Hoje Macau DesportoDíli | Rosa Mota vai disparar tiro de partida da Maratona Internacional A atleta Rosa vai disparar o tiro de partida, juntamente com o Presidente timorense, da Maratona Internacional de Díli, a realizar-se em 08 de Agosto, anunciou ontem a embaixada de Portugal e a Presidência timorense. “Ter a Rosa Mota em Timor-Leste mostra o nosso empenho neste evento desportivo de primeira linha. Díli tem-se posicionado como uma cidade de afirmação internacional, visibilidade e cruzamento de culturas”, pode ler-se numa publicação da Embaixada de Portugal na rede social Facebook. Na publicação, a embaixada, que também vai patrocinar o evento, agradece ao Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e ao Instituto Português da Juventude e Desporto pelo “apoio e entusiasmo com que acolheram a ideia”. A atleta, que chega a Díli em 04 de Agosto, foi a primeira mulher portuguesa a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, depois de em 1984 ter obtido a medalha de bronze na maratona olímpica de Los Angels, Estados Unidos. Num comunicado, a chefe da Casa Civil da Presidência da República, Henriqueta da Silva, destacou o patrocínio da Embaixada de Portugal em Timor-Leste como um “abraço lusófono”. “Uma recordação de que a distância entre Lisboa e Díli, em termos humanos e culturais, nunca foi grande e de que no próximo 08 de Agosto essa ponte será atravessada por oitenta mil passos de corredores dos nossos dois países e de todo o mundo”, afirmou Henriqueta da Silva. Durante a sua estada em Timor-Leste, Rosa Mota vai realizar seminários sobre estratégia de corrida e recuperação física com a equipa nacional de maratona timorense, visitar a exposição “Move-te por Valores”, promovida pelo Instituto Português da Juventude e Desporto e realizar visitas a escolas para promover a prática desportiva.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sismo faz desabar andar de centro comercial Um dos andares de um centro comercial no Japão caiu na sequência do terramoto de 7,1 de magnitude que abalou o sudoeste do país, prendendo várias pessoas nos destroços, avançou ontem a televisão pública NHK. O desabamento causou uma forte explosão, relatada inicialmente pela polícia, que ainda desconhece se há vítimas mortais e a extensão dos danos. A NHK já tinha avançado existirem pelo menos 50 feridos causados pelo desabamento de prédios, incêndios e cortes de energia na sequência do sismo. “Ainda estamos a avaliar a extensão dos ferimentos e dos danos materiais, mas fui informada de que há vários feridos. Há falhas de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e edifícios desabaram”, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, num comunicado televisivo. Segundo as autoridades locais, pelo menos 12 pessoas estão em estado grave devido a fraturas e ferimentos causados pelo colapso parcial de estruturas, sendo que 12 casas ruíram perto da cidade de Yatsushiro, na região central da província de Kumamoto. Além disso, adiantaram, um grande apagão deixou cerca de 48.000 casas sem eletricidade na província. A Agência Meteorológica do Japão chegou a emitir um alerta de ‘tsunami’ (maremoto) logo após o sismo, mas o aviso foi suspenso pouco tempo depois por o terramoto ter ocorrido em terra firme. Nível grave O sismo, que abalou violentamente a região, atingiu o nível máximo (7) numa escala separada utilizada no Japão, que mede a intensidade dos terramotos num determinado local. Imagens televisivas mostram pontes rodoviárias parcialmente destruídas, edifícios em chamas e comboios de mercadorias tombados. Não foram detectadas anomalias imediatas nas centrais nucleares da região, de acordo com a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão. Kumamoto já tinha sido atingida, há 10 anos, por dois sismos devastadores — um de magnitude 6,5, e outro, dois dias depois, de magnitude 7,3 na escala de Richter – que mataram 273 pessoas e feriram mais de 2.800. Um sismo de magnitude 7,2 também atingiu o norte do Japão a 25 de Junho, mas sem causar mortes ou danos significativos. O Japão é um dos países do mundo mais propensos a sismos, já que fica localizado na junção de quatro grandes placas tectónicas ao longo da orla oeste do Círculo de Fogo do Pacífico. O arquipélago, com uma população de cerca de 125 milhões de habitantes, sofre normalmente centenas de tremores de terra todos os anos e é responsável por cerca de 18 por cento dos sismos registados no mundo. A grande maioria destes sismos é de baixa intensidade, embora os danos que causam variem consoante a sua localização e a profundidade a que ocorrem abaixo da superfície da Terra. O país ainda carrega as cicatrizes do sismo submarino de magnitude 9,0 de 2011, responsável por um ‘tsunami’ que fez cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Ex-líder da oposição autorizado a ficar seis meses no Reino Unido O activista Wu Chi-wai foi autorizado a permanecer no Reino Unido como visitante, indicou ontem o advogado do antigo líder do Partido Democrático de Hong Kong, que já se reuniu com a família, após problemas na imigração. O advogado Paul Harris disse à agência Associated Press (AP) que as autoridades de imigração enviaram uma carta à defesa de Wu a indicar que o activista iria obter autorização para permanecer como visitante durante seis meses. A família de Wu reside no Reino Unido. A decisão das autoridades britânicas surgiu depois de a entrada de Wu, na semana passada, ao abrigo de uma fiança de imigração de sete dias, ter suscitado preocupações por parte de grupos de defesa dos direitos humanos e de cidadãos de Hong Kong que vivem no Reino Unido e no território chinês, escreveu a AP. Wu Chi-wai saiu da prisão de Hong Kong no mês passado, após cumprir quatro anos e cinco meses de pena por conspiração para subversão no âmbito do processo conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim. Wu foi o 20.º arguido a concluir a pena, num caso que envolveu 47 activistas acusados de planear “uma crise constitucional” através de eleições primárias não oficiais em 2020. Quarenta e cinco arguidos foram condenados e dois foram absolvidos neste processo. Wu afirmou numa entrevista à AP, no domingo, que só lhe foi permitido permanecer no Reino Unido até quarta-feira, uma vez que as autoridades fronteiriças britânicas consideravam que pudesse ter outros objectivos além de uma simples visita, incluindo a procura de residência de longa duração. Wu afirmou num vídeo publicado pelo meio de comunicação online Green Bean que se sentiu angustiado nos últimos dias e que estava feliz por, afinal, ter sido autorizado a passar mais tempo com a família. “Espero que todos os habitantes de Hong Kong possam viver bem e valorizar os seus entes queridos”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaNaufrágio | Resgatados 48 tripulantes de navio vietnamita afundado no mar do Sul O número de sobreviventes do navio de carga vietnamita que se afundou no sábado junto a um recife ocupado pela China subiu para 48, enquanto prosseguem as operações de busca por 14 tripulantes ainda desaparecidos. As operações de busca e salvamento envolvem equipas do Vietname, das Filipinas e da China. As autoridades vietnamitas anunciaram na segunda-feira o resgate de mais três dos 62 tripulantes que seguiam a bordo, sem divulgarem pormenores sobre a operação. O cargueiro Khoi Nguyen 18 afundou-se no sábado à noite nas imediações do recife Fiery Cross, uma ilha artificial construída pela China no mar do Sul da China. O ministério dos Negócios Estrangeiros vietnamita indicou que o navio se afundou devido ao mau tempo no mar do Sul da China e acrescentou que os 48 sobreviventes já foram entregues às autoridades vietnamitas, que lhes prestam assistência médica antes do regresso ao continente. Segundo plataformas de monitorização marítima, o Khoi Nguyen 18 é um navio de carga geral construído em 2017. O sistema de identificação automática (AIS) do navio registou a sua última posição em Março, ao largo da costa do Vietname, de acordo com a plataforma MarineTraffic. Ao abrigo de uma convenção das Nações Unidas sobre segurança marítima ratificada pelo Vietname, os navios de carga de grande porte devem manter permanentemente ligado o sistema AIS, que transmite a identidade, posição e rumo da embarcação. Hanói afirmou que mobilizou de imediato meios de busca e salvamento, em coordenação com navios de resgate chineses, helicópteros e outras embarcações que se encontravam na zona. A Guarda Costeira das Filipinas, que destacou um navio-patrulha e uma aeronave após um pedido das autoridades vietnamitas, afirmou que a operação decorre ao abrigo de acordos internacionais de segurança marítima e da cooperação bilateral entre Manila e Hanói.
Hoje Macau China / ÁsiaPresidente eslovaco defende em Pequim maior cooperação entre China e UE O Presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, afirmou ontem, em Pequim, que o seu país está disposto a promover o diálogo entre a União Europeia e a China, durante uma visita destinada a reforçar as relações bilaterais. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Pellegrini defendeu que as diferenças entre Pequim e Bruxelas devem ser resolvidas “através da consulta” e manifestou a disponibilidade da Eslováquia para contribuir para uma relação “mais estável” entre as duas partes. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou a Bratislava para desempenhar um papel “construtivo” na promoção do entendimento entre a China e a UE, numa altura em que as relações entre Pequim e o bloco comunitário atravessam um período de tensões políticas e comerciais. O líder chinês afirmou que ambas as partes devem concentrar-se nos interesses comuns e gerir as divergências através do diálogo, reiterando que Pequim considera a UE um “parceiro”. Pellegrini manifestou também o interesse da Eslováquia em atrair novos investimentos chineses, enquanto Xi propôs reforçar os intercâmbios nos domínios da cultura, turismo, desporto, juventude e cooperação entre administrações locais. Mais perto China e Eslováquia elevaram as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica em Novembro de 2024, durante uma visita do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a Pequim, na qual os dois governos acordaram aprofundar a cooperação. A aproximação política ficou também patente em Setembro de 2025, quando Fico foi o único chefe de Governo de um país da UE a participar no desfile militar realizado em Pequim para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, ao lado de Xi Jinping, do Presidente russo, Vladimir Putin, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Após a cerimónia, Fico afirmou que tinha sido “uma honra” participar no evento e criticou a ausência dos restantes dirigentes europeus, considerando que quem ficou isolada não foi a China, mas sim a União Europeia. A visita de Pellegrini, que termina na quarta-feira, dá continuidade à estratégia do Governo eslovaco de reforçar os laços económicos e políticos com Pequim. No início da deslocação, o chefe de Estado escreveu na rede social X que esta é a sua primeira visita oficial à China desde que assumiu a Presidência, em Junho de 2024, e apenas a segunda visita de um Presidente eslovaco ao país asiático. “Nestes tempos dinâmicos, é crucial para o nosso futuro reforçar estes laços”, escreveu.
Hoje Macau China / ÁsiaQuota das marcas automóveis estrangeiras cai abaixo de 25% pela primeira vez A quota de mercado dos fabricantes estrangeiros de automóveis na China caiu este ano abaixo dos 25 por cento pela primeira vez, devido ao rápido crescimento das marcas chinesas, sobretudo no segmento dos eléctricos, segundo dados citados ontem pela imprensa local. De acordo com a estimativa apresentada recentemente por Wang Qian, director-geral adjunto da fabricante automóvel chinesa Dongfeng, durante um fórum do sector, a percentagem inclui também as joint ventures’, como a que a Dongfeng mantém com a japonesa Nissan, classificando a situação como “inimaginável há apenas três anos”. O responsável afirmou que o crescimento do mercado chinês de veículos eléctricos pôs fim ao modelo tradicional do sector, em que os fabricantes estrangeiros forneciam a tecnologia e os parceiros chineses asseguravam a distribuição e vantagens de custos, em troca do acesso a um mercado de grande dimensão. Queda contínua Dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) mostram que os fabricantes estrangeiros e as suas empresas conjuntas com parceiros locais controlavam mais de 60 por cento do mercado chinês em 2020. Essa quota caiu para 28 por cento no primeiro semestre deste ano, um valor ligeiramente superior à estimativa apresentada por Wang. Segundo o portal de notícias Yicai, todas as grandes marcas estrangeiras registaram quedas significativas nas vendas na China entre Janeiro e Junho. A Volkswagen viu as vendas recuar 26 por cento, enquanto as japonesas Toyota, Nissan e Honda registaram descidas de 17 por cento, 15 por cento e 35 por cento, respectivamente. O segmento de luxo também foi afectado, com as vendas da Mercedes-Benz a caírem 28 por cento em termos homólogos no primeiro semestre, enquanto a Audi e a BMW registaram descidas de 19 por cento e 20 por cento, respectivamente. Perante este cenário, os fabricantes estrangeiros estão a acelerar a localização das suas operações na China, atribuindo maior autonomia às equipas locais na tomada de decisões e no desenvolvimento tecnológico, numa tentativa de recuperar competitividade e responder mais rapidamente às mudanças do mercado. Segundo Wang, a empresa conjunta Dongfeng Nissan conseguiu aumentar as vendas em 192 por cento em termos homólogos depois de elevar a proporção de veículos eléctricos nas vendas totais de 7 por cento para 30 por cento este ano, após o lançamento de três novos modelos eléctricos.
Hoje Macau China / ÁsiaEstudo | Financiamento chinês para energia verde no exterior atinge máximo histórico O investimento chinês em projectos de energia limpa alcançou, no primeiro semestre deste ano, valores nunca antes registados O financiamento chinês para projectos de energia verde atingiu um recorde de 20,1 mil milhões de dólares no primeiro semestre, ultrapassando o total de 2025, segundo um estudo divulgado ontem. Os dados constam de um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai, a “capital” económica da China. Do montante total, 11,8 mil milhões de dólares correspondem a projectos de construção e 8,3 mil milhões de dólares a investimentos. Segundo Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e financiamento da China na Universidade de Queensland e autor do estudo, o menor custo das energias renováveis continuou a impulsionar o investimento chinês, apesar das tensões comerciais. “O menor custo da energia verde tem impulsionado de forma consistente o investimento chinês e os países que cooperam com a China neste sector poderão beneficiar de uma menor volatilidade dos preços da energia causada pela guerra com o Irão”, apontou. O valor total dos projectos da iniciativa Faixa e Rota, um gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim, também atingiu um máximo histórico de 126,3 mil milhões de dólares no primeiro semestre, acima dos 123,3 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano passado. Desse total, 49,8 mil milhões de dólares corresponderam a investimento directo e 76,5 mil milhões de dólares a projectos de construção. Ritmo a acelerar Além da energia, aumentou igualmente o financiamento destinado aos sectores da indústria transformadora, tecnologia, metais e mineração. O ritmo do investimento acelerou num contexto em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo que aumentou a procura por infraestruturas eléctricas e centros de dados para responder ao crescimento da inteligência artificial (IA). Os dados oficiais das alfândegas chinesas mostram igualmente um aumento das exportações chinesas de tecnologias limpas nos últimos meses. Lançada por Xi Jinping em 2013, poucos meses após assumir a liderança da China, a iniciativa Faixa e Rota é considerada o principal instrumento de Pequim para reforçar a influência económica e as ligações comerciais com os países em desenvolvimento. Na semana passada, Xi anunciou uma nova coligação internacional destinada a promover a influência chinesa no desenvolvimento da IA, reforçando a ambição de competir com os Estados Unidos na liderança deste sector. Novo perfil O estudo indica também uma alteração do perfil dos participantes na iniciativa, com um peso crescente das empresas privadas. A participação do sector privado representou 48 por cento dos projectos no primeiro semestre, face a apenas 13 por cento em 2022. A iniciativa Faixa e Rota tem sido alvo de críticas devido ao alegado agravamento do endividamento de vários países em desenvolvimento, sobretudo em África. Apesar dessas críticas, os dados mostram que o interesse africano na iniciativa continua elevado, com o investimento chinês no continente a quase triplicar em termos homólogos no semestre em análise, para 33,5 mil milhões de dólares. Em contrapartida, não foram anunciados novos projectos no Paquistão nem na Rússia. Segundo Christoph Nedopil Wang, o envolvimento da Rússia permanece reduzido desde a invasão da Ucrânia, devido às dificuldades em substituir grandes projectos estatais por investimentos privados. O especialista acrescentou que o Paquistão, durante anos um dos principais parceiros da iniciativa, parece estar a reforçar a aproximação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que as relações entre a China e a Índia estabilizaram.
Hoje Macau Via do MeioA chávena de chá – Um objecto entre a história, a etiqueta e a memória familiar Por Tan Yuanyun Na vida quotidiana chinesa, os objectos comuns raramente se limitam à sua função prática. Uma chávena serve para beber, evidentemente, mas essa evidência é quase insultuosa, como dizer que uma biblioteca serve para guardar papel ou que uma avó serve para dar conselhos com uma precisão ligeiramente assustadora. Em muitos lares chineses, uma chávena de porcelana guarda calor, hábitos, hierarquias afectivas, pequenas normas de convivência e memórias que passam de geração em geração sem necessidade de proclamação solene. No meu caso, a chávena de porcelana branca que existe em casa da minha família tornou-se um desses objetos discretos que parecem nada dizer e, precisamente por isso, dizem quase tudo. Desde criança, lembro-me de haver sempre uma chávena de chá a fumegar algures em casa. Quando chegavam visitas, preparava-se chá; quando a família descansava depois das refeições, alguém segurava uma chávena em silêncio; quando surgia uma conversa difícil, o chá aparecia antes das palavras mais graves, como se tivesse sido convocado para impedir que os adultos transformassem um pequeno conflito doméstico numa tragédia clássica. Beber chá, nesse contexto, nunca significou simplesmente matar a sede. Significava criar uma temperatura comum, oferecer uma pausa, acolher o outro dentro de um gesto reconhecível. Sempre me intrigou o facto de uma chávena branca, simples, sem decoração exuberante e sem qualquer pretensão estética evidente, poder ocupar um lugar tão persistente na memória familiar. Ao contrário de objectos luxuosos, que parecem exigir admiração, esta chávena nunca pediu atenção. Permanecia ali, modesta, ligeiramente desgastada pelo uso, com uma autoridade silenciosa que nenhum copo novo, brilhante e moderno conseguia substituir. Este texto nasce dessa pergunta: como pode um objecto tão pequeno condensar história, etiqueta, corpo, afecto e continuidade familiar? A minha memória mais antiga remete para a chávena de porcelana branca que o meu pai usa há muitos anos. O seu desenho é simples, quase austero, e o tempo deixou nela sinais discretos de uso. Desde pequeno, reparei que as nossas chávenas eram pequenas e não tinham pega. Esse detalhe parecia-me, na infância, uma falha de design, talvez até uma espécie de conspiração contra os dedos das crianças. Num mundo ideal, pensava eu, uma chávena deveria ter uma asa evidente, generosa, civilizada, uma espécie de corrimão para mãos inexperientes. A minha avó, porém, ensinou-me que a ausência de pega possuía uma lógica própria, muito mais subtil do que a minha indignação infantil permitia perceber. O uso destas pequenas chávenas exige uma técnica corporal específica. Seguram-se com a ponta dos dedos, junto à borda, sentindo a temperatura antes de beber. A chávena comunica através do tacto: se estiver demasiado quente para ser segurada, o chá ainda não está pronto para ser levado à boca. A minha avó repetia isto com a serenidade de quem não precisava de grandes teorias para demonstrar uma verdade. O calor da porcelana torna-se uma forma de aviso, uma pequena pedagogia material. A espera deixa de ser uma ordem moral — “tem paciência” — e transforma-se numa evidência física: a mão compreende aquilo que a criança talvez ainda não aceitasse ouvir. Esse gesto pertence ao que se poderia chamar conhecimento corporal, ou shēntǐ zhīxìng (身体知性): um saber incorporado, aprendido pela experiência directa, pela repetição e pela sensibilidade táctil. A cultura transmite-se muitas vezes assim, sem manuais, sem discursos monumentais, sem que ninguém se sente à mesa para declarar: “Hoje vamos estudar a epistemologia da porcelana.” Felizmente. Aprende-se porque se toca, porque se espera, porque se queima ligeiramente a ponta dos dedos uma ou duas vezes e se descobre que a sabedoria tradicional, afinal, tinha razão. A minha avó também me ensinou uma regra que seguimos sempre em casa: chá mǎn qī rén (茶满欺人). A expressão significa que encher a chávena de chá até ao topo pode ser interpretado como um gesto rude, quase uma forma de pressionar o convidado. Quando eu era pequeno, esta regra parecia-me misteriosa. Na minha lógica infantil, mais chá significava mais generosidade; se meio copo era bom, um copo cheio seria uma espécie de prémio. A avó explicou-me que, ao servir os mais velhos ou os convidados, se deve deixar um pequeno espaço na chávena. Esse intervalo vazio exprime respeito, delicadeza e consideração pelo conforto do outro. Uma chávena demasiado cheia é difícil de segurar, pode queimar as mãos e sugere pressa, excesso, falta de atenção. A chávena ensina que a hospitalidade chinesa não reside na abundância descontrolada, mas na medida justa. Servir bem implica observar o outro, prever o seu gesto, proteger-lhe os dedos, permitir-lhe beber sem perigo e sem constrangimento. Há aqui uma ética minúscula, quase invisível, mas muito exigente. A delicadeza começa no espaço que se deixa por preencher. Curiosamente, a chávena confirma uma verdade que muita gente só aprende tarde: o excesso raramente é elegância. Na concepção chinesa da vida quotidiana, a chávena de chá relaciona-se também com o conceito de hé (和), harmonia. A sua forma arredondada sugere suavidade, continuidade e conciliação. Em criança, naturalmente, eu não pensava em harmonia cósmica ao olhar para uma chávena; pensava apenas que ela era menos agressiva do que outros objectos e que, quando não estava demasiado quente, cabia bem na mão. Só mais tarde compreendi que essa forma circular, sem ângulos violentos, participava de uma sensibilidade cultural na qual a convivência deve procurar equilíbrio, contenção e fluidez. Lembro-me de que, quando havia pequenos desentendimentos em casa, ou quando eu chorava depois de uma repreensão, alguém me trazia uma chávena de chá e dizia suavemente: xiān hē kǒu chá (先喝口茶), “bebe primeiro um gole de chá”. A frase funcionava como um botão de pausa, uma tecnologia doméstica de regulação emocional muito anterior às aplicações de meditação e provavelmente mais eficaz do que muitas delas. O chá não resolvia o problema, mas impedia que o problema ocupasse todo o espaço. Criava alguns segundos de respiração, baixava a temperatura da voz, devolvia ao corpo uma medida suportável. Com o tempo, percebi que essa era uma das formas concretas da harmonia familiar. A vida doméstica não é um território livre de conflitos; nenhuma família chinesa, portuguesa ou marciana vive permanentemente num anúncio de chá verde ao pôr-do-sol. Existem mal-entendidos, cansaço, irritações, palavras ditas depressa demais. A diferença está, muitas vezes, nos gestos que impedem a ruptura. Em minha casa, a chávena cumpria essa função: introduzia uma pausa entre a emoção e a resposta, entre a ferida e a palavra, entre a tristeza e a reconciliação possível. Há uma cena que nunca esqueci. Num Ano Novo Lunar, o meu avô veio visitar-nos. O meu pai escolheu, de propósito, a velha chávena de porcelana branca para lhe servir chá. Ao verter a água, a mão dele tremeu ligeiramente, e algumas gotas caíram sobre a mesa. O meu avô não fez qualquer comentário de reprovação. Pegou na chávena, bebeu um gole e disse, com calma: “Esta chávena continua a ser a mais confortável de usar.” Na altura, eu era demasiado jovem para entender o alcance daquela frase. Parecia uma observação banal, quase técnica, sobre ergonomia familiar. Hoje percebo que o meu avô falava da casa, da permanência, da continuidade de um afecto que se exprime melhor através de objectos usados do que através de declarações solenes. Aquela chávena dizia que a família continuava a reconhecer-se nos mesmos gestos. Dizia que o tempo tinha passado, mas alguns sinais permaneciam inteligíveis. Dizia que a tradição, quando é verdadeira, raramente precisa de se anunciar como tradição. Vive na escolha de uma chávena, no modo de servir, na mão que treme um pouco, no silêncio de quem recebe e compreende. Durante muito tempo, pensei que as pequenas chávenas de porcelana sem pega fossem apenas objetos vulgares. Essa percepção mudou quando, no primeiro ano do ensino secundário, visitei um museu e vi pequenos zhǎn (盏), taças da dinastia Song, ainda menores do que as chávenas usadas actualmente em minha casa. A guia explicou que, naquela época, era comum praticar o método do diǎn chá (点茶), no qual o chá em pó era batido até formar espuma, de modo parcialmente comparável ao matcha japonês contemporâneo. Fiquei surpreendido ao perceber que os antigos possuíam modos de beber chá bastante diferentes dos nossos e que um objecto aparentemente banal podia abrir uma porta para séculos de transformação cultural. Mais tarde, pesquisei sobre a evolução das chávenas chinesas e compreendi que o seu tamanho, a sua forma e o seu uso acompanharam mudanças profundas nas técnicas de preparação do chá. Na dinastia Tang, eram comuns taças mais largas; na dinastia Song, os pequenos zhǎn adequavam-se ao diǎn chá, que exigia uma bebida batida, concentrada e saboreada em pequenos goles; nas dinastias Ming e Qing, tornou-se mais popular o pào chá (泡茶), a infusão de folhas em água quente. Apesar dessas transformações, as chávenas conservaram geralmente dimensões reduzidas, porque o centro da experiência chinesa do chá reside no pǐn chá (品茶), isto é, no acto de degustar lentamente, distinguindo aromas, temperaturas, texturas e variações subtis de sabor. Aquilo que me parecera um simples detalhe de design revelava-se, afinal, parte de uma longa história do paladar, da técnica e da sensibilidade. A pequena chávena da minha casa não surgira do nada. Estava ligada a uma genealogia de práticas, materiais, gestos e preferências que atravessaram dinastias, transformações sociais e mudanças de gosto. O meu pai nunca pensava nestas origens históricas quando a usava; sabia apenas que aquela chávena lhe parecia confortável, familiar e tranquila. E talvez seja assim que muitas tradições sobrevivem: não através de discursos grandiosos, mas através da teimosia afetuosa de quem continua a usar o mesmo objeto porque ele já aprendeu a forma da mão. Hoje, bebemos café, chá com leite, bebidas geladas, infusões aromatizadas e líquidos com nomes tão modernos que quase exigem passaporte. Existem copos bonitos de todos os estilos, garrafas térmicas inteligentes, canecas com frases motivacionais e recipientes que prometem transformar a hidratação numa experiência de personalidade. Apesar disso, a pequena chávena tradicional nunca foi definitivamente guardada no armário da minha família. Sempre que regresso a casa dos meus pais, a minha mãe serve-me chá numa chávena semelhante, como se esse gesto bastasse para restituir, por instantes, a ordem íntima do regresso. Não sei explicar inteiramente por que razão ela me transmite tanta serenidade. A chávena não é particularmente bonita, não possui decoração preciosa e, por vezes, continua a ser quente demais para segurar com dignidade. Ainda assim, quando a tenho nas mãos, lembro-me do meu pai a beber chá em silêncio, da minha avó a corrigir a forma de servir, do meu avô a reconhecer a velha porcelana, das tardes lentas, dos pequenos conflitos apaziguados, dos regressos a casa e dessa continuidade discreta que a vida familiar constrói sem pedir aplauso. Para mim, a chávena não é um símbolo grandioso. Não precisa de o ser. A sua grandeza está precisamente na modéstia com que acolhe o quotidiano. É casa, família, gesto, temperatura, espera, memória e educação sensível. É uma pequena peça de porcelana branca onde cabem a história do chá chinês e a história privada de uma família. E talvez os objectos verdadeiramente importantes sejam assim: parecem pequenos porque não precisam de se exibir; permanecem connosco porque aprenderam, em silêncio, a guardar aquilo que somos.
Hoje Macau SociedadeGripe | Residente de 73 anos luta pela vida Um residente de 73 anos está internado em estado grave, depois de ter sido diagnosticado com gripe do tipo A. A informação foi divulgada ontem pelos Serviços de Saúde (SS). Segundo a informação oficial, o internado tem “antecedentes de doenças crónicas” e, no domingo, “começou a apresentar sintomas de febre, tosse, corrimento nasal e mialgia generalizada”. No primeiro dia em que apresentou os sintomas, o homem tomou medicação e ficou em casa. No entanto, na segunda-feira, depois de sentir falta de ar, foi à urgência do Hospital Kiang Wu. Foi na instituição médica que o idoso “sofreu uma perda de consciência repentina” e entrou em “paragem cardiorrespiratória”. “Necessitou de ventilação mecânica e foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos, onde se encontra actualmente em estado grave”, foi acrescentado. Segundo os SS, o homem tinha sido vacinado contra a gripe sazonal. Centro Médico | Realizada primeira operação de urgência O Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital revelou ontem que se realizou, no passado dia 21 deste mês, a primeira operação de urgência a um turista da China que teve uma paragem cardiorespiratória. Segundo um comunicado da unidade hospitalar, a equipa de cirurgia realizou com sucesso a primeira operação urgente de intervenção coronária percutânea, desobstruindo um vaso sanguíneo bloqueado. O doente foi depois transferido para a unidade de cuidados intensivos, estando neste momento estável. No mesmo comunicado, é referido que o doente já tinha um historial de doença cardíaca, tendo tido anteriormente um enfarte do miocárdio. No caso do episódio ocorrido em Macau, o homem desmaiou e foi depois levado ao hospital chegando à urgência em estado crítico.
Hoje Macau SociedadeMercado Tamagnini Barbosa | Mais de 220 propostas para sete bancas O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem ter recebido 222 propostas no concurso público para gerir e operar sete bancas de comidas do Mercado Tamagnini Barbosa. Das 222 propostas entregues, cinco foram rejeitadas por não cumprirem as regras do concurso. Em comunicado divulgado ontem, o IAM acrescenta ter analisado as “217 propostas aceites com base em cinco critérios principais: estratégia operacional, experiência e qualificações, horário de funcionamento diário, variedade de produtos e facilidade dos métodos de pagamento”. Após revisão, as autoridades chegaram a uma lista reduzida de candidatos, que serão notificados de acordo com um ranking de avaliação. O IAM espera que as bancas estejam em operação no primeiro semestre de 2027, com as concessões a terem uma duração de três anos. Será organizada uma sessão informativa para ajudar os candidatos escolhidos “a compreender melhor as precauções a tomar no arrendamento de bancas no mercado e os trâmites subsequentes para a abertura”. O IAM garante ainda que irá monitorizar e avaliar as operações das bancas, cujos contratos podem ser terminados se foram violadas regulações ou padrões de qualidade.
Hoje Macau SociedadeIAM | Detectado excesso de metal pesado em lírios secos a granel O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) detectou quantidades excessivas de cádmio, um metal pesado, num tipo de lírios secos à venda a granel no mercado, “ordenando ao estabelecimento em causa a suspensão da venda do produto afectado, e apelando aos cidadãos para suspender o seu consumo”. O lírio seco a granel em causa foi recolhido da Agência Comercial Lung Fat, na Rua da Praia do Manduco, em Macau. De acordo com o resultado da análise, a amostra do produto alimentar seco continha 0,536 ppm de cádmio – após conversão –, um teor superior ao estipulado nos “Limites máximos de metais pesados contaminantes em géneros alimentícios”, de Macau. O cádmio é um metal pesado contaminante, e a sua ingestão prolongada pode causar intoxicação crónica, provocando danos nas funções renais do corpo humano. No que diz respeito à análise do teor de cádmio detectado, o IAM refere que em condições normais de consumo, apresenta baixa probabilidade de ter impacto negativo para a saúde.
Hoje Macau SociedadeEleições | Condenado a pena de prisão suspensa por difamação Um residente local foi condenado com uma pena de prisão de cinco meses, suspensa por dois anos, pela prática de dois crimes de difamação, durante as eleições legislativas do ano passado. O homem vai ter também de pagar 10 mil patacas a cada uma das duas associações que o tribunal considerou terem sido difamadas. Segundo o jornal Ou Mun, durante o período das eleições, o homem publicou comentários na sua página do Facebook em que descreveu várias associações locais como “escumalha” e “desumanas”. Acusou ainda as associações de se oporem ao aumento salarial para os croupiers e de apoiar o Governo na importação de trabalhadores não residentes. O homem teve de responder em tribunal, depois de duas associações, não identificadas pelo jornal, terem apresentado queixa. Na decisão de condenação, o juiz apontou que apesar de o condenado ter reconhecido ter feito os comentários num momento de raiva, não apresentou qualquer prova para sustentar as suas alegações. Apesar da condenação, o homem foi ilibado da acusação do crime de coacção e artifícios fraudulentos sobre a comissão de candidatura.
Hoje Macau SociedadeFDCT | Quatro distinções para cientistas de laboratórios estatais O Fundo de Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia (FDCT) anunciou ontem as quatro distinções atribuídas a cientistas de Macau, entre os meses de Maio e Julho deste ano, em prémios de ciência nacionais. Um deles é o Prémio Nacional de Inovação e Excelência (Categoria Colectiva), criado pelo Governo Central chinês, onde foi distinguido o Laboratório de Referência do Estado para a Ciência Lunar e Planetária, situado em Macau, com o 4.º Prémio. Por sua vez, outra equipa de investigação científica de Macau, em cooperação com homólogos de Guangzhou, foi distinguida com o segundo lugar do Prémio Nacional de Progresso Científico e Tecnológico. Nesta equipa, incluem-se Zhu Yizhun, vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e director do Laboratório de Descoberta de Medicamentos a partir de Recursos Naturais (Centro de I&D), e Liu Zongquiu, da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Guangzhou. O projecto participante intitula-se “Construção e Aplicação do Sistema de Tecnologia Inovadora para a Análise do Mecanismo de Acção da Medicina Tradicional Chinesa Centrada em Substâncias Eficazes”. Outra distinção consta na lista dos galardoados com o Prémio Guanghua de Ciência e Tecnologia de Engenharia, criada pela Academia Chinesa de Engenharia e atribuída bienalmente. De entre 40 especialistas a nível nacional, dois são de Macau, nomeadamente Mak Pui In, director do Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Integrados em Muito Larga Escala Analógicos e Mistos; e Xu Cheng-Zhong, professor catedrático do Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente. Para o FDCT, estas distinções “representam um novo impulso para o desenvolvimento do sector científico e tecnológico de Macau”.
Hoje Macau PolíticaInclusão e Harmonia | Wong quer famílias monoparentais incluídas A deputada Wong Kit Cheng defende que as famílias monoparentais com filhos com menos de três anos e que não frequentam jardins-de-infância passarem a ser incluídas no Programa de Inclusão e Harmonia na Comunidade. O assunto foi abordado pela deputada ligada à Associação das Mulheres numa interpelação escrita. Este programa destina-se a auxiliar as famílias em dificuldades financeiras e prevê o pagamento de dois subsídios por ano, num valor que varia entre 2.900 patacas e 11.200 patacas, consoante o agregado familiar é composto por uma ou mais de oito pessoas. No entanto, as famílias monoparentais ficam excluídas do apoio se tiverem filhos com menos de três anos que não frequentam jardins-de-infância. Para a deputada, se esta situação for alterada, o Governo mostra um maior apoio “às famílias com crianças em diferentes etapas de crescimento”.
Hoje Macau PolíticaIdosos | Nick Lei pede medidas para resolver espera em lares O deputado Nick Lei pediu ao Governo medidas para aliviar as listas de espera nas admissões em lares de idosos. Em interpelação escrita, o deputado pede que as autoridades tenham como exemplo Hong Kong, onde são atribuídos subsídios para os idosos que estão à espera de acolhimento em lares para que possam escolher um lugar em Macau ou Guangdong. Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, argumentou que, actualmente, o tempo médio de espera por uma vaga é de aproximadamente 16 meses, e mesmo com o Governo a planear construir três novos lares na Zona A dos Novos Aterros, com cerca de 1.100 vagas, é difícil melhorar a pressão sentida. O deputado entende que o tempo de espera é demasiado longo, exigindo que seja criado um sistema de promoção profissional e certificação de competências na prestação de serviços a idosos, a fim de atrair mais residentes para a profissão. Nick Lei pede também uma melhor cadeia de fornecimento de medicamentos entre fronteiras para maior conveniência aos idosos.
Hoje Macau China / ÁsiaNaufrágio | China resgata 47 marinheiros de navio vietnamita O Governo chinês informou ontem que já foram resgatados 47 dos 62 marinheiros que se encontravam a bordo do navio vietnamita que se afundou na noite de sexta-feira em águas do mar do Sul da China. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian actualizou, numa conferência de imprensa, o número de sobreviventes, que passou de 44 para 47, e indicou que todos já foram entregues de forma ordenada às autoridades vietnamitas. “Depois de ter sido conhecida a situação de perigo em que o navio se encontrava, a parte chinesa iniciou de imediato operações de resgate, um gesto pelo qual a parte vietnamita expressou o seu agradecimento”, afirmou Lin. Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, o navio ‘Nanhaijiu 115’, operado pelo ministério dos Transportes, detectou um sinal luminoso de emergência e localizou dois grupos de botes salva-vidas que foram arrastados para águas próximas do recife Fiery Cross, conhecido na China como Yongshu, permitindo o resgate inicial de vários marinheiros de nacionalidade vietnamita. Apesar dos esforços realizados, vários tripulantes continuam desaparecidos, pelo que as operações de busca e salvamento prosseguem.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Seul acompanha cooperação entre russos e norte-coreanos O Governo sul-coreano acompanha de perto a cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang, depois de o Presidente ucraniano ter alertado para a possibilidade de a Coreia do Norte enviar mais 30 mil soldados para a Rússia. “O Governo está a acompanhar de perto os desenvolvimentos relacionados com a cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado divulgado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. Segundo a Yonhap, não há, de momento, indícios de qualquer envio adicional de tropas norte-coreanas. No sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nas redes sociais que Moscovo procura recrutar 30 mil soldados da Coreia do Norte, depois de ter sofrido quase 225 mil baixas militares em menos de sete meses de guerra na Ucrânia neste ano, 131 mil mortos e quase 93 mil feridos. O Governo sul-coreano insistiu que a cooperação militar entre Pyongyang e Moscovo viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e “deve cessar imediatamente”. Já o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou ontem que a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte, como o envio de tropas e a aquisição de armas e munições norte-coreanas pela Rússia, “não só agrava a situação na Ucrânia, como é motivo de séria preocupação devido ao seu impacto na segurança regional”. “Da nossa parte, continuaremos a recolher e a analisar informações relevantes, incluindo os últimos acontecimentos”, declarou Kihara. Segundo os serviços de informação sul-coreanos, Pyongyang enviou aproximadamente 15.000 soldados em apoio da Rússia na sua guerra contra a Ucrânia. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu moeda estrangeira, bens e tecnologia de Moscovo. O Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choe Son-hui, no Kremlin, em meados deste mês, pela segunda vez em menos de um ano.
Hoje Macau EventosAceites candidaturas para sexta edição do festival Rollout Decorre até 25 de Outubro, o prazo de submissão de vídeos e filmes sobre dança para a sexta edição do festival ROLLOUT, co-organizado pela Associação de Dança Ieng Chi, Associação de Arte Point View e Concept Pulse Studio. Segundo um comunicado, o convite para a submissão de projectos é endereçado a “artistas e criadores de todo o mundo”, pretendendo-se obter “criações interdisciplinares que utilizem o meio do cinema de dança para reflectir sobre as intersecções entre o corpo, a sociedade e a cultura”. Criado em 2016, o ROLLOUT já recebeu candidaturas de mais de 89 países e regiões, continuando a propor um reforço “dos intercâmbios criativos entre Macau, Ásia e a comunidade global do cinema de dança”. Desde a sua fundação que a organização do festival diz ter contribuído para a criação de uma “plataforma orgânica de cinema de dança que faz a ponte entre disciplinas, corpos e geografias, promovendo diálogos criativos entre artistas e plataformas artísticas locais e internacionais”. IA é novidade Em termos de categorias, o ROLLOUT inclui este ano três novas áreas, e que abrangem “o cinema tradicional, a tecnologia de ponta e a arte espacial”. No que diz respeito ao “Concurso e Exibição de Filmes de Dança”, são aceites obras originais com duração máxima de quinze minutos e que tenham sido produzidas a partir de 1 de Janeiro de 2024. Serão atribuídos o Prémio do Júri ROLLOUT para Filmes de Dança, o Prémio de Produção Asiática, os Prémios de Recomendação do Júri e os Prémios Escolha do Público. Destaque para a categoria “Concurso e Exibição de Filmes de Dança com IA”, ou seja, com foco na inteligência artificial, convidando-se os criadores a explorar estas ferramentas com obras de duração inferior a 15 minutos. Haverá, neste âmbito, as distinções Prémio ROLLOUT de Filmes de Dança com IA, Prémio de Filmes de Dança com IA Híbrida e Prémio de Animação de Dança com IA. Erik Kuong, da organização, afirmou querer ver como os autores dos vídeos e filmes “utilizam o pensamento inovador para reexaminar a presença e a existência humanas numa era em que o virtual e o real se entrelaçam”, isto no que diz respeito à categoria a concurso que promove a utilização de inteligência artificial. Já Chloe Lao, também da organização do festival, referiu querer “promover um diálogo mais profundo entre as perspectivas físicas e artísticas de Macau e as culturas cinematográficas internacionais, recorrendo à curadoria, a sessões de partilha com especialistas e a laboratórios de criação de cinema de dança para apoiar activamente as obras locais no palco global”. As submissões de vídeos podem ser feitas através da plataforma FilmFreeway, enquanto as submissões de instalações e propostas devem ser enviadas para inquiry@rolloutmacao.com.
Hoje Macau EventosEscritora Lídia Jorge recebeu Prémio Estatal Austríaco A escritora portuguesa Lídia Jorge, Prémio Camões 2026, recebeu ontem o Prémio Estatal Austríaco de Literatura, pelo conjunto da sua obra, atribuído pelo ministério austríaco da Cultura. A atribuição do prémio a Lídia Jorge foi anunciada no passado mês de Junho, pelo Governo austríaco, e a entrega vai realizar-se hoje, numa cerimónia no âmbito do Festival de Salzburgo. “Lídia Jorge é uma das escritoras mais destacadas da literatura europeia contemporânea; a sua obra é tão versátil e ramificada quanto significativos e omnipresentes são os seus temas”, disse o ministro austríaco da Cultura, Andreas Babler, citado pelo comunicado de anúncio do prémio. O governante austríaco lembrou então que, ao longo da carreira, Lídia Jorge tem lutado, através da sua escrita, de uma “forma altamente poética, pela igualdade dos povos”. O júri foi composto por Cristina Beretta, Thomas Keul, Thomas Macho, Marlene Streeruwitz e Andrea Zederbauer. Na declaração do júri, pode ler-se que “a crítica ao colonialismo europeu é um dos temas básicos da literatura de Lídia Jorge, como é a análise da desigualdade social e da pobreza, discriminação contra mulheres, racismo e a Revolução dos Cravos de 1974”. Vida a escrever Nascida há 80 anos, em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge estreou-se em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”. Com perto de dezena e meia de romances, da sua bibliografia fazem igualmente parte colectâneas de contos, obras de literatura infantil, de ensaio, de teatro, de poesia e de crónicas. Lídia Jorge recebeu vários prémios literários portugueses e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, de Guadalajara, em 2020, um dos mais importantes da América Latina, o Prémio Médicis para melhor livro estrangeiro publicado em França, em 2023, pelo seu mais recente romance, “Misericórdia”, e o Prémio Pessoa, em 2025, pela sua obra. No início de Junho, o Governo português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural. No passado dia 2, o ministério português da Cultura, Juventude e Desporto anunciou Lídia Jorge como vencedora do Prémio Camões 2026, o mais importante em língua portuguesa.
Hoje Macau China / ÁsiaXi manifesta apoio ao Brasil e rejeita “interferências externas” face a taxas dos EUA O Presidente chinês, Xi Jinping, manifestou ontem apoio ao Brasil na defesa da sua soberania e rejeitou “interferências externas”, durante uma conversa com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, em plena tensão comercial entre Brasília e Washington. Xi fez estas declarações durante uma conversa por telefone com Lula, informou o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). O chefe de Estado chinês afirmou que Pequim atribui “grande importância” ao estatuto internacional e à influência do Brasil e manifestou apoio para que o país sul-americano continue a dar “contributos” para a paz e a estabilidade regionais e mundiais. Xi defendeu ainda que a China e o Brasil, enquanto “membros importantes do Sul Global”, devem posicionar-se do “lado certo da história”, da “civilização e do progresso”, desempenhando um papel “mais construtivo” na reforma do sistema de governação global e na “defesa da justiça internacional”. Lula afirmou que a cooperação bilateral “desenvolveu-se rapidamente” em vários domínios, que o comércio entre os dois países voltou a atingir um máximo histórico e que o Brasil pretende reforçar a colaboração com a China nas áreas da inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento de empresas chinesas, segundo o Diário do Povo. Malditas tarifas A conversa ocorreu depois de os Estados Unidos terem anunciado recentemente tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. O Brasil rejeitou a legitimidade dessa investigação, anunciou que vai acionar a sua Lei da Reciprocidade e afirmou que vai voltar a apresentar o caso ao mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Governo de Lula defendeu que “não existe qualquer justificação” para medidas unilaterais contra o Brasil e acusou a família do ex-líder Jair Bolsonaro (2019-2023) de colaborar com a narrativa que, na sua perspectiva, conduziu ao novo agravamento das tarifas norte-americanas. Bons parceiros A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um máximo histórico de 171 mil milhões de dólares, mais 8,2 por cento do que no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Governo brasileiro. O Brasil foi também o país que mais investimento chinês recebeu nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, e, em Abril de 2026, tornou-se o principal destino das exportações chinesas de automóveis, veículos de novas energias e automóveis totalmente eléctricos, num contexto de crescente presença de empresas chinesas nos sectores automóvel, energético, mineiro e das infraestruturas.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Empresas industriais aumentam lucros em 18,7 por cento no primeiro semestre Os lucros das principais empresas industriais da China cresceram 18,7 por cento no primeiro semestre, em termos homólogos, ligeiramente abaixo do ritmo registado até Maio, mas mantendo a trajectória positiva iniciada em 2025, após três anos consecutivos de descidas. De acordo com dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), os lucros destas empresas totalizaram cerca de 3,95 biliões de yuan entre Janeiro e Junho. O crescimento até junho representa uma desaceleração de 0,1 pontos percentuais face ao registado até Maio, contrariando as previsões do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma subida para 19,2 por cento. Para esta estatística, o GNE considera apenas as empresas industriais com um volume anual de negócios superior a 20 milhões de yuan. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da eletrónica, cujos lucros quase duplicaram (+96,9 por cento) no semestre, impulsionados pela maior procura de capacidade de computação, na sequência do desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Segundo Yu, este sector foi responsável por 8,5 pontos percentuais do crescimento total do indicador. Entre os casos mais expressivos, figura a indústria de fabrico de circuitos integrados, cujos lucros aumentaram quase 27 vezes. O responsável assinalou ainda a melhoria registada na indústria de matérias-primas (+71,7 por cento), impulsionada sobretudo pelos metais, como o cobre e o alumínio, bem como o rápido desenvolvimento de novos setores de crescimento, incluindo os materiais não metálicos – como a borracha reciclada e os produtos de grafite e carbono – e os cabos de fibra ótica destinados a centros de dados. Perigos internacionais Outro factor favorável ao sector industrial foi a redução dos custos por unidade produzida, que, segundo Yu, tem vindo a diminuir desde o início do ano, permitindo que a margem média de lucro das empresas analisadas atingisse 5,7 por cento, o nível mais elevado desde 2024. O analista oficial alertou, porém, para o impacto de um contexto internacional “complexo e volátil”, para a incerteza quanto à evolução dos preços das matérias-primas e para desafios como a fraca procura interna e a pressão “significativa” sobre os fluxos de caixa das empresas. Em 2025, os lucros das empresas industriais cresceram 0,6 por cento, registando a primeira evolução positiva após três anos consecutivos de descidas: em 2022, recuaram 2 por cento; em 2023, 2,3 por cento; e, em 2024, 3,3 por cento.
Hoje Macau China / Ásia‘Chips’| Fabricante CXMT estreia em bolsa com valorização superior a 500% A fabricante chinesa de semicondutores CXMT valorizou ontem mais de 500 por cento na estreia em bolsa, impulsionada pela forte procura de acções ligadas à inteligência artificial (IA), tornando-se a empresa cotada mais valiosa da China continental. As acções abriram a negociar na Bolsa de Xangai a 49,50 yuan, face ao preço de oferta pública inicial (IPO) de 8,66 yuan, e continuaram a subir durante a sessão, atingindo 54,65 yuan. A valorização elevou a capitalização bolsista da empresa para cerca de 3,65 biliões de yuan, ultrapassando a tecnológica Tencent, cotada em Hong Kong, e tornando a CXMT na empresa chinesa cotada de maior valor. A empresa arrecadou 57,9 mil milhões de yuan com a emissão de 6,69 mil milhões de acções, naquela que foi a maior oferta pública inicial na China continental desde a entrada em bolsa do Agricultural Bank of China, em 2010. A operação inclui ainda a possibilidade de emitir cerca de mil milhões de acções adicionais, o que poderá elevar o montante angariado para perto de 10 mil milhões de dólares. O entusiasmo dos investidores reflecte a crescente procura por empresas ligadas à cadeia de abastecimento da IA, numa altura em que a escassez global de ‘chips’ de memória, impulsionada pela expansão desta tecnologia, tem sustentado a subida dos preços e dos lucros do sector. No topo A CXMT é actualmente o quarto maior produtor mundial de memória DRAM, utilizada em equipamentos como servidores, computadores, câmaras e outros dispositivos electrónicos, atrás da sul-coreana SK Hynix, da Samsung Electronics e da norte-americana Micron. Segundo o prospeto da oferta, os recursos obtidos serão utilizados para aumentar a capacidade de produção e reforçar a investigação e desenvolvimento de chips DRAM. A empresa opera três fábricas de produção de ‘chips’ de memória em Pequim e Hefei, capital da província oriental de Anhui, e afirma pretender aumentar continuamente a produção e reforçar a quota no mercado mundial. A consultora SemiAnalysis estima que a empresa atinja uma capacidade de produção de 350 mil ‘chips’ por mês até ao final deste ano, aproximando-se dos 385 mil da Micron, e alcance 500 mil até ao final de 2028. Depois de acumular perdas de cerca de 37 mil milhões de yuan ao longo da última década, a empresa regressou aos lucros este ano, registando um resultado líquido de 33 mil milhões de yuan apenas no primeiro trimestre. Grande parte destes lucros resulta da venda de ‘chips’ de memória para computadores pessoais, electrodomésticos e outros produtos eletrónicos de consumo, embora a empresa esteja também a desenvolver memória de elevada largura de banda (HBM), utilizada em centros de dados para IA. Contudo, analistas sublinham que a CXMT continua atrasada face aos principais concorrentes internacionais neste segmento, devido às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de equipamento avançado de fabrico de semicondutores, incluindo máquinas da neerlandesa ASML.
Hoje Macau SociedadeLeite em Pó | Hospitais com acesso prioritário para bebés Os hospitais do território implementaram uma política de atendimento prioritário para os bebés que consumiram leite em pó com excesso de chumbo. A informação foi divulgada pelos Serviços de Saúde (SS), através de um comunicado, que apenas ontem foi traduzido para português. Na mensagem, os SS indicam que têm “dado uma elevada importância” à ocorrência e que foi estabelecido um mecanismo de resposta que inclui “a criação de uma via verde na urgência pediátrica, uma linha aberta e uma consulta externa especial, para prestar serviços de exames médicos e consultas de saúde aos bebés e crianças necessitados”. Também o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), o Hospital Kiang Wu e o Hospital das Ilhas “disponibilizam uma via verde nos serviços de urgência pediátrica” para os bebés que tenham consumido o leite em pó em questão. “Os Serviços de Saúde apelam aos pais para que, caso os seus bebés ou recém-nascidos tenham consumido o leite em pó em questão, devem prestar […] atenção ao seu estado de saúde e, em caso de qualquer indisposição, devem recorrer ao médico o mais rapidamente possível”, foi também pedido. “Os Serviços de Saúde continuarão a manter uma cooperação estreita com os serviços públicos competentes, no sentido de garantir a saúde e a segurança dos bebés e recém-nascidos”, foi acrescentado. Segundo o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), o lote 1W07KPJ, com data de validade de 30/09/2027 da marca de leite em pó Frisolac Prestige 1 apresentou níveis excessivos de chumbo. Federação de Médicos | Pedida promoção de amamentação Face ao caso de uma marca de leite em pó com excesso de chumbo, a Federação de Médicos e Saúde de Macau defendeu a importância de promover a amamentação. Segundo o jornal Ou Mun, a secretária-geral adjunta, Wong Sio Sio, destacou que a Organização Mundial de Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância sugerem o começo da amamentação dentro de uma hora após o nascimento do bebé, e que a amamentação natural pura deve demorar seus meses. Só depois se deve complementar a amamentação com outros alimentos. A responsável explicou que o leite materno tem a nutrição perfeita para reforçar a imunidade dos bebés e das crianças, com vista a reduzir o risco de doenças. Além disso, Wong Sio Sio apontou que o leite materno evita alguns problemas alimentares associados à segurança do leite em pó. Olhando no futuro, Wong Sio Sio espera que as medidas de promoção amamentação em Macau sejam melhoradas, e que as empresas privadas disponibilizem tempo para as trabalhadoras amamentarem durante o horário de trabalho, assim como os espaços.
Hoje Macau Manchete PolíticaTribunais | Nomeados juízes portugueses para Primeira Instância As nomeações de Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas para o Tribunal Judicial de Base foram confirmadas ontem, com a publicação de um despacho em Boletim Oficial Os juízes portugueses Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram nomeados para os Tribunais de Primeira Instância, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial. Os dois magistrados “são nomeados, por contratação, pelo período de dois anos”, sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes, lê-se ainda na ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 23 de Julho, e que produz efeito a partir de 1 de Setembro. Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses – juízes e procuradores – no território. O único juiz vindo de Portugal a trabalhar no território actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminaria em Maio de 2026. Em Outubro de 2025, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) disse que Portugal está disponível, caso Macau demonstre interesse, para enviar novos juízes. O líder do STJ, João Cura Mariano, que por inerência preside também ao Conselho Superior de Magistratura (CSM), disse aos jornalistas durante uma visita a Macau que pretendia saber se o território tem interesse em contar com magistrados portugueses. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu. Portugal em dificuldades No entanto, o presidente do STJ sublinhou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou na altura João Cura Mariano. Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho – que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território – por mais dois. O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Ainda assim, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”. O presidente do STJ sublinhou o exemplo de Timor-Leste, onde existem “muitos juízes portugueses a colaborar no sistema judiciário timorense”, porque “são muito necessários”.