Língua portuguesa | Universidade Cidade de Macau acolhe conferência esta semana

“What´s in a language? – Reflexões sobre a Língua Portuguesa na Ásia (memória linguística e cultural), dentro do contexto colonial e pós-colonial” é o nome da conferência que a Universidade Cidade de Macau (UCM) promove esta semana, quarta, quinta e sexta-feira (dias 14, 15 e 16 de Outubro).

Segundo um comunicado da UCM, a conferência conta com quatro oradores de países de língua portuguesa, incluindo Macau como território que tem o português como língua oficial. Trata-se da professora universitária Maria José Grosso, da Universidade de Macau (UM); Hélder Gomes e Maria Célia Lima-Hernandes, da Universidade de São Paulo; e ainda João Marcelo Mesquita Martins, da Universidade do Minho.

A organização está a cargo da secção portuguesa da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da UCM, tendo o apoio do IROPC — Instituto de Investigação sobre os Países de Língua Oficial Portuguesa, que também pertence à mesma instituição de ensino. A iniciativa insere-se num projecto de investigação conjunto entre a UCM e a Universidade de São Paulo.

Propõe-se, com esta conferência, fazer “uma reflexão profunda sobre o papel da língua portuguesa na Ásia e a memória cultural a ela associada, abrangendo a literatura e o cinema nos contextos colonial e pós-colonial”.

O debate alarga-se ainda “à problemática do ensino do português na RAEM e ao mundo lusófono em geral, cruzando as realidades específicas do Brasil, de África e de Portugal”. É ainda analisado “o vasto interesse da China no espaço da lusofonia, com especial ênfase no papel estratégico de Macau no âmbito das relações internacionais”. A conferência acontece nos dois campus da UCM, na Taipa e em Macau.

Debates transversais

O programa arranca esta quarta-feira, realizando-se, a partir das 16h30, a palestra “A sobrevida da língua e da cultura portuguesa em Macau: estratégias e práticas”, no campus da Taipa. Aqui juntam-se “representantes de diversas instituições que promovem de há muito a língua e a cultura portuguesa na RAEM”, nomeadamente Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau; Catarina Cottineli da Costa, presidente da delegação da Fundação Oriente em Macau, Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente; Rui Pedro Cunha, da Fundação Rui Cunha; e Maria José Grosso, da UM. A moderação está a cargo da professora Vera Borges, da UCM.

Na quinta-feira, a partir das 14h30, acontece no campus da UCM de Macau a sessão “Bridging China and the Lusophone World: The Portuguese Language and China’s Global Initiatives” [Ligando China e o Mundo Lusófono: A Língua Portuguesa e as Iniciativas Globais da China], com presença de Pedro Steenhagen, Li Guofeng, J. Renato Peneluppi Jr. e Bárbara Morais. A moderação é da responsabilidade de João Simões, professor na UCM ligado ao IROPC.

Também na quinta-feira será lançado o livro da investigadora da Universidade de São Paulo, professora Maria Célia Lima-Hernandes, que se intitula “Macau – Lótus do Oriente”. Trata-se de uma obra que faz a “exaltação da diversidade e da resiliência do povo macaense”.

Este livro convida a uma reflexão “sobre as complexidades da identidade num mundo globalizado, onde as fronteiras culturais se encontram cada vez mais emaranhadas, afirmando-se como uma leitura essencial para compreender a riqueza cultural de Macau e a dinâmica viva das suas comunidades”, lê-se na mesma nota.

As sessões decorrerão na UCM, nos dias 14, 15 e 16 (de manhã) de Outubro no campus da Taipa (sala HG01, nos dias 14 e 16; Centro Cultural, no dia 15); na tarde do dia 16, será no campus de Macau, no Golden Dragon (sala GD2213).

13 Out 2026

Arquitectura | Fórum discute “coexistência” com a Grande Baía

Acontece este sábado, dia 17, na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau o Fórum de Arquitectura 2026, da responsabilidade da Associação de Arquitectos de Macau. Com moderação de Carlos Marreiros e convidados como Zhang Li, da União Internacional de Arquitectos, o evento visa olhar a crescente integração do território na zona da Grande Baía

A Associação de Arquitectos de Macau (AAM) promove este sábado, 17 de Outubro, mais uma edição do Fórum de Arquitectura 2026, que acontece na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (UCTM), entre as 14h e as 18h. Segundo informação divulgada nas redes sociais da AAM, a conversa conta com moderação do arquitecto macaense Carlos Marreiros, e marcam presença inúmeras figuras do sector, como é o caso de Zhang Li, presidente da União Internacional de Arquitectos; e Wu Jiang, presidente da ARCASIA – Architects Regional Council Asia (Conselho Regional dos Arquitectos para a Ásia).

No painel, constam ainda nomes como o de Joseph Lee Hunwei, presidente da MUST e com uma larga experiência na área da engenharia, incluindo ao nível da investigação. O quadro completa-se com Joseph Kwan Kwok Lok, vice-presidente da Rehabilitation International para a região da Ásia-Pacífico.

O tema deste fórum é “Coexistência Resiliente: Macau e as cidades da Grande Baía rumo ao desenvolvimento sustentável” e analisa temáticas como as alterações climáticas e a transformação das formas de construir e de habitação.

Na informação divulgada pela AAM, lê-se que um dos tópicos abordados diz respeito ao facto de Macau “ser uma cidade costeira com elevada densidade populacional”, existindo a “necessidade de equilibrar o desenvolvimento económico, a gestão ambiental e o bem-estar social”.

Desta forma, é necessário “reforçar a resiliência urbana e promover a coexistência harmoniosa entre pessoas e natureza”, sendo pontos “essenciais para alcançar um futuro sustentável”.

Assim, pretende-se analisar “estratégias de adaptação para cidades costeiras de alta densidade no contexto das alterações climáticas, abordagens para a construção de comunidades resilientes e práticas inovadoras de desenvolvimento urbano ecológico na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin, e noutras cidades da Grande Baía”.

Cidades pensadas

Prometendo um “diálogo interdisciplinar”, o fórum explora como as áreas de “arquitectura, planeamento urbano, engenharia, design ambiental e políticas públicas podem trabalhar em conjunto para reforçar a resiliência urbana e melhorar a qualidade de vida”.

A AAM destaca como este fórum está também alinhado com as ideias presentes no congresso mundial da União Internacional de Arquitectos que decorreu este ano em Barcelona, entre Junho e Julho, sob o tema “Becoming: Architectures for a Planet in Transition” [Transformações: Arquitecturas num Planeta em Transição], sobretudo no que diz respeito ao papel que o urbanismo e arquitectura podem ter na criação de novos espaços para as populações.

“Serão apresentados casos inovadores e de aplicação prática, com o objectivo de promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e cidades da Grande Baía no domínio do desenvolvimento urbano sustentável”, contribuindo-se “para a construção de um futuro urbano mais resiliente, habitável e sustentável”, descreve a AAM. O fórum acontece no auditório do bloco N, sala N101. O evento decorre em mandarim e inglês. A inscrição deve ser feita junto da própria AAM.

13 Out 2026

Universidade de Macau | Plano de Desenvolvimento prevê 25 mil alunos em 2031

Foi apresentado, na sexta-feira, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” da Universidade de Macau, que traça a estratégia até ao ano lectivo 2030-2031, quando se prevê a inscrição de 25 mil alunos. Na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin vão funcionar as Faculdades de Medicina, Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design

A Universidade de Macau (UM) planeia ter uma população estudantil de 25 mil pessoas daqui a cinco anos, ou seja, no ano lectivo de 2030-2031, e de 20 mil alunos já em 2028. Em 2030, espera-se chegar aos 22 mil alunos. Actualmente, a UM tem cerca de 16.900 alunos.

Esta é uma das ideias constantes no “Plano de Desenvolvimento para 5 anos [Five Year Development Plan], pensado para um período compreendido entre os anos lectivos de 2026-2027 e 2030-2031, e que foi apresentado na sexta-feira.

Com o mote “Uma Universidade, Dois Campus”, o documento apresenta as linhas mestras do que pretende ser um “desenvolvimento coordenado” entre o actual campus em Hengqin e a futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, a funcionar na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin.

Em relação ao funcionamento dos cursos, o actual campus, em Hengqin, irá gerir as Faculdades de Letras e Humanidades, Gestão de Empresas, Educação, Direito, Ciências Sociais e Ciências, enquanto que na Cidade Universitária serão acolhidas as Faculdades de Medicina – cujos cursos de licenciatura e mestrado integrado serão ministrados em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design.

A UM tem como objectivo “construir um sistema equilibrado e integrado de desenvolvimento de talentos”, com o “reforço das ciências, engenharia, medicina e farmácia”. A instituição quer “priorizar o desenvolvimento dos currículos” nestas áreas.

Mostrando como a investigação é apontada como uma das áreas-chave, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” visa que a UM seja uma instituição de ensino que reflecte “a mistura de estudantes numa universidade de investigação multidisciplinar”. “A proporção de estudantes de pós-graduação será mais de 50 por cento do total da população estudantil, com o rácio de 1:1 de estudantes de humanidades e ciências sociais em relação aos estudantes de engenharia, medicina e farmácia”, é acrescentado.

Na conferência de imprensa de apresentação do plano, o reitor da UM, Song Yonghua, disse que o futuro traçado pelo documento para o futuro da universidade está alinhado o 15.º Plano Quinquenal do país e com o Terceiro Plano Quinquenal da RAEM.

Para alcançar

Outro dos motes para o desenvolvimento da universidade nos próximos cinco anos assenta nas siglas “R.E.A.C.H.”, que significam, segundo um comunicado da UM, “integração de recursos”, “foco na excelência”, “orientação para a ambição”, “foco na colaboração” e “alto impacto”.

O “foco na excelência” significa que a UM quer posicionar-se ao lado das “universidades de investigação multidisciplinar que são líderes a nível mundial”, contribuindo “para a diversificação adequada da economia de Macau, o desenvolvimento da Grande Baía e as estratégias prioritárias” do país. Outro dos objectivos passa pelo “reforço da reputação internacional” da instituição de ensino, bem como “expandir a influência global”.

A UM quer funcionar, no futuro, com o modelo “uma universidade, dois campus”, entrando “numa fase mais madura e aperfeiçoada”, mas mantendo as raízes em Macau.

Outro dos planos é a expansão da rede de Colégios Residenciais, “transformando-a numa rede educativa composta por 20 colégios distribuídos por dois campus”, alargamento que tem como objectivo “melhorar a qualidade do ensino de pós-graduação”.

Foco na investigação

Para mostrar como a área da investigação será uma das mais importantes no desenvolvimento da universidade, o reitor explicou que os “três laboratórios-chave estatais” serão “o núcleo da estratégia de investigação”, pretendendo-se “promover a colaboração entre os laboratórios e institutos de investigação, reforçando a base da investigação para gerir resultados mais originais e inovadores”.

A UM tem actualmente a funcionar o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa, Laboratório de Referência do Estado de Microelectrónica Analógica e Mista e ainda o Laboratório de Referência do Estado para a Internet das Coisas aplicada a Cidades Inteligentes. Todos aprovados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China.

Na mesma nota, a UM destaca o desenvolvimento de “plataformas de investigação de grande envergadura em áreas-chave como a incluindo inteligência artificial e ciências do cérebro, ciências biomédicas, engenharia médica inteligente, bem como energia e neutralidade carbónica”.

O Instituto de Investigação Avançada da Universidade de Macau em Hengqin será transformado “no principal centro de transformação” ao nível da investigação e colaboração entre instituições, com maior conexão às indústrias e economia local.

Amigos ibéricos

No que diz respeito à expansão internacional, os países de língua portuguesa e espanhola surgem no topo das prioridades. “A UM vai criar um sistema de inovação aberto, em formato colaborativo e internacional, através da colaboração com universidades e empresas de renome a nível nacional e internacional, bem como com redes de inovação em países de língua portuguesa e espanhola.” Assim, a “prioridade” será dada “a parcerias com instituições em países de língua portuguesa, espanhola e inglesa, países ao longo da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’ e países vizinhos da região da Ásia-Pacífico”.

Na mesma nota, é explicado que a UM vai “reforçar a colaboração com universidades de referência na China continental e na RAEHK”, sendo que instituição de ensino superior promete ter “quatro dimensões da internacionalização”.

Para ter maior projecção global, a UM quer ter “um corpo docente internacional, programas internacionalizados” mais intercâmbio e estudantes estrangeiros, “com vista a aprofundar a colaboração de projectos”.

Salienta-se “a oferta de programas internacionais em todas as faculdades, institutos e colégios residenciais”, dando “prioridade ao desenvolvimento de programas internacionais com duplo grau nas Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências da Informação e Computação, Faculdade de Engenharia e Faculdade de Design”, na futura Cidade Universitária.

O reitor da UM explicou que, nos próximos cinco anos, será dada “prioridade ao desenvolvimento do campus na Zona de Cooperação Aprofundada”, prevendo-se que a Cidade Universitária entre em funcionamento parcial em 2028, “estando totalmente concluído em 2029”. Song Yonghua disse que a UM “vai continuar a promover um desenvolvimento integrado na educação, ciência, tecnologia e recursos humanos, assumindo um papel mais pró-activo nos contributos para o desenvolvimento nacional”.

13 Out 2026

Violência | Homem morre após discussão familiar

Um homem morreu no hospital depois de se ter sentido mal no contexto de uma forte discussão com a mulher, de 62 anos. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na última sexta-feira de madrugada, às 4h30, na casa de ambos em Seac Pai Van, Coloane.

A mulher saiu à noite e, quando voltou, começou a discutir com o marido, exigindo o pagamento de despesas diárias e dívidas de 10 mil patacas contraídas nos últimos anos.

A conversa escalou para a violência, tendo o homem, segundo relato da Polícia Judiciária (PJ), agredido a mulher com uma barra de exercícios, o que a levou a pegar em duas facas em resposta à agressão.

Nesta fase, o homem sentiu-se mal e desmaiou, tendo chegado ao hospital já sem sinais de respiração ou batimentos cardíacos. O homem sofria de doença cardíaca e ficou com alguns ferimentos no contexto desta disputa familiar, estando a PJ ainda a investigar se estes foram provocados pelas facas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público pela suspeita da prática de crimes de ofensa simples à integridade física, pela gravidade do resultado, e ainda o crime de produção, detenção ou utilização de arma ou coisa conexa proibida.

12 Out 2026

António Mil-Homens apresenta nova mostra de fotografia

É uma exposição de sóis e luas aquela que o fotógrafo António Mil-Homens apresenta amanhã na Casa de Vidro do Tap Seac, com inauguração marcada a partir das 18h30.

“Põe-se o sol, nasce a Lua…” é o nome dado a um projecto de contemplação sobre o céu, sol e lua, elementos da natureza que compõem, por vezes, poéticas paisagens. “Há um tempo, todos os meses, em que a luz muda do dia para a noite numa transição suave. O sol põe-se e a lua nasce. E, se a paisagem ajudar, a Natureza é o palco perfeito para uma peça fotográfica se desenrolar. Basta pegar na câmara e fotografar, fotografar! Difícil é parar. Pode acontecer que, com o Sol há muito tempo desaparecido, dê consigo a desfrutar do brilho da Lua”, descreve uma nota da Casa de Portugal em Macau (CPM), que promove a iniciativa.

Parabéns a você

Amélia António, presidente da CPM, descreve que a exposição, que fica patente até ao dia 8 de Novembro deste ano, chega ao público no dia do aniversário de António Mil-Homens, que celebra 77 anos. Reúne-se, assim, “um conjunto de fotografias que convida a contemplar a beleza efémera do nascer e do pôr do sol, tendo Portugal como cenário privilegiado”.

Há muito que o fotógrafo, que viveu em Macau muitos anos, mantém uma colaboração regular com a CPM. “A sua ligação à Casa de Portugal foi igualmente reforçada através dos inúmeros cursos e workshops de fotografia que aqui leccionou, partilhando conhecimentos, formando novos entusiastas da arte
fotográfica e inspirando sucessivas gerações de fotógrafos”, é frisado.

António Duarte Mil-Homens nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1949. Essencialmente autodidacta, começou a fotografar regularmente em 1974, no dia 25 de Abril, quando teve nas mãos a primeira máquina fotográfica. Com o Curso Profissional da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, frequentou igualmente vários workshops de Fotografia Digital. Com uma carreira de mais de 52 anos, passou pelo fotojornalismo, publicidade, eventos e desporto.

9 Out 2026

Hong Kong | Clockenflap regressa com The Jesus and Mary Chain e Slowdive

O Clockenflap está de volta entre 4 e 6 de Dezembro e já são conhecidos alguns nomes em cartaz: The Jesus and Mary Chain, Queens of The Stone Age e Slowdive. Os bilhetes estão à venda e custam 2.180 dólares de Hong Kong para os três dias e 1.380 dólares de Hong Kong para um dia

 

O Central Harbourfront Event Space vai receber, em Dezembro, mais uma edição do festival de música Clockenflap, que habitualmente traz a Hong Kong um punhado de bandas com estilos de música muito diversos, tanto locais como internacionais.

Os primeiros nomes do cartaz foram anunciados esta quarta-feira e incluem bandas com longa carreira como The Jesus and Mary Chain e Slowdive, que actuam no último dia do festival, e Queens of The Stone Age que promete encher o Central Harbourfront no sábado. Importa ainda frisar as confirmações de Hayley Williams, Keshi ou Malcolm Todd, a “estrela em ascensão do R&B alternativo”, descreve a organização em comunicado.

Os The Jesus and Mary Chain são uma dupla escocesa de rock alternativo formada em 1984. Os irmãos Jim e William Reid decidiram parar durante oito anos e voltaram aos palcos em 2007. “Just Like Honey”, gravada nos anos 80, é um dos seus êxitos, tendo feito parte da banda sonora do filme “Lost in Translation – Um Amor é um Lugar Estranho”, de Sofia Coppola.

Hayley Williams, vocalista dos Paramore e “conceituada artista a solo”, será um dos destaques do cartaz no sábado, 5 de Dezembro. Já Keshi, “fenómeno do R&B alternativo”, sobe ao palco do festival logo no dia de arranque, sexta-feira.

Os Slowdive actuam domingo, no mesmo dia que os The Jesus and Mary Chain. A banda britânica de rock surgiu em 1989 em Berkshire, Inglaterra, sendo composta por Nick Chaplin, Rachel Goswell – que é co-vocalista, teclista e guitarrista – Neil Halstead e Christian Savill.

Numa entrevista recente concedida ao semanário português Expresso, a propósito da actuação da banda em Portugal, Rachel Goswell disse que não há planos para gravar um novo álbum. “Quando acabámos a digressão de 2025, em Julho, pensámos em tirar um ano sabático, descansar, com as nossas famílias… Mas continuámos a receber ofertas para tocar. Portanto, andamos a dar uns concertos – e na verdade tem sido bom. Normalmente, demoramos três anos até gravar um álbum, pelo que não começámos sequer a falar sobre isso.”

O palco do Clockenflap recebe na sexta-feira ainda Kim Gordon, que foi vocalista dos Sonic Youth, banda que esteve nos palcos entre os anos de 1981 e 2011.

Dentro do género jazz o público pode ver e ouvir DOMi & JD Beck, ou ainda os Digable Planets, “lendários pioneiros do hip-hop alternativo”. O cartaz fica preenchido com a cantora e compositora Daniela Andrade, artista com raízes nas Honduras e no Canadá e que vem a Hong Kong mostrar o seu talento.

No website oficial da artista lê-se que Daniela, como alguém que faz música de forma independente, construiu um percurso que aposta “na simplicidade acústica, em soul com influências de jazz, R&B e produção electrónica experimental”.

“O facto de se mover entre o inglês e espanhol dá à sua música uma larga panóplia de emoções e permite-lhe contar histórias dos dois lados do seu percurso”, lê-se ainda.

O festival tem ainda confirmado o “aclamado duo de pós-punk” Sleafor Mods, bem como Marcel Dettmann, DJ alemão que tem marcado pontos no mundo da música electrónica. Dentro do género house e techno o cartaz do festival apresenta o projecto local “HE.R Soundsystem”, composto pelos DJ Cocoa Zhou e Alex Nude.

Experiências paralelas

A organização do festival destaca o “impressionante cenário ao ar livre” para ouvir esta panóplia de artistas, estando “enquadrado pelo imponente horizonte urbano”. Oferece-se aos amantes de música “a experiência completa de um festival de classe mundial que o tornou num evento imperdível”.

Além dos palcos, o público pode desfrutar de outro tipo de actividades, como instalações artísticas, workshops e outro tipo de espectáculos pensados para toda a família.

O Clockenflap Music & Arts Festival já tem bilhetes à venda, sendo que o passe para os três dias custa 2.180 dólares de Hong Kong, enquanto um ingresso para um dia 1.380 dólares de Hong Kong. O cartaz ainda não está fechado e há mais nomes de bandas e músicos a serem confirmados nas próximas semanas.

9 Out 2026

Medicina | Director da FMUL vinca aposta na formação “internacional”

O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa quer desenvolver “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional” com a Universidade de Macau, com licenciatura e mestrado. Em entrevista ao HM, o médico diz que Macau tem as condições ideais para a cooperação nesta área

 

Foi em Abril deste ano que a Universidade de Macau (UM) e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) assinaram um acordo-quadro para a criação de uma licenciatura de medicina clínica em Macau, na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, e também um mestrado integrado em parceria com a FMUL.

Em entrevista ao HM, o director da FMUL, João Fonseca, considerou que a ideia é promover “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional”, sendo que, nesta fase, as duas instituições de ensino estão ainda a “trabalhar no desenho final detalhado do programa e do modelo de funcionamento” dos cursos.

“A contribuição da FMUL passará, sobretudo, pela experiência acumulada no ensino médico, desenvolvimento curricular, metodologias pedagógicas e de avaliação”, disse. A cooperação abrange ainda áreas como a “formação de docentes e participação directa no ensino nas áreas onde for necessário, e ainda pela articulação entre as componentes científica e clínica do curso”.

O director da FMUL destacou que outro dos objectivos é “criar condições para uma mobilidade efectiva de estudantes e docentes entre Macau e Lisboa e o desenvolvimento de projectos conjuntos de investigação”.
Pretende-se, desta forma, “construir um programa adaptado ao contexto local, mas alinhado com padrões internacionais exigentes de formação médica”.

Parcerias concorrentes

Há muito que a FMUL colabora com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) no curso de medicina. João Fonseca refere que a cooperação na UM será um complemento à formação já existente. “A cooperação com a MUST pode continuar e aprofundar-se, ao mesmo tempo que desenvolvemos este novo projecto estruturante com a UM. Para a FMUL, é muito positivo poder estabelecer pontes com diferentes instituições académicas de Macau”, declarou.

O director da FMUL acrescentou que “a grande novidade deste projecto é a criação de um curso de Medicina na Universidade de Macau, uma universidade pública, desenvolvido em parceria com a Universidade de Lisboa. Queremos contribuir para a formação de médicos com preparação científica e clínica de elevada qualidade, capazes de responder às necessidades futuras de saúde da população de Macau e da grande área envolvente de Macau”, explicou.

Outra aposta é recorrer à formação médica “como ponto de partida para uma cooperação mais ampla nas áreas da investigação biomédica, investigação clínica, inovação e formação pós-graduada”, para que se crie com Macau “uma parceria académica e científica de longo prazo”.

No que diz respeito à parceria com a MUST, que tem uma Faculdade de Medicina que também disponibiliza um programa académico na área de Farmácia, João Fonseca diz que tem sido “muito positiva”.

Desde 2019 que as duas entidades colaboram. “Essa relação tem vindo a evoluir para áreas que vão além do ensino médico, incluindo encontros científicos, colaboração entre docentes e investigadores e projetos internacionais conjuntos”, rematou o director da FMUL.

9 Out 2026

Pátio do Espinho | Aliança do Povo quer reabilitação e “Corredor Cultural”

A Aliança do Povo defende que a revitalização do Pátio do Espinho deve assegurar a reabilitação de casas e sítios respeitando a arquitectura original. É defendida a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau”, que ligue o Pátio do Espinho à zona das Ruínas de São Paulo

 

“Preservar a vivência quotidiana e revitalizar o património histórico”. Estes são objectivos que a associação Aliança do Povo de Instituição de Macau pretende que o Governo cumpra no plano de revitalização do Pátio do Espinho, bairro muralhado situado atrás das Ruínas de São Paulo.
Segundo um comunicado enviado às redacções, assinado pela vice-presidente Tong Ho Laam, defende-se a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau” que estabeleça a ligação entre um Pátio do Espinho renovado e as Ruínas de São Paulo, o Templo de Na Tcha e a Fortaleza do Monte.

A vice-presidente recorda que o Pátio do Espinho “fica a poucos passos das Ruínas de São Paulo e beneficia de uma localização privilegiada, reunindo condições para atrair residentes e visitantes”.

Pede-se, assim, a preservação de características culturais e arquitectónicas das casas segundo o conceito de “micro-reabilitação”, ou seja, “preservar o antigo como antigo e construir o novo como se fosse antigo”. Alguns dos espaços mais importantes a ter em conta na reabilitação, segundo a associação, são “o antigo poço, as muralhas e as árvores centenárias”.

Velhos contadores

A Aliança do Povo pede também melhorias nas infra-estruturas “envelhecidas”. “Muitas habitações encontram-se degradadas. Devido a questões relacionadas com a propriedade das casas ou preservação do património, em algumas habitações não é possível aumentar a capacidade dos contadores de água e luz, ou até instalar mais”, é explicado.

Desta forma, alerta a associação, “são frequentes cortes de luz em períodos de maior consumo no Verão”, enquanto que “alguns moradores apontam insuficiências nas condições de higiene e nos equipamentos de combate a incêndios”. Além disso, existe “proliferação de ratos”.

Assim, a vice-presidente pede que o Governo dê prioridade à reabilitação das velhas redes de esgoto, melhore o abastecimento de água e de electricidade, modernizando cabos e instalando bocas de incêndio, a fim de reduzir riscos para a segurança da população.

Na segunda-feira, o grupo de trabalho especializado de renovação e revitalização do Pátio do Espinho reuniu a propósito deste projecto. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, está em curso o “Projecto conceptual preliminar do estudo espacial urbanístico e planeamento de bairros comunitários do Pátio do Espinho”, que inclui inspecções ao local para levantamento das necessidades de reabilitação.

Pretende-se realizar “a optimização e reordenamento do espaço ambiental e paisagem urbana das ruas”, bem como “potenciar o aproveitamento dos recursos culturais e turísticos para melhorar o ambiente habitacional”.

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, garantiu que “no processo de renovação e revitalização do Pátio do Espinho, procurar-se-á assegurar o equilíbrio entre a conservação, salvaguarda do património cultural e o desenvolvimento”.

9 Out 2026

Cotai | Concerto de mandopop com Jane Zhang este sábado no Galaxy

São 21 anos de carreira celebrados da melhor forma: em palco. É já este sábado que a Galaxy Arena recebe o espectáculo da diva de mandopop Jane Zhang. O regresso da cantora a Macau será marcado por um repertório feito de mais de duas décadas de sucessos

 

A sala de espectáculos Galaxy Arena acolhe este sábado, a partir das 20h, um concerto que não só tem o género musical mandopop como protagonista como também celebra os 21 anos de carreira de uma artista bem conhecida neste universo. Jane Zhang traz a Macau a sua digressão mundial “Chasing World Tour”, fechando uma série de espectáculos que já a levaram a diversos locais, um deles Singapura, em Agosto.

“Vinte e um anos depois, ela continua a perseguir os seus sonhos, a evoluir e superar-se a si própria”, lê-se no website do Galaxy. Jane Zhang é a “grande estrela do mandopop”, prometendo uma “noite marcante” em Macau, ou não fosse o espectáculo de sábado “o grande final da digressão mundial”.

“Ao longo das últimas duas décadas que Jane Zhang manteve-se empenhada em ultrapassar os seus limites através da música, abraçando novas possibilidades em cada marco e transformação. Esta noite não é apenas o brilhante final de ‘Chasing’, mas é também uma promessa especial entre Jane e os fãs”, é descrito.

O concerto no Galaxy Arena deverá ser uma forma de “celebração de memórias partilhadas e da jornada que percorreram juntos”, ou seja, a cantora e os fãs que nunca deixaram de acompanhar as suas músicas. Sábado promete ser um dia de união “do amor e da música”.

A “princesa” de Chengdu

Jane Zhang, de nome Zhang Liangying, é uma artista com voz melodiosa e um percurso de sucesso em crescimento desde 2005, quando participou num concurso televisivo que lhe mudou a vida. Nasceu em Chengdu em 1984 e é conhecida como a “Princesa Golfinho” [Dolphin Princess] da pop cantada em mandarim. O sucesso começou em 2005 quando ficou em terceiro lugar num concurso de talentos intitulado “Super Girl”.

Segundo escreveu o South China Morning Post sobre a artista em 2019, a morte precoce do pai obrigou Jane a trabalhar cedo, nunca pensando que a música seria a sua vida e carreira. No vídeo que fez para o concurso “Super Girl”, disse: “Sempre gostei de música quando era criança”, admitiu. A sua referência era a cantora Mariah Carey.

Após o concurso, assinou contrato com a editora Huayi Music, editando o primeiro disco logo em Dezembro de 2005, intitulado “The One”. No ano seguinte venderia um milhão de cópias. “Update”, o seu segundo álbum de estúdio, tornou-se um dos mais vendidos na China desse ano.

O sucesso continuou, culminando na actuação nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando interpretou “One World, One Dream”, em dueto com Andrea Bocelli. Depois a carreira internacional começou a ganhar passos com o contrato assinado em 2009 com o Universal Music Group. Em Maio desse ano foi convidada no programa de Oprah Winfrey, nos Estados Unidos, tendo cantado, pela primeira vez, músicas em chinês para o público americano.

Em 2014 a cantora mudaria novamente de editora, desta vez para a Sony Music Entertainment, e gravou o seu sexto álbum de estúdio, “The Seventh Sense”.

Dois anos depois lançou uma canção em inglês, intitulada “Dust My Shoulders Off”. Com esta canção Jane Zhang actuou no desfile da marca Victoria’s Secret em Xangai. Abril de 2019 marcou a edição do seu primeiro disco em inglês, “Past Progressive”. Todo este percurso de gravações bem-sucedidas pode ser visto e ouvido de perto no concerto de sábado na Galaxy Arena.

8 Out 2026

Táxis | Dirigente diz que sector não é atractivo para motoristas

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego atribuiu 14 licenças para a exploração de 700 táxis, mas Tony Kuok, dirigente associativo, diz que podem ser necessários cerca de dois mil motoristas e que o panorama de negócio pode não ser atractivo

 

Tony Kuok, presidente da União Geral dos Taxistas de Macau, defendeu que as novas licenças para táxis podem acarretar maior necessidade de motoristas e que há o risco de os profissionais não verem interesse na profissão. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Tony Kuok estimou que podem ser necessários mais de dois mil motoristas de táxi para dar resposta às 14 licenças atribuídas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), e que trarão mais 700 veículos para o mercado.

Cada licença terá a duração de oito ano, sendo que os novos veículos de transporte vão entrar gradualmente em operação a partir do segundo e terceiro trimestre do próximo ano.

Tony Kuok salientou que, na actual situação, pode não ser fácil atrair novos profissionais. “Para os novos motoristas que entrem no sector, tudo vai depender dos benefícios que tenham no trabalho e quanto vão conseguir ganhar. Muitos dos motoristas mais antigos estão prestes a reformar-se e pode haver maior concorrência ao nível dos recursos humanos”, defendeu.

Tony Kuok espera que o Governo reforce a fiscalização das condições de trabalho, para que estejam de acordo com o que está estipulado no caderno de encargos das licenças de táxi e para que os direitos dos motoristas estejam protegidos.

O dirigente disse ainda que “as empresas devem ter sensibilidade em relação às necessidades dos motoristas e dos rendimentos que estes podem auferir”. “Se houver boas condições salariais, penso que os motoristas vão valorizar este trabalho e isso irá contribuir para um serviço melhor”, acrescentou.

Pedido planeamento

Ainda relativamente ao concurso de atribuição de novas licenças de táxi, as propostas vencedoras variam entre 5,1 e 6 milhões de patacas, valores superiores à proposta mais elevada do concurso de 2023, no valor de 3,8 milhões de patacas.

O deputado Ngan Iek Hang, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), considerou que o elevado número de empresas participantes no concurso público, e ainda o aumento dos valores das propostas, mostram como o sector reconhece as possibilidades de desenvolvimento da profissão e a procura que existe no mercado.

O deputado espera que o Governo acelere o processo de entrada de novos veículos no mercado. “É necessário analisar o panorama do transporte de passageiros, incluindo as zonas de tomada e largada de passageiros e o valor da bandeirada, para que se possa fazer um planeamento global.”

Ainda segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ngan Iek Hang pediu um estudo mais abrangente sobre este sector, tendo em conta o cenário de deslocação dos residentes e visitantes. O deputado defendeu ainda um incremento da comunicação entre a DSAT e as empresas que vão operar as licenças, a fim de garantir formação adequada a motoristas para melhorar o serviço de táxis.

8 Out 2026

Espaços públicos | Criado registo para captura de imagem

Capturar imagem e vídeo em espaços públicos vai passar a ter novas regras. É o que diz a proposta de lei relativa ao “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, cujo processo de revisão vai dar entrada na Assembleia Legislativa (AL).

Segundo um comunicado do Conselho Executivo, que concluiu ontem a discussão em torno desta proposta, é criado um “regime de registo dos serviços remunerados de fotografia ou filmagem prestados em espaços públicos mediante acordo com terceiros no local, cabendo à Administração proceder à distribuição e gestão dos locais, períodos e vagas para a prestação dos serviços”. Esta mudança surge tendo em conta a “crescente procura de serviços de fotografia e filmagem que actualmente se verifica nos pontos turísticos”.

A proposta de lei vem rever um decreto-lei de 1998, ainda do período da Administração portuguesa, e que regula uma série de actividades relacionadas com espaços de entretenimento ou uso de espaços públicos, a fim de facilitar a vida a muitos negócios.

Outra das alterações passa pelo fim da exigência de licença, autorização ou registo para a realização de eventos ou abertura de negócios como espectáculos de danças tradicionais e de ópera chinesa sem fins lucrativos, leilões, bazares, feiras, salas de bowling, barbearias e cabeleireiros. Segundo a mesma nota, por se tratarem de “actividades ou eventos que não afectam a ordem e a segurança públicas, e cujos riscos já podem ser controlados” com a legislação em vigor, estas actividades deixam de estar sujeitas a um regime autónomo de condicionamento administrativo.

8 Out 2026

Casa de Macau | Rui Rocha apresenta a sua obra numa sessão das “Tardes de Chá”

A Casa de Macau em Lisboa realiza hoje, a partir das 15h30, mais uma sessão da iniciativa “Tardes de Chá… com conversas e um livro”, com Rui Rocha, autor e ex-dirigente educativo.

Segundo uma nota da associação, a apresentação de Rui Rocha irá incidir sobre “A Oriente do Silêncio e outros poemas”, editado pela N9na Poesia, sem esquecer outras duas obras escritas recorrendo a Macau como inspiração. A Casa de Macau oferece o chá nesta sessão, sendo possível levar doces e aperitivos para partilhar.

Rui Manuel de Sousa Rocha nasceu em Lisboa no ano de 1948, tendo ascendência luso-chinesa de Macau, onde vive há 42 anos. Tem formação académica em sociologia e ciência política e ainda um doutoramento em educação e interculturalidade. Publicou vários artigos sobre política linguística, história das escritas, sociologia política, teoria geral da administração pública e ainda temas sobre as culturas chinesa e japonesa.

Em Macau, foi subdirector dos Serviços de Administração e Função Pública, director do Gabinete de Ensino Superior e, no sector privado, director da Fundação Oriente-Macau e do Instituto Português do Oriente.
Exerceu também funções docentes no ensino superior em Portugal e em Macau. Aposentou-se em Dezembro de 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau.

7 Out 2026

Lago Sai Van | Ephemera Public Space Cooperative apresenta-se com “Bamboo Pagoda”

A marginal do Lago Sai Van, em frente aos campos de ténis do Clube Militar, é local privilegiado para observar a instalação “Bamboo Pagoda”, criada pela Ephemera Public Space Cooperative, de João Ó e Rita Machado. A instalação de 13 metros de altura colocada sobre a água pode ser visitada até domingo

 

Quem passar em frente aos campos de ténis do Clube Militar, ao frente ao Lago Sai Van, vai poder observar um projecto que mistura o tradicional bambu com arquitectura. Trata-se do “Bamboo Pagoda”, uma instalação com 13 metros de altura criada por uma nova cooperativa, a Ephemera Public Space Cooperative [Cooperativa do Espaço Público Efémera]. Pode ser vista até domingo, dia 11.

A cooperativa é um projecto dos arquitectos João Ó e Rita Machado. No caso do Pagode de Bambu, a instalação “amplifica o espaço cívico de Macau através de uma das suas tradições de construção mais distintas, mas frequentemente esquecidas: os andaimes de bambu”, indica o colectivo em comunicado.
Património Cultural Imaterial desde 2017, a construção em bambu ainda se vê nas ruas de Macau, constituindo, no caso desta instalação, um “ponto de partida” para o que pretende ser “um espaço de contemplação”, pois funciona “simultaneamente como miradouro e espaço onde os visitantes podem fazer uma pausa, respirar e restabelecer a ligação com a paisagem urbana”, é acrescentado.

Segundo contou Rita Machado ao HM, “a sua forma afunilada evoca a verticalidade dos pagodes tradicionais, enquanto a planta octogonal se inspira no universo taoista e na ideia de equilíbrio entre as pessoas e a natureza”. O Pagode foi, assim, pensado como “um abrigo junto à água, onde se pode permanecer e observar a cidade com mais tempo”.

“A estrutura de bambu e as camadas de tecido filtram a luz, proporcionam sombra e protecção solar, criando uma atmosfera que se transforma ao longo do dia. Queríamos aproximar quem a visita da paisagem e da história de Macau, reconhecendo também o valor de simplesmente permanecer num espaço público, sem um programa definido e ao ritmo de cada um”, adiantou Rita Machado.

O projecto privilegia a “arquitectura sustentável que orienta também as escolhas construtivas”, já que o bambu utilizado “provém de estaleiros de construção e regressará a esse circuito após a desmontagem, para ser novamente utilizado”, indica o comunicado que apresenta o projecto.

Já o pavimento do Pagode foi feito “com painéis produzidos a partir de resíduos de chá pela empresa local Chazence, integrando essa mesma preocupação de valorizar recursos existentes”.

Espaço multidisciplinar

É certo que Macau é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. Porém, o Pagode de Bambu oferece um repouso, “um contraste poético”, sendo “um lugar de tranquilidade, reflexão e reconexão”, convidando quem passa a “experimentar o silêncio”, algo raro num território sempre em movimento.
“Suspensa sobre a água, a estrutura cria um refúgio temporário, ao mesmo tempo que reaviva práticas culturais imateriais enraizadas na espiritualidade, nos conhecimentos construtivos locais e na consciência ecológica”, revela o colectivo.

A cooperativa Efémera pretende criar “projectos que activam e repensam o espaço público, tanto físico como digital, através de abordagens interdisciplinares que articulam arte, arquitectura, urbanismo, paisagismo e ambiente”, entre outras.

Rita Machado explicou que, em iniciativas futuras, “o bambu vai continuar a ser uma das vertentes que interessa explorar, pela sua relação com Macau e o saber construtivo local”.

A responsável adiantou que a cooperativa “reúne pessoas de diferentes áreas, e essa diversidade permite trabalhar com outros materiais, linguagens e formas de intervenção”. “O que une estes projectos é a cooperação e a vontade de contribuir para a vida dos espaços públicos. Queremos desenvolver propostas em conjunto com artistas, arquitectos, artesãos e a comunidade, cruzando o conhecimento de quem vive os lugares com diferentes práticas artísticas e construtivas”, frisou.

Com a ideia de “activar o espaço público”, criando “novas razões e condições para o utilizar”, a Efémera quer acrescentar “um lugar de passagem que pode acolher uma pausa ou um encontro” ou até “uma instalação que pode dar origem a actividades culturais”.

“Interessa-nos explorar estas possibilidades com quem frequenta os espaços, percebendo como podem enriquecer o quotidiano da comunidade. A cultura e o património de Macau são fundamentais nesse processo”, salientou.

Segundo a arquitecta, “os próximos projectos deverão nascer dessa relação entre lugar, comunidade e criação colectiva”. “O nosso objectivo é ampliar as formas de viver o espaço público, através de propostas em que as pessoas possam participar e nas quais reconheçam algo da sua própria cidade”, rematou.

7 Out 2026

Restauração | Semana Dourada não salvou o “Mariazinha”

Termina hoje a Semana Dourada, mas nem a maior afluência de turistas ajudou à recuperação do negócio do restaurante português “Mariazinha”, que há muito acumula prejuízos. Fernando Marques, com um espaço aberto na Taipa velha, diz ter tido maior sorte

 

A Semana Dourada é sempre tempo de mais turistas a deambular por Macau o que pode significar mais consumo, mas para a restauração isso nem sempre se traduz em maior afluência ou lucros. Que o diga o restaurante português “Mariazinha”, situado no coração do centro histórico, entre o Leal Senado e Ruínas de São Paulo, que teve poucos clientes. Nelson Rocha, proprietário do espaço, disse ao HM que pondera mesmo fechar portas.

“O ano passado foi bastante fraco [na Semana Dourada de Outubro], e este ano foi ainda pior”, confessou. “Não estava a contar com a quebra deste último ano e meio, está a ser difícil manter o projecto e estamos a equacionar o que vamos fazer no futuro”, disse.

Segundo Nelson Rocha, o “Mariazinha” fechou no ano passado “com prejuízo, e este ano também”. “Se não houver uma reviravolta na economia de Macau não podemos manter as portas abertas, porque não há como aguentar anos de prejuízos”, acrescentou.

Nelson Rocha diz que hoje o turista consome de maneira diferente e que a diferença de preços face à China ajuda a este cenário. “Não tivemos grande afluência, infelizmente, e nos últimos tempos temos tido algumas quebras. Há vários factores para isso, como a conjuntura económica internacional e o facto de os consumidores que vêm da China terem menos poder de compra, pois Macau é mais caro.”

Face aos anos pré-covid, o “Mariazinha” registou uma quebra no negócio de cerca de 80 por cento. “Antes trabalhávamos muito, especialmente nestes feriados em que tínhamos a casa cheia. Tínhamos de mandar pessoas embora, e agora temos de as chamar, e mesmo assim não é fácil.”

Clientela local

Fernando Marques tem um discurso mais optimista. O “Nando’s Portuguese Food” tem agora nova localização, ao lado do OTT – Old Taipa Tavern, e o empresário diz que isso o ajuda a ter mais clientes. “Senti mais clientela, e esta iniciativa do Governo de fechar a vila da Taipa [ao trânsito] também ajudou a que o turismo de massas ande na vila, com pessoas a passear nas ruas. Senti que este ano correu melhor do que no ano passado.”

O empresário diz ter notado “um tipo de cliente diferente, que procura espaços europeus, coisas novas”. No que diz respeito à clientela, diz ter tido “sorte”, já que a grande maioria foi local.

“Diria que 80 por cento da clientela são locais e tive essa sorte, porque muitos não saíram [de Macau] e isso deu para fazer a casa. Tenho locais e há quem marque mesa todas as semanas, até grupos grandes. Sinto que os locais saem mais, mas quando são, por exemplo, festas de anos, é mais fácil organizar em Macau. Não sinto muito a quebra pelo facto de as pessoas irem mais para fora”, adiantou.

Fernando Marques diz que os produtos estão mais caros, mas que apenas aumentou os preços de pratos com bacalhau e polvo, “cinco por cento acima, não muito mais, se não, também afasta a clientela”, rematou.

7 Out 2026

CURB | Projecto “Masts Promenade” premiado em concurso

Já são conhecidos os dez projectos de design vencedores do concurso “Placeable City – Placemaking em Hengqin 2026”, organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. O projecto que arrecadou o primeiro lugar intitula-se “Masts Promenade”, para a zona ribeirinha de Hengqin, e tem assinatura de António dos Santos Augusto e Jason Ng Sai Hung.

Por sua vez, para a mesma zona, o projecto “Tidal Wave – Symbiosis Corridor”, de Sun Kai Hin, ficou em segundo lugar. Em terceiro lugar ficou o projecto de Wei Junjie para o Novo Bairro de Macau.
Foram atribuídas duas menções honrosas, sendo que uma delas foi para o projecto “Sinfonia em Órbita” para a praça junto ao posto fronteiriço de Hengqin do lado de Zhuhai, e que tem autoria de Hoi Cheok Ieng e Leong Lok Ian.

Segundo uma nota do CURB, esta edição do concurso de design, a segunda, centrou-se nos espaços públicos de Hengqin. Procurou-se “explorar o potencial dos espaços públicos comunitários em Hengqin”. “Ao promover o conhecimento sobre arquitectura e a criação de espaços, o concurso facilita o intercâmbio urbano entre as duas regiões, inspira a reflexão pública sobre o ambiente construído e impulsiona a melhoria colectiva dos espaços”, revela ainda a organização.

O “Placeable City | Placemaking” é descrito como um concurso de design criativo “centrado na renovação de espaços e na criação de lugares, com o objectivo de revitalizar espaços públicos de pequena escala”.

“Como abordagem à governação urbana, estas microintervenções preservam a textura urbana original, ao mesmo tempo que melhoram eficazmente a qualidade ambiental e espacial local”, é acrescentando.
A primeira edição do concurso realizou-se em 2024 e teve a submissão de 24 projectos.

6 Out 2026

Museu Poly MGM | Obras de vidro revelam tradição artesanal chinesa

O Museu Poly da MGM acolhe, até Março do próximo ano, a mostra “Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli”, com 180 peças de vidro romano, persa e islâmico. O público pode descobrir três mil anos de artesanato e produção de vidro de Zibo, na província de Shandong

 

“Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli” é a nova exposição do Museu Poly da MGM, inaugurada no dia de aniversário da República Popular da China e que está patente ao público até Março do próximo ano. Nesta mostra é possível descobrir 180 peças de vidro romano, persa sassânida e islâmico provenientes do Museu Nacional da China e do Zibo Ceramics and Glass Museum, e que “percorrem três mil anos de tradição artesanal e de intercâmbio cultural na China”, pode ler-se numa nota da MGM.

Trata-se de peças feitas em vidro que são “históricas e contemporâneas”, que proporcionam ao público “uma perspectiva inédita sobre o liuli, a arte tradicional chinesa de produção de vidro, e o seu papel como ponte entre civilizações ao longo de mais de três milénios”.

Expõe-se, assim, “uma nova perspectiva sobre as Rotas da Seda”, já que este vidro representa as trocas comerciais que existiam entre vários países e a China, culminando num trabalho artesanal muito próprio feito em Zibo, na província de Shandong.

Zibo é tido como “um dos mais antigos centros de produção de vidro da China, com uma tradição de mais de mil anos”. O vidro aqui produzido e as técnicas desenvolvidas são consideradas património cultural imaterial.
“Desde as dinastias Ming e Qing que o vidro produzido em Zibo era transportado pelas Rotas da Seda para destinos em toda a Ásia e além do continente”, é ainda explicado.

Do antigo ao novo

A mostra está organizada em três áreas “que exploram a história, a estética e a criatividade contemporânea do liuli”. Uma das partes da exposição, intitulada “Forjar um legado milenar”, revela “as raízes profundas da produção de vidro na China”, nomeadamente “as contas de vidro em forma de ‘olho de libélula’ do período dos Reinos Combatentes e os raros vestígios dos fornos de Boshan, datados do final da dinastia Yuan e do início da dinastia Ming”. Mostra-se também “o requintado trabalho artesanal do vidro produzido para a corte imperial durante a dinastia Qing”.

O trabalho em torno do vidro na zona de Zibo acarreta técnicas como “a moldagem por sopro, a fundição por cera perdida, a pintura pelo interior e a escultura”, sendo que muitas obras “evidenciam a fusão entre domínio técnico e expressão artística que caracteriza esta tradição”.

A exposição revela ainda o trabalho mais actual destes artesãos, o que ilustra a forma como “os artesãos de hoje partem de fundamentos ancestrais enquanto exploram novas linguagens artísticas”. São exibidas, em conjunto, “obras chinesas e internacionais, destacando-se o diálogo global que, actualmente, molda a arte do vidro”.

Instalações como conexão

Um dos pontos fulcrais desta exposição é o jardim central em liuli, com a instalação intitulada “Twelve Flower Deities” [Doze Divindades das Flores]. O espaço cria um “ambiente imersivo de cor e luz que liga os três capítulos da exposição com uma experiência narrativa unificada”.

Outro destaque desta mostra é a apresentação de obras do artista norte-americano Dale Chihuly, pertencentes à coleção MGM. Desta forma, “cria-se um encontro visual entre o vidro ocidental e as tradições chinesas do liuli, numa fusão que transcende o tempo e o espaço”.

Há também uma zona interactiva que mostra “o processo de produção do vidro, desde a selecção das matérias-primas e a cozedura no forno até à escultura e ao acabamento, permitindo aos visitantes apreciar tanto a dimensão artística como o património imaterial associado a esta arte”.
O Museu Poly da MGM foi fundado em 2024 e está ligado ao grupo empresarial Poly Culture, que se dedica essencialmente a actividades culturais e artísticas.

6 Out 2026

Porto Interior | Comerciantes nas pontes-cais pedem travão nas taxas

Comerciantes das pontes-cais do Porto Interior querem o prolongamento da isenção de parte da taxa de uso dos espaços, alegando dificuldades financeiras. Um dirigente associativo do sector alertou para a possibilidade do fecho destes locais históricos de comércio

 

Os comerciantes que operam nas pontes-cais do Porto Interior, principalmente na distribuição de bens essenciais, pedem um travão ao aumento dos custos a pagar pelo espaço. Este aumento surgiu em 2024 perante a inclusão das licenças de ocupação temporária das pontes-cais do Porto Interior na Lei de Terras, ficando definida a taxa anual de 980 patacas por cada metro quadrado da área de superfície utilizada.

Estas licenças surgiram em meados dos anos 80, no período da Administração portuguesa, tendo sido definida a cobrança de 30 patacas anuais. Porém, com as alterações de legislação sobre a gestão das áreas marítimas, as pontes-cais passaram a estar reguladas pela Lei de Terras e os valores foram actualizados.

O Governo criou um período transitório em 2024, em que, “após a emissão da licença de ocupação temporária”, se passou a cobrar 30 por cento de 980 patacas no primeiro ano após a atribuição da licença; 60 por cento no segundo ano e 90 por cento no terceiro ano. Só no quarto ano a empresa terá de pagar a totalidade da taxa anual.

Segundo o jornal Ou Mun, Fong Sio Long, presidente da Federação Industrial e Comercial da Zona do Porto Interior de Macau, diz que no ano passado algumas operadoras pagaram já 30 por cento da taxa anual e, mesmo assim, tiveram dificuldades em manter os negócios, sendo que três pontes-cais já fecharam, tendo sido recuperadas pelo Governo.

O mesmo responsável adiantou que os comerciantes precisam de pagar, este ano, 60 por cento da taxa de 980 patacas. Tendo em conta as dificuldades comerciais, caso tenham de pagar 90 por cento desse valor no próximo ano, as operadoras das pontes-cais não vão conseguir sobreviver, correndo-se o risco de os espaços históricos no Porto Interior fecharem portas.

Estes gestores dizem que as dificuldades se devem essencialmente às mudanças na economia ocorridas nos últimos anos e das restrições na concessão de créditos bancários.

Manter a história

Fong Sio Long disse esperar que o Governo olhe para esta questão com mais atenção por se tratarem de espaços históricos. O presidente da associação defende que as autoridades devem ter em conta as dificuldades económicas e manter a cobrança de apenas 30 por cento da taxa anual de 980 patacas, prolongando o período de transição até à cobrança total.

Por sua vez, a Associação da União dos Fornecedores de Macau considera que o Porto Interior é uma zona muito importante para o abastecimento de bens essenciais. Estão em causa, explicou, dificuldades com o custo de transporte, a estabilidade da inflação, a deterioração dos produtos, a pressão de recursos humanos e ainda a garantia de sustento de muitas famílias.

Desta forma, Lei Kit Heng, presidente da associação, espera que o Governo mantenha o Porto Interior para estas actividades ao invés de as mudar para o Porto de Ka-Hó, em Coloane. Este adiantou que está em causa a sobrevivência de muitas pequenas e médias empresas, correndo-se o risco de aumento do desemprego devido à subida dos custos operacionais.

Lei Kit Heng apresentou números: mais de 60 por cento dos bens essenciais de Macau dependem do descarregamento no Porto Interior, sendo armazenados a uma curta distância antes de serem distribuídos.

Se a entrega e distribuição de bens essenciais passar para Coloane, há risco de aumentar custos e tempo gasto no transporte desses bens, bem como maiores riscos de segurança e deterioração dos produtos frescos e vivos.

Além disso, coloca-se a questão da necessidade de motoristas de veículos pesados para o transporte provocada pela mudança para o Porto de Ka-Hó, o que vai piorar o cenário já existente de escassez de motoristas, alertou Lei Kit Heng.

6 Out 2026

Fundo Industrial | PME com prazos de reembolso alargados

O Conselho Consultivo (CC) terminou, na quarta-feira, a discussão em torno das mudanças sobre o modelo de apoio financeiro a empresas do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização.

Segundo um comunicado do CC, uma das alterações passa pelo prolongamento do prazo de reembolso da verba concedida no âmbito do Plano de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (PME) e do Plano de apoio a jovens empreendedores.

O prazo de prorrogação, na totalidade, não ultrapassa os dois anos, sendo que “o limite máximo do prazo de reembolso não pode ultrapassar os 10 anos”. É dada ainda margem de manobra para quem termina um negócio, podendo reembolsar o empréstimo anos depois do fim.

“É permitido aos empresários que deixem de explorar as empresas comerciais beneficiárias continuarem a reembolsar o crédito em prestações conforme o prazo de reembolso anterior, decorridos cinco ou mais anos contados da data de atribuição da verba de apoio.”

Comissão de Terras | Aprovadas alterações na estrutura

O Conselho Consultivo (CC) terminou a análise ao projecto de regulamento administrativo “Comissão de Terras” que altera a composição deste organismo e revoga o decreto-lei de 1999.

Segundo um comunicado do CC, a comissão continua a emitir pareceres ao Governo no tocante à concessão de terrenos, mas uma das alterações passa pela saída do director dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

Além disso, foram adicionados como membros o director dos Serviços de Obras Públicas e o representante máximo da Direcção dos Serviços de Finanças. A Comissão de Terras passa, assim, a ser composta por oito membros, sendo que as reuniões ordinárias decorrem uma vez por semana, “podendo ainda ser convocada em sessão extraordinária”. O apoio técnico e administrativo à comissão é assegurado pela DSSCU.

5 Out 2026

Hengqin | Sam Hou Fai diz que residentes ultrapassam os 30 mil

No discurso de comemoração dos 77 anos da implantação da República Popular da China, o Chefe do Executivo destacou o crescimento de Hengqin, onde mais de 30 mil residentes de Macau “trabalham, vivem e residem”, assim como as 8.200 empresas constituídas na zona

 

A crescente integração de Macau em Hengqin foi um dos pontos altos do discurso de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, na cerimónia de celebração dos 77 anos da República Popular da China (RPC), no passado dia 1 de Outubro.

No discurso divulgado pelo gabinete do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai lembrou como “o número de residentes de Macau que trabalham, vivem e residem em Hengqin já ultrapassa 30 mil”, além de que “o número de empresas com capital de Macau superou as 8.200”.

O governante acrescentou também que “o valor acrescentado das ‘quatro novas’ indústrias representa 68,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)” da zona, ou seja, áreas como a medicina tradicional chinesa, saúde e finanças. Sam Hoi Fai disse mesmo que a Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin “está a tornar-se num ‘paraíso’ onde os residentes de Macau podem viver confortavelmente e desenvolver os seus negócios”.

De resto, o Chefe do Executivo fez um balanço do progresso de projectos na área do ensino superior e inovação que estão a ser desenvolvidos. “Concluímos a primeira fase do Parque Industrial de Inovação Hengqin-Macau, expandimos a rede de serviços do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola, promovemos os trabalhos de prospecção no terreno e o projecto preliminar do troço de Hengqin da linha de comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau)”.

Relativamente a novos projectos, Sam Hou Fai disse que a “primeira fase da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin foi inaugurada”, enquanto “os trabalhos de concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau prosseguem de forma ordenada”.

Superar dificuldades

Passaram 77 anos desde que a RPC foi fundada, a 1 de Outubro de 1949, e 105 anos desde que o Partido Comunista Chinês foi criado. Sam Hoi Fai lembrou estas datas históricas e a forma como a RAEM tem vindo a acompanhar as políticas nacionais.

No território, falou de como a economia tem vindo a dar garantias de estabilidade. “Temos dinamizado a economia comunitária, reforçado o apoio político às pequenas e médias empresas, ajudando as empresas a capacitar-se para a modernização e a superar dificuldades na transformação.”

Além disso, “o número de turistas que entraram em Macau ao longo do último ano tem vindo a aumentar, enquanto a economia geral, apesar dos obstáculos, tem avançado de forma constante, recuperando de forma estável”, frisou.

Sobre segurança nacional e o processo em que o ex-deputado Au Kam San foi julgado, Sam Hou Fai disse apenas: “Foi conduzido, nos termos da lei, o julgamento do primeiro processo relacionado com a segurança nacional.”

5 Out 2026

Dança | Coreografias de Macau abrilhantam cartaz da Quinzena de Almada

Macau faz-se representar na 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, tanto na iniciativa “Saracoteio” como na secção “Plataforma Coreográfica Internacional”. A coreógrafa local Cynthia Sio apresenta “Decalogue” e “‘Shell’ We Talk”. Ao HM, a artista explica a paixão pela dança e o significado dos seus trabalhos

 

As danças e contradanças da vida levaram Cynthia Sio a descobrir esta forma de expressão artística ainda criança. Natural de Macau, está hoje radicada na Coreia do Sul e vive do mundo da dança e da coreografia, tendo visto dois projectos seus seleccionados para a 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, nomeadamente “Decalogue”, apresentado amanhã às 21h, na secção “Plataforma Coreográfica Internacional” e ainda “‘Shell’ We Talk”, integrada na iniciativa “Saracoteio – Dança no Ecrã”, que conta também com projectos de Cabo Verde.

“Decalogue” será interpretado no Teatro-Estúdio António Assunção e é um espectáculo que dá respostas às seguintes perguntas: “O Decálogo [Dez Mandamentos que Deus entregou a Moisés no Monte Sinai, segundo a Bíblia] é um guia ou uma restrição? Ser bondoso ou ser mau?” “Numa zona cinzenta, somos todos hipócritas”, refere a sinopse.
Por sua vez, “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se no Salão das Carochas esta sexta-feira e conta ainda com o trabalho de outro nome de Macau: Man Ian Ku, que apresenta “The Rhythm of Sharing”.

Em “Shell’We Talk” Cythia fala-nos do Macau antigo. A sinopse do filme de dança, com pouco mais de cinco minutos, revela-nos que “Macau era uma pequena aldeia piscatória”.

“A sua história de cultivo de ostras deu-lhe os seus antigos nomes de Hou Keng (Espelho das Ostras) e Hou Keng Ou (Porto do Espelho das Ostras). Reza a lenda que a origem destes nomes se deve às ostras que brilhavam como espelhos. No passado, Macau era conhecida pelas suas ostras frescas. Devido à poluição da água do mar, a reprodução das ostras tem vindo a diminuir drasticamente nos últimos anos, tornando-as inadequadas para consumo. Já não é possível”, é descrito na sinopse.

Ostras com passado

Ao HM, Cynthia Sio conta-nos como surgiu este projecto, seleccionado a partir de um concurso feito de propósito para a secção “Saracoteio – Dança no Ecrã”.

“Em 2024 participei num Laboratório de Cinema de Dança organizado pela Associação de Dança Ieng Chi de Macau. Uma excursão para observação costeira levou-me a uma praia coberta de conchas de ostras que me deixou impressões por muito tempo. Com o nosso guia aprendi sobre o passado esquecido de Macau como vila piscatória, e de como a poluição marinha estragou as águas, tornando as ostras impróprias para consumo”, contou.

Desta forma, a coreógrafa, perante “ostras sem vida”, comoveu-se ao saber que a vida marinha saudável tinha, outrora, acontecido ali. “Após um período de reflexão no final do laboratório, regressei àquela mesma praia para criar o filme de dança ‘Shell’ We Talk. Para mim, aquelas conchas espalhadas assemelham-se a almas outrora puras, despojadas da sua essência interior pela poluição e decadência implacáveis. Talvez, à medida que o seu âmago se esvaía, elas tentassem gritar, ansiando por serem ouvidas”, descreve.

Cynthia Sio diz sentir-se “verdadeiramente honrada e grata” pelo facto de o seu projecto de vídeo de dança ter sido seleccionado. “‘Shell’ We Talk nasceu de um momento muito pessoal e de reflexão junto à costa de Macau, onde exploro temas como a perda, a degradação ambiental e as vozes silenciadas. O facto de esta história ter sido reconhecida pelo [júri] do Saracoteio dá a essas conchas silenciosas e vazias a oportunidade de se expressarem perante um público totalmente novo em todo o mundo. É uma afirmação profunda do meu percurso coreográfico”, explicou.

Um tempo próprio

Cynthia Sio perdeu o pai ainda muito jovem e a dança surgiu como refúgio. Fez depois estudos em Tianjin, na China; Alemanha e Coreia do Sul, onde completou o mestrado e doutoramento na área. Esses estudos ajudaram-na “a aperfeiçoar a minha voz na coreografia”. “Com o tempo, fiquei fascinada pela forma como a dança consegue construir mundos que as palavras não conseguem expressar”, rematou.

Ao longo da sua carreira Cynthia Sio já viu o seu trabalho reconhecido, tendo ganho o Prémio de Melhor Coreografia no Festival de Dança Juvenil da Coreia do Sul [South Korea Youth Dance Festival].
Também na sexta-feira pode ver-se em Almada outro projecto de dança oriundo de Macau. “Fabrics of Time” é uma peça com coreografia de Chloe Lao, ligado à iniciativa “Step+”, da Associação de Dança Ieng Chi de Macau.
Trata-se, segundo a sinopse, de um “espectáculo multimédia que integra arte digital com a tinta, dança, teatro, tecnologia interactiva e instalações em papel”.

“Contada através das perspectivas de um viajante moderno, a peça explora o significado mais profundo de ‘viagem’, ao mesmo tempo que examina as ligações entre o tempo e o espaço, o vazio e a realidade, e desconstrói os múltiplos aspectos da memória. Neste contexto único, o espectáculo oferece ao público uma experiência terapêutica de energia fluida e imaginação sem limites”, é referido.

Ainda na secção “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se “Third Person”, com realização de Tang Chi Fai, dramaturgia de Jenny Mok e coreografia e interpretação de Lei Pou Ian. Este filme “explora a forma como o espaço onde vive um indivíduo se transforma, na perspectiva de uma terceira pessoa.” Assim, “quando observado do exterior, um ambiente privado transforma-se numa ‘representação’ do espaço que pode ser vista e reflectida, revelando a relação subtil e complexa entre as pessoas e o espaço ― e a forma como o espaço acolhe e molda os estados de ser”.

“Eyeland”, de Lao Pui Lon; e “Hermaphroditus”, de Lam Chan Tong; são outros filmes de dança oriundos da RAEM que podem ser vistos no festival de dança de Almada.

30 Set 2026

Coutinho pede que análise de preços inclua Zhuhai

O deputado Pereira Coutinho interpelou o Governo quanto à necessidade de alterar o modelo de análise e comparação de preços porque a maioria das famílias faz compras em Zhuhai, aproveitando os preços mais baixos do outro lado da fronteira.

Na interpelação escrita, intitulada “Alargamento geográfico do leque de fiscalização dos preços dos bens essenciais”, Coutinho pede ao Conselho de Consumidores (CC) que a plataforma online de comparação do custo de mais de 600 produtos em 100 supermercados locais, inclua também Zhuhai.

“Com o aprofundamento da integração entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, e com a constante melhoria contínua das condições de travessia fronteiriça, é hoje uma prática comum para milhares de famílias – desde as que se deslocam a pé às que, de classe média, utilizam viatura própria – que adquirem bens alimentares e produtos em Zhuhai.”

Coutinho recorda a “inauguração de enormes centros comerciais com vasto e moderno parque de estacionamento situados no posto fronteiriço de Gongbei”, bem perto de Macau, e que disponibilizam “uma vasta gama de produtos a preços significativamente mais baixos, frequentemente 30 a 50 por cento inferiores aos praticados em Macau”.

Uma questão de utilidade

O deputado entende, tendo em conta a mudança no consumo, que o formato levado a cabo pelo CC para analisar os preços se tornou “anacrónico e desprovido de utilidade prática para o cidadão comum”.

“Impõe-se, assim, que o Governo de Macau reflicta sobre o verdadeiro papel do CC nesta era de mobilidade rumo ao [conceito] de ‘sem fronteiras’, questionando se o esforço público não deveria ser redirecionado para uma comparação de preços que seja do interesse dos consumidores de Macau, ou seja, a comparação directa entre os preços praticados em Macau e os praticados em Zhuhai (e em Hengqin)”, lê-se na interpelação.

Pereira Coutinho questiona ainda se o Executivo pondera “reavaliar a continuidade da actual investigação de preços”, que é “meramente local e bastante restritiva”. O deputado sugere mesmo “a suspensão ou reformulação desse serviço para afectar recursos humanos e orçamentais a áreas de fiscalização que protejam o consumidor face à concorrência directa com a oferta do exterior da RAEM”.

30 Set 2026

Energias limpas e agricultura são apostas da CESL-Ásia em Portugal

A empresa local CESL-Ásia está interessada no desenvolvimento de projectos-piloto em Portugal na área agrovoltaica, aliando produção agrícola e energia solar.

Segundo um comunicado da empresa, o projecto surgiu no âmbito de uma visita, à CESL-Ásia em Macau, de uma delegação do Conselho Intermunicipal do Oeste de Portugal (OesteCIM), liderada por Hermínio Augusto Rodrigues, que é também presidente da Câmara Municipal de Alcobaça. Da delegação fizeram ainda parte Teresa Almeida, presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo], entre outras personalidades.

No encontro, que decorreu na passada quinta-feira, responsáveis da CESL-Ásia apresentaram as “operações inovadoras de AgroPV (agrovoltaica)”, incluindo a “bem-sucedida Central de Demonstração no Alentejo”.

Na mesma nota, a CESL-Ásia diz que a área de agrovoltaica “é importante para o futuro de Portugal” pelo facto de poder “dinamizar a economia rural”, através da optimização do uso do solo e garantia de protecção da “soberania alimentar”.

Desta forma, “um sistema AgroPV bem regulamentado pode gerar entre 1.500 e 3.000 euros por hectare, e por ano, em receitas anuais adicionais para os agricultores, duplicando o valor económico das terras agrícolas”, é explicado.

Uma desejada realidade

A CESL-Ásia, que em Macau também opera na área da engenharia e construção civil, entre outros sectores, pretende a criação de “um Programa Piloto Nacional de Agro-fotovoltaica e de um ambiente regulatório experimental para estabelecer as melhores práticas, abrindo caminho para a implantação em grande escala em regiões como o Oeste” português.

A empresa local destaca como a “integração da AgroPV nas estratégias nacionais de Portugal nas áreas da agricultura, da energia e do digital, a par dos investimentos na REN (a rede nacional de energia) e nos centros de dados, funciona como um motor de grande impacto e autofinanciado para o desenvolvimento regional” em Portugal, é destacado.

29 Set 2026

Música | German Ku lança novo single e apresenta espectáculo ao vivo

Chama-se Germano Guilherme, mas o mundo artístico conhece-o por German Ku. Macau está sempre presente nas músicas que canta e a nova não é excepção. Os fãs podem esperar um novo single em Outubro, mês em que apresenta, no Broadway Theatre, o espectáculo “A New Classic”

 

Quando Germano Guilherme venceu, em 2024, o concurso de talentos “Midlife, Sing and Shine 2”, do canal TVB de Hong Kong, o mundo conheceu-lhe a voz e admirou-lhe o talento. O rapaz macaense que sempre teve a paixão de cantar, e que até estudou na Escola Portuguesa de Macau, transformou-se no artista German Ku, nome artístico pelo qual é conhecido.

Depois de muitos espectáculos e algumas gravações de estúdio, Germano está de regresso com o espectáculo “A New Classic”, apresentado a 10 de Outubro no Broadway Macau, e também uma nova canção, cujo nome não revela, em entrevista ao HM. “Espero lançar um novo single em meados do mês de Outubro. É uma balada típica de cantopop e que mostra um lado mais emocional da minha parte. No futuro espero poder colaborar com diferentes talentos de Macau para criar mais música, sobretudo algo que possa realmente representar Macau”, descreve por escrito.

Em relação ao espectáculo “A New Classic”, descreve-se no website Macau Ticket, onde os ingressos já estão à venda, que é uma novidade de palco desde “o triunfo da ‘Follow Me Live Tour'”, a sua última digressão.

No concerto de Outubro, o cantor macaense irá “abraçar um novo caminho musical, regressando às suas origens com uma experiência refinada e focada na música, especialmente criada para os fãs mais dedicados” à sua carreira.
Desta forma, nesta sala de espectáculos no Cotai podem ouvir-se “clássicos da Pop ocidental, um género musical que está perto do seu coração e que é profundamente adorado pelo público”. A escolha do repertório está a cargo de German Ku, que em palco se fará acompanhar por uma orquestra.

Trata-se de um concerto que irá proporcionar “uma interpretação renovada de êxitos clássicos em inglês, trazendo uma nova emoção e elegância a canções lendárias”.

Nas palavras de Germano Guilherme, o público de Macau pode assistir a um “espectáculo único, apresentado apenas numa noite”. “Vou interpretar a minha selecção de canções favoritas e que são conhecidas há muitos anos, mas com novos arranjos, dando-lhes uma nova abordagem. Também vou celebrar o meu aniversário com o público e os meus fãs, uma vez que faço anos em Outubro.”

Cantar no quarto

Germano Guilherme não tem dúvidas de que a vitória no concurso da TVB lhe abriu portas. “Depois de vencer o concurso de talentos de Hong Kong, abriram-se mesmo muitas portas, que nunca imaginei que se pudessem abrir na minha vida: concertos em diferentes cidades, palcos maiores, mais música, fãs. Foi avassalador e, de certa forma, difícil de acreditar no início”, recorda.

Germano canta desde miúdo, mas as oportunidades tardaram a chegar. Porém, nunca desistiu. “Infelizmente, durante os meus anos de estudo, não tive oportunidade de praticar ou desenvolver o meu talento musical. A única forma que tinha de praticar era cantar em voz alta em casa”, assume.

O facto de ser natural de Macau dá a Germano uma responsabilidade de mostrar não apenas o território, mas também a cultura macaense que lhe pertence. “Como cantor de Macau penso ser minha responsabilidade promover e defender a nossa cultura — neste caso, a nossa música — junto do resto do mundo. Além disso, nasci e cresci como macaense, e sinto que é meu dever mostrar ao mundo a nossa cultura tão particular, uma mistura de estilos de vida chinês e português, levando essa cultura ao palco internacional.”

German Ku espera um dia fazer música com talentos locais, apesar de reconhecer que o mercado discográfico do território é bastante reduzido. “Tenho de ser sincero: a indústria musical em Macau enfrenta algumas dificuldades quando comparada com a de outros lugares, devido à reduzida população e à pequena dimensão do território. Mas acredito que vai melhorar no futuro, graças ao poder das redes sociais nos dias de hoje. Espero que, um dia, a música de Macau seja reconhecida no palco internacional”, remata.

29 Set 2026

Pastéis de nata | “Bakehouse”, em Hong Kong, lidera ranking da Bloomberg

A agência de notícias Bloomberg resolveu avaliar os melhores pastéis de nata da região e a verdade é que Hong Kong fica à frente de Macau. Segundo a agência, a “Bakehouse” lidera o ranking, com uma pontuação de oito em dez, enquanto que a “Lord Stow’s”, em Coloane, fica em terceiro lugar, com 7,35 pontos. Por sua vez, a Manteigaria, marca portuguesa que acaba de chegar ao Oriente, obteve da 7,5 pontos.

O ranking, publicado no passado dia 17 de Setembro, inclui ainda as pastelarias Hong Kong Hashtag B, com 6,6 pontos; o local Margaret’s Café e Nata, que obteve 6,2 pontos; e ainda a Macau Bamu, com 6,1 pontos. Não faltou ainda a avaliação aos pastéis de nata da KFC, que obtiveram 6,65 pontos, ou a marca londrina Santa Nata, com 5,1 pontos.

O ranking foi elaborado pela jornalista Tara Mulholland, que descreveu os pastéis de nata da “Bakehouse”, que faz cerca de 30 mil por dia, como tendo um “sabor intenso, ligeiramente torrado, e uma textura firme”, além de apresentarem uma “crosta em forma de chávena de chá a envolver um recheio característico de crème brûlée”.

No que diz respeito à Lord Stow’s, fundada por Andrew Stow em Macau em 1989, foi referido que os pastéis de nata têm um “equilíbrio entre o sabor a manteiga e o sabor a ovo”, mas não reuniu consenso por parte do júri relativamente ao sabor e texturas.

29 Set 2026