Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Wang Yi visita Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, vai realizar visitas oficiais ao Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária entre 14 e 20 de Outubro, anunciou ontem a diplomacia chinesa. A deslocação terá início no Azerbaijão, onde Wang participará, na qualidade de representante especial do Presidente chinês, Xi Jinping, na sétima cimeira da Conferência sobre Interação e Medidas de Confiança na Ásia (CICA), marcada para 15 de Outubro, em Baku. Posteriormente, o chefe da diplomacia chinesa visitará a Croácia, o Montenegro e a Bulgária, embora Pequim ainda não tenha divulgado a agenda dos encontros previstos nestes três países. A China mantém boas relações com os três Estados europeus, que considera importantes para o desenvolvimento dos seus laços com a União Europeia (UE), embora Montenegro não integre o bloco comunitário. A deslocação de Wang ocorre uma semana depois de a China e a UE terem realizado, em Pequim, uma ronda de diálogo comercial que resultou em “entendimentos” sobre automóveis híbridos, terras raras e acesso ao mercado. Bruxelas considera, contudo, que estes resultados representam apenas o início de um processo mais abrangente destinado a corrigir os desequilíbrios económicos nas relações com a China.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Pequim defende sanções contra ministros do Paraguai e Belize A China defendeu ontem as sanções impostas a ministros do Paraguai e do Belize pelas suas ligações a Taiwan, acusando ambos de interferirem nos assuntos internos chineses e divulgarem “informações falsas” sobre alegados ciberataques de Pequim. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que a questão de Taiwan “é um assunto de princípio de grande importância, relacionado com a soberania e a reunificação nacional da China”, constituindo “o núcleo dos interesses fundamentais” do país. Mao acusou determinados políticos paraguaios e do Belize de actuarem como peões das autoridades taiwanesas nas suas tentativas de alcançar a “independência” com apoio externo, de visitarem a ilha e de receberem o que Pequim chama separatistas taiwaneses. A porta-voz acrescentou que estes responsáveis “divulgaram informações falsas sobre ciberataques chineses” e “atacaram e difamaram a China”, provocando, segundo Pequim, um “impacto internacional negativo”. “Perante a conduta das pessoas envolvidas, a China adoptou contramedidas ao abrigo da Lei contra as Sanções Estrangeiras, para as punir e servir de advertência”, afirmou Mao. O Governo chinês anunciou sanções contra o ministro paraguaio das Tecnologias da Informação e Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca. As medidas incluem o congelamento dos bens que ambos possuam na China, a proibição de transações com organizações e particulares chineses e a interdição de entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. O Paraguai e o Belize integram o grupo de 12 países que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan.
Hoje Macau DesportoTénis | Francisco Cabral nos ‘quartos’ de pares em Xangai O tenista português Francisco Cabral qualificou-se ontem para os quartos de final de pares do Masters 1.000 de Xangai, depois de, ao lado do norte-americano JJ Tracy, ter derrotado o britânico Luke Johnson e o neerlandês Sander Arends. Cabral (30.º do ranking mundial de pares) e Tracy (42.º) bateram Johnson (46.º) e Arends (44.º), por 7-6 (8-6) e 6-3, ao fim de uma hora e 25 minutos. Nos quartos de final, a dupla luso-norte-americana vai defrontar o norte-americano Robert Galloway (47.º) e o sueco Andre Goransson (29.º), que afastou o português em 2025 na primeira ronda em Xangai, numa altura em que Cabral jogava com o austríaco Lucas Miedler e o nórdico com o norte-americano Alex Michelsen. Francisco Cabral igualou a sua segunda melhor prestação em torneios Masters 1.000, depois de já ter chegado aos quartos de final em Cincinnati em 2025, com Lucas Miedler, ao lado do qual, no mesmo ano, atingiu as meias-finais em Paris.
Hoje Macau Sociedade929 Challenge | Competição com recorde de inscritos A competição 929 Challenge de Macau, para universitários e startups da China e dos países lusófonos, atraiu este ano um número recorde de mais de 500 equipas, disse um dos organizadores à Lusa. O anterior máximo vinha da edição de 2025 do concurso, que já tinha registado mais de 400 projectos universitários e startups. Marco Duarte Rizzolio, co-fundador da 929 Challenge, disse que o novo recorde representa “uma evolução natural” da competição, cuja imagem fora de Macau “tem vindo a crescer”, em parte devido às parcerias que a organização tem firmado. Das 511 inscrições aprovadas, a maior fatia (mais de 100) vem do Brasil, algo que Rizzolio justifica com as duas deslocações feitas ao Brasil em 2026 e com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. “Nunca tivemos tantas inscrições, algo que demonstra que os empreendedores brasileiros vêem Macau como uma verdadeira porta de entrada na China”, defendeu o executivo.
Hoje Macau Manchete SociedadeGrande Baía | Apenas advogados chineses vão poder exercer As informações mais recentes do Ministério da Justiça clarificam que apenas os advogados com nacionalidade chinesa vão poder fazer o exame de acesso à profissão na Grande Baía Apenas os advogados de Macau com nacionalidade chinesa vão poder candidatar-se ao exame jurídico exigido para poder exercer em nove cidades do sul da China, o que exclui os portugueses, anunciou o Governo de Pequim. No final de Agosto, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou alterações à lei que regula o exercício da advocacia. As mudanças abrem as portas da região da Grande Baía a advogados das duas regiões de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros. Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico que, de acordo com um despacho do Ministério da Justiça chinês, apenas será aberto a “cidadãos chineses”. A medida exclui, logo à partida, a esmagadora maioria dos advogados portugueses de Macau, uma vez que a cidadania chinesa é apenas atribuída por descendência e não por residência ou casamento. No exame poderão participar, no entanto, os advogados macaenses que tenham a nacionalidade chinesa. Programa-piloto A reforma aprovada no final de Agosto acaba por tornar definitivo um programa-piloto lançado em Agosto de 2020, que já permitia que mais de 650 advogados de Hong Kong e Macau prestassem serviços jurídicos na Grande Baía em matéria civil e comercial. Alguns actuaram perante tribunais da China continental como representantes em litígios e conduziram casos de arbitragem. Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40 por cento eram oriundos de países lusófonos e 80 por cento dominavam a língua portuguesa. Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal. No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reactivação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013. AAM recusa discriminação A Associação dos Advogados de Macau (AAM) disse à Lusa que não considera como discriminação contra os portugueses a exigência da nacionalidade chinesa no exame para exercer em nove cidades do sul da China. “Não vejo isto como uma exclusão de seja quem for, mas simplesmente um dos critérios, como a exigência de saber escrever e falar chinês”, disse a secretária-geral da AAM, Oriana Inácio Pun. Oriana Pun sublinhou que a exigência da nacionalidade chinesa “não é algo de novo”, uma vez que já constava do programa-piloto lançado em Agosto de 2020 e que a reforma aprovada no final de Agosto acabou por tornar definitivo. Oriana Pun desvalorizou o impacto entre os advogados portugueses de Macau, sobretudo porque o programa envolve “matérias ligadas ao direito da China continental, não ao direito de Macau ou ao direito de Portugal”.
Hoje Macau PolíticaPeritos defendem reformas estruturais para travar crise do envelhecimento Especialistas contactados pela Lusa alertam para a necessidade urgente de reformas estruturais em Macau perante o rápido envelhecimento demográfico, defendendo o reforço de profissionais especializados, o investimento em gerontecnologia, e a aposta na cooperação transfronteiriça. Jacky Ho Chong Kin, reitor da Faculdade de Ciências da Saúde e Ambientais da Universidade de São José em Macau, explica à Lusa que a aceleração do envelhecimento decorre, em parte, de políticas passadas do Governo, incluindo antigos regimes de imigração associados a investimento, que atraíram cidadãos já em idade avançada, acelerando a curva demográfica da região. Ho lembra que o crescimento acelerado da população sénior apanhou a sociedade local “despreparada” para acomodar as novas exigências assistenciais. “A situação da subida da população em envelhecimento é algo que começámos a prever, de certa forma, em 2007. Nessa altura, a população idosa de Macau rondava quase os 7,2 por cento, o que é o início de uma população em envelhecimento, por assim dizer, em ascensão. Mas depois, num espaço de 20 anos, essa percentagem cresceu de forma inesperadamente mais rápida”, destaca à Lusa. Por seu lado Alex Cheng, vice-presidente da Sociedade de Segurança Social de Macau, alerta que Macau entrará na fase de “superenvelhecimento” nos próximos cinco a 10 anos, destacando o “nível dos cuidados de saúde e a escassez severa de prestadores de cuidados qualificados e de pessoal de enfermagem” como o “maior desafio absoluto” que a cidade enfrenta. O toque humano Os dois especialistas sublinham que a pressão sobre os hospitais públicos, onde os idosos já representam a maioria das admissões, exige o desenvolvimento de capacidade interna e de redes comunitárias. Jacky Ho aponta lacunas estruturais na formação, “faltando sistemas de treino, instalações e instituições de formação sistemáticas que criem programas capazes de ajudar a treinar profissionais de saúde aliados”, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Segundo Ho, a tecnologia “consegue ajudar a monitorizar, a detectar, a dar sentido aos dados e a emitir um alarme precoce para os problemas”, para prevenir acidentes como quedas em lares, embora ressalve que a “tecnologia não consegue substituir por completo o pessoal de saúde ou o pessoal de apoio a idosos”. Na vertente do apoio domiciliário e comunitário, Alex Cheng destaca que um “inquérito recente da Sociedade de Segurança Social de Macau mostra que 82 por cento dos inquiridos prefere cuidados domiciliários”. A integração na Grande Baía é apontada por ambos os peritos como uma via essencial para aliviar as listas de espera locais. Alex Cheng recorda que a deslocalização planeada de idosos para cidades na província poderia ser uma solução, mas avisa que a adaptação a “um novo ambiente não é fácil, e exige tempo e educação contínua para que os idosos em Macau aceitem a deslocalização”.
Hoje Macau Manchete PolíticaPensões | Transferidos 15,9 mil milhões para cobrir défice O Governo anunciou a transferência de cerca de 15,9 mil milhões de patacas para cobrir o défice do sistema de pensões dos trabalhadores da função pública. As autoridades estimam que nos próximos três anos quase 15 por cento dos funcionários públicos se possam reformar O Executivo vai transferir perto de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública. Num despacho publicado ontem no Boletim Oficial, Sam Hou Fai, explica que o dinheiro corresponde a 80 por cento do excedente das finanças públicas da RAEM em 2025. A RAEM fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, valor que já foi ultrapassado só nos primeiros nove meses deste ano: 21,6 mil milhões de patacas. Num comunicado, o Governo sublinhou que a transferência “não afectará as despesas com as diversas medidas destinadas ao bem-estar da população e aos benefícios sociais” nem o funcionamento da reserva financeira da cidade. A reserva financeira de Macau valorizou-se em 37 mil milhões de patacas na primeira metade do ano e atingiu em Junho um novo recorde máximo, pelo sétimo mês consecutivo: 704,3 mil milhões de patacas. O Governo prevê que o défice acumulado do Fundo de Pensões (FP), que administra as pensões da função pública, atinja 8,99 mil milhões de patacas até 2031 e aumente “ainda mais” nos próximos dez anos. O excedente das contas públicas de 2025 “relativamente abundante e robusto contribui com condições favoráveis para se proceder antecipadamente” à resposta ao défice e assim evitar que no futuro seja necessário reduzir os benefícios sociais, disseram as autoridades. Os dois lados Em Julho, o porta-voz do Conselho Executivo, Wong Sio Chak, sublinhou que a “situação de desequilíbrio financeiro” apenas envolve o anterior regime de aposentação, que foi substituído por um novo regime em 2007. De acordo com dados divulgados ontem pelo FP, no final de Setembro o anterior regime de aposentação pagava 6.711 pensões, mais do que o número de contribuintes ainda no activo: 6.320. Em Julho, a presidente do FP, Diana Maria Vital Costa, alertou para “um pico de aposentações” nos próximos cinco anos e previu que, também devido à subida da esperança média de vida, até 2031 o antigo regime estará a pagar 9.150 pensões, com apenas 3.290 contribuintes. Em Agosto, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta que permite ao líder do Governo fixar uma percentagem do excedente orçamental para transferir para o FP. Em Junho de 2019, o Governo criou um mecanismo que transfere, todos os anos, 3 por cento do saldo orçamental para o Fundo de Segurança Social (FSS), para responder à pressão do envelhecimento acelerado da população. De acordo com o relatório mais recente, o FSS ganhou 6,48 mil milhões de patacas em 2024, em grande parte devido às transferências orçamentais. Em Setembro, a directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, afirmou que quase 15 por cento dos funcionários públicos de Macau poderão reformar-se nos próximos três anos.
Hoje Macau PolíticaAL | Previsto orçamento de 255,4 milhões em 2027 No próximo ano, o orçamento da Assembleia Legislativa (AL) será de cerca de 255,4 milhões de patacas, de acordo com a proposta de deliberação que vai ser votada na sexta-feira. A proposta partiu da Mesa da AL, órgão composto pelo presidente, André Cheong, o vice-presidente, Ho Ion Sang, e os secretários do hemiciclo, Si Ka Lon e Ella Lei. Em comparação com o orçamento deste ano, a proposta para 2027 mantém o montante total. No entanto, esta é a segunda versão do orçamento da AL, uma vez que a primeira previa apenas despesas de 224 milhões de patacas. Apesar de o valor recente ser mantido, a distribuição do orçamento sofre alterações, com cortes de 2,5 por cento nas despesas com pessoal, que são reduzidas para 184 milhões de patacas, o principal gasto do orçamento. As despesas de funcionamento sobem para 27,9 milhões de patacas. A proposta deste ano apresenta um aumento das despesas indeterminadas para 7,4 milhões de patacas, contrariando a maior transparência do ano em vigor, quando não houve despesas indeterminadas.
Hoje Macau Manchete PolíticaMNE | Ministros do Paraguai e Belize não podem entrar em Macau O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês anunciou ontem que o ministro paraguaio da Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca, ficam interditos de entrar na China, Hong Kong e Macau. Além disso, o MNE indicou, em dois comunicados separados, o congelamento imediato de eventuais bens em território chinês dos responsáveis. As sanções foram aplicadas aos ministros por apoiarem “obstinadamente” a manutenção de relações diplomáticas dos respectivos países com Taiwan. Segundo a diplomacia chinesa, nos últimos anos, os responsáveis políticos dos dois países, “movidos por interesses pessoais, apoiaram obstinadamente a manutenção de alegadas relações diplomáticas” com Taiwan. Estes responsáveis “multiplicaram declarações e actos inadmissíveis sobre questões relacionadas com a China, prejudicando assim os interesses fundamentais” do país, acrescentou o ministério.
Hoje Macau China / ÁsiaManuscrito da dinastia Tang vendido por 177 milhões em Hong Kong Uma obra de caligrafia da dinastia Tang, que reapareceu 81 anos depois de ser dada como desaparecida, foi vendida em Hong Kong por 177,45 milhões de dólares de Hong Kong. A peça, intitulada Jishi Tie (“Carta do Tempo Acumulado”), é um manuscrito de Yu Shinan (558-638), um dos quatro grandes mestres de caligrafia dos primórdios da dinastia Tang (618-907), reportou o jornal South China Morning Post. O lote tornou-se na principal atracção dos leilões de Outono da leiloeira China Guardian, realizados na quarta-feira no Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong, alcançando um valor de 155 milhões de dólares de Hong Kong antes de taxas e prémios. Segundo a descrição, a importância da obra reside no seu carácter íntimo, uma vez que, ao contrário do estilo rígido e contido dos documentos oficiais imperiais de Yu, a carta privada revela uma caligrafia mais natural e espontânea. No texto, o mestre pergunta a um amigo como está a lidar com o frio, faz referência ao agravamento do seu estado de saúde e pede para ver os seus trabalhos mais recentes. Até ao reaparecimento do manuscrito, o ‘Epitáfio da Princesa Runan’, conservado no Museu de Xangai, era considerado o único exemplo sobrevivente da escrita original do autor. Pequenos detalhes O rolo, com 27 por 52,5 centímetros, apresenta inscrições e selos das colecções imperiais das dinastias Ming e Qing, incluindo os dos imperadores Qianlong, Jiaqing e Xuantong, também conhecido como Puyi, o último imperador chinês. Destaca-se igualmente uma anotação datada de 1598 do célebre crítico de arte Dong Qichang, que elogiou o seu traço como “fino, mas poderoso”, embora os especialistas continuem a debater se se trata de um original ou de uma cópia posterior realizada por Mi Fu, mestre da dinastia Song. O rasto do manuscrito perdeu-se na década de 1930, quando Puyi transferiu parte da colecção imperial para Changchun. Após o colapso da ocupação japonesa em 1945, o último imperador fugiu e o palácio foi saqueado por soldados, num episódio em que inúmeros tesouros foram queimados ou destruídos, levando os especialistas a considerar durante décadas que a obra tinha desaparecido. A inesperada redescoberta da peça, em Setembro de 2025, gerou grande entusiasmo entre académicos e especialistas, obrigando os organizadores da sua exposição prévia em Pequim a limitar as visitas a um máximo de dois minutos por pessoa devido à enorme afluência de público.
Hoje Macau Grande PlanoIA | Obama aponta “grande desafio” na coordenação entre EUA e China sobre IA O antigo Presidente norte-americano Barack Obama defendeu sábado, em Lisboa, a necessidade de regular a inteligência artificial a nível internacional, mas reconheceu que será “um grande desafio”, apontando a falta de confiança entre Estados Unidos e China. “Ainda não temos as guias de segurança de que precisamos. [A regulação] tem de começar nos Estados Unidos, a China é outro país”, comentou o 44.º Presidente dos Estados Unidos (2009-2017) e Nobel da Paz 2009, numa conversa no final da sexta edição do Game Changers Forum, no Meo Arena, perante uma plateia de mais de 10 mil pessoas, segundo a organização. Obama apontou EUA e China como os países mais avançados em termos de inteligência artificial (IA), mas ressalvou que “não há neste momento muita confiança entre eles”. “Temos de regular e coordenar entre nações e isso vai ser um grande desafio”, comentou. O antigo Presidente democrata advertiu que a evolução tecnológica vai provocar “uma enorme mudança, a nível económico, social e político, mas vai acontecer em 10 anos, não em 30 ou 50 anos”. “O problema”, disse, “é que a tecnologia move-se muito depressa, mas os governos e as sociedades movem-se devagar”, defendendo a necessidade de criar “um quadro regulatório” para responder a “assuntos sérios sobre segurança”. Os modelos de inteligência artificial avançam em três meses e ensinam-se a si próprios, acrescentou. “Alguém pode entrar no sistema financeiro ou de controlo de tráfego aéreo. Alguém pode desenvolver uma nova pandemia, um patógeno”, comentou. Insubstituíveis Mas, sublinhou, há realidades em que as máquinas nunca poderão substituir os humanos, como a educação ou cuidados de enfermagem. “O problema é que, como sociedade, desvalorizámos essas profissões. Os benefícios podem ser sempre monetizados e [estas tarefas] não dão um grande lucro. Historicamente, as mulheres têm estado de forma desproporcionada nessas profissões e não lhes pagamos como devíamos pagar”, reconheceu, recebendo novamente fortes aplausos. “Temos de reavaliar o que valorizamos e o que tem maior posição nas nossas sociedades”, considerou. Além disso, sublinhou, “outra coisa que as máquinas não podem fazer é ter discernimento e sabedoria”. “Há coisas em que há uma solução muito estreita e em que as máquinas serão melhores”, admitiu, salientando que “o que é unicamente humano é ter discernimento sobre o que é importante na vida: amizade, família, cuidar de alguém, mesmo que seja um estranho, ter um sentido de perspectiva”. “Talvez a máquina pense que deve fazer da forma mais eficiente, mas se calhar não queremos eficiência em certas coisas”, acrescentou. Obama começou a sua intervenção a agradecer em português ao público, que o aplaudia de pé, e recordou que a sua administração foi a que teve mais luso-americanos, como o director político, o secretário da Energia ou o fotógrafo oficial. E, “mais importante”, os seus dois cães Bo e Sunny, da raça cão de água português.
Hoje Macau EventosO que escritores de língua portuguesa mudariam no idioma A língua portuguesa é matéria-prima dos escritores lusófonos e alguns deles estão reunidos no XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e Câmara Municipal da Praia. Os participantes assumem, em entrevista à Lusa, que, se pudessem mudavam alguns aspectos neste idioma que é falado por 300 milhões de pessoas. Hugo Pinto, ex-jornalista em Macau e investigador dedicado ao estudo de Macau, não mudava nada, mas sim “a ideia de que é preciso mandar na língua, que é preciso decretar, porque isso não funciona, não existe”. “A língua é feita todos os dias por todos, é uma construção permanente, é uma história de muitas histórias, de portas abertas e se eu pudesse mudar alguma coisa não mudava na língua, mas na maneira como se olha para a língua; e tentava tirar essa ideia de que é possível mudar a língua por vontade própria de alguém ou de uma política ou um decreto”, afirmou à Lusa. Alberto Oliveira Pinto, o autor da “História de Angola”, não tem dúvidas de que começaria por revogar o Acordo Ortográfico, obrigatório em Portugal desde 2015, e também com os estrangeirismos, retomando os conceitos dos substantivos, além de promover um regresso à gramática da sua infância. Mais palavras O poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo gostaria de acrescentar novas palavras, o que já faz, ao criar neologismos na sua poesia. “A poesia é exactamente isso: você ter uma língua e não ficar preso ao que a língua oferece”, disse à Lusa, à margem do encontro. A escritora cabo-verdiana Mana Guta (pseudónimo de Augusta Évora) não mudava nada, mas, se tivesse uma varinha de condão, investiria mais na formação dos professores, de modo a existir “uma metodologia mais afectuosa, mais próxima aos alunos, para que o aprendizado venha a ser algo também lúdico”. Neste evento participa também a escritora galega Maria do Rosário Bello, que defende a unidade linguística entre o galego e o português. “Se pudesse, faria com que todas as escolas galegas tivessem um professor ou professora de português, para que toda a gente pudesse ser alfabetizada no galego-português, que é também uma língua internacional”, disse. Amadú Dafé representa a Guiné-Bissau neste encontro e não mudava nada na língua portuguesa, a não ser na forma como é divulgada e transmitida. “Mudava a forma como é ensinada na Guiné-Bissau e talvez em alguns Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como Angola e Moçambique, que são multilingues e às vezes o ensino do português não se adapta a essa realidade e é ensinada exactamente da mesma maneira como é ensinada em Portugal ou no Brasil, com as pessoas que já têm a língua portuguesa como língua materna”. Já o músico e escritor moçambicano António Costa Neto considera que “ainda há demasiados complexos em relação aos sotaques”. “Não é preciso mudar, é só aprender a aceitarmo-nos uns aos outros. Falar bem não é ter determinado sotaque”, defendeu o autor de “Marrabenta”. E gostaria que existisse “um debate mais profundo sobre determinados termos”. “Por exemplo, devíamos definir se chamamos a alguém de origem africana ‘negro’ ou ‘preto’”, referiu, explicando que algumas palavras nasceram com o efeito discriminatório e é necessário reaprender o seu uso. É preciso reflectir A professora portuguesa e directora do Departamento de Literaturas Românicas na Faculdade de Letras de Lisboa, Joana Matos Frias, não mudava nada na língua portuguesa, mas em relação aos seus usos defendeu “alguma reflexão”. “Embora precisemos de regras e normas, acho que há um certo tipo de imposições que eu preferia que não fossem extrínsecas aos verdadeiros falantes da língua, que têm registos muito diferentes, que variam do ponto de vista geográfico, social e profissional”. Olinda Beja, escritora de São Tomé e Príncipe, não hesita em afirmar que, se pudesse mudar alguma coisa na língua portuguesa, seria acabar com os estrangeirismos.
Hoje Macau EventosPatrimónio | Dança portuguesa atrai cada vez mais chineses A Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’ continua a divulgar o património cultural de Macau. Os convites para espectáculos de folclore português aumentam e cativam cada vez mais chineses dentro e fora do território Um ano depois de a dança folclórica portuguesa se tornar património de Macau, a líder de um grupo disse à Lusa que há mais convites para espectáculos, mas que são os chineses que mais querem aprender. Em 13 de Outubro de 2025, Macau anunciou a inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e os pastéis de nata locais, inspirados no pastel português, na Lista do Património Cultural Intangível da região. O efeito já se faz sentir, com “muito mais convites” para actuações, incluindo na China continental, diz a presidente da Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’, a macaense Ana Manhão Sou. Ironicamente, diz Selina, a única funcionária a tempo inteiro da associação, é em Macau que o número de espectáculos diminuiu em comparação com antes da pandemia de covid-19. “Há cerca de 10 anos, ainda tínhamos a oportunidade de actuar todos os domingos”, nas Ruínas de S Paulo e perto das Casas-Museu da Taipa, recorda Selina. A região recebeu quase 29 milhões de visitantes até Agosto, mas os turistas “não têm hipótese de ver como é, de facto, a dança folclórica portuguesa em Macau”, lamenta. “É até um pouco triste”. História de sucesso Durante as actuações do outro lado da fronteira, muitos espectadores “ficam confusos” revela Selina, “e perguntam se somos de Xinjiang”. “Temos de lhes explicar um bocadinho da história de Macau”, diz. Também Davy, 62 anos, membro do rancho Macau no Coração, lamenta que a comunidade macaense continue a ser desconhecida na China continental. “Quero preservar a cultura. Como a dança [folclórica] vem de Portugal e aqui a cultura é chinesa, eu poder dançá-la é algo que valorizo muito”, diz. Davy chegou ao Macau no Coração por acidente. “No início, não sabia o que era a dança portuguesa, não sabia mesmo do que se tratava”, admite, quase 20 anos depois. Como em geral no mundo da dança, os homens continuam a ser uma minoria no grupo, confirma Ana Manhão Sou, com um sorriso: “são santos, a gente não os chateia e eles até podem dizer o que querem comer”. Antes de um ensaio, Manhão Sou diz que o grupo, que está a comemorar 20 anos de existência, mudou “um bocadinho a estratégia” depois da pandemia, face às dificuldades em atrair pessoas para aprender a dançar. “Começámos a entrar em escolas, para atrair a nova geração”, diz a dirigente, dando como exemplo a Escola Portuguesa de Macau. “Vêm os meninos pequeninos e vêm os pais. Dois pelo preço de um”, explica, com um sorriso. Desde a listagem como património, o grupo tem feito “seis ou sete” workshops por ano em escolas locais, de infantários a universidades, diz Selina. “Há vozes a dizer que são os chineses que estão a dançar. Eu percebo, mas onde estão os portugueses que queiram dançar? Não digo que não há, mas é que eu não consegui encontrar. A porta está aberta”, sublinha Manhão So. Esta sublinha que são os chineses que mostram maior interesse, incluindo universitários da China acabados de chegar a Macau, para os quais aprender dança folclórica portuguesa “até ajuda na integração”. “Dentro do ‘Macau no Coração’ nós não temos nacionalidade, isso é uma coisa muito simples. Por isso não notamos se é um chinês, um português, há todos, há da Venezuela, há da Colômbia, há tailandeses, há tudo”, diz a presidente.
Hoje Macau China / ÁsiaAutomóveis | Normas mais rigorosas no design face a problemas de segurança Após a recolha de mais de sete milhões de veículos para revisão de regras de segurança, a China anuncia novos procedimentos a partir de Janeiro de 2027 A China está a preparar-se para tornar mais rigorosos os requisitos de concepção e os testes dos automóveis, depois de considerar que alguns fabricantes lançam novos modelos “seguindo a moda” e sem os testar suficientemente. É o que se depreende de um projecto elaborado em conjunto pelos ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação, da Segurança Pública e da Ecologia e Ambiente, bem como pela Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR, na sigla em inglês). A proposta, aberta a consulta pública até ao próximo dia 10 de Novembro, visa impedir que cheguem ao mercado “designs inovadores com riscos de segurança” e “produtos que não tenham sido submetidos a testes e verificações de I&D suficientes”. “Nos últimos anos, a inovação tecnológica na indústria automóvel do nosso país tem sido muito dinâmica (…). No entanto, surgiram também problemas, como o facto de alguns fabricantes lançarem novos produtos apenas por seguirem a moda ou de os testes e verificações serem insuficientes, o que aumentou os riscos de segurança e ambientais dos veículos”, refere o texto. Para além proibições como maçanetas de porta totalmente ocultas e de ecrãs dobráveis e flexíveis, o documento estabelece que, a partir de 01 de Janeiro de 2027, os fabricantes que solicitarem a aprovação de novos modelos deverão apresentar mais detalhes técnicos sobre os “projectos inovadores”. No caso dos modelos deste tipo já aprovados, os fabricantes terão de enviar ao Ministério da Indústria os parâmetros técnicos e os materiais de verificação complementares antes de 01 de julho de 2027. “Se, após essa data, um produto continuar sem ter declarado esses parâmetros nem entregue esses materiais (…) e implicar riscos de segurança, o fabricante deverá suspender imediatamente a produção, registar sem demora um plano de recolha junto da SAMR e levá-lo a cabo por iniciativa própria”, adverte o projecto de lei. Além disso, o texto obriga à inclusão de comandos físicos nas funções “críticas para a segurança da condução” e nas funções de emergência, e estabelece testes de fiabilidade de, pelo menos, 30.000 quilómetros e ensaios de adaptação ambiental de, no mínimo, um ano, entre outros aspetos. Campanha securitária A iniciativa surge um mês e meio depois de as autoridades chinesas terem lançado uma campanha para melhorar a qualidade e a segurança dos automóveis de fabrico nacional, poucos dias após a SAMR ter anunciado a maior campanha de recolha da história do país, que abrangeu mais de 7 milhões de veículos. A Tesla, a empresa norte-americana liderada por Elon Musk, foi a mais afectada, com mais de 5,7 milhões de unidades sujeitas a ‘recall’, devido a dificuldades na identificação dos mecanismos de abertura de emergência das portas e falhas nos sistemas de assistência à condução.
Hoje Macau China / Ásia MancheteFãs chineses continuam do lado de Cristiano apesar da ‘deserção’ Adeptos chineses disseram sábado à Lusa que perdoam Cristiano Ronaldo por abandonar o estágio da selecção portuguesa e acusam o seleccionador Jorge Jesus de faltar ao respeito ao “melhor marcador da história do futebol”. Dezenas de milhares de pessoas têm passado pelo empreendimento Venetian Macau, que está a acolher dois jogos da pré-época da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA) entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets. “Eu também gosto de basquetebol, mas quem me tirasse o futebol tirava-me tudo”, disse Louis Chan, de 28 anos, que viajou de Zhaoqing, a 200 quilómetros de Macau. Tudo com a esperança de conseguir um autógrafo de David Beckham, antigo futebolista internacional inglês que tem uma parceria com a empresa que gere o Venetian Macau. “C Luo [Cristiano Ronaldo em chinês] é já o melhor marcador de sempre na história do futebol”, lembrou Chan, que vestia uma camisola do Al Nassr com o nome do capitão da selecção portuguesa “É uma completa falta de respeito [por parte do seleccionador]. Não se manda uma estrela com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi aquecer e depois não joga”, disse Tessie Fang. A adepta de 35 anos, que vestia uma camisola do Real Madrid com o nome do português, tinha em 2024 comprado bilhetes para ver o Al Nassr jogar em Shenzhen, no sudeste da China. Na altura, Cristiano Ronaldo lesionou-se e os dois particulares do Al Nassr foram cancelados, decisão que levou adeptos chineses a invadir o hotel onde a equipa saudita estava hospedada, para tentar ver o português. “Foi uma grande desilusão, porque eu tinha passado horas em frente ao computador para comprar bilhetes para o jogo com o Shanghai Shenhua. Mas espero um dia ter a oportunidade de o ver jogar ao vivo”, disse Fang. Fé na despedida Uma oportunidade que Hazhel Galgao já teve, quando o cozinheiro filipino de 47 anos, agora a trabalhar num restaurante português em Macau, vivia na Arábia Saudita. “A liga [saudita] já tinha alguns jogadores conhecidos, mas quando contrataram o Ronaldo, foi uma enorme euforia”, recordou Galgao, que vestia uma camisola da selecção portuguesa. O filipino prosseguiu: “Acho que o treinador [Jorge Jesus] esteve mal ao não respeitar o estatuto do Ronaldo, mas espero que ele ainda possa regressar. Afinal, ele merece uma despedida digna, como a do Messi”.
Hoje Macau China / ÁsiaGuarda Costeira | Realizada “patrulha” em torno de ilhas disputadas com o Japão Uma formação de navios da Guarda Costeira da China (CCG) realizou no sábado uma “patrulha” nas imediações das ilhas Diaoyu, arquipélago administrado pelo Japão e cuja soberania é reivindicada por Pequim, informaram fontes oficiais da gigante asiática. Num comunicado, a CCG indicou que a frota, liderada pelo navio Xiamen, iniciou, em 10 de Outubro, uma “patrulha de defesa dos direitos nas águas territoriais” das ilhas Diaoyu. “Trata-se de uma patrulha de defesa de direitos realizada pela Guarda Costeira da China em conformidade com a lei”, assinalou a autoridade marítima, sem fornecer outros detalhes sobre a operação. A CCG tem sublinhado repetidamente que os guardas costeiros chineses continuarão a desenvolver “actividades de aplicação da lei” em torno das ilhas Diaoyu para proteger a soberania em águas que Pequim considera estarem sob a sua jurisdição. A disputa por este arquipélago, que o Japão conquistou durante a guerra travada com a China entre 1894 e 1895, intensificou-se nos últimos anos, sobretudo desde que Tóquio nacionalizou três destas ilhas em setembro de 2012. Para o Japão, as ilhas Diaoyu pertencem à prefeitura de Okinawa, enquanto a China as reivindica como parte “histórica e inerente” do seu território. Situadas no Mar da China Oriental, a cerca de 150 quilómetros a nordeste de Taiwan, estas ilhas desabitadas ocupam uma superfície de cerca de sete quilómetros quadrados, e acredita-se que as águas circundantes possuem importantes jazidas de gás e petróleo. Esta última “patrulha” ocorreu num contexto de atritos diplomáticos entre Pequim e Tóquio, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter afirmado, em Novembro do ano passado, que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia justificar a intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | Indústria automóvel saúda “avanço positivo” em negociações com China Os construtores automóveis europeus saudaram quinta-feira um “avanço positivo para atenuar as tensões comerciais”, na sequência das negociações entre a União Europeia (UE) e a China para reduzir a entrada na Europa de veículos híbridos chineses. A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) disse que “saúda o anúncio pela Comissão Europeia e pela China de um acordo provisório destinado a corrigir desequilíbrios comerciais críticos”, segundo um comunicado. “Enquanto aguarda uma análise detalhada do conteúdo deste acordo, este anúncio constitui um avanço positivo para atenuar as tensões comerciais entre as duas partes”, acrescentou. “Uma desestabilização súbita e acentuada do mercado europeu, acompanhada de guerras de preços semelhantes às que caracterizam actualmente o mercado chinês, teria efeitos altamente perturbadores para a economia europeia no seu conjunto”, afirmou Sigrid de Vries, directora-geral da ACEA, citada na mesma nota. “O anúncio de quinta-feira pode ajudar a facilitar, de forma ordenada, a transição para uma nova era de presença chinesa no mercado europeu, o que é do interesse de todas as partes a longo prazo”, acrescentou. A China aceitou reduzir significativamente as exportações de veículos híbridos para a UE o que deverá impedir a chegada de milhões destes veículos ao mercado europeu nos próximos anos, anunciou quinta-feira, em Pequim, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic.
Hoje Macau SociedadeCriminalidade | Casos ligados ao jogo sobem 12,3 por cento Os crimes relacionados com o jogo atingiram 1.951 nos primeiros nove meses do ano, mais 12,3 por cento do que em igual período de 2025. De acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira à noite pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, Chan Tsz King, o aumento deveu-se sobretudo aos crimes de burla e de câmbio ilegal de dinheiro. As forças policiais da região registaram entre Janeiro e Setembro 558 casos de burla (mais 21,3 por cento) e 404 casos de câmbio ilegal de dinheiro (mais 11,9 por cento). São sublinhadas quedas em crimes “que anteriormente afectavam gravemente a segurança pública”, como empréstimo ilícito para jogo a cair 12,6 por cento e o sequestro a diminuir 57,1 por cento. As autoridades recordaram que 15 pessoas, incluindo seguranças de um casino em Macau, foram detidas no final de Julho, sob suspeita de associação criminosa, extorsão e coação. A nota revela também que a Polícia Judiciária conseguiu bloquear mais de 77 mil portais de jogo ilegais, através de um mecanismo de acção conjunta com o sector dos casinos. O gabinete de Chan Tsz King disse ainda que “a consciência da sociedade sobre a prevenção de burlas aumentou “de forma significativa”, com quedas nas burlas com recurso às telecomunicações e à Internet. No entanto, o balanço não refere quaisquer detalhes e menciona apenas uma queda de 8,5 por cento nas burlas em geral e de 29,8 por cento na criminalidade informática. No geral, as forças policiais de Macau registaram quase dez mil delitos criminais nos primeiros nove meses do ano, menos 0,9 por cento do que no mesmo período de 2025, sobretudo graças a uma queda de 8,5 por cento nas burlas.
Hoje Macau SociedadeTransacções | Suspeitas casos sobem até Setembro O número de transacções suspeitas registadas em casinos subiu 7,9 por cento nos primeiros nove meses do ano, em comparação com igual período de 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos na região chinesa submeteram, no total, 2.968 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Segundo estatísticas divulgadas na sexta-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 10,3 por cento no número total de transacções suspeitas. Entre Janeiro e Setembro, o gabinete recebeu 4.138 participações, sendo que 71,7 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 20,3 por cento vieram de bancos e seguradoras e 8 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando a região semiautónoma chinesa tinha fixado um recorde no número de transacções suspeitas.
Hoje Macau PolíticaTráfico Humano | Governo expressa firme oposição a relatório O Governo declarou “firme oposição” ao Relatório sobre Tráfico de Pessoas do ano 2026 do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, que manteve Macau no nível 3. “Analisando o chamado ‘Relatório’ dos EUA, verifica-se que este confunde deliberadamente casos de criminalidade comum, conflitos laborais, entre outros casos como as actividades de tráfico de pessoas”, foi considerado numa nota de imprensa, divulgada na sexta-feira. “Não só não reflecte de forma alguma os esforços e os resultados obtidos pela RAEM na prevenção e no combate ao crime de tráfico de pessoas, como continua a difundir conteúdos inverídicos e tendenciosos, para em diversos aspectos distorcer publicamente a realidade sobre a situação dos direitos humanos, do sistema judiciário e o espírito do Estado de Direito da RAEM”, foi acrescentado. O Governo considerou também que o relatório dos EUA tem “meras especulações subjectivas” que “ignoram os factos objectivos, e não correspondem à realidade social de Macau”. Segundo o documento dos EUA, o Governo da RAEM “não cumpre plenamente as normas mínimas para a eliminação do tráfico e não está a fazer esforços significativos para o conseguir”. “No geral, os esforços de aplicação da lei contra o tráfico e de protecção das vítimas continuaram a ser inadequados”, foi considerado pelo Departamento de Estado.
Hoje Macau PolíticaFraudes | Governo alerta para página online falsa O Governo lançou um aviso à população para ter cuidado face ao surgimento de um portal online, em língua inglesa, que simula pertencer a Sam Hou Fai. A posição foi tomada na sexta-feira, através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS). “O Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tomou conhecimento da existência recente, na internet, de uma página electrónica não oficial em língua inglesa, que utiliza indevidamente a fotografia do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e o seu nome como nome de domínio”, foi constatado. “O Governo da RAEM esclarece solenemente que a referida página não é uma página oficial do governo, alertando toda a população para que se mantenha vigilante e evite aceder à hiperligação, de modo a salvaguardar os seus dados pessoais e a segurança na rede”, foi pedido. O Executivo adiantou ainda que a imitação foi comunicada à Polícia Judiciária.
Hoje Macau PolíticaTransporte aéreo | Macau e Filipinas assinam acordo A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) e a Junta de Aeronáutica Civil da República das Filipinas assinaram novos acordos na área do transporte aéreo, nomeadamente o Acordo de Transporte Aéreo e Memorando de Entendimento. O acordo foi alcançado depois da reunião que decorreu na última quinta e sexta-feira, em Macau. Segundo uma nota da AACM, este novo memorando de entendimento visa “aumentar a capacidade operacional e liberalizar as quintas liberdades de transporte de mercadorias”. As primeiras versões destes documentos datam de 18 de Julho de 1997, tendo sido ajustados, com os novos documentos, “os limites à capacidade de transporte de passageiros”. Assim, “o número de assentos triplicou para 20 000 por semana em Manila, enquanto que para os restantes destinos não foram estabelecidas restrições na capacidade de transporte”. Não haverá ainda “restrições de capacidade nos destinos de Clark, tendo aumentado o limite de carga dos demais destinos para o dobro, para 600 toneladas por semana”.
Hoje Macau Manchete PolíticaJogo | Governo mantém previsão de receitas, apesar de tendência negativa O Chefe do Executivo considera que a redução recente das receitas de jogo não deverá levar o Governo a rever as previsões que consta no Orçamento da RAEM. Sam Hou Fai garantiu ainda que o Governo está a avaliar se há razões estruturais nesta redução Apesar da contracção das receitas do jogo nos últimos quatro meses, o Chefe do Executivo ainda não está a ponderar uma revisão em baixa do valor que consta no Orçamento da RAEM. O diploma prevê que até ao final do ano as receitas deverão atingir 236 mil milhões de patacas, sendo que até Setembro o valor foi de 187 mil milhões de patacas. “Estamos a avaliar se esta mudança é cíclica, provocada por alterações tanto no ambiente interno como externo, como ajustes nas condições económicas das regiões circundantes, incluindo os mercados bolsistas e os preços do imobiliário nas áreas vizinhas, ou seja, as receitas do jogo, após a pandemia, já atingiram um patamar relativamente elevado e há uma inversão da tendência”, afirmou Sam Hou Fai, no sábado, citado pela TDM, à margem da abertura da Sede do Governo à população. O Chefe do Executivo admitiu ainda que está a ser feita uma avaliação do impacto das receitas no futuro e prometeu que a situação vai ser “acompanhada” de perto. Em relação à evolução da economia, Sam afirmou que Outubro “assume uma importância acrescida” e manifestou o desejo de que as receitas apresentem “um crescimento estável” nos próximos meses. Excedente em alta As declarações de Sam Hou Fai foram prestadas um dia depois de ter sido tornado público que as contas públicas tiveram um excedente de 21,6 mil milhões de patacas nos primeiros nove meses de 2026, mais do que em todo o ano passado. De acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente do território até Setembro aumentou 30,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025. Macau fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. No orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas. A subida do excedente deve-se sobretudo à receita corrente de Macau, que cresceu 5,1 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 88,7 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 5,9 por cento, para 74,6 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo. As despesas públicas aumentaram 0,02 por cento, para 68,3 mil milhões de patacas, 62,6 por cento do previsto para todo o ano, sobretudo devido a um aumento nos gastos com apoios sociais. JSF / Lusa
Hoje Macau Entrevista MancheteEPM | João Miguel Gonçalves afasta “para já” expansão e aceita exclusão dos BIR com naturalidade O director da Escola Portuguesa de Macau afasta a realização de obras na escola num futuro próximo. Em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves afirmou também que a não emissão de bilhetes de identidade de residente para os novos professores é uma questão “para quem já vivia cá” e não para quem chega O novo director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) declarou que, para já, não existem planos para a expansão da instituição, embora fizesse “todo o sentido”, porque a instituição “está na capacidade máxima”, com um total de 828 alunos. “A escola está na sua capacidade máxima. Eu diria que, quer obras de requalificação, quer alguma expansão – que tem sempre de ser muito bem pensada – naturalmente que teriam todo o sentido, porque viriam melhorar as condições globais, eventualmente criar um pouco mais de capacidade para acolhermos mais alunos”, disse, em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves, recém-chegado ao cargo. Questionado sobre se há novidades neste sentido, o director respondeu negativamente. Quer a expansão quer a requalificação estão em “cima da mesa já há muitos anos”, lembra o director, notando ainda “ser prematuro” falar sobre o tema, já que “são decisões que passarão necessariamente, quer pela Fundação Escola Portuguesa de Macau, quer pelos órgãos de governo” de Portugal e Macau. Há vários anos que se fala numa possível expansão da EPM, com falta de espaço crónica, tendo-se inclusivamente aventado a hipótese de deixar o edifício actual, projecto do arquitecto Raúl Chorão Ramalho (1914-2002), e criar de raiz uma nova estrutura na ilha da Taipa. No presente ano lectivo, estão inscritos 828 alunos – mais 18 do que no ano anterior – de cerca de dezena e meia de nacionalidades, sendo a maioria portugueses e chineses. Apesar do aumento de inscritos não representar uma variação significativa, “é um sinal positivo”, destaca João Miguel Gonçalves, lembrando a “forte redução de alunos” no território. O novo director da Escola Portuguesa de Macau, João Miguel Gonçalves, em Macau, 7 de Outubro de 2026. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2026) GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA “A EPM está numa situação ímpar desse ponto de vista, porque tem especificidades que fazem com que a procura não seja a procura normal do mercado na área da educação. E aqui, pelo menos, nota-se que se mantém uma dinâmica de procura importante”, reforça. No que diz respeito aos professores – 83 a cargo de 38 turmas -, este ano o estabelecimento conta com novos cinco profissionais contratados em Portugal, de acordo com o director, que recusa a falta de educadores, contrariando, desta forma, a existência de instabilidade no corpo docente de anos passados. Novas realidades Em Junho, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu dificuldades na contratação de docentes para instituições de ensino portuguesas em Macau devido a alterações nas autorizações de residência e, segundo disse, a melhores condições em Portugal. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. João Miguel Gonçalves olha com naturalidade para as circunstâncias actuais: “Isso talvez seja uma questão para quem já cá vivia. Para quem chega hoje, chega com as condições que existem hoje”. Como resultado das alterações, o número de portugueses a tornarem-se residentes de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. Papel central na Ásia Sobre o arranque do novo ano lectivo, o director garante que decorreu “com toda a tranquilidade” e após obras de melhorias do espaço. A escola, defende, deverá continuar a afirmar-se como “uma plataforma de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa”, focada na promoção da multiculturalidade em Macau. A língua e a cultura portuguesas continuam a ser a marca identitária e o núcleo do projecto educativo da EPM, embora João Miguel Gonçalves defenda, simultaneamente, continuar a investir no mandarim. Sobre o que se segue, o responsável diz que “o primeiro grande desafio é que esta é uma escola única”, que cumpre finalidades “que estão muito além” das escolas em Portugal ou de outras escolas portuguesas no estrangeiro: “ser um baluarte da língua e cultura portuguesas na Ásia, na RAEM, República Popular da China, com uma configuração no seu modelo gestionário, que é também única”. A EPM foi constituída em 1998, como herdeira de três instituições de ensino em língua portuguesa em Macau. Nesse ano, foi criada a Fundação Escola Portuguesa de Macau, que gere o estabelecimento, resultado da colaboração inicial entre o Estado Português, a Fundação Oriente e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (tendo a Fundação Oriente sido substituída em 2012 pela Fundação Macau, entidade do Governo local, nos compromissos financeiros). Ou seja, ao contrário das instituições que integram a rede pública de Escolas Portuguesas no Estrangeiro, a EPM não depende totalmente do Estado português. Além disso, a instituição é uma escola do Regime Escolar Local de Macau, o que lhe permite aceder a apoios da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) do Governo local, estando também sujeita às obrigações decorrentes desse mesmo sistema. Içar da bandeira Neste contexto, a EPM leva a cabo a realização de uma cerimónia semanal do hastear da bandeira da China. O estabelecimento de ensino “vem desenvolvendo há pelo menos dois anos”, às segundas-feiras, esta cerimónia, diz o director, notando, porém, ser uma actividade de carácter voluntário para os alunos. “Tudo o que seja regulamentos e leis são para cumprir (…), tudo o que tenha a ver com a cerimónia está de tal forma balizado que penso que não nos cabe entrar nesse debate”, acrescenta, quando questionado sobre o tema. João Miguel Gonçalves destacou igualmente a importância da EPM começar a formar lideranças, numa idade precoce. “Pensamos na formação de lideranças já quando as pessoas são profissionais. Não, a formação de lideranças está hoje em diversos programas que já se implementam desde o primeiro, segundo, terceiro ciclos, o ensino secundário, em conjunto com universidades, escolas de negócios, de economia, e isso é importante”, explicou João Miguel Gonçalves. O director notou ainda que já existem projectos no estabelecimento educativo que se vão “fazendo de forma mais informal”, mas que é necessário apresentá-los agora com uma estrutura e uma identidade “mais clara”. “Temos de ambicionar também criar novas dinâmicas”, explica. Para já, refere, existem apenas ideias. “No âmbito destas áreas de melhoria [da escola], da visão que vou construindo cooperativamente (…), nós temos que ter uma componente forte de formação de lideranças”, considera. Neste sentido, podem vislumbrar-se parcerias com instituições de Macau, Portugal ou do interior da China. “Para cada área, teremos de encontrar os parceiros que, no momento, nos parecem aqueles que estão a ser mais inovadores, que estão a criar mudança mais disruptiva, que estão a trazer mais dinâmicas de articulação entre a escola e os contextos e os tecidos sociais, empresariais, comerciais”, acrescenta. No âmbito das comemorações dos 30 anos da EPM, que se celebram em 2028, o responsável indica que a direcção da Escola Portuguesa de Macau quer perceber onde andam os antigos alunos da instituição, o que fazem hoje e que impacto teve este espaço educativo ao longo das últimas três décadas. “É colossal o impacto que a escola teve quando começamos a olhar para onde é que estão os nossos alunos, e temos hoje essa capacidade de vermos que, para o futuro, a dimensão da formação de lideranças é muito importante, já no âmbito dos níveis de ensino que nós trabalhamos”, completou o responsável. Papel da IA Na entrevista à Lusa, o responsável preconizou também um maior papel da inteligência artificial na educação, crença que saiu reforçada com uma visita ao Interior e a paragem na escola pública Qian Xuesen, em Hangzhou. “A abordagem que estão a fazer vem ao encontro de algumas ideias que eu já preconizava em Portugal, que é um pouco a utilização da IA, das novas tecnologias, não só dentro do próprio espaço da sala de aula, mas que toda a escola, que é isso que acontece um pouco lá, se possa transformar em local de aprendizagem”, disse o responsável em entrevista à Lusa. “Ou seja, as crianças, os jovens, quando saem para os corredores – nos corredores também há permanentemente nas paredes coisas a acontecer com que eles podem interagir e em que há aprendizagem”, especifica. A escola em Hangzhou – cidade que acolhe a sede da empresa Alibaba – entrou em funcionamento em 2021, com o nome escolhido em homenagem a Qian Xuesen, cientista considerado o pai do programa espacial da China. À Lusa, João Miguel Gonçalves diz que falou com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) para criar uma “relação especial-protocolar” com a instituição em Hangzhou. “Para que possamos inspirarmo-nos”, completa. A ideia, diz, passa por “desboroar um bocado o conceito” de que apenas na sala de aula se concretiza a aprendizagem e transformar “todos os espaços e todos os momentos em momentos de aprendizagem”. O director da EPM sublinha que “é inevitável” o caminho em direcção à IA, o que “não quer dizer ecrãs e salas cheias de computadores”, uma ideia que perdura nos dias de hoje. “Hoje não é isso, é uma espécie de uma domótica global que recolhe dados das mais diversas áreas e que, ao monitorizar a própria gestão e administração, o funcionamento pedagógico, as instalações, começa a gerar informação que, para os educadores, é altamente valiosa para tomar decisões”, explicou. Com uma formação que cruza a Filosofia e Canto Teatral, João Miguel Gonçalves exerceu a função de Director-geral dos Estabelecimentos Escolares entre 2020 e 2026. Sucede na EPM a Acácio de Brito, agora director da Escola Portuguesa de Luanda.