Hoje Macau China / ÁsiaChina acusa EUA de pressionarem América Latina a afastar tecnológicas chinesas A China acusou ontem os EUA de pressionarem países da América Latina e das Caraíbas a substituírem fornecedores tecnológicos chineses, após Washington ter alertado para alegados riscos de espionagem e ciberataques associados a empresas chinesas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian classificou, em conferência de imprensa, os avisos norte-americanos como “flagrante intimidação tecnológica” e afirmou que estes “fabricam factos e distorcem a realidade”. Lin instou Washington a “deixar de interferir no direito dos países soberanos de escolherem de forma independente os parceiros de cooperação” e a pôr fim ao que classificou como “manipulação política”. As declarações surgiram em resposta a uma mensagem divulgada na semana passada por Juan Pablo Segura, responsável pelos Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano, na qual apontou empresas como Huawei, ZTE, Hikvision, Hytera, Dahua e DJI. Segura afirmou que a legislação chinesa obriga estes fornecedores a cooperar com os serviços de informações de Pequim e alertou que as respectivas tecnologias representam riscos de espionagem, ciberataques e interrupções de redes, alegações rejeitadas pela China. O responsável norte-americano instou ainda os parceiros de Washington nas Américas “a mudarem rapidamente” para fornecedores considerados de confiança, de forma a protegerem os cidadãos e a soberania, numa mensagem posteriormente reproduzida por representações diplomáticas dos Estados Unidos na região. Práticas suspeitas Lin defendeu que as empresas tecnológicas chinesas cumprem as leis e regulamentos dos países onde operam e afirmou que os seus serviços têm contribuído para o desenvolvimento económico e a criação de emprego nos mercados latino-americanos. O porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de terem realizado, durante anos, actividades de vigilância e ciberataques na América Latina e nas Caraíbas, sem apresentar provas durante a conferência de imprensa que sustentassem a acusação. A disputa já motivou, durante o fim de semana, uma resposta da Embaixada da China na República Dominicana, depois de a representação diplomática norte-americana no país ter divulgado os avisos de Segura sobre as empresas chinesas.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina | Casas em leilão aumentam quase 24 por cento O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7 por cento nos primeiros sete meses do ano, pressionando ainda mais os preços da habitação e expondo o impacto da crise imobiliária sobre famílias endividadas. Segundo dados difundidos na sexta-feira pelo China Index Academy, instituto de investigação do sector imobiliário, 539 mil imóveis foram colocados em leilão por ordem judicial em 355 cidades chinesas entre Janeiro e Julho. O aumento da oferta fez cair em 9 por cento, em termos homólogos, os preços alcançados, numa altura em que tribunais e gestores de activos procuram vender casas confiscadas a proprietários que deixaram de pagar os empréstimos. Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador, a preços, em média, cerca de 30 por cento inferiores aos de propriedades comparáveis no mercado de casas usadas. Os descontos estão a afetar as expectativas no restante mercado, ao reforçarem, entre potenciais compradores, a percepção de que os preços ainda podem cair mais. A procura concentra-se, por isso, em casas bem localizadas, nas maiores cidades, próximas de escolas e com boas ligações de transportes, enquanto imóveis antigos, periféricos ou rurais continuam a ter dificuldade em encontrar comprador. “As transações de imóveis em leilão judicial aumentaram 42,7 por cento em termos homólogos nos primeiros sete meses de 2026, o que parece impressionante. Mas isto parece reflectir mais o recurso a cortes de preços pelos vendedores para escoar uma crescente oferta acumulada do que uma súbita recuperação da confiança dos compradores no mercado imobiliário”, indicou a colunista especializada no sector Jiang Xiaorong, num artigo publicado na plataforma Baidu Baijiahao. A crise de liquidez está a atingir também famílias que querem trocar de casa, mas não conseguem vender a atual. Lista negra Em Abril, oito milhões de pessoas estavam oficialmente registadas na China como incumpridoras após deixarem de pagar empréstimos à habitação, segundo outro comentador chinês, que escreve sob o pseudónimo Property Observer. Cerca de 60 por cento tinham menos de 35 anos e aproximadamente 45 por cento das famílias que deixaram de pagar os empréstimos tinham sofrido perdas de emprego, sobretudo em sectores como restauração, imobiliário e ensino privado. O mercado apresenta, contudo, fortes diferenças regionais. Entre Janeiro e Julho, foram colocadas em leilão 245 mil propriedades residenciais, das quais 89 mil encontraram comprador, equivalente a uma taxa de venda de 36,2 por cento. Em média, os imóveis leiloados foram vendidos este ano por cerca de 73 por cento do respectivo valor de avaliação. Quando uma casa não encontra comprador na primeira tentativa, o preço inicial de uma segunda ronda pode ser reduzido em até 20 por cento. A pressão estende-se ao mercado de segunda mão. Em Julho, os preços caíram 3,7 por cento em termos homólogos nas quatro maiores cidades, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. O investimento no desenvolvimento imobiliário recuou entretanto 19,2 por cento, em termos homólogos, nos primeiros sete meses, para 4,3 biliões de yuan, à medida que as promotoras reduziram novos projectos perante o prolongamento da crise.
Hoje Macau Manchete SociedadeIAM | Macau não importou couves com formaldeído Depois do caso de repolhos chineses oriundos da província de Hebei que foram molhados com formaldeído, uma substância nociva para a saúde, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) confirmou que Macau não importou vegetais desta zona. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, foram feitos testes aos repolhos importados da China, não tendo sido registados níveis de toxicidade ou outros dados fora da normalidade, tendo em conta as inspecções realizadas entre Janeiro e Agosto. O organismo explica ainda que os repolhos foram importados, essencialmente, da Região Autónoma Guangxi, na província de Hunan; e da Região Autónoma Ninxia, pelo que não entraram no mercado repolhos de Hebei. O IAM prometeu manter uma comunicação estreita com as autoridades sanitárias do país, reforçando a inspecção dos legumes importados para a RAEM. Inspecções na China A China ordenou inspecções especiais a couves e outros produtos hortícolas perecíveis em todo o país, após um caso de utilização ilegal de formaldeído para conservar produtos durante o transporte ter desencadeado nova polémica sobre segurança alimentar. O Gabinete de Segurança Alimentar do Conselho de Estado (o Executivo chinês), o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e a Administração Estatal para a Regulação do Mercado anunciaram conjuntamente que pediram às autoridades locais a realização de controlos específicos e o rastreio dos produtos afectados, para impedir que cheguem ao mercado. A medida foi adoptada depois de as autoridades do condado de Kangbao, pertencente à cidade de Zhangjiakou, no norte da China, terem confirmado a autenticidade de vídeos divulgados na Internet que denunciavam que algumas couves eram mergulhadas numa solução de formaldeído. Segundo a investigação preliminar, a prática foi realizada ilegalmente por compradores grossistas dos produtos hortícolas durante o processo de carregamento, para prolongar a conservação durante o transporte. Os três organismos centrais garantiram que qualquer infracção detectada será punida “de forma firme” e que as inspecções vão abranger diferentes regiões do país. O formaldeído pode ser prejudicial para a saúde: a exposição à substância pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, enquanto a ingestão aguda de soluções que a contenham tem sido associada a efeitos graves, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
Hoje Macau PolíticaEmprego | Cinco sessões com 400 vagas a 2, 10 e 11 de Setembro A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vão organizar cinco feiras de emprego com cerca de 400 vagas. As cinco sessões de emparelhamento contam com nove empresas participantes, que operam nos sectores da lotaria, transportes turísticos e públicos, segurança e limpeza, hotelaria e comércio a retalho, com a oferta de emprego para as funções de: “chefe de turno de recepção, supervisor de andares, empregado administrativo e de contabilidade, analista de dados, motorista, chefe de estação/paragem, ajudante de farmácia, farmacêutico, guarda de segurança e trabalhador de limpeza”. Durante a sessão dedicada a reforçar os recursos humanos da SLOT, serão disponibilizadas 24 vagas, enquanto na sessão de recrutamento da TRANSMAC e AA Turismo haverá 39 ofertas de emprego. Porém, a larga maioria das vagas (299) serão para as sessões de recrutamento da Companhia de Serviços de Segurança Winnerway, Serviços de Limpeza East Sun e Securitas Serviços de Segurança.
Hoje Macau Manchete PolíticaLavagem de dinheiro | RAEM e São Tomé e Príncipe vão assinar acordo Macau e São Tomé e Príncipe vão assinar um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. O memorando de entendimento será assinado entre os Serviços de Polícia Unitários e a Unidade de Informação Financeira do país africano De acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial, o protocolo envolve a troca de “informações financeiras” para o combate ao branqueamento de capitais, “crimes subjacentes associados”, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça. O memorando de entendimento será assinado com a Unidade de Informação Financeira da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Segundo o despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 17 de Fevereiro, o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, pode delegar esta missão ao comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Leong Man Cheong. O Gabinete de Informação de Macau (GIF), responsável pelo combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça, está sob a tutela dos SPU. Recorde-se que em Março de 2022, um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial. Segundo o relatório anual do GIF, Macau tornou-se em 2019 o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa. Em Maio de 2025, Macau assinou também com Angola um acordo para trocar informações, de forma a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo ou à proliferação de armas de destruição maciça. O GIF de Macau assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde. Carnaval do consumo O número de transações suspeitas registadas nos casinos subiu 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais do GIF. As seis operadoras de casinos em Macau submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo entre Janeiro e Junho. No final de Maio, o Governo anunciou também que a Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) iria assinar acordos de cooperação com as entidades homólogas de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde. Duas semanas depois, a DSPDP indicou que os acordos irão aperfeiçoar “a cadeia de cooperação entre a China e os países lusófonos nas áreas de segurança de dados e de protecção da privacidade pessoal”.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão diz que países que apoiem “guerra económica” dos EUA serão considerados inimigos O Irão anunciou sábado que todos os países que participem na “imposição de restrições económicas” serão considerados inimigos do país, na sequência da guerra económica anunciada pelos Estados Unidos. “Declaramos a todos os países à nossa volta e a todos os países do mundo: não se juntem à guerra económica liderada pelos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, na televisão estatal. “Qualquer país que participe na imposição de restrições económicas” contra o Irão será “considerado um inimigo”, afirmou. “Ainda não atacámos nenhum interesse económico norte-americano (…). Até agora, apenas visámos bases militares, mas se quiserem impor-nos sanções económicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e económicas na região do Irão e noutros locais, e iremos atacá-las”, prosseguiu Rezai. Se o Presidente norte-americano “tomar medidas [contra o Irão], o nosso confronto será como um terramoto”, ameaçou ainda. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “terrorismo económico”, após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter prometido que Washington iria “derrubar o regime” iraniano com as novas sanções. Na quarta-feira, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a “operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”. Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas. A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington. “Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime”, disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo”, reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana. China ao barulho Bessent apelou também à China para que “se alinhe” caso deseje “ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem”. Já na sexta-feira, a China respondeu opondo-se à “guerra económica” declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as “sanções unilaterais ilegais” e as pressões de Washington não são a solução para o problema. “As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa. Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler. Além da China, entre os países que mantêm laços económicos com Teerão contam-se os Emirados Árabes Unidos, que suspenderam esta semana todas as transacções com a República Islâmica, mas também a Turquia, a Rússia, Iraque, Índia e a Alemanha. As exportações alemãs para o Irão atingiram 870,5 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2025, segundo o Gabinete Federal de Estatística alemão (Destatis).
Hoje Macau China / ÁsiaSismo | Número de feridos em Tóquio sobre para 37 O número de feridos causados por um sismo de magnitude 5,9 que atingiu ontem a região de Tóquio subiu para 37, informaram as autoridades nipónicas. O abalo foi suficientemente forte para causar intensas oscilações na capital e arredores, accionando os sistemas de alerta que difundiram mensagens e sirenes nas ruas. De acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o sismo ocorreu às 02h00 locais na parte sul da província de Ibaraki, a 68 quilómetros de profundidade, sem risco de tsunami. Entre os feridos, está uma idosa de Yokohama que caiu ao sair da cama, fraturando a anca. Em Saitama, a norte de Tóquio, um edifício sofreu danos ligeiros, sem registo de colapsos estruturais. O tráfego ferroviário regional foi perturbado durante a manhã, informou a operadora East Japan Railroad Co, com atrasos nos comboios expresso que servem Tóquio e no Aeroporto de Narita, bem como noutros comboios locais que servem as regiões nordeste, mas os comboios de alta velocidade Shinkansen estavam a operar normalmente. A JMA alertou para risco acrescido de deslizamentos de terra, já que os solos se encontram fragilizados após chuvas torrenciais no sábado, e avisou ainda para a possibilidade de réplicas fortes nos próximos dias. Estado de alerta O Governo nipónico criou uma ‘task-force’ para avaliar a extensão dos possíveis danos, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, na rede social X. O tremor accionou alertas de emergência nos telemóveis e também foi sentido em Tóquio de forma significativa, mas a emissora televisiva pública NHK mostrou que o tráfego nas estradas de cidades próximas, incluindo Mito e Saitama, aparentemente circulava com normalidade. Não houve relatos de anomalias em cerca de uma dúzia de centrais nucleares e outras instalações que lidam com materiais nucleares, disse a Autoridade de Regulação Nuclear. No mês passado, um sismo de magnitude 7,1 atingiu a zona de Kumamoto, na ilha mais a sul do Japão, Kyushu, matando 38 pessoas e ferindo 364, e destruiu mais de 1.500 edifícios e danificou quase outros 20.000.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul restaura estação ferroviária na fronteira com o Norte como gesto de reconciliação Perto da fronteira fortemente vigiada que divide a península coreana há mais de sete décadas, a renovação da antiga estação ferroviária de Woljeongri é apresentada como símbolo das esperanças sul-coreanas de reconciliação com a Coreia do Norte. Mas o projecto do Governo sul-coreano de reconectar ao sistema ferroviário a estação mais setentrional da Coreia do Sul surge num momento delicado: Pyongyang ignora a mão estendida de Seul, enquanto Washington, aliado-chave da segurança sulcoreana, conduz uma política unilateral de abertura ao Norte. Desde que assumiu funções em Junho do ano passado, o presidente sulcoreano Lee Jae Myung enviou sinais conciliatórios a Pyongyang, recebidos com frieza. Entretanto, o Presidente noerte-americano, Donald Trump, decidiu encurtar abruptamente as manobras conjuntas com a Coreia do Sul, considerando que estes exercícios anuais transmitiam “um sinal totalmente inadequado e hostil” ao Norte. O líder dos Estados Unidos também criticou Seul por recusar apoiar as forças dos EUA na ofensiva contra o Irão. Trump assegurou na quartafeira que se reuniria este ano com Kim Jong Un, procurando relançar a relação que afirma ter estabelecido com o líder nortecoreano em três encontros durante o seu primeiro mandato. Por seu lado, Pyongyang respondeu na quintafeira com o lançamento de uma dezena de mísseis balísticos de curto alcance. Estes desenvolvimentos eclipsaram a política de mão estendida do governo Lee, ilustrada pela renovação da estação de Woljeongri com vista a uma potencial ligação ferroviária ao Norte. Gesto simbólico A modesta estação integrava outrora a linha que ligava Seul ao extremo norte da península, mas foi abandonada durante a guerra da Coreia (19501953). Hoje é uma atracção para visitantes da zona desmilitarizada, enquanto o antigo terminus da linha – Wonsan – se encontra em território nortecoreano. As autoridades sulcoreanas iniciaram a restauração em 2015, vendo nela uma forma de dinamizar a economia da região fronteiriça e enviar um gesto simbólico a Pyongyang. Os trabalhos foram suspensos após o quarto ensaio nuclear nortecoreano em 2016. Alguns habitantes de Cheorwon encaram o projecto com cepticismo. “Parece que tentam sempre reconciliarse com a Coreia do Norte através do projecto ferroviário, mas do nosso ponto de vista não é realista”, disse à agência France-Presse Moon Jaeyong, de 70 anos, natural da cidade fronteiriça. O programa de reconciliação prevê restabelecer ligações ferroviárias entre as duas Coreias. Lee também propôs conversações sem précondições, incluindo para pôr fim oficialmente à guerra da Coreia. O ministro da Unificação declarou em Julho que Seul dá prioridade a limitar a expansão do programa nuclear existente de Pyongyang, em vez de insistir na desnuclearização. Mas o Norte, que repetidamente afirmou ser “irreversível” a sua capacidade nuclear, não se mostra abalado. Voltar aos carris Ao tentar promover novo encontro com Kim Jong Un, Trump parece procurar um êxito de política externa antes das eleições intercalares, após o fracasso da ofensiva contra o Irão, relegando Seul para segundo plano. “A Coreia do Sul teme ser marginalizada – a China, a Rússia e agora os EUA estão todos envolvidos com Pyongyang de diferentes formas, enquanto Seul não está”, disse à agência France-Presse Vladimir Tikhonov, professor de estudos coreanos na Universidade de Oslo. “Mesmo que pouco possa fazer além de tentar relançar o projecto ferroviário.” Ao longo da linha desactivada entre Woljeongri e Baengmagoji, a vegetação tomou conta dos carris. Um painel afirma: “O cavalo de ferro quer correr”, acompanhado da frase em “Queremos voltar aos carris”. O projecto visa também estimular o turismo junto à fronteira. Perto da estação de Woljeongri, permanece uma locomotiva bombardeada da guerra da Coreia, como lembrança persistente da divisão entre Sul e Norte. Restaurar infraestruturas no Sul poderia poupar tempo caso as ligações intercoreanas sejam um dia retomadas, explicou Lim Eulchul, professor da Universidade Kyungnam. “Mas, na realidade, é praticamente impossível nas circunstâncias actuais, e todos o sabem”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Navio sul-coreano segue para a Europa pela rota do Ártico Com o aquecimento global e os constrangimentos provocados pela guerra desencadeada pelos EUA e Israel no Médio- Oriente, países asiáticos procuram diversificar as rotas marítimas Um porta-contentores sul-coreano partiu ontem para a Europa pela rota do Ártico, num momento em que se mantém o bloqueio do tráfego no Médio Oriente devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão. “O navio destinado a testar a rota ártica partiu do porto às 21:30 (hora local)”, anunciou o Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul, em comunicado enviado à Agence France-Presse (AFP). Este navio, da companhia local PanStar Line Dot Com, deverá fazer escala nos portos europeus de Felixstowe (Inglaterra), Roterdão (Países Baixos) e Gdansk (Polónia), antes de regressar. A viagem deverá demorar cerca de 45 dias, segundo o ministério. Embora se tenha tornado mais navegável devido ao aquecimento global, esta rota marítima apresenta inúmeras limitações que restringem o seu potencial comercial e suscitam receios ambientais. Os países asiáticos, cujo abastecimento de hidrocarbonetos foi fortemente afectado pela guerra desencadeada há cerca de seis meses pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, veem nela uma forma de diversificar as suas opções. A rota ártica “está destinada a tornar-se uma alternativa às rotas do Médio Oriente”, afirmou, recentemente, o vice-ministro sul-coreano dos Oceanos, Nam Jae-hon. Caminho alternativo Desde o início do ano, com o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão e as ameaças dos houthis à travessia do Mar Vermelho, num contexto de conflito com os Estados Unidos, o tráfego marítimo entre a Ásia e a Europa passa agora pelo Cabo da Boa Esperança, a sul do continente africano. Ao passar pelo Ártico, as distâncias percorridas são reduzidas em 30 a 40 por cento em comparação com a rota pelo Canal do Suez, no Egipto, e em quase metade em comparação com a rota pelo Cabo da Boa Esperança, de acordo com um estudo da seguradora de crédito Coface, publicado em Abril. O estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e tornou-se um dos principais pontos de tensão no conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Activado alerta de cheias em três províncias costeiras com aproximação de tufão Narra A China activou no sábado uma resposta de emergência de nível IV para cheias, o mais baixo, nas províncias de Guangdong, Guangxi e Hainan, no sul do país, perante a previsão de chuvas torrenciais provocadas pelo tufão Narra. O 19.º tufão registado pelo país este ano, deverá trazer precipitação intensa ao sul e oeste de Guangxi, Guangdong e Hainan, com algumas zonas a registarem chuvas extremas, indicou o Ministério dos Recursos Hídricos da China, citado pela agência Xinhua. A China possui um sistema de resposta a emergências de controle de enchentes com quatro níveis, sendo o Nível I o mais grave. Os níveis da água deverão subir em vários rios das três províncias, incluindo os afluentes Zuojiang e Mingjiang do rio Yujiang, bem como cursos de pequena e média dimensão nas áreas mais afectadas. As autoridades locais foram instadas a reforçar a monitorização da evolução do tufão, dos rios e da precipitação, garantindo a operação segura de projectos hidráulicos e a protecção de barragens. O ministério sublinhou a necessidade de prevenir enxurradas e cheias em rios de menor dimensão, assegurar a segurança dos reservatórios e implementar medidas de protecção para turistas e trabalhadores da construção. Também no sábado, a sede nacional de controlo de cheias e secas e o Ministério da Gestão de Emergências activaram uma resposta de nível IV para controlo de cheias e tufões na província de Fujian. Tripla ameaça A Administração Meteorológica da China (CNA, na sigla em inglês) assinalou também uma situação rara, com três tufões activos em simultâneo no mar do Sul da China e Pacífico noroeste: Gaenari, Narra e Saudel. O tufão Gaenari, formado no sábado, é já o 20.º ciclone tropical do ano, número muito acima da média histórica de 13,4 entre Janeiro e Agosto. Sun Qianqian, analista meteorológico da CMA, alertou para riscos acrescidos em actividades marítimas, transportes e turismo costeiro, com possibilidade de deslizamentos de terra, aluimentos e inundações, segundo o jornal Global Times. O tufão Saudel, por sua vez, deverá intensificarse rapidamente devido às altas temperaturas da superfície do mar, podendo atingir força de supertufão ao atravessar as ilhas Ryukyu em direcção ao mar da China Oriental.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Lançado primeiro foguetão sonda de fabrico interno A Organização Nacional Espacial de Taiwan (TASA) realizou com sucesso sábado o lançamento do seu primeiro foguetão sonda desenvolvido na ilha, completando um voo experimental que validou sistemas essenciais como propulsão, controlo de voo e comunicações. Segundo a TASA, o foguetão Maraho descolou às 7:10 locais de sábado do Centro de Lançamento de Xuhai, no condado de Pingtung, atingindo uma velocidade máxima de 408 metros por segundo e subiu até 8,1 quilómetros de altitude em 49 segundos, antes de concluir um voo de 432 segundos, segundo a agência CNA. O aparelho accionou um sistema de paraquedas em duas fases antes de cair no mar. As equipas de recuperação não conseguiram resgatálo devido ao estado do mar e à deriva, mas todos os dados de voo foram transmitidos em tempo real para a estação terrestre, garantiu a agência. Entre os principais objectivos da missão estava a verificação da capacidade do foguetão sonda em manter comunicações contínuas com as estações de controlo e transmitir dados durante todo o voo. Foram também recolhidas informações sobre propulsão, estrutura, electrónica de bordo, rastreamento, apoio terrestre e sistemas de recuperação. Um foguetão sonda é um veículo de investigação de pequena dimensão, concebido para transportar instrumentos até à alta atmosfera por curtos períodos, sem colocar satélites em órbita. Ao contrário dos foguetões orbitais, regressa à Terra após o voo, permitindo recolher dados atmosféricos e testar tecnologias aeroespaciais. O Maraho, anteriormente designado SR400, recebeu o nome da borboleta de cauda larga, espécie nativa de Taiwan, e considerada símbolo da região. O foguetão tem 7,2 metros de comprimento, 0,4 metros de diâmetro e utiliza um sistema híbrido de propulsão alimentado por 90 por cento de peróxido de hidrogénio e polipropileno.
Hoje Macau China / Ásia MancheteRobôs chineses batem recordes humanos na prova de 100 metros e no salto em altura Robôs chineses bateram sábado recordes atléticos estabelecidos por humanos, incluindo o recorde mundial nos 100 metros do atleta jamaicano Usain Bolt, no dia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim. Numa prova de velocidade de 100 metros, um robô humanoide alcançou um tempo de 9,39 segundos, batendo o recorde humano de 9,58 segundos estabelecido por Usain Bolt em 2009. No salto em altura a partir da posição em pé, um robô humanoide conseguiu atingir 2,88 metros, bem acima dos 0,95 metros alcançados por um robô na primeira edição dos jogos, no ano passado e superando o recorde humano de salto em altura de 2,45 metros, estabelecido pelo cubano Javier Sotomayor em 1993. Ambos os robôs eram da empresa X-Humanoid, sediada em Pequim. Antes da abertura, um robô humanoide da empresa chinesa de smartphones Honor completou uma corrida de 100 metros num tempo recorde de 9,32 segundos durante um ensaio dos jogos, segundo a empresa, a uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo. No entanto, especialistas afirmam que os robôs humanoides continuam a ser utilizados principalmente para demonstrações, espectáculos e investigação e que ainda levará algum tempo até alcançarem uma implantação em massa no mundo real. Mais de 2.000 robôs humanoides participaram no evento, segundo a organização. Corrida tecnológica Os jogos, semelhantes aos Jogos Olímpicos, com duração de cinco dias e agora na sua segunda edição, constituem um espectáculo que demonstra o rápido progresso da China na robótica avançada, à medida que a corrida tecnológica com os Estados Unidos (EUA) se intensifica, com 51 provas e mais de 1.000 competições a decorrer, incluindo corrida, ténis de mesa e futebol. Os jogos, que decorreram no Oval Nacional de Patinagem de Velocidade construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, tiveram início na mesma semana em que Pequim acolheu a Conferência Mundial de Robótica de 2026, onde as empresas apresentaram cerca de 3.000 produtos. A China fabrica a maioria dos robôs humanoides do mundo. Centenas de robôs humanoides marcharam em formação para o campo numa enorme demonstração de coordenação sincronizada na abertura do evento. Os jogos de robôs deste ano que, segundo o organizador, contam com a participação de 16 países, entre os quais a Alemanha, o Japão e os EUA, incluem também outras provas, como o levantamento de peso.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Novas medidas para impulsionar consumo interno no segundo semestre A China está a planear introduzir um novo pacote de políticas e medidas para incentivar o consumo interno na segunda metade deste ano, revelou sexta-feira o vice-ministro das Finanças do país, Liao Min. Segundo a agência Xinhua, durante em conferência de imprensa em Pequim, Liao anunciou que o Ministério das Finanças chinês irá formular e aplicar “medidas práticas e eficazes” em função da evolução macroeconómica na segunda metade do ano, com as políticas fiscais do país a continuar a centrar-se na aceleração da utilização de fundos e na expansão da procura interna. Liao considerou que expandir a procura interna tornouse cada vez mais importante para a China sustentar o crescimento e reforçar a resiliência da economia perante incertezas externas, com o país a ser actualmente o segundo maior mercado mundial de consumo de bens e o maior mercado de retalho online. Este ano, o Ministério das Finanças chinês já destacou 187,5 mil milhões de yuan para apoiar programas de incentivo ao consumo, que geraram 178 milhões de compras e vendas combinadas de aproximadamente 1,32 biliões de yuan. Foram também introduzidos subsídios de juros para empréstimos de consumo pessoal e para empresas do sector dos serviços, além de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo em grupos prioritários. Segundo o ministério, desde 01 de Agosto todas as compras em prestações com cartão de crédito, incluindo automóveis e renovação de habitações, passaram a estar incluídas no quadro de apoio, com consumidores chineses a poder beneficiar de subsídios de juros sempre que utilizem este mecanismo. O número de instituições financeiras autorizadas a tratar de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e ao sector dos serviços, por exemplo, aumentou de cerca de 100 para 400, indicou a agência Xinhua. Ao mesmo tempo, os limites de empréstimo ao abrigo da política de subsídios de juros foram elevados de 50 milhões de yuan para 75 milhões de yuan para micro, pequenas e médias empresas, e de 10 milhões de yuan para 20 milhões de yuan para negócios do sector dos serviços. O tecto para empréstimos de consumo pessoal subiu também de 3.000 yuan para 5.000 yuan. Foco na população Em comentários ao jornal Global times, o académico Hu Qimu, da Universidade Huaqiao, indicou que as novas medidas demonstram que o Governo chinês está a dar maior ênfase ao uso de fundos fiscais como alavanca para mobilizar recursos financeiros adicionais para a economia real. A procura de consumo está a tornarse cada vez mais um motor central do crescimento económico da China. O país tem uma população de 1,4 mil milhões e um grupo de rendimento médio superior a 400 milhões de pessoas, segundo o Ministério das Finanças. Em 2025, as vendas a retalho a atingiram 50 biliões de yuan e o consumo final contribuiu com 52 por cento para o crescimento económico. No primeiro semestre de 2026, o crescimento económico e o consumo interno da China enfrentaram uma desaceleração, devido a factores como incertezas económicas e dificuldades persistentes no sector imobiliário. O crescimento do PIB da China desacelerou no segundo trimestre deste ano para 4,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor mais baixo em três anos. Actualmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento de 4,6 por cento para a economia chinesa em 2026, graças principalmente a investimentos em infraestrutura pública, indústria de alta tecnologia, e exportações nas áreas da inteligência artificial e energia verde.
Hoje Macau EventosMAM | Pinturas da dinastia Qing são destaque em nova exposição O Museu de Arte de Macau acolhe, até ao dia 2 de Novembro, a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, que traz ao público de Macau trabalhos que representam a arte de Lingnan e que visam promover “o intercâmbio cultural na Grande Baía” O Instituto Cultural (IC) promove uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) que revela ao público local pintura representativa da arte Lingnan feita nos anos da dinastia Qing. Trata-se da mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, e que é organizada em parceria com o Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou, e Museu de Arte de Hong Kong. O que se pode ver nesta mostra é um conjunto de trabalhos de pintura figurativa e “obras sobre temas históricos”, que constituem a colecção de pintura de Guangdong do período da dinastia Qing do MAM. Segundo um comunicado do IC, conta-se com “um acervo valioso e abundante de peças de alta qualidade de mestres como Su Liupeng e He Chong”. Há ainda, nesta nova exposição, peças oriundas do Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou e do Museu de Arte de Hong Kong, podendo ser vistas um total de 136 peças ou conjuntos de trabalhos de pintura. Actos exploratórios O IC explica que esta exposição “dá a conhecer experimentações dos pintores de Guangdong nas técnicas de pincel e tinta”, revelando-se também “a diversificação temática e a fusão cultural de influências chinesas e ocidentais”. Desta forma, com a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, pretende-se ilustrar “o percurso da pintura de Guangdong da periferia à corrente principal, e da tradição à inovação, e servindo de importante registo visual para redefinir o contexto cultural da região”. A mesma nota dá conta que a colaboração entre o MAM e diversas instituições de arte das regiões vizinhas, como é o caso da província de Guangdong e Hong Kong, acaba por promover, de forma eficaz, “o intercâmbio cultural regional, traduzindo-se numa acção prática para a construção conjunta de uma Grande Baía cultural”. As visitas guiadas para o público terão início a 5 de Setembro, realizando-se aos sábados em cantonense, bem como aos domingos e feriados em mandarim. As visitas para grupos podem ser agendadas mediante marcação prévia. Ao longo do período da exposição, serão promovidas diversas actividades de extensão, como palestras, workshops e concertos. A exposição Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing estará patente no Museu de Arte de Macau de 22 de Agosto a 2 de Novembro, das 10h às 19h.
Hoje Macau EventosNovo filme de Ivo M. Ferreira em pré-selecção para os Óscares A Academia Portuguesa de Cinema (APC) revelou na sexta-feira os seis filmes pré-seleccionados no processo de candidatura ao Óscar de Melhor Filme Internacional, iniciando-se agora a votação pelo escolhido. Em comunicado, a APC anunciou que os filmes pré-seleccionados são “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. De destacar que Ivo M. Ferreira tem uma forte relação com Macau, onde viveu muitos anos e que foi cenário de muitos dos seus filmes, nomeadamente “Hotel Império”, de 2018 e protagonizado por Margarida Vila-Nova; ou “O Homem da Bicicleta – Diário de Macau”, filme de 1997. “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, é, dos seis filmes em pré-selecção, a obra com mais espectadores da lista, totalizando 9.200 desde a estreia em Abril. O filme recria o tempo polarizado dos anos 1980 em Portugal, numa democracia recente e em construção, em que um grupo armado – Forças Populares 25 de Abril (FP-25) -, descontente com o rumo do país, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e acções consideradas terroristas, que causaram 17 mortes. Votos até Setembro Os membros da APC podem votar no filme que vai ser candidato a uma nomeação aos Óscares de Hollywood até 10 de Setembro. João Nuno Pinto foi motivado a fazer “18 Buracos para o Paraíso” pela transformação do território do Alentejo através da especulação imobiliária, agricultura intensiva e seca extrema, com o filme a estrear-se nos cinemas portugueses em junho. Por seu lado, “A Memória do Cheiro das Coisas” é uma narrativa ficcional, cuja história se centra em Arménio, que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra. Já “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, é interpretado por Mariana Cardoso, Miguel Borges e Miguel Nunes, os actores que compõem o núcleo familiar desta história rodada na região da Serra da Estrela. O título do filme remete para a personagem principal, uma adolescente (Mariana Cardoso) do interior do país, para quem o pai (Miguel Borges) sonha um futuro como guarda-redes profissional, num clube numa grande cidade. Há ainda o irmão (Miguel Nunes), que regressa à aldeia depois de vários anos emigrado, confrontando a família com mágoas do passado, nomeadamente sobre a mãe, que morreu num grande incêndio que assolou a região. “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, é protagonizado por Albano Jerónimo e Isabel Abreu, nos papéis de um casal à beira de celebrar 20 anos de casamento, e conta também com Eduardo Aguilar, que interpreta o filho adolescente. A história de amparo entre duas famílias fragmentadas é o centro do filme “Terra Vil”, uma ficção na qual o realizador Luís Campos quis também retratar uma comunidade e uma região marcadas pela tragédia de Entre-os-Rios. “Terra Vil” é a primeira longa-metragem de ficção de Luís Campos e evoca, de forma indirecta, os acontecimentos ocorridos há 25 anos, com a queda da ponte que ligava Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, e que causou 59 mortos. O comité de pré-selecção dos filmes foi composto pelos produtores Andreia Esteves e Paulo Trancoso, pela editora e ‘designer’ de som Elsa Ferreira, pelos actores Hoji Fortuna e Valerie Braddell, pela caracterizadora Íris Peleira, pelo realizador Paolo Marinou-Blanco e pelo supervisor de efeitos visuais Ricardo Ferreira. “A composição do comité reflectiu o compromisso da Academia Portuguesa de Cinema com uma representação diversificada das diferentes áreas da criação e produção cinematográfica, reunindo profissionais com percursos distintos e reconhecida experiência no sector”, pode ler-se no comunicado da APC.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Escolas incluem alunos idosos para colmatar quebra Já há escolas do território a receber estudantes com mais de 65 anos para colmatar a falta de alunos, cenário que se verifica devido à quebra de natalidade. Uma dessas instituições de ensino é a Escola Sun Wah A quebra gradual taxa de natalidade em Macau tem levado as escolas do território a transformar-se em espaços de ensino não só para crianças, mas também para a terceira idade. No interior de um edifício residencial na zona norte de Macau encontra-se a Escola Sun Wah. Sem sinais exteriores que indiquem ser uma escola, o espaço de ensino acolhe reformados que frequentam aulas em salas contíguas às do jardim-de-infância e do ensino básico e secundário, partilhando espaços comuns e corredores com as crianças, um cenário que pode apontar para o futuro da educação na cidade. Após o fim de uma aula de caligrafia, dezenas de alunos idosos exibem orgulhosamente os seus trabalhos. Entre eles está Margarida Ip, de 75 anos, antiga operária fabril que começou a frequentar aulas após a reforma. Não teve oportunidade de estudar na juventude mas, agora, os seus dias são preenchidos com várias aulas. “Aprendo caligrafia todas as segundas e quartas-feiras, inglês às quintas, também aprendo natação de manhã, há pouco tempo tive algumas aulas de informática e quero aprender mais. Estou muito feliz”, disse Ip à Lusa. A presidente da Escola Sun Wah, Ho U, afirmou que a instituição oferece cursos para idosos desde 2024, incluindo pintura chinesa, dança, instrumentos musicais, línguas e artes marciais. Desde então número de alunos quadruplicou, chegando agora aos 2.000. Esta expansão ocorre numa altura em que a taxa de natalidade em Macau continua a sua queda de 11 anos. Em 2025, a cidade registou apenas 2.871 nascimentos, o valor mais baixo em quase meio século, com uma taxa de fecundidade de 0,47 filhos por mulher entre os 15 e os 49 anos, outro mínimo histórico, segundo dados oficiais. Só três turmas Na Escola Sun Wah, o departamento de jardim-de-infância tem agora apenas três turmas, com o director, Ho U, a reconhecer que “alguns assistentes educativos” foram despedidos devido à queda do número de matrículas, embora cada turma mantenha ainda mais de três elementos no corpo docente. Mas a escola também se adaptou. “Mais de dez professores do jardim-de-infância e do ensino primário vão trabalhar a tempo parcial na educação de adultos e de idosos no próximo ano lectivo”, afirmou Ho U, acrescentando que “podem leccionar música, pintura, inglês, português, tecnologia e muito mais”, disse o director. Para preservar postos de trabalho, a Sun Wah está a expandir o seu programa de educação para adultos e idosos. Está prevista a abertura de um novo campus no centro de Macau, com 30 turmas e um investimento superior a um milhão de patacas. O professor de caligrafia, Lei Man Wai, que pratica esta arte há 50 anos e a ensina há décadas, afirmou que ensinar reformados “é muito mais fácil do que ensinar crianças” devido à motivação e à capacidade de concentração que apresentam. Um reformado de apelido Chang, antigo funcionário público, pratica caligrafia há nove anos desde que se reformou. “Se não estou a praticar caligrafia, estou a ler algo sobre o assunto nesse dia”, disse à Lusa. Actualmente, frequenta cursos tanto na Sun Wah como na Universidade Politécnica de Macau. Tendência crescente O Governo oferece a cada residente com 15 ou mais anos um subsídio de 6.000 patacas para educação contínua. Entre 2023 e 2026, mais de 41.000 idosos participaram em diversos cursos, segundo a Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O número de vagas para cursos para idosos no ensino superior de Macau “ultrapassará os 9.000 este ano”, indicou a DSEDJ à Lusa, acrescentando que “a participação dos idosos continua a aumentar”. No entanto, nem todas as escolas estão convencidas que esta mudança é necessária. A Escola Secundária Pui Va, por exemplo, tem menos duas turmas de jardim-de-infância do que no ano passado, mas seu director, Lei Chau Lam, afirmou que a escola “irá reflectir” sobre a transformação, mas indicando que “perante a quebra da natalidade”, a escola mantém-se confiante de que continuará a operar. “Não acho que a transformação ajude estudantes e os pais (…). Quando fundámos a escola, começámos com apenas uma turma”, apontou. Segundo a DSEDJ, actualmente entre nove e 11 escolas estão a considerar uma fusão ou reestruturação. Lei Chau Lam defendeu à Lusa que o Governo local deveria concentrar os seus esforços em “atrair talentos, facilitar a entrada de estudantes de outras regiões em Macau ou incentivar os jovens a terem mais filhos”, considerando que “estas medidas são as mais práticas”. Numa resposta a perguntas da Lusa, a DSEDJ afirmou que oferece apoio de transição às escolas com dificuldades em matrículas de alunos, incluindo subsídios para a transformação “em instituições de educação contínua, formação profissional ou educação para idosos”, bem como financiamento para a reconversão de professores, de modo a ajudá-los a obter acreditação profissional. No entanto, o director Lei Chau Lam duvida das medidas, questionando se os professores que perdem o emprego nas escolas terão “capacidade e qualificações para ministrar educação de adultos” após apenas “algumas formações”. O custo humano está patente na história de um professor. Bruce Lei, que leccionou chinês em escolas de Macau durante 25 anos, indicou ter perdido o emprego há dois anos devido a “falta de alunos”. Além de um curto período como substituto, não conseguiu encontrar trabalho desde então. O antigo professor referiu que a maioria das ofertas de emprego tem limites de idade e que as escolas evitam contratá-lo porque o seu salário legalmente exigido é demasiado elevado. Teve entrevistas noutras escolas, mas “não teve uma segunda oportunidade”. “A minha única esperança é encontrar um emprego como segurança ou esperar que a minha mãe morra para herdar a casa dela”.
Hoje Macau SociedadeConsumo | Preços subiram 1,12% em Julho devido a combustíveis A taxa de inflação em Julho subiu 1,12 por cento em termos anuais, mas registou uma ligeira descida (0,01 por cento) face ao mês anterior, revelou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No mês passado, o índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 1,22 por cento, face a Julho de 2025, devido sobretudo à subida dos preços das refeições fora de casa e de “take-away” e o índice de preços da secção dos transportes subiu 2,29 por cento, em virtude da ascensão dos preços dos bilhetes de avião e da gasolina. Também os preços dos artigos de vestuário e calçado ficaram mais caros 2,61 por cento face a Julho do ano passado, enquanto que joalharia e relógios registaram um aumento anual de preços de 2,38 por cento.
Hoje Macau SociedadeTurismo | Número de visitantes volta a subir No passado mês de Julho, Macau foi visitada por 3,54 milhões de pessoas, uma subida de 2,4 por cento em termos anuais, um crescimento impulsionado pelo número de entradas de visitantes do Interior da China, que aumentou 5,4 por cento para mais de 2,7 milhões de turistas. No pólo oposto, e contrariando os objectivos do Governo, o número de visitantes internacionais caiu em Julho 1,9 por cento, para um total inferior a 174,5 mil turistas, revelam dados divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em relação ao tipo de visitantes que entrou em Macau em Julho, a DSEC revela a larga maioria foram excursionistas (mais de 2,1 milhões), segmento que registou um aumento anual de 6,4 por cento. Por outro lado, os turistas que vieram por sua conta a Macau diminuíram no mês passado 2,9 por cento, para um total de 1,43 milhões. Em virtude desta dinâmica, o período médio de permanência de visitantes diminuiu 0,1 dias para 1,1 dias, face a Julho de 2025. Os dados demonstram que se, por um lado, as entradas de visitantes com visto individual cresceram em termos anuais em Julho 9,6 por cento para quase 1,5 milhões, os turistas vindos de Hong Kong caíram mais de 10 por cento para pouco mais de 560 mil pessoas. Em relação aos turistas internacionais, as maiores quebras deram-se nos dois principais mercados emissores, com o número de turistas das Filipinas a diminuírem 13,3 por cento para 32,8 mil e os vindos da Coreia do Sul a descerem 14,7 por cento para um total de 27,5 mil turistas. Porém, o número de turistas vindos da Índia aumentou 66,4 por cento para um total de 10.261 pessoas. Nos primeiros sete meses deste ano, o número de visitantes cresceu 8 por cento para um total de 24,48 milhões de pessoas, subida impulsionada pelo aumento de quase 14 por cento dos excursionistas.
Hoje Macau PolíticaAMCM | Obtidos 27 mil milhões de RMB em obrigações Foram emitidas, na quinta-feira, 6 mil milhões de renminbis (RMB) em Macau, em obrigações, por parte do Ministério das Finanças da China. Segundo um comunicado da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), esta emissão focou-se em investidores profissionais, sendo que 3 mil milhões de RMB de obrigações nacionais foram emitidas com prazo de 2 anos, a uma taxa de juro fixada em 1,3 por cento. Por sua vez, mil milhões de RMB de obrigações nacionais foram emitidas com prazo de 3 anos, a uma taxa de juro fixada em 1,33 por cento. Já as obrigações nacionais com prazo de 5 anos, foram emitidas no montante de mil milhões de RMB, com taxa de juro fixada em 1,46 por cento, enquanto que as obrigações nacionais com prazo de 10 anos foram emitidas no montante de mil milhões de RMB, com taxa de juro fixada em 1,76 por cento. A mesma nota dá conta que a “emissão obrigações nacionais foi bem acolhida pelo mercado, tendo registado uma subscrição superior ao montante emitido”. A AMCM destaca ainda que “até ao presente, o montante acumulado de obrigações nacionais emitidas pelo Ministério das Finanças da República Popular da China em Macau atingiu 27 mil milhões de RMB”.
Hoje Macau China / ÁsiaRobôs humanoides | “Momento ChatGPT” deve chegar em “dois a dez anos” O fundador da Unitree, a maior empresa chinesa de robótica, indicou ontem que os robôs humanoides deverão alcançar o “momento ChatGPT” num prazo de “dois a dez anos”, dependendo da evolução da inteligência artificial (IA). Inspirado no impacto global do lançamento do ChatGPT no final de 2022, o termo “momento ChatGPT” é uma metáfora utilizada no meio tecnológico e empresarial para descrever o instante em que uma tecnologia emergente atinge um nível de maturidade e acessibilidade tão elevado que passa a ser compreendida, adoptada e reconhecida massivamente pelo público geral. Durante um discurso intitulado ‘De produto em exposição a produto comercial: a próxima década dos robôs humanóides’, proferido na Conferência Mundial de Robótica de Pequim, Wang Xingxing considerou que esse “momento ChatGPT” será alcançado quando robôs humanoides forem capazes de completar cerca de 80 por cento das tarefas em 80 por cento dos ambientes desconhecidos mediante instruções. Wang identificou como principal obstáculo a “capacidade limitada de generalização” da inteligência incorporada, que se refere à integração da IA em sistemas físicos. Em “cenários fixos”, explicou, um modelo treinado com dados suficientes pode aproximar-se dos 100 por cento de eficácia, mas a sua taxa de sucesso “cai consideravelmente” assim que mudam os objectos que tem de manipular ou o ambiente em que trabalha. Wang, citado pela imprensa local, calculou que o salto poderá ocorrer em dois ou três anos no cenário mais rápido, embora também se possa atrasar entre cinco e dez anos. A seu ver, a actual aceleração da IA também poderá fazer com que a evolução do sector “supere as previsões”. Entrada de leão A Unitree concentra a maior parte da equipa de IA na melhoria da capacidade dos robôs para realizarem tarefas reais em lares e fábricas, e colabora com fabricantes de automóveis para os testar em linhas de produção, segundo o executivo. Na quarta-feira, a empresa protagonizou uma das listagens em bolsa mais antecipadas dos últimos tempos, ao tornar-se a primeira companhia do setor a vender ações num mercado da China continental, concretamente no de Xangai, onde angariou o equivalente a 904 milhões de dólares. Na estreia, as acções chegaram a multiplicar por mais de sete o seu valor de abertura, dando à companhia uma avaliação de 66 mil milhões de dólares e a Wang uma fortuna próxima de 16 mil milhões de dólares com apenas 36 anos. A Conferência Mundial de Robótica, que decorre até domingo, reúne mais de três mil produtos de mais de 300 empresas e tem nos humanoides um dos principais destaques.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Comércio externo bate recordes mas défice persiste As importações e exportações do Japão bateram recordes em Julho, com aumento dos custos de energia e a fraqueza do iene a ajudara a prolongar o défice comercial pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do governo. O défice comercial do Japão totalizou 634,5 mil milhões de ienes no mês passado, marcando o terceiro mês consecutivo no vermelho, informou o Ministério das Finanças num relatório preliminar divulgado quinta-feira. As importações aumentaram 27,8 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo um valor ajustado sazonalmente de 12,15 biliões de ienes. A guerra no Irão fez disparar os preços do petróleo bruto, e o Japão, que importa quase todo o seu petróleo, dependia anteriormente em grande medida das importações de petróleo do Médio Oriente através do estreito de Ormuz, que permanece efectivamente fechado. As exportações subiram 23,2 por cento, alcançando os 11,51 biliões de ienes, impulsionadas pela força contínua das exportações de automóveis para os EUA e para outras nações. Os envios de semicondutores e de outros dispositivos electrónicos também mantiveram um bom desempenho. As exportações do Japão registaram crescimentos todos os meses há quase um ano. Em termos de valor, tanto as importações como as exportações subiram para os níveis mais altos de sempre num mês de Julho, desde que dados comparáveis começaram a ficar disponíveis em Janeiro de 1979, segundo o ministério.
Hoje Macau China / ÁsiaEvergrande | Fundador condenado a prisão perpétua A justiça da China condenou ontem Hui Ka Yan, fundador da gigante Evergrande, a promotora imobiliária mais endividada do mundo, a prisão perpétua por fraude em grande escala. Numa mensagem publicada na rede social chinesa WeChat, um tribunal de Shenzhen considerou Hui culpado de vários crimes, incluindo falsificação de informação financeira, emissão fraudulenta de ações, suborno e peculato. O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen decretou ainda o confisco de todos os bens e activos e a “interdição vitalícia dos direitos civis” do antigo executivo, também conhecido como Xu Jiayin. A justiça chinesa aplicou ainda multas no valor de 8,82 mil milhões de yuan ao grupo Evergrande e de sete mil milhões de yuan à principal subsidiária, Evergrande Real Estate. O tribunal da cidade situada junto a Hong Kong anunciou também penas que variam entre um ano e dez meses e 18 anos de prisão para outros 56 arguidos ligados à Evergrande, o caso mais visível da crise imobiliária que assola o gigante asiático desde o início da década.
Hoje Macau China / ÁsiaTarifas | China acusa EUA de discriminar os seus produtos A China acusou ontem os Estados Unidos de discriminarem os seus produtos, depois de Washington ter anunciado na semana passada uma tarifa aduaneira de 100 por cento sobre drones, defendendo que a maioria se destina a uso civil. Numa conferência de imprensa de rotina, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, apresentou ontem as novas tarifas como exemplos de “unilateralismo e proteccionismo aplicados sob o pretexto da segurança nacional”. He salientou que as exportações chinesas de drones para os Estados Unidos se destinam principalmente a utilizações civis, como a agricultura, a inspecção de equipamentos e os sectores audiovisual e do entretenimento. As medidas norte-americanas “generalizam excessivamente o conceito de segurança nacional, discriminam os produtos chineses em questão, prejudicam gravemente os interesses das empresas chinesas, perturbam a cadeia de abastecimento mundial de drones e corroem ainda mais um ambiente de mercado justo e competitivo”, afirmou o porta-voz, que instou os Estados Unidos a retirarem imediatamente as medidas. Por portas travessas A decisão, anunciada pela Casa Branca na quinta-feira, não menciona directamente o gigante asiático, mas afecta-o directamente, uma vez que se centra num sector dominado pela empresa chinesa DJI. Washington prevê uma taxa de 100 por cento para as aeronaves não tripuladas com mais de 25 kg de peso máximo à descolagem e modelos com capacidade de detecção térmica, enquanto os drones mais pequenos sem essas capacidades e outros componentes estariam sujeitos apenas a uma taxa de 25 por cento, com uma lista de países com tarifas reduzidas, como a União Europeia ou o Japão. A Casa Branca salientou que a medida visa reduzir a dependência dos EUA em relação a fornecedores estrangeiros de componentes críticos para os sistemas aéreos não tripulados e fortalecer a produção nacional, ao mesmo tempo que a Administração Trump alegou riscos de segurança e cibersegurança decorrentes das cadeias de abastecimento internacionais. Rejeição total A China rejeitou ainda o relatório norte-americano que a acusa de utilizar o transbordo de mercadorias noutros países para contornar os direitos aduaneiros, um texto que considera criar uma “narrativa falsa”. He Yadong afirmou, numa conferência de imprensa, que o documento divulgado há uma semana pela Casa Branca, “ignora os factos e deturpa a realidade, ao qualificar de fraude o comércio e o investimento internacionais normais”. Trata-se, segundo o porta-voz, de uma prática “típica do unilateralismo e do proteccionismo”, destinada a “reprimir e bloquear os produtos chineses”, face à qual manifestou a sua firme rejeição. O relatório, intitulado “A fraude do transbordo em massa: origem, alcance e custo”, acusava Pequim de causar a Washington perdas multimilionárias e a perda de postos de trabalho através destas práticas. He defendeu que, pelo contrário, “os elevados direitos aduaneiros diferenciados impostos pelos Estados Unidos são a verdadeira causa que ameaça a segurança das cadeias de abastecimento mundiais”. O porta-voz do Ministério do Comércio acusou os Estados Unidos de “atribuir os seus próprios problemas económicos a factores externos” e exigiu que a parte norte-americana pusesse imediatamente fim a estas acusações que afirma serem de “irresponsáveis”.
Hoje Macau China / ÁsiaChina quer aprofundar laços com Hungria após posse de Baka como Presidente O Presidente chinês manifestou quarta-feira a vontade de aprofundar as relações e a cooperação com a Hungria, na sequência da posse do homólogo pró-europeu András Baka. Xi Jinping enviou uma mensagem de felicitações a Baka, que assumiu formalmente quarta-feira de manhã a chefia do Estado húngaro, na qual garantiu atribuir “grande importância” ao desenvolvimento das relações entre ambos os países, noticiou a agência oficial de notícias chinesa Xinhua. O líder chinês mostrou-se disposto a trabalhar com o novo Presidente para “aprofundar a confiança política mútua e a cooperação prática” e continuar a desenvolver a parceria estratégica entre Pequim e Budapeste. Baka, de 73 anos, tinha sido eleito a 11 de Agosto pelo Parlamento húngaro, com o apoio da maioria absoluta do partido conservador e europeísta Tisza, liderado pelo primeiro-ministro, Péter Magyar. A escolha de Baka insere-se no processo impulsionado pelo novo Governo para afastar das instituições figuras ligadas ao ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, cujo Executivo manteve durante anos uma das relações mais estreitas com a China entre os países da União Europeia (UE). Sob a liderança de Orbán, no poder durante 16 anos, Budapeste promoveu uma política de “abertura para Leste”, destinada a estreitar laços com potências como a China e a Rússia, e apresentou-se como uma ponte entre Pequim e a Europa, mantendo simultaneamente posições críticas em relação a algumas das políticas de Bruxelas face ao gigante asiático. A Hungria opôs-se aos direitos aduaneiros europeus sobre os veículos eléctricos chineses e atraiu investimentos significativos de empresas como a CATL e a BYD nos sectores das baterias e do automóvel. Depois da vitória eleitoral de Magyar em Abril, Pequim já tinha manifestado a vontade de reforçar os laços com o novo Governo, enquanto Baka tem defendido, desde a eleição, o carácter europeu da Hungria.