do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas”.

Trata-se de um projecto concebido pelo PO Art Studio e encenado por Leong Son U, numa “produção interactiva envolve o público no teatro, permitindo-lhe participar em primeira mão e até influenciar o enredo — conduzindo a um final imprevisível”, descreve o IC numa nota. Os bilhetes estão à venda desde as 12h de ontem na bilheteira “Enjoy Macao”.

“Inspirando-se em ecos de produções passadas, a companhia olha para trás, para um espaço prestes a sofrer uma transformação fictícia, recorrendo ao público para obter a sua avaliação”. Assim, revela a sinopse, “nesta atmosfera, o elenco e a plateia procuram vestígios incorporados em obras-primas clássicas, reunindo fragmentos literários e revelando o que um dramaturgo deixou para trás — analisando tanto o texto como as condições que o moldam”.

O PO Art Studio é reconhecido pelo “estilo eclético e em constante evolução”, sendo que as mais recentes produções “deixaram boas indicações tanto junto do público como da crítica”.

Por sua vez, Leong Son U, formado pelo Conservatório de Macau, conquistou o Prémio de Prata na categoria de Design de Iluminação no World Stage Design 2025, em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Foi o primeiro designer de iluminação local a ser distinguido neste concurso internacional, pelo trabalho na peça “Nove Paisagens Sonoras”. Actualmente, Leong dedica-se ao teatro a tempo inteiro, tendo criado e encenado inúmeras produções.

Sessão especial

Além dos quatro espectáculos agendados, realiza-se no dia 27 de Setembro, às 16h45, a “Sessão de Apresentação do Programa Local” no CCM, com o objectivo de “ajudar o sector das artes performativas de Macau a explorar oportunidades de cooperação para obras originais”.

As inscrições para esta sessão já estão abertas, podendo participar associações ou companhias locais ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que possuam o Bilhete de Identidade de Residente de Macau. A sessão será conduzida em mandarim, sem tradução, e cada apresentação terá a duração máxima de 5 minutos.

11 Set 2026

ACERT | Companhia portuguesa traz teatro a Macau

A Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) faz 50 anos e acaba de estabelecer relações mais próximas com Macau e Guiné-Bissau, dois territórios que passam a integrar a história de parcerias entre comunidades. A ACERT promete trazer ao território, em Outubro, os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”

Foto: Daniel Nunes

Macau e Guiné-Bissau vão passar a integrar a história de encontros e relações entre comunidades da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), que está a comemorar 50 anos de vida.

Em Outubro e Novembro, a companhia Trigo Limpo Teatro ACERT fará digressões internacionais a Macau e à Guiné-Bissau, levando os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”, num final de ano que será também preenchido por três dezenas de espectáculos e outras iniciativas.

“Estes são os espectáculos mais portáteis e que trabalham a nossa memória de Tondela e a nossa memória portuguesa e para nós é importante mostrá-los”, explicou a actriz Ilda Teixeira, durante a apresentação da programação para a última temporada do ano.

Segundo a actriz, em Macau, de 12 a 25 de Outubro, os dois espectáculos serão apresentados em escolas (entre elas a Escola Portuguesa de Macau) e no Centro Cultural de Macau, haverá encontros com vários grupos locais e momentos de formação teatral e musical.

De 24 de Novembro a 1 de Dezembro, a equipa da ACERT estará na Guiné-Bissau para participar no festival de teatro “Djintis”, promovido pelo Ur-GENTE — Centro de Formação em Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau, que é financiado pela organização não-governamental Vida.

“É um grupo muito recente. Querem receber formação e saber das experiências que outros grupos de teatro têm nos seus países de origem”, contou Ilda Teixeira. A actriz avançou que a ideia é dar continuidade a esta ligação com a Ur-GENTE, com a coprodução de um espectáculo de teatro em 2030, que trará actores da Guiné-Bissau até Tondela, no distrito de Viseu.

Ligação à lusofonia

O Trigo Limpo já apresentou espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo, Bélgica, Grécia e Alemanha.

Entre Setembro e Dezembro, a associação de Tondela convida o público para 12 propostas de teatro, música, circo, cinema e artes visuais, às quais que se junta o programa do Festival Internacional de Teatro da ACERT (FINTA), com os seus 17 espectáculos de companhias de cinco países (a apresentar posteriormente).

Apesar da digressão nacional intensa, com apresentações em Tomar, Montemuro, Caldas da Rainha, Seia, Santa Comba Dão, Coimbra, Vila Real, Covilhã, Viseu, Águeda e Guarda, para Tondela o Trigo Limpo está a preparar a estreia, na sexta-feira, do espectáculo “Voar no tempo”, uma produção que conta com a companhia espanhola/argentina Voalá e com a Orquestra Smooth.

O espectáculo de teatro musical foi criado especialmente para a abertura da Feira Industrial e Comercial de Tondela (FICTON) e para celebrar os 50 anos da ACERT, com o apoio do município.

No Parque Urbano de Tondela irão juntar-se teatro, bailado aéreo e pirotecnia, durante o espectáculo que também conta com a participação do Ensemble de Cordas do Conservatório de Música e Artes do Dão, da Filarmónica Tondelense, do Coral Polifónico da Casa do Povo de Tondela e de artistas locais.

O director artístico da ACERT José Rui Martins explicou que o objectivo foi “haver uma única equipa a trabalhar no mesmo sentido” no processo de criação. “É um espectáculo cuja dramaturgia, e também a parte musical, incide sobretudo nas ansiedades locais, ou seja, no grande amor pela terra, pelo nosso chão”, frisou o responsável, acrescentando que “é uma dramaturgia extraordinariamente acessível”.

A ópera para bebés “A Casinha de Chocolate”, da Associação Setúbal Voz, o café-concerto “Livre|Mente”, de Ariana Neves, o espectáculo de teatro-circo “Pharol 54”, de Thorsten Grütjen (Tosta Mista/Caracol Cultural), “Black Box – Uma Saga Familiar”, de Hugo Torres, e “Partida, Lagarta, Fugida!”, de Catarina Caetano, são outras propostas até ao final do ano.

11 Set 2026

HK / Incêndio | Acusadas duas empresas e quatro pessoas

A tragédia que atingiu as torres residenciais em Tai Po causando mais de 160 mortos continua a ser investigada. Conclusões deverão ser apresentadas em Outubro

O Governo de Hong Kong acusou duas empresas e quatro pessoas de usarem materiais não-retardantes e violarem normas de segurança nas obras de reparação que causaram o pior incêndio registado na cidade desde 1948.

O Departamento de Edifícios apresentou na quarta-feira 259 acusações contra o empreiteiro principal das obras, Prestige Construction & Engineering, e a consultora Will Power Architects, assim como contra um inspector e três directores das duas empresas.

Os quatro, juntamente com outras três pessoas, já tinham sido, em 10 de Junho, acusados de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

As autoridades sublinharam que foram também removidas janelas resistentes ao fogo ao longo das escadas de emergência para criar aberturas de acesso temporárias, permitindo que o fumo e o fogo invadissem os sete edifícios do complexo de Wang Fuk.

Também na quarta-feira, o Departamento do Trabalho apresentou 25 acusações contra a Prestige Construction & Engineering, a Power Architects e uma pessoa devido à morte de cinco trabalhadores do empreiteiro durante o incêndio. A lei da região semiautónoma chinesa prevê que a negligência na execução de obras pode ser punida com uma multa de até 500 mil dólares de Hong Kong e uma pena máxima de 18 meses de prisão.

O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro e se prolongou por mais de 44 horas, matou 168 pessoas no complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas.

Em Dezembro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou um comité independente de investigação, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”.

Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. Em 18 de Agosto, o comité liderado por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final.

O comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

11 Set 2026

Importações africanas de motociclos eléctricos chineses disparam

As importações africanas de motociclos e veículos eléctricos de três rodas provenientes da China aumentaram fortemente no primeiro semestre de 2026, uma evolução que evidencia diferenças na transição para a mobilidade eléctrica no continente.

Os veículos de duas e três rodas representam uma parcela significativa dos veículos que circulam nas estradas africanas e são amplamente utilizados para fins comerciais. A substituição dos motores a gasolina e gasóleo por eléctricos poderá, assim, reduzir o consumo de combustíveis e a poluição atmosférica nas cidades.

Países do Norte de África como Marrocos, Egipto e Argélia lideraram o aumento de 60 por cento das importações africanas, que atingiram 114,6 milhões de dólares no primeiro semestre. A região tornou-se um importante destino para ‘scooters’ eléctricas chinesas totalmente montadas.

Os investimentos em empresas emergentes de veículos eléctricos estão, por outro lado, concentrados na África Oriental e Central, onde várias empresas estão a construir unidades locais de montagem, redes de troca de baterias e estruturas destinadas ao mercado de motociclos comerciais.

Marrocos liderou as importações no primeiro semestre, com 80.188 unidades, no valor de 21,7 milhões de dólares, seguido pelo Egipto e pela Argélia.

Mudanças em curso

A Spiro, maior empresa africana de motociclos eléctricos, captou mais de 348 milhões de dólares em investimentos no último ano, enquanto outras empresas estão a investir na montagem local e em redes de troca e carregamento de baterias destinadas aos mercados de mototáxis e entregas.

Tom Courtright, investigador não residente do African Tech Futures Lab, um centro de investigação dedicado às tecnologias emergentes em África, explicou que fabricantes chineses fornecem muitos dos motociclos eléctricos utilizados na África Oriental e Ocidental, mas empresas locais adaptam-nos às necessidades comerciais e gerem as infraestruturas energéticas.

A troca de baterias permite aos condutores substituir uma bateria descarregada em vez de esperar pelo carregamento do veículo, tornando o sistema mais adequado para quem depende dos motociclos para obter o rendimento diário.

Courtright considerou que os motociclos eléctricos deverão sobretudo substituir modelos a gasolina, em vez de expandirem significativamente o mercado total, embora os menores custos de utilização e manutenção possam aumentar a procura em cerca de 20 por cento.

11 Set 2026

MPay | PJ alerta para nova burla

A Polícia Judiciária (PJ) alertou ontem a população para uma nova burla por SMS, em que os criminosos se fazem passar por representantes da plataforma de pagamentos electrónicos MPay.

Segundo um comunicado, os burlões enviam SMS às pessoas a afirmar que o endereço IP associado à conta de MPay tem um problema, pelo que os utilizadores precisam de actualizar as informações com os dados pessoais.

A mensagem indica igualmente que se os dados não forem actualizados a conta pode ser classificada como de risco. No formulário com os dados pessoais, indicado através de uma hiperligação, é pedido aos residentes que revelem a palavra-passe, a palavra-passe de transacção e o código de verificação.

Os dados são depois utilizados pelos burlões para controlar a conta das vítimas e fazerem transacções de grande valor sem autorização. Entre 4 e 9 de Setembro, a PJ recebeu 14 denúncias de residentes burlados. As perdas totais atingiram 93 mil patacas, com os casos individuais a variarem entre 190 e 14 mil patacas.

11 Set 2026

ARTM | Vida saudável promovida em torneio de basquetebol

A Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) organiza no sábado e domingo um torneio de basquetebol, ao abrigo do Projecto Be Cool. Segundo um comunicado emitido pela ARTM, a iniciativa foi concebida para promover um estilo de vida saudável entre adolescentes e melhorar as suas competências sociais e pessoais.

“Para além da actividade física, o evento reforça a resiliência emocional, promove o controlo dos impulsos e fomenta um sentimento de pertença, factores que funcionam como elementos protectores contra comportamentos de risco”, completa a associação.

O torneio, que terá lugar na Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, arranca amanhã às 14h depois da cerimónia de abertura, com os jogos a terminarem às 18h. No domingo, a bola começa a rolar às 10h, com os jogos finais marcados para as 15h30, seguidos da entrega de prémios aos vencedores.

11 Set 2026

Língua portuguesa | Macau e Portugal retomam diálogo sete anos depois

A presidente do Instituto Camões (IC) destacou que a reunião de ontem da Subcomissão Mista de Língua Portuguesa e Educação marca a retoma do diálogo entre Portugal e Macau, após sete anos de interregno.

“Foi um momento muito significativo, é a revitalização, a retoma de um diálogo que não acontecia desde 2019”, sublinhou Florbela Paraíba, num evento realizado no consulado-geral de Portugal no território.

A Comissão Mista Portugal-Macau não se reúne desde antes da pandemia, “um interregno maior” que Paraíba justifica não apenas com a covid-19, mas também com várias mudanças nos governos de Portugal e da região chinesa.

A presidente do IC sublinhou que, desde que Macau voltou a abrir as fronteiras, no início de 2023, houve “importantes momentos de visitas bilaterais que fortaleceram a relação” com Portugal. Mas a diplomata disse que os dois lados reconheceram a existência de “pontos onde há muito a fazer”, dando como exemplo o reforço da formação contínua e maior investimento em tradutores e intérpretes.

Paraíba apontou como meta “revitalizar a rede de geminações” entre escolas de Macau e de Portugal, que disse ser “muito importante”, também para a região chinesa, onde o português é língua oficial, mas o cantonês é dominante.

A presidente do IC defendeu ainda mais parcerias e intercâmbios e estágios, tanto para “um maior acesso ao ensino do mandarim em Portugal” como para dar mais oportunidades a alunos de Macau que queiram estudar português. O território chinês “tem todas as condições” para apostar num “bilinguismo efectivo” e assim “transformar um legado histórico em oportunidades concretizadas”, sublinhou a diplomata.

Dominar a língua portuguesa representa para os residentes de Macau uma vantagem, disse Paraíba, tendo em conta o papel que a China atribuiu à cidade, de plataforma de serviços económicos e comerciais com os mercados lusófonos.

Mista adiada

No mesmo evento, o cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, disse esperar que a reunião de ontem sirva de “antecâmara para a desejada reunião da Comissão Mista que esperemos se realize daqui a pouco tempo”.

Em Setembro de 2025, o primeiro-ministro português Luís Montenegro disse, durante uma visita à região chinesa, que a Comissão Mista Portugal-Macau iria reunir-se em Fevereiro, algo que não chegou a acontecer. Montenegro e o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, voltaram a encontrar-se em Abril passado, em Lisboa, mas da visita não saíram quaisquer novidades sobre a retoma da Comissão Mista.

Em 10 de Junho, durante a cerimónia do Dia de Portugal, Sam Hou Fai anunciou que espera realizar este ano, em Macau, a 7.ª reunião da Comissão Mista e garantiu que a região fará “todos os preparativos necessários” para o encontro.

10 Set 2026

Sudeste asiático | Países reforçam acção contra a tuberculose

Os países da região do sudeste asiático da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunidos em Díli, comprometeram-se ontem a reforçar a acção para eliminar a tuberculose, que afecta mais de quatro milhões de pessoas nesta zona do mundo.

“A tuberculose pode ser tratada e prevenida, mas continua a tirar, todos os anos, centenas de milhares de vidas na nossa região e a empurrar famílias para a pobreza”, afirmou o responsável interino da OMS para a região do sudeste asiático, Nilesh Buddha.

O acordo foi decidido durante a 79.ª sessão do comité regional da OMS para o Sudeste Asiático, que decorre até hoje em Díli, capital de Timor-Leste.

“Temos as ferramentas para mudar esta trajectória. O que precisamos é de garantir que essas ferramentas cheguem a todas as pessoas que necessitam, de forma mais precoce, equitativa e integrada em cuidados primários de saúde de qualidade”, salientou o responsável da organização das Nações Unidas.

Dados da OMS, indicam que a região do sudeste asiático foi responsável por 34 por cento dos novos casos de tuberculose no mundo em 2024. Em 2024, foram registados 3,68 milhões de novos casos e 433 mil mortes.

Na sessão do comité, os países concordaram reforçar a detecção precoce e completa dos casos de tuberculose através dos serviços de saúde, do rastreio sistemático e da procura activas de casos entre as populações de alto risco e de grupos com menos acesso aos serviços de saúde e a introdução da vacina.

Segundo a OMS, a introdução da vacina contra a tuberculose em 2028 poderá evitar cerca de 1,45 milhões de novos casos e evitar 300 mil mortes até 2030.

No Relatório Global da Tuberculose de 2024 da OMS indica-se que Timor-Leste registou 6.171 casos em 2023, o que reflecte o impacto do reforço da vigilância epidemiológica, o que permitiu reduzir em 55 por cento o número de mortes relacionados com a doença.

10 Set 2026

Timor-Leste em negociações da fronteira marítima com Indonésia

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a quinta ronda de negociações sobre a delimitação da fronteira marítima com a Indonésia será realizada em Singapura.

“Relativamente à fronteira marítima, seguimos o direito internacional. Eles [Indonésia] pediram para concluir o processo em Dezembro. Nós voltaremos a analisar a questão e eles solicitaram que as negociações decorram em Singapura. Estamos à espera de chegar a Singapura para avaliar melhor a situação”, afirmou Xanana Gusmão.

O líder timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, após regressar da Indonésia, onde decorreu na semana passada quarta ronda de negociações. Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, divulgado na semana passada, indicava que a quinta ronda de negociações estava marcada para Díli.

A delimitação da fronteira marítima com a Indonésia é uma prioridade nacional para Timor-Leste para completar a definição permanente das suas fronteiras marítimas, após ter alcançado em Março de 2018 um acordo com a Austrália.

Com a Indonésia estão em discussão quatro segmentos marítimos, nomeadamente no sul, no Mar de Timor, nas partes oeste e leste, e no norte, junto ao enclave de Oecusse, que apresenta questões específicas por estar totalmente rodeado pelo território da Indonésia.

As negociações incluem também dois troços marítimos na zona norte de Timor-Leste, nomeadamente nas águas entre Batugade e a ilha de Ataúro, bem como através do Estreito de Wetar até à ilha de Jaco.

“Por vezes queremos avançar rapidamente, mas a fronteira marítima não é uma questão simples. É por isso que continuamos as discussões, procurando compreender os fundamentos de cada lado e apresentando também os nossos argumentos”, afirmou Xanana Gusmão.

Por terra

Paralelamente às negociações sobre a fronteira marítima, Timor-Leste e Indonésia continuam também as negociações relativas à fronteira terrestre, com especial atenção à área de Citrana-Naktuka, no enclave de Oecusse.

“Sobre a fronteira terrestre, nós ainda não concordamos em alguns pontos e eles também não concordam em outros. Por isso, ainda não foi assinado nenhum acordo”, declarou Xanana Gusmão. Mas, o primeiro-ministro salientou que Timor-Leste prefere seguir os acordos históricos estabelecidos entre Portugal e a Holanda. As fronteiras terrestres também deverão voltar à mesa das negociações em Dezembro.

10 Set 2026

Peru | Pequim responde a Rubio e defende transparência dos investimentos

O Governo chinês afirma que todos os investimentos realizados no país sul-americano são transparentes e cumprem as leis locais

A China defendeu ontem que os investimentos no Peru são “transparentes” e respeitam a legislação local, após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusado projectos apoiados por Pequim de ameaçarem a transparência e segurança dos dados.

A missão diplomática chinesa reagiu a um artigo de opinião de Rubio publicado no mesmo dia no jornal peruano El Comercio, no qual afirmou que “os projectos apoiados pelo Partido Comunista Chinês ignoram os quadros jurídicos do Peru e ameaçam a transparência e a segurança dos dados”.

O secretário de Estado da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, referia-se ao litígio iniciado contra o Estado peruano pela transportadora marítima estatal chinesa Cosco, proprietária do porto de Chancay, construído no Peru com um investimento de 1,3 mil milhões de dólares.

A empresa pretende ficar excluída da supervisão e controlo das tarifas, argumentando que se trata de um porto privado e não de uma concessão estatal.

A embaixada chinesa em Lima afirmou através das redes sociais que o investimento da China no Peru “é transparente e está em conformidade com a lei”, com uma carteira de 30 mil milhões de dólares que, segundo a representação diplomática, “traz oportunidades de desenvolvimento, emprego, receitas fiscais, excedente comercial e reservas internacionais, sem gerar um único cêntimo de dívida”.

“Os investimentos e as operações de todos os países no Peru devem estar sob a jurisdição do Estado peruano. Em particular, se as vendas recentes geraram níveis significativos de endividamento para o Peru, deveriam estar sujeitas ao mesmo padrão de transparência”, sustentou a embaixada.

Parceiros de longa data

A missão diplomática destacou ainda que “a China se mantém há 12 anos consecutivos como o maior parceiro comercial do Peru e o Peru é o terceiro maior país exportador da América Latina para a China”, acrescentando que “a cooperação comercial bilateral assenta no princípio do benefício mútuo e dos ganhos partilhados”.

Segundo a embaixada, o excedente comercial acumulado pelo Peru nas trocas com a China atingiu 52 mil milhões de dólares desde a entrada em vigor, em 2010, do acordo de comércio livre entre os dois países, citando dados do Ministério do Comércio Externo e Turismo peruano.

“Espera-se que o Protocolo de Atualização do Acordo de Comércio Livre China-Peru entre em vigor em breve. O mercado chinês abre as portas aos produtos peruanos que cumprem os requisitos”, acrescentou.

Sobre a política migratória, a embaixada lembrou que “os cidadãos peruanos com passaportes comuns podem visitar a China sem visto e permanecer durante 30 dias” para fins de comércio, turismo, visitas familiares, intercâmbios ou trânsito.

“A China abre as portas e recebe o povo peruano de braços abertos. Então, por que razão os peruanos, ao solicitarem um visto para determinado país, têm de se submeter a controlos rigorosos e até enfrentar ameaças de cancelamento dos vistos de toda a família?”, questionou a missão diplomática, numa referência aos Estados Unidos.

Rubio chegou ontem a Lima e reúne-se hoje com a Presidente peruana, Keiko Fujimori, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Espá, no âmbito de uma visita que inclui também Colômbia e Equador, entre 08 e 10 de Setembro.

10 Set 2026