CURB | Projecto “Masts Promenade” premiado em concurso

Já são conhecidos os dez projectos de design vencedores do concurso “Placeable City – Placemaking em Hengqin 2026”, organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. O projecto que arrecadou o primeiro lugar intitula-se “Masts Promenade”, para a zona ribeirinha de Hengqin, e tem assinatura de António dos Santos Augusto e Jason Ng Sai Hung.

Por sua vez, para a mesma zona, o projecto “Tidal Wave – Symbiosis Corridor”, de Sun Kai Hin, ficou em segundo lugar. Em terceiro lugar ficou o projecto de Wei Junjie para o Novo Bairro de Macau.
Foram atribuídas duas menções honrosas, sendo que uma delas foi para o projecto “Sinfonia em Órbita” para a praça junto ao posto fronteiriço de Hengqin do lado de Zhuhai, e que tem autoria de Hoi Cheok Ieng e Leong Lok Ian.

Segundo uma nota do CURB, esta edição do concurso de design, a segunda, centrou-se nos espaços públicos de Hengqin. Procurou-se “explorar o potencial dos espaços públicos comunitários em Hengqin”. “Ao promover o conhecimento sobre arquitectura e a criação de espaços, o concurso facilita o intercâmbio urbano entre as duas regiões, inspira a reflexão pública sobre o ambiente construído e impulsiona a melhoria colectiva dos espaços”, revela ainda a organização.

O “Placeable City | Placemaking” é descrito como um concurso de design criativo “centrado na renovação de espaços e na criação de lugares, com o objectivo de revitalizar espaços públicos de pequena escala”.

“Como abordagem à governação urbana, estas microintervenções preservam a textura urbana original, ao mesmo tempo que melhoram eficazmente a qualidade ambiental e espacial local”, é acrescentando.
A primeira edição do concurso realizou-se em 2024 e teve a submissão de 24 projectos.

6 Out 2026

Museu Poly MGM | Obras de vidro revelam tradição artesanal chinesa

O Museu Poly da MGM acolhe, até Março do próximo ano, a mostra “Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli”, com 180 peças de vidro romano, persa e islâmico. O público pode descobrir três mil anos de artesanato e produção de vidro de Zibo, na província de Shandong

 

“Luminous Brilliance: The Artistry of Zibo Liuli” é a nova exposição do Museu Poly da MGM, inaugurada no dia de aniversário da República Popular da China e que está patente ao público até Março do próximo ano. Nesta mostra é possível descobrir 180 peças de vidro romano, persa sassânida e islâmico provenientes do Museu Nacional da China e do Zibo Ceramics and Glass Museum, e que “percorrem três mil anos de tradição artesanal e de intercâmbio cultural na China”, pode ler-se numa nota da MGM.

Trata-se de peças feitas em vidro que são “históricas e contemporâneas”, que proporcionam ao público “uma perspectiva inédita sobre o liuli, a arte tradicional chinesa de produção de vidro, e o seu papel como ponte entre civilizações ao longo de mais de três milénios”.

Expõe-se, assim, “uma nova perspectiva sobre as Rotas da Seda”, já que este vidro representa as trocas comerciais que existiam entre vários países e a China, culminando num trabalho artesanal muito próprio feito em Zibo, na província de Shandong.

Zibo é tido como “um dos mais antigos centros de produção de vidro da China, com uma tradição de mais de mil anos”. O vidro aqui produzido e as técnicas desenvolvidas são consideradas património cultural imaterial.
“Desde as dinastias Ming e Qing que o vidro produzido em Zibo era transportado pelas Rotas da Seda para destinos em toda a Ásia e além do continente”, é ainda explicado.

Do antigo ao novo

A mostra está organizada em três áreas “que exploram a história, a estética e a criatividade contemporânea do liuli”. Uma das partes da exposição, intitulada “Forjar um legado milenar”, revela “as raízes profundas da produção de vidro na China”, nomeadamente “as contas de vidro em forma de ‘olho de libélula’ do período dos Reinos Combatentes e os raros vestígios dos fornos de Boshan, datados do final da dinastia Yuan e do início da dinastia Ming”. Mostra-se também “o requintado trabalho artesanal do vidro produzido para a corte imperial durante a dinastia Qing”.

O trabalho em torno do vidro na zona de Zibo acarreta técnicas como “a moldagem por sopro, a fundição por cera perdida, a pintura pelo interior e a escultura”, sendo que muitas obras “evidenciam a fusão entre domínio técnico e expressão artística que caracteriza esta tradição”.

A exposição revela ainda o trabalho mais actual destes artesãos, o que ilustra a forma como “os artesãos de hoje partem de fundamentos ancestrais enquanto exploram novas linguagens artísticas”. São exibidas, em conjunto, “obras chinesas e internacionais, destacando-se o diálogo global que, actualmente, molda a arte do vidro”.

Instalações como conexão

Um dos pontos fulcrais desta exposição é o jardim central em liuli, com a instalação intitulada “Twelve Flower Deities” [Doze Divindades das Flores]. O espaço cria um “ambiente imersivo de cor e luz que liga os três capítulos da exposição com uma experiência narrativa unificada”.

Outro destaque desta mostra é a apresentação de obras do artista norte-americano Dale Chihuly, pertencentes à coleção MGM. Desta forma, “cria-se um encontro visual entre o vidro ocidental e as tradições chinesas do liuli, numa fusão que transcende o tempo e o espaço”.

Há também uma zona interactiva que mostra “o processo de produção do vidro, desde a selecção das matérias-primas e a cozedura no forno até à escultura e ao acabamento, permitindo aos visitantes apreciar tanto a dimensão artística como o património imaterial associado a esta arte”.
O Museu Poly da MGM foi fundado em 2024 e está ligado ao grupo empresarial Poly Culture, que se dedica essencialmente a actividades culturais e artísticas.

6 Out 2026

Porto Interior | Comerciantes nas pontes-cais pedem travão nas taxas

Comerciantes das pontes-cais do Porto Interior querem o prolongamento da isenção de parte da taxa de uso dos espaços, alegando dificuldades financeiras. Um dirigente associativo do sector alertou para a possibilidade do fecho destes locais históricos de comércio

 

Os comerciantes que operam nas pontes-cais do Porto Interior, principalmente na distribuição de bens essenciais, pedem um travão ao aumento dos custos a pagar pelo espaço. Este aumento surgiu em 2024 perante a inclusão das licenças de ocupação temporária das pontes-cais do Porto Interior na Lei de Terras, ficando definida a taxa anual de 980 patacas por cada metro quadrado da área de superfície utilizada.

Estas licenças surgiram em meados dos anos 80, no período da Administração portuguesa, tendo sido definida a cobrança de 30 patacas anuais. Porém, com as alterações de legislação sobre a gestão das áreas marítimas, as pontes-cais passaram a estar reguladas pela Lei de Terras e os valores foram actualizados.

O Governo criou um período transitório em 2024, em que, “após a emissão da licença de ocupação temporária”, se passou a cobrar 30 por cento de 980 patacas no primeiro ano após a atribuição da licença; 60 por cento no segundo ano e 90 por cento no terceiro ano. Só no quarto ano a empresa terá de pagar a totalidade da taxa anual.

Segundo o jornal Ou Mun, Fong Sio Long, presidente da Federação Industrial e Comercial da Zona do Porto Interior de Macau, diz que no ano passado algumas operadoras pagaram já 30 por cento da taxa anual e, mesmo assim, tiveram dificuldades em manter os negócios, sendo que três pontes-cais já fecharam, tendo sido recuperadas pelo Governo.

O mesmo responsável adiantou que os comerciantes precisam de pagar, este ano, 60 por cento da taxa de 980 patacas. Tendo em conta as dificuldades comerciais, caso tenham de pagar 90 por cento desse valor no próximo ano, as operadoras das pontes-cais não vão conseguir sobreviver, correndo-se o risco de os espaços históricos no Porto Interior fecharem portas.

Estes gestores dizem que as dificuldades se devem essencialmente às mudanças na economia ocorridas nos últimos anos e das restrições na concessão de créditos bancários.

Manter a história

Fong Sio Long disse esperar que o Governo olhe para esta questão com mais atenção por se tratarem de espaços históricos. O presidente da associação defende que as autoridades devem ter em conta as dificuldades económicas e manter a cobrança de apenas 30 por cento da taxa anual de 980 patacas, prolongando o período de transição até à cobrança total.

Por sua vez, a Associação da União dos Fornecedores de Macau considera que o Porto Interior é uma zona muito importante para o abastecimento de bens essenciais. Estão em causa, explicou, dificuldades com o custo de transporte, a estabilidade da inflação, a deterioração dos produtos, a pressão de recursos humanos e ainda a garantia de sustento de muitas famílias.

Desta forma, Lei Kit Heng, presidente da associação, espera que o Governo mantenha o Porto Interior para estas actividades ao invés de as mudar para o Porto de Ka-Hó, em Coloane. Este adiantou que está em causa a sobrevivência de muitas pequenas e médias empresas, correndo-se o risco de aumento do desemprego devido à subida dos custos operacionais.

Lei Kit Heng apresentou números: mais de 60 por cento dos bens essenciais de Macau dependem do descarregamento no Porto Interior, sendo armazenados a uma curta distância antes de serem distribuídos.

Se a entrega e distribuição de bens essenciais passar para Coloane, há risco de aumentar custos e tempo gasto no transporte desses bens, bem como maiores riscos de segurança e deterioração dos produtos frescos e vivos.

Além disso, coloca-se a questão da necessidade de motoristas de veículos pesados para o transporte provocada pela mudança para o Porto de Ka-Hó, o que vai piorar o cenário já existente de escassez de motoristas, alertou Lei Kit Heng.

6 Out 2026

Fundo Industrial | PME com prazos de reembolso alargados

O Conselho Consultivo (CC) terminou, na quarta-feira, a discussão em torno das mudanças sobre o modelo de apoio financeiro a empresas do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização.

Segundo um comunicado do CC, uma das alterações passa pelo prolongamento do prazo de reembolso da verba concedida no âmbito do Plano de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (PME) e do Plano de apoio a jovens empreendedores.

O prazo de prorrogação, na totalidade, não ultrapassa os dois anos, sendo que “o limite máximo do prazo de reembolso não pode ultrapassar os 10 anos”. É dada ainda margem de manobra para quem termina um negócio, podendo reembolsar o empréstimo anos depois do fim.

“É permitido aos empresários que deixem de explorar as empresas comerciais beneficiárias continuarem a reembolsar o crédito em prestações conforme o prazo de reembolso anterior, decorridos cinco ou mais anos contados da data de atribuição da verba de apoio.”

Comissão de Terras | Aprovadas alterações na estrutura

O Conselho Consultivo (CC) terminou a análise ao projecto de regulamento administrativo “Comissão de Terras” que altera a composição deste organismo e revoga o decreto-lei de 1999.

Segundo um comunicado do CC, a comissão continua a emitir pareceres ao Governo no tocante à concessão de terrenos, mas uma das alterações passa pela saída do director dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

Além disso, foram adicionados como membros o director dos Serviços de Obras Públicas e o representante máximo da Direcção dos Serviços de Finanças. A Comissão de Terras passa, assim, a ser composta por oito membros, sendo que as reuniões ordinárias decorrem uma vez por semana, “podendo ainda ser convocada em sessão extraordinária”. O apoio técnico e administrativo à comissão é assegurado pela DSSCU.

5 Out 2026

Hengqin | Sam Hou Fai diz que residentes ultrapassam os 30 mil

No discurso de comemoração dos 77 anos da implantação da República Popular da China, o Chefe do Executivo destacou o crescimento de Hengqin, onde mais de 30 mil residentes de Macau “trabalham, vivem e residem”, assim como as 8.200 empresas constituídas na zona

 

A crescente integração de Macau em Hengqin foi um dos pontos altos do discurso de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, na cerimónia de celebração dos 77 anos da República Popular da China (RPC), no passado dia 1 de Outubro.

No discurso divulgado pelo gabinete do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai lembrou como “o número de residentes de Macau que trabalham, vivem e residem em Hengqin já ultrapassa 30 mil”, além de que “o número de empresas com capital de Macau superou as 8.200”.

O governante acrescentou também que “o valor acrescentado das ‘quatro novas’ indústrias representa 68,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)” da zona, ou seja, áreas como a medicina tradicional chinesa, saúde e finanças. Sam Hoi Fai disse mesmo que a Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin “está a tornar-se num ‘paraíso’ onde os residentes de Macau podem viver confortavelmente e desenvolver os seus negócios”.

De resto, o Chefe do Executivo fez um balanço do progresso de projectos na área do ensino superior e inovação que estão a ser desenvolvidos. “Concluímos a primeira fase do Parque Industrial de Inovação Hengqin-Macau, expandimos a rede de serviços do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola, promovemos os trabalhos de prospecção no terreno e o projecto preliminar do troço de Hengqin da linha de comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau)”.

Relativamente a novos projectos, Sam Hou Fai disse que a “primeira fase da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin foi inaugurada”, enquanto “os trabalhos de concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau prosseguem de forma ordenada”.

Superar dificuldades

Passaram 77 anos desde que a RPC foi fundada, a 1 de Outubro de 1949, e 105 anos desde que o Partido Comunista Chinês foi criado. Sam Hoi Fai lembrou estas datas históricas e a forma como a RAEM tem vindo a acompanhar as políticas nacionais.

No território, falou de como a economia tem vindo a dar garantias de estabilidade. “Temos dinamizado a economia comunitária, reforçado o apoio político às pequenas e médias empresas, ajudando as empresas a capacitar-se para a modernização e a superar dificuldades na transformação.”

Além disso, “o número de turistas que entraram em Macau ao longo do último ano tem vindo a aumentar, enquanto a economia geral, apesar dos obstáculos, tem avançado de forma constante, recuperando de forma estável”, frisou.

Sobre segurança nacional e o processo em que o ex-deputado Au Kam San foi julgado, Sam Hou Fai disse apenas: “Foi conduzido, nos termos da lei, o julgamento do primeiro processo relacionado com a segurança nacional.”

5 Out 2026

Dança | Coreografias de Macau abrilhantam cartaz da Quinzena de Almada

Macau faz-se representar na 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, tanto na iniciativa “Saracoteio” como na secção “Plataforma Coreográfica Internacional”. A coreógrafa local Cynthia Sio apresenta “Decalogue” e “‘Shell’ We Talk”. Ao HM, a artista explica a paixão pela dança e o significado dos seus trabalhos

 

As danças e contradanças da vida levaram Cynthia Sio a descobrir esta forma de expressão artística ainda criança. Natural de Macau, está hoje radicada na Coreia do Sul e vive do mundo da dança e da coreografia, tendo visto dois projectos seus seleccionados para a 34ª edição da Quinzena de Dança de Almada, nomeadamente “Decalogue”, apresentado amanhã às 21h, na secção “Plataforma Coreográfica Internacional” e ainda “‘Shell’ We Talk”, integrada na iniciativa “Saracoteio – Dança no Ecrã”, que conta também com projectos de Cabo Verde.

“Decalogue” será interpretado no Teatro-Estúdio António Assunção e é um espectáculo que dá respostas às seguintes perguntas: “O Decálogo [Dez Mandamentos que Deus entregou a Moisés no Monte Sinai, segundo a Bíblia] é um guia ou uma restrição? Ser bondoso ou ser mau?” “Numa zona cinzenta, somos todos hipócritas”, refere a sinopse.
Por sua vez, “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se no Salão das Carochas esta sexta-feira e conta ainda com o trabalho de outro nome de Macau: Man Ian Ku, que apresenta “The Rhythm of Sharing”.

Em “Shell’We Talk” Cythia fala-nos do Macau antigo. A sinopse do filme de dança, com pouco mais de cinco minutos, revela-nos que “Macau era uma pequena aldeia piscatória”.

“A sua história de cultivo de ostras deu-lhe os seus antigos nomes de Hou Keng (Espelho das Ostras) e Hou Keng Ou (Porto do Espelho das Ostras). Reza a lenda que a origem destes nomes se deve às ostras que brilhavam como espelhos. No passado, Macau era conhecida pelas suas ostras frescas. Devido à poluição da água do mar, a reprodução das ostras tem vindo a diminuir drasticamente nos últimos anos, tornando-as inadequadas para consumo. Já não é possível”, é descrito na sinopse.

Ostras com passado

Ao HM, Cynthia Sio conta-nos como surgiu este projecto, seleccionado a partir de um concurso feito de propósito para a secção “Saracoteio – Dança no Ecrã”.

“Em 2024 participei num Laboratório de Cinema de Dança organizado pela Associação de Dança Ieng Chi de Macau. Uma excursão para observação costeira levou-me a uma praia coberta de conchas de ostras que me deixou impressões por muito tempo. Com o nosso guia aprendi sobre o passado esquecido de Macau como vila piscatória, e de como a poluição marinha estragou as águas, tornando as ostras impróprias para consumo”, contou.

Desta forma, a coreógrafa, perante “ostras sem vida”, comoveu-se ao saber que a vida marinha saudável tinha, outrora, acontecido ali. “Após um período de reflexão no final do laboratório, regressei àquela mesma praia para criar o filme de dança ‘Shell’ We Talk. Para mim, aquelas conchas espalhadas assemelham-se a almas outrora puras, despojadas da sua essência interior pela poluição e decadência implacáveis. Talvez, à medida que o seu âmago se esvaía, elas tentassem gritar, ansiando por serem ouvidas”, descreve.

Cynthia Sio diz sentir-se “verdadeiramente honrada e grata” pelo facto de o seu projecto de vídeo de dança ter sido seleccionado. “‘Shell’ We Talk nasceu de um momento muito pessoal e de reflexão junto à costa de Macau, onde exploro temas como a perda, a degradação ambiental e as vozes silenciadas. O facto de esta história ter sido reconhecida pelo [júri] do Saracoteio dá a essas conchas silenciosas e vazias a oportunidade de se expressarem perante um público totalmente novo em todo o mundo. É uma afirmação profunda do meu percurso coreográfico”, explicou.

Um tempo próprio

Cynthia Sio perdeu o pai ainda muito jovem e a dança surgiu como refúgio. Fez depois estudos em Tianjin, na China; Alemanha e Coreia do Sul, onde completou o mestrado e doutoramento na área. Esses estudos ajudaram-na “a aperfeiçoar a minha voz na coreografia”. “Com o tempo, fiquei fascinada pela forma como a dança consegue construir mundos que as palavras não conseguem expressar”, rematou.

Ao longo da sua carreira Cynthia Sio já viu o seu trabalho reconhecido, tendo ganho o Prémio de Melhor Coreografia no Festival de Dança Juvenil da Coreia do Sul [South Korea Youth Dance Festival].
Também na sexta-feira pode ver-se em Almada outro projecto de dança oriundo de Macau. “Fabrics of Time” é uma peça com coreografia de Chloe Lao, ligado à iniciativa “Step+”, da Associação de Dança Ieng Chi de Macau.
Trata-se, segundo a sinopse, de um “espectáculo multimédia que integra arte digital com a tinta, dança, teatro, tecnologia interactiva e instalações em papel”.

“Contada através das perspectivas de um viajante moderno, a peça explora o significado mais profundo de ‘viagem’, ao mesmo tempo que examina as ligações entre o tempo e o espaço, o vazio e a realidade, e desconstrói os múltiplos aspectos da memória. Neste contexto único, o espectáculo oferece ao público uma experiência terapêutica de energia fluida e imaginação sem limites”, é referido.

Ainda na secção “Saracoteio – Dança no Ecrã 1” apresenta-se “Third Person”, com realização de Tang Chi Fai, dramaturgia de Jenny Mok e coreografia e interpretação de Lei Pou Ian. Este filme “explora a forma como o espaço onde vive um indivíduo se transforma, na perspectiva de uma terceira pessoa.” Assim, “quando observado do exterior, um ambiente privado transforma-se numa ‘representação’ do espaço que pode ser vista e reflectida, revelando a relação subtil e complexa entre as pessoas e o espaço ― e a forma como o espaço acolhe e molda os estados de ser”.

“Eyeland”, de Lao Pui Lon; e “Hermaphroditus”, de Lam Chan Tong; são outros filmes de dança oriundos da RAEM que podem ser vistos no festival de dança de Almada.

30 Set 2026

Coutinho pede que análise de preços inclua Zhuhai

O deputado Pereira Coutinho interpelou o Governo quanto à necessidade de alterar o modelo de análise e comparação de preços porque a maioria das famílias faz compras em Zhuhai, aproveitando os preços mais baixos do outro lado da fronteira.

Na interpelação escrita, intitulada “Alargamento geográfico do leque de fiscalização dos preços dos bens essenciais”, Coutinho pede ao Conselho de Consumidores (CC) que a plataforma online de comparação do custo de mais de 600 produtos em 100 supermercados locais, inclua também Zhuhai.

“Com o aprofundamento da integração entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, e com a constante melhoria contínua das condições de travessia fronteiriça, é hoje uma prática comum para milhares de famílias – desde as que se deslocam a pé às que, de classe média, utilizam viatura própria – que adquirem bens alimentares e produtos em Zhuhai.”

Coutinho recorda a “inauguração de enormes centros comerciais com vasto e moderno parque de estacionamento situados no posto fronteiriço de Gongbei”, bem perto de Macau, e que disponibilizam “uma vasta gama de produtos a preços significativamente mais baixos, frequentemente 30 a 50 por cento inferiores aos praticados em Macau”.

Uma questão de utilidade

O deputado entende, tendo em conta a mudança no consumo, que o formato levado a cabo pelo CC para analisar os preços se tornou “anacrónico e desprovido de utilidade prática para o cidadão comum”.

“Impõe-se, assim, que o Governo de Macau reflicta sobre o verdadeiro papel do CC nesta era de mobilidade rumo ao [conceito] de ‘sem fronteiras’, questionando se o esforço público não deveria ser redirecionado para uma comparação de preços que seja do interesse dos consumidores de Macau, ou seja, a comparação directa entre os preços praticados em Macau e os praticados em Zhuhai (e em Hengqin)”, lê-se na interpelação.

Pereira Coutinho questiona ainda se o Executivo pondera “reavaliar a continuidade da actual investigação de preços”, que é “meramente local e bastante restritiva”. O deputado sugere mesmo “a suspensão ou reformulação desse serviço para afectar recursos humanos e orçamentais a áreas de fiscalização que protejam o consumidor face à concorrência directa com a oferta do exterior da RAEM”.

30 Set 2026

Energias limpas e agricultura são apostas da CESL-Ásia em Portugal

A empresa local CESL-Ásia está interessada no desenvolvimento de projectos-piloto em Portugal na área agrovoltaica, aliando produção agrícola e energia solar.

Segundo um comunicado da empresa, o projecto surgiu no âmbito de uma visita, à CESL-Ásia em Macau, de uma delegação do Conselho Intermunicipal do Oeste de Portugal (OesteCIM), liderada por Hermínio Augusto Rodrigues, que é também presidente da Câmara Municipal de Alcobaça. Da delegação fizeram ainda parte Teresa Almeida, presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo], entre outras personalidades.

No encontro, que decorreu na passada quinta-feira, responsáveis da CESL-Ásia apresentaram as “operações inovadoras de AgroPV (agrovoltaica)”, incluindo a “bem-sucedida Central de Demonstração no Alentejo”.

Na mesma nota, a CESL-Ásia diz que a área de agrovoltaica “é importante para o futuro de Portugal” pelo facto de poder “dinamizar a economia rural”, através da optimização do uso do solo e garantia de protecção da “soberania alimentar”.

Desta forma, “um sistema AgroPV bem regulamentado pode gerar entre 1.500 e 3.000 euros por hectare, e por ano, em receitas anuais adicionais para os agricultores, duplicando o valor económico das terras agrícolas”, é explicado.

Uma desejada realidade

A CESL-Ásia, que em Macau também opera na área da engenharia e construção civil, entre outros sectores, pretende a criação de “um Programa Piloto Nacional de Agro-fotovoltaica e de um ambiente regulatório experimental para estabelecer as melhores práticas, abrindo caminho para a implantação em grande escala em regiões como o Oeste” português.

A empresa local destaca como a “integração da AgroPV nas estratégias nacionais de Portugal nas áreas da agricultura, da energia e do digital, a par dos investimentos na REN (a rede nacional de energia) e nos centros de dados, funciona como um motor de grande impacto e autofinanciado para o desenvolvimento regional” em Portugal, é destacado.

29 Set 2026

Música | German Ku lança novo single e apresenta espectáculo ao vivo

Chama-se Germano Guilherme, mas o mundo artístico conhece-o por German Ku. Macau está sempre presente nas músicas que canta e a nova não é excepção. Os fãs podem esperar um novo single em Outubro, mês em que apresenta, no Broadway Theatre, o espectáculo “A New Classic”

 

Quando Germano Guilherme venceu, em 2024, o concurso de talentos “Midlife, Sing and Shine 2”, do canal TVB de Hong Kong, o mundo conheceu-lhe a voz e admirou-lhe o talento. O rapaz macaense que sempre teve a paixão de cantar, e que até estudou na Escola Portuguesa de Macau, transformou-se no artista German Ku, nome artístico pelo qual é conhecido.

Depois de muitos espectáculos e algumas gravações de estúdio, Germano está de regresso com o espectáculo “A New Classic”, apresentado a 10 de Outubro no Broadway Macau, e também uma nova canção, cujo nome não revela, em entrevista ao HM. “Espero lançar um novo single em meados do mês de Outubro. É uma balada típica de cantopop e que mostra um lado mais emocional da minha parte. No futuro espero poder colaborar com diferentes talentos de Macau para criar mais música, sobretudo algo que possa realmente representar Macau”, descreve por escrito.

Em relação ao espectáculo “A New Classic”, descreve-se no website Macau Ticket, onde os ingressos já estão à venda, que é uma novidade de palco desde “o triunfo da ‘Follow Me Live Tour'”, a sua última digressão.

No concerto de Outubro, o cantor macaense irá “abraçar um novo caminho musical, regressando às suas origens com uma experiência refinada e focada na música, especialmente criada para os fãs mais dedicados” à sua carreira.
Desta forma, nesta sala de espectáculos no Cotai podem ouvir-se “clássicos da Pop ocidental, um género musical que está perto do seu coração e que é profundamente adorado pelo público”. A escolha do repertório está a cargo de German Ku, que em palco se fará acompanhar por uma orquestra.

Trata-se de um concerto que irá proporcionar “uma interpretação renovada de êxitos clássicos em inglês, trazendo uma nova emoção e elegância a canções lendárias”.

Nas palavras de Germano Guilherme, o público de Macau pode assistir a um “espectáculo único, apresentado apenas numa noite”. “Vou interpretar a minha selecção de canções favoritas e que são conhecidas há muitos anos, mas com novos arranjos, dando-lhes uma nova abordagem. Também vou celebrar o meu aniversário com o público e os meus fãs, uma vez que faço anos em Outubro.”

Cantar no quarto

Germano Guilherme não tem dúvidas de que a vitória no concurso da TVB lhe abriu portas. “Depois de vencer o concurso de talentos de Hong Kong, abriram-se mesmo muitas portas, que nunca imaginei que se pudessem abrir na minha vida: concertos em diferentes cidades, palcos maiores, mais música, fãs. Foi avassalador e, de certa forma, difícil de acreditar no início”, recorda.

Germano canta desde miúdo, mas as oportunidades tardaram a chegar. Porém, nunca desistiu. “Infelizmente, durante os meus anos de estudo, não tive oportunidade de praticar ou desenvolver o meu talento musical. A única forma que tinha de praticar era cantar em voz alta em casa”, assume.

O facto de ser natural de Macau dá a Germano uma responsabilidade de mostrar não apenas o território, mas também a cultura macaense que lhe pertence. “Como cantor de Macau penso ser minha responsabilidade promover e defender a nossa cultura — neste caso, a nossa música — junto do resto do mundo. Além disso, nasci e cresci como macaense, e sinto que é meu dever mostrar ao mundo a nossa cultura tão particular, uma mistura de estilos de vida chinês e português, levando essa cultura ao palco internacional.”

German Ku espera um dia fazer música com talentos locais, apesar de reconhecer que o mercado discográfico do território é bastante reduzido. “Tenho de ser sincero: a indústria musical em Macau enfrenta algumas dificuldades quando comparada com a de outros lugares, devido à reduzida população e à pequena dimensão do território. Mas acredito que vai melhorar no futuro, graças ao poder das redes sociais nos dias de hoje. Espero que, um dia, a música de Macau seja reconhecida no palco internacional”, remata.

29 Set 2026

Pastéis de nata | “Bakehouse”, em Hong Kong, lidera ranking da Bloomberg

A agência de notícias Bloomberg resolveu avaliar os melhores pastéis de nata da região e a verdade é que Hong Kong fica à frente de Macau. Segundo a agência, a “Bakehouse” lidera o ranking, com uma pontuação de oito em dez, enquanto que a “Lord Stow’s”, em Coloane, fica em terceiro lugar, com 7,35 pontos. Por sua vez, a Manteigaria, marca portuguesa que acaba de chegar ao Oriente, obteve da 7,5 pontos.

O ranking, publicado no passado dia 17 de Setembro, inclui ainda as pastelarias Hong Kong Hashtag B, com 6,6 pontos; o local Margaret’s Café e Nata, que obteve 6,2 pontos; e ainda a Macau Bamu, com 6,1 pontos. Não faltou ainda a avaliação aos pastéis de nata da KFC, que obtiveram 6,65 pontos, ou a marca londrina Santa Nata, com 5,1 pontos.

O ranking foi elaborado pela jornalista Tara Mulholland, que descreveu os pastéis de nata da “Bakehouse”, que faz cerca de 30 mil por dia, como tendo um “sabor intenso, ligeiramente torrado, e uma textura firme”, além de apresentarem uma “crosta em forma de chávena de chá a envolver um recheio característico de crème brûlée”.

No que diz respeito à Lord Stow’s, fundada por Andrew Stow em Macau em 1989, foi referido que os pastéis de nata têm um “equilíbrio entre o sabor a manteiga e o sabor a ovo”, mas não reuniu consenso por parte do júri relativamente ao sabor e texturas.

29 Set 2026

ATFPM | Dirigentes reúnem com secretário de Estado

Pereira Coutinho e Rita Santos, dirigentes da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), reuniram na última quarta-feira com o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Emídio Sousa, em Lisboa.

Segundo uma nota da ATFPM, foram analisadas questões como a “tramitação e resolução de processos de atribuição de pensões junto da Caixa Geral de Aposentações e o reembolso de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares junto da Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais”.

A ATFPM referiu como, entre Julho de 2025 e Agosto de 2026, atraiu mais 739 associados de nacionalidade portuguesa. Citado pela mesma nota, Emídio Sousa disse que a secretaria de Estado que lidera “valoriza o associativismo português no estrangeiro, promovendo regularmente acções de formação para dirigentes associativos em território nacional e fomentando o intercâmbio e a cooperação entre as diversas associações de matriz portuguesa espalhadas pelo mundo”.

29 Set 2026

Taipa | Deputado alerta para falta de espaços culturais

O deputado Leong Hong Sai interpelou o Governo sobre a necessidade de criar mais espaços de lazer na Taipa. Na interpelação escrita lê-se que “com o crescimento gradual da população da Taipa, a procura de instalações culturais e recreativas comunitárias tem vindo a aumentar”, pelo que o deputado pede uma avaliação “da carência de espaços públicos para espectáculos”.

Além disso, sugere a elaboração de uma “planta de construção de recintos de espectáculos culturais para o desenvolvimento actual da Taipa”, tendo em conta os terrenos vazios do Jockey Club e do antigo Ocean World.

Leong Hong Sai também defende o sistema de reserva de horas para espectáculos em espaços como o Pavilhão Desportivo da Taipa, os centros comunitários e as Casas-Museu da Taipa para apoiar associações culturais locais.

29 Set 2026

Canções narrativas Naamyam amanhã na Casa de Lou Kau

A Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong realiza amanhã, sábado, o “Recital de Naamyam do Património Cultural Imaterial 2026 – Especial Festival do Meio do Outono”, que decorre na Casa de Lou Kau entre as 14h30 e as 17h.

Segundo um comunicado da organização, pretende-se dar a conhecer a “dimensão emotiva” das canções narrativas de Naamyam, que originalmente eram cantadas por cegos. Nos anos 50, a Rádio Vila Verde de Macau transmitia estas narrativas cantadas, e que hoje estão inscritas na Lista do Património Cultural Intangível de Macau.

O recital conta com a participação do mestre Au Kuan Cheong, uma das figuras mais importantes na preservação e transmissão ao público das narrativas Naamyam, procurando este evento “criar uma forte ligação com o espírito de festividade” do Festival do Meio Outono.

O repertório inclui canções como “Tristezas de Outono de um Viajante”, bem como “O Senhor Guan Acompanha as suas Cunhadas”, onde se destacam sentimentos como a lealdade e a honra. As emoções humanas estão também presentes em “Lamento ao Longo das Cinco Vigílias da Noite”, além de que um amor não correspondido é a história por detrás de “Nuvens Persistentes da Devoção”.

Repertório variado

Canções como “A Confissão do Erudito Wang”, ou “Li Qingzhao” fazem também parte do repertório do espectáculo na Casa de Lou Kau, sendo que esta última “retrata a extraordinária resiliência e a profunda sinceridade da célebre poetisa da Dinastia Song”. Com a canção “O Palácio da Vida Eterna” revela-se a “devastadora impotência e a trágica despedida”, enquanto “Uma Visita numa Noite de Neve ao Monge Apaixonado” traz sentimentos e ideias de “serenidade e desprendimento filosófico”.

A organização espera que, com este recital, “mais residentes e visitantes possam conhecer e apreciar esta forma de património cultural imaterial”, existindo o compromisso de “salvaguardar e divulgar as canções narrativas Naamyam, procurando preservar a sua vitalidade e manter a sua relevância na sociedade contemporânea”.

De destacar que desde 1995 que a Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong, fundada por este, se dedica a promover as canções narrativas Naamyam com sessões de formação e espectáculos. É a entidade reconhecida pelas autoridades como sendo responsável pela preservação deste património.

25 Set 2026

Galaxy Promenade com peças do escultor chinês Gao Xiaowu

Uma exposição de arte do escultor chinês Gao Xiaowu, intitulada “Dream Voyage at Galaxy Resort: Gao Xiaowu’s Art Exhibition”, pode ser vista no Galaxy Promenade, no empreendimento Galaxy Macau, até ao dia 17 de Novembro.

Segundo um comunicado da operadora de jogo, trata-se de uma “viagem imersiva pelos sonhos, gratidão e amor”, apresentando-se seis conjuntos de obras representativas de Gao Xiaowu. Estas dispõem-se em “cinco capítulos temáticos que exploram diferentes etapas da vida e a procura dos sonhos”.

Na obra “Dreams Begin” estão patentes os sentimentos de esperança e imaginação, enquanto em “Breaking the Mold” pode-se sentir a “celebração da individualidade”. Já em “Dreams Return”, trata-se de uma peça que “incentiva os visitantes a reencontrarem as suas aspirações originais e a reavaliarem os seus sonhos”, enquanto com o trabalho “Gratitude Shared” faz uma “homenagem ao apreço sincero”.

A “viagem” pelo trabalho deste escultor termina com a peça “Love Expressed”, focado na ideia de que o amor “constitui uma força poderosa, capaz de sustentar os sonhos e reforçar ligações significativas”.

O aqui e agora

Na mesma nota, é descrito como Gao Xiaowu é, nos dias de hoje, “um dos mais reconhecidos escultores contemporâneos da China”, sendo “amplamente conhecido pela filosofia do ‘the moment that is'”. Faz-se, portanto, a apologia do momento presente, e também da prática das “popular arts”, ou seja, artes que “pertencem às pessoas comuns”, como se lê no website oficial do artista.

“Gao Xiaowu procura inspiração nas experiências, emoções e aspirações das pessoas comuns. Através de uma linguagem visual marcada pelo humor, calor humano e acessibilidade, Gao explora a vida urbana, as questões sociais e as relações humanas, transmitindo simultaneamente um forte sentido de empatia e de envolvimento com o público”, lê-se ainda.

Nascido em 1976, em Fujian, Gao Xiaowu formou-se na Xia Men Art Academy em Escultura, curso que terminou em 1999. Formou-se na mesma área, mas na Central Academy of Fine Arts em 2004. Passou pela Catalunha, Espanha, para fazer um mestrado em “Film Business and Management” na Catalan School of Film and Audiovisual Studies, vivendo actualmente em Pequim.

25 Set 2026

Exposição | Dinastia Tang é protagonista em “Imperatriz Reinante”

Foi inaugurada esta quarta-feira mais uma mostra patente no Museu de Macau. Trata-se de “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, com mais de uma centena de peças que remontam aos anos da dinastia Tang. Trata-se de artefactos cedidos por instituições culturais da província de Henan

O terceiro andar do Museu de Macau acolhe até ao dia 28 de Fevereiro mais uma mostra que junta cultura e história da China. Tal é possível com a exposição “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, que apresenta em Macau 126 itens ou conjuntos de artefactos cedidos por oito instituições culturais e museus da província de Henan, nomeadamente o Museu de Henan, a Academia das Grutas de Longmen, o Museu de Luoyang, o Instituto de Arqueologia de Luoyang, o Museu de Túmulos Antigos de Luoyang, o Museu Cultural do Grande Canal das Dinastias Sui e Tang, o Museu de Yanshi e o Museu do Condado de Xin’an.

Segundo uma nota disponibilizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende-se, com esta mostra, “promover o intercâmbio histórico e cultural entre Henan e Macau”, além de se “destacar o papel de Macau como janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Esta é uma organização conjunta do Governo de Macau e da Administração Provincial do Património Cultural da Província de Henan.

Era dourada

Destaca-se, do conjunto de peças em exposição, 21 itens ou conjuntos que são “relíquias culturais de Primeira Classe, incluindo a Faixa de Ouro de Absolvição de Wu Zetian, uma estátua de pedra de uma figura guardiã, uma estátua de Tathagata de pé, figuras de cerâmica pintadas de um cavalo e seu domador ou um cavalo de esmalte tricolor e um espelho de bronze com motivos de criaturas marinhas e uvas”.

Há cinco áreas em que se divide a mostra, que apresenta, desta forma, “um panorama multidimensional da era gloriosa da dinastia Tang sob as perspectivas do planeamento urbano, filosofia, cultura, vida social, sistemas rituais e jurídicos e dos intercâmbios internacionais”.

A mostra inclui também uma forte componente multimédia de interacção com o público, nomeadamente uma “cabine fotográfica com Inteligência Artificial”, o que permite “uma forma acessível e envolvente de aprender sobre a cultura, a arte e a sociedade da dinastia Tang”.

A exposição terá, posteriormente, uma versão digital com recurso a realidade virtual, e que pode ser vista a qualquer altura no website do Museu de Macau.

Uma vez que Macau celebra o Festival do Meio Outono, que antecede as celebrações da implantação da República Popular da China, o Museu de Macau e o Jardim da Fortaleza do Monte estarão abertos hoje até às 22h30, estando também abertos este sábado e domingo até às 21h. Nestes dias o jardim terá uma decoração temática da dinastia Tang, uma zona para fotografias e uma área para a prática de pickleball.

25 Set 2026

Rua das Estalagens | 24 negócios para projecto de renovação

“Ho’s Coffee”, “COINERY”, “Gengfu Chenpi Queen Wellness Centre”. São os nomes de três dos 24 negócios seleccionados pela Sands China no âmbito do projecto de renovação da Rua das Estalagens. Segundo um comunicado da operadora de jogo, os 24 negócios locais são essencialmente cafés, espaços culturais e de gastronomia, também com ligação à área de “life&style”.

Estes foram escolhidos no âmbito de duas categorias, “Shop Rebranding Programme” [Programa de Renovação da Imagem e Marca das Lojas], uma nova categoria; e “Entrepreneurship Recruitment Programme 2.0” [Programa de Recrutamento de Empreendedores 2.0]. De frisar que este programa teve uma primeira edição em 2024, que trouxe sete negócios à Rua das Estalagens.

A Sands China descreve que, nos últimos dois anos, “o programa alcançou resultados significativos, trazendo novo dinamismo comercial, aumentando a vitalidade da zona e renovando o interesse da comunidade” na Rua das Estalagens.

O programa inclui a concessão de subsídios para empreendedores, a fim de incentivar “uma nova vaga de pequenas e médias empresas a instalar negócios na Rua das Estalagens”, e recebeu “uma resposta muito positiva, com um total de 69 candidaturas”.

A Sands China destaca como, entre esta e a primeira edição, se receberam “cerca de 200 candidaturas” para o programa de renovação da Rua das Estalagens, que decorre com a parceria do Governo. Foram organizados 15 eventos públicos com entrada gratuita, além de que a “iniciativa de revitalização da Rua das Estalagens terá beneficiado um total de 30 empresas, contribuindo para a renovação e modernização do tecido comercial da zona”, é referido.

25 Set 2026

Economia | Crescimento do PIB chinês deverá abrandar em 2026 e 2027

O “OECD Economic Outlook” descreve cenários de “resiliência” perante a escalada de preços devido à guerra no Irão, prevendo moderação do crescimento do PIB da China na ordem dos 4,5 por cento este ano, e ainda de 4,2 por cento em 2027

O nome do relatório não deixa margem para dúvidas: “Weathering Successive Shocks”, em português “Resistir a Choques Sucessivos” chama a atenção para os tempos difíceis que se vivem na economia global. O relatório em causa é o “OECD Economic Outolook”, produzido pelo secretariado-geral da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]. O documento foi tornado público na quarta-feira.

Há vários sinais de alerta para o leitor, desde logo pela análise do crescimento económico mais moderado, da existência de maiores dependências face à evolução do conflito do Médio Oriente e preços mais elevados nos bens essenciais, sempre dentro de um cenário de muitas incertezas e imprevisibilidades.

Falando em “moderação do crescimento mundial” da economia no primeiro semestre deste ano, a OCDE prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês até 4,5 por cento este ano, bem como 4,2 por cento em 2027.

“Prevê-se que o crescimento económico nas economias de mercado emergentes do G20 se mantenha globalmente estável, embora o padrão de crescimento varie entre os países. Na China, prevê-se que o crescimento abrande ainda mais, passando de 5 por cento em 2025 para 4,5 por cento em 2026 e 4,2 por cento em 2027”, lê-se.

Em termos globais, acredita-se que o crescimento do PIB a nível mundial seja de 2,9 por cento este ano, ficando ligeiramente abaixo da previsão para 2027, que é de 3 por cento. Para os Estados Unidos da América, a OCDE estima um crescimento do PIB na ordem dos 2,2 por cento este ano, e de 2,1 por cento em 2027. Tal crescimento será pautado “por um forte investimento relacionado com a IA [Inteligência Artificial]”, que irá “compensar parcialmente o abrandamento da despesa dos consumidores e do crescimento do rendimento real”.

Na Zona Euro o crescimento do PIB será inferior, na ordem de 1 por cento este ano, percentagem que deverá ser semelhante em 2027.

A OCDE refere que, em termos globais, a “maior pressão sobre os preços, um crescimento fraco do rendimento real e taxas de juro mais elevadas” vão dominar as economias. Estes factores vão trazer, nos próximos meses, um cenário de “moderação” ao “dinamismo do crescimento a curto prazo em muitas economias”.

O estado da inflação

Os preços deverão continuar mais elevados, mas não sempre. A OCDE prevê que “a inflação aumente a curto prazo, reflectindo a subida dos preços das matérias-primas, antes de diminuir gradualmente em 2027”. A quebra gradual explica-se pela “moderação dos preços da energia e uma política monetária mais restritiva, e que contribuam para limitar as pressões mais gerais sobre os preços”.

Nos países que fazem parte do G20 estima-se que a inflação possa diminuir de 4,1 por cento este ano para 2,5 por cento em 2027. É referido um cenário de “resiliência” perante este crescimento económico mais moderado, apesar “dos efeitos adversos do conflito no Médio Oriente”.

A “resiliência” dos países deveu-se “às reservas consideráveis de petróleo, à oferta adicional proveniente de países exteriores às economias do Golfo e a medidas discricionárias de apoio adoptadas pelos governos”, e que “contribuíram para atenuar o impacto sobre a economia mundial”.

IA como força motriz

A OCDE destaca o papel que os investimentos na área da IA têm tido como força dinamizadora de muitas economias. “A continuação da forte actividade relacionada com a inteligência artificial (IA) também impulsionou o investimento, a produção e o comércio”, lê-se no relatório.

Aliás, é ainda referido no documento que “a robustez da actividade relacionada com a IA e a descida dos preços da energia (…) contribuirão para o reforço da actividade até 2027”.

É explicado que os efeitos do conflito no Médio Oriente “foram parcialmente compensados pela continuidade do rápido crescimento do investimento e da produção relacionados com a inteligência artificial em muitas economias”.

No continente asiático, “a Coreia e Japão, dois importantes fabricantes de semicondutores, registaram um forte aumento das exportações de tecnologia ao longo deste período”, sendo que “o mesmo aconteceu na China”.

Por sua vez, “o crescimento de várias outras economias de mercado emergentes do G20, como a Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado por uma procura interna resiliente e por políticas governamentais que atenuaram o impacto do aumento dos preços da energia sobre as famílias e as empresas”.

Muitas incertezas

Não obstante a capacidade de superação e até um ligeiro crescimento do PIB global em 2027, a OCDE deixa no ar um cenário de muitas incertezas. Isto porque “as perspectivas económicas mundiais continuam fortemente dependentes da possibilidade de se alcançar uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente”.

Lê-se que “os preços da energia voltaram recentemente a subir, num contexto de intensificação das perturbações na produção e nas exportações das economias do Golfo”.

“As elevadas margens de refinação, devido aos estrangulamentos na produção, estão a exercer uma pressão adicional em alta sobre os preços no consumidor e os custos das empresas. Os preços de algumas matérias-primas agrícolas também aumentaram significativamente nos últimos meses, em parte devido ao impacto de fenómenos meteorológicos extremos na oferta”, é ainda explicado.

As incertezas ocorrem também devido às “alterações contínuas nas políticas comerciais, tanto em matéria de tarifas como de restrições às exportações”. Tais cenários trazem também “perturbações na oferta”.

A OCDE realça ainda “as novas taxas tarifárias bilaterais dos EUA, em vigor desde Julho, tenham aumentado em cerca de 1 ponto percentual a taxa tarifária efectiva média dos Estados Unidos”.

Essencialmente, “a trajectória dos preços do petróleo e do gás depende fundamentalmente da duração das perturbações na oferta, da capacidade de produtores e consumidores para se ajustarem e da evolução geopolítica”.

Outro risco apontado no relatório tem a ver com as alterações climáticas, nomeadamente o fenómeno El Niño, “que afecta negativamente a produção agrícola e contribui para aumentar as pressões sobre os preços dos alimentos”.

Livro de receitas

A OCDE deixa algumas sugestões para travar a escalada de preços, referindo que “os bancos centrais devem assegurar que as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas”. “Poderão ser necessários novos ajustes às políticas monetárias caso as pressões sobre os preços apresentem sinais de agravamento ou as perspectivas de crescimento se deteriorem significativamente”, acrescenta-se.

Do lado dos governos, a OCDE diz que as medidas para travar a inflação “devem ser bem direccionadas”, apostando-se nos “incentivos à redução do consumo energético e à diversificação das fontes de energia”.

Como tal, a organização internacional recomenda “reformas estruturais para aumentar o crescimento do produto potencial e reforçar a resiliência das economias perante novas perturbações do lado da oferta”. A recomendação inclui “medidas destinadas a diversificar ainda mais o fornecimento de energia e melhorar a eficiência energética”, bem como políticas “que reforcem a capacidade dos mercados de produtos e de trabalho para se ajustarem aos choques e garantam que os trabalhadores dispõem das competências necessárias para se adaptarem às mudanças estruturais”.

25 Set 2026

SCML | Cinema de Macau apresentado hoje em Lisboa

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) apresenta hoje uma sessão dedicada ao cinema de Macau, apresentando quatro curtas-metragens realizadas entre os anos de 1923 e 1974. As sessões decorrem na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo a partir das 18h, estando limitadas a 50 vagas, com um custo de dez euros por pessoa.

Segundo uma nota disponibilizada no website da SCML, pretende-se, com esta sessão, fazer uma “viagem pela história de Macau através do cinema”, mostrando ao público “diferentes olhares sobre Macau e a forma como o cinema retratou, ao longo do século XX, o encontro entre o Ocidente e o Oriente”.

Revelam-se trabalhos cinematográficos disponibilizados pela Cinemateca Portuguesa e que têm a assinatura de Manuel Antunes Amor, Ricardo Malheiro e António Lopes Ribeiro. “As obras permitem acompanhar diferentes formas de representar o território ao longo do século XX: do progresso urbano e monumental registado nos anos 1920 à valorização da herança histórica e religiosa nas décadas seguintes, passando pelas visitas institucionais e pela construção de uma imagem de Macau enquanto lugar de encontro entre culturas”, descreve-se.

Na tela observa-se, assim, “um percurso de cinco décadas de imagens, que permite revisitar a história de Macau e compreender diferentes perspectivas sobre as relações entre Portugal e o território”.

24 Set 2026

Cinema asiático em destaque no DocLisboa 2026

A edição deste ano do DocLisboa, festival inteiramente dedicado ao género documentário, traz algumas produções asiáticas. O evento decorre entre os dias 15 e 25 de Outubro em várias salas de cinema de Lisboa e conta com Hélder Beja, ex-residente em Macau, como director.

Nas competições internacionais inclui-se ” The Measured Everlasting Is 1.334 Billion Years”, do realizador tailandês Thunska Pansittivorakul, que faz a sua estreia mundial e é uma produção conjunta da Tailândia, Hong Kong e China.

Segundo a sinopse, “o filme foi pensado como a carta de suicídio do realizador – um registo de ansiedades, medos, desejos e últimas memórias”. Mas algumas dessas memórias “permanecem profundamente enraizadas, surgindo num limbo ou como visões no leito de morte”, sendo que o filme “está repleto de imagens do órgão sexual masculino, inegavelmente o motor por trás da própria civilização, impulsionando o mundo tanto na sua beleza como na sua depravação”.

Este documentário aborda, “a partir desta provocação”, a “ascensão e queda da imprensa pornográfica homossexual na Tailândia, sempre entrelaçada com o clima político instável do país”.

Viagens e mitos

Destaque ainda para a estreia de “13 Alfinetes”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dois realizadores que já filmaram em Macau. Neste documentário explora-se o papel do sagrado no mundo contemporâneo, nomeadamente o Santo António de Lisboa através da pintura de Goya. Na sinopse do festival, lê-se que este documentário é “uma história de amor, vingança e sangue”, partindo “de uma encenação de um episódio supostamente ocorrido na Lisboa medieval, filtrado no cosmopolita século XVIII madrileno e desaguando, de novo, em Lisboa, hoje, onde milagres, na verdade, não acontecem”.

Na secção “Da Terra à Lua”, com documentários que “interrogam as imagens e aquilo que elas revelam sobre o passado e o presente”, apresenta-se “Du Ling zhi ying (Torino Shadow)”, de Jia Zhangke. Na tela conta-se a viagem de uma mulher num percurso do sul da China até Turim, em Itália, em busca do marido. Porém, “a partida inesperada a conduz a um reencontro consigo própria — e com o cinema”.

24 Set 2026

Fogo-de-Artifício | Pirotecnia Duarte conta chegada dos portugueses a Macau

É amanhã, sexta-feira, a partir das 21h, que a empresa Pirotecnia Duarte, que representa Portugal na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, apresenta um espectáculo inspirado na história que une o país ao território. Nos céus da RAEM estarão espelhados os Descobrimentos, a presença portuguesa e séculos de convivência

Lina Guedes está em Macau em nome da Pirotecnia Duarte, empresa portuguesa que concorre na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM). Amanhã, a partir das 21h, o público poderá ver um espectáculo de luzes e cor com muitas mensagens pelo meio, ou não fosse uma empresa portuguesa a participar no evento de uma terra tão distante e, ao mesmo tempo, tão próxima.

A presença dos portugueses em Macau e as rotas marítimas da Seda são o tema e a influência principal deste espectáculo de fogo-de-artifício. “Para nós, Pirotecnia Duarte, é realmente motivo de grande orgulho poder estar num dos maiores festivais internacionais de pirotecnia. Decidimos pensar um espectáculo pirotécnico que traduzisse a profunda relação e ligação de Macau a Portugal, pelo que atribuímos ao nosso espectáculo o título de ‘442’, que remete, precisamente, para os 442 anos de presença portuguesa em Macau”, explicou.

Desta forma, a Pirotecnia Duarte promete apresentar um espectáculo que traduz “séculos de encontros, diálogos, trocas, de influências culturais e também artísticas que contribuíram para a construção da identidade tão particular e única de Macau”.

Lina Guedes adiantou que, em termos de narrativa visual, a Pirotecnia Duarte vai tentar “retratar a partida dos navegadores portugueses, a travessia dos oceanos, os desafios que foram encontrados durante toda a viagem no mar, a descoberta das novas rotas comerciais, traduzir todo um percurso marítimo até à chegada a Macau”.

“442” é, assim, “uma metáfora visual do tempo”, em que a música também irá marcar uma presença especial. “Toda a sonoplastia desenhada para este espectáculo foi inspirada na rota marítima desbravada pelos portugueses até à chegada a Macau, e inclui todas as sonoridades características desta viagem, nomeadamente marítimas, da chegada, da euforia sentida, da confluência de duas civilizações e culturas.”

Inovação em português

Lina Guedes referiu que o público pode esperar “uma simbiose entre elementos artísticos, artefactos pirotécnicos e toda a componente musical utilizada também para o espectáculo”, tratando-se “442” de uma “celebração pelo facto de, durante 442 anos, termos tido uma relação tão próxima e profunda que nos ligou para o futuro”.

Desta forma, a criação da empresa portuguesa faz também “uma celebração para o futuro, com a criação de pontos culturais, profundos e históricos que nunca serão apagados”, acrescentou. A responsável destacou que a presença da Pirotecnia Duarte nesta edição do CIFAM é algo positivo para o sector em Portugal, tratando-se de um “palco para as empresas portuguesas se poderem apresentar”.

“Trata-se de um concurso internacional muito prestigiado. Não é só o reconhecimento de que a arte pirotécnica portuguesa é realmente muito apreciada, elogiada e reconhecida internacionalmente, mas a presença assídua e frequente das empresas portuguesas neste festival é também uma forma de reconhecimento da qualidade que apresentam.”

Na visão de Lina Guedes, esta presença faz-se notar pela “forma diferente, em termos estéticos, artísticos e de composição, que as empresas portuguesas apresentam nos seus espectáculos”. “Esta é uma forma de reconhecimento, pois somos verdadeiramente elogiados internacionalmente e requisitados pela qualidade artística que temos”, rematou.

Uma vez que Lina Guedes é também presidente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), questionámo-la acerca do panorama do sector em Portugal. E a verdade é que este “evoluiu de forma brutal nos últimos 20 anos”, disse a dirigente.

“Todos os desafios artísticos associados à pirotecnia a nível internacional já estão a ser implementados por empresas portuguesas, e temos também, neste momento, empresas portuguesas a desenvolver soluções ainda mais avançadas para outras componentes de espectáculo. Temos portugueses a desenvolver protótipos de artigos e artefactos para serem usados internacionalmente por outras empresas mais competitivas, e que têm outros tipos de mercados.”

Também amanhã actua, a partir das 21h40, a empresa “Faseecom”, da Coreia do Sul. Os espectáculos podem ser vistos na zona ribeirinha perto dos lagos Nam Van, Sai Van e Torre de Macau.

24 Set 2026

Pintura | Novos trabalhos de Alice Costa em “A Piece of Art, A Piece of Mind”

É hoje inaugurada uma nova exposição de Alice Costa (Lili), que trocou uma carreira na área jurídica para abraçar o mundo das artes. É na Vic’s Art Gallery, nova galeria de arte na Doca dos Pescadores, que se apresenta “A Piece of Art, A Piece of Mind”, repleta de trabalhos recentes em pintura

A artista abandonou uma carreira no mundo da justiça para pintar o que lhe vai na alma e na mente. As pinturas de Alice Costa (Lili), pintora macaense, preenchem, a partir de hoje, a Vic´s Art Gallery, a nova galeria de arte da Doca dos Pescadores e que se situa no Vic’s Restaurant, no Rocks Hotel. “A Piece of Art, A Piece of Mind” é hoje inaugurada a partir das 18h30, podendo ser visitada até 7 de Novembro.

Ao HM, a artista confessou que vai apresentar ao público “uma série de obras recentes” feitas de propósito para esta mostra. “O meu processo criativo é muito intuitivo e emocional. Começo geralmente por uma base de sentimentos ou uma memória específica, e depois vou construindo camadas de tinta, muitas vezes usando espátula, pincel, acrílico, óleo. Deixo que a tela me guie, adicionando e retirando elementos até sentir que a obra alcançou a energia que eu queria transmitir”, descreveu.

Alice Costa (Lili), de nome completo Alice Leonor das Neves Costa, formou-se em Direito na Universidade de Macau, tendo sido a primeira mulher juíza local no território.

Porém, a paixão pela arte acabou por falar mais alto. “Conciliar a magistratura com a arte foi um exercício de equilíbrio. A carreira jurídica exigia de mim objectividade, rigor e racionalidade, enquanto a arte me pedia subjectividade, emoção e liberdade. Apesar de gostar muito da minha carreira jurídica, a área que mais me preenche como pessoa é, sem dúvida, a arte. É na pintura que encontro a minha total expressão e plenitude.”

A artista destaca como a arte e mente estão “intrinsecamente ligadas”.

“O meu processo de pintura é uma forma de meditação e autoconhecimento. Quando estou diante da tela, o mundo exterior desliga-se e foco totalmente no momento presente. A pintura é o meu refúgio e a minha forma de comunicação mais honesta.”

Desta forma, acrescenta, os seus quadros representam a sua liberdade, identidade e “uma forma de transformar as inquietações e alegrias em algo visual que possa tocar outras pessoas”.

“Um panorama artístico único”

Numa altura em que o território vê inaugurar um novo espaço de exposições, Alice Costa (Lili) considera que Macau “tem um panorama artístico único e em crescimento”.

“É uma fusão fascinante de culturas, onde a tradição chinesa se cruza com a herança portuguesa, o que cria uma identidade visual muito própria”, disse, apontando que, neste contexto, “a comunidade artística de Macau é muito resiliente e unida”. “Há cada vez mais apoio e interesse por parte do público e das entidades locais”, frisou.

Questionada sobre as suas principais influências na pintura, Alice Costa (Lili) diz serem “bastante ecléticas”, indo “desde os grandes mestres da arte abstracta e do expressionismo, como Jackson Pollock ou Joan Mitchell, até artistas contemporâneos que trabalham a textura e a matéria”.

Porém, a sua “maior influência” é “a própria vida: as cores da natureza, as emoções humanas, as viagens e a rica mistura cultural de Macau”. Todos estes elementos “acabam por transparecer nas minhas telas”.
Alice Costa (Lili) fez um curso de pintura na Casa de Portugal em Macau com o também pintor Joaquim Franco. Desde aí não mais deixou de fazer criações na área da pintura figurativa e abstraccionismo.

A última mostra a título individual que fez foi em Janeiro deste ano, com “Flow”, apresentada na Creative Macau.

23 Set 2026

Saúde | Casos de gripe, salmonella e escarlatina registam quebra mensal em Agosto

Dados relativos ao mês de Agosto, disponibilizados pelos Serviços de Saúde (SS), mostram uma quebra mensal dos casos de gripe, salmonella e escarlatina, patologias que fazem parte da lista de doenças de declaração obrigatória.

Segundo um comunicado dos SS, registaram-se em Agosto um total de 1.832 casos de doenças de declaração obrigatória, sendo que “as três doenças com maior número de casos foram a influenza (1.506 casos), a infecção por enterovírus (245 casos) e a varicela (20 casos)”, pode ler-se.

Porém, em comparação com Julho, “as doenças cujo número de casos registados com alterações mais significativas” foram a infecção por escarlatina, com seis casos registados em Agosto, uma diminuição de 57,1 por cento; a salmonella, que registou 15 casos, uma diminuição de 44,4 por cento; e ainda a influenza, ou seja, a gripe, com menos 38,7 por cento dos casos.

No caso da gripe, registaram-se em Agosto 1.506 casos, menos 38,7 por cento face aos 2.457 casos registados em Julho. Porém, comparando com igual período do ano passado, houve um aumento de 1,4 por cento, já que em Agosto de 2025 houve apenas 616 casos de gripe. Os SS confirmam ainda a ausência de novos casos de febre de dengue ou febre chikungunya em Agosto.

23 Set 2026

Takeaway | Governo diz acompanhar condições de trabalho

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) diz estar a acompanhar as condições de trabalho de estafetas de entrega de comidas e bebidas, ainda que Macau não tenha aderido à Convenção sobre o Trabalho Digno na Economia das Plataformas.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Pou U, o director da DSAL, Chan Un Tong, disse que o organismo “irá continuar a prestar atenção à tendência do desenvolvimento de novas formas de emprego, tais como a economia de plataformas, a fim de garantir que os direitos e interesses legítimos das pessoas que exercem actividades não sejam prejudicados por este novo modelo”.

O responsável lembrou que “embora a referida Convenção ainda não seja aplicável à RAEM, a legislação laboral em vigor já regula os direitos e interesses laborais dos trabalhadores”, é acrescentado.

A DSAL diz ainda que vai estudar e elaborar “orientações de trabalho que servirão de referência para as plataformas e pessoas que exercem actividades” na área de takeaway, a fim de “clarificar a relação jurídica e aspectos a ser observados para proteger ainda mais os direitos e interesses legítimos” destes trabalhadores.

23 Set 2026

Associação pede subsídios para registo de medicamentos chineses

A Associação Comercial de Macau defende a criação de um subsídio para suportar os custos com o registo de medicamentos de medicina tradicional chinesa (MTC) produzidos ou registados em Macau, e também produzidos em Hengqin, em mercados exteriores.

Num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun, assinado pela vogal do Conselho de Estudos Estratégicos da associação, Huang Yin, é descrito que um dos primeiros entraves para o acesso aos mercados são as tarifas elevadas para o registo e não a qualidade dos medicamentos, esperando-se que o Governo possa atribuir um subsídio para esta área.

O artigo fala do caso de registo de medicamentos de MTC no Brasil, onde é necessário gastar centenas de milhares de patacas para cada produto, sendo que não estão incluídas ainda despesas de agenciamento, testes e cumprimento da legislação.

Desta forma, na fase inicial de entrada de um medicamento no mercado, são poucas as vendas, pelo que, conforme descreveu Huang Yin, o investimento não compensa a produção e as vendas, o que leva as empresas a hesitar em dar este passo.

Assim sendo, esta situação faz com que Macau, apesar de ter vantagens no registo de medicamentos de MTC por ser uma plataforma entre a China e países da língua portuguesa, não tenha ainda muitos medicamentos registados e vendidos no exterior. O artigo diz mesmo que é raro tal acontecer.

Combinar apoios

Segundo o mesmo artigo, uma empresa, quando quer apostar na venda de medicamentos, tem de assumir todas as despesas com o registo. Por isso, além de atribuir um subsídio, o Executivo deveria ter balcões de consulta para quem deseja registar estes medicamentos. A vogal da associação também defende que os medicamentos de MTC produzidos na China, mas registados em Macau, deveriam poder usufruir deste apoio.

Huang Yin destacou que na Zona de cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin já é atribuído um subsídio que cobre 20 por cento dos custos de registo de produtos feitos em Hengqin e que vão para Macau. Assim, se este apoio for combinado com o subsídio a criar pelo Governo, pode-se facilitar os procedimentos para que Macau se transforme numa base para a venda de medicamentos de MTC em mercados do exterior.

22 Set 2026