Hoje Macau SociedadePensões ilegais | CPSP desmantela dois espaços O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) desmantelou duas pensões alegadamente ilegais situadas em apartamentos nas zonas do ZAPE e NAPE. Segundo um comunicado do CPSP, foram apanhados 19 residentes oriundos da China, sendo que 17 indivíduos indicaram que alugavam quartos, no valor que variava entre 150 e 400 dólares de Hong Kong por dia, mediante apresentação de outra pessoa. O CPSP descobriu também que uma das pessoas é suspeita de violar a lei da contratação de trabalhadores não residentes, enquanto outra é suspeita de não cumprir o regulamento sobre a proibição do trabalho ilegal. O CPSP também informou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) sobre o caso. A DST identificou depois os dois apartamentos como sendo pensões ilegais, tendo os espaços sido vedados.
Hoje Macau Manchete SociedadeHotelaria | Registada maior ocupação até Julho desde a pandemia Os estabelecimentos hoteleiros de Macau registaram a maior ocupação média para os primeiros sete meses do ano desde antes da pandemia de covid-19. O aumento da ocupação ocorre ao mesmo tempo que os preços dos quartos diminuíram, em especial nos hotéis de quatro estrelas A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou na sexta-feira que 90,6 por cento de todos os quartos dos hotéis e pensões de Macau estiveram reservados entre Janeiro e Julho. Além de representar um aumento de 1,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025, a ocupação média foi a mais elevada para os primeiros sete meses do ano desde 2019. Os estabelecimentos hoteleiros de Macau já tinham fechado o ano passado com uma ocupação média de 89,4 por cento, o valor mais elevado desde antes do início da pandemia. Os hotéis e pensões do território estiveram mais cheios apesar de terem tido menos hóspedes entre Janeiro e Julho, 8,37 milhões, uma queda homóloga de 1,4 por cento. A redução sentiu-se, sobretudo, nos principais mercados de origem dos turistas – China continental e a vizinha região de Hong Kong – enquanto o número de hóspedes internacionais subiu 12,2 por cento para 753 mil. No final de Julho, Macau tinha 149 hotéis e pensões, um máximo histórico, disponibilizando cerca de 45.300 quartos, mais 100 do que um ano antes, referiu a DSEC. No entanto, no espaço de um ano, os estabelecimentos hoteleiros da cidade passaram a poder albergar apenas 118 mil hóspedes em simultâneo, menos 2.100 do que em Julho de 2025. No mês passado, a Direção dos Serviços de Solos e Construção Urbana de Macau disse que estava a ser construído um novo hotel, com um total de 131 quartos, e em fase de projecto mais 11, que poderão disponibilizar 1.369 quartos. Cortes ajudam Um factor que terá ajudado os hotéis a encher os quartos foi um corte homólogo nos preços médios até Junho, de 2,7 por cento para 1.287 patacas, de acordo com dados da Associação de Hotéis de Macau, que reúne 48 estabelecimentos locais. Segundo o relatório da Direcção dos Serviços de Turismo, a maior redução registou-se nos hotéis de quatro estrelas, cujo preço médio caiu 5,1 por cento para 1.011 patacas. Em 2025, os estabelecimentos que fazem parte da Associação de Hotéis de Macau já tinham cortado em 3,5 por cento os preços médios. Macau recebeu nos primeiros sete meses 24,5 milhões de visitantes, mais 8 por cento do que no mesmo período de 2025. No entanto, 61,2 por cento dos visitantes (15 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade. O consumo médio de cada visitante em Macau, excluindo nos casinos, caiu 7,3 por cento em 2025, para duas mil patacas. Mas na primeira metade deste ano a despesa ‘per capita’ dos turistas não relacionada com o jogo subiu 7,8 por cento em termos anuais para 2.123 patacas.
Hoje Macau PolíticaDesemprego | Taxa entre Maio e Julho manteve-se em 1,9% A taxa de desemprego entre Maio e Julho deste ano manteve-se em 1,9 por cento, enquanto a taxa de subemprego (1,7 por cento) baixou 0,1 pontos percentuais face ao período anterior (Abril a Junho), indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sexta-feira. No mesmo período analisa, a taxa de desemprego dos residentes (2,4 por cento) foi idêntica à do período anterior, enquanto a taxa de subemprego dos residentes (2,2 por cento) diminuiu 0,1 pontos percentuais. O número de residentes desempregados foi de 7.100, a maioria dos que procuravam novo emprego trabalhava nos sectores do jogo e do comércio a retalho. Além disso, o número de residentes desempregados à procura do primeiro emprego representou 12,2 por cento dos residentes desempregados, menos 0,5 pontos percentuais, face ao período precedente. A DSEC indica também que o número de residentes subempregados foi de 6.400, e que a maioria trabalhava no ramo dos serviços prestados às empresas, no ramo da construção e no ramo do comércio a retalho. A DSEC estima que a mão-de-obra total do território totalize 495.800 pessoas (incluindo trabalhadores que residem no exterior), mais 700 trabalhadores em relação ao período anterior.
Hoje Macau SociedadeBalança de pagamentos | Excedente aumentou 23,7% em 2025 A balança de pagamentos de Macau registou um excedente de 165,6 mil milhões de patacas no ano passado, mais 23,7 por cento do que em 2024, anunciou o regulador financeiro, quando o excedente se fixou em 133,9 mil milhões de patacas. Num comunicado divulgado na sexta-feira, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) atribuiu a subida do excedente “ao acréscimo das exportações de serviços turísticos”, incluindo o benefício económico das apostas feitas por visitantes em casinos. As exportações de serviços cresceram 6,3 por cento no ano passado, enquanto as importações de serviços subiram 4,5 por cento, fazendo com que o excedente na balança de serviços aumentasse 6,7 por cento, para 273,6 mil milhões de patacas. A balança comercial de Macau registou um défice de 101,7 mil milhões de patacas, menos 3,7 por cento do que em 2024, porque as importações de mercadorias caíram mais do que as exportações. Quanto à balança de rendimentos, referente aos investimentos no estrangeiro, registou um excedente de 3,6 mil milhões de patacas, em comparação com um défice de 4,7 mil milhões de patacas no ano anterior. Já a balança de transferências teve um saldo negativo de 28,2 mil milhões de patacas em 2025, ainda assim menos 5,4 por cento do que no ano anterior. A balança de pagamentos reflecte os pagamentos e receitas do comércio exterior de bens, serviços, rendimentos e transferências, sendo considerada um dos mais amplos indicadores comerciais de um território.
Hoje Macau PolíticaEscola patriótica Hou Kong quer atrair alunos de Macau para Hengqin Nelson Moura – Lusa. A agência Lusa viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin Com professores virtuais de inteligência artificial (IA), cães robóticos e um currículo que mistura padrões internacionais com valores patrióticos, uma nova escola quer atrair estudantes de Macau para Hengqin. A Escola de Hengqin Anexa à Hou Kong foi inaugurada em Setembro de 2025 como o primeiro estabelecimento no Interior da China destinado a estudantes residentes de Macau, na Zona de Cooperação Aprofundada Macau-Guangdong, em Hengqin. Como parte dos esforços para atrair residentes para Hengqin está esta nova escola, com capacidade para cerca de 1.200 alunos entre turmas de ensino infantil, primário e secundário, funcionando sob gestão da Escola Secundária Hou Kong de Macau. Com cinco andares e quase 10.000 metros quadrados, na versão actual, a escola quer oferecer um espaço maior do que a maioria das escolas, e até universidades de Macau, oferecendo campos de basquetebol, futebol e uma pista de corrida. Inserida no sistema público de ensino gratuito de Macau, a escola está também incluída no Novo Bairro de Macau em Hengqin. Após uma visita guiada à escola, a subdirectora dos Serviços para os Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin, Xu Fengmei, destacou que “a educação na cooperação Hengqin-Macau está a evoluir de uma simples ligação para uma integração profunda”. Numa pequena sala de aula do secundário destinado ao ensino de tecnologia e IA, um guia fez uma demonstração do novo quadro de aula usado para ensinar os alunos sobre novas tecnologias. Vários modelos de professor AI podem ser escolhidos, desde conhecidos intelectuais chineses como Confúcio ou Lu Xun, ao físico e cientista Albert Einstein. Depois de escolher este último, o guia demonstra como um professor pode escrever o guião que será repetido em mandarim por este Einstein virtual. Outras tecnologias disponíveis, e produzidas na China, incluem uma máquina de diagnóstico de medicina tradicional chinesa e cães robóticos, para iniciar os estudantes nas mais recentes tecnologias. Sempre em linha Actualmente, acolhe cerca de mil alunos, a maioria residentes de Macau, apesar de a escola estar aberta a estudantes de Hong Kong e Taiwan. Fundada em 1932, a Escola Hou Kong é conhecida pelo currículo fortemente alinhado com o Partido Comunista Chinês e valores patrióticos, tendo como lema oficial “lealdade, diligência, pragmatismo e inovação”. Nas celebrações anuais da fundação da República Popular da China, a instituição recorda tradicionalmente que a sua directora Du Lan liderou professores e alunos a 1 de Outubro de 1949 para hastear, pela primeira vez em Macau, a nova bandeira vermelha com cinco estrelas amarelas do país. “Queremos que os estudantes cresçam com uma visão internacional, mas também com responsabilidade patriótica e ligação à pátria” destacou Hong.
Hoje Macau Manchete PolíticaHengqin | “Cidade Alemã” falhada acolhe alunos de nova cidade universitária Reportagem de Nelson Moura – Agência Lusa. A agência Lusa viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin Um projecto comercial falhado com arquitectura de inspiração alemã em Hengqin foi reaproveitado como um campus de universidades de Macau, que pretende acolher pelo menos 20.000 estudantes até 2029 Alunos estudam e vivem agora em réplicas de edifícios tradicionais da Bavária concebidos anteriormente para a “Cidade Alemã”, uma réplica urbana de inspiração alemã que tencionava atrair empresas alemãs, ou ligadas à Alemanha, para Hengqin. Iniciado em 2019 pela empresa de Hong Kong TFG International com um investimento de 1,6 mil milhões de yuans, o complexo com uma área bruta de construção de 140.000 metros quadrados planeava construir quatro torres de escritórios em estilo europeu, ruas comerciais temáticas alemãs com lojas de comida e cerveja, além de um hotel e um centro empresarial de alta tecnologia em parceria com a Siemens. O projecto com design do arquitecto Alain Bony foi pensado para servir como porta de entrada para mais de 500 empresas alemãs ou ligadas à tecnologia alemã no país. Em 2020, a empresa anunciou que uma primeira fase de vendas de escritórios tinha gerado 230 milhões de yuans, mas a segunda fase viria a ser suspensa durante a pandemia de covid-19. Em 2025 foi anunciado que toda a área seria reconvertida como parte da Cidade Universitária. Num relatório recente, o Governo de Macau destacou que as autoridades chinesas pretendem que o projecto responda à procura crescente de vagas universitárias na China, oferecendo aos jovens chineses uma experiência equivalente a estudar no estrangeiro sem sair do país. Inter-nacional Durante uma visita para meios de comunicação de Macau, o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, indicou que o campus conta já com 1.400 estudantes de pósgraduação. “Temos actualmente 39 cursos e transferimos alguns docentes de Macau para Hengqin, além de termos recrutado novos professores,” apontou Kong. Nesta primeira fase os alunos têm aulas nos edifícios reconvertidos da “Cidade Alemã”, com alguns prédios usados também como dormitórios, restaurantes e ginásios para os estudantes. “A segunda fase já terá em conjunto cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, envolvendo também a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau”, acrescentou. Dos 1.400 alunos, quase todos são ou de Macau ou do Interior da China, com apenas oito estudantes internacionais, um deles de Moçambique. O objectivo global, disse, é atingir 20 mil estudantes nas fases seguintes, com aposta em áreas como engenharia, saúde, inteligência artificial e direito. Angela Zhang, uma doutoranda de 30 anos em design explica que acabou em Hengqin por uma mudança do departamento da Universidade de Macau onde estava a estudar, tendo já no currículo experiência de estudo no Instituto Pratt em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Por outro lado, Serein Qi, uma estudante de doutoramento de 26 anos da província de Henan, que frequenta a Universidade de Turismo de Macau na área do património cultural, explicou que a escolha de Hengqin foi inicialmente “um pouco aleatória”, mas que acabou por ser positiva graças ao custo de vida mais baixo em comparação com Macau. Com licenciatura feita em Tianjin e mestrado em Londres, Qi considera que Hengqin oferece um espaço académico internacional sem perder ligação ao Interior da China.
Hoje Macau PolíticaTibete | Governo vai doar 30 milhões para apoiar operações de resgate O Governo de Macau anunciou que decidiu doar 30 milhões de yuan à região do Tibete, para “apoiar as operações de resgate e acções de assistência pós-desastre”, através da Fundação Macau. Num comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social no sábado, o Governo prometeu “envidar todos os esforços” para apoiar a área afectada pela catástrofe, nomeadamente com assistência médica, assim como “colaborar activamente nas operações de recuperação subsequentes”. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, enviou uma mensagem às autoridades do Tibete a manifestar “profundo pesar” pelas vítimas e condolências aos familiares e a todos os afectados pela enxurrada. O Governo apelou para a “participação activa de todos os sectores sociais de Macau” para ajudar nas acções de recuperação pós-desastre e apoiar a população afectada, “para que possam retomar a normalidade o mais rapidamente possível”. O Conselho de Coordenação Nacional da Associação de Nepaleses Não Residentes de Macau disse ao canal em português da televisão pública TDM que está a planear recolher fundos e recursos para ajudar o país. Por seu turno, o Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, anunciou nas redes sociais que o Fundo de Auxílio a Desastres abriu um processo de candidaturas a “projectos de ajuda de emergência”, para o qual foram reservados 50 milhões de dólares de Hong Kong. “Agradecemos sinceramente a todos os socorristas que actuam na linha da frente, que, apesar dos riscos de desastres secundários, se dedicam de forma altruísta aos trabalhos de resgate e assistência”, sublinhou o governante.
Hoje Macau Manchete PolíticaAssociações | Antecipado peso administrativo em nova reforma O Governo quer rever o regime jurídico das associações, decorrendo até ao dia 23 de Setembro um processo de consulta pública. Dirigentes associativos temem ter mais questões administrativas para resolver, além de esperarem maior atenção nas relações associativas com o exterior Representantes associativos indicaram à Lusa que reformas propostas pelo Governo trarão um maior peso administrativo e atenção acrescida às relações com o exterior para as associações de matriz portuguesa. O Governo de Macau apresentou este mês uma proposta de reforma do regime jurídico das associações, em consulta pública até 23 de Setembro, que introduz mudanças profundas na gestão das mais de 12.000 entidades registadas no território. O diploma centraliza todas as competências na Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), que passa a ser a entidade única responsável por todo o ciclo de vida das associações. A proposta prevê que a DSI possa recusar a constituição de associações consideradas risco para a defesa do Estado, a ordem pública ou os direitos e liberdades de terceiros, podendo solicitar pareceres da Comissão de Defesa da Segurança do Estado, recém-criada no território. Associações poderão ser dissolvidas caso sejam consideradas uma ameaça à segurança nacional, ou se não realizarem eleições, não apresentarem contas ou não regularizarem anomalias nos prazos fixados. Manuel Silvério, membro fundador do Instituto Internacional de Macau e antigo presidente do Instituto do Desporto, disse à Lusa que as “associações de matriz portuguesa poderão sentir algum impacto, sobretudo aquelas que mantêm relações institucionais, filiações ou financiamento com entidades no exterior”. Silvério acrescentou que “o associativismo continuará a ser uma caraterística muito forte da sociedade local, com as mudanças a centrar-se na forma como as “associações terão de organizar-se, actualizar os seus órgãos, prestar informação e demonstrar que continuam efectivamente activas”. Reestruturação “inevitável” Silvério sublinha que não vê medidas dirigidas especificamente às associações portuguesas, mas alerta para a necessidade de proporcionalidade na aplicação das regras. “Macau passou de menos de 2.000 associações antes da criação da Região Administrativa Especial de Macau para mais de 12.000 actualmente, muitas inactivas. Alguma reorganização parece inevitável. Não sou contra a reforma; sou a favor de uma boa reforma, que distinga as associações activas das que existem apenas no papel e preserve o espaço legítimo para relações externas previstas na Lei Básica”, disse. Em declarações à Lusa, Jorge Valente, presidente da Associação Sino-Lusófona da Indústria e Promoção de Intercâmbio Cultural, considerou que a reforma pode até beneficiar o sector, ao concentrar recursos nas associações activas e eliminar as que são “fantasmas”. “De resto, quem age de boa-fé, que são todas as que conheço de matriz portuguesa, não tem nada a temer”, afirmou, acrescentando que o novo regime “vai dar mais trabalho administrativo e maior risco de incumprimento”, sobretudo para associações pequenas. Valente sublinhou ainda que a proposta parece “apontada para evitar a criação de associações de caráter político ou não patrióticas”, mas defendeu que “não limita o espaço das associações cívicas nem as liberdades em geral”. O representante entende que o associativismo continuará a ser uma caraterística forte da sociedade local e que as associações portuguesas “não têm nada a temer”. Adverte, no entanto, para o peso administrativo que poderá afetar sobretudo as estruturas mais pequenas. “Vai dar mais trabalho e maior risco de incumprimento. O receio é que se exagere nos detalhes em vez de optar pela liberdade, como na lei anterior”, acrescentou.
Hoje Macau SociedadeUNL e MUST querem lançar cursos em nanotecnologia A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse à Lusa a cientista Elvira Fortunato. Em Abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau. Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto. A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano lectivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato. A cientista sublinhou que o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias. Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024). A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa. Entre lá e cá O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 a i3N-NOVA poderá receber entre 20 a 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 a 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento. “A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”. Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”. O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”. O objectivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa. No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”. No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação em cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de co-tutela e penso que os estudantes também”, explicou. A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar optimista sobre a resposta. “Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee. Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Aprovado orçamento de 6,5 mil ME para fabrico de drones militares Taiwan aprovou ontem um orçamento de 7,6 mil milhões de dólares para o fabrico local de drones militares. A proposta orçamental era apoiada pelos partidos da oposição, tendo o parlamento preferido esta a uma anteriormente apresentada pelo Governo, que havia sido chumbada pelos deputados. O governo de Lai Ching-te pretendia atribuir até 6,6 mil milhões de dólares a uma dotação orçamental específica destinada a veículos aéreos não tripulados fabricados em Taiwan, nomeadamente drones de vigilância costeira, de ataque e de superfície. Estas despesas teriam sido distribuídas ao longo de mais de cinco anos e supervisionadas pelo Ministério da Defesa. O Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan, os dois partidos da oposição que detêm a maioria dos assentos no parlamento, preferiram apoiar a proposta que prevê uma dotação de 7,6 mil milhões de dólares ao longo de seis anos, integrada no orçamento anual. O Yuan Legislativo aprovou, em meados de Agosto, o orçamento do Governo para 2026 com um atraso recorde de quase oito meses.
Hoje Macau China / ÁsiaTufões | Saudel aproxima-se do leste do país após passagem do Narra pelo sul O tufão Saudel aproximava-se ontem do leste da China, enquanto o tufão Narra continua a provocar chuvas no sul e sudoeste do país, após inundações que obrigaram a retirar mais de 54 mil pessoas. O Centro Meteorológico Nacional situou o Saudel, durante a madrugada de ontem, no mar do Leste da China, a cerca de 485 quilómetros da fronteira entre as províncias de Fujian e Zhejiang, no sudeste do país, com ventos máximos de 40 metros por segundo junto ao centro. O sistema, que enfraqueceu de tufão forte para tufão, avançava em direcção a oeste-sudoeste e poderá atingir terra na manhã de hoje, na faixa costeira entre Zhejiang e Fujian, segundo a imprensa estatal. As autoridades prevêem que o Saudel provoque ventos fortes no leste e sudeste da China, incluindo no mar do Leste da China, no estuário do rio Yangtzé, na baía de Hangzhou e nas costas de Zhejiang e Fujian, com rajadas mais intensas nas zonas próximas do centro do tufão. Em paralelo, as chuvas associadas ao tufão Narra, que atingiu esta semana as províncias de Hainan e Guangdong, depois de provocar inundações em Guangxi, vão continuar a afectar zonas do sul do país. Os meteorologistas alertaram que a combinação de vários sistemas tropicais recentes poderá aumentar o risco de enxurradas, deslizamentos de terras e inundações em áreas já afetadas pela chuva. A passagem do Narra e do Saudel ocorre num Verão marcado na China por tufões, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terras, que causaram dezenas de mortos e levaram à retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bill Gates pede cooperação entre EUA e China O co-fundador da Microsoft Bill Gates defendeu que Estados Unidos (EUA) e China devem cooperar na gestão dos riscos da inteligência artificial (IA), alertando que a tecnologia poderá tornar-se fonte de igualdade ou aprofundar injustiças. Num ensaio publicado na quarta-feira, no seu blogue Gates Notes, o empresário e filantropo considerou que a rápida evolução da IA está a conduzir o mundo para “um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade” e que os governos não estão suficientemente preparados para as consequências. Segundo Gates, a IA poderá tornar-se “o maior instrumento de igualdade alguma vez inventado ou a pior fonte de injustiça”. “Os países que acolhem os principais criadores de IA e controlam partes críticas da cadeia de abastecimento devem começar já a reunir-se para estabelecer normas comuns, antes que a pressão competitiva dificulte a cooperação”, escreveu. “Construir o quadro de que estou a falar levará anos, razão pela qual precisamos de começar agora”, acrescentou. No ensaio, com cerca de seis mil palavras, Gates argumentou que a actual transformação tecnológica difere das anteriores devido à velocidade dos avanços da IA e à dimensão do potencial impacto sobre as sociedades. “Desta vez é realmente diferente”, afirmou. Estados Unidos e China, as duas principais potências mundiais no desenvolvimento da IA, deverão discutir a governação da tecnologia em setembro, durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, embora ainda não sejam conhecidos os temas concretos das conversações. Gates afirmou que, em teoria, apoiaria um abrandamento global do desenvolvimento da IA, mas considerou improvável que isso aconteça devido aos incentivos geopolíticos e económicos para avançar “a toda a velocidade”. Linha da frente Em alternativa, defendeu que os líderes mundiais devem reunir especialistas para identificar falhas na preparação das instituições, destacando três áreas de risco: substituição de trabalhadores, crimes e vigilância facilitados pela IA e impacto sobre crianças e relações humanas. Gates destacou a China como o país que “foi mais longe” na adopção de salvaguardas para menores que utilizam IA, citando as recentes restrições de Pequim a aplicações de companheiros virtuais concebidas de forma a fomentar dependência emocional entre crianças e adolescentes. O empresário chamou ainda a atenção para os avanços chineses na robótica, que poderão ter consequências significativas para o mercado de trabalho. “Muitos dos trabalhos avançados” nesta área estão a ser realizados na China, escreveu Gates. “Penso que os robôs ‘inteligentes’ começarão a competir com as pessoas em algumas tarefas físicas – na construção e hotelaria, por exemplo – até ao final da década”, antecipou. Em mãos humanas Washington e Pequim acordaram, em 2024, manter seres humanos, e não sistemas de IA, no controlo das armas nucleares, naquele que continua a ser o único entendimento de alto nível entre os dois países sobre o desenvolvimento e utilização desta tecnologia. As duas potências mantêm, ao mesmo tempo, uma intensa competição pelo desenvolvimento dos modelos de IA e robôs mais avançados. Incidentes recentes envolvendo a utilização de modelos avançados de IA em ataques informáticos aumentaram, contudo, as expectativas de que Washington e Pequim possam encontrar áreas de interesse comum, incluindo o combate à eventual utilização da tecnologia por organizações terroristas. Gates está ainda a tentar finalizar uma reunião com Xi Jinping na China, provisoriamente prevista para Novembro, durante a qual pretende abordar as suas preocupações sobre o impacto da IA. Gates reuniu-se pela última vez com Xi em 2023, quando se tornou o primeiro líder empresarial estrangeiro recebido pelo Presidente chinês após a pandemia de covid-19.
Hoje Macau Grande Plano MancheteCheias | Pelo menos 362 mortos e mais de 1.400 desaparecidos no Nepal e Tibete Os números de mortos e desaparecidos aumenta à medida que as equipas de salvamento avançam no terreno Equipas de resgate continuavam ontem a procurar mais de 1.400 pessoas desaparecidas devido às enxurradas que atingiram a região fronteiriça entre o Nepal e a China, onde pelo menos 362 pessoas morreram. De acordo com o mais recente balanço da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, pelos menos 362 pessoas morreram e 826 estão desaparecidas, incluindo 466 estrangeiros numa altura em que se intensificam as operações nos distritos mais afectados de Nuwakot e Rasuwa. Sunil Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus. Estavam também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos. Também ontem, as autoridades da China tinham elevado de 265 para 558 o número de desaparecidos no município de Shigatse, na região do Tibete, onde já foi confirmada a morte de três pessoas. As encostas íngremes e os vales verdejantes situados abaixo da cordilheira dos Himalaias são particularmente vulneráveis a inundações e deslizamentos de terras, enquanto fenómenos meteorológicos extremos, como monções intensas e o degelo dos glaciares, tornaram-se mais frequentes devido ao aquecimento provocado pelas alterações climáticas de origem humana. Avisos naturais A região registou enxurradas semelhantes em Agosto de 2025, quando um lago glaciar no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas. Nove pessoas morreram e infraestruturas essenciais, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, ficaram danificadas. Imagens captadas por drone no Nepal mostraram estradas destruídas e edifícios soterrados por torrentes de água. Os vales íngremes da região constituem importantes corredores económicos e de transporte, mas tornam-se particularmente vulneráveis em situações de catástrofe. Imagens mostraram o que pareciam ser os segundos pisos de edifícios no distrito de Nuwakot, um dos mais afectados no Nepal, cobertos de lama após a passagem das águas. Destroços ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações interromperam as deslocações em algumas zonas. O Governo nepalês ainda não solicitou ajuda, mas a Austrália está a coordenar com o Nepal, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha e outras organizações uma eventual resposta humanitária, acrescentou. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares. O que aconteceu Um forte fluxo de água, lama e detritos desceu a grande velocidade na manhã de quarta-feira de ambos os lados da fronteira montanhosa do Nepal e do Tibete, território chinês. Uma câmara de vigilância instalada do lado chinês filmou uma vaga castanha de vários metros a submergir e a engolir em poucos segundos um edifício de cerca de seis andares enquanto várias pessoas tentavam fugir a correr. No Nepal, a vaga atingiu as localidades situadas no vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, a norte de Katmandu, e no vale do Bhotekoshi, a leste da capital. Num primeiro momento, as autoridades chinesas falaram de um deslizamento de terras, e as nepalesas de inundações. As causas De acordo com o Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos (USGS), a enxurrada pode ter sido causada pelo colapso de um glaciar, com uma violência tal que terá provocado um sismo de magnitude 5,2 e numerosos deslizamentos de terras. A topografia extrema dos Himalaias agravou os riscos. Os cientistas vão tentar perceber se as alterações climáticas aumentam a probabilidade de tais eventos extremos. Ajuda internacional Meios de ajuda internacional começaram a ser enviados desde quarta-feira para o Nepal. Os Estados Unidos comprometeram-se a doar 500.000 dólares em ajuda de emergência. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês) desbloqueou pouco mais de um milhão de euros em fundos de emergência. A União Europeia activou o sistema europeu de vigilância por satélite Copernicus para ajudar os socorristas no Nepal e declarou-se pronta para fornecer mais ajuda. A vizinha Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária, incluindo cobertores, lâmpadas solares e medicamentos. Nepal | Risco de novas cheias caso detritos bloqueiem rios Especialistas alertaram que os detritos transportados pelas enxurradas nos Himalaias, que deixaram pelo menos 270 mortos no Nepal e na China, podem criar barragens naturais e desencadear um segundo evento catastrófico caso sejam libertados. Num comunicado divulgado ontem, o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD, na sigla em inglês), com sede em Katmandu, indicou que as autoridades e os cientistas estão a avaliar se os detritos bloquearam temporariamente o rio num troço estreito, “formando uma barragem natural”, dado que, se esta água for libertada repentinamente, poderá criar “um risco secundário”. O centro acredita que uma avalanche proveniente de um glaciar terá provavelmente provocado a enxurrada de quarta-feira, que deixou pelo menos 1.300 desaparecidos dos dois lados da fronteira. “As observações hidrológicas indicam a velocidade e magnitude excepcionais”, afirmou o organismo, indicando que, num determinado ponto do rio Trishuli, o nível da água subiu até nove metros em apenas meia hora. O rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi, registou as maiores cheias, acrescentaram os especialistas. “O Lhende Khola transbordou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha proveniente de um glaciar do lado nepalês, que bloqueou o rio e libertou subitamente uma enorme massa de água a jusante”, explicou Saswata Sanyal, especialista em redução do risco de catástrofes do ICIMOD. Sanyal destacou a importância dos sistemas de alerta precoce num contexto de “aquecimento dos Himalaias”. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares.
Hoje Macau China / ÁsiaIndústria | Lucros das empresas chinesas sobem 17,6 por cento até Julho Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 17,6 por cento entre Janeiro e Julho, face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística chinês (NBS, na sigla em inglês), os lucros destas empresas atingiram cerca de 4,58 biliões de yuan nos primeiros sete meses de 2026. Apesar do abrandamento, o resultado ficou significativamente acima da previsão do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma desaceleração mais acentuada, para 16 por cento. Para elaborar esta estatística, o GNE considera apenas empresas industriais com uma facturação anual superior a 20 milhões de yuan. Só em Julho, os lucros destas empresas aumentaram 11,2 por cento, em termos homólogos. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da electrónica, cujos lucros mais do que duplicaram face ao período homólogo, graças à expansão da inteligência artificial (IA) e à crescente procura por sistemas de computação, que fez subir os preços e aumentou “rapidamente” os resultados das empresas. Dos 17,6 por cento de crescimento do indicador global, mais de metade – 9,3 pontos percentuais – deveu-se ao sector da electrónica, onde alguns segmentos, como o dos semicondutores, multiplicaram os lucros por mais de 18 vezes. Yu destacou também o “papel de liderança” da indústria transformadora de alta tecnologia e de sectores ligados às matérias-primas, como o dos metais não ferrosos, cujos lucros aumentaram 91,8 por cento, impulsionados pela subida dos preços do alumínio na sequência da guerra no Médio Oriente. Riscos internos e externos O responsável não mencionou, contudo, a situação da indústria automóvel, envolvida numa prolongada guerra de preços devido aos problemas de procura no mercado interno, que levou a uma queda de 20,4 por cento dos lucros do setor. Na análise dos dados, Yu reconheceu, porém, as “contradições proeminentes entre uma oferta forte e uma procura fraca no mercado interno” e apontou ainda outros factores de risco, incluindo uma conjuntura internacional “complexa e grave”. Em 2025, os lucros das empresas industriais chinesas registaram a primeira evolução positiva em quatro anos, com uma subida de 0,6 por cento, após três anos consecutivos de quedas. Os lucros recuaram 2 por cento em 2022, 2,3 por cento em 2023 e 3,3 por cento em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaChina rejeita acusações dos EUA sobre ciberataques contra NASA e Reserva Federal A China rejeitou ontem as acusações dos Estados Unidos de que duas plataformas de pirataria informática ligadas a Pequim foram usadas em ciberataques contra organismos norte-americanos, alegando falta de provas. Entre os organismos norte-americanos visados contam-se a agência espacial NASA e a Reserva Federal. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “firme oposição” e o “forte descontentamento” de Pequim perante o que classificou como uma nova tentativa dos Estados Unidos de utilizar a cibersegurança como “pretexto para difamar a China”. Lin acusou Washington de “abusar das medidas de aplicação da lei para fins políticos”, depois das autoridades norte-americanas terem anunciado a apreensão dos domínios utilizados pelas duas plataformas. O porta-voz afirmou que os Estados Unidos são “o maior autor mundial de pirataria informática e espionagem”, e referiu anteriores acusações de Pequim contra a Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana por alegados ciberataques contra infraestruturas chinesas. Em concreto, Lin afirmou que casos anteriormente divulgados sobre alegadas operações da NSA demonstraram que Washington introduziu capacidades para realizar ciberataques no Centro Nacional de Serviço Horário da China, visando, segundo Pequim, eventuais operações de sabotagem contra infraestruturas críticas do país. O porta-voz instou ainda os Estados Unidos a abandonarem os “dois pesos e duas medidas” e a “manipulação política” e a resolverem as divergências com a China em matéria de cibersegurança através do diálogo e de consultas “em pé de igualdade”. Anúncios americanos O Departamento de Justiça (DOJ) e o FBI norte-americanos anunciaram na quarta-feira a apreensão dos domínios da QScan e QTRouter, duas plataformas que, segundo Washington, permitiam infectar milhares de dispositivos ligados à Internet e utilizá-los para ocultar a origem de ciberataques. Segundo documentos judiciais norte-americanos, ambas as ferramentas eram operadas pelo grupo QTFY, ligado à empresa chinesa Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company, que terá prestado serviços de pirataria informática a clientes, entre os quais o Ministério da Segurança do Estado e o Exército de Libertação Popular da China.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam novos mecanismos para tentar resolver disputa fronteiriça China e Índia acordaram criar dois novos grupos de trabalho sobre a disputa fronteiriça e reforçar os canais militares de comunicação, entre oito consensos alcançados durante uma reunião em Pequim, anunciou ontem a diplomacia chinesa. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião entre o ministro Wang Yi e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, as duas partes acordaram criar um grupo de peritos sobre delimitação e outro sobre controlo fronteiriço. O primeiro fica encarregado de avançar na delimitação dos sectores em disputa, enquanto o segundo abordará questões práticas relacionadas com a gestão da fronteira. Pequim e Nova Deli acordaram ainda acrescentar dois novos pontos para reuniões entre comandantes militares de nível general e estabelecer duas novas linhas directas militares nos sectores ocidental e central da fronteira. As partes comprometeram-se também a utilizar os “canais diplomáticos e militares existentes” para gerir “de forma atempada” quaisquer incidentes fronteiriços, resolver questões pendentes e evitar “mal-entendidos e erros de cálculo”. Encontros e desencontros O comunicado refere ainda o compromisso de prosseguir as negociações com base no acordo político alcançado em 2005 para a resolução da questão fronteiriça, visando encontrar uma solução “justa, razoável e aceitável para ambas as partes”. China e Índia avaliaram também positivamente a reabertura de três mercados de comércio fronteiriço e acordaram reforçar as trocas comerciais e as peregrinações nas zonas limítrofes. A reunião entre Wang e Doval ocorreu numa altura de aproximação bilateral e antes da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, prevista para Nova Deli, na qual poderá participar o Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou esta semana o jornal indiano The New Indian Express, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial da deslocação. China e Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020, no vale de Galwan, causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses e desencadeou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, os dois países têm dado passos para normalizar as relações, incluindo a retoma da emissão de vistos, do comércio fronteiriço e dos voos diretos, embora a questão territorial continue a ser o principal foco de fricção.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Hong Kong permite a liquidatários da Evergrande processar rede global da PwC Um tribunal de Hong Kong autorizou os liquidatários da gigante imobiliária chinesa Evergrande a avançar com um processo contra a estrutura global da PwC, no qual reclamam milhares de milhões de euros por alegadas falhas de auditoria. A decisão, proferida na quarta-feira, permite que os liquidatários processem a PwC International, entidade que coordena a rede mundial da consultora, juntamente com as afiliadas de Hong Kong e da China continental responsáveis pela auditoria das contas da Evergrande, noticiou o jornal Financial Times (FT). Os liquidatários reclamam cerca de 8,4 mil milhões de dólares em indemnizações às três entidades, depois de vários reguladores terem concluído que os auditores da PwC em Hong Kong e na China continental não cumpriram os padrões profissionais ao aprovarem as demonstrações financeiras da promotora imobiliária. “É pelo menos defensável que (…) a [PwC] International tinha um dever de diligência para com a [Evergrande]”, escreveu Patrick Fung, juiz-adjunto do Tribunal Superior de Hong Kong. “É crucial que haja divulgação de documentos e respostas a interrogatórios, o que, acredito, permitirá esclarecer melhor o caso”, acrescentou. A decisão representa uma vitória para Eddie Middleton e Tiffany Wong, da consultora Alvarez & Marsal, nomeados liquidatários da Evergrande. A Evergrande, que chegou a ser uma das maiores promotoras imobiliárias da China, entrou em incumprimento em 2021, acumulando cerca de 300 mil milhões de dólares em passivos. Os liquidatários alegam que a PwC International deve ser responsabilizada pelas falhas das firmas da rede em Hong Kong e na China continental, que terão permitido à Evergrande distribuir cerca de seis mil milhões de dólares em dividendos entre 2017 e 2020, apesar da situação financeira da empresa. Na China continental, a afiliada da PwC pagou, em 2024, uma multa de 441 milhões de yuan após o Ministério das Finanças chinês ter concluído que funcionários da consultora “ocultaram ou até toleraram” a fraude na Evergrande.
Hoje Macau EventosArtista japonesa Yayoi Kusama morre aos 97 anos A artista japonesa ‘avant-garde’ Yayoi Kusama, conhecida como a “Rainha das Bolinhas”, faleceu aos 97 anos, anunciou ontem a sua empresa, em comunicado. “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama num hospital de Tóquio, no dia 14 de Agosto de 2026, aos 97 anos”, refere o comunicado, sem fornecer mais informações sobre a causa da morte. Kusama “continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”, afirma a nota. Nascida em 1929, a artista, mundialmente famosa pelos seus padrões às bolinhas e instalações imersivas, imediatamente reconhecível pela sua peruca vermelha vibrante, inspirava-se nas alucinações que experimentava desde a infância. Nascida numa família abastada de comerciantes, Kusama sofreu de alucinações e transtorno obsessivo-compulsivo com tendências suicidas desde a infância, período durante o qual confessou em diversas ocasiões ter sofrido abusos físicos e psicológicos às mãos da mãe. Figura chave do psicadelismo e uma das artistas mais importantes do século 20, transformou este universo mental numa prolífica obra que abrange a pintura, a escultura, a performance, a literatura e a poesia. Formação em Artes Formada em Nihonga, um estilo tradicional de pintura japonesa definido no final do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Quioto (oeste do Japão), Kusama emigrou para os Estados Unidos no final da década de 1950, fugindo ao formalismo rígido do país natal e procurando construir uma reputação dentro da vanguarda artística. Na cidade de Nova Iorque, começou a criar obras de arte em espaços públicos, como o Central Park, onde realizou protestos contra a Guerra do Vietname. O activismo antiguerra da artista japonesa nasceu aos 16 anos, quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Apesar do sucesso nos EUA, onde influenciou contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg, Kusama regressou ao Japão em 1973, após o agravamento dos seus problemas de saúde mental. Em 1990, a artista internou-se voluntariamente numa instituição psiquiátrica, de onde continuou a produzir obras em diversos formatos. “Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Yayoi Kusama construiu uma carreira aclamada mundialmente como uma artista pioneira da vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia”, escreveu a sua empresa. “Daremos continuidade ao legado de Yayoi Kusama e, através da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”, acrescentou o comunicado. Kusama expôs em museus de todo o mundo e recebeu inúmeros prémios, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão. Em 2006, tornou-se a primeira mulher a receber o Praemium Imperiale da Associação de Arte do Japão, um dos mais prestigiados prémios de arte internacionais do mundo.
Hoje Macau SociedadeMercado da Taipa | Remodelação atrai visitantes As obras de revitalização do Mercado Municipal da Taipa levaram a um aumento de visitantes. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, no primeiro semestre registou-se uma média diária de 5,500 visitantes, quando antes essa média era de 1000 pessoas por dia. Os dados são do Instituto para os Assuntos Municipais e foram relatados pelo chefe do Departamento de Sanidade Animal e de Gestão dos Mercados do IAM, Leong Cheok Man. Este explicou que a introdução de novos tipos de mercadorias e operadores podem trazer um desenvolvimento sustentável ao mercado. Além disso, o responsável apontou que, dado que no Verão há muitos turistas, os comerciantes criaram campanhas promocionais para atrair mais visitantes.
Hoje Macau PolíticaEmprego | Nova acção para residentes com a MGM A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aceita candidaturas, em formato online, para mais uma acção de apoio ao emprego para residentes em parceria com a operadora de jogo MGM. Trata-se do “Plano de desenvolvimento do potencial de quadros qualificados em serviço de quartos da MGM” na modalidade “primeiro contratação, depois formação”. Segundo um comunicado, disponibilizam-se 10 vagas de emprego para a área de serviço de quartos, sendo que os candidatos admitidos irão receber uma formação profissional e prática em contexto real de trabalho, organizada pelo MGM, com a duração de 18 meses. Segundo a mesma nota, após a conclusão da acção de formação, com aproveitamento, os fomandos ficam na empresa e passam a “supervisor de serviço de quartos” ou a “supervisor de áreas públicas”, ganhando uma actualização salarial. O prazo de candidaturas termina a 10 de Setembro. No dia 21 desse mês ocorre uma palestra e entrevista presencial com os candidatos, sendo apresentados os conteúdos de formação do Plano e a estrutura do desenvolvimento da carreira profissional.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos em inundações Pelo menos 95 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou ontem inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais. Entre as mais de 400 pessoas desaparecidas estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP). O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09:00 e destruiu várias aldeias, estradas e projectos hidroeléctricos. As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel. O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e susceptíveis de ter afectado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP). A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. As inundações afectaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE. China afectada Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua. Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada. As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas. “A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua. As causas Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de ontem foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar. De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã. “O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização. “Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou. O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”. A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela acção humana. Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul diz que aeronaves militares russas entraram em zona de defesa sul-coreana A Coreia do Sul anunciou ontem que mobilizou caças, na terça-feira, depois de várias aeronaves militares russas terem entrado na zona de identificação de defesa aérea do país. O Ministério da Defesa esclareceu que as aeronaves não violaram o espaço aéreo sul-coreano. “As forças armadas sul-coreanas detectaram as aeronaves russas após entrarem na zona e accionaram caças da força aérea como medida de precaução”, explicou o ministério, em comunicado. As aeronaves russas entraram e saíram da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul sobre o mar do Japão, segundo a mesma fonte. Esta é uma zona tampão, distinta do espaço aéreo soberano de um país, onde as aeronaves estrangeiras são obrigadas a identificar-se por motivos de segurança. As aeronaves militares notificam normalmente os países envolvidos antes de entrarem no seu espaço aéreo, embora esta não seja uma exigência legal. Um incidente semelhante ocorreu em Junho, quando mais de dez aeronaves militares chinesas e russas entraram no espaço aéreo da Coreia do Sul sem o violar. Pequim afirmou na altura que as forças chinesas e russas tinham realizado uma “patrulha aérea estratégica” sobre o mar do Japão, o mar do Leste da China e o oeste do Oceano Pacífico. Moscovo, por sua vez, afirmou que a operação fazia parte dos planos regulares de cooperação militar e “não era dirigida contra nenhum país terceiro”. Seul, no entanto, protestou junto de Moscovo e Pequim, solicitando que tais incidentes não se repetissem. Novas amizades Em 2024, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, deslocou-se a Pyongyang — a primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século — e assinou com Kim Jong-un uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-1953), desencadeada por um ataque do Norte, terminou apenas com um armistício, sem qualquer tratado de paz. Em 16 de Agosto, o líder da Coreia do Norte expressou orgulho pela relação com a Rússia, numa carta enviada a Vladimir Putin. De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, Kim reafirmou ainda o apoio a Moscovo na guerra contra a Ucrânia, dizendo estar convicto de que o aliado prevalecerá sob a “sábia liderança” de Vladimir Putin. Dias antes, Putin tinha enviado uma carta a Kim por ocasião do 81.º aniversário da libertação, no final da Segunda Guerra Mundial, da península coreana da ocupação por parte do Japão. Em 13 de Agosto, o Presidente da Rússia visitou as ilhas Curilas, no Extremo Oriente, uma visita que provocou um forte protesto do Japão, que também reivindica o arquipélago.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | China com quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial A China representa quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial, percentagem que continuará a crescer, apontou ontem um representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). Numa apresentação sobre o sector organizada pela Câmara de Comércio França-Macau, o gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, Erik Chan, indicou que, no início do século, os Estados Unidos representavam dois terços (65 por cento) do tráfego interno mundial e a China detinha uma quota de apenas 6 por cento. Acrualmente, apontou, o cenário é de quase paridade, com a China a representar 29 por cento de todo o tráfego doméstico global (medido em passageiros-quilómetro pagos, só atrás dos Estados Unidos, que recuaram para 37 por cento. “Pode ver-se a força gigantesca da China a acontecer no mercado doméstico chinês, que está a crescer imenso”, afirmou Erik Chan. O responsável sublinhou que ter praticamente um terço dos voos internos do mundo concentrados no país reflecte “uma das maiores mudanças estruturais na história do sector, e demorou apenas 25 anos a concretizar-se”. Efeito dominó A expansão reflecte-se directamente no peso financeiro do sector. A China é actualmente o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 253,6 mil milhões de dólares entre impacto directo, indirecto e turismo associado. A China registou 380 milhões de viagens individuais na primeira metade de 2026, um aumento de 1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma sessão, Chan alertou que o actual conflito no Médio Oriente e os atrasos nas entregas de aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026. A dimensão do mercado interno chinês surge como um pilar crucial num momento de incerteza internacional, destacou Chan, ajudando a absorver os choques provocados pela subida dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves que afetam as rotas de longo curso. Líderes ecológicos O vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, Han Jun, disse que companhias aéreas chinesas operavam em Julho rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países de cinco continentes. No primeiro semestre do ano as viagens de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassaram 40 milhões, um aumento anual de 5,7 por cento. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA aponta a China como um futuro líder na transição ecológica da aviação. Com o avanço das metas globais de descarbonização até 2050, projecta-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em grande escala de Combustíveis Sustentáveis de Aviação. Perspectivando os próximos 25 anos, período em que a IATA prevê que o tráfego global mais do que duplique até alcançar 21 biliões de passageiros-quilómetros pagos em 2050, a liderança do mercado doméstico chinês será o grande motor da indústria. “A transição da América para a Ásia já aconteceu no espaço de 25 anos, e as projecções indicam que os próximos 25 anos vão empurram na mesma direcção”, concluiu Erik Chan. “Acima do horizonte, o centro de gravidade deste sector está a mover-se para a região da Ásia-Pacífico.”
Hoje Macau China / ÁsiaPequim prepara legislação anticorrupção com alcance além-fronteiras A China começou a analisar uma lei destinada a combater a corrupção transfronteiriça, que poderá alargar a jurisdição das autoridades chinesas ao estrangeiro e impor novas obrigações de conformidade às empresas do país com operações internacionais. A proposta de Lei Anticorrupção Transfronteiriça foi submetida na terça-feira a uma primeira apreciação pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, durante uma sessão que decorre até sexta-feira. O texto integral da proposta, composto por seis capítulos e 47 artigos, ainda não foi divulgado ao público. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a legislação pretende completar o quadro jurídico aplicável a assuntos externos, proteger os interesses nacionais e promover operações empresariais no estrangeiro em conformidade com a lei. A proposta visa ainda reforçar o “arsenal jurídico” disponível para a repatriação de fugitivos, recuperação de activos e tratamento de casos de corrupção com dimensão internacional. A legislação procura transformar em lei as práticas desenvolvidas ao longo de uma década de campanha anticorrupção e colmatar lacunas jurisdicionais, visando crimes financeiros cometidos no estrangeiro, apontou a Xinhua. Novos padrões Entre os principais obstáculos identificados pelas autoridades estão as dificuldades em detectar crimes, recolher provas, recuperar activos ilícitos e processar infrações cometidas fora das fronteiras chinesas. A proposta estabelece princípios, âmbito de aplicação e mecanismos para combater a corrupção transfronteiriça e obriga empresas chinesas com operações no estrangeiro a adoptar padrões rigorosos de conformidade, segundo a Xinhua. A iniciativa surge no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, após chegar ao poder, em 2012, e que se tornou uma das políticas emblemáticas da sua liderança. O presidente do Comité Permanente da APN, Zhao Leji, indicou no início do ano que a aprovação de uma lei contra a corrupção transfronteiriça seria uma das prioridades legislativas de 2026, no âmbito da aplicação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês.