Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Comunidade portuguesa pede médico e enfermeiro O conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva, enviou uma carta às autoridades de Portugal a pedir o destacamento para aquele país de um médico e de um enfermeiro, após preocupações manifestadas por dezenas de portugueses. “O propósito da carta é esse, é pedir ao Governo que olhe para a comunidade portuguesa aqui com alguma atenção no que toca aos cuidados de saúde, porque nós sabemos que Timor-Leste ainda é um país que tem muitos constrangimentos na área”, disse à Lusa Filipe Silva. As preocupações da comunidade aumentaram com o encerramento da clínica privada Stanford, que abriu em Timor-Leste em 2012 e que fechou este ano. “Obviamente que há outras clínicas privadas, mas que, eventualmente, não terão a mesma capacidade de resposta que tinha a Stanford e tenho recebido da parte de algumas pessoas da comunidade uma série de preocupações relativamente à questão dos cuidados de saúde”, explicou o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste. Filipe Silva explicou que até 2012 estiveram em Díli um médico e uma enfermeira portugueses. A proposta, segundo Filipe Silva, não é ter um médico e uma enfermeira para resolver “todos os assuntos”, mas para aconselhar não só no que diz respeito à oferta local, mas também que recomende a saída do país, caso seja necessário um tratamento mais específico. “Portanto, o facto de termos alguém que pudesse aconselhar-nos e dar algum apoio numa primeira fase, acho que tranquilizava as pessoas e é nesse sentido que estamos a apelar ao Governo”, afirmou. Custos mínimos Filipe Silva destacou também a possibilidade de a comunidade pagar as consultas. “Ter cá essas pessoas que falam a nossa língua e que nós sabemos que são pessoas qualificadas, que nos possam ajudar, era muito importante o Estado pensar nisso”, salientou. Para o conselheiro da comunidade portuguesa, o custo não seria tão grande assim, porque aquelas pessoas podiam também colaborar em alguns projectos que a cooperação queira na área da saúde. A carta dirigida ao secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, é acompanhada por quase duas centenas de assinaturas de elementos da comunidade portuguesa em Timor-Leste.
Hoje Macau China / ÁsiaInterpol | Detidas 5.800 pessoas ligadas a fraudes Cerca de 5.800 pessoas foram detidas e cerca de 300 milhões de dólares apreendidos no âmbito de uma operação mundial de combate à fraude com manipulação psicológica, anunciou ontem a Interpol. A operação, realizada entre Janeiro e Abril, que envolveu forças policiais de 97 países, visou especialmente os esquemas fraudulentos que se aproveitam da confiança das pessoas para obter dinheiro ou informações confidenciais. Trata-se, por exemplo, do desvio de e-mails profissionais, da ‘sextorsão’, de fraudes sentimentais online, da usurpação de identidade ou de fraudes relacionadas com investimentos, detalhou num comunicado a Interpol, que coordenou esta acção denominada “First Light 2026”. O número muito elevado de vítimas identificadas (142.000) “salienta até que ponto” este tipo de fraude “se tornou uma ameaça transnacional de grande dimensão, afectando indivíduos, empresas e governos”, assinala a Interpol. A organização internacional de polícia criminal sediada em Lyon relata, por exemplo, ter detido 82 pessoas em Eswatini (antiga Suazilândia) e “desmantelado uma rede criminosa que geria jogos de azar online ilegais e lavava dinheiro” proveniente de fraudes “sofisticadas por usurpação de identidade”. Cenários realistas A operação levou ainda à apreensão de “uma réplica realista de uma esquadra de polícia brasileira, com uniformes falsos”: “fazendo-se passar pela Polícia Federal do Brasil através de videochamadas, os burlões convenciam as vítimas de que estas eram alvo de um crime, levando-as a transferir fundos para os colocar ‘em segurança’, fundos esses que eram posteriormente desviados”. Outro caso citado: uma empresa de comercialização de matérias-primas sediada em Singapura, alvo de criminosos que se faziam passar por um fornecedor; ou também, em Macau, falsos funcionários públicos que convenceram uma vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação por fraude, tendo sido detidos pouco antes de esta lhes transferir cerca de 372.000 dólares norte-americanos.
Hoje Macau China / ÁsiaCuba | China pede “fim imediato” do bloqueio dos Estados Unidos A China pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que acabe com o bloqueio e sanções contra Cuba, após a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aceitado realizar um debate sobre o embargo norte-americano à ilha. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que os Estados Unidos mantêm há mais de 60 anos um bloqueio e sanções contra Cuba, medidas que “foram repetidamente reforçadas” e que, segundo Pequim, “provocaram uma crise energética” no país das Caraíbas. Mao sustentou que essas medidas “violam gravemente” os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “comprometerem seriamente” os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e de causarem “profundo sofrimento” ao povo cubano. “A decisão da Assembleia Geral da ONU, aprovada por uma maioria esmagadora, de realizar um debate sobre esta questão demonstra, uma vez mais, o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa da soberania nacional e a oposição à ingerência externa e ao bloqueio”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as práticas “unilaterais” e de “intimidação” de Washington carecem de apoio internacional. Mao acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para “defender firmemente a equidade e a justiça internacionais” e apoiar Cuba na defesa da sua soberania e dignidade nacionais, bem como na rejeição da ingerência estrangeira. Debate capital A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou na terça-feira realizar o debate solicitado por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, uma iniciativa à qual Washington se opôs. Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde Janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos e, desde Maio, por sanções contra pessoas e entidades que apoiem o Governo cubano ou operem em sectores como energia, defesa, finanças e mineração. A China, um dos principais aliados políticos e económicos de Cuba, tem reiterado nos últimos meses o apoio a Havana e aprovou este ano um pacote de ajuda que inclui assistência financeira no valor de 80 milhões de dólares e a doação de 60.000 toneladas de arroz.
Hoje Macau China / ÁsiaTempestades | Pequim distribui milhões em novos apoios para zonas afectadas A China atribuiu na quinta-feira dezenas de milhões de yuan em fundos adicionais para apoiar regiões afectadas por tempestades e deslizamentos de terras, depois de fenómenos meteorológicos extremos terem provocado milhares de desalojados e a morte de 21 pessoas. O Governo central disponibilizou 50 milhões de yuan para restaurar estradas, escolas e outras infraestruturas na província de Hubei (centro), bem como mais 20 milhões de yuan destinados à reconstrução de habitações e ao realojamento da população, noticiou a imprensa estatal. Na segunda-feira à noite, tempestades violentas e tornados, um fenómeno raro na China, causaram 11 mortos e centenas de feridos naquela província. Pequim atribuiu ainda 30 milhões de yuan à província de Gansu (noroeste), onde um deslizamento de terras soterrou 21 trabalhadores florestais. Estas verbas somam-se aos 100 milhões de yuan anunciados anteriormente para reparar escolas, hospitais, infraestruturas de transporte e outros equipamentos públicos na região autónoma de Guangxi (sul), atingida por inundações após chuvas intensas associadas a uma tempestade tropical. Em Guangxi, a passagem da tempestade tropical Maysak provocou a ruptura ou transbordo de reservatórios, inundando localidades e deixando habitantes isolados (ver texto secundário). Segundo as autoridades regionais, seis pessoas morreram, cerca de 130 mil foram retiradas e mais de 8.000 operacionais, apoiados por cerca de 5.700 embarcações, participam nas operações de socorro. Nas redes sociais multiplicam-se os pedidos de ajuda acompanhados por vídeos das zonas inundadas. O Centro Meteorológico Nacional indicou que Guangxi regista chuva intensa desde sábado, com precipitação acumulada entre 100 e 400 milímetros em algumas zonas e superior a 900 milímetros nas áreas mais afectadas. Mais a caminho Entretanto, o tufão Bavi atingiu o sudeste da China durante o fim de semana. Em Taiwan, alguns agricultores apressaram a colheita do arroz antes da chegada da tempestade, que seguia para oeste-noroeste sobre o mar das Filipinas. O mau tempo afectou também outros países asiáticos. No sudeste do Bangladesh, deslizamentos de terras provocados pelas chuvas das monções mataram vários refugiados rohingya, incluindo cinco crianças. Na vizinha Índia, as chuvas intensas causaram igualmente mais de uma dezena de mortos nos últimos dias.
Hoje Macau EventosFilmes de Basil da Cunha e Edgar Pêra seleccionados para o Festival de Locarno Na conferência de imprensa, a direcção do festival revelou que “Jacaré”, do realizador luso-suíço Basil da Cunha, integra a competição internacional, enquanto “Guerrilha do Asfalto”, de Edgar Pêra, estará fora de competição, sendo um regresso do cinema de ambos ao festival suíço. A 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno está marcada de 5 a 15 de Agosto. “Jacaré” é apresentado pelo realizador Basil da Cunha como um filme de género, “no encontro entre a ‘blaxploitation’, os policiais americanos dos anos 90 e a música cabo-verdiana dos anos 70”, sendo o último que filma na Reboleira, Amadora, território de alguns dos seus filmes anteriores. “Embora a história parta de um assalto falhado e do desaparecimento de um saco com 180 mil euros, o verdadeiro motor do filme são as pessoas que gravitam à volta desse acontecimento. […] É um filme coral onde cada personagem representa um fragmento da Reboleira e onde a própria comunidade assume o papel principal”, explicou realizador em comunicado. O filme de Basil da Cunha é uma produção entre Portugal, França e Suíça, juntando-se a “Manga d’Terra” (2023) e “O fim do mundo” (2019), ambos apresentados também em Locarno. O elenco integra Alexandra Sena, Alexandre Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Pedro Diniz, Heidir Correia, Carlos Fonseca, Pedro Ferreira, Frederico Lopes, Verónica Lii, Maria Santos, Susana Costa, Ivo Bernardo, Carloto Cotta e Filipe Vargas. Depois de “Cartas Telepáticas”, filme experimental feito com Inteligência Artificial, Edgar Pêra estreia em Locarno “Guerrilha no Asfalto”, inspirado no livro “Guerrilha no Asfalto — As FP-25 e o Tempo Português”, de Manuel Ricardo Sousa. “O filme cruza ficção e acontecimentos reais para revisitar um dos períodos mais conturbados da democracia portuguesa”, a propósito da acção do grupo armado Forças Populares 25 de Abril (FP-25) que, nos anos 1980, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e ações consideradas terroristas, que causaram 17 mortes. De acordo com a distribuidora, “Jacaré” e “Guerrilha do Asfalto” estreiam-se ainda este ano nos cinemas portugueses. Leopardo para Aronosfky A propósito da programação oficial deste ano, o Festival de Cinema de Locarno já tinha anunciado anteriormente a presença de quatro filmes com produção de países lusófonos na competição. No concurso internacional da secção Pardi di Domani vai estar, em estreia mundial, o filme “Aurora Borealis”, de Valeriya Kim, numa coprodução entre Hungria, Bélgica, Portugal e Cazaquistão. Já na secção Open Doors, na categoria de longas-metragens, vai acontecer a estreia suíça de “O Profeta”, do moçambicano Ique Langa, que teve a sua estreia mundial em Roterdão. Nas curtas e médias-metragens, vão participar em Locarno os filmes “Submergido”, do moçambicano Ariel Añez, e “Time to Change”, da angolana Pocas Pascoal, ambos em estreia na Suíça. Este ano, o festival vai distinguir o realizador norte-americano Darren Aronosfky com o Leopardo de Honra e a actriz Isabella Rossellini com o prémio de Excelência. O produtor islandês Sigurjón Sighvatsson, a actriz Asia Argento, o artista Rick Baker e a atriz Virginie Efira também vão ser distinguidos em Locarno
Hoje Macau SociedadeDSAMA | Cheias de Guangxi sem grande impacto em Macau A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) anunciou ontem que, após análise e avaliação em conjunto com o departamento de recursos hídricos do Interior, não se prevê que a situação de cheias causada pelas chuvas torrenciais em Guangxi tenha impacto significativo no abastecimento de água de Macau ou na navegação marítima. As autoridades afirmaram que as chuvas a montante foram controladas e reguladas por importantes projectos de conservação hídrica, como o de Datengxia, e posteriormente desviadas por centrais hidroeléctricas e albufeiras. Após serem distribuídas naturalmente por múltiplos afluentes na rede fluvial da planície do Delta do Rio das Pérolas, a jusante, o nível da água baixou gradualmente e acabou por ser descarregado directamente no mar através de múltiplos estuários do Rio das Pérolas. Como tal, a DSAMA conclui que as chuvadas e as cheias não tiveram “qualquer impacto significativo em Macau, que se situa no lado ocidental do estuário do Rio das Pérolas”. No final do comunicado, a DSAMA alerta que a partir de amanhã, as águas ao largo de Macau podem receber “uma quantidade significativa de detritos flutuantes trazida pelas correntes”. Como tal, serão intensificadas as patrulhas e a intervenção rápida, para “garantir a segurança da navegação e a higiene das praias”.
Hoje Macau Manchete SociedadeCasinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas. Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas. Fama ou proveito No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet. Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo. No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’. “Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
Hoje Macau PolíticaComunidades Portuguesas | Conselho equaciona voto electrónico Nas eleições de 2027 para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) vai ser testado o voto electrónico, de acordo com um comunicado de imprensa de Rui Marcelo, Presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas. A deliberação foi apresentada por Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, e aprovada durante as reuniões presenciais do Conselho Permanente do CCP. No comunicado de Rui Marcelo, a experiência com o voto electrónico é tida como “um passo importante para modernizar e aumentar a participação cívica dos emigrantes” nestes actos eleitorais. A lista dos membros actuais do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China, Macau, Hong Kong, Tóquio, Seul, Banguecoque e Singapura foi eleita em Dezembro de 2023, com 1.909 entre os 1.972 votantes. Rui Marcelo foi escolhido como presidente do conselho, depois de Rita Santos, cabeça-de-lista em 2023, ter suspendido o mandato, o que justificou com a realização das eleições para Chefe do Executivo da RAEM e as eleições legislativas de Macau. Nas reuniões recentes em Lisboa, o CCP fez ainda um pedido ao Instituto dos Registos e do Notariado para tomar medidas que acelerem e uniformizem os processos de nacionalidade e registos civis e reforcem a digitalização dos serviços.
Hoje Macau PolíticaPanificação | Pereira Coutinho questiona medidas de fiscalização José Pereira Coutinho pretende que as autoridades detalhem os resultados da fiscalização à utilização de produtos hidrocarbonetos aromáticos e de bromato de potássio na alimentação. O assunto consta de uma interpelação escrita sobre segurança alimentar, do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). “Nos processos de panificação são utilizados diversos tipos de hidrocarbonetos aromáticos (HPA) bem como o bromato de potássio outrora amplamente utilizado como agente de tratamento da farinha e melhorador de pão, conferindo aos produtos de panificação uma textura mais macia, um miolo uniforme e uma crosta mais elástica e atraente”, explicou o deputado. “Contudo, diversos estudos demonstraram os graves riscos que esta substância representa para a saúde humana”, alertou. Estas substâncias estão actualmente classificadas como cancerígenas e encontram-se proibidas em Macau, Hong Kong e no Interior. Porém, o deputado quer saber se foram detectadas, durante as fiscalizações na RAEM. O legislador pede igualmente ao Executivo que indique os recursos humanos e equipamentos que actualmente estão ao dispor das autoridades para “assegurar uma monitorização regular e sistemática”. Sobre este assunto, Coutinho pede ainda explicações sobre os meios de que as autoridades dispõem para revelar a existência de produtos nocivos junto da população e avisar para a suspensão do consumo, assim como sobre a rapidez de circulação destas informações.
Hoje Macau China / ÁsiaChina pede aos Países Baixos estabilidade na cadeia dos semicondutores A China apelou ontem aos Países Baixos para preservarem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promoverem uma resolução adequada dos litígios empresariais, numa referência ao caso da fabricante de ‘chips’ Nexperia. O pedido foi feito pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, durante um encontro em Pequim com o homólogo neerlandês, Sjoerd Sjoerdsma, que iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado por uma delegação empresarial. Segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério do Comércio chinês, a reunião decorreu no âmbito da Comissão Mista China – Países Baixos para a Cooperação Económica e Comercial. Wang manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral em áreas como o fabrico avançado, a inovação tecnológica, a transição ecológica e os serviços modernos. O ministro chinês afirmou ainda esperar que os Países Baixos “criem um ambiente justo, equitativo e previsível para as empresas chinesas que investem no país, preservem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promovam uma resolução adequada dos litígios empresariais relevantes”. Wang referiu igualmente a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE), realizada na semana passada em Bruxelas, manifestando a expectativa de que Haia desempenhe “um papel positivo e construtivo” junto de Bruxelas para que ambas as partes “trabalhem na mesma direcção”. Sjoerdsma classificou o encontro como “construtivo”, numa mensagem publicada na rede social X, e defendeu a necessidade de manter o diálogo com a China “precisamente devido às diferenças” entre os dois países. No final da reunião, as duas partes assinaram um memorando de entendimento para a criação do Conselho Empresarial China – Países Baixos e participaram na sessão inaugural do novo organismo. Ultrapassar tensões A primeira missão empresarial liderada por um ministro neerlandês à China desde 2018 decorre numa altura de crescente tensão em torno da indústria mundial dos semicondutores e das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia avançada para a China. Um dos principais focos de atrito é o caso da Nexperia, fabricante de semicondutores sediada nos Países Baixos e controlada pela chinesa Wingtech. No ano passado, o Governo neerlandês interveio na empresa, alegando a necessidade de proteger a produção europeia de semicondutores, desencadeando uma disputa diplomática que continua a ter repercussões judiciais e comerciais. Apesar disso, a Nexperia não integra a delegação empresarial que acompanha Sjoerdsma. Já a ASML, fabricante de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores e afectada pelas restrições norte-americanas à exportação de tecnologia para a China, participa na missão. A visita prossegue até sexta-feira em Xangai, a “capital” económica da China, onde Sjoerdsma se reunirá com o vice-presidente da câmara municipal e visitará empresas chinesas e neerlandesas.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Comité que vai escolher líder do Governo eleito em Novembro Com o mandato de John Lee como Chefe do Executivo a terminar em Junho de 2027, as autoridades chinesas preparam o caminho para a sucessão O Governo de Hong Kong anunciou ontem que será decidida a composição do colégio eleitoral que irá escolher o próximo líder da região semiautónoma chinesa, numa votação que ocorrerá em 22 de Novembro. De acordo com o Gabinete para os Assuntos Constitucionais e do Continente (CMAB, na sigla em inglês) de Hong Kong, a votação irá escolher 982 dos 1.500 membros do Comité Eleitoral. Os restantes lugares já estão ocupados por nomeação directa, para um mandato com a duração de cinco anos, que terá início a 01 de Fevereiro de 2027 e terminar em Faneiro de 2032. Os 982 membros serão eleitos por representantes de grupos de interesse e por membros de órgãos distritais e nacionais, incluindo o parlamento da China e o principal órgão consultivo chinês. Nas últimas eleições, realizadas em 2021, apenas 4.889 dos 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong tiveram direito a votar, sendo que quase 90 por cento (4.389) foram às urnas. Num documento enviado ao parlamento local, o CMAB disse que irá recrutar cerca de mil funcionários públicos com experiência “para desempenhar diversas funções eleitorais no dia da votação”. Por outro lado, o horário de votação será reduzido, de 15 horas há cinco anos para nove horas, seguindo sugestões dos deputados, sublinharam as autoridades de Hong Kong. A votação de 2021 foi a primeira depois de uma reforma eleitoral imposta por Pequim. Processos e princípios Tal como há cinco anos, todos os candidatos terão de passar por um processo de veto, descrito pelas autoridades como essencial para proteger o princípio “Hong Kong governado por patriotas”. Em 2021, apenas um dos dois candidatos vistos como simpatizantes da oposição pró-democracia, Tik Chi-yuen, de 63 anos, conseguiu ser eleito para o Comité Eleitoral. Tik, um antigo membro do Partido Democrata que agora dirige o partido centrista Third Way (‘Terceira Via’), ficou empatado com outros dois candidatos e, após um sorteio, conseguiu um dos lugares disponíveis. “Pelo menos ainda há algum espaço para nós”, comentou Tik. “Não importa se há um ou dois de nós. Vale a pena participar, desde que possamos representar os pensamentos íntimos de alguns ‘hongkongers’ [residentes de Hong Kong] e as suas opiniões”, afirmou. O comité eleitoral irá escolher o líder do Governo, entre candidatos previamente seleccionados pelo Governo chinês, e seleccionar 40 dos 90 membros do Conselho Legislativo, o parlamento local. O actual chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, eleito como candidato único em 2022, termina o mandato a 30 de Junho de 2027 e pode concorrer a um segundo mandato. Já as eleições para o Conselho Legislativo da antiga colónia britânica estão previstas para 2029.
Hoje Macau PolíticaQuadros Qualificados | Sam Hou Fai defendeu políticas do Executivo O Chefe do Executivo defendeu as medidas tomadas pelo Governo para atrair quadros qualificados. A posição foi tomada durante a reunião de terça-feira da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), realizada à porta fechada e que apenas foi divulgada ontem. Segundo a nota de imprensa do encontro, Sam Hou Fai afirmou que “ao longo do último ano, o Governo da RAEM procurou e criou activamente condições favoráveis para proporcionar a Macau um ambiente e espaço de desenvolvimento mais propícios a ‘reunir, cultivar, utilizar bem e reter quadros qualificados’”. Como parte destes esforços, o governante destacou “o lançamento da terceira edição dos Programas de Captação de Quadros Qualificados, o reforço contínuo do trabalho de coordenação na captação de quadros qualificados com a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” e, ainda, “a formação conjunta de quadros qualificados entre Macau e os países de língua portuguesa e espanhola”. Por sua vez, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendeu que a construção dos pólos das universidades de Macau na Ilha da Montanha é a chave para o futuro: “O Governo da RAEM está empenhado em formar quadros qualificados de alta qualidade através de uma educação de alta qualidade e em apoiar a inovação tecnológica e o desenvolvimento das indústrias com os quadros qualificados de alto nível, tendo a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin como ponto de partida”, afirmou a secretária.
Hoje Macau InternacionalNATO/Cimeira | Dinamarca preparada para defender “cada centímetro” da Gronelândia A primeira-ministra da Dinamarca reiterou ontem que a Gronelândia “não está à venda”, após novas ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América, e disse estar preparada para defender “cada centímetro” da NATO, incluindo a Gronelândia. À chegada ao segundo dia da cimeira da NATO, que terminou ontem em Ancara, capital da Turquia, a governante dinamarquesa foi questionada pela imprensa sobre o facto de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a insistir, no primeiro dia da reunião, que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, sugerindo novamente que pode retirar “todas as tropas” da Europa. Mette Frederiksen reiterou que a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, “não está à venda” e disse esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo gronelandês à autodeterminação”. “Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial”, acrescentou. Interrogada sobre se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Gronelândia caso tal seja necessário, a governante respondeu: “Estamos preparados para defender cada centímetro da NATO, incluindo o nosso território”. Mette Frederiksen lembrou que uma das razões pelas quais a Aliança Atlântica foi construída foi porque “se algo acontecer a um de nós, todos devem defender os restantes”, tal como está estabelecido no artigo 5.º do Tratado da organização. A primeira-ministra salientou que o artigo 5.º aplica-se ao flanco leste da NATO, com a guerra que é travada na Ucrânia, serviu para os EUA nos ataques terroristas do 11 de Setembro e servirá para a Gronelândia “se algo acontecer”. Sobre se acha que os EUA estão comprometidos com o artigo 5.º, Frederiksen respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos”. “Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a NATO e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da NATO que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai manter-se no futuro”, acrescentou. Tempos difíceis Frederiksen começou a sua declaração por salientar que o mundo se tornou “mais inseguro” e é necessária uma NATO “mais forte”. A governante considerou prioritário “rearmar a Europa”, ter uma “base industrial mais forte na Europa e transatlântica nos EUA” e reforçar o apoio à Ucrânia. “Penso que todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca”, salientou. Antes, também à chegada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que se está a assistir a uma alteração nas responsabilidades na Aliança, com um reforço por parte de europeus e do Canadá. O governante salientou que esta mudança nos encargos assumidos no âmbito da NATO, com uma redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e “é apropriado”. Sobre os ataques norte-americanos a alvos iranianos, Carney apontou que o Irão tem agido de forma irresponsável e houve uma “resposta apropriada”.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Associações apontam falhas em reforma da lei sobre crimes sexuais Hong Kong lançou ontem uma consulta pública sobre uma reforma legal para agravar as penas para crimes sexuais, mas associações disseram à Lusa que a proposta tem falhas que podem prejudicar as vítimas, incluindo crianças. Com a proposta, que estará em consulta pública até 05 de Agosto, o Governo quer criminalizar casos de violação envolvendo pessoas do mesmo sexo, punir o aliciamento sexual e adoptar uma idade de consentimento uniforme, 16 anos, independentemente do género. De acordo com a legislação em vigor, relações sexuais com uma menor de 13 anos são puníveis com pena máxima de prisão perpétua, mas se a vítima for menor de 16 anos, a pena máxima é de cinco anos de prisão. Obrigar um menor a testemunhar actos sexuais, ver imagens de teor sexual ou enviar imagens passará a ser punido com uma pena de prisão de cinco a dez anos, segundo a proposta, apresentada aos deputados em 29 de Junho. A líder de um grupo de apoio a crianças vítimas de crimes sexuais disse ontem à Lusa que “a falha em reconhecer o abuso sexual infantil persistente como um crime distinto inflige uma profunda injustiça às crianças”. A fundadora da TALK Hong Kong, Taura Edgar, explicou que os tribunais tratam “o abuso prolongado e repetitivo como uma colecção de incidentes isolados”, algo que “entra directamente em conflito com as realidades psicológicas do trauma”. “O trauma grave fragmenta naturalmente a memória, tornando a recordação meticulosa e cronológica de detalhes específicos ao longo de um período, muitas vezes extenso, de abuso, biologicamente improvável”, alertou Edgar. “Confrontados com interrogatórios exaustivos, elaborados para dissecar acusações individuais, muitos sobreviventes sofrem um intenso trauma secundário que os impede completamente de depor”, lamentou a activista. Lacunas de memória “são rotineiramente utilizadas como arma” contra as vítimas, transformando “um sintoma médico de abuso numa barreira probatória intransponível” e permitindo que agressores não sejam condenados, disse Edgar. Pontos a favor A presidente da TALK Hong Kong recordou que, de acordo com estudos, o abuso sexual afecta cerca de 16 por cento das crianças de Hong Kong. Já a Associação para o Combate à Violência Sexual contra as Mulheres, (ACSVAW, na sigla em inglês), de Hong Kong, elogiou a proposta por incluir uma definição legal explícita de consentimento. O grupo destacou ainda a expansão do crime de violação para abranger outras formas de agressão sexual com penetração e o ‘stealthing’, a remoção não consensual do preservativo. No entanto, num comunicado enviado à Lusa, a ACSVAW alertou que a inclusão na proposta do conceito do “equívoco” pode tornar-se uma “falha legal” utilizada por agressores. “Um arguido ainda poderia usar desculpas para escapar à responsabilidade, alegando: ‘Não houve resistência física, por isso acreditei erradamente que havia consentimento’ ou ‘Estávamos a rir e a conversar enquanto bebíamos, por isso interpretei a situação como uma vontade de ter relações sexuais'”, sublinhou a directora executiva do grupo, Doris Chong Tsz-wai. A associação recordou que, dos 807 casos denunciados à polícia entre 2019 e 2023, apenas 51 resultaram em condenação no primeiro julgamento.
Hoje Macau EventosMuseu de Macau | Mostra de bens classificados inaugurada na sexta-feira A “Exposição Temática sobre o 1.º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau” vai estar patente a partir de sexta-feira, até 16 de Agosto, no 3.º piso do Museu de Macau, indicou o Instituto Cultural (IC). A mostra é a materialização da salvaguarda e gestão de bens móveis de valor cultural significativo em Macau. Assim sendo, a exposição é uma selecção de um grupo constituído por 400 itens, abrangendo 24 categorias, incluindo espécies arqueológicas, pinturas e caligrafia, têxteis e documentos oficiais. Destas, foram escolhidas 100 peças, ou conjuntos, “complementados por recursos multimédia, para demostrar a história e a evolução social de Macau”. O conjunto de objectos destaca “o carácter único da cidade, marcado pela integração cultural entre o Oriente e o Ocidente e pela coexistência de várias culturas”, demonstrando a beleza e “o valor inestimável destes artefactos culturais”. O Museu de Macau está aberto das 10h às 18h e encerra à segunda-feira. A entrada é gratuita para residentes com BIR, e à terça-feira e no dia 15 de cada mês para o público geral.
Hoje Macau SociedadeChineses estudam português por interesse profissional e cultural Docentes da Universidade de Macau (UM) consideraram que o interesse dos estudantes chineses pela língua portuguesa passa principalmente por procurar melhores oportunidades de emprego, mas é também motivado pela curiosidade em relação à cultura lusófona. A universidade iniciou na segunda-feira a 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, iniciativa que reúne cerca de 400 participantes provenientes de Macau, Hong Kong, Interior, Malásia e Canadá. Embora a maioria dos participantes seja constituída por estudantes universitários do Interior interessados em melhorar as perspectivas de carreira, os coordenadores do curso sublinham que uma parte significativa procura o português por razões pessoais e culturais. “Os estudantes universitários querem aproveitar o português para terem um trabalho melhor no futuro, mas também temos estudantes que já estão no mercado de trabalho e que provavelmente não precisam de saber português pelo trabalho ou para ganhar mais, mas porque gostam. Querem sentir a língua e a cultura por detrás da língua”, disse à Lusa Lu Chunhui, professor e investigador do Departamento de Português da UM e coordenador do Curso de Verão. “Ainda me lembro de um estudante de cerca de 70 anos de Hong Kong, o mais velho que tive nas minhas turmas. Muitas pessoas como ele quiseram esta aprendizagem sem um objectivo prático, mas mostrando um empenho extraordinário, o que achei muito comovente”, afirmou. Interesse na língua A também coordenadora do curso, Tânia Ferreira, considera que a procura demonstra o interesse sustentado pela língua portuguesa na região. “Este ano foram registadas 407 inscrições, com todas as vagas preenchidas nas primeiras horas, um registo recorde. Para um curso intensivo, é de louvar”, afirmou a professora auxiliar da Faculdade de Letras da UM. A docente reconheceu que, para muitos participantes, o domínio do português continua associado às oportunidades profissionais nos países lusófonos. “Tendo em conta o perfil dos inscritos nesta edição, que são maioritariamente universitários do Interior, o interesse é melhorar as suas competências na língua para de facto trabalharem com a língua portuguesa em países como o Brasil, os PALOP e, claro, Portugal”, explicou. Mas acrescentou que o programa pretende igualmente aprofundar o contacto com a cultura dos países de língua portuguesa e com a identidade de Macau. “O curso também é uma oportunidade para aprofundarem o seu conhecimento da cultura portuguesa ou brasileira. Este ano incluímos também elementos sobre Macau, como o patuá, sendo importante mostrar um exemplo vivo da herança portuguesa em Macau”, disse.
Hoje Macau Manchete PolíticaJustiça | Três jornalistas do All About Macau vão a tribunal Três repórteres do jornal ‘online’ All About Macau, entretanto encerrado, vão a julgamento em 16 de Julho e arriscam penas de até três anos de prisão, acusadas de “perturbação do funcionamento” do parlamento local. De acordo com o portal dos tribunais de Macau na Internet, consultado ontem pela Lusa, a defesa das jornalistas no Tribunal de Primeira Instância está a cargo de Ricardo Carvalho. O advogado português confirmou ontem à Lusa que aceitou o caso, mas não revelou mais pormenores. Duas jornalistas do All About Macau foram detidas em 17 de Abril de 2025 pela polícia quando tentavam entrar no salão da Assembleia Legislativa. As repórteres foram impedidas de assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para 2025, alegadamente por não haver lugares vagos no salão – algo negado pela publicação. O Ministério Público (MP) acusou as jornalistas de “perturbação do funcionamento de órgãos da Região Administrativa Especial de Macau”, crime que acarreta uma pena máxima de até três anos de prisão. A Lusa pediu mais informação ao MP, incluindo os fundamentos da acusação contra a terceira jornalista do All About Macau, mas não recebeu qualquer resposta. Morte anunciada O jornal ‘online’ e publicação mensal impressa anunciou o encerramento no final de Outubro devido a “pressões crescentes”, falta de recursos e os processos judiciais contra três dos seus jornalistas. Três meses depois, o Governo anunciou o cancelamento do registo da publicação, sem revelar publicamente as razões. Na sequência da detenção, a Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) disse à Lusa que Portugal deveria ter feito “um gesto discreto ou uma expressão de preocupação” face à detenção destas jornalistas. “Consideramos o silêncio de Portugal preocupante, dados os seus profundos laços históricos e culturais com Macau”, lamentou o presidente da JOCPA, Josep Solano. “A situação inédita ocorrida é triste e preocupa-nos, pois consideramos que abre um precedente, no mínimo, constrangedor”, reagiu também à Lusa o presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau. Em Abril de 2025, José Miguel Encarnação pediu ao MP “ponderação na avaliação dos factos, por forma a que não haja consequências de maior”. A Associação de Jornalistas de Macau declarou na altura que “lamenta profundamente” a detenção das repórteres, incluindo a presidente da organização, Island Ian Sio Tou. Em Novembro, Island Ian, antiga chefe de redação do All About Macau, foi impedida por funcionários do Tribunal de Segunda Instância de acompanhar o julgamento do ex-procurador-adjunto Kong Chi por corrupção.
Hoje Macau PolíticaEconomia | Pedidos ajustes a Grande Prémio do Consumo O membro Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Ieong Weng Kuong, defendeu a criação de um cartão para estudantes, caso haja uma nova ronda do Grande Prémio do Consumo. A proposta foi feita ontem, segundo o canal chinês da Rádio Macau, durante a mais recente reunião do conselho consultivo. Ieong recordou que nas rondas anteriores as crianças com menos de 12 anos não reuniam condições para ter uma conta de MPay de modo a participarem no sorteio de atribuição de descontos, nem a possibilidade de ter um cartão de descontos, como acontece com os idosos. Por isso, o conselheiro acredita ser benéfico disponibilizar-lhes um cartão que permita compras com valor reduzido. O conselheiro defendeu também a criação de cupões de consumo destinados a turistas, bem como ofertas para incentivar o consumo dos visitantes nos bairros comunitários. Por seu turno, a conselheira Hoi Kit Leng pediu mais flexibilidade para os comerciantes, apontando que em Seac Pai Van não existem pequenas e médias empresas de produtos frescos que aceitem os cupões e que os consumidores são obrigados a ir a outras zonas.
Hoje Macau PolíticaÁguas Marítimas | Concessões podem ser atribuídas sem concurso público Os deputados preparam-se para aprovar a Lei de Usos das Águas Marítimas que vai permitir concessionar sem concurso público parte das águas geridas por Macau. O cenário foi explicado por Leong Sun Iok, presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que está a analisar o diploma na especialidade. O diploma prevê que as águas de Macau possam ser exploradas por privados através de concessões ou licenças de uso temporário. No caso das concessões, a regra vai ser a realização de concurso público, de acordo com as explicações do Executivo, que ontem se fez representar na AL pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man. Contudo, Leong Sun Iok, citado pelo jornal Ou Mun, admitiu que o diploma vai prever excepções para projectos classificados como parte do interesse nacional e ainda para a prestação de serviços públicos como as telecomunicações, electricidade, combustíveis ou fornecimento de água. Após a aprovação final na Assembleia Legislativa pelos deputados, o novo diploma vai entrar em vigor a 1 de Dezembro deste ano. Até esse período, os legisladores esperam que a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) lide com os procedimentos de transição.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | Prospecção de solo custa 4,7 milhões de patacas A sondagem e prospecção de solos da primeira fase do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai custar cerca de 4,7 milhões de patacas aos cofres da RAEM. Segundo a adjudicação, os trabalhos vão durar cerca de 150 dias, o que significa praticamente cinco meses. De acordo com o projecto do Governo, o parque vai ser construído em dois terrenos diferentes, com parte das instalações na Avenida Wai Leong, perto do aeroporto, e as restantes na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. O contrato mais recente de sondagem e prospecção de solos faz subir o preço do projecto, por agora, para 202,5 milhões de patacas. Isto porque anteriormente foi revelado que a empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd vai receber 197,8 milhões de patacas pela concepção dos planos para os dois terrenos. A construção deste parque foi apresentada no final do ano passado, durante a consulta pública. O projecto foi divulgado como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava igualmente que a pandemia da Covid-19 tinha mostrado “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que nessa altura o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução de 50 por cento.
Hoje Macau PolíticaFinanças | Banco central abre mercado chinês a dívida emitida em Macau O líder do banco central da China, Pan Gongsheng, anunciou ontem que a dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado do Interior da China. O mais se vai passar em Hong Kong, com o mercado nacional aberto a obrigações emitidas em yuan e dólares de Hong Kong A dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado nacional, revelou ontem o governador do banco central da China, Pan Gongsheng. O líder do Banco Popular da China (PBC, na sigla em inglês) disse que o mercado chinês também irá abrir-se às obrigações emitidas na vizinha região de Hong Kong, quer sejam denominadas em dólares de Hong Kong ou em renminbi. Pan falava num discurso proferido durante uma cimeira, realizada em Hong Kong, sobre o programa Bond Connect, que permite aos investidores da China continental aceder a mercados de dívidas externos. O líder do PBC anunciou que a quota anual de investimento líquido no Bond Connect irá subir de 500 para 800 mil milhões de yuan. Além disso, o responsável prometeu reforçar o investimento das reservas cambiais da China continental em activos em Hong Kong, para apoiar o mercado financeiro da antiga colónia britânica. “Isto dará vitalidade ao desenvolvimento de Hong Kong”, disse o governador, citado pela imprensa local. Pan disse que o lançamento de mais produtos financeiros denominados em renminbi é uma grande oportunidade para Hong Kong atrair mais investidores estrangeiros, incluindo fundos soberanos. O líder do banco central da China confirmou que Hong Kong lançará em breve contratos de futuros de obrigações em renminbi a cinco anos, tendo como alvos prioritários investidores externos. Finanças diversas Macau tem apostado nos serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa para diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do turismo. O banco do bloco BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), anunciou em 26 de Junho a primeira emissão de dívida em Macau, no valor de 50 milhões de dólares. A sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, que organizou a emissão de dívida, informou em comunicado que o dinheiro será investido em “projectos de infra-estruturas sustentáveis no Brasil”, sem revelar mais detalhes. O Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicou que a dívida foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.
Hoje Macau EventosSemana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa encanta Qinghai Este fim-de-semana, os ritmos da lusofonia invadiram a Praça Tangdao, na capital da província de Qinghai, Xining, naquela que foi a primeira incursão do evento organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau numa província do Oeste da China. A comitiva de artistas é composta pela vocalista dos portugueses OqueStrada Marta Miranda, pelos brasileiros Mauricio Tizumba, Sérgio Pererê e José de Holanda, a cabo-verdiana Elly Paris, Patche di Rima e Anderking Skididi da Guiné-Bissau e Fistong Boy da Guiné Equatorial. Moçambique foi representado em palco pelo cantor Az Khinera, enquanto Vungo Téla apresentou à China as sonoridades de São Tomé e Príncipe e os New Arquiris que misturam legado musical tradicional de Timor-Leste com toques de modernidade. De Macau, viajaram o macaense German Ku e a cantora winifai. Qinghai é uma província do noroeste da China situado no planalto tibetano, rodeado por Gansu, Xinjiang, Sichuan e o Tibete. As sonoridades da lusofonia juntaram-se dez grupos artísticos do Qinghai. O programa itinerante prossegue agora para a capital Pequim, com espectáculos marcados para quinta e sexta-feira na Praça da Concha Acústica, entre as 18h e as 21h. Na rota da seda Na cerimónia de abertura dos espectáculos em Xining, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, mostrou-se esperançado que as bandas e artistas dos Países de Língua Portuguesa aproveitassem “a oportunidade para mostrar as suas características culturais únicas e reforçar o intercâmbio cultural com Qinghai”. Por sua vez, um representante do Governo Popular Municipal de Xining indicou que o evento teve o “intuito de aprofundar a cooperação entre Xining e Macau em várias áreas como comércio, economia e cultura”. Chen Yongqin manifestou a expectativa de que, “com a cultura como ponte e a arte como meio, mais amigos dos Países de Língua Portuguesa possam conhecer Qinghai e a sua capital Xining, escrevendo em conjunto um novo capítulo para o intercâmbio sino-lusófono”.
Hoje Macau EventosMuseu do Grande Prémio | Abertas inscrições para workshops de Verão Abriram ontem as inscrições para quatro workshops no Museu do Grande Prémio de Macau que se vão realizar nos fins-de-semana de Julho e Agosto. Segundo um comunicado divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), as actividades têm como pilar central “educação com diversão”, combinando ciência, artesanato, arte, diversão e elementos de corridas. Assim, serão organizados as actividades “Artista da Guia: Carro de Corrida em Mosaico”, “Engenheiro da Guia: Montagem de Carro de Corrida 4×4”, “Mágico da Guia: Carro dos Sonhos em Arte com Areia”, e “Artesão da Guia: Gravação de Lâmpada em Forma de Carro de Corrida”. Os workshops realizam-se no Museu do Grande Prémio de Macau aos sábados e domingos, entre 25 de Julho e 16 de Agosto, com um tema novo a cada semana. Aos sábados e domingos, estão previstas duas sessões diárias (11h30 e 14h30, com duração de 1h30m cada). As vagas para cada sessão estão limitadas a 15 pares de pais e filhos. Como é habitual, as inscrições podem ser feitas através da Conta Única. Além dos quatro workshops, no fim de Julho será lançada uma nova experiência interactiva exclusiva para crianças: A “Zona de Pé a Fundo”, uma atracção imersiva de educação e entretenimento sobre corridas, especialmente concebida para crianças dos 6 aos 12 anos. A atracção tem por base o lendário Circuito da Guia, através de uma maquete de grandes dimensões em 3D, “reproduzindo curvas emblemáticas como a Curva do Hotel Lisboa e a Curva do Reservatório”, por onde as crianças vão poder acelerar em “mini-carros de corrida”.
Hoje Macau SociedadePJ | Dois homens detidos por filmarem mesas de casino Dois homens, oriundos do Interior da China, foram detidos no domingo por filmarem e transmitirem em directo online mesas de jogo em casinos de Macau. As duas detenções foram feitas em casinos diferentes (um na península e outro no Cotai), com as queixas a chegarem à Polícia Judiciária (PJ) com meia hora de diferença. Porém, as autoridades não apuraram se os casos estão relacionados e se os homens trabalhavam para a mesma organização. Ambos tinham telemóveis escondidos em bolsos falsos nas camisolas, e enquanto transmitiam acção nas mesas de jogo recebiam encomendas para apostas de clientes com quem comunicavam através de auriculares com Bluetooth. O caso no casino no Cotai foi descoberto por um segurança que suspeitou da postura pouco natural do indivíduo em mesas de bacará e máquinas de slot, fazendo apostas a rondar 8 mil dólares de Hong Kong Os casos foram encaminhados ao Ministério Público pela prática de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online. A PJ, apesar de notar a semelhança no modus operandi dos suspeitos não conseguiu apurar ligações entre os dois homens, mas garantiu que as investigações vão prosseguir.