Hoje Macau VozesArrumar a casa sem partir a loiça – Opinião sobre a nova Lei das Associações Jorge Valente, presidente da Associação Sino-Lusófona da Indústria e Promoção de Intercâmbio Cultural (Macau) Comecemos pelo princípio, e por desfazer um mal-entendido: o problema da actual lei das associações não é ter mais de duas décadas. Uma lei não perde validade por aniversário, tal como um bom vinho não se estraga só por envelhecer. O problema — esse sim, real — é saber se aquilo que foi pensado para outra época ainda serve a realidade de hoje. E aqui tenho de dar razão ao Governo: com mais de 12 mil associações registadas, claramente já não serve. Dito isto, vale a pena um parêntesis de honestidade: se hoje temos mais de dez mil associações, uma parte considerável dessa explosão deve-se ao próprio Governo, que ao longo de décadas fomentou activamente a criação de associações — com apoios, subsídios, incentivos e, convenhamos, uma certa cultura de “uma causa, uma associação”. Não é inteiramente justo apresentar o número como sintoma de descontrolo do sector, quando foi em boa parte incentivado pelo próprio Executivo. Arrumar a casa, sim — mas sem esquecer quem ajudou a espalhar a roupa pelo chão. Liberdade associativa: a linha que não se negoceia Aqui não há meio-termo possível para mim: a liberdade de associação dos residentes tem de ser protegida, ponto final. É um direito garantido pela Lei Básica e um dos pilares de qualquer sociedade que se preze civilizada e madura. Toda a reforma deve ser lida, primeiro, à luz deste princípio — só depois se discute o resto. Segurança nacional: sim, mas com bom senso Defendo, sem hesitação, que a segurança nacional deve ser salvaguardada — é uma responsabilidade constitucional da RAEM, não um capricho. Mas há uma diferença enorme entre salvaguardar e exagerar. A esmagadora maioria dos dirigentes associativos em Macau trabalha de boa fé, muitas vezes voluntariamente, a somar valor à comunidade. Construir um aparelho de vigilância pesado para tratar uma minoria irrelevante como se fosse ameaça sistémica não é segurança — é desperdício de energia e de confiança. Usar um canhão para matar uma mosca não torna a casa mais segura; torna-a apenas mais desconfortável para quem lá vive. Concentrar tudo na DSI: boa ideia, com condições Sou a favor de concentrar a fiscalização num único organismo — faz sentido eliminar a actual peregrinação entre cartórios, DSAJ e Ministério Público. Mas concentração de poder sem transferência de conhecimento é uma armadilha. A DSI precisa de herdar não só as competências, mas também a experiência acumulada, as directrizes e os critérios já testados pelos departamentos que hoje partilham esta função. E, já agora, um único órgão a decidir tudo sobre a vida e morte jurídica de mais de 12 mil associações merece mecanismos internos de fiscalização robustos — para que um único ponto de decisão não se torne também um único ponto de fragilidade. Associações adormecidas: sim, mas com prazo generoso e saída fácil Concordo plenamente que é preciso resolver o problema das associações adormecidas — mas com um período de carência longo e humano, não um machado. Proponho, por exemplo: uma associação sem órgãos eleitos nos termos estatutários é notificada e classificada como “adormecida” por um prazo de cinco anos; se, no final desse período, não houver resposta nem esforço de regularização, é então dissolvida. E já que falamos de dissolução: por favor, simplifiquem também a dissolução voluntária. Falo com conhecimento de causa — estive numa associação que já não fazia sentido manter viva e que os próprios sócios queriam dissolver. O processo revelou-se tão complicado que nem sequer ficámos a saber ao certo se a dissolução era, de facto, possível naquela situação concreta — e o próprio advogado consultado acabou por aconselhar a não fazer nada. No fim, a associação foi simplesmente abandonada, sem nunca chegar a ser formalmente dissolvida. Isto não beneficia ninguém: nem o Governo, que fica com mais uma “associação fantasma” nos registos, nem os sócios, presos a uma estrutura morta. Facilitar a saída devia ser tratado como um bónus desta reforma, não como um detalhe menor. A filosofia de fundo: modernizar sim, sufocar não Sou apologista de que, na dúvida, se deve sempre optar por mais liberdade para as associações — fiscalizar onde é preciso, sem abusar, e sem levantar obstáculos onde eles não fazem falta. “Modernizar” não pode ser sinónimo de forçar processos burocráticos que não acrescentam nada à vida real das associações. E defender o patriotismo — que defendo sem qualquer desconforto — não pode servir de desculpa para dispensar o trabalho sério, exigente e por vezes ingrato de governar bem. Conformidade com a Lei Básica: aqui, durmo descansado Ainda que a lei esteja em fase de consulta, não me preocupa particularmente a sua conformidade final com a Lei Básica. O Governo tem — e vai continuar a ter — juristas competentes para escrever e rever a versão final. Não é aqui que reservo as minhas dúvidas. A DSI e os restantes departamentos envolvidos têm gente capaz de implementar bem as mudanças que aí vêm. O que peço é que se pense bem antes de escrever: uma lei destas não se faz para durar uma legislatura, faz-se para durar os próximos 25 anos. Pensem bem primeiro, escrevam com essa visão de longo prazo — e depois deixem essas pessoas competentes fazer o seu trabalho, sem microgestão constante. O limite de três associações por morada: uma pergunta simples Aqui tenho as minhas reservas. A não ser que o Governo tencione passar a disponibilizar moradas para ajudar as associações a cumprir este novo requisito, não vejo grande lógica em limitar artificialmente o número de associações por endereço — sobretudo sabendo como é difícil e caro, em Macau, encontrar uma sede condigna. E fica a pergunta prática, que gostava de ver esclarecida: no caso de moradas partilhadas entre associações e empresas, o limite é cumulativo (associações e empresas juntas não podem ultrapassar três) ou contam-se separadamente? Isto muda tudo para quem partilha escritório com uma sociedade comercial. Financiamento externo: caminho estreito entre transparência e caça às bruxas Este é, para mim, um dos pontos mais delicados de toda a reforma — mas talvez também uma oportunidade que o Governo está a deixar em cima da mesa. Já que estão com a mão na massa a mexer no financiamento externo, porque não ir mais longe e rever a transparência de financiamento de todas as fontes, não apenas das estrangeiras? Com a excepção óbvia das associações de beneficência — que devem continuar a poder receber donativos anónimos, faz parte da própria natureza da caridade — creio que todas as outras associações deviam ser obrigadas a tornar público todo o seu financiamento: quem contribuiu, quanto, e quando, publicado num website onde qualquer pessoa possa consultar todas as transferências. Como se costuma dizer, “o ouro verdadeiro não teme o fogo” e “a luz do sol é o melhor desinfectante”. Não é preciso perseguir ninguém quando a própria transparência já faz sozinha o trabalho de limpeza — e isto, ao contrário de uma fiscalização centrada apenas no estrangeiro, tem a vantagem de tratar toda a gente da mesma forma, sem sugerir que o dinheiro de fora é automaticamente mais suspeito do que o de dentro. Sanções administrativas por atraso na notificação: excessivo, e injusto para os pequenos Não concordo com a proposta de sancionar administrativamente as associações que não notifiquem a DSI, dentro do prazo, sobre alterações de estatutos, mudança de dirigentes, adesão a organizações estrangeiras ou recepção de financiamento externo. Uma grande associação com departamento jurídico próprio talvez nem sinta o peso disto. Mas uma pequena associação de bairro, gerida por voluntários que já dão o seu tempo livre de graça, vai ser desproporcionalmente penalizada por um simples esquecimento administrativo. Se queremos associações saudáveis, começar por multar boa vontade não parece o caminho certo. Associações políticas: uma preocupação que nem sequer existe Sinceramente, à primeira vista este ponto pareceu-me quase despiciendo. Partidos políticos, ou associações que funcionem como tal, não existem em Macau — nunca chegaram a existir depois de 1999. Parece que subsiste apenas uma associação política formada antes dessa data, sem grande participação da população nem planos de maior. Percebo, no entanto, que para alguns sectores este não é um pormenor menor, mas antes um objectivo deliberado: eliminar antecipadamente o “terreno” onde a política partidária poderia um dia germinar. Para quem tem essa preocupação, é uma posição válida e compreensível — trata-se de uma escolha estrutural sobre o modelo de governação de Macau, não de um capricho passageiro. Ainda assim, as leis devem ser pensadas para o caso geral, e não construídas apenas à volta de uma excepção tão diminuta. Se o Governo quer garantir formalmente que isto nunca virá a ser um problema, azar o meu — não vejo grande mal nisso. Já agora, deixo aqui uma nota que talvez mereça mais atenção pública do que tem tido: entre as propostas conhecidas está a de que as decisões de extinção de uma associação por motivos de segurança nacional não sejam passíveis de recurso — ao contrário de praticamente todas as outras decisões da DSI, que podem ser contestadas por via administrativa ou judicial. Sabe-se também que uma associação extinta perde automaticamente o estatuto de pessoa colectiva eleitora — o que é, em si, perfeitamente compreensível e uma consequência lógica de qualquer extinção. Mas é precisamente por a extinção acarretar consequências reais, e não apenas simbólicas, que a ausência de qualquer via de contestação pesa ainda mais. Se defendo, como disse acima, que a segurança nacional deve ser tratada com seriedade mas sem exagero, este é exactamente o tipo de pormenor que merece mais debate do que tem recebido até agora. A minha proposta é simples: mesmo nos casos mais extremos, deve haver sempre uma via de contestação, administrativa e judicial. Não é para proteger quem age de má-fé — é para proteger os 99% de associações que agem de boa fé, que não deviam ficar todas debaixo da mesma suspeita, nem reféns de uma decisão sem retorno, só por causa de um punhado de casos — talvez 0,1% — que representem, esses sim, um problema real. Um bom sistema jurídico não se distingue pelo poder que atribui, mas pelos travões que impõe a esse poder — mesmo quando esse poder está a ser bem usado. Em resumo Sou a favor da reforma. Discordo profundamente de quem trata “modernizar” e “reforçar controlo” como sinónimos — não são, e esta lei só vai ser boa se conseguir distinguir os dois. Apoio o Governo onde a lógica é evidente: unificar a fiscalização, resolver as associações fantasma, simplificar a dissolução voluntária. Critico onde acho que se está a ir longe de mais: sanções para os pequenos, limites de morada pouco explicados, e uma ênfase de segurança que, aplicada sem medida, arrisca tratar toda a gente como suspeito para apanhar uma minoria que já seria facilmente identificável de outras formas. No fundo, é uma questão de bom senso: arrumar a casa é sempre bem-vindo. Só não se pode fazer a arrumação a partir a loiça pelo caminho.
Hoje Macau China / ÁsiaExercícios entre EUA e Coreia do Sul encurtados após críticas de Trump Os actuais exercícios militares anuais conjuntos realizados por Seul e Washington, serão encurtados em seis dias, anunciou ontem o exército sul-coreano, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter expressado reservas em relação aos mesmos. “Decidimos ajustar a duração do exercício para que decorra de 17 a 21” de Agosto, declarou quarta-feira o Estado-Maior Conjunto sul-coreano num comunicado, a propósito da operação anual ‘Ulchi Freedom Shield’, que inicialmente estava prevista durar 11 dias, até 27 de agosto. Donald Trump apanhou o seu aliado histórico desprevenido no domingo, ao classificar os exercícios militares com Seul como “dispendiosos” e ao considerar que enviavam “um sinal totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte. O líder norte-americano tinha também invocado a sua “excelente relação” com o líder norte-coreano Kim Jong Un para justificar esta redução “considerável” da participação dos Estados Unidos nas manobras anuais, perante a impossibilidade de as cancelar por ser demasiado tarde. O objectivo fundamental não é, contudo, “tratar uma entidade específica como um adversário, mas sim preservar, em segurança e em paz, a vida quotidiana da população”, afirmara terça-feira o Presidente sul-coreano Lee Jae Myung. Segurança regional Pouco antes do anúncio da redução da sua duração, a agência de notícias oficial da Coreia do Norte denunciou estes exercícios, sem fazer menção à flexibilização pretendida por Donald Trump. “Usaremos o nosso direito à autodefesa para neutralizar as ameaças militares de forças hostis através de uma acção transparente”, afirmou o título de um comentário publicado pela KCNA, acrescentando que estas operações “constituem a ameaça mais imediata e directa” para a Coreia do Norte, bem como para a “segurança regional”. Estes exercícios mobilizam, normalmente, 18.000 militares sul-coreanos, além de efectivos provenientes do contingente americano de 28.500 homens presente na Coreia do Sul. Iniciados segunda-feira, os exercícios foram estruturados tendo em conta a experiência adquirida pelas forças norte-coreanas ao lado dos russos na guerra contra a Ucrânia. A Coreia do Norte tinha efectuado testes de mísseis no período que antecedeu o início destas manobras anuais.
Hoje Macau China / ÁsiaIlhas Curilas | China apoia Rússia na disputa com Japão A China apoiou ontem as críticas da Rússia ao Japão no âmbito da disputa pelas ilhas Curilas e voltou a acusar a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, de procurar “acelerar a remilitarização” do país. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim concorda com as recentes declarações do chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que criticou a reacção de Tóquio à visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às ilhas Curilas. Lavrov tinha apelado ao respeito pela ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, posição que recebeu agora o apoio das autoridades chinesas. Lin acusou Takaichi de se recusar a reflectir sobre o passado militarista japonês, de tentar “encobrir a invasão japonesa da China” e de procurar “abandonar o pacifismo”, contornando as restrições estabelecidas pela Constituição japonesa e pela ordem internacional do pós-guerra. Pequim apoiou também a referência de Lavrov às chamadas cláusulas dos “Estados inimigos” incluídas na Carta das Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial, defendendo que recordar estas disposições contribui para preservar os resultados do conflito e a ordem internacional estabelecida posteriormente. A troca de acusações surgiu depois de Putin ter visitado, na quinta-feira, Iturup, a maior das quatro ilhas Curilas do Sul reivindicadas pelo Japão, que designa o arquipélago como Territórios do Norte. Takaichi classificou a visita do chefe de Estado russo como “absolutamente inaceitável” e Tóquio apresentou um protesto formal junto de Moscovo. A Rússia respondeu convocando o embaixador japonês e reiterando na terça-feira que considera inviolável a sua soberania sobre as ilhas, incorporadas pela antiga União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial. A disputa territorial impede há décadas que Rússia e Japão assinem formalmente um tratado de paz relativo ao fim daquele conflito.
Hoje Macau China / ÁsiaEspaço | Alcançada primeira aterragem controlada de um foguetão em terra Uma empresa chinesa realizou ontem com sucesso a primeira aterragem controlada de um foguetão em terra, cerca de um mês depois de o país asiático ter alcançado a primeira recuperação sobre uma plataforma marítima. O foguetão Zhuque-3 Y2 descolou às 07:35, a partir da Zona de Inovação e Testes Aeroespaciais Comerciais de Dongfeng, no deserto de Gobi (noroeste), voando normalmente durante todo o trajecto e com a primeira secção a aterrar num espaço designado dentro da zona de recuperação, informaram os meios de comunicação estatais. Entretanto, a segunda secção do foguetão conseguiu colocar o satélite Honghu 03 na sua órbita prevista, completando todos os objectivos da missão. O Zhuque-3 Y2 foi desenvolvido pela LandSpace, uma empresa de Pequim e líder no sector comercial de foguetes da China, e tornou-se no primeiro foguete comercial da China a alcançar a órbita e a ter a primeira fase recuperada. Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, trata-se de um novo passo nos planos chineses para desenvolver esta tecnologia, considerada chave para reduzir custos, aumentar a frequência de lançamentos e sustentar futuras constelações de satélites. “Em circunstâncias normais, o custo do combustível de oxigénio líquido e metano representa entre 1 por cento e 3 por cento do custo do lançamento, e o da primeira fase do foguete, cerca de 70 por cento do total. Quanto mais vezes o foguete puder ser reutilizado, menor será o custo de lançamento”, assinalou a LandSpace. Aprender com erros Uma primeira tentativa para recuperar o Zhuque-3 Y2, realizada em Dezembro, falhou, pois o propulsor explodiu numa bola de fogo sobre o local de aterragem, nos últimos segundos da descida. A companhia planeará agora acelerar a reutilização do corpo da nave para avançar no sentido de um sistema fechado de “lançamento-recuperação-testes-reutilização” que permita operações comerciais de alta frequência e baixo custo. Kang Guohua, membro sénior da Sociedade Chinesa de Astronáutica e professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing (leste), afirmou ao jornal estatal Global Times que a China se tornou o segundo país, a seguir aos Estados Unidos, a desenvolver capacidades de recuperação de foguetes de classe orbital. Actualmente, os EUA lideram o desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, com a SpaceX e a Blue Origin a avançar em diferentes tecnologias de recuperação. O sector aeroespacial chinês, tanto estatal como comercial, tem intensificado nos últimos anos os testes de reutilização de lançadores, um processo marcado por vários ensaios incompletos até que, em Julho, a China conseguiu recuperar a primeira fase de um foguete Longa Marcha-10B após um retorno vertical sobre uma plataforma marítima. As recuperações ocorrem em plena expansão do programa espacial do gigante asiático, com mais lançamentos, novos tipos de foguetões e maior concorrência entre empresas privadas e programas estatais, em paralelo a projectos como a estação espacial Tiangong, o programa lunar Chang’e ou os preparativos para uma missão tripulada à Lua antes de 2030. Olhos do futuro À semelhança da Starlink, da empresa norte-americana SpaceX, projectos chineses como o Guowang e o Qianfan preveem colocar, no futuro, mais de 10 mil satélites em órbita para proporcionar uma cobertura global de banda larga, criando tanto um mercado potencial global como uma infraestrutura de importância estratégica militar. Até ao momento, a rede Starlink já colocou em órbita mais de 10 mil satélites operacionais, com mais de 12 milhões de clientes em todo o mundo. Em comparação, a constelação Guowang de Pequim e a rede Qianfan, apoiada por Xangai, colocaram apenas cerca de 200 satélites cada uma, numa expansão limitada, em parte, pela falta de um veículo de trabalho reutilizável na China que seja comparável ao foguetão reutilizável Falcon 9, desenvolvido pela SpaceX.
Hoje Macau China / Ásia MancheteComité de investigação adia conclusões sobre incêndio mortal em Hong Kong Um comité independente de investigação sobre o pior incêndio registado em Hong Kong desde 1948, que matou 168 pessoas em Novembro de 2025, disse terça-feira que adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final. O líder do Governo da região chinesa, John Lee Ka-chiu, criou o comité em Dezembro, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”. O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro do ano passado e se prolongou por mais de 44 horas, devastou sete edifícios de um complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas. Num comunicado, o comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais, além de ter recebido declarações escritas sobre o incêndio. A entidade disse que continua a receber “provas escritas e outros materiais”, sendo que já detém “mais de um milhão de ficheiros”, referentes a questões “numerosas e complexas, envolvendo muitas partes”. O comité admitiu que “é necessário mais tempo para analisar e estudar a grande quantidade de informação apresentada pelas várias partes” e elaborar um relatório “com base em factos concretos”. Por isso, a entidade liderada por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, pediu a John Lee a prorrogação do prazo para a apresentação do relatório, pedido que foi aceite. “Com base nos últimos avanços, o comité espera concluir o seu trabalho e apresentar o relatório ao Chefe do Executivo até ao final de Outubro”, sublinhou o comunicado da entidade. Cigarro fatal Em Junho, o magistrado já tinha recusado recomendar que o comité seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas. David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população. O juiz recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu. Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”. A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, indicou que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anti-corrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos. Em 10 de Junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.
Hoje Macau China / ÁsiaAmérica Latina | Pequim apoia direito de países fazerem valer independência O Presidente chinês afirmou terça-feira que os países da América Latina têm o direito de fazer valer a sua independência, ao receber em Pequim o homólogo do Equador, Daniel Noboa. Xi Jinping disse a Noboa, aliado incondicional do Presidente norte-americano, Donald Trump, que os países da América Latina deviam demonstrar “autonomia e conduzir uma política de cooperação externa baseada nos seus próprios interesses nacionais”. Desde que Trump regressou ao poder, há mais de um ano e meio, países da América Latina como Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador e Honduras viraram para a direita ou consolidaram uma orientação conservadora. “A China afirma incessantemente que o estatuto da América Latina e das Caraíbas como zona de paz não deve ser comprometido e que o caminho do desenvolvimento dos países da região não deve ser interrompido”, sublinhou Xi, citado pela agência oficial de notícias chinesa Xinhua. “O direito destes países de escolherem parceiros de forma independente não deve ser prejudicado”, acrescentou. Xi salientou que Pequim e Quito deviam “consolidar a confiança política mútua” e “levar a bom termo projectos de cooperação nos domínios da energia, dos minerais, das infraestruturas e das finanças”. A China restabeleceu o acesso às exportações para oito fábricas de transformação de camarão equatorianas, depois de as ter suspenso no início de Outubro de 2025, disse, na segunda-feira, a Câmara de Aquicultura do Equador.
Hoje Macau EventosHistória da princesa Diana contada pelo irmão pela primeira vez em livro Quase 30 anos depois da morte da princesa Diana, o seu irmão, Charles Spencer, conta pela primeira vez num livro a história da vida que partilharam e a semana da morte da princesa, a partir da sua perspectiva. Intitulado “O Canto do Cisne: Diana, a minha irmã”, o livro, editado em Portugal pela Penguin, vai ser publicado em todo o mundo, com tradução para 12 línguas, e chega às livrarias portuguesas no dia 22 de Setembro, anunciou ontem a editora, em comunicado. Em Setembro de 1997, na Abadia de Westminster, Charles Spencer fez o elogio fúnebre da irmã perante os olhos do mundo, num discurso que a editora considera um dos “mais marcantes do século XX”. Agora, quando se aproximam os 30 anos da morte de Diana, Charles Spencer decidiu pôr por escrito os seus “pensamentos e memórias de uma vez por todas”, depois de voltar a receber numerosos pedidos de entrevistas sobre a irmã, “em vez de ser sujeito ao incómodo de tornar a ler as opiniões de outros, muitas das quais baseadas em inverdades que se tornaram aceites ao longo dos anos”, como afirmou o próprio, citado no comunicado. Nas palavras de Charles Spencer, o objectivo do livro é “contar a verdade sobre Diana da perspectiva do seu irmão”, tal como procurou fazer no elogio fúnebre, falando dela “de uma forma abertamente positiva”. Memória viva O autor espera que o livro interesse aos que continuam a estimar a memória de Diana e que permita também às pessoas que são demasiado jovens para se lembrarem dela “no seu auge” conhecerem a mulher que descreve como “uma pessoa única e dinâmica, cheia de amor, carisma e insegurança”. Charles Spencer afirma ainda que Diana “deu tudo por tudo na vida e fez do mundo um lugar muito melhor”, apesar de ter morrido ainda muito jovem. O editor do livro, Daniel Bunyard, destaca a importância da obra por contar a história de “uma das figuras mais icónicas e culturalmente relevantes do século XX” através de uma perspectiva íntima. Daniel Bunyard sublinha ainda as diferentes facetas de Charles Spencer, enquanto irmão de Diana, escritor de memórias e historiador, considerando que contribuíram para um livro “extraordinariamente comovente, belissimamente escrito e assinalavelmente franco”. Segundo o editor, o livro contém “inúmeras revelações” que deverão atrair atenção, mas constitui também um tributo à princesa Diana.
Hoje Macau SociedadeHong Kong | 12 empresas de Macau na feira alimentar O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), em parceria com a Associação Industrial de Macau, levou 12 empresas locais à HKTDC Food Expo, também com a designação de Feira de Gastronomia de Hong Kong, cuja 36.ª edição terminou segunda-feira, dia 17. Segundo um comunicado do IPIM, organizaram-se mais de 180 sessões de bolsas de contacto com o objectivo de expansão de negócios por parte das pequenas e médias empresas de Macau. Esta participação fez-se no “Pavilhão de Macau” presente no evento, onde “quase 70 por cento das empresas participantes marcaram presença pela primeira vez”. O IPIM destaca ainda que “algumas das empresas estreantes alcançaram acordos de cooperação com empresas de Hong Kong, nomeadamente para expansão de canais de retalho online e offline”. O Pavilhão de Macau “registou grande afluência de público e vendas expressivas”, foi indicado. Em exibição, estiveram 144 produtos com os selos “Fabricado em Macau” e “Marca de Macau” nas áreas de “Big Health”, alimentos na área da saúde, bolachas, café e bebidas alcoólicas, entre outros.
Hoje Macau SociedadeTurismo | Macau recebe sete prémios dourados da PATA Macau recebeu sete “PATA Gold Awards”, ou seja, prémios na categoria ouro atribuídos pela Pacific Asia Travel Association (Associação de Turismo da Ásia Pacífico), cuja feira de turismo termina hoje na Malásia. A RAEM participa neste evento, que já vai na 49.ª edição, com diversos operadores turísticos e a própria Direcção dos Serviços de Turismo (DST), tendo sido neste contexto que os prémios foram atribuídos. Segundo um comunicado da DST, três operadoras de jogo – a Melco Resorts, Sands China e MGM – receberam prémios “em diferentes categorias de marketing, sustentabilidade e responsabilidade social”. No caso de um dos prémios atribuídos à Melco Resorts, da “Melhor Campanha de Marketing – Hospitalidade (Hotel, Resort, Companhia de gestão)”, deveu-se ao espectáculo “House of Dancing Water Premiére”. Já a DST foi distinguida com dois “PATA Gold Awards”, nomeadamente o “Prémio de Campanha de Marketing do Destino (Organização de Gestão de Destino – Ásia)”, graças à criação da iniciativa “Pop Mart Citywalk”. O segundo prémio foi o da “Campanha de Marketing Mais Atraente nas Redes Sociais”, com o evento “CreatorWeek Macao 2025”. Macau vai receber, em 2027, a 50.ª edição da feira PATA Travel Mart, que inclui também a entrega dos referidos prémios.
Hoje Macau SociedadeSaúde | Secretária O Lam presta homenagem a médicos de Macau Assinalou-se ontem o nono “Dia do Médico na China”, data que a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, aproveitou para “enviar um cartão de felicitação electrónico a todos os médicos de Macau, transmitindo-lhes votos de felicitações e elevado reconhecimento”. Segundo um comunicado divulgado ontem pelos Serviços de Saúde, O Lam agradeceu aos médicos “o contínuo contributo desinteressado para o desenvolvimento da área da saúde de Macau, bem como o seu empenho na salvaguarda da saúde física e mental e na segurança da vida dos residentes”. Foram também entregues diplomas de louvor a médicos com 30 e 50 anos de serviço. Também o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, manifestou “profunda gratidão a todos os profissionais de saúde pelo seu árduo trabalho, encorajando os jovens médicos a serem inovadores, a enfrentarem os desafios com determinação, a manterem as boas tradições, a transmitirem o espírito de compaixão médica e a trabalharem em conjunto com colegas mais experientes para impulsionar conjuntamente os serviços de saúde de Macau para níveis superiores”. A par das felicitações, uma equipa dos responsáveis pelos cargos mais elevados na saúde pública da RAEM visitou diversos serviços e unidades do Centro Hospitalar Conde de São Januário dos Serviços de Saúde, agradecendo pessoalmente ao pessoal médico.
Hoje Macau PolíticaHengqin | Wong Sio Chak diz que articulação regulatória é desafio A articulação de regulamentos e mecanismos para a inovação institucional é o principal desafio a ser ultrapassado para conseguir integrar com sucesso os sistemas de Macau e de Hengqin, confessou Wong Sio Chak numa entrevista à Televisão Central da China (CCTV). O secretário para a Administração e Justiça salientou ao canal chinês que a RAEM vai avançar com a segunda fase de construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O governante argumentou que o foco das autoridades é a concentração em áreas-chave, como o bem-estar da população e da indústria, a criação de um quadro jurídico de elevada qualidade para a convergência entre Macau e Hengqin. A harmonização passa também pelas regras de acesso ao mercado, promovendo a mobilidade dos factores de produção, a acreditação e certificação de normas e a supervisão do sector industrial. Wong Sio Chak, citado pela agência Xinhua, referiu-se também ao terceiro plano quinquenal da RAEM. Nesse âmbito afirmou que a reforma da administração pública é uma tarefa longa e árdua, e que a sua tutela terá de abordar a questão de forma inovadora, para elevar a qualidade do Estado de Direito da RAEM e a governação.
Hoje Macau PolíticaÁreas verdes | Governo quer mais 200 mil metros quadrados O Governo pretende criar mais 200 mil metros quadrados de área verde em Macau até 2030. Esta é uma das medidas na área da protecção ambiental e arborização urbana a concretizar até 2030, segundo o 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM para os anos de 2026 a 2030. No documento, lê-se, assim, que se pretende “aumentar e optimizar uma área verde não inferior a 200.000 metros quadrados em toda a RAEM”, plantando-se ainda “cerca de 3.000 árvores em faixas verdes, parques e zonas de lazer”. Ainda em matéria ambiental, as autoridades esperam um aumento da proporção de energia eléctrica produzida a partir de fontes não fósseis de electricidade adquirida no exterior. Se essa proporção era, em 2025, de 40 por cento, o Governo prevê que possa ir até aos 60 por cento em 2030. Pedida maior cooperação de sectores Samuel Tong, académico e presidente da Associação de Estudos de Economia Política, disse ser necessário que haja mais cooperação social para atingir os objectivos traçados no 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, apresentado esta terça-feira. Em declarações no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, Samuel Tong, disse que o Plano contém direcções claras, mas é necessário que todos os sectores da sociedade assumam os seus papéis. Um dos exemplos apontados é o da renovação urbana, que também envolve a responsabilidade dos proprietários das casas, sendo necessária coordenação com o Governo. O académico disse ainda esperar que as autoridades melhorem a legislação sobre renovação urbana e que criem mais incentivos para projectos de reconstrução. Falando no mesmo programa, o professor de Administração Pública da Universidade de Macau, Chan Kin Sun, apontou que os serviços para idosos em Hengqin e Macau devem ser integrados e padronizados.
Hoje Macau Manchete PolíticaReserva financeira | Junho fixa sétimo recorde consecutivo Os activos da reserva financeira da RAEM atingiram em Junho 704,3 mil milhões de patacas, somando o sétimo mês consecutivo de ganhos e estabelecendo um novo recorde. Na primeira metade deste ano, a reserva financeira registou uma valorização de 37,6 mil milhões de patacas Um balanço publicado ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) no Boletim Oficial mostra que os activos da reserva valiam, no final de Junho, 704,3 mil milhões de patacas. De acordo com dados do regulador financeiro, desde o final de 2025 até ao fim do primeiro semestre deste ano, a reserva registou uma valorização de 37,6 mil milhões de patacas, atingindo em Junho um novo recorde máximo, pelo sétimo mês consecutivo. Só em Junho, a reserva ganhou dois mil milhões de patacas, batendo o anterior recorde, 702,3 mil milhões de patacas, fixado no final de Maio. A reserva ganhou 50,5 mil milhões de patacas durante o ano passado, mais do que em 2024, ano em que os activos tinham subido 35,7 mil milhões de patacas. Porém, o melhor ano de sempre para a reserva financeira continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. Caso especial O valor da reserva extraordinária no final de Junho era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas. Recorde-se que em Novembro, a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas. Os investimentos subcontratados representam a maior fatia, 299,8 mil milhões de patacas, da reserva financeira de Macau, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 293,7 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 108,4 mil milhões de patacas. Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9 por cento, disse em Março a AMCM. O retorno no ano passado aumentou 38,7 por cento em comparação com 2024, quando os rendimentos renderam à reserva quase 31 mil milhões de patacas, correspondente a 5,3 por cento.
Hoje Macau PolíticaMedicina chinesa | Macau quer apoio de Portugal na expansão para a Europa Macau quer o apoio de Portugal para promover a expansão dos produtos de medicina tradicional chinesa nos mercados europeus até 2030, foi ontem anunciado. O Governo apresentou ontem o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico da região semiautónoma chinesa, que deverá começar a ser implementado ainda em 2026. O documento coloca como meta para os próximos cinco anos “apoiar os produtos de medicina tradicional chinesa na sua expansão para os mercados internacionais (…), tendo como ponto de entrada os países de língua portuguesa”. O plano aponta a Europa como um dos alvos e defende o reforço da colaboração com a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Portugal e a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária portuguesa. As autoridades de Macau prometem no documento disponibilizar “apoio informativo para o registo internacional de produtos de medicina internacional chinesa”. No final de 2024, a presidente associada do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong Macau, disse que a instituição ajudou no registo de três medicamentos em Moçambique e 11 no Brasil. Xu Yanbin acrescentou que o parque também pode ajudar os países de língua portuguesa, que descreveu como “ricos em recursos naturais, plantas medicinais e culturas tradicionais”. Durante a apresentação do Plano Quinquenal, a secretária para a Economia e Finanças de Macau disse que a cidade pretende atrair farmacêuticas da China continental. Em 31 de julho, Dora Ng Wai Han foi também nomeada como directora do Comité Executivo da zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), gerida em conjunto por Macau e pela província de Guangdong. As farmacêuticas, explicou Dora Ng, podem “aproveitar o registo dos produtos em Macau, produzi-los em Hengqin e receber apoio para aceder a mais mercados internacionais”. Ponte ibérica O território quer também apoiar as exportações de outras empresas chinesas e o Plano Quinquenal prevê, até 2030, uma “expansão gradual” em áreas como medicamentos químicos, produtos biológicos e dispositivos médicos. “Queremos que, até 2030, Macau possa não apenas consolidar o seu papel como ponte entre a China e os países de língua portuguesa, como também servir de janela para os países de língua espanhola”, sublinhou Dora Ng. A dirigente prometeu reforçar o papel na “exploração de mercados estrangeiros” de um novo centro de serviços económicos entre a China e os países lusófonos e hispânicos. O plano prevê que o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola crie “um mecanismo de serviços de investimento directo no estrangeiro”. Este centro, que abriu em Dezembro em Hengqin, tem ainda planos para abrir sucursais em países de língua portuguesa e espanhola, incluindo o Brasil e o México.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Casamento podem ser registados em bancos e estações de metro Casais na China já podem registar casamentos em bancos, estações de metro, festivais de música e barcos, numa iniciativa para incentivar o casamento e combater a queda da taxa de natalidade, avança a imprensa local. A cidade de Tianjin (norte) estabeleceu uma parceria com o Banco Postal de Poupança da China para lançar o primeiro posto de registo de casamento do país no interior de uma agência bancária. A medida, implementada em 06 de Agosto, e noticiada pelo portal China Business Network, tornou-se um dos temas mais comentados nas redes sociais chinesas. A capital da província de Anhui (leste), Hefei, criou o primeiro posto de registo de casamento do país dentro de uma estação de metro. Desde a abertura, em 2024, 5.700 casais registaram o matrimónio na estação de metro chamada Xingfuba, que significa “barragem da felicidade”. As restrições geográficas foram eliminadas ao abrigo do novo regulamento sobre o Registo de Casamento, que entrou em vigor em Maio de 2025. Em Pequim, a partir de Maio, foram abertos três postos de registo de casamento ao ar livre: a Área Cénica de Turismo Cultural do Grande Canal, o parque Jinghua Manfuyuan e o Grande Canal. O China Business Network noticiou também que, no Dia dos Namorados Chinês de 2025, 20 casais registaram o casamento na Shanghai Tower, o edifício mais alto do mundo, na capital financeira da China, Xangai. Em cidades como Urumqi (noroeste), Ningbo (leste), Chengdu e Dali (sudoeste), as autoridades locais “instalaram stands directamente em festivais de música para prestar serviços de registo de casamento no local”, referiu o portal. Em 2025, a população da China caiu pelo quarto ano consecutivo, com a taxa de natalidade a atingir um mínimo histórico. Os nascimentos registados caíram para 7,92 milhões em 2025, contra 9,54 milhões em 2024, o valor mais baixo desde que os registos começaram, em 1949, segundo o Instituto Nacional de Estatística chinês.
Hoje Macau Manchete PolíticaQuadros qualificados | RAEM revê programa para atrair mais lusófonos O Governo de Macau prometeu ontem rever o programa de “captação de talentos”, durante a apresentação do terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico, que aponta como meta atrair mais quadros qualificados dos países lusófonos. “Em breve teremos uma revisão” do regime de captação de quadros qualificados, garantiu, numa conferência de imprensa, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau. Na apresentação do plano quinquenal até 2030, O Lam prometeu “auscultar a população e todos os sectores da sociedade” e apontou 2027 para a implementação de eventuais mudanças. O plano quinquenal prevê “optimizar o programa de captação de quadros qualificados, no sentido de criar condições favoráveis à captação de quadros qualificados internacionais e dos países de língua portuguesa”. Em 2024, o então líder da Comissão de Desenvolvimento de Talentos de Macau, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha da China continental (80 por cento) ou de Hong Kong (10 por cento). Em Abril, o novo coordenador da Comissão, Kong Chi Meng, disse que a terceira fase do programa incluía uma maior valorização de quadros qualificados com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil. Macau estabeleceu em Julho de 2023 um programa de captação de quadros qualificados do setor financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais. Este programa tornou-se a única alternativa para os cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território. Isto porque, um mês depois, Macau deixou de aceitar novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.
Hoje Macau VozesUma Janela Associativa para o Mundo Responsabilidade, segurança nacional e relações externas na reforma do regime jurídico das associações Por Manuel Silvério No primeiro artigo sobre a reformulação do Regime Jurídico das Associações, expliquei por que considero esta revisão necessária. Resumi então a minha posição numa frase: não contra a reforma, mas a favor de uma boa reforma. Ficou, contudo, uma dimensão para reflexão própria: as relações das associações de Macau com organizações do Interior da China, de Hong Kong e do exterior, incluindo as suas filiações regionais e internacionais. É um tema que conheço sobretudo através do desporto e da juventude. Interessa-me olhar para situações concretas e perceber como algumas das novas regras poderão funcionar na prática. A proposta prevê que as associações comuniquem à Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) a adesão ou saída de organizações ou grupos constituídos no exterior de Macau, bem como o recebimento de financiamento de entidades situadas fora da RAEM. A transparência é compreensível. Importa perceber como estas obrigações se irão articular com uma realidade que faz parte há muito da vida associativa de Macau. Uma realidade prevista na Lei Básica As relações externas das associações não resultam apenas da prática. A própria Lei Básica as contempla. O artigo 133.º enquadra as relações entre associações de Macau e organizações congéneres das outras regiões do País. O artigo 134.º prevê que associações de diversas áreas, bem como organizações religiosas, possam manter e desenvolver relações com organizações congéneres de outros países e regiões e com organizações internacionais afins. Esta dimensão externa está, portanto, prevista no próprio enquadramento da RAEM. Basta olhar para Macau para perceber a sua diversidade. A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) está ligada à International Federation of Journalists (IFJ); a JCI Macao, China integra a Junior Chamber International (JCI); a Associação dos Escoteiros de Macau participa na World Organization of the Scout Movement (WOSM). A Cruz Vermelha de Macau, a Santa Casa da Misericórdia e a Associação do Desporto Universitário de Macau são outros exemplos de organizações com relações ou filiações externas. Não interessa fazer um inventário. Estes casos mostram apenas que as relações externas fazem parte da realidade associativa de Macau. Internacionalização também significa cumprir regras Estar integrado numa organização regional ou internacional não traz apenas oportunidades. Implica também cumprir regras e assumir responsabilidades. O recente problema do licenciamento dos clubes de Macau para participação nas competições da Asian Football Confederation (AFC) é um exemplo. O acesso ao futebol internacional não depende apenas dos resultados dentro do campo, mas também do cumprimento de critérios desportivos, administrativos, jurídicos, financeiros e organizativos. A conclusão é simples: internacionalização significa direitos e oportunidades, mas também capacidade para cumprir as regras das organizações a que se pertence. É precisamente aqui que vejo uma possibilidade interessante na reforma. A proposta coloca a DSI no centro do regime, podendo esta solicitar colaboração de outros serviços e entidades públicos e emitir orientações relativas às associações. Uma melhor articulação administrativa poderá ajudar os dirigentes a perceber a quem devem recorrer perante obrigações mais complexas. Fiscalizar melhor, mas também orientar melhor Esta orientação é particularmente importante porque muitas associações funcionam graças ao trabalho voluntário. Nem todos os dirigentes têm formação jurídica, contabilística ou administrativa. Regras claras e mecanismos adequados de sanação podem evitar que erros cometidos de boa-fé se transformem em problemas maiores. Uma boa reforma deve também ajudar quem trabalha de boa-fé a cumprir melhor. O risco não é igual para todos O documento de consulta refere igualmente as exigências relacionadas com o combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo e, nesse contexto, a Financial Action Task Force (FATF). As recomendações internacionais apontam para uma abordagem baseada no risco: identificar as organizações sem fins lucrativos que, pelas suas actividades, fontes de financiamento ou outros factores, apresentem riscos significativos e adoptar medidas proporcionais. A ideia é importante: não tratar necessariamente todas as associações da mesma maneira, mas identificar onde estão os riscos concretos. Em linguagem simples: fiscalizar onde exista risco, sem presumir que todas as associações ou todas as relações externas representam o mesmo risco. Activas, adormecidas e representação Segundo o documento de consulta, quase 40 por cento das associações de Macau não funcionam há muito tempo, existindo muitas apenas nominalmente. Uma associação que organiza actividades e serve a comunidade não está na mesma situação de outra que existe há anos apenas no registo. Esta distinção pode ter importância no acesso a apoios públicos e em determinados mecanismos de representação. Não seria justo sugerir, sem conhecer cada caso, que associações inactivas foram constituídas ou mantidas por razões eleitorais. Mas, sempre que uma associação tenha relevância nesses mecanismos, parece-me razoável que o seu registo e funcionamento efectivo correspondam à realidade. Uma actualização rigorosa do universo associativo poderá favorecer uma utilização mais justa dos recursos públicos e reforçar a credibilidade dos próprios mecanismos de representação. Segurança nacional como princípio Há finalmente uma questão que deve ser colocada com clareza. A segurança nacional é uma responsabilidade fundamental da RAEM e constitui um princípio essencial no enquadramento das relações das associações com o exterior. A proposta prevê a intervenção da Comissão de Defesa da Segurança do Estado em determinadas situações relacionadas com as associações. Parece-me correcto que qualquer relação externa tenha de respeitar plenamente o ordenamento jurídico vigente na RAEM e não possa pôr em causa a segurança nacional, a ordem pública ou os direitos e liberdades de terceiros. A abertura reconhecida pela Lei Básica deve ser entendida dentro do actual enquadramento constitucional e político da RAEM. Circunstâncias históricas e políticas de outros períodos pertenciam a contextos diferentes e não devem ser automaticamente transportadas para a realidade de hoje. Há uma velha expressão que talvez traduza bem esta ideia: «Em Roma, sê romano.» Uma associação integrada numa organização internacional deve naturalmente cumprir as regras dessa organização, mas deve, antes de mais, respeitar as leis e as responsabilidades que decorrem da sua existência em Macau. Não vejo, por isso, necessidade de colocar segurança nacional e relações externas legítimas em campos opostos. A segurança nacional é o princípio a preservar. Dentro desse enquadramento, abertura, transparência, responsabilidade e relações externas legítimas podem coexistir. Preservar a segurança nacional e garantir relações externas legítimas não são objectivos incompatíveis, desde que existam regras claras, responsabilidade e proporcionalidade. Talvez o verdadeiro valor de uma boa reforma esteja precisamente em conseguir transformar estes princípios em prática quotidiana. • Analista independente de políticas públicas e desenvolvimento regional (Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)
Hoje Macau China / ÁsiaSeul espera avanços no diálogo Trump-Kim após redução de exercícios militares A Coreia do Sul apelou segunda-feira ao diálogo entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, depois de o Presidente norte-americano ter reduzido exercícios militares conjuntos por serem um sinal hostil para Pyongyang. “Esperamos que a relação amigável entre os líderes da Coreia do Norte [Kim Jong-un] e dos Estados Unidos [Donald Trump] conduza a um diálogo significativo”, disse um porta-voz da presidência sul-coreana, citado pela agência de notícias Yonhap. Seul não se referiu às críticas de Trump ao homólogo sul-coreano, Lee Jae Myung, por não se juntar à ofensiva de Washington contra o Irão, citadas pelo Presidente norte-americano quando anunciou a redução das manobras. O porta-voz assegurou que Seul e Washington “têm coordenado estreitamente a manutenção de uma postura de defesa combinada firme e a realização de exercícios e treinos conjuntos”. O principal líder da oposição sul-coreana, Jang Dong-hyeok, aproveitou a controvérsia para lançar uma dura crítica contra Lee. “Trata-se de um desastre diplomático provocado pelo próprio Governo de Lee Jae Myung”, escreveu o líder do conservador Partido do Poder Popular (PPP) nas redes sociais. Fala Donald Na mensagem em que anunciou a redução da escala dos exercícios militares com a Coreia do Sul, iniciados segunda-feira, Trump destacou a “muito boa relação” que disse manter com Kim Jong-un para justificar a decisão. “Dada a minha muito boa relação com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o facto de os Estados Unidos terem acordado há já muito tempo participar em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul”, afirmou. Trump disse que era “demasiado tarde para cancelar” os exercícios, pelo que solicitou “reduzir substancialmente” as manobras e criticou Lee pela recusa em apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irão. “Há pouco tempo, perguntei ao Presidente da Coreia do Sul se gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irão, e eles disseram: ‘Não, obrigado!’”, escreveu Trump. Durante o primeiro mandato, Trump reuniu-se três vezes com Kim, entre 2018 e 2019, e ambos protagonizaram um histórico aperto de mão na zona desmilitarizada da fronteira com a Coreia do Sul. Apesar da aproximação, as conversações não permitiram alcançar um acordo sobre a desnuclearização da Coreia do Norte. Nos últimos anos, Pyongyang rejeitou o diálogo tanto com Washington como com Seul, e insistiu que, para haver conversações, deve ser retirada a exigência da desnuclearização. Olhar sínico A China, principal aliada de Pyongyang, também avaliou as declarações de Trump sobre os exercícios militares e pediu progressos no sentido de uma “solução política” na península coreana. “Tomámos nota das informações relevantes. Manter a paz e a estabilidade na península coreana e promover uma solução política para a questão da península responde aos interesses comuns de todas as partes”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian. O exercício conjunto iniciado segunda-feira é um dos dois principais realizados anualmente pelas forças sul-coreanas e norte-americanas. Vai decorrer até 27 de Agosto e incorpora ajustamentos para responder à modernização das capacidades de Pyongyang devido ao apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia. O início foi marcado pelas críticas de Trump, mas também por protestos em Seul contra a realização dos exercícios. Pyongyang, que considera os exercícios um ensaio para uma invasão da Coreia do Norte, advertiu na semana passada para uma resposta e efectuou recentemente novos lançamentos de mísseis balísticos.
Hoje Macau China / ÁsiaTestado projecto de avião de fuselagem integrada para mais de 800 passageiros Uma equipa de investigadores chineses desenvolveu e testou em túnel de vento um modelo de avião com ‘design’ de fuselagem integrada que poderá permitir transportar mais de 800 pessoas, num projecto ainda em fase experimental. O ‘design’ tem 85 metros de envergadura e 43 metros de comprimento, com uma superfície de asa, de uma ponta à outra, de cerca de 1.395 metros quadrados, noticiou o jornal de Hong Kong South China Morning Post. Desenvolvido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento Aerodinâmico da China (CARDC, na sigla em inglês), tem referenciada uma velocidade de cruzeiro de Mach 0,8, abaixo da velocidade do som. Ao contrário dos aviões convencionais, que separam a fuselagem das asas e da cauda, o ‘design’ de fuselagem integrada incorpora grande parte do corpo da aeronave na estrutura sustentadora, o que pode melhorar a eficiência aerodinâmica. O conceito insere-se numa tendência também explorada por empresas como a norte-americana JetZero, cujo modelo Z4, em desenvolvimento, está projectado para transportar cerca de 250 passageiros, embora o projecto chinês proponha um avião de escala muito superior. Os investigadores testaram um modelo à escala 1:52, com cerca de 80 centímetros de comprimento e 1,6 metros de envergadura, num túnel de vento transónico do CARDC a velocidades entre Mach 0,4 e 0,8. Os ensaios analisaram, entre outros aspectos, o comportamento aerodinâmico, estabilidade e deformação estrutural, noticiou o jornal, citado pela agência espanhola EFE. O modelo atingiu uma relação máxima de sustentação e resistência de cerca de 20 a velocidades inferiores a Mach 0,7. Outros projectos Os investigadores assinalam que a configuração poderá oferecer maior eficiência aerodinâmica, mais autonomia e menor consumo energético, embora por enquanto não exista uma aeronave em tamanho real. Segundo a imprensa local, a China está também a estudar o ‘design’ de um avião de carga de fuselagem integrada com capacidade para transportar 120 toneladas e uma autonomia de cerca de 6.500 quilómetros. Este projecto permanece em fase conceptual. O CARDC participou noutros programas aeronáuticos chineses, entre os quais o avião comercial C919 e o avião de transporte Y-20. A China desenvolve ainda o C929, um avião de fuselagem larga e longo curso para cerca de 280 lugares.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | Líderes do Equador, Chile e El Salvador em Pequim O Presidente do Equador, Daniel Noboa, o líder do parlamento de El Salvador, Ernesto Castro, e o chefe da diplomacia do Chile, Francisco Pérez Mackenna, estão esta semana de visita à China para aprofundar relações. As três visitas coincidem com um período de intensificação das trocas entre o gigante asiático e a região da América Latina, embora partam de bases diferentes. Enquanto o Equador e o Chile mantêm há anos estreitas relações comerciais com a China, com os respectivos acordos de comércio livre, El Salvador ainda negoceia um tratado com Pequim. O Presidente do Equador, Daniel Noboa, chegou à China no domingo para uma visita de Estado de oito dias, cujo programa inclui uma reunião com o homólogo chinês, Xi Jinping, e outros altos dirigentes do país asiático. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a viagem ocorre após convite de Xi, tratando-se da primeira visita de Estado do chefe de Estado equatoriano à China. O Presidente chinês terá uma reunião com Noboa em Pequim, enquanto o primeiro-ministro, Li Qiang, e o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, terão encontros separados com o líder equatoriano. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Roberto Kury, Quito procurará durante a visita atrair investimentos chineses nos sectores da energia e da mineração, além de reforçar as exportações para o mercado asiático. Entre os temas em discussão figuram também as restrições impostas pela China a 14 empresas equatorianas exportadoras de camarão, afetadas desde outubro de 2025 por controlos relacionados com questões sanitárias. Pequim restabeleceu esta semana a autorização para oito exportadores, após meses de negociações. Outros seis estabelecimentos continuam suspensos, e a Câmara Nacional de Aquacultura do Equador disse estar confiante de que haverá progressos durante a visita de Noboa. O Equador pretende igualmente abordar com Pequim a dívida do Equador para com o Banco de Exportação e Importação da China e a operação e manutenção da hidroeléctrica Coca Codo Sinclair, a maior do país, construída pela estatal chinesa Sinohydro e recebida formalmente pelo governo equatoriano em Abril. A China e o Equador assinaram em maio de 2024 um tratado de livre comércio. Outros convidados Também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chile, Francisco Pérez Mackenna, está de visita à China, com paragens em Pequim e Xangai. O diplomata tem agendado um encontro com o homólogo chinês, Wang Yi, para além de participar em reuniões com líderes empresariais no âmbito do programa “Escolha o Chile”, que visa atrair investimento e abrir novos mercados para os produtos chilenos. O presidente da Assembleia Legislativa de El Salvador, Ernesto Castro, está também de visita à China até 22 de Agosto a convite do homólogo chinês, Zhao Leji. O parlamento não revelou a agenda da visita, embora Castro se tenha reunido na semana passada com o embaixador chinês em San Salvador, Zhang Yanhui, para discutir a cooperação legislativa bilateral. El Salvador estabeleceu relações diplomáticas com Pequim em 2018, após romper relações com Taiwan, e o Presidente Nayib Bukele visitou a China em 2019, onde se reuniu com Xi Jinping. Os dois países estão a negociar um acordo de comércio livre, cuja primeira ronda teve lugar em Pequim em 2024.
Hoje Macau SociedadeSaúde | Gripe lidera lista de doenças de declaração obrigatória Os Serviços de Saúde (SS) divulgaram ontem a lista actualizada de doenças de declaração obrigatória, que inclui 45 patologias. Segundo um comunicado, no mês de Julho foram registados 2.936 casos de doenças que devem ser obrigatoriamente declaradas, sendo que a gripe lidera, com a ocorrência de 2,457 casos. Segue-se a infecção por enterovírus, com 344 casos; e a varicela, com apenas 32 casos. Os SS destacam que, entre Junho e Julho, as maiores alterações registaram-se nas infecções por Salmonella, com um aumento de casos na ordem dos 58,8 por cento; a escarlatina, com menos 54,8 por cento dos casos, e o norovírus, que teve uma grande quebra no número de casos de doença, de 92,3 por cento. Relativamente ao grande aumento dos casos de Salmonella, os SS dizem ter sido notificados quanto à ocorrência de 27 casos de infecção, “um aumento de cerca de 1,5 vezes em relação aos 11 casos registados no período homólogo do ano anterior”. Trata-se, assim, de “um aumento de 58,8 por cento em relação aos 17 casos registados no mês anterior”. Destaca-se ainda a ausência de casos de febre chikungunya no mês de Julho, e a ocorrência de três casos de dengue.
Hoje Macau SociedadeCotai | Suspeito de furtar fichas de jogo acaba detido A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem oriundo do interior da China, num casino do Cotai, por suspeitas de furto de fichas de jogo no valor de 150 mil dólares de Hong Kong. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o suspeito tem 42 anos e, na passada sexta-feira, estava a jogar bacará num casino, tendo aproveitado os momentos de distração do croupier para desviar as fichas de jogo. De seguida, foi de imediato trocá-las, tendo fugido, mas o croupier depressa percebeu que lhe faltavam fichas de jogo e alertou as autoridades. Os agentes da PJ apanharam depois o homem num hotel do Cotai, no dia a seguir ao furto, com 9 mil dólares de Hong Kong em dinheiro na sua posse. O homem confessou tudo e disse que perdeu o dinheiro furtado. O caso já seguiu para o Ministério Público. Troca de moeda | Idosa perde em 800 patacas Uma idosa residente, de 80 anos, diz ter perdido 800 patacas num esquema de troca de moeda. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na última sexta-feira na Rua do Dr. Soares, perto do Leal Senado, quando uma turista oriunda da China se fazia passar por vendedora de bananas. Esta terá convencido a idosa a comprar a fruta por três patacas, tendo dado uma nota de 1000 patacas para fazer o pagamento, mas acabou por ser enganada com o troco. Só depois da transacção é que a idosa percebeu que tinha sido enganada e denunciou o caso à polícia. Os agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) apanharam a suspeita de burla no dia seguinte, junto à Rua da Praia do Manduco, após verificação de câmaras de videovigilância. A suspeita disse que perdeu dinheiro no jogo e recorreu ao esquema de troca de moeda para enganar pessoas e obter dinheiro. O caso já foi encaminhado para o Ministério Público, estando em causa suspeitas da prática do crime de burla.
Hoje Macau Manchete SociedadeTakeaway | Motoristas ameaçam fazer greve A falta de condições e salários baixos dos trabalhadores de entrega de takeaway pode ter chegado a um ponto de ebulição. Na segunda-feira, um internauta anónimo publicou num popular grupo de Facebook que está marcada uma greve para o próximo domingo pedindo a apoio dos membros do grupo. A mensagem angariou mais de 250 reacções e mais de 170 comentários até à tarde de ontem, cerca de 20 horas depois de ser publicada. O autor apelou aos colegas da plataforma de entrega de comidas Aomi para não trabalharem no domingo e “ficarem offline”, rejeitando ordens naquilo que foi descrito como um “protesto colectivo silencioso”. Segundo descreveu a Macau Business, o autor da publicação denunciou que os funcionários da plataforma são tratados como “mão-de-obra de baixo custo”, que não recebe honorários de entrega razoáveis. “Resistir a estas condições só irá prolongar a exploração”, escreveu acrescentando que a “unidade é poder”. A publicação suscitou mensagens de apoio, mas também escárnio de outros internautas, bem ao estilo das redes sociais. Um comentário que reuniu mais de 130 likes mostrou solidariedade para com a luta dos trabalhadores. “Para ser honesto, não sou estafeta de entrega de comidas, mas espero que a vossa lute resulte. Desejo tudo de bom a quem luta pelos seus direitos”, referiu. Apesar de estar prevista na Lei Básica, a lei sindical aprovada no início de 2023 não contempla o direito à greve.
Hoje Macau PolíticaServiços Correccionais | Duas chefes tomam posse Tomaram ontem posse duas novas chefes da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC), nomeadamente a Chefe do Departamento de Gestão de Recursos e Informática, Tang Man Sam, e a Chefe da Divisão de Apoio Social, Educação e Formação, Mak Kam Sim. Citado por um comunicado da DSC, o director substituto, Lei Chong Man, exortou as duas funcionárias públicas a “manterem firme o propósito primordial de servir o público”, bem como “a ter presente os deveres e a missão”. Destaca-se que, nestes novos cargos de chefia, as responsáveis “devem planear, gerir e aplicar adequadamente os recursos e as infraestruturas da DSC”, bem como “aprofundar a capacitação tecnológica nas áreas da informática e da prisão inteligente”. Tang Man Sam é licenciada em Gestão de Empresas e está na DSC desde 2003. Já Mak Kam Sim, é licenciada em Serviço Social e também está na DSC desde o mesmo ano.