Hoje Macau China / ÁsiaComércio | China alcança consenso com a UE para uma relação equilibrada A China afirmou ontem ter alcançado um consenso com a União Europeia para definir as relações bilaterais como uma parceria comercial “estável e equilibrada”, apesar das crescentes tensões entre as duas partes em matéria de comércio. O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, disse, em conferência de imprensa, que esse entendimento foi alcançado na primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE). Segundo He, ambas as partes acordaram, de forma preliminar, realizar uma segunda reunião no Outono. O responsável indicou que Pequim trabalhou nas últimas semanas para aplicar os resultados do primeiro encontro e preparar a próxima ronda de consultas, através de uma coordenação interna “intensa” e de contactos “frequentes” e a vários níveis com Bruxelas. Segundo o porta-voz, as equipas técnicas da China e da UE realizaram já mais de 20 consultas, enquanto quatro grupos de trabalho analisaram de forma “aprofundada e profissional” as respectivas posições em matéria económica e comercial. He afirmou que a China está disponível para manter um diálogo frequente com a UE, com base no “respeito mútuo” e na procura de soluções “práticas e viáveis” para responder às preocupações de ambas as partes. O objectivo, acrescentou, é promover um comércio bilateral mais equilibrado e preservar uma relação entre parceiros comerciais estratégicos “estável e equilibrada”. Tempo de luta As declarações surgem após meses de fricções entre Pequim e Bruxelas, com a UE a considerar “insustentável” a relação económica com a China devido ao défice comercial anual, estimado em cerca de 360 mil milhões de euros, e ao impacto das exportações chinesas em sectores como os veículos eléctricos, baterias, painéis solares e produtos químicos. Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade industrial, negando que este resulte de subsídios estatais ou de uma procura interna insuficiente, e acusa Bruxelas de politizar as divergências comerciais e de avançar com medidas que considera “proteccionistas”. A tensão agravou-se também devido a investigações comerciais recíprocas, restrições europeias em sectores estratégicos e à multa de 550 milhões de euros aplicada este mês pela Comissão Europeia à plataforma chinesa AliExpress por alegadas falhas no combate à venda de produtos ilegais, decisão condenada por Pequim. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que Bruxelas está preparada para adoptar novas medidas comerciais a partir do Outono caso não sejam alcançados progressos nas negociações com a China.
Hoje Macau SociedadeAutocarros | Frequência para o Aeroporto de Hong Kong aumenta A partir de Agosto, a frequência dos autocarros directos para o Aeroporto Hong Kong vai aumentar para 22 partidas diárias nos dois sentidos. O anúncio foi feito ontem por Chan Man Iok, subdirector-geral da empresa Macau HK Airport Direct, que assegura o serviço. Actualmente, segundo o horário declarado pela empresa, quando ainda só há 18 partidas por dia, o primeiro autocarro parte de Macau às 08h30 e o último às 20h30. No sentido inverso, o primeiro autocarro parte às 09h30 de Hong Kong e o último às 21h30. Sobre os dados do serviço, Chan Man Iok apontou que em 2025 um total de 243 mil passageiros utilizaram o serviço, dos quais 75 mil tinham passaporte estrangeiro. Nos primeiros seis meses deste ano, Chan indicou que o número de passageiros com passaporte estrangeiro aumentou para 70 mil. O responsável apontou também que o desenvolvimento da indústria de exposições em Macau tem atraído mais visitantes da Coreia do Sul, da Europa e dos Estados Unidos, o que levou a empresa a lançar um novo serviço de viagens particulares de luxo, com um custo de 3 mil patacas.
Hoje Macau SociedadeCPSP | Homem detido por assediar estudante Um homem com 30 anos foi detido depois de alegadamente ter apalpado uma estudante do ensino secundário no peito e na cintura. O caso aconteceu no passado domingo, e de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o homem negou o crime e afirmou que apenas tocou na vítima porque pensou que ela estava a sentir-se mal e precisava de ser amparada. O homem é um trabalhador não residente do Myanmar, a vítima é uma residente local. O caso ocorreu por volta das 2h da madrugada de domingo. A vítima caminhava pela Rua da Barca quando foi tocada e no peito e na cintura pelo suspeito. Perante a agressão sexual, a jovem ofereceu resistência, o que fez com que o indivíduo se colocasse em fuga. Após garantir a sua segurança, a vítima alertou o CPSP. Através da análise do sistema de videovigilância, a polícia identificou o suspeito, e veio a detê-lo na terça-feira, por volta das 13h00, na Rua do Bispo Medeiros. O CPSP considerou que as imagens de videovigilância confirmam a versão da vítima, pelo que encaminhou o caso para o Ministério Público. O homem está indiciado pelo crime de importunação sexual, que é punido com multa ou uma pena de prisão que pode chegar a um ano. CPSP | Agente suspenso comete infracção quando entregava comida Um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), que já estava suspenso de funções, está indiciado de ter cometido um crime de falsificação de documento, ao ter pedido a uma pessoa que se desse como culpada de passar um sinal vermelho. O caso foi revelado ontem pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), e encaminhado para o Ministério Público. Segundo o órgão de investigação, o agente policial já se encontrava “suspenso de funções preventivamente por estar envolvido num outro caso criminal”. Por isso, estava a trabalhar na entrega de comida, embora sem autorização do CPSP. O CCAC indicou que esta actividade foi desempenhada “por um longo período de tempo”, embora sem especificar a duração, nem revelar o caso que levou à suspensão inicial. Os problemas para o agente surgiram quando não respeitou um sinal vermelho no trânsito e preferiu pagar a um terceiro para assumir as culpas: “na sequência da prática de uma contravenção por ter passado um sinal vermelho, o referido agente policial terá oferecido mil patacas como contrapartida para que um terceiro se declarasse infractor perante o CPSP, a fim de se eximir da responsabilidade neste incidente”, foi revelado. “No decorrer da investigação, um indivíduo admitiu ter recebido uma contrapartida para assumir a culpa”, foi acrescentado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, e o crime de falsificação de documento é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos três anos.
Hoje Macau Manchete PolíticaFMI | Previsto abrandamento da economia em 2026 para 3,3% O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. No ano passado, o PIB da RAEM cresceu 4,7 por cento Receitas mais tímidas dos casinos e taxas de juros altas são os factores que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou nas previsões que apontam para um desaceleramento do crescimento da economia de Macau em 2026, para 3,3 por cento. O Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado na quarta-feira à noite, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”. Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada. O abrandamento da economia, avança agora o relatório anual preliminar, deverá ser “parcialmente compensado por uma recuperação do crescimento do investimento”, principalmente associada ao compromisso das seis concessionárias do sector do jogo em Macau de investirem em sectores não relacionados com o jogo, aponta o comunicado. Capacidade de resistência O FMI prevê ainda que a inflação do território aumente gradualmente em 2026 devido aos preços mais elevados da energia e que se estabilize em 2,2 por cento a médio prazo, à medida que a folga económica diminui e o efeito negativo dos preços mais baixos das importações provenientes da China continental se dissipa. A taxa de inflação anual de Macau em 2025 fixou-se em 0,33 por cento, o valor mais baixo registado nos últimos quatro anos. No relatório de Abril, o fundo previa que os preços ao consumidor aumentassem 1,8 por cento em 2026, num ambiente de inflação relativamente moderado. O fundo sublinha que economia da RAEM se tem mantido resiliente num contexto de crescente incerteza global, apoiada por uma forte recuperação das actividades de jogo e do turismo. No entanto, ressalva, o PIB real continua abaixo do nível pré-pandémico e “a economia mantém-se fortemente concentrada no sector do jogo e no turismo proveniente da China continental”. O relatório volta a assinalar diagnósticos anteriores, designadamente o peso do envelhecimento da população e do baixo crescimento demográfico sobre a oferta de mão-de-obra e crescimento potencial, ao mesmo tempo que geram custos orçamentais. O sistema financeiro “está bem capitalizado e dispõe de liquidez”, embora o crédito malparado continue elevado. “A política orçamental pode apoiar a recuperação a curto prazo, ao mesmo tempo que aborda questões estruturais a longo prazo através de um aumento das despesas em infra-estruturas, cuidados de saúde e prestações sociais”, sugere o fundo. “Continuar a salvaguardar a estabilidade financeira e acelerar ainda mais a diversificação económica será importante para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais equilibrado e sustentável”, remata. Em contramão Ainda no quadro da avaliação do momento actual, o FMI assinala que economia de Macau continua a recuperar, apesar dos ventos contrários decorrentes do conflito no Médio Oriente. “As posições externa e orçamental continuam sólidas, apoiadas pela recuperação robusta das receitas do jogo e pela execução conservadora das despesas”, sublinha o comunicado. No entanto, a procura interna e o investimento privado têm sido travados por condições de crédito ainda restritivas, por uma incerteza acrescida, por um sector imobiliário em estagnação e pela subexecução da despesa pública. Apesar dos recentes sinais de estabilização, as pressões descendentes sobre os preços dos imóveis residenciais e comerciais mantêm-se, num contexto de confiança moderada por parte dos investidores. O sector das pequenas e médias empresas (PME) local também continua a enfrentar dificuldades, uma vez que a recuperação do número de chegadas de turistas não se traduziu numa procura generalizada. Relativamente ao desempenho da economia ao longo do ano em curso, com base no andamento da cobrança de receitas e na execução histórica das despesas, o FMI considera ser “provável que tanto as receitas provenientes do jogo como as não relacionadas com o jogo excedam as estimativas orçamentais, enquanto as despesas ficarão provavelmente aquém dos níveis orçamentais”. Neste sentido, o relatório indica que, se este padrão persistir, “a política orçamental em 2026 será menos favorável do que inicialmente previsto, com o aumento das receitas a traduzir-se principalmente numa maior acumulação de reservas orçamentais”. Neste contexto, o fundo recomenda o aumento dos esforços para garantir a execução atempada das despesas planeadas, considerando que “serão fundamentais para manter o apoio necessário, particularmente nas áreas dos programas de assistência social relacionados com o envelhecimento e do investimento de capital”. “Deverá ser considerada a possibilidade de aumentar ainda mais as despesas orçamentais, em consonância com o desempenho superior das receitas, caso tal seja viável”, acrescenta.
Hoje Macau PolíticaIA | Governo quer formar quadros “médicos ‘mistos’” O Governo anunciou ontem que vai reforçar a formação de profissionais de saúde com competências combinadas em Medicina e inteligência artificial (IA), aprofundando a cooperação com instituições de ensino superior. “Para o futuro, prevê-se o aprofundamento da cooperação com as instituições de ensino superior no sentido de cultivar quadros qualificados médicos ‘mistos’ de integração entre a Medicina e a Engenharia, os quais combinem a prática clínica com capacidades em tecnologia de IA”, disse esta tarde na Assembleia Legislativa a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. O Lam, que respondia a uma interpelação de Lei Wun Kong e Kou Kam Fai – do grupo de deputados nomeados pelo chefe do Executivo – destacou que, como parte desta estratégia de formação de “quadros qualificados ‘mistos’ interdisciplinares”, planeia-se a criação, no ano lectivo 2027/2028, dos mestrados de Inteligência Artificial para Biologia e Engenharia Médica Inteligente. Estes programas, notou, vão juntar-se a formações já existentes em áreas como a da “MTC [Medicina Tradicional Chinesa], de administração medicinal, de técnicas farmacêuticas, ciências biomédicas, bem como de descoberta de drogas impulsionada por IA”. Lei Wun Kong e Kou Kam Fai interpelaram as autoridades sobre a necessidade de definir uma “estratégia de desenvolvimento saudável” da IA aplicada à saúde, questionando, por exemplo, se existe a intenção de investir em equipamento médico avançado ou exportar soluções digitais para os países de língua portuguesa.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | Instalada maior estação conversora de energia eólica offshore do mundo Pequim instalou a maior estação conversora eólica offshore do mundo no mar do Sul da China, um projecto que vai beneficiar directamente a zona económica da Grande Baía, onde está localizada Macau, foi noticiado pela comunicação social estatal. A maior e mais potente estação conversora offshore do mundo, com o nome de “Heart of Offshore Wind”, foi instalada em 23 de Julho, a cerca de 100 quilómetros ao largo da costa de Yangjiang, na província de Guangdong, sul da China, informou a emissora estatal CCTV. Trata-se da primeira estação conversora offshore flexível de corrente contínua (CC) de 500 quilovolts e 2.000 megawatts do mundo. O projecto está agora na fase final de ligação dos cabos submarinos e de testes conjuntos entre as instalações offshore e em terra, indicou a CCTV, notando que, quando estiver operacional, prevê-se que forneça seis mil milhões de quilowatts-hora de electricidade limpa por ano à Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. A Grande Baía é um projecto de Pequim que tem como objetivo criar uma metrópole mundial a partir das regiões administrativas especiais chinesas de Macau e de Hong Kong e outras nove cidades da província vizinha de Guangdong (Guangzhou, Shenzhen, Dongguan, Foshan, Zhongshan, Huizhou, Jiangmen, Zhuhai e Zhaoqing), onde habitam mais de 80 milhões de habitantes. Exemplo para o futuro No final de Maio, esta instalação de 25 mil toneladas, partiu de Nantong, na província de Jiangsu (este), a bordo de uma embarcação semi-submersível até ao sul da China, para ser instalada através de um método de flutuação de precisão, de acordo com notícia da agência de notícias Xinhua. “Irá recolher electricidade de 163 turbinas eólicas offshore, converter energia CA [corrente alternada] de 66 kV em energia CC de 500 kV e enviar energia eólica offshore limpa para as redes terrestres com maior eficiência e menores perdas, levando, em última instância, electricidade às casas e às comunidades”, escreveu a gigante estatal de energia China Three Gorges Corporation (CTG), envolvida no projecto. A estação mede 85,5 metros de comprimento, 82,5 metros de largura e 44 metros de altura, cobrindo uma área equivalente a um campo de futebol convencional e com a altura de um edifício de 15 andares. No interior, alberga “um sofisticado sistema de equipamento eléctrico, de ventilação e de combate a incêndios, todo especialmente reforçado para resistir às condições de elevada salinidade e humidade do oceano profundo, ainda de acordo com a notícia da Xinhua. A estação foi concebida para funcionar sem tripulação permanente, recorrendo a sistemas de monitorização remota e de manutenção inteligente. “O arranque bem-sucedido proporcionará um modelo técnico replicável para o futuro desenvolvimento da energia eólica em águas profundas na China e além-fronteiras”, lê-se ainda.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Livraria anuncia fecho após detenções de funcionários A livraria Greenfield, em Hong Kong, anunciou ontem nas redes sociais que vai encerrar, duas semanas depois de dois funcionários do espaço terem sido detidos pela polícia de segurança nacional. “Esta loja vai fechar assim que o contrato de arrendamento terminar”, escreveu a Greenfield Book Store numa publicação na rede social Instagram, não especificando a data. Aos leitores, a livraria agradeceu ainda “o apoio incondicional ao longo dos últimos 50 anos, desde a inauguração”. A publicação, que já conta mais de 400 partilhas, foi feita duas semanas após as autoridades de Hong Kong levarem a cabo rusgas em duas livrarias – incluindo a Greenfield – e deterem cinco pessoas por suspeita de venderem publicações alegadamente sediciosas, de acordo com meios de comunicação social locais. Vídeos e fotos de vários órgãos de comunicação social mostraram no dia 15 de Julho agentes da polícia a apreender caixas no edifício que alberga a livraria Have A Nice Stay, fundada por ex-jornalistas. A poucos quarteirões de distância, na Greenfield Book Store, ocorreu uma acção semelhante, com caixas a serem apreendidas no edifício que alberga o espaço, de acordo com um vídeo do portal de notícias online The Collective. A polícia informou posteriormente que fez rusgas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem as identificar. Dois homens e três mulheres foram detidos por suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional de 2024, de acordo com um comunicado da corporação. A polícia refere no comunicado que uma investigação revelou que as cinco pessoas são suspeitas de exibir e vender materiais sediciosos no local. O conteúdo das publicações inclui incitamento ao ódio contra o Governo, o poder judicial e as forças de segurança da cidade, segundo o comunicado. A polícia informou que o caso foi encaminhado para a alfândega após a descoberta de livros alegadamente sediciosos num lote de mercadorias enviadas do estrangeiro para Hong Kong, sem especificar os títulos.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sobe para 18 o número de mortos no sismo Pelo menos 18 pessoas morreram devido ao sismo que atingiu o sudoeste do Japão na terça-feira, segundo um novo balanço das autoridades, enquanto as equipas de resgate trabalham para encontrar sobreviventes presos sob escombros de edifícios. Além das 13 mortes anteriormente relatadas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, outras cinco pessoas morreram no colapso de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries, em Yatsushiro, declarou ontem um porta-voz da câmara municipal de Kumamoto numa conferência de imprensa. Outras quatro pessoas podem ainda estar soterradas sob os escombros, acrescentou o porta-voz. Cerca de 36.900 casas ainda estavam sem electricidade, 9.500 sem gás e as redes de comunicação não funcionavam em algumas áreas, disse o porta-voz do Governo, Minoru Kihara, aos jornalistas. Mais de 9.000 pessoas deixaram as suas casas para se abrigarem em mais de 500 centros de acolhimento, onde foram instaladas fontes de energia para que estes locais tivessem ar condicionado. O Japão tem enfrentado uma onda de calor contínua e as temperaturas na região deverão ultrapassar os 32º graus Celsius. Os serviços de comboio de alta velocidade e algumas operações aeroportuárias permanecem suspensos. As Forças de Autodefesa do Japão juntaram-se às equipas de resgate nas operações de busca e salvamento no centro comercial Aeon, gravemente danificado devido a uma explosão depois do sismo, na cidade de Kashima. O sismo atingiu Kyushu, a ilha mais a sul das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, às 08:27 de terça-feira, com uma magnitude de 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), e de magnitude 6,8 na escala de Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu na terça-feira que as equipas de resgate trabalhariam “incansavelmente” durante à noite, dando prioridade “ao resgate e à segurança dos afectados”.
Hoje Macau China / ÁsiaPopulação do Japão diminuiu para menos de 120 milhões de habitantes A população do Japão caiu para menos de 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, segundo dados governamentais divulgados ontem, numa altura em que o país enfrenta uma baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população. A 01 de Janeiro de 2026, o número de cidadãos japoneses residentes no país (excluindo os estrangeiros) era de 119.736.483 — uma queda de 0,76 por cento face ao ano anterior —, segundo dados governamentais. A população do Japão tem vindo a diminuir há 17 anos consecutivos, após ter atingido um valor máximo em 2009. Em contrapartida, o número de residentes estrangeiros no Japão atingiu o nível mais elevado desde o início dos registos, segundo o Ministério dos Assuntos Internos do Executivo de Tóquio. Incluindo o grupo de cidadãos estrangeiros, a população total do Japão é de 123,76 milhões. O Japão tem a segunda população mais idosa do mundo (com uma idade média de 49,9 anos), ficando apenas atrás do Mónaco, segundo o Banco Mundial. Dados oficiais anteriores, divulgados no início do mês de Junho, mostraram que a taxa de natalidade do Japão desceu para um nível recorde de 1,14 filhos por mulher em 2025, evidenciando a crise demográfica que afecta a quarta maior economia do mundo. Crise e preconceitos O Japão apresenta também uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, o que gera uma série de problemas, incluindo escassez de mão-de-obra, custos crescentes da segurança social e uma redução do número de trabalhadores contribuintes. O número de recém-nascidos no Japão foi de 671.236 em 2025 — quase menos 15 mil do que no ano anterior e o índice mais baixo desde o início dos registos, em 1899, sendo que os dados abrangem apenas as crianças japonesas nascidas no país. Embora a imigração seja frequentemente apontada como uma solução para o declínio demográfico, a primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi defende medidas mais rigorosas em relação à entrada de estrangeiros. Nos últimos anos, os líderes japoneses — tanto a nível nacional como local — tentaram, com sucesso limitado, promover o casamento e a natalidade através do aumento das ajudas para a educação dos filhos, dos subsídios para a licença parental e até do lançamento de aplicações digitais para encontros. Dados oficiais divulgados este mês revelaram que 265 casais se juntaram após se terem conhecido numa aplicação digital de encontros, lançada pelo Governo de Tóquio em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaChina / Europa | Comércio ferroviário supera 450 mil milhões de euros em dez anos Os comboios de mercadorias entre a China e a Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, transportando bens avaliados em mais de 450 mil milhões de euros, anunciou ontem a principal entidade chinesa de planeamento económico. Os dados foram divulgados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), o principal órgão de planeamento económico da China, durante uma conferência de imprensa em Pequim. Citado pelo jornal oficial Global Times, Liang afirmou que o volume mensal de mercadorias actualmente transportado por esta ligação ferroviária equivale ao total movimentado durante todo o ano de 2016. Segundo o responsável, o número de viagens aumentou de 1.702 em 2016, ano em que os serviços passaram a operar sob uma designação unificada, para mais de 20 mil em 2025, o que representa uma taxa média de crescimento anual superior a 30 por cento. Liang acrescentou que a digitalização dos procedimentos aduaneiros permitiu reduzir o tempo médio de desalfandegamento para cerca de 30 minutos. A introdução de horários fixos para os comboios também encurtou em mais de um terço o tempo de trânsito em rotas como a que liga Xi’an, no centro da China, a Duisburgo, no oeste da Alemanha, reduzindo a viagem de 15 para 11 dias. Segundo o responsável, os comboios partem há 46 meses consecutivos com a capacidade de carga totalmente preenchida. Liang destacou ainda que o volume de mercadorias exportadas da China e o de bens transportados no sentido inverso está próximo de um equilíbrio de um para um, o que, segundo afirmou, demonstra uma procura robusta nos dois sentidos. Corredor atractivo O alargamento das ligações ferroviárias entre a China e a Europa aumentou também a atractividade deste corredor para o comércio transfronteiriço, acrescentou, referindo a abertura de novas rotas através do corredor do mar Cáspio, da Turquia e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas, provocada pelo agravamento das tensões geopolíticas, também favoreceu o transporte ferroviário, sobretudo para empresas que procuram reduzir os prazos de entrega. Liang apontou como exemplo as fabricantes chinesas de aparelhos de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram o tempo de entrega para a Europa de cerca de 40 para aproximadamente 15 dias, em resposta à vaga de calor que afecta o continente europeu.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Rússia concluem patrulha naval conjunta no Pacífico ocidental Uma força naval conjunta da China e da Rússia chegou ontem a Vladivostoque, no extremo oriente russo, após concluir uma patrulha no Pacífico iniciada a 13 de Julho, anunciou a agência oficial chinesa Xinhua. A flotilha integrou os contratorpedeiros chineses equipados com mísseis guiados Kaifeng e Anshan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e a corveta russa Rezkiy, indicou a Xinhua. Os navios partiram de Qingdao, no leste da China, após o encerramento dos exercícios navais “Mar Conjunto-2026”, atravessando os estreitos de Miyako, Etorofu e Soya antes de chegarem a Vladivostoque. Durante a patrulha, as forças dos dois países realizaram exercícios de aterragem de helicópteros, operações anti-terroristas conjuntas, missões de busca e salvamento humanitário, inspecção e captura de embarcações, além de outros exercícios “orientados para condições reais de combate”. Pequim apresentou a missão como parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas chinesas e russas, destinada a reforçar a capacidade de actuação conjunta e a responder de forma coordenada a “ameaças à segurança marítima”. A agência oficial chinesa acrescentou que a operação “não está relacionada com a actual situação internacional e regional”. A patrulha decorreu após os exercícios “Mar Conjunto-2026”, realizados em águas e espaço aéreo próximos de Qingdao e centrados, segundo a parte chinesa, na resposta conjunta a ameaças à segurança marítima. Essas manobras incluíram missões de reconhecimento conjunto, defesa anti-aérea e anti-míssil, ataques contra alvos marítimos e operações de salvamento submarino, envolvendo meios navais, submarinos, aéreos e de apoio. Nos últimos anos, China e Rússia intensificaram a cooperação militar através de exercícios navais, patrulhas aéreas conjuntas e contactos de alto nível entre os respectivos comandos, em paralelo com o estreitamento das relações políticas entre os Presidentes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, que, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, em 2022, proclamaram uma parceria bilateral “sem limites”.
Hoje Macau China / ÁsiaSegurança nacional | EUA acusados de reprimir empresas chinesas após proibição de robôs A China acusou ontem os Estados Unidos de tentarem reprimir as empresas chinesas, depois de Washington anunciar a proibição da importação de robôs humanoides fabricados no estrangeiro por razões de segurança nacional. A Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, acrescentou na terça-feira os robôs humanoides e quadrúpedes à lista de produtos proibidos de entrar nos Estados Unidos, no âmbito de medidas destinadas a proteger a segurança nacional. A maioria dos robôs humanoides comercializados nos Estados Unidos é fabricada no estrangeiro, nomeadamente na China, cujas empresas e ‘startups’ se afirmaram como pioneiras num setor em rápida expansão. “A China sempre se opôs firmemente à tendência dos Estados Unidos para invocar abusivamente a segurança nacional para reprimir empresas chinesas”, afirmou ontem a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa. “O proteccionismo não melhora a competitividade dos Estados Unidos. Apenas prejudica os interesses das empresas e dos consumidores norte-americanos”, acrescentou. Mao garantiu ainda que Pequim tomará “as medidas necessárias” para defender os interesses das empresas chinesas. Os chamados “dispositivos robóticos avançados”, categoria que inclui “robôs móveis”, foram acrescentados à lista da Comissão Federal das Comunicações (FCC), regulador norte-americano das telecomunicações.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Novas regras para travar guerra de preços no sector dos painéis solares As autoridades chinesas anunciaram novas regras contabilísticas para os fabricantes de painéis solares e vão reunir-se esta semana com responsáveis do sector, numa nova etapa da campanha destinada a travar a guerra de preços na indústria. Segundo o portal económico Yicai, a nova regulamentação pretende “resolver o caos provocado pelos diferentes métodos de contabilidade” utilizados pelas empresas do sector, que enfrenta uma forte pressão sobre as margens de lucro devido à concorrência baseada na redução de preços, levando algumas fabricantes a operar com prejuízo. Esta situação, que se prolonga desde 2024, resulta de um excesso de capacidade produtiva e fez com que, das 26 empresas chinesas cotadas que já divulgaram previsões para o primeiro semestre, apenas quatro esperem manter-se lucrativas. As restantes poderão acumular prejuízos entre Janeiro e Junho equivalentes a 2,7 mil milhões e 3,2 mil milhões de dólares, segundo o Yicai. Pequim acredita que a introdução de um método normalizado para calcular os custos permitirá dar um “passo fundamental” para impedir que as empresas continuem a vender abaixo do custo de produção. Entretanto, outro importante órgão económico chinês, o Cailianshe, adiantou ontem que a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) vai reunir-se na sexta-feira com a associação da indústria solar e representantes de empresas do sector para prestar orientações sobre a aplicação das novas regras de fixação de preços. Especialistas citados pelo Cailianshe consideram que esta iniciativa representa uma mudança da política de Pequim para uma postura mais intervencionista. Já o Yicai enquadra as medidas desta semana num plano mais vasto para criar um quadro regulatório completo para o sector, após a introdução, nas últimas semanas, de novas normas de segurança e eficiência.
Hoje Macau SociedadeUM | Curso de Verão de português teve 400 alunos A Universidade de Macau (UM) realizou mais uma edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, a 40.ª, que contou com cerca de 400 alunos. Citada por uma nota da UM, Li Qianyu, uma aluna de nível avançado que participou no curso, diz ter feito a “leitura atenta de obras de autores prestigiados de língua portuguesa”, com o apoio da professora. Esta estudante acrescentou ter aprofundado “a compreensão sobre a história e literatura de Macau”. Já o aluno Huang Wai Kuan, que vai frequentar o curso de Direito na UM, indicou que esta área “exige o domínio tanto do chinês como do português, motivo pelo qual se inscreveu no curso”, diz a mesma nota. Por sua vez, os coordenadores do curso, Lu Chunhui e Tânia Ferreira, referiram que esta edição incluiu, além das aulas de língua, “uma oferta diversificada de actividades culturais”, com a aposta em conteúdos relacionados com a dança folclórica portuguesa, a história e cultura de Portugal, a evolução cultural e literária do Brasil, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa ou ainda a prática de tradução poética. Segundo a UM, “a concepção do curso teve em conta a diversidade temática e geográfica, articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”.
Hoje Macau Manchete PolíticaFundo de Pensões | Défice vai atingir quase 9 mil milhões Entre 2027 e 2031, o défice do Fundo de Pensões deve atingir 8,99 mil milhões de patacas. A estimativa foi apresentada ontem pelo Governo aos deputados da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar a proposta de lei “Consolidação dos Recursos Financeiros do Fundo de Pensões”. A proposta prevê que o orçamento de Macau possa financiar directamente o fundo, dentro de certos limites estabelecidos pelo Chefe do Executivo. Os representantes do Governo, liderados pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, apontaram também, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que actualmente o fundo tem 6.465 subscritores no activo, ou seja, que fazem descontos, e que estes têm uma média de idades de 51,9 anos e 26,4 anos de tempo de serviço. Até ao final do mês passado, foram pagas um total de 6.577 pensões, das quais 6.056 eram pensões de aposentação e 521 pensões de sobrevivência, o que representa um aumento de 390 pensões em relação ao mesmo período do ano anterior. Prevê-se que, até ao final de 2030, restem 3.290 subscritores no activo, e que o número de pensões atribuídas aumente para 9.150. Segundo Ella Lei, deputada que preside à comissão, durante a discussão os deputados perguntaram ao Governo se o futuro financiamento do Fundo de Pensões vai prejudicar os apoios sociais. Os representantes do Executivo garantiram que tal não aconteceu. Importa referir que, até à pandemia, os orçamentos da RAEM apresentaram sempre um superavit. Esta situação mantém-se actualmente.
Hoje Macau DesportoDíli | Rosa Mota vai disparar tiro de partida da Maratona Internacional A atleta Rosa vai disparar o tiro de partida, juntamente com o Presidente timorense, da Maratona Internacional de Díli, a realizar-se em 08 de Agosto, anunciou ontem a embaixada de Portugal e a Presidência timorense. “Ter a Rosa Mota em Timor-Leste mostra o nosso empenho neste evento desportivo de primeira linha. Díli tem-se posicionado como uma cidade de afirmação internacional, visibilidade e cruzamento de culturas”, pode ler-se numa publicação da Embaixada de Portugal na rede social Facebook. Na publicação, a embaixada, que também vai patrocinar o evento, agradece ao Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e ao Instituto Português da Juventude e Desporto pelo “apoio e entusiasmo com que acolheram a ideia”. A atleta, que chega a Díli em 04 de Agosto, foi a primeira mulher portuguesa a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, depois de em 1984 ter obtido a medalha de bronze na maratona olímpica de Los Angels, Estados Unidos. Num comunicado, a chefe da Casa Civil da Presidência da República, Henriqueta da Silva, destacou o patrocínio da Embaixada de Portugal em Timor-Leste como um “abraço lusófono”. “Uma recordação de que a distância entre Lisboa e Díli, em termos humanos e culturais, nunca foi grande e de que no próximo 08 de Agosto essa ponte será atravessada por oitenta mil passos de corredores dos nossos dois países e de todo o mundo”, afirmou Henriqueta da Silva. Durante a sua estada em Timor-Leste, Rosa Mota vai realizar seminários sobre estratégia de corrida e recuperação física com a equipa nacional de maratona timorense, visitar a exposição “Move-te por Valores”, promovida pelo Instituto Português da Juventude e Desporto e realizar visitas a escolas para promover a prática desportiva.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sismo faz desabar andar de centro comercial Um dos andares de um centro comercial no Japão caiu na sequência do terramoto de 7,1 de magnitude que abalou o sudoeste do país, prendendo várias pessoas nos destroços, avançou ontem a televisão pública NHK. O desabamento causou uma forte explosão, relatada inicialmente pela polícia, que ainda desconhece se há vítimas mortais e a extensão dos danos. A NHK já tinha avançado existirem pelo menos 50 feridos causados pelo desabamento de prédios, incêndios e cortes de energia na sequência do sismo. “Ainda estamos a avaliar a extensão dos ferimentos e dos danos materiais, mas fui informada de que há vários feridos. Há falhas de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e edifícios desabaram”, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, num comunicado televisivo. Segundo as autoridades locais, pelo menos 12 pessoas estão em estado grave devido a fraturas e ferimentos causados pelo colapso parcial de estruturas, sendo que 12 casas ruíram perto da cidade de Yatsushiro, na região central da província de Kumamoto. Além disso, adiantaram, um grande apagão deixou cerca de 48.000 casas sem eletricidade na província. A Agência Meteorológica do Japão chegou a emitir um alerta de ‘tsunami’ (maremoto) logo após o sismo, mas o aviso foi suspenso pouco tempo depois por o terramoto ter ocorrido em terra firme. Nível grave O sismo, que abalou violentamente a região, atingiu o nível máximo (7) numa escala separada utilizada no Japão, que mede a intensidade dos terramotos num determinado local. Imagens televisivas mostram pontes rodoviárias parcialmente destruídas, edifícios em chamas e comboios de mercadorias tombados. Não foram detectadas anomalias imediatas nas centrais nucleares da região, de acordo com a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão. Kumamoto já tinha sido atingida, há 10 anos, por dois sismos devastadores — um de magnitude 6,5, e outro, dois dias depois, de magnitude 7,3 na escala de Richter – que mataram 273 pessoas e feriram mais de 2.800. Um sismo de magnitude 7,2 também atingiu o norte do Japão a 25 de Junho, mas sem causar mortes ou danos significativos. O Japão é um dos países do mundo mais propensos a sismos, já que fica localizado na junção de quatro grandes placas tectónicas ao longo da orla oeste do Círculo de Fogo do Pacífico. O arquipélago, com uma população de cerca de 125 milhões de habitantes, sofre normalmente centenas de tremores de terra todos os anos e é responsável por cerca de 18 por cento dos sismos registados no mundo. A grande maioria destes sismos é de baixa intensidade, embora os danos que causam variem consoante a sua localização e a profundidade a que ocorrem abaixo da superfície da Terra. O país ainda carrega as cicatrizes do sismo submarino de magnitude 9,0 de 2011, responsável por um ‘tsunami’ que fez cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Ex-líder da oposição autorizado a ficar seis meses no Reino Unido O activista Wu Chi-wai foi autorizado a permanecer no Reino Unido como visitante, indicou ontem o advogado do antigo líder do Partido Democrático de Hong Kong, que já se reuniu com a família, após problemas na imigração. O advogado Paul Harris disse à agência Associated Press (AP) que as autoridades de imigração enviaram uma carta à defesa de Wu a indicar que o activista iria obter autorização para permanecer como visitante durante seis meses. A família de Wu reside no Reino Unido. A decisão das autoridades britânicas surgiu depois de a entrada de Wu, na semana passada, ao abrigo de uma fiança de imigração de sete dias, ter suscitado preocupações por parte de grupos de defesa dos direitos humanos e de cidadãos de Hong Kong que vivem no Reino Unido e no território chinês, escreveu a AP. Wu Chi-wai saiu da prisão de Hong Kong no mês passado, após cumprir quatro anos e cinco meses de pena por conspiração para subversão no âmbito do processo conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim. Wu foi o 20.º arguido a concluir a pena, num caso que envolveu 47 activistas acusados de planear “uma crise constitucional” através de eleições primárias não oficiais em 2020. Quarenta e cinco arguidos foram condenados e dois foram absolvidos neste processo. Wu afirmou numa entrevista à AP, no domingo, que só lhe foi permitido permanecer no Reino Unido até quarta-feira, uma vez que as autoridades fronteiriças britânicas consideravam que pudesse ter outros objectivos além de uma simples visita, incluindo a procura de residência de longa duração. Wu afirmou num vídeo publicado pelo meio de comunicação online Green Bean que se sentiu angustiado nos últimos dias e que estava feliz por, afinal, ter sido autorizado a passar mais tempo com a família. “Espero que todos os habitantes de Hong Kong possam viver bem e valorizar os seus entes queridos”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaNaufrágio | Resgatados 48 tripulantes de navio vietnamita afundado no mar do Sul O número de sobreviventes do navio de carga vietnamita que se afundou no sábado junto a um recife ocupado pela China subiu para 48, enquanto prosseguem as operações de busca por 14 tripulantes ainda desaparecidos. As operações de busca e salvamento envolvem equipas do Vietname, das Filipinas e da China. As autoridades vietnamitas anunciaram na segunda-feira o resgate de mais três dos 62 tripulantes que seguiam a bordo, sem divulgarem pormenores sobre a operação. O cargueiro Khoi Nguyen 18 afundou-se no sábado à noite nas imediações do recife Fiery Cross, uma ilha artificial construída pela China no mar do Sul da China. O ministério dos Negócios Estrangeiros vietnamita indicou que o navio se afundou devido ao mau tempo no mar do Sul da China e acrescentou que os 48 sobreviventes já foram entregues às autoridades vietnamitas, que lhes prestam assistência médica antes do regresso ao continente. Segundo plataformas de monitorização marítima, o Khoi Nguyen 18 é um navio de carga geral construído em 2017. O sistema de identificação automática (AIS) do navio registou a sua última posição em Março, ao largo da costa do Vietname, de acordo com a plataforma MarineTraffic. Ao abrigo de uma convenção das Nações Unidas sobre segurança marítima ratificada pelo Vietname, os navios de carga de grande porte devem manter permanentemente ligado o sistema AIS, que transmite a identidade, posição e rumo da embarcação. Hanói afirmou que mobilizou de imediato meios de busca e salvamento, em coordenação com navios de resgate chineses, helicópteros e outras embarcações que se encontravam na zona. A Guarda Costeira das Filipinas, que destacou um navio-patrulha e uma aeronave após um pedido das autoridades vietnamitas, afirmou que a operação decorre ao abrigo de acordos internacionais de segurança marítima e da cooperação bilateral entre Manila e Hanói.
Hoje Macau China / ÁsiaPresidente eslovaco defende em Pequim maior cooperação entre China e UE O Presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, afirmou ontem, em Pequim, que o seu país está disposto a promover o diálogo entre a União Europeia e a China, durante uma visita destinada a reforçar as relações bilaterais. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Pellegrini defendeu que as diferenças entre Pequim e Bruxelas devem ser resolvidas “através da consulta” e manifestou a disponibilidade da Eslováquia para contribuir para uma relação “mais estável” entre as duas partes. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou a Bratislava para desempenhar um papel “construtivo” na promoção do entendimento entre a China e a UE, numa altura em que as relações entre Pequim e o bloco comunitário atravessam um período de tensões políticas e comerciais. O líder chinês afirmou que ambas as partes devem concentrar-se nos interesses comuns e gerir as divergências através do diálogo, reiterando que Pequim considera a UE um “parceiro”. Pellegrini manifestou também o interesse da Eslováquia em atrair novos investimentos chineses, enquanto Xi propôs reforçar os intercâmbios nos domínios da cultura, turismo, desporto, juventude e cooperação entre administrações locais. Mais perto China e Eslováquia elevaram as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica em Novembro de 2024, durante uma visita do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a Pequim, na qual os dois governos acordaram aprofundar a cooperação. A aproximação política ficou também patente em Setembro de 2025, quando Fico foi o único chefe de Governo de um país da UE a participar no desfile militar realizado em Pequim para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, ao lado de Xi Jinping, do Presidente russo, Vladimir Putin, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Após a cerimónia, Fico afirmou que tinha sido “uma honra” participar no evento e criticou a ausência dos restantes dirigentes europeus, considerando que quem ficou isolada não foi a China, mas sim a União Europeia. A visita de Pellegrini, que termina na quarta-feira, dá continuidade à estratégia do Governo eslovaco de reforçar os laços económicos e políticos com Pequim. No início da deslocação, o chefe de Estado escreveu na rede social X que esta é a sua primeira visita oficial à China desde que assumiu a Presidência, em Junho de 2024, e apenas a segunda visita de um Presidente eslovaco ao país asiático. “Nestes tempos dinâmicos, é crucial para o nosso futuro reforçar estes laços”, escreveu.
Hoje Macau China / ÁsiaQuota das marcas automóveis estrangeiras cai abaixo de 25% pela primeira vez A quota de mercado dos fabricantes estrangeiros de automóveis na China caiu este ano abaixo dos 25 por cento pela primeira vez, devido ao rápido crescimento das marcas chinesas, sobretudo no segmento dos eléctricos, segundo dados citados ontem pela imprensa local. De acordo com a estimativa apresentada recentemente por Wang Qian, director-geral adjunto da fabricante automóvel chinesa Dongfeng, durante um fórum do sector, a percentagem inclui também as joint ventures’, como a que a Dongfeng mantém com a japonesa Nissan, classificando a situação como “inimaginável há apenas três anos”. O responsável afirmou que o crescimento do mercado chinês de veículos eléctricos pôs fim ao modelo tradicional do sector, em que os fabricantes estrangeiros forneciam a tecnologia e os parceiros chineses asseguravam a distribuição e vantagens de custos, em troca do acesso a um mercado de grande dimensão. Queda contínua Dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) mostram que os fabricantes estrangeiros e as suas empresas conjuntas com parceiros locais controlavam mais de 60 por cento do mercado chinês em 2020. Essa quota caiu para 28 por cento no primeiro semestre deste ano, um valor ligeiramente superior à estimativa apresentada por Wang. Segundo o portal de notícias Yicai, todas as grandes marcas estrangeiras registaram quedas significativas nas vendas na China entre Janeiro e Junho. A Volkswagen viu as vendas recuar 26 por cento, enquanto as japonesas Toyota, Nissan e Honda registaram descidas de 17 por cento, 15 por cento e 35 por cento, respectivamente. O segmento de luxo também foi afectado, com as vendas da Mercedes-Benz a caírem 28 por cento em termos homólogos no primeiro semestre, enquanto a Audi e a BMW registaram descidas de 19 por cento e 20 por cento, respectivamente. Perante este cenário, os fabricantes estrangeiros estão a acelerar a localização das suas operações na China, atribuindo maior autonomia às equipas locais na tomada de decisões e no desenvolvimento tecnológico, numa tentativa de recuperar competitividade e responder mais rapidamente às mudanças do mercado. Segundo Wang, a empresa conjunta Dongfeng Nissan conseguiu aumentar as vendas em 192 por cento em termos homólogos depois de elevar a proporção de veículos eléctricos nas vendas totais de 7 por cento para 30 por cento este ano, após o lançamento de três novos modelos eléctricos.
Hoje Macau China / ÁsiaEstudo | Financiamento chinês para energia verde no exterior atinge máximo histórico O investimento chinês em projectos de energia limpa alcançou, no primeiro semestre deste ano, valores nunca antes registados O financiamento chinês para projectos de energia verde atingiu um recorde de 20,1 mil milhões de dólares no primeiro semestre, ultrapassando o total de 2025, segundo um estudo divulgado ontem. Os dados constam de um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai, a “capital” económica da China. Do montante total, 11,8 mil milhões de dólares correspondem a projectos de construção e 8,3 mil milhões de dólares a investimentos. Segundo Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e financiamento da China na Universidade de Queensland e autor do estudo, o menor custo das energias renováveis continuou a impulsionar o investimento chinês, apesar das tensões comerciais. “O menor custo da energia verde tem impulsionado de forma consistente o investimento chinês e os países que cooperam com a China neste sector poderão beneficiar de uma menor volatilidade dos preços da energia causada pela guerra com o Irão”, apontou. O valor total dos projectos da iniciativa Faixa e Rota, um gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim, também atingiu um máximo histórico de 126,3 mil milhões de dólares no primeiro semestre, acima dos 123,3 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano passado. Desse total, 49,8 mil milhões de dólares corresponderam a investimento directo e 76,5 mil milhões de dólares a projectos de construção. Ritmo a acelerar Além da energia, aumentou igualmente o financiamento destinado aos sectores da indústria transformadora, tecnologia, metais e mineração. O ritmo do investimento acelerou num contexto em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo que aumentou a procura por infraestruturas eléctricas e centros de dados para responder ao crescimento da inteligência artificial (IA). Os dados oficiais das alfândegas chinesas mostram igualmente um aumento das exportações chinesas de tecnologias limpas nos últimos meses. Lançada por Xi Jinping em 2013, poucos meses após assumir a liderança da China, a iniciativa Faixa e Rota é considerada o principal instrumento de Pequim para reforçar a influência económica e as ligações comerciais com os países em desenvolvimento. Na semana passada, Xi anunciou uma nova coligação internacional destinada a promover a influência chinesa no desenvolvimento da IA, reforçando a ambição de competir com os Estados Unidos na liderança deste sector. Novo perfil O estudo indica também uma alteração do perfil dos participantes na iniciativa, com um peso crescente das empresas privadas. A participação do sector privado representou 48 por cento dos projectos no primeiro semestre, face a apenas 13 por cento em 2022. A iniciativa Faixa e Rota tem sido alvo de críticas devido ao alegado agravamento do endividamento de vários países em desenvolvimento, sobretudo em África. Apesar dessas críticas, os dados mostram que o interesse africano na iniciativa continua elevado, com o investimento chinês no continente a quase triplicar em termos homólogos no semestre em análise, para 33,5 mil milhões de dólares. Em contrapartida, não foram anunciados novos projectos no Paquistão nem na Rússia. Segundo Christoph Nedopil Wang, o envolvimento da Rússia permanece reduzido desde a invasão da Ucrânia, devido às dificuldades em substituir grandes projectos estatais por investimentos privados. O especialista acrescentou que o Paquistão, durante anos um dos principais parceiros da iniciativa, parece estar a reforçar a aproximação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que as relações entre a China e a Índia estabilizaram.
Hoje Macau Via do MeioA chávena de chá – Um objecto entre a história, a etiqueta e a memória familiar Por Tan Yuanyun Na vida quotidiana chinesa, os objectos comuns raramente se limitam à sua função prática. Uma chávena serve para beber, evidentemente, mas essa evidência é quase insultuosa, como dizer que uma biblioteca serve para guardar papel ou que uma avó serve para dar conselhos com uma precisão ligeiramente assustadora. Em muitos lares chineses, uma chávena de porcelana guarda calor, hábitos, hierarquias afectivas, pequenas normas de convivência e memórias que passam de geração em geração sem necessidade de proclamação solene. No meu caso, a chávena de porcelana branca que existe em casa da minha família tornou-se um desses objetos discretos que parecem nada dizer e, precisamente por isso, dizem quase tudo. Desde criança, lembro-me de haver sempre uma chávena de chá a fumegar algures em casa. Quando chegavam visitas, preparava-se chá; quando a família descansava depois das refeições, alguém segurava uma chávena em silêncio; quando surgia uma conversa difícil, o chá aparecia antes das palavras mais graves, como se tivesse sido convocado para impedir que os adultos transformassem um pequeno conflito doméstico numa tragédia clássica. Beber chá, nesse contexto, nunca significou simplesmente matar a sede. Significava criar uma temperatura comum, oferecer uma pausa, acolher o outro dentro de um gesto reconhecível. Sempre me intrigou o facto de uma chávena branca, simples, sem decoração exuberante e sem qualquer pretensão estética evidente, poder ocupar um lugar tão persistente na memória familiar. Ao contrário de objectos luxuosos, que parecem exigir admiração, esta chávena nunca pediu atenção. Permanecia ali, modesta, ligeiramente desgastada pelo uso, com uma autoridade silenciosa que nenhum copo novo, brilhante e moderno conseguia substituir. Este texto nasce dessa pergunta: como pode um objecto tão pequeno condensar história, etiqueta, corpo, afecto e continuidade familiar? A minha memória mais antiga remete para a chávena de porcelana branca que o meu pai usa há muitos anos. O seu desenho é simples, quase austero, e o tempo deixou nela sinais discretos de uso. Desde pequeno, reparei que as nossas chávenas eram pequenas e não tinham pega. Esse detalhe parecia-me, na infância, uma falha de design, talvez até uma espécie de conspiração contra os dedos das crianças. Num mundo ideal, pensava eu, uma chávena deveria ter uma asa evidente, generosa, civilizada, uma espécie de corrimão para mãos inexperientes. A minha avó, porém, ensinou-me que a ausência de pega possuía uma lógica própria, muito mais subtil do que a minha indignação infantil permitia perceber. O uso destas pequenas chávenas exige uma técnica corporal específica. Seguram-se com a ponta dos dedos, junto à borda, sentindo a temperatura antes de beber. A chávena comunica através do tacto: se estiver demasiado quente para ser segurada, o chá ainda não está pronto para ser levado à boca. A minha avó repetia isto com a serenidade de quem não precisava de grandes teorias para demonstrar uma verdade. O calor da porcelana torna-se uma forma de aviso, uma pequena pedagogia material. A espera deixa de ser uma ordem moral — “tem paciência” — e transforma-se numa evidência física: a mão compreende aquilo que a criança talvez ainda não aceitasse ouvir. Esse gesto pertence ao que se poderia chamar conhecimento corporal, ou shēntǐ zhīxìng (身体知性): um saber incorporado, aprendido pela experiência directa, pela repetição e pela sensibilidade táctil. A cultura transmite-se muitas vezes assim, sem manuais, sem discursos monumentais, sem que ninguém se sente à mesa para declarar: “Hoje vamos estudar a epistemologia da porcelana.” Felizmente. Aprende-se porque se toca, porque se espera, porque se queima ligeiramente a ponta dos dedos uma ou duas vezes e se descobre que a sabedoria tradicional, afinal, tinha razão. A minha avó também me ensinou uma regra que seguimos sempre em casa: chá mǎn qī rén (茶满欺人). A expressão significa que encher a chávena de chá até ao topo pode ser interpretado como um gesto rude, quase uma forma de pressionar o convidado. Quando eu era pequeno, esta regra parecia-me misteriosa. Na minha lógica infantil, mais chá significava mais generosidade; se meio copo era bom, um copo cheio seria uma espécie de prémio. A avó explicou-me que, ao servir os mais velhos ou os convidados, se deve deixar um pequeno espaço na chávena. Esse intervalo vazio exprime respeito, delicadeza e consideração pelo conforto do outro. Uma chávena demasiado cheia é difícil de segurar, pode queimar as mãos e sugere pressa, excesso, falta de atenção. A chávena ensina que a hospitalidade chinesa não reside na abundância descontrolada, mas na medida justa. Servir bem implica observar o outro, prever o seu gesto, proteger-lhe os dedos, permitir-lhe beber sem perigo e sem constrangimento. Há aqui uma ética minúscula, quase invisível, mas muito exigente. A delicadeza começa no espaço que se deixa por preencher. Curiosamente, a chávena confirma uma verdade que muita gente só aprende tarde: o excesso raramente é elegância. Na concepção chinesa da vida quotidiana, a chávena de chá relaciona-se também com o conceito de hé (和), harmonia. A sua forma arredondada sugere suavidade, continuidade e conciliação. Em criança, naturalmente, eu não pensava em harmonia cósmica ao olhar para uma chávena; pensava apenas que ela era menos agressiva do que outros objectos e que, quando não estava demasiado quente, cabia bem na mão. Só mais tarde compreendi que essa forma circular, sem ângulos violentos, participava de uma sensibilidade cultural na qual a convivência deve procurar equilíbrio, contenção e fluidez. Lembro-me de que, quando havia pequenos desentendimentos em casa, ou quando eu chorava depois de uma repreensão, alguém me trazia uma chávena de chá e dizia suavemente: xiān hē kǒu chá (先喝口茶), “bebe primeiro um gole de chá”. A frase funcionava como um botão de pausa, uma tecnologia doméstica de regulação emocional muito anterior às aplicações de meditação e provavelmente mais eficaz do que muitas delas. O chá não resolvia o problema, mas impedia que o problema ocupasse todo o espaço. Criava alguns segundos de respiração, baixava a temperatura da voz, devolvia ao corpo uma medida suportável. Com o tempo, percebi que essa era uma das formas concretas da harmonia familiar. A vida doméstica não é um território livre de conflitos; nenhuma família chinesa, portuguesa ou marciana vive permanentemente num anúncio de chá verde ao pôr-do-sol. Existem mal-entendidos, cansaço, irritações, palavras ditas depressa demais. A diferença está, muitas vezes, nos gestos que impedem a ruptura. Em minha casa, a chávena cumpria essa função: introduzia uma pausa entre a emoção e a resposta, entre a ferida e a palavra, entre a tristeza e a reconciliação possível. Há uma cena que nunca esqueci. Num Ano Novo Lunar, o meu avô veio visitar-nos. O meu pai escolheu, de propósito, a velha chávena de porcelana branca para lhe servir chá. Ao verter a água, a mão dele tremeu ligeiramente, e algumas gotas caíram sobre a mesa. O meu avô não fez qualquer comentário de reprovação. Pegou na chávena, bebeu um gole e disse, com calma: “Esta chávena continua a ser a mais confortável de usar.” Na altura, eu era demasiado jovem para entender o alcance daquela frase. Parecia uma observação banal, quase técnica, sobre ergonomia familiar. Hoje percebo que o meu avô falava da casa, da permanência, da continuidade de um afecto que se exprime melhor através de objectos usados do que através de declarações solenes. Aquela chávena dizia que a família continuava a reconhecer-se nos mesmos gestos. Dizia que o tempo tinha passado, mas alguns sinais permaneciam inteligíveis. Dizia que a tradição, quando é verdadeira, raramente precisa de se anunciar como tradição. Vive na escolha de uma chávena, no modo de servir, na mão que treme um pouco, no silêncio de quem recebe e compreende. Durante muito tempo, pensei que as pequenas chávenas de porcelana sem pega fossem apenas objetos vulgares. Essa percepção mudou quando, no primeiro ano do ensino secundário, visitei um museu e vi pequenos zhǎn (盏), taças da dinastia Song, ainda menores do que as chávenas usadas actualmente em minha casa. A guia explicou que, naquela época, era comum praticar o método do diǎn chá (点茶), no qual o chá em pó era batido até formar espuma, de modo parcialmente comparável ao matcha japonês contemporâneo. Fiquei surpreendido ao perceber que os antigos possuíam modos de beber chá bastante diferentes dos nossos e que um objecto aparentemente banal podia abrir uma porta para séculos de transformação cultural. Mais tarde, pesquisei sobre a evolução das chávenas chinesas e compreendi que o seu tamanho, a sua forma e o seu uso acompanharam mudanças profundas nas técnicas de preparação do chá. Na dinastia Tang, eram comuns taças mais largas; na dinastia Song, os pequenos zhǎn adequavam-se ao diǎn chá, que exigia uma bebida batida, concentrada e saboreada em pequenos goles; nas dinastias Ming e Qing, tornou-se mais popular o pào chá (泡茶), a infusão de folhas em água quente. Apesar dessas transformações, as chávenas conservaram geralmente dimensões reduzidas, porque o centro da experiência chinesa do chá reside no pǐn chá (品茶), isto é, no acto de degustar lentamente, distinguindo aromas, temperaturas, texturas e variações subtis de sabor. Aquilo que me parecera um simples detalhe de design revelava-se, afinal, parte de uma longa história do paladar, da técnica e da sensibilidade. A pequena chávena da minha casa não surgira do nada. Estava ligada a uma genealogia de práticas, materiais, gestos e preferências que atravessaram dinastias, transformações sociais e mudanças de gosto. O meu pai nunca pensava nestas origens históricas quando a usava; sabia apenas que aquela chávena lhe parecia confortável, familiar e tranquila. E talvez seja assim que muitas tradições sobrevivem: não através de discursos grandiosos, mas através da teimosia afetuosa de quem continua a usar o mesmo objeto porque ele já aprendeu a forma da mão. Hoje, bebemos café, chá com leite, bebidas geladas, infusões aromatizadas e líquidos com nomes tão modernos que quase exigem passaporte. Existem copos bonitos de todos os estilos, garrafas térmicas inteligentes, canecas com frases motivacionais e recipientes que prometem transformar a hidratação numa experiência de personalidade. Apesar disso, a pequena chávena tradicional nunca foi definitivamente guardada no armário da minha família. Sempre que regresso a casa dos meus pais, a minha mãe serve-me chá numa chávena semelhante, como se esse gesto bastasse para restituir, por instantes, a ordem íntima do regresso. Não sei explicar inteiramente por que razão ela me transmite tanta serenidade. A chávena não é particularmente bonita, não possui decoração preciosa e, por vezes, continua a ser quente demais para segurar com dignidade. Ainda assim, quando a tenho nas mãos, lembro-me do meu pai a beber chá em silêncio, da minha avó a corrigir a forma de servir, do meu avô a reconhecer a velha porcelana, das tardes lentas, dos pequenos conflitos apaziguados, dos regressos a casa e dessa continuidade discreta que a vida familiar constrói sem pedir aplauso. Para mim, a chávena não é um símbolo grandioso. Não precisa de o ser. A sua grandeza está precisamente na modéstia com que acolhe o quotidiano. É casa, família, gesto, temperatura, espera, memória e educação sensível. É uma pequena peça de porcelana branca onde cabem a história do chá chinês e a história privada de uma família. E talvez os objectos verdadeiramente importantes sejam assim: parecem pequenos porque não precisam de se exibir; permanecem connosco porque aprenderam, em silêncio, a guardar aquilo que somos.
Hoje Macau SociedadeGripe | Residente de 73 anos luta pela vida Um residente de 73 anos está internado em estado grave, depois de ter sido diagnosticado com gripe do tipo A. A informação foi divulgada ontem pelos Serviços de Saúde (SS). Segundo a informação oficial, o internado tem “antecedentes de doenças crónicas” e, no domingo, “começou a apresentar sintomas de febre, tosse, corrimento nasal e mialgia generalizada”. No primeiro dia em que apresentou os sintomas, o homem tomou medicação e ficou em casa. No entanto, na segunda-feira, depois de sentir falta de ar, foi à urgência do Hospital Kiang Wu. Foi na instituição médica que o idoso “sofreu uma perda de consciência repentina” e entrou em “paragem cardiorrespiratória”. “Necessitou de ventilação mecânica e foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos, onde se encontra actualmente em estado grave”, foi acrescentado. Segundo os SS, o homem tinha sido vacinado contra a gripe sazonal. Centro Médico | Realizada primeira operação de urgência O Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital revelou ontem que se realizou, no passado dia 21 deste mês, a primeira operação de urgência a um turista da China que teve uma paragem cardiorespiratória. Segundo um comunicado da unidade hospitalar, a equipa de cirurgia realizou com sucesso a primeira operação urgente de intervenção coronária percutânea, desobstruindo um vaso sanguíneo bloqueado. O doente foi depois transferido para a unidade de cuidados intensivos, estando neste momento estável. No mesmo comunicado, é referido que o doente já tinha um historial de doença cardíaca, tendo tido anteriormente um enfarte do miocárdio. No caso do episódio ocorrido em Macau, o homem desmaiou e foi depois levado ao hospital chegando à urgência em estado crítico.