Hoje Macau EventosSemana do Cinema Chinês em Portugal de 18 a 20 de Setembro em Lisboa A longa-metragem “Her story”, da realizadora e argumentista Shao Yihui, premiada no festival de Xangai 2025, é um dos cinco filmes da Semana do Cinema Chinês em Portugal, que vai decorrer em Lisboa, de 18 a 20 de Setembro. Com sessões marcadas para o Cinema Ideal e o Cinema Fernando Lopes, a Semana do Cinema Chinês, concentrada num único fim de semana, promete cinco produções “recentes, de diferentes géneros e com distintas abordagens sobre a sociedade e a cultura chinesas contemporâneas”. A programação abre na sexta-feira, dia 18, no Cinema Ideal, com “A Table for Two”, da argumentista e realizadora Wu Jing, uma produção deste ano seleccionada para o Student Film Festival de Pequim, que também será exibida no dia seguinte, no Cinema Fernando Lopes. A longa-metragem de animação “Nobody” (2025), de Yu Shui, abre a programação do segundo dia. Recorde de bilheteira, tendo por base um conto tradicional chinês, o filme foi produzido pelo histórico Shanghai Animation Film Studio, fundado na década de 1950, que esteve encerrado durante a Revolução Cultural, de 1966 a 1976. “Her story” (2024), de Shao Yihui, um dos filmes mais premiados do cinema asiático no ano passado, encerra a programação de sábado, dia 19. Entre a comédia e o drama, acumulou 48 prémios, em pouco mais de um ano, incluindo o de melhor filme chinês, no Festival de Cinema de Xangai, e o de melhor realização da associação chinesa de realizadores. Para o último dia, ficam “Writer’s Odyssey II” (2025), filme de acção de Lu Yang, espécie de ‘blockbuster’ chinês, e a produção independente de orçamento reduzido “Water Flows” (2026), de Bian Zhuo, que encerra a programação. Uma parceria “Water Flows”, outro filme presente no festival, é uma história de luto e reconciliação, tendo sido distinguido como melhor filme na competição de Novos Talentos do Festival de Cinema de Xangai, assim como no festival de Hong Kong, e obteve o prémio do público no Festival de Cinema Alula, em Los Angeles. O realizador, Bian Zhuo, formado nos Estados Unidos, na Academia das Artes de São Francisco, tem em desenvolvimento um novo projecto, um ‘road movie’ dedicado a expressões tradicionais de teatro das minorias étnicas do sul da China. A Semana do Cinema Chinês resulta de uma parceria entre o Festival Internacional de Cinema de Xangai e a Associação Il Sorpasso – responsável pela organização da Festa do Cinema Italiano -, com apoio da Film Administration de Xangai e da China Film Administration. A sessão de abertura, no Cinema Ideal, conta com a presença da produtora Jessica Chen e de representantes do Festival de Xangai e da Film Administration de Xangai. Todas as outras sessões realizam-se no Cinema Fernando Lopes.
Hoje Macau SociedadeCitigroup | Receitas de jogo devem crescer 12% Em Setembro, as receitas brutas do jogo deverão crescer 12 por cento, para cerca de 20,5 mil milhões de patacas. A previsão foi feita pelo banco de investimento Citigroup, num relatório citado pela Rádio Macau. Segundo os dados apresentados, nos primeiros seis dias do mês a receita média diária atingiu 633 milhões de patacas. O número representa uma descida de 10 pro cento em comparação com a média diária observada durante o mês de Agosto, embora reflicta uma subida de 4 por cento face ao período homólogo do ano transacto. A redução em termos mensais é encarada como normal, dado o funcionamento do mercado. As estimativas de crescimento para Setembro depois de um mês de Agosto, em que a receita bruta do jogo se fixou nos 21,9 mil milhões de patacas, o que representa um recuo homólogo de 1,2 por cento.
Hoje Macau SociedadeFestival Gastronomia | Nova edição a 20 de Novembro Foram ontem anunciadas as datas da 26.ª edição do Festival da Gastronomia de Macau, que se vai realizar entre os dias 20 de Novembro e 6 de Dezembro, na Praça do Lago Sai Van. A comissão de organização revelou as datas ao canal chinês da Rádio Macau, referindo que deverão estar no certame 150 negócios de comida, com uma zona de estacionamento aberta ao público. O presidente da comissão, Chan Chak Mo, ex-deputado à Assembleia Legislativa e empresário, apontou que esta zona de estacionamento fica entre a Praça do Lago Sai Van e Rua Sul de Entre Lagos, disponibilizando mais de 200 lugares para carros e motos. Desta forma, espera-se atrair mais visitantes, sobretudo famílias que se deslocam nas suas viaturas.
Hoje Macau SociedadeZhong Nanshan alerta que Inteligência Artificial não pode substituir médicos O principal especialista médico e epidemiologista chinês, Zhong Nanshan, afirmou ontem que a inteligência artificial (IA) não pode substituir os médicos, uma vez que os doentes necessitarão sempre do julgamento clínico de profissionais humanos. “Algumas pessoas, incluindo figuras como Jack Ma [fundador da gigante chinesa do comércio electrónico Alibaba], disseram que haverá cada vez menos médicos no futuro”, afirmou Zhong. “Isso está errado. A IA pode auxiliar, mas não pode substituir os médicos, o julgamento clínico ou a empatia que definem um bom médico”, acrescentou o epidemiologista, que se tornou conhecido durante a pandemia de covid-19. O especialista de 89 anos, que é também director do Laboratório Conjunto China-Portugal em Inteligência Artificial e Tecnologias de Saúde Pública, falava durante um evento académico na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). Zhong reconheceu que a IA pode ser útil para a aprendizagem profunda e análise de dados, nomeadamente para ajudar a classificar sintomas de ansiedade, doenças físicas ou sofrimento emocional, “especialmente em jovens que podem reagir mal quando pressionados pelos pais ou quando enfrentam pressão escolar”. Dependência excessiva No entanto, o profissional alertou contra uma dependência excessiva da tecnologia: “A IA não pode substituir os médicos no que diz respeito à saúde mental”. “O que se passa na sua mente? A IA não sabe isso. Isso requer julgamento humano e compaixão humana”, sublinhou. “Não sou favorável a confiar inteiramente na IA para resolver tudo”, afirmou o especialista, enfatizando que “muitas competências básicas devem ser dominadas por si próprio. Só depois de as dominar é que poderá saber como usar a IA.” Durante um evento na MUST, Zhong partilhou exemplos bem-sucedidos de aplicações de IA em cirurgia clínica, mas alertou que integrar a IA com a medicina tradicional chinesa (MTC) apresenta desafios significativos. “A MTC não tem padrões absolutos”, explicou. “Diferentes escolas de pensamento e diferentes profissionais experientes podem ter opiniões diferentes sobre a mesma condição. Alguns podem chamar-lhe ‘humidade-calor’, outros ‘humidade-vento’, outros ‘humidade-frio’. É muito difícil estabelecer um padrão único”, sublinhou.
Hoje Macau SociedadeCEM | Lançado plano de subsídios A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) acaba de lançar a nova ronda do “Programa de Subsídio para Melhoria de Instalações Eléctricas em Edifícios Antigos”, contando com a injecção, por parte dos accionistas, de 30 milhões de patacas. Segundo um comunicado, “será dada prioridade às zonas baixas afectadas pelas cheias e edifícios residenciais com mais de 30 anos”. Na prática, a CEM oferece um subsídio de mais de 80 por cento, sendo que cada proprietário paga apenas 1.000 patacas pela mudança dos contadores da luz.
Hoje Macau PolíticaUTM reforça internacionalização com PLP e Espanha A Universidade de Turismo de Macau (UTM) está a reforçar a estratégia de internacionalização, com atenção voltada para Espanha e um novo acordo de formação de docentes com Moçambique, disse ontem à Lusa a reitora da instituição. Fanny Vong notou que a recém-assinada parceria com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique, “é um grande momento para a UTM”. “Esta é uma importante relação estratégica com os países de língua portuguesa (PLP)”, complementou. A parceria consiste num programa de desenvolvimento de quadros qualificados que promove bolsas, formação avançada e intercâmbio académico para docentes e estudantes. Com a iniciativa, assinada em 3 de Setembro, a UTM está a “formar e ajudar a valorizar o capital humano” daquele país africano, notou a reitora, referindo que, neste momento, três membros do corpo docente da UEM estão matriculados em programas de mestrado da UTM. Além de Moçambique, está a ser ainda debatida uma parceria com Angola: “A ONU Turismo pôs-nos em contacto com o Ministério do Turismo de Angola, porque o país está a construir escolas profissionais na área do turismo e gostariam de colaborar connosco neste projecto”, avançou. Portugal, lembrou Vong, também integra a rede internacional da UTM, através, por exemplo, de um programa com o ISCTE de duplo certificado de mestrado. Daqui ao mundo A internacionalização vai servir também o novo desígnio do Governo de Macau, que pretende reforçar o papel da região como plataforma de ligação à China e ao mundo hispânico. Nesse contexto, a UTM vai assinar para a semana um acordo com a Escola Universitária de Turismo, Hotelaria e Gastronomia, ligada à Universidade de Barcelona, indicou ainda Vong à agência Lusa. “Consideramos que esta é uma oportunidade, uma vez que a política do Governo de Macau é muito favorável. Temos vindo a procurar parceiros sólidos em Espanha”, notou, referindo que existe já trabalho conjunto com a instituição suíça Les Roches Global Hospitality Education, “que tem um campus em Espanha”. Estes projectos vão agora ganhar novo fôlego com o apoio financeiro da concessionária do jogo MGM China, que doou ontem um milhão de patacas à Fundação de Desenvolvimento da UTM. Além de “permitir consolidar e expandir ainda mais o palco internacional da UTM”, a reitora diz que a doação deverá ser canalizada para melhorar a qualidade do ensino, aumentar a produção científica, além de permitir “ampliações ou renovações de infraestruturas”. Vong sublinhou ainda a “longa colaboração com os resorts integrados em Macau”, que assumiu beneficiarem com a formação de quadros universitários. Além da MGM, estão já previstos acordos semelhantes com outras operadoras de jogo, incluindo Galaxy, Sands China e Melco, disse ainda Fanny Vong.
Hoje Macau Grande Plano MancheteMao Zedong | A morte do Grande Timoneiro, 50 anos depois Mao Zedong morreu a 9 de Setembro de 1976, marcando uma mudança política profunda no país. 50 anos depois, a data não se reflectiu em cerimónias oficiais na China, embora Mao nunca tenha deixado de ter importância ou de ser uma figura política omnipresente no país Cinquenta anos depois da morte de Mao Zedong, a China deixou ontem passar a efeméride sem cerimónias oficiais ou destaque na imprensa estatal, apesar da omnipresença simbólica do fundador da República Popular. Nas páginas da agência noticiosa oficial Xinhua, do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), ou do Global Times, o aniversário estava ausente dos principais destaques durante a manhã. Contudo, no mausoléu erguido no centro da praça Tiananmen, onde o corpo embalsamado de Mao permanece exposto, o horário foi prolongado em três horas e as reservas para toda a semana estão esgotadas. Por seu lado, a Xinhua dedicou uma ampla cobertura aos 90 anos da vitória da Longa Marcha, outro marco da história revolucionária chinesa. A agência estatal tem ainda uma reportagem fotográfica sobre o local de onde partiu o Exército Vermelho para a Longa Marcha, em Yudu, na província de Jiangxi, e que é hoje ponto turístico para muitos. O local tem um museu que serve de memorial a este episódio histórico, descrevendo a Xinhua que as autoridades de Yudu têm “aproveitado os abundantes recursos turísticos relacionados com a temática revolucionária para diversificar as experiências turísticas, promovendo tanto a herança do espírito da Longa Marcha como o desenvolvimento do turismo local”. A realidade é outra Mao permanece ainda hoje na paisagem política chinesa. O seu retrato continua afixado sobre a Porta da Paz Celestial, junto à Praça Tiananmen, no centro de Pequim, o rosto figura em todas as notas de renminbi e o “Pensamento Mao Zedong” integra a ideologia oficial do PCC. O seu legado permanece ainda indissociável das campanhas políticas que marcaram os seus quase 30 anos no poder e, sobretudo, da Revolução Cultural (1966-1976), lançada na última década da sua vida. Apresentada como uma campanha para “aprofundar a luta de classes sob a ditadura proletária”, a Revolução Cultural mobilizou milhões de jovens Guardas Vermelhos contra alegados “revisionistas”, “reacionários” e “inimigos de classe”, mergulhando o país numa década de purgas, perseguições e violência. O académico e comentador chinês Zhang Hongliang argumentou à agência Lusa, no entanto, que aquela foi “a única altura em que os pobres na China foram tratados com dignidade”. “Tinham habitação e educação gratuita e boas pensões. E, acima de tudo, a coragem para se erguerem perante burocratas e intelectuais” – então designados de “inimigos de classe” -, descreveu. Professor de Economia na Central University for Nationalities, em Pequim, Zhang é um dos mais proeminentes representantes da extrema-esquerda chinesa, uma facção que se bate pelo regresso da China à ortodoxia maoista. O derramamento de sangue constituiu uma “necessária intervenção cirúrgica na sociedade chinesa”, disse. Yu Xiangzhen tinha 13 anos quando se juntou aos Guardas Vermelhos e começou a perseguir professores e outros “inimigos de classe”. “Ninguém encarava as nossas acções como erradas, nem sequer parava para pensar, limitava-me a seguir ordens superiores”, contou. Para aquela adolescente, Mao “era como um deus”. “Acima do partido” O próprio PCC classificou posteriormente a Revolução Cultural como um grave erro, mas nunca repudiou o homem que fundou a RPC e devolveu a dignidade e a soberania à China. Isso ajuda, em parte, a explicar por que razão, meio século depois, a sua figura permanece indispensável à legitimidade política do regime. Sob a liderança do actual Presidente Xi Jinping, regressaram ainda conceitos associados à era Mao, incluindo a unidade ideológica, a centralização do poder e o espírito de “luta”, embora especialistas rejeitem uma equivalência entre os dois líderes. “Mao estava acima do Partido”, enquanto Xi é “um homem do Partido por inteiro”, explicou Jean Christopher Mittelstaedt, professor da Universidade de Zurique. A nostalgia é visível nas gerações mais antigas. Num antigo complexo habitacional maoista de Pequim, Zhang Qiwei lamentou a sociedade produzida por quase cinco décadas de reformas económicas, iniciadas após a morte do fundador da República Popular. “O povo está dividido; existe um materialismo excessivo”, afirmou. “No tempo de Mao, trabalhava-se arduamente sem se pensar em dinheiro. Lutava-se por um ideal comum”, acrescentou. O legado de Deng Dois anos depois da morte de Mao Zedong, a China entrava num período de Reforma e Abertura de que Deng Xiaoping foi um dos protagonistas. Apesar de Mao ter designado Hua Guofeng para a liderança do partido, a verdade é que Deng ascendeu no poder em 1978. A sua estátua de bronze encontra-se hoje no topo do parque Lianhua Hill Park, em Shenzhen, demonstrando a importância desta figura política para o país. Nos 120 anos do nascimento de Deng, celebrados em 2024, a Xinhua destacou, em reportagem, os seus grandes feitos. Numa reportagem da agência foi entrevistado Lan Zongguo, camponês de 58 anos natural de Huaqiao, cidade de Guang’an, terra natal de Deng Xiaoping. E este destacou que “as reformas lideradas pelo falecido dirigente chinês colocaram tigelas de arroz nas mãos das suas quatro irmãs”. Huaqiao é hoje conhecida pela produção de arroz, mas, nos anos 70, havia ainda escassez e muitas normas patriarcais que condicionavam a produção agrícola. Assim, Lan era o único membro da família autorizado a comer a modesta ração de arroz, lê-se na reportagem. “À hora do jantar, era o único dos filhos a receber uma tigela de arroz. As minhas duas irmãs mais velhas comiam silenciosamente a sua porção de papa de milho, enquanto as minhas irmãs mais novas se juntavam à minha volta, na esperança de conseguir uma colherada de arroz”, contou. Deng Xiaoping foi responsável não só pela implementação das Zonas Económicas Especiais, que deram um impulso à zona sul do país e a uma maior industrialização, como também criou, no início da década de 80, o “sistema de responsabilidade por contrato familiar”, reforma que atribuía terras colectivas a famílias individuais, permitindo aos agricultores gerir a sua própria produção e ficar com a maior parte das colheitas. Foi isso que trouxe mais comida à família de Lan. A Xinhua descreve ainda como o “processo de Reforma e Abertura liderado por Deng deu início à histórica transformação da China, que passou de uma economia planificada, com um Produto Interno Bruto per capita de cerca de 200 dólares norte-americanos, para a segunda maior economia do mundo”. Shenzhen tornou-se, em 1980, numa das primeiras ZEE do país, o que permitiu que empresas estrangeiras instalassem fábricas na cidade. Um dos exemplos foi a “gigante da televisão” Konka, fundada em 1980 em Shenzhen, e que “começou por produzir televisores a preto e branco para responder à crescente procura interna de produtos electrónicos de consumo”. Zhou Bin, presidente do grupo Konka, disse à Xinhua que a ZEE foi de extrema importância para o crescimento de uma economia de mercado. “Ao permitir que as empresas tivessem acesso a recursos estrangeiros, o processo de reforma e abertura criou um ambiente mais favorável à inovação, o que, por sua vez, acelerou o desenvolvimento social e económico da China”, afirmou. A.S.S. / Lusa
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Revisão em alta de crescimento do PIB do segundo trimestre O Governo japonês reviu ontem em alta o crescimento do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, entre Abril e Junho, para 0,4 por cento face aos três meses anteriores. O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento da economia do país asiático e que, nos dados preliminares divulgados em Agosto, permaneceu inalterado, cresceu 0,1 por cento, segundo os dados revistos publicados pelo Governo japonês. As exportações, que nos números preliminares registaram um aumento de 0,5 por cento, foram, no entanto, revistas em baixa, para um crescimento de 0,4 por cento, enquanto as importações passaram de uma queda inicialmente estimada em 1,5 por cento para uma contração de 1,7 por cento. No quinto trimestre consecutivo de crescimento da economia japonesa, a despesa pública foi ligeiramente revista em alta, para 1,7 por cento, face aos 1,6 por cento anteriormente anunciados. Em termos homólogos, a economia japonesa cresceu 1,4 por cento, três décimas acima dos 1,1 por cento estimados inicialmente. Os dados são divulgados pouco mais de uma semana antes da reunião mensal de política monetária do Banco do Japão (BoJ), numa altura em que os mercados antecipam uma nova subida das taxas de juro, para o nível mais elevado em décadas.
Hoje Macau China / ÁsiaPyongyang | Destacada “aliança invencível” com a Rússia A inauguração de uma ponte rodoviária entre as duas nações foi o pretexto para a propaganda norte-coreana enaltecer a relação entre Pyongyang e Moscovo A Coreia do Norte qualificou ontem a aliança com a Rússia como “invencível”, após a inauguração da primeira ponte rodoviária entre os dois países, num contexto do reforço das relações bilaterais económicas e militares. “Com base numa sólida parceria estratégica abrangente e numa aliança invencível, foi concluída com sucesso a ponte rodoviária sobre o rio Tumen, que liga as localidades fronteiriças de Rason [Coreia do Norte] e Khasan [Rússia]”, informou ontem a agência estatal norte-coreana KCNA, com referência a uma cerimónia realizada na véspera. A infraestrutura, com pouco mais de um quilómetro de comprimento, foi construída sobre o rio Tumen, na região russa de Primorsky, no Extremo Oriente russo e, segundo a Rússia, permitirá a passagem diária do posto fronteiriço de até 300 veículos. A KCNA salientou que a nova via facilitará a circulação de pessoas, o turismo e o transporte de mercadorias, além de reforçar a cooperação económica. O evento decorreu simultaneamente em Rason e Khasan, com a participação por videoconferência, a partir de Pyongyang, do primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, e, a partir de Moscovo, do homólogo russo, Mikhail Mishustin, informou a agência. As obras tiveram início em Abril do ano passado, depois de receberem, em 2024, a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin, e do homólogo norte-coreano, Kim Jong-un. Até agora, os dois países apenas estavam ligados por via terrestre através da ferrovia. Laços reforçados Moscovo e Pyongyang têm vindo a reforçar laços desde 2024, na sequência da assinatura de um acordo entre os líderes dos dois países, que inclui uma cláusula de defesa mútua em caso de agressão. As autoridades sul-coreanas estimam que, desde Outubro de 2024, Pyongyang tenha destacado cerca de 15.000 soldados de combate para apoiar Moscovo na guerra contra a Ucrânia, além de ter fornecido armamento e equipamento militar.
Hoje Macau China / ÁsiaQatar | China reforça laços e apoia papel no Médio Oriente Pequim manifestou ontem disponibilidade para aprofundar a cooperação energética com o Qatar e apoiou o papel de mediação de Doha no Médio Oriente, face aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões e garantir a navegação no Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu estas posições durante uma reunião realizada em Pequim com o homólogo do Qatar e ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que efectua uma visita oficial de dois dias à China. Li afirmou que Pequim pretende aprofundar com Doha a cooperação nas áreas da energia tradicional e renovável, infraestruturas, inteligência artificial (IA) e finanças, assim como promover os investimentos entre os dois países, segundo um comunicado oficial chinês. No plano diplomático regional, o dirigente chinês afirmou que a China “apoia o Qatar no seu papel de mediação” perante a situação no Médio Oriente e manifestou a disponibilidade de Pequim para trabalhar com Doha, outros países da região e a comunidade internacional para favorecer “o rápido restabelecimento da paz e da tranquilidade” na região. Diplomacia activa Mohammed manifestou a vontade do Qatar de aprofundar com a China a cooperação nas áreas do comércio, alta tecnologia e indústria transformadora avançada e defendeu a abertura de uma nova “década dourada” nas relações bilaterais, segundo o comunicado chinês. Antes da viagem, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, adiantou à agência oficial QNA que a visita abordaria os principais desenvolvimentos regionais e os esforços diplomáticos para reduzir as tensões, além da necessidade de garantir a segurança e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. A visita coincide com os esforços diplomáticos de Doha para reduzir as tensões entre os Estados Unidos e o Irão e manter aberto o estreito, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial. O Irão afirmou na segunda-feira que as conversações com Omã sobre um mecanismo temporário destinado a permitir a passagem segura pelo estreito se encontravam na fase final, enquanto Teerão confirmou que uma delegação do Qatar tinha visitado o país no domingo, no âmbito dos esforços de desanuviamento. A crise afecta particularmente o Qatar, que afirmou na segunda-feira que a guerra provocou uma queda de 90 por cento no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos países do Golfo e de 77 por cento no fornecimento de petróleo. O Estreito de Ormuz é também crucial para Pequim, uma vez que cerca de 45 por cento do petróleo e do gás importados pela China atravessavam esta rota marítima em tempos de paz.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Exportações crescem 25% em Agosto As exportações chinesas cresceram 25 por cento em agosto, em termos homólogos, impulsionadas pela procura de produtos tecnológicos e pelas encomendas antes do Natal, apesar das persistentes tensões comerciais e de perturbações causadas por tufões. Segundo dados divulgados ontem pelas alfândegas chinesas, as exportações atingiram 401,44 mil milhões de dólares, superando a previsão média de crescimento de 21,93 por cento dos economistas consultados pela plataforma de informação financeira Wind. As importações aumentaram 28,2 por cento, em termos homólogos, para 282,36 mil milhões de dólares, também ligeiramente acima dos 28,07 por cento antecipados pelos analistas. O excedente comercial da segunda maior economia mundial atingiu assim 119,09 mil milhões de dólares em Agosto, contra 112,5 mil milhões de dólares no mês anterior. O sector exportador chinês tem mantido um forte desempenho este ano, beneficiando da expansão mundial da Inteligência Artificial (IA) e do aumento das preocupações com a segurança energética associado aos conflitos regionais, incluindo a guerra no Irão, que impulsionaram as vendas externas de produtos como baterias e semicondutores.
Hoje Macau EventosMuseu de Arte de Macau recebe oficinas artísticas para crianças O Museu de Arte de Macau (MAM) vai organizar a “Arte Sem Fronteiras – Oficina para Crianças”, entre Outubro e Dezembro deste ano. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o programa integra sete sessões destinadas a crianças e jovens dos 4 aos 16 anos, tendo como objectivo “incentivá-los a observar e imaginar a arte clássica através da fusão de formas de arte tradicionais e contemporâneas”. Pretende-se também a exploração “das diversas expressões da arte contemporânea e a experimentar as infinitas possibilidades da criação”. As inscrições já começaram e estão abertas até ao dia 27 de Setembro, podendo ser feitas na plataforma da Conta Única de Macau. Segundo a mesma nota, as oficinas focam-se nas pinturas da província de Guangdong do período da dinastia Qing e também nas obras de Mio Pang Fei, pioneiro do Neo-Orientalismo em Macau. Desta forma, os participantes são levados a “apreciar a delicadeza das pinceladas da pintura tradicional e as técnicas abstractas da arte moderna, bem como a explorar práticas artísticas criativas que integram métodos clássicos e contemporâneos”. Sessões para adolescentes Há cinco sessões disponíveis para inscrição, sendo que uma delas se intitulada “Uma Aventura Através do Tempo e do Espaço – Oficina Criativa de Arte para Crianças”, em chinês e inglês, para crianças dos 5 aos 10 anos. Já a “Rapsódia Oriental – Oficina Criativa para Jovens” destina-se a adolescentes dos 11 aos 16 anos, na qual irão explorar “ricas texturas através de diversos meios, desde a arte bidimensional à tridimensional, para criar pinturas abstractas com estilo pessoal”. Por sua vez, a “Fundindo Passado e Presente, Oriente e Ocidente – Oficina Criativa para Pais e Filhos” é adequada para crianças dos 4 aos 6 anos acompanhadas pelos pais, permitindo-lhes partilhar “uma ressonância criativa através da comparação entre pinceladas tradicionais e traços abstractos”. Cada oficina tem a duração de 12 horas e uma taxa de 240 patacas, realizando-se no Espaço Zero, no rés-do-chão do MAM, ou no Quadrado de Arte, no rés-do-chão do Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau.
Hoje Macau SociedadeUber | Mais de mil motoristas activos Actualmente, a Uber conta com mais de 1.000 motoristas activos, que fornecem os serviços de táxi ou de transporte privado. O número foi divulgado por Estyn Chung, director-geral da Uber Hong Kong, numa conferência de imprensa realizada ontem, no território vizinho. Segundo o jornal Ou Mun, a ocasião serviu igualmente para o lançamento de uma mini-aplicação da Uber para o WeChat, que se espera servir para facilitar a utilização da plataforma para os turistas do Interior. O lançamento foi feito nesta altura, a pensar no grande fluxo de turistas esperados para a Semana Dourada, no início de Outubro. Sobre um balanço das operações, Estyn Chung indicou que o maior número de utilizadores da Uber em Macau é proveniente de Hong Kong. Os outros mercados mais representativos são Taiwan, Estados Unidos, Coreia do Sul, Interior, Japão e Reino Unido.
Hoje Macau DesportoJoão Geraldo eliminado do Torneio de Campeões de Macau em ténis de mesa O português João Geraldo foi ontem eliminado na ronda inicial do Torneio de Campeões de Macau de ténis de mesa, ao perder com o dinamarquês Anders Lind, em três parciais. “Foi um jogo muito difícil, não consegui entrar no meu ritmo e senti que estive sempre atrás do resultado”, disse à Lusa o português de 32 anos, actualmente 31.º do ranking mundial da World Table Tennis (WTT). Anders Lind, de 27 anos e 13.º do ranking, começou melhor o encontro e venceu por 11-5 o primeiro ‘set’, no qual João Geraldo disse ter cometido “muitos erros, serviços falhados e recepções falhadas”. “Contra um jogador que é top 15 do mundo, cometer estes erros é impossível ganhar. (…) Acho que também emocionalmente estava em baixo e não consegui mesmo dar a volta”, explicou o português. Geraldo deu uma melhor resposta no segundo parcial, antes do dinamarquês conseguir vencer o ‘set’ em 11-9. Um resultado que, diz o português, “é um bocado enganador, porque ele esteve a ganhar 10-5 e teve bastante margem também. Ou seja, ele esteve superior no jogo, não foi equilibrado”. “Equilibrei no fim, mas isso causa também muita pressão para mim porque estou atrás no resultado e depois, quando chego quase a empatar, é o tudo ou nada naquele ponto”, sublinhou Geraldo. Fim da esperança O português começou o terceiro parcial na frente, mas permitiu a recuperação de Lind, que venceu com um novo 11-9, fechando a passagem à próxima fase em 27 minutos. “Ele jogou bem naqueles momentos em que eu pude passar para a frente, foi superior. Sinto que podia ter dado mais de mim nos dois primeiros ‘sets’, mas depois, estando já muito atrás no resultado, fica muito difícil”, lamentou Geraldo. Na segunda ronda, Lind vai enfrentar o vencedor do encontro de ontem entre o número quatro do mundo, o japonês Tomokazu Harimoto, e o jogador da casa, Mak Tin Ian, que recebeu um convite da organização. O Torneio de Campeões, organizado desde 2022 em Macau, vai distribuir um total de prémios no valor de 800 mil dólares, com os vencedores a receberem 60 mil dólares. A competição da WTT, que arrancou ontem vai decorrer até domingo, reúne 64 dos melhores jogadores dos rankings masculino e feminino, incluindo o número sete do mundo, o brasileiro Hugo Calderano.
Hoje Macau PolíticaHengqin | Criado “Cartão de Talentos de Macau-Hengqin” Foi oficialmente lançado esta segunda-feira o “Cartão de Talentos de Macau-Hengqin”, desenvolvido pelas autoridades de Macau em parceria com a Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin. Segundo um comunicado oficial, pretende-se, com este cartão, “promover a integração e conexão de serviços públicos para talentos entre Macau e Hengqin”, sendo que este cartão fica ligado ao “Cartão de Excelência” da província de Guangdong, dando benefícios e vantagens a quadros qualificados para viver e trabalhar na Zona de Cooperação, existindo três bancos parceiros que disponibilizam diversos pacotes promocionais para quem viva entre as duas regiões, nomeadamente “redução de taxas, serviços financeiros transfronteiriços em diferentes moedas, financiamento e descontos para consumidores”. Em termos gerais, o “Cartão de Talentos Macau-Hengqin” não serve apenas “como meio para reconhecer a identidade, mas como incentivo à inovação e empreendedorismo de talentos”, pode ler-se.
Hoje Macau SociedadeMoeda | Suspeito de falsificação em prisão preventiva Um homem suspeito de tentar trocar dinheiro falso num casino vai aguardar julgamento em prisão preventiva, de acordo com um comunicado de ontem do Ministério Público (MP). “Segundo as investigações preliminares, antes da prática do crime, o suspeito adquiriu moeda falsa, através de uma plataforma de comércio electrónico do Interior da China, e introduziu-a em Macau”, foi relatado. “Posteriormente, o suspeito terá tentado trocar essas notas falsas com um indivíduo alegadamente dedicado ao câmbio ilícito no interior de um casino”, foi acrescentado. A denúncia foi feita pela vítima, que estranhou a textura do papel das notas. Após a detenção, o suspeito foi presente ao Juízo de Instrução Criminal, e o juiz considerou existirem fortes indícios de que o suspeito cometeu o crime de passagem de moeda falsa e de burla de valor elevado. “Tendo em conta a natureza e a gravidade do crime em causa — que afecta especialmente a segurança e a credibilidade do comércio monetário —, bem como a ausência de qualquer ligação do suspeito à Região Administrativa Especial de Macau, e com o intuito de prevenir o risco de fuga, o Tribunal de Instrução Criminal acolheu a promoção do Ministério Público e determinou a aplicação da medida de coacção de prisão preventiva”, foi justificado. O MP prometeu ainda defender a segurança e a credibilidade do comércio monetário e responsabilizar todos os envolvidos por “actos ilícitos que envolvam o fabrico, a falsificação, o uso ou a colocação em circulação de moeda falsa”.
Hoje Macau PolíticaDSAT | Lançada plataforma de aprovação de marcas de modelos de veículos A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem o lançamento de uma plataforma online para apresentar requerimentos referentes a aprovação de marcas e modelos de veículos motorizados. A DSAT sublinha que esta plataforma utiliza ferramentas de inteligência artificial, ajudando agências de veículos na análise prévia dos documentos de requerimento, antes da sua submissão oficial de pedidos online. As agências qualificadas podem agora, todos os dias úteis entre as 09h e as 18h, aceder à plataforma através de um portal de internet ou na aplicação móvel da Plataforma para Empresas e Associações, onde podem ser carregados os documentos necessários para “requerer a aprovação de modelos, no âmbito de ciclomotores, motociclos, automóveis e semi-reboques”. O pagamento também pode ser feito online e todo o processo realizado sem a entrega de papéis ou presencialmente em departamentos de serviços públicos. A DSAT alerta que a Plataforma de Análise por Inteligência Artificial tem apenas natureza auxiliar, sendo que os documentos de requerimento estão sempre sujeitos à verificação pelos técnicos da DSAT e à aprovação rigorosa pela Comissão para Aprovação de Marcas e Modelos de Veículos Motorizados.
Hoje Macau PolíticaAviação | Criado grupo de trabalho para promover abertura do mercado O gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho que terá como missão o desenvolvimento do sector da aviação civil. A entidade, chefiada pelo próprio Raymond Tam, terá como objectivos promover a abertura do mercado de aviação e a construção do Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. Entre as funções principais do grupo de trabalho, destaque para o papel de apresentação de pareceres e sugestões ao Chefe do Executivo sobre aviação civil, a realização de estudos sobre o sector, nomeadamente em relação a licenças de actividade de transporte aéreo comercial de passageiros. O Governo salienta que a criação da entidade irá “impulsionar o desenvolvimento de alta qualidade do sector da aviação civil na RAEM”, assim como a colaboração interdepartamental. O grupo de trabalho será constituído por representantes da Autoridade de Aviação Civil, dos Serviços de Alfândega, das direcções dos serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e de Turismo, assim como do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção para os Assuntos de Tráfego e da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.
Hoje Macau China / ÁsiaVenezuela garante respeitar acordos petrolíferos assinados com China e Rússia A Venezuela garantiu respeitar os acordos petrolíferos assinados com a China e a Rússia, num contexto marcado pela agitação gerada pelo acordo com Washington para explorar um quinto das reservas de petróleo bruto do país. “Temos acordos com a China e a Rússia e trata-se de empresas mistas com autorização para exercer atividades primárias em vigor. Respeitamos muito esses acordos”, esclareceu a ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, numa entrevista ao canal privado venezuelano Venevisión, no domingo. Henao, que foi questionada sobre se a China e a Rússia ficariam de fora do negócio petrolífero venezuelano na sequência do acordo entre Caracas e Washington, garantiu também que as empresas mistas nas quais esses dois países têm participação “continuarão a exercer as suas actividades”. A Casa Branca afirmou recentemente que a maioria dos jazigos petrolíferos abrangidos pelo acordo bilateral “eram anteriormente controlados ou operados por empresas russas e chinesas, ou por comparsas corruptos de [Nicolás] Maduro e [Hugo] Chávez”. Hugo Chávez, Presidente da Venezuela desde 2022 até morrer, em 2013, foi sucedido por Nicolás Maduro, que em Janeiro passado foi capturado em Caracas por forças militares norte-americanas. Washington afirmou que “estes actores estrangeiros mal-intencionados saquearam os recursos da Venezuela em benefício de adversários dos Estados Unidos, como Cuba, a Rússia e a China, e não investiram na infraestrutura nem no desenvolvimento” da nação sul-americana. Direitos salvaguardados Na terça-feira, a China exigiu que os seus interesses na Venezuela fossem salvaguardados, depois de alguns meios de comunicação terem noticiado que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderia afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC. “Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, numa conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun. O porta-voz salientou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países”. A China mantém, há anos, interesses importantes no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais têm participado em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas.
Hoje Macau China / ÁsiaEstreito de Ormuz | Teerão alerta Seul contra participação em operações dos EUA O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão alertou ontem a Coreia do Sul contra qualquer mobilização militar ou participação em operações dos EUA no estreito de Ormuz, avisando que tal acção terá “graves consequências”. Na sexta-feira, Seul indicou que estava a considerar contribuir para garantir a segurança da navegação no estratégico estreito de Ormuz, que está interrompida desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, no final de Fevereiro. A Coreia do Sul esclareceu, no entanto, que nenhuma decisão tinha sido tomada e que qualquer participação estaria condicionada à manutenção das suas próprias capacidades de defesa. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, instou Seul a não ceder à “pressão e intimidação norte-americanas”, referindo que “qualquer mobilização militar ou participação de outros países em operações no golfo Pérsico ou no estreito de Ormuz pode ser considerada um apoio direto à parte responsável por esta agressão e terá consequências graves”. Teerão e Washington continuam a trocar tiros no estreito de Ormuz e arredores, apesar do cessar-fogo estabelecido em Abril, que suspendeu a primeira fase de intensos bombardeamentos. As negociações diplomáticas continuam paralisadas, enquanto os dois lados disputam o controlo deste ponto de estrangulamento marítimo por onde costumava passar cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural. Desde o início da guerra, o tráfego ali está praticamente paralisado, perturbando os mercados globais de energia e fazendo disparar os preços dos combustíveis. Teerão afirma que não haverá regresso ao regime de livre navegação que prevalecia antes da guerra e exige que os navios obtenham autorização para transitar pelo estreito, uma medida firmemente rejeitada por Washington e por vários países da região.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Mobilizados caças pelo quarto dia consecutivo Tóquio mobilizou aviões de combate após serem avistadas aeronaves chinesas e russas nas zonas fronteiriças O Japão mobilizou no domingo caças de combate pelo quarto dia consecutivo após detectar um avião militar chinês de recolha de informações, anunciaram as autoridades japonesas, num momento de tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim. O aparelho, um Shaanxi Y-9, sobrevoou o mar da China Oriental até um ponto a sul das ilhas Danjo, um arquipélago desabitado da prefeitura de Nagasaki, antes de se deslocar para sudoeste, em frente à costa de Okinawa, e regressar à China. Em incidentes semelhantes registados na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado, os Y-9 chineses realizaram voos parecidos e, em todos os casos, a Força Aérea de Autodefesa japonesa mobilizou aviões de combate. No sábado, as autoridades japonesas identificaram também uma aeronave russa de recolha de informações que sobrevoou o Pacífico em direcção à costa de Miyagi, no nordeste do arquipélago, antes de se dirigir para o mar do Japão através do mar de Okhotsk. As forças japonesas também mobilizaram aviões de combate em resposta ao incidente com a aeronave russa. Os incidentes com aviões chineses nas zonas fronteiriças são relativamente frequentes no arquipélago japonês, mas ocorrem num momento de renovadas tensões com a China devido a Taiwan. O Y-9 é originalmente um avião de transporte da força aérea chinesa, mas tem diferentes versões, incluindo a de recolha de informações ou a de guerra electrónica. Tensões e disputas As relações de Tóquio com Moscovo também atravessam momentos de tensão devido ao alinhamento do Japão com o Ocidente no apoio à Ucrânia, que combate uma invasão russa desde fevereiro de 2022. As tensões russo-japonesas agravaram-se no início de agosto após uma visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às disputadas ilhas Curilas, que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou de “absolutamente inaceitável”. Putin foi pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Hoje Macau China / ÁsiaÁsia Central | Concluído primeiro túnel de ferrovia que contorna Rússia O projecto completo deverá estar terminado em 2031, mas há quem aponte para a conclusão já em 2028 A China anunciou ontem a conclusão da perfuração do primeiro túnel da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, projecto estratégico que deverá criar a rota terrestre mais curta entre o país asiático, o Médio Oriente e a Europa. O túnel, com 210 metros de extensão, é o primeiro a ser perfurado no troço quirguiz desde o início das obras em grande escala, em Junho de 2025, informou a televisão estatal chinesa CCTV. As obras no segmento localizado no Quirguistão estão agora 17 por cento concluídas, segundo a mesma fonte. Com mais de 500 quilómetros de extensão, a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão (CKU, na sigla em inglês) parte de Kashgar, na região chinesa de Xinjiang, atravessa as montanhas do Quirguistão e termina em Andijan, no Uzbequistão. Cerca de 305 quilómetros da linha atravessam território quirguiz. Quando estiver concluída, a ferrovia deverá constituir a rota terrestre mais curta entre a China, o Médio Oriente e a Europa e reduzir em até oito dias o tempo de transporte face aos actuais serviços ferroviários de mercadorias China-Europa. As três principais rotas ferroviárias que actualmente ligam a China à Europa atravessam a Rússia ou o Cazaquistão. O projecto permitirá assim a Pequim diversificar as ligações comerciais terrestres e dispor de um corredor que contorna território russo, ao mesmo tempo que cria uma nova saída para as exportações da parte sul de Xinjiang. Para o Quirguistão e o Uzbequistão, dois países sem acesso ao mar, a linha deverá proporcionar uma ligação terrestre direta aos mercados chinês e da região Ásia-Pacífico. Em construção Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, estão actualmente em construção 27 túneis, 43 pontes e 88 troços de plataforma ferroviária, além de 20 estações. O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou na semana passada uma visita de Estado ao Quirguistão, durante a qual Pequim e Bisqueque se comprometeram, numa declaração conjunta, a garantir o avanço sem entraves da construção da ferrovia. O projecto, concebido em 1997 e integrado na iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota, esteve bloqueado durante décadas devido às dificuldades de engenharia associadas ao terreno montanhoso, divergências sobre a bitola da linha e questões geopolíticas. O corredor permite contornar a Rússia, cuja influência tradicional na Ásia Central tem sido desafiada pela crescente presença económica chinesa na região. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e as consequentes sanções ocidentais contribuíram também para reforçar a dependência económica de Moscovo em relação a Pequim. Para ultrapassar as divergências técnicas, o projeto adoptou uma solução com duas bitolas diferentes. Um troço de 167,5 quilómetros entre a fronteira chinesa e Makmal, no Quirguistão, utilizará a bitola padrão usada na China, enquanto os quase 140 quilómetros restantes em direção ao Uzbequistão manterão a bitola larga herdada do período soviético. Makmal acolherá um centro de transbordo para permitir a transferência das mercadorias entre comboios das duas bitolas. “A importância desta solução é que a bitola padrão da China entra pela primeira vez no coração da Ásia Central”, afirmou à CCTV Li Lifan, director do Centro de Estudos da Organização de Cooperação de Xangai da Academia de Ciências Sociais de Xangai. China, Quirguistão, Uzbequistão e Rússia integram a Organização de Cooperação de Xangai (SCO), que assinalou na semana passada o 25.º aniversário durante uma cimeira de líderes realizada em Bisqueque. O engenheiro-chefe do projecto, Xi Jihong, estimou que a ferrovia estará pronta para entrar em funcionamento em Junho de 2031. O Uzbequistão pretende, no entanto, acelerar os trabalhos. O vice-ministro dos Transportes uzbeque, Jasurbek Choriev, afirmou em Junho que o objectivo é concluir a linha já em 2028.
Hoje Macau China / ÁsiaAplicados quase 46,5 mil milhões de euros em oito instituições financeiras A China anunciou um pacote de injecções de capital de quase 54 mil milhões de dólares em oito dos principais bancos e seguradoras do país, numa iniciativa pouco habitual, que visa reforçar o setor financeiro. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, o plano ascende a 360 mil milhões de yuan e abrange oito instituições: os bancos ICBC – o maior do país –, ABC e Eximbank, e as seguradoras China Life, PICC, Sinosure, China Taiping e China Reinsurance. Segundo analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), o Ministério das Finanças chinês, que lidera a operação, raramente realiza injecções de capital desta dimensão em instituições financeiras, enquadrando a medida na ambição de Pequim de transformar o país numa “superpotência financeira”. No entanto, a agência de notação financeira S&P estimou anteriormente que os quatro maiores bancos chineses – ICBC, CCB, ABC e Bank of China – precisariam de mais de 551 mil milhões de dólares em capital adicional para cumprirem os requisitos internacionais destinados a garantir que conseguem suportar perdas em caso de crise, sem recorrer a resgates públicos. “As últimas reuniões de alto nível [das autoridades chinesas] avançaram com uma política orçamental mais proactiva para contrariar as pressões sobre o crescimento, e a injecção de capital nas instituições financeiras faz parte desse conjunto de instrumentos”, explicou Shen Meng, da empresa de investimento Chanson & Co., sediada em Pequim. Maior estímulo Na opinião do analista, o plano anunciado no domingo “não só reduz os riscos operacionais e regulatórios para estas instituições, como também estimula o investimento e o consumo através do efeito multiplicador do setor financeiro”. Um especialista citado pelo jornal oficial Global Times defendeu igualmente esta perspectiva, considerando que “as empresas, especialmente as privadas, necessitam urgentemente de apoio sob a forma de crédito”, situação em que os bancos “desempenham um papel de liderança”. Shen salientou que o Ministério das Finanças realizou injecções de capital apenas em algumas ocasiões e que, nesses casos, “o objectivo era sobretudo corrigir os balanços e reduzir os riscos”. Os seis principais bancos estatais chineses registaram, no primeiro trimestre, o primeiro aumento simultâneo das receitas e dos lucros desde 2022, beneficiando da recuperação das margens financeiras líquidas.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Alerta contra “pseudo-história” que ameaça segurança cultural e ideológica A principal publicação teórica oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) alertou ontem que teorias que reescrevem radicalmente a história mundial estão a prejudicar a imagem internacional da China e ameaçam a sua segurança cultural e ideológica. Num artigo, a Qiushi, principal publicação teórica oficial do Comité Central do PCC, criticou a crescente difusão na Internet de teorias que questionam as origens da civilização ocidental ou atribuem à China alguns dos principais avanços científicos e tecnológicos da história. “As alegações pseudo-históricas extremas que proliferam ‘online’ continuam a espalhar-se no estrangeiro e já prejudicaram o ‘poder do discurso académico’ e a imagem cultural do nosso país”, afirmou a publicação. Nos últimos anos, ganharam visibilidade nas redes sociais chinesas teorias segundo as quais Aristóteles nunca existiu, a Grécia Antiga não poderia ter sustentado uma civilização avançada ou alguns dos principais progressos associados à Revolução Industrial tiveram origem na China. A Qiushi classificou algumas destas teses como “narrativas rebuscadas e absurdas”, citando alegações de que o monte Emei, na província chinesa de Sichuan, “é os Alpes” ou de que a Enciclopédia Yongle “deu origem à civilização ocidental moderna”. A semelhança fonética entre os nomes chineses do monte Emei e dos Alpes tem sido usada por alguns defensores destas teorias como suposta prova de que elementos da civilização ocidental tiveram origem na China. Outra tese sustenta que a Enciclopédia Yongle, uma vasta obra compilada por ordem do imperador Yongle no século XV, continha conhecimentos posteriormente apropriados pelo Ocidente, incluindo princípios do cálculo matemático e da máquina a vapor. As autoridades chinesas nunca apoiaram oficialmente estas teorias e, nos últimos meses, vários órgãos de comunicação social estatais intensificaram as críticas à sua crescente popularidade nas plataformas digitais. A Qiushi alertou também para as consequências internas destas interpretações, considerando que algumas podem ameaçar a narrativa oficial sobre a unidade histórica e territorial do país. “Algumas narrativas pseudo-históricas apresentam tendências separatistas étnicas e podem fornecer uma base teórica para negar a unidade da nação chinesa”, afirmou. Sentido de identidade A publicação criticou, em particular, interpretações que avaliam a legitimidade das diferentes dinastias chinesas com base na origem étnica dos seus governantes. A Qiushi criticou, em particular, correntes nacionalistas Han que consideram a dinastia Qing (1644-1911), fundada pelos manchus após a queda da dinastia Ming (1368-1644), um regime estrangeiro que conquistou e colonizou a China. Esta interpretação contraria a narrativa oficial chinesa, segundo a qual o actual Estado é sucessor das diferentes dinastias que governaram o território e herdou a soberania sobre regiões como Xinjiang e o Tibete, assim como sobre Taiwan. “O resultado prático destas alegações é desconstruir a identidade nacional, enquanto o consenso histórico que sustenta a comunidade da nação chinesa corre o risco de ser fragmentado”, advertiu a Qiushi. O Presidente chinês, Xi Jinping, tem colocado a construção de “um forte sentido de comunidade para a nação chinesa” no centro da política do PCC para as minorias étnicas e para a defesa da integridade territorial. No ano passado, as autoridades chinesas bloquearam várias contas influentes nas redes sociais que promoviam teorias pseudo-históricas e posições associadas ao nacionalismo Han. Segundo a Qiushi, apesar da eliminação dessas contas, os conteúdos continuaram a circular de forma mais descentralizada. A publicação alertou ainda para o papel da inteligência artificial (IA) generativa na produção em massa deste tipo de conteúdos, considerando que pode distorcer a percepção da história entre a população, sobretudo entre os mais jovens. “Não se pode permitir que os algoritmos se tornem um megafone para estas narrativas”, defendeu a Qiushi.