Andreia Sofia Silva EventosLivraria Portuguesa | AFA apresenta pinturas de Chan Man Kin Chan Man Kin apresenta, a partir do dia 21 deste mês, “Vessel – Raging Waves”, uma mostra individual organizada pela AFA – Art for All Society. A exposição, com curadoria do arquitecto Andre Lui, pode ser vista na Livraria Portuguesa A AFA – Art for All Society tem apostado na exibição de trabalhos dos seus parceiros através da “Série de Exposições Individuais dos Novos Membros da AFA”. É neste contexto que se apresenta, entre 21 de Setembro e 22 de Outubro deste ano, na Livraria Portuguesa, a exposição “Vessel – Raging Waves” [Embarcações – Ondas Violentas], de Chan Man Kin, com curadoria do arquitecto Andre Lui. Segundo um comunicado da AFA, a exposição é composta por “uma selecção de obras representativas de diferentes períodos da carreira de Chan”. Desta forma, é traçada a sua “evolução artística desde o realismo figurativo, passando pela desconstrução de formas estabelecidas”, chegando-se a um “estado incessante de abstração pura”. Algumas destas obras são “Boxes” e “Peaches”, quadros que carregam em si “um significado interno” e que começaram a ser pensados e trabalhados a partir dos anos de pandemia. Segue-se a série de trabalhos intitulada “The Box”, onde “chamas misteriosas simbolizam o conflito interior e o transbordar das fronteiras”, descreve a organização. Já “Nuclear Fission” é uma obra que remete para um controlo que é “abandonado para abraçar forças primárias, através de processos que envolvem o corpo”. Por sua vez, em “Raging Waves”, onde a tela é “libertada de todos os objectos reconhecíveis, permitindo que o material se transforme através da gravidade e do acaso”. Desta forma, há uma “profunda passagem” entre “ver o objecto” e a fase de “contemplar a mente”. A AFA destaca como a exposição está muito ligada aos anos da pandemia, quando o artista sofreu uma espécie de transformação na forma de pintar e criar. Ao abrir, nos anos de confinamento, caixas de encomendas, o artista começou a reflectir sobre os “motivos visuais” desse objecto e de como podem representar “a ordem racional”. Chan Man Kin também olhou para diversas formas naturais, nomeadamente pêssegos, como símbolo de “vitalidade e perecibilidade”. Ao longo das obras do artistas, contrates e conceitos encontram um lugar de expressão artística através da pintura. “A imposição destes elementos fundamentalmente diferentes no mesmo campo de visão cria uma poderosa tensão psicológica, reflectindo as contradições interiores [do artista] não resolvidas entre razão e emoção, confinamento e liberdade”, destaca a AFA. Mescla de influências Chan Man Kin não é um artista com uma só linguagem artística. Segundo a AFA, o seu vocabulário visual “combina de forma magnífica as tradições artísticas orientais e ocidentais”. A sua obra é sinal da fusão da “pincelada vigorosa do expressionismo abstracto americano com as técnicas tradicionais ‘juam-shui’ e ‘juam-fan’ (infusão de água e pó) da Escola de Pintura de Lingnan”. Estas “práticas materiais que envolvem um envolvimento físico”, sendo que Chan Man Kin faz um “questionamento contínuo sobre os limites, mutação e libertação”. O público que visitar a mostra patente na Livraria Portuguesa é desafiado a seguir “o pincel desde uma cena estável de pintura observacional, passando por um labirinto de imagens de matéria em chamas e formas fragmentadas”. No final, acede-se a um “espaço espiritual formado por imensas ondas de abstração”.
Andreia Sofia Silva SociedadeÓbito | Kevin Thompson faleceu aos 74 anos O professor britânico Kevin Thompson, ligado a inúmeras entidades locais e a viver em Macau desde 2013, faleceu aos 74 anos. Segundo noticiou a imprensa local, Kevin Thompson estava ligado à educação, tendo sido um dos fundadores do Moon Chun Memorial College, da Universidade de Macau, além de ter sido presidente da Câmara de Comércio Europeia em Macau, bem como vice-presidente da Câmara de Comércio Britânica em Macau. Numa nota divulgada nas redes sociais, a Câmara de Comércio de França em Macau destacou o facto de Kevin Thompson ter trazido “uma perspectiva única e inestimável à Câmara de Comércio – ajudando a fundir a nossa comunidade de negócios com a sua profunda paixão pelas artes, cultura e educação”. “O mundo conheceu-o como uma proeminente figura do mundo das artes performativas e como antigo mestre do Moon Chun Memorial College na Universidade de Macau, mas na Câmara de Comércio vamos lembrá-lo como um cavalheiro cosmopolita que defendeu incansavelmente os laços culturais e empresariais entre Macau, França e toda a comunidade europeia”, lê-se ainda na mesma nota. Kevin Thompson foi condecorado, em 2017, Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelas mãos do Presidente francês Emmanuel Macron. Em 2022, foi ainda agraciado com o “Prémio da Paz” atribuído pelos “Sino Phil Asia International Peac Awards” pelo seu trabalho desenvolvido na área da educação, belas artes e desenvolvimento da juventude. Kevin Thompson mudou-se para a Ásia em 2004, tendo sido director da Academia de Artes Cénicas de Hong Kong e director fundador do Conservatório de Birmingham, no Reino Unido.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMetro Ligeiro | Conselheiro quer mais comércio ligado à cultura O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários Si Iat defende que no planeamento das zonas comerciais do Metro Ligeiro se deve apostar no turismo cultural. O conselheiro defende a introdução de produtos dos países de língua portuguesa No planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve ser dada atenção à cultura e património, apostando-se em modelos de negócio que estabeleçam uma ligação com as zonas de Macau por onde passa este meio de transporte. A ideia foi defendida por Si Iat, conselheiro dos Serviços Comunitários, que, segundo o Jornal do Cidadão, sugeriu ao Governo os exemplos das cidades da Grande Baía ao combinar o transporte urbano com o turismo cultural. Em declarações ao jornal chinês, o conselheiro explicou que se deve apostar em negócios e espaços comerciais que promovam a cultura de cada bairro ou zona de Macau, revitalizando-se, desta forma, o ambiente comercial do Metro Ligeiro. Outra das sugestões de Si Iat passa pela atracção de marcas de Macau para as estações do Metro Ligeiro, além da aposta numa zona de exposição de produtos oriundos dos países de língua portuguesa. O responsável defendeu também que a entidade gestora deste meio de transporte, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, pode trabalhar com as autoridades no sentido de reservar algumas lojas com renda controlada para que os jovens locais possam desenvolver os seus negócios. Si Iat deu o exemplo da empresa gestora do metro de Hong Kong, a MTR Corporation Limited, que cobra a renda das lojas conforme as receitas obtidas, ao invés de cobrar um montante mensal fixo. Patacas nas fronteiras Tendo em conta as estações do Metro Ligeiro que vão estar perto dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao, o conselheiro disse que a aposta das autoridades deve ser em lojas de conveniência, tendo em conta o elevado número de visitantes. Si Iat considera que podiam ser abertas lojas de levantamento de mercadorias com isenção de impostos, lojas de lembranças turísticas ou ainda de venda de cartões de telemóvel, bem como de câmbio de moeda. A ideia é disponibilizar os serviços mais procurados pelos visitantes dentro das estações, ou nos percursos de ligação. Porém, Si Iat defende que o comércio nestes espaços do metro deve procurar dar resposta às necessidades dos moradores destas zonas que vão trabalhar ou que simplesmente usam o metro para se deslocar no dia-a-dia, com a abertura de supermercados, cafés, cabeleireiros ou lojas do Taobao. As estações do metro também poderiam acolher feiras aos fins-de-semana ou feriados, acrescentou, além de que algumas lojas poderiam ser alugadas a curto prazo para a apresentação de produtos da área das indústrias criativas. Por sua vez, Kuok Meng Chit, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, disse que a estação do Metro Ligeiro da Barra faz uma importante ligação entre meios de transporte, mas que as lojas que estão na estação não estão localizadas nas zonas que os passageiros têm de atravessar, o que afecta o interesse comercial destes espaços. Assim, o conselheiro disse que, o planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve dar atenção à localização das lojas, para que haja uma conjugação com os percursos feitos pelos passageiros.
Andreia Sofia Silva SociedadeBanca | OCBC deixa de aceitar pedidos de empréstimos A sucursal de Macau do OCBC Bank deixou de aceitar, desde ontem, pedidos para cartões de crédito, empréstimos hipotecários residenciais, empréstimos para aquisição de automóveis e ainda empréstimos pessoais. Segundo um comunicado do banco, estas alterações dizem respeito à nova “orientação estratégica” do banco, que passa pelo reforço “no foco da gestão do património e outros serviços bancários essenciais”. Desta forma, “os actuais titulares de cartões de crédito receberão comunicações separadas do banco com detalhes sobre as disposições de transição relevantes, datas importantes e outras informações relacionadas”. Já os clientes que contraíram empréstimos “não haverá alterações nas condições dos seus empréstimos actuais”, explica o OCBC Bank. A sucursal destaca também a manutenção do “firme compromisso de servir a comunidade de Macau e apoiar os clientes em todas as fases do seu percurso financeiro”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaHengqin | Sam Hou Fai defende visão integrada de políticas O Chefe do Executivo pediu aos secretários uma “abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na implementação de políticas. Sam Hou Fai vincou a importância de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau Sam Hou Fai presidiu ontem à sexta reunião do Grupo de Liderança para a Promoção da Construção da Zona de Cooperação em Hengqin, tendo defendido que “todos os sectores do Governo da RAEM devem estabelecer uma abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na adopção de medidas e políticas para o território. Segundo um comunicado difundido pelo Gabinete de Comunicação Social, o encontro serviu para a definição de políticas a adoptar na Zona de Cooperação, contando com os cinco secretários que compõem o Executivo local. No processo de integração entre Macau e Hengqin, Sam Hou Fai lembrou que se deve continuar a promover “os quatro projectos-chave de Macau”, sendo que um deles é a construção da nova Cidade Universitária. Na visão do governante, as autoridades devem “alinhar as regras e integrar mecanismos a fim de avançar na integração entre Macau e Hengqin”. O Chefe do Executivo destacou também “a importância desta reunião especial”, dado realizar-se “no momento crucial que é o quinto aniversário da criação da Zona de Cooperação, o que tem um impacto significativo”, disse. Assuntos dos dois lados Sam Hou Fai referiu também que a sexta reunião deveria ser encarada como “uma oportunidade para acelerar a implementação do ‘pacote de políticas e medidas'” já delineadas para esta zona. Além disso, “os próximos passos devem ser planeados de forma abrangente para levar os trabalhos da Zona de Cooperação a um novo patamar”, descreveu. Desta forma, Sam Hou Fai “reiterou a necessidade de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau”, devendo existir um alinhamento com o 15º Plano Quinquenal do país, bem como com o mais recente Plano de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM. Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, esteve presente na sessão. Sam Hou Fai lembrou a importância de “estudar o espírito da reunião e o discurso do director Xia Baolong”, a fim de as autoridades poderem implementar “de forma integral todos os planos de trabalho”.
Andreia Sofia Silva SociedadeMGM abre hotel em Shenzhen A MGM China acaba de anunciar um novo investimento na cidade chinesa de Shenzhen, através da subsidiária MGM Hospitality Group. Trata-se do hotel “Shenzhen Prince Bay”, com 298 quartos, um empreendimento situado em Prince Bay, zona de Shekou, no distrito de Nansha. Segundo um comunicado da empresa, trata-se de uma aposta clara na região da Grande Baía, estando o hotel “situado junto a uma importante porta de entrada marítima”, nomeadamente o porto de cruzeiros de Shekou. Segundo a MGM China, a unidade hoteleira “proporciona um acesso facilitado às cidades da região e a mercados internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de Shenzhen enquanto importante destino internacional de consumo, enriquecendo-se também a sua oferta cultural e turística”. Citada por uma nota, Pansy Ho, presidente e directora-executiva da MGM China, disse que a chegada do “Shenzhen Prince Bay” representa “mais do que a abertura de um novo hotel”, mas também “o compromisso duradouro com o mercado chinês”. Toque cinematográfico O empreendimento tem a assinatura do atelier GP Architects e da empresa LTW Designworks, tendo como conceito a ideia de “jardim à beira-mar”. O projecto baseia-se ainda “em três actos inspirados no cinema clássico da MGM: um refúgio florestal, uma descoberta cromática e um retiro tranquilo entre as montanhas e o mar”. No que diz respeito a arquitectura e decoração de interiores, a inspiração surgiu “da linha costeira de Prince Bay e do património ligado ao porto de cruzeiros”. Os hóspedes podem, assim, ver elementos estéticos relacionados com a água, com “grande impacto no átrio”, existindo ainda “uma instalação artística ao nível do céu e o topo suspenso da torre”. Trata-se de evocar “o convés de um navio de cruzeiro”, sempre “com o romantismo da costa marítima em cada perspectiva”. O empreendimento conta ainda com uma área de três mil metros quadrados para eventos, espaços de lazer e de treino. Yang Lirong, presidente da empresa Yunnan Xiangfeng Industrial Group, proprietária do hotel, disse que, em conjunto com a MGM China, criou-se um destino “que combina o charme distinto do porto com padrões elevados de hotelaria, elevando as ofertas de Prince Bay em matéria de negócios, turismo e cultura”.
Andreia Sofia Silva PolíticaPlano Quinquenal | Ensino e turismo são “prioritários” O Governo aposta todas as cartas nos projectos da futura Cidade Universitária, em Hengqin, e Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. A ideia foi deixada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, ao falar em mais uma sessão de consulta pública sobre o 3.º Plano Quinquenal da RAEM. No seu discurso, a governante destacou que “um dos projectos prioritários da área dos Assuntos Sociais e Cultura é a promoção da construção da ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’”, com a aposta na internacionalização. Além disso, pretende-se “o impulsionamento robusto da construção da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, para que esta seja “um novo marco cultural da cidade, uma nova plataforma de transmissão cultural e um novo motor de desenvolvimento”. O Lam fez referência ao anúncio do concurso para o Museu Nacional da Cultura de Macau, cuja escolha da proposta de arquitectura “será concluída dentro do corrente ano”. “Iremos empenhamo-nos em finalizar as obras da primeira fase da construção do pavilhão de exposição até 2029”, destacou.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCinema | Fundação Oriente recebeu estreia de “The Violin Case” “The Violin Case”, a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny, teve a estreia europeia na sexta-feira na Fundação Oriente, em Lisboa. O filme conta a história de um artista que se vê enrolado em múltiplas peripécias enquanto procura um violino perdido. O filme rodado durante a pandemia procurou captar a essência de Macau Quem nunca teve problemas com um taxista em Macau? A questão transversal é o ponto de partida para a história de Theo, um artista que transporta um violino pintado com a figura do Napoleão Bonaparte, obra de arte que é o ponto de ignição para um autêntico incêndio narrativo. A impossibilidade de pagar a totalidade da tarifa de táxi, leva o motorista a vingar-se e simplesmente arrancar com o veículo, levando a que Theo perca o violino que tinha de entregar nessa noite. Este episódio, que se inspira numa história verdadeira, é o mote para a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny. Depois da estreia em Macau, “The Violin Case” teve a sua estreia europeia na última sexta-feira, no Auditório Dr. Stanley Ho da Fundação Oriente (FO). O público pode ver de perto os actores, o realizador e parte da equipa de produção, incluindo António Vale da Conceição, músico macaense responsável pela banda sonora. “The Violin Case” é um filme que retrata a noite de Macau com todos os seus ingredientes: as ruas quentes e desertas, os táxis e carros a deambularem de um lado para o outro, os néons que dão ao território uma essência tão especial. Maxim Bessmertny conseguiu fazer um filme onde o jogo está longe de ser o principal protagonista, nem sequer o Cotai. Há personagens que remetem para as muitas vidas que Macau tem e teve, de pessoas que, não nascendo no território, fizeram dele a sua casa. É o caso da personagem Pauline, interpretada pela designer Clara Brito, que, na trama, foi viver para o território nos anos 80 devido aos negócios do pai, e que vira uma galerista sem escrúpulos. Ao HM, Maxim Bessmertny revelou como esta foi a primeira vez que mostrou um trabalho cinematográfico seu em Lisboa. “É uma sensação incrível porque vim cá com os actores, a Clara [Brito], o Filipe Baptista Tou, que também é músico, actor, empreendedor de Macau. É a primeira vez que vou mostrar qualquer trabalho meu em Portugal. Mostrei as curtas-metragens, mas estávamos na altura da covid-19. Espero que as pessoas gostem do filme, que haja mais exibições e que o cinema independente continue a crescer.” O realizador revela a dificuldade em chegar à programação de festivais de cinema com uma longa-metragem. “É este o nosso trabalho [mostrar o filme]. Eu, com as curtas-metragens, tive a sorte de entrar em festivais, mas com as longas-metragens é muito mais complicado, porque um festival de cinema recebe cerca de quatro mil filmes. É impossível.” Desta forma, salientou, “é preciso ser um pouco mais criativo com as coisas, e não depender apenas de reuniões e convites”, referiu, explicando a presença na FO. Outras organizações de Macau, como a Fundação Macau ou a operadora de jogo Melco, deram também apoio, tal como o Governo da RAEM. Filmar durante a covid Fazer “The Violin Case” implicou enfrentar o período de confinamento em Macau na fase da covid-19. Implicou fazer escolhas e, muitas vezes, esperar até ao último momento para tomar decisões. Maxim Bessmertny é filho do pintor russo Konstantin Bessmertny, há décadas radicado em Macau. Eles próprios perderam um violino há muitos anos, em Hong Kong, e foi esse lado real que o realizador transpôs para a sua primeira longa. “O filme inspira-se num acidente que aconteceu ao meu pai, pintor que nasceu na Rússia e veio para Macau nos anos 90, onde cresci. A minha primeira memória é, portanto, de Macau, e o filme é inspirado nas imagens de Macau, na noite, e também na aventura que tive com o meu pai, em Hong Kong, quando ele perdeu o violino.” “Passámos a noite inteira à procura da peça de arte, e no final não o conseguimos encontrar. Fomos à polícia, fizeram-se umas investigações, e não aconteceu nada nessa noite. Só o facto de eu estar à frente de um polícia de Hong Kong a fingir que era advogado do meu pai…”, recordou Maxim Bessmertny na apresentação do filme, para divertimento da plateia. “Tentei escrever vários guiões, mas nada era muito real. Era tudo mais ligado aos anos 40, ao período da II Guerra Mundial, sempre passado em Macau, com o Casino Lisboa. Era difícil financiar isso. Lembrei-me da história do violino, estava a ver ‘After Hours’, do Martin Scorsese, e foi uma explosão de ideias”, explicou Maxim sobre o momento em que teve a ideia sobre aquilo que ia filmar. Questionado pelo HM sobre os principais desafios do projecto, o realizador destacou a rodagem do filme, que coincidiu com os tempos da pandemia. “Quase não filmámos, porque havia um confinamento todos os dias, testes. Não sabíamos se íamos realmente filmar, então foi sentir pânico até ao último minuto.” E nesta história não falta, sequer, o ingrediente da superstição. “No dia 1 de Setembro fizemos a cerimónia do Pai San, e não houve chuva durante as nossas noites de filmagens. Tivemos quase um mês inteiro sem chuva, e percebi que talvez os ventos estivessem do nosso lado.” Maxim Bessmertny destaca como teve “sorte, e muita sorte com as pessoas, que entenderam que estávamos a fazer uma coisa maluca num tempo maluco, com ideias malucas: várias localizações, quase 42, em 24 noites. Muitas personagens. Esse foi o grande desafio, o de conseguir chegar ao final”. O realizador transformou a história que viveu com o pai fazendo-lhe adaptações. Theo, interpretado pelo jornalista e músico Kelsey Wilhem, é, por exemplo, “um artista mais novo”. “The Violin Case” foi também feito à imagem de “The After Hours”, película de 1985 com assinatura de Scorsese. “Escrevi o argumento numa semana”, confessou Maxim Bessmertny. E tudo se compôs depois disso. O malvado motorista Filipe Baptista Tou tem um dos papéis mais importantes da trama: é motorista de táxi e responsável por levar o violino para bem longe de Theo. Ao HM, Filipe recorda a experiência. “Para começar filmámos este filme durante a pandemia e todos nós estávamos em confinamento, não tínhamos nada para fazer. Conheci o Maxim num podcast, conversámos, e ele disse-me que ia fazer um filme. Um ano depois perguntou-me se queria entrar. Ele deu-me a escolher entre dois personagens, um deles o de motorista de táxi. Fiz os dois, e tinha a ideia de que conseguiria fazer este papel na vida real. Quando fiz o teste, eles disseram: ‘Ok, temos o nosso condutor de táxi'”. Filipe Baptista Tou destaca a importância de apresentar “The Violin Case” na Europa já que, em Macau, “não são feitos muitos filmes”. “Na maioria, são feitas curtas-metragens e eis que o Maxim decidiu fazer este filme, trabalhando com pessoas de diferentes nacionalidades. É um privilégio para mim estar no filme”, acrescentou. “Precisamos de mais tempo [para desenvolver a indústria do cinema], porque de facto não temos uma grande indústria de entretenimento em Macau, com compositores, músicos, actores… Macau é muito pequeno, e estamos ainda a tentar mostrar-nos lá fora e conectarmo-nos com mais pessoas e países. O facto de estarmos aqui constitui uma grande oportunidade.” Por sua vez, Clara Brito confessou que a possibilidade de interpretar Pauline surgiu quando buscava novos desafios. “Foi uma fase em que estava particularmente aberta a novos desafios, e não tinha grandes expectativas. Para mim, era entusiasmante fazer parte do projecto, e estávamos naquele contexto fechado, com Macau parada, e sendo eu da área criativa, interessava-me.” A apresentação do filme contou com a presença do pintor e artista Manuel San-Payo, que viveu em Macau e partilhou a sua vivência com Konstantin Bessmertny.
Andreia Sofia Silva Grande Plano Manchete11 de Setembro | Ataque às Torres Gémeas aconteceu há 25 anos A 11 de Setembro de 2001, Jorge Silva tinha acabado de apresentar o telejornal quando se deparou com a catástrofe do outro lado do globo que viria a mudar o mundo. O analista Pedro Ponte e Sousa destaca como a queda das Torres Gémeas alterou “profundamente a ordem internacional” O 11 de Setembro foi há 25 anos e, tantos anos depois, a imagem da queda das Torres Gémeas em Nova Iorque, após o embate de dois aviões desviados por terroristas da Al-Qaeda, ainda permanece na memória vívida. O mundo parou e as televisões permaneceram ligadas a imagens que pareciam ficção, mas que eram terrivelmente reais. Em Macau, Jorge Silva, pivot recentemente aposentado da TDM – Teledifusão de Macau – tinha acabado de apresentar o telejornal, o relógio batia as 21h. “Recordo-me perfeitamente desse dia porque acabei o telejornal como habitualmente, por volta das nove horas, e quando chego à redacção, um colega meu da altura que já não é jornalista, Rui Moura, disse-me: ‘Jorge, vê a televisão porque um avião acaba de bater no World Trade Center’. Por um segundo, perguntei: ‘Isto é no World Trade Center de Macau? O que se passa?’. Liguei a televisão, e percebi que era em Nova Iorque, e era uma coisa medonha. Logo a seguir, outro avião.” Jorge Silva ligou ao pai, que estava em Portugal, perguntando-lhe se estava a ver o horror em directo. “O meu pai respondeu: ‘Isto é a Terceira Guerra Mundial’. Assim mesmo.” A actualidade noticiosa dos anos seguintes foi pautada pelo ataque às Torres Gémeas e os seus protagonistas: Osama Bin Laden, anos mais tarde capturado e morto pelos Estados Unidos da América (EUA), a organização que liderava, a Al-Qaeda, e o terrorismo como alvo a abater. “Pegámos [a TDM] no dia seguinte, porque naquele dia não havia mais nenhum serviço noticioso. Por umas horas ninguém sabia exactamente o que estava a acontecer, mas o nome de Osama Bin Laden já estava a circular. Foi algo inusitado, ninguém imaginaria uma tragédia como essa. Aquilo transformou as nossas vidas e foi matéria noticiosa durante anos.” O crescimento de Pequim Na visão do analista Pedro Ponte e Sousa, investigador do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais e analista político na RTP, “o 11 de Setembro mudou profundamente a ordem internacional, mas talvez de uma forma diferente daquela que Washington imaginou”. Isto porque “os atentados permitiram aos EUA transformar o combate ao terrorismo no princípio organizador da sua política externa durante quase duas décadas. O resultado foi a chamada ‘guerra global contra o terrorismo’, com o Afeganistão, Iraque, Guantánamo, operações extraterritoriais, assassinatos selectivos e uma extraordinária expansão dos poderes de vigilância”. A Guerra no Iraque levou, no entender do analista, a uma “erosão” da ordem internacional. “A invasão do Iraque em 2003, fundada em alegações sobre armas de destruição maciça que se revelaram falsas, o combate ao terrorismo deixou de ser apenas uma política de segurança e tornou-se uma espécie de licença geopolítica para o exercício da força.” Desde então, os EUA “concentraram enormes recursos políticos, militares e financeiros no Médio Oriente e na ‘guerra ao terror'”, enquanto “a China consolidou a sua ascensão económica e estratégica”. Para Pedro Ponte e Sousa, a China tornou-se, nos 20 anos que se seguiram, “numa potência económica global e progressivamente numa potência política, tecnológica e militar. A ‘guerra global contra o terrorismo’, que pretendia consolidar a primazia norte-americana, contribuiu também para criar as condições em que a China pôde reduzir a distância em relação aos EUA”, referiu. Mudanças práticas Jorge Silva recorda o “medo” que pairava por toda a parte e mudanças no dia-a-dia das pessoas, tal como na forma de viajar. “Não podíamos transportar determinados produtos que antes transportávamos na mala de mão e que passaram a ir para o porão. Começou também um maior controlo das transferências bancárias”, graças a suspeitas que, na altura, pairavam sobre financiamentos e o envolvimento de estudantes nos atentados terroristas. O ex-jornalista recorda também como, a seguir ao 11 de Setembro, “começaram pequenos ataques contra alvos ocidentais”. “Aqui na Ásia, na Indonésia, discotecas e restaurantes ocidentais eram alvo de ataques de células ligadas à Al-Qaeda, por parte de terroristas radicais e, sobretudo, anti-Ocidente. Percebemos que o mundo tinha mudado. E mudou para sempre”, frisou. Jorge Silva não tem dúvidas que tudo isso culminou no actual panorama político nos EUA, pautado pela era Trump. “A situação agravou-se nos últimos tempos com Donald Trump, um presidente norte-americano completamente paranoico. Iniciaram-se uma série de aventuras hegemónicas norte-americanas, e não apenas anti-islâmicas, criando-se uma grande agitação no mundo, e estamos a pagar esse preço.” A IA na nova era Pedro Ponte e Sousa diz que a grande conclusão que se deve tirar do 11 de Setembro, e de tudo o que sucedeu nos 25 anos posteriores, é que “não se derrota uma ideologia através da guerra permanente”. “A Al-Qaeda foi profundamente debilitada e o Estado Islâmico perdeu o território que chegou a controlar, mas o terrorismo jihadista não desapareceu. E surgiram novas formas de extremismo, incluindo fenómenos de radicalização online e comunidades violentas sem uma estrutura organizacional clássica.” O analista destaca que hoje existem “redes digitais descentralizadas e com jovens radicalizados através da Internet”. “A grande lição deveria ser que a segurança não pode ser reduzida à dimensão militar. Quando se responde a um fenómeno político, social e ideológico fundamentalmente com bombardeamentos, ocupações e repressão, pode-se destruir organizações concretas, mas não se eliminam necessariamente as condições que alimentam a violência.” O analista não esquece as novas tecnologias, sobretudo a inteligência artificial (IA), e as novas formas de conflito, com o perigo da “utilização da ameaça tecnológica para justificar uma nova expansão dos mecanismos de vigilância e controlo”. “Foi exactamente isso que aconteceu depois de 2001. O medo legítimo do terrorismo foi utilizado para normalizar formas de vigilância que, em circunstâncias normais, seriam politicamente muito mais difíceis de aceitar. Com a IA, esse risco é ainda maior”, rematou. Estudo | Mais de 80% dos americanos lembram-se do ataque às Torres Gémeas Um inquérito realizado entre 24 e 30 de Agosto deste ano pelo Pew Research Center destaca que muitos adultos se recordam perfeitamente do 11 de Setembro e dos pequenos detalhes que povoaram as suas vidas nesse dia. Segundo o centro de estudos, “muitos americanos recordam esse dia com clareza”, já que “83 por cento dos adultos nascidos antes de 2001 – incluindo 93 por cento daqueles que tinham 10 anos, ou mais, na altura – afirmam lembrar-se exactamente onde estavam ou o que estavam a fazer quando ouviram a notícia”. O Pew Research Center destaca como “à medida que os ataques se tornam mais distantes no tempo, a percentagem de adultos americanos que não viveram aquele dia continua a aumentar”, já que “10 por cento dos adultos de hoje nasceram depois de 2001 e só conhecem os ataques através do que aprenderam com outras pessoas”. Além disso, os inquiridos que são hoje adultos, e que têm entre 18 e 24 anos, diz ter ficado a saber do 11 de Setembro pela primeira vez “nas aulas ou através de trabalhos escolares”, representando 60 por cento de todos os participantes. “Uma percentagem menor afirma ter tomado conhecimento dos ataques pela primeira vez através da família ou de amigos, 16 por cento; ao ler ou ver algo por conta própria, 8 por cento; ou de outra forma, 1 por cento.” Para a realização do inquérito, o Pew Research Center entrevistou 5.166 adultos norte-americanos. O inquérito comprova como o ataque às Torres Gémeas deixou “efeitos profundos no país”. “As sondagens realizadas na sequência desses acontecimentos revelaram um sentimento generalizado de medo, raiva e tristeza, a par de um apoio esmagador da opinião pública a uma acção militar contra os responsáveis”, indica o think tank.
Andreia Sofia Silva EventosCURB | Lançado novo livro de fotografia de arquitectura O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo inaugura no próximo dia 19 de Setembro o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, uma obra que reúne 149 imagens resultantes do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau. No mesmo dia são também revelados os vencedores de um concurso fotográfico sobre as aldeias da Grande Baía A beleza e singularidades arquitectónicas de Macau e da Grande Baía irão reunir-se num só dia num evento promovido pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. Na Ponte 9 apresenta-se, às 16h30, o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, que compila 149 fotografias de quatro edições do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau, realizado desde 2022, celebrando-se a “dupla entidade” de um território que balança entre o antigo e o novo. Segundo um comunicado do CURB, esta colecção de fotografias “destaca a combinação única de charme histórico e arquitectura moderna de Macau”, sendo que cada edição do concurso propôs “uma forma diferente de olhar para a arquitectura — desde perspectivas pessoais a edifícios frequentemente ignorados, contrastes e espaços interiores”. A iniciativa resultou na submissão de mais de 1.600 fotografias da autoria de 650 participantes. A edição está a cargo do arquitecto Nuno Soares, presidente do CURB, e da designer Filipa Simões. Expõe, essencialmente, os dois lados de Macau, como “o património, com as ruas estreitas, casas tradicionais, templos e recantos do quotidiano”, e que acabam por “preservar a identidade histórica de Macau”. Há depois o lado moderno, onde o jogo fica mais evidente, com imagens centradas “nos resorts integrados de casinos da Taipa e de Cotai, os novos edifícios cívicos e culturais, as zonas ribeirinhas recuperadas e nas linhas de horizonte iluminadas, que redefiniram o território ao longo de uma única geração”. Desta forma, “Amazing Macau” oferece ao leitor “o retrato de uma cidade onde património e modernidade coexistem e se iluminam mutuamente”. Tesouros na aldeia Também no dia 19 de Setembro, será a vez de se inaugurar a exposição relativa ao concurso “Tesouros da Grande Baía: Concurso de Fotografia sobre Aldeias Urbanas na Grande Baía”, criado de raiz em 2024. As duas edições juntaram 291 participantes e 700 fotografias dedicadas à “celebração da Grande Baía” e da beleza da arquitectura existente em Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong. Na segunda edição, dedicada às aldeias, os trabalhos premiados foram escolhidos de um total de 323 fotografias enviadas por 134 participantes. Esta terça-feira, foram também conhecidos os vencedores desta edição dedicada às mais belas imagens sobre aldeias da região. Na “Categoria Aberta da Grande Baía” venceu Liu Ye, ganhando Philip Kwong Lung Wong o segundo lugar, enquanto Wong Ho Chun ficou em terceiro lugar. Iain Cocks ganhou uma menção honrosa com a imagem intitulada “Down the Line”. Por sua vez, na “Categoria Aberta de Macau”, o primeiro prémio foi arrecadado por Lei Heong Ieong, seguindo-se o segundo e terceiro prémios atribuídos a Tang Chan Seng e Chao Kin Man. Diogo Dias dos Santos venceu uma menção honrosa com “Twins”. Não faltou também a categoria dedicada à fotografia mais amadora, nomeadamente a “Categoria de Estudantes de Macau”, ganha por Lam Chi Kuan.
Andreia Sofia Silva PolíticaIPIM | Macau quer ser uma “cidade tecnológica” em 2036 O presidente do Instituto de Promoção e Comércio (IPIM), Alex Che Weng Keong, disse na terça-feira no lançamento do fórum da Fortune que Macau pretende ser uma “cidade tecnológica”, no contexto da Grande Baía, em 2036. Citado por uma nota do “Fortune Leaders Forum”, que decorreu na terça-feira no Grand Lisboa Palace, Cotai. Citado por um comunicado da organização, o presidente do IPIM disse que a RAEM irá seguir o exemplo das regiões vizinhas apresentando-se a nível internacional” e de forma integrada na Grande Baía como uma “cidade tecnológica”, sendo uma “ambição construída e que também vai além do objectivo de diversificação económica de Macau até 2030”. O presidente do IPIM destacou “a complexidade” da Grande Baía no que diz respeito à existência de “três moedas e três sistemas jurídicos em Hong Kong, Macau e Guangdong”. “Não se trata apenas de um desafio de integração, mas sim de uma das maiores vantagens competitivas da região”, frisou. Num painel sobre o desenvolvimento da Grande Baía, o presidente do IPIM destacou os “laços históricos de Macau com os mercados dos países de língua portuguesa”, bem como da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin, que constituem “pontos chave para a movimentação de talentos e de capital entre regiões na próxima década”. Alex Che Weng Keong não esqueceu os planos do Governo, incluídos no mais recente Plano de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, que aponta para que em 2030 o segmento não jogo represente 60 por cento do Produto Interno Bruto.
Andreia Sofia Silva SociedadeRuínas de S. Paulo | Demolições em dois edifícios A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) coordenou uma acção de demolição a dois edifícios situados junto às Ruínas de São Paulo que se encontravam “em estado de ruína”, é referido num comunicado da DSSCU. A acção, feita em conjunto com outros organismos públicos, realizou-se “recentemente” em prédios situados no Beco da Ostra. “Os dois edifícios em causa, ambos com dois pisos, apresentavam estruturas antigas construídas em tijolo e madeira. O primeiro imóvel, localizado no cruzamento entre o Beco da Ostra e a Rua da Tercena, exibia várias fendas na fachada exterior e o crescimento abundante de vegetação na cobertura”, descreve a DSSCU. Por sua vez, ao segundo prédio já lhe faltava parte da cobertura, “verificando-se um crescimento abundante de vegetação no interior e n respectiva estrutura”, lê-se. Os edifícios já constituíam um perigo para a segurança pública. A DSSCU explica ainda que no quarto trimestre deste ano vai iniciar a fiscalização e investigação quanto ao estado dos edifícios de Macau, a fim de “conhecer a situação actual dos imóveis, criar uma base de dados e promover o reordenamento e a gestão dos bairros antigos”. A zona da Rua de Nossa Senhora do Amparo irá servir como zona-piloto para a primeira fase destas acções.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePISA 2025 | Macau lidera na resolução de problemas com recurso à tecnologia Foram ontem divulgados os dados do PISA (Programme for International Student Assessment), o grande estudo da educação da OCDE, relativo ao ano de 2025. Macau volta a destacar-se nos números e no uso de ferramentas tecnológicas e digitais, liderando a nível mundial na categoria de resolução de problemas utilizando ferramentais computacionais, aponta uma nota ontem divulgada pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Na RAEM, o estudo do PISA relativo a Macau é realizado pela equipa de estudo do Centro de Investigação de Testes e Avaliação Educativa da Faculdade de Educação da Universidade de Macau. De um total de 91 países ou economias a nível mundial, “os alunos de Macau voltaram a demonstrar excelentes resultados de aprendizagem e capacidades de aplicação prática, classificando-se em terceiro lugar a nível mundial tanto em ciências como em matemática, e em quinto lugar em leitura”, é referido. Sobre o primeiro lugar obtido na resolução de problemas com recurso a computadores, destaca-se que os “alunos de Macau alcançaram um desempenho particularmente brilhante”, sendo que, pela primeira vez no PISA se avaliou esta componente, tendo em conta “a crescente importância das tecnologias de inteligência artificial”. Boa preparação No que diz respeito às áreas das ciências, tecnologia, engenharia e matemáticas (STEM – Science, Technology, Engineering, and Mathematics), o território “regista uma proporção consideravelmente elevada de alunos com um nível de desempenho elevado”, com uma pontuação de 541 pontos na área das ciências, ficando em terceiro lugar a nível mundial, apenas ultrapassado pela China e Singapura. A média da OCDE é de 482 pontos. Na matemática, Macau arrecada novamente o terceiro lugar, com 549 pontos, sendo que a média da OCDE nesta área de estudos é de 463. Macau desce, contudo, uns lugares no que diz respeito à leitura, ficando em quinto lugar, ultrapassado por Singapura (que neste campo lidera a tabela), China, região de Taiwan e Japão. A RAEM fica, assim, com 501 pontos, perante a média da OCDE de 461 pontos. Na resolução de problemas com o computador, Macau lidera, então, a lista, com uma média de 572 pontos, ultrapassando Singapura que fica em segundo lugar, com 563 pontos. A DSEDJ destaca, assim, que “os alunos de Macau demonstram uma literacia robusta na área STEM no PISA 2025, sendo capazes de integrar a investigação científica, o raciocínio matemático e o pensamento computacional para resolver problemas complexos”. Os dados mostram como os estudantes locais “revelaram capacidades de programação e de modelação de nível superior, conseguindo construir programas e modelos de forma interactiva em ambientes de aprendizagem digital”. Além disso, o PISA 2025 mostra como “as escolas de Macau garantem que quase a totalidade dos alunos de 15 anos de idade atinge o nível básico de literacia e de competências nucleares exigido para uma participação eficaz nos assuntos sociais”, o que os capacita a enfrentar “os desafios e oportunidades que surgem na vida real”.
Andreia Sofia Silva EventosFotografia | Ochre Space, em Lisboa, apresenta “-40ºC”, de A Yin Foi inaugurada ontem “-40ºC”, uma exposição de fotografia de A Yin, na Ochre Space, em Lisboa. A mostra pode ser vista até 26 de Setembro e é a segunda de uma série de exposições alusivas ao Ano do Cavalo. As imagens reflectem a graciosidade dos animais fotografados na Mongólia Interior Estamos no Ano do Cavalo segundo o zodíaco chinês e, a pensar nisso, a galeria Ochre Space, em Lisboa, tem uma programação pensada para celebrar a efeméride. Depois da mostra de Wang Zengping, foi inaugurada ontem a segunda exposição temática relacionada com o cavalo. “-40ºC”, de A Yin, é um projecto fotográfico a preto e branco onde este animal é protagonista, assim como a beleza das paisagens da Mongólia Interior. A Yin, um artista visual chinês mongol que há muito explora este universo, vê, assim, o seu trabalho exposto em Lisboa num espaço dedicado à fotografia, e que nasceu da vontade de João Miguel Barros, residente de Macau, fotógrafo e curador. Segundo a apresentação oficial da exposição, em “-40ºC” o frio “não é apenas uma condição atmosférica, mas o elemento que determina a paisagem, o corpo e a própria experiência de olhar”. Desta forma, a estepe, nome da pradaria mongol com campo de visão ilimitado, “deixa de ser uma paisagem distante para se tornar um espaço onde a vida é reduzida às suas condições mais essenciais”. A forma como são fotografados faz com que os movimentos dos cavalos sejam captados de uma forma única, que deambula entre “a presença e o desaparecimento”, é descrito. “À distância, os rebanhos transformam-se em pequenos vestígios escuros na imensidão branca; de perto, revelam corpos marcados pela neve, pelo gelo e pelo vento.” Com curadoria a cargo de João Miguel Barros, a exposição não tem como únicos protagonistas os cavalos, mas também incide sobre “aquilo que permanece quando quase tudo é reduzido ao essencial: resistência, silêncio, movimento e sobrevivência”. Diz o curador que A Yin “trabalha o preto e branco como uma ética do despojamento”. “A cor, que poderia seduzir ou distrair, desaparece. Ficam as relações essenciais: claro e escuro, cheio e vazio, linha e massa, silêncio e movimento. A neve torna-se página, mas uma página instável; o céu torna-se peso; o cavalo torna-se inscrição viva”, é acrescentando. Assim, há imagens de A Yin cuja composição se aproxima “da tradição oriental do vazio, em que o espaço não preenchido não é ausência, mas respiração”. Há outros casos em que “a fotografia impõe a rudeza documental da matéria: o animal não é metáfora pura, é corpo exposto ao Inverno”. Três décadas de beleza Há 30 anos que A Yin se dedica a um intenso trabalho de análise e estudo à cultura nómada da Mongólia. Numa nota oficial sobre a mostra, A Yin assume: “Amo os cavalos mongóis” e revela a profunda conexão que tem com um universo que lhe é tão próprio. “Quando eu tinha sete anos, o meu pai começou a ensinar-me a montar a cavalo. A minha mãe abençoou-me: “Boa sorte sobre o cavalo!”. “Sou um mongol da Mongólia Interior e descendente de Gengis Khan”, disse ainda. Sobre a sua carreira, diz que ganhou “muitos prémios com que a maioria dos fotógrafos sonha”. “Tenho uma certa influência neste meio, dentro e fora do país. Mas nunca abandonei a minha amada estepe, os cavalos mongóis e os nómadas. Estou sempre aqui, nesta terra, de alma e coração, a registar o meu povo, a minha estepe e os meus cavalos mongóis… Amo os cavalos mongóis”, aponta. A Ochre Space descreve como a fotografia é, para o artista, “uma forma de preservar uma herança cultural profundamente ligada ao território e simultaneamente de registar as transformações sociais, históricas e ambientais que têm vindo a alterar esse modo de vida”. A Yin é autor de uma trilogia sobre a cultura nómada, com títulos como “Os Nómadas Mongóis da China”, “A Terra Sagrada dos Nómadas” e “Os Buriates”. Fez também os projectos “As Escolas Primárias Mongóis da China” e “−40 °C (Cavalos Mongóis)”. É ainda o único fotógrafo proveniente de uma das minorias étnicas do país a ter sido nomeado por duas vezes entre os “Dez Melhores Fotógrafos Retratistas Chineses”, além de ter recebido o Prémio Estátua de Ouro, a mais alta distinção da China em fotografia, o Prémio Humanidade e o Prémio “All Roads” da National Geographic. Nascido em 1970 numa família de pastores das estepes da Mongólia, A Yin apresenta-se como um fotógrafo independente e autodidacta.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteParques infantis | Estudo alerta para desigualdade na oferta Um estudo desenvolvido por académicos da China e Macau, dois deles da Universidade Cidade de Macau, analisou dados geográficos e publicações nas redes sociais sobre parques infantis, concluindo que existe desigualdade na sua distribuição, com maior carência em zonas como Coloane, zona sul da península de Macau e Cotai. Defende-se ainda a “melhoria sistemática da qualidade das instalações existentes” O estudo “Análise das redes sociais e análise espacial no planeamento de espaços de recreio infantil em Macau, uma cidade de alta densidade”, publicado na revista científica E3S Web of Conferences, aponta para a desigualdade na distribuição de parques infantis no território, com maior concentração na zona norte da península e menor em áreas como Coloane, a zona sul da península e o Cotai. O trabalho, da autoria de vários académicos chineses, dois deles – Yingqian Yang e Yujing Lai – ligados ao Instituto de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Cidade de Macau, aponta para o facto de Macau, ao ser “uma cidade com uma densidade populacional extremamente elevada”, ser exemplo dos “desafios enfrentados pelas cidades de alta densidade [populacional] na disponibilização de parques infantis adequados”. Desta forma, “as instalações existentes não conseguem satisfazer plenamente as necessidades reais dos residentes e turistas, tanto em termos de qualidade como de distribuição espacial”. Com base na análise de publicações na rede social Weibo e de dados de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), os autores falam na necessidade de “intervenções prioritárias” por parte das autoridades, nomeadamente “o desenvolvimento de novos parques infantis na Ilha de Coloane, zona sul da Península e faixa do Cotai”. É também aconselhada uma “melhoria da qualidade das instalações existentes, com especial incidência em equipamentos para brincadeiras com água e criação de zonas adequadas a diferentes faixas etárias”. No total, foram analisadas 5.167 publicações no Weibo, feitas entre os anos de 2020 e 2025, bem como dados SIG relativos a 46 parques infantis. De destacar que estas publicações dizem respeito a 2.420 utilizadores com contas no Weibo. Há, no território, “graves desigualdades espaciais” no que diz respeito ao planeamento de parques infantis, sendo que “as deficiências em termos de qualidade contribuem mais para a insatisfação dos utilizadores do que a insuficiência quantitativa de instalações”. Melhor qualidade Em matéria de qualidade das instalações, revela-se que 37,9 por cento dos utilizadores mencionaram a necessidade de haver mais equipamentos para brincadeiras com água. Por sua vez, 28,7 por cento destacou a necessidade de mais infra-estruturas de segurança, enquanto 23,8 por cento lembrou a importância da “concepção adequada [de parques] para diferentes faixas etárias”. Apesar das conclusões pouco favoráveis ao actual planeamento de parques infantis, a análise das publicações no Weibo permite concluir que não existe “uma situação de crise”, existindo sim uma “margem para melhorias”. Isto porque se percebeu a existência de um “sentimento do público equilibrado em relação aos parques infantis e às instalações associadas às actividades familiares em Macau”. Dos utilizadores, 47,9 por cento deu respostas positivas, e 39 por cento deu respostas neutras. Face a este número, os autores concluem que “muitas publicações têm carácter informativo e não de avaliação, o que reflecte comportamentos de planeamento de actividades familiares”. Apenas 13,1 por cento dos utilizadores fez publicações com teor negativo. O caso de Coloane Tendo em conta apenas a análise dos dados SIG, o estudo fala na “existência de graves disparidades geográficas nos seis bairros de Macau”. As pontuações em termos de acessibilidade mostram que Coloane está bem abaixo na tabela – tem apenas 0,2 pontos numa escala de 0 a 10, enquanto o norte da península tem 10 pontos conforme a mesma escala. “A análise de dados SIG identifica a Ilha de Coloane como a zona com menor cobertura, não dispondo de qualquer parque infantil”, pode ler-se. E se não há tantos parques, os comentários ou publicações no Weibo são também reduzidos. “Na ilha de Coloane a escassez de instalações resulta numa utilização reduzida e, consequentemente, num baixo nível de comentários negativos nas redes sociais. Contudo, na zona do Cotai, a elevada intensidade de utilização, combinada com potenciais deficiências de qualidade — como problemas de manutenção ou sobrelotação — gera níveis significativamente mais elevados de insatisfação.” Da Grande Baía Os comentários feitos na rede social Weibo não são apenas feitos por residentes, mostrando como Macau é cada vez mais procurado por famílias que procuram pelos parques infantis existentes e, desta forma, deixam comentários na Internet sobre as zonas da RAEM com mais ou menos parques. O estudo destaca como “a análise geográfica das publicações com geolocalização”, que são apenas 18,1 por cento de todas as publicações feitas, mostra “a forte integração de Macau no ecossistema de turismo familiar da Grande Baía”. Neste campo, a província de Guangdong lidera com um total de 1.876 publicações, seguida por Hong Kong, 782 publicações. As publicações dos residentes de Macau estão em terceiro lugar, com um total de 586. Dizem os autores do estudo que “estas três regiões da Grande Baía representam, em conjunto, a maioria das conversas [online], sublinhando a interligação do mercado regional de turismo familiar”. Há ainda publicações de pessoas de Pequim, Xangai e outras zonas do país, o que mostra “a maior atractividade de Macau como destino familiar em toda a China”. Os autores dizem que 60,1 por cento publicações online se centram na experiência obtida nos parques, o que mostra “as limitações espaciais e climáticas das cidades subtropicais de elevada densidade”, como é o caso de Macau. Lê-se no estudo que “a limitada disponibilidade de terrenos e a elevada densidade populacional de Macau restringem a expansão dos parques infantis”, sendo citado um estudo de 2024 que dá conta da “forte desigualdade espacial e concentração na distribuição destas instalações”. Assim, a “melhoria da qualidade das instalações existentes” revela-se a “principal estratégia para aumentar a satisfação dos utilizadores”. Já “a elevada procura por equipamentos para brincadeiras com água reflecte as condições de clima quente e húmido”. Não está, portanto, em causa propriamente a falta de parques, mas sim a sua desigualdade de distribuição, já que Macau “dispõe de um número globalmente adequado de instalações”, com 46 parques infantis para 55 mil crianças, “correspondendo a uma proporção de 1 para 1:1.196”. Porém, olha-se para o tipo de infra-estruturas dos parques, revelando-se “um défice de 11,8 pontos percentuais relativamente à presença de equipamentos para brincadeiras com água”. Destaca-se, portanto, a qualidade do que existe e não a quantidade. “Os bairros cujas instalações não possuem as características desejadas apresentam um sentimento negativo mais elevado face aos bairros com um menor número de instalações. Isto sugere que, em contextos de elevada densidade [populacional] e com possibilidades limitadas de expansão, as deficiências de qualidade explicam melhor a insatisfação dos utilizadores do que os défices quantitativos”, lê-se. Deputados deixam alerta Algumas conclusões deste estudo vão de encontro aos alertas feitos por alguns deputados sobre a escassez, ou a desigualdade, de espaços de lazer para os mais novos. É o caso da deputada Loi I Weng, que em Abril deste ano interpelou o Governo sobre a “escassez de espaços de lazer para crianças” em “zonas antigas como a Zona Sul, a Rua da Praia do Manduco e San Kio”. “As instalações têm um design monótono e carecem de elementos inclusivos; a segurança e o ambiente dos percursos pedonais na comunidade também necessitam de ser reforçados”, acrescentou. Tratando-se de uma interpelação oral, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, respondeu no hemiciclo referindo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) “tem vindo a atribuir importância às necessidades das crianças no decorrer do seu crescimento, optimizando e disponibilizando mais espaços de lazer para crianças”. A governante deu o exemplo “do programa de reordenamento na zona de Toi San, que foi concebido tendo em consideração diversos elementos como o planeamento para todas as faixas etárias, a eliminação de barreiras arquitectónicas e [estabelecimento] de espaços de lazer inclusivos para pais e filhos”.
Andreia Sofia Silva EventosCinemateca Paixão | Reabertura com novo filme de Pedro Almodóvar Depois de um período sem filmes, a Cinemateca Paixão regressa à programação e trará a Macau a nova película de Pedro Almodóvar, “Natal Amargo”, ainda sem datas de exibição. Para já, há cinema europeu para ver, um deles com a alemã Sandra Hüller A Cinemateca Paixão voltou a abrir portas no passado dia 1 com nova concessão, e uma das novidades é a exibição do novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Com uma história que expõe relacionamentos falhados, a relação intrínseca com o cinema e a escrita, e que funciona como um espelho do próprio realizador, “Natal Amargo” não tem ainda datas de exibição, mas promete estrear brevemente. Depois de “Mães Paralelas”, um filme que conta com a actriz Penélope Cruz num dos papéis principais, e que nos remete para os anos da Guerra Civil Espanhola, o realizador espanhol aclamado mundialmente estreou-se com um filme em inglês com “O Quarto ao Lado”, com Tilda Swinton e Julianne Moore a interpretar os papéis de duas amigas que se cuidam mutuamente num momento de dor e doença. Em “Natal Amargo”, esta época festiva nem sequer é protagonista da história. Pedro Almodóvar conta o momento em que uma directora de publicidade enfrenta a morte da mãe e vai para a ilha de Lanzarote procurar alguma paz interior. Pelo meio, há confrontos com uma amiga e muitas tensões interiores, em narrativas cruzadas que revelam emoções fortes e que nos fazem pensar sobre as relações humanas. Em exibição a partir de hoje está “Rose”, protagonizado pela actriz alemã Sandra Hüller, e com o qual venceu um Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal no Festival de Cinema de Berlim. Markus Schleinzer assina um drama a preto e branco que se passa na Alemanha dos anos 30, e onde Sandra encarna Rose a fazer lembrar uma Joana D’Arc, ou seja, uma mulher lutadora que se faz passar por homem. A história que dá origem a Rose é real e passou-se em meados do século XVII, durante a Guerra dos Trinta Anos, quando chegou à aldeia uma pessoa chamada de “Soldado”, e que trazia consigo um documento que o identificava como herdeiro de uma quinta abandonada. Depressa ficou e ganhou a confiança dos habitantes da aldeia, mas o facto de ser mulher trouxe muitos problemas. A vida dos imigrantes “Take Out”, com Sean Baker – realizador de “A Florida Project” ou “Anora”, premiado com um Óscar – também se exibe na Cinemateca Paixão entre hoje e 13 de Setembro. Eis a história do imigrante chinês Ming Ding que, sem estar legalizado, tenta aguentar-se em Manhattan, Nova Iorque, trabalhando como estafeta de um restaurante chinês. Na noite em que é apanhado por cobradores de uma rede de tráfico de pessoas, tudo muda e as dificuldades aumentam ainda mais. Este filme tem também um forte cunho documental, ao retratar a comunidade de imigrantes chineses nos EUA. “Três Vezes Adeus”, com a actriz Alba Rohrwacher tem uma única exibição esta quarta-feira, 9. Trata-se de uma adaptação do livro “Tre Ciotole”, a autobiografia da escritora italiana Michela Murgia, e com realização de Isabel Coixet, realizadora espanhola distinguida pelos Prémios Goya. Os personagens são Marta e Antonio, um casal que termina a relação, um momento que com fortes consequências emocionais em ambos. Com uma elevada carga de erotismo chega “Good Vibes Only”, um filme francês com exibições entre os dias 11 e 16 de Setembro. Com uma grande componente de comédia, este filme conta o momento em que Fanny diz ao marido que, em 20 anos de casamento, nunca teve um orgasmo. É então que ambos decidem explorar brinquedos sexuais, workshops e muitas outras opções que vão mudar a sua vida como casal. “Bodyhackers” será exibido entre os dias 17 e 22 de Setembro.
Andreia Sofia Silva SociedadeContrabando | Apreendidos bens no valor de 850 mil patacas Os Serviços de Alfândega (SA) interceptaram, entre os dias 29 de Agosto e 3 de Setembro, um total de 18 pessoas suspeitas da prática do crime de contrabando, tendo sido apreendidas mercadorias no valor de 850 mil patacas. Segundo um comunicado do organismo, estes casos ocorreram no Aeroporto Internacional de Macau, Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e Posto Fronteiriço das Portas do Cerco. Em termos de mercadoria, foram apreendidos cerca de 274 mil cigarros, 134 mil cigarros electrónicos, 291 produtos de maquilhagem, 58 medicamentos, 34 telemóveis usados e cerca de 14 quilos do que os SA acreditam ser grãos de prata. Os SA dizem ainda ter feito “uma fiscalização mais rigorosa sobre oito residentes do Interior da China”, verificando-se que estes “transportavam elevadas quantidades de cigarros e cigarros electrónicos ocultos na bagagem de mão”. No posto fronteiriço da ponte HKZM foram detectadas “mercadorias suspeitas na posse de três residentes do Interior da China e de um residente de Macau”, enquanto nas Portas do Cerco foram detidas mais seis pessoas, três delas com residência de Macau e três com cidadania da China, que tinham escondidos telemóveis e “suspeitas de grãos de prata em vestuário e várias partes do corpo, na tentativa de os fazer sair ilegalmente do território”. Os 18 envolvidos têm idades entre os 20 e 67 anos, correndo o risco de ter de pagar multas com o valor máximo de 100 mil patacas. Deste grupo, há 11 pessoas que são suspeitas de violar o regime de prevenção e controlo do tabagismo.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaRenovação urbana | Pedida modernização de bairros Vong Pui Lam, dirigente da Associação Comercial de Macau, defende que a renovação urbana não deve focar-se apenas na demolição dos edifícios antigos e reconstrução, mas também na modernização dos bairros, com mais pequeno comércio. A responsável destaca o mau exemplo da habitação pública em Seac Pai Van A Associação Comercial de Macau deixou uma sugestão no jornal Ou Mun sobre a melhor forma de realizar o processo de renovação urbana dos bairros antigos do território, aposta que tem estado na agenda do Governo como um dos assuntos prioritários. Num artigo de opinião no jornal chinês de maior tiragem em Macau, Vong Pui Lam, subdirectora da Comissão de Estudos Estratégicos da Associação Comercial de Macau, defendeu que a renovação urbana não deve limitar-se à demolição de edifícios antigos e insalubres, mas também na modernização e reorganização dos bairros como um todo, com mais comércio local para usufruto dos seus moradores. A responsável defendeu que o comércio nestas zonas comunitárias deve focar-se em serviços simples que facilitem a vida no dia-a-dia e que permitam percursos curtos de dez minutos para a compra de alimentos frescos ou a aquisição de refeições baratas. Na visão de Vong Pui Lam, a renovação urbana deve ter em conta este pequeno comércio que permite aos moradores viver com dignidade no bairro, destacando que Macau tem essa tradição, com os casos das zonas de comida nos Mercado do Bairro Iao Hon, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço e Complexo Municipal do Mercado do Patane. Estas zonas são já conhecidas pelas refeições baratas que servem, sendo também procuradas por turistas. Vong Pui Lam também deu o bom exemplo de Singapura, com a tradição de mercados de rua e bancas de comida. Com o planeamento feito pelo Governo da Cidade-Estado, estes espaços gastronómicos tornaram-se atracções turísticas e também uma espécie de cantina para os locais. Em 2020, a cultura de vendilhões de Singapura foi seleccionada para as listas do Património Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O mau exemplo No artigo de opinião, o bairro de habitação pública de Seac Pai Van é referido como mau exemplo que não deve ser seguido neste processo de renovação urbana. A autora recorda que a zona tem hoje entre 30 a 40 mil habitantes, mas estes não têm lojas perto para serviços simples como comprar comida ou cortar o cabelo, precisando percorrer uma longa distância até às zonas mais centrais do território. Vong Pui Lam entende que Macau tem condições para que a cultura das comidas de rua se transforme numa marca turística, mas falta um planeamento sistemático por parte das autoridades, com perspectiva a longo prazo. Desta forma, deveria haver espaços suficientes para a criação de novos mercados e espaços de comida no projecto de urbanização da Zona A dos Novos Aterros, com as infra-estruturas necessárias. Além disso, deve ser simplificado o processo de aprovação e análise de pedidos, para incentivar mais jovens a apostar nestes negócios. Singapura surge novamente como o bom exemplo que Macau deve seguir no que diz respeito à gestão destes espaços gastronómicos por parte do Governo, a fim de se garantir um controlo das rendas, para que as comidas possam estar a preços acessíveis para os consumidores. Vong Pui Lam defende também a criação de percursos turísticos que incluam estes centros de comida nos mercados, a fim de se poder fazer um mapa com estas bancas gastronómicas. Desta forma, pode ser mais uma forma de levar os turistas a consumir fora da zona dos casinos.
Andreia Sofia Silva EventosFIMM | Cartaz traz pianista Lang Lang e Lisboa String Trio A edição XXXVIII do Festival Internacional de Música de Macau acontece entre 2 de Outubro e 29 de Novembro e traz, de Portugal, o grupo Lisboa String Trio e Sofia Vitória. Celebra-se também o “Ano Cultural China-Brasil” com o grupo Barbatuques do Brasil. Não faltam ondas mais clássicas, como a ópera de Giacomo Puccini, Turandot”, ou as sonoridades do pianista chinês Lang Lang Foi apresentando, na sexta-feira, mais um cartaz do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), um dos eventos culturais mais aguardados do território pela mescla de sonoridades que habitualmente apresenta. E a 38.ª edição não falha nesse campo, trazendo grandes nomes ligados à música clássica e ópera, mas também espectáculos com relação à cultura lusófona. O FIMM acontece entre os dias 2 de Outubro e 29 de Novembro e os bilhetes já se encontram à venda. De Portugal, chega o Lisboa String Trio e Sofia Vitória de Portugal, que trazem o concerto “Canções Concretas e Outras Histórias”. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o público pode ouvir um concerto que combina “sofisticação clássica, improvisação de jazz e música do mundo”, verificando-se um “diálogo entre a guitarra e o contrabaixo, o sitar e uma cativante voz feminina”. Desta forma, o Lisboa String Trio, com a voz de Sofia Vitória, apresenta a Macau “o encanto da tradição musical portuguesa”. Dentro da onda lusófona, o FIMM também aproveita para celebrar o Ano Cultural China-Brasil, que se celebra este ano, apresentando o concerto “Ritmos do Corpo Brasileiro”, interpretado pelo grupo Barbatuques do Brasil. Tal irá transformar “batidas do coração, palmas, pés e vozes numa poderosa e criativa percussão corporal”, sendo uma iniciativa realizada com o apoio do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM e da Embaixada da China no Brasil. Sob o tema “Ressonâncias de Seda”, a 38.ª edição do FIMM inspira-se “nos encontros culturais ao longo da Rota Marítima da Seda”. A voz aos clássicos Um dos destaques no leque das sonoridades clássicas é a celebração do centenário da ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini, compositor italiano falecido em 1924. Apresenta-se “Turandot – Ópera em Três Actos de Giacomo Puccini”, dirigida pela “estrela internacional” Jackie Chan, que se estreia como encenador de ópera. Segundo a mesma nota, funde-se “a obra-prima de Puccini com a essência oriental através da força e beleza das artes marciais, revelando-se um brilho artístico que atravessa o tempo e o espaço”. O público pode ver também “O Meu Jardim da Bela Vista – Ópera Yue”, apresentada pela Companhia de Ópera Yue Xiaobaihua de Zhejiang. Protagonizada pela actriz Chen Lijun, “esta produção combina canto delicado e melodioso com uma estética de encenação moderna, permitindo mergulhar num universo onírico onde a ópera tradicional e a estética contemporânea se entrelaçam”. Do leque de nomes conhecidos trazidos a Macau pelo FIMM consta ainda o do pianista chinês Lang Lang, que protagoniza o concerto “Lang Lang em Recital: Rapsódia Ibérica”, com a promessa de uma “experiência musical magnífica”. Não faltará um “diálogo interdisciplinar” entre Lang Lang e o “mestre de efeitos visuais” Richard Taylor, vencedor de um Óscar, juntando-se, desta forma, “os universos da música e das artes visuais”. A magia local O FIMM traz também o aclamado compositor e maestro Tan Dun que, juntamente com o Coro e Orquestra Sinfónica Nacional da China, apresenta “Tan Dun Rege Nona Sinfonia de Beethoven e Nove”. Desta forma, irá criar-se um “diálogo intemporal entre a clássica Sinfonia nº 9 de Beethoven com a obra inspirada na antiga mitologia oriental Nove. Haverá ainda um segundo concerto com Tan Dun, nomeadamente “Tan Dun Rege Mozart e Beethoven”, que abre o palco com a composição “As Criaturas de Prometeu de Beethoven”. O FIMM proporciona também a possibilidade de jovens de Macau tocarem com músicos mais experientes. Haverá “dois talentos emergentes das cordas locais”, nomeadamente a violinista Nina Wong e o violista Hoi Yan Lok, que com o maestro Tan Dun vão interpretar “Concerto para Violino e Viola de Mozart”. Já o jovem pianista de Macau Chan Chon Teng actuará ao lado dos músicos da Orquestra de Macau no concerto “Bravo Macau!”, que não só é dedicado ao território como também “evidencia a vitalidade das novas gerações”. A 38.ª edição do FIMM apresenta ainda em Macau o maestro Laurence Cummings, muito conhecido no panorama da música antiga britânica, que colabora com a Orquestra de Macau num concerto de música barroca a ter lugar na Igreja da Sé. Ao lado, surge o contratenor Cameron Shahbazi para “oferecer a sonoridade rigorosa, meticulosa e etérea da era barroca”. Festival traz “Notas Flutuantes pela Cidade” A 38.ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) não acontece apenas dentro de portas, nomeadamente no Centro Cultural de Macau (CCM), mas também nos vários bairros de Macau. A ideia, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), é “ampliar mais o alcance por parte da comunidade e os benefícios dos eventos artísticos e culturais”. Desta forma, apresentam-se 12 iniciativas de “Notas Flutuantes pela Cidade”, com 44 sessões que estão sujeitas a marcações através da Conta Única de Macau. O cartaz inclui o concerto “Orquestra Reinventada: wHiRlwiND”, apresentado pela banda local thetiredeyes, e que se destaca “na fusão de jazz, R&B, neo-soul, hip-hop e pop, tendo arranjos provenientes da música clássica”. Desta forma, criam-se “texturas sonoras ricas e diversificadas”. Já o concerto “Melodias Velejantes Encantam Macau: Concerto do Coro Infantil Yip” é protagonizado pelo Coro Infantil Yip de Hong Kong e Coro Juvenil de Macau. O maestro Laurence Cummings sai dos bastidores e dos palcos para participar na “Conversa Pré-espectáculo: Laurence Cummings e a Orquestra de Macau”, onde se explora “a essência do repertório do concerto, mergulhando-se nos universos musicais de Vivaldi, Bach e Haendel”. Teatro na rua “Notas Flutuantes pela Cidade” fará com que outro grande espectáculo esteja mais próximo da comunidade, nomeadamente com a iniciativa “Visita aos Bastidores: Turandot”, onde o público pode conhecer os bastidores tendo um “olhar exclusivo do ambiente atrás do palco da ópera Turandot”. Há ainda “Conversa: Turandot”, onde se discute a produção do espectáculo “a partir de diferentes perspectivas profissionais”. Entre os dias 10 de Outubro e 22 de Novembro haverá ainda várias actividades promocionais em bairros de Macau, como “À Escuta de Xinghai: Uma Viagem Musical Fantástica com Xian Xinghai, Filho de Macau”, “Percussão Ecológica na Rua”, ou ainda “Piano pela Cidade”. entre outros. Além da música, haverá cinema, ou ambos: a Cinemateca Paixão apresenta “Música na Tela: Cinemateca Paixão”, com o público a poder ter “uma visão mais profunda e um encontro com as múltiplas dimensões da música, enriquecendo assim a sua apreciação artística”. Estas actividades podem receber inscrições a partir do dia 14 de Setembro.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCrime | Grupo cobrava taxa para proteger infractores em casino Foi decretada a prisão preventiva do cabecilha de um grupo criminoso composto por seguranças de um casino, alegadamente responsável pela cobrança de dinheiro a infractores de crimes ligados ao jogo, para sua protecção. Há mais de uma dezena de arguidos, sendo que cinco estão detidos preventivamente Foi em Julho deste ano que as autoridades policiais começaram a perceber que algo de errado se passava num dos casinos do território, fazendo detenções de membros de um grupo que, alegadamente, dava protecção a infractores de crimes ligados ao jogo, e que era composto por seguranças. Porém, só na última quinta-feira, 3 de Setembro, foi apanhado o cabecilha, que está agora em prisão preventiva. Segundo um comunicado do Ministério Público (MP) divulgado no sábado, este grupo não só dava protecção a infractores como cobraria uma taxa por esse serviço, com o envolvimento de nove funcionários do departamento de segurança e cinco mediadores. Estas cinco pessoas estão agora em prisão preventiva, medida de coacção aplicada enquanto aguardam julgamento. Aos restantes nove funcionários “foram aplicadas outras medidas de coacção”, refere o MP, sem especificar. Segundo a mesma nota, “suspeita-se que os membros deste grupo cobravam uma ‘taxa de protecção’ e ‘taxa de resolução de processos’, a fim de ocultar actos ilegais e proceder ao devido tratamento”. O homem agora detido “manteve-se escondido no Interior da China”, nomeadamente em Zhongshan, “tendo as autoridades policiais activado o ‘Mecanismo de ligação policial’ para solicitar a cooperação das congéneres do Interior da China”. O cabecilha é suspeito dos crimes de associação ou sociedade secreta, coacção, extorsão, favorecimento pessoal e ainda corrupção passiva no sector privado. A sua mulher também foi encaminhada para o MP pelo crime de receptação. As autoridades entenderam existir “um forte perigo de fuga de Macau em caso de libertação”, pelo que se optou pela prisão preventiva. Além disso, foi tido em conta, para a aplicação das medidas de coação, “a natureza, a gravidade dos crimes imputados ao arguido, o modus operandi, o motivo, a ilicitude dos factos e o grau de dolo, bem como a personalidade” do arguido. Dinheiro escondido Na mesma nota, o MP deixa um apelo para que as operadoras de jogo e os agentes de segurança cumpram “rigorosamente as funções de gestão, assegurando os trabalhos de manutenção da ordem e prevenção de riscos nos respectivos estabelecimentos” de turismo e lazer. Em conferência de imprensa sobre este caso, o suspeito de ser o cabecilha do grupo, de apelido Wong, tinha funções de gestor da equipa de seguranças, tendo saído de Macau e ficado escondido no interior da China antes das detecções realizadas em Julho. Na quinta-feira, o homem foi preso em Zhongshan, tendo sido entregue à PJ de Macau por volta das 16h na zona entre as fronteiras de Gongbei e Portas do Cerco. Enquanto estava na China, Wong terá instruído a mulher a dar apoio à actividade criminosa, tendo esta escondido os 201 mil dólares de Hong Kong obtidos através da actividade criminosa.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteCristina Branco, fadista: “Acho importante que as pessoas percebam aquilo que somos, como portugueses” Da sua voz as canções corajosas de Zeca Afonso ganharam nova roupagem, mas Cristina Branco também assume o Fado, canção tradicional portuguesa, como sendo sua. Vem à China pela primeira vez em trabalho na próxima semana, no âmbito do Festival Internacional do Fado, com concertos em Pequim, Xangai e Zhuhai Primeira vez com um concerto em Zhuhai. Quais as expectativas para esta edição do Festival Internacional do Fado? Não é a primeira vez que estou na China, mas é a primeira vez que vou em trabalho e que actuo neste território. Diria que as expectativas são bastante elevadas, e por várias razões: é um público muito diferente do público ocidental e estou muito curiosa em perceber como a nossa música é recebida neste ambiente. Há de facto uma diferença muito grande entre a forma como a minha música é representada e aquilo a que o público chinês poderá estar habituado. Óbvio que vai ser uma coisa extremamente exótica. Temos sempre aquela perspectiva do contrário, de que aquele território é que é exótico, mas, neste caso, seremos nós os exóticos. Tudo isso me desperta uma enorme curiosidade. Em relação ao festival, é sempre um feito quando um festival de Fado chega a territórios tão distantes, porque é uma forma de mostrarmos a nossa música e de darmos a conhecer a nossa língua, e também de nos aproximarmos de uma cultura tão diferente da nossa. No ano passado lançou “Mulheres de Abril”, álbum novamente focado no universo do Zeca Afonso, que já tinha explorado com “Abril”, em 2007. Porquê voltar? Faltava explorar o universo feminino de Zeca Afonso? Quero destacar que nos espectáculos na China não vamos levar o “Mulheres de Abril”, mas sim o disco “Mãe”, que é de fado tradicional com arranjos contemporâneos. É, portanto, uma formação musical diferente, com piano, contrabaixo e guitarra portuguesa. “Mulheres de Abril” é uma formação mais de jazz, numa linguagem completamente diferente. Mas o “Mulheres de Abril” é um disco que fala das mulheres que, de alguma forma, estão presentes no repertório do Zeca. Quando fiz “Abril” tinham ficado imensas canções de fora que não conseguimos gravar, e mesmo depois de gravar “Mulheres de Abril” fica imensa coisa por fazer. Achei este momento pertinente para gravar algumas das mulheres do repertório do Zeca, porque, de alguma forma, elas estão presentes, mas são invisíveis. Isso representa um pouco da forma como a mulher estava na sociedade portuguesa antes e mesmo após o 25 de Abril. O que o Zeca apresenta destas mulheres é a sua combatividade, mas também a forma matriarcal em relação à sociedade portuguesa de antes do 25 de Abril. Achei que fazia sentido voltar a pegar nas mulheres de Zeca porque é por demais evidente a importância do momento que vivemos no nosso país, em que temos de falar da mulher e perceber em que ponto estamos, e para onde queremos ir. É chocante como se consegue regredir ou, pelo menos, não evoluir. Como é que passam 50 anos e estamos exactamente no mesmo sítio, ou que temos para fazer para passarmos a ser iguais [aos homens]? A questão não é querer ser melhor ou mais, mas apenas sermos iguais. As mulheres do “Mulheres de Abril” combatem e precisam ser vistas, faladas, saírem da sombra e ganhar voz. Colocou também nesse disco o poema “Endechas a Bárbara Escrava”, de Camões. Representa, portanto, essa mulher submissa de outros tempos. Exactamente. É uma negra, e aqui temos o problema da xenofobia, do racismo, e de como há um homem que se apaixona por uma mulher negra que, ainda por cima, é escrava. Imagine-se a questão que isto coloca. Curioso como o Zeca pega numa coisa que não tem nada a ver, porque podemos imaginar que não é do mesmo tempo, mas, infelizmente, é a mesma realidade, pois passam muitos anos e parece que está tudo no mesmo sítio. Voltamos ao “Mãe”. É um disco de 2023, fale-me desse projecto e de como trabalhou estas canções para levar aos concertos na China. No concerto não está, claro, apenas o disco “Mãe”. Falar do “Mãe” é, para mim, algo muito grato por várias razões. A primeira é porque é um disco de fado tradicional, com arranjos contemporâneos feitos pelos músicos que vão estar comigo [nos concertos na China], e que estão comigo sempre: Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Bernardo Moreira no contrabaixo, e Luís Figueiredo no piano. Eles assumem os arranjos e produção desse disco. Então pensámos pegar em fados tradicionais, agarrar na linguagem que criamos nos 15 anos que temos de trabalho conjunto, e que é muito pessoal, muito Cristina Branco, e alinhar com o fado tradicional. Portanto, o que as pessoas vão ouvir é uma linguagem contemporânea sem perder a raiz, porque a voz canta sempre o fado exactamente como ele é. Depois, nesse disco, cada um de nós assina uma música, e é algo que me deixa muito feliz, porque foi a primeira vez e, provavelmente, a última, que fiz uma música. Foi muito gratificante perceber que era uma música que andava, há muito, a tamborilar na minha cabeça, que eu assobiava imensas vezes. De repente pedi a um dos meus filhos para a gravar, cheia de vergonha, cheguei aos músicos e perguntei: “Vocês acham que isto dá um Fado?”. Deu um Fado. Portanto, há Fado na minha cabeça, além da minha voz, e isso alegra-me profundamente. Voltando ao espectáculo, disse que não será só sobre o “Mãe”. Que outras músicas irá apresentar? O concerto andará todo à volta do universo tradicional do Fado, mas levamos os nossos arranjos, a nossa linguagem. As pessoas vão identificar-se com o Fado, e vou contar sempre uma história em torno deles, que é também a história do nosso país e povo. Acho importante que não seja só música e que as pessoas percebam um pouco aquilo que nós somos, como portugueses e como país. São os fados mais antigos, onde imprimimos o nosso cunho muito pessoal. Portanto, não será apenas um concerto de Fado, mas também de Fado, que é a linha condutora de tudo e está sempre presente, mas da qual saíamos porque temos uma linguagem que é, de alguma forma, paralela, porque dois músicos que me acompanham vêm do jazz. Esta junção de linguagens fez o que é hoje a matriz da música de Cristina Branco. Pergunto então se se considera cem por cento fadista, ou cem por cento intérprete. Sou cem por cento fadista quando canto Fado. Mas é óbvio que, sendo a minha voz bastante camaleónica, de alguma forma, por ser chamada para fazer coisas diferentes, consigo ir a outros universos com muita facilidade. Mas não sou outra coisa senão fadista. Mas gosta de deambular pelo trabalho de outros compositores e intérpretes. Preciso disso, não consigo imaginar a minha música estanque. Nada é fechado e tudo tem abertura e um paralelo com outras coisas. Só assim se evolui, não como cantor, mas como ser humano. Este é o meu trabalho e é uma paixão enorme, mas só acredito na sua evolução desta forma abrangente. Claro que venho do Fado e é isso que me apaixonou inicialmente, mas acredito que a música sofre influências musicais, sociais e políticas. Tudo isso entra para dentro da minha caixinha. Mas sou fadista, absolutamente fadista. O Fado tem sofrido uma evolução nos últimos anos, na forma como é interpretado, produzido. Conseguimos com que o meio musical português tenha evoluído na sua música essencial? No Fado diria que sim. Acho que o papel do Museu do Fado [em Lisboa], e o facto de ser património mundial da humanidade ajudou a perceber que o Fado não é, de todo, uma música hermética, mas que cresce com a sociedade, e isso faz com que vá ganhando características diferentes. Temos hoje um acervo de Fado tradicional com cerca de 330 canções, onde se pode colocar diferente poesia. É essa poesia que faz com que o Fado cresça. Portanto, se calhar daqui a dez anos são 340 canções. É isso que torna o Fado, no fundo, tão efervescente. Quando comecei a cantar apaixonei-me pela voz da Amália Rodrigues e pela sua forma de interpretar outras coisas além do Fado. Tinha 20 anos e achava que o Fado era aqueles dez tradicionais e nada poderia sair dali. Só que essa não é a realidade do Fado hoje em dia. Aprendemos muito com o facto de o Fado passar a ser património mundial da humanidade porque, finalmente, podemos estudar as suas origens, para onde podia caminhar e o que se podia fazer com ele. O Fado é uma música em constante evolução e está em crescimento, felizmente. Parece que Portugal é um país com falta de auto-estima, com coisas boas que só reconhece quando lá fora se dá por elas. Com o Fado foi um bocado isso, era encarado como uma música triste e aborrecida? Era horrível. Quando comecei a cantar os meus colegas de faculdade olhavam e diziam: “Coitada, mas isso interessa? Tu gostas disso?”. As músicas que gostava não eram fados de verdade, mas os poemas de Alain Oulman que a Amália Rodrigues cantava. Já era, de certa forma, um processo evolutivo dentro do Fado. Hoje vou às casas de Fado e estão cheias de miúdos. Foi preciso esse processo, por causa da nossa auto-estima, é verdade. Porquê a vergonha de compor? Costumo dizer esta frase, que resume tudo: “Como encaixar o meu nome como autora entre Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa?” Não faz sentido. Se canto textos tão maravilhosos de gente incrível como Lídia Jorge, Zeca Afonso ou Maria Teresa Horta, e tantos outros, como entalar o meu nome quando sou apenas uma intérprete no meio destas pessoas? Sempre tive um pudor gigante em relação a isso. Escrevo quase todos os dias, mas apenas para mim e apenas em prosa. Não tenho essa mão de escrever para ser cantado. Fado na China Cristina Branco é protagonista de três concertos do Festival Fado, iniciativa da produtora Everything is New, que tem promovido espectáculos semelhantes noutros pontos do mundo. O primeiro concerto acontece em Pequim este sábado, 5, no Forbidden City Concert Hall, seguindo-se uma paragem em Xangai domingo, 6. Segue-se depois a deslocação mais para Sul. Além da música, haverá visionamento de filmes e palestras.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeTaipa | Pedidas soluções para animais abandonados Há muitos cães abandonados na Taipa, sobretudo junto à movimentada Rua do Cunha, o que leva duas associações a exigir medidas por parte das autoridades para travar estes cães vadios que, no seu entender, constituem um perigo para residentes e visitantes A Associação de Moradores da Taipa e a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa exigem soluções para controlar os cães vadios que têm surgido na Taipa, sobretudo junto à Rua do Cunha, e que podem ser um perigo para quem passa por ali. Segundo o jornal Ou Mun, as duas associações, ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), apelam ao Governo para que faça alguma coisa a fim de garantir a segurança do local. O presidente da Associação de Moradores da Taipa, Chan Chi Seng, e a vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, argumentam que as zonas por onde vagueiam os cães são bastante frequentadas devido ao turismo, além de existirem escolas nas proximidades. Os responsáveis alertam para o facto de os cães abandonados se concentrarem pelo bairro, sendo agressivos e podendo, por isso, ser uma ameaça à segurança. Desta forma, é pedido o envio de agentes de inspecção para a Rua do Cunha e zonas próximas de escolas, para que os animais sejam apanhados e as ruas sejam limpas dos alimentos deixados pelos residentes para alimentar os cães. Desta forma, evita-se a concentração de animais que ali buscam alimento. Além disso, os responsáveis também pedem maior comunicação entre Governo, escolas e associações sobre a situação, a fim de se aumentar a consciencialização sobre o problema dos cães abandonados. Casos recentes Não faltam casos para comprovar o cenário de perigo. Esta segunda-feira uma idosa de 66 anos foi mordida na zona da panturrilha por um cão abandonado na localização perto do Mercado Municipal da Taipa, no Largo dos Bombeiros. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, os bombeiros explicaram que a mulher foi transferida para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo também informado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O IAM indicou que reforçou as inspecções no local. Porém, no dia seguinte, um ouvinte do programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, queixou-se de que mais pessoas foram mordidas pelos cães da zona. O homem, de apelido Leong, afirmou que a concentração de animais se deve ao facto de os moradores deixarem comida para os gatos, o que acaba por atrair os cães. Leong adiantou que as mordidas de cães são frequentes, mas as autoridades não têm aplicado medidas suficientes para controlar a situação. Este deixou ainda críticas à alegada falta de profissionalismo dos funcionários do IAM, que deixam escapar os cães. O IAM respondeu ontem ao canal chinês da Rádio Macau indicando que foram apanhados 33 cães abandonados e um gato desde Janeiro, tendo referido que, de facto, a zona da Taipa velha tem muitas pessoas que alimentam os animais abandonados, o que atrai outros para o local. Desta forma, foi feito um apelo para que não se dê comida aos animais de rua em espaços públicos.
Andreia Sofia Silva SociedadeSaudel | Baixa possibilidade de ser içado sinal 3 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) consideram que existe a “baixa possibilidade” de ser içado o sinal 3 de tempestade entre a madrugada e a manhã desta sexta-feira, dia 4. Mantém-se içado o sinal 1 de tempestade. Segundo as previsões das autoridades, a tempestade tropical “Saudel” irá atravessar o interior da província de Guangdong e “mover-se para Oeste, aproximando-se novamente da Foz do Rio das Pérolas” esta sexta-feira. Porém, “vai enfraquecer gradualmente”, ainda sem certezas quanto ao grau de enfraquecimento da tempestade, daí a possibilidade de ser içado o sinal 3. Os SMG destacam que, com a passagem do “Saudel”, Macau vai ter chuvas esta sexta-feira com ventos fortes.
Andreia Sofia Silva EventosLisboeta | James Chu, designer e artista, apresenta nova exposição Um dos mais conhecidos artistas de Macau está de regresso às exposições. “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” apresenta-se no Lisboeta Macau a partir do dia 18 de Setembro, numa iniciativa da Associação Cultural da Vila da Taipa. Eis o hábito de escrever diariamente transformado em arte nos seus mais diversos formatos e conceitos “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” [A Prática do Tempo: Arte Contemporânea por James Chu] é o nome da nova mostra promovida pela Associação Cultural da Vila da Taipa para Setembro. Com inauguração apontada para o dia 18 deste mês, o projecto pode ser visto no empreendimento Lisboeta Macau, no Cotai, revelando novas obras daquele que é um dos mais conhecidos artistas de Macau, já com uma carreira firmada no mundo das artes. Segundo um comunicado da organização, apresenta-se “um conjunto de obras contemporâneas que são moldadas por sete anos de prática contínua”, e onde se exploram as vertentes da escrita, “repetição, materialidade e transformação”. O público pode, assim, ver, trabalhos com caligrafia, esculturas, instalações e técnicas mistas. Trata-se de uma mostra que “reflecte sobre a forma como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”, descreve João Ó, ligado à associação e também curador da exposição. Os trabalhos que se apresentam nesta mostra também são reflexo de um hábito de James Chu, nomeadamente o de “escrever textos à mão diariamente durante sete anos”. Com este acto repetitivo, a escrita acabou por se transformar “num registo do tempo”, mas também uma forma de “disciplina e concentração”. Desta forma, o artista quase que atinge um estado meditativo ao escrever todos os dias, já que se verifica “uma prática rítmica em que a atenção sustentada cria uma sensação de quietude e presença”. Novas noções de tempo Nesta mostra, a obra central é uma “escultura tridimensional em papel construída a partir de sete anos de páginas manuscritas”, e que “transforma um texto de apenas 260 caracteres chineses numa ampla estrutura física, convertendo a linguagem em matéria e os gestos individuais numa forma colectiva”, descreve o curador. Em “A Prática do Tempo” podem também ser vistas “figuras em papel de grande escala e formas de mãos, produzidas através de técnicas artesanais tradicionais classificadas como património cultural imaterial, combinam técnicas históricas com a instalação contemporânea”. Neste projecto, os textos manuscritos “tornam-se elementos visuais e materiais, enquanto a iluminação integrada revela a relação entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”. Mas há também trabalhos com pintura e tijolos reutilizados, “marcados por décadas de exposição às intempéries”, onde o artista explora não apenas a caligrafia como a própria história dos materiais. “O papel frágil, os materiais arquitectónicos envelhecidos, a pedra e a luz tornam-se diferentes suportes do tempo, criando um diálogo entre os vestígios acumulados do passado e a intervenção artística contemporânea”, é referido. Outro conceito bastante ligado a esta exposição, é o espírito Zen e as ideias de “simplicidade, presença e perseverança”. James Chu, “em vez de apresentar formas históricas de escrita e criação como tradições fixas, aborda-as como linguagens visuais em constante evolução, através das quais convergem a memória, a matéria, o tempo e a contemplação”, explica o curador. Com este processo, “o acto quotidiano de criar transforma-se numa investigação silenciosa sobre a forma como o tempo pode ser registado, transformado e, em última análise, experienciado através da arte”. Retrato de vida Nascido em Macau, James Chu estudou técnicas de gravura no Atelier de Gravura Bartolomeu Cid dos Santos, da Academia de Artes Visuais de Macau, em 1990. No início de 1998 licenciou-se em Design Gráfico na Escola de Artes do então Instituto Politécnico de Macau, hoje Universidade Politécnica de Macau, tendo feito mestrado na área das artes na Universidade de Lingnan, Hong Kong, dez anos depois. Realizou dez exposições individuais de pintura, fotografia e instalações em Macau e Pequim, tendo participado em mais de uma centena de exposições colectivas em todo o mundo. Enquanto curador, organizou mais de uma centena de exposições de arte e design de Macau em importantes cidades internacionais, incluindo Pequim, Xangai, Shenzhen, Cantão, Zhuhai, Taipé, Hong Kong, Macau, Paris, Roma, Tóquio, Banguecoque, Singapura, Seul, Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto e Melbourne. As suas obras integram as colecções da Fundação Macau, da Fundação Oriente, do Museu de Arte de Macau, da Fundação Philippe Charriol, do Museu Shanghai Zendai Himalayas, do Hyatt Regency Hong Kong, bem como de mais de 30 coleccionadores privados em todo o mundo.