Zhongshan | Sam Hou Fai defende serviços transfronteiriços para residentes

O Chefe do Executivo recebeu na quarta-feira o presidente do Município de Zhongshan, Yin Nianhong, com quem discutiu assuntos relacionados com turismo, prestação de serviços a residentes da RAEM que moram na cidade vizinha e a partilha das oportunidades suscitadas pelo desenvolvimento de Hengqin.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “concordou com a ideia de estabelecer balcões de serviços governamentais transfronteiriços em Zhongshan” para os mais de 30 mil residentes de Macau que residem na cidade.

O governante da RAEM sugeriu também a criação de pacotes turísticos multi-destinos com Zhongshan numa “única viagem”, para “ampliar o impacto do desenvolvimento sinergético cultural e turístico entre as duas regiões”. Sam Hou Fai, que nasceu em Zhongshan, defendeu o reforço da complementaridade entre as duas cidades e a capacidade de Hengqin para “atrair projectos tecnológicos de grande escala para Zhongshan”.

Por seu turno, Yin Nianhong agradeceu o apoio, de longa data do Governo da RAEM, ao desenvolvimento de Zhongshan e expressou o desejo de reforçar a cooperação com instituições de ensino superior e de investigação científica de Macau.

18 Set 2026

MIF | Países de língua espanhola participam pela primeira vez

A Feira Internacional de Macau (MIF) terá, pela primeira vez, um pavilhão dedicado aos países de língua espanhola, “reforçando o papel da cidade como plataforma” entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, foi ontem anunciado. “O recém-criado Pavilhão da Indústria dos Países de Língua Espanhola vai reunir expositores de 11 países de língua espanhola”, anunciou a organização em comunicado.

A feira decorre de 21 a 24 de Outubro no Venetian Macau, numa área de 16.000 metros quadrados, e é organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

O objectivo é “reforçar” o papel da plataforma China–Países de língua portuguesa e espanhola, “criar uma plataforma de oportunidades de negócio que ligue mercados externos, como os países de língua portuguesa, os países de língua espanhola e os países da ASEAN, e apoiar as empresas na expansão das suas operações internacionais”, indicou o IPIM.

A organização adiantou que a feira terá quatro áreas de exposição centrais. Uma delas é a de Tecnologia, centrada na inovação tecnológica em inteligência artificial e nas oportunidades científicas e tecnológicas da Grande Baía.

Outra área é dedicada à Indústria da Saúde, “para ajudar à expansão internacional da indústria da medicina tradicional chinesa e da saúde e à sua integração nos contextos de consumo modernos”.

Uma terceira, relativa ao Comércio, Investimento e Cooperação Industrial, será “dedicada a facilitar o encontro de negócios e a expansão nos mercados internacionais”.

A feira incluirá ainda uma área centrada nas empresas de Macau, “destinada a promover a melhoria da qualidade e a modernização das empresas de Macau e a expandir oportunidades de negócio tanto no mercado interno como no estrangeiro”, segundo o comunicado.

18 Set 2026

Espanha | Secretária reforça ideia de Macau como elo de conexão

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse na abertura do Fórum de Think Tanks que Macau deve ser uma ponte de ligação aos países de língua espanhola. A Fundação Cátedra China propôs a criação da “Rede China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa

Abriu ontem a edição deste ano do Fórum de Think Tanks, tendo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendido a estratégia governamental para que Macau seja uma ponte com o mercado da Península Ibérica.

A secretária disse que o 3º Plano Quinquenal de Macau, recentemente apresentado, está alinhado com a estratégia de Pequim para expandir a plataforma de Macau além dos países de língua portuguesa, chegando aos países de língua espanhola.

A secretária deixou algumas propostas de como esta aproximação pode ser feita, nomeadamente no reforço da investigação académica em áreas como a governação global, o multilateralismo e a aplicação do princípio “um país, dois sistemas”.

O Lam fez ainda um apelo para mais acções de intercâmbio de alunos e investigadores de forma a aproximar os territórios, defendendo que Macau vai continuar a usar as línguas como meio de aproximação a Portugal e Espanha, apoiando as iniciativas de política externa da China.

Inovar em rede

Entretanto, no mesmo Fórum, a presidente da fundação espanhola Cátedra China propôs a criação da “Rede Internacional China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa na governança global. “Vivemos num mundo monolingue e creio que temos de avançar no sentido do pluralismo da Iberofonia”, afirmou à agência Lusa Marta Ana Montoro Carrión.

Considerando essencial mudar a visão linguística do mundo “e torná-la muito mais multilateral”, Montoro Carrión notou que o português, o espanhol e o chinês “são línguas muito importantes e devem ser tratadas como tal em todas as novidades relacionadas” com inteligência artificial, nas universidades, nos centros de reflexão e centros de decisão.

Na apresentação, Montoro Carrión propôs a criação de “uma Rede internacional China–Iberofonia para o Diálogo entre Civilizações e a Governação Global”. Esta rede, reforçou, “não pretende competir com as diplomacias oficiais, mas sim alimentá-las e multiplicá-las”.

A ideia, continuou, passa por impulsionar consórcios académicos “para que o processamento da linguagem natural, as grandes bases de dados e os modelos de inteligência artificial não dependam exclusivamente do inglês”, garantindo que o chinês, o espanhol e o português sejam línguas de primeira linha na produção científica e tecnológica do futuro.

A fundação sugere, além disso, que a rede tenha sede em Macau: “Porque até agora esta questão não tem sido abordada como uma questão geopolítica e consideramos que é necessário começar a trabalhar neste sentido”.

O Fórum de Think Thanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026 está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações. O evento foi acolhido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

18 Set 2026

Mar do Sul | ASEAN e Vietname pedem contenção e regras face a tensões

A ASEAN e o Vietname pediram ontem, em Pequim, respeito pelo direito internacional, contenção militar e mecanismos eficazes de gestão de disputas, num contexto de tensões no mar do Sul da China.

O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, e o ministro da Defesa vietnamita, Phan Van Giang, intervieram na primeira sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China. Kao afirmou que a estabilidade estratégica não pode assentar apenas no equilíbrio militar, mas exige confiança de que a competição será gerida de forma “responsável”.

“A competição entre Estados é uma característica das relações internacionais, não uma anomalia”, afirmou o responsável da ASEAN, que defendeu um diálogo sustentado, respeito pelo direito internacional e mecanismos eficazes para reduzir riscos.

Sem mencionar expressamente o mar do Sul da China, Kao sublinhou que o Sudeste Asiático se encontra no centro de grandes correntes estratégicas e económicas, ligado a rotas marítimas vitais, cadeias globais de abastecimento e redes tecnológicas em rápida evolução.

Phan referiu-se directamente àquela zona, ao afirmar que o Vietname pretende acelerar a negociação e assinatura de um Código de Conduta para aquelas águas que seja “eficaz, efectivo e viável”.

O ministro vietnamita da Defesa defendeu ainda que as disputas no mar do Sul da China sejam resolvidas por meios pacíficos e em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

As declarações surgem num momento de frequentes tensões naquela zona, onde Pequim reivindica soberania sobre a maior parte das águas e países como Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei mantêm reivindicações sobrepostas.

Kao defendeu que as grandes potências têm uma “responsabilidade particular”, uma vez que as suas decisões moldam o ambiente estratégico dos restantes países, e apontou como medidas práticas canais fiáveis de comunicação em situações de crise, transparência sobre actividades militares, a notificação prévia de grandes exercícios e uma conduta profissional durante encontros entre forças militares.

O secretário-geral da ASEAN sustentou que a ordem regional deve assentar na igualdade soberana, na não ingerência, na resolução pacífica de disputas e na renúncia à ameaça ou ao uso da força. “O Indo-Pacífico deve ser uma região definida pelo diálogo e pela cooperação, não pela rivalidade”, afirmou Kao, que defendeu a “autonomia estratégica” da ASEAN.

Na mesma sessão, o ministro da Defesa de Singapura, Chan Chun Sing, alertou para a aceleração da corrida tecnológica em áreas como a inteligência artificial, o espaço e a robótica, salientando que a tecnologia militar “avança todos os dias, não todos os anos”, o que gera “novas incertezas” sobre o equilíbrio de poder.

17 Set 2026

Portugal candidata filme “A Memória do Cheiro das Coisas” aos Óscares

O filme “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, foi a obra escolhida para representar Portugal na candidatura à nomeação para os Óscares, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema.

“A Academia Portuguesa de Cinema felicita António Ferreira, a produtora, toda a equipa artística e técnica e os restantes profissionais envolvidos na realização de ‘A Memória do Cheiro das Coisas’, desejando-lhes o maior sucesso nesta nova etapa do percurso do filme”, pode ler-se no comunicado da academia.

O filme esteve em votação nas últimas semanas, entre os membros da academia, a par de “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. O filme de António Ferreira é uma narrativa ficcional que fala de racismo, envelhecimento e traumas de guerra.

A história centra-se em Arménio que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.

É em Hermínia, a mulher negra, que Arménio descarrega o preconceito e o racismo, ao mesmo tempo que revive, em pesadelos, o tempo em que combateu na Guerra Colonial em África.

Mensagens principais

À Lusa, antes da estreia, António Ferreira contou que quis fazer um filme sobre o envelhecimento, esse momento irreversível do fim da vida e ao mesmo tempo falar sobre o que ainda subsiste na sociedade portuguesa décadas depois do fim da guerra nos territórios colonizados.

Os militares portugueses “tiveram uma lavagem cerebral para ver o negro como inimigo. Quando a guerra acaba, o país tem uma revolução e ninguém explicou nada a estes homens o que foi aquilo que lhes foi metido na cabeça, nunca ninguém desmontou essas ideias e esses preconceitos que perduram ao longo de décadas”, lamentou António Ferreira.

O realizador, nascido em 1970, fez pesquisa junto de ex-combatentes, de psicólogos e inspirou-se na sua experiência pessoal, enquanto filho de um homem que ficou com marcas de guerra. “A Memória do Cheiro das Coisas” é protagonizado por José Martins no papel de Arménio, que tenta pacificar-se com o passado e com o envelhecimento enquanto se confronta com Hermínia, papel interpretado por Mina Andala.

O filme valeu a José Martins o prémio de melhor actor no Festival de Cinema de Xangai, na China, e a António Ferreira o de melhor argumento, co-escrito com Tiago Cravidão, no festival de cinema de Tânger, em Marrocos.

Co-produzido por Portugal e Brasil, “A Memória do Cheiro das Coisas” chegou aos cinemas portugueses em Novembro do ano passado e é quinta longa-metragem de António Ferreira, juntando-se a “A Bela América” (2023), “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2010) e “Esquece tudo o que te disse” (2002).

17 Set 2026

Concertos | Academia de Música da MUST actua em Portugal

Os poemas e canções presentes em “O Livro dos Cantares”, que contém muita da cultura da China antiga, estarão em destaque em três espectáculos que a Academia de Música da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau vai dar em Portugal a partir do dia 29 de Setembro

Um grupo vai apresentar em Portugal poesia e canções da China antiga, algumas com mais de três mil anos, disse esta terça-feira a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) à Lusa.

Um grupo da Academia de Música da MUST vai actuar em Lisboa, Aveiro e Porto entre 29 de Setembro e 3 de Outubro, num espectáculo que tem como base o Livro dos Cantares. Esta é uma antologia compilada a partir de obras de diferentes autores anónimos e é considerada a mais antiga coleção de poemas chineses, com 305 obras que datam dos séculos XI a VII a.C.

Mais de metade dos poemas eram provavelmente canções populares originais, que retratam temas como o amor, o casamento, o trabalho e a guerra. Outros incluem poemas judiciais e contos lendários que elogiam os fundadores da dinastia Zhou (1046-256 a.C.).

Primeira paragem

A MUST afirmou que Portugal foi escolhido como o primeiro destino da etapa internacional como homenagem à Rota Marítima da Seda. O grupo segue depois para a Gran Canaria e Tenerife (Espanha) e, finalmente, para Milão (Itália).

A Rota Marítima da Seda foi uma antiga rede de rotas comerciais marítimas que ligava a China ao Sudeste Asiático, à Índia, ao Médio Oriente e à Europa desde o século II a.C., tendo florescido até ao século XV d.C.

“Portugal foi o país que inaugurou a Era dos Descobrimentos e serviu como ponto de partida europeu para a extensão para ocidente da Rota Marítima da Seda, enquanto Macau foi o mais importante centro de intercâmbio marítimo entre Portugal e o Oriente durante esse período”, afirmou a MUST, numa resposta escrita.

“Ao mesmo tempo, Portugal tem uma longa tradição poética, o que constitui um ponto de convergência natural para um diálogo entre a sua cultura poética e a do Livro dos Cantares”, acrescentou a universidade.

A MUST afirmou que o espectáculo vai inspirar-se nas características fonéticas e rítmicas antigas da antologia, procurando “recriar a música de corte do Livro dos Cantares no palco contemporâneo”.

“Com a promoção da excelente cultura tradicional chinesa como núcleo espiritual, o concerto mergulha profundamente nos sentimentos humanísticos, ideais morais e universos estéticos embutidos na tradição literária milenar do Livro dos Cantares, destacando a integridade, o carácter e as aspirações espirituais únicos dos literatos chineses”, salientou.

17 Set 2026

IA | Huawei quer competir com Nvidia nas infraestruturas

A chinesa Huawei estabeleceu como objectivo competir com a Nvidia nas infraestruturas para inteligência artificial, recorrendo aos seus próprios chips e sistemas de computação para tentar compensar a desvantagem da China face aos Estados Unidos em capacidade de processamento.

Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, afirmou, num encontro com novos funcionários, que desenvolver agentes de IA competitivos a nível mundial representa uma “oportunidade importante” para a empresa.

O responsável reconheceu que a China está atrás dos Estados Unidos em capacidade de processamento, embora tenha considerado que o país possui vantagens na aplicação de dados e em cenários industriais e dispõe de uma reserva de talento aproximadamente ao mesmo nível da norte-americana, segundo noticiou ontem o portal económico Yicai.

A Huawei procura reduzir esta diferença através dos processadores Ascend e de uma arquitectura que permita agrupar grandes quantidades de chips em sistemas como os SuperPoD, em vez de tentar competir apenas pela capacidade individual de cada semicondutor.

Guo mencionou especificamente os Ascend 950 e afirmou que a empresa pretende obter vantagem através de inovações na arquitectura e de grandes aglomerados de computação, visando resolver problemas práticos e melhorar a experiência dos clientes.

A estratégia também não passa pelo desenvolvimento de um modelo próprio de IA, mas por fornecer a infraestrutura necessária para executar modelos de diferentes programadores através dos sistemas Ascend, Kunpeng e SuperPoD.

Lei da concorrência

Guo afirmou ainda que a Huawei “não tem planos para alargar as suas áreas de negócio” e pretende “oferecer opções diversificadas para o desenvolvimento da IA”.

A aposta assume particular relevância perante as restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso da China a chips avançados, que levaram Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais. Os processadores Ascend da Huawei tornaram-se um dos principais concorrentes chineses dos processadores da Nvidia.

As declarações surgem ainda em pleno debate internacional sobre a IA, depois de responsáveis como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, ou Elon Musk, da xAI, terem defendido nos últimos dias um abrandamento do desenvolvimento desta tecnologia por razões de segurança, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou essa possibilidade, considerando que poderia favorecer a China na corrida tecnológica.

O debate voltou a colocar a competição entre Pequim e Washington no centro da discussão sobre o futuro da IA, tanto em relação à liderança tecnológica como à possibilidade de estabelecer mecanismos comuns para controlar os riscos associados à tecnologia.

17 Set 2026

Irão | Pequim diz estar pronto para defender “interesses legítimos” de Teerão

A China está disponível para defender os “interesses legítimos” do Irão no contexto do conflito no Médio Oriente e pediu ontem a Teerão e Washington que actuem com “racionalidade” e “contenção”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

“A China e o Irão estão ligados por uma parceria estratégica abrangente. A China está disponível para reforçar o diálogo e a cooperação com o Irão e defender eficazmente os seus direitos e interesses legítimos”, disse Wang Yi, citado num comunicado do ministério.

O chefe da diplomacia chinesa reuniu-se em Pequim com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, pouco antes de uma visita prevista do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, no final de Setembro, durante a qual deverá reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

O conflito no Médio Oriente deverá estar entre os temas em discussão. A China é um dos principais parceiros económicos do Irão, ao qual compra grande parte do petróleo exportado pelo país, e um importante aliado diplomático de Teerão.

“Encorajamos o Irão e os Estados Unidos a agirem de forma racional e a mostrarem contenção”, a regressarem rapidamente ao memorando de entendimento alcançado em Junho sob mediação do Paquistão e a “reestruturarem os mecanismos de negociação”, afirmou Wang.

“Não queremos ver as tensões regionais alastrarem ao Iémen e ao mar Vermelho”, acrescentou. O Iémen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em Julho para o conflito desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, iniciada no final de Fevereiro.

No início de Setembro, os rebeldes houthis lançaram uma grande ofensiva e apoderaram-se de toda a costa iemenita voltada para o mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.

17 Set 2026

Ctrip | Voos de turismo espacial por 660 mil euros

A maior agência de viagens da China, a Ctrip, incluiu ontem no seu catálogo um pacote de turismo espacial da Virgin Galactic para 2027 por 5,1 milhões de yuan por pessoa.

A oferta, disponível na aplicação da Ctrip, tem como ponto de partida Las Cruces, no estado norte-americano do Novo México, e reserva os primeiros quatro dias para actividades e preparação antes do voo, previsto para o quinto dia. O itinerário inclui uma visita ao Spaceport America, o porto espacial a partir do qual opera a Virgin Galactic, treino numa cabine simulada e um ensaio geral antes da descolagem, ficando o sexto dia reservado para o regresso.

O preço inclui, entre outros serviços, cinco noites de alojamento, actividades de preparação e o voo espacial, mas não abrange as viagens de avião para os Estados Unidos, o visto e outras despesas pessoais, segundo a informação disponibilizada pela Ctrip. A plataforma apresenta ainda um contador que indica 681 unidades vendidas.

17 Set 2026

Crime | Detido por apanhar auscultadores esquecidos

Um homem foi detido na sexta-feira por ser suspeito de se ter apropriado de uma caixa de auscultadores perdida. A informação foi revelada ontem, e o detido é um trabalhador não residente do Interior suspeito do crime de apropriação em caso de acessão ou de coisa achada.

A investigação do caso começou depois de um residente local ter parado a mota na Estrada Marginal da Areia Preta, por volta das 19h50 de 21 de Julho, para atender uma chamada telefónica. No entanto, quando arrancou esqueceu-se da caixa no local.

Cerca de 10 minutos depois regressou, mas a caixa tinha desaparecido. Fez queixa e calculou o prejuízo em 1.500 patacas. Após investigação e com recurso ao sistema de videovigilância Olhos no Céu, a PSP identificou o suspeito e interceptou-o na passada sexta-feira no seu local de trabalho, na Rua do Praia da Manduco. A caixa de auscultadores foi recuperada. Questionado pelas autoridades, o detido confessou a prática do crime e mostrou-se disponível para indemnizar a vítima.

17 Set 2026

Centros de saúde | Lançado serviço que antecipa consultas

O subdirector dos Serviços de Saúde, Tai Wa Hou, revelou ontem que será lançado em breve um serviço que irá prestar informações ao médico antes das consultas. Este serviço, que o responsável não explicou se seria promovido através de uma máquina, ou de qualquer outra tecnologia, vai arrancar primeiro nos centros de saúde, antes de chegar às urgências hospitalares.

O serviço, prometido pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura na Assembleia Legislativa no final de Julho, permite introduzir informações do utente enquanto espera para entrar no consultório, incluindo sintomas. Os dados são analisados por um software de inteligência artificial e enviados para o médico para auxiliar no diagnóstico.

Tai Wa Hou salientou que a tecnologia será testada em centros de saúde ainda este ano e que, após avaliação de eficácia, será expandida aos hospitais e serviços de urgência. As autoridades esperam que a ferramenta digital ajude a reduzir o tempo de espera e melhorar o atendimento.

O subdirector dos Serviços de Saúde acrescentou que será dada assistência a idosos, ou quem não está familiarizado com produtos digitais, por profissionais de saúde e pessoal de triagem.

17 Set 2026

Areia Preta | MRU abre arrendamento de 95 lojas no Lote P

Os espaços comerciais no Lote P da Areia Preta estão disponíveis para arrendamento, indicou ontem a Macau Renovação Urbana (MRU) em comunicado. As 95 lojas estão localizadas nos edifícios Ut Koi e Lok Koi, destinados à habitação temporária, e nos seis blocos do Pearl Metropolitan, o complexo construído para os compradores lesados do Pearl Horizon.

Os espaços comerciais ocupam uma área total de cerca de 32.000 metros quadrados e situam-se em zonas exclusivamente pedonais, ao longo da Avenida do Nordeste, da Rua da Pérola e da Avenida da Pérola Oriental.

Segundo a MRU, os espaços comerciais estão destinados a cafetarias e restauração, comércio a retalho e supermercados, assim como para espaços de lazer e serviços de apoio de dia.

A empresa de capitais públicos refere que tem como objectivo criar uma zona comercial dinâmica, atraindo marcas comerciais diversificadas e salienta a boa localização das lojas, próximas dos acessos à Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, da Ponte de Macau, e dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao.

Foi realizada na segunda-feira uma sessão para esclarecer dúvidas de agentes imobiliários sobre os detalhes do arrendamento dos espaços.

17 Set 2026

IPOR | Mais de dez universidades suspendem português na China

Mais de dez universidades no Interior da China suspenderam estudos de língua portuguesa nos últimos três anos, após um pico de cerca de 60 instituições com oferta curricular, indicou o Instituto Português do Oriente

“Existem 39 universidades da China com cursos de português, a que somamos mais cinco de Macau, ou seja, 44 no total”, referiu à Lusa a direcção do Instituto Português do Oriente (IPOR). O pico da oferta formativa, continuou o IPOR, “foi no ano lectivo 2022/2023, com cerca de 55 a 60 universidades a proporcionarem estudos em português”. “Não conseguimos ter dados exactos”, reforçou o instituto, que tem como missão preservar e difundir a língua e a cultura portuguesas no Oriente.

A Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, foi um dos estabelecimentos visados, notou à Lusa o académico da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Manuel Duarte João Pires, que leccionou anteriormente naquela instituição do Interior da China.

“Tinha um programa de ‘minor’, que era um programa de 2+2, ou seja, de dupla certificação, e agora não tem”, reflectiu o académico, também autor do estudo “Vinte anos de ensino de Português na China: exponencial, saturado e o futuro”, publicado em Agosto. Na investigação, Pires traça o percurso do ensino da língua portuguesa na China, com o primeiro curso de licenciatura a ser estabelecido no Instituto de Radiodifusão de Pequim (hoje Universidade de Comunicação da China), “focado em formar profissionais para atender à demanda de relações diplomáticas com países de língua portuguesa, especialmente aqueles de África que então lutavam pela independência”.

Depois de uma suspensão e “envio de muitos professores e alunos para trabalhos rurais” durante a Revolução Cultural (1966-1976), houve “um renascimento do ensino de línguas estrangeiras”.

Nas últimas duas décadas, o ensino da língua portuguesa passou de uma presença residual para uma expansão acelerada. Até 2005, aponta o autor, apenas três universidades ofereciam licenciaturas em português, mas a “globalização e modernização da China” e a intensificação das relações económicas com países de língua portuguesa, sobretudo Brasil e Angola, transformou o idioma numa ferramenta de empregabilidade.

Dezenas de instituições abriram cursos, num crescimento descrito como exponencial: de acordo com fontes consultadas pelo autor, no ano lectivo 2012/2013 eram 19 universidades; em 2017 chegavam a 37 e em 2022 contabilizavam-se 56, com mais de seis mil alunos e mais de 300 professores.

Momento disruptivo

Nos últimos anos, porém, esse crescimento entrou em fase de estagnação, com a suspensão de cursos e universidades a redimensionarem a oferta.

“Depois veio a pandemia, agora a questão da inteligência artificial [IA], também os cursos de STEM [sigla para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática], muito procurados pelas famílias, pelo meio académico”, indica Pires.

A articulação com a sociedade civil, particularmente com empresas e instituições que operam no espaço de língua portuguesa, é essencial para a revitalização do português na China, defende. “Vejo isso muito parado, não sei se por questões políticas, mas a sociedade civil entrar na universidade é algo muito difícil”, refere à Lusa. Estágios profissionais integrados nos planos de estudo, projectos desenvolvidos em colaboração com empresas e a participação regular de profissionais activos nas universidades podem ajudar a reduzir o fosso entre a formação académica e as exigências do mundo profissional, propõe-se na investigação.

O autor sugere ainda a “diversificação dos enfoques de ensino a favor de abordagens especializadas adaptadas às necessidades específicas de diferentes sectores profissionais”.

No contexto chinês, completa, esta adaptação pode assumir “formas concretas como a criação de programas interdisciplinares onde o português fosse ensinado como ferramenta de trabalho”, em áreas como engenharia civil, para projectos em Angola ou Moçambique, saúde pública, para cooperação com o Brasil, ou comércio electrónico, para plataformas digitais como a Ali Express nos mercados de língua portuguesa.

À Lusa, o investigador salienta que este processo de estagnação, face ao crescimento da IA, não é exclusivo do português, mas alcança o ensino de línguas em geral.

“Desde o início que se associa à língua ao seu poder económico. Ou seja, isso é indissociável”, ressalva, sublinhando que “a médio prazo” o lugar do português vai depender sempre das relações económicas e políticas com os países da esfera da lusofonia. “Já chegou também a um patamar de 56 universidades, não haverá muito mais para crescer a nível de ensino superior”, complementa, notando que “o crescimento exponencial não é sempre infinito” e este talvez seja um “processo natural”.

Pires admite que a situação é diferente em Macau, onde o português é uma das línguas oficiais”: “É mais difícil as coisas mudarem como muda no Interior da China, onde há uma perspectiva mais pragmática, mais económica em relação aos cursos”.

17 Set 2026

Zona A | Admitidas 22 propostas para construir escolas

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) admitiu 22 de 24 propostas submetidas a concurso público para as “Obras de superestrutura no terreno para fins educativos do lote B1 da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Este-2 de Macau – Zona 1”, ou seja, na Zona A dos Novos Aterros.

Segundo uma nota da DSPOP, os orçamentos apresentados variam entre 460 milhões e mais de 530 milhões de patacas, com prazos de execução de obra que rondam os 503 e 504 dias de trabalho.

A obra será feita numa área superior a 30 mil metros quadrados, sendo construídas quatro escolas e um centro de actividades educativas. Por sua vez, a cave destina-se ao parque de estacionamento e zona para a tomada e largada de crianças. As obras devem começar no segundo trimestre de 2027.

17 Set 2026

Justiça | Julgamento de Au Kam San arrancou com forte presença policial

O julgamento do ex-deputado Au Kam San começou ontem à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão.

Vários agentes da polícia foram mobilizados ontem de manhã para o exterior do Tribunal Judicial de Base (TJB), onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa.

Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB.

17 Set 2026

Hengqin | Mais de metade de inquiridos satisfeitos

Um inquérito da Associação Geral das Mulheres de Macau revela que 75 por cento dos residentes inquiridos estão satisfeitos com os serviços e infra-estruturas promovidas por Hengqin, nomeadamente ao nível de serviços governamentais, saúde, recursos educativos e transportes públicos.

Segundo um comunicado, o estudo, cujos resultados foram divulgados esta terça-feira, mostram também que a fatia de 90,6 por cento dos residentes entrevistados mostram-se satisfeitos com as zonas de consumo para as necessidades do dia-a-dia e outros serviços.

A equipa responsável pelo inquérito disse que os dados mostram que o fomento da integração de Macau com Hengqin continua a gerar resultados e a injectar vitalidade na diversificação da economia local. Além disso, mostram ainda como a Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin se vai tornando, cada vez mais, numa opção para as famílias da RAEM que procuram mais qualidade de vida.

17 Set 2026

Gaza | ONU pede acesso para investigadores internacionais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos pediu ontem acesso para investigadores internacionais à Faixa de Gaza “para ajudar na recolha de provas”, que poderão indicar possíveis violações e crimes de guerra cometidos por Israel.

“Estão a ser exumados, actualmente, em locais devastados pelos ataques israelitas, os restos mortais do que parecem ser famílias inteiras”, declarou Volker Turk, em comunicado, sublinhando que “a descoberta de um grande número de corpos sob os escombros na cidade de Gaza reacende as preocupações sobre crimes de guerra e outros crimes atrozes”.

“Temo que os restos mortais encontrados até agora representem apenas a ponta do icebergue. Grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeamentos israelitas ou por operações de demolição e remoção de escombros com recurso a maquinaria pesada e explosivos. Ainda hoje, muitas zonas de Gaza onde o Exército israelita está posicionado continuam a ser niveladas por tratores, sem qualquer respeito pelos mortos que jazem sob os escombros”, acrescentou.

Assim, para “preservar as provas de violações, incluindo nos locais destruídos”, Turk pediu “que os investigadores internacionais tenham permissão para aceder a todas as zonas de Gaza de forma a ajudar na recolha de provas”.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos referiu que “Israel recusa a entrada de maquinaria pesada destinada à remoção de escombros”.

Cuidar dos mortos

Segundo o órgão da ONU, a Defesa Civil palestiniana recuperou mais de 630 corpos e outros restos humanos dos escombros de edifícios destruídos em toda a Faixa de Gaza entre Novembro de 2025 e Setembro de 2026. A Defesa Civil palestiniana estimou que mais de 8.000 pessoas dadas como desaparecidas estejam sob os escombros.

“É necessário fazer todo o possível para documentar e identificar estas vítimas, preservar os dados médico-legais e as amostras biológicas, registar os locais de sepultamento e informar as famílias”, indicou Turk.

Entre 27 de Junho e 27 de Agosto, a Defesa Civil palestiniana retirou de 233 corpos dos escombros de 20 edifícios destruídos, sobretudo na cidade de Gaza. Entre estes corpos, foram contabilizadas 74 crianças e 106 mulheres.

“O direito das famílias a saber o destino dos seus entes queridos não se limita à identificação e a um enterro digno. Elas merecem saber toda a verdade”, declarou o alto-comissário da ONU.

16 Set 2026

Mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas após inundações

O Nepal declarou ontem que mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas no país, incluindo 610 estrangeiros, quase três semanas depois de uma enxurrada ter atingido o país e a vizinha região chinesa do Tibete.

O balanço mais recente da Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA, na sigla em inglês) situa em 1.399 o número de corpos e restos mortais recuperados e em 4.089 o número de desaparecidos. Entre os desaparecidos, há duas portuguesas.

Apenas 103 mortos foram entregues às suas famílias até à data, enquanto as autoridades prosseguem uma grande operação para identificar os restos mortais recuperados. Muitos corpos foram sepultados temporariamente em locais como Gokarna ou Pokhara, após a recolha de amostras genéticas.

Segundo a polícia nepalesa, as autoridades recolheram cerca de 3.200 amostras de ADN, dos quais 1.300 referem-se aos restos mortais recuperados e 1.900 de familiares que procuram os seus entes queridos, incluindo amostras obtidas no estrangeiro para ajudar na identificação de turistas desaparecidos.

Pensar o futuro

Na segunda-feira, o primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, reuniu-se com os responsáveis dos governos locais dos distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Tanahun — as zonas mais afectadas pelas cheias — para discutir as operações de busca em curso e o futuro plano de reconstrução, cujo custo estimado pelo Governo ultrapassa 4,7 mil milhões de dólares.

“Os representantes da população manifestaram o seu compromisso em desenvolver áreas verdes nas regiões ribeirinhas afectadas pelas cheias e em avançar com o realojamento das comunidades para locais seguros nas proximidades”, escreveu na segunda-feira, na rede social Facebook, o director da NDRRMA, Dharam R. Uprety.

As análises realizadas até ao momento indicam que as enxurradas de 26 de aAosto começaram com o colapso de um glaciar a grande altitude, em território nepalês — uma explicação aceite pela China e posteriormente corroborada pelas análises de satélite internacionais.

A avalanche de gelo, rochas e lama atingiu também o Tibete, onde as autoridades chinesas contabilizam 43 mortos e 519 desaparecidos. Entre as pessoas ainda não localizadas, 261 são estrangeiros oriundos de 23 países.

16 Set 2026

FM | História de Macau traduzida para português e inglês

A Fundação Macau (FM) acaba de editar as versões em português e inglês de uma obra ilustrada sobre a história de Macau. Em português, a obra intitula-se “Esta cidadezinha ao longo do tempo – Uma introdução simples à história de Macau”, da autoria de três académicos locais: Alex Chan, Alex Lou e Sio Kit Meng.

Segundo um comunicado da FM, a versão original, em chinês, foi editada em 2022, estando organizada em cinco partes e 20 capítulos. O livro conta a história do território desde a “Idade da Pedra” até 1945. A tradução aconteceu para a “eliminação das barreiras linguísticas na disseminação cultural” e também para “promover a história e cultura de Macau”.

A FM destaca como a tradução desta obra vai permitir que “a história de Macau não seja apenas partilhada entre leitores chineses, ajudando a construir uma base sólida para a disseminação internacional da história e cultura de Macau”.

O livro já vendeu mais de 3.500 exemplares desde que foi publicado, indo já na terceira edição. A tradução para português foi feita por Mu Shuang, mestre pela Universidade de Macau, cujo trabalho foi revisto pelo sinólogo, autor e docente Giorgio Sinedino, director do Centro de Ensino Bilingue e Formação em Chinês e Português da Universidade de Macau.

A FM destaca como os livros, nas versões traduzidas, se mantém “fiéis ao conteúdo e essência do original, contendo uma linguagem clara e fluente”, a fim de permitir um maior acesso por parte dos leitores.

Cada livro tem um custo de 50 patacas e está à venda em diversos locais, como a Livraria Portuguesa e outras livrarias, estando a ser planeado, para breve, o seu envio para as escolas do território.

16 Set 2026

Idosos | Promovido uso de robôs domésticos na China

As autoridades chinesas estão a promover robôs domésticos, dispositivos de monitorização da saúde e soluções inteligentes de cuidados para idosos, com o objectivo de estimular o “consumo de casas inteligentes”.

O Ministério do Comércio e outros sete departamentos emitiram na segunda-feira um aviso que delineia o Plano de Acção para a Promoção do Consumo Doméstico Inteligente.

O plano apoia a “remodelação adaptada aos idosos” e as “modernizações inteligentes de imóveis mais antigos”, e tem como objectivo “expandir a oferta de produtos de alta qualidade para satisfazer as necessidades de consumo de diferentes grupos”.

“Promover produtos adaptados aos idosos, tais como robôs de serviço doméstico, dispositivos de monitorização da saúde e soluções de cuidados inteligentes, e incentivar as empresas a adoptarem princípios de design adaptados aos idosos em áreas como o tamanho dos produtos, a facilidade de utilização, o reconhecimento de dialectos e as funcionalidades de segurança”, refere o comunicado.

O plano apela também à promoção da certificação de produtos para idosos no sector das casas inteligentes adaptadas aos idosos, com o Governo chinês a afirmar que irá subsidiar a aquisição de novos produtos para casas inteligentes, destinados a substituir mobiliário tradicional.

No final de 2025, a população chinesa com 60 anos ou mais tinha atingido os 323 milhões, representando aproximadamente 23 por cento da população total do país, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas.

16 Set 2026

Visita | MNE iraniano chega hoje a Pequim

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniana vai reunir-se hoje, em Pequim, com o homólogo chinês, Wang Yi, anunciou onten a diplomacia chinesa, num breve comunicado sem mais pormenores sobre o encontro.

A visita de Abbas Araghchi ocorre num momento de incerteza no conflito que opõe, desde Fevereiro, Estados Unidos, Israel e Irão, depois de Teerão ter sublinhado ontem de manhã (hora local) que não negociará com Washington enquanto não forem cumpridas as suas condições.

A posição iraniana surgiu em resposta às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou na segunda-feira estar disponível para dialogar com Teerão.

No domingo, Araghchi disse que os Estados Unidos devem regressar aos “compromissos estipulados no Memorando de Islamabad”, assinado em Junho entre Teerão e Washington, sob mediação do Paquistão, como condição para o Irão reabrir o estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra, em 28 de Fevereiro.

Desde o início do conflito, a China tem defendido uma solução negociada e feito repetidos apelos para o fim das hostilidades e o início do diálogo entre as partes, posição reiterada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun.

Pequim condenou repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que pediu respeito pela soberania e pela segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitos laços políticos.

A visita coincide ainda com a abertura, hoje, do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China (ver texto principal).

A instabilidade no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz deverão estar entre os temas em debate no encontro, juntamente com a guerra na Ucrânia e a competição tecnológica e militar entre Pequim e Washington.

16 Set 2026

China defende uso pacífico do cosmos após EUA reconhecerem ter armas em órbita

A China defendeu ontem o uso pacífico do espaço e pediu aos Estados Unidos para deixarem de expandir a presença militar naquele domínio, depois de Washington ter reconhecido, pela primeira vez, manter armas em órbita.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Pequim sempre defendeu a segurança espacial e opôs-se à militarização e à transformação do espaço num campo de batalha.

“Pedimos aos Estados Unidos que deixem de expandir a presença militar no espaço e salvaguardem, através de acções concretas, a estabilidade estratégica global”, afirmou o porta-voz, que não esclareceu se a China dispõe deste tipo de armamento em órbita.

Guo disse que Pequim espera que o espaço se torne “uma plataforma de cooperação e benefício mútuo para a humanidade” e afirmou que a China está disposta a trabalhar com todos os países na exploração e utilização pacíficas daquele domínio.

O diplomata reiterou ainda a oposição chinesa à militarização do espaço e defendeu a promoção do progresso científico e tecnológico no sector.

Agarrados às armas

Na segunda-feira, o secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, afirmou estar em curso um reforço da “preparação perante as ameaças existentes”, acrescentando que os Estados Unidos “têm armas de controlo espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra acções hostis dos adversários”.

Meink referiu que estas armas destinam-se a proteger as forças norte-americanas de acções hostis, embora a Força Aérea não tenha especificado que sistemas estão actualmente em órbita, quantos existem ou quando foram colocados no espaço.

O responsável anunciou, na conferência Air, Space and Cyber, realizada no estado de Maryland (costa leste), também progressos noutros programas espaciais norte-americanos, incluindo o desenvolvimento de um sistema de interceptores baseados no espaço e de uma constelação de satélites destinada a detectar e acompanhar alvos móveis a partir da órbita.

A China, por sua vez, estabeleceu como objectivo realizar uma missão tripulada à Lua antes de 2030 e avançar com a construção de uma futura base de investigação no polo sul lunar.

16 Set 2026

IA | Fórum chinês defende controlo mas rejeita lógica de blocos entre China e EUA

Governação das tecnologias emergentes, estabilidade estratégica e competição entre grandes potências, são temas em debate a partir de hoje em Pequim na 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China

Especialistas reunidos ontem em Pequim defenderam o reforço da supervisão humana, dos mecanismos de segurança e da cooperação internacional perante os riscos da inteligência artificial, rejeitando que outros países tenham de escolher entre China e Estados Unidos nesta tecnologia.

O debate decorreu no âmbito da 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, que será formalmente inaugurado hoje. A agenda deste ano inclui entre os principais temas a governação das tecnologias emergentes, a estabilidade estratégica e a competição entre grandes potências.

O antigo secretário-geral da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Vladimir Norov afirmou que os riscos associados à IA são “sérios” e defendeu que os governos reforcem a capacidade de supervisão, em conjunto com empresas tecnológicas e centros de estudos.

Norov alertou que a tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das instituições para a regular, defendendo a criação de mecanismos de partilha de informação sobre riscos e incidentes graves relacionados com a IA.

O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão e presidente da Associação de Inteligência Artificial da Ásia Central afirmou que os sistemas de IA estão a evoluir rapidamente e que “nenhum país consegue geri-los sozinho”.

O general reformado dos Emirados Árabes Unidos Obaid Al Ketbi, antigo alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros do país, afirmou que o avanço dos agentes de IA, capazes de planear, coordenar e executar tarefas complexas, obriga a colocar o controlo humano no centro das prioridades.

“Se deixarmos as coisas nas mãos da IA sem controlo humano, será realmente duro e difícil”, afirmou Al Ketbi, que defendeu uma regulamentação proporcional aos riscos.

Outra lógica

Os dois participantes rejeitaram também uma lógica de blocos entre Pequim e Washington. Norov afirmou que os países da Ásia Central não querem ser “consumidores passivos” de IA nem ser obrigados a escolher entre China e Estados Unidos, mas procuram uma “parceria, não dependência” e transferência de tecnologia.

Al Ketbi defendeu uma posição semelhante para o Médio Oriente, afirmando que a região deve poder cooperar com ambas as potências e, simultaneamente, desenvolver capacidades próprias.

O debate ocorre depois de responsáveis do sector tecnológico norte-americano terem defendido um abrandamento do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados devido aos riscos de segurança, posição rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera que uma maior regulamentação poderá beneficiar a China.

Pequim tem defendido nos últimos dias uma IA “orientada para o bem”, ao mesmo tempo que acusa Washington de utilizar argumentos relacionados com a segurança para limitar o desenvolvimento tecnológico chinês.

16 Set 2026

Saúde | Nick Lei pede reforço de apoio psicológico a alunos

Os estabelecimentos de ensino de Macau devem estar apetrechados de sistema de alerta para detectar precocemente riscos de segurança e mecanismos reforçados de apoio psicológico aos alunos, defende Nick Lei.

Numa interpelação escrita, o deputado exige medidas para prevenir casos como o que se registou no início deste ano lectivo quando um aluno da Escola São João de Brito atacou com um líquido corrosivo uma professora, que era a sua directora de turma.

A docente, com mais de 60 anos, sofreu queimaduras químicas de terceiro grau na cara e noutras partes do corpo e corre o risco de ficar cega do olho esquerdo.

Nick Lei pede ao Executivo de Sam Hou Fai que aposte em campanhas de sensibilização, dentro e fora da escola, que promovam a saúde mental dos jovens. Pegando no exemplo da agressão na Escola São João de Brito, o deputado pede melhorias na “avaliação preventiva de riscos, identificação de perigos e controlo na fonte” de possíveis incidentes.

O legislador da bancada parlamentar de Fujian perguntou ao Governo se tem um mecanismo de avaliação preventiva, que permita fazer a identificação sistemática e padronizada para vários tipos de crises de segurança, assim como directrizes para responder a lacunas de segurança.

16 Set 2026