Hoje Macau China / ÁsiaChina | Inflação a supera previsões dos analistas e passa para 1,2% em Abril O Índice de Preços no Consumidor (IPC), o principal indicador de inflação da China, subiu 1,2 por cento em Abril face ao período homólogo, mais 0,2 pontos percentuais em relação a Março, foi ontem anunciado. Os dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês) contrariam as expectativas dos analistas, que previam uma queda, do valor de 1 por cento registado em Março, para 0,8 por cento. A instituição atribuiu a tendência principalmente ao impacto dos preços internacionais do crude e ao aumento da procura devido às viagens de férias, num mês que incluiu um feriado prolongado de três dias pelo Dia dos Finados chinês e os dias que antecederam o feriado de cinco dias que começou a 1 de Maio, o Dia do Trabalhador. O especialista do NBS Dong Lijuan observou que os preços da energia subiram 5,7 por cento em relação ao mês anterior, com um aumento notável de 12,6 por cento na gasolina, no meio do aumento dos custos dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passam aproximadamente 45 por cento das importações de gás e petróleo da China. Dong salientou ainda que os serviços de transporte e turismo, impulsionados pelos feriados referidos, registaram aumentos mensais nas passagens aéreas (mais 29,2 por cento), no aluguer de automóveis (mais 8,6 por cento) e no alojamento em hotéis (mais 3,9 por cento). Em comparação com o ano anterior, os preços dos alimentos caíram 1,6 por cento. As reduções assinaláveis nesta categoria incluíram a carne de porco (menos 15,2 por cento), os legumes frescos (menos 0,5 por cento) e a fruta (menos 1 por cento), estas últimas beneficiando do aumento das temperaturas e do aumento da oferta. Entretanto, os preços das joias de ouro subiram 46,9 por cento em termos homólogos, embora o aumento tenha desacelerado em comparação com o mês anterior. Outras contas A inflação subjacente, que exclui os preços dos alimentos e da energia devido à sua volatilidade, situou-se em 1,2 por cento face ao ano anterior. O NBS divulgou também o Índice de Preços no Produtor (IPP), que mede os preços industriais e apresentou um aumento de 2,8 por cento em Abril na comparação anual, o valor mais elevado desde julho de 2022. Na comparação mensal, o IPP passou de uma queda de 0,7 por cento em março para um aumento de 0,3 por cento no quarto mês do ano, impulsionado pelos “factores internacionais” nos mercados de matérias-primas. Os sectores mais afetados foram a extração de petróleo e gás natural, onde os preços subiram 18,5 por cento face ao mês anterior, e o processamento de combustíveis (mais 16,4 por cento). Dong destacou ainda os aumentos de preços em setores ligados à computação e à electrificação, como o fabrico de fibra óptica (mais 22,5 por cento), devido ao rápido crescimento da procura de poder computacional impulsionado pela ascensão da inteligência artificial (IA). Por fim, o NBS indicou que as medidas aplicadas para optimizar a ordem do mercado e combater a “concorrência irracional” permitiram mudanças positivas em setores como o fabrico de baterias de iões de lítio (mais 1,6 por cento face ao mês anterior) ou os veículos eléctricos e as energias renováveis, onde a descida dos preços abrandou para 0,1 por cento.
Hoje Macau China / ÁsiaChina / EUA | Pequim demonstrou vontade de estabilidade nas relações O presidente norte-americano vai realizar uma visita de Estado à China entre quarta-feira e sexta-feira, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou ontem que quer introduzir mais estabilidade às relações internacionais, durante a cimeira entre os presidentes chinês e o norte-americano, na quarta-feira, em Pequim. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, a República Popular da China “pretende trabalhar” com os Estados Unidos numa base de igualdade e em “espírito de respeito e preocupação com os interesses mútuos”. De acordo com o porta-voz diplomático, a posição de Pequim tem em vista o desenvolvimento da cooperação, gestão das diferenças e criar “mais estabilidade e segurança a um mundo [que está] instável e interdependente”. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai realizar uma visita de Estado à China e que se vai prolongar entre quarta-feira e sexta-feira, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping. A confirmação oficial da deslocação foi divulgada ontem por Pequim, dois dias antes do início da viagem e depois de a Administração norte-americana ter agendado a visita para as datas anunciadas. A viagem vai decorrer após a trégua comercial acordada pelos dois líderes em Outubro, na cidade sul-coreana de Busan. Trata-se da primeira deslocação de um Presidente dos Estados Unidos a Pequim desde a visita de Trump em 2017, durante o primeiro mandato como chefe de Estado. Lado B Por outro lado, China acusou ontem os Estados Unidos de “difamar” outros países “explorando a situação de guerra” no Irão, depois de Washington ter sancionado três empresas chinesas de satélites por alegadamente facilitarem operações militares iranianas. O mesmo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim acrescentou que a República Popular da China “se opõe firmemente” às sanções unilaterais “sem fundamento no direito internacional” e assegurou que Pequim vai defender os “direitos e interesses legítimos” das empresas chinesas. O Departamento de Estado anunciou, na sexta-feira, sanções contra as empresas chinesas Chang Guang Satellite Technology, The Earth Eye e MizarVision, acusadas de fornecer imagens de satélite que alegadamente facilitaram ataques iranianos contra forças norte-americanas no Médio Oriente. Questionado sobre as notícias de que Donald Trump iria pressionar Xi Jinping sobre a posição da China em relação ao Irão durante a visita a Pequim, Guo reiterou que a postura de Pequim “tem sido consistente” e afirmou que a China vai continuar a desempenhar um “papel construtivo” na promoção de um cessar-fogo e no empenho de um quadro negocial. Pressões americanas O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “pressionar” o seu homólogo chinês, Xi Jinping, durante a deslocação à China, prevista para os próximos dias, quando tenta pôr fim à guerra no Irão, afirmou domingo um responsável norte-americano. De acordo com a mesma fonte, citada pela agência francesa AFP, Trump abordou “em múltiplas ocasiões” a questão das receitas que o Irão obtém da China através da venda de hidrocarbonetos, bem como de bens de uso tanto civil como militar. “Espero que esta conversa continue (…). Espero que o Presidente faça pressão”, como tem feito durante as suas últimas conversas com o líder chinês, disse o responsável, que falou aos jornalistas sob anonimato. A questão das recentes sanções adoptadas pelos Estados Unidos contra a China em relação à guerra no Irão também deverá ser abordada, acrescentou. O comércio, os direitos aduaneiros e a Inteligência Artificial também estarão na agenda das discussões desta visita.
Hoje Macau EventosMuseu do Grande Prémio celebra cinco anos de existência É no próximo dia 1 de Junho que o Museu do Grande Prémio de Macau celebra o quinto aniversário com uma série de actividades. Já a celebração do Dia Internacional dos Museus, acontece na próxima segunda-feira, 18 de Maio, com o tema “Museus a unir um mundo dividido”. Para começar, nesse dia o museu terá entrada gratuita, com actividades especiais que decorrem neste fim-de-semana. Uma delas é a leitura da história infantil “Passeio da Mak Mak por Macau – Grande Prémio de Macau”, das 15h às 16h, incluindo a “narração da história, pequenos trabalhos manuais, jogos e sessão de fotografias com a Mak Mak”, destinando-se a crianças com cinco ou mais anos de idade, acompanhadas por um dos pais ou encarregado de educação. Há 15 vagas disponíveis. Por sua vez, a 23 de Maio realizam-se três sessões do workshop “Let’s Glow! – Workshop de Placas de Néon de Corrida”, nos horários das 10h30, 13h30 e 16h. Cada sessão dispõe de 15 vagas para pares (pais/filhos) ou para participantes individuais. Carnaval na rua Também no dia 17, domingo, realiza-se o “Carnaval do Dia Internacional dos Museus de Macau 2026”, entre as 14h e as 18h, na Praça dos Lótus no Bairro da Ilha Verde, sendo que o Museu do Grande Prémio de Macau terá uma banca com o jogo “Pista de Dedo: A Batalha dos Pequenos Pilotos”. Destaque também para a realização, no dia 31 de Maio, de “Senna Lendário – Workshop de Modelo de Madeira de Corrida F3”, a “primeira iniciativa em antecipação do quinto aniversário do museu”. Há três sessões, às 10h30, 13h30 e 16h, sendo que os participantes poderão montar uma maqueta de madeira do carro F3 de Ayrton Senna, um produto que foi premiado nos “Hong Kong Smart Design Awards”. No dia de aniversário, 1 de Junho, será ainda entregue a cada visitante um autocolante com um motivo gráfico para ser afixado num painel interactivo com a silhueta do número “5”, construindo-se uma grande instalação alusiva ao aniversário. Os presentes poderão ainda participar gratuitamente, nas instalações do Museu, no jogo interactivo “Caça ao tesouro com lupa: Aventura para decifrar códigos”, sendo que o prémio principal é um modelo em miniatura do carro campeão Triumph TR2, construído com peças exclusivas MOC (My Own Creation).
Hoje Macau Eventos“Somos” | Moçambicano Hamir da Silva arrecada primeiro prémio de concurso de fotografia Já são conhecidos os vencedores da sétima edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”, que deu o primeiro prémio ao fotógrafo moçambicano Hamir da Silva. Dois portugueses arrecadaram o segundo e terceiro prémio. A mostra com os trabalhos seleccionados pode ser vista nas Casas Museu da Taipa A Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa acaba de divulgar os vencedores da mais recente edição, a sétima, do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”. Esta edição teve como tema “O Hoje do Passado” e voltou a dar o primeiro prémio a Moçambique, nomeadamente ao fotógrafo Hamir da Silva. Segundo um comunicado da associação, este concorreu “com a imagem de um homem a sintonizar a frequência de um rádio antigo, resistente ao tempo, num mundo que corre atrás das novas tecnologias”. A fotografia de Hamir, intitulada “Resiliência da comunicação”, remete “para a intemporalidade de um rádio antigo e duas latas unidas por um fio improvisado, numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”. Por sua vez, “no centro da imagem, um homem sintoniza, pacientemente, a frequência do aparelho que resiste ao tempo”, explica a associação, sendo que “enquanto o mundo corre atrás de novas tecnologias, o senhor Gilbert relembra que o simples pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”. Hamir da Silva recebe dez mil patacas de prémio, bem como uma viagem e estadia em Macau, para participar na cerimónia de inauguração da exposição e em workshops organizados localmente. O segundo prémio foi atribuído a Adão Salgado, de Portugal, e Carlos Júlio Teixeira, também de Portugal, ganhou o terceiro lugar. Ambos apresentaram “fotografias de tradições que perduram até hoje, desde a pesca artesanal- Arte Xávega – ao coro de mulheres durante a festa a São Vicente”. A exposição de fotografia que resulta deste concurso será inaugurada a 29 de Maio, a partir das 18h30, nas Casas Museu da Taipa. Pescas e festas Adão Salgado, que ficou em segundo lugar, ganhando sete mil patacas de prémio, apresentou a concurso a fotografia “O mar como legado vivo”, representando “a técnica secular da pesca tradicional portuguesa – Arte Xávega – que continua a alimentar comunidades e a definir a alma do litoral português”. Trata-se de “um ciclo produtivo pleno de função e propósito: a rede que sobe o areal traz consigo o sustento de agora e a herança de outrora; apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”. Já Carlos Júlio Teixeira recebeu o terceiro prémio, no valor de cinco mil patacas, com a imagem “A fé cantada” tirada no interior de uma igreja, durante a festa devotada a São Vicente. Aqui, “vozes reúnem-se em coro num acto de fé pública, quase ancestral”, tratando-se de “mulheres que cantam, e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo que canta para não esquecer”. Outros prémios A Somos atribuiu ainda três menções honrosas a Carlos Costa (Portugal) com “Varge” tirada em Trás-os-Montes durante as “Festas dos Rapazes”, uma tradição antiga e emblemática da região. Clarice Carvalho (Brasil) ganhou a distinção com “Presente do passado”, imagem que representa “a força da escrita a atravessar o tempo, permanecendo activa não como vestígio, mas como continuidade”. Por sua vez, Marcos Júnior, também de Moçambique e que venceu a edição anterior do concurso, ganhou a menção honrosa com “Crescer entre memórias”, imagem “tirada diante de uma casa onde paredes antigas carregam histórias coloniais”. Representam-se, aqui, “vozes distantes e marcas de uma relação histórica entre Moçambique e Portugal, construída num tempo que não lhes pertence as crianças brincam como se o passado nunca tivesse sido pesado”. Gonçalo Lobo Pinheiro, fotojornalista que presidiu ao júri do concurso e membro da Somos, disse, citado por um comunicado, que este concurso voltou a “ser um sucesso ao nível da participação”, com centenas de fotografias a concurso, provenientes de diversos pontos da esfera lusófona. Um dado que confirma a vitalidade do projecto e o seu alcance internacional, “algo que muito nos orgulha”. Ao nível das obras submetidas destacaram-se propostas muito “consistentes, que justificaram plenamente a selecção final”. Assim, disse, os vencedores, bem como as menções honrosas atribuídas “reflectem a diversidade geográfica e criativa do universo lusófono”. A mostra inclui 34 fotografias além das imagens que arrecadaram os primeiros prémios e menções honrosas. Terá curadoria do arquitecto e fotógrafo, Francisco Ricarte.
Hoje Macau SociedadeContrabando | Detectados 18 casos até 7 de Maio Os Serviços de Alfândega anunciaram que entre 29 de Abril e 7 de Maio detectaram 18 casos de contrabando, que levaram à apreensão de 86 quilos de prata, 87.960 cigarros e 36.400 cigarros electrónicos. Os resultados das várias operações foram divulgados no domingo, e os bens apreendidos foram avaliados em 1,72 milhões de patacas. Entre as 18 pessoas interceptadas na fronteira das Portas do Cerco e no Aeroporto Internacional de Macau, o mais novo tinha 18 anos e o mais velho 79 anos. Em relação aos casos de contrabando de prata, um bem cada vez mais valioso, nove pessoas eram residentes de Macau, três de Hong Kong e três do Interior. Em todos os casos os SA afirmaram que decidiram abordar os suspeitos, por considerarem que mostravam sinais de nervosismo injustificado, quando atravessavam a fronteira. A prata foi encontrada não só dentro dos bolsos dos suspeitos, mas também junto ao corpo, onde estava presa com fita cola e outros métodos. No que diz respeito ao contrabando de tabaco e cigarros electrónicos, todos os três interceptados eram provenientes do Interior, e traziam os produtos dentro das bagagens com que tinham viajado para o Aeroporto Internacional de Macau. As autoridades indicaram que ao entrarem com aqueles produtos não declarados, os suspeitos pouparam cerca de 130 mil patacas em impostos. Os casos foram encaminhados para os Serviços de Saúde, responsáveis pela supervisão de produtos relacionados com tabaco.
Hoje Macau SociedadePJ | Segurança Nacional utilizada para burlas A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um comunicado a alertar que a segurança nacional está a ser utilizada como pretexto para burlar os residentes. Só num caso, levou a perdas de 217 mil patacas. Segundo o comunicado, um residente recebeu um telefonema por parte de burlões que falavam cantonês e se fizeram passar pela PJ. Nessa chamada, os alegados burlões identificaram o cidadão pelo nome completo, ainda antes de este fornecer essa informação, e depois disseram-lhe que estava a ser investigado por violar a lei da segurança nacional, por ter proferido “declarações políticas erradas”. Os burlões transferiram depois o telefonema para um outro burlão que se fez passar pelas autoridades do Interior e que iniciou uma videochamada por WhatsApp como um interrogatório, em que inclusive aparecia com o uniforme da polícia. O residente de Macau não suspeitou da burla, forneceu os seus dados, fez uma transferência bancária como “caução” e acabou burlado em 217 mil patacas.
Hoje Macau PolíticaJogo | Impostos rendem mais de 9 mil milhões Até Abril, os impostos que incidem sobre o jogo renderam aos cofres do território 9,07 mil milhões de patacas, de acordo com os dados mais actualizados da Direcção de Serviços Finanças (DSF). Em comparação com Março, os números mostram um aumento de 2,3 por cento, dado que até esse mês o montante com os impostos do jogo tinha sido de 8,87 mil milhões de patacas. Nos primeiros quatro meses do ano as receitas brutas do jogo atingiram 34,87 mil milhões de patacas, um aumento anual de 16,9 por cento, dado que nos primeiros quatro meses de 2025 o montante tinha sido de 29,84 mil milhões de patacas. Os dados oficiais mostram ainda que o jogo contribuiu com praticamente 86,5 por cento do total das receitas correntes do orçamento, que no final de Abril eram de 40,30 mil milhões de patacas.
Hoje Macau SociedadeAutocarros | Média diária de 673 mil passageiros Durante o primeiro trimestre deste ano, os autocarros públicos transportaram uma média de 673,4 mil passageiros por dia, o que contribuiu para um total de 60,6 milhões de passageiros em três meses. Os dados foram actualizados no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O autocarro número 25, que faz o percurso entre as Portas do Cerco e Coloane, passando por locais muito populares como a Rua do Campo, Praça Ferreira Amaral ou o Cotai, foi o mais popular com uma média de 28 mil passageiros por dia. No pólo oposto, o autocarro menos utilizado foi o H!, que faz o percurso para o hospital, com uma média diária de 690 passageiros. O autocarro número 26 faz o percurso mais longo, com 46,73 quilómetros, enquanto o número 21A é aquele que tem mais paragens, 76 no total. No final do primeiro trimestre, havia 86 percursos normais, o que exclui os autocarros expresso, e as duas empresas, Transmac e TCM, com um total de 964 veículos.
Hoje Macau PolíticaSeguradoras | AMCM afasta cobrança por serviços em Hong Kong A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) recusou a possibilidade de as seguradoras no território cobrarem comissões aos clientes, quando prestam auxílio à contratação de um seguro automóvel em Hong Kong, exigência para poder circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Numa interpelação escrita, o deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), levantou o problema de as seguradoras locais estarem a prestar este tipo de assistência aos clientes, sem receberem qualquer dinheiro directamente dos clientes. O legislador defendia uma alteração da legislação para as seguradoras poderem cobrar comissão aos clientes, quando têm um papel na contratação de seguros em Hong Kong pelos condutores de Macau. No entanto, a AMCM recusou essa possibilidade. “Face às necessidades de contratação de seguro fora de Macau relativamente a veículos com dupla matrícula de Hong Kong e de Macau, a AMCM já emitiu uma circular, clarificando e regulamentando que as seguradoras de Macau apenas podem, a título gratuito, prestar serviços de transmissão de informações”, foi indicado, numa resposta assinada por Vong Sin Man, presidente do Conselho de Administração da AMCM. “Os proprietários de veículos de Macau podem optar por, com a assistência de seguradoras de Macau, proceder, por sua conta, às formalidades de contratação do seguro automóvel da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Todavia, uma vez que tais apólices não são emitidas por seguradoras autorizadas a exercer actividade em Macau, os mediadores de seguros de Macau não podem, nos termos da lei, prestar directamente serviços de mediação de seguros”, clarificou.
Hoje Macau Manchete PolíticaAngola | Câmara de Comércio diz que fecho de consulado “é retrocesso” O presidente da assembleia-geral da Câmara de Comércio de Angola em Macau considera que o encerramento do consulado vai prejudicar as relações comerciais entre os países e dificultar a assistência consular, que passa a ser feita em Cantão A Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO) defendeu que o encerramento anunciado do consulado-geral angolano no território representa “um retrocesso” que prejudica relações empresariais e “um contra-senso” face ao reforço da cooperação sino-africana. “Obviamente, na nossa perspectiva, é um retrocesso àquilo que nós tínhamos, até porque o consulado estava a fazer um trabalho relativamente importante, nomeadamente no estabelecimento de relações entre empresários angolanos e empresários locais”, reagiu à Lusa o presidente da assembleia-geral da CCAMO. Para Pedro Lobo, a decisão vai, “obviamente, prejudicar um pouco, este desenvolvimento que se está a ter com as relações entre China e África”. A notícia do encerramento da representação diplomática em Macau foi avançada pelo Jornal de Angola, na sequência do anúncio do Ministério das Relações Exteriores angolano, na sexta-feira, da redução do pessoal nas missões diplomáticas e fecho de quatro consulados, em Macau (China), Nova Iorque (Estados Unidos), Roterdão (Países Baixos) e Montevideu (Uruguai). “O processo surge na sequência de um excesso de pessoal diplomático e administrativo nas representações externas, aliado à insuficiência do orçamento atribuído pelo Ministério das Finanças para cobrir os encargos das missões diplomáticas”, escreveu o Jornal de Angola, citando declarações do secretário de Estado para Administração, Finanças e Património angolano, Osvaldo Varela, em Windhoek, na Namíbia. A medida, indica Pedro Lobo, torna “bastante complicado” o contacto com as autoridades de Luanda e qualquer apoio consular ou esclarecimento de dúvidas, que terá de ser tratado no consulado de Guangzhou (Cantão) ou na embaixada de Angola em Pequim. Avisos anteriores Em 2018, já tinha sido avançada a possibilidade de encerramento da representação diplomática angolana em Macau, o que acabou por não acontecer. “Deixa-nos um bocado preocupados, até porque a própria China, neste momento, abriu as taxas zero a vários países de África, o que parece um bocado contra-senso Angola neste momento estar a fechar consulados”, lembrou Pedro Lobo. A China começou a aplicar, a partir deste mês, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. A medida foi anunciada em comunicado oficial divulgado em Abril, no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento. Esta iniciativa de Pequim demonstra, reflectiu Lobo, “uma estratégia óbvia de ajuda não só aos países da África sobre o desenvolvimento económico, mas também uma estratégia de aposta no mercado africano”. Sobre o trabalho da CCAMO, o presidente da assembleia-geral referiu que a instituição tem procurado aproximar empresários de Macau e da China continental a parceiros em Angola e reactivar as relações que ficaram suspensas durante a pandemia. “As coisas estavam bastante avançadas antes da covid-19 e agora estamos a tentar recuperar as relações. Neste momento, este corte do nosso consulado torna as coisas um bocado mais complicadas”, lamentou.
Hoje Macau Manchete PolíticaAssociação quer ligar empreendedores lusófonos, hispanófonos e de Macau A recém-criada Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau quer fazer a ligação económica e comercial entre a China e os mercados lusófono e hispânico, destacaram os seus dirigentes. O presidente da Assembleia-Geral da associação, Rui Pedro Cunha, sublinhou à Lusa que a intenção original da associação é “construir uma plataforma regular de intercâmbio e cooperação para empresários de Macau, dos países de língua portuguesa e de língua espanhola”. Segundo Cunha, com uma “população combinada de mais de 800 milhões de pessoas”, os países de língua portuguesa e espanhola abrangem quatro continentes e representam “mercados ricos em recursos, talento e oportunidades”. A organização vai “acompanhar de perto o posicionamento estratégico de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa” e identificar necessidades dos empreendedores para “ajudar a fazer a ligação de recursos entre a Grande Baía, Macau, os países de língua portuguesa e de língua espanhola”. Rui Pedro Cunha acrescentou que Macau dispõe de vantagens únicas, como “a integração entre culturas chinesa e ocidental, sistema jurídico bilingue, redes empresariais internacionais e um ambiente de negócios aberto ao exterior”. Ao mesmo tempo, a associação vai realizar encontros económicos e comerciais, visitas empresariais e fóruns sectoriais, para “construir pontes para empresas de ambos os lados e abrir canais de cooperação no comércio, investimento, turismo cultural e indústria de exposições”. Em Abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Portugal e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto. O Chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola. Recomendações de investimento O secretário-geral da associação, Alan Ho Hoi Meng, afirmou à Lusa que a organização vai centrar-se em prioridades como “o reforço dos serviços aos membros, o fortalecimento da correspondência de recursos de alto nível e a apresentação de recomendações de políticas”. Alan Ho destacou que a associação irá expandir activamente a rede de cooperação com associações empresariais na China continental, bem como nos países de língua portuguesa e espanhola, para fortalecer “intercâmbios económicos e comerciais transfronteiriços” e facilitando fluxos de investimento. Ao mesmo tempo, será criado “um sistema de atracção e serviços empresariais de orientação internacional, de balcão único, para apoiar empresas estrangeiras a estabelecer operações em Macau e Hengqin e expandir para o mercado da Grande Baía”.
Hoje Macau PolíticaCombustíveis | Ormuz é alerta para diversificar fontes de energia O académico Hoi Ngan Loi considera que o território deve aproveitar o aumento dos preços nos mercados dos combustíveis fósseis para acelerar a transição para as energias alternativas. A posição do professor na Universidade Politécnica de Macau foi divulgada através de um artigo no jornal Ou Mun. Segundo Hoi, o subsídio para os combustíveis no sector da logística, promovido pelo Governo para reduzir os preços dos bens, é eficaz a curto-prazo. No entanto, o académico defende que toda a situação em Ormuz deve entendida como um sinal para promover a aceleração de “reformas estruturais”. Hoi Ngan Loi espera assim que as autoridades promovam a adopção de mais fontes de energia alternativas, que aumentem o investimento em “novas infra-estruturas energéticas” e que ofereçam mais incentivos fiscais, ou criem fundos especiais para “incentivar o sector da logística e os transportes públicos a acelerar a substituição dos actuais veículos por veículos eléctricos ou outros veículos movidos com energias limpas”. Com as medidas mencionadas, o académico acredita que é possível reduzir “significativamente a dependência dos combustíveis fósseis tradicionais”. No artigo de opinião, Hoi Ngan Loi elogia a forma como o Executivo tem lidado com os preços nos combustíveis e destaca que em Macau os aumentos, resultado da realidade internacional, foram mais estáveis do que em Hong Kong. Esta diferença, para o académico, mostra que o Executivo está a fiscalizar os preços dos combustíveis.
Hoje Macau PolíticaZona A | Sugeridos apoios ao comércio em fase inicial Enquanto nasce um novo bairro na Zona A dos novos aterros, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a abertura de lojas, restaurantes e supermercados, a menor densidade populacional na zona e a sobrevivência desses negócios. O deputado Ngan Iek Hang considera que o Governo tem um papel a desempenhar nesta equação, atribuindo apoios ao comércio que não tem ainda uma clientela na Zona A que sustente os negócios. “Tendo em conta que o actual fluxo populacional na Área A ainda não é suficiente para sustentar actividades comerciais, o Governo devia ponderar a introdução de medidas de apoios”, indicou em declarações ao jornal do Cidadão. O legislador destaca a importância de ir melhorando as condições de habitabilidade na Zona A à medida que o número de moradores aumenta, tarefa que entende estar a ser cumprida pelo Executivo, seguindo o modelo de governação “centrada nas pessoas”. A desenvolvimento do bairro de Seac Pai Van foi apontado por Ngan Iek Hang como exemplo de uma área que transitou bem entre os períodos de planeamento, construção e desenvolvimento e que a Zona A tem potencial para adoptar este modelo com sucesso.
Hoje Macau Manchete PolíticaMaternidade | Patronato concorda com aumento de licença e férias Governo, patronato e representantes do sector laboral estão de acordo quanto ao aumento proposto de férias anuais e da licença de maternidade. O Governo apresentou os resultados de uma consulta pública que se alinham com as medidas propostas para combater a baixa natalidade Executivo, patrões, “sector laboral” e população estão de acordo em relação à necessidade de rever a lei das relações de trabalho para aumentar os dias de licença de maternidade e de férias anuais. Esta foi a conclusão retirada da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, que se realizou ontem. No final da reunião, o representante do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo, concordou com a proposta, assim como o representante do sector laboral Kuong Chi Fong, o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau. Os dois representantes defenderam também que o montante máximo da remuneração de base mensal utilizado para calcular a indemnização por despedimento vai permanecer em 21.500 patacas, valor fixado no final de 2024. Além disso, o Governo apresentou os resultados de uma consulta pública, que decorreu até 16 de Março, em que se refere que os residentes concordam com um aumento proposto das férias anuais e da licença de maternidade, para fazer frente à baixa natalidade do território. O Executivo acrescentou que, após a análise às mais de mil opiniões e sugestões recolhidas, ficou demonstrado que as propostas de revisão da lei foram “bem recebidas pela sociedade”. Metas para este ano Depois da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais, Chan Un Tong, indicou que a alteração à Lei das Relações de Trabalho será concluída até ao final do ano. Actualmente, apenas funcionárias públicas têm direito a uma licença de maternidade de 90 dias. No caso dos pais, a licença é de cinco dias úteis remunerados. Recorde-se que em Março, as seis concessionárias de jogo aumentaram a licença de maternidade oferecida às trabalhadoras para 90 dias, medida que acompanha os esforços do Governo para incentivar a natalidade na cidade. A indústria do jogo de Macau empregava cerca de 65.300 trabalhadores, segundo dados referentes a 2025, quase 10 por cento de toda a população do território. Em Janeiro deste ano, o Executivo propôs aumentar a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias, visando combater a baixa natalidade, e as férias anuais de seis para 12 dias “segundo a antiguidade do trabalhador”.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | Companhias sul-coreanas suspendem mais de 900 voos As companhias aéreas sul-coreanas cancelaram mais de 900 voos devido ao aumento do preço do combustível provocado pelo conflito no Médio Oriente, com a maioria dos cortes a concentrar-se nas companhias de baixo custo. As companhias aéreas low-cost, como a Jeju Air e a Jin Air, cancelaram 900 voos de ida e volta, incluindo várias rotas para o Sudeste Asiático, informaram ontem fontes do sector citadas pela agência de notícias local Yonhap. A Asiana Airlines, a segunda maior companhia aérea do país, também cancelou 27 voos de ida e volta em seis rotas, incluindo Phnom Penh e Istambul, até Julho, informou a agência. A Korean Air, a principal companhia aérea sul-coreana, não comunicou, por enquanto, cortes nas operações, embora se encontre desde Abril sob um sistema de gestão de emergência e esteja a “acompanhar de perto” a situação. As fontes alertaram que o número poderá aumentar, uma vez que algumas companhias ainda não fecharam os seus calendários de Junho. O ajuste surge depois de, no mês passado, as companhias aéreas sul-coreanas terem anunciado que, em Maio, iriam aumentar para o nível máximo a sobretaxa de combustível, devido ao aumento do Platts Singapore Average (MOPS), o indicador de referência, de acordo com fontes do setor citadas pela agência sul-coreana. O aumento do nível 18, aplicado em Abril, para o nível 33, aplicado em Maio, representa o maior aumento mensal desde que o sistema actual foi introduzido em 2016. O MOPS registou uma média de 214,71 dólares por barril entre 16 de Março e 15 de Abril, ultrapassando em 2,5 vezes o preço de há dois meses.
Hoje Macau SociedadeWynn Macau | Lucros sobem 10,9 % no primeiro trimestre A operadora de casinos Wynn Macau anunciou na sexta-feira lucros operacionais de 279,4 milhões de dólares no primeiro trimestre, uma subida de 10,9 por cento face a igual período de 2025. Os proveitos da Wynn aumentaram à boleia das receitas das duas propriedades da empresa em Macau, que cresceram 14,2 por cento entre Janeiro e Março, para 989,2 milhões de dólares, de acordo com um comunicado da operadora. As apostas nos casinos Wynn Macau e Wynn Palace foram responsáveis pela maioria do volume de negócios da empresa em 2025, arrecadando 841,6 milhões de dólares em receitas, uma subida de 16,9 por cento. “Em Macau, assistimos a um aumento significativo do volume de jogo em relação ao ano anterior, juntamente com uma quota de mercado saudável”, afirmou Craig Billings, director executivo da empresa-mãe, a Wynn Resorts, em comunicado. Massas aguentam O chamado mercado de massas continuou a ser, de longe, o principal segmento para a operadora, representando receitas de 811,9 milhões de dólares, mais 14,2 por cento do que no primeiro trimestre. No segmento conhecido como jogo VIP, as apostas dos grandes jogadores caíram 9,9 por cento nos dois casinos da Wynn Macau, mas, pelo contrário, as receitas aumentaram 13,5 por cento, para 136,5 milhões de dólares. Isto apesar do casino Wynn Macau ter ficado com apenas 0,39 por cento das apostas no jogo VIP. Em média, os casinos a operar em Macau vão buscar 3 por cento das apostas neste segmento. Em 2019, o chamado jogo bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas em 2025 este segmento ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento, apesar das receitas absolutas terem subido 24,1 por cento. Numa teleconferência com analistas, Craig Billings anunciou um investimento de pelo menos 900 milhões de dólares na construção de um novo hotel com 432 suites na propriedade Wynn Macau. O executivo, citado pelo portal de notícias GGRAsia, disse que a empresa está à espera de autorização do Governo local. As obras devem arrancar na segunda metade de 2026 e demorar dois anos e meio. A Wynn Resorts opera também nos EUA e Reino Unido, estando ainda a construir o casino Wynn Al Marjan, nos Emirados Árabes Unidos. Na teleconferência, Billings admitiu “um ligeiro atraso” no projeto em Ras Al Khaimah devido ao conflito no Médio Oriente, mas garantiu que a inauguração continua marcada para 2027. “Embora tenhamos enfrentado desafios logísticos e de transporte na região, as entregas continuaram em grande parte e estamos a redirecionar as remessas e a procurar materiais alternativos”, disse Billings. A construção do Wynn Al Marjan, um investimento de 5,1 mil milhões de dólares, continua “com mais de 22 mil trabalhadores no local”, acrescentou o executivo.
Hoje Macau China / ÁsiaOrmuz | Seul diz que “impacto externo” causou explosão em navio Seul concluiu que a explosão ocorrida na semana passada num navio operado por uma companhia de navegação sul-coreana no Estreito de Ormuz foi causada pelo “impacto externo” de um objecto voador não identificado. “Como resultado da investigação, foi confirmado que, em 04 de Maio, um objeto voador não identificado atingiu a popa do (navio) ‘HMM Namu’. Existe, no entanto, uma limitação para determinar com precisão o tipo exacto e o tamanho físico do objecto”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado. O navio de carga “HMM Namu” estava ancorado fora dos limites do porto de Umm Al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos, quando ocorreu uma explosão, cerca das 20:40, hora da Coreia, “no lado bombordo da casa das máquinas”. Seguiu-se um incêndio, mas toda a tripulação saiu ilesa. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou anteriormente que se tratou de um ataque iraniano, instando Seul a juntar-se à agora suspensa operação militar dos Estados Unidos para escoltar navios através de Ormuz. Teerão rejeitou categoricamente qualquer envolvimento na explosão, enquanto Seul adoptou uma postura cautelosa, classificando a possibilidade de um ataque como “incerta”. Como muitas economias asiáticas, a Coreia do Sul depende fortemente das importações de combustível do Médio Oriente, grande parte das quais transita pelo estreito de Ormuz. O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, reúne-se hoje nos Estados Unidos com o homólogo norte-americano, Pete Hegseth. Antes de partir para Washington, Ahn afirmou que, na reunião com Hegseth, irá discutir as intenções de Seul de conseguir a transferência do controlo operacional (OPCON) em tempo de guerra dos EUA para a Coreia do Sul durante o mandato do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung. Também discutirão o plano para desenvolver submarinos nucleares sul-coreanos com ajuda tecnológica de Washington, disse o ministro, em declarações reportadas pela Yonhap.
Hoje Macau China / ÁsiaSupremo Tribunal da Índia ouve vítimas para decidir se proíbe mutilação genital feminina O Supremo Tribunal da Índia ouviu sexta-feira várias vítimas de mutilação genital feminina no âmbito de um megaprocesso para definir os limites constitucionais da liberdade religiosa em relação aos direitos das mulheres. Um painel especial de nove juízes, presidido por Surya Kant, examinou a legalidade do ritual praticado na Índia pela minoria xiita, os Dawoodi Bohra. “O que estabelecermos servirá para toda uma civilização, e essa civilização é a Índia. A Índia deve progredir, mas há um costume entre nós que não podemos ignorar, e é isso que nos preocupa”, afirmou uma das juízas. A origem deste megaprocesso, que teve início formal na quinta-feira, remonta a uma decisão polémica de 2018 sobre o templo de Sabarimala, em Kerala, quando o Supremo Tribunal ordenou o fim da proibição da entrada de mulheres “em idade menstrual”, consideradas impuras pelos sectores mais tradicionais do hinduísmo. Esta decisão contra uma tradição sagrada hindu desencadeou uma crise social e obrigou o tribunal a avaliar casos tão diversos como o acesso a mesquitas, templos parsis e a própria mutilação genital feminina para decidir se a “moralidade constitucional” está acima dos costumes religiosos. O processo aborda também o impacto da excomunhão, uma prática que o advogado que representa as vítimas descreveu como “morte civil”, uma vez que priva as pessoas do direito de rezar nas suas mesquitas ou de serem enterradas nos cemitérios. Actualmente, a Índia não possui uma lei que proíba a mutilação genital feminina, pelo que o Estado utiliza a “falta de dados oficiais” como desculpa para evitar documentar a prática. Com este megaprocesso, o tribunal quer determinar se uma prática considerada “essencial” por uma religião pode ser invalidada por violar o direito à saúde e à dignidade (artigos 25.º e 26.º da Constituição indiana). Direitos violados A sessão de sexta-feira contou com um momento de tensão, quando o advogado que representa a comunidade xiita defensora da prática, Nizam Pasha, tentou justificar a ‘khatna’ (mutilação genital feminina) alegando tratar-se de uma “circuncisão simbólica” destinada a aumentar o prazer sexual das mulheres. “Do que é que está a falar?! Informe-se melhor. É exactamente o contrário”, afirmou de imediato um dos juízes, enquanto outro realçava que o verdadeiro objectivo do ritual é o “controlo da autonomia sexual das mulheres” e que a Constituição permite censurar costumes quando estão em causa razões de saúde pública. A reacção dos juízes foi lida como uma demonstração de que os argumentos do advogado das vítimas foram bem recebidos, disse uma das sobreviventes, Massoma Ranalvi, em declarações à agência de notícias espanhola Efe. O advogado denunciou perante o tribunal que a prática é realizada em meninas de apenas sete anos de idade e provoca uma “alteração irreversível no seu corpo que afectará a sua saúde sexual e reprodutiva”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a mutilação genital feminina como todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos por motivos não médicos e, tal como outras agências das Nações Unidas, considera a prática como uma violação dos direitos humanos, uma forma extrema de discriminação de género e uma violência contra as crianças, já que a maioria das vítimas tem menos de 15 anos. Segundo os dados mais recentes da organização, publicados em 2025, mais de 230 milhões de raparigas e mulheres vivas foram submetidas a esta prática em 30 países da África, Médio Oriente e Ásia.
Hoje Macau China / ÁsiaDefesa | Pequim diz que cooperação militar entre Japão e Filipinas “agrava” tensões regionais As autoridades chinesas acusam os dois países de difamar a China e de tentarem obter benefícios privados colocando em causa a segurança regional Pequim acusou ontem a cooperação militar entre o Japão e as Filipinas de ignorar o “desejo comum” dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e contribui para “agravar” as tensões regionais. Jiang Bin, porta-voz do ministério chinês da Defesa, afirmou ainda em conferência de imprensa que “alguns políticos” do Japão e das Filipinas “têm difundido narrativas falsas sobre questões marítimas e difamado a China sem qualquer motivo”, algo que provoca uma “forte insatisfação” em Pequim e a que o gigante asiático se opõe “firmemente”. “As partes envolvidas ignoram o desejo comum dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e, fazendo caso omisso da oposição dos seus próprios povos, reforçam os seus laços militares para obter benefícios privados, agravando assim as tensões regionais”, afirmou o porta-voz. Gilberto Teodoro, secretário da Defesa Nacional das Filipinas, declarou na passada terça-feira, depois de se reunir com o seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, que Manila pode agora adquirir armamento militar do Japão graças à flexibilização, por parte de Tóquio, da sua política sobre transferências de equipamento e tecnologia militar. Durante a reunião, as duas partes expressaram igualmente “séria preocupação com a evolução da situação” nos mares da China Meridional e Oriental e “sublinharam a importância de reforçar a vigilância do domínio marítimo”, em referência à crescente atividade naval chinesa na região. Jiang recordou que o Japão lançou recentemente, pela primeira vez, mísseis ofensivos fora do seu território durante manobras militares, quebrando o princípio constitucional nipónico de “defesa exclusivamente orientada para a autodefesa”, e acusou também as Filipinas de se apoiarem em “forças externas” à região para “apoiar e encorajar as suas ações de violação de direitos”. “O Exército chinês mantém uma determinação inabalável em salvaguardar a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos. Exortamos os países envolvidos a deixarem de formar camarilhas e promover confrontos entre blocos, e a fazerem mais coisas que realmente favoreçam a paz e a estabilidade regionais”, concluiu Jiang. Disputas regionais Manila e Pequim mantêm uma disputa de soberania no Mar da China Meridional, onde, nos últimos anos, se têm registado incidentes frequentes entre embarcações e aeronaves de ambos os países. As relações entre a China e o Japão também se tornaram tensas nos últimos meses, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter insinuado perante o Parlamento japonês no final do ano passado que uma acção militar chinesa sobre Taiwan poderia suscitar uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaUE lança com Brasil e China coligação para equilibrar mercados de carbono A União Europeia (UE) lançou com o Brasil e a China uma nova coligação para harmonizar os mercados de carbono a nível mundial e criar um novo padrão global através de uma plataforma comum de contabilidade, verificação e medição. Em comunicado, sexta-feira divulgado, a Comissão Europeia referiu que a “Coligação Aberta para Mercados Regulados de Carbono” foi lançada oficialmente na quinta-feira, numa cerimónia em Florença, Itália, que contou igualmente com representantes do Brasil e da China. “Esta nova iniciativa visa reforçar a cooperação global em termos de preços de carbono”, indicou o executivo comunitário. De acordo com a mesma nota informativa, a coligação vai permitir “aumentar a eficácia, transparência e integridade dos mercados de carbono” em todo o mundo, com o intuito de garantir que se cumpre o acordo climático de Paris, firmado em 2015. “A coligação envia um forte sinal do compromisso partilhado com este acordo global e com uma cooperação multilateral renovada. Além disso, reforça o papel dos mercados de carbono como um pilar central da transição global para a neutralidade climática, ao mesmo tempo que apoia a modernização económica e a competitividade”, referiu ainda a Comissão Europeia. Na prática, frisou o executivo comunitário, esta coligação vai garantir que a medição, relato e verificação dos mercados de carbono sejam mais transparentes e interoperáveis entre os diferentes mercados que integram esta iniciativa, criando uma “plataforma para a cooperação” e para “reforçar as políticas de fixação de preço do carbono”. Junta a tua à nossa voz Lançada inicialmente pela UE, China e Brasil, a coligação está aberta à adesão de novos países, desde que tenham mercados nacionais de carbono, sejam taxas ou sistemas de comércio de emissões. “A Nova Zelândia e a Alemanha são os primeiros países a aderir como membros, seguindo o exemplo da UE, do Brasil e da China, prevendo-se que vários outros se juntem brevemente”, indicou o comunicado, acrescentando que “autoridades subnacionais que operem um sistema de fixação de preços de carbono”, como o estado norte-americano da Califórnia, poderão participar nesta coligação como membros observadores. A Comissão Europeia informou que o Brasil vai presidir à coligação nos primeiros dois anos, com o executivo comunitário e a China a assumirem as vice-presidências. “Os próximos passos incluem a criação do Secretariado da Coligação e a elaboração de um plano de trabalho a ser adotado na Conferência do Mercado de Carbono, que terá lugar em 15 de Setembro de 2026 em Wuhan, na China”, destacou ainda a Comissão Europeia.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Exportações chinesas registam crescimento homólogo de 14,1% em Abril As exportações chinesas aumentaram em Abril 14,1 por cento em relação ao período homólogo anterior e as importações registaram um aumento de 25,3 por cento no mesmo período, apesar da guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais publicados sábado. O crescimento das exportações da China recuperou mais do que o esperado, apesar das perturbações no transporte marítimo causadas pela guerra no Irão, à medida que os volumes comerciais aumentam devido a um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial. As exportações aumentaram 14,1 por cento em Abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Geral das Alfândegas chinesa. Este valor contrasta com a previsão mediana de 8,4 por cento numa sondagem da Bloomberg a economistas e com um aumento de 2,5 por cento registado em Março. As importações aumentaram 25,3 por cento, resultando num excedente comercial de 71,9 mil milhões de euros. A melhoria nas exportações seguiu-se a um abrandamento surpreendentemente acentuado das exportações da China durante o primeiro mês da guerra, depois de os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação de Teerão terem espalhado a agitação por todo o Médio Oriente, que se estendeu ao globo. E com as importações de produtos de alta tecnologia, como ‘chips’, em forte ascensão, a China registou em Março o seu menor excedente comercial em mais de um ano. Agenda comercial Os desequilíbrios comerciais estarão em destaque antes da cimeira prevista para a próxima semana em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping. O défice comercial de mercadorias dos EUA com a China aumentou em março pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento do Comércio. As fábricas chinesas contornaram a guerra de retaliações do ano passado com os EUA sobre as tarifas enviando mais produtos para regiões como África e a Europa, mesmo enfrentando resistência de países onde representam uma ameaça para os produtores locais. A China tem vindo a somar a sua voz à pressão global para um fim do conflito no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro e forçou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz. Uma redução acentuada do tráfego nesta via navegável vital para o sector energético corre o risco de prejudicar as importações, fazer subir os preços do petróleo e ameaçar a procura estrangeira de produtos chineses. A força das vendas no estrangeiro impulsionou a China para um excedente comercial sem precedentes de 1,02 biliões de euros em 2025. Os volumes de expedição registados até agora em 2026 mantêm-se, na sua maioria, acima dos níveis recorde do ano passado, em parte graças à forte procura global impulsionada por investimentos em centros de dados e equipamento de energia.
Hoje Macau China / ÁsiaEnergia | Importações chinesas caem fortemente em Abril As importações chinesas de energia caíram drasticamente em Abril, num contexto marcado por interrupções no abastecimento de petróleo bruto e gás natural através do Estreito de Ormuz, em consequência do conflito no Médio Oriente, informaram sábado fontes oficiais. De acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas do país asiático, as remessas de petróleo bruto diminuíram cerca de 20 por cento em termos homólogos em Abril, para 38,47 milhões de toneladas, o que, segundo a agência Bloomberg, representa o nível mais baixo em termos de quantidades desde Julho de 2022. As importações de gás natural — que as autoridades aduaneiras não discriminam entre o transportado por via marítima e o fornecido através de gasodutos — também registaram uma contracção de cerca de 13 por cento, situando-se em 8,42 milhões de toneladas, de acordo com a mesma fonte. O bloqueio “de facto” do Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás a nível mundial antes do início do conflito, afectou toda a Ásia, principal destino dessas exportações. No caso da China, a evolução desta rota marítima é particularmente sensível, uma vez que cerca de 45 por cento das suas importações de gás e petróleo transitam por ela. De facto, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o principal órgão de planeamento económico do país, anunciou esta sexta-feira um aumento dos preços de retalho da gasolina e do gasóleo a partir de sábado, para reflectir as recentes alterações nas tarifas internacionais do petróleo. Em contrapartida, o gigante asiático também tem sido beneficiado pela guerra, uma vez que as suas exportações de tecnologias “verdes”, em que é líder, como painéis solares, baterias ou veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, face ao impacto a nível mundial do aumento dos preços do petróleo bruto.
Hoje Macau EventosGaleria Amagao | Kay Zhang apresenta exposição individual “Delta of Venus”, em parceria com a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica é a proposta mais recente da galeria de arte Amagao, no Artyzen Grand Lapa. Nesta exposição, com trabalhos da artista Kay Zhang, revelam-se temáticas relacionadas com a memória pessoal e a identidade A galeria Amagao, no Artyzen Grand Lapa, e a 1844 – Associação Macau Espaço de Arte Fotográfica apresentam até 7 de Junho a exposição “Delta of Venus”, de Kay Zhang, uma mostra que “reúne um conjunto marcante de obras que exploram a memória pessoal, a identidade e a subtil interação entre a realidade e a imaginação”, revela-se numa nota. A exposição é composta por 48 obras em desenho, aguarela e colagem sobre papel, incluindo composições realizadas em páginas e capas de livros, reflectindo-se, desta forma, “a linguagem artística em constante evolução de Kay Zhang”. Kay vive entre Macau e Pequim e “a sua prática artística está profundamente enraizada na sua experiência em Macau, onde histórias sobrepostas e a diversidade cultural continuam a moldar a sua perspectiva”. Da inspiração “Delta of Venus” inspira-se nos escritos da escritora Anaïs Nin, “cuja exploração da intimidade, da ficção e da narrativa pessoal ressoa profundamente com o trabalho de Zhang”. Desta forma, e com recurso “a um processo de montagem de fragmentos provenientes da literatura, da memória e da experiência vivida”, as composições da artista “movem-se entre o real e o imaginado, criando narrativas visuais simultaneamente complexas e introspectivas”. Citada pela mesma nota, Kay Zhang disse que “ao longo dos anos o meu trabalho esteve sempre ligado à literatura, à memória e ao corpo”, sendo que “Delta of Venus” representa “simultaneamente uma reflexão e um novo começo”. Trata-se de um projecto que inclui “obras de diferentes períodos, mas marca também um regresso ao trabalho manual, à colagem, à pintura e a uma forma de criação mais intuitiva e pessoal”. “Espero que os visitantes possam dedicar tempo, observar com atenção e encontrar a sua própria ligação com estas obras”, adiantou a artista. Na galeria Amagao podem ver-se “obras anteriores, definidas por tons ricos e detalhes minuciosos, que são apresentadas lado a lado com trabalhos mais recentes, e que adoptam uma expressão mais leve e fluida”. “Esta mudança reflecte uma transformação mais profunda na abordagem da artista, passando da intensidade para uma sensação mais serena de liberdade, onde a expressão é guiada mais pelo instinto do que pela expectativa”. A co-curadoria desta exposição está a cargo de Ieong Man Pan, que sobre o título desta mostra explicou fazer referência “a uma obra literária onde a verdade, ficção e memória coexistem numa narrativa profundamente pessoal”, algo que está “muito alinhado com a prática de Kay Zhang”. “As suas obras não são representações directas da realidade, mas sim espaços construídos onde fragmentos de experiência se unem. O que vemos pode ser montado, mas o que sentimos é real”, referiu Ieong Man Pan. No trabalho de Kay Zhang “a colagem continua a ser central”. “Ao cortar, sobrepor e reconstruir imagens, Zhang cria composições que se revelam íntimas, mas abertas a múltiplas interpretações. A presença recorrente da figura humana surge de forma subtil e contemplativa, convidando os visitantes a observar em vez de interpretar, e a relacionarem-se com a obra de forma pessoal”, é acrescentado. “Delta of Venus” oferece “uma exploração silenciosa, mas poderosa, da identidade, da memória e da transformação”, sendo que “através de composições delicadas e narrativas em camadas, a exposição desdobra-se como páginas de um diário privado, proporcionando a cada visitante momentos de reflexão, curiosidade e conexão”. “Delta of Venus”, o livro de Anaïs Nin, foi publicado pela primeira vez em 1978, explorando o tema da sexualidade da mulher em conjugação com outras partes da sua vida.
Hoje Macau EventosSaracoteio recebe 60 filmes e vídeos sobre dança Um programa lançado por festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde recebeu cerca de 60 filmes e vídeos de dança provenientes de seis países de territórios lusófonos, disse a organização à Lusa. Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o Saracoteio – Dança no Ecrã recebeu obras de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e do território. “Alguns artistas destes locais até trabalharam em conjunto para apresentar obras de colaboração”, sublinhou a bailarina, que tem nacionalidade portuguesa. “O processo de selecção terá início em breve. Esperamos ter os resultados até ao final de Maio”, acrescentou Wong. A convocatória para o Saracoteio esteve aberta até 30 de Abril a obras de autores ou produtores “naturais ou residentes em países ou regiões de língua oficial portuguesa”. A iniciativa é do Rollout, em parceria com a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde. As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro. Estreitar laços Em declarações à Lusa em Abril, Mary Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens. No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à região chinesa. As autoridades chinesas “estão a promover esta forte ligação entre os países lusófonos e a China, através de Macau, claro. Acho que essa é a grande narrativa”, afirmou Wong. Mas Wong acredita que, na esfera da cultura, é mais importante criar “fortes ligações” entre artistas do que esperar por políticas governamentais. A bailarina sente também “um laço emocional” com Portugal. Wong esteve três meses em Lisboa para um programa de intercâmbio de dança, em 2014. Três anos depois, começou um mestrado em Estudos de Cultura na Universidade Católica. “A cultura é muito diferente. As oportunidades de financiamento são muito mais fáceis aqui. E isso permite-nos fazer este tipo de intercâmbios internacionais com melhores recursos”, diz a bailarina. Por outro lado, “precisamos de mais diversidade nas nossas criações artísticas”, defendeu Wong. “E isso será melhorado se tivermos uma perspectiva diferente, do ecossistema ocidental”, acrescentou.