DSAT | Lançada plataforma de aprovação de marcas de modelos de veículos

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem o lançamento de uma plataforma online para apresentar requerimentos referentes a aprovação de marcas e modelos de veículos motorizados.

A DSAT sublinha que esta plataforma utiliza ferramentas de inteligência artificial, ajudando agências de veículos na análise prévia dos documentos de requerimento, antes da sua submissão oficial de pedidos online.

As agências qualificadas podem agora, todos os dias úteis entre as 09h e as 18h, aceder à plataforma através de um portal de internet ou na aplicação móvel da Plataforma para Empresas e Associações, onde podem ser carregados os documentos necessários para “requerer a aprovação de modelos, no âmbito de ciclomotores, motociclos, automóveis e semi-reboques”. O pagamento também pode ser feito online e todo o processo realizado sem a entrega de papéis ou presencialmente em departamentos de serviços públicos.

A DSAT alerta que a Plataforma de Análise por Inteligência Artificial tem apenas natureza auxiliar, sendo que os documentos de requerimento estão sempre sujeitos à verificação pelos técnicos da DSAT e à aprovação rigorosa pela Comissão para Aprovação de Marcas e Modelos de Veículos Motorizados.

9 Set 2026

Aviação | Criado grupo de trabalho para promover abertura do mercado

O gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho que terá como missão o desenvolvimento do sector da aviação civil. A entidade, chefiada pelo próprio Raymond Tam, terá como objectivos promover a abertura do mercado de aviação e a construção do Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas.

Entre as funções principais do grupo de trabalho, destaque para o papel de apresentação de pareceres e sugestões ao Chefe do Executivo sobre aviação civil, a realização de estudos sobre o sector, nomeadamente em relação a licenças de actividade de transporte aéreo comercial de passageiros.

O Governo salienta que a criação da entidade irá “impulsionar o desenvolvimento de alta qualidade do sector da aviação civil na RAEM”, assim como a colaboração interdepartamental.

O grupo de trabalho será constituído por representantes da Autoridade de Aviação Civil, dos Serviços de Alfândega, das direcções dos serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e de Turismo, assim como do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção para os Assuntos de Tráfego e da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

9 Set 2026

Venezuela garante respeitar acordos petrolíferos assinados com China e Rússia

A Venezuela garantiu respeitar os acordos petrolíferos assinados com a China e a Rússia, num contexto marcado pela agitação gerada pelo acordo com Washington para explorar um quinto das reservas de petróleo bruto do país.

“Temos acordos com a China e a Rússia e trata-se de empresas mistas com autorização para exercer atividades primárias em vigor. Respeitamos muito esses acordos”, esclareceu a ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, numa entrevista ao canal privado venezuelano Venevisión, no domingo.

Henao, que foi questionada sobre se a China e a Rússia ficariam de fora do negócio petrolífero venezuelano na sequência do acordo entre Caracas e Washington, garantiu também que as empresas mistas nas quais esses dois países têm participação “continuarão a exercer as suas actividades”.

A Casa Branca afirmou recentemente que a maioria dos jazigos petrolíferos abrangidos pelo acordo bilateral “eram anteriormente controlados ou operados por empresas russas e chinesas, ou por comparsas corruptos de [Nicolás] Maduro e [Hugo] Chávez”.

Hugo Chávez, Presidente da Venezuela desde 2022 até morrer, em 2013, foi sucedido por Nicolás Maduro, que em Janeiro passado foi capturado em Caracas por forças militares norte-americanas.

Washington afirmou que “estes actores estrangeiros mal-intencionados saquearam os recursos da Venezuela em benefício de adversários dos Estados Unidos, como Cuba, a Rússia e a China, e não investiram na infraestrutura nem no desenvolvimento” da nação sul-americana.

Direitos salvaguardados

Na terça-feira, a China exigiu que os seus interesses na Venezuela fossem salvaguardados, depois de alguns meios de comunicação terem noticiado que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderia afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC.

“Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, numa conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

O porta-voz salientou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países”.

A China mantém, há anos, interesses importantes no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais têm participado em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas.

8 Set 2026

Estreito de Ormuz | Teerão alerta Seul contra participação em operações dos EUA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão alertou ontem a Coreia do Sul contra qualquer mobilização militar ou participação em operações dos EUA no estreito de Ormuz, avisando que tal acção terá “graves consequências”.

Na sexta-feira, Seul indicou que estava a considerar contribuir para garantir a segurança da navegação no estratégico estreito de Ormuz, que está interrompida desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, no final de Fevereiro.

A Coreia do Sul esclareceu, no entanto, que nenhuma decisão tinha sido tomada e que qualquer participação estaria condicionada à manutenção das suas próprias capacidades de defesa.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, instou Seul a não ceder à “pressão e intimidação norte-americanas”, referindo que “qualquer mobilização militar ou participação de outros países em operações no golfo Pérsico ou no estreito de Ormuz pode ser considerada um apoio direto à parte responsável por esta agressão e terá consequências graves”.

Teerão e Washington continuam a trocar tiros no estreito de Ormuz e arredores, apesar do cessar-fogo estabelecido em Abril, que suspendeu a primeira fase de intensos bombardeamentos.

As negociações diplomáticas continuam paralisadas, enquanto os dois lados disputam o controlo deste ponto de estrangulamento marítimo por onde costumava passar cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural.

Desde o início da guerra, o tráfego ali está praticamente paralisado, perturbando os mercados globais de energia e fazendo disparar os preços dos combustíveis.

Teerão afirma que não haverá regresso ao regime de livre navegação que prevalecia antes da guerra e exige que os navios obtenham autorização para transitar pelo estreito, uma medida firmemente rejeitada por Washington e por vários países da região.

8 Set 2026

Japão | Mobilizados caças pelo quarto dia consecutivo

Tóquio mobilizou aviões de combate após serem avistadas aeronaves chinesas e russas nas zonas fronteiriças

O Japão mobilizou no domingo caças de combate pelo quarto dia consecutivo após detectar um avião militar chinês de recolha de informações, anunciaram as autoridades japonesas, num momento de tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim.

O aparelho, um Shaanxi Y-9, sobrevoou o mar da China Oriental até um ponto a sul das ilhas Danjo, um arquipélago desabitado da prefeitura de Nagasaki, antes de se deslocar para sudoeste, em frente à costa de Okinawa, e regressar à China.

Em incidentes semelhantes registados na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado, os Y-9 chineses realizaram voos parecidos e, em todos os casos, a Força Aérea de Autodefesa japonesa mobilizou aviões de combate.

No sábado, as autoridades japonesas identificaram também uma aeronave russa de recolha de informações que sobrevoou o Pacífico em direcção à costa de Miyagi, no nordeste do arquipélago, antes de se dirigir para o mar do Japão através do mar de Okhotsk. As forças japonesas também mobilizaram aviões de combate em resposta ao incidente com a aeronave russa.

Os incidentes com aviões chineses nas zonas fronteiriças são relativamente frequentes no arquipélago japonês, mas ocorrem num momento de renovadas tensões com a China devido a Taiwan. O Y-9 é originalmente um avião de transporte da força aérea chinesa, mas tem diferentes versões, incluindo a de recolha de informações ou a de guerra electrónica.

Tensões e disputas

As relações de Tóquio com Moscovo também atravessam momentos de tensão devido ao alinhamento do Japão com o Ocidente no apoio à Ucrânia, que combate uma invasão russa desde fevereiro de 2022.

As tensões russo-japonesas agravaram-se no início de agosto após uma visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às disputadas ilhas Curilas, que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou de “absolutamente inaceitável”.

Putin foi pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai).

As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo.

Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas.

Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.

8 Set 2026

Ásia Central | Concluído primeiro túnel de ferrovia que contorna Rússia

O projecto completo deverá estar terminado em 2031, mas há quem aponte para a conclusão já em 2028

A China anunciou ontem a conclusão da perfuração do primeiro túnel da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, projecto estratégico que deverá criar a rota terrestre mais curta entre o país asiático, o Médio Oriente e a Europa.

O túnel, com 210 metros de extensão, é o primeiro a ser perfurado no troço quirguiz desde o início das obras em grande escala, em Junho de 2025, informou a televisão estatal chinesa CCTV. As obras no segmento localizado no Quirguistão estão agora 17 por cento concluídas, segundo a mesma fonte.

Com mais de 500 quilómetros de extensão, a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão (CKU, na sigla em inglês) parte de Kashgar, na região chinesa de Xinjiang, atravessa as montanhas do Quirguistão e termina em Andijan, no Uzbequistão. Cerca de 305 quilómetros da linha atravessam território quirguiz.

Quando estiver concluída, a ferrovia deverá constituir a rota terrestre mais curta entre a China, o Médio Oriente e a Europa e reduzir em até oito dias o tempo de transporte face aos actuais serviços ferroviários de mercadorias China-Europa.

As três principais rotas ferroviárias que actualmente ligam a China à Europa atravessam a Rússia ou o Cazaquistão.

O projecto permitirá assim a Pequim diversificar as ligações comerciais terrestres e dispor de um corredor que contorna território russo, ao mesmo tempo que cria uma nova saída para as exportações da parte sul de Xinjiang.

Para o Quirguistão e o Uzbequistão, dois países sem acesso ao mar, a linha deverá proporcionar uma ligação terrestre direta aos mercados chinês e da região Ásia-Pacífico.

Em construção

Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, estão actualmente em construção 27 túneis, 43 pontes e 88 troços de plataforma ferroviária, além de 20 estações.

O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou na semana passada uma visita de Estado ao Quirguistão, durante a qual Pequim e Bisqueque se comprometeram, numa declaração conjunta, a garantir o avanço sem entraves da construção da ferrovia.

O projecto, concebido em 1997 e integrado na iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota, esteve bloqueado durante décadas devido às dificuldades de engenharia associadas ao terreno montanhoso, divergências sobre a bitola da linha e questões geopolíticas.

O corredor permite contornar a Rússia, cuja influência tradicional na Ásia Central tem sido desafiada pela crescente presença económica chinesa na região. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e as consequentes sanções ocidentais contribuíram também para reforçar a dependência económica de Moscovo em relação a Pequim. Para ultrapassar as divergências técnicas, o projeto adoptou uma solução com duas bitolas diferentes.

Um troço de 167,5 quilómetros entre a fronteira chinesa e Makmal, no Quirguistão, utilizará a bitola padrão usada na China, enquanto os quase 140 quilómetros restantes em direção ao Uzbequistão manterão a bitola larga herdada do período soviético. Makmal acolherá um centro de transbordo para permitir a transferência das mercadorias entre comboios das duas bitolas.

“A importância desta solução é que a bitola padrão da China entra pela primeira vez no coração da Ásia Central”, afirmou à CCTV Li Lifan, director do Centro de Estudos da Organização de Cooperação de Xangai da Academia de Ciências Sociais de Xangai.

China, Quirguistão, Uzbequistão e Rússia integram a Organização de Cooperação de Xangai (SCO), que assinalou na semana passada o 25.º aniversário durante uma cimeira de líderes realizada em Bisqueque.

O engenheiro-chefe do projecto, Xi Jihong, estimou que a ferrovia estará pronta para entrar em funcionamento em Junho de 2031. O Uzbequistão pretende, no entanto, acelerar os trabalhos. O vice-ministro dos Transportes uzbeque, Jasurbek Choriev, afirmou em Junho que o objectivo é concluir a linha já em 2028.

8 Set 2026

Aplicados quase 46,5 mil milhões de euros em oito instituições financeiras

A China anunciou um pacote de injecções de capital de quase 54 mil milhões de dólares em oito dos principais bancos e seguradoras do país, numa iniciativa pouco habitual, que visa reforçar o setor financeiro.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, o plano ascende a 360 mil milhões de yuan e abrange oito instituições: os bancos ICBC – o maior do país –, ABC e Eximbank, e as seguradoras China Life, PICC, Sinosure, China Taiping e China Reinsurance.

Segundo analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), o Ministério das Finanças chinês, que lidera a operação, raramente realiza injecções de capital desta dimensão em instituições financeiras, enquadrando a medida na ambição de Pequim de transformar o país numa “superpotência financeira”.

No entanto, a agência de notação financeira S&P estimou anteriormente que os quatro maiores bancos chineses – ICBC, CCB, ABC e Bank of China – precisariam de mais de 551 mil milhões de dólares em capital adicional para cumprirem os requisitos internacionais destinados a garantir que conseguem suportar perdas em caso de crise, sem recorrer a resgates públicos.

“As últimas reuniões de alto nível [das autoridades chinesas] avançaram com uma política orçamental mais proactiva para contrariar as pressões sobre o crescimento, e a injecção de capital nas instituições financeiras faz parte desse conjunto de instrumentos”, explicou Shen Meng, da empresa de investimento Chanson & Co., sediada em Pequim.

Maior estímulo

Na opinião do analista, o plano anunciado no domingo “não só reduz os riscos operacionais e regulatórios para estas instituições, como também estimula o investimento e o consumo através do efeito multiplicador do setor financeiro”.

Um especialista citado pelo jornal oficial Global Times defendeu igualmente esta perspectiva, considerando que “as empresas, especialmente as privadas, necessitam urgentemente de apoio sob a forma de crédito”, situação em que os bancos “desempenham um papel de liderança”.

Shen salientou que o Ministério das Finanças realizou injecções de capital apenas em algumas ocasiões e que, nesses casos, “o objectivo era sobretudo corrigir os balanços e reduzir os riscos”.

Os seis principais bancos estatais chineses registaram, no primeiro trimestre, o primeiro aumento simultâneo das receitas e dos lucros desde 2022, beneficiando da recuperação das margens financeiras líquidas.

8 Set 2026

PCC | Alerta contra “pseudo-história” que ameaça segurança cultural e ideológica

A principal publicação teórica oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) alertou ontem que teorias que reescrevem radicalmente a história mundial estão a prejudicar a imagem internacional da China e ameaçam a sua segurança cultural e ideológica.

Num artigo, a Qiushi, principal publicação teórica oficial do Comité Central do PCC, criticou a crescente difusão na Internet de teorias que questionam as origens da civilização ocidental ou atribuem à China alguns dos principais avanços científicos e tecnológicos da história.

“As alegações pseudo-históricas extremas que proliferam ‘online’ continuam a espalhar-se no estrangeiro e já prejudicaram o ‘poder do discurso académico’ e a imagem cultural do nosso país”, afirmou a publicação.

Nos últimos anos, ganharam visibilidade nas redes sociais chinesas teorias segundo as quais Aristóteles nunca existiu, a Grécia Antiga não poderia ter sustentado uma civilização avançada ou alguns dos principais progressos associados à Revolução Industrial tiveram origem na China.

A Qiushi classificou algumas destas teses como “narrativas rebuscadas e absurdas”, citando alegações de que o monte Emei, na província chinesa de Sichuan, “é os Alpes” ou de que a Enciclopédia Yongle “deu origem à civilização ocidental moderna”.

A semelhança fonética entre os nomes chineses do monte Emei e dos Alpes tem sido usada por alguns defensores destas teorias como suposta prova de que elementos da civilização ocidental tiveram origem na China.

Outra tese sustenta que a Enciclopédia Yongle, uma vasta obra compilada por ordem do imperador Yongle no século XV, continha conhecimentos posteriormente apropriados pelo Ocidente, incluindo princípios do cálculo matemático e da máquina a vapor.

As autoridades chinesas nunca apoiaram oficialmente estas teorias e, nos últimos meses, vários órgãos de comunicação social estatais intensificaram as críticas à sua crescente popularidade nas plataformas digitais.

A Qiushi alertou também para as consequências internas destas interpretações, considerando que algumas podem ameaçar a narrativa oficial sobre a unidade histórica e territorial do país. “Algumas narrativas pseudo-históricas apresentam tendências separatistas étnicas e podem fornecer uma base teórica para negar a unidade da nação chinesa”, afirmou.

Sentido de identidade

A publicação criticou, em particular, interpretações que avaliam a legitimidade das diferentes dinastias chinesas com base na origem étnica dos seus governantes.

A Qiushi criticou, em particular, correntes nacionalistas Han que consideram a dinastia Qing (1644-1911), fundada pelos manchus após a queda da dinastia Ming (1368-1644), um regime estrangeiro que conquistou e colonizou a China.

Esta interpretação contraria a narrativa oficial chinesa, segundo a qual o actual Estado é sucessor das diferentes dinastias que governaram o território e herdou a soberania sobre regiões como Xinjiang e o Tibete, assim como sobre Taiwan. “O resultado prático destas alegações é desconstruir a identidade nacional, enquanto o consenso histórico que sustenta a comunidade da nação chinesa corre o risco de ser fragmentado”, advertiu a Qiushi.

O Presidente chinês, Xi Jinping, tem colocado a construção de “um forte sentido de comunidade para a nação chinesa” no centro da política do PCC para as minorias étnicas e para a defesa da integridade territorial.

No ano passado, as autoridades chinesas bloquearam várias contas influentes nas redes sociais que promoviam teorias pseudo-históricas e posições associadas ao nacionalismo Han. Segundo a Qiushi, apesar da eliminação dessas contas, os conteúdos continuaram a circular de forma mais descentralizada.

A publicação alertou ainda para o papel da inteligência artificial (IA) generativa na produção em massa deste tipo de conteúdos, considerando que pode distorcer a percepção da história entre a população, sobretudo entre os mais jovens.

“Não se pode permitir que os algoritmos se tornem um megafone para estas narrativas”, defendeu a Qiushi.

8 Set 2026

Maria João Pires organiza academia online com residências

A pianista Maria João Pires anunciou no último domingo o lançamento da primeira edição da “MJP Piano Academy”, espaço ‘online’ dedicado ao ensino de piano, prevendo, para breve, abertura de inscrições para ‘masterclasses’, no Centro de Artes de Belgais, Portugal.

Num comunicado assinado por “Maria João Pires e equipa”, é adiantado que o novo projecto da pianista “oferece também reservas para ‘Explicações Online’ e, em breve, para um novo formato de aula, os ‘Workshops Online'”, semanais, para grupos de três a quatro alunos inscritos no programa da academia.

“Estes ‘workshops’ estarão igualmente disponíveis para espectadores e ouvintes através de um plano de subscrição, permitindo que outros estudantes, professores ou amantes de música assistam aos eventos mensais e participem numa sessão mensal de perguntas e respostas ‘online'”, com Maria João Pires.

Um plano de reabertura do projecto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, está também a ser trabalhado pela equipa, com o objectivo de oferecer “uma maior variedade de eventos e experiências presenciais”. Desta vez, porém, partilhando as actividades “numa Plataforma Online de Belgais dedicada a pessoas de todo o mundo”, esclarece no comunicado. Esta plataforma, “assim que for lançada”, poderá vir a acolher a “MJP Piano Academy”, lê-se ainda.

“’Ensinar’ é uma expressão comum que todos usam, e é por isso que eu também a uso”, afirma Maria João Pires, citada pelo comunicado. “No entanto, é muito mais do que isso — é uma forma de diálogo através da música, um ‘dar e receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio. Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência mais clara”.

Menos palco

Maria João Pires, de 82 anos, anunciou o afastamento dos palcos, em Novembro do ano passado, afirmando estar num “processo de mudança radical”, poucos meses depois de ter tido um problema de saúde, que pôs fim à digressão que mantinha entre palcos europeus e asiáticos.

Este anúncio foi feito na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, com que foi distinguida, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou “ultrapassar-se e ir até limites proibidos”.

“Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente”, afirmou então.

No passado mês de Julho, quando recebeu o doutoramento Honoris Causa atribuído pela Universidade de Évora, Maria João Pires afastou o regresso ao activo para um derradeiro concerto, mas admitiu a possibilidade de voltar aos estúdios para “fazer algumas gravações”.

Nascida em Lisboa, em 23 de Julho de 1944, a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses tem uma carreira que remonta a finais da década de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989. Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

8 Set 2026

Barra Slow Festival | Mais visitantes na edição deste ano

A mais recente edição do Barra Slow Festival, que se realizou no último fim-de-semana – de 4 a 6 de Setembro – na zona da Barra, registou 100 mil visitantes, um aumento face aos 40 mil visitantes registados na edição do evento em Maio.

Os números foram noticiados pelo jornal Ou Mun conforme as declarações de Lam Sio Man, directora do Centro de Desenvolvimento Local, da União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong), promotor da iniciativa. Esta edição foi dedicada ao universo da padaria e pastelaria, com concertos de músicos bem conhecidos de Hong Kong, e não só, trazendo também espaços dedicados ao conceito de um estilo de vida mais calmo e saudável.

A responsável destaca que houve mais famílias e jovens a marcar presença nas Oficinas Navais, onde se realizou o festival, tendo também contribuído para isto o reforço da comunicação na região da Grande Baía. Só os turistas, ocuparam a proporção de 40 por cento dos visitantes do festival.

8 Set 2026

Pensões ilegais | Desmantelados dois espaços

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) desmantelou duas pensões ilegais entre os dias 25 e 31 de Agosto.

Segundo um comunicado, estes espaços funcionavam nas ilhas e ZAPE (península de Macau), sendo que a actuação das autoridades se deveu a denúncias recebidas. Foram detidos 11 cidadãos da China nas duas pensões, sendo que dez deles disseram pagar entre 100 a 350 dólares de Hong Kong por dia para alugar a fracção após apresentação dos espaços por outra pessoa.

Os agentes policias descobriram também um homem suspeito de violar o regulamento sobre a proibição do trabalho ilegal, tendo informado a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. Tratando-se de pensões ilegais, o CPSP também comunicou com a Direcção dos Serviços de Turismo, tendo os apartamentos sido vedados.

8 Set 2026

Bancos | Lucros encolhem 16,3 por cento até Julho

Nos primeiros sete meses do ano, a banca local registou lucros de 6,33 mil milhões de patacas. Os custos de funcionamento das instituições contribuíram para este resultado ao crescerem para 12,5 mil milhões de patacas

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 6,33 mil milhões de patacas nos primeiros sete meses do ano, menos 16,3 por cento do que no mesmo período de 2025.

De acordo com dados oficiais, a principal razão para a queda nos lucros foi um aumento de 37,3 por cento nos custos de funcionamento, que atingiram 12,5 mil milhões de patacas. Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a maior subida registou-se nas dotações para provisões, reservas para cobrir potenciais perdas, que duplicaram, para 5,4 mil milhões de patacas.

Isto apesar de o crédito malparado na banca de Macau ter caído, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, muito longe do máximo de 57,8 mil milhões de patacas, fixado em Junho de 2025.

Os empréstimos vencidos representavam 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,7 pontos percentuais do que em Julho de 2025. Uma percentagem que subiu para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.

A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Os lucros da banca local encolheram, mesmo perante uma subida de 36 por cento, para 12,1 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Empréstimos em queda

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, caíram 3,4 por cento em comparação com Julho de 2025, fixando-se em 1,03 biliões de patacas. Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 6,4 por cento, para 1,48 biliões de patacas no final de Julho passado, disse a AMCM.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas.

Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O BNU anunciou em 12 de Agosto lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas na primeira metade de 2026, uma queda de 1,3 por cento face ao mesmo período do ano passado.

8 Set 2026

Estacionamento | Novo parque na Rua de Entre-Campos

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou a abertura de um parque de estacionamento temporário num terreno desaproveitado na Rua de Entre-Campos. A abertura está prevista para esta manhã, a partir das 10h, e vai disponibilizar 86 lugares de estacionamento, dos quais 40 para automóveis ligeiros e 46 para motociclos e ciclomotores.

Segundo a DSAT, o parque tem como objectivo a “optimização contínua da gestão dos recursos de estacionamento público ao ar livre” e responder “às solicitações dos residentes das zonas de San Kio e do Jardim de Luís de Camões no que respeita às necessidades de estacionamento”.

O parque de estacionamento pode ser acedido pela Rua de Entre-Campos e tem lugares de estacionamento acessíveis para pessoas com mobilidade condicionada e lugares com carregadores para veículos eléctricos.

O modelo de exploração do parque de estacionamento prevê que os primeiros 15 minutos sejam gratuitos. Depois passa a haver uma cobrança por cada período de meia-hora. Segundo a DSAT, o pagamento só pode ser feito em dinheiro vivo se o sistema de pagamento electrónico estiver avariado.

No anúncio de ontem, o Governo reconheceu que vai praticar preços mais elevados do que noutros parques públicos, dado que “se prevê uma taxa de utilização elevada”.

Em relação aos preços, durante o dia, os automóveis pagam quatro patacas por cada meia hora, preço que desce para duas patacas, durante a noite. Os motociclos e ciclomotores pagam uma pataca por cada meia hora, durante o dia, e 50 avos à noite, por cada meia hora.

8 Set 2026

SJM | Assinados protocolos para promover turismo

A delegação da concessionária SJM Resorts que acompanhou a visita do Chefe do Executivo a Singapura, à Indonésia e à Malásia assinou 24 protocolos.

Segundo o jornal Ou Mun, os protocolos visam a cooperação com plataformas online e agências de viagens nos países visitados para promover serviços da concessionária que abrangem reservas de quartos, restaurantes, golfe e pacotes de viagens para o Grande Lisboa Palace.

O vice-presidente de Desenvolvimento de Mercado e Vendas de Resorts da empresa, Victor Lau, considerou que estes mercados são próximos de Macau e importantes para a internacionalização do turismo, especialmente Singapura, onde a população tem uma grande capacidade de consumo.

8 Set 2026

Correios | Encerrada estação do Centro Cultural

A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) anunciou ontem o encerramento permanente da Estação Postal do Centro Cultural, localizada na Avenida Xian Xing Hai. A estação fecha as portas a 19 de Setembro, e a medida foi justificada com a “alocação e integração de recursos” por parte dos CTT.

Como alternativa a este centro de serviços, os CTT sugerem a utilização da Estação Postal do Terminal no Rés-do-Chão do Terminal Marítimo ou da Estação Central, no Edifício Sede da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, no Largo do Senado.

Actualmente, os CTT disponibilizam 18 estações e com este encerramento são mantidas em funcionamento 17 estações.

8 Set 2026

Macau quer atrair mais turistas de países de língua portuguesa e espanhola

A Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) afirmou ontem que quer atrair mais visitantes de nações de língua portuguesa e espanhola, no âmbito de uma estratégia para aumentar o perfil internacional da região chinesa.

“Continuamos a aprofundar a nossa presença nos mercados do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, ao mesmo tempo que expandimos o nosso alcance para as regiões de língua portuguesa e espanhola, Europa, Estados Unidos e países de maioria muçulmana”, disse a directora da DST.

Maria Helena de Senna Fernandes sublinhou que a cidade está a trabalhar com centros culturais chineses e com os postos de turismo criados no estrangeiro pelo Ministério da Cultura e Turismo para promover as atracções turísticas e culturais de Macau.

“Continuamos a melhorar o perfil internacional de Macau”, afirmou.

Macau recebeu 40,7 milhões de visitantes em 2025, um aumento de 14,7 por cento. Os turistas internacionais totalizaram 2,76 milhões, mais 13,7 por cento do que no ano anterior. Na primeira metade de 2026, os visitantes internacionais atingiram 1,42 milhões, um aumento de 6 por cento face ao mesmo período do ano passado.

“Isso reflecte o crescimento constante impulsionado pela recuperação do mercado turístico de Macau, e o seu apelo junto da comunidade internacional também está gradualmente a recuperar”, disse Senna Fernandes.

Do Plano Quinquenal

A responsável falou no início de uma sessão de apresentação do terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico de Macau (2026–2030) para personalidades dos sectores económicos e financeiros.

Senna Fernandes acrescentou que, durante o período coberto pelo plano, o Governo irá “continuar a expandir activamente” os mercados de turismo, através de um conjunto de iniciativas, com o objectivo de “garantir um aumento constante do número de visitantes internacionais” em Macau.

A comunicação social não esteve presente durante a parte de perguntas e respostas, tendo apenas acesso à sessão durante as intervenções dos governantes e as apresentações dos serviços públicos.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os mercados de língua portuguesa em 2003. Mais de duas décadas depois, o Governo de Macau alargou o foco aos países que falam espanhol.

8 Set 2026

Habitação Económica | Escolha de casas arranca hoje

Os seleccionados para a compra de habitação económica no âmbito do concurso realizado em 2021 começam hoje a escolher os futuros apartamentos.

O anúncio foi feito ontem pelo Instituto de Habitação, que nos últimos dias notificou os escolhidos sobre os procedimentos de compra. As fracções de habitação económica disponíveis para aquisição situam-se nos Edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, na Zona A dos Novos Aterros.

No total estão disponíveis 5.254 fracções habitacionais, das quais 242 são da tipologia T1, 4.478 da tipologia T2 e 534 da tipologia T3. No concurso de 2021, foram recebidas 11.707 candidaturas, das quais 9.796 foram aceites e 1.911 excluídas por não cumprirem os requisitos de admissão no concurso. Dependendo da localização e do tipo de habitação, os preços de venda variam entre o mínimo de 1,00 milhão de patacas e o máximo 2,06 milhões de patacas.

8 Set 2026

Indonésia | Voos suspensos em seis aeroportos após erupção vulcânica

As autoridades indonésias suspenderam ontem a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes.

Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa. Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados.

O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções ontem, precisou a agência.

As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura logo a partir da 01:30.

Anel de risco

O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado actividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883.

Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos. A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa actividade vulcânica e sísmica.

7 Set 2026

Seul | Cinco anos de prisão para sul-coreano por espionagem a favor de Pyongyang

Um homem sul-coreano foi condenado em Seul a cinco anos de prisão por espionagem a favor da Coreia do Norte, noticiou sábado a agência de notícias da Coreia do Sul Yonhap.

O homem, de 43 anos, foi recrutado em 2021 por um agente norte-coreano para recolher informações sobre desertores críticos de Pyongyang e sobre vários oficiais do Exército sul-coreano, que deveria tentar recrutar.

O Tribunal do Distrito Central de Seul salientou no acórdão que as informações relativas aos desertores norte-coreanos devem ser protegidas para evitar que estes ou as famílias sejam prejudicados.

Ainda de acordo com a Yonhap, o condenado recebeu cerca de 660 milhões de wons (423 mil euros) em criptomoedas para financiar as actividades. O homem contratou uma agência de detectives privados para investigar um dos oficiais e conseguiu obter dados como a morada ou a unidade do Exército à qual pertencia.

Também contactou o líder de um grupo de desertores norte-coreanos, oferecendo-se para financiar actividades, e conseguiu imagens do grupo a distribuir panfletos críticos em relação a Pyongyang. O homem já tinha sido condenado em Dezembro do ano passado pelo Supremo Tribunal por outro incidente relacionado com a Coreia do Norte.

7 Set 2026

Ucrânia | Papa pede fim da violência

O Papa Leão XIV manifestou ontem a sua preocupação pelos recentes ataques em várias cidades da Ucrânia, pedindo uma oportunidade ao diálogo entre as partes envolvidas no conflito.

“De coração apertado acompanhei as notícias dos violentos ataques que afetaram recentemente várias cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, provocando a morte de pessoas inocentes”, disse o Papa após a oração dominical do Angelus, na Praça de São Pedro.

Leão XIV fez um novo apelo para “acabar com a violência”, “travar a destruição” e abrir os corações “ao diálogo e à paz”. O Papa manifestou ainda a esperança de que os esforços empreendidos nos últimos dias para o retomar das negociações de paz produzam “frutos concretos”.

“Espero que os esforços empreendidos nestes dias para o retomar das negociações abram espaço à diplomacia”, concluiu.

Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, estiveram em Moscovo no sábado, reunidos com o Presidente russo, Vladimir Putin, e chegaram ontem a Kiev, numa tentativa de reduzir a tensão e a escalada da guerra.

As palavras do Papa surgem quando ocorre uma nova escalada da guerra, marcada pela intensificação dos ataques russos contra zonas urbanas e infraestruturas e por um elevado número de vítimas civis. A Ucrânia também tem aumentado os seus ataques ao território russo.

7 Set 2026

Díli | Francisco “Maukura” anuncia intenção de concorrer às presidenciais

O veterano da resistência timorense Francisco Dionísio F. “Maukura” manifestou sábado intenção de concorrer às eleições presidenciais, no próximo ano, para promover o desenvolvimento do país e o respeito pela Constituição.

Timor-Leste realizará eleições presidenciais em 2027 e o novo Presidente da República tomará posse em 20 de Maio desse ano, data em que o país celebra 25 anos da restauração da independência.

“Com esta candidatura, quero devolver ao Presidente da República o seu verdadeiro papel. O seu dever é ser totalmente leal à pátria e ao povo, sujeitando-se à Constituição da República Democrática de Timor-Leste”, afirmou Francisco Dionísio F. “Maukura” ao anunciar, em Díli, a pré-candidatura à Presidência da República para o período 2027-2032.

Francisco Dionísio explicou que o Presidente deve ser o guardião da Constituição e um elemento unificador capaz de representar todos os timorenses, apoiando qualquer Governo no cumprimento das suas funções.

O candidato, de 53 anos, destacou que Timor-Leste precisa de avançar com base na tecnocracia, meritocracia e transparência na gestão orçamental.

“Ser Presidente significa também promover o desenvolvimento económico do país. Timor-Leste já aderiu a várias organizações internacionais e não pode permitir que apenas uma ou duas pessoas usufruam dos benefícios do desenvolvimento”, afirmou Francisco “Maukura”.

Por fim, salientou que a disputa nas eleições presidenciais é um exercício democrático, no qual se devem confrontar visões, ideias, experiências, capacidades de organização e de mobilização, ajudando a população a compreender os objectivos comuns da nação.

Francisco Dionísio F. “Maukura” junta-se ao embaixador Joaquim da Fonseca e a Rui Araújo, ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, que também já anunciaram a intenção de se candidatarem às eleições presidenciais do próximo ano.

7 Set 2026

A Viagem a Qinghai como Novo Ponto de Partida – O futuro e a responsabilidade dos jovens macaenses

Por Manuel Silvério
- Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional
(Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)

Uma acção que ainda não terminou

A visita da Associação dos Jovens Macaenses à província de Qinghai, realizada entre 26 de Julho e 1 de Agosto de 2026, não foi apenas uma actividade de visita, nem apenas uma experiência para guardar em fotografias e recordações. O seu significado mais importante esteve em permitir que os participantes saíssem do ambiente familiar de Macau e entrassem em contacto directo com uma face mais vasta, profunda e complexa do País.

Durante vários dias, jovens macaenses e outros participantes percorreram uma parte profunda da terra da Pátria, longe das grandes cidades, dos centros financeiros e das paisagens urbanas modernas que nos são mais familiares. Sentiram de perto o planalto, a altitude, as longas distâncias, a diversidade étnica e cultural, a força da natureza, a segurança ecológica, os recursos estratégicos e a memória histórica de uma terra com muitos significados. Essas experiências recordam-nos que Macau, embora seja o lugar onde vivemos, é apenas uma parte do quadro geral de desenvolvimento do País.

Uma viagem desta natureza não deve ficar apenas nas fotografias e nos locais visitados. Uma viagem verdadeiramente significativa não deve terminar no regresso. O seu valor está em saber se consegue levar os participantes a pensar mais profundamente sobre o País, Macau, a sua própria comunidade e as responsabilidades futuras. Deve continuar, depois do regresso a Macau, como ponto de partida para reflexão, participação e responsabilidade.

Na noite de 12 de Agosto, num buffet macaense oferecido por Leonel Alves, os participantes da visita a Qinghai voltaram a reunir-se, num ambiente de partilha e reflexão, recordando também os laços de amizade criados ao longo da experiência. Estiveram igualmente presentes vários responsáveis do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, liderados pelo Director-Geral do Departamento de Coordenação, Qiu Yu, que acompanhara integralmente a delegação durante a visita a Qinghai.

Esse reencontro foi simples, mas significativo. Depois de um programa intenso, houve finalmente tempo para conversar com mais calma, recordar momentos da viagem, trocar impressões e perceber que a deslocação a Qinghai não terminou com a chegada ao aeroporto de Shenzhen, nem com o regresso de autocarro a Macau pela fronteira de Hengqin. Pelo contrário, outra viagem começou nesse momento: a de pensar, já em Macau, como devemos dar continuidade às lições recebidas nessa deslocação e responder às suas inspirações.

O alerta de Leonel Alves

Enquanto chefe da delegação, Leonel Alves afirmou que esta foi uma visita bem-sucedida. O sucesso não esteve apenas no cumprimento do programa ou na boa organização, mas sobretudo nas muitas lições recebidas ao longo do percurso. Recordou a viagem, as longas deslocações de autocarro, as conversas aprofundadas entre os participantes, o contacto directo com diferentes realidades da Pátria e até a sensação especial de viver quase “quatro estações” num só dia. São experiências que só se compreendem plenamente quando vividas de perto, e que ajudam a sentir, de forma concreta, a diversidade e a profundidade da cultura chinesa.

Leonel Alves manifestou também o desejo de que, no próximo ano, possa ser organizada uma nova deslocação deste género, permitindo que mais pessoas visitem outras regiões do País.

Mais importante ainda foi a mensagem que deixou aos jovens. Com um tom claro, sereno e firme, apelou aos jovens macaenses para compreenderem melhor a nova situação de Macau e tomarem consciência de que há responsabilidades que já não podem ser adiadas. Lembrou que não devemos ficar limitados ao nosso pequeno círculo ou aos interesses pessoais, mas antes alargar horizontes e pensar, com maior visão, na comunidade, nos interesses de Macau, no desenvolvimento, nos jovens, nos nossos filhos e no futuro das novas gerações.

Esta talvez seja a lição mais importante que Qinghai nos deve deixar.

Da memória à participação

Macau é uma cidade confortável, e isso é uma conquista que devemos valorizar. Mas o conforto também pode significar excesso de acomodação. Quando uma comunidade se habitua demasiado a ser protegida, corre o risco de perder iniciativa, estreitar horizontes e confundir a preservação da identidade com a simples preservação da memória.

A identidade macaense não pode ficar apenas na nostalgia, na gastronomia, nos encontros ocasionais ou nas fotografias de família. Tudo isso é importante, mas não basta. Para uma comunidade manter vitalidade, precisa de preparar os jovens e as novas gerações, para que possam participar no tempo em que vivem.

Preparar os jovens não significa apenas convidá-los para cerimónias, almoços, recepções ou fotografias de grupo. Mais importante é ouvi-los, acompanhá-los, dar-lhes responsabilidades e criar oportunidades concretas para aprenderem, errarem, crescerem e servirem.

Na verdade, Macau já conta com várias associações e organizações que, através da prática, têm formado jovens membros: apoiando as suas iniciativas, envolvendo-os em actividades sociais, orientando-os para as necessidades reais da comunidade, dando-lhes oportunidades para aparecerem em diferentes espaços da sociedade e ajudando-os a ganhar confiança, experiência e sentido de responsabilidade. A comunidade macaense pode, e deve, retirar inspiração dessas experiências.

A formação dos jovens pode avançar com naturalidade, mas também exige método. É necessário criar oportunidades para que escrevam, falem, organizem actividades, apresentem ideias, participem em projectos, acompanhem os mais experientes, visitem o Interior do País, conheçam a Grande Baía, recebam delegações e aprendam a comunicar com diferentes sectores da sociedade.

Não se trata de formar jovens apenas para conservar uma memória cultural. Trata-se de lhes dar instrumentos para participarem nos assuntos de Macau de hoje.

A identidade macaense precisa de se renovar

A identidade macaense só continuará a ter vitalidade se continuar a ser útil, respeitada e reconhecida pela sociedade. Por isso, deve ser transmitida como herança, mas também exercida como competência.

Os macaenses têm a sua própria história, uma sensibilidade intercultural e uma experiência de convivência entre diferentes línguas, tradições e comunidades. Porém, estas vantagens só terão valor futuro se forem acompanhadas por preparação, disciplina, capacidade linguística, conhecimento do País, consciência cívica e espírito de serviço.

Hoje, a identidade macaense também não pode ser reduzida a uma fórmula única. Não significa necessariamente dominar a língua portuguesa, nem deve ser usada para criar falsas hierarquias sobre quem é mais importante ou mais autêntico. O essencial é que todas as vozes dispostas a contribuir para Macau e para esta característica própria da nossa terra possam encontrar o seu lugar nesta união.

Muitas vezes perguntam-nos: afinal, quantos macaenses existem? A resposta nem sempre é fácil, e talvez nem seja essa a questão mais importante. O que importa verdadeiramente é saber se ainda temos capacidade para manter esta característica singular de Macau, prolongar este património histórico e cultural, e fazer com que Macau continue a ser uma cidade chinesa diferente, aberta, plural e reconhecida.

O valor de uma comunidade não depende apenas do número dos seus membros, mas da qualidade da sua presença, da utilidade da sua participação e da capacidade de transmitir às novas gerações um sentido de pertença, responsabilidade e serviço. Se a identidade macaense continuar a ser uma ponte entre culturas, línguas, memórias e projectos de futuro, então, independentemente do número de pessoas, continuará a ter significado para Macau.

Os jovens são a chave do futuro

Entre os jovens macaenses, há alguns que já têm boas condições: são multilingues, abertos, com visão e capacidade para assumir maiores responsabilidades. Outros ainda precisam de ganhar confiança, sair do ambiente habitual e conhecer melhor Macau, a Grande Baía e o País. Ambos devem ser acompanhados. Ambos fazem parte do futuro da comunidade.

Naturalmente, não devemos interpretar em excesso, nem subestimar, a atenção, consideração ou oportunidades concedidas pelas entidades públicas. Como em muitas coisas na vida, o reconhecimento depende, em grande medida, do esforço individual e colectivo, da preparação, da utilidade e da capacidade de contribuir com seriedade.

A comunidade macaense não precisa de se colocar acima de ninguém, nem precisa de estar presente em tudo. Precisa, sim, de estar preparada, manter-se aberta e, quando for necessária, ter capacidade para servir Macau, sempre em harmonia e abertura com as outras comunidades que também fazem parte da realidade plural da RAEM.

É precisamente aqui que visitas como a de Qinghai têm um valor especial. Quando bem organizadas, não são turismo, mas formação humana, cívica e comunitária. Colocam os jovens perante diferentes cenários, permitindo-lhes adaptar-se, conviver, escutar, observar e compreender que Macau, embora seja muito importante para nós, é apenas uma parte de uma realidade nacional muito mais ampla.

Mas uma viagem, por si só, não basta. O verdadeiro desafio começa depois do regresso. Que conversas irão continuar? Que iniciativas irão nascer? Que jovens começarão a escrever, a organizar actividades, a estudar melhor chinês, a conhecer mais profundamente a história do País, a aproximar-se da Grande Baía e a pensar nos interesses gerais de Macau?

Se, depois do regresso, nada acontecer, a viagem será apenas uma boa memória. Se houver continuidade, tornar-se-á um investimento.

Transformar a experiência em responsabilidade

Macau precisa de investir melhor nos jovens. Esse investimento não deve limitar-se a bolsas, cursos ou visitas ocasionais, mas deve construir percursos de crescimento responsável. Os jovens podem começar por observar, depois ajudar; em seguida propor ideias, organizar trabalho, representar a comunidade e assumir responsabilidades. Nenhuma comunidade consegue renovar-se se deixar a geração mais nova eternamente à espera de uma autorização simbólica dos mais velhos. Mas, do mesmo modo, nenhum jovem cresce verdadeiramente sem orientação, exemplo e exigência.

Os mais velhos têm a responsabilidade de abrir portas. Os jovens têm o dever de entrar por elas com humildade, vontade de aprender e espírito de serviço. A comunidade não pode continuar apenas a falar dos jovens; deve começar a confiar-lhes tarefas concretas. Os jovens, por sua vez, também devem compreender que a visibilidade social ou política não é vaidade pessoal, mas responsabilidade perante a comunidade, Macau e o País.

Pensar nos jovens é também pensar nos filhos e nos netos. É perguntar que Macau queremos deixar-lhes. É perguntar se ainda terão espaço para viver, trabalhar, participar e sentir que pertencem a esta terra. É perguntar se a identidade macaense será apenas uma bela memória do passado ou uma presença viva no futuro da cidade.

A resposta não dependerá sobretudo dos discursos, mas das oportunidades concretas que conseguirmos criar, e também da vontade dos próprios jovens em as aproveitarem com seriedade.

Uma ponte que ainda se pode renovar

Qinghai ensinou-nos que o País é vasto, diverso, exigente e profundamente complexo. O reencontro de 12 de Agosto recordou-nos que esta aprendizagem deve continuar em Macau. A visita foi importante, mas a responsabilidade começa agora: transformar experiência em consciência, consciência em participação e participação em futuro.

Macau é a nossa casa. O País é o horizonte mais vasto que temos por trás de nós. Entre a RAEM e o Interior do País, a comunidade macaense pode continuar a ser uma ponte viva. Essa ponte deve ligar Macau à Grande Baía e a outras províncias e cidades do Interior, mas também ao exterior, especialmente ao mundo lusófono mais amplo e a outros países e comunidades com os quais Macau mantém laços históricos, culturais, linguísticos, afectivos e comerciais.

Preservar a identidade macaense não significa colocar uma relíquia preciosa do passado dentro de uma vitrina. Significa dar nova vida a uma herança única, flexível e profundamente ligada a Macau. Significa transformar memória em presença, identidade em competência e tradição em força para servir o Macau de hoje.

Este talvez seja o caminho mais acertado: permitir que os jovens macaenses conheçam melhor Macau, compreendam melhor o País, mantenham viva a ligação ao mundo lusófono e dialoguem com outras comunidades, sem se fecharem sobre si próprios. Só assim a identidade macaense poderá continuar a ter dignidade, utilidade e futuro.

Se a viagem a Qinghai nos ajudou a sair da estufa, então o regresso a Macau não deve levar-nos simplesmente de volta ao conforto anterior. Preservar a identidade macaense não é apenas recordar o que fomos; é preparar, com coragem e humildade, aquilo que ainda podemos ser. Esta responsabilidade exige a acção de cada um de nós.

Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional
(Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)

7 Set 2026

Timor-Leste | Registados mais de mil casos de violência doméstica até Agosto

A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) registou mais de mil casos de violência doméstica até Agosto, disse sexta-feira o chefe da Secção de Prevenção, Socialização e Sensibilização da Unidade de Pessoas Vulneráveis (VPU), inspector-chefe Ricardo da Costa.

“Este ano, desde Janeiro até 31 de Agosto, foram registados 1.084 casos de violência doméstica e 180 casos de violação sexual”, afirmou o inspector-chefe Ricardo da Costa, em Díli. O responsável da PNTL explicou que, em 2025, entre Janeiro e Dezembro, foram registados 1.310 casos de violência doméstica e 110 casos de violação sexual.

Ricardo da Costa salientou que o elevado número de casos de violência doméstica está frequentemente relacionado com situações de desconfiança entre casais, associados à suspeita de relações extraconjugais.

Entre os outros factores apontados, estão também os problemas económicos, como o desemprego, e questões sociais e culturais. “Os casos de violência sexual aumentam porque muitas crianças e jovens têm acesso livre a telemóveis e à Internet”, alertou o responsável.

Segundo o inspector-chefe, Timor-Leste entrou plenamente na era digital e um número crescente de crianças possui telemóvel. Como consequência, têm surgido diversos crimes cometidos através da internet, incluindo práticas como o aliciamento de menores online e o ‘cyberbullying’.

Os casos de violência sexual e de violência doméstica registam-se em maior número no município de Díli, em comparação com os restantes municípios do país.

7 Set 2026

Nepal | Primeiro-ministro vai discursar na ONU

Um mês depois da enxurrada que abalou o país e fez mais de 1.300 mortos, o primeiro-ministro nepalês vai discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas em busca de apoio internacional

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, intervém a 24 de Setembro na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sequência das cheias de Agosto.

Naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que assumiu o cargo, a 27 de Março passado, a decisão de Shah de liderar pessoalmente a delegação nepalesa responde à urgência de procurar apoio internacional após inundações ocorridas a 26 de Agosto, indicou sábado o jornal local Kathmandu Post.

O próprio Shah compareceu na quarta-feira perante o parlamento nepalês para alertar que a crise no distrito de Rasuwa, desencadeada por um colapso glaciar no rio Bhote Koshi, é o pior desastre deste tipo registado na região.

“Este acontecimento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, afirmou o líder.

Durante a sessão, Shah salientou que o Nepal é incapaz de fazer face a esta escala de destruição sozinho e anunciou que exigiriam que a comunidade internacional assumisse a sua parte naquilo que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático.

O debate geral desta 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 22 a 28 de Setembro sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que cumpre para todos”.

Neste fórum multilateral, que concede um voto igualitário a cada um dos seus 193 Estados-membros, a intervenção do primeiro-ministro nepalês está agendada para 24 de Setembro, de acordo com o calendário divulgado pela imprensa local.

O último balanço divulgado sábado pelas autoridades nepalesas elevou para mais de 1.300 o número de mortos devido às inundações devastadoras ocorridas a 26 de Agosto, enquanto o total de desaparecidos ronda os 5.000, entre os quais pelo menos 606 cidadãos estrangeiros.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas e mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, tendo permitido, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas.

Catástrofe inédita

As cheias repentinas de 26 de Agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens.

Causaram também danos significativos em centrais hidroeléctricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos. Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações.

A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.

Resgates continuam

As equipas de resgate no Nepal retiraram sábado com vida um cidadão chinês de um túnel de uma central hidroeléctrica e uma mulher retida em casa desde as cheias de 26 de Agosto, informaram sábado as autoridades nepalesas.

O exército do Nepal informou que o homem foi resgatado com vida de um túnel de 225 metros (e está a ser submetido a uma avaliação médica. As imagens mostraram-no a ser evacuado de helicóptero, com um médico do exército a examiná-lo durante o voo. Já a mulher, encontrada numa casa na cidade de Nuwalot, estava a ser transportada de helicóptero para Katmandu, segundo as autoridades.

O resgate do cidadão chinês eleva para três o número total de trabalhadores retirados com vida do projecto hidroeléctrico de Trishuli. Na sexta-feira, dois trabalhadores nepaleses tinham sido resgatados de um túnel naquela central hidroeléctrica. Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projectos hidroeléctricos em todo o Nepal, acreditando-se que cerca de 500 estejam presos em vários túneis, segundo as autoridades.

7 Set 2026