Mais de 70 pessoas morreram no mar enquanto tentavam chegar às Canárias

Mais de 70 pessoas, incluindo um bebé, morreram num pequeno barco que partiu da Gâmbia em direcção às ilhas Canárias com 128 pessoas a bordo, disseram ontem as autoridades espanholas e uma organização não-governamental (ONG).

A embarcação foi resgatada na passada madrugada, depois de 26 dias à deriva no mar, com apenas 44 sobreviventes e cinco corpos a bordo, avançou a agência de notícias EFE, citando dados do Serviço de Resgate Marítimo espanhol.

O barco foi localizado por uma das aeronaves do Serviço de Resgate Marítimo na quarta-feira, pelas 18:40, a 120 quilómetros da Grande Canária, e recebeu assistência do navio “Guardamar Urania” durante a madrugada.

O navio de resgate foi obrigado a abandonar os cinco corpos a bordo devido ao mar agitado e à necessidade urgente de prestar assistência médica aos sobreviventes. “Estavam como cadáveres ambulantes, como ‘zombies’. Estavam a desmaiar, incapazes de manterem-se em pé. A maioria estava a alucinar. Alguns até nos tentaram agredir”, disse um dos socorristas à EFE.

Os marinheiros do navio de resgate contabilizaram cinco mortos a bordo da embarcação, todos homens, mas não descartaram a possibilidade de haver mais, pois ainda estava escuro, o fundo da embarcação estava alagado e as ondas batiam constantemente contra o casco.

Cuidar dos vivos

A ONG espanhola Caminando Fronteras afirmou que a Guarda Civil confirmou que o barco tinha inscrições no casco que correspondem a uma embarcação que, segundo os seus registos, partiu da Gâmbia em 07 de Agosto com 127 ocupantes, incluindo quatro mulheres e um bebé.

Estes números coincidem com o testemunho dos sobreviventes, que disseram à Cruz Vermelha, durante o socorro prestado no cais de Arguineguín, que tinham partido para as Canárias “com mais de uma centena de pessoas”, muitas das quais morreram durante a travessia.

Durante o regresso do “Guardamar Urania” à Grande Canária, o Serviço de Salvamento Marítimo teve de enviar um helicóptero para transportar três sobreviventes para hospitais em Las Palmas devido ao precário estado de saúde.

Os restantes chegaram a terra pelas 03:30, exaustos e mal conseguindo estar de pé. Segundo informações iniciais, ainda provisórias, os sobreviventes são todos homens da Gâmbia e do Mali.

O serviço de emergência das Canárias disse que seis deles foram hospitalizados com desidratação e desorientação, assim como sintomas de ingestão de água do mar. Além disso, dois dos internados apresentavam outros ferimentos.

4 Set 2026

Nepal | Parlamento declara alterações climáticas como ameaça à segurança

O Parlamento do Nepal declarou quarta-feira as alterações climáticas como uma ameaça à segurança nacional, na sequência da enxurrada na semana passada, na qual morreram mais de 1.100 pessoas e quase 4.000 desapareceram.

A proposta, agora aprovada, foi apresentada pelo presidente da câmara, Dol Prasad Aryal, e pede ao Governo para afirmar a posição do Nepal no palco internacional face aos crescentes riscos que a região enfrenta, para evitar futuras tragédias.

“O Nepal deve erguer a sua voz de forma mais clara e enérgica no debate internacional sobre os danos e perdas causados pelas alterações climáticas”, de acordo com a proposta, que pede ao governo para que aborde a questão com mais firmeza.

Recordando que o Nepal é “extremamente propenso a desastres, vulnerável tanto a desastres naturais como causados pelo homem”, o texto refere que “a sua diversidade geográfica, estrutura geológica frágil, desenvolvimento não planeado e propenso a riscos, infraestruturas deficientes, escassez de recursos e alterações climáticas contribuíram para a recorrência de vários desastres”.

Mais de 500 desastres ocorrem no Nepal todos os anos, causando perdas humanas e materiais significativas, de acordo com o parlamento.

Aryal disse que os efeitos das alterações climáticas são debatidos há décadas, mas defendeu que as condições em mudança nos Himalaias exigem maior atenção internacional.

O documento também pede uma mudança da resposta pós-desastre para a preparação, notando que o recente desastre evidenciou a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização e alerta precoce.

Pior de sempre

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, compareceu perante os deputados para alertar que a recente crise no distrito de Rasuwa (norte), desencadeada por uma avalanche de pedras e neve no rio Bhote Koshi, é o pior desastre do género registado historicamente na região. “Este evento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, disse Shah.

O chefe do governo sublinhou que o Nepal não pode enfrentar esta crise sozinho e anunciou que vai exigir que a comunidade internacional assuma um papel no que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático.

De acordo com o mais recente balanço das autoridades de gestão de emergências do Nepal, as cheias provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos.

Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afectadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.

4 Set 2026

PIF | Pequim acusa Palau de mobilizar Pacífico contra teste de míssil chinês

A China acusou ontem Palau de tentar arrastar outros países do Pacífico para uma condenação do teste de um míssil balístico intercontinental realizado por Pequim em Julho, após o arquipélago ter pedido uma posição regional conjunta.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que Palau tem “exagerado repetidamente” a questão e acusou o país de tentar levar outros membros do Fórum das Ilhas do Pacífico (PIF, na sigla em inglês) a apoiar a sua posição.

“As suas intenções são maliciosas e a tentativa não terá sucesso”, afirmou Guo, questionado sobre as declarações do Presidente de Palau, Surangel Whipps, que exerce este ano a presidência rotativa do PIF.

O porta-voz defendeu que a China está comprometida com “o caminho do desenvolvimento pacífico”, segue uma política de defesa nacional de carácter defensivo e “nunca levou a cabo uma expansão militar”. Guo assegurou ainda que Pequim está disposta a trabalhar com os países do Pacífico Sul para contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento da região.

Whipps pediu unidade aos membros do PIF para condenarem o lançamento realizado pela China em 06 de Julho e afirmou que “uma voz unificada do Pacífico é fundamental” para garantir que Pequim respeite a soberania e a transparência.

A China lançou então, a partir de um submarino, um míssil balístico com capacidade nuclear que percorreu cerca de 7.300 quilómetros sobre o Pacífico antes de cair em águas próximas da zona económica exclusiva de Tuvalu e de Naoero (antiga Nauru).

O Presidente de Palau afirmou que o projéctil atravessou o espaço aéreo do país e criticou Pequim por não ter explicado previamente o que estava a acontecer. A questão regressa agora à agenda da cimeira de líderes do PIF, que decorre esta semana em Palau e na qual participam representantes da China e dos Estados Unidos enquanto parceiros de diálogo.

4 Set 2026

China liquida dívida à ONU e 625,7 ME dos EUA ainda “em processo” de pagamento

A ONU indicou ontem que a China liquidou a sua dívida com a organização e observou que os Estados Unidos (EUA) ainda estão “em processo” de pagamento da sua parte, equivalente a 625,7 milhões de euros.

A informação foi avançada à imprensa por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, explicando que Pequim concluiu o pagamento da última parcela prevista para 2026, cujo valor total ultrapassa 641 milhões de dólares. “Agradecemos à China por esse dinheiro, que será muito útil”, disse o porta-voz, aludindo à grave crise financeira das Nações Unidas.

“A China já tinha pago parcialmente as suas contribuições para o orçamento [regular da ONU]. O pagamento de hoje (ontem) regulariza a situação para este ano. (…) Ter o valor total disponível agora é uma grande ajuda na actual crise de liquidez”, acrescentou.

Após a contribuição de Pequim, que é “o segundo maior contribuinte para o orçamento da ONU”, o número de países que concluíram os pagamentos chegou a 133.

Em andamento

Questionado sobre o pagamento dos Estados Unidos, após o secretário-geral, António Guterres, ter afirmado na semana passada que esse dinheiro chegaria “muito em breve”, o porta-voz declarou que ainda está “em processo”.

“Está em processo. Estamos a acompanhar o andamento. Tudo indica que será aprovado e ficaremos muito felizes assim que o dinheiro for confirmado no banco”, disse Dujarric sobre a dívida de Washington.

O pagamento planeado inclui 725 milhões de dólares referentes às contribuições dos Estados Unidos para o orçamento regular da ONU e mais 125 milhões de dólares para operações de manutenção da paz no Haiti e na República Democrática do Congo, de acordo com notificações enviadas recentemente pelo Departamento de Estado ao Congresso norte-americano, segundo a agência norte-americana Associated Press (AP).

Os EUA devem à ONU cerca de cinco mil milhões de dólares, segundo dados da própria organização, dos quais mais de dois mil milhões de dólares correspondem ao orçamento regular e cerca de três mil milhões de dólares a operações de manutenção da paz.

4 Set 2026

Diplomacia | Xi Jinping intensifica contactos antes de cimeira com Trump

Antes da reunião com Donald Trump no final do mês em Washington, o Presidente chinês promove uma série de encontros com líderes internacionais

O Presidente chinês, Xi Jinping, intensificou nas últimas semanas a actividade diplomática no estrangeiro, numa tentativa de projectar Pequim como parceiro mais previsível para países emergentes e do Médio Oriente, antes de uma prevista cimeira com Donald Trump.

Xi reuniu-se na quarta-feira, no Cairo, com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, naquela que é a primeira visita do líder chinês ao Egipto desde 2016 e mais uma etapa da sua mais intensa sequência de deslocações internacionais desde 2019.

A ofensiva diplomática ocorre numa altura em que as tarifas impostas pela administração norte-americana, a guerra contra o Irão e sinais contraditórios de Washington aos seus tradicionais parceiros de segurança provocaram tensões nas relações dos Estados Unidos com vários países.

Numa mensagem publicada na imprensa egípcia, Xi afirmou que a China está disposta a trabalhar com o Egipto e a tirar partido da “localização única” do país, que estabelece uma ligação entre o mundo árabe e o continente africano.

Perante aquilo que Pequim descreve como “profundas mudanças nunca vistas num século”, expressão utilizada pelas autoridades chinesas para caracterizar uma alegada perda de influência dos Estados Unidos, Xi defendeu que China e Egipto devem salvaguardar “vigorosamente a paz e a estabilidade mundiais” e promover “a equidade e a justiça internacionais através da prática de um verdadeiro multilateralismo”.

Pequim tem aprofundado a presença económica no Egipto, participando na construção da nova capital administrativa do país.

A tecnológica chinesa Huawei lançou também, em 2024, um serviço de computação em nuvem destinado ao mercado egípcio, incluindo ferramentas de inteligência artificial (IA), modelos de linguagem em árabe e bases de dados.

Próxima paragem

A visita ao Cairo sucede à participação de Xi numa cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada esta semana em Bisqueque, capital do Quirguistão.

O Presidente chinês deverá deslocar-se na próxima semana à Índia para participar na cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, em Nova Deli, com líderes de países como Rússia, Brasil, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A série de deslocações antecede uma prevista visita de Estado de Xi a Washington, em Setembro, retribuindo a deslocação de Trump a Pequim, em Maio. Desde a pandemia, o líder chinês reduziu significativamente as viagens ao estrangeiro, privilegiando a recepção de dirigentes internacionais na capital chinesa.

Na cimeira da OCX, Xi defendeu que os Estados-membros devem impedir “forças externas” de interferirem nos seus assuntos internos, ameaçarem a sua segurança política ou prejudicarem a estabilidade regional.

O líder chinês procurou ainda apresentar os avanços do país na inteligência artificial como um instrumento de cooperação internacional, anunciando a criação de um centro internacional para a aplicação de IA e 100 projectos de cooperação tecnológica com os membros da OCX nos próximos três anos.

A aproximação diplomática chinesa enfrenta, no entanto, reservas em vários países, devido sobretudo ao impacto dos elevados excedentes comerciais chineses sobre as indústrias locais.

Esta semana, uma reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 terminou sem um comunicado conjunto, após divergências sobre os desequilíbrios comerciais globais.

A China lamentou a ausência de consenso e pediu aos Estados Unidos, que exercem este ano a presidência do grupo, que respeitem as preocupações de todos os membros.

4 Set 2026

Crédito Malparado | Julho com ligeira redução

Entre Junho e Julho, o crédito malparado apresentou uma redução de 4,5 por cento para 4,4 por cento, de acordo com a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Este número significa que de todo o dinheiro emprestado pelas instituições financeiras, 4,4 por cento estava por devolver, não tendo sido cumprido o prazo acordado.

De acordo com a mesma fonte, em Julho, os depósitos dos residentes cresceram 1,5 por cento em comparação com o mês anterior, totalizando 838,0 mil milhões de patacas, enquanto os depósitos dos não residentes tiveram uma quebra de 2,1 por cento, para 371,4 mil milhões de patacas. Os depósitos do sector público na actividade bancária cresceram 0,3 por cento para 270,5 mil milhões de patacas.

Ao mesmo tempo, os empréstimos internos ao sector privado decresceram 0,5 por cento em comparação com o mês anterior, para 473,9 mil milhões de patacas, enquanto os empréstimos concedidos ao sector externo decresceram 0,7 por cento, para 559,7 mil milhões de patacas.

4 Set 2026

Universidade de São José | Stephen Morgan sai da liderança

A instituição confirmou a saída do reitor que liderava a USJ desde 2020 e que concretizou o objectivo histórico de permitir a inscrição de alunos do Interior na universidade. No entanto, os motivos da desvinculação não foram divulgados

Stephen Morgan deixou de ser reitor da Universidade de São José (USJ), disse à Lusa uma porta-voz da instituição de ensino superior de Macau. A porta-voz afirmou que Morgan, um diácono natural do País de Gales, abandonou oficialmente na terça-feira a liderança da USJ, mas não mencionou quaisquer razões para a mudança.

Alejandro Salcedo passou a ser reitor interino, confirmou a mesma fonte. De acordo com a página da USJ na Internet, o académico espanhol já actuava como reitor substituto desde Dezembro, altura em que Stephen Morgan deixou Macau.

Em 2023, Morgan pediu ao Governo autorização para uma revisão curricular para reforçar o ensino do português, incluindo uma cadeira obrigatória de língua portuguesa nos quatro anos de todas as licenciaturas.

No mesmo ano, o reitor assinou um acordo que permite à USJ contar com professores do Instituto Português do Oriente para responder ao aumento das aulas de português como língua estrangeira.

Marco histórico

Em 2022, a USJ inscreveu os primeiros estudantes da China continental, mas na altura Stephen Morgan garantiu que Pequim não impôs à instituição quaisquer condições à liberdade académica. O reitor admitiu, no entanto, que a instituição prometeu que os estudantes da China continental não poderão mudar para cursos de Estudos Religiosos nem serão “sujeitos a qualquer forma de doutrinação religiosa”.

A universidade recebeu luz verde do Ministério da Educação chinês para admitir alunos da China, numa fase experimental, para os programas de pós-graduação em Arquitectura, Administração Empresarial, Sistemas de Informação e Ciências.

A USJ, criada em 1996 pela Universidade Católica Portuguesa e pela diocese de Macau, era a única universidade local sem autorização para receber estudantes da China, devido à ligação com a Igreja Católica.

Actualmente, a USJ partilha um espaço de 38.145 metros quadrados, na zona da Ilha Verde, com o Colégio Diocesano de São José 6, num ‘campus’ que acolhe cerca de dois mil estudantes.

4 Set 2026

Jogo | APE com aumento anual de receitas no primeiro semestre

A Asia Pioneer Entertainment (APE), dona da Bee Macau, a primeira fábrica de cartas de jogar do território, acaba de anunciar receitas totais de 33,9 milhões de dólares de Hong Kong relativamente ao primeiro semestre deste ano, o que representa um aumento de 47,3 por cento face a igual período do ano passado.

Em relação ao lucro líquido “aumentou 90 vezes para aproximadamente 2,3 milhões de dólares de Hong Kong”, também em comparação com o primeiro semestre de 2025. Estes dados, ainda não auditados, constam no relatório intercalar da empresa relativos ao primeiro semestre, com fim a 30 de Junho deste ano.

Recorde-se que, no início do mês passado, a APE estimava vir a alcançar entre 2,2 e 2,4 milhões de dólares de Hong Kong de lucros líquidos.

Para o segundo semestre, existe a expectativa de “consolidar [o mercado] de Macau e expandir [o negócio] à escala global”. Em relação à presença na RAEM, “as contínuas encomendas de aquisição e substituição por parte dos operadores de casinos continuam a reforçar a presença da APE no mercado, e também a sua base financeira”.

A APE aguarda ainda resposta quanto ao pedido de licenciamento como fornecedor nos Emirados Árabes Unidos, enquanto em Singapura “está a colaborar estreitamente com parceiros de produção no processo de licenciamento de produtos”. Também no Japão foi feito um pedido de licenciamento como fornecedor.

Allen Tat Yan Huie, presidente do conselho de administração e director-executivo, declarou que “o crescimento de 47,3 por cento das nossas receitas reflecte não só a nossa posição de liderança no mercado de Macau, mas também a nossa expansão estratégica de produtos”.

4 Set 2026

Segurança | Detectados mais taludes de risco

Nos primeiros seis meses do ano, as autoridades classificaram um total de 298 taludes como de risco, o que representa um aumento de três classificações em comparação com o ano anterior. Os números foram revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), na sequência de inspecções que envolveram vários serviços públicos.

“Entre Janeiro e Julho de 2026, as inspecções conjuntas realizadas pelo pessoal dos serviços interdepartamentais responsável pela avaliação da segurança dos taludes e as inspecções de rotina realizadas pelo Laboratório de Engenharia Civil de Macau totalizaram 13 acções, nas quais foram inspeccionados um total de 47 taludes, tendo aumentado em 3 o número de taludes em risco em relação ao ano de 2025”, foi revelado. “Presentemente, o número total de taludes em risco aumentou para 298, dos quais, os taludes de alto risco diminuíram para 1, os de médio risco diminuíram para 76 e os de baixo risco aumentaram para 221”, foi acrescentado.

A Península de Macau é a zona do território com mais taludes de risco, num total de 133 dos quais 38 são considerados de “médio risco” e 95 de “baixo risco”. Coloane é o segundo local com mais taludes de risco, 89, e o único onde foi detectado um talude “de alto risco”. Além disso, há 18 taludes de “médio risco” e 70 de “baixo risco”. Na Taipa, 76 taludes foram classificados como de risco, 20 de “médio” e 56 de “baixo”.

4 Set 2026

G20 | Pequim lamenta ausência de comunicado conjunto

A China lamentou ontem que a reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 tenha terminado sem um comunicado conjunto e pediu a Washington que respeite as preocupações de todos os membros.

“A China lamenta profundamente que a reunião não tenha conseguido emitir um comunicado”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Guo respondia a uma pergunta que atribuía a falta de consenso às divergências da China sobre a questão dos desequilíbrios comerciais globais, algo que o porta-voz não confirmou.

O representante da diplomacia chinesa limitou-se a afirmar que as diferentes partes manifestaram “pontos de vista distintos sobre as questões relevantes” durante a reunião, realizada entre segunda e terça-feira em Asheville, no estado norte-americano da Carolina do Norte.

Guo defendeu que o G20, enquanto principal fórum de cooperação económica internacional, deve abordar as grandes questões económicas mundiais de forma “objectiva, imparcial e equilibrada”, com base no consenso e na participação em condições de igualdade.

“A China espera que os Estados Unidos, enquanto presidência, trabalhem com todos os membros de acordo com estes princípios e respeitem plenamente as preocupações legítimas de todas as partes”, acrescentou.

A reunião de Asheville centrou-se, entre outros temas, no crescimento económico e na dívida soberana, com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, a defender uma redução dos obstáculos regulatórios e um maior crescimento económico como forma de conter os elevados níveis de endividamento.

3 Set 2026

Tóquio | Japão rejeita acusação de Putin sobre degradação de relações

O Japão considerou ontem inaceitável que o Presidente da Rússia tivesse responsabilizado as autoridades japonesas pela degradação das relações bilaterais, no âmbito da guerra na Ucrânia e após uma visita a ilhas disputadas com Tóquio.

Vladimir Putin afirmou na terça-feira no Quirguizistão que o surpreendia a postura de Tóquio “sobre a Rússia em geral”, embora não a reacção à deslocação a Iturup (Etorofu, para o Japão), a principal ilha das Curilas, administradas por Moscovo e reivindicadas por Tóquio.

“A difícil situação das relações bilaterais deve-se à agressão russa contra a Ucrânia, pelo que é inaceitável qualquer afirmação que pretenda atribuir a responsabilidade à parte japonesa”, reagiu o porta-voz governamental, numa conferência de imprensa em Tóquio.

Minoru Kihara considerou, no entanto, ser “vital gerir adequadamente as relações bilaterais” por a Rússia ser um país vizinho, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE. Assegurou ainda que o executivo da primeira-ministra Sanae Takaichi vai continuar a responder a Moscovo “da forma mais conveniente, tendo sempre em conta o interesse nacional”.

Dedos apontados

Nas declarações que proferiu em Bishkek, Putin afirmou que a Rússia não deu “nem um único passo para piorar as relações russo-japonesa” e que as tratou “com o máximo cuidado”.

“O deteriorar das nossas relações é inteiramente culpa do executivo japonês. O que fizemos contra o Japão? Absolutamente nada”, declarou, citado pela agência de notícias russa TASS. As relações bilaterais agravaram-se após o início da invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, quando o Japão se juntou às sanções contra a Rússia e Moscovo incluiu Tóquio na lista de países hostis.

A tensão aumentou no início de Agosto, quando Putin realizou a primeira visita desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai, nas Curilas). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros.

Na altura, Takaichi classificou a deslocação de Putin como “absolutamente inaceitável” e afirmou que a acção feria os sentimentos do povo japonês. Em sinal de protesto, Moscovo e Tóquio convocaram os respectivos embaixadores.

Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco.

Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.

3 Set 2026

Ensino | Novo ano letivo arranca em Macau com menos três mil estudantes

O ano lectivo 2026/2027 arrancou em Macau com cerca de 86 mil alunos, disse o responsável pela tutela da educação, menos três mil do que no ano anterior.

“O número de turmas do ensino secundário continua a aumentar devido ao ‘baby boom’ dos anos anteriores, enquanto o número de turmas do ensino pré-escolar está em tendência decrescente”, afirmou o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), ao canal chinês da emissora pública TDM, à margem de visitas às escolas no primeiro dia de aulas, na terça-feira.

No ano passado, na mesma ocasião, Kong Chi Meng revelou que o ensino não superior de Macau tinha um total de 89 mil alunos.

Kong confirmou também que, no novo ano lectivo, duas escolas foram fundidas. O Jardim de Infância Caritas passou a estar sob a alçada da Escola São João de Brito, um estabelecimento de ensino católico gerido pela Caritas de Macau. Em Junho, a DSEDJ disse à Lusa que existem entre nove a 11 escolas com intenção de fusão ou transformação.

No ano lectivo de 2025/2026, Macau tinha menos 26 turmas de creche do que no ano anterior, enquanto o número de educadores de infância diminuiu em 63, de acordo com dados citados pela deputada Ella Lei Cheng I em Abril.

Em Março, o único jardim-de-infância português de Macau, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, reduziu o seu corpo docente de 24 para 18 professores. Macau registou em 2025 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No primeiro trimestre de 2026, nasceram no território 690 bebés, menos 8por cento em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, segundo dados oficiais.

De acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População, a taxa de fecundidade total em Macau caiu em 2025 para 0,7 filhos por mulher em idade fértil, a mais baixa do mundo, juntamente com a vizinha região de Hong Kong.

Também a taxa de natalidade em Macau tem vindo a cair desde há 11 anos consecutivos, atingindo em 2025 outro mínimo histórico de 0,47 nascimentos por cada mulher entre 15 e 49 anos, segundo dados oficiais.

3 Set 2026

Balanço geral das cheias sobe para 1.114 mortos e 3.916 desaparecidos

As cheias que atingiram há uma semana o Nepal, junto à fronteira com a China, provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas, segundo um balanço provisório divulgado ontem pelas autoridades de gestão de emergências.

Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos.

Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias. Entre as vítimas no Nepal contam-se dezenas de crianças, enquanto centenas de restos mortais foram recuperados pelas equipas de emergência.

Centenas de cidadãos estrangeiros continuam também desaparecidos. Segundo um balanço anterior das autoridades nepalesas, pelo menos 583 estrangeiros estavam por localizar. As equipas de emergência resgataram mais de 6.500 pessoas, entre as quais cerca de 580 estrangeiros.

Na segunda-feira, o Governo nepalês enviou um pedido urgente de assistência financeira ao conselho do Fundo de Resposta a Perdas e Danos, mecanismo internacional criado para apoiar países vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.

Nunca visto

A inundação, descrita por observadores locais como a maior de que há memória na região, terá feito subir o nível das águas entre 15 e 18 metros acima do habitual, devastando localidades ao longo de cerca de 72 quilómetros do rio Trishuli.

As cheias destruíram também o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, entre o Nepal e a China, uma das principais vias de comércio bilateral, e afectaram dezenas de localidades.

A catástrofe atingiu igualmente o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete, onde as autoridades mobilizaram equipas de emergência para procurar desaparecidos e retirar residentes e turistas das áreas afetadas.

3 Set 2026

China beneficia cada vez mais do regresso de cientistas formados no estrangeiro

O número de cientistas chineses que regressam do estrangeiro aumentou mais de 40 vezes em menos de duas décadas, contribuindo para a crescente presença da China na investigação científica de elite, segundo um estudo divulgado pela Universidade de Stanford.

O número anual de investigadores que regressaram à China passou de 31, em 2004, para 1.409, em 2022, totalizando quase 10.000 cientistas durante o período analisado, mais de metade proveniente dos Estados Unidos.

A investigação, divulgada pelo Stanford Center on China’s Economy and Institutions (SCCEI), um centro de estudos da Universidade de Stanford especializado na economia chinesa, concluiu que o regresso destes investigadores está a contribuir não apenas para a produção científica individual, mas também para melhorar o desempenho dos colegas e instituições onde passam a trabalhar.

“Os cientistas que regressaram alimentaram a ascensão da China na ciência”, lê-se no relatório, intitulado “Brain Circulation and Knowledge Creation: Evidence from Elite Chinese Scientists”.

O estudo foi realizado pelos investigadores Shihang Ru, Heiwai Tang, Bernard Yeung e Xinbei Zhou e analisou mais de 600.000 artigos publicados entre 2003 e 2022 em algumas das revistas científicas mais selectivas do mundo, nas áreas da química, física e ciências da vida, além de várias publicações científicas generalistas.

A amostra abrange mais de 1,2 milhões de investigadores ligados a cerca de 65.000 instituições. Os autores consideraram como “regressado” um cientista de origem chinesa cuja afiliação profissional passou de uma instituição no estrangeiro para outra na China.

Durante o período analisado, a proporção de artigos publicados nas revistas científicas selecionadas com pelo menos um autor baseado na China passou de cerca de 4 por cento, em 2003, para 27 por cento, em 2022.

Mais citações

O peso científico da China aumentou também quando medido através das citações recebidas pelos trabalhos publicados: a percentagem atribuída a cientistas chineses baseados na China aumentou de cerca de 2 por cento para 25 por cento do total nas áreas analisadas.

Para os autores, isto significa que a crescente presença chinesa “reflecte cada vez mais influência real, e não apenas volume”.

O estudo identificou ainda efeitos sobre os investigadores que já trabalhavam na China. “Colaborar com um investigador regressado proporciona um impulso duradouro ao trabalho dos próprios cientistas locais”, segundo o relatório.

Entre cientistas que já tinham colaboradores internacionais antes de trabalharem pela primeira vez com um investigador regressado, a qualidade da investigação, medida através de um indicador baseado em citações, aumentou cerca de 8 por cento no ano dessa primeira colaboração e aproximadamente 15 por cento três anos depois.

Segundo os autores, os resultados sugerem que a melhoria resulta de capacidades específicas trazidas pelos regressados, entre as quais “conhecimentos especializados, familiaridade com o funcionamento das revistas de elite e acesso a redes internacionais”.

“Até os cientistas que nunca trabalham com um regressado beneficiam de ter mais deles por perto”, realça o documento.

A China começou a lançar programas específicos de recrutamento de talentos no estrangeiro em 2006, incluindo o programa Mil Talentos, em 2008, e uma iniciativa semelhante destinada a investigadores mais jovens, em 2011.

“O valor de recrutar cientistas de volta ao país reside apenas parcialmente na produtividade dos próprios regressados”, indica o relatório. “Uma parte substancial resulta da forma como a sua presença transforma os laboratórios, as colaborações e as culturas de investigação à sua volta”, acrescenta.

3 Set 2026

Médio Oriente | China pronta para ajudar a proteger transporte marítimo

A China está disponível para trabalhar com os países do Médio Oriente para proteger o transporte marítimo, declarou ontem o Presidente chinês ao homólogo egípcio durante um encontro no Cairo.

“A China está pronta para trabalhar com os países da região para salvaguardar a segurança das vias marítimas internacionais”, disse Xi Jinping a Abdel Fattah al-Sisi, informou a agência estatal chinesa Xinhua.

A declaração de Xi surge numa altura em que a guerra entre os Estados Unidos e o Irão perturba a logística na região rica em energia, de que a China é cliente. Xi também defendeu que as “ingerências externas” no Médio Oriente devem ser combatidas, referiu a Xinhua, citada pela agência de notícias AFP.

“Devemos defender o princípio de que os povos do Médio Oriente são mestres do próprio destino, opor-nos às ingerências externas e apoiar os países da região no reforço do diálogo para a paz e a segurança”, afirmou Xi. O Presidente da China chegou ao Cairo na terça-feira para uma visita de três dias, a primeira numa década.

3 Set 2026

Viagem | Xi visita Egipto e procura ampliar influência no Médio Oriente

O Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou uma visita de três dias ao Egipto, a primeira em uma década, numa altura em que Pequim procura aprofundar a influência económica e diplomática no Médio Oriente.

Xi chegou na terça-feira à noite ao aeroporto do Cairo, decorado com bandeiras chinesas e egípcias, onde foi recebido pelo Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. Os dois líderes tinham previsto uma reunião e uma visita de Xi ao Grande Museu Egípcio. A deslocação é a primeira do Presidente chinês ao Egipto em dez anos e a primeira ao Médio Oriente desde a visita à Arábia Saudita, em 2022. Sisi deslocou-se várias vezes à China nos últimos anos.

A visita ocorre numa altura em que Pequim procura apresentar-se como um factor de estabilidade no Médio Oriente, em contraste com os Estados Unidos, envolvidos militarmente na região durante décadas e, mais recentemente, na guerra com o Irão.

“A China continua a acumular reservas de ‘soft power’, enquanto os Estados Unidos sabotam as suas próprias”, escreveram este ano Amr Hamzawy, director do programa para o Médio Oriente do grupo de reflexão Carnegie Endowment for International Peace, e Kathryn Selfe, antiga investigadora da instituição.

Por ocasião dos 70 anos de relações diplomáticas entre os dois países, Xi e Sisi publicaram na terça-feira artigos na imprensa estatal egípcia.

Xi defendeu que Pequim e Cairo devem “alargar o âmbito da cooperação pragmática”, enquanto Sisi destacou os investimentos chineses no Egipto e reiterou o apoio do Cairo à posição de Pequim de que Taiwan faz parte da China.

O Egipto tem encarado o aprofundamento das relações com Pequim como forma de diversificar as parcerias estratégicas. O país aderiu em 2024 ao bloco de economias emergentes BRICS, visto como contrapeso às instituições internacionais dominadas pelas potências ocidentais.

No mesmo ano, Cairo assinou acordos com Pequim no âmbito da iniciativa chinesa Faixa e Rota, lançada por Xi para financiar e construir infraestruturas de transporte, energia e outras obras em dezenas de países.

Falam os números

A China investiu mais de 10 mil milhões de dólares no Egipto, incluindo na construção de um polo empresarial a leste do Cairo e de uma linha ferroviária eléctrica destinada à indústria no delta do Nilo. O comércio bilateral ronda 20 mil milhões de dólares anuais, segundo dados oficiais, contra 15,7 mil milhões de dólares nas trocas entre Estados Unidos e Egipto em 2025.

O Egipto continua, no entanto, a ser um parceiro fundamental de Washington na política de segurança para o Médio Oriente.

Pequim tem procurado simultaneamente assumir um papel diplomático mais relevante na região. Em 2023, mediou o acordo para o restabelecimento das relações diplomáticas entre o Irão, importante fornecedor de petróleo da China, e a Arábia Saudita, tradicional aliado dos Estados Unidos.

As relações entre Riade e Teerão deterioraram-se desde então, na sequência da guerra iniciada em Fevereiro entre o Irão, por um lado, e Estados Unidos e Israel, por outro.

Dois Estados

A China tem também defendido uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e, em 2023, Xi anunciou uma “parceria estratégica” com a Autoridade Palestiniana durante uma visita do Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, a Pequim.

A importância estratégica do Egipto aumentou ainda devido às perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz provocadas pela guerra com o Irão. O canal do Suez, controlado pelo Egipto, constitui uma rota alternativa fundamental para o transporte de energia para fora da região.

“A China tem boas razões para reforçar os laços com o país que controla a rota que permanece aberta”, afirmou Muhammad Zulfikar Rakhmat, especialista em Médio Oriente do Centro de Estudos Económicos e Jurídicos, com sede em Jacarta, citado pela agência Associated Press.

China e Egito realizaram, em Agosto, exercícios aéreos durante vários dias em diversas bases egípcias, que incluíram caças chineses J-16 e Rafale de fabrico francês ao serviço das forças egípcias.

Xi chegou ao Cairo após participar numa cimeira de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai, em Bisqueque, no Quirguistão, que reuniu, entre outros, os líderes da Rússia, Índia, Paquistão e Irão.

3 Set 2026

Moody’s | China reforça papel de empresas estratégicas para garantir segurança energética

A agência de notação financeira Moody’s indicou que Pequim está a atribuir importância estratégica crescente a empresas consideradas essenciais para garantir a segurança energética, perante as tensões geopolíticas e expansão de sectores com elevado consumo de electricidade.

Num relatório recente, a agência destacou os riscos decorrentes da “forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais”, apontando especificamente para o impacto da guerra no Médio Oriente e o consequente encerramento do estreito de Ormuz.

Antes do conflito, passavam por aquela via marítima cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás, segundo a Moody’s.

A agência afirmou ainda que a “rápida expansão” da inteligência artificial (IA), dos centros de dados, dos veículos eléctricos e da indústria transformadora avançada torna o acesso a energia “fiável, acessível e segura ainda mais vital para o crescimento económico e a competitividade tecnológica”.

“O objectivo da China é garantir a resiliência geral do seu ecossistema energético, capaz de apoiar a descarbonização, a competitividade industrial, a liderança tecnológica e um crescimento impulsionado pela IA”, resumiu.

Neste contexto, Pequim está a alargar o conceito de sectores estratégicos para além dos combustíveis, produtores de energia e operadores das redes eléctricas, passando a incluir também minerais críticos, equipamento nuclear, armazenamento de energia e construção de infraestruturas.

Entre as empresas que poderão beneficiar desta estratégia, a Moody’s destacou o grupo de infraestruturas energéticas PowerChina, o fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, o grupo mineiro Minmetals e a Shanghai Electric Holdings, um dos poucos fabricantes chineses de equipamento nuclear.

A agência ressalvou que a emergência de novas empresas consideradas estratégicas não deverá reduzir a importância dos grupos estatais que tradicionalmente dominam o sector energético chinês.

“As empresas de petróleo e gás continuam a ser fundamentais para a segurança dos combustíveis, a resiliência do abastecimento e a diversificação das importações, enquanto os produtores de eletricidade e operadores das redes continuam a sustentar a fiabilidade do sistema e o acesso a energia a preços comportáveis”, indicou.

Sol que brilha

Esta semana, o portal financeiro chinês Cailian informou que a capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão, assinalando uma mudança significativa na transformação do sistema eléctrico do país.

A China continua fortemente dependente do carvão em termos de produção efectiva de eletricidade, mas as fontes renováveis têm vindo a dominar cada vez mais a nova capacidade instalada. A segurança energética ganhou particular importância para Pequim desde o início da guerra no Irão.

Em Abril, semanas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das posteriores represálias de Teerão, incluindo contra outros países da região, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) apelou a uma melhoria da “segurança energética e dos recursos” e à preparação para “perturbações e desafios provenientes do exterior”.

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás comercializados mundialmente antes do início do conflito, afetou particularmente a Ásia, principal destino das exportações energéticas que atravessavam aquela rota.

A guerra chegou a provocar uma subida dos preços dos combustíveis na China e levou as autoridades a intervirem temporariamente, limitando os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual de cálculo.

O conflito trouxe, contudo, algumas vantagens comerciais para a China. As exportações chinesas de tecnologias ‘verdes’, setores em que o país ocupa uma posição dominante a nível mundial, incluindo painéis solares, baterias e veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, perante o impacto global da subida dos preços do petróleo.

3 Set 2026

Uma diferença fundamental entre seres humanos virtuosos e sistemas de IA robótica virtuosos: uma perspectiva confucionista (3)

Chenyang Li (continuação do número anterior)

Uma diferença fundamental entre a virtude da IA e a virtude humana

Tentei contornar questões tão complexas como a consciência das máquinas e a subjetividade moral na nossa discussão sobre a ética das máquinas de IA. A minha investigação centra-se em como as máquinas de IA podem ser virtuosas, em vez de se questionar se podem ter consciência, livre arbítrio ou tornar-se agentes morais no sentido kantiano.

A visão de Aristóteles sobre a virtude, em relação à função própria de uma coisa, proporciona uma ponte útil entre a virtude humana e a virtude não humana, sendo que esta última categoria inclui a virtude das máquinas de IA. Para Aristóteles, a virtude (arete) de uma coisa baseia-se na sua função própria (ergon). Nesta perspetiva, uma coisa não tem de ser um ser consciente para ter uma função própria e ser excelente (arete) no seu desempenho. Na ética confucionista, o conceito de virtude (de) aplica-se tanto aos seres humanos como ao mundo não humano. Nestas perspetivas, os sistemas robóticos de IA podem, sem dúvida, ser virtuosos.

A função adequada de um aspirador robótico, por exemplo, é limpar o chão. Se possuir qualidades como forte sucção, limpeza minuciosa, durabilidade, etc., limpa bem o chão e, por isso, é um aspirador robótico de qualidade. Os robôs de cuidados são concebidos para ajudar idosos ou pessoas com deficiência.

Estão programados para demonstrar qualidades como compaixão, paciência e responsabilidade no seu papel de prestadores de cuidados. Dependendo dos objetivos específicos, também podem ser programados para se moverem devagar e com cuidado, garantindo segurança e conforto enquanto auxiliam em tarefas físicas, como ajudar o utilizador a levantar-se ou a andar. O Paro, por exemplo, é um robô terapêutico interativo avançado, concebido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST) do Japão com o objetivo de estimular doentes com demência, Alzheimer e outras perturbações cognitivas. É capaz de utilizar o reconhecimento de emoções para detetar o estado emocional de um utilizador, como a tristeza ou a ansiedade, e responder com palavras reconfortantes, um tom suave e ações de apoio. Funciona com virtudes como a paciência, a gentileza e a fiabilidade. O Paro tem sido utilizado em hospitais e instituições de cuidados como ferramenta terapêutica em cerca de 30 países.26

Alguns poderão argumentar que, embora os robôs com IA possam comportar-se de forma virtuosa, ainda assim não podem ser virtuosos porque não possuem agência moral — a capacidade de intenção, compreensão e raciocínio moral —, nem são capazes de envolvimento emocional.

Tal argumento, no entanto, é circular, pois define a virtuosidade de uma forma restrita que exige essas qualidades.27 Além disso, a questão de saber se os sistemas robóticos de IA podem ter consciência e razão tem sido alvo de um debate aceso, sendo improvável que se chegue a um consenso sobre o assunto num futuro próximo, se é que tal consenso alguma vez será alcançado.28 De acordo com a perspetiva funcional adotada neste ensaio, baseada numa interpretação restrita da visão de Aristóteles sobre função e virtude, estas máquinas de IA são virtuosas na medida em que cumprem adequadamente as respetivas funções para as quais foram concebidas. A verdadeira questão é até que ponto a virtuosidade das máquinas robóticas de IA difere da da humanidade.

Esta abordagem de incluir entidades não humanas como capazes de ser virtuosas levanta outras questões

desafios à singularidade da humanidade no mundo. A singularidade humana sempre ocupou um lugar especial no coração da espécie humana. Durante muito tempo, acreditámos ser especiais porque pensávamos que a Terra estava no centro do universo. Esta ideia sugeria que o nosso lugar no cosmos era de uma importância única. No entanto, essa crença foi desfeita. A Revolução Copernicana do século XVI dissipou esta noção, quando Nicolau Copérnico demonstrou que a Terra não é o centro do universo, mas simplesmente um planeta em órbita à volta do Sol.

A sua teoria enfrentou forte oposição por parte de grupos religiosos, que a viram como um desafio à importância atribuída à humanidade. Desde então, tivemos de aceitar que nunca fomos o centro do universo.

Outra fonte da nossa perceção de singularidade era a crença de que fomos criados à imagem de Deus. No entanto, no século XIX, Charles Darwin abalou esta ideia reconfortante com a sua teoria da evolução. Darwin propôs que os seres humanos evoluíram a partir de espécies anteriores, tal como todos os outros seres vivos, e que a nossa forma física é o produto da evolução e não de um desígnio deliberado por parte de um poder superior. Para alguns, o impacto psicológico desta constatação aprofundou-se quando o filósofo alemão do século XIX Friedrich Nietzsche proclamou a famosa frase: «Deus está morto!» Esta afirmação sugeria que a humanidade já não podia confiar na autoridade divina para justificar o seu estatuto especial. Em vez disso, somos responsáveis por criar o nosso próprio sentido na vida.

Durante algum tempo, a nossa capacidade de raciocinar pareceu ser a última característica definidora que nos tornava únicos. No entanto, até isso foi posto em causa. Sigmund Freud argumentou que a mente humana consiste em três camadas: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente.

Ele sugeriu que o pensamento racional, que reside na mente consciente, é apenas uma pequena parte de uma psique muito maior e mais complexa. Segundo Freud, o comportamento humano é em grande parte moldado por forças inconscientes, o que significa que a racionalidade desempenha um papel muito menor do que se supunha anteriormente. Consequentemente, ele questionou se os seres humanos poderiam realmente ser definidos como seres racionais. Quer aceitemos ou não a teoria de Freud, a sua perspetiva obriga-nos a reconsiderar o pressuposto de que a racionalidade é a nossa característica definidora — é algo que precisa de ser provado, em vez de ser dado como certo.

A moralidade também tem sido considerada uma característica distintiva da humanidade. O Livro do Génesis diz-nos que Adão e Eva adquiriram o conhecimento do bem e do mal através da perda da sua inocência. Mencius e outros pensadores antigos defenderam que apenas os seres humanos nascem com sementes éticas e podem tornar-se seres éticos. Agora, temos de aceitar que as máquinas robóticas com IA também podem ser éticas, pelo menos no sentido de que podem ser virtuosas.

Mas será que isso torna as virtudes das máquinas de IA indistinguíveis da virtuosidade dos seres humanos?

seres? Existem diferenças evidentes. Por exemplo, os robôs com IA são fabricados para serem virtuosos de determinadas formas específicas, tal como se pretende que sejam. Quando os clientes adquirem um iRobot com defeito, que não cumpre a função para a qual foi concebido e, por isso, não é virtuoso, podem devolvê-lo ao fabricante para obterem uma substituição. Os seres humanos, no entanto, têm de tornar-se virtuosos, independentemente de possuírem ou não sementes inatas de virtude. Os seres humanos tornam-se virtuosos por habituação (segundo Aristóteles) ou por autoaperfeiçoamento (segundo Confúcio).

No entanto, essa diferença pode não ser tão clara como parece. As máquinas robóticas com IA também podem aprender a ser (mais) virtuosas. Um novo aspirador robótico pode aprender e traçar um mapa do seu novo ambiente e, assim, melhorar o desempenho na limpeza do chão. Além disso, uma máquina robótica com IA pode até ser mais virtuosa no desempenho do seu papel do que os seres humanos. Os robôs equipados com IA, por exemplo, podem ajudar os cirurgiões a realizar tarefas com ainda mais precisão e consistência do que os próprios cirurgiões humanos, podendo também ajudar a evitar complicações. Estas fronteiras difusas, no entanto, não significam que não exista uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos e os seres humanos virtuosos. A seguir, defenderei que uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos, por um lado, e os seres humanos virtuosos, por outro, reside na capacidade distintiva dos seres humanos de se tornarem abrangentemente virtuosos.

Tal como foi abordado na Secção 2 deste ensaio, para Confúcio, a virtude de uma pessoa concretiza-se em dois níveis. Um deles diz respeito às virtudes específicas. Uma pessoa pode ser inteligente, corajosa ou diligente. O discípulo de Confúcio, Zilu, por exemplo, era conhecido pela sua bravura, enquanto outro discípulo, Yanhui, se destacava pela sua dedicação à aprendizagem. O objetivo último da vida humana, para Confúcio, não é meramente possuir virtudes específicas ou servir apenas a um propósito específico (Analectos 2.12).

Uma pessoa virtuosa, enquanto ser humano, não é virtuosa apenas numa dimensão da vida. O objetivo último da vida humana é, antes, tornar-se uma pessoa dotada da virtude abrangente do ren.29 Na perspetiva confucionista, ser humano, em última análise, significa ser ren (ren zhe ren ye 嬬簅嬣憟).30 Da mesma forma, para Aristóteles, viver a vida humana ideal não se resume a possuir virtudes específicas. Embora ser um bom flautista exija a posse de algumas virtudes específicas para tocar bem a flauta, e ser um escultor exija certas virtudes específicas para ser um excelente escultor, isso não faz deles seres humanos virtuosos. Ser um bom ser humano, alguém que leva uma boa vida humana, exige que se busque uma vida virtuosa de acordo com a razão.

Essa é a vida de eudaimonia. Tal vida requer não apenas uma ou algumas virtudes específicas, como se verifica num bom flautista ou num bom escultor. Para Aristóteles, uma vida de eudaimonia requer uma variedade de virtudes específicas (NE 1.10 1101a 15–17), 31mas é mais do que uma mera coleção de virtudes específicas. Estas virtudes devem assentar num fundamento racional, característico do funcionamento adequado da humanidade. Uma vez que uma vida de eudaimonia exige que uma pessoa alcance a excelência no desempenho da sua função humana própria, podemos muito bem chamar a essa excelência «virtude», com base na definição de virtude de Aristóteles, mesmo que o próprio Aristóteles se recusasse a rotulá-la assim. Entendidas desta forma, apesar das suas diferenças noutros aspetos, as teorias éticas de Confúcio e de Aristóteles partilham uma estrutura comum de virtude em duas camadas. Numa camada, as virtudes são específicas; na outra, existe uma virtude abrangente, o «ren» ou a eudaimonia.

Na perspetiva defendida neste ensaio, uma diferença fundamental entre os sistemas de IA robótica virtuosos, por um lado, e os seres humanos virtuosos, por outro, reside no facto de, embora ambos possam ser virtuosos de formas específicas, apenas os seres humanos poderem desenvolver a virtude abrangente. Um robô de IA é sempre concebido, desenvolvido e fabricado para um ou vários fins específicos. O seu objetivo é possuir virtudes específicas que lhe permitam funcionar bem de acordo com os fins para os quais foi concebido.

Os seres humanos também têm objetivos específicos na vida. Alguns desses objetivos são escolhidos voluntariamente: ser flautista ou escultor, por exemplo. Outros objetivos são constituídos socialmente: ser filho ou filha, membro de um determinado grupo social. Para desempenhar bem esses papéis, é necessário desenvolver as virtudes correspondentes. A este respeito, existe um paralelo claro com os sistemas robóticos de IA. Entretanto, um ser humano, enquanto ser humano, não se define apenas nem se limita meramente a esses papéis. Possui um objetivo comum e uma virtude comum a cultivar. Em contrapartida, não existe um robô de IA, enquanto robô de IA, que transcenda os seus papéis específicos. Aí reside uma diferença fundamental entre sistemas robóticos de IA virtuosos e seres humanos virtuosos.

Conclusão

Vamos fazer um balanço e resumir. Para além das abordagens baseadas em princípios à ética das máquinas de IA, podemos também adotar uma abordagem baseada na virtude. A este respeito, as teorias éticas de Confúcio e de Aristóteles proporcionam-nos perspetivas valiosas. O argumento funcional de Aristóteles a favor da virtude permite-nos considerar os sistemas robóticos de IA como inequivocamente virtuosos, sem ter de debater o seu estatuto em relação à consciência e as questões da sua subjetividade moral.

Seguindo esta linha de pensamento, uma coisa é virtuosa se desempenhar bem a sua função própria; os sistemas robóticos de IA podem desempenhar bem as suas funções e, por isso, podem ser virtuosos, tal como uma pessoa pode ser virtuosa de formas específicas quando desempenha bem o seu papel específico. Além disso, tanto para Confúcio como para Aristóteles, para além das virtudes particulares que os seres humanos desenvolvem ao desempenhar os seus respetivos papéis na vida, existe também a virtude abrangente a alcançar num nível superior. A virtude abrangente é designada por «ren» em Confúcio e por «eudaimonia» em Aristóteles. Enquanto os sistemas robóticos de IA podem possuir virtudes específicas em resposta às suas funções específicas, apenas os seres humanos podem desenvolver a virtude abrangente a um nível superior. Isto marca uma diferença fundamental entre os sistemas robóticos de IA virtuosos e os seres humanos virtuosos.32

Notas

Ver Chenyang Li, «The AI Challenge and the End of Humanity», em Intelligence and Wisdom: Artificial Intelligence Meets Chinese Philosophers, ed. Song Bing (Springer, 2021), pp. 33–47.

Por exemplo, Michael Anderson e Susan Leigh Anderson (orgs.), *Machine Ethics* (Cambridge: Cambridge University Press, 2011). https://doi.org/10.1017/CBO9780511978036 .

Num ensaio anterior, argumentei que uma série de avanços na autocompreensão humana tem vindo a minar, de forma gradual e contínua, a suposta singularidade privilegiada da humanidade — incluindo os avanços de Copérnico, Charles Darwin, Nietzsche e Sigmund Freud — e que o rápido avanço da tecnologia de IA, capaz de imitar as atividades humanas de uma vasta variedade de formas, está prestes a ser a gota de água que faz transbordar o copo. Ver Li, «The AI Challenge and the End of Humanity».

Michael Anderson e Susan Leigh Anderson, «Machine Ethics: Creating an Ethical Intelligent Agent», AI Magazine 28:4 (2007): 15–26; ver também Anderson e Anderson, Machine Ethics.

Brent Mittelstadt, «Principles Alone Cannot Guarantee Ethical AI», *Nature Machine Intelligence* 1 (2019), 501–7. https://doi.org/10.1038/s42256-019-0114-4

Mittelstadt, «Os princípios, por si só, não podem garantir uma IA ética», 501.

Ibid.

Thilo Hagendorff, «Um quadro baseado nas virtudes para apoiar a aplicação prática da ética da IA»,

Philosophy & Technology 35 (2022): 55. https://doi.org/10.1007/s13347-022-00553-z

Hagendorff, «Um quadro baseado nas virtudes para apoiar a aplicação prática da ética da IA», 55.

Ibid.

As leis surgiram pela primeira vez no conto de Asimov «Runaround» (1942) e, posteriormente, tornaram-se extremamente influentes no género da ficção científica. Ver https://www.britannica.com/topic/ .

Li, «O Desafio da IA e o Fim da Humanidade».

David J. Chalmers, «Enfrentar o problema da consciência», Journal of Consciousness Studies 2 (1995), 202.

Wendell Wallach e Colin Allen, «Moral Machines: Teaching Robots Right from Wrong»

(Nova Iorque: Oxford University Press, 2008), Capítulo 4.

Wallach e Allen, *Moral Machines*, p. 117.

Michael Constantinescu e R. Crisp, «Can Robotic AI Systems Be Virtuous and Why Does This Matter?» International Journal of Social Robotics 14:1547–1557 (2022), p. 1552. https:// doi.org/10.1007/s12369-022-00887-w ; Os sistemas robóticos de IA podem ser virtuosos e por que é que isso importa?

Constantinescu e Crisp, «Podem os sistemas robóticos de IA ser virtuosos e por que razão isso é importante?», 1555.

Christine M. Korsgaard, *The Constitution of Agency: Essays on Practical Reason and Moral Psychology* (Nova Iorque: Oxford University Press, 2023), 152.

Wing-tsit Chan, *A Source Book in Chinese Philosophy* (Princeton, Nova Jérsia: Princeton University Press, 1963), p. 22.

Fang Ying-hsien 菾褔嫻, «磭嬬紶——簏蓏裛繨侹磾蒢» e «瘁©歶雰» (Sobre as origens do Ren: a sua evolução desde a era Shi-Shu até Confúcio). Dalu Zazhi ▲» (1976: 52.3): 22–34.

Neng xing wuzhe yu tianxia, weiren ye“籗潛澼粹匽跦, 为嬬鋿”. A segunda parte da afirmação, «weiren», tem sido frequentemente traduzida como «é ren». Ver Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, 46. Defendi que «weiren» deve ser traduzido como «conduzir ao ren ou pode permitir ou fazer com que uma pessoa seja ren». Chenyang Li, «Li as Cultural Grammar: the Relation between Li and Ren in the Analects». Philosophy East & West 57:3 (2007), 311–29.

Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, 40.

Ibid., 104; alterado de «homem» para o termo neutro em termos de género «humanidade». A frase em chinês diz «ren zhe ren ye 嬬簅嬣憟», literalmente «ser ren é ser ren». O primeiro «ren» representa a virtude abrangente e o segundo representa os seres humanos. Assim, significa que possuir a essência do ren é o que define a humanidade.

Terence H. Irwin, Ética a Nicómaco (com Introdução, Notas e Glossário, segunda edição) (Indianápolis: Hackett Publishing Co., 1999), 14.

Irwin, Ética a Nicómaco, 10.

https://robotsguide.com/robots/paro . Acedido em 12 de fevereiro de 2025.

Ver Constantinescu e Crisp, «Os sistemas robóticos de IA podem ser virtuosos e por que é que isso importa?»

Ver David J. Chalmers, Reality+: Mundos Virtuais e os Problemas da Filosofia

(W. W. Norton & Company, 2022).

Defendi que o «ren», enquanto virtude abrangente, é orientado para o cuidado e assenta no cuidado (ver Capítulo 2 de Chenyang Li, «Reshaping Confucianism: A Progressive Inquiry». Nova Iorque: Oxford University Press, 2023).

Chan, A Source Book in Chinese Philosophy, p. 104.

Irwin, Ética a Nicómaco, 14.

3 Set 2026

Wynn | 20.º aniversário celebrado com espectáculo de luzes

A operadora de jogo Wynn está há 20 anos em Macau e, para celebrar a efeméride, haverá espectáculo de luzes com drones às 20h este sábado e domingo, 5 e 6 de Setembro.

Segundo um comunicado, cada espectáculo terá a duração de 15 minutos, com três mil drones a “iluminar o céu nocturno num deslumbrante espectáculo de luzes”. No sábado, a performance terá lugar no lago do Wynn Macau. Já no domingo, o espectáculo acontece junto ao lago Nam Van.

O tema dos 20 anos é “Duas Décadas de Sucesso Partilhado, Empenhados na Parceria para um Futuro Sustentável”, adoptando-se a junção de tecnologia com arte para desenvolver um “conceito criativo” que aproxima o público.

Desta forma, combina-se a arte dos drones com uma coreografia artística, o que irá “transformar o céu nocturno de Macau, em junção com a arquitectura icónica do Wynn, num palco cativante”. “Guiados pela emblemática borboleta do Wynn, os espectadores embarcarão numa viagem visual por duas décadas de crescimento e progresso, celebrando a notável história que o Wynn e Macau escreveram em conjunto”, lê-se na mesma nota.

3 Set 2026

Justiça | Juristas aplaudem chegada de juízes portugueses

Dois juristas ouvidos pela TDM Rádio Macau consideram que a chegada dos dois juízes portugueses a Macau, Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Botica Quintas, é um “sinal muito positivo” dado por Pequim. Vitalino Canas, jurista e antigo chefe de gabinete do Governador Carlos Melancia, referiu que a China “certamente estará interessada em preservar esta identidade própria do sistema jurídico de Macau”.

“É uma mais-valia de que dispõe para desempenhar o papel de grande promotor ao nível mundial de vários movimentos”, acrescentou.

Já Eduardo Vera-Cruz Pinto, director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, disse tratar-se de “um sinal muito positivo”.

“A presença da língua portuguesa e do desenvolvimento de falantes de português em Macau e na China é de uma importância tão grande que a China entendeu isso. E, à medida que for melhor entendendo, a importância estratégica da relação entre Portugal e a China coloca a China melhor colocada na Europa, nos países africanos de expressão portuguesa e no Brasil”, frisou.

3 Set 2026

Saudel | Ciclone Tropical pode voltar a aproximar-se

Ontem, a probabilidade de o sinal n.º 3 de tempestade tropical ser içado devido à passagem do ciclone Saudel mantinha-se “relativamente baixa”, de acordo com a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (DSMG).

Todavia, nos próximos dias, o ciclone tropical pode aproximar-se da RAEM e levar a uma intensificação das chuvas e do vento. “A probabilidade de Macau ser afectado directamente pela sua circulação é relativamente baixa; assim sendo, a probabilidade de emissão do Sinal n.º 3 de Tempestade Tropical é relativamente baixa”, indicou a DSMG.

“No entanto, a trajectória de ‘Saudel’ na última metade desta semana ainda apresenta um elevado grau de incerteza, existe a possibilidade de rodar sobre si e aproximar-se novamente da Foz do Rio das Pérolas. Nessa altura, a intensidade do vento em Macau poderá aumentar, e os aguaceiros deverão intensificar-se”, foi acrescentado.

3 Set 2026

Obras | PJ alerta para esquemas de burlas

A Polícia Judiciária (PJ) alertou ontem para a ocorrência de esquemas de burlas relacionadas com obras em edifícios para a reparação de infiltrações de água.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a PJ descreveu que estes esquemas estiveram mais activos entre os anos de 2024 e 2025, com as vítimas a descreverem, nas redes sociais, como só perceberam o esquema de que tinham sido alvo depois da contratação da empresa e da conclusão da obra.

A PJ diz que este tipo de burla voltou ao território, já que até Julho deste ano houve oito denúncias, com perdas monetárias que variam entre 8,5 e 41 mil patacas. O valor total de perdas para as vítimas foi de cerca de 150 mil patacas. As autoridades explicaram que os burlões fazem propaganda dos serviços nas redes sociais, telefonam para o contacto de Macau e alegam que usam materiais que rondam as 600 e 990 patacas por libra de peso, mas o valor real é de algumas dezenas de patacas.

Na obra, é usada a maior quantidade possível de material que também não resolve o problema das infiltrações de água, vendo-se as vítimas obrigadas a pagar a reparação. Só depois deste processo é que as pessoas percebem ter sido enganadas, mas aí já não conseguem entrar em contacto com os burlões.

3 Set 2026

PCC | Hua Liebing assume fiscalização em Hong Kong e Macau

Hua Liebing vai ser o novo chefe do Grupo de Inspecção e Supervisão Disciplinar do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China. A informação foi divulgada através da mais recente actualização do portal online deste gabinete.

Segundo a informação oficial, Hua Liebing, nasceu em 1967 e é natural da cidade de Taicang, na província de Jiangsu. Antes da promoção, Hua Liebing trabalhava, desde 2023, como director do Departamento de Investigação de Crimes Económicos do Ministério da Segurança Pública da República Popular da China.

Hua sucede a Geng Changyou, que foi transferido para a província de Hebei em Novembro do ano passado, onde também assumiu funções de inspecção e supervisão disciplinar.

3 Set 2026

Sede do Governo | Renovado Mandato de Loi Chi Sang

Loi Chi Sang vai ser mantido como director dos Serviços para os Assuntos da Sede do Governo (DSASG) durante mais um ano.

A renovação do mandato que começou em 2024 foi publicada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho publicada pelo Chefe do Executivo. Loi é formado em Estudos Chineses pela Universidade de Macau, e entrou para Função Pública em 2014, como técnico no Gabinete de Comunicação Social (GCS).

Entre 2015 e 2021, foi técnico superior no Gabinete do Chefe do Executivo, até se mudar para a DSASG. Além de Loi, também o mandato de Pun Keng Sang, actualmente subdirector da DSAG, foi renovado pelo período de um ano. Pun desempenha este cargo desde Fevereiro de 2024.

As renovações surgem no âmbito da entrada em vigor de uma nova estrutura orgânica na DSASG, que passa a centralizar a gestão administrativa, financeira e informática da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais e do Gabinete de Comunicação Social.

3 Set 2026