Ormuz | Tóquio insta Teerão a cessar acções que ameacem navegação

Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.

“O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as acções que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz”, revelou o comunicado. O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de “ataques de retaliação” desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 09 de Março, e com a extensão dos danos, que afectaram inclusivamente países vizinhos.

Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram actualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adoptasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, “incluindo os do Japão e de outros países asiáticos”.

Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.

As expectativas de um potencial envio de navios militares japoneses para a região pode ser um dos temas-chave na cimeira esta quinta-feira em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano. Questionada ontem sobre a possibilidade de enviar para a zona efectivos das Forças de Autodefesa japonesas, Takaichi reiterou que, por enquanto, não há planos para o fazer.

19 Mar 2026

Turismo | Número chineses a viajar para o Japão caiu 45%

O número de turistas chineses no Japão caiu 45,2 por cento em Fevereiro, em comparação com fevereiro de 2025, apesar dos feriados do Ano Novo Lunar, segundo dados oficiais publicados ontem, num contexto de fortes tensões entre Tóquio e Pequim.

O arquipélago recebeu no mês passado 396.400 visitantes da China continental, indicou a Agência Japonesa de Turismo, apesar do período supostamente próspero do Ano Novo chinês, que este ano calhou em Fevereiro. A China é, de longe, o maior mercado emissor de turistas para o Japão, representando aproximadamente um quarto de todas as chegadas no ano até ao final de Novembro, mas com expressivas quedas sucessivas desde então.

As relações entre os dois países deterioraram-se desde as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, no parlamento nipónico em Novembro último, na sequência das quais Pequim instou os seus cidadãos a evitarem qualquer viagem ao Japão.

Takaichi sugeriu na altura que uma intervenção militar do país seria possível em caso de ataque chinês contra Taiwan, ilha que Pequim considera território chinês inalienável.

Em Fevereiro anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 das quais de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

19 Mar 2026

Japão adia retoma das operações da maior central do mundo

A eléctrica japonesa Tokyo Electric Power Company (TEPCO) adiou ontem o reinício das operações comerciais de Kashiwazaki-Kariwa, a maior central nuclear do mundo em capacidade, fechada desde 2011 após o acidente em Fukushima. Num comunicado, a TEPCO disse que, na quinta-feira passada, um alarme indicou uma pequena fuga eléctrica no reactor número 6, que começou a transmitir energia em 09 de Fevereiro, após 14 anos de suspensão.

Após uma investigação, a empresa determinou que não houve uma fuga real, mas sim um condutor que se rompeu que accionou o alarme por engano, algo que “não afecta directamente a segurança do reactor”, que permanece estável. A TEPCO continua a investigar os detalhes do incidente e ainda não anunciou uma nova data para a retoma das operações comerciais do reactor.

O reinício já tinha sido adiado a 26 de Fevereiro, devido a problemas com os alarmes das barras de controlo. A TEPCO reiniciou a central de Kashiwazaki-Kariwa a 21 de Janeiro, 15 anos após o encerramento em 2011 na sequência do acidente nuclear de Fukushima.

Essa foi a primeira vez que a TEPCO, que administrava a central de Fukushima antes do desastre, reactivou uma das suas centrais desde o acidente nuclear, causado pelo forte terremoto e subsequente tsunami, que atingiram o nordeste do Japão em 11 de Março de 2011. O acidente levou a um apagão nuclear no país, onde a maioria dos reactores nucleares continua desactivada.

Ponto de situação

Actualmente, 14 reactores estão operacionais, 19 suspenderam as suas operações e 27 aguardam desmantelamento, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atómica. Os reactores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa já passaram pelas revisões para a respectiva reactivação em 2017, mas posteriormente foi ordenado que a central permanecesse parada devido a falhas na segurança contra ataques terroristas.

Em Dezembro de 2023, as medidas adoptadas foram aprovadas e, desde então, a TEPCO tem vindo a ultrapassar os trâmites necessários para colocar ambos os reatores em funcionamento.

Com uma capacidade superior a oito mil megawatts, a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês da primeira-ministra Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.

19 Mar 2026

Enviado especial chinês ao Médio Oriente põe questão palestiniana na agenda

O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, sublinhou ontem, no Cairo, ao ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, que a questão palestiniana “não deve voltar a ser ignorada nem esquecida”.

Zhai indicou que a “questão palestiniana é fundamental para a paz, estabilidade e segurança a longo prazo no Médio Oriente” e que os acordos posteriores à guerra em Gaza “devem estar em consonância com a implementação da ‘solução de dois Estados'”, segundo um comunicado publicado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O diplomata chinês declarou que “uma maior propagação do conflito causaria maiores perdas, afectando o desenvolvimento económico regional e a segurança energética mundial”, sublinhando a “urgência” de um “cessar-fogo” para “retomar o caminho correcto da resolução de disputas através de canais diplomáticos”.

Abdelatty afirmou que “a actual escalada de tensões regionais tem graves consequências e não beneficia nenhuma das partes”, instando o Irão a “cessar os ataques contra países árabes”. “O actual conflito não deve desviar a atenção internacional da questão palestiniana, nem do acordo de cessar-fogo em Gaza, bem como dos acordos de governação e reconstrução no pós-guerra”, afirmou o diplomata egípcio, de acordo com o comunicado chinês.

Segundo Abdelatty, “o Egipto e a China partilham um elevado grau de consenso em questões regionais, e o Egipto está disposto a reforçar a coordenação e cooperação com a China para promover conjuntamente o restabelecimento da paz e da estabilidade na região”.

No terreno

Zhai, cuja agenda de reuniões nos países do Médio Oriente não foi detalhada, encontra-se na região a realizar uma “mediação activa” no conflito, no âmbito da qual tem previstos contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O diplomata já visitou outros países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Bahrein, onde defendeu um cessar-fogo e o “respeito” pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”. O conflito opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde o final de fevereiro, quando ambos os países lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e posições ligadas a Washington na região.

19 Mar 2026

Lucro do gigante digital Tencent sobe 16 por cento para 28.311 ME em 2025

A tecnológica chinesa Tencent registou em 2025 um lucro líquido de 224.842 milhões de yuan, o que representa um crescimento de 16 por cento face ao ano anterior. Nos resultados enviados ontem à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou também que as receitas aumentaram 14 por cento em termos homólogos, para cerca de 751.766 milhões de yuan.

A tecnológica destacou um “crescimento saudável” ao longo do exercício, impulsionado pela melhoria das suas capacidades em inteligência artificial (IA), que permitiram optimizar a publicidade e aumentar o número de utilizadores dos seus videojogos, bem como pelo crescimento dos negócios de computação na nuvem, tanto em receitas como em lucros.

No que respeita à IA, área em que tanto a Tencent como os seus concorrentes estão a investir fortemente, a empresa salientou a contratação de “talento de topo”, a criação de processos para consolidar os seus modelos e a aplicação destas capacidades a produtos como o ‘chatbot’ Yuanbao ou a rede social WeChat.

“A crescente capacidade do nosso modelo de linguagem de grande escala HY 3.0, bem como a utilidade de produtos de IA como Yuanbao, WorkBuddy ou QClaw, constituem sinais iniciais encorajadores de que estes investimentos vão gerar novas oportunidades”, referiu a empresa, aludindo também ao aumento dos montantes destinados ao seu desenvolvimento, sustentado pelo desempenho dos principais negócios.

“A procura por consumo e entretenimento, bem como a satisfação associada à criação e à produtividade, permitem à Tencent oferecer serviços de IA que melhoram as capacidades dos seus utilizadores nestas áreas”, acrescentou.

Acima do esperado

A rede social WeChat terminou o ano com cerca de 1.418 milhões de utilizadores activos mensais, mais 33 milhões do que no final de 2024.

No último trimestre, a Tencent registou um aumento de 14 por cento nos lucros face ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões dos analistas, que apontavam para uma subida de 7 por cento. As receitas cresceram 13 por cento, em linha com as expectativas.

Num comunicado separado, o Conselho de Administração propôs o pagamento de um dividendo de 5,3 dólares de Hong Kong por acção, relativo ao exercício de 2025. A Tencent, a maior empresa chinesa em capitalização bolsista e uma das 20 maiores do mundo, é conhecida por desenvolver o WeChat e por ser a maior distribuidora global de videojogos, com títulos como “League of Legends”.

19 Mar 2026

Hong Kong | Rejeitados recursos de sete condenados por invadir o Parlamento em 2019

O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve as apenas aplicadas na primeira instância aos manifestantes que, em 2019, invadiram o Parlamento causando danos e exibindo a bandeira britânica

A justiça de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por sete manifestantes condenados por distúrbios ocorridos durante a invasão do Parlamento em 2019, no auge dos protestos que abalaram a região.

Entre os manifestantes que apresentaram recurso, estava o actor Gregory Wong Chung-yiu, que contestava a condenação por desordem pública e uma pena de seis anos e dois meses de prisão. O Tribunal de Recurso de Hong Kong manteve a decisão, concluindo, por unanimidade, que o envolvimento na invasão do Conselho Legislativo foi deliberado e não o de um “espectador inocente”.

“Sabendo que o complexo estava ocupado, vestiu-se de preto e entrou na câmara, onde não só entregou material aos jornalistas, como manteve contacto físico com os manifestantes, abraçando-os”, refere a sentença. Os juízes rejeitaram também a alegação de que a sentença imposta a Gregory Wong era desproporcional.

O tribunal rejeitou ainda os recursos de outros seis arguidos. Cinco deles – incluindo a ex-líder estudantil Althea Suen Hiu-nam, que se declarou culpada – recorreram apenas das sentenças, que incluíam penas de até seis anos e dez meses de prisão. A sexta arguida, Amy Pat Wai-fun, contestou tanto a condenação como a pena de quatro anos e nove meses imposta.

Em Fevereiro de 2024, um juiz da primeira instância condenou 11 arguidos a penas de prisão que variavam entre quatro anos e meio e seis anos e dez meses. Dois jornalistas, julgados em conjunto, foram multados até 1.500 dólares de Hong Kong por entrarem ou permanecerem no complexo, embora não tenham sido acusados de distúrbios.

Na decisão de 2024, o tribunal enfatizou a natureza simbólica do ataque, afirmando que os participantes “rasgaram cópias da Lei Básica [a ‘mini’-constituição de Hong Kong] e exibiram bandeiras coloniais”, gestos que considerou “provocativos e desafiadores da autoridade”. O tribunal salientou ainda que o episódio “minou a capacidade de governação e deixou cicatrizes profundas na sociedade de Hong Kong”.

Lei e ordem

Os acontecimentos ocorreram na noite de 01 de Julho de 2019, no 22.º aniversário da transferência de soberania do Reino Unido para a China. Centenas de manifestantes, usando capacetes e máscaras, invadiram o complexo, causaram danos e exibiram a bandeira colonial britânica antes de serem dispersados com gás lacrimogéneo.

A invasão foi um dos momentos mais tensos dos protestos contra a lei de extradição para a China continental. As manifestações, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal, culminaram na imposição, por parte do Governo central chinês, da Lei de Segurança Nacional em 2020.

19 Mar 2026

FRC | Poesia e leitura em destaque hoje

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a sessão “Um Encontro de Poesia: A Árvore e tudo o que queiram”, que visa celebrar o Dia Mundial da Poesia, data instituída pela UNESCO na 30.ª Conferência Geral em Paris, em 1999. O evento assinala também o Dia Internacional das Florestas, com ambas as datas a serem assinaladas a 21 de Março pelas Nações Unidas.

A sessão de hoje é organizada pelo Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro em Macau, sendo, segundo descreve a FRC em comunicado, “uma oportunidade para incentivar a leitura, apoiar os poetas e preservar a diversidade linguística e cultural, através da palavra escrita e falada”.

A sessão, a ser conduzida pelo médico e escritor Shee Vá, pretende levar o público a partilhar poemas que tenham um significado especial nas suas vidas, que podem estar sujeitos ao tema da “Árvore”, ou não. O que importa é “homenagear a expressão poética e a sua importância cultural como legado identitário da língua de cada país ou países”.

“A poesia, com a sua capacidade de emocionar, provocar reflexões e transmitir sentimentos, foi capaz de atravessar séculos e civilizações, sendo um dos pilares da arte literária. Se quiser participar, apareça na Galeria da FRC e peça a palavra. Venha preparado para ouvir e ler, contribuindo para enriquecer a experiência das comunidades locais neste desígnio de dar voz ao sentimento dos poetas e tocar almas”, descreve a mesma nota sobre o evento.

19 Mar 2026

Cinema | Quatro coproduções portuguesas em destaque no festival de Hong Kong

Quatro coproduções portuguesas vão integrar o cartaz do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, que vai decorrer entre 1 e 12 de Abril. “O Riso e a Faca” de Pedro Pinho, “Magalhães” de Lav Diaz, “Amílcar” de Miguel Eek e “Last night I conquered the city of Thebes” de Gabriel Azorín juntam-se ao clássico de Manoel de Oliveira “Aniki-Bóbó”

De acordo com a programação do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong (HKIFF, na sigla em inglês), divulgada na terça-feira, a categoria Cinema do Mundo inclui o filme “O Riso e a Faca”, a segunda longa-metragem de ficção do realizador português Pedro Pinho. A coprodução entre Portugal, Brasil, França e Roménia foi candidata aos Goya 2026 – prémios espanhóis de cinema – de melhor filme europeu e aos prémios europeus de cinema de 2026 da Academia Europeia de Cinema.

“O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, com Sérgio Coragem, Cléo Diára e Jonathan Guilherme no elenco, estreou-se em Maio no Festival de Cinema de Cannes, em França, valendo à actriz um prémio de representação na secção “Un Certain Regard”. Na secção Mestres e Autores, vai ser exibido “Magalhães”, do realizador filipino Lav Diaz, sobre o navegador português Fernão de Magalhães, que foi o candidato das Filipinas a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional.

O filme, protagonizado pelo actor mexicano Gael García Bernal no papel do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), que encetou a viagem de circum-navegação e morreu nas Filipinas. “Magalhães”, com coprodução portuguesa pela Rosa Filmes, conta ainda com a participação da actriz Ângela Machado, no papel de Beatriz Barbosa, mulher do navegador, e dos actores Tomás Alves, Rafael Morais, Ivo Arroja e Valdemar Santos.

Na companhia de mestres

Na mesma secção, está o mais recente documentário do alemão Werner Herzog, “Ghost Elephants”, gravado em Angola, e que se estreou na 82.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Entre os documentários a exibir no HKIFF consta “Amílcar”, que resulta de um trabalho de cinco anos em torno do político africano independentista Amílcar Cabral, feito pelo realizador espanhol Miguel Eek. A coprodução entre Espanha, França, Suíça, Cabo Verde e Portugal, pela Lx Films, conta com direcção de fotografia de João Pedro Plácido, e está indicada para o prémio de melhor documentário ibero-americano no Festival de Cinema de Guadalajara, que vai decorrer em Abril.

Na secção Caleidoscópio – Poesia em Movimento do HKIFF estará “Last night I conquered the city of Thebes”, de Gabriel Azorín, uma produção espanhola com a portuguesa Primeira Idade.

O festival vai apresentar ainda vários filmes clássicos restaurados em 4K, incluindo “Aniki-Bóbó” (1942), primeiro filme do realizador português Manoel de Oliveira (1908-2015).

O HKIFF inclui uma competição para curtas-metragens, os prémios Firebirds, e um dos nomeados é “Samba Infinito”, uma coprodução do Brasil e França, realizada pelo brasileiro Leonardo Martinelli.

19 Mar 2026

Excursão | Investigadas compras forçadas em Macau, HK e Zhuhai

As autoridades de Shenzhen estão a investigar um caso de compras forçadas que terá ocorrido numa excursão a Macau, Zhuhai e Hong Kong. A situação foi revelada pelo jornal chinês Jimu News, que se infiltrou na excursão de baixo custo, que terá custado aos turistas 380 yuan para uma viagem de cinco dias às três cidades, entre os dias 8 e 12 de Março.

A reportagem revelou práticas de compras forçadas e pressão constante para adquirir produtos em lojas seleccionadas na excursão organizada pela filial do distrito de Yantian (Shenzhen) da Agência de Viagens Internacional Hengsheng. A viagem de baixo custo atraiu na larga maioria pessoas idosas que acabaram por passar a maior parte do tempo em lojas de outlet, onde os seguranças das lojas os impediam de sair até terem permissão do guia da excursão.

O jornal relata que os idosos acabaram por ser coagidos a comprar medicamentos no valor de milhares de yuan, incluindo três pessoas de “meia-idade” que terão gasto cerca de 10.000 yuan num só dia. Quando as despesas ficavam aquém das expectativas, o guia terá reagido com raiva e gritos, ameaçando continuar a visitar lojas até que as compras satisfizessem os comerciantes envolvidos no esquema.

O guia chegou mesmo a ameaçar cortar as refeições a dois excursionistas que, depois de gastarem mais de 1.000 yuan cada, pediram para que o foco da excursão incidisse mais sobre pontos de interesse turístico em vez de lojas. O departamento de cultura e turismo do distrito de Yantian foi visitado pelas autoridades que iniciaram procedimentos de mediação entre lesados e a agência de viagens.

19 Mar 2026

Catástrofes Naturais | Chan La Kei pede exercícios mais extremos

O deputado Chan La Kei pretende saber se as forças de segurança vão realizar simulações mais extremas de resposta a catástrofes naturais e mau tempo. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa ligado à comunidade de Fujian.

“As autoridades vão criar cenários simulados mais extremos, tendo em conta os pontos fracos detectados no ano passado, tais como ‘ocorrência consecutiva de tempestades tropicais em Macau, causando pressão nos respectivos recursos’, ‘obstáculos no apoio material transfronteiriço’, etc., a fim de avaliar a capacidade de resposta e prevenção dinâmica interdepartamental e inter-regional?”, perguntou o legislador.

No mesmo sentido, Chan La Kei questiona as autoridades sobre os planos de criar alertas localizados para as diferentes zonas do território, consoante o nível de impacto das ocorrências naturais, assim como a possibilidade de utilizarem inteligência artificial para produzirem mensagens de telemóvel em várias línguas a alertar os afectados. O deputado destaca que a utilização de várias línguas na comunicação é importante, porque muitas vezes a resposta a situação de emergência exige que não se perca tempo.

Entre os assuntos levantados sobre a resposta a emergências, o deputado pretende também saber como é que actualmente as autoridades conseguem identificar os locais onde acontecem situações imprevistas e como podem acelerar os mecanismos de resposta para enviar prontamente agentes de segurança para o local.

19 Mar 2026

Tribunais | Portugal abre duas vagas de juiz para Macau

Depois de em Outubro do ano passado o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) ter demonstrado abertura para enviar mais juízes para Macau, as autoridades de Portugal abriram agora um concurso de recrutamento

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Portugal anunciou na terça-feira a abertura de recrutamento de dois juízes portugueses para funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. De acordo com o aviso publicado, podem candidatar-se magistrados judiciais com uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15, sendo a nomeação válida por dois anos, eventualmente renovável.

As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, os magistrados seleccionados terão vencimento e regalias equiparadas às dos juízes locais da mesma categoria e antiguidade.

O salário corresponde a uma percentagem do vencimento mensal do Chefe do Executivo, actualmente fixado em 268.297 patacas, que varia de acordo com o tempo de serviço como magistrado, entre os 50 por cento e os 60 por cento do valor mensal auferido pelo líder do Governo.

Além da remuneração, os juízes terão direito a subsídios de férias e de Natal, habitação ou subsídios de arrendamento e equipamento, assistência médica para si e para o agregado familiar, bem como férias judiciais de 22 dias úteis por ano.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses (juízes e procuradores) no território, apoiando o sistema jurídico de matriz portuguesa. Esta colaboração, foca-se no recrutamento, na formação e na troca de experiências judiciais.

Colmatar saídas

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar em Macau actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminava em Maio de 2026.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do Tribunal de Primeira Instância Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois.

Apesar da rejeição, em Outubro do ano passado, durante uma visita a Macau, o líder do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, e por inerência preside também ao CSM, afirmou aos jornalistas que se as autoridades de Macau demonstrassem interesse haveria abertura para enviar mais magistrados portugueses para o território. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

19 Mar 2026

Tecnologia | Sam Hoi Fai quer promover a industrialização

O Chefe do Executivo considerou que o desenvolvimento tecnológico em Macau tem de ter resultados práticos e levar ao aumento da produtividade e à aplicação das tecnologias na indústria. As declarações constam do discurso proferido durante a primeira reunião do Conselho de Ciência e Tecnologia deste ano.

“O objectivo final da investigação e desenvolvimento, bem como os investimentos no campo científico e tecnológico, não é a mera investigação, nem é o investimento apenas para criar uma imagem ‘tecnológica’ superficialmente atraente; o objectivo final deve ser a transformação do conhecimento em produtividade e a industrialização de tecnologias”, avisou Sam Hou Fai. “Temos de manter esta orientação, a fim de maximizar o papel prático e os benefícios integrados do desenvolvimento científico e tecnológico”, acrescentou.

O Chefe do Executivo destacou também a necessidade de apresentar resultados: “por esta ocasião, gostaria de salientar ainda um ponto específico: para impulsionar o trabalho científico e tecnológico e a investigação em Macau, é necessário estabelecer e pôr em prática uma visão clara do desempenho”, atirou.

Durante o tempo em que tomou a palavra, Sam Hou Fai insistiu que o desenvolvimento tecnológico tem de acompanhar o novo plano quinquenal do Governo Central e articular-se com o desenvolvimento do país.

19 Mar 2026

MNE chinês diz que Macau deve manter-se “aberta ao talento estrangeiro”

A comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau sublinhou ontem que, como centro internacional de cooperação, a cidade deve permanecer “aberta ao talento estrangeiro”.

Durante uma sessão de esclarecimento sobre o 15.º Plano Quinquenal do país e o seu impacto no desenvolvimento de Macau, Bian Lixin destacou que serão “reforçadas medidas de facilitação de vistos e de mobilidade transfronteiriça para atrair profissionais altamente qualificados”.

Estas incluem acções preferenciais que facilitem a circulação transfronteiriça de cidadãos estrangeiros entre Macau e Hengqin e políticas de facilitação de vistos para cidadãos estrangeiros com residência permanente em Macau que viajem para o continente, apoiando a construção do território como um “centro internacional de talentos de alto nível”.

O Governo central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia de Macau e complementar vários serviços essenciais para os residentes da cidade.
Macau estabeleceu, em Julho de 2023, um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais.

No final de Outubro, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos disse que Macau aprovou 464 das mais de mil candidaturas ao programa. A esmagadora maioria dos quadros é da China continental (80 por cento) e de Hong Kong (dez por cento), sendo que 47 por cento tem “experiência de trabalho ou de estudo no estrangeiro”.

No entanto, a residência em Macau para cidadãos portugueses tornou-se mais restrita desde Agosto de 2023, sendo agora tratados como outros estrangeiros, focando-se no reagrupamento familiar ou competências técnicas muito específicas. A autorização de residência permanente requer, geralmente, sete anos de residência habitual.

Esforços alinhados

Segundo a comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, o seu gabinete alinhará esforços diplomáticos para assegurar que a estratégia de desenvolvimento local se articule com as prioridades nacionais. Ao mesmo tempo, Bian destacou que Macau tem de “potenciar a sua diplomacia”, aproveitando os laços com países de língua portuguesa e espanhola para aprofundar a cooperação no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e ampliar os intercâmbios com a Eurásia e o Sudeste Asiático.

O Governo de Macau confirmou na terça-feira que o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril. Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo da China a Macau.

O 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) para o desenvolvimento da China foi aprovado este mês por Pequim e centra-se em “novas forças produtivas de qualidade”, alta tecnologia, autonomia tecnológica e reforço do consumo interno. O plano estabelece como objectivo um crescimento económico moderado, com metas de Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5 e 5 por cento. O Chefe do Executivo confirmou que os planos de desenvolvimento de Macau serão alinhados com o plano nacional, prometendo “reformas ousadas”.

18 Mar 2026

Aviação | EAU reabrem espaço aéreo após ataques iranianos

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram ontem de manhã o regresso do tráfego aéreo às operações normais, após ter encerrado total e temporariamente o espaço aéreo durante a madrugada devido a ataques iranianos contra o seu território. Num comunicado da Autoridade Geral da Aviação Civil dos Emirados, a entidade explicou que dada a estabilização da situação e o fim das medidas de precaução anteriormente estabelecidas, foi tomada a decisão de retomar os voos.

“A Autoridade confirma que esta decisão surge após uma avaliação integral das condições de segurança, em coordenação com as autoridades relevantes. Sublinhamos que continuará a ser feito um acompanhamento constante para assegurar os mais elevados níveis de segurança aérea”, acrescentou a nota.

O encerramento anunciado durante a madrugada foi descrito como “uma medida de precaução excepcional” para garantir a segurança dos voos e proteger o território dos EAU, coincidindo com o anúncio do Ministério da Defesa de que as defesas aéreas do país estavam a responder a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão.

A decisão de fechar o espaço aéreo ocorreu poucas horas depois de os voos de e para o aeroporto internacional do Dubai começarem a ser retomados gradualmente, após uma suspensão temporária aplicada na madrugada de segunda-feira. Essa suspensão foi motivada por um incidente com um drone que provocou um incêndio nas imediações da infraestrutura, sem causar vítimas.

O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, em 28 de Fevereiro, desencadeou uma guerra com fortes repercussões para os países do Golfo Pérsico, que se tornaram alvo dos ataques iranianos contra bases e interesses norte-americanos na região. Desde o início do conflito, os voos com origem ou destino nos EAU têm estado sujeitos a suspensões.

18 Mar 2026

Timor-Leste | Governo garante combustível e pode intervir nos preços

O ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco Monteiro, garantiu ontem fornecimento de combustível para os próximos dois meses e admitiu a intervenção do Governo caso os preços disparem devido ao conflito no Médio Oriente.

“Até ao momento, não estamos numa fase crítica no que toca a soluções, mas a segurança do abastecimento de combustíveis mantém-se estável e assegurada para os próximos dois meses”, afirmou Francisco Monteiro, em conferência de imprensa.

O ministro falava aos jornalistas após a subida do preço dos combustíveis em Timor-Leste, na sequência do conflito no Médio Oriente, e depois de críticas da oposição política, que acusou o Governo de não prestar esclarecimentos à população. “O Ministério do Petróleo garante ao público que a segurança energética, em termos de reservas de combustível, está assegurada para os próximos meses”, insistiu o governante.

O ministro explicou também que há uma “coordenação muito intensiva” com as empresas fornecedoras de combustíveis ao país e na semana passada foi realizada uma reunião para “discutir abertamente o que cada entidade está a fazer e tem previsto fazer nos próximos tempos”. Relativamente ao aumento dos preços dos combustíveis no país, Francisco Monteiro explicou que Timor-Leste adoptou o mercado livre e que o seu custo será sempre afectado pelo mercado mundial.

O ministro salientou que o Governo poderá adoptar medidas caso o preço do petróleo continue a subir. “Serão tomadas medidas apropriadas para minimizar, tanto quanto possível, os impactos negativos na economia caso os preços aumentem significativamente”, disse.

Francisco Monteiro acrescentou que não há motivo para alarme e que existe uma coordenação entre todas as entidades envolvidas. “Devemos manter a confiança. Quanto à questão dos preços, estamos a acompanhar a situação e, a curto prazo, o Governo deverá adoptar algumas medidas para minimizar ao máximo os impactos”, acrescentou.

18 Mar 2026

A peça de Margarida Vila-Nova

Por Gonçalo Alvim

O monólogo “À primeira vista”, protagonizado por Margarida Vila Nova e encenado por Tiago Guedes, esteve em exibição este Sábado, 14 de Março, no Centro Cultural de Macau. Tive a oportunidade de assistir e, tal como a generalidade do público presente, gostei da interpretação e do enredo, adaptado da obra de Suzie Miller. No final da peça houve uma conversa com a actriz e o encenador, tendo o público sido desafiado a colocar as suas questões. E assim pudemos perceber diferentes opiniões, questões que o tema levanta, e o que pensam os protagonistas sobre a mensagem transmitida.

Para quem não tenha visto, a peça versa o tema do abuso sexual de mulheres, relatando a história ficcionada de uma advogada criminal, a Teresa, que tendo defendido com sucesso presumíveis agressores sexuais, acaba por ser ela própria agredida sexualmente por um colega, numa relação que começara em acaso e consentimento e acaba em violação não consentida. Teresa, embora percebendo a fragilidade jurídica do seu caso, decide corajosamente levá-lo a tribunal, mas não é bem-sucedida nos seus intentos e o colega sai ilibado.

A peça não pretende trazer soluções imediatas, limita-se mostrar, de dois ângulos distintos, o drama vivido por vítimas de abuso sexual. Com efeito, é feita a contraposição entre a segurança de quem sabe jogar com o sistema jurídico vigente –Teresa enquanto advogada criminal –, com as fragilidades de quem se vê no papel da vítima – Teresa depois de ter sido abusada sexualmente.

Embora o sentimento geral na sala tenha sido de aprovação, e tenha mesmo havido uma sugestão de adaptação da peça às escolas com o intuito de sensibilizar os mais novos para o problema das relações não consentidas, parece-me que a peça comporta, por um lado, alguns perigos para a sociedade – sobretudo para os mais novos; e, por outro, merece reflexões importantes que não foram aventadas. Como disseram os protagonistas, a finalidade da peça passa muito por levantar questões e suscitar reflexões, não por dar as soluções. E é isso que vou procurar fazer.

Entre os riscos que vejo na peça, está a exposição dos limites do sistema jurídico, onde casos como este, sobretudo quando bem orientados pela defesa do arguido, levam normalmente à absolvição. A vincar este aspecto temos a actuação de Teresa na absolvição de clientes seus, expondo-nos com cinismo as fragilidades da Justiça e as naturais incoerências das vítimas que passaram por situações de violação; e há depois o seu próprio caso, onde, apesar da sua experiência e conhecimento da legislação, não consegue apresentar provas irrefutáveis, cai em incoerências e acaba por não conseguir a condenação de Francisco. E assim, após mais de dois anos de sofrimento com o caso, vê-se vítima do sistema que usava e sai emocionalmente destruída do Tribunal.

Alguns dos presentes no público sugeriram que o caminho deveria passar pela alteração de alguma da jurisdição, mas a verdade é que isso é muito difícil de levar à prática e comporta riscos – dado o sistema vigente de presunção de inocência até prova em contrário. E assim, esta divulgação das imperfeições do sistema jurídico, sem solução à vista, corre o risco de trazer, por um lado, uma desconfiança na Justiça por parte das vítimas, que concluem não valer a pena levar para a frente as acusações; e, por outro, um sentimento de impunidade por parte de eventuais violadores, percebendo agora que se fizerem as coisas de uma determinada maneira, sem provas evidentes, não sofrerão consequências. O ónus da prova cabe à vítima e eles nem sequer têm de depor em Tribunal.

Outro aspecto preocupante para mim, enquanto pai, é a insegurança transmitida às raparigas em relação aos rapazes, assim como o sentimento de impotência dos rapazes em contrariar esta desconfiança lançada sobre si. No limite, isto poderia levar à criação de muros entre si, não de relações de confiança que a sociedade precisa para crescer. A protagonista da peça refere mesmo que um em cada três homens comete, ou terá cometido, abusos sexuais, o que me fez olhar em volta e estimar que, se assim fosse, naquela sala haveria várias dezenas de homens nessa situação.

A peça não pretende dar soluções, como Tiago Guedes sublinhou na conversa, mas apenas levantar o véu sobre um problema que persiste na sociedade. Para além de ter sido bem interpretada, a história está bem conseguida e bem montada, evidenciando dois aspectos que não foram mencionados pelo público mas que devem estar no centro de uma conversa com jovens sobre o tema.

O primeiro tem a ver com a construção de relações. Teresa mal conhecia Francisco, apenas sabia que ele era de um meio social mais privilegiado que o seu e concluíra, pelos casos jurídicos que ele tinha defendido, que teria um futuro promissor. No entanto, talvez com alguma ambição de permeio, deixou precipitar as coisas de uma forma muito rápida, entrando assim naquele limbo de não saber bem que tipo de relação tinham, mas sem que isso a levasse a recuar, deixando a relação correr sem norte. Isto faz parte de alguma tendência em procurar a gratificação no imediato, em detrimento de uma relação mais sólida, que exige tempo e espaço de discernimento. Na peça, a mãe da Teresa assistiu em Tribunal à exposição desse vertiginoso desenvolvimento da relação dos dois, e aparentemente terá permanecido impávida. Percebemos que deve ter sofrido, porque não é isto que uma mãe pretende para a filha.

O segundo aspecto com importância na compreensão da história, e que está directamente relacionado com o primeiro, foi o consumo excessivo de álcool por parte de Teresa e Francisco em diferentes ocasiões, o que terá contribuído para a precipitação dos acontecimentos que se desenrolaram. Como sabemos, o álcool desinibe, baixa-nos as defesas e, em excesso, pode mesmo alterar-nos de uma forma irreconhecível. Francisco, que inicialmente é apresentado como um pouco tímido, envolveu-se com Teresa no escritório após consumirem bebidas alcoólicas em demasia; depois, durante o acto não consentido, estariam os dois bastante embriagados. Não importa aqui discutir se esse facto atenua a gravidade do que aconteceu, mas alertar, sobretudo os mais jovens, para os perigos envolvidos quando se abusa no consumo de álcool. Beber em demasia leva a situações que ultrapassam a capacidade de controlo de quem bebe, e esse facto deve ser tido em conta não apenas quando bebemos, mas também quando outros que estejam connosco tenham bebido. A situação pode fugir ao nosso controle e convém estarmos alertados.

Concluindo, gostei muito da peça mas fiquei aliviado de os meus filhos não terem ido. Se isso tivesse acontecido, sei que teria depois de ter com eles longas conversas para enquadrar o que tinham assistido e desvalorizar o que estava a ser insinuado. E quando no final a protagonista, de forma bastante directa, sugeriu que olhássemos para a esquerda e para a direita, no pressuposto matemático de que alguém ao nosso lado teria estado envolvido num acto sexual não consentido, asseguro que olhei com atenção para ver se alguém o fazia. Ninguém o fez. Concluí que, em geral, os que assistiram à peça confiam uns nos outros. Nem tudo está perdido.

18 Mar 2026

Médio Oriente | Pequim envia ajuda para aliviar “profundo desastre humanitário”

A China assegurou ontem que “as actuais hostilidades provocaram um profundo desastre humanitário” nos países do Médio Oriente, aos quais propôs o envio de ajuda de emergência, transmitindo também solidariedade com as populações afectadas.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, em conferência de imprensa, que “a China tem sempre posto em prática o conceito de uma comunidade de futuro partilhado para a humanidade, defendendo o espírito do internacionalismo e do humanitarismo”.

Lin anunciou que o país “decidiu fornecer assistência humanitária de emergência ao Irão, à Jordânia, ao Líbano e ao Iraque, na esperança de que isto ajude a aliviar a difícil situação humanitária enfrentada pelas populações locais”, sem detalhar o alcance da ajuda.

“A China vai continuar a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz, facilitar o rápido restabelecimento da paz e da estabilidade regionais e evitar que a crise humanitária se agrave ainda mais”, acrescentou o porta-voz. Lin respondia assim a uma pergunta sobre estimativas recentes da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), que calculou em 3,2 milhões o número de pessoas deslocadas dentro do Irão devido ao actual conflito com Israel e os Estados Unidos.

No Líbano, o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, causou o deslocamento forçado de mais de 600.000 pessoas, de acordo com o ACNUR. A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.

O país asiático instou ainda à protecção das rotas marítimas, tendo em conta que 45 por cento do petróleo que importa passa pelo estreito de Ormuz.

18 Mar 2026

Corrupção| Julgamento por subornos de ex-chefe do PCC em Hubei

A campanha anticorrupção iniciada com a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012 faz mais uma vítima de peso

A China levou a julgamento por alegados subornos um antigo secretário provincial do Partido Comunista Chinês por alegado uso de cargos anteriores no sistema financeiro estatal e em governos locais para obter benefícios indevidos, foi ontem divulgado.

Segundo informou a Procuradoria Popular Suprema, a sua delegação em Nanjing (leste) apresentou a acusação num tribunal intermédio após concluir a investigação do caso, que tinha sido previamente transferido pela Comissão Nacional de Supervisão, principal organismo anticorrupção do Estado.

As autoridades acusam Jiang Chaoliang de ter aproveitado vários cargos ao longo da sua carreira, incluindo funções de direcção em instituições financeiras estatais e responsabilidades em governos provinciais, para favorecer terceiros e aceitar subornos de montante “especialmente elevado”.

Jiang ocupou cargos de relevo no sector financeiro chinês antes de entrar na política, tendo sido governador da província nordeste de Jilin entre 2013 e 2016 e posteriormente secretário do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020. Em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da crise sanitária provocada pelo coronavírus, foi destituído deste último cargo no meio de críticas à gestão inicial do surto em Wuhan, capital de Hubei.

Em Outubro de 2025, as autoridades anunciaram a sua expulsão do Partido e a destituição de cargos públicos após uma investigação por “graves violações da disciplina e da lei”, fórmula habitualmente utilizada em casos de corrupção.

O caso insere-se na campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde a sua chegada ao poder em 2012, que atingiu funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até dirigentes provinciais, altos responsáveis militares e gestores de grandes empresas estatais. Esta ofensiva, um dos pilares do mandato de Xi, já revelou inúmeros casos de suborno e abuso de poder no aparelho do Partido e do Estado.

Em 2025, as autoridades investigaram 115 funcionários de nível provincial ou ministerial ou superior, segundo dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar coincidindo com os preparativos para o novo plano quinquenal que definirá as políticas do país entre 2026 e 2030.

18 Mar 2026

Hong Kong | Filial de conglomerado acusa Panamá de ignorar arbitragem

A Panama Ports Company, filial do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, acusou ontem o Estado panamiano de ignorar a arbitragem internacional iniciada após a retirada da concessão para operar dois portos junto ao Canal do Panamá. Em comunicado, a empresa indicou que o Governo do Panamá não apresentou dentro do prazo a sua resposta ao tribunal da Tribunal Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI), cujo prazo terminou na sexta-feira passada.

Segundo a Panama Ports Company, as autoridades panamianas solicitaram uma prorrogação parcial, alegando que “não estavam preparadas” para responder e que precisavam de mais tempo para preparar a defesa.

A empresa assinalou que essa situação contrasta com declarações anteriores do Governo do Panamá, que teria dedicado o último ano à elaboração de um plano para a gestão dos portos de Balboa e Cristóbal. O comunicado acusa também o Estado panamiano de ignorar as iniciativas da companhia para procurar soluções para o conflito e adverte para possíveis acusações “infundadas” durante o processo arbitral.

Além disso, a Panama Ports Company denunciou que as autoridades continuam a reter documentos corporativos e materiais apreendidos durante a tomada das instalações, incluindo ficheiros e computadores, em operações que, segundo a empresa, decorreram com a presença de forças de segurança armadas. A companhia reiterou que a ocupação dos portos e a apreensão de documentos violam o Estado de direito e afirmou que reserva a possibilidade de recorrer a “todos os direitos e recursos legais” para reclamar os danos causados.

Dedos americanos

A disputa remonta à decisão emitida em Janeiro pelo Supremo Tribunal do Panamá, que declarou inconstitucional a concessão atribuída em 1997 à Panama Ports Company para operar os portos de Balboa e Cristóbal, bem como a sua prorrogação aprovada em 2021 até 2047.

Após a decisão judicial, a Autoridade Marítima do Panamá assumiu o controlo de ambos os terminais e entregou a sua operação transitória a filiais das companhias marítimas Maersk e Mediterranean Shipping Company (MSC), enquanto o Governo panamiano prepara um novo processo de concessão.

A CK Hutchison e a sua filial já iniciaram um processo de arbitragem internacional por este caso, cujo valor ascende a cerca de 2.000 milhões de dólares, segundo a empresa.

A disputa ocorreu num contexto de tensões geopolíticas em torno do Canal do Panamá, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado recuperar a via interoceânica ao denunciar a alegada influência chinesa na infraestrutura estratégica.

18 Mar 2026

Alerta para riscos de segurança do popular agente de IA OpenClaw

O ministério chinês da Segurança do Estado advertiu ontem para riscos de segurança associados ao uso do agente de inteligência artificial de código aberto OpenClaw, que se tornou recentemente um fenómeno entre programadores e utilizadores chineses.

Num artigo publicado na sua conta oficial na rede social WeChat, o organismo descreveu o funcionamento do sistema, conhecido popularmente no país como “xiaolongxia” (“lagosta”, devido ao ícone vermelho do sistema com a forma do crustáceo).

O ministério assinalou que, para permitir que o sistema “consiga completar tarefas”, os utilizadores costumam conceder-lhe permissões elevadas, o que pode facilitar que atacantes obtenham controlo remoto do dispositivo ou acedam a informação sensível nele armazenada, podendo gerar riscos de cibersegurança se for utilizado sem as devidas precauções.

O organismo alertou também que estes programas podem lidar com dados pessoais ou empresariais sensíveis e que, caso sejam comprometidos, poderão provocar fugas de informação ou ser utilizados para “gerar e difundir informação falsa” nas redes sociais.

O aviso oficial de segurança digital do principal órgão de inteligência chinês assegurou que alguns complementos ou extensões podem conter vulnerabilidades ou ser utilizados para introduzir código malicioso capaz de contornar controlos de segurança e aceder à informação armazenada no computador.

O guia recomenda aos utilizadores que limitem as permissões concedidas ao sistema, verifiquem a origem dos complementos instalados, mantenham registos de actividade e executem o sistema em ambientes isolados – como máquinas virtuais ou ‘sandboxes’ – para reduzir possíveis riscos.

Este tipo de agentes de IA pode executar directamente tarefas num sistema informático, gerir ficheiros, redigir emails ou navegar na internet a partir de instruções do utilizador, o que representa uma evolução em relação aos modelos conversacionais tradicionais.

Riscos e conselhos

O OpenClaw, criado pelo programador austríaco Peter Steinberger, difundiu-se rapidamente nas comunidades tecnológicas chinesas nas últimas semanas, onde utilizadores partilham guias de instalação e tutoriais para implementar este tipo de agentes capazes de executar tarefas automaticamente em computadores pessoais ou servidores.

Em paralelo, organismos chineses de cibersegurança alertaram para o rápido crescimento do sistema e para os seus potenciais riscos, indicando que existem mais de 200.000 instâncias activas de OpenClaw na internet, das quais cerca de 23.000 encontram-se na China.

Reguladores e órgãos de comunicação estatais também têm advertido para os possíveis riscos do sistema, e algumas agências governamentais e empresas estatais recomendaram aos seus funcionários para não o instalarem em dispositivos de trabalho.

18 Mar 2026

Taiwan | Negados atrasos na venda de armamento dos EUA à ilha

O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, assegurou ontem que Taipé não recebeu qualquer informação sobre possíveis atrasos na venda de armamento dos Estados Unidos a Taiwan, acrescentando que ambos mantêm “estreita coordenação” em matéria de Defesa.

Em declarações citadas pela agência CNA, Koo afirmou que os processos internos de revisão dos Estados Unidos relacionados com estas operações “avançam conforme o previsto”.

As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que planeia adiar cerca de um mês a viagem à China que previa realizar no final do mês para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, devido à guerra com o Irão.

Numa conversa telefónica no início de Fevereiro, Xi instou Trump a “gerir com prudência” o envio de armas para Taiwan e sublinhou que a ilha é a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências. Posteriormente, a publicação Wall Street Journal noticiou, citando responsáveis norte-americanos, que Washington tinha suspendido a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.

18 Mar 2026

FRC acolhe palestra sobre práticas cristãs ancestrais numa óptica feminina

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a palestra “Itinerarium Egeriae e afrescos de Catacumbas: História e Iconografia na Escrita Feminina e nas Imagens Funerárias”, a cargo da professora associada da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Sílvia Siqueira.

A palestra, moderada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, da Universidade de São José, terá como ponto de partida o itinerário da peregrinação de Egéria através de uma “análise comparativa entre o texto escrito, especialmente as passagens bíblicas e algumas imagens presentes em catacumbas e monumentos fúnebres de mulheres, elaboradas entre o III século e o IV d.C”, descreve a proposta do evento.

É atribuído a Egéria a autoria de um livro que retrata a peregrinação pela Pax Romana entre o que é hoje o norte de Itália e a Síria, com várias deambulações por Jerusalém e a actual Istambul.

Sílvia Siqueira considera que as figuras femininas, na arte cristã primitiva, desempenharam papéis significativos na transmissão da fé. “Egéria, devota e peregrina cristã, deixou o registro da sua viagem de peregrinação à Terra Santa. Trata-se de um documento raro e precioso, por ser um dos poucos registos escritos na antiguidade por uma mulher. Ela descreve não apenas a viagem, mas também narra com pormenores a experiência da peregrinação e a prática litúrgica cristã em Jerusalém”, descrever a académica.

A palestra e a cidade

Pegando nos escritos da autora dos tempos da Roma Antiga, entre três a quatro séculos depois de Cristo, Sílvia Siqueira considera que apesar de os documentos terem sido escritos por uma fervorosa peregrina, não há muitas informações sobre a vida prática das devotas cristãs. Como tal, a académica propõe uma análise comparativa entre o relato da experiência de Egéria com imagens de mulheres encontradas em paredes de catacumbas cristãs, inúmeras pinturas e mosaicos que testemunham a cultura figurativa do tempo que a produziu.

A sessão, que tem entrada livre, insere-se na série Palestras Doutorais na Cidade, coordenada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, Director da Escola Doutoral da Universidade de São José, que assumirá a função de moderador.

18 Mar 2026

Crise financeira do FC Porto de Macau compromete continuidade

A filial do Futebol Clube do Porto em Macau atravessa uma crise financeira e operacional que pode por em causa a sua continuidade, segundo uma carta enviada aos sócios pela direcção. Na missiva, a dirigente da Casa do Futebol Clube do Porto de Macau – China, Diana Massada, apontou que o clube enfrenta “sérias dificuldades financeiras e operacionais”, que culminaram recentemente num processo de despejo da sede e na existência de várias dívidas por resolver.

Massada recorda que, ao longo de oito anos, a actual direcção dedicou tempo e recursos pessoais que ajudaram a ultrapassar dificuldades pontuais e a permitir que o clube continuasse a existir, mas admite que “a situação se tornou particularmente difícil” no último ano e meio.

Entre os factores apontados, estão a falta de pagamento regular das quotas – apenas cerca de dez em mais de 100 sócios têm as quotas em dia, a ausência de patrocinadores, problemas estruturais na sede arrendada e dificuldades na exploração da cantina da entidade, que deveria ser uma das principais fontes de receita. A presidente sublinha ainda que a participação activa dos associados tem sido limitada, o que condicionou a capacidade de desenvolver projectos e superar momentos exigentes.

Apelos múltiplos

Na carta, a direcção apela ao apoio dos sócios para regularizarem quotas, identificarem patrocinadores e colaborarem em projectos como a Escola de Futebol ou o voleibol juvenil. Uma das necessidades imediatas mencionada é a de retirar e vender bens da antiga sede para liquidar pequenas dívidas.

“O clube atravessa um momento difícil, mas continua a representar muitos anos de dedicação, convívio, prática desportiva e espírito de comunidade”, escreveu Diana Massada, apelando à “vontade colectiva” dos sócios para garantir a continuidade da Casa do FC Porto de Macau.

O FC Porto de Macau foi fundado em 2006 e ascendeu rapidamente à I Divisão do futebol do território, onde chegou a ser segundo classificado. A última vez que o clube esteve presente no primeiro escalão de Macau foi em 2012, com os problemas financeiros a atirarem a equipa para a última divisão.

A equipa sénior de futebol de onze do FC Porto de Macau caiu na época passada da terceira para a quarta divisão, duas épocas depois de ter conquistado a promoção, após 10 derrotas, um empate e zero vitórias.

18 Mar 2026

Bombeiros | Quase 6 mil inspecções a edifícios residenciais

Em 2025, o Corpo de Bombeiros realizou quase 6 mil inspecções de segurança contra incêndios em edifícios locais. O número foi revelado através da resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang “relativamente à questão do uso indevido de áreas comuns para fins individuais pelos condomínios.

Ao longo de 2025, o Corpo de Bombeiros (CB) realizou um total de 11.760 inspecções e verificações de segurança contra incêndios, incluindo 5.957 inspecções em edifícios residenciais”, foi comunicado, numa resposta assinada pelo presidente do Instituto de Habitação (IH), Iam Lei Leng.

“Além da realização das inspecções conforme os planos previamente definidos, o CB responde também a solicitações dos gestores, responsáveis de edifícios ou departamentos competentes, ou quando receber reclamações sobre impactos na segurança contra incêndios, enviando pessoal ao local para proceder à verificação e ao devido tratamento”, foi acrescentado.

Na resposta, não foi adiantado quantos pedidos de correcção das situações detectadas foram feitos ou se houve a aplicação de multas ou outras sanções.

Em relação ao ambiente nos bairros comunitários, e ao abandono de lixo ou os pingos de água do ar-condicionado, de acordo com o Instituto de Assuntos Municipais registaram-se “mais de 14 mil acusações” por infracções. “Em 2025, o IAM aplicou mais de 14 mil acusações em relação às situações referidas”, foi indicado.

18 Mar 2026