AMCM | Mais empréstimos aprovados em Outubro

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelou que o número de empréstimos atribuídos para fins de habitação e actividades imobiliárias aumentaram entre Setembro e Outubro deste ano. Porém, houve uma diminuição do seu saldo bruto.

No caso dos empréstimos para a habitação, o crescimento mensal foi de 4 por cento, tendo registado o montante total de 1,18 mil milhões de patacas.

Neste segmento, os empréstimos a residentes representaram, em Outubro, 97,4 por cento, crescendo 6,2 por cento, no valor global de 1,15 mil milhões de patacas. Porém, na clientela não-residente registou uma quebra de 41,7 por cento, para 30,51 mil milhões de patacas. Na componente imobiliária, destaca-se o grande aumento mensal de 310,1 por cento, com o montante de 845,71 milhões em Outubro, número que se explica pela “baixa base do mês anterior [Setembro]”.

AMCM | Reservas cambiais subiram 1,1% em Novembro

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelou que as reservas cambiais da RAEM atingiram em Novembro 240,8 mil milhões de patacas, o que representa um aumento de 1,1 por cento relativamente aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram 238,0 mil milhões de patacas.

Estas são estimativas preliminares da AMCM. Além disso, a taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 101,9 no mês de referência, representando um crescimento de 0,47 pontos em comparação com os dados do mês anterior [Outubro] e um decrescimento de 3,66 pontos relativos aos números reportados em Novembro do ano passado.

Segundo a AMCM, tal implica que, em termos globais, “a pataca de Macau subiu mensalmente face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau, mas caiu anualmente”.

AMCM | Compras online sem autorizações com códigos por SMS

A Autoridade Monetária de Macau anunciou ontem o fim dos códigos enviados por SMS para autorizar transacções online e pediu aos bancos que criem autorizações nas aplicações de telemóvel. Para aceder aos novos métodos basta actualizar as aplicações

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) alterou as regras de segurança para as transacções online, seja transferência de dinheiro ou compras digitais. Até agora o cliente recebia, por SMS, um código para autorizar essa transferência de fundos da conta, mas agora cabe aos bancos criar um mecanismo de autorização na própria aplicação de telemóvel.

Segundo um comunicado divulgado ontem pela AMCM, as novas funções visam aumentar “a segurança das transacções online mediante cartão bancário” e “salvaguardar os direitos dos titulares de cartões”. Assim, fica determinado que os bancos devem “introduzir uma funcionalidade de autorização de transacções online nas suas aplicações de ‘banco móvel’ a partir do final deste mês”, que vai substituir “os códigos de verificação SMS únicos para autorizar tais transacções”.

Ainda assim, os clientes que não tenham activado o serviço de “banco móvel” podem continuar a receber códigos por SMS para autorizar compras online.

Para a AMCM, as novas regras vão dar aos clientes dos bancos “informações mais claras sobre as transacções”, além de proporcionar “um canal mais seguro para autorizar transações online mediante cartão bancário, ajudando a impedir que fraudadores realizem transacções não autorizadas por meio do roubo de códigos de verificação por SMS”. Reduz-se, assim, “o risco de perdas financeiras para os titulares de cartões”, num território onde as burlas informáticas são um crime comum.

Sem links ou códigos

Face às novas regras de segurança, é explicado que os titulares dos cartões apenas necessitam actualizar as aplicações dos bancos para terem acesso às novas funcionalidades, sem terem de fazer novos registos.

“No futuro, quando os titulares dos cartões introduzirem os dados dos seus cartões bancários no site de um comerciante, a página irá solicitar que abram e acedam à sua aplicação do ‘banco móvel’ para concluir a verificação de identidade necessária”, apresentando-se depois “as informações da transacção, incluindo os últimos quatro dígitos do cartão de crédito, o nome do comerciante, a moeda da transação e o montante”.

A AMCM revela preocupação a travar casos de burla, tendo referido na mesma nota que desde Junho do ano passado que instruiu a banca a fornecer “canais convenientes, como linhas directas e serviços bancários online ou móveis” a clientes, permitindo que “activem ou desactivem funções de transacções online, ajustem limites de crédito e congelem ou comuniquem imediatamente o extravio dos seus cartões bancários”.

Fica ainda determinado que os bancos não enviam aos clientes “qualquer tipo de ‘hyperlinks ou códigos QR para estes clicarem ou digitalizarem em SMS, ou emails enviados a clientes, a partir de Dezembro” deste ano. Além disso, no combate aos crimes de burla, é descrito que “as instituições financeiras também são obrigadas a reforçar as suas campanhas de sensibilização”.

Trânsito | Deputado quer sinais adaptados a carros com volante à esquerda

Chan Lai Kei interpelou o Governo sobre a necessidade de reorganizar o planeamento do trânsito porque os veículos do Interior têm o volante do lado esquerdo. O deputado justificou a necessidade de mudança com a integração na Grande Baía e o reconhecimento das cartas de condução

A futuro do trânsito passa pela esquerda. É esta a ideia deixada por Chan Lai Kei numa interpelação escrita enviada ao Governo, onde descreve que esta será uma tendência tendo em conta a integração de Macau no projecto da Grande Baía, sem esquecer o reconhecimento mútuo das cartas de condução com o Interior da China.

Por esta razão, o deputado ligado à comunidade de Fujian espera que os veículos com o volante do lado esquerdo sejam tidos em conta no futuro planeamento do trânsito e na instalação de infra-estruturas urbanas, como por exemplo a colocação de sinais de trânsito e de espelhos rodoviários nas ruas.

Na interpelação escrita o deputado cita dados oficiais relativos aos últimos anos, que demonstram que o número de veículos com volante do lado esquerdo tem aumentado. Até Dezembro deste ano houve 5.731 inscrições de automóveis ligeiros e de 435 automóveis pesados com as características mencionadas. No entanto, o deputado argumenta que as ruas de Macau são estreitas e que, ao longo dos anos, as infra-estruturas têm-se focado na condução à direita. “Com o ambiente de condução do lado direito os condutores que conduzem do lado esquerdo podem cometer mais erros de avaliação”, disse.

A direita é um risco

Para o deputado, as infra-estruturas que só favorecem quen conduz com o volante do lado direito não só arriscam os condutores, mas também os peões, afectando todo o sistema de segurança rodoviária.

“Se o Governo fizer uma avaliação, para 2026, dos riscos de segurança no que diz respeito aos ângulos da condução à esquerda, tendo em conta as vias nos bairros antigos, será que pode aumentar a sensibilização dos condutores para os potenciais riscos, a fim de ser assegurada a segurança dos peões”, questionou.

Chan Lai Kei defendeu ainda que, a fim de garantir que todos os condutores sujeitos à política do mútuo reconhecimento das cartas de condução se adaptam ao ambiente e regras de trânsito de Macau, as autoridades devem obrigá-los a realizar testes e frequentar sessões educativas sobre o panorama do trânsito e regras de segurança rodoviária do território.

Tendo em conta que o planeamento dos novos aterros e demais construções ainda estão em curso, o deputado espera que o Governo inclua concepções de segurança que tenham também em consideração os veículos com volante do lado esquerdo.

Governo cria centro para gerir revitalização de seis zonas antigas

Foi ontem inaugurado o Centro de Desenvolvimento Local, uma plataforma de planificação e gestão de projectos relacionados com a revitalização das seis zonas históricas, e que vai ser gerido pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong). Recorde-se que estes projectos de renovação urbana, cultural e turística serão desenvolvidos em parceria com as operadoras de jogo.

Segundo um comunicado oficial ontem divulgado, o Executivo pretende, através do centro, a “supervisão e coordenação governamental do investimento de recursos por parte das empresas de lazer”, bem como promover “o planeamento e organização pela sociedade civil”. As operações do centro ficam sob alçada dos Kaifong.

O Centro de Desenvolvimento Local terá um comité de orientação, composto por 14 representantes do Governo, associações e de círculos empresariais e industriais, “sendo responsável pela apreciação e orientação dos projectos de desenvolvimento local”. Por sua vez, haverá um grupo de consultores, com 18 representantes das empresas de lazer, sectores empresarial e industrial, turístico, cultural e de comunicação, planeamento urbano e académico. No caso deste grupo, a responsabilidade será fornecer “sugestões profissionais e apoio técnico para o desenvolvimento local”.

Cabe ao centro a realização de tarefas como a investigação sobre actividades comunitárias, “a concepção e execução de projectos, a promoção da cooperação multissectorial, o incentivo à participação da sociedade civil”, tudo a pensar na revitalização das seis áreas e numa maior conexão com os moradores.

Passo a passo

Numa primeira fase de funcionamento do centro, será criado “um estudo de planeamento do desenvolvimento local” a fim de lançar um “plano de cooperação, actividades emblemáticas” e a execução de uma “estratégia de promoção”. Serão depois “optimizadas as instalações das [seis] áreas, reforçada a sua articulação e criadas zonas comerciais características, visando um desenvolvimento sustentável”.

Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), explicou que o centro constitui “uma importante iniciativa do Governo para promover a economia comunitária”, numa “conjugação de esforços entre o Governo, empresas de lazer e sociedade civil”.

Caberá ao Governo aprovar projectos, coordenar recursos e fiscalizar resultados, explicou, sendo que as “empresas de lazer investem os recursos conforme comprometido e executam, conforme necessário, alguns projectos de revitalização”. A sociedade civil, através do novo centro, “agrega forças dos vários sectores, planeia e organiza diversas actividades, impulsionando em conjunto o desenvolvimento local”, disse ainda.

Residência para Idosos | Mais apartamentos com descontos

As pessoas que arrendarem Residências para Idosos no próximo ano vão poder beneficiar de um desconto de 20 por cento, no valor da renda. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto de Acção Social (IAS), através de um comunicado.

“Após ponderação global das opiniões da sociedade e das necessidades concretas das pessoas idosas, o Governo da RAEM anuncia que os idosos qualificados que apresentem candidaturas à Residência do Governo para Idosos até 31 de Dezembro de 2026 poderão beneficiar do desconto de 20 por cento na taxa de utilização”, foi anunciado.

A medida representa um prolongamento da política de descontos, que foi inicialmente lançada no final de 2024. Nessa altura, com os descontos de 20 por cento fizeram com que os preços passassem a ser de 4.328 patacas até 5.344 patacas por mês, dependendo da localização dos apartamentos.

Nesta lógica, quem assinar o contrato no próximo ano vai poder gozar dos descontos indicados durante um prazo máximo de seis anos. Também ontem o IAS anunciou que no próximo ano ficam disponíveis mais 297 apartamentos, que visam “incentivar mais idosos com necessidades a apresentar candidaturas à utilização” deste tipo de habitação pública. Os novos apartamentos ficam localizados nas Zonas C e D do projecto, onde estão situadas as casas mais baratas.

Ambiente | Prolongado programa de abate de veículos a gasóleo

Com o objectivo de reduzir as emissões de carbono e contribuir para a melhoria da qualidade do ar e saúde dos residentes, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental anunciou que o programa vai ser prolongado até 2027

O Governo anunciou ontem que vai prolongar até 2027 o Plano de Apoio Financeiro ao Abate de Veículos Antigos Movidos a Gasóleo e promete que a iniciativa vai abranger mais proprietários. O anúncio foi feito ontem, através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA).

O prolongamento do programa foi justificado com a “concretização da ‘Dupla Meta de Carbono’ nacional”, a “implementação das linhas de acção governativa no que respeita ao abate de veículos altamente poluidores”, a “melhoria da qualidade do ar” e a protecção da “saúde dos residentes”.

O programa visa os veículos a gasóleo matriculados e registados até 31 de Dezembro de 2019, mas exclui os proprietários que cancelaram a matrícula até ontem. Além disso, na altura de ponderar o montante dos apoios para os veículos é tido em conta o estado das viaturas. Por isso, mesmo que o número de lugares dos veículos aumente a partir de hoje, o que segundo os critérios iria implica um maior apoio, esse aumento não vai ser contabilizado para a distribuição do apoio.

O prazo de candidatura decorre entre 5 de Janeiro do próximo ano e 4 de Janeiro de 2027 e o montante do apoio financeiro varia entre 25 mil e 155 mil patacas. No segundo ano, as candidaturas começam a 5 de Janeiro de 2027 e vão até 4 de Janeiro de 2028. O montante do apoio financeiro varia entre 15 mil e 93 mil patacas.
As candidaturas são apresentadas ao Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética.

Até 155 mil patacas

Em relação ao veículos de passageiros, os apoios variam consoante o número de lugares. No primeiro ano, o montante vai variar entre 30 mil patacas e 85 mil patacas, descendo para um valor entre 18 mil patacas e 51 mil patacas, no segundo ano.

Os veículos com nove ou menos lugares recebem até 30 mil patacas no primeiro ano, e 18 mil pataca no segundo. Na classe com 10 a 16 lugares o apoio é de 70 mil patacas, e baixa para 42 mil patacas. Na classe com 17 a 30 lugares, o apoio começa nas 75 mil patacas e depois desce para 45 mil. Finalmente, os veículos com 31 ou mais lugares estão habilitados a um apoio financeiro de 85 mil patacas, que desce para 51 mil patacas no segundo ano.

Em termos dos veículos pesados, os apoios são concedidos de acordo com o peso bruto, têm uma redução do valor do primeiro para o segundo ano e estão divididos em oito classes: peso inferior ou igual a 1,9 toneladas (25 mil patacas e 15 mil patacas); superior a 1,9 toneladas até 5,5 toneladas (40 mil patacas e 24 mil patacas); superior a 5,5 toneladas até 10 toneladas (55 mil patacas e 33 mil patacas); superior a 10 toneladas até 13 toneladas (65 mil patacas e 39 mil patacas); superior a 13 toneladas até 16 toneladas (80 mil patacas e 48 mil patacas); superior a 16 toneladas até 24 toneladas (100 mil patacas e 60 mil patacas) superior a 24 toneladas até 30 toneladas (115 mil patacas e 69 mil patacas); superior a 30 toneladas (155 mil patacas e 93 mil patacas.

Campbell’s Soup

Robert Garza, um antigo analista de ciber-segurança da Campbell’s Soup, uma conhecida marca de alimentos vendida em Macau e em Hong Kong, levantou um processo judicial no tribunal do Michigan, EUA, alegando possuir a gravação de uma reunião com Martin Bally, vice-presidente de tecnologia de informação da empresa, realizada em Novembro de 2024, para discutir uma indeminização.

Na gravação ouve-se Bally dizer que a comida da Campbell’s Soup é “vendida aos pobres” e é “altamente processada”, afirmando ainda que o frango da sopa é “imprimido em 3D” e que “ele nunca a compraria.” Robert Garza está a usar a gravação como prova neste processo, acusando a empresa de o ter despedido injustamente porque considerou os seus comentários desafiadores. O caso está actualmente em julgamento.

Depois de verificar a gravação, a Campbell’s Soup Company determinou que estas observações eram”vulgares, ofensivas e falsas,” despediu Bally no passado mês de Novembro e desculpou-se publicamente. A Campbell’s Soup é vendida em todo o mundo e este incidente, que ocorreu na sede da empresa nos EUA, tem implicações significativas.

Podemos comentar em profundidade estas notícias a partir de múltiplas perspectivas, desde as laborais às empresariais, passando pela indústria alimentar e pelo público. Em primeiro lugar, do ponto de vista das relações laborais, um funcionário superior diz a um funcionário intermédio que o produto que vendem é “comida de pobres” o que afecta a imagem da empresa. A queixa do funcionário de nível intermédio, que resultou em despedimento, demonstra que o mecanismo de reclamações da empresa é ineficaz.

Os funcionários que se queixam põem em risco o seu trabalho. Esta forma de gestão reduz a lealdade dos trabalhadores, anula o potencial de desenvolvimento a longo prazo da empresa e não oferece nada de positivo. Em última análise, obriga os funcionários a demitir-se ou a denunciarem a situação às entidades governamentais ou à imprensa, fazendo escalar o conflito entre a empresa e os trabalhadores. O bom funcionamento das empresas depende de funcionários competentes e leais, ele são o seu activo intangível mais importante, seja qual for a área de negócio.

Neste caso, embora Bally tenha sido despedido, a empresa precisa de repensar o seu mecanismo de reclamações. Por exemplo, podiam ser dirigidas directamente ao Conselho de Administração, o que restauraria a confiança dos trabalhadores e ajudaria a uma gestão mais eficaz. Os consumidores não se interessam pelo despedimento de um funcionário, mas estão interessados em discutir se a empresa usa “frango impresso em 3D” na sua comida.

A Campbell’s Soup esclareceu que o seu frango vem de fornecedores tradicionais e não é carne “cultivada em laboratório”. “O rótulo “bio-engenharia” refere-se à utilização de tecnologias geneticamente modificadas em alguns ingredientes de origem vegetal, como milho e a soja. Esta é uma prática comum na indústria alimentar dos EUA e é completamente diferente da “carne cultivada por células”. Para garantir a reputação comercial e o valor do produto da Campbell Soup, estes esclarecimentos devem ser acompanhados por novas estratégias de vendas e de gestão de crises. Isto passa por reforçar a longo prazo a responsabilidade social da empresa, aumentando a transparência do processo de produção e pela aceitação de inspecções externas aos ingredientes para verificar a presença de componentes geneticamente modificados. Tudo isto testa a capacidade de tomada de decisões e a capacidade de gestão de risco da administração da Campbell Soup.

Por outro lado, “frango impresso em 3D” voltou a despertar as preocupações de longa data do público acerca da moderna indústria alimentar. Os consumidores preocupam-se se a comida produzida em série é excessivamente processada, se a origem dos produtos é clara e também com os efeitos que podem ter na saúde. Este incidente levou novamente os consumidores a discutir estas questões.

O impacto será tanto maior quanto maiores forem as preocupações dos consumidores. Talvez a empresa possa considerar a contratação de uma entidade externa que conduza um inquérito para avaliar o grau de preocupação dos consumidores e depois desenvolver estratégias para o reduzir.

Para a sociedade americana, a Campbell’s Soup, que fornece comida conveniente e acessível, tem desde há muito tempo a imagem de uma marca “familiar” e “reconfortante”. A afirmação “comida de pobres” insulta os consumidores. As pessoas com rendimentos baixos têm recursos financeiros limitados e dependem de alimentos processados, o que levanta a questão da relação entre alimentos produzidos em série e baixos níveis de rendimento. Isto revela que as escolhas alimentares dos americanos estão intimamente relacionadas com as suas finanças.

Este fenómeno expõe a impotência dos americanos de baixos rendimentos na escolha dos alimentos e traça um quadro confrangedor de um país desenvolvido.

O que está no cerne desta questão é o facto de um gestor de topo da Campbell ter minimizado a confiança do público no produto da empresa, causando uma ruptura entre as declarações internas e a confiança dos consumidores. Representa uma situação em que o “mito da marca foi construído na cozinha mas colapsou na sala de reuniões”, uma questão de ética empresarial e não de qualidade do produto.

A forma como este escândalo irá afectar as vendas e a marca dependerá de a Campbell conseguir manter com sucesso a sua imagem de produto familiar e reconfortante, da memória dos consumidores, mas também do seu cepticismo em relação aos alimentos produzidos em série, das acções dos concorrentes, etc.

Além de resolver a crise no mercado interno, a dimensão da confiança dos mercados estrangeiros, enquanto importantes destinos comerciais para a Campbell’s Soup, não pode ser ignorada. Na era da internet, os eventos ocorridos num local atravessam o mundo num instante. Se a Campbell’s Soup não considerar as reacções dos consumidores estrangeiros, estará a fazer uma gestão de crise inadequada.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Xanana Gusmão afirma que violência na praia de Bondi não representa Austrália

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, manifestou ontem solidariedade com os australianos e afirmou que o ataque armado na praia de Bondi, em Sydney, que provocou 16 mortos, não representa a Austrália. “Timor-Leste está firmemente ao lado do Governo e do povo da Austrália. Este chocante acto de violência não representa a Austrália que conhecemos e respeitamos. Contraria os valores de abertura, tolerância e respeito que a Austrália representa para a nossa região”, pode ler-se num comunicado de Xanana Gusmão.

Na nota, o primeiro-ministro timorense recorda que a Austrália é um “amigo próximo e parceiro de Timor-Leste” e que muitos timorenses têm “laços pessoais, educativos e comunitários profundos com Sydney e com o estado de Nova Gales do Sul”.

“Prezo a resposta rápida das autoridades australianas, que actuaram com coragem a fim de proteger o público e salvar vidas. Sei que os australianos se irão unir perante esta tragédia e que a força dos seus valores, a sua resiliência e o seu espírito comunitário orientarão a resposta nos dias que se avizinham”, salienta Xanana Gusmão.
Dezasseis pessoas, incluindo um dos atiradores, morreram e pelo menos 40 ficaram feridas num ataque armado domingo durante uma festa judaica na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália.

O ataque foi perpetrado por pai e filho, de 50 e 24 anos. O homem de 50 anos foi morto e o de 24 anos está no hospital. Munidos com armas semiautomáticas, os dois atacantes abriram fogo sobre centenas de pessoas reunidas no domingo na praia de Bondi, em Sydney, para celebrar o Hannukah, festa judaica, no que o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou como um acto terrorista antissemita.

De mãos dadas

“Timor-Leste está ao lado da Austrália na defesa da dignidade humana e da liberdade religiosa. Perante uma tão absurda violência, reafirmo o nosso compromisso comum no sentido de comunidades seguras, abertas e respeitadoras para todos”, acrescentou Xanana Gusmão.

O massacre numa das praias mais populares da Austrália ocorreu após uma onda de ataques antissemitas que abalaram o país no último ano, embora as autoridades não tenham dado a entender que estes ataques e o tiroteio de domingo estivessem relacionados.
Foi o ataque armado mais mortífero em quase três décadas num país com leis rígidas de controlo de armas de fogo.

Tailândia | Novas eleições legislativas marcadas para o dia 8 de Fevereiro

As eleições legislativas na Tailândia vão realizar-se a 8 de Fevereiro, anunciou ontem a comissão eleitoral, três dias após a dissolução do parlamento pelo primeiro-ministro Anutin Charnvirakul

 

Depois de o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul ter dissolvido o parlamento tailandês na sexta-feira, a comissão eleitoral da Tailândia anunciou ontem que serão realizadas eleições legislativas no próximo dia 8 de Fevereiro. “A comissão eleitoral preparou os detalhes do escrutínio e submeteu-os ao comissário, que aceitou que as eleições se realizassem no domingo, 8 de Fevereiro de 2026”, disse a comissão num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Os eleitores poderão votar antecipadamente a 1 de Fevereiro e os partidos terão de registar os candidatos a primeiro-ministro até ao final de Dezembro, acrescentou a comissão eleitoral. O parlamento foi dissolvido na sexta-feira, numa altura em que o país do Sudeste Asiático está envolvido numa guerra fronteiriça com o Camboja, que causou até agora 31 mortos e cerca de 800.000 deslocados.

Anutin Charnvirakul dissolveu a Câmara dos Representantes após obter a aprovação do rei Maha Vajiralongkorn, que sancionou a medida horas depois através de um decreto real. “Dado que o governo é minoritário e que a situação política interna é marcada por múltiplos desafios, o governo não está em condições de gerir os assuntos de Estado de forma contínua, eficaz e estável”, lê-se no decreto de dissolução.

O primeiro-ministro tinha sinalizado a intenção nas redes sociais no final de quinta-feira, quando afirmou que gostaria de devolver o poder ao povo, segundo a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).

Problemas mil

Até à posse do executivo formado após as eleições, Anutin Charnvirakul chefia um governo de gestão com poderes limitados, que não pode aprovar um novo orçamento. Anutin Charnvirakul, do partido conservador Bhumjaithai, chegou ao poder em Setembro após a destituição de Paetongtarn Shinawatra, filha do magnata e antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

O chefe do executivo tinha-se comprometido a dissolver a câmara baixa e a organizar eleições no início de 2026, mas os observadores esperavam uma dissolução após o Natal, segundo a AFP. Grande impulsionador da despenalização da canábis no país em 2022, Anutin Charnvirakul foi outrora um poderoso aliado do clã Shinawatra, que dominou por muito tempo a cena política tailandesa, mas cuja influência está em declínio.

Em três meses, o dirigente de 59 anos teve, nomeadamente, de lidar com a morte da antiga rainha Sirikit, inundações devastadoras no sul e crescentes tensões com o Camboja, até ao reinício dos confrontos armados em 7 de Dezembro.

China | Produção industrial chinesa cresceu 4,8% em Novembro

A produção industrial da China cresceu 4,8 por cento em termos homólogos, em Novembro, uma ligeira desaceleração face ao mês anterior (4,9 por cento) e o terceiro recuo mensal consecutivo, segundo dados oficiais divulgados ontem. O valor ficou também aquém das previsões da maioria dos analistas, que antecipavam uma subida para cerca de 5 por cento.

Entre os três grandes grupos analisados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês, o sector mineiro foi o que registou maior crescimento em Novembro (+6,3 por cento), seguido da indústria transformadora (+4,6 por cento) e da produção e fornecimento de electricidade, aquecimento, gás e água (+4,3 por cento). No acumulado do ano, a produção industrial chinesa aumentou 6 por cento.

O GNE também divulgou ontem outros dados relativos a Novembro, como as vendas a retalho, indicador essencial do consumo, que desaceleraram bruscamente de 2,9 por cento em Outubro para 1,3 por cento, num contexto de fraca procura interna. A expectativa do mercado era de manutenção do valor anterior.

A taxa oficial de desemprego urbano manteve-se inalterada nos 5,1 por cento. Já o investimento em activos fixos agravou a queda para 2,6 por cento no acumulado dos primeiros 11 meses do ano, 0,9 pontos percentuais abaixo da contracção registada até Outubro. Apesar de os analistas esperarem novo recuo, previam uma contração menor, em torno dos 2,3 por cento.

Por sectores, o investimento na indústria transformadora aumentou 1,9 por cento até Novembro, enquanto os destinados a infra-estruturas caíram 1,1 por cento e os ligados à promoção imobiliária afundaram 15,9 por cento, reflectindo a crise prolongada do sector, que se agravou nas últimas semanas. Estas quedas foram 1 e 1,2 pontos percentuais mais acentuadas, respectivamente, do que até Outubro.

Casas a pique

No mercado imobiliário, as vendas de imóveis comerciais, medidas por área, diminuíram 7,8 por cento até Novembro, agravando em um ponto percentual a queda verificada no mês anterior. O GNE publicou também ontem o relatório sobre preços da habitação, que aponta para uma queda de 0,39 por cento nos preços das casas novas, entre Outubro e Novembro, nas 70 principais cidades chinesas, marcando o 30.º mês consecutivo de descidas.

Arábia Saudita | Defendido reforço da coordenação regional e global

A China e a Arábia Saudita manifestaram a intenção de reforçar a comunicação e coordenação bilateral em “questões regionais e internacionais de interesse comum”, anunciou ontem o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, reuniu-se no domingo com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, durante uma visita oficial ao reino árabe, tendo ambos discutido o “reforço da cooperação em todas as áreas”, segundo comunicado do ministério. “As duas partes sublinharam que continuarão a apoiar-se mutuamente nas questões que envolvem os respectivos interesses fundamentais, implementarão uma série de importantes iniciativas lançadas pelos líderes dos dois países e apoiarão os esforços de nações amigas para alcançar segurança, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade”, lê-se na nota.

Durante o encontro, Wang transmitiu o apoio da China ao “desenvolvimento e fortalecimento” das relações entre a Arábia Saudita e o Irão, elogiando o papel de liderança de Riade na promoção da estabilidade regional e internacional.

Os dois ministros reafirmaram ainda o apoio a uma “solução justa e abrangente” para a questão palestiniana, com base no princípio de dois Estados, nas resoluções relevantes das Nações Unidas e na Iniciativa de Paz Árabe, prevendo a criação de um Estado palestiniano com capital em Jerusalém Oriental, dentro das fronteiras de 1967.

Durante a visita a Riade, Wang Yi foi também recebido pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, que expressou a vontade de “aprofundar ainda mais a cooperação com a China” em áreas como petróleo e gás, novas energias, inteligência artificial e alta tecnologia, segundo outro comunicado divulgado por Pequim.

Hong Kong | Pequim apoia condenação de Jimmy Lai e rejeita ingerências externas

Pequim expressou ontem o seu “firme apoio” às autoridades de Hong Kong e rejeitou “ingerências externas”, após a condenação por crimes de segurança nacional do antigo magnata da comunicação social pró-democracia Jimmy Lai

 

“O Governo Central apoia firmemente a região administrativa especial na defesa da segurança nacional, em conformidade com a lei, e na repressão de actos criminosos que coloquem em perigo essa segurança”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, em conferência de imprensa. “A China manifesta o seu forte descontentamento e firme oposição às calúnias e difamações descaradas por parte de alguns países contra o sistema judicial de Hong Kong”, acrescentou.

Jimmy Lai foi ontem considerado culpado de conluio com entidades estrangeiras ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020 e revista em 2024, em resposta aos protestos antigovernamentais, por vezes violentos, de 2019. O fundador do jornal Apple Daily, actualmente banido, foi ainda condenado por “publicações sediciosas” relativas a 161 artigos, incluindo editoriais assinados com o seu nome.

O Tribunal Superior de Hong Kong marcou para 12 de Janeiro uma audiência, com a duração máxima de quatro dias, onde a defesa de Lai, de 78 anos, poderá apresentar eventuais atenuantes, antes de a sentença ser conhecida. Os três crimes de que o cidadão britânico foi considerado culpado podem acarretar a pena de prisão perpétua.

Lai foi julgado por três juízes, incluindo a lusodescendente Susana D’Almada Remedios, escolhidos pelo Governo para lidar com casos ligados à lei de segurança nacional imposta em 2020 por Pequim, para pôr fim à dissidência em Hong Kong.

“Não temos dúvidas de que [Lai] nunca se desviou da sua intenção de desestabilizar o Governo”, afirmou a juíza Esther Toh, ao ler parte da decisão, cujo documento completo tem 855 páginas. A magistrada disse que as provas demonstram que, ainda antes da aprovação da lei de segurança nacional, o magnata já tinha feito “convites constantes” aos Estados Unidos para ajudar a derrubar as autoridades chinesas, não apenas em Hong Kong.

O tribunal considerou que Lai era o cérebro de uma conspiração que procurava a queda do Partido Comunista Chinês, mesmo que isso significasse sacrificar o povo da China e de Hong Kong, acrescentou Toh.

Divisão da alegria

O líder do Governo de Hong Kong disse que se fez justiça ao condenar Jimmy Lai Chee-ying, o antigo magnata da comunicação social pró-democracia que acusou de “glorificar a violência”. “Lai há muito que explorava o seu meio de comunicação, o Apple Daily, para fomentar deliberadamente conflitos sociais, incitar a divisão e o ódio, glorificar a violência e pedir abertamente sanções estrangeiras contra a China e Hong Kong”, disse John Lee Ka-chiu aos jornalistas.

John Lee disse que o ex-magnata “prejudicou os interesses fundamentais da nação e o bem-estar dos residentes de Hong Kong. As suas acções foram vergonhosas e as suas intenções, maliciosas”. “A lei nunca permite que alguém – independentemente da profissão ou origem – prejudique abertamente o seu próprio país e os seus concidadãos em nome dos direitos humanos, da democracia e da liberdade”, afirmou John Lee.

O líder do Governo acrescentou que a decisão do Tribunal Superior de Hong Kong é apoiada por “provas irrefutáveis”, mas garantiu que o Governo irá analisar cuidadosamente a sentença antes de fazer mais comentários.

Durante o julgamento, que começou em Dezembro de 2023, Lai declarou-se inocente e afirmou nunca ter defendido o separatismo ou a resistência violenta. Também negou ter apelado a sanções ocidentais contra a China e Hong Kong. “Os valores fundamentais do Apple Daily são, na verdade, os valores fundamentais do povo de Hong Kong (…) [incluindo] o Estado de direito, a liberdade, a busca da democracia, a liberdade de expressão, a liberdade de religião, a liberdade de reunião”, argumentou.

Austrália | Doze mortos em ataque durante festa judaica

Pelo menos doze pessoas morreram e muitos feridos foram ontem transportados para os hospitais de Sydney, depois de um ataque com tiros na praia australiana de Bondi, quando se realizava uma festa judaica. “Há duas pessoas sob custódia policial na praia de Bondi”, informou a Polícia do estado de Nova Gales do Sul na sua conta no X, que pede “à população que evite a área”.

Citando fontes policiais, a agência de notícias AFP refere que o ataque causou dez mortos. O serviço de ambulâncias de Nova Gales do Sul confirmou à televisão ABC que, pelo menos 16 pessoas foram transportadas para seis centros hospitalares da região.

Várias testemunhas referem que se trata de um ataque a tiros protagonizado por um número ainda indeterminado de pessoas armadas, mas as autoridades também não confirmaram essa informação. Um turista britânico disse à agência francesa de notícias AFP que viu “dois atiradores vestidos de preto e armados com espingardas semiautomáticas”.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, já emitiu um comunicado lamentando as “cenas chocantes e angustiantes” que estão a chegar de Bondi e confirmou a existência de feridos.

Parte da praia era palco de uma celebração da festa judaica de Hanukkah, que começou ontem e, embora as autoridades australianas ainda não tenham feito qualquer conexão com o incidente, o Presidente de Israel, Isaac Herzog, denunciou o que classificou como “vil ataque terrorista contra os judeus que estavam a acender as primeiras velas” da festa religiosa.

“O nosso coração está com eles. O coração de toda a nação de Israel bate forte neste preciso momento, enquanto rezamos pela recuperação dos feridos, rezamos por eles e rezamos por aqueles que perderam a vida”, afirmou num comunicado oficial.

Hong Kong | Dissolvido principal partido da oposição

O Partido Democrático de Hong Kong aprovou ontem a sua própria dissolução, perante a pressão das leis de segurança do território, que impedem o exercício da sua actividade. Numa reunião de duas horas, 97 por cento dos membros votaram pela dissolução do partido, que já foi uma das maiores forças no Conselho Legislativo de Hong Kong.

Na assembleia anual, segundo o South China Morning Post, um total de 117 membros, 97 por cento dos presentes, concordaram com a dissolução do partido, seguindo a decisão tomada pela liderança do partido, em Fevereiro. O membro veterano e ex-deputado Fred Li Wah-ming disse que um funcionário da China continental havia instado o partido a dissolver-se antes das eleições para o Conselho Legislativo de Dezembro.

Esta dissolução do partido elimina o pouco que restava da principal oposição política da cidade, após uma decisão semelhante da Liga dos Social-Democratas em Junho e do encerramento do Partido Cívico em 2023. A Associação de Hong Kong para a Democracia e o Bem-Estar do Povo, que se concentra em questões sociais e defende a participação dos residentes a votar sob o sistema eleitoral reformulado, é a única força pró-democracia restante.

Os patriotas

Actualmente, com as várias detenções de dirigentes e activistas e as limitações nas candidaturas, o partido democrático não tinha qualquer representação no conselho legislativo nem nos conselhos distritais. A questão tornou-se ainda mais complexa em Março de 2021, quando o governo chinês aprovou uma lei destinada a garantir que apenas os que designou como ‘patriotas’ pudessem governar em Hong Kong.

Essa regulamentação diminuiu significativamente a representação democrática na assembleia, consolidou o controlo sobre os processos eleitorais e estabeleceu um painel de selecção de candidatos, alinhados com os interesses de Pequim.

Desde a entrada em vigor dessa legislação e das reformas eleitorais, o futuro do Partido Democrático tem estado em risco, na sequência das constantes rusgas policiais e detenções de activistas ou familiares nos últimos anos. Há uns meses, os membros do partido autorizaram a venda da sua sede por 11 milhões de dólares de Hong Kong para preparar a eventual dissolução e prevenir a entrega do imóvel à justiça. Os fundos remanescentes do partido deverão ser doados à Associação para os Direitos das Vítimas de Acidentes Industriais.

Greve geral e surreal

Um casal membro de um sindicato pertencente à CGTP-Intersindical encontrava-se num dilema no passado dia 11, dia de greve geral, antes de sair de casa. O problema era desejar ir à manifestação organizada para protestar contra a absurda proposta do Governo Montenegro sobre uma eventual nova Lei Laboral, uma greve geral que há muitos anos não juntava a UGT e a CGTP. O dilema prendia-se precisamente com a greve geral. O casal, residente na Amadora, não tinha qualquer transporte para se deslocar para o centro de Lisboa. O seu melhor vizinho também tinha decidido não ir à manifestação porque o Metropolitano estava em greve total.

Milhares de trabalhadores ficaram impedidos de ir à manifestação por falta de transporte. O surrealismo estava à vista. Vontade de protestar, sim. Como, impossível. Mais surreal foi o facto de os motoristas de dezenas de autocarros que as centrais sindicais alugaram para transportar manifestantes, terem de trabalhar num dia de greve geral, Portugal político está mesmo dividido ao meio. De um lado, os conservadores e neofascistas. Do outro, a esquerda democrática e radical.

Uma divisão triste para quem deseja um país melhor e uma redução no número de portugueses a viver no limite da pobreza. As centrais sindicais anunciaram que a greve geral foi estrondosa, a melhor de sempre e com uma adesão invulgar a rondar os 80 por cento. A greve paralisou transportes aéreos, ferroviários, rodoviários, marítimos e fluviais, além de escolas, creches, hospitais, centros de saúde, lares para idosos, centros de dia, tribunais, universidades e museus.

O Governo Montenegro veio, com ar de desprezo e arrogância pela realização da greve geral, dizer que a adesão foi diminuta e que não teria passado dos cinco por cento. E a sua demagogia imperou quando “ordenou” aos canais de televisão que controla, que mostrassem bem que na Autoeuropa estavam imensos trabalhadores a não aderir à greve geral. O costume dos números. Para uns, excelente. Para outros, um fiasco. A verdade é que a greve geral mexeu com milhares de portugueses, de uma forma ou outra.

O mais importante nem era a greve geral. O que está em causa é o protesto generalizado, incluindo por parte de alguns antigos dirigentes do PSD e do CDS, contra o conteúdo absurdo e prejudicial da proposta governamental para uma nova Lei Laboral. A preocupação que mais tem crescido nos inquéritos às empresas é a falta de trabalhadores, muitas áreas de actividade enfrentam sérias dificuldades com a falta de pessoal qualificado e as limitações ao recrutamento de mão-de-obra estrangeira a pôr em risco os objectivos do PRR.

Num contexto de escassez de mão-de-obra os salários reais têm crescido nos últimos anos acima da inflação, com destaque para a área da construção, com valorizações acima de oito por cento. Face a este cenário o que resolveu o Governo na sua fúria ideológica? Abrir um incompreensível conflito social em torno das leis laborais, já profundamente revistas várias vezes este século.

Nada se tem percebido sobre a abertura negocial do Governo relativamente aos temas principais da sua proposta. Obviamente que ao fim de quatro meses de orelhas moucas do Governo, tinha de ser organizada uma greve geral. Retrocesso no pacifismo laboral é o Governo pretender a possibilidade de despedimento sem processo nem justa causa nas empresas até 50 trabalhadores, com a dispensa de reintegração caso o despedimento seja considerado ilegal pelo tribunal, a possibilidade de contratar em outsourcing no dia seguinte ao despedimento colectivo, com banco de horas individual, com contrato a prazo para toda a vida, com a possibilidade de reclassificação profissional com a redução de salário, com obrigatoriedade dos pais das crianças trabalharem ao fim-de-semana ou com a descriminalização do trabalho não declarado e pago por baixo da mesa.

Estas são algumas das “inovadoras” propostas do Governo, que em nenhuma altura aceitou retroceder, mas que em nada contribuem para a competitividade, a modernização digital e a qualificação dos trabalhadores. Depois de meses de hipocrisia do diálogo e de inocentes lamentos acerca de uma greve “inoportuna”, Montenegro veio misturar a ameaça sobre o cumprimento dos serviços mínimos, e o terrível impacto económico da greve geral. Simplesmente balelas com uma vaga de demagogia de promessas sobre salários que nem lembrariam aos sindicatos como pedidos ao Pai Natal…

Até Bagão Félix e Silva Peneda vieram já reconhecer a inoportunidade e natureza desequilibrada da reforma da legislação laboral. E estas personalidades não são sindicalistas, nem socialistas e muito menos frequentaram manifestações de protesto ou participaram em greves.

O mais surreal disto tudo, é que o Governo irá esperar que depois de se ter esquecido a greve geral e passado o Natal possa impor a máquina trituradora que levará os trabalhadores portugueses a perderem direitos como nunca sonharam. Só falta que a aliança PSD/Chega anuncie que o regime democrático também será alvo de uma reformulação laboral…

Combates entre Tailândia e Camboja prosseguem

Tailândia e Camboja mantêm os combates junto à fronteira, quando o conflito entra na segunda semana, depois de Banguecoque negar que tivesse dado o “sim” a um cessar-fogo, anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As hostilidades, que eclodiram em 07 de Dezembro, causaram até agora, pelo menos, 33 mortes e mais de 200 feridos, para além de cerca de 800 mil deslocados de ambos os lados da fronteira.

Os dois países acusam-se reciprocamente de terem desencadeado as hostilidades e de atacarem civis. Na passada sexta-feira, Donald Trump afirmou que os líderes dos dois países haviam concordado com um cessar-fogo após um telefonema seu, mas o Governo tailandês negou esse compromisso e os combates continuaram este sábado e prolongavam-se ontem.

De acordo com o porta-voz do ministério tailandês da Defesa, Surasant Kongsiri, o Camboja bombardeou várias províncias fronteiriças no sábado à noite e ontem. Já a homóloga cambojana, Maly Socheata, acusou as forças tailandesas de continuarem a bombardear e a disparar morteiros em zonas próximas da fronteira desde as zero horas de domingo.

O Camboja fechou as fronteiras terrestres com a Tailândia este sábado, deixando milhares de pessoas retidas nos dois lados da fronteira. A decisão, segundo Phnom Penh, visa proteger os civis — entre eles estrangeiros de várias nacionalidades, que não puderam atravessar a fronteira para a Tailândia — dos riscos associados aos confrontos militares, que na última semana incluíram o uso de caças e fogo de artilharia ao longo da fronteira, de cerca de 820 quilómetros.

O Camboja pediu aos seus cidadãos que vivem na Tailândia e aos tailandeses que esperavam retornar ao seu país que permaneçam onde estão “até que o cessar-fogo seja totalmente aplicado”.

A Tailândia, por sua vez, manifestou preocupação com esta decisão de Phnom Penh, especialmente porque esperava o retorno no sábado de cerca de 7.000 tailandeses que aguardam há dias na fronteira para entrar no país e que agora estão proibidos de a cruzar por terra.

“Estas acções violam numerosas disposições do direito internacional que, por nossa parte, a Tailândia respeita. Garanto que os cambojanos e outros cidadãos estrangeiros que vivem na Tailândia receberão assistência, de acordo com o direito internacional”, disse ontem numa conferência de imprensa o porta-voz adjunto do ministério tailandês dos Negócios Estrangeiro, Maratee Nalita Andamo.

Um caso antigo

A Tailândia e o Camboja disputam a soberania de territórios onde se encontram templos do Império Khmer ao longo de fronteira de cerca de 820 quilómetros, traçada no início do século XX durante o período colonial francês. Em Julho deste ano, um primeiro episódio de violência causou 43 mortes em cinco dias e levou cerca de 300.000 pessoas a deixarem as casas nas zonas próximas da fronteira comum, antes de um cessar-fogo sob a égide dos Estados Unidos, da China e da Malásia.

Os dois países assinaram depois um acordo de cessar-fogo em 26 de Outubro, sob a égide de Donald Trump, que Banguecoque suspendeu algumas semanas depois, após a explosão de uma mina que feriu vários dos seus soldados, e que a Tailândia acusa ter sido instalada depois do cessar-fogo.

Diplomacia | China e Índia destacam “avanços positivos” nas relações bilaterais

Altos funcionários diplomáticos da China e da Índia assinalaram na quinta-feira, em Pequim, “avanços positivos recentes” na relação bilateral, durante uma nova ronda de consultas entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países.

Segundo um comunicado divulgado sexta-feira pelo ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, o encontro foi liderado por Liu Jinsong, director-geral do Departamento da Ásia, e por Shri Sujit Ghosh, secretário conjunto do ministério indiano para o Leste Asiático, e decorreu de forma “oportuna e eficiente”.

Durante as conversações, ambas as partes defenderam a necessidade de relançar os mecanismos de diálogo institucional, dinamizar os intercâmbios bilaterais e gerir de forma adequada as divergências e os assuntos sensíveis.

As delegações reiteraram ainda o compromisso de reforçar a comunicação e coordenação em fóruns multilaterais, promover o multilateralismo e apoiar a construção de uma ordem internacional multipolar. As consultas ocorrem num contexto de reaproximação entre Pequim e Nova Deli, depois de anos de tensão, e na sequência de medidas como a retoma do comércio fronteiriço, a reabertura de ligações aéreas directas e o relançamento de contactos diplomáticos de alto nível.

Apesar dos sinais positivos, a relação continua marcada por divergências de fundo, sobretudo em torno da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto mortal em 2020 provocou a pior crise bilateral em décadas. De acordo com o comunicado chinês, as delegações concordaram em “maximizar os aspectos positivos” da relação sino-indiana.

Tai Po | Anunciada comissão que vai investigar incêndio

O grupo de trabalho, liderado pelo juiz David Lok, espera apresentar resultados sobre os motivos que estiveram na origem da tragédia, que fez pelo menos 160 mortos, no prazo de nove meses

As autoridades de Hong Kong anunciaram sexta-feira a comissão de investigação que se encarregará de analisar as circunstâncias do incêndio de 26 de Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, que provocou pelo menos 160 mortos.

A comissão será liderada pelo juiz do Tribunal de Primeira Instância do Tribunal Superior de Hong Kong, David Lok, “e começará formalmente o trabalho no final deste mês, com a perspectiva de concluir o trabalho nove meses após o início da tarefa”, segundo referiu um comunicado publicado pelo executivo da região administrativa especial chinesa.

A comissão irá examinar todos os aspectos do incêndio, a começar pelas causas que aceleraram a propagação das chamas, supostamente atribuída aos materiais de protecção das reparações do edifício, mas também irá avaliar a resposta dos bombeiros ao pedido de socorro e a situação legal das obras.

De acordo com as conclusões finais da equipa, a comissão irá apresentar ao Chefe do Executivo do território, John Lee, uma série de propostas para elaborar.

O mandatário prometeu à população uma série de “reformas profundas, com o objectivo de evitar que incidentes semelhantes se repitam”. Durante o anúncio da comissão, John Lee admitiu que o juiz investigador enfrenta uma “tarefa titânica” e que talvez nove meses seja um prazo insuficiente.

“O facto é que quero resolver esta questão o mais rapidamente possível e decidi estabelecer um prazo que considero realista, desde que a comissão disponha de meios suficientes para agir”, afirmou. “É uma grande responsabilidade e um desafio em apenas nove meses, mas todos eles têm a paixão e o amor por Hong Kong necessários para assumir essa responsabilidade com tanta coragem. Estou profundamente grato a eles”, concluiu.

Chefias em causa

As autoridades anticorrupção estão a investigar directamente 13 pessoas ligadas ao incêndio sob a presunção de terem cometido homicídio por negligência, entre elas os directores e um consultor de engenharia de uma empresa de construção responsável pelas obras de remodelação do edifício. Na terça-feira, as Nações Unidas expressaram preocupação pelas detenções de pessoas que exigem explicações sobre o pior incêndio que a cidade sofreu em décadas.

“Os habitantes de Hong Kong exigem legitimamente respostas e que os responsáveis prestem contas, para que as centenas de vítimas sejam devidamente indemnizadas e para que uma tragédia como esta não se repita”, afirmou o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, num comunicado.

Na sequência do incêndio de 26 de Novembro, as autoridades lançaram um aviso contra aqueles que “exploram a tragédia”, tendo detido até então quatro pessoas por sedição.

Fundo de Artes da China | Projectos de Macau seleccionados

A lista de candidatos seleccionados ao apoio financeiro do Fundo Nacional de Artes da China (Projectos Gerais) para o ano de 2026 vai incluir 13 projectos apresentados por instituições artísticas, instituições do ensino superior, empresas e artistas da RAEM, anunciou no sábado o Gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Esta é a quinta vez que projectos artísticos e culturais de Macau foram seleccionados para o plano de financiamento nacional.

As autoridades centrais passaram a permitir candidaturas das regiões administrativas especiais de Hong Kong a partir de 2021. Em comunicado, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, agradeceu à pátria pelo reconhecimento e apoio dado ao desenvolvimento das artes e cultura de Macau e felicitou calorosamente os autores de Macau.

Os projectos seleccionados incluem espectáculos de dança, ópera chinesa, pinturas que celebram o nacionalismo, um musical e programas de formação de talentos criativos da Associação de Dança Hou Kong, Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e Universidade da Cidade de Macau.

Em 2022, nove projectos da RAEM foram seleccionados pela primeira vez e no ano seguinte foram distinguidas 11 candidaturas. Para os anos 2024 e 2025 foram financiados 10 projectos por ano, enquanto que no próximo ano o apoio irá abranger o maior número de projectos.

CCM | “Operação Oops! – Um Musical” com bilhetes à venda

Já estão à venda desde ontem os bilhetes para um novo espectáculo que sobe ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM). Trata-se de “Operação Oops! Um Musical”, seleccionado no âmbito do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas 2024-2026”, tratando-se de uma comédia que se apresenta em três espectáculos, de 31 de Janeiro a 2 de Fevereiro.

Adaptada do romance homónimo do dramaturgo local Lawrence Lei I Leong, esta nova produção junta artistas da região para dar vida a uma partitura composta por Leon Ko, vencedor de um Cavalo Dourado. O elenco é liderado por Jordan Cheng, multi-galardoado intérprete de Macau, homenageado como Melhor Actor dos 31.º Prémios de Teatro de Hong Kong, e a direcção do espectáculo está a cargo de Fong Chun Kit, uma das mentes criativas do Teatro Repertório de Hong Kong. A coreografia é concebida pela criadora de dança local Florence Cheong, destaca uma nota do Instituto Cultural.

“Operação Oops!” conta a premiada história de um grupo de inadaptados que, desapontados com os preços exorbitantes das rendas, elaboram um plano desesperado e absurdo. Frustrada por uma série de infelizes, mas divertidas peripécias, a missão de orçamento zero precipita-se, caindo numa espiral caótica.

Livraria Portuguesa | “Macau’s Reflections – Now and Then” até ao fim do mês

A Livraria Portuguesa acolhe, até ao final do mês, a exposição “Macau’s Reflections – Now and Then”, de Pedro Ramos, um fotógrafo muito ligado ao território, onde viveu em criança. Nesta mostra, observa-se o seu olhar particular atrás da lente sobre um território em grande mudança, tendo como ponto de partida o livro do jornalista José Pedro Castanheira, “Macau – Os Últimos Cem Dias do Império”

Dezembro é sempre um mês de memória. Foi nesse mês que Macau mudou de rumo e passou a ter administração chinesa a partir do dia 20 de Dezembro de 1999, transformando-se na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Em jeito de memória desse momento histórico, mas não só, apresenta-se até ao final do mês a exposição “Macau’s Reflections – Now and Then”, na Livraria Portuguesa. A iniciativa, com organização e curadoria das 10 Marias – Associação Cultural, mostra o trabalho do fotógrafo Pedro Ramos.

Segundo uma nota, trata-se de um projecto que “oferece um olhar profundo e sensível sobre Macau num período decisivo da sua história: desde a transição do final da administração portuguesa para a integração na China, a partir de 1999, até aos dias de hoje”.

A mostra é uma “reflexão e um olhar muito pessoal sobre Macau”, captando-se “a essência de uma cidade em fluxo, preservando visualmente o seu caráter híbrido único”.

Aqui, as fotografias “funcionam como um portal para o passado, documentando a arquitectura histórica, os mercados vibrantes, o quotidiano das ruas e as tradições culturais que definiram Macau no crepúsculo do seu estatuto anterior”. Porém, esta mostra é também “um portal para um futuro ‘colorido'”, tratando-se, para as 10 Marias, de um “trabalho esteticamente cativante” e que serve “como um registo histórico e cultural de valor inestimável, destacando o delicado equilíbrio entre a tradição e a modernidade”.

Do livro nasce a mostra

Nascido em 1976, Pedro Ramos viveu em Macau, onde fez o ensino básico e secundário. Depois de se formar em fotografia em Portugal, Pedro Ramos procurava trabalho na área, até que se deparou com a oportunidade de colaborar com o livro “Macau – Os Últimos Cem Dias do Império”, da autoria do jornalista José Pedro Castanheira, que se encontrava no território para escrever a reportagem sobre a passagem de testemunho de Portugal para a China.

“Algumas foram publicadas no livro, outras não. Fiquei com este arquivo fotográfico dos últimos dias da presença portuguesa em Macau. Desde o início de 2000 só voltei a Macau em 2024, fui de férias, e como ando sempre com a máquina resolvi fazer uma cobertura daquilo que gosto em Macau, mas nos tempos mais modernos”, confessou ao HM.

Um contacto com Mónica Coteriano, fundadora das 10 Marias, foi suficiente para trazer cá para fora este projecto, espelhado “na vontade de mostrar um pouco o antes e o depois” do território. Ainda assim, Pedro Ramos explica que esta não é “uma exposição comparativa do antes e depois de determinada zona, ou edifício, não é um trabalho de comparação em que as pessoas vêm uma fotografia do antes e do depois”.

“A exposição está organizada com um grande conjunto de imagens da altura da transição, de 1999. No dia da inauguração senti que estas foram as fotografias que mais tocaram grande parte das pessoas que estiveram presentes, porque puderam rever uma Macau que já não existe da mesma forma. Há depois uma parte com fotografias tiradas no meu regresso”, frisou.

Pedro Ramos diz voltar sempre aos lugares onde foi feliz, e aqui existem “muitos paralelismos visuais”, nomeadamente com sítios mais icónicos como o Hotel Lisboa e Ruínas de São Paulo.

Rever imagens, olhar de novo para alguns momentos e organizar esta mostra constituiu “um dos grandes desafios”. “Tinha todo o trabalho de 1999 impresso, e custou olhar para algumas imagens e, por um lado, houve um acto muito sentimental, mas foi bom poder viajar um bocadinho no tempo.”

Pedro Ramos destaca uma fotografia “muito forte e marcante”, de quando o antigo Liceu de Macau tinha sido transformado numa base militar. “Ainda hoje, quando olho para a imagem, sinto estranheza. Não digo que foi difícil, mas foi estranho, e é uma imagem que me diz muito.”

Vínculo com Macau

Apesar de ter vivido parte da infância e adolescência em Macau, Pedro Ramos mantém um vínculo afectivo ao território desde esses anos. “Sinto sempre que estou de volta a casa e posso dizer que me sinto macaense, porque cresci em Macau e vivi lá um período importante. Quando as pessoas me perguntam como vejo as mudanças, digo que para quem conhece Macau há 30 ou 40 anos como eu, o centro de Macau não mudou assim tanto. O mercado vermelho, as Ruínas de São Paulo, o jardim Lou Lim Ieoc, são locais que continuam a ser muito familiares e se mantêm semelhantes. Acho que, nesse sentido, Macau continua a ser muito igual à cidade que conhecia, embora esteja maior e mais moderna.”

Pedro Ramos disse ainda que a exposição pode prolongar-se um pouco mais em Macau, estando nos planos uma extensão a Portugal. “Estou a tentar apresentar este trabalho em Portugal, mas ainda não iniciei os contactos necessários. Fui incentivado a fazer isso porque a comunidade macaense a viver em Portugal é grande e muitas pessoas, que souberam da exposição, tiveram pena de não conseguir ver.” Destaque ainda para o facto de as imagens estarem disponíveis para venda.

Universidades de Macau e Timor-Leste acordam intercâmbio de alunos e professores

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciou na sexta-feira um acordo com a Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) para o intercâmbio de estudantes e professores.

Num comunicado, a UPM indicou que o protocolo de cooperação prevê ainda o reforço dos laços na área da partilha de recursos académicos e na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português. As duas jurisdições têm o português como uma das línguas oficiais, juntamente com o chinês, no caso da região semiautónoma de Macau, e com o tétum, no caso de Timor-Leste.

O acordo foi assinado pela vice-reitora da UPM, Vivian Lei Ngan Lin, e pelo reitor da UNTL, João Soares Martins, à margem da 15.ª conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges). A reunião anual das universidades e politécnicos lusófonos decorreu na capital de Timor-Leste, Díli, numa organização conjunta da UNTL, da Universidade Católica Timorense São João Paulo II e da Universidade de Díli.

A conferência do Forges, que teve como tema “A Promoção da Investigação Científica em Língua Portuguesa Face aos Desafios Globais”, decorreu entre 24 e 27 de Novembro. Durante o evento, o subdirector da Faculdade de Línguas e Tradução da UPM, o português Joaquim Carvalho, fez uma apresentação em que convidou alunos e docentes dos países lusófonos a apostarem no intercâmbio com Macau.

Rede Internacional

A delegação da UPM aproveitou ainda a ocasião para discutir projectos de intercâmbio e cooperação académica com a Universidade Católica Portuguesa, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Brasil) e a Universidade de Luanda. Em Novembro de 2024, durante a 14.ª conferência do Forges, em Macau, João Soares Martins disse à Lusa que a UNTL queria o apoio do Instituto Português do Oriente (IPOR) para começar a certificar a proficiência em língua portuguesa.

Também na região chinesa, a UNTL e a Universidade de Macau (UM) assinaram na segunda-feira um acordo de cooperação que prevê “mais oportunidades para a mobilidade dos professores e dos estudantes”, sublinhou o reitor. A delegação timorense visitou na UM o Departamento de Português, o Laboratório de Referência do Estado para Investigação de Qualidade em Medicina Chinesa e a Faculdade de Direito, onde foram formados alguns dos actuais docentes da UNTL.

“Seria bom a Universidade de Macau poder fornecer algumas vagas para os nossos professores poderem continuar os seus cursos, tanto em mestrado como doutoramento”, sublinhou Soares Martins.

UM | Arrancou construção do novo campus

A cerimónia de início da construção contou com a participação de Sam Hou Fai. O novo campus vai incluir a primeira faculdade de medicina da UM

A construção do novo campus da Universidade de Macau (UM), que vai incluir a primeira faculdade de medicina pública, em colaboração com a Universidade de Lisboa (ULisboa) arrancou na sexta-feira. Num comunicado, a UM indicou que a cerimónia de lançamento da primeira pedra, presidida pelo líder do Governo, Sam Hou Fai, decorreu na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, na vizinha Hengqin (ilha da Montanha).

O novo campus ocupará uma área de quase 376 mil metros quadrados na zona económica especial e a construção deverá demorar cerca de três anos, com uma inauguração parcial prevista para 2028 e a conclusão das obras em 2029. Quatro novas faculdades irão nascer no novo campus da UM na Ilha da Montanha, incluindo as de Ciências de Informação, Design e Engenharia, assim como a primeira faculdade de medicina pública de Macau.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019. Em Junho, o director da Faculdade de Medicina da Ulisboa disse à Lusa que os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM poderão também exercer em Portugal.

A ULisboa está a colaborar com a UM para criar um currículo com uma disposição “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse Luís Graça. O dirigente explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Médicos para Portugal

Entre as vantagens, estará “permitir assim que os médicos formados no território possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador. Em Dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que o novo campus apostará em “‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”.

O novo campus na Ilha da Montanha deverá permitir à UM passar dos actuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais, numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM. Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica.

“Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, afirmou o dirigente. Luís Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projectos conjuntos de investigação.

Take-away | Sem planos de regulamentação laboral

Chan Un Tong, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), disse não estarem em cima da mesa planos para regular a profissão de estafeta, que se destina a entregar refeições take-away.

Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o responsável respondeu a uma interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, explicando que a protecção laboral e legal dos estafetas depende do vínculo que têm com a plataforma que proporciona o serviço de entregas.

Se houver um contrato assinado, aplica-se a lei laboral em vigor, mas se existir apenas um contrato de prestação de serviços, vigoram as condições acordadas entre as partes. O deputado afirmou, na interpelação, que o sector de entregas de take-away já representa 48,3 por cento dos estabelecimentos de restauração, sugerindo por isso melhorias a nível laboral.