Hoje Macau Manchete SociedadeEnsino | Novo ano letivo arranca em Macau com menos três mil estudantes O ano lectivo 2026/2027 arrancou em Macau com cerca de 86 mil alunos, disse o responsável pela tutela da educação, menos três mil do que no ano anterior. “O número de turmas do ensino secundário continua a aumentar devido ao ‘baby boom’ dos anos anteriores, enquanto o número de turmas do ensino pré-escolar está em tendência decrescente”, afirmou o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), ao canal chinês da emissora pública TDM, à margem de visitas às escolas no primeiro dia de aulas, na terça-feira. No ano passado, na mesma ocasião, Kong Chi Meng revelou que o ensino não superior de Macau tinha um total de 89 mil alunos. Kong confirmou também que, no novo ano lectivo, duas escolas foram fundidas. O Jardim de Infância Caritas passou a estar sob a alçada da Escola São João de Brito, um estabelecimento de ensino católico gerido pela Caritas de Macau. Em Junho, a DSEDJ disse à Lusa que existem entre nove a 11 escolas com intenção de fusão ou transformação. No ano lectivo de 2025/2026, Macau tinha menos 26 turmas de creche do que no ano anterior, enquanto o número de educadores de infância diminuiu em 63, de acordo com dados citados pela deputada Ella Lei Cheng I em Abril. Em Março, o único jardim-de-infância português de Macau, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, reduziu o seu corpo docente de 24 para 18 professores. Macau registou em 2025 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No primeiro trimestre de 2026, nasceram no território 690 bebés, menos 8por cento em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, segundo dados oficiais. De acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População, a taxa de fecundidade total em Macau caiu em 2025 para 0,7 filhos por mulher em idade fértil, a mais baixa do mundo, juntamente com a vizinha região de Hong Kong. Também a taxa de natalidade em Macau tem vindo a cair desde há 11 anos consecutivos, atingindo em 2025 outro mínimo histórico de 0,47 nascimentos por cada mulher entre 15 e 49 anos, segundo dados oficiais.
Hoje Macau China / Ásia MancheteBalanço geral das cheias sobe para 1.114 mortos e 3.916 desaparecidos As cheias que atingiram há uma semana o Nepal, junto à fronteira com a China, provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas, segundo um balanço provisório divulgado ontem pelas autoridades de gestão de emergências. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos. Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias. Entre as vítimas no Nepal contam-se dezenas de crianças, enquanto centenas de restos mortais foram recuperados pelas equipas de emergência. Centenas de cidadãos estrangeiros continuam também desaparecidos. Segundo um balanço anterior das autoridades nepalesas, pelo menos 583 estrangeiros estavam por localizar. As equipas de emergência resgataram mais de 6.500 pessoas, entre as quais cerca de 580 estrangeiros. Na segunda-feira, o Governo nepalês enviou um pedido urgente de assistência financeira ao conselho do Fundo de Resposta a Perdas e Danos, mecanismo internacional criado para apoiar países vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Nunca visto A inundação, descrita por observadores locais como a maior de que há memória na região, terá feito subir o nível das águas entre 15 e 18 metros acima do habitual, devastando localidades ao longo de cerca de 72 quilómetros do rio Trishuli. As cheias destruíram também o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, entre o Nepal e a China, uma das principais vias de comércio bilateral, e afectaram dezenas de localidades. A catástrofe atingiu igualmente o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete, onde as autoridades mobilizaram equipas de emergência para procurar desaparecidos e retirar residentes e turistas das áreas afetadas.
Hoje Macau China / ÁsiaChina beneficia cada vez mais do regresso de cientistas formados no estrangeiro O número de cientistas chineses que regressam do estrangeiro aumentou mais de 40 vezes em menos de duas décadas, contribuindo para a crescente presença da China na investigação científica de elite, segundo um estudo divulgado pela Universidade de Stanford. O número anual de investigadores que regressaram à China passou de 31, em 2004, para 1.409, em 2022, totalizando quase 10.000 cientistas durante o período analisado, mais de metade proveniente dos Estados Unidos. A investigação, divulgada pelo Stanford Center on China’s Economy and Institutions (SCCEI), um centro de estudos da Universidade de Stanford especializado na economia chinesa, concluiu que o regresso destes investigadores está a contribuir não apenas para a produção científica individual, mas também para melhorar o desempenho dos colegas e instituições onde passam a trabalhar. “Os cientistas que regressaram alimentaram a ascensão da China na ciência”, lê-se no relatório, intitulado “Brain Circulation and Knowledge Creation: Evidence from Elite Chinese Scientists”. O estudo foi realizado pelos investigadores Shihang Ru, Heiwai Tang, Bernard Yeung e Xinbei Zhou e analisou mais de 600.000 artigos publicados entre 2003 e 2022 em algumas das revistas científicas mais selectivas do mundo, nas áreas da química, física e ciências da vida, além de várias publicações científicas generalistas. A amostra abrange mais de 1,2 milhões de investigadores ligados a cerca de 65.000 instituições. Os autores consideraram como “regressado” um cientista de origem chinesa cuja afiliação profissional passou de uma instituição no estrangeiro para outra na China. Durante o período analisado, a proporção de artigos publicados nas revistas científicas selecionadas com pelo menos um autor baseado na China passou de cerca de 4 por cento, em 2003, para 27 por cento, em 2022. Mais citações O peso científico da China aumentou também quando medido através das citações recebidas pelos trabalhos publicados: a percentagem atribuída a cientistas chineses baseados na China aumentou de cerca de 2 por cento para 25 por cento do total nas áreas analisadas. Para os autores, isto significa que a crescente presença chinesa “reflecte cada vez mais influência real, e não apenas volume”. O estudo identificou ainda efeitos sobre os investigadores que já trabalhavam na China. “Colaborar com um investigador regressado proporciona um impulso duradouro ao trabalho dos próprios cientistas locais”, segundo o relatório. Entre cientistas que já tinham colaboradores internacionais antes de trabalharem pela primeira vez com um investigador regressado, a qualidade da investigação, medida através de um indicador baseado em citações, aumentou cerca de 8 por cento no ano dessa primeira colaboração e aproximadamente 15 por cento três anos depois. Segundo os autores, os resultados sugerem que a melhoria resulta de capacidades específicas trazidas pelos regressados, entre as quais “conhecimentos especializados, familiaridade com o funcionamento das revistas de elite e acesso a redes internacionais”. “Até os cientistas que nunca trabalham com um regressado beneficiam de ter mais deles por perto”, realça o documento. A China começou a lançar programas específicos de recrutamento de talentos no estrangeiro em 2006, incluindo o programa Mil Talentos, em 2008, e uma iniciativa semelhante destinada a investigadores mais jovens, em 2011. “O valor de recrutar cientistas de volta ao país reside apenas parcialmente na produtividade dos próprios regressados”, indica o relatório. “Uma parte substancial resulta da forma como a sua presença transforma os laboratórios, as colaborações e as culturas de investigação à sua volta”, acrescenta.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | China pronta para ajudar a proteger transporte marítimo A China está disponível para trabalhar com os países do Médio Oriente para proteger o transporte marítimo, declarou ontem o Presidente chinês ao homólogo egípcio durante um encontro no Cairo. “A China está pronta para trabalhar com os países da região para salvaguardar a segurança das vias marítimas internacionais”, disse Xi Jinping a Abdel Fattah al-Sisi, informou a agência estatal chinesa Xinhua. A declaração de Xi surge numa altura em que a guerra entre os Estados Unidos e o Irão perturba a logística na região rica em energia, de que a China é cliente. Xi também defendeu que as “ingerências externas” no Médio Oriente devem ser combatidas, referiu a Xinhua, citada pela agência de notícias AFP. “Devemos defender o princípio de que os povos do Médio Oriente são mestres do próprio destino, opor-nos às ingerências externas e apoiar os países da região no reforço do diálogo para a paz e a segurança”, afirmou Xi. O Presidente da China chegou ao Cairo na terça-feira para uma visita de três dias, a primeira numa década.
Hoje Macau China / ÁsiaViagem | Xi visita Egipto e procura ampliar influência no Médio Oriente O Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou uma visita de três dias ao Egipto, a primeira em uma década, numa altura em que Pequim procura aprofundar a influência económica e diplomática no Médio Oriente. Xi chegou na terça-feira à noite ao aeroporto do Cairo, decorado com bandeiras chinesas e egípcias, onde foi recebido pelo Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. Os dois líderes tinham previsto uma reunião e uma visita de Xi ao Grande Museu Egípcio. A deslocação é a primeira do Presidente chinês ao Egipto em dez anos e a primeira ao Médio Oriente desde a visita à Arábia Saudita, em 2022. Sisi deslocou-se várias vezes à China nos últimos anos. A visita ocorre numa altura em que Pequim procura apresentar-se como um factor de estabilidade no Médio Oriente, em contraste com os Estados Unidos, envolvidos militarmente na região durante décadas e, mais recentemente, na guerra com o Irão. “A China continua a acumular reservas de ‘soft power’, enquanto os Estados Unidos sabotam as suas próprias”, escreveram este ano Amr Hamzawy, director do programa para o Médio Oriente do grupo de reflexão Carnegie Endowment for International Peace, e Kathryn Selfe, antiga investigadora da instituição. Por ocasião dos 70 anos de relações diplomáticas entre os dois países, Xi e Sisi publicaram na terça-feira artigos na imprensa estatal egípcia. Xi defendeu que Pequim e Cairo devem “alargar o âmbito da cooperação pragmática”, enquanto Sisi destacou os investimentos chineses no Egipto e reiterou o apoio do Cairo à posição de Pequim de que Taiwan faz parte da China. O Egipto tem encarado o aprofundamento das relações com Pequim como forma de diversificar as parcerias estratégicas. O país aderiu em 2024 ao bloco de economias emergentes BRICS, visto como contrapeso às instituições internacionais dominadas pelas potências ocidentais. No mesmo ano, Cairo assinou acordos com Pequim no âmbito da iniciativa chinesa Faixa e Rota, lançada por Xi para financiar e construir infraestruturas de transporte, energia e outras obras em dezenas de países. Falam os números A China investiu mais de 10 mil milhões de dólares no Egipto, incluindo na construção de um polo empresarial a leste do Cairo e de uma linha ferroviária eléctrica destinada à indústria no delta do Nilo. O comércio bilateral ronda 20 mil milhões de dólares anuais, segundo dados oficiais, contra 15,7 mil milhões de dólares nas trocas entre Estados Unidos e Egipto em 2025. O Egipto continua, no entanto, a ser um parceiro fundamental de Washington na política de segurança para o Médio Oriente. Pequim tem procurado simultaneamente assumir um papel diplomático mais relevante na região. Em 2023, mediou o acordo para o restabelecimento das relações diplomáticas entre o Irão, importante fornecedor de petróleo da China, e a Arábia Saudita, tradicional aliado dos Estados Unidos. As relações entre Riade e Teerão deterioraram-se desde então, na sequência da guerra iniciada em Fevereiro entre o Irão, por um lado, e Estados Unidos e Israel, por outro. Dois Estados A China tem também defendido uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e, em 2023, Xi anunciou uma “parceria estratégica” com a Autoridade Palestiniana durante uma visita do Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, a Pequim. A importância estratégica do Egipto aumentou ainda devido às perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz provocadas pela guerra com o Irão. O canal do Suez, controlado pelo Egipto, constitui uma rota alternativa fundamental para o transporte de energia para fora da região. “A China tem boas razões para reforçar os laços com o país que controla a rota que permanece aberta”, afirmou Muhammad Zulfikar Rakhmat, especialista em Médio Oriente do Centro de Estudos Económicos e Jurídicos, com sede em Jacarta, citado pela agência Associated Press. China e Egito realizaram, em Agosto, exercícios aéreos durante vários dias em diversas bases egípcias, que incluíram caças chineses J-16 e Rafale de fabrico francês ao serviço das forças egípcias. Xi chegou ao Cairo após participar numa cimeira de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai, em Bisqueque, no Quirguistão, que reuniu, entre outros, os líderes da Rússia, Índia, Paquistão e Irão.
Hoje Macau China / ÁsiaMoody’s | China reforça papel de empresas estratégicas para garantir segurança energética A agência de notação financeira Moody’s indicou que Pequim está a atribuir importância estratégica crescente a empresas consideradas essenciais para garantir a segurança energética, perante as tensões geopolíticas e expansão de sectores com elevado consumo de electricidade. Num relatório recente, a agência destacou os riscos decorrentes da “forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais”, apontando especificamente para o impacto da guerra no Médio Oriente e o consequente encerramento do estreito de Ormuz. Antes do conflito, passavam por aquela via marítima cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás, segundo a Moody’s. A agência afirmou ainda que a “rápida expansão” da inteligência artificial (IA), dos centros de dados, dos veículos eléctricos e da indústria transformadora avançada torna o acesso a energia “fiável, acessível e segura ainda mais vital para o crescimento económico e a competitividade tecnológica”. “O objectivo da China é garantir a resiliência geral do seu ecossistema energético, capaz de apoiar a descarbonização, a competitividade industrial, a liderança tecnológica e um crescimento impulsionado pela IA”, resumiu. Neste contexto, Pequim está a alargar o conceito de sectores estratégicos para além dos combustíveis, produtores de energia e operadores das redes eléctricas, passando a incluir também minerais críticos, equipamento nuclear, armazenamento de energia e construção de infraestruturas. Entre as empresas que poderão beneficiar desta estratégia, a Moody’s destacou o grupo de infraestruturas energéticas PowerChina, o fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, o grupo mineiro Minmetals e a Shanghai Electric Holdings, um dos poucos fabricantes chineses de equipamento nuclear. A agência ressalvou que a emergência de novas empresas consideradas estratégicas não deverá reduzir a importância dos grupos estatais que tradicionalmente dominam o sector energético chinês. “As empresas de petróleo e gás continuam a ser fundamentais para a segurança dos combustíveis, a resiliência do abastecimento e a diversificação das importações, enquanto os produtores de eletricidade e operadores das redes continuam a sustentar a fiabilidade do sistema e o acesso a energia a preços comportáveis”, indicou. Sol que brilha Esta semana, o portal financeiro chinês Cailian informou que a capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão, assinalando uma mudança significativa na transformação do sistema eléctrico do país. A China continua fortemente dependente do carvão em termos de produção efectiva de eletricidade, mas as fontes renováveis têm vindo a dominar cada vez mais a nova capacidade instalada. A segurança energética ganhou particular importância para Pequim desde o início da guerra no Irão. Em Abril, semanas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das posteriores represálias de Teerão, incluindo contra outros países da região, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) apelou a uma melhoria da “segurança energética e dos recursos” e à preparação para “perturbações e desafios provenientes do exterior”. O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás comercializados mundialmente antes do início do conflito, afetou particularmente a Ásia, principal destino das exportações energéticas que atravessavam aquela rota. A guerra chegou a provocar uma subida dos preços dos combustíveis na China e levou as autoridades a intervirem temporariamente, limitando os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual de cálculo. O conflito trouxe, contudo, algumas vantagens comerciais para a China. As exportações chinesas de tecnologias ‘verdes’, setores em que o país ocupa uma posição dominante a nível mundial, incluindo painéis solares, baterias e veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, perante o impacto global da subida dos preços do petróleo.
Hoje Macau Via do MeioUma diferença fundamental entre seres humanos virtuosos e sistemas de IA robótica virtuosos: uma perspectiva confucionista (3) Chenyang Li (continuação do número anterior) Uma diferença fundamental entre a virtude da IA e a virtude humana Tentei contornar questões tão complexas como a consciência das máquinas e a subjetividade moral na nossa discussão sobre a ética das máquinas de IA. A minha investigação centra-se em como as máquinas de IA podem ser virtuosas, em vez de se questionar se podem ter consciência, livre arbítrio ou tornar-se agentes morais no sentido kantiano. A visão de Aristóteles sobre a virtude, em relação à função própria de uma coisa, proporciona uma ponte útil entre a virtude humana e a virtude não humana, sendo que esta última categoria inclui a virtude das máquinas de IA. Para Aristóteles, a virtude (arete) de uma coisa baseia-se na sua função própria (ergon). Nesta perspetiva, uma coisa não tem de ser um ser consciente para ter uma função própria e ser excelente (arete) no seu desempenho. Na ética confucionista, o conceito de virtude (de) aplica-se tanto aos seres humanos como ao mundo não humano. Nestas perspetivas, os sistemas robóticos de IA podem, sem dúvida, ser virtuosos. A função adequada de um aspirador robótico, por exemplo, é limpar o chão. Se possuir qualidades como forte sucção, limpeza minuciosa, durabilidade, etc., limpa bem o chão e, por isso, é um aspirador robótico de qualidade. Os robôs de cuidados são concebidos para ajudar idosos ou pessoas com deficiência. Estão programados para demonstrar qualidades como compaixão, paciência e responsabilidade no seu papel de prestadores de cuidados. Dependendo dos objetivos específicos, também podem ser programados para se moverem devagar e com cuidado, garantindo segurança e conforto enquanto auxiliam em tarefas físicas, como ajudar o utilizador a levantar-se ou a andar. O Paro, por exemplo, é um robô terapêutico interativo avançado, concebido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST) do Japão com o objetivo de estimular doentes com demência, Alzheimer e outras perturbações cognitivas. É capaz de utilizar o reconhecimento de emoções para detetar o estado emocional de um utilizador, como a tristeza ou a ansiedade, e responder com palavras reconfortantes, um tom suave e ações de apoio. Funciona com virtudes como a paciência, a gentileza e a fiabilidade. O Paro tem sido utilizado em hospitais e instituições de cuidados como ferramenta terapêutica em cerca de 30 países.26 Alguns poderão argumentar que, embora os robôs com IA possam comportar-se de forma virtuosa, ainda assim não podem ser virtuosos porque não possuem agência moral — a capacidade de intenção, compreensão e raciocínio moral —, nem são capazes de envolvimento emocional. Tal argumento, no entanto, é circular, pois define a virtuosidade de uma forma restrita que exige essas qualidades.27 Além disso, a questão de saber se os sistemas robóticos de IA podem ter consciência e razão tem sido alvo de um debate aceso, sendo improvável que se chegue a um consenso sobre o assunto num futuro próximo, se é que tal consenso alguma vez será alcançado.28 De acordo com a perspetiva funcional adotada neste ensaio, baseada numa interpretação restrita da visão de Aristóteles sobre função e virtude, estas máquinas de IA são virtuosas na medida em que cumprem adequadamente as respetivas funções para as quais foram concebidas. A verdadeira questão é até que ponto a virtuosidade das máquinas robóticas de IA difere da da humanidade. Esta abordagem de incluir entidades não humanas como capazes de ser virtuosas levanta outras questões desafios à singularidade da humanidade no mundo. A singularidade humana sempre ocupou um lugar especial no coração da espécie humana. Durante muito tempo, acreditámos ser especiais porque pensávamos que a Terra estava no centro do universo. Esta ideia sugeria que o nosso lugar no cosmos era de uma importância única. No entanto, essa crença foi desfeita. A Revolução Copernicana do século XVI dissipou esta noção, quando Nicolau Copérnico demonstrou que a Terra não é o centro do universo, mas simplesmente um planeta em órbita à volta do Sol. A sua teoria enfrentou forte oposição por parte de grupos religiosos, que a viram como um desafio à importância atribuída à humanidade. Desde então, tivemos de aceitar que nunca fomos o centro do universo. Outra fonte da nossa perceção de singularidade era a crença de que fomos criados à imagem de Deus. No entanto, no século XIX, Charles Darwin abalou esta ideia reconfortante com a sua teoria da evolução. Darwin propôs que os seres humanos evoluíram a partir de espécies anteriores, tal como todos os outros seres vivos, e que a nossa forma física é o produto da evolução e não de um desígnio deliberado por parte de um poder superior. Para alguns, o impacto psicológico desta constatação aprofundou-se quando o filósofo alemão do século XIX Friedrich Nietzsche proclamou a famosa frase: «Deus está morto!» Esta afirmação sugeria que a humanidade já não podia confiar na autoridade divina para justificar o seu estatuto especial. Em vez disso, somos responsáveis por criar o nosso próprio sentido na vida. Durante algum tempo, a nossa capacidade de raciocinar pareceu ser a última característica definidora que nos tornava únicos. No entanto, até isso foi posto em causa. Sigmund Freud argumentou que a mente humana consiste em três camadas: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. Ele sugeriu que o pensamento racional, que reside na mente consciente, é apenas uma pequena parte de uma psique muito maior e mais complexa. Segundo Freud, o comportamento humano é em grande parte moldado por forças inconscientes, o que significa que a racionalidade desempenha um papel muito menor do que se supunha anteriormente. Consequentemente, ele questionou se os seres humanos poderiam realmente ser definidos como seres racionais. Quer aceitemos ou não a teoria de Freud, a sua perspetiva obriga-nos a reconsiderar o pressuposto de que a racionalidade é a nossa característica definidora — é algo que precisa de ser provado, em vez de ser dado como certo. A moralidade também tem sido considerada uma característica distintiva da humanidade. O Livro do Génesis diz-nos que Adão e Eva adquiriram o conhecimento do bem e do mal através da perda da sua inocência. Mencius e outros pensadores antigos defenderam que apenas os seres humanos nascem com sementes éticas e podem tornar-se seres éticos. Agora, temos de aceitar que as máquinas robóticas com IA também podem ser éticas, pelo menos no sentido de que podem ser virtuosas. Mas será que isso torna as virtudes das máquinas de IA indistinguíveis da virtuosidade dos seres humanos? seres? Existem diferenças evidentes. Por exemplo, os robôs com IA são fabricados para serem virtuosos de determinadas formas específicas, tal como se pretende que sejam. Quando os clientes adquirem um iRobot com defeito, que não cumpre a função para a qual foi concebido e, por isso, não é virtuoso, podem devolvê-lo ao fabricante para obterem uma substituição. Os seres humanos, no entanto, têm de tornar-se virtuosos, independentemente de possuírem ou não sementes inatas de virtude. Os seres humanos tornam-se virtuosos por habituação (segundo Aristóteles) ou por autoaperfeiçoamento (segundo Confúcio). No entanto, essa diferença pode não ser tão clara como parece. As máquinas robóticas com IA também podem aprender a ser (mais) virtuosas. Um novo aspirador robótico pode aprender e traçar um mapa do seu novo ambiente e, assim, melhorar o desempenho na limpeza do chão. Além disso, uma máquina robótica com IA pode até ser mais virtuosa no desempenho do seu papel do que os seres humanos. Os robôs equipados com IA, por exemplo, podem ajudar os cirurgiões a realizar tarefas com ainda mais precisão e consistência do que os próprios cirurgiões humanos, podendo também ajudar a evitar complicações. Estas fronteiras difusas, no entanto, não significam que não exista uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos e os seres humanos virtuosos. A seguir, defenderei que uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos, por um lado, e os seres humanos virtuosos, por outro, reside na capacidade distintiva dos seres humanos de se tornarem abrangentemente virtuosos. Tal como foi abordado na Secção 2 deste ensaio, para Confúcio, a virtude de uma pessoa concretiza-se em dois níveis. Um deles diz respeito às virtudes específicas. Uma pessoa pode ser inteligente, corajosa ou diligente. O discípulo de Confúcio, Zilu, por exemplo, era conhecido pela sua bravura, enquanto outro discípulo, Yanhui, se destacava pela sua dedicação à aprendizagem. O objetivo último da vida humana, para Confúcio, não é meramente possuir virtudes específicas ou servir apenas a um propósito específico (Analectos 2.12). Uma pessoa virtuosa, enquanto ser humano, não é virtuosa apenas numa dimensão da vida. O objetivo último da vida humana é, antes, tornar-se uma pessoa dotada da virtude abrangente do ren.29 Na perspetiva confucionista, ser humano, em última análise, significa ser ren (ren zhe ren ye 嬬簅嬣憟).30 Da mesma forma, para Aristóteles, viver a vida humana ideal não se resume a possuir virtudes específicas. Embora ser um bom flautista exija a posse de algumas virtudes específicas para tocar bem a flauta, e ser um escultor exija certas virtudes específicas para ser um excelente escultor, isso não faz deles seres humanos virtuosos. Ser um bom ser humano, alguém que leva uma boa vida humana, exige que se busque uma vida virtuosa de acordo com a razão. Essa é a vida de eudaimonia. Tal vida requer não apenas uma ou algumas virtudes específicas, como se verifica num bom flautista ou num bom escultor. Para Aristóteles, uma vida de eudaimonia requer uma variedade de virtudes específicas (NE 1.10 1101a 15–17), 31mas é mais do que uma mera coleção de virtudes específicas. Estas virtudes devem assentar num fundamento racional, característico do funcionamento adequado da humanidade. Uma vez que uma vida de eudaimonia exige que uma pessoa alcance a excelência no desempenho da sua função humana própria, podemos muito bem chamar a essa excelência «virtude», com base na definição de virtude de Aristóteles, mesmo que o próprio Aristóteles se recusasse a rotulá-la assim. Entendidas desta forma, apesar das suas diferenças noutros aspetos, as teorias éticas de Confúcio e de Aristóteles partilham uma estrutura comum de virtude em duas camadas. Numa camada, as virtudes são específicas; na outra, existe uma virtude abrangente, o «ren» ou a eudaimonia. Na perspetiva defendida neste ensaio, uma diferença fundamental entre os sistemas de IA robótica virtuosos, por um lado, e os seres humanos virtuosos, por outro, reside no facto de, embora ambos possam ser virtuosos de formas específicas, apenas os seres humanos poderem desenvolver a virtude abrangente. Um robô de IA é sempre concebido, desenvolvido e fabricado para um ou vários fins específicos. O seu objetivo é possuir virtudes específicas que lhe permitam funcionar bem de acordo com os fins para os quais foi concebido. Os seres humanos também têm objetivos específicos na vida. Alguns desses objetivos são escolhidos voluntariamente: ser flautista ou escultor, por exemplo. Outros objetivos são constituídos socialmente: ser filho ou filha, membro de um determinado grupo social. Para desempenhar bem esses papéis, é necessário desenvolver as virtudes correspondentes. A este respeito, existe um paralelo claro com os sistemas robóticos de IA. Entretanto, um ser humano, enquanto ser humano, não se define apenas nem se limita meramente a esses papéis. Possui um objetivo comum e uma virtude comum a cultivar. Em contrapartida, não existe um robô de IA, enquanto robô de IA, que transcenda os seus papéis específicos. Aí reside uma diferença fundamental entre sistemas robóticos de IA virtuosos e seres humanos virtuosos. Conclusão Vamos fazer um balanço e resumir. Para além das abordagens baseadas em princípios à ética das máquinas de IA, podemos também adotar uma abordagem baseada na virtude. A este respeito, as teorias éticas de Confúcio e de Aristóteles proporcionam-nos perspetivas valiosas. O argumento funcional de Aristóteles a favor da virtude permite-nos considerar os sistemas robóticos de IA como inequivocamente virtuosos, sem ter de debater o seu estatuto em relação à consciência e as questões da sua subjetividade moral. Seguindo esta linha de pensamento, uma coisa é virtuosa se desempenhar bem a sua função própria; os sistemas robóticos de IA podem desempenhar bem as suas funções e, por isso, podem ser virtuosos, tal como uma pessoa pode ser virtuosa de formas específicas quando desempenha bem o seu papel específico. Além disso, tanto para Confúcio como para Aristóteles, para além das virtudes particulares que os seres humanos desenvolvem ao desempenhar os seus respetivos papéis na vida, existe também a virtude abrangente a alcançar num nível superior. A virtude abrangente é designada por «ren» em Confúcio e por «eudaimonia» em Aristóteles. Enquanto os sistemas robóticos de IA podem possuir virtudes específicas em resposta às suas funções específicas, apenas os seres humanos podem desenvolver a virtude abrangente a um nível superior. Isto marca uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos e os seres humanos virtuosos.32 Notas Ver Chenyang Li, «The AI Challenge and the End of Humanity», em Intelligence and Wisdom: Artificial Intelligence Meets Chinese Philosophers, ed. Song Bing (Springer, 2021), pp. 33–47. Por exemplo, Michael Anderson e Susan Leigh Anderson (orgs.), *Machine Ethics* (Cambridge: Cambridge University Press, 2011). https://doi.org/10.1017/CBO9780511978036 . Num ensaio anterior, argumentei que uma série de avanços na autocompreensão humana tem vindo a minar, de forma gradual e contínua, a suposta singularidade privilegiada da humanidade — incluindo os avanços de Copérnico, Charles Darwin, Nietzsche e Sigmund Freud — e que o rápido avanço da tecnologia de IA, capaz de imitar as atividades humanas de uma vasta variedade de formas, está prestes a ser a gota de água que faz transbordar o copo. Ver Li, «The AI Challenge and the End of Humanity». Michael Anderson e Susan Leigh Anderson, «Machine Ethics: Creating an Ethical Intelligent Agent», AI Magazine 28:4 (2007): 15–26; ver também Anderson e Anderson, Machine Ethics. Brent Mittelstadt, «Principles Alone Cannot Guarantee Ethical AI», *Nature Machine Intelligence* 1 (2019), 501–7. https://doi.org/10.1038/s42256-019-0114-4 Mittelstadt, «Os princípios, por si só, não podem garantir uma IA ética», 501. Ibid. Thilo Hagendorff, «Um quadro baseado nas virtudes para apoiar a aplicação prática da ética da IA», Philosophy & Technology 35 (2022): 55. https://doi.org/10.1007/s13347-022-00553-z Hagendorff, «Um quadro baseado nas virtudes para apoiar a aplicação prática da ética da IA», 55. Ibid. As leis surgiram pela primeira vez no conto de Asimov «Runaround» (1942) e, posteriormente, tornaram-se extremamente influentes no género da ficção científica. Ver https://www.britannica.com/topic/ . Li, «O Desafio da IA e o Fim da Humanidade». David J. Chalmers, «Enfrentar o problema da consciência», Journal of Consciousness Studies 2 (1995), 202. Wendell Wallach e Colin Allen, «Moral Machines: Teaching Robots Right from Wrong» (Nova Iorque: Oxford University Press, 2008), Capítulo 4. Wallach e Allen, *Moral Machines*, p. 117. Michael Constantinescu e R. Crisp, «Can Robotic AI Systems Be Virtuous and Why Does This Matter?» International Journal of Social Robotics 14:1547–1557 (2022), p. 1552. https:// doi.org/10.1007/s12369-022-00887-w ; Os sistemas robóticos de IA podem ser virtuosos e por que é que isso importa? Constantinescu e Crisp, «Podem os sistemas robóticos de IA ser virtuosos e por que razão isso é importante?», 1555. Christine M. Korsgaard, *The Constitution of Agency: Essays on Practical Reason and Moral Psychology* (Nova Iorque: Oxford University Press, 2023), 152. Wing-tsit Chan, *A Source Book in Chinese Philosophy* (Princeton, Nova Jérsia: Princeton University Press, 1963), p. 22. Fang Ying-hsien 菾褔嫻, «磭嬬紶——簏蓏裛繨侹磾蒢» e «瘁©歶雰» (Sobre as origens do Ren: a sua evolução desde a era Shi-Shu até Confúcio). Dalu Zazhi ▲» (1976: 52.3): 22–34. Neng xing wuzhe yu tianxia, weiren ye“籗潛澼粹匽跦, 为嬬鋿”. A segunda parte da afirmação, «weiren», tem sido frequentemente traduzida como «é ren». Ver Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, 46. Defendi que «weiren» deve ser traduzido como «conduzir ao ren ou pode permitir ou fazer com que uma pessoa seja ren». Chenyang Li, «Li as Cultural Grammar: the Relation between Li and Ren in the Analects». Philosophy East & West 57:3 (2007), 311–29. Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, 40. Ibid., 104; alterado de «homem» para o termo neutro em termos de género «humanidade». A frase em chinês diz «ren zhe ren ye 嬬簅嬣憟», literalmente «ser ren é ser ren». O primeiro «ren» representa a virtude abrangente e o segundo representa os seres humanos. Assim, significa que possuir a essência do ren é o que define a humanidade. Terence H. Irwin, Ética a Nicómaco (com Introdução, Notas e Glossário, segunda edição) (Indianápolis: Hackett Publishing Co., 1999), 14. Irwin, Ética a Nicómaco, 10. https://robotsguide.com/robots/paro . Acedido em 12 de fevereiro de 2025. Ver Constantinescu e Crisp, «Os sistemas robóticos de IA podem ser virtuosos e por que é que isso importa?» Ver David J. Chalmers, Reality+: Mundos Virtuais e os Problemas da Filosofia (W. W. Norton & Company, 2022). Defendi que o «ren», enquanto virtude abrangente, é orientado para o cuidado e assenta no cuidado (ver Capítulo 2 de Chenyang Li, «Reshaping Confucianism: A Progressive Inquiry». Nova Iorque: Oxford University Press, 2023). Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, p. 104. Irwin, Ética a Nicómaco, 14.
Hoje Macau EventosWynn | 20.º aniversário celebrado com espectáculo de luzes A operadora de jogo Wynn está há 20 anos em Macau e, para celebrar a efeméride, haverá espectáculo de luzes com drones às 20h este sábado e domingo, 5 e 6 de Setembro. Segundo um comunicado, cada espectáculo terá a duração de 15 minutos, com três mil drones a “iluminar o céu nocturno num deslumbrante espectáculo de luzes”. No sábado, a performance terá lugar no lago do Wynn Macau. Já no domingo, o espectáculo acontece junto ao lago Nam Van. O tema dos 20 anos é “Duas Décadas de Sucesso Partilhado, Empenhados na Parceria para um Futuro Sustentável”, adoptando-se a junção de tecnologia com arte para desenvolver um “conceito criativo” que aproxima o público. Desta forma, combina-se a arte dos drones com uma coreografia artística, o que irá “transformar o céu nocturno de Macau, em junção com a arquitectura icónica do Wynn, num palco cativante”. “Guiados pela emblemática borboleta do Wynn, os espectadores embarcarão numa viagem visual por duas décadas de crescimento e progresso, celebrando a notável história que o Wynn e Macau escreveram em conjunto”, lê-se na mesma nota.
Hoje Macau SociedadeJustiça | Juristas aplaudem chegada de juízes portugueses Dois juristas ouvidos pela TDM Rádio Macau consideram que a chegada dos dois juízes portugueses a Macau, Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Botica Quintas, é um “sinal muito positivo” dado por Pequim. Vitalino Canas, jurista e antigo chefe de gabinete do Governador Carlos Melancia, referiu que a China “certamente estará interessada em preservar esta identidade própria do sistema jurídico de Macau”. “É uma mais-valia de que dispõe para desempenhar o papel de grande promotor ao nível mundial de vários movimentos”, acrescentou. Já Eduardo Vera-Cruz Pinto, director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, disse tratar-se de “um sinal muito positivo”. “A presença da língua portuguesa e do desenvolvimento de falantes de português em Macau e na China é de uma importância tão grande que a China entendeu isso. E, à medida que for melhor entendendo, a importância estratégica da relação entre Portugal e a China coloca a China melhor colocada na Europa, nos países africanos de expressão portuguesa e no Brasil”, frisou.
Hoje Macau SociedadeSaudel | Ciclone Tropical pode voltar a aproximar-se Ontem, a probabilidade de o sinal n.º 3 de tempestade tropical ser içado devido à passagem do ciclone Saudel mantinha-se “relativamente baixa”, de acordo com a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (DSMG). Todavia, nos próximos dias, o ciclone tropical pode aproximar-se da RAEM e levar a uma intensificação das chuvas e do vento. “A probabilidade de Macau ser afectado directamente pela sua circulação é relativamente baixa; assim sendo, a probabilidade de emissão do Sinal n.º 3 de Tempestade Tropical é relativamente baixa”, indicou a DSMG. “No entanto, a trajectória de ‘Saudel’ na última metade desta semana ainda apresenta um elevado grau de incerteza, existe a possibilidade de rodar sobre si e aproximar-se novamente da Foz do Rio das Pérolas. Nessa altura, a intensidade do vento em Macau poderá aumentar, e os aguaceiros deverão intensificar-se”, foi acrescentado.
Hoje Macau SociedadeObras | PJ alerta para esquemas de burlas A Polícia Judiciária (PJ) alertou ontem para a ocorrência de esquemas de burlas relacionadas com obras em edifícios para a reparação de infiltrações de água. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a PJ descreveu que estes esquemas estiveram mais activos entre os anos de 2024 e 2025, com as vítimas a descreverem, nas redes sociais, como só perceberam o esquema de que tinham sido alvo depois da contratação da empresa e da conclusão da obra. A PJ diz que este tipo de burla voltou ao território, já que até Julho deste ano houve oito denúncias, com perdas monetárias que variam entre 8,5 e 41 mil patacas. O valor total de perdas para as vítimas foi de cerca de 150 mil patacas. As autoridades explicaram que os burlões fazem propaganda dos serviços nas redes sociais, telefonam para o contacto de Macau e alegam que usam materiais que rondam as 600 e 990 patacas por libra de peso, mas o valor real é de algumas dezenas de patacas. Na obra, é usada a maior quantidade possível de material que também não resolve o problema das infiltrações de água, vendo-se as vítimas obrigadas a pagar a reparação. Só depois deste processo é que as pessoas percebem ter sido enganadas, mas aí já não conseguem entrar em contacto com os burlões.
Hoje Macau PolíticaPCC | Hua Liebing assume fiscalização em Hong Kong e Macau Hua Liebing vai ser o novo chefe do Grupo de Inspecção e Supervisão Disciplinar do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China. A informação foi divulgada através da mais recente actualização do portal online deste gabinete. Segundo a informação oficial, Hua Liebing, nasceu em 1967 e é natural da cidade de Taicang, na província de Jiangsu. Antes da promoção, Hua Liebing trabalhava, desde 2023, como director do Departamento de Investigação de Crimes Económicos do Ministério da Segurança Pública da República Popular da China. Hua sucede a Geng Changyou, que foi transferido para a província de Hebei em Novembro do ano passado, onde também assumiu funções de inspecção e supervisão disciplinar.
Hoje Macau PolíticaSede do Governo | Renovado Mandato de Loi Chi Sang Loi Chi Sang vai ser mantido como director dos Serviços para os Assuntos da Sede do Governo (DSASG) durante mais um ano. A renovação do mandato que começou em 2024 foi publicada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho publicada pelo Chefe do Executivo. Loi é formado em Estudos Chineses pela Universidade de Macau, e entrou para Função Pública em 2014, como técnico no Gabinete de Comunicação Social (GCS). Entre 2015 e 2021, foi técnico superior no Gabinete do Chefe do Executivo, até se mudar para a DSASG. Além de Loi, também o mandato de Pun Keng Sang, actualmente subdirector da DSAG, foi renovado pelo período de um ano. Pun desempenha este cargo desde Fevereiro de 2024. As renovações surgem no âmbito da entrada em vigor de uma nova estrutura orgânica na DSASG, que passa a centralizar a gestão administrativa, financeira e informática da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais e do Gabinete de Comunicação Social.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Energia solar supera pela primeira vez carvão A capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão no final de Julho, tornando a fotovoltaica a maior fonte de electricidade do país em termos de potência instalada, segundo o portal financeiro Cailian. A capacidade fotovoltaica acumulada atingiu 1.286 gigawatts (GW), ligeiramente acima dos 1.285 GW de capacidade de geração a carvão, de acordo com os dados citados pelo órgão chinês. Do total da capacidade solar, 704 GW correspondiam a instalações centralizadas e 582 GW a geração distribuída, modalidade que inclui projectos de menor dimensão ligados à rede junto dos locais de consumo. Os dados representam um ponto de viragem na transformação do sistema eléctrico chinês, ainda dependente do carvão em termos de produção efectiva de electricidade, mas cada vez mais dominado pelas energias renováveis no que respeita à nova capacidade instalada. Ganhar terreno Entre Janeiro e Julho, a China acrescentou 85,65 GW de capacidade fotovoltaica, uma queda homóloga de 62 por cento, que o Cailian atribuiu sobretudo à elevada base de comparação criada pela vaga de novas instalações registada entre Janeiro e Maio de 2025. Apesar da redução das novas ligações à rede, a produção de energia solar continuou a aumentar e atingiu 802.400 milhões de quilowatts-hora nos primeiros sete meses do ano, mais 15,5 por cento em termos homólogos. A energia solar representou já 13 por cento de todo o consumo de electricidade do país, mais 1,7 pontos percentuais do que a média registada em 2025. A evolução acompanha a tendência observada no conjunto das energias renováveis. No primeiro semestre, estas fontes foram responsáveis por 41,2 por cento de toda a electricidade produzida na China, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos 40, segundo dados recentes da Administração Nacional de Energia. Pequim prevê que as fontes não fósseis sejam responsáveis por metade da produção nacional de electricidade em 2030, no âmbito de uma estratégia que combina energias renováveis, nuclear e armazenamento para reduzir as emissões de carbono. Relatórios recentes do grupo de reflexão britânico Ember e da organização ambientalista Greenpeace indicaram que o crescimento das energias eólica e solar e do armazenamento está a aproximar a China de um ponto de viragem no sistema eléctrico. As organizações advertiram, no entanto, que o desafio passa agora por integrar melhor aquela capacidade na rede eléctrica e conter o papel do carvão, que continua a ser fundamental para garantir a segurança do abastecimento. A China, maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, estabeleceu como objectivos atingir o pico das emissões de dióxido de carbono (CO2) antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060.
Hoje Macau China / Ásia MancheteNepal | Um dos três portugueses desaparecidos foi localizado e resgatado Um dos três portugueses desaparecidos na sequência da inundação devastadora no Nepal e no Tibete foi localizado e resgatado, anunciou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros. “De acordo com as autoridades do Nepal, um cidadão nacional terá sido resgatado”, indicou o ministério, acrescentando que “permanecem desaparecidas duas portuguesas”. De acordo com o mais recente balanço, o número total de mortos já ultrapassou os 1.000. A agência nepalesa de gestão de catástrofes informou que foram contabilizados 987 mortos no país e que 3.916 pessoas continuam desaparecidas, entre as quais 583 estrangeiros. As autoridades chinesas tinham contabilizado 16 mortos na atualização mais recente, divulgada no domingo, elevando para pelo menos 1.003 o número de vítimas mortais nos dois países. Pelo menos 11.814 pessoas foram até agora resgatadas, de acordo com as autoridades nepalesas. A catástrofe de 26 de Agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias. O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias a jusante. A vaga de água e lama atingiu por volta das 09:15 locais o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana e afectou com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, segundo fontes oficiais. A água atingiu também o território chinês. Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio que as atravessa sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações. A cheia atingiu com especial intensidade o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a massa de água varreu as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, junto a uma das principais passagens terrestres para o Tibete.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul | Cimeira entre Kim e Trump é possível “a qualquer momento” Os serviços secretos da Coreia do Sul consideram possível “a qualquer momento” uma cimeira entre os líderes do Norte e dos EUA, porque existem “sinais de diálogo” entre os dois países, afirmou hoje um deputado. “No que diz respeito à cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, uma análise considera que se deve partir do princípio de que esta pode ocorrer a qualquer momento”, declarou aos jornalistas o deputado Youn Kun-young, à saída de uma reunião com os serviços secretos. “Embora não tenham sido apresentados factos relativos a contactos concretos entre as duas partes, existem sinais de diálogo”, acrescentou Youn, após a reunião, à porta fechada, com dirigentes do Serviço Nacional de Informações sul-coreano. O Presidente norte-americano, Donald Trump, que se encontrou com Kim Jong-un por três vezes durante o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021), surpreendeu todos a 19 de Agosto, ao afirmar que se iria reunir novamente com o líder norte-coreano até ao final do ano. Além disso, encurtou os exercícios militares conjuntos anuais com a Coreia do Sul, que, segundo Trump, enviam “um sinal totalmente inadequado e hostil” a Pyongyang. Trump orgulha-se de ter uma relação privilegiada com Kim Jong-un, cujo país é considerado uma grande ameaça à segurança dos Estados Unidos pelos serviços secretos norte-americanos. Por enquanto, a Coreia do Norte não deu publicamente qualquer sinal de aceitar este convite ao diálogo. Pouco depois do anúncio do Presidente norte-americano, Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, afirmou que “não tinha qualquer conhecimento” de qualquer comunicação entre o irmão e Donald Trump. A Coreia do Norte realizou posteriormente testes de lançamento de cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance e condenou, esta semana, como uma ameaça, as manobras navais programadas para este mês entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaCimeira | Xi Jinping pede maior destaque global da Organização de Cooperação de Xangai O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem um maior papel global da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), sobretudo nas áreas da segurança e tecnologia, destacando o “enorme potencial” do bloco euroasiático. Durante a cimeira da OCX em Bisqueque, no Quirguistão, Xi afirmou que a organização demonstrou uma “forte vitalidade” desde a criação, há 25 anos, na sequência das “profundas lições da Guerra Fria”. Numa aparente referência ao sistema de alianças militares liderado pelos Estados Unidos, o chefe de Estado chinês afirmou que uma das principais lições retiradas de 25 anos de cooperação foi a necessidade de “encontrar a forma correcta de coexistir sem alianças, confrontos ou visar terceiros”. “A conquista mais significativa foi o crescimento constante até se tornar num novo tipo de organização de cooperação regional, que abrange hoje um território mais vasto, engloba a maior população e possui o maior potencial de desenvolvimento do mundo”, afirmou Xi, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua. O líder chinês considerou que “a sombra da guerra persiste” e que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, entre diálogo e confronto, cooperação de benefício mútuo e competição de ‘tudo ou nada’, e multilateralismo e unilateralismo. “Perante uma encruzilhada que diz respeito ao futuro e ao destino da humanidade, a Organização de Cooperação de Xangai deve assumir corajosamente as suas responsabilidades e orientar de forma proativa o curso da história”, afirmou. Segurança prioritária Ao apresentar as suas propostas para o futuro da organização, Xi Jinping defendeu que os países devem “dar prioridade à segurança e criar um ambiente de segurança universal”. O Presidente chinês apelou ainda aos membros da OCX para “impedirem firmemente” a interferência de forças externas nos assuntos internos de outros países, com o objectivo de preservar a estabilidade regional. Na área tecnológica, Xi anunciou que a China vai executar 100 projectos científicos e tecnológicos com os países membros da organização nos próximos três anos. A cimeira reúne, entre outros líderes, o Presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O encontro decorre num contexto de crescente instabilidade internacional, marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Irão. Fundada em 2001 por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, a OCX expandiu-se posteriormente para incluir Índia, Paquistão, Irão e Bielorrússia. Pequim tem procurado reforçar o papel da organização como plataforma para promover uma ordem internacional multipolar e aumentar a influência da China entre os países do chamado Sul Global.
Hoje Macau China / ÁsiaChina exige protecção dos seus interesses na Venezuela após acordo com os EUA A China exigiu ontem que os seus interesses na Venezuela sejam salvaguardados, após notícias de que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderá afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC. “Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. Guo respondia a uma pergunta sobre informações segundo as quais, no âmbito do novo acordo petrolífero promovido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, uma empresa dos Estados Unidos assumiria o controlo de vários campos venezuelanos anteriormente nas mãos de companhias chinesas, entre as quais a Sinopec e a CNPC. O porta-voz não confirmou as mudanças de controlo e limitou-se a afirmar que Pequim “tomou nota das informações”. Guo sublinhou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países” e defendeu que a cooperação económica e comercial entre países deve reger-se pelos princípios da igualdade e do benefício mútuo. A China mantém há vários anos importantes interesses no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais como a CNPC e a Sinopec participaram em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas. Saque americano Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram, na sexta-feira, um acordo através do qual Washington passará a controlar mais de 20 por cento das reservas de petróleo venezuelanas, quase oito meses após a aproximação entre o Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, e a administração Trump, na sequência da captura de Nicolás Maduro, em Janeiro. Rodríguez detalhou, no sábado, que o acordo terá uma duração de 25 anos e prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com reservas comprovadas de 65 mil milhões de barris de petróleo e um objectivo de produção superior a 1,5 milhões de barris por dia. Desde a captura de Maduro, Washington tem tutelado o Governo liderado por Rodríguez e restabeleceu as relações diplomáticas com Caracas, após mais de duas décadas de afastamento bilateral.
Hoje Macau China / ÁsiaTibete | Pequim invoca riscos de segurança para restringir acesso de jornalistas a zona das cheias O Governo chinês invocou ontem riscos de segurança e a possibilidade de novos “desastres secundários” para justificar as restrições no acesso de jornalistas estrangeiros à zona do Tibete atingida pelas cheias da semana passada. “Neste momento, as estradas e as comunicações na zona afectada pelo desastre estão cortadas e existem riscos consideráveis de desastres secundários”, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. O porta-voz acrescentou que as operações de resgate decorrem “de forma intensa e ordenada” e garantiu que as autoridades vão continuar a divulgar informações sobre a situação e as operações de busca. Guo respondia a uma pergunta sobre as razões pelas quais as autoridades chinesas ainda não permitiram o acesso de órgãos de comunicação social estrangeiros à zona afectada, enquanto jornalistas da imprensa estatal chinesa têm feito reportagens a partir do local. Após as cheias, as autoridades suspenderam temporariamente a emissão de autorizações para as áreas fronteiriças sujeitas a controlo especial no município de Shigatse, incluindo Gyirong, e pediram às pessoas que já dispunham de autorizações válidas que evitassem deslocações à região. As autoridades justificaram a medida com os riscos para a população e para as operações de resgate, bem como com a possibilidade de ocorrência de novos desastres.
Hoje Macau China / ÁsiaGuangzhou Evergrande | Tribunal chinês abre processo de liquidação Um tribunal de Cantão, no sudeste da China, abriu formalmente o processo de liquidação por insolvência do Guangzhou FC, antigo Guangzhou Evergrande e um dos clubes mais bem-sucedidos do futebol chinês, após anos de dificuldades financeiras. O Tribunal Popular Intermédio de Cantão anunciou que aceitou, na segunda-feira, o pedido de liquidação apresentado pela Guangzhou Zhonghang Service Management contra o clube e nomeou uma equipa de liquidação como administradora da instituição. Os credores têm até 30 de Novembro para reclamar os respectivos créditos, estando a primeira assembleia de credores marcada para 08 de Dezembro. A decisão surge depois de o clube não ter obtido, no início de 2025, a licença necessária para participar nas competições profissionais chinesas, por não ter conseguido reunir fundos suficientes para liquidar as dívidas, situação que o deixou então à beira do desaparecimento. O Guangzhou FC viveu o período de maior sucesso sob a designação Guangzhou Evergrande, após o gigante imobiliário com o mesmo nome ter adquirido o clube em 2010. A equipa conquistou oito títulos da Superliga chinesa e venceu por duas vezes a Liga dos Campeões asiática, em 2013 e 2015. Pelo clube passaram futebolistas como os brasileiros Robinho e Paulinho, o colombiano e antigo jogador do FC Porto Jackson Martínez e o argentino Darío Conca, enquanto entre os treinadores estiveram os italianos Fabio Cannavaro e Marcello Lippi e o brasileiro Luiz Felipe Scolari. Os problemas do clube agravaram-se em paralelo com a crise da Evergrande, que entrou em incumprimento em 2021, após acumular um passivo de centenas de milhares de milhões de dólares. A equipa desceu da primeira divisão em 2022 e tentou posteriormente manter-se no segundo escalão, antes de ficar afastada do futebol profissional.
Hoje Macau Via do MeioUma diferença fundamental entre seres humanos virtuosos e sistemas de IA robótica virtuosos: uma perspectiva confucionista (2) Por Chenyang Li (continuação do número anterior) Duas categorias de virtude No Ocidente, a tradição da ética da virtude remonta a Aristóteles. Adotando uma abordagem funcional da virtude, a teoria de Aristóteles salienta a utilidade da virtude para que o indivíduo leve uma vida boa. A teoria da virtude de Aristóteles pode ser interpretada tanto de forma «espessa» como de forma «fina». Numa interpretação «forte», para ser virtuoso, o sujeito deve (a) realizar as ações corretas, (b) pelas razões certas e (c) nas circunstâncias adequadas.16 Nesta perspetiva, Michael Constantinescu e R. Crisp estabelecem uma distinção entre ser virtuoso, por um lado, e comportar-se de forma virtuosa, por outro. De acordo com a sua análise, os robôs de IA podem ser capazes de se comportar de forma virtuosa, mas não podem ser virtuosos. Argumentam que: Apesar da sua capacidade de imitar ações virtuosas humanas e até de se comportarem de forma equivalente aos seres humanos, os sistemas robóticos de IA não conseguem realizar ações virtuosas de acordo com as virtudes, ou seja, de forma correta ou virtuosa; nem pelas razões e motivações certas; nem, através da phronesis, ter em conta as circunstâncias adequadas. E isto tem como consequência que a IA não pode ser genuinamente virtuosa, pelo menos não com os avanços tecnológicos atuais que sustentam o seu desenvolvimento funcional.17 A interpretação de Constantinescu e Crisp sobre o que é ser virtuoso pode muito bem refletir o que Aristóteles afirmou quando discutiu a pessoa virtuosa. No entanto, não está de acordo com o que Aristóteles disse sobre a função e a virtude em geral. Também é possível fazer uma interpretação restrita da teoria da virtude de Aristóteles, uma interpretação que não se baseia na capacidade do sujeito de usar a razão. Christine M. Korsgaard escreve: Os filósofos gregos parecem, em geral, ter acreditado que uma virtude ou excelência é uma qualidade que permite que uma coisa desempenhe bem a sua função. Tanto Platão como Aristóteles estabelecem uma ligação conceptual entre ergon e arete. Uma arete não é meramente um dos pontos positivos de uma coisa; é, especificamente, uma qualidade que torna uma coisa capaz de desempenhar bem a sua função.18 Os termos gregos para «função» e «virtude», ergon e arete, aplicam-se tanto às pessoas humanas como aos seres não humanos. Aristóteles atribui estas características tanto às pessoas humanas como às «coisas» (NE 6.2 1139a17, NE 2.6 1106a15–23). Ele defende que «a virtude de uma coisa está relacionada com a sua função própria» (NE 6.2 1139a17) e que «toda a virtude, por um lado, coloca em bom estado a coisa de que é virtude e, por outro, faz com que a função dessa coisa seja bem desempenhada» (NE 2.6 1106a15–23). Aristóteles recorre aos exemplos de um flautista, de um escultor ou de um artista para defender o seu argumento de que «para todas as coisas que têm uma função ou atividade, considera-se que o bem e o “bem feito” residem na função; assim pareceria ser também para o homem, se ele tiver uma função» (NE I.7, 1097b24 e seguintes). Numa interpretação restrita, as noções de função e virtude de Aristóteles podem ser aplicadas também aos sistemas robóticos de IA. Uma coisa pode ter muitas funções. Uma faca pode ser utilizada para cortar, para decoração e até mesmo como peso de papel. No entanto, a função própria de uma faca enquanto faca, segundo o raciocínio de Aristóteles, é cortar. Portanto, uma faca excelente, enquanto faca, é aquela que corta bem. É aí que reside a arete de uma faca, a sua excelência ou virtude. Como a função própria de uma faca é diferente da de, digamos, um martelo, a sua excelência ou virtude também é diferente da de um martelo. Para usar os próprios exemplos de Aristóteles, a função própria — a atividade característica — de um flautista é diferente da de um escultor. Um flautista, por exemplo, tem de ser capaz de soprar bem e de mover os dedos nas notas certas, enquanto um escultor cria esculturas esculpindo, modelando ou soldando os materiais adequados para transformá-los em obras de arte. Como têm funções diferentes, um excelente escultor pode ser muito mau a soprar ar num instrumento musical, e o inverso aplica-se a um excelente flautista. Por outras palavras, diferentes formas de ergon requerem diferentes tipos de arete. Na perspetiva de Aristóteles, no entanto, para além dos papéis específicos das pessoas na sociedade, os seres humanos, enquanto seres humanos, partilham também uma função comum na vida, que é exclusiva da humanidade. Aristóteles defende que a alma humana tem várias funções. Ela mantém a vida vegetativa dos nossos corpos, a vida da nutrição e do crescimento. A alma também mantém as nossas funções animadas, que nos permitem movimentar-nos e ir ao encontro das coisas. Mas estas funções, argumenta Aristóteles, não são a nossa função própria. A vida vegetativa pertence até às plantas; as funções animadas pertencem também aos animais. Para Aristóteles, o uso da razão é a função própria da humanidade (NE 2.7 1197b35-1198a7). Portanto, a virtude dos seres humanos é o que os leva a desempenhar bem a sua função distintiva (NE 2.6 1106a15–23). Assim, uma vida que segue a razão conduz à eudaimonia («florescimento humano»), permitindo-nos viver bem enquanto seres humanos. Viver uma vida de eudaimonia é o objetivo supremo da humanidade. Nas tradições filosóficas orientais, o conceito de virtude ocupa um lugar central na ética confucionista. A palavra para virtude em chinês é «de». O antigo dicionário chinês Shuowen Jiezi explica o seu significado através do seu homófono «», ou seja, adquirir, realizar. Explica ainda que isto significa «de shi yi ye» (謰燭鼫), nomeadamente, levar as coisas a bom termo de forma adequada. Trata-se de um poder ou capacidade que permite ao seu possuidor alcançar os seus objetivos. Tal qualidade é atribuída tanto aos seres humanos como aos objetos não humanos. O texto taoísta *Daodejing* afirma que tudo no mundo possui o seu *de* (*Daodejing*, Capítulo 51). Na tradição confucionista, *de* é aplicado principalmente às pessoas, mas também se aplica a objetos não humanos. Por exemplo, o Comentário Xi do Livro das Mutações afirma: «a maior virtude (de) do céu e da terra é gerar as coisas 蘢礜巃»»擯崵.» Confúcio disse: «um governante que governa o seu estado com virtude (de) é como a Estrela Polar do Norte, que permanece no seu lugar enquanto todas as outras estrelas giram à sua volta» “Para o ‘Fan’ e o ‘Yi’, a luz do sol brilha sobre a multidão.” (19)Ao dizer isto, Confúcio sugeriu que é a virtude (de) da Estrela Polar que permite que as outras estrelas se movam em harmonia à sua volta. Confúcio também disse: «Um bom cavalo não é elogiado pela sua força, mas pela sua virtude (de): “骥嫄称剢淛, 称剢适憟”» (Analectos 14:33). A afirmação de Confúcio sugere que a verdadeira virtude de um bom cavalo não é (meramente) a sua força, mas as suas outras capacidades que lhe permitem correr bem, presumivelmente tais como resistência e fiabilidade. Nestas utilizações, o conceito de «virtude» é aplicável tanto aos seres humanos como aos sistemas robóticos de IA. Pensadores clássicos como Confúcio, Mencius e Xunzi enfatizaram, todos eles, a necessidade de cada pessoa cultivar a virtude e tornar-se um ser humano virtuoso. A visão mais influente de Mencius na filosofia moral é o seu argumento de que as disposições inatas das pessoas podem transformar-se em virtudes morais através do autocultivo. Mencius defendia que todos os seres humanos nascem com quatro tipos de sentimentos inatos: o sentimento de compaixão, o sentimento de desdém, o sentimento de respeito e o sentimento de aprovação e desaprovação. Através do cultivo ativo, as pessoas podem transformar estes sentimentos naturais em disposições éticas, nomeadamente a virtude cardinal da humanidade (ren 嬬), da retidão (yi 义), da cortesia (li 礼) e da sabedoria (zhi 簹) (Mencius 6A6). Xunzi defendia que as pessoas nascem com uma tendência para fazem coisas egoístas e sem moralidade. Causarão o caos na sociedade. Ele defende que, através do estabelecimento de regras de decoro ritual (li) na sociedade, as pessoas podem alterar as suas disposições naturais e tornar-se seres humanos virtuosos. Ao praticar a correção ritual através do autocultivo, as pessoas desenvolvem virtudes como o respeito (gong jing 剉杶), a lealdade (zhong xin 蘙蝁), a civilidade e a retidão (li yi 礼义) e a preocupação com os outros (ai ren 爱嬣) (Xunzi, Capítulo 2). As teorias da virtude de Mencius e Xunzi constituem o seu desenvolvimento da teoria da virtude de Confúcio, embora coloquem ênfase em aspetos diferentes. A contribuição mais fundamental para a teoria da virtude da ética confucionista foi dada por ninguém menos que o próprio Confúcio. A ética da virtude de Confúcio centra-se no desenvolvimento do conceito de ren 嬬. O significado original do caractere ren 嬬 refere-se a um sentimento de ternura para com os outros.20 Confúcio articulou o significado de ren em termos de «amar as pessoas» (ai ren 爱嬣, Analectos 12.22). Tanto Mencius como Xunzi, tal como apresentado acima, herdaram este significado de «ren» de Confúcio. No entanto, Confúcio não se limitou a isso na sua articulação do «ren». Ele alargou ainda mais o conceito como uma virtude abrangente da humanidade. Confúcio disse: Quem conseguir praticar cinco coisas, em qualquer parte do mundo, pode tornar-se uma pessoa de ren.21 … Respeito (gong剉), tolerância (kuan宽), sinceridade (xin蝁), diligência (min睌) e bondade (hui). Se alguém for respeitoso, não será tratado com desrespeito. Se for tolerante, conquistará o coração de todos. Se for sincero, inspirará confiança. Se for diligente, alcançará os seus objetivos. E se for bondoso, poderá desfrutar do serviço dos outros. (Analectos 17.6) Aqui, «ren» não é uma virtude específica de cuidado para com os outros, mas sim uma virtude abrangente que pode ser adquirida através da prática de várias virtudes específicas. Ou seja, alcança-se o «ren» praticando as cinco virtudes específicas: respeito, tolerância, confiabilidade, diligência e bondade (Analectos 17.6). Essa lista, no entanto, não é exaustiva. Confúcio também disse: «As pessoas com ren ajudam os outros a prosperar se desejam prosperar elas próprias, e ajudam os outros a ter sucesso se desejam ter sucesso elas próprias (da 达). Ser capaz de julgar os outros com base no que nos é próximo é o método para se tornar ren» (Analectos 6.30). Ser capaz de inspirar-se no que nos é próximo é estender o nosso coração aos outros, compreender os outros pensando no que nós próprios sentiríamos. Seguindo esta linha de pensamento, Confúcio afirmou que o ren exige que não façamos aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem (Analectos 12.2). Para resumir a visão de Confúcio. O «ren», enquanto virtude, tem um significado específico e um significado mais amplo. Wing-tsit Chan afirmou: «Como virtude geral, o “ren” significa humanidade, ou seja, aquilo que faz do homem um ser moral. Como virtude específica, significa amor.» 22Para efeitos deste ensaio, gostaria de salientar que, na teoria de Confúcio, as virtudes dividem-se em duas categorias. A primeira é a das virtudes específicas. Esta categoria de virtudes inclui uma longa lista de traços morais específicos, tais como o respeito, a tolerância, a confiabilidade, a diligência, a bondade, etc. A segunda categoria é a da virtude abrangente da humanidade refinada. Uma pessoa dotada de «ren» neste último sentido, o da humanidade refinada, possui uma variedade de virtudes específicas. Neste segundo sentido, Confúcio afirmou, numa frase célebre, que «o “ren” é [a característica distintiva da] humanidade.»23 Na tradição confucionista, aqueles que possuem a virtude abrangente do ren podem ser chamados de junzi (珋磾, ver Analectos 4.5). Um junzi é uma pessoa virtuosa que possui uma variedade de virtudes. De acordo com os Analectos, essas pessoas não formam grupinhos (2.14); comportam-se com cavalheirismo quando competem (3.7); são cautelosas quando falam e diligentes quando agem (4.24); comportam-se com modéstia, tratam os superiores com respeito, são bondosas para com as pessoas e agem de forma adequada ao contratar pessoas (5.16); são cultas (6.27); são harmoniosas sem serem uniformizadoras (13.27); são corajosas (17.23). Entretanto, Confúcio também defendia que os junzi não são unidimensionais como um utensílio (junzi bu qi 珋磾嫄厞, 2.12). Ser como um utensílio é ser uma ferramenta destinada apenas a uma tarefa específica, fazer apenas uma coisa, ter apenas uma existência unidimensional. Um ser humano, na visão de Confúcio, deve desenvolver-se como uma pessoa completa e ser bom enquanto ser humano em si mesmo. Tais pessoas, ou junzi, possuem uma variedade de virtudes específicas, mas também não se limitam a essas virtudes específicas isoladas. São capazes de entrelaçar essas virtudes num todo equilibrado, alcançando a virtude abrangente do ren. Assim, parece existir um paralelo entre Confúcio e Aristóteles. Para Aristóteles, uma pessoa que vive em eudaimonia «é aquela cujas atividades estão em consonância com a virtude plena, com um suprimento adequado de bens externos, não apenas por um período qualquer, mas ao longo de uma vida completa» (NE 1.10 1101a 15–17).24 Por outras palavras, uma vida de eudaimonia requer uma variedade de virtudes específicas na vida. Aristóteles não considerava a eudaimonia em si mesma como uma virtude, mas sim como uma atividade virtuosa. Defendia que se trata de «um certo tipo de atividade da alma em conformidade com a virtude» (NE 2.9 1099b25). No entanto, Aristóteles aceitou que a sua visão é consistente com a ideia de que a eudaimonia «é a virtude [em geral] ou alguma virtude [particular]; pois a atividade em conformidade com a virtude é própria da virtude» (NE 1.7 1198b 30-32).25 Aristóteles reconhece que o conceito de virtude pode, por vezes, implicar a eudaimonia (NE 1.7 1198b 32-1099a 5). Se pudermos defender aqui uma interpretação de certa forma confucionista, podemos dizer que, na medida em que a função própria da humanidade é viver de acordo com a razão, e viver bem de acordo com a razão é eudaimonia, a eudaimonia encaixa-se na definição de virtude (arete) de Aristóteles. Independentemente de Aristóteles ter ou não chamado a eudaimonia de virtude, num sentido lato, uma vida de eudaimonia, segundo Aristóteles, é análoga a uma vida de ren (virtude abrangente) para Confúcio. Para Aristóteles, uma pessoa dotada de uma virtude específica pode não ser um ser humano excelente se não agir de acordo com a razão e não possuir outras virtudes específicas. Confúcio defendia uma visão semelhante. Ele defendia, por exemplo, que uma pessoa dotada de ren tem necessariamente de ser corajosa, enquanto que uma pessoa corajosa pode não ser ren (嬬簅, 饡膧曏; 曏簅, 嫄饡膧嬬; Analectos 14.4). Ser corajoso é possuir uma virtude específica; ser «ren», no sentido de virtude abrangente, é possuir a virtude abrangente da humanidade.
Hoje Macau EventosFundação Jorge Álvares cede piano para novo polo de investigação A Universidade Nova de Lisboa inaugura, no dia 10 deste mês, um polo de investigação no Palácio Nacional de Mafra, onde vai ter laboratórios e um projecto de digitalização do património ligados à música, disse fonte da reitoria. “Este polo não existia antes com as mesmas capacidades técnicas e vai ter condições de acolhimento e de trabalho”, afirmou à agência Lusa a pró-reitora para a Cultura, Impacto Social e Comunidades, Elsa Peralta. O espaço associado ao Instituto de Arte e Tecnologia vai ter laboratórios de acústica musical, informática musical e património digital, cujos equipamentos foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, além de outras três salas de trabalho, com capacidade para dez investigadores. “Vamos cruzar competências das artes e da cultura com as competências tecnológicas que podem ser aplicadas às artes”, referiu. Além disso, Macau marca presença de forma indirecta, através da Fundação Jorge Álvares. Esta vai ceder ao polo de investigação um piano de cauda Steinway & Sons, de 1889, homenageando o pianista e compositor Filipe de Sousa, que residiu em São Miguel de Alcainça, no concelho de Mafra, nos últimos anos de vida, e que morreu em 2006. Investigação global No espaço vão trabalhar investigadores ligados a um projecto de digitalização do património musical, um programa desenvolvido em articulação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas dedicado à aplicação de tecnologias digitais à documentação, preservação e valorização do património cultural. O polo vai beneficiar da proximidade ao Museu Nacional da Música, que ocupa outro espaço do monumento, e ao Arquivo Nacional do Som, a ser construído na vila, criando condições favoráveis à colaboração da universidade com estas instituições musicais. O trabalho laboratorial está associado à actividade académica, mas vai existir programação cultural e actividades formativas abertas à comunidade, como ‘workshops’ e cursos de Verão, existindo para tal um auditório com capacidade para meia centena de pessoas. “Queremos gerar conhecimento e desenvolver o território”, sublinhou Elsa Peralta. Resultante de uma parceria estabelecida em 2021 com o Município de Mafra, o polo tem na música a sua matriz, enquanto campo de investigação, inovação e criação, mas também enquanto património material e imaterial, inscrito em monumentos, arquivos, repertórios, práticas, espaços e memória sonora. “Ao cruzar a nossa forte herança musical — viva nos nossos órgãos históricos, carrilhões ou na riquíssima tradição das nossas bandas filarmónicas — com a inovação digital e a investigação científica, estamos a elevar a música de Mafra a uma nova dimensão, gerando um impacto cultural e educativo que enriquece todo o nosso território”, afirmou Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara Municipal de Mafra, citado em nota de imprensa. O contrato de comodato entre o Município e a Universidade Nova de Lisboa é válido por dez anos, podendo ser renovado.
Hoje Macau SociedadeMacau Legend reduziu as perdas anuais, mas continua a registar prejuízos A antiga operadora de casinos Macau Legend anunciou um prejuízo de 136,8 milhões de dólares de Hong Kong na primeira metade do ano, menos 90,4 por cento em termos homólogos. Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, na segunda-feira à noite, a Macau Legend justificou a melhoria com a ausência nas contas do impacto do encerramento do último ‘casino-satélite’ da empresa. Em 2025, a operadora registou uma queda de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong no valor contabilístico do empreendimento Doca dos Pescadores, devido ao encerramento, em Novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace. Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada de três das seis concessionárias oficiais, eram geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002. Dez dos 11 ‘casinos-satélite’ que ainda operavam em 2025 fecharam portas, enquanto a SJM adquiriu o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço. A Macau Legend terminou 2025 com um prejuízo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong , mais do dobro do registado no ano anterior. Futuro em risco No relatório de segunda-feira a operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,68 mil milhões de dólares de Hong Kong. Em Setembro de 2025, a empresa lançou um concurso público para a venda do projecto imobiliário Ponto Legend, situado na ilha da Montanha, e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’. O período de licitação decorreu até ao final de Outubro de 2025, mas a Macau Legend não anunciou ter recebido ou aceite qualquer proposta. Em Março de 2025, a Macau Legend já tinha previsto um prejuízo contabilístico de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong devido à ameaça de reversão do hotel-casino que a empresa deixou por acabar na Praia. Em Janeiro passado, o Governo de Cabo Verde tomou mesmo posse dos bens e edifício do hotel-casino que a Macau Legend abandonou há anos. Três dias depois, a empresa disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legítimo” para reaver a propriedade. Em Março, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de Abril, sendo que as propostas que forem seleccionadas serão objecto de consulta pública. Em Abril, a Macau Legend garantiu que não desistiu do hotel-casino e que estava a ponderar “possíveis acções (…), sob assessoria jurídica”, face à perda da propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa. O relatório financeiro referente a 2025 revela que a Macau Legend reservou 32,4 milhões de dólares de Hong Kong para as despesas de uma eventual litigância em torno do projecto na capital cabo-verdiana.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas brutas com quebra anual de 1,2% em Agosto Os números de Agosto mostram as receitas a caírem em termos anuais pelo terceiro mês consecutivo. Esta é a série mais negativa para a indústria do jogo, desde a pandemia da Covid-19 As receitas dos casinos caíram em Agosto, em termos homólogos, pelo terceiro mês consecutivo, foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, o sector arrecadou 21,9 mil milhões de patacas no mês passado, menos 1,2 por cento do que em Agosto de 2025. As receitas dos casinos de Macau já tinham registado quedas homólogas de 12,1 por cento em Junho e de 8,4 por cento em Julho, algo que os analistas tinham justificado com o impacto do Mundial de futebol. O banco de investimento Citigroup indicou numa nota que as apostas no torneio, que decorreu entre 11 de Junho e 19 de Julho, reduziram o orçamento que os jogadores normalmente reservam para as mesas de Macau. É a primeira vez desde 2021, em plena pandemia de covid-19, que os casinos do território registam três meses consecutivos com as receitas a cair em termos homólogos. A indústria do jogo fechou 2025 com receitas de 247,4 mil milhões de patacas, o valor mais elevado desde 2019, antes do início da pandemia. O orçamento do Governo para este ano, aprovado em Dezembro de 2025, prevê que as receitas atinjam 236 mil milhões de patacas, o que representaria uma queda de 4,61 por cento em comparação com o ano passado. O então secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, defendeu a previsão como “bastante prudente” e recusou apontar uma meta para o crescimento da economia da região, que descreveu como altamente “vulnerável a flutuações”. Recorde em 2013 O recorde de receitas dos casinos foi atingido em 2013 – 360,7 mil milhões de patacas – antes das autoridades da China continental terem lançado uma campanha para limitar os fluxos ilegais de capitais. De acordo com dados oficiais, Macau recebeu quase 24,5 milhões de visitantes nos primeiros sete meses de 2026, mais 8 por cento do que no mesmo período do ano passado. Os casinos representaram quase metade (47,3 por cento) do Produto Interno Bruto de Macau em 2025. Se ao jogo se juntar o turismo, então este sector reuniu 74,1 por cento da economia local. Apesar da crise sofrida durante a pandemia, os casinos davam no final de Junho trabalho a cerca de 66.100 pessoas, ou seja, 17,6 por cento da população empregada. Além disso, os impostos sobre o jogo representavam 84,6 por cento do total das receitas públicas de Macau nos primeiros sete meses do ano.