Concertos | Orquestra de Macau apresenta série sobre Mozart

O fim-de-semana de 23 a 25 de Janeiro está guardado para uma homenagem da Orquestra de Macau ao compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart. “Homenagem a Mozart – Um Génio Divino”, “Homenagem a Mozart – Espírito Clássico” e “Homenagem a Mozart – Símbolo Eterno” são os nomes dos três espectáculos agendados para a Igreja da Sé e Igreja de São Domingos

Os fãs de música clássica, nomeadamente de Mozart, um dos mais conhecidos e aclamados compositores da história, podem desfrutar este mês de três espectáculos protagonizados pela Orquestra de Macau (OM), que sobe ao palco com convidados especiais.

Trata-se de três iniciativas que decorrem no fim-de-semana de 23 a 25 de Janeiro e que visam fazer uma justa homenagem ao trabalho musical deixado para a história por Wolfgang Amadeus Mozart, nascido em Salzburgo, Áustria, em 1756. Diz a sua biografia que foi um génio precoce na música, tendo começado a compor com cinco anos de idade, e aos quatro anos já lia pautas e tocava cravo. Deixou cerca de 600 composições, incluindo sinfonias, óperas e concertos para piano e orquestra.

O primeiro concerto, agendado para o dia 23 de Janeiro, decorre na Igreja de São Domingos a partir das 20h. Trata-se de “Homenagem a Mozart – Um Génio Divino”, com Svetlin Roussev, violinista búlgaro como convidado.

Segundo informações disponibilizadas pelo website da OM, o programa deste espectáculo faz-se de três concertos para violino compostos por Mozart, nomeadamente “Concerto para Violino N.º 1 em Si-bemol Maior, K. 201”, “Concerto para Violino N.º 2 em Ré Maior, K. 211” e “Concerto para Violino N.º 4 em Ré Maior, K. 218”.

Estes são, segundo a OM, “os três primeiros concertos para violino” compostos por Mozart, que foi “prodígio, tanto no violino como no piano”. Os primeiros esboços destas composições datam de 1773, quando o compositor tinha 17 anos, sendo descritas como “obras juvenis e enérgicas, com influências barrocas e rococó”, em que os ouvintes são “confrontados com a vastidão criativa deste génio do Classicismo”.

No dia seguinte, sábado, 24, é a vez da Igreja da Sé acolher o espectáculo “Homenagem a Mozart – Espírito Clássico”, tendo o maestro da OM, Lio Kuokman, a liderar as operações, e o músico Zhang Aozhe no violino. A partir das 20h é possível ouvir composições como “Sinfonia N.º 1 em Mi-bemol Maior, K. 16”, “Concerto para Violino N.º 3 em Sol Maior, K. 216” e ainda “Sinfonia N.º 40 em Sol menor, K. 550”. Para a OM, será proporcionada “uma experiência rara”, no sentido em que é possível “ouvir ao vivo, em poucos dias, os cinco concertos para violino de Mozart interpretados de seguida”.

“Embora apreciemos a ilusão de leveza e naturalidade em palco, devemos lembrar-nos que um concerto de música clássica é um constante diálogo entre o solista e a orquestra, como um jogo de perguntas e respostas entre amigos numa conversa sentida e aprazível”, exemplifica a OM.

Mozart é novamente descrito como tendo sido “uma criança prodígio durante a grandiosa digressão musical pela Europa que realizou com a família, tendo composto a sua primeira sinfonia em Londres”.

A “Sinfonia N.º 40 em Sol menor, K. 550”, que será tocada neste espectáculo, constitui “um clássico essencial” na música de orquestra, evidenciando, para a OM, “a profundidade e mestria de Mozart na gestão de diversas vozes e na ampliação da paleta de orquestra”. Trata-se ainda de uma “sofisticação que o compositor foi aperfeiçoando nos últimos anos da sua vida”. O público poderá ouvir estas composições ao longo de 1h15 minutos de espectáculo, sem intervalo.

Últimos acordes

Esta trilogia de concertos encerra com “Homenagem a Mozart – Símbolo Eterno”, que acontece na Igreja de São Domingos no domingo, 25 de Janeiro, numa matiné com início às 17h. O maestro Lio Kuokman volta a subir ao palco com Yu-Chien (Benny) Tseng no violino, sendo o programa composto pelo “Concerto para Violino N.º 5 em La Maior, K. 219” e “Sinfonia N.º 41 em Dó Maior, K. 551 “Júpiter”.

“A homenagem da Orquestra de Macau a Mozart culmina com a apresentação da última sinfonia do compositor”, descreve a OM, que considera a “Sinfonia Nº 41 em Dó Maior” como reveladora de “uma cromaticidade muito mais acentuada”.

“O seu último concerto para violino [de Mozart], célebre pelas dramáticas mudanças de andamento e pela secção ‘alla turca’ no final, é, há muito, um pilar fundamental do repertório violinístico”, remata a OM. Os bilhetes para os três espectáculos já estão à venda e custam 150 patacas.

7 Jan 2026

Veículos eléctricos | Novos postos de carregamento no Cotai este ano

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse ontem, no hemiciclo, que deverá ser implementado este ano o “Projecto-piloto de postos de super carregamento para veículos ligeiros e pesados”.

Uma das primeiras medidas passa pela instalação, na Rua da Patinagem do Cotai, “postos de ‘super’ carregamento para veículos ligeiros e pesados, envidando-se esforços para que entre em funcionamento em 2026”, disse o secretário em resposta a uma interpelação oral do deputado Iau Teng Pio.

Na sua interpelação, o deputado Iau Teng Pio questionou o Executivo sobre a possibilidade de instalar postos de carregamento de veículos eléctricos em prédios residenciais com condomínio, mas o Governo assegurou que há entraves legais para a sua implementação.

Iau Teng Pio sugeriu que a instalação de equipamentos de carregamento e de contador individual pudesse ser considerada uma “benfeitoria necessária” das partes comuns dos edifícios, mas o secretário explicou que “não estão reunidos os requisitos legais para tal, uma vez que envolve as disposições relevantes do Regime Jurídico da Administração das Partes Comuns do Condomínio”.

O Executivo, em conjunto com a CEM, criou as “Instruções para o pedido de autorização de instalação de equipamentos de carregamento de veículos eléctricos nos auto-silos de edifícios privados”. Actualmente, “para lugares de estacionamento registados em regime de propriedade partilhada, basta obter o consentimento de metade dos proprietários do auto-silo, desde que a potência original de fornecimento de electricidade do edifício não seja alterada”.

O deputado sugeriu ainda a revisão das disposições do Código Civil e do Regime Jurídico da Administração das Partes Comuns do Condomínio, a fim de simplificar a burocracia inerente à instalação de postos de carregamento em parques de estacionamento privados, mas da parte do Governo a resposta foi a necessidade de uma “avaliação prudente, assente na coordenação com o regime geral”.

7 Jan 2026

Estudo indica que habitação pública é suficiente para cinco anos

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assegurou ontem que a habitação pública construída, quer social, quer económica, é suficiente para as necessidades populacionais dos próximos cinco anos. É o que aponta um dos dois estudos sobre habitação encomendados pelo Governo.

“Os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos”, declarou Raymond Tam. Já em relação à habitação intermédia, pensada para a classe média, “não se prevê uma procura acentuada”, disse o governante, tendo em conta os resultados do estudo.

O secretário falou ainda dos resultados de um segundo estudo sobre a possibilidade de permuta na habitação económica, algo que “tem elevado grau de aceitação na sociedade”. “Com base nos resultados do estudo, o Governo da RAEM vai efectuar uma avaliação científica das condições de permuta, do mecanismo de fixação de preços e restrições à sua implementação”, além de “elaborar um plano de implementação de modo a salvaguardar a distribuição equitativa dos recursos públicos”.

A deputada Ella Lei lembrou que persistem “muitas limitações para pedir uma habitação económica e as exigências são muito elevadas”. “Na zona dos novos aterros há cada vez mais habitação económica e temos de ter um plano. Além da possibilidade de permuta, temos de saber se existe um mecanismo permanente para os pedidos de habitação económica, ou se um agregado familiar pode, ou não, pedir mais uma habitação”, inquiriu.

Já o deputado Nick Lei lembrou, no debate, que apesar de a habitação pública ser suficiente para daqui a cinco anos, “preocupa” o tempo de atribuição das casas. “Mais de metade dos que estão agora em lista de espera candidata-se a um T1, demorando cerca de um ano a ter uma fracção. Se mudarmos para outras tipologias pode demorar até três anos. Podemos reduzir esse tempo de espera?”, questionou.

Lado comercial

Outros dados avançados pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, prendem-se com a residência para idosos. “Atendendo à tendência de envelhecimento demográfico, o Governo encontra-se a explorar o funcionamento da Residência segundo um modelo de exploração comercial, o que constitui uma abordagem inovadora para a promoção da chamada ‘indústria prateada’ e servindo de referência ao desenvolvimento de serviços destinados à terceira idade”, disse. Esta “indústria prateada” destina-se à terceira idade e implica uma série de serviços, foi explicado.

No debate, um responsável do Governo disse que “vão ser avaliados os preços do mercado a fim de ser definida uma renda para as fracções dos idosos”, além de que alguns dos idosos que vivem na Residência recebem apoios dos familiares, disse. O secretário adiantou ainda que o Instituto de Acção Social “encontra-se a proceder à revisão, compilação e análise dos dados relativos à utilização e ao funcionamento da Residência”, sendo que no final do ano passado foi realizado um inquérito. Estudo indica que habitação pública é suficiente para cinco anos

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assegurou ontem que a habitação pública construída, quer social, quer económica, é suficiente para as necessidades populacionais dos próximos cinco anos. É o que aponta um dos dois estudos sobre habitação encomendados pelo Governo.

“Os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos”, declarou Raymond Tam.

Já em relação à habitação intermédia, pensada para a classe média, “não se prevê uma procura acentuada”, disse o governante, tendo em conta os resultados do estudo.

O secretário falou ainda dos resultados de um segundo estudo sobre a possibilidade de permuta na habitação económica, algo que “tem elevado grau de aceitação na sociedade”. “Com base nos resultados do estudo, o Governo da RAEM vai efectuar uma avaliação científica das condições de permuta, do mecanismo de fixação de preços e restrições à sua implementação”, além de “elaborar um plano de implementação de modo a salvaguardar a distribuição equitativa dos recursos públicos”.

A deputada Ella Lei lembrou que persistem “muitas limitações para pedir uma habitação económica e as exigências são muito elevadas”. “Na zona dos novos aterros há cada vez mais habitação económica e temos de ter um plano. Além da possibilidade de permuta, temos de saber se existe um mecanismo permanente para os pedidos de habitação económica, ou se um agregado familiar pode, ou não, pedir mais uma habitação”, inquiriu.

Já o deputado Nick Lei lembrou, no debate, que apesar de a habitação pública ser suficiente para daqui a cinco anos, “preocupa” o tempo de atribuição das casas. “Mais de metade dos que estão agora em lista de espera candidata-se a um T1, demorando cerca de um ano a ter uma fracção. Se mudarmos para outras tipologias pode demorar até três anos. Podemos reduzir esse tempo de espera?”, questionou.

Lado comercial

Outros dados avançados pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, prendem-se com a residência para idosos. “Atendendo à tendência de envelhecimento demográfico, o Governo encontra-se a explorar o funcionamento da Residência segundo um modelo de exploração comercial, o que constitui uma abordagem inovadora para a promoção da chamada ‘indústria prateada’ e servindo de referência ao desenvolvimento de serviços destinados à terceira idade”, disse. Esta “indústria prateada” destina-se à terceira idade e implica uma série de serviços, foi explicado.

No debate, um responsável do Governo disse que “vão ser avaliados os preços do mercado a fim de ser definida uma renda para as fracções dos idosos”, além de que alguns dos idosos que vivem na Residência recebem apoios dos familiares, disse. O secretário adiantou ainda que o Instituto de Acção Social “encontra-se a proceder à revisão, compilação e análise dos dados relativos à utilização e ao funcionamento da Residência”, sendo que no final do ano passado foi realizado um inquérito.

7 Jan 2026

Coloane | Governo promete resolver falhas no abastecimento eléctrico

O deputado Leong Sun Iok denunciou as alegadas falhas no abastecimento de electricidade em algumas zonas rurais de Coloane, referindo que a potência contratada não é suficiente. O Governo fala em 26 mil famílias com uma potência de 3.400 KV, que considera suficiente, e promete resolver questões legislativas relativas à propriedade

Há casas na vila de Coloane com baixa potência de electricidade, onde ligar dois electrodomésticos ao mesmo tempo pode fazer disparar o quadro da luz. A denúncia partiu do deputado Leong Sun Iok numa interpelação oral apresentada ontem na Assembleia Legislativa (AL).

“Tenho recebido queixas dos moradores de bairros antigos das Ilhas, especialmente dos que residem em casas rurais, dizendo que a actual capacidade eléctrica não consegue satisfazer as necessidades dos dias de hoje”, disse. Ainda segundo Leong Sun Iok, os residentes dizem que “a maior parte dos contadores eléctricos foi instalada no século passado e a potência é baixa para os electrodomésticos utilizados na sociedade actual”.

Na resposta ao deputado, o secretário Raymond Tam, com a tutela dos Transportes e Obras Públicas, começou por dizer que “actualmente encontra-se assegurado o abastecimento em todo o território”, embora Leong Sun Iok tenha feito um contraponto, dizendo que “há uma grande discrepância no abastecimento de electricidade”.

O deputado pediu mesmo a Raymond Tam para se deslocar a estas povoações com a sua equipa. “Queria que fosse verificar, in loco, com os funcionários dos serviços da sua tutela para ver essa discrepância.”

Raymond Tam citou dados fornecidos pela CEM – Companhia de Electricidade de Macau, sobre a existência de cerca de 26 mil famílias nestas casas. De frisar que muitas delas têm a propriedade registada em antigos papéis de seda, o que traz problemas de legalização, não permitindo, por vezes, mudar os contratos de luz e água.

“Os serviços competentes têm acompanhado a situação das zonas antigas das ilhas, incluindo onde existem obras ilegais. Trata-se de problemas históricos. Há barracas construídas com betão e cimento e, em princípio, já não existem barracas de madeira. Penso que a potência de 3.400 KV é suficiente”, explicou o secretário, referindo que os gastos de luz e necessidades variam de família para família.

Problema legal

Na sua interpelação oral, o deputado Leong Sun Iok lembrou que “devido a razões históricas, há proprietários de alguns prédios das Ilhas que não viram os seus pedidos aceites para o aumento da potência eléctrica”, pelo que “não conseguiram resolver o problema”.

Raymond Tam assegurou que não vão ser permitidas legalizações de situações ilegais. “Temos uma atitude aberta em relação à revisão legislativa, mas temos primeiro de pensar como vamos prestar serviços a utentes que reúnam as condições. Merece a nossa atenção um pedido de aumento da potência, ou a instalação de um contador de luz e água, sem direito de propriedade? Será que as empresas devem permitir a instalação? Vamos analisar as circunstâncias em que os pedidos devem ser aprovados.”

O secretário disse ainda esperar “que a sociedade compreenda a situação que o Governo enfrenta”. “Não podemos abrir precedentes a casos ilegais”, clarificou.

7 Jan 2026

Sofia Ferreira da Silva, autora de um estudo sobre ópera nos anos de Mao: “Rota da Seda foi a maior influência”

Em “Cantando a Revolução: O Papel das Cancões e da Ópera na Disseminação do Comunismo na China de Mao Zedong”, Sofia Ferreira da Silva analisa a forma como canções e ópera difundiram ideais políticos, deixando marcas no panorama cultural do país. A análise saiu da tese de doutoramento em Estudos Artísticos, defendida pela autora na Universidade Nova de Lisboa

Como era o ambiente musical no país antes da chegada de Mao Zedong ao poder?

A China era, e continua a ser, um território com uma enorme variedade de práticas a nível regional, local e étnico. Podemos falar em quatro tipos principais: uma música de carácter mais erudito, simbolizada pela música de corte (yayue) e pela música para guqin, mais centrada em ideais confucianos e com funções rituais e de auto-cultivo da moral individual; música folclórica, com géneros vocais e instrumentais variáveis conforme a região e a etnia; música religiosa taoísta, budista e de outras crenças; e ópera tradicional, como a Kunqu e as óperas de Pequim, de Sichuan e de Cantão, combinando canto, declamação, movimentos estilizados e artes marciais. A maior influência na música chinesa foi, porventura, a Rota da Seda, pois uma boa parte dos instrumentos musicais que agora são considerados “chineses”, como o erhu, a pipa, a suona e o sanxian, têm origem em instrumentos estrangeiros trazidos para território chinês, e que foram gradualmente adaptados e incorporados na sua música. Por outro lado, alguns géneros narrativos e operáticos evoluíram da adaptação e combinação de congéneres provenientes dos territórios atravessados por esta rota. Não fosse a Rota da Seda, e a música chinesa tradicional seria radicalmente diferente.

Que outras influências existem?

A outra grande influência é a da música ocidental. Esta, apesar de ter entrado no país nos séculos XVI e XVII, fez-se sentir com maior intensidade a partir de meados do século XIX e ao longo do século XX. A crescente presença e influência estrangeira levou à introdução sistemática da notação ocidental, da formação académica em moldes europeus e de géneros de música erudita e popular ocidentais, que viriam a ser assimilados de forma variável por compositores chineses, como Ma Sicong, Li Jinhui ou Xian Xinghai, combinando-as ou não com motivos da música tradicional.

Fala, na tese, de duas grandes mudanças nos anos de Mao, com a criação dos chamados “espectáculos-modelo (yangbanxi)” e as óperas de Pequim revolucionárias. De que forma estes formatos ajudaram a reformular o cenário musical da época?

Os espectáculos-modelo, nos quais se inserem as óperas de Pequim, e as canções revolucionárias, desempenharam um importante papel na reforma do panorama musical maoísta, implicando mudanças não apenas nos estilos musicais, mas também na função social da música. A produção passou a estar inteiramente subordinada ao projecto político do Partido Comunista Chinês (PCC), traduzindo-se na adesão obrigatória de artistas e associações artísticas designadas, e na supressão, através da crítica nos órgãos de comunicação social, de elementos ou géneros musicais considerados “feudais”, “burgueses” ou “supersticiosos”. Por oposição, e acompanhando sucessivos movimentos e campanhas políticas, foram sendo promovidos outros formatos, mais em linha com os ideais do regime.

Como, em termos concretos?

No caso das “yangbanxi”, da Revolução Cultural, o facto de serem apelidadas de “modelo” implicava que todas as novas criações deveriam seguir à risca os preceitos estéticos estabelecidos através destas, sobretudo as regras da “tarefa básica”, com a construção de figuras heroicas revolucionárias como fim último da criação artística. Havia ainda as “Três Proeminências”, com a atribuição de maior ou menor proeminência a determinada personagem consoante o seu grau de positividade ou negatividade, da sua função na trama. Estas regras orientavam não apenas a estrutura narrativa e o papel das personagens, mas também aspectos como a integração entre música e gestualidade, a construção de figurinos e cenários, e a harmonia entre elementos musicais tradicionais e ocidentais. Esta codificação visaria, nesta medida, garantir a uniformidade ideológica e estética essenciais à criação de uma cultura musical controlada, funcional e politicamente eficaz no quadro dos objectivos da revolução.

Quais as principais mensagens políticas transmitidas através destes dois tipos de espectáculos?

A primeira grande ideia é a lealdade quase religiosa a Mao Zedong e a observância incondicional das suas ideias. É o seu pensamento que inspira e guia as acções dos heróis e personagens heroicas, a segunda mais importante categoria de personagens nas óperas revolucionárias, e as conduz à conclusão bem-sucedida da missão que lhes seria imputada ou ao sacrifício heroico em prol da causa comunista. A segunda é a luta de classes como motor da história. Temos, por um lado, a classe opressora, capitalista, imperialista e feudal como vilã, e por outro o povo trabalhador, explorado e oprimido pela primeira, sofredor das maiores tormentas às suas mãos. Os conflitos e situações difíceis atravessadas pelos heróis ou outras personagens positivas, como a morte de familiares, a prisão ou escravidão, eram sempre a expressão directa dessa luta, e a sua resolução só adviria da postura revolucionária e da assunção de um papel activo na construção do socialismo.

E a terceira ideia presente nos espectáculos?

Trata-se do colectivismo, pois um verdadeiro revolucionário coloca os interesses do Partido e do Povo acima de qualquer sonho ou desejo individual. Por mais destacado que seja o seu papel, o herói precisa do apoio popular para a conclusão da sua missão: as suas aspirações são as aspirações do povo, e é na solidariedade entre todos que se superam as dificuldades e se alcança a tão desejada harmonia socialista. A realização pessoal só tem valor se estiver ao serviço da causa colectiva, e o sacrifício individual é glorificado quando contribui para o progresso comum. As óperas promovem, nesta medida, uma visão de mundo onde a identidade individual se dissolve na identidade do colectivo revolucionário, e onde a participação activa das massas é não só desejável, mas necessária.

Estes foram anos do chamado maoísmo cultural, como refere na tese. Como se caracteriza?

O maoísmo cultural apresenta pontos de contacto no que toca à subordinação da arte à política, à valorização do quotidiano das massas como matéria-prima da criação e à defesa da sua ampla popularização. Contudo, distingue-se pela ênfase na proletarização do próprio artista, que deveria abandonar a sua posição de intelectual afastado e tornar-se membro activo do povo trabalhador, aprendendo através da prática e inserindo-se nas suas lutas quotidianas.

Quais as principais influências deste movimento?

Além da matriz marxista-leninista, o maoísmo cultural ficaria marcado por influências confucianas, atribuindo à arte uma função ética e formativa, pois tal como em Confúcio, Mêncio ou Xunzi, a arte moldava o carácter. No entanto, no contexto maoista, esta moldagem era canalizada para a construção da consciência socialista e para a erradicação dos vestígios da mentalidade burguesa. Um dos princípios centrais desta política foi a “linha de massas”, uma espécie de dinâmica cultural circular em que as ideias e expressões populares eram recolhidas e sistematizadas pelo Partido, antes de serem devolvidas ao povo de forma mais clara e politicamente orientada. Outro aspecto a considerar é a valorização da herança cultural nativa e estrangeira, condensada na máxima “usar o passado para servir o presente, usar o estrangeiro para servir a China”.

De que forma?

Para a criação de novos trabalhos artísticos, Mao recomendava o estudo inicial de obras ocidentais, tidas como “científicas” e tecnicamente superiores, antes da incorporação selectiva de elementos da tradição chinesa. Em ambos os casos, o valor das formas artísticas residia na sua função social e política, não na sua preservação enquanto património. Neste contexto, o líder do PCC propôs dois critérios para a avaliação artística: o político, que exigia a promoção da unidade nacional e a rejeição de ideias contrárias ao Partido; e o artístico, que pressupunha rigor técnico e estético seguindo uma noção abstrata de “critérios científicos da arte” ao serviço das massas. Esta dupla exigência substituía, no maoísmo, a distinção confuciana entre qualidade moral e qualidade estética.

Nestes anos, quais foram as grandes influências na composição de canções?

A composição de canções foi grandemente influenciada por duas grandes tradições musicais: a nativa, com o emprego de melodias e motivos regionais e das várias minorias étnicas que compõem o território; e a ocidental, na qual incluo a tradição musical soviética, mais visível em marchas e nas chamadas “canções artísticas”, que poderão ser entendidas como uma espécie de ‘lieder’ revolucionários ou de conteúdo altamente politizado. A influência de cada uma delas era mais ou menos visível consoante a situação política do território.

De que forma os anos do “maoísmo cultural” alteraram o panorama musical do país?

Alguns aspectos da produção das óperas da Revolução Cultural, como a introdução da orquestra ocidental e o emprego de técnicas provenientes da música ocidental, a incorporação de cenários mais realistas e o carácter melodramático das histórias influenciaram e continuam a influenciar a produção de novas óperas de Pequim, sobretudo as de temáticas contemporâneas ou históricas referentes ao séc. XX. Ao longo dos últimos 30 anos, têm vindo também a ser produzidas óperas de temas históricos com alguns destes elementos, sobretudo ao nível da música e cenários, como “Cao Cao e Yang Xiu”. Também na interpretação de óperas tradicionais se observam alguns resquícios deste período, especialmente na apresentação de árias ou excertos em programas televisivos. Vejo inúmeras representações que combinam, assim como no repertório revolucionário, arranjos com orquestra ocidental e cenários realistas, com recurso extensivo a novas tecnologias. No entanto, aquele que considero ser o maior resquício das óperas revolucionárias será, talvez, uma maior audácia artística da parte dos criadores de novas óperas. É uma questão que merece maior aprofundamento por parte da academia, mas, das minhas observações enquanto espectadora, noto uma maior abertura à incorporação de elementos de outras artes, como a dança e o teatro, e uma maior complexidade nas personagens, especialmente aquelas consideradas negativas, menos antagónicas, com mais nuances no que toca às motivações para agirem de determinada forma. É óbvio que o sofrimento psicológico infligido por estas óperas em toda uma geração de chineses é inegável e não pode, em circunstância alguma, ser esquecido; no entanto, as óperas-modelo impulsionaram o ímpeto criativo de compositores e libretistas, em linha com o processo evolutivo, de fusão com outras artes, da Ópera de Pequim ao longo dos séculos.

7 Jan 2026

Cinemateca Paixão | “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” em exibição este mês

A Cinemateca Paixão apresenta, a 13 de Janeiro, a versão restaurada de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, obra protagonizada pela actriz Audrey Tautou. Estreado em 2001, o filme conta a história de uma mulher sonhadora que decide transformar a vida dos outros com pequenos gestos

Está a chegar à sala da Cinemateca Paixão um filme de 2001 que já pode ser considerado um clássico do cinema. Apesar de ser de 2001, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, do realizador francês Jean-Pierre Jeunet fez tanto sucesso que ganhou recentemente direito a ter uma cópia restaurada. Há quatro sessões disponíveis para ver na Cinemateca Paixão, sendo que a primeira está marcada para o dia 13, a partir das 19h30.

Amélie Poulain é uma mulher que sonha como uma menina, e que vive no bairro parisiense de Montmartre. O dia-a-dia é passado a observar os pequenos prazeres da vida e a viver um quotidiano algo solitário, ocupando os dias com diálogos com os vizinhos ou no café onde trabalha. Porém, um dia, decide começar uma missão secreta, tentando transformar as vidas das pessoas que a rodeiam através de pequenos gestos que podem trazer felicidade a quem está infeliz. Nesse percurso, Amélie acaba por se cruzar com diversos personagens e por se apaixonar. É então que decide dar-se a conhecer ao rapaz de uma forma diferente, criando uma espécie de jogo com diversas pistas que ele tem de seguir.

Além de ter Audrey Tautou como protagonista, o elenco do filme compõe-se de nomes como Mathieu Kassovitz, Rufus, Lorella Cravotta, Serge Merlin, Jamel Debbouze e Clotilde Mollet. Aquando da estreia, o filme foi nomeado para cinco Óscares, tendo ganho o prémio César na categoria de Melhor Realização, distinção atribuída pela Academia Francesa de Cinema.

Música inesquecível

O filme ficou também na memória de muitos devido à sua banda sonora, com assinatura de Yann Tiersen. A música do compositor, muito centrada em instrumentos como o acordeão e piano, acabou por assentar que nem uma luva numa história cheia de sonhos, amor e fantasia. Porém, numa entrevista ao jornal The Independent em 2019, Yann Tiersen acabaria por confessar que o trabalho em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” foi negativo para a carreira. “Teve um impacto mais negativo do que positivo. A primeira vez que vi o filme foi no cinema – não quis ir à estreia – e lembro-me de ter sentido algo muito pessoal e estranho. Se me pedissem para fazê-lo novamente, diria não”.

Audrey Tautou, que ficaria mundialmente conhecida com este filme, disse que teve muitas dificuldades em lidar com a fama e o reconhecimento do público. “Não encontro felicidade no facto de ser reconhecida”, disse à revista Paris Match em Junho de 2025.
“Estava constantemente numa espécie de vigilância para evitar o olhar das pessoas. Usava estratagemas para sair de férias sem ser seguida, andava com a cabeça baixa, sentava-me sempre de costas no restaurante. Outros encontram felicidade no facto de serem reconhecidos, mas eu não. Prefiro olhar do que ser olhada.”

O filme faz parte da secção da Cinemateca “Excelência Clássica”, mas em “Encantos de Janeiro” há ainda espaço para exibir “The History of Sound”, filme de Oliver Hermanus. A primeira sessão acontece amanhã, a partir das 19h30, com repetições nos dias 11, 15 e 17 deste mês.

Trata-se de um drama romântico histórico baseado no conto homónimo de Ben Shattuck. A história centra-se nas vidas dos jovens Lionel e David, que se encontram em 2016 e, novamente, no Verão de 2019, viajando juntos para gravar canções populares da região rural norte-americana da Nova Inglaterra.

6 Jan 2026

Habitação para troca | Prometido alargamento de políticas

Raymond Tam revelou ontem que o Executivo está a estudar o alargamento da aplicação da habitação para troca e da habitação para alojamento temporário”, nos empreendimentos já construídos. Na primeira reunião do ano do Conselho para a Renovação Urbana, foi ainda prometida a reconstrução de mais edifícios antigos

Na primeira reunião plenária de 2026 do Conselho para a Renovação Urbana (CRU), que decorreu ontem, o Governo prometeu alargar a aplicação das políticas de habitação para troca e alojamento temporário. Citado por um comunicado do CRU, Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, declarou que “será aprofundado o estudo sobre o alargamento do âmbito de aplicação da habitação para troca e da habitação para alojamento temporário, já concluídas”. O objectivo desta medida é “assegurar a utilização racional dos recursos existentes e a ponderar, com prudência, novas formas de promover a renovação urbana”, mas o governante não adiantou mais detalhes.

Recorde-se que o primeiro projecto de habitação para troca foi concluído em Março do ano passado, tendo surgido no âmbito do processo do empreendimento Pearl Horizon. Tratou-se de uma concessão cujo prazo chegou ao fim sem que as obras tenham sido concluídas.

No que diz respeito à renovação de prédios antigos no bairro do Iao Hon, o governante deixou a promessa de continuar a realizar a reconstrução dos chamados “Sete Conjuntos de Prédios do Bairro Iao Hon” antigos. Além disso, o secretário prometeu que em 2026 “será igualmente reforçada a reconstrução de edifícios individuais”, além de se promover o aumento “de instalações públicas nos bairros antigos”.

Raymond Tam declarou também na reunião do CRU que “a renovação urbana constitui uma prioridade para o Governo, estando os trabalhos a ser desenvolvidos de forma estável”.

Discutir e dinamizar

A reunião desta segunda-feira serviu também para ouvir os três grupos especializados ligados a este organismo, que fizeram “o ponto da situação sobre o andamento dos seus trabalhos”. A reunião serviu ainda para discutir “o mecanismo de longo prazo referente à habitação para troca e à habitação para alojamento temporário”.

Os membros do CRU discutiram a necessidade de “promoção pragmática da renovação urbana através da optimização administrativa”, bem como da importância da “dinamização dos bairros comunitários através do seu embelezamento, com vista à melhoria da qualidade de vida dos residentes”.

6 Jan 2026

IAS | Criado apoio de creches gratuitas para famílias vulneráveis

O Instituto de Acção Social (IAS) acaba de criar o “Regime de Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, em parceria com 30 creches, e cujas inscrições começam a 12 de Janeiro. Segundo um comunicado divulgado pelo IAS, o regime pretende “prestar serviços de creches subsidiadas, de forma gratuita, para crianças de famílias com dificuldades económicas e privadas de condições de serem cuidadas pela sua família”.

As crianças devem ser residentes da RAEM e ter menos de três anos, além de estarem em famílias monoparentais, com membros deficientes, doentes crónicos, ou compostas apenas por avós e netos.

Estão ainda incluídas famílias que sejam beneficiárias do subsídio regular do IAS. Para concorrerem ao apoio, as famílias compostas por duas pessoas não devem ter um rendimento mensal superior a 19.975 patacas, enquanto que no caso de uma família com oito ou mais pessoas, o rendimento por mês não deve ir além das 50.675 patacas. O prazo de candidaturas termina dia 23 de Janeiro.

6 Jan 2026

Presidenciais | Neto Valente e Jorge Fão na campanha de Seguro

Jorge Neto Valente, advogado e presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM), e Jorge Fão, membro da direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), estão ligados à campanha de António José Seguro, que concorre a Presidente da República em Portugal.

A associação do nome de Neto Valente a esta campanha foi noticiada pela TDM, que destaca que o advogado, e ex-presidente da Associação de Advogados de Macau, tinha sido no passado mandatário nas campanhas de Mário Soares e Jorge Sampaio, que acabaram eleitos para o cargo de Presidente da República. Ainda segundo a TDM, todos os nomes da comissão de honra desta campanha devem ser divulgados “nas próximas horas”.

A Jorge Fão coube o cargo de director da campanha. Numa carta enviada às redacções, o responsável destaca que António José Seguro representa “uma candidatura de maturidade, responsabilidade de visão histórica”, não se tratando de “uma presidência ornamental, de confronto ou de espectáculo”. Fão descreve ainda que “deve haver um equilíbrio de forças” no campo político em Portugal”, não ignorando a importância de haver “bons freios e contra-pesos, sob pena de se resvalar para uma sociedade autocrática”.

O dirigente da APOMAC refere ainda que o Presidente da República deve ter “integridade, empatia e uma estrutura moral inquestionável, além da capacidade de agregação, e não de divisão e muito menos de incitação ao ódio”.

As eleições para o cargo de Presidente da República decorrem no dia 18 deste mês, destacando-se na mesma carta que “os portugueses residentes em Macau e Hong Kong não devem deixar de exercer o seu direito de voto”. O processo eleitoral começa no dia 17, entre as 8h e as 19h, devendo ser apresentado o Cartão de Cidadão ou Bilhete de Identidade Nacional.

5 Jan 2026

Passagem de ano | Festas na rua e concertos para encerrar 2025

Macau e Hong Kong vão estar ao rubro esta noite com celebrações que darão as boas-vindas a 2026. Desde concertos gratuitos junto à Praça do Lago Sai Van e nas Casas-Museu da Taipa, a espectáculos no Cotai e à actuação de Mariza no Centro Cultural de Macau, não faltam opções para todos os gostos

Está aí o fim de 2025, e se uns optam por uma celebração mais caseira, haverá muita gente disposta a ir para a rua divertir-se na companhia de amigos e com muita música à mistura. Com opções pagas e gratuitas, Macau e Hong Kong acolhem uma série de opções para vários gostos.

Uma das iniciativas parte do Instituto Cultural (IC) e já é uma tradição. O fecho de 2025 celebra-se junto à Praça do Lago Sai Van a partir das 22h, e a partir das 21h nas Casas-Museu da Taipa, com o “Concerto de Passagem de Ano – Macau 2025” e a “Festa de Passagem de Ano – Taipa 2025”.

No concerto do lado da península actuam diversos cantores e grupos musicais, entre as 22h e as 00h10, nomeadamente a cantora de Hong Kong Panther Chan, e a banda rock Dear Jane. Há ainda um elenco de artistas locais como Soler, Filipe Tou, KC Ao Ieong, winifai, Jenny, thetiredeyes e Initial B, “que irão alternar [actuações] para apresentar uma gama diversificada de música para celebrar uma deslumbrante véspera de Ano Novo”, descreve o IC.

No caso desta actuação na Praça do Lago Sai Van, destaca-se o chão do palco, que contará “com um ecrã electrónico combinado com iluminação e efeitos visuais, proporcionando uma experiência visual totalmente nova”. “Toda a actuação será apresentada num formato teatral adaptado a cada sessão, que transmite, através de narrativas, os desejos para o ano vindouro e reflecte as facetas emocionantes da cidade”, acrescenta o IC.

Em relação aos concertos nas Casas-Museu da Taipa, o tema será “Integração Multicultural”, podendo o público ver actuações de FIDA, Tuna Macaense, Bossa Eva e João Gomes & Band e Karen Tong, cantora de Hong Kong.

Além disso, haverá actuações do Bollywood Dreams Group, de Victor Kumar, e dos grupos de dança filipina da Associação Bisdak de Macau e de dança birmanense e vietnamita de Macau. O cartaz fica completo com as apresentações de magia pelo mágico Jason Fong.
A partir das 20h30, e até às 23h30, haverá expositores culturais das comunidades locais das Filipinas, Índia, Mianmar e Vietname, que visam promover a gastronomia e cultura dos seus países.

Mariza no CCM

Outro dos grandes destaques para encerrar o ano é a actuação da fadista Mariza no Centro Cultural de Macau (CCM) a partir das 20h, ao lado da Orquestra de Macau. “Mariza, a Rainha do Fado e a Orquestra de Macau (OM)” é o nome atribuído ao concerto onde a fadista vai interpretar, “com a sua voz profundamente emotiva, uma selecção de fados icónicos, proporcionando ao público uma experiência musical que transcende géneros e fronteiras espaciais e temporais”.

A portuguesa é descrita “como uma das maiores estrelas internacionais do Fado, sendo reconhecida pelo seu estilo musical próprio, que incorpora elementos de soul, jazz e gospel”.

Olhando para o Cotai, as operadoras de jogo apostaram forte nos programas de fim de ano. A sala de espectáculos Venetian Arena acolhe o terceiro e último de uma série de concertos de Jason Zhang, que começaram na segunda-feira. Os bilhetes variam entre as 680 patacas e as 2.580 patacas, no caso dos lugares VIP.

Jason Zhang Jie nasceu em 1982 na China e estreou-se na competição “My Show”, em 2004, tendo-se sagrado vencedor, o que lhe deu acesso a um contrato com a Universal Music China. No final de 2023 já contava com 15 álbuns gravados e um total de 87 concertos na sua carreira. Ainda no Venetian, bem como no The Parisian Macao e The Londoner, haverá fogo de artifício, com a tradicional contagem decrescente até à entrada em 2026. O evento “Sands New Year’s Eve Countdown Extravaganza” começa com música às 21h30.

Tal como a Sands China, também a operadora de jogo Galaxy fez os seus planos para encerrar o ano em grande estilo, nomeadamente nos empreendimentos Andaz Macau, Long Bar e Pony & Plume. A festa faz-se com actuações de Djs e promessa de bebidas à discrição.
Para quem pretende algo diferente e, ao mesmo tempo, temático, haverá no The Ritz-Carlton Bar and Lounge a festa “La Nuit Rouge Countdown Party”, com cabaret francês e música ao vivo.

Air Supply em Hong Kong

Ir a Hong Kong para fechar o ano de 2025 também pode ser uma opção. Para começar, um dos centros de animação será a zona pedonal da Chater Road, em Central.

No portal do Hong Kong Tourism Board, lê-se que o público pode desfrutar “de um novo formato de performances de música ao vivo combinado com espectáculos de luz”, nomeadamente da banda Air Supply, que farão “uma actuação especial com os seus êxitos clássicos intemporais”. O duo australiano, formado em 1975, já leva 50 anos de carreira na bagagem e tem canções bem conhecidas como “All Out of Love”, “Making Love Out of Nothing at All” e “Lost in Love”.

Nesta noite de fim de ano actuam também os artistas de Hong Kong Jay Fung e Cloud Wan. Não faltarão um coro infantil e a Banda da Polícia de Hong Kong para dar as boas vindas a 2026. As actuações começam às 23h28.

Outra contagem decrescente está marcada na zona de Kowloon, na WestK Christmas Town 2025. O público pode assistir a concertos dos On Chan, Kandy Wong, The Hertz, Nowhere Boys, DJ P-Chef e Hong Kong Arts Without Boundaries Foundation, com localização na WestK Christmas Lane [Harbourside East Lawn, Art Park], tendo como pano de fundo o Victoria Harbour. A festa prolonga-se depois da meia-noite. Ainda com resquícios do Natal, o público poderá ver e fotografar a árvore que está na WestK Christmas Town 2025 e que tem 12 metros de altura.

31 Dez 2025

Turismo | Excursionistas chineses com quebra de quase 24%

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou ontem que o número de excursionistas registou uma quebra anual de 12,5 por cento em Novembro, para um total de 191.000.

Destaque para o facto de o número de entradas de visitantes em excursões provenientes do Interior da China, 148.000, ter descido em Novembro 23,7 por cento, enquanto o de visitantes internacionais em excursões, 28.000, cresceu 33,8 por cento.

No final de Novembro, Macau tinha um parque hoteleiro com 147 unidades, apenas mais um face a Novembro de 2024, que disponibilizaram 45.000 quartos de hóspedes, mais 3,5 por cento. A taxa de ocupação nesse mês fixou-se nos 90,2 por cento, sendo que a taxa de ocupação dos hotéis de 5 estrelas, de 94 por cento, subiu 2,5 pontos percentuais, ao passo que a dos hotéis de 4 estrelas (84,6 por cento) e a dos hotéis de 3 estrelas (84,3 por cento) diminuíram 1,2 e 3,1 pontos percentuais, respectivamente.

31 Dez 2025

Casamentos | Si Ka Lon quer que Macau seja como Las Vegas

O deputado Si Ka Lon defende que Macau deveria apostar na indústria de casamentos para fins turísticos, à semelhança do que acontece em Las Vegas.

Numa interpelação oral apresentada ao Governo, e que terá resposta no hemiciclo na próxima semana, o deputado defende que “o ‘destino de casamentos’ é um dos rumos para o desenvolvimento da indústria do turismo”. Si Ka Lon pergunta se as autoridades locais vão “tomar como referência as experiências bem-sucedidas de Las Vegas ou Hong Kong, permitindo o registo de casamento em Macau, independentemente do local de residência ou da nacionalidade dos nubentes, com vista a explorar o mercado do ‘turismo de casamentos'”.

Na visão do deputado, o Executivo pode “aproveitar as vantagens e singularidades de Macau”, apostando na promoção de “planos para as cerimónias de casamento ao ar livre, a fim de aumentar competitividade dos produtos turísticos do casamento de Macau e criar um novo cartão-de-visita para a cidade”.

31 Dez 2025

Transportes | Proporção de novos veículos eléctricos aumenta

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que o número de veículos eléctricos que circulam em Macau tem registado uma subida. Nos primeiros 11 meses de 2025 registaram-se 10.060 veículos com matrículas novas, 3.733 destes eram eléctricos, representando uma fatia de 37,1 por cento de todas as matrículas novas. Esta proporção de veículos eléctricos apresenta um crescimento de 6,3 por cento, face aos primeiros 11 meses de 2024.

Em relação aos carros com matrículas novas, registou-se uma quebra de 15,2 por cento face a igual período de 2024. Ainda assim, no final de Novembro havia 254.055 veículos matriculados na RAEM, mais 0,5 por cento face ao final do idêntico mês de 2024.

Os dados da DSEC revelam ainda a ocorrência de 1.215 acidentes de viação em Novembro, uma quebra anual de 14,2 por cento, com 395 feridos registados. Mas em 11 meses, o número de acidentes de viação foi de 13.578, verificando-se quatro vítimas mortais e 4.983 feridos.

Quanto ao movimento de transportes transfronteiriços, o de automóveis nos postos fronteiriços totalizou 958.605 em Novembro do corrente ano, mais 15,1 por cento em termos anuais. Nos onze primeiros meses de 2025, o movimento de automóveis nos postos fronteiriços (10.136.209) aumentou 21,5 por cento em termos anuais.

31 Dez 2025

Metro Ligeiro | Deputada questiona gestão e conexão com autocarros

Wong Kit Cheng questionou o Governo sobre a integração dos meios de pagamento entre o Metro Ligeiro e os autocarros públicos. A deputada quer também saber quando será lançada a consulta pública sobre o desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro

O desenvolvimento do Metro Ligeiro é o tema de mais uma interpelação escrita da autoria de Wong Kit Cheng. No documento, a deputada questiona como será definido o planeamento deste meio de transporte sem esquecer a conexão com a rede de autocarros, cujos contratos de concessão terminam no final de 2026.

“É importante proporcionar uma experiência de utilização conveniente [aos passageiros]. Tendo em conta que os contratos de autocarros expiram no final do próximo ano, será que o Governo já iniciou negociações sobre os contratos com as duas companhias de autocarros, de modo a integrar um sistema de benefícios?”, começa por inquirir a deputada.

A pergunta surge no âmbito da promessa feita pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, quanto à instalação de novos terminais de pagamento nas estações do Metro Ligeiro que podem estar conectados aos autocarros, a fim de permitir diversas modalidades de pagamento.

Mais concretamente, Wong Kit Cheng gostaria que os novos contratos de autocarros incluíssem a conexão dos meios de pagamento tendo em conta a instalação dos novos terminais.

Para a deputada, “há ainda uma grande margem de melhoria” na distribuição de passageiros entre os dois meios de transporte público, destacando que houve um “crescimento significativo” de passageiros no Metro Ligeiro, estando ainda aquém “dos mais de 600 mil passageiros servidos diariamente pelos autocarros”.

Assim, “para concretizar o objectivo do Metro Ligeiro como principal meio de transporte, e os autocarros como complemento”, Wong Kit Cheng considera que “as autoridades precisam de optimizar a experiência dos passageiros, em especial no que respeita à resolução de problemas de longa data, tal como os métodos de pagamento do Metro Ligeiro, uma maior articulação de transferências e a resolução de avarias, além de se melhorar a acessibilidade de linhas e estações”.

Avaliações em curso

Ainda no que respeita o futuro do Metro Ligeiro, Wong Kit Cheng pediu um “ponto de situação” da avaliação intercalar que o Executivo está a fazer em relação à execução do contrato de concessão. “Qual o ponto de situação desses trabalhos de avaliação?

Já existem resultados preliminares ou recomendações de optimização, nomeadamente no que respeita à melhoria da qualidade e da estabilidade do serviço?”, inquiriu.

A deputada pegou ainda noutra promessa feita no último debate sobre as Linhas de Acção Governativa pelo secretário Raymond Tam, quanto à realização de uma consulta pública sobre o estudo da estratégia de desenvolvimento do Metro Ligeiro. “Como será organizada essa consulta pública”, questiona.

31 Dez 2025

CCM | “A Viagem de um Solista”, um concerto para ver e ouvir hoje

O Estúdio II do Centro Cultural de Macau acolhe hoje um espectáculo de música clássica protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau. “Música Chinesa 360º: A Viagem de um Solista” conta com a presença de Kin Szeto, um jovem maestro de Hong Kong

Uma experiência sonora, imersão dos sentidos e uma forma de passar os últimos dias do ano rodeado de música: todos os argumentos são bons para assistir hoje, no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM), ao concerto protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau (OCM).

“Música Chinesa 360º: A Viagem de um Solista” começa às 19h45 e conta com a participação do jovem maestro de Hong Kong Kin Szeto.
Segundo a sinopse do concerto, trata-se aqui de um espectáculo que promete romper “com o formato tradicional de concerto, oferecendo uma experiência única e imersiva”, “uma nova forma de ouvir música chinesa: estar dentro da orquestra”, lê-se no cartaz do espectáculo, cujos bilhetes têm um custo de 150 patacas.

“Além de apresentar obras clássicas da música chinesa, proporciona-se ao público um efeito sonoro envolvente a 360 graus, permitindo sentir o diálogo e a ressonância entre os instrumentos através de arranjos inovadores”, acrescenta-se na apresentação da OCM.

A OCM descreve ainda que o público pode “deixar-se envolver pela vastidão da música chinesa”, ficando a promessa de que Kin Szeto, “vencedor de concursos internacionais de direcção de orquestra, irá conduzir a orquestra com o seu domínio técnico e estilo enérgico, explorando toda a riqueza da música chinesa”.

Uma carreira longa

Kin Szeto doutorou-se em Artes Musicais e regência de orquestra na University of Cincinnati College-Conservatory of Music, com orientação de Mark Gibson, e uma bolsa que lhe cobriu a totalidade dos estudos. Anteriormente fez um mestrado em Nova Iorque, no Ithaca College.

O jovem de Hong Kong venceu o prémio do Concurso de Regentes de Orquestra de 2022, na Roménia, tendo-se estreado na Europa com a Orquestra Filarmónica de Brasov.

Nos Estados Unidos, Kin Szeto desempenhou diversos cargos musicais, como maestro convidado e assistente e também director musical. Além disso, o maestro é intérprete de erhu, instrumento de música tradicional chinesa. Foi músico na Orquestra Chinesa de Hong Kong entre 2011 e 2016, tendo sido depois regente da orquestra.

Mais música em Janeiro

Destaca-se ainda a realização de um concerto protagonizado pela OCM em Janeiro, no dia 16, com início agendado para as 19h45. Intitula-se “Dawn Breaks” e conta com Liao Yuan-Yu como maestro e os músicos Lin Jie, intérprete de ruan, instrumento tradicional chinês; e ainda Hou Guangyu, que estará em palco a tocar um dizi.

O programa integra composições como “Bamboo Reverie”, de Li Jiaying, tocada pela orquestra juntamente com o dizi; “Formation Break: Contempo”, de JunYi Chow; e ainda “Macau Impressions”, uma obra encomendada e composta por Zhao Jiping.
Segundo a sinopse do concerto, o maestro da OCM irá “conduzir o público através de uma empolgante jornada artística, desde os primeiros lampejos de inspiração”.

“O concerto contará com Hou Guangyu, renomado flautista de bambu, que irá interpretar o concerto para flauta ‘Bamboo Reverie’. Já Lin Jie, chefe do naipe de ruan da Orquestra, irá interpretar, juntamente com a Orquestra, ‘Ode to the Sun’, obra que revela a força da alegria e do encorajamento”, lê-se.

30 Dez 2025

Jogo | Melco recebe autorização para operar três salas Mocha

A Melco obteve autorização do Governo para operar três salas de jogo Mocha no Porto Interior, Hotel Golden Dragon e Hotel Sintra. Para assegurar o funcionamento dos espaços, a Melco terá de contratar uma entidade gestora

O Governo concedeu autorização à operadora de jogo Melco para manter três salas de máquinas de jogo a funcionar. Tratam-se das salas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, sendo que, para a sua continuidade, a Melco terá de contratar uma sociedade gestora.

A decisão surge no contexto do fim do período transitório de três anos, dados às concessionárias de jogo para assumirem a exploração dos casinos-satélite. O prazo termina amanhã.

Segundo um comunicado da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), “a Melco irá contratar uma sociedade gestora para dar continuidade à exploração das salas de máquinas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, a partir de 1 de Janeiro de 2026, mantendo o vínculo laboral estabelecido entre a Melco e os trabalhadores das mesmas salas de máquinas de jogo”.

Mudanças no hotel

A DICJ referiu também que o encerramento do Mocha Hotel Royal, que cessou oficialmente operações às 23h59 de domingo, decorreu “em conformidade com os procedimentos previstos”. Esta sala de jogos de máquinas também estava afecta à Melco Resorts.

De seguida, a DICJ, a quem coube a coordenação do encerramento, “procedeu, de imediato, à suspensão do funcionamento das máquinas de jogo, tendo assegurado a coordenação, com diversos serviços, e o acompanhamento do processo de retirada do respectivo recinto, entre outros”.

Tendo em conta que houve trabalhadores envolvidos no processo, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais “enviou pessoal ao local para prestar esclarecimentos aos trabalhadores em causa, tendo-lhes sido fornecidas informações sobre uma linha aberta para consultas”.

Na mesma nota, a DICJ explicita que vai continuar “a assegurar a coordenação estabelecida com as concessionárias de exploração de jogos de fortuna ou azar e os serviços competentes, promovendo em conjunto o desenvolvimento saudável e ordenado do sector do jogo de Macau”.

30 Dez 2025

Cinemateca Paixão | “Batalha Atrás de Batalha” para ver no último dia do ano

O novo filme de Paul Thomas Anderson, “Batalha Atrás de Batalha”, será exibido na Cinemateca Paixão no último dia de 2025. Em Janeiro, a agenda cinematográfica vai incluir o mais recente filme de Pedro Almodóvar, “The Room Next Door” e o novo filme da realizadora local Tracy Choi

Num cenário distópico que, no fundo, não é tão diferente do que vivemos actualmente, habitam pessoas como Perfidia Beverly Hills, uma mulher revolucionária que busca uma vida mais justa para todos. Perfidia mantém uma relação com outro revolucionário, Bob Anderson, com quem tem uma filha, até que um dia tudo corre mal e Perfidia vê-se obrigada a esconder-se de tudo e todos, deixando a filha com o pai. Pelo meio, há um militar que vai dedicar a sua vida a perseguir este homem e a filha.

Eis a sinopse do filme “Batalha Atrás de Batalha”, de Paul Thomas Anderson, que em quase três horas não só conta uma história como analisa os tempos actuais em que vivemos, abordando temas como a imigração, a justiça social, as lutas raciais e a utopia de um mundo melhor. É com este filme que a Cinemateca Paixão fecha o ano de 2025, com uma única exibição na quarta-feira, 31, a partir das 19h30, bem a tempo de sair do cinema e ir festejar a chegada de 2026.

Mas os últimos dias do ano guardam também outro “cartucho” cinematográfico, com a exibição de “Die My Love”, exibido amanhã, a partir das 19h30. Já o primeiro dia do ano traz “Flow – À Deriva”, que ganhou o Óscar de Melhor Filme de Animação e que conta a história de um gatinho que luta pela sobrevivência num mundo que está a mudar rapidamente.

No dia 1 de Janeiro pode também ver-se “A Useful Ghost”, a primeira longa-metrgem do realizador tailandês Ratchapoom Boonbunchachoke, que causou sensação no Festival de Cinema de Cannes, ganhando o Grande Prémio da Semana da Crítica. Este filme volta a exibir-se nos dias 4, 10 e 14 de Janeiro.

Almodóvar em inglês

A programação da Cinemateca Paixão para Janeiro, intitulada “Encantos de Janeiro”, traz ainda o mais recente filme do realizador espanhol Pedro Almodóvar, e também o seu primeiro filme em inglês. “The Room Next Door” tem Julianne Moore e Tilda Swinton nos principais papéis e é um filme que celebra temas como a amizade, o sentido da vida e a eutanásia. A história começa quando uma das mulheres, ao saber que sofre de uma doença terminal, decide refugiar-se numa casa e pedir a uma amiga de longa data para cuidar de si até ao inevitável fim. O público tem ainda uma sessão disponível no dia 10 de Janeiro.

No dia 3 de Janeiro a Cinemateca Paixão exibe o documentário “Four Trails”, do realizador Robin Lee, e que é uma celebração da natureza que Hong Kong tem além do rebuliço da cidade. Esta é a história real de Andre Blumberg, que em 2012 impôs a si mesmo o desafio de fazer os quatro trilhos de grande distância de Hong Kong em apenas 72 horas, o que se traduz em 298 quilómetros. Trata-se de uma das maratonas mais difíceis do mundo, com o nome Hong Kong Four Trails Ultra Challenge.

O novo de Tracy Choi

Outro grande destaque da Cinemateca Paixão para os primeiros dias do novo ano é a possibilidade de ver o novo filme da realizadora local Tracy Choi. “Girlfriends” tem exibições nos dias 6 e 24 de Janeiro, depois de o filme ter estreado a nível mundial no Festival Internacional de Cinema de Busan, ao integrar a secção “Vision Asia”. Elizabeth Tang, actriz do filme, foi nomeada para o prémio de Melhr Actriz Secundária nos 62º Golden Horse Awards, os prémios de cinema de Taiwan.

“Girlfriends” é sobre uma menina que se vai fazendo mulher através de três histórias de amor passadas aos 17 anos, 22 e aos 34 anos, quando já tem outra maturidade. Trata-se de uma jornada em busca do amor. Tracy Choi tem feito um aclamado percurso no cinema desde que estreou “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem.

29 Dez 2025

Desemprego | Taxas global e de residentes sem alterações

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que a taxa de desemprego, em termos globais, foi de 1,7 por cento entre os meses de Setembro e Novembro; enquanto a taxa de desemprego dos residentes se fixou, no mesmo período, em 2,3 por cento. Trata-se, segundo um comunicado da DSEC, das mesmas taxas face aos meses de Agosto a Outubro deste ano.

A DSEC destaca que o número de residentes desempregados foi de 6.700, sendo que a maioria dos que procuravam emprego “trabalhou anteriormente nos ramos do comércio a retalho e das lotarias e outros jogos de aposta”. Destaca-se também uma subida de 0,5 por cento nos residentes à procura do primeiro emprego, categoria que representa 14,4 por cento dos desempregados com estatuto de residente, também nos meses de Setembro a Novembro.

Outro dado anunciado diz respeito ao número de residentes subempregados, 5.900, “salientando-se que a maior parte pertencia ao ramo das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas, ao ramo dos transportes e armazenagem e ao ramo do comércio a retalho”.

De acordo com as estimativas preliminares dos registos de migração, o número médio de residentes da RAEM e trabalhadores não-residentes, que trabalhavam na RAEM mas viviam no exterior, foi estimado em cerca de 109.300 no período de referência. A mão-de-obra total, composta por estes indivíduos e pela população activa que vivia na RAEM (385.600), era de 494.900 pessoas, mais 2.700, face ao período anterior.

29 Dez 2025

Grande Baía | Plano de estágios de medicina com 25 vagas para residentes

Estão abertas, até 5 de Janeiro, as candidaturas para o “Plano de Estágio para Jovens Médicos de Macau na Grande Baía”, que irá incluir formação em medicina tradicional chinesa e dentária. O plano assenta em parcerias com quatro hospitais da Grande Baía

Está a decorrer o prazo de candidaturas para a realização de estágios médicos na Grande Baía por parte de médicos de Macau. O “Plano de Estágio para Jovens Médicos de Macau na Grande Baía” começou a receber candidaturas a 19 de Dezembro, prazo que se estende até ao dia 5 de Janeiro. O plano contempla 25 vagas para residentes da RAEM licenciados em medicina, incluindo medicina tradicional chinesa e medicina dentária. As autoridades organizaram “recentemente” uma sessão de esclarecimentos sobre o plano, segundo um comunicado divulgado ontem pelos Serviços de Saúde, que contou com a participação de mais de meia centena de jovens médicos locais.

Os estágios vão decorrer em quatro hospitais da zona da Grande Baía: o 1º Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-sen, o 5º Hospital Afiliado da mesma universidade, o Nanfang Hospital da Southern Medical University e a Filial de Hengqin do Hospital Afiliado nº 1 da Universidade de Medicina de Guangzhou.

Segundo os Serviços de Saúde (SS), pretende-se, com esta medida, “o reforço das competências técnicas profissionais, da competitividade no mercado de trabalho e da ampliação do espaço de desenvolvimento dos jovens médicos de Macau”. Pretende-se também “apoiar a integração [destes profissionais] na estratégia global de desenvolvimento nacional”.
Alvis Lo, director dos SS, explicou que o programa “permite o acesso a recursos nacionais de formação médica de elevada qualidade”, criando-se “uma plataforma de formação clínica sistemática e profissionalizada”.

“Alargar horizontes”

Leong Iek Hou, directora do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, referiu que o plano visa atender “às necessidades e lacunas existentes nas plataformas de formação de médicos de Macau no Interior da China”, criando-se, assim, “uma ampla plataforma de formação médica especializada”. A responsável afirmou esperar que os profissionais de saúde possam “alargar horizontes, melhorar as competências técnicas e a competitividade profissional”.

São destinatários do programa residentes de Macau que tenham certificado de reconhecimento das habilitações em medicina, medicina tradicional chinesa ou medicina dentária. Não existe limite de idade, “sendo dada prioridade a candidatos com 35 anos ou menos”.

Os candidatos podem escolher até dois períodos de formação no mesmo hospital, mediante “o período e conteúdo de formação disponibilizados pela instituição médica designada”. As formações duram três, seis ou 12 meses, “durante a qual receberão um subsídio mensal de formação no valor de 10.000 patacas”. A lista dos profissionais admitidos será divulgada a 26 de Janeiro.

29 Dez 2025

Música | Orquestra Colégio Moderno ao vivo na Igreja Nossa Senhora de Fátima

No próximo dia 29, a orquestra do Colégio Moderno actua em Macau na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, seguindo-se um concerto, a 3 de Janeiro, com a Orquestra Juvenil de Macau. O pianista Adriano Jordão, fundador do Festival Internacional de Música de Macau, salienta a importância da partilha musical entre as duas orquestras

 

Depois de um Verão de intensa partilha musical em Lisboa, a Orquestra Juvenil de Macau e a orquestra do Colégio Moderno preparam-se para actuar em Macau nas próximas semanas. No próximo dia 29 às 20h, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima acolhe o “Concerto do Colégio Moderno”, protagonizado pelo grupo de orquestra da escola fundada em 1936. Depois, a 3 de Janeiro, é a vez de os dois grupos subirem ao palco do Centro Cultural de Macau para o “Concerto de Ano Novo de Macau 2026”.

O pianista Adriano Jordão, fundador do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), tem acompanhado a parceria dos dois grupos e o trabalho feito pelo grupo do Colégio Moderno. O músico destaca ao HM aquilo que poderá ser ouvido no concerto de 29 de Dezembro: a composição “Stabat Mater”, de Giovanni Battista Pergolesi, que fez parte da programação da primeira edição do FIMM.

“Tem um lado simbólico, porque foi a actuação presente no primeiro Festival Internacional de Música, em 1987. Foi feita para o encerramento do festival, de modos que há um lado psicológico na repetição desta obra”, destacou. “Tudo isto foi ideia minha, não faz mal um pouco de nostalgia”, acrescentou Adriano Jordão. “Esta é uma obra com todas as características para se fazer dentro de uma igreja, e tem também esse lado simbólico muito importante para mim.”

“Stabat Mater” é uma oração cantada, central num programa de concerto para cerca de uma hora, pensado para “um grupo relativamente pequeno de instrumentistas, com duas solistas”.

Adriano Jordão realça o grande entusiasmo dos membros da orquestra do Colégio Moderno em relação à viagem a Macau. “Vejo a excitação dos miúdos por irem a Macau, há sempre um fascínio pelo Oriente, como é evidente. E vejo o interesse histórico que tudo isto tem, nomeadamente para Portugal. Existe realmente um interesse cultural em mantermos uma marca portuguesa em Macau, que é território chinês. [Estes concertos] servem para acelerar esses vínculos culturais.”

Um trabalho de qualidade

Não é a primeira vez que Adriano Jordão colabora com a Orquestra Juvenil de Macau, que no Verão deste ano esteve em Portugal para actuações conjuntas com o grupo do Colégio Moderno. O Colégio Moderno foi fundado em 1936 por João Soares, pai de Mário Soares, antigo Presidente da República portuguesa já falecido, ele próprio uma figura bastante ligada a Macau. Desta vez, Isabel Soares, actual directora do Colégio Moderno, estará presente no território para os concertos.

Apesar de o grupo de orquestra da escola portuguesa ter mais anos de existência do que a formação da orquestra juvenil local, isso não invalida a qualidade de ambos os projectos, tendo sido enfrentados alguns desafios para trazer este grupo a Macau. “É sempre difícil levar um grupo de pessoas [para uma viagem deste tipo], sendo preciso encontrar os meios financeiros de um lado e de outro. Isso foi feito com apoios privados e conseguiu-se. Estou muito contente que os jovens de Macau tenham feito tão boa figura em Portugal. Espero que essa boa figura seja agora recíproca nesta ida a Macau.”

A Orquestra Juvenil de Macau considera, em comunicado, que o intercâmbio e a colaboração de Isabel Soares e Adriano Jordão, no acompanhamento da orquestra do Colégio Moderno, representam “uma demonstração concreta do compromisso contínuo da Orquestra Juvenil de Macau em promover o intercâmbio cultural internacional”. Os concertos em questão constituem também “uma nova página no intercâmbio cultural sino-português, particularmente no intercâmbio musical entre os jovens da China e de Portugal”, é referido.

Questionado sobre a importância do FIMM nos dias de hoje, Adriano Jordão não deixou de lembrar que aquilo que “parecia uma ideia louca na altura” teve, na verdade, pernas para andar.

“Não havia em Macau, em termos culturais, rigorosamente nada: não havia um centro cultural, e as primeiras coisas [espectáculos] que se fizeram foi num pavilhão desportivo. Não havia meios, não havia uma orquestra de Macau. Tudo foi feito a partir do zero e ver que, anos depois, valeu a pena fazer… Estive na última edição, no ano passado, e fiquei impressionado por ver que foi mantida uma grande qualidade artística”, rematou.

21 Dez 2025

Direito | Vitalino Canas apresenta novo livro sobre Lei Básica

Vitalino Canas, jurista e antigo chefe de gabinete do governador Rocha Vieira, é co-coordenador da obra “Lei Básica da RAEM: 30 anos”, lançada esta sexta-feira no Centro Científico e Cultural de Macau. Em declarações ao HM, fala de um diploma que foi “uma espécie de balão de ensaio e demonstração daquilo que a RPC estava disposta a fazer em termos de abertura” a certas questões jurídicas

Foi apresentado, esta sexta-feira, o livro “Lei Básica da RAEM: 30 anos”, projecto editorial que nasce de uma conferência sobre este tema e que tem coordenação de Vitalino Canas, jurista e antigo chefe de gabinete do governador Vasco Rocha Vieira, e Carmen Amado Mendes, presidente do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Esta entidade foi também responsável pela edição da obra.

Em declarações ao HM, Vitalino Canas recordou alguns momentos da discussão e produção da Lei Básica, defendendo que este diploma, à semelhança da Lei Básica de Hong Kong, “foram uma espécie de balão de ensaio e também de demonstração daquilo que a República Popular da China (RPC) estava disposta a fazer em termos de abertura a determinadas questões relacionadas com [outros] ordenamentos jurídicos, como a separação de poderes e organização do poder político, ou direitos fundamentais”.

Para Vitalino Canas, a Lei Básica da RAEM, que este sábado celebrou 26 anos de existência, foi ainda “uma espécie de cartão de visita sobre até onde a RPC estava disposta a ir, em Macau e Hong Kong, mas até numa evolução futura”.

“Conheço algumas controvérsias e dúvidas que têm surgido em alguns sectores da comunidade sobre se a Lei Básica estará a ser totalmente cumprida ou não, se haverá aspectos em que há retrocessos ou limitações. Fazendo a apreciação do exterior, creio que a Lei Básica tem sido cumprida, sem prejuízo de alguns aspectos que têm sido notícia”, disse ainda.

Questionado sobre os desafios que se colocam à implementação da Lei Básica até 2049, e se poderá ocorrer uma eventual revisão do diploma, Vitalino Canas afasta essa possibilidade. “Não sou muito adepto nem de revisões constitucionais, nem na revisão de documentos básicos. Se olharmos para algumas experiências, a Constituição norte-americana tem quase 240 anos, já foi revista algumas vezes, mas as revisões são sempre muito pouco profundas, e ocorrem até mais para aditamentos do que, propriamente, para se fazerem modificações.”

O responsável considera “mais importante” olhar para “as estruturas que têm responsabilidade na aplicação [da Lei Básica], designadamente os tribunais, e para a doutrina e jurisprudência”, que são estruturas jurídicas “com melhores condições para actualizar a interpretação da Lei Básica”.

Vitalino Canas defendeu também uma “conjugação de esforços entre as comunidades académicas de Portugal e de Macau, e de outros sectores que se pronunciam sobre a Lei Básica, sobre o que ela contém e como está a ser aplicada”. “Se houver circunstâncias em que essa aplicação eventualmente suscite dúvidas, ninguém melhor que a academia, a doutrina, especialistas e juristas, para apontarem caminhos de aperfeiçoamento desse cumprimento”, frisou.

Estudar é preciso

“Lei Básica da RAEM: 30 anos” nasce de uma conferência realizada no CCCM, trazendo artigos sobre a natureza jurídica da Lei Básica, direitos ou sobre a estrutura judiciária do território, entre outras temáticas do Direito.

Trata-se de uma obra que pretende dar uma resposta e um contributo à área do Direito sobre Macau. “Pensámos, eu e a Carmen Amado Mendes, que seria importante para o panorama doutrinário português haver este tipo de contributos disponível para o público, porque escreve-se muito pouco sobre as questões jurídicas relacionadas com Macau.”

“Quando falo de nós, académicos em Portugal, não estamos a cumprir o nosso papel de actualizar o nosso ‘know-how’ e o nosso quadro de investigadores, que era grande quando tínhamos a administração do território de Macau. Portugal tem todo o interesse em manter conhecimento, informação e capacidades sobre o que se passa em Macau, designadamente do ponto de vista jurídico. E aqui também, dentro da nossa academia, não considerando essas temáticas longínquas e que já não interessam a Portugal.”

Este livro é, ainda assim, “um contributo modesto”, estando a ser preparado “outro livro com mais artigos” sobre temas relacionados com a Lei Básica.

No caso do ensino superior local, Vitalino Canas destaca que existem “muitos juristas portugueses que tratam de temas relacionados com o regime jurídico em Macau, mas digamos que a interligação entre o que se faz em Macau e Portugal não tem sido eficaz”.

“Na qualidade de vice-presidente do Instituto para a Cooperação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa tenho procurado mobilizar e encorajar alguns investigadores, sobretudo alguns os jovens, para que se interessem pelas temáticas jurídicas de Macau, até porque continua a haver uma relação estreita entre Portugal e Macau por vários motivos”, disse.

Vitalino Canas viveu em Macau entre os anos de 1986 e 1991 e foi membro do Governo português entre 1995 e 2002, tendo estado ligado ao chamado Gabinete de Macau. Olhando hoje para trás, numa altura em que a RAEM celebra 26 anos de existência, o jurista destaca que, no processo de transição, “o grande desafio foi pôr uma cultura jurídica chinesa” em conjugação com a cultura jurídica portuguesa e “tornar as duas entendíveis uma em relação à outra”.

21 Dez 2025

Turismo | Visitantes do Japão sobem quase 40%

Dados estatísticos oficiais revelam que Macau recebeu, em termos anuais, mais turistas internacionais em Novembro, sendo que uma das maiores subidas, de 38,1 por cento, se refere a turistas oriundos do Japão. Novembro, representou o ultrapassar da fasquia dos três milhões de turistas, uma subida anual de 18,1 por cento

O Japão foi o país de origem de turistas internacionais com uma das maiores expressões nos dados estatísticos relativos a Novembro, sendo apenas ultrapassado pela Tailândia.

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, no mês de Novembro, Macau recebeu 16.187 pessoas do Japão, uma subida de 38,1 por cento face a igual mês do ano passado. No caso da Tailândia, de onde vieram 15.140 turistas, a subida foi de 49,4 por cento.

De destacar os cancelamentos recentes de concertos de artistas japoneses no território, não obstante os números positivos do turismo oriundo do país. Um deles, foi da cantora pop japonesa Ayumi Hamasaki, agendado para o dia 10 de Janeiro, e que ocorreu depois do cancelamento da actuação da mesma artista em Xangai, marcada para o dia 29 de Novembro. Também cancelado, foi o espectáculo de Natal com a banda Say My Name, que integra as artistas japonesas Hitomi Honda, a líder do grupo, e Terada Mei.

O Governo negou qualquer interferência nestes cancelamentos por questões políticas, tendo a presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, referido que “diferentes partes têm os seus factores de ponderação”. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou.

No que diz respeito a outros países de origem de visitantes internacionais, no caso da Indonésia registou-se também uma subida de 23,1 por cento, enquanto que relativamente aos turistas vindos de Singapura foram de 12.920 em Novembro, uma quebra de 6,6 por cento. No caso dos turistas oriundos da Índia, a subida foi de 3,1 por cento, num total de 8.766 visitantes.

Em termos gerais, e ainda relativamente a Novembro, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 273.950, mais 13,6 por cento, em termos anuais.

Mais turistas de Zhuhai

Olhando para os restantes números do turismo, os dados da DSEC mostram a vinda de 3.345.683 de turistas em Novembro, mais 18,1 por cento em termos anuais. Realça-se que o número de entradas de excursionistas (2.035.555) e de turistas (1.310.128) aumentaram 31,5 e 2,1 por cento, respectivamente, em termos anuais.

Os turistas oriundos do Interior da China foram 2.397.043, mais 21,9 por cento, em termos anuais, destacando-se o número de entradas de visitantes com visto individual, 1.262.722, com uma subida de 36,1 por cento.

Outro número positivo, prende-se com a subida de 33 por cento nas entradas de visitantes oriundos de nove cidades da região da Grande Baía, num total de 1.279.819, em relação a Novembro de 2024. Para este número, contribuiu o aumento de 71,2 por cento de entradas com origem em Zhuhai, descreve a DSEC. Nos 11 meses do ano, Macau recebeu 36.489.230, mais 14,4 por cento face a igual período de 2024.

20 Dez 2025

Alfredo Gomes Dias, historiador, sobre Rocha Vieira: “Uma figura histórica, quer quisesse ou não”

Lançado na quinta-feira no Porto, com a chancela da Guerra e Paz, “Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991–1999)” é o resultado de um trabalho de 20 anos do historiador Alfredo Gomes Dias. A obra contém testemunhos pessoais de Rocha Vieira e detalhes documentados da última Administração portuguesa de Macau

Acaba de lançar mais um livro sobre Rocha Vieira e a última Administração portuguesa de Macau. Fale-me do início deste projecto.

Este projecto tem mais ou menos 20 anos, e começou quando conheci Rocha Vieira, em 2005, para fazer um texto para o livro “Governadores de Macau” [editado pela Livros do Oriente em 2013]. No meio disso, descobri que havia um fundo documental pessoal do general Rocha Vieira, enquanto governador. Como historiador, fiquei entusiasmado com a ideia. Ofereci-me para fazer, juntamente com ele, um projecto, a que chamámos “relatório”. Todos os documentos estavam em casa dele, em Lagoa, de onde era natural. Depois foram depositados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Mafra e entre 2007 e 2013 trabalhei nessa documentação. Foi um trabalho solitário e prolongado, porque tive de organizar 1.700 caixas de documentação e conciliar com o meu trabalho de docente. Rocha Vieira foi adiando o projecto, dizendo que não, mas em 2016 disse-me para avançarmos com o “relatório”, o livro. Terminei a primeira versão em 2021. É um livro comprometido, no sentido em que pretende dar a visão do general Rocha Vieira do que foi o seu Governo. Não se trata de um trabalho académico.

Teve acesso completo ao arquivo pessoal.

Deu-me luz verde para consultar a documentação toda, não tive qualquer restrição. Rocha Vieira foi-me contando uma ou outra história com pormenor, deu-me linhas de orientação e revelou-me as preocupações dele durante a governação. Disse-me algumas posições que teve e depois os caminhos diferentes que se tomaram, e todo o livro é construído em torno das muitas conversas que tive com o general, em que recorro também à documentação. Temos a visão de tudo o que aconteceu entre 1991 e 1999 e as acções do governador nas diferentes dimensões da Administração, a nível económico, social e político, nas relações com a China e Lisboa, com Hong Kong, e depois tudo o que foi o trabalho relacionado com a transformação do território, como o nascimento do Cotai e as grandes obras que se foram fazendo. Fala-se também da fase da transição e os grandes temas, como a entrada das tropas chinesas em Macau, a cerimónia e como esta se organizou. Hoje vivemos num mundo imediato, e à velocidade de hoje é sempre estranho dizer que este livro demorou 20 anos a fazer-se.

Podemos dizer que é a primeira vez que temos um testemunho tão completo da visão de Rocha Vieira sobre o seu Governo?

A biografia editada [Vasco Rocha Vieira – Todos os Portos a que Cheguei] já dá muitas ideias das suas preocupações. O que acabei por fazer foi não me focar tanto na vida toda do general, mas apenas nos anos do Governo e desenvolver ao máximo muitos dos assuntos que Pedro Vieira colocou nessa biografia.

Que assuntos estão então mais desenvolvidos nesta nova obra?

Descrevo muito bem todos os processos ligados à transição de Macau, como a questão das leis e da localização, a necessidade de as traduzir para chinês. Esse foi um trabalho gigantesco. Depois abordo a construção de grandes obras, o nascimento do Cotai. Tudo isso com base nas plantas e planos originais pensados para o Cotai, onde se conhece o início da ideia para essa zona. Qualquer historiador que, no futuro, queira estudar o processo de transição, tem, necessariamente de passar por este livro. Não quero dizer que o que lá está é definitivo, porque nunca é. Mas é importante ter esta base e testemunho, que é enriquecido e fundamentado na documentação.

Imagino que as polémicas do Governo de Rocha Vieira também estejam no livro. A quezília com Jorge Sampaio, a criação da Fundação Oriente em Portugal. Qual o testemunho de Rocha Vieira sobre estes dois momentos?

Ele sempre manteve o mesmo discurso face ao que já tinha dito publicamente. Há um capítulo específico sobre a Fundação Oriente, onde se tenta, com o apoio da documentação, explicar o processo e porque é que Rocha Vieira, quando chega a Macau, tem a necessidade de resolver um problema que se arrastava e que era importante ultrapassar. Descreve-se a forma como ele o conseguiu resolver, pois era uma questão que estava a dificultar o diálogo com as autoridades chinesas. Está explicada a forma como Rocha Vieira se foi relacionando com os diferentes Governos da República [Portuguesa] e os diferentes Presidentes, as posições que foi tomando a fim de garantir o que era da sua responsabilidade. Enquanto esteve à frente do Governo, Rocha Vieira tentou sempre fazer vingar as suas visões, e uma das coisas interessantes é que tive acesso a cópias de actas de reuniões do Conselho de Estado, nas quais Rocha Vieira apresentava a sua visão sobre a situação de Macau. É um contributo interessante. Mas ele explica que a forma como dialogava com o Presidente Mário Soares era completamente diferente da forma como dialogava com Jorge Sampaio. A relação institucional alterou-se, a forma de estar numa reunião também era diferente. Isso é explicado, mas sem entrar pelo lado pessoal da quezília.

Rocha Vieira saiu de Macau com a sensação de dever cumprido?

Acho que ele saiu de Macau muito convicto, e toda a cerimónia da transferência acaba por nos dar um pouco essa imagem de que Portugal saiu da melhor maneira possível. Temos também de pensar que falamos de dois países completamente diferentes, e que um deles é gigante. E que, apesar dessa diferença, foi possível manter um diálogo quase de igual para igual entre dois Estados para resolver, da melhor maneira, uma questão específica que era Macau. O que mais me surpreendeu na visão de Rocha Vieira foi ele ter alterado a centralidade da visão para Macau.

Em que sentido?

De uma maneira geral os portugueses e as autoridades falavam de Macau pensando em garantir o processo de transição sem pôr em causa os interesses de Portugal. E o general Rocha Vieira inverte os termos da questão, ou seja, para se garantir os interesses de Macau, com a ideia de que garantir os interesses de Macau seria o mesmo de garantir os interesses de Portugal. Parece a mesma coisa, mas não é. Essa visão, para mim, é que foi surpreendente.

Porquê?

Porque ia contra o que era o discurso mais comum entre as autoridades e as pessoas responsáveis pela administração portuguesa [de Macau]. Esta ideia central acaba por mudar a forma como ele organiza o seu Governo, como age e o tipo de acções que desencadeia. Todas tinham a ver com esta convicção profunda, de que, nos anos que restavam, fosse garantido um grande desenvolvimento de Macau, a afirmação da cultura portuguesa, apoiando instituições, ou até com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), cuja solução acabou por não ser a que ele propunha. Acabou por ser uma opção minimalista.

Qual era, concretamente, a posição de Rocha Vieira?

Era garantir que o antigo Liceu de Macau era a EPM, o que daria uma dimensão completamente diferente à escola face [à localização actual]. Não tem nada a ver. Ele não queria só uma escola portuguesa, mas também um espaço onde fosse possível desenvolver actividades culturais, criar um pólo cultural em Macau ligado a Portugal, e com uma opção muito mais digna do que aquela que foi, depois, a opção do Ministério da Educação, na figura de Marçal Grilo, que optou [pela localização] da antiga Escola Comercial. Portanto, o foco sempre foi garantir e desenvolver os interesses de Macau, a sua autonomia, e a questão do aeroporto era fundamental para garantir a autonomia de Macau. Pretendia-se também que Macau aderisse aos acordos internacionais relativamente ao respeito pelos direitos humanos. A ideia era que, conseguindo garantir os interesses de Macau, pensando o território como fazendo parte do segundo sistema da China, e que se investíssemos muito em Macau, estávamos, naturalmente, a defender os interesses portugueses e a deixar um grande legado.

Qual foi o dossier mais complexo para Rocha Vieira?

Acho que ele tinha uma grande mágoa relativamente à opção do Ministério da Educação para a escola portuguesa. Das conversas que fui tendo com ele [foi o que me pareceu]. Havia depois as questões de segurança, com as seitas, que acabaram por se resolver. Nos anos de 1997 e 1998 foram momentos muito críticos em Macau, mas como ele sempre foi tendo boas relações com as autoridades chinesas, isso levou a que a China tenha percebido a situação, passando a colaborar mais com as autoridades portuguesas em Macau, no sentido de controlar o problema.

Sobre o Cotai, como surge a ideia?

Surge no contexto das obras para o aeroporto, quando se percebe que seria relativamente fácil mobilizar as terras que estavam associadas às obras do aeroporto, aproveitando-se esse momento para fazer uma ligação e criar, no fundo, uma segunda centralidade urbana em Macau. Os planos iniciais do Cotai tinham a ver com o espaço urbano, espaços verdes, industriais. Todo o plano estava concebido para agregar diversas áreas, espaços sociais, como escolas ou a saúde, como se o Cotai fosse uma mini-cidade, digamos assim, no território.

Mas quem teve, concretamente, a ideia?

Foi uma ideia do Executivo de Rocha Vieira desenvolvida com secretários. A ideia partiu dele, quando se viu perante a questão das obras, e depois foi sendo desenvolvida com a equipa. Ele tinha sempre a preocupação de desenvolver as coisas com a equipa, garantindo também uma continuidade com o que se tinha feito antes. Quando conversava comigo, tinha o cuidado de dizer: “isto não começou comigo”, ou que para determinado trabalho tinha sido fundamental este ou aquele secretário. Nunca quis ficar com os louros que não eram dele, e isso também é um grande reconhecimento dos governadores anteriores.

Portanto, o Cotai não era para ter tanta área destinada ao jogo.

Pelo que analisei nos documentos, não havia a ideia de ceder um espaço tão grande para o entretenimento, com casinos. Penso que a visão inicial para o Cotai era um pouco mais equilibrada, com habitação, escolas, centros de saúde, espaços verdes. Era para ser um novo espaço urbano que ia nascer com todos os serviços necessários para funcionar, não era para ser só jogo.

Ficaram para a história os momentos em que Rocha Vieira agarra a bandeira ao peito, comovido. Ele recordou consigo esses momentos?

Sim, mas apesar da dimensão histórica do papel dele, Rocha Vieira não tinha propriamente noção do papel histórico que estava a desempenhar. Ele estava ali com uma missão e objectivos claros, sem pensar propriamente no protagonismo que podia ter no futuro. Uma vez, quando estávamos a almoçar, disse-lhe que podíamos relativizar o nosso trabalho, mas que ele ia tornar-se numa figura histórica para a história de Portugal, quer quisesse ou não. E o engraçado é que ele ficou a olhar para mim com uma cara de quem nunca tinha pensado nisso, com um ar muito surpreendido. De facto, é impensável tirar-lhe esse estatuto de último governador português em Macau em centenas de anos de história. Ainda por cima, ele esteve um período longo [9 anos], quando a maioria dos governadores esteve lá três ou quatro anos.

20 Dez 2025

CCM | Banda local Ghostly Park apresenta novo álbum

“Mirror Sea” é o nome do terceiro e novo álbum da banda Ghostly Park, com membros de Macau e Hong Kong. O duo de música electrónica sobe ao palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau amanhã, num concerto com entrada gratuita, para apresentar as oito faixas deste trabalho, onde colabora MC Yan, uma lenda do hip-hop de Hong Kong

O palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau (CCM) acolhe amanhã o concerto de apresentação do novo álbum de uma banda local, os Ghostly Park. “Mirror Sea” é o terceiro trabalho discográfico do duo de música electrónica, composto por DJ Saiyan e Alok Leung, naturais de Macau e de Hong Kong. O concerto está agendado para as 19h45 até às 21h.

Segundo uma nota oficial, o nome deste novo trabalho, que traduzido para português é “Espelho de Mar”, “inspira-se no antigo nome de Macau, já esquecido”, nomeadamente Hou Keng, que significa “Ostra Espelho”, ou até Keng Hoi, “Mar de Espelho”.

Em “Mirror Sea” disponibilizam-se oito faixas de música electrónica “pura”, tratando-se de um trabalho com a colaboração “da lenda do hip-hop de Hong Kong”, MC Yan. Em relação ao concerto de amanhã, haverá um trabalho visual em palco da autoria de Essahqi.

Para recordar

Os Ghostly Park descrevem “Mirror Sea” como fazendo referência ao tal “nome esquecido de Macau”, sendo um projecto que nasceu “de inúmeras caminhadas solitárias pela cidade velha, contemplando o mar”.

“Ondas escuras batem contra a costa; uma única ondulação torna-se o oceano, surgindo e cessando na impermanência. Os Ghostly Park trouxeram essa contemplação sombria para o estúdio, usando o som para pintar as muitas formas da água reflectidas no ‘Mirror Sea’, transformando o silêncio esquecido em ritmos electrónicos pulsantes”, refere a banda.

Além disso, “esquecemos que o mar já foi o único espelho”, acrescenta a banda, lembrando que “quando nenhum pensamento surge, a água não deixa vestígios”.

Em estreia

No concerto de amanhã, as oito faixas de “Mirror Sea” “serão tocadas pela primeira vez, sendo acompanhadas pelas imagens musicais criadas especialmente para ‘Mirror Sea’ pelo designer visual Essahqi”, descreve-se ainda na mesma nota. O álbum arranca com a faixa “Moving Minds”, seguindo-se “Mirror Sea”, “Black Sand”, “Muddy Water”, “Against The Current”, “Whirlpool”, “A Wave In The Ocean” e “Like Water”.

Os Ghostly Park formaram-se em 2017 procurando misturar sonoridades como a música techno, jungle, Dub e Breaks, sem esquecer a música electrónica. Em 2019, saiu o álbum de estreia, “Identify”, que já contava com trabalho gráfico e visual de MC Yan. Neste primeiro trabalho, o duo explorou “as contradições de identidade e cultura entre Hong Kong e Macau”, tendo actuado no festival Clockenflap, um dos maiores de Hong Kong e da região, sem esquecer o Sónar, evento especialmente dedicado à música electrónica.

No ano seguinte seria lançado “The Remix Project”, no qual os Ghostly Park colaboram com músicos de várias regiões para “reflectir a experiência colectiva do reconhecimento facial e do isolamento durante a pandemia”. Mas o segundo álbum propriamente dito seria editado depois, em 2024, intitulando-se “Leaf”, tendo recebido uma nomeação para o prémio do júri dos “Golden Melody Awards”, de Taiwan.

19 Dez 2025