Hong Kong | Mais de 150 pessoas retiradas de bairro social após incêndio

Mais de 150 residentes tiveram ontem de ser retirados de um complexo de habitação pública em Hong Kong, devido ao segundo incêndio a atingir um bairro social em dois dias. De acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP), o alerta foi dado por volta das 02h20 de segunda-feira, e podia ser visto fumo espesso a sair de um apartamento do 33.º andar no edifício Tai Yuan, na zona de Tsuen Wan, nos Novos Territórios.

Os bombeiros arrombaram a porta do apartamento e salvaram a moradora de 63 anos, de apelido Chan, que se tinha refugiado no quarto de banho. A idosa foi levada para o Hospital Princess Margaret. Uma fonte policial, citada pelo SCMP disse que a idosa terá acendido uma vela antes de adormecer e que a chama se alastrou a outros objectos na casa.

O incêndio foi extinto enquanto mais de 150 moradores foram aconselhados pelos bombeiros a esperar no rés-do-chão do bairro social até que a situação estivesse controlada.

Este é o segundo incêndio a atingir habitação pública em Hong Kong em dois dias. No domingo, pelo menos uma pessoa morreu e oito ficaram feridas num incêndio que atingiu o edifício Mei Yue, no bairro Shek Kip Mei, em Kowloon, no centro da região. De acordo com a imprensa local, os bombeiros acreditam que um curto-circuito eléctrico poderá ter causado as chamas, que obrigaram à retirada de mais de 270 moradores do bairro social.

O subchefe interino do departamento de Serviços de Incêndios, Yip Kam-kong, afirmou que o equipamento de combate às chamas estava a funcionar correctamente no edifício, negando relatos de uma mangueira de incêndio com defeito no 21.º andar.

6 Jan 2026

Economia | Primeiro-ministro irlandês defende “livre comércio”

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, defendeu ontem o “livre comércio” durante um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, num momento de crescentes tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia. “Acreditamos no livre comércio, em boas relações, e, no que respeita em particular ao comércio, acreditamos que é fundamental trabalharmos juntos para o promover”, afirmou Martin, numa reunião com Xi no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

A visita de cinco dias à China é a primeira de um chefe de Governo irlandês desde 2012 e visa reforçar os laços bilaterais, numa altura em que Dublin se prepara para assumir, em julho, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.

Xi Jinping saudou a evolução das relações sino-irlandesas e sublinhou que o volume de comércio bilateral “quadruplicou” desde 2012, quando os dois países estabeleceram uma parceria estratégica mutuamente benéfica. “A China deseja reforçar a comunicação estratégica com a Irlanda, aprofundar a confiança política mútua e ampliar a cooperação concreta, em benefício dos dois povos e para impulsionar as relações sino-europeias”, declarou o chefe de Estado chinês.

Martin deverá ainda reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, antes de se deslocar a Xangai, o centro financeiro da China. Segundo dados do Governo irlandês, a China é o principal parceiro comercial da Irlanda na Ásia e o quinto maior a nível global. A Irlanda exporta sobretudo equipamentos médicos, produtos farmacêuticos, bens agroalimentares e serviços informáticos e financeiros para o mercado chinês.

O encontro decorre num contexto de crescente alarme por parte da UE face ao desequilíbrio comercial com a China, com Bruxelas a acusar Pequim de dificultar o acesso ao seu mercado interno.

6 Jan 2026

Venezuela | China alerta para risco de instabilidade na América Latina

Pequim voltou ontem a reclamar a “libertação imediata” do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e alertou para o risco de instabilidade na América Latina. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês sublinhou que nenhum país se pode assumir como juiz mundial

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou ontem que a China “não aceitará que nenhum país se assuma como juiz do mundo”, após a detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, numa operação norte-americana. “Nunca considerámos que algum país possa agir como ‘polícia do mundo’, nem aceitaremos que se autoproclame ‘juiz do mundo’”, declarou Wang, numa reunião em Pequim com o homólogo paquistanês, Ishaq Dar.

A declaração surge após os Estados Unidos terem raptado Maduro e a esposa, Cilia Flores, no sábado, numa operação militar surpresa, transportando-os para Nova Iorque, onde aguardam julgamento por “narcoterrorismo”. “O panorama internacional está cada vez mais turbulento e complexo”, disse Wang Yi, denunciando o que classificou como fenómenos de “unilateralismo” e “abuso hegemónico” nas relações internacionais.

Pequim reiterou que se opõe “de forma consistente” ao uso ou ameaça do uso da força, bem como à imposição da vontade de um Estado sobre outros. Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional, “incluindo o Paquistão”, para defender a Carta das Nações Unidas, “salvaguardar a linha mínima da moral internacional” e promover a construção de uma “comunidade de destino comum da humanidade”.

Por outra voz

“O uso da força pelos Estados Unidos (EUA) viola claramente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais”, afirmou também o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa em Pequim. Lin manifestou “profunda preocupação” com a detenção de Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, e instou Washington a “garantir a sua segurança pessoal” enquanto permanecerem fora da Venezuela, além de exigir a sua libertação.

O porta-voz denunciou o “uso descarado da força” contra um país soberano, acusando os EUA de “ameaçar a paz e a estabilidade na América Latina e nas Caraíbas”, região que a China considera uma “zona de paz”.

Pequim reiterou a sua oposição ao uso ou ameaça de uso da força nas relações internacionais e às práticas de “assédio hegemónico”. Lin apelou à resolução da crise na Venezuela através do diálogo e negociação, e manifestou apoio à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Questionado sobre contactos com Caracas, Lin afirmou que a China “respeita a soberania e independência da Venezuela” e acredita que o país “lidará com os seus assuntos internos de acordo com a Constituição e as leis”, sem confirmar se houve conversações com a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente o cargo de chefe do Executivo.

Direito torto

Sobre a cooperação bilateral, o porta-voz sublinhou que os projectos energéticos entre os dois países “são entre Estados soberanos” e estão protegidos pelo direito internacional. Acrescentou que, “independentemente das mudanças na situação interna venezuelana”, a disposição da China para aprofundar a cooperação com Caracas “não se alterará” e que os “interesses legítimos” de Pequim “continuarão a ser salvaguardados”.

Lin rejeitou ainda que a China procure estabelecer “esferas de influência” na América Latina, frisando que a sua política para a região é “coerente e estável”, baseada na não ingerência, igualdade e benefício mútuo, sem alinhamentos ideológicos.

“A China continuará a ser um bom amigo e parceiro” dos países da região, afirmou, acrescentando que está pronta para cooperar com eles na defesa da Carta da ONU e da justiça internacional, bem como para responder às tensões decorrentes da situação na Venezuela.

As declarações surgem num contexto de elevada tensão, após os EUA terem raptado Maduro e o terem transferido para Nova Iorque, onde se encontra detido. O episódio motivou críticas de vários governos e o pedido de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que se realizou ontem.

6 Jan 2026

Permanecer Humano: Giacometti, Miró, Calder

Por Caroline Pires Ting

Há momentos na história da arte em que a resistência importa mais do que o progresso. Momentos em que permanecer de pé, ver com atenção e mover-se com cuidado tornam-se gestos radicalmente significativos. Alberto Giacometti, Joan Miró e Alexander Calder trabalharam a partir de um desses momentos. Sua arte é depurada, hesitante, viva. Ela não promete certezas. Oferece algo mais raro: uma forma de permanecer humano quando as formas se fragmentam, os sentidos se deslocam e o equilíbrio precisa ser continuamente renegociado.

A arte moderna costuma ser narrada como uma história de ruptura: novas formas substituem as antigas, tradições se quebram, linguagens colapsam para logo serem reinventadas. No entanto, ao observarmos atentamente a trajetória desses três artistas, outro enredo se impõe. Não o da ruptura como gesto heroico, mas o da insistência silenciosa: uma tentativa persistente de manter a arte ancorada na experiência humana em um mundo marcado pela instabilidade histórica, política e existencial (Arendt, 2007; Agamben, 2009).

Nenhum deles buscou a eternidade por meio do monumento ou da grandiosidade. Suas perguntas eram mais discretas, quase frágeis. Como um corpo persiste após o colapso das certezas. Como o sentido se forma antes de se fixar em linguagem. Como o equilíbrio pode sobreviver em um mundo submetido à mudança constante.

Giacometti: a ética da presença

As figuras de Giacometti parecem carregar consigo a memória de um acontecimento anterior ao olhar do espectador. Estreitas, gastas, reduzidas ao essencial, foram frequentemente interpretadas como emblemas do desespero existencial do pós-guerra. Contudo, como observam Jean-Paul Sartre e James Lord, essas figuras não encenam a ausência, mas a persistência da presença humana em condições extremas (Sartre, 1949; Lord, 1985).

O que Giacometti esculpe não é a falta, mas a recusa. A recusa em desaparecer.

Seus corpos não ocupam o espaço de forma afirmativa ou triunfante; antes, o atravessam com dificuldade e dignidade. Eles caminham, permanecem de pé, aguardam. Após a guerra, o exílio e a falência das narrativas totalizantes, Giacometti abandona as proporções ideais e os corpos heroicos, esculpindo aquilo que Maurice Merleau-Ponty identificaria como a condição encarnada do existir: um corpo vulnerável, exposto, irredutível (Merleau-Ponty, 1999).

Sua obra formula, assim, uma proposição ética contundente: permanecer humano não significa ser íntegro, completo ou poderoso, mas simplesmente estar presente. A eternidade, em Giacometti, não é transcendência. É resistência.

Miró: as origens do sentido

Miró afasta-se do realismo não como fuga da realidade, mas como retorno às suas camadas mais profundas. Suas pinturas são habitadas por estrelas, olhos, pássaros, linhas flutuantes e formas fragmentadas. Esses elementos não operam como símbolos estáveis, mas como uma espécie de pré-linguagem: uma gramática da percepção anterior à fixação conceitual do sentido (Miró, 1978; Dupin, 1993).

Frequentemente associada ao lúdico ou ao infantil, a obra de Miró é, em sua essência, rigorosa e profundamente crítica. Seu gesto consiste em desfazer a violência da hiperracionalização moderna, recuperando um estado em que o ver antecede o nomear. Como sugeriu Theodor W. Adorno, a abstração moderna, quando levada ao limite, não representa o mundo, mas tensiona suas condições de possibilidade (Adorno, 2008).

As constelações de Miró não descrevem o universo; ensaiam o instante inaugural em que o sentido começa a emergir. Nesse contexto, a abstração assume uma função ética: ela protege a fragilidade, mantém o sentido em suspensão e convida o olhar do outro a participar da produção de significado (Didi-Huberman, 2015). A eternidade, em Miró, não se apresenta como permanência da forma, mas como recomeço incessante.

Calder: equilíbrio como visão de mundo

Ao introduzir o movimento na escultura, Calder não transformou apenas a forma artística, mas sua lógica interna. Seus móbiles respondem ao ar, à gravidade e ao acaso. Nunca se repetem exatamente, mas tampouco se desintegram em desordem. Como observa Rosalind Krauss, trata-se de uma redefinição radical da escultura enquanto sistema relacional, e não como objeto estático (Krauss, 1977).

Calder não organiza hierarquias nem impõe centralidades. Ele compõe relações. Cada elemento depende dos demais para que o conjunto se sustente. O equilíbrio que emerge é dinâmico, provisório, vivo. Observar um móbile é assistir a um microcosmo em negociação contínua (Calder, 1966).

Em um século profundamente marcado pela obsessão com o controle, Calder propõe outra ética: baseada na confiança, na escuta e na adaptação mútua. Sua obra afirma que a estabilidade não exige rigidez. A eternidade, aqui, manifesta-se como continuidade em meio à transformação.

Três modos de permanecer humano

Considerados em conjunto, Giacometti, Miró e Calder delineiam três dimensões fundamentais da experiência humana contemporânea:

Ser: o corpo que persiste, mesmo fragilizado (Giacometti)

Significar: o sentido antes de se cristalizar em linguagem (Miró)

Relacionar-se: o equilíbrio que se constrói no movimento (Calder)

Eles não ilustram teorias nem propõem sistemas fechados. Encarnam atitudes diante da vida após a perda das certezas, após a devastação histórica, após o colapso das ilusões de totalidade. Cada um, à sua maneira, recusou o espetáculo e escolheu a contenção, apostando que a simplicidade poderia sustentar profundidade.

Por que ainda importam

Em uma época marcada pela aceleração, pela proliferação de imagens sem densidade e pela redução dos corpos a dados e métricas, esses artistas revelam uma atualidade inesperada. Eles nos lembram que a arte não precisa gritar para permanecer. Precisa manter-se próxima daquilo que não pode ser otimizado, traduzido ou plenamente capturado (Cassin, 2004).

Permanecer de pé.
Ver com atenção.
Mover-se com cuidado.

Isso não é nostalgia do modernismo. É a lembrança de que, talvez ainda hoje, o gesto mais radical seja simplesmente permanecer humano.

Referências Bibliográficas

Sobre Alberto Giacometti

Lord, James. Giacometti: A Biography. New York: Farrar, Straus and Giroux, 1985.

Genet, Jean. L’Atelier d’Alberto Giacometti. Paris: Gallimard, 1957.

Sartre, Jean-Paul. “La Recherche de l’absolu.” In: Situations III. Paris: Gallimard, 1949.

Bois, Yve-Alain. Giacometti: Sculpture, Painting, Drawing. London: Thames & Hudson, 1991.

Sobre Joan Miró

Miró, Joan. Écrits et entretiens. Paris: Daniel Lelong, 1978.

Dupin, Jacques. Joan Miró: Life and Work. New York: Abrams, 1993.

Adorno, Theodor W. Teoria Estética. Trad. Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 2008.

Breton, André. Le Surréalisme et la Peinture. Paris: Gallimard, 1965.

Sobre Alexander Calder

Calder, Alexander. An Autobiography with Pictures. New York: Pantheon Books, 1966.

Krauss, Rosalind E. Passages in Modern Sculpture. Cambridge, MA: MIT Press, 1977.

Sweeney, James Johnson. Alexander Calder. New York: The Museum of Modern Art, 1951.

O’Doherty, Brian. Inside the White Cube: The Ideology of the Gallery Space. Berkeley: University of California Press, 1999.

Referências Teóricas e Contextuais

Arendt, Hannah. A Condição Humana. Trad. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

Cassin, Barbara (org.). Vocabulaire européen des philosophies: dictionnaire des intraduisibles. Paris: Seuil / Le Robert, 2004.

Didi-Huberman, Georges. Diante do Tempo. Trad. Vera Ribeiro. Belo Horizonte: UFMG, 2015.

Merleau-Ponty, Maurice. Fenomenologia da Percepção. Trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Agamben, Giorgio. O Que é o Contemporâneo? Trad. Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.

Catálogos e Fontes Museológicas

Fondation Giacometti. Alberto Giacometti: Le Sculpteur. Paris, 2018.

Centre Pompidou. Joan Miró: L’échelle de l’évasion. Paris, 2019.

Calder Foundation. Calder: Hypermobility. New York, 2021.

Carolina Ting escreve em Português do Brasil.

6 Jan 2026

Ruínas de São Paulo | Ano arranca com obras de restauro

Ontem foram instalados andaimes na fachada das Ruínas de São Paulo para a segunda fase dos trabalhos de restauro. De acordo com informação veiculado pelo canal chinês da Rádio Macau, as obras deverão prolongar-se até 9 de Fevereiro.

Como resultado, desde o passado domingo, a zona arqueológica atrás da fachada das Ruínas de São Paulo, assim como o Museu de Arte Sacra e a Cripta estão encerrados ao público.

O encerramento vai ser mantido até amanhã. Os encerramentos nas Ruínas regressam em Fevereiro, altura em que a Exposição de Realidade Virtual vai estar encerrada entre 4 e 6. Também no próximo mês, a zona arqueológica atrás da fachada das Ruínas de São Paulo, o Museu de Arte Sacra e a Cripta voltam a estar encerrados ao público, igualmente entre os dias 4 e 6 de Fevereiro.

6 Jan 2026

DSPA | Plano de substituição de veículos chega à terceira fase

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) aceita, desde ontem, candidaturas para a terceira fase do “Plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo”, que decorre até ao dia 4 de Janeiro de 2028.

A medida é dirigida a “proprietários de veículos antigos movidos a gasóleo matriculados e registados até 31 de Dezembro de 2019, estando excluídos os proprietários de veículos antigos movidos a gasóleo cuja matrícula tenha sido cancelada em 15 de Dezembro de 2025 ou em data posterior, e que sejam novamente matriculados após os referidos cancelamentos”.

No primeiro ano o prazo de candidaturas vai até 4 de Janeiro de 2027, sendo dado um apoio entre 25 mil e 155 mil patacas. No segundo ano, cujas candidaturas vão de 5 de Janeiro de 2027 a 4 de Janeiro de 2028, os apoios variam entre 15 mil e 93 mil patacas.

6 Jan 2026

DSAL | Criado plano de reintegração profissional para mulheres

Arrancam hoje as inscrições para o “Plano de reintegração profissional para mulheres”, criado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) em parceria com a operadora de jogo Sands China. O objectivo, segundo uma nota da DSAL, é “dar apoio às mulheres que deixaram o mercado de trabalho por motivos familiares ou pessoais”, para que possam “reconstruir gradualmente a sua capacidade profissional e confiança e reintegrarem-se com sucesso no mundo profissional”.

O plano abrange “medidas como apoio em grupo, formação profissional, prática de trabalho e horários de trabalho flexíveis”, sendo que as inscrições decorrem até ao dia 16 de Janeiro. Há 29 vagas de emprego disponíveis, distribuídas por 16 postos de trabalho, em categorias profissionais como “Administração”, “Serviço de cliente e vendas” ou “Operação de resorts integrados”.

O plano dura seis meses, sendo que a Sands China se compromete a “fornecer apoio em várias áreas, tais como o auxílio na construção de uma rede de contactos sociais”, atribuindo ainda “pessoal específico para acompanhar regularmente a situação após a integração [das candidatas] no cargo”.

Disponibilizam-se “opções de horário flexível, com um mínimo de 20 horas de trabalho por semana, e isenção de turnos nocturnos”. As candidatas com um “bom desempenho poderão ser transferidas para cargos a tempo inteiro”, podendo também manter horário flexível. Haverá seminários informativos nos dias 22 e 23 de Janeiro, sendo que depois dessas datas serão realizadas as entrevistas.

6 Jan 2026

Justiça | Ho Wai Neng tomou posse como juiz do TUI

Ho Wai Neng prestou ontem o juramento para tomar posse como novo juiz do Tribunal de Última Instância. O juramento foi realizado diante a juíza Song Man Lei, presidente do TUI, e contou com a assistência de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo e anterior presidente do TUI.

O dia ficou marcado por vários juramentos e o mesmo aconteceu com o novo presidente do Tribunal de Segunda Instância, Choi Mou Pan, e os novos juízes do Tribunal de Segunda Instância, Lou Ieng Ha e Jerónimo Alberto Gonçalves Santos.

Também Io Weng San e Rong Qi prestam o juramento de posse como juízes-Presidentes do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância. As alterações no quadro de juízes tinham sido anunciadas no final de Dezembro, em diferentes despachos do Chefe do Executivo.

6 Jan 2026

AMCM | Melhorado sistema de compra de fundos em RMB

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) lançou ontem o “Mecanismo de facilitação de fundos em RMB” [renminbi], com “um prazo relativamente longo”. O mecanismo surge no âmbito das medidas de recompra de obrigações na moeda chinesa, implementadas em 2023.

O objectivo, segundo uma nota da AMCM, é “apoiar o desenvolvimento do mercado monetário e do mercado de obrigações locais”.
Neste contexto, “os bancos locais podem utilizar obrigações qualificadas ao abrigo do mecanismo de ligação directa entre a ‘Central de Depósito de Valores Mobiliários de Macau’ (CSD) e a ‘Central Moneymarkets Unit’ (CMU) de Hong Kong para realizar operações de recompra”.

A ideia é “potenciar ainda mais os efeitos de sinergia e desenvolvimento da colaboração entre as duas regiões”, lê-se na mesma nota. Foi também introduzido “um projecto especializado de swap cambial em RMB” face ao dólar de Hong Kong e americano, tendo por objectivo “melhorar a liquidez em RMB ‘offshore’ no mercado local” e “apoiar o desenvolvimento estável das actividades denominadas em RMB no mercado financeiro local”.

Este projecto de swap cambial visa ainda “diversificar os canais de obtenção de fundos em RMB pelos bancos locais”.
A AMCM promete “continuar a realizar operações no mercado monetário através de diversos instrumentos financeiros, mantendo a estabilidade do sistema monetário e financeiro de Macau e promovendo o desenvolvimento da indústria financeira moderna de qualidade”.

6 Jan 2026

Venezuela | China pede a “libertação imediata” de Maduro

A China pediu ontem aos Estados Unidos a libertação imediata do Presidente da Venezuela que foi detido em Nova Iorque, depois de ter sido capturado numa operação militar norte-americana levada a cabo no sábado.

“A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, que os libertem imediatamente e que cessem os seus esforços para derrubar o Governo venezuelano”, afirmou a diplomacia de Pequim. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a operação como uma “flagrante violação do direito internacional”.

Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas.

O líder venezuelano já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público para o Distrito Sul de Nova Iorque, que no sábado apresentou novas acusações junto do mesmo tribunal. Maduro está acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas.

Choque e condenação

No sábado, ainda antes da confirmação da captura do Presidente da Venezuela, a diplomacia chinesa já tinha condenado os ataques militares lançados pelas forças norte-americanas contra Caracas. A China declarou-se “profundamente chocada” com a operação militar norte-americana e condenou o que descreveu como o “uso descarado da força” contra um país soberano.

No entendimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, estas acções violam gravemente o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. A China, que mantinha uma relação diplomática e económica próxima com a Venezuela, reiterou a oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

Apupos e aplausos

A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda do líder da Venezuela, reeleito em Julho, numa votação contestada pela oposição. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a acção militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região.

Já o Governo da Índia, expressou ontem “profunda preocupação” com a situação na Venezuela, na sequência da execução da operação militar norte-americana “Absolute Resolve”. Em Nova Deli, num comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que não faz qualquer menção explícita ao Presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, o Governo não se pronunciou sobre a legitimidade da acção e optou por centrar-se num apelo à paz e a que se evite uma escalada da violência.

“A Índia reafirma o seu apoio ao bem-estar e à segurança dos venezuelanos, instando todos os actores envolvidos a resolver as diferenças através de um diálogo pacífico”, refere o texto diplomático, omitindo referências directas ao presidente detido ou ao seu estatuto político.

Em Tóquio, também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão afirmou ontem estar a acompanhar “de perto” a situação na Venezuela, acrescentando que irá trabalhar para “restaurar a democracia” naquele país.

“O Governo do Japão está a acompanhar de perto a situação e a dar prioridade absoluta à segurança dos cidadãos japoneses” residentes na Venezuela, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A diplomacia japonesa sublinhou a importância de respeitar o direito internacional e, ao mesmo tempo, reiterou que o Governo do arquipélago tem defendido “a importância de restabelecer a democracia na Venezuela o mais rapidamente possível”.

Haja respeito

Também a União Africana (UA) pediu respeito pelo direito internacional e, embora não tenha condenado directamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, afirmou que os problemas internos do país sul-americano devem ser resolvidos internamente.

Num comunicado divulgado na noite de sábado, a organização pan-africana defendeu um “diálogo político inclusivo” entre a população venezuelana, com vários países africanos a manifestaram a rejeição às acções de Washington e alguns a mostrarem solidariedade a Caracas, como Angola. “A União Africana reafirma o firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, em particular o respeito pela soberania dos Estados, a sua integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas”, indicou a UA no comunicado.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”. O tribunal não especificou quando Rodríguez deverá tomar posse.

5 Jan 2026

BD | Três jovens sagram-se vencedores em competição da Somos!

A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa acaba de anunciar os três jovens vencedores da competição de arte visual, com carácter bi-anual, “BD-Macau”. O primeiro prémio, de sete mil patacas, foi entregue a Tse Wai Sam, que apresentou o projecto de banda desenhada “O Último Passo de Dança”

Já são conhecidos os vencedores da primeira Competição de Arte Visual “BD-Macau”, um concurso com carácter bi-anual realizado pela Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, que visa premiar trabalhos na área da banda desenhada e também dar maior atenção a este tipo de expressão artística.

O primeiro prémio foi arrecadado por um jovem de 25 anos, Tse Wai Sam, que recebeu sete mil patacas pelo trabalho “O Último Passo de Dança”. A banda desenhada evoca, segundo um comunicado da Somos!, o “icónico conjunto da Vila da Taipa, retratando, através da dança solitária de um idoso português, a fusão cultural e a memória afectiva na transformação urbana”.

Segundo o autor, citado na mesma nota, esta dança “simboliza a tradição e a lembrança”, enquanto as luzes da cidade “representam a modernidade, criando em conjunto o ritmo único de Macau, entre a nostalgia e o renascimento”. 

O segundo prémio, por sua vez, coube a Ng Ka Iam, que apresentou a prancha de banda desenhada “Um Dia do Gato do Barra”, e que com isso arrecadou quatro mil patacas. Trata-se de um conjunto de desenhos que se desenrola “no ambiente em Macau e regista as histórias dos visitantes através da perspectiva de um gato que vive no Templo A-Má”.

Segundo a Somos!, a “habilidade ‘única do gato’ permite-lhe ver o passado de cada visitante, apresentando as ‘experiências e emoções entrelaçadas de diferentes personagens em Macau'”. Este concorrente, com apenas 15 anos, retratou neste trabalho “momentos desde os primeiros emigrantes até à transformação moderna, mostrando o encanto ‘único de Macau como um local de fusão cultural, ao mesmo tempo que explora o sentimento de pertença e as memórias dos indivíduos face às mudanças da cidade'”, descreve-se na nota.

Finalmente, o terceiro prémio, de duas mil patacas, foi atribuído a Tam Hio Tong, que concorreu com o trabalho “A-Muk e o Sapo – Capítulo de Macau”. Aqui existe uma protagonista, “A-Muk”, que faz uma “jornada calorosa de meio-dia” pelo território, tal como um “pequeno sapo”.

“O autor, de 17 anos, tece habilmente na narrativa a carne de Vaca Seca da Ruínas de São Paulo, o gelado de coco da Rua dos Ervanários, e até a cultura única das motocicletas de Macau. Esta criação, a partir da perspectiva de um adolescente, ‘prova que as características culturais de Macau já estão profundamente enraizadas, também, no quotidiano da nova geração'”, refere a Somos!.

Poucos, mas bons!

Para a associação, as obras de banda desenhada vencedoras “celebram a identidade cultural da cidade, destacando a fusão sino-lusófona”, tendo este concurso tido por objectivo “apoiar o desenvolvimento criativo na área do desenho e ilustração e impulsionar o surgimento de mais obras locais nesta expressão artística”.

A Somos! diz ter recebido “cerca de uma dezena de candidaturas”, sendo que apenas quatro cumpriram os critérios. O júri foi composto pelo presidente da Hyper Comic Society, Wesley Chan e pelo reconhecido cartoonista residente em Macau, Rodrigo de Matos, e pela representante da Somos – ACLP, Natacha Fidalgo.

Paralelamente ao concurso, foi organizado um workshop de banda desenhada, ministrado pelos jurados Wesley Chan e Rodrigo de Matos, que permitiu aos participantes aprender ou consolidar técnicas de desenho, criação de personagens e desenvolvimento narrativa.

A Somos! diz ter celebrado, com este concurso e workshop, “Macau e a sua riqueza arquitectónica e histórica, enquanto local de confluência cultural e base sino-lusófona”.

“Apesar de o número de participantes ter sido inferior ao expectável”, descreve a associação, “a adesão foi positiva, considerando ser a edição inaugural”. “Conseguimos chegar ao público chinês, o que tem sido uma das nossas grandes batalhas nas iniciativas que temos levado a cabo”, afirmou a organização. Marta Pereira, radialista e presidente da direcção da Somos!, diz que existe em Macau “um mercado em expansão [na área da banda desenhada], mas provavelmente ainda com poucas oportunidades”.

“A ideia é apostar num melhor marketing e promoção na próxima edição. Julgo que a tendência é de crescimento. Desenhem e apresentem-nos as vossas pranchas sempre que puderem”, acrescentou.

Marta Pereira disse ainda, citada no mesmo comunicado, que a segunda edição deste concurso irá servir para “repensar o conceito, talvez envolvendo outras associações locais dedicadas à arte, e/ou convidar artistas asiáticos e de outros países”.

5 Jan 2026

Um morto e oito feridos em novo fogo em habitação social

Pelo menos uma pessoa morreu e oito ficaram feridas num incêndio que atingiu ontem um complexo de habitação pública em Hong Kong, um mês após um outro incêndio num bairro social ter causado 161 mortos. De acordo com a imprensa local, os bombeiros acreditam que um curto-circuito eléctrico poderá ter causado as chamas, que obrigaram à retirada de mais de 270 moradores do complexo, em Kowloon, no centro da região.

O alerta foi dado por volta das 08:00 e os bombeiros conseguiram extinguir o incêndio, que atingiu uma área de pequena dimensão, em cerca de 50 minutos. Um homem foi encontrado morto no local enquanto um outro homem e sete mulheres foram resgatados. Os oito feridos mostravam sintomas de inalação de fumo, sendo que dois estavam em situação considerada grave.

Os bombeiros disseram que o apartamento do 21.º andar onde surgiram as chamas estava cheio de objectos, que originaram um denso fumo que se espalhou pelos corredores e dificultou o combate ao incêndio. “O apartamento foi severamente danificado pelo fogo. Os bombeiros encontraram uma grande quantidade de objectos espalhados pelo apartamento”, disse o subchefe interino do departamento de Serviços de Incêndios.

“Ainda estamos a investigar a causa do incêndio. Analisaremos as causas de forma abrangente, incluindo a possibilidade de uma falha de energia”, acrescentou Yip Kam-kong. O dirigente afirmou que o equipamento de combate às chamas estava a funcionar correctamente no edifício, negando relatos de uma mangueira de incêndio com defeito no 21.º andar.

Yip acrescentou que os bombeiros não encontraram qualquer irregularidade nos equipamentos de segurança contra incêndio do edifício Mei Yue, no bairro Shek Kip Mei. Alguns moradores disseram à imprensa que as portas corta-fogo eram frequentemente deixadas abertas no edifício, mas Yip disse que não era o caso no 21.º andar quando os bombeiros chegaram ao local.

Tragédia em Tai Po

Em 26 de Novembro, um incêndio no bairro social Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte de Hong Kong, causou a morte de 161 pessoas e deixou milhares de pessoas desalojadas. O incêndio em Wang Fuk Court começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu num dos prédios, no âmbito de obras de renovação, se incendiou. O fogo propagou-se com rapidez ao resto do complexo, atingindo seis outras torres.

Tendo em conta a magnitude da tragédia, o Governo local criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, com o objectivo de esclarecer as causas do início e da rápida propagação do incêndio. Paralelamente, a Comissão Independente contra a Corrupção de Hong Kong deteve o actual presidente da associação de moradores do Wang Fuk Court, bem como o antecessor, no âmbito da investigação sobre a catástrofe.

O Ministério Público está a investigar mais de uma dezena de pessoas ligadas ao incêndio, sob a presunção de terem cometido homicídio por negligência, incluindo os directores e um consultor de engenharia da empresa de construção responsável pelas obras.

5 Jan 2026

Coreia do Sul | Presidente em visita oficial à China

O Presidente da Coreia do Sul iniciou ontem uma visita oficial à China, numa altura em que Pequim procura reforçar os laços com Seul, após o aumento das tensões com o Japão devido a Taiwan. A deslocação de quatro dias é a primeira visita oficial de um chefe de Estado sul-coreano à China desde 2019, assim como a primeira visita de Lee Jae-myung à segunda maior economia do mundo desde que assumiu o cargo, em Junho.

A deslocação ocorre numa altura de tensão entre a China e o Japão, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter dito em Novembro que as forças armadas do país poderiam envolver-se se Pequim tomasse medidas contra Taiwan. No início de Dezembro, Lee afirmou que a Coreia do Sul não deveria tomar partido entre a China e o Japão.

Durante a visita, que acontece a convite de Xi Jinping, Lee irá reunir-se com o líder chinês, o segundo encontro entre os dois em apenas dois meses. Os líderes já se reuniram em novembro, à margem da cimeira de líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), organizada em Gyeongju, na Coreia do Sul.

Na ocasião, trocaram piadas e Lee descreveu Xi como “surpreendentemente bom a fazer piadas”, considerando os diálogos “interessantes”, e expressou o desejo de visitar a China. Antes da viagem, Lee concedeu à emissora estatal chinesa CCTV a primeira entrevista na residência oficial da presidência, que foi transmitida na sexta-feira.

O líder sul-coreano disse esperava que as pessoas compreendessem que o Governo se preocupa com as relações com Pequim e assegurou que a Coreia do Sul respeita consistentemente a política de ‘Uma Só China’ em relação a Taiwan.

Na entrevista, Lee elogiou ainda Xi como um “vizinho verdadeiramente confiável”. O Presidente da Coreia do Sul reconheceu que mal-entendidos passados prejudicaram as relações bilaterais com Pequim. “Esta visita à China visa minimizar ou eliminar estes mal-entendidos ou contradições do passado”, disse, citado pela CCTV.

5 Jan 2026

Espaço | Realizados 92 lançamentos espaciais em 2025

Os avanços científicos da China na exploração do espaço atingiram metas significativas em 2025. Além do lançamento de mais de 300 satélites, a missão Shenzhou-20 bateu recordes ao manter-se em órbita durante 204 dias

A China realizou, no total, 92 lançamentos espaciais ao longo de 2025, ano em que o programa aeroespacial chinês abrangeu missões tripuladas, a exploração do espaço profundo e o lançamento de satélites para fins comerciais.

De acordo com dados da Administração Espacial Nacional da China, citados sábado pela emissora estatal chinesa CCTV, mais de 300 satélites foram colocados nas órbitas planeadas durante o ano. Entre as conquistas técnicas de 2025, a missão Shenzhou-20 esteve em órbita durante 204 dias, o período mais longo até à data na histórica do programa espacial tripulado chinês.

A China realizou também o primeiro lançamento de emergência de sempre, em apenas 16 dias, com a missão não tripulada Shenzhou-22, após a detecção de fissuras na nave inicialmente prevista para o regresso, algo que colocou à prova a resposta rápida do sistema de voo tripulado.

A Shenzhou-21 estabeleceu um novo marco operacional ao completar uma acoplagem rápida em aproximadamente três horas e meia, reduzindo significativamente o tempo habitual para este tipo de missões. No campo da exploração científica, a sonda Tianwen-2 lançou a primeira missão da China para explorar um asteroide e trazer amostras de volta para a Terra, alargando o âmbito dos projectos espaciais do país.

O ano passado foi marcado também por avanços e testes em veículos de lançamento reutilizáveis, com voos de teste de novos foguetões, tanto do programa estatal como de empresas privadas, que colocaram com sucesso cargas úteis em órbita, embora não tenham ainda conseguido recuperar os propulsores. Testes que reflectem o ímpeto do sector espacial comercial chinês e os desafios técnicos que enfrenta no objectivo de reduzir custos e aumentar a frequência dos lançamentos, através da reutilização parcial de foguetões.

Salto em altura

Zhu Haiyang, executivo do grupo estatal Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, defendeu que o “aumento tanto no número de lançamentos como no de satélites implantados” reflecte um “salto qualitativo” nas capacidades operacionais do sector.

Olhando para o futuro, a China planeia continuar os testes relacionados com o programa de pouso lunar tripulado, inicialmente previsto para 2030, lançar novas sondas lunares e apresentar novos modelos de foguetões. A China tem reforçado o seu programa espacial com missões ambiciosas como colocar a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua e enviar a sonda Tianwen-1 a Marte, além de planos para construir, com outros países, uma base científica no polo sul lunar.

A chinesa Tiangong (Palácio Celestial, em chinês), projectada para operar durante pelo menos dez anos, poderá tornar-se a única estação espacial habitada no mundo quando a Estação Espacial Internacional for desactivada, previsto para o final da década.

5 Jan 2026

Landmark | As horas derradeiras do último casino-satélite

Centenas de pessoas despediram-se na noite de 30 de Dezembro do Landmark, o último ‘casino-satélite’ de Macau a encerrar portas e um capítulo da história do jogo no território. Clientes e funcionários realçam o simbolismo do encerramento do antigo Pharaoh’s Palace

Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa

Samuel Lei e o casino Landmark são retratos de uma era prestes a extinguir-se. Lei é imagem de uma geração que, no início do século, transitou do secundário para trabalhar como ‘croupier’ nos casinos de Macau que surgiram após a liberalização do jogo. Já o Landmark, então chamado de Pharaoh’s Palace, foi o primeiro ‘casino-satélite’ do território, um modelo de gestão adoptado por Stanley Ho Hung-sun (1921-2020) – que deteve até 2002 o monopólio do jogo -, para fazer frente à concorrência.

O Landmark, sob a tutela da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), foi também o último a fechar portas, depois de a nova lei que regula o jogo, aprovada em 2022, estabelecer o último dia de 2025 como data limite para terminar a actividade destes ‘satélite’.

O relógio marcava 22h na noite de 30 de Dezembro. Samuel, acompanhado de três antigos colegas, presta um último tributo ao lugar onde trabalhou entre 2003 e 2006, onde começou por ganhar 11 mil patacas. “Na altura, o salário médio em Macau eram cinco ou seis mil patacas e se te formasses na universidade ganhavas talvez oito mil. Era um atractivo para adolescentes”, conta à Lusa.

Duas décadas depois, nota Samuel, a opção da mesa de jogo em detrimento do ingresso no ensino superior é menos saliente, com uma subida magra dos salários dos ‘croupiers’, que “rondam 18 mil patacas”.

Samuel e os amigos encontram-se no terceiro andar do casino, onde em tempos funcionou a única sala do Pharaoh’s Palace. A encarar os quatro vultos, uma esfinge gigante, representação da pegada egípcia pensada pelo empresário local David Chow Kam Fai – “o primeiro casino temático de Macau”, lê-se na página do projecto.

No bengaleiro, já nada resta. Sem mais malas ou casacos por velar, Yu, uma das mais de mil funcionárias do espaço, conta os minutos para “este momento importante”. “Quero ir lá para baixo, gostava de filmar”, nota a funcionária, que vai ser transferida para o casino Lisboa, propriedade da SJM. A empresa, que só em 2025 encerrou oito ‘casinos-satélite’, comprometeu-se a assegurar os empregos dos trabalhadores.

Pelas 22h30, já só há actividade no rés-do-chão. Numa das alas, funcionários, de colete vermelho, contam fichas de uma mesa do jogo de dados ‘big and small’, que acabou de vagar.

Mais de uma centena de pessoas inclinam-se sobre seis mesas de bacará, o jogo que mais dinheiro faz circular nos casinos locais. Aposta-se até ao último minuto. A civilização egípcia, estampada nas paredes deste salão, e funcionários da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos testemunham o momento.

“Vim de propósito assistir ao encerramento”, diz Xiao Xiao, da província de Hubei, centro da China. “Tantas pessoas de Hubei que aqui estão”, complementa.

Numa mesa oposta, Gaia, de Macau, joga pelo simbolismo. Tem na mão uma ficha no valor de 500 dólares de Hong Kong. “A minha mãe trabalha aqui há mais de 20 anos, é um momento muito especial”, diz.

Até ao último suspiro

Os ‘casinos-satélite’ apareceram em Macau no despontar do século como consequência da liberalização do jogo, embora fundados sobre um modelo existente durante a administração portuguesa: casinos de privados, mas geridos pela empresa de Stanley Ho.

Segundo este modelo, conhecido como “4+4+2”, 40 por cento das receitas revertiam a favor do Governo, 40 por cento de Ho e 20 por cento dos proprietários, explica à Lusa o especialista de jogo Ben Lee.

Com a liberalização do sector, nota Lee, evoluiu-se para um novo arranjo, mantendo-se os 40 por cento do Governo, “cerca de 4 a 5 por cento – pura taxa de franquia – para a SJM” e o restante para os proprietários, sendo-lhes conferida a totalidade da gestão. “A expansão dos ‘casinos-satélite’ foi também uma das estratégias de Stanley Ho para contrariar a entrada dos novos grandes casinos-resorts. O velho ditado: a quantidade tem a sua própria qualidade, e durante algum tempo foram muito eficazes”, analisa ainda o fundador da consultora de jogo IGamix.

Após a transferência de Macau, nota o especialista, Ho “encontrou uma lacuna que permitiu a proliferação” destes casinos. “E o Governo, de alguma forma, aceitou isso como um ‘fait accompli’, sem realmente investigar a legalidade”, acrescentou.

Lee, que chegou a administrar o ‘casino-satélite’ Diamond, no hotel Holiday Inn, recorda como Pequim foi apanhado “de surpresa” com a distribuição das licenças de jogo. Em 2002 foram celebrados contratos entre o Governo de Macau, a SJM, a Galaxy Casino e a Wynn Resorts Macau para a atribuição de três concessões. No fim desse ano, foi feita uma alteração ao contrato de concessão do Galaxy Casino, que permitia à Las Vegas Sands entrar no jogo, mediante subconcessão. A SJM e a Wynn vieram também a assinar contratos de subconcessão, com a MGM e a Melco Resorts, respectivamente.

Há cerca de uma década, acrescenta Lee, “começou a dizer-se” que representantes de Pequim estavam em contacto com pessoas ligadas ao sector. “E as perguntas que faziam: Como é que três concessões se tornaram seis? E como acabaram três operadores norte-americanos a controlar 50 por cento das concessões e subconcessões, quando inicialmente só se falava num? E os casinos satélite surgiram sem aviso prévio. (…) E então, penso que a mensagem ficou muito clara: ‘limpar tudo’”, explica.

Pelas 23h35 de 30 de Dezembro, é dada ordem para sair. Lá fora, mais de duas centenas de pessoas esperam pela contagem decrescente, até que, chegadas as 23h59, a cortina, ali colocada para cobrir o nome do casino, bloqueia e ameaça cair. Só dois homens empoleirados numa plataforma elevatória conseguem completar a derradeira tarefa. E o Egipto dá por fim o último suspiro em Macau.

5 Jan 2026

Domésticas | Atingido número mais elevado desde 2021

O número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021. Segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o território tinha 28.563 famílias com empregados domésticos, mais 161 do que no final de Outubro.

Desde o pico máximo de 31.044, atingido em Abril de 2020, no início da pandemia de covid-19, e até Fevereiro de 2023, Macau perdeu mais de oito mil empregados domésticos.

Desde então, em menos de três anos, o número de empregados domésticos subiu mais de 5.500, o correspondente a um aumento de 24 por cento. Recorde-se que os empregados domésticos voltaram a ser excluídos do salário mínimo, cujo valor aumentou em 2,9 por cento – 211,4 patacas, para 7.280 patacas desde o início do ano.

5 Jan 2026

STDM | Grupo Estoril-Sol desiste da Póvoa do Varzim

O Grupo Estoril-Sol, controlado pela STDM, desistiu do concurso público de atribuição da concessão para explorar o casino da Póvoa do Varzim, ao não participar no procedimento. A informação foi adiantada pelo jornal Expresso e significa que o grupo ligado aos descendentes de Stanley Ho abdica da concessão que actualmente controla.

Face a esta situação, a empresa ligada a Macau apenas vai tentar manter o controlo do histórico Casino Estoril e do Casino de Lisboa. O casino da Póvoa do Varzim teve como único candidato o grupo francês Lucien Barrière.

No final de 2024, o Grupo Estoril-Sol controlava 63 por cento do mercado do jogo em Portugal. Além disso, devido a atrasos do Governo português nos novos concursos público, os contratos de jogo do Grupo Estoril-Sol para os três casinos foram prolongados por um prazo de 120 dais, contado a partir de 1 de Janeiro. Inicialmente, o prazo dos contratos de concessão expirava a 31 de Dezembro.

5 Jan 2026

Aeroporto | Número de passageiros caiu 1,6 por cento em 2025

O número de passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau caiu 1,6 por cento em 2025 “devido ao contexto económico e alguns factores de incerteza”, disse a companhia gestora. Num comunicado divulgado na sexta-feira, a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau revelou ter registado cerca de 7,52 milhões de passageiros no ano passado. “Devido ao contexto económico e a alguns factores de incerteza, o tráfego de passageiros ficou aquém das expectativas durante o primeiro semestre e o período de férias de Verão”, lamentou a empresa.

Em Abril, a CAM já tinha admitido que poderia falhar as metas de passageiros e carga fixadas para 2025, devido à “situação geopolítica e à instabilidade económica mundial”.

Em Fevereiro de 2025, o presidente da operadora, Simon Chan Weng Hong, tinha previsto para o ano mais de oito milhões de passageiros, 65 mil movimentos de voo e um volume de carga de 113 mil toneladas. Ainda assim, o número de passageiros vindos do estrangeiro subiu 7 por cento, o total de rotas internacionais aumentou 26 por cento e o volume de carga registou um crescimento anual de 1,08 por cento, sublinhou a CAM no comunicado de sexta-feira.

O aeroporto de Macau tem actualmente voos regulares de passageiros operados por 29 companhias aéreas para 47 destinos na China continental, Taiwan, Sudeste Asiático, Japão e Coreia do Sul, de acordo com o portal da CAM.

Face à queda do número total de passageiros, a empresa afirmou ter agido “de forma proactiva, colaborando com diversas partes interessadas para atrair novas companhias aéreas”, o que levou a uma recuperação no quarto trimestre. A CAM sublinhou ainda que “está em contacto activo com várias companhias aéreas nacionais e internacionais para discutir o lançamento de novas rotas, incluindo uma possível cooperação com companhias aéreas do Médio Oriente”.

5 Jan 2026

Jogo | Receitas dos casinos fecharam 2025 com subida de 9,1 por cento

As receitas dos casinos de Macau ultrapassaram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior. Apesar do aumento anual de 14,8 por cento das receitas em Dezembro, a performance ficou aquém dos resultados de Novembro

Os casinos de Macau amealharam mais de 247,4 mil milhões de patacas ao longo de 2025, um resultado que representa um aumento de 9,1 por cento face ao registo de 2024, segundo os dados oficiais divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Apenas em Dezembro, o sector arrecadou 20,9 mil milhões de patacas, mais 14,8 por cento do que no mesmo mês de 2024. Ainda assim, o valor do mês passado representa um recuo de 0,95 por cento em comparação com Novembro.

Recorde-se que as receitas dos casinos de Macau fecharam o ano passado com o valor mais elevado desde 2019 (292,5 mil milhões de patacas), antes do início da pandemia de covid-19.

O valor ultrapassa o previsto tanto no orçamento inicial para 2025, ou seja, os 240 mil milhões de patacas, assim como no orçamento revisto para 2025, aprovado pela Assembleia Legislativa (AL) em Julho, que era de 228 mil milhões de patacas. O orçamento para 2026, aprovado na AL em 18 de Dezembro, prevê que as receitas atinjam 236 mil milhões de patacas, o que representaria uma queda de 4,61 por cento em comparação com o ano passado.

Espinha dorsal

O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, defendeu a previsão como “bastante prudente” e recusou apontar uma meta para o crescimento da economia da região, que descreveu como altamente “vulnerável a flutuações”. O recorde de receitas dos casinos foi atingido em 2013 – 360,7 mil milhões de patacas – antes de as autoridades da China continental terem lançado uma campanha para limitar os fluxos ilegais de capitais.

Ainda assim, a indústria dos casinos tem beneficiado de sucessivos recordes ao nível da entrada de turistas chineses no território. De acordo com dados oficiais, Macau recebeu quase 36,5 milhões de visitantes nos primeiros 11 meses de 2025, mais 14,4 por cento do que no mesmo período de 2024 e mais do que em todo o ano anterior.

A indústria do jogo, o motor da economia da cidade, representava em 2019 51 por cento do Produto Interno Bruto de Macau e, apesar da crise durante a pandemia, dava no final Novembro trabalho a cerca de 69.100 pessoas, ou seja, 18,2 por cento da população empregada.

5 Jan 2026

Reserva financeira | Atingido segundo valor mais alto de sempre

Os activos da reserva financeira de Macau valiam no final de Outubro 661,1 mil milhões de patacas, o segundo valor mais elevado de sempre. Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a reserva só ficou aquém do recorde histórico de 663,6 mil milhões de patacas, atingido em Fevereiro de 2021, apesar de o território estar então em plena pandemia.

Um balanço publicado no Boletim Oficial da região semiautónoma chinesa mostra que o valor da reserva subiu 44,9 mil milhões de patacas nos primeiros dez meses de 2025.

De acordo com a AMCM, a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas, o valor anual mais elevado desde a pandemia de covid-19. No ano passado, registou-se o aumento mais elevado desde 2019, quando o valor da reserva financeira de Macau subiu 70,6 mil milhões de patacas.

Só em Outubro, a reserva ganhou 2,34 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Outubro era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público, era de 167,3 mil milhões de patacas.

5 Jan 2026

Nascimentos | 2025 com registo mais fraco em quase meio século

O director do Hospital Conde de São Januário revelou que Macau, que em 2024 já teve a mais baixa natalidade do mundo, registou em 2025 o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No ano passado, nasceram no território menos 20,4 por cento dos bebés nascidos em 2024

De acordo com dados preliminares, Macau registou 2.871 recém-nascidos no ano passado, disse o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM. Este número representa uma queda de 20,4 por cento em comparação com 2024, ano em que nasceram em Macau 3.607 bebés, e fica muito aquém das expectativas das autoridades locais.

No final de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde, Kuok Cheong U, tinha previsto menos de 3.500 nascimentos durante esse ano, número que já seria o mais baixo desde 2004. Mas o número revelado por Tai Wa Hou faz com que 2025 tenha sido o ano menos fértil desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos.

No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já registava uma população de quase 687 mil.

O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913 fixado em 1988, que foi um Ano Lunar do Dragão. Considerado um símbolo da realeza, fortuna e poder e única figura mítica entre os 12 signos do milenar zodíaco chinês, o Dragão tem um conjunto de características que tradicionalmente leva os casais a planear ter filhos durante esse período.

Ainda pior

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais. Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.

Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, admitiu ser necessário “criar condições em termos de educação e emprego” para subir a baixa natalidade, que apontou como um dos maiores desafios da cidade a longo prazo. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos.

Durante a campanha eleitoral, Sam Hou Fai prometeu ainda estudar a extensão da licença de maternidade, actualmente fixada em 70 dias, e a criação de um fundo de providência central obrigatório.

Na quarta-feira passada, o Fundo de Segurança Social (FSS) defendeu que “sejam estabelecidas condições para iniciar a implementação, de forma gradual e ordenada” de um regime obrigatório. Um relatório, encomendado a uma instituição académica, concluiu que “as contribuições para o regime (…) não deverão causar demasiada pressão aos empregadores, e os trabalhadores podem obter uma melhor protecção na aposentação”.

5 Jan 2026

CCAC | Revisão da lei anticorrupção é prioridade

A revisão da lei anticorrupção no sector privado, que deverá garantir o acesso justo ao mercado laboral, e a promoção de uma “cultura empresarial honesta” são as prioridades traçadas pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC).

O CCAC vai dar início, este ano, “à promoção de estudos em torno da lei de prevenção e repressão da corrupção no sector privado”, de 2009, para responder, “de forma pragmática, às solicitações da sociedade sobre o emprego justo”, lê-se numa nota do gabinete da comissária Ao Ieong Seong.

É objectivo, prossegue a nota do CCAC, assegurar que “os direitos e interesses dos residentes no acesso ao emprego não sejam prejudicados por actos de corrupção”.

Numa reacção à mensagem de Ano Novo do Presidente chinês, Xi Jinping, a comissária notou ainda a importância de “proceder, atempadamente, à investigação e tratamento dos diversos tipos de infracções comerciais”, além de promover a “consolidação de uma cultura empresarial honesta e de concorrência leal”.

Ao Ieong Seong já tinha indicado, em Dezembro, à margem das comemorações dos 26 anos do estabelecimento da região administrativa especial de Macau (RAEM), que a lei em causa, em vigor há mais de 15 anos, se encontrava desfasada face a convenções internacionais.

“Recentemente, o CCAC conseguiu descobrir vários casos de corrupção no sector privado, a sociedade tem estado atenta”, disse a comissária em 20 de Dezembro, citada pelo canal em língua portuguesa da emissora pública Teledifusão de Macau.

Na mensagem de Ano Novo, Xi Jinping destacou a importância de “implementar de forma inabalável a política ‘um país, dois sistemas’ e apoiar Hong Kong e Macau para que se integrem melhor no desenvolvimento geral” da China, mantendo “a prosperidade e a estabilidade a longo prazo”.

5 Jan 2026

Gestão de doenças crónicas em Macau vai centrar-se na prevenção

O Executivo vai mudar de paradigma da gestão de doenças crónicas em 2026, “transitando do modelo centrado na terapia pós-doença para uma abordagem focada na prevenção e gestão precoce”, indicaram ontem os Serviços de Saúde (SS). A alteração da filosofia na abordagem às doenças crónicas foi apresentada pelo director dos SS, Alvis Lo, durante a reunião plenária do Conselho para os Assuntos Médicos, a que preside.

Alvis Lo acrescentou que a mudança de foco é “imprescindível” para “alcançar o objectivo de Cidade Saudável Macau”, assim como a descentralização dos recursos médicos, o aprofundamento do Programa de Comunidade Saudável e o reforço da gestão dinâmica de saúde.

Alvis Lo afirmou ter expectativas que, até 2030, as taxas de conhecimento, terapia e controlo das doenças crónicas dos residentes “possam ser totalmente elevadas, de modo a reduzir eficazmente o risco de morte por doenças crónicas”. O responsável máximo do Executivo da área da Saúde realçou também a importância elevar os níveis de rastreios e tratamentos precoces.
Quanto à utilização de vales de saúde por residentes, foram atendidas cerca de 34 mil pessoas para medição da pressão arterial ou do peso, “o que contribuiu para elevar a consciencialização do público sobre a prevenção de doenças”, foi indicado.

Jogar na defensiva

As doenças crónicas são a principal causa de morte e o maior encargo para o sistema de saúde de Macau. A alteração de paradigma anunciada por Alvis Lo conta com alguns programas já existentes. Um deles é o Programa de Rastreio das Doenças Crónicas, que arrancou em meados de Agosto deste ano, abrangendo patologias como hipertensão, diabetes, doenças oncológicas, dislipidemia e obesidade.

O programa de rastreio, aberto residentes com mais de 18 anos de idade, abrange também o sector privado através das clínicas aderentes ao programa. Os utentes têm apenas de marcar uma consulta e, de acordo com a recomendação dos médicos, fazer testes ou análises clínicas.

Antes do programa ter sido anunciado, o Governo realizou acções de formação para acreditação a 90 médicos de Macau. Destes, cerca de 80 por cento tinham menos de 45 anos e aproximadamente 50 por cento menos de 35 anos.
Porém, ontem os representantes dos Serviços de Saúde revelaram que, até ao momento, estão registados no Programa de Rastreio de Doenças Crónicas 70 médicos participantes.

2 Jan 2026

Imobiliário | Crise deixa consumidores pessimistas apesar de crescimento

A economia chinesa deve alcançar este ano a meta oficial de crescimento de cerca de 5 por cento, impulsionada pelas exportações e avanços em inteligência artificial e veículos eléctricos, enquanto muitos chineses vivem na incerteza quanto ao emprego e vencimentos

A divergência entre os indicadores macroeconómicos e o quotidiano da população alimenta dúvidas sobre a robustez da recuperação económica, apesar da trégua comercial entre Pequim e Washington, selada após um encontro entre os líderes da China e Estados Unidos, Xi Jinping e Donald Trump.

“Os negócios estão muito difíceis”, afirmou Xiao Feng, proprietário de uma sala de bilhar em Pequim. “Os ricos não têm tempo e o povo não tem dinheiro. No fim do mês, fico a zeros”, observou. A esposa de Xiao, enfermeira, é actualmente a principal fonte de rendimento da família. O empresário cortou no número de funcionários e diz que não teve qualquer lucro nos últimos seis meses.

O sentimento é partilhado por Zhang Xiaoze, agente imobiliário especializado em propriedades comerciais, que viu o seu rendimento anual cair de três milhões de yuan (cerca de 364 mil euros) para apenas 100 mil yuan (12 mil euros). “Muitas empresas estão a sair de Pequim. O problema é que as pessoas não têm dinheiro”, explicou.

Entre Janeiro e Novembro, as exportações chinesas atingiram um novo recorde de 3,4 biliões de dólares, mas o consumo interno mostra sinais de fraqueza. As vendas a retalho subiram apenas 1,3 por cento em Novembro, uma desaceleração face ao mês anterior, enquanto o investimento em activos fixos caiu 2,6 por cento.

O sector imobiliário continua a ser um ponto crítico: os preços da habitação caíram mais de 20 por cento desde o pico em 2021. As vendas de casas novas recuaram 11,2 por cento e o investimento no sector caiu quase 16 por cento nos primeiros 11 meses do ano.
Xiao comprou o apartamento em que vive por mais de três milhões de yuan em 2019. “Agora vale uns 2,4 milhões. Se não tivesse desvalorizado tanto, talvez já tivesse trocado de carro. Mas continuo com o mesmo de há dez anos”, disse. Para reduzir despesas, Xiao deixou de pagar explicações ao filho de 10 anos. “Agora ensinamos nós em casa. O futuro é incerto”.

Zhou, um explicador em Tianjin, viu o número de alunos cair à medida que os pais deixam de investir em educação suplementar. “Muitos preferem turmas grandes em vez de aulas individuais. O negócio está 50 por cento pior do que durante a pandemia”, afirmou.

Sonho e realidade

Analistas como Zichun Huang, da Capital Economics, consideram que o crescimento real da China pode estar abaixo dos 5 por cento oficialmente estimados. O grupo de reflexão (‘think tank’) Rhodium Group aponta para uma taxa entre 2,5 e 3 por cento.
A estagnação no sector imobiliário afecta directamente a confiança dos consumidores, num país onde a habitação representa o principal veículo de investimento das famílias. O crescimento do rendimento disponível também tem sido inferior ao ritmo pré-pandemia.

“É uma transição difícil”, afirmou o economista-chefe da ING para a China, Lynn Song, referindo-se à tentativa de Pequim de reorientar a economia para o consumo interno e para sectores de alta tecnologia. “A retórica oficial não corresponde à realidade vivida por muitos chineses”, explicou.

O excesso de capacidade em sectores como o automóvel, aço e bens de consumo mantém os preços e lucros sob pressão. Segundo o banco HSBC, os preços das exportações chinesas caíram mais de 20 por cento desde 2022.
O proprietário de um hotel económico em Shijiazhuang, norte da China, que se identificou apenas como Zhai, diz que não vê sinais de recuperação. “Se as coisas não melhorarem até Maio ou Junho, quando termina o contrato de arrendamento, fecho as portas”, assegurou.

2 Jan 2026