Hoje Macau China / ÁsiaTSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona. A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa. Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população. A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano. Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos. “Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário. O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Nike abandona distribuidores ‘online’ após anos de queda nas vendas A Nike vai deixar de vender produtos através de distribuidores ‘online’ na China, concentrando as vendas digitais nos seus próprios canais, numa tentativa de reforçar a marca após uma queda de quase 30 por cento das receitas no mercado chinês. Numa carta publicada no sítio oficial da empresa, a nova vice-presidente e diretora-geral da Nike para a China, Cathy Sparks, anunciou que, a partir de Janeiro de 2027, os consumidores chineses só poderão adquirir produtos da marca através do portal oficial, da aplicação da empresa e das lojas oficiais nas plataformas de comércio electrónico Tmall, JD.com e Douyin, a versão chinesa do TikTok. “Não se trata de reduzir o acesso, mas de reduzir a fragmentação e reforçar a experiência dos consumidores. Quando a experiência é sólida, a marca fortalece-se”, afirmou a responsável. Segundo Sparks, a Nike pretende criar um “destino único e premium” para os consumidores, proporcionando uma apresentação “mais clara” dos produtos e uma comunicação da marca “mais forte”. A cadeia norte-americana CNBC indicou que a estratégia anterior da Nike na China, baseada na venda através de múltiplos distribuidores, gerava inconsistências ao nível da imagem da marca e dos preços, embora tenha alertado que a mudança poderá ter um impacto negativo nas vendas no país. Além da fraca procura, a empresa enfrenta a crescente concorrência de marcas chinesas como a Li Ning e a Anta Sports. Após o anúncio, a Topsports, principal distribuidora da Nike na China, confirmou que deixará de vender produtos da marca através da internet a partir do próximo ano, mas manifestou apoio à decisão e assegurou que continuará a cooperar com a empresa norte-americana através da rede de lojas físicas, mantendo uma parceria com 27 anos.
Hoje Macau China / ÁsiaCiência | Operações em megaacelerador de partículas para simular Big Bang A China iniciou operações num acelerador de partículas de grande escala que pretende explorar os limites dos núcleos atómicos e desvendar os processos fundamentais da matéria e do universo. Segundo a agência Xinhua, na terça-feira foi iniciada a fase de operações experimentais do Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, na província de Guangdong, que visa explorar os limites dos núcleos atómicos, revelar processos de astrofísica nuclear e impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e das suas aplicações. O professor Yang Jiancheng, vicedirector do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheirochefe do projecto, indicou à Xinhua que esta instalação dispõe da maior intensidade de feixe pulsado de iões pesados do mundo e do espetrómetro de anel mais preciso para medição de massas nucleares. Aceleradores de partículas são equipamentos complexos que utilizam campos electromagnéticos para impulsionar partículas carregadas — como electrões, protões e iões — a velocidades próximas à da luz. Segundo Yang, os iões pesados de alta velocidade funcionam como “balas microscópicas” que colidem com alvos, criando condições extremas de temperatura e pressão. Toca a acelerar Construído pelo Instituto de Física Moderna, o HIAF gerou o seu primeiro feixe em Outubro de 2025, após sete anos de obras. A estrutura estende-se por 80 acres e inclui uma linha de feixe de dois quilómetros situada a 13 metros de profundidade. Tratase de um dos maiores aceleradores de iões do mundo, capaz de acelerar todos os tipos de iões, com uma linha de feixe total de dois quilómetros, mais de 6.000 conjuntos de equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes. Na fase de testes, a instalação atingiu níveis inéditos de intensidade para feixes de oxigénio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em três vezes e 7,5 vezes, respectivamente. Em termos de investigação fundamental, o HIAF permitirá simular ambientes extremos como o interior das estrelas, explosões de supernovas e os primeiros instantes do Big Bang, ajudando a explorar a estrutura profunda da matéria. No plano das aplicações, o acelerador poderá testar a resistência à radiação de naves espaciais, apoiar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a investigação de materiais funcionais. Na área médica, por exemplo, deverá contribuir para avanços significativos na terapia contra o cancro com iões pesados e na criação de novos radiofármacos.
Hoje Macau China / ÁsiaChina condena multa da União Europeia à AliExpress e promete “medidas firmes” O Governo chinês condenou ontem a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio electrónico AliExpress e prometeu adoptar “medidas firmes” para defender os interesses da empresa. “A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio electrónico na Europa”, afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês. O porta-voz instou a União Europeia a “deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas “de forma justa e imparcial”. Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adoptará “medidas firmes” para salvaguardar os seus interesses, acrescentou. Castigo europeu A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos. Bruxelas acusou ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios. A empresa chinesa respondeu que “esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores” e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como “desproporcionada”. A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica. Entre Março e Abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada. A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em Maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em Dezembro de 2025, por falta de transparência.
Hoje Macau SociedadeJogo | Grupo Estoril-Sol tem de pagar 37 milhões de euros O Estado português está a exigir ao grupo Estoril-Sol, ligado ao já falecido empresário Stanley Ho, o pagamento de 37 milhões de euros. Segundo o jornal Público, a entidade reguladora do jogo no país está a exigir ao grupo o pagamento desse montante que diz respeito a alegados valores remanescentes de contrapartidas anuais que estarão em dívida, e que o grupo já veio contestar. “Em Maio de 2026, o Serviço de Regulação e Inspecção de Jogo (SRIJ) dirigiu à Varzim Sol o pedido de que a mesma procedesse ao pagamento de valores remanescentes de contrapartidas anuais relativas aos exercícios de 2022 a 2026 (este, quanto ao primeiro quadrimestre), alegadamente em dívida num valor total de 36.883.109,42€”, lê-se no relatório e contas de 2025. Diz ainda a empresa que foi solicitado ao regulador “um conjunto de esclarecimentos que, na data do presente relatório, não foram ainda prestados”. “O grupo mantém o entendimento, fundado no aconselhamento jurídico independente e especializado que obteve, de que esta solicitação não tem justificação legal ou contratual”, é ainda referido. O grupo enfrenta actualmente um processo de reestruturação, mantendo as operações relativas aos casinos do Estoril e de Lisboa, mas tendo desistido da concessão do casino na Póvoa do Varzim.
Hoje Macau Manchete SociedadeWynn Palace | Governo aprova construção de nova torre de suítes A Wynn Resorts (Macau) tem luz verde do Governo para construir uma nova torre de suites no Wynn Palace, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, publicado ontem no Boletim Oficial, que revê o contrato de concessão do terreno onde se situa o resort do Cotai da concessionária. A área bruta do resort da Wynn irá crescer cerca de 17 por cento, com mais de 534 metros quadrados dedicados à construção de um complexo hoteleiro de cinco estrelas (incluindo áreas de jogo, centro de convenções, comércio, restauração, SPA, night club, teatro e centro de entretenimento). O despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que o teatro terá uma área de cerca de 8.700 metros quadrados, o centro de convenções terá 23 mil metros quadrados, enquanto o casino mantém uma área de 43,5 mil metros quadrados. A concessionário irá pagar ao Governo um prémio adicional do contrato no valor de 652,3 milhões de patacas, “integralmente e de uma só vez, aquando da aceitação das condições do presente contrato”. A nova torre vai ficar adjacente à entrada leste do Wynn Palace, e irá acrescentar 432 suítes, ou 25 por cento ao total de quartos do resort. Em Maio, a concessionária indicou que a construção da torre Enclave, como foi designada, devia começar na segunda metade deste ano.
Hoje Macau PolíticaInflação | Junho trouxe aumento anual dos preços de 1,24 por cento Em Junho, o índice de preços no consumidor apresentou um aumento anual de 1,24 por cento. Os dados foram anunciados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), com a subida dos preços a surgir associada às bebidas não alcoólicas e ao custo dos transportes. “O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 1,31 por cento, face a Junho de 2025, devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de take-away e o índice de preços da secção dos transportes subiu 3,71 por cento, em virtude da ascensão dos preços da gasolina e dos bilhetes de avião”, foi comunicado. Também os preços do vestuário e calçado ficaram mais caros, com uma subida anual de 3,17 por cento. Em termos mensais, entre Maio e Junho houve uma redução generalizada dos preços de 0,15 por cento. “Em Junho do corrente ano o índice de preços no consumidor geral desceu 0,15 por cento, face a Maio de 2026. O índice de preços da secção dos transportes (menos 1,01 por cento) e o dos produtos e serviços diversos (menos 0,72 por cento) baixaram em termos mensais.”, foi revelado. “Por seu turno, o índice de preços da secção do vestuário e calçado (mais 0,92 por cento) e o dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,12por cento) subiram em termos mensais”, foi acrescentado.
Hoje Macau PolíticaLares | Governo prevê 1.100 camas na Zona A O Governo está a prever a abertura de três lares de idosos com cerca de 1.100 camas na Zona A dos Novos Aterros. A informação foi divulgada por Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social, no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi. Segundo Hon Wai, as autoridades vão abrir, nos próximos anos, três lares para idosos na Zona A, com cerca de 1.100 camas, para fazer face a uma procura que se espera cada vez maior, devido ao envelhecimento da população. O responsável indicou também que as autoridades vão abrir novos centros de dia para idosos, serviços de apoio ao domicílio, lares para idosos e lares para pessoas com deficiência, de acordo com as necessidades identificadas. Durante a participação no programa, Hon Wai reconheceu que com o contínuo envelhecimento da população de Macau, o número de famílias que necessitam de cuidados de longo prazo para idosos tem vindo a aumentar, ao mesmo tempo que a estrutura familiar tem sofrido mudanças significativas. Os novos desafios levaram a que o Governo, em cooperação com as instituições de serviços sociais, lançasse diversas medidas para a população, como serviços de cuidados diurnos e de acolhimento temporário, cursos de formação em técnicas de cuidado e serviços de apoio emocional e aconselhamento. Hon Wai prometeu ainda uma maior promoção da sensibilização, para que a sociedade compreenda que o trabalho de cuidar dos idosos no seio das famílias não deve ficar com uma só pessoa, mas ser antes um esforço colectivo, entre as famílias e os serviços sociais.
Hoje Macau PolíticaConsultas Externas | Equacionado alargamento à Península e à Taipa Os Serviços de Saúde (SS) estão a ponderar o alargamento das consultas externas comunitárias a toda a Península de Macau e à Taipa. O cenário foi descrito por Lok Mei Kun, representante dos Serviços de Saúde, à Rádio Macau, à margem de uma participação no programa Fórum Macau. Desde Junho deste ano que os SS estabeleceram um centro de consultas externas comunitárias na Zona Norte da cidade, com o objectivo de prestar serviços gratuitos de diagnóstico e tratamento de doenças comuns aos residentes de Macau. Dependendo da avaliação feita deste programa, as autoridades ponderam alargar a medida a toda a Península e também à Taipa. Durante o programa, Lok Mei Kun salientou também que, através do Programa de Atenção Integrada para a Pessoa Idosa, os Serviços de Saúde avaliaram mais de 13 mil pessoas que vivem sozinhas ou em casal. Desses, cerca de 1.500 apresentaram distúrbios psicológicos ou emocionais, e mais de 270 foram classificados como de alto risco, pelo que vão ser acompanhados.
Hoje Macau Manchete PolíticaMoçambique | Empresários querem reforçar ligações com Macau O objectivo é criar um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que utilize Macau como ligação à China Alguns empresários moçambicanos defenderam a criação de um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), acrescentando Macau como ligação à China, para trocar experiências e resolver problemas comuns. O pedido foi formulado, em Maputo, pelo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, durante uma sessão de intercâmbio entre empresários moçambicanos e cerca de 30 empresários de uma delegação empresarial da China e de Macau, além de elementos de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Queríamos aproveitar esta ocasião para propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos PALOP, também com o apoio da câmara de Macau, que também ainda tem raízes de língua portuguesa, para podermos ter um fórum de troca de experiências, aproveitar as capacidades que cada país tem, de modo a, em pouco tempo, resolvermos os problemas que ainda nos caracterizam como países menos desenvolvidos”, disse Lucas Chachine. No encontro, que serviu também para a entrega de uma carta de parceria de expansão de mercados denominada plataforma Comércio Sino-lusófona, o representante da CCM afirmou que as câmaras de comércio podem ajudar a desenvolver a iniciativa, reiterando a vontade de colaborar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), com as câmaras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e com todos os empresários. “Vamos encontrar um espaço melhor de aproveitar as capacidades de cada lado para criarmos riqueza para os nossos países”, referiu Chachine, destacando o interesse em colher a experiência da China no desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização, infra-estruturas, comércio e produção de automóveis. Convite ao investimento O presidente da CCM descreveu ainda as potencialidades de Moçambique, convidando os empresários da China e de Macau a apostarem no intercâmbio entre as delegações e investirem no país africano. O responsável pediu também a disponibilidade dos empresários das duas instituições asiáticas a recomendarem alguns dos seus membros para ocuparem funções de delegados nas delegações da CCM existentes naqueles países. “Isto vai ajudar a aproximar os dois empresários com os empresários tanto da China como da região autónoma de Macau. Eu, com os meus colegas, faremos a promoção dos objectivos empresariais naqueles países, com apoio dos delegados que pedimos que nos ajudem a indicar”, explicou Lucas Chachine, pedindo também apoio na mobilização de empresários e de investimentos para Moçambique, China, Macau, e vice-versa. Já o vogal do conselho de administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Luíz Jacinto, convidou os empresários moçambicanos a participarem na Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa 2026, na 31.ª Feira Internacional de Macau e na Exposição de Franquia de Macau 2026, que decorrerão entre 21 a 24 de Outubro do corrente ano. “Esperamos, através do intercâmbio aprofundado que se segue, conhecer melhor a vossa experiência de investimento em Moçambique e explorar o potencial de cooperação futura”, disse Luíz Jacinto, após apresentar as potencialidades daquele país num balanço sobre as relações sino-lusófonas.
Hoje Macau PolíticaUTM | Pun Weng Kun escolhido para o Conselho Geral Pun Weng Kun, ex-presidente do Instituto do Desporto, foi escolhido para o Conselho Geral da Universidade de Turismo de Macau (UTM). A opção da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, foi divulgada ontem, através do Boletim Oficial. O mandato de Pun Weng Kun na instituição de ensino vai prolongar-se até 29 de Abril de 2029. Ao mesmo tempo, O Lam exonerou Kan Cheok Kuan do Conselho Geral da UTM. Pun Weng Kun exerceu o cargo de presidente do Instituto do Desporto entre 2016 e 2024 e foi coordenador do Gabinete Preparatório para a Organização da Zona de Competição de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais. Em Junho, Pun Weng Kun foi também nomeado membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau – CAM, onde aufere de uma remuneração anual de 1,75 milhões de patacas. FPACE | Distribuídos apoios de 14,4 milhões no segundo trimestre O Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE) distribuiu 14,4 milhões de patacas em apoios no segundo trimestre deste ano, de acordo com a informação da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Este montante representa uma subida de 278,9 por cento em comparação com o período homólogo, quando foram distribuídos apoios num total de 3,8 milhões de patacas. A maior parte dos fundos atribuídos no segundo trimestre deste ano estavam relacionados com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo, num total de 12,2 milhões de patacas. Por sua vez, o “plano de concessão de apoio financeiro ao abate de motociclos a gasolina e sua substituição por motociclos eléctricos novos e com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo” originou gastos de 2,2 milhões de patacas.
Hoje Macau Manchete PolíticaReserva financeira | Novo recorde histórico em Maio Em Maio, a reserva financeira de Macau atingiu pela primeira vez um valor superior a 700 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau Os activos da reserva financeira de Macau atingiram em Maio um novo recorde máximo, pelo sexto mês consecutivo, de mais de 700 mil milhões de patacas, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia 702,3 mil milhões de patacas no final de Maio. Este valor significa que em comparação com Maio do ano passado, quando o activo da reserva valia 636,3 mil milhões de patacas, houve um crescimento de 9,6 por cento ou de 66 mil milhões de patacas. No final de Abril, a reserva financeira estava nos 697,3 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 0,7 por cento ou de 5 mil milhões de patacas. O valor atingido no final de Maio é o mais elevado de sempre. Há seis meses que os activos da reserva têm vindo a atingir de forma consecutiva novos recordes. No final do ano passado, a reserva financeira atingiu 666,7 mil milhões de patacas. Até essa data, o anterior recorde tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia, com um valor de 663,6 mil milhões de patacas. No entanto, desde Dezembro os recordes têm sido batidos de forma consecutiva. Em Janeiro, a reserva atingiu 673,8 mil milhões de patacas, a valorização continuou em Fevereiro, ao serem atingidos 681,0 mil milhões de patacas. Nos meses mais recentes, em Março e Abril, a tendência positiva não se alterou, com a reserva a atingir 688,2 mil milhões de patacas, em Março, 697,3 mil milhões de patacas, em Abril. Longe de outros recordes Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 35,6 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Maio deste ano era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM. A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 300,7 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados; depósitos e contas correntes no valor de 291,8 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 106,8 mil milhões de patacas.
Hoje Macau Grande Plano MancheteÁsia | Fraudes e drogas sustentam “economia criminosa multinacional” As Nações Unidas divulgaram ontem o relatório “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, que indica que a região funciona, cada vez mais, como um centro de crime organizado com ligações ao tráfico de droga e burlas O crime organizado no Sudeste Asiático transformouse em “economia multinacional” capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares em fraudes, alerta um novo relatório das Nações Unidas. “Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes actuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Delphine Schantz, num comunicado. O estudo, intitulado “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, descreve como diferentes actividades ilícitas – do tráfico de pessoas à fraude cibernética – estão a ser integradas numa infra-estrutura financeira e operacional comum. Segundo o relatório, o crime organizado está a deslocarse do tráfico de bens físicos para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações financeiras em plataformas, difíceis de rastrear. As perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil milhões e 114,1 mil milhões de dólares, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de vários países da região. A expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para actividades criminosas forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à Europa e América do Norte. O relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de produção de metanfetaminas, ketamina e heroína, com um valor anual estimado entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares. O texto destaca também o Triângulo SuluCelebes, entre Indonésia, Malásia e Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo tecnologia usada em operações de fraude. Entre os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens particularmente vulneráveis. “A linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou Schantz. O relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising”, que explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware. “Uma estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”, concluiu. Os antecedentes Segundo o mesmo estudo, desde que foi divulgada, em Abril de 2019, a última avaliação sobre a ameaça do crime organizado transnacional na região do Sudeste Asiático, “o panorama regional da ameaça do crime organizado transnacional sofreu uma mudança complexa e de grande alcance, devida principalmente ao rápido crescimento da criminalidade facilitada pelas tecnologias digitais”. Desta forma, deu-se uma mudança no “panorama regional das ameaças e o ecossistema criminoso, bem como a escala, a sofisticação e a disponibilidade do ‘crime como serviço’ e de outros serviços criminosos ilícitos”, pode ler-se. O relatório destaca como o Sudeste Asiático “está a emergir como uma das principais regiões que moldam o ecossistema global do crime organizado transnacional”. Verifica-se, deste modo, “uma mudança estrutural de um modelo associado principalmente a mercados ilícitos discretos e, em grande parte, intrarregionais, para um modelo em que múltiplas economias criminosas operam de forma integrada e que se reforçam mutuamente, ultrapassando as fronteiras regionais”. Tal mudança deve-se, em parte, a uma “combinação de desenvolvimentos geopolíticos”, bem como a “integração cada vez mais rápida de tecnologias emergentes nas operações criminosas”. Assim, deu-se a “proliferação de centros de fraude à escala industrial”, ocorrendo um cenário em que “grupos de criminalidade organizada expandiram tanto a escala como a complexidade das suas actividades”. O mesmo documento dá conta que o Sudeste Asiático tem vindo a tornar-se “uma base operacional cada vez mais importante a partir da qual as redes criminosas coordenam uma gama diversificada de actividades ilícitas, cujos impactos se estendem muito além” da região. Em causa estão “fraudes cibernéticas que visam vítimas em todo o mundo, o tráfico de pessoas provenientes de vários países para operações criminosas e a movimentação e branqueamento de rendimentos ilícitos através de sistemas financeiros regionais e internacionais interligados”. Drogas para o mundo A dificuldade para rastrear este tipo de criminalidade está intimamente ligada ao uso da tecnologia. “Uma parte crescente das receitas criminosas provém agora de operações baseadas em serviços, fraudes cibernéticas, fornecimento de infra-estruturas criminosas e liquidações financeiras através de plataformas”, destaca a ONU. São, no fundo, “operações que não exigem que mercadorias físicas atravessem fronteiras e geram receitas que são substancialmente mais difíceis de rastrear, apreender e atribuir a actores criminosos específicos, principalmente devido à sua natureza virtual”. Relativamente ao Triângulo Dourado, o relatório fala de uma “notável resiliência das actividades criminosas” que operam nesta área. Em causa estão “restrições persistentes de acesso, pela presença de uma miríade de grupos armados não estatais e por redes criminosas descentralizadas e fluidas”. No que diz respeito aos estupefacientes, lê-se que “a metanfetamina constitui o núcleo da economia das drogas ilícitas para o crime organizado no Sudeste Asiático, com vendas a retalho estimadas em gerar entre 48,1 mil milhões e 74,8 mil milhões de dólares americanos anualmente — cerca de 70 por cento do total combinado do mercado de metanfetamina, heroína e ketamina”. Estes números representam “um aumento de aproximadamente 20 por cento em comparação com a última estimativa apresentada” na anterior avaliação, em 2019. “Apesar das apreensões recorde de metanfetamina registadas praticamente todos os anos ao longo da última década, os preços diminuíram em muitos países da região, enquanto os níveis de pureza se mantiveram elevados — tendências que indicam que o mercado é, em grande medida, impulsionado pela oferta e que as redes de crime organizado são fundamentais para esta evolução”, é referido. Ainda relativamente à ketamina, é descrito como se tornou num “dos mercados de drogas que mais cresce no Sudeste Asiático”, sendo que o crime organizado visa “cada vez mais a região como uma base de produção fundamental”. A droga fabrica-se mais na região do baixo Mekong, “tendo sido observado pela primeira vez no Myanmar, depois no Camboja e na República Democrática Popular do Laos e, mais recentemente, no Vietname”. No ano passado, a quantidade de ketamina apreendida na Ásia Oriental e também no Sudeste Asiático “atingiu um recorde de 52,5 toneladas, com aproximadamente 46,2 toneladas apreendidas no Sudeste Asiático, o que representa um aumento de mais de três vezes em relação à quantidade apreendida em 2024”. “Os cinco países do baixo Mekong e a vizinha Malásia, por si só, representaram 97 por cento do total do Sudeste Asiático”, com um valor de vendas de ketamina no Sudeste Asiático e Leste Asiático a atingir “entre 2,7 mil milhões e 7,2 mil milhões de dólares americanos”. Já a heroína “ganhou uma importância renovada”, ainda que “as drogas sintéticas dominem o mercado regional de drogas”. A ONU refere que “as 1.010 toneladas de ópio em bruto que se estima terem sido produzidas no Myanmar em 2025 representam o segundo nível mais elevado desde 2005”, sendo “quase 2,5 vezes superior à estimativa feita há cinco anos, com o valor total da economia nacional de opiáceos do Myanmar a situar-se entre 641 milhões e 1,05 mil milhões de dólares”. Valores equivalentes a “0,9 e 1,4 por cento do PIB do país”. “O aumento da produção de ópio no Myanmar e os sinais de um maior consumo de heroína nos mercados a jusante, incluindo corredores emergentes para a África Ocidental e a Europa — anteriormente abastecidos pelo produto afegão —, sugerem que a heroína está a expandir-se a par das drogas sintéticas, e não a substituí-las”. O Myanmar parece ter-se tornado, assim, a fonte de três rotas para este tráfico transfronteiriço, com o documento da ONU a referir “uma rota virada para a China através do norte do Estado de Shan, particularmente em torno do corredor Lashio-Muse; uma rota oriental de Shan que liga Myanmar à Tailândia e à República Democrática Popular do Laos; e uma rota para oeste, em direção ao nordeste da Índia.” Outras drogas destacadas são ainda a canábis e cocaína, tendo a canábis traficada a partir da Tailândia sido “apreendida em vários países europeus”. O tráfico destes dois tipos de estupefacientes “demonstram a crescente exposição do Sudeste Asiático a fluxos de tráfico internacional mais amplos”. Novamente o triângulo marítimo de Sulu-Celebes surge nesta equação, sendo identificado como um “corredor cada vez mais importante para o trânsito de cocaína proveniente da América Latina”. Assim, é indicado que “o Sudeste Asiático está a funcionar não só como uma região de origem para as exportações de drogas, mas também como um ponto de trânsito e destino emergente para fluxos originários de fora da região”. A.S.S. /Lusa
Hoje Macau SociedadeSMG | Alerta para possível tufão no fim-de-semana Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram ontem que uma área de baixas pressões, localizada ontem a leste das Filipinas, pode desenvolver-se numa “tempestade tropical e que, sob a condução de um anticiclone em altitude, se desloque para a parte norte do Mar do Sul da China nos próximos dias”. As autoridades sublinham que, para já, existem divergências nos modelos que antecipam a trajectória e velocidade de deslocação no Mar do Sul da China. No entanto, caso “venha a adoptar uma trajectória mais próxima da costa de Guangdong, o seu impacto em Macau será ainda mais significativo, sendo o risco meteorológico bastante elevado”. Os SMG acrescentam que, embora a trajectória desta área de baixa pressão ainda seja incerta, “as previsões actuais” apontam para que se desenvolva numa “tempestade tropical de intensidade igual ou superior a tufão”. Sob a influência desta potencial tempestade tropical, prevê-se que o vento em Macau se intensifique significativamente durante o fim-de-semana, e que seja acompanhado de aguaceiros frequentes e trovoadas ocasionais. Até lá, os SMG indicaram que entre hoje e sexta-feira Macau estará sob a influência de um anticiclone em altitude, que trará tempo soalheiro e muito quente, “podendo a temperatura ser igual ou superior a 33 graus”, acrescidos de 1 ou 2 graus nas zonas urbanas. As autoridades indicaram a probabilidade de emitir o alerta amarelo de temperaturas altas.
Hoje Macau China / ÁsiaAliExpress vai recorrer da “desproporcionada” multa europeia de 550 milhões de euros A plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress anunciou ontem que vai recorrer da multa recorde de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia, classificando como “desproporcionada” a sanção por alegado incumprimento no combate à venda de produtos ilegais. “Estamos surpreendidos com a decisão da União Europeia (UE) e com a multa desproporcionada, e não concordamos com ela. (…) O AliExpress tem estado e continua comprometido com as suas obrigações para com os consumidores”, afirmou a empresa, num comunicado publicado no portal de notícias corporativas da sua casa-mãe, o grupo Alibaba. “A decisão (…) ignora o nosso sólido quadro de gestão de riscos e as melhorias significativas e proactivas que implementámos. Vamos recorrer da decisão”, acrescentou a plataforma. Segundo o comunicado, o AliExpress “trabalhou de forma construtiva” com a Comissão Europeia para introduzir “muitas melhorias e compromissos voluntários”, respeitando um “espírito de cooperação e transparência”. A empresa sublinhou ainda ter investido “recursos consideráveis” na gestão e mitigação de riscos, na segurança dos produtos e na protecção dos consumidores. Falta de controlo A Comissão Europeia anunciou ontem a aplicação da multa, por considerar que o AliExpress não dispõe de pessoal suficiente para fiscalizar a presença de produtos ilegais na plataforma, como artigos contrafeitos ou que violam normas de segurança, acusando ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detectar e remover esse tipo de anúncios. Segundo Bruxelas, muitos dos produtos identificados continuam disponíveis durante “várias semanas”, os vendedores podem manter as lojas activas apesar de terem sido sancionados e os mecanismos de controlo da plataforma podem ser contornados “com facilidade”. De acordo com o executivo comunitário, esta situação prejudica não só os consumidores, mas também as “empresas legítimas que investem em design, testes de segurança e inovação, obrigando-as a competir com produtos que evitam esses custos”. “A proliferação de roupa contrafeita, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e nocivos não é um custo inevitável das compras ‘online’, mas sim um incumprimento, por parte do AliExpress, das suas obrigações”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen. Multa pesada O AliExpress tem agora até 20 de outubro para apresentar à Comissão Europeia um plano com as medidas que pretende adoptar para corrigir estas práticas. Bruxelas disporá depois de um mês para o avaliar e propor um calendário “razoável” para a sua implementação. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a do AliExpress é a mais elevada. Em Maio, Bruxelas multou a também chinesa Temu em 200 milhões de euros por não impedir a venda de produtos ilegais e, em Dezembro do ano passado, aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por falta de transparência.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | China rejeita críticas da Alemanha e de França sobre desequilíbrio comercial Enquanto uma delegação da União Europeia visita Pequim para discutir questões como as fricções comerciais, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica, entre outras, as autoridades chinesas rejeitam as críticas de Merz e Macron e dizem estar abertas a um diálogo construtivo Pequim rejeitou ontem críticas da Alemanha e de França sobre os desequilíbrios comerciais com a União Europeia, assegurando que não manipula a moeda, não procura deliberadamente um excedente comercial nem concede subsídios proibidos pela Organização Mundial do Comércio. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que Pequim “atribui grande importância” às divergências económicas e comerciais com a União Europeia (UE), mas defendeu que estas podem ser resolvidas através do “diálogo e da consulta” e não devem tornar-se “um obstáculo” à confiança mútua nem um argumento para a “desvinculação económica”. Lin garantiu ainda que não existe “compra ou venda forçada”, depois de Merz e Macron terem defendido recentemente, na Alemanha, um diálogo com Pequim para corrigir os desequilíbrios comerciais e abordar questões como as transferências de tecnologia, a política cambial e os subsídios. “A China não procura deliberadamente um excedente comercial com a Europa”, afirmou o porta-voz, sustentando que a estrutura do comércio bilateral resulta da divisão internacional do trabalho, das vantagens comparativas de cada país e de outros factores. O responsável acrescentou que a China cumpre as regras da OMC e os princípios do comércio livre, da concorrência leal, da abertura e da cooperação, negando a existência de subsídios proibidos por aquela organização. Lin atribuiu a competitividade da indústria chinesa ao sistema produtivo do país, à dimensão do mercado interno, ao ecossistema de inovação e ao investimento sustentado das empresas chinesas. O porta-voz rejeitou também as críticas relativas à taxa de câmbio, afirmando que a China, enquanto “grande potência responsável”, nunca manipulou a sua moeda, “não pratica desvalorizações competitivas” nem utiliza a taxa de câmbio como instrumento para responder a disputas comerciais ou perturbações externas. Por outro lado Na sexta-feira, Merz afirmou, ao lado de Macron, que nenhum país da UE mantém um saldo comercial positivo com a China e que o défice comercial anual do bloco ultrapassa os 300 mil milhões de euros. O Presidente francês defendeu igualmente a necessidade de “corrigir as disfunções” relacionadas com a taxa de câmbio e a relação monetária com a China. Macron defendeu ainda que a Europa obtenha transferências de tecnologia da China, em vez de se limitar a importar produtos chineses. A resposta de Pequim coincide com a visita à capital chinesa de uma delegação de eurodeputados, chefiada pelo alemão David McAllister, que está a discutir com as autoridades chinesas vários pontos de fricção entre Pequim e Bruxelas, incluindo o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica Eurodeputados de visita Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu iniciou ontem uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos. A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começou ontem a visita em Pequim, com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”. Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”. Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do sector e a governação global da inteligência artificial (IA).
Hoje Macau China / ÁsiaImportações | China reforça compras de soja ao Brasil O Brasil vê reforçadas as suas vendas à China, enquanto se acentua o declínio das exportações de soja, e não só, dos Estados Unidos para o gigante asiático As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7por cento em Junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6 por cento, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições. Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em Junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses. Em Junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas. Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre Janeiro e Junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping. No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1 por cento, para 34,75 milhões de toneladas. O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de Junho reflectem compras efectuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano. O objectivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em Maio. Quadro alargado A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22 por cento no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13 por cento, para 17,4 mil milhões de dólares. No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix. Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afectar mais de 11 mil milhões de dólares em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China. Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro. Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares, mais 7 por cento do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2 por cento. Por partes A soja representou 34,7 por cento das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62 por cento, para 15,1 mil milhões de dólares, impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz. As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares. As exportações de carne bovina cresceram 50 por cento, para 4,8 mil milhões de dólares, à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55 por cento sobre os volumes que excedam esse limite.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Panamá e China negoceiam renovar acordo marítimo Panamá e China “prosseguirão com os trâmites de renovação” do acordo marítimo após reunião entre autoridades dos dois países num momento de redução da escalada da tensão bilateral devido a conflito portuário e comercial, informou ontem o Governo panamiano. “De 16 a 17 de Julho de 2026, delegações da República do Panamá e da República Popular da China realizaram negociações em Pequim sobre a renovação do Acordo de Transporte Marítimo China-Panamá e alcançaram um consenso sobre os temas pertinentes. Ambas as partes prosseguirão com os trâmites de renovação”, indicou, sem mais, um breve comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá. O chamado Acordo de Transporte Marítimo foi assinado em 2017, meses depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Panamá e a China, em detrimento de Taiwan, e está prestes a expirar este ano após uma renovação anterior em 2021. O acordo concede aos navios com bandeira panamiana, uma das maiores frotas mercantes do mundo, o estatuto de ‘Nação Mais Favorecida’ nos portos chineses, o que implica uma série de vantagens como tarifas portuárias preferenciais e procedimentos mais ágeis. A renovação desse acordo ocorre depois do crescimento do número de navios panamianos retidos em portos na China, uma situação que surgiu após a saída, em Fevereiro passado, do operador chinês CK Hutchison de dois portos próximos ao Canal do Panamá porque a concessão foi anulada por ser considerada inconstitucional pelo Supremo do país. A saída forçada, por sua vez, ocorreu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar retomar o Canal – que foi construído e administrado pelos EUA durante o século XX -, devido à “influência maligna” chinesa, e após anos de denúncias internas contra a concessão, qualificada pelo Supremo como lesiva para o Estado. No bom caminho O vice-chanceler panamiano Carlos Hoyos disse ontem à cadeia Telemetro que as detenções de navios de bandeira panamiana na China diminuíram desde Junho e já se encontram em números normais, uma tendência sobre a qual o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já tinha falado. “Parece que [a situação com a China] tem uma volta positiva e vai no sentido de anular qualquer tipo de tensão que possa existir, o que certamente não é o que queremos”, acrescentou Hoyos. Das 30 ou 40 detenções habituais de navios com bandeira panamiana, este ano aumentaram para 140, o que impactou directamente a marinha mercante do Panamá, com mais de 200 navios a abandonar a bandeira do Panamá, segundo Mulino.
Hoje Macau SociedadeIAM | Obras no Mercado Tamagnini Barbosa arrancaram ontem O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem o início das obras para melhorar as instalações do Mercado Tamagnini Barbosa. Os trabalhos têm como objectivo revitalizar o mercado e vão ser conduzidos em diferentes fases. Segundo o comunicado do IAM, na primeira fase, as obras visam a renovação do centro de restauração, o que vai permitir à zona do mercado continuar a funcionar nos moldes normais. Na mensagem, o IAM afirmou que procura terminar as obras de melhoria do centro de restauração até ao final do ano, e que esse espaço deverá voltar a operar até Março de 2027. A segunda fase visa a renovação da zona de produtos alimentares frescos e da mercearia que se situa no rés-do-chão do mercado. Neste momento, o IAM ainda não tem a certeza sobre o impacto dos trabalhos, uma vez que vai ouvir as opiniões dos vendilhões sobre se têm interesse em manter os negócios activos. Só após a recolha de opiniões vão ser tiradas as conclusões sobre a suspensão das vendas. Esta obra deverá ser lançada até Março de 2027 e concluída até Junho do mesmo ano. No comunicado é indicado ainda que, desde Dezembro, as bancas de carne que estavam situadas no primeiro andar foram mudadas para o rés-do-chão. Com as novas obras, após o fim da renovação do centro de restauração, nove bancas de comidas no rés-do-chão mudam-se para o primeiro andar. Ao mesmo tempo, sete novos operadores de bancas vão poder iniciar as operações.
Hoje Macau China / ÁsiaGrupo Jingye exige indemnização pela nacionalização da British Steel A empresa chinesa que era proprietária da British Steel exigiu no domingo uma indemnização ao Governo britânico pelas perdas sofridas com a nacionalização da siderúrgica, concluída na semana passada. O Governo do Reino Unido assumiu o controlo operacional da empresa no ano passado, depois de o grupo chinês Jingye ter admitido encerrar os altos-fornos da fábrica de Scunthorpe, no norte de Inglaterra, a última unidade do país a produzir aço primário a partir de matérias-primas. Num comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat, o Grupo Jingye afirmou que a nacionalização prejudicou a credibilidade do Governo britânico, afastou investidores internacionais e provocou “grandes prejuízos” à empresa e aos contribuintes britânicos. A empresa acusou ainda Londres de “pisotear as regras internacionais do investimento” e exigiu que o Governo britânico respeite os compromissos assumidos. O grupo anunciou ter iniciado os procedimentos de negociação previstos nos acordos bilaterais de protecção do investimento, reservando todos os direitos, incluindo o recurso à arbitragem internacional. Em nome do povo O Jingye indicou também que irá representar os contribuintes britânicos na tentativa de responsabilizar judicialmente o Governo do Reino Unido e a administração da British Steel, embora não tenha explicado de que forma pretende fazê-lo. “O Reino Unido ignorou o investimento contínuo e o contributo significativo do Jingye e apenas estava disposto a oferecer uma compensação praticamente nula”, afirmou a empresa. O Governo britânico anunciou na semana passada que será realizada uma avaliação independente para determinar se será paga alguma compensação ao Grupo Jingye. O ministério dos Negócios e Comércio britânico justificou a nacionalização, anunciada em 17 de Julho, com a necessidade de preservar milhares de postos de trabalho e proteger o interesse nacional, assegurando o fornecimento de aço produzido no país para grandes projectos de construção e para a indústria da defesa. A British Steel produz aço em Scunthorpe há mais de 130 anos e emprega actualmente cerca de 2.700 trabalhadores. O Grupo Jingye adquiriu a British Steel em 2020, afirmando então ter salvo a empresa da falência. Credibilidade em causa No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a forma como o Reino Unido gerir este processo influenciará directamente a percepção dos investidores chineses sobre o ambiente de investimento britânico e a credibilidade do Governo de Londres. A diplomacia chinesa apelou ao Reino Unido para que respeite “os princípios do mercado e o espírito contratual” e encontre uma solução para a compensação e outras questões “aceitável para ambas as partes”. Pequim acrescentou ainda que apoia as empresas na defesa dos seus direitos e interesses legítimos através dos meios legais.
Hoje Macau China / ÁsiaMercados recuperam com intervenção de fundos públicos As bolsas chinesas recuperaram ontem parte das fortes perdas da semana passada, após dois grandes fundos estatais anunciarem novas compras e o regulador dos mercados convocar uma reunião com os principais participantes do sector para reforçar a estabilidade financeira. O índice de referência CSI 300 chegou a subir 2 por cento nas primeiras horas da sessão, depois de ter recuado 3,6 por cento na sexta-feira e acumulado uma perda semanal de 5,3 por cento, a maior desde Outubro de 2022, num contexto de forte correção das acções tecnológicas a nível mundial. A recuperação ocorreu após a China Reform Holdings Corporation e a China Chengtong Holdings Group, duas gestoras estatais associadas à chamada “equipa nacional” (“national team”), anunciarem no domingo o reforço das suas posições em acções chinesas. As duas entidades comprometeram-se igualmente a continuar a aumentar os investimentos, em particular em empresas estatais sob controlo do Governo central. A China Reform Holdings revelou que uma das suas subsidiárias recorreu a mais de 50 mil milhões de yuan da facilidade de ‘swap’ do Banco Popular da China (banco central) para apoiar a estabilidade dos mercados. Já a China Chengtong indicou que duas subsidiárias adquiriram recentemente activos acionistas chineses no valor de quase 10 mil milhões de yuan. Preparar o futuro Entretanto, a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China reuniu-se ontem com empresas cotadas, corretoras e gestoras de fundos para recolher propostas destinadas a promover “um desenvolvimento estável e saudável” dos mercados de capitais, segundo a imprensa estatal. As medidas surgem depois de uma vaga de vendas iniciada pelas acções chinesas ligadas à inteligência artificial (IA), que acabou por alastrar ao conjunto do mercado. O índice STAR 50, que agrega empresas tecnológicas cotadas em Xangai, caiu 17 por cento na semana passada, reflectindo também as preocupações dos investidores com a pressão da oferta antes da esperada entrada em bolsa da fabricante chinesa de memória ChangXin Memory Technologies (CXMT). Na sexta-feira, os fundos negociados em bolsa (ETF) habitualmente associados à chamada “equipa nacional” registaram entradas líquidas de cerca de 28 mil milhões de yuan, o valor mais elevado desde Abril de 2025. O reforço da intervenção estatal faz recordar as medidas adoptadas em Abril do ano passado, quando Pequim mobilizou vários fundos públicos para apoiar os mercados accionistas após a forte queda provocada pelo anúncio das tarifas globais impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Nessa altura, a China Reform Holdings, a China Chengtong Holdings e o fundo soberano Central Huijin Investment comprometeram-se igualmente a adquirir acções para restaurar a confiança dos investidores.
Hoje Macau China / ÁsiaConfrontos na Índia entre polícia e jovens que exigem demissões no Governo Milhares de famílias e jovens indianos tentaram ontem marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, mas foram alvo de gás lacrimogéneo e bastonadas quando tentaram romper as barricadas de segurança. Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi. A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo. Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e activista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária. O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes. Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor. A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o activista à força para o hospital. Antes da marcha de ontem, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras. A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de Inverno, que começou ontem. Divisões internas Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião. Líderes importantes do Governo de Modi adoptaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido. Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, activistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood. Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo activistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.
Hoje Macau PolíticaUNESCO | Avaliadas 30 candidaturas a Património Mundial A UNESCO abriu domingo na Coreia do Sul a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial, que avalia 30 candidaturas de diferentes países, entre as quais de Espanha e do Brasil, numa lista que inclui ainda fortalezas portuguesas. A Palestina também apresenta uma candidatura, a qual será tratada com carácter de urgência face à ameaça de ocupação israelita. “O Comité do Património Mundial dará vida à convenção durante os próximos 10 dias, considerando novas nomeações, examinando o estado de conservação e abordando desafios crescentes como as alterações climáticas, a urbanização e os conflitos”, afirmou o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla inglesa), Khaled El-Enany, no seu discurso de abertura. Entre as propostas para a eleição como Património Mundial no evento, que decorre na cidade meridional sul-coreana de Busan, figura o sítio cultural da Ribeira Sacra, em Espanha, embora a sua designação esteja rodeada de incerteza depois de o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) ter aconselhado a não inscrição por não ver nela um exemplo notável de um povoamento humano tradicional, além de tecer críticas aos critérios de integridade e autenticidade. Por sua vez, o Brasil tem a aspiração de inscrever conjuntamente o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, dois símbolos do auge da borracha no final do século XIX que combinaram arquitetura e materiais europeus com a identidade cultural amazónica. A candidatura palestiniana de Sebastia, um sítio arqueológico cujos primórdios remontam aos séculos VIII e IX a.C., será tramitada com carácter de urgência, no meio de uma ordem israelita de expropriação, apesar de se encontrar no território palestiniano da Cisjordânia. O monte Olimpo grego e a sua envolvência também participam na categoria mista de sítio cultural e natural, num evento que reúne em Busan mais de 3.000 participantes de 150 países. Outras propostas O Comité da UNESCO examinará ainda outras propostas de sítios culturais, como as de França, que apresenta as praias do desembarque da Normandia e as fortalezas medievais de Carcassonne (séculos XIII-XIV). Entretanto, a Finlândia propõe 13 obras de Alvar Aalto com o apoio do Icomos. Também figuram na lista de candidaturas teatros comunitários italianos, fortalezas portuguesas e as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara. O Património Mundial “é um símbolo que une a humanidade além-fronteiras e gerações, e é uma base sólida que permite pôr em prática a paz e a cooperação entre os países”, afirmou o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, na cerimónia realizada no centro de convenções BEXCO.
Hoje Macau PolíticaPortas do Cerco | Passagens pedonais alvo de revisão O Governo promete levar a cabo uma revisão das pontes pedonais de acesso às Portas do Cerco. A promessa foi feita pelo director dos Serviços de Obras Públicas, Lam Wai Hou, na resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok. “A Estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro, actualmente em construção, efectuará, através de passagens pedonais subterrâneas e passagens superiores para peões, a ligação directa à zona de mudflat junto da Avenida Norte do Hipódromo, ao Edifício do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e às imediações da zona comunitária da Praceta do Bom Sucesso”, começou por descrever. “O Governo irá, através da coordenação interdepartamental e em articulação com o andamento da construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, proceder simultaneamente à revisão das actuais passagens superiores para peões e instalações pedonais no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e nas suas zonas circundantes”, foi acrescentado. Os trabalhos, que têm como objectivo “aperfeiçoar o ordenamento do tráfego” e “racionalizar os percursos pedonais”, vão ser iniciados “oportunamente”. Lam Wai Hou prometeu também que após a conclusão das obras, a rede pedonal naquela zona da cidade vai ser mais “conveniente e contínua”.