Pequim reitera ilegalidade de decisão arbitral sobre mar do Sul da China

A China reiterou hoje que a decisão arbitral de 2016 sobre o mar do Sul da China é “ilegal, nula e sem força vinculativa”, a dois dias do décimo aniversário do acórdão.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “não aceita nem reconhece” a decisão e também não aceitará “quaisquer reivindicações ou acções baseadas no acórdão”.

Mao referia-se à decisão proferida em 2016 pelo Tribunal Permanente de Arbitragem, em Haia, favorável às Filipinas, num processo relativo a várias zonas disputadas no mar do Sul da China.

“O chamado acórdão não tem qualquer relação com o Código de Conduta”, afirmou a porta-voz, instando os Estados Unidos a não utilizarem a decisão para “criar obstáculos” à conclusão desse mecanismo.

O Código de Conduta é um documento que a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão a negociar há vários anos para estabelecer regras de comportamento no mar do Sul da China, onde Pequim mantém disputas territoriais com vários países da região.

O mecanismo visa desenvolver a Declaração sobre a Conduta das Partes no mar do Sul da China, assinada em 2002 pela China e pela ASEAN como quadro político para prevenir incidentes e gerir as tensões naquelas águas.

Mao afirmou que o futuro código representa um “importante consenso” entre a China e os países da ASEAN e acrescentou que Pequim mantém o compromisso de acelerar as consultas com o bloco para alcançar um acordo “o mais rapidamente possível” e “salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade” na região.

 

Pontos de vista

A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa cerca de 30 por cento do comércio marítimo mundial e que alberga importantes recursos haliêuticos e potenciais reservas de hidrocarbonetos. As reivindicações de Pequim sobrepõem-se às de Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei.

O acórdão de 2016 invalidou a base jurídica de várias reivindicações chinesas naquelas águas e deu razão a parte dos argumentos apresentados por Manila, ao considerar que várias zonas disputadas se encontram na zona económica exclusiva das Filipinas.

As tensões entre a China e as Filipinas intensificaram-se desde a chegada ao poder do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., em 2022, com frequentes incidentes envolvendo navios e aeronaves dos dois países e um reforço da cooperação em matéria de defesa entre Manila e Washington.

13 Jul 2026

China-Coreia do Norte | Xi Jinping e Kim Jong-un sublinham solidez dos laços bilaterais

O 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países deu o mote para ambos os líderes passarem mensagens de união e cooperação

O Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, sublinharam sábado a solidez dos laços bilaterais por ocasião do 65.º aniversário do tratado de amizade entre os dois países.

Xi sublinhou que o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, assinado em 1961, estabeleceu uma “importante base política e jurídica” para consolidar uma amizade “selada com sangue” entre ambos os povos, numa referência à Guerra da Coreia, na qual participaram dois milhões de soldados chineses em apoio à Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

O líder chinês afirmou ainda que, ao longo dos últimos 65 anos, ambas as partes seguiram o espírito do tratado, apoiaram-se mutuamente e cooperaram “ombro a ombro”, de acordo com a agência estatal Xinhua.

O Presidente chinês recordou ainda que em Junho realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, durante a qual alcançou com Kim “consensos importantes”.

“Estou disposto a estreitar ainda mais a comunicação estratégica” com Kim, afirmou Xi, reiterando que, “independentemente de como a situação internacional venha a mudar”, não se alterará a posição do Partido Comunista da China (PCC, no poder) e do Governo chinês de atribuir grande importância à “amizade tradicional” com a Coreia do Norte.

Por seu lado, Kim Jong-un afirmou que o tratado estabeleceu uma base jurídica sólida para o desenvolvimento permanente da “amizade de combate” e da cooperação entre ambos os países, forjadas na luta pela “independência anti-imperialista, pela paz e pela causa socialista”, segundo a Xinhua.

O líder norte-coreano assegurou que a amizade entre a Coreia do Norte e a China resistiu às mudanças históricas e descreveu-a como uma relação “inquebrável”.

Kim acrescentou, por outro lado, que os laços bilaterais estão a atingir um novo patamar estratégico num contexto internacional “complexo”.

 

Laços reforçados

A troca de mensagens ocorre um dia depois de Xi ter recebido em Pequim o primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, que se deslocou à China para participar nas cerimónias comemorativas do aniversário do tratado.

Este novo contacto surge na sequência da viagem de Estado de Xi à Coreia do Norte em Junho, num contexto marcado pelo aprofundamento dos laços entre Pyongyang e Moscovo e pelos esforços de Pequim para reafirmar a sua influência sobre o vizinho.

Durante essa visita, Pequim propôs também reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte.

Os dois países têm uma fronteira comum de mais de 1.400 quilómetros e a China é o principal parceiro político e económico da Coreia do Norte, com um papel central nas trocas comerciais e fornecimento de alimentos e energia.

13 Jul 2026

Desporto | Preparadores físicos portugueses ganham espaço

Apesar do forte investimento chinês em infraestruturas e condições de treino, ainda falta conhecimento ao nível da preparação física. Profissionais portugueses dão uma ajuda

A crescente aposta da China na prevenção de lesões está a abrir espaço para preparadores físicos portugueses, cada vez mais presentes em projectos de alto rendimento no país asiático, da natação ao futebol e à esgrima.

O mais recente exemplo é o de Nuno Pina, que regressou este mês a Pequim para voltar a assumir a preparação física do campeão olímpico e recordista mundial dos 100 metros livres, Pan Zhanle, depois de a Federação Chinesa de Natação o convidar para acompanhar o nadador até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Mas o caso de Nuno Pina está longe de ser isolado.

João Faia integra a equipa olímpica de esgrima de Pequim, após ter trabalhado no clube de futebol Changchun Yatai, na época passada.

Guilherme Pina, irmão de Nuno Pina e recordista português dos 1.500 metros livres, acompanha jovens nadadores no centro privado de alto rendimento SDM Sport Performance Centre, localizado no Parque de Chaoyang, o maior espaço verde de Pequim. Nestas instalações, que recebem atletas de várias modalidades, incluindo futebolistas com passagem por clubes portugueses, trabalham também os portugueses Tiago Serrão e Emanuel Martins.

A estes juntam-se outros especialistas nacionais que passaram por projetos desportivos na China, como Fábio Martins (antigo fisioterapeuta na Equipa de Atletismo de Xangai), André Sousa (antigo preparador físico de vários atletas de nível nacional e olímpico no centro de alto rendimento para atletas da província de Zhejiang), Tomás Mendes (actual fisioterapeuta e osteopata no clube de futebol Shanghai Shenhua) ou Luís Mesquita (preparador físico de atletismo no Shanghai Research Institute of Sports Science, durante a preparação para os Jogos Nacionais da China de 2017).

Falta conhecimento

Para João Faia, a procura por especialistas estrangeiros intensificou-se à medida que a China aumentou a participação em competições internacionais e percebeu que precisava de reforçar áreas como a preparação física, a prevenção de lesões e a recuperação dos atletas.

“Eles perceberam, nas competições internacionais, que os atletas estrangeiros estavam mais desenvolvidos na parte física. Começaram a valorizar cada vez mais essa componente e sentiram necessidade de evoluir”, explicou à Agência Lusa.

Na sua opinião, o país asiático investiu fortemente em instalações, equipamentos e tecnologia, mas continua a precisar de importar conhecimento.

“Na China, qualquer equipa olímpica tem acesso aos melhores equipamentos. O que nós acrescentamos é a capacidade de analisar esses dados e perceber o que é preciso alterar”, resumiu.

Segundo o preparador físico, Portugal forma profissionais habituados a trabalhar com recursos mais limitados, uma realidade que favorece uma abordagem mais multidisciplinar e orientada para a resolução de problemas.

“Em termos de educação, conhecimento e métodos de trabalho, os portugueses estão muito bem preparados”, defendeu.

Nuno Pina partilha essa visão, atribuindo o reconhecimento dos especialistas portugueses à capacidade de integrar diferentes áreas do conhecimento.

“Aquilo que os portugueses acrescentam na China passa pela capacidade de integrar na prática diferentes áreas do conhecimento: biomecânica, fisioterapia, treino de força, controlo da carga, recuperação e análise do movimento”, afirmou à Lusa.

“Não olhamos apenas para o músculo ou para o exercício; olhamos para o atleta como um todo”, acrescentou.

O maior desafio continua a ser alterar uma cultura de treino marcada por volumes elevados de trabalho desde idades muito precoces, observou Faia.

“Quanto mais trabalhar, melhor. Essa ainda é muito a mentalidade. Nós acabamos quase por funcionar como um travão”, explicou.

Também Guilherme Pina identificou essa realidade no trabalho diário com jovens nadadores.

“Vejo grupos de 30 ou 40 miúdos, entre os oito e os 12 anos, a treinar com técnica rudimentar e volumes demasiado grandes. O risco de lesão é enorme”, afirmou à Lusa.

Nuno Pina enalteceu a “enorme humildade intelectual e grande vontade de evoluir” que encontrou no país asiático.

“Não é alguém que vai ensinar e outro que vai aprender. Ambos crescemos através desta colaboração”, realçou.

13 Jul 2026

Nova Revista de Cultura lançada com tema “Filosofia Natural”

Está disponível o novo número da Revista de Cultura (Edição Internacional), dedicada ao tema “Filosofia Natural”, que pode adquirida por 150 patacas nos Arquivos de Macau, Museu de Arte de Macau, na Plaza Cultural Macau e no site do Instituto Cultural (IC).

A edição, elaborada em coordenação com o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), tem como “finalidade evocar uma reflexão pública sobre a relação entre o Homem e o mundo natural, construindo uma plataforma que demonstre os saberes ancestrais da China, da Índia e a tradição filosófica europeia”.

O IC salienta dois artigos, que abrem esta edição. “O primeiro analisa a eco-meditação taoista como uma saída para a ‘policrise’ civilizacional e para o domínio tecnocientífico moderno”, enquanto “o segundo, oferece um estudo sobre filosofia ambiental contemporânea e o projecto chinês de eco-civilização, o qual reinterpreta a relação entre ética, política e natureza”.

O IC refere que “as dimensões culturais e estéticas da natureza são abordadas através do estatuto ecológico da poesia de Macau, da filosofia natural nas artes marciais chinesas, bem como da cultura dos jardins e da pintura na dinastia Ming, com especial destaque para a obra de Tang Yin e para a escola da poesia paisagística”.

É indicado ainda que a mais recente edição da Revista de Cultura “oferece uma visão global da natureza como princípio ontológico, estético e ético, indispensável ao equilíbrio do mundo natural”.

13 Jul 2026

Fórum de Macau | Semana Cultural levou ritmos lusófonos a Pequim

Pequim voltou a receber, após a estreia no ano passado, os espectáculos de música e dança da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, depois dos eventos organizados em Macau e em Qinghai. Num comunicado emitido na sexta-feira pelo secretariado permanente do Fórum de Macau, os concertos na capital chinesa deram “continuidade ao diálogo entre as civilizações chinesa e lusófona”.

No discurso de abertura, no fim da tarde de quinta-feira, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, afirmou que a iniciativa itinerante deu continuidade “ao modelo de ‘três cidades em sinergia’ que permite a realização sucessiva de actividades em Macau, Qinghai e Beijing, evidenciando o papel de Macau enquanto plataforma”.

Por seu lado, o embaixador da Guiné-Bissau, António Serifo Embaló, afirmou que “a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, através da música como ponte, consegue aproximar diferentes visões do mundo, reforçar a confiança mútua e criar em conjunto afinidades que atravessam fronteiras”.

Os espectáculos dos grupos de Pequim, Macau e dos países lusófonos animaram o Teatro Concha do Parque Chaoyang na quinta e sexta-feira, rematando a edição deste ano da Semana Cultural.

13 Jul 2026

Casinos | Associação apela a mais formação para prevenir transmissões

Foram noticiados recentemente vários casos de pessoas apanhadas a filmar, e transmitir em directo, mesas de jogo em casinos de Macau para colocar apostas a pedido de terceiros. Na sequência desses casos, a Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau apela às concessionárias de jogo para reforçarem a formação profissional de funcionários, croupiers e da equipa de segurança, para combater estes actos.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Song Wai Kit, aponta que as filmagens não só violam a lei através de jogo ilegal, como colocam em perigo a segurança financeira de Macau e podem fomentar branqueamento de capitais.

O responsável argumentou que apesar do possível reforço da fiscalização da polícia e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, as autoridades têm recursos humanos limitados, factor que não afecta os casinos. Daí o pedido aos casinos para apostarem no combate a este fenómeno, cobrindo áreas maiores das zonas de jogo.

Além disso, Song Wai Kit observou que tem sido evidente nos últimos anos o desconhecimento de turistas em relação à proibição de filmar dentro de casinos, chegando ao ponto de serem partilhados nas redes sociais vídeos que mostram as áreas de jogo. Como tal, o responsável sugeriu ao Governo e concessionárias que ampliem a consciência dos visitantes para as leis de Macau.

13 Jul 2026

Coreia do Sul emite alerta de calor extremo pela primeira vez

A Coreia do Sul emitiu ontem o primeiro alerta para calor extremo, um novo nível criado este ano em antecipação de eventos climáticos extremos ligados às alterações climáticas, devido a uma forte onda de calor no sudeste do país.

“A Administração Meteorológica da Coreia (KMA) emitiu um aviso de calor extremo hoje (ontem) para duas cidades na parte sul da província de Gyeongsang do Norte: Gyeongsan e Pohang”, disse a directora da agência, Lee Mi-seon, em conferência de imprensa.

Enquanto o alerta estiver em vigor, recomenda-se a suspensão de “todas as actividades ao ar livre, incluindo o trabalho e o desporto, na medida do possível”, acrescentou.

De acordo com o novo sistema, é accionado um alerta máximo quando uma região regista temperaturas máximas de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos e a previsão indica temperaturas acima dos 39°C durante pelo menos um dia.

“Esta é a primeira vez que este alerta é emitido” desde a sua implementação, explicou Lee. Segundo a directora, as zonas afectadas registaram temperaturas acima dos 35°C na sexta-feira e no sábado, e a previsão é que atinjam hoje pelo menos 38°C.

O alerta máximo “indica condições em que mesmo pessoas saudáveis correm risco significativamente maior de desenvolver problemas de saúde graves”, alertou.

Cada vez mais quente

Embora o alerta máximo esteja actualmente em vigor em apenas duas cidades, grande parte do país está sob alertas de calor de nível inferior, emitidos quando a previsão é de uma temperatura de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos.

De acordo com a KMA, o número médio de dias de ondas de calor no país aumentou de oito na década de 1970 para 19 nos últimos cinco anos.

Um dia de onda de calor é definido como aquele em que a temperatura máxima é de, pelo menos, 33°C.

Em todo o mundo, as ondas de calor estão a tornar-se mais intensas e frequentes devido às alterações climáticas.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 44 milhões de pessoas estão a sofrer com uma onda de calor, com temperaturas máximas previstas entre os 38°C e os 43°C em vários estados.

A Europa Ocidental enfrenta a sua terceira onda de calor, depois de ter registado o Junho mais quente da sua história.

O calor extremo na região já provocou pelo menos 1.300 mortes desde 21 de Junho, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em França, 24 milhões de pessoas estão actualmente sob alerta máximo de onda de calor, de acordo com um cálculo da agência de notícias AFP baseado em dados anuais do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE).

13 Jul 2026

Docentes universitários de Timor-Leste formados em Macau

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciou que irá dar formação a professores da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL).

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a UPM indicou que recebeu na RAEM a visita de uma delegação da instituição de ensino superior timorense, liderada pelo reitor Joviano António da Costa.

As duas universidades falaram em Macau sobre a promoção da cooperação tanto académica como em investigação, incluindo o intercâmbio de estudantes e investigadores. A instituição comprometeu-se a “oferecer formação avançada para professores e programas de pós-graduação para docentes e investigadores” da UNTL.

As universidades discutiram ainda temas como o crescente papel da tecnologia digital nas humanidades e na linguística aplicada, tecnologia de tradução e o papel da IA na geração de textos em língua portuguesa. A UPM recordou que a visita aconteceu na sequência de um protocolo de cooperação, assinado em Novembro, que prevê ainda o reforço dos laços na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português.

O acordo foi assinado à margem da 15.ª conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), que decorreu na capital de Timor-Leste no final de Novembro.

A reunião anual das universidades e politécnicos lusófonos foi uma organização conjunta da UNTL, da Universidade Católica Timorense São João Paulo II e da Universidade de Díli.

13 Jul 2026

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

13 Jul 2026

CPLP/30 anos| Brasil diz que português é questão de soberania na era da IA

O Brasil defendeu que a língua portuguesa deve ser tratada como um activo estratégico na era da inteligência artificial e afirmou que a CPLP pode desempenhar um papel central na defesa da soberania tecnológica dos países lusófonos.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, alertou para os desafios colocados pelos actuais modelos de inteligência artificial.

Segundo o diplomata, a concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em poucos países faz com que os grandes modelos sejam treinados sobretudo em inglês e chinês.

“Quando o português é tratado como língua secundária no treinamento dos modelos, enfraquece-se a soberania das sociedades lusófonas e sua capacidade de desenvolver soluções próprias”, afirmou por ocasião dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se assinalam em 17 de Julho.

“Para reverter esse quadro, precisamos tratar a língua portuguesa não apenas como património cultural, mas como activo estratégico. E aqui a CPLP tem um papel central a desempenhar”, completou.

Carlos Duarte defendeu que a CPLP promova bases de dados linguísticos partilhados que representem adequadamente todas as variedades da língua portuguesa.

Também propôs o reforço da cooperação científica e universitária entre os países da comunidade para ampliar a investigação em inteligência artificial.

Segundo o diplomata, as comunidades lusófonas produzem dados relevantes, mas ainda não têm capacidade suficiente para extrair deles maior valor económico.

“No plano internacional, a CPLP tem peso suficiente para levar a foros como as Nações Unidas, a UNESCO e a UNCTAD a exigência de que os sistemas de inteligência artificial respeitem a diversidade linguística e cultural”, declarou.

O diplomata acrescentou que a integração da CPLP não depende da uniformização da língua, mas da capacidade de transformar a diversidade das variantes do português num património comum.

“Em última análise, defender o português no mundo digital é defender a nossa soberania tecnológica, científica e cultural”, concluiu.

Mais fortes

Ao abordar a convivência entre as diferentes variantes do português, Carlos Duarte afirmou que a diversidade linguística fortalece, e não enfraquece, a comunidade lusófona.

“As diferenças entre as variedades do português faladas nos países da CPLP são reais. E não falo apenas de sotaques. Há diferenças de vocabulário, construções gramaticais, expressões idiomáticas, referências culturais e posição do idioma em cada sociedade”, avaliou.

“Seria um erro interpretar essas diferenças como um obstáculo à integração. Pelo contrário, o grande desafio da CPLP não é superar a diversidade, mas aprender a valorizá-la”, disse.

O responsável considerou que talvez o maior desafio actual da CPLP não seja propriamente linguístico, mas sociopolítico.

“Os países da CPLP ainda têm níveis relativamente modestos de circulação de pessoas, estudantes, pesquisadores, livros, produtos audiovisuais e conteúdos digitais”, disse, referindo que brasileiros e africanos lusófonos, por exemplo, conhecem pouco a literatura contemporânea uns dos outros.

“A integração da CPLP não depende da uniformização do português, mas da capacidade de transformar a diversidade das variedades lusófonas num património comum”, realçou.

13 Jul 2026

Timor-Leste | Comunidade portuguesa pede médico e enfermeiro

O conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva, enviou uma carta às autoridades de Portugal a pedir o destacamento para aquele país de um médico e de um enfermeiro, após preocupações manifestadas por dezenas de portugueses.

“O propósito da carta é esse, é pedir ao Governo que olhe para a comunidade portuguesa aqui com alguma atenção no que toca aos cuidados de saúde, porque nós sabemos que Timor-Leste ainda é um país que tem muitos constrangimentos na área”, disse à Lusa Filipe Silva.

As preocupações da comunidade aumentaram com o encerramento da clínica privada Stanford, que abriu em Timor-Leste em 2012 e que fechou este ano.

“Obviamente que há outras clínicas privadas, mas que, eventualmente, não terão a mesma capacidade de resposta que tinha a Stanford e tenho recebido da parte de algumas pessoas da comunidade uma série de preocupações relativamente à questão dos cuidados de saúde”, explicou o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

Filipe Silva explicou que até 2012 estiveram em Díli um médico e uma enfermeira portugueses.

A proposta, segundo Filipe Silva, não é ter um médico e uma enfermeira para resolver “todos os assuntos”, mas para aconselhar não só no que diz respeito à oferta local, mas também que recomende a saída do país, caso seja necessário um tratamento mais específico.

“Portanto, o facto de termos alguém que pudesse aconselhar-nos e dar algum apoio numa primeira fase, acho que tranquilizava as pessoas e é nesse sentido que estamos a apelar ao Governo”, afirmou.

 

Custos mínimos

Filipe Silva destacou também a possibilidade de a comunidade pagar as consultas.

“Ter cá essas pessoas que falam a nossa língua e que nós sabemos que são pessoas qualificadas, que nos possam ajudar, era muito importante o Estado pensar nisso”, salientou.

Para o conselheiro da comunidade portuguesa, o custo não seria tão grande assim, porque aquelas pessoas podiam também colaborar em alguns projectos que a cooperação queira na área da saúde.

A carta dirigida ao secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, é acompanhada por quase duas centenas de assinaturas de elementos da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

12 Jul 2026

Interpol | Detidas 5.800 pessoas ligadas a fraudes

Cerca de 5.800 pessoas foram detidas e cerca de 300 milhões de dólares apreendidos no âmbito de uma operação mundial de combate à fraude com manipulação psicológica, anunciou ontem a Interpol.

A operação, realizada entre Janeiro e Abril, que envolveu forças policiais de 97 países, visou especialmente os esquemas fraudulentos que se aproveitam da confiança das pessoas para obter dinheiro ou informações confidenciais.

Trata-se, por exemplo, do desvio de e-mails profissionais, da ‘sextorsão’, de fraudes sentimentais online, da usurpação de identidade ou de fraudes relacionadas com investimentos, detalhou num comunicado a Interpol, que coordenou esta acção denominada “First Light 2026”.

O número muito elevado de vítimas identificadas (142.000) “salienta até que ponto” este tipo de fraude “se tornou uma ameaça transnacional de grande dimensão, afectando indivíduos, empresas e governos”, assinala a Interpol.

A organização internacional de polícia criminal sediada em Lyon relata, por exemplo, ter detido 82 pessoas em Eswatini (antiga Suazilândia) e “desmantelado uma rede criminosa que geria jogos de azar online ilegais e lavava dinheiro” proveniente de fraudes “sofisticadas por usurpação de identidade”.

Cenários realistas

A operação levou ainda à apreensão de “uma réplica realista de uma esquadra de polícia brasileira, com uniformes falsos”: “fazendo-se passar pela Polícia Federal do Brasil através de videochamadas, os burlões convenciam as vítimas de que estas eram alvo de um crime, levando-as a transferir fundos para os colocar ‘em segurança’, fundos esses que eram posteriormente desviados”.

Outro caso citado: uma empresa de comercialização de matérias-primas sediada em Singapura, alvo de criminosos que se faziam passar por um fornecedor; ou também, em Macau, falsos funcionários públicos que convenceram uma vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação por fraude, tendo sido detidos pouco antes de esta lhes transferir cerca de 372.000 dólares norte-americanos.

12 Jul 2026

Cuba | China pede “fim imediato” do bloqueio dos Estados Unidos

A China pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que acabe com o bloqueio e sanções contra Cuba, após a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aceitado realizar um debate sobre o embargo norte-americano à ilha.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que os Estados Unidos mantêm há mais de 60 anos um bloqueio e sanções contra Cuba, medidas que “foram repetidamente reforçadas” e que, segundo Pequim, “provocaram uma crise energética” no país das Caraíbas.

Mao sustentou que essas medidas “violam gravemente” os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “comprometerem seriamente” os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e de causarem “profundo sofrimento” ao povo cubano.

“A decisão da Assembleia Geral da ONU, aprovada por uma maioria esmagadora, de realizar um debate sobre esta questão demonstra, uma vez mais, o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa da soberania nacional e a oposição à ingerência externa e ao bloqueio”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as práticas “unilaterais” e de “intimidação” de Washington carecem de apoio internacional.

Mao acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para “defender firmemente a equidade e a justiça internacionais” e apoiar Cuba na defesa da sua soberania e dignidade nacionais, bem como na rejeição da ingerência estrangeira.

 

Debate capital

A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou na terça-feira realizar o debate solicitado por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, uma iniciativa à qual Washington se opôs.

Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde Janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos e, desde Maio, por sanções contra pessoas e entidades que apoiem o Governo cubano ou operem em sectores como energia, defesa, finanças e mineração.

A China, um dos principais aliados políticos e económicos de Cuba, tem reiterado nos últimos meses o apoio a Havana e aprovou este ano um pacote de ajuda que inclui assistência financeira no valor de 80 milhões de dólares e a doação de 60.000 toneladas de arroz.

12 Jul 2026

Tempestades | Pequim distribui milhões em novos apoios para zonas afectadas

A China atribuiu na quinta-feira dezenas de milhões de yuan em fundos adicionais para apoiar regiões afectadas por tempestades e deslizamentos de terras, depois de fenómenos meteorológicos extremos terem provocado milhares de desalojados e a morte de 21 pessoas.

O Governo central disponibilizou 50 milhões de yuan para restaurar estradas, escolas e outras infraestruturas na província de Hubei (centro), bem como mais 20 milhões de yuan destinados à reconstrução de habitações e ao realojamento da população, noticiou a imprensa estatal.

Na segunda-feira à noite, tempestades violentas e tornados, um fenómeno raro na China, causaram 11 mortos e centenas de feridos naquela província.

Pequim atribuiu ainda 30 milhões de yuan à província de Gansu (noroeste), onde um deslizamento de terras soterrou 21 trabalhadores florestais.

Estas verbas somam-se aos 100 milhões de yuan anunciados anteriormente para reparar escolas, hospitais, infraestruturas de transporte e outros equipamentos públicos na região autónoma de Guangxi (sul), atingida por inundações após chuvas intensas associadas a uma tempestade tropical.

Em Guangxi, a passagem da tempestade tropical Maysak provocou a ruptura ou transbordo de reservatórios, inundando localidades e deixando habitantes isolados (ver texto secundário).

Segundo as autoridades regionais, seis pessoas morreram, cerca de 130 mil foram retiradas e mais de 8.000 operacionais, apoiados por cerca de 5.700 embarcações, participam nas operações de socorro.

Nas redes sociais multiplicam-se os pedidos de ajuda acompanhados por vídeos das zonas inundadas.

O Centro Meteorológico Nacional indicou que Guangxi regista chuva intensa desde sábado, com precipitação acumulada entre 100 e 400 milímetros em algumas zonas e superior a 900 milímetros nas áreas mais afectadas.

 

Mais a caminho

Entretanto, o tufão Bavi atingiu o sudeste da China durante o fim de semana. Em Taiwan, alguns agricultores apressaram a colheita do arroz antes da chegada da tempestade, que seguia para oeste-noroeste sobre o mar das Filipinas.

O mau tempo afectou também outros países asiáticos. No sudeste do Bangladesh, deslizamentos de terras provocados pelas chuvas das monções mataram vários refugiados rohingya, incluindo cinco crianças. Na vizinha Índia, as chuvas intensas causaram igualmente mais de uma dezena de mortos nos últimos dias.

12 Jul 2026

Filmes de Basil da Cunha e Edgar Pêra seleccionados para o Festival de Locarno

Na conferência de imprensa, a direcção do festival revelou que “Jacaré”, do realizador luso-suíço Basil da Cunha, integra a competição internacional, enquanto “Guerrilha do Asfalto”, de Edgar Pêra, estará fora de competição, sendo um regresso do cinema de ambos ao festival suíço.

A 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno está marcada de 5 a 15 de Agosto.

“Jacaré” é apresentado pelo realizador Basil da Cunha como um filme de género, “no encontro entre a ‘blaxploitation’, os policiais americanos dos anos 90 e a música cabo-verdiana dos anos 70”, sendo o último que filma na Reboleira, Amadora, território de alguns dos seus filmes anteriores. “Embora a história parta de um assalto falhado e do desaparecimento de um saco com 180 mil euros, o verdadeiro motor do filme são as pessoas que gravitam à volta desse acontecimento. […] É um filme coral onde cada personagem representa um fragmento da Reboleira e onde a própria comunidade assume o papel principal”, explicou realizador em comunicado.

O filme de Basil da Cunha é uma produção entre Portugal, França e Suíça, juntando-se a “Manga d’Terra” (2023) e “O fim do mundo” (2019), ambos apresentados também em Locarno. O elenco integra Alexandra Sena, Alexandre Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Pedro Diniz, Heidir Correia, Carlos Fonseca, Pedro Ferreira, Frederico Lopes, Verónica Lii, Maria Santos, Susana Costa, Ivo Bernardo, Carloto Cotta e Filipe Vargas.

Depois de “Cartas Telepáticas”, filme experimental feito com Inteligência Artificial, Edgar Pêra estreia em Locarno “Guerrilha no Asfalto”, inspirado no livro “Guerrilha no Asfalto — As FP-25 e o Tempo Português”, de Manuel Ricardo Sousa. “O filme cruza ficção e acontecimentos reais para revisitar um dos períodos mais conturbados da democracia portuguesa”, a propósito da acção do grupo armado Forças Populares 25 de Abril (FP-25) que, nos anos 1980, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e ações consideradas terroristas, que causaram 17 mortes.

De acordo com a distribuidora, “Jacaré” e “Guerrilha do Asfalto” estreiam-se ainda este ano nos cinemas portugueses.

 

Leopardo para Aronosfky

A propósito da programação oficial deste ano, o Festival de Cinema de Locarno já tinha anunciado anteriormente a presença de quatro filmes com produção de países lusófonos na competição. No concurso internacional da secção Pardi di Domani vai estar, em estreia mundial, o filme “Aurora Borealis”, de Valeriya Kim, numa coprodução entre Hungria, Bélgica, Portugal e Cazaquistão.

Já na secção Open Doors, na categoria de longas-metragens, vai acontecer a estreia suíça de “O Profeta”, do moçambicano Ique Langa, que teve a sua estreia mundial em Roterdão.

Nas curtas e médias-metragens, vão participar em Locarno os filmes “Submergido”, do moçambicano Ariel Añez, e “Time to Change”, da angolana Pocas Pascoal, ambos em estreia na Suíça.

Este ano, o festival vai distinguir o realizador norte-americano Darren Aronosfky com o Leopardo de Honra e a actriz Isabella Rossellini com o prémio de Excelência. O produtor islandês Sigurjón Sighvatsson, a actriz Asia Argento, o artista Rick Baker e a atriz Virginie Efira também vão ser distinguidos em Locarno

12 Jul 2026

DSAMA | Cheias de Guangxi sem grande impacto em Macau

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) anunciou ontem que, após análise e avaliação em conjunto com o departamento de recursos hídricos do Interior, não se prevê que a situação de cheias causada pelas chuvas torrenciais em Guangxi tenha impacto significativo no abastecimento de água de Macau ou na navegação marítima.

As autoridades afirmaram que as chuvas a montante foram controladas e reguladas por importantes projectos de conservação hídrica, como o de Datengxia, e posteriormente desviadas por centrais hidroeléctricas e albufeiras.

Após serem distribuídas naturalmente por múltiplos afluentes na rede fluvial da planície do Delta do Rio das Pérolas, a jusante, o nível da água baixou gradualmente e acabou por ser descarregado directamente no mar através de múltiplos estuários do Rio das Pérolas. Como tal, a DSAMA conclui que as chuvadas e as cheias não tiveram “qualquer impacto significativo em Macau, que se situa no lado ocidental do estuário do Rio das Pérolas”.

No final do comunicado, a DSAMA alerta que a partir de amanhã, as águas ao largo de Macau podem receber “uma quantidade significativa de detritos flutuantes trazida pelas correntes”. Como tal, serão intensificadas as patrulhas e a intervenção rápida, para “garantir a segurança da navegação e a higiene das praias”.

9 Jul 2026

Casinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho

As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos

 

Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas.

Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

 

Fama ou proveito

No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

“Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

9 Jul 2026

Comunidades Portuguesas | Conselho equaciona voto electrónico

Nas eleições de 2027 para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) vai ser testado o voto electrónico, de acordo com um comunicado de imprensa de Rui Marcelo, Presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas. A deliberação foi apresentada por Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, e aprovada durante as reuniões presenciais do Conselho Permanente do CCP.

No comunicado de Rui Marcelo, a experiência com o voto electrónico é tida como “um passo importante para modernizar e aumentar a participação cívica dos emigrantes” nestes actos eleitorais.

A lista dos membros actuais do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China, Macau, Hong Kong, Tóquio, Seul, Banguecoque e Singapura foi eleita em Dezembro de 2023, com 1.909 entre os 1.972 votantes. Rui Marcelo foi escolhido como presidente do conselho, depois de Rita Santos, cabeça-de-lista em 2023, ter suspendido o mandato, o que justificou com a realização das eleições para Chefe do Executivo da RAEM e as eleições legislativas de Macau.

Nas reuniões recentes em Lisboa, o CCP fez ainda um pedido ao Instituto dos Registos e do Notariado para tomar medidas que acelerem e uniformizem os processos de nacionalidade e registos civis e reforcem a digitalização dos serviços.

9 Jul 2026

Panificação | Pereira Coutinho questiona medidas de fiscalização

José Pereira Coutinho pretende que as autoridades detalhem os resultados da fiscalização à utilização de produtos hidrocarbonetos aromáticos e de bromato de potássio na alimentação. O assunto consta de uma interpelação escrita sobre segurança alimentar, do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

“Nos processos de panificação são utilizados diversos tipos de hidrocarbonetos aromáticos (HPA) bem como o bromato de potássio outrora amplamente utilizado como agente de tratamento da farinha e melhorador de pão, conferindo aos produtos de panificação uma textura mais macia, um miolo uniforme e uma crosta mais elástica e atraente”, explicou o deputado. “Contudo, diversos estudos demonstraram os graves riscos que esta substância representa para a saúde humana”, alertou.

Estas substâncias estão actualmente classificadas como cancerígenas e encontram-se proibidas em Macau, Hong Kong e no Interior. Porém, o deputado quer saber se foram detectadas, durante as fiscalizações na RAEM.

O legislador pede igualmente ao Executivo que indique os recursos humanos e equipamentos que actualmente estão ao dispor das autoridades para “assegurar uma monitorização regular e sistemática”.

Sobre este assunto, Coutinho pede ainda explicações sobre os meios de que as autoridades dispõem para revelar a existência de produtos nocivos junto da população e avisar para a suspensão do consumo, assim como sobre a rapidez de circulação destas informações.

9 Jul 2026

China pede aos Países Baixos estabilidade na cadeia dos semicondutores

A China apelou ontem aos Países Baixos para preservarem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promoverem uma resolução adequada dos litígios empresariais, numa referência ao caso da fabricante de ‘chips’ Nexperia.

O pedido foi feito pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, durante um encontro em Pequim com o homólogo neerlandês, Sjoerd Sjoerdsma, que iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado por uma delegação empresarial.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério do Comércio chinês, a reunião decorreu no âmbito da Comissão Mista China – Países Baixos para a Cooperação Económica e Comercial.

Wang manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral em áreas como o fabrico avançado, a inovação tecnológica, a transição ecológica e os serviços modernos.

O ministro chinês afirmou ainda esperar que os Países Baixos “criem um ambiente justo, equitativo e previsível para as empresas chinesas que investem no país, preservem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promovam uma resolução adequada dos litígios empresariais relevantes”.

Wang referiu igualmente a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE), realizada na semana passada em Bruxelas, manifestando a expectativa de que Haia desempenhe “um papel positivo e construtivo” junto de Bruxelas para que ambas as partes “trabalhem na mesma direcção”.

Sjoerdsma classificou o encontro como “construtivo”, numa mensagem publicada na rede social X, e defendeu a necessidade de manter o diálogo com a China “precisamente devido às diferenças” entre os dois países.

No final da reunião, as duas partes assinaram um memorando de entendimento para a criação do Conselho Empresarial China – Países Baixos e participaram na sessão inaugural do novo organismo.

 

Ultrapassar tensões

A primeira missão empresarial liderada por um ministro neerlandês à China desde 2018 decorre numa altura de crescente tensão em torno da indústria mundial dos semicondutores e das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia avançada para a China.

Um dos principais focos de atrito é o caso da Nexperia, fabricante de semicondutores sediada nos Países Baixos e controlada pela chinesa Wingtech. No ano passado, o Governo neerlandês interveio na empresa, alegando a necessidade de proteger a produção europeia de semicondutores, desencadeando uma disputa diplomática que continua a ter repercussões judiciais e comerciais.

Apesar disso, a Nexperia não integra a delegação empresarial que acompanha Sjoerdsma. Já a ASML, fabricante de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores e afectada pelas restrições norte-americanas à exportação de tecnologia para a China, participa na missão.

A visita prossegue até sexta-feira em Xangai, a “capital” económica da China, onde Sjoerdsma se reunirá com o vice-presidente da câmara municipal e visitará empresas chinesas e neerlandesas.

9 Jul 2026

Hong Kong | Comité que vai escolher líder do Governo eleito em Novembro

Com o mandato de John Lee como Chefe do Executivo a terminar em Junho de 2027, as autoridades chinesas preparam o caminho para a sucessão

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que será decidida a composição do colégio eleitoral que irá escolher o próximo líder da região semiautónoma chinesa, numa votação que ocorrerá em 22 de Novembro.

De acordo com o Gabinete para os Assuntos Constitucionais e do Continente (CMAB, na sigla em inglês) de Hong Kong, a votação irá escolher 982 dos 1.500 membros do Comité Eleitoral.

Os restantes lugares já estão ocupados por nomeação directa, para um mandato com a duração de cinco anos, que terá início a 01 de Fevereiro de 2027 e terminar em Faneiro de 2032.

Os 982 membros serão eleitos por representantes de grupos de interesse e por membros de órgãos distritais e nacionais, incluindo o parlamento da China e o principal órgão consultivo chinês.

Nas últimas eleições, realizadas em 2021, apenas 4.889 dos 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong tiveram direito a votar, sendo que quase 90 por cento (4.389) foram às urnas.

Num documento enviado ao parlamento local, o CMAB disse que irá recrutar cerca de mil funcionários públicos com experiência “para desempenhar diversas funções eleitorais no dia da votação”.

Por outro lado, o horário de votação será reduzido, de 15 horas há cinco anos para nove horas, seguindo sugestões dos deputados, sublinharam as autoridades de Hong Kong.

A votação de 2021 foi a primeira depois de uma reforma eleitoral imposta por Pequim.

Processos e princípios

Tal como há cinco anos, todos os candidatos terão de passar por um processo de veto, descrito pelas autoridades como essencial para proteger o princípio “Hong Kong governado por patriotas”.

Em 2021, apenas um dos dois candidatos vistos como simpatizantes da oposição pró-democracia, Tik Chi-yuen, de 63 anos, conseguiu ser eleito para o Comité Eleitoral.

Tik, um antigo membro do Partido Democrata que agora dirige o partido centrista Third Way (‘Terceira Via’), ficou empatado com outros dois candidatos e, após um sorteio, conseguiu um dos lugares disponíveis.

“Pelo menos ainda há algum espaço para nós”, comentou Tik.

“Não importa se há um ou dois de nós. Vale a pena participar, desde que possamos representar os pensamentos íntimos de alguns ‘hongkongers’ [residentes de Hong Kong] e as suas opiniões”, afirmou.

O comité eleitoral irá escolher o líder do Governo, entre candidatos previamente seleccionados pelo Governo chinês, e seleccionar 40 dos 90 membros do Conselho Legislativo, o parlamento local.

O actual chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, eleito como candidato único em 2022, termina o mandato a 30 de Junho de 2027 e pode concorrer a um segundo mandato.

Já as eleições para o Conselho Legislativo da antiga colónia britânica estão previstas para 2029.

9 Jul 2026

Quadros Qualificados | Sam Hou Fai defendeu políticas do Executivo

O Chefe do Executivo defendeu as medidas tomadas pelo Governo para atrair quadros qualificados. A posição foi tomada durante a reunião de terça-feira da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), realizada à porta fechada e que apenas foi divulgada ontem.

Segundo a nota de imprensa do encontro, Sam Hou Fai afirmou que “ao longo do último ano, o Governo da RAEM procurou e criou activamente condições favoráveis para proporcionar a Macau um ambiente e espaço de desenvolvimento mais propícios a ‘reunir, cultivar, utilizar bem e reter quadros qualificados’”. Como parte destes esforços, o governante destacou “o lançamento da terceira edição dos Programas de Captação de Quadros Qualificados, o reforço contínuo do trabalho de coordenação na captação de quadros qualificados com a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” e, ainda, “a formação conjunta de quadros qualificados entre Macau e os países de língua portuguesa e espanhola”.

Por sua vez, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendeu que a construção dos pólos das universidades de Macau na Ilha da Montanha é a chave para o futuro: “O Governo da RAEM está empenhado em formar quadros qualificados de alta qualidade através de uma educação de alta qualidade e em apoiar a inovação tecnológica e o desenvolvimento das indústrias com os quadros qualificados de alto nível, tendo a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin como ponto de partida”, afirmou a secretária.

9 Jul 2026

NATO/Cimeira | Dinamarca preparada para defender “cada centímetro” da Gronelândia

A primeira-ministra da Dinamarca reiterou ontem que a Gronelândia “não está à venda”, após novas ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América, e disse estar preparada para defender “cada centímetro” da NATO, incluindo a Gronelândia.

À chegada ao segundo dia da cimeira da NATO, que terminou ontem em Ancara, capital da Turquia, a governante dinamarquesa foi questionada pela imprensa sobre o facto de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a insistir, no primeiro dia da reunião, que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, sugerindo novamente que pode retirar “todas as tropas” da Europa.

Mette Frederiksen reiterou que a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, “não está à venda” e disse esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo gronelandês à autodeterminação”.

“Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial”, acrescentou.

Interrogada sobre se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Gronelândia caso tal seja necessário, a governante respondeu: “Estamos preparados para defender cada centímetro da NATO, incluindo o nosso território”.

Mette Frederiksen lembrou que uma das razões pelas quais a Aliança Atlântica foi construída foi porque “se algo acontecer a um de nós, todos devem defender os restantes”, tal como está estabelecido no artigo 5.º do Tratado da organização.

A primeira-ministra salientou que o artigo 5.º aplica-se ao flanco leste da NATO, com a guerra que é travada na Ucrânia, serviu para os EUA nos ataques terroristas do 11 de Setembro e servirá para a Gronelândia “se algo acontecer”.

Sobre se acha que os EUA estão comprometidos com o artigo 5.º, Frederiksen respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos”.

“Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a NATO e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da NATO que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai manter-se no futuro”, acrescentou.

 

Tempos difíceis

Frederiksen começou a sua declaração por salientar que o mundo se tornou “mais inseguro” e é necessária uma NATO “mais forte”.

A governante considerou prioritário “rearmar a Europa”, ter uma “base industrial mais forte na Europa e transatlântica nos EUA” e reforçar o apoio à Ucrânia.

“Penso que todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca”, salientou.

Antes, também à chegada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que se está a assistir a uma alteração nas responsabilidades na Aliança, com um reforço por parte de europeus e do Canadá.

O governante salientou que esta mudança nos encargos assumidos no âmbito da NATO, com uma redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e “é apropriado”.

Sobre os ataques norte-americanos a alvos iranianos, Carney apontou que o Irão tem agido de forma irresponsável e houve uma “resposta apropriada”.

 

9 Jul 2026

Hong Kong | Associações apontam falhas em reforma da lei sobre crimes sexuais

Hong Kong lançou ontem uma consulta pública sobre uma reforma legal para agravar as penas para crimes sexuais, mas associações disseram à Lusa que a proposta tem falhas que podem prejudicar as vítimas, incluindo crianças.

Com a proposta, que estará em consulta pública até 05 de Agosto, o Governo quer criminalizar casos de violação envolvendo pessoas do mesmo sexo, punir o aliciamento sexual e adoptar uma idade de consentimento uniforme, 16 anos, independentemente do género.

De acordo com a legislação em vigor, relações sexuais com uma menor de 13 anos são puníveis com pena máxima de prisão perpétua, mas se a vítima for menor de 16 anos, a pena máxima é de cinco anos de prisão.

Obrigar um menor a testemunhar actos sexuais, ver imagens de teor sexual ou enviar imagens passará a ser punido com uma pena de prisão de cinco a dez anos, segundo a proposta, apresentada aos deputados em 29 de Junho.

A líder de um grupo de apoio a crianças vítimas de crimes sexuais disse ontem à Lusa que “a falha em reconhecer o abuso sexual infantil persistente como um crime distinto inflige uma profunda injustiça às crianças”.

A fundadora da TALK Hong Kong, Taura Edgar, explicou que os tribunais tratam “o abuso prolongado e repetitivo como uma colecção de incidentes isolados”, algo que “entra directamente em conflito com as realidades psicológicas do trauma”.

“O trauma grave fragmenta naturalmente a memória, tornando a recordação meticulosa e cronológica de detalhes específicos ao longo de um período, muitas vezes extenso, de abuso, biologicamente improvável”, alertou Edgar.

“Confrontados com interrogatórios exaustivos, elaborados para dissecar acusações individuais, muitos sobreviventes sofrem um intenso trauma secundário que os impede completamente de depor”, lamentou a activista.

Lacunas de memória “são rotineiramente utilizadas como arma” contra as vítimas, transformando “um sintoma médico de abuso numa barreira probatória intransponível” e permitindo que agressores não sejam condenados, disse Edgar.

Pontos a favor

A presidente da TALK Hong Kong recordou que, de acordo com estudos, o abuso sexual afecta cerca de 16 por cento das crianças de Hong Kong.

Já a Associação para o Combate à Violência Sexual contra as Mulheres, (ACSVAW, na sigla em inglês), de Hong Kong, elogiou a proposta por incluir uma definição legal explícita de consentimento.

O grupo destacou ainda a expansão do crime de violação para abranger outras formas de agressão sexual com penetração e o ‘stealthing’, a remoção não consensual do preservativo.

No entanto, num comunicado enviado à Lusa, a ACSVAW alertou que a inclusão na proposta do conceito do “equívoco” pode tornar-se uma “falha legal” utilizada por agressores.

“Um arguido ainda poderia usar desculpas para escapar à responsabilidade, alegando: ‘Não houve resistência física, por isso acreditei erradamente que havia consentimento’ ou ‘Estávamos a rir e a conversar enquanto bebíamos, por isso interpretei a situação como uma vontade de ter relações sexuais'”, sublinhou a directora executiva do grupo, Doris Chong Tsz-wai.

A associação recordou que, dos 807 casos denunciados à polícia entre 2019 e 2023, apenas 51 resultaram em condenação no primeiro julgamento.

8 Jul 2026