Irão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação

A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein.

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.

11 Jun 2026

UE | China promete defender empresas visadas por novas sanções

A China prometeu ontem defender os interesses das suas empresas perante novas sanções da União Europeia contra entidades ligadas ao esforço de guerra russo, após Bruxelas confirmar que o próximo pacote incluirá companhias sediadas no país asiático.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian reiterou, em conferência de imprensa, que Pequim opõe-se “firmemente” a sanções unilaterais que não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lin afirmou que a China apresentou, em diversas ocasiões, protestos junto da parte europeia e instou Bruxelas a “corrigir as suas práticas erradas” e a revogar as sanções, que classificou como “ilegais”. O responsável acrescentou que Pequim continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e adoptará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas.

As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter apresentado, na terça-feira, o 21.º pacote de sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia, centrado nos sectores da energia, finanças e comércio.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, explicou que as novas medidas incluem restrições adicionais à chamada “frota fantasma” russa e visam manter a pressão sobre as fontes de receita de Moscovo.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, indicou que o pacote incluirá também controlos às exportações e medidas contra cerca de cinquenta empresas de países terceiros, incluindo entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia, que Bruxelas acusa de contribuírem para o complexo militar-industrial russo.

11 Jun 2026

China | Exportações automóveis sobem 73 por cento em Maio

As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram 73 por cento em Maio, em termos homólogos, para cerca de 809.000 unidades, impulsionadas pelo crescente interesse em veículos eléctricos num contexto de subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão.

A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) indicou ontem que as exportações de veículos totalmente eléctricos e híbridos mais do que duplicaram face ao mesmo mês do ano passado, atingindo cerca de 435.000 unidades, mais de metade do total. O resultado supera as cerca de 796.000 viaturas exportadas em Abril, segundo dados da mesma associação.

Fabricantes chineses como a BYD têm acelerado a expansão internacional, apostando em mercados da América Latina, Ásia e Europa, numa altura em que a procura doméstica enfrenta pressões devido, em parte, à redução dos incentivos governamentais para a substituição de automóveis convencionais por eléctricos.

As vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 23,4 por cento em Maio, em termos homólogos, para 1,44 milhões de unidades, registando o sétimo mês consecutivo de quedas. As vendas de veículos com motores de combustão interna, incluindo automóveis a gasolina e gasóleo, recuaram quase 42 por cento, enquanto a quota dos veículos eléctricos continuou a crescer.

Analistas do banco suíço UBS estimam que as exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentem cerca de 40 por cento em 2026, face ao ano anterior, enquanto as exportações de veículos eléctricos poderão crescer cerca de 80 por cento.

“O preço elevado do petróleo traduziu-se claramente num maior interesse pelos veículos eléctricos”, afirmou Paul Gong, responsável pela análise do sector automóvel chinês no UBS. Segundo o analista, as exportações automóveis chinesas superaram as expectativas nos primeiros meses do ano, enquanto as vendas domésticas ficaram abaixo do previsto.

Sempre a crescer

Claire Yuan, analista da S&P Global Ratings, prevê que as exportações chinesas mantenham um forte dinamismo em 2026, apontando para um crescimento anual entre 30 por cento e 50 por cento. De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), cerca de um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo no ano passado foi eléctrico.

A organização prevê que as vendas globais destes veículos atinjam 23 milhões de unidades em 2026, representando quase 30 por cento do mercado mundial. A China é o maior produtor mundial de veículos eléctricos e fornece a maioria dos modelos vendidos a nível global.

A BYD, maior fabricante chinesa de veículos eléctricos, vendeu mais de 160.000 automóveis no exterior em Maio, um aumento de 80 por cento face ao mesmo período do ano passado. A empresa pretende vender 1,5 milhões de veículos fora da China este ano, acima dos 1,05 milhões registados em 2025.

A fabricante sediada no sul da China ultrapassou a Tesla no ano passado como a maior produtora mundial de veículos eléctricos em volume de vendas. A expansão internacional poderá também melhorar a rentabilidade das fabricantes chinesas, após uma intensa guerra de preços no mercado doméstico ter pressionado as margens do sector.

11 Jun 2026

PCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros

A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês

O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC.

A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna.

Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime.

O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo.

Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos.

Modelo exemplar

Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong.

Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores.

Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas.

O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros.

Espaço de eleição

Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico.

Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas.

Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição.

Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.

11 Jun 2026

Filipinas | Sismo de segunda-feira fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos

O sismo de segunda-feira nas Filipinas fez pelo menos 41 mortos, disseram ontem fontes provinciais de Mindanao contactadas pela Agência France-Presse (AFP), acrescentando que cerca de 450 pessoas ficaram feridas.

O sismo, de magnitude 7,8, ocorreu ao largo da ilha de Mindanao, de acordo com os departamentos de gestão de catástrofes das Filipinas. Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona.

Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados.

Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura.

O sismo levou à emissão de ordens de retirada das zonas costeiras do sul das Filipinas e da Indonésia, e foram emitidos alertas de tsunami, entretanto cancelados.

10 Jun 2026

Executivo de Hong Kong promete “prudência” na classificação de crimes

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, comprometeu-se ontem a exercer com “prudência e seriedade” a sua nova competência para classificar crimes comuns como infracções relacionadas com a segurança nacional.

Lee defendeu em conferência de imprensa a nova legislação subsidiária da Lei de Segurança Nacional, com a qual o Governo da região administrativa especial chinesa procura definir, de forma mais ágil, quais as condutas que podem ser enquadradas na categoria de “crimes contra a segurança nacional”, um âmbito que, na antiga colónia britânica, acciona procedimentos judiciais mais severos do que os previstos para causas penais comuns.

“O objectivo da introdução da legislação subsidiária é esclarecer, tornar muito, muito mais claro, como é que os crimes […] que põem em risco a segurança nacional ao abrigo da legislação de Hong Kong serão classificados como tal”, afirmou Lee aos jornalistas.

“Não se pretende, nem se irá alargar a definição dos crimes, nem se irá introduzir novos crimes, novos poderes ou novas sanções. Também não se alarga o âmbito de aplicação da lei”, acrescentou.

Segundo o líder do Executivo de Hong Kong, “a relevância da mudança não reside na criação de novos crimes”, mas na capacidade de classificar determinados casos dentro deste quadro desde uma fase inicial do processo.

No quadro desta alteração legislativa, basta que o Chefe do Executivo emita um certificado oficial para que o caso fique sujeito às regras aplicáveis às investigações e julgamentos de segurança nacional, incluindo restrições mais severas ao acesso à liberdade sob caução e a intervenção de juízes designados para este tipo de processos.

Prós e contras

A proposta suscitou críticas entre sectores jurídicos e observadores locais, devido ao alargamento da margem discriccionária do Chefe do Executivo e à capacidade limitada de controlo sobre as suas decisões.

Em reação às objecções, Lee sustentou que o território enfrenta riscos complexos, incluindo supostos actos de espionagem ou sabotagem impulsionados por “actores estatais estrangeiros profissionais e sofisticados”, e defendeu que esse tipo de ameaças exige um tratamento especial devido à sensibilidade da informação envolvida.

“Grande parte da informação disponível é confidencial, muito sensível e não adequada para divulgação pública”, explicou, para justificar o sigilo oficial.

Além disso, Lee salientou que a norma não alarga as definições de subversão ou sedição nem introduz punições inéditas, mas pretende “reduzir o risco de controvérsias nos tribunais” através de uma classificação mais clara dos crimes.

O Governo de Hong Kong anunciou na segunda-feira que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim o agravamento da moldura penal até à pena perpétua.

10 Jun 2026

Guizhou | Chuvas intensas obrigam à retirada de cerca de 10 mil pessoas

Chuvas “excepcionalmente intensas” registadas durante o fim de semana na província chinesa de Guizhou, no centro do país, provocaram inundações e levaram à retirada de cerca de 10 mil pessoas, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua.

As áreas mais afectadas foram as cidades de Qianxi e Zunyi e a vila de Changshun, segundo a agência. As autoridades locais ativaram operações de emergência permanentes e retiraram até ao momento 1.377 residentes de 491 famílias, além de terem resgatado mais de 50 pessoas que ficaram cercadas pelas águas.

Em Changshun, mais de três mil habitantes de cerca de mil habitações situadas a jusante da barragem de Bancong foram transferidos para zonas seguras, após uma falha de energia ter afetado o funcionamento da infraestrutura e provocado o seu transbordo.

O Ministério dos Recursos Hídricos e a Administração Meteorológica da China emitiram no domingo à tarde um alerta vermelho, o nível mais elevado do sistema chinês, devido ao risco de enxurradas em áreas do sudeste de Guizhou entre domingo e ontem.

Até à noite de domingo, quase cinco mil residentes foram retirados preventivamente na prefeitura autónoma de Qiandongnan, enquanto prosseguia a retirada de outras cerca de 22 mil pessoas.

As chuvas afectam também outras regiões do sul da China. A província de Guangdong activou na noite de sábado um plano de resposta de emergência devido à previsão de precipitação intensa, tempestades localizadas e possíveis cheias acima dos níveis de alerta em rios de pequena e média dimensão.

Desde meados de Maio, a China enfrenta uma sucessão de episódios de chuva intensa no centro e sul do país, com inundações e deslizamentos de terras em várias províncias. Os serviços meteorológicos chineses atribuíram o adiantamento da época das chuvas a sistemas atmosféricos anómalos.

9 Jun 2026

Filipinas | Sobe para 12 número de mortos na sequência de sismo

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,8, no sul das Filipinas, de acordo com um novo balanço das autoridades. Um balanço anterior da polícia dava conta de um morto e de quatro feridos, além do desabamento de vários edifícios no arquipélago.

O sismo teve o epicentro no mar, a cerca de 13 quilómetros a sudoeste de General Santos, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, na ilha de Mindanau, um centro de processamento de atum e de outras actividades comerciais na região de Mindanau, no sul do arquipélago. O sismo provocou um tsunami com ondas de um metro de altura nas zonas costeiras próximas.

O Presidente Ferdinand Marcos Jr. exortou a população a dirigir-se para terrenos mais elevados nas zonas mais vulneráveis a um tsunami, e as autoridades indonésias, malaias e japoesas também emitiram alertas para as áreas costeiras próximas.

O líder filipino afirmou que as agências de resposta a catástrofes estavam em estado de alerta para intervir. “O Governo nacional está em acção e não vamos deixar Mindanau para trás”, disse Marcos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico afirmou que a ameaça de um tsunami passou cerca de cinco horas após o sismo, ocorrido às 07:37.

Pelo menos sete pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em General Santos, onde alguns edifícios pequenos ruíram parcialmente e várias estruturas, incluindo uma ponte importante, sofreram fissuras perigosas, disse o director regional do Gabinete de Defesa Civil, Rod Sosmeña, à agência Associated Press (AP).

Outras cinco pessoas morreram nas províncias meridionais de Cotabato do Sul e Davau Ocidental, e na ilha de Balut, afirmaram Sosmeña e outro responsável, Ednar Dayanghirang.

9 Jun 2026

Visita | Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang “perdurará para sempre”

O Presidente chinês defendeu ontem a continuidade da aliança entre China e Coreia do Norte e apelou ao reforço da coordenação face “à hegemonia” e “política de força”, num artigo no jornal norte-coreano Rodong Sinmun.

O texto, divulgado também pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, foi publicado por ocasião da viagem de Xi Jinping à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, e no ano em que se comemora o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre os dois países. Xi afirmou que a relação bilateral se encontra num “novo ponto de partida histórico” e sustentou que Pequim pretende “impulsionar o desenvolvimento” dos laços com Pyongyang.

Isto após anos em que as relações arrefeceram devido aos ensaios nucleares norte-coreanos e num momento em que Pequim procura preservar a influência face à crescente aproximação da Coreia do Norte à Rússia. O líder chinês salientou que a “amizade tradicional” entre os dois países “perdurará para sempre” e recordou que se reuniu seis vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nos últimos anos.

Xi defendeu também que Pequim e Pyongyang preservem o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem baseada no direito internacional, ao mesmo tempo que se opõem “à hegemonia” e à “política da força”.

O dirigente chinês condenou ainda qualquer tentativa de “reavivar o militarismo”, uma expressão que as autoridades chinesas têm usado de forma reiterada nos últimos meses em referência ao Japão. O artigo não menciona a desnuclearização da Coreia do Norte, um assunto que Pyongyang voltou a descartar no domingo, ao afirmar que o estatuto nuclear do país é irreversível.

A visita do líder chinês ocorre em pleno reatamento dos contactos entre Pequim e Pyongyang, após uma reunião que Xi e Kim mantiveram em Setembro de 2025 em Pequim, uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Coreia do Norte em Abril e o reinício, em Março, das ligações ferroviárias e aéreas de passageiros entre ambos os países, após seis anos de suspensão.

9 Jun 2026

HK | Casos criminais podem ser ligados à segurança da China

O Chefe do Executivo da antiga colónia britânica passa a poder classificar casos que envolvam crimes como atentados à segurança nacional e, logo, sujeitos à pena de prisão perpetua

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim a condenação à pena perpétua.

As autoridades divulgaram propostas para alterar a lei de segurança nacional, quase seis anos depois de o Governo Central chinês ter imposto esta legislação à região semiautónoma. As mudanças incluem a criação de um mecanismo que permite ao Chefe do Executivo de Hong Kong, através de um certificado, classificar casos como envolvendo “crimes que põem em perigo a segurança nacional”.

Quaisquer outros crimes de que um arguido seja acusado no mesmo processo seriam também automaticamente classificados como envolvendo a segurança nacional. Como tal, os julgamentos estariam a cargo de juízes nomeados especificamente pelo Governo de Hong Kong, poderiam decorrer à porta fechada e os suspeitos sujeitos a fianças mais elevadas.

As alterações vão ser enviadas para o Conselho Legislativo, através do chamado “processo de aprovação prévia”, que dá ao parlamento apenas 28 dias para discutir, alterar ou rejeitar as propostas.

As comissões parlamentares da Segurança e dos Assuntos Legais e Judiciários já realizaram uma reunião conjunta para começar a analisar as propostas. De acordo com a imprensa local, as autoridades afirmaram que pretendem concluir o processo e implementar as mudanças “o mais rapidamente possível”, sem especificar um calendário.

Outros ajustes

Em Março, o Governo de Hong Kong introduziu uma outra revisão da legislação, para punir quem se recusar a desbloquear dispositivos electrónicos em casos ligados à segurança nacional. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos.

Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial.

Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados.

As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019.

9 Jun 2026

Xangai | China ainda carece de cultura futebolística, diz Leonel Pontes

O director técnico do clube chinês Shanghai Shenhua, Leonel Pontes, considera que a China tem condições para desenvolver um futebol competitivo a nível internacional, mas aponta a falta de cultura futebolística como um dos principais obstáculos.

“A China tem um potencial gigante”, afirmou à agência Lusa o responsável português, que desde 2023 coordena a estrutura técnica de um dos clubes mais históricos do país.

Pontes salientou que a China investiu fortemente em infraestruturas e dispõe de jovens atletas com qualidade: “Os jovens chineses têm muito talento, muita qualidade técnica, muita capacidade e são muito disciplinados”, afirmou.

Contudo, sublinhou que o desenvolvimento de jogadores exige tempo e experiência competitiva. “O talento tem de ser trabalhado ao longo dos anos. Isso requer tempo, requer cometer erros e voltar a corrigi-los”, explicou.

Segundo Pontes, a pandemia marcou uma interrupção no crescimento do futebol no país asiático, após um período em que os clubes investiram fortemente na contratação de treinadores e jogadores estrangeiros.

“A China deu um salto qualitativo antes da pandemia, porque investiu nos clubes para tornar a liga mais competitiva”, disse. O futebol na China está a reerguer-se após três anos da política de ‘zero casos’ de covid-19, que ditou o encerramento das fronteiras e paralisou a atividade económica.

Durante aquele período, a competição foi disputada em estádios vazios e vários jogos foram adiados durante semanas ou meses. Devido aos bloqueios rigorosos, os jogadores permaneceram presos em hotéis e várias estrelas estrangeiras não conseguiram voltar do exterior e acabaram por ser dispensadas.

Dezenas de clubes entraram em falência, expondo a insustentabilidade dos gastos que nos anos anteriores à pandemia abalaram o mercado de transferências: entre 2016 e 2019, estrelas como Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goulart rumaram à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes.

A exuberância dos gastos resultou também num maior escrutínio por parte das autoridades, que impuseram um tecto salarial de dois milhões de euros e passaram a taxar a 100 por cento as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros.

Apesar disso, Leonel Pontes considera que o país ainda não possui uma tradição futebolística comparável à das principais potências. “O futebol na China não tem muitos anos. Os clubes ainda não têm cultura do que é o futebol de alto nível”, afirmou.

Limites ao crescimento

Pontes identificou também factores sociais que dificultam o recrutamento de jovens praticantes. “Os pais não querem que os seus filhos joguem futebol. Preferem que estudem”, observou.

Para o treinador português, essa realidade reduz a base de recrutamento e limita o crescimento competitivo. Como exemplo, apontou Xangai, uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, mas que conta actualmente com apenas quatro clubes nas três principais divisões profissionais.

“Para uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, provavelmente poderíamos ter muito mais clubes nas ligas profissionais”, afirmou. Apesar das dificuldades, Pontes acredita que o país reúne condições para evoluir.

“A China tem capacidade de crescimento porque tem condições, tem atletas e tem meios. Acredito que os responsáveis estão interessados em desenvolver o futebol e aumentar a sua representatividade internacional”, concluiu.

8 Jun 2026

Coreia do Sul | Presidente nomeia PM especialista em tecnologia

O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, nomeou ontem como primeira-ministra a actual titular da pasta das Pequenas e Médias Empresas, Han Seong-sook, uma especialista em tecnologia que liderou o portal da Internet Naver.

Segundo a agência de notícias EFE, que cita uma declaração do chefe de gabinete do Governo sul-coreano, Kang Hoon-sik, a escolhida por Lee é justificada com a capacidade para “realizar com sucesso a transição decisiva para a inteligência artificial e impulsionar o crescimento da Coreia do Sul”.

O anúncio da mudança no cargo, que no sistema presidencial da Coreia do Sul é principalmente cerimonial, surge num momento em que Lee assinala o seu primeiro ano à frente do executivo, num contexto de fortalecimento do Partido Democrático (PD), no poder, que arrasou nas eleições locais realizadas esta semana, mas não conseguiu conquistar a Câmara Municipal de Seul.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap descreve Han como uma especialista em tecnologias da informação, que iniciou a carreira profissional como jornalista e acabou por desempenhar um papel fundamental na consolidação da Naver como a maior plataforma de Internet do país asiático.

A candidata a primeira-ministra, de 59 anos, assumiu em 2017 o cargo de directora-executiva da Naver, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo na empresa. Se for aprovada pelo parlamento, Han tornar-se-á a segunda mulher na história do país asiático a ocupar o cargo de primeira-ministra, depois de Han Myung-sook ter governado entre 2006 e 2007.

8 Jun 2026

Visita | Xi Jinping na Coreia do Norte pela primeira vez desde 2019

O Presidente chinês, Xi Jinping, está de visita à Coreia do Norte, naquela que é a primeira deslocação ao país vizinho em quase sete anos, anunciaram sexta-feira os dois países.

Xi está na Coreia do Norte entre hoje e amanhã, segundo breves comunicados divulgados na sexta-feira pelos órgãos de comunicação estatais dos dois países. A última visita do líder chinês a Pyongyang ocorreu em Junho de 2019. O anúncio surge um dia depois de a Coreia do Norte ter revelado uma nova instalação destinada à produção de materiais para bombas nucleares.

Especialistas consideram que a divulgação da unidade sugere que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pretende reforçar o estatuto do país como potência nuclear, antes da visita de Xi. A deslocação ocorre poucas semanas depois de Xi ter recebido, separadamente, em Pequim, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Rússia, Vladimir Putin.

Nos últimos anos, Kim deu prioridade ao aprofundamento das relações com a Rússia, enviando tropas e armamento convencional para apoiar a invasão lançada por Moscovo na Ucrânia. No entanto, o líder norte-coreano também tem procurado reforçar os laços com a China, principal parceiro comercial e maior fornecedor de ajuda económica da Coreia do Norte.

Xi e Kim encontraram-se em Pequim, em Setembro, e comprometeram-se a reforçar a cooperação bilateral e o apoio mútuo. Kim deslocou-se então à capital chinesa para assistir a um desfile militar, ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo Putin.

As Forças Armadas da Coreia do Sul avaliaram a nova instalação nuclear como uma unidade de enriquecimento de urânio. Durante uma visita ao local, Kim anunciou planos para reforçar as capacidades nucleares do país “a um ritmo exponencial”.

8 Jun 2026

Ensino superior | Quase 13 milhões de chineses começam hoje o exame de acesso

Cerca de 12,9 milhões de jovens estudantes chineses, segundo o Ministério da Educação, começaram ontem a fazer o ‘gaokao’, o temido exame nacional de admissão à universidade. Este exame altamente selectivo, que ocupa um lugar central na sociedade chinesa, determina o acesso às melhores universidades e, por extensão, as futuras oportunidades de carreira.

O ‘gaokao’ tem a duração de vários dias e inclui testes de mandarim, matemática, inglês, ciências e humanidades. Os resultados serão anunciados no final de Junho.

À porta de um centro de exames em Pequim, dezenas de polícias e seguranças mantinham a ordem enquanto os pais, de telemóveis na mão, esperavam filmar os filhos a entrar na sala de provas. Alguns estavam vestidos de vermelho, uma cor da sorte na cultura chinesa.

“Estou um pouco ansioso”, admite Zhang Xinnan, de 18 anos, com o seu uniforme escolar, momentos antes do início dos exames. “Mas domino as coisas que precisava de saber”, acrescenta.

O ensino superior desenvolveu-se rapidamente na China nas últimas décadas, à medida que o desenvolvimento económico levou a uma melhoria dos padrões de vida, mas também a maiores expectativas dos pais em relação aos estudos e carreiras dos seus filhos.

No entanto, o mercado de trabalho para jovens licenciados já não é tão promissor como antes, sendo a elevada taxa de desemprego jovem uma grande preocupação. De acordo com os dados oficiais, cerca de um em cada seis chineses entre os 16 e os 24 anos, excluindo os estudantes, está desempregado.

As atitudes em relação aos exames estão a mudar, com os estudantes e os pais cada vez menos dispostos a sacrificar a saúde física e mental para obter bons resultados. “Sou bastante liberal”, diz Deng Ju, de 53 anos, segurando uma pilha de cadernos para a filha, que está a rever até ao último minuto com uma amiga. “Estou mais preocupada com a saúde física; o exame é apenas uma formalidade”, acrescenta.

8 Jun 2026

JALP | Advogada chinesa lidera associação internacional de língua portuguesa

A nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) defendeu à Lusa que, perante “desafios geopolíticos complexos”, os profissionais jurídicos têm a responsabilidade de “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”.

A associação elegeu como presidente, até 2028, Un I Wong, uma advogada chinesa de Macau formada na Universidade Católica Portuguesa e que exerce há nove anos em Portugal. Un recordou ter iniciado o percurso na sociedade Morais Leitão, em Portugal, onde foi, “durante algum tempo, a única advogada de origem chinesa da equipa”.

“Mais tarde, passei a integrar [a MdME], uma sociedade com presença em Macau, Hong Kong e Lisboa, tendo ainda realizado uma experiência em Pequim. Estas vivências permitiram-me observar diferentes formas de trabalhar e de encarar a profissão jurídica em contextos distintos”, explicou.

Na China continental, destacou, “existe uma forte cultura profissional orientada para a rapidez de execução, capacidade de resposta e proactividade”.

“Costumo dizer, em tom de brincadeira, que na advocacia chinesa parece vigorar o modelo ‘007’, isto é, disponibilidade de meia-noite a meia-noite, sete dias por semana”, acrescentou. Em Portugal, apontou, há “uma maior valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, bem como do debate jurídico e da construção argumentativa”.

Macau, por sua vez, “ocupa uma posição particularmente interessante”, conjugando a matriz jurídica portuguesa com um ambiente de trabalho “mais próximo do modelo português”, mas que beneficia “da proximidade ao dinamismo económico da Ásia”, explicou Un.

“No fundo, esta experiência internacional reforçou a minha convicção de que não existe um único modelo de sucesso. Os melhores profissionais são aqueles que conseguem integrar diferentes formas de pensar e trabalhar e navegar entre culturas, sistemas jurídicos e realidades profissionais distintas”, concluiu.

Construir pontes

A advogada apontou que ter estudado e trabalhado entre a Europa e a Ásia reforçou a convicção de que a “advocacia do futuro não deve limitar-se às fronteiras nacionais”.

“Hoje, os advogados desempenham também um papel relevante na construção de pontes entre culturas, economias e sistemas jurídicos”, afirmou. Un sublinhou que os jovens advogados lusófonos possuem “uma vantagem única” de integrar uma comunidade que se estende por vários continentes, e “marcada por diversidade económica e cultural”.

“Num contexto global cada vez mais interligado, mas também marcado por desafios geopolíticos complexos, acredito que os jovens advogados lusófonos podem afirmar-se como profissionais globais”, acrescentou.

Fundada em 2020, a JALP é uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar, integrar e representar jovens advogados dos países de língua oficial portuguesa. Reúne actualmente mais de 300 associados.

Os novos órgãos sociais, para o triénio 2026-2028, integram representantes de Angola, Brasil, Macau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. A direcção vai ser presidida por Un, tendo como vice-presidentes Pedro Leão Trigo e Lukeno Ribeiro Alkatiri.

Un destacou como prioridade “reforçar a JALP como plataforma activa de ligação entre jovens advogados lusófonos” e aprofundar a “ligação entre diferentes jurisdições”, “promovendo a partilha de conhecimento, experiências e boas práticas”.

Outra meta, será preparar os jovens advogados para a “transformação acelerada da profissão”, com a “tecnologia, a inteligência artificial e novas exigências dos clientes a redefinir a prática da advocacia”. Apesar das dificuldades, Un descreveu que “nunca existiram tantas possibilidades de colaboração internacional”, ou de acesso ao conhecimento e utilização de tecnologia para potenciar o trabalho dos advogados.

A responsável anunciou ainda planos para parcerias da associação com universidades, ordens de advogados e organizações internacionais, e dialogar com entidades ligadas ao ecossistema de tecnologia legal.

“Assumimos o compromisso de reforçar a proximidade entre os jovens advogados lusófonos, promover a inovação na profissão jurídica e contribuir para a construção de uma comunidade jurídica mais internacional, colaborativa e preparada para o futuro”, concluiu a nova presidente da JALP.

8 Jun 2026

Diplomacia | Pequim proíbe entrada de quatro deputados neozelandeses

A China proibiu a entrada no país de quatro deputados neozelandeses que visitaram Taiwan em Maio, uma decisão que Wellington classificou como surpreendente. Os quatro parlamentares, pertencentes a diferentes partidos políticos da Nova Zelândia, deslocaram-se a Taiwan no início de Maio, segundo a rádio pública neozelandesa RNZ.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, disse ter ficado “surpreendido” com a decisão anunciada pela embaixada chinesa em Wellington e pediu aos diplomatas neozelandeses que abordassem o assunto junto das autoridades chinesas.

O gabinete de Peters sublinhou que a visita é compatível com a política de “Uma Só China” seguida por Wellington, segundo a qual a Nova Zelândia reconhece a posição de Pequim sobre Taiwan.

“Os membros do parlamento neozelandês são livres de tomar as suas próprias decisões sobre convites para deslocações ao estrangeiro, independentemente do Governo”, indicou um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Um participante na visita, o deputado trabalhista Duncan Webb, revelou que os parlamentares tinham sido previamente avisados pela embaixada chinesa de que poderiam enfrentar sanções caso viajassem para Taiwan.

A embaixada chinesa em Wellington afirmou que os quatro deputados ignoraram “repetidos avisos” e que a visita teve “graves consequências políticas”, constituindo uma “ingerência” nos assuntos internos da China.

Segundo a RNZ, a missão diplomática indicou ainda que a proibição poderá ser levantada caso os parlamentares apresentem um pedido de desculpas.

5 Jun 2026

Cuba | China acusa EUA de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar embargo

A China acusou ontem os Estados Unidos de recorrerem a “rumores e difamações” para justificar o embargo a Cuba, após Washington ter associado a ilha ao terrorismo e a alegadas operações de espionagem chinesas.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem que “fabricar pretextos e difundir rumores e difamações” não pode servir para justificar o “brutal bloqueio” e as “sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba.

Em conferência de imprensa, Mao defendeu que as medidas norte-americanas prejudicam há décadas a economia e o bem-estar da população cubana e sustentou que a comunidade internacional se opõe amplamente a essa política. A diplomata reiterou o apoio de Pequim à soberania e à segurança de Cuba e apelou a Washington para que ponha fim “imediatamente” ao embargo, às sanções e às medidas de pressão contra Havana.

As declarações surgem depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado perante a Comissão de Relações Externas do Senado que Cuba apoiou “quase todos” os grupos violentos de esquerda da América Latina.

Rubio defendeu ainda que a ilha necessita de uma nova liderança e de uma transição baseada em “reformas sérias” para deixar de representar uma ameaça para os Estados Unidos.

A administração de Donald Trump reforçou a pressão sobre Cuba desde o início do ano, através de novas restrições e de medidas contra o sector petrolífero, que as autoridades cubanas consideram responsáveis pelo agravamento da crise económica na ilha.

5 Jun 2026

DeepSeek | Nova ronda de financiamento de 6,3 mil milhões de euros

A chinesa DeepSeek está a ultimar uma ronda de financiamento de até 7,4 mil milhões de dólares, numa das maiores operações de capital de risco de sempre na China, segundo a Bloomberg.

De acordo com a agência noticiosa, que cita fontes anónimas, os principais investidores na operação são a gigante tecnológica chinesa Tencent e a fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, contando ainda com o apoio de um fundo estatal chinês dedicado ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Segundo a mesma fonte, os investidores externos deverão injectar cerca de 30 mil milhões de yuan, dos quais um terço será assegurado pela Tencent.

O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, deverá contribuir com outros 20 mil milhões de yuan, elevando o montante total da operação para cerca de 50 mil milhões de yuan. A concretizar-se, a ronda atribuirá à empresa uma avaliação de aproximadamente 350 mil milhões de yuan, colocando-a entre as mais valiosas empresas privadas do sector tecnológico chinês.

A Bloomberg adianta que a Alibaba participou nas negociações preliminares, mas acabou por não avançar com um investimento. Segundo responsáveis da DeepSeek, a empresa pretende privilegiar a investigação em inteligência artificial em detrimento da rentabilização a curto prazo.

Liang Wenfeng afirmou que o objectivo da empresa é expandir as fronteiras da tecnologia e aproximar-se da chamada inteligência artificial geral (AGI), um conceito teórico que descreve sistemas capazes de igualar ou superar as capacidades cognitivas humanas.

Alta competição

A notícia surge semanas depois de a DeepSeek ter apresentado a versão preliminar e de código aberto do modelo V4, que a empresa afirma oferecer um desempenho comparável ao de modelos norte-americanos em áreas como raciocínio, conhecimento geral e agentes autónomos.

A tecnológica ganhou notoriedade internacional no início de 2025 com o lançamento do modelo R1, que demonstrou capacidades semelhantes às de rivais norte-americanos a uma fracção do custo.

O anúncio surge num contexto de forte concorrência no sector da inteligência artificial, onde empresas como Tencent, Alibaba, ByteDance, MiniMax e Baidu aceleraram o desenvolvimento de novos modelos, impulsionadas pela rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos e pelos esforços de Pequim para reforçar a auto-suficiência tecnológica.

5 Jun 2026

Imprensa | Trump pediu a Xi que ajude a desbloquear negociações entre Rússia e Ucrânia

O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu pessoalmente ao homólogo chinês, Xi Jinping, que utilize a influência de Pequim sobre Moscovo para pôr fim à guerra na Ucrânia, segundo fontes citadas pelo jornal South China Morning Post.

De acordo com pessoas familiarizadas com as conversações realizadas durante a cimeira entre os dois líderes, em Maio, em Pequim, Trump transmitiu a Xi que as negociações entre Rússia e Ucrânia se encontram bloqueadas e apelou à China para convencer o Presidente russo, Vladimir Putin, a regressar à mesa de negociações com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu o jornal de Hong Kong.

O pedido reflecte a necessidade de Washington envolver Pequim nos esforços para resolver um conflito que entrou no quinto ano e que Trump colocou no centro da sua agenda de política externa desde o regresso à Casa Branca.

A guerra foi um dos temas abordados durante a cimeira, embora o comércio e o investimento tenham dominado as conversações. Segundo as mesmas fontes, questões como Taiwan e o Irão tiveram também maior destaque do que a Ucrânia nas discussões entre os dois líderes.

Trump confirmou publicamente que o conflito foi abordado durante os encontros, mas limitou-se a afirmar que se trata de um tema que os Estados Unidos gostariam de ver resolvido.

A ficha informativa divulgada pela Casa Branca após a cimeira não fez qualquer referência à guerra, enquanto o comunicado chinês apenas indicou que Xi e Trump trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e outros assuntos internacionais. Pequim aprofundou as relações com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, tornando-se um importante apoio económico e diplomático para a Rússia.

A China nunca condenou publicamente a invasão e tem rejeitado as acusações ocidentais de que ajuda a sustentar o esforço de guerra russo através do fornecimento de bens de dupla utilização, insistindo que controla rigorosamente as exportações e que o comércio com Moscovo decorre dentro da normalidade.

Dias após a partida de Trump de Pequim, Xi recebeu Vladimir Putin na capital chinesa. Na ocasião, os dois países assinaram uma declaração conjunta na qual a Rússia manifestou apoio ao desejo da China de desempenhar um “papel construtivo” na resolução da crise ucraniana por vias políticas e diplomáticas.

Trunfos no terreno

As fontes indicaram ainda que as exportações chinesas de terras raras também estiveram em destaque durante a cimeira. Washington continua insatisfeito com os controlos impostos por Pequim à exportação destes minerais estratégicos, fundamentais para a produção de semicondutores e sistemas de defesa.

Segundo as mesmas fontes, são esperadas novas negociações entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

A China impôs no ano passado amplas restrições à exportação de terras raras, suspendendo posteriormente parte dessas medidas no âmbito da trégua comercial alcançada por Trump e Xi durante a reunião realizada em Outubro, em Busan, na Coreia do Sul.

De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca em Maio, Pequim comprometeu-se a responder às preocupações dos Estados Unidos relacionadas com falhas nas cadeias de abastecimento de terras raras e outros minerais críticos.

4 Jun 2026

China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa

A China reconheceu terça-feira todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após mais de 20 anos de negociação entre os dois países, informou o Governo brasileiro. O reconhecimento sanitário amplia as possibilidades de exportação de produtos bovinos e suínos brasileiros para o mercado chinês, incluindo miúdos e carnes com osso, segundo comunicado da diplomacia do Brasil.

A decisão ocorre um ano após a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, “consolidando décadas de trabalho dos serviços veterinários oficiais, dos produtores rurais e dos governos estaduais em prol do fortalecimento da sanidade animal”, informou o Ministério de Agricultura e Pecuária do Brasil em comunicado. A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, inclusive na exportação de proteína animal.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e, desse total, cerca de 1,7 milhões de toneladas foram para a China. Esse volume representou 8,8 mil milhões de dólares em receitas.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, informou, em nota, que, este ano, a China também reconheceu o estatuto do Brasil livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira.

“E, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do ‘status’ de livre de febre aftosa sem vacinação”, destacou. “Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado”, afirmou.

O Governo brasileiro lembrou que, durante a missão presidencial de Lula da Silva à China, em Maio de 2025, os dois países assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias. “O instrumento fortalece a cooperação bilateral e amplia o diálogo entre os dois países em temas relacionados à sanidade animal e vegetal”, lê-se no comunicado.

4 Jun 2026

Brasil | Lula critica taxação dos EUA e vira-se para a China

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou terça-feira a decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25 por cento e disse que o país procurará novos mercados caso sofra restrições de Washington.

“Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro”, declarou Lula, afirmando que tem “muita sorte”, porque a China reconheceu que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa.

“Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje (terça-feira) para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês”, declarou (ver texto secundário).

Lula mostrou-se surpreendido com a decisão anunciada terça-feira por Washington, lembrando que, quando se reuniu com o Presidente norte-americano, Donald Trump, há três semanas, na Casa Branca, os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do “tarifaço”, e que três reuniões já ocorreram entre os dois países sem haver uma definição.

Os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25 por cento sobre todas as mercadorias de origem brasileira, depois de concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.

Entre as práticas que supostamente “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, protecção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol.

A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas “práticas desleais” do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de Julho.

4 Jun 2026

Ébola | Índia envia 43 toneladas de apoio a África

A Índia enviou 43 toneladas de ajuda à União Africana (UA) para ajudar a conter a epidemia de Ébola que se regista em África desde meados de maio, anunciou ontem o Governo indiano.

A pedido da UA, a Índia enviou um pacote de ajuda que inclui “equipamentos de protecção, dispositivos de diagnóstico e monitorização, ‘kits’ de transporte de amostras, material para a prevenção de infecções, medicamentos e suplementos”, indicou o Governo indiano num comunicado.

Os suprimentos eram ontem esperados no Uganda onde serão recebidos pelos Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a agência sanitária da UA. Trata-se do segundo e maior envio de ajuda para controlar a epidemia, depois de a Índia ter enviado um primeiro pacote de 2,5 toneladas de suprimentos médicos urgentes no final de Maio.

“As nossas missões em Adis Abeba, [Etiópia], e Kampala, [Uganda], mantêm uma estreita colaboração com a Comissão da União Africana e o Africa CDC para apoiar os seus esforços de resposta ao Ébola”, declarou.

Índia sem casos

Segundo uma mensagem publicada ontem na rede social X (antigo Twitter) pelo Ministério da Saúde da Índia, o país asiático não registou nenhum caso de Ébola, após as autoridades terem comunicado a quarentena de quatro pessoas no oeste do país devido a um caso suspeito.

O Governo indiano pediu aos cidadãos que evitem viagens à República Democrática do Congo (RDCongo), Uganda e Sudão do Sul, e reforçou as medidas de detecção nos aeroportos internacionais e outros pontos de entrada.

Na semana passada, a Índia adiou a realização das cimeiras do Fórum Índia-África e da ‘International Big Cat Alliance'(IBCA), que se iriam realizar em Junho na capital Nova Deli, devido à situação sanitária emergente em algumas partes de África.

Propagação a dobrar

A actual epidemia da doença do vírus Ébola, uma febre hemorrágica extremamente contagiosa, foi declarada em 15 de Maio no nordeste da RDCongo. O Uganda, país vizinho da RDCongo e do Quénia, que confirmou 11 infecções, incluindo uma fatal, é o único outro país para onde o vírus se propagou até ao momento.

A RDCongo – que faz fronteira com Angola – e o Uganda relataram 263 casos e 43 mortes confirmadas por Ébola, duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, anunciou na segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com um balanço do Africa CDC, a agência sanitária da União Africana (UA), mais de mil casos suspeitos e cerca de 250 mortes foram registados nos dois países.

O vírus do Ébola, detectado pela primeira vez em 1976, junto ao rio com o mesmo nome, na RDCongo, é transmitido através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo, segundo a OMS.

3 Jun 2026

Díli | Parlamento timorense aprova Orçamento rectificativo

O parlamento timorense aprovou ontem a proposta de Orçamento Rectificativo do Estado para 2026 na votação final global, com 42 votos a favor e 23 abstenções da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente e do Partido Libertação Popular.

A proposta de Orçamento Rectificativo do Estado para 2026 apresentada pelo Governo de Timor-Leste inclui sete medidas prioritárias, entre as quais a segurança energética e a segurança alimentar, prevendo uma despesa total de 271 milhões de dólares norte-americanos.

A proposta prevê um aumento do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 101,1 milhões de dólares, passando de 2.291 milhões de dólares para 2.392,1 milhões de dólares.

“Votámos pela abstenção porque as medidas apresentadas pelo Governo no Orçamento Rectificativo não irão salvar Timor-Leste do impacto da crise mundial; servem apenas para aliviar a situação”, afirmou o presidente da bancada da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Aniceto Guterres.

A bancada da Fretilin esclareceu também que optou pela abstenção devido à falta de transparência na execução antecipada destas medidas, especialmente nas negociações e na celebração de contratos para a aquisição de reservas de combustível.

A deputada do Partido de Libertação Popular (PLP) Ermenegilda Laurentina explicou que o partido se absteve por considerar que o orçamento apenas facilita e beneficia as empresas oligárquicas próximas do Governo, enquanto a população continua marginalizada, sobretudo na capital, Díli.

3 Jun 2026

Tufão deixa nove feridos e 47 mil casas sem energia no Japão

O tufão Jangmi no sul do Japão fez nove feridos, deixou 47 mil casas sem energia e obrigou ao cancelamento de centenas de voos, anunciaram ontem as autoridades do país.

A Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês) alertou para ondas altas, deslizamentos de terra e inundações, à medida que a tempestade tropical se deslocava para norte após atingir a ilha subtropical de Okinawa na segunda-feira.

Mais de 30 mil casas na região sudoeste de Kagoshima e 17 mil em Okinawa estavam sem energia na manhã de ontem, de acordo com as empresas de serviços públicos locais.

Jangmi, o sexto tufão da temporada, fez ainda nove feridos em Okinawa, segundo o porta-voz do Governo, Minoru Kihara. A emissora pública japonesa NHK informou que os ferimentos foram causados por quedas devido ao vento e por objectos arremessados contra carros.

Estado de alerta

Kihara alertou que os transportes públicos em Tóquio e nas cidades vizinhas podem ser interrompidos hoje com a aproximação da tempestade.

“Para aqueles que vivem em áreas que provavelmente serão afectadas pela tempestade, por favor, prestem muita atenção aos avisos de evacuação emitidos pelos vossos municípios e considerem evacuar com antecedência”, disse Kihara, numa conferência de imprensa.

“Por favor, mantenham-se vigilantes e tomem medidas para proteger as vossas vidas”, acrescentou.
As duas maiores companhias aéreas do Japão, a All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines, cancelaram um total combinado de 600 voos programados de segunda a quarta-feira. Foram também canceladas mais de 60 rotas de ferry, prevendo-se a suspensão do serviço em cerca de 20 linhas de comboio.

Foi emitida uma ordem de evacuação para toda a cidade de Miyazaki, capital da província com o mesmo nome, que alberga mais de 400 mil habitantes, segundo a NHK.

3 Jun 2026