Segurança | Timor-Leste quer reforçar cooperação com a China

O Governo timorense pretende reforçar com a China a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância das fronteiras e a preparação da presidência timorense da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A pretensão timorense foi transmitida às autoridades chinesas a semana passada durante a visita do ministro do Interior à China para participar no Fórum de Cooperação Global em Segurança Pública.

No âmbito daquela visita, o ministro do Interior “manteve encontros com responsáveis chineses para reforçar a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância de fronteiras e preparação de Timor-Leste para a Presidência da ASEAN em 2029”, pode ler-se numa informação divulgada quarta-feira na página oficial do Governo.

Durante um encontro com o vice-ministro executivo da Segurança Pública da China, Qi Yanjun, foi analisada a “cooperação bilateral no domínio da segurança, incluindo o apoio ao desenvolvimento das capacidades da Polícia Nacional de Timor-Leste e a partilha de conhecimentos e experiências para a preparação das operações de segurança associadas à presidência timorense da ASEAN, em 2029”.

“O encontro abordou também a cooperação entre as autoridades dos dois países no combate à criminalidade transnacional e aos esquemas de fraude financeira e cibernética”, salienta a informação do Governo.

Naquele âmbito, foi igualmente discutida a “cooperação para a repatriação de cidadãos chineses envolvidos em atividades ilícitas de centros de fraude em Timor-Leste, após o cumprimento dos procedimentos judiciais”.

O ministro do Interior deverá deslocar-se à China entre 29 e 30 deste mês para participar no Fórum Internacional de Cooperação Policial em ‘Big Data’ entre a China e a ASEAN, que vai debater a cooperação internacional no combate à fraude, crimes relacionados com telecomunicações e burlas financeiras digitais.

18 Set 2026

Uma transição e uma oportunidade para o desporto

Por Manuel Silvério

Não tinha intenção de comentar esta nomeação. Tratando-se de uma solução temporária, inserida num processo de reorganização já anunciado, pareceu-me inicialmente mais prudente aguardar pelo Regulamento Administrativo que irá definir a futura estrutura.

Perante algumas das reacções que, entretanto, surgiram, porém, talvez seja útil recordar determinados elementos que podem ter passado despercebidos e que ajudam a compreender melhor o momento que estamos a atravessar.

A fusão do Instituto Cultural, do Instituto do Desporto e do Fundo de Desenvolvimento da Cultura não surgiu agora. Foi anunciada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, quando apresentou, em 18 de Novembro de 2025, as Linhas de Acção Governativa para 2026, no quadro de uma reforma mais ampla da Administração Pública destinada, segundo o Governo, a reforçar a coordenação e elevar a eficiência da governação.

É, portanto, dentro desse processo já programado que deve ser entendida a decisão de designar a Arq.ª Leong Wai Man para exercer temporariamente, em regime de substituição e em acumulação com a presidência do Instituto Cultural, as funções de presidente do Instituto do Desporto, entre 20 de Setembro e 31 de Outubro.

São 42 dias.

E esta duração não parece ser um pormenor. Várias comissões de serviço de dirigentes e chefias do Instituto do Desporto terminam precisamente em 31 de Outubro, incluindo a vice-presidência, o Departamento de Desenvolvimento Desportivo e a Divisão de Apoio ao Associativismo Desportivo.

A conjugação destas datas sugere um calendário administrativo articulado com a reorganização em curso. Estes 42 dias podem, assim, ser compreendidos como um período de preparação e transição para a nova estrutura, cuja configuração definitiva só conheceremos quando for publicado o respectivo Regulamento Administrativo.

É também por isso que me parece excessivamente redutor centrar toda a discussão em saber se a pessoa escolhida “é ou não do desporto”.

No caso de Macau, sobretudo, não considero que a proveniência do meio desportivo deva constituir o critério decisivo para dirigir a Administração do desporto. Conhecer o sector é importante; dispor de profissionais tecnicamente competentes dentro da estrutura é indispensável. Mas dirigir uma organização pública exige algo diferente e mais amplo: capacidade de gestão, liderança, coordenação, decisão e, cada vez mais, uma visão regional e internacional.

Macau é uma cidade pequena, mas o seu desporto não pode pensar pequeno.

Os grandes eventos, a formação de atletas e jovens, as relações com federações internacionais, a cooperação com o Interior da China e a Grande Baía, a utilização das instalações, o turismo desportivo, a captação de competições e o desenvolvimento das associações exigem hoje capacidade para trabalhar muito para além das fronteiras de um único sector.

Um bom dirigente não precisa de substituir os especialistas. Precisa de saber ouvi-los, coordená-los e criar condições para que o conhecimento técnico se transforme em políticas, decisões e resultados.

Neste contexto, também convém conhecer melhor o percurso da Arq.ª Leong Wai Man antes de reduzir a avaliação da sua nomeação à ausência de uma carreira no desporto.

Entrou no Instituto Cultural em 2009 e desenvolveu grande parte do seu percurso na área do património cultural, onde exerceu funções de chefia, antes de assumir a vice-presidência e, posteriormente, em 2022, a presidência do Instituto Cultural.

Ao longo destes anos, esteve envolvida numa estrutura responsável por matérias particularmente complexas: conservação e gestão do património, revitalização urbana, grandes manifestações culturais e cooperação regional e internacional. A Arq.ª Leong Wai Man tem também presidido, em substituição, ao Conselho do Património Cultural, que acompanha matérias como o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico, trabalhos de restauro e património cultural intangível.

A dimensão internacional tornou-se igualmente mais visível. Macau assumiu em 2025 o programa “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, plataforma de cooperação cultural entre China, Japão e República da Coreia, cuja preparação e execução envolveram coordenação local e intercâmbio regional. O Instituto Cultural organizou também fóruns internacionais, incluindo o Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda, com participação de instituições e especialistas de diferentes geografias.

Nada disto significa que estes resultados devam ser atribuídos individualmente à presidente de um organismo que dispõe naturalmente de equipas próprias e trabalha sob tutela governamental. Significa que existe uma experiência acumulada de gestão de projectos, coordenação institucional, património, grandes actividades e relações externas que também deve ser considerada quando se procura compreender a opção feita para estes 42 dias.

Importa, porém, distinguir duas questões.

Uma é assegurar uma transição administrativa durante pouco mais de um mês. Outra será definir quem e como deverá conduzir, no novo organismo, o desenvolvimento do desporto de Macau nos próximos anos.

É nessa segunda questão que deposito maior atenção.

Espero sinceramente que esta reorganização possa abrir melhores perspectivas para o desporto de Macau — para os nossos jovens, para os atletas e associações e também para todos aqueles que, com experiência, contactos, ideias e vontade de trabalhar, procuram contribuir para o seu desenvolvimento.

A capacidade de acolher e avaliar propostas desportivas de dimensão internacional merece também atenção nesta reorganização.

Não basta haver boas ideias, parceiros interessados ou disponibilidade externa. É igualmente necessária, do lado de Macau, capacidade para receber uma proposta, avaliá-la, dialogar sobre ela e tomar uma decisão em tempo útil.

Naturalmente, nem todas as iniciativas podem ou devem ser aceites. A Administração tem a obrigação de avaliar o interesse público, a viabilidade, os custos, os riscos e as condições de concretização de cada proposta.

Mas entre aceitar e recusar existe algo fundamental: analisar, dialogar, explicar e responder. É também isso que espero da futura estrutura.

Os procedimentos administrativos são necessários. O rigor também. O que importa evitar é que complexidades burocráticas desnecessárias, insuficiente coordenação ou capacidade técnica, falta de transparência, ausência de diálogo ou respostas que tardam — e por vezes simplesmente não chegam — acabem por afastar pessoas e projectos que poderiam contribuir para Macau.

Quem apresenta uma proposta séria não adquire, por esse facto, o direito de a ver aprovada. Deve, porém, poder saber com quem falar, quais são as regras, que condições devem ser preenchidas, se a proposta é viável e, no final, receber uma resposta clara dentro de um prazo razoável.

Isso também é boa Administração.

Talvez seja precisamente aqui que reside uma das maiores oportunidades desta fusão: criar uma estrutura mais capaz de cruzar cultura, desporto, grandes eventos, juventude, turismo e relações externas, preservando simultaneamente o conhecimento técnico específico de cada área. A mudança deverá traduzir-se na forma de trabalhar e nos resultados que conseguir alcançar.

Para o desporto, isso exigirá bons técnicos. Mas exigirá igualmente bons gestores, capacidade de decisão e uma visão que ultrapasse Macau e saiba olhar para a Grande Baía, para o País e para o mundo.

Os 42 dias são apenas uma transição. O que verdadeiramente importa começa depois. Aguardemos o Regulamento Administrativo, com a esperança de que a nova etapa traga, pelo desporto, pelos jovens e por Macau, melhores condições para quem quer contribuir.

Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional
(Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)

18 Set 2026

FRC | Músico Zé Eduardo actua amanhã à noite

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 21h, o concerto de Zé Eduardo, conhecido músico de jazz português que há muito mantém colaborações com Macau.

O “Zé Eduardo Jazz Workshop Presentation Concert” é, portanto, resultado de uma das muitas sessões formativas que o músico tem levado a cabo com talentos locais. Numa entrevista de 2023 com o HM, Zé Eduardo falou do trabalho feito com a Associação de Promoção do Jazz de Macau.

“Há dez anos começaram a ter aulas comigo e agora os que foram meus alunos já dão aulas. Notei que os alunos que participaram agora neste workshop são muito melhores do que aqueles que encontrei até aos anos da pandemia. Nestes anos treinaram os alunos de base, os iniciados. Agora há um nível de entrada [na carreira musical] que não é nada mau, e foi isso que me surpreendeu pela positiva”, referiu, falando da evolução da aprendizagem dos músicos locais na área do jazz.

18 Set 2026

Brasil | China pede reforço da coordenação entre os dois países

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ontem, numa reunião em Pequim com Celso Amorim, assessor especial do Presidente brasileiro, Lula da Silva, que China e Brasil devem “reforçar a comunicação estratégica” e “aprofundar a cooperação”.

Wang transmitiu a Amorim uma saudação do Presidente chinês, Xi Jinping, a Lula da Silva e afirmou que as relações entre China e Brasil avançaram nos últimos anos, segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disponível para trabalhar com o Brasil para “consolidar a confiança mútua estratégica” e “promover a cooperação em diferentes áreas”, destacando a importância de os dois países manterem a coordenação em questões internacionais.

Wang afirmou que China e Brasil devem cooperar para “melhorar o sistema de governação global” e contribuir para a estabilidade num cenário internacional marcado por mudanças e desafios, segundo a nota oficial.

China e Brasil devem “liderar o Sul Global rumo à unidade e à autossuficiência”, afirmou Wang. Amorim defendeu que o Brasil atribui “grande importância” às relações com a China e está disponível para “aprofundar a cooperação em diversas áreas” com o país asiático, segundo o comunicado chinês.

“Na actual situação internacional complexa e volátil, as relações entre Brasil e China transcendem o âmbito bilateral e assumem uma importância cada vez maior”, afirmou o assessor presidencial brasileiro. A China e o Brasil intensificaram os contactos diplomáticos e económicos nos últimos meses, num contexto marcado pelas tensões comerciais entre Brasília e Washington.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um recorde de 171 mil milhões de dólares. O Brasil foi ainda o principal destino do investimento chinês em 2025, com 6,1 mil milhões de dólares.

18 Set 2026

EUA | Ponderado encontro sobre IA durante visita presidencial

Washington prepara-se para receber a visita do Presidente chinês na próxima semana. Na agenda, poderá estar um encontro com líderes tecnológicos como o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang

A administração norte-americana está a ponderar reunir líderes das principais empresas de inteligência artificial (IA) durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, na próxima semana, informou ontem a cadeia televisiva CNN.

Responsáveis da administração de Donald Trump estão a discutir a logística de um eventual encontro sobre o futuro da IA e os riscos associados à tecnologia, embora nada tenha ainda sido fechado ou agendado, disseram à estação norte-americana fontes conhecedoras dos preparativos. Não está claro se Trump participará no encontro, caso este se realize, enquanto Xi não deverá, à partida, estar presente, detalhou a CNN.

“A administração mantém contactos regulares com os laboratórios de IA mais avançados e continuará a trabalhar com a indústria tecnológica para consolidar o domínio dos Estados Unidos na IA, mantendo simultaneamente os norte-americanos seguros”, afirmou à CNN um responsável da administração Trump.

Entre os líderes tecnológicos que deverão deslocar-se a Washington para a visita de Estado de Xi estão o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang.

Ambos deverão participar no jantar de Estado oferecido por Trump ao líder chinês e poderão estar presentes na eventual reunião sobre IA, segundo as fontes citadas pela CNN.

Debate aceso

A preparação do eventual encontro ocorre num momento de debate nos Estados Unidos sobre os riscos colocados pelo rápido desenvolvimento da IA e sobre até que ponto Washington deve impor limites a uma tecnologia considerada central na competição com a China.

Altman, o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, e Elon Musk, da xAI, têm manifestado publicamente preocupação com os perigos associados ao desenvolvimento da tecnologia sem mecanismos de controlo.

Trump rejeitou, no entanto, estes alertas e argumentou que limitar o desenvolvimento da IA poderia favorecer a China.

“A IA assumir o controlo do mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas más é uma farsa”, escreveu o Presidente norte-americano na segunda-feira nas redes sociais, classificando os apelos a maiores salvaguardas como parte de uma “conspiração doentia”.

Trump voltou ao tema no mesmo dia durante uma conversa telefónica com Huang, quando o presidente executivo da Nvidia participava numa conferência em Los Angeles. “Os robôs não vão assumir o controlo. A IA não vai assumir o controlo do resto do mundo. Tudo isto é uma farsa”, afirmou Trump, depois de Huang ter colocado a chamada em alta-voz perante a audiência.

A realização de uma reunião sobre IA durante a visita de Xi colocaria em evidência uma das principais áreas de competição estratégica entre Washington e Pequim, numa altura em que os dois países procuram reforçar a capacidade tecnológica própria.

Desbravar caminho

Alguns responsáveis norte-americanos esperam, contudo, que os contactos possam abrir caminho a algum tipo de entendimento entre as duas maiores potências sobre o desenvolvimento seguro da tecnologia, segundo a CNN.

Altman defendeu na semana passada, em declarações à revista Fortune, que um acordo entre Trump e Xi sobre IA teria uma importância histórica.

“Mesmo que apenas os Estados Unidos e a China conseguissem chegar a acordo sobre algumas normas comuns e testes para o desenvolvimento desta tecnologia, penso que seria uma conquista extraordinária que ambos poderiam alcançar”, afirmou. Xi tem previsto deslocar-se a Washington na próxima semana para uma visita de Estado.

18 Set 2026

Crimes | Onze detidos por contratações falsas de não residentes

O dono e o gerente de uma empresa de administração de propriedades, ambos residentes locais, foram detidos por alegadamente terem criado um esquema para vender quotas para a contratação de trabalhadores não residentes. O caso foi apresentado pela Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa, havendo 11 detidos.

Segundo a polícia, em colaboração com outras duas pessoas da mesma empresa, o esquema permitiu ganhos indevidos de 1 milhão de renminbis. As quotas de trabalhadores não residentes eram pedidas pela empresa, que depois as vendia a pessoas do Interior para virem para o território exercer trabalhos por conta própria.

Os dois colaboradores, naturais do Interior, foram detidos, assim como sete falsos trabalhadores não residentes.

As investigações que levaram às detenções apresentadas ontem começaram em Maio deste ano, quando foi detectado o primeiro caso de falso emprego ligado à empresa no centro do caso. As autoridades começaram a investigar mais a fundo a sociedade, e verificaram que os horários dos trabalhadores não residentes contratados, assim como as horas em que atravessavam as fronteiras, eram incompatíveis com as operações da companhia.

Segundo o apurado pelas investigações, cada trabalhador não residente pagava no primeiro ano 45 mil renminbis, com os preços a descerem para 36 mil renminbis por cada ano de renovação do cartão azul. Segundo a PJ, os dois cabecilhas criaram o esquema para lidar com as dificuldades financeiras da empresa, que começaram em 2024. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

18 Set 2026

Av. da Amizade | Entupimentos levam a limpeza de esgotos

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) procedeu à limpeza de alguns pontos da rede de esgotos na zona da Avenida da Amizade devido ao entupimento por excesso de gordura.

Segundo um comunicado da DSOP, o entupimento deu-se perto da Rua de Cantão e da Rua de Pequim, tendo as autoridades feito o apelo para que os donos de restaurantes cumpram a legislação e assumam “a responsabilidade de manutenção das instalações de retenção de gorduras, evitando o lançamento de gorduras nas redes públicas de esgotos”.

Lai Chi Vun | DSOP avança com reparação de esgotos

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) vai iniciar a “reparação urgente” do sistema de esgotos na povoação de Lai Chi Vun, em Coloane, o que obriga ao encerramento do trânsito junto à Estrada de Lai Chi Vun.

Segundo uma nota da DSOP, verificou-se que os esgotos pressurizados localizados na sala de bombas nas imediações da Estrada de Lai Chi Vun, entre os números 12 a 16, ficaram danificados.

Desta forma decidiu-se iniciar a obra “para resolver o problema da higiene ambiental resultante do refluxo de água de esgotos”, e ainda para “garantir a segurança da circulação de peões e de veículos”. Os trabalhos começaram ontem, quinta-feira 17, e irão durar apenas cinco dias.

18 Set 2026

AMCM | Taxa de juro de referência sobe pela primeira vez desde 2023

Os reguladores financeiros de Macau e Hong Kong aprovaram ontem a primeira subida da principal taxa de juro de referência desde 2023, seguindo a Reserva Federal norte-americana. A autoridade monetária de Hong Kong alertou para consideráveis incertezas quanto a futuros custos de financiamento

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aumentou em 0,25 pontos percentuais, para 4,25 por cento a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado. O regulador financeiro da RAEM seguiu assim o aumento anunciado na quarta-feira pela Fed.

A AMCM disse que a subida era inevitável, por a pataca estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”.

A decisão da AMCM surgiu menos de meia hora depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA. O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano.

O director-geral da Autoridade Monetária de Hong Kong, Eddie Yue, ressalvou ontem que existem consideráveis incertezas quanto ao futuro dos custos de financiamento, embora salientando que o rácio de crédito malparado na região vizinha se mantem estável.

Vida a crédito

Na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu, por unanimidade, aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre 3,75 e 4 por cento, após uma reunião de dois dias.

A Fed não aumentava as taxas directoras, que orientam os custos dos empréstimos, desde o Verão de 2023. De acordo com projecções apresentadas pelo presidente da Reserva, Kevin Warsh, será provavelmente necessário proceder a uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano para combater a inflação.

A subida da taxa de juro surge numa altura em que o crédito malparado tem vindo a cair em Macau, depois de ter atingido um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas em Junho de 2025. De acordo com dados oficiais da AMCM, os empréstimos vencidos caíram, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, no final de Julho passado.

O crédito vencido representava em Julho 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau. Uma percentagem que sobe para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da RAEM.

Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

18 Set 2026

ID | Francisco Manhão espera transição suave

O anterior presidente da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, Francisco Manhão, acredita na competência de Deland Leong Wai Man para dirigir o Instituto do Desporto (ID). A actual presidente do Instituto Cultural (IC) vai acumular as funções até 31 de Outubro, quando se espera que até ao final do ano fique concluída a fusão dos dois institutos.

“Ela vai acumular interinamente as funções até 31 de Outubro. E num tão curto espaço de tempo não sei o que vai poder concretizar. Mas acho que ela já mostrou competência como dirigente do Instituto Cultural, pelo que considero que é uma pessoa muito competente”, afirmou Manhão, ao HM. “Acho que nos próximos tempos não vamos assistir a grandes alterações, até porque não há muito tempo. Também acredito que as coisas podem correr bem, porque ela tem uma equipa no Instituto do Desporto com muita experiência”, acrescentou.

O ex-dirigente, e actual consultor da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, considerou ainda importante que o Governo actualize os montantes dos subsídios distribuídos, principalmente no que diz respeito ao Torneio da Soberania. O macaense justificou esta posição com o facto de a economia no território atravessar um período difícil, o que acaba por ter impacto no funcionamento das associações locais.

18 Set 2026

Zhongshan | Sam Hou Fai defende serviços transfronteiriços para residentes

O Chefe do Executivo recebeu na quarta-feira o presidente do Município de Zhongshan, Yin Nianhong, com quem discutiu assuntos relacionados com turismo, prestação de serviços a residentes da RAEM que moram na cidade vizinha e a partilha das oportunidades suscitadas pelo desenvolvimento de Hengqin.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “concordou com a ideia de estabelecer balcões de serviços governamentais transfronteiriços em Zhongshan” para os mais de 30 mil residentes de Macau que residem na cidade.

O governante da RAEM sugeriu também a criação de pacotes turísticos multi-destinos com Zhongshan numa “única viagem”, para “ampliar o impacto do desenvolvimento sinergético cultural e turístico entre as duas regiões”. Sam Hou Fai, que nasceu em Zhongshan, defendeu o reforço da complementaridade entre as duas cidades e a capacidade de Hengqin para “atrair projectos tecnológicos de grande escala para Zhongshan”.

Por seu turno, Yin Nianhong agradeceu o apoio, de longa data do Governo da RAEM, ao desenvolvimento de Zhongshan e expressou o desejo de reforçar a cooperação com instituições de ensino superior e de investigação científica de Macau.

18 Set 2026

MIF | Países de língua espanhola participam pela primeira vez

A Feira Internacional de Macau (MIF) terá, pela primeira vez, um pavilhão dedicado aos países de língua espanhola, “reforçando o papel da cidade como plataforma” entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, foi ontem anunciado. “O recém-criado Pavilhão da Indústria dos Países de Língua Espanhola vai reunir expositores de 11 países de língua espanhola”, anunciou a organização em comunicado.

A feira decorre de 21 a 24 de Outubro no Venetian Macau, numa área de 16.000 metros quadrados, e é organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

O objectivo é “reforçar” o papel da plataforma China–Países de língua portuguesa e espanhola, “criar uma plataforma de oportunidades de negócio que ligue mercados externos, como os países de língua portuguesa, os países de língua espanhola e os países da ASEAN, e apoiar as empresas na expansão das suas operações internacionais”, indicou o IPIM.

A organização adiantou que a feira terá quatro áreas de exposição centrais. Uma delas é a de Tecnologia, centrada na inovação tecnológica em inteligência artificial e nas oportunidades científicas e tecnológicas da Grande Baía.

Outra área é dedicada à Indústria da Saúde, “para ajudar à expansão internacional da indústria da medicina tradicional chinesa e da saúde e à sua integração nos contextos de consumo modernos”.

Uma terceira, relativa ao Comércio, Investimento e Cooperação Industrial, será “dedicada a facilitar o encontro de negócios e a expansão nos mercados internacionais”.

A feira incluirá ainda uma área centrada nas empresas de Macau, “destinada a promover a melhoria da qualidade e a modernização das empresas de Macau e a expandir oportunidades de negócio tanto no mercado interno como no estrangeiro”, segundo o comunicado.

18 Set 2026

Espanha | Secretária reforça ideia de Macau como elo de conexão

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse na abertura do Fórum de Think Tanks que Macau deve ser uma ponte de ligação aos países de língua espanhola. A Fundação Cátedra China propôs a criação da “Rede China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa

Abriu ontem a edição deste ano do Fórum de Think Tanks, tendo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendido a estratégia governamental para que Macau seja uma ponte com o mercado da Península Ibérica.

A secretária disse que o 3º Plano Quinquenal de Macau, recentemente apresentado, está alinhado com a estratégia de Pequim para expandir a plataforma de Macau além dos países de língua portuguesa, chegando aos países de língua espanhola.

A secretária deixou algumas propostas de como esta aproximação pode ser feita, nomeadamente no reforço da investigação académica em áreas como a governação global, o multilateralismo e a aplicação do princípio “um país, dois sistemas”.

O Lam fez ainda um apelo para mais acções de intercâmbio de alunos e investigadores de forma a aproximar os territórios, defendendo que Macau vai continuar a usar as línguas como meio de aproximação a Portugal e Espanha, apoiando as iniciativas de política externa da China.

Inovar em rede

Entretanto, no mesmo Fórum, a presidente da fundação espanhola Cátedra China propôs a criação da “Rede Internacional China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa na governança global. “Vivemos num mundo monolingue e creio que temos de avançar no sentido do pluralismo da Iberofonia”, afirmou à agência Lusa Marta Ana Montoro Carrión.

Considerando essencial mudar a visão linguística do mundo “e torná-la muito mais multilateral”, Montoro Carrión notou que o português, o espanhol e o chinês “são línguas muito importantes e devem ser tratadas como tal em todas as novidades relacionadas” com inteligência artificial, nas universidades, nos centros de reflexão e centros de decisão.

Na apresentação, Montoro Carrión propôs a criação de “uma Rede internacional China–Iberofonia para o Diálogo entre Civilizações e a Governação Global”. Esta rede, reforçou, “não pretende competir com as diplomacias oficiais, mas sim alimentá-las e multiplicá-las”.

A ideia, continuou, passa por impulsionar consórcios académicos “para que o processamento da linguagem natural, as grandes bases de dados e os modelos de inteligência artificial não dependam exclusivamente do inglês”, garantindo que o chinês, o espanhol e o português sejam línguas de primeira linha na produção científica e tecnológica do futuro.

A fundação sugere, além disso, que a rede tenha sede em Macau: “Porque até agora esta questão não tem sido abordada como uma questão geopolítica e consideramos que é necessário começar a trabalhar neste sentido”.

O Fórum de Think Thanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026 está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações. O evento foi acolhido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

18 Set 2026

Mar do Sul | ASEAN e Vietname pedem contenção e regras face a tensões

A ASEAN e o Vietname pediram ontem, em Pequim, respeito pelo direito internacional, contenção militar e mecanismos eficazes de gestão de disputas, num contexto de tensões no mar do Sul da China.

O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, e o ministro da Defesa vietnamita, Phan Van Giang, intervieram na primeira sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China. Kao afirmou que a estabilidade estratégica não pode assentar apenas no equilíbrio militar, mas exige confiança de que a competição será gerida de forma “responsável”.

“A competição entre Estados é uma característica das relações internacionais, não uma anomalia”, afirmou o responsável da ASEAN, que defendeu um diálogo sustentado, respeito pelo direito internacional e mecanismos eficazes para reduzir riscos.

Sem mencionar expressamente o mar do Sul da China, Kao sublinhou que o Sudeste Asiático se encontra no centro de grandes correntes estratégicas e económicas, ligado a rotas marítimas vitais, cadeias globais de abastecimento e redes tecnológicas em rápida evolução.

Phan referiu-se directamente àquela zona, ao afirmar que o Vietname pretende acelerar a negociação e assinatura de um Código de Conduta para aquelas águas que seja “eficaz, efectivo e viável”.

O ministro vietnamita da Defesa defendeu ainda que as disputas no mar do Sul da China sejam resolvidas por meios pacíficos e em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

As declarações surgem num momento de frequentes tensões naquela zona, onde Pequim reivindica soberania sobre a maior parte das águas e países como Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei mantêm reivindicações sobrepostas.

Kao defendeu que as grandes potências têm uma “responsabilidade particular”, uma vez que as suas decisões moldam o ambiente estratégico dos restantes países, e apontou como medidas práticas canais fiáveis de comunicação em situações de crise, transparência sobre actividades militares, a notificação prévia de grandes exercícios e uma conduta profissional durante encontros entre forças militares.

O secretário-geral da ASEAN sustentou que a ordem regional deve assentar na igualdade soberana, na não ingerência, na resolução pacífica de disputas e na renúncia à ameaça ou ao uso da força. “O Indo-Pacífico deve ser uma região definida pelo diálogo e pela cooperação, não pela rivalidade”, afirmou Kao, que defendeu a “autonomia estratégica” da ASEAN.

Na mesma sessão, o ministro da Defesa de Singapura, Chan Chun Sing, alertou para a aceleração da corrida tecnológica em áreas como a inteligência artificial, o espaço e a robótica, salientando que a tecnologia militar “avança todos os dias, não todos os anos”, o que gera “novas incertezas” sobre o equilíbrio de poder.

17 Set 2026

Portugal candidata filme “A Memória do Cheiro das Coisas” aos Óscares

O filme “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, foi a obra escolhida para representar Portugal na candidatura à nomeação para os Óscares, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema.

“A Academia Portuguesa de Cinema felicita António Ferreira, a produtora, toda a equipa artística e técnica e os restantes profissionais envolvidos na realização de ‘A Memória do Cheiro das Coisas’, desejando-lhes o maior sucesso nesta nova etapa do percurso do filme”, pode ler-se no comunicado da academia.

O filme esteve em votação nas últimas semanas, entre os membros da academia, a par de “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. O filme de António Ferreira é uma narrativa ficcional que fala de racismo, envelhecimento e traumas de guerra.

A história centra-se em Arménio que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.

É em Hermínia, a mulher negra, que Arménio descarrega o preconceito e o racismo, ao mesmo tempo que revive, em pesadelos, o tempo em que combateu na Guerra Colonial em África.

Mensagens principais

À Lusa, antes da estreia, António Ferreira contou que quis fazer um filme sobre o envelhecimento, esse momento irreversível do fim da vida e ao mesmo tempo falar sobre o que ainda subsiste na sociedade portuguesa décadas depois do fim da guerra nos territórios colonizados.

Os militares portugueses “tiveram uma lavagem cerebral para ver o negro como inimigo. Quando a guerra acaba, o país tem uma revolução e ninguém explicou nada a estes homens o que foi aquilo que lhes foi metido na cabeça, nunca ninguém desmontou essas ideias e esses preconceitos que perduram ao longo de décadas”, lamentou António Ferreira.

O realizador, nascido em 1970, fez pesquisa junto de ex-combatentes, de psicólogos e inspirou-se na sua experiência pessoal, enquanto filho de um homem que ficou com marcas de guerra. “A Memória do Cheiro das Coisas” é protagonizado por José Martins no papel de Arménio, que tenta pacificar-se com o passado e com o envelhecimento enquanto se confronta com Hermínia, papel interpretado por Mina Andala.

O filme valeu a José Martins o prémio de melhor actor no Festival de Cinema de Xangai, na China, e a António Ferreira o de melhor argumento, co-escrito com Tiago Cravidão, no festival de cinema de Tânger, em Marrocos.

Co-produzido por Portugal e Brasil, “A Memória do Cheiro das Coisas” chegou aos cinemas portugueses em Novembro do ano passado e é quinta longa-metragem de António Ferreira, juntando-se a “A Bela América” (2023), “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2010) e “Esquece tudo o que te disse” (2002).

17 Set 2026

Concertos | Academia de Música da MUST actua em Portugal

Os poemas e canções presentes em “O Livro dos Cantares”, que contém muita da cultura da China antiga, estarão em destaque em três espectáculos que a Academia de Música da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau vai dar em Portugal a partir do dia 29 de Setembro

Um grupo vai apresentar em Portugal poesia e canções da China antiga, algumas com mais de três mil anos, disse esta terça-feira a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) à Lusa.

Um grupo da Academia de Música da MUST vai actuar em Lisboa, Aveiro e Porto entre 29 de Setembro e 3 de Outubro, num espectáculo que tem como base o Livro dos Cantares. Esta é uma antologia compilada a partir de obras de diferentes autores anónimos e é considerada a mais antiga coleção de poemas chineses, com 305 obras que datam dos séculos XI a VII a.C.

Mais de metade dos poemas eram provavelmente canções populares originais, que retratam temas como o amor, o casamento, o trabalho e a guerra. Outros incluem poemas judiciais e contos lendários que elogiam os fundadores da dinastia Zhou (1046-256 a.C.).

Primeira paragem

A MUST afirmou que Portugal foi escolhido como o primeiro destino da etapa internacional como homenagem à Rota Marítima da Seda. O grupo segue depois para a Gran Canaria e Tenerife (Espanha) e, finalmente, para Milão (Itália).

A Rota Marítima da Seda foi uma antiga rede de rotas comerciais marítimas que ligava a China ao Sudeste Asiático, à Índia, ao Médio Oriente e à Europa desde o século II a.C., tendo florescido até ao século XV d.C.

“Portugal foi o país que inaugurou a Era dos Descobrimentos e serviu como ponto de partida europeu para a extensão para ocidente da Rota Marítima da Seda, enquanto Macau foi o mais importante centro de intercâmbio marítimo entre Portugal e o Oriente durante esse período”, afirmou a MUST, numa resposta escrita.

“Ao mesmo tempo, Portugal tem uma longa tradição poética, o que constitui um ponto de convergência natural para um diálogo entre a sua cultura poética e a do Livro dos Cantares”, acrescentou a universidade.

A MUST afirmou que o espectáculo vai inspirar-se nas características fonéticas e rítmicas antigas da antologia, procurando “recriar a música de corte do Livro dos Cantares no palco contemporâneo”.

“Com a promoção da excelente cultura tradicional chinesa como núcleo espiritual, o concerto mergulha profundamente nos sentimentos humanísticos, ideais morais e universos estéticos embutidos na tradição literária milenar do Livro dos Cantares, destacando a integridade, o carácter e as aspirações espirituais únicos dos literatos chineses”, salientou.

17 Set 2026

IA | Huawei quer competir com Nvidia nas infraestruturas

A chinesa Huawei estabeleceu como objectivo competir com a Nvidia nas infraestruturas para inteligência artificial, recorrendo aos seus próprios chips e sistemas de computação para tentar compensar a desvantagem da China face aos Estados Unidos em capacidade de processamento.

Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, afirmou, num encontro com novos funcionários, que desenvolver agentes de IA competitivos a nível mundial representa uma “oportunidade importante” para a empresa.

O responsável reconheceu que a China está atrás dos Estados Unidos em capacidade de processamento, embora tenha considerado que o país possui vantagens na aplicação de dados e em cenários industriais e dispõe de uma reserva de talento aproximadamente ao mesmo nível da norte-americana, segundo noticiou ontem o portal económico Yicai.

A Huawei procura reduzir esta diferença através dos processadores Ascend e de uma arquitectura que permita agrupar grandes quantidades de chips em sistemas como os SuperPoD, em vez de tentar competir apenas pela capacidade individual de cada semicondutor.

Guo mencionou especificamente os Ascend 950 e afirmou que a empresa pretende obter vantagem através de inovações na arquitectura e de grandes aglomerados de computação, visando resolver problemas práticos e melhorar a experiência dos clientes.

A estratégia também não passa pelo desenvolvimento de um modelo próprio de IA, mas por fornecer a infraestrutura necessária para executar modelos de diferentes programadores através dos sistemas Ascend, Kunpeng e SuperPoD.

Lei da concorrência

Guo afirmou ainda que a Huawei “não tem planos para alargar as suas áreas de negócio” e pretende “oferecer opções diversificadas para o desenvolvimento da IA”.

A aposta assume particular relevância perante as restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso da China a chips avançados, que levaram Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais. Os processadores Ascend da Huawei tornaram-se um dos principais concorrentes chineses dos processadores da Nvidia.

As declarações surgem ainda em pleno debate internacional sobre a IA, depois de responsáveis como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, ou Elon Musk, da xAI, terem defendido nos últimos dias um abrandamento do desenvolvimento desta tecnologia por razões de segurança, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou essa possibilidade, considerando que poderia favorecer a China na corrida tecnológica.

O debate voltou a colocar a competição entre Pequim e Washington no centro da discussão sobre o futuro da IA, tanto em relação à liderança tecnológica como à possibilidade de estabelecer mecanismos comuns para controlar os riscos associados à tecnologia.

17 Set 2026

Irão | Pequim diz estar pronto para defender “interesses legítimos” de Teerão

A China está disponível para defender os “interesses legítimos” do Irão no contexto do conflito no Médio Oriente e pediu ontem a Teerão e Washington que actuem com “racionalidade” e “contenção”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

“A China e o Irão estão ligados por uma parceria estratégica abrangente. A China está disponível para reforçar o diálogo e a cooperação com o Irão e defender eficazmente os seus direitos e interesses legítimos”, disse Wang Yi, citado num comunicado do ministério.

O chefe da diplomacia chinesa reuniu-se em Pequim com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, pouco antes de uma visita prevista do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, no final de Setembro, durante a qual deverá reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

O conflito no Médio Oriente deverá estar entre os temas em discussão. A China é um dos principais parceiros económicos do Irão, ao qual compra grande parte do petróleo exportado pelo país, e um importante aliado diplomático de Teerão.

“Encorajamos o Irão e os Estados Unidos a agirem de forma racional e a mostrarem contenção”, a regressarem rapidamente ao memorando de entendimento alcançado em Junho sob mediação do Paquistão e a “reestruturarem os mecanismos de negociação”, afirmou Wang.

“Não queremos ver as tensões regionais alastrarem ao Iémen e ao mar Vermelho”, acrescentou. O Iémen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em Julho para o conflito desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, iniciada no final de Fevereiro.

No início de Setembro, os rebeldes houthis lançaram uma grande ofensiva e apoderaram-se de toda a costa iemenita voltada para o mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.

17 Set 2026

Ctrip | Voos de turismo espacial por 660 mil euros

A maior agência de viagens da China, a Ctrip, incluiu ontem no seu catálogo um pacote de turismo espacial da Virgin Galactic para 2027 por 5,1 milhões de yuan por pessoa.

A oferta, disponível na aplicação da Ctrip, tem como ponto de partida Las Cruces, no estado norte-americano do Novo México, e reserva os primeiros quatro dias para actividades e preparação antes do voo, previsto para o quinto dia. O itinerário inclui uma visita ao Spaceport America, o porto espacial a partir do qual opera a Virgin Galactic, treino numa cabine simulada e um ensaio geral antes da descolagem, ficando o sexto dia reservado para o regresso.

O preço inclui, entre outros serviços, cinco noites de alojamento, actividades de preparação e o voo espacial, mas não abrange as viagens de avião para os Estados Unidos, o visto e outras despesas pessoais, segundo a informação disponibilizada pela Ctrip. A plataforma apresenta ainda um contador que indica 681 unidades vendidas.

17 Set 2026

Crime | Detido por apanhar auscultadores esquecidos

Um homem foi detido na sexta-feira por ser suspeito de se ter apropriado de uma caixa de auscultadores perdida. A informação foi revelada ontem, e o detido é um trabalhador não residente do Interior suspeito do crime de apropriação em caso de acessão ou de coisa achada.

A investigação do caso começou depois de um residente local ter parado a mota na Estrada Marginal da Areia Preta, por volta das 19h50 de 21 de Julho, para atender uma chamada telefónica. No entanto, quando arrancou esqueceu-se da caixa no local.

Cerca de 10 minutos depois regressou, mas a caixa tinha desaparecido. Fez queixa e calculou o prejuízo em 1.500 patacas. Após investigação e com recurso ao sistema de videovigilância Olhos no Céu, a PSP identificou o suspeito e interceptou-o na passada sexta-feira no seu local de trabalho, na Rua do Praia da Manduco. A caixa de auscultadores foi recuperada. Questionado pelas autoridades, o detido confessou a prática do crime e mostrou-se disponível para indemnizar a vítima.

17 Set 2026

Centros de saúde | Lançado serviço que antecipa consultas

O subdirector dos Serviços de Saúde, Tai Wa Hou, revelou ontem que será lançado em breve um serviço que irá prestar informações ao médico antes das consultas. Este serviço, que o responsável não explicou se seria promovido através de uma máquina, ou de qualquer outra tecnologia, vai arrancar primeiro nos centros de saúde, antes de chegar às urgências hospitalares.

O serviço, prometido pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura na Assembleia Legislativa no final de Julho, permite introduzir informações do utente enquanto espera para entrar no consultório, incluindo sintomas. Os dados são analisados por um software de inteligência artificial e enviados para o médico para auxiliar no diagnóstico.

Tai Wa Hou salientou que a tecnologia será testada em centros de saúde ainda este ano e que, após avaliação de eficácia, será expandida aos hospitais e serviços de urgência. As autoridades esperam que a ferramenta digital ajude a reduzir o tempo de espera e melhorar o atendimento.

O subdirector dos Serviços de Saúde acrescentou que será dada assistência a idosos, ou quem não está familiarizado com produtos digitais, por profissionais de saúde e pessoal de triagem.

17 Set 2026

Areia Preta | MRU abre arrendamento de 95 lojas no Lote P

Os espaços comerciais no Lote P da Areia Preta estão disponíveis para arrendamento, indicou ontem a Macau Renovação Urbana (MRU) em comunicado. As 95 lojas estão localizadas nos edifícios Ut Koi e Lok Koi, destinados à habitação temporária, e nos seis blocos do Pearl Metropolitan, o complexo construído para os compradores lesados do Pearl Horizon.

Os espaços comerciais ocupam uma área total de cerca de 32.000 metros quadrados e situam-se em zonas exclusivamente pedonais, ao longo da Avenida do Nordeste, da Rua da Pérola e da Avenida da Pérola Oriental.

Segundo a MRU, os espaços comerciais estão destinados a cafetarias e restauração, comércio a retalho e supermercados, assim como para espaços de lazer e serviços de apoio de dia.

A empresa de capitais públicos refere que tem como objectivo criar uma zona comercial dinâmica, atraindo marcas comerciais diversificadas e salienta a boa localização das lojas, próximas dos acessos à Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, da Ponte de Macau, e dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao.

Foi realizada na segunda-feira uma sessão para esclarecer dúvidas de agentes imobiliários sobre os detalhes do arrendamento dos espaços.

17 Set 2026

IPOR | Mais de dez universidades suspendem português na China

Mais de dez universidades no Interior da China suspenderam estudos de língua portuguesa nos últimos três anos, após um pico de cerca de 60 instituições com oferta curricular, indicou o Instituto Português do Oriente

“Existem 39 universidades da China com cursos de português, a que somamos mais cinco de Macau, ou seja, 44 no total”, referiu à Lusa a direcção do Instituto Português do Oriente (IPOR). O pico da oferta formativa, continuou o IPOR, “foi no ano lectivo 2022/2023, com cerca de 55 a 60 universidades a proporcionarem estudos em português”. “Não conseguimos ter dados exactos”, reforçou o instituto, que tem como missão preservar e difundir a língua e a cultura portuguesas no Oriente.

A Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, foi um dos estabelecimentos visados, notou à Lusa o académico da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Manuel Duarte João Pires, que leccionou anteriormente naquela instituição do Interior da China.

“Tinha um programa de ‘minor’, que era um programa de 2+2, ou seja, de dupla certificação, e agora não tem”, reflectiu o académico, também autor do estudo “Vinte anos de ensino de Português na China: exponencial, saturado e o futuro”, publicado em Agosto. Na investigação, Pires traça o percurso do ensino da língua portuguesa na China, com o primeiro curso de licenciatura a ser estabelecido no Instituto de Radiodifusão de Pequim (hoje Universidade de Comunicação da China), “focado em formar profissionais para atender à demanda de relações diplomáticas com países de língua portuguesa, especialmente aqueles de África que então lutavam pela independência”.

Depois de uma suspensão e “envio de muitos professores e alunos para trabalhos rurais” durante a Revolução Cultural (1966-1976), houve “um renascimento do ensino de línguas estrangeiras”.

Nas últimas duas décadas, o ensino da língua portuguesa passou de uma presença residual para uma expansão acelerada. Até 2005, aponta o autor, apenas três universidades ofereciam licenciaturas em português, mas a “globalização e modernização da China” e a intensificação das relações económicas com países de língua portuguesa, sobretudo Brasil e Angola, transformou o idioma numa ferramenta de empregabilidade.

Dezenas de instituições abriram cursos, num crescimento descrito como exponencial: de acordo com fontes consultadas pelo autor, no ano lectivo 2012/2013 eram 19 universidades; em 2017 chegavam a 37 e em 2022 contabilizavam-se 56, com mais de seis mil alunos e mais de 300 professores.

Momento disruptivo

Nos últimos anos, porém, esse crescimento entrou em fase de estagnação, com a suspensão de cursos e universidades a redimensionarem a oferta.

“Depois veio a pandemia, agora a questão da inteligência artificial [IA], também os cursos de STEM [sigla para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática], muito procurados pelas famílias, pelo meio académico”, indica Pires.

A articulação com a sociedade civil, particularmente com empresas e instituições que operam no espaço de língua portuguesa, é essencial para a revitalização do português na China, defende. “Vejo isso muito parado, não sei se por questões políticas, mas a sociedade civil entrar na universidade é algo muito difícil”, refere à Lusa. Estágios profissionais integrados nos planos de estudo, projectos desenvolvidos em colaboração com empresas e a participação regular de profissionais activos nas universidades podem ajudar a reduzir o fosso entre a formação académica e as exigências do mundo profissional, propõe-se na investigação.

O autor sugere ainda a “diversificação dos enfoques de ensino a favor de abordagens especializadas adaptadas às necessidades específicas de diferentes sectores profissionais”.

No contexto chinês, completa, esta adaptação pode assumir “formas concretas como a criação de programas interdisciplinares onde o português fosse ensinado como ferramenta de trabalho”, em áreas como engenharia civil, para projectos em Angola ou Moçambique, saúde pública, para cooperação com o Brasil, ou comércio electrónico, para plataformas digitais como a Ali Express nos mercados de língua portuguesa.

À Lusa, o investigador salienta que este processo de estagnação, face ao crescimento da IA, não é exclusivo do português, mas alcança o ensino de línguas em geral.

“Desde o início que se associa à língua ao seu poder económico. Ou seja, isso é indissociável”, ressalva, sublinhando que “a médio prazo” o lugar do português vai depender sempre das relações económicas e políticas com os países da esfera da lusofonia. “Já chegou também a um patamar de 56 universidades, não haverá muito mais para crescer a nível de ensino superior”, complementa, notando que “o crescimento exponencial não é sempre infinito” e este talvez seja um “processo natural”.

Pires admite que a situação é diferente em Macau, onde o português é uma das línguas oficiais”: “É mais difícil as coisas mudarem como muda no Interior da China, onde há uma perspectiva mais pragmática, mais económica em relação aos cursos”.

17 Set 2026

Zona A | Admitidas 22 propostas para construir escolas

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) admitiu 22 de 24 propostas submetidas a concurso público para as “Obras de superestrutura no terreno para fins educativos do lote B1 da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Este-2 de Macau – Zona 1”, ou seja, na Zona A dos Novos Aterros.

Segundo uma nota da DSPOP, os orçamentos apresentados variam entre 460 milhões e mais de 530 milhões de patacas, com prazos de execução de obra que rondam os 503 e 504 dias de trabalho.

A obra será feita numa área superior a 30 mil metros quadrados, sendo construídas quatro escolas e um centro de actividades educativas. Por sua vez, a cave destina-se ao parque de estacionamento e zona para a tomada e largada de crianças. As obras devem começar no segundo trimestre de 2027.

17 Set 2026

Justiça | Julgamento de Au Kam San arrancou com forte presença policial

O julgamento do ex-deputado Au Kam San começou ontem à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão.

Vários agentes da polícia foram mobilizados ontem de manhã para o exterior do Tribunal Judicial de Base (TJB), onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa.

Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB.

17 Set 2026