Habitação pública | Governo promete reavaliar lojas e rendas

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, prometeu uma avaliação às necessidades de comércio nas habitações públicas tendo em conta os novos bairros criados na Zona A dos Novos Aterros, bem como das rendas cobradas.

“Vamos encarregar uma terceira parte para avaliar as rendas e iremos ajustar os valores conforme as necessidades dos bairros em causa”, disse ontem Raymond Tam aos deputados na sessão de votação, na generalidade, da proposta de lei “Regime jurídico de arrendamento e cedência dos espaços comerciais em edifícios de habitação social”.

O diploma, que foi aprovado, visa rever a legislação em vigor desde os anos 90 e que, segundo Raymond Tam, está desactualizada. “Sim, vamos realizar concursos públicos [para a concessão de lojas] de seis em seis meses, e com a apresentação desta proposta de lei teremos mais flexibilidade. Nos casos de dispensa do concurso público, podemos fazer ajustamentos conforme as necessidades do bairro”, disse.

Raymond Tam acrescentou que, até à data, os concursos realizados “não foram satisfatórios”. “Isso tem a ver com a legislação, que não nos permite flexibilidade para atrair comerciantes, e daí termos urgência em alterá-la”, frisou, referindo que serão feitos “estudos preliminares” para o planeamento do comércio na Zona A. “Temos um plano que será executado de forma faseada, e à medida que entrarem residentes vamos realizar concursos públicos”, adiantou.

Imposto de consumo | Alterações aprovadas na generalidade

Os deputados aprovaram ontem na generalidade a proposta de lei que revê o Regulamento do Imposto de Consumo, em vigor desde 1999. Segundo a proposta do Governo, um dos objectivos é criar o regime de pagamento no desalfandegamento, além de alterar o sistema de pagamento de impostos para bebidas alcoólicas e tabaco.

O deputado Chan Lai Kei defendeu que estas alterações “vão beneficiar o sector e simplificar procedimentos, para que a aplicação de capitais possa ser mais flexível”. O deputado falou da necessidade de “melhorar alguns mecanismos para acelerar os procedimentos de desalfandegamento e elevar a eficácia administrativa”.

26 Jun 2026

Bullying | Deputados pedem medidas após agressão a aluna

Dois deputados querem medidas contra o bullying nas escolas depois da divulgação nas redes sociais de um vídeo em que um grupo de jovens agride uma rapariga. Todos os envolvidos são menores. Chan Hao Weng sugeriu penas mais pesadas para este tipo de casos

 

O bullying em contexto escolar e a necessidade de medidas preventivas foi um tema levado ontem por dois deputados à Assembleia Legislativa (AL). No período de intervenções antes da ordem do dia, o deputado Chan Hao Weng declarou que cabe às autoridades “disponibilizar, continuadamente, aos alunos que são vítimas aconselhamento psicológico e apoio emocional”, devendo-se impor aos estudantes que são agressões “educação sobre o Estado de Direito e correcção comportamental, sem tolerância nenhuma”.

O deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau exige que seja “aperfeiçoada a legislação” com “penas severas para os casos de bullying”. ”

A intervenção do deputado surge depois de a Polícia Judiciária (PJ) ter divulgado, na última semana, um caso de agressão a uma aluna por parte de um grupo de seis jovens, três rapazes e três raparigas, com idades compreendidas entre os 11 e 15 anos. O vídeo, filmado pelos agressores, foi parar às redes sociais.

“Recentemente, sucederam-se, entre estudantes, casos de agressões em grupo, extorsão, bullying verbal e até cyberbullying com gravação de vídeos. A situação tende a agravar-se, o que deixa todos os pais em Macau muito preocupados e inquietos”, disse o deputado.

Chan Hao Weng pede também a implementação de “mecanismos de alerta dentro e fora das escolas” bem como online, fazendo-se uma “cobertura integral” de protecção das vítimas, e assegurar “o bom funcionamento dos canais de denúncia e o aumento da formação de professores e assistentes sociais”.

Protecção 24 horas

Também o deputado Iau Teng Pio levou este assunto para o hemiciclo, alertando para o facto de muitos pais “relatarem que os seus filhos também já sofreram algum tipo de bullying”. “Com a crescente popularidade das redes sociais, o bullying já se estendeu muito além do recinto escolar, atingindo também o espaço digital. A difusão das imagens violentas não só provoca um dano secundário às vítimas, como também deixa uma mancha duradoura na vida dos jovens agressores.”

Iau Teng Pio sugere a criação de canais de denúncia nas escolas com o mote “zero obstáculos e zero riscos”, com a participação de professores e criação de “linhas abertas e formulários de denúncia por escrito ou via internet”.

O deputado defende que sejam criadas, a “nível institucional, garantias de protecção ao denunciante, com procedimentos de acompanhamento iniciados 24 horas após a recepção da denúncia”.

26 Jun 2026

Eric Fok, artista, sobre edifício “Bela Vista”: “Uma joia arquitectónica tão bela”

A Residência Consular vai hoje abrir portas ao público, entre as 14h e as 18h, para apresentar a exposição “Bela Vista por Eric Fok – Descubra as Histórias dentro da Vista”. A entrada é livre com lotação limitada. Eric Fok desvendou ao HM o que está por trás das 12 obras expostas

 

Que perspectivas do edifício “Bela Vista” explorou nestas obras?

Esta exposição apresenta uma mistura de obras minhas, tanto recentes como antigas. Os meus trabalhos anteriores centravam-se, principalmente, em temas como a História, a era dos Descobrimentos e a globalização. No entanto, as novas obras centram-se neste monumento histórico do século XIX, que é uma antiga mansão que, mais tarde, foi transformada num hotel. Em várias ocasiões serviu de escola, campo de refugiados e centro de retiro. Fazendo jus ao nome, “Bela Vista” oferece uma paisagem de tirar o fôlego e, do alto da encosta, é possível contemplar toda a Praia Grande. Ainda me lembro de visitar o terraço deste edifício há onze anos, por ocasião de uma exposição. Não fazia ideia de que Macau abrigava uma joia arquitectónica tão bela, e a vista das janelas despertou a minha imaginação sobre o passado da cidade. Tendo servido tantos propósitos diferentes ao longo dos anos, este monumento ergue-se como testemunha da história local e também dos grandes acontecimentos globais que se desenrolavam na região, naquela época. Além disso, a própria criação da residência consular resultou de transições políticas, e o edifício testemunhou a mudança das diferentes épocas. Para mim, é como um livro de história escrito por pessoas diferentes, cada uma com a sua história única, sobre como chegaram a Macau.

Quais as principais histórias do Bela Vista aqui contadas?

Conto a história do encontro de diferentes culturas no Extremo Oriente, de pessoas de várias nações, como comerciantes, viajantes, soldados e refugiados que fugiam da guerra, e que chegaram a Macau, ficando hospedados no Hotel Bela Vista por uma infinidade de razões. Todos estes imigrantes e viajantes trouxeram consigo as suas próprias culturas e origens distintas. Acredito que é extremamente significativo continuar a expandir o meu trabalho através destas personagens e da própria arquitectura. Para esta exposição em particular, o foco recai principalmente na relação histórica entre este edifício e a cidade.

Esta mostra integra-se nas celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Qual a importância, para si e a sua carreira, deste projecto?

Talvez devido aos círculos sociais onde cresci, não sabia muito sobre esta celebração quando era criança. Olhando para trás tenho um pouco pena disso, porque se tivesse sabido mais cedo, certamente que teria alargado os meus horizontes. O poeta Luís de Camões, por exemplo, viveu em Macau e tornou-se uma parte vital do tecido cultural do território. Mas sinto-me incrivelmente afortunado pelo facto de a minha exposição ter, este ano, sido incluída nas celebrações. Para mim é um grande incentivo e uma forma de reconhecimento, além de ser uma forma de o meu trabalho estar ligado, de forma activa, a esta celebração e a esta cultura. Por coincidência estava em Portugal nesse período [durante o 10 de Junho], quando havia celebrações por todo o lado. Tanto a participação no Dia de Portugal, como as exposições de obras de arte, constituem experiências inestimáveis para mim, e um combustível essencial para as minhas futuras criações.

25 Jun 2026

Ensino superior | Associação visita Portugal e Espanha

A União dos Estudiosos de Macau termina hoje uma viagem a Portugal e Espanha que teve por objectivo estabelecer parcerias na área do ensino superior. A associação, presidida por Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM), iniciou a visita na última quinta-feira em Madrid e chegou a Lisboa na terça-feira.

Segundo uma nota da associação enviada ao HM, a visita a Portugal incluiu encontros com a Liga dos Chineses em Portugal, embaixada chinesa, Associação dos Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa, Associação de Empresas Chinesas em Portugal e o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM).

Citado pela mesma nota, Ip Kuai Peng declarou que a viagem permite conhecer “o ambiente académico, a tendência de mobilidade de talentos e as mais recentes dinâmicas de intercâmbio do conhecimento” em Madrid e Lisboa. Além disso, foram assinados acordos que visam a “criação de vários tipos de laboratórios ou incubadoras de inovação”.

Para Ip Kuai Peng, deve-se “optimizar”, em Macau, conteúdos pedagógicos e a “oferta teórica” no contexto destas cooperações, a fim de se “acelerar a construção de um sistema de ‘Estudos Regionais e Nacionais com características chinesas'”.

Neste aspecto, as universidades de Macau devem ter, segundo o responsável, mais intervenção em termos de “inovação colaborativa e interdisciplinar” com outras entidades e instituições de ensino superior de outras regiões e países. Para o presidente, é importante também construir novas disciplinas e “think-tanks”, bem como “estabelecer bases de dados da governação dos países de língua portuguesa”.

25 Jun 2026

Almeida Ribeiro | Incêndio em edifício antigo não causa feridos

Um curto-circuito terá provocado um incêndio na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook. O fogo começou de madrugada e só foi extinto ao início da tarde. Por se tratar de um edifício antigo, o Instituto Cultural vai avaliar a necessidade de reparação da fachada

Foto:DR

 

A Avenida de Almeida Ribeiro foi ontem palco de um incêndio que deflagrou a partir das 05h da manhã, na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook, conhecida marca de joalharia. O fogo ficou resolvido por volta das 14h30 e obrigou ao corte de trânsito naquela que é uma das principais artérias do território mais de uma hora e meia, afectando também o funcionamento normal das carreiras de autocarros.

Não houve feridos, nem necessidade de evacuar pessoas, tendo o Corpo de Bombeiros (CB) enviado ao local 44 bombeiros, 10 carros de emergência e um drone para ajudar nas operações. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as autoridades revelaram, após uma investigação preliminar, que o incêndio terá sido provocado por um curto circuito causado pelos cabos do ar-condicionado. O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) enviou 35 agentes para o local.

Quando o CB chegou à zona, depararam-se com uma nuvem de fumo a sair da loja. Além disso, foi detectada uma fuga de corrente eléctrica, que impediu a entrada imediata no local para extinguir o incêndio, e levou ao pedido para o corte do fornecimento de electricidade à loja à Companhia de Electricidade de Macau.

Os soldados da paz optaram por pulverizar água a partir do exterior do edifício, arrombando a porta quando as condições de segurança o permitiram.

IC acompanha incidente

Uma vez que o edifício onde se deu o incêndio pertence à área do património histórico a proteger, funcionários do Instituto Cultural (IC) também se deslocaram ao local para avaliar a situação.

Em declarações ao Ou Mun, a presidente do IC, Deland Leong Wai Man, garantiu que o local vai ser inspeccionado em conjunto com a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana para serem avaliados os danos, nomeadamente na fachada do edifício, e se são necessárias obras de reparação.

A presidente do IC apontou que a fachada é o foco em termos de protecção do património, pelo que, se ficar danificada com o incêndio, serão cumpridos os critérios para o restauro patrimonial. Deland Leong Wai Man adiantou que, se for preciso avançar com o restauro da fachada, será essencial seguir o projecto e materiais originais, para garantir a preservação do património e a sua autenticidade.

25 Jun 2026

CCAC | Quatro pessoas suspeitas do crime de corrupção

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou ontem os resultados da investigação de um caso suspeito de pagamento de comissões de forma ilegal por parte de um empresário.

Segundo um comunicado do CCAC, estes pagamentos terão servido “para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”, estando quatro pessoas suspeitas da prática dos crimes de corrupção activa e passiva no sector privado, bem como do crime de burla de valor consideravelmente elevado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

O CCAC “descobriu que um fornecedor local terá pago, mensalmente, comissões ao responsável da região de Macau de uma sociedade internacional de entregas rápidas, para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”. Esse fornecedor “prestou falsas declarações sobre o número de registos de entrega, em conluio com um dirigente da respectiva sociedade de entregas rápidas, para obter, de forma fraudulenta, as taxas de serviço”.

Entre os anos de 2020 e 2025, esse fornecedor local pagou, todos os meses, “comissões não inferiores a 20 mil de dólares de Hong Kong ao então responsável da região de Macau da sociedade de entregas rápidas”. Em contrapartida, o seu nome aparecia sempre que surgiam novas propostas ou em contexto de facilitação de contratos.

O CCAC acrescenta que o responsável da empresa de entregas recebeu “comissões ilícitas de mais de 1,1 milhões de dólares de Hong Kong”, e que o crime de burla cometido por três dos quatro suspeitos atinge um valor superior a cinco milhões de patacas.

25 Jun 2026

Creche Smart | Directora diz que só fecha após relatório do CCAC

A directora da creche Smart reitera que o diferendo com o Instituto de Acção Social se deve a uma “questão pessoal” do seu presidente, Hon Wai. Ao HM, Christiana Ieong diz que vai manter a creche aberta até que seja divulgado o relatório do CCAC, mesmo que tenha de ir além da data limite do licenciamento

O Zonta Club de Macau, associação que gere a creche Smart, na Taipa, só vai encerrar a após a divulgação do relatório de investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Foi o que disse ao HM a sua presidente fundadora e directora da creche, Christiana Ieong, depois de o Instituto de Acção Social (IAS) ter declarado como cessada a relação com a creche.

Num comunicado do IAS desta segunda-feira, foi dito que o Zonta Club tem até ao dia 26 de Agosto, data do fim da licença, para devolver o espaço e realocar as crianças inscritas. Porém, no entender da responsável, “essa data não importa se a investigação do CCAC ainda estiver a decorrer”.

Recorde-se que o IAS divulgou o comunicado após ter sido informado pelo Tribunal Administrativo de que o Zonta Club tinha retirado a providência cautelar que pretendia evitar a suspensão de subsídios e retirada das instalações por parte do Governo.

Christiana Ieong diz que a retirada da providência cautelar se deveu ao respeito pelos “princípios de boa-fé e pelo Governo”. “Não queremos dar a ninguém a oportunidade de desperdiçar ainda mais fundos públicos”, adiantou, referindo estar a aguardar as conclusões da investigação do CCAC, pedida pelo próprio Zonta Club.

“Tanto o Governo como o Chefe do Executivo [apoiam a creche Smart]. Não podemos confiar no presidente, que criou todos estes problemas. Por isso estamos confiantes na investigação do CCAC que, de acordo com o que noticiou o jornal Ou Mun no mês passado, já estava em fase de análise aprofundada, pelo que acredito que o relatório será publicado em breve”, disse.

Aliás, Christiana Ieong lamenta que o IAS tenha anunciado já o fim da relação com o Zonta Club de Macau, tendo em conta que existem mais processos pendentes, nomeadamente a ausência da “autorização do tribunal relativamente à desistência do recurso para a ‘Interpretação Unificada da Decisão'”. Assim, “oficialmente ainda existe um processo em tribunal”, destacou.

“Penso que ele [o presidente do IAS] deveria ter tido mais calma e aguardado pelo relatório do CCAC”, defendeu. “Se tem a verdade, e se não fez nada de errado, porque não esperar mais um pouco? Porquê pressionar para terminar a licença?”, questionou.

“Ele [Hon Wai] precisa explicar ao público por que razão pretende desperdiçar tanto dinheiro público para destruir todo o investimento do Governo na renovação da creche”, acrescentou a directora da creche.

Uma questão pessoal

Christiana Ieong considera que a quezília entre a creche Smart e o IAS foi criada unicamente por Hon Wai. “[O fecho da creche] não é intenção do Governo, nem do Chefe do Executivo, ou da secretária [para os Assuntos Sociais e Cultura, com a tutela da educação]. É apenas a intenção do presidente do IAS. Ao longo de todo este tempo recebemos apoio do Chefe do Executivo nos cocktails de celebração da transferência de administração de Macau no regresso à Mãe Pátria”, exemplificou.

Trata-se, assim, “de uma questão muito pessoal”. “Não acredito que o Governo, o Chefe do Executivo ou a secretária fariam algo que danifica a imagem e integridade do Governo”, acrescentou.

Christiana Ieong enumera o que o Zonta Club tem pedido ao IAS que ainda não obteve. “Apresentámos uma contraproposta: o presidente tem de apresentar provas relativas à sua acusação contra nós. Uma vez que o Governo promove a ‘governação segundo a lei’, deve apresentar por escrito os seus ‘requisitos’ que, segundo ele, não cumprimos”.

Segundo a presidente do Zonta Club, o próprio IAS não tem sistema de contabilidade certificada. “Porque é que um sistema tão pouco profissional pode sobrepor-se a algo que foi feito por profissionais? É muito estranho e verdadeiramente chocante”, disse, referindo-se às questões orçamentais da escola.

Creche fecha, Zonta não

Caso o CCAC não dê razão ao Zonta Club de Macau e a creche Smart tiver mesmo de encerrar portas, Christiana Ieong lamenta que todo um projecto educativo vá por água abaixo. Porém, o Zona Club de Macau irá continuar.

“A nossa intenção inicial, ao criar este projecto [a Smart], foi apoiar o Governo na execução de políticas. Então se o Governo não apoiar aquilo que estamos a fazer, não vemos qualquer motivo para continuar”, disse.

No seu entender, Hon Wai está a “danificar a reputação” da creche e da associação, tratando-se “do mais importante”. Numa resposta enviada ao HM em Maio deste ano, o IAS explicou que a decisão de cortar a parceria se prende com a fiscalização financeira.

“Há já algum tempo que o Zonta Club de Macau não satisfazia as exigências de fiscalização de apoio financeiro do IAS em termos da aplicação dos recursos financeiros. Em virtude da persistência da situação durante um período prolongado, o IAS avançou com a cessação da cooperação em conformidade com a lei, nomeadamente cessar o financiamento e exigir a devolução das instalações da creche.”

O diferendo persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O Zonta Club de Macau – Clube de Mulheres Profissionais e Executivas [Zonta Club of Macau – Professional and Executive Women Club] é actualmente presidido por Amanda Ho.

24 Jun 2026

Hac Sá | Nick Lei pede melhores infra-estruturas na praia

Nick Lei entende que a praia de Hac Sá precisa de melhores infra-estruturas e planeamento, tendo em conta o futuro Campo de Aventuras Juvenis. O deputado exige também autocarros que liguem as fronteiras a Hac Sá

O deputado Nick Lei alertou, numa interpelação escrita, para a necessidade de melhorar as infra-estruturas públicas junto à praia de Hac Sá, em Coloane, tendo em conta o arranque experimental de operações do Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá no quarto trimestre de 2027.

“Prevê-se que, no segundo semestre deste ano, passem a estar abertas ao público as zonas para carros infantis e local de campismo, levando ao aumento do fluxo de residentes e turistas na praia e nas instalações de Hac Sá. Pode o Governo concretizar planos para que a zona se torne mais divertida e atractiva?”, questionou.

O legislador ligado à comunidade de Fujian disse ainda que as instalações recreativas da praia de Hac Sá, bem como os locais próximos, são uma das zonas preferidas dos residentes para momentos de lazer, e que, nos últimos anos, o Governo tem escolhido a praia de Hac Sá para a organização de eventos, como o festival “Hush!”. O deputado realça que estes eventos passaram a atrair para Coloane mais visitantes jovens de regiões vizinhas, além da população local.

Outros valores se levantam

Nick Lei destacou que, além da importância turística, a praia de Hac Sá é também importante em termos arqueológicos, por ter uma ligação próxima à cultura tradicional Hakka. Desta forma, o Governo deve, no entender do deputado, reformular o sistema de trânsito no local a fim de criar maiores conveniências aos visitantes.

O deputado refere na interpelação queixas de utilizadores, relativamente ao cancelamento, desde Maio de 2017, da carreira 25 por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Actualmente, existem apenas as carreiras de autocarros 21A, 26A, 15T e N3 (nocturna) com acesso a Hac-Sá.

“Estas carreiras passam apenas por zonas residenciais e não incluem os postos fronteiriços, não sendo possível levar os turistas para Hac Sá”, lê-se na interpelação escrita. Por esta razão, Nick Lei pediu um novo planeamento das carreiras de autocarros a fim de garantir percursos directos entre todos os postos fronteiriços e a praia de Hac Sá.

24 Jun 2026

Indonésia | Ng Wai Han destaca boas relações económicas

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, falou ontem das boas relações que a RAEM mantém com a Indonésia no que diz respeito à cooperação económica e turismo.

Ao discursar na abertura do Indonesia Business Forum 2026, a governante disse que, nos últimos anos, “a cooperação entre Macau e a Indonésia tem vindo a aprofundar-se e a consolidar-se em várias áreas importantes”, e que o “volume de importações de Macau para a Indonésia atingiu 1640 milhões de patacas no ano passado”. Além disso, as importações ultrapassaram “as 400 milhões de patacas no primeiro trimestre do corrente ano”.

A secretária realçou ainda como “o turismo é uma das áreas com maior potencial de cooperação” entre o território e o país, numa altura em que a Indonésia “ocupa o terceiro lugar como fonte de visitantes internacionais para Macau”.

Desta forma, Ng Wai Han disse que as autoridades dão “grande importância às exigências do mercado de visitantes muçulmanos da Indonésia”, sendo objectivo “tornar Macau num destino amigo dos muçulmanos”.

“Actualmente, um número significativo de fabricantes de produtos alimentares e restaurantes obtiveram certificações Halal em Macau”, rematou a secretária, que destacou também o facto de se realizar, este sábado, a 13ª Reunião Ministerial do Turismo da APEC na RAEM.

“Este evento marca o regresso da Reunião Ministerial do Turismo da APEC a Macau desde a última realização no território em 2014, o que demonstra a grande confiança e o firme apoio do Governo Central ao Governo da RAEM e reforça ainda mais o papel de Macau como uma importante ponte de ligação entre a China e o mundo”, concluiu.

24 Jun 2026

IAS ganha em tribunal e creche Smart tem de devolver instalações

O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem o fim oficial da ligação à associação Zonta Club de Macau, entidade gestora da creche Smart, na Taipa. Segundo um comunicado do IAS divulgado ontem, o fim oficial desta cooperação prende-se com a retirada, por parte da associação, da providência cautelar apresentada para travar o fim do financiamento público e recuperação das instalações.

“O IAS recebeu uma notificação do Tribunal Administrativo (TA) e, após confirmação junto do Tribunal de Última Instância, verificou que a entidade gestora da creche Smart retirou todas as acções administrativas que tinha intentado”.

A Zonta Club de Macau tinha apresentado uma providência cautelar para a suspensão do corte de apoios financeiros e para conseguir recuperar o espaço, a qual foi aceite pelo TA e Tribunal de Segunda Instância (TSI), segundo foi noticiado em Maio deste ano.

Desta forma, “a relação de cooperação entre as duas partes relativamente à creche Smart foi formalmente dissolvida nos termos da lei”, descreve o IAS na mesma nota, cabendo agora à Zona Club de Macau a devolução das instalações da creche.

Licença até Agosto

O IAS explica também que a licença da creche Smart se mantém em vigor até ao dia 26 de Agosto deste ano, alertando que a entidade gestora deve “garantir que os encarregados de educação dispõem de tempo suficiente para transferir os filhos para outras creches”.

Além disso, a Zonta Club de Macau “deverá informar claramente os pais das crianças inscritas sobre os procedimentos concretos para a cessação de actividade”, devendo tratar “de forma adequada todas as questões subsequentes”.

O IAS esclarece que “as creches de Macau dispõem de vagas mais do que suficientes”, sendo que “na zona das ilhas existem vagas para acolher as transferências” de crianças da creche Smart.

Em Maio deste ano, a creche Smart divulgou ter recebido 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027. O diferendo entre o IAS e a Zonta Club de Macau surgiu em Março do ano passado, quando o Governo cortou o financiamento e recuperou as instalações, dizendo apenas que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O IAS explicou posteriormente que o corte estava ligado à fiscalização dos subsídios concedidos.

23 Jun 2026

Fotografia | Wang Zhengping com exposição inédita em Lisboa

A galeria Ochre Space, em Lisboa, apresenta até 4 de Julho a mostra “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”, a primeira exposição do fotógrafo chinês em Portugal. Ao HM, Wang diz que os cavalos são como os humanos e conta como a fotografia sempre foi uma paixão

 

Wang Zhengping, um dos fotógrafos chineses contemporâneos mais importantes, tem, nos últimos dias, fotografado alguns dos sítios mais icónicos de Portugal ao sabor da vontade da sua lente. Esteve no Cabo da Roca e aproveitou para fotografar muito o Oceano Atlântico, as ruelas do Porto ou a baixa de Lisboa, com as suas gentes.
Wang Zhengping esteve em Portugal a propósito da inauguração de uma exposição em nome próprio, a primeira vez que tal acontece. É na galeria de fotografia Ochre Space, projecto do advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, que se pode ver, até 4 de Julho, “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”.

A mostra e baseada no livro “Mongolian Horse in North Wind” publicado em Pequim, em 2024. Destaque para o facto de o trabalho de Wang Zhengping já ter sido revelado em Macau no âmbito de uma edição do festival literário Rota das Letras, com a exposição “The Wind Blows Through the Grassland”.

O HM conversou com Wang Zhengping na cave da Ochre Space um dia antes da inauguração da mostra. O cavalo é, para si, muito mais do que um animal, mas quase como um humano. E com a fotografia, Wang revela mais do que a cultura das estepes da Mongólia Interior, de onde é natural: uma quase magia demonstrada em imagens de grande qualidade estética. “Para mim os cavalos são como pessoas, têm emoções, como se estivessem tristes ou felizes, então fotografo os cavalos com se fossem pessoas”, contou.

Citado por uma nota da organização, João Miguel Barros, fundador da Ochre Space e curador da exposição, descreve como estas imagens “revelam uma prática fotográfica que oscila entre a observação documental e a visão poética”, nas quais os cavalos “surgem não apenas como sujeitos fotográficos, mas como símbolos de resistência, liberdade e continuidade cultural numa das paisagens mais marcantes da Ásia”.

Neste projecto pode ser encontrada uma “diversidade de registos e atmosferas”, como “retratos silenciosos de cavalos solitários contra a vastidão da estepe coberta de neve, composições banhadas pela luz dourada do crepúsculo e imagens cruas do Inverno, esculpidas pelo vento norte que dá nome ao livro”, descreve ainda João Miguel Barros.

Questionado sobre se o seu trabalho contribui para aumentar a atenção para a cultura mongol e das estepes, aponta-nos, como resposta, uma entrevista que recentemente deu à revista “China Photography”, em Junho.
“Alguns dizem que documento uma civilização nómada em desaparecimento. Não gosto de rótulos. Organizo o meu arquivo em três grandes núcleos: cavalos, mongóis e estepe”, disse à publicação.

Paragem na carreira

Wang Zhengping é natural da Mongólia Interior, região autónoma do Norte da China, e há mais de 15 anos que fotografa o cavalo mongol e as paisagens que lhe estão associadas. É fotógrafo desde os anos 80 e formou-se na Academia de Belas-Artes Lu Xun em 1987, mas muito antes, em 1982, fez um curso de fotografia em Harbin, orientado por Wu Yinxian e Li Zhensheng.

Ao HM, recorda como já gostava de fotografia desde os anos da escola secundária. “Antes de entrar para a Academia de Belas-Artes Lu Xun já costumava ver fotografias de outros fotógrafos chineses, e ficava fascinado com elas. Depois comecei a gostar dos seus trabalhos, e comecei aí a gostar de fotografia e de tirar boas fotografias, e tirei fotografias do pôr-do-sol, fiz retratos…”

No ano em que se formou, Wang Zhengping venceu a Medalha de Ouro na primeira Exposição Nacional de Fotografia de Paisagem, e continuou a vencer por oito ou nove anos. Até que parou.

“Comecei a participar em alguns concursos de fotografia na China, e até ganhei algumas medalhas, mas depois de ganhar uma medalha de ouro num concurso, percebi que este prémio não era bem o que queria”, recordou ao HM.
Fez uma pausa de três anos em que não disparou a máquina, ao mesmo tempo que trabalhava numa galeria. Em 1990 dedicou-se ao comércio. Wang assume que nunca deixou por completo o mundo das artes, mas, na fotografia, buscava algo mais, algo que ainda não tinha visto na China.

“Quando via o trabalho de alguns fotógrafos, tudo me parecia muito normal e tradicional”, como se houvesse uma única forma de fotografar no país, acrescenta. O período em que trabalhou na galeria, e o contacto que teve com outras formas de arte, acabaram por o influenciar esteticamente e fazê-lo regressar à fotografia. Afinal de contas, a paixão ainda estava longe de terminar. “Gosto de fotografia desde criança e não podia desistir. Não fotografei durante três anos, e tentei evitar olhar para livros de fotografia ou [o trabalho] de outros fotógrafos chineses.”

A magia dos cavalos

À “China Photography”, Wang Zhengping descreveu como chegou a fotografar “os cavalos no Inverno, alugando um pequeno automóvel por 300 yuan por dia”. Na conversa com o HM, destaca o momento em que sentiu uma conexão com o animal. “Na estepe, quando houve uma corrida com centenas de cavalos, tirei uma fotografia. Mas um dos cavalos parou e baixou-se na minha direcção, mas não me magoou. Senti uma ligação, como se os cavalos se baixassem para me salvar.”

Imagem sem planos

Em 2009, Wang Zhengping foi distinguido com o Prémio Golden Statue de Fotografia da China, o mais prestigiado galardão fotográfico do país. Porém, isso não mudou o olhar humilde que tem sobre o seu próprio trabalho. “Não tenho referências de outros artistas porque, para mim, a fotografia é como um hobby. Pego na câmara e uso-a como uma ferramenta, jogo com ela.”

“Na verdade, trabalho como fotógrafo há mais de 40 anos, e posso dizer que sou um fotógrafo profissional. Numa fase inicial procurava ganhar prémios, mas, depois, deixaram de ser importantes. [Percebi que] só através do processo [de fotografar] podia conhecer-me”, como pessoa e como fotógrafo, explicou.

Wang Zhengping diz não estar a trabalhar em nenhum novo projecto. Fotografa uns meses e depois pára, conforme “a percepção sobre a sociedade, o mundo e a experiência de fotografia”. “Não me vejo como um artista maravilhoso”, disse.

Confessa que desde 2016 que não trabalha mediante um tema. Agora, as imagens que capta vão sendo organizadas em ficheiros pessoais, e depois o tempo decide o destino a dar a essas fotografias. “Posso dizer que todos os lugares do país [China], até de países estrangeiros, vejo o que tenho de fotografar, e só depois é que organizo.”

Numa era em que cada vez mais se fotografa com o telemóvel, e em que a inteligência artificial é, crescentemente, produtora de imagens, Wang Zhengping não afasta nenhuma destas possibilidades, apesar de não fotografar muito com o telemóvel. “Qualquer ferramenta que sirva para fotografar é boa. Não importa qual é a câmara. Contudo, prefiro usar máquina fotográfica, para mim é melhor porque não compreendo muito bem como funciona o telemóvel, há muitas funcionalidades que não sei usar. Comecei a usar a câmara digital em 2011 e tinha medo que gozassem comigo por não a saber usar.”

23 Jun 2026

Turismo | Visitantes de Taiwan sobem quase 20 por cento

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, em Maio deste ano, o número de visitantes oriundo de Taiwan foi de 93.701, mais 18,9 por cento em comparação com Maio do ano passado.

No caso de Hong Kong, registou-se uma quebra de 0,4 por cento, enquanto que o número de visitantes da China continental foi, em Maio, de 2.541.802, mais 4,2 por cento em termos anuais. Em termos globais, Macau recebeu, em Maio deste ano, 3.487.994, mais 3,4 por cento em termos anuais, destacando-se que o número de turistas em excursões subiu 7,9 por cento. Já o número de turistas individuais baixou 3 por cento.

A DSEC destaca ainda que, em Maio, “o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 234.150, mais 0,8 por cento em termos anuais”, destacando-se a subida de 36,1 por cento do número de visitantes da Tailândia (20.447). Quanto ao Sul da Ásia, o número de entradas de visitantes da Índia (15.293) subiu 3,5 por cento em relação a Maio de 2025.

Nos cinco primeiros meses do ano, o território recebeu 18.143.294 de turistas, mais 11,1 por cento face ao mesmo período de 2025. Ainda neste período o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.244.042, mais 8,7 por cento face ao período homólogo do ano passado.

23 Jun 2026

Transportes | Deputados pedem boa gestão e capacidade de resposta

O deputado Leong Pou U interpelou o Governo sobre a necessidade de organização atempada do sistema de transportes a pensar no Verão, a fim de facilitar a deslocação de turistas e residentes. Já Kou Kam Fai pede planos de resposta sobre obras viárias

 

A realização de obras nas vias públicas, o fluxo de turismo e a chegada dos meses de Verão são três factores que preocupam dois deputados. Leong Pou U e Kou Kam Fai apelam à organização atempada do trânsito, a fim de evitar constrangimentos na cidade. A ideia é que as obras possam terminar a tempo de arrancar um novo ano lectivo, em Setembro.

Numa interpelação escrita enviada ao Governo, Leong Pou U defendeu que as autoridades devem planear de forma antecipada o novo sistema de transporte antes da chegada das férias de Verão, tendo em conta o aumento do número de turistas e para que a experiência de transporte seja melhorada para os utilizadores.

Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), recordou que o Governo previu um aumento anual do número de turistas em cerca de dez por cento, para quase 44 milhões de pessoas.

“Tendo em conta que o número de turistas vai continuar a subir, a capacidade dos meios de transporte de Macau não consegue aumentar ao mesmo ritmo, e durante os feriados principais é costume formarem-se longas filas nas paragens de autocarros e de táxis. É frequente os autocarros não pararem nas paragens por estarem cheios”, disse.

Assim, o deputado quer saber que medidas e planos de resposta tem o Executivo para lidar com a pressão nos transportes públicos durante o Verão. Tendo em conta as várias obras viárias, Leong Pou U quer saber como serão aliviados eventuais impactos na população e turismo.

Atenção à escola

Também o deputado Kou Kam Fai falou deste assunto em declarações ao jornal Ou Mun, defendendo que as empresas a quem são adjudicadas as obras viárias devem elaborar planos de resposta, de necessidades de mão-de-obra e a respectiva calendarização, para garantir que os trabalhos terminam dentro do prazo previsto, tendo em conta a abertura do ano lectivo 2026/2027.

O também director da Escola Secundária Pui Ching disse estar preocupado com a chegada da época das chuvas fortes e tufões, o que pode causar impacto no andamento das obras viárias e atrasar os trabalhos.

Kou Kam Fai disse ainda que, nesta altura, é a fase final do ano lectivo 2025/2026, pelo que há apenas algumas actividades específicas em andamento, registando-se menos idas de alunos às escolas no ensino secundário. Por sua vez, nos ensinos primário e infantil há ainda aulas por mais duas semanas.

23 Jun 2026

UTM | Sam Hou Fai pede maior alinhamento com Hengqin

O Chefe do Executivo defendeu que a Universidade de Turismo de Macau deve “intensificar a organização e planeamento estratégico” tendo em conta a futura Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, fazendo a devida actualização pedagógica

 

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, deixou recados à Universidade de Turismo de Macau (UTM) na cerimónia de graduação de estudantes, que aconteceu na passada quinta-feira. Os recados vão no sentido de adaptação ao futuro do ensino e trabalho, passando por Hengqin.

“Esperamos que a Universidade de Turismo de Macau intensifique a sua organização e planeamento estratégico no sentido de acelerar a sua integração na estrutura da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin”, disse no seu discurso.

O governante pediu à UTM que “aprofunde a colaboração entre [as áreas de] indústria-universidade-investigação”, e que amplie acordos no que diz respeito a “intercâmbios académicos, estágios práticos, treino e inovação científica e tecnológica”.

Outro recado deixado pelo Chefe do Executivo surgiu no sentido de a UTM dever estar “estreitamente alinhada com as necessidades do desenvolvimento nacional e da RAEM, optimizando continuamente o conteúdo de disciplinas e a configuração de cursos”, tendo em conta o contexto de integração regional crescente de Macau com a província de Guangdong.

A ideia é que haja “um alinhamento preciso entre a formação de talentos e o desenvolvimento industrial, oferecendo um sólido suporte humano e intelectual ao desenvolvimento duradouro da nação e da RAEM”.

Quase metade com trabalho

Num outro comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, são citados dados de empregabilidade dos graduados da UTM, tendo em conta um inquérito realizado no ano lectivo de 2024/2025. Assim, “dos diplomados que terminaram a licenciatura, 48,5 por cento começaram a trabalhar meses após a graduação”, pelo que quase metade dos licenciados consegue emprego pouco tempo após terminar o curso, segundo a instituição de ensino superior.

Além disso, “33,7 por cento optaram por prosseguir os seus estudos”, sendo que, dos alunos que seguem para o nível de mestrado, “66 por cento começaram a trabalhar meses após a graduação”. De destacar que apenas 8 por cento destes alunos “decidiram continuar a estudar”, ou seja, partindo para a fase de doutoramento.

No discurso da cerimónia de graduação, Sam Hou Fai lembrou que a UTM já formou “sucessivas gerações de profissionais altamente qualificados, dotados de sólidos conhecimentos técnicos, boas competências gerais e visão internacional”.

“Muitos dos ex-alunos encontram-se activamente na linha da frente da indústria cultural e turística, em Macau e no exterior, contribuindo de forma significativa e positiva para o desenvolvimento do turismo local e para a diversificação adequada da economia”, acrescentou o governante.

22 Jun 2026

Plano Quinquenal | Sugerido exemplo de investimento do Dubai

Decorreu na última quinta-feira mais uma sessão de consulta pública a propósito do 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da Região Administrativa Especial de Macau (2026-2030).

Nesta sessão, descreve uma nota oficial, “alguns representantes sugeriram tomar como referência a experiência do Dubai”, nomeadamente para a utilização “das receitas existentes para investir em infra-estruturas, de modo a impulsionar a transformação económica de longo prazo”.

Além disso, foi proposto o desenvolvimento de projectos que juntem as áreas da “indústria-universidade-investigação”, com a “participação do sector comercial e industrial local”, bem como a necessidade de “apoio à internacionalização da indústria manufactureira e das marcas de Macau”. A sessão de consulta pública destinou-se aos sectores de educação, juventude, cultura, comunidade macaense e desporto. A consulta pública termina no dia 28 de Junho.

22 Jun 2026

IIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho

O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane

Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h.

A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM.

“Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse.

O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”.

“O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou.

Longo processo

Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”.

“Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto.

Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”.

Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido.

“Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.”

Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território.

“Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume.

A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.

18 Jun 2026

Sónia Sénica, académica: “Uma nova ordem multipolar”

Sónia Sénica, docente de Relações Internacionais, considera que a diplomacia mundial se define com três poderes, liderados pelo crescimento da China, a Rússia e o declínio da América. O HM conversou com a autora de “Ordem Tripolar – O Mundo dos Três Grandes Poderes” na última edição da Feira do Livro de Lisboa

Defende que o mundo tem hoje uma ordem tripartida dominada pelos Estados Unidos da América (EUA), China e Rússia. Como serão os relacionamentos com Pequim daqui a diante?

Percebemos que, sob liderança de Xi Jinping, há uma grande influência de Pequim para o que é uma nova ordem multipolar, que é algo que advoga, como sabemos. Mas, como refiro no livro, essa dimensão de multipolaridade cria uma espécie de eixo antagónico, sobretudo ao Ocidente, pela liderança norte-americana, independentemente da tentativa de normalização de agendas, ou de concertação de alguns posicionamentos com encontros oficiais, cimeiras ou ataques diplomáticos. Recentemente ficou muito claro que houve verdadeiramente uma corrida a Pequim. Até mesmo da parte do actual Presidente norte-americano, Donald Trump, houve a necessidade de articular as dinâmicas de cooperação e conflitualidade que estavam em curso, sobretudo a mais preocupante nesta altura para ele, que seria a do Médio Oriente e, em certa medida, contar com uma espécie de condescendência, de posicionamento favorável no que era a pacificação da região.

Tendo em conta o discurso político e a agenda de Pequim, o conceito de “comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”, parece que existe uma espécie de ordem mundial paralela. A China tem, por exemplo, o Fórum Boao, considerado o Davos da Ásia.

Sim. Em bom rigor, o que pretende Xi Jinping? Há duas dimensões: por um lado, a reunificação de Taiwan e a sua afirmação em termos regionais no Indo-Pacífico, e depois uma espécie de propagação da influência pela via da dimensão económica, com a “Belt and Road Initiative”; mas menos no quadro daquilo que é a dimensão de responsabilização enquanto grande poder. Ou seja, [a China] não quer e não está, do meu ponto de vista, claramente favorável a uma intervenção permanente militarizada ou de pacificação de mediação em várias dimensões. Exactamente como aquela percepção de excepcionalismo por parte dos EUA, uma linha estruturante, sobretudo desde o fim da Guerra Fria, em que [o país] emerge no quadro da unipolaridade e assume o papel de única potência internacional. Na época até se falava de ser o polícia do mundo. Mas há outra coisa importante, que Xi Jinping reiteradamente parece advogar, e que, em certa medida, parece curioso.

O quê?

Se, por um lado, [a China] cria esse multilateralismo alternativo ao Ocidente, sob influência sino-russa, como sabemos, e em concertação com os povos, por outro lado continua a defender o sistema onusiano [da Organização das Nações Unidas]. E porquê? [Por causa] da questão importante do direito de veto no Conselho de Segurança, onde a Rússia e China consideram que conseguem, de alguma forma, criar uma espécie de constrangimento ao Ocidente, [seja] aos EUA ou países europeus. Isto no que concerne a tomadas de posição condenatórias ou mais assertivas relativamente às suas posições e acções externas. Há um paradigma, também interessante, que mudou recentemente desde a invasão na Ucrânia, segundo analistas militares: de que os grandes poderes já não precisam apenas da força convencional para impor os seus interesses.

Quais as alternativas?

Têm de recorrer à guerra híbrida, diversificar alianças, contar com outros actores, por exemplo, dentro do Sul Global, nas dimensões económicas, diplomáticas. Isso acaba por criar uma espécie de sinergia global e uma mudança substantiva de como se faz política externa.

Porque o Sul Global é tão importante para a China? Temos a questão da língua portuguesa, de África, e também da língua espanhola, cuja importância é crescente.

Talvez por três ordens de razões. A primeira, que é notória, que é expandir a sua influência pela via económica. Há aqui uma dependência muito clara dos países que beneficiam com o investimento chinês, com a concertação de parcerias [com a China] enquanto parceiro comercial; de infra-estruturas que obviamente são criadas por via chinesa nesses países. África é muito substantiva nessa dimensão. Mas parece-me que é mais do que isso: é criar, de facto, uma espécie de política internacional mais inclusiva. A forma de cooperar da China, e na abordagem ao Sul Global, é uma espécie de percepção da igualdade. Não importa como a liderança chegou, se por via legítima ou não, ou por guerrilhas muitas vezes, ou convulsões sociais. Importa quem lá está naquele momento e de que forma podemos gerar benefícios comuns.

Muito se tem falado se a China é, ou não, uma verdadeira potência. Defende, no livro, que “a sua liderança política não parece ter assumido ainda a vontade de ocupar em pleno esse papel”. Em que sentido?

No sentido em que eu referi há pouco. Xi Jinping tem objectivos concretos, que é estender a influência chinesa na dimensão económica, porque é útil também para a economia chinesa. Estas dinâmicas de conflitualidade estão a pôr em risco e em causa cadeias de abastecimento, interesses, a economia interna. Sabemos que [a economia interna] tem sido uma forma de apaziguar também possíveis convulsões e criar uma espécie de diáspora que consiga também investir fora, com empresários e tudo isso. Acaba-se por criar uma espécie de quase expansão da China numa outra forma. Não agressiva, não invasiva territorialmente.

Através da cultura, por exemplo.

Exactamente, da propagação da cultura, da defesa daquilo que é a língua chinesa fora do território nacional, de criar sempre essa ligação entre a diáspora e o seu território. Tentando manter uma concertação, cooperação ou integração pacífica, e apelando à paz. É curioso, tendo em conta que o objectivo será, mais cedo ou mais tarde, a reunificação de Taiwan, idealmente de forma pacífica, mas, não sendo possível, recorrendo a outros mecanismos.

No seu entender será até 2049, quando chega ao fim do período de 50 anos no contexto da transição de poderes de Macau.

Creio que Xi Jinping tem isso decidido na sua cabeça há muito tempo. Não o esconde. Aliás, foi a primeira coisa [que afirmou], foi uma restrição unilateral que assumiu mal recebeu o presidente Trump. Está tudo certo, excepto esta parte.

Na última visita do Presidente norte-americano, ou na anterior?

Nesta. É um assunto tabu, e isso ficou claro. O posicionamento norte-americano [sobre a questão de Taiwan] nem era necessário ser ouvido naquele momento, porque se trata de um assunto interpretado por Xi Jinping como sendo uma questão doméstica, com outros contornos. Portanto, do meu ponto de vista, há um cronograma. Há quem advogue a questão de 2049 e, para ser simbólico, é o marco de uma liderança que conseguiu a reunificação de Taiwan com a China continental. Mas talvez estas questões actuais, como a monitorização das posições norte-americanas, dos seus parceiros, quer na Ucrânia ou no Médio Oriente, podem levar ao acelerar desta tomada de decisão, ou desta acção política, diplomática ou de estratégica militar que Xi Jinping vai ter de tomar.

Como será a relação com os Estados Unidos se o “Trumpismo” continuar com outras figuras?

Sob a liderança de Donald Trump, há claramente um propósito de articulação de agendas ou de relação com as grandes lideranças e homens fortes, e são todos os que refiro no livro “Ordem Tripolar”. O próprio Trump tenta, em certa medida, imputar algumas dimensões de lideranças de homens fortes, em que ele decide e toma, até, as rédeas do processo com uma só tomada de decisão, mas também de comunicação política. Muitas vezes sabemos o que vai ser decidido pelo próprio [Trump] mesmo antes da rede diplomática ou das próprias forças armadas. Isso tem traços de alguma dimensão de liderança centralizada e personalizada, que é uma característica de Xi e de Putin. Parece-me que, num primeiro ponto, haverá tentativas de concertação onde for possível, mas também de divergência. Certamente que existem posicionamentos que verdadeiramente não são todos iguais. E vai haver muito pragmatismo consoante o ciclo, o evento ou a tomada de posição. Uma tentativa de ajustar consoante as necessidades de parte a parte.

Os três grandes

Nesta obra recentemente editada pela Planeta, Sónia Sénica fala da “ascensão da China, o regresso da Rússia a uma lógica de confronto directo com o Ocidente e a percepção global de declínio norte-americano”, o que abre “caminho a uma nova ordem mundial”, que é “tripolar, incerta e desafiante”, lê-se na sinopse. A docente e analista de política traça “um retrato inquietante do mundo em transformação”, sendo esta uma “uma obra indispensável para entender o que está em jogo nesta transição geopolítica, em que a democracia liberal é posta à prova e na qual a Europa procura, ainda, o seu lugar”, é acrescentado.

18 Jun 2026

Festival LGBTQ+ com filmes nos cinemas Emperor este fim-de-semana

Há cinema para ver este fim-de-semana ligado ao universo LGBTQ+ no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que decorre até ao dia 27 deste mês, com as sessões a terem lugar nos cinemas Emperor.

Esta quinta-feira, às 20h, pode ser visto pela segunda vez o filme de estreia, “Cyclone”, do realizador Philip Yung, que conta a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

“Rosebush Pruning”, de Karim Ainouz, é a escolha para sábado, às 23h40. Classificado em Macau como pornografia e, portanto, recomendado para maiores de 18 anos, este filme revela os traços peculiares de uma família americana rica que vive na Catalunha, numa espécie de isolamento, procurando o amor e validação uns nos outros. Porém, segundo a sinopse oficial do filme, a chegada de alguém de fora a esse núcleo faz com que surjam tensões familiares e o rompimento de laços de sangue que existiam até então.

Segundo a Lusa, o filme surge no website da Berlinale como uma “sátira negra”; no Festival de Cinema de Sydney como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB como “comédia negra, thriller e drama”. Jay Sun, director do festival, não quis comentar a decisão das autoridades de classificar este filme como pornografia, dizendo “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC). Além disso, o festival não esteve “envolvido no processo”, adiantou.

Romances no ar

Também este sábado, mas na sessão das 17h15, pode ser visto “Iván & Hadoum”, do realizador Ian de la Rosa. Eis uma história passada em Espanha entre Iván, um trabalhador transgénero, e Hadoum, um trabalhador marroquino que acaba de chegar ao país. Este filme = retrata não apenas diferenças culturais nos relacionamentos como a vida dos trabalhadores migrantes e os meandros do amor e do desejo.

Por sua vez, “Trial of Hein” é exibido no domingo, às 20h, um trabalho do realizador Kai Stanicke. Também no domingo, às 17h15, é exibido “Saccharine”, de Natalie Erika James, um filme que explora um universo negro, de terror e, ao mesmo tempo, de desejos inerentes ao universo “Queer”. Já no sábado, apresenta-se a película “Away”, de Gerard Oms.

Esta sexta-feira, o festival exibe ainda “To Dance is to Resist”, uma história em torno dos bailarinos ucranianos Jay e Vol’demar, ligados ao universo escondido da cena “Queer” da cidade de Kyiv. Desde 2022, e sobretudo desde o conflito entre a Rússia e Ucrânia, que o realizador Julian Lautenbacher tem acompanhado este par, revelando as possibilidades de manter a arte e a vivência “Queer” num mundo virado do avesso.

17 Jun 2026

Governo promete incentivos fiscais para renovação urbana

Sam Hou Fai prometeu ontem que a renovação urbana tomará um outro rumo e que estão a ser pensados mais incentivos fiscais, e não só, para que os proprietários se sintam atraídos a renovar os prédios mais antigos.

“Vamos fazer trabalho [de revisão] da legislação do reordenamento [urbano] para termos um maior suporte legal, e incentivos fiscais que possam atrair e facilitar a maior participação e envolvimento dos visados”, disse o Chefe do Executivo em resposta aos deputados.

O debate começou, precisamente, pela renovação urbana, com os deputados a chamarem a atenção para a existência de muitas edifícios degradados. Ella Lei disse que “há cerca de cinco mil edifícios com mais de 30 anos, e muitos representam um risco”. A deputada alertou ainda para o facto de muitos residentes dizerem que, “mesmo querendo fazer obras de reparação, existem problemas complexos, como procedimentos morosos ou a faltam de assembleias de condomínio”. Desta forma, Ella Lei frisou que “a sociedade espera mais acções do Governo”, pedindo um “planeamento global integrado com a questão comunitária”.

Sam Hou Fai respondeu que o Executivo pretende “utilizar as habitações temporária e para troca, ampliar as suas funções em benefício dos visados e para a renovação urbana”, bem como “incentivar os proprietários a envolverem-se mais na reparação das suas fracções e edifícios”.

O Chefe do Executivo adiantou que a ideia é estabelecer uma janela temporal em que “a cada cinco ou dez anos, quando haja deterioração dos edifícios, eles [donos] possam trabalhar no sentido da sua reparação e manutenção, com o apoio do Fundo de Reparação Predial”.

A aposta de renovação passa também pelos edifícios baixos, nomeadamente de classe P e M, “com mais de 30 anos”. “Oferecemos medidas que aliciem os donos a aderir à manutenção e reparação” dos prédios, rematou Sam Hou Fai.

Um novo modelo

O governante prometeu trabalhar em prol de uma “maior resiliência urbana”, apostando “numa atitude pragmática e assumindo uma atitude liderança”. Sam Hou Fai disse que a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana irá liderar todo o processo de renovação “após aprovação de obras e definição de planos”, defendendo também “potenciar o papel da Macau Renovação Urbana”.

Sam Hou Fai anunciou ainda o lançamento de “um novo modelo de paradigma de trabalho no âmbito da renovação urbana, com modelos de reabilitação por quarteirões”.

17 Jun 2026

Anunciada reconversão do sistema educativo a pensar na IA

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, anunciou ontem que haverá uma reconversão de todo o sistema educativo, desde o ensino técnico-profissional ao ensino superior, a pensar na Inteligência Artificial (IA) e na necessidade de novos conteúdos e formatos. “Vamos implementar a educação em IA em todas as fases de educação e melhorar os cursos técnico-profissionais nas escolas, e no ano lectivo de 2025-2026 12 escolas já administraram cursos nesta matéria”, começou por dizer o governante.

“No ensino superior vamos aditar cursos de IA, na área do Direito ou gestão digital, e fazer com que as instituições do ensino superior possam organizar micro cursos para esse efeito”, acrescentou.

Sam Hou Fai, que foi ontem à Assembleia Legislativa (AL) fazer um balanço dos seis meses de Governo, respondeu, assim, às muitas perguntas colocadas pelos deputados sobre a necessidade de apoios ao emprego dos jovens e dos residentes.

Ngan Iek Hang disse que “os recém-graduados esperam maior diversificação dos postos de trabalho em cargos de base e médios nas indústrias emergentes”, enquanto Lam Lon Wai destacou que “o que mais preocupa os residentes continua a ser o emprego”.

“Muitos jovens são licenciados, mas não têm experiência, enquanto alguns trabalhadores de meia idade temem que as suas competências fiquem desactualizadas”, indicou o deputado dos Operários. Lam Lon Wai lembrou que “muitos cursos não correspondem às necessidades de mercado”.

Chan Hao Weng disse mesmo que “os resultados da transformação de indústrias continuam a não beneficiar os residentes”.

Estudo a caminho

Ainda em matéria de emprego e trabalhadores não-residentes (TNR), Sam Hou Fai revelou que será divulgado, “ainda este ano”, o relatório do estudo encomendado pelo Governo sobre a necessidade de quadros qualificados no futuro, nomeadamente sobre “as indústrias mais populares, como a educação e área jurídica”.

Face a dados no apoio ao emprego, o Chefe do Executivo referiu que entre os meses de Janeiro a Abril deste ano, houve 40 sessões de apoio a 3.370 residentes.

Sobre os TNR, ficou a promessa de “ajustar o número de quotas em conformidade com o desenvolvimento da RAEM”. Até Abril deste ano Macau tinha 182.815 TNR, dos quais cerca de 147 mil não tinham qualquer profissionalização. Apenas 6.887 TNR têm formação ou são qualificados, trabalhando no território 28.683 não-residentes que fazem trabalho doméstico, “o que representa um grande número”, disse o Chefe do Executivo.

Sam Hou Fai concluiu, assim, que “70 por cento dos TNR não profissionais fazem trabalhos que requerem força física, na área da segurança e das limpezas”.

UTM | Extintos cinco cursos

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, aprovou a extinção de cinco cursos de diploma da Universidade de Turismo de Macau.

Segundo a informação do Boletim Oficial, vão ser extintos os cursos de diploma de Gestão de Empresas Turísticas, curso de diploma de Gestão do Património Cultural, curso de diploma de Gestão Hoteleira, curso de diploma de Gestão e Programação de Eventos e curso de diploma de Gestão de Venda Turística e de Promoção de Marketing.

Todos estes cursos tinham uma duração de dois anos e foram aprovados a partir de 2010. Como parte da extinção, a Universidade de Turismo de Macau garante que os actuais alunos não são afectados e que serão conservados os registos académicos dos alunos que frequentaram as formações que vão ser descontinuadas.

17 Jun 2026

Emprego | Sam Hou Fai diz que houve “melhoria eficaz”

Não obstante as críticas apontadas pelos deputados sobre as dificuldades do emprego jovem e necessidade de actualização de cursos tendo em conta o mercado laboral, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, considera que houve “uma melhoria eficaz da situação de emprego dos residentes”, referindo que até Maio deste ano foram apoiados 4.572 residentes na busca de trabalho.

O governante destacou também que “a percentagem de trabalhadores locais em cargos de gestão de nível médio e superior nas empresas de lazer é de 89,6 por cento”. Em relação à devolução do imposto profissional pago, beneficiam da medida “cerca de 169 mil contribuintes, num montante total de 1,04 mil milhões de patacas”, disse.

Zona de Cooperação | Registados mais de quatro mil candidatos

O Chefe do Executivo destacou no discurso de balanço da acção governativa que se registou “um número recorde de 4.550 candidatos jovens de Macau” ao concurso de recrutamento para funções públicas na Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin, em regime de pessoal contratado.

Além disso, entre Abril e Julho deste ano, houve duas fases de destacamento de funcionários públicos, levando “um total de 20 trabalhadores dos serviços públicos de Macau para exercer funções na Comissão Executiva da Zona de Cooperação”.

Função Pública | Reforma não elimina postos de trabalho

Sam Hou Fai garantiu ontem que a reforma da Administração Pública “não é para eliminar unidades de trabalho, mas para melhorar a eficácia”. “Durante a reforma vamos fazer com que alguns postos sofram alterações, e algumas pessoas que trabalham num serviço passem para outro”, disse.

O Chefe do Executivo destacou que, até ao início deste mês, foram reestruturados seis serviços, “resultando na redução de uma unidade ao nível de direção de serviços e de seis cargos de direcção, sete departamentos, 31 divisões, três sectores e quatro secções, com uma redução total de 324 vagas no quadro de pessoal”. Além disso, desde a implementação do regime de mobilidade, em Março de 2023, até início deste mês, registaram-se 386 casos de transferência ou destacamento de trabalhadores.

17 Jun 2026

Cooperação | Sam Hou Fai diz que “mercado espanhol tem dimensão enorme”

O Chefe do Executivo, destacou no debate de ontem, na Assembleia Legislativa, que “o mercado espanhol tem uma dimensão enorme em termos económicos e de estrutura demográfica”. O governante anunciou que o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola “está a estudar a criação de instituições no México e em outros países estrangeiros”, para fomento da cooperação económica

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, foi ontem à Assembleia Legislativa (AL) com um discurso muito optimista sobre o panorama da economia local e os resultados da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin.

Referindo-se à última visita realizada a Portugal e Espanha, em Abril deste ano, Sam Hou Fai voltou a destacar os países de língua espanhola como importantes parceiros, referindo, em resposta aos deputados, que “o mercado espanhol tem uma dimensão enorme em termos económicos e de estrutura demográfica”, existindo necessidade de “aperfeiçoar esta rede” e “consolidar os resultados obtidos na visita”.

Relativamente ao Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), Sam Hou Fai anunciou que “vai reforçar o papel orientador nos investimentos”. Já o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS) está a “estudar a criação de instituições no México e outros países estrangeiros”, sendo que, este mês e no próximo “haverá visitas ao Brasil, Argentina e Moçambique” realizadas pelo IPIM.

Relativamente ao CECPS, Sam Hou Fai referiu que “o número de projectos de investimento e financiamento aumentou para 58, e o montante total do Fundo [Fundo de Desenvolvimento Económico e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola] atingiu os 30.000 milhões de renminbis “.

Os contratos assinados chegaram ao valor acumulado de 8.138.000 milhões de renminbis até Junho deste ano, “tendo atraído 173 empresas para se estabelecer na Zona [de Cooperação]”, referiu.

Ainda no que diz respeito à Zona de Cooperação em Hengqin, o Chefe do Executivo falou do “alcance de resultados importantes e faseados”, com “os principais indicadores económicos a manterem uma tendência positiva”.

Assim, no primeiro trimestre deste ano “o Produto Interno Bruto da Zona de Cooperação atingiu 14.273.000 milhões de renminbis, apresentando um aumento homólogo de 5,5 por cento”.

Alerta PME

Vários deputados colocaram questões sobre a sobrevivência das Pequenas e Médias Empresas (PME) locais, mas Sam Hou Fai apenas referiu que o Governo “está muito atento à situação das PME”, tendo vindo “a lançar muitos programas de apoio para dinamizar o comércio comunitário e canalizar o fluxo de pessoas, a fim de dinamizar a economia a nível local”.

No seu discurso, Sam Hou Fai frisou o lançamento “dos serviços de apoio à digitalização de PME de 2026 e do plano de valorização inteligente do sector de restauração de Macau”, sempre com o objectivo de “aliviar os custos de financiamento das empresas e apoiar a modernização e transformação”.

Subsídios para espanhol

O Chefe do Governo afirmou ontem que está a ser ponderado o financiamento de exames de certificação de língua espanhola, de modo a responder às necessidades de “desenvolvimento social”. Sam Hou Fai indicou que na segunda metade deste ano o Governo irá adicionar uma nova lista de subsídios “alinhados com as necessidades de desenvolvimento nacional e social de Macau”, com a inclusão da “certificação em espanhol” nessa lista entre as opções “em análise”.

“Estamos a aumentar os montantes dos prémios para determinadas certificações profissionais, em função dos custos associados à realização desses exames”, disse. Actualmente, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau é a única universidade com uma licenciatura em espanhol do território, e a única onde é possível realizar o exame para obter uma certificação oficial de proficiência em espanhol do Instituto Cervantes.

17 Jun 2026

10 de Junho | David Mourão-Ferreira recordado hoje no IPOR

Faz hoje 30 anos que faleceu o poeta português David Mourão-Ferreira, e que agora é recordado numa palestra intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, na Biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente. Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam uma sessão pensada no âmbito das comemorações do 10 de Junho

“E por vezes as noites duram meses / E por vezes os meses oceanos / E por vezes os braços que apertamos / nunca mais são os mesmos.” É assim que começa um dos poemas mais conhecidos de David Mourão-Ferreira, poeta português contemporâneo falecido há exactamente 30 anos e que hoje é recordado numa palestra que decorre na biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente (IPOR), a partir das 18h30.

Os académicos e docentes Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam a sessão intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, que visa recordar “o especial contributo de David Mourão-Ferreira para as letras nacionais”, disse ao HM Pedro D’Alte.

O poema com que este texto se inicia, “E por vezes”, é, para Pedro D’Alte, “dos mais belíssimos poemas portugueses o que, por si, já diz muito da capacidade estética do autor”. Mas como recorda o responsável, Mourão-Ferreira não foi apenas poeta, tendo também escrito em prosa e exercendo crítica literária.

“David Mourão-Ferreira foi letrista para Amália Rodrigues, escrevendo fados icónicos que, hoje, são transversais tanto ao gosto popular como das elites. Tem a particularidade de ser um teórico, professor académico, conhecedor literário. Este conhecimento é plasmado nas suas composições, mesmo que aparentemente simples.”

Pedro D’Alte destaca que, na obra do poeta, “são relevantes as inúmeras referências intertextuais e os diálogos profundos com outros autores de renome”. “Numa perspectiva mais pessoal, é singular o ascendente sensorial na representação do erotismo e, também, de enaltecer a quantidade e a qualidade da produção e a incursão em diferentes esferas de produção que perpassam a música, a poesia e a estética romanesca”, acrescenta.

A sessão de hoje no IPOR “irá centrar-se na presença do Amor, do Erotismo, da figura feminina, e dos aspectos mais exploratórios deste ascendente sensorial” nos poemas deste autor.

Será dada “primazia a ‘Antologias Poéticas’, organizadas pelo próprio autor em vida, ou organizadas por outros teóricos já após o seu falecimento”, fazendo-se depois o cruzamento com uma “esfera narrativa”, com edições como “Os amantes e outros contos” ou “As quatro estações”.

Pedro D’Alte anunciou que no próximo ano deverá ser celebrado o centenário do nascimento do poeta português, pelo que a sessão de hoje não pretende “esgotar nem ampliar em demasia os conteúdos sobre este autor, de modo a não sobrecarregar o nosso público de Macau com demasiados tópicos ou linhas de leitura”.

Escrever “contra-corrente”

Pedro D’Alte recorda que David Mourão-Ferreira “não foi um autor estático”, mas sim “errático e, por vezes, em contra-corrente”.

“Basta lembrar-se o quão desafiante e contrária foi, para os poderes instalados e para a sua própria vida pessoal, a produção de letras para o fado, determinadas capas nas suas obras ou a maneira explícita como o Erótico se assume eixo central em determinadas composições. Creio que, neste sentido, David Mourão-Ferreira nos relembra a história e o sentido de ser-se português, pelo menos no seu viés mais salutar e celebrado”, defende o co-orador e organizador da sessão de hoje.

O poeta recusou “o conforto e o fácil e, em oposição, [procurou] a insurgência, a inquietação, o favorecimento e o prevalecimento da descoberta de novos caminhos, do êxtase e do gosto pela vida, do uso do tempo pessoal para a construção de um nome maior, nas mais diferentes esferas”.

David Mourão-Ferreira é, assim, mais um dos “bons nomes que Portugal tem para celebrar neste 10 de Junho”, remata Pedro D’Alte, que é pós-doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta e professor da Universidade Politécnica de Macau. Lia D’Alte é, por sua vez, mestre em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta e colaboradora da Escola Portuguesa de Macau.

16 Jun 2026

Taipa | Recuperação de terrenos leva a infestação de ratos

Um conjunto de terrenos recuperados junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de ratos, segundo relatos de residentes nas redes sociais. O Instituto para os Assuntos Municipais promete resolver o assunto

Vários residentes da Taipa queixam-se que a recuperação de terrenos junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de roedores. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as queixas dos moradores surgiram nas redes sociais, com publicações de vídeos onde se vê um grupo de ratos num dos terrenos.

“Actualmente, há muitos ratos na Taipa, nos terrenos recuperados junto ao Nova Grand. Quando é que o Governo pode prestar atenção a este assunto? Há muitas escolas nas proximidades, como a Escola Pui Tou, Escola Secundaria Pui Va, Escola das Nações e Escola dos Moradores de Macau. O Governo deve limpar a relva ou colocar um piso de cimento para que os residentes façam ali exercício. A relva está, actualmente, cheia de pragas e tenho medo que haja uma infestação na Taipa”, lê-se numa das publicações.

O jornal Ou Mun entrevistou alguns residentes que afirmam que os ratos andam frequentemente pelos terrenos já desocupados, queixando-se de que muitos invadiram as suas casas, entrando pelas frestas das portas ou pelos canos.

Um responsável de uma escola situada nas imediações, que não quis ser identificado, revelou que a instituição de ensino está a prestar muita atenção ao caso e se for necessário vai adoptar medidas em coordenação com as autoridades. O responsável afirmou também que outro problema grave é o panorama de infestação de mosquitos, e pediu o reforço dos trabalhos do Governo para a sua eliminação.

Promessas do IAM

Na mesma notícia, lê-se que o vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, disse ter contactado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para o organismo acompanhar o caso. O dirigente associativo afirmou ter informado o IAM assim que soube da situação dos ratos, para que haja o menor impacto possível.

Entretanto, o IAM já terá enviado funcionários ao local para o tratamento e colocação de ratoeiras. Lam Ka Chun, também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do IAM, defendeu uma maior inspecção e gestão dos terrenos recuperados e vazios, nomeadamente através da organização corrente da recolha do lixo e corte de relva, a fim de prevenir a infestação de mosquitos e roedores.

16 Jun 2026