Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam novos mecanismos para tentar resolver disputa fronteiriça China e Índia acordaram criar dois novos grupos de trabalho sobre a disputa fronteiriça e reforçar os canais militares de comunicação, entre oito consensos alcançados durante uma reunião em Pequim, anunciou ontem a diplomacia chinesa. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião entre o ministro Wang Yi e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, as duas partes acordaram criar um grupo de peritos sobre delimitação e outro sobre controlo fronteiriço. O primeiro fica encarregado de avançar na delimitação dos sectores em disputa, enquanto o segundo abordará questões práticas relacionadas com a gestão da fronteira. Pequim e Nova Deli acordaram ainda acrescentar dois novos pontos para reuniões entre comandantes militares de nível general e estabelecer duas novas linhas directas militares nos sectores ocidental e central da fronteira. As partes comprometeram-se também a utilizar os “canais diplomáticos e militares existentes” para gerir “de forma atempada” quaisquer incidentes fronteiriços, resolver questões pendentes e evitar “mal-entendidos e erros de cálculo”. Encontros e desencontros O comunicado refere ainda o compromisso de prosseguir as negociações com base no acordo político alcançado em 2005 para a resolução da questão fronteiriça, visando encontrar uma solução “justa, razoável e aceitável para ambas as partes”. China e Índia avaliaram também positivamente a reabertura de três mercados de comércio fronteiriço e acordaram reforçar as trocas comerciais e as peregrinações nas zonas limítrofes. A reunião entre Wang e Doval ocorreu numa altura de aproximação bilateral e antes da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, prevista para Nova Deli, na qual poderá participar o Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou esta semana o jornal indiano The New Indian Express, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial da deslocação. China e Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020, no vale de Galwan, causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses e desencadeou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, os dois países têm dado passos para normalizar as relações, incluindo a retoma da emissão de vistos, do comércio fronteiriço e dos voos diretos, embora a questão territorial continue a ser o principal foco de fricção.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Hong Kong permite a liquidatários da Evergrande processar rede global da PwC Um tribunal de Hong Kong autorizou os liquidatários da gigante imobiliária chinesa Evergrande a avançar com um processo contra a estrutura global da PwC, no qual reclamam milhares de milhões de euros por alegadas falhas de auditoria. A decisão, proferida na quarta-feira, permite que os liquidatários processem a PwC International, entidade que coordena a rede mundial da consultora, juntamente com as afiliadas de Hong Kong e da China continental responsáveis pela auditoria das contas da Evergrande, noticiou o jornal Financial Times (FT). Os liquidatários reclamam cerca de 8,4 mil milhões de dólares em indemnizações às três entidades, depois de vários reguladores terem concluído que os auditores da PwC em Hong Kong e na China continental não cumpriram os padrões profissionais ao aprovarem as demonstrações financeiras da promotora imobiliária. “É pelo menos defensável que (…) a [PwC] International tinha um dever de diligência para com a [Evergrande]”, escreveu Patrick Fung, juiz-adjunto do Tribunal Superior de Hong Kong. “É crucial que haja divulgação de documentos e respostas a interrogatórios, o que, acredito, permitirá esclarecer melhor o caso”, acrescentou. A decisão representa uma vitória para Eddie Middleton e Tiffany Wong, da consultora Alvarez & Marsal, nomeados liquidatários da Evergrande. A Evergrande, que chegou a ser uma das maiores promotoras imobiliárias da China, entrou em incumprimento em 2021, acumulando cerca de 300 mil milhões de dólares em passivos. Os liquidatários alegam que a PwC International deve ser responsabilizada pelas falhas das firmas da rede em Hong Kong e na China continental, que terão permitido à Evergrande distribuir cerca de seis mil milhões de dólares em dividendos entre 2017 e 2020, apesar da situação financeira da empresa. Na China continental, a afiliada da PwC pagou, em 2024, uma multa de 441 milhões de yuan após o Ministério das Finanças chinês ter concluído que funcionários da consultora “ocultaram ou até toleraram” a fraude na Evergrande.
Hoje Macau EventosArtista japonesa Yayoi Kusama morre aos 97 anos A artista japonesa ‘avant-garde’ Yayoi Kusama, conhecida como a “Rainha das Bolinhas”, faleceu aos 97 anos, anunciou ontem a sua empresa, em comunicado. “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama num hospital de Tóquio, no dia 14 de Agosto de 2026, aos 97 anos”, refere o comunicado, sem fornecer mais informações sobre a causa da morte. Kusama “continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”, afirma a nota. Nascida em 1929, a artista, mundialmente famosa pelos seus padrões às bolinhas e instalações imersivas, imediatamente reconhecível pela sua peruca vermelha vibrante, inspirava-se nas alucinações que experimentava desde a infância. Nascida numa família abastada de comerciantes, Kusama sofreu de alucinações e transtorno obsessivo-compulsivo com tendências suicidas desde a infância, período durante o qual confessou em diversas ocasiões ter sofrido abusos físicos e psicológicos às mãos da mãe. Figura chave do psicadelismo e uma das artistas mais importantes do século 20, transformou este universo mental numa prolífica obra que abrange a pintura, a escultura, a performance, a literatura e a poesia. Formação em Artes Formada em Nihonga, um estilo tradicional de pintura japonesa definido no final do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Quioto (oeste do Japão), Kusama emigrou para os Estados Unidos no final da década de 1950, fugindo ao formalismo rígido do país natal e procurando construir uma reputação dentro da vanguarda artística. Na cidade de Nova Iorque, começou a criar obras de arte em espaços públicos, como o Central Park, onde realizou protestos contra a Guerra do Vietname. O activismo antiguerra da artista japonesa nasceu aos 16 anos, quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Apesar do sucesso nos EUA, onde influenciou contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg, Kusama regressou ao Japão em 1973, após o agravamento dos seus problemas de saúde mental. Em 1990, a artista internou-se voluntariamente numa instituição psiquiátrica, de onde continuou a produzir obras em diversos formatos. “Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Yayoi Kusama construiu uma carreira aclamada mundialmente como uma artista pioneira da vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia”, escreveu a sua empresa. “Daremos continuidade ao legado de Yayoi Kusama e, através da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”, acrescentou o comunicado. Kusama expôs em museus de todo o mundo e recebeu inúmeros prémios, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão. Em 2006, tornou-se a primeira mulher a receber o Praemium Imperiale da Associação de Arte do Japão, um dos mais prestigiados prémios de arte internacionais do mundo.
Hoje Macau SociedadeMercado da Taipa | Remodelação atrai visitantes As obras de revitalização do Mercado Municipal da Taipa levaram a um aumento de visitantes. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, no primeiro semestre registou-se uma média diária de 5,500 visitantes, quando antes essa média era de 1000 pessoas por dia. Os dados são do Instituto para os Assuntos Municipais e foram relatados pelo chefe do Departamento de Sanidade Animal e de Gestão dos Mercados do IAM, Leong Cheok Man. Este explicou que a introdução de novos tipos de mercadorias e operadores podem trazer um desenvolvimento sustentável ao mercado. Além disso, o responsável apontou que, dado que no Verão há muitos turistas, os comerciantes criaram campanhas promocionais para atrair mais visitantes.
Hoje Macau PolíticaEmprego | Nova acção para residentes com a MGM A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aceita candidaturas, em formato online, para mais uma acção de apoio ao emprego para residentes em parceria com a operadora de jogo MGM. Trata-se do “Plano de desenvolvimento do potencial de quadros qualificados em serviço de quartos da MGM” na modalidade “primeiro contratação, depois formação”. Segundo um comunicado, disponibilizam-se 10 vagas de emprego para a área de serviço de quartos, sendo que os candidatos admitidos irão receber uma formação profissional e prática em contexto real de trabalho, organizada pelo MGM, com a duração de 18 meses. Segundo a mesma nota, após a conclusão da acção de formação, com aproveitamento, os fomandos ficam na empresa e passam a “supervisor de serviço de quartos” ou a “supervisor de áreas públicas”, ganhando uma actualização salarial. O prazo de candidaturas termina a 10 de Setembro. No dia 21 desse mês ocorre uma palestra e entrevista presencial com os candidatos, sendo apresentados os conteúdos de formação do Plano e a estrutura do desenvolvimento da carreira profissional.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos em inundações Pelo menos 95 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou ontem inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais. Entre as mais de 400 pessoas desaparecidas estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP). O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09:00 e destruiu várias aldeias, estradas e projectos hidroeléctricos. As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel. O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e susceptíveis de ter afectado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP). A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. As inundações afectaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE. China afectada Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua. Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada. As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas. “A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua. As causas Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de ontem foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar. De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã. “O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização. “Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou. O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”. A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela acção humana. Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul diz que aeronaves militares russas entraram em zona de defesa sul-coreana A Coreia do Sul anunciou ontem que mobilizou caças, na terça-feira, depois de várias aeronaves militares russas terem entrado na zona de identificação de defesa aérea do país. O Ministério da Defesa esclareceu que as aeronaves não violaram o espaço aéreo sul-coreano. “As forças armadas sul-coreanas detectaram as aeronaves russas após entrarem na zona e accionaram caças da força aérea como medida de precaução”, explicou o ministério, em comunicado. As aeronaves russas entraram e saíram da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul sobre o mar do Japão, segundo a mesma fonte. Esta é uma zona tampão, distinta do espaço aéreo soberano de um país, onde as aeronaves estrangeiras são obrigadas a identificar-se por motivos de segurança. As aeronaves militares notificam normalmente os países envolvidos antes de entrarem no seu espaço aéreo, embora esta não seja uma exigência legal. Um incidente semelhante ocorreu em Junho, quando mais de dez aeronaves militares chinesas e russas entraram no espaço aéreo da Coreia do Sul sem o violar. Pequim afirmou na altura que as forças chinesas e russas tinham realizado uma “patrulha aérea estratégica” sobre o mar do Japão, o mar do Leste da China e o oeste do Oceano Pacífico. Moscovo, por sua vez, afirmou que a operação fazia parte dos planos regulares de cooperação militar e “não era dirigida contra nenhum país terceiro”. Seul, no entanto, protestou junto de Moscovo e Pequim, solicitando que tais incidentes não se repetissem. Novas amizades Em 2024, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, deslocou-se a Pyongyang — a primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século — e assinou com Kim Jong-un uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-1953), desencadeada por um ataque do Norte, terminou apenas com um armistício, sem qualquer tratado de paz. Em 16 de Agosto, o líder da Coreia do Norte expressou orgulho pela relação com a Rússia, numa carta enviada a Vladimir Putin. De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, Kim reafirmou ainda o apoio a Moscovo na guerra contra a Ucrânia, dizendo estar convicto de que o aliado prevalecerá sob a “sábia liderança” de Vladimir Putin. Dias antes, Putin tinha enviado uma carta a Kim por ocasião do 81.º aniversário da libertação, no final da Segunda Guerra Mundial, da península coreana da ocupação por parte do Japão. Em 13 de Agosto, o Presidente da Rússia visitou as ilhas Curilas, no Extremo Oriente, uma visita que provocou um forte protesto do Japão, que também reivindica o arquipélago.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | China com quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial A China representa quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial, percentagem que continuará a crescer, apontou ontem um representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). Numa apresentação sobre o sector organizada pela Câmara de Comércio França-Macau, o gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, Erik Chan, indicou que, no início do século, os Estados Unidos representavam dois terços (65 por cento) do tráfego interno mundial e a China detinha uma quota de apenas 6 por cento. Acrualmente, apontou, o cenário é de quase paridade, com a China a representar 29 por cento de todo o tráfego doméstico global (medido em passageiros-quilómetro pagos, só atrás dos Estados Unidos, que recuaram para 37 por cento. “Pode ver-se a força gigantesca da China a acontecer no mercado doméstico chinês, que está a crescer imenso”, afirmou Erik Chan. O responsável sublinhou que ter praticamente um terço dos voos internos do mundo concentrados no país reflecte “uma das maiores mudanças estruturais na história do sector, e demorou apenas 25 anos a concretizar-se”. Efeito dominó A expansão reflecte-se directamente no peso financeiro do sector. A China é actualmente o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 253,6 mil milhões de dólares entre impacto directo, indirecto e turismo associado. A China registou 380 milhões de viagens individuais na primeira metade de 2026, um aumento de 1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma sessão, Chan alertou que o actual conflito no Médio Oriente e os atrasos nas entregas de aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026. A dimensão do mercado interno chinês surge como um pilar crucial num momento de incerteza internacional, destacou Chan, ajudando a absorver os choques provocados pela subida dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves que afetam as rotas de longo curso. Líderes ecológicos O vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, Han Jun, disse que companhias aéreas chinesas operavam em Julho rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países de cinco continentes. No primeiro semestre do ano as viagens de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassaram 40 milhões, um aumento anual de 5,7 por cento. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA aponta a China como um futuro líder na transição ecológica da aviação. Com o avanço das metas globais de descarbonização até 2050, projecta-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em grande escala de Combustíveis Sustentáveis de Aviação. Perspectivando os próximos 25 anos, período em que a IATA prevê que o tráfego global mais do que duplique até alcançar 21 biliões de passageiros-quilómetros pagos em 2050, a liderança do mercado doméstico chinês será o grande motor da indústria. “A transição da América para a Ásia já aconteceu no espaço de 25 anos, e as projecções indicam que os próximos 25 anos vão empurram na mesma direcção”, concluiu Erik Chan. “Acima do horizonte, o centro de gravidade deste sector está a mover-se para a região da Ásia-Pacífico.”
Hoje Macau China / ÁsiaPequim prepara legislação anticorrupção com alcance além-fronteiras A China começou a analisar uma lei destinada a combater a corrupção transfronteiriça, que poderá alargar a jurisdição das autoridades chinesas ao estrangeiro e impor novas obrigações de conformidade às empresas do país com operações internacionais. A proposta de Lei Anticorrupção Transfronteiriça foi submetida na terça-feira a uma primeira apreciação pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, durante uma sessão que decorre até sexta-feira. O texto integral da proposta, composto por seis capítulos e 47 artigos, ainda não foi divulgado ao público. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a legislação pretende completar o quadro jurídico aplicável a assuntos externos, proteger os interesses nacionais e promover operações empresariais no estrangeiro em conformidade com a lei. A proposta visa ainda reforçar o “arsenal jurídico” disponível para a repatriação de fugitivos, recuperação de activos e tratamento de casos de corrupção com dimensão internacional. A legislação procura transformar em lei as práticas desenvolvidas ao longo de uma década de campanha anticorrupção e colmatar lacunas jurisdicionais, visando crimes financeiros cometidos no estrangeiro, apontou a Xinhua. Novos padrões Entre os principais obstáculos identificados pelas autoridades estão as dificuldades em detectar crimes, recolher provas, recuperar activos ilícitos e processar infrações cometidas fora das fronteiras chinesas. A proposta estabelece princípios, âmbito de aplicação e mecanismos para combater a corrupção transfronteiriça e obriga empresas chinesas com operações no estrangeiro a adoptar padrões rigorosos de conformidade, segundo a Xinhua. A iniciativa surge no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, após chegar ao poder, em 2012, e que se tornou uma das políticas emblemáticas da sua liderança. O presidente do Comité Permanente da APN, Zhao Leji, indicou no início do ano que a aprovação de uma lei contra a corrupção transfronteiriça seria uma das prioridades legislativas de 2026, no âmbito da aplicação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam negociações sobre disputa fronteiriça A China e a Índia acordaram terça-feira avançar nas negociações sobre a sua disputa fronteiriça, numa reunião em Pequim entre o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval. A decisão ocorre numa altura de aproximação entre os dois países e de uma possível visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Nova Deli. Wang e Doval lideraram terça-feira a 25.ª reunião de representantes especiais sobre a questão fronteiriça, na qual ambas as partes concordaram “procurar uma solução abrangente, justa, razoável e mutuamente aceitável para o problema fronteiriço”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Wang afirmou que os dois países devem colocar a questão fronteiriça numa posição “apropriada” dentro da relação bilateral, ao mesmo tempo que realçou que “as trocas e a cooperação institucionalizada entre os dois países tenham sido retomadas gradualmente”. Doval, por seu lado, assegurou no início da reunião que as conversações eram especialmente importantes quando se aproxima uma nova cimeira dos BRICS e destacou que, no último ano, a relação bilateral tem estado “a regressar de forma constante à normalidade”. A Índia está disposta “a gerir eficazmente as zonas fronteiriças” e a “explorar soluções para o problema”, afirmou o responsável político indiano, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O jornal indiano The New Indian Express noticiou esta semana que a reunião em Pequim ocorre num momento em que se admite como possível presença de Xi Jinping na cimeira dos BRICS, prevista para 12 e 13 de Setembro em Nova Deli, embora por agora não exista confirmação oficial da sua viagem. Se acontecer, seria a primeira visita do líder chinês à Índia em sete anos e abriria a porta a um novo encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, depois de ambos se terem reunido em Agosto de 2025 na cidade chinesa de Tianjin, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. Desacatos territoriais A China e a Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da sua fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020 no vale de Galwan, deixou pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses mortos e provocou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, ambos os países têm avançado gradualmente na normalização das suas relações, com a recuperação de vistos, a reabertura do comércio fronteiriço e a retoma dos voos directos, embora persistam diferenças territoriais e comerciais. Doval encontrou-se terça-feira com o vice-presidente chinês, Han Zheng, que pediu para que se aumente a confiança mútua e amplie a cooperação bilateral.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Fabricante chinesa de chips Enflame prepara entrada em bolsa A Enflame Technology, uma das principais ‘start-ups’ chinesas de semicondutores para inteligência artificial (IA), vai abrir em 02 de Setembro as subscrições para uma oferta pública inicial, visando captar 765 milhões de euros. Num comunicado enviado ontem à Bolsa de Valores de Xangai, a empresa indicou que vai vender cerca de 43 milhões de acções, a um preço ainda por determinar, embora na documentação apresentada no pedido de admissão à bolsa em Xangai tenha avançado que pretende captar cerca de seis mil milhões de yuan. A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do sector dos semicondutores para IA, juntamente com a MetaX, Moore Threads e Biren Technology, sendo a última deste grupo a avançar para bolsa. As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do 2025 e o início de 2026. A estreia da Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425 por cento na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693 por cento e a Biren 76 por cento.
Hoje Macau EventosÓbito | Cantora country Dolly Parton morre aos 80 anos A compositora, cantora e actriz norte-americana Dolly Parton morreu esta terça-feira, aos 80 anos, anunciou o sobrinho Brian Seaver, em nome da família, através de um vídeo nas redes sociais. “Dolly abriu portas a gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os caminhos da vida e por todos os continentes. Seguindo o seu exemplo, acreditámos que tudo era possível”, afirmou Seaver, responsável pela segurança de Parton nas últimas duas décadas, depois de o pai já ter exercido o cargo. Dolly Parton era “conhecida pelas suas curvas voluptuosas, perucas loiras volumosas e roupas justíssimas que reflectiam o seu humor autodepreciativo, foi uma das personalidades mais acarinhadas da música e de outros meios — uma celebridade rara cujo apelo transcendia gerações, geografia e política”, escreve a agência noticiosa Associated Press. O jornal britânico The Guardian, por seu turno, escreve: “Tão talentosa que escreveu duas das maiores canções do século XX – ‘Jolene’ e ‘I Will Always Love You’ – num único dia”. O diário acrescenta que “a composição de Parton se caracterizava pela sua narrativa vívida, acuidade emocional e força melódica, tudo cantado com uma clareza estridente”. Com um catálogo com centenas de canções, Dolly Parton obteve o recorde de 25 ‘singles’ número 1 na tabela ‘country’ dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com “9 to 5”, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980. Apelidada de “Rainha da Country”, conciliou a carreira musical com a representação, tendo sido por duas vezes nomeada para os Globos de Ouro, e o seu programa de literacia “Imagination Library” doou mais de 150 milhões de livros a crianças. Dolly Parton estreou-se em disco em 1967 com o disco “Hello, I’m Dolly”, primeiro de 50 álbuns de estúdio. Ao longo da carreira recebeu 11 prémios Grammy e três prémios Emmy, um Óscar honorário humanitário e um Tony.
Hoje Macau SociedadeTerminal de Hengqin | Realizado primeiro voo Realizou-se ontem o primeiro envio e voo da paletização de carga aérea no terminal de cargo “Upstream” em Hengqin, que tem ligação ao Aeroporto Internacional de Macau (AIM). As obras “estão a avançar a todo o vapor”, segundo um comunicado da Autoridade de Aviação Civil, estando prevista a sua conclusão para o primeiro semestre do próximo ano. Pretende-se, com esta infra-estrutura, “transferir para Hengqin os processos de recepção de exportação, controlo de segurança e paletização das cargas aéreas de importação e exportação do Aeroporto”. Ocorre, assim, “a interconectividade de mercadorias entre o Aeroporto Internacional de Macau e o terminal de cargo” em Hengqin. Espera-se que, no futuro, o terminal possa “processar anualmente 300 mil toneladas de carga”, sendo que, com o projecto de expansão do aeroporto, “a capacidade global de processamento de carga do Aeroporto de Macau saltará para 500 mil toneladas por ano”.
Hoje Macau SociedadeSaúde | Concluídas 13 cirurgias oculares no São Januário Profissionais do Centro Oftalmológico Zhongshan da Universidade Sun Yat-sen realizaram 13 cirurgias “complexas” às cataratas no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ). Segundo um comunicado dos Serviços de Saúde (SS), trata-se de “casos difíceis como cataratas maduras, miopia magna e cataratas de núcleo duro de grau 5”, sendo que, no dia seguinte, “realizou-se uma revisão centralizada” dos procedimentos por parte dos profissionais de saúde, “tendo todos os doentes recuperado favoravelmente após a intervenção”. Estas cirurgias resultam de uma cooperação entre as duas unidades de saúde, visando “apoiar o CHCSJ na melhoria da eficácia dos serviços especializados”. Foi também feita uma demonstração de um ensaio clínico neste contexto. Citado por uma nota dos SS, o seu director, Alvis Lo, destacou que “o Centro Oftalmológico Zhongshan é uma instituição de referência a nível nacional no domínio da oftalmologia, tendo alcançado um nível de excelência nos serviços médicos clínicos, na formação de quadros qualificados, na investigação e inovação tecnológica e na gestão hospitalar”. Fica a promessa de, no futuro, desenvolver mais cooperações “em áreas como a normalização de técnicas cirúrgicas, melhoria da eficiência operacional cirúrgica e introdução de projectos inovadores do Centro Oftalmológico Zhongshan”.
Hoje Macau PolíticaIAS | Teng Sio Hong nomeado vice-presidente O Chefe do Executivo nomeou Teng Sio Hong para o cargo de vice-presidente do Instituto de Acção Social (IAS), por um ano a contar do dia 23 de Setembro. A nomeação foi oficializada ontem, através de uma ordem executiva publicada no Boletim Oficial, na sequência de vacatura do cargo. A publicação destaca a “idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas” de Teng Sio Hong para o desempenho do cargo. O responsável era subdirector dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude desde 2021, depois de ter chefiado o Departamento de Coordenação das Instituições do Ensino Superior na mesma direcção de serviços. O novo vice-presidente do IAS entrou na função pública em 2009 para os quadros do Fundo de Segurança Social, antes de ingressar na Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. No currículo académico, Teng Sio Hong tem uma licenciatura em Economia (Finanças) pela Universidade de Fudan e mestrado em Administração Pública pelo Instituto Nacional de Administração da China.
Hoje Macau PolíticaAPOMAC | Jorge Fão pede “mais e melhor” para idosos Jorge Fão, dirigente da APOMAC – Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas da Função Pública, defendeu ontem que o Governo pode fazer “mais e melhor” pelos idosos. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, Jorge Fão referiu que se “o Governo fizer mais e melhor irá brilhar”, tendo a APOMAC proposto, neste sentido, a conversão do subsídio do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo em cuidados de saúde para os mais velhos. Outra sugestão da APOMAC, passa pelo ajustamento salarial de 3 por cento para funcionários públicos, tendo Jorge Fão classificado o actual modelo remuneratório na Administração como “ultrapassado e retrógrado”. A APOMAC apresentou, no total, um pacote de seis medidas a incluir, na sua visão, no relatório das LAG para 2027.
Hoje Macau PolíticaZona de Cooperação | Pong Ka Fui, da DSEC, na Comissão Executiva O responsável máximo pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Pong Kai Fu, passa a dirigir a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Segundo despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial, Pong Ka Fui passa a exercer estas funções a partir do dia 1 de Setembro, com comissão de serviço de dois anos. Além deste dirigente, foram nomeadas as chefias da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Autoridade Monetária de Macau e Instituto de Habitação, respectivamente: Cheung Wai, Ip Kuai Lam e Cui Ning, Sio U Lam exercem função de subdirector, Chan Kong On e Ng Chan Teng exercem função de chefe e subchefe de divisão. Na comissão, estes dirigentes recebem o semelhante à remuneração mensal do abono especial correspondente ao índice 250 da tabela salarial da Função Pública referente aos cargos de director e subdirector, e ainda relativa ao índice 200 para os cargos de chefe e subchefe. Tal significa um salário de cerca de 23 mil patacas para Pong Kai Fu e de 18 mil patacas para os restantes dirigentes.
Hoje Macau Manchete PolíticaTaiwan | Ex-representante em Macau detido em operação anticorrupção O ex-representante de Taiwan em Macau Chen Hsuehhuai foi detido e interrogado no âmbito de uma vasta operação anticorrupção das autoridades da ilha que também visou o seu irmão, o deputado do partido Kuomintang (KMT) Chen Hsuehsheng. Segundo meios de comunicação da Formosa, Hsuehhuai, que dirigiu o escritório de representação de Taiwan em Macau entre 2017 e 2019, foi libertado mediante caução de 100 mil dólares taiwaneses. O caso insere-se numa investigação conduzida pelo Ministério Público de Taipei, que suspeita de fraude e corrupção envolvendo salários fictícios de assessores parlamentares e benefícios indevidos concedidos por empresas de transporte marítimo. Um total de 27 pessoas foi levado para interrogatório, entre elas Chen Hsuehsheng, libertado sob caução de dois milhões de dólares taiwaneses, e vários familiares e colaboradores, com cauções entre 80 mil dólares taiwaneses e 500 mil dólares taiwaneses. Mais de 10 suspeitos foram libertados sem medidas adicionais.
Hoje Macau VozesAs Associações e o Futuro de Macau: Segurança e Responsabilidade Por Manuel Silvério – Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional / Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo Nos dois artigos anteriores sobre a reformulação do Regime Jurídico das Associações, procurei abordar duas questões naturalmente ligadas. Primeiro, a realidade associativa de Macau, que cresceu de menos de duas mil associações para mais de 12 mil. Depois, as relações que muitas dessas associações mantêm, há décadas, com organizações do Interior da China, de Hong Kong e do exterior. Chegamos agora a uma terceira questão, talvez a mais sensível: a segurança. Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China. A sua estabilidade, o seu desenvolvimento e o seu futuro estão necessariamente ligados ao quadro constitucional do País e à salvaguarda dos interesses fundamentais do Estado. Entretanto, o mundo mudou. As relações internacionais tornaram-se mais complexas, intensificou-se a competição geopolítica e surgiram novas formas de interferência. A segurança nacional tornou-se, por isso, uma preocupação cada vez mais presente nos diferentes Estados. Macau não pode estar à margem dessa realidade. Segurança do Estado e associações É neste contexto que deve ser compreendida uma parte importante da reforma agora em consulta. Edmund Ho veio também sublinhar publicamente esta dimensão. O primeiro Chefe do Executivo da RAEM e actual Vice-Presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês considerou que a revisão do Regime Jurídico das Associações visa defender a segurança do Estado e da RAEM, optimizar a afectação de recursos e promover o desenvolvimento saudável e sustentável das associações. Estas três dimensões — segurança, utilização responsável dos recursos e desenvolvimento sustentável do associativismo — mostram que a reforma não deve ser entendida apenas como uma alteração de procedimentos administrativos. A proposta prevê a intervenção da Comissão de Defesa da Segurança do Estado em determinadas situações relacionadas com a constituição ou cessação de associações. Para as associações já existentes, estão igualmente previstos mecanismos quando possam estar em causa situações susceptíveis de pôr em perigo a segurança do Estado. Parece-me compreensível que assim seja. A liberdade de associação é um direito legalmente reconhecido em Macau, mas, como qualquer direito, exerce-se dentro do ordenamento jurídico vigente. O mesmo princípio se aplica às relações externas das associações. Não vejo, por isso, necessidade de colocar a salvaguarda da segurança do Estado e as relações externas legítimas em campos opostos. A segurança é um princípio que deve ser preservado. Dentro desse enquadramento, a abertura, a cooperação e as relações internacionais legítimas podem continuar a desenvolver-se. O mundo muda e Macau também deve acompanhar a mudança Macau tem uma história muito própria. Durante séculos foi um lugar de encontro entre diferentes culturas e comunidades. Essa abertura permanece e continua a ser uma das características e riquezas de Macau. Mas abertura não significa ausência de regras. A realidade constitucional e política da RAEM é hoje clara. Diferentes períodos históricos tiveram circunstâncias próprias, que não devem ser automaticamente transportadas para a realidade actual. Há uma velha expressão que traduz esta ideia com simplicidade: «Em Roma, sê romano.» Uma associação de Macau integrada numa organização internacional deve naturalmente respeitar as regras dessa organização. Mas deve, antes de mais, cumprir as leis de Macau e assumir as responsabilidades decorrentes da sua existência e actividade na RAEM. Não há qualquer contradição entre as duas coisas. Seja no desporto, no escutismo, na comunicação social, na solidariedade, na juventude ou nas associações profissionais e empresariais, participar em redes internacionais significa conviver com diferentes regras e responsabilidades. O importante é que os limites sejam claros e que todos saibam como devem actuar. Segurança com proporcionalidade A segurança do Estado deve ser salvaguardada com firmeza. Mas a aplicação das regras deve também permitir distinguir situações diferentes. Uma associação que, há décadas, participa de forma aberta e regular nas actividades de uma organização internacional e cumpre as suas obrigações não pode ser simplesmente colocada no mesmo plano de uma organização utilizada para fins contrários à lei. Distinguir diferentes níveis de risco pode tornar a própria supervisão mais eficaz. Quanto mais claras forem as regras, mais fácil será para as associações que trabalham de boa-fé cumpri-las e para as autoridades concentrarem a sua atenção onde existam riscos efectivos. Segurança e proporcionalidade não são incompatíveis. Podem, pelo contrário, reforçar-se mutuamente. Proteger também os voluntários Por detrás de muitas associações de Macau estão dirigentes e colaboradores que dedicam voluntariamente anos das suas vidas ao serviço da sociedade. Não são necessariamente especialistas em direito, segurança, contabilidade ou relações internacionais. Uma reforma que torne mais claras as suas responsabilidades pode, por isso, ser também uma forma de os proteger. Saber o que deve ser comunicado, quais relações externas exigem determinados procedimentos, que documentos devem ser conservados e onde procurar orientação reduz a possibilidade de erros cometidos por simples desconhecimento. Isto também é boa governação. Não se trata apenas de criar obrigações. Trata-se de permitir que as pessoas saibam claramente quais são essas obrigações e possam cumpri-las. Preparar Macau para o futuro Talvez seja aqui que esta discussão ultrapasse a própria reforma das associações. Associações efectivamente activas, regras claras, dirigentes conscientes das suas responsabilidades, utilização criteriosa dos recursos públicos, relações externas desenvolvidas dentro da legalidade e mecanismos adequados de protecção da segurança do Estado são elementos de uma sociedade mais organizada e institucionalmente mais forte. Esta dimensão ganha particular significado num momento em que Macau define as prioridades do seu desenvolvimento económico e social para o período de 2026 a 2030. E instituições fortes não servem apenas para resolver os problemas de hoje. Servem também para preparar o futuro. Fala-se por vezes de 2049 como se fosse uma linha distante no calendário. Não me parece necessário antecipar interpretações jurídicas ou políticas sobre aquilo que acontecerá então. Há algo mais simples e útil que podemos fazer desde já: construir boas práticas. Quanto mais sólidas forem as instituições de Macau, mais claras forem as regras e maior for a confiança entre Administração e sociedade, melhor preparada estará a RAEM para enfrentar qualquer etapa futura. A melhor preparação para o futuro começa no presente. Reformar para consolidar confiança Foi esse o fio que procurei seguir nestas três reflexões. Reformar o Regime Jurídico das Associações parece-me necessário perante uma realidade que mudou profundamente. Mas reformar não significa apenas fiscalizar mais. Significa também conhecer melhor, distinguir situações diferentes, orientar, proteger quem trabalha de boa-fé e assegurar que os recursos públicos são utilizados com responsabilidade. Significa igualmente reconhecer que Macau continua ligado ao País e ao mundo, mas que essa abertura se exerce dentro do quadro constitucional e jurídico da RAEM e tendo como princípio fundamental a salvaguarda da segurança do Estado. Uma sociedade pode ser aberta e segura. Pode manter relações internacionais e exigir transparência. Pode proteger a liberdade de associação e exigir responsabilidade. Pode reforçar a fiscalização e, ao mesmo tempo, proteger os muitos voluntários que dão vida às suas associações. Talvez o verdadeiro valor de uma boa reforma esteja precisamente aí: transformar princípios em boas práticas quotidianas e, através delas, reforçar a confiança no funcionamento das instituições. É também através de instituições sólidas, responsabilidade, segurança e confiança que se pode continuar a consolidar, na prática, o princípio de «Um País, Dois Sistemas» em Macau. Porque o futuro de Macau não se prepara apenas quando o futuro chegar. Começa a preparar-se hoje. *Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional (Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)
Hoje Macau China / ÁsiaChina vai defender-se face a ameaças comerciais dos Estados Unidos A China avisou ontem que fará tudo para “defender firmemente” os seus interesses, depois de os Estados Unidos terem anunciado a intenção de cortar os recursos económicos do Irão e ameaçado quem apoiar Teerão. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um novo pacote de sanções ditas secundárias, visando não o Irão directamente, mas os parceiros comerciais de Teerão nos sectores do ouro, tecnologia, activos digitais, aviação e transporte marítimo. Washington impôs igualmente novas sanções a 60 indivíduos, empresas e navios acusados de ajudar o Irão a gerar receitas petrolíferas, a obter armas e a conduzir acções de guerra digital. As sanções da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, visam entidades em todo o mundo, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e Europa. “A China tomará todas as medidas necessárias para defender firmemente os seus direitos e interesses”, reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Lin disse que “as pressões máximas exercidas no âmbito de uma guerra económica não resolvem” os problemas. “Apenas servem para agudizar as tensões e os conflitos, provocar efeitos de contágio, desestabilizar a ordem económica e financeira mundial e prejudicar os direitos e interesses legítimos de outros países”, afirmou. A China é um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro, de acordo com a empresa de análise Kpler. “A cooperação entre a China e o Irão sempre se enquadrou no âmbito do direito internacional e não pode ser travada nem comprometida”, afirmou Lin Jian.
Hoje Macau China / ÁsiaGuangxi | Tufão Narra obriga à retirada de 54 mil pessoas O Narra obrigou a retirar mais de 54 mil pessoas no sul da China, após provocar chuvas torrenciais e inundações. Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, a tempestade afectou pelo menos 61 mil pessoas na região de Guangxi, das quais 54 mil foram retiradas de forma preventiva, para evitar riscos. As chuvas associadas ao tufão fizeram ainda com que 10 rios e 15 estações hidrológicas ultrapassassem os níveis de alerta. O estreito de Qiongzhou, entre a província de Guangdong e a ilha de Hainan, suspendeu ontem o tráfego marítimo como medida preventiva. O impacto do Narra concentrou-se sobretudo em zonas do sul de Guangxi, onde várias localidades sofreram inundações, cheias repentinas e danos em infraestruturas, enquanto as equipas de emergência prosseguem os trabalhos de prevenção e resposta. As autoridades meteorológicas chinesas prevêem que o núcleo do tufão, que se encontrava ontem sobre o norte do mar do Sul da China, continue a avançar lentamente para oeste e noroeste e atinja a costa com intensidade de tempestade tropical forte. A combinação do ciclone com os fluxos de monção poderá prolongar a precipitação e aumentar o risco de inundações urbanas, cheias em pequenos rios e deslizamentos de terras. Entretanto, a China mantém sob vigilância o Saudel, o 18.º tufão da temporada, que atingiu a categoria de supertufão e cuja trajectória poderá aproximá-lo do leste do país nos próximos dias, após atingir as ilhas de Okinawa, no sul do Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Xi defende solução diplomática para conflitos O rei Abdullah II da Jordânia encontrou-se com Xi Jinping Pequim para discutir a crise no Médio oriente e fortalecer os laços com o país asiático O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu segunda-feira um cessar-fogo abrangente e uma solução diplomática para o conflito no Médio Oriente, durante um encontro em Pequim com o rei Abdullah II da Jordânia. “Defendemos um cessar-fogo abrangente e a resolução dos litígios por meios políticos e diplomáticos, com o entendimento de que a soberania e a segurança dos países da região, incluindo a Jordânia, devem ser respeitadas”, afirmou Xi. O Presidente chinês considerou que a questão palestiniana está “no cerne” dos problemas do Médio Oriente e defendeu uma solução assente em quatro princípios. Xi apontou, em primeiro lugar, para uma solução política baseada na criação de dois Estados, defendendo o regresso às negociações de paz e a constituição de um Estado palestiniano “o mais rapidamente possível”. O líder chinês defendeu também uma governação palestiniana, incluindo na Cisjordânia, e a reconstrução da Faixa de Gaza após a guerra, assim como os princípios do humanitarismo, da equidade e da justiça. Pequim pretende que sejam abordados simultaneamente “os sintomas e as causas profundas”, através de medidas destinadas a alcançar uma solução “rápida, abrangente, justa e duradoura” para a questão palestiniana. Xi destacou igualmente o papel “único e importante” da Jordânia no Médio Oriente e manifestou o “firme apoio” da China à salvaguarda da soberania, segurança e interesses nacionais do país. O Presidente chinês defendeu o reforço dos contactos entre os dois países a diferentes níveis, incluindo entre governos, partidos políticos, órgãos legislativos e autoridades locais. “A cooperação entre a China e a Jordânia é essencialmente mutuamente benéfica”, afirmou Xi, defendendo o aprofundamento das relações em sectores tradicionais como comércio, infraestruturas, transportes e mineração, além da expansão para novas áreas. O líder chinês manifestou ainda disponibilidade para reforçar a coordenação com Amã em instituições multilaterais, incluindo as Nações Unidas, e para defender conjuntamente “a ordem internacional baseada no direito internacional”. Valores da imparcialidade Por seu lado, Abdullah II afirmou valorizar muito a posição “imparcial e consistente da China em relação aos assuntos regionais e o seu apoio à justa causa dos países árabes”. “A Jordânia está disposta a manter uma comunicação fluida com a China e a continuar a envidar esforços positivos para aliviar a situação actual, para que os povos do Médio Oriente possam desfrutar de paz e prosperidade”, acrescentou o líder jordano. O monarca reiterou também o apoio de Amã ao princípio de “Uma Só China”, considerando Taiwan “parte integrante” do território chinês, e manifestou interesse em receber mais investimentos de empresas chinesas na Jordânia. Abdullah II afirmou ainda esperar que a China desempenhe “um papel de liderança mais significativo a nível global”.
Hoje Macau EventosGastronomia | EL&N Deli & Bakery abre portas no Mercado Kam Pek Pão, pastelaria e café. Eis os produtos pelos quais é conhecido o EL&N Deli & Bakery, novo espaço gastronómico a funcionar no Mercado Kam Pek, bem no coração de Macau, e que está também de portas abertas no Grand Lisboa Palace. Ambos os espaços estão sob alçada da operadora de jogo Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Segundo um comunicado, o que se apresenta ao público é “um novo conceito de padaria e bebidas” com ligação à área do Life&Style, tendo em conta a decoração do espaço e o formato de funcionamento. O negócio tem localização central na Avenida de Almeida Ribeiro. “Situado no centro histórico de Macau, o Mercado Kam Pek tornou-se um animado centro de gastronomia contemporânea, juntando conceitos inovadores num dos bairros mais característicos do território. A EL&N Deli & Bakery proporciona um sítio convidativo de paragem depois de explorar a ‘San Ma Lo’ e ruas circundantes, seja para saborear um doce acabado de sair do forno ou para levar algo prático”, no formato take-away, pode ler-se. A marca traz dois produtos “criados em exclusivo” para Macau, como é o caso do “EL&N Deli Special Pineapple Bun with Butter”, ou seja, o tradicional pão com crosta, barrado a manteiga, e que é típico de Hong Kong. Apresenta-se ainda o cheesecake de San Sebastián, estando também disponível uma selecção de “bebidas exclusivas” enlatadas e prontas a levar. Fundada em Londres em 2017 por Alexandra Miller, a EL&N passou de um café em Mayfair a “fenómeno global de estilo de vida com um público fiel”. A SJM procura, com esta nova abertura, apostar na diversidade de locais gastronómicos e de oferta, é referido na mesma nota.
Hoje Macau EventosGrand Lisboa Palace acolhe edição 2026 do Fortune Leaders Forum O empreendimento Grand Lisboa Palace, no Cotai, será palco da edição deste ano do Fortune Leaders Forum, a 8 de Setembro. Segundo um comunicado, o evento “reúne os principais executivos, especialistas em inovação e decisores globais”. Incluem-se também empresários que constam na lista Fortune 500, ligados a sectores como negócios, finanças, viagens, área de cuidados de saúde e outros. Num evento que conta com a presença de Daisy Ho, directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), concessionária que detém o Grand Lisboa Palace, pretende-se “explorar a agenda empresarial global em constante evolução, num contexto de transformação impulsionada pela Inteligência Artificial e de mudanças geopolíticas”. O tema da edição deste ano do Fortune Leaders Forum é “Liderança na Era da Convergência e da Complexidade”, centrando-se nas “questões que os líderes têm de enfrentar no actual ambiente empresarial”, nomeadamente “geopolítica, incerteza económica, transformação organizacional e as dinâmicas em constante mudança que moldam a tomada de decisões em tempo real”. Da IA à Grande Baía Outros oradores presentes no painel de conferências, a 8 de Setembro, são David Mann, economista-chefe para a região da Ásia-Pacífico da Mastercard e Serene Nah, directora-executiva e chefe para a região da Ásia-Pacífico da Digital Realty, empresa americana com sede em Austin especializada na gestão de centros de dados. Um dos painéis matinais do Fórum intitula-se “The Global Economy: Signals for the Year Ahead”, com Andrew Staples, co-presidente do Fortune Leaders Forum e Louis-Vincent Gave, dirigente da Gavekal, empresa do sector financeiro de Hong Kong. Destaque ainda para o painel “New Strategies for Growth: Walmart’s Next 30 Years in China”, que analisa a presença desta empresa americana no país, e que vai contar com os testemunhos de Christina Zhu, presidente e CEO da Walmart China, e Lee Williamson, co-presidente do Fortune Leaders Forum. Não faltam painéis sobre as repercussões da inteligência artificial nos domínios económico e financeiro, ou ainda sobre o poder da tecnologia nestas áreas. É o caso de “Paying it Forward: What’s Next in Digital Finance?”, com foco na mudança para a moeda digital no continente asiático, e que conta com apresentação de Fang Wang, directora-executiva da Shanghai Fortune China. O projecto da Grande Baía será também analisado em “The GBA Decade: Opportunity, Innovation and Global Impact”, com o contributo de Edward Au, partner da consultora Deloitte China, e Alex Che Weng Keong, presidente da direcção do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM).