UE lança com Brasil e China coligação para equilibrar mercados de carbono

A União Europeia (UE) lançou com o Brasil e a China uma nova coligação para harmonizar os mercados de carbono a nível mundial e criar um novo padrão global através de uma plataforma comum de contabilidade, verificação e medição.

Em comunicado, sexta-feira divulgado, a Comissão Europeia referiu que a “Coligação Aberta para Mercados Regulados de Carbono” foi lançada oficialmente na quinta-feira, numa cerimónia em Florença, Itália, que contou igualmente com representantes do Brasil e da China. “Esta nova iniciativa visa reforçar a cooperação global em termos de preços de carbono”, indicou o executivo comunitário.

De acordo com a mesma nota informativa, a coligação vai permitir “aumentar a eficácia, transparência e integridade dos mercados de carbono” em todo o mundo, com o intuito de garantir que se cumpre o acordo climático de Paris, firmado em 2015.

“A coligação envia um forte sinal do compromisso partilhado com este acordo global e com uma cooperação multilateral renovada. Além disso, reforça o papel dos mercados de carbono como um pilar central da transição global para a neutralidade climática, ao mesmo tempo que apoia a modernização económica e a competitividade”, referiu ainda a Comissão Europeia.

Na prática, frisou o executivo comunitário, esta coligação vai garantir que a medição, relato e verificação dos mercados de carbono sejam mais transparentes e interoperáveis entre os diferentes mercados que integram esta iniciativa, criando uma “plataforma para a cooperação” e para “reforçar as políticas de fixação de preço do carbono”.

Junta a tua à nossa voz

Lançada inicialmente pela UE, China e Brasil, a coligação está aberta à adesão de novos países, desde que tenham mercados nacionais de carbono, sejam taxas ou sistemas de comércio de emissões.

“A Nova Zelândia e a Alemanha são os primeiros países a aderir como membros, seguindo o exemplo da UE, do Brasil e da China, prevendo-se que vários outros se juntem brevemente”, indicou o comunicado, acrescentando que “autoridades subnacionais que operem um sistema de fixação de preços de carbono”, como o estado norte-americano da Califórnia, poderão participar nesta coligação como membros observadores.

A Comissão Europeia informou que o Brasil vai presidir à coligação nos primeiros dois anos, com o executivo comunitário e a China a assumirem as vice-presidências.

“Os próximos passos incluem a criação do Secretariado da Coligação e a elaboração de um plano de trabalho a ser adotado na Conferência do Mercado de Carbono, que terá lugar em 15 de Setembro de 2026 em Wuhan, na China”, destacou ainda a Comissão Europeia.

11 Mai 2026

Comércio | Exportações chinesas registam crescimento homólogo de 14,1% em Abril

As exportações chinesas aumentaram em Abril 14,1 por cento em relação ao período homólogo anterior e as importações registaram um aumento de 25,3 por cento no mesmo período, apesar da guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais publicados sábado.

O crescimento das exportações da China recuperou mais do que o esperado, apesar das perturbações no transporte marítimo causadas pela guerra no Irão, à medida que os volumes comerciais aumentam devido a um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial. As exportações aumentaram 14,1 por cento em Abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Geral das Alfândegas chinesa.

Este valor contrasta com a previsão mediana de 8,4 por cento numa sondagem da Bloomberg a economistas e com um aumento de 2,5 por cento registado em Março. As importações aumentaram 25,3 por cento, resultando num excedente comercial de 71,9 mil milhões de euros.

A melhoria nas exportações seguiu-se a um abrandamento surpreendentemente acentuado das exportações da China durante o primeiro mês da guerra, depois de os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação de Teerão terem espalhado a agitação por todo o Médio Oriente, que se estendeu ao globo.

E com as importações de produtos de alta tecnologia, como ‘chips’, em forte ascensão, a China registou em Março o seu menor excedente comercial em mais de um ano.

Agenda comercial

Os desequilíbrios comerciais estarão em destaque antes da cimeira prevista para a próxima semana em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping. O défice comercial de mercadorias dos EUA com a China aumentou em março pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento do Comércio.

As fábricas chinesas contornaram a guerra de retaliações do ano passado com os EUA sobre as tarifas enviando mais produtos para regiões como África e a Europa, mesmo enfrentando resistência de países onde representam uma ameaça para os produtores locais.

A China tem vindo a somar a sua voz à pressão global para um fim do conflito no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro e forçou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz.

Uma redução acentuada do tráfego nesta via navegável vital para o sector energético corre o risco de prejudicar as importações, fazer subir os preços do petróleo e ameaçar a procura estrangeira de produtos chineses. A força das vendas no estrangeiro impulsionou a China para um excedente comercial sem precedentes de 1,02 biliões de euros em 2025.

Os volumes de expedição registados até agora em 2026 mantêm-se, na sua maioria, acima dos níveis recorde do ano passado, em parte graças à forte procura global impulsionada por investimentos em centros de dados e equipamento de energia.

11 Mai 2026

Energia | Importações chinesas caem fortemente em Abril

As importações chinesas de energia caíram drasticamente em Abril, num contexto marcado por interrupções no abastecimento de petróleo bruto e gás natural através do Estreito de Ormuz, em consequência do conflito no Médio Oriente, informaram sábado fontes oficiais.

De acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas do país asiático, as remessas de petróleo bruto diminuíram cerca de 20 por cento em termos homólogos em Abril, para 38,47 milhões de toneladas, o que, segundo a agência Bloomberg, representa o nível mais baixo em termos de quantidades desde Julho de 2022.

As importações de gás natural — que as autoridades aduaneiras não discriminam entre o transportado por via marítima e o fornecido através de gasodutos — também registaram uma contracção de cerca de 13 por cento, situando-se em 8,42 milhões de toneladas, de acordo com a mesma fonte.

O bloqueio “de facto” do Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás a nível mundial antes do início do conflito, afectou toda a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso da China, a evolução desta rota marítima é particularmente sensível, uma vez que cerca de 45 por cento das suas importações de gás e petróleo transitam por ela.

De facto, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o principal órgão de planeamento económico do país, anunciou esta sexta-feira um aumento dos preços de retalho da gasolina e do gasóleo a partir de sábado, para reflectir as recentes alterações nas tarifas internacionais do petróleo.

Em contrapartida, o gigante asiático também tem sido beneficiado pela guerra, uma vez que as suas exportações de tecnologias “verdes”, em que é líder, como painéis solares, baterias ou veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, face ao impacto a nível mundial do aumento dos preços do petróleo bruto.

11 Mai 2026

Galeria Amagao | Kay Zhang apresenta exposição individual

“Delta of Venus”, em parceria com a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica é a proposta mais recente da galeria de arte Amagao, no Artyzen Grand Lapa. Nesta exposição, com trabalhos da artista Kay Zhang, revelam-se temáticas relacionadas com a memória pessoal e a identidade

A galeria Amagao, no Artyzen Grand Lapa, e a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica apresentam até 7 de Junho a exposição “Delta of Venus”, de Kay Zhang, uma mostra que “reúne um conjunto marcante de obras que exploram a memória pessoal, a identidade e a subtil interação entre a realidade e a imaginação”, revela-se numa nota.

A exposição é composta por 48 obras em desenho, aguarela e colagem sobre papel, incluindo composições realizadas em páginas e capas de livros, reflectindo-se, desta forma, “a linguagem artística em constante evolução de Kay Zhang”. Kay vive entre Macau e Pequim e “a sua prática artística está profundamente enraizada na sua experiência em Macau, onde histórias sobrepostas e a diversidade cultural continuam a moldar a sua perspectiva”.

Da inspiração

“Delta of Venus” inspira-se nos escritos da escritora Anaïs Nin, “cuja exploração da intimidade, da ficção e da narrativa pessoal ressoa profundamente com o trabalho de Zhang”.

Desta forma, e com recurso “a um processo de montagem de fragmentos provenientes da literatura, da memória e da experiência vivida”, as composições da artista “movem-se entre o real e o imaginado, criando narrativas visuais simultaneamente complexas e introspectivas”.

Citada pela mesma nota, Kay Zhang disse que “ao longo dos anos o meu trabalho esteve sempre ligado à literatura, à memória e ao corpo”, sendo que “Delta of Venus” representa “simultaneamente uma reflexão e um novo começo”. Trata-se de um projecto que inclui “obras de diferentes períodos, mas marca também um regresso ao trabalho manual, à colagem, à pintura e a uma forma de criação mais intuitiva e pessoal”.

“Espero que os visitantes possam dedicar tempo, observar com atenção e encontrar a sua própria ligação com estas obras”, adiantou a artista. Na galeria Amagao podem ver-se “obras anteriores, definidas por tons ricos e detalhes minuciosos, que são apresentadas lado a lado com trabalhos mais recentes, e que adoptam uma expressão mais leve e fluida”.

“Esta mudança reflecte uma transformação mais profunda na abordagem da artista, passando da intensidade para uma sensação mais serena de liberdade, onde a expressão é guiada mais pelo instinto do que pela expectativa”.

A co-curadoria desta exposição está a cargo de Ieong Man Pan, que sobre o título desta mostra explicou fazer referência “a uma obra literária onde a verdade, ficção e memória coexistem numa narrativa profundamente pessoal”, algo que está “muito alinhado com a prática de Kay Zhang”.

“As suas obras não são representações directas da realidade, mas sim espaços construídos onde fragmentos de experiência se unem. O que vemos pode ser montado, mas o que sentimos é real”, referiu Ieong Man Pan.

No trabalho de Kay Zhang “a colagem continua a ser central”. “Ao cortar, sobrepor e reconstruir imagens, Zhang cria composições que se revelam íntimas, mas abertas a múltiplas interpretações. A presença recorrente da figura humana surge de forma subtil e contemplativa, convidando os visitantes a observar em vez de interpretar, e a relacionarem-se com a obra de forma pessoal”, é acrescentado.

“Delta of Venus” oferece “uma exploração silenciosa, mas poderosa, da identidade, da memória e da transformação”, sendo que “através de composições delicadas e narrativas em camadas, a exposição desdobra-se como páginas de um diário privado, proporcionando a cada visitante momentos de reflexão, curiosidade e conexão”. “Delta of Venus”, o livro de Anaïs Nin, foi publicado pela primeira vez em 1978, explorando o tema da sexualidade da mulher em conjugação com outras partes da sua vida.

11 Mai 2026

Saracoteio recebe 60 filmes e vídeos sobre dança

Um programa lançado por festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde recebeu cerca de 60 filmes e vídeos de dança provenientes de seis países de territórios lusófonos, disse a organização à Lusa.

Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o Saracoteio – Dança no Ecrã recebeu obras de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e do território. “Alguns artistas destes locais até trabalharam em conjunto para apresentar obras de colaboração”, sublinhou a bailarina, que tem nacionalidade portuguesa.

“O processo de selecção terá início em breve. Esperamos ter os resultados até ao final de Maio”, acrescentou Wong. A convocatória para o Saracoteio esteve aberta até 30 de Abril a obras de autores ou produtores “naturais ou residentes em países ou regiões de língua oficial portuguesa”.

A iniciativa é do Rollout, em parceria com a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde. As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro.

Estreitar laços

Em declarações à Lusa em Abril, Mary Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens.

No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à região chinesa. As autoridades chinesas “estão a promover esta forte ligação entre os países lusófonos e a China, através de Macau, claro. Acho que essa é a grande narrativa”, afirmou Wong.

Mas Wong acredita que, na esfera da cultura, é mais importante criar “fortes ligações” entre artistas do que esperar por políticas governamentais. A bailarina sente também “um laço emocional” com Portugal.

Wong esteve três meses em Lisboa para um programa de intercâmbio de dança, em 2014. Três anos depois, começou um mestrado em Estudos de Cultura na Universidade Católica. “A cultura é muito diferente. As oportunidades de financiamento são muito mais fáceis aqui. E isso permite-nos fazer este tipo de intercâmbios internacionais com melhores recursos”, diz a bailarina.

Por outro lado, “precisamos de mais diversidade nas nossas criações artísticas”, defendeu Wong. “E isso será melhorado se tivermos uma perspectiva diferente, do ecossistema ocidental”, acrescentou.

11 Mai 2026

Crime | Adolescente esfaqueia homem na marginal do Lam Mau

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) recebeu uma denúncia às 22h30 da noite de sábado a dar conta de uma zaragata que envolveu o esfaqueamento de um homem de 22 anos por um jovem de 14 anos.

Segundo o jornal Ou Mun, o caso aconteceu na Avenida Marginal do Lam Mau, perto do edifício Van Sion Son Chun, e envolveu um grupo de sete pessoas, todas residentes. As informações avançadas pelas autoridades não permitem concluir que se o menor suspeito faria parte do grupo ou não, e qual terá sido a origem da altercação, com o CPSP a informar que não era “conveniente” revelar detalhes.

Segundo o relato, as agressões surgiram depois de uma discussão entre o jovem, o homem esfaqueado e uma mulher. Durante a disputa, o jovem desferiu golpes no homem de 22 anos com uma faca cuja lâmina mede 17,5 centímetros, mas o suspeito também acabou ferido.

Os dois envolvidos foram levados ao hospital e ontem, por volta do meio-dia, o menor já tinha recebido alta hospitalar, enquanto o indivíduo de 22 anos permanecia internado. O caso foi encaminhado ao Ministério Público

Droga | Casal de Hong Kong detido por tráfico

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um casal de Hong Kong, por suspeitas de tráfico de cocaína.

O caso foi apresentado na sexta-feira, depois da detenção ter ocorrido na quinta-feira. Os dois detidos encontravam-se no hotel, no NAPE, quando terão actuado de forma suspeita, o que segundo o jornal Ou Mun gerou uma queixa dos funcionários do espaço à polícia.

Quando os agentes da PJ entrarem no quarto onde os suspeitos estavam hospedados encontrou três pacotes com cocaína avaliada em 83.300 dólares de Hong Kong. Além disso, as autoridades apreenderam um recipiente de vidro, um tubo e um isqueiro, considerados equipamentos para o consumo das drogas. Os detidos têm entre 59 e 68 anos e declararam estar desempregados. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

11 Mai 2026

Suicídio | Casos fatais caem até Março após recorde em 2025

Macau registou menos mortes por suicídio no primeiro trimestre de 2026, depois de ter terminado 2025 com um número recorde de suicídios. Nos primeiros três meses deste ano, 15 pessoas tomaram a sua própria vida, menos duas em relação ao mesmo período do ano passado

Durante os primeiros três meses deste ano, o número de mortes por suicídio em Macau caiu para 15, menos duas face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Macau, que tem uma população de cerca de 689 mil habitantes, registou 91 casos de suicídio em 2025, mais cinco do que no ano anterior e o número mais elevado desde que começaram os registos, em 1990.

No final de Março, os Serviços de Saúde (SS) incentivaram a população a procurar apoio de saúde mental, chamando a atenção para o estigma que continua a afastar os residentes do acesso a tratamento psicológico. O director do hospital público Conde de São Januário, Tai Wa Hou, explicou que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional.

Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes. Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico.

Não vejo, não existe

Citando a Organização Mundial da Saúde, os SS referiram que uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre de problemas de saúde mental, e que a ansiedade e a depressão causadas pelo stress aumentam ano após ano.

Desde Maio do ano passado que os SS deixaram – sem aviso prévio – de divulgar publicamente dados oficiais sobre suicídio, que anteriormente eram publicados de forma trimestral.

De acordo com os dados mais recentes do gabinete do secretário para a Segurança, na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, menos 24 do que em igual período do ano anterior. Os dados mostram que pelo menos 14 crianças dos 5 aos 14 anos tentaram pôr fim à vida entre Janeiro e Junho do ano passado em Macau, o dobro do registado no mesmo período de 2024.

Segundo a emissora pública TDM, o maior número de tentativas de suicídio (30) aconteceu na faixa etária entre os 15 e os 24 anos, enquanto dois terços (67) foram levadas a cabo por mulheres.

Em 28 de Abril, também o gabinete do secretário para a Segurança anunciou que irá deixar de realizar as habituais conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados da criminalidade, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. O balanço da criminalidade em 2025 em Macau não inclui quaisquer dados sobre tentativas de suicídio.

Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 para obter aconselhamento emocional.

11 Mai 2026

Praias | Chan Lai Kei quer mais flexibilidade de utilização

O deputado Chan Lai Kei defende mais flexibilização na utilização das praias do território, em especial depois da época balnear. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian, através de uma interpelação escrita.

Segundo o legislador, actualmente “há bastantes restrições relativamente ao uso terrestre das praias” que se agravam com o encerramento da época balnear, quando as “praias deixam de estar abertas para actividades de natação no mar”. Este cenário, considera, “acaba por restringir a experiência recreativa dos cidadãos e visitantes nas praias de Macau em diferentes épocas do ano, não obstante o facto de estas permanecerem abertas ao longo do ano”.

Por isso, e uma vez que o legislador defende que as praias podem ser um elemento para promover o turismo, quer saber se as autoridades vão “flexibilizar, moderadamente, as restrições ao uso terrestre das praias, para revitalizar melhor os recursos desses espaços”.

O deputado reconhece que a exploração das praias tem de acontecer “dentro de um equilíbrio entre a protecção ambiental, a gestão diária e a segurança pública”. O deputado quer que as praias sejam enriquecidas a nível comercial, e que as das instalações complementares, como casas-de-banho e balneários, sejam renovadas.

11 Mai 2026

Lusofonia | Fórum divulga em Junho índice de infra-estruturas

Um fórum internacional, que irá decorrer em Macau entre 10 e 12 de Junho, vai divulgar, pelo quarto ano consecutivo, o Índice de Desenvolvimento de Infra-estruturas nos Países de Língua Portuguesa.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau indicou que a nova edição do índice faz parte do programa do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF, na sigla em inglês). Numa conferência de imprensa realizada em Pequim, a organização do IIICF afirmou que já estavam inscritas mais de 800 empresas e 3.500 convidados de 69 países e regiões.

Um número que inclui mais de 60 ministros e secretários de Estado, dirigentes de 20 instituições financeiras, representantes de 10 organizações internacionais e presidentes de 20 associações comerciais estrangeiras.

O programa do IIICF inclui o Fórum de Cooperação Económica, Comercial e em Infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na exposição será instalada uma zona dedicada a Macau e a Hengqin, “com apresentação dos resultados da cooperação em infra-estruturas entre a China e os países lusófonos”, declarou o IPIM.

A última edição do IIICF terminou com a assinatura de 31 acordos, no valor de total de 10,1 mil milhões de dólares, e um terço envolveram empresas dos mercados lusófonos.

11 Mai 2026

DSF | Despesa pública cai 3,9% até Abril apesar de apoios sociais

As despesas públicas de Macau caíram 3,9 por cento nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período de 2025. Até Abril, foram gastos dos cofres públicos mais de um quinto das despesas previstas para o ano corrente

Entre Janeiro e Abril deste ano, a despesa pública da RAEM diminuiu 3,9 por cento em termos homólogos, de acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), apesar da aposta do Governo em apoios sociais. Até ao final de Abril, Macau gastou 23,1 mil milhões de patacas, 21,2 por cento do previsto para todo o ano, apesar dos gastos em apoios e subsídios sociais terem crescido quase 9 por cento, para 12,7 mil milhões de patacas.

O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento de 2025, para reforçar os apoios sociais.

Bicos de obra

A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 17,4 por cento até Abril, para 4,66 mil milhões de patacas.

O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro.

As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 2,1 por cento, para 4,83 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo.

Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 17,6 por cento nos primeiros quatro meses de 2026, para 40,3 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 16,9 por cento, para 34,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,5 por cento do total.

Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,2 mil milhões de patacas, mais 72,1 por cento do que até Abril de 2025.

No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

11 Mai 2026

Angela’s Café apresenta espectáculo dia 16

O Angela’s Café, situado no Lisboeta Macau, no Cotai, apresenta no próximo dia 16 de Maio, sábado, a actuação “First Beats Where the Music Begins”, com três músicos de Macau: Chak Seng Lam, Gregory Wong e Winky Lei. Segundo um comunicado da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), estes músicos apresentam “um programa de solos de saxofone e duetos de trombone”, com o qual os presentes “poderão saborear a cozinha portuguesa e macaense de assinatura, deixando-se envolver pelos ritmos comoventes do jazz”.

A ideia é criar, com esta actuação, “uma celebração multissensorial onde o paladar e o som convergem”. Cada entrada custa 298 patacas, com o espectáculo a ter início às 19h. Esta entrada inclui um cocktail de boas-vindas e petiscos tipicamente portugueses, onde não faltarão bitoque com bife de alcatra, caldo verde, creme de leite ou salada de bacalhau.

“First Beats Where the Music Begins” é “um novo passo do Lisboeta Macau no fomento do intercâmbio cultural através das artes performativas”, destaca a mesma nota. O objectivo da SJM é, assim, “trazer novas surpresas culturais a residentes e visitantes”, apoiando, ao mesmo tempo, “a visão de Macau como ‘Cidade da Gastronomia’ e ‘Cidade das Artes Performativas'”.

Lembrar os anos 50

O que se pode esperar na noite de sábado, 16, é uma actuação “de jazz suave”, acrescentando-se “calor ao ambiente nostálgico dos anos 50”. “As vibrações do saxofone e o tom profundo e rico do trombone ecoam com a decoração retro, permitindo aos convidados sentir o espírito de uma elegância intemporal”, destaca a SJM.

Quanto aos músicos presentes em palco, Chak Seng Lam é licenciado pelo Conservatório Real de Música de Haia, e é saxofonista e professor. Gregory Wong, por sua vez, é um trombonista de jazz macaense, foi formado pelos mestres Chu Ping-shan e Zé Eduardo, e está muito ligado ao jazz em Portugal. “As suas actuações abrangem géneros clássicos e populares, e a vasta experiência em palco em diversas produções consolidou-o como uma figura representativa da cena jazzística de Macau”, é descrito.

Já Winky Lei é licenciada pela Universidade Nacional de Tsinghua e é professora de trombone, trabalhando também ao nível da interpretação.

8 Mai 2026

EUA | Pequim considera Taiwan crucial para boa relação

O Governo chinês afirmou ontem que a questão de Taiwan é essencial para garantir relações estáveis, saudáveis e sustentáveis com os Estados Unidos, nas vésperas do encontro em Pequim entre os líderes dos dois países. Em conferência de imprensa, o portavoz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou que Taiwan constitui o núcleo dos interesses fundamentais da China e a base política das relações entre Pequim e Washington.

“É uma obrigação internacional que a parte norte-americana deve cumprir”, acrescentou o porta-voz, sublinhando que, para manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, “é necessário opor-se claramente à independência” da ilha.

Estas declarações surgem dois dias após o secretário de Estado norteamericano, Marco Rubio, ter adiantado que Taiwan “será tema de conversa” no encontro entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo norte-americano, Donald Trump, marcado para 14 e 15 de Maio, segundo a Casa Branca.

“Entendemos que os chineses compreendem a nossa posição sobre esta questão, nós compreendemos a deles. E acredito que ambas as partes – sem antecipar o que acontecerá nas conversas – entendem que nenhum dos lados deseja que ocorra algum acontecimento desestabilizador naquela região do mundo”, afirmou Rubio.

8 Mai 2026

SJM | Operadora com prejuízos no primeiro trimestre

A operadora de jogo de Macau SJM Holdings registou um prejuízo de 62 milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre deste ano. Segundo um comunicado publicado ontem pela empresa, as receitas líquidas caíram 21,1 por cento, para 5,9 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre completo após o fecho definitivo dos ‘casinos-satélite’ do território em Dezembro passado.

As receitas brutas do jogo da operadora também recuaram 18,8 por cento para 6,1 mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais a caírem 4,3 por cento para 917 milhões de dólares de Hong Kong. A quota de mercado da operadora de jogo em Macau encolheu também para 9,6 por cento, face aos 13,5 por cento registados no mesmo período de 2025.

A empresa teve de fechar oito casinos no ano passado, devido a alterações legislativas em Macau que acabaram com o antigo modelo de casinos geridos por terceiros, conhecidos como ‘casinos-satélite’. Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada das concessionárias, eram geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002.

Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo. A presidente da SJM, Daisy Ho Chiu-fung, sublinhou em comunicado que o grupo demonstrou “disciplina operacional rigorosa” no primeiro trimestre sob o novo modelo de gestão directa.

Por partes

O Grand Lisboa Palace, a maior propriedade da operadora, viu as receitas aumentaram para 2,07 mil milhões de dólares de Hong Kong, no entanto, os lucros operacionais caíram para 58 milhões de dólares de Hong Kong, devido ao aumento dos custos. O Grand Lisboa registou receitas de dois mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais estáveis em 425 milhões de dólares de Hong Kong.

Já os outros casinos da operadora, Casino Lisboa, Casino L’Arc Macau e Casino Oceanus, viram as receitas do jogo disparar 83,6 por cento, quando comparados com o mesmo período do ano passado, para 2,47 mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais a subirem 44,4 por cento, para 494 milhões de dólares de Hong Kong.

A empresa adquiriu, por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong um dos ‘casinos-satélite’ que teria de fechar, o Casino Royal Arc, e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço. Nos primeiros quatro meses deste ano os casinos do território registaram uma subida de 12,1 por cento nos resultados brutos de jogo em relação ao ano anterior, reportando um total de 85,8 mil milhões de patacas.

8 Mai 2026

Irão e Myanmar marcam reunião de líderes do Sudeste Asático

Os efeitos do conflito no Irão e da crise em Myanmar marcaram ontem o arranque das reuniões de líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN na sigla em inglês).

“A actual crise no Médio Oriente e as repercussões de grande alcance, como a interrupção do fluxo de energia, rotas comerciais, fornecimento de alimentos, cadeias de abastecimento e a segurança dos nossos cidadãos, recorda-nos que acontecimentos além da nossa região podem ter efeitos imediatos e profundos na ASEAN”, declarou a ministra filipina dos Negócios Estrangeiros, Theresa Lazaro, anfitriã do conclave.

A chefe da diplomacia filipina abriu os trabalhos na reunião em que participaram os homólogos da região, antes da cimeira de primeiros-ministros e presidentes do bloco, prevista para hoje na cidade de Cebu, região central do arquipélago.

O Sudeste Asiático, fortemente dependente das importações energéticas do Médio Oriente, sofreu um grande impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do comércio mundial de crude, na sequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

As Filipinas, um dos países mais afectados, declararam em Março o estado de emergência energética, como medida para enfrentarem a escassez de combustível, enquanto Tailândia, Vietname, Laos e Myanmar (antiga Birmânia) também aplicaram medidas para lidar com a situação.

A diminuição do comércio de derivados como a ureia, fertilizante essencial para a agricultura, levantou preocupações entre os países presentes devido ao impacto na segurança alimentar da região. À margem da reunião, está igualmente previsto um encontro entre líderes políticos de Brunei, Filipinas, Indonésia e Malásia.

Os ausentes

Mais uma vez, Myanmar não se fará presente nos trabalhos da ASEAN, devido ao veto imposto aos militares golpistas nas reuniões de alto nível da organização, na sequência do golpe de Estado de Fevereiro de 2021.

Na altura, os líderes da ASEAN e o actualmente nomeado Presidente do país e do Governo militar, líder do golpe, general Min Aung Hlaing, acordaram um “roteiro” de cinco pontos para resolver o conflito, incluindo a libertação de presos políticos e o fim da violência contra civis, que produziu escassos resultados até agora.

Min Aung Hlaing foi nomeado recentemente Presidente do país, em corolário de uma alegada transição política do regime, depois de eleições realizadas entre dezembro e janeiro, em clima de repressão e sem oposição representativa. Na semana passada, foi anunciada a passagem para prisão domiciliária da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe que depôs o seu governo, embora persistam dúvidas sobre a sua situação.

Manila pediu na quarta-feira ao governo militar birmanês que permita a Lazaro, enviada especial da ASEAN para Myanmar, verificar o estado de Suu Kyi. A ministra filipina adiantou no discurso inaugural que “informará os homólogos sobre os avanços” nos cinco pontos de consenso acordados com os militares.

Criada em 1967, a ASEAN integra Singapura, Malásia, Vietname, Indonésia, Tailândia, Filipinas, Myanmar, Brunei, Laos, Camboja e Timor-Leste, desde Outubro de 2025.

8 Mai 2026

Hong Kong | Subida de 8% nos turistas durante feriados do 1 de Maio

Hong Kong recebeu 1,19 milhões de visitantes durante os cinco dias de feriados do Dia do Trabalhador, mais 8 por cento do que no mesmo período de 2025.

O Departamento de Imigração da região chinesa anunciou na quarta-feira à noite que a esmagadora maioria dos turistas vieram da China continental: 1,01 milhões, um aumento de 10 por cento em relação à chamada ‘semana dourada’ de 01 de Maio do ano passado. O secretário para a Administração de Hong Kong, Eric Chan Kwok-ki, disse que o crescimento no número de visitantes trouxe “benefícios consideráveis” a sectores como o retalho, a restauração e a hotelaria.

“Representantes de alguns centros comerciais indicaram que o consumo em diversas categorias do retalho apresentou aumentos de dois dígitos em relação ao ano anterior”, sublinhou Eric Chan. Já os negócios dos restaurantes situados em áreas turísticas “aumentaram cerca de 20 por cento no mesmo período”, acrescentou o governante.

Hong Kong recebeu em média cerca de 200 mil visitantes do interior da China durante a ‘semana dourada’, com o pico atingido em 02 de Maio, dia em que cerca de 260 mil turistas chineses entraram na região. A taxa geral de ocupação hoteleira atingiu 90 por cento, ligeiramente superior à dos feriados do Dia do Trabalhador de 2025, enquanto os preços dos quartos de hotel aumentaram 10 por cento.

As ‘semanas douradas’ são usadas como indicador da actividade económica da China, que procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia de covid-19.

A vizinha região chinesa de Macau recebeu quase 873 mil visitantes durante os cinco dias de feriados do Dia do Trabalhador, mais 2,7 por cento do que no mesmo período de 2025, mas inferior à previsão de 1,1 milhões feita pelas autoridades. O segundo dia do Dia do Trabalhador, 02 de Maio, fixou um novo máximo histórico de Macau, com quase 248 mil turistas a entrarem no território.

Números inéditos

A China terminou a ‘semana dourada’ com um novo recorde máximo de quase 1,52 mil milhões de viagens domésticas, apesar do impacto da crise energética resultante da guerra no Médio Oriente nos custos de transporte e logística. As viagens entre 01 e 05 de Maio aumentaram 3,49 por cento face ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Transportes chinês na quarta-feira.

O transporte ferroviário voltou a representar uma importante fatia das viagens domésticas, com mais de 106 milhões de passageiros durante os feriados. O dia 1 de Maio registou um recorde de 24,84 milhões de passageiros, informou a empresa ferroviária estatal.

O transporte rodoviário ultrapassou 1,39 mil milhões de viagens, impulsionado pelo turismo interno e pelo aumento das viagens familiares e regionais durante a ‘semana dourada’. Em contraste, o tráfego aéreo atingiu 10,54 milhões de passageiros durante os feriados, uma quebra de 5,74 por cento face ao mesmo período de 2025.

8 Mai 2026

DeepSeek poderá valer 38 mil milhões de euros com apoio de fundo estatal chinês, segundo Financial Times

O maior fundo de semicondutores apoiado pelo Estado chinês está a liderar a primeira ronda de financiamento da DeepSeek, ‘start-up’ de inteligência artificial, cuja valorização poderá atingir 45 mil milhões de dólares. O China Integrated Circuit Industry Investment Fund, normalmente referido como o “Big Fund”, procura liderar o investimento na DeepSeek, segundo quatro pessoas com conhecimento das negociações, citadas pelo jornal britânico Financial Times.

Outros investidores ainda em conversações para adquirir participação incluem o gigante tecnológico chinês Tencent, embora a composição final ainda não tenha sido definida, acrescentou o jornal. A DeepSeek ganhou destaque em Janeiro de 2025 com o lançamento do R1, um modelo de linguagem de código aberto, que a empresa disse ter sido treinado com apenas uma fracção da capacidade computacional utilizada por modelos desenvolvidos por rivais norte-americanos, como a OpenAI.

A valorização da DeepSeek aumentou significativamente face aos 20 mil milhões de dólares estimados no início das negociações há apenas algumas semanas, à medida que os investidores apostam no potencial do laboratório, apesar da falta de foco na comercialização.

Liang Wenfeng, bilionário fundador da ‘start-up’ com sede em Hangzhou, leste da China, poderá também investir pessoalmente nesta ronda, segundo duas das fontes. Liang controla 89,5 por cento da DeepSeek através de participações pessoais e grupos afiliados, de acordo com documentos da empresa.

O apoio do fundo governamental da China reforçaria a posição da DeepSeek como líder no desenvolvimento de modelos avançados de IA no país, além de promover um ecossistema chinês integrado de modelos, software e ‘chips’ domésticos.

Dividir por três

A China lançou o apoio ao “Big Fund” em três fases, dando expressão à política de auto-suficiência tecnológica do Presidente chinês, Xi Jinping, face aos esforços dos EUA de restringir o acesso do país a tecnologias como equipamentos avançados de produção de semicondutores.

O fundo reuniu 47 mil milhões de dólares do ministério das Finanças, governos locais e bancos estatais na terceira ronda de financiamento em 2024, e está mandatado para investir em equipamentos e materiais para semicondutores. Até agora, não apoiou publicamente nenhuma outra empresa de grandes modelos de linguagem (LLM) na China.

A DeepSeek anunciou, no lançamento do mais recente modelo V4, que este foi otpimizado para executar inferência – o cálculo que os LLMs usam para gerar respostas – nos ‘chips’ Ascend 950PR do grupo Huawei. As vendas de ‘chips’ de IA da Huawei dispararam este ano, ultrapassando na China a Nvidia, maior fornecedora mundial de ‘chips’ de IA, cujos produtos avançados continuam proibidos de entrar no país, noticiou o Financial Times na semana passada.

8 Mai 2026

Divisas estrangeiras | Reservas chinesas aumentam 2,05% em Abril

As reservas chinesas de divisas estrangeiras aumentaram 2,05 por cento em Abril face a Março, atingindo cerca de 3,41 biliões de dólares, informou ontem a Administração Estatal de Divisas (SAFE) da China. O crescimento mensal corresponde a aproximadamente 68,4 mil milhões de dólares, segundo a instituição, que o atribuiu à descida da cotação do dólar e à evolução desigual dos preços dos principais activos financeiros globais.

“A China continua a consolidar a sua tendência de melhoria económica, com resiliência e dinamismo do desenvolvimento que se reforçam, o que contribui para que o tamanho das reservas de divisas se mantenha basicamente estável”, indicou o comunicado. Em 2025, as reservas de divisas estrangeiras chinesas cresceram 4,86 por cento, terminando o ano em 3,36 biliões de dólares.

Em outro documento publicado ontem, a SAFE revelou ainda que aumentou as reservas de ouro de 74,38 milhões de onças para 74,64 milhões em Abril, registando o 18.º mês consecutivo de crescimento. Após fortes correcções registadas após o ouro ter atingido máximos históricos no início do ano, o valor dessas reservas ascendeu a cerca de 344,17 mil milhões de dólares, face aos 342,76 mil milhões registados no final de Março.

8 Mai 2026

Letras&Companhia | Afonso Cruz apresenta hoje “Assim, mas sem ser Assim”

O escritor Afonso Cruz, nome sonante da literatura portuguesa contemporânea, apresenta hoje na Livraria Portuguesa, a partir das 18h30, a sua obra “Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo”, no âmbito do festival Letras&Companhia. Eis uma história sobre o significado de misantropo do ponto de vista de um jovem que é incentivado a comunicar pelo pai. A edição deste ano do Festival é subordinada ao tema “A minha Cidade”

O Festival Letras&Companhia, que arrancou esta semana, tem hoje um dos momentos altos do evento, com a apresentação do livro para a infância de Afonso Cruz, intitulado “Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo”. A sessão decorre na Livraria Portuguesa a partir das 18h30, revelando-se ao público local uma história sobre o significado de um misantropo, diálogos entre um pai e um filho e a importância de comunicar com o que está à volta.

Segundo a sinopse da obra, editada pela Caminho, a história traz “um brilhante conjunto de situações e de personagens do quotidiano com um acento de reflexão sobre a actualidade social – a Crise – de forma acessível e sensível aos mais jovens”. “O meu pai diz que passo muito tempo em casa, diz que devo comunicar com as pessoas, e eu, claro, obedeço porque o meu pai costuma dar bons conselhos e usa barba. Muito bem, disse-lhe eu, mas o que significa misantropo?”, questiona-se na obra.

Na descrição do livro feita pela Caminho, descreve-se como esta é uma história que “põe a nu os desequilíbrios e desajustes de um microcosmos muito particular: os vizinhos que partilham os vários andares do prédio onde vive e com os quais é ‘incentivado’ pelo pai (que tem barba e dá bons conselhos) a ‘comunicar’, procurando entabular com eles algumas conversas, com maior ou menor resistência da parte dos visados”.

Assim, “as situações criadas nestas tentativas de comunicação estão pontuadas pelo humor que decorre do cómico de situação ou de personagem, como acontece quando toca à campainha do vizinho poeta durante quatro minutos e vinte e três segundos”.

Sempre que o jovem tenta comunicar há uma certa “espontaneidade de encontros esporádicos entre vizinhos”, sendo que o leitor percebe “um sistema particular do narrador com vista a alargar as suas capacidades ‘comunicativas’, revelando, em alguns momentos, características de uma estratégia quase científica, porque as conclusões retiradas decorrem da observação atenta e crítica dos ‘fenómenos'”, lê-se.

“Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo” destina-se “quer a crianças quer a adultos”, sendo “uma espécie de revelação de uma verdade universal que preferimos esconder ou ignorar, sob a capa de cariz mais ou menos social ou político”. Há uma “mensagem implícita”, como a ideia de que “a relação das pessoas umas com as outras e com o mundo necessita de ser repensada e perspectivada segundo um ponto de vista mais humano e mais justo”.

Outras letras

Entretanto, o “Letras&Companhia – Festival Literário para Pais e Filhos” traz amanhã a cerimónia oficial de abertura que decorre, a partir das 15h30, na Escola Portuguesa de Macau, com destaque para a realização “de um mini-concerto escolar a cargo da Escola Sun Wah” e a entrega de mini-bibliotecas, “uma actividade anual que visa promover a leitura em português e dar a conhecer autores portugueses às crianças das escolas da RAEM”, com livros em português e chinês.

Também amanhã, mas ao final do dia, a partir das 18h, decorre a sessão “Ao entardecer a biblioteca I”, na sede do Instituto Português do Oriente (IPOR), que organiza o festival. Nesta sessão, o IPOR abre as suas portas “para que as crianças possam explorar o mundo misterioso onde os livros são guardiões do imaginário”, descreve o programa. O evento está pensado para crianças e jovens dos 8 aos 11 anos, tratando-se de um “programa que vai pela noite dentro até à manhã do dia seguinte, composto por oficinas criativas, sessões de leitura e dramatização de contos onde o fantástico, o suspense e a surpresa dominam”.

No domingo, decorre uma acção de formação pensada para formadores e professores com o ilustrador André Letria. “Ler o Livro, Ler o Mundo: O Poder do Álbum Ilustrado – Oficina de literacia visual” é o nome da iniciativa focada nos álbuns ilustrados para crianças e jovens, que são “muito mais do que simples histórias acompanhadas de imagens”, mas também “ferramentas poderosas para formar leitores plenos — capazes não só de decifrar palavras, mas também de ler, interpretar e questionar imagens”. A actividade decorre no IPOR entre as 10h e as 13h. Andrea Magalhães protagoniza também outra oficina, “O meu Mealheiro Colorido”, a partir das 11h, no IPOR.

O sexto festival Letras & Companhia aborda a relação entre as cidades e quem nelas vive, disse à Lusa a organizadora. A directora do IPOR disse que o tema desta edição, “A Minha Cidade”, partiu de um encontro com o ilustrador português André Letria. “Nós já tínhamos pensado que o tema (…) seria à volta do envolvimento das crianças com o espaço e o André tem uma série de mapas ilustrados”, explicou Patrícia Ribeiro.

André Leiria lançou o desafio e alunos de quatro escolas locais criaram “imensos mapas ilustrados” da região chinesa, cerca de 30 dos quais estarão expostos no IPOR de domingo até 24 de Maio.

O criador da editora Pato Lógico irá ainda lançar o seu próprio mapa de Macau e dinamizar oficinas sobre ilustração em escolas e uma formação de professores sobre literacia visual. As actividades já começaram na terça-feira, com o Mercado das Letrinhas, uma feira de livros infantis de autores lusófonos – alguns também disponíveis em chinês e inglês – que vai estar na Livraria Portuguesa até 24 de Maio.

8 Mai 2026

Jogo | Inaugurada primeira fábrica de baralhos

A Bee Macau abriu uma fábrica em Macau, que corresponde a um investimento de cerca de 500 milhões de dólares de Hong Kong. Apesar de ser a capital mundial do jogo, o território não tinha qualquer fábrica de baralhos de cartas

Um grupo da Bélgica e uma empresa de Macau anunciaram ontem o arranque da primeira fábrica de baralhos de cartas de jogo na capital mundial dos casinos.

Num comunicado, a Bee Macau indicou que a unidade nasce de um investimento de cerca de 500 milhões de dólares de Hong Kong. A Bee Macau resulta de uma parceria entre o grupo belga Cartamundi, um dos maiores fabricantes de baralhos de cartas do mundo e a empresa local Asia Pioneer Entertainment (APE), que está cotada na bolsa da vizinha região de Hong Kong.

Uma porta-voz da APE disse ontem à Lusa que os testes de produção de baralhos de cartas tinham começado em 2025, mas que a produção em grande escala só arrancou no primeiro trimestre de 2026. A APE e o Cartamundi assinaram um acordo de cooperação, que previa a “introdução de tecnologias avançadas de produção sustentável”, em 27 de Março, durante o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026.

O comunicado de ontem refere que o início oficial da produção em grande escala acontece “após testes bem-sucedidos e exportações iniciais” para operadoras de jogo em outras regiões asiáticas. A porta-voz da APE recusou-se a revelar o local da fábrica, alegando ser “segredo comercial”.

Riscos de importação

Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Mas o território “dependeu durante muito tempo de cartas de jogar importadas, o que gerava riscos na cadeia de abastecimento”, sublinhou o director geral da Cartamundi para a Ásia-Pacífico, Jason Pearce.

O executivo disse no comunicado que a abertura da fábrica “posiciona Macau não só como um centro global de jogo, mas também como produtor de material de alta qualidade para jogos”. “O mercado ganha finalmente uma opção local no fabrico de baralhos de cartas, abrindo as portas a uma verdadeira diversificação”, disse o director executivo da APE, Herman Ng Man Ho.

Citado no comunicado, o empresário afirmou que os baralhos cumprem os requisitos regulatórios para poderem também ser exportados e usados em casinos de todo o mundo. De acordo com a mesma nota, o presidente da Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau, Alan Ho, disse que a nova fábrica poderá “abrir em conjunto os vastos mercados” dos dois blocos.

Em Janeiro, a empresa da Malásia Mega Fortris abandonou planos, anunciados em Outubro, para produzir baralhos de cartas de jogo em Macau e lamentou a dificuldade em encontrar instalações e as elevadas rendas.

8 Mai 2026

Metro / Elevadores | Manutenção custa até 17,4 milhões

A manutenção dos elevadores e escadas rolantes do Metro Ligeiro vai custar até 17,4 milhões de patacas até 2029. O anúncio do resultado do concurso público para a adjudicação do serviço foi revelado ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

A escolhida foi a empresa local Companhia de Elevadores Germantech Limitada, que apresentava a terceira proposta mais cara entre as cinco participantes. A proposta mais baixa foi apresentada pela Otis Elevator Company (H.K.) Limited, com um preço de 13,3 milhões de patacas. No polo oposto, o valor mais elevado partiu da Kwongo Serviços de Engenharia Companhia Lda, com 22,7 milhões de patacas. O serviço vai começar a ser disponibilizado no início do próximo mês e prolongar-se-á até 31 de Maio de 2029.

Mais fácil transportar bicicletas

A partir de sábado, e até 30 de Agosto, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau vai reduzir as restrições ao transporte de bicicletas. Segundo o novo modelo, os passageiros podem levar consigo bicicletas aos dias do fim-de-semana, se as bicicletas não tiverem mais de 180 cm de comprimento e se removerem uma das rodas ou se as dobrarem.

As bicicletas com um comprimento original que não ultrapasse os 130 cm não necessitam de ser dobradas nem de ter rodas removidas. Entre segunda e sexta-feira, mantêm-se as restrições originais para o transporte de objectos, não podendo ser transportados no Metro objectos cuja soma do comprimento, largura e altura exceda os 170 cm, nem cujo comprimento de qualquer dos lados ultrapasse os 130 cm.

8 Mai 2026

Don Donki | Obras resultam em condenações em Hong Kong

Duas pessoas foram condenadas em Hong Kong com penas de prisão pela prática de corrupção, em contratos de obras renovação para lojas japonesas, entre as quais o supermercado “Don Don Doki”, em Macau, que implica dois contratos avaliados em 25 milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo o ICAC – Comissariado contra a Corrupção de Hong Kong – o caso remonta a 2019, quando a empresa KLC ficou encarregue de encontrar as empresas para renovar duas lojas: a Tokyo Lifestyle, em Kowloon, e o supermercado Donki Japan em Macau.

A empresa KLC atribuiu às empresas RNK e FEL as obras. Contudo, Pian Pang Ka-shin, responsável pela empresa KLC, confessou ter sido subornada em mais de 230 mil dólares de Hong Kong, entre Junho de 2019 e Janeiro de 2022, para atribuir os trabalhos. Em Agosto de 2025, Piang foi condenada a três meses de prisão, depois de ter confessado os factos.

Na quarta-feira, o Tribunal de Kowloon City condenou mais dois dos três arguidos por corrupção. Li Po-wah, director e accionista da RNK, e Pang Wai-yin, antigo supervisor das instalações da RNK, vão ter, cada um, de cumprir uma pena de prisão de seis meses. Segundo o tribunal, ficou provado que os dois pagaram um suborno de 170 mil dólares de Hong Kong a Pian Pang Ka-shin, pagamento que valeu a atribuição de um dos contratos.

Em relação ao arguido Yung Chor-chi, operador da FEL, o tribunal entendeu que não havia provas suficientes para haver qualquer condenação.

8 Mai 2026

Governo quer estender inventário do Património Cultural Intangível

O Governo de Macau prometeu ontem alargar, até ao final do ano, o Inventário do Património Cultural Intangível do território. A promessa foi feita pela presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, após uma reunião do Conselho do Património Cultural de Macau, ao qual Leong também preside.

Na lista de novas manifestações culturais a serem protegidas, constam três propostas macaenses. São elas o chá gordo, um lanche festivo com dezenas de iguarias, a Tuna Macaense, que toca músicas no dialecto crioulo macaense, o patuá; e o ‘batê saia’, uma arte decorativa de recorte de papel de seda ou papel rendado.

Além de um inventário, Macau tem ainda uma Lista do Património Cultural Intangível, que abrange “as manifestações de maior valor, incluindo aquelas que sejam representativas de tradições sociais relevantes, (…) e passam a usufruir de um maior grau de protecção”.

Na agenda da reunião, esteve um ponto de situação do estado de salvaguarda do património cultural intangível do território. Leong sublinhou que o Executivo realizou “muitos trabalhos em vários aspectos”.

A dirigente lembrou que o Fundo de Desenvolvimento da Cultura criou um programa para dar “mais recursos” financeiros às entidades nomeadas para proteger e promover as diferentes manifestações culturais. Mas Leong acrescentou que o Governo também tem trabalhado na “promoção e sensibilização” para a importância da salvaguarda do património cultural intangível de Macau.

A dirigente deu como exemplo um programa de formação nas escolas, criado em 2025, para “as novas gerações que querem ser transmissores do património cultural intangível”. O programa é para continuar este ano, uma vez que “obteve resultados positivos. Temos muitos candidatos, muitos jovens querem trabalhar nesta área”, sublinhou a presidente do IC.

Natas & Companhia

O Inventário do Património Cultural Intangível já inclui o Dia dos Finados chinês, conhecido como ‘Cheng Ming’, no 15.º dia após o solstício de Primavera, no início de Abril, e o ‘Chong Yeong’, o dia de Culto dos Antepassados, a 9 de Setembro.

Em Outubro, a região inscreveu na lista 12 novas manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e os pastéis de nata locais. Em 2019, Macau já tinha inscrito como património cultural intangível as procissões católicas do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e de Nossa Senhora de Fátima, a gastronomia macaense e o teatro em patuá. Em 2021, a gastronomia macaense e o teatro em patuá foram também incluídos pela China na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional.

8 Mai 2026

Combustíveis | Subsídio de 3,3 patacas por litro de gasóleo

O Governo vai subsidiar a subida do preço do gasóleo e ajudar empresas a contornar despesas com combustível e inflação. O plano terá uma duração de dois meses, a começar na segunda-feira, implicando um investimento de 80 milhões de patacas para minorar o impacto da guerra no Irão

O Governo anunciou ontem um plano para subsidiar a compra gasóleo e atenuar o impacto da escalada dos preços dos combustíveis nas empresas locais. O plano entra em vigor na próxima segunda-feira, estendendo-se até 10 de Julho e irá apoiar a compra de gasóleo em 3,3 patacas por litro.

O director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, indicou ontem que o “plano visa aliviar a pressão sobre os custos e evitar que o aumento do preço do diesel seja repercutido nos preços de bens de consumo”.

No total, o Governo irá disponibilizar 80 milhões de patacas aos cinco operadores petrolíferos do território, que vão ficar obrigados a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, com auditores independentes a analisar as informações oferecidas e a verificar eventuais irregularidades, como registos falsos.

A medida apresentada ontem foi tomada na sequência da “instabilidade geopolítica internacional dos últimos tempos, que tem provocado flutuações contínuas nos preços globais dos produtos petrolíferos”.

A decisão de apenas subsidiar o gasóleo, deixando de fora a gasolina sem chumbo e a gasolina premium, foi explicada pelo facto de ser “o principal combustível para as empresas industriais e comerciais de Macau, constitui um bem de consumo essencial para as actividades industriais e comerciais”. Além disso, o Executivo acrescenta que “embora o preço da gasolina tenha subido em relação ao início de Março, o aumento tem sido significativamente mais moderado do que o do diesel e tem-se mantido relativamente estável”.

Próximos capítulos

De acordo com Yau Yun Wah, os utilizadores de gasóleo em Macau consomem cerca de 11 milhões de litros de gasóleo por mês, com aproximadamente 8.600 veículos movidos por esse combustível registados na cidade. “Os fornecedores de combustíveis aderentes deverão manter os descontos já praticados, aplicando o subsídio governamental sobre o preço depois do desconto. Os recibos terão de indicar o preço original e o montante do subsídio. E os postos de abastecimento vão afixar cartazes informativos sobre a medida”, indicou Yau.

Questionado sobre se o plano será mantido no caso de os preços dos combustíveis se manterem ou aumentarem, Yau sublinhou que se trata de uma medida “provisória, específica e limitada no tempo”, destinada a apoiar imediatamente os utilizadores de gasóleo e ajudar o sector a superar dificuldades. “Vamos continuar a monitorizar e a comunicar com o sector petrolífero e de acordo com a situação internacional”, acrescentou.

Actualmente, existe uma grande disparidade nos preços de combustíveis entre Macau e o Interior da China. Por exemplo, as gasolineiras de Zhuhai praticam preços máximos de gasóleo na ordem dos 8,14 yuan, metade do preço praticado em Macau.

Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no Interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais. João Luz / Lusa

8 Mai 2026

Veículos eléctricos | Quase 100 multas em 2025

No ano passado, a polícia passou 97 multas a veículos estacionados de forma indevido em lugares para carregamento de veículos eléctrico. A revelação consta de uma resposta a uma interpelação escrita do deputado Lee Koi In.

A resposta assinada pelo director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Chiang Ngoc Vai, indica que no ano passado “foram autuados 97 casos de veículos não eléctricos por estacionamento em lugares de estacionamento destinados a veículos eléctricos”. Entre 1 de Janeiro e 20 de Março deste ano, houve um total de 28 multas pelos mesmo motivos.

Na interpelação escrita, Lee Koi In mostrou-se também preocupado com as dimensões reduzidas dos parques de estacionamento. Chiang Ngoc Vai indicou que a DSAT tem tentado aumentar a área dos lugares. “Visando optimizar o ambiente de estacionamento, a DSAT tem vindo a proceder gradualmente, desde o ano passado, ao ajuste do comprimento dos lugares de estacionamento para automóveis ligeiros na via pública para uma média de cerca de 5,5 metros, tendo sido concluído o ajuste de mais de 1.500 lugares até 31 de Março de 2026”, apontou.

“No futuro, em articulação com o plano de instalação de lugares de estacionamento para carregamento da DSPA [Direcção de Serviços de Protecção Ambiental], proceder-se-á ao ajuste correspondente das dimensões dos lugares de estacionamento de acordo com as normas técnicas e sempre que as condições da obra o permitam, por forma a responder às necessidades de estacionamento e de carregamento dos veículos eléctricos”, acrescentou.

8 Mai 2026