APEC | Reunião Ministerial do Turismo arranca hoje

A 13.ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC) e a 67.ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC começa, com eventos e encontros que se vão estender até domingo.

O Governo da RAEM indicou ontem que os “ trabalhos relativos à preparação do local, acolhimento dos participantes e medidas de segurança foram concluídos”, e que ontem tinham começado a chegar representantes que irão participar nas reuniões.

A delegação de Macau irá apresentar o panorama actual e as perspectivas futuras do desenvolvimento da indústria turística de Macau, “com vista a reforçar ainda mais a sua participação e influência nestas organizações internacionais”. O Gabinete de Comunicação Social avançava ontem que estavam registados na Reunião Ministerial do Turismo mais de 200 participantes.

24 Jun 2026

Combustíveis | DSEDT pede ajuste rápido dos preços

A Direcção de Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) apelou às petrolíferas que ajustem os preços dos combustíveis e do gás, tendo em conta “a recente situação geopolítica internacional”.

O pedido foi deixado durante um encontro entre a DSEDT, o Conselho de Consumidores e as petrolíferas que serviu para discutir o plano de subsídio para preços de gás de petróleo liquefeito e o subsídio para o preço da gasolina.

“A DSEDT instou novamente o sector, durante a reunião, a ajustar o mais rapidamente possível os preços de retalho dos produtos combustíveis em Macau, de acordo com a tendência dos preços internacionais do petróleo, de modo a responder às aspirações do sector comercial e industrial e às expectativas da sociedade”, foi comunicado pela DSEDT.

Nos últimos tempos, os preços dos combustíveis têm estado em quebra. Ontem o barril de petróleo foi negociado por 73 dólares norte-americanos, o valor mais baixos dos últimos três meses.

24 Jun 2026

Ébola | Angola de fora da Semana Cultural da China e dos PLP

Angola não vai participar na 18ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, devido a restrições sanitárias da RAEM relacionadas com o vírus Ébola, apesar de não ter sido detectado nenhuma infecção de Ébola no país africano.

Segundo o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzhen, a ausência de Angola do evento tem como objectivo garantir a segurança e a saúde dos participantes, avançou ontem a TDM – Rádio Macau. O responsável revelou ainda que a Semana Cultural deste ano se realiza em Pequim e Macau, com uma extensão pioneira à província de Qinghai.

Entre o próximo sábado e o dia 10 de Julho, o evento irá contar com a participação de 60 artistas e chefs de países lusófonos.

Os eventos marcados para Macau começam já na sexta-feira com uma mostra gastronómica dos Países de Língua Portuguesa. Para a tarde de 29 de Junho está programada a inauguração da Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa na Galeria do IAM. Nos dias 30 de Junho e 1 de Julho, o Largo do Senado será palco de espectáculos de música e dança.

23 Jun 2026

Bolsa | China promete facilitar entrada de empresas estrangeiras

A China prometeu ontem apoiar a entrada em bolsa de empresas estrangeiras nos mercados nacionais e facilitar fusões e aquisições envolvendo grupos estrangeiros, numa tentativa de travar a queda do investimento externo no país.

No que diz respeito à entrada em bolsa, o plano prevê a optimização dos serviços de apoio às empresas antes da apresentação dos pedidos de cotação e o apoio à obtenção de financiamento através dos mercados nacionais por parte de empresas estrangeiras consideradas qualificadas.

As autoridades afirmaram que o objectivo é aumentar gradualmente o nível de abertura do sector financeiro, através da melhoria da gestão das operações transfronteiriças e da disponibilização de linhas de financiamento para empresas estrangeiras classificadas como prioritárias.

Ao contrário da Bolsa de Valores de Hong Kong, que opera de forma autónoma, os mercados da China continental estiveram reservados a empresas chinesas até 2019, quando algumas empresas estrangeiras passaram a poder aceder indirectamente às bolsas de Xangai e Shenzhen através de um mecanismo de ligação com a Bolsa de Londres.

Relativamente às fusões e aquisições, o plano prevê acelerar a revisão e aprovação da legislação que regula a compra de empresas chinesas por grupos estrangeiros. As autoridades anunciaram ainda que fundos de investimento estrangeiros poderão participar como investidores estratégicos em emissões de títulos de empresas cotadas em sectores não sensíveis.

23 Jun 2026

Coreia do Sul | Antigo ministro da Justiça condenado a 25 anos de prisão

Um tribunal de Seul condenou ontem o antigo ministro da Justiça da Coreia do Sul Park Sung-jae a 25 anos de prisão pelo envolvimento na crise da lei marcial de 2024. Park Sung-jae foi condenado a 25 anos de prisão em primeira instância pelo envolvimento numa “insurreição”, considerou o tribunal de Seul.

Um decreto emitido pelo antigo Presidente do país Yoon Suk-yeol suspendeu brevemente o poder civil e mergulhou a Coreia do Sul na incerteza política a 3 de Dezembro de 2024, dando tempo aos deputados da oposição para se mobilizarem e revogarem a medida através de uma votação. Yoon foi condenado e permanece detido a aguardar o resultado do recurso contra a pena de prisão perpétua.

O antigo chefe de Estado foi também condenado a 12 de Junho a 30 anos de prisão por enviar drones para a Coreia do Norte para provocar Pyongyang e criar um pretexto para a imposição da lei marcial em Dezembro de 2024.

De acordo com os procuradores, Park Sung-jae convocou uma reunião de funcionários do Ministério da Justiça nas primeiras horas da lei marcial e reviu a capacidade das prisões no caso da detenção de figuras antigovernamentais. Enquanto ministro da Justiça, “ordenou a cooperação com o comando da lei marcial (…) assumindo que um decreto seria válido”, considerou o tribunal.

A acusação tinha pedido uma pena de 20 anos de prisão, argumentando que o ex-ministro da Justiça “reduziu a lei” a um instrumento de insurreição através do seu abuso de poder e minou o Estado de Direito. O tribunal acrescentou que não demonstrou qualquer remorso.

23 Jun 2026

Timor-Leste | Sete dias de luto nacional por morte de ex-Presidente “Lu Olo”

O Governo timorense decretou ontem sete dias de luto nacional pela morte do antigo Presidente de Timor-Leste Francisco Guterres “Lu Olo”, que morreu domingo na Malásia. “Esta noite recebemos uma notícia triste para todos nós. Perdemos um combatente que faleceu na Malásia.

Enquanto primeiro-ministro interino anuncio que será decretado luto nacional durante sete dias”, declarou o vice-primeiro-ministro e ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária, Mariano Assanami Sabino.

Mariano Assanami Sabino ocupa interinamente as funções de primeiro-ministro, porque o líder do executivo timorense, Xanana Gusmão, se encontra em Portugal em visita de trabalho.

Mariano Assanami Sabino precisou também que o corpo de Francisco Guterres “Lu Olo” deverá chegar hoje ao país, num voo especial da AeroDili. “Será utilizado um avião da AeroDili com a nossa bandeira nacional. Trata-se, porém, de um voo especial fretado. Não haverá outros passageiros. Apenas viajarão os restos
mortais e os familiares”, explicou.

O ex-Presidente timorense e presidente da Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) morreu domingo, num hospital em Kuala Lumpur, na Malásia.

Francisco Guterres “Lu Olo” foi Presidente de Timor-Leste entre 2017 e 2022 e antigo presidente da Assembleia Constituinte e do Parlamento Nacional. Enquanto presidente da Assembleia Constituinte, “Lu Olo” proclamou oficialmente a restauração da independência de Timor-Leste, em 20 de Maio de 2002, tendo, depois, dado posse a Xanana Gusmão como Presidente da República.

23 Jun 2026

Filipinas | Ataque a tiro em escola deixa três alunos mortos e sete feridos

Três estudantes foram mortos e outros sete ficaram feridos ontem num ataque a tiro numa escola secundária em Tacloban, na ilha central de Leyte, nas Filipinas. Os suspeitos são dois alunos de 14 e 15 anos e incidentes de bullying podem ter sido o motivo para o crime

A polícia filipina confirmou que o incidente ocorreu por volta das 09h, na Escola Secundária Nacional de San Jose, e fez três mortos e sete feridos, que foram transportados para hospitais, de acordo com um comunicado divulgado na rede social Facebook.

As autoridades anunciaram a detenção de dois estudantes do nono ano de escolaridade, de 14 e 15 anos de idade, que terão agido em vingança devido a incidentes de bullying. A agência de notícias estatal filipina, PNA, confirmou ainda que os mortos e feridos eram estudantes do ensino secundário. A Escola Secundária Nacional de San Jose tem mais de 1.500 estudantes.

Utilizadores da Internet e meios de comunicação locais divulgaram nas redes sociais vídeos que supostamente mostram o tiroteio dentro de uma sala de aula, nos quais se ouvem vários tiros e gritos.
A PNA divulgou também imagens do segundo suspeito, que foi detido por um grupo de moradores locais, segundo a agência de notícias.

Segundo as autoridades, os suspeitos estavam armados com um revólver calibre .38 e uma pistola de 9 mm, esta última pertencente a uma agente da polícia da família de um dos atiradores. A agente também foi detida.

Os chamados “sinais de alerta” no comportamento dos adolescentes passaram despercebidos e, com eles, a oportunidade de impedir o crime, afirmou o porta-voz da polícia nacional aos jornalistas na segunda-feira. “Os dois [suspeitos] dirigiram-se directamente para a sala de aula. Sem dizerem nada, começaram a disparar”, disse o coronel Allen Rae Co aos jornalistas.

A lei da bala

A violência armada não é invulgar nas Filipinas, mas os tiroteios em escolas são extremamente raros.
Em Julho de 2022, três pessoas foram mortas — incluindo um antigo presidente da câmara de um município na ilha de Basilan, no sudeste do país — e duas ficaram feridas num tiroteio na Universidade Ateneo de Manila, que levou à detenção de uma pessoa.

Os dados da polícia revelam que a violência com armas de fogo tem vindo a diminuir de forma constante nos últimos anos. Em 2024, a Polícia Nacional das Filipinas registou cerca de 5 000 casos de violência com armas de fogo em todo o país. A cidade de Tacloban, a cerca de uma hora de avião de Manila, tem uma população de 250 000 habitantes.

23 Jun 2026

Comércio | Vetadas compras públicas a 46 empresas americanas

A China proibiu ontem organismos públicos de adquirirem produtos de 46 empresas norte-americanas, incluindo fabricantes de armamento e aeronáutica, ampliando as restrições contra entidades dos Estados Unidos anunciadas horas antes por Pequim, em resposta a medidas adoptadas por Washington.

O Ministério das Finanças chinês anunciou ontem restrições à contratação pública envolvendo 46 empresas norte-americanas, entre as quais a Lockheed Martin, Raytheon, General Dynamics e Boeing Defense.

Segundo um comunicado, os organismos públicos chineses deixam de poder adquirir produtos fabricados por estas empresas, embora a medida não se aplique a companhias de capital norte-americano estabelecidas na China. A lista inclui sobretudo empresas ligadas aos sectores da defesa, aeronáutica, veículos aéreos não tripulados (drones), sistemas militares e segurança, entre as quais a Anduril, BAE Systems, Teledyne e Cubic Global Defense.

23 Jun 2026

Cooperação | Reunião ministerial sino-lusófona na primeira metade de 2027

A 7ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa realiza-se no primeiro semestre de 2027, anunciou ontem o secretário-geral do organismo

 

O secretário-geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Ji Xianzheng, anunciou ontem que a 7ª Conferência Ministerial se realiza no primeiro semestre do próximo ano, estando a data concreta ainda a ser definida com o Governo central chinês. “Prevemos ter uma resposta antes de Setembro, para poder realizar a primeira reunião preparativa desta presidência ministerial”, afirmou o secretário-geral do Fórum de Macau.

Cinco conferências ministeriais foram realizadas em Macau, em 2003, 2006, 2010, 2013, 2016 e 2024 durante as quais foram aprovados Planos de Acção para a Cooperação Económica e Comercial. O então ministro da Economia português, Pedro Reis, liderou a delegação de Portugal na 6.ª Conferência Ministerial em Abril de 2024, sublinhando na altura um foco no reforço da internacionalização de empresas portuguesas para a China e mercados lusófonos.

O Secretariado Permanente do Fórum integra o secretário-geral, o chinês Ji Xianzheng e três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau).

O organismo integra, além da China, os membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.

Em permanência

Ji destacou também que estão em curso negociações com a embaixada brasileira em Pequim e com os ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países, para garantir a presença de um representante fixo de Brasília. O actual delegado do Brasil, Hervelter de Mattos, é também cônsul-geral adjunto em Hong Kong. “Já tive contacto com o embaixador do Brasil em Pequim e o secretário-geral adjunto do Fórum, também aproveitou várias ocasiões para coordenar com a embaixada”, disse.

Questionado sobre o novo plano quinquenal da RAEM, que prevê medidas para atrair quadros qualificados dos países de língua portuguesa, Ji Xianzheng considerou que a iniciativa pode reforçar o papel de Macau como plataforma entre os países de língua portuguesa e a China. “Do ponto de vista do secretariado permanente, estamos sempre a coordenar com o Governo da RAEM para facilitar ainda mais as cooperações, não só económicas e comerciais, mas também culturais e nas outras 20 áreas estabelecidas pelo plano de acção do Fórum”, sublinhou.

23 Jun 2026

Covid-19 | Dez pessoas infectadas em lares de idosos

Os Serviços de Saúde revelaram o registo de três casos colectivos de covid-19 em lares de terceira idade, com um total de 10 infectados, um deles obrigando a internamento da doente infectada. A primeira ocorrência aconteceu no Asilo Santa Maria, com quatro utentes do sexo feminino infectadas.

Também nesse dia, no Asilo de São Francisco Xavier, houve um total de três infectadas. O terceiro caso foi registado dois dias depois, no Lar de Cuidados Especiais da Obra das Mães e também teve três infectados, dois do sexo feminino e um do masculino.

“Uma doente do Asilo de São Francisco Xavier necessitou de internamento, apresentando um estado clínico estável”, foi indicado pelos Serviços de Saúde. “Não foram registados casos graves ou outras complicações relativamente às restantes doentes”, foi acrescentado. “Os Serviços de Saúde irão monitorizar rigorosamente e acompanhar a situação de saúde dos indivíduos infectados e não infectados”, foi prometido.

23 Jun 2026

Crime | Polícia agredido no Cotai quando estava em serviço

Um inspector da Polícia Judiciária em serviço foi agredido e assaltado no Cotai, na passada quinta-feira, por um grupo de homens. Os sete indivíduos foram detidos no sábado e são suspeitos de roubo, ofensas à integridade física e danos criminais

 

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem que um dos seus inspectores foi agredido e assaltado, na semana passada, por vários homens. O incidente ocorreu na última quinta-feira, pelas 22h, na zona do Cotai, adiantou o porta-voz da PJ em conferência de imprensa. O agente agredido estava a realizar uma investigação na área quando foi abordado por um indivíduo que lhe perguntou o que estava ali a fazer.

A vítima foi “então rodeada por um grupo de pessoas que o atacaram com murros e bofetadas” explicou o porta-voz da PJ, acrescentado que “os agressores roubaram também um telemóvel avaliado em 4.500 patacas”. A PJ declarou ainda que, para não comprometer a investigação, “o agente não revelou de imediato a sua identidade” aos agressores.

O investigador sofreu ferimentos no pescoço e nas mãos durante o ataque levado a cabo por um dos suspeitos e o seu telemóvel ficou danificado. “Após a vítima ter revelado a identidade, os agressores fugiram. A vítima encontrou mais tarde o telemóvel nas proximidades, mas este apresentava danos graves,” afirmou a PJ em comunicado.

Conhecimentos posteriores

A polícia disse ainda que um dos suspeitos, ao tomar conhecimento sobre a identidade da vítima, mudou imediatamente de atitude e, “sob pretexto de ajudar” o agente a procurar o telemóvel, permitiu que os restantes suspeitos fugissem. Este suspeito também fugiu logo que teve oportunidade.

Sete suspeitos do sexo masculino – três residentes e quatro trabalhadores migrantes – foram detidos no sábado, nas zonas da Taipa e de Coloane. Foram presentes ao Ministério Público sob suspeita de roubo, ofensas à integridade física e danos criminais, informou a PJ.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, do grupo de três residentes, um está ligado ao sector imobiliário e dois são empresários; enquanto os restantes não-residentes são dois homens de nacionalidade tailandesa, um filipino e um cidadão do Interior da China.

O jornal Ou Mun descreve ainda que um dos homens de nacionalidade tailandesa terá agarrado por trás o agente policial pelo pescoço, enquanto os restantes começaram as agressões e danificaram o telemóvel. Só depois de se identificar como agente policial os homens pararam os actos violentos e dispersaram do local.

Contrabando | Interceptados cigarros no valor de 600 mil patacas

Entre terça-feira e sexta-feira da semana passada, os Serviços de Alfândega (SA) apreenderam cerca de 260 mil cigarros electrónicos e 200 mil cigarros, avaliados em 600 mil patacas. As apreensões foram feitas no Aeroporto Internacional de Macau, quando 14 pessoas tentaram entrar no território vindas do Japão.

Segundo os SA, os produtos contrabandeados corresponderiam ao pagamento de 300 mil patacas em impostos. Os cigarros foram apreendidos nas bagagens de mão e do porão dos diferentes passageiros. Os interceptados eram todos residentes do Interior, com idades entre os 24 e 58 anos.

Foram instaurados seis processos no âmbito das apreensões, que ainda estão a ser investigados. Os visados podem ser multados num valor que pode chegar às 100 mil patacas. Além disso, as autoridades estão a investigar eventuais violações à lei do controlo do tabagismo.

23 Jun 2026

Tibete | Residente perde orelha devido a choque eléctrico

Um residente de Macau viu ser-lhe amputada a orelha esquerda depois de ter sofrido um choque eléctrico numa viagem ao Tibete. Segundo noticiou a imprensa local, nomeadamente a TDM e o portal Macau News Agency, o homem, de apelido Chan, disse que o caso foi quase um “encontro com a morte”, conforme relato ao programa “Scoop”, da TVB.

Chan viajava de carro com destino à cidade de Nyingchi, na zona sudeste do Tibete, integrado num grupo de oito pessoas. “Estávamos a passar por uma praia e saímos do carro para tirar fotografias, tal como qualquer outro viajante. Não havia guardas de segurança nem sinais de aviso evidentes. Era, essencialmente, uma área completamente aberta”, disse Chan. Este adiantou que “num piscar de olhos” sofreu “um choque eléctrico enquanto tirava fotografias.

Foi divulgado um vídeo do incidente, que revela Chan bem-disposto até gritar de dor e cair no chão, tendo sido socorrido pelos companheiros de viagem. “A alta tensão percorreu a parte de trás do meu pescoço — a minha orelha esquerda — até ao resto do meu corpo, antes de sair pelos meus pés”, adiantou a vítima, que entrou em coma de imediato. Sofreu queimaduras e não foi possível salvar a orelha esquerda.

Imagens divulgadas no programa “Scoop” mostram como Chan teve contacto com um cabo eléctrico instalado abaixo da altura padrão, que é de 1,8 metros. Um familiar de Chan disse ao mesmo programa que esta não é a primeira vez que um caso destes acontece devido à má instalação de cabos de electricidade. “O hospital onde o meu irmão esteve internado já recebeu muitas vítimas de choques eléctricos, algumas das quais são residentes locais em condições ainda mais graves”, disse.

23 Jun 2026

Condução | Recusada entrada a 4 mil cidadãos chineses

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) declarou, em comunicado, que recusou a entrada em Macau a cerca de quatro mil cidadãos da China continental entre Janeiro deste ano e 20 de Junho devido às infracções de trânsito.

A mesma nota dá conta que o CPSP realizou uma triagem de dados e reforçou as inspecções à entrada do território, verificando que estes quatro mil condutores não correspondiam aos critérios de entrada, já que não conseguiram mostrar documentos de transporte válidos. Noutras situações, os condutores não deixaram o território mediante as condições decretadas nos vistos, ou então entraram e saíram de Macau várias vezes com o intuito de ficarem na RAEM.

O CPSP diz ter reforçado a fiscalização no Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau juntamente com as autoridades do Interior da China e que estes trabalhos estão a ser bem sucedidos tendo em conta a realização da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation).

23 Jun 2026

Formação | Encerramentos preventivos levantam dúvidas

Os deputados esperam que o Governo clarifique o mecanismo de suspensão dos centros de formação particulares, assim como os efeitos desta opção legislativa para todos os envolvidos. A questão foi abordada ontem pelo deputado e presidente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Ip Sio Kai, durante a discussão da futura lei do regime jurídico dos centros de aperfeiçoamento particulares.

A suspensão dos centros é uma da possibilidade de sanção prevista no diploma legal, no qual também constam a aplicação de multas que podem variar entre 2 mil patacas e 100 mil patacas. Segundo o mesmo deputado, citado pelo jornal Ou Mun, espera-se que antes da aprovação do diploma o Governo explique o impacto para os alunos, professores e funcionários da sanção de suspensão dos centros.

Em particular, os deputados também querem saber se os alunos vão continuar a pagar propinas durante a suspensão. Os deputados da 2ª Comissão Permanente esperam também que o Executivo explique o mecanismo de suspensão preventiva dos centro, igualmente previsto no diploma.

23 Jun 2026

Apesar de apoios, Hong Kong bate recorde negativo de nascimentos

O secretário para o Trabalho e Assuntos Sociais de Hong Kong, Chris Sun Yuk-han, revelou que as autoridades gastaram cerca de 1,44 mil milhões de dólares de Hong Kong desde que o subsídio para novos pais foi criado, em Outubro de 2023. Ainda assim, a cidade vizinha registou em 2025 o número de nascimentos mais baixo de sempre.

Numa resposta escrita a questões do deputado Chu Lap-wai, Chris Sun disse que o Executivo recebeu quase 72.300 candidaturas, das quais menos de 71.900 foram aceites.

O Governo lançou este subsídio único no valor de 20 mil dólares de Hong Kong para incentivar as famílias a terem filhos, num programa com a duração de três anos e que irá expirar em Outubro. Chris Sun disse que a revisão do programa “ainda está em curso, o que envolve a análise de dados e a realização de análises e considerações aprofundadas”, e prometeu ter em conta as opiniões e sugestões dos deputados e da população.

Numa entrevista publicada na semana passada, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, prometeu realizar uma consulta pública sobre o subsídio e outros incentivos à natalidade. Em Setembro, o Chefe do Executivo anunciou que, a partir de 2026, a isenção fiscal de 130 mil dólares de Hong Kong para novos pais ia ser prolongada de um para dois anos após o nascimento.

Na entrevista ao jornal South China Morning Post, John Lee defendeu que os incentivos à natalidade representaram uma grande mudança de política, abandonando uma abordagem passiva.

Aquando da criação do subsídio, o Executivo previu que poderia ajudar o número anual de nascimentos a atingir 39 mil, mais 20 por cento do que em 2022, altura em que Hong Kong vivia em plena pandemia da covid-19.

Questão regional

John Lee defendeu que o subsídio “obteve bons resultados, porque as taxas de fertilidade aumentaram”, numa referência à subida de 10 por cento no número de nascimentos em 2024, para 36.700. Mas no ano passado, Hong Kong registou cerca de 31.100 nascimentos, uma queda de 15,3 por cento e o valor mais baixo desde que há registos oficiais na antiga colónia britânica, em 1961.

John Lee disse que o casamento tardio, impulsionado pela aposta das mulheres em carreiras profissionais ou académicas, e as mudanças culturais estão a limitar a eficácia dos incentivos.

Recorde-se que Macau registou em 2025 2.871 recém-nascidos, também o menor número em quase meio século, disse, em Janeiro, o director substituto do hospital público da cidade, Tai Wa Hou. Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo recorde negativo desde o ano da fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.

22 Jun 2026

G7 | Trump quer concentrar-se na Coreia do Norte após acordo com Irão

O Presidente sul-coreano, que se encontrou na semana passada com o homólogo norte-americano, afirmou que Donald Trump pretende agora concentrar-se na resolução da “questão norte-coreana”, após celebrar um memorando de entendimento com o Irão.

“O Presidente Trump afirmou que chegou o momento de dedicar atenção à questão norte-coreana”, afirmou Lee Jae-myung aos jornalistas em Seul, revelando detalhes do encontro com o Presidente dos Estados Unidos durante a cimeira do G7 em Évian, França.

O dirigente sul-coreano afirmou ainda ter dito a Trump que “as sanções e a pressão” impostas à Coreia do Norte devido ao programa nuclear eram ineficazes. “A eficácia das sanções diminuiu devido à cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia relacionada com a guerra na Ucrânia”, prosseguiu. “Mesmo uma ajuda modesta da Rússia é de grande utilidade para a Coreia do Norte”, acrescentou.

No passado dia 14 de Junho, poucas horas depois de ter anunciado um acordo com o Irão, Trump publicou nas redes sociais uma fotografia sem legenda ao lado do líder norte-coreano Kim Jong-un, tirada durante o encontro entre os dois em Singapura, em 2018. Isto alimentou as especulações de que o Governo de Trump poderia agora voltar-se para a Coreia do Norte, que possui armas nucleares.

Trump e Lee encontraram-se num jantar em Évian na semana passada, onde discutiram a rivalidade de longa data entre a Coreia do Sul e o vizinho do Norte, que possui armas nucleares. Lee escreveu na rede social X que os dois governantes tiveram “conversas aprofundadas sobre a paz na península coreana e as relações entre a Coreia e os Estados Unidos, tendo sido alcançados progressos significativos”.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz, e estão separadas por uma zona desmilitarizada ao longo da qual se estende a fronteira.

22 Jun 2026

Economia | Preços no Japão subiram 1,4% do passado mês de Maio

O índice de preços ao consumidor (IPC) do Japão subiu em Maio 1,4 por cento em termos homólogos, ficando abaixo da meta de 2 por cento do Banco do Japão pelo quarto mês consecutivo, devido ao efeito dos subsídios aos combustíveis

 

O aumento do indicador, que exclui os preços dos alimentos devido à elevada volatilidade, é idêntico ao registado no mês anterior, Abril, de acordo com os dados publicados na sexta-feira pelo Gabinete de Estatística do Ministério do Interior e das Comunicações.

Os preços da energia continuaram a descer em Maio, com uma queda de 2,5 por cento em termos homólogos, na sequência da queda de 3,9 por cento em Abril e de 5,7 por cento em Março, devido aos efeitos contínuos da abolição dos impostos sobre a gasolina e gasóleo para mitigar os efeitos da inflação persistente sobre as famílias.

O Japão implementou subsídios para controlar os preços da gasolina em torno dos 170 ienes (cerca de 8,5 patacas) por litro. O Parlamento japonês aprovou ainda, no início de Junho, um orçamento suplementar de 3,11 biliões de ienes (cerca de 154,6 milhões de patacas) para fazer face ao aumento dos preços da energia devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Washington e Teerão assinaram na semana passado um acordo para pôr fim à guerra, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, um enclave essencial para a economia mundial e, sobretudo, para a Ásia, devido à importância para o transporte de petróleo.

Ponto por ponto

A electricidade registou uma redução de 2,4 por cento em Abril, enquanto o gás ficou 1,7 por cento mais barato.
A factura do cabaz de compras subiu 3,5 por cento em termos homólogos, excluindo os alimentos frescos, face aos 4,1 por cento registados em Março, num contexto de descida dos preços dos cereais (-0,9 por cento).

Entre os sectores que registaram uma descida mais acentuada destacam-se a educação e as propinas, com quedas de 6,1 por cento e 10,7 por cento, respectivamente, tendo as despesas relacionadas com a educação também diminuído 8,4 por cento.

O Banco do Japão (BoJ) aumentou na terça-feira para 1 por cento as taxas de juro de referência de curto prazo, o nível mais elevado em mais de três décadas, dando continuidade aos esforços para controlar os riscos de inflação decorrentes da subida dos preços do petróleo e da debilidade do iene.

22 Jun 2026

Equador | China vai receber 2,88 milhões de barris de petróleo

O Equador vai exportar 2,88 milhões de barris de petróleo bruto no valor de mais de 313 milhões de dólares, segundo adjudicações esta sexta-feira pela petrolífera estatal Petroecuador, cujas entregas estão previstas para Julho e Agosto.

A empresa estatal equatoriana informou que 1,44 milhões de barris de crude foram adjudicados à chinesa Petrochina International, enquanto 1,44 milhões de barris foram adjudicados à Unipec America, subsidiária da petrolífera chinesa Sinopec. As receitas estimadas decorrentes das adjudicações à Petrochina ascendem a 162 milhões de dólares e à Unipec, a 151 milhões de dólares, precisou a Petroecuador.

A petrolífera equatoriana convidou mais de 35 empresas qualificadas e inscritas no Registo de Fornecedores da Direcção de Comércio Internacional a participar, o que, para a empresa estatal, garante “uma ampla concorrência sob critérios de transparência, competitividade, eficiência e maximização do valor dos recursos de hidrocarbonetos do país”.

Para a determinação do preço de exportação do petróleo bruto equatoriano, utiliza-se como referência o índice internacional West Texas Intermediate (WTI), um dos principais indicadores do mercado petrolífero mundial. Com cerca de 470.000 barris de crude produzidos por dia, o petróleo é um dos principais produtos de exportação do Equador e um dos pilares do financiamento do orçamento geral do Estado.

22 Jun 2026

Semicondutores | Washington preocupada com transferência de tecnologia

O Governo dos Estados Unidos manifestou à empresa neerlandesa ASML preocupação com a possibilidade de uma das suas máquinas mais avançadas para o fabrico de semicondutores ter chegado à China, noticiou na sexta-feira a Bloomberg.

Segundo a agência, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, manifestou a preocupação aos altos dirigentes da ASML durante uma série de reuniões recentes. A preocupação centra-se num equipamento de litografia por ultravioleta extremo (EUV), considerado essencial para fabricar os semicondutores mais avançados e cuja exportação para a China está proibida pelos controlos impostos por Washington, com o apoio dos Países Baixos.

A ASML rejeitou essa possibilidade e garantiu que nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem componentes especificamente concebidos para esse tipo de sistemas. De acordo com a Bloomberg, a empresa recordou que estes equipamentos, com cerca de 180 toneladas, requerem instalação e manutenção permanente por parte dos seus próprios engenheiros, pelo que considera altamente improvável que algum tenha chegado ao país asiático sem o seu conhecimento.

Nem o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, nem a Casa Branca, nem a ASML fizeram comentários adicionais sobre a informação da Bloomberg. A notícia surge num contexto de crescentes restrições norte-americanas destinadas a impedir que a China tenha acesso a tecnologia de ponta para o fabrico de chips.

A preocupação de Washington surge meses depois de a Reuters ter noticiado que um grupo de antigos engenheiros da ASML participou no desenvolvimento de um protótipo chinês de máquina EUV, um projecto estratégico com o qual Pequim procura reduzir a dependência relativamente à tecnologia ocidental.

Até ao momento, não há confirmação pública de que uma máquina EUV comercial da ASML tenha sido exportada ou introduzida na China, violando as restrições internacionais.

22 Jun 2026

Austrália | Tarifas de 55% à importação de carne depois de esgotada quota

A China está a aplicar um direito aduaneiro adicional de 55 por cento às importações de carne de vaca proveniente da Austrália, depois de as remessas desse país terem esgotado a quota anual fixada por Pequim. Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos estão sujeitos ao mesmo sistema de quotas e tarifas

 

As importações de carne de vaca australiana atingiram na semana passada 100 por cento da quota específica atribuída a esse país, de acordo com um aviso publicado na sexta-feira pelo Ministério do Comércio chinês, e a tarifa entrou em vigor no dia seguinte.

A China aplica, desde 1 de Janeiro de 2026, medidas de protecção à carne de vaca importada, com quotas por país e uma tarifa adicional de 55 por cento para as remessas que excedam os volumes estabelecidos. A investigação que deu origem à medida foi iniciada em Dezembro de 2024 e concluiu que o aumento das importações de carne de vaca causou um “prejuízo grave” à indústria nacional, segundo o Ministério do Comércio.

O sistema afecta grandes fornecedores como Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, e fixa para 2026 uma quota total de 2,69 milhões de toneladas para os países afectados pelas medidas de protecção impostas por Pequim, de acordo com dados recolhidos pela imprensa chinesa.

O aviso publicado na sexta-feira surge depois de o Ministério do Comércio ter alertado este mês que as importações de carne de vaca australiana tinham atingido 90 por cento da quota anual e se aproximavam do nível que activaria a tarifa adicional. O ministério já tinha emitido, em Maio, um aviso semelhante sobre o Brasil, ao referir que as exportações de carne de vaca tinham atingido 50 por cento da quota anual.

Faz o que digo

O anúncio toca num sector sensível nas relações entre a China e o país da Oceânia: em Dezembro de 2024, a Austrália afirmou que Pequim tinha eliminado as últimas restrições que pesavam sobre a sua carne de vaca, ao permitir novamente as compras provenientes de dois matadouros que continuavam afectados por vetos anteriores.

Desde 2020 que a China impõe vetos e direitos aduaneiros a produtos australianos como carvão, cevada, vinho, carne de vaca ou lagosta, depois de o anterior Governo australiano ter impulsionado uma investigação independente sobre a origem da covid-19.

Desde a chegada ao poder do trabalhista Anthony Albanese, em 2022, ambos os países retomaram os contactos de alto nível e Pequim tem vindo a levantar as restrições comerciais, embora persistam atritos em áreas como o Indo-Pacífico, Taiwan, a cibersegurança e a influência chinesa no Pacífico.

22 Jun 2026

Reconhecidos promotores oficiais de património cultural intangível

Macau anunciou o reconhecimento de oito pessoas como promotores oficiais de património cultural intangível, com Miguel de Senna Fernandes incluído na lista pela sua promoção do teatro em patuá, um dialecto crioulo de origem portuguesa.

O patuá é um sistema linguístico criado pela comunidade luso-descendente de Macau ao longo dos últimos quatrocentos anos, tendo o português como base, mas misturando-o com malaio, cantonense, inglês e espanhol.

Após a terceira reunião plenária do Conselho do Património Cultural, a presidente do Instituto Cultural de Macau, Deland Leong Wai Man, anunciou que o departamento recebeu mais de 10 candidaturas, e que, “depois da avaliação, seleccionou oito pessoas para integrar a lista” de transmissores de património intangível de nível nacional em Macau.

Os transmissores de património são: Tsang Tak Hang, de Escultura de Imagens Sagradas em Madeira; Ng Peng Chi, da Música Ritual Taoista; Au Kuan Cheong, de Canções Narrativas; Chan Kin Chun, da Crença e Costumes de A-Má; Cheang Kun Kuong e Ip Tat, da Crença e Costumes de Na Tcha; Lo Seng Chung, da Crença e Costumes de Tou Tei; e Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes, do Teatro em Patuá.
“Ao longo dos anos, este grupo de transmissores tem continuado a promover a protecção do património cultural imaterial de Macau”, afirmou Leong.

Prémios transmitidos

Após o reconhecimento, os transmissores podem receber apoios, financiamento e um certificado por parte do Governo, para “promoverem melhor” o património cultural imaterial. Quando questionada sobre o orçamento para prémios e apoios aos oito transmissores agora reconhecidos, Leong Wai Man disse que o valor dos prémios ainda está a ser definido.

A responsável acrescentou que o inventário do património imaterial de Macau conta actualmente com 24 elementos e lembrou que, anteriormente, já foram anunciadas 19 unidades de protecção.

22 Jun 2026

Patuá | Lançado novo dicionário para despertar interesse das novas gerações

O dicionário foi lançado pelo investigador Raul Leal Gaião com o apoio da Universidade de Macau durante o 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa

 

O investigador português Raul Leal Gaião lançou um novo dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Embora o patuá “já não seja exactamente uma língua viva”, Gaião disse esperar que a obra “desperte o interesse pela língua para que continue a ser estudada e compreendida, sobretudo pela nova geração de macaenses”.
O académico recordou que o patuá foi criado ao longo dos últimos 400 anos no seio dos macaenses, uma comunidade euro-asiática composta sobretudo por luso-descendentes e com raízes no território.

“Papiá Nôsso Língu, Dicionário de Patuá di Macau” foi publicado com o apoio da Universidade de Macau e apresentado no início do 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, que decorreu em Macau.
Gaião disse que os três volumes representam uma extensão de um primeiro dicionário, lançado em 2019, então apenas a partir de um levantamento dos escritos de José dos Santos Ferreira. Mais conhecido por Adé (1919-1993), escreveu poesia, novelas e teatro em patuá e é considerado um dos expoentes literários dos macaenses, juntamente com o escritor Henrique de Senna Fernandes (1923-2010).

O novo dicionário integra outras fontes, sublinhou Raul Leal Gaião, incluindo o trabalho do filho de Henrique, Miguel de Senna Fernandes, encenador do grupo Dóci Papiaçám, que uma vez por ano leva a palco uma peça de teatro em patuá.

Comparação com Malaca

As definições das expressões incluem, quando possível, uma comparação com o crioulo de Malaca, uma cidade portuária da Malásia onde, ainda hoje, vivem cerca de dois mil descendentes de portugueses, no chamado Bairro Português.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) considera o patuá como “gravemente ameaçado”, o nível antes da extinção. O patuá começou a desaparecer devido à obrigação de aprendizagem do português nas escolas, imposta pela administração portuguesa, assim como ao estigma em torno do crioulo.

“Era considerada uma língua das ‘nhonhas’ [mulheres em patuá] e das pessoas pouco instruídas”, lamentou Raul Leal Gaião. A publicação do dicionário é “muito bom” para a língua patuá, disse a macaense Anabela Ritchie, primeira mulher a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa de Macau (1992-1999). “Espero que se torne uma obra de referência para os estudiosos da nossa língua”, acrescentou Ritchie, que falou em patuá durante o fórum.

A antiga professora revelou ainda que o portal Macanese Families (‘Famílias Macaenses’), que reúne informação sobre a diáspora da comunidade, pretende usar o dicionário para “registar o patuá falado”.

Apesar de não haver certeza sobre quantas pessoas dominam o crioulo, em Macau ou na diáspora, Ritchie disse que ainda tem familiares “que não aprenderam português e só falam o que restou do patuá”. Sobre o futuro do crioulo, a macaense garantiu ser “uma optimista por natureza” e apontou para o “interesse muito grande” dos jovens em aprender patuá para participar nas peças do Dóci Papiaçám di Macau.

22 Jun 2026

Economia | Johnson Ian defende a substituição de TNR

Johnson Ian, ex-candidato a deputado, considerou que o grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias tem um impacto cada vez menor na promoção da economia local. A reacção surge depois da ronda mais recente da iniciativa ter terminado na passada quinta-feira, e consta na coluna de opinião publicada no jornal Sou Pou.

Num cenário em que há cada vez maiores dificuldades de consumo, Johnson Ian apontou que a solução para os problemas da economia terá de passar pela substituição dos trabalhadores não-residentes (TNR) por trabalhadores locais.

O também ex-jornalista defende que só com um mercado de emprego estável para os residentes é possível haver confiança no futuro e aumentar o nível de consumo. Ian também argumenta que actualmente o número de cerca de 180 mil TNR ainda é demasiado elevado, e que muitos residentes locais sofrem concorrência desleal em termos do valor do salário e de outras exigências no acesso aos postos de trabalho.

O ex-candidato a deputado também criticou a eficácia das feiras e sessões de emparelhamento de emprego realizadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Segundo as contas feitas por Ian, se as feiras tivessem sido bem sucedidas na contratação de residentes teriam criados 30 mil novos empregos.

Johnson Ian defende assim que é necessário o Governo reduzir de forma razoável o número de TNR nas categorias de empregos em que existem recursos locais para desempenhar as funções.

22 Jun 2026

Refugiados | Pedidos de asilo congelados com esperas intermináveis

O camaronês Kennang Augustin Ferdinand está em Macau desde 2011 e há 15 anos que aguarda resposta para o pedido de asilo. A Cáritas Macau defende que, numa altura em que o mundo se fecha cada vez mais a refugiados, a Ásia pode assumir um “papel solidário”

Reportagem de Catarina Domingues, agência Lusa

 

Kennang Augustin Ferdinand, camaronês a aguardar resposta a pedido de asilo há 15 anos, é símbolo de um impasse que a Cáritas Macau alerta ser global: num mundo que se fecha, a Ásia pode assumir papel solidário.
É fácil o desencanto. Mas hoje Kennang sente confiança. Depois de finalmente ser entrevistado em francês, língua materna, com apoio de um tradutor, pela Comissão dos Refugiados de Macau, o activista de 58 anos restituiu algum “conforto e esperança” à monotonia dos dias.

O encontro em Março de 2025, diz agora à Lusa, permitiu esmiuçar o que o trouxe a Macau, expor cicatrizes. “Pude finalmente usar as palavras certas para contar a minha história”, diz. “Deram-me tempo para mostrar tudo, marcas específicas no corpo, que comprovam que fui profundamente torturado”, prossegue.

Kennang chegou a Macau em 2011, com o auxílio de um bispo com ligações à Cáritas. A organização humanitária contactou então o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em Hong Kong, que apresentou o caso do camaronês à Comissão para os Refugiados de Macau.

Foram precisos 12 anos para ser ouvido pelo comité, responsável pela instrução dos processos de reconhecimento ou de perda do estatuto de refugiados e elaboração da proposta de decisão – a última palavra pertence ao chefe do Governo. Nessa primeira entrevista, em 2023, falou em inglês.

Longa espera

Kennang fez parte, a partir dos anos 1990, do movimento de estudantes conhecido como “Parlamento” – na Universidade Yaoundé – ligado ao partido da oposição Frente Social Democrática (SDF). Já em Macau, aderiu ao Movimento para o Renascimento dos Camarões (CRM, oposição) quando percebeu que “a SDF colaborava com o Governo ditatorial de Paul Biya”.

Membros desta formação política garantiram, numa declaração enviada para Macau, que, se regressar a casa, o camaronês corre o risco “de ser morto ou torturado”, conta o próprio.

A Lusa pediu à advogada do camaronês em Macau acesso ao documento – que segundo Kennang foi solicitado recentemente pela Comissão dos Refugiados como prova adicional – mas sem sucesso. Alegando razões profissionais, a defesa disse não poder fazer comentários sobre o processo.

Depois da entrevista em Março de 2025, Kennang não voltou a ser contactado. “Talvez por nunca ter sido atribuído em Macau estatuto de refugiado a ninguém”, sugere o camaronês como possível causa do impasse.

Silêncio completo

É possível confirmar este facto no portal ‘online’ do ACNUR. Desde a aprovação em Macau da lei de reconhecimento e perda do estatuto de refugiado, em 2004, não foi concedida esta protecção em Macau. A Direcção dos Serviços de Identificação do território confirmaram também à Lusa não ter, até à data, emitido títulos de identidade para refugiados.

A Lusa nunca conseguiu falar sobre o caso com a presidente da Comissão dos Refugiados, a delegada do procurador do Ministério Público Leong Weng Si, apesar de vários pedidos endereçados nos últimos anos. “O pessoal deste Ministério Público não se encontra disponível para entrevista sobre a matéria em apreço e, não dispomos, neste momento, de informações sobre a situação”, responderam na passada quinta-feira.

Viver de apoios

Enquanto aguarda, a vida de Kennang é marcada pela precariedade. Recebe um subsídio mensal de pouco mais de 4.000 patacas e apoio da Cáritas, estando impedido de trabalhar e de sair do território. Está ainda obrigado a visitas mensais aos serviços de imigração.

Tem uma vida monótona, mas organizada, com passagem diária pela biblioteca onde, sentado ao computador, lê notícias. “É tão terrível, se não souberes cuidar de ti quando não tens uma ocupação, a situação é muito complicada”, assume. “Em 15 anos, dei muito à comunidade”, acrescenta.

Paul Pun, secretário-geral da Cáritas Macau, que apoia Kennang desde que este chegou ao território, confirma que há outra pessoa à espera de uma resposta há mais de uma década. Quando decorreram as entrevistas, Pun considerou “um bom sinal”, mas não sabe definir o silêncio que se seguiu. “Talvez não tenham a certeza se estes casos se qualificam”, arrisca.

Em 2024, a Lusa falou com o advogado José Abecasis, que acompanhou em 2010 um cidadão indiano que pediu protecção mas acabou por abandonar o território. “Esteve preso num limbo, por não lhe ser concedido nem negado o estatuto. Este hiato precário, que por lei deveria ser temporário, transformou-se num modo de vida”, disse.

Lei para que serves?

Questionado sobre se a espera de Kennang é legal, Abecasis respondeu na altura: “no sentido procedimental não deverá ser”. O prazo máximo de instrução previsto por lei “é de um ano”, a contar da primeira entrevista, que deve ocorrer “no espaço de cinco dias depois da apresentação do pedido”. Após o período de instrução, “deve ser apresentada, no espaço de 10 dias, uma proposta de decisão ao Chefe do Executivo”.

Neste sentido, “a espera de mais de uma década por uma decisão consubstanciaria uma manifesta desconsideração pelos prazos estabelecidos pela lei local da Assembleia Legislativa, que tem por finalidade assegurar o cumprimento” em Macau “das normas da Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, assinada em Genebra em 1951, e do protocolo relativo ao Estatuto dos Refugiados, adoptado em 31 de Janeiro de 1967”, disse então.

O mundo precisa de fazer mais, considera Paul Pun. As “contínuas tensões geopolíticas”, levaram países, “incluindo europeus, que sempre mantiveram uma atitude aberta em relação ao acolhimento de refugiados, a tornar mais restritiva a política de refugiados”, refere o secretário-geral da Cáritas Macau, notando que mesmo as doações de organizações internacionais de financiamento destinadas a apoiar projectos humanitários para os refugiados “diminuíram drasticamente”.

A Ásia, sugere Paul Pun, pode “aumentar a capacidade de acolhimento, a fim de fazer face à tendência crescente de refugiados”.

“Embora Macau disponha de espaço e recursos limitados, pode ainda assim manter uma atitude aberta e responder às preocupações internacionais”, declara ainda, recordando que, nos anos 1970 e 1980, a pequena cidade recebeu “mais de sete mil refugiados vietnamitas”.

 

Quase 9 milhões de pedidos

No final do ano passado havia quase 9 milhões de pessoas em todo o mundo a aguardar apreciação de pedidos de asilo, de acordo com os dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Estas pessoas pediram protecção internacional mas os pedidos de estatuto de refugiado ainda não tinha sido decididos. Desde 2016, quando havia 2,73 milhões de pessoas nesta situação que o número não tem parado de aumentar.

22 Jun 2026