Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Número de visitantes subiu 6% para 4,5 milhões em Agosto Macau recebeu em Agosto quase 4,5 milhões de visitantes, uma subida homóloga de 6,1 por cento, apesar da queda de quase 10 por cento dos turistas internacionais. Em oito meses, entraram no território quase 29 milhões de visitantes, mais 7,7 por cento face ao mesmo período de 2025 Macau ficou a escassos 22 mil visitantes de atingir o registo de 4,5 milhões entradas de turistas em Agosto, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sexta-feira. O número de turistas no mês passado foi 6,1 por cento superior a Agosto do ano passado. Entre os visitantes que se deslocaram a Macau em Agosto, mais de metade (quase 2,9 milhões) eram excursionistas, o que representa um aumento de 11,7 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Já o número de turistas (1,63 milhões) registou uma queda de 2,4 por cento em Agosto, em termos anuais, acrescenta a nota. A maioria dos visitantes (perto de 3,6 milhões) era proveniente da China continental, mais 9,3 por cento, sendo que 643,4 mil chegaram de Hong Kong, uma descida de 5,6 por cento, e 101,3 mil de Taiwan, mais 13,7 por cento, em comparação com o mesmo período de 2025. Os visitantes internacionais (item que exclui o Interior da China, Hong Kong e Taiwan), refere ainda a nota da DSEC, totalizaram em Agosto 171,7 mil, o que representa uma queda de 9,8 por cento, em termos homólogos. Visto à lupa Nos mercados do Sudeste Asiático, a Malásia foi a excepção à regra, com o aumento de 2,1 por cento de entradas no mês em análise, para um total de 8.161 turistas. Já Filipinas registaram uma quebra anual de 18,5 por cento para quase 31.300 pessoas, enquanto as entradas de turistas vindos da Indonésia decresceram 16,9 por cento face a Agosto de 2025, para um total de 11,1 mil. Quanto ao Sul da Ásia, o número de entradas de visitantes da Índia (6.430) baixou 17,6 por cento, em relação a Agosto do ano anterior. A tendência de quebra alastrou-se aos mercados do Nordeste Asiático, com o número de entradas de visitantes da República da Coreia (30.738) e o do Japão (11.464) a caírem 12,6 e 31,1 por cento, respectivamente. No agregado dos primeiros oito meses de 2026, porém, entraram no território quase 29 milhões de visitantes, ou seja, mais 7,7 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. No total, o aumento de visitantes entre Janeiro e Agosto ficou a dever-se ao número de excursionistas que subiu 13,6 por cento em termos anuais (17,85 milhões), enquanto o número de turistas individuais permaneceu quase igual (quebra de 0,6 por cento para 11,1 milhões). Já os visitantes internacionais totalizaram 1,77 milhões nos primeiros oito meses do ano, representando um crescimento de 3,4 por cento em relação ao mesmo período de 2025.
Hoje Macau PolíticaCooperação | Chefe do Executivo reuniu com dirigente de Hebei O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu, na última quarta-feira, com Zhang Guohua, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da província de Hebei, e também director do Comité Administrativo da Nova Área de Xiong’an. Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai referiu que Macau pode “aprofundar ainda mais o intercâmbio” com esta zona apontando à “cooperação pragmática na formação e atracção de quadros qualificados e para o desenvolvimento da indústria da medicina tradicional chinesa”. Por sua vez, Zhang Guohua destacou que a província de Hebei “está a promover, de forma pró-activa, o ajustamento da estrutura industrial”, a fim de “tirar pleno proveito do posicionamento da Nova Área de Xiong’an, para que se desenvolva como pólo de inovação”. O dirigente disse que a visita a Macau serve para “definir a direcção para uma cooperação aprofundada no futuro”, a fim de se impulsionar “o desenvolvimento de diversificação da economia de ambas as regiões”. Zhang Guohua destacou que, nos últimos anos, a Nova Área de Xiong’an tem apostado na “inovação científica e tecnológica, desenvolvendo indústrias como Internet por satélite, economia digital e inteligência artificial, investigação e desenvolvimento de novos materiais”, procurando também “atrair quadros qualificados em Pequim e Tianjin”.
Hoje Macau Manchete PolíticaIA | PJ preocupada com possível ameaça à segurança nacional O director da Polícia Judiciária alertou para os riscos da cibercriminalidade e para os métodos criminosos que são cada vez “mais inteligentes e automatizados”. A segurança nacional continua a ser a principal preocupação das autoridades em Macau O director da Polícia Judiciária (PJ), Sit Chong Meng, manifestou preocupação com o facto de o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) poder ameaçar a ordem social e a segurança nacional. Os riscos colocados “pela IA e pela ‘big data'” não só “ameaçam a ordem social e o interesse público, como representam uma ameaça directa à segurança nacional no seu todo”, afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, na sexta-feira, na cerimónia de abertura da Semana Nacional de Sensibilização para a Cibersegurança. Sit reconheceu que as tecnologias emergentes “têm proporcionado um impulso poderoso” à inovação na governação, à modernização industrial e aos serviços públicos, “mas, ao mesmo tempo, deram origem a novos desafios de cibersegurança”. “A cibercriminalidade continua a grassar e o rápido desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial levou a que os métodos criminosos se tornem cada vez mais inteligentes e automatizados”, acrescentou. O responsável sublinhou que os hackers estão a realizar ataques a “um ritmo sem precedentes” – com “métodos cada vez mais dissimulados” – que as novas formas de fraude são cada vez mais enganadoras e que a gravidade do roubo de dados e dos ciberataques “aumentou significativamente”. “Estes riscos e desafios servem de alerta constante de que temos de fazer avançar a governação da segurança a par do desenvolvimento tecnológico, por forma a garantir que a tecnologia é utilizada para o bem e que o progresso tecnológico beneficia a sociedade”, defendeu. Panorama mais exigente Perante um cenário de cibersegurança e de segurança tecnológica “cada vez mais exigente”, o responsável sugeriu que a sociedade tem de reforçar a cooperação – “agora mais do que nunca” – para melhorar as defesas de cibersegurança e a protecção contra riscos e ameaças, como a fraude online, os ciberataques e as violações de dados. Sit citou o Presidente Xi Jinping, afirmando que a salvaguarda da cibersegurança requer “cooperação reforçada”, “aprendizagem mútua”, “investigação e desenvolvimento conjuntos” e “benefícios mútuos e resultados vantajosos para todas as partes”. O dirigente chinês vai visitar os Estados Unidos esta semana, e a administração norte-americana está a ponderar reunir os líderes das principais empresas de IA, informou a cadeia televisiva CNN.
Hoje Macau PolíticaPatriotismo | 300 alunos e docentes em Pequim Uma delegação de 300 alunos e professores de Macau está em Pequim para participar numa actividade de “saudação à Bandeira Nacional” que termina amanhã, dia 22. O evento, com o nome oficial de “Actividade de Visita a Pequim de Representantes das Equipas de Hasteamento da Bandeira dos Jovens de Hong Kong e Macau – ‘Saudação à Bandeira Nacional'”, começou na sexta-feira e tem por objectivo “cultivar o sentimento de amor à Pátria nos jovens de Macau e aprofundar a educação patriótica”. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), “docentes e estudantes de Hong Kong e Macau participam em diversas actividades práticas de estudo sobre história, cultura, inovação tecnológica e desenvolvimento coordenado entre Pequim, Tianjin e Hebei”. A DSEDJ realizou ainda acções de formação nos dias 12 e 16 de Setembro sobre “conhecimentos jurídicos, o significado simbólico e o protocolo associados à Bandeira, ao Hino e ao Emblema Nacionais”. O director da DSEDJ, Kong Chi Meng, declarou, segundo o jornal Wenwei, de Hong Kong, que esta visita constituiu uma boa aprendizagem prática para os alunos aprenderem mais sobre o hino, bandeira nacional e emblema nacional fora das aulas. O responsável afirmou ainda que o Governo vai continuar a organizar mais viagens para que os estudantes de Macau possam conhecer diferentes cidades do país e saber mais sobre a China.
Hoje Macau PolíticaJogos Asiáticos | Sam Hou Fai felicita atletas de Macau medalhados O Chefe do Executivo felicitou ontem os atletas de artes marciais da delegação desportiva da RAEM pela conquista de uma medalha de ouro e outra de prata na 20.ª edição dos Jogos Asiáticos, que decorrem na cidade de Nagoya da prefeitura de Aichi, no Japão. “É com grande alegria que congratulamos os atletas de artes marciais, Kuong Chi Hin e Song Chi Kuan, pela conquista das primeiras medalhas para a RAEM, uma de ouro e outra de prata, respectivamente, na modalidade masculina de Changquan (Long Fist), na 20.ª edição dos Jogos Asiáticos”, indicou Sam Hou Fai. O governante destacou a “determinação e espírito de iniciativa” dos atletas, que “honraram o nome da RAEM”, ao enfrentarem adversários de grande nível. “Em nome do Governo da RAEM e de toda a população de Macau, endereço as mais calorosas felicitações à delegação desportiva de Macau, China, e aos dois atletas. Deixo também os mais sinceros votos de sucesso a todos os atletas que continuam a competir e a lutar por bons resultados nas mais diversas modalidades desta edição dos Jogos Asiáticos”, acrescentou o Chefe do Executivo. A competição, em que entraram 45 países e regiões da Ásia, termina no próximo dia 4 de Outubro. A delegação de Macau é composta por 85 atletas que competem em 15 modalidades.
Hoje Macau Manchete PolíticaTJB | Concluída audiência do processo em que Au Kam San é arguido O Tribunal Judicial de Base anunciou na sexta-feira a conclusão da audiência do processo contra o ex-deputado Au Kam San, e que irá “designar a data da leitura do acórdão”, dois dias depois do início do julgamento O anúncio breve através de um comunicado do Tribunal Judicial de Base (TJB) acontece dois dias após o início do julgamento do primeiro processo relativo à segurança do Estado em Macau. “O Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base terminou, no dia 18 de Setembro, a audiência de julgamento do processo relativo à segurança do Estado relacionado com o arguido Au Kam San e irá designar uma data para a leitura do acórdão”, informa o tribunal, deixando claro que a produção de prova, testemunhal e outra, defesa e alegações finais foram já deixadas para atrás, restando apenas o acórdão e respectiva sentença enquanto último acto de tramitação processual. O julgamento do cidadão português começou na quarta-feira da semana passada à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão. Vários agentes da polícia foram mobilizados para o exterior do TJB, onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa. “A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indicou o TJB. 25 anos Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB. Pelo crime de subversão contra o poder político do Estado, Au Kam San arrisca uma pena que pode chegar aos 25 anos de prisão. O antigo deputado foi detido em 30 de Julho de 2025 em Macau e ficou desde esse dia em prisão preventiva.
Hoje Macau DesportoTénis de mesa | Macau recebe primeira edição do Mundial de pares Macau irá receber, em Abril de 2027, a primeira edição do Mundial de pares em ténis de mesa, categoria que irá regressar aos Jogos Olímpicos, anunciou ontem o órgão máximo do desporto. Num comunicado, a Federação Internacional de Ténis de Mesa (IITF, na sigla em inglês) disse que a região chinesa foi “a escolha natural”, por ser “um anfitrião com provas dadas e um registo que fala por si”. A IITF recordou que há três anos consecutivos que Macau acolhe a Taça do Mundo, competição que reúne 48 dos melhores atletas individuais, masculinos e femininos, da modalidade. A última edição, que decorreu em Abril, foi dominada pela China, com títulos para os favoritos Wang Chuqin (homens) e Sun Yingsha (mulheres), ambos líderes do ranking e campeões mundiais. A categoria de pares “precisava de um palco próprio, um local onde pudesse formar os seus próprios campeões e rivalidades antes dos Jogos” Olímpicos, sublinhou a IITF. A federação recordou que as provas de duplas masculinas, femininas vão regressar ao programa olímpico em Los Angeles 2028, enquanto os pares mistos vão fazer a estreia olímpica. Em Macau, “os pares masculinos, femininos e mistos vão partilhar pela primeira vez o palco de um Mundial, numa altura em que a categoria regressa ao programa olímpico”, sublinhou a presidente da ITTF, Petra Sorling. “Ao aproveitarmos o impulso do nosso ano do centenário, aguardo com entusiasmo o que 2027 reservará para o nosso desporto”, acrescentou Sorling, que é também membro do Comité Olímpico Internacional.
Hoje Macau China / ÁsiaSegurança | Timor-Leste quer reforçar cooperação com a China O Governo timorense pretende reforçar com a China a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância das fronteiras e a preparação da presidência timorense da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A pretensão timorense foi transmitida às autoridades chinesas a semana passada durante a visita do ministro do Interior à China para participar no Fórum de Cooperação Global em Segurança Pública. No âmbito daquela visita, o ministro do Interior “manteve encontros com responsáveis chineses para reforçar a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância de fronteiras e preparação de Timor-Leste para a Presidência da ASEAN em 2029”, pode ler-se numa informação divulgada quarta-feira na página oficial do Governo. Durante um encontro com o vice-ministro executivo da Segurança Pública da China, Qi Yanjun, foi analisada a “cooperação bilateral no domínio da segurança, incluindo o apoio ao desenvolvimento das capacidades da Polícia Nacional de Timor-Leste e a partilha de conhecimentos e experiências para a preparação das operações de segurança associadas à presidência timorense da ASEAN, em 2029”. “O encontro abordou também a cooperação entre as autoridades dos dois países no combate à criminalidade transnacional e aos esquemas de fraude financeira e cibernética”, salienta a informação do Governo. Naquele âmbito, foi igualmente discutida a “cooperação para a repatriação de cidadãos chineses envolvidos em atividades ilícitas de centros de fraude em Timor-Leste, após o cumprimento dos procedimentos judiciais”. O ministro do Interior deverá deslocar-se à China entre 29 e 30 deste mês para participar no Fórum Internacional de Cooperação Policial em ‘Big Data’ entre a China e a ASEAN, que vai debater a cooperação internacional no combate à fraude, crimes relacionados com telecomunicações e burlas financeiras digitais.
Hoje Macau VozesUma transição e uma oportunidade para o desporto Por Manuel Silvério Não tinha intenção de comentar esta nomeação. Tratando-se de uma solução temporária, inserida num processo de reorganização já anunciado, pareceu-me inicialmente mais prudente aguardar pelo Regulamento Administrativo que irá definir a futura estrutura. Perante algumas das reacções que, entretanto, surgiram, porém, talvez seja útil recordar determinados elementos que podem ter passado despercebidos e que ajudam a compreender melhor o momento que estamos a atravessar. A fusão do Instituto Cultural, do Instituto do Desporto e do Fundo de Desenvolvimento da Cultura não surgiu agora. Foi anunciada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, quando apresentou, em 18 de Novembro de 2025, as Linhas de Acção Governativa para 2026, no quadro de uma reforma mais ampla da Administração Pública destinada, segundo o Governo, a reforçar a coordenação e elevar a eficiência da governação. É, portanto, dentro desse processo já programado que deve ser entendida a decisão de designar a Arq.ª Leong Wai Man para exercer temporariamente, em regime de substituição e em acumulação com a presidência do Instituto Cultural, as funções de presidente do Instituto do Desporto, entre 20 de Setembro e 31 de Outubro. São 42 dias. E esta duração não parece ser um pormenor. Várias comissões de serviço de dirigentes e chefias do Instituto do Desporto terminam precisamente em 31 de Outubro, incluindo a vice-presidência, o Departamento de Desenvolvimento Desportivo e a Divisão de Apoio ao Associativismo Desportivo. A conjugação destas datas sugere um calendário administrativo articulado com a reorganização em curso. Estes 42 dias podem, assim, ser compreendidos como um período de preparação e transição para a nova estrutura, cuja configuração definitiva só conheceremos quando for publicado o respectivo Regulamento Administrativo. É também por isso que me parece excessivamente redutor centrar toda a discussão em saber se a pessoa escolhida “é ou não do desporto”. No caso de Macau, sobretudo, não considero que a proveniência do meio desportivo deva constituir o critério decisivo para dirigir a Administração do desporto. Conhecer o sector é importante; dispor de profissionais tecnicamente competentes dentro da estrutura é indispensável. Mas dirigir uma organização pública exige algo diferente e mais amplo: capacidade de gestão, liderança, coordenação, decisão e, cada vez mais, uma visão regional e internacional. Macau é uma cidade pequena, mas o seu desporto não pode pensar pequeno. Os grandes eventos, a formação de atletas e jovens, as relações com federações internacionais, a cooperação com o Interior da China e a Grande Baía, a utilização das instalações, o turismo desportivo, a captação de competições e o desenvolvimento das associações exigem hoje capacidade para trabalhar muito para além das fronteiras de um único sector. Um bom dirigente não precisa de substituir os especialistas. Precisa de saber ouvi-los, coordená-los e criar condições para que o conhecimento técnico se transforme em políticas, decisões e resultados. Neste contexto, também convém conhecer melhor o percurso da Arq.ª Leong Wai Man antes de reduzir a avaliação da sua nomeação à ausência de uma carreira no desporto. Entrou no Instituto Cultural em 2009 e desenvolveu grande parte do seu percurso na área do património cultural, onde exerceu funções de chefia, antes de assumir a vice-presidência e, posteriormente, em 2022, a presidência do Instituto Cultural. Ao longo destes anos, esteve envolvida numa estrutura responsável por matérias particularmente complexas: conservação e gestão do património, revitalização urbana, grandes manifestações culturais e cooperação regional e internacional. A Arq.ª Leong Wai Man tem também presidido, em substituição, ao Conselho do Património Cultural, que acompanha matérias como o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico, trabalhos de restauro e património cultural intangível. A dimensão internacional tornou-se igualmente mais visível. Macau assumiu em 2025 o programa “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, plataforma de cooperação cultural entre China, Japão e República da Coreia, cuja preparação e execução envolveram coordenação local e intercâmbio regional. O Instituto Cultural organizou também fóruns internacionais, incluindo o Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda, com participação de instituições e especialistas de diferentes geografias. Nada disto significa que estes resultados devam ser atribuídos individualmente à presidente de um organismo que dispõe naturalmente de equipas próprias e trabalha sob tutela governamental. Significa que existe uma experiência acumulada de gestão de projectos, coordenação institucional, património, grandes actividades e relações externas que também deve ser considerada quando se procura compreender a opção feita para estes 42 dias. Importa, porém, distinguir duas questões. Uma é assegurar uma transição administrativa durante pouco mais de um mês. Outra será definir quem e como deverá conduzir, no novo organismo, o desenvolvimento do desporto de Macau nos próximos anos. É nessa segunda questão que deposito maior atenção. Espero sinceramente que esta reorganização possa abrir melhores perspectivas para o desporto de Macau — para os nossos jovens, para os atletas e associações e também para todos aqueles que, com experiência, contactos, ideias e vontade de trabalhar, procuram contribuir para o seu desenvolvimento. A capacidade de acolher e avaliar propostas desportivas de dimensão internacional merece também atenção nesta reorganização. Não basta haver boas ideias, parceiros interessados ou disponibilidade externa. É igualmente necessária, do lado de Macau, capacidade para receber uma proposta, avaliá-la, dialogar sobre ela e tomar uma decisão em tempo útil. Naturalmente, nem todas as iniciativas podem ou devem ser aceites. A Administração tem a obrigação de avaliar o interesse público, a viabilidade, os custos, os riscos e as condições de concretização de cada proposta. Mas entre aceitar e recusar existe algo fundamental: analisar, dialogar, explicar e responder. É também isso que espero da futura estrutura. Os procedimentos administrativos são necessários. O rigor também. O que importa evitar é que complexidades burocráticas desnecessárias, insuficiente coordenação ou capacidade técnica, falta de transparência, ausência de diálogo ou respostas que tardam — e por vezes simplesmente não chegam — acabem por afastar pessoas e projectos que poderiam contribuir para Macau. Quem apresenta uma proposta séria não adquire, por esse facto, o direito de a ver aprovada. Deve, porém, poder saber com quem falar, quais são as regras, que condições devem ser preenchidas, se a proposta é viável e, no final, receber uma resposta clara dentro de um prazo razoável. Isso também é boa Administração. Talvez seja precisamente aqui que reside uma das maiores oportunidades desta fusão: criar uma estrutura mais capaz de cruzar cultura, desporto, grandes eventos, juventude, turismo e relações externas, preservando simultaneamente o conhecimento técnico específico de cada área. A mudança deverá traduzir-se na forma de trabalhar e nos resultados que conseguir alcançar. Para o desporto, isso exigirá bons técnicos. Mas exigirá igualmente bons gestores, capacidade de decisão e uma visão que ultrapasse Macau e saiba olhar para a Grande Baía, para o País e para o mundo. Os 42 dias são apenas uma transição. O que verdadeiramente importa começa depois. Aguardemos o Regulamento Administrativo, com a esperança de que a nova etapa traga, pelo desporto, pelos jovens e por Macau, melhores condições para quem quer contribuir. Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional (Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)
Hoje Macau EventosFRC | Músico Zé Eduardo actua amanhã à noite A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 21h, o concerto de Zé Eduardo, conhecido músico de jazz português que há muito mantém colaborações com Macau. O “Zé Eduardo Jazz Workshop Presentation Concert” é, portanto, resultado de uma das muitas sessões formativas que o músico tem levado a cabo com talentos locais. Numa entrevista de 2023 com o HM, Zé Eduardo falou do trabalho feito com a Associação de Promoção do Jazz de Macau. “Há dez anos começaram a ter aulas comigo e agora os que foram meus alunos já dão aulas. Notei que os alunos que participaram agora neste workshop são muito melhores do que aqueles que encontrei até aos anos da pandemia. Nestes anos treinaram os alunos de base, os iniciados. Agora há um nível de entrada [na carreira musical] que não é nada mau, e foi isso que me surpreendeu pela positiva”, referiu, falando da evolução da aprendizagem dos músicos locais na área do jazz.
Hoje Macau China / ÁsiaBrasil | China pede reforço da coordenação entre os dois países O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ontem, numa reunião em Pequim com Celso Amorim, assessor especial do Presidente brasileiro, Lula da Silva, que China e Brasil devem “reforçar a comunicação estratégica” e “aprofundar a cooperação”. Wang transmitiu a Amorim uma saudação do Presidente chinês, Xi Jinping, a Lula da Silva e afirmou que as relações entre China e Brasil avançaram nos últimos anos, segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disponível para trabalhar com o Brasil para “consolidar a confiança mútua estratégica” e “promover a cooperação em diferentes áreas”, destacando a importância de os dois países manterem a coordenação em questões internacionais. Wang afirmou que China e Brasil devem cooperar para “melhorar o sistema de governação global” e contribuir para a estabilidade num cenário internacional marcado por mudanças e desafios, segundo a nota oficial. China e Brasil devem “liderar o Sul Global rumo à unidade e à autossuficiência”, afirmou Wang. Amorim defendeu que o Brasil atribui “grande importância” às relações com a China e está disponível para “aprofundar a cooperação em diversas áreas” com o país asiático, segundo o comunicado chinês. “Na actual situação internacional complexa e volátil, as relações entre Brasil e China transcendem o âmbito bilateral e assumem uma importância cada vez maior”, afirmou o assessor presidencial brasileiro. A China e o Brasil intensificaram os contactos diplomáticos e económicos nos últimos meses, num contexto marcado pelas tensões comerciais entre Brasília e Washington. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um recorde de 171 mil milhões de dólares. O Brasil foi ainda o principal destino do investimento chinês em 2025, com 6,1 mil milhões de dólares.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA | Ponderado encontro sobre IA durante visita presidencial Washington prepara-se para receber a visita do Presidente chinês na próxima semana. Na agenda, poderá estar um encontro com líderes tecnológicos como o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang A administração norte-americana está a ponderar reunir líderes das principais empresas de inteligência artificial (IA) durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, na próxima semana, informou ontem a cadeia televisiva CNN. Responsáveis da administração de Donald Trump estão a discutir a logística de um eventual encontro sobre o futuro da IA e os riscos associados à tecnologia, embora nada tenha ainda sido fechado ou agendado, disseram à estação norte-americana fontes conhecedoras dos preparativos. Não está claro se Trump participará no encontro, caso este se realize, enquanto Xi não deverá, à partida, estar presente, detalhou a CNN. “A administração mantém contactos regulares com os laboratórios de IA mais avançados e continuará a trabalhar com a indústria tecnológica para consolidar o domínio dos Estados Unidos na IA, mantendo simultaneamente os norte-americanos seguros”, afirmou à CNN um responsável da administração Trump. Entre os líderes tecnológicos que deverão deslocar-se a Washington para a visita de Estado de Xi estão o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang. Ambos deverão participar no jantar de Estado oferecido por Trump ao líder chinês e poderão estar presentes na eventual reunião sobre IA, segundo as fontes citadas pela CNN. Debate aceso A preparação do eventual encontro ocorre num momento de debate nos Estados Unidos sobre os riscos colocados pelo rápido desenvolvimento da IA e sobre até que ponto Washington deve impor limites a uma tecnologia considerada central na competição com a China. Altman, o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, e Elon Musk, da xAI, têm manifestado publicamente preocupação com os perigos associados ao desenvolvimento da tecnologia sem mecanismos de controlo. Trump rejeitou, no entanto, estes alertas e argumentou que limitar o desenvolvimento da IA poderia favorecer a China. “A IA assumir o controlo do mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas más é uma farsa”, escreveu o Presidente norte-americano na segunda-feira nas redes sociais, classificando os apelos a maiores salvaguardas como parte de uma “conspiração doentia”. Trump voltou ao tema no mesmo dia durante uma conversa telefónica com Huang, quando o presidente executivo da Nvidia participava numa conferência em Los Angeles. “Os robôs não vão assumir o controlo. A IA não vai assumir o controlo do resto do mundo. Tudo isto é uma farsa”, afirmou Trump, depois de Huang ter colocado a chamada em alta-voz perante a audiência. A realização de uma reunião sobre IA durante a visita de Xi colocaria em evidência uma das principais áreas de competição estratégica entre Washington e Pequim, numa altura em que os dois países procuram reforçar a capacidade tecnológica própria. Desbravar caminho Alguns responsáveis norte-americanos esperam, contudo, que os contactos possam abrir caminho a algum tipo de entendimento entre as duas maiores potências sobre o desenvolvimento seguro da tecnologia, segundo a CNN. Altman defendeu na semana passada, em declarações à revista Fortune, que um acordo entre Trump e Xi sobre IA teria uma importância histórica. “Mesmo que apenas os Estados Unidos e a China conseguissem chegar a acordo sobre algumas normas comuns e testes para o desenvolvimento desta tecnologia, penso que seria uma conquista extraordinária que ambos poderiam alcançar”, afirmou. Xi tem previsto deslocar-se a Washington na próxima semana para uma visita de Estado.
Hoje Macau SociedadeCrimes | Onze detidos por contratações falsas de não residentes O dono e o gerente de uma empresa de administração de propriedades, ambos residentes locais, foram detidos por alegadamente terem criado um esquema para vender quotas para a contratação de trabalhadores não residentes. O caso foi apresentado pela Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa, havendo 11 detidos. Segundo a polícia, em colaboração com outras duas pessoas da mesma empresa, o esquema permitiu ganhos indevidos de 1 milhão de renminbis. As quotas de trabalhadores não residentes eram pedidas pela empresa, que depois as vendia a pessoas do Interior para virem para o território exercer trabalhos por conta própria. Os dois colaboradores, naturais do Interior, foram detidos, assim como sete falsos trabalhadores não residentes. As investigações que levaram às detenções apresentadas ontem começaram em Maio deste ano, quando foi detectado o primeiro caso de falso emprego ligado à empresa no centro do caso. As autoridades começaram a investigar mais a fundo a sociedade, e verificaram que os horários dos trabalhadores não residentes contratados, assim como as horas em que atravessavam as fronteiras, eram incompatíveis com as operações da companhia. Segundo o apurado pelas investigações, cada trabalhador não residente pagava no primeiro ano 45 mil renminbis, com os preços a descerem para 36 mil renminbis por cada ano de renovação do cartão azul. Segundo a PJ, os dois cabecilhas criaram o esquema para lidar com as dificuldades financeiras da empresa, que começaram em 2024. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.
Hoje Macau SociedadeAv. da Amizade | Entupimentos levam a limpeza de esgotos A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) procedeu à limpeza de alguns pontos da rede de esgotos na zona da Avenida da Amizade devido ao entupimento por excesso de gordura. Segundo um comunicado da DSOP, o entupimento deu-se perto da Rua de Cantão e da Rua de Pequim, tendo as autoridades feito o apelo para que os donos de restaurantes cumpram a legislação e assumam “a responsabilidade de manutenção das instalações de retenção de gorduras, evitando o lançamento de gorduras nas redes públicas de esgotos”. Lai Chi Vun | DSOP avança com reparação de esgotos A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) vai iniciar a “reparação urgente” do sistema de esgotos na povoação de Lai Chi Vun, em Coloane, o que obriga ao encerramento do trânsito junto à Estrada de Lai Chi Vun. Segundo uma nota da DSOP, verificou-se que os esgotos pressurizados localizados na sala de bombas nas imediações da Estrada de Lai Chi Vun, entre os números 12 a 16, ficaram danificados. Desta forma decidiu-se iniciar a obra “para resolver o problema da higiene ambiental resultante do refluxo de água de esgotos”, e ainda para “garantir a segurança da circulação de peões e de veículos”. Os trabalhos começaram ontem, quinta-feira 17, e irão durar apenas cinco dias.
Hoje Macau Manchete SociedadeAMCM | Taxa de juro de referência sobe pela primeira vez desde 2023 Os reguladores financeiros de Macau e Hong Kong aprovaram ontem a primeira subida da principal taxa de juro de referência desde 2023, seguindo a Reserva Federal norte-americana. A autoridade monetária de Hong Kong alertou para consideráveis incertezas quanto a futuros custos de financiamento A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aumentou em 0,25 pontos percentuais, para 4,25 por cento a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado. O regulador financeiro da RAEM seguiu assim o aumento anunciado na quarta-feira pela Fed. A AMCM disse que a subida era inevitável, por a pataca estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”. A decisão da AMCM surgiu menos de meia hora depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA. O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano. O director-geral da Autoridade Monetária de Hong Kong, Eddie Yue, ressalvou ontem que existem consideráveis incertezas quanto ao futuro dos custos de financiamento, embora salientando que o rácio de crédito malparado na região vizinha se mantem estável. Vida a crédito Na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu, por unanimidade, aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre 3,75 e 4 por cento, após uma reunião de dois dias. A Fed não aumentava as taxas directoras, que orientam os custos dos empréstimos, desde o Verão de 2023. De acordo com projecções apresentadas pelo presidente da Reserva, Kevin Warsh, será provavelmente necessário proceder a uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano para combater a inflação. A subida da taxa de juro surge numa altura em que o crédito malparado tem vindo a cair em Macau, depois de ter atingido um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas em Junho de 2025. De acordo com dados oficiais da AMCM, os empréstimos vencidos caíram, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, no final de Julho passado. O crédito vencido representava em Julho 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau. Uma percentagem que sobe para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da RAEM. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
Hoje Macau PolíticaID | Francisco Manhão espera transição suave O anterior presidente da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, Francisco Manhão, acredita na competência de Deland Leong Wai Man para dirigir o Instituto do Desporto (ID). A actual presidente do Instituto Cultural (IC) vai acumular as funções até 31 de Outubro, quando se espera que até ao final do ano fique concluída a fusão dos dois institutos. “Ela vai acumular interinamente as funções até 31 de Outubro. E num tão curto espaço de tempo não sei o que vai poder concretizar. Mas acho que ela já mostrou competência como dirigente do Instituto Cultural, pelo que considero que é uma pessoa muito competente”, afirmou Manhão, ao HM. “Acho que nos próximos tempos não vamos assistir a grandes alterações, até porque não há muito tempo. Também acredito que as coisas podem correr bem, porque ela tem uma equipa no Instituto do Desporto com muita experiência”, acrescentou. O ex-dirigente, e actual consultor da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, considerou ainda importante que o Governo actualize os montantes dos subsídios distribuídos, principalmente no que diz respeito ao Torneio da Soberania. O macaense justificou esta posição com o facto de a economia no território atravessar um período difícil, o que acaba por ter impacto no funcionamento das associações locais.
Hoje Macau PolíticaZhongshan | Sam Hou Fai defende serviços transfronteiriços para residentes O Chefe do Executivo recebeu na quarta-feira o presidente do Município de Zhongshan, Yin Nianhong, com quem discutiu assuntos relacionados com turismo, prestação de serviços a residentes da RAEM que moram na cidade vizinha e a partilha das oportunidades suscitadas pelo desenvolvimento de Hengqin. Segundo um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “concordou com a ideia de estabelecer balcões de serviços governamentais transfronteiriços em Zhongshan” para os mais de 30 mil residentes de Macau que residem na cidade. O governante da RAEM sugeriu também a criação de pacotes turísticos multi-destinos com Zhongshan numa “única viagem”, para “ampliar o impacto do desenvolvimento sinergético cultural e turístico entre as duas regiões”. Sam Hou Fai, que nasceu em Zhongshan, defendeu o reforço da complementaridade entre as duas cidades e a capacidade de Hengqin para “atrair projectos tecnológicos de grande escala para Zhongshan”. Por seu turno, Yin Nianhong agradeceu o apoio, de longa data do Governo da RAEM, ao desenvolvimento de Zhongshan e expressou o desejo de reforçar a cooperação com instituições de ensino superior e de investigação científica de Macau.
Hoje Macau PolíticaMIF | Países de língua espanhola participam pela primeira vez A Feira Internacional de Macau (MIF) terá, pela primeira vez, um pavilhão dedicado aos países de língua espanhola, “reforçando o papel da cidade como plataforma” entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, foi ontem anunciado. “O recém-criado Pavilhão da Indústria dos Países de Língua Espanhola vai reunir expositores de 11 países de língua espanhola”, anunciou a organização em comunicado. A feira decorre de 21 a 24 de Outubro no Venetian Macau, numa área de 16.000 metros quadrados, e é organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O objectivo é “reforçar” o papel da plataforma China–Países de língua portuguesa e espanhola, “criar uma plataforma de oportunidades de negócio que ligue mercados externos, como os países de língua portuguesa, os países de língua espanhola e os países da ASEAN, e apoiar as empresas na expansão das suas operações internacionais”, indicou o IPIM. A organização adiantou que a feira terá quatro áreas de exposição centrais. Uma delas é a de Tecnologia, centrada na inovação tecnológica em inteligência artificial e nas oportunidades científicas e tecnológicas da Grande Baía. Outra área é dedicada à Indústria da Saúde, “para ajudar à expansão internacional da indústria da medicina tradicional chinesa e da saúde e à sua integração nos contextos de consumo modernos”. Uma terceira, relativa ao Comércio, Investimento e Cooperação Industrial, será “dedicada a facilitar o encontro de negócios e a expansão nos mercados internacionais”. A feira incluirá ainda uma área centrada nas empresas de Macau, “destinada a promover a melhoria da qualidade e a modernização das empresas de Macau e a expandir oportunidades de negócio tanto no mercado interno como no estrangeiro”, segundo o comunicado.
Hoje Macau Manchete PolíticaEspanha | Secretária reforça ideia de Macau como elo de conexão A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse na abertura do Fórum de Think Tanks que Macau deve ser uma ponte de ligação aos países de língua espanhola. A Fundação Cátedra China propôs a criação da “Rede China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa Abriu ontem a edição deste ano do Fórum de Think Tanks, tendo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendido a estratégia governamental para que Macau seja uma ponte com o mercado da Península Ibérica. A secretária disse que o 3º Plano Quinquenal de Macau, recentemente apresentado, está alinhado com a estratégia de Pequim para expandir a plataforma de Macau além dos países de língua portuguesa, chegando aos países de língua espanhola. A secretária deixou algumas propostas de como esta aproximação pode ser feita, nomeadamente no reforço da investigação académica em áreas como a governação global, o multilateralismo e a aplicação do princípio “um país, dois sistemas”. O Lam fez ainda um apelo para mais acções de intercâmbio de alunos e investigadores de forma a aproximar os territórios, defendendo que Macau vai continuar a usar as línguas como meio de aproximação a Portugal e Espanha, apoiando as iniciativas de política externa da China. Inovar em rede Entretanto, no mesmo Fórum, a presidente da fundação espanhola Cátedra China propôs a criação da “Rede Internacional China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa na governança global. “Vivemos num mundo monolingue e creio que temos de avançar no sentido do pluralismo da Iberofonia”, afirmou à agência Lusa Marta Ana Montoro Carrión. Considerando essencial mudar a visão linguística do mundo “e torná-la muito mais multilateral”, Montoro Carrión notou que o português, o espanhol e o chinês “são línguas muito importantes e devem ser tratadas como tal em todas as novidades relacionadas” com inteligência artificial, nas universidades, nos centros de reflexão e centros de decisão. Na apresentação, Montoro Carrión propôs a criação de “uma Rede internacional China–Iberofonia para o Diálogo entre Civilizações e a Governação Global”. Esta rede, reforçou, “não pretende competir com as diplomacias oficiais, mas sim alimentá-las e multiplicá-las”. A ideia, continuou, passa por impulsionar consórcios académicos “para que o processamento da linguagem natural, as grandes bases de dados e os modelos de inteligência artificial não dependam exclusivamente do inglês”, garantindo que o chinês, o espanhol e o português sejam línguas de primeira linha na produção científica e tecnológica do futuro. A fundação sugere, além disso, que a rede tenha sede em Macau: “Porque até agora esta questão não tem sido abordada como uma questão geopolítica e consideramos que é necessário começar a trabalhar neste sentido”. O Fórum de Think Thanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026 está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações. O evento foi acolhido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | ASEAN e Vietname pedem contenção e regras face a tensões A ASEAN e o Vietname pediram ontem, em Pequim, respeito pelo direito internacional, contenção militar e mecanismos eficazes de gestão de disputas, num contexto de tensões no mar do Sul da China. O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, e o ministro da Defesa vietnamita, Phan Van Giang, intervieram na primeira sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China. Kao afirmou que a estabilidade estratégica não pode assentar apenas no equilíbrio militar, mas exige confiança de que a competição será gerida de forma “responsável”. “A competição entre Estados é uma característica das relações internacionais, não uma anomalia”, afirmou o responsável da ASEAN, que defendeu um diálogo sustentado, respeito pelo direito internacional e mecanismos eficazes para reduzir riscos. Sem mencionar expressamente o mar do Sul da China, Kao sublinhou que o Sudeste Asiático se encontra no centro de grandes correntes estratégicas e económicas, ligado a rotas marítimas vitais, cadeias globais de abastecimento e redes tecnológicas em rápida evolução. Phan referiu-se directamente àquela zona, ao afirmar que o Vietname pretende acelerar a negociação e assinatura de um Código de Conduta para aquelas águas que seja “eficaz, efectivo e viável”. O ministro vietnamita da Defesa defendeu ainda que as disputas no mar do Sul da China sejam resolvidas por meios pacíficos e em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. As declarações surgem num momento de frequentes tensões naquela zona, onde Pequim reivindica soberania sobre a maior parte das águas e países como Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei mantêm reivindicações sobrepostas. Kao defendeu que as grandes potências têm uma “responsabilidade particular”, uma vez que as suas decisões moldam o ambiente estratégico dos restantes países, e apontou como medidas práticas canais fiáveis de comunicação em situações de crise, transparência sobre actividades militares, a notificação prévia de grandes exercícios e uma conduta profissional durante encontros entre forças militares. O secretário-geral da ASEAN sustentou que a ordem regional deve assentar na igualdade soberana, na não ingerência, na resolução pacífica de disputas e na renúncia à ameaça ou ao uso da força. “O Indo-Pacífico deve ser uma região definida pelo diálogo e pela cooperação, não pela rivalidade”, afirmou Kao, que defendeu a “autonomia estratégica” da ASEAN. Na mesma sessão, o ministro da Defesa de Singapura, Chan Chun Sing, alertou para a aceleração da corrida tecnológica em áreas como a inteligência artificial, o espaço e a robótica, salientando que a tecnologia militar “avança todos os dias, não todos os anos”, o que gera “novas incertezas” sobre o equilíbrio de poder.
Hoje Macau EventosPortugal candidata filme “A Memória do Cheiro das Coisas” aos Óscares O filme “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, foi a obra escolhida para representar Portugal na candidatura à nomeação para os Óscares, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema. “A Academia Portuguesa de Cinema felicita António Ferreira, a produtora, toda a equipa artística e técnica e os restantes profissionais envolvidos na realização de ‘A Memória do Cheiro das Coisas’, desejando-lhes o maior sucesso nesta nova etapa do percurso do filme”, pode ler-se no comunicado da academia. O filme esteve em votação nas últimas semanas, entre os membros da academia, a par de “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. O filme de António Ferreira é uma narrativa ficcional que fala de racismo, envelhecimento e traumas de guerra. A história centra-se em Arménio que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra. É em Hermínia, a mulher negra, que Arménio descarrega o preconceito e o racismo, ao mesmo tempo que revive, em pesadelos, o tempo em que combateu na Guerra Colonial em África. Mensagens principais À Lusa, antes da estreia, António Ferreira contou que quis fazer um filme sobre o envelhecimento, esse momento irreversível do fim da vida e ao mesmo tempo falar sobre o que ainda subsiste na sociedade portuguesa décadas depois do fim da guerra nos territórios colonizados. Os militares portugueses “tiveram uma lavagem cerebral para ver o negro como inimigo. Quando a guerra acaba, o país tem uma revolução e ninguém explicou nada a estes homens o que foi aquilo que lhes foi metido na cabeça, nunca ninguém desmontou essas ideias e esses preconceitos que perduram ao longo de décadas”, lamentou António Ferreira. O realizador, nascido em 1970, fez pesquisa junto de ex-combatentes, de psicólogos e inspirou-se na sua experiência pessoal, enquanto filho de um homem que ficou com marcas de guerra. “A Memória do Cheiro das Coisas” é protagonizado por José Martins no papel de Arménio, que tenta pacificar-se com o passado e com o envelhecimento enquanto se confronta com Hermínia, papel interpretado por Mina Andala. O filme valeu a José Martins o prémio de melhor actor no Festival de Cinema de Xangai, na China, e a António Ferreira o de melhor argumento, co-escrito com Tiago Cravidão, no festival de cinema de Tânger, em Marrocos. Co-produzido por Portugal e Brasil, “A Memória do Cheiro das Coisas” chegou aos cinemas portugueses em Novembro do ano passado e é quinta longa-metragem de António Ferreira, juntando-se a “A Bela América” (2023), “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2010) e “Esquece tudo o que te disse” (2002).
Hoje Macau EventosConcertos | Academia de Música da MUST actua em Portugal Os poemas e canções presentes em “O Livro dos Cantares”, que contém muita da cultura da China antiga, estarão em destaque em três espectáculos que a Academia de Música da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau vai dar em Portugal a partir do dia 29 de Setembro Um grupo vai apresentar em Portugal poesia e canções da China antiga, algumas com mais de três mil anos, disse esta terça-feira a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) à Lusa. Um grupo da Academia de Música da MUST vai actuar em Lisboa, Aveiro e Porto entre 29 de Setembro e 3 de Outubro, num espectáculo que tem como base o Livro dos Cantares. Esta é uma antologia compilada a partir de obras de diferentes autores anónimos e é considerada a mais antiga coleção de poemas chineses, com 305 obras que datam dos séculos XI a VII a.C. Mais de metade dos poemas eram provavelmente canções populares originais, que retratam temas como o amor, o casamento, o trabalho e a guerra. Outros incluem poemas judiciais e contos lendários que elogiam os fundadores da dinastia Zhou (1046-256 a.C.). Primeira paragem A MUST afirmou que Portugal foi escolhido como o primeiro destino da etapa internacional como homenagem à Rota Marítima da Seda. O grupo segue depois para a Gran Canaria e Tenerife (Espanha) e, finalmente, para Milão (Itália). A Rota Marítima da Seda foi uma antiga rede de rotas comerciais marítimas que ligava a China ao Sudeste Asiático, à Índia, ao Médio Oriente e à Europa desde o século II a.C., tendo florescido até ao século XV d.C. “Portugal foi o país que inaugurou a Era dos Descobrimentos e serviu como ponto de partida europeu para a extensão para ocidente da Rota Marítima da Seda, enquanto Macau foi o mais importante centro de intercâmbio marítimo entre Portugal e o Oriente durante esse período”, afirmou a MUST, numa resposta escrita. “Ao mesmo tempo, Portugal tem uma longa tradição poética, o que constitui um ponto de convergência natural para um diálogo entre a sua cultura poética e a do Livro dos Cantares”, acrescentou a universidade. A MUST afirmou que o espectáculo vai inspirar-se nas características fonéticas e rítmicas antigas da antologia, procurando “recriar a música de corte do Livro dos Cantares no palco contemporâneo”. “Com a promoção da excelente cultura tradicional chinesa como núcleo espiritual, o concerto mergulha profundamente nos sentimentos humanísticos, ideais morais e universos estéticos embutidos na tradição literária milenar do Livro dos Cantares, destacando a integridade, o carácter e as aspirações espirituais únicos dos literatos chineses”, salientou.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Huawei quer competir com Nvidia nas infraestruturas A chinesa Huawei estabeleceu como objectivo competir com a Nvidia nas infraestruturas para inteligência artificial, recorrendo aos seus próprios chips e sistemas de computação para tentar compensar a desvantagem da China face aos Estados Unidos em capacidade de processamento. Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, afirmou, num encontro com novos funcionários, que desenvolver agentes de IA competitivos a nível mundial representa uma “oportunidade importante” para a empresa. O responsável reconheceu que a China está atrás dos Estados Unidos em capacidade de processamento, embora tenha considerado que o país possui vantagens na aplicação de dados e em cenários industriais e dispõe de uma reserva de talento aproximadamente ao mesmo nível da norte-americana, segundo noticiou ontem o portal económico Yicai. A Huawei procura reduzir esta diferença através dos processadores Ascend e de uma arquitectura que permita agrupar grandes quantidades de chips em sistemas como os SuperPoD, em vez de tentar competir apenas pela capacidade individual de cada semicondutor. Guo mencionou especificamente os Ascend 950 e afirmou que a empresa pretende obter vantagem através de inovações na arquitectura e de grandes aglomerados de computação, visando resolver problemas práticos e melhorar a experiência dos clientes. A estratégia também não passa pelo desenvolvimento de um modelo próprio de IA, mas por fornecer a infraestrutura necessária para executar modelos de diferentes programadores através dos sistemas Ascend, Kunpeng e SuperPoD. Lei da concorrência Guo afirmou ainda que a Huawei “não tem planos para alargar as suas áreas de negócio” e pretende “oferecer opções diversificadas para o desenvolvimento da IA”. A aposta assume particular relevância perante as restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso da China a chips avançados, que levaram Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais. Os processadores Ascend da Huawei tornaram-se um dos principais concorrentes chineses dos processadores da Nvidia. As declarações surgem ainda em pleno debate internacional sobre a IA, depois de responsáveis como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, ou Elon Musk, da xAI, terem defendido nos últimos dias um abrandamento do desenvolvimento desta tecnologia por razões de segurança, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou essa possibilidade, considerando que poderia favorecer a China na corrida tecnológica. O debate voltou a colocar a competição entre Pequim e Washington no centro da discussão sobre o futuro da IA, tanto em relação à liderança tecnológica como à possibilidade de estabelecer mecanismos comuns para controlar os riscos associados à tecnologia.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | Pequim diz estar pronto para defender “interesses legítimos” de Teerão A China está disponível para defender os “interesses legítimos” do Irão no contexto do conflito no Médio Oriente e pediu ontem a Teerão e Washington que actuem com “racionalidade” e “contenção”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês. “A China e o Irão estão ligados por uma parceria estratégica abrangente. A China está disponível para reforçar o diálogo e a cooperação com o Irão e defender eficazmente os seus direitos e interesses legítimos”, disse Wang Yi, citado num comunicado do ministério. O chefe da diplomacia chinesa reuniu-se em Pequim com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, pouco antes de uma visita prevista do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, no final de Setembro, durante a qual deverá reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump. O conflito no Médio Oriente deverá estar entre os temas em discussão. A China é um dos principais parceiros económicos do Irão, ao qual compra grande parte do petróleo exportado pelo país, e um importante aliado diplomático de Teerão. “Encorajamos o Irão e os Estados Unidos a agirem de forma racional e a mostrarem contenção”, a regressarem rapidamente ao memorando de entendimento alcançado em Junho sob mediação do Paquistão e a “reestruturarem os mecanismos de negociação”, afirmou Wang. “Não queremos ver as tensões regionais alastrarem ao Iémen e ao mar Vermelho”, acrescentou. O Iémen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em Julho para o conflito desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, iniciada no final de Fevereiro. No início de Setembro, os rebeldes houthis lançaram uma grande ofensiva e apoderaram-se de toda a costa iemenita voltada para o mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.