EPM | Ministro convidou Neto Valente a continuar na Fundação

O ministro da Educação, Ciência e Tecnologia de Portugal, Fernando Alexandre, incentivou Jorge Neto Valente a continuar à frente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM) depois do caso em que Acácio de Brito foi recolocado na Escola Portuguesa de Luanda, após ter renovado contrato com a EPM.

Quem o confirmou foi Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, em declarações à TDM Rádio Macau. “A reacção que o senhor ministro teve foi tentar convencer o doutor Neto Valente a permanecer no cargo, [dizendo] que contava com a disponibilidade e trabalho dele”, disse a também membro do Conselho de Curadores da FEPM.

Amélia António acrescentou que este convite, “depois de se fazer uma coisa destas [a saída de Acácio de Brito depois da decisão da FEPM], cai muito mal”. “Não sei se estará [Neto Valente] nessa disposição ou não [para aceitar a permanência no cargo]. Foi [um acto] muito deselegante e desagradável”, considerou Amélia António, referindo-se à posição de Fernando Alexandre sobre a saída de Acácio de Brito da direcção da EPM. Recorde-se que este anúncio foi feito aquando das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, que contou com a presença de uma comitiva do Governo português.

Preocupação com Setembro

Nas mesmas declarações, Amélia António revelou ainda estar preocupada com o arranque do novo ano lectivo na EPM, tendo em conta que, para ter um novo director, é necessário que este cumpra os requisitos exigidos pelo Governo da RAEM.

“A nomeação de um novo director obedece a regras que, no espaço de tempo que temos, é praticamente impossível de cumprir”, disse, referindo-se à obrigatoriedade de ter o curso de directores da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude.

A responsável falou das “burocracias” e dificuldades que se enfrentam para garantir um novo director para a escola. “Temo muito pelo início de um novo ano lectivo, estou seriamente preocupada”, acrescentou.

Recorde-se que um dos nomes apontados para substituir Acácio de Brito é o de João Miguel Gonçalves, director-geral dos Estabelecimentos Escolares de Portugal até ao próximo dia 1 de Julho.

15 Jun 2026

Combustíveis | Detectado erro em descontos nos postos da Shell

Ao longo de 10 dias, nos postos da Shell não foram deduzidos todos os descontos aos clientes no âmbito dos subsídios do Governo. O erro de facturação levou a uma diferença de cerca de 30 mil patacas. Após a vistoria que detectou o erro, a Shell iniciou a devolução aos clientes

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelou ter encontrado um erro durante vistorias à aplicação dos planos de subsídios para os preços dos combustíveis. Num comunicado, emitido na sexta-feira, é indicado que “na parte de manhã dos dias 26 de Maio a 4 de Junho, nos postos de abastecimento de gasolina da companhia Shell”, “não foram deduzidos todos os descontos existentes para clientes ao preço de venda, antes de deduzir o subsídio do Governo”. A falha foi justificada por um erro no sistema de facturação.

A diferença envolvida nas vendas de gasolina, lesou os consumidores num total de 30 mil patacas. Por cada venda de combustível para motociclos o erro de facturação resultou numa diferença de cerca de 0,4 a 0,7 patacas, enquanto cada transacção relativa a veículos envolveu uma diferença de cerca de 2 a 5 patacas. A venda de gasóleo não foi afectada.

O Governo indicou que a Shell rectificou o sistema e, “em conformidade com as exigências da DSEDT, implementou medidas para a restituição da diferença de preço”. Além disso, “prometeu também oferecer compensação adicional aos clientes afectados”.

Os consumidores afectados podem dirigir-se aos postos de abastecimento da Shell para recuperar a diferença de preço. Para tal, é preciso apresentar “recibos de transacção, registos de pagamentos electrónicos”. A DSEDT acrescentou ainda que é possível recorrer às gravações de vídeo dos postos de abastecimento de gasolina.

Em cima da situação

Apesar do erro de facturação, que durou uma dezena de dias, a DSEDT indicou ter feito mais de 130 vistorias a postos de abastecimento de gasolina e estabelecimentos de venda de gás de petróleo liquefeito em Macau.

O Governo salienta que, através do Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis, tem acompanhado “de perto” o cumprimento das normas por parte dos fornecedores de combustível, enviando regularmente pessoal para inspeccionar os estabelecimentos de venda de combustível. Os inspectores focam a sua acção nos “registos de fornecimento, de venda e de armazenamento de combustíveis, bem como as respectivas facturas”.

Além disso, foi também enviado pessoal ao Terminal de Combustíveis do Porto de Ká-Hó para confirmar os registos de saída e comparar os dados de venda.

Recorde-se que este plano de subsídios para fazer face às flutuações nos preços globais do petróleo, devido à guerra no Irão, começou a 11 de Maio, primeiro para o gasóleo. A medida acabou por ser alargada à compra de gás de petróleo liquefeito e gasolina sem chumbo.

15 Jun 2026

Obras | Macau aperta controlo após incêndio em Hong Kong

Após a maior tragédia em Hong Kong dos últimos anos, com o incêndio em Tai Po que fez mais de 160 vítimas mortais, o Corpo de Bombeiros aumentou o número de fiscalizações em obras, mas não foram detectadas quaisquer infracções

As inspecções a armazéns e estaleiros de obras dispararam no primeiro trimestre, na sequência do incêndio de Novembro em Hong Kong, mas os bombeiros de Macau não encontraram qualquer violação da segurança.

Numa resposta escrita a questões colocadas pela Lusa, o Corpo de Bombeiros (CB) indicou que realizou 1.275 vistorias entre Janeiro e Março, mais 80,9 por cento do que no mesmo período de 2025. O CB explicou que as inspecções no terreno em espaços industriais abrangeram “bocas-de-incêndio, instalações intermédias de armazenamento e estaleiro de construção”.

Durante as vistorias, “não foram encontradas violações das leis de segurança contra incêndios e das leis relativas a produtos perigosos”, referiram os bombeiros. O CB confirmou que o aumento das inspecções a estaleiros de obras foi uma resposta ao incêndio que matou 168 pessoas em Tai Po, tornando-se o mais mortífero em Hong Kong desde 1948.

Os bombeiros sublinharam ainda que realizaram 2.839 vistorias de segurança contra incêndios em edifícios comunitários no primeiro trimestre, tendo aberto 40 processos, com outros 28 ainda em investigação. Estes 68 casos envolveram principalmente a colocação indevida de objectos, incluindo motociclos, em corredores de evacuação, e a maioria foi resolvida após advertências verbais, disse o CB.

Do outro lado

Uma comissão independente de investigação iniciou em Março, em Hong Kong as audiências sobre o incêndio, que começou a 26 de Novembro, e devastou o complexo de habitação social de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas.

O advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.

As sete torres devastadas pelo incêndio estavam em obras e cobertas por andaimes de bambu, redes de protecção não resistentes ao fogo e painéis de espuma, que podem ter contribuído para a rápida propagação do incêndio.

A polícia e a agência anticorrupção de Hong Kong acusaram na quarta-feira sete pessoas e duas empresas de 25 crimes ligados ao incêndio, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude e branqueamento de capitais.

Em 19 de Maio, o Governo de Hong Kong enviou para o parlamento uma proposta que impõe multas de três milhões de dólares de Hong Kong e uma pena máxima de seis meses de prisão para quem fumar em estaleiros.

15 Jun 2026

Conselho das Comunidades | Renovação das associações é prioridade

A partir de Agosto, o Conselho das Comunidades Portuguesas vai promover reuniões quinzenais presenciais e online para abordar vários assuntos e ouvir directamente as pessoas

O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas na China, Rui Marcelo, identificou como principais desafios para a comunidade questões como os “atrasos” nos processos de nacionalidade e registos, a preservação da língua e a necessidade de renovar as associações. Os assuntos foram identificados no âmbito de um seminário com o nome “Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro”, realizado no sábado, na sede do Instituto Internacional de Macau.

Segundo um comunicado sobre o evento, Rui Marcelo fez um balanço do actual mandato, que começou em 2024, e apontou como desafios “prioritários” para a comunidade “os atrasos em processos de nacionalidade e registos”, “a necessidade de preservar a língua portuguesa entre jovens e luso-descendentes” e ainda a “urgente necessidade de renovação geracional no associativismo”.

Os problemas foram indicados após uma sessão de abertura que contou com um discurso por vídeo do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e com a presença do cônsul de Portugal em Macau, Alexandre Leitão.

De acordo com a informação oficial, foi também anunciado que a partir de Agosto o Conselho das Comunidades Portuguesas vai começar a realizar reuniões quinzenais com os membros da comunidade. Estes encontros vão ser feitos em “formato presencial” e “por videoconferência” e abordar “questões consulares, sociais, educativas, fiscais e associativas”, decorrendo “numa lógica de escuta activa e apoio personalizado” à comunidade.

Balanço e Contas

Rui Marcelo apresentou também um balanço do actual mandato dos conselheiros e sublinhou os esforços de “consolidação institucional” e “reforço da representação junto das autoridades portuguesas e locais”, assim como o maior “apoio consular, social e educativo” principalmente ao nível do “acompanhamento de aposentados e pensionistas” e “em processos de nacionalidade e registos”.

O conselheiro destacou ainda as iniciativas de “promoção da língua e cultura portuguesas, através de seminários, celebrações do Dia de Portugal e participação em eventos culturais” e a “cooperação institucional com entidades como o AICEP, o IPOR, o Consulado-Geral e associações de matriz portuguesa”.

O evento contou com a colaboração do Instituto Internacional de Macau, da Associação dos Jovens Macaenses, do Conselho das Comunidades Macaenses, e com o apoio da Casa de Portugal em Macau, da Associação dos Macaenses e da Associação dos Estudos da Cultura Macaense.

15 Jun 2026

Polícia | Pedida supervisão mais eficaz após caso de prostituição

Song Pei Kei sugeriu a criação de mecanismos mais eficazes de controlo das polícias, para evitar que pessoas em posições de poder utilizem os cargos para cometer ilegalidades. Johnson Ian critica as autoridades pela dualidade de critérios na divulgação de informações

A deputada Song Pek Kei defendeu a introdução de “melhorias” no mecanismo de supervisão das polícias, após ter sido revelado que o 2º Comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foi um dos principais suspeitos envolvidos numa rede de prostituição desmantelada. O pedido consta de uma interpelação escrita da deputada ligada à comunidade de Fujian.

A deputada elogiou as autoridades por conseguirem indiciar os vários arguidos, em de uma investigação que alegadamente terá durado sete anos. Todavia, para Song Pek Kei, esta situação também mostra que é necessário melhorar a supervisão das polícias e fazer uma revisão do mecanismo de fiscalização existentes.

Na perspectiva da legisladora, o actual mecanismo disciplinar dentro das polícias também é insuficiente porque a única forma de lidar com os casos é a penalização ou reparação da situação criadas, depois de serem detectadas as potenciais ilegalidades. Song acredita que esta forma de actuar mostra uma “lacuna estrutural” e que as autoridades deviam ter outras formas de controlar as polícias.

Neste sentido, Song Pek Kei quer saber como vai o Governo criar um sistema nas polícias mais eficaz de “avaliação de riscos” das condutas dos agentes, um “sistema regular de rotação de funções” e um mecanismo de auditorias frequentes para “evitar o abuso de poder” pelos agentes em posições de chefias.

Críticas abrangentes

Song Pek Kei não foi a única a criticar os mecanismos de controlo das políticas. Também o ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, censurou o Governo pelo que considerou a falta transparência na divulgação da identidade das chefias envolvidas no caso.

Numa coluna de opinião publicada no jornal Son Pou, o também ex-jornalista recordou que na primeira conferência de imprensa sobre o caso, a polícia apenas indicou que estavam envolvidos na rede de prostituição três agentes do CPSP e dois agentes reformados da Polícia Judiciária.

Segundo Ian, a transparência exigia que desde o primeiro momento houvesse mais informação sobre os nomes, posição na hierarquia dos envolvidos, assim como a idade.

Johnson Ian apontou ainda que a falta de informação nas comunicações das autoridades não impediu que algumas pessoas identificassem os envolvidos, como aconteceu em publicações nas redes sociais, associações locais e até entre jornalistas.

O cronista referiu também que alguns internautas conseguiram reconhecer o 2º comandante do CPSP, Leong Heng Hong, devido às roupas que utilizaram na altura em que foi transportado para o Ministério Público, antes de haver confirmação sobre os envolvidos.

Outros Casos

Johnson Ian argumentou ainda que noutros casos mediáticos, como os que envolveram Ao Man Long, Ho Chio Meng e Kong Chi, as identidades foram reveladas. Porém, desta vez os procedimentos foram diferentes, o que no seu entender apenas contribuiu para haver mais danos à credibilidade.

No início do mês, a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas. Entre os detidos está Leong Heng Hong, 2º comandante do CPSP.

15 Jun 2026

Luís Bernardino, professor universitário: “A CPLP tem de se dar a conhecer à China”

É já esta quarta-feira que Luís Bernardino, professor universitário e analista de relações internacionais, protagoniza mais um evento do programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”: uma conferência sobre os 30 anos da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em entrevista, Luís Bernardino defende uma maior presença da China neste organismo

Que balanço faz dos 30 anos de existência da CPLP?

Podemos dizer que a CPLP correspondeu, em muitos dos aspectos, aquilo que se esperava de uma organização ligada à língua, cultura e à história da lusofonia. Portanto, conseguiu manter os nove países da lusofonia integrados numa dinâmica relacionada com estas matérias basilares, e que estiveram na origem, em 1996, da CPLP. Mas houve outras áreas de cooperação dinamizadas ao longo destes 30 anos, e existem, actualmente, quase 30 áreas da cooperação criadas. Algumas, obviamente, com mais sucesso, outras menos. Mas a CPLP é ainda uma organização jovem a procurar encontrar o seu espaço geopolítico e geoestratégico. Está a procurar, dentro da própria organização, o seu espaço em termos de política externa para cada um dos Estados-membros. É preciso encontrar, dentro de cada um dos Estados-membros, aquilo que a CPLP representa, e essa é uma reflexão que é preciso fazer constantemente.

Em 30 anos, o que terá falhado mais na CPLP?

Há duas matérias em que não se pode dizer que a CPLP tenha falhado, mas podia ter alcançado outro tipo de estrutura. Uma delas é a maior aproximação em termos de cooperação bi-multilateral em contextos regionais onde os Estados-membros estejam integrados. Falo, por exemplo, de África, onde temos várias organizações que têm a língua portuguesa como língua de trabalho, como, por exemplo, a União Africana. Poderia haver espaço para que a CPLP se afirmasse nestes contextos regionais e saísse daquela que é a linha dos países, em linha de uma cooperação bilateral, para entrar numa cooperação multilateral alargada ao que seriam esses espaços [regionais]. Estou a lembrar-me também do MERCOSUL, da União Europeia, da ASEAN. Há depois uma segunda dimensão, interna, em que a CPLP precisa de ganhar mais espaço nas próprias sociedades. Vamos ao Brasil e a maior parte das pessoas não sabem o que é a CPLP, por exemplo. É preciso um reforço da identidade da CPLP dentro dos espaços nacionais. Estas duas dimensões estão associadas ao que se espera da CPLP num futuro próxima, que é melhorar a sua efectividade como organização, em serviço da sociedade e, em termos externos, aproximar-se cada vez mais de organizações [regionais] onde há espaço de ligação, muito por via da língua portuguesa.

O mundo da diplomacia e relações internacionais parece estar a mudar muito depressa. Como pode a CPLP posicionar-se no contexto dos actuais conflitos?

Concordo inteiramente. As relações internacionais são complexas, num mundo que está a viver um grande turbilhão, com as questões do multilateralismo, da segurança global, do acesso a recursos. Há uma dinâmica muito grande em matéria de geopolítica e geoestratégia global e isso obriga a que organizações como a CPLP tenham uma visão de futuro. A CPLP tem de ser uma organização com “soft power”, com um carácter linguista, de história, cultura, concertação diplomática. [A CPLP] não é um mecanismo de “hard power” que vai ter forças armadas, impor uma ordem económica ou obrigar Estados a adoptarem determinadas regras. Mas o poder da diplomacia, que assenta também na língua, dá à CPLP uma responsabilidade acrescida e espaço para fazer coisas e melhorar a relação com novos actores. Recordo que temos 30 Estados com o Estatuto de Observador Associado [na CPLP]. O que fazemos com esses países, o que queremos deles? O que é que isso representa em termos de geopolítica global, e por que é que não está a China ou os EUA? Esse é, de facto, o desafio de tornar a CPLP mais geopolítica e geostratégica neste mundo em grande revolução.

Defende, então, um maior posicionamento da China na CPLP. Isso não iria desvirtuar os objectivos iniciais com que foi criada?

Vou à China falar sobre isso, numa intervenção na Universidade de Beijing e depois na embaixada [portuguesa, em Pequim]. A China, sendo uma potência global, obviamente que tem de estar atenta às dinâmicas regionais de multilateralidade que estão em cima da mesa. E se a língua portuguesa tem um espaço dentro do contexto académico chinês, porque é que a CPLP não terá? Ou seja, haverá múltiplas oportunidades para que a CPLP seja dada a conhecer e para que seja um veículo do ensino da língua, cultura. Não vejo que haja uma desvirtualização, mas sim um conjunto de oportunidades. Penso que, neste momento, a China teria interesse em olhar para a CPLP de outra forma, e a CPLP também teria de reflectir sobre qual o posicionamento que quer ter em relação à China. Penso que negar o acesso à China, ou impedir que possa interagir com a CPLP, é algo que não passa pela cabeça de ninguém. É preciso alterar o paradigma e perceber como é que cada país e organização pode contribuir, e de que forma podemos cooperar estrategicamente. Essas são as grandes questões que levo a Macau e à China nos próximos dias.

A China tem exportado o ensino do mandarim, mas também tem promovido o ensino da língua portuguesa. Essa poderia ser, então, uma das vias para a cooperação com a CPLP.

Exactamente. Se estamos nessa dimensão, porque é que a CPLP não percebe essa conjuntura e não pode criar uma oportunidade para que haja eventos em que a China possa ser convidada, eventualmente através de Macau. Temos o Fórum Macau, [entidade] que está muito próxima do que é a CPLP. Não podemos afastar-nos da dinâmica que estamos a ver à nossa frente. E a CPLP não pode ser uma organização fechada aos nove membros que têm a língua portuguesa como estrutura para a sua constituição. A CPLP tem de se dar a conhecer à China, e o que vou fazer agora com esta conferência, a título pessoal [é exemplo disso]. Mas esta é uma gota no oceano de oportunidades do que se pode fazer, e a CPLP pode ser mais pró-activa, utilizando Macau.

E a China, precisa da CPLP?

A China, como potência global, tem de se ligar a outros países e regiões, e estar presente. Tem de se ligar ao multilateralismo. De que forma é que a China pode interagir com a CPLP? Organizando conferências, colocando a temática da CPLP nos currículos académicos em universidades da China, dando bolsas a alunos chineses para estagiarem na CPLP em Portugal. Há uma panóplia de situações nas quais a China pode estar interessada. Não sabemos se isso pode demorar mais ou menos tempo, se é fácil ou difícil, porque nunca tentámos. É isso que levo para esta minha reflexão [em Macau e Pequim], perceber como é que, nestes 30 anos, a CPLP pode valorizar a relação com Macau e a China. Tenho a certeza que estamos [CPLP] mais próximos em termos de história, língua e cultura de Macau do que estamos da Índia, ou Ucrânia, ou França, que são observadores associados.

E como é que Macau poderia ter outro papel no contexto da CPLP?

Na minha perspectiva, a ligação natural entre a China continental e a CPLP poderá ser por via de uma infra-estrutura que pode existir em Macau relacionada com a CPLP. Dei o exemplo do Fórum Macau – imaginemos que é criada uma estrutura onde haja um delegado da CPLP em Macau para responder a determinados requisitos ou cruzar determinada informação. Tem de ser encontrada uma visão estratégica para que haja um posicionamento claro do que é a vontade dos Estados e do que a organização pode fazer. Macau tem mais a ver com a CPLP do que a maior parte dos países da CPLP. Vamos a Macau e vemos numa cultura lusófona bem definida, e, se calhar, vamos ao norte do Brasil e não vemos nada. Vamos à Guiné Equatorial e não vemos mesmo nada. Macau está muito acima daquilo que é a cultura, a língua, a expressão da lusofonia, e não pode só ser membro pela circunstância política de não ser um Estado. Se o fosse, já seria membro da CPLP, mas é, de facto, um elo de ligação e um elemento muito próximo de ambas as partes, da China e da CPLP.

Na conferência desta quarta-feira fala também da actuação da CPLP em matéria de Defesa. Já disse que a entidade não pode ter “hard power”, mas o que pode ser feito, nessa área, que não foi feito nestes 30 anos?

Em 30 áreas de cooperação há melhores e piores [em termos de actuação]. Mas a cooperação em matéria de Defesa é daquelas que usamos sempre como um bom exemplo. Fez-se muita coisa que contribuiu para um intercâmbio, como a criação de estruturas e de reunião. A arquitectura da Defesa, nas suas várias componentes, é hoje muito sólida, através de reuniões que são feitas. O centro de análise estratégica da CPLP está em Maputo. O que se faz em matéria de Defesa tem um âmbito mais ligado à cooperação do que com a preparação de operações ou algo ligado a essa dimensão. Não existem forças armadas, mas o que se faz em termos de cooperação é apoiar a construção da componente de Defesa e forças armadas de cada um dos Estados membros.

Conferência no IIM

A conferência protagonizada por Luís Bernardino intitula-se “30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – Dinâmicas da Cooperação da Defesa” e tem lugar esta quarta-feira, dia 17, a partir das 17h30 no Instituto Internacional de Macau (IIM).

Luís Bernardino é professor universitário e coronel, na reserva, do Exército português, sendo especialista em assuntos de Segurança e Defesa. Tem escrito e investigado sobre a CPLP. A sessão no IIM será moderada por Jorge Rangel, presidente. O IIM é membro da Comissão Temática da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP.

A CPLP nasceu em Lisboa a 17 de Julho de 1996, na presença dos Presidentes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. O objectivo era unir estes países em torno de uma organização internacional tendo a língua portuguesa como denominador comum. Timor-Leste integrou a CPLP em Julho de 2003 e a Guiné Equatorial em Julho de 2014.

15 Jun 2026

Automóveis | BYD quer tornar-se a maior fabricante do mundo até 2030

O desenvolvimento tecnológico de carros eléctricos chineses processa-se a toda a velocidade. A BYD já ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos

A fabricante automóvel chinesa BYD pretende tornar-se o maior produtor mundial de veículos até 2030, em termos de produção e de vendas, afirmou o fundador e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante a assembleia anual de accionistas.

Citado ontem pelo portal económico chinês Yicai, Wang considerou que um “sistema tecnológico maduro” permitirá à BYD expandir simultaneamente os mercados doméstico e internacional. O responsável destacou que o mercado chinês continua pressionado por uma intensa guerra de preços e pela redução dos incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos.

Após o lançamento de uma nova geração de baterias e de tecnologias de carregamento rápido, concebidas para responder aos principais desafios enfrentados pelos utilizadores de veículos eléctricos, Wang prometeu a introdução de “muitas mais” tecnologias “novas e exclusivas” nos próximos dois anos.

Com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, a BYD deixou de fabricar veículos com motores de combustão em 2022 e ultrapassou a norte-americana Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos.

Em 2025, as vendas globais da empresa aumentaram 8 por cento, para cerca de 4,6 milhões de veículos, o que a colocou na quinta posição mundial do sector, ainda longe da japonesa Toyota, que vendeu mais de 10 milhões de unidades pelo quinto ano consecutivo, segundo o Yicai.

Wang considerou que a actual conjuntura, marcada pela subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, é favorável à BYD.

Percalços ultrapassados

A empresa foi afectada no primeiro trimestre pela redução das isenções fiscais concedidas por Pequim à compra de veículos eléctricos, que passaram de 10 por cento para 5 por cento, com um limite máximo equivalente a 2.200 dólares.

Como consequência, as vendas da BYD caíram 30 por cento face ao mesmo período do ano anterior, para pouco mais de 700 mil unidades. No entanto, a recuperação registada nos dois meses seguintes fez com que o balanço dos primeiros cinco meses do ano fosse praticamente idêntico ao de 2025.

A desaceleração do mercado interno levou a BYD, à semelhança de outras fabricantes chinesas, a apostar na internacionalização para sustentar o crescimento. Em Maio, as vendas da empresa no exterior aumentaram 81 por cento, ultrapassando os 160 mil veículos, impulsionadas em parte pela produção local em países como Brasil, Tailândia e, futuramente, Hungria.

Paralelamente, a empresa está a estudar um investimento de cerca de dois mil milhões de euros para instalar uma rede de 3.000 postos de carregamento ultrarrápido de 1.500 quilowatts na Europa até ao final do próximo ano, depois de já ter iniciado a instalação de estações na Alemanha e no Reino Unido.

Segundo Wang, a BYD conseguiu construir uma imagem de marca “premium” nos mercados internacionais, prevendo que a empresa ultrapasse este ano a meta de 1,5 milhões de veículos vendidos no exterior.

12 Jun 2026

EPM | João Gonçalves apontado como sucessor de Acácio de Brito

Depois do anúncio de que Acácio de Brito estará de partida para Luanda, João Miguel Gonçalves foi apontado como o único nome em cima da mesa, até ao momento, para dirigir a Escola Portuguesa de Macau. O Ministro da Educação português salientou que a decisão cabe ao conselho de administração da Fundação da EPM

Com Acácio de Brito de saída da direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM), para liderar a Escola Portuguesa de Luanda, o primeiro nome a ser avançado pelo Canal Macau da TDM como possibilidade para dirigir a EPM é João Miguel Gonçalves, director-geral dos Estabelecimentos Escolares de Portugal até ao próximo dia 1 de Julho.

Um despacho do gabinete do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, publicado na segunda-feira no Diário da República declara a extinção da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, liderada desde 2020 por João Miguel Gonçalves.

Na quarta-feira, à margem das comemorações na RAEM do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o ministro Fernando Alexandre não comentou a possibilidade de João Miguel Gonçalves vir a substituir Acácio de Brito à frente da EPM, vincando que a decisão teria de caber ao conselho de administração da Fundação Escola Portuguesa de Macau.

A Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares foi apenas um dos dominós que caíram no rol de extinções de organismos públicos de ensino público português, numa reestruturação anunciado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

A reestruturação aprovada em Conselho de Ministros há sensivelmente um ano, foi justificada com a necessidade de reformar uma “estrutura anacrónica”, fragmentada em termos organizacionais, com sistemas de informação desintegrados e governação desarticulada.

Cartão de apresentação

João Miguel Gonçalves é director-geral dos Estabelecimentos Escolares desde Junho de 2020, desde de ter sido delegado regional de educação do norte da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, entre Outubro de 2018 e Maio de 2020. Antes disso, dirigiu a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses desde Julho de 2013.

Em termos académicos, João Gonçalves também tem um vasto currículo, com destaque para a licenciatura em Filosofia – Ramo Educacional, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e ter frequentado o Curso Avançado em Gestão Pública, pelo ISCTE, e o Programa de Formação em Gestão Pública, pela Universidade do Minho.

Segundo informação divulgada num portal da Direcção-Geral da Educação, João Miguel Gonçalves é também licenciado em Canto Teatral pela Conservatório Superior de Música de Gaia, e tem “uma carreira como cantor lírico, com trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro”.

12 Jun 2026

Veteranos | Associação faz torneio de homenagem a Dédé

Depois de quase 40 anos em Macau a jogar futebol, José Cruz, mas conhecido como Dédé, está de regresso a Portugal. Mas, antes, vai ser homenageado pela sua carreira, forma de estar e importância para a modalidade no território

Após 40 anos a viver em Macau, José Cruz, mais conhecido como Dédé, vai regressar a Portugal para prosseguir a carreira profissional. No entanto, a marca deixada no futebol local levou a Associação dos Veteranos do Futebol de Macau a realizar um torneio de futebol para homenagear aquele que é um dos membros fundadores.

A iniciativa vai decorrer amanhã, no Campo D. Bosco, a partir das 17h, e foi explicada pelo fundador e ex-presidente da associação, Francisco Manhão, com a popularidade do português no futebol local.

“O Dédé vai regressar em definitivo a Portugal, mas ele contribuiu para o futebol de Macau, jogou durante muitos anos na primeira divisão, terá sido o jogador que passou por mais equipas no futebol local e que mais jogos realizou”, justificou Manhão, ao HM.

Após a abertura das inscrições para o evento foram reunidas quase de pronto 30 inscrições. Segundo o responsável pelo torneio, este facto mostra a importância do jogador e ex-funcionário público local. “Só mostra que o Dédé é muito popular no círculo do futebol de Macau, mas também em todas as comunidades”, vincou. “Ele é muito boa pessoa, muito simpático e, como costumo dizer, não faz mal a ninguém, por isso as pessoas gostam muito dele. Por isso, decidimos fazer esta homenagem para estar mais uma vez com ele, uma presença que valorizamos muito. É uma homenagem muito merecida”, acrescentou.

Percurso longo

Dédé admitiu estar “muito feliz e honrado” com a homenagem, que destacou ser a primeira feita a uma pessoa em vida pela Associação dos Veteranos do Futebol de Macau.

O atleta de 65 anos foi um dos membros fundadores da associação em 1999: “É um torneio que mostra o reconhecimento da associação pela minha dedicação ao grupo, personalidade, interesse e maneira de estar na associação”, disse ao HM. “É uma homenagem que tem a ver com a minha saída de Macau, mas é apenas uma saída física. Vou estar sempre disponível para continuar a contribuir para a associação no que conseguir e não me vou desligar”, prometeu.

Chegado a Macau em 1989 para jogar futebol, na altura como ponta-de-lança, Dédé representou clubes como o Sporting de Macau, Casa do Futebol Clube do Porto, Monte Carlo, Negro Rubro e até a formação do Consulado de Macau, no projecto liderado pelo cônsul Vítor Sereno. O percurso, que vai continuar em Portugal, não se limitou ao futebol de 11 também incluiu jogos de futsal, Bolinha e vários troféus. Contudo, com o passar dos anos, Dédé foi recuando no terreno, até chegar a defesa.

“Joguei em muitas equipas, algumas com nomes mais relevantes, mas também é natural porque as pessoas procuram jogadores versáteis, que conseguem desempenhar várias funções em campo. Além disso, como viram que eu era uma pessoa com quem conseguiam lidar facilmente, que não queria quezílias, isso fortaleceu a minha vida desportiva”, comentou sobre o percurso.

“Também é natural que uma pessoa que vive quase 40 anos em Macau tenha jogado futebol de salão, futebol de 11, Bolinha e jogos de amizade. E mesmo sem se querer, ou planear, acaba-se por mudar de equipa, por razões pessoais, e também monetárias, mais no início da vida em Macau, embora eu não tenha propriamente jogado por dinheiro”, partilha Dédé sobre o percurso. “Aliás, acho que o facto de eu não jogar por dinheiro, porque consegui uma vida estável como escrivão nos tribunais, permitiu-me encarar o futebol pelo meu bem-estar, por me sentir melhor. Esta minha postura levou a que fosse reconhecido, fizesse mais amigos e posso dizer que estou muito bem integrado em Macau, em todas as comunidades, seja a chinesa, a portuguesa, a tailandesa ou filipina”, apontou.

Saudades a bater

Com o aproximar da despedida do território, o funcionário público e futebolista admite que já sente muitas saudades de Macau, um território onde afirma que foi muito bem tratado e que sente como porto de abrigo.

“Ainda não me fui embora e já estou cheio de saudades. São quase 40 anos de Macau e como estou com 65 anos posso dizer que foram anos que me construíram muito como homem”, reconhece Dédé. “Macau para mim é um porto de abrigo e quero voltar frequentemente. Não tenho aqui família de sangue, mas tenho uma família de adopção muito grande. Aliás, esta família adoptiva é tão grande, que tenho antes de considerar que é uma população adoptada, não é só um povo nem uma família. Estou completamente identificado com Macau”, confessou.

12 Jun 2026

Fronteiras | Alargado reconhecimento de íris a TNR estrangeiros

As autoridades acreditam que a passagem fronteiriça com reconhecimento de íris é “higiénica” e dois segundos mais rápida do que a utilização de impressões digitais. O reconhecimento da íris também pode ser usado por alunos universitários estrangeiros

A polícia anunciou que, desde ontem, os trabalhadores migrantes e os estudantes universitários internacionais poderão passar a usar o reconhecimento por íris para atravessar as fronteiras. Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite nas redes sociais, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou o alargamento do Sistema de Recolha de Dados Biométricos, “para elevar a eficiência nas passagens fronteiriças”.

O sistema, que permite usar a íris para atravessar canais electrónicos automáticos nas fronteiras, passa a estar disponível para estudantes não chineses que frequentam instituições de ensino superior em Macau e trabalhadores não-residentes (TNR).

A maioria dos portugueses que emigraram para Macau nos últimos dois anos – desde que o território restringiu os pedidos de residência para portugueses, em agosto de 2023 – chegou com autorização de trabalho.

De acordo com dados do CPSP, disponibilizados à Lusa, o número de trabalhadores migrantes de nacionalidade portuguesa que chegaram à região passou de 39 em 2023 para 78 no ano passado.

Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau.

Rápido e higiénico

O CPSP disse que o reconhecimento por íris é “rápido e higiénico durante todo o processo, sendo que a eficiência global da verificação é um a dois segundos mais rápida do que a verificação por impressões digitais”.

De acordo com a polícia, o serviço de passagem fronteiriça via reconhecimento da íris foi oficialmente lançado em Outubro de 2023, inicialmente destinado apenas aos residentes de Macau.

Até ao momento, nos seis postos fronteiriços de Macau – as Portas do Cerco, a Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau, os terminais marítimos do Porto Exterior, do Porto Interior e da Taipa, e o Aeroporto Internacional de Macau – há um total de 152 canais de passagem automática via reconhecimento da íris de segunda geração.

O CPSP disse que, até ao fim de Maio, mais de 340 mil residentes de Macau efectuaram o registo da íris e utilizaram o serviço mais de 35 milhões de vezes nas passagens fronteiriças.

Em Janeiro, a polícia tinha também anunciado que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, podem usar canais electrónicos automáticos para entrar na China continental através da maior ponte marítima do mundo.

A medida, que cobre a fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, abrange todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada no território.

12 Jun 2026

DSF | Despesa cai 1,7% até Maio devido a obras públicas

A despesa pública caiu 1,7 por cento nos primeiros cinco meses do ano, sobretudo devido ao recuo de 15,6 por cento nos gastos em obras públicas. Do outro lado, as receitas correntes aumentaram 12,4 por cento devido aos impostos pagos pelas concessionárias de jogo

Dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na quarta-feira indicam que Macau gastou até ao final de Maio 31,1 mil milhões de patacas, 28,5 por cento do previsto para todo o ano.

A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 15,6 por cento até Maio, para 5,8 mil milhões de patacas.

O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro. Os dados mostram ainda uma diminuição de 59,7 por cento, para 379,9 milhões de patacas, nos gastos em “acções e outras participações”.

As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,7 por cento, para 6,05 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido aumentos salariais em 2026, pelo segundo ano consecutivo. As despesas públicas caíram apesar do reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 7,8 por cento, para 16,5 mil milhões de patacas.

O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Sobe e desce

Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 12,4 por cento nos primeiros cinco meses de 2026, para 48,6 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 14,6 por cento, para 42,5 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 85,6 por cento do total. As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Maio 108,4 mil milhões de patacas, um aumento de 10,9 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado.

Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,6 mil milhões de patacas, mais 55,5 por cento do que até Maio de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo de Sam Hou Fai tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas.

12 Jun 2026

Mundial 2026 | Manuel Silvério e Duarte Alves analisam as carências do futebol local

Das 211 selecções nacionais registadas na FIFA, a selecção da RAEM ocupa o 194º lugar, não vencendo um único jogo desde 2019. Na radiografia à modalidade, Manuel Silvério e Duarte Alves dizem faltar infra-estruturas de treino, coordenação de calendários, competições e interligação entre escalões

O Mundial 2026 começou hoje e até ao próximo dia 20 de Julho será possível ver 48 selecções nacionais de futebol em competição. Num território pequeno onde o futebol não é profissional, a selecção masculina sénior da RAEM não fica bem na fotografia da modalidade em termos mundiais: está em 194º lugar num total de 211 equipas, não vencendo qualquer jogo desde 6 de Junho de 2019.

O HM falou com Duarte Alves, director administrativo e financeiro do Benfica de Macau, e Manuel Silvério, antigo presidente do Instituto do Desporto e co-fundador do Comité Olímpico de Macau, no sentido de perceber os principais problemas do futebol local que impossibilitam alcançar melhores resultados.

Para Duarte Alves, “o Mundial não é um horizonte realista para Macau”, por se tratar de uma “região muito pequena e com infra-estruturas ainda muito limitadas para desenvolver esta modalidade”.

Em alternativa, o dirigente desportivo destaca que a RAEM poderia ter a “ambição” de “ir um pouco mais longe nas fases de qualificação: competir melhor, somar resultados e subir degraus ao nosso nível”.

Já Manuel Silvério entende que a ausência de vitórias da selecção masculina sénior da RAEM deve “suscitar preocupação e debate público”, mas que é resultado de um “problema estrutural”.

Voltemos às causas: Duarte Alves recorda que já muito antes de 2019 houve bons jogadores em Macau “ainda antes da fase da transição” que acabaram por não ser substituídos. “Faltou aposta na formação, na estrutura que a sustenta, de jovens para os clubes. É essa a falha de base que explica porque a selecção não dá o salto”, disse.

Duarte Alves destaca como, nos últimos anos, a Associação de Futebol de Macau “tentou várias estratégias”, como a vinda de equipas técnicas de Portugal e de outros países e regiões. “Porém, com todo o respeito, não é por aí que se constrói uma selecção”, considerou, pois uma equipa desta natureza “desenvolve-se a partir de uma liga competitiva, em que os jogadores jogam todos os fins-de-semana, evoluem e, ao mesmo tempo, elevam o nível do futebol em Macau”.

Abertura em profundidade

Manuel Silvério também destaca que “a qualificação para uma fase final do campeonato do Mundo é, realisticamente, extremamente difícil para um território com a dimensão populacional de Macau”. A aposta deve fazer-se, assim, na redução “gradual do fosso competitivo” do território, com um foco a “nível local, regional e asiático, particularmente perante territórios e países com características semelhantes”.

O antigo presidente do ID considera que era importante a “articulação entre escolas, academias, clubes e selecção, melhorar a formação de treinadores e proporcionar mais oportunidades de competição internacional aos jovens atletas”. Seria ainda importante “criar percursos claros de desenvolvimento até ao escalão sénior”, acrescenta.

Manuel Silvério defende mesmo a criação “de um fundo específico para o desenvolvimento do futebol e de outras modalidades prioritárias, alimentado por receitas associadas à indústria do jogo e complementado pela participação dos principais patrocinadores privados, sob supervisão do Governo”.

Desta forma, este mecanismo “permitiria assegurar maior estabilidade financeira e apoiar programas de formação, competição externa e desenvolvimento técnico a médio e longo prazo”.

A pés juntos

Manuel Silvério diz que a ausência de resultados futebolísticos por parte da selecção se explica por “questões estruturais e não apenas circunstanciais”. “Uma selecção nacional é, em grande medida, o reflexo do sistema futebolístico existente. Aspectos como a reduzida base de recrutamento, a insuficiente exposição dos jogadores a contextos competitivos mais exigentes, as dificuldades na transição entre os escalões de formação e o futebol sénior, bem como a falta de competição regular de maior nível, podem contribuir para esta realidade”, disse o responsável.

Assim, é essencial, para Manuel Silvério, “um plano de desenvolvimento sustentável para o futebol de Macau, com objectivos claros a curto, médio e longo prazo”. Deve existir “continuidade, estabilidade e capacidade de adaptação”.

E não basta ter dinheiro até porque, para Manuel Silvério, “desde a criação da RAEM que houve investimento relevante em infra-estruturas desportivas, concretamente no futebol”, destacando a existência do Estádio de Macau, o Complexo Desportivo Olímpico (Dome), o Estádio da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, as instalações desportivas da Universidade de Macau e “outros espaços utilizados para treino e prática informal”.

Porém, “o desenvolvimento económico e a disponibilidade de recursos não se traduzem automaticamente em sucesso desportivo, particularmente numa modalidade tão competitiva e complexa como o futebol”, remata Manuel Silvério.

Modelo que não funciona

Duarte Alves destaca que o capital existe “no Governo e em alguns sectores – mas isso não é a sociedade”. “O dinheiro é essencial para investir nas modalidades. Acontece que, em Macau, o financiamento ao desporto, por parte do Fundo do Desporto, passa pelas associações gerais que representam cada modalidade, que recebem e gerem o seu orçamento à sua maneira.”

Além disso, o dirigente dos encarnados referiu que “a maior parte do sector privado não tem liquidez”, e que “não existem incentivos nem benefícios que o leve a apoiar financeiramente o desporto”. “O ponto central é que o modelo de apoio directo por parte do Governo às associações gerais resulta bem para as modalidades individuais, mais fáceis de gerir porque não dependem de competição entre clubes”, afirma Duarte Alves.

Porém, “no futebol é diferente”, estando em causa “uma modalidade colectiva só se desenvolve com competição regular entre clubes”. “Enquanto financiarmos o futebol com a lógica de uma modalidade individual, o resultado vai continuar a ser este. Não é só uma questão de quanto se investe; é de perceber que o futebol exige uma estratégia própria”, rematou Duarte Alves.

Mais academias sem resultados

É certo que, nos últimos anos, surgiram em Macau várias academias de futebol, mas nem isso melhorou os resultados. Manuel Silvério diz ser “importante reconhecer o grande empenho e dedicação dos responsáveis, treinadores e técnicos das diversas academias de futebol que têm surgido em Macau”, sendo que os resultados deste trabalho “não devem ser avaliados exclusivamente através das vitórias da selecção sénior”.

Para o antigo presidente do ID, “a formação é um processo de longo prazo, cujos efeitos podem demorar vários anos a tornar-se visíveis”. O que acontece é um problema “na transição entre os escalões de formação e o futebol sénior”, pois “muitos jovens entram no sistema, mas poucos conseguem permanecer”, dadas as exigências de estudos ou trabalho, por exemplo. Como não há uma estrutura, muitos atletas deixam de competir, destaca. “’Muitos entram, poucos permanecem’ talvez resuma um dos principais desafios do futebol de Macau”, disse Manuel Silvério.

Duarte Alves realça o aumento de academias “nos últimos 10 a 15 anos”, mas destacando cinco problemáticas que explicam a falta de resultados. Em causa está a regulação, estrutura, espaços de treino, o calendário e a transição para uma posição sénior.

Duarte Alves explica que as academias “não são obrigadas a registar-se na Associação de Futebol de Macau, nem a cumprir requisitos de qualidade ou de certificação dos treinadores para operarem”, logo não há “garantia do nível da formação”.

Depois, “a maioria não está ligada a clubes de primeira ou divisão”, não existindo “ponte directa para subir ao futebol federado”, além de que “os clubes não têm campos próprios”, dependendo “sempre do aluguer de instalações privadas, o que encarece e limita tudo”.

O responsável indicou também que, apesar de o futebol escolar ser muito popular, não está “articulado com os escalões jovens da Associação”. “Campeonatos que deviam durar três ou quatro meses arrastam-se nove ou dez. Faltam campos, faltam datas, entram as férias, os miúdos saem de Macau, e quando a prova acaba há jogadores que já mudaram de escalão. Não é falta de comunicação; é falta de ligação entre o pólo escolar e o futebol de formação”, frisou.

Gonçalo Lobo pinheiro

Aos 18 anos é hora de o jogador “sair para estudar fora”. “Perdemo-los precisamente quando deviam dar o salto, e isso esvazia a continuidade no escalão sénior. No conjunto, é isto que torna tão difícil elevar o nível do futebol local com jogadores locais — e não a falta de vontade de quem trabalha na formação”, rematou Duarte Alves.

As dificuldades dos jogadores locais na profissionalização

Tendo em conta o panorama específico do futebol de Macau, não só no tocante ao baixo lugar que a selecção ocupa no ranking mundial da FIFA, como na pouca profissionalização das equipas, é difícil um jovem local ter uma carreira futebolística.

Quem o diz é Duarte Alves, director financeiro e administrativo do Benfica de Macau: “para um residente de Macau, chegar à elite é muito difícil, por um conjunto de condições que se acumulam contra ele”. O responsável aponta, desde logo, falhas no acesso a boas instalações, já que “um clube tem, muitas vezes, acesso a uma hora de treino por semana, num campo ou meio campo de futebol de onze”. Assim, “sem espaço para treinar e formar, não há resultados nem desenvolvimento possíveis”, além de que é necessário “ter um ambiente profissional que Macau não tem”.

“O futebol sénior não é competitivo e apoia-se sobretudo em jogadores estrangeiros para ter qualidade; o campeonato de formação é confuso e sem calendário consistente”, declarou.

Duarte Alves recorda ainda que um potencial jogador que queira sair do território “esbarra noutras barreiras”, pois “a nível regional o caminho é estreito e instável”. “As regras da China para jogadores de Macau mudaram várias vezes ao longo dos anos”, sendo que “mesmo quando contam com jogadores locais, cada clube só pode inscrever um”.

A nível europeu, tudo depende da família. “Pelas regras da FIFA, um clube só pode receber um jogador menor de 18 anos se os pais se mudarem para esse país por motivos não ligados ao futebol. Sem a família inteira a emigrar, a porta está praticamente fechada.”

Desta forma, Duarte Alves diz que “não é talento que falta a Macau, mas o ambiente e condições à volta do jogador”.

Um caminho difícil

Manuel Silvério diz que não é “impossível” a que um jogador local atinja a profissionalização, mas espera-o “um percurso muito exigente”, dadas as “limitações objectivas” do território. É o caso da “reduzida dimensão populacional, a inexistência de uma liga profissional e um contexto competitivo menos exigente quando comparado com outros países e regiões”. Para Manuel Silvério, persiste o “verdadeiro desafio” de “criar condições para que esses jovens possam permanecer no sistema e continuar a evoluir”.

12 Jun 2026

Estudo | Dois terços dos alunos de cursos de saúde sofrem de depressão

Um estudo académico da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, procurou ligações entre depressão, insónias e utilização da internet. Macau apresentou resultados negativos que se destacaram de outras regiões

Cerca de 68,8 por cento dos estudantes de cursos superiores na área da saúde em Macau afirmam sofrer de depressão. O resultado consta de um estudo elaborado por académicos da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou com o título “A utilização problemática da Internet e a depressão entre estudantes de ciências da saúde em Macau: o papel mediador da insónia”.

Segundo o trabalho, que foi disponibilizado a 6 de Junho numa versão preliminar, os académicos realizaram 264 questionários a estudantes de instituições locais, entre Janeiro e Fevereiro de 2025. Entre os inquiridos, 68,8 por cento, cerca de 182, consideraram sofrer de depressão. O trabalho aponta também que entre os 264 estudantes, 40,2 por cento reconhecia sofrer de depressão ligeira, 18,6 por cento de depressão moderada, 6,4 por cento de depressão acentuada e 3,4 por cento de depressão grave.

Como parte das conclusões, os autores reconhecem que os valores em Macau são superiores aos de outros locais: “No total, 68,8 por cento dos estudantes da área da saúde incluídos neste estudo referiram sofrer de depressão, uma prevalência substancialmente superior à registada entre os estudantes de áreas da saúde na Arábia Saudita (32,2 por cento)”, foi indicado. “Vários estudos também relataram taxas elevadas de depressão em grupos específicos de alunos nas áreas da saúde, incluindo enfermagem (34,0 por cento), medicina laboratorial (51,4 por cento) e farmácia (35,1 por cento). No entanto, todas estas taxas continuam a ser inferiores aos nossos resultados”, foi constatado.

Episódios anteriores

Durante a investigação, os académicos procuraram a ligação entre a insónia, depressão e a utilização incorrecta da internet. Este último termo, que veio substituir o conceito de vício da internet, é utilizado para definir uma condição de mal-estar psicológico quando não se consegue aceder à internet ou se está offline.

Mais uma vez, os resultados registados em Macau aparentam superar a situação de outros locais. “Neste estudo, cerca de 70 por cento dos estudantes da área da saúde em Macau preencheram os critérios para o uso problemático da Internet”, foi revelado. “Estudos anteriores estimam que a incidência do uso problemático da Internet se situe entre 4 por cento e 51 por cento entre os estudantes universitários”, foi apontado.

No estudo é também indicado que a pandemia da covid-19 pode ter contribuído para uma maior utilização incorrecta da internet entre os alunos, dado que durante alguns anos as aulas passaram a ser online, o que obrigou as pessoas a passarem mais tempo ligados à Internet.

Os autores do estudo são Lei Zeng, da Universidade de Sun Yat-sen, e Chong Wai Sin, Bernice Nogueira, Ngan Ka U, Luo Zhimin, Gao Lingling, Yuan Haobin, Man Chan Yok e Meng Lirong, todos da Universidade Politécnica de Macau.

11 Jun 2026

Casinos | DICJ rejeita qualquer tipo de batota

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos alerta a população para não acreditar em publicações que anunciam “reembolsos” nos casinos de Macau, depois de serem apresentadas queixas por batota

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio mais uma vez negar a existência de batota com as máquinas que baralham as cartas nos casinos e alerta para possíveis burlas. A mensagem foi deixada através de um comunicado e visa combater campanhas recentes de desinformação lançadas nas redes sociais chinesas.

De acordo com o comunicado, “ultimamente” têm “surgido continuamente várias mensagens não confirmadas” sobre pessoas que alegam terem sido reembolsados pelos casinos, depois de terem sido enganadas no jogo. A DICJ aponta também que neste tipo de mensagens há pessoas a apresentarem-se como vítimas de batota e a aconselhar os clientes dos casinos em Macau a “contactarem determinados indivíduos em busca de ajuda” para serem reembolsadas.

“Uma vez que tais mensagens podem até envolver burla, apela-se ao público para não acreditar nem partilhar informações não confirmadas, e que tenha cuidado para não ser enganado”, pede a DICJ.

Na semana passada, surgiram publicações, na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, que acusavam os casinos de batota, ao manipularem as máquinas para baralharem as cartas. Segundo as mensagens, as caixas que baralham as cartas seriam manipuladas por alguém que está nas mesas de jogo, de forma a alterar a distribuição e atribuir uma mão mais fraca aos jogadores.

Controlo rigoroso

No comunicado de ontem, as autoridades voltam a insistir que todo o equipamento é inspeccionado, para não permitir qualquer manipulação do jogo por parte dos casinos.

“Todo o equipamento de jogo em funcionamento nos casinos de Macau está sujeito a uma regulamentação rigorosa, devendo cumprir as leis, as normas técnicas e os requisitos de segurança. Todo o equipamento de jogo electrónico deve ser submetido a testes por entidades independentes, acreditadas pela DICJ, e só pode entrar em funcionamento após análise e autorização”, foi comunicado. “A DICJ realiza também inspecções regulares e surpresa para verificar no local as versões dos softwares dos equipamentos, a integridade dos selos e os mecanismos de geração de números aleatórios, entre outros, garantindo assim a conformidade contínua. Recentemente, não foram detectadas quaisquer anomalias ou situações de incumprimento nos equipamentos”, foi acrescentado.

A DICJ também “avisa” que “todas as controvérsias relacionadas com o jogo devem ser comunicadas através de canais oficiais” e que em todos os casinos há “inspectores” que investigam as queixas “em tempo real”. “Caso suspeite de ter sido vítima de burla, deve interromper imediatamente a transacção e apresentar queixa junto da Polícia Judiciária o mais rapidamente possível”, foi aconselhado.

11 Jun 2026

Emprego| Mais de 4.500 candidatos a 50 vagas em Hengqin

As candidaturas a 50 empregos em Hengqin atraíram 4.550 jovens de Macau, indicou ontem a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada. As autoridades de Hengqin apontam que esta ronda de recrutamento registou um aumento de 33 por cento face a rondas anteriores

Terminou o período de recrutamento para preencher 50 vagas de emprego abertas pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, que contou com 4.550 candidaturas de jovens residentes permanentes de Macau, indicou ontem a comissão executiva.

As autoridades apontam que, em média, para cada vaga registaram-se 91 candidaturas e que, comparando com as duas rondas de recrutamento similares esta registou um aumento de 33 por cento. A comissão executiva conclui que o número de candidaturas reflecte “um aumento significativo do interesse dos jovens de Macau em trabalhar na zona de cooperação em Hengqin”.

As autoridades acrescentam que, segundo as candidaturas apresentadas, as áreas mais procuradas pelos residentes são desenvolvimento industrial, e áreas administrativas, jurídicas e relacionadas com bem-estar da população.

Estas áreas congregaram quase 80 por cento do total das candidaturas, envolvendo cargos como recepção de documentos, segurança social, actividades de intercâmbio juvenil, promoção de investimentos e a radiodifusão, televisão e publicação de notícias.

O facto de esta ronda de recrutamento não exigir experiência profissional foi destacado pelas autoridades como factor determinante para a atracção de candidaturas de recém-licenciados.

Alargar horizontes

A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da zona de cooperação, responsável pela campanha de recrutamento, afirmou que a sua missão original é proporcionar oportunidades de emprego de alta qualidade e alargar as perspectivas de carreira dos jovens de Macau, num contexto de aprofundamento da integração entre os dois territórios. Neste aspecto, as autoridades de Hengqin sublinham a necessidade especial de contratar “jovens talentos familiarizados com Macau para participarem na gestão dos assuntos públicos da zona de cooperação”.

A fase seguinte do processo passará pela selecção de currículos, assim como uma bateria de exames escritos, médicos e entrevistas. As autoridades sublinham que os departamentos competentes vão “respeitar rigorosamente os princípios de abertura, equidade e imparcialidade” ao longo do processo.

Quando as candidaturas abriram, foi indicado que os rendimentos brutos anuais podem atingir 330 mil renminbis, e que os contratos de trabalho vão garantir o direito a 22 dias de férias por ano.

11 Jun 2026

FM | Governo aposta na continuidade de Wu Zhiliang

Além do actual presidente da Fundação Macau, Sam Hou Fai manteve os nomes ligados às comunidades portuguesa e macaense, ao renovar os mandatos de Carlos Marreiros, André Ritchie e Cristina Neto Valente

Wu Zhiliang vai cumprir o 16.º ano como presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau (FM). A renovação do mandato foi anunciada ontem, através de um despacho de Sam Hou Fai publicado pelo Boletim Oficial.

O presidente da FM vai manter um salário de cerca de 103.400 patacas por mês, como aconteceu nos anos anteriores. Ao mesmo tempo, também o mandato de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, vice-presidente do Conselho de Administração, foi renovado. A dirigente mantém o salário de cerca e 90.240 patacas por mês, como aconteceu na renovação do mandato do ano passado.

Zhong Yi Seabra de Mascarenhas desempenha o cargo de vice-presidente na instituição responsável por grande parte do financiamento para as associações desde 2016, pelo que está prestes a cumprir 11 anos neste cargo. Tanto no caso de Wu Zhiliang, como de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, os novos mandatos têm a duração de um ano, como tradicionalmente acontece para as nomeações para a Fundação Macau.

O Conselho Fiscal da Fundação Macau continua igualmente sem alterações, com Vong Hin Fai o presidente da Associação dos Advogados de Macau, manter-se presidente, com uma remuneração de 19.740 patacas por mês. A continuidade abrange igualmente os outros membros Ho Mei Va e Lau Veng Lin, que vão receber mensalmente 16.450 patacas por mês.

Grupo de elite

Em relação ao Conselho de Curadores, o Chefe do Executivo optou igualmente por manter tudo na mesma, depois de no ano passado ter realizado alguns ajustes. Os mandatos do arquitecto de Carlos Marreiros, da advogada Cristina Neto Valente e do arquitecto André Ritchie foram renovados por um ano.

Ng Siu Lai, presidente da Associações dos Moradores de Macau, Iong Weng Ian, ligada à Associação das Mulheres, a empresária Angela Leong, e os ex-deputados Chan Meng Kam, Chan Hong e Chan Wa Keong são igualmente mantidos neste órgão.

Os mandados de Mok Chi Wai, presidente da Federação da Juventude de Macau, Ma Chi Wa, empresário e Liu Cai Seng, administrador do Banco de Desenvolvimento de Macau, assim como Lao Ion Fai, vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, também foram renovados pelo prazo de um ano.

O Conselho de Curadores da FM tem como objectivos garantir a manutenção dos fins da fundação, apreciar o plano de actividades, o relatório de exercício, o orçamento para o ano seguinte e o relatório financeiro relativo ao ano anterior. Além destas funções, tem ainda competência para aprovar a concessão de apoios financeiros de valor superior a um milhão de patacas.

11 Jun 2026

Acácio de Brito sai de Macau para assumir direcção da Escola Portuguesa de Luanda

O Conselho de Administração da Escola Portuguesa de Macau votou e pretendia renovar o mandato de Acácio de Brito como director da Escola Portuguesa de Macau, mas o destino do dirigente da instituição educativa deverá passar por Angola. A revelação foi feita por Fernando Alexandre, Ministro da Educação, à margem das celebrações do dia de Portugal na RAEM.

“A Escola Portuguesa de Macau está muito bem e quero deixar uma palavra de agradecimento ao professor Acácio Brito. Tivemos alguma turbulência no início, mas, neste momento, a escola está a funcionar muito bem”, afirmou Fernando Alexandre, de acordo com a Rádio Macau.

O ministro português revelou depois ter convidado Acácio de Brito para trabalhar no país africano: “Lancei pessoalmente um desafio ao Dr. Acácio Brito. Temos um grande desafio em Luanda, e o Dr. Acácio Brito deverá ficar a liderar a Escola Portuguesa de Luanda”, revelou. “O Dr. Acácio de Brito irá liderar a Escola Portuguesa de Luanda. Já fez um trabalho em Timor, fez agora aqui em Macau, e agora terá este novo desafio”, disse, segundo a Agência Lusa, para depois frisar que as escolas portuguesas no estrangeiro são “instituições importantíssimas” que o Governo tem vindo a valorizar.

O ministro sublinhou ainda que se trata de uma decisão estratégica e não relacionada com a “turbulência” inicial vivida na instituição.

Macau no vazio

Sobre o futuro da Escola Portuguesa de Macau, o ministro garantiu que “ainda não há nomes” e está a ser trabalhada “outra solução” em articulação com o Conselho de Administração, assegurando continuidade e expansão.

“A escola tem vindo a crescer, já ultrapassou os 800 alunos, quando foi projectada para 400. Há procura e o compromisso do Governo português – e estou certo também do executivo da Região Administrativa Especial de Macau – é de consolidar e expandir este projecto”, afirmou.

Fernando Alexandre prometeu ainda o total apoio do Governo ao envio de professores de Portugal para Macau, mas avisou que pode ser difícil atrair docentes: “Também há uma dimensão financeira [nas decisões dos professores], a situação em Portugal melhorou significativamente e é mais difícil atrair professores. Mas são decisões individuais”, atirou.

Associação de Pais “estupefacta”

Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau (EPM), disse ao HM que recebeu a notícia da saída de Acácio de Brito do cargo de director com “estupefacção”, não tendo proferido comentários por estarem em causa as celebrações do Dia de Portugal e não querer “criar quezílias”.

Acácio de Brito tinha sido reconduzido como director da EPM pela Fundação que gere a escola, mas aquando da visita do ministro Fernando Alexandre, foi anunciado que irá para a Escola Portuguesa de Luanda. Questionado pelo HM sobre a sua saída, Acácio de Brito não quis fazer qualquer comentário.

11 Jun 2026

BIR | Pedido regresso à “tradicional relação privilegiada no campo laboral”

Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, defendeu ontem o regresso da “tradicional relação privilegiada no campo laboral”, referindo-se à atribuição de BIR a portugueses. Na recepção à comunidade portuguesa a propósito do 10 de Junho, o cônsul diz existirem condições para se fazer, este ano, uma nova reunião da Comissão Mista

Em mais um 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas celebrado no território, desta vez com uma recepção à comunidade portuguesa na Escola Portuguesa de Macau (EPM), foi deixado um alerta sobre a necessidade de agilizar a atribuição de residência a cidadãos portugueses por parte das autoridades da RAEM. Quem o fez, foi Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

“Em Macau há seis universidades com uma notoriedade crescente, e nelas trabalham com competência e seriedade professores portugueses que trazem uma mais valia evidente à RAEM, como acontece em todo o mundo. Os nossos interesses, incluindo o objectivo comum de diversificar as nossas economias, têm muito a ganhar em recuperar a tradicional relação privilegiada no campo laboral”, destacou. Em concreto, “numa evolução das regras de admissão e permanência, que torna a RAEM mais atractiva para os portugueses que aqui desejam trabalhar, estudar e viver”, acrescentou o cônsul.

O representante português não esqueceu o facto de o discurso político oficial destacar, precisamente, a necessidade de quadros qualificados. Alexandre Leitão referiu a “secção 1, capítulo 33, do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM”, que diz respeito “à criação de condições favoráveis para a captação de quadros qualificados de língua portuguesa”.

Alexandre Leitão lembrou ainda o facto de Portugal atribuir residência a qualquer residente de Macau. “Se um residente de Macau quiser trabalhar, investir ou viver de rendimentos em Portugal, pode apresentar no Consulado um pedido de visto e, se tiver a documentação adequada, terá rapidamente uma autorização de residência que lhe confere o acesso a bens e serviços públicos em condições idênticas às dos cidadãos nacionais”, disse. O cônsul destacou que, neste cenário, “a reciprocidade faz todo o sentido”.

Importância no Fórum

Nas relações entre Macau e Portugal não existe ainda nova data para a realização da reunião da Comissão Mista Portugal-RAEM, e da recente visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, à Península Ibérica também nada foi anunciado.

Porém, Alexandre Leitão destacou a possibilidade de os dirigentes poderem reunir este ano. “Estão criadas as condições institucionais para retomarmos a Comissão Mista este ano e nela passar em revista o estado do nosso relacionamento, os nossos interesses e preocupações e, sobretudo, alcançarmos acordos sobre matérias práticas”, disse.

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, esteve presente na recepção e discursou parcialmente em português. Não comentou em concreto a questão da atribuição de residência, mas disse esperar que “os portugueses que residem em Macau e os macaenses continuem a participar activamente nos diversos assuntos de Macau”.

O Chefe do Executivo referiu que as “comunidades portuguesa e macaense, enquanto parte integrante e relevante da sociedade plural de Macau, têm desempenhado um papel importante e positivo na harmonia, estabilidade e prosperidade” do território.

Sem comentar a data da nova reunião da Comissão Mista, Sam Hou Fai preferiu destacar a realização, em 2027, da 7.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau no território. “Portugal tem apoiado Macau no desempenho do seu papel de ‘interlocutor de precisão’ entre a China e os países de língua portuguesa. Esperamos que Portugal continue a prestar esse apoio firme, contribuindo com a sua sabedoria e esforços para o sucesso da 7ª Conferência Ministerial”, rematou.

Ministro destacou crescente cooperação com a China

Para a cerimónia de recepção à comunidade portuguesa a propósito do 10 de Junho, Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Tecnologia de Portugal, levou grandes nomes da literatura portuguesa, e não apenas o de Luís de Camões. Citou José Toletino de Mendonça e Jorge de Sena, lembrando que este último escreveu: que um país “não é só a terra com que se identifica a gente que vive nela e nasce nela”, sendo “isso mais a irradiação secular da humanidade que exportou”.

Sobre a comunidade portuguesa de Macau, o ministro quis deixar um “sincero reconhecimento”, frisando “a excelência, dinamismo e capacidade empreendedora que têm sido fundamentais para estreitar laços entre Portugal e a China, contribuindo, igualmente, para afirmar e prestigiar o nome de Portugal no sul da China”.

Fernando Alexandre deixou ainda vários números que confirmam a crescente relação que Portugal e a China têm mantido nos últimos anos, com Macau a desempenhar o seu papel de ponte. O ministro destacou o panorama da expansão do mandarim em Portugal, já ensinado em várias escolas públicas, sendo que no actual ano lectivo “o número de alunos abrangidos pelo ensino do mandarim aumentou significativamente (mais 73 por cento) face ao ano anterior, envolvendo 24 turmas e mais de 370 alunos”.

No ensino superior, e desde 2022, “foram submetidos mais de 700 pedidos de reconhecimento de graus académicos chineses em Portugal, reflectindo o aumento da mobilidade e das ligações entre os dois sistemas de ensino superior”. O programa “Erasmus+” originou 59 mobilidades entre a China e Portugal desde 2021, incluindo 21 mobilidades ligadas a Macau.

Fernando Alexandre lembrou também como, desde 1990, “foram apoiados mais de 100 projectos conjuntos de investigação através de sete programas de cooperação científica”, além de que, entre os anos de 2014 e 2025, “a Fundação para a Ciência e a Tecnologia apoiou 88 projectos de I&D [Investigação e Desenvolvimento] com a participação de instituições chinesas”.

O que existe hoje, fruto destes dados, é “uma rede crescente de laboratórios conjuntos, centros de investigação e plataformas colaborativas entre universidades e centros de investigação dos dois países”, frisou o governante.

Acordo feliz

Fernando Alexandre não deixou de recordar que se celebram, este ano, “os 27 anos da retrocessão da soberania de Macau para a República Popular da China”, declarando como “a Declaração Conjunta LusoChinesa de 1987 e o modo equilibrado como Portugal e a República Popular da China desenharam conjuntamente um estatuto de autonomia para a região, no pleno respeito pelo princípio ‘um país, dois sistemas’, constitui um dos alicerces fundamentais da relação bilateral e a confiança mútua”.

O ministro afirmou que a Escola Portuguesa de Macau “constitui um dos mais visíveis e duradouros símbolos da cooperação educativa entre Portugal e Macau”, tendo hoje “mais de 800 alunos provenientes de múltiplas origens culturais e linguísticas”.

Regista-se, na instituição de ensino, “um crescimento contínuo da procura”, tendo esta um “papel essencial na promoção da língua portuguesa e no reforço dos laços entre Portugal e a República Popular da China”, rematou o ministro da Educação.

11 Jun 2026

Futebol | PJ tenta prevenir apostas ilegais durante Mundial

A Polícia Judiciária levou a cabo uma campanha de prevenção de apostas ilegais durante o Mundial de Futebol, que começa amanhã. Os agentes visitaram bares e áreas de lazer e convívio e alertaram para as consequências de violar a lei e para as tácticas de “indivíduos sem escrúpulos”

Com a aproximação do pontapé de saída do Mundial de Futebol, marcado para amanhã no Estádio Azteca na Cidade do México, a Polícia Judiciária (PJ) jogou na antecipação e lançou uma campanha de sensibilização contra as apostas ilegais.

Segundo um comunicado divulgado ontem pela PJ, a campanha de prevenção de apostas ilegais decorreu entre o dia 2 de Junho e a passada segunda-feira, levando equipas de agentes a bares e áreas de lazer e convívio em todo o território.

As autoridades alertam para o facto de eventos da escala do Mundial de Futebol atraírem frequentemente indivíduos sem escrúpulos que aliciam amantes do desporto para se envolverem em apostas ilegais.

Durante a operação, agentes e estagiários da PJ prestaram esclarecimentos e distribuíram folhetos ao público e a empresas, além de terem sublinhado os perigos e a responsabilidades legais decorrentes da participação em apostas ilegais durante o Mundial. A mensagem das autoridades incidiu particularmente nas “apostas offshore” em jogos de futebol, que também são crimes de acordo com a legislação local, e detalharam os métodos mais comuns utilizados pelos criminosos para atrair as pessoas para o jogo.

Juventude cumpridora

As autoridades também focaram a campanha nos mais novos, distribuindo folhetos de prevenção da criminalidade a estudantes nas proximidades das escolas e em locais públicos frequentados por adolescentes.

Mais uma vez, as tácticas criminais para atraírem jovens foram apresentadas. Métodos de previsão de resultados de jogos, estatísticas e promessas de lucros rápidos estão entre os “iscos” usados para atrair jovens para apostas em redes sociais ou em aplicações móveis de chat. As autoridades apelaram também aos mais novos para não caírem na armadilha de más influências ou em ceder à curiosidade que resulte na prática de crimes. Além da possibilidade de enfrentarem acusações criminais, as autoridades avisaram também para a possibilidade de elevadas perdas financeiras.

O papel preventivo foi também passado à população, assim como a responsáveis de espaços onde serão transmitidos os jogos, para manter a vigilância e comunicar às autoridades, ou à família, actividades suspeitas.

A PJ realizou ainda seminários de prevenção da criminalidade em conjugação com algumas organizações comunitárias em Macau, apresentando casos específicos de crimes graves decorrentes do jogo ilegal, incluindo fraudes, agiotagem e crimes violentos relacionados.

10 Jun 2026

Droga | PJ anuncia maior apreensão de marijuana de sempre

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a maior apreensão de marijuana de sempre, que totalizou 35 quilogramas. A intercepção, que levou à detenção de um homem de Hong Kong, foi apresentada em conferência de imprensa.

Segundo os contornos divulgados, o caso foi detectado na noite de segunda-feira, no Aeroporto Internacional de Macau (AIM), quando o detido, que tem 25 anos e é natural de Hong Kong, foi interceptado. No interior de duas malas que trazia, vindo de um país do Sudeste Asiático, as autoridades encontram 60 pacotes de marijuana num total de 35 quilogramas. Esta quantidade é avaliada pelo mercado negro em cerca de 35 milhões de patacas.

A investigação do caso envolveu a PJ, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e os Serviços de Alfândega (SA).

Quando o homem foi interrogado afirmou trabalhar como técnico de palco. As autoridades acreditam que para transportar esta quantidade de droga para Macau o homem iria receber cerca 60 mil dólares de Hong Kong.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo está indiciado de ter cometido o crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, cuja moldura penal pode variar entre 5 anos e 15 anos, se não forem consideradas outras agravantes.

CPSP | Homem furta bens de supermercado

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de um homem, com cerca de 50 anos, que furtou algumas vezes bens de um supermercado, na Avenida da Amizade, depois de ter perdido todo o dinheiro no casino. Segundo a informação veiculada pelo jornal Ou Mun, o homem, nacional da Mongólia, dirigia-se ao supermercado para tirar produtos quando estava sem dinheiro, depois de jogar.

O homem terá cometido este crime mais do que uma vez, mas no domingo os funcionários acabaram por apresentar queixa às autoridades, relatando o desaparecimento de produtos avaliados em 200 patacas. As imagens de videovigilância mostraram o suspeito a furtar bens em quatro ocasiões diferentes, no espaço de dois dias. Quando foi interrogado sobre os crimes, o homem confessou.

10 Jun 2026

Jogo | Receitas com ritmo “sólido” em Junho, mas Mundial terá impacto

O banco UBS acredita que as receitas do jogo deste mês vão sofrer uma redução anual, dado o valor elevado de Junho de 2025, mas também porque é estimado que muito do dinheiro que iria parar às mesas dos casinos seja canalizado para apostas no Mundial de Futebol

Na primeira semana de Junho, as receitas brutas dos casinos atingiram um montante “sólido”, mas espera-se que o Campeonato Mundial de Futebol tenha um impacto negativo, devido às apostas nos jogos. O cenário foi traçado pelo banco de investimento UBS, através de um relatório citado pelo portal GGRAsia.

Segundo os dados avançados pelos analistas, com base nas verificações feitas nas mesas de jogo de Macau, até 7 de Junho as receitas médias diárias foram de 700 milhões de patacas, um valor que não apresentou alterações em comparação com os dados de Junho do ano passado. Nesse mês as receitas brutas nos casinos de Macau atingiram 21,1 mil milhões de patacas.

No entanto, até ao final deste mês espera-se uma redução das receitas, por causa do Campeonato Mundial de Futebol e também pelo facto de as receitas do ano passado terem sido elevadas.

No cenário actual, os analistas explicam que os casinos precisam de gerar 695 milhões de patacas por dia ao longo de todo o mês para que a redução face ao período homólogo fosse apenas de 1 por cento. Para atingir esse valor negativo era necessário que nos 23 dias do mês que não foram contabilizados no relatório da UBS, as receitas médias diárias fossem de 694 milhões de patacas.

O banco de investimento não acredita que essa média seja alcançável: “A realização do próximo Campeonato Mundial de Futebol (entre 11 de Junho e 19 e Julho) e o efeito de base elevada de comparação anual vão provavelmente conduzir a uma ligeira queda homóloga nas receias brutas em Junho e em Julho”, é previsto.

Queda mensal

Em termos mensais, as receitas entre Maio e Junho apresentam igualmente uma redução: “Entre os segmentos, a receita diária média no mercado de massas apresentou uma descida entre 3 por cento e 5 por cento face ao mês anterior. O volume médio diário das receitas do segmento VIP registou uma descida de cerca de 5 por cento a 8 por cento, em relação ao mês anterior, com a taxa de retenção do segmento VIP a situar-se entre cerca de 2,9 por cento e 3,1 por cento”, foi revelado.

A diferença do mercado, tendo em conta todos os segmentos, é quatro por cento. No entanto, os analistas consideram que os números de Maio foram bastante elevados, quando as receitas atingiram 22,6 mil milhões de patacas.

Apesar da redução, a UBS destaca que a diferença entre Maio e Junho é inferior este ano em relação ao que se verificava antes da pandemia, e principalmente entre 2015 e 2019. Nesses anos, as receitas de Junho costumavam apresentar uma redução média mensal de 9 por cento.

10 Jun 2026

Preços | Fornecedores admitem subida de bens essenciais

O aumento dos custos do combustível e a valorização do renminbi face ao dólar americano está a fazer com que bens essenciais como vegetais e ovos vindos do Interior cheguem com preços mais altos a Macau. O cenário é mais grave nas importações internacionais

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, reconheceu que os bens alimentares estão mais caros, embora a subida seja considerada dentro de níveis aceitáveis. As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun, num artigo em que é abordada a inflação dos produtos alimentares.

Segundo Ip Sio Man os bens alimentares estão mais caros, principalmente em produtos como a carne de frango, porco, mariscos, frutas, vegetais e ovos. Estes aumentos são explicados com o facto de grande parte destes produtos serem importados do Interior, numa altura em que o renminbi está num período de valorização face ao dólar americano e ao dólar de Hong Kong e à pataca.

Ao mesmo tempo, estes produtos têm de ser transportados para Macau, o que também está a contribuir para este aumento devido aos preços dos combustíveis.

Ip Sio Man explicou que os maiores aumentos de preços têm acontecido ao nível dos ovos, embora tenha considerado que a subida “não foi significativa” e que “não representa um encargo grande nas despesas diárias dos residentes”.

De fora é pior

Quando os produtos são importados do estrangeiro, o cenário também é de subida, e neste caso de forma mais signifcativa.

Segundo os números apontados no jornal Ou Mun, o preço da viagem de um contentor para o transporte de produtos congelados entre os Estados Unidos e a Ásia mais do que duplicou. Anteriormente, o transporte de um contentor custava cerca de 10 mil patacas, mas nos últimos tempos subiu para valores entre 20 mil e 30 mil patacas.

Esta diferença faz com que os produtos de mercados como a Europa, Estados Unidos, América do Sul e Sudeste Asiáticos estejam cada vez mais caros e de forma acentuada para os importadores. Contudo, face a esta situação, Ip Sio Man explicou que os importadores estão a absorver grande parte dos aumentos, passando apenas uma pequena parte do aumento para os consumidores.

O artigo do jornal local com maior número de leitores cita também um importador anónimo a explicar que muitas vezes os produtos que vêm para Macau do Interior sofrem flutuações diferentes, porque nem sempre são pagos em renminbis, mas em dólares americanos ou dólares de Hong Kong. Ainda assim, indica que o principal desafio para a economia local não é o aumento dos preços, mas antes o facto de cada vez mais residentes consumirem no outro lado da fronteira.

10 Jun 2026

CPSP | Menos portugueses em Macau e maioria tem vínculo precário

O número de portugueses que imigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou ao território com vínculos laborais precários. No ano passado, apenas 10 pedidos de residência de portugueses foram aceites

Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou que o número de trabalhadores imigrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam a Macau sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP afirmou que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado.

As novas orientações, que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999, apenas deixam como alternativa para os portugueses o chamado ‘blue card’. Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau.

Memorial com vento

A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. O programa procura captar, nomeadamente com benefícios fiscais, quadros do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles vencedores de prémios Nobel.

Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha do Interior da China (80 por cento) e de Hong Kong (10 por cento).

Em Abril passado, o novo coordenador da comissão, Kong Chi Meng, disse que a terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, valoriza mais quadros com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil.

Também o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico (2026-2030), que está em consulta pública até 28 de Junho, prevê a optimização do programa, “no sentido de criar elementos favoráveis à captação de quadros qualificados internacionais e dos países de língua portuguesa”.

10 Jun 2026

Lei laboral | Deputados pedem aumento da licença de paternidade

Foi ontem aprovada, na generalidade, a nova proposta de lei laboral que apresenta um aumento dos dias de licença de maternidade de 70 para 90 dias, subsídios às empresas e mais dias de férias anuais. Porém, vários deputados exigiram ao Governo começar a ponderar aumentar também os dias de licença de paternidade

A Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem, na generalidade, a proposta de revisão da lei laboral que traz um aumento dos dias de licença de maternidade dos actuais 70, no sector privado, para 90; a atribuição de subsídios às pequenas e médias empresas (PME) para apoiar o pagamento de salários às grávidas em licença e ainda o aumento dos dias de férias anuais.

Porém, vários deputados entendem que é preciso as autoridades fazerem mais, nomeadamente aumentar a licença de paternidade.

“A proposta de lei não se refere à licença de paternidade, e, de facto, são matérias complementares. Pode-se ponderar o aditamento dos dias de paternidade, para que os pais e maridos possam prestar mais cuidados às suas mulheres?”, questionou Nick Lei.

O deputado destacou também alguns resultados da consulta pública sobre este assunto, pois cerca de “80 por cento [dos participantes] não está de acordo” com a proposta do Executivo, pedindo mais dias de licença de maternidade.

“Espero que o Governo pondere sobre o aumento do número dos dias de licença de maternidade, e também a capacidade das PME”, disse.

Também a deputada Ella Lei alertou para a necessidade de “aumentar as faltas por licença de paternidade dos cinco para sete dias”, já que Macau se encontra “numa era de baixa taxa de natalidade”.

“A alteração da lei é simples e passa [a licença de maternidade] de 70 para 90 dias, mas temos de pensar nas faltas por licença de paternidade e na protecção dos postos de trabalho das mulheres, pois há situações em que as grávidas podem ser despedidas”, alertou.

Cenários distintos

Tendo em conta que ainda não foi escolhido o novo secretário para a Economia e Finanças, quem respondeu aos deputados e apresentou a proposta de lei foi o chefe de gabinete de Tai Kin Ip, antigo secretário.

Lo Chi Fai declarou, sobre o aumento dos dias da licença de paternidade, que “esta é uma proposta sobre a qual temos de encontrar grande consenso junto da sociedade”. “Tendo em conta o actual desenvolvimento sócioeconómico, numa próxima fase poderemos rever esta parte. Nesta consulta pública estivemos mais empenhados na [revisão] da licença de maternidade, para ser igual à das mulheres na Função Pública”, acrescentou.

Em relação ao subsídio atribuído às PME, será permanente graças à elaboração futura de um novo regulamento administrativo. “Há que prolongar o actual regulamento e vamos elaborar um novo [diploma] para o subsídio, porque vamos subsidiar as PME através do erário público”, disse o chefe de gabinete.

Lo Chi Fai disse ainda, sobre a licença de maternidade, que há vários cenários no sector privado. “Entre as partes pode sempre haver um acordo para mais de 90 dias, até 98 dias”, prazo que chegou a ser proposto por algumas opiniões no processo de consulta pública.

“Isso reflecte também a responsabilidade da parte da entidade patronal, e podemos pressupor que, devido à diferente dimensão das empresas, as regalias e condições podem ser diferentes”, rematou o responsável.

10 Jun 2026