Andreia Sofia Silva SociedadeEnergias limpas e agricultura são apostas da CESL-Ásia em Portugal A empresa local CESL-Ásia está interessada no desenvolvimento de projectos-piloto em Portugal na área agrovoltaica, aliando produção agrícola e energia solar. Segundo um comunicado da empresa, o projecto surgiu no âmbito de uma visita, à CESL-Ásia em Macau, de uma delegação do Conselho Intermunicipal do Oeste de Portugal (OesteCIM), liderada por Hermínio Augusto Rodrigues, que é também presidente da Câmara Municipal de Alcobaça. Da delegação fizeram ainda parte Teresa Almeida, presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo], entre outras personalidades. No encontro, que decorreu na passada quinta-feira, responsáveis da CESL-Ásia apresentaram as “operações inovadoras de AgroPV (agrovoltaica)”, incluindo a “bem-sucedida Central de Demonstração no Alentejo”. Na mesma nota, a CESL-Ásia diz que a área de agrovoltaica “é importante para o futuro de Portugal” pelo facto de poder “dinamizar a economia rural”, através da optimização do uso do solo e garantia de protecção da “soberania alimentar”. Desta forma, “um sistema AgroPV bem regulamentado pode gerar entre 1.500 e 3.000 euros por hectare, e por ano, em receitas anuais adicionais para os agricultores, duplicando o valor económico das terras agrícolas”, é explicado. Uma desejada realidade A CESL-Ásia, que em Macau também opera na área da engenharia e construção civil, entre outros sectores, pretende a criação de “um Programa Piloto Nacional de Agro-fotovoltaica e de um ambiente regulatório experimental para estabelecer as melhores práticas, abrindo caminho para a implantação em grande escala em regiões como o Oeste” português. A empresa local destaca como a “integração da AgroPV nas estratégias nacionais de Portugal nas áreas da agricultura, da energia e do digital, a par dos investimentos na REN (a rede nacional de energia) e nos centros de dados, funciona como um motor de grande impacto e autofinanciado para o desenvolvimento regional” em Portugal, é destacado.
Andreia Sofia Silva EventosMúsica | German Ku lança novo single e apresenta espectáculo ao vivo Chama-se Germano Guilherme, mas o mundo artístico conhece-o por German Ku. Macau está sempre presente nas músicas que canta e a nova não é excepção. Os fãs podem esperar um novo single em Outubro, mês em que apresenta, no Broadway Theatre, o espectáculo “A New Classic” Quando Germano Guilherme venceu, em 2024, o concurso de talentos “Midlife, Sing and Shine 2”, do canal TVB de Hong Kong, o mundo conheceu-lhe a voz e admirou-lhe o talento. O rapaz macaense que sempre teve a paixão de cantar, e que até estudou na Escola Portuguesa de Macau, transformou-se no artista German Ku, nome artístico pelo qual é conhecido. Depois de muitos espectáculos e algumas gravações de estúdio, Germano está de regresso com o espectáculo “A New Classic”, apresentado a 10 de Outubro no Broadway Macau, e também uma nova canção, cujo nome não revela, em entrevista ao HM. “Espero lançar um novo single em meados do mês de Outubro. É uma balada típica de cantopop e que mostra um lado mais emocional da minha parte. No futuro espero poder colaborar com diferentes talentos de Macau para criar mais música, sobretudo algo que possa realmente representar Macau”, descreve por escrito. Em relação ao espectáculo “A New Classic”, descreve-se no website Macau Ticket, onde os ingressos já estão à venda, que é uma novidade de palco desde “o triunfo da ‘Follow Me Live Tour'”, a sua última digressão. No concerto de Outubro, o cantor macaense irá “abraçar um novo caminho musical, regressando às suas origens com uma experiência refinada e focada na música, especialmente criada para os fãs mais dedicados” à sua carreira. Desta forma, nesta sala de espectáculos no Cotai podem ouvir-se “clássicos da Pop ocidental, um género musical que está perto do seu coração e que é profundamente adorado pelo público”. A escolha do repertório está a cargo de German Ku, que em palco se fará acompanhar por uma orquestra. Trata-se de um concerto que irá proporcionar “uma interpretação renovada de êxitos clássicos em inglês, trazendo uma nova emoção e elegância a canções lendárias”. Nas palavras de Germano Guilherme, o público de Macau pode assistir a um “espectáculo único, apresentado apenas numa noite”. “Vou interpretar a minha selecção de canções favoritas e que são conhecidas há muitos anos, mas com novos arranjos, dando-lhes uma nova abordagem. Também vou celebrar o meu aniversário com o público e os meus fãs, uma vez que faço anos em Outubro.” Cantar no quarto Germano Guilherme não tem dúvidas de que a vitória no concurso da TVB lhe abriu portas. “Depois de vencer o concurso de talentos de Hong Kong, abriram-se mesmo muitas portas, que nunca imaginei que se pudessem abrir na minha vida: concertos em diferentes cidades, palcos maiores, mais música, fãs. Foi avassalador e, de certa forma, difícil de acreditar no início”, recorda. Germano canta desde miúdo, mas as oportunidades tardaram a chegar. Porém, nunca desistiu. “Infelizmente, durante os meus anos de estudo, não tive oportunidade de praticar ou desenvolver o meu talento musical. A única forma que tinha de praticar era cantar em voz alta em casa”, assume. O facto de ser natural de Macau dá a Germano uma responsabilidade de mostrar não apenas o território, mas também a cultura macaense que lhe pertence. “Como cantor de Macau penso ser minha responsabilidade promover e defender a nossa cultura — neste caso, a nossa música — junto do resto do mundo. Além disso, nasci e cresci como macaense, e sinto que é meu dever mostrar ao mundo a nossa cultura tão particular, uma mistura de estilos de vida chinês e português, levando essa cultura ao palco internacional.” German Ku espera um dia fazer música com talentos locais, apesar de reconhecer que o mercado discográfico do território é bastante reduzido. “Tenho de ser sincero: a indústria musical em Macau enfrenta algumas dificuldades quando comparada com a de outros lugares, devido à reduzida população e à pequena dimensão do território. Mas acredito que vai melhorar no futuro, graças ao poder das redes sociais nos dias de hoje. Espero que, um dia, a música de Macau seja reconhecida no palco internacional”, remata.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePastéis de nata | “Bakehouse”, em Hong Kong, lidera ranking da Bloomberg A agência de notícias Bloomberg resolveu avaliar os melhores pastéis de nata da região e a verdade é que Hong Kong fica à frente de Macau. Segundo a agência, a “Bakehouse” lidera o ranking, com uma pontuação de oito em dez, enquanto que a “Lord Stow’s”, em Coloane, fica em terceiro lugar, com 7,35 pontos. Por sua vez, a Manteigaria, marca portuguesa que acaba de chegar ao Oriente, obteve da 7,5 pontos. O ranking, publicado no passado dia 17 de Setembro, inclui ainda as pastelarias Hong Kong Hashtag B, com 6,6 pontos; o local Margaret’s Café e Nata, que obteve 6,2 pontos; e ainda a Macau Bamu, com 6,1 pontos. Não faltou ainda a avaliação aos pastéis de nata da KFC, que obtiveram 6,65 pontos, ou a marca londrina Santa Nata, com 5,1 pontos. O ranking foi elaborado pela jornalista Tara Mulholland, que descreveu os pastéis de nata da “Bakehouse”, que faz cerca de 30 mil por dia, como tendo um “sabor intenso, ligeiramente torrado, e uma textura firme”, além de apresentarem uma “crosta em forma de chávena de chá a envolver um recheio característico de crème brûlée”. No que diz respeito à Lord Stow’s, fundada por Andrew Stow em Macau em 1989, foi referido que os pastéis de nata têm um “equilíbrio entre o sabor a manteiga e o sabor a ovo”, mas não reuniu consenso por parte do júri relativamente ao sabor e texturas.
Andreia Sofia Silva PolíticaATFPM | Dirigentes reúnem com secretário de Estado Pereira Coutinho e Rita Santos, dirigentes da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), reuniram na última quarta-feira com o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Emídio Sousa, em Lisboa. Segundo uma nota da ATFPM, foram analisadas questões como a “tramitação e resolução de processos de atribuição de pensões junto da Caixa Geral de Aposentações e o reembolso de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares junto da Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais”. A ATFPM referiu como, entre Julho de 2025 e Agosto de 2026, atraiu mais 739 associados de nacionalidade portuguesa. Citado pela mesma nota, Emídio Sousa disse que a secretaria de Estado que lidera “valoriza o associativismo português no estrangeiro, promovendo regularmente acções de formação para dirigentes associativos em território nacional e fomentando o intercâmbio e a cooperação entre as diversas associações de matriz portuguesa espalhadas pelo mundo”.
Andreia Sofia Silva PolíticaTaipa | Deputado alerta para falta de espaços culturais O deputado Leong Hong Sai interpelou o Governo sobre a necessidade de criar mais espaços de lazer na Taipa. Na interpelação escrita lê-se que “com o crescimento gradual da população da Taipa, a procura de instalações culturais e recreativas comunitárias tem vindo a aumentar”, pelo que o deputado pede uma avaliação “da carência de espaços públicos para espectáculos”. Além disso, sugere a elaboração de uma “planta de construção de recintos de espectáculos culturais para o desenvolvimento actual da Taipa”, tendo em conta os terrenos vazios do Jockey Club e do antigo Ocean World. Leong Hong Sai também defende o sistema de reserva de horas para espectáculos em espaços como o Pavilhão Desportivo da Taipa, os centros comunitários e as Casas-Museu da Taipa para apoiar associações culturais locais.
Andreia Sofia Silva EventosCanções narrativas Naamyam amanhã na Casa de Lou Kau A Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong realiza amanhã, sábado, o “Recital de Naamyam do Património Cultural Imaterial 2026 – Especial Festival do Meio do Outono”, que decorre na Casa de Lou Kau entre as 14h30 e as 17h. Segundo um comunicado da organização, pretende-se dar a conhecer a “dimensão emotiva” das canções narrativas de Naamyam, que originalmente eram cantadas por cegos. Nos anos 50, a Rádio Vila Verde de Macau transmitia estas narrativas cantadas, e que hoje estão inscritas na Lista do Património Cultural Intangível de Macau. O recital conta com a participação do mestre Au Kuan Cheong, uma das figuras mais importantes na preservação e transmissão ao público das narrativas Naamyam, procurando este evento “criar uma forte ligação com o espírito de festividade” do Festival do Meio Outono. O repertório inclui canções como “Tristezas de Outono de um Viajante”, bem como “O Senhor Guan Acompanha as suas Cunhadas”, onde se destacam sentimentos como a lealdade e a honra. As emoções humanas estão também presentes em “Lamento ao Longo das Cinco Vigílias da Noite”, além de que um amor não correspondido é a história por detrás de “Nuvens Persistentes da Devoção”. Repertório variado Canções como “A Confissão do Erudito Wang”, ou “Li Qingzhao” fazem também parte do repertório do espectáculo na Casa de Lou Kau, sendo que esta última “retrata a extraordinária resiliência e a profunda sinceridade da célebre poetisa da Dinastia Song”. Com a canção “O Palácio da Vida Eterna” revela-se a “devastadora impotência e a trágica despedida”, enquanto “Uma Visita numa Noite de Neve ao Monge Apaixonado” traz sentimentos e ideias de “serenidade e desprendimento filosófico”. A organização espera que, com este recital, “mais residentes e visitantes possam conhecer e apreciar esta forma de património cultural imaterial”, existindo o compromisso de “salvaguardar e divulgar as canções narrativas Naamyam, procurando preservar a sua vitalidade e manter a sua relevância na sociedade contemporânea”. De destacar que desde 1995 que a Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong, fundada por este, se dedica a promover as canções narrativas Naamyam com sessões de formação e espectáculos. É a entidade reconhecida pelas autoridades como sendo responsável pela preservação deste património.
Andreia Sofia Silva EventosGalaxy Promenade com peças do escultor chinês Gao Xiaowu Uma exposição de arte do escultor chinês Gao Xiaowu, intitulada “Dream Voyage at Galaxy Resort: Gao Xiaowu’s Art Exhibition”, pode ser vista no Galaxy Promenade, no empreendimento Galaxy Macau, até ao dia 17 de Novembro. Segundo um comunicado da operadora de jogo, trata-se de uma “viagem imersiva pelos sonhos, gratidão e amor”, apresentando-se seis conjuntos de obras representativas de Gao Xiaowu. Estas dispõem-se em “cinco capítulos temáticos que exploram diferentes etapas da vida e a procura dos sonhos”. Na obra “Dreams Begin” estão patentes os sentimentos de esperança e imaginação, enquanto em “Breaking the Mold” pode-se sentir a “celebração da individualidade”. Já em “Dreams Return”, trata-se de uma peça que “incentiva os visitantes a reencontrarem as suas aspirações originais e a reavaliarem os seus sonhos”, enquanto com o trabalho “Gratitude Shared” faz uma “homenagem ao apreço sincero”. A “viagem” pelo trabalho deste escultor termina com a peça “Love Expressed”, focado na ideia de que o amor “constitui uma força poderosa, capaz de sustentar os sonhos e reforçar ligações significativas”. O aqui e agora Na mesma nota, é descrito como Gao Xiaowu é, nos dias de hoje, “um dos mais reconhecidos escultores contemporâneos da China”, sendo “amplamente conhecido pela filosofia do ‘the moment that is'”. Faz-se, portanto, a apologia do momento presente, e também da prática das “popular arts”, ou seja, artes que “pertencem às pessoas comuns”, como se lê no website oficial do artista. “Gao Xiaowu procura inspiração nas experiências, emoções e aspirações das pessoas comuns. Através de uma linguagem visual marcada pelo humor, calor humano e acessibilidade, Gao explora a vida urbana, as questões sociais e as relações humanas, transmitindo simultaneamente um forte sentido de empatia e de envolvimento com o público”, lê-se ainda. Nascido em 1976, em Fujian, Gao Xiaowu formou-se na Xia Men Art Academy em Escultura, curso que terminou em 1999. Formou-se na mesma área, mas na Central Academy of Fine Arts em 2004. Passou pela Catalunha, Espanha, para fazer um mestrado em “Film Business and Management” na Catalan School of Film and Audiovisual Studies, vivendo actualmente em Pequim.
Andreia Sofia Silva EventosExposição | Dinastia Tang é protagonista em “Imperatriz Reinante” Foi inaugurada esta quarta-feira mais uma mostra patente no Museu de Macau. Trata-se de “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, com mais de uma centena de peças que remontam aos anos da dinastia Tang. Trata-se de artefactos cedidos por instituições culturais da província de Henan O terceiro andar do Museu de Macau acolhe até ao dia 28 de Fevereiro mais uma mostra que junta cultura e história da China. Tal é possível com a exposição “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, que apresenta em Macau 126 itens ou conjuntos de artefactos cedidos por oito instituições culturais e museus da província de Henan, nomeadamente o Museu de Henan, a Academia das Grutas de Longmen, o Museu de Luoyang, o Instituto de Arqueologia de Luoyang, o Museu de Túmulos Antigos de Luoyang, o Museu Cultural do Grande Canal das Dinastias Sui e Tang, o Museu de Yanshi e o Museu do Condado de Xin’an. Segundo uma nota disponibilizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende-se, com esta mostra, “promover o intercâmbio histórico e cultural entre Henan e Macau”, além de se “destacar o papel de Macau como janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Esta é uma organização conjunta do Governo de Macau e da Administração Provincial do Património Cultural da Província de Henan. Era dourada Destaca-se, do conjunto de peças em exposição, 21 itens ou conjuntos que são “relíquias culturais de Primeira Classe, incluindo a Faixa de Ouro de Absolvição de Wu Zetian, uma estátua de pedra de uma figura guardiã, uma estátua de Tathagata de pé, figuras de cerâmica pintadas de um cavalo e seu domador ou um cavalo de esmalte tricolor e um espelho de bronze com motivos de criaturas marinhas e uvas”. Há cinco áreas em que se divide a mostra, que apresenta, desta forma, “um panorama multidimensional da era gloriosa da dinastia Tang sob as perspectivas do planeamento urbano, filosofia, cultura, vida social, sistemas rituais e jurídicos e dos intercâmbios internacionais”. A mostra inclui também uma forte componente multimédia de interacção com o público, nomeadamente uma “cabine fotográfica com Inteligência Artificial”, o que permite “uma forma acessível e envolvente de aprender sobre a cultura, a arte e a sociedade da dinastia Tang”. A exposição terá, posteriormente, uma versão digital com recurso a realidade virtual, e que pode ser vista a qualquer altura no website do Museu de Macau. Uma vez que Macau celebra o Festival do Meio Outono, que antecede as celebrações da implantação da República Popular da China, o Museu de Macau e o Jardim da Fortaleza do Monte estarão abertos hoje até às 22h30, estando também abertos este sábado e domingo até às 21h. Nestes dias o jardim terá uma decoração temática da dinastia Tang, uma zona para fotografias e uma área para a prática de pickleball.
Andreia Sofia Silva PolíticaRua das Estalagens | 24 negócios para projecto de renovação “Ho’s Coffee”, “COINERY”, “Gengfu Chenpi Queen Wellness Centre”. São os nomes de três dos 24 negócios seleccionados pela Sands China no âmbito do projecto de renovação da Rua das Estalagens. Segundo um comunicado da operadora de jogo, os 24 negócios locais são essencialmente cafés, espaços culturais e de gastronomia, também com ligação à área de “life&style”. Estes foram escolhidos no âmbito de duas categorias, “Shop Rebranding Programme” [Programa de Renovação da Imagem e Marca das Lojas], uma nova categoria; e “Entrepreneurship Recruitment Programme 2.0” [Programa de Recrutamento de Empreendedores 2.0]. De frisar que este programa teve uma primeira edição em 2024, que trouxe sete negócios à Rua das Estalagens. A Sands China descreve que, nos últimos dois anos, “o programa alcançou resultados significativos, trazendo novo dinamismo comercial, aumentando a vitalidade da zona e renovando o interesse da comunidade” na Rua das Estalagens. O programa inclui a concessão de subsídios para empreendedores, a fim de incentivar “uma nova vaga de pequenas e médias empresas a instalar negócios na Rua das Estalagens”, e recebeu “uma resposta muito positiva, com um total de 69 candidaturas”. A Sands China destaca como, entre esta e a primeira edição, se receberam “cerca de 200 candidaturas” para o programa de renovação da Rua das Estalagens, que decorre com a parceria do Governo. Foram organizados 15 eventos públicos com entrada gratuita, além de que a “iniciativa de revitalização da Rua das Estalagens terá beneficiado um total de 30 empresas, contribuindo para a renovação e modernização do tecido comercial da zona”, é referido.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEconomia | Crescimento do PIB chinês deverá abrandar em 2026 e 2027 O “OECD Economic Outlook” descreve cenários de “resiliência” perante a escalada de preços devido à guerra no Irão, prevendo moderação do crescimento do PIB da China na ordem dos 4,5 por cento este ano, e ainda de 4,2 por cento em 2027 O nome do relatório não deixa margem para dúvidas: “Weathering Successive Shocks”, em português “Resistir a Choques Sucessivos” chama a atenção para os tempos difíceis que se vivem na economia global. O relatório em causa é o “OECD Economic Outolook”, produzido pelo secretariado-geral da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]. O documento foi tornado público na quarta-feira. Há vários sinais de alerta para o leitor, desde logo pela análise do crescimento económico mais moderado, da existência de maiores dependências face à evolução do conflito do Médio Oriente e preços mais elevados nos bens essenciais, sempre dentro de um cenário de muitas incertezas e imprevisibilidades. Falando em “moderação do crescimento mundial” da economia no primeiro semestre deste ano, a OCDE prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês até 4,5 por cento este ano, bem como 4,2 por cento em 2027. “Prevê-se que o crescimento económico nas economias de mercado emergentes do G20 se mantenha globalmente estável, embora o padrão de crescimento varie entre os países. Na China, prevê-se que o crescimento abrande ainda mais, passando de 5 por cento em 2025 para 4,5 por cento em 2026 e 4,2 por cento em 2027”, lê-se. Em termos globais, acredita-se que o crescimento do PIB a nível mundial seja de 2,9 por cento este ano, ficando ligeiramente abaixo da previsão para 2027, que é de 3 por cento. Para os Estados Unidos da América, a OCDE estima um crescimento do PIB na ordem dos 2,2 por cento este ano, e de 2,1 por cento em 2027. Tal crescimento será pautado “por um forte investimento relacionado com a IA [Inteligência Artificial]”, que irá “compensar parcialmente o abrandamento da despesa dos consumidores e do crescimento do rendimento real”. Na Zona Euro o crescimento do PIB será inferior, na ordem de 1 por cento este ano, percentagem que deverá ser semelhante em 2027. A OCDE refere que, em termos globais, a “maior pressão sobre os preços, um crescimento fraco do rendimento real e taxas de juro mais elevadas” vão dominar as economias. Estes factores vão trazer, nos próximos meses, um cenário de “moderação” ao “dinamismo do crescimento a curto prazo em muitas economias”. O estado da inflação Os preços deverão continuar mais elevados, mas não sempre. A OCDE prevê que “a inflação aumente a curto prazo, reflectindo a subida dos preços das matérias-primas, antes de diminuir gradualmente em 2027”. A quebra gradual explica-se pela “moderação dos preços da energia e uma política monetária mais restritiva, e que contribuam para limitar as pressões mais gerais sobre os preços”. Nos países que fazem parte do G20 estima-se que a inflação possa diminuir de 4,1 por cento este ano para 2,5 por cento em 2027. É referido um cenário de “resiliência” perante este crescimento económico mais moderado, apesar “dos efeitos adversos do conflito no Médio Oriente”. A “resiliência” dos países deveu-se “às reservas consideráveis de petróleo, à oferta adicional proveniente de países exteriores às economias do Golfo e a medidas discricionárias de apoio adoptadas pelos governos”, e que “contribuíram para atenuar o impacto sobre a economia mundial”. IA como força motriz A OCDE destaca o papel que os investimentos na área da IA têm tido como força dinamizadora de muitas economias. “A continuação da forte actividade relacionada com a inteligência artificial (IA) também impulsionou o investimento, a produção e o comércio”, lê-se no relatório. Aliás, é ainda referido no documento que “a robustez da actividade relacionada com a IA e a descida dos preços da energia (…) contribuirão para o reforço da actividade até 2027”. É explicado que os efeitos do conflito no Médio Oriente “foram parcialmente compensados pela continuidade do rápido crescimento do investimento e da produção relacionados com a inteligência artificial em muitas economias”. No continente asiático, “a Coreia e Japão, dois importantes fabricantes de semicondutores, registaram um forte aumento das exportações de tecnologia ao longo deste período”, sendo que “o mesmo aconteceu na China”. Por sua vez, “o crescimento de várias outras economias de mercado emergentes do G20, como a Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado por uma procura interna resiliente e por políticas governamentais que atenuaram o impacto do aumento dos preços da energia sobre as famílias e as empresas”. Muitas incertezas Não obstante a capacidade de superação e até um ligeiro crescimento do PIB global em 2027, a OCDE deixa no ar um cenário de muitas incertezas. Isto porque “as perspectivas económicas mundiais continuam fortemente dependentes da possibilidade de se alcançar uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente”. Lê-se que “os preços da energia voltaram recentemente a subir, num contexto de intensificação das perturbações na produção e nas exportações das economias do Golfo”. “As elevadas margens de refinação, devido aos estrangulamentos na produção, estão a exercer uma pressão adicional em alta sobre os preços no consumidor e os custos das empresas. Os preços de algumas matérias-primas agrícolas também aumentaram significativamente nos últimos meses, em parte devido ao impacto de fenómenos meteorológicos extremos na oferta”, é ainda explicado. As incertezas ocorrem também devido às “alterações contínuas nas políticas comerciais, tanto em matéria de tarifas como de restrições às exportações”. Tais cenários trazem também “perturbações na oferta”. A OCDE realça ainda “as novas taxas tarifárias bilaterais dos EUA, em vigor desde Julho, tenham aumentado em cerca de 1 ponto percentual a taxa tarifária efectiva média dos Estados Unidos”. Essencialmente, “a trajectória dos preços do petróleo e do gás depende fundamentalmente da duração das perturbações na oferta, da capacidade de produtores e consumidores para se ajustarem e da evolução geopolítica”. Outro risco apontado no relatório tem a ver com as alterações climáticas, nomeadamente o fenómeno El Niño, “que afecta negativamente a produção agrícola e contribui para aumentar as pressões sobre os preços dos alimentos”. Livro de receitas A OCDE deixa algumas sugestões para travar a escalada de preços, referindo que “os bancos centrais devem assegurar que as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas”. “Poderão ser necessários novos ajustes às políticas monetárias caso as pressões sobre os preços apresentem sinais de agravamento ou as perspectivas de crescimento se deteriorem significativamente”, acrescenta-se. Do lado dos governos, a OCDE diz que as medidas para travar a inflação “devem ser bem direccionadas”, apostando-se nos “incentivos à redução do consumo energético e à diversificação das fontes de energia”. Como tal, a organização internacional recomenda “reformas estruturais para aumentar o crescimento do produto potencial e reforçar a resiliência das economias perante novas perturbações do lado da oferta”. A recomendação inclui “medidas destinadas a diversificar ainda mais o fornecimento de energia e melhorar a eficiência energética”, bem como políticas “que reforcem a capacidade dos mercados de produtos e de trabalho para se ajustarem aos choques e garantam que os trabalhadores dispõem das competências necessárias para se adaptarem às mudanças estruturais”.
Andreia Sofia Silva EventosSCML | Cinema de Macau apresentado hoje em Lisboa A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) apresenta hoje uma sessão dedicada ao cinema de Macau, apresentando quatro curtas-metragens realizadas entre os anos de 1923 e 1974. As sessões decorrem na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo a partir das 18h, estando limitadas a 50 vagas, com um custo de dez euros por pessoa. Segundo uma nota disponibilizada no website da SCML, pretende-se, com esta sessão, fazer uma “viagem pela história de Macau através do cinema”, mostrando ao público “diferentes olhares sobre Macau e a forma como o cinema retratou, ao longo do século XX, o encontro entre o Ocidente e o Oriente”. Revelam-se trabalhos cinematográficos disponibilizados pela Cinemateca Portuguesa e que têm a assinatura de Manuel Antunes Amor, Ricardo Malheiro e António Lopes Ribeiro. “As obras permitem acompanhar diferentes formas de representar o território ao longo do século XX: do progresso urbano e monumental registado nos anos 1920 à valorização da herança histórica e religiosa nas décadas seguintes, passando pelas visitas institucionais e pela construção de uma imagem de Macau enquanto lugar de encontro entre culturas”, descreve-se. Na tela observa-se, assim, “um percurso de cinco décadas de imagens, que permite revisitar a história de Macau e compreender diferentes perspectivas sobre as relações entre Portugal e o território”.
Andreia Sofia Silva EventosCinema asiático em destaque no DocLisboa 2026 A edição deste ano do DocLisboa, festival inteiramente dedicado ao género documentário, traz algumas produções asiáticas. O evento decorre entre os dias 15 e 25 de Outubro em várias salas de cinema de Lisboa e conta com Hélder Beja, ex-residente em Macau, como director. Nas competições internacionais inclui-se ” The Measured Everlasting Is 1.334 Billion Years”, do realizador tailandês Thunska Pansittivorakul, que faz a sua estreia mundial e é uma produção conjunta da Tailândia, Hong Kong e China. Segundo a sinopse, “o filme foi pensado como a carta de suicídio do realizador – um registo de ansiedades, medos, desejos e últimas memórias”. Mas algumas dessas memórias “permanecem profundamente enraizadas, surgindo num limbo ou como visões no leito de morte”, sendo que o filme “está repleto de imagens do órgão sexual masculino, inegavelmente o motor por trás da própria civilização, impulsionando o mundo tanto na sua beleza como na sua depravação”. Este documentário aborda, “a partir desta provocação”, a “ascensão e queda da imprensa pornográfica homossexual na Tailândia, sempre entrelaçada com o clima político instável do país”. Viagens e mitos Destaque ainda para a estreia de “13 Alfinetes”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dois realizadores que já filmaram em Macau. Neste documentário explora-se o papel do sagrado no mundo contemporâneo, nomeadamente o Santo António de Lisboa através da pintura de Goya. Na sinopse do festival, lê-se que este documentário é “uma história de amor, vingança e sangue”, partindo “de uma encenação de um episódio supostamente ocorrido na Lisboa medieval, filtrado no cosmopolita século XVIII madrileno e desaguando, de novo, em Lisboa, hoje, onde milagres, na verdade, não acontecem”. Na secção “Da Terra à Lua”, com documentários que “interrogam as imagens e aquilo que elas revelam sobre o passado e o presente”, apresenta-se “Du Ling zhi ying (Torino Shadow)”, de Jia Zhangke. Na tela conta-se a viagem de uma mulher num percurso do sul da China até Turim, em Itália, em busca do marido. Porém, “a partida inesperada a conduz a um reencontro consigo própria — e com o cinema”.
Andreia Sofia Silva EventosFogo-de-Artifício | Pirotecnia Duarte conta chegada dos portugueses a Macau É amanhã, sexta-feira, a partir das 21h, que a empresa Pirotecnia Duarte, que representa Portugal na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, apresenta um espectáculo inspirado na história que une o país ao território. Nos céus da RAEM estarão espelhados os Descobrimentos, a presença portuguesa e séculos de convivência Lina Guedes está em Macau em nome da Pirotecnia Duarte, empresa portuguesa que concorre na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM). Amanhã, a partir das 21h, o público poderá ver um espectáculo de luzes e cor com muitas mensagens pelo meio, ou não fosse uma empresa portuguesa a participar no evento de uma terra tão distante e, ao mesmo tempo, tão próxima. A presença dos portugueses em Macau e as rotas marítimas da Seda são o tema e a influência principal deste espectáculo de fogo-de-artifício. “Para nós, Pirotecnia Duarte, é realmente motivo de grande orgulho poder estar num dos maiores festivais internacionais de pirotecnia. Decidimos pensar um espectáculo pirotécnico que traduzisse a profunda relação e ligação de Macau a Portugal, pelo que atribuímos ao nosso espectáculo o título de ‘442’, que remete, precisamente, para os 442 anos de presença portuguesa em Macau”, explicou. Desta forma, a Pirotecnia Duarte promete apresentar um espectáculo que traduz “séculos de encontros, diálogos, trocas, de influências culturais e também artísticas que contribuíram para a construção da identidade tão particular e única de Macau”. Lina Guedes adiantou que, em termos de narrativa visual, a Pirotecnia Duarte vai tentar “retratar a partida dos navegadores portugueses, a travessia dos oceanos, os desafios que foram encontrados durante toda a viagem no mar, a descoberta das novas rotas comerciais, traduzir todo um percurso marítimo até à chegada a Macau”. “442” é, assim, “uma metáfora visual do tempo”, em que a música também irá marcar uma presença especial. “Toda a sonoplastia desenhada para este espectáculo foi inspirada na rota marítima desbravada pelos portugueses até à chegada a Macau, e inclui todas as sonoridades características desta viagem, nomeadamente marítimas, da chegada, da euforia sentida, da confluência de duas civilizações e culturas.” Inovação em português Lina Guedes referiu que o público pode esperar “uma simbiose entre elementos artísticos, artefactos pirotécnicos e toda a componente musical utilizada também para o espectáculo”, tratando-se “442” de uma “celebração pelo facto de, durante 442 anos, termos tido uma relação tão próxima e profunda que nos ligou para o futuro”. Desta forma, a criação da empresa portuguesa faz também “uma celebração para o futuro, com a criação de pontos culturais, profundos e históricos que nunca serão apagados”, acrescentou. A responsável destacou que a presença da Pirotecnia Duarte nesta edição do CIFAM é algo positivo para o sector em Portugal, tratando-se de um “palco para as empresas portuguesas se poderem apresentar”. “Trata-se de um concurso internacional muito prestigiado. Não é só o reconhecimento de que a arte pirotécnica portuguesa é realmente muito apreciada, elogiada e reconhecida internacionalmente, mas a presença assídua e frequente das empresas portuguesas neste festival é também uma forma de reconhecimento da qualidade que apresentam.” Na visão de Lina Guedes, esta presença faz-se notar pela “forma diferente, em termos estéticos, artísticos e de composição, que as empresas portuguesas apresentam nos seus espectáculos”. “Esta é uma forma de reconhecimento, pois somos verdadeiramente elogiados internacionalmente e requisitados pela qualidade artística que temos”, rematou. Uma vez que Lina Guedes é também presidente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), questionámo-la acerca do panorama do sector em Portugal. E a verdade é que este “evoluiu de forma brutal nos últimos 20 anos”, disse a dirigente. “Todos os desafios artísticos associados à pirotecnia a nível internacional já estão a ser implementados por empresas portuguesas, e temos também, neste momento, empresas portuguesas a desenvolver soluções ainda mais avançadas para outras componentes de espectáculo. Temos portugueses a desenvolver protótipos de artigos e artefactos para serem usados internacionalmente por outras empresas mais competitivas, e que têm outros tipos de mercados.” Também amanhã actua, a partir das 21h40, a empresa “Faseecom”, da Coreia do Sul. Os espectáculos podem ser vistos na zona ribeirinha perto dos lagos Nam Van, Sai Van e Torre de Macau.
Andreia Sofia Silva EventosPintura | Novos trabalhos de Alice Costa em “A Piece of Art, A Piece of Mind” É hoje inaugurada uma nova exposição de Alice Costa (Lili), que trocou uma carreira na área jurídica para abraçar o mundo das artes. É na Vic’s Art Gallery, nova galeria de arte na Doca dos Pescadores, que se apresenta “A Piece of Art, A Piece of Mind”, repleta de trabalhos recentes em pintura A artista abandonou uma carreira no mundo da justiça para pintar o que lhe vai na alma e na mente. As pinturas de Alice Costa (Lili), pintora macaense, preenchem, a partir de hoje, a Vic´s Art Gallery, a nova galeria de arte da Doca dos Pescadores e que se situa no Vic’s Restaurant, no Rocks Hotel. “A Piece of Art, A Piece of Mind” é hoje inaugurada a partir das 18h30, podendo ser visitada até 7 de Novembro. Ao HM, a artista confessou que vai apresentar ao público “uma série de obras recentes” feitas de propósito para esta mostra. “O meu processo criativo é muito intuitivo e emocional. Começo geralmente por uma base de sentimentos ou uma memória específica, e depois vou construindo camadas de tinta, muitas vezes usando espátula, pincel, acrílico, óleo. Deixo que a tela me guie, adicionando e retirando elementos até sentir que a obra alcançou a energia que eu queria transmitir”, descreveu. Alice Costa (Lili), de nome completo Alice Leonor das Neves Costa, formou-se em Direito na Universidade de Macau, tendo sido a primeira mulher juíza local no território. Porém, a paixão pela arte acabou por falar mais alto. “Conciliar a magistratura com a arte foi um exercício de equilíbrio. A carreira jurídica exigia de mim objectividade, rigor e racionalidade, enquanto a arte me pedia subjectividade, emoção e liberdade. Apesar de gostar muito da minha carreira jurídica, a área que mais me preenche como pessoa é, sem dúvida, a arte. É na pintura que encontro a minha total expressão e plenitude.” A artista destaca como a arte e mente estão “intrinsecamente ligadas”. “O meu processo de pintura é uma forma de meditação e autoconhecimento. Quando estou diante da tela, o mundo exterior desliga-se e foco totalmente no momento presente. A pintura é o meu refúgio e a minha forma de comunicação mais honesta.” Desta forma, acrescenta, os seus quadros representam a sua liberdade, identidade e “uma forma de transformar as inquietações e alegrias em algo visual que possa tocar outras pessoas”. “Um panorama artístico único” Numa altura em que o território vê inaugurar um novo espaço de exposições, Alice Costa (Lili) considera que Macau “tem um panorama artístico único e em crescimento”. “É uma fusão fascinante de culturas, onde a tradição chinesa se cruza com a herança portuguesa, o que cria uma identidade visual muito própria”, disse, apontando que, neste contexto, “a comunidade artística de Macau é muito resiliente e unida”. “Há cada vez mais apoio e interesse por parte do público e das entidades locais”, frisou. Questionada sobre as suas principais influências na pintura, Alice Costa (Lili) diz serem “bastante ecléticas”, indo “desde os grandes mestres da arte abstracta e do expressionismo, como Jackson Pollock ou Joan Mitchell, até artistas contemporâneos que trabalham a textura e a matéria”. Porém, a sua “maior influência” é “a própria vida: as cores da natureza, as emoções humanas, as viagens e a rica mistura cultural de Macau”. Todos estes elementos “acabam por transparecer nas minhas telas”. Alice Costa (Lili) fez um curso de pintura na Casa de Portugal em Macau com o também pintor Joaquim Franco. Desde aí não mais deixou de fazer criações na área da pintura figurativa e abstraccionismo. A última mostra a título individual que fez foi em Janeiro deste ano, com “Flow”, apresentada na Creative Macau.
Andreia Sofia Silva SociedadeSaúde | Casos de gripe, salmonella e escarlatina registam quebra mensal em Agosto Dados relativos ao mês de Agosto, disponibilizados pelos Serviços de Saúde (SS), mostram uma quebra mensal dos casos de gripe, salmonella e escarlatina, patologias que fazem parte da lista de doenças de declaração obrigatória. Segundo um comunicado dos SS, registaram-se em Agosto um total de 1.832 casos de doenças de declaração obrigatória, sendo que “as três doenças com maior número de casos foram a influenza (1.506 casos), a infecção por enterovírus (245 casos) e a varicela (20 casos)”, pode ler-se. Porém, em comparação com Julho, “as doenças cujo número de casos registados com alterações mais significativas” foram a infecção por escarlatina, com seis casos registados em Agosto, uma diminuição de 57,1 por cento; a salmonella, que registou 15 casos, uma diminuição de 44,4 por cento; e ainda a influenza, ou seja, a gripe, com menos 38,7 por cento dos casos. No caso da gripe, registaram-se em Agosto 1.506 casos, menos 38,7 por cento face aos 2.457 casos registados em Julho. Porém, comparando com igual período do ano passado, houve um aumento de 1,4 por cento, já que em Agosto de 2025 houve apenas 616 casos de gripe. Os SS confirmam ainda a ausência de novos casos de febre de dengue ou febre chikungunya em Agosto.
Andreia Sofia Silva PolíticaTakeaway | Governo diz acompanhar condições de trabalho A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) diz estar a acompanhar as condições de trabalho de estafetas de entrega de comidas e bebidas, ainda que Macau não tenha aderido à Convenção sobre o Trabalho Digno na Economia das Plataformas. Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Pou U, o director da DSAL, Chan Un Tong, disse que o organismo “irá continuar a prestar atenção à tendência do desenvolvimento de novas formas de emprego, tais como a economia de plataformas, a fim de garantir que os direitos e interesses legítimos das pessoas que exercem actividades não sejam prejudicados por este novo modelo”. O responsável lembrou que “embora a referida Convenção ainda não seja aplicável à RAEM, a legislação laboral em vigor já regula os direitos e interesses laborais dos trabalhadores”, é acrescentado. A DSAL diz ainda que vai estudar e elaborar “orientações de trabalho que servirão de referência para as plataformas e pessoas que exercem actividades” na área de takeaway, a fim de “clarificar a relação jurídica e aspectos a ser observados para proteger ainda mais os direitos e interesses legítimos” destes trabalhadores.
Andreia Sofia Silva SociedadeAssociação pede subsídios para registo de medicamentos chineses A Associação Comercial de Macau defende a criação de um subsídio para suportar os custos com o registo de medicamentos de medicina tradicional chinesa (MTC) produzidos ou registados em Macau, e também produzidos em Hengqin, em mercados exteriores. Num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun, assinado pela vogal do Conselho de Estudos Estratégicos da associação, Huang Yin, é descrito que um dos primeiros entraves para o acesso aos mercados são as tarifas elevadas para o registo e não a qualidade dos medicamentos, esperando-se que o Governo possa atribuir um subsídio para esta área. O artigo fala do caso de registo de medicamentos de MTC no Brasil, onde é necessário gastar centenas de milhares de patacas para cada produto, sendo que não estão incluídas ainda despesas de agenciamento, testes e cumprimento da legislação. Desta forma, na fase inicial de entrada de um medicamento no mercado, são poucas as vendas, pelo que, conforme descreveu Huang Yin, o investimento não compensa a produção e as vendas, o que leva as empresas a hesitar em dar este passo. Assim sendo, esta situação faz com que Macau, apesar de ter vantagens no registo de medicamentos de MTC por ser uma plataforma entre a China e países da língua portuguesa, não tenha ainda muitos medicamentos registados e vendidos no exterior. O artigo diz mesmo que é raro tal acontecer. Combinar apoios Segundo o mesmo artigo, uma empresa, quando quer apostar na venda de medicamentos, tem de assumir todas as despesas com o registo. Por isso, além de atribuir um subsídio, o Executivo deveria ter balcões de consulta para quem deseja registar estes medicamentos. A vogal da associação também defende que os medicamentos de MTC produzidos na China, mas registados em Macau, deveriam poder usufruir deste apoio. Huang Yin destacou que na Zona de cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin já é atribuído um subsídio que cobre 20 por cento dos custos de registo de produtos feitos em Hengqin e que vão para Macau. Assim, se este apoio for combinado com o subsídio a criar pelo Governo, pode-se facilitar os procedimentos para que Macau se transforme numa base para a venda de medicamentos de MTC em mercados do exterior.
Andreia Sofia Silva PolíticaCoutinho fala em excesso de ajustes directos com nova lei O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo, por escrito, quanto à necessidade de “assegurar a transparência e concorrência na contratação pública”, tendo em conta a nova Lei da Contratação Pública, que entrou em vigor no passado dia 1 de Setembro. Destaca o deputado que tem recebido, no gabinete de atendimento ao cidadão, “muitos pedidos de apoio de operadores económicos”, que referem “o aumento de etapas burocráticas na tramitação interna de alguns serviços públicos, o que causa demoras injustificáveis”. Na interpelação, Pereira Coutinho mostra-se preocupado com o facto de “a mera previsão legal de mecanismos não seja suficiente para garantir a sua efectiva aplicação”. Dá-se o exemplo do artigo nº 144, que “exige a criação de mecanismos de controlo interno, mas não define um modelo centralizado de fiscalização”. É também referida a dificuldade prática inerente ao artigo nº 149, que “remete para diplomas complementares [a implementação] de normas necessárias à execução da lei”, o que “densifica” os processos. Os medos Desta forma, Pereira Coutinho alerta para o receio da predominância do ajuste directo nas contratações de bens e serviços por parte do Governo, cenário que a nova lei procurou combater. “A sociedade continua a manifestar receio quanto ao ajuste directo que, segundo temos observado, continua a ser utilizado de forma abusiva por algumas entidades públicas para contornar procedimentos concorrenciais.” Assim, o deputado considera que essa situação “prejudica empresas que poderiam concorrer, contribuindo para a manutenção de preços elevados nos bens e serviços públicos pagos pelo erário público”. Na interpelação, chama-se a atenção para o facto de a nova lei determinar situações urgentes ou excepcionais para a contratação pública. Porém, “conceitos de ‘urgência’, ‘complexidade’ e “características particulares’ são indeterminados e podem ser invocados de forma elástica, dificultando o controlo da legalidade e da real necessidade do recurso ao ajuste directo”. Dá-se ainda o exemplo recente do “caso de substituição do sistema de venda de bilhetes do Metro Ligeiro, onde havia mais empresas capacitadas para fornecer estes serviços e produtos”. Uma das questões deixadas ao Governo é “quais as entidades competentes para receber reclamações, recursos e denúncias” quanto à aplicação da nova Lei da Contratação Pública.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCCCM | Livro aborda conexão da Rota do Cabo com Rotas da Seda “The Cape Route and the Silk Roads”, editado pela Brill e coordenado por João Oliveira e Costa e Carmen Amado Mendes, expõe as relações comerciais que se estabeleceram entre a Rota do Cabo, criada no século XV e que ligava Lisboa à Índia, e as rotas da Seda. A obra mostra como Lisboa foi uma cidade central no comércio de porcelana Estávamos em 1499 quando foi criada a Rota do Cabo para, entre Lisboa e a Índia, transportar especiarias para a Europa, embora “os navios portugueses trouxessem outros produtos das terras da Ásia”. Por sua vez, “a tecnologia e ciências europeias, o cristianismo e a prata das Américas chegavam a todos os recantos da Ásia”. Editado pela Brill, e recentemente apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), o livro “The Cape Route and the Silk Roads” [A Rota do Cabo e as Rotas da Seda] expõe a ideia de como “a Rota do Cabo permitiu que produtos e ideias circulassem no âmbito do sistema das Rotas da Seda, que abrangia a Eurásia de oeste a leste”, descreve-se na sinopse do livro. A obra também mostra como Lisboa se transformou “no centro nevrálgico que difundiu novos padrões de consumo e novas modas na Europa”, sendo que a Rota do Cabo também “introduziu novas formas de guerra, novos conhecimentos científicos e uma nova religião por toda a Ásia”. A obra é coordenada por João Paulo Oliveira e Costa, especialista em História Moderna e docente na Universidade Nova de Lisboa, e Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM. Vários académicos colaboram nesta obra, que inclui capítulos como “Why the Cape Route should be considered parte of the Silk Roads” [Porque a Rota do Cabo deveria ser considerada parte das Rotas da Seda] ou ainda “Lisbon, the hub of the Silk Roads in the 16th century” [Lisboa, o centro das Rotas da Seda no século XVI]. Rui Oliveira, académico responsável pela apresentação do livro, destacou como a obra “trará, certamente, novas perspectivas e terá uma responsabilidade na internacionalização de muito o que se tem feito nesta área em Portugal”. Para o responsável, existe ainda “alguma dificuldade de mostrar essa perspectiva [da conexão da Rota do Cabo com as Rotas da Seda] e o impacto dos portugueses e das rotas comerciais transatlânticas na sua comunidade e em todas as instituições”. Rui Oliveira lembrou como o livro constitui uma oportunidade de olhar a Rota do Cabo “e perceber verdadeiramente as implicações que esta teve em diferentes territórios, e que continua a ter, nomeadamente nas questões identitárias do século XXI”. Ao fazer “a interligação com outros pontos fulcrais da Rota da Seda” tal como a costa oriental africana e sudeste da Ásia, a Rota do Cabo trouxe bastantes contributos para o comércio mundial. Mas Rui Oliveira lembrou que o livro agora editado pela Brill também espelha como se operavam estas interligações comerciais. “Este volume abre a oportunidade de mostrar e ligar a Rota do Cabo a todas as outras rotas, sobretudo no sudeste asiático, no contexto das Rotas da Seda. Trata-se de interligações que não são ainda aceites de forma transversal”, acrescentou. Da pimenta à porcelana João Paulo de Oliveira e Costa não deixou de destacar como Lisboa era, nesta época, um lugar onde determinados produtos chegavam bem mais depressa do que noutros pontos da Europa graças à Rota do Cabo, já que “a maneira como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa tem essa dimensão extraordinária”. “Lisboa estava carregada de porcelana, que entrava na Europa por Lisboa e que, particularmente no século XVI, era o porto asiático da Europa. É isso que tentamos aqui por mostrar, não por mania, mas porque a arqueologia o mostra.” O co-coordenador da obra fez referência a um artigo da autoria de Maria João Ferreira, intitulado “China at Home: Chinese Silks in Portuguese Households during the Early Modern Period” [China em Casa: Sedas Chinesas nos Lares Portugueses no Início da Era Moderna], e que mostra como existia “abundância da seda em Lisboa no século XVIII e que choca os visitantes europeus, que veem em Lisboa algo que para eles é uma raridade quando, aqui, era uma banalidade”. Segundo o académico, há “um problema de fundo” na historiografia portuguesa “que foi, durante um tempo, excessivamente preguiçosa, e a divulgação continua a ser preguiçosíssima”, face ao que verdadeiramente se comercializava via Lisboa nestes anos. “Acho que 90 e tal por cento das pessoas continua a pensar na carreira da Índia como a carreira da pimenta, mas em 1550 já metade dos porões das naus não traziam pimenta, mas sim porcelana, além de tudo o resto”, transportando depois esses produtos para a Europa. Além do colonialismo Na sessão de apresentação da obra, João Paulo Oliveira e Costa deixou a ideia de que fazer a história da Expansão Portuguesa está longe de estar relacionada com o colonialismo e ocupação de outros povos. “A Expansão Portuguesa é um episódio incontornável da história da humanidade” e foi “muito mais do que um episódio do Colonialismo.” Na sua visão, esta obra sobre a Rota do Cabo, além de “ajudar a desencadear novas investigações, ajuda a perceber que a expansão portuguesa não é uma história de guerra”. “Tem muita guerra, faz parte do ser humano e destes movimentos, mas é uma história que tem outras dimensões incontornáveis e fundamentais para se perceber a história da humanidade”, frisou, até pela maneira “como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa, o que tem uma dimensão extraordinária”. “Um dos méritos da investigação dos últimos 30 anos é perceber que fazer história da Expansão não é só sobre o que foi, mas também sobre o que vem. A Europa faz a Expansão com a pólvora inventada pelos chineses, os algarismos inventados pelos indianos, transmitidos depois pelos árabes; com a religião inventada pelos judeus. O papel é inventado pelos chineses, onde se faz a burocracia. E, portanto, é uma civilização que parte através de tudo o que tinha incorporado e lhe tinha chegado.” O académico destacou o exemplo da porcelana e da sua difusão na sociedade portuguesa. “A porcelana é um dos exemplos: não há família em Portugal que não tenha um serviço de porcelana. Faz parte da nossa lógica europeia e continua a ser uma coisa significante na nossa vida social.” O livro dá também destaque ao posicionamento dos Açores em todo este comércio, nomeadamente com os capítulos “The Sea of the Azores within the Silk Routes” [O Mar dos Açores nas Rotas da Seda], de Avelino de Freitas de Meneses; ou ainda “The Azores and the Legacies of the Silk Roads” [Os Açores e os Legados das Rotas da Seda], da autoria de Susana Goulart Costa, Rute Dias Gregório e Isabel Soares de Albergaria.
Andreia Sofia Silva Eventos Manchete“MasterChef Asia” | Programa filmado no território estreia esta semana Os dez episódios do concurso de culinária “MasterChef Ásia” filmados em Macau terão estreia esta semana em países como a Índia e Coreia. Mercados e bairros históricos serviram de pano de fundo a um programa que conta com chefs bem conhecidos do público, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung Estreia esta semana em vários países asiáticos a série de dez episódios do “MasterChef Ásia” filmada em Macau. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o popular concurso de descoberta de talentos culinários, e que tem edições em todo o mundo, conta com chefs famosos no júri, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung. O programa, produzido pela Warner Bros. Discovery e CreAsia Studio, como parte da produtora Endemol Shine India, estreia no canal TLC, no Sudeste Asiático, amanhã, 22; seguindo-se a estreia no Discovery Channel na quarta-feira, 23 de Setembro. O “MasterChef Ásia” também pode ser visto na plataforma de streaming HBO Max. A série será ainda lançada na TLC Índia e Médio Oriente, respectivamente amanhã, dia 22, e quinta-feira, dia 24 de Setembro, sem esquecer a estreia no canal Discovery Channel na Coreia do Sul esta quarta-feira, dia 23 de Setembro. Segundo uma nota da DST, esta série do concurso contou com “desafios culinários que tiveram lugar em mercados emblemáticos de zonas comunitárias”, sem esquecer os “restaurantes estrela-Michelin em resorts integrados”, reunindo-se dez concorrentes, incluindo uma participante de Macau, de nome Sandy Tang. Os restantes concorrentes são o chef vietnamita-australiano Khanh Ong; o dono de restaurante Sahadol “Pond” Tantrapim; Marcus Low, chef de pastelaria da Malásia; a especialista de gastronomia coreana Areum Yoon; Nambie Jessica Marak, “Embaixadora Culinária e Cultural de Meghalaya”; e ainda os chefs de cozinha asiática Audrey Wicksana, Therese Lum, Mime Kataniwa e Ivory Yat. A ideia do “MasterChef Asia” é pôr chefs de diferentes países e regiões à prova, “à medida que estes põem à prova as suas capacidades, criatividade e versatilidade, sendo avaliados por um elenco de renome da cozinha asiática”. Património na televisão Segundo a DST, esta série de episódios revela “o património cultural de Macau de encontro entre o Oriente e o Ocidente, a forte oferta de restauração e o desenvolvimento [de Macau] como Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia”. O programa será marcado por “uma nova ronda de exigentes desafios culinários que mostrarão o charme único do destino [Macau] a públicos de mercados que são fontes de visitantes internacionais prioritários para a DST”, é revelado. Além do júri repleto de nomes bem conhecidos, há também outras personalidades convidadas, como é o caso do criador de conteúdos de comida Mark Wiens e os chefs Ken Chong e Julien Tongourian, que trabalham em Macau. A DST destaca como as filmagens deste programa na RAEM servem para “preparar terreno” para as celebrações do 10.º aniversário de Macau como Cidade Criativa de Gastronomia, que decorrem no próximo ano. Assim, o “MasterChef Asia” contribui também para “mostrar a cultura gastronómica singular do destino e o seu dinâmico desenvolvimento como um centro mundial de turismo e lazer”. O “MasterChef” é reconhecido pelo “Guinness World Records” como o “programa de cozinha em formato para televisão mais popular do mundo”, tendo sido adaptado para 74 mercados. O programa já tem mais de 750 temporadas e mais de 16 mil episódios exibidos. Criado por Franc Roddam e lançado em 1990, o popular programa é conhecido e apreciado em todo mundo.
Andreia Sofia Silva Grande Plano ManchetePoesia | Editora portuguesa lança “China – Poemas do Erotismo Suave” Serão os chineses dados à explicitação do sexo? No mais recente livro de poesia traduzida por António Graça de Abreu, “China – Poemas do Erotismo Suave”, a pergunta faz-se no passado e dá respostas afirmativas: na China antiga escreveu-se muito sobre sexualidade e amor carnal. Não faltam sequer poemas sobre o amor LGBT António Graça de Abreu acaba de assinar a tradução de um punhado de poemas chineses clássicos que remetem para uma temática muito pouco comum nos dias de hoje na hora de editar poesia chinesa: o erotismo. Quando falámos com o autor e, por lapso, referimos romantismo, do outro lado da linha a questão surgiu condimentada com algum humor: “Romantismo?” Não é de romantismo que trata o livro, mas sim de sexualidade e erotismo puro na forma de palavras. “China – Poemas do Erotismo Suave”, acabado de sair para as bancas com a chancela da editora Guerra e Paz, deixa desde logo antever uma pergunta: “Como era o amor e amar na velha China?”. O prefácio, assinado pelo próprio António Graça de Abreu, denota como, ao contrário do que se possa pensar, a sexualidade estava bem presente na vida da corte imperial e não era vivida com tanto pudor como se possa pensar. Desde logo porque, como se lê, “não nos podemos esquecer que a China escapou aos preconceitos sexuais do mundo judaico-cristão, por isso, a ideia de pecado, punição e culpa é alheia; exterior ao simples fluir do homem e da mulher por dentro do brilho ou da penumbra do tempo”. O livro apresenta poesia sobre esta temática, incluindo escritos de obras clássicas como é o caso de “O Sonho do Pavilhão Vermelho ou Hong Lou Meng”, de Cao Xueqin, editado em meados do século XVIII, na dinastia Qing. Não faltam ainda poemas de Li Yu, como “Ode do coração despedaçado”, “O modesto instrumento” ou “Da esposa do soldado para o marido ausente”. E o que dizer do poema “Os teus dois montes”, de Wang Shizhen, que deixa ao leitor uma imagem de deleite visual do narrador: “Os teus dois montes, como lótus cor-de-rosa, / iluminam o teu corpo, / na limpidez da tarde.” Trata-se, portanto, de uma obra que expõe “o tema do amor na China entre o homem e uma mulher, embora também tenha referências ao amor homossexual entre homens e com lésbicas.” DR Um dos exemplos de um poeta que retrata relações homossexuais é Wang Wei. O livro apresenta três poemas traduzidos da sua autoria, como “Canção da bela de Luoyang”, “Balada de Xi Shi” e “Poema mesclado”. “Recentemente descobriram que havia tendências homossexuais em Wang Wei, um poeta dos anos 700 [século VIII] e um dos maiores poetas da China, e que tem um amigo a quem dedica poemas maravilhosos, tendo também dois ou três poemas virados para o feminino.” O lugar da mulher António Graça Abreu segue uma certa linha cronológica nos poemas, começando pelo “Livro das Mutações ou Yi Jing”, tido como “o mais enigmático dos clássicos chineses” e que terá sido composto por volta do século X a.C. Sobre esta poesia tão antiga, o autor e tradutor traça a comparação com a poesia trovadoresca portuguesa, que começou a ser escrita a partir do século XII e que tinha também o amor e o romance como tema. Já nesses primeiros poemas chineses se notavam “muitas referências de natureza sexual”, pelo que se pode concluir que não havia pudor ou até timidez neste tipo de expressões. “[A poesia] não esconde praticamente nada. A própria participação da mulher no poema… ela está à espera de um companheiro galante e bonito para haver amor. Isso acontece logo nos primeiros poemas, mais ou menos eróticos, da velha poesia chinesa”, destacou. “Depois”, frisa António Graça de Abreu, “as coisas vão evoluindo e é preciso considerar [outras questões], que também tem a ver com Confúcio que, de algum modo, subalternizava a mulher, colocando-a uns degraus abaixo do homem, mas no budismo não”. Certo é que “praticamente até ao século XX a mulher teve sempre pouco valor” na poesia, sendo que, na verdade, “não há muita poesia de amor”. Isto porque a beleza feminina é evidenciada em muitos dos escritos, mas nem sempre há uma elevação da mulher em relação ao homem. “As mulheres eram compradas e usadas muitas vezes. Mas depois há o encantamento feminino, com as mulheres a serem comparadas com flores de lótus, há toda uma poética do amor… as mulheres aparecem como sendo muito bonitas, muito estilizadas, com uma pele de seda, com um certo comportamento. Mas isso não é muito geral na poesia chinesa, e há muito mais poemas dedicados a outros letrados [mandarins] do que a mulheres que eles amaram.” António Graça de Abreu dá o exemplo do poeta Li Bai, também incluído na antologia, que viveu entre os anos de 701 e 762, e que tinha quatro mulheres. Porém, apesar destes lugares em que homens e mulheres eram colocados, havia depois algumas excepções na socialização. “A sociedade chinesa é muito curiosa nesse aspecto, porque tem períodos ou momentos de grande liberdade, em que se podia fazer quase tudo. O encantamento da mulher fazia parte da vida dos poetas, mas eles não davam tanta importância a isso como davam à amizade entre mandarins, por exemplo.” Ainda relativamente às possíveis comparações com a poesia trovadoresca, António Graça de Abreu destaca como podemos encontrar poemas muito parecidos com as Cantigas de Amigo. “Também há na China uma espécie de Cantigas de Amigo, mas é o homem que faz o poema, como se fosse a mulher a falar do companheiro.” Tal não quer dizer que não tenha havido mulheres a escrever poesia na China antiga, mas são casos muito pontuais. “As poetisas eram, muitas vezes, cortesãs, marginais na sociedade. Mas eram mulheres cultas, que tinham aprendido a escrever. Normalmente, as mulheres não sabiam ler nem escrever, mas as que faziam poemas na China, sobretudo na dinastia Tang, entre os anos de 600 a 900, eram cortesãs e, portanto, meio prostitutas”, explicou. Estas autoras “muito delicadas, dedicavam poemas inclusivamente aos poetas”. Tinham, portanto, “um núcleo de poetas com quem trabalhavam em amizade”. “Uma novidade” António Graça de Abreu assegura que esta obra “é uma novidade em Portugal porque nunca ninguém mexeu neste tema, a poesia erótica chinesa”. Este é, aliás, um resultado de muitos anos de pesquisa. “Entretive-me a comprar, ao longo destes anos e para fazer este trabalho, uma série de livros de poesia, inclusive dos Estados Unidos da América.” Relativamente a “O Sonho do Pavilhão Vermelho” é, para o autor, “um romance fabuloso, do século XVIII, um dos grandes romances da literatura universal, mas que está recheado de poemas e alguns eróticos”. “Já Mao Zedong dizia que cada chinês deveria ler cinco vezes o ‘Sonho do Pavilhão Vermelho'”, destaca. Houve uma época em que na China havia maior liberdade em termos de costumes, e Xangai “era o grande império da prostituição no Extremo Oriente, mas depois praticamente acabaram com a prostituição em Xangai nos anos 50, seguindo os princípios confucianos”. António Graça de Abreu escreveu no prefácio outra realidade muito comum nos anos da China imperial: as concubinas. “E que dizer da depurada prática sexual de mandarins e príncipes – afastados de qualquer idealismo romântico – que tinham à disposição inúmeras mulheres, esposas, concubinas, cortesãs e prostitutas para amar ou fingir o amor de amar?”. Graça de Abreu dá o exemplo de um poeta que, com 65 anos, comprou 10 concubinas. “Uma era a boquinha de cereja, e outra a cintura de salgueiro. Ele dizia que, com a cintura de salgueiro, era capaz de subir às árvores. Com 65 anos, está a ver? Portanto, o encantamento da mulher é uma constante em todas as civilizações, mas na China não se nota muito. Foi isso que tentei fazer nesta antologia, indo buscar poemas desde a era de Confúcio até aos nossos dias.” Na obra constam ainda notas sobre os períodos históricos a que remetem os poemas. Graça de Abreu diz ter procurado assegurar que os poemas “tivessem qualidade em português”, mantendo algum do ritmo do original chinês. “O poema tem de ter som, algumas rimas internas como tem em chinês. Como tradutor tenho de dar uma volta àquilo, para que fique bonito em português. É isso que me satisfaz, porque consigo dar algum valor ao poema, que, em português, fica com uma leitura agradável.” Esse é um dos desafios a que António Graça Abreu procura dar sempre resposta. “Se traduzimos mal o poema para português, ou se somos demasiado literários, estamos quase a assassinar o poema, e eu não quero isso, porque são poemas muito bonitos em chinês, com cor, sensibilidade, bom gosto. Ficamos a ver as pessoas à nossa frente”, rematou. Uma coisa é certa: este livro mostra “que os homens [chineses] sabem amar, e as mulheres também”, remata o autor.
Andreia Sofia Silva EventosExposições | Caligrafia de Ung Si Meng para ver no Parisian Ung Si Meng apresenta cerca de 80 trabalhos de caligrafia em mais uma mostra que celebra não apenas o seu percurso de dedicação à arte, mas também os 70 anos da Sociedade de Artistas de Belas-Artes de Macau. “Devoção à Sociedade e à Pátria: Caligrafia de Ung Si Meng” é o nome da iniciativa que pode ser vista no The Parisian Macau até Outubro O artista de caligrafia chinesa Ung Si Meng protagoniza uma mostra com o seu nome que celebra não apenas este género artístico como a sua carreira no mundo das artes. Mas “Devoção à Sociedade e à Pátria – Caligrafia de Ung Si Meng” é uma exposição que marca também o aniversário da Sociedade dos Artistas de Belas-Artes de Macau, que este ano celebra 70 anos de existência. A mostra pode ser vista no terceiro piso do The Parisian Macau, no Cotai, até ao dia 15 de Outubro. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), que dá apoio à organização, apresentam-se cerca de 80 trabalhos de caligrafia, “predominantemente em escrita clerical e escrita de selo, abrangendo formatos como rolos verticais, peças para centro de sala, folhas de leque e dísticos”. O artista retrata, com o pincel, “citações do Presidente Xi Jinping, máximas inspiradoras, poesia clássica chinesa, bem como reflexões do artista durante o processo de doação para a construção da Ponte Ci’an, em Xi’an”. Segundo a mesma nota, “a produção artística de Ung Si Meng está consistentemente impregnada de um profundo sentimento pela Pátria, e nas suas obras exprime o respeito pela cultura nacional e apresenta uma reflexão sobre a responsabilidade social”. Tendo em conta a celebração dos 70 anos da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, esta mostra revela também “as conquistas artísticas [de Ung Si Meng] na arte da caligrafia”, além de prestar “homenagem aos esforços e contributos de longa data para o desenvolvimento da área das belas-artes em Macau”. Ung Si Meng conta já com 90 anos de idade, tendo dito na inauguração da mostra que sempre foi um “entusiasta amador que percorreu o caminho da caligrafia durante quase sete décadas”. Além disso, o artista explicou que sempre encarou esta arte como a “reflexão da pessoa”, e cada obra da sua autoria “incorpora as suas reflexões sobre a vida, fazendo a reverência pela arte”. Para Ung Si Meng, “a caligrafia não é apenas uma forma de expressão artística, mas também um exercício de cultivo da mente e do espírito, que exige anos de prática árdua e uma contínua reflexão interior”. Uma vida cheia Ung Si Meng nasceu em Macau em 1934. Nos primeiros anos de carreira, leccionou na Escola Hou Kong, tendo dedicado depois muito do seu tempo ao serviço social. Foi deputado, na 9.ª e 10.ª legislaturas, da Assembleia Popular Nacional, bem como membro do Presidium e director do Comité Executivo da Comissão dos Diversos Sectores de Macau para as Actividades de Celebração do Retorno de Macau à Pátria. Em 2002, foi agraciado pelo Governo de Macau com a Medalha de Honra Lótus de Prata, sendo, actualmente, membro honorário da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. No âmbito artístico, exerceu durante longos anos cargos de direcção na Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, da qual é actualmente presidente honorário vitalício. Destaca-se o facto da obra de caligrafia da autoria de Ung Si Meng, “Prefácio da Cidade Proibida”, integrar a colecção da MGM Art Gallery, no MGM COTAI. No discurso de abertura desta mostra, que decorreu esta terça-feira, dia 15, a presidente do IC, Leong Wai Man, destacou como o percurso do artista “não constitui apenas uma marca pessoal da sua vida, sendo também um retrato vivo da transmissão da cultura chinesa em Macau”. Para a responsável, o pincel e a tinta não representam apenas “o aperfeiçoamento da técnica, mas também o profundo afecto pela pátria e a firmeza cultural de um veterano de Macau”, destacou, citada por uma nota da organização.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteRicardo Borges, académico e historiador: “‘Landins’ nunca criaram raízes em Macau” O Instituto de Estudos Europeus recebe amanhã uma palestra sobre a história dos “landins”, soldados moçambicanos destacados em Macau durante a administração portuguesa. O historiador Ricardo Borges descreve ao HM como a presença destes soldados no território passou a ser um incómodo para o regime a partir de 1961 Imagens cedidas por Ricardo Borges e publicadas na revista “Nam Van”, em 1986 Que tipo de investigação está a desenvolver sobre os “Landins”? Estou a preparar um doutoramento em História, focado na história militar de Macau, mais concretamente nas décadas de 1950 e 1960. O número de soldados africanos destacados para Macau atingiu o pico durante este período e julgo ser importante entender as circunstâncias ligadas à sua presença, pois as suas vivências e condição social eram diferentes dos soldados que vinham da metrópole. Neste sentido, procuro investigar as origens destes soldados e o seu recrutamento, as caraterísticas do seu modus vivendi dentro e fora dos quartéis, bem como reflectir sobre as ramificações da sua presença dentro e fora de Macau. Quais as principais razões para o envio destes soldados para Macau, e qual a sua origem? Eram sobretudo financeiras, e pela fácil adaptação que tinham para viver num clima de feições tropicais. As praças africanas eram classificadas como praças de 3ª Classe, enquanto que da metrópole eram de 1ª Classe, reflectindo-se em menos despesas de pré (salário), rancho (comida) e fardamento. Esta discriminação viria mais tarde a ser uma das razões para não haver mais soldados africanos em Macau, pois a discriminação institucional não se coadunava com os preceitos de um suposto luso-tropicalismo. A difícil adaptação dos soldados que vinham da metrópole ao clima tropical de Macau levou, já no século XIX, à procura de recrutas vindos de Goa. Todavia, o serviço militar deixou de ter apelo para os residentes de Goa, sendo depois o recrutamento alargado à Índia Britânica, conforme o modelo britânico das “raças guerreiras” com, por exemplo, os sikhs, maratas e muçulmanos Punjabi. No início do século XX, em resposta dos entraves britânicos às tentativas portuguesas de recrutar indianos para o serviço militar, começaram a ser organizados contingentes em Moçambique que, após anos de experiências, demonstraram grandes qualidades de bravura e disciplina. Estas excepcionais qualidades para o serviço militar tornaram-nos indispensáveis para a guarnição e defesa militar de Macau. Os soldados africanos destacados em Macau vieram sempre de Moçambique, à excepção de um período de dois anos, entre 1949 e 1951, quando vieram de Angola e da Guiné-Bissau. Que tipo de trabalho desenvolviam os “Landins”? Ficaram em Macau, criaram raízes no território? Os chamados “Landins” nunca tiveram oportunidade de criar raízes em Macau, sendo-lhes imposto sempre um período de comissão de dois anos. Após o término, tinham de obrigatoriamente regressar à origem para serem rendidos por outros soldados de África. Além do mais, um dos alicerces para a preferência pelo destacamento de soldados africanos estava precisamente na distância que estes tinham em relação à comunidade chinesa, pois a própria comunidade local tinha preconceitos sobre estes e discriminava-os. Deste modo, estes soldados estavam totalmente focados nas suas funções nos quartéis, garantindo uma maior dificuldade em cair em hábitos viciosos e, em situações mais difíceis, cumprindo ordens superiores com maior frieza. Porquê o uso da designação “Landim”? Pelas ligações a Moçambique, ou havia outra razão? O autor Walter Rodney sugere que os “Landins” eram uma classe social distinta no sul de Moçambique no século XIX, mas a designação “Landim” não aparenta ser um termo específico para identificar uma etnia ou povo em específico. Foi um termo que prevaleceu na consciência e no discurso público em Macau para se referir ao conjunto de soldados africanos destacados para cá. Na realidade, os soldados provinham de diversas áreas de Moçambique e de diferentes etnias. Com a descolonização, como ficou a situação dos “Landins” em Macau? Com o início das acções dos movimentos de independência em Angola e Guiné, a permanência de soldados africanos foi considerada problemática, pois receava-se que tivessem sido influenciados por esses acontecimentos e que a segurança da chamada província ultramarina de Moçambique estivesse em risco. Isto porque o Comando Militar em Macau, através dos seus serviços internos de informações, ficou a saber que algumas das praças africanas tinham sido submetidas a determinado grau de doutrinação ideológica por frequentarem escolas comunistas e estarem com elementos chineses que, falando bem português, exploravam junto das praças os temas de discriminação e desigualdade de tratamento entre europeus e africanos. Ora, enviar de regresso a Moçambique homens com preparação militar, com doutrinação política e espírito anti-português foi considerado um risco demasiado elevado, determinando o fim da presença de soldados africanos em Macau. Essa doutrinação tinha ocorrido nas escolas de Macau? Sim. Algumas praças africanas frequentavam escolas comunistas em Macau nos períodos de licença, ou dias de folga. Para atrair as praças, junto dos quartéis actuava um grupo chefiado por um dirigente comunista que se fazia rodear de raparigas chinesas jovens, explorando os temas mencionados e selecionavam as praças mais receptivas à mensagem. Os objectivos destes esforços de doutrinação política não eram imediatos, pois o que procuravam era lançar sementes de revolta dentro da província de Moçambique aquando o regresso destes soldados a casa. As discriminações relativamente a estes soldados partiam mais da comunidade portuguesa ou chinesa? Ambas as comunidades tinham preconceitos contra africanos. Havia discriminação institucional dentro do Comando Militar, mas a realidade era um pouco mais complexa, porque dentro dos quartéis não eram permitidos comportamentos discriminatórios por parte das praças europeias e vários comandantes. Na década de 50 alertavam para a necessidade uniformizar os regulamentos e abandonar as diferenças verificadas entre praças de 1ª Classe (europeus e macaenses) e praças de 3ª Classe (africanos). Com a comunidade chinesa não havia grande proximidade, pois os soldados africanos estavam limitados a comissões de dois anos, o que os dissuadia de estabelecer ligações mais fortes com a comunidade local. Os próprios chineses tinham respeito pelos “Landins”, mas a discriminação e xenofobia eram, infelizmente, comuns nessa época. Quais as principais acções militares em que participaram estes soldados? Foram várias, a começar pelos incidentes de “Chip Seng” de 1922, passando pela repressão de piquetes grevistas que em 1925 e 1926 disparavam contra as fortificações construídas nas Portas do Cerco, até aos graves incidentes de Julho de 1952, quando várias praças africanas foram gravemente feridas. Uma delas, o soldado Jacinto Mundau, veio a falecer no hospital militar de São Januário. O último contingente de soldados africanos partiu de Macau a 29 de Setembro de 1962, portanto anos antes dos acontecimentos do “1, 2, 3”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteHong Kong | Plano Quinquenal anuncia mais habitação e emprego Hong Kong anunciou ontem o primeiro Plano Quinquenal e as linhas de acção governativa do território que promete mais habitação, emprego e o desenvolvimento da zona de “Northern Metropolis”. Espera-se “um novo horizonte” para a RAEHK, com a aposta “na reforma e inovação” e o compromisso com políticas que assegurem a qualidade de vida O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, apresentou ontem o primeiro Plano Quinquenal da região vizinha. Depois de um período de consulta pública, foi divulgado o documento que se foca no emprego e habitação, mas não esquece matérias como a garantia da qualidade de vida, a implementação do princípio “um país, dois sistemas” ou ainda o reforço de medidas securitárias. Segundo a agência Reuters, John Lee prometeu a construção de 196 mil casas públicas em cinco anos, que deverá dar tecto a 2,5 milhões de pessoas. O Governo garantiu também que irá incentivar, em matéria de habitação, a “mobilidade ascendente”, com o objectivo de “melhorar a escada habitacional para promover a aquisição de casa própria entre os jovens”, disse o governante. Pretende-se, neste contexto, fomentar o desenvolvimento da área de Northern Metropolis, com cerca de 30 mil hectares e que fica muito perto do território chinês. A ideia é que a zona venha a “reforçar as ligações tecnológicas e económicas com o continente, com o objectivo de criar empregos e habitação”, descreveu a Reuters. Sobre o projecto, John Lee declarou que irá “reforçar ainda mais a competitividade global e o dinamismo de Hong Kong para um desenvolvimento sustentável”. Nos próximos dez anos, a oferta de habitação será dividida nas seguintes proporções: 40 por cento das casas públicas para arrendamento, 30 por cento de habitação subsidiada e outros 30 por cento de habitação destinada ao mercado privado. O documento traça objectivos para os anos de 2026 a 2030, visando “abrir novos horizontes e iniciar um novo capítulo” para o território, lê-se no website oficial do Plano Quinquenal. A Autoridade de Renovação Urbana planeia gastar cerca de 40 mil milhões de dólares de Hong Kong nos próximos cinco anos “em iniciativas de renovação urbana”, lê-se no Plano. “Tendo em conta o ano de início do 15º Plano Quinquenal [da China], este inaugural Plano Quinquenal da RAEHK está formulado para, de forma pró-activa, se alinhar com as estratégias nacionais de desenvolvimento e uma melhor integração” no país, pode ler-se. Há sete princípios definidos: “adesão ao princípio ‘um país, dois sistemas'”; “manter o compromisso” com a garantia de qualidade de vida no território; a liderança do poder Executivo, a aposta “na reforma e inovação”; a intenção de uma “dupla abordagem” nas ideias de um “mercado eficiente” e um “Governo capaz”. Pretende-se ainda, dentro destes princípios, “adoptar uma aproximação holística nas áreas do desenvolvimento e segurança”; além de se adoptar “um planeamento pragmático e pró-activo”. Finanças são o caminho John Lee assegurou que Hong Kong irá, com o Plano Quinquenal, “reforçar o seu papel enquanto centro global de negócios offshore em renminbis, como centro internacional de gestão de activos e património, e também como centro internacional de gestão de riscos”. Pretende-se o desenvolvimento de “um ecossistema de comércio de matérias-primas, alinhando-se os serviços financeiros com as necessidades da economia real”, declarou o governante. Segundo a Reuters, o Chefe do Executivo da região vizinha anunciou, para o primeiro trimestre do próximo ano, a criação do primeiro sistema central de compensação e liquidação de ouro da cidade. Além disso, a Autoridade Monetária de Hong Kong planeia implementar, até ao final deste ano, a liquidação através de moeda digital do banco central, acrescentou John Lee. Tendo em conta a importância do território para a transacção de mercadorias, o Plano Quinquenal contém a medida de transformar Hong Kong num “superconector” entre regiões, sobretudo com a Grande Baía. “Vamos acelerar o alinhamento com as principais estratégias nacionais no domínio da tecnologia”, disse o Chefe do Executivo. As grandes áreas de cooperação passam pela melhoria da qualidade de vida, cuidados de saúde, inteligência artificial, robótica e microelectrónica, entre outras. No contexto da Grande Baía e integração regional, o que se pretende é a “‘conectividade dos corações’ entre os residentes de Guangdong, Hong Kong e Macau”, através do “reforço da cooperação das instituições do ensino superior de Hong Kong” com as restantes regiões, a fim de “cultivar a junção de talento e cooperações entre Guangdong e Hong Kong”. Pretende-se, a este nível, “abrir horizontes para que os mais jovens possam desenvolver as suas carreiras” na Grande Baía, que inclui as duas regiões administrativas especiais e mais nove cidades da província chinesa. Criar uma nova marca Se Macau está a criar a sua Cidade Universitária em Hengqin, também Hong Kong tem planos para desenvolvimento a área do ensino superior. O Plano Quinquenal apresenta projectos para três áreas destinadas à instalação de campus universitários, criando a marca “Study in Hong Kong” [Estudar em Hong Kong] para atrair estudantes de todo o mundo, incluindo “talentos não locais”. John Lee indicou também que a ideia é “desenvolver um centro internacional de inovação e tecnologia (IT)”, criando-se um modelo “assente em três grandes parques de IT e cinco instituições-chave na investigação e desenvolvimento”. Em causa está o Parque de Hong Kong da Zona de Cooperação de Inovação Científica e Tecnológica Hetao Shenzhen-Hong Kong e o San Tin Technopole; o Science Park e o Cyberport. Por sua vez, estabelece-se a ligação com cinco instituições – Hong Kong Productivity Council, o Hong Kong Applied Science and Technology Research Institute, o Hong Kong Microelectronics Research and Development Institute, o Hong Kong Artificial Intelligence Research and Development Institute e o Life and Health Technology Research Institute. A ideia é “reforçar o sistema público de investigação e a eficácia do quadro de inovação e tecnologia”. De frisar que, com estes planos de mudanças a nível político e económico, as autoridades da RAEHK pretendem criar 650 mil empregos. John Lee referiu que um dos grandes objectivos do plano, e também do Executivo, é “melhorar o bem-estar da população”, definindo-se medidas nas áreas da “educação, desenvolvimento dos jovens e mulheres” e ainda o “reforço do apoio aos grupos desfavorecidos”. Na área da saúde, por exemplo, planeia-se “avançar com o desenvolvimento de infra-estruturas de cuidados de saúde”, no âmbito do Primeiro Plano de Desenvolvimento Hospitalar [First Hospital Development Plan]. Este tem por objectivo aumentar o número de camas nos hospitais públicos para 35 mil em 2031. Hong Kong também se depara com uma baixa taxa de natalidade e, a pensar nessa problemática, a linha de acção governativa inclui a extensão, por mais três anos, do incentivo de 20 mil dólares de Hong Kong para quem tenha o primeiro filho. Caso haja mais filhos, esse valor aumenta para 30 mil dólares de Hong Kong, sendo também concedidos subsídios para crianças, deduções fiscais e criados centros adicionais de cuidados infantis. Na área do ensino não superior, Hong Kong quer apostar “na integração progressiva da inteligência artificial (IA) na aprendizagem, ensino e avaliação”. Pretende-se, assim, “promover a educação digital para o reforço da aprendizagem dos alunos na matemática, ciências e tecnologia”, além de se criar “mais espaço” para a inovação.