Hoje Macau Manchete SociedadeNepal | Cruz Vermelha doa 1,3 milhões para apoiar vítimas de enxurrada De acordo com um comunicado publicado no portal da Cruz Vermelha de Macau, a instituição doou um milhão de yuan para o Tibete e 50 mil dólares (405,8 mil patacas) para o Nepal, para apoiar as vítimas nas áreas afectadas pela enxurrada de quarta-feira. A cheia súbita que atingiu a zona fronteiriça entre o Nepal e o Tibete causou pelo menos 788 mortos, de acordo com um novo balanço divulgado ontem. Além das doações, a Cruz Vermelha de Macau abriu duas contas bancárias para angariar fundos e apelou à população para que estenda uma mão amiga e apoie os esforços de socorro de emergência” nas áreas afectadas, bem como para responder às “necessidades imediatas das vítimas”. Também a Cáritas de Macau está a criar uma conta para recolher donativos para apoiar o Nepal, disse à Lusa o director da instituição, que apelou à contribuição do público. No entanto, Paul Pun Chi Meng admitiu que, como “a economia não tem estado muito boa ultimamente, talvez não consigamos angariar muito dinheiro”.
Hoje Macau SociedadeMacau Pass | AMCM exige explicações sobre avaria do sistema A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) exigiu explicações à Macau Pass pela avaria do sistema de pagamentos e transacções electrónicas da aplicação de telemóvel MPay entre as 12h e 14h30 deste domingo. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, surgiram várias queixas nas redes sociais de clientes e comerciantes sobre a falha do sistema, tendo a AMCM exigido a entrega de um relatório com o apuramento das causas do incidente. Foram também exigidas medidas preventivas a fim de evitar problemas semelhantes no futuro. A entidade explicou também que o serviço voltou a funcionar normalmente a partir das 13h45 de domingo. Durante a falha técnica, o pagamento das viagens de autocarro manteve-se sem alterações. A Macau Pass já explicou, entretanto, que as falhas se deveram à instabilidade das redes, necessitando ainda de apurar causas e a extensão dos danos. A empresa diz ter feito um inquérito a comerciantes sobre o episódio.
Hoje Macau Manchete PolíticaEconomia | Fundos de orientação podem investir em empresas estrangeiras O Governo garantiu ontem que os fundos de orientação governamental, criados para diversificar a economia local, vão estar abertos a investir em empresas estrangeiras. As verbas serão provenientes da reserva financeira e do orçamento em parceria com investidores privados O Conselho Executivo concluiu a discussão sobre as regras que irão ditar a gestão do Fundo de Orientação Governamental, criado no final de Fevereiro. O fundo de 11 mil milhões de patacas, que tem como objectivo apoiar financeiramente projectos que ajudem a diversificar a economia de Macau, poderá investir em empresas estrangeiras. O porta-voz do Conselho Executivo, Wong Sio Chak prometeu que o fundo irá “incentivar o emprego local e o desenvolvimento de quadros qualificados (…), em benefício das empresas e dos residentes de Macau”. Wong Sio Chak sublinhou que o novo fundo irá investir em empresas de capitais “quer locais quer do exterior, sempre que tenham um contributo para o desenvolvimento de Macau”. O também secretário para a Administração e Justiça acrescentou ainda que o investimento público “certamente será vantajoso para captar mais quadros qualificados do exterior”. Wong recordou que, em 18 de Agosto, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, prometeu rever o regime para a captação de quadros qualificados, para “aumentar a sua eficiência”. O Lam falava durante a apresentação do terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico de Macau, que aponta como meta “criar condições favoráveis à captação” de mais quadros qualificados dos países lusófonos. Limites impostos As verbas que vão compor o fundo são provenientes dos cofres públicos, entre a reserva financeira e o orçamento público, em parceria com investidores privados, destinando-se a financiar projectos das áreas industriais prioritárias em Hengqin. Em relação ao desempenho, o Conselho Executivo indica que a prioridade é a orientação industrial e os benefícios sociais, “em vez do retorno financeiro de curto prazo”. Além disso, os fundos de orientação governamental vão estar proibidos de exercer “actividades relativas a garantias e investimento em produtos financeiros de elevado risco”. Em Maio, o Governo criou a Sociedade de Investimento e Gestão de Macau (MIMC, na sigla em inglês), uma empresa de capitais públicos para gerir o Fundo de Orientação Governamental. António Tam Chi Neng, administrador da MIMC, disse ontem que, “com certas empresas”, as autoridades irão exigir, “enquanto houver investimento público, que contribuam para o desenvolvimento económico de Macau”. “Quando essa exigência não for cumprida, em violação do contrato”, haverá um mecanismo para a retirada obrigatória do investimento público, que poderá também ser usado “em situações de corrupção”, sublinhou António Tam. O Conselho Executivo apresentou também o modelo como estes fundos serão geridos segundo três níveis decisórios. O Chefe do Executivo irá liderar uma comissão de orientação que vai definir estratégias globais de médio e longo prazo, enquanto os planos anuais e os “projectos de investimento de grande relevância” serão da responsabilidade da secretária para a Economia e Finanças. JL / Lusa
Hoje Macau Manchete SociedadeDireito | Advogados portugueses vão poder exercer na Grande Baía Os advogados de Macau, incluindo os portugueses, vão poder, a partir de 1 de Setembro, exercer em nove cidades do sul da China, segundo uma reforma aprovada pelo parlamento chinês. O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou na sexta-feira alterações à lei que regula o exercício da advocacia. As mudanças abrem as portas da Grande Baía a advogados de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial. Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico organizado pelo departamento de administração judicial do Conselho de Estado. O mesmo departamento irá definir também os requisitos de inscrição para o exame, os procedimentos de candidatura para o exercício da advocacia e o âmbito da prática permitida. Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40 por cento eram oriundos de países lusófonos e 80 por cento dominavam a língua portuguesa. Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal. No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reactivação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013.
Hoje Macau China / ÁsiaONU | Cimeira na Mongólia termina sem acordo para o combate à seca A cimeira da ONU na Mongólia contra a desertificação terminou sexta-feira sem acordo global para o combate à seca, mas mobilizou 1,3 mil milhões de dólares para a recuperação de terras. Após intensas negociações, as partes (196 países e a União Europeia) decidiram adiar o acordo global sobre a seca para a próxima cimeira, a decorrer em 2028 no Egito. Na Mongólia, os participantes conseguiram mobilizar 1,3 mil milhões de dólares de financiamento, maioritariamente público, para a recuperação de terras e a resistência à seca em 23 países, sendo que o grosso do investimento a ser realizado se destina a pastagens. A ONU estima que a degradação de terras já afecta 40 por cento da superfície do planeta e que se nada for feito para a travar haverá até 2050 mais 11 por cento de terras degradadas, uma extensão equivalente à América do Sul, com graves consequências para o clima, biodiversidade e a produção de alimentos. Segundo as Nações Unidas, a seca aumentou 30 por cento no mundo desde 2000 e afectará três em cada quatro pessoas em 2050. No capítulo do combate a este flagelo, a cimeira lançou um fundo de investimento para a resistência à seca, que visa mobilizar 400 milhões de dólares de capital privado para financiar projectos. O ministro mongol do Meio Ambiente e das Alterações Climáticas, Sandag-Ochir Tsend, salientou, na conferência de imprensa de encerramento da cimeira, que seria necessário mais dinheiro, na ordem dos 355 mil milhões de dólares anuais para combater no mundo a degradação de terras, a desertificação e a seca, em vez dos 77 mil milhões de dólares mobilizados actualmente todos os anos. A 17.ª Conferência das Partes da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (COP17) decorreu durante duas semanas em Ulan Bator, capital da Mongólia.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Aprovadas novas leis contra turistas problemáticos O governo tailandês avisou sexta-feira que os turistas problemáticos poderão ser expulsos do país, quando entram em vigor novas regras que visam estrangeiros condenados por actividades ilegais. “Os turistas ou trabalhadores estrangeiros problemáticos que infringirem a lei têm de sair”, escreveu nas redes sociais o ministro do Turismo, Surasak Phancharoenworakul. Novas regras que regulamentam a expulsão de estrangeiros que cumpriram a sua pena foram publicadas sexta-feira no Diário Oficial Real, o jornal oficial tailandês. Estas regras abrangem infrações como a permanência no país após o termo do visto, o trabalho ilegal, a exploração fraudulenta de empresas, a utilização de documentos falsos ou infrações puníveis com, pelo menos, cinco anos de prisão. “A Tailândia tem como política acolher estrangeiros que desejem viajar, trabalhar ou fazer negócios. No entanto, verificou-se que alguns estrangeiros não agem em conformidade com a lei ou com os costumes do nosso povo”, indica o texto. Aprovadas em Julho pelo governo do primeiro-ministro conservador, Anutin Charnvirakul, estas medidas visam “preservar os valores culturais tailandeses”, segundo as autoridades. A Tailândia já tinha decidido, em Maio, reduzir de 60 para 30 dias a duração das estadias sem visto para turistas de mais de 90 países, com o objectivo declarado de combater a criminalidade após uma série de distúrbios. Voz grossa O governo tailandês resolveu apertar as medidas contra turistas após vários escândalos sexuais em público, corridas ilegais de motociclos e na sequência de uma polémica que envolveu o gerente francês de um pequeno parque zoológico na ilha de Koh Samui ter recusado a entrada de israelitas no seu estabelecimento. Os repetidos actos de incivilidade alimentaram o debate público e levaram as autoridades a endurecer o tom, apesar de o reino do Sudeste Asiático continuar a ser economicamente muito dependente do turismo, que representa mais de 10 por cento do seu produto interno bruto (PIB). A Tailândia espera receber cerca de 33,5 milhões de turistas estrangeiros em 2026, contra cerca de 33 milhões no ano passado.
Hoje Macau VozesDepois da Reforma, um Melhor Associativismo para Macau Opinião de Manuel Silvério – Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional – (Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo) Depois de três artigos sobre a reformulação do Regime Jurídico das Associações, coloca-se agora uma questão mais prática: o que deverá esta reforma trazer ao associativismo de Macau? A reforma responde a duas exigências fundamentais: por um lado, salvaguardar a segurança do Estado; por outro, introduzir maior ordem, coordenação e responsabilidade num universo associativo que cresceu extraordinariamente ao longo de décadas. Macau tem hoje mais de 12 mil associações. Muitas continuam activas e prestam serviços importantes à sociedade. Outras viveram durante anos praticamente em torno de uma pessoa que tratava dos documentos, mantinha os contactos e assegurava o funcionamento quotidiano. Com o desaparecimento ou afastamento dessas pessoas, algumas associações perderam verdadeira continuidade. Não se trata necessariamente de abuso. É também consequência de décadas de rápido crescimento associativo, sem que os mecanismos de acompanhamento tenham evoluído sempre ao mesmo ritmo. A liberdade associativa é uma riqueza de Macau. Espero que a sociedade possa compreender esta reforma e, enquanto decorre a consulta pública, aproveitar a oportunidade para colocar questões concretas, esclarecer dúvidas e contribuir para melhorar o funcionamento das associações. Exigências mais claras, melhor coordenação Quem funda uma associação, ou aceita integrar os seus órgãos, deve compreender as responsabilidades que assume e as obrigações que terá de cumprir. Preparar estatutos, definir objectivos, identificar responsáveis e conhecer as regras básicas de funcionamento, contas, financiamento e relações externas faz parte dessa responsabilidade. Criar uma associação é também aprender a dirigi-la. O apoio de advogados ou de outros profissionais pode naturalmente facilitar esse trabalho, mas não substitui a responsabilidade dos fundadores e dirigentes. A questão não está, portanto, em saber se deve haver exigências, mas se são necessárias, claras, proporcionais e conhecidas desde o início. A centralização prevista na Direcção dos Serviços de Identificação poderá constituir uma oportunidade para melhorar os procedimentos. Não apenas para fiscalizar, mas também para informar, orientar e coordenar. A pequena dimensão de Macau pode, neste aspecto, favorecer uma coordenação administrativa mais eficaz. Exigente, mas não excepcional Comparar outras realidades ajuda a colocar a reforma em perspectiva, desde que tenhamos presentes as diferenças de população, território e organização administrativa. No Interior da China, a constituição de organizações sociais está sujeita a condições mais exigentes, nomeadamente quanto ao número de membros, sede, pessoal, fontes legais de financiamento e capacidade de funcionamento, para além da aprovação e do registo pelas entidades competentes. Hong Kong segue um modelo diferente e administrativamente mais concentrado. As societies estão sujeitas a registo ou isenção de registo e devem comunicar alterações posteriores ao nome, objectivos, responsáveis ou sede. A legislação permite igualmente a intervenção das autoridades quando estejam em causa, entre outros valores, a segurança nacional, a segurança pública ou a ordem pública. Macau não precisa de copiar Hong Kong nem o Interior da China. Pode aprender com ambos e encontrar uma solução adequada à sua dimensão, história e enquadramento jurídico. Estará Macau a exigir demasiado? Outros sistemas são, em vários aspectos, igualmente ou ainda mais exigentes. O essencial é que aquilo que Macau decidir exigir seja necessário, claro e proporcional. Uma lição da história do desporto O desenvolvimento do desporto em Macau oferece um exemplo de como autonomia associativa e responsabilidade institucional podem coexistir. O Diploma Legislativo n.º 1470, de 5 de Novembro de 1960, regulava as então chamadas actividades gimnodesportivas num quadro de forte intervenção administrativa. Comparativamente a Hong Kong, a autonomia do movimento desportivo de Macau desenvolveu-se mais tarde. Depois de 1974, a situação foi mudando. As associações ganharam maior autonomia e Macau foi construindo progressivamente a sua presença desportiva internacional. O Decreto-Lei n.º 67/93/M, de 20 de Dezembro, revogou o diploma de 1960 e estabeleceu um novo regime das actividades desportivas, mas manteve um princípio importante: a participação em competições desportivas em representação de Macau continuava sujeita à respectiva autorização. Conheço bem esse procedimento. Durante muitos anos preparei inúmeras informações e propostas à tutela para autorização de participação em representação oficial de Macau. A autorização e a atribuição de subsídio eram duas decisões diferentes. Uma participação podia ser autorizada sem que fosse concedido o subsídio solicitado, ou recebendo apenas parte dele. A ausência de subsídio não significava falta de autorização. O contrário não faria sentido: não se deveria financiar com recursos públicos uma participação em representação oficial de Macau que não estivesse autorizada como tal. Antes do subsídio estava a autorização. Antes do financiamento estava a responsabilidade de representar Macau. Este princípio deve ser claro. Houve também situações em que razões políticas, institucionais ou relacionadas com a segurança dos atletas e das delegações podiam desaconselhar determinada participação. Hoje, no quadro da RAEM, o princípio mantém a sua lógica. Uma associação pode legitimamente relacionar-se com organizações internacionais e participar em actividades no exterior. Outra coisa é fazê-lo em representação oficial de Macau, China. A liberdade associativa permite relacionar-se com o mundo. A representação oficial implica uma responsabilidade diferente. Conhecer melhor para apoiar melhor É precisamente aqui que esta reforma oferece uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada. Conhecer melhor as associações não deve servir apenas para saber quais precisam de ser fiscalizadas. Pode também ajudar o Governo a perceber quem merece apoio, porquê e para quê. Os recursos públicos são limitados. Saber quais as associações efectivamente activas, que trabalho desenvolvem, quem servem e que capacidade de execução demonstram pode contribuir para uma utilização mais eficaz desses recursos. Isso não significa privilegiar as maiores. Uma pequena associação cultural, juvenil, social, recreativa ou desportiva pode desenvolver um trabalho de grande valor. O que deve contar é a actividade efectiva, a continuidade, a utilização responsável dos recursos e o benefício para a sociedade. Uma Administração que conhece melhor a realidade associativa não tem necessariamente de fiscalizar mais. Pode fiscalizar onde é necessário, simplificar onde é possível e apoiar melhor onde o trabalho merece ser apoiado. Segurança como princípio fundamental Todas estas considerações devem ser entendidas dentro de um princípio fundamental: a salvaguarda da segurança do Estado. No actual contexto internacional, é compreensível que a RAEM queira conhecer melhor quem constitui e dirige associações, as suas relações com entidades do exterior e os fluxos financeiros que recebem ou, quando aplicável, enviam para fora de Macau. Esses movimentos podem corresponder a quotas de filiação internacional, inscrições, projectos de cooperação, donativos ou outras finalidades perfeitamente legítimas. Precisamente por isso, regras claras quanto à origem, finalidade e destino dos fundos protegem o interesse público e as próprias associações. Conhecer melhor não significa suspeitar mais. Pode também significar aumentar a confiança. O importante é dispor de informação suficiente para distinguir aquilo que é normal e legítimo daquilo que, pelas suas características, possa exigir um grau diferente de atenção. Segurança como prioridade, coordenação como método e um melhor associativismo como resultado. Depois da consulta Continuamos em período de consulta pública. É precisamente agora que estas questões devem ser colocadas. Dar uma opinião não significa estar contra a reforma. Uma consulta pública serve para esclarecer dúvidas, identificar problemas concretos e melhorar aquilo que ainda pode ser melhorado. Depois de ponderadas as opiniões recebidas, será desejável que o Governo conclua oportunamente o novo regime, evitando prolongar a incerteza. As associações precisam de conhecer as novas regras, os períodos de adaptação e os procedimentos de regularização. Não gosto particularmente da palavra «limpeza» para descrever aquilo que poderá acontecer. Prefiro falar numa actualização séria do universo associativo de Macau. É um pouco como actualizar a lista de contactos do telefone: perceber quais as associações que continuam efectivamente a funcionar, quais precisam de regularizar ou actualizar a sua situação e quais, na realidade, já cessaram a actividade. Depois de décadas de rápido crescimento associativo, Macau talvez precise menos de controlar mais e mais de coordenar melhor. A prioridade está claramente definida: salvaguardar a segurança do Estado. Mas existe também uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada: utilizar de forma mais inteligente os recursos públicos e apoiar melhor as associações que efectivamente trabalham e servem Macau. Talvez seja esse o equilíbrio a procurar: segurança onde é indispensável, rigor onde é necessário, simplicidade onde é possível e apoio onde é merecido. O objectivo da reforma não deverá ser simplesmente reduzir o número de associações, mas contribuir para que Macau tenha um associativismo melhor, mais responsável e mais saudável.
Hoje Macau China / Ásia MancheteNepal | Governo alerta para subida do nível da água da enxurrada As vítimas causadas pela tragédia no Nepal e Tibete continuam a aumentar. Autoridades alertam os perigos nas áreas afectadas pela enxurrada O Nepal alertou ontem para a subida do nível da água na bacia do rio Bhote Koshi, onde uma enxurrada causou na quarta-feira mais de 700 mortos, no país e na vizinha região do Tibete. “De acordo com o Departamento de Polícia do Distrito de Rasuwa, o caudal do rio Bhote Koshi aumentou”, afirmou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA, na sigla em inglês). “Assim, todo o pessoal envolvido nas operações de busca, salvamento e socorro, as pessoas nas zonas ribeirinhas e todas as outras pessoas nas zonas afectadas, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan, é aconselhado a tomar precauções”, disse a NDRRMA. No entanto, num comunicado divulgado na manhã de ontem, a agência governamental indicou que actualmente não existe o risco de “grandes inundações”. Tanto o Nepal como a China continuam os esforços de resgate contra o tempo para localizar pessoas presas pela enxurrada e começaram a enterrar corpos não identificados. A sobrelotação das morgues e a rápida decomposição dos corpos retirados dos rios obrigaram as autoridades locais, como no distrito de Nawalparasi East (Nawalpur), a iniciar a recolha em massa de amostras de ADN antes de enterrar corpos não identificados ou irreconhecíveis em áreas florestais comunitárias. As equipas de resgate, que já assistiram mais de 7.500 pessoas, continuam a tentar localizar os que ficaram presos na lama e os que ficaram isolados depois de pontes e estradas terem sido levadas pela enxurrada. Pelo menos 750 pessoas morreram e mais de três mil permanecem desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal. Pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros, na sequência da enxurrada de quarta-feira, anunciou ontem a emissora estatal chinesa CCTV. A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português. Sempre a somar A contagem representa mais nove mortes e menos oito desaparecidos do que o balanço anterior divulgado pelas autoridades chinesas. No sábado à noite, a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências anunciou que registava 675 mortos e 2.498 desaparecidos, incluindo mais de 500 estrangeiros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa tinha referenciado seis portugueses desaparecidos no Nepal, mas três foram, entretanto, encontrados com vida. Também ontem, as autoridades chinesas identificaram a causa do desastre, confirmando as avaliações dos cientistas. Os especialistas “concluíram que por volta das 10:52 do dia 26 de Agosto, um glaciar na encosta sul do Pico Lirung, no Nepal”, entrou em colapso, desencadeando uma avalanche de gelo e rochas, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. Uma equipa de especialistas da Academia Chinesa de Ciências disse que a estabilidade do glaciar foi afectada por um “período prolongado de aquecimento climático global”. O mais recente catálogo nacional de glaciares da China, publicado em 2025, estimou que a extensão dos glaciares na China diminuiu 26 por cento desde a década de 1960, com recuos de até 40 por cento em algumas áreas dos Himalaias e da Trans-Himalaia. 750 vítimas mortais Pelo menos 750 pessoas morreram e 3.044 continuam desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal, na sequência da enxurrada de quarta-feira, segundo um novo balanço nepalês divulgado ontem. A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal confirmou ontem a existência de 734 vítimas mortais no país, assim como 2.498 pessoas desaparecidas. A contagem representa mais 59 mortes do que o balanço anterior, divulgado pelas autoridades nepalesas responsável pela gestão de emergências no sábado à noite, enquanto o número de desaparecidos permaneceu inalterado. Do lado da China, a emissora estatal CCTV disse ontem que pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros. A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi Jinping a caminho do Quirguistão para cimeira regional e reunião com Putin O Presidente vai participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai e tem encontro marcado para hoje com o líder russo Vladimir Putin O líder da China, Xi Jinping, partiu ontem para o Quirguistão, para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e encontrar-se com o Presidente russo, Vladimir Putin. Xi Jinping, cujo avião descolou de manhã, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, permanecerá fora da China até quinta-feira. Durante a estadia no Quirguistão, Xi vai manter conversações com o Presidente quirguiz, Sadyr Japarov, sobre as relações bilaterais, a “cooperação em sectores prioritários” e a situação internacional e regional, anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian. A SCO é composta por 10 Estados-membros, incluindo China, Índia, Paquistão, Rússia, Irão e nações da Ásia Central. A cimeira decorrerá em Bishkek, capital do Quirguistão, na próxima semana. Fundada em 2001, a OCX pretende contrabalançar as organizações ocidentais e reforçar a cooperação regional em matéria de política, segurança, combate ao terrorismo e comércio. À margem da cimeira, Xi Jinping irá reunir-se com vários líderes, incluindo o homólogo russo, Vladimir Putin, numa agenda dominada pelas guerras na Ucrânia e no Irão e pela crescente importância da Ásia Central na estratégia económica de Pequim. Segundo Lin Jian, Xi Jinping irá trocar opiniões com os líderes participantes sobre o “aprofundamento da cooperação nas várias áreas” da organização, bem como sobre o papel da SCO na reforma da governação global. Actualidade na mesa A reunião entre Putin e o Presidente chinês Xi Jinping terá lugar hoje e irá discutir o projecto do gasoduto Siberian Force-2, disse na sexta-feira Yuri Ushakov, conselheiro presidencial para política internacional, citado pela agência de notícias russa TASS. “Serão discutidas questões actuais relacionadas com o desenvolvimento da cooperação bilateral, bem como as questões internacionais mais importantes”, afirmou. O acordo sobre este gasoduto não pôde ser concluído, como era desejo de Moscovo, durante a visita do chefe do Kremlin ao gigante asiático em maio passado. A infraestrutura permitirá transportar gás natural dos campos da Sibéria ocidental para o mercado chinês, atravessando o território da Mongólia. “Será uma reunião muito importante. A segunda entre os dois líderes este ano”, explicou o diplomata. Putin e Xi “continuarão a comunicar pessoalmente nos próximos meses”, disse Ushakov. O conselheiro adiantou que os países membros da SCO assinarão cerca de 20 acordos e emitirão uma declaração em Bishkek, à qual também assistirão representantes de outros países observadores ou convidados, como Turquia, Azerbaijão, Arménia, Mongólia, Egipto, Laos, Vietname e Turquemenistão. “A OCX é atualmente uma das maiores alianças regionais e das que tem maior autoridade. E um dos centros do mundo multipolar incipiente”, disse o conselheiro presidencial russo. ONU presente O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também marcará presença na cimeira em Bishkek, adiantou na sexta-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O líder da ONU tem previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai Plus, um formato alargado que reúne os membros da OCX e convidados, observadores e outros parceiros. “Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, disse Dujarric aos jornalistas. À margem da cimeira, Guterres deverá ter encontros bilaterais, nomeadamente com o Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, bem como “com outros líderes presentes”.
Hoje Macau China / ÁsiaEx-chefe do PCC condenado a pena de morte suspensa por corrupção Um tribunal chinês condenou sexta-feira o antigo chefe do Partido Comunista da China na província de Hubei a uma pena de morte suspensa por dois anos por aceitar subornos no valor de mais 17 milhões de euros. O Tribunal Popular Intermédio de Nanjing, na província oriental de Jiangsu, privou ainda Jiang Chaoliang dos seus direitos políticos para o resto da vida, ordenou que fossem confiscados todos os seus bens pessoais e determinou que os activos obtidos ilegalmente e os respectivos rendimentos fossem entregues ao Tesouro do Estado. Jiang, que foi governador de Jilin entre 2013 e 2016 e chefe do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020, foi destituído deste último cargo em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da pandemia de covid-19, no meio de críticas à gestão inicial do surto de coronavírus em Wuhan. A sentença estabelece que, após o termo do período de dois anos de suspensão e a comutação da pena para prisão perpétua, Jiang permanecerá preso sem possibilidade de redução da pena nem de liberdade condicional. Com atenuantes De acordo com a sentença, entre 1995 e 2025, Jiang aproveitou-se dos cargos que ocupou em entidades financeiras estatais e governos provinciais para favorecer empresas e particulares em operações empresariais, empréstimos, adjudicação de projectos e promoções profissionais. O tribunal teve em conta como atenuantes o facto de ter confessado os crimes, fornecido informações sobre outros casos e devolvido os ganhos ilícitos, pelo que considerou que a pena de morte não deveria ser executada de forma imediata. Na China, é comum, em grandes casos de corrupção, que as penas de morte sejam suspensas por dois anos, sendo normalmente comutadas por prisão perpétua se o condenado não cometer novos crimes durante esse período. As penas de morte sem suspensão são menos frequentes neste tipo de casos e reservam-se para situações consideradas de extrema gravidade. Após a sua chegada ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, impulsionou uma ampla campanha anticorrupção que atingiu funcionários de todos os níveis e responsáveis de empresas estatais.
Hoje Macau DesportoTriatlo | João Nuno Batista quarto na etapa chinesa do Campeonato do Mundo O português João Nuno Batista terminou sábado no quarto lugar a etapa de Weihai, na China, do Campeonato do Mundo de Triatlo, ganha pelo suíço Max Studer, que revalidou o título de 2025. O atleta de 20 anos completou a prova da elite masculina em 01:41.41 horas, a 33 segundos do vencedor, enquanto o espanhol David Cantero foi segundo, com 01:41.18, e o canadiano Tyler Mislawchuk, que cronometrou 01:41.25, foi terceiro. O português terminou a 16 segundos do pódio a prova, que incluiu 1,5 quilómetros de natação, 38,6 quilómetros de ciclismo e 10 quilómetros de corrida. João Nuno Batista, integrado no Projecto Olímpico da Federação de Triatlo de Portugal, ocupa actualmente o 35.º lugar do ranking mundial, o 17.º nas World Triathlon Series e o 22.º na hierarquia continental. De acordo com os registos da federação, João Nuno Batista soma 55 participações, 21 pódios e 10 vitórias. O quarto lugar em Weihai surge depois do 11.º posto alcançado no Europeu sub-23 de ‘sprint’, em Elblag, na Polónia, em Julho. A liderança do Campeonato do Mundo continua a pertencer a Vasco Vilaça, faltando disputar uma etapa na República Checa, antes da grande final, em 23 de Setembro, em Pontevedra, Espanha, na qual Batista também irá participar.
Hoje Macau SociedadePensões ilegais | CPSP desmantela dois espaços O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) desmantelou duas pensões alegadamente ilegais situadas em apartamentos nas zonas do ZAPE e NAPE. Segundo um comunicado do CPSP, foram apanhados 19 residentes oriundos da China, sendo que 17 indivíduos indicaram que alugavam quartos, no valor que variava entre 150 e 400 dólares de Hong Kong por dia, mediante apresentação de outra pessoa. O CPSP descobriu também que uma das pessoas é suspeita de violar a lei da contratação de trabalhadores não residentes, enquanto outra é suspeita de não cumprir o regulamento sobre a proibição do trabalho ilegal. O CPSP também informou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) sobre o caso. A DST identificou depois os dois apartamentos como sendo pensões ilegais, tendo os espaços sido vedados.
Hoje Macau Manchete SociedadeHotelaria | Registada maior ocupação até Julho desde a pandemia Os estabelecimentos hoteleiros de Macau registaram a maior ocupação média para os primeiros sete meses do ano desde antes da pandemia de covid-19. O aumento da ocupação ocorre ao mesmo tempo que os preços dos quartos diminuíram, em especial nos hotéis de quatro estrelas A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou na sexta-feira que 90,6 por cento de todos os quartos dos hotéis e pensões de Macau estiveram reservados entre Janeiro e Julho. Além de representar um aumento de 1,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025, a ocupação média foi a mais elevada para os primeiros sete meses do ano desde 2019. Os estabelecimentos hoteleiros de Macau já tinham fechado o ano passado com uma ocupação média de 89,4 por cento, o valor mais elevado desde antes do início da pandemia. Os hotéis e pensões do território estiveram mais cheios apesar de terem tido menos hóspedes entre Janeiro e Julho, 8,37 milhões, uma queda homóloga de 1,4 por cento. A redução sentiu-se, sobretudo, nos principais mercados de origem dos turistas – China continental e a vizinha região de Hong Kong – enquanto o número de hóspedes internacionais subiu 12,2 por cento para 753 mil. No final de Julho, Macau tinha 149 hotéis e pensões, um máximo histórico, disponibilizando cerca de 45.300 quartos, mais 100 do que um ano antes, referiu a DSEC. No entanto, no espaço de um ano, os estabelecimentos hoteleiros da cidade passaram a poder albergar apenas 118 mil hóspedes em simultâneo, menos 2.100 do que em Julho de 2025. No mês passado, a Direção dos Serviços de Solos e Construção Urbana de Macau disse que estava a ser construído um novo hotel, com um total de 131 quartos, e em fase de projecto mais 11, que poderão disponibilizar 1.369 quartos. Cortes ajudam Um factor que terá ajudado os hotéis a encher os quartos foi um corte homólogo nos preços médios até Junho, de 2,7 por cento para 1.287 patacas, de acordo com dados da Associação de Hotéis de Macau, que reúne 48 estabelecimentos locais. Segundo o relatório da Direcção dos Serviços de Turismo, a maior redução registou-se nos hotéis de quatro estrelas, cujo preço médio caiu 5,1 por cento para 1.011 patacas. Em 2025, os estabelecimentos que fazem parte da Associação de Hotéis de Macau já tinham cortado em 3,5 por cento os preços médios. Macau recebeu nos primeiros sete meses 24,5 milhões de visitantes, mais 8 por cento do que no mesmo período de 2025. No entanto, 61,2 por cento dos visitantes (15 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade. O consumo médio de cada visitante em Macau, excluindo nos casinos, caiu 7,3 por cento em 2025, para duas mil patacas. Mas na primeira metade deste ano a despesa ‘per capita’ dos turistas não relacionada com o jogo subiu 7,8 por cento em termos anuais para 2.123 patacas.
Hoje Macau PolíticaDesemprego | Taxa entre Maio e Julho manteve-se em 1,9% A taxa de desemprego entre Maio e Julho deste ano manteve-se em 1,9 por cento, enquanto a taxa de subemprego (1,7 por cento) baixou 0,1 pontos percentuais face ao período anterior (Abril a Junho), indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sexta-feira. No mesmo período analisa, a taxa de desemprego dos residentes (2,4 por cento) foi idêntica à do período anterior, enquanto a taxa de subemprego dos residentes (2,2 por cento) diminuiu 0,1 pontos percentuais. O número de residentes desempregados foi de 7.100, a maioria dos que procuravam novo emprego trabalhava nos sectores do jogo e do comércio a retalho. Além disso, o número de residentes desempregados à procura do primeiro emprego representou 12,2 por cento dos residentes desempregados, menos 0,5 pontos percentuais, face ao período precedente. A DSEC indica também que o número de residentes subempregados foi de 6.400, e que a maioria trabalhava no ramo dos serviços prestados às empresas, no ramo da construção e no ramo do comércio a retalho. A DSEC estima que a mão-de-obra total do território totalize 495.800 pessoas (incluindo trabalhadores que residem no exterior), mais 700 trabalhadores em relação ao período anterior.
Hoje Macau SociedadeBalança de pagamentos | Excedente aumentou 23,7% em 2025 A balança de pagamentos de Macau registou um excedente de 165,6 mil milhões de patacas no ano passado, mais 23,7 por cento do que em 2024, anunciou o regulador financeiro, quando o excedente se fixou em 133,9 mil milhões de patacas. Num comunicado divulgado na sexta-feira, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) atribuiu a subida do excedente “ao acréscimo das exportações de serviços turísticos”, incluindo o benefício económico das apostas feitas por visitantes em casinos. As exportações de serviços cresceram 6,3 por cento no ano passado, enquanto as importações de serviços subiram 4,5 por cento, fazendo com que o excedente na balança de serviços aumentasse 6,7 por cento, para 273,6 mil milhões de patacas. A balança comercial de Macau registou um défice de 101,7 mil milhões de patacas, menos 3,7 por cento do que em 2024, porque as importações de mercadorias caíram mais do que as exportações. Quanto à balança de rendimentos, referente aos investimentos no estrangeiro, registou um excedente de 3,6 mil milhões de patacas, em comparação com um défice de 4,7 mil milhões de patacas no ano anterior. Já a balança de transferências teve um saldo negativo de 28,2 mil milhões de patacas em 2025, ainda assim menos 5,4 por cento do que no ano anterior. A balança de pagamentos reflecte os pagamentos e receitas do comércio exterior de bens, serviços, rendimentos e transferências, sendo considerada um dos mais amplos indicadores comerciais de um território.
Hoje Macau PolíticaEscola patriótica Hou Kong quer atrair alunos de Macau para Hengqin Nelson Moura – Lusa. A agência Lusa viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin Com professores virtuais de inteligência artificial (IA), cães robóticos e um currículo que mistura padrões internacionais com valores patrióticos, uma nova escola quer atrair estudantes de Macau para Hengqin. A Escola de Hengqin Anexa à Hou Kong foi inaugurada em Setembro de 2025 como o primeiro estabelecimento no Interior da China destinado a estudantes residentes de Macau, na Zona de Cooperação Aprofundada Macau-Guangdong, em Hengqin. Como parte dos esforços para atrair residentes para Hengqin está esta nova escola, com capacidade para cerca de 1.200 alunos entre turmas de ensino infantil, primário e secundário, funcionando sob gestão da Escola Secundária Hou Kong de Macau. Com cinco andares e quase 10.000 metros quadrados, na versão actual, a escola quer oferecer um espaço maior do que a maioria das escolas, e até universidades de Macau, oferecendo campos de basquetebol, futebol e uma pista de corrida. Inserida no sistema público de ensino gratuito de Macau, a escola está também incluída no Novo Bairro de Macau em Hengqin. Após uma visita guiada à escola, a subdirectora dos Serviços para os Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin, Xu Fengmei, destacou que “a educação na cooperação Hengqin-Macau está a evoluir de uma simples ligação para uma integração profunda”. Numa pequena sala de aula do secundário destinado ao ensino de tecnologia e IA, um guia fez uma demonstração do novo quadro de aula usado para ensinar os alunos sobre novas tecnologias. Vários modelos de professor AI podem ser escolhidos, desde conhecidos intelectuais chineses como Confúcio ou Lu Xun, ao físico e cientista Albert Einstein. Depois de escolher este último, o guia demonstra como um professor pode escrever o guião que será repetido em mandarim por este Einstein virtual. Outras tecnologias disponíveis, e produzidas na China, incluem uma máquina de diagnóstico de medicina tradicional chinesa e cães robóticos, para iniciar os estudantes nas mais recentes tecnologias. Sempre em linha Actualmente, acolhe cerca de mil alunos, a maioria residentes de Macau, apesar de a escola estar aberta a estudantes de Hong Kong e Taiwan. Fundada em 1932, a Escola Hou Kong é conhecida pelo currículo fortemente alinhado com o Partido Comunista Chinês e valores patrióticos, tendo como lema oficial “lealdade, diligência, pragmatismo e inovação”. Nas celebrações anuais da fundação da República Popular da China, a instituição recorda tradicionalmente que a sua directora Du Lan liderou professores e alunos a 1 de Outubro de 1949 para hastear, pela primeira vez em Macau, a nova bandeira vermelha com cinco estrelas amarelas do país. “Queremos que os estudantes cresçam com uma visão internacional, mas também com responsabilidade patriótica e ligação à pátria” destacou Hong.
Hoje Macau Manchete PolíticaHengqin | “Cidade Alemã” falhada acolhe alunos de nova cidade universitária Reportagem de Nelson Moura – Agência Lusa. A agência Lusa viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin Um projecto comercial falhado com arquitectura de inspiração alemã em Hengqin foi reaproveitado como um campus de universidades de Macau, que pretende acolher pelo menos 20.000 estudantes até 2029 Alunos estudam e vivem agora em réplicas de edifícios tradicionais da Bavária concebidos anteriormente para a “Cidade Alemã”, uma réplica urbana de inspiração alemã que tencionava atrair empresas alemãs, ou ligadas à Alemanha, para Hengqin. Iniciado em 2019 pela empresa de Hong Kong TFG International com um investimento de 1,6 mil milhões de yuans, o complexo com uma área bruta de construção de 140.000 metros quadrados planeava construir quatro torres de escritórios em estilo europeu, ruas comerciais temáticas alemãs com lojas de comida e cerveja, além de um hotel e um centro empresarial de alta tecnologia em parceria com a Siemens. O projecto com design do arquitecto Alain Bony foi pensado para servir como porta de entrada para mais de 500 empresas alemãs ou ligadas à tecnologia alemã no país. Em 2020, a empresa anunciou que uma primeira fase de vendas de escritórios tinha gerado 230 milhões de yuans, mas a segunda fase viria a ser suspensa durante a pandemia de covid-19. Em 2025 foi anunciado que toda a área seria reconvertida como parte da Cidade Universitária. Num relatório recente, o Governo de Macau destacou que as autoridades chinesas pretendem que o projecto responda à procura crescente de vagas universitárias na China, oferecendo aos jovens chineses uma experiência equivalente a estudar no estrangeiro sem sair do país. Inter-nacional Durante uma visita para meios de comunicação de Macau, o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, indicou que o campus conta já com 1.400 estudantes de pósgraduação. “Temos actualmente 39 cursos e transferimos alguns docentes de Macau para Hengqin, além de termos recrutado novos professores,” apontou Kong. Nesta primeira fase os alunos têm aulas nos edifícios reconvertidos da “Cidade Alemã”, com alguns prédios usados também como dormitórios, restaurantes e ginásios para os estudantes. “A segunda fase já terá em conjunto cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, envolvendo também a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau”, acrescentou. Dos 1.400 alunos, quase todos são ou de Macau ou do Interior da China, com apenas oito estudantes internacionais, um deles de Moçambique. O objectivo global, disse, é atingir 20 mil estudantes nas fases seguintes, com aposta em áreas como engenharia, saúde, inteligência artificial e direito. Angela Zhang, uma doutoranda de 30 anos em design explica que acabou em Hengqin por uma mudança do departamento da Universidade de Macau onde estava a estudar, tendo já no currículo experiência de estudo no Instituto Pratt em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Por outro lado, Serein Qi, uma estudante de doutoramento de 26 anos da província de Henan, que frequenta a Universidade de Turismo de Macau na área do património cultural, explicou que a escolha de Hengqin foi inicialmente “um pouco aleatória”, mas que acabou por ser positiva graças ao custo de vida mais baixo em comparação com Macau. Com licenciatura feita em Tianjin e mestrado em Londres, Qi considera que Hengqin oferece um espaço académico internacional sem perder ligação ao Interior da China.
Hoje Macau PolíticaTibete | Governo vai doar 30 milhões para apoiar operações de resgate O Governo de Macau anunciou que decidiu doar 30 milhões de yuan à região do Tibete, para “apoiar as operações de resgate e acções de assistência pós-desastre”, através da Fundação Macau. Num comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social no sábado, o Governo prometeu “envidar todos os esforços” para apoiar a área afectada pela catástrofe, nomeadamente com assistência médica, assim como “colaborar activamente nas operações de recuperação subsequentes”. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, enviou uma mensagem às autoridades do Tibete a manifestar “profundo pesar” pelas vítimas e condolências aos familiares e a todos os afectados pela enxurrada. O Governo apelou para a “participação activa de todos os sectores sociais de Macau” para ajudar nas acções de recuperação pós-desastre e apoiar a população afectada, “para que possam retomar a normalidade o mais rapidamente possível”. O Conselho de Coordenação Nacional da Associação de Nepaleses Não Residentes de Macau disse ao canal em português da televisão pública TDM que está a planear recolher fundos e recursos para ajudar o país. Por seu turno, o Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, anunciou nas redes sociais que o Fundo de Auxílio a Desastres abriu um processo de candidaturas a “projectos de ajuda de emergência”, para o qual foram reservados 50 milhões de dólares de Hong Kong. “Agradecemos sinceramente a todos os socorristas que actuam na linha da frente, que, apesar dos riscos de desastres secundários, se dedicam de forma altruísta aos trabalhos de resgate e assistência”, sublinhou o governante.
Hoje Macau Manchete PolíticaAssociações | Antecipado peso administrativo em nova reforma O Governo quer rever o regime jurídico das associações, decorrendo até ao dia 23 de Setembro um processo de consulta pública. Dirigentes associativos temem ter mais questões administrativas para resolver, além de esperarem maior atenção nas relações associativas com o exterior Representantes associativos indicaram à Lusa que reformas propostas pelo Governo trarão um maior peso administrativo e atenção acrescida às relações com o exterior para as associações de matriz portuguesa. O Governo de Macau apresentou este mês uma proposta de reforma do regime jurídico das associações, em consulta pública até 23 de Setembro, que introduz mudanças profundas na gestão das mais de 12.000 entidades registadas no território. O diploma centraliza todas as competências na Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), que passa a ser a entidade única responsável por todo o ciclo de vida das associações. A proposta prevê que a DSI possa recusar a constituição de associações consideradas risco para a defesa do Estado, a ordem pública ou os direitos e liberdades de terceiros, podendo solicitar pareceres da Comissão de Defesa da Segurança do Estado, recém-criada no território. Associações poderão ser dissolvidas caso sejam consideradas uma ameaça à segurança nacional, ou se não realizarem eleições, não apresentarem contas ou não regularizarem anomalias nos prazos fixados. Manuel Silvério, membro fundador do Instituto Internacional de Macau e antigo presidente do Instituto do Desporto, disse à Lusa que as “associações de matriz portuguesa poderão sentir algum impacto, sobretudo aquelas que mantêm relações institucionais, filiações ou financiamento com entidades no exterior”. Silvério acrescentou que “o associativismo continuará a ser uma caraterística muito forte da sociedade local, com as mudanças a centrar-se na forma como as “associações terão de organizar-se, actualizar os seus órgãos, prestar informação e demonstrar que continuam efectivamente activas”. Reestruturação “inevitável” Silvério sublinha que não vê medidas dirigidas especificamente às associações portuguesas, mas alerta para a necessidade de proporcionalidade na aplicação das regras. “Macau passou de menos de 2.000 associações antes da criação da Região Administrativa Especial de Macau para mais de 12.000 actualmente, muitas inactivas. Alguma reorganização parece inevitável. Não sou contra a reforma; sou a favor de uma boa reforma, que distinga as associações activas das que existem apenas no papel e preserve o espaço legítimo para relações externas previstas na Lei Básica”, disse. Em declarações à Lusa, Jorge Valente, presidente da Associação Sino-Lusófona da Indústria e Promoção de Intercâmbio Cultural, considerou que a reforma pode até beneficiar o sector, ao concentrar recursos nas associações activas e eliminar as que são “fantasmas”. “De resto, quem age de boa-fé, que são todas as que conheço de matriz portuguesa, não tem nada a temer”, afirmou, acrescentando que o novo regime “vai dar mais trabalho administrativo e maior risco de incumprimento”, sobretudo para associações pequenas. Valente sublinhou ainda que a proposta parece “apontada para evitar a criação de associações de caráter político ou não patrióticas”, mas defendeu que “não limita o espaço das associações cívicas nem as liberdades em geral”. O representante entende que o associativismo continuará a ser uma caraterística forte da sociedade local e que as associações portuguesas “não têm nada a temer”. Adverte, no entanto, para o peso administrativo que poderá afetar sobretudo as estruturas mais pequenas. “Vai dar mais trabalho e maior risco de incumprimento. O receio é que se exagere nos detalhes em vez de optar pela liberdade, como na lei anterior”, acrescentou.
Hoje Macau SociedadeUNL e MUST querem lançar cursos em nanotecnologia A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse à Lusa a cientista Elvira Fortunato. Em Abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau. Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto. A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano lectivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato. A cientista sublinhou que o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias. Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024). A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa. Entre lá e cá O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 a i3N-NOVA poderá receber entre 20 a 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 a 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento. “A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”. Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”. O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”. O objectivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa. No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”. No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação em cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de co-tutela e penso que os estudantes também”, explicou. A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar optimista sobre a resposta. “Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee. Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Aprovado orçamento de 6,5 mil ME para fabrico de drones militares Taiwan aprovou ontem um orçamento de 7,6 mil milhões de dólares para o fabrico local de drones militares. A proposta orçamental era apoiada pelos partidos da oposição, tendo o parlamento preferido esta a uma anteriormente apresentada pelo Governo, que havia sido chumbada pelos deputados. O governo de Lai Ching-te pretendia atribuir até 6,6 mil milhões de dólares a uma dotação orçamental específica destinada a veículos aéreos não tripulados fabricados em Taiwan, nomeadamente drones de vigilância costeira, de ataque e de superfície. Estas despesas teriam sido distribuídas ao longo de mais de cinco anos e supervisionadas pelo Ministério da Defesa. O Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan, os dois partidos da oposição que detêm a maioria dos assentos no parlamento, preferiram apoiar a proposta que prevê uma dotação de 7,6 mil milhões de dólares ao longo de seis anos, integrada no orçamento anual. O Yuan Legislativo aprovou, em meados de Agosto, o orçamento do Governo para 2026 com um atraso recorde de quase oito meses.
Hoje Macau China / ÁsiaTufões | Saudel aproxima-se do leste do país após passagem do Narra pelo sul O tufão Saudel aproximava-se ontem do leste da China, enquanto o tufão Narra continua a provocar chuvas no sul e sudoeste do país, após inundações que obrigaram a retirar mais de 54 mil pessoas. O Centro Meteorológico Nacional situou o Saudel, durante a madrugada de ontem, no mar do Leste da China, a cerca de 485 quilómetros da fronteira entre as províncias de Fujian e Zhejiang, no sudeste do país, com ventos máximos de 40 metros por segundo junto ao centro. O sistema, que enfraqueceu de tufão forte para tufão, avançava em direcção a oeste-sudoeste e poderá atingir terra na manhã de hoje, na faixa costeira entre Zhejiang e Fujian, segundo a imprensa estatal. As autoridades prevêem que o Saudel provoque ventos fortes no leste e sudeste da China, incluindo no mar do Leste da China, no estuário do rio Yangtzé, na baía de Hangzhou e nas costas de Zhejiang e Fujian, com rajadas mais intensas nas zonas próximas do centro do tufão. Em paralelo, as chuvas associadas ao tufão Narra, que atingiu esta semana as províncias de Hainan e Guangdong, depois de provocar inundações em Guangxi, vão continuar a afectar zonas do sul do país. Os meteorologistas alertaram que a combinação de vários sistemas tropicais recentes poderá aumentar o risco de enxurradas, deslizamentos de terras e inundações em áreas já afetadas pela chuva. A passagem do Narra e do Saudel ocorre num Verão marcado na China por tufões, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terras, que causaram dezenas de mortos e levaram à retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bill Gates pede cooperação entre EUA e China O co-fundador da Microsoft Bill Gates defendeu que Estados Unidos (EUA) e China devem cooperar na gestão dos riscos da inteligência artificial (IA), alertando que a tecnologia poderá tornar-se fonte de igualdade ou aprofundar injustiças. Num ensaio publicado na quarta-feira, no seu blogue Gates Notes, o empresário e filantropo considerou que a rápida evolução da IA está a conduzir o mundo para “um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade” e que os governos não estão suficientemente preparados para as consequências. Segundo Gates, a IA poderá tornar-se “o maior instrumento de igualdade alguma vez inventado ou a pior fonte de injustiça”. “Os países que acolhem os principais criadores de IA e controlam partes críticas da cadeia de abastecimento devem começar já a reunir-se para estabelecer normas comuns, antes que a pressão competitiva dificulte a cooperação”, escreveu. “Construir o quadro de que estou a falar levará anos, razão pela qual precisamos de começar agora”, acrescentou. No ensaio, com cerca de seis mil palavras, Gates argumentou que a actual transformação tecnológica difere das anteriores devido à velocidade dos avanços da IA e à dimensão do potencial impacto sobre as sociedades. “Desta vez é realmente diferente”, afirmou. Estados Unidos e China, as duas principais potências mundiais no desenvolvimento da IA, deverão discutir a governação da tecnologia em setembro, durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, embora ainda não sejam conhecidos os temas concretos das conversações. Gates afirmou que, em teoria, apoiaria um abrandamento global do desenvolvimento da IA, mas considerou improvável que isso aconteça devido aos incentivos geopolíticos e económicos para avançar “a toda a velocidade”. Linha da frente Em alternativa, defendeu que os líderes mundiais devem reunir especialistas para identificar falhas na preparação das instituições, destacando três áreas de risco: substituição de trabalhadores, crimes e vigilância facilitados pela IA e impacto sobre crianças e relações humanas. Gates destacou a China como o país que “foi mais longe” na adopção de salvaguardas para menores que utilizam IA, citando as recentes restrições de Pequim a aplicações de companheiros virtuais concebidas de forma a fomentar dependência emocional entre crianças e adolescentes. O empresário chamou ainda a atenção para os avanços chineses na robótica, que poderão ter consequências significativas para o mercado de trabalho. “Muitos dos trabalhos avançados” nesta área estão a ser realizados na China, escreveu Gates. “Penso que os robôs ‘inteligentes’ começarão a competir com as pessoas em algumas tarefas físicas – na construção e hotelaria, por exemplo – até ao final da década”, antecipou. Em mãos humanas Washington e Pequim acordaram, em 2024, manter seres humanos, e não sistemas de IA, no controlo das armas nucleares, naquele que continua a ser o único entendimento de alto nível entre os dois países sobre o desenvolvimento e utilização desta tecnologia. As duas potências mantêm, ao mesmo tempo, uma intensa competição pelo desenvolvimento dos modelos de IA e robôs mais avançados. Incidentes recentes envolvendo a utilização de modelos avançados de IA em ataques informáticos aumentaram, contudo, as expectativas de que Washington e Pequim possam encontrar áreas de interesse comum, incluindo o combate à eventual utilização da tecnologia por organizações terroristas. Gates está ainda a tentar finalizar uma reunião com Xi Jinping na China, provisoriamente prevista para Novembro, durante a qual pretende abordar as suas preocupações sobre o impacto da IA. Gates reuniu-se pela última vez com Xi em 2023, quando se tornou o primeiro líder empresarial estrangeiro recebido pelo Presidente chinês após a pandemia de covid-19.
Hoje Macau Grande Plano MancheteCheias | Pelo menos 362 mortos e mais de 1.400 desaparecidos no Nepal e Tibete Os números de mortos e desaparecidos aumenta à medida que as equipas de salvamento avançam no terreno Equipas de resgate continuavam ontem a procurar mais de 1.400 pessoas desaparecidas devido às enxurradas que atingiram a região fronteiriça entre o Nepal e a China, onde pelo menos 362 pessoas morreram. De acordo com o mais recente balanço da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, pelos menos 362 pessoas morreram e 826 estão desaparecidas, incluindo 466 estrangeiros numa altura em que se intensificam as operações nos distritos mais afectados de Nuwakot e Rasuwa. Sunil Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus. Estavam também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos. Também ontem, as autoridades da China tinham elevado de 265 para 558 o número de desaparecidos no município de Shigatse, na região do Tibete, onde já foi confirmada a morte de três pessoas. As encostas íngremes e os vales verdejantes situados abaixo da cordilheira dos Himalaias são particularmente vulneráveis a inundações e deslizamentos de terras, enquanto fenómenos meteorológicos extremos, como monções intensas e o degelo dos glaciares, tornaram-se mais frequentes devido ao aquecimento provocado pelas alterações climáticas de origem humana. Avisos naturais A região registou enxurradas semelhantes em Agosto de 2025, quando um lago glaciar no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas. Nove pessoas morreram e infraestruturas essenciais, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, ficaram danificadas. Imagens captadas por drone no Nepal mostraram estradas destruídas e edifícios soterrados por torrentes de água. Os vales íngremes da região constituem importantes corredores económicos e de transporte, mas tornam-se particularmente vulneráveis em situações de catástrofe. Imagens mostraram o que pareciam ser os segundos pisos de edifícios no distrito de Nuwakot, um dos mais afectados no Nepal, cobertos de lama após a passagem das águas. Destroços ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações interromperam as deslocações em algumas zonas. O Governo nepalês ainda não solicitou ajuda, mas a Austrália está a coordenar com o Nepal, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha e outras organizações uma eventual resposta humanitária, acrescentou. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares. O que aconteceu Um forte fluxo de água, lama e detritos desceu a grande velocidade na manhã de quarta-feira de ambos os lados da fronteira montanhosa do Nepal e do Tibete, território chinês. Uma câmara de vigilância instalada do lado chinês filmou uma vaga castanha de vários metros a submergir e a engolir em poucos segundos um edifício de cerca de seis andares enquanto várias pessoas tentavam fugir a correr. No Nepal, a vaga atingiu as localidades situadas no vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, a norte de Katmandu, e no vale do Bhotekoshi, a leste da capital. Num primeiro momento, as autoridades chinesas falaram de um deslizamento de terras, e as nepalesas de inundações. As causas De acordo com o Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos (USGS), a enxurrada pode ter sido causada pelo colapso de um glaciar, com uma violência tal que terá provocado um sismo de magnitude 5,2 e numerosos deslizamentos de terras. A topografia extrema dos Himalaias agravou os riscos. Os cientistas vão tentar perceber se as alterações climáticas aumentam a probabilidade de tais eventos extremos. Ajuda internacional Meios de ajuda internacional começaram a ser enviados desde quarta-feira para o Nepal. Os Estados Unidos comprometeram-se a doar 500.000 dólares em ajuda de emergência. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês) desbloqueou pouco mais de um milhão de euros em fundos de emergência. A União Europeia activou o sistema europeu de vigilância por satélite Copernicus para ajudar os socorristas no Nepal e declarou-se pronta para fornecer mais ajuda. A vizinha Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária, incluindo cobertores, lâmpadas solares e medicamentos. Nepal | Risco de novas cheias caso detritos bloqueiem rios Especialistas alertaram que os detritos transportados pelas enxurradas nos Himalaias, que deixaram pelo menos 270 mortos no Nepal e na China, podem criar barragens naturais e desencadear um segundo evento catastrófico caso sejam libertados. Num comunicado divulgado ontem, o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD, na sigla em inglês), com sede em Katmandu, indicou que as autoridades e os cientistas estão a avaliar se os detritos bloquearam temporariamente o rio num troço estreito, “formando uma barragem natural”, dado que, se esta água for libertada repentinamente, poderá criar “um risco secundário”. O centro acredita que uma avalanche proveniente de um glaciar terá provavelmente provocado a enxurrada de quarta-feira, que deixou pelo menos 1.300 desaparecidos dos dois lados da fronteira. “As observações hidrológicas indicam a velocidade e magnitude excepcionais”, afirmou o organismo, indicando que, num determinado ponto do rio Trishuli, o nível da água subiu até nove metros em apenas meia hora. O rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi, registou as maiores cheias, acrescentaram os especialistas. “O Lhende Khola transbordou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha proveniente de um glaciar do lado nepalês, que bloqueou o rio e libertou subitamente uma enorme massa de água a jusante”, explicou Saswata Sanyal, especialista em redução do risco de catástrofes do ICIMOD. Sanyal destacou a importância dos sistemas de alerta precoce num contexto de “aquecimento dos Himalaias”. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares.