Futebol | Macau convoca jogador do Portimonense para FIFA Series

A selecção de futebol masculina de Macau convocou Nuno Pereira, jogador do Portimonense, para a segunda edição da FIFA Series, anunciou na sexta-feira a Associação de Futebol da região chinesa.

A capital do Ruanda, Kigali, irá acolher duas séries da competição amigável para selecções criada pela FIFA, incluindo a série B, que inclui Macau, Aruba, Liechtenstein e Tanzânia.

A série B arranca a 26 de Março, com Aruba a defrontar Macau, enquanto Tanzânia enfrenta Liechtenstein. Três dias depois, os vencedores dos dois primeiros jogos encontram-se no Estádio Amahoro, o mesmo acontecendo com os derrotados.

A segunda edição da FIFA Series vai contar com 36 selecções masculinas, divididas em oito séries, e 12 equipas femininas, divididas em três séries, uma das quais a realizar no Brasil.

A selecção masculina de Cabo Verde vai participar na série organizada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, que inclui, além da equipa da casa, Chile e Finlândia.

A edição inaugural da FIFA Series, realizada em 2024 como um teste-piloto, tinha contado apenas com 24 selecções masculinas, divididas em seis séries, sem qualquer equipa feminina.

Nuno Pereira, que actua no Portimonense, da II Liga de futebol portuguesa, é o único futebolista a actuar no estrangeiro que faz parte da lista de 30 jogadores convocados pelo seleccionador de Macau, Kenneth Kwok Kar-lok.

A seleção masculina de Macau está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.

16 Mar 2026

Ciência | China inverte fuga de cérebros com salários altos e laboratórios de topo

O Governo chinês está a atrair cientistas e investigadores de todo o mundo com salários competitivos e laboratórios de ponta, num momento em que disputa com os Estados Unidos a liderança tecnológica global.

Para captar talento internacional, a China lançou programas como o “Mil Talentos”, que oferecem remunerações elevadas e bolsas generosas a especialistas em áreas consideradas estratégicas, sobretudo ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A progressão na carreira e o acesso a infraestruturas avançadas também são factores de atracção.

“Na Europa estava preso no gargalo dos pós-doutoramentos. Fiz quatro, mas a minha experiência já estava muito mais avançada do que o meu perfil académico reflectia”, disse à Lusa o investigador espanhol David Fernández-Blanco, que trabalha no Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo (IDSSE), na cidade costeira de Sanya, na ilha tropical de Hainão.

“Aqui fui avaliado pelos meus méritos e ofereceram-me uma posição mais alinhada com a minha experiência”, acrescentou.

Fernández-Blanco é investigador associado no IDSSE, um centro dedicado ao estudo do oceano profundo, área considerada estratégica pelas autoridades chinesas.

“O instituto tem três navios de investigação oceanográfica e dois submersíveis tripulados”, disse. “Para quem trabalha em investigação do oceano profundo, isso é fundamental”.

O acesso a equipamentos avançados permite realizar investigação directamente no local onde os dados são recolhidos, algo que nem sempre é possível noutras instituições, salientou.

Não existem dados oficiais sobre o número de cientistas estrangeiros que se mudaram para a China ou de investigadores chineses que regressaram ao país.

Ainda assim, notícias sobre académicos de alto nível que optam por trabalhar no país têm-se tornado mais frequentes.

A cadeia televisiva norte-americana CNN contabilizou pelo menos 85 cientistas que trabalhavam nos Estados Unidos em instituições de topo e que passaram a integrar laboratórios chineses a tempo inteiro desde o início de 2024.

Entre eles estão o especialista em fármacos contra o cancro Lin Wenbin, antigo investigador da Universidade de Chicago que se juntou à Universidade Westlake, e o matemático Qian Hong, que regressou à China após mais de 40 anos nos Estados Unidos, deixando um cargo de professor catedrático na Universidade de Washington para integrar a mesma instituição no leste do país.

Observadores classificaram este fenómeno como uma “fuga de cérebros inversa”, que pode favorecer a China num período de crescente competição com os Estados Unidos pelo domínio das indústrias do futuro.

Linglin Zhang, que ingressou na China Europe International Business School (CEIBS), em Xangai, após cerca de 20 anos nos Estados Unidos, afirmou ter sido atraída por uma investigação “mais pragmática” e pelo “excelente acesso a empresários e profissionais”.

Para Fernández-Blanco, outro factor importante é a autonomia científica.

“Existe uma abordagem pouco interventiva. Há linhas de investigação definidas pelo instituto, mas ninguém está constantemente a verificar o que estou a fazer”, disse.

 

Prioridades profundas

Alguns programas de recrutamento oferecem financiamento inicial significativo, que pode chegar a um milhão de yuan para criar um laboratório e formar equipas de investigação.

Entre as áreas que recebem mais investimento estão o espaço profundo e o oceano profundo, duas fronteiras científicas que exigem equipamentos caros e projectos de longo prazo.

“São duas das grandes prioridades científicas neste momento”, afirmou Fernández-Blanco.

Além do interesse científico, estas áreas têm também importância estratégica. No oceano profundo existem depósitos minerais que poderão ser explorados, enquanto no espaço alguns asteroides podem conter de metais raros em abundância.

Apesar das oportunidades, barreiras linguísticas e culturais continuam a ser um desafio para investigadores estrangeiros na China.

“Há formas de trabalhar diferentes das que conhecemos na Europa”, disse Fernández-Blanco. “Às vezes é preciso aceitar como as coisas funcionam”.

16 Mar 2026

SJM | Daisy Ho investe em obrigações

Daisy Ho Chiu Fung, presidente ca concessionária SJM adquiriu um total de 3 milhões de dólares americanos das obrigações não garantidas no valor total de 540 milhões de dólares americanos. A informação consta dos registos de divulgação apresentados à Bolsa de Valores de Hong Kong citada pelo portal GGRAsia.

As obrigações têm uma taxa de juro anual de 6,500 por cento, vencem em Janeiro de 2031 e são livremente transferíveis. No entanto, em caso de incumprimento, não são convertíveis em acções da SJM International, nem de qualquer outra empresa do grupo.

As aquisições de títulos seniores não garantidos foram realizadas em três transacções, que aconteceram a 6, 9 e 10 de Março.

Os títulos no valor de 540 milhões de dólares americanos foram emitidos com o objectivo de “alargar o perfil de vencimento da dívida do grupo e reforçar a flexibilidade financeira do grupo”, foi explicado pela SJM Holdings, em Janeiro, quando anunciou pela primeira vez a emissão.

As receitas da emissão visam contribuir para o refinanciamento do grupo – incluindo a recompra a dinheiro – das suas obrigações seniores em circulação a 4,500 por cento, com vencimento a 27 de Janeiro deste ano, foi também explicado.

No final de Dezembro de 2025, a dívida líquida da SJM Holdings aumentou cerca de 12 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 27,2 mil milhões de dólares de Hong Kong.

16 Mar 2026

São Lourenço | UCP restaura arquivo da paróquia

A Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto, está a restaurar parte do arquivo da paróquia de São Lourenço, em Macau, informou na sexta-feira o jornal católico O Clarim.

O espólio do arquivo é composto por 33 livros dos séculos XVIII e XIX, incluindo assentos de baptismos, casamentos e óbitos, pode ler-se no semanário, publicado em Macau, e na página oficial da instituição de ensino.

O objectivo da iniciativa passa por evitar a deterioração do material e “permitir que sejam preservados para o futuro”, disse o pároco de São Lourenço Cyril Law ao jornal O Clarim.

Ainda de acordo com o semanário, os livros encontram-se desde Janeiro a ser submetidos “a um meticuloso processo de recuperação” nas Oficinas de Conservação e Restauro da Escola de Artes da UCP, no Porto.

Na página da instituição de ensino lê-se ainda que a intervenção se realiza sob a orientação técnica e científica da professora convidada Adriana Ferreira.

Ao Clarim, Cyril Law excluiu a possibilidade de os documentos serem expostos ao público após o regresso ao território, já que “se trata de registos pessoais privados”.

Estes registos – lê-se ainda no portal da Escola de Artes – constituem uma “fonte essencial para o conhecimento da história social, religiosa e genealógica da comunidade [em Macau], reflectindo a sua evolução ao longo de várias gerações”.

16 Mar 2026

Nova feira comercial leva empresas lusófonas a zona económica especial

O Governo de Macau disse à Lusa que uma nova feira comercial vai, em Outubro, ajudar empresas dos países lusófonos a explorar oportunidades de negócio na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha).

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) disse que irá levar expositores dos mercados de língua portuguesa e espanhola a eventos em Hengqin, “ajudando-os a identificar uma vasta gama de oportunidades de negócio”.

Em 4 de Março, o IPIM referiu que vai organizar, entre 21 e 24 de Outubro, a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX), em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos.

Em resposta a questões da Lusa, o IPIM explicou que a PLPEX irá decorrer “em simultâneo e no mesmo local” com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), para “manter e evidenciar os elementos lusófonos”. Isto porque este ano não será realizada a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a MIF.

 

A cada dois anos

O IPIM sublinhou que esta feira sino-lusófona, cuja primeira edição decorreu em 2023, foi “concebida preliminarmente para se realizar de dois em dois anos”.

Em Outubro de 2024, o então presidente do IPIM não confirmou se o certame passaria a ser bienal. “Temos ainda de discutir com os outros organizadores. Se tivermos bons resultados [em 2025], iremos avaliar”, disse à Lusa Vincent U U Sang.

A nova feira comercial vai incluir espaços de exibição de “produtos e serviços de qualidade” dos países de línguas portuguesa e espanhola, assim como sessões de bolsas de contacto “para promover a cooperação empresarial”, disse o IPIM.

O caderno de encargos do concurso para a coordenação da PLPEX prevê que a feira ocupe uma área de seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, sendo que 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento vindas de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”.

O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos.

A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.

16 Mar 2026

Plano quinquenal | Consulta pública arranca em meados de Abril

A consulta pública sobre o terceiro plano quinquenal da RAEM vai começar em meados de Abril, indicou na sexta-feira o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, num discurso que proferiu numa sessão de “transmissão do espírito das Duas Sessões”.

O governante apontou que a “elaboração e implementação científica” do terceiro plano quinquenal é “a primeira prioridade do Governo” este ano, e que o Governo fez “36 estudos prévios de projectos temáticos” que proporcionam “alicerces sólidos para a elaboração científica do plano quinquenal. “Trata-se de um assunto importante que nos diz respeito a todos. Espero que cada um de vós, senhores deputados e membros, e as associações de amor pela Pátria e por Macau, desempenhem um papel de liderança, promovendo a participação de toda a sociedade”, afirmou Sam Hou Fai dirigindo-se aos deputados da RAEM à Assembleia Popular Nacional, e membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Uma das “lições” aprendidas nas sessões de Pequim foi a necessidade de articular as linhas políticas do plano de governação de Macau com o 15.º plano quinquenal nacional. Sam Hou Fai garantiu que vai “persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo”, defender a segurança nacional e a estabilidade social e “promover o crescimento das forças patrióticas e pró-Macau.”

Além disso, a interpretação do governante do espírito das Duas Sessões apontou para outras metas de longa data que Pequim indicou para a governação da RAEM, nomeadamente diversificar a economia e aprofundar a integração com Hengqin, lutar pelo “bem-estar da população com medidas pragmáticas” e “aproveitar o papel fundamental de Macau como uma janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”.

16 Mar 2026

Segurança Nacional | Admitida limitação de direitos de defesa

O deputado dos Operários Leong Sun Iok admite que os direitos dos arguidos vão ser limitados devido aos “interesses do Estado”, mas garante que os direitos de defesa vão ser respeitados

 

Leong Sun Iok garantiu na sexta-feira que os direitos dos arguidos acusados em julgamentos de crimes contra a segurança nacional da China serão garantidos, apesar de limitações impostas pelos “interesses do Estado”. A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa finalizou na sexta-feira a apreciação da proposta de lei que reforça os poderes da Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE).

O presidente da comissão, Leong Sun Iok, indicou aos jornalistas que os direitos do arguido, incluindo presunção de inocência “continuam a ser protegidos pela lei”, “incluindo poder contratar um advogado” ou ser designado um caso não consiga.

No entanto, ressalvou o deputado, existem “limitações” aos direitos quando contrabalançados com “os interesses do Estado”.

O documento prevê, por exemplo, que os juízes encarregues de processos ligados à lei de segurança nacional no território podem decidir manter a sessão do julgamento à porta fechada.

A lei foi aprovada na generalidade pelo plenário a 10 de Fevereiro e vai ser agora enviada para votação na especialidade na Assembleia Legislativa. Caso seja aprovada, entrará em vigor no dia seguinte à publicação no Boletim Oficial de Macau.

 

A pensar em Au

As alterações poderão já ser aplicadas no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional, que entrou em vigor em 2009 e cujo âmbito foi alargado em 2023.

Em 31 de Julho de 2025, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado e activista Au Kam San, cidadão português.

Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária de Macau, Sit Chong Meng, garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San, mas até hoje não é conhecido o nome do advogado do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado.

A lei, se aprovada na especialidade no plenário, vai reforçar a CDSE criada em 2018 para apoiar o líder do Governo na tomada de decisões relativas à segurança nacional da China.

Esse organismo passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e ‘patriotismo’ das personalidades candidatas ao exercício de cargos de poder em Macau.

A proposta de lei prevê que se existir a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o advogado deve obter a autorização do juiz antes de intervir no processo.

 

Linha de defesa nacional

Segundo as autoridades, esta alteração visa salvaguardar “a linha de defesa da segurança nacional, e não priva o direito de defesa do interessado, nem retira a qualificação profissional do advogado ou do mandatário judicial”.

Os pareceres e as decisões da CDSE não poderão ser objecto de impugnação ou acção judicial, com a comissão parlamentar a considerar que isto é prática corrente “mesmo nos países ocidentais”.

No entanto, as autoridades concordaram alterar a proposta de lei para passar a prever que só as decisões e os pareceres da própria CDSE é que não serão objecto de qualquer impugnação ou acção judicial.

16 Mar 2026

Aprovado novo código para apoiar transição ecológica

O principal órgão legislativo da China aprovou ontem um novo código ambiental destinado a unificar e actualizar a extensa legislação do país nesta área, incluindo regras para novos tipos de poluição e medidas para responder a fenómenos meteorológicos extremos.

O chamado Código Ecológico e Ambiental foi aprovado com 2.752 votos a favor, sete contra e três abstenções, durante a sessão plenária de encerramento da reunião anual da Assembleia Popular Nacional, realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

Durante o processo legislativo, o porta-voz do parlamento, Lou Qinjian, afirmou que, com a entrada da China numa fase de desenvolvimento marcada pela transição verde, existe uma necessidade crescente de um quadro jurídico mais rigoroso para proteger o ambiente.

O novo código reúne 1.242 artigos, organizados em cinco capítulos, que abordam três pilares da política climática chinesa: a prevenção e controlo da poluição, a conservação ecológica e o desenvolvimento verde e de baixo carbono.

Segundo o analista Changhao Wei, do portal especializado NPC Observer, a China conta actualmente com mais de 30 leis e cerca de 100 regulamentos administrativos relacionados com protecção ambiental.

O novo código procura integrar e harmonizar essas normas, eliminando incoerências e preenchendo lacunas legais.

Prioridade assumida

Wei destaca que a protecção ambiental tem sido uma prioridade do Partido Comunista Chinês durante a liderança do Presidente Xi Jinping, que em 2018 incorporou o conceito de “civilização ecológica” na doutrina política do partido.

Entre as principais novidades, a nova legislação inclui regras para regular formas emergentes de poluição, como a poluição química, luminosa e a radiação não ionizante.

O código estabelece também uma base legal para a política climática chinesa, incluindo metas relacionadas com a neutralidade carbónica, o controlo das emissões e o reforço dos chamados sumidouros naturais de carbono, como florestas e zonas húmidas.

No âmbito da adaptação às alterações climáticas, o texto prevê integrar riscos climáticos no planeamento territorial e reforçar sistemas de alerta precoce e resposta a desastres e fenómenos meteorológicos extremos.

A aprovação da nova legislação surge num momento em que a China tenta reforçar o compromisso ambiental.

O Governo apresentou recentemente um plano para reduzir em 17 por cento as emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB entre 2026 e 2030.

Apesar de ser actualmente o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, a China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060.

Nos seus planos climáticos mais recentes, o país estabeleceu ainda a meta de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 7 por cento e 10 por cento face ao nível máximo e de elevar a participação de energias não fósseis para mais de 30 por cento do consumo total de energia até 2035.

15 Mar 2026

APN | Aprovado plano quinquenal com foco em tecnologia e consumo interno

As prioridades para os próximos cinco anos estão lançadas. A aposta passa por continuar a promover o consumo interno e estimular o desenvolvimento tecnológico

A Assembleia Popular Nacional da China aprovou ontem as directrizes gerais do XV Plano Quinquenal (2026-2030), que orientará a política económica do país durante os próximos cinco anos, reforçando a aposta em tecnologia e no consumo interno.

O documento, aprovado no encerramento da sessão anual do órgão legislativo chinês, estabelece como prioridade “reforçar o papel da procura interna como motor principal do crescimento”, um dos desafios mais urgentes da segunda maior economia do mundo após vários anos de consumo doméstico relativamente débil.

Analistas têm apontado que o crescimento chinês continua fortemente dependente das exportações e do investimento estatal, enquanto o consumo das famílias permanece limitado devido a salários relativamente baixos, custos elevados de habitação e uma fraca rede de protecção social.

Embora os líderes chineses reconheçam a necessidade de estimular a procura interna, o plano coloca a inovação tecnológica no centro da estratégia económica.

O texto prevê “medidas extraordinárias” para alcançar avanços em sectores considerados estratégicos, como circuitos integrados, ‘software’ industrial e materiais avançados, num momento de crescente rivalidade tecnológica entre Pequim e Washington.

A competição entre as duas maiores economias do mundo tem-se intensificado nos últimos anos, sobretudo em áreas como inteligência artificial, semicondutores, computação avançada e tecnologias emergentes que deverão moldar a economia global nas próximas décadas.

Para Pequim, reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras tornou-se uma prioridade estratégica, especialmente após restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de componentes avançados para empresas chinesas.

A aposta em ciência e inovação tem sido um dos pilares da política económica do Presidente chinês, Xi Jinping, que tem repetidamente sublinhado a importância da autossuficiência tecnológica para garantir a segurança económica do país.

 

Outras metas

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou no início da sessão parlamentar uma meta de crescimento económico entre 4,5 por cento e 5 por cento para 2026, um objectivo considerado relativamente prudente que deverá dar ao Governo margem para concentrar esforços em reformas estruturais de longo prazo.

Especialistas esperam que as autoridades chinesas avancem gradualmente com medidas para estimular o consumo, incluindo a expansão da segurança social e do sistema de saúde, embora grande parte dos recursos públicos continue a ser direccionada para sectores tecnológicos considerados prioritários, incluindo inteligência artificial, robótica, energia limpa e exploração científica avançada.

O órgão legislativo chinês aprovou ainda várias leis durante a sessão anual, incluindo legislação relacionada com minorias étnicas e outras áreas administrativas (ver textos secundários), num processo em que as votações são tradicionalmente quase unânimes e reflectem o apoio institucional às políticas definidas pelo Partido Comunista Chinês.

Durante uma conferência de imprensa à margem da reunião parlamentar, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que o país continuará a avançar no desenvolvimento económico e tecnológico apesar das incertezas no cenário internacional.

“Estamos a avançar a toda a velocidade na construção de um grande país”, declarou.

15 Mar 2026

Santa Maria da Feira e Matosinhos na festa internacional da gastronomia

Santa Maria da Feira e Matosinhos participam este mês na Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau, cujo orçamento foi reforçado devido ao impacto da guerra no Irão na aviação, foi ontem anunciado.
Santa Maria da Feira, Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO desde 2021, regressa a Macau para o evento que se realiza entre 20 e 29 de Março, disse aos jornalistas a directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes.
De Santa Maria da Feira vão estar em Macau as ‘chefs’ Elisabete Miranda e Clara Santos, de acordo com a DST, que notou ainda que Matosinhos, na lista da UNESCO apenas desde Outubro, estreia-se nesta edição, embora não esteja representada por ‘chefs’ daquela cidade. Ainda do universo de língua portuguesa, complementou Senna Fernandes, estão representadas as cidades brasileiras de Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty.
“Até à data, o número de cidades participantes já ultrapassou os das edições anteriores, atraindo quase 40 cidades de todo o mundo, incluindo oito cidades que receberam a designação no ano passado”, declarou a responsável.
Para este ano, o evento vai contar com um orçamento de “aproximadamente 31 milhões de patacas”, o que representa um acréscimo de mais de três milhões de patacas em relação à edição anterior, o que Senna Fernandes justificou com o impacto da guerra do Irão nas ligações aéreas.

Dinamizar o NAPE
Demonstrações culinárias, debates académicos e intercâmbios sobre a preservação do património gastronómico são alguns dos eventos em destaque nesta festa, que este ano transpõe o recinto da Doca dos Pescadores e estende-se às ruas de Cantão e de Xangai.
“O objectivo passa por aproveitar os efeitos sinergéticos de um grande evento, aumentar a visibilidade da zona da NAPE e dinamizar conjuntamente a vitalidade económica da comunidade”, notou Helena de Senna Fernandes.
O programa desta edição da Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau inclui ainda a Avenida de Gastronomia Internacional, com cem bancas de comida: 28 de cidades do Interior da China (Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huaian, Chaozhou e Quanzhou), 32 de cidades das Américas, África e Ásia, e 40 bancas de Macau.
Além disso, ‘chefs’ de 25 cidades criativas de gastronomia irão realizar 53 demonstrações culinárias.
Este ano, irão estrear ainda o Lounge de Vinhos Mundiais e o Mercado Internacional de Produtos Gastronómicos de Excelência, “demonstrando a diversidade da cultura gastronómica de cada uma das Cidades Criativas de Gastronomia e o charme do “turismo + gastronomia” de Macau, enriquecendo a experiência dos visitantes”, reforçou a DST.

13 Mar 2026

Empresário propõe Macau como ‘hub’ da moeda chinesa para países lusófonos e hispanófonos

Um delegado de Macau no maior órgão consultivo da China propôs transformar o território numa plataforma financeira de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, com medidas “para impulsionar a internacionalização do yuan chinês”.
O objectivo é “estabelecer gradualmente em Macau um centro de fixação de preços offshore do yuan chinês face às principais moedas da América Latina”, afirmou o empresário Lao Ngai Leong, num discurso na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), em Pequim.
Lao esteve presente na capital chinesa nas “Duas Sessões”, o maior evento político anual do país e em que se reúnem simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a CCPPC em Pequim.
A iniciativa proposta por Lao visa reduzir a dependência das empresas de Macau em relação ao dólar norte-americano e mitigar os riscos cambiais associados, de acordo com o delegado.
“Devemos apoiar as instituições financeiras de Macau para gerarem mercado para estas moedas, concedendo-lhes o necessário apoio de liquidez e benefícios fiscais”, defendeu ainda Lao Ngai Leong, propondo “estabelecer acordos directos de compensação com os bancos centrais do México, Chile, Argentina e Peru, os principais parceiros comerciais da China na América Latina”.
O delegado propôs ainda a criação de um centro de compensação de yuan chinês para os países de língua portuguesa e espanhola na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.
A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, no entanto, esse âmbito tem vindo a ser alargado para os países de língua espanhola nos últimos anos.
O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada, adjacente a Macau, para diversificar a economia do território, com foco em tecnologia, finanças e turismo.
“Este centro deve ter acesso prioritário ao Sistema Transfronteiriço de Pagamentos Interbancários e explorar ligações técnicas com sistemas locais de compensação na América Latina, como o PIX do Brasil e o SPEI do México”, referiu o empresário.

Aposta nas infra-estruturas
Em relação às infra-estruturas financeiras, Lao defendeu “uma melhoria dos mecanismos de interconexão” para tornar Macau “mais atractivo para o capital estrangeiro”, utilizando a ligação directa existente entre a Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau e a Unidade Central de Mercados Monetários de Hong Kong para emitir obrigações na moeda chinesa.
“Esta iniciativa visa atraí-los [investidores estrangeiros] para investir em activos continentais de alta qualidade através do mercado de Macau, diversificando assim os canais para a repatriação do yuan chinês”, explicou.
Lao citou dados que mostram que as trocas comerciais da China com os países de língua portuguesa atingiram 225,8 mil milhões de yuan em 2025.
O comércio com a América Latina foi ainda mais substancial, ultrapassando os 518,5 mil milhões de yuan em 2024, prevendo-se um crescimento contínuo para 2025. “A China tornou-se o segundo maior parceiro comercial da América Latina e um dos principais mercados de crescimento”, sublinhou.

13 Mar 2026

Médio Oriente | China diz que está a realizar “mediação activa”

O Governo chinês afirmou ontem que está a desenvolver uma “mediação activa” no conflito no Médio Oriente e que continuará a manter contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a China está “profundamente preocupada” com as tensões e pediu a todas as partes que cessem as operações militares para evitar uma maior escalada do conflito.

Guo lembrou que o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, manteve contactos recentes com vários homólogos da região para “trocar opiniões em profundidade sobre a situação regional”.

O porta-voz acrescentou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, se encontra actualmente na região a realizar visitas como parte dos esforços de mediação de Pequim, e indicou que as autoridades chinesas informarão “oportunamente” sobre a sua agenda, sem oferecer mais detalhes sobre os objectivos ou o itinerário da missão.

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informou apenas que Zhai chegou no domingo à Arábia Saudita, onde se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Faisal bin Farhan.

Segundo Guo, o tratamento da questão iraniana e de outros assuntos relacionados com o Médio Oriente deve basear-se em princípios como “respeitar a soberania nacional”, “abster-se do abuso da força” e “manter a não ingerência nos assuntos internos”.

O porta-voz acrescentou que a China continuará a manter a comunicação com as partes envolvidas e a reforçar os esforços de mediação para “promover um esfriamento da situação”.

Segurança energética

O responsável acrescentou que a China adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar a sua segurança energética e pediu que sejam garantidos suprimentos de energia “estáveis e fluidos”.

Guo Jiakun referiu que a segurança energética é “crucial para a economia mundial” e afirmou que todos os países têm a responsabilidade de garantir a estabilidade do abastecimento.

As repercussões do conflito no estreito de Ormuz afectam directamente a China, que recebe por essa via cerca de 45 por cento do petróleo que importa do Irão e de vários outros países.

Guo acrescentou que Pequim adoptará medidas para proteger a sua segurança energética, embora não tenha especificado as políticas concretas que o país irá implementar.

O porta-voz sublinhou ainda que o estreito de Ormuz e as águas circundantes são “canais importantes para o comércio internacional de bens e energia”, acrescentando que manter a segurança e a estabilidade nessa zona “responde ao interesse comum da comunidade internacional”.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e o seu maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.

11 Mar 2026

Questionada qualificação de responsável por restauro das Ruínas de São Paulo

As qualificações profissionais de uma das responsáveis pelo restauro das estátuas de bronze das Ruínas de S. Paulo, cujos trabalhos começaram em 2017, foi posta em causa num artigo publicado pelo jornal Cheng Pou.

A responsável em causa é Ip Kin Hong, professora assistente de investigação da Universidade de Macau. Em Outubro do ano passado, foram publicados na imprensa chinesa comentários de um profissional de restauro em património cultural, onde se apontava que a posição da estátua da Virgem Maria no terceiro nível tinha sido alterada na sequência do restauro.

Em resposta às dúvidas, que ganharam alguma tracção online, o Instituto Cultural (IC) sublinhou que respeita rigorosamente os requisitos internacionais no que toca à protecção e restauro do património cultural, seguindo os princípios da de intervenção mínima e reversível. Além disso, destacou que o restauro do ex-líbris da cidade conta com o apoio do Museu da Cidade Proibida e da Universidade de Macau (UM), o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, subordinado do IC.

O Cheng Pou cita ainda denúncias de que Ip Kin Hong tem vínculos profissionais com o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau e a UM, a primeira entidade responsável pelos trabalhos, enquanto o estabelecimento de ensino foi uma das entidades consultadas em relação à qualidade do restauro. Como tal, questionou o IC sobre os critérios para decidir as entidades responsáveis pelos trabalhos de restauro e as qualificações profissionais da docente da UM, os custos do projecto, se a equipa que tratou das fases anteriores está encarregue da última fase dos trabalhos. No artigo publicado ontem, o jornal refere que até segunda-feira não tinha respostas do IC.

Por fases

O IC anunciou em meados do mês passado que a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção das estátuas de bronze nas Ruínas de S. Paulo foi concluída com êxito.

A primeira fase, concluída no ano passado, foi focada na estátua da Virgem Maria no terceiro nível e nas duas estátuas de bronze à direita do segundo nível. A segunda fase, que envolveu principalmente as duas estátuas de bronze à esquerda do segundo nível e a estátua de Jesus Cristo no quarto nível. A próxima e derradeira fase será o restauro este ano da estátua da Pomba, situada no nível superior.

11 Mar 2026

Combustíveis | Associações pedem maior transparência nos preços

O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Chiang Chong Fai, apelou ao Governo para reforçar a inspecção aos preços dos combustíveis e aumentar a transparência. A posição foi tomada, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

A questão surge relacionada com a guerra declarada pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas não é nova. Nos últimos anos vários deputados também pediram maior transparência do Governo face aos preços dos combustíveis.

No entanto, ontem, as associações ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau consideram que o aumento do preço do petróleo não vai ter um impacto imediato em Macau.

Chiang Chong Fai explicou que até agora o aumento foi sentido principalmente ao nível do crude, porque os produtos petrolíferos são transaccionados em contratos futuros, que em teoria não devem reflectir logo os aumentos do crude no mercado.

Porém, Chiang Chong Fai alertou que se os fornecedores do petróleo aumentarem os preços, as autoridades têm que verificar se as razões do aumento forem razoáveis. O dirigente também considerou que o Governo deve pensar em reforçar a transparência na divulgação de informações.

Por seu turno, o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, afirmou que impacto da guerra no preço do petróleo vai depender da duração do conflito. O responsável apontou que muitos produtos que Macau recebe dependem da China. Todavia, o presidente da associação mostrou-se confiante na capacidade do Governo Central para estabilizar os preços e aliviar a pressão da inflação vinda de fora.

10 Mar 2026

MP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP

Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos

 

O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos.

Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa.

O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”.

Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa.

O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

Objectivo definido

Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’.

Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola.

Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde.

De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal.

No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal.

Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa.

O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.

10 Mar 2026

Investigação | Redes sociais servem para encontrar genros e noras

Os pais chineses estão a recorrer às redes sociais para encontrar genros e noras, através de anúncios e discussões centrados em atributos práticos e pautados por uma notável “ausência de amor”, revela uma investigação da Universidade de Macau.

A investigação de Todd Lyle Sandel, professor do departamento de Comunicação da Universidade de Macau (UM), centra-se no envolvimento parental em grupos de encontros na plataforma de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp na China), onde os pais descrevem frequentemente os filhos como se listassem produtos num mercado: “Altura, peso, educação, situação económica, casa própria” são os critérios típicos apresentados, revelou na sexta-feira o investigador na apresentação do trabalho, que ainda decorre.

“O que é impressionante é a ausência de ‘amor’ ou ‘sentimento’ nos anúncios de apresentação”, acrescentou Sandel, o foco está em características mensuráveis, não na ligação emocional, disse numa conferência na UM.

“Os homens casam para baixo, as mulheres casam para cima”, com a expectativa de “homens como provedores e mulheres como donas de casa”, sendo que a preferência dominante é que uma “mulher case com um homem mais velho que tenha casa, rendimento mais elevado e seja altamente escolarizado”, aponta a investigação.

Esta prática reflecte os mercados matrimoniais físicos ainda hoje encontrados em parques de várias cidades chinesas, onde os pais expõem pedaços de papel com detalhes sobre a idade, educação e profissão de potenciais cônjuges para os filhos e filhas.

A análise de Sandel baseia-se na observação, iniciada em 2024, de um grupo de WeChat com aproximadamente 500 membros dedicado à procura de parceiros para os filhos pelos pais, funcionando como uma versão digital dos tradicionais mercados matrimoniais em parques.

Num dos anúncios recolhidos pelo investigador, uma mãe escreve sobre a filha: “Boa índole, figura esbelta, pele clara, normalmente não usa maquilhagem, aparenta ser muito mais nova do que a idade real”. Pretende um homem “mais alto do que 170 cm, emprego estável, que trabalhe em Guangzhou, não seja careca, não seja gordo, tenha temperamento calmo, seja responsável, honesto, de preferência que não fume ou beba pouco e partilhe as tarefas domésticas”.

A descrição dos rapazes pelos pais dá ênfase aos bens materiais e morais: “filho único, pais reformados, tem casa própria, é ambicioso, tem carta de condução, respeita os mais velhos”.

 

Realidades paralelas

Da investigação de Sandel, duas realidades sociológicas distintas, mas interligadas, ganham destaque: as dificuldades enfrentadas por mulheres altamente bem-sucedidas, no topo da pirâmide social, as chamadas “mulheres sobrantes”; e a dos homens das classes mais baixas, especialmente nas áreas rurais.

“As mulheres com níveis elevados de educação e rendimento têm dificuldade em encontrar parceiro porque o paradigma tradicional exige que o homem seja ‘superior'”, explicou o investigador. “No topo da pirâmide, há poucos homens que preenchem este critério”, acrescentou.

Inversamente, Todd Lyle Sandel observou que os homens em zonas rurais enfrentam uma escassez de mulheres, uma situação motivada pelo desequilíbrio ainda existente na proporção de géneros e pela migração de mulheres para os centros urbanos.

A idade média do primeiro casamento, segundo Sandel, de acordo com dados de 2020, é em média aos 29,54 anos para os homens e aos 28,14 anos para as mulheres, sendo que se verifica uma tendência para o aumento da idade em ambos os casos, crescente ano após ano.

Finalmente, de acordo com os resultados da investigação de Sandel até agora, a observação do grupo de WeChat sugere que encontrar com sucesso um par um genro ou uma nora através destes canais “é raro”.

9 Mar 2026

APN | Xi pede reforço da luta contra a corrupção no Exército após purgas

As recentes destituições de líderes militares levaram o Presidente chinês a reiterar a importância do combate à corrupção revigorado desde que chegou ao poder

O Presidente chinês comprometeu-se a “continuar a avançar decididamente” na luta contra a corrupção no Exército e alertou que, nas Forças Armadas, “não pode haver pessoas desleais” ao Partido Comunista Chinês, após recentes purgas na cúpula militar chinesa.

Xi fez estas declarações no sábado, durante uma reunião com deputados do Exército Popular de Libertação (EPL, exército chinês) e da Polícia Armada Popular, no âmbito da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN, legislativo), informou a agência de notícias estatal Xinhua.

O dirigente é também presidente da Comissão Militar Central (CMC), órgão que dirige o EPL e constitui a máxima autoridade militar da China.

Ao discursar, Xi sublinhou que as Forças Armadas devem manter, “sem vacilar”, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).

Xi instou ainda a que sejam reforçados os mecanismos de supervisão em áreas sensíveis, como o fluxo de fundos, o exercício do poder e a gestão de grandes projectos militares, ao mesmo tempo que pediu para que seja melhorado o controlo do orçamento da defesa e seja garantido que os recursos sejam utilizados de forma eficiente.

Durante o encontro, o Presidente chinês reiterou que o objectivo para o próximo período do plano quinquenal (2026-2030) é avançar na modernização do Exército e cumprir a meta de converter as Forças Armadas chinesas num exército totalmente moderno para o centenário da fundação do mesmo, em 2027.

As imagens divulgadas pela imprensa estatal sobre a reunião mostraram apenas Xi e o vice-presidente da CMC, Zhang Shengmin, sentados à mesa principal ao lado dos deputados militares, em contraste com reuniões semelhantes de anos anteriores, nas quais costumavam aparecer vários membros do órgão dirigente das Forças Armadas.

Campanha devastadora

A redução visível da cúpula militar ocorre após vários meses de demissões e investigações disciplinares – no âmbito da campanha anticorrupção levada a cabo por Xi – que afectaram altos cargos do aparato militar, incluindo os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, bem como os ex-vice-presidentes da CMC Zhang Youxia e He Weidong e responsáveis pela Força de Mísseis do EPL e pelo Estado-Maior Conjunto.

Este contexto coincide também com o anúncio, esta semana, de um aumento de 7 por cento do orçamento da defesa para 2026, até 1,91 biliões de yuans, apresentado à APN juntamente com o relatório governamental.

O aumento, inferior aos 7,2 por cento registados em cada um dos três anos anteriores, acompanha outros objectivos económicos anunciados durante a abertura do Legislativo, entre os quais uma meta de crescimento “entre 4,5 por cento e 5 por cento” para 2026, a mais baixa desde 1991.

Em 2025, as autoridades chinesas investigaram 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior, de acordo com dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar que coincidiu com o início do XV Plano Quinquenal (2026-2030).

9 Mar 2026

CCM | Vinda de Rodrigo Leão a Macau adiada

O concerto de Rodrigo Leão em Macau, programado para a próxima quarta-feira e adiado devido ao impacto da guerra no Irão nas ligações aéreas, realiza-se “em Abril ou mais tarde”, disse à Lusa a organização.

O espectáculo realiza-se no âmbito da 15.ª edição do festival literário de Macau Rota das Letras, que arrancou na quinta-feira e decorre até dia 15 de Março.

“Temos de ver quando é que a sala do grande auditório do Centro Cultural de Macau está disponível outra vez, em Março já sei que é impossível. No mínimo vai ser em Abril ou mais tarde, mas vamos tentar que seja em Abril”, referiu à Lusa o director do festival, Ricardo Pinto.

O responsável notou que é necessário conciliar a disponibilidade do músico e da equipa, da sala do espectáculo, além de “ver se, entretanto, normalizaram os preços dos aviões”. “Estavam a pedir 30 mil patacas ou 40 mil patacas, no mínimo, por cada voo em classe económica”, referiu.

Em comunicado, divulgado no sábado nas redes sociais, o festival anunciou que o concerto “O Rapaz da Montanha” foi adiado “devido à instabilidade regional no Oriente Médio e ao impacto nas operações de voos internacionais”.

“Apesar dos melhores esforços da equipa de produção para garantir rotas alternativas, o cancelamento das ligações aéreas de origem impossibilitou a chegada a Macau conforme planeado”, lê-se.

Ainda de acordo com a nota, os ingressos já adquiridos permanecem válidos, embora o reembolso integral do bilhete seja possível para quem não puder comparecer na nova data a anunciar.

9 Mar 2026

Rota das Letras | Guy Delisle defende que BD é um “meio eficaz” de jornalismo

O escritor franco-canadiano defende que a banda desenhada costumava ser vista como “algo só para crianças”, mas que actualmente é lida “tanto por avôs como por netos”

 

O premiado autor Guy Delisle, conhecido por obras gráficas de não-ficção, descreveu a Banda Desenhada (BD) como um “meio eficaz” de jornalismo que atinge um público mais vasto.

O escritor franco-canadiano foi convidado da 15.ª edição Festival Literário de Macau – Rota das Letras que decorre entre 5 e 15 de Março para uma conversa sobre um meio que “costumava ser visto como algo só para crianças”, mas que é hoje em dia lido “tanto por avôs como netos”.

Delisle escreveu vários livros aclamados no género de não-ficção gráfica centrados nas suas experiências de viagem e vida incluindo Pyongyang, Jerusalém: Crónicas da Cidade Santa, Crónicas da Birmânia, e Shenzhen.

No entanto, o autor nascido no Québec considera-se mais parte da primeira vaga de “autores de livros de viagem” gráficos, e menos como jornalista no estilo de autores como Joe Sacco, conhecido por livros que descrevem o quotidiano em cenários de guerra na Palestina e nos Balcãs.

“Há muitas direcções, existem muitos livros de viagem de Banda Desenhada. Joe Sacco é um jornalista e faz algo parecido, mas tem experiência de jornalista e tem uma perspectiva e abordagem diferente”, indicou Delisle em resposta a uma pergunta da Lusa.

“Eu faço alguma pesquisa do contexto dos locais em foco, mas prefiro a abordagem de fazer observações casuais, apontar os detalhes que considero mais engraçados e interessante”, disse.

O autor trabalhou principalmente na indústria de animação, mas acabou por entrar no mundo das novelas gráficas depois de ser destacado para Shenzhen em 1997.

Desenhos para a família

Começando como um método de contar as suas experiências de viagem “para a família” transformando os seus apontamentos diários nesta cidade no sul da China na sua primeira BD.

O autor seria transferido em trabalho, inusitadamente, para a capital da Coreia do Norte em 2001, que gerou o seu livro mais traduzido, Pyongyang.

“Fui enviado para a Coreia do Norte durante dois meses. Conhecia muita gente da indústria da animação que me disseram que era super aborrecido […] mas eu sempre me senti fascinado pelo país”, destacou.

“Quando lá cheguei recebi flores para por aos pés de uma estátua de Kim Jong Il [líder da Coreia do Norte na altura]. Só isso me fez pensar que daria um bom livro”.

O escritor franco-canadiano recebeu também o prémio máximo da Banda Desenhada europeia quando a edição francesa de “Jerusalém “ foi eleita Melhor Álbum no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.

Uma das suas obras de maior teor jornalístico inclui o “Refém”, que descreve a experiência de Christophe Andre, um membro dos Médicos Sem Fronteiras, sequestrado durante três meses como refém na Tchetchénia.

“Um sequestro é uma experiência muito difícil, mas quando lhe perguntei ele contou-me tudo”, lembrou.

Habituado a descrever as suas memórias, Delisle teve pela primeira vez que descrever as experiências de terceiros, realizando “gravações de quase 8 horas” das conversas com Andre.

“Era material muito bom, mas a primeira versão parecia mais um filme de Hollywood e funcionava, por isso mudei o estilo para uma descrição realista da experiência de alguém privado da sua liberdade.”

O livro descreve, por exemplo, como a certa altura os sequestradores esqueceram-se de fechar a porta do quarto, com Andre a ponderar durante horas se deveria arriscar sair.

“Ele esperou algumas horas até ficar escuro. A pergunta que ponho ao leitor é o que faria na situação dele? Abria a porta?”, disse Delisle.

Novo livro brevemente

O seu livro mais recente, MuyBridge publicado em 2024, descreve a vida de Eadeward MuyBridge, um dos pioneiros da fotografia, com Delisle a revelar que um novo livro será publicado na “próxima semana”.

Quanto a usar o seu tempo em Macau e Hong Kong para um livro, considera que “infelizmente precisaria de ficar muito mais tempo” do que três meses para ter notas suficientes para um livro.

A edição deste ano do Festival Literário de Macau irá prestar um tributo a Camilo Pessanha, no centenário da morte do poeta português.

O programa do festival inclui ainda o jornalista e comentador político João Miguel Tavares, que publicou em Outubro o livro “José Sócrates – Ascensão”.

Também virá a Macau Miguel Carvalho, autor de “Por dentro do Chega. A face oculta da extrema-direita em Portugal”, que resulta de uma investigação que o jornalista e escritor fez ao longo de cinco anos.

9 Mar 2026

Lisboa-Hong Kong | Empresários avisam que ligação requer subsídios

O especialista Erik Young considera que os voos de ligação a Portugal iriam servir não só Hong Kong, mas toda a Grande Baía, incluindo Macau. Porém, avisa que o sucesso da ligação dependeria da forma como Lisboa lidasse com os passageiros de África e do Brasil

Representantes empresariais e do sector de aviação alertam que uma ligação aérea entre Lisboa e Hong Kong teria custos elevados e poderia precisar de apoios estatais para reduzir o risco.

Uma possível ligação aérea entre Portugal e Hong Kong voltou a ganhar destaque após contactos recentes entre autoridades portuguesas e a Autoridade do Aeroporto de Hong Kong.

No início de Fevereiro, decorreu uma reunião entre o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e a directora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay.

“[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o Consulado na altura.

Numa resposta escrita a questões da agência Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do sector global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”.

Segundo Erik Young, especialista em aviação sediado em Hong Kong, uma transportadora como a TAP teria que olhar para “além do simples interesse dos passageiros” e analisar vários “pilares críticos”.

O consultor destacou que “seria necessário avaliar o equilíbrio entre viagens de negócios de alto rendimento, turismo e, crucial para este tipo de percurso de longo curso”, a capacidade de carga no porão.

“Um voo destes não serve apenas Hong Kong; o seu sucesso depende da área de captação da Grande Baía e da eficiência com que o hub de Lisboa consegue ligar passageiros a mercados secundários no Brasil e em África”, apontou o especialista em aviação.

Ligações com PLP

Em termos económicos, sublinhou que se deve observar as “tendências de investimento estrangeiro directo, os volumes de comércio entre a Grande China e os mercados lusófonos”, e a competitividade relativa da frota da TAP face às transportadoras que oferecem ligações com uma escala.

Young apontou ainda que para rotas de longo curso com custos de entrada elevados, “algum tipo de apoio inicial ou um Acordo de Serviços Aéreos robusto” é frequentemente o factor decisivo na mitigação do risco.

“Em última análise, não é uma questão de sim ou não. Trata-se de um projecto de viabilidade aprofundado e não de uma observação rápida. O caso comercial exige um alinhamento muito específico destes pontos”, concluiu.

O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse à Lusa que a possibilidade de uma ligação aérea directa entre Portugal e Hong Kong ou Macau “surge ciclicamente no debate público devido ao interesse histórico e económico crescente entre Portugal e o sul da China.

“Do ponto de vista técnico, hoje essa ligação parece ser possível”, disse Mendia, lembrando que a distância entre Lisboa e Hong Kong ronda os 11 mil quilómetros e que aeronaves modernas de longo curso, como o Airbus A330-900neo da TAP Air Portugal, têm autonomia suficiente para realizar o voo sem escalas.

No entanto, o responsável destacou que “a questão central não é tecnológica, mas sobretudo económica” pois “as rotas intercontinentais exigem uma massa crítica consistente de passageiros e carga para serem sustentáveis”.

Actualmente, o mercado entre Portugal e o sul da China é servido de forma indirecta através de grandes hubs europeus e do Médio Oriente.

“Existem mais de 300 voos semanais entre a região da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e Lisboa com ligação intermédia em aeroportos como Paris, Frankfurt, Istambul ou Dubai. Isto demonstra que existe procura, mas ainda distribuída por esses grandes centros de ligação”, acrescentou.

Potencial significativo

Apesar disso, Mendia considera que o potencial estratégico é significativo, considerando que Grande Baía, que integra Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou, reúne mais de 70 milhões de habitantes e constitui um dos maiores polos económicos do mundo.

O espaço da lusofonia reúne cerca de 260 milhões de pessoas, o que cria um eixo potencial muito relevante entre a Ásia e os países de língua portuguesa, avisa, no qual “Portugal pode desempenhar um papel natural de plataforma de ligação”.

Neste contexto, uma ligação directa poderia beneficiar não apenas do tráfego entre Portugal e o sul da China, mas também de fluxos mais amplos entre a Ásia e os mercados lusófonos. “Lisboa pode tirar partido da sua posição geográfica e da rede atlântica da TAP Air Portugal”, disse.

O secretário-geral da CCILC apontou ainda um cenário “particularmente interessante” de algum eventual envolvimento de uma companhia aérea chinesa no processo de privatização da TAP.

“Nesse caso, poderia abrir-se a possibilidade de posicionar Lisboa como um verdadeiro hub de ligação entre a Europa, a Ásia e o espaço lusófono”, afirmou.

“Em vez de os passageiros portugueses terem de se deslocar a grandes capitais europeias para voar para a Ásia, poderia acontecer o inverso: passageiros de várias cidades europeias passarem a utilizar Lisboa como porta de entrada para voos directos para a Ásia, com todos os benefícios para Portugal associados”, acrescentou.

Se tal vier a acontecer, concluiu Mendia, “Lisboa poderá afirmar-se como um ponto de encontro natural entre três grandes espaços económicos: a Europa, a Grande Baía do sul da China e o mundo lusófono”.

9 Mar 2026

Cigarros | Governo quer proibição total de cigarros electrónicos

A proposta de lei em consulta visa os cigarros electrónicos, as bolsas de nicotina e o tabaco para os cachimbos de água. Os infractores apanhados na posse destes produtos vão ter de pagar multas que chegam às 1.500 patacas

O Governo de Macau apresentou na sexta-feira uma proposta de lei que prevê a proibição da posse e consumo de cigarros electrónicos, “face aos riscos associados à saúde pública”.

Os Serviços de Saúde anunciaram o lançamento de uma consulta pública, entre 8 de Março e 8 de Abril, sobre a revisão da lei de prevenção e controlo tabágico.

Desde 2018, que já é proibida em Macau a venda, publicidade e promoção a cigarros electrónicos. Em 2022, a região proibiu também o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte destes dispositivos.

Mas o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde admitiu que os residentes têm continuado a usar cigarros electrónicos, que “devido ao seu tamanho reduzido são facilmente ocultáveis”.

“Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, lamentou Lam Chong.

“Algumas pessoas, depois de algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou, numa conferência de imprensa.

Drogas ilegais

Além disso, o dirigente alertou que os cigarros electrónicos têm sido usados “como utensílio” para o consumo de drogas ilegais, como o caso de uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’.

“A população, de modo geral, demanda o fortalecimento da fiscalização sobre o consumo dos cigarros electrónicos”, defenderam os Serviços de Saúde, no documento de consulta pública.

O ‘petróleo espacial’, produzido a partir do anestésico etomidato, já terá causado pelo menos três mortes na região vizinha de Hong Kong. Em Macau, a primeira apreensão foi feita numa escola local, em Outubro de 2023.

A substância é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte.

Os Serviços de Saúde sublinharam que a posse de cigarros electrónicos já está proibida em Singapura desde 2018 e que Hong Kong irá banir o consumo em locais públicos a partir de 30 de Abril.

“Esperamos que a revisão possa entrar em vigor no próximo ano, embora vá haver um período de transição”, disse Lam Chong.

Após a entrada em vigor, quem for apanhado em público com cigarros electrónicos, irá enfrentar uma multa de até 1.500 patacas.

Cachimbos de água visados

A proposta de lei prevê também a proibição do fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte na entrada e saída de Macau de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e tabaco ou pasta para cachimbos de água.

O objectivo, explicou Lam Chong, é banir estes produtos alternativos de tabaco, que não são abrangidos pela actual legislação, “antes que se generalizem” no território, nomeadamente entre os jovens consumidores.

O dirigente avisou que os fabricantes têm descrito estes produtos, de forma errónea, como “livres de tabaco”, “sem malefícios” ou como “substitutos saudáveis” dos cigarros convencionais.

Lam deu como exemplo o consumo de um cachimbo de água durante 45 a 60 minutos, algo que disse ser “equivalente a fumar 100 cigarros”, com “uma maior quantidade de monóxido de carbono”.

9 Mar 2026

Jogo | SJM culpa fecho de casinos-satélite por prejuízos em 2025

A concessionária do jogo em Macau SJM Holdings culpou ontem o encerramento de oito ‘casinos-satélite’, após terminar 2025 com um prejuízo de 429 milhões de dólares de Hong Kong.
Em 2024, o grupo fundado pelo magnata do jogo Stanley Ho Hung Sun (1921-2020) tinha registado um lucro de três milhões de dólares de Hong Kong.
Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa admitiu que o desempenho financeiro no ano passado “foi afectado pelo encerramento progressivo dos casinos-satélite”.
Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo.
No entanto, a SJM apenas encerrou oito ‘casinos-satélite’, dos nove que detinha, uma vez que a empresa adquiriu, por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong, o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço.
“Estes desenvolvimentos resultaram numa perturbação das receitas a curto prazo; consequentemente, exerceram pressão sobre a rendibilidade global e a quota de mercado durante o período de transição”, disse a operadora.
A quota de mercado da SJM encolheu 1,1 pontos percentuais, para 11,9 por cento, em 2025, uma vez que as receitas do grupo caíram 0,7 por cento, para 28,6 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025.
Já as receitas do jogo nos casinos geridos directamente pela SJM aumentaram 4,6 por cento, para 18,9 mil milhões de dólares de Hong Kong.
A presidente da SJM, Daisy Ho Chiu-fung, defendeu no comunicado que há razões para optimismo ao “abrir um novo e empolgante capítulo”, depois de “um período de significativo realinhamento estratégico”.
A empresa sublinhou que as receitas vindas do chamado mercado de massas – apostadores que não recorrem a crédito – já ultrapassaram em 44,4 por cento o nível atingido em 2019, antes da pandemia de covid-19.
Após a compra do Royal Arc, a dívida da SJM aumentou 7,3 por cento, para 29,3 mil milhões de dólares de Hong Kong.

6 Mar 2026

Óbito | António Lobo Antunes morre aos 83 anos

O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu ontem aos 83 anos, confirmou à Lusa fonte editorial.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de Setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
“Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever”, declarou o escritor, que se definiu com um “caçador de palavras”, à agência Lusa, em 2004, quando já tinha recebido o Prémio União Latina (2003) pelo conjunto da obra, e a lista de distinções já ia do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Melhor Livro Estrangeiro publicado em França (“Manual dos Inquisidores”) e ao reconhecimento pela Feira do Livro de Frankfurt (1997), na Alemanha.
O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
A República Portuguesa condecorou-o com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.

Inédito em Abril
Um livro inédito de poemas de António Lobo Antunes, que o escritor que sempre lamentou não ter sido poeta foi escrevendo ao longo da vida, vai ser publicado em Abril, anunciou hoje a sua editora, em comunicado.
“Poemas” é o título deste livro, em que a Dom Quixote estava a trabalhar, e que acaba por não ser publicado ainda em vida do escritor.
A editora, que tem publicado toda a sua obra, “anuncia que publicará já em Abril um inédito, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta”.
Esta publicação insere-se no âmbito do compromisso da Dom Quixote em continuar a trabalhar e a promover uma obra, “cuja importância ultrapassou fronteiras, premiada e distinguida um pouco por todo o mundo”.
O Governo português decretou um dia de luto nacional pelo falecimento de escritor que deverá ser cumprido no sábado, 7 de Março.

6 Mar 2026

Empresa japonesa falha lançamento de primeiro satélite privado do país

A Space One falhou ontem pela terceira vez consecutiva a tentativa de se tornar a primeira empresa japonesa a colocar satélites em órbita.
O foguetão Kairos III conseguiu descolar às 11:10 locais, conforme previsto, a partir da prefeitura de Wakayama, no oeste do Japão, mas foi obrigado a abortar a missão de lançamento pouco após a descolagem.
Apenas cinco minutos depois da descolagem, a empresa nipónica anunciou a decisão de abortar a missão, sem fornecer por enquanto mais informações, enquanto continua a “investigar os detalhes” do ocorrido, de acordo com comunicado da Space One.
O lançamento do foguetão, com 18 metros de altura, já tinha sido adiado três vezes, a última na quarta-feira, devido a uma falha nas ligações com os satélites que transportava.
O objectivo da missão era colocar em órbita cinco satélites a cerca de 500 quilómetros, segundo detalhou a emissora pública japonesa NHK.
Caso tivesse conseguido, a empresa tornar-se-ia a primeira do país a colocar um satélite em órbita, um marco que, por agora, continua por alcançar.

Histórial de falhanços
A Space One lançou o primeiro foguetão Kairos em Março de 2024, mas o aparelho explodiu cerca de cinco minutos após a descolagem devido a um erro na previsão do impulso.
Em Dezembro do mesmo ano, lançou o segundo aparelho, o Kairos II, que se autodestruiu depois de os responsáveis do projecto concluírem que seria difícil cumprir a missão devido a problemas nos sensores.
Fundada em 2018, a empresa procura comercializar serviços de transporte espacial de baixo custo e oferecer lançamentos regulares de foguetões exclusivamente com fundos privados.
O fracasso representa um novo revés para os esforços e ambições da indústria espacial japonesa de competir a nível global com empresas como a norte-americana SpaceX.

6 Mar 2026