Andreia Sofia Silva SociedadeAssociação pede subsídios para registo de medicamentos chineses A Associação Comercial de Macau defende a criação de um subsídio para suportar os custos com o registo de medicamentos de medicina tradicional chinesa (MTC) produzidos ou registados em Macau, e também produzidos em Hengqin, em mercados exteriores. Num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun, assinado pela vogal do Conselho de Estudos Estratégicos da associação, Huang Yin, é descrito que um dos primeiros entraves para o acesso aos mercados são as tarifas elevadas para o registo e não a qualidade dos medicamentos, esperando-se que o Governo possa atribuir um subsídio para esta área. O artigo fala do caso de registo de medicamentos de MTC no Brasil, onde é necessário gastar centenas de milhares de patacas para cada produto, sendo que não estão incluídas ainda despesas de agenciamento, testes e cumprimento da legislação. Desta forma, na fase inicial de entrada de um medicamento no mercado, são poucas as vendas, pelo que, conforme descreveu Huang Yin, o investimento não compensa a produção e as vendas, o que leva as empresas a hesitar em dar este passo. Assim sendo, esta situação faz com que Macau, apesar de ter vantagens no registo de medicamentos de MTC por ser uma plataforma entre a China e países da língua portuguesa, não tenha ainda muitos medicamentos registados e vendidos no exterior. O artigo diz mesmo que é raro tal acontecer. Combinar apoios Segundo o mesmo artigo, uma empresa, quando quer apostar na venda de medicamentos, tem de assumir todas as despesas com o registo. Por isso, além de atribuir um subsídio, o Executivo deveria ter balcões de consulta para quem deseja registar estes medicamentos. A vogal da associação também defende que os medicamentos de MTC produzidos na China, mas registados em Macau, deveriam poder usufruir deste apoio. Huang Yin destacou que na Zona de cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin já é atribuído um subsídio que cobre 20 por cento dos custos de registo de produtos feitos em Hengqin e que vão para Macau. Assim, se este apoio for combinado com o subsídio a criar pelo Governo, pode-se facilitar os procedimentos para que Macau se transforme numa base para a venda de medicamentos de MTC em mercados do exterior.
Andreia Sofia Silva PolíticaCoutinho fala em excesso de ajustes directos com nova lei O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo, por escrito, quanto à necessidade de “assegurar a transparência e concorrência na contratação pública”, tendo em conta a nova Lei da Contratação Pública, que entrou em vigor no passado dia 1 de Setembro. Destaca o deputado que tem recebido, no gabinete de atendimento ao cidadão, “muitos pedidos de apoio de operadores económicos”, que referem “o aumento de etapas burocráticas na tramitação interna de alguns serviços públicos, o que causa demoras injustificáveis”. Na interpelação, Pereira Coutinho mostra-se preocupado com o facto de “a mera previsão legal de mecanismos não seja suficiente para garantir a sua efectiva aplicação”. Dá-se o exemplo do artigo nº 144, que “exige a criação de mecanismos de controlo interno, mas não define um modelo centralizado de fiscalização”. É também referida a dificuldade prática inerente ao artigo nº 149, que “remete para diplomas complementares [a implementação] de normas necessárias à execução da lei”, o que “densifica” os processos. Os medos Desta forma, Pereira Coutinho alerta para o receio da predominância do ajuste directo nas contratações de bens e serviços por parte do Governo, cenário que a nova lei procurou combater. “A sociedade continua a manifestar receio quanto ao ajuste directo que, segundo temos observado, continua a ser utilizado de forma abusiva por algumas entidades públicas para contornar procedimentos concorrenciais.” Assim, o deputado considera que essa situação “prejudica empresas que poderiam concorrer, contribuindo para a manutenção de preços elevados nos bens e serviços públicos pagos pelo erário público”. Na interpelação, chama-se a atenção para o facto de a nova lei determinar situações urgentes ou excepcionais para a contratação pública. Porém, “conceitos de ‘urgência’, ‘complexidade’ e “características particulares’ são indeterminados e podem ser invocados de forma elástica, dificultando o controlo da legalidade e da real necessidade do recurso ao ajuste directo”. Dá-se ainda o exemplo recente do “caso de substituição do sistema de venda de bilhetes do Metro Ligeiro, onde havia mais empresas capacitadas para fornecer estes serviços e produtos”. Uma das questões deixadas ao Governo é “quais as entidades competentes para receber reclamações, recursos e denúncias” quanto à aplicação da nova Lei da Contratação Pública.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCCCM | Livro aborda conexão da Rota do Cabo com Rotas da Seda “The Cape Route and the Silk Roads”, editado pela Brill e coordenado por João Oliveira e Costa e Carmen Amado Mendes, expõe as relações comerciais que se estabeleceram entre a Rota do Cabo, criada no século XV e que ligava Lisboa à Índia, e as rotas da Seda. A obra mostra como Lisboa foi uma cidade central no comércio de porcelana Estávamos em 1499 quando foi criada a Rota do Cabo para, entre Lisboa e a Índia, transportar especiarias para a Europa, embora “os navios portugueses trouxessem outros produtos das terras da Ásia”. Por sua vez, “a tecnologia e ciências europeias, o cristianismo e a prata das Américas chegavam a todos os recantos da Ásia”. Editado pela Brill, e recentemente apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), o livro “The Cape Route and the Silk Roads” [A Rota do Cabo e as Rotas da Seda] expõe a ideia de como “a Rota do Cabo permitiu que produtos e ideias circulassem no âmbito do sistema das Rotas da Seda, que abrangia a Eurásia de oeste a leste”, descreve-se na sinopse do livro. A obra também mostra como Lisboa se transformou “no centro nevrálgico que difundiu novos padrões de consumo e novas modas na Europa”, sendo que a Rota do Cabo também “introduziu novas formas de guerra, novos conhecimentos científicos e uma nova religião por toda a Ásia”. A obra é coordenada por João Paulo Oliveira e Costa, especialista em História Moderna e docente na Universidade Nova de Lisboa, e Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM. Vários académicos colaboram nesta obra, que inclui capítulos como “Why the Cape Route should be considered parte of the Silk Roads” [Porque a Rota do Cabo deveria ser considerada parte das Rotas da Seda] ou ainda “Lisbon, the hub of the Silk Roads in the 16th century” [Lisboa, o centro das Rotas da Seda no século XVI]. Rui Oliveira, académico responsável pela apresentação do livro, destacou como a obra “trará, certamente, novas perspectivas e terá uma responsabilidade na internacionalização de muito o que se tem feito nesta área em Portugal”. Para o responsável, existe ainda “alguma dificuldade de mostrar essa perspectiva [da conexão da Rota do Cabo com as Rotas da Seda] e o impacto dos portugueses e das rotas comerciais transatlânticas na sua comunidade e em todas as instituições”. Rui Oliveira lembrou como o livro constitui uma oportunidade de olhar a Rota do Cabo “e perceber verdadeiramente as implicações que esta teve em diferentes territórios, e que continua a ter, nomeadamente nas questões identitárias do século XXI”. Ao fazer “a interligação com outros pontos fulcrais da Rota da Seda” tal como a costa oriental africana e sudeste da Ásia, a Rota do Cabo trouxe bastantes contributos para o comércio mundial. Mas Rui Oliveira lembrou que o livro agora editado pela Brill também espelha como se operavam estas interligações comerciais. “Este volume abre a oportunidade de mostrar e ligar a Rota do Cabo a todas as outras rotas, sobretudo no sudeste asiático, no contexto das Rotas da Seda. Trata-se de interligações que não são ainda aceites de forma transversal”, acrescentou. Da pimenta à porcelana João Paulo de Oliveira e Costa não deixou de destacar como Lisboa era, nesta época, um lugar onde determinados produtos chegavam bem mais depressa do que noutros pontos da Europa graças à Rota do Cabo, já que “a maneira como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa tem essa dimensão extraordinária”. “Lisboa estava carregada de porcelana, que entrava na Europa por Lisboa e que, particularmente no século XVI, era o porto asiático da Europa. É isso que tentamos aqui por mostrar, não por mania, mas porque a arqueologia o mostra.” O co-coordenador da obra fez referência a um artigo da autoria de Maria João Ferreira, intitulado “China at Home: Chinese Silks in Portuguese Households during the Early Modern Period” [China em Casa: Sedas Chinesas nos Lares Portugueses no Início da Era Moderna], e que mostra como existia “abundância da seda em Lisboa no século XVIII e que choca os visitantes europeus, que veem em Lisboa algo que para eles é uma raridade quando, aqui, era uma banalidade”. Segundo o académico, há “um problema de fundo” na historiografia portuguesa “que foi, durante um tempo, excessivamente preguiçosa, e a divulgação continua a ser preguiçosíssima”, face ao que verdadeiramente se comercializava via Lisboa nestes anos. “Acho que 90 e tal por cento das pessoas continua a pensar na carreira da Índia como a carreira da pimenta, mas em 1550 já metade dos porões das naus não traziam pimenta, mas sim porcelana, além de tudo o resto”, transportando depois esses produtos para a Europa. Além do colonialismo Na sessão de apresentação da obra, João Paulo Oliveira e Costa deixou a ideia de que fazer a história da Expansão Portuguesa está longe de estar relacionada com o colonialismo e ocupação de outros povos. “A Expansão Portuguesa é um episódio incontornável da história da humanidade” e foi “muito mais do que um episódio do Colonialismo.” Na sua visão, esta obra sobre a Rota do Cabo, além de “ajudar a desencadear novas investigações, ajuda a perceber que a expansão portuguesa não é uma história de guerra”. “Tem muita guerra, faz parte do ser humano e destes movimentos, mas é uma história que tem outras dimensões incontornáveis e fundamentais para se perceber a história da humanidade”, frisou, até pela maneira “como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa, o que tem uma dimensão extraordinária”. “Um dos méritos da investigação dos últimos 30 anos é perceber que fazer história da Expansão não é só sobre o que foi, mas também sobre o que vem. A Europa faz a Expansão com a pólvora inventada pelos chineses, os algarismos inventados pelos indianos, transmitidos depois pelos árabes; com a religião inventada pelos judeus. O papel é inventado pelos chineses, onde se faz a burocracia. E, portanto, é uma civilização que parte através de tudo o que tinha incorporado e lhe tinha chegado.” O académico destacou o exemplo da porcelana e da sua difusão na sociedade portuguesa. “A porcelana é um dos exemplos: não há família em Portugal que não tenha um serviço de porcelana. Faz parte da nossa lógica europeia e continua a ser uma coisa significante na nossa vida social.” O livro dá também destaque ao posicionamento dos Açores em todo este comércio, nomeadamente com os capítulos “The Sea of the Azores within the Silk Routes” [O Mar dos Açores nas Rotas da Seda], de Avelino de Freitas de Meneses; ou ainda “The Azores and the Legacies of the Silk Roads” [Os Açores e os Legados das Rotas da Seda], da autoria de Susana Goulart Costa, Rute Dias Gregório e Isabel Soares de Albergaria.
Andreia Sofia Silva Eventos Manchete“MasterChef Asia” | Programa filmado no território estreia esta semana Os dez episódios do concurso de culinária “MasterChef Ásia” filmados em Macau terão estreia esta semana em países como a Índia e Coreia. Mercados e bairros históricos serviram de pano de fundo a um programa que conta com chefs bem conhecidos do público, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung Estreia esta semana em vários países asiáticos a série de dez episódios do “MasterChef Ásia” filmada em Macau. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o popular concurso de descoberta de talentos culinários, e que tem edições em todo o mundo, conta com chefs famosos no júri, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung. O programa, produzido pela Warner Bros. Discovery e CreAsia Studio, como parte da produtora Endemol Shine India, estreia no canal TLC, no Sudeste Asiático, amanhã, 22; seguindo-se a estreia no Discovery Channel na quarta-feira, 23 de Setembro. O “MasterChef Ásia” também pode ser visto na plataforma de streaming HBO Max. A série será ainda lançada na TLC Índia e Médio Oriente, respectivamente amanhã, dia 22, e quinta-feira, dia 24 de Setembro, sem esquecer a estreia no canal Discovery Channel na Coreia do Sul esta quarta-feira, dia 23 de Setembro. Segundo uma nota da DST, esta série do concurso contou com “desafios culinários que tiveram lugar em mercados emblemáticos de zonas comunitárias”, sem esquecer os “restaurantes estrela-Michelin em resorts integrados”, reunindo-se dez concorrentes, incluindo uma participante de Macau, de nome Sandy Tang. Os restantes concorrentes são o chef vietnamita-australiano Khanh Ong; o dono de restaurante Sahadol “Pond” Tantrapim; Marcus Low, chef de pastelaria da Malásia; a especialista de gastronomia coreana Areum Yoon; Nambie Jessica Marak, “Embaixadora Culinária e Cultural de Meghalaya”; e ainda os chefs de cozinha asiática Audrey Wicksana, Therese Lum, Mime Kataniwa e Ivory Yat. A ideia do “MasterChef Asia” é pôr chefs de diferentes países e regiões à prova, “à medida que estes põem à prova as suas capacidades, criatividade e versatilidade, sendo avaliados por um elenco de renome da cozinha asiática”. Património na televisão Segundo a DST, esta série de episódios revela “o património cultural de Macau de encontro entre o Oriente e o Ocidente, a forte oferta de restauração e o desenvolvimento [de Macau] como Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia”. O programa será marcado por “uma nova ronda de exigentes desafios culinários que mostrarão o charme único do destino [Macau] a públicos de mercados que são fontes de visitantes internacionais prioritários para a DST”, é revelado. Além do júri repleto de nomes bem conhecidos, há também outras personalidades convidadas, como é o caso do criador de conteúdos de comida Mark Wiens e os chefs Ken Chong e Julien Tongourian, que trabalham em Macau. A DST destaca como as filmagens deste programa na RAEM servem para “preparar terreno” para as celebrações do 10.º aniversário de Macau como Cidade Criativa de Gastronomia, que decorrem no próximo ano. Assim, o “MasterChef Asia” contribui também para “mostrar a cultura gastronómica singular do destino e o seu dinâmico desenvolvimento como um centro mundial de turismo e lazer”. O “MasterChef” é reconhecido pelo “Guinness World Records” como o “programa de cozinha em formato para televisão mais popular do mundo”, tendo sido adaptado para 74 mercados. O programa já tem mais de 750 temporadas e mais de 16 mil episódios exibidos. Criado por Franc Roddam e lançado em 1990, o popular programa é conhecido e apreciado em todo mundo.
Andreia Sofia Silva Grande Plano ManchetePoesia | Editora portuguesa lança “China – Poemas do Erotismo Suave” Serão os chineses dados à explicitação do sexo? No mais recente livro de poesia traduzida por António Graça de Abreu, “China – Poemas do Erotismo Suave”, a pergunta faz-se no passado e dá respostas afirmativas: na China antiga escreveu-se muito sobre sexualidade e amor carnal. Não faltam sequer poemas sobre o amor LGBT António Graça de Abreu acaba de assinar a tradução de um punhado de poemas chineses clássicos que remetem para uma temática muito pouco comum nos dias de hoje na hora de editar poesia chinesa: o erotismo. Quando falámos com o autor e, por lapso, referimos romantismo, do outro lado da linha a questão surgiu condimentada com algum humor: “Romantismo?” Não é de romantismo que trata o livro, mas sim de sexualidade e erotismo puro na forma de palavras. “China – Poemas do Erotismo Suave”, acabado de sair para as bancas com a chancela da editora Guerra e Paz, deixa desde logo antever uma pergunta: “Como era o amor e amar na velha China?”. O prefácio, assinado pelo próprio António Graça de Abreu, denota como, ao contrário do que se possa pensar, a sexualidade estava bem presente na vida da corte imperial e não era vivida com tanto pudor como se possa pensar. Desde logo porque, como se lê, “não nos podemos esquecer que a China escapou aos preconceitos sexuais do mundo judaico-cristão, por isso, a ideia de pecado, punição e culpa é alheia; exterior ao simples fluir do homem e da mulher por dentro do brilho ou da penumbra do tempo”. O livro apresenta poesia sobre esta temática, incluindo escritos de obras clássicas como é o caso de “O Sonho do Pavilhão Vermelho ou Hong Lou Meng”, de Cao Xueqin, editado em meados do século XVIII, na dinastia Qing. Não faltam ainda poemas de Li Yu, como “Ode do coração despedaçado”, “O modesto instrumento” ou “Da esposa do soldado para o marido ausente”. E o que dizer do poema “Os teus dois montes”, de Wang Shizhen, que deixa ao leitor uma imagem de deleite visual do narrador: “Os teus dois montes, como lótus cor-de-rosa, / iluminam o teu corpo, / na limpidez da tarde.” Trata-se, portanto, de uma obra que expõe “o tema do amor na China entre o homem e uma mulher, embora também tenha referências ao amor homossexual entre homens e com lésbicas.” DR Um dos exemplos de um poeta que retrata relações homossexuais é Wang Wei. O livro apresenta três poemas traduzidos da sua autoria, como “Canção da bela de Luoyang”, “Balada de Xi Shi” e “Poema mesclado”. “Recentemente descobriram que havia tendências homossexuais em Wang Wei, um poeta dos anos 700 [século VIII] e um dos maiores poetas da China, e que tem um amigo a quem dedica poemas maravilhosos, tendo também dois ou três poemas virados para o feminino.” O lugar da mulher António Graça Abreu segue uma certa linha cronológica nos poemas, começando pelo “Livro das Mutações ou Yi Jing”, tido como “o mais enigmático dos clássicos chineses” e que terá sido composto por volta do século X a.C. Sobre esta poesia tão antiga, o autor e tradutor traça a comparação com a poesia trovadoresca portuguesa, que começou a ser escrita a partir do século XII e que tinha também o amor e o romance como tema. Já nesses primeiros poemas chineses se notavam “muitas referências de natureza sexual”, pelo que se pode concluir que não havia pudor ou até timidez neste tipo de expressões. “[A poesia] não esconde praticamente nada. A própria participação da mulher no poema… ela está à espera de um companheiro galante e bonito para haver amor. Isso acontece logo nos primeiros poemas, mais ou menos eróticos, da velha poesia chinesa”, destacou. “Depois”, frisa António Graça de Abreu, “as coisas vão evoluindo e é preciso considerar [outras questões], que também tem a ver com Confúcio que, de algum modo, subalternizava a mulher, colocando-a uns degraus abaixo do homem, mas no budismo não”. Certo é que “praticamente até ao século XX a mulher teve sempre pouco valor” na poesia, sendo que, na verdade, “não há muita poesia de amor”. Isto porque a beleza feminina é evidenciada em muitos dos escritos, mas nem sempre há uma elevação da mulher em relação ao homem. “As mulheres eram compradas e usadas muitas vezes. Mas depois há o encantamento feminino, com as mulheres a serem comparadas com flores de lótus, há toda uma poética do amor… as mulheres aparecem como sendo muito bonitas, muito estilizadas, com uma pele de seda, com um certo comportamento. Mas isso não é muito geral na poesia chinesa, e há muito mais poemas dedicados a outros letrados [mandarins] do que a mulheres que eles amaram.” António Graça de Abreu dá o exemplo do poeta Li Bai, também incluído na antologia, que viveu entre os anos de 701 e 762, e que tinha quatro mulheres. Porém, apesar destes lugares em que homens e mulheres eram colocados, havia depois algumas excepções na socialização. “A sociedade chinesa é muito curiosa nesse aspecto, porque tem períodos ou momentos de grande liberdade, em que se podia fazer quase tudo. O encantamento da mulher fazia parte da vida dos poetas, mas eles não davam tanta importância a isso como davam à amizade entre mandarins, por exemplo.” Ainda relativamente às possíveis comparações com a poesia trovadoresca, António Graça de Abreu destaca como podemos encontrar poemas muito parecidos com as Cantigas de Amigo. “Também há na China uma espécie de Cantigas de Amigo, mas é o homem que faz o poema, como se fosse a mulher a falar do companheiro.” Tal não quer dizer que não tenha havido mulheres a escrever poesia na China antiga, mas são casos muito pontuais. “As poetisas eram, muitas vezes, cortesãs, marginais na sociedade. Mas eram mulheres cultas, que tinham aprendido a escrever. Normalmente, as mulheres não sabiam ler nem escrever, mas as que faziam poemas na China, sobretudo na dinastia Tang, entre os anos de 600 a 900, eram cortesãs e, portanto, meio prostitutas”, explicou. Estas autoras “muito delicadas, dedicavam poemas inclusivamente aos poetas”. Tinham, portanto, “um núcleo de poetas com quem trabalhavam em amizade”. “Uma novidade” António Graça de Abreu assegura que esta obra “é uma novidade em Portugal porque nunca ninguém mexeu neste tema, a poesia erótica chinesa”. Este é, aliás, um resultado de muitos anos de pesquisa. “Entretive-me a comprar, ao longo destes anos e para fazer este trabalho, uma série de livros de poesia, inclusive dos Estados Unidos da América.” Relativamente a “O Sonho do Pavilhão Vermelho” é, para o autor, “um romance fabuloso, do século XVIII, um dos grandes romances da literatura universal, mas que está recheado de poemas e alguns eróticos”. “Já Mao Zedong dizia que cada chinês deveria ler cinco vezes o ‘Sonho do Pavilhão Vermelho'”, destaca. Houve uma época em que na China havia maior liberdade em termos de costumes, e Xangai “era o grande império da prostituição no Extremo Oriente, mas depois praticamente acabaram com a prostituição em Xangai nos anos 50, seguindo os princípios confucianos”. António Graça de Abreu escreveu no prefácio outra realidade muito comum nos anos da China imperial: as concubinas. “E que dizer da depurada prática sexual de mandarins e príncipes – afastados de qualquer idealismo romântico – que tinham à disposição inúmeras mulheres, esposas, concubinas, cortesãs e prostitutas para amar ou fingir o amor de amar?”. Graça de Abreu dá o exemplo de um poeta que, com 65 anos, comprou 10 concubinas. “Uma era a boquinha de cereja, e outra a cintura de salgueiro. Ele dizia que, com a cintura de salgueiro, era capaz de subir às árvores. Com 65 anos, está a ver? Portanto, o encantamento da mulher é uma constante em todas as civilizações, mas na China não se nota muito. Foi isso que tentei fazer nesta antologia, indo buscar poemas desde a era de Confúcio até aos nossos dias.” Na obra constam ainda notas sobre os períodos históricos a que remetem os poemas. Graça de Abreu diz ter procurado assegurar que os poemas “tivessem qualidade em português”, mantendo algum do ritmo do original chinês. “O poema tem de ter som, algumas rimas internas como tem em chinês. Como tradutor tenho de dar uma volta àquilo, para que fique bonito em português. É isso que me satisfaz, porque consigo dar algum valor ao poema, que, em português, fica com uma leitura agradável.” Esse é um dos desafios a que António Graça Abreu procura dar sempre resposta. “Se traduzimos mal o poema para português, ou se somos demasiado literários, estamos quase a assassinar o poema, e eu não quero isso, porque são poemas muito bonitos em chinês, com cor, sensibilidade, bom gosto. Ficamos a ver as pessoas à nossa frente”, rematou. Uma coisa é certa: este livro mostra “que os homens [chineses] sabem amar, e as mulheres também”, remata o autor.
Andreia Sofia Silva EventosExposições | Caligrafia de Ung Si Meng para ver no Parisian Ung Si Meng apresenta cerca de 80 trabalhos de caligrafia em mais uma mostra que celebra não apenas o seu percurso de dedicação à arte, mas também os 70 anos da Sociedade de Artistas de Belas-Artes de Macau. “Devoção à Sociedade e à Pátria: Caligrafia de Ung Si Meng” é o nome da iniciativa que pode ser vista no The Parisian Macau até Outubro O artista de caligrafia chinesa Ung Si Meng protagoniza uma mostra com o seu nome que celebra não apenas este género artístico como a sua carreira no mundo das artes. Mas “Devoção à Sociedade e à Pátria – Caligrafia de Ung Si Meng” é uma exposição que marca também o aniversário da Sociedade dos Artistas de Belas-Artes de Macau, que este ano celebra 70 anos de existência. A mostra pode ser vista no terceiro piso do The Parisian Macau, no Cotai, até ao dia 15 de Outubro. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), que dá apoio à organização, apresentam-se cerca de 80 trabalhos de caligrafia, “predominantemente em escrita clerical e escrita de selo, abrangendo formatos como rolos verticais, peças para centro de sala, folhas de leque e dísticos”. O artista retrata, com o pincel, “citações do Presidente Xi Jinping, máximas inspiradoras, poesia clássica chinesa, bem como reflexões do artista durante o processo de doação para a construção da Ponte Ci’an, em Xi’an”. Segundo a mesma nota, “a produção artística de Ung Si Meng está consistentemente impregnada de um profundo sentimento pela Pátria, e nas suas obras exprime o respeito pela cultura nacional e apresenta uma reflexão sobre a responsabilidade social”. Tendo em conta a celebração dos 70 anos da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, esta mostra revela também “as conquistas artísticas [de Ung Si Meng] na arte da caligrafia”, além de prestar “homenagem aos esforços e contributos de longa data para o desenvolvimento da área das belas-artes em Macau”. Ung Si Meng conta já com 90 anos de idade, tendo dito na inauguração da mostra que sempre foi um “entusiasta amador que percorreu o caminho da caligrafia durante quase sete décadas”. Além disso, o artista explicou que sempre encarou esta arte como a “reflexão da pessoa”, e cada obra da sua autoria “incorpora as suas reflexões sobre a vida, fazendo a reverência pela arte”. Para Ung Si Meng, “a caligrafia não é apenas uma forma de expressão artística, mas também um exercício de cultivo da mente e do espírito, que exige anos de prática árdua e uma contínua reflexão interior”. Uma vida cheia Ung Si Meng nasceu em Macau em 1934. Nos primeiros anos de carreira, leccionou na Escola Hou Kong, tendo dedicado depois muito do seu tempo ao serviço social. Foi deputado, na 9.ª e 10.ª legislaturas, da Assembleia Popular Nacional, bem como membro do Presidium e director do Comité Executivo da Comissão dos Diversos Sectores de Macau para as Actividades de Celebração do Retorno de Macau à Pátria. Em 2002, foi agraciado pelo Governo de Macau com a Medalha de Honra Lótus de Prata, sendo, actualmente, membro honorário da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. No âmbito artístico, exerceu durante longos anos cargos de direcção na Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, da qual é actualmente presidente honorário vitalício. Destaca-se o facto da obra de caligrafia da autoria de Ung Si Meng, “Prefácio da Cidade Proibida”, integrar a colecção da MGM Art Gallery, no MGM COTAI. No discurso de abertura desta mostra, que decorreu esta terça-feira, dia 15, a presidente do IC, Leong Wai Man, destacou como o percurso do artista “não constitui apenas uma marca pessoal da sua vida, sendo também um retrato vivo da transmissão da cultura chinesa em Macau”. Para a responsável, o pincel e a tinta não representam apenas “o aperfeiçoamento da técnica, mas também o profundo afecto pela pátria e a firmeza cultural de um veterano de Macau”, destacou, citada por uma nota da organização.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteRicardo Borges, académico e historiador: “‘Landins’ nunca criaram raízes em Macau” O Instituto de Estudos Europeus recebe amanhã uma palestra sobre a história dos “landins”, soldados moçambicanos destacados em Macau durante a administração portuguesa. O historiador Ricardo Borges descreve ao HM como a presença destes soldados no território passou a ser um incómodo para o regime a partir de 1961 Imagens cedidas por Ricardo Borges e publicadas na revista “Nam Van”, em 1986 Que tipo de investigação está a desenvolver sobre os “Landins”? Estou a preparar um doutoramento em História, focado na história militar de Macau, mais concretamente nas décadas de 1950 e 1960. O número de soldados africanos destacados para Macau atingiu o pico durante este período e julgo ser importante entender as circunstâncias ligadas à sua presença, pois as suas vivências e condição social eram diferentes dos soldados que vinham da metrópole. Neste sentido, procuro investigar as origens destes soldados e o seu recrutamento, as caraterísticas do seu modus vivendi dentro e fora dos quartéis, bem como reflectir sobre as ramificações da sua presença dentro e fora de Macau. Quais as principais razões para o envio destes soldados para Macau, e qual a sua origem? Eram sobretudo financeiras, e pela fácil adaptação que tinham para viver num clima de feições tropicais. As praças africanas eram classificadas como praças de 3ª Classe, enquanto que da metrópole eram de 1ª Classe, reflectindo-se em menos despesas de pré (salário), rancho (comida) e fardamento. Esta discriminação viria mais tarde a ser uma das razões para não haver mais soldados africanos em Macau, pois a discriminação institucional não se coadunava com os preceitos de um suposto luso-tropicalismo. A difícil adaptação dos soldados que vinham da metrópole ao clima tropical de Macau levou, já no século XIX, à procura de recrutas vindos de Goa. Todavia, o serviço militar deixou de ter apelo para os residentes de Goa, sendo depois o recrutamento alargado à Índia Britânica, conforme o modelo britânico das “raças guerreiras” com, por exemplo, os sikhs, maratas e muçulmanos Punjabi. No início do século XX, em resposta dos entraves britânicos às tentativas portuguesas de recrutar indianos para o serviço militar, começaram a ser organizados contingentes em Moçambique que, após anos de experiências, demonstraram grandes qualidades de bravura e disciplina. Estas excepcionais qualidades para o serviço militar tornaram-nos indispensáveis para a guarnição e defesa militar de Macau. Os soldados africanos destacados em Macau vieram sempre de Moçambique, à excepção de um período de dois anos, entre 1949 e 1951, quando vieram de Angola e da Guiné-Bissau. Que tipo de trabalho desenvolviam os “Landins”? Ficaram em Macau, criaram raízes no território? Os chamados “Landins” nunca tiveram oportunidade de criar raízes em Macau, sendo-lhes imposto sempre um período de comissão de dois anos. Após o término, tinham de obrigatoriamente regressar à origem para serem rendidos por outros soldados de África. Além do mais, um dos alicerces para a preferência pelo destacamento de soldados africanos estava precisamente na distância que estes tinham em relação à comunidade chinesa, pois a própria comunidade local tinha preconceitos sobre estes e discriminava-os. Deste modo, estes soldados estavam totalmente focados nas suas funções nos quartéis, garantindo uma maior dificuldade em cair em hábitos viciosos e, em situações mais difíceis, cumprindo ordens superiores com maior frieza. Porquê o uso da designação “Landim”? Pelas ligações a Moçambique, ou havia outra razão? O autor Walter Rodney sugere que os “Landins” eram uma classe social distinta no sul de Moçambique no século XIX, mas a designação “Landim” não aparenta ser um termo específico para identificar uma etnia ou povo em específico. Foi um termo que prevaleceu na consciência e no discurso público em Macau para se referir ao conjunto de soldados africanos destacados para cá. Na realidade, os soldados provinham de diversas áreas de Moçambique e de diferentes etnias. Com a descolonização, como ficou a situação dos “Landins” em Macau? Com o início das acções dos movimentos de independência em Angola e Guiné, a permanência de soldados africanos foi considerada problemática, pois receava-se que tivessem sido influenciados por esses acontecimentos e que a segurança da chamada província ultramarina de Moçambique estivesse em risco. Isto porque o Comando Militar em Macau, através dos seus serviços internos de informações, ficou a saber que algumas das praças africanas tinham sido submetidas a determinado grau de doutrinação ideológica por frequentarem escolas comunistas e estarem com elementos chineses que, falando bem português, exploravam junto das praças os temas de discriminação e desigualdade de tratamento entre europeus e africanos. Ora, enviar de regresso a Moçambique homens com preparação militar, com doutrinação política e espírito anti-português foi considerado um risco demasiado elevado, determinando o fim da presença de soldados africanos em Macau. Essa doutrinação tinha ocorrido nas escolas de Macau? Sim. Algumas praças africanas frequentavam escolas comunistas em Macau nos períodos de licença, ou dias de folga. Para atrair as praças, junto dos quartéis actuava um grupo chefiado por um dirigente comunista que se fazia rodear de raparigas chinesas jovens, explorando os temas mencionados e selecionavam as praças mais receptivas à mensagem. Os objectivos destes esforços de doutrinação política não eram imediatos, pois o que procuravam era lançar sementes de revolta dentro da província de Moçambique aquando o regresso destes soldados a casa. As discriminações relativamente a estes soldados partiam mais da comunidade portuguesa ou chinesa? Ambas as comunidades tinham preconceitos contra africanos. Havia discriminação institucional dentro do Comando Militar, mas a realidade era um pouco mais complexa, porque dentro dos quartéis não eram permitidos comportamentos discriminatórios por parte das praças europeias e vários comandantes. Na década de 50 alertavam para a necessidade uniformizar os regulamentos e abandonar as diferenças verificadas entre praças de 1ª Classe (europeus e macaenses) e praças de 3ª Classe (africanos). Com a comunidade chinesa não havia grande proximidade, pois os soldados africanos estavam limitados a comissões de dois anos, o que os dissuadia de estabelecer ligações mais fortes com a comunidade local. Os próprios chineses tinham respeito pelos “Landins”, mas a discriminação e xenofobia eram, infelizmente, comuns nessa época. Quais as principais acções militares em que participaram estes soldados? Foram várias, a começar pelos incidentes de “Chip Seng” de 1922, passando pela repressão de piquetes grevistas que em 1925 e 1926 disparavam contra as fortificações construídas nas Portas do Cerco, até aos graves incidentes de Julho de 1952, quando várias praças africanas foram gravemente feridas. Uma delas, o soldado Jacinto Mundau, veio a falecer no hospital militar de São Januário. O último contingente de soldados africanos partiu de Macau a 29 de Setembro de 1962, portanto anos antes dos acontecimentos do “1, 2, 3”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteHong Kong | Plano Quinquenal anuncia mais habitação e emprego Hong Kong anunciou ontem o primeiro Plano Quinquenal e as linhas de acção governativa do território que promete mais habitação, emprego e o desenvolvimento da zona de “Northern Metropolis”. Espera-se “um novo horizonte” para a RAEHK, com a aposta “na reforma e inovação” e o compromisso com políticas que assegurem a qualidade de vida O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, apresentou ontem o primeiro Plano Quinquenal da região vizinha. Depois de um período de consulta pública, foi divulgado o documento que se foca no emprego e habitação, mas não esquece matérias como a garantia da qualidade de vida, a implementação do princípio “um país, dois sistemas” ou ainda o reforço de medidas securitárias. Segundo a agência Reuters, John Lee prometeu a construção de 196 mil casas públicas em cinco anos, que deverá dar tecto a 2,5 milhões de pessoas. O Governo garantiu também que irá incentivar, em matéria de habitação, a “mobilidade ascendente”, com o objectivo de “melhorar a escada habitacional para promover a aquisição de casa própria entre os jovens”, disse o governante. Pretende-se, neste contexto, fomentar o desenvolvimento da área de Northern Metropolis, com cerca de 30 mil hectares e que fica muito perto do território chinês. A ideia é que a zona venha a “reforçar as ligações tecnológicas e económicas com o continente, com o objectivo de criar empregos e habitação”, descreveu a Reuters. Sobre o projecto, John Lee declarou que irá “reforçar ainda mais a competitividade global e o dinamismo de Hong Kong para um desenvolvimento sustentável”. Nos próximos dez anos, a oferta de habitação será dividida nas seguintes proporções: 40 por cento das casas públicas para arrendamento, 30 por cento de habitação subsidiada e outros 30 por cento de habitação destinada ao mercado privado. O documento traça objectivos para os anos de 2026 a 2030, visando “abrir novos horizontes e iniciar um novo capítulo” para o território, lê-se no website oficial do Plano Quinquenal. A Autoridade de Renovação Urbana planeia gastar cerca de 40 mil milhões de dólares de Hong Kong nos próximos cinco anos “em iniciativas de renovação urbana”, lê-se no Plano. “Tendo em conta o ano de início do 15º Plano Quinquenal [da China], este inaugural Plano Quinquenal da RAEHK está formulado para, de forma pró-activa, se alinhar com as estratégias nacionais de desenvolvimento e uma melhor integração” no país, pode ler-se. Há sete princípios definidos: “adesão ao princípio ‘um país, dois sistemas'”; “manter o compromisso” com a garantia de qualidade de vida no território; a liderança do poder Executivo, a aposta “na reforma e inovação”; a intenção de uma “dupla abordagem” nas ideias de um “mercado eficiente” e um “Governo capaz”. Pretende-se ainda, dentro destes princípios, “adoptar uma aproximação holística nas áreas do desenvolvimento e segurança”; além de se adoptar “um planeamento pragmático e pró-activo”. Finanças são o caminho John Lee assegurou que Hong Kong irá, com o Plano Quinquenal, “reforçar o seu papel enquanto centro global de negócios offshore em renminbis, como centro internacional de gestão de activos e património, e também como centro internacional de gestão de riscos”. Pretende-se o desenvolvimento de “um ecossistema de comércio de matérias-primas, alinhando-se os serviços financeiros com as necessidades da economia real”, declarou o governante. Segundo a Reuters, o Chefe do Executivo da região vizinha anunciou, para o primeiro trimestre do próximo ano, a criação do primeiro sistema central de compensação e liquidação de ouro da cidade. Além disso, a Autoridade Monetária de Hong Kong planeia implementar, até ao final deste ano, a liquidação através de moeda digital do banco central, acrescentou John Lee. Tendo em conta a importância do território para a transacção de mercadorias, o Plano Quinquenal contém a medida de transformar Hong Kong num “superconector” entre regiões, sobretudo com a Grande Baía. “Vamos acelerar o alinhamento com as principais estratégias nacionais no domínio da tecnologia”, disse o Chefe do Executivo. As grandes áreas de cooperação passam pela melhoria da qualidade de vida, cuidados de saúde, inteligência artificial, robótica e microelectrónica, entre outras. No contexto da Grande Baía e integração regional, o que se pretende é a “‘conectividade dos corações’ entre os residentes de Guangdong, Hong Kong e Macau”, através do “reforço da cooperação das instituições do ensino superior de Hong Kong” com as restantes regiões, a fim de “cultivar a junção de talento e cooperações entre Guangdong e Hong Kong”. Pretende-se, a este nível, “abrir horizontes para que os mais jovens possam desenvolver as suas carreiras” na Grande Baía, que inclui as duas regiões administrativas especiais e mais nove cidades da província chinesa. Criar uma nova marca Se Macau está a criar a sua Cidade Universitária em Hengqin, também Hong Kong tem planos para desenvolvimento a área do ensino superior. O Plano Quinquenal apresenta projectos para três áreas destinadas à instalação de campus universitários, criando a marca “Study in Hong Kong” [Estudar em Hong Kong] para atrair estudantes de todo o mundo, incluindo “talentos não locais”. John Lee indicou também que a ideia é “desenvolver um centro internacional de inovação e tecnologia (IT)”, criando-se um modelo “assente em três grandes parques de IT e cinco instituições-chave na investigação e desenvolvimento”. Em causa está o Parque de Hong Kong da Zona de Cooperação de Inovação Científica e Tecnológica Hetao Shenzhen-Hong Kong e o San Tin Technopole; o Science Park e o Cyberport. Por sua vez, estabelece-se a ligação com cinco instituições – Hong Kong Productivity Council, o Hong Kong Applied Science and Technology Research Institute, o Hong Kong Microelectronics Research and Development Institute, o Hong Kong Artificial Intelligence Research and Development Institute e o Life and Health Technology Research Institute. A ideia é “reforçar o sistema público de investigação e a eficácia do quadro de inovação e tecnologia”. De frisar que, com estes planos de mudanças a nível político e económico, as autoridades da RAEHK pretendem criar 650 mil empregos. John Lee referiu que um dos grandes objectivos do plano, e também do Executivo, é “melhorar o bem-estar da população”, definindo-se medidas nas áreas da “educação, desenvolvimento dos jovens e mulheres” e ainda o “reforço do apoio aos grupos desfavorecidos”. Na área da saúde, por exemplo, planeia-se “avançar com o desenvolvimento de infra-estruturas de cuidados de saúde”, no âmbito do Primeiro Plano de Desenvolvimento Hospitalar [First Hospital Development Plan]. Este tem por objectivo aumentar o número de camas nos hospitais públicos para 35 mil em 2031. Hong Kong também se depara com uma baixa taxa de natalidade e, a pensar nessa problemática, a linha de acção governativa inclui a extensão, por mais três anos, do incentivo de 20 mil dólares de Hong Kong para quem tenha o primeiro filho. Caso haja mais filhos, esse valor aumenta para 30 mil dólares de Hong Kong, sendo também concedidos subsídios para crianças, deduções fiscais e criados centros adicionais de cuidados infantis. Na área do ensino não superior, Hong Kong quer apostar “na integração progressiva da inteligência artificial (IA) na aprendizagem, ensino e avaliação”. Pretende-se, assim, “promover a educação digital para o reforço da aprendizagem dos alunos na matemática, ciências e tecnologia”, além de se criar “mais espaço” para a inovação.
Andreia Sofia Silva EventosExposição | Sons e imagens criam “experiência sensorial” de Macau Há um novo projecto artístico na capital portuguesa que junta o trabalho de um fotógrafo de Macau com o de uma artista portuguesa. A fazer lembrar as relações que Macau e Portugal mantiveram durante anos, “Into the Radiant Darkness” apresentou-se ao público no passado dia 10 na galeria Procur.arte, podendo ser vista até 9 de Outubro. Eis a oportunidade de vivenciar “uma experiência sensorial e performativa”, que vagueia entre “a luz e o movimento”, com imagens de Tang Kuok Hou e partituras áudio-cinestésicas de Inês Zinho Pinheiro. Segundo a descrição oficial do projecto, a fotografia, em junção com os sons, “posiciona a paisagem urbana como um ambiente de co-criação gerado a partir de distintas perspectivas culturais e disciplinas artísticas”. Também se articulam “as várias formas de pensamento que estão enraizadas no quotidiano das duas cidades”. Tang Kuok Hou fez uma série de fotografias sobre a iluminação de Macau, pautada, na sua maioria, pelo brilho dos casinos, e que se chama “Photosynthesis”. Inês Zinho Pinheiro transformou estas imagens em “texturas sensoriais e estruturas rítmicas, entrelaçando as suas memórias familiares e da sua viagem para Macau”. Desta forma, a artista compôs uma peça áudio de “prompts cinestésicos”, que acaba por traçar e revelar “o intrincado tecido urbano da cidade”. A interacção entre os dois artistas faz-se notar também através de um “passeio sonoro coreografado por Inês Pinheiro”, em Lisboa, e que é fotografado por Tang Kuok Hou. Cria-se, assim, “uma nova série de fotografias sobre a cidade”, num “quadro interactivo que encara Macau como o domínio da ressonância, ao mesmo tempo que designa Lisboa como uma presença encarnada”, descreve-se sobre a mostra. “Into the Radiant Darkness” é uma iniciativa do projecto MyLand Culture e tem curadoria de Pal Lok Chok e Mary Wong. Ao HM, Pal Lok destaca como o objectivo desta mostra foi “criar um espaço liminar onde as perspectivas estabelecidas sobre a forma de olhar para uma cidade e para os seus mecanismos subjacentes sejam reformuladas”. “Pensamos que a noite oferece frequentemente um encanto diferente, uma quietude em que os nossos sentidos parecem despertar de novo. Por isso, escolhemo-la como contexto para esta colaboração. A escuridão torna evidente o que permanece invisível sob o brilho do dia, enquanto as luzes artificiais ditam os nossos percursos e o que vemos.” Mary Wong acrescentou que o trabalho de Tang Kuok Hou trouxe a inspiração “para perceber o primeiro nível de contraste”. “A iluminação urbana radiante começa a traçar linhas através das arquiteturas à medida que a noite escura cai, ligando-nos às estruturas e genealogias tácitas, às pequenas fracturas dos nossos acontecimentos quotidianos ou às memórias que guardamos no fundo da nossa mente, abrindo uma rede alternativa da cidade em acção.” No entanto, adiantou a curadora, “uma vez que existe um registo visual de quietude distanciada nas fotografias de Tang, a sensação de calor sugerida pelo termo ‘radiante’ aponta também para um segundo nível de contraste, contribuído pela artista Inês Zinho Pinheiro”. A artista portuguesa “introduziu um encontro fenomenológico íntimo entre o eu e a cidade à noite através das suas partituras áudio cinestésicas”. Primeira de muitas Segundo a mesma nota, esta é a primeira exposição a ser organizada no âmbito da série “Macao&”, e que visa “promover um intercâmbio entre disciplinas e territórios, ligando Macau ao panorama artístico internacional”. Desta forma, esta mostra constitui um “diálogo interdisciplinar entre Macau e Lisboa”, fazendo-se uma nova conceptualização “dos laços entre duas cidades histórica e culturalmente ligadas, através da observação social e recorrendo a práticas artísticas contemporâneas”. Nascido em Macau em 1989, o fotógrafo Tang Kuok Hou trabalha bastante sobre as ligações entre os moradores de uma cidade, as paisagens, as diversas existências humanas que aí se podem encontrar e a natureza. Com as suas imagens, Tang trabalha temáticas como a cidade, o tempo, a memória e a cultura local. É um dos fundadores do colectivo fotográfico de Macau “Dialect”, tendo obras com a sua assinatura presentes nas colecções da Fundação Oriente ou Museu de Arte de Macau, entre outros. Por sua vez, Inês Zinho Pinheiro, nascida em Lisboa em 1993, é bailarina, formadora e investigadora, cujo trabalho combina movimento, escrita e práticas colectivas. É professora na Escola de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLivro | Joaquim Magalhães de Castro lança “Bengala e o Reino do Dragão” Acaba de ser editado o livro “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias”, de Joaquim Magalhães de Castro, cronista e viajante que viveu em Macau. O livro revive o percurso que os padres jesuítas Estevão Cancela e João Cabral fizeram pelos Himalaias, no século XVII, em busca de um sítio chamado “Cataio”, nome alternativo para a China Há muito que Joaquim Magalhães de Castro se dedica a vaguear pela Ásia em busca dos seus segredos, com particular incidência sobre as missões dos jesuítas portugueses e a presença histórica dos portugueses no continente. Depois do documentário “No Reino do Dragão”, exibido em 2022 na RTP, o autor e cronista resolveu editar um livro que nasce desse projecto audiovisual e que conta as aventuras dos jesuítas Estevão Cacela e João Cabral rumo ao Tibete Central, no século XVII, e que incluiu uma longa estadia no recém-criado Butão, no coração dos Himalaias. “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias” é o nome dado à obra apresentada recentemente na Feira do Livro do Porto, e que tem a chancela da Lema D’Origem. Estevão Cacela e João Cabral estiveram na missão jesuíta de Cochim e foram para Goa, no então Estado português da Índia. Saíram em 1626 do Golfo de Bengala para o Butão, onde chegaram em Fevereiro de 1627 e onde permaneceram largos meses. O objectivo, porém, era chegar ao Tibete Central e a um lugar chamado “Cataio”, ou seja, à China. Segundo o prólogo do livro, antes da chegada ao Tibete era preciso desbravar “as montanhas do reino do Butão, tarefa que não se adivinhava nada fácil”. Oito meses depois, e “após duas sofridas viagens – intercaladas por uma longa e privilegiada permanência no reino butanês –, Cacela atingiria Xigatsé”. Por sua vez, João Cabral chegaria a esse lugar uns meses depois, onde os dois criaram uma missão jesuíta. Ao HM, Joaquim Magalhães de Castro conta como este livro é fruto da viagem realizada há exactamente dez anos para a produção do documentário para a RTP. “Queria contar o resto da história das viagens dos jesuítas ao Tibete. Os padres João Cabral e Estevão Cacela foram os primeiros ocidentais a conhecer o Butão via Bengala, e nessa viagem que fizemos para o documentário passámos pelo Bangladesh, Bengala e Butão, seguindo mais ou menos o trajecto que os padres fizeram no início do século XVII.” Lançar este livro revelou-se importante dado que em 2026 celebram-se os 400 anos do início desta viagem. Dos oito meses que passaram no Butão, grande parte foram marcados por difíceis viagens a pé, em condições muito precárias, das quais restaram alguns escritos. “A chegada deles [dos dois padres jesuítas] coincide com a formação do Estado do Butão, que antes não existia nessa condição. Na primeira parte do livro falo dessa história”, explicou o autor. Joaquim Magalhães de Castro também se debruça “nas comunidades de católicos que vivem naquela zona de Bengala”, onde “há muita gente que se assume como tendo origem portuguesa, tendo ou não sangue português, e que têm apelidos portugueses”. Uma série de peripécias Por norma, naqueles anos, os jesuítas exploravam aquela parte do mundo pela Índia, “através das montanhas dos Himalaias”. Tratava-se de um percurso “cheio de peripécias, aventuras e dificuldades”, sendo que a primeira passava por tentar passar despercebido. “Eles iam sempre disfarçados de mercadores muçulmanos, por exemplo. A certa altura, disfarçavam-se de soldados, usavam todos os meios que tinham ao seu alcance para atingir o objectivo que queriam, que era chegar ao Tibete.” Além disso, a dupla de padres levava mercadorias para possíveis transacções, e “presentes que serviam como moedas de troca para favores”. “Agora existem fronteiras, mas na altura era mais complicado, e havia ainda muitos ladrões e uma série de dificuldades no trajecto em si. Logo em Daca [actual capital do Bangladesh], houve uma rebelião e eles foram praticamente linchados, tendo de se esconder em cima de uma casa com a ajuda de alguém. Conseguiram afastar-se, mas a aventura poderia ter terminado logo ali”, acrescentou. Estevão Cacela e João Cabral foram avançando entre autorizações de reis para atravessar território. Havia ainda “a questão das doenças, e um deles contraiu uma, talvez malária, e teve quase às portas da morte, tudo isto antes de chegar ao Butão”. Chegados a este país nos Himalaias, o monarca foi “previamente informado de que havia estrangeiros nas suas terras” e acabou por mandar “enviados especiais para saber o que é que eles [padres jesuítas] queriam, se traziam presentes”. O livro conta também “imensas histórias interessantes” que Estevão Cacela e João Cabral deixaram até chegar ao Tibete Central. “De certa maneira enganaram o próprio rei, que os tinha como hóspedes, mas, ao mesmo tempo, prisioneiros. Eles [autoridades asiáticas] gostavam de ter estrangeiros, pois eram pessoas exóticas e com conhecimento, cultas.” Joaquim Magalhães de Castro realça a permanência de estrangeiros sob uma ténue vigilância mediante um acordo tácito, uma espécie de moeda de troca. “Havia a questão da curiosidade, e depois claro que os portugueses tinham o objectivo de envangelizar [as populações].” Sinais que perduram O autor de “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias” adiantou que ainda hoje, nas escolas do Butão, “as crianças aprendem nos manuais escolares quem foi João Cabral e Estevão Cacela como os dois primeiros ocidentais a chegar ao Butão”. “Enquanto que, no Tibete, a memória desapareceu completamente, no Butão continua e é ensinado na escola, além de que pessoas com alguma cultura sabem essa história”, acrescentou. Ao longo dos anos houve registos, “documentos que não foram publicados, que não foram descobertos, ou que se perderam”. Estas viagens feitas pelos jesuítas “eram especiais e únicas, feitas com muitas dificuldades”. Joaquim Magalhães de Castro já as fez, quer na qualidade de documentarista, quer como guia turístico, e assume: “só podemos sentir um bocadinho do que eles passaram”. “Há zonas em que se sobem as montanhas, uma cada vez mais alta do que outra, com vales e precipícios, coisas incríveis, com uma profundidade… é como multiplicar as nossas montanhas várias vezes. E eles referem isso nos seus diários. Imagine-se fazer isto a pé, sempre com ladrões, a ter de pagar isto e aquilo”, rematou. De destacar que o par de religiosos aventureiros tiveram relações com Macau, que por esta altura já tinha uma presença jesuíta bem firmada: João Cabral foi vice-reitor do Colégio de São Paulo, a primeira instituição de ensino superior de estilo ocidental na Ásia. A escola foi fundada em 1594 e servia para preparar os missionários jesuítas nas suas missões. Tinha disciplinas como Latim, Teologia, Filosofia, Matemática, Chinês e Japonês, entre outras.
Andreia Sofia Silva EventosLivraria Portuguesa | AFA apresenta pinturas de Chan Man Kin Chan Man Kin apresenta, a partir do dia 21 deste mês, “Vessel – Raging Waves”, uma mostra individual organizada pela AFA – Art for All Society. A exposição, com curadoria do arquitecto Andre Lui, pode ser vista na Livraria Portuguesa A AFA – Art for All Society tem apostado na exibição de trabalhos dos seus parceiros através da “Série de Exposições Individuais dos Novos Membros da AFA”. É neste contexto que se apresenta, entre 21 de Setembro e 22 de Outubro deste ano, na Livraria Portuguesa, a exposição “Vessel – Raging Waves” [Embarcações – Ondas Violentas], de Chan Man Kin, com curadoria do arquitecto Andre Lui. Segundo um comunicado da AFA, a exposição é composta por “uma selecção de obras representativas de diferentes períodos da carreira de Chan”. Desta forma, é traçada a sua “evolução artística desde o realismo figurativo, passando pela desconstrução de formas estabelecidas”, chegando-se a um “estado incessante de abstração pura”. Algumas destas obras são “Boxes” e “Peaches”, quadros que carregam em si “um significado interno” e que começaram a ser pensados e trabalhados a partir dos anos de pandemia. Segue-se a série de trabalhos intitulada “The Box”, onde “chamas misteriosas simbolizam o conflito interior e o transbordar das fronteiras”, descreve a organização. Já “Nuclear Fission” é uma obra que remete para um controlo que é “abandonado para abraçar forças primárias, através de processos que envolvem o corpo”. Por sua vez, em “Raging Waves”, onde a tela é “libertada de todos os objectos reconhecíveis, permitindo que o material se transforme através da gravidade e do acaso”. Desta forma, há uma “profunda passagem” entre “ver o objecto” e a fase de “contemplar a mente”. A AFA destaca como a exposição está muito ligada aos anos da pandemia, quando o artista sofreu uma espécie de transformação na forma de pintar e criar. Ao abrir, nos anos de confinamento, caixas de encomendas, o artista começou a reflectir sobre os “motivos visuais” desse objecto e de como podem representar “a ordem racional”. Chan Man Kin também olhou para diversas formas naturais, nomeadamente pêssegos, como símbolo de “vitalidade e perecibilidade”. Ao longo das obras do artistas, contrates e conceitos encontram um lugar de expressão artística através da pintura. “A imposição destes elementos fundamentalmente diferentes no mesmo campo de visão cria uma poderosa tensão psicológica, reflectindo as contradições interiores [do artista] não resolvidas entre razão e emoção, confinamento e liberdade”, destaca a AFA. Mescla de influências Chan Man Kin não é um artista com uma só linguagem artística. Segundo a AFA, o seu vocabulário visual “combina de forma magnífica as tradições artísticas orientais e ocidentais”. A sua obra é sinal da fusão da “pincelada vigorosa do expressionismo abstracto americano com as técnicas tradicionais ‘juam-shui’ e ‘juam-fan’ (infusão de água e pó) da Escola de Pintura de Lingnan”. Estas “práticas materiais que envolvem um envolvimento físico”, sendo que Chan Man Kin faz um “questionamento contínuo sobre os limites, mutação e libertação”. O público que visitar a mostra patente na Livraria Portuguesa é desafiado a seguir “o pincel desde uma cena estável de pintura observacional, passando por um labirinto de imagens de matéria em chamas e formas fragmentadas”. No final, acede-se a um “espaço espiritual formado por imensas ondas de abstração”.
Andreia Sofia Silva SociedadeÓbito | Kevin Thompson faleceu aos 74 anos O professor britânico Kevin Thompson, ligado a inúmeras entidades locais e a viver em Macau desde 2013, faleceu aos 74 anos. Segundo noticiou a imprensa local, Kevin Thompson estava ligado à educação, tendo sido um dos fundadores do Moon Chun Memorial College, da Universidade de Macau, além de ter sido presidente da Câmara de Comércio Europeia em Macau, bem como vice-presidente da Câmara de Comércio Britânica em Macau. Numa nota divulgada nas redes sociais, a Câmara de Comércio de França em Macau destacou o facto de Kevin Thompson ter trazido “uma perspectiva única e inestimável à Câmara de Comércio – ajudando a fundir a nossa comunidade de negócios com a sua profunda paixão pelas artes, cultura e educação”. “O mundo conheceu-o como uma proeminente figura do mundo das artes performativas e como antigo mestre do Moon Chun Memorial College na Universidade de Macau, mas na Câmara de Comércio vamos lembrá-lo como um cavalheiro cosmopolita que defendeu incansavelmente os laços culturais e empresariais entre Macau, França e toda a comunidade europeia”, lê-se ainda na mesma nota. Kevin Thompson foi condecorado, em 2017, Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelas mãos do Presidente francês Emmanuel Macron. Em 2022, foi ainda agraciado com o “Prémio da Paz” atribuído pelos “Sino Phil Asia International Peac Awards” pelo seu trabalho desenvolvido na área da educação, belas artes e desenvolvimento da juventude. Kevin Thompson mudou-se para a Ásia em 2004, tendo sido director da Academia de Artes Cénicas de Hong Kong e director fundador do Conservatório de Birmingham, no Reino Unido.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMetro Ligeiro | Conselheiro quer mais comércio ligado à cultura O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários Si Iat defende que no planeamento das zonas comerciais do Metro Ligeiro se deve apostar no turismo cultural. O conselheiro defende a introdução de produtos dos países de língua portuguesa No planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve ser dada atenção à cultura e património, apostando-se em modelos de negócio que estabeleçam uma ligação com as zonas de Macau por onde passa este meio de transporte. A ideia foi defendida por Si Iat, conselheiro dos Serviços Comunitários, que, segundo o Jornal do Cidadão, sugeriu ao Governo os exemplos das cidades da Grande Baía ao combinar o transporte urbano com o turismo cultural. Em declarações ao jornal chinês, o conselheiro explicou que se deve apostar em negócios e espaços comerciais que promovam a cultura de cada bairro ou zona de Macau, revitalizando-se, desta forma, o ambiente comercial do Metro Ligeiro. Outra das sugestões de Si Iat passa pela atracção de marcas de Macau para as estações do Metro Ligeiro, além da aposta numa zona de exposição de produtos oriundos dos países de língua portuguesa. O responsável defendeu também que a entidade gestora deste meio de transporte, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, pode trabalhar com as autoridades no sentido de reservar algumas lojas com renda controlada para que os jovens locais possam desenvolver os seus negócios. Si Iat deu o exemplo da empresa gestora do metro de Hong Kong, a MTR Corporation Limited, que cobra a renda das lojas conforme as receitas obtidas, ao invés de cobrar um montante mensal fixo. Patacas nas fronteiras Tendo em conta as estações do Metro Ligeiro que vão estar perto dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao, o conselheiro disse que a aposta das autoridades deve ser em lojas de conveniência, tendo em conta o elevado número de visitantes. Si Iat considera que podiam ser abertas lojas de levantamento de mercadorias com isenção de impostos, lojas de lembranças turísticas ou ainda de venda de cartões de telemóvel, bem como de câmbio de moeda. A ideia é disponibilizar os serviços mais procurados pelos visitantes dentro das estações, ou nos percursos de ligação. Porém, Si Iat defende que o comércio nestes espaços do metro deve procurar dar resposta às necessidades dos moradores destas zonas que vão trabalhar ou que simplesmente usam o metro para se deslocar no dia-a-dia, com a abertura de supermercados, cafés, cabeleireiros ou lojas do Taobao. As estações do metro também poderiam acolher feiras aos fins-de-semana ou feriados, acrescentou, além de que algumas lojas poderiam ser alugadas a curto prazo para a apresentação de produtos da área das indústrias criativas. Por sua vez, Kuok Meng Chit, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, disse que a estação do Metro Ligeiro da Barra faz uma importante ligação entre meios de transporte, mas que as lojas que estão na estação não estão localizadas nas zonas que os passageiros têm de atravessar, o que afecta o interesse comercial destes espaços. Assim, o conselheiro disse que, o planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve dar atenção à localização das lojas, para que haja uma conjugação com os percursos feitos pelos passageiros.
Andreia Sofia Silva SociedadeBanca | OCBC deixa de aceitar pedidos de empréstimos A sucursal de Macau do OCBC Bank deixou de aceitar, desde ontem, pedidos para cartões de crédito, empréstimos hipotecários residenciais, empréstimos para aquisição de automóveis e ainda empréstimos pessoais. Segundo um comunicado do banco, estas alterações dizem respeito à nova “orientação estratégica” do banco, que passa pelo reforço “no foco da gestão do património e outros serviços bancários essenciais”. Desta forma, “os actuais titulares de cartões de crédito receberão comunicações separadas do banco com detalhes sobre as disposições de transição relevantes, datas importantes e outras informações relacionadas”. Já os clientes que contraíram empréstimos “não haverá alterações nas condições dos seus empréstimos actuais”, explica o OCBC Bank. A sucursal destaca também a manutenção do “firme compromisso de servir a comunidade de Macau e apoiar os clientes em todas as fases do seu percurso financeiro”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaHengqin | Sam Hou Fai defende visão integrada de políticas O Chefe do Executivo pediu aos secretários uma “abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na implementação de políticas. Sam Hou Fai vincou a importância de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau Sam Hou Fai presidiu ontem à sexta reunião do Grupo de Liderança para a Promoção da Construção da Zona de Cooperação em Hengqin, tendo defendido que “todos os sectores do Governo da RAEM devem estabelecer uma abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na adopção de medidas e políticas para o território. Segundo um comunicado difundido pelo Gabinete de Comunicação Social, o encontro serviu para a definição de políticas a adoptar na Zona de Cooperação, contando com os cinco secretários que compõem o Executivo local. No processo de integração entre Macau e Hengqin, Sam Hou Fai lembrou que se deve continuar a promover “os quatro projectos-chave de Macau”, sendo que um deles é a construção da nova Cidade Universitária. Na visão do governante, as autoridades devem “alinhar as regras e integrar mecanismos a fim de avançar na integração entre Macau e Hengqin”. O Chefe do Executivo destacou também “a importância desta reunião especial”, dado realizar-se “no momento crucial que é o quinto aniversário da criação da Zona de Cooperação, o que tem um impacto significativo”, disse. Assuntos dos dois lados Sam Hou Fai referiu também que a sexta reunião deveria ser encarada como “uma oportunidade para acelerar a implementação do ‘pacote de políticas e medidas'” já delineadas para esta zona. Além disso, “os próximos passos devem ser planeados de forma abrangente para levar os trabalhos da Zona de Cooperação a um novo patamar”, descreveu. Desta forma, Sam Hou Fai “reiterou a necessidade de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau”, devendo existir um alinhamento com o 15º Plano Quinquenal do país, bem como com o mais recente Plano de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM. Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, esteve presente na sessão. Sam Hou Fai lembrou a importância de “estudar o espírito da reunião e o discurso do director Xia Baolong”, a fim de as autoridades poderem implementar “de forma integral todos os planos de trabalho”.
Andreia Sofia Silva SociedadeMGM abre hotel em Shenzhen A MGM China acaba de anunciar um novo investimento na cidade chinesa de Shenzhen, através da subsidiária MGM Hospitality Group. Trata-se do hotel “Shenzhen Prince Bay”, com 298 quartos, um empreendimento situado em Prince Bay, zona de Shekou, no distrito de Nansha. Segundo um comunicado da empresa, trata-se de uma aposta clara na região da Grande Baía, estando o hotel “situado junto a uma importante porta de entrada marítima”, nomeadamente o porto de cruzeiros de Shekou. Segundo a MGM China, a unidade hoteleira “proporciona um acesso facilitado às cidades da região e a mercados internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de Shenzhen enquanto importante destino internacional de consumo, enriquecendo-se também a sua oferta cultural e turística”. Citada por uma nota, Pansy Ho, presidente e directora-executiva da MGM China, disse que a chegada do “Shenzhen Prince Bay” representa “mais do que a abertura de um novo hotel”, mas também “o compromisso duradouro com o mercado chinês”. Toque cinematográfico O empreendimento tem a assinatura do atelier GP Architects e da empresa LTW Designworks, tendo como conceito a ideia de “jardim à beira-mar”. O projecto baseia-se ainda “em três actos inspirados no cinema clássico da MGM: um refúgio florestal, uma descoberta cromática e um retiro tranquilo entre as montanhas e o mar”. No que diz respeito a arquitectura e decoração de interiores, a inspiração surgiu “da linha costeira de Prince Bay e do património ligado ao porto de cruzeiros”. Os hóspedes podem, assim, ver elementos estéticos relacionados com a água, com “grande impacto no átrio”, existindo ainda “uma instalação artística ao nível do céu e o topo suspenso da torre”. Trata-se de evocar “o convés de um navio de cruzeiro”, sempre “com o romantismo da costa marítima em cada perspectiva”. O empreendimento conta ainda com uma área de três mil metros quadrados para eventos, espaços de lazer e de treino. Yang Lirong, presidente da empresa Yunnan Xiangfeng Industrial Group, proprietária do hotel, disse que, em conjunto com a MGM China, criou-se um destino “que combina o charme distinto do porto com padrões elevados de hotelaria, elevando as ofertas de Prince Bay em matéria de negócios, turismo e cultura”.
Andreia Sofia Silva PolíticaPlano Quinquenal | Ensino e turismo são “prioritários” O Governo aposta todas as cartas nos projectos da futura Cidade Universitária, em Hengqin, e Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. A ideia foi deixada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, ao falar em mais uma sessão de consulta pública sobre o 3.º Plano Quinquenal da RAEM. No seu discurso, a governante destacou que “um dos projectos prioritários da área dos Assuntos Sociais e Cultura é a promoção da construção da ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’”, com a aposta na internacionalização. Além disso, pretende-se “o impulsionamento robusto da construção da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, para que esta seja “um novo marco cultural da cidade, uma nova plataforma de transmissão cultural e um novo motor de desenvolvimento”. O Lam fez referência ao anúncio do concurso para o Museu Nacional da Cultura de Macau, cuja escolha da proposta de arquitectura “será concluída dentro do corrente ano”. “Iremos empenhamo-nos em finalizar as obras da primeira fase da construção do pavilhão de exposição até 2029”, destacou.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCinema | Fundação Oriente recebeu estreia de “The Violin Case” “The Violin Case”, a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny, teve a estreia europeia na sexta-feira na Fundação Oriente, em Lisboa. O filme conta a história de um artista que se vê enrolado em múltiplas peripécias enquanto procura um violino perdido. O filme rodado durante a pandemia procurou captar a essência de Macau Quem nunca teve problemas com um taxista em Macau? A questão transversal é o ponto de partida para a história de Theo, um artista que transporta um violino pintado com a figura do Napoleão Bonaparte, obra de arte que é o ponto de ignição para um autêntico incêndio narrativo. A impossibilidade de pagar a totalidade da tarifa de táxi, leva o motorista a vingar-se e simplesmente arrancar com o veículo, levando a que Theo perca o violino que tinha de entregar nessa noite. Este episódio, que se inspira numa história verdadeira, é o mote para a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny. Depois da estreia em Macau, “The Violin Case” teve a sua estreia europeia na última sexta-feira, no Auditório Dr. Stanley Ho da Fundação Oriente (FO). O público pode ver de perto os actores, o realizador e parte da equipa de produção, incluindo António Vale da Conceição, músico macaense responsável pela banda sonora. “The Violin Case” é um filme que retrata a noite de Macau com todos os seus ingredientes: as ruas quentes e desertas, os táxis e carros a deambularem de um lado para o outro, os néons que dão ao território uma essência tão especial. Maxim Bessmertny conseguiu fazer um filme onde o jogo está longe de ser o principal protagonista, nem sequer o Cotai. Há personagens que remetem para as muitas vidas que Macau tem e teve, de pessoas que, não nascendo no território, fizeram dele a sua casa. É o caso da personagem Pauline, interpretada pela designer Clara Brito, que, na trama, foi viver para o território nos anos 80 devido aos negócios do pai, e que vira uma galerista sem escrúpulos. Ao HM, Maxim Bessmertny revelou como esta foi a primeira vez que mostrou um trabalho cinematográfico seu em Lisboa. “É uma sensação incrível porque vim cá com os actores, a Clara [Brito], o Filipe Baptista Tou, que também é músico, actor, empreendedor de Macau. É a primeira vez que vou mostrar qualquer trabalho meu em Portugal. Mostrei as curtas-metragens, mas estávamos na altura da covid-19. Espero que as pessoas gostem do filme, que haja mais exibições e que o cinema independente continue a crescer.” O realizador revela a dificuldade em chegar à programação de festivais de cinema com uma longa-metragem. “É este o nosso trabalho [mostrar o filme]. Eu, com as curtas-metragens, tive a sorte de entrar em festivais, mas com as longas-metragens é muito mais complicado, porque um festival de cinema recebe cerca de quatro mil filmes. É impossível.” Desta forma, salientou, “é preciso ser um pouco mais criativo com as coisas, e não depender apenas de reuniões e convites”, referiu, explicando a presença na FO. Outras organizações de Macau, como a Fundação Macau ou a operadora de jogo Melco, deram também apoio, tal como o Governo da RAEM. Filmar durante a covid Fazer “The Violin Case” implicou enfrentar o período de confinamento em Macau na fase da covid-19. Implicou fazer escolhas e, muitas vezes, esperar até ao último momento para tomar decisões. Maxim Bessmertny é filho do pintor russo Konstantin Bessmertny, há décadas radicado em Macau. Eles próprios perderam um violino há muitos anos, em Hong Kong, e foi esse lado real que o realizador transpôs para a sua primeira longa. “O filme inspira-se num acidente que aconteceu ao meu pai, pintor que nasceu na Rússia e veio para Macau nos anos 90, onde cresci. A minha primeira memória é, portanto, de Macau, e o filme é inspirado nas imagens de Macau, na noite, e também na aventura que tive com o meu pai, em Hong Kong, quando ele perdeu o violino.” “Passámos a noite inteira à procura da peça de arte, e no final não o conseguimos encontrar. Fomos à polícia, fizeram-se umas investigações, e não aconteceu nada nessa noite. Só o facto de eu estar à frente de um polícia de Hong Kong a fingir que era advogado do meu pai…”, recordou Maxim Bessmertny na apresentação do filme, para divertimento da plateia. “Tentei escrever vários guiões, mas nada era muito real. Era tudo mais ligado aos anos 40, ao período da II Guerra Mundial, sempre passado em Macau, com o Casino Lisboa. Era difícil financiar isso. Lembrei-me da história do violino, estava a ver ‘After Hours’, do Martin Scorsese, e foi uma explosão de ideias”, explicou Maxim sobre o momento em que teve a ideia sobre aquilo que ia filmar. Questionado pelo HM sobre os principais desafios do projecto, o realizador destacou a rodagem do filme, que coincidiu com os tempos da pandemia. “Quase não filmámos, porque havia um confinamento todos os dias, testes. Não sabíamos se íamos realmente filmar, então foi sentir pânico até ao último minuto.” E nesta história não falta, sequer, o ingrediente da superstição. “No dia 1 de Setembro fizemos a cerimónia do Pai San, e não houve chuva durante as nossas noites de filmagens. Tivemos quase um mês inteiro sem chuva, e percebi que talvez os ventos estivessem do nosso lado.” Maxim Bessmertny destaca como teve “sorte, e muita sorte com as pessoas, que entenderam que estávamos a fazer uma coisa maluca num tempo maluco, com ideias malucas: várias localizações, quase 42, em 24 noites. Muitas personagens. Esse foi o grande desafio, o de conseguir chegar ao final”. O realizador transformou a história que viveu com o pai fazendo-lhe adaptações. Theo, interpretado pelo jornalista e músico Kelsey Wilhem, é, por exemplo, “um artista mais novo”. “The Violin Case” foi também feito à imagem de “The After Hours”, película de 1985 com assinatura de Scorsese. “Escrevi o argumento numa semana”, confessou Maxim Bessmertny. E tudo se compôs depois disso. O malvado motorista Filipe Baptista Tou tem um dos papéis mais importantes da trama: é motorista de táxi e responsável por levar o violino para bem longe de Theo. Ao HM, Filipe recorda a experiência. “Para começar filmámos este filme durante a pandemia e todos nós estávamos em confinamento, não tínhamos nada para fazer. Conheci o Maxim num podcast, conversámos, e ele disse-me que ia fazer um filme. Um ano depois perguntou-me se queria entrar. Ele deu-me a escolher entre dois personagens, um deles o de motorista de táxi. Fiz os dois, e tinha a ideia de que conseguiria fazer este papel na vida real. Quando fiz o teste, eles disseram: ‘Ok, temos o nosso condutor de táxi'”. Filipe Baptista Tou destaca a importância de apresentar “The Violin Case” na Europa já que, em Macau, “não são feitos muitos filmes”. “Na maioria, são feitas curtas-metragens e eis que o Maxim decidiu fazer este filme, trabalhando com pessoas de diferentes nacionalidades. É um privilégio para mim estar no filme”, acrescentou. “Precisamos de mais tempo [para desenvolver a indústria do cinema], porque de facto não temos uma grande indústria de entretenimento em Macau, com compositores, músicos, actores… Macau é muito pequeno, e estamos ainda a tentar mostrar-nos lá fora e conectarmo-nos com mais pessoas e países. O facto de estarmos aqui constitui uma grande oportunidade.” Por sua vez, Clara Brito confessou que a possibilidade de interpretar Pauline surgiu quando buscava novos desafios. “Foi uma fase em que estava particularmente aberta a novos desafios, e não tinha grandes expectativas. Para mim, era entusiasmante fazer parte do projecto, e estávamos naquele contexto fechado, com Macau parada, e sendo eu da área criativa, interessava-me.” A apresentação do filme contou com a presença do pintor e artista Manuel San-Payo, que viveu em Macau e partilhou a sua vivência com Konstantin Bessmertny.
Andreia Sofia Silva Grande Plano Manchete11 de Setembro | Ataque às Torres Gémeas aconteceu há 25 anos A 11 de Setembro de 2001, Jorge Silva tinha acabado de apresentar o telejornal quando se deparou com a catástrofe do outro lado do globo que viria a mudar o mundo. O analista Pedro Ponte e Sousa destaca como a queda das Torres Gémeas alterou “profundamente a ordem internacional” O 11 de Setembro foi há 25 anos e, tantos anos depois, a imagem da queda das Torres Gémeas em Nova Iorque, após o embate de dois aviões desviados por terroristas da Al-Qaeda, ainda permanece na memória vívida. O mundo parou e as televisões permaneceram ligadas a imagens que pareciam ficção, mas que eram terrivelmente reais. Em Macau, Jorge Silva, pivot recentemente aposentado da TDM – Teledifusão de Macau – tinha acabado de apresentar o telejornal, o relógio batia as 21h. “Recordo-me perfeitamente desse dia porque acabei o telejornal como habitualmente, por volta das nove horas, e quando chego à redacção, um colega meu da altura que já não é jornalista, Rui Moura, disse-me: ‘Jorge, vê a televisão porque um avião acaba de bater no World Trade Center’. Por um segundo, perguntei: ‘Isto é no World Trade Center de Macau? O que se passa?’. Liguei a televisão, e percebi que era em Nova Iorque, e era uma coisa medonha. Logo a seguir, outro avião.” Jorge Silva ligou ao pai, que estava em Portugal, perguntando-lhe se estava a ver o horror em directo. “O meu pai respondeu: ‘Isto é a Terceira Guerra Mundial’. Assim mesmo.” A actualidade noticiosa dos anos seguintes foi pautada pelo ataque às Torres Gémeas e os seus protagonistas: Osama Bin Laden, anos mais tarde capturado e morto pelos Estados Unidos da América (EUA), a organização que liderava, a Al-Qaeda, e o terrorismo como alvo a abater. “Pegámos [a TDM] no dia seguinte, porque naquele dia não havia mais nenhum serviço noticioso. Por umas horas ninguém sabia exactamente o que estava a acontecer, mas o nome de Osama Bin Laden já estava a circular. Foi algo inusitado, ninguém imaginaria uma tragédia como essa. Aquilo transformou as nossas vidas e foi matéria noticiosa durante anos.” O crescimento de Pequim Na visão do analista Pedro Ponte e Sousa, investigador do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais e analista político na RTP, “o 11 de Setembro mudou profundamente a ordem internacional, mas talvez de uma forma diferente daquela que Washington imaginou”. Isto porque “os atentados permitiram aos EUA transformar o combate ao terrorismo no princípio organizador da sua política externa durante quase duas décadas. O resultado foi a chamada ‘guerra global contra o terrorismo’, com o Afeganistão, Iraque, Guantánamo, operações extraterritoriais, assassinatos selectivos e uma extraordinária expansão dos poderes de vigilância”. A Guerra no Iraque levou, no entender do analista, a uma “erosão” da ordem internacional. “A invasão do Iraque em 2003, fundada em alegações sobre armas de destruição maciça que se revelaram falsas, o combate ao terrorismo deixou de ser apenas uma política de segurança e tornou-se uma espécie de licença geopolítica para o exercício da força.” Desde então, os EUA “concentraram enormes recursos políticos, militares e financeiros no Médio Oriente e na ‘guerra ao terror'”, enquanto “a China consolidou a sua ascensão económica e estratégica”. Para Pedro Ponte e Sousa, a China tornou-se, nos 20 anos que se seguiram, “numa potência económica global e progressivamente numa potência política, tecnológica e militar. A ‘guerra global contra o terrorismo’, que pretendia consolidar a primazia norte-americana, contribuiu também para criar as condições em que a China pôde reduzir a distância em relação aos EUA”, referiu. Mudanças práticas Jorge Silva recorda o “medo” que pairava por toda a parte e mudanças no dia-a-dia das pessoas, tal como na forma de viajar. “Não podíamos transportar determinados produtos que antes transportávamos na mala de mão e que passaram a ir para o porão. Começou também um maior controlo das transferências bancárias”, graças a suspeitas que, na altura, pairavam sobre financiamentos e o envolvimento de estudantes nos atentados terroristas. O ex-jornalista recorda também como, a seguir ao 11 de Setembro, “começaram pequenos ataques contra alvos ocidentais”. “Aqui na Ásia, na Indonésia, discotecas e restaurantes ocidentais eram alvo de ataques de células ligadas à Al-Qaeda, por parte de terroristas radicais e, sobretudo, anti-Ocidente. Percebemos que o mundo tinha mudado. E mudou para sempre”, frisou. Jorge Silva não tem dúvidas que tudo isso culminou no actual panorama político nos EUA, pautado pela era Trump. “A situação agravou-se nos últimos tempos com Donald Trump, um presidente norte-americano completamente paranoico. Iniciaram-se uma série de aventuras hegemónicas norte-americanas, e não apenas anti-islâmicas, criando-se uma grande agitação no mundo, e estamos a pagar esse preço.” A IA na nova era Pedro Ponte e Sousa diz que a grande conclusão que se deve tirar do 11 de Setembro, e de tudo o que sucedeu nos 25 anos posteriores, é que “não se derrota uma ideologia através da guerra permanente”. “A Al-Qaeda foi profundamente debilitada e o Estado Islâmico perdeu o território que chegou a controlar, mas o terrorismo jihadista não desapareceu. E surgiram novas formas de extremismo, incluindo fenómenos de radicalização online e comunidades violentas sem uma estrutura organizacional clássica.” O analista destaca que hoje existem “redes digitais descentralizadas e com jovens radicalizados através da Internet”. “A grande lição deveria ser que a segurança não pode ser reduzida à dimensão militar. Quando se responde a um fenómeno político, social e ideológico fundamentalmente com bombardeamentos, ocupações e repressão, pode-se destruir organizações concretas, mas não se eliminam necessariamente as condições que alimentam a violência.” O analista não esquece as novas tecnologias, sobretudo a inteligência artificial (IA), e as novas formas de conflito, com o perigo da “utilização da ameaça tecnológica para justificar uma nova expansão dos mecanismos de vigilância e controlo”. “Foi exactamente isso que aconteceu depois de 2001. O medo legítimo do terrorismo foi utilizado para normalizar formas de vigilância que, em circunstâncias normais, seriam politicamente muito mais difíceis de aceitar. Com a IA, esse risco é ainda maior”, rematou. Estudo | Mais de 80% dos americanos lembram-se do ataque às Torres Gémeas Um inquérito realizado entre 24 e 30 de Agosto deste ano pelo Pew Research Center destaca que muitos adultos se recordam perfeitamente do 11 de Setembro e dos pequenos detalhes que povoaram as suas vidas nesse dia. Segundo o centro de estudos, “muitos americanos recordam esse dia com clareza”, já que “83 por cento dos adultos nascidos antes de 2001 – incluindo 93 por cento daqueles que tinham 10 anos, ou mais, na altura – afirmam lembrar-se exactamente onde estavam ou o que estavam a fazer quando ouviram a notícia”. O Pew Research Center destaca como “à medida que os ataques se tornam mais distantes no tempo, a percentagem de adultos americanos que não viveram aquele dia continua a aumentar”, já que “10 por cento dos adultos de hoje nasceram depois de 2001 e só conhecem os ataques através do que aprenderam com outras pessoas”. Além disso, os inquiridos que são hoje adultos, e que têm entre 18 e 24 anos, diz ter ficado a saber do 11 de Setembro pela primeira vez “nas aulas ou através de trabalhos escolares”, representando 60 por cento de todos os participantes. “Uma percentagem menor afirma ter tomado conhecimento dos ataques pela primeira vez através da família ou de amigos, 16 por cento; ao ler ou ver algo por conta própria, 8 por cento; ou de outra forma, 1 por cento.” Para a realização do inquérito, o Pew Research Center entrevistou 5.166 adultos norte-americanos. O inquérito comprova como o ataque às Torres Gémeas deixou “efeitos profundos no país”. “As sondagens realizadas na sequência desses acontecimentos revelaram um sentimento generalizado de medo, raiva e tristeza, a par de um apoio esmagador da opinião pública a uma acção militar contra os responsáveis”, indica o think tank.
Andreia Sofia Silva EventosCURB | Lançado novo livro de fotografia de arquitectura O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo inaugura no próximo dia 19 de Setembro o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, uma obra que reúne 149 imagens resultantes do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau. No mesmo dia são também revelados os vencedores de um concurso fotográfico sobre as aldeias da Grande Baía A beleza e singularidades arquitectónicas de Macau e da Grande Baía irão reunir-se num só dia num evento promovido pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. Na Ponte 9 apresenta-se, às 16h30, o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, que compila 149 fotografias de quatro edições do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau, realizado desde 2022, celebrando-se a “dupla entidade” de um território que balança entre o antigo e o novo. Segundo um comunicado do CURB, esta colecção de fotografias “destaca a combinação única de charme histórico e arquitectura moderna de Macau”, sendo que cada edição do concurso propôs “uma forma diferente de olhar para a arquitectura — desde perspectivas pessoais a edifícios frequentemente ignorados, contrastes e espaços interiores”. A iniciativa resultou na submissão de mais de 1.600 fotografias da autoria de 650 participantes. A edição está a cargo do arquitecto Nuno Soares, presidente do CURB, e da designer Filipa Simões. Expõe, essencialmente, os dois lados de Macau, como “o património, com as ruas estreitas, casas tradicionais, templos e recantos do quotidiano”, e que acabam por “preservar a identidade histórica de Macau”. Há depois o lado moderno, onde o jogo fica mais evidente, com imagens centradas “nos resorts integrados de casinos da Taipa e de Cotai, os novos edifícios cívicos e culturais, as zonas ribeirinhas recuperadas e nas linhas de horizonte iluminadas, que redefiniram o território ao longo de uma única geração”. Desta forma, “Amazing Macau” oferece ao leitor “o retrato de uma cidade onde património e modernidade coexistem e se iluminam mutuamente”. Tesouros na aldeia Também no dia 19 de Setembro, será a vez de se inaugurar a exposição relativa ao concurso “Tesouros da Grande Baía: Concurso de Fotografia sobre Aldeias Urbanas na Grande Baía”, criado de raiz em 2024. As duas edições juntaram 291 participantes e 700 fotografias dedicadas à “celebração da Grande Baía” e da beleza da arquitectura existente em Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong. Na segunda edição, dedicada às aldeias, os trabalhos premiados foram escolhidos de um total de 323 fotografias enviadas por 134 participantes. Esta terça-feira, foram também conhecidos os vencedores desta edição dedicada às mais belas imagens sobre aldeias da região. Na “Categoria Aberta da Grande Baía” venceu Liu Ye, ganhando Philip Kwong Lung Wong o segundo lugar, enquanto Wong Ho Chun ficou em terceiro lugar. Iain Cocks ganhou uma menção honrosa com a imagem intitulada “Down the Line”. Por sua vez, na “Categoria Aberta de Macau”, o primeiro prémio foi arrecadado por Lei Heong Ieong, seguindo-se o segundo e terceiro prémios atribuídos a Tang Chan Seng e Chao Kin Man. Diogo Dias dos Santos venceu uma menção honrosa com “Twins”. Não faltou também a categoria dedicada à fotografia mais amadora, nomeadamente a “Categoria de Estudantes de Macau”, ganha por Lam Chi Kuan.
Andreia Sofia Silva PolíticaIPIM | Macau quer ser uma “cidade tecnológica” em 2036 O presidente do Instituto de Promoção e Comércio (IPIM), Alex Che Weng Keong, disse na terça-feira no lançamento do fórum da Fortune que Macau pretende ser uma “cidade tecnológica”, no contexto da Grande Baía, em 2036. Citado por uma nota do “Fortune Leaders Forum”, que decorreu na terça-feira no Grand Lisboa Palace, Cotai. Citado por um comunicado da organização, o presidente do IPIM disse que a RAEM irá seguir o exemplo das regiões vizinhas apresentando-se a nível internacional” e de forma integrada na Grande Baía como uma “cidade tecnológica”, sendo uma “ambição construída e que também vai além do objectivo de diversificação económica de Macau até 2030”. O presidente do IPIM destacou “a complexidade” da Grande Baía no que diz respeito à existência de “três moedas e três sistemas jurídicos em Hong Kong, Macau e Guangdong”. “Não se trata apenas de um desafio de integração, mas sim de uma das maiores vantagens competitivas da região”, frisou. Num painel sobre o desenvolvimento da Grande Baía, o presidente do IPIM destacou os “laços históricos de Macau com os mercados dos países de língua portuguesa”, bem como da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin, que constituem “pontos chave para a movimentação de talentos e de capital entre regiões na próxima década”. Alex Che Weng Keong não esqueceu os planos do Governo, incluídos no mais recente Plano de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, que aponta para que em 2030 o segmento não jogo represente 60 por cento do Produto Interno Bruto.
Andreia Sofia Silva SociedadeRuínas de S. Paulo | Demolições em dois edifícios A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) coordenou uma acção de demolição a dois edifícios situados junto às Ruínas de São Paulo que se encontravam “em estado de ruína”, é referido num comunicado da DSSCU. A acção, feita em conjunto com outros organismos públicos, realizou-se “recentemente” em prédios situados no Beco da Ostra. “Os dois edifícios em causa, ambos com dois pisos, apresentavam estruturas antigas construídas em tijolo e madeira. O primeiro imóvel, localizado no cruzamento entre o Beco da Ostra e a Rua da Tercena, exibia várias fendas na fachada exterior e o crescimento abundante de vegetação na cobertura”, descreve a DSSCU. Por sua vez, ao segundo prédio já lhe faltava parte da cobertura, “verificando-se um crescimento abundante de vegetação no interior e n respectiva estrutura”, lê-se. Os edifícios já constituíam um perigo para a segurança pública. A DSSCU explica ainda que no quarto trimestre deste ano vai iniciar a fiscalização e investigação quanto ao estado dos edifícios de Macau, a fim de “conhecer a situação actual dos imóveis, criar uma base de dados e promover o reordenamento e a gestão dos bairros antigos”. A zona da Rua de Nossa Senhora do Amparo irá servir como zona-piloto para a primeira fase destas acções.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePISA 2025 | Macau lidera na resolução de problemas com recurso à tecnologia Foram ontem divulgados os dados do PISA (Programme for International Student Assessment), o grande estudo da educação da OCDE, relativo ao ano de 2025. Macau volta a destacar-se nos números e no uso de ferramentas tecnológicas e digitais, liderando a nível mundial na categoria de resolução de problemas utilizando ferramentais computacionais, aponta uma nota ontem divulgada pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Na RAEM, o estudo do PISA relativo a Macau é realizado pela equipa de estudo do Centro de Investigação de Testes e Avaliação Educativa da Faculdade de Educação da Universidade de Macau. De um total de 91 países ou economias a nível mundial, “os alunos de Macau voltaram a demonstrar excelentes resultados de aprendizagem e capacidades de aplicação prática, classificando-se em terceiro lugar a nível mundial tanto em ciências como em matemática, e em quinto lugar em leitura”, é referido. Sobre o primeiro lugar obtido na resolução de problemas com recurso a computadores, destaca-se que os “alunos de Macau alcançaram um desempenho particularmente brilhante”, sendo que, pela primeira vez no PISA se avaliou esta componente, tendo em conta “a crescente importância das tecnologias de inteligência artificial”. Boa preparação No que diz respeito às áreas das ciências, tecnologia, engenharia e matemáticas (STEM – Science, Technology, Engineering, and Mathematics), o território “regista uma proporção consideravelmente elevada de alunos com um nível de desempenho elevado”, com uma pontuação de 541 pontos na área das ciências, ficando em terceiro lugar a nível mundial, apenas ultrapassado pela China e Singapura. A média da OCDE é de 482 pontos. Na matemática, Macau arrecada novamente o terceiro lugar, com 549 pontos, sendo que a média da OCDE nesta área de estudos é de 463. Macau desce, contudo, uns lugares no que diz respeito à leitura, ficando em quinto lugar, ultrapassado por Singapura (que neste campo lidera a tabela), China, região de Taiwan e Japão. A RAEM fica, assim, com 501 pontos, perante a média da OCDE de 461 pontos. Na resolução de problemas com o computador, Macau lidera, então, a lista, com uma média de 572 pontos, ultrapassando Singapura que fica em segundo lugar, com 563 pontos. A DSEDJ destaca, assim, que “os alunos de Macau demonstram uma literacia robusta na área STEM no PISA 2025, sendo capazes de integrar a investigação científica, o raciocínio matemático e o pensamento computacional para resolver problemas complexos”. Os dados mostram como os estudantes locais “revelaram capacidades de programação e de modelação de nível superior, conseguindo construir programas e modelos de forma interactiva em ambientes de aprendizagem digital”. Além disso, o PISA 2025 mostra como “as escolas de Macau garantem que quase a totalidade dos alunos de 15 anos de idade atinge o nível básico de literacia e de competências nucleares exigido para uma participação eficaz nos assuntos sociais”, o que os capacita a enfrentar “os desafios e oportunidades que surgem na vida real”.
Andreia Sofia Silva EventosFotografia | Ochre Space, em Lisboa, apresenta “-40ºC”, de A Yin Foi inaugurada ontem “-40ºC”, uma exposição de fotografia de A Yin, na Ochre Space, em Lisboa. A mostra pode ser vista até 26 de Setembro e é a segunda de uma série de exposições alusivas ao Ano do Cavalo. As imagens reflectem a graciosidade dos animais fotografados na Mongólia Interior Estamos no Ano do Cavalo segundo o zodíaco chinês e, a pensar nisso, a galeria Ochre Space, em Lisboa, tem uma programação pensada para celebrar a efeméride. Depois da mostra de Wang Zengping, foi inaugurada ontem a segunda exposição temática relacionada com o cavalo. “-40ºC”, de A Yin, é um projecto fotográfico a preto e branco onde este animal é protagonista, assim como a beleza das paisagens da Mongólia Interior. A Yin, um artista visual chinês mongol que há muito explora este universo, vê, assim, o seu trabalho exposto em Lisboa num espaço dedicado à fotografia, e que nasceu da vontade de João Miguel Barros, residente de Macau, fotógrafo e curador. Segundo a apresentação oficial da exposição, em “-40ºC” o frio “não é apenas uma condição atmosférica, mas o elemento que determina a paisagem, o corpo e a própria experiência de olhar”. Desta forma, a estepe, nome da pradaria mongol com campo de visão ilimitado, “deixa de ser uma paisagem distante para se tornar um espaço onde a vida é reduzida às suas condições mais essenciais”. A forma como são fotografados faz com que os movimentos dos cavalos sejam captados de uma forma única, que deambula entre “a presença e o desaparecimento”, é descrito. “À distância, os rebanhos transformam-se em pequenos vestígios escuros na imensidão branca; de perto, revelam corpos marcados pela neve, pelo gelo e pelo vento.” Com curadoria a cargo de João Miguel Barros, a exposição não tem como únicos protagonistas os cavalos, mas também incide sobre “aquilo que permanece quando quase tudo é reduzido ao essencial: resistência, silêncio, movimento e sobrevivência”. Diz o curador que A Yin “trabalha o preto e branco como uma ética do despojamento”. “A cor, que poderia seduzir ou distrair, desaparece. Ficam as relações essenciais: claro e escuro, cheio e vazio, linha e massa, silêncio e movimento. A neve torna-se página, mas uma página instável; o céu torna-se peso; o cavalo torna-se inscrição viva”, é acrescentando. Assim, há imagens de A Yin cuja composição se aproxima “da tradição oriental do vazio, em que o espaço não preenchido não é ausência, mas respiração”. Há outros casos em que “a fotografia impõe a rudeza documental da matéria: o animal não é metáfora pura, é corpo exposto ao Inverno”. Três décadas de beleza Há 30 anos que A Yin se dedica a um intenso trabalho de análise e estudo à cultura nómada da Mongólia. Numa nota oficial sobre a mostra, A Yin assume: “Amo os cavalos mongóis” e revela a profunda conexão que tem com um universo que lhe é tão próprio. “Quando eu tinha sete anos, o meu pai começou a ensinar-me a montar a cavalo. A minha mãe abençoou-me: “Boa sorte sobre o cavalo!”. “Sou um mongol da Mongólia Interior e descendente de Gengis Khan”, disse ainda. Sobre a sua carreira, diz que ganhou “muitos prémios com que a maioria dos fotógrafos sonha”. “Tenho uma certa influência neste meio, dentro e fora do país. Mas nunca abandonei a minha amada estepe, os cavalos mongóis e os nómadas. Estou sempre aqui, nesta terra, de alma e coração, a registar o meu povo, a minha estepe e os meus cavalos mongóis… Amo os cavalos mongóis”, aponta. A Ochre Space descreve como a fotografia é, para o artista, “uma forma de preservar uma herança cultural profundamente ligada ao território e simultaneamente de registar as transformações sociais, históricas e ambientais que têm vindo a alterar esse modo de vida”. A Yin é autor de uma trilogia sobre a cultura nómada, com títulos como “Os Nómadas Mongóis da China”, “A Terra Sagrada dos Nómadas” e “Os Buriates”. Fez também os projectos “As Escolas Primárias Mongóis da China” e “−40 °C (Cavalos Mongóis)”. É ainda o único fotógrafo proveniente de uma das minorias étnicas do país a ter sido nomeado por duas vezes entre os “Dez Melhores Fotógrafos Retratistas Chineses”, além de ter recebido o Prémio Estátua de Ouro, a mais alta distinção da China em fotografia, o Prémio Humanidade e o Prémio “All Roads” da National Geographic. Nascido em 1970 numa família de pastores das estepes da Mongólia, A Yin apresenta-se como um fotógrafo independente e autodidacta.