Andreia Sofia Silva EventosExposição de fotografia de Greg Girard para ver em Hong Kong Está patente na Galeria WKM, em Hong Kong, uma nova exposição de fotografia de Greg Girard, que viveu durante vários anos na região vizinha e que retratou, entre outras coisas, a antiga “Kowloon Walled City”, demolida em 1994. “HKG-TYO 1974-2023” é o nome da exposição individual do fotógrafo canadiano “conhecido pelas fotografias íntimas e cinematográficas de cenas nocturnas urbanas, paisagens urbanas e o quotidiano de trabalhadores e habitantes locais”, descreve a nota oficial sobre a exposição. Nesta mostra, apresentam-se imagens não apenas de Hong Kong mas de outra “casa” de Greg Girard, nomeadamente o Japão, revelando-se “a era de industrialização e crescimento” do país. Assim, “guiado por uma curiosidade investigativa inabalável e pela apreciação do que é ignorado, as composições exuberantes, encantadoras e, por vezes, melancólicas de Girard capturam a vulnerabilidade e a vitalidade de duas cidades em plena metamorfose”, é descrito. As fotografias que o público pode ver nesta exposição “oferecem um ponto de acesso à euforia e às dores de crescimento que acabaram por moldar Hong Kong e Tóquio tal como as conhecemos hoje, tornando-se cápsulas do tempo que apontam simultaneamente para o presente e para o futuro”. De Kowloon a Tóquio Greg Girard nasceu em Vancouver em 1955, tendo começado a fotografar quando era ainda um aluno do ensino secundário. Depois foi para Hong Kong, Japão e Xangai, tendo ficado “cativado pelas cidades chocantemente futuristas que encontrou”, documentando depois, ao longo da carreira, diversos locais da Ásia numa carreira de fotojornalista. Em “HKG-TYO 1974-2023” reúnem-se, pela primeira vez, as fotografias de Girard de Hong Kong e Tóquio dos anos 70 até aos dias de hoje, sendo que o primeiro contacto do fotógrafo com a região vizinha aconteceu em 1974. Depois chegou a vez de Tóquio, em 1976. A mesma nota dá conta de que “as fotografias desta exposição transportam-nos de volta à perspectiva de um descobridor deslumbrado a cartografar território inexplorado”, mostrando-se locais como Shibuya e Shinjuku, com os seus “letreiros intermináveis que deslumbram acima do pavimento húmido” e que servem de “complemento às calçadas repletas de carros do bairro dos bares de Hong Kong”. São “cidades que nunca dormem e que partilham muitas semelhanças” retratadas nestas fotografias. Não faltam ainda imagens da “fortaleza distópica” da “Cidade Muralhada de Kowloon”, em “Kowloon Walled City from SE Corner”, uma imagem de 1987, que se conjuga com “Platform Conductor, Ikebukuro”, de 1976, uma fotografia que “nos atinge como uma forte rajada de ar à medida que um comboio de metro vermelho reluzente passa a toda a velocidade”. Há ainda “fotografias mais recentes” da série “Snack Sakura”, tiradas entre 2017 e 2025, também relacionadas com estes anos.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMotociclos | Registadas mais de seis mil infracções em 2025 O CPSP aplicou, no ano passado, mais de seis mil infracções a motas que estacionaram de forma ilegal ou que obstruíram a entrada e saída de outros motociclos. Conselheiro do trânsito sugere incentivos para que os residentes consigam estacionar no sítio certo Continuam elevadas as multas aplicadas aos condutores de motociclos que estacionam onde não podem, e de forma ilegal. Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP), e noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau, revelam que só no ano passado houve 6095 motociclos que, por estarem mal estacionados, causaram problemas de congestionamento de trânsito, bloqueando acessos ou impedindo a saída de outras motas. Deste grupo de multas, 664 dizem respeito a motociclos que estacionaram de forma errada, impedindo a saída de outra mota do lugar onde estava estacionada. Os responsáveis do CPSP adiantaram que muitos residentes estacionam os seus motociclos de forma errada, o que faz com que uma mota ocupe dois lugares, obstruindo as faixas adjacentes. O CPSP explica ainda que, durante as inspecções realizadas pelos agentes, estes analisam o panorama do estacionamento das motas, aplicando multas caso parte da mota esteja a ocupar a outra faixa, obstruindo a circulação no local; ou ainda se as motas estiverem estacionadas de forma a impedir a entrada ou saída de outros motociclos do lugar de estacionamento. Mais videovigilância Sobre os lugares onde ocorrem mais infracções do género, o CPSP prometeu comunicar mais com outros departamentos públicos na partilha de informações e opiniões, equacionando a instalação de câmaras de videovigilância ou de detecção de estacionamento ilegal, a fim de melhorar o panorama das multas. Por seu turno, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Wong U Kei, sugeriu que as autoridades lancem ofertas ou acções de promoção em parques de estacionamento a fim de levar os condutores de motociclos a escolher, com prioridade, estes parques para procurarem lugares de estacionamento antes de se deslocarem. “Podem ser oferecidos mais incentivos aos motociclistas para parques de estacionamento. Recentemente alguns parques públicos oferecem os primeiros 15 ou 30 minutos, o que faz com que os residentes optem pelos parques” ao invés de estacionarem na rua. O responsável acrescentou que os incentivos, como minutos gratuitos ou outros, evitam que “um lugar de estacionamento fique ocupado com dois motociclos”, podendo até “mudar os hábitos de deslocação”. “Eu sou um desses exemplos, porque antes de me deslocar procuro sempre ver onde há vagas de estacionamento para motos”, disse Wong U Kei.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaVisita Sam Hou Fai | Esperado novo impulso na cooperação Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, chega a Portugal esta semana, com promessas de maior cooperação na bagagem. A economista Maria Fernanda Ilhéu pede facilitação do processo de residência para portugueses, enquanto Bernardo Mendia, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa diz que podem sair “resultados diferentes, mas complementares” das passagens por Madrid e Lisboa O que esperar daquela que é a primeira visita oficial de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, a Portugal e Espanha, nessa qualidade de governante? Muita coisa, sobretudo maior proximidade empresarial no âmbito do relacionamento entre Portugal e China, sem esquecer áreas como a tecnologia e investigação, segundo afirmaram ao HM dois analistas. A economista Maria Fernanda Ilhéu, presidente da Associação Novos Amigos da Rota da Seda (ANRS), espera que a visita “contribua para desenvolver um enquadramento favorável à cooperação sustentada entre as universidades e os centros de investigação científica portugueses”, com ligação a Macau, podendo existir maior “intercâmbio de alunos, professores e investigadores”. Tudo com o “objectivo de aprofundar a colaboração inovadora da Indústria-Universidade-Investigação, de Portugal com Macau e com o Interior da China”. Sam Hou Fai chega a Lisboa este sábado, estando programados encontros com dirigentes políticos e protocolos entre empresas. No âmbito desta visita ,decorre na segunda-feira, dia 20, um encontro intitulado “Iniciativas Macau – China – Portugal”, com uma “Sessão de Promoção de Cooperação Económica e Comercial Macau–Portugal”, no período da manhã e, à tarde, a sessão “Encontro em Shenzhen – Ano da China da APEC 2026 (edição dedicada a Portugal)”. Estes dois eventos são co-organizados pela Câmara de Comércio Luso-Chinesa (CCLC). Bernardo Mendia, secretário-geral da CCLC, descreve ao HM que a visita de Sam Hou Fai reveste-se de “significado institucional”, destacando o facto de “todos os Chefes do Executivo da RAEM, desde a sua criação, terem escolhido Portugal como o primeiro destino de visita oficial fora da Ásia”. Trata-se de uma “tradição não é meramente protocolar”, mas que “é o reconhecimento explícito de que Portugal ocupa um lugar central e insubstituível na política externa e na identidade de Macau”. No caso da viagem de Sam Hou Fai, “era esperada desde a primeira metade de 2025, tendo sido adiada duas vezes, primeiro devido às eleições legislativas em Portugal, depois por compromissos do próprio Governo de Macau. O facto de se ter insistido na sua realização, logo no primeiro semestre do mandato, demonstra que Lisboa continua a ser a prioridade diplomática para o novo Chefe do Executivo”, lembrou. Mais perto Para Bernardo Mendia, esta visita “ocorre num contexto de reaproximação entre a China e o sul da Europa”, numa altura em que Macau “se está a posicionar como parte de um movimento coordenado de aproximação, alargando o seu papel tradicional de plataforma para os países de língua portuguesa também ao espaço hispano-americano”. O secretário-geral da CCLC lembra que, para Portugal, esta aproximação ao universo espanhol “não é o ideal, uma vez que dilui a nossa relevância no contexto da competição pelo IDE [Investimento Directo Estrangeiro] chinês e colocação dos nossos produtos na China”. Porém, também podem “surgir oportunidades neste novo contexto, considerando a abundância de território e recursos existentes nos países de expressão espanhola em conjugação com a posição e experiência das empresas e entidades portuguesas em Macau”. Tendo em conta este relacionamento chinês com Portugal e Espanha, da visita de Sam Hou Fai podem sair “conclusões diferentes, mas complementares”, entende Bernardo Mendia. “Em Portugal, [a visita] será lida como um reforço da função de plataforma e um gesto de continuidade institucional. Em Espanha, será interpretada num quadro mais amplo: o de Madrid como porta de entrada para a China no sul da Europa e de ponte para os mercados hispano-americanos, algo que poderá alinhar como a própria estratégia de Macau”, analisou. Pragmatismo precisa-se Bernardo Mendia pede ainda que haja uma “modernização pragmática da cooperação” entre Portugal e Macau”, devendo o país “olhar para além do valioso legado histórico e focar-se em sectores de futuro, como a economia azul, a transição energética e a alta tecnologia”. Assim, “a criação de plataformas de inovação entre universidades e empresas de ambas as partes, focadas em áreas como a inteligência artificial e as biociências, será determinante para capitalizar o potencial que ainda temos por explorar”, destaca Bernardo Mendia, um pouco à semelhança do que defende Maria Fernanda Ilhéu. O secretário-geral da CCLC diz ser “fundamental o reforço do papel do Fórum Macau e a criaçāo de mecanismos que facilitem a mobilidade de talentos e empresários”, cabendo depois às câmaras de comércio “intensificar as missões empresariais sectoriais”. Mais vistos Maria Fernanda Ilhéu espera ainda que a visita de Sam Hou Fai possa abrir “uma via diplomática para que os vistos de permanência para cidadãos portugueses qualificados naquele território sejam facilitados, não só pela perspectiva de construção na RAEM como um ‘centro internacional de talentos de alto nível’, mas também tendo em consideração o que foi estipulado na Declaração Conjunta”, recorda. A economista, que viveu em Macau, destaca que “os vistos de residência em Macau para portugueses tornaram-se, desde Agosto de 2023, mais difíceis, sendo estes agora tratados como outros estrangeiros”, sendo “enquadrados no reagrupamento familiar ou posse de competências técnicas muito específicas”, ficando equiparados a outros “blue cards”. Para a responsável, “este comportamento administrativo parece desajustdo com os objectivos do Plano Quinquenal de Macau para os próximos cinco anos e o convite do governo de Macau faz para as empresas e outras instituições portuguesas, nomeadamente académicas e desenvolvimento científico participem no desenvolvimento da Zona de Hengqin”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaVisita a Portugal | Sam Hou Fai quer assinar 39 protocolos O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, chega a Lisboa este sábado para a primeira visita oficial ao país nessa condição. Em entrevista à TDM, disse que serão assinados 39 protocolos numa viagem marcada por encontros com os mais altos dirigentes políticos portugueses e com o México debaixo de olho Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, leva a agenda cheia naquela que é a sua primeira viagem a Portugal e Espanha na condição de governante máximo de Macau. Na sua deslocação à Europa, não faltarão passagens por Bruxelas e Genebra. O itenerário foi referido pelo próprio em entrevista à TDM, descrevendo que, consigo, leva uma delegação de 120 empresários e representantes de mais 20 empresas da região da Grande Baía, onde Macau se integra. Segundo foi noticiado pelo Canal Macau e Rádio Macau da TDM, Sam Hou Fai adiantou que haverá encontros políticos, abordando-se ainda a cooperação económica e comercial, devendo ser assinados 39 protocolos “com entidades ou empresas de Portugal, abrangendo-se diversos domínios como o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, a Big Health e a tecnologia de ponta”, disse o governante. Ainda não é conhecida a agenda da visita em Lisboa, mas a TDM noticiou que estão previstas reuniões ou encontros com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro Luís Montenegro e José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República. Tribunais mais próximos Sam Hou Fai não quis adiantar na entrevista a data da realização da nova reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, que será a sétima. “Os trabalhos preparatórios foram iniciados no ano passado, mas a sua realização foi adiada devido a vários factores. O Governo da RAEM está a coordenar estreitamente os trabalhos com as autoridades portuguesas, a data exacta e a agenda serão anunciadas oportunamente”, disse. Nesta viagem, está presente o objectivo de reforçar a cooperação judiciária com Portugal, estando na calha encontros com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. “Vamos discutir o reforço contínuo do intercâmbio e da cooperação bilateral no domínio judicial. A par disso, esperamos ainda obter um maior progresso na assinatura do acordo de cooperação judiciária”, referiu. Sam Hou Fai, que durante mais de 20 anos presidiu ao Tribunal de Última Instância, descreveu que “os tribunais de Macau têm tido um bom funcionamento, sendo a independência judicial amplamente reconhecida e o contributo dos juízes portugueses tem sido importante”. Olhar a América Latina “Para além de empresas de Macau e de Hengqin, participam mais de 20 empresas de renome da Grande Baía e de outras províncias da China. Sendo esta a primeira vez que o Governo organiza uma visita com um formato mais abrangente, estou convicto de que podemos apoiar e potenciar melhor a função de Macau como ‘elo de ligação infalível’ entre a China e os países de língua portuguesa”, acrescentou na entrevista. Tendo em conta que os países de língua espanhola já fazem parte da equação política no que diz respeito à cooperação económica de Macau está na calha o aprofundar de relações com Espanha, tendo o México e o Brasil no horizonte. Madrid, capital espanhola, entra nesta viagem entre os dias 21 e 23. “Tanto a Espanha como Macau são destinos turísticos de renome a nível internacional e ambos têm um grande espaço de cooperação na área do turismo”, disse, estando prevista a realização de “uma grande campanha de promoção turística em Madrid, com o objectivo de atrair turistas espanhóis e internacionais a visitarem Macau”. Contar-se-ão também dez protocolos assinados com empresas e entidades espanholas. Em relação ao México, Sam Hou Fai disse que “a população total de todos os países de língua espanhola é de aproximadamente 600 milhões, o que representa um mercado de grande potencial”, sendo que “o reforço do intercâmbio e da cooperação com Espanha é apenas o início”. “Posteriormente será alargado a outros países de língua espanhola, como por exemplo o México”, frisou, admitindo que pode ainda acontecer uma viagem ao Brasil.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Nova exposição de fotografia a partir de domingo É inaugurada este domingo, dia 12, uma nova exposição de fotografia na Creative Macau. “Human Presence” é organizada pela Halftone – Associação Fotográfica de Macau, e pode ser visitada até ao dia 5 de Maio, reunindo trabalhos de 14 membros da associação que se dedicam à fotografia de forma profissional ou amadora. Na mostra constam nomes como Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Henry – Chao Kai Hang, Inela Kovacevic ou João Palla, entre outros. Segundo uma nota oficial, é oferecida ao público “a interpretação [dos fotógrafos] do tema, contribuindo para uma colecção rica e visualmente diversificada”. Neste caso, o tema é a “presença humana” nomeadamente em “sociedades caracterizadas por uma variedade de expressões e representações culturais”. Desta forma, o “foco [das imagens] vai desde a individualidade da figura humana até às formas como os indivíduos pertencem a comunidades, ambientes ou paisagens urbanas”. Esta exposição traz, assim, “um amplo espectro visual e estético, apresentando fotografia tradicional, contemporânea e conceptual, tanto a preto e branco como a cores”. Convida-se, assim, o público a “reflectir sobre a importância da ‘Presença Humana’ na formação das sociedades e das identidades culturais”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLivro | Obra de Huang Qichen sobre História de Macau editada em português “História Geral de Macau” é a tradução para português de um livro editado nos anos 90 e agora revista. O académico Huang Qichen imprimiu nela os principais acontecimentos da história do território desde o tempo das dinastias imperiais até 2019, contando-se, sob a perspectiva chinesa, muitos detalhes da administração portuguesa e do relacionamento com os chineses. A obra, editada pela Caminho, foi lançada no CCCM esta quarta-feira O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolheu esta quarta-feira o lançamento de “História Geral de Macau – Desde a Antiguidade até 2019”, da autoria de Huang Qichen, e que ganha agora tradução para português graças ao trabalho de seis anos da professora Hu Jing. A edição no mercado editorial português esteve a cargo da Caminho, na figura de Zeferino Coelho, contando com revisão do professor Carlos Ascenso André. Na apresentação, Zeferino Coelho, editor das obras do Prémio Nobel José Saramago, destacou a importância de ter uma obra deste género no mercado português. “Talvez há cinco anos recebemos na Leya [grupo editorial a que pertence a Caminho] uma proposta de edição da História Geral de Macau. Perguntaram-me se me interessava por isso, e eu disse que sim, sobretudo porque era um chinês a escrever sobre a história de Macau. Nunca tinha visto o que os chineses escrevem acerca da história de Macau”, descreveu. Zeferino Coelho disse que “as coisas levaram o seu tempo, pois queria fazer uma coisa bem feita, e não em cima do joelho”, tendo o processo sido “acompanhado quase linha a linha”. “Estou muito feliz com a edição deste livro, porque não sendo historiador ou competente para falar do [conteúdo do] livro, li-o com muito gosto e parece-me de fácil leitura. É um livro de divulgação e não propriamente de investigação histórica, dando-nos aquilo que precisamos de saber, com os aspectos mais e menos agradáveis da nossa passagem por Macau. A verdade é para ser dita e deve ser entendida por todos nós”, apontou. A sessão contou com comentários do professor Jorge Santos Alves, coordenador do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Este descreveu uma obra que “está a meio caminho entre o que costumo chamar de divulgação séria e trabalho académico”, estando também “muito satisfeito com o trabalho de tradução”, pois não se trata “de uma tradução literal ou trabalhada para um público português/ocidental”. Novas perspectivas Jorge Santos Alves referiu ter conhecido Huang Qichen em 1992, numa conferência que procurou reunir, na Casa Garden, em Macau, historiadores e académicos portugueses e chineses em torno da história do território. “Não me surpreende que mais tarde, em 1999, Huang Qichen tenha editado uma história geral de Macau”, destacando esta edição agora, que constitui “o regresso de Macau ao panorama editorial comercial de Portugal”. “Na perspectiva do utilizador, é muito interessante poder contar com uma perspectiva historiográfica completamente diferente das perspectivas historiográficas ocidentais e, em particular, a portuguesa”, adiantou o docente da UCP. “Acho muito bom que os historiadores portugueses tenham contacto com a cultural dos colegas chineses, e se a tradução for como esta, tanto melhor.” Contra mitos Jorge Santos Alves elencou oito pontos importantes desta obra, que faz o leitor reflectir sobre a questão de Macau, as questões de soberania ou mera transferência de poderes de Portugal para a China, em 1999; ou ainda o relacionamento entre as comunidades portuguesa, macaense e chinesa. O docente da UCP destacou, desde logo, a cronologia escolhida por Huang Qichen, focada nas dinastias do antigo império. A obra passa, portanto, pela posição de Macau no tempo das dinastias Ming e Qing, indo depois ao período republicano e até 1949, quando é fundada a República Popular da China. Seguem-se os meados do século XX e depois os anos posteriores à transição de 1999. Jorge Santos Alves referiu outro ponto importante do livro, pelo facto de este apontar para a questão da “fundação de Macau”. “Uma das coisas que a academia chinesa faz há vários anos é recusar a ideia do mito fundacional de Macau, a ideia de que Macau não existia e que era, portanto, um pequeno porto piscatório que, de repente, foi projectado como um porto a partir do momento em que os portugueses chegam a Macau, vamos dizer por volta de 1555 ou 1557. Ora, o que o professor Huang nos mostra, e que está dentro da linha historiográfica chinesa, e que sabemos que, historiograficamente está correto, é que não há nenhuma fundação de Macau e que há, sim, toda uma linha de continuidade da presença humana, rural, comercial e também cosmopolita naquilo a que hoje chamamos Macau”, desde os tempos da antiguidade. Deu-se depois um grande desenvolvimento no território a partir dos séculos XII e XIII, sobretudo na dinastia Ming, com Macau a tornar-se, nesses anos, “um ponto de apoio e de espera de todos os comerciantes que iam fazer negócio a Cantão”, sendo “oficialmente o porto aberto para o comércio com o grande império”. A obra de Huang Qichen explora ainda “a ideia de que Macau é um território chinês sob administração portuguesa”, enfatizando que “Macau foi sempre, na sua essência, um território chinês”. “Sabemos que, até do ponto de vista arquitectónico, Macau foi sempre uma cidade chinesa, e até ao século XIX falamos de uma cidade de matriz chinesa, cuja população era maioritariamente chinesa”, descreveu o docente, lembrando que o dinheiro que circulava também era chinês e onde “os principais agentes e grupos sociais e políticos eram chineses, em estreita ligação com a comunidade macaense, que foi absolutamente decisiva”. Houve, depois, “outros agentes, a que chamaríamos metropolitanos, e que, na altura, se chamavam reinóis”. Jorge Santos Alves lembrou que “os macaenses foram, juntamente com os agentes chineses, absolutamente extraordinários para a sobrevivência de Macau”, sendo um ponto que sobressai da leitura de “História Geral de Macau”. Que soberania? O docente da UCP lembrou também que esta obra faz referência “à ideia de que Portugal exerceu apenas um direito de administração”, sobre o território, não sendo, portanto, uma “soberania colectiva”. “Uma das coisas interessantes é o facto de, ao longo da obra, o professor Huang Qichen insistir na ideia de que tudo se fez através do pagamento de uma taxa de aluguer (palavras dele) no arrendamento [territorial]. Sabemos, pela documentação portuguesa, do chamado pagamento do foro de chão”, referiu Jorge Santos Alves. Foram estes pagamentos que cimentaram as relações comerciais entre os portugueses e as autoridades imperiais da dinastia Ming, algo que pode ser analisado à lupa na “História Geral de Macau”. O livro de Huang Qichen olha ainda para outras matérias, nomeadamente os vários acordos comerciais que portugueses e chineses tentaram assinar a propósito do estabelecimento dos portugueses em Macau, incluindo o Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, a 1 de Dezembro de 1887. Na visão de Jorge Santos Alves, “é muito interessante ver que também na perspectiva chinesa é a partir do século XIX que a presença portuguesa [em Macau] adquire uma outra característica ou modalidade, devendo ser vista no contexto mais amplo daquilo que foi o século da humilhação da China, iniciado após a Primeira Guerra Mundial, como talvez já tenham ouvido”, considerou. Houve, depois, “um conjunto de tratados desiguais impostos à China por potências identitárias, incluindo os EUA, para poder, digamos, exercer direitos de soberania e outros relativamente a alguns territórios circunscritos”, adiantou o professor. Essencialmente, o que Huang Qichen faz na sua “História Geral de Macau”, agora traduzida, é referir “que há uma continuidade de relações pacíficas e harmoniosas entre Portugal e a China em Macau”, tirando alguns momentos “de maior tensão”. “Ele fala, o que me parece muito bem, do destaque da comunidade macaense, da qual muitas vezes nos esquecemos, e fazemos muito mal em nos esquecermos dela”, disse Jorge Santos Alves, que destacou também o facto de o autor da obra encarar como “aspecto positivo” Macau ser “um espaço de intercâmbio”, de “expressão sino-ocidental”. O que os leitores podem encontrar “é uma leitura muito equilibrada da parte do professor Huang Qichen, que vê Macau como uma espécie de laboratório de interacção cultural”. Sobre a transição propriamente dita, em 1999, Huang Qichen interpreta-o como sendo “o evento da como a restauração da soberania chinesa e não como uma simples transferência de soberanias”, quando Macau “regressou à terra”. “Repare-se no termo usado pela professora Hu Jiang [na tradução], o regresso de Macau à terra-mãe chinesa. Este ponto é essencial na narrativa contemporânea e, também, de Huang Qichen, do regresso de Macau à China após, segundo palavras dele, um período histórico anónimo, mas longo.”
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCalçada portuguesa | Defendida mudança mantendo traços originais O arquitecto Tiago Aleixo, que na Câmara Municipal de Lisboa esteve ligado a projectos de renovação da calçada portuguesa, defende que é possível uma substituição em prol de maior segurança sem que se alterem traços históricos e fala dos casos bem-sucedidos em Lisboa “Macau quer substituir calçada portuguesa por ser perigosa quando molhada. Este assunto não é novidade em Lisboa, pois na altura em que entrei para a Equipa do Plano de Acessibilidades, já se falava deste assunto.” Foi desta forma que o arquitecto Tiago Aleixo comentou, nas redes sociais, uma notícia de que, em Macau, se pretende substituir a calçada portuguesa em algumas zonas por questões de segurança. A notícia foi avançada pela Lusa e data de Março. Para o arquitecto, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa (CML) e esteve envolvido em projectos de renovação da calçada portuguesa na capital, é possível uma substituição sem que se destruam os traços históricos e criativos deste tipo de pavimento tipicamente português. “Continuo a dizer que a estrada evoluiu dos cubos de basalto para os betuminosos, e porque não evoluem os passeios das calçadas para lajetas, por exemplo?”, questionou na mesma publicação, feita na rede social Linkedin. Contactado pelo HM, o arquitecto adiantou que “a calçada portuguesa é um tema muito interessante e controverso”, existindo a calçada artística portuguesa, com “a mistura de duas pedras cromaticamente diferentes, e que são colocadas com mestria” e depois a calçada regular, “sem desenhos ou padrões”. “Calçada é escorregadia” No caso de Lisboa, o arquitecto descreve que “não se pretende radicalizar a calçada artística, que deve ser mantida e preservada”, mas cita dados que falam da perigosidade deste tipo de pavimento. “A calçada é escorregadia e provoca quedas gravíssimas, principalmente na geração mais idosa. Também para quem anda de cadeira de rodas a trepidação traz um desconforto imenso e dores. Vê-se regularmente pessoas em cadeira de rodas a preferirem o perigo de andarem na estrada em vez de andarem nos passeios pelo desconforto que a calçada produz. Temos, portanto, um problema que tem de ser resolvido”, disse. Tiago Aleixo citou ainda dados do Plano de Acessibilidade Pedonal, da CML, quando se ouviram cerca de 200 pessoas com mais de 55 anos. Verificou-se que “metade destes já tinham caído no passeio e 92 por cento tinham medo de cair e achavam que o passeio era desconfortável”, segundo o documento. Assim, Tiago Aleixo explica que o que foi feito em Lisboa, nomeadamente na Avenida da República, foi “criar um percurso confortável e seguro com uma largura de 1,5 metros”, sendo usados “materiais que não escorregam, como lajetas com inerte à vista ou betão branco desactivado”. Depois, “à volta deste percurso a calçada pode coexistir”, descreveu. “Este percurso confortável é também um percurso acessível, querendo isto dizer que não pode ter qualquer obstáculo ou degrau em toda a sua extensão. Quando existe este tipo de percurso, vemos recorrentemente as pessoas a preferirem andar nele em vez de andar na calçada”, adiantou ao HM. Para Tiago Aleixo, tanto nos casos de Lisboa como de Macau “há muitas alternativas à calçada”, mas “o mais difícil será aceitar a primeira troca por outros materiais com maior aderência e superfícies mais regulares”. O arquitecto acredita mesmo que “a calçada pode sempre coexistir com os outros materiais”. Tiago Aleixo descreve que o padrão da calçada artística portuguesa mais conhecida é o “Mar Largo”, replicado no “Calçadão” do Rio de Janeiro e também em Macau. O arquitecto considera que existe “muita informação” sobre a calçada portuguesa, escrevendo-se “pouco sobre o quanto pode ser perigoso andar nela e quanto é desconfortável andar” nela. No que diz respeito à notícia adiantada pela Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais adiantou que a calçada poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. Este organismo diz que vai proceder a alterações depois de avaliar a “utilização das rodovias e os fatores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau. A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral. O IAM disse ainda que irá seleccionar os materiais de “acordo com diferentes situações”.
Andreia Sofia Silva Grande PlanoCasa de Macau | A vida de Gonzaga Gomes nos livros e a ligação à União Nacional Foi na Casa de Macau em Lisboa, esta terça-feira, que se recordou o professor, sinólogo, jornalista e tradutor Luís Gonzaga Gomes, que deixou uma extensa obra em português sobre Macau e, sobretudo, sobre os chineses. Jorge Rangel lembrou a sua ligação à União Nacional e histórias de infância com esta figura histórica, enquanto António Aresta, autor e ex-docente, defendeu a reedição total da obra completa desta personalidade macaense Fotos: Armando Cardoso Depois de Luís Gonzaga Gomes, falecido em 1976, ter sido lembrado na última edição do Festival Literário Rota das Letras, foi a vez de a Casa de Macau em Lisboa lhe prestar homenagem por ocasião dos 50 anos da morte desta personalidade macaense ligada às artes, letras e música, que deixou vasta obra e procurou aprofundar as relações entre chineses e portugueses, traduzindo muitas coisas do chinês ou escrevendo sobre a cultura do país do Meio. Luís Gonzaga Gomes dá mesmo nome a uma escola, a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes. A sessão na Casa de Macau contou com Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), que recordou histórias de infância com Gonzaga Gomes: primeiro a ter aulas de violino ainda criança na sua casa, bem perto da zona do Tap Seac; e depois como seu aluno no liceu. “Ele tinha uma irmã, Margarida Gomes, que foi minha professora de violino. Eu morava num edifício onde fica agora o Arquivo Histórico de Macau, era ali a casa dos meus avós. Treinava quatro vezes por semana, todas as tardes, e era ainda um miúdo quando, com sete ou oito anos, ia com o meu violino, que pesava bastante. Ia para um bairro muito simpático, com oito vivendas, e numa destas estava Luís Gonzaga Gomes com a irmã, ele solteirão, ela solteirona.” As conversas entre o pequeno Rangel e Gonzaga Gomes aconteciam enquanto o primeiro esperava pela lição, onde levaria com a varinha nos dedos sempre que se enganava nas notas musicais. “Era uma figura notável desde miúdo. Aprendi muito com o Gonzaga Gomes. Foi um privilégio notável”, adiantou Jorge Rangel. Nos tempos em que se podia jogar à bola junto ao Tap Seac, “onde, de vez em quando, passava um carro”, Jorge Rangel cresceu e recorda destes tempos um Gonzaga Gomes “fechado, reservado, que só se abria quando confiava no seu interlocutor”. “Admirava a sua colecção de arte chinesa, a sua colecção de música. Tinha uma sala só para ouvir música, o que era raro na altura, ter tanta música em casa. Ele tinha um ouvido extraordinário e conversávamos muito sobre arte chinesa, música e a memória de Macau.” Apesar de só ter o equivalente ao nono ano dos liceus, Luís Gonzaga Gomes foi professor do liceu, tendo dado aulas a Jorge Rangel. Novamente a relação, já na qualidade de professor-aluno, floresceu nos corredores da escola, por onde a conversa floresceu. “O Gonzaga Gomes tinha habilitações formais ao que hoje é 9.º ano. Era um ‘self made man’, um homem que estudou muito. Leu muito, e com estas habilitações foi professor de liceu”, disse. Jorge Rangel deixou Macau no seu sétimo ano para estudar fora e, quando regressou, já Luís Gonzaga Gomes estava no fim da vida. Mantiveram correspondência. A ligação “natural” à União Nacional O presidente do IIM não deixou de destacar, na sessão, a ligação de Gonzaga Gomes à União Nacional, partido único do regime do Estado Novo, que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974 e, por extensão, a todas as colónias. “[Gonzaga Gomes] só me falou com muito entusiasmo da sua ligação ao Rotary Clube de Macau, o que é curioso, porque ele não se meteu muito na política, embora tenha sido vogal na União Nacional. Não há que ocultar estas coisas e ele assumiu, com toda a convicção, a sua participação em tudo.” Jorge Rangel destaca, aliás, que apoiar o regime salazarista e, depois, marcelista fazia parte de ser macaense, do sentido de pertença a Portugal. “Ele não tinha complexo nenhum e assumiu tudo com a maior abertura. É um aspecto que vale a pena referir e acentuar, porque vejo algumas biografias dele que, sem razão, tentam ocultar alguns aspectos que hoje seriam menos compreensíveis.” Assim, na visão de Jorge Rangel, “há um tempo de Portugal que passou, são tempos diferentes”. “Para as pessoas que estavam em Macau, naquele tempo, tudo o que eram instituições de Portugal eram valorizadas, e os dirigentes políticos eram respeitados tal como eram. Era assim que, em Macau, sentíamos Portugal”, acrescentou. Jorge Rangel deu mesmo o exemplo da sua pertença à Mocidade Portuguesa, a que “pertenceu muito activamente”. “Desde miúdos que nos era incutida esta ideia de que Portugal era representado por senhores maiores, mortos ou vivos, e representado por instituições ligadas ao Estado, que já existiram e que continuavam a existir, e foi assim até 1974. Não há que ocultar nada sem nenhum receio e com toda a convicção aquilo em que acreditámos nos nossos anos de juventude.” Neste contexto, “Luís Gonzaga Gomes habituou-se a ver Portugal à distância, mas sentiu tudo, com toda a sua multiplicidade, no pensamento e sentimento, sempre ligado a Portugal, apesar de ser um grande promotor da relação luso-chinesa”. Reedição necessária António Aresta, antigo docente de Filosofia em Macau e autor de diversas obras sobre Macau, nomeadamente “Figuras de Jade”, que já vai no quarto volume, falou de Gonzaga Gomes como alguém muito focado no estudo, trabalho e pensamento, a quem sobrou pouco tempo para períodos de lazer. “Luís Gonzaga Gomes é uma personalidade que me fascina, uma pessoa misteriosa”, disse o autor de “uma pequena biografia sobre o seu pai, Joaquim Gomes, professor primário que era uma pessoa exuberante, um bom vivão”. O filho saiu bem mais discreto. “Parece que Gonzaga Gomes não herdou esta faceta de bom vivão do pai, tendo ficado uma pessoa muito austera, muito fechada em si mesma, estudiosa, uma personalidade que dá gosto de estudar. Pergunto se ele teve tempo para viver, pois só estudou.” Porém, o trabalho intenso de Gonzaga Gomes “não o fechou do espaço de sociabilidade com as comunidades macaense e portuguesa”, pois “pertenceu a todas e mais algumas associações de Macau, como clubes ou círculos culturais”. António Aresta deixou ainda um repto: a reedição da obra completa de Luís Gonzaga Gomes. “Era preciso planear a organização da sua obra completa, pois temos edições avulso, já esgotadas.”
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeConsumo | Inflação e habitação baixam no índice de confiança O mais recente Índice de Confiança de Consumidores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau revela uma quebra em termos trimestrais, destacando-se a menor confiança nas áreas do emprego ou habitação. Analistas pedem a atenção do Governo na elaboração de políticas de garantia dos rendimentos da população O Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na siga inglesa) acaba de publicar o mais recente Índice de Confiança dos Consumidores relativo ao primeiro trimestre deste ano, revelando-se uma ligeira queda desta confiança em termos trimestrais. O Índice foi, assim, de 96,78 pontos, verificando-se uma redução de 0,77 pontos em comparação com o trimestre anterior, de 2025. Mostra, segundo um comunicado da MUST, que o nível de confiança dos consumidores locais sofreu “uma redução de forma moderada”; verificando-se uma “confiança fraca e pouco restringida”. Significa isto que “os residentes mantêm uma perspectiva prudente” face à economia. O Índice vai de 0 a 200, sendo que 0 representa “total falta de confiança”, 100 representa “mais ou menos confiança, sem sentimento” e 200 representa “total confiança”. Ou seja, um critério que fique abaixo de 100 indica “falta de confiança”, enquanto acima de 100 significa “ter confiança”. Foram analisadas seis categorias, tendo-se registado três subidas e três quebras. Nas subidas, destaca-se a compra de habitação, que ficou nos 106,24 pontos, um aumento de 2,47 por cento em termos trimestrais, já que no último trimestre de 2025 o Índice neste campo foi de 103,68. No que diz respeito à confiança na economia local, o Índice ficou nos 91,15 pontos, aumentando 0,39 por cento em comparação aos 90,80 pontos do trimestre anterior. Os pontos no investimento de acções foram de 110,57 mais 0,38 por cento em termos trimestrais, quando se registaram 110,15 pontos. Emprego em queda Um dos três critérios que baixou foi a confiança no emprego, registando-se, no primeiro trimestre deste ano, 89,62, uma redução de 0,72 por cento em comparação com 90,27 no trimestre anterior. Os pontos registados no Índice para os padrões de vida foram de 95,79 por cento, menos 4,80 por cento em comparação com os 100,62 pontos do último trimestre de 2025. Os pontos nos preços, ou seja, ao nível da inflação, foram de 87,29 por cento, menos 2,81 por cento em comparação com os 89,81 pontos do trimestre anterior. Segundos analistas que realizaram o Índice, estes resultados demonstram que os residentes ainda têm dúvidas sobre o panorama macroeconómico local e a estabilidade dos seus rendimentos, o que afecta a recuperação da confiança ao nível do consumo. Na mesma nota da MUST, são também destacadas questões que influenciam estes dados, como “as mudanças no ambiente externo que continuam a aprofundar-se, o ritmo de crescimento económico global com sinais de fragilidade” ou ainda “as disputas geopolíticas e os conflitos económicos e comerciais que ocorrem frequentemente”. É destacado ainda que “o desempenho económico das principais economias apresenta tendências divergentes”, existindo “incerteza quanto às tendências da inflação e ajustamentos da política monetária”. Além disso, a “economia da China, em geral, opera de forma estável e com progressos constantes, mas ainda enfrenta múltiplos problemas e desafios, tal como a oferta forte e a procura fraca e impactos externos”, é referido. Para Macau, a equipa conclui que é necessário continuar a observar a evolução em termos de emprego, dos preços e dos rendimentos dos residentes, para que a confiança dos consumidores possa atingir gradualmente um nível mais neutro. O estudo para o Índice foi realizado entre 1 e 16 de Março deste ano, tendo sido recolhidos 807 inquiridos dos residentes locais com idades acima de 18 anos.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaHengqin | Jorge Rangel diz que “Macau está a integrar-se rapidamente” O presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, e antigo secretário adjunto, defendeu em Lisboa que “Macau está a integrar-se muito rapidamente” no país, e que “tudo o que queríamos conservar e manter, o vamos fazendo com muita dificuldade” Jorge Rangel, antigo secretário adjunto na administração de Rocha Vieira, e actual presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), defendeu esta terça-feira, num evento em Lisboa, que “Macau está a integrar-se rapidamente” e que o passo seguinte é Hengqin, embora nem todos queiram mudar-se. “A China sempre soube jogar com o tempo para crescer muito depressa, e Macau está a mudar depressa. É preciso ter isto em conta, e tudo aquilo que queríamos conservar e manter vamos fazendo com muita dificuldade”, destacou. Jorge Rangel lembrou que “a palavra de ordem” no último Plano Quinquenal chinês, apresentado na Assembleia Popular Nacional, em Pequim, e “uma das prioridades” foi “acelerar a integração de Macau na zona vizinha de Macau, Hengqin, a ilha da montanha”. O responsável destacou que lá “existe um grande complexo habitacional, com edifícios e escritórios, completamente vazios, onde pouca gente quer estar”. “Estão a tentar estimular as pessoas a ir para lá, mas a alma ainda está do outro lado. A directiva é esta: rapidamente e em força para Hengqin, passe a expressão. É uma batalha muito difícil, para nós e para a comunidade”, referindo-se à comunidade macaense. A diluição inevitável No mesmo evento, que visou homenagear Luís Gonzaga Gomes a propósito dos 50 anos da sua morte, na Casa de Macau em Lisboa, Álvaro da Rosa, dirigente da Fundação Casa de Macau, lembrou que “a nossa comunidade [macaense] está a diminuir”. “Os macaenses de Macau estão a diluir-se na comunidade chinesa, por motivos óbvios. Aqui em Portugal as nossas famílias são portuguesas, não falamos patuá, não comemos comida macaense, pelo que nos estamos a diluir na sociedade onde estamos. As outras comunidades macaenses fora de Portugal, nos EUA ou no Canadá, também estão a diluir-se na sociedade. Somos, portanto, cada vez menos”, rematou.
Andreia Sofia Silva SociedadeÓbito | Faleceu Un Chi Iam, pintora e esposa de Mio Pang Fei Morreu, no último sábado, a pintora e professora universitária Un Chi Iam, viúva do já falecido artista e pintor Mio Pang Fei, um dos grandes nomes da arte contemporânea de Macau. Segundo uma nota enviada às redacções pela filha do casal, Cristina Mio U Kit, Un Chi Iam nasceu em Xangai em 1938, tendo-se mudado para Macau em 1983. Possuía um mestrado em Belas-Artes pelo Instituto de Arte de Nanjing, tendo-se dedicado, tal como o marido, às artes plásticas e também ao ensino. Un Chi Iam foi editora de arte da Revista de Cultura do Instituto Cultural de Macau e professora de pintura Chinesa na Academia de Artes Visuais de Macau e no Instituto Politécnico de Macau. Foi ainda membro fundadora do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, bem como “líder activa” em associações locais. No que diz respeito a exposições realizadas, Un Chi Iam fez três exposições individuais, participou em três Bienais de Macau e em mais de 60 exposições colectivas internacionalmente. Além disso, foi uma pintora distinguida pelo seu trabalho, tendo recebido “vários prémios de destaque em pintura Chinesa”. Segundo a mesma nota, “a sua obra combinava a tinta tradicional chinesa com influências modernas e ocidentais, incorporando selos, gravura e outras técnicas chinesas”, a fim de “expandir a linguagem da pintura chinesa contemporânea”. A falecida pintora é recordada “como uma inovadora e uma professora dedicada”, com a sua influência a perdurar “através dos seus alunos, publicações e das instituições que ajudou a construir”. Casal de eleição Ao lado de Un Chi Iam esteve sempre Mio Pang Fei, também natural de Xangai e cuja vida e obra mereceu, em 2014, um documentário da autoria de Pedro Cardeira. Sendo um dos nomes mais importantes da arte contemporânea chinesa, Mio Pang Fei foi tido como uma referência para muitos, a começar pelo facto de, no início da carreira, se ter interessado pela arte contemporânea ocidental, que no país era tida como anti-revolucionária. Nos anos da Revolução Cultural Mio Pang Fei teve de enveredar pela arte tradicional chinesa e caligrafia, mais política e socialmente aceites, tendo sido perseguido pelo maoísmo, detido e condenado a trabalhos forçados. No início dos anos 80, escapou para Macau e, no território, pôde continuar a arte que queria desenvolver e uma nova vida. Mio Pang Fei criou o chamado Neo-Orientalismo, com uma mistura entre as artes que realizou toda a vida: a tradicional chinesa e a ocidental, mais contemporânea e com um outro olhar. O artista faleceu em 2020.
Andreia Sofia Silva EventosLisboa | Lançado quarto volume de “Figuras de Jade” de António Aresta Foi lançada ontem, em Lisboa, “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, obra de António Aresta, ex-professor de Filosofia em Macau, que tem escrito sobre a cultura do território. O autor descreve aqui diversas personalidades que ajudaram a contar Macau ao mundo, confessando que já está a trabalhar nos quinto e sexto volumes da mesma obra Decorreu ontem, em Lisboa, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), o lançamento da obra “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, da autoria de António Aresta, que deu aulas de Filosofia em Macau entre os anos de 1987 e 1998 e que, desde então, se tem dedicado a escrever sobre a cultura do território. “Figuras de Jade IV” é uma edição do Instituto Internacional de Macau (IIM), feita em 2025, que teve agora o seu lançamento em Lisboa. Em declarações ao HM, António Aresta disse que este volume do livro “mostra que o projecto continua pujante”, tendo estudado já centenas de personalidades portuguesas que ajudaram a mostrar Macau nas suas diversas valências. Porém, o autor destaca uma: Manuel da Silva Mendes, considerando-a “a figura portuguesa mais relevante”. Tudo graças “à sua dimensão intelectual, o seu comprometimento cívico, a sua requintada faceta de coleccionador de obras de arte”, sem esquecer o facto de ter sido “professor e reitor do Liceu, vereador do Leal Senado e advogado”. Na visão de António Aresta, Manuel da Silva Mendes “construiu, coisa rara entre os portugueses expatriados, um vistoso palacete, de ‘tai pan’, na colina da Guia”, tendo “infelizmente falecido prematuramente, vítima de uma doença incapacitante”. Nesta sessão na SHIP foram apresentados os quatro volumes já editados de “Figuras de Jade” o que constituiu, na visão do autor, “uma oportunidade para se voltar a recolocar Macau no centro da informação cultural portuguesa”. Para António Aresta, “a opacidade e invisibilidade de Macau e da cultura chinesa em Portugal é um mistério oriental”. “O orientalismo, os estudos de Macau e a sinologia não são notícia ou interesse para o jornalismo português, o que é pena. Porque a nossa história é tão antiga, muito interessante e valiosa. Macau é um milagre do entendimento entre portugueses e chineses”, destacou. Mais a caminho Ainda segundo António Aresta, o nome “Figuras de Jade” remete para o facto de esta ser “uma pedra preciosa tão apreciada pelos chineses” e “símbolo magno da arte de ser português em Macau e no Extremo Oriente”. Assim, “os portugueses são o jade de Macau, sem eles nada disto existiria ou faria sentido”, pois “inventaram Macau, com a amizade, o trabalho e a cumplicidade dos chineses”, considerou. António Aresta diz estar a trabalhar em mais volumes de “Figuras de Jade”, sendo que o quinto “está no prelo”, prevendo-se “que seja apresentado ainda neste ano em curso”. O autor diz também estar a trabalhar no sexto volume, considerando o trabalho em torno de “Figuras de Jade” como “infinito” e “dependente de três coisas: saúde, o acolhimento do Jornal Tribuna de Macau e o inestimável apoio do IIM”. Longo contexto António Aresta já conta com muitos textos sobre Macau, tendo já escrito obras como “O Neoconfuncionismo na Educação Portuguesa”, editado em 1996, ou ainda “A Educação Portuguesa no Extremo Oriente”, com edição em 1999. O autor tem também editado um livro sobre Manuel da Silva Mendes, que saiu em 2017. Todas essas edições e referida pesquisa permitiu a António Aresta adquirir “uma visão panorâmica e pluridimensional da cultura em Macau, que é muito rica e problemática”. Os quatro volumes já publicados de “Figuras de Jade” demonstram, no entender do autor, “que Macau nunca foi indiferente para os portugueses que estudaram e se interessaram pelas mais variadas coisas”. “Outra coisa muito curiosa, é a vertente benemérita e filantrópica. Muitos dos portugueses que estiveram em Macau ofereceram aquilo que amorosamente juntaram e compraram, como bibliotecas, obras de arte, espólios documentais, mobiliário, fotografias, a arquivos, museus e bibliotecas em Portugal. É uma coisa discreta e esquecida”, rematou.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteJosé Drummond, artista, estreia novo trabalho em Lisboa: “A ideia foi criar um espaço de meditação” “O néon é um material que me interessa muito”. Quem o diz é o artista plástico José Drummond, ex-residente de Macau actualmente a viver em Portugal, e que acaba de ver inaugurada no recente MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, uma nova peça. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, inspirada no I Ching – Livro das Mutações, é um convite à reflexão sobre a vida e os caminhos que se podem percorrer Como surgiu a oportunidade de ter um trabalho teu no MACAM [Museu de Arte Contemporânea Armando Martins] e de que forma ele se enquadra nas restantes obras? Antes de mais quero falar sobre o valioso trabalho do coleccionador Armando Martins na promoção da Arte Contemporânea em Portugal. É um trabalho notável e incontornável. Quero também referir o interesse e visão sobre o meu trabalho e todo o apoio de modo a tornar possível um projecto tão complicado de chegar a uma fase final. O convite foi feito no final de 2020, pela directora do Museu, Adelaide Ginga, e pela curadora Carolina Quintela, que me lançaram o desafio de criar uma obra “site-specific” para o espaço do túnel que liga a garagem ao Museu. Quando começámos a trabalhar, o que sabíamos é que seria um espaço de passagem, que nos interessava manter o aspecto do túnel com as paredes em cimento e que seria uma peça com luz. O trabalho resultante prossegue a minha investigação do espaço intermédio entre culturas – chinesa e ocidental – prolonga as questões de transiência presentes no taoismo e budismo, e continua a explorar os aspectos de, praticamente, todos os meus trabalhos serem sempre uma transferência seja conceptual, cultural ou física. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, nome da obra, é de 2025. Como foi o processo criativo? A sua colocação num corredor obedece a alguma mensagem específica, ou pretende transmitir algumas ideias em concreto. Este foi um trabalho que teve várias fases e que implicou uma larga cooperação com os engenheiros da obra de recuperação do edifício. A nível de projecto foi complicado chegar a este formato final e cumprir a minha visão. Houve a necessidade de se criar uma estrutura eléctrica de propósito para a peça, de se fazer um tecto falso que mantivesse a expressão das paredes originais e por aí em diante. Mesmo depois de finalizar o projecto no papel, tivemos de esperar que as obras de recuperação do edifício ficassem prontas para que fosse possível avançar, pois o túnel era usado como passagem para todos os materiais usados dentro do Museu. Quando, em conjunto com a Adelaide e a Carolina, cheguei a uma versão conceptual final sobre o que apresentar, levantaram-se outros problemas técnicos de manufactura dos néons e de montagem. Foi um processo muito desgastante para todos porque, infelizmente, tanto o custo dos materiais como a falta de rigor da mão de obra em Portugal – para trabalhar com néon a este nível de alta exigência para uma obra com a dimensão que tem – é deficiente. Basicamente a empresa responsável pela manufactura e montagem teve um comportamento absolutamente grosseiro, de falta de profissionalismo, tendo falhado em praticamente tudo o que foi pedido. Foi necessário desmontar tudo e voltar a montar com a montagem final a ser feita por mim e pelo meu assistente, Rafael Lopes, sem o qual não teria sido possível. Quanto ao processo criativo, apesar de parecer complicado, acabou por ser mais simples. Quis fazer uma obra com inspiração no I Ching [Livro das Mutações], e a partir daí tudo apareceu. Que ideias concretas trouxe para o projecto? A minha ideia foi criar um espaço de meditação, de contemplação, uma pausa, um portal que permita uma reflexão sobre a humanidade, sobre cada um de nós, um caminho ou uma passagem que junte a sabedoria milenar ao tempo contemporâneo; e que seja capaz de estabelecer um diálogo intercultural que não se esgote numa só ideia de cultura. Ao combinar elementos como o I Ching, talvez o primeiro registo de cultura em livro do mundo, com uma escolha de materiais como luzes néon, componentes arduíno, sequências por algoritmo de computador e com uma componente de som, o trabalho promove uma fusão entre tradição e tecnologia, entre passado e presente. O gesto de incorporar sequências completamente aleatórias, decididas pela programação e sem que permita ao humano saber o que vai acontecer de seguida, levanta as questões da tecnologia que se começa a automatizar por si própria. A programação irá criar sequências virtualmente infinitas. Este gesto de não se saber se o néon que vai acender de seguida é o hexagrama x ou y, prolonga a ideia do I Ching. De que forma? Traz uma dimensão de imprevisibilidade e indeterminação que pode ser interpretado como uma metáfora sobre a complexidade e incerteza da vida contemporânea. As sequências aleatórias são em si um registo de transitoriedade e impermanência, que também podem sugerir a ideia de que cada experiência é singular e cada momento em si, único. A presença de luzes néon e som cria uma atmosfera imersiva e sensorial, convidando os visitantes a uma experiência contemplativa, estimulando estados emocionais e mentais, e incentivando a introspeção. O trabalho poderá parecer inicialmente místico e enigmático, mas os elementos visuais e a sua coreografia – com cadências e mudanças suaves, e a composição de sons – subtis e envolventes, direccionam o sentir e o estar para o momento presente, podendo criar uma sensação de tranquilidade e calma, favorecendo um espaço mental propício à meditação. Oferece ainda um espaço fora do ritmo acelerado da vida contemporânea, onde cada um possa estar com as suas emoções, com os seus pensamentos, naquele momento, ali. Existem duas cores, azul para o céu e vermelho para a terra, ou também noite e dia, ou positivo e negativo – o Céu com seis linhas contínuas e a Terra com seis linhas interrompidas são hexagramas fundamentais que vão de encontro ao processo dos opostos, yin e yang. Tive a felicidade de trabalhar com o programador João Cabral para toda a programação e montagem do sistema arduíno que comanda a peça, e do músico David Maranha que entendeu na perfeição o que eu queria. Uma experiência enriquecedora para todos. Há muito que trabalha em torno dos neóns. De que forma este trabalho se relaciona com outras coisas que tenha feito, se é que se relaciona de alguma forma… Ao nível expressivo o néon é um material que me interessa muito. Na montagem final desta peça há resquícios expressivos das memórias que tenho dos néons no antigo Hotel Lisboa e no Hotel Fortuna, que tristemente já foram substituídos por LEDs, ou dos primeiros néons que vi nas minhas viagens na China. Por outro lado, continua o meu trabalho sobre o espaço cultural intermédio, onde as culturas se misturam e se mantêm em suspenso, sobre o deslocamento da pertença de onde somos e para onde vamos. Que outros novos projectos tem em mãos? Voltei a pintar. Se conceptualmente é mais do mesmo, o processo está a ser gratificante. Estou a trabalhar num grupo de pinturas luminosas e mais não posso revelar.
Andreia Sofia Silva PolíticaSecretário diz que “mercado em baixa” afecta renovação urbana O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, afirmou ontem que o “mercado [imobiliário] está em baixa”, o que faz com que muitos proprietários não queiram arriscar reconstruir as suas casas nas zonas mais antigas. “Creio que concordam comigo, é difícil promover esse trabalho [de reconstrução]. As pessoas não estão optimistas e não investem na reconstrução. A dificuldade [está] no ambiente do nosso mercado e vamos ter de pensar em como podemos promover esse trabalho de reconstrução”, disse o governante, admitindo que se pode recorrer a “reduções fiscais” ou mesmo “prémios”. No âmbito das 1.700 fracções existentes para troca, e 2.800 de alojamento temporária, utilizadas em processos de renovação de prédios antigos, o secretário disse que o Governo “não vai excluir a hipótese de adquirir estas fracções através da Macau Renovação Urbana”, mediante a situação financeira da empresa. “Através de um processo de troca podemos resolver estas questões. Caso haja uma propriedade em sucessão, com cinco ou seis herdeiros, e que não queiram a habitação para troca nem viver na casa temporariamente, aí é provável que queiram receber dinheiro. Vamos ponderar caso a caso no âmbito da renovação urbana.” O secretário explicou ainda que “se a natureza [da fracção] continuar a ser a de habitação para troca, teremos de a alterar, e aí será mais fácil”. “Estamos a discutir com a Macau Renovação Urbana para ver se há mais sujeitos que podem fazer habitação para troca”, destacou. Na resposta à interpelação oral da deputada Wong Kit Cheng, Raymond Tam esclareceu que “está em estudo a forma de utilização das habitações para troca e das habitações para alojamento temporário, com vista a melhor promover a renovação urbana”. Incentivos precisam-se O deputado Lei Leong Wong pediu ao Governo para “relaxar as restrições em termos de políticas”. “Muitos projectos de renovação urbana têm enfrentado dificuldades recentemente. O projecto em Toi San [sete prédios] decorre sem sobressaltos, havia 50 fogos, agora vão construir 107 fracções comerciais, e os proprietários não têm de assumir grandes despesas de construção mas, além disso, há outros projectos que não estão nesta situação.” Já a deputada Loi I Weng pediu “mais incentivos e apoios” para os proprietários das casas. “A renovação urbana implica muitas vertentes, avultados encargos e isso afecta a vontade dos proprietários [em reconstruir], porque têm de assumir muitas despesas.” O secretário lembrou que, quem investe, tem retorno. “Claro que os proprietários saem beneficiados, porque o valor do seu imóvel vai ser mais elevado, os custos vão ter um retorno”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano director | Revisão vai incluir novo cenário demográfico Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, anunciou ontem que será lançada, no segundo semestre, a consulta pública para a revisão do Plano Director. Este processo terá em conta o novo cenário demográfico, com menos nascimentos e mais idosos, admitiu O Governo vai rever o Plano Director de Macau tendo em conta a nova situação demográfica do território, que tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo e um elevado envelhecimento populacional. A consulta pública sobre a revisão vai acontecer no segundo semestre, afirmou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no segundo dia de sessão plenária dedicada a responder a interpelações orais dos deputados. “A alteração do Plano Director está a avançar de forma ordenada e há que seguir certos procedimentos legais. O Chefe do Executivo já autorizou a sua alteração e no segundo semestre podemos avançar com a consulta pública”, disse. O Plano Director foi implementado em 2024 e, conforme a lei, é necessário aguardar cinco anos para uma nova revisão, mas esse processo já está em marcha. “Segundo a lei do planeamento urbanístico a alteração do Plano Director só pode acontecer cinco anos depois, mas nada impede que avancemos com os trabalhos preparatórios.” Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado Lam Fat Iam, disse que “vamos ter em conta as necessidades actuais para planear a zona Este-2”, ou seja, a Zona A dos Novos Aterros em Macau, pensada para ter 96 mil fracções. “De facto é necessária uma ponderação global sobre a política demográfica, e temos de ter uma coordenação interdepartamental para estes trabalhos. O Governo vai ter grande prudência”, admitiu. O secretário disse mesmo que “na zona A, ou Este-2, sabemos que as alterações populacionais e de mercado fazem com que se altere [o nível de] procura pela habitação, e a ideia que tínhamos antes tem de ser ajustada.” Na resposta a Lam Fat Iam, o governante disse mesmo que “o Plano Director não é imutável”, tendo em conta também “a utilização de terrenos” para as novas actividades económicas no âmbito da política “1+4”. Muitas questões numa só A questão demográfica levou muitos deputados a colocaram questões sobre o que aí vem. Che Sai Wang lembrou que “temos uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo”, segundo o último Relatório do Estudo sobre a Política Demográfica de Macau data de 2015. “Passaram dez anos e o Governo tem de implementar um mecanismo para alterar a política demográfica”, destacando que menos bebés e mais idosos leva a mudanças a nível dos serviços de saúde, habitação ou ensino. “Temos de delinear o desenvolvimento da cidade em função da baixa taxa de natalidade e do envelhecimento da população, tendo em conta os transportes e saúde.” Kou Ngon Seng considerou que “enfrentamos desafios quanto ao aproveitamento dos terrenos”, dado que “vai haver um ajustamento da população”. “Será que vai haver um ajustamento nas 96 mil fracções na zona A?”, questionou. Leong Hong Sai questionou se o Governo pondera “captar mais quadros qualificados para optimizar o planeamento”. “O último relatório sobre política demográfica é de 2015 e nos últimos anos a situação sofreu alterações, estando em causa os recursos de solos, mercado de arrendamento, transportes, serviços de saúde e de apoio a idosos”, rematou.
Andreia Sofia Silva PolíticaSegurança social | Governo prevê estabilidade até 2075 com actuais valores de reforma O Executivo considera que há condições para assegurar a estabilidade financeira do Fundo de Segurança Social (FSS) até o ano de 2075 caso o valor da reforma se mantenha nos montantes actuais, 3.900 patacas por mês, estando a ser estudados possíveis ajustes. A garantia foi ontem dada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, em resposta a uma interpelação oral do deputado Leong Sun Iok, que questionou, precisamente, a situação financeira do FSS a longo prazo, tendo em conta o envelhecimento populacional. “De acordo com a análise dos resultados actuais encomendada pelo FSS a uma instituição académica em 2025, se a pensão para idosos se mantiver ao nível actual de atribuição (3.900 patacas por mês) e for ajustada posteriormente de acordo com o Mecanismo de ajustamento regular das prestações do regime da segurança social, o valor patrimonial do FSS continuará a ser estável até o ano 2075.” Desta forma, “face às incertezas externas e da economia local no futuro, juntamente com os desafios resultantes da mudança da estrutura demográfica, o Governo deve ponderar prudentemente sobre o ajustamento estável do nível de prestações da pensão para idosos”. Ainda assim, O Lam referiu que o Executivo “vai empenhar-se no aperfeiçoamento do regime de segurança social de dois níveis”, continuando a “promover, de forma gradual e ordenada, o andamento da obrigatoriedade do regime de previdência central”. Ficou também a promessa de “estudar, em tempo oportuno, a viabilidade do ajustamento do montante das contribuições do regime de segurança social” por parte dos trabalhadores. Para isso, “realizará uma consulta junto da sociedade para auscultar amplamente as opiniões” sobre esse assunto. Contas estáveis O Lam apresentou ainda dados na AL sobre a situação financeira do FSS, tendo em conta que o Governo tem vindo, desde 2013, “a aumentar as fontes de receita financeira e a consolidar a sua estabilidade financeira a longo prazo”, nomeadamente através do “aumento de percentagem da dotação regular das contribuições do jogo ao FSS”. Fez-se ainda “a injecção extraordinária com o valor total de 37 mil milhões de patacas durante quatro anos consecutivos”, além de se ter criado “o mecanismo de atribuição de dotação do saldo financeiro mediante legislação”, que resultou na atribuição anual de 3 por cento do saldo da execução do orçamento central da RAEM ao FSS. Segundo a secretária, essas dotações “consubstanciam-se como uma das mais proeminentes fontes de receitas do FSS, actuando em sinergia com as comparticipações das receitas correntes da RAEM, as contribuições para o regime da segurança social, a taxa de contratação de trabalhadores não residentes, os rendimentos dos investimentos e demais proveniências”. Desde a injecção extraordinária de capital ao FSS em 2013 e até 2025, “o valor total dos activos sob a gestão do FSS acumulado [passou] de 15,7 mil milhões de patacas para mais de 108,4 mil milhões de patacas”, com um aumento de 92,7 mil milhões de patacas. Deu-se também um retorno global do investimento de 41,3 mil milhões de patacas, “correspondendo a uma taxa média de rentabilidade de 4,1 por cento ao ano”, disse a secretária. O Lam acrescentou, assim, que “a estratégia de investimento do FSS tem uma boa capacidade de combate à inflação e, ao mesmo tempo, consegue preservar e valorizar os activos”.
Andreia Sofia Silva EventosConcerto | Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong, no Galaxy em Maio Quase que pode ser chamado um caso de resiliência no mundo da música, e a prova de que lutar pelos sonhos vale a pena. Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong com 44 anos, vem a Macau a 23 de Maio para o espectáculo “Stacey Story Live Concert in Macau”, no G-Box do Galaxy Macau. Eis a oportunidade de o público ouvir a cantora que ficou famosa a cantar nas ruas de Hong Kong Sempre cantou, mas só a partir dos 30 anos, e sobretudo quando se mudou para Hong Kong, em 2017, é que a Stacey Long Ting conseguiu construir uma carreira no mundo da música. Hoje, a cantora natural de Shenyang, província de Liaoning, consegue dar cartas no mundo da música e nem a covid a parou. Tendo iniciado a digressão “Journey” no ano passado, a cantora prepara agora a sua vinda a Macau para um espectáculo no próximo dia 23 de Maio, no espaço “G-Box”, do Galaxy Macau, com início às 20h. O primeiro concerto de Stacey Long deu-se a 18 de Agosto em West Kowloon, tendo dado três espectáculos na região vizinha que tiveram “um sucesso retumbante”, aponta o Galaxy. Depois de concertos em Guangzhou em Novembro, e em Qingyuan e Dongguan, em Janeiro deste ano, é a vez da RAEM ouvir a sua voz. Neste espectáculo, Stacey Long irá “reflectir sobre a sua jornada”, partilhando “uma gratidão sincera pela oportunidade de viajar por várias cidades e de estabelecer ligações com novos públicos ao longo do caminho”. Segundo a organização, “além do palco ela abraçou cada destino, explorando a cultura e gastronomia locais e enriquecendo tanto a sua jornada musical como pessoal”. A artista de cantopop, de 44 anos, vem agora “agradecer aos fãs o apoio incondicional”, trazendo sempre novos elementos para cada actuação. No caso de Macau, o factor novidade também deverá acontecer. “A minha jornada musical espelha a própria vida — repleta de altos e baixos. De Hong Kong a Macau, cada paragem torna-se parte da minha história. Estou grata por percorrer esta jornada com todos, criando memórias e histórias que pertencem a todos nós”, disse a artista, segundo a organização. Mudança de sucesso Stacey Long sempre cantou, mas só recentemente, ao participar num concurso de talentos de seis meses da TVB, o “Midlife, Sing & Shine”, pensado para maiores de 35 anos, é que teve verdadeiramente a sua oportunidade. Quando se mudou para Hong Kong, em 2017, vinda da China, procurou logo um palco para cantar e mostrar o seu talento. Em entrevista ao jornal South China Morning Post, concedida em 2023, Stacey Long disse ter “trabalhado muito na China continental”, embora “sentisse que não estava a chegar a lado nenhum”. “Por isso, queria mudar de ares”, declarou. Conseguiu trabalho num clube de dança social em Shun Lee Estate, um complexo de habitação social em Kwun Tong, na zona de Kowloon. “Actuava com esta banda e a idade média dos músicos era de 65 anos ou mais, por isso eu era a pessoa mais nova no palco. Afinal, não era assim tão velha para este negócio”, revelou na mesma entrevista. Depois a sua carreira começou a crescer, e foi quando Stacey Long passou a fazer parte do grupo “Mong Kok Roman Tam Song and Dance Troupe”, cantando na rua, nomeadamente na zona pedonal da Rua Sai Yeung Choi South. “Perguntei-me se estas trupes ainda existiam, por isso fui até lá e, como era de esperar, lá estavam elas. Pensei: ‘já que estou aqui, mais vale aproveitar ao máximo’, por isso cantei três canções, o público aplaudiu e aplaudiu e nada de mal aconteceu… por isso voltei para actuar novamente”, lembrou. Seis meses depois o sucesso era tanto que conseguiu trazer os pais para Hong Kong, actuando depois na zona de Central. Estas actuações de rua acabaram com a covid, mas a carreira não terminou, tendo Stacey recebido um convite da CCTV para uma audição, para o programa “Avenue of Stars”. A verdade é que a cantora já fazia sucesso nas redes sociais, nomeadamente no Weibo. “Achei que a minha voz não era forte o suficiente para actuar num grande palco. O meu pai desencorajou-me, dizendo que a competição provavelmente não me daria uma oportunidade. Mas como adoro cantar, teria sido uma pena não aceitar”, lembrou na mesma entrevista. Parece ter valido a pena. Prova disso é a digressão “Journey” e o espectáculo que traz a Macau.
Andreia Sofia Silva SociedadeDigital | Pagamentos no retalho aumentam quase 50 por cento Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), relativos a Fevereiro deste ano, mostram que o volume de transacções com pagamento electrónico no ramo do retalho aumentou 46,4 por cento em termos anuais, enquanto que o crescimento em termos mensais foi de 19,6 por cento. Já o volume de pagamentos digitais no sector da restauração aumentou, entre Fevereiro deste ano e de 2025, 14,7 por cento, enquanto que em termos mensais o aumento foi de 5,9 por cento. O volume de transacções nos restaurantes foi, em Fevereiro deste ano, de 1,28 mil milhões de patacas, sendo que nos dois primeiros meses deste ano foi de 2,48 mil milhões de patacas, mais 3,2 por cento em termos anuais. No comércio a retalho, as transacções foram de 6,48 milhões de patacas em Fevereiro, enquanto que nos meses de Janeiro e Fevereiro o volume de compras atingiu as 11,91 mil milhões de patacas, registando-se um acréscimo homólogo de 23,3 por cento. Destaca-se, aqui, o aumento de 95,3 por cento no volume de transacções do calçado, sendo “o mais notável” segundo a DSEC. Ainda em Fevereiro, o volume de transacções dos relógios e joalharia e o do calçado subiram 50,7 e 32,6 por cento, respectivamente, em relação a Janeiro deste ano.
Andreia Sofia Silva PolíticaPME | Estendido prazo de bonificação de juros O Governo decidiu alargar, até ao final deste ano, o prazo para apresentação das candidaturas ao Plano de Bonificação de Juros de Créditos Bancários para as Pequenas e Médias Empresas (PME), relativo ao ano de 2025, e que foi lançado em Abril. A ideia, segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), é que mais empresas possam beneficiar desta medida. Desde Abril e até à data, foram recebidas “aproximadamente 2.100 candidaturas”, tendo sido aprovadas 2.000, “envolvendo empréstimos bancários no valor total de cerca de 4,5 mil milhões de patacas”. São elegíveis empresas comerciais que tenham declarado junto da Direcção dos Serviços de Finanças o início da actividade até 30 de Março de 2026. O montante máximo dos créditos a conceder a cada empresário é de cinco milhões de patacas, sendo o prazo máximo de bonificação de três anos e o limite máximo da taxa anual de bonificação até 4 por cento. O limite máximo do montante total de créditos bancários é de 10 mil milhões de patacas.
Andreia Sofia Silva PolíticaDeficiência | Alunos mantêm estudos após secundário O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, declarou ontem no hemiciclo que “mais de 90 por cento dos alunos sujeitos à educação inclusiva prosseguiram os seus estudos após concluírem o ensino secundário complementar”, isto mediante “os mesmos critérios de admissão que os alunos gerais”. Os dados dizem respeito ao ano lectivo de 2024/2025 e foram referidos em resposta a uma interpelação oral da deputada Loi I Weng, que questionou os apoios dados e medidas aplicadas na área da educação inclusiva.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaNatalidade | Governo alarga subsídios e cria novos apoios às escolas A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, anunciou ontem algumas medidas para ajudar as escolas a lidar com o decréscimo do número de alunos, como a extensão do subsídio às turmas do segundo ano do ensino infantil e apoios na reconversão de escolas ou requalificação da carreira docente O Governo anunciou que vai apoiar as escolas que se queiram reestruturar ou fundir, tendo em conta a redução da taxa de natalidade, e indicou que o financiamento será sempre uma medida de curto prazo para dar tempo às instituições para se adaptarem à redução do número de alunos. Na sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa (AL), e em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, referiu a extensão, às turmas do 2.º ano do ensino infantil, do “subsídio de apoio ao ensino infantil”, sendo que este apoio financeiro entra no âmbito do “Subsídio para promoção do desenvolvimento da escola”. Esta medida integra-se no “Plano de financiamento para o desenvolvimento das escolas”, que foi criado no ano lectivo de 2024/2025, sendo pensado para “apoiar escolas cujo número de alunos no 1.º ano do ensino infantil seja insuficiente”. A medida é suportada financeiramente pelo Fundo Educativo (FE). Este subsídio dado aos dois primeiros anos do ensino infantil, visa “optimizar o limite máximo do número de dispensas da componente lectiva semanal do pessoal docente das unidades escolares”. Este plano de financiamento das escolas “tem a duração de dois anos e visa proporcionar tempo suficiente para as escolas desenvolverem estratégias pedagógicas diversificadas”, adiantou a secretária. A instituição de ensino pode, com este dinheiro, fazer “planeamentos na sua transformação ou fusão”, além de ponderar sobre “projectos individuais de desenvolvimento” ou apostar no “planeamento do corpo docente”. Na resposta à deputada Ella Lei, a secretária afirmou também que “os montantes dos subsídios [no âmbito do FE] para o ano lectivo de 2025/2026 foram aumentados”, pelo que “as escolas dispõem de recursos suficientes para recrutar pessoal docente e optimizar as suas condições pedagógicas”. Actualmente, disse a governante, “a média de professores por turma, no ensino infantil, foi melhorado [do rácio] 1-1,6 [um professor por uma média de 1,6 alunos], no ano lectivo de 2011/2012, para 1-2,3 no ano lectivo de 2025/2026”, sendo esta média “favorável para as escolas cuidarem e educarem melhor as crianças”. Uma “postura activa” A reconversão das escolas pode passar pela sua transformação em “instituições de educação contínua” com cursos de aperfeiçoamento contínuo ou “formação profissional e aprendizagem para idosos”, entre outros, disse a secretária. O Governo promete também, com recurso ao FE, apoiar os docentes na protecção da sua carreira. O Lam prometeu “alargar a ‘2ª pista’ da carreira dos docentes e construir uma plataforma de partilha de recursos”, incentivando-os a “participar em cursos de formação suplementar, para que recebam formação noutros níveis de ensino”. Desta forma, as escolas podem “organizar-se de forma mais flexível e com mais condições”, colocando docentes noutros níveis de ensino com mais alunos. O Lam adiantou outras conclusões de um estudo “que está quase a ser finalizado” sobre o panorama do ensino, referindo que existe a intenção de “aumentar a flexibilidade do regime do subsídio”, ainda que “o financiamento [seja algo] transitório e de curto prazo”. A intenção é mesmo “conquistar mais tempo para que as escolas se reconvertam”. Atribuir subsídios é, portanto, uma “medida residual”, para que as escolas possam “tentar estabilizar o corpo docente”. Do lado da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, o seu director garantiu que poderá ser pedido às escolas uma lista de docentes que tenham interesse em entrar num processo de reconversão ou em participar em acções de formação. “Neste momento, temos duas ou três escolas que estão de acordo sobre uma eventual fusão entre elas”, adiantou Kong Chi Meng. “Vamos adoptar uma postura activa” nesta matéria, disse a secretária. “Queremos criar um sistema de reconversão [das escolas], alargar o âmbito do desenvolvimento do ensino, inserir a inteligência artificial e montar uma plataforma para recursos destinados a docentes, o que já estamos a fazer”, rematou O Lam. O deputado Leong Sun Iok disse ainda que é importante que sejam criados outros apoios sociais, nomeadamente na gravidez e cuidados infantis, a fim de potenciar a natalidade. “Esses serviços sociais são uma necessidade para a população e isso pode levar a que as pessoas tenham mais vontade de ter filhos”, disse.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeSaúde mental | Governo anuncia plano concertado Foi apresentado ontem, através de diversos organismos públicos, um novo plano de acção conjunta pensado para a área da saúde mental, que visa juntar a parte educativa com a cultura, sem esquecer os idosos. O referido plano intitula-se “Construir uma rede de resiliência psicológica: da cognição à acção”, e, segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, consiste numa plataforma operada entre os Serviços de Saúde (SS), Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e Instituto de Acção Social (IAS), bem como o Instituto do Desporto (ID). Na conferência de imprensa de ontem, o director interino do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, disse que será estabelecido “um mecanismo interdepartamental” entre estes serviços, com a promessa de uma “cooperação estreita e sem barreiras, promovendo-se a articulação de recursos e partilha de casos”. O objectivo é também “formar uma rede de apoio que abranja todas as faixas etárias”, sendo que os SS já dispõem “de um mecanismo de intervenção por fases para problemas de saúde mental”, apontou. Este passa pela “prevenção precoce, apoio ao nível comunitário, psicoterapia ao nível dos centros de saúde, e, ao nível especializado, tratamento medicamentoso e internamento”, sem esquecer a ajuda “na reintegração social dos pacientes em recuperação”. Numa nota oficial divulgada em língua portuguesa depois do fecho da edição, foi referido que, “no apoio a grávidas e puérperas”, os SS e o IAS adoptam o modelo de “cooperação médico-social”, sendo que, desde Novembro do ano passado, trabalharam com 12 centros de saúde e 13 centros de serviços integrados familiares “para prestar serviços de encaminhamento e globais, promovendo actividades de aprendizagem de ciclo completo e planos de incentivo”. Foram ainda criadas seis “creches de capacitação” para “reforçar o apoio na criação dos filhos”. No que se refere aos serviços de apoio a pessoas em reabilitação psicossocial e famílias, o Governo disse que “são facultadas cerca de 1.600 vagas em 11 instalações de reabilitação, que incluem alojamento e reabilitação diurna”. Citada pela Lusa, Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SS, disse que se alguém “se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”. Tai Wa Hou explicou também que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional. “Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência. “É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de carácter nem um sinal de fraqueza”, disse. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes. Mais livros e informações Choi Man Chi, chefe do Departamento de Educação Não Superior da DSEDJ, apresentou o que já foi feito nesta área, nomeadamente a publicação de “materiais didácticos de educação para a saúde mental” e “recursos educativos sobre saúde mental dos jovens”, que já estão a ser aplicados nas escolas do ensino pré-escolar, primário e no ensino secundário inferior. O responsável indicou que no segundo trimestre deste ano “serão lançados materiais também para o ensino secundário superior”, e referiu que serão formados professores “para a utilização destes materiais”, além de se “promover a realização regular de aulas de educação para a saúde mental nas escolas”. No que diz respeito à preservação da saúde mental ao nível dos idosos, Iu Ka Wai, do IAS, afirmou que “está em curso a coordenação de avaliações domiciliárias e acompanhamento de casos identificados como sendo de risco”, tendo por base o inquérito realizado a idosos que vivem sozinhos, ou em famílias pequenas. Segundo noticiou a rádio, está também a ser preparado o “Pacote Informativo de Serviços de Cuidados a Idosos”. Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Com Lusa
Andreia Sofia Silva EventosCultura | Macau participa no programa “Saracoteio – Dança no Ecrã” Macau, Portugal e Cabo Verde unem-se num programa que celebra a dança em conjunto. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã acontece em Macau em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026, com apresentações prévias em Cabo Verde e Portugal nos meses de Setembro e Outubro. Nesta fase, decorrem as convocatórias de artistas Acontece este ano um programa que celebra a dança e visa também a união entre países e territórios de língua portuguesa. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã, reúne dança e vídeo num só evento, estando nesta fase a decorrer a selecção das participações de artistas e grupos não apenas de Portugal, mas também de Macau e Cabo Verde. As parcerias fizeram-se com o Festival Uabá de Cabo Verde e o ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027 de Macau. Segundo uma nota oficial da organização, o SARACOTEIO visa “promover a videodança e o filme dedicado ao corpo performático na comunidade de países de língua oficial portuguesa”, sendo que os projectos seleccionados serão apresentados na RAEM em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027. Mas antes, decorrem apresentações no Festival Uabá, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, entre os dias 21 e 25 de Setembro; e depois na 34.ª Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival, em Portugal, entre os dias 25 de Setembro e 11 de Outubro. A convocatória pede “autores e produtores de filme e vídeo de dança”, que sejam naturais ou residentes de Portugal, Macau e Cabo Verde, e que têm até ao dia 30 de Abril para submeter os projectos. No caso de Macau, os projectos podem ser submetidos à organização do festival ROLLOUT. Uma das regras para a submissão de propostas é que estas devem ser “apresentadas por realizadores, coreógrafos, companhias de dança ou outras instituições afins que detenham direitos de apresentação de som e imagem”. Serão tidos em conta elementos como a “qualidade técnica e artística do vídeo”, o “desenvolvimento do conceito” e a “qualidade performativa apresentada”. Eventos de celebração No caso do festival ROLLOUT, nasceu em Macau e teve a sua primeira edição há exactamente dez anos, descrevendo-se como “um festival bienal de cinema de dança”. A programação inclui, habitualmente, concursos internacionais, exibições de filmes seleccionados, partilhas de artistas, workshops, digressões de exibição e produções encomendadas, entre outras actividades. O objectivo é, segundo o website do festival, “construir uma plataforma de cinema de dança em Macau que promova possibilidades criativas multifacetadas e redes de intercâmbio”. Por sua vez, a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival realiza-se todos os anos e oferece “ao público um conjunto de actividades bem representativas da dança nacional e internacional”. Constitui-se, segundo a organização, como “um espaço de partilha, dedicado à apresentação e promoção da Dança Contemporânea”. O festival foi criado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, e oferece, além de espectáculos de dança, actividades como workshops, encontros, acções de formação e partilha, exposições, performances digitais ou videodança. O evento tem ainda ligação à Plataforma Coreográfica Internacional, permitindo-se a participação de companhias e criadores independentes de Dança Contemporânea de todo o mundo.
Andreia Sofia Silva EventosCasa de Portugal conquista “Prémio de Melhor Criatividade” em Desfile A Casa de Portugal em Macau (CPM) sagrou-se vencedora do “Prémio Melhor Criatividade” atribuído no contexto da participação no Desfile Internacional de Macau 2026. A Associação Casa do Brasil recebeu o “Prémio de Melhor Actuação”, tendo sido ainda distinguidas outras associações locais. O desfile decorreu este domingo pelas ruas do centro histórico e visou “transmitir a cultura da Rota Marítima da Seda”, tendo sido apresentadas “diversas actuações artísticas na construção da imagem de uma Macau Cultural vibrante”, destaca uma nota do Instituto Cultural (IC). A parada, que contou com apoios de diversas operadoras de jogo, terminou na Praça do Lago Sai Van e teve como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”. No desfile estiveram presentes elementos da cultura chinesa como as folhas de chá, a porcelana e a seda, apresentando-se o “VIVA”, a mascote que, “através de sonhos e viagens”, foi demonstrando aos presentes algumas das características da cultura chinesa e da Rota Marítima da Seda. História nas ruas Segundo a mesma nota, “a história [contada através do desfile] começou numa misteriosa noite em que VIVA recebeu uma revelação do Deus do Mar”, e a mascote descobriu depois que tinha de “empreender uma missão de transmissão cultural com três embaixadores culturais, em representação do chá, da porcelana e da seda”. Desta forma, o público e os grupos artísticos participantes “foram levados numa viagem imersiva” em que “paisagens e arte se fundiram e a antiguidade e modernidade coexistiram”. Pelas ruas de Macau o VIVA e seus “amigos embaixadores” encontraram uma exploração de “Jóias do Oceano”, “Cerimónia do Chá Aromática”, “Cavalgando as Ondas”, “Paisagem da Europa Continental” e “Galáxias Entrelaçadas”, e que “cumpriram finalmente a sua missão”. Depois, na Praça do Lago Sai Van, aconteceu o espectáculo final “apresentado por grupos artísticos estrangeiros e locais”, onde se exibiu “uma diversidade de formas de artes, incluindo dança, acrobacia, andas, actuações em monociclos, instalações gigantescas de balões e percussão”. Para o IC, “este espectáculo exibiu o encanto único de Macau como um importante nó na Rota Marítima da Seda através de diversas actuações culturais e artísticas”. Mas o Desfile continua com mais actividades de extensão, nomeadamente três actuações agendadas para o dia 4 de Abril e que se integram na iniciativa “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”. Estas são apresentadas na Área de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen, no bairro do Fai Chi Kei e no Jardim do Mercado do Iao Hon. Participam diversos grupos artísticos, incluindo a Associação Cultural Indiana e Saúde de Macau, a Associação do Santo Ninõ de Cebu em Macau, a Associação Bisdak de Macau, a Associação Internacional de Dança Oriental de Macau e a Macau Youth Street Dance Association. Desta forma, fica demonstrado, segundo o IC, “as culturas da Índia, Filipinas e a dança de rua de Macau, trazendo-se vibrações multiculturais à comunidade”.