Andreia Sofia Silva EventosFIMM | Cartaz traz pianista Lang Lang e Lisboa String Trio A edição XXXVIII do Festival Internacional de Música de Macau acontece entre 2 de Outubro e 29 de Novembro e traz, de Portugal, o grupo Lisboa String Trio e Sofia Vitória. Celebra-se também o “Ano Cultural China-Brasil” com o grupo Barbatuques do Brasil. Não faltam ondas mais clássicas, como a ópera de Giacomo Puccini, Turandot”, ou as sonoridades do pianista chinês Lang Lang Foi apresentando, na sexta-feira, mais um cartaz do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), um dos eventos culturais mais aguardados do território pela mescla de sonoridades que habitualmente apresenta. E a 38.ª edição não falha nesse campo, trazendo grandes nomes ligados à música clássica e ópera, mas também espectáculos com relação à cultura lusófona. O FIMM acontece entre os dias 2 de Outubro e 29 de Novembro e os bilhetes já se encontram à venda. De Portugal, chega o Lisboa String Trio e Sofia Vitória de Portugal, que trazem o concerto “Canções Concretas e Outras Histórias”. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o público pode ouvir um concerto que combina “sofisticação clássica, improvisação de jazz e música do mundo”, verificando-se um “diálogo entre a guitarra e o contrabaixo, o sitar e uma cativante voz feminina”. Desta forma, o Lisboa String Trio, com a voz de Sofia Vitória, apresenta a Macau “o encanto da tradição musical portuguesa”. Dentro da onda lusófona, o FIMM também aproveita para celebrar o Ano Cultural China-Brasil, que se celebra este ano, apresentando o concerto “Ritmos do Corpo Brasileiro”, interpretado pelo grupo Barbatuques do Brasil. Tal irá transformar “batidas do coração, palmas, pés e vozes numa poderosa e criativa percussão corporal”, sendo uma iniciativa realizada com o apoio do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM e da Embaixada da China no Brasil. Sob o tema “Ressonâncias de Seda”, a 38.ª edição do FIMM inspira-se “nos encontros culturais ao longo da Rota Marítima da Seda”. A voz aos clássicos Um dos destaques no leque das sonoridades clássicas é a celebração do centenário da ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini, compositor italiano falecido em 1924. Apresenta-se “Turandot – Ópera em Três Actos de Giacomo Puccini”, dirigida pela “estrela internacional” Jackie Chan, que se estreia como encenador de ópera. Segundo a mesma nota, funde-se “a obra-prima de Puccini com a essência oriental através da força e beleza das artes marciais, revelando-se um brilho artístico que atravessa o tempo e o espaço”. O público pode ver também “O Meu Jardim da Bela Vista – Ópera Yue”, apresentada pela Companhia de Ópera Yue Xiaobaihua de Zhejiang. Protagonizada pela actriz Chen Lijun, “esta produção combina canto delicado e melodioso com uma estética de encenação moderna, permitindo mergulhar num universo onírico onde a ópera tradicional e a estética contemporânea se entrelaçam”. Do leque de nomes conhecidos trazidos a Macau pelo FIMM consta ainda o do pianista chinês Lang Lang, que protagoniza o concerto “Lang Lang em Recital: Rapsódia Ibérica”, com a promessa de uma “experiência musical magnífica”. Não faltará um “diálogo interdisciplinar” entre Lang Lang e o “mestre de efeitos visuais” Richard Taylor, vencedor de um Óscar, juntando-se, desta forma, “os universos da música e das artes visuais”. A magia local O FIMM traz também o aclamado compositor e maestro Tan Dun que, juntamente com o Coro e Orquestra Sinfónica Nacional da China, apresenta “Tan Dun Rege Nona Sinfonia de Beethoven e Nove”. Desta forma, irá criar-se um “diálogo intemporal entre a clássica Sinfonia nº 9 de Beethoven com a obra inspirada na antiga mitologia oriental Nove. Haverá ainda um segundo concerto com Tan Dun, nomeadamente “Tan Dun Rege Mozart e Beethoven”, que abre o palco com a composição “As Criaturas de Prometeu de Beethoven”. O FIMM proporciona também a possibilidade de jovens de Macau tocarem com músicos mais experientes. Haverá “dois talentos emergentes das cordas locais”, nomeadamente a violinista Nina Wong e o violista Hoi Yan Lok, que com o maestro Tan Dun vão interpretar “Concerto para Violino e Viola de Mozart”. Já o jovem pianista de Macau Chan Chon Teng actuará ao lado dos músicos da Orquestra de Macau no concerto “Bravo Macau!”, que não só é dedicado ao território como também “evidencia a vitalidade das novas gerações”. A 38.ª edição do FIMM apresenta ainda em Macau o maestro Laurence Cummings, muito conhecido no panorama da música antiga britânica, que colabora com a Orquestra de Macau num concerto de música barroca a ter lugar na Igreja da Sé. Ao lado, surge o contratenor Cameron Shahbazi para “oferecer a sonoridade rigorosa, meticulosa e etérea da era barroca”. Festival traz “Notas Flutuantes pela Cidade” A 38.ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) não acontece apenas dentro de portas, nomeadamente no Centro Cultural de Macau (CCM), mas também nos vários bairros de Macau. A ideia, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), é “ampliar mais o alcance por parte da comunidade e os benefícios dos eventos artísticos e culturais”. Desta forma, apresentam-se 12 iniciativas de “Notas Flutuantes pela Cidade”, com 44 sessões que estão sujeitas a marcações através da Conta Única de Macau. O cartaz inclui o concerto “Orquestra Reinventada: wHiRlwiND”, apresentado pela banda local thetiredeyes, e que se destaca “na fusão de jazz, R&B, neo-soul, hip-hop e pop, tendo arranjos provenientes da música clássica”. Desta forma, criam-se “texturas sonoras ricas e diversificadas”. Já o concerto “Melodias Velejantes Encantam Macau: Concerto do Coro Infantil Yip” é protagonizado pelo Coro Infantil Yip de Hong Kong e Coro Juvenil de Macau. O maestro Laurence Cummings sai dos bastidores e dos palcos para participar na “Conversa Pré-espectáculo: Laurence Cummings e a Orquestra de Macau”, onde se explora “a essência do repertório do concerto, mergulhando-se nos universos musicais de Vivaldi, Bach e Haendel”. Teatro na rua “Notas Flutuantes pela Cidade” fará com que outro grande espectáculo esteja mais próximo da comunidade, nomeadamente com a iniciativa “Visita aos Bastidores: Turandot”, onde o público pode conhecer os bastidores tendo um “olhar exclusivo do ambiente atrás do palco da ópera Turandot”. Há ainda “Conversa: Turandot”, onde se discute a produção do espectáculo “a partir de diferentes perspectivas profissionais”. Entre os dias 10 de Outubro e 22 de Novembro haverá ainda várias actividades promocionais em bairros de Macau, como “À Escuta de Xinghai: Uma Viagem Musical Fantástica com Xian Xinghai, Filho de Macau”, “Percussão Ecológica na Rua”, ou ainda “Piano pela Cidade”. entre outros. Além da música, haverá cinema, ou ambos: a Cinemateca Paixão apresenta “Música na Tela: Cinemateca Paixão”, com o público a poder ter “uma visão mais profunda e um encontro com as múltiplas dimensões da música, enriquecendo assim a sua apreciação artística”. Estas actividades podem receber inscrições a partir do dia 14 de Setembro.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCrime | Grupo cobrava taxa para proteger infractores em casino Foi decretada a prisão preventiva do cabecilha de um grupo criminoso composto por seguranças de um casino, alegadamente responsável pela cobrança de dinheiro a infractores de crimes ligados ao jogo, para sua protecção. Há mais de uma dezena de arguidos, sendo que cinco estão detidos preventivamente Foi em Julho deste ano que as autoridades policiais começaram a perceber que algo de errado se passava num dos casinos do território, fazendo detenções de membros de um grupo que, alegadamente, dava protecção a infractores de crimes ligados ao jogo, e que era composto por seguranças. Porém, só na última quinta-feira, 3 de Setembro, foi apanhado o cabecilha, que está agora em prisão preventiva. Segundo um comunicado do Ministério Público (MP) divulgado no sábado, este grupo não só dava protecção a infractores como cobraria uma taxa por esse serviço, com o envolvimento de nove funcionários do departamento de segurança e cinco mediadores. Estas cinco pessoas estão agora em prisão preventiva, medida de coacção aplicada enquanto aguardam julgamento. Aos restantes nove funcionários “foram aplicadas outras medidas de coacção”, refere o MP, sem especificar. Segundo a mesma nota, “suspeita-se que os membros deste grupo cobravam uma ‘taxa de protecção’ e ‘taxa de resolução de processos’, a fim de ocultar actos ilegais e proceder ao devido tratamento”. O homem agora detido “manteve-se escondido no Interior da China”, nomeadamente em Zhongshan, “tendo as autoridades policiais activado o ‘Mecanismo de ligação policial’ para solicitar a cooperação das congéneres do Interior da China”. O cabecilha é suspeito dos crimes de associação ou sociedade secreta, coacção, extorsão, favorecimento pessoal e ainda corrupção passiva no sector privado. A sua mulher também foi encaminhada para o MP pelo crime de receptação. As autoridades entenderam existir “um forte perigo de fuga de Macau em caso de libertação”, pelo que se optou pela prisão preventiva. Além disso, foi tido em conta, para a aplicação das medidas de coação, “a natureza, a gravidade dos crimes imputados ao arguido, o modus operandi, o motivo, a ilicitude dos factos e o grau de dolo, bem como a personalidade” do arguido. Dinheiro escondido Na mesma nota, o MP deixa um apelo para que as operadoras de jogo e os agentes de segurança cumpram “rigorosamente as funções de gestão, assegurando os trabalhos de manutenção da ordem e prevenção de riscos nos respectivos estabelecimentos” de turismo e lazer. Em conferência de imprensa sobre este caso, o suspeito de ser o cabecilha do grupo, de apelido Wong, tinha funções de gestor da equipa de seguranças, tendo saído de Macau e ficado escondido no interior da China antes das detecções realizadas em Julho. Na quinta-feira, o homem foi preso em Zhongshan, tendo sido entregue à PJ de Macau por volta das 16h na zona entre as fronteiras de Gongbei e Portas do Cerco. Enquanto estava na China, Wong terá instruído a mulher a dar apoio à actividade criminosa, tendo esta escondido os 201 mil dólares de Hong Kong obtidos através da actividade criminosa.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteCristina Branco, fadista: “Acho importante que as pessoas percebam aquilo que somos, como portugueses” Da sua voz as canções corajosas de Zeca Afonso ganharam nova roupagem, mas Cristina Branco também assume o Fado, canção tradicional portuguesa, como sendo sua. Vem à China pela primeira vez em trabalho na próxima semana, no âmbito do Festival Internacional do Fado, com concertos em Pequim, Xangai e Zhuhai Primeira vez com um concerto em Zhuhai. Quais as expectativas para esta edição do Festival Internacional do Fado? Não é a primeira vez que estou na China, mas é a primeira vez que vou em trabalho e que actuo neste território. Diria que as expectativas são bastante elevadas, e por várias razões: é um público muito diferente do público ocidental e estou muito curiosa em perceber como a nossa música é recebida neste ambiente. Há de facto uma diferença muito grande entre a forma como a minha música é representada e aquilo a que o público chinês poderá estar habituado. Óbvio que vai ser uma coisa extremamente exótica. Temos sempre aquela perspectiva do contrário, de que aquele território é que é exótico, mas, neste caso, seremos nós os exóticos. Tudo isso me desperta uma enorme curiosidade. Em relação ao festival, é sempre um feito quando um festival de Fado chega a territórios tão distantes, porque é uma forma de mostrarmos a nossa música e de darmos a conhecer a nossa língua, e também de nos aproximarmos de uma cultura tão diferente da nossa. No ano passado lançou “Mulheres de Abril”, álbum novamente focado no universo do Zeca Afonso, que já tinha explorado com “Abril”, em 2007. Porquê voltar? Faltava explorar o universo feminino de Zeca Afonso? Quero destacar que nos espectáculos na China não vamos levar o “Mulheres de Abril”, mas sim o disco “Mãe”, que é de fado tradicional com arranjos contemporâneos. É, portanto, uma formação musical diferente, com piano, contrabaixo e guitarra portuguesa. “Mulheres de Abril” é uma formação mais de jazz, numa linguagem completamente diferente. Mas o “Mulheres de Abril” é um disco que fala das mulheres que, de alguma forma, estão presentes no repertório do Zeca. Quando fiz “Abril” tinham ficado imensas canções de fora que não conseguimos gravar, e mesmo depois de gravar “Mulheres de Abril” fica imensa coisa por fazer. Achei este momento pertinente para gravar algumas das mulheres do repertório do Zeca, porque, de alguma forma, elas estão presentes, mas são invisíveis. Isso representa um pouco da forma como a mulher estava na sociedade portuguesa antes e mesmo após o 25 de Abril. O que o Zeca apresenta destas mulheres é a sua combatividade, mas também a forma matriarcal em relação à sociedade portuguesa de antes do 25 de Abril. Achei que fazia sentido voltar a pegar nas mulheres de Zeca porque é por demais evidente a importância do momento que vivemos no nosso país, em que temos de falar da mulher e perceber em que ponto estamos, e para onde queremos ir. É chocante como se consegue regredir ou, pelo menos, não evoluir. Como é que passam 50 anos e estamos exactamente no mesmo sítio, ou que temos para fazer para passarmos a ser iguais [aos homens]? A questão não é querer ser melhor ou mais, mas apenas sermos iguais. As mulheres do “Mulheres de Abril” combatem e precisam ser vistas, faladas, saírem da sombra e ganhar voz. Colocou também nesse disco o poema “Endechas a Bárbara Escrava”, de Camões. Representa, portanto, essa mulher submissa de outros tempos. Exactamente. É uma negra, e aqui temos o problema da xenofobia, do racismo, e de como há um homem que se apaixona por uma mulher negra que, ainda por cima, é escrava. Imagine-se a questão que isto coloca. Curioso como o Zeca pega numa coisa que não tem nada a ver, porque podemos imaginar que não é do mesmo tempo, mas, infelizmente, é a mesma realidade, pois passam muitos anos e parece que está tudo no mesmo sítio. Voltamos ao “Mãe”. É um disco de 2023, fale-me desse projecto e de como trabalhou estas canções para levar aos concertos na China. No concerto não está, claro, apenas o disco “Mãe”. Falar do “Mãe” é, para mim, algo muito grato por várias razões. A primeira é porque é um disco de fado tradicional, com arranjos contemporâneos feitos pelos músicos que vão estar comigo [nos concertos na China], e que estão comigo sempre: Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Bernardo Moreira no contrabaixo, e Luís Figueiredo no piano. Eles assumem os arranjos e produção desse disco. Então pensámos pegar em fados tradicionais, agarrar na linguagem que criamos nos 15 anos que temos de trabalho conjunto, e que é muito pessoal, muito Cristina Branco, e alinhar com o fado tradicional. Portanto, o que as pessoas vão ouvir é uma linguagem contemporânea sem perder a raiz, porque a voz canta sempre o fado exactamente como ele é. Depois, nesse disco, cada um de nós assina uma música, e é algo que me deixa muito feliz, porque foi a primeira vez e, provavelmente, a última, que fiz uma música. Foi muito gratificante perceber que era uma música que andava, há muito, a tamborilar na minha cabeça, que eu assobiava imensas vezes. De repente pedi a um dos meus filhos para a gravar, cheia de vergonha, cheguei aos músicos e perguntei: “Vocês acham que isto dá um Fado?”. Deu um Fado. Portanto, há Fado na minha cabeça, além da minha voz, e isso alegra-me profundamente. Voltando ao espectáculo, disse que não será só sobre o “Mãe”. Que outras músicas irá apresentar? O concerto andará todo à volta do universo tradicional do Fado, mas levamos os nossos arranjos, a nossa linguagem. As pessoas vão identificar-se com o Fado, e vou contar sempre uma história em torno deles, que é também a história do nosso país e povo. Acho importante que não seja só música e que as pessoas percebam um pouco aquilo que nós somos, como portugueses e como país. São os fados mais antigos, onde imprimimos o nosso cunho muito pessoal. Portanto, não será apenas um concerto de Fado, mas também de Fado, que é a linha condutora de tudo e está sempre presente, mas da qual saíamos porque temos uma linguagem que é, de alguma forma, paralela, porque dois músicos que me acompanham vêm do jazz. Esta junção de linguagens fez o que é hoje a matriz da música de Cristina Branco. Pergunto então se se considera cem por cento fadista, ou cem por cento intérprete. Sou cem por cento fadista quando canto Fado. Mas é óbvio que, sendo a minha voz bastante camaleónica, de alguma forma, por ser chamada para fazer coisas diferentes, consigo ir a outros universos com muita facilidade. Mas não sou outra coisa senão fadista. Mas gosta de deambular pelo trabalho de outros compositores e intérpretes. Preciso disso, não consigo imaginar a minha música estanque. Nada é fechado e tudo tem abertura e um paralelo com outras coisas. Só assim se evolui, não como cantor, mas como ser humano. Este é o meu trabalho e é uma paixão enorme, mas só acredito na sua evolução desta forma abrangente. Claro que venho do Fado e é isso que me apaixonou inicialmente, mas acredito que a música sofre influências musicais, sociais e políticas. Tudo isso entra para dentro da minha caixinha. Mas sou fadista, absolutamente fadista. O Fado tem sofrido uma evolução nos últimos anos, na forma como é interpretado, produzido. Conseguimos com que o meio musical português tenha evoluído na sua música essencial? No Fado diria que sim. Acho que o papel do Museu do Fado [em Lisboa], e o facto de ser património mundial da humanidade ajudou a perceber que o Fado não é, de todo, uma música hermética, mas que cresce com a sociedade, e isso faz com que vá ganhando características diferentes. Temos hoje um acervo de Fado tradicional com cerca de 330 canções, onde se pode colocar diferente poesia. É essa poesia que faz com que o Fado cresça. Portanto, se calhar daqui a dez anos são 340 canções. É isso que torna o Fado, no fundo, tão efervescente. Quando comecei a cantar apaixonei-me pela voz da Amália Rodrigues e pela sua forma de interpretar outras coisas além do Fado. Tinha 20 anos e achava que o Fado era aqueles dez tradicionais e nada poderia sair dali. Só que essa não é a realidade do Fado hoje em dia. Aprendemos muito com o facto de o Fado passar a ser património mundial da humanidade porque, finalmente, podemos estudar as suas origens, para onde podia caminhar e o que se podia fazer com ele. O Fado é uma música em constante evolução e está em crescimento, felizmente. Parece que Portugal é um país com falta de auto-estima, com coisas boas que só reconhece quando lá fora se dá por elas. Com o Fado foi um bocado isso, era encarado como uma música triste e aborrecida? Era horrível. Quando comecei a cantar os meus colegas de faculdade olhavam e diziam: “Coitada, mas isso interessa? Tu gostas disso?”. As músicas que gostava não eram fados de verdade, mas os poemas de Alain Oulman que a Amália Rodrigues cantava. Já era, de certa forma, um processo evolutivo dentro do Fado. Hoje vou às casas de Fado e estão cheias de miúdos. Foi preciso esse processo, por causa da nossa auto-estima, é verdade. Porquê a vergonha de compor? Costumo dizer esta frase, que resume tudo: “Como encaixar o meu nome como autora entre Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa?” Não faz sentido. Se canto textos tão maravilhosos de gente incrível como Lídia Jorge, Zeca Afonso ou Maria Teresa Horta, e tantos outros, como entalar o meu nome quando sou apenas uma intérprete no meio destas pessoas? Sempre tive um pudor gigante em relação a isso. Escrevo quase todos os dias, mas apenas para mim e apenas em prosa. Não tenho essa mão de escrever para ser cantado. Fado na China Cristina Branco é protagonista de três concertos do Festival Fado, iniciativa da produtora Everything is New, que tem promovido espectáculos semelhantes noutros pontos do mundo. O primeiro concerto acontece em Pequim este sábado, 5, no Forbidden City Concert Hall, seguindo-se uma paragem em Xangai domingo, 6. Segue-se depois a deslocação mais para Sul. Além da música, haverá visionamento de filmes e palestras.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeTaipa | Pedidas soluções para animais abandonados Há muitos cães abandonados na Taipa, sobretudo junto à movimentada Rua do Cunha, o que leva duas associações a exigir medidas por parte das autoridades para travar estes cães vadios que, no seu entender, constituem um perigo para residentes e visitantes A Associação de Moradores da Taipa e a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa exigem soluções para controlar os cães vadios que têm surgido na Taipa, sobretudo junto à Rua do Cunha, e que podem ser um perigo para quem passa por ali. Segundo o jornal Ou Mun, as duas associações, ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), apelam ao Governo para que faça alguma coisa a fim de garantir a segurança do local. O presidente da Associação de Moradores da Taipa, Chan Chi Seng, e a vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, argumentam que as zonas por onde vagueiam os cães são bastante frequentadas devido ao turismo, além de existirem escolas nas proximidades. Os responsáveis alertam para o facto de os cães abandonados se concentrarem pelo bairro, sendo agressivos e podendo, por isso, ser uma ameaça à segurança. Desta forma, é pedido o envio de agentes de inspecção para a Rua do Cunha e zonas próximas de escolas, para que os animais sejam apanhados e as ruas sejam limpas dos alimentos deixados pelos residentes para alimentar os cães. Desta forma, evita-se a concentração de animais que ali buscam alimento. Além disso, os responsáveis também pedem maior comunicação entre Governo, escolas e associações sobre a situação, a fim de se aumentar a consciencialização sobre o problema dos cães abandonados. Casos recentes Não faltam casos para comprovar o cenário de perigo. Esta segunda-feira uma idosa de 66 anos foi mordida na zona da panturrilha por um cão abandonado na localização perto do Mercado Municipal da Taipa, no Largo dos Bombeiros. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, os bombeiros explicaram que a mulher foi transferida para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo também informado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O IAM indicou que reforçou as inspecções no local. Porém, no dia seguinte, um ouvinte do programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, queixou-se de que mais pessoas foram mordidas pelos cães da zona. O homem, de apelido Leong, afirmou que a concentração de animais se deve ao facto de os moradores deixarem comida para os gatos, o que acaba por atrair os cães. Leong adiantou que as mordidas de cães são frequentes, mas as autoridades não têm aplicado medidas suficientes para controlar a situação. Este deixou ainda críticas à alegada falta de profissionalismo dos funcionários do IAM, que deixam escapar os cães. O IAM respondeu ontem ao canal chinês da Rádio Macau indicando que foram apanhados 33 cães abandonados e um gato desde Janeiro, tendo referido que, de facto, a zona da Taipa velha tem muitas pessoas que alimentam os animais abandonados, o que atrai outros para o local. Desta forma, foi feito um apelo para que não se dê comida aos animais de rua em espaços públicos.
Andreia Sofia Silva SociedadeSaudel | Baixa possibilidade de ser içado sinal 3 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) consideram que existe a “baixa possibilidade” de ser içado o sinal 3 de tempestade entre a madrugada e a manhã desta sexta-feira, dia 4. Mantém-se içado o sinal 1 de tempestade. Segundo as previsões das autoridades, a tempestade tropical “Saudel” irá atravessar o interior da província de Guangdong e “mover-se para Oeste, aproximando-se novamente da Foz do Rio das Pérolas” esta sexta-feira. Porém, “vai enfraquecer gradualmente”, ainda sem certezas quanto ao grau de enfraquecimento da tempestade, daí a possibilidade de ser içado o sinal 3. Os SMG destacam que, com a passagem do “Saudel”, Macau vai ter chuvas esta sexta-feira com ventos fortes.
Andreia Sofia Silva EventosLisboeta | James Chu, designer e artista, apresenta nova exposição Um dos mais conhecidos artistas de Macau está de regresso às exposições. “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” apresenta-se no Lisboeta Macau a partir do dia 18 de Setembro, numa iniciativa da Associação Cultural da Vila da Taipa. Eis o hábito de escrever diariamente transformado em arte nos seus mais diversos formatos e conceitos “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” [A Prática do Tempo: Arte Contemporânea por James Chu] é o nome da nova mostra promovida pela Associação Cultural da Vila da Taipa para Setembro. Com inauguração apontada para o dia 18 deste mês, o projecto pode ser visto no empreendimento Lisboeta Macau, no Cotai, revelando novas obras daquele que é um dos mais conhecidos artistas de Macau, já com uma carreira firmada no mundo das artes. Segundo um comunicado da organização, apresenta-se “um conjunto de obras contemporâneas que são moldadas por sete anos de prática contínua”, e onde se exploram as vertentes da escrita, “repetição, materialidade e transformação”. O público pode, assim, ver, trabalhos com caligrafia, esculturas, instalações e técnicas mistas. Trata-se de uma mostra que “reflecte sobre a forma como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”, descreve João Ó, ligado à associação e também curador da exposição. Os trabalhos que se apresentam nesta mostra também são reflexo de um hábito de James Chu, nomeadamente o de “escrever textos à mão diariamente durante sete anos”. Com este acto repetitivo, a escrita acabou por se transformar “num registo do tempo”, mas também uma forma de “disciplina e concentração”. Desta forma, o artista quase que atinge um estado meditativo ao escrever todos os dias, já que se verifica “uma prática rítmica em que a atenção sustentada cria uma sensação de quietude e presença”. Novas noções de tempo Nesta mostra, a obra central é uma “escultura tridimensional em papel construída a partir de sete anos de páginas manuscritas”, e que “transforma um texto de apenas 260 caracteres chineses numa ampla estrutura física, convertendo a linguagem em matéria e os gestos individuais numa forma colectiva”, descreve o curador. Em “A Prática do Tempo” podem também ser vistas “figuras em papel de grande escala e formas de mãos, produzidas através de técnicas artesanais tradicionais classificadas como património cultural imaterial, combinam técnicas históricas com a instalação contemporânea”. Neste projecto, os textos manuscritos “tornam-se elementos visuais e materiais, enquanto a iluminação integrada revela a relação entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”. Mas há também trabalhos com pintura e tijolos reutilizados, “marcados por décadas de exposição às intempéries”, onde o artista explora não apenas a caligrafia como a própria história dos materiais. “O papel frágil, os materiais arquitectónicos envelhecidos, a pedra e a luz tornam-se diferentes suportes do tempo, criando um diálogo entre os vestígios acumulados do passado e a intervenção artística contemporânea”, é referido. Outro conceito bastante ligado a esta exposição, é o espírito Zen e as ideias de “simplicidade, presença e perseverança”. James Chu, “em vez de apresentar formas históricas de escrita e criação como tradições fixas, aborda-as como linguagens visuais em constante evolução, através das quais convergem a memória, a matéria, o tempo e a contemplação”, explica o curador. Com este processo, “o acto quotidiano de criar transforma-se numa investigação silenciosa sobre a forma como o tempo pode ser registado, transformado e, em última análise, experienciado através da arte”. Retrato de vida Nascido em Macau, James Chu estudou técnicas de gravura no Atelier de Gravura Bartolomeu Cid dos Santos, da Academia de Artes Visuais de Macau, em 1990. No início de 1998 licenciou-se em Design Gráfico na Escola de Artes do então Instituto Politécnico de Macau, hoje Universidade Politécnica de Macau, tendo feito mestrado na área das artes na Universidade de Lingnan, Hong Kong, dez anos depois. Realizou dez exposições individuais de pintura, fotografia e instalações em Macau e Pequim, tendo participado em mais de uma centena de exposições colectivas em todo o mundo. Enquanto curador, organizou mais de uma centena de exposições de arte e design de Macau em importantes cidades internacionais, incluindo Pequim, Xangai, Shenzhen, Cantão, Zhuhai, Taipé, Hong Kong, Macau, Paris, Roma, Tóquio, Banguecoque, Singapura, Seul, Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto e Melbourne. As suas obras integram as colecções da Fundação Macau, da Fundação Oriente, do Museu de Arte de Macau, da Fundação Philippe Charriol, do Museu Shanghai Zendai Himalayas, do Hyatt Regency Hong Kong, bem como de mais de 30 coleccionadores privados em todo o mundo.
Andreia Sofia Silva Eventos70 anos da Sociedade de Artistas celebrados com exposição Há 70 anos, nascia a Sociedade de Artistas de Macau (MAS, na sigla inglesa), uma das entidades ligadas ao panorama artístico mais antigas do território. A pensar nisso, a galeria do empreendimento Sands Macao acolhe, até ao dia 15 de Setembro, a exposição “Arte na Nova Era – Exposição Convidada do 70.º Aniversário da Sociedade de Artistas de Macau”, com cerca de 200 obras de arte que podem ser vistas no quarto andar do Sands Macao. Esta é uma iniciativa do Instituto Cultural (IC) em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau, e conta também com o apoio da operadora de jogo Sands China e da Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau. Citado por uma nota da organização, Lok Hei, presidente da MAS, referiu que o organismo “tem-se mantido empenhado em unir a comunidade artística, promover a educação e formar talento, utilizando a arte para testemunhar a transformação da cidade”. O público pode ver trabalhos de “artistas de renome de várias regiões”, não apenas de Macau, nomeadamente dos EUA, França, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan e China Continental. Apresenta-se “uma ampla diversidade de estilos e meios artísticos, em resposta às novas correntes artísticas”, o que revela “a vitalidade vibrante da arte contemporânea”. Lok Hei expressou ainda “a esperança de que os visitantes possam sentir, através das obras expostas, a paixão acumulada ao longo de sete décadas e as ilimitadas possibilidades que se abrem para o futuro”. Ajuda ao desenvolvimento Leong Wai Man, presidente do IC, disse que a Sociedade, nas últimas sete décadas, tem “participado de forma activa no desenvolvimento cultural local”, passando pela “organização de exposição e formação de talentos” e na aproximação “das artes comunitárias ao diálogo internacional”. Já Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, defendeu “o papel fundamental na comunidade artística e cultural” da MAS em Macau, que tem recorrido à arte “para registar as diferentes épocas da evolução de Macau”. “A Sociedade tem dado importantes contributos para o contínuo crescimento do sector artístico e cultural de Macau”, frisou. Esta exposição pode ser vista todos os dias, incluindo feriados, das 11h às 19h, com entrada gratuita.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeLisboa | Restaurante Patuá volta a fechar portas Aberto em 2019, encerrado temporariamente em 2024 por causa das rendas elevadas, o restaurante Patuá, de comida macaense, vai fechar portas definitivamente pelo mesmo motivo, em Lisboa. A decisão foi anunciada na mais recente crónica de Ricardo Dias Felner publicada no Expresso, intitulada “O Patuá e a cozinha macaense” É em Lisboa que o restaurante de comida macaense Patuá, projecto de Francisco Rodrigues e Daniela Silvestre, tem dado a conhecer ao mundo a tradicional comida de Macau, feita da fusão de sabores ocidentais e asiáticos. Com portas abertas em Outubro de 2019, o restaurante não resistiu aos elevados preços das rendas de Lisboa, fechando temporariamente em 2024. Porém, o mesmo cenário voltou a surgir e os donos vão mesmo encerrar o estabelecimento, conforme foi anunciado na mais recentes crónica do jornalista Ricardo Dias Felner no semanário português Expresso. “Na verdade, Portugal poderá ficar sem nenhum representante de uma gastronomia original, de que é parte. No final do jantar do Patuá, Daniela Silvestre, companheira de Francisco Rodrigues, a mulher que dirige a sala, contou-me que o restaurante vai fechar, em Setembro”, pode ler-se. O cronista salienta a elevada pontuação do espaço, com 4,8 na plataforma Google Maps. “No dia em que lá fui, a casa estava cheia. O problema é o mesmo que ditou o primeiro encerramento, em 2024: vão ter de abandonar o sítio onde estão; e a renda que pagariam, noutro lugar, aos preços actuais, inviabilizaria o negócio. Lamentável. Para a restauração de Lisboa. Para a culinária macaense. Para Portugal”, pode ler-se. Actualmente, o negócio funciona na Rua Angelina Vidal, tendo como chefe de cozinha Francisco Rodrigues, macaense que nunca pôs um pé no território, mas cujas ligações familiares e histórias de Macau nunca o deixaram ficar sem vínculo. Daniela é a sua companheira e formou-se em antropologia, tendo sido sempre fascinada pela cultura oriental, conforme confessou ao HM numa entrevista conjunta realizada em 2021. Comida de fora Conforme descreve Ricardo Dias Felner, a comida macaense fica praticamente em extinção em Portugal quando o Patuá encerrar portas. Existe o restaurante “Macau Dim Sum”, em Lisboa e Oeiras, mas como o nome indica, é um espaço que serve mais comida chinesa do que outra coisa. Actualmente, a Casa de Macau em Portugal disponibiliza, uma vez por semana, um almoço tipicamente macaense preparado por um chef, mas não se trata de um restaurante. A iniciativa está, porém, aberta a sócios e ao público em geral. Na agenda desta entidade consta também um evento, de cariz semanal, onde o minchi é protagonista, juntamente com uma actuação ao vivo. O Patuá sempre foi conhecido como um restaurante cheio de clientes, com um ambiente de tasca, em que é difícil arranjar mesa. Lá são servidos pratos como o tradicional minchi, bacalhau à macaísta ou peixe à Cantão, e que dificilmente poderão ser provados noutros lugares em Portugal. “Eu é que trago a bagagem da comunidade macaense do lado da minha mãe”, contou Francisco, em 2021, ao HM. “A minha avó era chinesa, o meu avô de Castelo Branco. A influência macaense sempre foi ecoando nos anos em que trabalhei na cozinha, de forma inconsciente. Assumir o lado macaense foi também para não deixar isto morrer”, rematou.
Andreia Sofia Silva EventosBarra Slow Festival | Música e gastronomia no fim-de-semana A partir desta sexta-feira, a zona da Barra volta a ganhar nova vida com mais uma edição do Barra Slow Festival, desta vez focado na temática da gastronomia, com muitos produtos de padaria e pastelaria. Há mais de uma centena de bancas com padeiros premiados a nível mundial, bem como concertos com as cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung Está aí mais uma edição do Barra Slow Festival, que entre esta sexta-feira, 4, e domingo, 6, acolhe música e muitas iniciativas relacionadas com o mundo da gastronomia, mais concretamente as áreas da padaria e pastelaria. O evento, promovido pelo Centro de Desenvolvimento Local da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), tem entrada gratuita e realiza-se na zona da Barra, tendo como tema “Cozinhar sem pressa, saborear o Verão”. Segundo um comunicado da organização, espera-se uma edição dedicada ao universo dos pães e bolos, realizando-se um mercado e muitos concertos das cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung, mas não só. Esta edição acontece depois de edições anteriores do Barra Slow Festival dedicadas ao chá e café. No que diz respeito à parte musical há um total de dez artistas em cartaz, incluindo nomes como Gwenji ft. Songchi, Theseus, Guoch Choi e Winifai. A sessão de encerramento do Barra Slow Festival, dia 9, apresenta a “Edição Especial de Macau” do Offside Festival, com os grupos e músicos Zhaoze, HUPO, Summer Fades Away e WhyOceans como cabeças de cartaz. Desta forma, proporciona-se “um grande final instrumental e de post-rock”, descreve a organização. A ideia é proporcionar espectáculos “ao ar livre, ao pôr do sol, proporcionando-se um fim-de-semana descontraído e marcado pelo cheiro do pão acabado de cozer” e ainda “experiências imersivas de música ao vivo”. Campeões do pão Na área da panificação, o público pode conhecer padeiros e pasteleiros premiados em diversas competições de nível mundial, escolhidos pelos embaixadores chineses do “Mondial du Pain”, cuja 13.ª edição aconteceu em Janeiro deste ano em Paris. Em primeiro lugar ficou uma equipa chinesa. Inclui-se ainda o “campeão chinês da 10.ª edição do Campeonato Mundial do Pão”, bem como o “campeão da final global da 9.ª edição e o vencedor medalha de ouro da 2.ª Competição Nacional”. No mercado podem ver-se várias marcas conhecidas das áreas da padaria e pastelaria, nomeadamente a “Jiangren Zhiwei”, responsável pela venda de 350 mil pães no Bund International Bread Festival, realizado em Março em Xangai. O público pode provar ainda as iguarias da “One Roll Bakery”, descrita como uma “marca de referência em pães de arroz”. Promete-se o lançamento de receitas exclusivas de pão apenas para o festival da Barra, para que os participantes possam provar novos produtos. O Barra Slow Festival sempre se apresentou como um evento que promove um estilo de vida mais tranquilo e saudável, e, nesta edição, essa componente não deixará de marcar presença. Apresenta-se, assim, um mercado com bancas onde se podem encontrar produtos de cerâmica, artigos perfumados para criar ambientes relaxantes, artesanato em fibras vegetais, artigos em linho, acessórios requintados e ornamentos culturais criativos. Com a presença de diversas marcas, apresentam-se “peças artesanais únicas e novas colecções de produtos, prolongando a experiência de um estilo de vida tranquilo”, com ligação à gastronomia. O Barra Slow Festival decorre de sexta-feira a domingo das 12h às 20h nos estaleiros navais nº 1 e 2 e também na zona exterior da Barra. O evento começa oficialmente às 17h desta sexta-feira.
Andreia Sofia Silva PolíticaDeputadas pedem fiscalização viária com recurso a drones As deputadas ligadas à Associação Geral das Mulheres de Macau, Loi I Weng e Wong Kit Cheng, defendem que as autoridades policiais devem recorrer aos drones para uma maior fiscalização do trânsito. Segundo um comunicado do gabinete de atendimento das deputadas, esta ideia surge depois da realização do dia de atendimento ao público por parte das eleitas para o hemiciclo. Um dos destaques deste dia de consulta aberta foi o elevado número de acidentes de viação, tendo Loi I Weng sugerido a utilização de drones para melhor verificar os infractores e aplicar multas, sobretudo nas zonas com maior sinistralidade. A deputada disse ter recebido muitas queixas de residentes quanto ao elevado número de acidentes registado recentemente. Loi I Weng referiu também dados oficiais relativos à primeira metade do ano sobre condutores que não cedem passagem a peões ou que passaram o sinal vermelho: foram, respectivamente, 1072 casos e 4401 casos, apresentando um aumento significativo em termos anuais, disse a deputada citada pela mesma nota. Loi I Weng pede também a introdução da figura de auxiliar de trânsito em zonas onde se registam mais acidentes ou ausência do cumprimento de regras de passagem de peões e passadeiras. Foi também sugerido o avanço na revisão da lei do trânsito rodoviário, a fim de se poder garantir um equilíbrio entre direitos e obrigações de peões e condutores. Desafios laborais Outro assunto levantado pelos residentes no dia de atendimento, foi as dificuldades que os portadores de deficiência têm em encontrar trabalho. A deputada Wong Kit Cheng destacou que o planeamento dos serviços de reabilitação para os próximos dez anos incentivam a que entidades ou empresas privadas contratem mais pessoas com deficiência física ou mental, tendo sugerido que o Governo reforce os apoios na formação. Tudo para que os candidatos a emprego tenham mais conhecimentos sobre os seus direitos, aumentando-se a inclusão no mercado de trabalho. Neste contexto, Wong Kit Cheng defende a criação de um sistema de certificação para empresas sociais com a concessão de subsídios de apoio à sua actividade. Desta forma, podem surgir mais oportunidades de emprego para deficientes. Wong Kit Cheng quer também uma análise, por parte das autoridades, quanto ao panorama de cuidados de saúde gratuitos e o sistema de avaliação da deficiência, a fim de se realizar uma maior cobertura a doenças raras.
Andreia Sofia Silva PolíticaRuínas de São Paulo | Renovação inclui Pátio do Espinho O projecto de renovação urbana a desenvolver nas Ruínas de São Paulo foi ontem abordado na primeira reunião do Grupo de Trabalho para a Promoção da Renovação Urbana, presidida por Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas. Segundo um comunicado do organismo, o antigo bairro do Pátio do Espinho será integrado neste projecto. “Considerando que o Pátio do Espinho é uma zona adjacente às Ruínas de S. Paulo, e tratando-se de uma rara aldeia muralhada, tem valor de conservação e revitalização”, pode ler-se. É também apontada a sua proximidade ao centro histórico de Macau, classificado como património pela UNESCO. Desta forma, os dois grupos de trabalho vão “promover a renovação, conservação e revitalização” do Pátio do Espinho”. O secretário destacou ainda a importância de renovar prédios que não têm administração de condomínio, serviços de segurança, saneamento e limpeza, em zonas mais antigas de Macau. Mais de 30 representantes de diversos departamentos governamentais participaram na reunião.
Andreia Sofia Silva Manchete Sociedade“Saudel” | Içado sinal 1 de tempestade. Possibilidade “moderada” de sinal 3 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) içaram na noite desta segunda-feira, 31, o sinal 1 de tempestade tropical a propósito da aproximação da tempestade tropical “Saudel”. Segundo informação oficial do website dos SMG, a possibilidade de aumentar o sinal de tempestade, nomeadamente para 3, é “moderada”, não existindo qualquer previsão quanto à possível chegada do sinal 8 de tempestade. O sinal 1 de tempestade deverá manter-se em vigor até às 10h desta terça-feira, 1 de Setembro. Segundo as últimas previsões, o “Saudel”, localizado no mar leste da ilha de Hainan, deverá passar a cerca de 300 quilómetros a sul de Macau “no início desta terça-feira”. Depois disso, “vai mover-se para o quadrante Leste, em direcção à região Nordeste do Mar do Sul da China, onde vai encontrar condições para continuar a intensificar-se”, é explicado. Em relação às condições meteorológicas, e tendo em conta a junção de um estado de depressão tropical com uma monção de nordeste, o tempo esta terça-feira, 1, deverá registar aguaceiros ocasionais e algumas trovoadas. “Durante a passagem das bandas de chuva, o vento pode atingir ocasionalmente o grau 6 da escala de Beaufort, com rajadas”, o que explica a possibilidade “moderada” de se passar ao sinal 3 de tempestade.
Andreia Sofia Silva EventosMostra | Pinturas e poesia de Carlos Morais José na Casa Garden Carlos Morais José, escritor e director do Hoje Macau, apresenta amanhã uma nova exposição de poesia e arte. Trata-se de “Quarentena”, um longo poema apresentado ao lado de 30 pinturas, num projecto que tem curadoria de Lin Jiangquan (LAM) A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe a partir de amanhã uma nova exposição de Carlos Morais José, director do Hoje Macau e escritor. Com inauguração a partir das 18h30, “Quarentena” é o nome dado à mostra e é, ao mesmo tempo, um longo poema que se apresenta ao público acompanhado por 30 pinturas do autor. Segundo um comunicado, a curadoria está a cargo do artista contemporâneo Lin Jiangquan (LAM), sendo que a exposição “recria a apresentação da poesia através de uma abordagem multimédia inovadora, reunindo três componentes – texto, pintura e sons – num diálogo preciso com o poema ‘Quarentena'”. Este poema “narra os dias de isolamento do poeta” no período da pandemia, tratando-se de uma “viagem ao mundo interior, onde o ‘eu’ do poema se questiona a si e ao mundo”. Esta quarta-feira será realizada uma sessão de leitura do livro acompanhada com arte sonora e performativa, “permitindo que a poesia seja regenerada ao vivo no espaço”. O livro com o poema será apresentado por Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade de Macau. Este é doutorado em Ciências da Literatura, com especialização em Literatura Portuguesa, pela Universidade do Minho. Defendeu a tese de doutoramento em 2006, que se intitula “Entre-dois. Desejo e Antigo Regime na ficção camiliana”. Sentimentos e manuscritos A mostra inclui ainda 40 manuscritos de Carlos Morais José, “arrancados de cadernos de notas do escritor”. Citado pela mesma nota, este explicou que se tratam de “restos de um auto-de-fé dos cadernos (que não me devem sobreviver), onde a mão, por vezes firme, doutras hesitante, registou em caligrafia o que uma máquina é ainda incapaz de registar”. Todos estes escritos possuem, segundo o autor, “uma dimensão infinita” graças “às possibilidades de interpretações”. “São talvez os últimos testemunhos de uma era”, acrescentou. Também o curador da exposição destaca que a apresentação de “Quarentena” será uma mistura de “arte textual e instalação de livro”, ficando a promessa de que, na galeria da Casa Garden “a poesia deixa de ser apenas poesia; transforma-se numa ‘arte textual legível’ que partilha a mesma função de observação que uma obra de arte, convertendo a linguagem em força visual”. Lin Jiangquan (LAM) destaca também como as 30 pinturas são, na sua maioria, “imagens abstractas com uma elevada ‘identificabilidade poética'”, pautadas por cores como o azul, branco, cinzento e preto. São imagens “executadas em pinceladas rápidas que transmitem incerteza, ambiguidade, complexidade e contradição”, tratando-se de quadros que “criam uma tensão visual entre construção e destruição”. A ideia é a evocação de uma “forte ‘corporeidade individual’ e uma ‘meditação solitária'”, pelo que as pinturas se transformam “num local onde a percepção do tempo durante o confinamento se acumula”, frisa o curador. “Quarentena” estará em exposição até ao dia 9 de Setembro, com entrada gratuita entre as 10h e as 19h, apenas com encerramento às segundas-feiras.
Andreia Sofia Silva EventosHotel Lisboa com quartos e fachada renovados O Hotel Lisboa apresenta, este mês, o projecto de renovação de 427 quartos da chamada “Ala Oeste”, tratando-se de uma mudança na decoração de um empreendimento hoteleiro inaugurado em 1970. Segundo um comunicado do Hotel Lisboa, este novo projecto de decoração manteve “o ADN arquitectónico”, além de que foi restaurada a fachada amarela cheia de janelas, uma “marcante e intemporal linguagem geométrica” com assinatura do arquitecto Eric Byron Cumine. Uma das zonas interiores do hotel que também sofreu uma transformação foram os corredores, “transformados em espaços expositivos” que apresentam “esboços arquitectónicos, evocativos cartazes antigos, fotografias de arquivo e peças antigas que retratam quatro extraordinários capítulos da evolução do hotel entre 1970 e 2000”. Desta forma, “cada tijolo e superfície parecem sussurrar a narrativa entrelaçada do Hotel Lisboa e da própria Macau”, fazendo-se “uma sentida homenagem ao passado rico em histórias e um olhar atento sobre o futuro”. As renovações dos quartos também merecem destaque, já que cada um traduz “uma época histórica distinta, sendo decorado com mapas autênticos de Macau que documentam a transformação da cidade desde o século XIX”. E como o território é palco do Grande Prémio desde há muito, a renovação da Ala Oeste também lembrou esta competição de automobilismo que é também uma marca de Macau. A “Suite Temática de Corridas” visa transmitir aos hóspedes “a adrenalina da lendária Curva do Lisboa e do Circuito da Guia, protagonistas do Grande Prémio de Macau”, existindo “camas personalizadas em forma de carros desportivos” e “murais que retratam as curvas e desafios do icónico circuito urbano”. Espaços gastronómicos A mesma nota descreve o tradicional Hotel Lisboa como um “ícone incontornável da península de Lisboa”. Recorde-se que o empreendimento foi, durante décadas, o edifício mais alto do território. A renovação que agora foi concretizada seguiu o conceito “Herança Reinterpretada: Uma Transformação Intemporal”. Além dos quartos e fachada, houve também algumas mudanças nos espaços gastronómicos do hotel. Um deles foi a renovação do “Café Noite e Dia”, que abre portas em Outubro e cuja decoração se inspirou “na época dourada das viagens românticas de ferry em Macau”. Nas paredes podem ser vistos, por exemplo, “antigos bilhetes de ferry”. Para o Hotel Lisboa, a conclusão da renovação da Ala Oeste “representa um capítulo decisivo na ampla visão de revitalização”, do empreendimento, sendo símbolo “do mais de meio século de conquistas e transformações de Macau”. Pretende-se que o Hotel Lisboa continue a manter “uma profunda relevância cultural e elegância contemporânea, afirmando-se como um novo ícone”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePortuguese Business Awards | Associação Sílaba premiada A associação local Sílaba, focada na promoção da leitura em português, acaba de receber dois prémios nos Portuguese Business Awards 2026, nas áreas da educação literária e literacia cultural. Susana Diniz, fundadora, destaca que estes prémios dão ênfase “a uma ideia nascida aqui [em Macau] com raízes na língua e cultura portuguesa” A edição deste ano dos Portuguese Business Awards, atribuídos pela EU Business News, distinguiu a Sílaba – Associação Educativa e Literária em duas categorias. São elas o “Literary Education Initiative of the Year 2026” [Iniciativa de Educação Literária do Ano] e “Cultural Literacy Excellence Award 2026” [Prémio de Excelência em Literacia Cultural]. As distinções foram anunciadas pela própria associação nas redes sociais. “Ganhámos um prémio de negócios. A Sílaba está nos Portuguese Business Awards 2026 da EU Business News. Quem diria que histórias para crianças também contam como negócio e que o melhor negócio é o que não parece negócio nenhum.” Ao HM, Susana Diniz, fundadora do projecto, destaca que estes dois prémios mostram, acima de tudo, como “uma ideia nascida aqui [em Macau], com raízes na língua e cultura portuguesa, consegue ter eco além-fronteiras”. “A Sílaba é uma equipa pequena que faz um esforço grande, e tentamos fazer o melhor trabalho possível todos os dias. Quando isso é notado fora de Macau, confirma-se que estamos no caminho certo”, adiantou. Uma das últimas iniciativas da Sílaba foi a criação da caixa “Dinis Caixapiz”, um serviço de subscrição de livros infantis e juvenis que permite aos pequenos leitores, dos 0 aos 13 anos, receberem livros seleccionados por especialistas e que chegam numa caixa com muitas surpresas. Além disso, o Dinis é a mascote da associação, um boneco em tamanho grande que tenta atrair crianças e jovens para a língua portuguesa. Uma revista digital Susana Diniz diz que a Sílaba “acredita que livros para crianças importam e o prémio valida essa aposta”, sendo que o maior desafio, daqui para a frente, é “dar projecção ao projecto sem perder a essência do que somos”. Isso passa pela aposta na diversificação de conteúdos, esclarece. “Queremos chegar mais longe, mas de forma sustentável e eficaz. Mas para isso não basta crescer, tem de acontecer com sentido. Por isso, estamos a converter e a adaptar os nossos conteúdos, nomeadamente a Dinis Magazine, para formato digital.” Esta mudança não pretende substituir o livro no formato físico, mas sim “complementá-lo para que chegue a famílias que não estão em Macau, a escolas que não têm acesso aos nossos materiais, a crianças que crescem longe do português, mas que podem encontra lo connosco”. A fundadora da Sílaba salienta: “Fazer isto bem exige recursos que nem sempre temos, mas é o caminho.” Na Sílaba há ainda acesso a clubes de leitura com a mascote Dinis e aulas de línguas.
Andreia Sofia Silva SociedadeCentro de explicações | Tribunal mantém multa de 50 mil patacas O Tribunal de Segunda Instância (TSI) manteve a multa de 50 mil patacas aplicada a uma responsável de um centro de explicações por ter operado sem licença. Segundo o acórdão ontem divulgado, o caso remonta a Julho de 2023, quando a chefe do centro de apoio pedagógico em Macau pediu a concessão de licença à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Porém, a 4 de Setembro, numa acção de fiscalização, os agentes da DSEDJ perceberam que o centro estava já a funcionar sem que a licença tivesse sido atribuída, pois viram “uma funcionária do centro a acompanhar uma criança em fato de treino de um jardim de infância”, que estava à espera que os pais a fossem buscar. Desta forma, “suspeitou-se da prestação de serviço de apoio pedagógico pela instituição sem licença válida”, tendo a responsável do centro sido convidada a dar explicações sobre o sucedido. A 23 de Maio de 2024 foi proferido o despacho por parte do director da DSEDJ quanto à prestação “de serviços de apoio pedagógico sem licença válida”, pelo que lhe foi aplicada a multa de 50 mil patacas. A mulher recorreu junto do Tribunal Administrativo, mas o recurso foi “julgado improcedente”. O TSI veio agora manter a decisão que dá razão ao Governo.
Andreia Sofia Silva PolíticaSam Hou Fai diz que Singapura é exemplo para Macau O Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, encontra-se em Singapura para uma visita oficial e disse ontem de manhã que a Cidade-Estado pode constituir um exemplo para as diversas políticas que o território quer desenvolver. Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai declarou que o exemplo de Singapura “para superar a dependência de um único sector” económico e o fomento de “novos motores de crescimento constituem uma referência crucial para Macau no compromisso de promover a diversificação adequada da economia”. Estas declarações foram proferidas no âmbito de um encontro, esta segunda-feira de manhã, com o vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio e Indústria (Comércio) de Singapura, Gan Kim Yong. Outra área destacada por Sam Hou Fai, foi a cooperação no ensino superior. O líder de Macau afirmou que “sendo Singapura uma referência com várias instituições académicas de renome internacional, as duas partes poderão aprofundar a cooperação e o intercâmbio no domínio da educação e da formação de quadros qualificados”. Bom parceiro Por sua vez, Sam Hou Fai encontrou-se, este domingo, com o ministro coordenador para as políticas sociais e ministro da saúde de Singapura, Ong Ye Kung. Segundo uma nota oficial, o Chefe do Executivo lembrou como a Cidade-Estado tem “uma posição de liderança global nas áreas da gestão da saúde pública e da biomedicina, sendo não só um parceiro de elevada importância [para a RAEM], como também as experiências adquiridas têm um valor de referência para Macau”. Pretende-se, aqui, uma maior cooperação nas áreas da medicina tradicional chinesa e saúde, sendo que “as empresas farmacêuticas de Singapura são bem-vindas a aproveitar as vantagens da sinergia entre Macau e Hengqin, instalando-se no Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau em Hengqin”, declarou Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo referiu ainda a cooperação no combate ao envelhecimento da população, já que “Macau e Singapura também exploram estratégias de resposta”, podendo ser impulsionada a criação de um “modelo de governação mais resiliente para uma sociedade envelhecida”. Também este domingo, Sam Hou Fai reuniu com representantes das associações de matriz chinesa e câmaras de comércio de Singapura. O Chefe do Executivo referiu que Macau quer diversificar a economia e apostar em quadros qualificados, mas que tal não “dispensa a participação e o apoio de parceiros internacionais como Singapura”, dada a sua “experiência consolidada nas áreas de alta e nova tecnologia, investigação científica e educação, economia digital e cuidados médicos e de saúde”.
Andreia Sofia Silva EventosIC | Porto acolhe mostra “Um Vislumbre da Cultura Chinesa” A estação de São Bento do Metro do Porto acolhe até ao dia 12 de Setembro a exposição “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, uma iniciativa do Instituto Cultural e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau. Pretende-se, com este projecto, estabelecer um “diálogo intercultural entre Portugal e China” Desde o dia 28 de Setembro de 2023 que o jornal Diário de Notícias (DN) publica todas as semanas, em parceria com o jornal Macao Daily News (Ou Mun), uma página com o título “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”. Esta parceria editorial dá agora origem a uma exposição, patente até ao dia 12 de Setembro na estação de São Bento do Metro do Porto. A mostra tem o mesmo nome – “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, e é organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, celebrando “três anos de colaboração editorial” entre os dois jornais. Além disso, pretende-se promover “o diálogo intercultural entre Portugal e a China”. Segundo um comunicado da organização, a curadoria está a cargo de Sara Neves, convidando-se o público “a descobrir tradições, histórias e curiosidades da cultura chinesa através das páginas publicadas ao longo deste período”. Na estação de Metro há duas instalações que combinam “o processo tradicional de impressão de jornais com o uso de tecido — material que evoca os laços históricos e culturais entre a China e o resto do mundo, desde as sedas que cruzaram a Rota da Seda até às velas dos navios portugueses que aportaram em Macau”, pode ler-se. Ao ser escolhida a estação para acolher a exposição, pretende-se “trazer o conteúdo ao dia-a-dia dos moradores e visitantes”. “Não implica uma deslocação propositada; pelo contrário, introduz a experiência cultural num momento que seria apenas utilitário, democratizando o acesso à informação e ao conteúdo”, é acrescentado. Curiosidades múltiplas Nestas instalações, há também “um percurso de curiosidades extraídas das edições especiais, organizado por temáticas e inspirado nos antigos Cabinets of Curiosity [do período] da Europa renascentista”, ou seja, armários que serviam para “guardar objectos raros trazidos de longas viagens para mostrar a amigos e visitas”. “Macau surge como ponto de partida e de chegada, reafirmando o seu papel enquanto elo privilegiado entre o mundo lusófono e a China”, sendo objectivo “aproximar o público português de aspectos frequentemente desconhecidos da cultura chinesa, reforçando a importância da cooperação cultural e editorial entre instituições de ambos os territórios”. Em três anos de publicação de conteúdos entre o DN e Ou Mun, foram publicados 150 artigos com “conteúdos em língua portuguesa que revelam aspectos variados da cultura chinesa — tradições, histórias, figuras, lugares, práticas, gastronomia, património”. Na exposição, fez-se uma selecção dos conteúdos a partir dos textos publicados, tendo sido definidas “seis linhas temáticas fundamentais”: Macau — 25 anos como Região Administrativa Especial da China; Festivais, Figuras Históricas e Tradições; Lugares, Paisagens e Arquitectura; Arte, Artesanato e Património Imaterial; Gastronomia, Sabores e Culinária; e o Centro Histórico de Macau — 20 anos de Património Mundial. O comunicado da organização dá ainda conta de que na exposição “era importante apresentar as páginas de jornal no seu formato original”, já que “a presença da estética do jornal relembra o meio que deu origem a esta iniciativa”, daí terem sido concebidas as instalações em tecido. Recorde-se que a primeira apresentação deste projecto ocorreu em Abril, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa.
Andreia Sofia Silva EventosRoadhouse | Macau volta a receber Arraial de São Cosme e Damião Vem aí mais uma celebração do tradicional Arraial de São Cosme e Damião no Roadhouse Macau. A partir das 19h no dia 26 de Setembro, sábado, é tempo de dançar com a música de Jandira Silva e teatralizar o “casamento da roça” tal como se faz no Brasil, lembrando os santos padroeiros Camila Oliveira esteve recentemente ligada ao ensino do português no Leitorado Guimarães Rosa, entidade do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e que tem conexão à Universidade de São José (USJ). Foi aí que surgiu a ideia de organizar o Arraial de São Cosme e Damião num formato semelhante ao da celebração que se faz no Brasil. Este ano chega a terceira edição deste arraial que acontece no Roadhouse Macau no sábado, 26 de Setembro, a partir das 19h, e que conta com o apoio de diversas entidades, nomeadamente a Associação dos Jovens Macaenses. Ao HM, Camila Oliveira explica em que consiste esta festa que celebra os santos padroeiros, gémeos, Cosme e Damião, e que mete os convidados a teatralizar o tradicional “casamento da roça”, com a distribuição de pequenos sacos. “O objectivo principal do evento é a divulgação e promoção do Brasil e da sua cultura. Queremos criar momentos para que as pessoas conheçam mais sobre o Brasil. É muito bom o Consulado-geral de Portugal ou a Casa de Portugal em Macau promoverem Portugal, mas sempre senti falta disso em relação ao Brasil, pois não temos muitos eventos ligados ao país”, explicou. Nas celebrações focadas na língua portuguesa e no universo da lusofonia, é certo que o Brasil marca presença, mas Camila Oliveira sempre sentiu falta de uma maior representação do seu país. Este arraial quer também mostrar a nação brasileira “além do samba, futebol e carnaval”. As celebrações dos santos padroeiros Cosme e Damião começaram há três anos. Camila Oliveira cresceu com esta festa. “Em Portugal não se celebra, mas no Brasil é uma data bastante celebrada, e era, sobretudo, celebrado na minha época. As pessoas distribuíam saquinhos de doces na rua e nós saíamos de casa para os apanhar.” A primeira edição do arraial em Macau fez-se nas datas de São Cosme e Damião e, por essa razão, distribuíram pequenos sacos de doces improvisados. “No ano passado decidimos fazer uma segunda edição, e aí já colocámos o nome de Arraial de Cosme e Damião. A Jandira [Silva, cantora brasileira há vários anos radicada em Macau] cantou músicas mais viradas para o forró e sertanejo, que são as músicas que usamos mais no arraial, mais rural. Também deu certo”, relatou. O “casamento” na rua Neste arraial brasileiro, a dança chama-se “quadrilha”, dançada na rua onde se situa o Roadhouse sempre “de forma improvisada”. “É um momento engraçado e divertido, em que chamamos todo o mundo para dançar”, destaca Camila Oliveira sobre o momento em que se dança após o teatro em torno do “casamento na roça”, e que é uma sátira aos casamentos feitos no século passado. Há uma noiva que costuma estar grávida antes do casamento e também um padre, sendo que estes “actores” estão vestidos com roupas características como calças de ganga, camisas de xadrez ou chapéus de palha. Não falta ainda detalhes a este enredo ficcionado, em que o pai obriga, por exemplo, o homem a casar com a filha. Depois de muita diversão com estes momentos, é a vez de dançar. Camila Oliveira assegura que esta festa não tem orçamento e é, sobretudo, feita com o apoio do Roadhouse Macau e de muitos voluntários. “Não temos um orçamento definido, é tudo feito com a ajuda de voluntários e do próprio Roadhouse que paga o básico: o DJ e a música. Os docinhos do Cosme Damião são pagos com o nosso dinheiro, e desta vez trouxe os saquinhos do Brasil, porque antes adaptávamos com que o que tínhamos aqui. É tudo muito artesanal e feito com muito amor, e feito também pela crença e ideologia, e por querer mostrar o quão lindo é o meu país”, destacou.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeImigração | Homem tentou entrar em Macau a nado As autoridades apanharam, esta quarta-feira, um homem de 56 anos que tentou entrar em Macau a nado, ou seja, de forma ilegal. Segundo um comunicado dos Serviços de Alfândega (SA), o caso ocorreu de madrugada na zona marítima em frente ao Circuito de Bicicletas do Parque de Lazer da Marginal da Taipa, na Avenida dos Jogos da Ásia Oriental, tendo o homem do Interior da China sido apanhado graças a uma acção conjunta com a Brigada de Zhuhai da Polícia Armada Popular. Segundo um comunicado dos SA, este organismo foi notificado pelas autoridades de Zhuhai sobre a existência “de uma pessoa suspeita a nadar do Interior da China em direcção ao Circuito de Bicicletas do Parque de Lazer da Marginal da Taipa, suspeitando-se de imigração ilegal”. Foi depois accionado o “Sistema de Monitorização Inteligente” para vigiar o local, tendo sido mobilizados botes rápidos de patrulha e drones. O homem estava proibido de entrar em Macau, e é agora suspeito do crime de “entrada sem sujeição a controlo de migração”. Os SA encaminharam o caso para o Ministério Público.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaLei de Terras | Deputado pede revisão para flexibilizar obras O deputado Leong Hong Sai defende que a Lei de Terras deve ser revista a fim de reduzir a percentagem de concordância necessária dos proprietários para avançar com projectos de reconstrução em terrenos concessionados. O facto de se exigir 100 por cento de concordância tem impedido a realização de projectos, aponta A necessidade de maior flexibilidade em projectos de reconstrução em terrenos concessionados levou o deputado Leong Hong Sai a defender, ao jornal Ou Mun, a revisão da Lei de Terras. Segundo escreveu o jornal de língua chinesa, Leong Hong Sai lembrou que esta legislação e também o regime jurídico da renovação urbana têm critérios diferentes na definição das percentagens de propriedade para se avançar com projectos, o que impede a realização de muitas obras. Assim sendo, o deputado ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong) espera uma maior flexibilização nesta matéria. Mais concretamente, o deputado sugeriu que, na Lei de Terras, a percentagem de propriedade para a concordância nas alterações contratuais dos terrenos concessionados deve baixar dos 100 para 80 por cento. Desta forma, a percentagem fica igual à que consta no regime jurídico da renovação urbana para projectos de reconstrução em edifícios com 40 ou mais anos. O deputado entende que só com estas mudanças se consegue eliminar as restrições legais para a realização de obras na área da renovação urbana. Trocas e baldrocas Outro ponto referido pelo deputado dos Kaifong, diz respeito à falta de desenvolvimento do modelo de troca de imóveis velhos por novos. Assim, este sugere que o Governo crie um modelo de avaliação e fixação de preços para diferentes zonas do território, a fim de se criar uma fórmula transparente e justa para a troca de casa. Leong Hong Sai sugere ainda o lançamento de uma consulta pública sobre esta matéria para ouvir as opiniões da população e esclarecer os seus direitos. A fim de se avançar na renovação urbana nas zonas mais antigas e degradadas de Macau, o deputado afirmou que o grupo criado para esse fim pelo Executivo tem de ter responsabilidades nas áreas de gestão de condomínio, além de que devem ser criados incentivos económicos. Tudo para que os residentes possam participar activamente no processo de renovação urbana. Quanto aos edifícios que não têm administração de condomínio, Leong Hong Sai sugeriu que este grupo governamental assuma a gestão de edifícios de forma conjunta, incentivando o recrutamento de uma empresa de administração para vários grupos de edifícios sem gestão de condomínio. Desta forma, podem aliviar-se as despesas nesta área, criando-se uma solução transitória para a futura reconstrução de prédios e casas antigas. Tendo em conta que o Governo tem cerca de 1,7 mil fracções de habitação para troca e 2,8 mil fracções de habitação para alojamento temporário, Leong Hong Sai sugeriu que o grupo utilize estes recursos, e que estude também uma maior flexibilização das candidaturas à habitação para troca. Outra ideia, passa pelos descontos nas rendas da habitação para alojamento temporário, com vista a reduzir as despesas dos proprietários durante o período de reconstrução.
Andreia Sofia Silva PolíticaJogos Asiáticos | Prometido apoio a atletas O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, prometeu “prestar um apoio direccionado ao treino e bem-estar dos atletas, incentivando activamente a sua participação em competições além-fronteiras”. Estas palavras foram proferidas num discurso na cerimónia da entrega da bandeira da RAEM à delegação desportiva de Macau, a propósito da sua participação nos XX Jogos Asiáticos e V Jogos Para-Asiáticos. O dirigente máximo da RAEM acrescentou será reforçada “a formação de talentos”, além de aperfeiçoar “as políticas desportivas”.
Andreia Sofia Silva EventosTurismo | Concurso de Fogo de Artifício a partir de dia 12 Foram ontem anunciados os detalhes de mais uma edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, a 34.ª. O tema é “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”, e começa a 12 de Setembro com a participação de equipas de todo o mundo. Os drones marcam presença pela primeira vez A 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM) está a chegar, e pela primeira vez traz drones combinados com o espectáculo de luzes que habitualmente enche o céu de Macau. O evento começa a 12 de Setembro e termina a 4 de Outubro, prometendo-se, segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), “espectáculos pirotécnicos deslumbrantes”, que estão sujeitos à temática “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”. A novidade é mesmo a junção do “fogo-de-artifício com espectáculos de drones, proporcionando ao público um banquete audiovisual”, organizando-se também o Arraial do Fogo-de-Artifício e diversas actividades de extensão. Citada por uma nota da DST, Helena de Senna Fernandes, directora do organismo, referiu que o CIFAM “é um evento anual de marca representativo de Macau que, desde a sua criação, tem mantido o princípio da inovação e diversidade”. Este ano contam-se 10 espectáculos de fogo-de-artifício com a presença de empresas de fogo-de-artifício do Brasil, Suíça, Itália, Canadá, Portugal, Coreia do Sul, Tailândia, China, Filipinas e Reino Unido. Por esta ordem, as equipas vão apresentar espectáculos de cerca de 18 minutos cada, em torno do tema central escolhido. Concretamente, as datas do evento abrangem os dias 12, 19 e 25 de Setembro, e 1 e 4 de Outubro, às 21h e 21h40, na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau, incluindo as festividades do Bolo Lunar e o Dia Nacional. Muitas novidades A edição deste ano do tradicional concurso traz ainda como novidade a presença de novas empresas do Brasil, Suíça, Itália e Portugal, “enquanto as restantes seis já participaram em edições anteriores”. Explica a DST que, “de entre as que voltam ao evento estão as três equipas vencedoras do CIFAM no ano passado, vindas do Reino Unido, Filipinas e China, evidenciando a vantagem de Macau enquanto plataforma de intercâmbio internacional”. O público pode esperar um concurso dividido em três partes : “Encontro com a História”, “Encontro com a Civilização” e “Encontro com o Futuro”. Na noite do dia 12 de Setembro dá-se lugar aos espectáculos relacionados com a parte “Encontro com a História”, sendo a última noite marcada pelo “Encontro com o Futuro” e um “espectáculo de grande escala com mais de 3.400 drones”. Tendo em conta que na noite de 25 de Setembro é véspera da Festividade do Bolo Lunar, actuam as companhias de Portugal e da Coreia; enquanto que, na noite de 1 de Outubro, Dia Nacional, sobem ao palco as equipas da Tailândia e da China. Na noite de 4 de Outubro, após os dois últimos espectáculos, terá lugar a cerimónia de entrega de prémios, com o anúncio dos resultados do concurso. Pontos de vista Outras novidades do evento, incluem novos pontos de visionamento do fogo-de-artifício em Zhuhai e Hengqin, mantendo-se os seis pontos tradicionais em Macau para ver e tirar fotos: a Avenida Dr. Sun Yat-Sen entre o Centro Ecuménico Kun Iam e a Zona de Lazer Marginal da Estátua de Kun Iam, o passeio à beira-mar do Centro de Ciência de Macau, a Avenida de Sagres (ao lado do Hotel Mandarin Oriental de Macau), o Anim’Arte NAM VAN, o Caminho Marginal do Lago (ao lado do Hotel YOHO Ilha de Tesouro) e a Avenida do Oceano da Taipa. Fora de Macau há um total de cinco novos pontos de visionamento: Shizimen, Jialinshan e sul da Estrada dos Namorados, em Zhuhai; e a Ilha Financeira e a Ponte de Hengqin. A Rádio Macau, no canal chinês (FM100.7), transmitirá em directo a música de fundo dos espectáculos às 21h e 21h40 de cada noite de espectáculo. A Teledifusão de Macau (TDM) – Canal Macau e Canal de Entretenimento de Macau – transmitirá o evento em directo o evento. No conjunto de actividades de extensão inclui-se o Concurso de Fotografia, o Concurso de Desenho para Estudantes e o Concurso de Arte Generativa com Inteligência Artificial (IA), “incentivando estudantes, entusiastas da fotografia e da criação com IA a dar asas à criatividade”. Os detalhes constam no website oficial do CIFAM.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaLAG 2027 | ATFPM pede reforma para invalidez absoluta A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) apresentou um total de 13 propostas ao Governo a propósito da elaboração do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. Uma das medidas, segundo o documento enviado às redacções, passa pela criação de uma figura jurídica específica para a aposentação por invalidez absoluta definitiva, já que há “trabalhadores da Função Pública que, padecendo de doenças graves (oncologia, doenças neurodegenerativas, insuficiências orgânicas graves), se encontram incapacitados para o trabalho, mas não podem aposentar-se por não terem 65 anos de idade nem 36 anos de serviço efectivo”. Além de defender a importância do planeamento de mais habitação para funcionários públicos, deixam-se sugestões para a área das obras públicas, nomeadamente a “exigência de mão-de-obra local em contratos de construção pública e empreitadas de elevado valor”. É sugerida, concretamente, a “inserção, em todos os cadernos de encargos de empreitadas de valor superior a 50 milhões de patacas, uma cláusula que estabeleça uma percentagem mínima obrigatória de trabalhadores locais (por exemplo, 60 por cento para mão-de-obra geral e 30 por cento para mão-de-obra qualificada)”. Outro ponto passa pela criação de uma “plataforma electrónica interna de mobilidade”, tendo em conta que a “gestão interna do pessoal carece de maior agilidade no que respeita à afectação de recursos, à requalificação profissional e à mobilidade dos trabalhadores”.