Desenvolvimento Nacional | Nomeados membros para comissão

O Governo acaba de nomear os membros da Comissão de Trabalho para a Integração no Desenvolvimento Nacional.

Segundo um despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), são nomeados Chang Ngai, em representação do gabinete do Chefe do Executivo; Zhang Guohua, em representação do gabinete do secretário para a Administração e Justiça; e ainda Mai Pang, em representação do gabinete da secretária para a Economia e Finanças. No total, foram nomeados sete funcionários públicos.

O despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, determina que os mandatos destes membros têm a duração de dois anos.

Esta comissão, sob tutela do Chefe do Executivo, tem como missão “coordenar os planos gerais e trabalhos preparatórios de curto, médio e longo prazo da participação e contribuição da RAEM na construção de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, lê-se no portal do Governo.

Além disso, faz parte do trabalho desta entidade “estudar e traçar o planeamento global da promoção da construção de ‘Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base'”.

Fundo de Pensões | Diana Costa presidente por mais um ano

O Governo renovou a comissão de serviço de Diana Vital Costa, por mais um ano, na qualidade de presidente do conselho de administração do Fundo de Pensões.

A renovação teve início ontem mediante despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. No despacho lê-se que a nova nomeação acontece pelo facto de Diana Costa “possuir experiência e capacidade profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

2 Jul 2026

BRICS | Emitida dívida em Macau para apoiar projectos no Brasil

Segundo a Autoridade Monetária de Macau a operação de emissão de dívida ficou terminada e foi totalmente subscrita pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa

 

O banco do bloco BRICS emitiu pela primeira vez dívida em Macau, dinheiro que será para apoiar projectos no Brasil, país membro do bloco que integra também a China, anunciou ontem o regulador financeiro do território.
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) disse que a operação lançada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi formalmente concluída ontem, com o registo junto da central de depósito de valores mobiliários de Macau.

A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, detida pela AMCM, foi inaugurada em Dezembro de 2021. Num comunicado, o regulador sublinhou que a dívida, no valor de 50 milhões de dólares, foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.

A AMCM disse que os fundos angariados com a emissão de dívida “serão utilizados em projectos no Brasil”, sem revelar mais detalhes. “Esta emissão de obrigações é uma manifestação concreta da capacidade de Macau para desempenhar o papel de plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu o regulador.

Em Novembro, o Governo de Macau anunciou que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tinha assinado o primeiro acordo para ajudar uma empresa local, neste caso para expandir para o mercado de Timor-Leste.

Marcos históricos

Em Julho de 2024, o ex-secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Casimiro de Jesus Pinto, disse em Lisboa que o fundo tinha investido até à data 527 milhões de euros em 11 projectos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau.

Em Janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, também para financiar projectos nos países de língua portuguesa. O NDB – fundado como o grupo BRICS pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede na capital financeira e económica chinesa, Xangai, e a actual líder é a brasileira, Dilma Rousseff.

O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia e Rousseff foi reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

2 Jul 2026

SAFP | Leong Weng In continua como directora

Foi renovada a comissão de Leong Weng In como directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) por mais um ano, a contar desde ontem.

A informação consta num despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. Destaca-se que Leong Weng In “possui idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas ao desempenho de funções do cargo de directora” dos SAFP.

A responsável é licenciada em Direito em língua chinesa pela Universidade de Macau, tendo ainda um bacharelato em Tradução e Interpretação Chinês-Português, pelo antigo Instituto Politécnico de Macau – actual Universidade Politécnica de Macau.

Outra nomeação anunciada ontem foi a de Chan Chi Kin como subdirector da mesma direcção de serviços, também pelo período de um ano. A nomeação tem efeito desde ontem. Chan Sok Cheng foi também nomeada para o cargo de subdirectora dos SAFP nas mesmas condições.

Fundo de Cooperação | António Lei mantido no conselho fiscal

O Chefe do Executivo renovou a nomeação de António Lei Chi Wai para o cargo de presidente do Conselho Fiscal do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

A informação foi divulgada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, e a nomeação vai vigorar por mais um ano. António Lei Chi Wai desempenha o cargo de secretário-geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau desde 2025.

Ao longo da carreira profissional assumiu diferentes posições em serviços governamentais e instituições públicas, como a liderança do Departamento Jurídico e de Fixação de Residência, no Centro de Apoio Empresarial de Macau e do Departamento de Promoção Económica e Comercial com os Mercados Lusófonos do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Foi também director dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

2 Jul 2026

EUA | Magnata Guo Wengui condenado a 30 anos de prisão por fraude

Foto: Guo Wengui via Twitter / X

O magnata chinês Guo Wengui, empresário exilado nos Estados Unidos e antigo crítico de Pequim, foi ontem condenado a 30 anos de prisão por um tribunal federal de Nova Iorque por fraude que lesou mais de mil investidores.

A juíza Analisa Torres proferiu a sentença num tribunal de Manhattan, onde afirmou que Guo “explorou pessoas que procuravam levar a democracia à China”, utilizando o dinheiro dos investidores para sustentar um estilo de vida luxuoso.

Antes da leitura da sentença, Guo queixou-se das condições de detenção, afirmando que foi transportado para um hospital de manhã devido a problemas de saúde. Contestou ainda a caracterização feita pela acusação de que estaria a fingir doença para atrasar o processo. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Tenho dores de barriga, preciso de ir à casa de banho, não me sinto bem'”, afirmou Guo, através de um intérprete.

Referindo-se ao processo criminal, limitou-se a defender as suas motivações políticas. E afirmou: “a razão pela qual vim para os Estados Unidos foi destruir o Partido Comunista Chinês”. Na leitura da sentença, a juíza citou cartas enviadas por vítimas que relataram ter perdido as poupanças de uma vida, sofrido ansiedade e vergonha e enfrentado conflitos familiares devido aos investimentos realizados.

Segundo Torres, Guo “não assume qualquer responsabilidade pelos seus actos e insiste, de forma inacreditável, que a sua conduta não causou perdas nem prejudicou ninguém”. A magistrada acrescentou que o empresário “incitou apoiantes a assediar e intimidar aqueles que ousaram denunciá-lo”. O tribunal ordenou ainda o confisco de 889 milhões de dólares para efeitos de restituição às vítimas.

1 Jul 2026

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

1 Jul 2026

Dinheiro enviado de Portugal para paraísos fiscais aumentou 16,4%

As transferências de clientes com contas bancárias em Portugal para instituições financeiras localizadas em paraísos fiscais aumentaram 16,4 por cento em 2025, para 9.400 milhões de euros, com a Suíça como primeiro destino dos fluxos, segundo estatísticas do fisco.

A praça helvética concentra um terço do montante transferido (33,6 por cento), num total de 3.166 milhões de euros, enquanto que em Hong Kong, o segundo destino preferido do dinheiro que escapa ao fisco nacional, recebeu 22,2 por cento do total (2.088 milhões de euros). A lista de territórios de destino em 2025 engloba mais de 70 jurisdições. A Suíça e Hong Kong continuam a ser as duas para onde seguem mais fluxos de capital.

Os dados mais recentes da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) sobre transferências para jurisdições com um regime fiscal considerado mais favorável, publicados ontem no Portal das Finanças, mostram que os fluxos de capitais aumentaram 1.325 milhões de euros num ano, de 8.078,6 milhões de euros em 2024 para 9.403,3 milhões de euros em 2025.

Por força da Lei Geral Tributária, a AT é obrigada a publicar todos os anos no Portal das Finanças informação estatística sobre qual o valor que os clientes com contas bancárias abertas em Portugal transferiram para territórios de baixa ou nula tributação nos quatro anos anteriores, baseando-se nos dados que as instituições financeiras têm de comunicar ao fisco até até ao final do mês de Março de cada ano.

Os dados que a AT publicou ontem dizem respeito ao dinheiro transferido entre 2022 e 2025.
No ano passado, o número de operações bancárias cresceu 10,4 por cento, com os clientes portugueses a dar 144.644 ordens de transferências, mais 13,6 mil do que em 2024. As transferências foram realizadas por 18.244 ordenantes, dos quais 9.629 são pessoas em nome individual e 8.615 são empresas e outras pessoas colectivas.

Embora haja mais particulares a realizar transferências para paraísos fiscais, 87 por cento do valor tem origem em entidades comerciais, totalizando 8.209 milhões. Em contraponto, o montante associado a fluxos de capitais movimentados por pessoas em nome individual vale corresponde a 1.194 milhões de euros.

A medalha de bronze

No terceiro lugar surgem territórios considerados paraísos fiscais nos Estados Unidos da América, num valor que ascende a 879 milhões de euros. Os Emirados Árabes Unidos, que em 2024 apareciam em terceiro lugar como destino das transferências, surgem agora em quarto. Em 2025, foram para ali transferidos 767 milhões de euros.

Os territórios imediatamente abaixo na lista são destinatários de fluxos anuais inferiores a 500 milhões de euros, casos de Singapura (475,9 milhões de euros), Macau (314,9 milhões de euros), Maurícias (239,5 milhões) Cabo Verde (157,0 milhões) Liechtenstein (141,9 milhões), Egipto (106, 6 milhões) e Mónaco (81,8 milhões).

A maior parcela das operações relativas a 2025 corresponde a transferências de gestão de tesouraria, que incluem transferências executadas para equilibrar saldos, centralizar liquidez ou optimizar fundos empresariais, movimentações gerais de fundos em que o ordenante e o beneficiário final são a mesma entidade ou pessoa, e o envio de dinheiro entre diferentes bancos (desde que não represente o pagamento de uma factura comercial, serviço ou investimento a um terceiro).

1 Jul 2026

O Labirinto do Licenciamento

Por Manuel Silvério

Analista independente do desporto e consultor em desenvolvimento regional
(Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)

 

Porque continua o futebol de Macau fora das competições asiáticas. Uma reflexão sobre os verdadeiros obstáculos ao regresso internacional dos clubes de Macau

 

Pelo terceiro ano consecutivo, os clubes da Liga de Elite de Macau ficaram afastados das competições oficiais da Confederação Asiática de Futebol (AFC). A recente confirmação de que nenhuma candidatura local foi aprovada para participar na AFC Challenge League voltou a suscitar desilusão entre dirigentes, atletas e adeptos.

A reacção pública é compreensível, mas continua frequentemente centrada na qualidade competitiva das equipas ou na escassez de recursos financeiros. A realidade é hoje bastante diferente. O principal obstáculo deixou de estar dentro das quatro linhas e passou a situar-se na capacidade institucional de cumprir um sistema internacional de licenciamento cada vez mais rigoroso.

Actualmente, o futebol asiático já não avalia apenas quem joga melhor. Avalia igualmente se os clubes possuem estruturas jurídicas sólidas, gestão profissional, transparência financeira, recursos humanos qualificados e capacidade administrativa compatíveis com os padrões internacionais de governação do futebol.

Ao longo dos últimos anos, a AFC consolidou o Club Licensing Administration System (CLAS), plataforma eletrónica através da qual cada clube deve demonstrar o cumprimento dos critérios desportivos, jurídicos, administrativos, financeiros e de infra-estruturas antes de poder participar nas competições continentais.

A margem de flexibilidade que anteriormente podia existir para associações de menor dimensão praticamente desapareceu. O cumprimento dos requisitos passou a ser verificado de forma sistemática, dentro de prazos rigorosos e com reduzida possibilidade de correção posterior. O licenciamento deixou, assim, de ser uma simples formalidade administrativa para se transformar numa verdadeira certificação internacional da qualidade institucional dos clubes.

As exigências abrangem cinco grandes áreas: critérios desportivos, infra-estruturas, organização administrativa, enquadramento jurídico e sustentabilidade financeira. Não basta apresentar contas simplificadas de uma associação desportiva. A AFC exige Annual Financial Statements auditadas, controlo do Reporting Perimeter, demonstrações financeiras consolidadas sempre que exista Significant Influence de um financiador relevante e o cumprimento do princípio do No Overdue Payables, que impede a participação de clubes com salários ou outras obrigações vencidas.

Ao mesmo tempo, exige uma estrutura administrativa permanente, com responsáveis claramente identificados para áreas como direção executiva, gestão financeira, assessoria jurídica, licenciamento, comunicação, segurança, medicina desportiva e desenvolvimento do futebol jovem. Em muitos casos, funções como Chief Executive Officer (CEO), Chief Financial Officer (CFO), Club Licensing Officer, Legal Adviser, Media Officer, Security Officer, Medical Officer e Youth Development Director deixam de constituir uma opção e passam a integrar um modelo moderno de governação. No plano desportivo, exige-se igualmente que o treinador principal possua a Licença AFC A ou AFC Pro, bem como uma estrutura permanente de formação de jovens.

Também as infra-estruturas são avaliadas segundo normas internacionais constantes dos AFC Stadium Regulations, incluindo requisitos relativos a salas VAR, Mixed Zone, Media Centre, áreas de transmissão televisiva, salas de controlo antidopagem e outros equipamentos indispensáveis para competições internacionais.
Nada disto constitui um obstáculo intransponível.

Mas exige organização, planeamento e uma cultura de gestão muito diferente daquela que caracterizou tradicionalmente muitos clubes de pequena dimensão. Macau possui dirigentes dedicados, voluntários empenhados e atletas com qualidade. O problema é que o modelo de funcionamento do futebol local continua assente, em grande medida, numa lógica associativa e de voluntariado, enquanto o sistema de licenciamento da AFC exige hoje estruturas profissionais, responsabilidades claramente definidas e mecanismos permanentes de controlo administrativo.

A dimensão territorial também não explica, por si só, esta situação. Existem exemplos que demonstram precisamente o contrário. Timor-Leste conseguiu colocar o Karketu Dili nas competições asiáticas após um processo de reorganização administrativa apoiado pelos programas de desenvolvimento da FIFA, adaptando a sua estrutura às exigências regulamentares da AFC.

Também o Butão, o Bangladesh, o Nepal e a Mongólia têm vindo, com ritmos diferentes, a reforçar os seus sistemas nacionais de licenciamento e a preparar os respetivos clubes para responder aos critérios internacionais. Nenhum destes países dispõe de recursos muito superiores aos de Macau. O factor diferenciador tem sido, sobretudo, a capacidade de adaptação institucional e a prioridade atribuída à modernização da governação do futebol.

Este é talvez o principal ensinamento para Macau. A solução dificilmente dependerá de uma única entidade.
Ao Instituto do Desporto compete continuar a assegurar condições para que as infra-estruturas públicas utilizadas nas competições internacionais acompanhem os requisitos técnicos actualmente exigidos pela AFC, bem como estudar mecanismos de apoio que facilitem a profissionalização administrativa dos clubes com potencial competitivo, incluindo a realização de auditorias independentes e a qualificação técnica dos recursos humanos.

À Associação de Futebol de Macau cabe um papel igualmente determinante. Mais do que acompanhar processos administrativos, importa criar uma estrutura técnica permanente que acompanhe os clubes durante todo o ano, prestando apoio nas áreas jurídica, financeira, contabilística e regulamentar, antecipando dificuldades muito antes dos prazos finais de submissão das candidaturas.

Os próprios clubes terão igualmente de continuar a evoluir. A crescente complexidade do futebol internacional exige uma gestão mais profissional, maior transparência financeira, melhor organização documental e uma aposta consistente na formação de jovens e na qualificação dos recursos humanos.
Importa igualmente esclarecer um equívoco que por vezes surge no debate público.

O apoio institucional do Governo ao desenvolvimento do futebol não colide, por si só, com o princípio da autonomia das associações desportivas consagrado pela AFC. O que os regulamentos internacionais proíbem é a interferência política nas decisões desportivas e nos órgãos de licenciamento. Diferente é o apoio à modernização administrativa, ao desenvolvimento das infra-estruturas ou à capacitação técnica, áreas em que existe amplo espaço para cooperação institucional.

Macau possui condições para regressar às competições asiáticas. Dispõe de estabilidade institucional, infra-estruturas desportivas de qualidade, capacidade financeira pública e uma comunidade desportiva que continua empenhada no desenvolvimento do futebol. O verdadeiro desafio consiste agora em transformar essas condições numa estratégia integrada de modernização institucional.

Ao fim de três anos consecutivos de exclusão, talvez tenha chegado o momento de alterar o foco da discussão. O problema deixou de ser saber se os nossos jogadores têm qualidade suficiente para competir na Ásia. A questão fundamental é saber se o nosso sistema administrativo está preparado para responder às exigências do futebol internacional contemporâneo.

Porque, no futebol moderno, o primeiro jogo começa muito antes do apito inicial. Começa no licenciamento. E é esse desafio institucional que Macau terá de vencer para voltar a representar, com regularidade, o seu nome nas competições asiáticas.

1 Jul 2026

Japão | Iene bate recordes e cai para o valor mais baixo em quase 40 anos

A moeda japonesa caiu ontem para 162 ienes por dólar, atingindo o nível mais baixo desde 1986, após uma intervenção falhada das autoridades japonesas que apenas teve efeitos temporários perante a valorização da divisa norte-americana

 

Desde 1986 que o iene não desvalorizava para o valor que atingiu ontem: 162 ienes por dólar. Mesmo com as medidas lançadas pelo Governo, a estabilidade cambial foi sol de pouca dura devido à valorização do dólar.
Durante a madrugada de ontem, o iene chegou a ser transaccionado a 161,98 por dólar, registando valores entre 161,90 e 162,36 mesmo após a abertura da bolsa de Tóquio, segundo a emissora pública NHK.

Este patamar representa a queda mais acentuada em 39 anos e meio, desde Dezembro de 1986, quando a moeda oscilava entre 158 e 163 por dólar no mercado cambial.

A desvalorização do iene reflecte as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos avance nos próximos meses com uma subida das taxas de juro, que em Junho se mantiveram inalteradas entre 3,5 e 3,75 por cento, acompanhadas da divulgação do relatório trimestral de projecções económicas.

Assim, a divisa nipónica apagou os ganhos obtidos após a intervenção no mercado cambial entre Abril e Maio pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e pelo Banco do Japão, que tinham levado a uma valorização do iene de 160 para 155 por dólar nos primeiros dias de Maio.

Firme e hirto

“Tomaremos as medidas adequadas em qualquer momento e conforme necessário”, afirmou ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, em conferência de imprensa, acrescentando que o Executivo pretende “construir uma estrutura económica resistente” às flutuações cambiais.

As autoridades japonesas não excluíram uma nova intervenção na semana passada, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, ter mantido conversações com o homólogo norte-americano, Scott Bessent, garantindo que ambos os países actuariam “com firmeza quando fosse necessário”.

A nova queda ocorreu apesar de o Banco do Japão ter aumentado a taxa de juro de referência de curto prazo para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas, prosseguindo os esforços para controlar os riscos inflaccionistas derivados da subida dos preços do petróleo e da fraqueza do iene.

1 Jul 2026

Partido Comunista ultrapassa 101 milhões de membros antes do 105º aniversário

O Partido Comunista Chinês (PCC) contabilizava 101,28 milhões de membros no final de 2025, mais 1 por cento do que um ano antes, segundo dados divulgados ontem, na véspera do 105º aniversário da fundação da organização.

De acordo com um relatório publicado pelo Departamento de Organização do Comité Central do partido, 31,91 milhões de militantes eram mulheres, o equivalente a 31,5 por cento do total, enquanto 7,87 milhões pertenciam a minorias étnicas, representando 7,8 por cento. O documento indica ainda que 59,76 milhões de membros, ou 59 por cento do total, possuíam formação superior.

Por faixas etárias, o maior grupo continuava a ser o dos militantes com 61 ou mais anos, com 29,91 milhões de membros, seguido pelos que tinham entre 36 e 40 anos, com 12,19 milhões, e pelos que tinham até 30 anos, com 12,09 milhões. O PCC admitiu em 2025 cerca de 2,08 milhões de novos membros, dos quais 1,75 milhões, ou 84 por cento, tinham 35 anos ou menos.

Muitos anos de vida

Fundado em 1921 e no poder desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, o partido assinala hoje o 105º aniversário, num contexto marcado pela crescente centralização do poder em torno do Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping.

Sob a liderança de Xi, o partido reforçou o controlo sobre as instituições do Estado, as Forças Armadas e o sector privado, num processo que incluiu a eliminação, em 2018, do limite constitucional de dois mandatos presidenciais, a obtenção de um terceiro mandato como secretário-geral do PCC, em 2022, e a recondução na Presidência da China, em 2023.

Xi, que também preside à Comissão Militar Central, o principal órgão dirigente das Forças Armadas chinesas, elevou o seu pensamento político a orientação ideológica central do partido, enquanto o PCC consolidou um modelo em que a autoridade se concentra cada vez mais na direcção da organização e na figura do líder. Este processo foi acompanhado por uma intensa campanha de disciplina interna e combate à corrupção, que serviu simultaneamente para afastar quadros do partido e consolidar a liderança de Xi.

1 Jul 2026

Indústria | Expansão em Junho, na China, graças às exportações de tecnologia

A actividade industrial na China acelerou em Junho, segundo um inquérito oficial divulgado ontem, impulsionada pela forte procura externa de equipamento relacionado com a inteligência artificial (IA).

O índice oficial de gestores de compras (PMI) da indústria transformadora subiu para 50,3 pontos, face aos 50 registados em Maio, superando as previsões dos economistas, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas. Numa escala de zero a 100, um valor acima de 50 indica expansão da actividade, enquanto um resultado inferior sinaliza contracção.

O subíndice de novas encomendas aumentou para 51,2 pontos em Junho, depois dos 49,9 de Maio, enquanto o indicador da produção avançou para 51,4 pontos, face aos 51,2 do mês anterior. “O dinamismo da economia chinesa recuperou algum ímpeto recentemente. Mas continua a depender fortemente das exportações e da tecnologia ligada à inteligência artificial”, escreveu ontem Julian Evans-Pritchard, economista para a China da consultora Capital Economics. “O principal motor de crescimento da indústria transformadora chinesa continua a ser a procura externa”, acrescentou.

Huo Lihui, estatístico do Gabinete Nacional de Estatísticas, afirmou, em comunicado, que os dados de Junho mostram que “o clima económico da China está a melhorar”. Ainda assim, vários economistas alertaram que os consumidores chineses continuam cautelosos, após vários anos de crise no sector imobiliário, e que a procura interna permanece fraca.

Os dirigentes chineses fixaram para este ano uma meta de crescimento económico entre 4,5 e 5 por cento, objectivo que, segundo os economistas, deverá ser alcançado com o apoio do forte crescimento das exportações relacionadas com a inteligência artificial.

1 Jul 2026

União Europeia | Pequim disponível para reforçar diálogo comercial

O Governo chinês manifestou-se ontem disponível para reforçar a comunicação com a União Europeia (UE) em matéria comercial, um dia depois de ambas as partes terem acordado manter abertos canais de diálogo para evitar uma guerra comercial.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que “a essência da cooperação económica e comercial entre ambas as partes é o benefício mútuo” e que Pequim e Bruxelas são “parceiros, não rivais”.

Guo sustentou que os problemas enfrentados pela UE “não têm origem na China” e defendeu que as questões nas relações económicas e comerciais entre as duas partes devem ser resolvidas através do aprofundamento da cooperação para alcançar um desenvolvimento comum.

“A China está disposta a reforçar a comunicação e as consultas com a parte europeia e, com base nos princípios da igualdade, do respeito mútuo e da reciprocidade, gerir adequadamente as divergências comerciais de forma construtiva”, acrescentou o porta-voz.

Na segunda-feira, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, comprometeram-se a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar uma guerra comercial, durante uma reunião realizada em Bruxelas.

Šefčovič e Wang participaram na primeira sessão das Consultas sobre Comércio e Investimento, o novo mecanismo criado para procurar “soluções práticas” em quatro áreas: o equilíbrio entre comércio e investimento, os controlos às exportações, a propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio.

1 Jul 2026

China | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa

A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento

 

O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento.

Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes.

A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”.

Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha.

A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada.

Poder de concentração

A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos.

Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas.

A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre.

A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.

1 Jul 2026

Macau participa na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba

Macau participa pela primeira vez na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba, um dos maiores eventos na América Latina, levando ao Brasil obras que evocam a portuguesa Helena Almeida, disse à Lusa a curadora.
A portuguesa Margarida Saraiva, curadora do Museu de Arte de Macau (MAM), disse esperar que a estreia em Curitiba crie um “precedente para futuras colaborações” e “abra portas para o intercâmbio com o Brasil e a América Latina”.

O Instituto Cultural (IC) montou um pavilhão no espaço principal da bienal, o Museu Oscar Niemeyer, dedicado ao célebre arquitecto brasileiro, que morreu em 2012. A 16ª edição da bienal – de regresso ao formato presencial depois de a última, em 2021, ter decorrido online devido à pandemia – arrancou em 14 de Junho e decorre até 15 de Novembro na capital do estado de Paraná, no sul do Brasil.

O pavilhão de Macau é composto por três trabalhos digitais encomendados pelo IC para a primeira retrospectiva na Ásia de Helena Almeida (1934-2018), que reuniu no MAM, entre Janeiro e Abril, 190 peças da artista portuguesa.
A obra “Cinco Língu-Língu”, da artista de Macau Bianca Lei Sio Chong, junta cinco línguas: cantonês, mandarim, inglês, português e patuá.

O lugar das tecnologias

Numa altura em que a inteligência artificial normaliza a tradução universal, o trabalho de Bianca Lei “resiste à homogeneização linguística num mundo de inteligência artificial”, sublinhou Margarida Saraiva. Noutra obra, “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, do chinês Gao Fuyan, o rosto do espectador é capturado, projectado, impresso e triturado, para questionar “o que resta do ser humano na era do reconhecimento facial”.
“WU . Stone . Sardapass”, de Peng Yun, mergulha no “limiar entre o humano e a máquina”, ao mostrar a artista chinesa radicada em Macau a trabalhar, observada por um cão-robô.

Margarida Saraiva sublinhou que a presença de Macau na bienal de Curitiba faz parte das actividades do Ano Cultural Brasil-China 2026, que assinala os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A mostra reflecte “a política de reforço dos laços com os países de língua portuguesa” e reafirma a “posição única de Macau entre os mundos chinês e lusófono”, defendeu a investigadora. A presença em Curitiba é “um marco de diplomacia cultural”, sendo a primeira vez que Macau cria um pavilhão num grande evento artístico da América Latina, recordou Saraiva.

A bienal de Curitiba, organizada pela primeira vez em 1993, reúne este ano mais de 300 artistas de 38 países e territórios. O evento, com uma área de exposição de 35 mil metros quadrados, atrai mais de um milhão de visitantes por edição, disse Saraiva. O público poderá descobrir “uma Macau que não é apenas destino turístico, mas lugar de reflexão profunda sobre o nosso tempo”, disse a curadora.

1 Jul 2026

Carga aérea | Assinado acordo para ligar Macau à América Latina

A plataforma sino-brasileira ganhou um novo impulso com a assinatura de vários acordos nos sectores da inovação tecnológica, finanças e aeronáutica. As parcerias incluem uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina

 

Empresas chinesas e latino-americanas assinaram acordos para desenvolver uma plataforma sino-brasileira de inovação aeronáutica e uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina.

Segundo um comunicado publicado na segunda-feira, o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), em Zhuhai, organizou uma cerimónia em que foram assinados acordos estratégicos de internacionalização com 16 empresas nos sectores da inovação tecnológica e das finanças.

Os acordos envolveram empresas como a Huawei Macao, Mercado Libre, JD.com, Kuaishou Technology, Banco da China e China Southern Airlines Technology. Um dos acordos envolve a empresa chinesa WGL Group, que segundo o CECPS tem prestado apoio em matéria de investimento e financiamento, contribuindo para impulsionar a abertura, por Macau, de uma rota aérea directa de carga para a América Latina.

O WGL Group é um grupo sediado em Shenzhen de logística e soluções para cadeias de abastecimento de comércio electrónico transfronteiriço internacional. A empresa é especializada no transporte de mercadorias da China directamente para mercados globais, com foco principal nas regiões da América Latina e dos Estados Unidos. Actualmente, opera cinco voos de ida e volta por semana na rota China-México.

Cargas em Hengqin

Existe actualmente um projecto do terminal de carga de Hengqin para o Aeroporto Internacional de Macau com conclusão prevista para o final de 2026 e entrada em operação em meados de 2027. O terminal, com 66.700 metros quadrados de área logística e investimento de cerca de 700 milhões de yuan, é financiado pelo Aeroporto de Macau e pela China COSCO Shipping Logistics Supply Chain.

De acordo com o CECPS, os contratos assinados visam apoiar empresas na expansão para mercados da América Latina e países lusófonos, através de serviços de crédito, avaliação de riscos, financiamento transfronteiriço, registo de investimento directo no exterior e promoção de tecnologias avançadas.

No mesmo comunicado, Ng In Cheong, vice-presidente do CECPS, destacou que, além das 16 entidades agora envolvidas, o centro já estabeleceu parcerias com cerca de 200 empresas e prestadores de serviços, sobretudo na área da inteligência artificial.

“A complementaridade entre a posição de vanguarda da China e as lacunas tecnológicas dos países de língua portuguesa e espanhola abre amplo espaço para cooperação”, afirmou.

Os primeiros passos

O centro foi lançado em Abril de 2025 pelo Governo da RAEM e pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, com o objectivo de criar uma plataforma integrada de serviços de internacionalização que liga a China aos países de língua portuguesa e espanhola.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin oferecem também uma via para a entrada de empresas de países de língua espanhola na China.

As áreas prioritárias do centro abrangem economia digital, saúde, manufactura avançada, comércio de matérias-primas, comércio electrónico transfronteiriço e indústrias culturais e desportivas.

Entre os resultados práticos, o centro destacou a redução de riscos na exportação de equipamentos de simulação de voo, a instalação de centros de entrega digitais em Espanha e Brasil pela companhia Beyondsoft e o apoio a empresas na expansão para mercados externos através de soluções integradas de conformidade, logística e financiamento.

O CECPS destacou também ter vindo a apostar em missões empresariais ao Brasil, como a realizada em Junho durante a Web Summit Rio, onde reuniu mais de 200 empresas brasileiras. Até Março deste ano, a Zona de Cooperação de Hengqin contava com 27 plataformas de inovação científica e tecnológica, 238 empresas de alta tecnologia reconhecidas nacionalmente e 18 unicórnios registados.

O CECPS planeia também desenvolver um Centro de Inovação em Inteligência Artificial Incorporada, cuja primeira fase ocupará 3.400 metros quadrados em Hengqin, com capacidade anual de produção de dados superior a 10 PB (petabyte).

1 Jul 2026

Habitação | Governo quer rever políticas para aproveitar recursos

O Governo admite rever as políticas de habitação pública para garantir o melhor aproveitamento dos recursos existentes. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação do deputado Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“O Governo da RAEM encontra-se, neste momento, a proceder à revisão do relatório do estudo sobre a optimização das políticas habitacionais de Macau para o período entre 2026 e 2030, com vista a uma análise integrada do desenvolvimento futuro da habitação pública e à afectação racional dos recursos habitacionais”, foi indicado. “O respectivo conteúdo será divulgado em tempo oportuno”, foi prometido.

Na interpelação, Leong procurava que o Executivo ajustasse as políticas de habitação, dada a redução de interesse na aquisição de habitações económicas, após estas terem deixado de poder ser vendidas no mercado livre com lucro, ao contrário do que acontecia no passado. No entanto, o deputado indicou que a procura de habitação no mercado privado também está em quebra.

No documento, o legislador queria igualmente saber o destino do terreno localizado no lado Norte do Bairro Social de Iao Hon, para o qual tinha sido prevista a construção de habitação intermédia. Este é um tipo de habitação pensado para quem teria rendimentos superiores aos limites para comprar uma habitação económica, mas que não tinha fundos para comprar uma casa no mercado privado. Apesar de planeado, devido à nova realidade do mercado imobiliário, o Governo nunca chegou a construir este tipo de habitação.

Face ao assunto, o Executivo apenas indicou que “está a reavaliar o rumo de desenvolvimento do terreno situado a norte do Edifício Son Lei, com vista à criação de condições favoráveis à reconstrução dos sete conjuntos de edifícios do Bairro de Iao Hon”. A informação sobre o assunto foi prometida para “tempo oportuno”.

1 Jul 2026

Turismo | Lee Koi Ian pede mais hotéis com preços acessíveis

O deputado Lee Koi Ian considera que Macau precisa de mais hotéis com acessíveis e pede ao Governo que tome medidas para suprir a escassez no mercado. A posição foi tomada numa interpelação escrita, na qual o legislador pede apoios para este tipo de hotéis.

“A actual escala de oferta hoteleira continua a revelar dificuldades em satisfazer a procura crescente e multifacetada dos turistas durante a época alta do turismo”, escreveu Lee Koi Ian. “Quais as medidas adicionais previstas para reforçar o apoio ao ‘alojamento de baixo custo’, de modo a responder de forma mais adequada ao crescimento diversificado da procura turística”, perguntou.

Ao mesmo tempo, Lee Koi Ian sugeriu que muitos destes hotéis, que indicou terem elementos ligados à cultura e à história de Macau, sejam integrados nos roteiros turísticos, para encorajar os turistas a pernoitarem na RAEM. “As autoridades vão considerar, sobre a base actual da promoção do turismo comunitário, integrar de forma efectiva estas acomodações económicas de carácter histórico e identidade local nas rotas turísticas oficiais, de modo a que os visitantes para além de visitarem os bairros comunitários, também ali pernoitem”, questionou.

Finalmente, o deputado considera que os artistas locais devem ser apoiados pelo Governo para elaborarem trabalhos de decoração para estas unidades hoteleiras.

1 Jul 2026

Deficiência | DSAL recebe pedidos de apoio a rendimentos

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aceita, a partir de hoje, pedidos de trabalhadores portadores de deficiência para o “Plano do subsídio complementar aos rendimentos do trabalho para trabalhadores portadores de deficiência”.

Os pedidos dizem respeito ao segundo trimestre deste ano e visam a concessão de apoio financeiro como complemento salarial. O objectivo da DSAL é “ajudar as pessoas portadoras de deficiência a encontrar emprego e garantir o direito dos trabalhadores portadores de deficiência a um salário mínimo”.

Os pedidos decorrem até 31 de Julho, devendo ser feitos por trabalhadores residentes, que detenham o cartão válido de registo de avaliação de deficiência emitido pelo Instituto de Acção Social (IAS), e que tenham um número total de horas de trabalho abaixo das 128 horas mensais, ou que tenham um rendimento de trabalho mensal inferior ao do salário mínimo por hora, no valor de 35 patacas.

No cálculo do salário mínimo mensal, estes trabalhadores devem ganhar menos de 7.280 patacas para ter direito ao apoio. As candidaturas são feitas junto da DSAL, podendo o impresso ser obtido nos postos de atendimento da DSAL, do IAS e no Fundo de Segurança Social, estando também disponível no portal da DSAL.

1 Jul 2026

Irão | Suspensão de ataques, mas Teerão nega reuniões marcadas

Teerão e Washington aceitaram ontem suspender temporariamente qualquer ataque e planeiam reunir-se no Qatar, na terça-feira (30), para tentar resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz, noticiou o portal de notícias norte-americano Axios.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou, na Truth Social, que o “Irão solicitou uma reunião”, agendada para hoje em Doha. No entanto, Teerão já tinha negado a existência de reuniões com os EUA marcadas para esta semana. “Decidimos parar todas as actividades [militares]”, informou o Axios, citando um responsável norte-americano que não foi identificado.

Apesar do acordo assinado a 17 de Junho, os dois países trocaram ataques nos últimos dias, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo, com o controlo de Ormuz no centro das tensões.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse, entretanto, que não há reuniões previstas entre Irão e Estados Unidos esta semana no Qatar, negando notícias da imprensa norte-americana sobre um encontro.

“Não há nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho planeada para esta semana”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, segundo a televisão estatal, classificando as notícias como incorrectas.

30 Jun 2026

Hong Kong | Momenta estreia-se na bolsa em operação de 5,9 mil milhões

A tecnológica chinesa especializada em condução autónoma Momenta estreia-se na bolsa de Hong Kong no início de Julho, numa operação que deverá captar cerca de 5,894 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo o prospecto enviado ontem pela empresa à bolsa da antiga colónia britânica, a oferta pública inicial compreende cerca de 19,9 milhões de ações, ao preço unitário de 295,6 dólares de Hong Kong. De acordo com o documento, a estreia em bolsa está prevista para 8 de Julho.

A tecnológica prevê aplicar 60 por cento das receitas da operação em investigação e desenvolvimento (I&D), com o objectivo de “impulsionar soluções de condução autónoma de nova geração”, incluindo um reforço da capacidade para inteligência artificial (IA), armazenamento de dados e melhorias nos algoritmos. Outros 20 por cento serão destinados a acelerar a comercialização dos serviços de táxis autónomos (‘robotaxis’), incluindo a expansão de frotas com condução autónoma de nível 4, numa escala de cinco níveis, em que os veículos conseguem circular sem intervenção humana, embora mantenham comandos para permitir a tomada de controlo por um condutor.

Entre os investidores que apoiam a operação figuram a fabricante automóvel alemã Mercedes-Benz, já acionista relevante da Momenta, uma subsidiária da chinesa BYD, maior fabricante mundial de veículos eléctricos, e fundos como a BlackRock, a Boyu Capital e a GIC.

No final de 2025, mais de 680 mil veículos utilizavam ‘software’ de assistência à condução de nível 2 desenvolvido pela Momenta, que tinha estabelecido parcerias com 24 fabricantes internacionais, entre os quais a Mercedes-Benz, a BYD, a Toyota, a General Motors, a BMW, a Hyundai-Kia, a Volkswagen e a Honda.

30 Jun 2026

Semana começou com oito concelhos portugueses em perigo de incêndio

Todas as regiões do interior de Portugal continental enfrentaram ontem um perigo de incêndio rural muito elevado, com oito concelhos dos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Faro em risco máximo, segundo o IPMA.

Esta semana as temperaturas vão subir significativamente e o perigo de incêndio, previsto pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), vai intensificar-se diariamente, e na quinta-feira todo o território continental vai estar com perigo máximo ou muito elevado.

Cinco distritos do interior do país estavam ontem sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente e seco, com a temperatura máxima a oscilar entre os 31 e os 37 graus. Os avisos vão ser estendidos a todo o território continental amanhã.

Num comunicado divulgado no domingo, o IPMA alertou que se prevê “um longo período com tempo quente e seco com a temperatura máxima a atingir valores entre os 40 e os 43 graus no vale do Tejo e Alentejo, na quinta-feira, e que poderão estender-se a alguns locais das restantes regiões no final da semana”.
De acordo com as previsões, a temperatura mínima também vai aumentar nos próximos dias “para valores superiores a 20 graus centígrados”, ficando grande parte do território “com condições de noites tropicais”.

Armadilha no golfo

Dada a previsão de temperaturas elevadas, o IPMA indica no boletim meteorológico que “é muito provável que o nível dos avisos seja agravado em vários distritos nas actualizações ao longo dos próximos dias”. Esta subida da temperatura deve-se a um anticiclone “localizado a norte/noroeste do arquipélago dos Açores, estendendo-se em crista até ao Golfo da Biscaia” e que a partir de segunda-feira “irá deslocar-se para leste”.

O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

Ministra alerta para possível impacto do calor na mortalidade

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu ontem preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países.

“Quando existem ondas de calor com esta magnitude, naturalmente que o nosso indicador, o Ícaro [sistema do INSA que avalia o impacto das altas temperaturas na mortalidade em Portugal] que mede a relação entre o aumento significativo de temperatura e o impacto potencial na mortalidade, obviamente que acusa aqui a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países. A França, por exemplo, tem sido um dos países muito fustigado”, disse Ana Paula Martins.

Em declarações aos jornalistas em Matosinhos, no distrito do Porto, onde assinalou a abertura do programa de intervenção para dependência de videojogos do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a ministra da Saúde admitiu que a onda de calor que se avizinha é “muito preocupante”.

“Naturalmente, fazemos tudo para que esse impacto não se faça sentir e, de facto, na primeira onda de calor, felizmente, não houve impacto. Mas esta que vamos viver agora é uma onda de calor muito, muito preocupante”, disse.

30 Jun 2026

Coreia do Norte | EUA e Japão acusados de “ensaio de guerra”

As autoridades norte-coreanas criticaram as recentes manobras militares realizadas pelos Estados Unidos da América (EUA) e pelo Japão na região, descrevendo os exercícios como parte de um “ensaio de guerra” destinado a “fortalecer suas capacidades de invasão”.

Num artigo publicado pela agência de notícias estatal da Coreia do Norte, a KCNA, Pyongyang condena a participação do Japão nas manobras e acusa o país de “agravar a situação de segurança regional ao aprofundar seus laços militares com os Estados Unidos”. “O Japão tenta tornar-se uma potência militar e demonstra essas ambições de forma cada vez mais aberta”, lê-se, além de criticas a testes de mísseis balísticos de longo alcance destinados a “atacar países vizinhos”.

A Coreia do Norte acusou as autoridades japonesas de explorarem a “confusa situação geopolítica global para justificar a sua transformação numa nação beligerante”, que “pode levar a um fim trágico”.

“Eles querem tornar-se líderes da Ásia, mais cedo ou mais tarde, capitalizando a situação actual e o conceito de conter inimigos e rivais regionais para concretizar suas ambições hegemónicas”, continua o texto. As manobras militares começaram em 20 de Junho perto das ilhas de Okinawa e Kyushu, no sudoeste do Japão, e devem terminar hoje.

30 Jun 2026

IA | Coreia do Sul anuncia plano de mais de um bilião de euros

O Governo sul-coreano apresentou ontem um plano para dez anos, avaliado em mais de um bilião de euros, para construir fábricas de semicondutores e centros de dados destinados à inteligência artificial (IA).

Um primeiro projecto, no valor de 800 biliões de wons (455 mil milhões de euros), incluirá quatro fábricas de semicondutores – duas construídas pela gigante Samsung Electronics e as outras duas pela concorrente SK hynix –, além de outras infra-estruturas, anunciou o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan.

Outro projecto, avaliado em 568 mil milhões de euros, prevê até 2035 a construção de novos centros de dados dedicados à IA, elevando a capacidade total do país para 10 gigawatts (GW), acrescentou o ministro da Ciência, Bae Kyung-hoon, na mesma conferência de imprensa.

Trata-se do terceiro mega-investimento em IA anunciado na Coreia do Sul em menos de um ano, e de longe o mais significativo. O montante supera largamente os 450 biliões de wons (256 mil milhões de euros) prometidos pela Samsung e os 125 biliões de wons (71 mil milhões de euros) anunciados pela Hyundai Motor no final de 2025.

“Graças a isso, manteremos uma posição de liderança esmagadora no mercado e uma vantagem tecnológica decisiva no sector dos semicondutores de memória”, afirmou Kim Jung-kwan.

30 Jun 2026

Timor-Leste | Polícia deteve 61 pessoas por suspeita de burla ‘online’

A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) deteve na sexta-feira 61 cidadãos indonésios por suspeita de envolvimento em esquemas de burla ‘online”, disse ontem superintendente-chefe da Polícia João Belo dos Reis.

Segundo o porta-voz da PNTL, a detenção foi feita na sexta-feira no âmbito de uma operação na zona de Tibar, arredores de Díli, para desmantelar um ‘scam call center’, um centro de burla ‘online’.
Os 61 detidos foram ontem presentes ao Tribunal de Primeira Instância de Díli para um primeiro interrogatório e o processo de investigação prossegue.

“O centro de burla ‘online’ é um centro criado por criminosos para enganar pessoas, divulgando informações e propaganda para as ludibriar”, explicou João Belo dos Reis, citado num comunicado divulgado à imprensa. O porta-voz da polícia timorense precisou também que as pessoas detidas estão relacionadas com outro centro de burla ‘online’ desmantelado pelas autoridades do Camboja.

“Fugiram para realizar novamente estas operações no nosso país. Fizemos o rastreio das suas viagens e podemos afirmar que cerca de 90 por cento dos autores actualmente detidos são antigos membros provenientes do Camboja”, disse.

A PNTL voltou a alertar os timorenses para os riscos das compras ‘online’. “Não devem confiar nas informações divulgadas nas redes sociais sobre a venda de produtos”, salientou o porta-voz da polícia.

30 Jun 2026

Mundial | Selecionador da Coreia do Sul deixa cargo após eliminação precoce

Hong Myung-bo demitiu-se do cargo de selecionador da Coreia do Sul de futebol, após nova eliminação precoce num campeonato do mundo, tal como em 2014, noticiou a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

O antigo defesa central, capitão da Coreia do Sul na caminhada para as meias-finais do Mundial2002, competição em que os sul-coreanos venceram por 1-0 a Portugal na primeira fase, procurava, na sua segunda passagem pelo comando técnico da selecção, a sua redenção, depois de ter ficado pela fase de grupos em 2014.

Hong Myung-bo, de 57 anos, voltou ao cargo de seleccionador, tornando-se no primeiro treinador sul-coreano a orientar a selecção em dois Mundiais, mas acabou, mais uma vez, por não superar a primeira fase, terminando o Grupo A no terceiro posto, com três pontos, atrás do México, com nove, e da África do Sul, com quatro.

Após uma vitória frente à República Checa, por 2-1, na estreia, os ‘Guerreiros Taegeuk’ perderam os restantes jogos por 1-0, ficando arredados dos 16 avos de final. O terceiro melhor jogador do Mundial2002, atrás do guarda-redes Oliver Kahn e do avançado brasileiro Ronaldo, somou quatro presenças em campeonatos do mundo e orientou ainda a selecção sul-coreana nos Jogos Olímpicos Londres2012, conquistando a medalha de bronze.

História que se repete

Acabou por deixar a equipa técnica da selecção, da qual fazem parte os portugueses João Aroso, Tiago Maia, Pedro Roma e Nuno Matias, apesar de ter contrato até Fevereiro de 2027, data da Taça da Ásia de 2027, que vai ser disputada na Arábia Saudita.

No anterior Mundial, em 2022, a Coreia do Sul foi comandada pelo português Paulo Bento, tendo sido eliminada nos oitavos de final pelo Brasil, ao perder por 4-1. O actual vice-presidente do Benfica e antigo futebolista e seleccionador Humberto Coelho foi o primeiro português a orientar a Coreia do Sul, entre 2003 e 2004.

30 Jun 2026