China | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão

O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países.

A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”.

O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”.

Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”.

O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim.

Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.

27 Jan 2026

EUA | Bill Clinton insta americanos a manifestarem-se

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as “cenas horríveis” em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia.

“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos”, disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o Governo do Presidente Donald Trump de mentir sobre as duas mortes.

Também o antigo presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma “tragédia desoladora” e apelando a uma reacção face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.

“Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo”, refere Barack Obama, num comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar “ansiosa por agravar a situação”.

Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos antigos militares.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de Janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, exceptuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e “possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”.

Versão Bovino

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado”, chamado José Huerta Chuma, que “tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública”.

Durante a operação, “um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa”.

Vários vídeos analisados pela AP, que mostram um agente ICE a disparar contra Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

Tensão máxima

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de Janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando conduzia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo interno”.

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.

27 Jan 2026

Timor-Leste | Número de professores portugueses bate recorde em 2026

O número de professores portugueses a leccionar nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste (Escolas CAFE) vai atingir este ano o recorde de 145 docentes, disse ontem o embaixador de Portugal em Díli.

“No quadro das escolas CAFE vamos ter em 2026 um número sem precedentes de professores aqui em Timor-Leste. Em 2026, vamos atingir o número de 145 professores portugueses a leccionar em Timor-Leste ao abrigo do programa CAFÉ”, disse Duarte Bué Alves.

Duarte Bué Alves falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli.

Segundo o diplomata, o primeiro grupo de professores chegou no sábado e até ao início de Fevereiro vai atingir-se “um número recorde e sem precedentes de 145 professores portugueses”, que se vão juntar aos cerca de 200 professores timorenses, que também leccionam nas Escolas CAFE.

Duarte Bué Alves disse também que este ano se prevê iniciar a expansão e alargamento do projeto.

“O CAFE já está em 14 municípios e agora queremos ir mais além e penso que em 2026 estaremos em condições de crescer para além dessas 14 escolas”, salientou.

Pilares de qualidade

O projecto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE teve início em 2014 e já está presente nos 14 municípios timorenses, prevendo-se a extensão daqueles estabelecimentos de ensino para os postos administrativos do país.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, actualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses.

Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

O ano lectivo em Timor-Leste começa em Janeiro e termina em Dezembro.

Portugal e Timor-Leste assinaram, em 2024, o Programa Estratégico de Cooperação (PEC) para o período entre 2024 e 2028 com um valor de 75 milhões de euros e mais dois acordos relativos à reabilitação de património e infraestruturas.

Sobre o encontro com o Presidente José Ramos-Horta, Duarte Bué Alves afirmou que foram discutidos vários assuntos, entre as quais a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por Timor-Leste e a crise na Guiné-Bissau.

27 Jan 2026

Empréstimos a África caem para metade em 2024

Angola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo. Os dados, divulgados esta semana num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Luanda a liderar.

A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos.

Energia, estradas e portos

No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão elétrica (641 milhões de euros) e a um projeto de infraestruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (582 milhões de euros).

Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente.

A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares.

“O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco”.

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egito – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares.

O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento direto, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue.

Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento direto para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado.

“À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.

27 Jan 2026

Pequim retira apoio estatal aos mercados de valores para conter a euforia bolsista

A agência Bloomberg noticiou ontem que os fundos e instituições estatais usados por Pequim para injectar capital nos mercados de valores, para os estabilizar, parece estar agora a liquidar investimentos para refrear a euforia bolsista.

Estimativas da Bloomberg indicam que a Huijin Investment, subsidiária do fundo soberano CIC, que faz parte do grupo utilizado por Pequim para intervir nos mercados, vendeu o equivalente a cerca de 67,5 mil milhões de dólares em participações em 14 fundos cotados (ETF) em apenas seis sessões até à última quinta-feira.

Embora a China não tenha um fundo oficial de estabilização, a “equipa nacional”, como é designada, desempenha esse papel desde 2015, quando Pequim ordenou à Huijin Investment e a outros organismos estatais de investimento que resgatassem os mercados perante uma queda que acabou por ascender a cerca de cinco biliões de dólares. As autoridades recorreram novamente a essa fórmula em 2023, após atingirem os mínimos em cinco anos.

Em agosto de 2025, após uma campanha agressiva de investimento, a Central Huijin contava com cerca de 180 mil milhões de dólares em ETF, pelo que alguns analistas apontam agora que a escala da liquidação “aponta para um esforço proativo para facilitar uma correção de preços em setores sobreaquecidos”.

As vendas podem ter como objetivo drenar os “excessos especulativos” de certas áreas do setor tecnológico, como aplicações de inteligência artificial, que dispararam nos últimos meses, apesar de ainda não oferecerem garantias de rentabilidade.

Apesar dessa aparente intenção específica, especialistas e gestores apontam que a mudança de rumo poderia “alterar as expectativas” dos mercados em geral e consideram que a estratégia agora deve concentrar-se em valores em que o peso do investimento da “equipa nacional” seja menor, para evitar o impacto das vendas.

Outros investidores acreditam que a retirada do apoio estatal é “um passo para promover um mercado em alta de forma gradual”, ou seja, que as autoridades não pretendem acabar com a tendência positiva dos mercados, mas sim garantir que o ritmo das subidas não seja excessivo.

O facto de a volatilidade do CSI 300, o índice que mede a valorização das trezentas principais ações das bolsas de Xangai e Shenzhen, estar em mínimos desde maio, é visto por fontes do setor como uma demonstração da forte procura institucional por ações da China continental.

Além disso, de acordo com Zhu Zhenxin, da Asymptote Investment Research, “vender agora libertará posições [de investimento] para que [os membros da ‘equipa nacional’] possam oferecer um impulso noutro momento de risco no futuro”, evitando assim uma bolha – e a sua consequente explosão – como a de 2015.

27 Jan 2026

Acordo com Canadá não visa terceiros

A China afirmou ontem que o seu recente acordo comercial com o Canadá não visa “nenhuma terceira parte”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado retaliar e impor tarifas de 100% sobre produtos canadianos. Perante a guerra comercial iniciada por Trump, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tem apostado na procura de novos mercados na Ásia e na Europa.

No início de janeiro selou, segundo os seus termos, “um acordo comercial preliminar, mas histórico, visando eliminar os obstáculos ao comércio e reduzir as taxas alfandegárias” com a China.

Donald Trump afirmou no sábado que pode impor “taxas de 100%” sobre as importações canadianas nos Estados Unidos, caso se concretize um acordo comercial entre o Canadá e a China.

“Para a China, as relações entre Estados devem basear-se numa lógica de ganhos mútuos, não de jogos de ‘tudo ou nada’, e na cooperação, não no confronto”, reagiu Guo Jiakun, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa.

“A China e o Canadá estão a construir uma parceria estratégica de novo tipo (…). Isso não visa nenhuma terceira parte, serve os interesses comuns dos dois povos e contribui também para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, salientou.

O acordo preliminar entre Pequim e Otava prevê, nomeadamente, deixar entrar no Canadá 49.000 veículos elétricos fabricados na China com taxas preferenciais de 6,1%, segundo Mark Carney.

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a sobretaxa de 100% mencionada por Donald Trump será imposta “se eles [os canadianos] fizerem um acordo de livre-comércio” com a China.

Isto é, “se forem mais longe e se vir que eles estão a deixar os chineses inundarem com os seus produtos” a América do Norte, declarou Bessent numa entrevista à cadeia de televisão ABC.

27 Jan 2026

Conselho Legislativo de Hong Kong rejeita resolução do Parlamento Europeu a propósito de Jimmy Lai

O Conselho Legislativo de Hong Kong rejeitou ontem “de forma veemente” uma resolução do Parlamento Europeu a apelar a sanções contra o Governo local devido ao julgamento do activista Jimmy Lai Chee-ying. Num comunicado, o parlamento da região, conhecido como Legco, sublinhou que “todos os membros” condenam a resolução europeia, “que difamou maliciosamente a lei de segurança nacional de Hong Kong e o poder judicial”.

Em dezembro, Jimmy Lai foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que pode acarretar a prisão perpétua.

Em 12 de janeiro, um tribunal iniciou as chamadas audiências de atenuação, que se prolongaram por quatro dias e onde os arguidos, incluindo Lai, podem pedir penas mais leves. A sentença final será proferida numa data ainda por anunciar.

O parlamento de Hong Kong garantiu que a decisão dos três juízes designados pelo Governo – um dos quais a lusodescendente Susana D’Almada Remedios – é “livre de qualquer interferência e de quaisquer considerações políticas”. O Legco disse ainda que o Parlamento Europeu “interferiu flagrantemente nos assuntos internos da China e violou gravemente os princípios do direito internacional”.

Na quinta-feira, os eurodeputados disseram que Lai “é um exemplo de como as leis de segurança do Estado estão a ser utilizadas para eliminar os meios de comunicação independentes, a liberdade de expressão e a oposição política em Hong Kong”.

“Qualquer sugestão de que certos indivíduos devem ser imunes às consequências legais pelos seus actos ilegais equivale a defender um privilégio especial para infringir a lei”, respondeu o Legco.

A resolução do Parlamento Europeu instou o Conselho Europeu a adoptar sanções contra o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, “e todos os dirigentes responsáveis pela repressão das liberdades”.

No documento, aprovado por 503 votos a favor, nove contra e 100 abstenções, os eurodeputados solicitaram ainda à Comissão Europeia que inicie o processo de suspensão do estatuto de Hong Kong na Organização Mundial do Comércio. Além disso, o Parlamento Europeu apelou a todos os Estados-membros da União Europeia (UE) que suspendam os tratados de extradição com a China continental e com a região administrativa especial de Hong Kong.

Portugal e a República Checa são os únicos dois países da UE que ainda têm acordos de extradição em vigor com Hong Kong. Em dezembro de 2022, a Assembleia da República chumbou, pela terceira vez em três anos, uma recomendação proposta pela Iniciativa Liberal para que o Governo português suspendesse os acordos de extradição com a China e Hong Kong.

A região vizinha de Macau assinou em 2019 com Portugal um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos no parlamento.

27 Jan 2026

Editorial do jornal das forças armadas enfatiza guerra anti-corrupção

Um editorial publicado no domingo pelo principal jornal do Exército de Libertação Popular (ELP) da China promete “lutar e vencer a guerra anticorrupção nas forças armadas”.

A China anunciou no sábado a investigação de duas altas patentes oficiais militares, Zhang Youxia e Liu Zhenli, por “suspeitas de graves violações disciplinares e da lei”.

Zhang é membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC). Liu é membro da CMC e chefe do Estado-Maior do Departamento de Estado-Maior Conjunto da CMC.

No domingo, um editorial do principal jornal das forças armadas chinesas publicou um editorial onde comenta o assunto.

“A decisão tomada pelo Comité Central do PCC de investigar Zhang e Liu demonstrou mais uma vez a posição clara na luta contra a corrupção: nenhum posto está fora dos limites, nenhum terreno é deixado de lado e nenhuma tolerância é permitida”, afirma o Diário do ELP.

“Tal mostra a determinação do Partido em perseverar na luta contra a corrupção e a posição firme de que, independentemente de quem seja ou do cargo que ocupe, qualquer pessoa envolvida em corrupção será tratada sem clemência”, continua o artigo.

Uma batalha difícil

O editorial elogia a investigação como um resultado importante da luta anticorrupção e uma demonstração importante da determinação e força do Partido e exército, acrescentando que “a investigação tem grande significado para vencer essa batalha difícil, prolongada e abrangente dentro das forças armadas”.

“Zhang e Liu, como altos oficiais do Partido e das forças armadas, traíram gravemente a confiança neles depositada, pisaram e minaram seriamente o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC”, afirma ainda o artigo.

“Eles alimentaram gravemente problemas políticos e de corrupção que ameaçam a liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas e minam a base de governança do Partido”, de acordo com o editorial.

Segundo o artigo, foi gravemente manchada “a imagem e a autoridade da liderança da CMC” e prejudicada “severamente a base política e ideológica da unidade e do progresso entre todo o pessoal militar, causando graves danos aos esforços para fortalecer a lealdade política nas forças armadas, o ambiente político militar e a prontidão geral para o combate, causando um sério impacto adverso no Partido, no país e no exército, afirma o texto.

“Ficou bem demonstrado que quanto mais as forças armadas combatem a corrupção, mais fortes e puras se tornam, com maior capacidade de combate. Quanto mais completamente a corrupção for erradicada, mais confiantes e capazes as forças armadas serão para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o editorial.

O ano de 2026 marca o lançamento do 15º Plano Quinquenal e “um ano crítico na árdua jornada para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o artigo, observando que todo o exército deve avançar, com padrões mais elevados e medidas mais práticas.

O editorial pede finalmente “esforços contínuos para confinar o poder dentro da gaiola das restrições institucionais e envidar esforços concertados para erradicar criadouros e condições que favorecem a corrupção. Os membros do Partido e os quadros no exército, especialmente aqueles que ocupam altos cargos, devem fortalecer seus ideais e convicções, aumentar a integridade política e melhorar a sua conduta”.

“As forças armadas devem-se unir mais estreitamente em torno do Comité Central do Partido, com Xi no seu núcleo, implementar o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC e acelerar a construção de forças armadas de classe mundial”, conclui.

27 Jan 2026

Moçambique | Reunião em Macau abre caminho a missão humanitária

A delegação de Macau da Dress a Girl Around The World irá realizar uma missão em Moçambique entre 7 e 21 de Fevereiro deste ano, de acordo com um comunicado divulgado ontem pela Associação dos Amigos de Moçambique.

A missão da organização não-governamental (ONG) tem como foco principal a doação de vestuário infantil e material escolar e didáctico a crianças em situações de vulnerabilidade. A associação indica que “face ao flagelo recorrente de eventos climáticos extremos que afectam Moçambique, como secas severas, cheias e ciclones, a iniciativa assume um carácter urgente de solidariedade concreta”.

Os detalhes da missão foram acertados numa reunião na semana passada no Consulado-Geral da República de Moçambique em Macau, em que participaram o cônsul Rodrigues Muebe, representantes da ONG, da Associação dos Amigos de Moçambique em Macau, e o presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia Conselho das Comunidades Portuguesas.

Durante a audiência, foi pedida colaboração ao Consulado-Geral de Moçambique para facilitar a coordenação com as autoridades em Moçambique.

Está previsto que as doações sejam entregues ao Hospital Central de Maputo, com especial foco nas unidades de Oncologia e Pediatria, e à Associação IVERCA, uma agremiação de jovens estudantes e profissionais de turismo que promove o desenvolvimento cultural e ambiental no país.

 

27 Jan 2026

Óbito | Faleceu juiz do Supremo e escritor Rodrigo Leal de Carvalho

Intimamente ligado à Administração Portuguesa de Macau, Rodrigo Leal de Carvalho desempenhou funções de juiz, Procurador da República, Presidente do Tribunal de Contas de Macau e liderou as últimas eleições legislativas

 

O juiz conselheiro e escritor Rodrigo Leal de Carvalho morreu aos 93 anos, anunciou o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) português.

Num comunicado publicado no portal oficial do STJ no sábado, a instituição demonstrou “pesar e consternação” pela morte do juiz conselheiro jubilado e enviou “sentidas condolências” à família de Leal de Carvalho.

Nascido na Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, em 1932, Leal de Carvalho formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1956, ingressando de seguida na magistratura.

O juiz começou por trabalhar como delegado-interino na ilha do Pico, mas em 1959 foi para Macau, onde viria a viver boa parte da vida, com passagens por Lisboa e pelas então colónias portuguesas da Guiné, Angola e Moçambique.

Já depois da Revolução de 25 de Abril, Leal de Carvalho regressou mais uma vez a Macau, em 1976, como Procurador da República.

Em 1995, foi nomeado juiz conselheiro do STJ e, no ano seguinte, liderou a comissão que organizou as últimas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau sob administração portuguesa.

Já em 1996, tornou-se presidente do Tribunal de Contas de Macau, posto que ocupou até às vésperas da transferência da administração da região para a China, em 1999.

Como líder do Tribunal de Contas de Macau, foi em 1998 agraciado com a Medalha de Valor, por decisão do então Presidente Jorge Sampaio.

Foi também em Macau que Leal de Carvalho se estreou como romancista, em 1993, com a publicação de “Requiem por Irina Ostrakoff”, livro que lhe valeu o prémio do Instituto Português do Oriente, no ano seguinte, e que acabou por ser traduzido para chinês, em 1999, e para búlgaro, em 2002.

Seguiram-se os romances “Os Construtores do Império” (1994), “A IV Cruzada” (1996), “Ao Serviço de Sua Majestade” (1996) e “O Senhor Conde e as suas Três Mulheres (1999)”.

 

Fascínio com Macau

Já regressado a Portugal, o juiz continuou a escrever sobre a região chinesa, nomeadamente em “A Mãe” (2000), onde narra a vida de Natasha Korbachenko, nascida na Sibéria, que a revolução bolchevista fez fugir para Xangai e que no pós-guerra do Pacífico acaba por se refugiar em Macau.

Leal de Carvalho publicou ainda “O Romance de Yolanda” (2005), a história de uma macaense que aceita casar-se com um milionário filipino perseguido pela polícia para este obter nacionalidade portuguesa.

O último livro foi “As Rosas Brancas de Surrey” (2007), que tem como palco o “conturbado período da Revolução Cultural”, nos anos 60, em Macau, disse na altura o diário de língua portuguesa Ponto Final.

Este romance integrou uma parceria lançada pelo Ponto Final e pela editora Livros do Oriente para assinalar os cinco anos da transição de administração de Macau.

“Com a recriação de ambientes e experiências vividas em mais de 30 anos no território, Rodrigo Leal de Carvalho afirmou-se como um escritor das memórias da cidade de Macau e do universo do funcionalismo português nas colónias ultramarinas das décadas de 1950 e 1960, sempre enquadradas na conjuntura mundial do século XX”, destacou o STJ.

27 Jan 2026

Ensino | Song Pek Kei pede mais apoios e incentivos para professores

A deputada Song Pek Kei quer saber como o Governo vai incentivar os professores a participar em cursos de formação profissional. Numa interpelação escrita, a legisladora considera que estas formações são importantes para os docentes conseguirem responder a uma procura educativa cada vez mais diversificada.

A deputada ligada à comunidade de Fujian recordou que nos últimos anos o Governo investiu muitos recursos em cursos de formação no âmbito de ciência e tecnologia para os professores. No entanto, como estes cursos têm vagas limitadas e os professores ainda precisam de dedicar o seu tempo às aulas e outras tarefas escolares, Song Pek Kei indica que os docentes têm pouca vontade, ou tempo livre, para participar em formações profissionais. A legisladora pede assim incentivos de formação.

Além disso, a deputada pede que o Governo revele pormenores das políticas em vigor para facilitar o acesso dos professores de Macau ao ensino em Hengqin. Song explica que actualmente muitas profissões, como médicos e farmacêuticos, conhecem as regras que lhes permitem exercer a profissão em Hengqin. No entanto, ainda não há informações disponíveis sobre o futuro dos professores. Song espera que o Governo acelere o procedimento e que os professores inscritos em Macau fiquem isentos de fazer qualquer tipo de exame para exercer em Hengqin.

27 Jan 2026

Turismo | Atingido recorde máximo de visitantes em 2025

Para a História. No ano passado, o território recebeu mais de 40 milhões de visitantes, um crescimento de 14,7 por cento face a 2024. Para o aumento, contribuíram as facilidades de deslocação a Macau dos turistas do Interior

 

Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19, foi sexta-feira anunciado.

O número de turistas que passou pelo território no ano passado foi o mais elevado desde que a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa.

Macau acolheu no total quase 40,1 milhões de visitantes, mais 14,7 por cento do que em 2024 e acima da meta de 39 milhões, fixada em 16 de Dezembro pela directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes.

No entanto, quase 59 por cento dos visitantes (23,5 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado.

Em 2024, o Governo Central divulgou uma série de medidas de apoio ao território, como o aumento do limite de isenção fiscal de bens para uso pessoal adquiridos por visitantes da China.

Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas alargaram a mais 10 cidades da China a lista de locais com “vistos individuais” para visitar Hong Kong e Macau.

Além disso, desde 1 de Janeiro de 2025 que os residentes da vizinha cidade de Zhuhai podem visitar Macau uma vez por semana e ficar até sete dias.

Em resultado, a esmagadora maioria (90,6 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Novembro vieram da China continental ou Hong Kong.

Visitas internacionais

Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes sublinhou que o número de visitantes internacionais recuperou até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia.

Em Agosto, a dirigente tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025.

Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024.

Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho.

Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes recordou que as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 prevêem a abertura de duas delegações de Macau no sudeste asiático e no nordeste da Ásia.

As LAG, apresentadas no final de Novembro, prevêem a abertura de uma delegação na Malásia e apontam também como prioridade a aposta nos turistas dos países lusófonos.

Só em Dezembro, Macau recebeu 3,58 milhões de visitantes, o valor mais elevado de sempre para este mês.

A cidade registou assim um novo máximo histórico para Dezembro, depois de já o ter feito para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões) e Novembro (3,35 milhões).

26 Jan 2026

Macau facilita passagem a estrangeiros através da Ponte HZM

O Governo de Macau anunciou que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, vão poder usar canais electrónicos automáticos para entrar no Interior através da maior ponte marítima do mundo.

A medida vai entrar em vigor na segunda-feira na fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e abranger todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada na RAEM.

De acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança e da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau, os estrangeiros com pelo menos 7 anos de idade terão também de ser residentes permanentes na China continental, ter uma autorização de residência ou um visto válido.

No final de Abril, o então secretário para a Segurança de Macau anunciou planos para acelerar o controlo fronteiriço de visitantes estrangeiros, sem estatuto de residente ou autorização de trabalho, através da utilização de canais electrónicos automáticos.

As autoridades irão expandir os equipamentos de auto-serviço para o Sistema de Recolha de Dados Biométricos, que passará a aplicar-se a todos os visitantes estrangeiros, explicou Wong Sio Chak.

O então secretário acrescentou que o Governo irá estudar a extensão da tecnologia de reconhecimento por íris nos controlos fronteiriços a não residentes ainda em 2025.

“Estamos também a estudar formas de alargar o número de utilizadores elegíveis para os canais de passagem automática, permitindo que mais turistas estrangeiros beneficiem de processos de imigração mais rápidos e de uma circulação mais fluida na Grande Baía”, declarou Wong.

 

Projecto nacional

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

A partir de Junho, os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, começaram a poder entrar em Macau, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, sem precisar de sair do veículo.

A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a mais longa travessia marítima do mundo, registou mais de 100 milhões de travessias de passageiros desde a inauguração, em Outubro de 2018, avançou em 6 de Janeiro a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

A construção da ponte arrancou em 2009, mas foi afectada por atrasos, a morte de mais de 20 trabalhadores e derrapagens orçamentais. O custo final da infra-estrutura está estimado em 16,4 mil milhões de dólares, mais 25 por cento do que o inicialmente previsto.

A ponte inaugurada em 2018 tem uma extensão de cerca de 55 quilómetros, que incluem um túnel subterrâneo de quase sete quilómetros entre duas ilhas artificiais para facilitar a navegação no delta do Rio das Pérolas.

A infra-estrutura reduziu em cerca de metade o tempo de viagem entre Macau e Hong Kong.

 

26 Jan 2026

Taipa | Clínica veterinária suspensa por suspeitas de irregularidades

Uma clínica veterinária foi encerrada pelas autoridades, depois de ter sido descoberto o fornecimento de medicamentos e vacinas não autorizadas e com origem desconhecida. A informação foi inicialmente divulgada pelo Canal Chinês da Rádio Macau, que não identificou a clínica.

A informação disponibilizada no portal do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indica que a Clínica TaipaVet tem a licença suspensa, desde 23 de Janeiro, por um período de dois meses. Os motivos não são indicados, mas a data da suspensão coincide com a operação recente das autoridades.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a operação foi conduzida pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e pelo Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) e levou à apreensão de fármacos e vacinas que não possuíam autorização de importação por parte da entidade reguladora. As autoridades dizem também que foram detectados indícios de actividades ilegais nas instalações, levantando preocupações sobre riscos para a saúde e segurança públicas.

As suspeitas das irregularidades terão tido origem numa denúncia.

Como consequência, foi ordenada a suspensão imediata das operações do estabelecimento e instaurado um processo para acompanhamento do caso. As autoridades querem que a clínica clarifique a origem dos medicamentos e adoptem medidas para corrigir os procedimentos.

26 Jan 2026

Inflação | 2025 com valores mais baixos em quatro anos

Os dados oficiais mostram que a inflação se fez sentir sobretudo nos produtos alimentares e nas bebidas não alcoólicas. O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,54 por cento

 

Macau terminou 2025 com uma inflação anual de 0,33 por cento, o valor mais baixo dos últimos quatro anos, foi sexta-feira anunciado.

A subida do índice de preços no consumidor (IPC) no ano passado foi a menor desde 2021, de acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Em Junho de 2021, Macau viveu o último de 10 meses consecutivos de queda de preços – ou deflação – no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19.

A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Os dados oficiais mostram que em 2025 a inflação se fez sentir sobretudo nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,62 por cento). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,54 por cento.

Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,84 por cento e 0,49 pro cento, respectivamente. Em 11 de Novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano.

Em Abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

Com a recuperação no número de visitantes, a RAEM registou uma subida de 25,4 no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas da China continental.

 

Serviços mais baratos

Pelo contrário, os gastos com electricidade e telecomunicações caíram 3,16 por cento e 3,46 por cento, respectivamente, enquanto o preço dos bilhetes de avião decresceu 6,36 por cento.

A inflação desceu em Dezembro, fixando-se em 0,69 por cento, menos 0,03 pontos percentuais do que em Novembro, interrompendo quatro meses consecutivos de aceleração.

Na China continental, de longe o maior parceiro comercial de Macau, o IPC subiu 0,8 por cento em termos homólogos em Dezembro, registando o aumento mais elevado desde 2023, num sinal encorajador, apesar de persistirem pressões deflacionistas na segunda maior economia do mundo.

Esta foi a terceira subida consecutiva e estava em linha com as previsões de um grupo de economistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg.

A segunda maior economia mundial enfrenta há mais de dois anos pressões deflacionistas, com a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial a penalizarem os preços, enquanto a incerteza no comércio internacional dificulta o escoamento de produtos por parte dos fornecedores.

O índice de preços no produtor, que mede os preços à saída da fábrica, aprofundou em dezembro a tendência negativa dos últimos dois anos, com uma descida homóloga de 1,9 por cento.

26 Jan 2026

Corrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi

A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas

 

O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping.

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

 

Aliado próximo

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

26 Jan 2026

Gronelândia | EUA vão renegociar com Dinamarca acordo de 1951

Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse ontem uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.
A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).
A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.
Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse ontem que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.
A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.
O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.
O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece actualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.
A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
O projecto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares.
Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do actual mandato de Trump, em 2029.
O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

Pilares das negociações
A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.
A ameaça de taxas, inicialmente de 10 por cento e depois de 25 por cento, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.
A UE deve ainda discutir a questão numa cimeira europeia extraordinária agendada para ontem em Bruxelas, com a participação do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.
Outro ponto do entendimento NATO-EUA, é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.
A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.
Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.
O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.
Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.
O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

25 Jan 2026

Telecomunicações | Pequim acusa a UE de exagerar conceito de segurança

O MNE chinês reagiu ao novo pacote de segurança apresentado pela União Europeia com críticas e preocupação

A China acusou ontem a União Europeia de “sobredimensionar o conceito de segurança” nas telecomunicações, após a Comissão Europeia apresentar um pacote de medidas de cibersegurança que pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun expressou em conferência de imprensa a “séria preocupação” de Pequim com a iniciativa comunitária, argumentando que as empresas chinesas operam há anos na Europa “em conformidade com as leis e regulamentos” sem pôr em causa a segurança dos países europeus.

Pelo contrário, sublinhou, têm contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das telecomunicações e da economia digital do continente.

Guo criticou a imposição de restrições ou vetos a empresas com base em “critérios não técnicos e sem provas factuais”, o que, na sua perspectiva, viola os princípios de mercado e de concorrência leal.

“Trata-se de um exemplo típico de politização da cooperação normal e de sobredimensionamento do conceito de segurança, equivalendo a um proteccionismo flagrante”, afirmou.

O porta-voz alertou ainda que intervenções “arbitrárias” no mercado não aumentam a segurança, mas geram custos elevados.

Segundo Pequim, a remoção forçada de equipamentos de empresas chinesas em alguns países já causou “perdas económicas massivas” e prejudicou o desenvolvimento das redes digitais locais.

Nesse sentido, avisou que a estratégia comunitária poderá prejudicar o progresso tecnológico e económico da própria UE e corroer a imagem do mercado europeu como espaço aberto ao investimento.

Pequim instou a UE a “não aprofundar o caminho errado do proteccionismo” e advertiu que, se persistir nessa linha, a China “adoptará as medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

Novo quadro

As declarações chinesas surgem após Bruxelas ter apresentado na terça-feira uma nova lei de cibersegurança que cria um quadro comum para avaliar riscos em infraestruturas críticas da UE, sem mencionar explicitamente países ou empresas.

A normativa reforça o controlo sobre sectores estratégicos como as redes 5G e 6G, a computação em nuvem ou os semicondutores, e abre porta a restrições ou exclusão de fornecedores considerados de “alto risco”.

Embora o texto não cite nomes, a Comissão Europeia tem manifestado, desde 2019, reservas sobre a participação de empresas chinesas como Huawei ou ZTE no desenvolvimento de redes de telecomunicações no bloco.

 

22 Jan 2026

Cabo Verde | Macau Legend crítica governo por reaver hotel-casino

A empresa fundada por David Chow defende que não há “qualquer fundamento legítimo” que permitisse ao Governo de Cabo Verde recuperar o hotel-casino em obras. O Executivo africano afirmou que a acção se deve a assegurar que o projecto é concluído

A Macau Legend Development (MLD) afirmou que o Governo de Cabo Verde não tinha “qualquer fundamento legítimo” para reaver o hotel-casino, cuja construção a operadora de jogo deixou por concluir na capital, Praia.

No sábado, o Executivo cabo-verdiano anunciou que tomou posse dos bens e do edifício do hotel-casino que a empresa, com dificuldades financeiras, começou a construir, mas abandonou há anos.

Na terça-feira à noite, a MLD disse que foi notificada, em 15 de Janeiro, pelo Governo de Cabo Verde da intenção de reaver os bens e o edifício no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa.

As autoridades cabo-verdianas solicitaram a presença de um representante da operadora “para facilitar uma entrega voluntária” do hotel-casino inacabado, referiu a MLD.

“Tendo determinado que este pedido carecia de qualquer fundamento legítimo, a empresa não concordou”, sublinhou a MLD, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

O Governo de Cabo Verde avançou com a tomada de posse na sexta-feira, entrando nas instalações do projecto e “ignorando a objecção da empresa à entrega voluntária”, lamentou a MLD.

A operadora garantiu que “está actualmente a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas da MLD.

“Assim, a direcção considera que o recente desenvolvimento do projecto de investimento não terá um impacto adverso relevante na operação ou no desempenho financeiro da empresa”, sublinha-se no comunicado.

Interesses maiores

O Governo de Cabo Verde reiterou no sábado que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores.

Em Julho, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, disse à Lusa, em Macau, que o Governo daria uma “última oportunidade” à empresa, que prometeu “uma alternativa” para o espaço.

No final de Março, a MLD já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino na capital de Cabo Verde.

Em 2015, o empresário de Macau David Chow Kam Fai, fundador da operadora, anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021.

No final de 2023, o presidente da MLD, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e no Camboja.

Actualmente, havia apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.

No final de Agosto de 2025, a MLD admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

22 Jan 2026

Davos | Pequim critica o regresso à “lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”

A elite do poder mundial está reunida na estância suíça para discutir a situação internacional numa iniciativa subordinada ao tema “Um Espírito de Diálogo”

 

A China insurgiu-se ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à “lei da selva” nas relações internacionais, “onde os fortes atacam os fracos”, criticando tarifas e guerras comerciais.

Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, defendeu que “um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”.

No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que “as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores”, advogando os benefícios do “comércio livre e da globalização económica”.

Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng “os actos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio”.

Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país se, além de querer ser “a fábrica do mundo”, ser igualmente “o mercado do mundo”, comentou que, “quando a China quer comprar, outros países não querem vender”, numa nova alusão à política da administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial.

Donald regressa

O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira.

Subordinado nesta 56.ª edição ao tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

21 Jan 2026

Confirmada óbito de cidadão chinês em explosão

A China confirmou ontem a morte de um cidadão chinês e ferimentos em outros cinco na sequência da explosão ocorrida na segunda-feira nas imediações de um restaurante chinês em Cabul, capital do Afeganistão.

Pequim apelou às autoridades afegãs para reforçarem as garantias de segurança a fim de proteger os seus cidadãos, projectos e instituições no país.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, expressou condolências à família da vítima mortal e solidariedade para com os feridos, sublinhando que foram feitas “diligências diplomáticas urgentes” junto das autoridades afegãs.

A China exige tratamento médico adequado para os feridos, o esclarecimento dos factos e a responsabilização dos autores do ataque.

A Embaixada da China em Cabul já visitou os feridos no hospital, tendo transmitido o apoio oficial de Pequim e prestado assistência consular, informou Guo.

O porta-voz reiterou que a China “condena veementemente e opõe-se firmemente ao terrorismo em todas as suas formas” e manifestou o apoio de Pequim ao Afeganistão e aos países da região na luta conjunta contra o extremismo violento.

Alguns órgãos de comunicação locais noticiaram que o ataque poderá ter sido reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico da Província do Khorasan (ISIS-K), embora esta informação não tenha sido confirmada oficialmente pelas autoridades afegãs.

A explosão ocorreu no interior ou nas imediações de um restaurante chinês localizado no bairro de Shahr-e-Naw, no centro de Cabul, tendo causado pelo menos sete mortos – entre os quais um cidadão chinês – e cerca de 20 feridos, de acordo com fontes hospitalares e policiais.

 

Segurança em causa

Face ao actual contexto de segurança, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou a recomendar aos seus cidadãos que evitem deslocações ao Afeganistão “por enquanto” e pediu àqueles que já se encontram no país, bem como às empresas chinesas ali presentes, que aumentem a vigilância, reforcem as medidas de protecção e abandonem as zonas de maior risco sempre que possível.

O incidente insere-se numa relação pragmática entre a China e as autoridades talibãs desde o regresso destas ao poder em 2021, com enfoque na protecção de cidadãos e interesses chineses no país.

Nos últimos anos, Pequim tem insistido na obtenção de garantias de segurança para os seus projectos e cidadãos, sobretudo nos sectores da mineração e energia. Esta questão tem sido discutida diretamente com responsáveis da segurança afegã, numa altura em que se têm multiplicado os incidentes que afectam trabalhadores e empresas chinesas, tanto no território afegão como nas regiões fronteiriças.

 

21 Jan 2026

Gripe | Quase 40 infectados em escolas, mais de metade com gripe A

Os Serviços de Saúde foram notificados na segunda-feira de cinco casos de infecção colectiva de gripe em escolas e num lar, que afectaram 38 alunos e utentes. Segundo um comunicado divulgado ontem pelos Serviços de Saúde, dos 38 alunos infectados, 20 registaram um resultado positivo para a gripe do tipo A e seis obtiveram resultados positivos em testes rápidos para o adenovírus. As autoridades de saúde indicaram ontem que as condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações.

O local com o maior número de infecções foi o Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa), na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, onde 11 alunas adoeceram. Na Escola Choi Nong Chi Tai, no Istmo de Ferreira do Amaral, foram infectados nove alunos, na Escola de Santa Teresa do Menino Jesus, na Avenida do Conselheiro Borja, foram diagnosticados cinco alunos.

No Lar de Cuidados “Júbilo Brilhante”, na Rua Leste da Ilha Verde, as infecções afectaram sete utentes e trabalhadores.

Finalmente, na Escola Cham Son de Macau, na Rua Central da Areia Preta, foram infectados seis alunos.

21 Jan 2026

Economia | Crescimento de 5 por cento no ano passado

Apesar de um consumo interno abaixo do esperado e do aumento das tarifas imposto por Donald Trump, a economia chinesa continua a mostrar-se robusta e pronta para enfrentar os novos desafios globais

A economia da China registou um crescimento homólogo de 5 por cento, em 2025, impulsionada pela forte subida das exportações, apesar do aumento das taxas alfandegárias imposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O crescimento abrandou, porém, para uma taxa de 4,5 por cento no último trimestre do ano, segundo os dados oficiais ontem divulgados. Foi o crescimento trimestral mais lento desde o final de 2022, durante a pandemia da covid-19. A economia, a segunda maior do mundo, cresceu a uma taxa anual de 4,8 por cento no trimestre anterior.

Os líderes chineses têm tentado estimular um crescimento mais rápido após a crise no sector imobiliário e os impactos económicos provocados pela pandemia.

Como era esperado, o crescimento anual do ano passado ficou alinhado com a meta oficial do governo de uma expansão de “cerca de 5 por cento “.

As exportações ajudaram a compensar o fraco consumo interno e o baixo investimento empresarial, contribuindo para um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares.

“A grande questão é durante quanto tempo este motor de crescimento poderá continuar a ser o principal impulsionador”, escreveu Lynn Song, economista-chefe para a China no banco holandês ING, numa nota recente.

As exportações chinesas para os EUA caíram depois de Donald Trump ter regressado à presidência no início do ano passado e ter começado a aumentar as tarifas. No entanto, essa queda foi compensada pelas vendas para o resto do mundo. A subida acentuada das importações de produtos chineses tem levado alguns governos a agir para proteger as indústrias locais, nalguns casos através do aumento das tarifas sobre as importações.

“Se mais economias começarem também a subir tarifas sobre a China, como fez o México e como a União Europeia ameaçou fazer, acabará por se sentir uma pressão mais forte”, afirmou Song.

Os líderes chineses têm repetidamente destacado o reforço da procura interna como prioridade política, mas os efeitos têm sido até agora limitados. Um programa de incentivo à troca de automóveis antigos por modelos mais eficientes em termos energéticos, por exemplo, tem vindo a perder força nos últimos meses.

“A estabilização – não necessariamente a recuperação – do mercado imobiliário interno é fundamental para restaurar a confiança pública e, consequentemente, o crescimento do consumo das famílias e do investimento privado”, afirmou Chi Lo, estratega de mercados para a Ásia-Pacífico no banco de gestão de activos BNP Paribas Asset Management.

Estímulos e previsões

A China também tem oferecido subsídios para a troca de electrodomésticos, como frigoríficos, máquinas de lavar e televisões. Embora as principais medidas de estímulo ao consumo de 2025 – incluindo estes subsídios – devam continuar em 2026, poderão ser reduzidas, afirmou Weiheng Chen, estratega global de investimentos no banco de investimento J.P. Morgan Private Bank, numa nota recente.

O investimento em inteligência artificial e noutras tecnologias avançadas continua a ser uma prioridade para o Partido Comunista Chinês, numa tentativa de aumentar a auto-suficiência e rivalizar com os Estados Unidos. Muitos cidadãos comuns e pequenas empresas enfrentam tempos difíceis e uma incerteza preocupante quanto ao emprego e aos rendimentos.

Segundo dados do governo, a economia chinesa cresceu a uma taxa anual de 5 por cento, em 2024, e de 5,2 por cento, em 2023. As metas oficiais de crescimento têm vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, de 6 por cento a 6,5 por cento, em 2019, para “cerca de 5 por cento “, em 2025.

Prevê-se uma expansão anual mais lenta para 2026. O banco alemão Deutsche Bank prevê que a economia da China cresça cerca de 4,5 por cento, em 2026.

20 Jan 2026

Hong Kong | Viagens gratuitas para estrangeiros a partir do aeroporto

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou ontem que está de novo a oferecer viagens gratuitas para Macau através dos autocarros directos a partir do aeroporto de Hong Kong. A promoção arranca hoje e tem como objectivo promover a extensão da viagem a Macau e ajudar a expandir fontes de visitantes internacionais. Não estão abrangidos pela oferta viajantes oriundos do Interior da China. A promoção de oferta de bilhetes para o autocarro directo para Macau, que se estende até ao fim deste ano, resulta da colaboração com os Serviços de Transporte de Passageiros no Aeroporto Internacional de Hong Kong.

“Os visitantes internacionais elegíveis, após a chegada ao Aeroporto Internacional de Hong Kong, basta tratar dos procedimentos no balcão designado dentro da zona restrita, para obter o bilhete gratuito e apanhar o autocarro directo para Macau, via Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, no terminal de transferências SkyPier do Aeroporto Internacional de Hong Kong”, indicou a DST.

A reserva de bilhetes pode ser feita antecipadamente na página oficial da operadora dos autocarros. Durante o período de promoção, os visitantes terão direito, sem limite de número de vezes, ao benefício de “bilhete gratuito de autocarro directo”. Porém, devido “ao limite no número de ofertas, os bilhetes são processados por ordem de chegada”.

20 Jan 2026