Hoje Macau China / Ásia MancheteEconomia | Exportados mais de um milhão de automóveis em Junho A China exportou pela primeira vez mais de um milhão de automóveis num único mês, em Junho, consolidando a liderança mundial no sector e aumentando a pressão comercial sobre parceiros comerciais como a União Europeia. Segundo dados divulgados ontem pela Administração-Geral das Alfândegas da China, o país exportou 1,06 milhões de automóveis em Junho, mais 71,2 por cento do que no mesmo mês do ano passado. Ao ritmo actual, a China deverá ultrapassar os 10 milhões de veículos exportados este ano, acima dos 7,1 milhões registados em 2025 e mais do dobro dos 4,9 milhões de 2023. O desempenho das exportações automóveis contribuiu para um aumento global de 27 por cento das exportações chinesas em Junho, acima dos 19,4 por cento observados em Maio, enquanto as importações cresceram 36 por cento. O excedente comercial da China atingiu 576 mil milhões de dólares no primeiro semestre, embora tenha recuado 4,7 por cento face ao mesmo período do ano passado. O vice-director do Gabinete Nacional de Estatísticas, Wang Jun, atribuiu o crescimento das exportações de veículos eléctricos à transição mundial para uma economia de baixo carbono, afirmando que esta está a impulsionar a procura pelos “produtos verdes” chineses. Além dos automóveis eléctricos, as exportações de baterias de lítio e de turbinas eólicas cresceram, respectivamente, 37,6 por cento e 35,6 por cento no primeiro semestre. Em sentido contrário, as exportações de terras raras diminuíram 34 por cento em Junho, face ao mesmo mês do ano passado, e 6,4 por cento no conjunto do semestre, depois de Pequim ter reforçado os controlos à exportação destes minerais estratégicos, essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia. As importações foram impulsionadas sobretudo pela procura de semicondutores. A China importou 53,7 mil milhões de circuitos integrados em Junho, mais 6,8 por cento do que um ano antes, elevando o crescimento acumulado no semestre para 8,1 por cento. Mudança de direcção A aceleração das exportações automóveis ocorre num contexto de abrandamento das vendas no mercado interno, após o fim parcial dos incentivos à compra de veículos eléctricos e à quebra da procura por automóveis com motor de combustão. A redução da procura doméstica levou fabricantes chineses e estrangeiros instalados no país a direccionarem uma parte crescente da produção para os mercados externos, uma estratégia que motivou a imposição de tarifas adicionais por parte da União Europeia sobre veículos eléctricos fabricados na China. As autoridades chinesas rejeitam as acusações de que o sector beneficia de subsídios desleais, defendendo que a competitividade da indústria resulta da inovação tecnológica e das economias de escala. No topo da lista Entre os principais fabricantes, a fabricante BYD vendeu 175 mil veículos no estrangeiro em Junho, mais 95 por cento do que no mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas internacionais representaram um recorde de 43 por cento da produção da empresa. A Geely exportou pela primeira vez mais de 100 mil veículos num único mês, ao vender 102.874 unidades no exterior, um aumento homólogo de 157 por cento. Já a Chery, exportou 191.062 automóveis em Junho, mais 80 por cento do que há um ano, estabelecendo pelo quarto mês consecutivo um novo máximo mensal entre os fabricantes chineses.
Hoje Macau SociedadeSupermercados | Snacks coreanos retirados após alerta irlandês As autoridades anunciaram ontem a retirada de vários snacks instantâneos sul-coreanos da marca Yopokki dos supermercados do território, após a Autoridade de Segurança Alimentar da Irlanda alertar para potenciais riscos para a saúde destes produtos. O organismo responsável por garantir a segurança alimentar na Irlanda anunciou que os lotes de dez produtos da Yopokki, “estão a ser recolhidos devido a uma possível deterioração”. Num comunicado, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou que tomou conhecimento do anúncio de que produtos da Yopokki, “incluindo bolinhas de arroz e massa instantânea com bolinhas de arroz em copo, podem estar sob risco de deterioração”, anunciado que “a retirada dos produtos está em andamento localmente”. Notando que continua a acompanhar o caso, o IAM “apelou ao sector que se tiver os produtos relevantes em estoques, para interromper o seu fornecimento e venda”. Foram afectados lotes de produtos como o Yopokki Ricecake Cup Cheese flavour; Yopokki Ricecake Cup Sweet & Spicy flavour; e Yopokki Ricecake Cup Jjajang entre outros. O IAM apelou ainda os consumidores para suspenderem o consumo destes produtos “que tenham sido adquiridos através de compras ‘online’, compras através de intermediários ou outros canais”.
Hoje Macau Manchete PolíticaCooperação | Académico diz que CPLP não se afirma junto da China “A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam na sexta-feira. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou. Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou. Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu. Adaptação das espécies O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme. Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infra-estruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou. No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou. Maior visibilidade O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou. Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas. Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou. Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu. O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros actores globais o farão”, disse.
Hoje Macau PolíticaHengqin | IAS vai aumentar apoio às famílias O Instituto de Acção Social (IAS) organizou uma reunião com representantes de associações estabelecidas em Hengqin, e prometeu introduzir mais serviços de apoio familiar na Ilha da Montanha. Segundo um comunicado divulgado ontem, a chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do IAS, Lei Lai Peng, indicou que o plano educativo da vida familiar em Hengqin será reforçado. Estes planos incluem apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade, apoio à comunicação entre familiares, gestão e divisão de tarefas domésticas, técnicas para procurar um equilíbrio entre emprego e família. É também fornecida assistência para ajudar a lidar com relações intergeracionais, para incrementar conhecimentos tecnológicos e proteger crianças. Olhando para os próximos seis meses, as equipas das associações em Hengqin vão organizar visitas às instituições dos serviços sociais, geridas pelo Governo conjunto da zona de cooperação, relacionadas com questões familiares de bem-estar da população.
Hoje Macau PolíticaIao Hon | Efectuada inspecção a instalações eléctricas em edifícios degradados Seguindo a série de reuniões de segurança, após as “importantes instruções do Presidente Xi Jinping” em matérias de segurança, prevenção de cheias e resposta a desastres naturais, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam presidiu a uma reunião onde o ponto fundamental da agenda foi a segurança urbana e a promoção da manutenção e renovação de edifícios. Segundo um comunicado do Governo emitido ontem, Raymond Tam referiu que o Governo irá criar uma base de dados de edifícios degradados e apostar na renovação urbana tendo em conta a recente revisão do regime de subsídios para a manutenção de edifícios. Raymond Tam exigiu também a realização de inspecções conjuntas à segurança estrutural e eléctrica de edifícios nos bairros mais antigos, para identificar potenciais riscos de segurança, reduzir riscos de acidentes e proteger a segurança pública. As primeiras inspecções às redes eléctricas tiveram como foco os sete edifícios do bloco de habitação pública do Iao Hon, com inspecções técnicas à segurança estrutural, incluindo as paredes exteriores do edifício, as lajes das áreas comuns e as escadas. A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, em colaboração com a CEM, fez uma vistoria “exaustiva” do funcionamento e manutenção das instalações eléctricas públicas do edifício, verificando a existência de fios envelhecidos e danificados, fugas de corrente e a possibilidade de ocorrência de curto-circuitos e sobrecargas.
Hoje Macau PolíticaHabitação | Leong Hong Sai quer mais medidas para reparar edifícios Depois do aumento do limite do Fundo de Reparação Predial e da alteração do seu âmbito, o deputado Leong Hong Sai elogiou a revisão, mas espera que o Governo lance mais medidas. Em declarações ao jornal Exmoo, o deputado dos Moradores deu como exemplo um caso em que são necessárias obras de manutenção nas paredes exteriores do prédio. Como este tipo de intervenção pode custar mais de um milhão de patacas, o alívio do fundo público é insuficiente. As dificuldades são maiores nos edifícios antigos, que normalmente têm poucos apartamentos, aumentando os custos da reparação para cada proprietário. Outra questão levantada, é a necessidade de concordância de 25 por cento dos proprietários para pode accionar o fundo comum de reserva do condomínio. Leong Hong Sai apontou a dificuldade em avançar com despesas, uma vez que o nível de participação nas assembleias de condomínio é sempre demasiado baixo para obter votos suficientes. Porém, a falta de administração, ou de empresas de gestão, é o maior obstáculo que os proprietários enfrentam para pedir o apoio do Fundo de Reparação Predial. Assim sendo, Leong Hong Sai sugeriu ao Governo a cooperação com associações, como aquela em que o deputado é vice-presidente, para apoiar no estabelecimento de administrações de condomínio, e a simplificação dos processos de pedido de subsídios para reparação predial.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul da China | Catorze países reafirmam validade de decisão arbitral Dez anos depois da decisão do Tribunal Arbitral que deu razão às Filipinas, a luta pela soberania de diversas áreas no Mar do Sul da China continua acesa Catorze países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Filipinas, reiteraram no domingo que as reivindicações marítimas de Pequim no mar do Sul da China não têm base legal, invocando uma decisão arbitral internacional de 2016. Numa declaração conjunta divulgada por ocasião do décimo aniversário da decisão, os signatários rejeitaram acções “desestabilizadoras” ou unilaterais, incluindo o recurso à força ou à coerção, que ameacem a paz e a estabilidade na região. Além dos Estados Unidos, Reino Unido, Filipinas e Japão, subscreveram o documento Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Alemanha, Itália, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia e Eslovénia. “Reafirmamos a decisão do Tribunal Arbitral de que não existe qualquer base jurídica para as reivindicações marítimas expansivas da China no mar do Sul da China, incluindo as baseadas em ‘direitos históricos’”, lê-se na declaração. Os 14 países consideraram que a decisão emitida há dez anos constitui “um marco significativo” e é “definitiva, juridicamente vinculativa e conclusiva” para a China e as Filipinas. A União Europeia (UE) divulgou uma declaração separada, na qual classificou o acórdão como uma “decisão histórica na resolução pacífica de litígios” e reiterou que as disputas marítimas devem ser resolvidas através do diálogo e em conformidade com o direito internacional. O bloco comunitário recordou que a decisão foi emitida por um tribunal arbitral constituído ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e vincula as partes envolvidas no processo. Filipinas congratulam-se A decisão, emitida em 12 de Julho de 2016, deu razão às Filipinas em vários dos argumentos apresentados contra a China e concluiu que não existia base jurídica para Pequim reivindicar direitos históricos sobre recursos situados além das zonas marítimas previstas pela convenção. O processo foi iniciado pelas Filipinas em 2013, na sequência de um confronto ocorrido no ano anterior em torno do atol de Scarborough, que terminou com a China a assumir o controlo efectivo daquela formação marítima. Pequim recusou participar no processo e rejeitou a decisão, mantendo desde então que o tribunal não tinha jurisdição sobre o caso. Na declaração conjunta, os países manifestaram ainda “forte oposição” à utilização de guardas costeiras, forças militares e milícias marítimas para “assediar, obstruir ou intimidar” operações legítimas de outros Estados no mar ou no espaço aéreo. Estas acções colocam em risco a segurança de militares e pescadores e prejudicam gravemente a paz e a segurança regionais, acrescentaram. Os signatários defenderam igualmente a preservação da liberdade de navegação e de sobrevoo, assim como de outras utilizações legítimas do mar previstas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. China condena A China rejeitou as declarações, reiterando que a decisão arbitral é “ilegal, nula e sem força vinculativa” e que Pequim “não a aceita nem reconhece”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que o tribunal e a respectiva decisão “contrariam gravemente a prática geral da arbitragem internacional” e violam os direitos legítimos da China enquanto Estado soberano e parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. “A China opõe-se e nunca aceitará qualquer reivindicação ou ação baseada nessa decisão”, indicou a diplomacia chinesa, acrescentando que Pequim não aceita “qualquer meio de resolução de litígios por terceiros” nem soluções que lhe sejam impostas. A China reivindica soberania sobre quase todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa uma parte significativa do comércio marítimo mundial e que possui importantes zonas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos. As reivindicações chinesas sobrepõem-se às das Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan. Nos últimos anos, as águas disputadas têm sido palco de confrontos cada vez mais frequentes, sobretudo entre embarcações chinesas e filipinas, envolvendo canhões de água, bloqueios e manobras consideradas perigosas. Os Estados Unidos têm instado repetidamente Pequim a cumprir a decisão arbitral e advertido que o tratado de defesa mútua com as Filipinas poderá ser acionado caso forças, navios ou aeronaves filipinas sejam alvo de um ataque armado no mar do Sul da China.
Hoje Macau China / ÁsiaMNE | Defendidas inspecções a navios panamianos após “múltiplos incidentes” A China defendeu ontem inspecções a navios de bandeira panamiana nos seus portos, atribuindo-as a anteriores “incidentes de segurança”, sem confirmar reuniões anunciadas pelo Panamá para discutir as detenções e um acordo bilateral de transporte marítimo. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem em conferência de imprensa que segundo dados das autoridades chinesas, navios de bandeira panamiana estiveram envolvidos desde o início do ano em “múltiplos incidentes de segurança” em águas chinesas. Lin indicou que entre Janeiro e Julho, os navios panamianos representaram cerca de 20 por cento das escalas de embarcações estrangeiras em portos chineses, mas concentraram aproximadamente metade dos acidentes, bem como das mortes e desaparecimentos registados nesses incidentes. “As inspecções de supervisão portuária constituem uma medida importante para garantir a segurança da navegação e a protecção do ambiente marítimo”, afirmou o porta-voz, acrescentando que a China realiza esses controlos “em conformidade com a lei e os regulamentos” e no cumprimento das convenções internacionais. Lin respondia a uma questão sobre as críticas formuladas pelos Estados Unidos e pelo Panamá durante a 137.ª reunião do Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI), na qual ambos os países acusaram a China de adoptar medidas punitivas contra navios panamianos por motivos políticos e apelaram ao reforço dos mecanismos destinados a evitar a politização do comércio marítimo. O Governo panamiano anunciou, no início de Julho, que representantes dos dois países se reunirão entre 16 e 18 deste mês na China para discutir a retenção de navios de bandeira panamiana e a renovação do acordo bilateral de transporte marítimo, embora Pequim ainda não tenha confirmado esses contactos. O acordo, assinado em 2017, pouco depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, e renovado em 2021 por mais cinco anos, concede à frota mercante panamiana o estatuto de “Nação Mais Favorecida” nos portos chineses, com vantagens como tarifas preferenciais e procedimentos administrativos simplificados. Pressões americanas As tensões surgem depois de o Supremo Tribunal do Panamá ter anulado, em Janeiro, a concessão dos portos de Balboa e Cristóbal, explorados desde 1997 pela Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, numa decisão tomada em plena pressão de Washington sobre a alegada influência chinesa em torno do Canal do Panamá. Na altura, Pequim advertiu que defenderia os direitos e interesses das suas empresas, enquanto a PPC avançou com processos de arbitragem internacional contra o Estado panamiano, reclamando indemnizações superiores a dois mil milhões de dólares. O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou no início de Julho que o número de detenções de navios de bandeira panamiana na China “está a diminuir”, embora tenha reconhecido que a situação poderá afectar a classificação do registo marítimo panamiano no sistema regional de controlo portuário da Ásia-Pacífico.
Hoje Macau EventosCotai | Governo abre local de espectáculos ao ar livre à comunidade Depois de pouco mais de meia dúzia de eventos de grande escala realizados no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, o Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que vai instalar o “Palco em Festa”, uma iniciativa experimental destinada a oferecer um espaço para a criação comunitária. O “Palco em Festa” estará “disponível gratuitamente para utilização da sociedade, de modo a revigorar um ambiente artístico e cultural comunitário vibrante e estimular a energia criativa multicultural local”, e para “enriquecer ainda mais a funcionalidade” do local. A ideia é proporcionar um espaço para espectáculos musicais comunitários de pequenas e médias dimensões, actividades de promoção cultural da comunidade e actuações de dança de rua. A zona dispõe de equipamentos básicos de palco, incluindo uma tenda grande, equipamento de som, iluminação e ecrãs LED. Além disso, durante eventos serão disponibilizados dois técnicos de iluminação e som. O “Palco em Festa” terá capacidade para cerca de 400 lugares sentados ou para 600 pessoas de pé. O IC já fez um teste do local, para o qual convidou profissionais da indústria, grupos artísticos e representantes de associações locais. Para já, o IC está aberto a propostas de associações locais ou proprietários de empresas comerciais interessados em utilizar o “Palco em Festa”. Para tal, é preciso preencher um formulário e apresentar documentação, pelo menos 10 dias antes da actividade. As condições para apresentar propostas podem ser consultadas no portal do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau.
Hoje Macau PolíticaSão Januário | Segurança do hospital verificada a vários níveis As infra-estruturas críticas do Centro Hospitalar Conde de São Januário foram submetidas a uma verificação de segurança, que abrangeu instalações médicas, sistemas de segurança contra incêndios, redes de abastecimento de electricidade e água e redes informáticas. Segundo um comunicado divulgado ontem pelos Serviços de Saúde, a vistoria foi realizada por uma equipa de direcção do hospital e um “grupo de inspecção especializado” composto por profissionais de controlo de infecção hospitalar, instalações e equipamentos, e segurança. As autoridades referiram a importância de despistar os riscos de segurança das instalações e espaços envolventes do Centro Hospitalar Conde de São Januário, enquanto instituição central do sistema de cuidados de saúde públicos de Macau. As autoridades procederam também à revisão e optimização do “sistema de gestão de emergências do hospital para responder a incidentes graves e súbitos de saúde pública, condições climatéricas extremas e falhas nas instalações”. Foram ainda organizados exercícios de evacuação em caso de incêndio e de contingência perante falhas de sistemas, que incluíram a transferência de doentes para locais seguros.
Hoje Macau PolíticaPJ | Mais três casos de filmagens e apostas online A Polícia Judiciária (PJ) resolveu mais três casos distintos de apostas por intermediários que filmam em directo a acção em mesas de casinos de Macau, resultando na detenção de dois homens e uma mulher. Segundo o jornal Ou Mun, a mulher foi detida no sábado num casino no Cotai, quando a sua postura em frente a uma mesa de bacará levantou suspeitas. As autoridades indicam que a mulher terá modificado uma saia para esconder a lente da câmara que estava ligada ao seu telemóvel para transmitir o jogo em directo ao mesmo tempo que recebia instruções para fazer apostas através de auscultadores. Após ter sido apanhada, a suspeita terá tentado danificar a câmara com o intuito de destruir provas. As autoridades acrescentam que a suspeita terá feito o mesmo tipo de operação por quatro vezes desde o fim de Junho, e terá recebido 300 mil dólares de Hong Kong para fazer apostas em nome de terceiros. Os outros dois casos aconteceram na sexta-feira e no sábado, na NAPE, com contornos semelhantes. Importa referir que estes casos têm surgido com alguma frequência nos últimos tempos nos casinos de Macau, passando a ser tema recorrente nas conferências de imprensa da PJ.
Hoje Macau SociedadeJogo | Lucros das concessionárias devem cair 7 por cento As concessionárias do jogo deverão apresentar uma redução dos lucros de 7 por cento no segundo trimestre, em comparação com o período homólogo. O cenário é traçado no relatório mais recente dos analistas do Citigroup. A estimativa do banco norte-americano aponta para lucros agregados na ordem de 15,5 mil milhões de patacas, o nível mais baixo desde o terceiro trimestre de 2024. As receitas brutas de Jogo foram de 61,0 mil milhões de patacas entre Abril e Junho deste ano, o valor mais baixo desde o primeiro trimestre de 2025. Os analistas acreditam que os lucros vão ser penalizados pela realização do Campeonato Mundial de Futebol e a crescente dificuldade em manter ou fazer os jogadores regressar às mesas de jogo. Ainda assim, os analistas indicaram que as expectativas negativas já foram tidas em conta no preço actual das acções dos casinos, pelo que esperam uma forte recuperação após o Mundial, que acaba na madrugada de 20 de Julho. A recuperação deverá ter por base factores positivos como um calendário de concertos e eventos na segunda metade do ano.
Hoje Macau Manchete SociedadeZAPE | Associação quer construir Torre de Belém e Alfama Os Moradores acreditam que Réplicas da Torre de Belém e de Alfama podem ser a salvação da Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), depois do encerramento de vários casinos Uma associação tradicional de Macau quer construir uma réplica da Torre de Belém e do bairro de Alfama no território, no âmbito de um projecto para revitalizar uma zona onde fecharam recentemente vários casinos. De acordo com um estudo enviado ontem à Lusa, o Centro de Políticas de Sabedoria Colectiva, um ‘think tank’ ligado à União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), afirmou que pretende criar “um distrito imersivo de experiência cultural portuguesa” na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), “com réplicas à escala de marcos icónicos de Lisboa, como a Torre de Belém e o bairro da Alfama”. Vários casinos encerraram portas no ano passado nesta zona e na vizinha área dos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE). Outrora animadas por jogadores, esta zona começou a receber menos pessoas, com casas de penhores e lojas de artigos de luxo vazias. “Queremos renovar a área em estilo português e convidar artistas para actuações temáticas portuguesas, para que os turistas possam viver uma atmosfera portuguesa na ZAPE”, explicou à Lusa um representante do Centro de Políticas de Sabedoria Colectiva. Mau planeamento Os Serviços de Turismo disseram à Lusa, no final de 2025, que pretendiam atrair visitantes para esta área, de forma a apoiar o comércio local. Entre as medidas para o efeito, referiram, incluíam-se a realização de eventos e melhorias na paisagem urbana. Embora as autoridades tenham organizado múltiplas actividades na ZAPE desde o encerramento dos casinos para estimular o comércio, o ‘think tank’ deixa críticas aos trabalhos, argumentando que “um mau planeamento espacial”, “esforços promocionais insuficientes” e “falta de monitorização de dados” fizeram com que “ainda não tivessem revertido fundamentalmente” o fraco consumo na zona. O relatório sugere também a conversão de propriedades hoteleiras inactivas num centro de exposição cultural em língua portuguesa e num hotel de temática portuguesa, bem como a introdução de gastronomia, vinhos e produtos dos países de língua portuguesa. Além disso, o grupo defende a organização regular de eventos culturais sino-portugueses, como festivais gastronómicos, festivais de música e desfiles de países de língua portuguesa, “para estabelecer um novo marco de intercâmbio cultural sino-português em Macau”. Por toda a China, partes de grandes cidades foram transformadas para se assemelharem a destinos ocidentais e cidades inteiras foram inspiradas ou construídas à imagem de locais emblemáticos no exterior, tal como Paris (Tianducheng), Hallstatt (Luoyang e Guangzhou), Florença (Tianjin e Foshan), Londres (Suzhou), Manhattan (Tianjin), Reino Unido (Songjiang), Amesterdão e Países Baixos (Pudong) e Veneza (Dalian). Em Zhuhai, foi construída uma réplica do Mosteiro dos Jerónimos, que funciona como centro comercial.
Hoje Macau PolíticaAeroporto | Voos para Cheongju a partir de Dezembro A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) anunciou ontem que a companhia aérea de baixo custo sul-coreana Aero K submeteu um pedido formal para a obtenção de horários de voo para Cheongju. Segundo o comunicado citado pela Rádio Macau, o objectivo da transportadora é iniciar as operações em Dezembro, uma intenção que se enquadra no plano de gradual para novos destinos. Paralelamente, a Air Macau reactivou a ligação directa entre a RAEM e a cidade de Fukuoka, no Japão. O reinício desta rota aérea estratégica visa “estreitar os laços económicos e turísticos”, permitindo que residentes e visitantes se desloquem com maior facilidade e frequência entre as duas cidades. No que diz respeito a ligações para o Japão, actualmente, o terminal de passageiros de Macau conta com uma oferta de três ligações directas para Tóquio, Osaka e Fukuoka. Apesar dos cancelamentos motivados pela subida internacional do preço do petróleo, a administração aeroportuária prevê que uma maior estabilidade nos preços pode impulsionar a retoma sustentável da procura pelos voos. Como parte do seu plano estratégico de recuperação, o Aeroporto de Macau indicou ainda ir focar-se na consolidação da sua rede de rotas internacionais. A prioridade máxima passa por reforçar a presença comercial nos mercados competitivos do Sudeste e Nordeste Asiático, estabilizando e potenciando o fluxo para o Japão. Esta estratégia visa diversificar o perfil dos passageiros e responder eficazmente à procura global.
Hoje Macau PolíticaTurismo | Guias sofrem de subemprego no Verão Apesar de Macau estar na época alta do turismo de Verão, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, alertou que os números estão longe de satisfazer a oferta no mercado a nível dos guias turísticos. A posição foi tomada em declarações prestadas ao canal chinês da Rádio Macau. Paul Wong reconheceu que o número de excursões apresentou uma tendência de subida e que os motoristas de autocarros têm um volume de trabalho suficiente. No entanto, a quantidade actual de excursões não chega para satisfazer as necessidades de trabalho dos guias turísticos. Paul Wong explicou que as excursões nesta altura do ano provêm principalmente do Interior da China, consistindo sobretudo em viagens familiares e de estudo, com uma média diária de cerca de 100 a 200 grupos. Por seu turno, o presidente da União dos Guias Turísticos de Macau, Lei Man Hou, indicou que o movimento de excursões em Maio e Junho foi calmo do que o antecipado, pelo que afirmou que os guias locais trabalharam “escassos dias” por mês. Embora as visitas de estudo sustentem a actividade nos meses de Julho e Agosto, o responsável salientou que o número de excursionistas sofreu uma redução de 15 por cento em termos anuais, facto que faz com que os guias turísticos enfrentem, de uma forma geral, uma situação de subemprego.
Hoje Macau PolíticaPequim reitera ilegalidade de decisão arbitral sobre mar do Sul da China A China reiterou hoje que a decisão arbitral de 2016 sobre o mar do Sul da China é “ilegal, nula e sem força vinculativa”, a dois dias do décimo aniversário do acórdão. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “não aceita nem reconhece” a decisão e também não aceitará “quaisquer reivindicações ou acções baseadas no acórdão”. Mao referia-se à decisão proferida em 2016 pelo Tribunal Permanente de Arbitragem, em Haia, favorável às Filipinas, num processo relativo a várias zonas disputadas no mar do Sul da China. “O chamado acórdão não tem qualquer relação com o Código de Conduta”, afirmou a porta-voz, instando os Estados Unidos a não utilizarem a decisão para “criar obstáculos” à conclusão desse mecanismo. O Código de Conduta é um documento que a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão a negociar há vários anos para estabelecer regras de comportamento no mar do Sul da China, onde Pequim mantém disputas territoriais com vários países da região. O mecanismo visa desenvolver a Declaração sobre a Conduta das Partes no mar do Sul da China, assinada em 2002 pela China e pela ASEAN como quadro político para prevenir incidentes e gerir as tensões naquelas águas. Mao afirmou que o futuro código representa um “importante consenso” entre a China e os países da ASEAN e acrescentou que Pequim mantém o compromisso de acelerar as consultas com o bloco para alcançar um acordo “o mais rapidamente possível” e “salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade” na região. Pontos de vista A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa cerca de 30 por cento do comércio marítimo mundial e que alberga importantes recursos haliêuticos e potenciais reservas de hidrocarbonetos. As reivindicações de Pequim sobrepõem-se às de Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei. O acórdão de 2016 invalidou a base jurídica de várias reivindicações chinesas naquelas águas e deu razão a parte dos argumentos apresentados por Manila, ao considerar que várias zonas disputadas se encontram na zona económica exclusiva das Filipinas. As tensões entre a China e as Filipinas intensificaram-se desde a chegada ao poder do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., em 2022, com frequentes incidentes envolvendo navios e aeronaves dos dois países e um reforço da cooperação em matéria de defesa entre Manila e Washington.
Hoje Macau China / ÁsiaChina-Coreia do Norte | Xi Jinping e Kim Jong-un sublinham solidez dos laços bilaterais O 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países deu o mote para ambos os líderes passarem mensagens de união e cooperação O Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, sublinharam sábado a solidez dos laços bilaterais por ocasião do 65.º aniversário do tratado de amizade entre os dois países. Xi sublinhou que o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, assinado em 1961, estabeleceu uma “importante base política e jurídica” para consolidar uma amizade “selada com sangue” entre ambos os povos, numa referência à Guerra da Coreia, na qual participaram dois milhões de soldados chineses em apoio à Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos. O líder chinês afirmou ainda que, ao longo dos últimos 65 anos, ambas as partes seguiram o espírito do tratado, apoiaram-se mutuamente e cooperaram “ombro a ombro”, de acordo com a agência estatal Xinhua. O Presidente chinês recordou ainda que em Junho realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, durante a qual alcançou com Kim “consensos importantes”. “Estou disposto a estreitar ainda mais a comunicação estratégica” com Kim, afirmou Xi, reiterando que, “independentemente de como a situação internacional venha a mudar”, não se alterará a posição do Partido Comunista da China (PCC, no poder) e do Governo chinês de atribuir grande importância à “amizade tradicional” com a Coreia do Norte. Por seu lado, Kim Jong-un afirmou que o tratado estabeleceu uma base jurídica sólida para o desenvolvimento permanente da “amizade de combate” e da cooperação entre ambos os países, forjadas na luta pela “independência anti-imperialista, pela paz e pela causa socialista”, segundo a Xinhua. O líder norte-coreano assegurou que a amizade entre a Coreia do Norte e a China resistiu às mudanças históricas e descreveu-a como uma relação “inquebrável”. Kim acrescentou, por outro lado, que os laços bilaterais estão a atingir um novo patamar estratégico num contexto internacional “complexo”. Laços reforçados A troca de mensagens ocorre um dia depois de Xi ter recebido em Pequim o primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, que se deslocou à China para participar nas cerimónias comemorativas do aniversário do tratado. Este novo contacto surge na sequência da viagem de Estado de Xi à Coreia do Norte em Junho, num contexto marcado pelo aprofundamento dos laços entre Pyongyang e Moscovo e pelos esforços de Pequim para reafirmar a sua influência sobre o vizinho. Durante essa visita, Pequim propôs também reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte. Os dois países têm uma fronteira comum de mais de 1.400 quilómetros e a China é o principal parceiro político e económico da Coreia do Norte, com um papel central nas trocas comerciais e fornecimento de alimentos e energia.
Hoje Macau DesportoDesporto | Preparadores físicos portugueses ganham espaço Apesar do forte investimento chinês em infraestruturas e condições de treino, ainda falta conhecimento ao nível da preparação física. Profissionais portugueses dão uma ajuda A crescente aposta da China na prevenção de lesões está a abrir espaço para preparadores físicos portugueses, cada vez mais presentes em projectos de alto rendimento no país asiático, da natação ao futebol e à esgrima. O mais recente exemplo é o de Nuno Pina, que regressou este mês a Pequim para voltar a assumir a preparação física do campeão olímpico e recordista mundial dos 100 metros livres, Pan Zhanle, depois de a Federação Chinesa de Natação o convidar para acompanhar o nadador até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Mas o caso de Nuno Pina está longe de ser isolado. João Faia integra a equipa olímpica de esgrima de Pequim, após ter trabalhado no clube de futebol Changchun Yatai, na época passada. Guilherme Pina, irmão de Nuno Pina e recordista português dos 1.500 metros livres, acompanha jovens nadadores no centro privado de alto rendimento SDM Sport Performance Centre, localizado no Parque de Chaoyang, o maior espaço verde de Pequim. Nestas instalações, que recebem atletas de várias modalidades, incluindo futebolistas com passagem por clubes portugueses, trabalham também os portugueses Tiago Serrão e Emanuel Martins. A estes juntam-se outros especialistas nacionais que passaram por projetos desportivos na China, como Fábio Martins (antigo fisioterapeuta na Equipa de Atletismo de Xangai), André Sousa (antigo preparador físico de vários atletas de nível nacional e olímpico no centro de alto rendimento para atletas da província de Zhejiang), Tomás Mendes (actual fisioterapeuta e osteopata no clube de futebol Shanghai Shenhua) ou Luís Mesquita (preparador físico de atletismo no Shanghai Research Institute of Sports Science, durante a preparação para os Jogos Nacionais da China de 2017). Falta conhecimento Para João Faia, a procura por especialistas estrangeiros intensificou-se à medida que a China aumentou a participação em competições internacionais e percebeu que precisava de reforçar áreas como a preparação física, a prevenção de lesões e a recuperação dos atletas. “Eles perceberam, nas competições internacionais, que os atletas estrangeiros estavam mais desenvolvidos na parte física. Começaram a valorizar cada vez mais essa componente e sentiram necessidade de evoluir”, explicou à Agência Lusa. Na sua opinião, o país asiático investiu fortemente em instalações, equipamentos e tecnologia, mas continua a precisar de importar conhecimento. “Na China, qualquer equipa olímpica tem acesso aos melhores equipamentos. O que nós acrescentamos é a capacidade de analisar esses dados e perceber o que é preciso alterar”, resumiu. Segundo o preparador físico, Portugal forma profissionais habituados a trabalhar com recursos mais limitados, uma realidade que favorece uma abordagem mais multidisciplinar e orientada para a resolução de problemas. “Em termos de educação, conhecimento e métodos de trabalho, os portugueses estão muito bem preparados”, defendeu. Nuno Pina partilha essa visão, atribuindo o reconhecimento dos especialistas portugueses à capacidade de integrar diferentes áreas do conhecimento. “Aquilo que os portugueses acrescentam na China passa pela capacidade de integrar na prática diferentes áreas do conhecimento: biomecânica, fisioterapia, treino de força, controlo da carga, recuperação e análise do movimento”, afirmou à Lusa. “Não olhamos apenas para o músculo ou para o exercício; olhamos para o atleta como um todo”, acrescentou. O maior desafio continua a ser alterar uma cultura de treino marcada por volumes elevados de trabalho desde idades muito precoces, observou Faia. “Quanto mais trabalhar, melhor. Essa ainda é muito a mentalidade. Nós acabamos quase por funcionar como um travão”, explicou. Também Guilherme Pina identificou essa realidade no trabalho diário com jovens nadadores. “Vejo grupos de 30 ou 40 miúdos, entre os oito e os 12 anos, a treinar com técnica rudimentar e volumes demasiado grandes. O risco de lesão é enorme”, afirmou à Lusa. Nuno Pina enalteceu a “enorme humildade intelectual e grande vontade de evoluir” que encontrou no país asiático. “Não é alguém que vai ensinar e outro que vai aprender. Ambos crescemos através desta colaboração”, realçou.
Hoje Macau CulturaNova Revista de Cultura lançada com tema “Filosofia Natural” Está disponível o novo número da Revista de Cultura (Edição Internacional), dedicada ao tema “Filosofia Natural”, que pode adquirida por 150 patacas nos Arquivos de Macau, Museu de Arte de Macau, na Plaza Cultural Macau e no site do Instituto Cultural (IC). A edição, elaborada em coordenação com o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), tem como “finalidade evocar uma reflexão pública sobre a relação entre o Homem e o mundo natural, construindo uma plataforma que demonstre os saberes ancestrais da China, da Índia e a tradição filosófica europeia”. O IC salienta dois artigos, que abrem esta edição. “O primeiro analisa a eco-meditação taoista como uma saída para a ‘policrise’ civilizacional e para o domínio tecnocientífico moderno”, enquanto “o segundo, oferece um estudo sobre filosofia ambiental contemporânea e o projecto chinês de eco-civilização, o qual reinterpreta a relação entre ética, política e natureza”. O IC refere que “as dimensões culturais e estéticas da natureza são abordadas através do estatuto ecológico da poesia de Macau, da filosofia natural nas artes marciais chinesas, bem como da cultura dos jardins e da pintura na dinastia Ming, com especial destaque para a obra de Tang Yin e para a escola da poesia paisagística”. É indicado ainda que a mais recente edição da Revista de Cultura “oferece uma visão global da natureza como princípio ontológico, estético e ético, indispensável ao equilíbrio do mundo natural”.
Hoje Macau EventosFórum de Macau | Semana Cultural levou ritmos lusófonos a Pequim Pequim voltou a receber, após a estreia no ano passado, os espectáculos de música e dança da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, depois dos eventos organizados em Macau e em Qinghai. Num comunicado emitido na sexta-feira pelo secretariado permanente do Fórum de Macau, os concertos na capital chinesa deram “continuidade ao diálogo entre as civilizações chinesa e lusófona”. No discurso de abertura, no fim da tarde de quinta-feira, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, afirmou que a iniciativa itinerante deu continuidade “ao modelo de ‘três cidades em sinergia’ que permite a realização sucessiva de actividades em Macau, Qinghai e Beijing, evidenciando o papel de Macau enquanto plataforma”. Por seu lado, o embaixador da Guiné-Bissau, António Serifo Embaló, afirmou que “a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, através da música como ponte, consegue aproximar diferentes visões do mundo, reforçar a confiança mútua e criar em conjunto afinidades que atravessam fronteiras”. Os espectáculos dos grupos de Pequim, Macau e dos países lusófonos animaram o Teatro Concha do Parque Chaoyang na quinta e sexta-feira, rematando a edição deste ano da Semana Cultural.
Hoje Macau SociedadeCasinos | Associação apela a mais formação para prevenir transmissões Foram noticiados recentemente vários casos de pessoas apanhadas a filmar, e transmitir em directo, mesas de jogo em casinos de Macau para colocar apostas a pedido de terceiros. Na sequência desses casos, a Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau apela às concessionárias de jogo para reforçarem a formação profissional de funcionários, croupiers e da equipa de segurança, para combater estes actos. Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Song Wai Kit, aponta que as filmagens não só violam a lei através de jogo ilegal, como colocam em perigo a segurança financeira de Macau e podem fomentar branqueamento de capitais. O responsável argumentou que apesar do possível reforço da fiscalização da polícia e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, as autoridades têm recursos humanos limitados, factor que não afecta os casinos. Daí o pedido aos casinos para apostarem no combate a este fenómeno, cobrindo áreas maiores das zonas de jogo. Além disso, Song Wai Kit observou que tem sido evidente nos últimos anos o desconhecimento de turistas em relação à proibição de filmar dentro de casinos, chegando ao ponto de serem partilhados nas redes sociais vídeos que mostram as áreas de jogo. Como tal, o responsável sugeriu ao Governo e concessionárias que ampliem a consciência dos visitantes para as leis de Macau.
Hoje Macau China / ÁsiaCoreia do Sul emite alerta de calor extremo pela primeira vez A Coreia do Sul emitiu ontem o primeiro alerta para calor extremo, um novo nível criado este ano em antecipação de eventos climáticos extremos ligados às alterações climáticas, devido a uma forte onda de calor no sudeste do país. “A Administração Meteorológica da Coreia (KMA) emitiu um aviso de calor extremo hoje (ontem) para duas cidades na parte sul da província de Gyeongsang do Norte: Gyeongsan e Pohang”, disse a directora da agência, Lee Mi-seon, em conferência de imprensa. Enquanto o alerta estiver em vigor, recomenda-se a suspensão de “todas as actividades ao ar livre, incluindo o trabalho e o desporto, na medida do possível”, acrescentou. De acordo com o novo sistema, é accionado um alerta máximo quando uma região regista temperaturas máximas de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos e a previsão indica temperaturas acima dos 39°C durante pelo menos um dia. “Esta é a primeira vez que este alerta é emitido” desde a sua implementação, explicou Lee. Segundo a directora, as zonas afectadas registaram temperaturas acima dos 35°C na sexta-feira e no sábado, e a previsão é que atinjam hoje pelo menos 38°C. O alerta máximo “indica condições em que mesmo pessoas saudáveis correm risco significativamente maior de desenvolver problemas de saúde graves”, alertou. Cada vez mais quente Embora o alerta máximo esteja actualmente em vigor em apenas duas cidades, grande parte do país está sob alertas de calor de nível inferior, emitidos quando a previsão é de uma temperatura de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos. De acordo com a KMA, o número médio de dias de ondas de calor no país aumentou de oito na década de 1970 para 19 nos últimos cinco anos. Um dia de onda de calor é definido como aquele em que a temperatura máxima é de, pelo menos, 33°C. Em todo o mundo, as ondas de calor estão a tornar-se mais intensas e frequentes devido às alterações climáticas. Nos Estados Unidos, aproximadamente 44 milhões de pessoas estão a sofrer com uma onda de calor, com temperaturas máximas previstas entre os 38°C e os 43°C em vários estados. A Europa Ocidental enfrenta a sua terceira onda de calor, depois de ter registado o Junho mais quente da sua história. O calor extremo na região já provocou pelo menos 1.300 mortes desde 21 de Junho, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em França, 24 milhões de pessoas estão actualmente sob alerta máximo de onda de calor, de acordo com um cálculo da agência de notícias AFP baseado em dados anuais do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE).
Hoje Macau SociedadeDocentes universitários de Timor-Leste formados em Macau A Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciou que irá dar formação a professores da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL). Num comunicado divulgado na quinta-feira, a UPM indicou que recebeu na RAEM a visita de uma delegação da instituição de ensino superior timorense, liderada pelo reitor Joviano António da Costa. As duas universidades falaram em Macau sobre a promoção da cooperação tanto académica como em investigação, incluindo o intercâmbio de estudantes e investigadores. A instituição comprometeu-se a “oferecer formação avançada para professores e programas de pós-graduação para docentes e investigadores” da UNTL. As universidades discutiram ainda temas como o crescente papel da tecnologia digital nas humanidades e na linguística aplicada, tecnologia de tradução e o papel da IA na geração de textos em língua portuguesa. A UPM recordou que a visita aconteceu na sequência de um protocolo de cooperação, assinado em Novembro, que prevê ainda o reforço dos laços na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português. O acordo foi assinado à margem da 15.ª conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), que decorreu na capital de Timor-Leste no final de Novembro. A reunião anual das universidades e politécnicos lusófonos foi uma organização conjunta da UNTL, da Universidade Católica Timorense São João Paulo II e da Universidade de Díli.
Hoje Macau Manchete SociedadePaíses hispânicos | Macau é “largamente desconhecido” Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono. Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”. O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”. O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras. Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”. O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano. “Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou. Poderio económico A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025. O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola. Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”. “Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno. Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”. Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong. Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China. Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas. “Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou. O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”. “Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.