Hoje Macau China / ÁsiaONU condena sanções dos EUA contra Cuba e alerta para crise humanitária Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas condenaram ontem as sanções dos Estados Unidos a Cuba, alegando que constituem uma tentativa de alterar a ordem constitucional de um Estado soberano através de “ameaças e coação”. “A comunidade internacional e a sociedade civil devem agir rapidamente para impedir que Cuba se torne uma ‘Gaza silenciosa'”, afirmaram os peritos numa declaração conjunta, retomando uma expressão utilizada por congressistas democratas norte-americanos que visitaram recentemente a ilha. As medidas anunciadas por Washington em 23 de Julho abrangem empresas do sector energético e, segundo os especialistas, dificultam ainda mais a aquisição de combustível por Cuba, incluindo para fins humanitários. Os peritos recordaram que o país enfrentou recentemente o terceiro grande apagão nacional e alertaram para a deterioração simultânea de vários serviços essenciais. “Os sectores da energia, dos transportes, da irrigação e dos serviços básicos estão a falhar simultaneamente, afectando desproporcionalmente as mulheres, as crianças, os idosos e outros grupos vulneráveis”, sublinharam os peritos. Os especialistas apelaram ao Governo norte-americano para que “ponha fim a todas as ameaças e actos hostis contra a soberania de Cuba” e defenderam que o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral das Nações Unidas devem abordar a situação como “uma questão de paz e segurança internacionais”. Desculpas esfarrapadas A declaração foi subscrita, entre outros, pela relatora especial da ONU sobre o impacto negativo das medidas coercivas unilaterais nos direitos humanos, Zaina Jallad, e pelo relator especial sobre o direito ao desenvolvimento, Surya Deva. Cuba enfrenta há vários anos uma grave crise económica, marcada por escassez de combustível, alimentos e medicamentos, inflação e frequentes cortes de electricidade, situação que o Governo cubano atribui em grande medida às sanções norte-americanas. Washington, por seu lado, tem justificado a pressão sobre Havana com a situação dos direitos humanos e a falta de reformas políticas na ilha.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Controlo sobre saídas apertado com novas regras fronteiriças A China aprovou um novo regulamento para restringir ainda mais a saída de pessoas do país, alargando o controlo sobre viagens internacionais em nome da segurança nacional e da protecção dos interesses estratégicos do regime. As novas regras, divulgadas pelo Conselho de Estado chinês e que entram em vigor em 15 de Setembro, estabelecem um quadro de 19 artigos para “regular a gestão das entradas e saídas, proteger os direitos e interesses legítimos e salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do Estado”. Segundo o jornal Taipei Times, entre as medidas previstas, as autoridades de imigração poderão aconselhar cidadãos chineses a não viajar para países ou regiões classificados pelo Governo como de risco elevado. Os viajantes passam também a ter de apresentar motivos “verdadeiros e legais” para sair da China, enquanto os funcionários fronteiriços ficam autorizados a questionar os motivos invocados e a inspeccionar dados electrónicos armazenados em telemóveis e outros dispositivos, informou o mesmo veículo. O regulamento permite ainda que governos provinciais proíbam cidadãos chineses de voltar a sair do país durante um período até três anos após o regresso, caso as autoridades considerem que desenvolveram no estrangeiro actividades prejudiciais para a segurança nacional ou para os interesses da China. As novas disposições também preveem restrições à saída do país para pessoas que violem regras de controlo das exportações ou da transferência de tecnologia e sejam consideradas uma ameaça para a segurança industrial ou tecnológica da China.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Retiradas 5 mil pessoas com aproximação de tufão Dolphin As autoridades japonesas emitiram ontem uma ordem de evacuação para mais de 5.000 pessoas na prefeitura meridional de Kagoshima perante o avanço do tufão Dolphin. O fenómeno obrigou também ao cancelamento de centenas de voos no sul do país, na sua passagem em direcção ao mar da China Oriental. O tufão já provocou ventos de até 216 quilómetros por hora, segundo indicou ontem a Agência Meteorológica do Japão (JMA), que descreveu a tempestade como grande e forte. Prevê-se que os efeitos do vento e da chuva persistam durante o fim-de-semana, motivo pelo qual as autoridades pediram à população que extreme as precauções. Perante esta situação, as principais companhias aéreas nipónicas decidiram cancelar todos os voos programados com origem ou destino na prefeitura de Okinawa durante a jornada de sexta-feira, quando se espera que cruze estas ilhas. Assim, o total de voos cancelados até domingo será de mais de 600, a maioria deles da Japan Airlines (JAL) e da All Nippon Airways (ANA), afectando 86.400 pessoas, segundo avança o jornal local Okinawa Times. De acordo com a previsão, o Dolphin cruzará durante sexta-feira o arquipélago mais meridional do Japão (Ryukyu) e entrará depois no mar da China Oriental, de onde se aproximará gradualmente da costa leste da China, onde também já começaram as evacuações.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Desmantelados 16 centros de burla ‘online’ desde 26 de junho As autoridades timorenses desmantelaram em pouco mais de um mês 16 centros de burlas telefónicas e ‘online’ e detiveram 357 pessoas, segundo dados divulgados ontem pela Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL). Segundo a PNTL, entre 26 de Junho e quarta-feira (5 de Agosto), as autoridades conseguiram “desmantelar 16 instalações alegadamente utilizadas para a prática de actividades criminosas, duas das quais no município de Liquiça e 14 no município de Díli”. “No âmbito daquelas operações, foram detidos 357 cidadãos estrangeiros de nacionalidade chinesa, indonésia, filipina, vietnamita, cambojana, birmanesa, indiana e japonesa”, pode ler-se no balanço das operações divulgado pela PNTL. A PNTL refere que todos os detidos foram presentes a tribunal e que a maioria dos arguidos ficou sujeita a medida de coação, como o Termo de Identidade e Residência, apresentação periódica, proibição de ausência do país ou pagamento de caução. A 13 dos 357 cidadãos estrangeiros detidos, foi imposta a prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Becora. A PNTL reafirmou o compromisso de “trabalhar em estreita colaboração com os seus parceiros nacionais e internacionais no combate ao crime organizado transnacional, para proteger a segurança pública”. Um relatório divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre a Droga e o Crime (UNODC) referiu que os recentes desenvolvimentos em Timor-Leste mostram a deslocação dos centros de burlas no Sudeste Asiático.
Hoje Macau DesportoCoreia do Sul | Polícia faz buscas na federação de futebol A polícia sul-coreana anunciou ter realizado buscas ontem nas instalações da federação nacional de futebol, no âmbito de um inquérito sobre as condições de nomeação do seleccionador da equipa masculina, eliminada na primeira fase do Mundial 2026. A polícia levou a cabo “operações de busca e apreensão” nos escritórios da federação sul-coreana de futebol, disse um porta-voz da polícia à agência France-Presse (AFP). As forças de segurança procuram determinar se ocorreu uma “obstrução” ao normal decorrer do processo de nomeação de Hong Myung-bo em 2024, acrescentou o porta-voz. Segundo a imprensa local, as autoridades estão a tentar apurar se altos responsáveis da federação intervieram indevidamente na sua designação, possivelmente em violação das regras da organização. Contactada pela AFP, a federação não quis prestar declarações. Hong, de 57 anos, colocou termo ao segundo mandato à frente da selecção sul-coreana no final de Junho, no seguimento de um novo fracasso pesado num campeonato do mundo de futebol como seleccionador, tal como já tinha acontecido no Mundial 2014. No final de Julho, Hong afirmou a uma comissão parlamentar que assumia a “total responsabilidade” por esta eliminação. O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, atribuiu o insucesso às “pessoas incompetentes” promovidas a cargos de direcção, numa declaração a aludir ao “sectarismo” que estaria a manchar o recrutamento ao mais alto nível da modalidade. Antigo capitão da selecção, Hong Myung-bo é considerado um dos melhores jogadores da história do país. No Mundial 2002, disputado em casa e em que a Coreia do Sul alcançou as meias-finais, o defesa conquistou a Bola de Bronze, que distingue o terceiro melhor jogador do torneio.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Reafirmado compromisso antinuclear no aniversário de Hiroshima A primeira-ministra japonesa garantiu ontem que o Japão não vai possuir, nem produzir ou permitir armas nucleares, num discurso proferido por ocasião do 81º aniversário do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima “O Governo mantém-se firme na posição política de respeitar os Três Princípios Não Nucleares. Nessa base, a missão do nosso país, a única nação que sofreu bombardeamentos atómicos, é liderar os esforços da comunidade internacional rumo a uma sociedade livre de armas nucleares, garantindo que uma tragédia de tal magnitude nunca mais se repita”, afirmou a líder nipónica a partir de Hiroshima. Takaichi, que minutos antes se reuniu com sobreviventes das bombas atómicas (‘hibakusha’) para ouvir testemunhos, reafirmou numa conferência de imprensa a “determinação categórica de nunca mais repetir a tragédia ocorrida” a 6 de Agosto de 1945 em Hiroshima e, três dias depois, em Nagasaki. No entanto, quando questionada sobre a conferência de revisão do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, que se realiza em Novembro na ONU, declarou que é “necessário avaliar a situação tendo em conta as tendências internacionais e o panorama de segurança cada vez mais complexo” na região. A primeira participação na cerimónia como chefe do Governo ocorre num momento em que o Executivo se prepara para rever os principais documentos de segurança nacional, o que levanta questões sobre se os princípios nucleares vão manter-se intactos, especialmente depois de o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, ter proposto um debate nuclear “sem tabus”. A primeira-ministra reuniu-se com os ‘hibakusha’, familiares das vítimas e representantes locais e estrangeiros no Parque Comemorativo da Paz de Hiroshima, onde permaneceram em silêncio um minuto às 08h15 (07h15 em Macau), momento em que a bomba explodiu sobre a cidade. Ausência notada O embaixador dos Estados Unidos no Japão, George Glass, ausentou-se pela primeira vez desta cerimónia, tendo informado que também não participa na de Nagasaki — eventos em que Washington vai ser representada este ano pelo número dois da missão diplomática, Aaron Snipe. Sem apresentar qualquer motivo para a ausência, Glass afirmou em comunicado que Hiroshima e Nagasaki “não são apenas símbolos inspiradores de paz e esperança para o mundo, mas também um lembrete de que a aliança entre os Estados Unidos e o Japão nunca pode abrandar na missão de preservar a paz e proteger a liberdade em toda a região”. Entretanto, no dia em que se assinala o primeiro bombardeamento, o presidente da câmara de Hiroshima deixou críticas às grandes potências por travarem guerras, exortando-as a deixar de justificar a posse de armas nucleares como método de dissuasão. “Minimizar a desumanidade das armas nucleares e aceitar o uso da força para alcançar a própria prosperidade acarreta o risco de ciclos de retaliação violenta que, em última análise, podem resultar noutra Hiroshima ou Nagasaki”, afirmou o presidente da câmara, Kazumi Matsui. Vários líderes políticos consideram a dissuasão nuclear uma abordagem realista e legitimam a violência, o que “simplesmente afasta ainda mais a possibilidade de um mundo sem armas nucleares”, indicou Matsui na declaração de paz durante a cerimónia. O número de sobreviventes diminuiu para 91.105, cerca de um quarto do número original, com a idade média a ultrapassar os 86 anos. Estes têm manifestado frustração e preocupação face ao crescente apoio da comunidade internacional, incluindo o Japão, à posse de armas nucleares para fins de dissuasão. O bombardeamento de Hiroshima destruiu a cidade e matou 140 mil pessoas, tendo a segunda bomba em Nagasaki matado 70 mil pessoas. O Japão rendeu-se em 15 de Agosto, pondo fim à Segunda Guerra Mundial e a quase meio século de agressão nipónica na Ásia.
Hoje Macau China / ÁsiaZhejiang | Mais de 10.000 pessoas retiradas devido ao tufão Dolphin A província chinesa de Zhejiang (leste) retirou preventivamente mais de 10.000 habitantes de algumas das suas ilhas devido à aproximação do tufão Dolphin, que se dirige para o mar do Leste da China. O Dolphin, o 13º tufão da temporada segundo a classificação chinesa, encontrava-se às 05h locais de ontem a cerca de 1.360 quilómetros a leste da cidade costeira de Wenzhou, com ventos máximos de 42 metros por segundo, informou o Centro Meteorológico Nacional. O organismo prevê que o sistema, classificado como tufão forte, avance para oeste a uma velocidade entre 15 e 20 quilómetros por hora, mantendo uma intensidade estável ou ligeiramente superior. Segundo a previsão oficial, o Dolphin atravessará hoje as ilhas Ryukyu e entrará depois no mar do Leste da China, aproximando-se gradualmente da costa da China. A evolução surge após as autoridades chinesas terem delineado esta semana duas possíveis trajectórias: uma chegada à costa entre as províncias de Zhejiang e Fujian, no sudeste do país, por volta da próxima segunda-feira, ainda como tufão ou tufão forte, ou uma mudança de direção para norte, com um eventual impacto já enfraquecido entre o estuário do rio Yangtsé e a península de Shandong. Zhejiang activou na noite de quarta-feira um alerta de nível três para tufões nas águas costeiras da província. Na província de Cantão, a Administração Marítima anunciou controlos ao tráfego de navios a partir da tarde de ontem para as embarcações que naveguem para norte pela entrada sul do estreito de Taiwan. Os ministérios chineses das Finanças e da Gestão de Emergências atribuíram na quarta-feira 330 milhões de yuan do fundo central de auxílio a catástrofes naturais a oito regiões afectadas por inundações: Heilongjiang, Liaoning e Jilin, no nordeste, Chongqing, Sichuan, Guizhou e Yunnan, no sudoeste, e Shaanxi, no noroeste do país.
Hoje Macau China / Ásia ManchetePequim intensifica cobrança retroactiva de impostos no estrangeiro A China intensificou a cobrança de impostos sobre activos detidos no estrangeiro por cidadãos de elevado património, em alguns casos com efeitos retroactivos até 2000, visando reforçar as receitas públicas e apertar o controlo sobre a saída de capitais. Segundo o jornal britânico Financial Times, que cita responsáveis estrangeiros, banqueiros chineses e gestores de patrimónios familiares (‘family offices’), as autoridades fiscais estão a analisar ganhos obtidos no estrangeiro com investimentos em imobiliário, ações, metais preciosos, criptomoedas e outros activos. O FT refere que bancos chineses e outras instituições financeiras receberam instruções para rever os investimentos internacionais de clientes de elevado património e verificar se os respectivos rendimentos foram declarados às autoridades fiscais chinesas. O professor de Economia Política Chinesa na Universidade da Califórnia em San Diego, Victor Shih, afirmou ao jornal que a motivação da campanha é “claramente fiscal”. Em alguns casos, as instituições financeiras estarão a colaborar com as autoridades fiscais para congelar contas bancárias até que os contribuintes regularizem o pagamento de impostos e eventuais coimas sobre mais-valias obtidas com activos, contas e estruturas fiduciárias (‘trusts’) no estrangeiro. Um banqueiro do sul da China, que não foi indicado, disse ao FT que “essas pessoas ricas pagam imediatamente, em dinheiro, os impostos e as coimas para reactivar as contas”. Segundo fontes citadas pelo jornal, o período abrangido pelas inspecções varia. Um gestor de um ‘family office’ em Shenzhen indicou que alguns clientes foram chamados a pagar impostos sobre ganhos obtidos entre 2017 e 2022, enquanto outras investigações remontam ao início da década de 2000. A ofensiva ocorre num contexto de crescente pressão sobre as finanças públicas chinesas. As receitas orçamentais, fortemente dependentes da arrecadação fiscal, diminuíram 1,7 por cento, para 21,6 biliões de yuan, em 2025, enquanto as receitas provenientes da venda de terrenos, tradicionalmente uma importante fonte de financiamento dos governos locais, caíram para 4,15 biliões de yuan, menos de metade do pico registado em 2021. Opostos atraem-se No mês passado, Pequim anunciou novas regras para as estruturas fiduciárias (‘trusts’) constituídas no estrangeiro, eliminando um mecanismo frequentemente utilizado por famílias ricas para diferir ou reduzir o pagamento de impostos. Ao abrigo das novas regras, os rendimentos gerados por esses veículos passam a estar sujeitos a uma taxa de 20 por cento em diferentes fases, uma medida que, segundo um banqueiro sediado em Singapura citado pelo FT, “chocou” os seus clientes. “Durante o período em que as ofertas públicas iniciais eram muito frequentes, uma estrutura fiduciária adequada permitia reduzir a carga fiscal. A nova regra acabou com essa vantagem”, afirmou. Na quarta-feira, órgãos de comunicação chineses noticiaram também que as autoridades começaram a cobrar um imposto de 20 por cento sobre dividendos e juros provenientes de apólices de seguros contratadas no exterior. A notícia levou as ações da seguradora britânica Prudential, muito exposta ao mercado asiático, a cair até 13 por cento na bolsa de Londres, enquanto o banco HSBC chegou a perder mais de 6 por cento durante a sessão, antes de recuperar parcialmente. As medidas aproximam o regime fiscal chinês do modelo norte-americano, que tributa os residentes pelos rendimentos obtidos em todo o mundo.
Hoje Macau China / ÁsiaInvestimento | Brasil quer emitir dívida em yuan todos os anos O Brasil pretende emitir obrigações em yuan na China todos os anos para criar uma referência de mercado que facilite o financiamento de empresas brasileiras junto de investidores chineses, afirmou ontem um alto responsável do Tesouro do país sul-americano O vice-secretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, afirmou, num seminário organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China, que o objectivo da primeira emissão, prevista para antes do final do ano, é sobretudo estratégico e não de financiamento. “Tendo em conta a dimensão da nossa economia, trata-se muito mais de uma operação qualitativa do que quantitativa”, disse o responsável. “É obviamente um recurso bem-vindo e tende a ser barato, mas o mais importante é abrir portas a novos investidores”, acrescentou. Segundo explicou que o Governo brasileiro pretende estabelecer uma curva de rendimentos soberana na moeda chinesa, inexistente até agora, para servir de referência às empresas brasileiras que pretendam captar financiamento no mercado chinês. “Em todos os mercados onde concluímos que há sucesso e potencial, temos de estar presentes. Temos de ir uma vez, duas, três vezes. Temos de estar lá todos os anos”, afirmou. As chamadas “obrigações panda” são títulos de dívida emitidos por entidades estrangeiras no mercado obrigacionista chinês, denominados em yuan e destinados a investidores locais. Desde Dezembro de 2022, quando as autoridades chinesas eliminaram a obrigação de manter os fundos obtidos dentro da China, este instrumento tornou-se mais atractivo para emissores estrangeiros. Dados da agência Bloomberg indicam que as emissões de entidades estrangeiras registaram este ano uma taxa média de cupão de 1,97 por cento, bastante abaixo dos custos de financiamento em dólares, que rondam entre 4,5 e 5,5 por cento. O Brasil formalizou, em Junho, o pedido para emitir obrigações panda, quando o ministro das Finanças, Dario Durigan, entregou uma carta de intenções ao governador do Banco Popular da China (banco central), Pan Gongsheng, que manifestou disponibilidade para facilitar a operação. Yuan lá fora Se avançar, o Brasil tornar-se-á o primeiro Estado soberano da América Latina a emitir obrigações panda, seguindo exemplos recentes de países como Cazaquistão, Paquistão, Eslovénia e Indonésia. Portugal tornou-se, em 2019, o primeiro país da zona euro a emitir obrigações panda, ao colocar dois mil milhões de yuan em títulos com maturidade de três anos, numa operação destinada a diversificar a base de investidores e reforçar a presença no mercado financeiro chinês. O montante da emissão pelo Brasil permanece, contudo, indefinido. Em Junho, Durigan apontou para um valor até cinco mil milhões de yuan, enquanto o secretário do Tesouro brasileiro, Daniel Leal, referiu em Julho um objectivo próximo de 10 mil milhões de yuan. Caso se confirme o valor mais elevado, a operação ultrapassará o recorde estabelecido pela Indonésia, que emitiu sete mil milhões de yuan em Julho. Francisco Segundo indicou que a candidatura já foi aprovada pelas autoridades chinesas e que apenas restam procedimentos técnicos, incluindo a contratação de uma agência chinesa de notação financeira para avaliar a dívida soberana brasileira. Apesar de manter como objectivo concluir a emissão ainda este ano, o responsável admitiu que não existe garantia de que a operação seja realizada antes do final de 2026. A decisão de regressar regularmente ao mercado chinês resulta também da experiência europeia. O Brasil emitiu dívida em euros em 2014, permaneceu mais de uma década afastado desse mercado e regressou apenas em Abril deste ano com uma emissão de cinco mil milhões de euros, a maior da sua história em moeda europeia. Segundo afirmou que essa ausência prolongada prejudicou a curva de rendimentos da dívida brasileira em euros, reduzindo a sua utilidade como referência para empresas privadas.
Hoje Macau PolíticaGuangdong | Entrada de carros sujeita a marcação prévia A circulação em Guangdong dos carros com matrícula única de Macau autorizados a entrar em Hengqin vai arrancar com um sistema de quotas e marcação prévia. O cenário foi traçado por Ma Chi Seng, deputado e presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, após uma reunião realizada ontem para discutir as medidas de passagem no Posto Fronteiriço de Hengqin. As quotas e a marcação prévia foram justificadas pelo deputado com a previsão de um “aumento inevitável do trânsito”. No entanto, Ma Chi Seng não foi capaz de adiantar uma data para a entrada em vigor da medida. Segundo as Linhas de Acção Governativa, a circulação em Guangdong dos carros com matrícula única de Macau autorizados a entrar em Hengqin deveria ter ficado concluída até ao final de Junho. Sobre a deslocação entre Macau e a Ilha da Montanha com animais de estimação, Ma Chi Seng indicou que o Governo de Macau e as autoridades do Interior da China estão a negociar para que os residentes locais possam atravessar a fronteira com mais do que um animal por travessia.
Hoje Macau SociedadeTrilho da Taipa Grande | Alcatrão cede e obriga a obras O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou o encerramento temporário de alguns troços do Trilho da Taipa Grande, devido ao desabamento de parte da terra que sustenta os alcatrão. Num comunicado emitido ontem, a medida foi justificada com o objectivo de “garantir a segurança do público”. “Foi necessário colocar vedações provisórias nos troços em causa, sendo proibida ou limitada a circulação nos mesmos, pelo que se solicita aos cidadãos que prestem atenção às instruções no local e não entrem na área vedada”, pode ler-se na nota de imprensa. A informação acrescenta que os trabalhos de reparação compreendem o troço que vai da entrada do Trilho da Taipa Grande ‘T1’ ao Jardim das Cameleiras da Taipa Grande e entre o Miradouro da Taipa Grande e a coluna do marco de distância 2-01-06. “A obra consiste sobretudo na reparação do pavimento de asfalto com fendas e sedimentação nos referidos troços, incluindo o reaterro, estabilização das fundações, remoção provisória e reposição das instalações eléctricas, de abastecimento e drenagem de água”, foi revelado. “Prevê-se que a obra esteja concluída em Setembro, podendo o prazo de execução real ser prolongado devido ao tempo e a outros factores”, foi acrescentado. O IAM apelou ainda “aos cidadãos para prestarem atenção à organização da vedação, e evitarem aproximar-se, para prevenir a ocorrência de acidentes”.
Hoje Macau SociedadeSaúde | Lançado hoje programa de próteses para idosos Começa hoje uma nova ronda do “Programa de instalação de próteses dentárias para idosos”, da responsabilidade dos Serviços de Saúde (SS). Segundo uma nota de imprensa dos SS, é dada “prioridade aos idosos de idade avançada”. Os cidadãos que participaram no programa piloto, em 2019, e que estão a receber apoio económico ou que “têm necessidade de serviços de próteses removíveis”, também podem pedir este apoio. O programa arrancou de forma provisória em 2019, sendo que desde essa data “240 idosos já concluíram a instalação das suas próteses removíveis”, destacam os SS. O organismo explica ainda que tem sido dada prioridade “à atribuição de subsídio de próteses removíveis a idosos com dificuldades económicas”. O Governo foi reduzindo o limite de idade dos beneficiários para idosos com 65 ou mais anos, a fim de “garantir a cobertura total dos idosos elegíveis”.
Hoje Macau SociedadeÉbola | Angola sai da lista de países afectados Desde segunda-feira, que apenas três países constam na lista de países ou regiões afectados pelo vírus Ébola. Antes da alteração anunciada ontem pelos Serviços de Saúde, constavam 12 países na lista. Com as alterações, os países afectados passam a ser República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul. “Em resposta à evolução epidemiológica mais actualizada do vírus Ébola na África, os Serviços de Saúde, após avaliação de risco, procedem ao ajustamento adequado das medidas de declaração da saúde e de prevenção aquando da entrada em Macau”, foi justificado. Além disso, os indivíduos que nos últimos 21 dias tenham visitado estes países, ou sejam detentores destes passaportes, e entrem em Macau ficam sujeitos a medidas de reforço do controlo sanitário, que incluem um “inquérito sobre a saúde, avaliação de risco, e sujeição à despistagem”. Os SS garantem também que se as pessoas sujeitas ao controlo especial apresentarem “sintomas suspeitos do vírus Ébola”, vão ser “imediatamente encaminhadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para avaliação e exame mais aprofundados”. Os indivíduos assintomáticos ficam sujeitos ao acompanhamento e gestão de saúde. As modificações ajustam também as medidas de controlo sanitário para as pessoas que entram na RAEM provenientes do Ruanda, Quénia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, Congo e Burundi. Segundo o novo controlo, estas ficam sujeitas às “medidas gerais de rotina, incluindo monitorização da temperatura corporal na entrada e triagem em caso de anomalia, bem como cancelamento dos requisitos anteriores de acompanhamento da saúde por 21 dias e de autogestão da saúde”.
Hoje Macau PolíticaFujian | Song Pek Kei defende reforço da cooperação Na sequência da visita de Sam Hou Fai a Fujian, a deputada Song Pek Kei espera uma maior cooperação entre Macau e a província chinesa. A reacção da deputada ligada à comunidade de Fujian surgiu ontem no jornal Ou Mun. No entender de Song Pek Kei, as duas regiões não só se complementam com as respectivas vantagens, como também se vão auxiliar na integração no desenvolvimento nacional. A também presidente executiva da Associação Geral dos Conterrâneos de Fukien de Macau exemplificou que as regiões podem estabelecer uma plataforma de cooperação no âmbito do desenvolvimento de quadros qualificados e do intercâmbio entre instituições de ensino superior e de investigação. A deputada ligada à comunidade de Fujian também defendeu que devem ser adoptadas políticas em Hengqin para atrair empresas tecnológicas de Fujian. Além disso, Song apontou que ambos os lados podem reforçar a divulgação cultural sobre a Deusa A-Má, para internacionalizar a cultura chinesa e “contar bem” ao mundo a história da China.
Hoje Macau PolíticaContrabando | Nelson Kot defende combate menos severo O ex-candidato à Assembleia Legislativa, Nelson Kot, defende que o Governo deve adoptar uma postura mais ligeira contra o contrabando praticado em grupo por residentes. A posição foi tomada, numa altura em que o Governo está a planear criminalizar o contrabando feito por grupos organizados. Em declarações ao jornal Exmoo, Nelson Kot explicou que actualmente os contrabandistas podem ser divididos em quatro categorias: os residentes locais, constituídos principalmente por idosos, os trabalhadores não-residentes (TNR), que tendem a ser mais jovens, os turistas e grupos criminosos que recrutam estudantes e residentes. Face a estes grupos de contrabandistas, o ex-funcionário público entende que as autoridades devem ser mais brandas com os residentes locais, uma vez que muitos fazem contrabando para complementar os subsídios que recebem. Segundo Kot, desde que estas pessoas não sejam apanhadas a transportar produtos proibidos, o Governo deve ser mais tolerante. O ex-candidato explicou ainda que os residentes precisam do dinheiro, dado que actualmente a economia atravessa dificuldades. Em relação ao contrabando feito pelos TNR, Kot também acredita que deve ser criado um sistema de controlo do número de deslocações entre Macau e Zhuhai. Se esse número de deslocações for ultrapassado, o responsável acha que há indícios de contrabando, pelo que o Governo deve impedir que essas pessoas renovarem o título de trabalhador não-residente.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Alexandre Leitão promovido a ministro plenipotenciário O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, foi promovido a ministro plenipotenciário, a segunda mais alta categoria da carreira diplomática. A promoção foi publicada na terça-feira Diário da República Portuguesa, de acordo com a Rádio Macau, produz efeitos desde 22 de Julho e tem a assinatura do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Alexandre Leitão nasceu em Coimbra em Dezembro de 1965 e ingressou na carreira diplomática em 1999. Antes de assumir o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong em Janeiro de 2023, Alexandre Leitão desempenhou funções em Angola, Senegal, representou Portugal na União Europeia em Bruxelas e foi embaixador da União Europeia em Timor-Leste. Foi ainda conselheiro diplomático do antigo primeiro-ministro António Costa e enviado especial para os assuntos climáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Como ministro plenipotenciário, Alexandre Leitão passa a poder assumir o controlo de embaixadas.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina lança ofensiva no mercado automóvel e gigantes alemães tentam resistir As fabricantes automóveis alemãs enfrentam a mais profunda crise das últimas décadas, pressionadas pela quebra das vendas na China e pela ascensão de marcas chinesas que estão a preparar uma ofensiva sobre a Europa. A Volkswagen viu o lucro líquido cair 30,7 por cento no primeiro semestre deste ano, para 3.103 milhões de euros, com as vendas na China a recuar 31,6 por cento e anulando o crescimento registado na América do Sul e noutros mercados. Por seu lado, a Mercedes-Benz registou uma quebra de 6 por cento nos lucros, para 2.519 milhões de euros, também penalizada por uma descida de 30 por cento das vendas na China, enquanto a BMW viu o resultado líquido cair 28,5 por cento, para 2.872 milhões de euros, depois de as vendas no mercado chinês terem recuado mais de 30 por cento no segundo trimestre. Por detrás desta crise está uma transformação iniciada há mais de uma década no país asiático. Durante anos o principal motor de crescimento das construtoras alemãs, a China preparou a transição para veículos eléctricos através de uma política industrial que lhe garantiu uma posição dominante em toda a cadeia de valor, desde o acesso a matérias-primas críticas até ao fabrico de baterias. Em 2025, mais de metade dos automóveis vendidos no mercado chinês eram veículos de novas energias – eléctricos ou híbridos. No mesmo ano, a China exportou um recorde de 7,09 milhões de veículos, consolidando-se como o maior exportador automóvel do mundo. “As marcas tradicionais estão a trazer brinquedos analógicos para um parque digital”, resumiu à Lusa Tu Le, fundador da consultora Sino Auto Insights. “Já não é apenas um automóvel. É uma plataforma tecnológica”, afirmou. Os novos modelos chineses oferecem estacionamento autónomo, assistentes de voz alimentados por inteligência artificial, sistemas avançados de condução assistida e baterias que, nos modelos mais recentes, anunciam autonomias superiores a 700 quilómetros e carregamentos de cerca de 15 minutos. “O período em que a China copiava acabou. A inovação está a acontecer aqui”, reconheceu à Lusa Jochen Sengpiehl, anterior director de marketing da Volkswagen na China. Para o gestor alemão, a velocidade de inovação está a obrigar os fabricantes tradicionais a mudar de estratégia. “Já não podemos fazer tudo sozinhos”, admitiu, referindo-se à parceria estabelecida pela Volkswagen com a fabricante chinesa Xpeng. O maior peixe Carlos Martins, director da fábrica da portuguesa Sodecia no nordeste da China, considera que a principal vantagem competitiva dos fabricantes chineses reside na rapidez de execução. “As empresas europeias têm estruturas muito pesadas. Aqui conseguem desenvolver e colocar novos produtos no mercado muito mais depressa”, explicou à Lusa. A pressão sobre os fabricantes estrangeiros aumentou depois da entrada da Tesla no mercado chinês, em 2019. Tu Le lembrou que o “catalisador” que obrigou as marcas chinesas a dar um salto qualitativo foi a abertura da fábrica da Tesla em Xangai, em 2019. A produção local deu à construtora norte-americana acesso aos mesmos subsídios e incentivos fiscais usufruídos pelos concorrentes chineses. “Foi o efeito siluro”, observou à Lusa o consultor, numa referência ao peixe que é um dos maiores predadores nos rios europeus e asiáticos, constituindo uma ameaça à sobrevivência de várias espécies locais. “Havia muitos peixes gordos e preguiçosos no lago, mas a entrada de um siluro obrigou a que se fortalecessem”. Marcas como a BYD, Xiaomi, Xpeng, Li Auto ou Aito estão agora a preparar uma ofensiva internacional, incluindo sobre o segmento de gama alta europeu. A Xiaomi pretende entrar na Alemanha em 2027 e tornar-se uma das cinco principais marcas ‘premium’ da Europa até ao final da década. A empresa recrutou engenheiros da BMW, Porsche e Tesla e aposta na condução autónoma como principal factor diferenciador. A Li Auto prepara igualmente a entrada na Europa com o modelo i6, enquanto a Xpeng quer exportar não apenas automóveis eléctricos, mas também robôs humanoides e carros voadores. No primeiro semestre deste ano, as marcas chinesas conquistaram já 9 por cento das vendas de automóveis novos na Europa continental e 15 por cento no Reino Unido. A consultora AlixPartners estima que essa quota possa atingir 16 por cento na União Europeia até 2030. “Se fosse a Mercedes-Benz, a BMW ou a Porsche, estaria preocupado”, afirmou Tu Le. Nem todos partilham dessa visão. Num discurso na abertura do salão automóvel de Pequim em Abril, Burkhard Weller, presidente da Associação Alemã de Concessionários Automóveis, considerou que a fidelidade dos consumidores europeus às marcas ‘premium’ continuará a constituir uma barreira importante. Mas mesmo os fabricantes europeus reconhecem que a competição mudou de natureza. “Em nenhuma outra região do mundo a transformação da indústria automóvel é tão rápida como na China”, afirmou Oliver Blume, presidente executivo da Volkswagen. “O mercado chinês tornou-se um centro de alta ‘performance’ para nós. Temos de trabalhar mais e mais depressa para conseguir acompanhá-lo”, vincou.
Hoje Macau China / ÁsiaHonda | Lucros mais que duplicam entre Abril a Junho para 2.500 ME A fabricante automóvel Honda registou um lucro líquido de 450.915 milhões de ienes (cerca de 2.500 milhões de euros) entre Abril a Junho, um aumento de 129,3 por cento em relação ao mesmo período de 2025, informou ontem a empresa japonesa. No primeiro trimestre do ano fiscal da Honda, o lucro operacional duplicou e centrou-se nos 530.767 milhões de ienes (cerca de 2.900 milhões de euros), enquanto as receitas aumentaram 13,5 por cento em termos homólogos, atingindo os 6,06 biliões de ienes (cerca de 33.330 milhões de euros). Por regiões, a procura na América do Norte disparou 294,2 por cento, enquanto na Europa registou uma queda de 69,6 por cento. Para o exercício fiscal em curso, que termina em Março de 2027, a fabricante automóvel eleva a previsão de lucro líquido para 400.000 milhões de ienes (cerca de 2.200 milhões de euros) e de receitas para 24 biliões de ienes (cerca de 131.970 milhões de euros). Ainda assim, os possíveis impactos no volume de vendas ou nos custos de materiais decorrentes da incerteza em torno da situação no Médio Oriente não sofreram alterações relativamente à previsão anterior, uma vez que a Honda considera “necessário avaliar cuidadosamente” estes riscos. Além disso, salientou que o terramoto de magnitude 7,1 que abalou recentemente a cidade de Kumamoto, no sudoeste do Japão, afectou algumas das suas principais fábricas, onde as operações foram suspensas durante vários dias para monitorizar a situação e determinar medidas a tomar.
Hoje Macau China / ÁsiaCoreia do Sul | Buscas na sede da Starbucks após campanha polémica A Polícia da Coreia do Sul realizou ontem buscas na sede da Starbucks no país asiático devido a acusações de ofensa ligados a uma campanha publicitária polémica associada a um massacre histórico de manifestantes pró-democracia. A equipa de investigação de crimes públicos da Polícia Metropolitana de Seul iniciou às 08h50 (07h50 em Macau), uma operação na sede localizada no distrito de Gangnam, na capital sul-coreana, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. O mandado de busca cita acusações de que a Starbucks ofendeu as vítimas da repressão militar do movimento pró-democracia dos anos 80 na cidade de Gwangju (sudoeste do país), na qual pelo menos 165 pessoas foram mortas, com investigadores a querer saber se os quadros dirigentes da empresa planearam o evento promocional com essa intenção. A operação da Polícia, que tinha sido criticada pela lentidão da investigação, teve lugar após detectar deficiências no processo de auditoria interna da Starbucks apresentados pelo grupo Shinsegae, operador local da empresa. A polémica estalou a 18 de Maio, aniversário da revolta na cidade de Gwangju contra a ditadura do Presidente Chun Doo-hwan (1908-1988), quando a Starbucks lançou na Coreia do Sul uma promoção online chamada ‘Dia do Tanque’ para vender copos térmicos. Esta campanha desencadeou críticas entre os que consideraram que o nome e os slogans promocionais evocavam os tanques utilizados em Gwangju e na repressão militar dos anos 80. O escândalo gerou pedidos de desculpas públicos do presidente da Shinsegae, Chung Yong-jin, no despedimento do director executivo local da Starbucks Korea, em boicotes de trabalhadores e instituições governamentais e em críticas do Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung. Além disso, a equipa da Starbucks no país asiático recebeu formação de história e sensibilidade social em meados de Junho, altura em que fechou antes do horário normal as suas mais de 2.000 sucursais para a realização das aulas.
Hoje Macau China / ÁsiaCoreia do Norte | Japão acusado de se transformar num “Estado bélico” A influente irmã do líder norte-coreano acusou ontem o Japão de se estar a transformar num “Estado bélico”, um dia depois de Tóquio afirmar ser urgente reforçar as forças armadas japonesas A irmã de Kim Jong Un considera que o Japão se está a transformar num “Estado Bélico”. Os dirigentes da Coreia do Norte “irão implementar opções militares adicionais que são manifestamente a consequência da transformação do Japão”, declarou Kim Yo-jong num comunicado publicado pela agência de notícias oficial KCNA. “O Japão, um Estado criminoso de guerra, está a acelerar a transformação num Estado bélico”, afirmou. No prefácio do relatório anual sobre a defesa do arquipélago, publicado na terça-feira, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, considerou “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as capacidades de defesa com um sentimento de urgência e de crise mais forte do que nunca”. Na região da Ásia-Pacífico, “não só a China e a Coreia do Norte continuam a reforçar capacidades militares, como também a China e a Rússia, bem como a Rússia e a Coreia do Norte, estão a reforçar a sua cooperação”, alertou. O Japão aumentou as despesas militares em 9,7 por cento, atingindo 62,2 mil milhões de dólares em 2025, o que corresponde a 1,4 por cento do PIB do país, representando a percentagem mais elevada desde 1958. Kim Yo-jong citou o recente teste de lançamento de mísseis de cruzeiro de longo alcance Tomahawk realizado por Tóquio e a participação do Japão, em Maio, em exercícios liderados pelos Estados Unidos nas Filipinas, vendo nisso a prova do apoio de Washington a “movimentos militares perigosos” no Pacífico. Tóquio procura “dotar-se de uma capacidade de ataque preventivo”, criticou a norte-coreana. “Nunca ficaremos passivos perante a evolução militar do Japão, que poderá constituir uma grave ameaça”, acrescentou. Herança histórica O Japão ocupou toda a Coreia antes da capitulação em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, após o que a península foi dividida em dois Estados distintos ao longo do paralelo 38. O legado desse período continua a pesar na política externa tanto da Coreia do Norte como da Coreia do Sul. “Se os descendentes do militarismo, que herdaram os genes da astúcia e da agressão, se apoderarem de armas mortíferas, algo desagradável irá acontecer”, pode ler-se ainda no comunicado de Kim Yo-jong.
Hoje Macau China / ÁsiaChuva | Emitidos alertas máximos no centro e sul do país Várias regiões do centro e sul da China activaram ontem alertas vermelhos devido à chuva, o nível máximo do sistema chinês de avisos, perante precipitações intensas que elevaram o risco de cheias, inundações e desastres geológicos Na cidade de Yichang, na província central de Hubei, a estação meteorológica local elevou ontem para vermelho o alerta devido à chuva, após uma zona ter registado mais de 65 milímetros de precipitação numa hora, informou a televisão estatal CCTV. As autoridades locais advertiram para um risco “extremamente elevado” de cheias repentinas em zonas montanhosas, desastres geológicos, subida do caudal dos rios e inundações. No sul do país, a cidade de Sanya, na ilha de Hainan, emitiu igualmente um alerta vermelho, após uma área próxima de uma escola ter acumulado 130,6 milímetros de chuva em três horas. A estação meteorológica local prevê que a instabilidade atmosférica que afecta a cidade mantenha a intensidade e provoque nova precipitação em vários distritos, com acumulados entre 50 e 100 milímetros em algumas zonas nas próximas seis horas. As autoridades recomendaram ainda a suspensão das aulas em algumas áreas e apelaram à população para adoptar medidas de precaução perante o risco de subida do caudal dos rios, cheias repentinas e deslizamentos de terras. No município de Chongqing, no centro da China, as chuvas registadas entre terça-feira e ontem provocaram a subida do nível de cerca de 50 rios. As cheias inundaram algumas zonas baixas junto às margens e obrigaram à retirada de emergência de residentes em áreas de risco, embora o balanço oficial não indique, para já, o número de pessoas retiradas nem registe vítimas ou desaparecidos. Clima em mudança Nos últimos dias, as chuvas no centro da China obrigaram à retirada preventiva de quase 400 mil pessoas apenas nas províncias de Shaanxi e Sichuan, onde as autoridades mantêm a vigilância devido ao risco de cheias, inundações repentinas em zonas montanhosas e desastres geológicos. O agravamento das condições meteorológicas surge após vários episódios de chuva extrema registados em Julho, incluindo as inundações associadas ao tufão Maysak na região de Guangxi, no sul do país, que provocaram pelo menos 39 mortos, bem como vários deslizamentos de terras e cheias no centro da China que causaram dezenas de mortos e desaparecidos. O ministério dos Recursos Naturais anunciou recentemente um plano para reforçar, entre 2026 e 2030, a prevenção de desastres geológicos, advertindo que as alterações climáticas estão a aumentar o risco de fenómenos súbitos e em cadeia provocados por chuvas extremas fora das zonas tradicionalmente consideradas mais vulneráveis.
Hoje Macau China / ÁsiaRegiões chinesas reforçam incentivos para atrair turistas estrangeiros Várias regiões chinesas lançaram ou reforçaram incentivos financeiros para as agências de viagens atraírem turistas estrangeiros, numa altura em que as chegadas internacionais ao país recuperam, impulsionadas pelo alargamento das isenções de visto. O município de Chongqing, no centro da China, oferece até 100 yuan por turista e atribuirá 30 yuan por pessoa às agências que levem este ano pelo menos mil visitantes que cumpram determinados requisitos de permanência, informou ontem o jornal Yicai. O incentivo será duplicado quando os turistas forem oriundos de países ou regiões que tenham contribuído com menos de 50 mil visitantes para Chongqing em 2025, embora cada empresa possa receber, no máximo, 150 mil yuan ao abrigo desta medida. A província de Guizhou, no centro do país, aplica desde Abril um sistema de incentivos progressivos que concede até 70 yuan por turista estrangeiro que pernoite na região, sem limite para o número total de visitantes, e até 80 yuan por integrante de grupos organizados vindos do exterior, consoante a dimensão e o itinerário. Na província oriental de Shandong, as autoridades prolongaram de um para três anos o programa de incentivos destinado a visitantes que permaneçam pelo menos duas noites na região, prevendo apoios diários até 12 yuan para turistas oriundos de mercados próximos e de 20 yuan para os provenientes de destinos mais distantes. Pelo menos outras oito regiões chinesas adoptaram medidas semelhantes, segundo o Yicai. Citado pelo jornal, o presidente da Associação de Guias Turísticos da província de Sichuan, Chen Qiankang, afirmou que “o turismo interno parou de crescer”, tornando o turismo internacional um novo motor de expansão para as regiões chinesas. As iniciativas coincidem com a recuperação da entrada de visitantes estrangeiros na China após a pandemia, favorecida pelo alargamento das isenções de visto. Entrar sem visto A China recebeu 22,91 milhões de visitantes estrangeiros no primeiro semestre deste ano, mais 20 por cento do que no mesmo período do ano passado, tendo 78 por cento entrado no país sem necessidade de visto, segundo a Administração Nacional de Imigração. Pequim começou, em Novembro de 2023, a isentar unilateralmente de visto os cidadãos de seis países europeus, alargando posteriormente para 30 dias o período de permanência autorizado. A medida abrange actualmente cerca de meia centena de países, incluindo Portugal, e foi prorrogada até ao final de 2026. Em 2025, a China registou cerca de 154,5 milhões de visitantes internacionais, mais 17 por cento do que no ano anterior, cujas despesas ascenderam a 131,1 mil milhões de dólares, um aumento homólogo de 39 por cento. As autoridades chinesas fixaram como objectivo atingir 190 milhões de visitantes internacionais até 2030.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Pequim critica uso de “ameaça chinesa” para justificar rearmamento A China acusou na terça-feira o Japão de exagerar a “ameaça chinesa” para justificar o rearmamento, após Tóquio classificar a actividade militar de Pequim como um “desafio estratégico sem precedentes” num relatório de Defesa de 2026. Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Chen Xi, afirmou que o novo documento japonês está “repleto de narrativas falsas” e exagera uma alegada “crise de segurança” na região. Chen considerou que o texto procura justificar o reforço das capacidades militares do Japão, manifestando a “forte insatisfação” e a “firme oposição” de Pequim. O porta-voz acusou ainda as autoridades japonesas de utilizarem o princípio de uma política “exclusivamente defensiva” como cobertura para rever os principais documentos de segurança, aumentar as despesas militares, desenvolver capacidades ofensivas de longo alcance e promover a militarização do espaço. Chen sustentou também que o Japão procura apresentar a expansão da indústria de defesa como um motor de crescimento económico, visando integrar o rearmamento nas suas estruturas institucionais, económicas e sociais. “O novo militarismo japonês tornou-se um grave desafio à ordem internacional do pós-guerra e uma verdadeira ameaça à paz e à estabilidade regional”, afirmou. O ministério da Defesa chinês sublinhou igualmente que a questão de Taiwan diz respeito à soberania e à integridade territorial da China e constitui uma “linha vermelha intransponível” nas relações entre Pequim e Tóquio. O Livro Branco da Defesa do Japão, aprovado na terça-feira, refere que a actividade militar chinesa se intensificou entre Abril de 2025 e Março de 2026, incluindo operações com porta-aviões no Pacífico, aproximações de caças chineses a aeronaves japonesas e um incidente envolvendo a utilização de radar de controlo de tiro.
Hoje Macau EventosIAM | Criado concurso de fotografia focado na protecção animal O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a aceitar fotografias para o concurso “Caminhar Juntos pela Protecção e Saúde Animal”, que decorre até ao dia 11 de Setembro. A ideia é celebrar o Dia Mundial dos Animais, efeméride comemorada a 4 de Outubro, e promover “os conceitos de protecção animal e caminhar juntos pela saúde animal”. Segundo um comunicado do IAM, esta iniciativa acontece em parceria com o grupo “Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group” e a Associação Fotográfica de Macau. O objectivo do concurso é “incentivar os cidadãos a capturar momentos comoventes entre humanos e animais, demonstrando que a companhia mútua entre humanos e animais de estimação contribui para o bem-estar físico e mental”. As imagens podem ser enviadas para o email petcare@iam.gov.mo, não sendo aceites imagens geradas por inteligência artificial. O IAM esclarece ainda que as fotografias apresentadas a concurso “devem focar-se na interacção entre humanos e animais, nas quais seja expresso o conceito de proteger e cuidar dos animais”. Todos os trabalhos devem ser originais, sem publicação anterior ao concurso. O júri será composto por representantes da organização e fotógrafos profissionais de Macau, existindo prémios de 3.000 patacas para o primeiro classificado, 2.000 patacas para o segundo lugar e 1.000 patacas para o terceiro classificado. Haverá ainda sete prémios de distinção, com um valor de 500 patacas atribuído através de vales de compras. A cerimónia de entrega dos prémios decorre no dia 4 de Outubro, sendo realizada em paralelo a exposição com as imagens escolhidas. Nesse dia organiza-se o “Dia de Convívio sobre a Protecção dos Animais”, na praça do Tap Seac.