Andreia Sofia Silva PolíticaPresidente do TUI realça aumento de casos penais e laborais A presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), Song Man Lei, salientou o aumento anual do número de processos penais, sobretudo relacionados com o jogo e burla, e ainda de casos do foro laboral. A presidente do TUI referiu o “aumento contínuo dos processos penais”, com o número de processos entrados no Tribunal Judicial de Base (TJB) aumentou de 5.606 para 5.783, face ao ano judiciário de 2024/2025. Por sua vez, “o número de processos penais comuns de tribunal colectivo subiu de 1.776 para 1.969, mantendo-se, pelo terceiro ano consecutivo, uma subida na ordem dos 10 por cento”, disse. A magistrada associou estes dados “à recuperação contínua do número de visitantes e a retoma do sector do turismo e do jogo”, bem como “o reforço do combate pelo Governo aos crimes relacionados com actividades periféricas do jogo e burlas praticadas através das telecomunicações e da Internet”. Com mais processos, “agravou-se a pressão sobre os tribunais colectivos criminais no julgamento dos processos”, admitiu. Song Man Lei destacou o crime de jogo ilícito, já que entraram no TJB 383 processos relativos a câmbio ilícito, “representando 19,5 por cento do total de processos penais comuns” entrados no TJB. O impacto da retoma No tocante aos processos laborais, Song Man Lei salientou ainda o aumento de 70,1 por cento no número de recursos cíveis e laborais entrados no Tribunal de Segunda Instância em termos anuais, de 167 para 284 no ano transacto. Tal é reflexo “da retoma das actividades económicas e transacções de mercado, bem como da gradual recuperação da circulação de pessoas e do investimento”. Song Man Lei deu outra justificação: “o aumento do número de juízes do TJB e a criação do 4.º Juízo Cível, o que permitiu acelerar a tramitação dos processos cíveis”. Prevê-se, na sua visão, a “tendência de subida” deste tipo de processos, tendo em conta “a contínua recuperação da economia e o maior dinamismo das diversas transacções de mercado e interacções entre particulares”. Criminalidade | MP alerta para mais casos com menores Tong Hio Fong, procurador do Ministério Público (MP), destacou na sessão de abertura do ano judiciário 2026/2027 que tem ocorrido “um crescimento do número de processos e de menores infractores com idade inferior a 16 anos”. Tong Hio Fong salientou que “o MP remeteu a tribunal, para efeitos de autuação de processos relativos a menores com idade inferior a 16 anos, um total de 186 processos que envolveram 294 menores”, “um aumento de 25 processos, e de 87 menores”, face ao ano judiciário de 2024/2025. O procurador chamou também atenção para o “aumento contínuo dos crimes associados ao jogo e persistência da exploração do câmbio ilícito”, tendo sido autuados, “no ano judiciário transacto, 892 inquéritos por crimes relacionados com o jogo, uma subida de 17,4 por cento face aos 760 registados no ano anterior”. Destaca-se os 160 inquéritos, um aumento de mais de 150 por cento, sobre o crime de “exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online”. Tong Hio Fong declarou que o “crescimento acentuado” mostra que “os infractores procuram tirar partido da elevada clandestinidade, do carácter transfronteiriço e da rápida circulação de capitais inerentes ao jogo online para se esquivarem à investigação policial e à correspondente responsabilidade criminal”. Houve ainda um aumento de 20 por cento no número de inquéritos ligados ao crime de “exploração de câmbio ilícito para jogo”, com um total de 493 inquéritos. Permanece, assim, “activa” no território a actividade da troca de dinheiro, destacou Tong Hio Fong.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteAno Judiciário | Sam Hou Fai pede fim de “fenómenos indesejáveis” na advocacia Decorreu ontem a sessão de abertura do Ano Judiciário 2026/2027, com o Chefe do Executivo a deixar recados à Associação de Advogados de Macau. Esta deve “eliminar estrangulamentos que condicionam o desenvolvimento do sector” e corrigir “fenómenos indesejáveis” com “coragem” O discurso do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na abertura de mais um Ano Judiciário, que decorreu ontem, pautou-se por recados à forma como a advocacia está regulamentada no território e o que deve ser feito pela Associação de Advogados de Macau (AAM). Sam Hou Fai pediu que a AAM “assuma com coragem as suas responsabilidades, seja hábil na inovação, acelere a reforma institucional e reforce a organização do sector”. Tudo para promover “uma maior normalização e modernização na área de advocacia”, devendo ser estudada “a revisão de leis e regulamentos relevantes, como o ‘Estatuto do Advogado’, a fim de eliminar os estrangulamentos que condicionam o desenvolvimento do sector”. Sam Hou Fai entende que a profissão de advogado em Macau deve ter um “novo dinamismo”. “É necessário alcançar consenso e avançar com determinação para reforçar a gestão regulamentada da profissão de advogado, corrigindo fenómenos indesejáveis”, adiantou. A AAM deve, portanto, “inspirar-se em experiências avançadas e acelerar a criação de um regime moderno de advocacia, que satisfaça a Lei Básica de Macau e corresponda à realidade de Macau”. De resto, Sam Hou Fai fez um breve comentário quanto ao primeiro caso relacionado com segurança nacional, em que foi julgado o ex-deputado Au Kam San. “Iniciaram-se, de forma rigorosa e nos termos da lei, a investigação e apreciação do primeiro processo relacionado com a segurança nacional, defendendo com firmeza a segurança nacional e a estabilidade social.” Na visão de Sam Hou Fai, “a edificação do Estado de Direito em Macau alcançou resultados importantes e auspiciosos”. Corpo de magistrados O discurso proferido pelo governante olhou ainda para outras áreas da vida da RAEM, com Sam Hou Fai a declarar que o Governo vai atravessar, no próximo ano, o cumprimento de “prazos apertados, tarefas pesadas e exigências elevadas em todos os domínios da acção governativa”. O Chefe do Executivo lembrou que “o contexto interno e externo de Macau está a sofrer mudanças profundas e complexas, o que exige que mantenhamos sempre uma elevada consciência dos riscos, uma percepção das crises e uma mentalidade centrada nos limites mínimos”. Foi pedido aos órgãos judiciais que adoptem “uma visão de conjunto, para saber abordar as questões a partir dos interesses fundamentais do país e do interesse geral de Macau”, mediante vários princípios. Um deles passa pelo “reforço da consciência de prevenção e combate à corrupção”. “O corpo judiciário deve ser íntegro e imparcial”, frisou Sam Hou Fai referindo ainda ser necessário “optimizar a gestão do pessoal dos órgãos judiciais e acelerar a formação de uma equipa judiciária mais profissional e eficiente.” Sam Hou Fai referiu que, desde 1999, “o corpo de magistrados tem vindo a crescer continuamente”, com o “número de juízes nos três níveis de tribunais a aumentar de 23 para 50; o número de magistrados em funções no Ministério Público a passar de 20 para 40; e ainda o número total de funcionários de justiça nos três níveis de tribunais e no Ministério Público a aumentar de 146 para 390”. Assim, o Chefe do Executivo alertou para o facto de “o desenvolvimento económico e social de Macau nesta nova fase impor, inevitavelmente, novas e mais elevadas exigências ao trabalho do corpo judiciário”. Sam Hou Fai pediu também a realização de “estudos sobre novos sistemas e regimes”, bem como “tirar referência de experiências bem-sucedidas do interior e do exterior país”. Sam Hou Fai acrescentou ainda outro pedido: o da importância de estudos “sobre o aperfeiçoamento de diplomas legais, nomeadamente o ‘Estatuto dos Magistrados’ e o ‘Estatuto dos Funcionários de Justiça'”, para melhorar os “regimes de nomeação e frequência do curso e estágio de formação de magistrados”. Relativamente a obras em curso, Sam Hou Fai destacou que “o edifício do Tribunal de Segunda Instância deverá estar concluído no primeiro semestre do próximo ano”, enquanto que “as obras dos edifícios do Tribunal Judicial de Base estão a avançar de forma ordenada”. Presidente da AAM diz que mudanças estão a ser analisadas Vong Hin Fai, presidente da Associação de Advogados de Macau (AAM), apontou ontem que estão a ser analisadas as mudanças necessárias na regulamentação da advocacia em Macau. No discurso de abertura do Ano Judiciário 2026/2027, Vong Hin Fai admitiu, em linha com as ideias deixadas pelo Chefe do Executivo, que “o actual regime da advocacia de Macau tem vindo a demonstrar algumas limitações no estímulo à inovação e reforço da competitividade externa, não respondendo às exigências de modernização da profissão na nova conjuntura”. Desta forma, foi criado no início deste ano o “Grupo de Trabalho Provisório para Aperfeiçoamento do Regime da Advocacia”, que inclui várias comissões de trabalho. O objectivo, segundo disse o presidente da AAM, é “o aperfeiçoamento da estrutura orgânica e mecanismos de gestão interna da Associação”, bem como a “elaboração do regime das sociedades de advogados”. Está ainda a ser estudada “a introdução do regime de prestação de serviços jurídicos externos por advogados do exterior”, ou ainda a “implementação da formação profissional contínua obrigatória”. Este Grupo de Trabalho também está a analisar “a revisão das normas deontológicas e do procedimento disciplinar”, sendo que todo este trabalho de análise está a ser feito mediante “um estudo comparado com os regimes do Interior da China, regiões vizinhas e práticas internacionais”. Grande família Vong Hin Fai destacou também que na última assembleia-geral da AAM, realizada em Setembro, foram alterados os estatutos da associação, “que alarga de sete para nove o número de membros da direcção da AAM”. Segundo o responsável, “trata-se de um ajustamento orgânico de relevante significado histórico”, sendo “a primeira com esta dimensão desde a criação da Associação em 1991”. Tal ocorreu “para dar resposta ao acrescido volume de trabalho, reforçar a eficiência decisória e aperfeiçoar os serviços prestados aos associados e aos interessados”. O presidente da AAM comentou ainda a recente revisão da Lei dos Advogados da China, aprovada pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, e que entrou em vigor no passado dia 1 de Setembro. Vong Hin Fai considera que “o exercício da advocacia na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau transitou de um programa-piloto para um regime jurídico permanente”, dando aos advogados locais “um quadro legal mais estável para expandirem a sua actividade e participarem activamente na construção do Estado de Direito da Grande Baía”.
Andreia Sofia Silva EventosSalão de Outono | Nova edição inaugura parceria com museu de Xangai Arranca esta sexta-feira, dia 16, a 17.ª edição do Salão do Outono, que traz mais de uma centena de obras de artistas locais à Casa Garden. Uma obra feita ao vivo por Fortes Pakeong Sequeira é um dos destaques do cartaz, mas a grande novidade é a exportação do evento para o Museu Powerful de Xangai A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe, a partir desta sexta-feira, dia 16, e até 22 de Novembro, mais uma edição do Salão de Outono, que há 17 anos acontece em Macau. Porém, a iniciativa promovida pela AFA – Art for All Society, traz, além do habitual concurso para jovens artistas, uma novidade: em Março do próximo ano, o Salão de Outono passa a fronteira e marca presença no Museu Powerful de Xangai. Esta cooperação faz parte “da nova estratégia” da organização, com o estabelecimento, pela primeira vez, “de uma colaboração inter-regional com instituições de referência do interior da China”. Além deste museu, foi estabelecida uma parceria com a entidade Art Infinity, cuja directora-executiva é Linwood Lin, de Hong Kong, e que está ligada à área da gestão, curadoria e profissionalização do mundo das artes. Segundo um comunicado da AFA, a exposição de Macau terá a cerimónia de inauguração no próximo dia 24, a partir das 18h30. Com a edição deste ano, e de Xangai, o Salão de Outono quer transformar-se numa “plataforma de exposições internacional para os artistas de Macau”. No tocante à mostra de Macau, a curadoria está a cargo de Kitman Leong e Julia Lam Tsz Kwan, e contou com a orientação de Alice Kok, presidente da AFA. Foram submetidas 187 obras para esta edição, tendo sido seleccionadas 133 trabalhos assinados por 96 artistas locais. A exposição abrange diversas formas de expressão artística contemporânea, incluindo pintura chinesa, pintura a óleo, aguarela, escultura, fotografia, cerâmica, instalação, vídeo, inteligência artificial e arte digital, “revelando a dinâmica criativa dos artistas de Macau”, é explicado. Do rol de artistas incluem-se nomes bem conhecidos do panorama artístico local como Alexandre Marreiros, Catarina Cottinelli Costa, presidente da Casa Garden; Diogo Dias dos Santos, Alice Kok, Alice Costa, Leong Kit Man ou Francisco Ricarte. Esta edição do Salão de Outono traz ainda o novo vencedor do “Prémio de Arte da FO”, anunciado dia 24. O prémio visa “apoiar jovens artistas locais na realização de residências artísticas em Portugal e será anunciado durante a cerimónia de abertura, simbolizando a continuidade e o desenvolvimento do ecossistema artístico local”. Fortes Pakeong ao vivo A AFA revela ainda aquele que será “um dos principais destaques da exposição deste ano”: a criação artística ao vivo do artista de Macau Fortes Pakeong Sequeira. Este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, e depois entre os dias 22 e 24 de Outubro, sempre entre das 13h e as 18h, Pakeong Sequeira recorre ao lápis e papel de desenho para apresentar o projecto “Do As I Am”. Segundo a AFA, “num contexto marcado pela turbulência, o artista transforma a tela, partindo de um estado de total ‘vazio’ para uma ‘respiração’ fria e concentrada, numa exploração progressiva que passa do ambiente exterior para o estado interior da mente”. “Embora os meios materiais sejam limitados, a imaginação não conhece fronteiras. Pakeong demonstrará ao público como descobrir o macro no micro, transformando um pequeno espaço num universo, e convidará os visitantes a experimentar a liberdade absoluta proporcionada pelo desprendimento durante este processo de criação imersiva”, é explicado. Modelo para Macau? A AFA quer ainda, com esta edição do Salão de Outono, promover uma “integração profunda dos recursos de exposição com os mecanismos de mercado”. Assim, foi também estabelecida uma parceria com a Universidade de Turismo de Macau, que acolhe um debate. O “Seminário de Administração da Arte e Fórum do Salão de Outono AFA: Quebrar Barreiras, Capacitar e Co-criar — Construir um Ecossistema Sustentável para a Arte Contemporânea de Macau” tem lugar já na próxima terça-feira, 20, das 19h às 21h, no Grande Auditório FG51 do campus da Taipa da instituição de ensino. Pretende-se, com esta sessão, “ultrapassar as fronteiras existentes e impulsionar a evolução do ecossistema artístico e cultural de Macau para um modelo profissional de indústria cultural”. A moderação está a cargo de Alice Kok, marcando presença em Macau Wendy Xu, directora do Museu Powerlong de Xangai. A ideia é debater como o modelo aplicado neste museu “poderá ser introduzido em Macau”. Trata-se de uma fórmula que “combina o reconhecimento académico de um museu de arte sem fins lucrativos, o alcance público de um centro de arte e a capacidade comercial de uma galeria”. Desta forma, procura-se “criar um percurso sistemático e de qualidade que permita às obras de arte ultrapassar a distância entre o meio académico e o mercado”. A mesa redonda conta com Linwood Lin; Bai Shui, artista emergente seleccionado pela Forbes China em 2025; Cindy Ng, curadora do Pavilhão de Macau na 61.ª Bienal de Veneza; e Eric Fok, artista local que participou na Bienal de Veneza. Segundo a AFA, este “conseguiu estabelecer relações de representação com galerias e integrar-se no circuito internacional de coleccionismo”. Nesta sessão terão lugar “três questões centrais”, nomeadamente como se pode criar “um centro eficaz que permita aos artistas de Macau estabelecer ligações com os mercados nacional e internacional”. O debate irá também abordar “como formar coleccionadores e públicos especializados” e ainda como se pode “aproveitar a experiência dos sistemas da cadeia de valor da indústria artística do Interior da China”, a fim de se “promover a industrialização e a profissionalização do ecossistema artístico e cultural de Macau”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaDST | Macau é destino preferido de confederação de agências espanholas Helena de Senna Fernandes anunciou que os visitantes espanhóis “aumentaram perto de 20 por cento nos primeiros oito meses do ano” e que a Confederação Espanhola de Agências de Viagens escolheu Macau como “Destino Preferido 2027” As relações entre Macau com os países de língua espanhola parecem estar a aprofundar-se na área económica e turística. Prova disso é que “os visitantes espanhóis [em Macau] aumentaram perto de 20 por cento nos primeiros oito meses” deste ano, isto no contexto do crescimento “superior a 30 por cento do número de visitantes europeus”. Os números foram avançados pela directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, que, citada por uma nota oficial, destaca a importância do mercado espanhol para o turismo local. A DST revelou também que a Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV) escolheu Macau como “Destino Preferido 2027”, tendo Helena de Senna Fernandes explicado que a DST “vai continuar a cooperar com a CEAV para atrair mais visitantes a Macau ou para viagens ‘multi-destinos’ na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Aquando da realização da última edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, esteve no território uma delegação da CEAV. A escolha de Macau como “Destino Preferido 2027” vai permitir o reconhecimento “das vantagens únicas de Macau enquanto centro mundial de turismo e lazer”, uma distinção que será “favorável à expansão contínua do mercado espanhol e mesmo europeu”. Macau na FITUR As relações entre Macau e Espanha na área do turismo têm sido profícuas. Segundo a mesma nota, decorreu em Abril deste ano duas acções promocionais em Madrid, o “Sentir Macau Roadshow” e “Sabor da China – Aroma de Macau”. Além disso, realizou-se a sessão “Actualização de Produtos de Turismo de Macau”, com o objectivo de “apresentar à indústria espanhola os mais recentes desenvolvimentos turísticos de Macau e promover o potencial para o turismo ‘multi-destinos”. Em Julho a DESTINIA, “grande agência de viagens online de Espanha”, trouxe a Macau um grupo para uma “visita de familiarização”; sendo que, este mês, foi organizada outra visita para a delegação da CEAV. Tais acções “favorecem o marketing de precisão dos operadores espanhóis e o lançamento de produtos turísticos de Macau”, explica a DST. No próximo ano a DST vai participar na Feira Internacional de Turismo de Espanha, para reforçar “os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longa distância atractivo para o mercado espanhol, promovendo o desenvolvimento contínuo e diversificado da indústria turística de Macau”, é explicado.
Andreia Sofia Silva PolíticaDeputada questiona atrasos de Planos Pormenor na Zona Norte A deputada Song Pek Kei quer saber em que fase estão os Planos Pormenor da Zona Norte da península e questiona quando será possível avançar com os prometidos projectos de renovação urbana. Numa interpelação escrita, a deputada ligada à comunidade de Fujian residente em Macau, afirmou que caso o Governo não publique, o mais rapidamente possível, os Planos de Pormenor para as zonas abrangidas, estarão em causa projectos como a reconstrução de edifícios antigos, infra-estruturas comunitárias e a transformação de edifícios industriais, por falta base jurídica. “O Governo destacou várias vezes que vai acelerar o processo de renovação urbana apostando num pensamento inovador e que os Planos Pormenor serão a base do reordenamento dos bairros antigos, a transformação dos terrenos e desenvolvimento de zonas. Mas como está o progresso da elaboração do Plano de Pormenor da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) da Zona Norte – 1 e de outras zonas?”, questionou. De frisar que os Planos Pormenor são desenvolvidos no âmbito do Plano Director da RAEM, que delimita 18 UOPG. Porém, o website da Rede de Informação de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana refere que apenas foram iniciados os Planos Pormenor para as zonas Este-2, Zona do Porto Exterior-1 e Zona do Porto Exterior-2, Norte-1 e Taipa Central-2, sendo que apenas a UOPG para a zona Este-2 registou avanços. Ilha Verde à espera Outro ponto destacado na interpelação da deputada, prende-se com atrasos na requalificação de alguns espaços na zona da Ilha Verde, que também estão incluídos no planeamento da Zona Norte. Song Pek Kei exige que o Governo apresente uma agenda para a mudança do Matadouro Municipal, Cais de Dragagem e renovação de edifícios industriais dispersos e ineficientes. A deputada citou, na interpelação, o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona da Ilha Verde, onde se explica que este tipo de infra-estruturas vão ter nova localização para que esta zona tenha mais espaços pensados para atingir o objectivo da diversificação económica do território.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLivro | Daniel Pires lança biografia de Bartolomeu Lourenço de Gusmão Há 300 anos morreu o padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão. Homem de múltiplos feitos, falou de uma “máquina que voa” ao rei D. João V e foi perseguido pela Inquisição. Daniel Pires acaba de lançar “Bartolomeu Lourenço de Gusmão: Um padre-cientista voando sobre brasas”, editado pela Imprensa Nacional A história de vida de Bartolomeu Lourenço de Gusmão acaba de chegar ao público em formato de livro. O projecto editorial, assinado por Daniel Pires, estudioso de Camilo Pessanha, conta a complexa vida do inventor da “passarola”. “Bartolomeu Lourenço de Gusmão: Um padre-cientista voando sobre brasas”, tem edição da Imprensa Nacional e é lançado numa altura em que passam 300 anos sobre a morte do padre que teve muitas facetas, incluindo a de assessor do rei D. João V, e que morreu em Toledo, Espanha, com apenas 38 anos. Ao HM, Daniel Pires explica como iniciou a investigação para o livro. “Ele era um jovem luso-brasileiro, nascido em Santos, que na altura era uma vila piscatória, numa família de doze irmãos, todos católicos. Fez a instrução primária em Santos, depois foi para um seminário de jesuítas, e aos 20 anos percebe que não tem mais hipótese de evoluir e decide vir para o então continente [Portugal], com uma cunha do governador do Brasil, conseguindo que o rei [D. João V] o chamasse.” É na primeira audiência com o monarca que Bartolomeu de Gusmão fala da sua “passarola” e de como podia ajudar o rei a comunicar com as então colónias, dispersas por África, Ásia e América do Sul. “O rei queria saber coisas do Brasil, que não conhecia. Fez perguntas sobre os índios, a alimentação, a escravatura, o ouro. Às tantas, Bartolomeu de Gusmão, que era, na altura, um miúdo de 23 anos, consegue dizer ao rei: ‘Vossa Excelência conhece a locomoção terrestre, o ser humano desloca-se por terra e por mar, mas eu sei que o ser humano também se pode deslocar pelo ar, e tenho a possibilidade de fazer uma máquina que voa'”. O encontro com D. João V Segundo Daniel Pires, o padre inventor terá dito que, com esta máquina, era possível ir além do “país imenso” que era Portugal, já que se consideravam as colónias como parte do território. “Disse ao rei que ele podia governar mais facilmente se tivesse este engenho aeroestático, que levasse as ordens às colónias portuguesas, e que depois poderia transportar mercadorias, fazer negócios”, aponta o autor. D. João V, perante esta novidade, ficou “admiradíssimo”. “Estamos a falar da primeira máquina que voava no mundo, não apenas em Portugal. Ainda por cima, apresentava esta possibilidade de Portugal ganhar a guerra com Espanha [Guerra da Sucessão Espanhola, entre os anos de 1704–1715] e resolver esse problema, pois Portugal sofria com uma derrota pesadíssima”, acrescentou. Neste encontro com D. João V, que decorreu no ano de 1709, foi exigido a Bartolomeu de Gusmão que apresentasse, então, um desenho que explicasse como construir a “passarola”. “O rei reuniu físicos, matemáticos, químicos portugueses, e cinco dias depois o projecto estava aprovado. Gerou-se depois [um debate]: por um lado, havia pessoas retrógradas, mais concretamente a Igreja, desconfiados; e havia ainda quem apoiava Bartolomeu de Gusmão. Mas quem estava do lado da Igreja foi à Bíblia, e pensou: ‘locomoção pelo ar? Quem é que se desloca pelo ar na Bíblia? Os anjos’. Como a Bíblia não faz referência a máquinas aéreas, acharam que Bartolomeu de Gusmão tinha relações com bruxas, um pacto com o demónio. A partir daí, perseguiram-no a vida inteira.” Múltiplas fugas Bartolomeu de Gusmão teve de “fugir várias vezes”, perseguido pela Inquisição. “Ao fim de três meses, a máquina aeroestática subiu cerca de quatro metros e despenhou-se, incendiou-se. Então as más-línguas, e pessoas mal-intencionadas, disseram que ele, além de ter um pacto com o demónio, também queria criar uma máquina armada para subjugar os países católicos, neste caso Espanha, Portugal, França e Itália. Então, a partir daí, deu-se uma perseguição constante e [Bartolomeu de Gusmão] acabou por fugir de vez para a Holanda, onde foi inventando outras máquinas, outras coisas.” Uma destas coisas foi o registo “da patente de uma máquina hidráulica”. O padre fez ainda estudos em França, Holanda e Inglaterra. Porém, D. João V nunca deixou de acreditar imaginativo clérigo, e acabou por o chamar de volta a Portugal, regresso que permitiu a Bartolomeu de Gusmão estudar Direito Canónico na Universidade de Coimbra. “Criou-se uma amizade muito forte entre ele e o rei, que sempre confiou nele”, disse Daniel Pires. É então que Bartolomeu de Gusmão se torna secretário de D. João V. Apesar da posição, continuaria a ser perseguido e acusado das mais variadas coisas, inclusivamente de ser judeu. Porém, D. João V nunca acreditou nestas acusações e diz a Bartolomeu de Gusmão para fugir, pois havia o risco de ser queimado em praça pública pela Inquisição, como era costume à época. A denúncia dos jesuítas A figura de Bartolomeu de Gusmão ficou para sempre no imaginário português, ao ponto de José Saramago, escritor e Prémio Nobel da Literatura, ter criado um personagem inspirado nele, o “padre voador”. “[Saramago] criou um personagem muitíssimo bem-criado de acordo com os parâmetros históricos, pois tanto a história de Bartolomeu de Gusmão como a reconstituição da sociedade da época estão muito bem feitos no livro”, disse. Há muitas referências que falam de Bartolomeu de Gusmão enquanto padre jesuíta, mas a obra de Daniel Pires prova que este nunca entrou na Companhia de Jesus que, aliás, o terá denunciado à Inquisição. “Foi algo grave, o facto de a própria Companhia de Jesus ter denunciado Bartolomeu de Gusmão à Inquisição. Havia ali grandes divergências, pois nunca aceitaram que ele não tenha querido entrar na Companhia de Jesus. Mas também desconfiavam bastante daquela máquina aerostática.” Falamos de um “tempo difícil para os visionários”, com um grande poder da Igreja Católica. “Depois da morte de Bartolomeu de Gusmão o seu nome continuou a ser proibido. Estamos a falar do primeiro inventor de balões, do primeiro cientista das Américas.” Esta não foi a primeira vez que Daniel Pires fez a incursão no mundo deste padre inventor, já que, no ano passado, reuniu num livro toda a sua obra. O livro “Obra de Bartolomeu de Gusmão” nasceu de uma busca incessante de Daniel Pires pelos seus papéis. “Quando vi que ele tinha sido perseguido pela Inquisição e que tinha morrido em Espanha, vi que não havia praticamente quaisquer papéis e documentos dele. Há cerca de dois anos e meio resolvi investigar porquê. A Inquisição não queimou os papéis de amigos e familiares, existindo cópias, e foi a partir daí que comecei a trabalhar, reunindo toda a obra dele, 15 inéditos.” Este foi o resultado de uma pesquisa feita por vários arquivos em Portugal, incluindo a Torre do Tombo, assim como arquivos em Espanha, França e Inglaterra. “Trata-se de uma obra muito diversificada, que inclui poesia, filosofia, ciência. Ele também foi jurista e historiador, e fazia, por exemplo, os códigos cifrados dos documentos diplomáticos portugueses. Era também um grande matemático”, rematou Daniel Pires. Bartolomeu de Gusmão teve uma vida curta, falecendo de febres em Toledo com apenas 38 anos.
Andreia Sofia Silva EventosHengqin | Festival da Cultura Lusófona este fim-de-semana O Centro Cultural e Artístico de Hengqin recebe este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, o Festival da Cultura Lusófona de Hengqin, organizado pelo Instituto Cultural (IC) e organismos ligados à Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin. Segundo uma nota da organização, o festival acontece entre as 16h e as 21h, não faltando mascotes e muitas representações da cultura portuguesa e macaense. Há, portanto, a “doçura e sabor inconfundível dos pastéis de nata” no espaço dedicado à gastronomia lusófona. Destaque para a participação da chef macaense Antonieta Manhão, mais conhecida como chef Neta, que apresenta as receitas de bifana de porco com açafrão e pão com chouriço. Haverá ainda duas demonstrações de culinária ao vivo por dia com foco na gastronomia macaense, apostando-se na confecção de pratos como o minchi ou porco balichão tamarindo. O festival traz uma exposição de artesanato com objectos dos países de língua portuguesa, com “oficinas práticas em que os visitantes podem fazer pintura de azulejos tradicionais portugueses, leques de papel, crochet e pintura com areia”, sendo que cada sessão tem 30 vagas. Outro foco do festival, é a reprodução da festa de São João do Porto. “Com o preenchimento de um questionário os visitantes recebem um martelo insuflável colorido para espalhar votos de boa fortuna através de divertidas e leves marteladas”, destaca a mesma nota. Além de um expositor dedicado ao Grande Prémio de Macau, o cartaz inclui também 20 “espectáculos temáticos” que vão desde o Fado às danças brasileiras, com grupos escolares.
Andreia Sofia Silva EventosMúsica | Achun lança dois novos singles em plataformas digitais O músico local Achun tem novidades no mercado discográfico, com dois novos singles. “Energetic” já está disponível nas plataformas digitais de streaming desde o dia 2 de Outubro; “A Lonesome Soul”, será lançado posteriormente. Eis Achun em nome próprio a explicar as influências destas composições, que vão da dança ao cinema Achun está de regresso às canções, mas não com um disco. Em entrevista ao HM, o músico de Macau disse que decidiu lançar apenas dois singles, um deles apresentado no passado dia 2, e de nome “Energetic”, já disponível em várias plataformas de streaming, como é o caso do “Spotify”. Será também lançado “A Lonesome Soul”. As origens destas produções são diferentes, mas a génese está na mesma pessoa que assume fazer música por pura paixão. E essas influências vagueiam entre géneros musicais ligados às lides culturais urbanas, como é o caso de “Chicago Ghetto House”. “No passado, a minha estratégia de lançamentos baseava-se nos EPs e nos álbuns. Agora, simplesmente quero mudar a minha abordagem e manter cada lançamento com uma só faixa. O impulso criativo por detrás de ‘Energetic’ surgiu da minha paixão de longa data [pelos géneros] Chicago Ghetto House, Footwork e Juke. Esta categoria está dentro da linhagem House, e já fiz este ‘estilo Footwork’ antes. Desta vez, ‘Energetic’ está direccionado para o House.” “Também sou um apaixonado por filmes, e já tenho alguma experiência em aparecer em algumas produções. ‘A Lonesome Soul’ cresceu a partir da influência de determinados filmes e séries”, acrescentou. Em meados de 2023, Achun lançou um outro single, intitulado “The Dance of a Heart Alone”, música na qual trabalhou por mais de dois anos. Aí começou a pensar mais na possibilidade de fazer canções e, simplesmente, disponibilizá-las em meios digitais. “No final estava a ficar cada vez menos motivado; e o único caminho que restou, enquanto ainda não queria desistir da canção, era fazer o ‘upload’ para as plataformas de streaming e deixá-la lá. Depois de ter saído, não fiz nenhuma promoção. Se o algoritmo trouxe [a canção] para uma plataforma de ‘streaming’, era esse o seu destino; se nunca for ouvida, não se perde nada. Pode-se dizer que esta foi a forma mais passiva de sempre de lançar uma canção, ou a mais experimental, ou ainda numa forma de tentativa-erro”, admitiu. Porém, com “‘Energetic’ e ‘A Lonesome Soul’ a abordagem foi completamente diferente, e quis que o lançamento destes dois singles fosse organizado, com alguma extensão desta espécie de experiência”, explicou. Acto de um crente Um dos primeiros álbuns de Achun data de 2014, e intitula-se “The Gloaming Time”, contando com faixas como “Here Comes the Moon”, “Yesteryear” ou “Hologram World”. “Everywhere”, por sua vez, surgiu em 2022 e contém oito faixas, nomeadamente a que dá nome ao álbum; “I Can’t Stand” e “I Forgot to React”. Por entre faixas e discos, fazer música é mesmo o grande amor de Achun. “Não é um mero hobby para mim, e existe quase com um sentido religioso, no sentido em que me defino como músico como um crente se define como alguém com fé.” Porém, ser músico em Macau acarreta lidar com desafios e tomar decisões. “O maior desafio de fazer música em Macau é que a maioria do público tem pouco entusiasmo pelos músicos ou mesmo um baixo nível de aceitação”, começa por dizer. “A música quase não é vista como tendo valor comercial a nível local, e algumas pessoas até a detestam e encaram-na como barulho. O Governo e alguns entusiastas, e as pessoas da indústria que estão na comunidade já recorreram a todos os métodos que podem para promover actividades relacionadas com a música, e lançamentos, incluindo bandas estrangeiras e músicos que chegam a Macau, [apostando-se também] no crescimento de bandas locais e músicos, mas nenhum foi adoptado pelo mercado.” A acrescentar a este cenário, os espaços para concertos ao vivo “têm encerrado um atrás do outro” e, no final, “sem terem mais onde tocar, as pessoas vão para a rua, e a polícia costuma aparecer para as impedir”. Desta forma, “estes factores objectivos constituem, sem dúvida, um grande obstáculo e desafio para os músicos de Macau. Nestas condições difíceis, tentei entrar no mercado da China continental”. Álbum na China Foi, assim, na China que Achuna lançou todas as cartas de que dispunha ao editar “On The Other Side”, o seu primeiro álbum, em 2012. “Na altura, até os meus amigos de Macau pensavam que eu me tinha mudado para Xangai de vez. Quanto a Hong Kong, em tempos considerei-a uma cidade onde era mais fácil desenvolver-me como músico do que em Macau, e também mais favorável à música, embora os músicos locais possam não ver as coisas dessa forma.” Achun actuou na região vizinha pela primeira vez em 2010, “quando Lai Fai, que dirigia o ‘Heavy HK’, colectivo de baixo/reggae de Hong Kong, e que na altura ainda não se tinha focado no reggae, me convidou para dar o meu primeiro concerto em Hong Kong no ‘Backstage Live House, em Lan Kwai Fong, um espaço que já fechou há muito tempo”. Esse tempo levam Achun a recordar a origem de um outro projecto, de 2021. Trata-se do LP de vinil de 180 g “Keep Da Vibez Goin’”, pela XXX Records. “Lembro-me que naquela noite, por entre a multidão, um estrangeiro andava a circular pelo público a distribuir panfletos para outra festa musical. O panfleto era mais pequeno do que a palma da mão. Essa pessoa era o Enso (Cassady Winston), que dirigia outro espaço de espectáculos [em Hong Kong], a ‘XXX Gallery’. Independentemente dos rumos que a ‘XXX Gallery’ tenha tomado mais tarde em Hong Kong, ela ainda me proporcionou, nos dez anos seguintes, muitas oportunidades de fazer atcuações ao vivo ou sessões de DJ nesse espaço”. Foi assim que Enso o ajudou a lançar o LP de 2021.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteMariana Pereira, investigadora: “Uma Macau que vai muito além da terra” Mariana Pereira, investigadora do Instituto Internacional de Macau e da Universidade de York, colaborou na pesquisa para a exposição “Pessoas do mar – A comunidade piscatória de Macau”, inaugurada amanhã no Museu Marítimo de Macau. Em entrevista ao HM, defende a promoção do conhecimento marítimo num Delta do Rio das Pérolas em rápida mudança Como surgiu a oportunidade de realizar esta exposição? Surgiu um pouco da confluência de vários interesses. Primeiro fui eu que, no contexto do meu pós-doutoramento, quis perceber o que acontece ao conhecimento do mar quando as pessoas emigram, digamos assim, para terra. Sou muito interessada no património cultural relacionado com a emigração e diásporas e com aquilo que acontece na nossa ligação com o espaço. Em conversas com vários colegas, pensei que seria um tema interessante perceber o que se faz com o conhecimento do mar, neste caso, da comunidade piscatória de Macau. O meu pai lembra-se dessa comunidade vir para terra uns dias antes de haver tufões porque sabia ler o mar e ver se haveria tempestades, além de ter muito conhecimento da geografia local. Fiquei interessada nisso, e questionei-me: “Pronto, e agora? Onde fica esse conhecimento?”. A comunidade tem mudado bastante e queria perceber onde está agora. Contactei os meus colegas do IIM que depois me ajudaram a contactar o Museu, que, por sua vez, se mostrou interessado e nos facilitou o contacto com a comunidade piscatória. Não é fácil estudar as comunidades piscatórias da Ásia. Em que sentido? Vários colegas tentaram fazê-lo, com as comunidades de Hong Kong, Malásia, Indonésia. A de Macau continua a ser bastante desconhecida e acho que merece ter toda a atenção, uma vez que o Delta está a ser transformado de forma irreversível. Esse conhecimento do mar é único, mas desaparece muito depressa. Depois contactámos a Associação de Auxílio Mútuo dos Pescadores de Macau. Demorei quase dois anos a solucionar este contacto e conseguimos agora realizar duas entrevistas. São muito poucas, mas é uma porta de entrada. Tudo aconteceu com a ajuda dos nossos colegas e graças à confiança que existe entre o Museu Marítimo e a comunidade piscatória, e que demorou anos a estabelecer-se. Gostaria de ver esta exposição como um início para que as pessoas prestem mais atenção, mas é necessário um estudo mais aprofundado e alargado. Quero realmente chamar a atenção da comunidade de Macau quanto à fragilidade do conhecimento do mar, e que nos ajuda a perceber como podemos lidar com o Delta [do Rio das Pérolas] que está a alterar-se muito, não apenas com as alterações climáticas, mas com a própria interacção humana. O que poderemos ver nesta mostra? Há um pouco de tudo, desde entrevistas a vídeos, e textos a acompanhar as fotografias. O meu trabalho aqui é essencialmente o da pesquisa, tratamento da documentação e análise etnográfica das entrevistas. Mas as perguntas a fazer à comunidade e o rumo que tudo isto iria levar foi feito em parceria com o IIM e o Museu Marítimo. Que respostas obteve sobre uma comunidade que estará em vias de extinção? Não diria que está em extinção, mas sim que mudou muito e que está sob muita pressão para ser algo diferente. Percebi que há um grande sentimento de urgência para que este conhecimento do mar não se perca, as pessoas não querem que isso aconteça. Há interesse em passar esse conhecimento, em transmiti-lo, mudando a perspectiva que houve durante séculos desta comunidade. E qual foi? É uma comunidade móvel, que navega, literalmente, Macau, mas uma Macau que vai muito além da terra. E conseguimos perceber que há mais nuances de como era a vida no mar, os conhecimentos de pesca, de como localizar um barco e até o papel da mulher, que foi algo que nos interessou bastante. Há ainda assuntos como a educação e coisas sobre as quais gostaríamos de saber mais, como a medicina. Não conseguimos fazer ainda essas perguntas. Acima de tudo, é uma comunidade que quer muito partilhar e salvaguardar a relação com o mar, ainda que já não pesque e que não viva da mesma forma. A comunidade está bastante interessada nisso e já o faz muito bem, com as visitas de barco que se organizam quase todos os anos. Penso que é uma comunidade que tem sido mal interpretada, embora haja alguns bons estudos que tentam mostrar o mundo através dos seus olhos. Essencialmente onde é que estas comunidades estão? No Porto Interior, Coloane? É difícil saber. Muitas delas estão sim no Porto Interior, mas, por exemplo, essa noção de espaço era antigamente muito diferente. A comunidade estava também muito ligada a Hong Kong, e alguns deles passavam meses no mar, indo até às Filipinas ou à China. Não só é difícil saber onde estão essas comunidades como é difícil definir essa comunidade. Tem havido más informações sobre o que é essa comunidade, embora haja descendentes de famílias pescadoras que estão muito interessadas em se relacionar com esse conhecimento que os pais tinham do mar. Mas sim, o Porto Interior continua a ser um espaço único, e Coloane estava associada a uma comunidade um pouco diferente. Como? Havia uma longa história com a pirataria, por exemplo, e aí era uma forma diferente de viver. Mas há ainda muitas questões por levantar. Por exemplo, nós temos uma perspectiva muito específica que vem das fontes [documentais e históricas] portuguesas. É uma perspectiva de não compreensão, um pouco de não saber muito bem como lidar com estas comunidades. Falamos de discriminação? A comunidade piscatória está muito ligada à comunidade que vende peixe em Macau, e não são iguais. É a comunidade que está no Mercado Vermelho, por exemplo, e que continua a fazer festividades como a do Dragão Embriagado. Os pescadores dependiam muito destas comunidades que vendiam o peixe e havia todo um sistema económico que se começa agora a desvendar um pouco. Houve depois uma série de desafios, como a questão das licenças que, se calhar, começaram a impedir os pescadores de irem tantas vezes a Hong Kong. Passou a ser obrigatório registar o barco e aí tiveram que decidir onde se queriam registar. Mas, no passado, eram comunidades muito mais fluídas, navegavam mais e conheciam mais as cidades portuárias sem terem de necessariamente se estabelecer numa delas. Muitas dessas pessoas estavam, portanto, com o barco atracado em Macau, mas não estavam documentadas. Com essas licenças, essa situação também melhorou, estas pessoas passaram a estar mais integradas? Talvez tenhamos de reformular essa ideia de maneira diferente. Lá porque as comunidades não tinham documentação não significa que não estavam conectadas com a terra. O sistema de identificação de Macau é que excluiu, muitas vezes, essas comunidades, ou seja, havia dificuldade em lidar com as comunidades móveis, pois o processo de documentação exigia uma residência fixa. Não é que esta comunidade estivesse marginalizada, mas de certa forma era marginalizada, porque o próprio sistema de documentação não facilitava a sua identificação. Mas, sim, grande parte das pessoas estão legalizadas, e isto aconteceu, claro, já depois de 1987 e de todo o processo de transição de Macau. Mas são necessárias mais entrevistas para se perceber como essa legalização se fez. Mas é um tema difícil, que não vai estar na exposição porque não é fácil, e levanta muitas questões. Mas há uma relação muito próxima desta comunidade com várias profissões que estão em terra, e que viviam do mar, e que precisa de ser explorada melhor. O Museu Marítimo tem feito isso, mas há que perceber o aqui e o agora, onde estão essas pessoas agora. Que mensagens são transmitidas com esta mostra? Uma delas é que as pessoas venham conhecer uma comunidade que está disposta a partilhar o seu conhecimento. Mas é importante virem sem preconceitos. Há imenso a explorar, a descobrir, e urgentemente precisamos de nos reconectar ao Delta. Esta comunidade oferece um olhar diferente e importante para perceber como Macau depende completamente do mar que o rodeia. Esperamos que esta exposição origine mais informações e futuras exposições. Foto: Museu Marítimo Exposição no Museu Marítimo inaugurada amanhã O Museu Marítimo acolhe, a partir de quinta-feira a mostra “Pessoas e o Mar: A Comunidade Piscatória em Macau”, inaugurada às 18h. O projecto apresenta-se ao público nas três línguas que circulam em Macau – chinês, português e inglês – e é organizada pelo Instituto Internacional de Macau (IIM). Há ainda a colaboração de entidades como a Fundação Macau, a Associação de Auxílio Mútuo dos Pescadores de Macau e o apoio logístico do próprio Museu Marítimo. Revelam-se “as memórias, vida, tradições e os costumes desta comunidade que são retratados junto da comunidade local e dos turistas, que culturalmente é identificada pelos residentes de Macau”. As histórias contam-se, conforme disse Mariana Pereira, com fotografias cedidas pelo Museu Marítimo e textos. Macau foi, durante séculos, uma aldeia piscatória até se desenvolver no território que é hoje. Assim, segundo uma nota do IIM, pretende-se “retratar a história da comunidade piscatória, como exerciam a profissão e a pesca em particular, reforçando a importância dos seus costumes e tradições, que é grande parte preservada e reconhecida em itens do património cultural intangível de Macau, classificados e inseridos na lista do inventário do Instituto Cultural do Governo da RAEM”. Investigação em curso A exposição pode ser vista até ao dia 26 deste mês e nasce de uma investigação da entrevistada em colaboração com outras pessoas, sendo um deles Jack Wang Deyi, estudante de doutoramento que trabalha no IIM a construir “um futuro projecto” dedicado ao estudo desta comunidade piscatória. Segundo explicou António Monteiro, dirigente do IIM, “o projecto de investigação vai continuar com a equipa composta por Mariana Pereira, Jack Wang Deyi e o IIM, além de que temos tido a positiva colaboração do Museu Marítimo de Macau”. O objectivo da mostra é “realçar a memória e relembrar a existência desta comunidade, parte também de Macau”, disse António Monteiro. “Pode ser útil para Macau trabalhar com esta comunidade em novas ideias e projectos para esta Macau, muito diferente dos tempos da aldeia piscatória.”
Andreia Sofia Silva EventosLíngua portuguesa | Universidade Cidade de Macau acolhe conferência esta semana “What´s in a language? – Reflexões sobre a Língua Portuguesa na Ásia (memória linguística e cultural), dentro do contexto colonial e pós-colonial” é o nome da conferência que a Universidade Cidade de Macau (UCM) promove esta semana, quarta, quinta e sexta-feira (dias 14, 15 e 16 de Outubro). Segundo um comunicado da UCM, a conferência conta com quatro oradores de países de língua portuguesa, incluindo Macau como território que tem o português como língua oficial. Trata-se da professora universitária Maria José Grosso, da Universidade de Macau (UM); Hélder Gomes e Maria Célia Lima-Hernandes, da Universidade de São Paulo; e ainda João Marcelo Mesquita Martins, da Universidade do Minho. A organização está a cargo da secção portuguesa da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da UCM, tendo o apoio do IROPC — Instituto de Investigação sobre os Países de Língua Oficial Portuguesa, que também pertence à mesma instituição de ensino. A iniciativa insere-se num projecto de investigação conjunto entre a UCM e a Universidade de São Paulo. Propõe-se, com esta conferência, fazer “uma reflexão profunda sobre o papel da língua portuguesa na Ásia e a memória cultural a ela associada, abrangendo a literatura e o cinema nos contextos colonial e pós-colonial”. O debate alarga-se ainda “à problemática do ensino do português na RAEM e ao mundo lusófono em geral, cruzando as realidades específicas do Brasil, de África e de Portugal”. É ainda analisado “o vasto interesse da China no espaço da lusofonia, com especial ênfase no papel estratégico de Macau no âmbito das relações internacionais”. A conferência acontece nos dois campus da UCM, na Taipa e em Macau. Debates transversais O programa arranca esta quarta-feira, realizando-se, a partir das 16h30, a palestra “A sobrevida da língua e da cultura portuguesa em Macau: estratégias e práticas”, no campus da Taipa. Aqui juntam-se “representantes de diversas instituições que promovem de há muito a língua e a cultura portuguesa na RAEM”, nomeadamente Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau; Catarina Cottineli da Costa, presidente da delegação da Fundação Oriente em Macau, Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente; Rui Pedro Cunha, da Fundação Rui Cunha; e Maria José Grosso, da UM. A moderação está a cargo da professora Vera Borges, da UCM. Na quinta-feira, a partir das 14h30, acontece no campus da UCM de Macau a sessão “Bridging China and the Lusophone World: The Portuguese Language and China’s Global Initiatives” [Ligando China e o Mundo Lusófono: A Língua Portuguesa e as Iniciativas Globais da China], com presença de Pedro Steenhagen, Li Guofeng, J. Renato Peneluppi Jr. e Bárbara Morais. A moderação é da responsabilidade de João Simões, professor na UCM ligado ao IROPC. Também na quinta-feira será lançado o livro da investigadora da Universidade de São Paulo, professora Maria Célia Lima-Hernandes, que se intitula “Macau – Lótus do Oriente”. Trata-se de uma obra que faz a “exaltação da diversidade e da resiliência do povo macaense”. Este livro convida a uma reflexão “sobre as complexidades da identidade num mundo globalizado, onde as fronteiras culturais se encontram cada vez mais emaranhadas, afirmando-se como uma leitura essencial para compreender a riqueza cultural de Macau e a dinâmica viva das suas comunidades”, lê-se na mesma nota. As sessões decorrerão na UCM, nos dias 14, 15 e 16 (de manhã) de Outubro no campus da Taipa (sala HG01, nos dias 14 e 16; Centro Cultural, no dia 15); na tarde do dia 16, será no campus de Macau, no Golden Dragon (sala GD2213).
Andreia Sofia Silva EventosArquitectura | Fórum discute “coexistência” com a Grande Baía Acontece este sábado, dia 17, na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau o Fórum de Arquitectura 2026, da responsabilidade da Associação de Arquitectos de Macau. Com moderação de Carlos Marreiros e convidados como Zhang Li, da União Internacional de Arquitectos, o evento visa olhar a crescente integração do território na zona da Grande Baía A Associação de Arquitectos de Macau (AAM) promove este sábado, 17 de Outubro, mais uma edição do Fórum de Arquitectura 2026, que acontece na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (UCTM), entre as 14h e as 18h. Segundo informação divulgada nas redes sociais da AAM, a conversa conta com moderação do arquitecto macaense Carlos Marreiros, e marcam presença inúmeras figuras do sector, como é o caso de Zhang Li, presidente da União Internacional de Arquitectos; e Wu Jiang, presidente da ARCASIA – Architects Regional Council Asia (Conselho Regional dos Arquitectos para a Ásia). No painel, constam ainda nomes como o de Joseph Lee Hunwei, presidente da MUST e com uma larga experiência na área da engenharia, incluindo ao nível da investigação. O quadro completa-se com Joseph Kwan Kwok Lok, vice-presidente da Rehabilitation International para a região da Ásia-Pacífico. O tema deste fórum é “Coexistência Resiliente: Macau e as cidades da Grande Baía rumo ao desenvolvimento sustentável” e analisa temáticas como as alterações climáticas e a transformação das formas de construir e de habitação. Na informação divulgada pela AAM, lê-se que um dos tópicos abordados diz respeito ao facto de Macau “ser uma cidade costeira com elevada densidade populacional”, existindo a “necessidade de equilibrar o desenvolvimento económico, a gestão ambiental e o bem-estar social”. Desta forma, é necessário “reforçar a resiliência urbana e promover a coexistência harmoniosa entre pessoas e natureza”, sendo pontos “essenciais para alcançar um futuro sustentável”. Assim, pretende-se analisar “estratégias de adaptação para cidades costeiras de alta densidade no contexto das alterações climáticas, abordagens para a construção de comunidades resilientes e práticas inovadoras de desenvolvimento urbano ecológico na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin, e noutras cidades da Grande Baía”. Cidades pensadas Prometendo um “diálogo interdisciplinar”, o fórum explora como as áreas de “arquitectura, planeamento urbano, engenharia, design ambiental e políticas públicas podem trabalhar em conjunto para reforçar a resiliência urbana e melhorar a qualidade de vida”. A AAM destaca como este fórum está também alinhado com as ideias presentes no congresso mundial da União Internacional de Arquitectos que decorreu este ano em Barcelona, entre Junho e Julho, sob o tema “Becoming: Architectures for a Planet in Transition” [Transformações: Arquitecturas num Planeta em Transição], sobretudo no que diz respeito ao papel que o urbanismo e arquitectura podem ter na criação de novos espaços para as populações. “Serão apresentados casos inovadores e de aplicação prática, com o objectivo de promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e cidades da Grande Baía no domínio do desenvolvimento urbano sustentável”, contribuindo-se “para a construção de um futuro urbano mais resiliente, habitável e sustentável”, descreve a AAM. O fórum acontece no auditório do bloco N, sala N101. O evento decorre em mandarim e inglês. A inscrição deve ser feita junto da própria AAM.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteUniversidade de Macau | Plano de Desenvolvimento prevê 25 mil alunos em 2031 Foi apresentado, na sexta-feira, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” da Universidade de Macau, que traça a estratégia até ao ano lectivo 2030-2031, quando se prevê a inscrição de 25 mil alunos. Na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin vão funcionar as Faculdades de Medicina, Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design A Universidade de Macau (UM) planeia ter uma população estudantil de 25 mil pessoas daqui a cinco anos, ou seja, no ano lectivo de 2030-2031, e de 20 mil alunos já em 2028. Em 2030, espera-se chegar aos 22 mil alunos. Actualmente, a UM tem cerca de 16.900 alunos. Esta é uma das ideias constantes no “Plano de Desenvolvimento para 5 anos [Five Year Development Plan], pensado para um período compreendido entre os anos lectivos de 2026-2027 e 2030-2031, e que foi apresentado na sexta-feira. Com o mote “Uma Universidade, Dois Campus”, o documento apresenta as linhas mestras do que pretende ser um “desenvolvimento coordenado” entre o actual campus em Hengqin e a futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, a funcionar na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin. Em relação ao funcionamento dos cursos, o actual campus, em Hengqin, irá gerir as Faculdades de Letras e Humanidades, Gestão de Empresas, Educação, Direito, Ciências Sociais e Ciências, enquanto que na Cidade Universitária serão acolhidas as Faculdades de Medicina – cujos cursos de licenciatura e mestrado integrado serão ministrados em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design. A UM tem como objectivo “construir um sistema equilibrado e integrado de desenvolvimento de talentos”, com o “reforço das ciências, engenharia, medicina e farmácia”. A instituição quer “priorizar o desenvolvimento dos currículos” nestas áreas. Mostrando como a investigação é apontada como uma das áreas-chave, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” visa que a UM seja uma instituição de ensino que reflecte “a mistura de estudantes numa universidade de investigação multidisciplinar”. “A proporção de estudantes de pós-graduação será mais de 50 por cento do total da população estudantil, com o rácio de 1:1 de estudantes de humanidades e ciências sociais em relação aos estudantes de engenharia, medicina e farmácia”, é acrescentado. Na conferência de imprensa de apresentação do plano, o reitor da UM, Song Yonghua, disse que o futuro traçado pelo documento para o futuro da universidade está alinhado o 15.º Plano Quinquenal do país e com o Terceiro Plano Quinquenal da RAEM. Para alcançar Outro dos motes para o desenvolvimento da universidade nos próximos cinco anos assenta nas siglas “R.E.A.C.H.”, que significam, segundo um comunicado da UM, “integração de recursos”, “foco na excelência”, “orientação para a ambição”, “foco na colaboração” e “alto impacto”. O “foco na excelência” significa que a UM quer posicionar-se ao lado das “universidades de investigação multidisciplinar que são líderes a nível mundial”, contribuindo “para a diversificação adequada da economia de Macau, o desenvolvimento da Grande Baía e as estratégias prioritárias” do país. Outro dos objectivos passa pelo “reforço da reputação internacional” da instituição de ensino, bem como “expandir a influência global”. A UM quer funcionar, no futuro, com o modelo “uma universidade, dois campus”, entrando “numa fase mais madura e aperfeiçoada”, mas mantendo as raízes em Macau. Outro dos planos é a expansão da rede de Colégios Residenciais, “transformando-a numa rede educativa composta por 20 colégios distribuídos por dois campus”, alargamento que tem como objectivo “melhorar a qualidade do ensino de pós-graduação”. Foco na investigação Para mostrar como a área da investigação será uma das mais importantes no desenvolvimento da universidade, o reitor explicou que os “três laboratórios-chave estatais” serão “o núcleo da estratégia de investigação”, pretendendo-se “promover a colaboração entre os laboratórios e institutos de investigação, reforçando a base da investigação para gerir resultados mais originais e inovadores”. A UM tem actualmente a funcionar o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa, Laboratório de Referência do Estado de Microelectrónica Analógica e Mista e ainda o Laboratório de Referência do Estado para a Internet das Coisas aplicada a Cidades Inteligentes. Todos aprovados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China. Na mesma nota, a UM destaca o desenvolvimento de “plataformas de investigação de grande envergadura em áreas-chave como a incluindo inteligência artificial e ciências do cérebro, ciências biomédicas, engenharia médica inteligente, bem como energia e neutralidade carbónica”. O Instituto de Investigação Avançada da Universidade de Macau em Hengqin será transformado “no principal centro de transformação” ao nível da investigação e colaboração entre instituições, com maior conexão às indústrias e economia local. Amigos ibéricos No que diz respeito à expansão internacional, os países de língua portuguesa e espanhola surgem no topo das prioridades. “A UM vai criar um sistema de inovação aberto, em formato colaborativo e internacional, através da colaboração com universidades e empresas de renome a nível nacional e internacional, bem como com redes de inovação em países de língua portuguesa e espanhola.” Assim, a “prioridade” será dada “a parcerias com instituições em países de língua portuguesa, espanhola e inglesa, países ao longo da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’ e países vizinhos da região da Ásia-Pacífico”. Na mesma nota, é explicado que a UM vai “reforçar a colaboração com universidades de referência na China continental e na RAEHK”, sendo que instituição de ensino superior promete ter “quatro dimensões da internacionalização”. Para ter maior projecção global, a UM quer ter “um corpo docente internacional, programas internacionalizados” mais intercâmbio e estudantes estrangeiros, “com vista a aprofundar a colaboração de projectos”. Salienta-se “a oferta de programas internacionais em todas as faculdades, institutos e colégios residenciais”, dando “prioridade ao desenvolvimento de programas internacionais com duplo grau nas Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências da Informação e Computação, Faculdade de Engenharia e Faculdade de Design”, na futura Cidade Universitária. O reitor da UM explicou que, nos próximos cinco anos, será dada “prioridade ao desenvolvimento do campus na Zona de Cooperação Aprofundada”, prevendo-se que a Cidade Universitária entre em funcionamento parcial em 2028, “estando totalmente concluído em 2029”. Song Yonghua disse que a UM “vai continuar a promover um desenvolvimento integrado na educação, ciência, tecnologia e recursos humanos, assumindo um papel mais pró-activo nos contributos para o desenvolvimento nacional”.
Andreia Sofia Silva SociedadeViolência | Homem morre após discussão familiar Um homem morreu no hospital depois de se ter sentido mal no contexto de uma forte discussão com a mulher, de 62 anos. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na última sexta-feira de madrugada, às 4h30, na casa de ambos em Seac Pai Van, Coloane. A mulher saiu à noite e, quando voltou, começou a discutir com o marido, exigindo o pagamento de despesas diárias e dívidas de 10 mil patacas contraídas nos últimos anos. A conversa escalou para a violência, tendo o homem, segundo relato da Polícia Judiciária (PJ), agredido a mulher com uma barra de exercícios, o que a levou a pegar em duas facas em resposta à agressão. Nesta fase, o homem sentiu-se mal e desmaiou, tendo chegado ao hospital já sem sinais de respiração ou batimentos cardíacos. O homem sofria de doença cardíaca e ficou com alguns ferimentos no contexto desta disputa familiar, estando a PJ ainda a investigar se estes foram provocados pelas facas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público pela suspeita da prática de crimes de ofensa simples à integridade física, pela gravidade do resultado, e ainda o crime de produção, detenção ou utilização de arma ou coisa conexa proibida.
Andreia Sofia Silva EventosAntónio Mil-Homens apresenta nova mostra de fotografia É uma exposição de sóis e luas aquela que o fotógrafo António Mil-Homens apresenta amanhã na Casa de Vidro do Tap Seac, com inauguração marcada a partir das 18h30. “Põe-se o sol, nasce a Lua…” é o nome dado a um projecto de contemplação sobre o céu, sol e lua, elementos da natureza que compõem, por vezes, poéticas paisagens. “Há um tempo, todos os meses, em que a luz muda do dia para a noite numa transição suave. O sol põe-se e a lua nasce. E, se a paisagem ajudar, a Natureza é o palco perfeito para uma peça fotográfica se desenrolar. Basta pegar na câmara e fotografar, fotografar! Difícil é parar. Pode acontecer que, com o Sol há muito tempo desaparecido, dê consigo a desfrutar do brilho da Lua”, descreve uma nota da Casa de Portugal em Macau (CPM), que promove a iniciativa. Parabéns a você Amélia António, presidente da CPM, descreve que a exposição, que fica patente até ao dia 8 de Novembro deste ano, chega ao público no dia do aniversário de António Mil-Homens, que celebra 77 anos. Reúne-se, assim, “um conjunto de fotografias que convida a contemplar a beleza efémera do nascer e do pôr do sol, tendo Portugal como cenário privilegiado”. Há muito que o fotógrafo, que viveu em Macau muitos anos, mantém uma colaboração regular com a CPM. “A sua ligação à Casa de Portugal foi igualmente reforçada através dos inúmeros cursos e workshops de fotografia que aqui leccionou, partilhando conhecimentos, formando novos entusiastas da arte fotográfica e inspirando sucessivas gerações de fotógrafos”, é frisado. António Duarte Mil-Homens nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1949. Essencialmente autodidacta, começou a fotografar regularmente em 1974, no dia 25 de Abril, quando teve nas mãos a primeira máquina fotográfica. Com o Curso Profissional da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, frequentou igualmente vários workshops de Fotografia Digital. Com uma carreira de mais de 52 anos, passou pelo fotojornalismo, publicidade, eventos e desporto.
Andreia Sofia Silva EventosHong Kong | Clockenflap regressa com The Jesus and Mary Chain e Slowdive O Clockenflap está de volta entre 4 e 6 de Dezembro e já são conhecidos alguns nomes em cartaz: The Jesus and Mary Chain, Queens of The Stone Age e Slowdive. Os bilhetes estão à venda e custam 2.180 dólares de Hong Kong para os três dias e 1.380 dólares de Hong Kong para um dia O Central Harbourfront Event Space vai receber, em Dezembro, mais uma edição do festival de música Clockenflap, que habitualmente traz a Hong Kong um punhado de bandas com estilos de música muito diversos, tanto locais como internacionais. Os primeiros nomes do cartaz foram anunciados esta quarta-feira e incluem bandas com longa carreira como The Jesus and Mary Chain e Slowdive, que actuam no último dia do festival, e Queens of The Stone Age que promete encher o Central Harbourfront no sábado. Importa ainda frisar as confirmações de Hayley Williams, Keshi ou Malcolm Todd, a “estrela em ascensão do R&B alternativo”, descreve a organização em comunicado. Os The Jesus and Mary Chain são uma dupla escocesa de rock alternativo formada em 1984. Os irmãos Jim e William Reid decidiram parar durante oito anos e voltaram aos palcos em 2007. “Just Like Honey”, gravada nos anos 80, é um dos seus êxitos, tendo feito parte da banda sonora do filme “Lost in Translation – Um Amor é um Lugar Estranho”, de Sofia Coppola. Hayley Williams, vocalista dos Paramore e “conceituada artista a solo”, será um dos destaques do cartaz no sábado, 5 de Dezembro. Já Keshi, “fenómeno do R&B alternativo”, sobe ao palco do festival logo no dia de arranque, sexta-feira. Os Slowdive actuam domingo, no mesmo dia que os The Jesus and Mary Chain. A banda britânica de rock surgiu em 1989 em Berkshire, Inglaterra, sendo composta por Nick Chaplin, Rachel Goswell – que é co-vocalista, teclista e guitarrista – Neil Halstead e Christian Savill. Numa entrevista recente concedida ao semanário português Expresso, a propósito da actuação da banda em Portugal, Rachel Goswell disse que não há planos para gravar um novo álbum. “Quando acabámos a digressão de 2025, em Julho, pensámos em tirar um ano sabático, descansar, com as nossas famílias… Mas continuámos a receber ofertas para tocar. Portanto, andamos a dar uns concertos – e na verdade tem sido bom. Normalmente, demoramos três anos até gravar um álbum, pelo que não começámos sequer a falar sobre isso.” O palco do Clockenflap recebe na sexta-feira ainda Kim Gordon, que foi vocalista dos Sonic Youth, banda que esteve nos palcos entre os anos de 1981 e 2011. Dentro do género jazz o público pode ver e ouvir DOMi & JD Beck, ou ainda os Digable Planets, “lendários pioneiros do hip-hop alternativo”. O cartaz fica preenchido com a cantora e compositora Daniela Andrade, artista com raízes nas Honduras e no Canadá e que vem a Hong Kong mostrar o seu talento. No website oficial da artista lê-se que Daniela, como alguém que faz música de forma independente, construiu um percurso que aposta “na simplicidade acústica, em soul com influências de jazz, R&B e produção electrónica experimental”. “O facto de se mover entre o inglês e espanhol dá à sua música uma larga panóplia de emoções e permite-lhe contar histórias dos dois lados do seu percurso”, lê-se ainda. O festival tem ainda confirmado o “aclamado duo de pós-punk” Sleafor Mods, bem como Marcel Dettmann, DJ alemão que tem marcado pontos no mundo da música electrónica. Dentro do género house e techno o cartaz do festival apresenta o projecto local “HE.R Soundsystem”, composto pelos DJ Cocoa Zhou e Alex Nude. Experiências paralelas A organização do festival destaca o “impressionante cenário ao ar livre” para ouvir esta panóplia de artistas, estando “enquadrado pelo imponente horizonte urbano”. Oferece-se aos amantes de música “a experiência completa de um festival de classe mundial que o tornou num evento imperdível”. Além dos palcos, o público pode desfrutar de outro tipo de actividades, como instalações artísticas, workshops e outro tipo de espectáculos pensados para toda a família. O Clockenflap Music & Arts Festival já tem bilhetes à venda, sendo que o passe para os três dias custa 2.180 dólares de Hong Kong, enquanto um ingresso para um dia 1.380 dólares de Hong Kong. O cartaz ainda não está fechado e há mais nomes de bandas e músicos a serem confirmados nas próximas semanas.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMedicina | Director da FMUL vinca aposta na formação “internacional” O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa quer desenvolver “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional” com a Universidade de Macau, com licenciatura e mestrado. Em entrevista ao HM, o médico diz que Macau tem as condições ideais para a cooperação nesta área Foi em Abril deste ano que a Universidade de Macau (UM) e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) assinaram um acordo-quadro para a criação de uma licenciatura de medicina clínica em Macau, na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, e também um mestrado integrado em parceria com a FMUL. Em entrevista ao HM, o director da FMUL, João Fonseca, considerou que a ideia é promover “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional”, sendo que, nesta fase, as duas instituições de ensino estão ainda a “trabalhar no desenho final detalhado do programa e do modelo de funcionamento” dos cursos. “A contribuição da FMUL passará, sobretudo, pela experiência acumulada no ensino médico, desenvolvimento curricular, metodologias pedagógicas e de avaliação”, disse. A cooperação abrange ainda áreas como a “formação de docentes e participação directa no ensino nas áreas onde for necessário, e ainda pela articulação entre as componentes científica e clínica do curso”. O director da FMUL destacou que outro dos objectivos é “criar condições para uma mobilidade efectiva de estudantes e docentes entre Macau e Lisboa e o desenvolvimento de projectos conjuntos de investigação”. Pretende-se, desta forma, “construir um programa adaptado ao contexto local, mas alinhado com padrões internacionais exigentes de formação médica”. Parcerias concorrentes Há muito que a FMUL colabora com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) no curso de medicina. João Fonseca refere que a cooperação na UM será um complemento à formação já existente. “A cooperação com a MUST pode continuar e aprofundar-se, ao mesmo tempo que desenvolvemos este novo projecto estruturante com a UM. Para a FMUL, é muito positivo poder estabelecer pontes com diferentes instituições académicas de Macau”, declarou. O director da FMUL acrescentou que “a grande novidade deste projecto é a criação de um curso de Medicina na Universidade de Macau, uma universidade pública, desenvolvido em parceria com a Universidade de Lisboa. Queremos contribuir para a formação de médicos com preparação científica e clínica de elevada qualidade, capazes de responder às necessidades futuras de saúde da população de Macau e da grande área envolvente de Macau”, explicou. Outra aposta é recorrer à formação médica “como ponto de partida para uma cooperação mais ampla nas áreas da investigação biomédica, investigação clínica, inovação e formação pós-graduada”, para que se crie com Macau “uma parceria académica e científica de longo prazo”. No que diz respeito à parceria com a MUST, que tem uma Faculdade de Medicina que também disponibiliza um programa académico na área de Farmácia, João Fonseca diz que tem sido “muito positiva”. Desde 2019 que as duas entidades colaboram. “Essa relação tem vindo a evoluir para áreas que vão além do ensino médico, incluindo encontros científicos, colaboração entre docentes e investigadores e projetos internacionais conjuntos”, rematou o director da FMUL.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePátio do Espinho | Aliança do Povo quer reabilitação e “Corredor Cultural” A Aliança do Povo defende que a revitalização do Pátio do Espinho deve assegurar a reabilitação de casas e sítios respeitando a arquitectura original. É defendida a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau”, que ligue o Pátio do Espinho à zona das Ruínas de São Paulo “Preservar a vivência quotidiana e revitalizar o património histórico”. Estes são objectivos que a associação Aliança do Povo de Instituição de Macau pretende que o Governo cumpra no plano de revitalização do Pátio do Espinho, bairro muralhado situado atrás das Ruínas de São Paulo. Segundo um comunicado enviado às redacções, assinado pela vice-presidente Tong Ho Laam, defende-se a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau” que estabeleça a ligação entre um Pátio do Espinho renovado e as Ruínas de São Paulo, o Templo de Na Tcha e a Fortaleza do Monte. A vice-presidente recorda que o Pátio do Espinho “fica a poucos passos das Ruínas de São Paulo e beneficia de uma localização privilegiada, reunindo condições para atrair residentes e visitantes”. Pede-se, assim, a preservação de características culturais e arquitectónicas das casas segundo o conceito de “micro-reabilitação”, ou seja, “preservar o antigo como antigo e construir o novo como se fosse antigo”. Alguns dos espaços mais importantes a ter em conta na reabilitação, segundo a associação, são “o antigo poço, as muralhas e as árvores centenárias”. Velhos contadores A Aliança do Povo pede também melhorias nas infra-estruturas “envelhecidas”. “Muitas habitações encontram-se degradadas. Devido a questões relacionadas com a propriedade das casas ou preservação do património, em algumas habitações não é possível aumentar a capacidade dos contadores de água e luz, ou até instalar mais”, é explicado. Desta forma, alerta a associação, “são frequentes cortes de luz em períodos de maior consumo no Verão”, enquanto que “alguns moradores apontam insuficiências nas condições de higiene e nos equipamentos de combate a incêndios”. Além disso, existe “proliferação de ratos”. Assim, a vice-presidente pede que o Governo dê prioridade à reabilitação das velhas redes de esgoto, melhore o abastecimento de água e de electricidade, modernizando cabos e instalando bocas de incêndio, a fim de reduzir riscos para a segurança da população. Na segunda-feira, o grupo de trabalho especializado de renovação e revitalização do Pátio do Espinho reuniu a propósito deste projecto. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, está em curso o “Projecto conceptual preliminar do estudo espacial urbanístico e planeamento de bairros comunitários do Pátio do Espinho”, que inclui inspecções ao local para levantamento das necessidades de reabilitação. Pretende-se realizar “a optimização e reordenamento do espaço ambiental e paisagem urbana das ruas”, bem como “potenciar o aproveitamento dos recursos culturais e turísticos para melhorar o ambiente habitacional”. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, garantiu que “no processo de renovação e revitalização do Pátio do Espinho, procurar-se-á assegurar o equilíbrio entre a conservação, salvaguarda do património cultural e o desenvolvimento”.
Andreia Sofia Silva EventosCotai | Concerto de mandopop com Jane Zhang este sábado no Galaxy São 21 anos de carreira celebrados da melhor forma: em palco. É já este sábado que a Galaxy Arena recebe o espectáculo da diva de mandopop Jane Zhang. O regresso da cantora a Macau será marcado por um repertório feito de mais de duas décadas de sucessos A sala de espectáculos Galaxy Arena acolhe este sábado, a partir das 20h, um concerto que não só tem o género musical mandopop como protagonista como também celebra os 21 anos de carreira de uma artista bem conhecida neste universo. Jane Zhang traz a Macau a sua digressão mundial “Chasing World Tour”, fechando uma série de espectáculos que já a levaram a diversos locais, um deles Singapura, em Agosto. “Vinte e um anos depois, ela continua a perseguir os seus sonhos, a evoluir e superar-se a si própria”, lê-se no website do Galaxy. Jane Zhang é a “grande estrela do mandopop”, prometendo uma “noite marcante” em Macau, ou não fosse o espectáculo de sábado “o grande final da digressão mundial”. “Ao longo das últimas duas décadas que Jane Zhang manteve-se empenhada em ultrapassar os seus limites através da música, abraçando novas possibilidades em cada marco e transformação. Esta noite não é apenas o brilhante final de ‘Chasing’, mas é também uma promessa especial entre Jane e os fãs”, é descrito. O concerto no Galaxy Arena deverá ser uma forma de “celebração de memórias partilhadas e da jornada que percorreram juntos”, ou seja, a cantora e os fãs que nunca deixaram de acompanhar as suas músicas. Sábado promete ser um dia de união “do amor e da música”. A “princesa” de Chengdu Jane Zhang, de nome Zhang Liangying, é uma artista com voz melodiosa e um percurso de sucesso em crescimento desde 2005, quando participou num concurso televisivo que lhe mudou a vida. Nasceu em Chengdu em 1984 e é conhecida como a “Princesa Golfinho” [Dolphin Princess] da pop cantada em mandarim. O sucesso começou em 2005 quando ficou em terceiro lugar num concurso de talentos intitulado “Super Girl”. Segundo escreveu o South China Morning Post sobre a artista em 2019, a morte precoce do pai obrigou Jane a trabalhar cedo, nunca pensando que a música seria a sua vida e carreira. No vídeo que fez para o concurso “Super Girl”, disse: “Sempre gostei de música quando era criança”, admitiu. A sua referência era a cantora Mariah Carey. Após o concurso, assinou contrato com a editora Huayi Music, editando o primeiro disco logo em Dezembro de 2005, intitulado “The One”. No ano seguinte venderia um milhão de cópias. “Update”, o seu segundo álbum de estúdio, tornou-se um dos mais vendidos na China desse ano. O sucesso continuou, culminando na actuação nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando interpretou “One World, One Dream”, em dueto com Andrea Bocelli. Depois a carreira internacional começou a ganhar passos com o contrato assinado em 2009 com o Universal Music Group. Em Maio desse ano foi convidada no programa de Oprah Winfrey, nos Estados Unidos, tendo cantado, pela primeira vez, músicas em chinês para o público americano. Em 2014 a cantora mudaria novamente de editora, desta vez para a Sony Music Entertainment, e gravou o seu sexto álbum de estúdio, “The Seventh Sense”. Dois anos depois lançou uma canção em inglês, intitulada “Dust My Shoulders Off”. Com esta canção Jane Zhang actuou no desfile da marca Victoria’s Secret em Xangai. Abril de 2019 marcou a edição do seu primeiro disco em inglês, “Past Progressive”. Todo este percurso de gravações bem-sucedidas pode ser visto e ouvido de perto no concerto de sábado na Galaxy Arena.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeTáxis | Dirigente diz que sector não é atractivo para motoristas A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego atribuiu 14 licenças para a exploração de 700 táxis, mas Tony Kuok, dirigente associativo, diz que podem ser necessários cerca de dois mil motoristas e que o panorama de negócio pode não ser atractivo Tony Kuok, presidente da União Geral dos Taxistas de Macau, defendeu que as novas licenças para táxis podem acarretar maior necessidade de motoristas e que há o risco de os profissionais não verem interesse na profissão. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Tony Kuok estimou que podem ser necessários mais de dois mil motoristas de táxi para dar resposta às 14 licenças atribuídas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), e que trarão mais 700 veículos para o mercado. Cada licença terá a duração de oito ano, sendo que os novos veículos de transporte vão entrar gradualmente em operação a partir do segundo e terceiro trimestre do próximo ano. Tony Kuok salientou que, na actual situação, pode não ser fácil atrair novos profissionais. “Para os novos motoristas que entrem no sector, tudo vai depender dos benefícios que tenham no trabalho e quanto vão conseguir ganhar. Muitos dos motoristas mais antigos estão prestes a reformar-se e pode haver maior concorrência ao nível dos recursos humanos”, defendeu. Tony Kuok espera que o Governo reforce a fiscalização das condições de trabalho, para que estejam de acordo com o que está estipulado no caderno de encargos das licenças de táxi e para que os direitos dos motoristas estejam protegidos. O dirigente disse ainda que “as empresas devem ter sensibilidade em relação às necessidades dos motoristas e dos rendimentos que estes podem auferir”. “Se houver boas condições salariais, penso que os motoristas vão valorizar este trabalho e isso irá contribuir para um serviço melhor”, acrescentou. Pedido planeamento Ainda relativamente ao concurso de atribuição de novas licenças de táxi, as propostas vencedoras variam entre 5,1 e 6 milhões de patacas, valores superiores à proposta mais elevada do concurso de 2023, no valor de 3,8 milhões de patacas. O deputado Ngan Iek Hang, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), considerou que o elevado número de empresas participantes no concurso público, e ainda o aumento dos valores das propostas, mostram como o sector reconhece as possibilidades de desenvolvimento da profissão e a procura que existe no mercado. O deputado espera que o Governo acelere o processo de entrada de novos veículos no mercado. “É necessário analisar o panorama do transporte de passageiros, incluindo as zonas de tomada e largada de passageiros e o valor da bandeirada, para que se possa fazer um planeamento global.” Ainda segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ngan Iek Hang pediu um estudo mais abrangente sobre este sector, tendo em conta o cenário de deslocação dos residentes e visitantes. O deputado defendeu ainda um incremento da comunicação entre a DSAT e as empresas que vão operar as licenças, a fim de garantir formação adequada a motoristas para melhorar o serviço de táxis.
Andreia Sofia Silva PolíticaEspaços públicos | Criado registo para captura de imagem Capturar imagem e vídeo em espaços públicos vai passar a ter novas regras. É o que diz a proposta de lei relativa ao “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, cujo processo de revisão vai dar entrada na Assembleia Legislativa (AL). Segundo um comunicado do Conselho Executivo, que concluiu ontem a discussão em torno desta proposta, é criado um “regime de registo dos serviços remunerados de fotografia ou filmagem prestados em espaços públicos mediante acordo com terceiros no local, cabendo à Administração proceder à distribuição e gestão dos locais, períodos e vagas para a prestação dos serviços”. Esta mudança surge tendo em conta a “crescente procura de serviços de fotografia e filmagem que actualmente se verifica nos pontos turísticos”. A proposta de lei vem rever um decreto-lei de 1998, ainda do período da Administração portuguesa, e que regula uma série de actividades relacionadas com espaços de entretenimento ou uso de espaços públicos, a fim de facilitar a vida a muitos negócios. Outra das alterações passa pelo fim da exigência de licença, autorização ou registo para a realização de eventos ou abertura de negócios como espectáculos de danças tradicionais e de ópera chinesa sem fins lucrativos, leilões, bazares, feiras, salas de bowling, barbearias e cabeleireiros. Segundo a mesma nota, por se tratarem de “actividades ou eventos que não afectam a ordem e a segurança públicas, e cujos riscos já podem ser controlados” com a legislação em vigor, estas actividades deixam de estar sujeitas a um regime autónomo de condicionamento administrativo.
Andreia Sofia Silva EventosCasa de Macau | Rui Rocha apresenta a sua obra numa sessão das “Tardes de Chá” A Casa de Macau em Lisboa realiza hoje, a partir das 15h30, mais uma sessão da iniciativa “Tardes de Chá… com conversas e um livro”, com Rui Rocha, autor e ex-dirigente educativo. Segundo uma nota da associação, a apresentação de Rui Rocha irá incidir sobre “A Oriente do Silêncio e outros poemas”, editado pela N9na Poesia, sem esquecer outras duas obras escritas recorrendo a Macau como inspiração. A Casa de Macau oferece o chá nesta sessão, sendo possível levar doces e aperitivos para partilhar. Rui Manuel de Sousa Rocha nasceu em Lisboa no ano de 1948, tendo ascendência luso-chinesa de Macau, onde vive há 42 anos. Tem formação académica em sociologia e ciência política e ainda um doutoramento em educação e interculturalidade. Publicou vários artigos sobre política linguística, história das escritas, sociologia política, teoria geral da administração pública e ainda temas sobre as culturas chinesa e japonesa. Em Macau, foi subdirector dos Serviços de Administração e Função Pública, director do Gabinete de Ensino Superior e, no sector privado, director da Fundação Oriente-Macau e do Instituto Português do Oriente. Exerceu também funções docentes no ensino superior em Portugal e em Macau. Aposentou-se em Dezembro de 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau.
Andreia Sofia Silva EventosLago Sai Van | Ephemera Public Space Cooperative apresenta-se com “Bamboo Pagoda” A marginal do Lago Sai Van, em frente aos campos de ténis do Clube Militar, é local privilegiado para observar a instalação “Bamboo Pagoda”, criada pela Ephemera Public Space Cooperative, de João Ó e Rita Machado. A instalação de 13 metros de altura colocada sobre a água pode ser visitada até domingo Quem passar em frente aos campos de ténis do Clube Militar, ao frente ao Lago Sai Van, vai poder observar um projecto que mistura o tradicional bambu com arquitectura. Trata-se do “Bamboo Pagoda”, uma instalação com 13 metros de altura criada por uma nova cooperativa, a Ephemera Public Space Cooperative [Cooperativa do Espaço Público Efémera]. Pode ser vista até domingo, dia 11. A cooperativa é um projecto dos arquitectos João Ó e Rita Machado. No caso do Pagode de Bambu, a instalação “amplifica o espaço cívico de Macau através de uma das suas tradições de construção mais distintas, mas frequentemente esquecidas: os andaimes de bambu”, indica o colectivo em comunicado. Património Cultural Imaterial desde 2017, a construção em bambu ainda se vê nas ruas de Macau, constituindo, no caso desta instalação, um “ponto de partida” para o que pretende ser “um espaço de contemplação”, pois funciona “simultaneamente como miradouro e espaço onde os visitantes podem fazer uma pausa, respirar e restabelecer a ligação com a paisagem urbana”, é acrescentado. Segundo contou Rita Machado ao HM, “a sua forma afunilada evoca a verticalidade dos pagodes tradicionais, enquanto a planta octogonal se inspira no universo taoista e na ideia de equilíbrio entre as pessoas e a natureza”. O Pagode foi, assim, pensado como “um abrigo junto à água, onde se pode permanecer e observar a cidade com mais tempo”. “A estrutura de bambu e as camadas de tecido filtram a luz, proporcionam sombra e protecção solar, criando uma atmosfera que se transforma ao longo do dia. Queríamos aproximar quem a visita da paisagem e da história de Macau, reconhecendo também o valor de simplesmente permanecer num espaço público, sem um programa definido e ao ritmo de cada um”, adiantou Rita Machado. O projecto privilegia a “arquitectura sustentável que orienta também as escolhas construtivas”, já que o bambu utilizado “provém de estaleiros de construção e regressará a esse circuito após a desmontagem, para ser novamente utilizado”, indica o comunicado que apresenta o projecto. Já o pavimento do Pagode foi feito “com painéis produzidos a partir de resíduos de chá pela empresa local Chazence, integrando essa mesma preocupação de valorizar recursos existentes”. Espaço multidisciplinar É certo que Macau é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. Porém, o Pagode de Bambu oferece um repouso, “um contraste poético”, sendo “um lugar de tranquilidade, reflexão e reconexão”, convidando quem passa a “experimentar o silêncio”, algo raro num território sempre em movimento. “Suspensa sobre a água, a estrutura cria um refúgio temporário, ao mesmo tempo que reaviva práticas culturais imateriais enraizadas na espiritualidade, nos conhecimentos construtivos locais e na consciência ecológica”, revela o colectivo. A cooperativa Efémera pretende criar “projectos que activam e repensam o espaço público, tanto físico como digital, através de abordagens interdisciplinares que articulam arte, arquitectura, urbanismo, paisagismo e ambiente”, entre outras. Rita Machado explicou que, em iniciativas futuras, “o bambu vai continuar a ser uma das vertentes que interessa explorar, pela sua relação com Macau e o saber construtivo local”. A responsável adiantou que a cooperativa “reúne pessoas de diferentes áreas, e essa diversidade permite trabalhar com outros materiais, linguagens e formas de intervenção”. “O que une estes projectos é a cooperação e a vontade de contribuir para a vida dos espaços públicos. Queremos desenvolver propostas em conjunto com artistas, arquitectos, artesãos e a comunidade, cruzando o conhecimento de quem vive os lugares com diferentes práticas artísticas e construtivas”, frisou. Com a ideia de “activar o espaço público”, criando “novas razões e condições para o utilizar”, a Efémera quer acrescentar “um lugar de passagem que pode acolher uma pausa ou um encontro” ou até “uma instalação que pode dar origem a actividades culturais”. “Interessa-nos explorar estas possibilidades com quem frequenta os espaços, percebendo como podem enriquecer o quotidiano da comunidade. A cultura e o património de Macau são fundamentais nesse processo”, salientou. Segundo a arquitecta, “os próximos projectos deverão nascer dessa relação entre lugar, comunidade e criação colectiva”. “O nosso objectivo é ampliar as formas de viver o espaço público, através de propostas em que as pessoas possam participar e nas quais reconheçam algo da sua própria cidade”, rematou.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeRestauração | Semana Dourada não salvou o “Mariazinha” Termina hoje a Semana Dourada, mas nem a maior afluência de turistas ajudou à recuperação do negócio do restaurante português “Mariazinha”, que há muito acumula prejuízos. Fernando Marques, com um espaço aberto na Taipa velha, diz ter tido maior sorte A Semana Dourada é sempre tempo de mais turistas a deambular por Macau o que pode significar mais consumo, mas para a restauração isso nem sempre se traduz em maior afluência ou lucros. Que o diga o restaurante português “Mariazinha”, situado no coração do centro histórico, entre o Leal Senado e Ruínas de São Paulo, que teve poucos clientes. Nelson Rocha, proprietário do espaço, disse ao HM que pondera mesmo fechar portas. “O ano passado foi bastante fraco [na Semana Dourada de Outubro], e este ano foi ainda pior”, confessou. “Não estava a contar com a quebra deste último ano e meio, está a ser difícil manter o projecto e estamos a equacionar o que vamos fazer no futuro”, disse. Segundo Nelson Rocha, o “Mariazinha” fechou no ano passado “com prejuízo, e este ano também”. “Se não houver uma reviravolta na economia de Macau não podemos manter as portas abertas, porque não há como aguentar anos de prejuízos”, acrescentou. Nelson Rocha diz que hoje o turista consome de maneira diferente e que a diferença de preços face à China ajuda a este cenário. “Não tivemos grande afluência, infelizmente, e nos últimos tempos temos tido algumas quebras. Há vários factores para isso, como a conjuntura económica internacional e o facto de os consumidores que vêm da China terem menos poder de compra, pois Macau é mais caro.” Face aos anos pré-covid, o “Mariazinha” registou uma quebra no negócio de cerca de 80 por cento. “Antes trabalhávamos muito, especialmente nestes feriados em que tínhamos a casa cheia. Tínhamos de mandar pessoas embora, e agora temos de as chamar, e mesmo assim não é fácil.” Clientela local Fernando Marques tem um discurso mais optimista. O “Nando’s Portuguese Food” tem agora nova localização, ao lado do OTT – Old Taipa Tavern, e o empresário diz que isso o ajuda a ter mais clientes. “Senti mais clientela, e esta iniciativa do Governo de fechar a vila da Taipa [ao trânsito] também ajudou a que o turismo de massas ande na vila, com pessoas a passear nas ruas. Senti que este ano correu melhor do que no ano passado.” O empresário diz ter notado “um tipo de cliente diferente, que procura espaços europeus, coisas novas”. No que diz respeito à clientela, diz ter tido “sorte”, já que a grande maioria foi local. “Diria que 80 por cento da clientela são locais e tive essa sorte, porque muitos não saíram [de Macau] e isso deu para fazer a casa. Tenho locais e há quem marque mesa todas as semanas, até grupos grandes. Sinto que os locais saem mais, mas quando são, por exemplo, festas de anos, é mais fácil organizar em Macau. Não sinto muito a quebra pelo facto de as pessoas irem mais para fora”, adiantou. Fernando Marques diz que os produtos estão mais caros, mas que apenas aumentou os preços de pratos com bacalhau e polvo, “cinco por cento acima, não muito mais, se não, também afasta a clientela”, rematou.
Andreia Sofia Silva EventosCURB | Projecto “Masts Promenade” premiado em concurso Já são conhecidos os dez projectos de design vencedores do concurso “Placeable City – Placemaking em Hengqin 2026”, organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. O projecto que arrecadou o primeiro lugar intitula-se “Masts Promenade”, para a zona ribeirinha de Hengqin, e tem assinatura de António dos Santos Augusto e Jason Ng Sai Hung. Por sua vez, para a mesma zona, o projecto “Tidal Wave – Symbiosis Corridor”, de Sun Kai Hin, ficou em segundo lugar. Em terceiro lugar ficou o projecto de Wei Junjie para o Novo Bairro de Macau. Foram atribuídas duas menções honrosas, sendo que uma delas foi para o projecto “Sinfonia em Órbita” para a praça junto ao posto fronteiriço de Hengqin do lado de Zhuhai, e que tem autoria de Hoi Cheok Ieng e Leong Lok Ian. Segundo uma nota do CURB, esta edição do concurso de design, a segunda, centrou-se nos espaços públicos de Hengqin. Procurou-se “explorar o potencial dos espaços públicos comunitários em Hengqin”. “Ao promover o conhecimento sobre arquitectura e a criação de espaços, o concurso facilita o intercâmbio urbano entre as duas regiões, inspira a reflexão pública sobre o ambiente construído e impulsiona a melhoria colectiva dos espaços”, revela ainda a organização. O “Placeable City | Placemaking” é descrito como um concurso de design criativo “centrado na renovação de espaços e na criação de lugares, com o objectivo de revitalizar espaços públicos de pequena escala”. “Como abordagem à governação urbana, estas microintervenções preservam a textura urbana original, ao mesmo tempo que melhoram eficazmente a qualidade ambiental e espacial local”, é acrescentando. A primeira edição do concurso realizou-se em 2024 e teve a submissão de 24 projectos.