Associação Cultural da Taipa | Aniversário celebrado com exposição itinerante

São dez anos a revelar perspectivas artísticas e a celebrar o fascínio que a Taipa velha proporciona. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é a exposição que a Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã, com trabalhos de artistas como Clara Brito, André Carrilho, Ana Aragão ou Rusty Fox

 

A Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã uma nova exposição que é também uma forma de celebração. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é o nome da mostra que apresenta trabalhos de 14 artistas, locais ou com ligações a Macau, e que nos últimos dez anos apresentaram a sua arte na Vila da Taipa. São eles P.I.B.G., graffiter cujo trabalho é pioneiro em Macau; os fotógrafos Chan Hin Io, Ieong Man Pan e Rusty Fox; os ilustradores portugueses Ricardo Lima, André Carrilho, Ana Aragão e Sara Hung, esta última natural de Macau.

Esta exposição apresenta também a obra de Fan Sai Hong, mestres de pintura chinesa como Lio Man Cheong e Chao Iok Leng; a designer de moda Clara Brito, bem como as artistas plásticas Crystal W. M. Chan e Bianca Lei Sio-Chong.

Segundo um comunicado da Associação Cultural da Vila da Taipa, trata-se de uma “exposição inovadora” por reunir “uma combinação invulgar de instalações artísticas ao ar livre e exposições em espaços interiores de obras seleccionadas de 14 talentos individuais de Macau e de todo o mundo”.

Desta forma, o público tem acesso a um “espectáculo visualmente rico” que revela também perspectivas do património cultural local”, onde “os amantes da arte ao ar livre” são convidados “a passear pelos locais com património e ruelas históricas da Vila da Taipa, enquanto exploram a cultura, o encanto e a atmosfera única do bairro”.

Um mapa com arte

Tratando-se de uma mostra interactiva, no sentido em que o público não só tem acesso a obras dentro de uma galeria de arte, num formato mais tradicional, como também recorre a um mapa para ver obras expostas no exterior, “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” acaba por “esbater a distinção entre galeria e paisagem urbana”.

Isto porque, na parte da exposição dentro de portas, “os visitantes podem explorar obras de arte originais”, existindo depois “banners apelativos estrategicamente colocados por toda a vila, em que cada um destaca o perfil e visão criativa do artista”.

A exposição propões aos visitantes “uma viagem de descoberta”, a fim de poderem “explorar o encanto único e o património cultural da Taipa enquanto desfrutam de um passeio tranquilo”. Ao mesmo tempo, também se procura estabelecer “uma ligação entre as instalações ao ar livre e as obras de arte originais expostas na galeria”.

João Ó, arquitecto e presidente da associação, disse, citado pela mesmo nota, que “esta exposição celebra uma história partilhada de intercâmbio artístico, ao mesmo tempo que reafirma a posição da vila da Taipa como uma plataforma viva para a criatividade contemporânea”.

Os trabalhos seleccionados para esta iniciativa reflectem, segundo João Ó, “a riqueza e pluralidade que têm vindo a definir o programa” da associação nos últimos anos, adiantou. A mostra pode ser vista até ao dia 11 de Setembro de forma gratuita, funcionando na Galeria de Exposições junto às Casas Museu da Taipa, entre as 10h e 19h, e em diversas ruas da Vila da Taipa.

30 Jun 2026

Plano director | Macau terá 37 quilómetros quadrados até 2040

Começou ontem a consulta pública da primeira alteração ao Plano Director da RAEM. No documento de consulta lê-se que Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, que vai incluir 18 áreas de planeamento

 

Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, enquanto que o Plano Director da RAEM irá abranger, por essa altura, uma área de 36,96 quilómetros quadrados, tendo em conta o desenvolvimento da Zona D dos Novos Aterros, a expansão do Aeroporto Internacional de Macau e a construção de mais zonas de aterro na área costeira.

Estes dados constam no documento de consulta pública sobre a primeira alteração ao Plano Director da RAEM, que começou ontem e que decorre até ao dia 27 de Agosto. Ontem realizou-se uma sessão de esclarecimento destinada a deputados, dirigentes públicos e imprensa, onde o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, declarou que a nova proposta de Plano Director “incide, essencialmente, sobre duas vertentes”.

São elas as alterações feitas em articulação com projectos de grande envergadura que estão a ser planeados, como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. O secretário falou ainda “das alterações decorrentes de outras actualizações face aos diplomas legais e regulamentares”, bem como “projectos e estudos publicados nos últimos anos”.

Novos arranjos

Além de serem propostas 18 zonas de planeamento como divisão territorial, a nova proposta do Plano Director traz novas classificações: as áreas terrestres e marítimas que ficam a sudeste do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, passam a pertencer à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) Norte-2. Actualmente não pertencem a nenhuma zona.

Por sua vez, a área do Posto Fronteiriço da parte de Macau do Posto Fronteiriço de Hengqin, bem como as áreas adjacentes, ficam integradas na chamada “Zona do Cotai”. Enquanto isso, a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vão ser divididas nas UOPG Este-2 e Este-3.

Por sua vez, o Parque Industrial da Concórdia passa a integrar a UOPG de Coloane. Outra alteração prevista é na Zona C dos Novos Aterros Urbanos, actualmente com a classificação de zona habitacional e comercial, e que passa a ser zona de equipamentos de utilização colectiva. Já o terreno na Avenida Wai Long, pensado primeiro para acolher habitação pública, será agora reclassificado como zona industrial, integrando o futuro Parque Ciên-Tec de Macau.

Raymond Tam declarou que as alterações agora propostas ao Plano Director da RAEM pretendem “aperfeiçoar a estrutura física urbana e ajustar a finalidade dos solos”, com o objectivo de avançar para a diversificação das indústrias e promover o “desenvolvimento inovador e a interligação regional”.

A ideia é que Macau se possa articular “com as estratégias de desenvolvimento nacional, aproveitando melhor o posicionamento e as suas vantagens singulares”, além de elevar “a sua competitividade global”, destacou o secretário.

30 Jun 2026

IC | Nova edição de festival infantil de artes arranca esta semana

Cinema, espectáculos e muita magia: arranca amanhã a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau. O cartaz traz produções de companhias de teatro locais e ainda a participação da Trupe Fandanga, de Portugal, com “Os Lobos de Pedra”

 

Começa amanhã mais uma edição, a terceira, do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa), que traz muitos espectáculos destinados aos mais novos, workshops e cinema exibido na Cinemateca Paixão.

Com um cartaz repleto de actividades até Agosto, o festival, que é organizado pelo Instituto Cultural (IC), apresenta também exposições de arte, uma feira artística, sessões de leitura para crianças e também um “Acampamento Criativo para Crianças”. O objectivo, segundo uma nota do IC, é “incentivar crianças, adolescentes e famílias a aproximarem-se e a experimentar a arte”, bem como promover o desenvolvimento artístico dos mais novos.

É oferecida “uma variedade de experiências culturais e de entretenimento familiar, permitindo que crianças e adultos criem memórias inesquecíveis e emocionantes com as suas famílias durante as férias de Verão”.

Um dos destaques da programação vai para a presença do grupo “Trupe Fandanga”, de Portugal, que apresenta entre os dias 14 e 17 de Agosto o espectáculo de marionetas “Os Lobos de Pedra”, no Estúdio I do Centro Cultural de Macau (CCM).

Neste espectáculo entra-se “no coração de um menino” e embarca-se “numa aventura divertida e emotiva”, em que a brincadeira “se desenrola numa ilha feita de madeira, chapas de metal e objectos estranhos, onde tudo pode, de repente, desmanchar-se, transformando-se em novos lugares, como por magia”, descreve a sinopse do espectáculo.

Este menino é o Pedro que “imerge até ao mais profundo do seu ser”, um lugar “onde vivem lobos pretos, brancos e, por vezes, cinzentos”, sendo este espectáculo uma nova interpretação do clássico “Pedro e o Lobo”. Nos dias 1 e 2 de Agosto é a vez do espectáculo de produção local – “Os Hamesters de Chong Chong”, do Teatro de Marionetas Rolling Puppet, que se apresenta no pequeno auditório do CCM.

Pretende-se aqui “reavivar uma história plena de momentos ternurentos”, sobre o momento em que Chong Chong “ganha o seu primeiro hamster e a criaturinha se torna, inesperadamente, no seu guia, ajudando-o a lidar com a perda”, e também a lidar com “a aventura de crescer”. A peça fala “de amizade e de despedidas”, lê-se na sinopse.

Ainda em Julho, nos dias 11 e 12, a Escola de Dança do Conservatório de Macau apresenta o espectáculo “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, que “tece uma narrativa comovente sobre uma pequena cidade e as suas grandes aspirações, traçando um retrato emocionante e onírico através de histórias fantásticas e coreografia brincalhona”.

Destaca-se ainda, na programação, a presença de outro grupo internacional, o Erth Visual & Physical Inc. da Austrália, que apresenta, já esta semana, sexta-feira e sábado, o espectáculo “O Zoo dos Dinossauros de Earth”, no grande auditório do CCM.

O espectáculo propõe uma “gigantesca diversão para pequenitos exploradores”, numa “emocionante viagem no tempo”, em que o público é transportado para um tempo em que havia dinossauros. Estes, personificados em marionetas, marcam presença no palco do CCM com outras criaturas, como “insectos e herbívoros de tempos antigos”.

Além disso, do Interior da China chega a Companhia Artística Anjo da Paz Soong Ching Ling, que apresenta o espectáculo de variedades infantil “Paz e Futuro”. Trata-se de uma estreia em Macau, apresentando-se ao público “ópera de Pequim, música e actuações corais, mostrando o encanto diversificado da cultura tradicional chinesa”.

Livros e companhia

O tema da edição deste ano do festival é “crescimento, comunicação e legado”, pretendendo-se “levar crianças e adultos a experimentar a vida através de histórias comoventes e emocionantes no ecrã”, descreve uma nota do IC.

O cartaz apresenta também, nos meses de Julho e Agosto, a “Festa de Fim-de-Semana com MICAF”, que se realiza, como indica o título, todos os fins-de-semana na praça do CCM. Os participantes podem aproveitar os jogos, experiências interactivas com insufláveis e oficinas de artes, sendo que nas últimas duas semanas de Agosto, entre sexta-feira e domingo, realiza-se a actividade “Artes em Festa”, com uma área infantil de disfarces, espectáculos interactivos, visitas aos bastidores, workshops, zona de restauração e bancas de jogos.

Destaca-se ainda a “Livraria das Crianças”, em formato “pop-up”, aberta todos os sábados e domingos, de Julho a Agosto, na Sala ARTmusing do CCM, onde se incluem “mais de 600 tipos de livros ilustrados, livros para jovens leitores, livros com imagens, cartilhas e outros produtos culturais e criativos de vários países e regiões”.

Cinema na cidade

Outro ponto alto do festival é o ciclo de cinema infantil que passa não apenas nos ecrãs da Cinemateca Paixão como também em alguns locais públicos. É o caso do filme de animação “Flow”, do realizador Gints Zilbalodis, que fez um brilharete nos Óscares, exibido dia 11 de Julho, às 20h30, no Jardim do Mercado do Iao Hon. Nesta história, um gato vai descobrindo o mundo destruído aos poucos pela presença humana, tendo de sobreviver a inúmeros perigos. Também no mesmo dia, e no mesmo local, será exibido “Monstros da Montanha”, a partir das 18h, do realizador Yu Shui.

Este festival parece estar a ter boa adesão por parte do público, ao ponto de o IC ter criado sessões adicionais para alguns espectáculos, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no sábado. É o caso dos espectáculos “O Zoo dos Dinossauros”, “O Bosque das Maravilhas”, “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, “Acampamento Artístico Familiar” e “Acampamento Criativo para Crianças”.

Algumas sessões de cinema também já estão esgotadas, sendo que, para as exibições ao ar livre, os bilhetes têm de ser levantados na Cinemateca Paixão. Os bilhetes para o festival estão à venda na plataforma Enjoy Macao.

29 Jun 2026

Zona de Cooperação | Mais de 1.300 candidatos fazem prova escrita

Mais de 1.300 candidatos fizeram no sábado provas escritas para 50 vagas nos serviços públicos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O concurso está aberto apenas a residentes de Macau

 

A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada revelou que, na tarde de sábado, 1.304 candidatos realizaram provas escritas para um concurso para cargos públicos na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

O concurso, que visa a contratação de residentes da RAEM para 50 vagas na Zona de Cooperação, atraiu 4.550 candidatos, sendo que, após uma primeira selecção, 1.426 ficaram qualificados para as provas escritas, que se realizaram em duas escolas situadas em Hengqin, em 48 salas de exame.

Segundo um comunicado da referida direcção de serviços, após apresentação de documentos adicionais por parte dos candidatos, um total de 1.304 pessoas puderam fazer as provas escritas, representando uma taxa de participação de 91,44 por cento. Esta taxa é considerada pela entidade responsável como a mais elevada em comparação com as mais recentes provas escritas realizadas em concursos deste género.

Autocarros para ajudar

As autoridades de Hengqin referem que 781 candidatos aptos a realizar as provas escritas já haviam passado no concurso de avaliação de competências integradas, feito em Macau. Estes candidatos partiram de uma posição de vantagem, com a possibilidade de receberem pontos adicionais no processo de selecção para as provas escritas.

A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada disse ainda que foi criado um serviço de autocarros exclusivo para garantir que nenhum candidato faltasse às provas, tendo sido transportados de forma gratuita cerca de 500 candidatos entre o Posto Fronteiriço de Hengqin e as escolas na Zona de Cooperação. Além disso, foram mobilizados agentes de trânsito nas proximidades das escolas para organizar o trânsito.

As regras do concurso público determinam ainda que, depois das provas escritas, serão escolhidos 250 candidatos para a fase de entrevistas, o que representa a proporção de uma vaga por cada cinco candidatos.

Segundo foi anunciado em Maio, as 50 vagas de emprego disponíveis neste concurso dizem respeito às áreas jurídica, administrativa, gestão financeira, estatística, planeamento urbanístico ou desenvolvimento de quadros qualificados, estando definido um salário base de 19 mil renminbis. O salário, durante o período experimental, será de 80 por cento desse montante. Pediam-se candidatos com idades compreendidas entre os 18 e 38 anos, nascidos entre 21 de Maio de 1987 e 20 de Maio de 2008.

29 Jun 2026

Casas de Macau | Dificuldades financeiras e demográficas discutidas

Na conferência online “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que reuniu na quarta-feira Casas de Macau espalhadas pelo mundo, foram apontados desafios como o financiamento e a importância da preservação da cultura macaense

 

A Fundação Casa de Macau (FCM) celebra 30 anos de existência e, a pensar na efeméride, organizou na quarta-feira um debate online intitulado “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que juntou dirigentes da Casa de Macau espalhadas pelo mundo.

Foram apontados problemas comuns nestas instituições, apesar da distância geográfica: comunidade envelhecida, ausência de novos sócios, desafios na preservação da cultura macaense e ainda dificuldades na obtenção de financiamento.

José Cordeiro, presidente da associação Amigu di Macau Arts & Culture, disse que “poderá ser útil promover uma maior articulação entre instituições da diáspora e entidades de Macau, permitindo definir objectivos comuns”. O responsável refere-se ao Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), que volta a reunir-se no próximo ano, ou ainda o Instituto Internacional de Macau.

O responsável salientou a importância da “coordenação de iniciativas orientadas para a preservação do património cultural macaense”, sendo que, “de entre as prioridades identificadas, destacam-se a valorização da gastronomia macaense e a preservação do patuá, dois dos elementos mais distintivos da nossa identidade colectiva e que merecem especial atenção nas estratégias futuras”.

José Cordeiro referiu também a necessidade de olhar “a evolução demográfica das associações e a atracção de novas gerações”. Júlia Carion, presidente da Casa de Macau no Rio de Janeiro, sublinhou “a redução gradual do número de descendentes” de macaenses. “Antigamente as pessoas tinham quatro, cinco, seis filhos, e hoje essa realidade mudou” o que “fez com que haja uma diminuição da participação associativa”, afirmou.

No tocante à questão financeira, Júlia Carion destacou que há muitos eventos não pagos, além de que não recebem subsídios, “a não ser o investimento dos próprios associados que pagam uma mensalidade simbólica”. Montante que “não cobre todas as despesas fixas e outras que a casa tenha, então temos limitações financeiras”.

Por esse motivo, a Casa de Macau no Rio de Janeiro “não consegue aumentar o número de eventos”, existindo “essa grande necessidade de reconstrução dos vínculos após a reabertura da Casa”, no contexto pós-pandemia.

No caso de Armando Santos, vice-presidente da Casa de Macau em Vancouver, disse que o objectivo é “manter o espírito macaense vivo, seja através das aulas de português, seja através do patuá, algo que não é fácil continuar”. É também feita uma aposta na gastronomia macaense, nomeadamente com aulas oferecidas aos sócios.

“Cerca de 70 por cento dos nossos sócios têm 50 ou mais anos, e como podem ver, não é fácil atrair membros mais jovens, mas fazemos os possíveis: com eventos ou música, porque precisamos deles para levar a Casa de Macau para a frente”, declarou.

Conselho, as expectativas

José Cordeiro referiu também as expectativas que deposita na realização de um novo encontro do CCM, que representa, para si, “uma das maiores e mais importantes estruturas de ligação entre Macau e a diáspora”.

“Poderá ser oportuno reflectir sobre o seu papel futuro e a possibilidade de reforçar a sua intervenção em áreas estratégicas relacionadas com a preservação cultural, o envolvimento das novas gerações e o fortalecimento das relações entre as instituições da diáspora, e não apenas em encontros.”

Além disso, o dirigente declarou que “a evolução das comunidades macaenses e os desafios actuais justificam uma reflexão abrangente sobre os mecanismos de funcionamento e representatividade do Conselho”. O objectivo seria “assegurar que continua a responder eficazmente às necessidades e expectativas da comunidade macaense global”.

Para o encontro de 2027, José Cordeiro pede o reforço “da presença de elementos que constituem referências da identidade da cultura macaense, nomeadamente a gastronomia e o patuá, frequentemente apontados como patrimónios únicos e distintivos da nossa comunidade”.

26 Jun 2026

Take-away | Leong Pou U defende protecção laboral de condutores

Leong Pou U defendeu ontem uma maior protecção para condutores que trabalham para aplicações de distribuição de comida, dado que “a actual legislação laboral dificilmente consegue proteger de forma eficaz os direitos laborais dos trabalhadores”.

O deputado pede que o Governo faça “uma análise abrangente da situação actual da protecção dos direitos laborais dos trabalhadores de plataformas, reforçando a salvaguarda dos seus direitos e colmatando as lacunas existentes”.

Leong Pou U destacou ainda que estes trabalhadores “não são incluídos no sistema de garantia de segurança ocupacional devido à condição laboral ambígua, enfrentando riscos por causa do trânsito, condições meteorológicas extremas e carga de trabalho pesada”. Assim, pede que sejam “clarificadas as responsabilidades das plataformas”, para que “assumam directamente a responsabilidade de pagamento do seguro por acidentes de trabalho”.

26 Jun 2026

Obras | Deputado sugere criação da marca “Construção Macau”

O deputado Leong Hong Sai fez ontem uma intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa (AL) a pedir que empresas locais tenham mais acesso a contratos e projectos de obras de grande envergadura.
Leong Hong Sai defendeu a promoção da marca “Construção Macau”, com o objectivo de “exportar, através das plataformas comerciais, serviços de fiscalização de obras, de renovação urbana e de construção verde para os países de língua oficial portuguesa”.

No que diz respeito à adjudicação de obras a empresas locais, o deputado referiu “os quatro grandes projectos”, nomeadamente a Cidade Universitária de Educação Internacional Macau-Hengqin, a Zona Internacional de Turismo e Cultura de Macau, a expansão do Aeroporto Internacional de Macau e ainda o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau.

O deputado recomenda que “as autoridades lancem os projectos por fases”, a fim de proporcionar “mais oportunidades para que empreiteiros e subempreiteiros locais” de pequena e média dimensão “possam participar”.

Leong Hong Sai pede também que seja “aplicada rigorosamente a Lei de Contratação Pública” para que “as obras públicas priorizem a contratação de entidades registadas em Macau”, além de exigir “a contratação preferencial de residentes locais”.

O deputado sugeriu também “a criação de uma base de estágios profissionais para a indústria da construção civil em grandes projectos, como o Metro Ligeiro e transportes de ligação entre Hengqin e Macau”.

26 Jun 2026

Combustível | Leong Sun Iok pede continuação de apoios

O deputado Leong Sun Iok pediu a continuidade dos dois planos de apoio ao preço dos combustíveis lançados em Maio, intitulados “Plano de subsídio aos preços do gasóleo” e “Plano de subsídio aos preços do gás de petróleo liquefeito e da gasolina”.

Na óptica do deputado, “apesar de os preços internacionais do petróleo terem registado recentemente alguma descida, os preços gerais dos combustíveis em Macau mantêm-se elevados”. Leong Sun Iok deu como exemplo “o preço de venda da gasolina sem chumbo para veículos, que atingiu um pico de 17,38 patacas por litro em Abril, recuando apenas ligeiramente para cerca de 16,70 patacas por litro”.

Assim, o deputado entende que o Governo “deve avaliar a situação do mercado e, caso os preços dos combustíveis não regressem a níveis baixos a curto prazo, considere a possibilidade de prorrogar os dois planos de subsídios ao combustível”.

26 Jun 2026

Habitação pública | Governo promete reavaliar lojas e rendas

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, prometeu uma avaliação às necessidades de comércio nas habitações públicas tendo em conta os novos bairros criados na Zona A dos Novos Aterros, bem como das rendas cobradas.

“Vamos encarregar uma terceira parte para avaliar as rendas e iremos ajustar os valores conforme as necessidades dos bairros em causa”, disse ontem Raymond Tam aos deputados na sessão de votação, na generalidade, da proposta de lei “Regime jurídico de arrendamento e cedência dos espaços comerciais em edifícios de habitação social”.

O diploma, que foi aprovado, visa rever a legislação em vigor desde os anos 90 e que, segundo Raymond Tam, está desactualizada. “Sim, vamos realizar concursos públicos [para a concessão de lojas] de seis em seis meses, e com a apresentação desta proposta de lei teremos mais flexibilidade. Nos casos de dispensa do concurso público, podemos fazer ajustamentos conforme as necessidades do bairro”, disse.

Raymond Tam acrescentou que, até à data, os concursos realizados “não foram satisfatórios”. “Isso tem a ver com a legislação, que não nos permite flexibilidade para atrair comerciantes, e daí termos urgência em alterá-la”, frisou, referindo que serão feitos “estudos preliminares” para o planeamento do comércio na Zona A. “Temos um plano que será executado de forma faseada, e à medida que entrarem residentes vamos realizar concursos públicos”, adiantou.

Imposto de consumo | Alterações aprovadas na generalidade

Os deputados aprovaram ontem na generalidade a proposta de lei que revê o Regulamento do Imposto de Consumo, em vigor desde 1999. Segundo a proposta do Governo, um dos objectivos é criar o regime de pagamento no desalfandegamento, além de alterar o sistema de pagamento de impostos para bebidas alcoólicas e tabaco.

O deputado Chan Lai Kei defendeu que estas alterações “vão beneficiar o sector e simplificar procedimentos, para que a aplicação de capitais possa ser mais flexível”. O deputado falou da necessidade de “melhorar alguns mecanismos para acelerar os procedimentos de desalfandegamento e elevar a eficácia administrativa”.

26 Jun 2026

Bullying | Deputados pedem medidas após agressão a aluna

Dois deputados querem medidas contra o bullying nas escolas depois da divulgação nas redes sociais de um vídeo em que um grupo de jovens agride uma rapariga. Todos os envolvidos são menores. Chan Hao Weng sugeriu penas mais pesadas para este tipo de casos

 

O bullying em contexto escolar e a necessidade de medidas preventivas foi um tema levado ontem por dois deputados à Assembleia Legislativa (AL). No período de intervenções antes da ordem do dia, o deputado Chan Hao Weng declarou que cabe às autoridades “disponibilizar, continuadamente, aos alunos que são vítimas aconselhamento psicológico e apoio emocional”, devendo-se impor aos estudantes que são agressões “educação sobre o Estado de Direito e correcção comportamental, sem tolerância nenhuma”.

O deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau exige que seja “aperfeiçoada a legislação” com “penas severas para os casos de bullying”. ”

A intervenção do deputado surge depois de a Polícia Judiciária (PJ) ter divulgado, na última semana, um caso de agressão a uma aluna por parte de um grupo de seis jovens, três rapazes e três raparigas, com idades compreendidas entre os 11 e 15 anos. O vídeo, filmado pelos agressores, foi parar às redes sociais.

“Recentemente, sucederam-se, entre estudantes, casos de agressões em grupo, extorsão, bullying verbal e até cyberbullying com gravação de vídeos. A situação tende a agravar-se, o que deixa todos os pais em Macau muito preocupados e inquietos”, disse o deputado.

Chan Hao Weng pede também a implementação de “mecanismos de alerta dentro e fora das escolas” bem como online, fazendo-se uma “cobertura integral” de protecção das vítimas, e assegurar “o bom funcionamento dos canais de denúncia e o aumento da formação de professores e assistentes sociais”.

Protecção 24 horas

Também o deputado Iau Teng Pio levou este assunto para o hemiciclo, alertando para o facto de muitos pais “relatarem que os seus filhos também já sofreram algum tipo de bullying”. “Com a crescente popularidade das redes sociais, o bullying já se estendeu muito além do recinto escolar, atingindo também o espaço digital. A difusão das imagens violentas não só provoca um dano secundário às vítimas, como também deixa uma mancha duradoura na vida dos jovens agressores.”

Iau Teng Pio sugere a criação de canais de denúncia nas escolas com o mote “zero obstáculos e zero riscos”, com a participação de professores e criação de “linhas abertas e formulários de denúncia por escrito ou via internet”.

O deputado defende que sejam criadas, a “nível institucional, garantias de protecção ao denunciante, com procedimentos de acompanhamento iniciados 24 horas após a recepção da denúncia”.

26 Jun 2026

Eric Fok, artista, sobre edifício “Bela Vista”: “Uma joia arquitectónica tão bela”

A Residência Consular vai hoje abrir portas ao público, entre as 14h e as 18h, para apresentar a exposição “Bela Vista por Eric Fok – Descubra as Histórias dentro da Vista”. A entrada é livre com lotação limitada. Eric Fok desvendou ao HM o que está por trás das 12 obras expostas

 

Que perspectivas do edifício “Bela Vista” explorou nestas obras?

Esta exposição apresenta uma mistura de obras minhas, tanto recentes como antigas. Os meus trabalhos anteriores centravam-se, principalmente, em temas como a História, a era dos Descobrimentos e a globalização. No entanto, as novas obras centram-se neste monumento histórico do século XIX, que é uma antiga mansão que, mais tarde, foi transformada num hotel. Em várias ocasiões serviu de escola, campo de refugiados e centro de retiro. Fazendo jus ao nome, “Bela Vista” oferece uma paisagem de tirar o fôlego e, do alto da encosta, é possível contemplar toda a Praia Grande. Ainda me lembro de visitar o terraço deste edifício há onze anos, por ocasião de uma exposição. Não fazia ideia de que Macau abrigava uma joia arquitectónica tão bela, e a vista das janelas despertou a minha imaginação sobre o passado da cidade. Tendo servido tantos propósitos diferentes ao longo dos anos, este monumento ergue-se como testemunha da história local e também dos grandes acontecimentos globais que se desenrolavam na região, naquela época. Além disso, a própria criação da residência consular resultou de transições políticas, e o edifício testemunhou a mudança das diferentes épocas. Para mim, é como um livro de história escrito por pessoas diferentes, cada uma com a sua história única, sobre como chegaram a Macau.

Quais as principais histórias do Bela Vista aqui contadas?

Conto a história do encontro de diferentes culturas no Extremo Oriente, de pessoas de várias nações, como comerciantes, viajantes, soldados e refugiados que fugiam da guerra, e que chegaram a Macau, ficando hospedados no Hotel Bela Vista por uma infinidade de razões. Todos estes imigrantes e viajantes trouxeram consigo as suas próprias culturas e origens distintas. Acredito que é extremamente significativo continuar a expandir o meu trabalho através destas personagens e da própria arquitectura. Para esta exposição em particular, o foco recai principalmente na relação histórica entre este edifício e a cidade.

Esta mostra integra-se nas celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Qual a importância, para si e a sua carreira, deste projecto?

Talvez devido aos círculos sociais onde cresci, não sabia muito sobre esta celebração quando era criança. Olhando para trás tenho um pouco pena disso, porque se tivesse sabido mais cedo, certamente que teria alargado os meus horizontes. O poeta Luís de Camões, por exemplo, viveu em Macau e tornou-se uma parte vital do tecido cultural do território. Mas sinto-me incrivelmente afortunado pelo facto de a minha exposição ter, este ano, sido incluída nas celebrações. Para mim é um grande incentivo e uma forma de reconhecimento, além de ser uma forma de o meu trabalho estar ligado, de forma activa, a esta celebração e a esta cultura. Por coincidência estava em Portugal nesse período [durante o 10 de Junho], quando havia celebrações por todo o lado. Tanto a participação no Dia de Portugal, como as exposições de obras de arte, constituem experiências inestimáveis para mim, e um combustível essencial para as minhas futuras criações.

25 Jun 2026

Ensino superior | Associação visita Portugal e Espanha

A União dos Estudiosos de Macau termina hoje uma viagem a Portugal e Espanha que teve por objectivo estabelecer parcerias na área do ensino superior. A associação, presidida por Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM), iniciou a visita na última quinta-feira em Madrid e chegou a Lisboa na terça-feira.

Segundo uma nota da associação enviada ao HM, a visita a Portugal incluiu encontros com a Liga dos Chineses em Portugal, embaixada chinesa, Associação dos Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa, Associação de Empresas Chinesas em Portugal e o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM).

Citado pela mesma nota, Ip Kuai Peng declarou que a viagem permite conhecer “o ambiente académico, a tendência de mobilidade de talentos e as mais recentes dinâmicas de intercâmbio do conhecimento” em Madrid e Lisboa. Além disso, foram assinados acordos que visam a “criação de vários tipos de laboratórios ou incubadoras de inovação”.

Para Ip Kuai Peng, deve-se “optimizar”, em Macau, conteúdos pedagógicos e a “oferta teórica” no contexto destas cooperações, a fim de se “acelerar a construção de um sistema de ‘Estudos Regionais e Nacionais com características chinesas'”.

Neste aspecto, as universidades de Macau devem ter, segundo o responsável, mais intervenção em termos de “inovação colaborativa e interdisciplinar” com outras entidades e instituições de ensino superior de outras regiões e países. Para o presidente, é importante também construir novas disciplinas e “think-tanks”, bem como “estabelecer bases de dados da governação dos países de língua portuguesa”.

25 Jun 2026

Almeida Ribeiro | Incêndio em edifício antigo não causa feridos

Um curto-circuito terá provocado um incêndio na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook. O fogo começou de madrugada e só foi extinto ao início da tarde. Por se tratar de um edifício antigo, o Instituto Cultural vai avaliar a necessidade de reparação da fachada

Foto:DR

 

A Avenida de Almeida Ribeiro foi ontem palco de um incêndio que deflagrou a partir das 05h da manhã, na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook, conhecida marca de joalharia. O fogo ficou resolvido por volta das 14h30 e obrigou ao corte de trânsito naquela que é uma das principais artérias do território mais de uma hora e meia, afectando também o funcionamento normal das carreiras de autocarros.

Não houve feridos, nem necessidade de evacuar pessoas, tendo o Corpo de Bombeiros (CB) enviado ao local 44 bombeiros, 10 carros de emergência e um drone para ajudar nas operações. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as autoridades revelaram, após uma investigação preliminar, que o incêndio terá sido provocado por um curto circuito causado pelos cabos do ar-condicionado. O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) enviou 35 agentes para o local.

Quando o CB chegou à zona, depararam-se com uma nuvem de fumo a sair da loja. Além disso, foi detectada uma fuga de corrente eléctrica, que impediu a entrada imediata no local para extinguir o incêndio, e levou ao pedido para o corte do fornecimento de electricidade à loja à Companhia de Electricidade de Macau.

Os soldados da paz optaram por pulverizar água a partir do exterior do edifício, arrombando a porta quando as condições de segurança o permitiram.

IC acompanha incidente

Uma vez que o edifício onde se deu o incêndio pertence à área do património histórico a proteger, funcionários do Instituto Cultural (IC) também se deslocaram ao local para avaliar a situação.

Em declarações ao Ou Mun, a presidente do IC, Deland Leong Wai Man, garantiu que o local vai ser inspeccionado em conjunto com a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana para serem avaliados os danos, nomeadamente na fachada do edifício, e se são necessárias obras de reparação.

A presidente do IC apontou que a fachada é o foco em termos de protecção do património, pelo que, se ficar danificada com o incêndio, serão cumpridos os critérios para o restauro patrimonial. Deland Leong Wai Man adiantou que, se for preciso avançar com o restauro da fachada, será essencial seguir o projecto e materiais originais, para garantir a preservação do património e a sua autenticidade.

25 Jun 2026

CCAC | Quatro pessoas suspeitas do crime de corrupção

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou ontem os resultados da investigação de um caso suspeito de pagamento de comissões de forma ilegal por parte de um empresário.

Segundo um comunicado do CCAC, estes pagamentos terão servido “para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”, estando quatro pessoas suspeitas da prática dos crimes de corrupção activa e passiva no sector privado, bem como do crime de burla de valor consideravelmente elevado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

O CCAC “descobriu que um fornecedor local terá pago, mensalmente, comissões ao responsável da região de Macau de uma sociedade internacional de entregas rápidas, para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”. Esse fornecedor “prestou falsas declarações sobre o número de registos de entrega, em conluio com um dirigente da respectiva sociedade de entregas rápidas, para obter, de forma fraudulenta, as taxas de serviço”.

Entre os anos de 2020 e 2025, esse fornecedor local pagou, todos os meses, “comissões não inferiores a 20 mil de dólares de Hong Kong ao então responsável da região de Macau da sociedade de entregas rápidas”. Em contrapartida, o seu nome aparecia sempre que surgiam novas propostas ou em contexto de facilitação de contratos.

O CCAC acrescenta que o responsável da empresa de entregas recebeu “comissões ilícitas de mais de 1,1 milhões de dólares de Hong Kong”, e que o crime de burla cometido por três dos quatro suspeitos atinge um valor superior a cinco milhões de patacas.

25 Jun 2026

Creche Smart | Directora diz que só fecha após relatório do CCAC

A directora da creche Smart reitera que o diferendo com o Instituto de Acção Social se deve a uma “questão pessoal” do seu presidente, Hon Wai. Ao HM, Christiana Ieong diz que vai manter a creche aberta até que seja divulgado o relatório do CCAC, mesmo que tenha de ir além da data limite do licenciamento

O Zonta Club de Macau, associação que gere a creche Smart, na Taipa, só vai encerrar a após a divulgação do relatório de investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Foi o que disse ao HM a sua presidente fundadora e directora da creche, Christiana Ieong, depois de o Instituto de Acção Social (IAS) ter declarado como cessada a relação com a creche.

Num comunicado do IAS desta segunda-feira, foi dito que o Zonta Club tem até ao dia 26 de Agosto, data do fim da licença, para devolver o espaço e realocar as crianças inscritas. Porém, no entender da responsável, “essa data não importa se a investigação do CCAC ainda estiver a decorrer”.

Recorde-se que o IAS divulgou o comunicado após ter sido informado pelo Tribunal Administrativo de que o Zonta Club tinha retirado a providência cautelar que pretendia evitar a suspensão de subsídios e retirada das instalações por parte do Governo.

Christiana Ieong diz que a retirada da providência cautelar se deveu ao respeito pelos “princípios de boa-fé e pelo Governo”. “Não queremos dar a ninguém a oportunidade de desperdiçar ainda mais fundos públicos”, adiantou, referindo estar a aguardar as conclusões da investigação do CCAC, pedida pelo próprio Zonta Club.

“Tanto o Governo como o Chefe do Executivo [apoiam a creche Smart]. Não podemos confiar no presidente, que criou todos estes problemas. Por isso estamos confiantes na investigação do CCAC que, de acordo com o que noticiou o jornal Ou Mun no mês passado, já estava em fase de análise aprofundada, pelo que acredito que o relatório será publicado em breve”, disse.

Aliás, Christiana Ieong lamenta que o IAS tenha anunciado já o fim da relação com o Zonta Club de Macau, tendo em conta que existem mais processos pendentes, nomeadamente a ausência da “autorização do tribunal relativamente à desistência do recurso para a ‘Interpretação Unificada da Decisão'”. Assim, “oficialmente ainda existe um processo em tribunal”, destacou.

“Penso que ele [o presidente do IAS] deveria ter tido mais calma e aguardado pelo relatório do CCAC”, defendeu. “Se tem a verdade, e se não fez nada de errado, porque não esperar mais um pouco? Porquê pressionar para terminar a licença?”, questionou.

“Ele [Hon Wai] precisa explicar ao público por que razão pretende desperdiçar tanto dinheiro público para destruir todo o investimento do Governo na renovação da creche”, acrescentou a directora da creche.

Uma questão pessoal

Christiana Ieong considera que a quezília entre a creche Smart e o IAS foi criada unicamente por Hon Wai. “[O fecho da creche] não é intenção do Governo, nem do Chefe do Executivo, ou da secretária [para os Assuntos Sociais e Cultura, com a tutela da educação]. É apenas a intenção do presidente do IAS. Ao longo de todo este tempo recebemos apoio do Chefe do Executivo nos cocktails de celebração da transferência de administração de Macau no regresso à Mãe Pátria”, exemplificou.

Trata-se, assim, “de uma questão muito pessoal”. “Não acredito que o Governo, o Chefe do Executivo ou a secretária fariam algo que danifica a imagem e integridade do Governo”, acrescentou.

Christiana Ieong enumera o que o Zonta Club tem pedido ao IAS que ainda não obteve. “Apresentámos uma contraproposta: o presidente tem de apresentar provas relativas à sua acusação contra nós. Uma vez que o Governo promove a ‘governação segundo a lei’, deve apresentar por escrito os seus ‘requisitos’ que, segundo ele, não cumprimos”.

Segundo a presidente do Zonta Club, o próprio IAS não tem sistema de contabilidade certificada. “Porque é que um sistema tão pouco profissional pode sobrepor-se a algo que foi feito por profissionais? É muito estranho e verdadeiramente chocante”, disse, referindo-se às questões orçamentais da escola.

Creche fecha, Zonta não

Caso o CCAC não dê razão ao Zonta Club de Macau e a creche Smart tiver mesmo de encerrar portas, Christiana Ieong lamenta que todo um projecto educativo vá por água abaixo. Porém, o Zona Club de Macau irá continuar.

“A nossa intenção inicial, ao criar este projecto [a Smart], foi apoiar o Governo na execução de políticas. Então se o Governo não apoiar aquilo que estamos a fazer, não vemos qualquer motivo para continuar”, disse.

No seu entender, Hon Wai está a “danificar a reputação” da creche e da associação, tratando-se “do mais importante”. Numa resposta enviada ao HM em Maio deste ano, o IAS explicou que a decisão de cortar a parceria se prende com a fiscalização financeira.

“Há já algum tempo que o Zonta Club de Macau não satisfazia as exigências de fiscalização de apoio financeiro do IAS em termos da aplicação dos recursos financeiros. Em virtude da persistência da situação durante um período prolongado, o IAS avançou com a cessação da cooperação em conformidade com a lei, nomeadamente cessar o financiamento e exigir a devolução das instalações da creche.”

O diferendo persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O Zonta Club de Macau – Clube de Mulheres Profissionais e Executivas [Zonta Club of Macau – Professional and Executive Women Club] é actualmente presidido por Amanda Ho.

24 Jun 2026

Hac Sá | Nick Lei pede melhores infra-estruturas na praia

Nick Lei entende que a praia de Hac Sá precisa de melhores infra-estruturas e planeamento, tendo em conta o futuro Campo de Aventuras Juvenis. O deputado exige também autocarros que liguem as fronteiras a Hac Sá

O deputado Nick Lei alertou, numa interpelação escrita, para a necessidade de melhorar as infra-estruturas públicas junto à praia de Hac Sá, em Coloane, tendo em conta o arranque experimental de operações do Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá no quarto trimestre de 2027.

“Prevê-se que, no segundo semestre deste ano, passem a estar abertas ao público as zonas para carros infantis e local de campismo, levando ao aumento do fluxo de residentes e turistas na praia e nas instalações de Hac Sá. Pode o Governo concretizar planos para que a zona se torne mais divertida e atractiva?”, questionou.

O legislador ligado à comunidade de Fujian disse ainda que as instalações recreativas da praia de Hac Sá, bem como os locais próximos, são uma das zonas preferidas dos residentes para momentos de lazer, e que, nos últimos anos, o Governo tem escolhido a praia de Hac Sá para a organização de eventos, como o festival “Hush!”. O deputado realça que estes eventos passaram a atrair para Coloane mais visitantes jovens de regiões vizinhas, além da população local.

Outros valores se levantam

Nick Lei destacou que, além da importância turística, a praia de Hac Sá é também importante em termos arqueológicos, por ter uma ligação próxima à cultura tradicional Hakka. Desta forma, o Governo deve, no entender do deputado, reformular o sistema de trânsito no local a fim de criar maiores conveniências aos visitantes.

O deputado refere na interpelação queixas de utilizadores, relativamente ao cancelamento, desde Maio de 2017, da carreira 25 por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Actualmente, existem apenas as carreiras de autocarros 21A, 26A, 15T e N3 (nocturna) com acesso a Hac-Sá.

“Estas carreiras passam apenas por zonas residenciais e não incluem os postos fronteiriços, não sendo possível levar os turistas para Hac Sá”, lê-se na interpelação escrita. Por esta razão, Nick Lei pediu um novo planeamento das carreiras de autocarros a fim de garantir percursos directos entre todos os postos fronteiriços e a praia de Hac Sá.

24 Jun 2026

Indonésia | Ng Wai Han destaca boas relações económicas

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, falou ontem das boas relações que a RAEM mantém com a Indonésia no que diz respeito à cooperação económica e turismo.

Ao discursar na abertura do Indonesia Business Forum 2026, a governante disse que, nos últimos anos, “a cooperação entre Macau e a Indonésia tem vindo a aprofundar-se e a consolidar-se em várias áreas importantes”, e que o “volume de importações de Macau para a Indonésia atingiu 1640 milhões de patacas no ano passado”. Além disso, as importações ultrapassaram “as 400 milhões de patacas no primeiro trimestre do corrente ano”.

A secretária realçou ainda como “o turismo é uma das áreas com maior potencial de cooperação” entre o território e o país, numa altura em que a Indonésia “ocupa o terceiro lugar como fonte de visitantes internacionais para Macau”.

Desta forma, Ng Wai Han disse que as autoridades dão “grande importância às exigências do mercado de visitantes muçulmanos da Indonésia”, sendo objectivo “tornar Macau num destino amigo dos muçulmanos”.

“Actualmente, um número significativo de fabricantes de produtos alimentares e restaurantes obtiveram certificações Halal em Macau”, rematou a secretária, que destacou também o facto de se realizar, este sábado, a 13ª Reunião Ministerial do Turismo da APEC na RAEM.

“Este evento marca o regresso da Reunião Ministerial do Turismo da APEC a Macau desde a última realização no território em 2014, o que demonstra a grande confiança e o firme apoio do Governo Central ao Governo da RAEM e reforça ainda mais o papel de Macau como uma importante ponte de ligação entre a China e o mundo”, concluiu.

24 Jun 2026

IAS ganha em tribunal e creche Smart tem de devolver instalações

O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem o fim oficial da ligação à associação Zonta Club de Macau, entidade gestora da creche Smart, na Taipa. Segundo um comunicado do IAS divulgado ontem, o fim oficial desta cooperação prende-se com a retirada, por parte da associação, da providência cautelar apresentada para travar o fim do financiamento público e recuperação das instalações.

“O IAS recebeu uma notificação do Tribunal Administrativo (TA) e, após confirmação junto do Tribunal de Última Instância, verificou que a entidade gestora da creche Smart retirou todas as acções administrativas que tinha intentado”.

A Zonta Club de Macau tinha apresentado uma providência cautelar para a suspensão do corte de apoios financeiros e para conseguir recuperar o espaço, a qual foi aceite pelo TA e Tribunal de Segunda Instância (TSI), segundo foi noticiado em Maio deste ano.

Desta forma, “a relação de cooperação entre as duas partes relativamente à creche Smart foi formalmente dissolvida nos termos da lei”, descreve o IAS na mesma nota, cabendo agora à Zona Club de Macau a devolução das instalações da creche.

Licença até Agosto

O IAS explica também que a licença da creche Smart se mantém em vigor até ao dia 26 de Agosto deste ano, alertando que a entidade gestora deve “garantir que os encarregados de educação dispõem de tempo suficiente para transferir os filhos para outras creches”.

Além disso, a Zonta Club de Macau “deverá informar claramente os pais das crianças inscritas sobre os procedimentos concretos para a cessação de actividade”, devendo tratar “de forma adequada todas as questões subsequentes”.

O IAS esclarece que “as creches de Macau dispõem de vagas mais do que suficientes”, sendo que “na zona das ilhas existem vagas para acolher as transferências” de crianças da creche Smart.

Em Maio deste ano, a creche Smart divulgou ter recebido 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027. O diferendo entre o IAS e a Zonta Club de Macau surgiu em Março do ano passado, quando o Governo cortou o financiamento e recuperou as instalações, dizendo apenas que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O IAS explicou posteriormente que o corte estava ligado à fiscalização dos subsídios concedidos.

23 Jun 2026

Fotografia | Wang Zhengping com exposição inédita em Lisboa

A galeria Ochre Space, em Lisboa, apresenta até 4 de Julho a mostra “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”, a primeira exposição do fotógrafo chinês em Portugal. Ao HM, Wang diz que os cavalos são como os humanos e conta como a fotografia sempre foi uma paixão

 

Wang Zhengping, um dos fotógrafos chineses contemporâneos mais importantes, tem, nos últimos dias, fotografado alguns dos sítios mais icónicos de Portugal ao sabor da vontade da sua lente. Esteve no Cabo da Roca e aproveitou para fotografar muito o Oceano Atlântico, as ruelas do Porto ou a baixa de Lisboa, com as suas gentes.
Wang Zhengping esteve em Portugal a propósito da inauguração de uma exposição em nome próprio, a primeira vez que tal acontece. É na galeria de fotografia Ochre Space, projecto do advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, que se pode ver, até 4 de Julho, “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”.

A mostra e baseada no livro “Mongolian Horse in North Wind” publicado em Pequim, em 2024. Destaque para o facto de o trabalho de Wang Zhengping já ter sido revelado em Macau no âmbito de uma edição do festival literário Rota das Letras, com a exposição “The Wind Blows Through the Grassland”.

O HM conversou com Wang Zhengping na cave da Ochre Space um dia antes da inauguração da mostra. O cavalo é, para si, muito mais do que um animal, mas quase como um humano. E com a fotografia, Wang revela mais do que a cultura das estepes da Mongólia Interior, de onde é natural: uma quase magia demonstrada em imagens de grande qualidade estética. “Para mim os cavalos são como pessoas, têm emoções, como se estivessem tristes ou felizes, então fotografo os cavalos com se fossem pessoas”, contou.

Citado por uma nota da organização, João Miguel Barros, fundador da Ochre Space e curador da exposição, descreve como estas imagens “revelam uma prática fotográfica que oscila entre a observação documental e a visão poética”, nas quais os cavalos “surgem não apenas como sujeitos fotográficos, mas como símbolos de resistência, liberdade e continuidade cultural numa das paisagens mais marcantes da Ásia”.

Neste projecto pode ser encontrada uma “diversidade de registos e atmosferas”, como “retratos silenciosos de cavalos solitários contra a vastidão da estepe coberta de neve, composições banhadas pela luz dourada do crepúsculo e imagens cruas do Inverno, esculpidas pelo vento norte que dá nome ao livro”, descreve ainda João Miguel Barros.

Questionado sobre se o seu trabalho contribui para aumentar a atenção para a cultura mongol e das estepes, aponta-nos, como resposta, uma entrevista que recentemente deu à revista “China Photography”, em Junho.
“Alguns dizem que documento uma civilização nómada em desaparecimento. Não gosto de rótulos. Organizo o meu arquivo em três grandes núcleos: cavalos, mongóis e estepe”, disse à publicação.

Paragem na carreira

Wang Zhengping é natural da Mongólia Interior, região autónoma do Norte da China, e há mais de 15 anos que fotografa o cavalo mongol e as paisagens que lhe estão associadas. É fotógrafo desde os anos 80 e formou-se na Academia de Belas-Artes Lu Xun em 1987, mas muito antes, em 1982, fez um curso de fotografia em Harbin, orientado por Wu Yinxian e Li Zhensheng.

Ao HM, recorda como já gostava de fotografia desde os anos da escola secundária. “Antes de entrar para a Academia de Belas-Artes Lu Xun já costumava ver fotografias de outros fotógrafos chineses, e ficava fascinado com elas. Depois comecei a gostar dos seus trabalhos, e comecei aí a gostar de fotografia e de tirar boas fotografias, e tirei fotografias do pôr-do-sol, fiz retratos…”

No ano em que se formou, Wang Zhengping venceu a Medalha de Ouro na primeira Exposição Nacional de Fotografia de Paisagem, e continuou a vencer por oito ou nove anos. Até que parou.

“Comecei a participar em alguns concursos de fotografia na China, e até ganhei algumas medalhas, mas depois de ganhar uma medalha de ouro num concurso, percebi que este prémio não era bem o que queria”, recordou ao HM.
Fez uma pausa de três anos em que não disparou a máquina, ao mesmo tempo que trabalhava numa galeria. Em 1990 dedicou-se ao comércio. Wang assume que nunca deixou por completo o mundo das artes, mas, na fotografia, buscava algo mais, algo que ainda não tinha visto na China.

“Quando via o trabalho de alguns fotógrafos, tudo me parecia muito normal e tradicional”, como se houvesse uma única forma de fotografar no país, acrescenta. O período em que trabalhou na galeria, e o contacto que teve com outras formas de arte, acabaram por o influenciar esteticamente e fazê-lo regressar à fotografia. Afinal de contas, a paixão ainda estava longe de terminar. “Gosto de fotografia desde criança e não podia desistir. Não fotografei durante três anos, e tentei evitar olhar para livros de fotografia ou [o trabalho] de outros fotógrafos chineses.”

A magia dos cavalos

À “China Photography”, Wang Zhengping descreveu como chegou a fotografar “os cavalos no Inverno, alugando um pequeno automóvel por 300 yuan por dia”. Na conversa com o HM, destaca o momento em que sentiu uma conexão com o animal. “Na estepe, quando houve uma corrida com centenas de cavalos, tirei uma fotografia. Mas um dos cavalos parou e baixou-se na minha direcção, mas não me magoou. Senti uma ligação, como se os cavalos se baixassem para me salvar.”

Imagem sem planos

Em 2009, Wang Zhengping foi distinguido com o Prémio Golden Statue de Fotografia da China, o mais prestigiado galardão fotográfico do país. Porém, isso não mudou o olhar humilde que tem sobre o seu próprio trabalho. “Não tenho referências de outros artistas porque, para mim, a fotografia é como um hobby. Pego na câmara e uso-a como uma ferramenta, jogo com ela.”

“Na verdade, trabalho como fotógrafo há mais de 40 anos, e posso dizer que sou um fotógrafo profissional. Numa fase inicial procurava ganhar prémios, mas, depois, deixaram de ser importantes. [Percebi que] só através do processo [de fotografar] podia conhecer-me”, como pessoa e como fotógrafo, explicou.

Wang Zhengping diz não estar a trabalhar em nenhum novo projecto. Fotografa uns meses e depois pára, conforme “a percepção sobre a sociedade, o mundo e a experiência de fotografia”. “Não me vejo como um artista maravilhoso”, disse.

Confessa que desde 2016 que não trabalha mediante um tema. Agora, as imagens que capta vão sendo organizadas em ficheiros pessoais, e depois o tempo decide o destino a dar a essas fotografias. “Posso dizer que todos os lugares do país [China], até de países estrangeiros, vejo o que tenho de fotografar, e só depois é que organizo.”

Numa era em que cada vez mais se fotografa com o telemóvel, e em que a inteligência artificial é, crescentemente, produtora de imagens, Wang Zhengping não afasta nenhuma destas possibilidades, apesar de não fotografar muito com o telemóvel. “Qualquer ferramenta que sirva para fotografar é boa. Não importa qual é a câmara. Contudo, prefiro usar máquina fotográfica, para mim é melhor porque não compreendo muito bem como funciona o telemóvel, há muitas funcionalidades que não sei usar. Comecei a usar a câmara digital em 2011 e tinha medo que gozassem comigo por não a saber usar.”

23 Jun 2026

Turismo | Visitantes de Taiwan sobem quase 20 por cento

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, em Maio deste ano, o número de visitantes oriundo de Taiwan foi de 93.701, mais 18,9 por cento em comparação com Maio do ano passado.

No caso de Hong Kong, registou-se uma quebra de 0,4 por cento, enquanto que o número de visitantes da China continental foi, em Maio, de 2.541.802, mais 4,2 por cento em termos anuais. Em termos globais, Macau recebeu, em Maio deste ano, 3.487.994, mais 3,4 por cento em termos anuais, destacando-se que o número de turistas em excursões subiu 7,9 por cento. Já o número de turistas individuais baixou 3 por cento.

A DSEC destaca ainda que, em Maio, “o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 234.150, mais 0,8 por cento em termos anuais”, destacando-se a subida de 36,1 por cento do número de visitantes da Tailândia (20.447). Quanto ao Sul da Ásia, o número de entradas de visitantes da Índia (15.293) subiu 3,5 por cento em relação a Maio de 2025.

Nos cinco primeiros meses do ano, o território recebeu 18.143.294 de turistas, mais 11,1 por cento face ao mesmo período de 2025. Ainda neste período o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.244.042, mais 8,7 por cento face ao período homólogo do ano passado.

23 Jun 2026

Transportes | Deputados pedem boa gestão e capacidade de resposta

O deputado Leong Pou U interpelou o Governo sobre a necessidade de organização atempada do sistema de transportes a pensar no Verão, a fim de facilitar a deslocação de turistas e residentes. Já Kou Kam Fai pede planos de resposta sobre obras viárias

 

A realização de obras nas vias públicas, o fluxo de turismo e a chegada dos meses de Verão são três factores que preocupam dois deputados. Leong Pou U e Kou Kam Fai apelam à organização atempada do trânsito, a fim de evitar constrangimentos na cidade. A ideia é que as obras possam terminar a tempo de arrancar um novo ano lectivo, em Setembro.

Numa interpelação escrita enviada ao Governo, Leong Pou U defendeu que as autoridades devem planear de forma antecipada o novo sistema de transporte antes da chegada das férias de Verão, tendo em conta o aumento do número de turistas e para que a experiência de transporte seja melhorada para os utilizadores.

Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), recordou que o Governo previu um aumento anual do número de turistas em cerca de dez por cento, para quase 44 milhões de pessoas.

“Tendo em conta que o número de turistas vai continuar a subir, a capacidade dos meios de transporte de Macau não consegue aumentar ao mesmo ritmo, e durante os feriados principais é costume formarem-se longas filas nas paragens de autocarros e de táxis. É frequente os autocarros não pararem nas paragens por estarem cheios”, disse.

Assim, o deputado quer saber que medidas e planos de resposta tem o Executivo para lidar com a pressão nos transportes públicos durante o Verão. Tendo em conta as várias obras viárias, Leong Pou U quer saber como serão aliviados eventuais impactos na população e turismo.

Atenção à escola

Também o deputado Kou Kam Fai falou deste assunto em declarações ao jornal Ou Mun, defendendo que as empresas a quem são adjudicadas as obras viárias devem elaborar planos de resposta, de necessidades de mão-de-obra e a respectiva calendarização, para garantir que os trabalhos terminam dentro do prazo previsto, tendo em conta a abertura do ano lectivo 2026/2027.

O também director da Escola Secundária Pui Ching disse estar preocupado com a chegada da época das chuvas fortes e tufões, o que pode causar impacto no andamento das obras viárias e atrasar os trabalhos.

Kou Kam Fai disse ainda que, nesta altura, é a fase final do ano lectivo 2025/2026, pelo que há apenas algumas actividades específicas em andamento, registando-se menos idas de alunos às escolas no ensino secundário. Por sua vez, nos ensinos primário e infantil há ainda aulas por mais duas semanas.

23 Jun 2026

UTM | Sam Hou Fai pede maior alinhamento com Hengqin

O Chefe do Executivo defendeu que a Universidade de Turismo de Macau deve “intensificar a organização e planeamento estratégico” tendo em conta a futura Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, fazendo a devida actualização pedagógica

 

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, deixou recados à Universidade de Turismo de Macau (UTM) na cerimónia de graduação de estudantes, que aconteceu na passada quinta-feira. Os recados vão no sentido de adaptação ao futuro do ensino e trabalho, passando por Hengqin.

“Esperamos que a Universidade de Turismo de Macau intensifique a sua organização e planeamento estratégico no sentido de acelerar a sua integração na estrutura da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin”, disse no seu discurso.

O governante pediu à UTM que “aprofunde a colaboração entre [as áreas de] indústria-universidade-investigação”, e que amplie acordos no que diz respeito a “intercâmbios académicos, estágios práticos, treino e inovação científica e tecnológica”.

Outro recado deixado pelo Chefe do Executivo surgiu no sentido de a UTM dever estar “estreitamente alinhada com as necessidades do desenvolvimento nacional e da RAEM, optimizando continuamente o conteúdo de disciplinas e a configuração de cursos”, tendo em conta o contexto de integração regional crescente de Macau com a província de Guangdong.

A ideia é que haja “um alinhamento preciso entre a formação de talentos e o desenvolvimento industrial, oferecendo um sólido suporte humano e intelectual ao desenvolvimento duradouro da nação e da RAEM”.

Quase metade com trabalho

Num outro comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, são citados dados de empregabilidade dos graduados da UTM, tendo em conta um inquérito realizado no ano lectivo de 2024/2025. Assim, “dos diplomados que terminaram a licenciatura, 48,5 por cento começaram a trabalhar meses após a graduação”, pelo que quase metade dos licenciados consegue emprego pouco tempo após terminar o curso, segundo a instituição de ensino superior.

Além disso, “33,7 por cento optaram por prosseguir os seus estudos”, sendo que, dos alunos que seguem para o nível de mestrado, “66 por cento começaram a trabalhar meses após a graduação”. De destacar que apenas 8 por cento destes alunos “decidiram continuar a estudar”, ou seja, partindo para a fase de doutoramento.

No discurso da cerimónia de graduação, Sam Hou Fai lembrou que a UTM já formou “sucessivas gerações de profissionais altamente qualificados, dotados de sólidos conhecimentos técnicos, boas competências gerais e visão internacional”.

“Muitos dos ex-alunos encontram-se activamente na linha da frente da indústria cultural e turística, em Macau e no exterior, contribuindo de forma significativa e positiva para o desenvolvimento do turismo local e para a diversificação adequada da economia”, acrescentou o governante.

22 Jun 2026

Plano Quinquenal | Sugerido exemplo de investimento do Dubai

Decorreu na última quinta-feira mais uma sessão de consulta pública a propósito do 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da Região Administrativa Especial de Macau (2026-2030).

Nesta sessão, descreve uma nota oficial, “alguns representantes sugeriram tomar como referência a experiência do Dubai”, nomeadamente para a utilização “das receitas existentes para investir em infra-estruturas, de modo a impulsionar a transformação económica de longo prazo”.

Além disso, foi proposto o desenvolvimento de projectos que juntem as áreas da “indústria-universidade-investigação”, com a “participação do sector comercial e industrial local”, bem como a necessidade de “apoio à internacionalização da indústria manufactureira e das marcas de Macau”. A sessão de consulta pública destinou-se aos sectores de educação, juventude, cultura, comunidade macaense e desporto. A consulta pública termina no dia 28 de Junho.

22 Jun 2026

IIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho

O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane

Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h.

A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM.

“Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse.

O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”.

“O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou.

Longo processo

Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”.

“Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto.

Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”.

Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido.

“Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.”

Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território.

“Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume.

A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.

18 Jun 2026