Letras&Companhia | Luísa Sobral no Teatro D. Pedro V este sábado

Luísa Sobral, cantora e romancista, está em Macau para participar em mais uma edição do festival literário infanto-juvenil “Letras&Companhia”, organizado pelo IPOR. A primeira actuação decorre este sábado no Teatro D. Pedro V, com o espectáculo “Coisas Pequenas”. Segue-se, na terça-feira, a apresentação do seu livro “O Peso das Palavras”

 

O Instituto Português do Oriente (IPOR) volta a apresentar, a partir desta sexta-feira, mais uma edição do festival literário inteiramente dedicado a crianças, jovens e suas famílias, intitulado “Letras&Companhia”. E no meio de workshops de escrita e leitura, exposições e actividades em torno do tema da educação e inteligência artificial, há um destaque no programa: a presença da cantora portuguesa e romancista Luísa Sobral.

Luísa Sobral, que tem uma carreira como compositora e cantora já de alguns anos, traz a Macau o seu “concerto intimista”, intitulado “Coisas Pequenas”, que acontece este sábado a partir das 20h no Teatro D. Pedro V.

Segundo o cartaz do “Letras&Companhia”, este espectáculo traz a Macau “um reportório constituído por músicas dos sete álbuns lançados em nome próprio, canções que escreveu para outros e por algumas composições musicais que a marcaram”.

Desta forma, “será um momento musical de partilha de histórias e memórias, pautado pela poesia das ‘coisas pequeninas’ que participam na beleza da vida”. Além disso, o concerto conta com a presença de Mina Pang, dos Cotton Kids, a acompanhar um tema em palco. Mas Luísa Sobral faz ainda uma segunda participação no “Letras&Companhia”, apresentando o seu livro infantil “O Peso das Palavras”, na próxima terça-feira, na Livraria Portuguesa, a partir das 18h30.

Esta obra, que é ilustrada por “Ligeiramente Canhoto”, inclui a história “do (super)poder das palavras”, escreveu a Lusa, descrevendo que “rouxinóis e um elefante convidam o leitor a reflectir sobre o impacto que a escolha das palavras pode ter no quotidiano”.

Elefantes e rouxinóis

“O Peso das Palavras” nasce “da preocupação em mostrar aos mais novos como algumas palavras têm a capacidade de nos fazer sentir leves como rouxinóis, enquanto outras nos fazem sentir tão pesados como elefantes”, informa a nota de imprensa que acompanha o lançamento da obra.

Luísa Sobral explica que “este poema nasceu de uma conversa que tive com a minha filha quando fez um comentário sobre outra menina”. “Nesse momento, senti a necessidade de lhe explicar de forma simples e descomplicada que as palavras têm um peso e que podem magoar ou ser boas. Que através da palavra podemos fazer bem ou mal às pessoas à nossa volta e que, por isso, é muito importante termos noção das palavras que usamos”, acrescentou, citada pela Lusa.

“Acredito que a ilustração do livro acrescenta uma nova e importante camada à história, explicando que vamos sempre ouvir palavras que não queremos ouvir, “palavras elefante”. Mas que também faz parte da vida saber lidar com esses “elefantes” até porque querer uma vida repleta de “rouxinóis”, não é realista”, acrescenta a compositora e cantora portuguesa.

Árvores e outras histórias

Além de “O Peso das Palavras”, Luísa Sobral lançou, mais recentemente, o seu primeiro romance, desta vez para um público mais adulto, chamado “Nem todas as árvores morrem de pé”.

“Os meus amigos de vez em quando lêem notícias e coisas que acham que podem ser inspiradoras para canções”, então uma amiga enviou a história de “um casal com o apelido Feliz, mas que decidira terminar a vida junto, ou seja, terminar-se”, em Vila Real, onde vivia na altura, disse a cantora em entrevista à agência Lusa.

“Eu achei isso super irónico e poético ao mesmo tempo, então decidi escrever uma canção [‘Maria Feliz’] sobre isso. Só que todos os meus assuntos ficam resolvidos nas canções, mas este não ficou. Foi uma história que parecia que continuava em mim a querer ser mais alguma coisa. Então, decidi começar a escrever um texto que eu achei que ia ser uma peça de teatro, porque eu já ando há um tempo a querer escrever uma peça de teatro, e comecei a escrever, e de repente percebi – eu acho que os personagens aqui têm muita vontade própria – que não queriam ser só canção, depois não queriam ser peça de teatro, quiseram ser romance”, rematou.

A narrativa é construída com base em duas histórias paralelas, uma das quais, acompanha Emmi, nascida antes do início da Segunda Guerra Mundial, com uma adolescência difícil e pobre, que se casa com um homem de Berlim Leste e vai viver para a RDA, até que a construção do muro, a separação da família e uma carta anónima a enterram numa profunda depressão.

A outra, acompanha M., nascida após a divisão das Alemanhas, educada por uma ama, numa família onde imperam os valores do socialismo. M. vive no total desconhecimento do mundo ocidental e ao sabor de uma realidade distorcida, até ouvir um testemunho de uma rapariga, que mudará a sua vida.

2 Abr 2025

Concerto com Jean-Yves Thibaudet dia 19 no CCM

O pianista francês Jean-Yves Thibaudet actua em Macau no próximo dia 19 de Abril, sábado, ao lado da Orquestra de Macau, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). O espectáculo intitula-se “A Sagração da Primavera”, sendo interpretadas composições como “Concerto para Piano nº 5 – O Egípcio”, de Camille Saint-Saëns.

O programa inclui também a obra “A Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, considerada uma das obras mais marcantes do início do século XX e reconhecida pela sua grandiosa orquestração e estilo inovador, descreve o Instituto Cultural (IC) numa nota. Apresenta-se ainda “O Grande Bazar”, de Fazıl Say.

“Reconhecida pela sua instrumentação complexa e ritmos imprevisíveis, ‘A Sagração da Primavera’ exige aos músicos uma grande coordenação e mestria técnica. Esta obra inovadora rompeu com as convenções da música clássica e tornou-se uma referência para a música vanguardista e cinematográfica das gerações futuras”, lê-se ainda.

A Orquestra de Macau irá ter em palco uma formação superior a cem músicos, “proporcionando ao público uma experiência intensa e arrebatadora”, é descrito.

O melhor dos melhores

Jean-Yves Thibaudet é amplamente reconhecido como “um dos melhores pianistas do mundo”, gozando de grande prestígio no panorama da música clássica. Com uma vasta discografia, participou em mais de 70 gravações e bandas sonoras de seis filmes.

Foi nomeado duas vezes para os Prémios Grammy e recebeu diversos galardões, incluindo o Prémio da Crítica Discográfica Alemã, o Diapasão de Ouro (França), o Grande Prémio da Música Clássica (França), o Prémio Edison (Amesterdão), o Prémio Gramophone (Reino Unido) e o Prémio Echo Klassik (Alemanha). Destacou–se ainda como solista de piano na banda sonora do filme vencedor de Óscar “Orgulho e Preconceito”.

Este espectáculo integra-se na temporada de concertos da Orquestra de Macau para os anos de 2024 e 2025. Os bilhetes já estão à venda e os preços variam entre 150 e 300 patacas.

2 Abr 2025

FRC | Debate sobre dados e cidades sustentáveis hoje ao fim da tarde

“O Poder dos Dados: Construir Cidades Inteligentes e Sustentáveis” é o nome da palestra que acontece hoje, a partir das 18h30, na Fundação Rui Cunha. A conversa decorre com dois académicos e analistas, Miguel de Castro Neto, director da Escola de Gestão e Informação da Universidade Nova de Lisboa, e André Barriguinha, director-executivo do Nova Cidade Urban Analytics Lab, ligado à mesma instituição de ensino

 

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, uma sessão de debate sobre cidades mais sustentáveis e dados, integrada no ciclo “Roda de Ideias”. A conversa intitula-se “The Power of Data: Building Smart and Sustainable Cities” [O Poder dos Dados: Construir Cidades Inteligentes e Sustentáveis” e é protagonizada por Miguel de Castro Neto, director da NOVA Information Management School (NOVA IMS) [Escola de Gestão e Informação] da Universidade Nova de Lisboa, e André Barriguinha, director-executivo do Nova Cidade Urban Analytics Lab, também ligado à Universidade Nova de Lisboa.

A moderação ficará a cargo de José C. Alves, reitor da Faculdade de Gestão da Universidade da Cidade de Macau, co-organizadora do evento.

Segundo uma nota de imprensa da FRC, os oradores “pretendem trazer ao território uma reflexão sobre o futuro das cidades inteligentes e sustentáveis”, destacando-se “a importância da análise tecnológica de dados” que pode “contribuir, não só para o progresso ambiental, mas também para a inclusão social, a resiliência económica e a confiança dos cidadãos” na estrutura e organização das sociedades.

A ideia é partilhar o modelo seguido na Universidade Nova de Lisboa quanto ao “tratamento e aplicação de dados informáticos com um propósito definido”. “Mais do que analisar números, criamos valor, transformando os dados em conhecimento prático, o que impulsiona uma melhor governação, a tomada de decisões informadas e a inovação pública”, referem os oradores, citados pela mesma nota.

Os académicos dizem acreditar que “desde melhorar a forma como as pessoas se movimentam, vivem, trabalham e se envolvem, os dados são um factor essencial para sociedades mais transparentes e impactantes”.

Que desafios?

Para os analistas da Universidade Nova de Lisboa, o desafio actual neste campo obriga a “repensar o papel dos dados na construção de um mundo mais inteligente, ético e sustentável”, pois “desde os avanços impulsionados pela Inteligência Artificial na área da saúde, até ao poder dos dados na tomada de decisões a nível global, como as alterações climáticas e a resiliência económica, o foco está nas escolhas que são feitas hoje e no seu impacto para o futuro”.

Miguel de Castro Neto é, além de director da referida Escola, professor associado da mesma instituição de ensino. Criou e lidera o NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, dedicado às cidades inteligentes e analítica urbana. Além disso, dirige o mestrado em Gestão de Informação e as Pós-Graduações em Smart Cities e Busines Analytics for Hospitality and Tourism.

Foi Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza nos XIX e XX Governos portugueses e considerado “Personalidade Smart Cities do Ano 2017” (Green Business Week/Fundação AIP).

Por sua vez, André Barriguinha é doutorado em Gestão de Informação – Geoinformática, mestre em Ciência e Sistemas de Informação Geográfica e licenciado em Engenharia Agrícola. É também docente na NOVA IMS da Universidade Nova de Lisboa e investigador integrado no Information Management Research Center (MagIC) e Director Executivo do NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, onde desenvolve trabalho em sistemas de informação geográfica, gestão de informação, inteligência artificial geoespacial e analítica urbana e territorial.

2 Abr 2025

Cinemateca | “Flow”, vencedor do Óscar, em destaque no mês de Abril

“Encantos de Abril” está aí, com uma nova selecção de filmes para ver este mês na Cinemateca Paixão. Destaque para “Flow – À Deriva”, que conquistou o Óscar de Melhor Filme de Animação este ano, bem como para “Dog on Trial” ou “Four Trails”, entre outros

 

Um gatinho preto, de olhos brilhantes, tenta sobreviver à inundação do mundo que ele conhece. De repente, tem de partilhar o espaço de um barco com outros animais de espécies completamente diferentes, e garantir que vivem. “Flow – À Deriva” é uma lição de humanidade e, talvez, uma reflexão sobre as alterações climáticas, consoante o olhar de cada um. Pode agora ser visto na Cinemateca Paixão, a partir desta sexta-feira, tendo ainda outras três sessões programadas.

“Flow – À Deriva”, de Gints Zilbalodis, é uma produção da Letónia que surpreendeu meio mundo e a Academia de Hollywood, tendo vencido o Óscar de Melhor Filme de Animação. O orçamento inicial do filme foi de 3,6 milhões de dólares americanos e o seu sucesso surpreendeu até o próprio autor do filme.

“Pensámos que, na melhor das hipóteses, seríamos seleccionados para alguns festivais e teríamos uma boa temporada de festivais”, explicou Zilbalodis, de 30 anos, à agência France-Presse (AFP). Para a Letónia, as duas nomeações para os Óscares foram históricas, pois nenhum filme do país báltico de apenas 1,8 milhão de habitantes havia disputado um Óscar.

Mas “Encantos de Abril” prossegue com outras histórias, já fora do mundo da animação. Uma delas é “Dog on Trial”, que pode ser visto já a partir desta quinta-feira. Trata-se de uma história fora do vulgar em que uma advogada, Avril, defende um cão na barra do tribunal. O filme acaba por revelar episódios cómicos e, ao mesmo tempo dramáticos, em torno de questões como o sistema judicial, os direitos das mulheres e dos próprios animais.

Aventuras em Paris

Segue-se “Grand Maison Paris”, um filme japonês passado na capital francesa. A primeira sessão acontece hoje às 19h30, seguindo-se mais duas datas de exibição. A história gira em torno da abertura de um restaurante em Paris, chamado “Grand Maison Paris”, depois do sucesso obtido com o “Grand Maison Tokyo”, ganhador de três estrelas Michelin.

Natsuki Obana e Rinko Hayami aventuram-se então em Paris, querendo ser os primeiros chefes asiáticos a obter estrelas Michelin na cidade luz, mas os desafios que vão enfrentar fazem da aventura uma tarefa bem mais difícil do que pensavam. Os protagonistas têm de lidar também com a pressão de uma cidade cheia de chefes bem conhecidos da cozinha francesa.

Outro filme, do género documentário, que pode ser visto a partir de amanhã é “Four Trails”, apesar de todas as sessões de exibição já estarem esgotadas. Trata-se de uma história real, a de Andre Blumberg, que partiu sozinho para correr os quatro trilhos icónicos de grande distância de Hong Kong em apenas 72 horas. São 298 quilómetros, e mais de 14.500 metros de desnível depois, acabou por ser criada uma das maratonas mais difíceis do mundo, com o nome “Hong Kong Four Trails Ultra Challenge”. O documentário retrata, assim, a edição de 2021 desta competição.

Dentro do rol de filmes asiáticos apresenta-se “Montages of a Modern Motherhood”, um filme deste ano de Hong Kong, que será exibido nos dias 15 e 27 de Abril. Trata-se da história de Suk-jing, que acolhe uma filha bebé na sua vida, e que com isso nunca mais será a mesma. Depressa Suk-jing percebe que o dia é pequeno demais para tudo o que tem de fazer, queixando-se de que o marido não a ajuda nesta nova tarefa da maternidade. Depressa começam os dramas familiares e as reflexões sobre a necessidade de dias melhores.

Dentro de uma outra secção, “Auter Style – Dupla Funcionalidade”, apresenta-se ainda, esta sexta-feira, o filme “Hard Truths”, do realizador britânico Mike Leigh sobre ética familiar. A história gira em torno da nervosa Pansy, com um comportamento psicológico contrastante face à irmã, mais nova e descontraída. Neste filme, pode-se explorar as relações familiares e as dificuldades que existem para, por vezes, se manter a harmonia nessas ligações.

1 Abr 2025

Artista sul-coreana Shin Min vence primeira edição do “MGM Discoveries”

Shin Min, artista sul-coreana, foi a vencedora da primeira edição do prémio “Prémio de Arte MGM Discoveries”, atribuído em conjunto pela MGM e Art Basel de Hong Kong. Segundo um comunicado da MGM, a artista, representada pela galeria P21, de Seul, venceu com uma “instalação inovadora”, com o nome “Ew! There is hair in the food!!!”, em que utilizou “um simbolismo potente e experiências pessoais para confrontar as normas sociais e as injustiças sistémicas”.

Segundo a mesma nota, Shin Min “espera que este trabalho sirva como uma ferramenta poderosa para sensibilizar a sociedade e, em última análise, melhorar as condições de trabalho da população”. O prémio inclui um valor monetário de 50 mil dólares americanos e a “oportunidade de ser convidado pela MGM para realizar uma exposição e participar em intercâmbios artísticos em Macau”.

O objectivo do prémio “MGM Discoveries” é “promover a diversidade artística e ligar Hong Kong, Macau e o mundo através de eventos culturais icónicos”, sendo que esta iniciativa “reconhece a originalidade e a inovação de artistas internacionais emergentes”, além de “ampliar a sua visibilidade no mundo da arte global”.

Visões partilhadas

Kenneth Feng, presidente e director-executivo da MGM China Holdings Limited, disse que “a MGM e a Art Basel Hong Kong partilham a visão comum de promover o desenvolvimento artístico e cultural global”, sendo que este prémio conjunto “é um compromisso para descobrir artistas emergentes e celebrar a sua originalidade e criatividade, oferecendo uma plataforma para desenvolver o seu potencial e crescer”.

“Além disso, através dos esforços culturais internacionais, Macau está a unir-se estreitamente a Hong Kong e ao palco global, expandindo a rede global e o intercâmbio de Macau”, referiu o responsável.

Já Angelle Siyang-Le, directora da Art Basel Hong Kong, referiu que o júri escolheu “Shin Min de entre um notável conjunto de artistas apresentados no ‘Sector Discoveries’, que destaca artistas e galerias emergentes através de apresentações individuais de projectos recentes”.

A MGM organizou ainda uma visita guiada à Art Basel de Hong Kong, uma das mais importantes feiras de arte do mundo, para cerca de 50 líderes e representantes culturais e educacionais de Macau. Com este prémio, a operadora de jogo diz querer “trazer novas perspectivas artísticas a Macau e à Grande Baía”, bem como “uma variedade de actividades artísticas e culturais internacionais”.

31 Mar 2025

IPOR | Festival literário “Letras&Companhia” arranca esta semana

Começa esta sexta-feira mais uma edição do festival infanto-juvenil “Letras&Companhia”, organizado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), e que traz um tema bastante actual: o uso da inteligência artificial na educação. Destaque para a presença da cantora e escritora portuguesa Luísa Sobral e a apresentação do livro ilustrado “A Aventurosa Viagem do Pátria”, de Filipa Brito Pais

 

Inteligência artificial (IA) e educação. Esta relação complexa, mas cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, é o tema central da edição deste ano do Festival Literário e Cultural para Pais e Filhos “Letras&Companhia”, organizado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) em parceria com o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. O evento, que arranca esta sexta-feira, 4 de Abril, e termina a 6 de Maio, tem ainda uma série de apoios institucionais.

O tema deste ano é, assim, “Inteligência Artificial na Educação – O Robô e Eu”. Um dos destaques do cartaz é a presença da autora e compositora Luísa Sobral que lança a edição bilingue (português e chinês) do seu mais recente livro, “O Peso das Palavras”.

Segundo um comunicado do IPOR, Luísa Sobral irá “promover um conjunto de oficinas nas escolas locais, bem como um concerto aberto ao público” que decorre este sábado, 6 de Abril.

Outro destaque do cartaz, é a apresentação do livro “A Semente do Amor”, de Joana Morgado Bento, uma obra escrita em verso que tem como tema a parentalidade positiva. “O ponto de partida da autora para a escrita deste livro foi o reconhecimento da inevitável imperfeição dos progenitores, da qual nasce uma reconhecida dificuldade: como educar um filho para que a criança de hoje seja um adulto feliz amanhã? Joana Morgado Bento irá responder a esta e outras questões, numa sessão dirigida a pais e filhos”, escreve o IPOR.

Numa colaboração com a associação Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, será ainda apresentado o livro “Era Uma Vez… A Minha Língua”, que resultou de um concurso literário promovido pela entidade. Trata-se de uma obra que junta contos escritos de propósito para este concurso, sendo que todos os textos estão traduzidos e adaptados para chinês. O lançamento do livro será realizado através de um teatro de sombras.

Recordar o Pátria

Depois de um lançamento em Portugal, Filipa Brito Pais prepara-se para lançar, neste festival, o livro dirigido aos mais novos em língua chinesa, “A Aventurosa Viagem do Pátria – de Portugal a Macau em avião (1924)”, que assinala os 100 anos da primeira viagem aérea Portugal – Macau. A autora, sobrinha-bisneta do aviador António Brito Pais, dará a conhecer aos mais jovens a extraordinária proeza dos três aviadores e sonhadores, António Brito Pais, José Manuel Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, que, à época, conseguiram, com poucos apoios financeiros, fazer o que ninguém tinha conseguido fazer até então.

O “Letras&Companhia” disponibiliza também duas oficinas desenvolvidas e dinamizadas por Catarina Mesquita, fundadora da editora de livros infantis “Mandarina Books”, dirigidas a crianças e jovens. As duas oficinas, intituladas “Normalmente…” e “Real ou Artificial?”, terão como objectivo estimular a criatividade dos mais novos, quer através de um mecanismo criativo que passa pela valorização do quotidiano e do banal, quer através de uma atitude que encontra na dúvida e na desconfiança sensorial um modo a promover a imaginação.

Meditação e formação

A instrutora de yoga Ana Júlia Sampaio ficará responsável por conduzir duas sessões de meditação. “Happy Kids” será uma actividade dividida em duas oficinas, devidamente pensadas e adaptadas tendo em conta a idade dos participantes. Estas duas sessões servirão para ajudar a desenvolver a consciência corporal, mental e emocional das crianças.

O cartaz traz ainda a Macau Adelina Moura, formadora de Cursos de Formação de Formadores e Formação Contínua de Professores no âmbito da integração de tecnologias na sala de aula, sendo ainda membro do grupo de investigação “GILT-Games, Interaction and Learning Technologies”, do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

No festival, Adelina Moura vai dar uma formação a professores e ministrar a oficina “Literacia digital – Promoção de interações positivas em linha”, em que os participantes serão convidados a reflectir sobre temas como a aplicação de estratégias para proteger a identidade digital e os dados pessoais em ambientes online, a criação e partilha responsável de informações, a aplicação de métodos capazes de incentivar a pesquisa online e a análise crítica de fontes digitais.

O festival apresenta ainda uma conferência aberta ao público em geral, intitulada “A IA na Educação”, que decorre a 16 de Abril com Adelina Moura, o psicólogo Nuno Gomes e a investigadora Min Yang, da United Nations University Institute in Macau.

O teatro também marca presença no “Letras&Companhia” com duas peças, sendo que uma delas está a cargo da companhia “AtrapalhArte” que apresenta o espectáculo “Peripeças – A História de Portugal com Inteligência Artificial”, uma peça cómica sobre o poder que as narrativas e as histórias assumem nesta era predominantemente digital.

A segunda representação teatral, “The Peakture”, será um espectáculo não-verbal desenvolvido pela companhia local “Comuna de Pedra”, em que os movimentos corporais dos actores, fantoches e ainda algumas projecções de vídeo ao vivo estarão ao serviço de uma história comovente sobre os impensáveis obstáculos que uma simples viagem pode suscitar.

Destaque ainda para as iniciativas “Uma noite na… Biblioteca”, que visa estimular o gosto pela leitura através de sessões de leitura de contos dramatizadas, e a exposição “O Robô e Eu”, inaugurada na sexta-feira. Esta mostra irá apresentar os trabalhos desenvolvidos por artistas da região e alunos de escolas locais, contando com a participação especial do artista José Nyögéri, que irá expor um conjunto de trabalhos da sua autoria sobre o tema.

O festival foi criado em 2021 e gira em torno do conceito dos “três L’s”: língua, livro e leitura. Para esta edição, procura-se “abordar a introdução das tecnologias não apenas no ensino, mas também na vida das crianças”.

31 Mar 2025

AMAGAO | Exposição “Ano 3” inaugurada hoje

É hoje inaugurada, na galeria AMAGAO, no Artyzen Grand Lapa, uma nova exposição colectiva que marca o terceiro aniversário da galeria.

Trata-se de uma mostra com 30 trabalhos de 29 artistas, locais e não só, com nomes como Alexandre Marreiros, Abílio Febra, Clara Leitão, João Palla, Ieong Man Fai, Nuno Calçada Bastos ou Suzy Bila, entre outros.

“Esta exposição tem a singularidade de todos os artistas terem recebido uma tela igual de 30 x 30 cm”, destaca-se ainda na mesma nota. A inauguração da mostra começa às 18h30. A galeria AMAGAO é um projecto de Lina Ramadas e Víctor Hugo Marreiros.

28 Mar 2025

Rota das Letras | Lusofonia e literatura em destaque este fim-de-semana

Chega ao fim este fim-de-semana o festival literário Rota das Letras, mas isso não significa uma diminuição dos eventos. O universo literário e a lusofonia vão estar em destaque nos próximos dias. Hoje, acontece a apresentação do livro “Desconseguiram Angola”, de António Costa e Silva, mas haverá mais apresentações de obras e ainda uma sessão virada para o livro infantil com a editora local Mandarina

 

Está a chegar ao fim mais uma edição do festival literário Rota das Letras que, este ano, trouxe para o programa reflexões sobre a lusofonia e o processo de descolonização portuguesa. Mas no tocante à lusofonia, sobretudo na vertente literária, esta estará em destaque nos vários eventos do cartaz dos próximos dias.

Hoje, precisamente, decorre a apresentação do romance “Desconseguiram Angola”, da autoria de António Costa e Silva, antigo ministro da Economia e do Mar em Portugal. A sessão decorre no Antigo Matadouro Municipal, na Barra, a “casa” do Rota das Letras este ano, a partir das 18h30.

“Desconseguiram Angola” é um romance que faz “a descida aos horrores da guerra” e que, numa primeira fase, foi para as bancas assinado com um pseudónimo, mas António Costa e Silva acabou por assumir mais tarde a sua autoria. Com a chancela da Guerra e Paz, trata-se de uma obra que tem “vários livros”, com histórias como “o regresso imaginado à infância, o da vida e das histórias de Luanda, o dos rios ancestrais de África e o da guerra”. Existe, portanto, “um cruzamento de caminhos sob o cenário da guerra, a mais longa da história de Angola, que marcou o país, as pessoas, as palavras”, descreve a sinopse da obra.

Também no Antigo Matadouro Municipal, na Barra, mas numa outra sala, à mesma hora, o Rota das Letras acolhe a sessão de diálogo “Literatura e Clima – Histórias que Mudam a Sociedade”, com a presença de Jane Lee. Trata-se de uma sessão em inglês.

No mesmo local, mas a partir das 19h30, o mundo da lusofonia faz-se novamente sentir com a palestra “Literatura Lusófona – Um novo mundo, meio século depois das independências”, novamente com o contributo de António Costa e Silva e da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida. Esta é autora de vários livros, como “Três Histórias de Esquecimento” e “Esse Cabelo” e “Toda a Ferida é uma Beleza”, este último vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2024. Os seus livros e ensaios receberam vários prémios, incluindo o Prémio Oceanos, e estão traduzidos em dez línguas. Em 2023, Djaimilia recebeu o Prémio FLUL Alumni, atribuído pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou. Este ano recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora, pelo conjunto da sua obra literária. Ensinou na New York University e é ainda cronista em vários jornais. Nasceu em Luanda.

Também a partir das 19h30, decorre outra sessão de apresentação de livros com Marina Pacheco, intitulada “Living, Loving, Longing Lisbon – Contos de uma Grande Cidade”. Essencialmente esta obra revela histórias da capital portuguesa, reunindo pequenos contos com base em relatos de moradores e visitantes da cidade, bem como de pessoas que simplesmente se apaixonaram por Lisboa e pela sua essência.

Outras vozes

O cartaz prossegue na tarde de amanhã com a palestra “Fronteiras Entrelaçadas – Eu e Nos na Escrita da Ficção Feminina”, que decorre a partir das 15h também no Antigo Matadouro Municipal. Trata-se de uma sessão em chinês com os autores Kwok Yim Mei e Chen Xiaoyang, com tradução em simultâneo para inglês.

Numa outra sala, muda-se de idioma e de tema: é a vez de se falar da “Cozinha Portuguesa dos Descobrimentos”, com Anabela Leal de Barros, autora ligada ao Oriente e professora da Universidade do Minho.

Além da dedicação ao estudo da poesia barroca portuguesa com base na tradição manuscrita, Anabela Leal de Barros tem desenvolvido estudos sobre os códices de épocas e âmbitos diversos, incluindo os da História da Alimentação, História da Medicina, História da Economia e, em particular, da Historiografia Linguística e da Linguística Missionária.

A temática da gastronomia prossegue, a partir das 16h, com a apresentação de “A China em Sete Banquetes – Uma Viagem Aromática por 5,000 Anos de Património Gastronómico Chinês”, uma obra de Thomas Dubois.

Falar de Pessoa

Também amanhã, a partir das 16h, é a vez de se falar de Fernando Pessoa, um dos grandes poetas portugueses, com a sessão “‘Estou Vazio’. Os heterónimos de Pessoa e a tradução poética”, com a presença de Yang Zi.

A partir das 17h, acontece outra apresentação de livro, também no Antigo Matadouro Municipal, com a sessão “Lin-Tchi-Fá. A Flor de Lótus traduzida para Chinês e Inglês 100 anos após a primeira edição”, com Lian Zimo e Ian Watts.

O universo da cultura chinesa clássica será tema da sessão que arranca às 18h, com a presença de Carlos Morais José, director do HM, e Zerbo Freire, tradutor. Nesta palestra fala-se de “O Peso do Outono no Coração, de Li Qingzhao”, bem como da edição 9 da revista Via do Meio, com o tema dos “simbolismos chineses”.

A noite de sábado encerra com música e poesia: a partir das 20h30, decorre no Teatro D. Pedro V o espectáculo com o grupo Lisbon Poetry Orchestra, “O Mito da Escrita, seguido de ‘Os Surrealistas'”. “Os Surrealistas” não é mais do que um livro-cd dedicado “a um grupo de artistas e poetas que, num Portugal cinzento, percebeu a urgência da liberdade”, ou seja, os fundadores e seguidores do Surrealismo português.

Por sua vez, os Lisbon Poetry Orchestra apresentam-se como “um colectivo multidisciplinar formado por músicos e poetas que convidam outros artistas para celebrar e interpretar a poesia numa viagem única à descoberta e reinvenção da palavra dita”.

Passeios e palavras

Domingo amanhece com o Rota das Letras e o passeio guiado com o autor Jason Wordie. Trata-se de uma actividade que percorre os lugares antigos de Macau constantes no livro do autor “Macao, People and Places, Past and Present”, localizados na zona da Barra. O passeio começa às 11h e funciona mediante inscrições prévias.

Às 15h, no Antigo Matadouro Municipal, é a vez do autor e jornalista Paul French apresentar duas novas obras, uma delas sobre Macau: “Destination Macao”, uma obra com várias histórias e relatos sobre a antiga Macau. Porém, a sessão destina-se também a falar do livro que conta a história de Wallis Simpson em Xangai, antes de ser Duquesa de Windsor, com a obra “Her Lotus Year”.

Mas a tarde de domingo do Rota das Letras dedica-se também à literatura infantil. Igualmente a partir das 15h, no mesmo local, acontece a palestra “As Chaves da Fantasia – Um Debate sobre a Escrita da Literatura Infantil”, com os convidados Chen Shige e Lydia Ieong.

Segue-se a sessão de ilustração e escrita de contos ao vivo com Catarina Mesquita, fundadora da editora de livros infantis Mandarina, o cartoonista Rodrigo de Matos e Lydia Ieong. Este evento começa às 16h no Antigo Matadouro Municipal. A partir das 16h30 acontece mais uma apresentação de livro, “O Naufrágio de Lisbon Maru”, de Tony Banham.

Por sua vez, a partir das 17h30 decorre a palestra “2025 – O Ano de Todas as Mudanças”, novamente com o autor António Costa Silva, o académico e analista político Sonny Lo e Michael Share. O grupo Lisbon Poetry Orchestra volta a participar na sessão “Poesia e Música. Uma Ligação que Perdura Através dos Tempos”, ao lado de Xana, Peace Wong e Anthony Tao.

O festival muda-se de armas e bagagens, no final de um dia de domingo preenchido, para o Artyzen Grand Lapa, para o jantar “Uma Festança de Histórias – Sete Pratos, Sete Tradições”, que decorre mediante inscrição prévia.

28 Mar 2025

AFA | Salão de Outono prolongado por causa da Art Basel de Hong Kong

A 15.ª edição do Salão de Outono, evento anual organizado pela AFA – Art for All Society e que reúne obras de vários artistas locais, vai estar mais tempo em exposição por forma a coincidir com a Art Basel de Hong Kong. Assim, o público poderá ver, até à próxima segunda-feira, 30, obras diversas de artistas como Ung Vai Meng ou Carlos Marreiros, entre outros

 

Decorre na região vizinha a Art Basel de Hong Kong, uma das maiores feiras de arte do mundo, e para que Macau não perca o ritmo no que à arte diz respeito, a AFA – Art for All Society, decidiu estender os prazos da exposição do Salão de Outono, mostra anual com artistas locais que, este ano, celebra a 15.ª edição. Originalmente o Salão de Outono fecharia portas esta terça-feira, 25.

A extensão do Salão de Outono, patente no empreendimento Parisian, no Cotai, permite, assim, “oferecer uma oportunidade única aos entusiastas da arte internacional que visitam Hong Kong para a cena artística dinâmica que está a florescer em Macau”, refere um comunicado. A edição deste ano “oferece uma justaposição atraente de arte e comércio, ecoando o espírito do original ‘Salon d’Automn’ criado no início do século XX em França”.

Estão disponíveis mais de 200 obras de 116 artistas, “seleccionadas a partir de um número sem precedentes de candidaturas”, incluindo “uma gama diversificada de meios artísticos, desde a pintura tradicional chinesa e a pintura a óleo até à arte digital de ponta, modelação 3D e instalações de vídeo”.

Convida-se, assim, “os amantes da arte de todo o mundo a explorar as diversas expressões criativas que florescem em Macau”, lê-se na mesma nota.

Mistura de gerações

No Salão de Outono o público terá a oportunidade de ver os nomes habituais do panorama artístico local, mas também trabalhos de novos talentos, numa mescla de criatividade e visão daquilo que a arte pode ser.

Uma das artistas participantes é Un Chi Iam, mestre em Belas Artes no Instituto de Arte de Nanjing e membro do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, em parceria com Carlos Marreiros, Mio Pang Fei, já falecido, e outros artistas locais. Un Chi Iam foi ainda editora de arte e designer no Instituto Cultural, além de ter ensinado pintura chinesa na Academia de Artes Visuais de Macau e no antigo Instituto Politécnico de Macau.

Outro nome presente no Salão de Outono, é Lok Hei, natural de Macau e que apresenta “uma extensiva experiência na área do design publicitário e planeamento de exposições”. Lok Hei, que participa nesta edição do Salão de Outono com desenhos, está também ligado a diversas associações, sendo, por exemplo, vice-presidente da Associação da Promoção do Desenvolvimento Cultural de Macau.

Um dos destaques do Salão de Outono é a presença dos trabalhos do arquitecto macaense Carlos Marreiros, autor de diversos projectos arquitectónicos em Macau e grande promotor da cultura local. Em 2019 ganhou o “Prémio Identidade” atribuído pelo Instituto Internacional de Macau. Vítor Hugo Marreiros, seu irmão e designer, mostra também os seus trabalhos nesta mostra. Habitual nome do design local, depois de vários anos a colaborar com o Instituto Cultural, Vítor Marreiros tem realizado várias exposições ao longo da sua carreira, criando, todos os anos, o cartaz do 10 de Junho da Casa de Portugal em Macau. Detém uma “Medalha de Mérito Profissional” atribuída pelo Governo na fase final da administração portuguesa, em 1999.

Guilherme Ung Vai Meng, antigo presidente do Instituto Cultural e reputado artista local, participa também neste Salão de Outono com uma pintura da sua autoria. Nascido em Macau, estudo no reputado AR.CO, em Lisboa, em 1991, tendo feito um mestrado na Academia de Belas Artes de Guangzhou. Foi o primeiro director do Museu de Arte de Macau.

Outro artista presente, é ainda Chan Hin Io, que apresenta ao público o seu trabalho fotográfico. Há mais de 20 anos que faz fotografia, sobretudo conceptual, vertente que já revelou em diversas exposições. Desde 2009 publicou mais de dez livros de fotografia, tendo exposto em locais como o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, ou o Museu de Arte de Macau, entre outros.

Tong Chong, artista da nova geração, formou-se no anterior Instituto Politécnico de Macau, em Artes Visuais, e fez um mestrado em Escultura na Academia de Belas Artes de Guangzhou. “O seu trabalho explora a cultural social contemporânea, a sua relação entre o desenvolvimento humano e o mundo natural, a essência da natureza humana e o papel da humanidade dentro da actual paisagem ambiental”, descreve a mesma nota.

Joey Ho é outro nome bem presente no panorama local das artes, tanto na qualidade de artista, como de curadora. “Joey Ho é uma das poucas artistas que trabalha activamente com uma grande diversidade de meios. A sua abordagem única, misturando sensibilidades artísticas e literárias com um estilo que varia entre a tradição e os formatos contemporâneos, permite-lhe reinterpretar os trabalhos clássicos das artes e literatura, estendendo os seus valores humanísticos”, lê-se.

27 Mar 2025

MGM | Macau acolheu prova de vinhos portugueses

O MGM Macau foi palco na terça-feira de um evento de prova de vinhos portugueses, que apresentou mais de 100 vinhos de 13 produtores a mais de 200 profissionais do sector e consumidores de toda a Grande Baía. O “Wines of Portugal Macau 2025 Grand Tasting” foi um organizado pelos Vinhos de Portugal, o organismo nacional de promoção dos vinhos.

O dia foi também marcado por uma masterclass conduzida pela educadora dos Vinhos de Portugal, Sofia Salvador, na qual participaram mais de 50 pessoas. Estiveram também presentes os enólogos portugueses Jorge Serôdio Borges, da Wine & Soul, no Douro, e Simão Baptista Cardoso, da Quinta de Valbom e da Herdade dos Grous, no Alentejo.

A representante dos Vinhos de Portugal salientou a importância do território para a projecção da indústria portuguesa, onde ocupa o terceiro lugar em valor e volume, a seguir à Austrália e França. “Estamos presentes em Macau há muitos anos e, actualmente, vemos também Macau como uma excelente montra para o vinho português, especialmente para os turistas chineses do continente”, afirmou Sofia Salvador.

27 Mar 2025

Empreendedorismo | USJ entrega prémios este sábado

A Universidade de São José (USJ) será o palco para a entrega dos Prémios Deignan para o Empreendedorismo Responsável [Deignan Award for Responsible Entrepreneurship], uma iniciativa organizada pela Wofoo Social Enterprises, Instituto Ricci de Macau e a própria USJ.

O objectivo é “incentivar práticas empresariais éticas e envolver as empresas no seu esforço para criar modelos de negócios sustentáveis guiados pelos princípios de justiça, solidariedade e responsabilidade”, destaca a USJ numa nota, onde se acrescenta que o prémio entregue no sábado “reconhece os líderes empresariais de topo que exibem práticas exemplares que contribuem positivamente para o bem comum da sociedade”.

A entrega dos prémios decorre entre as 14h30 e as 17h30, sendo esta a segunda edição da iniciativa, que é feita segundo a “missão e o empenho” de Alfred Deignan nas áreas da “educação, promoção de valores e práticas empresariais éticas”.

O Prémio Deignan centra-se nas PME que operam nos centros interculturais de Hong Kong e Macau, seleccionando as que demonstram ser “mais bem-sucedidas e qualificadas” e que “demonstrem um historial credível de realizações específicas no domínio da sustentabilidade e da implementação de práticas éticas com base na investigação mais actualizada sobre responsabilidade social das empresas e ética empresarial”.

26 Mar 2025

Rota das Letras | Da Mongólia às antigas colónias portuguesas: as exposições

O festival literário Rota das Letras apresenta três exposições de fotografia, duas delas patentes até Abril, que apresentam uma diversidade de temáticas e estilos criativos. João Miguel Barros colaborou na curadoria de todas elas: “Tempo Nómada: Uma Introdução”, de Jessie Rao; “O Vento Sopra na Pradaria”, de Wang Zhengping; e “Novas Independências”, com imagens do fotojornalista Alfredo Cunha. Eis uma viagem por três mundos distintos

 

Se fotografar é contar, ou transmitir sem palavras, compreende-se então a aposta do festival literário Rota das Letras em apresentar três exposições distintas, que vão desde os cenários distantes da Mongólia até às antigas colónias portuguesas em África. João Miguel Barros, curador, também ele fotógrafo, ajudou a fazer a curadoria de todas elas, e ao HM revela um pouco dos detalhes de cada projecto.

No caso de “O Vento Sopra na Pradaria”, com trabalhos de Wang Zhengping, a curadoria foi feita em parceria com Na Risong. Disponível até ao dia 28 de Abril na Galeria do Tap Seac, esta foi, “de longe, a exposição mais desafiante em termos curatoriais”, confessou.

“Tive de partir de um conjunto de cerca de 300 ficheiros com imagens e escolher a narrativa principal. Optei por centrar a exposição no projecto dos cavalos da Mongólia, que é o que mais me fascina, dando-lhe mais espaço, e complementei-o com o outro projecto das comunidades”, disse João Miguel Barros, explicando ainda que “poderia ter sido ao contrário, pois ele [Wang Zhengping] tem duas componentes muito bem desenvolvidas ao longo de décadas de trabalho”.

Além disso, o curador teve de criar “um diálogo entre o tamanho das imagens e a sua colocação no espaço da galeria, criando grupos com identidade própria”. “Fiquei muito contente com o resultado final e o acho que consegui surpreender o artista, que me confessou não estar à espera deste resultado”, adiantou.

Wang Zhengping é, além de fotógrafo, etnógrafo, sendo actualmente conhecido como um dos grandes fotógrafos contemporâneos da China, sobretudo pela sua vertente artística. Começou a obter reconhecimento internacional a partir de 2015, sendo considerado um dos dez principais pioneiros da fotografia asiática no ranking da revista fotográfica Pixel. Tem um trabalho muito virado para os cavalos que habitam nas estepes da Mongólia, na Região Autónoma da Mongólia Interior, região que tem marcado bastante o seu trabalho.

Da descolonização

Para um campo criativo e temático completamente diferente, João Miguel Barros organizou “Novas Independências”, com imagens do fotojornalista Alfredo Cunha, que pode ser vista no Antigo Matadouro Municipal até domingo.

“A mostra de Alfredo Cunha é um abrir de apetite para a exposição de grande fôlego que está a ser construída de raiz para vir a Macau no próximo ano”, anunciou.

Com a temática da descolonização portuguesa, que arrancou depois do 25 de Abril de 1974, “Novas Independências” foca-se nos países africanos de língua portuguesa, que viveram de forma mais intensa este processo de descolonização. Porém, o curador quis retirar-lhe “a carga institucional e política”, seleccionando “centenas de imagens enviadas pelo Alfredo para mim a partir de um critério mais pessoal e humanista”.

O curador decidiu, então, agrupar essas imagens em cinco conjuntos, intitulados de “Lugares”, “Pessoas”, “Às armas”, “Chegadas e Partidas” e “Rituais”. “As imagens são muito significativas e revelam o grande talento de um dos grandes nomes da fotografia portuguesa do pós-25 de Abril”, acrescentou João Miguel Barros.

Alfredo Cunha começou a trabalhar em fotografia em 1970, tendo entrado para os jornais no ano seguinte, começando no Notícias da Amadora. Desde então colaborou com os mais importantes jornais portugueses, como O Século, já desaparecido; o Público ou o Jornal de Notícias, tendo sido também editor da secção de fotografia.

Foi fotógrafo oficial dos presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, recebendo a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique em 1996. O seu trabalho sobre a Revolução dos Cravos, no 25 de Abril de 1974, e a descolonização portuguesa, contam-se entre os seus trabalhos fotográficos mais conhecidos.

Nómadas no Albergue

A terceira mostra integrada no festival literário Rota das Letras é “Tempo Nómada: Uma Introdução”, inaugurada esta segunda-feira no Albergue SCM e que fica patente até ao dia 10 de Abril.

“Trouxe a Jessie [Rao] a Macau no contexto deste festival por ser discípula de Wang Zhengping e pelo facto de o seu projecto ser também sobre a Mongólia. O trabalho que está exposto, que é todo a cores, ao contrário da mostra de Wang, que é totalmente a preto e branco, mostra uma visão diferente, e mais vivencial, das comunidades e das pessoas”, explicou.

Embora Jessie Rao não seja natural da Mongólia, a verdade é que acabou por captar algo da cultura da região, demonstrando, na visão do curador, “um enorme talento”. “Este projecto [Tempo Nómada] obteve o prémio de excelência, que é o prémio principal, no prestigiado Festival Internacional de Fotografia de Pingyao, em finais do ano passado. Ele capta o lado humano das pessoas com uma densidade única, e as suas fotografias são lindíssimas”, acrescentou.

26 Mar 2025

Rota das Letras | Cinema de Luís Filipe Rocha esta semana

O festival literário Rota das Letras apresenta esta semana uma série de filmes do realizador português Luís Filipe Rocha, incluindo “Amor e Dedinhos de Pé”, adaptação do romance de Henrique de Senna Fernandes, filmado em Macau.

Depois da exibição, ontem, de “Cinzento e Negro”, no Cinema Capitol, hoje será exibido, também no mesmo local, “Cerromaior”, a partir das 18h, e “Amor e Dedinhos de Pé”, a partir das 21h. Esta quinta-feira será ainda exibido “Sinais de Fogo” no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, a partir das 20h30.

Destaque ainda para a exibição, amanhã, de uma curta-metragem baseada num conto de Valério Romão, um dos convidados do Festival, seguida da projecção de um documentário sobre Natália Correia, da autoria de Rosa Coutinho Cabral. A sessão conta com a presença de uma das actrizes que compõem o elenco deste documentário, Alexandra Sargento.

25 Mar 2025

Galaxy | G-Dragon protagoniza dois concertos em em Junho

A Galaxy Arena, uma das principais salas de espectáculos do território, prepara-se para receber dois concertos do rapper e compositor sul-coreano G-Dragon, integrados na tour “Ubermensch”, que passa também por outras cidades asiáticas. Eis a oportunidade de o público local ver e ouvir de perto um dos nomes sonantes da música sul-coreana

 

G-Dragon, nome artístico de Kwon Ji-yong, é um rapper e compositor sul-coreano de 36 anos que, em Junho, nomeadamente nos dias 7 e 8, vem a Macau para dois espectáculos na Galaxy Arena, no Cotai, que prometem encantar os fãs ou os apaixonados por música da Coreia do Sul.

Os dois espectáculos fazem parte da tour “Übermensch”, que significa super-humano, e que passa por diversas cidades asiáticas, nomeadamente Tóquio, nos dias 10 e 11 de Maio; Bulacan, nas Filipinas, a 17 de Maio; Osaka, nos dias 25 e 26 de Maio e depois Taipei, Kuala Lumpur e Jacarta, no mês de Julho.

Destacado pela revista Forbes, em 2016, como a pessoa mais influente da indústria de entretenimento da Ásia com menos de 30 anos, G-Dragon está ligado ao mundo do espectáculo e das artes desde criança, pois a sua primeira aparição em televisão deu-se no programa infantil “Bbo Bbo Bbo”, da estação MBC. Com apenas seis anos integrou o grupo infantil “Litlle Roo’Ra”. Com o passar dos anos apostou no rap, tornando-se também compositor, empresário e designer de moda.

A sua ligação ao hip-hop foi gradual, tendo integrado, em 2006, a boys-band “Big Bang”, lançando o álbum a solo “Heartbreaker” em 2009, que incluía uma música com o mesmo nome. O sucesso sentiu-se logo aí, pois foi reconhecido como o “Álbum do Ano” nos Mnet Asian Music Awards. No ano seguinte, 2010, já integrava outro grupo musical, os “T.O.P.”, que lançaram um álbum com o mesmo nome, também outro de sucesso.

A primeira difressão mundial de G-Dragon aconteceu em 2013, chamando-se “One of a Kind World Tour”, sendo que nesse mesmo ano lançou o seu segundo álbum de estúdio, “Coup d’Etat”, que lhe valeu também reconhecimento da crítica.

No que diz respeito ao estilo musical, G-Dragon diz inspirar-se no grupo Wu-Tang Clan e o norte-americano Pharrell Williams que, para si, é o seu “herói musical”. Outros nomes do hip-hop, como Kanye West, contam-se na sua lista de referências.

Uma espécie de revolução

Segundo a revista Tatler Ásia, Kwon Ji-yong conseguiu inovar e “transcender as fronteiras tradicionais do estrelato pop asiático”, transformando tudo em “ouro criativo” em termos musicais.

É classificado por esta publicação como sendo um camaleão no mundo da música, sendo que em quase 20 anos de carreira conseguiu ser “um músico virtuoso, provocador da moda e um empresário inovador” que chamou a atenção dos fãs. Apresenta “roupas vanguardistas” que vestem “um génio artístico cuja trajectória profissional alterou permanentemente o ADN do entretenimento coreano”, escreve ainda a Tatler sobre G-Dragon.

Sobre a vertente de designer de moda, descreve-se que G-Dragon faz muito mais do que vestir as tais “roupas vanguardistas”, transformando-as em “declarações culturais”, tendo sido o primeiro embaixador global asiático da marca Chanel.

Na Semana de Moda em Paris, o rapper sul-coreano ousou vestir casacos femininos de tweed, transpondo os limites do género. G-Dragon adoptou recentemente uma estética chamada de “grandma-core”, que inclui o uso de lenços na cabeça e um cabelo em tons de ruivo. Pode ou não chocar, mas o estilo permanece.

25 Mar 2025

Bilhetes à venda desde sábado para a 35.ª edição do FAM

Estão à venda, desde sábado, os bilhetes para a 35ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que decorre entre os dias 25 de Abril e 31 de Maio, e que este ano tem como tema central a ideia de “Crescimento”. Apresenta-se ao público, com organização do Instituto Cultural (IC), um conjunto de 15 espectáculos que abrangem teatro, ópera chinesa, dança, circo, música e artes visuais.

Esta edição do FAM arranca com “A Vida de Pi”, uma produção teatral do West End de Londres e da Broadway, que, com o FAM, inicia a primeira digressão da Ásia Oriental em Macau. O espectáculo mistura técnicas cénicas de última geração com técnicas de marionetas impressionantes para explorar o significado da vida e o tema da coragem.

Além disso, com o intuito de mostrar a ideia de “Encontro Oriente-Ocidente, Ásia em Harmonia”, ligada à iniciativa “Cidade de Cultura da Ásia Oriental 2025 – Macau, China”, apresentam-se dois espectáculos. São eles “Deling e Cixi”, uma colaboração entre equipas de Pequim e Hong Kong que recria narrativas íntimas passadas nos aposentos privados da corte durante a Dinastia Qing; e ainda o concerto de ópera cantonense “Descortinando Vozes Harmoniosas”.

Este espectáculo musical é apresentado pela Orquestra Chinesa de Macau juntamente com figuras notáveis da ópera cantonense, tais como Zeng Xiaomin e Wen Ruqing, dando a conhecer ao público de Macau a cultura de Lingnan.

Outro dos destaques da 35ª edição do FAM, é o espectáculo “A Fénix Louca”, da Trupe de Ópera Cantonense de Foshan. Trata-se de uma adaptação de uma peça teatral clássica centrada na vida do talentoso dramaturgo Kong Yu-Kau, o qual proporcionará aos espectadores uma experiência totalmente nova, mantendo a intensidade dramática da peça e integrando, engenhosamente, elementos inovadores da ópera cantonense.

Estreia do Japão

O FAM traz ainda o musical japonês original “Kiki, a Aprendiz de Feiticeira”, que em Macau terá a sua estreia fora do Japão. Neste espectáculo, apresenta-se com um novo repertório musical e uma equipa de produção que captará fielmente o encanto da obra homónima e da animação.

O público local poderá ainda ver os TAGO, da Coreia do Sul, que apresentam “A Batida do Xamã”, um espectáculo que combinará técnicas tradicionais de percussão com uma estética moderna.

24 Mar 2025

Dia Mundial do Livro | IC organiza “Troca de Livros” e várias actividades

Abril é mês de celebrar a leitura. No dia 23, acontece o “Dia Mundial do Livro”, e, nesse contexto, o Governo, através do Instituto Cultural, irá organizar uma série de programas para promover a leitura, como a troca de livros antigos, e outras actividades

 

Celebra-se no próximo dia 23 de Abril o “Dia Mundial do Livro” e, assim sendo, o Instituto Cultural (IC) organiza actividades como a “Troca de Livros”. Em vários locais da cidade estarão também assinalados pontos de leitura, numa actividade designada por “Mês de Leitura Conjunta em Toda a Cidade de Macau 2025”, ou seja, ao longo do mês de Abril.

A iniciativa “Troca de Livros” já começou, nomeadamente no que diz respeito ao processo de recolha de livros que as pessoas possam ter nas suas casas e que querem trocar por outros, mediante um sistema de pontos. A entrega de obras antigas pode ser feita até ao dia 13 de Abril, sendo que os residentes podem entregar as suas colecções de livros que reúnam as condições exigidas nas 11 bibliotecas públicas sob a égide do IC, incluindo a Biblioteca Central de Macau, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Biblioteca da Taipa e a Biblioteca de Seac Pai Van, entre outras.

Este ano, pela primeira vez, haverá um sistema electrónico de pontos, sendo que cada livro será classificado de acordo com o preço original, sendo atribuída uma unidade por cada 10 patacas ou a uma fração não inferior a cinco patacas. A pontuação máxima por livro ou colecção é de 100 unidades. Na recolha dos pontos electrónicos, os residentes podem usar a aplicação “A Minha Biblioteca”. A troca de livros decorre nos dias 26 e 27 de Abril, com os pontos obtidos a serem substituídos pelas novas obras escolhidas, aos balcões do Centro Cultural de Macau e do Auditório do Centro de Actividades de Seac Pai Van.

O IC descreve que, no sistema de troca de livros, não são permitidos compêndios e livros didácticos, revistas, publicações pornográficas, livros danificados ou livros não originais.

Leituras na cidade

Outra actividade de promoção do livro, são os “Pontos de Leitura”, programa onde se podem inscrever as entidades ou associações do território. O objectivo é “partilhar o tempo de leitura nos bairros comunitários, aumentar a participação e alargar a cobertura da leitura para o público”.

Assim, os interessados podem apresentar as suas propostas para a organização de “Pontos de Leitura” até ao dia 30 de Abril, sendo que estes “Pontos” podem ser organizados em lojas, restaurantes, escolas, centros educativos, associações, empresas e escritórios, não havendo limitações de formato.

As entidades participantes devem organizar actividades de leitura por sua própria iniciativa de 1 a 30 de Abril e apresentar fotografias e o número de participantes após as actividades. As fotografias relevantes serão publicadas na página electrónica temática das bibliotecas e nas páginas culturais do IC nas redes sociais, “para que mais residentes possam sentir o encanto da leitura”, explica o IC.

24 Mar 2025

Jazz | “S.T.A.O. Hong Kong + MJPA” amanhã na Fundação Rui Cunha

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 21h, a primeira edição do “Saturday Night Jazz” do ano, com um concerto que trará os “S.T.A.O. Hong Kong + MJPA” ao palco da galeria da FRC para celebrar o reencontro com amigos de longa data.

Os artistas de Hong Kong estão de volta, desta vez com a banda S.T.A.O. que se apresenta como um quarteto de cordas, incluindo no seu repertório uma variedade de estilos populares, como o swing, bebop, bossa nova, balada e jazz-valsa. Nesta composição, os guitarristas Mark Leung, Moon Wong e Brian Mok, irão juntar-se ao baixista Fish Yu.

Os quatro membros não são apenas parceiros de performance, são também mentores e alunos uns dos outros, e amigos dos músicos locais, com quem vêm promovendo ao longo dos anos um interessante e positivo intercâmbio musical.

O guitarrista e promotor de Hong Kong, Mark Leung, é o fundador da Olá School of Music, onde lecciona e desenvolve estudos de performance e educação musical, fundador da Sound & Good Co., fundador e presidente da Free Music Association (FMA), e ainda membro da Sociedade de Compositores e Autores de Hong Kong (CASH).

Actualmente instrutor de guitarra, com mais de 20 anos de experiência de ensino, Mark Leung foi lente no programa de graduação da Faculdade de Tecnologia de Hong Kong, onde leccionou “Introdução à Música Popular”. Ao longo da sua carreira, estudou com o conceituado guitarrista clássico Chan Kwok Wah, o guitarrista de jazz Teddy Suen, os guitarristas de jazz portugueses Nuno Ferreira e Mário Delgado, e o contrabaixista de jazz português Zé Eduardo.

O mestre Zé Eduardo ministrou vários cursos de jazz em Macau e Portugal, por onde passaram estes empenhados aprendizes do território vizinho, juntamente com o grupo local que viria a constituir a Associação de Promoção do Jazz de Macau. Os músicos da MJPA também se apresentarão na segunda parte do concerto, liderados pelo presidente e guitarrista Mars Lei, tocando os populares temas clássicos do jazz.

21 Mar 2025

Rota das Letras | Valério Romão apresenta “Mais uma Desilusão” este domingo

“Mais uma Desilusão – Primeira incursão de um novelista na criação poética” é o nome do evento em que Valério Romão, escritor e tradutor, apresenta o seu novo e primeiro livro de poesia, ou escrita poética. “Mais uma Desilusão” é um livro que reflecte sobre o Portugal de hoje, um país com várias crises, da económica à existencial, em que o autor se estreia numa nova forma de escrita. A apresentação começa às 16h no Antigo Matadouro, na Barra

 

Valério Romão gosta de Portugal, mas já não sabe muito bem porquê. Não entende o sentimento por um país que está permanentemente em crise, seja política ou económica, desde há vários anos, e que 50 anos depois do 25 de Abril de 1974, quando caiu a ditadura do Estado Novo, ainda está à procura de se encontrar.

A identidade do português nem sempre é a mais optimista, e falta estratégia ao país para se encontrar e ter uma existência mais saudável.

Todas estas ideias podem ser encontradas no novo livro de poesia de Valério Romão, “Mais uma Desilusão”, recentemente lançado em Portugal com a chancela da Abysmo e que será apresentado este domingo no âmbito do festival literário Rota das Letras, no Antigo Matadouro, na Barra.

Macau não é uma novidade para Valério Romão, por ser um território que o acolheu para uma residência literária, ou para anteriores participações no Rota das Letras. Apesar disso, o regresso faz-se sempre com curiosidade.

“Espero poder falar do meu mais recente livro, e como é um festival internacional, com forte presença de escritores chineses, quero conhecer o trabalho dos outros e alargar um pouco os horizontes”, confessou ao HM.

“Não sei se a cultura chinesa tem uma influência declarada no meu trabalho, mas certamente tem uma influência devida. Os escritores são, normalmente, produto das suas experiências, do que colheram e viveram. Nesse sentido, a cultura chinesa tornou-se central, na medida em que mostra uma forma de pensar diferente, estranha e às vezes incompreensível. Mas estimula-me sempre uma curiosidade tremenda”, adiantou.

Novos territórios

Voltando ao livro, Valério Romão assume que “quis explorar um novo mundo na escrita, sobretudo na forma”, depois de ter brindado os leitores com romances onde a família é tema central, como “Autismo” ou “O da Joana”, que pertencem a uma trilogia.

“As ideias andavam na minha cabeça há algum tempo, mas essa forma de escrita, que algumas pessoas chamam de poesia e outras, prosa poética, sim, foi uma novidade. Despir a pele de romancista foi algo natural, porque mesmo na minha escrita em prosa utilizo muito a metáfora, a comparação e figuras de estilo, e a ironia também. Muito do que está em ‘Mais uma Desilusão’ pode ser visto nos meus romances e contos anteriores, nessa prosa, mesmo que de forma embrionária”, confessou.

País em chamas

Valério Romão mostra, na escrita, a desilusão para com Portugal. “Não acho que ofereça grandes condições de vida. Estamos a recondicionar o país nos serviços, numa espécie de ‘tailandização’ para explorar tudo o que possamos dos turistas que vêm cá, mas depois não há apostas estratégicas. Não vejo grande liderança nacional que nos possa conduzir, nem sinto que haja ideias que, daqui a uns anos, nos possam levar para outro sítio. Se estivermos noutro sítio, e melhores, daqui a 30 anos, será mais por carolice e desenrascanço, que são tipicamente portugueses, do que propriamente por planeamento”, defendeu.

O autor entende que os portugueses são pessimistas, com pouca auto-estima, e com uma maior tendência para a melancolia do que para outro tipo de sentimentos mais alegres. “Só conseguimos olhar-nos ao espelho se alguém nos colocar o espelho à frente. E é importante [que essa análise] seja feita por historiadores, escritores, poetas, músicos. Temos a tendência a achar que somos os melhores e, ao mesmo tempo, os piores do universo, tendo uma auto-estima frágil e uma imagem distorcida, para o bem e para o mal, de nós próprios”.

Com “Mais uma Desilusão”, Valério Romão não quer “fazer um exercício de reflexão nacional”, tratando-se apenas de um “exercício de reflexão privada”. “Espero que contribua para mais conversas e reflexões”, aponta.

Sobre a identidade do português, “é demasiado tudo, é muito mediterrânico, mas ao mesmo tempo tem o Fado nos genes, então mais depressa vai para o Fado do que para o Samba”.

Portugal está na cauda da Europa em termos geográficos e, para Valério Romão, esse pode ser um dos factores para a crise existencial do país. “A classe política é um reflexo da nossa população e tem de melhorar quando nós, como país e portugueses, melhorarmos também. Isso tem a ver com os anos da ditadura, com o estarmos entre o Atlântico e a Europa central, com o estatuto periférico da Europa. Essa recuperação não se consegue em 50 anos [de democracia], talvez em 100, mas falta a educação também.”

O autor, que considera que, actualmente, “é pouco sexy falar de educação, por parecer haver uma ditadura da opinião pouco esclarecida”, mas, para si, “a educação é mesmo o elevador do indivíduo e dos povos”.

“As pessoas têm dificuldades económicas e até existenciais. Nos anos 90 toda a gente queria enviar os filhos para a faculdade, porque achavam que isso dava garantia de um futuro garantido, mas nesta altura percebemos que essa garantia não existe.”

O autor frisou ainda que “estamos numa altura em que existe um sentimento anti-ciência, anti-academia, em que se suspeita de tudo o que vem da academia”. “Estamos no paradoxo, em que achamos que a tecnologia nos dá acesso à árvore das patacas e em que, por outro lado, considerarmos que a ciência não serve para nada, sobretudo as ciências sociais”, disse ainda.

Em “Mais uma Desilusão”, Valério Romão confessou não ter sentido “grande diferença enquanto autor na escrita deste livro”. “Segui o roteiro que estava a ser imposto, a forma estava a adequar-se ao conteúdo, e vice-versa. Sou bastante livre quando escrevo um livro, no sentido em que acabo por não ter grandes regras antes de o começar, e não tenho grandes regras quando o estou a escrever”, rematou.

21 Mar 2025

FRC | Dia Mundial da Poesia celebrado amanhã com tertúlia

Decorre esta sexta-feira uma sessão na Fundação Rui Cunha que visa celebrar a poesia, a exemplo do que acontece em todo o mundo. A iniciativa “Dê Vida a um Poema”, coordenada pelo médico e autor Shee Va, é uma tertúlia em que todos são convidados a trazer poemas à sua escolha e a lê-los em conjunto, sempre na descoberta das palavras

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 18h30, uma sessão especial para celebrar a poesia. A tertúlia intitula-se “Dê Vida a um Poema” e pretende comemorar o Dia Mundial da Poesia, data instituída pela UNESCO na 30ª Conferência Geral em Paris, em 1999, para homenagear a expressão poética e a sua importância cultural nas sociedades em todo o mundo.

O evento é organizado pela Associação dos Amigos do Livro em Macau e pela Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora, sendo “uma oportunidade para incentivar a leitura, apoiar os poetas e preservar a diversidade linguística e cultural, através da palavra escrita e falada”, descreve a FRC.

Sob a forma de tertúlia, o público é convidado a passar pela galeria da FRC com um poema da sua preferência, em português ou chinês, para partilhar com os outros participantes, num serão com o propósito de enriquecer a experiência comum. A poesia, com a sua capacidade de emocionar, provocar reflexões e transmitir sentimentos, atravessa séculos e civilizações, sendo um dos pilares da arte literária.

Forma de expressão

Segundo a FRC, “mais do que um simples conjunto de versos, a poesia é uma manifestação da alma humana, que pode ser lírica, épica, social, filosófica ou experimental, adaptando-se às diferentes épocas e estilos”.

“Desde os sonetos de Camões e os poemas clássicos de Liu Yong, até aos versos livres da poesia contemporânea, este género literário tem sido um meio poderoso de comunicação e resistência”, acrescenta-se.

A sessão será conduzida pelo médico e escritor Shee Va, em representação da Associação dos Amigos do Livro em Macau, que convidará os participantes a revelar poemas com significado especial nas suas vidas. A conversa será realizada em português e chinês, conforme as leituras sugeridas.

Shee Va, médico gastrenterologista e autor de diversos livros sobre a cultura chinesa, tem-se dedicado a várias iniciativas culturais, tendo integrado, em 2023, o IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, na Venezuela. Em 2018, lançou uma obra sobre a ópera em Macau, com o nome “Ópera no FIMM 18- Tomo III“.

20 Mar 2025

FRC apresenta “Temas de Direito” até final do mês

A Fundação Rui Cunha (FRC) promove hoje, amanhã e depois na próxima semana, nos dias 26 e 27 de Março, às 18h30, um conjunto de palestras de Temas de Direito, sobre as “Vicissitudes do processo (I)”, que tem por finalidade identificar possíveis incidentes nos processos judiciais e debruçar-se sobre os respectivos regimes. As sessões vão decorrer em paralelo, nas línguas portuguesa e chinesa, coordenadas por Teresa Leong.

As sessões são organizadas pelo CRED-DM – Centro de Reflexão, Estudo e Difusão do Direito de Macau da FRC. Este ciclo de conferências pretende abordar, de forma prática e explicativa, temas relevantes do dia-a-dia de todos os operadores judiciários de Macau, um projecto iniciado em anos anteriores e que teve grande adesão da classe.

Segundo Teresa Leong, “o processo judicial inicia-se com o litígio e termina com a decisão para pôr termo a esse litígio”. “Se o processo seguir o seu curso normal, sem grandes sobressaltos, a justiça é naturalmente servida sem transtorno. Contudo, incidentes da mais variada ordem tornam esse desiderato, por vezes, difícil de atingir. Esses incidentes, além de causarem certo transtorno ao processo em curso, podem até pôr em causa os actos laboriosamente praticados, inclusivamente, a própria decisão final”, explica.

Com “Vicissitudes do processo (I)” inicia-se essa abordagem com a análise das circunstâncias em que pode, ou tem que, haver modificação dos sujeitos de um processo judicial e as suas implicações para o processo em curso. Na primeira sessão, ou seja, hoje, irá falar-se da “Modificação subjectiva: Substituição subjectiva vs. cumulação subjectiva” e “Intervenção de terceiros: Intervenção principal”. Na segunda sessão, uma semana depois, será a vez da apresentação do módulo “Intervenção de terceiros: Intervenção acessória e oposição”.

As palestras em português realizam-se hoje e no dia 26 de Março, e as congéneres em chinês realizam-se amanhã, 20, e 27 de Março, na galeria da FRC.

19 Mar 2025

FRC | Arte Gongbi, de Zou Li, para ser vista até 5 de Abril

“Burning Like a Lotus” é o nome da nova exposição patente na Fundação Rui Cunha até ao dia 5 de Abril. Esta é uma oportunidade para conhecer melhor o género de Arte Gongbi, com trabalhos da autoria de Zou Li. A Arte Gongbi é conhecida pela pintura de extremo detalhe com pincéis finos

 

Desde esta terça-feira que há uma nova mostra para visitar na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC). Trata-se de “Burning Like a Lotus”, da autoria da artista Zou Li, e que constitui um exemplo do género de Arte Gongbi, caracterizado pelo uso da tradicional técnica de detalhe a pincel fino e delicado, sobre papel de arroz japonês, tecido de seda ou leques de seda orientais.

Zou Li é considerada “uma pintora de renome com mais de cinquenta anos de carreira e experiência, cujo foco artístico se centra maioritariamente em torno de temas relacionados com a história da mulher chinesa”. As três dezenas de obras agora expostas na FRC foram realizadas entre 1997 e 2022.

No trabalho da artista existe uma “consciência da feminilidade através da sua extraordinária expressão artística”, estando presentes nas criações “harmoniosas e comoventes da beleza do corpo e da alma das mulheres”, defendeu, segundo uma nota da FRC, Ung Si Meng, presidente honorário da Associação de Amizade e Coordenação dos ex-Deputados da Assembleia Popular Nacional e ex-Membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês de Macau.

Descreve-se ainda que “durante muito tempo, e para cumprir as suas responsabilidades sociais e a sua vocação como pintora profissional, Zou Li participou activamente em várias criações históricas importantes”.

Trata-se do rolo de pergaminho intitulado “Imperatriz Wu Zetian” ou a colecção “Cem Imagens de Concubinas Chinesas”. Ung Si Meng descreveu ainda Zou Li como sendo “amplamente reconhecida e apreciada por especialistas, académicos, colegas e pela sociedade artística chinesa”.

Grande dimensão

Ainda segundo a mesma nota, refere-se que as obras de Zou Li “reflectem a dimensão do seu conhecimento académico e artístico, que já atraíram a ampla atenção dos círculos artísticos nacionais e internacionais”.

Além disso, “as suas obras têm sido muito apreciadas por galerias de arte, museus, instituições de arte, públicas e privadas, e coleccionadores”. Zou Li criou, ao longo da sua carreira, mais de mil obras, bem como mais de cinquenta exposições individuais, no seu país e no estrangeiro, tendo publicado também mais de dez catálogos de arte individuais. Recentemente, em Abril de 2024, o Museu Nacional de Mulheres e Crianças da China adquiriu uma colecção de 593 peças suas.

Zou Li é membro da Associação de Artistas da China, investigadora do Salão de Investigação Wenshi do Governo Popular da Província de Guangdong, directora do Instituto de Pintura Chinesa da Província de Guangdong e presidente honorária da Associação de Artistas de Foshan. No passado, desempenhou as funções de vice-directora da Filial Sul do Instituto Central de Cultura e História da China, onde fez também trabalho de investigação.

19 Mar 2025

Escritor Mário Lúcio fala do poder das mulheres em África

As mulheres podem salvar o continente africano quando chegarem ao poder, porque a sua sensibilidade as impede de matar os filhos dos outros, ao contrário dos ditadores africanos. Este é o tema do próximo livro do escritor Mário Lúcio.

Em entrevista à agência Lusa, o autor de “O diabo foi meu padeiro”, disse que a obra deverá ser publicada no próximo ano, estando na fase de revisão e a caminho das 60 leituras que faz antes de dar um livro por concluído.

Desta vez, o tema são os presidentes africanos, que classifica de “figuras literárias extraordinárias”, dando o exemplo de Kumba Yalá, antigo Presidente da Guiné-Bissau, que morreu em 2014. O leitor nunca irá encontrar o nome dos presidentes no livro, sendo apenas referidos como “o Presidente” e tendo todos em comum serem uma “fonte do atraso no desenvolvimento de África”.

“Nós já tivemos intervenções externas que cercearam o desenvolvimento da África, como a escravatura, como a colonização. Depois de nos libertarmos desses processos, vieram os ditadores e eles são claramente a fonte do desrespeito pelos direitos humanos, a fonte dos atrasos, da pilhagem, do crime. E está ali tudo documentado”, disse.

Início em Kumba

A narrativa começa precisamente com Kumba Yalá, ainda que sem o nome e porque no livro são figuras de ficção, passando depois por vários presidentes africanos, como aquele que reúne a família numa ceia de Natal, durante a qual distribui lugares estratégicos.

“Milha filha, a partir de amanhã a parte dos transportes fica contigo; a partir da amanhã os aviões ficam contigo, minha primeira mulher; a partir da amanhã o banco central é contigo, meu filho bastardo; e o primogénito fica com o fundo soberano”, exemplifica.

O escritor cabo-verdiano escreve ainda sobre um outro presidente que achava que os belgas estavam em conluio com uma etnia para o derrubar e, para resolver o problema, compra 144 milhões de dólares em machins, catanas, punhais e enxadas que entrega a uma etnia para acabar com a outra”, resultando, em três meses, no maior genocídio da história da humanidade, com 800 mil pessoas mortas, numa referência ao que aconteceu no Ruanda, em 1994.

A obra conta ainda com uma personagem que se coroa imperador e gasta milhões de dólares em Mercedes para receber os convidados para a coroação, em África, numa altura em que o povo vivia com menos de um dólar por dia, no que se assemelha à figura do antigo presidente e imperador centro-africano Jean-Bedel Bokassa.

De presidente em presidente, a história flui até chegar ao único nome revelado, precisamente uma mulher: Ellen Johnson-Sirleaf, antiga Presidente da Libéria (2006–2018) e Prémio Nobel da Paz (2011).

A eleição desta mulher, que “conseguiu pegar um país devastado pelas guerras civis – a Libéria – e estabilizar o país”, é “uma mensagem de esperança”. “Eu diria que as mulheres são mais sensíveis e provavelmente isso deve ter uma razão genética. Isto é, as mulheres ficam grávidas e os homens não e o livro até fala disso, porque há uma epidemia de prenhez e a própria presidente, que já estava com 72 anos, acaba por procriar”, contou.

No livro, a epidemia de prenhez atinge todas as mulheres do país e ninguém sabe o porquê e até alguns homens barrigudos vão ao médico. Estes homens barrigudos têm receio de que na origem da prenhez esteja uma lição: Saberem o que é a dor do parto. “No dia em que [os homens] souberem o que é a dor do parto, nunca mais matarão o filho dos outros”, disse.

As chefias

O autor recorda que, em África, como no seu país Cabo Verde, as mulheres é que são chefes de família: Educam, criam, trabalham e o filho está sempre ali ao pé.

“Eu não vejo uma mulher mandar matar os filhos dos outros, assim em catadupa”, afirmou, prosseguindo: “Estou convicto que as mulheres podem salvar o continente africano e o mundo, mas não mulheres que queiram governar como ditadores, mas que realmente tenham acesso e apoio de poder realmente governar com outra sensibilidade, porque não estou a ver outra saída. Hoje não estou a ver outra saída”.

18 Mar 2025

Rota das Letras | Cartaz arranca este fim-de-semana com poesia, fotografia e outras histórias

O festival literário Rota das Letras arranca este fim-de-semana e o público pode esperar uma série de eventos em torno das letras, música e das artes no geral. Destaque, no domingo, para a realização de um passeio guiado pela zona da Barra com Jason Wordie, historiador e autor. No sábado realiza-se o workshop de fotografia “New Nomadic Time – Observing Uniquely”

 

Os amantes da história de Macau e do mundo da literatura têm este fim-de-semana a oportunidade de explorar uma série de iniciativas integradas na edição deste ano do Festival Literário Rota das Letras. Um dos eventos acontece este domingo, e trata-se de um passeio guiado pela zona da Barra com os seus lugares históricos e icónicos na companhia de Jason Wordie, autor e historiador.

Entre as 10h e as 13h decorre, assim, “Macao, People and Places, Past and Present. A guided walk throughout the historial Barra District”, passeio limitado a 20 pessoas por sessão que termina junto ao templo de A-Ma.

Jason Wordie é autor do livro “Macao: People and Places, Past and Present”, que conheceu uma nova edição no ano passado, com a chancela da Praia Grande Edições, devido “à elevada procura”. Jason Wordie formou-se em história na Universidade de Hong Kong e há 25 anos que escreve para o South China Morning Post, focado nos lugares históricos e na sua cultura.

“O passeio irá incluir os pontos principais do património construído [na zona da Barra] e a história social tal como está documentada, analisada e descrita em ‘Macao: People and Places, Past and Present'”, é descrito. O evento repete-se no fim-de-semana seguinte.

O Rota das Letras apresenta também um workshop de fotografia este sábado. Trata-se de “New Nomadic Time – Observing Uniquely”, com Jessie Rao Yongxia, e que decorre no Antigo Matadouro, na Barra, entre as 11h e as 12h. A segunda sessão decorre domingo, no mesmo horário, sendo que, no primeiro dia, a fotógrafa irá partilhar as suas ideias sobre fotografia com os participantes, a fim de partilhar a experiência do workshop e a arte de fotografar. Segue-se a apresentação do projecto fotográfico de cada um.

Jessie Rao Yongxia vai, acima de tudo, levar para o workshop as suas próprias experiências com a imagem. “Quando pus os pés pela primeira vez nas pastagens da Mongólia Interior, em 2015, descobri que era diferente daquilo que imaginava. Esta diferença vem dos livros que li, dos filmes que apreciei e das histórias relacionadas que ouvi, pelo que se pode dizer que é um comportamento inconsciente, mas activo. De um modo geral, trata-se de utilizar a linguagem das lentes para abrir a visão e a percepção de um sulista sobre a vida dos nómadas das pastagens do Norte”, lê-se na descrição do evento.

Palavras faladas

Esta sexta-feira, a partir das 21h, decorre um recital de poesia com Peace Wong, intitulado “It’s Caffeine Dancing”. Trata-se de uma performance com a própria Peace Wong em colaboração com a artista visual Suze Chan. O evento decorre no Antigo Matadouro, local onde acontecem, aliás, grande parte dos eventos do Rota das Letras.

Esta sexta-feira, marca também a inauguração de uma exposição do fotojornalista português Alfredo Cunha, que captou imagens do processo de descolonização português. Esta é uma das formas que o Rota das Letras encontrou de celebrar os 50 anos desse acontecimento histórico.

A mostra de Alfredo Cunha pode ser vista até ao dia 31 de Março no Antigo Matadouro da Barra. A carreira deste fotojornalista começou ainda durante o regime do Estado Novo em Portugal, em 1971, tendo sido fotógrafo oficial de dois Presidentes da República, Ramalho Eanes e Mário Soares. Alfredo Cunha é também conhecido pelo seu trabalho fotográfico no 25 de Abril de 1974.

18 Mar 2025

Portugal destaca importância de celebrar Camilo Castelo Branco

A ministra da Cultura em Portugal sublinhou, na sexta-feira, a importância de homenagear o escritor Camilo Castelo Branco, a dias do seu bicentenário, e realçou a necessidade de preservar e divulgar a obra do autor pelo país.

“É fundamental homenagear Camilo Castelo Branco enquanto figura histórica, homenagear o seu legado, que temos de estudar, preservar e divulgar. E, fundamentalmente, estar em todo o território. Ou seja, agir em todo o país significa que os governantes reconheçam a importância das singularidades locais, mas que tenham sempre presente que se trata de figuras […] que podem ser de Seide, mas que podem ser de todo o país e do mundo”, afirmou a ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, aos jornalistas, à saída da cerimónia de abertura do Congresso Internacional “Camilo Castelo Branco, 200 anos depois”, no Centro de Estudos Camilianos, em São Miguel de Seide, no concelho de Vila Nova de Famalicão.

Questionada sobre a relevância do autor de “Amor de Perdição” hoje, a governante frisou que “toda a obra de Camilo Castelo Branco é de uma grande actualidade”, acrescentando que o que mais a surpreende em Camilo “é a dimensão emocional que coloca na sua escrita”.

“Creio que a maioria dos portugueses leu Camilo Castelo Branco no contexto escolar e espero que o possam ler – quem não teve essa oportunidade – no âmbito das bibliotecas públicas cuja dinamização e transformação em unidades culturais de território estão a ser objecto das políticas culturais deste Governo”, afirmou Dalila Rodrigues, que lembrou que as bibliotecas vão “dinamizar um conjunto de programas que vão resultar de parcerias entre os municípios e o Ministério da Cultura”.

A ministra deixou ainda um elogio ao município de Famalicão, pelo trabalho de preservação e divulgação da obra de Camilo Castelo Branco.

Congresso e exposição

O congresso internacional que se iniciou na sexta-feira, e que terminou ontem, dia do bicentenário de Camilo Castelo Branco (1825-1890), reuniu no local onde o escritor viveu grande parte da vida dezenas de especialistas nacionais e internacionais na sua obra.

“Camilo é tão valioso como um Machado de Assis, um Dante, um Shakespeare”, afirmou esta semana à Lusa o director do Centro de Estudos Camilianos, Sérgio Guimarães de Sousa, acrescentando que, “de uma maneira ou de outra”, ainda hoje os portugueses são descendentes da escrita de Camilo Castelo Branco e do seu “universo de eleição”, remetendo para o interior do país e para a região Norte.

Até 31 de Agosto, no Centro de Estudos, é possível visitar a exposição “Jorge. Desenhos do meu filho”, constituída por desenhos da colecção do filho de Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, que teve a edição de um catálogo a acompanhar. Ao longo do ano, vão multiplicar-se as iniciativas e as edições literárias para assinalar os 200 anos do nascimento do escritor.

Camilo Castelo Branco nasceu em 16 de Março de 1825 na Rua da Rosa, em Lisboa, e perdeu a mãe aos 2 anos e o pai aos 10, tendo ido viver com uma tia para Vila Real. Ao longo da extensa carreira jornalística e literária, assinou obras que viriam a ser livros maiores da literatura em português, de “Amor de Perdição” a “Doze Casamentos Felizes”, entre muitos outros.

Homem de vários interesses, profissionais e amorosos, é preso na Cadeia da Relação do Porto, a par de Ana Plácido, acusados de adultério, dada a existência do casamento de Plácido com o comerciante Manuel Pinheiro Alves. Ambos foram absolvidos.

Um dos dois “gigantes” literários do século XIX português, a par de Eça de Queirós, na opinião de Sérgio Guimarães de Sousa, Camilo Castelo Branco, já cego devido à sífilis de que padecia, suicidou-se em 1 de Junho de 1890.

17 Mar 2025