Comédia | Wynn Palace apresenta dupla Yue Yunpeng e Sun Yue

Decorre no dia 1 de Agosto um espectáculo de “stand-up comedy” da dupla Yue Yunpeng e Sun Yue no Wynn Palace Grand Theatre, no Cotai, a partir das 20h. Segundo um comunicado do Wynn Palace, trata-se de um regresso a Macau após cinco anos, “numa actuação muito aguardada”.

“Aclamados pelo seu estilo cómico distinto e pela química impecável em palco, a dupla irá apresentar um espectáculo inesquecível, repleto de risos”, numa noite que promete ser “cativante, marcada por uma interacção animada e excelência cómica”.

Yue Yunpeng é também conhecido como “Xiao Yueyue” e juntou-se ao Deyun Society em 2004. “Com uma actuação cénica distinta e um humor característico, conquistou os corações do público por todo o país”. O artista é conhecido pelas actuações “Song of the Fifth Ring” e “I Can’t Stand It”, tendo participado em diversas edições da “Gala do Festival da Primavera” da estação televisiva chinesa CCTV.

Actualmente Yue Yunpeng é tido como “um dos comediantes mais populares no panorama da comédia stand-up chinesa”. Os bilhetes já estão disponíveis, com preços a partir de 888 patacas, na bilheteira online da Wynn.

2 Jul 2026

Julho repleto de eventos, de exposições, desporto, passando pelo design e caligrafia

O Instituto Cultural (IC) levantou o véu sobre o que tem agendado para Julho, com uma programação multifacetada, variando entre pintura, design, voleibol, entre outras propostas.

Um dos destaques será uma exposição sobre o trabalho do pintor Mio Pang Fei, já falecido, intitulada “Contemplações Oriente-Ocidente: Retrospectiva de Mio Pang Fei”. Segundo um comunicado do IC, esta mostra “irá estar patente em breve”, sem que tenha sido mencionado ainda o local, tal como a exposição “sobre o 1º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau”, outra iniciativa agendada pelo IC para este Verão.

Mio Pang Fei nasceu em Xangai, em 1936, mas foi em Macau que viveu praticamente toda a vida, tendo-se firmado como um dos mais conceituados artistas plásticos e uma referência da arte contemporânea chinesa.
Ainda na China interessou-se pela arte contemporânea ocidental, à época tida como anti-revolucionária. No período da Revolução Cultural dedicou-se à caligrafia e arte tradicional chinesa, tendo sido condenado a trabalhos forçados. No ano de 1982 refugiou-se em Macau e descobriu na pintura uma forma de juntar a arte ocidental com a arte chinesa tradicional.

Ainda no campo das exposições, o IC tem patente, no ART (Dot Art), a mostra “A Antiga China no Design Criativo”, até ao dia 7 de Agosto. Segundo a mesma nota, trata-se de uma iniciativa organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo da China, coordenada pelo Museu Nacional da China e coorganizada pelo IC.

Apresenta-se aqui “relíquias culturais clássicas de 22 entidades museológicas de todo o país como protótipos de design, apresentando cerca de 400 obras culturais e criativas requintadas”. O objectivo é que o público possa “aprofundar a compreensão dos visitantes sobre os 10000 anos de história cultural e os 5000 anos de civilização da China”.

Desporto para todos

No tocante a actividades desportivas para este verão, decorre entre os dias 22 e 26 de Julho a “Liga das Nações de Voleibol Feminino – Finais Macau 2026 apresentada pelo Galaxy Entertainment Group”, com jogos no Dome – Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau.

A Liga conta com a participação de 18 equipas de elite mundial, que disputarão três rondas preliminares até ao dia 12 de Julho – e que tiveram início a 3 de Junho, sendo que a China “como equipa anfitriã, estará juntamente com as sete equipas melhor classificadas na pontuação, reunindo em Macau na segunda quinzena de Julho para disputar na fase final o título de campeã da Liga deste ano”, pode ler-se.

Destaque ainda para a realização da prova de badminton da categoria aberta, integrada na “Taça Hengqin-Macau” – Série Principal e Série Júnior de 2026, agendada para o dia 9 de Agosto no Dome. As inscrições para a competição estarão abertas a partir do início deste mês.

Este fim-de-semana acontece no Centro Desportivo Olímpico – Campo de Hóquei, o evento “Comunidade Dinâmica – Festival Competitivo de Verão 2026”. O evento alia, segundo a mesma nota, “a vertente lúdico-competitiva ao espírito de equipa, incluindo modalidades adequadas para grupos de jovens e actividades especialmente concebidas para a participação familiar”.

No leque de eventos culturais organizados pelo IC destaca-se também a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, com espectáculos, ciclo de cinema e workshops até finais de Agosto; ou ainda a actividade “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”, realizada em diversas zonas de lazer, parques, sítios do Património Mundial e museus em Macau e Taipa, “sob a forma de concertos, workshops temáticos e actividades de promoção da leitura”. Por sua vez, o 44º Concurso para Jovens Músicos de Macau, nas categorias da Música Chinesa e Ocidental, terá lugar na segunda quinzena de Julho.

2 Jul 2026

Creative Macau | Elisa Vilaça expõe obras feitas a partir de materiais reciclados

É inaugurada hoje na Creative Macau a exposição “Everything is Created, Everything is Transformed”, que reúne trabalhos de Elisa Vilaça. A mostra da artista e directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau reforça a importância da reciclagem e da redução de desperdício

 

A Creative Macau acolhe a partir de hoje uma nova exposição com obras de arte feitas a partir de materiais reciclados, da autoria de Elisa Vilaça, directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau (CPM). “Everything is Created, Everything is Transformed” [Tudo é Criado, Tudo é Transformado] é o nome da exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Julho, que revela o potencial artístico de objectos e materiais que, muitas vezes, ficam esquecidos no caixote do lixo.

Ao HM, Elisa Vilaça contou que este projecto “tem como base a reciclagem de materiais”, algo que a artista, também ligada ao universo da criação de marionetas, já faz há algum tempo. “Desde que cheguei a Macau, nos anos 80, que o meu trabalho como educadora de infância sempre se focou muito na reciclagem de materiais, daí ser conhecida entre os professores chineses por Lap Sa Sim San, ou seja, professora do lixo”, disse.

Para Elisa Vilaça, é fundamental “chamar a atenção dos mais jovens para a importância de reciclar e reaproveitar os materiais que são descartados diariamente”, sendo que o foco da artista até passou para a natureza, com o aproveitamento de sementes, folhas secas e até troncos de árvores.

“Juntam-se também os fios de algodão e vários tipos de amostras adquiridas, principalmente nos mostruários dos casinos e, muitas vezes, materiais encontrados em contentores de lixo”, contou ainda. Tudo isto recebe um “tratamento especial para conservação e estético, para que se tornem mais apelativos”, sendo que a mostra na Creative Macau é o resultado destes anos de cuidado e conservação.

“Espero que quem visite a exposição se possa aperceber do potencial que existem nestes materiais”, disse ainda. Elisa Vilaça considera que “o mais importante é ser criativo e olhar para a natureza com mais profundidade”.

“Um ciclo infinito”

Segundo uma nota da Creative Macau, a exposição chama a atenção para o facto de a natureza poder suscitar “um ciclo infinito de criação”, sendo importante reciclar tendo em conta as alterações climáticas e o seu impacto nefasto na sociedade.

“O sol, a chuva e o vento moldam a vida todos os dias, embora estas coisas não sejam visíveis. Cegos pelo ritmo acelerado de uma sociedade que consome e deita fora em segundos, viramos as costas ao que realmente importa. Esquecemo-nos de olhar para o céu; ignoramos a beleza das folhas que caem, das sementes que voam, da madeira flutuante que o mar devolve pacientemente à costa. Mesmo nas suas tempestades ou no seu aparente declínio, a natureza oferece-nos sempre novos começos. Nós, no entanto, estamos a acelerar a morte do nosso planeta”, lê-se na mesma nota.

Desta forma, o trabalho de Elisa Vilaça visa ser também “um manifesto pela mudança”, constituindo “um apelo urgente ao respeito pelo mundo que nos rodeia, uma tarefa que deve começar cedo, nas nossas casas, nas escolas e nas decisões daqueles que nos governam”.

A CPM como elo de ligação

Elisa Vilaça tem cerca de 40 anos de experiência em ensino, nomeadamente ao ensino das artes. Ao HM confessa que o seu trabalho na CPM também se interliga com a vontade de reciclar e criar ao mesmo tempo. “A partir do momento em que comecei a trabalhar na CPM que esse trabalho [de aproveitamento e reciclagem] se foi intensificando, primeiro para reduzir custos de trabalhos realizados, e depois porque [com a reciclagem] os trabalhos ficavam diferentes e mais criativos.”

As aulas de cerâmica foram uma oportunidade para apostar ainda mais no reaproveitamento, sobretudo de “materiais naturais encontrados principalmente em praias, jardins”, ou objectos “recolhidos nos tufões mais severos que afectaram Macau”.

“No meu trabalho na CPM, como formadora em várias áreas, o que sempre digo aos meus alunos é que, se houver criatividade e um olhar de reflexão perante os materiais que têm à frente, tenho a certeza que o trabalho vai ser fantástico. Ter amor no que se cria é o primeiro passo para o sucesso”, disse. Esta mostra não inclui, porém, marionetas, ainda que Elisa Vilaça tenha “bastantes construídas com materiais da natureza, ou que são descartados diariamente”, frisou.

2 Jul 2026

Macau participa na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba

Macau participa pela primeira vez na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba, um dos maiores eventos na América Latina, levando ao Brasil obras que evocam a portuguesa Helena Almeida, disse à Lusa a curadora.
A portuguesa Margarida Saraiva, curadora do Museu de Arte de Macau (MAM), disse esperar que a estreia em Curitiba crie um “precedente para futuras colaborações” e “abra portas para o intercâmbio com o Brasil e a América Latina”.

O Instituto Cultural (IC) montou um pavilhão no espaço principal da bienal, o Museu Oscar Niemeyer, dedicado ao célebre arquitecto brasileiro, que morreu em 2012. A 16ª edição da bienal – de regresso ao formato presencial depois de a última, em 2021, ter decorrido online devido à pandemia – arrancou em 14 de Junho e decorre até 15 de Novembro na capital do estado de Paraná, no sul do Brasil.

O pavilhão de Macau é composto por três trabalhos digitais encomendados pelo IC para a primeira retrospectiva na Ásia de Helena Almeida (1934-2018), que reuniu no MAM, entre Janeiro e Abril, 190 peças da artista portuguesa.
A obra “Cinco Língu-Língu”, da artista de Macau Bianca Lei Sio Chong, junta cinco línguas: cantonês, mandarim, inglês, português e patuá.

O lugar das tecnologias

Numa altura em que a inteligência artificial normaliza a tradução universal, o trabalho de Bianca Lei “resiste à homogeneização linguística num mundo de inteligência artificial”, sublinhou Margarida Saraiva. Noutra obra, “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, do chinês Gao Fuyan, o rosto do espectador é capturado, projectado, impresso e triturado, para questionar “o que resta do ser humano na era do reconhecimento facial”.
“WU . Stone . Sardapass”, de Peng Yun, mergulha no “limiar entre o humano e a máquina”, ao mostrar a artista chinesa radicada em Macau a trabalhar, observada por um cão-robô.

Margarida Saraiva sublinhou que a presença de Macau na bienal de Curitiba faz parte das actividades do Ano Cultural Brasil-China 2026, que assinala os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A mostra reflecte “a política de reforço dos laços com os países de língua portuguesa” e reafirma a “posição única de Macau entre os mundos chinês e lusófono”, defendeu a investigadora. A presença em Curitiba é “um marco de diplomacia cultural”, sendo a primeira vez que Macau cria um pavilhão num grande evento artístico da América Latina, recordou Saraiva.

A bienal de Curitiba, organizada pela primeira vez em 1993, reúne este ano mais de 300 artistas de 38 países e territórios. O evento, com uma área de exposição de 35 mil metros quadrados, atrai mais de um milhão de visitantes por edição, disse Saraiva. O público poderá descobrir “uma Macau que não é apenas destino turístico, mas lugar de reflexão profunda sobre o nosso tempo”, disse a curadora.

1 Jul 2026

Lusofonia | German Ku e Marta Miranda actuam hoje no Largo do Senado

Depois dos primeiros concertos de ontem, sobem hoje ao palco montado no Largo do Senado artistas como o macaense German Ku, a portuguesa Marta Miranda, ex-vocalista dos OQueStrada, ou a cabo-verdiana Elly Paris. A música ouve-se entre as 18h e as 21h, mas há também uma mostra de artesanato na Galeria do IAM

 

A lusofonia irá soar hoje em Macau com um espectáculo que começa às 18h com ritmos locais: o macaense Germano Guilherme, conhecido em palco como German Ku, irá actuar com a cantora Winifai inaugurando o segundo dia de concertos integrado na 18ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já ontem o Largo do Senado foi palco de música dos países de língua portuguesa e também de Macau.

O programa traz hoje nomes como o brasileiro Maurício Tizumba, a cabo-verdiana Elly Paris, os artistas da Guiné-Bissau Patche Di Rima e Anderking Skididi ou ainda Az Khinera, artista moçambicano.

O cartaz prossegue com a actuação da portuguesa Marta Miranda, os Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, e ainda os New Arquiris Band, oriundos de Timor-Leste. O capítulo final de todas estas actuações escreve-se com um “Carnaval Sino-Lusófono”, descreve o programa oficial.

Voltando aos artistas que abrem os concertos de hoje, Germano Guilherme ficou conhecido depois de ganhar um concurso de talentos da estação televisiva TVB, de Hong Kong, o “Midlife, Sing and Shine 2”, em 2024.
Germano Guilherme estudou na Escola Portuguesa de Macau e na Universidade Politécnica de Macau, e desde que venceu o concurso de canto não mais parou de subir aos palcos com a sua música, nomeadamente com o primeiro concerto em nome próprio, “I’m Home”, no Venetian Theatre em Agosto de 2024. Nos últimos meses o artista tem feito uma digressão na Malásia.

Entretanto, Marta Miranda actua em Macau no contexto da digressão intitulada “Uma Mulher na Cidade”, fazendo-se acompanhar pelos músicos Jean Marc Pablo, Sérgio Prazeres e Ricardo Quinteira. Marta Miranda foi vocalista do grupo OQueStrada, com raízes na música tradicional portuguesa, tendo lançado o seu primeiro trabalho discográfico em nome próprio, “Mulher na Cidade”, em 2024, sobre Lisboa, Almada, e as raízes que tem entre os dois lugares e respectivas vivências.

Destaque para o facto de estes artistas terem marcados concertos para este fim-de-semana, sábado e domingo, no palco da Praça Tangdao, na cidade de Xining, repetindo-se as actuações na próxima semana, nos dias 9 e 10 de Julho, em Pequim, na Praça da Concha Acústica (Praça Beike).

Artesanato até domingo

A 18ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa arrancou no sábado e irá prolongar-se até 10 de Julho, em Macau, Qinghai e Pequim, tendo como lema “Encontros Culturais Sino-Lusófonos, Amizade sem Fronteiras”.

Outro ponto de destaque do programa deste ano é a “Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa ‘Policromia Lusófona'”, organizada pelo Fórum Macau. A mostra, que pode ser vista na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), apresenta peças oferecidas pelas delegações dos Países de Língua Portuguesa ao Fórum Macau “ao longo dos mais de vinte anos desde a sua criação”, destaca uma nota da organização.

“Policromia Lusófona” divide-se em quatro secções, nomeadamente “Texturas do Som” ou “Histórias de Esculturas”, entre outras, revelando-se ao público objectos como “utensílios do quotidiano confeccionados em fibras naturais”, e que reflectem “modos de vida e tradições estéticas das diferentes regiões” com ligações à língua portuguesa.

Apresentam-se também “instrumentos musicais tradicionais, acompanhados por projecções de performances, permitindo ao público vivenciar como a música transcende línguas e fronteiras”, destaca a organização. Não faltam ainda “peças em madeira e cerâmica que reflectem crenças religiosas e mitos populares” ou ainda “loiça de mesa e adornos”. A mostra estará aberta até este domingo, funcionando diariamente das 09h às 21h.

1 Jul 2026

Lisboeta | “Toy Story 5” exibido em sessão aberta a animais de estimação

Os Cinemas Emperor, no Lisboeta Macau, acolhem no próximo dia 11 de Julho a exibição do filme “Toy Story 5”, uma iniciativa aberta a animais de estimação. A ideia, segundo um comunicado do Lisboeta Macau, é que o público possa levar os seus animais de estimação, a fim de criar “memórias inesquecíveis” e uma maior conexão entre os donos e os seus cães.

Cada cão recebe um brinquedo alusivo ao filme, decorrendo ainda outras actividades como o “Live Custom Sketching”, onde “artistas profissionais vão realizar retratos personalizados dos convidados e seus cães em bilhetes de cinema comemorativos”, e que servem de lembrança após a visualização do filme.

O Lisboeta Macau vai ainda apresentar um “mercado para animais de estimação”, onde se apresenta “uma variedade de produtos para que hóspedes e cães desfrutem de um fim-de-semana repleto de diversão na H853 Fun Factory”, lê-se ainda. Os bilhetes de cinema estão disponíveis para venda no portal do Lisboeta Macau ou no WeChat num grupo destinado a membros do Lisboeta Macau.

30 Jun 2026

Associação Cultural da Taipa | Aniversário celebrado com exposição itinerante

São dez anos a revelar perspectivas artísticas e a celebrar o fascínio que a Taipa velha proporciona. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é a exposição que a Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã, com trabalhos de artistas como Clara Brito, André Carrilho, Ana Aragão ou Rusty Fox

 

A Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã uma nova exposição que é também uma forma de celebração. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é o nome da mostra que apresenta trabalhos de 14 artistas, locais ou com ligações a Macau, e que nos últimos dez anos apresentaram a sua arte na Vila da Taipa. São eles P.I.B.G., graffiter cujo trabalho é pioneiro em Macau; os fotógrafos Chan Hin Io, Ieong Man Pan e Rusty Fox; os ilustradores portugueses Ricardo Lima, André Carrilho, Ana Aragão e Sara Hung, esta última natural de Macau.

Esta exposição apresenta também a obra de Fan Sai Hong, mestres de pintura chinesa como Lio Man Cheong e Chao Iok Leng; a designer de moda Clara Brito, bem como as artistas plásticas Crystal W. M. Chan e Bianca Lei Sio-Chong.

Segundo um comunicado da Associação Cultural da Vila da Taipa, trata-se de uma “exposição inovadora” por reunir “uma combinação invulgar de instalações artísticas ao ar livre e exposições em espaços interiores de obras seleccionadas de 14 talentos individuais de Macau e de todo o mundo”.

Desta forma, o público tem acesso a um “espectáculo visualmente rico” que revela também perspectivas do património cultural local”, onde “os amantes da arte ao ar livre” são convidados “a passear pelos locais com património e ruelas históricas da Vila da Taipa, enquanto exploram a cultura, o encanto e a atmosfera única do bairro”.

Um mapa com arte

Tratando-se de uma mostra interactiva, no sentido em que o público não só tem acesso a obras dentro de uma galeria de arte, num formato mais tradicional, como também recorre a um mapa para ver obras expostas no exterior, “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” acaba por “esbater a distinção entre galeria e paisagem urbana”.

Isto porque, na parte da exposição dentro de portas, “os visitantes podem explorar obras de arte originais”, existindo depois “banners apelativos estrategicamente colocados por toda a vila, em que cada um destaca o perfil e visão criativa do artista”.

A exposição propões aos visitantes “uma viagem de descoberta”, a fim de poderem “explorar o encanto único e o património cultural da Taipa enquanto desfrutam de um passeio tranquilo”. Ao mesmo tempo, também se procura estabelecer “uma ligação entre as instalações ao ar livre e as obras de arte originais expostas na galeria”.

João Ó, arquitecto e presidente da associação, disse, citado pela mesmo nota, que “esta exposição celebra uma história partilhada de intercâmbio artístico, ao mesmo tempo que reafirma a posição da vila da Taipa como uma plataforma viva para a criatividade contemporânea”.

Os trabalhos seleccionados para esta iniciativa reflectem, segundo João Ó, “a riqueza e pluralidade que têm vindo a definir o programa” da associação nos últimos anos, adiantou. A mostra pode ser vista até ao dia 11 de Setembro de forma gratuita, funcionando na Galeria de Exposições junto às Casas Museu da Taipa, entre as 10h e 19h, e em diversas ruas da Vila da Taipa.

30 Jun 2026

Grande Baía | CURB assume presidência da Aliança de Design

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, sediado em Macau e presidido pelo arquitecto Nuno Soares, assumiu a presidência da Great Bay Area Urban Design Alliance (Aliança do Design Urbano da Grande Baía).

Segundo um comunicado do CURB, a presidência “posiciona Macau como um centro de excelência regional” nesta área, sendo que a anterior presidência da entidade esteve a cargo da Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen.

O CURB irá presidir à Aliança nos próximos dois anos, pretendendo colocar a RAEM “no centro de uma rede regional dedicada a promover a excelência no design urbano e a colaboração interdisciplinar”, trabalhando “em estreita colaboração com organizações parceiras, numa agenda clara para melhorar a qualidade de vida através de espaços públicos dinâmicos”.

Pretende-se ainda “contribuir activamente para o desenho urbano nas principais cidades da região da Grande Baía”, lê-se na mesma nota.

A Aliança de Design Urbano da Grande Baía foi criada “para promover o diálogo, a colaboração e a inovação no design urbano e no planeamento”, reunindo “instituições profissionais de referência de toda a região”, nomeadamente o Instituto de Design Urbano de Hong Kong, a Associação de Planeamento Urbano de Guangzhou, a Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen, a Associação da Indústria de Exploração e Design de Planeamento de Zhuhai e o CURB.

29 Jun 2026

IC | Nova edição de festival infantil de artes arranca esta semana

Cinema, espectáculos e muita magia: arranca amanhã a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau. O cartaz traz produções de companhias de teatro locais e ainda a participação da Trupe Fandanga, de Portugal, com “Os Lobos de Pedra”

 

Começa amanhã mais uma edição, a terceira, do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa), que traz muitos espectáculos destinados aos mais novos, workshops e cinema exibido na Cinemateca Paixão.

Com um cartaz repleto de actividades até Agosto, o festival, que é organizado pelo Instituto Cultural (IC), apresenta também exposições de arte, uma feira artística, sessões de leitura para crianças e também um “Acampamento Criativo para Crianças”. O objectivo, segundo uma nota do IC, é “incentivar crianças, adolescentes e famílias a aproximarem-se e a experimentar a arte”, bem como promover o desenvolvimento artístico dos mais novos.

É oferecida “uma variedade de experiências culturais e de entretenimento familiar, permitindo que crianças e adultos criem memórias inesquecíveis e emocionantes com as suas famílias durante as férias de Verão”.

Um dos destaques da programação vai para a presença do grupo “Trupe Fandanga”, de Portugal, que apresenta entre os dias 14 e 17 de Agosto o espectáculo de marionetas “Os Lobos de Pedra”, no Estúdio I do Centro Cultural de Macau (CCM).

Neste espectáculo entra-se “no coração de um menino” e embarca-se “numa aventura divertida e emotiva”, em que a brincadeira “se desenrola numa ilha feita de madeira, chapas de metal e objectos estranhos, onde tudo pode, de repente, desmanchar-se, transformando-se em novos lugares, como por magia”, descreve a sinopse do espectáculo.

Este menino é o Pedro que “imerge até ao mais profundo do seu ser”, um lugar “onde vivem lobos pretos, brancos e, por vezes, cinzentos”, sendo este espectáculo uma nova interpretação do clássico “Pedro e o Lobo”. Nos dias 1 e 2 de Agosto é a vez do espectáculo de produção local – “Os Hamesters de Chong Chong”, do Teatro de Marionetas Rolling Puppet, que se apresenta no pequeno auditório do CCM.

Pretende-se aqui “reavivar uma história plena de momentos ternurentos”, sobre o momento em que Chong Chong “ganha o seu primeiro hamster e a criaturinha se torna, inesperadamente, no seu guia, ajudando-o a lidar com a perda”, e também a lidar com “a aventura de crescer”. A peça fala “de amizade e de despedidas”, lê-se na sinopse.

Ainda em Julho, nos dias 11 e 12, a Escola de Dança do Conservatório de Macau apresenta o espectáculo “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, que “tece uma narrativa comovente sobre uma pequena cidade e as suas grandes aspirações, traçando um retrato emocionante e onírico através de histórias fantásticas e coreografia brincalhona”.

Destaca-se ainda, na programação, a presença de outro grupo internacional, o Erth Visual & Physical Inc. da Austrália, que apresenta, já esta semana, sexta-feira e sábado, o espectáculo “O Zoo dos Dinossauros de Earth”, no grande auditório do CCM.

O espectáculo propõe uma “gigantesca diversão para pequenitos exploradores”, numa “emocionante viagem no tempo”, em que o público é transportado para um tempo em que havia dinossauros. Estes, personificados em marionetas, marcam presença no palco do CCM com outras criaturas, como “insectos e herbívoros de tempos antigos”.

Além disso, do Interior da China chega a Companhia Artística Anjo da Paz Soong Ching Ling, que apresenta o espectáculo de variedades infantil “Paz e Futuro”. Trata-se de uma estreia em Macau, apresentando-se ao público “ópera de Pequim, música e actuações corais, mostrando o encanto diversificado da cultura tradicional chinesa”.

Livros e companhia

O tema da edição deste ano do festival é “crescimento, comunicação e legado”, pretendendo-se “levar crianças e adultos a experimentar a vida através de histórias comoventes e emocionantes no ecrã”, descreve uma nota do IC.

O cartaz apresenta também, nos meses de Julho e Agosto, a “Festa de Fim-de-Semana com MICAF”, que se realiza, como indica o título, todos os fins-de-semana na praça do CCM. Os participantes podem aproveitar os jogos, experiências interactivas com insufláveis e oficinas de artes, sendo que nas últimas duas semanas de Agosto, entre sexta-feira e domingo, realiza-se a actividade “Artes em Festa”, com uma área infantil de disfarces, espectáculos interactivos, visitas aos bastidores, workshops, zona de restauração e bancas de jogos.

Destaca-se ainda a “Livraria das Crianças”, em formato “pop-up”, aberta todos os sábados e domingos, de Julho a Agosto, na Sala ARTmusing do CCM, onde se incluem “mais de 600 tipos de livros ilustrados, livros para jovens leitores, livros com imagens, cartilhas e outros produtos culturais e criativos de vários países e regiões”.

Cinema na cidade

Outro ponto alto do festival é o ciclo de cinema infantil que passa não apenas nos ecrãs da Cinemateca Paixão como também em alguns locais públicos. É o caso do filme de animação “Flow”, do realizador Gints Zilbalodis, que fez um brilharete nos Óscares, exibido dia 11 de Julho, às 20h30, no Jardim do Mercado do Iao Hon. Nesta história, um gato vai descobrindo o mundo destruído aos poucos pela presença humana, tendo de sobreviver a inúmeros perigos. Também no mesmo dia, e no mesmo local, será exibido “Monstros da Montanha”, a partir das 18h, do realizador Yu Shui.

Este festival parece estar a ter boa adesão por parte do público, ao ponto de o IC ter criado sessões adicionais para alguns espectáculos, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no sábado. É o caso dos espectáculos “O Zoo dos Dinossauros”, “O Bosque das Maravilhas”, “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, “Acampamento Artístico Familiar” e “Acampamento Criativo para Crianças”.

Algumas sessões de cinema também já estão esgotadas, sendo que, para as exibições ao ar livre, os bilhetes têm de ser levantados na Cinemateca Paixão. Os bilhetes para o festival estão à venda na plataforma Enjoy Macao.

29 Jun 2026

G Box | Banda de rock Mango Jump ao vivo no Galaxy no dia 5

O grupo Mango Jump vai actuar no espaço G Box, no hotel e casino Galaxy a 5 de Julho, às 18h, como parte do tour “Heartbeat Defense <3 Rescue Your Heart”. Com um estilo de música rock-indie, o grupo é constituído por Kuo Chih-Ching, Tsai Chien-Hung, Li Chi-Hsien e Huang Sheng-Chih tornou-se conhecido através da internet, principalmente no YouTube, tendo lançado até ao momento dois álbuns: “Shin Formosa Youth”, em 2022, e “Mission Heartbeat Defense”, em 2023. O grupo de Taiwan tem como principais singles “Mayday Mayday” (2022), “Let’s Get Fat” (2023), “99 Nights Chase” (2023), “Wake Up” e “Collapse” (ambos de 2025). Os bilhetes ainda estão disponíveis e encontram-se à venda nas plataformas habituais com preços de 598 patacas ou 758 patacas. Todos os lugares são de pé, mas, por motivos de segurança, a entrada de grávidas está barrada.

26 Jun 2026

Fotografia | Gonçalo Lobo Pinheiro expõe em Hong Kong “O que foi não volta a ser…”

Um total de 30 fotografias dos dois volumes de “O que foi não volta a ser…”, de Gonçalo Lobo Pinheiro, vão estar em exibição no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong entre 2 e 31 de Julho. As obras expostas convidam à reflexão sobre a inevitabilidade da mudança

 

A partir de 2 de Julho o Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong (FCC) recebe a exposição fotográfica “O que foi não volta a ser…”, da autoria de Gonçalo Lobo Pinheiro. O anúncio foi feito ontem, através de um comunicado, e a exposição vai permanecer em exibição na RAEHK até 31 de Julho.

A inauguração oficial da mostra do fotógrafo português vai acontecer a 7 de Julho, terça-feira, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas.

Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a exposição reúne uma selecção de 30 fotografias escolhidas de um conjunto mais vasto de 80 imagens, publicadas em dois livros em 2022 e 2025. Desde o início, o criador do projecto pretendeu desafiar o público “a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser”.

Os livros apresentavam assim imagens antigas e recentes, estas últimas captadas pelo fotógrafo, num trabalho que não esteve livre de dificuldades: “Macau mudou muito nos últimos anos. As fotografias antigas atestam isso. E agora, o que fazer com elas? Se, por um lado, ainda é possível recriar alguns cenários, por outro lado, é impossível obter pontos de contactos noutras fotografias, porque simplesmente as coisas já não existem no território. É um trabalho difícil. Tudo mudou. Por isso, na grande maioria dos casos, o que foi não volta a ser…”, explicou.

Cidade de encontros

O trabalho mostra também Macau enquanto ponto de encontro. “O que foi não volta a ser mostra-nos Macau como uma cidade de encontros, de fusões culturais e de convivência entre mundos que se entrelaçam. Aqui, a herança portuguesa coabita com a tradição chinesa e com múltiplas influências asiáticas”, explicou Gonçalo Lobo Pinheiro, no final do ano passado.

O autor do projecto destacou ainda que “o território, por força das suas gentes, e mais do que pela arquitectura, torna-se palco de gestos humanos, moldura de histórias diárias, testemunho silencioso das interacções que definem a cidade” e que espaços como “igrejas, templos ancestrais, arcos de pedra e praças revelam-se como arenas poéticas onde o humano se ilumina na sua dimensão ética e estética”.

26 Jun 2026

Apresentada hoje no IPOR versão portuguesa de “Macau’s Historical Witnesses”

O tédio da pandemia levou-os a vasculhar os segredos da sua cidade e a ter contacto com a sua história e as inúmeras personalidades que tem dentro. O casal Cristopher Chu e Maggie Hoi editaram, em 2022, a obra “Macau’s Historical Witnesses”, que ganha agora versão em português com a edição de “Testemunhas da História de Macau – 22 Histórias desconhecidas e presenciadas pelos marcos históricos da cidade que todos deveriam conhecer”.

A apresentação, enquadrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, acontece hoje na Biblioteca do IPOR – Instituto Português do Oriente a partir das 18h30.

Trata-se, segundo um comunicado enviado pelos autores, de um “livro de contos que narra o passado da cidade sob a perspectiva dos seus edifícios, igrejas e outros monumentos”. A obra não é “um manual escolar nem um panfleto turístico, mas sim algo intermédio” entre esses dois mundos.

Christopher Chu e Maggie Hoi procuraram fazer uma crónica “da história única de [ligações] de quinhentos anos entre as comunidades portuguesa e chinesa”, apostando-se numa escrita de parágrafos curtos e “fácil leitura, contados do ponto de vista dos marcos históricos da cidade”.

Num anterior comunicado divulgado, Cristopher Chu adiantou que o livro “procura desafiar o mantra genérico do ‘encontro entre oriente e ocidente’ muitas vezes usado para descrever Macau e a sua história, ao adoptar as perspectivas de vários pontos de referência da cidade em vez das nossas perpectivas”.

“Assim sendo, perguntámos a edifícios, estátuas e ruas as experiências porque passaram nos últimos 400 anos e como as mudanças alteraram as cidades e aqueles que cá vivem”, acrescentou.

O lugar de Pessanha

Esta era a versão traduzida que faltava, tendo em conta que, além da publicação original em inglês, o público dispõe também de uma versão em chinês. Coube a Ivo de Noronha Vital, macaense e doutorando na Universidade de Macau, a responsabilidade pela tradução para a língua de Camões.

Ivo de Noronha Vital é também vice-presidente da Associação de Tradutores de Português. Na sessão de hoje no IPOR, o tradutor vai também “abordar os desafios do processo de tradução e a arte de conectar ideias além das línguas”.

Uma das personalidades em destaque no livro de Cristopher Chu e Maggie Hoi é Camilo Pessanha, poeta, docente e jurista, que viveu e faleceu em Macau. Segundo contou o co-autor, a ligação do poeta ao território foi tão forte, e geradora de tantas histórias, que acabou por dar origem a um segundo livro escrito pelo casal, “Camilo Pessanha’s Macau Stories”.

“A história de Camilo Pessanha foi acrescentada ao livro como um suplemento, mas a sua vida em Macau foi tão fascinante que decidi escrever um segundo livro dedicado exclusivamente à sua estada em Macau”, indicou Cristopher Chu que, em entrevista concedida ao HM, falou de como Pessanha ajuda também a descobrir a história do território que o acolheu.

“Ele foi isso mesmo, uma testemunha histórica. Viu tantos acontecimentos notáveis desenrolarem-se à sua frente, participou em alguns. É um óptimo instrumento para compreender o que se passou em Macau, perceber como o mundo evoluiu, as muitas mudanças que aconteceram naqueles anos e que continuam a ser palpáveis nos dias de hoje.”

25 Jun 2026

Exposição | “A Poesia que Contém” para ver na Livraria Portuguesa

É hoje inaugurada, às 18h30, a mostra “A Poesia que Contém (a Poesia do Espaço)”, com fotografias e pinturas da autoria de Shee Va e Lam Kuong Kao. Trata-se de uma iniciativa integrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, apresentando-se ao público até ao dia 24 de Julho.

Numa nota da organização sobre a exposição, lê-se que os trabalhos são fruto de passeios pelas ruas de Macau, onde os artistas “observam as suas gentes, ruas e casas”. Esse processo encara “o material urbano da cidade onde vivemos e passeamos”, sendo que cada pessoa “vê com os seus olhos um instante, e somados os momentos da sua experiência nesta vivência é capaz de interiorizar, transformar e expor sob as formas mais diversas”.

Passar estes passeios e vivências “para um texto ou uma crónica do quotidiano é uma hipótese”, “cantá-la num poema é outra alternativa”. Porém, os dois artistas decidiram mesmo retratar estes momentos com recurso à fotografia e pintura, transformando a realidade vista “em duas dimensões para uma folha de papel”, numa tentativa de se obter “a emoção contida no coração do autor”.

“Lam Kuong Kao e Shee Va mostram a poesia que o espaço de Macau contém”, descreve a mesma nota da organização.

24 Jun 2026

FRC | Exposição de caligrafia inspirada em Fernando Pessoa para ver até Julho

“Poemas de Fernando Pessoa – Exposição Conjunta de Caligrafia” pode ser vista até 4 de Julho. A exposição celebra os escritos de um dos grandes poetas portugueses com recurso à caligrafia, através de 44 obras dos artistas Fernando António e Choi Chun Heng

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe, desde ontem, a mostra “Poemas de Fernando Pessoa – Exposição Conjunta de Caligrafia”, protagonizada pelos artistas Fernando António e Choi Chun Heng, e que reúne 44 obras em representação da poesia do escritor português do século XX, através da arte da caligrafia nas duas línguas de Macau, o português e o chinês. As obras vão estar patentes ao público até ao próximo dia 4 de Julho.

Segundo um comunicado da FRC, a ideia para esta exposição surgiu no seguimento da última exposição desta dupla de artistas, intitulada “Caligrafia do Pensamento em Português e Chinês”, que se realizou em Maio de 2024.

Na exposição, há pouco mais de dois anos, apresentaram-se aforismos orientais caligrafados nas duas línguas, contando com uma “grande afluência de visitantes” que “mereceu a apreciação geral, devido à sua característica singular”, referem os artistas, citados pela mesma nota. Essa experiência esteve na génese da exposição agora patente na galeria da FRC.

O projecto inicial nasceu pela mão de Fernando António, que há dois anos, após inúmeras tentativas, teve a oportunidade de convidar o mestre de caligrafia Choi Chun Heng, para uma exposição conjunta sobre pensamentos caligrafados em duas línguas.

Desta vez, a ambição foi maior, levando a poesia portuguesa a passar sob o pincel tradicional chinês para chegar a novos públicos e entendimentos, no mês em que se assinala a expansão da portugalidade pela diáspora, ou seja, a propósito do 10 de Junho – Mês de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas.

Uma longa paixão

Fernando António, já nos tempos de escola, começou a sentir interesse pela caligrafia. Continuou a “praticar nas décadas seguintes”, tendo melhorado “substancialmente as habilidades”. “Ao longo dos anos, tive a oportunidade de fazer aulas de Caligrafia e Pintura Tradicional Chinesa, onde aprendi sobre o pincel chinês Hui e a tinta Hui, bem como o papel Xuan (papel de arroz) com o seu sabor distinto”, disse ainda.

Calígrafo e coleccionador local, Fernando António é hoje presidente do conselho fiscal da Associação de Pintura e Caligrafia do Oriente de Macau. Participou também na terceira Exposição de Obras dos Membros da referida associação, co-organizada pela FRC em Setembro de 2019.

Por sua vez, Choi Chun Heng é amador de caligrafia, pintura, música, arte popular e coleccionismo, e presidente da Casa de Arte Da Feng Tang de Macau. Hoje aposentado da Administração Portuguesa, tem-se dedicado à arte como instrutor do curso de formação em Caligrafia Chinesa na Universidade de Macau, além de diversas escolas primárias e secundárias e outras associações locais.

Nos últimos 20 anos, realizou muitas exposições de caligrafia e pintura em Hong Kong, Macau, Taiwan e outras cidades da região. O seu trabalho ganhou o Campeonato de Caligrafia de Macau em 1989 e chegou a apresentar os programas de educação moral “Disciple Rules” e “Normal Mind – Ordinary Things”, nos canais de televisão de Macau.

24 Jun 2026

Fotografia | Wang Zhengping com exposição inédita em Lisboa

A galeria Ochre Space, em Lisboa, apresenta até 4 de Julho a mostra “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”, a primeira exposição do fotógrafo chinês em Portugal. Ao HM, Wang diz que os cavalos são como os humanos e conta como a fotografia sempre foi uma paixão

 

Wang Zhengping, um dos fotógrafos chineses contemporâneos mais importantes, tem, nos últimos dias, fotografado alguns dos sítios mais icónicos de Portugal ao sabor da vontade da sua lente. Esteve no Cabo da Roca e aproveitou para fotografar muito o Oceano Atlântico, as ruelas do Porto ou a baixa de Lisboa, com as suas gentes.
Wang Zhengping esteve em Portugal a propósito da inauguração de uma exposição em nome próprio, a primeira vez que tal acontece. É na galeria de fotografia Ochre Space, projecto do advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, que se pode ver, até 4 de Julho, “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”.

A mostra e baseada no livro “Mongolian Horse in North Wind” publicado em Pequim, em 2024. Destaque para o facto de o trabalho de Wang Zhengping já ter sido revelado em Macau no âmbito de uma edição do festival literário Rota das Letras, com a exposição “The Wind Blows Through the Grassland”.

O HM conversou com Wang Zhengping na cave da Ochre Space um dia antes da inauguração da mostra. O cavalo é, para si, muito mais do que um animal, mas quase como um humano. E com a fotografia, Wang revela mais do que a cultura das estepes da Mongólia Interior, de onde é natural: uma quase magia demonstrada em imagens de grande qualidade estética. “Para mim os cavalos são como pessoas, têm emoções, como se estivessem tristes ou felizes, então fotografo os cavalos com se fossem pessoas”, contou.

Citado por uma nota da organização, João Miguel Barros, fundador da Ochre Space e curador da exposição, descreve como estas imagens “revelam uma prática fotográfica que oscila entre a observação documental e a visão poética”, nas quais os cavalos “surgem não apenas como sujeitos fotográficos, mas como símbolos de resistência, liberdade e continuidade cultural numa das paisagens mais marcantes da Ásia”.

Neste projecto pode ser encontrada uma “diversidade de registos e atmosferas”, como “retratos silenciosos de cavalos solitários contra a vastidão da estepe coberta de neve, composições banhadas pela luz dourada do crepúsculo e imagens cruas do Inverno, esculpidas pelo vento norte que dá nome ao livro”, descreve ainda João Miguel Barros.

Questionado sobre se o seu trabalho contribui para aumentar a atenção para a cultura mongol e das estepes, aponta-nos, como resposta, uma entrevista que recentemente deu à revista “China Photography”, em Junho.
“Alguns dizem que documento uma civilização nómada em desaparecimento. Não gosto de rótulos. Organizo o meu arquivo em três grandes núcleos: cavalos, mongóis e estepe”, disse à publicação.

Paragem na carreira

Wang Zhengping é natural da Mongólia Interior, região autónoma do Norte da China, e há mais de 15 anos que fotografa o cavalo mongol e as paisagens que lhe estão associadas. É fotógrafo desde os anos 80 e formou-se na Academia de Belas-Artes Lu Xun em 1987, mas muito antes, em 1982, fez um curso de fotografia em Harbin, orientado por Wu Yinxian e Li Zhensheng.

Ao HM, recorda como já gostava de fotografia desde os anos da escola secundária. “Antes de entrar para a Academia de Belas-Artes Lu Xun já costumava ver fotografias de outros fotógrafos chineses, e ficava fascinado com elas. Depois comecei a gostar dos seus trabalhos, e comecei aí a gostar de fotografia e de tirar boas fotografias, e tirei fotografias do pôr-do-sol, fiz retratos…”

No ano em que se formou, Wang Zhengping venceu a Medalha de Ouro na primeira Exposição Nacional de Fotografia de Paisagem, e continuou a vencer por oito ou nove anos. Até que parou.

“Comecei a participar em alguns concursos de fotografia na China, e até ganhei algumas medalhas, mas depois de ganhar uma medalha de ouro num concurso, percebi que este prémio não era bem o que queria”, recordou ao HM.
Fez uma pausa de três anos em que não disparou a máquina, ao mesmo tempo que trabalhava numa galeria. Em 1990 dedicou-se ao comércio. Wang assume que nunca deixou por completo o mundo das artes, mas, na fotografia, buscava algo mais, algo que ainda não tinha visto na China.

“Quando via o trabalho de alguns fotógrafos, tudo me parecia muito normal e tradicional”, como se houvesse uma única forma de fotografar no país, acrescenta. O período em que trabalhou na galeria, e o contacto que teve com outras formas de arte, acabaram por o influenciar esteticamente e fazê-lo regressar à fotografia. Afinal de contas, a paixão ainda estava longe de terminar. “Gosto de fotografia desde criança e não podia desistir. Não fotografei durante três anos, e tentei evitar olhar para livros de fotografia ou [o trabalho] de outros fotógrafos chineses.”

A magia dos cavalos

À “China Photography”, Wang Zhengping descreveu como chegou a fotografar “os cavalos no Inverno, alugando um pequeno automóvel por 300 yuan por dia”. Na conversa com o HM, destaca o momento em que sentiu uma conexão com o animal. “Na estepe, quando houve uma corrida com centenas de cavalos, tirei uma fotografia. Mas um dos cavalos parou e baixou-se na minha direcção, mas não me magoou. Senti uma ligação, como se os cavalos se baixassem para me salvar.”

Imagem sem planos

Em 2009, Wang Zhengping foi distinguido com o Prémio Golden Statue de Fotografia da China, o mais prestigiado galardão fotográfico do país. Porém, isso não mudou o olhar humilde que tem sobre o seu próprio trabalho. “Não tenho referências de outros artistas porque, para mim, a fotografia é como um hobby. Pego na câmara e uso-a como uma ferramenta, jogo com ela.”

“Na verdade, trabalho como fotógrafo há mais de 40 anos, e posso dizer que sou um fotógrafo profissional. Numa fase inicial procurava ganhar prémios, mas, depois, deixaram de ser importantes. [Percebi que] só através do processo [de fotografar] podia conhecer-me”, como pessoa e como fotógrafo, explicou.

Wang Zhengping diz não estar a trabalhar em nenhum novo projecto. Fotografa uns meses e depois pára, conforme “a percepção sobre a sociedade, o mundo e a experiência de fotografia”. “Não me vejo como um artista maravilhoso”, disse.

Confessa que desde 2016 que não trabalha mediante um tema. Agora, as imagens que capta vão sendo organizadas em ficheiros pessoais, e depois o tempo decide o destino a dar a essas fotografias. “Posso dizer que todos os lugares do país [China], até de países estrangeiros, vejo o que tenho de fotografar, e só depois é que organizo.”

Numa era em que cada vez mais se fotografa com o telemóvel, e em que a inteligência artificial é, crescentemente, produtora de imagens, Wang Zhengping não afasta nenhuma destas possibilidades, apesar de não fotografar muito com o telemóvel. “Qualquer ferramenta que sirva para fotografar é boa. Não importa qual é a câmara. Contudo, prefiro usar máquina fotográfica, para mim é melhor porque não compreendo muito bem como funciona o telemóvel, há muitas funcionalidades que não sei usar. Comecei a usar a câmara digital em 2011 e tinha medo que gozassem comigo por não a saber usar.”

23 Jun 2026

Reconhecidos promotores oficiais de património cultural intangível

Macau anunciou o reconhecimento de oito pessoas como promotores oficiais de património cultural intangível, com Miguel de Senna Fernandes incluído na lista pela sua promoção do teatro em patuá, um dialecto crioulo de origem portuguesa.

O patuá é um sistema linguístico criado pela comunidade luso-descendente de Macau ao longo dos últimos quatrocentos anos, tendo o português como base, mas misturando-o com malaio, cantonense, inglês e espanhol.

Após a terceira reunião plenária do Conselho do Património Cultural, a presidente do Instituto Cultural de Macau, Deland Leong Wai Man, anunciou que o departamento recebeu mais de 10 candidaturas, e que, “depois da avaliação, seleccionou oito pessoas para integrar a lista” de transmissores de património intangível de nível nacional em Macau.

Os transmissores de património são: Tsang Tak Hang, de Escultura de Imagens Sagradas em Madeira; Ng Peng Chi, da Música Ritual Taoista; Au Kuan Cheong, de Canções Narrativas; Chan Kin Chun, da Crença e Costumes de A-Má; Cheang Kun Kuong e Ip Tat, da Crença e Costumes de Na Tcha; Lo Seng Chung, da Crença e Costumes de Tou Tei; e Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes, do Teatro em Patuá.
“Ao longo dos anos, este grupo de transmissores tem continuado a promover a protecção do património cultural imaterial de Macau”, afirmou Leong.

Prémios transmitidos

Após o reconhecimento, os transmissores podem receber apoios, financiamento e um certificado por parte do Governo, para “promoverem melhor” o património cultural imaterial. Quando questionada sobre o orçamento para prémios e apoios aos oito transmissores agora reconhecidos, Leong Wai Man disse que o valor dos prémios ainda está a ser definido.

A responsável acrescentou que o inventário do património imaterial de Macau conta actualmente com 24 elementos e lembrou que, anteriormente, já foram anunciadas 19 unidades de protecção.

22 Jun 2026

Patuá | Lançado novo dicionário para despertar interesse das novas gerações

O dicionário foi lançado pelo investigador Raul Leal Gaião com o apoio da Universidade de Macau durante o 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa

 

O investigador português Raul Leal Gaião lançou um novo dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Embora o patuá “já não seja exactamente uma língua viva”, Gaião disse esperar que a obra “desperte o interesse pela língua para que continue a ser estudada e compreendida, sobretudo pela nova geração de macaenses”.
O académico recordou que o patuá foi criado ao longo dos últimos 400 anos no seio dos macaenses, uma comunidade euro-asiática composta sobretudo por luso-descendentes e com raízes no território.

“Papiá Nôsso Língu, Dicionário de Patuá di Macau” foi publicado com o apoio da Universidade de Macau e apresentado no início do 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, que decorreu em Macau.
Gaião disse que os três volumes representam uma extensão de um primeiro dicionário, lançado em 2019, então apenas a partir de um levantamento dos escritos de José dos Santos Ferreira. Mais conhecido por Adé (1919-1993), escreveu poesia, novelas e teatro em patuá e é considerado um dos expoentes literários dos macaenses, juntamente com o escritor Henrique de Senna Fernandes (1923-2010).

O novo dicionário integra outras fontes, sublinhou Raul Leal Gaião, incluindo o trabalho do filho de Henrique, Miguel de Senna Fernandes, encenador do grupo Dóci Papiaçám, que uma vez por ano leva a palco uma peça de teatro em patuá.

Comparação com Malaca

As definições das expressões incluem, quando possível, uma comparação com o crioulo de Malaca, uma cidade portuária da Malásia onde, ainda hoje, vivem cerca de dois mil descendentes de portugueses, no chamado Bairro Português.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) considera o patuá como “gravemente ameaçado”, o nível antes da extinção. O patuá começou a desaparecer devido à obrigação de aprendizagem do português nas escolas, imposta pela administração portuguesa, assim como ao estigma em torno do crioulo.

“Era considerada uma língua das ‘nhonhas’ [mulheres em patuá] e das pessoas pouco instruídas”, lamentou Raul Leal Gaião. A publicação do dicionário é “muito bom” para a língua patuá, disse a macaense Anabela Ritchie, primeira mulher a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa de Macau (1992-1999). “Espero que se torne uma obra de referência para os estudiosos da nossa língua”, acrescentou Ritchie, que falou em patuá durante o fórum.

A antiga professora revelou ainda que o portal Macanese Families (‘Famílias Macaenses’), que reúne informação sobre a diáspora da comunidade, pretende usar o dicionário para “registar o patuá falado”.

Apesar de não haver certeza sobre quantas pessoas dominam o crioulo, em Macau ou na diáspora, Ritchie disse que ainda tem familiares “que não aprenderam português e só falam o que restou do patuá”. Sobre o futuro do crioulo, a macaense garantiu ser “uma optimista por natureza” e apontou para o “interesse muito grande” dos jovens em aprender patuá para participar nas peças do Dóci Papiaçám di Macau.

22 Jun 2026

FRC | Conteúdo de Museu de Macau em Lisboa em palestra

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h30, a sessão “O Museu de Macau em Lisboa e o seu Catálogo”, que terá como oradora a presidente do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), Carmen Amado Mendes.

O objectivo desta sessão é falar do património expositivo do CCCM e também do “Catálogo da Colecção do Museu de Macau em Lisboa”, uma obra publicada em dois volumes que, segundo os organizadores, “reúne e contextualiza de forma sistemática um acervo de excepcional riqueza e diversidade, oferecendo novas perspectivas sobre as colecções do Museu do CCCM e sobre a relevância para o estudo das relações entre a Ásia e a Europa”.

O Museu do CCCM está vocacionado para o estudo e divulgação das relações luso-chinesas, possuindo mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias, entre as quais estatuária, trajes e peças de carácter utilitário e decorativo, e por diversos materiais, entre os quais terracota, têxteis e porcelana. O Museu é constituído por dois núcleos distintos e complementares: o núcleo sobre A Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII, e o núcleo sobre a Colecção de Arte Chinesa.

O CCCM é um instituto público integrado na administração indirecta do Estado, e sob tutela do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, dotado de autonomia administrativa e património próprio. Além disso, promove e patrocina projectos de investigação, bolsas de Doutoramento, publicação de teses, serviços de apoio à formação académica, educativa e cultural.

18 Jun 2026

IIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho

O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane

Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h.

A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM.

“Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse.

O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”.

“O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou.

Longo processo

Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”.

“Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto.

Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”.

Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido.

“Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.”

Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território.

“Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume.

A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.

18 Jun 2026

FAM apresenta “O Lago dos Cisnes” com o Ballet de Xangai

O programa do Festival de Artes de Macau (FAM) prossegue com a apresentação, esta sexta-feira e sábado, de mais um clássico. Trata-se de “O Lago dos Cisnes”, protagonizado pelo Ballet de Xangai, e com coreografia do britânico Derek Deane.

Segundo o Instituto Cultural (IC), o público pode esperar “uma interpretação deslumbrante” e uma “produção que oferece ao público uma experiência de actuação com maior profundidade e dimensão”.

O Ballet de Xangai apresenta-se ao público de Macau com um “estilo eclético, elegante e refinado, aliado à cenografia e requintados figurinos”, pelo que o que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) este fim-de-semana é uma “produção de grande impacto visual e poder estético”.

O “Lago dos Cisnes” é uma composição clássica de Tchaikovsky que ganha agora uma nova perspectiva, sendo que, segundo o IC, Derek Deane conseguiu trazer ao palco “uma interpretação fresca e deslumbrante”. Neste espectáculo conta-se a história de Odette, “uma princesa transformada em cisne pela maldição de um feiticeiro”, sendo que, “à medida que deriva entre o amor, traição e redenção, Odette enfrenta os desafios de Odile, o Cisne Negro”.

“A rivalidade simboliza o contraste entre inocência e sedução, reflectindo as complexidades da identidade e do desejo. Um conflito emocional entre duas personagens que acaba por ter consequências trágicas”, descreve a sinopse do espectáculo.

Produções locais

O FAM apresenta também, nos próximos dias, duas produções locais, nomeadamente “A Velha Casa das Orquídeas”, da Associação de Arte Teatral Dirks, e ainda “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental”, cuja sessão deste sábado já está esgotada.

“A Velha Casa das Orquídeas” acontece no Estúdio II do Centro Cultural de Macau e combina “narrativa, teatro e música ao vivo”, contando a vida da protagonista que está ligada ao antigo tráfico de cules. Cules é o nome dado a trabalhadores chineses contratados e transportados em navios para locais como a América Latina, em condições laborais e de vida a roçar a escravatura. Muito desse comércio passou por Macau. Este espectáculo acontece sábado e domingo.

Além disso, “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental” é um espectáculo produzido pela Associação de Dança Hou Kong e leva o público a descobrir a Casa do Mandarim, monumento classificado como Património Mundial da UNESCO.

A Casa do Mandarim foi também a residência de Zheng Guanying, figura histórica que se refugiu em Macau, onde escreveu a obra “Advertências em Tempos de Prosperidade. O ponto de encontro para este espectáculo é no Largo do Lilau.

O IC lançou ainda, no âmbito do FAM, o concurso “Captivating Moments — Step into the Magic of ‘Swan Lake'”, podendo o público ganhar prémios oferecidos pela Air Macau e sucursal de Macau do Banco da China. O passatempo, cujas regras constam na página do Festival de Artes de Macau no Facebook, termina às 23h58 desta quinta-feira, 18.

17 Jun 2026

Festival LGBTQ+ com filmes nos cinemas Emperor este fim-de-semana

Há cinema para ver este fim-de-semana ligado ao universo LGBTQ+ no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que decorre até ao dia 27 deste mês, com as sessões a terem lugar nos cinemas Emperor.

Esta quinta-feira, às 20h, pode ser visto pela segunda vez o filme de estreia, “Cyclone”, do realizador Philip Yung, que conta a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

“Rosebush Pruning”, de Karim Ainouz, é a escolha para sábado, às 23h40. Classificado em Macau como pornografia e, portanto, recomendado para maiores de 18 anos, este filme revela os traços peculiares de uma família americana rica que vive na Catalunha, numa espécie de isolamento, procurando o amor e validação uns nos outros. Porém, segundo a sinopse oficial do filme, a chegada de alguém de fora a esse núcleo faz com que surjam tensões familiares e o rompimento de laços de sangue que existiam até então.

Segundo a Lusa, o filme surge no website da Berlinale como uma “sátira negra”; no Festival de Cinema de Sydney como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB como “comédia negra, thriller e drama”. Jay Sun, director do festival, não quis comentar a decisão das autoridades de classificar este filme como pornografia, dizendo “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC). Além disso, o festival não esteve “envolvido no processo”, adiantou.

Romances no ar

Também este sábado, mas na sessão das 17h15, pode ser visto “Iván & Hadoum”, do realizador Ian de la Rosa. Eis uma história passada em Espanha entre Iván, um trabalhador transgénero, e Hadoum, um trabalhador marroquino que acaba de chegar ao país. Este filme = retrata não apenas diferenças culturais nos relacionamentos como a vida dos trabalhadores migrantes e os meandros do amor e do desejo.

Por sua vez, “Trial of Hein” é exibido no domingo, às 20h, um trabalho do realizador Kai Stanicke. Também no domingo, às 17h15, é exibido “Saccharine”, de Natalie Erika James, um filme que explora um universo negro, de terror e, ao mesmo tempo, de desejos inerentes ao universo “Queer”. Já no sábado, apresenta-se a película “Away”, de Gerard Oms.

Esta sexta-feira, o festival exibe ainda “To Dance is to Resist”, uma história em torno dos bailarinos ucranianos Jay e Vol’demar, ligados ao universo escondido da cena “Queer” da cidade de Kyiv. Desde 2022, e sobretudo desde o conflito entre a Rússia e Ucrânia, que o realizador Julian Lautenbacher tem acompanhado este par, revelando as possibilidades de manter a arte e a vivência “Queer” num mundo virado do avesso.

17 Jun 2026

Grande Baía | CURB lança nova edição de concurso de fotografia

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo aceita, até ao dia 16 de Agosto, candidaturas de fotografias sobre a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. “Tesouros da Grande Baía” pretende revelar ao grande público locais e perspectivas diferentes da região onde Macau se integra, com foco nas “aldeias urbanas”

Decorre até ao dia 16 de Agosto o prazo de submissões de fotografias sobre cidades e lugares da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito da segunda edição do concurso de fotografia “Tesouros da Grande Baía”.

A iniciativa é do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que declara, numa nota, pretender que os participantes “se aventurem nos recantos mais recônditos das cidades a usar as câmaras para descobrir e documentar a vida quotidiana tranquila, comum, mas vibrante, das aldeias urbanas” da Grande Baía.

O concurso tem três categorias – Grupo Aberto de Macau, Grupo de Estudantes de Macau e Grupo Aberto da Grande Baía, este último aberto a Hong Kong e às cidades da Grande Baía na China.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é composta pelas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, e ainda por nove cidades que pertencem à província de Guangdong, nomeadamente Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. A Grande Baía tem uma vasta área de 56 mil quilómetros quadrados, e pretende ser uma região que aposta no desenvolvimento económico com foco na cooperação regional promovida por Pequim.

Sucesso desde o início

Relativamente à primeira edição do concurso, realizada em 2024, registou-se o “sucesso da estreia regional”, com 157 participantes e um total de 377 imagens submetidas. Agora, o CURB assume querer “alcançar um público mais vasto e envolver o público na exploração da arquitectura da região da Grande Baía através da sua própria perspectiva”. É também objectivo “fomentar o sentimento de pertença e de ligação entre as cidades da região da Grande Baía”.

O CURB realiza ainda outro concurso de fotografia, mas com maior foco em Macau, contando no seu percurso com cinco edições do “Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau”. Desde 2022, que a entidade organizadora recebeu propostas de 831 participantes e 1.917 trabalhos.

Segundo a mesma nota, “este evento foi único no seu género em Macau e incentivou as pessoas a explorar e registar a cidade através da lente da câmara, a reflectir sobre o ambiente construído e a cultivar o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. O mesmo espera agora o CURB com o concurso alargado à Grande Baía.

17 Jun 2026

Escrita é “viagem inútil”, diz Camila Sosa Villada

A escritora argentina Camila Sosa Villada defende que a literatura “não serve para nada”, no sentido de uma função terapêutica ou utilitária da escrita, assumindo o ofício como prática “inútil”, mas essencial na relação silenciosa entre livro e leitor.

Em entrevista à Lusa, numa passagem por Lisboa, a propósito de “A viagem inútil”, obra agora publicada pela Quetzal, embora escrita anos antes, a autora explica que o próprio título traduz uma posição estética e ética.

Este livro constitui o relato cru da própria vida de Camila Sosa Villada, as suas origens, a sua dolorosa infância, a sua vivência como travesti que conheceu a prostituição, mas também o êxito no teatro e o exercício da escrita.

Como escreveu a própria autora, quis que a sua história se soubesse, a do seu travestismo, da família e da tristeza precoce que a marcou – o alcoolismo do pai, as carências da mãe, as mudanças que a afastaram de tudo o que lhe dava segurança -, da sua infância e da luta devastadora contra a pobreza, que virou todos contra todos, deixando-os doentes de “rancores, desamor e indiferença”.

“Que [a escrita] seja inútil, não significa que seja melhor ou pior. Uma tal viagem a lugares inúteis não precisa de defesa, nem de argumentação”, afirmou a autora, recusando a ideia de que a literatura tenha de justificar a sua existência.

Para Camila Sosa Villada, escrever é um gesto sem finalidade prática e prefere vê-lo como uma “coisa inútil, que não serve para nada, que não tem um objectivo na vida e que, no entanto, anda por aí a fazer companhia às pessoas, estas sentem-se menos sós ou descobrem algo sobre si próprias”.

Sem funções

Pegando nos ‘clichés’ frequentemente associados a quem escreve, sobretudo obras de cariz autobiográfico com pendor traumático ou doloroso, como é o seu caso – a escrita terapêutica ou que salva, que permite o autoconhecimento, que cura traumas ou sana feridas, entre outros -, a autora prefere não atribuir funções à literatura.

“Se atribuíssemos à leitura alguma capacidade farmacêutica, de ser um meio de descoberta pessoal, um instrumento para alguma coisa, estaríamos a dizer que a literatura é um instrumento de domesticação. Temos de ter lucro com tudo?”, questiona.

Apesar disso, reconhece o impacto que a leitura pode ter no leitor, como admite tiveram consigo as leituras de Sharon Olds ou de Marguerite Duras, que têm sido uma forma de aprender a ser quem é.

A “viagem” da escrita não tem destino definido, “vai para onde as palavras a levam”, e às vezes “acaba ao colo de um leitor numa viagem, num comboio ou em sua casa ou numa fila de hospital ou numa fila do banco, e começa a falar”.

Da honestidade

No caso de “A viagem inútil”, Camila Sosa Villada explica que o livro nasceu de um impulso de compreensão do seu próprio percurso enquanto escritora.

“Queria ser honesta sobre… como nasce um escritor por dentro”, afirma, descrevendo uma genealogia afectiva marcada pela família, pela importância que o pai e a mãe tiveram na sua descoberta da literatura e da escrita, uma origem que se liga também à construção da sua identidade.

“Tinha necessariamente de falar sobre este ritual: Um homem que ensinou o filho a escrever, uma mulher que ensinou o filho a ler, um filho que, a dada altura, decide ser travesti, e como a literatura e o travestismo acontecem no mesmo momento”, contou.

Questionada sobre até que ponto aquilo que escreve é uma forma de manter vivas as memórias ou é uma reinvenção daquilo que realmente viveu, a autora admite não controlar totalmente o processo narrativo.

“Algumas coisas são simplesmente imagens, recordações de algo, mas não necessariamente coisas que me tenham acontecido, por isso, para mim, foi algo do género de uma tese sobre o porquê de me ter tornado escritora, mas a partir daí o que surge como autobiográfico e o que surge como puramente ensaístico no livro, não sei como o fiz. Deixei-me levar”, revelou.

A dimensão autobiográfica da obra não implica, contudo, reconciliação emocional, sublinhou, reforçando que o livro não a ajudou a sarar feridas, antes pelo contrário.

“Foi pior porque o meu pai ficou zangado comigo. Disse qualquer coisa como: ‘nesse livro fazes-me parecer um filho da mãe’. Portanto, foi pior. De facto, tive crises profundas depois disso. Quando termino um livro, as crises são muito grandes, são muito difíceis de ultrapassar. No final dos livros, há um enorme luto. E sofro muito com isso, mais do que quando as estou a escrever, muito, muito mais”, confessou.

É por isso que a única coisa que pede a um livro “é que seja escrito, a partir daí, a dor mantém-se. O livro foi editado, traduzido, viajado. Viaja ainda mais do que eu, conheceu mais pessoas do que eu, pessoas gostaram mais dele do que de mim. E ele tem a sua vida”.

Essa transformação reflecte-se também no ritmo do livro, que “se demora até chegar a um final que é tremendo, que é terrível, que é como uma morte”, evocando episódios marcantes da vida da autora.

16 Jun 2026

10 de Junho | David Mourão-Ferreira recordado hoje no IPOR

Faz hoje 30 anos que faleceu o poeta português David Mourão-Ferreira, e que agora é recordado numa palestra intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, na Biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente. Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam uma sessão pensada no âmbito das comemorações do 10 de Junho

“E por vezes as noites duram meses / E por vezes os meses oceanos / E por vezes os braços que apertamos / nunca mais são os mesmos.” É assim que começa um dos poemas mais conhecidos de David Mourão-Ferreira, poeta português contemporâneo falecido há exactamente 30 anos e que hoje é recordado numa palestra que decorre na biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente (IPOR), a partir das 18h30.

Os académicos e docentes Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam a sessão intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, que visa recordar “o especial contributo de David Mourão-Ferreira para as letras nacionais”, disse ao HM Pedro D’Alte.

O poema com que este texto se inicia, “E por vezes”, é, para Pedro D’Alte, “dos mais belíssimos poemas portugueses o que, por si, já diz muito da capacidade estética do autor”. Mas como recorda o responsável, Mourão-Ferreira não foi apenas poeta, tendo também escrito em prosa e exercendo crítica literária.

“David Mourão-Ferreira foi letrista para Amália Rodrigues, escrevendo fados icónicos que, hoje, são transversais tanto ao gosto popular como das elites. Tem a particularidade de ser um teórico, professor académico, conhecedor literário. Este conhecimento é plasmado nas suas composições, mesmo que aparentemente simples.”

Pedro D’Alte destaca que, na obra do poeta, “são relevantes as inúmeras referências intertextuais e os diálogos profundos com outros autores de renome”. “Numa perspectiva mais pessoal, é singular o ascendente sensorial na representação do erotismo e, também, de enaltecer a quantidade e a qualidade da produção e a incursão em diferentes esferas de produção que perpassam a música, a poesia e a estética romanesca”, acrescenta.

A sessão de hoje no IPOR “irá centrar-se na presença do Amor, do Erotismo, da figura feminina, e dos aspectos mais exploratórios deste ascendente sensorial” nos poemas deste autor.

Será dada “primazia a ‘Antologias Poéticas’, organizadas pelo próprio autor em vida, ou organizadas por outros teóricos já após o seu falecimento”, fazendo-se depois o cruzamento com uma “esfera narrativa”, com edições como “Os amantes e outros contos” ou “As quatro estações”.

Pedro D’Alte anunciou que no próximo ano deverá ser celebrado o centenário do nascimento do poeta português, pelo que a sessão de hoje não pretende “esgotar nem ampliar em demasia os conteúdos sobre este autor, de modo a não sobrecarregar o nosso público de Macau com demasiados tópicos ou linhas de leitura”.

Escrever “contra-corrente”

Pedro D’Alte recorda que David Mourão-Ferreira “não foi um autor estático”, mas sim “errático e, por vezes, em contra-corrente”.

“Basta lembrar-se o quão desafiante e contrária foi, para os poderes instalados e para a sua própria vida pessoal, a produção de letras para o fado, determinadas capas nas suas obras ou a maneira explícita como o Erótico se assume eixo central em determinadas composições. Creio que, neste sentido, David Mourão-Ferreira nos relembra a história e o sentido de ser-se português, pelo menos no seu viés mais salutar e celebrado”, defende o co-orador e organizador da sessão de hoje.

O poeta recusou “o conforto e o fácil e, em oposição, [procurou] a insurgência, a inquietação, o favorecimento e o prevalecimento da descoberta de novos caminhos, do êxtase e do gosto pela vida, do uso do tempo pessoal para a construção de um nome maior, nas mais diferentes esferas”.

David Mourão-Ferreira é, assim, mais um dos “bons nomes que Portugal tem para celebrar neste 10 de Junho”, remata Pedro D’Alte, que é pós-doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta e professor da Universidade Politécnica de Macau. Lia D’Alte é, por sua vez, mestre em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta e colaboradora da Escola Portuguesa de Macau.

16 Jun 2026