Hoje Macau InternacionalNATO/Cimeira | Dinamarca preparada para defender “cada centímetro” da Gronelândia A primeira-ministra da Dinamarca reiterou ontem que a Gronelândia “não está à venda”, após novas ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América, e disse estar preparada para defender “cada centímetro” da NATO, incluindo a Gronelândia. À chegada ao segundo dia da cimeira da NATO, que terminou ontem em Ancara, capital da Turquia, a governante dinamarquesa foi questionada pela imprensa sobre o facto de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a insistir, no primeiro dia da reunião, que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, sugerindo novamente que pode retirar “todas as tropas” da Europa. Mette Frederiksen reiterou que a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, “não está à venda” e disse esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo gronelandês à autodeterminação”. “Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial”, acrescentou. Interrogada sobre se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Gronelândia caso tal seja necessário, a governante respondeu: “Estamos preparados para defender cada centímetro da NATO, incluindo o nosso território”. Mette Frederiksen lembrou que uma das razões pelas quais a Aliança Atlântica foi construída foi porque “se algo acontecer a um de nós, todos devem defender os restantes”, tal como está estabelecido no artigo 5.º do Tratado da organização. A primeira-ministra salientou que o artigo 5.º aplica-se ao flanco leste da NATO, com a guerra que é travada na Ucrânia, serviu para os EUA nos ataques terroristas do 11 de Setembro e servirá para a Gronelândia “se algo acontecer”. Sobre se acha que os EUA estão comprometidos com o artigo 5.º, Frederiksen respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos”. “Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a NATO e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da NATO que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai manter-se no futuro”, acrescentou. Tempos difíceis Frederiksen começou a sua declaração por salientar que o mundo se tornou “mais inseguro” e é necessária uma NATO “mais forte”. A governante considerou prioritário “rearmar a Europa”, ter uma “base industrial mais forte na Europa e transatlântica nos EUA” e reforçar o apoio à Ucrânia. “Penso que todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca”, salientou. Antes, também à chegada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que se está a assistir a uma alteração nas responsabilidades na Aliança, com um reforço por parte de europeus e do Canadá. O governante salientou que esta mudança nos encargos assumidos no âmbito da NATO, com uma redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e “é apropriado”. Sobre os ataques norte-americanos a alvos iranianos, Carney apontou que o Irão tem agido de forma irresponsável e houve uma “resposta apropriada”.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Associações apontam falhas em reforma da lei sobre crimes sexuais Hong Kong lançou ontem uma consulta pública sobre uma reforma legal para agravar as penas para crimes sexuais, mas associações disseram à Lusa que a proposta tem falhas que podem prejudicar as vítimas, incluindo crianças. Com a proposta, que estará em consulta pública até 05 de Agosto, o Governo quer criminalizar casos de violação envolvendo pessoas do mesmo sexo, punir o aliciamento sexual e adoptar uma idade de consentimento uniforme, 16 anos, independentemente do género. De acordo com a legislação em vigor, relações sexuais com uma menor de 13 anos são puníveis com pena máxima de prisão perpétua, mas se a vítima for menor de 16 anos, a pena máxima é de cinco anos de prisão. Obrigar um menor a testemunhar actos sexuais, ver imagens de teor sexual ou enviar imagens passará a ser punido com uma pena de prisão de cinco a dez anos, segundo a proposta, apresentada aos deputados em 29 de Junho. A líder de um grupo de apoio a crianças vítimas de crimes sexuais disse ontem à Lusa que “a falha em reconhecer o abuso sexual infantil persistente como um crime distinto inflige uma profunda injustiça às crianças”. A fundadora da TALK Hong Kong, Taura Edgar, explicou que os tribunais tratam “o abuso prolongado e repetitivo como uma colecção de incidentes isolados”, algo que “entra directamente em conflito com as realidades psicológicas do trauma”. “O trauma grave fragmenta naturalmente a memória, tornando a recordação meticulosa e cronológica de detalhes específicos ao longo de um período, muitas vezes extenso, de abuso, biologicamente improvável”, alertou Edgar. “Confrontados com interrogatórios exaustivos, elaborados para dissecar acusações individuais, muitos sobreviventes sofrem um intenso trauma secundário que os impede completamente de depor”, lamentou a activista. Lacunas de memória “são rotineiramente utilizadas como arma” contra as vítimas, transformando “um sintoma médico de abuso numa barreira probatória intransponível” e permitindo que agressores não sejam condenados, disse Edgar. Pontos a favor A presidente da TALK Hong Kong recordou que, de acordo com estudos, o abuso sexual afecta cerca de 16 por cento das crianças de Hong Kong. Já a Associação para o Combate à Violência Sexual contra as Mulheres, (ACSVAW, na sigla em inglês), de Hong Kong, elogiou a proposta por incluir uma definição legal explícita de consentimento. O grupo destacou ainda a expansão do crime de violação para abranger outras formas de agressão sexual com penetração e o ‘stealthing’, a remoção não consensual do preservativo. No entanto, num comunicado enviado à Lusa, a ACSVAW alertou que a inclusão na proposta do conceito do “equívoco” pode tornar-se uma “falha legal” utilizada por agressores. “Um arguido ainda poderia usar desculpas para escapar à responsabilidade, alegando: ‘Não houve resistência física, por isso acreditei erradamente que havia consentimento’ ou ‘Estávamos a rir e a conversar enquanto bebíamos, por isso interpretei a situação como uma vontade de ter relações sexuais'”, sublinhou a directora executiva do grupo, Doris Chong Tsz-wai. A associação recordou que, dos 807 casos denunciados à polícia entre 2019 e 2023, apenas 51 resultaram em condenação no primeiro julgamento.
Hoje Macau EventosMuseu de Macau | Mostra de bens classificados inaugurada na sexta-feira A “Exposição Temática sobre o 1.º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau” vai estar patente a partir de sexta-feira, até 16 de Agosto, no 3.º piso do Museu de Macau, indicou o Instituto Cultural (IC). A mostra é a materialização da salvaguarda e gestão de bens móveis de valor cultural significativo em Macau. Assim sendo, a exposição é uma selecção de um grupo constituído por 400 itens, abrangendo 24 categorias, incluindo espécies arqueológicas, pinturas e caligrafia, têxteis e documentos oficiais. Destas, foram escolhidas 100 peças, ou conjuntos, “complementados por recursos multimédia, para demostrar a história e a evolução social de Macau”. O conjunto de objectos destaca “o carácter único da cidade, marcado pela integração cultural entre o Oriente e o Ocidente e pela coexistência de várias culturas”, demonstrando a beleza e “o valor inestimável destes artefactos culturais”. O Museu de Macau está aberto das 10h às 18h e encerra à segunda-feira. A entrada é gratuita para residentes com BIR, e à terça-feira e no dia 15 de cada mês para o público geral.
Hoje Macau SociedadeChineses estudam português por interesse profissional e cultural Docentes da Universidade de Macau (UM) consideraram que o interesse dos estudantes chineses pela língua portuguesa passa principalmente por procurar melhores oportunidades de emprego, mas é também motivado pela curiosidade em relação à cultura lusófona. A universidade iniciou na segunda-feira a 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, iniciativa que reúne cerca de 400 participantes provenientes de Macau, Hong Kong, Interior, Malásia e Canadá. Embora a maioria dos participantes seja constituída por estudantes universitários do Interior interessados em melhorar as perspectivas de carreira, os coordenadores do curso sublinham que uma parte significativa procura o português por razões pessoais e culturais. “Os estudantes universitários querem aproveitar o português para terem um trabalho melhor no futuro, mas também temos estudantes que já estão no mercado de trabalho e que provavelmente não precisam de saber português pelo trabalho ou para ganhar mais, mas porque gostam. Querem sentir a língua e a cultura por detrás da língua”, disse à Lusa Lu Chunhui, professor e investigador do Departamento de Português da UM e coordenador do Curso de Verão. “Ainda me lembro de um estudante de cerca de 70 anos de Hong Kong, o mais velho que tive nas minhas turmas. Muitas pessoas como ele quiseram esta aprendizagem sem um objectivo prático, mas mostrando um empenho extraordinário, o que achei muito comovente”, afirmou. Interesse na língua A também coordenadora do curso, Tânia Ferreira, considera que a procura demonstra o interesse sustentado pela língua portuguesa na região. “Este ano foram registadas 407 inscrições, com todas as vagas preenchidas nas primeiras horas, um registo recorde. Para um curso intensivo, é de louvar”, afirmou a professora auxiliar da Faculdade de Letras da UM. A docente reconheceu que, para muitos participantes, o domínio do português continua associado às oportunidades profissionais nos países lusófonos. “Tendo em conta o perfil dos inscritos nesta edição, que são maioritariamente universitários do Interior, o interesse é melhorar as suas competências na língua para de facto trabalharem com a língua portuguesa em países como o Brasil, os PALOP e, claro, Portugal”, explicou. Mas acrescentou que o programa pretende igualmente aprofundar o contacto com a cultura dos países de língua portuguesa e com a identidade de Macau. “O curso também é uma oportunidade para aprofundarem o seu conhecimento da cultura portuguesa ou brasileira. Este ano incluímos também elementos sobre Macau, como o patuá, sendo importante mostrar um exemplo vivo da herança portuguesa em Macau”, disse.
Hoje Macau Manchete PolíticaJustiça | Três jornalistas do All About Macau vão a tribunal Três repórteres do jornal ‘online’ All About Macau, entretanto encerrado, vão a julgamento em 16 de Julho e arriscam penas de até três anos de prisão, acusadas de “perturbação do funcionamento” do parlamento local. De acordo com o portal dos tribunais de Macau na Internet, consultado ontem pela Lusa, a defesa das jornalistas no Tribunal de Primeira Instância está a cargo de Ricardo Carvalho. O advogado português confirmou ontem à Lusa que aceitou o caso, mas não revelou mais pormenores. Duas jornalistas do All About Macau foram detidas em 17 de Abril de 2025 pela polícia quando tentavam entrar no salão da Assembleia Legislativa. As repórteres foram impedidas de assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para 2025, alegadamente por não haver lugares vagos no salão – algo negado pela publicação. O Ministério Público (MP) acusou as jornalistas de “perturbação do funcionamento de órgãos da Região Administrativa Especial de Macau”, crime que acarreta uma pena máxima de até três anos de prisão. A Lusa pediu mais informação ao MP, incluindo os fundamentos da acusação contra a terceira jornalista do All About Macau, mas não recebeu qualquer resposta. Morte anunciada O jornal ‘online’ e publicação mensal impressa anunciou o encerramento no final de Outubro devido a “pressões crescentes”, falta de recursos e os processos judiciais contra três dos seus jornalistas. Três meses depois, o Governo anunciou o cancelamento do registo da publicação, sem revelar publicamente as razões. Na sequência da detenção, a Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) disse à Lusa que Portugal deveria ter feito “um gesto discreto ou uma expressão de preocupação” face à detenção destas jornalistas. “Consideramos o silêncio de Portugal preocupante, dados os seus profundos laços históricos e culturais com Macau”, lamentou o presidente da JOCPA, Josep Solano. “A situação inédita ocorrida é triste e preocupa-nos, pois consideramos que abre um precedente, no mínimo, constrangedor”, reagiu também à Lusa o presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau. Em Abril de 2025, José Miguel Encarnação pediu ao MP “ponderação na avaliação dos factos, por forma a que não haja consequências de maior”. A Associação de Jornalistas de Macau declarou na altura que “lamenta profundamente” a detenção das repórteres, incluindo a presidente da organização, Island Ian Sio Tou. Em Novembro, Island Ian, antiga chefe de redação do All About Macau, foi impedida por funcionários do Tribunal de Segunda Instância de acompanhar o julgamento do ex-procurador-adjunto Kong Chi por corrupção.
Hoje Macau PolíticaEconomia | Pedidos ajustes a Grande Prémio do Consumo O membro Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Ieong Weng Kuong, defendeu a criação de um cartão para estudantes, caso haja uma nova ronda do Grande Prémio do Consumo. A proposta foi feita ontem, segundo o canal chinês da Rádio Macau, durante a mais recente reunião do conselho consultivo. Ieong recordou que nas rondas anteriores as crianças com menos de 12 anos não reuniam condições para ter uma conta de MPay de modo a participarem no sorteio de atribuição de descontos, nem a possibilidade de ter um cartão de descontos, como acontece com os idosos. Por isso, o conselheiro acredita ser benéfico disponibilizar-lhes um cartão que permita compras com valor reduzido. O conselheiro defendeu também a criação de cupões de consumo destinados a turistas, bem como ofertas para incentivar o consumo dos visitantes nos bairros comunitários. Por seu turno, a conselheira Hoi Kit Leng pediu mais flexibilidade para os comerciantes, apontando que em Seac Pai Van não existem pequenas e médias empresas de produtos frescos que aceitem os cupões e que os consumidores são obrigados a ir a outras zonas.
Hoje Macau PolíticaÁguas Marítimas | Concessões podem ser atribuídas sem concurso público Os deputados preparam-se para aprovar a Lei de Usos das Águas Marítimas que vai permitir concessionar sem concurso público parte das águas geridas por Macau. O cenário foi explicado por Leong Sun Iok, presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que está a analisar o diploma na especialidade. O diploma prevê que as águas de Macau possam ser exploradas por privados através de concessões ou licenças de uso temporário. No caso das concessões, a regra vai ser a realização de concurso público, de acordo com as explicações do Executivo, que ontem se fez representar na AL pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man. Contudo, Leong Sun Iok, citado pelo jornal Ou Mun, admitiu que o diploma vai prever excepções para projectos classificados como parte do interesse nacional e ainda para a prestação de serviços públicos como as telecomunicações, electricidade, combustíveis ou fornecimento de água. Após a aprovação final na Assembleia Legislativa pelos deputados, o novo diploma vai entrar em vigor a 1 de Dezembro deste ano. Até esse período, os legisladores esperam que a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) lide com os procedimentos de transição.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | Prospecção de solo custa 4,7 milhões de patacas A sondagem e prospecção de solos da primeira fase do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai custar cerca de 4,7 milhões de patacas aos cofres da RAEM. Segundo a adjudicação, os trabalhos vão durar cerca de 150 dias, o que significa praticamente cinco meses. De acordo com o projecto do Governo, o parque vai ser construído em dois terrenos diferentes, com parte das instalações na Avenida Wai Leong, perto do aeroporto, e as restantes na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. O contrato mais recente de sondagem e prospecção de solos faz subir o preço do projecto, por agora, para 202,5 milhões de patacas. Isto porque anteriormente foi revelado que a empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd vai receber 197,8 milhões de patacas pela concepção dos planos para os dois terrenos. A construção deste parque foi apresentada no final do ano passado, durante a consulta pública. O projecto foi divulgado como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava igualmente que a pandemia da Covid-19 tinha mostrado “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que nessa altura o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução de 50 por cento.
Hoje Macau PolíticaFinanças | Banco central abre mercado chinês a dívida emitida em Macau O líder do banco central da China, Pan Gongsheng, anunciou ontem que a dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado do Interior da China. O mais se vai passar em Hong Kong, com o mercado nacional aberto a obrigações emitidas em yuan e dólares de Hong Kong A dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado nacional, revelou ontem o governador do banco central da China, Pan Gongsheng. O líder do Banco Popular da China (PBC, na sigla em inglês) disse que o mercado chinês também irá abrir-se às obrigações emitidas na vizinha região de Hong Kong, quer sejam denominadas em dólares de Hong Kong ou em renminbi. Pan falava num discurso proferido durante uma cimeira, realizada em Hong Kong, sobre o programa Bond Connect, que permite aos investidores da China continental aceder a mercados de dívidas externos. O líder do PBC anunciou que a quota anual de investimento líquido no Bond Connect irá subir de 500 para 800 mil milhões de yuan. Além disso, o responsável prometeu reforçar o investimento das reservas cambiais da China continental em activos em Hong Kong, para apoiar o mercado financeiro da antiga colónia britânica. “Isto dará vitalidade ao desenvolvimento de Hong Kong”, disse o governador, citado pela imprensa local. Pan disse que o lançamento de mais produtos financeiros denominados em renminbi é uma grande oportunidade para Hong Kong atrair mais investidores estrangeiros, incluindo fundos soberanos. O líder do banco central da China confirmou que Hong Kong lançará em breve contratos de futuros de obrigações em renminbi a cinco anos, tendo como alvos prioritários investidores externos. Finanças diversas Macau tem apostado nos serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa para diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do turismo. O banco do bloco BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), anunciou em 26 de Junho a primeira emissão de dívida em Macau, no valor de 50 milhões de dólares. A sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, que organizou a emissão de dívida, informou em comunicado que o dinheiro será investido em “projectos de infra-estruturas sustentáveis no Brasil”, sem revelar mais detalhes. O Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicou que a dívida foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.
Hoje Macau EventosSemana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa encanta Qinghai Este fim-de-semana, os ritmos da lusofonia invadiram a Praça Tangdao, na capital da província de Qinghai, Xining, naquela que foi a primeira incursão do evento organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau numa província do Oeste da China. A comitiva de artistas é composta pela vocalista dos portugueses OqueStrada Marta Miranda, pelos brasileiros Mauricio Tizumba, Sérgio Pererê e José de Holanda, a cabo-verdiana Elly Paris, Patche di Rima e Anderking Skididi da Guiné-Bissau e Fistong Boy da Guiné Equatorial. Moçambique foi representado em palco pelo cantor Az Khinera, enquanto Vungo Téla apresentou à China as sonoridades de São Tomé e Príncipe e os New Arquiris que misturam legado musical tradicional de Timor-Leste com toques de modernidade. De Macau, viajaram o macaense German Ku e a cantora winifai. Qinghai é uma província do noroeste da China situado no planalto tibetano, rodeado por Gansu, Xinjiang, Sichuan e o Tibete. As sonoridades da lusofonia juntaram-se dez grupos artísticos do Qinghai. O programa itinerante prossegue agora para a capital Pequim, com espectáculos marcados para quinta e sexta-feira na Praça da Concha Acústica, entre as 18h e as 21h. Na rota da seda Na cerimónia de abertura dos espectáculos em Xining, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, mostrou-se esperançado que as bandas e artistas dos Países de Língua Portuguesa aproveitassem “a oportunidade para mostrar as suas características culturais únicas e reforçar o intercâmbio cultural com Qinghai”. Por sua vez, um representante do Governo Popular Municipal de Xining indicou que o evento teve o “intuito de aprofundar a cooperação entre Xining e Macau em várias áreas como comércio, economia e cultura”. Chen Yongqin manifestou a expectativa de que, “com a cultura como ponte e a arte como meio, mais amigos dos Países de Língua Portuguesa possam conhecer Qinghai e a sua capital Xining, escrevendo em conjunto um novo capítulo para o intercâmbio sino-lusófono”.
Hoje Macau EventosMuseu do Grande Prémio | Abertas inscrições para workshops de Verão Abriram ontem as inscrições para quatro workshops no Museu do Grande Prémio de Macau que se vão realizar nos fins-de-semana de Julho e Agosto. Segundo um comunicado divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), as actividades têm como pilar central “educação com diversão”, combinando ciência, artesanato, arte, diversão e elementos de corridas. Assim, serão organizados as actividades “Artista da Guia: Carro de Corrida em Mosaico”, “Engenheiro da Guia: Montagem de Carro de Corrida 4×4”, “Mágico da Guia: Carro dos Sonhos em Arte com Areia”, e “Artesão da Guia: Gravação de Lâmpada em Forma de Carro de Corrida”. Os workshops realizam-se no Museu do Grande Prémio de Macau aos sábados e domingos, entre 25 de Julho e 16 de Agosto, com um tema novo a cada semana. Aos sábados e domingos, estão previstas duas sessões diárias (11h30 e 14h30, com duração de 1h30m cada). As vagas para cada sessão estão limitadas a 15 pares de pais e filhos. Como é habitual, as inscrições podem ser feitas através da Conta Única. Além dos quatro workshops, no fim de Julho será lançada uma nova experiência interactiva exclusiva para crianças: A “Zona de Pé a Fundo”, uma atracção imersiva de educação e entretenimento sobre corridas, especialmente concebida para crianças dos 6 aos 12 anos. A atracção tem por base o lendário Circuito da Guia, através de uma maquete de grandes dimensões em 3D, “reproduzindo curvas emblemáticas como a Curva do Hotel Lisboa e a Curva do Reservatório”, por onde as crianças vão poder acelerar em “mini-carros de corrida”.
Hoje Macau SociedadePJ | Dois homens detidos por filmarem mesas de casino Dois homens, oriundos do Interior da China, foram detidos no domingo por filmarem e transmitirem em directo online mesas de jogo em casinos de Macau. As duas detenções foram feitas em casinos diferentes (um na península e outro no Cotai), com as queixas a chegarem à Polícia Judiciária (PJ) com meia hora de diferença. Porém, as autoridades não apuraram se os casos estão relacionados e se os homens trabalhavam para a mesma organização. Ambos tinham telemóveis escondidos em bolsos falsos nas camisolas, e enquanto transmitiam acção nas mesas de jogo recebiam encomendas para apostas de clientes com quem comunicavam através de auriculares com Bluetooth. O caso no casino no Cotai foi descoberto por um segurança que suspeitou da postura pouco natural do indivíduo em mesas de bacará e máquinas de slot, fazendo apostas a rondar 8 mil dólares de Hong Kong Os casos foram encaminhados ao Ministério Público pela prática de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online. A PJ, apesar de notar a semelhança no modus operandi dos suspeitos não conseguiu apurar ligações entre os dois homens, mas garantiu que as investigações vão prosseguir.
Hoje Macau SociedadeCasinos | Funcionária desvia dinheiro para pagar dívidas Uma funcionária de um hotel no Cotai é suspeita de desviar fundos no local do trabalho, ao apropriar-se de mais de 1,3 milhões de dólares de Hong Kong. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). O dinheiro foi furtado para jogar e pagar dívidas de cartões de crédito. O desvio dos fundos foi detectado durante uma auditoria interna, o que levou a empresa a alertar as autoridades, que avançaram para a detenção. A suspeita tem 47 anos, é residente local e trabalhava como caixa do casino-hotel, que não foi identificado. A mulher conseguiu desviar o dinheiro porque o fundo de maneio provisório do hotel ficava guardado no departamento de contabilidade. A detida era uma das duas funcionárias com acesso a esse dinheiro. No dia da descoberta do alegado crime, durante uma auditoria de rotina, a detida pediu uma reunião com o gerente do hotel e confessou que tinha o hábito de jogar. A suspeita admitiu ainda ter perdido a totalidade do dinheiro no jogo e não ter capacidade para repor a quantia, o que levou o representante do hotel a chamar a polícia. Segundo a investigação da PJ, a mulher trabalhava na empresa desde 2021 e tem um historial de dívidas relacionadas com o jogo. Entre Maio e meados de Junho deste ano, aproveitando-se das suas funções e dos momentos em que estava sozinha na empresa, a suspeita retirou dinheiro do cofre e da máquina de contagem de notas em quatro ocasiões distintas, totalizando 1,33 milhões de dólares de Hong Kong. A suspeita levou o dinheiro para jogar num casino na zona do NAPE e também para liquidar dívidas de cartões de crédito. Para ocultar o crime e evitar ser descoberta precocemente, cada vez que desviava dinheiro, utilizava fundos que ainda não tinham sido registados no sistema pela máquina de contagem de notas para repor o cofre.
Hoje Macau China / ÁsiaChina rejeita “conclusões exageradas” sobre lançamento de míssil no Pacífico Pequim rejeitou ontem “conclusões exageradas” pelo lançamento de um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para o Oceano Pacífico, após o ensaio ter suscitado críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que o ensaio constituiu “um exercício militar de rotina” e que “não é dirigido contra qualquer país ou alvo específico”. Mao afirmou que a China informou previamente os “países pertinentes” e que o teste “está em conformidade com a prática internacional”. “As actividades de lançamento decorreram sempre de forma segura, regulamentada e profissional”, acrescentou a porta-voz, manifestando a esperança de que “os países relevantes não tirem conclusões exageradas”. A porta-voz recusou-se a fornecer mais pormenores sobre o ensaio, depois de a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua ter noticiado, horas antes, que a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP) lançou com êxito um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para “águas internacionais relevantes” do Oceano Pacífico. Segundo a Xinhua, o projéctil, equipado com uma ogiva simulada de treino, atingiu com precisão a zona marítima prevista. A agência indicou que o ensaio, realizado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa), integrou o plano anual de treino militar e que a China notificou previamente os países pertinentes. Águas agitadas O comunicado oficial não especificou o modelo do míssil, a classe do submarino nem a localização exata da zona de impacto. Segundo o jornal South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado a partir de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado, de que há registo público, a partir de um submarino de propulsão nuclear. O teste ocorre numa altura de crescente actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, onde Taiwan afirmou ontem que a Marinha chinesa mantém destacadas quatro agrupações navais: uma no Pacífico Sul, duas a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e outra a nordeste das Filipinas. O lançamento coincide também com novas fricções entre Pequim e Tóquio, depois de o Japão ter protestado nos últimos dias contra manobras de navios chineses em águas próximas da ilha de Yonaguni, situada a pouco mais de 150 quilómetros de Taipé.
Hoje Macau China / Ásia MancheteDefesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo. Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar. A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial. O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real. O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov. Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte. As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval. Plano de cooperação O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico. Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”. Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário). A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Fortes chuvas fizeram pelo menos 13 mortos Pelo menos 13 pessoas morreram na Índia nos últimos dias devido às intensas chuvas que atingiram Mumbai e distritos vizinhos, onde foi decretado o encerramento de escolas e restrições ao trabalho. As autoridades de Mumbai (Bombaim) também recomendaram à população que evitasse deslocações não essenciais. Mumbai e os distritos de Palghar e Raigad registaram fortes chuvas nos últimos três dias, resultando em treze mortes associadas a incidentes provocados pelo mau tempo, disseram ontem fontes oficiais citadas pela agência de notícias local PTI. O Departamento Meteorológico da Índia elevou o aviso de chuva para vermelho em Mumbai e arredores, prevendo chuvas muito fortes, ventos intensos e riscos de inundações repentinas, deslizamentos de terra e queda de árvores. A Autoridade Estadual de Gestão de Desastres solicitou que as empresas privadas em Mumbai permitissem o trabalho remoto sempre que possível, enquanto os funcionários de organismos governamentais de serviços não essenciais foram dispensados do expediente a partir da tarde de ontem. Escolas e universidades — públicas, municipais e privadas — suspenderam as aulas por motivos de segurança. As chuvas afectaram também o funcionamento das ligações ferroviárias, das auto-estradas e de outros serviços de transporte em Mumbai, uma cidade com mais de vinte milhões de habitantes que enfrenta frequentemente graves transtornos durante a época das monções. Há poucas semanas, Mumbai enfrentou uma grave escassez de água nos sete reservatórios que abastecem a cidade.
Hoje Macau SociedadeGongbei | Mais de 64 milhões de travessias no primeiro semestre As autoridades de Zhuhai revelaram que na primeira metade deste ano o Posto Fronteiriço de Gongbei registou mais de 64 milhões de travessias entre Zhuhai e Macau, fluxo que representou um aumento de 6 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Em relação à média diária de travessias, as autoridades de Zhuhai destacam um novo recorde, com mais de 460 mil passagens entre os dois territórios. Apesar do registo recordista, é esperado o crescimento do fluxo transfronteiriço com a entrada na época de Verão, do aumento das viagens de estudo, férias familiares e viagens entre províncias que tenham como destino locais relativamente perto de Macau. Assim sendo, as autoridades estimam que o recorde do primeiro semestre deste ano volte a ser ultrapassado. O canal entre as Portas do Cerco continua a ser o posto fronteiriço mais movimentado entre a RAEM e o Interior da China, com fluxo diário de residentes de Macau e Zhuhai a continuar a ser o pilar principal das travessias, apesar do aumento considerável de residentes do Interior da China que visitam Macau para fazer turismo.
Hoje Macau SociedadeIlha Verde | Depósito de combustíveis convertido em estacionamento A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que o Depósito Provisório de Distribuição dos Combustíveis da Ilha Verde e o local adjacente será convertido num parque de estacionamento público provisório ao ar livre. O parque, situado no cruzamento entre a Estrada Marginal da Ilha Verde, a Rua das Camélias e a Estrada Nova da Ilha Verde, tem 198 lugares, dos quais 115 para “veículos de mercadorias destinados ao transporte de gases ou combustíveis líquidos e 83 lugares de estacionamento para motociclos”. A partir de 15 de Julho, o parque de estacionamento será alvo de obras de remodelação para permitir o estacionamento de motociclos. O espaço irá seguir o modelo de “primeiros 15 minutos gratuitos” e de “cobrança a cada meia hora”, e será fixado um limite máximo de tarifas para os veículos de mercadorias de 60 patacas por dia, por um período máximo de estacionamento de oito dias consecutivos. A DSAT acrescentou que a conversão do espaço pretende “optimizar o aproveitamento dos recursos de solos e aliviar a procura de estacionamento por parte de veículos pesados e ligeiros de mercadorias destinados exclusivamente ao transporte de gases ou combustíveis líquidos”.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sonda espacial sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, domingo, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais. A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). O objectivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra. Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior. A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune. Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajectória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efectuar uma manobra de desvio. “Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato. Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo. “Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA. Se se confirmar que a sonda passou efectivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra. Maravilhas tecnológicas As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária. “Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia. Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras. Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.
Hoje Macau PolíticaCidadãos angolanos vão poder entrar em Macau sem visto prévio Macau anunciou ontem que os angolanos vão poder entrar na região sem obter visto com antecedência, algo que, segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), irá facilitar as viagens de negócios. As duas jurisdições irão firmar um acordo sobre a dispensa mútua de visto, segundo uma ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai. A ordem, datada de 2 de Julho, publicada ontem no Boletim Oficial, confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “todos os poderes necessários” para celebrar o acordo com o Governo de Luanda. O presidente da assembleia-geral da CCAMO, Pedro Lobo, disse à Lusa que a medida “pode ajudar, e muito, as relações comerciais (…), ainda para mais com o consulado a encerrar”. “Há bastante tempo que as relações entre Macau e Angola se estavam estreitar”, disse Pedro Lobo, mas a medida vem “tirar alguma instabilidade e incerteza” nas viagens de negócios. O dirigente da CCAMO confirmou que “sempre houve problemas” nas viagens de Angola para Macau e recordou o caso de empresários angolanos que “tiveram de voltar para trás, porque não tinham visto para fazer trânsito em Hong Kong”. Apesar das “grandes expectativas”, Lobo defendeu que a isenção de visto só terá um impacto significativo, caso sejam estabelecidos voos directos de passageiros entre Angola e Macau ou as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão. Os restantes Angola irá tornar-se o quarto país de língua portuguesa, a seguir a Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam de isenção de visto, num universo de nove países pertencentes ao Fórum Macau. Recorde-se que está a decorrer a Semana Cultural China-Países de Língua Portuguesa, organizada anualmente pelo Fórum Macau, até sexta-feira, que não conta com artistas angolanos devido a preocupações com a epidemia de Ébola. O Governo de Macau decidiu impor um período de vigilância de 21 dias a todas as pessoas provenientes dos 10 países africanos em risco por causa da epidemia de Ébola. Entre esses países, está Angola, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, onde começou o surto, que depois evoluiu para epidemia.
Hoje Macau PolíticaPensões | Fundo vai ser financiado pelo orçamento da RAEM O Governo apresentou uma proposta de lei para financiar o Fundo de Pensões (FP) com parte dos resultados gerados pelo orçamento da RAEM. A medida foi apresentada ontem no Conselho Executivo, e justificada com a previsão de que nos próximos cinco anos o fundo vai atingir o pico de défice. Desde Janeiro de 2007 que deixaram de ser admitidas inscrições no regime de aposentação e sobrevivência dos trabalhadores da Administração Pública. Como resultado, há cada vez menos pessoas a descontar, mas o número de pensionistas não pára de aumentar. “A contínua diminuição das receitas provenientes das contribuições, o aumento constante dos encargos com o pagamento das pensões, o aumento da esperança de vida da população e o consequente e inevitável prolongamento do período durante o qual haverá lugar ao pagamento das pensões contribuem para a situação de desequilíbrio financeiro verificada no regime”, foi explicado. “Com a chegada do pico de aposentações nos próximos cinco anos, o défice entre receitas e despesas do regime agravar-se-á rapidamente. Tendo em conta que o Governo da RAEM assume a responsabilidade legal pelo pagamento das pensões do regime, deve, por conseguinte, iniciar o mais brevemente possível a resolução das questões financeiras do regime, a fim de evitar que os encargos financeiros sejam transferidos para o futuro”, foi acrescentado. A proposta ainda tem de ser aprovada pela Assembleia Legislativa.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental. Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”. O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais. Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos. As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos. Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024. Mais de 80 mil trabalhadores O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000. No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável. Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos. A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020. “Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores. Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde. Segurança financeira Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais. Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais. O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente. O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Senador pró-Duterte acusado de corrupção nas Filipinas O Provedor de Justiça das Filipinas acusou o senador Rodante Marcoleta de corrupção, dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte. Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga. Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que começa hoje. As acusações contra o senador Rodante Marcoleta incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança. “As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”. Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos. Fé inabalável Na semana passada, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital. No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projectos falsos de combate às inundações. Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte. Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.
Hoje Macau China / ÁsiaExercícios militares conjuntos com a Rússia marcados para este mês A China anunciou que vai realizar, durante este mês, os exercícios navais anuais com a Rússia, desta vez ao largo da costa chinesa, seguindo-se patrulhas conjuntas numa zona não especificada do oceano Pacífico. Parte dos exercícios serão realizados no espaço aéreo e marítimo ao largo de Qingdao Vão realizar-se ao longo do mês de Julho os exercícios militares conjuntos entre forças chinesas e russas deste ano, foi ontem anunciado pelo Ministério da Defesa chinês. Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial. A China e a Rússia realizam há vários anos exercícios militares conjuntos, actualmente acompanhados com desconfiança por vários países, sobretudo ocidentais, no contexto da guerra na Ucrânia. As marinhas dos dois países vão realizar os exercícios “Joint Sea-2026” “nos espaços aéreo e marítimo ao largo de Qingdao”, importante porto militar e estância balnear no leste da China, indicou o Ministério da Defesa chinês. “No final deste exercício conjunto, parte das forças dos dois países participará numa patrulha marítima conjunta numa zona marítima do oceano Pacífico”, acrescentou o ministério, em comunicado. Segundo o documento, a iniciativa “visa responder em conjunto aos desafios de segurança e preservar a paz e a estabilidade na região”, sem especificar a dimensão dos meios militares envolvidos. Em sintonia Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na ocasião, o chefe de Estado russo classificou o nível das relações bilaterais como “sem precedentes”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jinping, as descreveu como “inquebrantáveis”. Os exercícios “Joint Sea-2026” entre as marinhas da China e da Rússia realizam-se desde 2012. A edição de 2025 decorreu nas proximidades de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, tendo sido igualmente seguida por patrulhas conjuntas no oceano Pacífico. A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, mas tem apelado à realização de negociações de paz. As capitais ocidentais acusam regularmente Pequim de prestar a Moscovo um apoio económico essencial ao esforço de guerra russo.