Cruzeiro Seixas em destaque na feira de arte internacional Frieze

O percurso e obra do mestre do surrealismo português, falecido há cerca de um ano, voltam a ser objecto de homenagem numa prestigiada feira de arte intenacional

A obra de Cruzeiro Seixas vai estar em destaque na feira de arte internacional Frieze, em Londres, entre 13 e 17 de Outubro, enquanto trabalhos dos portugueses Hugo Lami e Pedro Sousa Louro vão ser expostos em eventos paralelos.

Documentos, cartas, desenhos, poesia e desaforismos, alguns dos quais inéditos, do surrealista português, que morreu no ano passado aos 99 anos, vão estar entre trabalhos raramente vistos de figuras pouco conhecidas mas consideradas pioneiras da arte de vanguarda do século XX.

A exposição chega pela mão da Perve Galeria, que fez a selecção de trabalhos produzidos ao longo de cinco décadas, com especial ênfase no trabalho desenvolvido pelo artista enquanto viveu em Angola, ao longo de 12 anos, entre 1952 e 1964.

O período em Angola destaca-se não só pelo uso de materiais nativos que na altura causaram fricções com o regime e a polícia política de Salazar, mas também por ter sido quando “descobriu a poesia”, influenciando a sua produção artística posterior, disse à agência Lusa o diretor artístico da Perve Galeria, Carlos Cabral Nunes.

A mostra é a segunda exposição internacional do Ciclo de Celebração do Centenário de Cruzeiro Seixas, que a Perve tem vindo a promover desde 2020.

“Cruzeiro Seixas não é só um artista português, é um extraordinário artista internacional. A sua obra transcende a nossa própria condição de país periférico. Ele é o artista português na história que mais obra realizou, com uma linguagem própria, muito multifacetada e surpreendente”, defende.

A Secção Spotlight tem curadoria da norte-americana Laura Hoptman, actual diretora do museu Drawing Center em Nova Iorque, e que durante anos dirigiu o Museu de Arte Moderna da mesma cidade (MoMA), e é dedicada a artistas vanguardistas do século XX.

Este ano vai incluir obras de artistas como Woody Vasulka, Franca Sonnino, Obiora Udechukwu, Feliciano Centurión, Santi Alleruzzo, entre muitos outros.

A galeria de Lisboa é a única portuguesa entre 130 galerias internacionais na Frieze Masters, a parte da feira internacional dedicada a artistas anteriores ao século XXI.

Ouras presenças

O evento “irmão”, Frieze London, dedica-se à arte contemporânea e artistas ainda vivos, com obra posterior ao ano 2000.

Juntas, atraem anualmente cerca de 60 mil visitantes, como programadores, artistas, coleccionadores, galeristas e críticos, bem como o público em geral, mas em 2020 realizou-se num formato digital devido à pandemia covid-19.

Aproveitando a presença de especialistas internacionais em Londres, muitas galerias realizam exposições paralelas para coincidir com a Frieze, como é o caso da Neon Art Gallery, que vai promover uma exposição individual do português Hugo Lami.

Intitulada “Life Found on the Moon” (“Encontrada Vida na Lua”, em tradução do inglês), a exposição decorre entre 11 e 17 de Outubro.

Lami vive entre Lisboa, onde estudou Pintura na Escola Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e Londres, onde concluiu um mestrado em Escultura no Royal College of Art.

Também residente e formado em Londres, no Chelsea College of Arts, o português Pedro Sousa Louro participa numa exposição colectiva de mais de 70 artistas de 25 países na Saatchi Gallery.

A StART Fair pretende marcar o lançamento da StART.art, uma plataforma de comércio electrónico para artistas.

Já no âmbito da Frieze Sculpture, uma das maiores exposições de escultura ao ar livre de Londres, que decorre até 31 de Outubro, expõe o português José Pedro Croft.

A exposição tem curadoria, pelo nono ano consecutivo, de Clare Lilley, directora do programa no Parque de Esculturas de Yorkshire, e apresentará também trabalhos das artistas brasileiras Solange Pessoa e Vanessa da Silva.

6 Out 2021

Taiwan | 56 caças chineses entram na Zona de Identificação da Defesa Aérea

A China volta a fazer uma demonstração de força em resposta às declarações dos Estados Unidos e ao reforço da cooperação militar entre o país norte-americano e a ilha

Um total de 56 caças chineses entraram na segunda-feira à noite na Zona de Identificação da Defesa Aérea (ADIZ) de Taiwan, informou o Ministério da Defesa da ilha num comunicado.

Segundo o Ministério da Defesa, duas incursões separadas na parte sudoeste da ADIZ envolveram caças J-16, J-11 e Su-30, bombardeiros H-6, aviões de radar KJ-500 e aviões de reconhecimento Y-8.

A força aérea da ilha emitiu avisos de rádio e mobilizou unidades até que as aeronaves chinesas deixassem a ADIZ de Taiwan, que não está definida ou regulamentada por nenhum tratado internacional e não é equivalente ao seu espaço aéreo, mas abrange uma área maior que inclui áreas da China continental.

Os 56 aviões são um número recorde para as cada vez mais frequentes incursões de aviões chineses na ADIZ de Taiwan, e seguem duas outras incursões em 3 e 1 de Outubro.

Tal acontece um dia depois de os Estados Unidos terem instado a China a parar esta prática, que descreveu como “provocadora” e “desestabilizadora”.

Em resposta a Washington, a China afirmou na segunda-feira à noite que “os Estados Unidos deveriam deixar de apoiar as forças que são a favor da ‘independência de Taiwan’ e, em vez disso, tomar medidas concretas para manter a paz e a estabilidade no Estreito”.

“Os Estados Unidos fizeram mal ao vender armas a Taiwan e ao reforçar os laços oficiais e militares com a ilha, incluindo uma venda de armas planeada de 750 milhões de dólares a Taiwan, aterrando aviões militares norte-americanos em Taiwan e navegando em navios de guerra através do Estreito”, disse uma porta-voz chinesa.

“A China opõe-se firmemente a tudo isto e tomou medidas que considera necessárias”, acrescentou a porta-voz.

Segundo os peritos citados pelo jornal chinês Global Times, esta última incursão é “um forte aviso tanto aos secessionistas taiwaneses como às forças estrangeiras que os apoiam”.

Analistas taiwaneses disseram na segunda-feira que a China pretende “aumentar a pressão sobre Taiwan e mostrar o seu poder militar aos países vizinhos, bem como aos Estados Unidos e ao Reino Unido”.

Fricções antigas

O número de aviões militares chineses que entram na ADIZ de Taiwan aumentou nos últimos meses.

A 24 de Setembro, Taiwan informou que 24 caças chineses realizaram incursões semelhantes depois de a ilha se ter candidatado a aderir ao Acordo Global e Progressivo para a Parceria Trans-Pacífico (CPTPP), ao qual Pequim “categoricamente” se opõe.

Taiwan tem-se considerado um território soberano com o seu próprio governo e sistema político sob o nome da República da China desde o fim da guerra civil nacionalista-comunista em 1949, mas Pequim mantém que é uma província rebelde e insiste em regressar àquilo a que chama a pátria comum.

A ilha é também um importante ponto de discórdia entre a China e os Estados Unidos, especialmente porque Washington é o principal fornecedor de armas de Taiwan e seria o seu maior aliado militar no caso de um conflito com a China.

Em 1979, depois de quebrar os laços diplomáticos com Taipé e de os estabelecer com Pequim, os Estados Unidos adoptaram o ‘Taiwan Relations Act’, no qual se comprometia com a defesa da ilha e o fornecimento de equipamento militar, um compromisso que gerou numerosas fricções entre as duas potências.

6 Out 2021

Mundial2022 | Selecção portuguesa em preparação para Qatar e Luxemburgo

A selecção portuguesa de futebol arrancou ontem a preparação para os jogos de sábado, com o Qatar, e 12 de Outubro, com o Luxemburgo, o último a contar para a qualificação para o Mundial2022. Os eleitos para a equipa das ‘quinas’ treinaram ontem na Cidade do Futebol, em Oeiras, distrito de Lisboa, com um jogador a falar à comunicação social para lançar o duplo desafio.

Entre os 24 convocados por Fernando Santos, a grande novidade é o médio Matheus Nunes, do Sporting, com dois regressos em relação à lista de setembro, casos do defesa Diogo Dalot (Manchester United) e do médio William Carvalho (Bétis). Portugal jogará duas vezes no Estádio Algarve, a começar pelo segundo particular com o anfitrião do próximo campeonato do mundo, já no sábado, após uma primeira vitória por 3-1 em Debrecen (Hungria).

André Silva, o ausente Otávio e Bruno Fernandes marcaram na Hungria, altura em que a selecção ‘folgou’ no grupo A de qualificação, que lidera com 13 pontos, contra 11 da Sérvia, segunda e em posição de ‘play-off’.

Nos primeiros cinco encontros de apuramento, de oito, Portugal venceu o Azerbaijão (1-0, na casa emprestada de Turim), empatou na Sérvia (2-2), ganhou no Luxemburgo (3-1), venceu na receção à República da Irlanda (2-1) e ganhou no Azerbaijão (3-0).

Os luxemburgueses são terceiros com seis pontos, mas menos um jogo, e ainda ‘sonham’ com o lugar de ‘play-off’.

A fase de grupos da qualificação europeia para o Mundial2022 termina em Novembro e os vencedores dos 10 grupos apuram-se diretamente para a fase final, enquanto os segundos classificados seguem para os ‘play-offs’.

6 Out 2021

Filipinas | Filho de Ferdinand Marcos candidato à presidência

Ferdinand “Bongbong” Marcos, filho do ditador filipino Ferdinand Marcos, anunciou ontem que se candidatará à presidência em 2022, 35 anos após o seu pai ter sido deposto por uma revolução popular pacífica.

“Anuncio hoje a minha intenção de concorrer à presidência das Filipinas nas eleições de Maio de 2022. Trarei essa forma de liderança unificadora ao nosso país”, anunciou Marcos num vídeo gravado na sua página do Facebook.

Marcos, que foi senador e perdeu a vice-presidência em 2016 por alguns milhares de votos, especulava há meses sobre a candidatura ao tão esperado regresso ao poder da sua família, que teve de se exilar no Havai após a deposição do seu pai em 1986.

Num discurso de três minutos em inglês e tagalo, que se centrou na devastação da pandemia da covida-19, Marcos salientou a necessidade de unidade nacional e “uma visão partilhada” para que o país saia da crise.

“Junta-te a mim na mais nobre das causas e teremos sucesso”, disse Marcos “Bongbong” diante de um grupo de apoiantes no final do vídeo, gravado em Manila.

A candidatura surge após meses de rumores na imprensa e nas redes sociais, sobre a possível escolha de Sara Duterte, a filha do actual presidente, que também está a considerar concorrer à presidência, como sua companheira de candidatura à vice-presidência.

Desafio maior

Aos 64 anos, o filho do ditador que governou as Filipinas durante mais de duas décadas enfrenta o seu maior desafio político numa eleição em que defrontará, entre outros, o doze vezes campeão mundial de boxe, Manny Pacquiao, e o actual presidente da câmara de Manila, Isko Moreno.

Segundo as últimas sondagens, os seus índices de popularidade permitem-lhe sonhar em imitar o seu pai, cuja figura permanece controversa e atrai um número crescente de nostálgicos.

Marcos fez a sua estreia política em 1980 quando, aos 23 anos de idade, se tornou vice-governador da província de Ilocos Norte, o feudo dos Marcos, onde também serviu como governador antes de se tornar senador de 2010 a 2016.

A recuperação do poder, que consideram usurpado após a revolução pacífica do povo apoiada pela Igreja Católica e algumas elites em 1986, tem sido desde então uma obsessão da dinastia, cuja matriarca, Imelda Marcos, também concorreu à presidência em 1992.

Agora, com 92 anos e reformada da política, depois de ter ocupado o seu lugar no Congresso até 2019, a chamada “Borboleta de Ferro” tem sido a defensora mais tenaz do legado do seu marido, que morreu no exílio no Havai em 1989.

O revisionismo sobre o ditador Ferdinand Marcos, que impôs uma Lei Marcial com mão de ferro em 1972 e suprimiu qualquer indício de dissidência, foi impulsionado nos últimos anos pelo actual presidente, Rodrigo Duterte, que autorizou a transferência dos seus restos mortais para o Cemitério dos Heróis em Manila, em 2016, e chamou a Bongbong um “sucessor adequado”.

Bongbong e a sua irmã Imee também sugeriram que se retirassem dos livros de história as referências aos abusos dos direitos humanos durante o governo do seu pai, um período de estabilidade e prosperidade de acordo com eles, e encorajaram os seus detratores a “virar a página”.

6 Out 2021

Pequim2022 | China testa instalações para os Jogos Olímpicos de Inverno

A quatro meses dos Jogos Olímpicos de Inverno, a decorrer em Pequim de 4 a 20 de Fevereiro de 2022, mais de 2.000 atletas e oficiais estrangeiros participarão esta semana numa série de eventos-teste, anunciou ontem a organização.

Integrado nesses vários eventos de teste a Pequim2022, o China Speed Skating Open decorrerá de sexta-feira a domingo, com a participação de atletas da Coreia do Sul e dos Países Baixos no National Speed Skating Stadium, apelidado de ‘fita branca’.

Para além do teste à pista de velocidade do National Stadium, que servirá igualmente para os atletas contactarem com esta nova estrutura, também serão realizados eventos nas modalidades de luge, bobsleigh, hóquei no gelo, esqui e snowboard.

Estas competições, que permitem aos organizadores aferir das condições das instalações e do seu correcto funcionamento, são tradicionalmente agendadas para decorrer um ano antes dos Jogos, mas a pandemia de covid-19 obrigou ao seu adiamento.

As medidas pandémicas, nomeadamente as restrições nas viagens, levaram ao cancelamento das etapas da Taça do Mundo de esqui alpino, cross-country, saltos e dos Mundiais de esqui livre e snowboard, que deveriam servir como eventos de teste.

Tal como nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, os participantes nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022 serão testados ao novo coronavírus diariamente e obrigados a fornecer testes de triagem negativos ao entrar na China.

Na bolha

O Comité Olímpico Internacional (COI) anunciou na semana passada que os espectadores de fora da China não poderão assistir ao evento.

Apenas os participantes totalmente vacinados, incluindo representantes dos órgãos de comunicação social e funcionários, estarão isentos de quarentena de 21 dias e poderão entrar na ‘bolha olímpica’, da qual não poderão sair durante os Jogos.

“Neste circuito fechado, todos os participantes do evento só podem deslocar-se entre os locais de competição e participar em actividades relacionadas com o seu trabalho, competição e treino. Outras actividades não são permitidas”, disse Huang Chun, gestor do controlo de epidemias do comité organizador de Pequim2022.

5 Out 2021

Hong Kong | Evergrande suspende comércio na bolsa

O gigante imobiliário da China Evergrande suspendeu ontem o comércio na bolsa de Hong Kong, sem explicar quais os motivos desta decisão. O preço das acções da empresa caiu cerca de 80 por cento desde o início do ano. Estrangulado por uma dívida de 260 mil milhões de euros, o grupo privado tem vindo a lutar há várias semanas para cumprir os pagamentos.

“A negociação das acções do Grupo Evergrande na China será interrompida”, disse a empresa à bolsa de valores. “Como resultado, o comércio de todos os produtos estruturados relacionados com a empresa será interrompido ao mesmo tempo”.

O colosso chinês permanece à beira do colapso e a sua potencial falência pode abalar o sector imobiliário chinês e mesmo a economia nacional e global.

As acções da sua subsidiária de veículos eléctricos, que na semana passada se afastaram de uma proposta de cotação em Xangai, não foram suspensas, embora tenham caído 6 por cento no início da negociação. Evergrande já começou a desinvestir alguns bens. Na semana passada, o grupo anunciou que iria vender uma participação de 1,5 mil milhões de dólares (num banco regional para angariar o capital necessário. Confrontado com o risco de agitação social se o Evergrande falhar, o Governo chinês ainda não indicou se irá intervir para ajudar ou reestruturar o gigante imobiliário.

As autoridades pediram aos Governos locais para se prepararem para o potencial colapso de Evergrande, sugerindo que é improvável um grande salvamento estatal. O grupo admitiu que enfrenta “desafios sem precedentes” e advertiu que poderá não ser capaz de cumprir os seus compromissos.

5 Out 2021

China exibiu em Zhuhai novo armamento da Força Aérea

A China apresentou esta terça-feira o novo equipamento da Força Aérea, que inclui veículos aéreos não tripulados (“drones”) de vigilância ou ataque e aviões de guerra eletrónica, numa altura de crescentes tensões com os Estados Unidos.

A apresentação do armamento, durante a maior exibição aeroespacial da China, a “AirShow China”, que decorre em Zhuhai, cidade que faz fronteira com Macau, ocorre numa altura em que Pequim avança com o programa de modernização do exército, que espera concluir até 2035.

A China continua longe de ter o poderio militar dos Estados Unidos, que têm um orçamento de Defesa três vezes maior, mas está, aos poucos, a diminuir a lacuna, segundo observadores.

Um recente relatório produzido pelos serviços de informações norte-americanos expressou preocupação com a crescente influência de Pequim, que vê como a maior ameaça dos Estados Unidos.

Entre as principais novidades exibidas em Zhuhai está o drone WZ-7, com 14 metros de comprimento e destinado a missões de reconhecimento e patrulha marítima.

O país apresentou ainda o J-16D, um caça dedicado à “guerra eletrónica” – a deteção e destruição de transmissões de rádio e sistemas de comunicação.

Segundo especialistas citados pela imprensa chinesa, este avião pode atacar instalações de radar ou sistemas de deteção e comando aerotransportados.

Ambos os aparelhos estão já a ser utilizados pelo exército chinês e “desempenharão um papel importante no Estreito de Taiwan e no Mar do Sul da China”, afirmou o analista militar chinês Song Zhongping, citado pela agência France Presse.

As reivindicações territoriais da China nestes territórios são regularmente frustradas pela passagem de navios de guerra norte-americanos.

Outra máquina apresentada hoje foi um protótipo do versátil “drone” de reconhecimento e ataque CH-6. Com 15 metros de comprimento e uma envergadura de mais de 20 metros, o veículo aéreo não tripulado deve realizar voos de teste em 2023.

Os construtores do “drone” estimam que possa operar a grande altitude (10.000 metros) e em alta velocidade (500-700 quilómetros por hora), durante 20 horas.

O aparelho pode transportar radares, sistemas de reconhecimento, mísseis ou mesmo bombas ar – terra.

Estes novos veículos aéreos permitem que as forças armadas chinesas observem e conduzam ataques em locais antes inacessíveis.

Perante a relutância dos países ocidentais em vender “drones” mais avançados a países que não sejam os aliados mais próximos, a China também se posiciona como um “fornecedor alternativo”, a preços acessíveis, apontou Kelvin Wong, da empresa britânica Janes, especializada em assuntos de Defesa.

“Drones” chineses já são usados por vários exércitos estrangeiros, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

O caça J-16D demonstra uma “melhoria geral” nas capacidades de combate da China, segundo James Char, especialista da Universidade Tecnológica de Nanyang, de Singapura.

“Podemos falar de um avanço significativo, porque dá aos militares chineses uma vantagem em termos de guerra eletrónica aérea, contra alvos que têm capacidade de defesa aérea significativa”, descreveu.

De acordo com muitos especialistas, no entanto, a China ainda está atrás dos Estados Unidos, especialmente na qualidade dos motores dos seus aviões militares e no número de satélites de comunicação necessários para realizar operações.

Mas, mesmo que Pequim continue a ser incapaz de projetar verdadeiramente o seu poder para além do continente chinês, vai ter um sistema de defesa marítima e aérea capaz de conter uma potencial ofensiva norte-americana, descreveu Justin Bronk, analista da firma britânica Royal United Services Institute.

Além de fabricantes de equipamentos militares, a exposição de Zhuhai reúne os principais grupos da aviação civil chinesa e mundial, como as construtoras Boeing e Airbus.

Originalmente agendada para o final de 2020, a reunião, que se realiza a cada dois anos, foi adiada devido à pandemia.

29 Set 2021

Pugilista filipino Manny Pacquiao anuncia fim da carreira

O famoso pugilista filipino Manny Pacquiao anunciou hoje o fim da carreira após décadas no ringue, classificando a decisão como a “mais difícil” da sua vida.

“É-me difícil aceitar que a minha carreira no boxe tenha terminado”, disse Pacquiao, de 42 anos, numa mensagem de vídeo publicada na rede social Twitter. “Hoje anúncio a minha reforma”, acrescentou.

Esta declaração surge dez dias após o lendário pugilista, que se tornou um herói nacional, ter anunciado a candidatura às eleições presidenciais de maio de 2022 nas Filipinas.

Manny Pacquiao, que cresceu nas ruas antes de se tornar uma estrela internacional, afirmou ser candidato algumas semanas depois a sua última luta profissional, uma derrota a 22 de agosto em Las Vegas contra o cubano Yordenis Ugas.

O filipino começou a sua carreira profissional em janeiro de 1995 com uma bolsa de 1.000 pesos antes de acumular uma fortuna estimada em mais de 500 milhões de dólares.

O pugilista, casado e com cinco filhos, agradeceu aos milhões de fãs em todo o mundo e prestou uma homenagem especial ao treinador de longa data, Freddie Roach, dizendo que o considera um membro da “família, um irmão, um amigo”.

Manny Pacquiao entrou para a política em 2010, quando foi eleito deputado, antes de se tornar senador em 2016. Por vezes, suscitou controvérsia com as suas declarações anty-gay ou a favor da pena de morte.

Ainda assim, é muito popular no arquipélago de 110 milhões de pessoas, onde, apesar de ter nascido em extrema pobreza, a generosidade e o sucesso alcançado são profundamente admirados.

29 Set 2021

China | Evergrande vende parte da participação em banco comercial a grupo estatal

A construtora chinesa Evergrande anunciou hoje a venda de 19,93% das ações do banco comercial Shengjing Bank a um conglomerado estatal, por 9.993 milhões de yuans (1.322 milhões de euros), numa altura em que regista falta de liquidez.

Em comunicado, enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a Evergrande indicou que, após a transação, a sua participação no Shengjing Bank caiu de 34,5% para 14,57%. A Evergrande vai transferir 1.753 milhões de ações um preço unitário de 5,7 yuans.

O dinheiro provavelmente não vai para a tesouraria da construtora, já que o Shengjing Bank exigiu que o lucro líquido que a Evergrande obtiver com a operação pague as dívidas que tem com o banco.

O conglomerado que adquiriu a participação é identificado no documento como Shenyang Shengjing Finance Investment Group, um grupo estatal, formado por diferentes instituições da cidade de Shenyang – onde o banco tem sede – e da província de Liaoning.

O motivo dado para a transação são os “problemas de liquidez” da Evergrande, que “afetaram material e adversamente o Shengjing Bank”.

Em maio, o portal de notícias económicas Caixin informou que os reguladores bancários chineses estavam a investigar mais de 100 mil milhões de yuans em transações entre a Evergrande e o Shengjing Bank, que detém “grande quantia” de títulos da, até agora, sua principal acionista.

Embora a Evergrande tenha assegurado que todas as operações com o Banco Shengjing cumpriram os regulamentos estabelecidos, o vice-presidente da câmara de Shenyang pediu às empresas públicas da região que aumentassem “gradualmente” a sua participação na entidade, para “acelerar a sua conversão para um bom banco”.

No comunicado emitido desta manhã, a Evergrande garantiu que a entrada do grupo estatal vai “ajudar a estabilizar as operações do banco” e “aumentar e manter o valor” da participação que a imobiliária manteve.

A notícia foi bem recebida pelos investidores na Bolsa de Valores de Hong Kong, com as ações da Evergrande a subir mais de 13,1%, na sessão da manhã.

A Evergrande, com um passivo total de cerca de 256.000 milhões de euros, tem de enfrentar hoje o pagamento de 47,5 milhões de dólares de juros sobre obrigações emitidas fora da China.

Na passada quinta-feira, terminou o prazo para o pagamento de 84 milhões de dólares de obrigações também emitidas no estrangeiro.

29 Set 2021

Fumio Kishida ganha as primárias do partido para se tornar o primeiro-ministro do Japão

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa japonês Fumio Kishida venceu hoje as primárias do Partido Liberal Democrático (LDP) do Japão e será nomeado primeiro-ministro e candidato às eleições gerais nos próximos meses.

Kishida, de 64 anos, venceu Taro Kono, o atual ministro da Reforma Administrativa e Regulamentar no gabinete do primeiro-ministro cessante Yoshihide Suga, por 257 votos contra 170, num segundo turno em que o apoio dos deputados do LDP foi decisivo.

Ambos atingiram a segunda ronda depois de registarem margens estreitas de 256 (Kishida) e 255 (Kono) na primeira ronda, onde nenhum dos dois teve uma maioria suficiente.

Os outros dois candidatos que participaram nas eleições internas, Sanae Takaichi e Seiko Noda, obtiveram 188 e 63 votos.

Kishida substitui o líder do partido cessante Yoshihide Suga, que se demite após um ano desde que tomou posse em setembro passado.

Como novo líder do Partido Liberal Democrático, Kishida deverá ser eleito o próximo primeiro-ministro na segunda-feira no parlamento, onde o seu partido e parceiro de coligação têm maioria.

29 Set 2021

A origem da cozinha Macaense em Macau (Primeira Parte)

Ritchie Lek Chi, Chan

Uma importante fonte de comércio de especiarias

 

Em 2017, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau lançou o trabalho de inclusão da candidatura de Macau como a “Cidade da Gastronomia”, na esperança de atrair mais turistas e aumentar a popularidade de Macau através da promoção da gastronomia de Macau, de modo a transformar Macau numa típica cidade turística de lazer.

Aproveitando a popularidade, muitos livros chineses e portugueses sobre “Cozinha Macaense” ou “As habilidades culinárias dos Macaenses em Macau” foram lançados no mercado, e muitos artigos publicados em jornais. Hoje, este clima quente acalmou um pouco, e vamos falar sobre a história de fundo da cozinha Macaense de Macau por outro ângulo.

Quando todos apreciam os pratos nativos, quantas pessoas sabem que por detrás destas iguarias está a longa história de Macau, mas também o pano de fundo histórico da navegação portuguesa. Quando descobrimos um mapa náutico português, podemos verdadeiramente compreender a origem da cultura alimentar Macaense. Por outras palavras, a cultura Macaense inclui o surgimento da “Cozinha Macaense”, que pode traçar as trocas culturais e os encontros culturais provocados pelas viagens portuguesas através do mar ao mundo oriental.

Li vários livros ou artigos chineses e portugueses, publicados em Macau, sobre as origens históricas da cozinha Macaense. O conteúdo menciona que durante o período do “Grande Descobrimento Geográfico”, as rotas dos portugueses para o Oriente incluíram África, Índia, Península Indochina, Tailândia, Malásia e Timor, etc. Mas quase não há menções de desembarques de portugueses na Indonésia e da procura de especiarias preciosas neste país. No entanto, verifiquei outros livros em língua estrangeira ou páginas da web relacionadas, especialmente depois que a literatura indonésia afirmou mais claramente que os portugueses se estabeleceram em Malaca, e logo se dirigiram para a Indonésia ao sul ou sudeste. Em 1511, uma frota portuguesa desembarcou com sucesso na ilha indonésia de Molucas (Maluku), conhecida como “Ilhas das Especiarias”. Desde então, a Ilha Maluku. e as ilhas vizinhas, tornaram-se uma importante fonte de produção no comércio de especiarias de Portugal, e introduziram cravo e noz-moscada na culinária indonésia e na europeia. (Nota 1)

A Terra das Especiarias e a vitória dos Portugueses

Sob a orientação de dois professores de história e geografia, três alunos do ensino médio da Escola Secundária Chengyuan de Taipei City escreveram um artigo “A Guerra das Especiarias e a História do Desenvolvimento Comercial do Poder Marítimo da Europa Ocidental”. O artigo foi extraído da “Especiarias” (Les épices), escrito por Lucien Guyot, professor da Escola Nacional Superior de Agricultura de Grinnon em Paris, França (L’Institut national agronomique Paris-Grignon, France ), e acadêmico da Academia Francesa de Agricultura(L’académie D’agriculture de France). Esta passagem afirmava que o sucesso dos portugueses desta vez “não só acabou com o monopólio dos venezianos no comércio europeu de especiarias, mas também abriu a corrida às especiarias pelos próximos duzentos anos e mesmo o prelúdio da expansão colonial” (Nota 1).

Além disso, o Padre Manuel Teixeira, historiador português e residente em Macau várias décadas, escreveu “A Diocese Portuguesa de Malaca”. O capítulo 8 descreve especificamente as actividades dos jesuítas na Ilha das Molucas para compreender a importância que os portugueses atribuem à ilha. Portanto, de acordo com todas as afirmações anteriores, quando falamos da origem da comida macaense, a cultura alimentar indonésia é também um dos elementos essenciais.

Vale a pena referir que a maior parte dos países por onde passaram portugueses eram considerados “terras das especiarias”, locais ricos com uma grande variedade de especiarias, o que permitiu aos portugueses obter lucros avultados no futuro comércio, que alcançou o seu pico em 1513-1919. (Nota 2). Outras potências europeias perceberam isso e, mais tarde, ingressaram no negócio de comércio de especiarias de forma preventiva. Até que “a normalização do comércio de especiarias orientais e o retorno aos princípios morais foram promovidos por franceses e britânicos posteriormente entre o século XIX e a primeira metade do século XX (Nota 3).”

Mistura de culturas produz cozinha Macaense

Macau é uma cidade pequena, com muita comida deliciosa, e uma população migrante que tem aumentando nas últimas décadas, trazendo diferentes culturas e diversificando a cultura alimentar de Macau. Entre os muitos pratos deliciosos, embora a cozinha cantonense possa representar os pratos autênticos de Macau, a única que pode verdadeiramente mostrar o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente é a “cozinha macaense” ou a “comida macaense”.

Durante mais de quatrocentos anos, os intercâmbios culturais em Macau não se limitaram à cultura chinesa Lingnan e à cultura portuguesa. Também penetraram nas culturas africana, indiana e do sudeste asiático trazidas pelos portugueses durante o período de navegação na Idade Média. Este intercâmbio cultural multifacetado deu origem a dois importantes produtos mistos: “Patuá” e a ” Arte da Culinária Macaense”.

Patuá é baseado no português e mistura de vocabulário malaio, indonésio e cantonês, língua esta que foi diminuindo gradualmente e está prestes a desaparecer. A razão é que na sociedade chinesa dominada pelos dialectos cantoneses em Macau, a nova geração macaense recebe o português ortodoxo na escola e o cantonês é o principal meio de comunicação em casa ou fora da escola. Portanto, no ambiente linguístico é difícil para o Patuá continuar a circular e manter um espaço de “sobrevivência”. No entanto, a cultura da cozinha e comida macaense é facilmente aceite. Nos últimos anos, com a vigorosa conservação e promoção do Governo e da organização cívica, a cozinha macaense continua a espalhar-se até hoje. Além disso, tornou-se um símbolo e destaque da cultura alimentar de Macau e um importante traço histórico das trocas culturais “chinesas e ocidentais” de Macau.

A cozinha e a gastronomia macaense em Macau revelam um fenómeno de mistura cultural. De facto, este fenómeno não ocorre apenas em Macau, mas também em qualquer parte do mundo, enquanto houver nacionalidades estrangeiras ou raças diferentes a viverem juntas por muito tempo, haverá trocas mútuas de cultura e costumes de vida, criando uma nova cultura.

Aqui estão alguns exemplos:

Indonésia, Malaca e Goa

Ao longo da história nos últimos quinhentos anos, tanto governantes estrangeiros como imigrantes que chegaram à Indonésia trouxeram cultura e costumes do seu próprio país. Em particular, na capital Jacarta que é ponto de encontro das civilizações oriental e ocidental. Harmonia com a cultura indiana, Médio Oriente, europeia e chinesa, formando um sistema cultural rico e complexo. Escrevi um artigo no Diário de Macau para apresentar uma “Aldeia Tugu” em Jacarta onde vivem pessoas de ascendência portuguesa, indonésia e malaia, cuja comida reflecte o fenómeno da mistura de culturas (Nota 4), bem como as zonas onde vivem os chineses em Jacarta, etc., o que pode evidenciar a óbvia cultura mista. Também na área onde vivem chineses, lugar onde se destaca a cultura mista, a comida que cozinham diariamente é uma mistura de características chinesa e indonésia.

Malaca é uma cidade multicultural, tal como Jacarta. Antes da chegada dos portugueses, já os chineses tinham desembarcado na pequena cidade junto à rota de Zheng He. Os portugueses trouxeram não só a cultura ocidental, mas também a cultura de outras colónias portuguesas. Posteriormente, Grã-Bretanha e Holanda ocuparam a cidade, fazendo com que Malaca parecesse ter adicionado uma cultura mais exótica. Em Ujong Pasir, uma aldeia de etnia luso-malaia, Chinatown, e Chetti, uma aldeia de etnia luso-indiana, os residentes falam malaio ou uma língua mista, mas mantêm os costumes e rituais de sua terra natal. A cultura alimentar assenta principalmente em pratos malaios e indonésios, mais com elementos portugueses, indianos, britânicos e chineses.

Desde os tempos antigos, a Ilha de Java e Sumatra da Indonésia têm uma relação estreita e trocas frequentes com Malaca. As culturas dos dois lugares, incluindo a cultura alimentar, também se trocam e se influenciam. Na vila portuguesa, existem muitos restaurantes que servem cozinha luso-malaia, semelhantes aos da cozinha macaense de Macau.

Além disso, nos restaurantes chineses na Chinatown os clientes podem comer a comida da “Nyonya” (Nota 5), esta é uma mistura de pratos cantonenses, fujianenses, hakka e malaios. Os cidadãos de Macau também conhecem a comida da “Nyonya”, o “Laksa” e “Belacan”.

Chetti, uma aldeia indígena em Malaca, é habitada por uma população que mistura as descendências malaia, indiana, portuguesa e britânica. Esta aldeia é mais complexa e diversa culturalmente e um lugar onde se come caril. Aliás, o ar da vila está repleto do sabor do caril indiano, que pode ser considerado um paraíso para quem gosta da especiaria.

Portugal governou Goa cerca de 450 anos desde 1510. Os portugueses tiveram um impacto significativo na cultura, gastronomia e arquitectura de Goa. Naquela época, as autoridades incentivaram os portugueses a casarem com mulheres goenses e a estabelecerem-se como agricultores, vendedores ou artesãos locais. Estes portugueses ​​tornaram-se rapidamente uma classe privilegiada, passando a existir em Goa uma considerável população euro-asiática. Alguns alimentos também começaram a misturar características de Portugal e da Índia, incluindo o porco com vinagre e picante “Sorpotel” e o porco com vinho e vinagre “Sarapatel” que os portugueses estão habituados a cozinhar para a época do Natal. E também outra receita de porco com vinho tinto e alho, “Vinha d’alhos” da cozinha portuguesa, mudando para “Vindaloo ou Vindalho” porco de caril. Existe também a receita de caranguejos com caril (origem de Índia ou Malásia) conhecida em Macau.

 

Anotação:
“A guerra das especiarias e a história do desenvolvimento comercial dos países com poder marítimo da Europa Ocidental”, autores: Zhu Peiyu, Nie Jiajun, Huang Pinhua, Supervisores: Kang Shiyun, Cai Liqing, página 4. http://www.shs.edu.tw › works › essay › 2018/11
“Revista de Cultura” do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, edição chinesa, número 99, 2016. Página 26, terceira linha do primeiro parágrafo.
“Les épices”, de Lucien Guyot, traduzido por Liu Deng, p. 65.
“Arte e Cultura Alimentar na Mesma Linha”, autor: Ritchie Lek Chi Chan, Macau Daily News, 7 de Fevereiro de 2021. Edição “Rua de Macau”.
“Nyonya” (Nonya) geralmente se refere à senhora e esposa. Essas mulheres de status elevado são mulheres de etnia chinesa e malaia mistas, ou mulheres chinesas que viveram na Malásia, Indonésia e Singapura por várias gerações e não falam chinês.

29 Set 2021

DSEDJ | Negada suspensão de aulas até 15 de Outubro

No seguimento da notícia avançada ontem através da comunicação social sobre o prolongamento da suspensão das aulas presenciais até ao dia 15 de Outubro, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) esclareceu que ainda não foi tomada uma “decisão final” e que, para já, a interrupção vigora até ao próximo domingo.

“A DSEDJ esclarece que as aulas do ensino não superior estão suspensas até ao dia 3 de Outubro, e as instituições do ensino superior suspenderam as suas actividades pedagógicas presenciais. Neste momento, a DSEDJ ainda está a estudar e a avaliar, de forma dinâmica, a evolução da epidemia, não havendo ainda uma decisão final”, pode ler-se no comunicado.

A notícia avançada ontem, que acabaria por não ser confirmada pela DSEDJ, dava conta que, entre os dias 5 e 15 de Outubro, as aulas do ensino não superior seriam ministradas online, prolongando assim o cancelamento das actividades presenciais, decretado à luz do mais recente surto de covid-19 em Macau.

29 Set 2021

IAM | Conselheiro culpa seguranças por surto

Chan Pou San, membro do Conselho Consultivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), considera que o último surto de covid-19 “só ocorreu porque os dois seguranças falharam no cumprimento das medidas rigorosas de prevenção”. As declarações de Chan, que defendeu a remoção de nomes “colonialistas” das ruas, foram publicadas ontem no jornal Cheng Pou.

Entre sexta-feira e sábado foram revelados três casos de covid-19 em Macau. O primeiro atingiu um residente em quarentena, mas espalhou-se a dois seguranças nepaleses do hotel onde o primeiro paciente estava em observação médica. De acordo com os Serviços de Saúde, os dois trabalhadores terão sido infectados por não terem utilizado correctamente as máscaras. “Foi devido a erros elementares que houve o surto, que estão a afectar não só Macau e Cantão, mas a espalhar-se por todo o país”, apontou.

Segundo o também vice-presidente da Associação dos Conterrâneos de Jiangmen, este comportamento mostra que é preciso “persistir” nas medidas de segurança, mesmo que as pessoas se sinta cansadas de dois anos de pandemia.

Em relação às consequências do surto mais recente em Macau, Chan Pou San indicou ter causado “impactos sérios no tecido social, negócio do turismo, manutenção dos empregos e na possibilidade de os estudantes frequentarem as aulas”.

29 Set 2021

Banco central da China promete “desenvolvimento saudável” do sector imobiliário

O Banco Popular da China (banco central) estabeleceu hoje como objetivo manter o “desenvolvimento saudável” do mercado imobiliário, num momento de incerteza para o setor, face à crise de dívida da construtora Evergrande.

Em comunicado, o banco central chinês reviu as questões que foram debatidas durante uma reunião sobre política monetária e fez uma breve referência àquele objetivo, embora sem citar diretamente a Evergrande ou os problemas que o setor enfrenta.

“Vamos manter o desenvolvimento saudável do mercado imobiliário e proteger os legítimos direitos e interesses dos compradores de imobiliário”, referiu o banco.

Trata-se de uma das poucas declarações públicas de uma instituição estatal chinesa a respeito do setor imobiliário, desde que a imprensa e os mercados internacionais passaram a focar-se nos problemas de liquidez da Evergrande.

O banco central garantiu que a sua política monetária continuará a ser “prudente”, mas que deve também ser “flexível, precisa, razoável e moderada”.

Desde o dia 15 de setembro, o Banco Popular da China injetou um total de 1,46 bilião de yuans no sistema financeiro para “garantir a estabilidade da liquidez”, no final do terceiro trimestre do ano.

O custo médio de um apartamento na China representa agora 9,2 vezes a renda disponível anual média na China, de acordo com um estudo do grupo imobiliário E-House China.

Em Pequim ou Xangai, o valor médio dos imóveis ascende a cerca de 23 vezes o vencimento médio anual dos residentes.

Os excessos do setor foram este ano alvo dos reguladores chineses, que passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivos e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património líquido.

28 Set 2021

China pede aos EUA que adoptem política “racional” na relação com Pequim

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros disse hoje que os Estados Unidos precisam de “transformar as palavras em ações” e retornar a sua política para a China a um “caminho racional e pragmático”.

Wang Yi, que reuniu, via videoconferência, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “Washington indicou recentemente que não quer um confronto ou guerra fria com a China”.

“Mas a chave para isso é transformar as palavras em atos concretos e colocar a sua política em relação à China de volta a um caminho racional e pragmático”, descreveu, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

As relações entre Washington e Pequim deterioraram-se, nos últimos anos, marcadas por disputas no comércio, tecnologia ou Direitos Humanos.

No entanto, na semana passada, o retorno à China da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, após um acordo com as autoridades dos EUA para suspender o seu pedido de extradição – ela estava detida no Canadá – e um processo judicial por fraude, constituiu um raro desenvolvimento positivo na relação entre os dois países.

Após a sua libertação, a China também libertou os canadianos Michael Spavor e Michael Kovrig, que foram detidos numa aparente retaliação pela prisão de Meng no Canadá.

Wang Yi disse ainda, durante outro encontro via videoconferência com o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, que a “região da Ásia – Pacífico não precisa de um novo bloco militar, nem deve ser motivo de confronto”.

“Pequim está aberta ao diálogo”, numa altura em que a “comunidade internacional precisa de se unir e cooperar”, apontou Wang, acrescentando que a “China não almeja hegemonia ou expansão e quer dividir os seus dividendos com outros países”.

Stoltenberg “saudou a expansão do diálogo entre a NATO e a China” e destacou o “potencial para maior cooperação em desafios comuns, como as alterações climáticas”, segundo um comunicado da NATO.

Mas a mesma fonte apontou também as “preocupações da NATO sobre as políticas coercivas da China, a expansão do arsenal nuclear e a falta de transparência sobre a modernização militar” do país.

Na última cimeira da NATO, realizada em junho passado, os aliados voltaram as suas atenções para a China e no comunicado final indicaram que viam oportunidades de cooperação com Pequim, em questões como controlo de armas ou alterações climáticas, mas alertaram para a crescente influência e a política externa do país que representam desafios para a segurança da Aliança.

Wang também tem hoje agendado um encontro com o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, no quadro da 11.ª ronda do diálogo estratégico de alto nível entre a China e a UE.

28 Set 2021

Covid-19 | Registado 68.º caso, mais um segurança de hotel designado para quarentenas

Foi hoje detectada uma nova infecção por covid-19, o 68.º caso desde o início da pandemia, anunciaram hoje as autoridades de saúde, numa altura em que o território está prestes a terminar os testes em massa à população.

Trata-se de mais um segurança de um hotel onde decorrem quarentenas obrigatórias para quem chega a Macau, que tinha sido colocado em isolamento a 25 de setembro e que se encontrava vacinado contra a covid-19.

Macau está a concluir testes à covid-19 a toda a população, após ter detetado um caso num viajante, na sexta-feira, e os outros dois casos conexos no dia seguinte, os dois seguranças, um do mesmo local de trabalho, outro de um hotel contíguo.

Pelo menos 855 pessoas foram colocadas em quarentena por terem percursos idênticos, em autocarros, aos primeiros dois seguranças diagnosticados. Na sexta-feira, o Governo decretou o estado de emergência imediata. Os testes à população terminaram às 15:00. Esta é a segunda vez que o território organiza testes em massa.

Em agosto, após a deteção de quatro casos da variante delta do novo coronavírus, todos na mesma família, o Governo de Macau também decretou o “estado de emergência imediata” e testou toda a população, cerca de 680 mil pessoas. Nenhum caso foi então detetado.

Pouco mais de metade da população está vacinada, apesar de a administração gratuita da vacina estar disponível há mais de meio ano.

28 Set 2021

Myanmar | Combates entre junta militar e grupos armados rebeldes aumentam no noroeste do país

Os combates entre as forças da junta militar de Myanmar (ex-Birmânia) e grupos armados rebeldes continuam ontem em áreas do noroeste do país, onde as populações foram deslocadas devido aos bombardeamentos e as autoridades cortaram a ligação à internet.

Hoje, na cidade de Thatlangm, no estado de Chin, houve um confronto duro entre os militares e a Força de Defesa de Chinland, uma das milícias civis que surgiram no país para combater o exército, que tomou o poder em 01 de fevereiro, de acordo com a agência de notícias Chindwin.

A população de Thantlang, palco desses combates, foi atingida por bombardeamentos nas últimas semanas, o que obrigou a maioria de seus 8.000 habitantes a deixarem as suas casas, em muitos casos para cruzar a fronteira com a Índia.

O outro ponto de grande conflito nas últimas semanas é a província de Sagaing, também no noroeste, onde, de acordo com o meio de comunicação Khit Thit Media, o exército tomou as cidades de Monyway e Kyemon e disparou contra a população civil, com um morto confirmado.

De acordo com o portal de notícias DVB, nesta região também ocorreram bombardeamentos aéreos do exército no fim de semana na cidade de Penlebu, onde a ligação de internet foi interrompida.

O corte da internet em pelo menos 23 localidades que estão em conflito nos últimos dias dificulta o fluxo de informações e soma-se às dificuldades causadas pela perseguição à imprensa independente, que, desde o golpe de Estado, teve que passar à clandestinidade em muitos casos, atuando a partir de outros países.

O corte seletivo da internet, especialmente à noite, foi uma das primeiras medidas tomadas pela junta militar após o golpe militar de 01 de fevereiro.

A tomada de poder em Myanmar foi justificada por uma alegada fraude durante as eleições gerais de novembro passado, das quais o partido da líder deposta Aung San Suu Kyi saiu vencedor.

A rejeição ao golpe militar é demonstrada com protestos em todo o país e um movimento de desobediência civil que conseguiu travar parte do Governo e do setor privado.

Pelo menos 1.125 pessoas morreram como resultado da repressão brutal exercida por polícias e soldados desde o golpe, que atiraram para matar em protestos pacíficos. O regime militar mantém quase 6.803 opositores detidos, de acordo com os últimos dados da Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos.

O golpe também agravou o conflito armado no país com o nascimento de novos grupos de defesa contra a junta militar, muitos deles sob a égide de um governo democrático alternativo formado por ex-parlamentares e ativistas.

28 Set 2021

Presidente da Coreia do Sul abre à porta à proibição do consumo de carne de cão

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, abriu ontem a porta a uma proibição do consumo de carne de cão no país, um costume que se tornou uma vergonha internacional, revelou o seu gabinete.

“Não terá chegado o momento de considerar prudentemente a proibição do consumo de carne de cão?”, disse Moon ao primeiro-ministro, Kim Boo-kyum, de acordo com a porta-voz presidencial citada pela agência France-Presse.

A recomendação foi feita durante uma apresentação do plano para melhorar o sistema de tratamento dos animais abandonados, disse a porta-voz.

A carne de cão é um alimento popular na Coreia do Sul, com estimativas de até um milhão de animais consumidos por ano. Mas o seu consumo tem diminuído à medida que os sul-coreanos passaram a ver os cães mais como companheiros do que como alimento.

O consumo de carne de cão tornou-se tabu entre as gerações mais jovens e a pressão dos ativistas animais tem aumentado na Coreia do Sul. A indústria de animais de estimação está a crescer na Coreia do Sul, com cada vez mais famílias a viverem com um cão em casa, a começar pelo chefe de Estado.

Moon Jae-in nunca escondeu o seu amor por cães e tem vários na sua residência presidencial, incluindo um rafeiro que resgatou depois de tomar posse.

Esta adoção foi uma das suas promessas de campanha e Tory tornou-se o primeiro cão a ser levado de um centro de acolhimento de animais para a Casa Azul, o palácio presidencial em Seul.

A lei de proteção dos animais da Coreia do Sul centra-se na proibição do abate cruel de cães e gatos, mas não proíbe o seu consumo.

As autoridades têm recorrido a este e outros regulamentos de higiene para reprimir as quintas de criação de cães para consumo alimentar e os restaurantes que servem a sua carne antes de eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018.

28 Set 2021

Metas ambientais de Pequim ameaçam actividade fabril da China

Os consumidores globais enfrentam possível escassez de bens, nas vésperas da época natalícia, depois de cortes de energia na China, visando atender às metas governamentais, forçarem a suspensão da atividade fabril em algumas regiões.

Na cidade de Liaoyang, no nordeste do país, 23 pessoas foram hospitalizadas com intoxicação por gás, depois de a ventilação de uma fábrica de fundição de metal ter sido desligada, após o corte no fornecimento de energia, de acordo com a emissora estatal CCTV.

Um fornecedor de componentes para os iPhones da norte-americana Apple Inc. disse que suspendeu a produção numa fábrica a oeste de Xangai, sob ordens das autoridades locais.

A interrupção da vasta indústria manufatureira da China durante uma das suas épocas mais ocupadas reflete a campanha do Partido Comunista para equilibrar o crescimento económico com os esforços para controlar a poluição e as emissões de gases poluentes.

“A resolução sem precedentes de Pequim em impor limites no consumo de energia pode resultar em benefícios a longo prazo, mas os custos económicos a curto prazo são substanciais”, disseram os economistas Ting Lu, Lisheng Wang e Jing Wang, da empresa de serviços financeiros japonesa Nomura, num relatório publicado hoje.

Os analistas reduziram a sua previsão de crescimento da economia chinesa, para este trimestre, de 5,1% para 4,7%, em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crescimento anual foi revisto em baixa, de 8,2% para 7,7%.

Os mercados financeiros globais já estavam nervosos com o possível colapso de uma das maiores construtoras da China, a Evergrande Group, que falhou o pagamento de juros sob títulos emitidos em dólares, na semana passada.

Os fabricantes enfrentam também escassez de ‘chips’ para processadores, interrupções no transporte e outros efeitos persistentes da paralisação global de viagens e comércio, na sequência da pandemia do novo coronavírus.

Moradores no nordeste da China, onde o outono traz temperaturas baixas, relataram cortes de energia e apelaram nas redes sociais ao Governo para que restaure o abastecimento.

A crise ocorre numa altura em que os líderes globais se preparam para participar de uma conferência ambiental organizada pela ONU, por videochamada, entre os dias 12 e 13 de outubro, na cidade de Kunming, no sudoeste do país.

Isto aumenta a pressão sobre o Governo chinês para cumprir as metas de emissões e eficiência energética.

O partido no poder também se está a preparar para as Olimpíadas de Inverno em Pequim, e na província vizinha de Hebei, em fevereiro, um período durante o qual deseja registar baixos níveis de poluição do ar.

Dezenas de empresas anunciaram que o racionamento de energia pode forçá-las a atrasar o atendimento de pedidos e prejudicá-las financeiramente.

A fornecedora de componentes da Apple, Eson Precision Engineering Co. Ltd., disse no domingo que interromperá a produção na sua fábrica em Kunshan, a oeste de Xangai, até quinta-feira, “de acordo com a política de restrição do fornecimento de energia do governo local”.

A Eson disse que a suspensão não deve ter um “impacto significativo” nas operações.

O consumo de energia e as emissões industriais da China aumentaram à medida que os fabricantes acorrem para atender à procura estrangeira, numa altura em que os concorrentes em outros países ainda são prejudicados por medidas de prevenção contra a pandemia da covid-19.

A economia chinesa “está a ser mais impulsionada pelas exportações do que em qualquer altura na última década”, mas as metas oficiais de uso de energia não levam isto em consideração, disseram os economistas Larry Hu e Xinyu Ji, do Macquarie Group, num relatório.

Algumas províncias esgotaram grande parte das suas quotas oficiais de consumo de energia na primeira metade do ano e estão a reduzir o consumo energético, para ficar abaixo dos seus limites, de acordo com Li Shuo, especialista em política climática da organização ambiental Greenpeace.

As empresas públicas enfrentam também preços crescentes do carvão e do gás. Isto desencoraja o aumento da produção, porque o Governo restringe a sua capacidade de repassar os custos aos clientes, disse Li.

Os preços subiram “além da faixa de capacidade da indústria de eletricidade da China”, acrescentou.

A China lançou repetidas campanhas para tornar o consumo de energia mais eficiente e reduzir os níveis de poluição atmosférica.

A poluição foi visivelmente reduzida, mas a maneira abrupta como as campanhas são executadas interrompe o fornecimento de energia, deixando famílias sem aquecimento em casa e forçando o encerramento de fábricas.

28 Set 2021

NATO insta Pequim ao diálogo para controlo de armamentos

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, expressou ontem as preocupações da Aliança Atlântica com “a expansão do arsenal nuclear da China” e instou Pequim a aceitar um diálogo sobre o controlo de armamentos.

A China não é considerada um adversário pela Organização do Tratado do Atlântico-Norte (NATO), mas deve “respeitar os seus compromissos internacionais e agir de forma responsável no sistema internacional”, insistiu Stoltenberg, numa reunião por videoconferência com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

Jens Stoltenberg “transmitiu as preocupações da NATO em relação às políticas coercivas da China, o aumento do seu arsenal nuclear e a falta de transparência da sua modernização militar”, precisou a organização em comunicado.

“O secretário-geral sublinhou que a transparência e o diálogo recíprocos sobre o controlo dos armamentos seriam benéficos tanto para a NATO como para a China”, acrescenta o documento.

A situação no Afeganistão também foi discutida na reunião com o chefe da diplomacia chinês, tendo Stoltenberg insistido na necessidade de “fazer com que o país não sirva novamente de base a terroristas”.

O responsável apelou para “uma abordagem internacional coordenada, incluindo com os países da região, para que os talibãs sejam obrigados a prestar contas dos seus compromissos em matéria de combate ao terrorismo e de respeito dos direitos humanos, nomeadamente dos direitos das mulheres”.

A China tornou-se motivo de preocupação para os aliados, que afirmaram, na declaração adotada na sua última cimeira, em junho deste ano: “As ambições declaradas da China e o seu comportamento determinado representam desafios sistémicos para a ordem internacional, assente em regras e em áreas que se revestem de importância para a segurança da Aliança”.

Mas não se trata de uma nova Guerra Fria, como sublinhou Stoltenberg, ao afirmar: “A China não é nossa adversária nem nossa inimiga”.

28 Set 2021

China tenta acabar com ‘ponzi’ imobiliário em transição para novo modelo económico

Uma viagem de comboio pela China adentro permite vislumbrar arrozais, montanhas, lagos e… milhares de torres vazias, ilustrando décadas de alocação de capital para o setor imobiliário, numa espécie de esquema pirâmide que ameaça agora ruir.

O infame trajeto da maior construtora do país, a Evergrande Group, cuja dívida supera o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, e que ameaça agora entrar em incumprimento, é visto por analistas como um sintoma de problemas maiores no modelo económico chinês.

O setor da construção constitui um terço do PIB chinês, mas o rácio entre o preço dos imóveis e o valor das rendas é dos mais altos do mundo, sugerindo um retorno negativo sobre o capital investido.

Em Pequim ou Xangai, o valor médio dos imóveis ascende a cerca de 23 vezes o vencimento médio anual dos residentes. O preço médio das habitações supera em 500 vezes o valor das rendas.

Os indicadores utilizados em finanças para medir a rentabilidade de um ativo, no entanto, parecem interessar pouco, num país onde os locais afirmam frequentemente que os “preços das casas só podem subir”.

Diferentes analistas estimam existir na China propriedades vazias suficientes para abrigar mais de 90 milhões de pessoas – cerca de nove vezes a população portuguesa.

Em muitos casos, as casas são mantidas vazias pelos proprietários, por serem assim mais fáceis de vender a um próximo especulador. A estrutura assemelha-se a um esquema pirâmide, onde o ativo não gera por si fluxo de capital, mas depende antes de um próximo investidor estar disposto a pagar mais pelo bem imóvel.

Os excessos do setor foram finalmente este ano alvo dos reguladores chineses, que passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivos e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património líquido.

As novas regras asfixiaram a Evergrande, mas mais empresas podem vir a seguir. A China soma oito das 10 imobiliárias mais endividadas do mundo.

“Trata-se de um teste ao equilíbrio entre a redução de riscos financeiros e a prevenção de uma crise sistémica”, apontou à agência Lusa o economia chinês Bo Zhuang, da firma de investimentos norte-americana Loomis, Sayles & Co. Bo ressalva, no entanto, que os objetivos de Pequim são positivos para a economia do país a longo prazo.

Ao diminuir a alocação excessiva de capital para o imobiliário, a China pretende reduzir a pressão económica para as famílias, numa altura em que se adivinha uma crise demográfica, face à queda consecutiva no número de nascimentos, e orientar fundos para o desenvolvimento de setores tecnológicos que considera vitais, como ‘chips’ de processador, inteligência artificial ou energias renováveis.

“A China está a tentar orientar capital, talento e pessoas inteligentes para a ‘tecnologia pesada’, visando rivalizar com os EUA nestas áreas”, apontou Bo.

Para Jim Chanos, há vários anos conhecido por apostar contra a economia chinesa através da venda a descoberto (‘short selling’) – a estratégia de ganhar dinheiro com a queda das ações –, o fim do modelo de crescimento impulsionado pela construção acarretará o fim de uma era de trepidante crescimento da economia chinesa.

“Há muitas Evergrandes na China”, disse recentemente, citado pelo jornal Financial Times. “Se tentares esvaziar a bolha, esta está repleta de riscos (…) o maior risco é para o próprio modelo económico, porque os imóveis residenciais representam uma grande parte do PIB chinês”, apontou. “Todo o mercado imobiliário chinês tem pés de barro”.

28 Set 2021

Julião Sarmento debatido em congresso internacional em Novembro

O artista Julião Sarmento (1948-2021) vai ser homenageado por artistas, curadores e historiadores num congresso internacional, entre 4 e 6 de Novembro, em Lisboa, que terá por título “Na escalada do desejo”, revelou à agência Lusa a organização.

“O desaparecimento de Julião Sarmento foi um choque para todos, e tendo em conta o impacto da sua figura como artista no meio nacional e internacional, achámos que fazia todo o sentido lançar um congresso no dia do seu aniversário e nos seguintes”, justificou a directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) – Museu do Chiado, Emília Ferreira.

A iniciativa é do MNAC em conjunto com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde irá decorrer, presencialmente, com oradores portugueses e estrangeiros, como Pedro Lapa, Delfim Sardo, Benjamin Weil, Raquel Henriques da Silva, Alexandre Melo, Cristina Guerra, João Pinharanda e Nuno Crespo.

Este congresso sobre Julião Sarmento – que faria 73 anos em 4 de Novembro -, “o mais internacional dos artistas portugueses” e que “morreu cedo demais”, sublinhou Emília Ferreira, “é um pretexto para reunir especialistas nacionais e internacionais sobre a sua obra, e fazer-lhe a devida homenagem”.

Autor de uma obra multifacetada, Sarmento, nascido em 1948, em Lisboa, representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 1997 e foi alvo de uma exposição pela Tate Modern, em Londres, em 2011.

No ano seguinte, o Museu de Serralves, no Porto, organizou a mais completa retrospectiva até hoje realizada do seu trabalho, reconhecido com a atribuição do Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).

No seu trabalho, combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance.

“É um artista já muito estudado, cuja obra teve ecos teóricos um pouco por todo o mundo, mas não podíamos deixar passar este momento”, vincou a directora do MNAC, comentando ainda: “Se calhar é uma reacção emotiva, mas, na verdade, é um artista central que merece muito este enfoque”.

Para continuar

O encontro internacional – que também contará com a presença, entre outros, de Clara Ferreira Alves, Ana Anacleto, Bernardo Pinto de Almeida, Helena Vasconcelos e Filipa Oliveira – vai abrir uma ´open call´ de propostas de investigadores e autores que possam apresentar painéis sobre vários temas ligados à obra de Sarmento.

Embora o artista seja já muito estudado, a historiadora de arte considera “importante trazer ao debate parte dos estudos feitos e potenciar outros, porque os congressos também servem para isso, para serem espaço de debate teórico, confronto crítico e apresentar propostas”.

A directora do MNAC revelou ainda à Lusa que, em conjunto com os mesmos parceiros, este será o primeiro de uma série de congressos anuais dedicados a figuras da arte portuguesa contemporânea, e Nikias Skapinakis (1931-2020) já foi escolhido para a próxima homenagem, em 2022.

“A ideia é mesmo fazê-los anualmente, com a parceria absolutamente relevante da Faculdade de Belas Artes e dos nossos centros de investigação, sobre nomes centrais das nossas artes”, salientou a diretora, referindo-se ao Centro de Estudos e de Investigação em Belas Artes (CIEBA), ao Instituto de História de Arte (IHA) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e ao Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa).

O Congresso Internacional “Na escalada do desejo. Julião Sarmento (1948-2021)” tem, na comissão organizadora, Bruno Marques, Emília Ferreira, Hilda Frias e Joana d’Oliva Monteiro, contando com a colaboração de outros investigadores na comissão científica.

28 Set 2021

Alto quadro de Wall Street reuniu na China com vice-primeiro-ministro

John Thornton, um alto quadro de Wall Street, esteve seis semanas na China, onde se reuniu com o vice-primeiro-ministro chinês Han Zheng, no final de Agosto, avançou hoje o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

O alegado acesso permitido pelas autoridades chinesas a Thornton – atual diretor executivo da mineradora de ouro Barrick Gold e ex-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs – é inédito, no quadro das restrições impostas às entradas no país, devido à pandemia da covid-19.

Os poucos dignitários estrangeiros que visitaram a China desde o início da pandemia foram recebidos em outras cidades da China que não Pequim.

A relação entre a China e os Estados Unidos deteriorou-se rapidamente nos últimos dois anos, com várias disputas simultâneas entre as duas maiores economias do mundo, incluindo no comércio e tecnologia ou sobre os Direitos Humanos, o estatuto de Hong Kong e a soberania do Mar do Sul da China.

Em Pequim e em Washington, referências a uma nova Guerra Fria são agora comuns.

A visita de Thornton não foi anunciada pelas autoridades chinesas ou pela imprensa oficial, mas ocorre num período de debate sobre o impacto da campanha regulatória lançada pelo Governo chinês contra várias indústrias.

Investidores como George Soros passaram a excluir a China como um destino para investimentos, apontando que o país está a retroceder nas reformas económicas adoptadas no final dos anos 1980.

A fonte anónima citada pelo SCMP comparou a visita à viagem secreta, em 1971, de Henry Kissinger, então assessor para a Segurança Nacional do presidente norte-americano Richard Nixon, que lançou as bases para o estabelecimento de relações bilaterais entre os dois países.

Thornton, que é co-presidente do Conselho para os Assuntos Financeiros EUA – China, passou três semanas em Xangai, a “capital” económica da China, antes de ir para Pequim, onde se encontrou com Han, um dos sete membros do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, a cúpula do poder na China.

Han disse a Thornton que a China quer “retomar a cooperação” entre as duas potências, desde que Washington trate Pequim “como igual”.

O vice-primeiro-ministro garantiu que não vai ser possível melhorar as relações, se o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continuar a política do antecessor, Donald Trump, contra a China, mesmo que tente, em simultâneo, cooperar em áreas como a luta contra as alterações climáticas.

Thornton também se encontrou, em Pequim, com o emissário do Governo chinês para as questões ambientais, Xie Zhenhua, dias antes de uma visita à China do homólogo norte-americano, John Kerry.

Segundo a mesma fonte, durante o encontro com Han, Thornton afirmou que Kerry – que voltará a visitar o país asiático nas próximas semanas – não é apenas o homem de referência dos Estados Unidos para a cooperação climática, mas para a relação entre Washington e Pequim. Segundo o SCMP, Thornton terá também visitado a região de Xinjiang, no noroeste da China.

27 Set 2021

Curador português João Miguel Barros representa Macau em Veneza

O curador português João Miguel Barros e os artistas de Macau Ung Vai Meng e Chan Hin Io vão representar o território na 59.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza 2022, anunciou o Instituto Cultural (IC).

João Miguel Barros nasceu em 1958, em Lisboa. Advogado, é também um curador independente na área da fotografia contemporânea, com trabalho realizado em várias exposições de fotografia em Portugal.

Ung Vai Meng, artista que obteve o doutoramento em Belas Artes pela Academia de Arte da China, participou em vários projetos de arte contemporânea de grande escala em Lisboa e Singapura.

Já Chan Hin Io, é fotógrafo e conta no currículo com diversas exposições individuais em Macau e Portugal.

A proposta de exposição recorre a vários suportes como fotografia, escultura, videoarte, arte performativa” e “dilui as fronteiras entre o sonho e a realidade”, revelando “a abundância, densidade e vivacidade dos recantos de Macau, apresentando a sua memória coletiva e a situação atual”, segundo o júri.

A “Alegoria dos Sonhos” vai ao encontro do tema da 59.ª Bienal, “The Milk of Dreams”, ao conseguir reunir “profundas preocupações humanistas e reflexões sobre o espaço de vivência” e “ao entrelaçar uma visão panorâmica com um olhar pormenorizado”, até porque “a obra eleita disseca a história singular e a miscigenação cultural de Macau”, pode ler-se na nota que justifica a seleção.

O júri analisou 24 propostas de 60 curadores e artistas locais. A “Bienal Internacional de Arte de Veneza” foi criada em 1985 e esta é a sétima vez que Macau participa no evento.

27 Set 2021