Andreia Sofia Silva PolíticaGoverno quer criar “postos físicos” de saúde mental no próximo ano O Governo pretende criar, em 2027, o que chama de “postos físicos” de apoio de saúde mental. Em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, explicou que “o Governo da RAEM está a planear a criação de postos físicos, cuja entrada em funcionamento está prevista para o segundo trimestre do próximo ano”. A ideia é que as pessoas que sintam necessidade de apoio possam “deslocar-se pessoalmente aos referidos postos ou contactá-los por via telefónica para receber os respectivos serviços”. O objectivo do Executivo, com este novo serviço, é “aperfeiçoar ainda mais a ‘rede de protecção da saúde mental'”. Além disso, a secretária destacou o trabalho que tem sido feito pelo Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Saúde Física e Mental, ainda em fase experimental, referindo que há uma equipa multidisciplinar composta por agentes de aconselhamento, assistentes sociais e pessoal médico que acompanham os casos. “Após uma avaliação unificada da equipa interdepartamental, são providenciados à população os serviços médicos apropriados, apoio emocional e assistência social, assegurando assim a afectação razoável de recursos e a coordenação perfeita na prestação de serviços.” O Lam alertou ainda para o facto de muitas pessoas terem receio de expor os problemas de saúde mental que enfrentam, nomeadamente “muitos estudantes que não querem contactar directamente os agentes de aconselhamento porque não querem que as escolas saibam do seu caso”. Para este tipo de situações foram criadas “mais linhas de comunicação, com resultados positivos”. Enquanto isso, Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), disse que “os directores de turma e outros responsáveis têm formação nesta matéria”, enquanto “os agentes de aconselhamento têm 15 horas de formação por ano”. “Em relação ao aumento de recursos, esperamos trabalhar melhor nesta matéria no futuro”, frisou ainda. Silêncio dos mais velhos Durante o debate, o deputado Lam Lon Wai alertou para o facto de “os problemas dos alunos serem complexos e diversificados”, sendo necessárias “muitas pessoas para acompanhar os problemas”. Já Chan Lai Kei questionou se na futura cidade universitária, em Hengqin, será feito um investimento “em mais recursos para formar talentos” na área da saúde mental. Se os alunos parecem ter problemas em pedir ajuda, também os idosos têm essa dificuldade, segundo destacou o deputado Che Sai Wang. “Estou preocupado com os idosos, sobretudo na identificação dos casos de depressão. Os idosos não procuram apoio por sua iniciativa, e ao pedirem ajuda médica é difícil ver as razões e motivos da doença. Se essa rede só depender dos próprios idosos para pedir ajuda, isso não vai resolver o problema, e há que criar mecanismos activos para a identificação dos problemas.” Neste sentido, o deputado questionou “se além dos serviços comunitários, como podem ser reforçados os serviços no centro de saúde e a capacidade do pessoal da linha da frente”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSaúde | Esperas nas urgências diminuíram 10% no primeiro semestre O deputado Che Sai Wang perguntou, e a secretária O Lam respondeu: o tempo médio de espera no serviço de urgência baixou cerca de 10 por cento na primeira metade do ano. O Governo anunciou a criação de um serviço de acompanhamento dos tempos de espera na Conta Única de Macau A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse na Assembleia Legislativa (AL) que hoje se espera menos na urgência do que há um ano. Em resposta a interpelação oral do deputado Che Sai Wang, a governante referiu que no primeiro semestre deste ano, “o tempo médio diário de espera na Urgência de Adultos foi de 54 minutos, o que representa uma diminuição de 10 por cento em termos homólogos”. Além disso, “a proporção de utentes com tempo de espera superior a duas horas fixou-se em 7,8 por cento, registando uma descida progressiva face aos 10,6 por cento registados no período homólogo do ano passado”, acrescentou a secretária. O Lam adiantou também que o hospital das ilhas, o Centro Médico de Macau Union, começou a ter serviços de urgência igualmente no primeiro semestre deste ano, “tendo assegurado mais de 15 por cento do volume global dos serviços de urgência públicos”, referiu, desviando doentes do Centro Hospitalar Conde de São Januário. A secretária explicou aos deputados que é feita uma “análise contínua dos dados estatísticos do Serviço de Urgência, incluindo o número de atendimento em diferentes períodos, o tempo médio de espera e as condições de serviços”, a fim de se decidir quanto à alocação e “optimização dos serviços”. Neste contexto, O Lam anunciou a criação da plataforma “Facilidade de Espera” na aplicação móvel “Conta Única de Macau”, em conjugação com os Serviços de Administração e Função Pública. A ideia é que os utentes possam acompanhar, em tempo real, os períodos de espera nas várias unidades de saúde, públicas e privadas, com informações sobre o nível de afluência em diferentes alturas. Médicos: será que chegam? No debate de resposta a interpelações dos deputados, O Lam esclareceu que os 35 médicos de clínica geral “recentemente recrutados pelos Serviços de Saúde (SS) já começaram a ser integrados, de forma faseada, no Serviço de Urgência, elevando a sua capacidade de atendimento”. Desta forma, o Executivo assegura que “os dois hospitais públicos procederão ao ajustamento dinâmico da dotação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio com base no número de atendimento do Serviço de Urgência nos períodos de maior afluência, bem como no período nocturno, feriados e épocas de gripe”. Apesar dos esclarecimentos, os deputados não deixaram de apresentar dúvidas, nomeadamente Pereira Coutinho, companheiro de bancada de Che Sai Wang, que apelou a O Lam para verificar, presencialmente, o panorama dos serviços de urgência. “A secretária disse que há 35 médicos gerais que estão a ser integrados nos serviços de urgência, mas se tiver tempo, a senhora secretária pode ir à urgência verificar a situação, porque há falta de pessoal. O pessoal não tem sequer tempo para frequentar acções de formação, nem para descansar”, acusou. Já Leong Pou U alertou para o aumento do número de utentes face ao menor aumento de pessoal médico e de enfermagem. “Em 2022 havia 452 médicos e 1.034 enfermeiros, e em 2024 havia 435 médicos e 1.110 enfermeiros. O número de utentes aumentou de 480 mil para 500 mil. No serviço de urgência passou de 230 mil para 300 mil. De facto, o número de trabalhadores não foi alterado, mas o número de utentes aumentou bastante e isso agrava a pressão sentida pelos trabalhadores da linha da frente.” O deputado inquiriu ainda a secretária sobre os novos médicos contratados. “Disse que foram recrutados mais 35 médicos gerais, mas será que são suficientes para lidar com o aumento da população e com o facto de a sociedade estar a envelhecer?”, questionou.
Andreia Sofia Silva EventosLisboa | Ana Jacinto Nunes apresenta nova exposição É na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água, que a artista portuguesa Ana Jacinto Nunes, com ligações a Macau, apresenta a sua mais recente exposição. “Seres d’Água” tem animais que não são bem isso, a mulher e muitas reflexões interiores em forma de pintura, escultura e desenho Ana Jacinto Nunes, artista plástica que já viveu e expôs em Macau, apresenta até ao dia 12 de Agosto a sua nova exposição, “Seres D’Água”, patente na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água. A curadoria está a cargo de Ricardo Barbosa Vicente, podendo ser vistos trabalhos mais antigos e actuais, alguns deles já apresentados em Macau. Aqui, a água é tema central num conjunto de obras que também acarretam consigo introspecções e reflexões. Como se lê na descrição da exposição, “a água atravessa tudo: está nos corpos, nas paisagens, nas memórias e nas formas que habitam a nossa imaginação”, sem esquecer “o movimento constante da transformação”. Apresenta-se, assim, “um conjunto de obras em cerâmica, desenho sobre têxtil, pintura e objectos que nos convidam a explorar um universo onde o humano, o animal, o vegetal e o imaginado se encontram”. Estabelece-se ainda “um diálogo entre arte contemporânea e património, propondo uma reflexão sobre a água enquanto força criadora, transformadora e agregadora”. rpt Ao HM, a artista revela um pouco sobre aquilo que pode ser visto no Museu da Água. “O meu trabalho tem muitos animais, muitas pessoas, normalmente mulheres. Aliás, tem quase sempre mulheres. É muito raro haver um homem na minha obra, talvez porque se transforma em metáforas e bichos. Ou porque, simplesmente, já é difícil saber de mim.” As obras onde a mulher surge em maior evidência são “Escultura ser de água + plinto”, em grês; ou “Anjo”, com 73 azulejos montados sem plástico com uma chapa de metal. Estas obras datam deste ano. Já na pintura, “Vertigo (Flamingo)”, a mulher também está em destaque, por entre tons brancos e rosa, numa instalação deste ano com o desenho de uma mulher feita num pedaço de cambraia de algodão. O lugar do feminino Ana Jacinto Nunes tem hoje uma relação mais próxima com o jardim de sua casa do que antes, estando presente no seu processo de criação. Assume ter “preocupações que, provavelmente, são comuns a muitas mulheres”, e que passa por “saber o que é que estamos aqui a fazer”, por exemplo. “Só me tenho a mim como modelo, e a pergunta e resposta é sempre dentro de mim e não com os outros, portanto, estas perguntas essenciais que se fazem são comigo. De masculino tenho muito pouco”, responde a artista quando questionada sobre a forte presença da mulher na sua obra. O feminino é, portanto, “a sua vida”, enquanto que os animais dos seus projectos não são sempre isso, podendo ser “metáforas”. “Não são necessariamente animais. Alguns serão, na sua maioria, ou não existem. Os pássaros podem não existir – não são os pássaros do meu jardim. Se calhar, são uma metáfora para a liberdade, para os voos, para o sair, para a evasão. Outros bichos serão o meu filho, a minha filha, o meu namorado, o meu pai, a minha mãe”, acrescenta. Sobre “Into Slumber”, um desenho de acrílico feito em pano cru, de 2014, retrata-se uma espécie de sonho. “Os sonhos, bichos, plantas, pessoas podem ser todas uma amálgama, o que, no fundo, somos. Achamos que somos todos separados, mas não. Não há como se dizer isto de outra forma, a água é vida.” Ana Jacinto Nunes recorda uma mostra feita em 2008, intitulada “O Vestido Azul e Outros Banhos”, para mostrar a importância fulcral da água. “Quando vestes um vestido azul, estás de volta de azul, quando tomas um banho de banheira, estás imersa, e quando tens filhos, és parte de uma família. Quando te pões num jardim, és parte dele. Sem água, não cresce nada, e se as plantas não crescerem, se não derem refúgio aos pássaros e aos roedores… Se eu não regar, nada cresce, e nada vai aparecer. Tal como na nossa vida: se não pensarmos, não lermos, não procurarmos, não vamos colher nada”, rematou.
Andreia Sofia Silva Entrevista ManchetePaul French, autor de “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” e jornalista: “Novos diários e cartas são janelas únicas” Já está em pré-venda o novo livro de Paul French que retrata a vida do último imperador da China. “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” nasceu da descoberta de novas fontes documentais. O livro, que estará nas bancas em meados de Agosto, acrescenta detalhes à história de Puyi e da imperatriz Wanrong Puyi é uma figura histórica muito retratada, inclusive no cinema, mas a sinopse do livro revela que existem novos segredos sobre a vida do último imperador da China. Quais são as principais revelações desta obra e que arquivos consultou? Nunca pensei que acabaria por escrever a história de Puyi, o Último Imperador. Adorei o filme de Bernardo Bertolucci, de 1987 (que estreou quando eu estava na universidade a estudar chinês), e revi-o inúmeras vezes. No entanto, tive a felicidade de encontrar novos documentos em vários arquivos, incluindo cartas da última imperatriz, Wanrong, e de Sir Reginald Johnston, o escocês que ficou conhecido por ter sido tutor de Puyi. Mais tarde, ouvi falar de Isabel Ingram, que foi professora de inglês e amiga próxima de Wanrong. A sua família, nos Estados Unidos, deixou-me consultar as cartas e diários que escreveu durante o período em que viveu na Cidade Proibida com o imperador, a imperatriz e Johnston. Estas novas fontes — cartas, diários e algumas fotografias — contam uma história ligeiramente diferente sobre a relação entre Puyi e Wanrong nos primeiros anos de casamento (o último casamento imperial da China) e colocam também Isabel Ingram no centro da narrativa, depois de ter sido omitida tanto das memórias de Johnston, “Twilight in the Forbidden City”, de 1934, como do filme de Bertolucci. Por que decidiu escrever um livro sobre Puyi? O que considera mais fascinante na vida do último imperador da China? Existem muitos livros sobre Puyi, sobretudo em chinês, incluindo as suas próprias memórias, “From Emperor to Citizen”, editado em 1964. Contudo, as novas fontes a que tive acesso trazem uma luz inédita sobre os dois anos decisivos entre o casamento imperial, no final de 1922, e a expulsão da família imperial de Pequim, no final de 1924. Durante esse período, Puyi e Wanrong tiveram de aprender a conhecer-se (o casamento foi, naturalmente, arranjado), vivendo confinados na Cidade Proibida, no coração de Pequim, uma cidade onde não podiam circular livremente, numa China que já se tinha tornado uma república. Foi uma fase extremamente difícil, agravada por um incêndio devastador que quase destruiu toda a Cidade Proibida, pela decisão de Puyi de expulsar os eunucos por roubarem tesouros imperiais e, por fim, pela sua própria expulsão, conduzida pelo senhor da guerra Feng Yuxiang, que acabou por o empurrar para a influência japonesa. Tudo isto foi testemunhado de perto por Johnston e Ingram, pelo que os seus novos diários e cartas constituem janelas absolutamente únicas sobre esses dois anos tão extraordinários. Como descreveria Puyi enquanto imperador e político, particularmente na sua relação com os japoneses? Foi um estratega ou um derrotado pelas circunstâncias? Era apenas um rapaz e, depois, um jovem adulto. Quando foi expulso da Cidade Proibida tinha pouco mais de vinte anos. Nasceu completamente fora do seu tempo. Foi proclamado imperador antes de completar três anos, por decisão da imperatriz viúva Cixi, e nunca chegou verdadeiramente a conhecer uma China monárquica. A sua situação era única: era um imperador sem império, um soberano sem reino. Não tinha qualquer papel nem uma função real. Escapou ao destino dos Romanov, na Rússia (a execução), mas foi condenado a viver encerrado naquela cidadela murada que era a Cidade Proibida. Na verdade, nunca pôde escolher praticamente nada na sua vida: nem a educação, a casa ou o casamento. Será assim surpreendente que tenha sido politicamente ingénuo e que tenha tomado más decisões? Também não ajudou o facto de o seu principal tutor, Reginald Johnston, lhe ter incutido a ideia de que era um imperador ao nível do rei de Inglaterra ou do imperador do Japão. Além disso, não devemos esquecer que Puyi era manchu, o último imperador de uma das duas “dinastias conquistadoras” da China (a outra foi a dinastia mongol Yuan). Assim, depois da expulsão de Pequim, ficou completamente sozinho, mal aconselhado e impreparado, acabando por se transformar num fantoche dos japoneses na Manchúria. O grande sinólogo de Harvard, John K. Fairbank, considerava Puyi o fim de mil anos de história imperial, da longa sucessão dos “Filhos do Céu” que tinham proporcionado à China um sentimento de unidade e continuidade, agora destruído pela modernidade, mudança e republicanismo. Segundo Fairbank, Puyi foi “a última pedra apanhada sob este rolo compressor” que representou o colapso da dinastia Qing, o nascimento da República e, posteriormente, a guerra contra o Japão. Puyi tinha curiosidade sobre o mundo ocidental? Que visão tinha para a China? Puyi acreditava na monarquia e naquilo a que hoje chamaríamos o “direito divino dos reis e imperadores”. Essa convicção foi reforçada pelos seus professores, sobretudo por Reginald Johnston. Acreditava que talvez pudesse tornar-se um monarca constitucional, à imagem da família real britânica: uma figura simbólica, sem poder político ou legislativo. Johnston incentivava essa ideia. Na verdade, algumas figuras do governo nacionalista de Sun Yat-sen e também alguns senhores da guerra do norte da China viam essa possibilidade com simpatia. Puyi tinha curiosidade pelo Ocidente. Queria estudar em Oxford e via filmes mudos de Hollywood. Contudo, a sua posição e o momento histórico em que viveu eram demasiado singulares para que pudesse realmente conhecer o mundo para além dos muros da Cidade Proibida. Puyi teve várias esposas, uma das quais desenvolveu dependência do ópio. Como eram essas relações? O meu livro centra-se sobretudo na relação entre Puyi e Wanrong. Ambos eram adolescentes quando o casamento foi arranjado. As narrativas chinesas e ocidentais sempre apresentaram esta união como um casamento sem amor (e, naturalmente, sem filhos), retratando Puyi como uma pessoa fria, emocionalmente distante e até assexual. No entanto, os diários de Isabel Ingram relativos aos últimos dois anos na Cidade Proibida e as cartas de Johnston escritas na época mostram um casal muito diferente. Eles eram próximos. Ingram afirma claramente que existia carinho e intimidade física entre ambos. Jogavam ténis juntos, andavam de bicicleta, viam filmes, encomendavam refeições de hotéis ocidentais de Pequim para experimentar novos sabores e partilhavam uma paixão comum pela fotografia. Quando Puyi teve de tomar decisões difíceis, Wanrong apoiou-o. Mais tarde, já na Manchúria, após a expulsão, acabaram por se afastar. Wanrong percebeu que Puyi tinha cometido erros gravíssimos, caiu na dependência do ópio e morreu ainda jovem. Foi uma verdadeira tragédia. O meu livro apresenta também novas fontes sobre a relação entre Puyi, Wanrong e Wenxiu, a sua consorte. Que detalhes desses relacionamentos pode destacar? Ao contrário da imagem tradicional de rivalidade, Wanrong e Wenxiu eram amigas e apoiavam-se mutuamente nas circunstâncias muito particulares em que viviam. Incluo cartas e passagens de diários que descrevem animadas festas nos jardins, frequentadas pelos três, bem como fotografias onde aparecem juntos a rir, a sorrir em piqueniques, a fumar e até a brincar em baloiços. Mais tarde, Wenxiu acabaria por “divorciar-se” de Puyi, e tudo indica que ele lhe desejou sinceramente felicidade para o resto da vida. Tanto a relação de Puyi com Wanrong como com Wenxiu, assim como a amizade entre as duas mulheres, são documentadas através destas novas fontes e revelam uma história muito diferente daquela que durante décadas imaginámos. Pu Yi viveu até meados da década de 1960, atravessando a guerra civil chinesa e o início da Revolução Cultural. Como viveu esse período? Que visão tinha do maoísmo? Naturalmente, é impossível ignorar que, ao aceitar tornar-se imperador do Manchukuo, o Estado fantoche criado pelos japoneses na Manchúria, e ao apelar aos chineses para que não resistissem ao Japão, Puyi foi considerado um traidor. Essa decisão marcou profundamente a forma como passou a ser visto. Foi submetido a um longo processo de “reeducação” antes de poder regressar a Pequim. Primeiro trabalhou como varredor de ruas — perdia-se constantemente porque praticamente não conhecia a cidade além da Cidade Proibida — e, mais tarde, tornou-se jardineiro. Casou novamente e esse casamento foi feliz. Recebeu alguma protecção de Zhou Enlai quando houve quem defendesse que deveria ser severamente castigado e, já no final da vida, os Guardas Vermelhos quiseram torturá-lo quando começou a Revolução Cultural. Zhou Enlai, que o convidou várias vezes para almoçar em Zhongnanhai, disse-lhe uma vez: “Não tiveste qualquer responsabilidade por te tornares imperador aos três anos… Mas és inteiramente responsável pelo que aconteceu depois.” Naturalmente, Puyi manteve-se em silêncio sobre política e sobre o maoísmo. Viveu os seus últimos anos discretamente. A sua vida tinha sido demasiado invulgar, demasiado isolada, e ele tinha sido sucessivamente manipulado pela corte Qing, pelos japoneses e, finalmente, pelos comunistas, para poder ser visto como algo mais do que uma anomalia histórica: o último imperador da China. Espero que o meu novo livro, ao revelar estas novas fontes e as perspectivas de testemunhas oculares dos últimos anos vividos na Cidade Proibida, mostre claramente um jovem que, ainda que por pouco tempo, teve a oportunidade de construir uma vida produtiva e uma relação amorosa feliz. Infelizmente, o peso da História acabou por ser demasiado grande.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Vincent Cheang apresenta nova exposição Vincent Cheang, o rosto por detrás do espaço Live Music Association, apresenta esta quinta-feira uma nova exposição, intitulada “Dark Shards”. Trata-se de um projecto que revela ao grande público “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio”. A inauguração será acompanhada por uma actuação ao vivo A galeria da Creative Macau acolhe, a partir desta quinta-feira, uma nova exposição. Trata-se de “Dark Shards” [Negros Fragmentos], uma exposição com trabalhos de Vincent Cheang Chi-Tat, artista e a figura por detrás do espaço Live Music Association, que depois de décadas a trazer música a Macau, funciona agora em Wanchai. Na inauguração, que decorre entre as 18h30 e as 20h30, o público poderá ainda assistir a uma curta actuação de Vincent com os músicos Jun Kung e Chao Seng Lam. O próprio artista vai também fazer pinturas em simultâneo com a música, tratando-se de uma “colaboração ao vivo entre a música e a pintura”, disse Vincent Cheang ao HM. Este trabalho fica depois exposto na Creative Macau, tratando-se, para Vincent Cheang, de um “trabalho escondido”, como se fosse “uma faixa escondida num CD”. “Dark Shards” encara a arte como se fosse uma espécie de “vida em fragmentos”. Vincent Cheang encara a expressão artística não como “fruto de um cálculo deliberado, mas sim [o acto] de infundir criatividade em cada momento da vida, transformando assim a arte em registos fiéis da própria existência”. Entre a dispersão e o início Segundo uma nota da Creative Macau, “Dark Shards” transforma “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio, em fragmentos dispersos de escuridão”. O artista é descrito como um “coleccionador e maestro da noite”, que organiza estas melodias “e pedaços dispersos numa sequência rítmica, reorganizando o caos para forjar narrativas claras e significativas na tela”. A ideia de “fragmentos” remete para a sensação de “estar disperso”, tratando-se de “o início de um renascimento após o fim”. Com estes trabalhos artísticos, a ideia é “explorar e encontrar a ressonância da nossa vida que perdura nestes fragmentos escuros e repletos de ritmo”. Esta mostra surge depois de projectos como “Highway Star”, exposição apresentada em 2019; “Parallel Universe”, de 2022; “When Tat Chi Meets Chi Tat”, projecto de 2023, e “Synchronicity» da Art Macao”, do mesmo ano. Vincent Cheang Chi-Tat é um artista que “alterna entre a estrutura disciplinada do trabalho de design e a liberdade ilimitada da expressão artística, sendo a criação o eixo central de toda a sua vida”. Além disso, “a apresentação de um programa de rádio semanal de cinco dias confere à sua arte visual um ritmo musical natural e um fluxo tonal que definem o seu estilo característico”, é apontado.
Andreia Sofia Silva Grande Plano ManchetePlano Quinquenal | Defendido subsídio para transformação digital de PME Na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), defendeu-se a criação de um subsídio para digitalizar empresas de pequena dimensão. Registaram-se mais de oito mil opiniões, com 92,1 por cento de “opiniões positivas” A transformação da economia e a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas (PME) a uma nova realidade foi um dos temas alvo de comentários da população na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030). Segundo o documento, ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), o tópico “Aumento da competitividade das pequenas e médias empresas (PME)” recebeu 135 opiniões, sendo que 32 pessoas opinaram sobre o “aumento do nível de digitalização e de aplicação tecnológica das PME”. Neste âmbito, foi sugerida “a criação de um subsídio específico para a transformação digital”, bem como sugestões para a necessidade de “lançamento de um mecanismo de crédito inclusivo e de reestruturação da dívida”, ou a importância da “formação gratuita sobre marketing de inteligência artificial (IA)”. Outro tópico abordado na consulta pública e relacionado com o tecido empresarial prendeu-se com as “políticas e medidas de apoio ao desenvolvimento das PME”, com 60 opiniões recolhidas. Aqui, foi sugerida a criação de um “mecanismo de cadeia de fornecimento”, no qual “as empresas maiores ajudarem as menores”. Defendeu-se também o lançamento de “subsídios especiais para financiamento” e a importância da “digitalização e expansão internacional das marcas”. Foram ainda reveladas opiniões no sentido de revitalizar “espaços devolutos para os converter em locais destinados a empreendedorismo”. Não faltou ainda uma crítica à forma como o comércio transfronteiriço está a ser feito, pois “segundo algumas opiniões, os canais de venda transfronteiriços para as PME são limitados”, existindo “falta de apoio às indústrias em termos de medidas complementares diferenciadas”. Demografia preocupa Ainda no que diz respeito à economia do território, registaram-se apenas quatro opiniões quanto “às tendências futuras do desenvolvimento de Macau”. Foi defendido que “se verifica uma cristalização da estrutura industrial, com um ritmo lento na promoção e desenvolvimento de indústrias emergentes”. Além disso, entende-se que “existem lacunas nos serviços complementares relacionados com vida da população e que a situação demográfica é preocupante”. Por sua vez, registaram-se 39 opiniões sobre “principais indicadores de desenvolvimento socioeconómico”, tendo sido sugerido, por exemplo, a definição de metas “por fases no âmbito da investigação científica, aumentando progressivamente a sua proporção no Produto Interno Bruto até um mínimo de 1,5 por cento, com uma perspectiva de médio e longo prazo”, em “convergência para a média internacional de 2,6 por cento”. Foi ainda apontada a necessidade de estabelecer “indicadores para avaliar os resultados da diversificação adequada da economia e indicadores quantitativos de desenvolvimento da indústria científica e tecnológica”. Destacam-se as 72 opiniões registadas no tópico dedicado à economia comunitária, sugerindo-se a necessidade de “revitalização dos espaços devolutos nos bairros comunitários” ou a “emissão de vales de consumo para impulsionar o fluxo de visitantes”. As opiniões apresentadas apontam “as dificuldades de exploração das lojas nos bairros antigos”, ou a necessidade de “transformação das zonas antigas do Iao Ho e NAPE”. IA com mais leis O relatório da consulta pública em questão revela ainda que a IA gera preocupação, sendo pedidas mais medidas para que Macau possa melhor gerir esta realidade. Foram recebidas 27 opiniões sobre o assunto “aumento da capacidade de segurança nacional em áreas emergentes como as redes, os dados e a inteligência artificial”. Neste contexto, “a maioria das opiniões refere que se deve acelerar a elaboração de legislação específica ou orientações relativas à aplicação” da IA. Enquanto isso, das 39 opiniões apresentadas sobre o “reforço da gestão de segurança da cidade”, há quem entenda que se deve “aperfeiçoar o sistema de alerta precoce de riscos para a segurança da cidade, recorrendo a tecnologias como megadados e inteligência artificial para permitir alertas inteligentes e uma resposta rápida a desastres e eventos súbitos”. Pouca eficácia Foram ainda deixadas críticas sobre o panorama do mercado financeiro no território. O tópico “desenvolvimento das indústrias de tecnologia de ponta adequada a Macau” recebeu 107 opiniões, sendo que algumas delas “destacaram que o ecossistema local para a indústria de inovação científica e tecnológica ainda é insuficiente”. Foi também referido que “a eficácia da transformação de resultados científicos e tecnológicos permanece baixa”. No assunto “aceleração do desenvolvimento da indústria financeira com características próprias” houve 117 opiniões. Sugeriu-se que as autoridades se devem focar “na gestão de fortunas e no mercado de títulos de dívida”, entre outros tópicos. Mas foi deixada uma ideia mais negativa: a de que “o mercado financeiro de Macau apresenta uma liquidez relativamente fraca e uma capacidade limitada” de ligações e movimentações financeiras “para os países de língua portuguesa”. De olho em Hengqin Uma das áreas que mais opiniões recebeu foi da Administração pública, sobretudo no que diz respeito ao “aprofundamento da reforma”, com um total de 292 opiniões. O Governo dá conta de 36 opiniões que referiram ser necessário “persistir e aperfeiçoar ainda mais o sistema de predominância do poder Executivo”, além de necessidade de “definir claramente os limites de competência e responsabilidade dos serviços”. Deve-se apostar também, neste contexto, na criação de “um regime de substituição de Secretários”, bem como “um regime de acompanhamento e fiscalização”. No que concerne à digitalização de serviços públicos, o Governo recebeu 82 opiniões, que vão no sentido da necessidade de “introdução da aplicação de inteligência artificial e criação de infra-estruturas digitais eficientes e seguras”. No que concerne à “promoção da integração profunda da vida da população”, houve 291 opiniões, sendo que 62 apontam para o alargamento “do âmbito dos pedidos de autorização de residência em Hengqin”, bem como a promoção “do uso do cantonês, caracteres tradicionais chineses e do português”. No que concerne à habitação, foi sugerida “a possibilidade de [criação de um] modelo transitório de mudança habitacional para a aquisição de habitação de prédios antigos sem elevadores em Macau em troca, a título compensatório, de uma outra de maior dimensão em Hengqin”. Houve 73 opiniões a defender a extensão “do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo a Hengqin”, bem como a necessidade de realizar mais acções de formação profissional entre fronteiras. Reformar os tribunais Outro capítulo do relatório diz respeito à “promoção da modernização do sistema jurídico”, com 29 opiniões recolhidas. Registou-se “um número significativo [de opiniões] referente à criação de um grupo de trabalho especializado” para a “reforma da legislação fundamental, com o objectivo de promover os trabalhos de alteração dos cinco grandes códigos”. Neste caso, o Código Comercial, Código Penal, Código do Processo Penal, Código Civil e Código do Processo Civil. Houve ainda 39 opiniões sobre o tópico “aperfeiçoamento do sistema e mecanismos judiciais e aumento da eficiência judicial”. Aqui, “um número significativo [de opiniões] manifesta apoio à criação de um mecanismo sistemático e regular de divulgação das decisões judiciais dos tribunais de primeira instância”. Além disso, recomenda-se a aposta na mediação e arbitragem, nomeadamente através da melhoria “dos mecanismos diversificados de resolução de litígios, com a redução das restrições à mediação, a formação de quadros especializados na mediação e a promoção da integração orgânica entre os procedimentos de mediação, arbitragem e processo judicial”. A consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM decorreu entre os dias 20 de Maio e 28 de Junho, e realizaram-se 14 sessões. Foram recebidas, segundo a DSEPDR, “1.716 pareceres, num total de 8.230 opiniões, o que representa, respectivamente, 2,2 vezes e 2,6 vezes [acima] dos valores registados durante a consulta pública sobre o 2.o Plano Quinquenal”. Diz a DSEPDR que “em termos gerais, a população apoia o conteúdo do documento”, tendo-se registado 92,1 por cento de opiniões positivas e apenas “6,9 por cento de opiniões neutras, e 1 por cento de opiniões negativas”. O tópico “Garantia efectiva e melhoria do bem-estar da população” foi o que recebeu mais opiniões, num total de 1.777, correspondendo a 21,6 por cento do total. Seguiu-se a “Promoção sólida do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, com um total de 1.320 opiniões ou sugestões, correspondendo a 16 por cento. Por sua vez, o tema “Promoção de alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin” surge em terceiro lugar, com um total de 1.096 opiniões, correspondendo a 13,3 por cento.
Andreia Sofia Silva EventosTorre de Macau | Artes e mímica para explorar até Setembro Está aí a sétima edição de “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, que até 3 de Setembro traz à Torre de Macau uma panóplia de diversão e criatividade, com instalações artísticas, espectáculos de mímica e figurinos inventivos, naquele que é descrito como “o derradeiro banquete criativo de Verão” A Torre de Macau irá transformar-se até ao dia 3 de Setembro num espaço de entretenimento com o “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, naquela que é a sétima edição do evento. O público pode desfrutar de vários formatos artísticos, nomeadamente instalações, mímica e figurinos criativos, naquela que pretende ser uma “instalação artística em grande escala que combina espectáculos de mímica interactivos, figurinos criativos e oficinas práticas”. Segundo um comunicado da organização, fica a promessa de um “encontro vibrante de artistas locais de várias disciplinas”, criando-se “um banquete artístico repleto de surpresas e imaginação, tanto para residentes como para turistas, acompanhando as crianças ao longo de umas férias de Verão altamente criativas”. Nos próximos dias 2 e 9 de Agosto acontecem espectáculos de mímica às 14h30 e 16h30; bem como a iniciativa “Dreamy Playful Corner” das 14h às 17h. Nestas datas, decorrem ainda workshops para famílias entre as 15h e as 16h. As inscrições devem ser feitas no website do evento, com todas as iniciativas a decorrerem no rés-do-chão da Torre de Macau. Haverá cabines de jogos e oficinas para pais e filhos, apostando-se no teatro, dança, actividades de pintura facial, marionetas e artes visuais para criar um cenário cheio de “alegria e beleza”, destaca a organização. Missão de entreter Cheong Hoi I é curadora do evento e afirmou, citada pela mesma nota, que o evento tem acontecido sempre com a mesma missão, “despertar o interesse do público por vários meios criativos através de diversas formas de arte”. Na sua visão, este projecto “proporciona aos artistas locais um vasto espaço para criar, dando a conhecer a energia criativa única de Macau, ao mesmo tempo que espera que, através da arte, tanto adultos como crianças possam guardar uma sincera ‘semente de sonhos’ à medida que crescem”. Uma das entidades envolvidas nesta iniciativa é a Route Art of Macau. Chan Nga Cheng, directora de mímica e dramaturga, ligada a esta entidade, afirmou que o espectáculo deste ano “é uma adaptação livre do sexto capítulo de ‘As Aventuras de Alice no País das Maravilhas’ e ‘Pig and Pepper’, reinventado de forma ousada como uma caótica e hilariante ‘Guerra na Cozinha’ para apresentar ao público um universo de Alice totalmente novo e mágico”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteUNESCO | Classificados sítios da indústria de porcelana de Jingdezhen A UNESCO inscreveu os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen na lista do património mundial. O reconhecimento ocorreu na 48ª sessão do Comité do Património Mundial que se realizou em Busan, Coreia do Sul. Os locais distinguidos pela UNESCO são testemunhos da história do fabrico da porcelana chinesa entre os séculos X e XIX “Há mais de 2.000 anos que as fornalhas ardem em Jingdezhen, na China, transformando argila humilde em requintadas obras de arte.” É desta forma que a agência estatal chinesa Xinhua destaca o facto de os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen, no nordeste da província de Jiangxi, terem sido classificados como património mundial da UNESCO. A inscrição na lista do património mundial inclui este conjunto de sítios que, segundo a UNESCO, “retrata a evolução da produção de porcelana artesanal entre os séculos X e XIX, que teve profundas influências industriais, artísticas e comerciais na China e a nível global”. A cerimónia de inscrição de novo património imaterial e natural decorreu no último sábado na Coreia do Sul, na 48ª Comissão do Património Mundial. Os critérios utilizados pela UNESCO para a inscrição destes Sítios é o facto de estes representarem “uma importante interacção de valores humanos ao longo de um período de tempo” ou ainda “no âmbito de uma área cultural do mundo”; além de estarem relacionados com a “evolução da arquitectura ou tecnologia, artes monumentais, planeamento urbano ou da concepção paisagística”. Outro critério para a classificação prende-se com o facto de serem “um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização, quer esta ainda exista, quer já tenha desaparecido”; além de serem um “um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitectónico ou tecnológico ou paisagem que ilustra uma ou mais fases significativas da história da humanidade”. Por fim, a classificação dos Sítios de Jingdezhen ocorreu por estarem “directamente associados, de forma tangível, a eventos ou tradições vivas, a ideias ou a crenças, bem como a obras artísticas e literárias de notável importância universal”. No complexo industrial ancestral persistem “cinco partes que reflectem os processos de produção da porcelana, incluindo a extracção e o transporte de matérias-primas, as inovações no design dos fornos e a organização espacial e social da produção em imensa escala”. Segundo descreve a UNESCO, “a área da cidade contava com o Forno Imperial, a par de fornos civis, guildas e associações de comerciantes”. Entre os séculos X e XIX, Jingdezhen “foi um centro de inovação tecnológica na produção de porcelana, incluindo a ‘fórmula binária’ de mistura de caulim e pedra de porcelana”. Descreve-se ainda que, nesta cidade, “era produzida porcelana da mais elevada qualidade”, sendo que a “porcelana azul e branca, bem como os seus desenhos, tornaram-se uma mercadoria mundialmente apreciada e um símbolo da cultura e da arte chinesas”. Ligação a Portugal Ainda segundo a Xinhua, Jingdezhen “não é uma cidade qualquer”, estando “situada num recanto da província de Jiangxi, no leste da China, a mundialmente famosa ‘capital da porcelana'” e que “tem sido, desde há muito, o coração da cultura cerâmica chinesa”. A cidade possui uma “história rica em tradições”, personificando “a continuidade duradoura da própria civilização chinesa”, ou seja, “uma tradição viva preservada, remodelada e renovada ao longo das gerações”. O artigo refere o caso particular de Sun, que ainda possui a oficina que herdou do seu bisavô e que se mantém no activo há 120 anos. Este espaço situa-se em Taoyangli, “um bairro histórico ribeirinho onde tradições seculares se misturam com correntes de criatividade contemporânea, tudo à vista de um curso de água que se liga ao rio Yangtze”, pode ler-se. Esta oficina “conta a história através dos objectos”, com “peças de porcelana pintadas à mão com formas tradicionais, porcelana de uso diário produzida em série com decorações em decalque e até criações em estilo de banda desenhada feitas pelos seus alunos”. Os locais agora sob protecção patrimonial são compostos um museu de cerâmica e fornos que datam das dinastias Ming e Qing, entre os anos de 1368 e 1911. Em Outubro de 2023 o Presidente chinês, Xi Jinping visitou o local e, no contexto dessa visita, Weng Yanjun, director do Instituto do Forno Imperial de Jingdezhen, referiu que a porcelana ali produzida é “um microcosmo da cultura chinesa”. Segundo a Xinhua, o responsável, arqueólogo, descreveu também que a cerâmica tem sido “tanto um símbolo cultural da China como uma ponte que liga a China ao mundo”, tendo sido exportada para a Ásia Central e Ocidental, bem como Europa, desde a dinastia Song (anos de 960 a 1279). Portugal também fez parte da rota de exportação desta cerâmica. Weng Yuanjun lembrou que a “porcelana azul e branca, ou cerâmica Qinghua, em particular, ostenta as marcas indeléveis do intercâmbio intercultural”. Depois, no período da dinastia Yuan, já nos anos de 1271 até 1368, “o pigmento de cobalto proveniente da Ásia Ocidental chegou a Jingdezhen através da antiga Rota da Seda e foi utilizado na produção de porcelana azul e branca”. “O resultado foi o azul profundo característico que define as peças da dinastia Yuan. Estas peças, outrora um bem muito cobiçado, representavam o auge da arte cerâmica”, frisou o arqueólogo, especialista em cerâmica. Ásia em destaque As novas inscrições na lista do património mundial da UNESCO incluem locais na Ásia, como as antigas capitais do arquipélago japonês, Asuka e Fujiwara, que marcaram o estabelecimento de um sistema estatal centralizado. Os conjuntos arqueológicos incluem palácios e edifícios governamentais, bem como templos budistas e túmulos que datam do século I. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, já saudou a decisão “gratificante” e felicitou, através de uma mensagem na rede social X, todas as pessoas, especialmente os residentes locais, que durante anos se dedicaram “com empenho” à proteção dos dois locais. “Renovo a minha determinação em proteger de forma segura este valioso património cultural, que passou de um tesouro do Japão a um tesouro do mundo, e em transmiti-lo de forma segura às gerações futuras”, acrescentou a chefe do Governo japonês. A UNESCO também declarou Património Mundial a arquitectura modernista da capital uzbeque, Tashkent, que surgiu na sequência do devastador terramoto de 1966, altura em que a cidade foi reconstruída com base no conceito de modernismo sísmico, para resistir a novos abalos sísmicos. O conjunto arquitectónico compreende cerca de uma dezena de edifícios de estilo híbrido soviético, que fundem o design brutalista e funcionalista com a tradição ornamental uzbeque. Inclui museus, hotéis, instituições culturais e edifícios residenciais. Para a UNESCO, este conjunto articula os principais espaços públicos da cidade e demonstra a integração dos princípios do planeamento modernista com as condições climáticas, sísmicas e culturais locais. Entre as inclusões na lista encontram-se ainda o templo budista Wat Phra Mahathat Woramahawihan, em funcionamento ininterrupto há mais de 1.500 anos na província tailandesa de Nakhon Si Thammarat, ou os complexos funerários de Xiongu, na Mongólia. Durante um evento transmitido em directo, a UNESCO inscreveu também o conjunto sagrado da província cazaque de Mangystau, composto por mesquitas “subterrâneas únicas”. A UNESCO deu também “luz verde” à declaração de Património Mundial para o antigo templo budista de Sarnath, na Índia, um local sagrado onde se acredita que Buda proferiu o seu primeiro sermão e conheceu os seus primeiros discípulos. Em Perigo O sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, e cinco castelos na região de Monte Amel, no Líbano, foram inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, apesar das objecções de Israel, que instou a organização a rejeitar as candidaturas. Os membros do comité da UNESCO decidiram também inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente. Sebastia, a noroeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, é identificada pelos estudiosos como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Os vestígios arqueológicos da região abrangem a Idade do Ferro, os períodos romano, bizantino e islâmico. “A integridade do sítio está actualmente ameaçada pelo projecto de expropriação que visa dividir o bem e criar o Parque Nacional ‘Samaria'”, explicou a UNESCO. Os cinco castelos da região do Monte Amel são reconhecidos pelo seu património arquitectónico multifacetado que cruza várias influências. Os locais designados incluem o Castelo de Beaufort, construído pelos cruzados e também conhecido como Al-Shaqif, que as forças israelitas tomaram em Maio. Os “elementos constitutivos” destas fortalezas, que datam do século XII, “sofreram danos” e enfrentam “ameaças suficientemente graves para justificar o recurso a um procedimento de urgência”, explicou a UNESCO.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteAna Mendes Godinho, directora de estratégia da Universidade Nova de Lisboa: “Macau vai ser mercado de formação” A antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal esteve em Macau, em Junho, para assinar, em representação da Universidade Nova de Lisboa, um acordo para intercâmbio de alunos com a Universidade de Turismo de Macau. Ao HM, Ana Mendes Godinho destaca a evolução do ensino superior e as esperanças que a cidade universitária de Hengqin suscita Com que impressões ficou do ensino de Macau e Hong Kong nesta última visita? Foi a minha quarta vez em Macau. Notei uma grande diferença nestes últimos anos do ponto de vista económico, e naturalmente no desenvolvimento da indústria turística. Mas muito mais interessante foi ver a evolução da dimensão da educação, e a forma como a Universidade de Turismo de Macau (UTM) se afirmou e se transformou ao longo dos tempos. É interessante ver que a UTM tem, aproximadamente, a mesma data de criação da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril [ESHTE, integrada na Universidade Nova de Lisboa]. Mesmo estando tão distantes, [as duas instituições de ensino superior] acabaram por ter percursos muito interessantes e a mesma vontade inicial de ter a capacidade de uma especialização e formação de pessoas para a área do turismo. Foi reconhecido que é fundamental ter pessoas qualificadas na área do turismo para a actividade crescer em valor. É muito interessante ver quase dois projectos gémeos que agora se voltam a encontrar nesta parceria, que queremos que cresça mais. Esteve em Macau a propósito do 4º Fórum de Reitores de Universidades da China e dos Países de Língua Portuguesa e também do 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Sim. Mas elogio a forma como a UTM evoluiu do ponto de vista das instalações, e neste momento tem um novo hotel-escola extraordinário. Destaco também o investimento que fizeram na qualificação e investimento dos currículos da escola, alinhando-se também com as necessidades do turismo. Concretamente, o que poderemos esperar do protocolo assinado a 15 de Junho? Deu-se a assinatura do protocolo para o intercâmbio de alunos e professores, mas também para o reconhecimento de duplas certificações de alunos que estudem na ESHTE, agora no novo contexto com a Universidade Nova de Lisboa. Portanto, vai haver a dupla certificação de cursos e mestrados, mas ficou aberto um caminho para uma maior presença física nos dois campus. Refere-se ao programa de bolsas de estudo que arranca já neste ano lectivo. Também falo disso. Acho que é um programa simbólico, pois mostra a forma como valorizamos a experiência que os alunos possam ter na UTM. A UTM preparou um curso de uma semana para os alunos que entrarem com as melhores notas no ano lectivo 2026-2027 nas cinco licenciaturas da ESHTE, e que terão a oportunidade de ir uma semana, em Setembro, à UTM com uma bolsa oferecida pela Universidade Nova de Lisboa. [Esse curso] inclui a cultura e história do património de Macau, a gastronomia e uma dimensão associada à indústria do jogo. Pode ser muito interessante para os alunos terem essa experiência. De que forma pode Macau trazer novas perspectivas à Universidade Nova na área do turismo e do jogo? As áreas que identificamos para projectos conjuntos nos próximos tempos são essencialmente o turismo e tecnologia. Macau, neste momento, está com uma evolução muitíssimo grande do ponto de vista de investimento tecnológico, até associado a outras áreas e outras universidades, e também na área das questões de turismo, saúde e longevidade. Portanto, estas foram duas áreas-chave identificadas para projectos conjuntos a desenvolver, no novo campus em Hengqin. Portanto, na futura cidade universitária. Sim. Portanto, Macau e Portugal são plataformas de ligação à China, por um lado, e à Europa. Diria que somos este entreposto de ligação aos países de língua portuguesa e temos esta enorme oportunidade de internacionalização das nossas escolas. Quando fala na área da saúde, recentemente a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau falou na aposta do turismo de saúde no território. Esta questão foi falada na visita, ou ficou com a percepção deste investimento? Fiquei com a percepção de que há um forte investimento e que é dada prioridade à dimensão da saúde em Macau. Na articulação entre as duas escolas identificámos como essencial a forma como o investimento feito nessa articulação entre turismo e saúde também responde ao desafio da longevidade, mas como qualidade de vida. [Observámos] como esta relação entre turismo e saúde pode ser um elemento diferenciador. Portanto, essa dimensão da qualidade de vida associada à alimentação, gastronomia e a estilos de vida, onde o turismo pode ser um elemento diferenciador, é algo em que Portugal está a investir muito. Diz que a UTM tem investido em tecnologia. De que falamos, concretamente? Falamos essencialmente de como a tecnologia pode acrescentar, por um lado, valor à indústria do turismo, e também de como pode ajudar a que haja uma maior eficiência e produtividade no turismo. Isso permite aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores e os salários. Se nós hoje não tivermos capacidade para sermos mais eficientes, retirando funções que, hoje em dia, não acrescentam valor e são feitas pelas pessoas, atribuindo-as à tecnologia, podemos libertar trabalhadores da área do turismo para funções mais qualificadas. Esse cenário não poderia levar ao desemprego, por exemplo? Não é necessário equilíbrio? Naturalmente que é evidente que tem que haver um equilíbrio, mas nós também queremos que haja uma maior dignificação de quem trabalha no turismo, colocando nas funções dos humanos aquilo que acrescenta mais valor e retirando aquilo que não acrescenta valor e que muitas vezes perturba – o que é mais mecânico, funções desenvolvidas à noite e que tiram qualidade de vida. Temos de ser inteligentes na forma como utilizamos e colocamos a tecnologia ao serviço do turismo. Mas temos de liderar esse processo por antecipação e esse é o grande desafio: planear, preparar, sermos nós a comandar a utilização da tecnologia ao serviço do que interessa, e não nos deixarmos ir por um efeito não controlável e massificado que não interessa. É nesta parte que a academia é fundamental, pois tem de ter a capacidade para antecipar. Refiro agora um programa concreto que lancei quando era ministra, em 2020, o “Programa UPskill”, em que as empresas tecnológicas fizeram um levantamento das competências necessárias para os próximos cinco anos e, em parceria com as universidades, fizeram acções para trabalhadores. Conheci pessoas que fizeram estas formações e que tiveram uma total transformação de vida, e é isso que o turismo está a precisar em todo o mundo, essa antecipação inteligente. É também por isso que nos queremos posicionar internacionalmente, e com parcerias como a que temos com a UTM, podemos ser uma referência na capacidade de antecipação e de reconversão de competências, que é necessária. Falo não apenas dos que se estão a formar, mas também na reconversão de quem já está no mercado de trabalho. Tendo em conta a realidade de Macau, com o sector do jogo, acredita numa substituição de funções pela tecnologia, por exemplo? A tecnologia está numa aceleração tão grande que o que achamos hoje que vai acontecer amanhã já é passado. Mas basta pensarmos nas soluções de robôs que neste momento estão a surgir e que, por exemplo, conseguem entregar e distribuir produtos, realizar serviços e que estão customizados à medida do negócio. E, portanto, certamente que nessa área haverá uma evolução enorme. Haverá certamente uma evolução em termos da gestão de informação e dados, não apenas do jogo, mas das reservas hoteleiras, da gestão em termos de “revenue management”, gestão de clientes. Temos de ser inteligentes para identificar as áreas onde, neste momento, estamos a desperdiçar valor, perdendo tempo em tarefas burocráticas e que, com a tecnologia, se pode acrescentar valor ao território. Esse é o grande exercício a fazer. Macau é um território pequeno, e vai firmar-se cada vez mais como um mercado de formação e não como um mercado que vai absorver todos os licenciados na área do turismo. Portanto, o futuro passa mesmo por criar parcerias, para que Macau seja um território que forma pessoas no turismo. É evidente que Macau tem uma grande oportunidade para a especialização na área da educação, sendo uma porta aberta para toda a China. A Universidade Nova também celebrou acordos, nesta visita, com a Universidade Politécnica de Hong Kong e a Universidade Metropolitana de Hong Kong. Trata-se de um território com uma dimensão diferente na área do turismo. A abordagem que fizemos com Hong Kong resultou do facto de a Universidade Politécnica de Hong Kong ter uma semelhança muito grande com a Universidade Nova de Lisboa em termos de escolas. Com a UTM, o acordo foi direccionado para o turismo, mas com a Universidade Politécnica de Hong Kong o acordo foi mais transversal a outras dimensões. Vimos, claramente, da parte da Universidade Politécnica de Hong Kong, um grande interesse em ter em Portugal uma porta aberta para uma interacção, pois o nosso país começa a ser um espaço de referência na área da educação internacional, nomeadamente pelo peso de alunos estrangeiros que a Nova tem. Cerca de 22 por cento dos alunos são estrangeiros. Algumas universidades portuguesas têm celebrado acordos para marcarem presença na futura cidade universitária de Hengqin. Considera que o projecto uma porta de entrada para o ensino superior português no mercado asiático? Acho [um projecto] muito interessante. Havendo uma história partilhada com Macau, torna-se mais fácil o estabelecimento dessas ligações. Vejo Hengqin como uma porta segura e muito interessante do ponto de vista de parcerias estratégicas para o desenvolvimento da interdisciplinariedade das universidades portuguesas. Parece-me que é uma oportunidade muito interessante para que as universidades portuguesas tenham acesso a alunos asiáticos, numa lógica de diversificação de mercados.
Andreia Sofia Silva EventosPortugal | Delegação de Macau acolhe “Formas da Luz na Água” até 5 de Agosto É inaugurada na próxima terça-feira, em Lisboa, a mostra “Formas da Luz na Água – Exposição de Escultura Macau-Portugal”, promovida pela Associação de Escultura de Macau. Até ao dia 5 de Agosto será possível ver trabalhos de 15 escultores de Macau na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa É na Avenida 5 de Outubro, no centro de Lisboa, que podem ser vistos trabalhos de escultura de 15 artistas de Macau a partir da próxima terça-feira, 28, numa mostra que se estende até 5 de Agosto. Trata-se da iniciativa cultural “Formas da Luz na Água – Exposição de Escultura Macau-Portugal”, organizada pela Associação de Escultura de Macau e recebida nas instalações da Delegação Económica e Comercial do Governo da RAEM em Lisboa. A mostra visa promover a “exploração artística entre regiões” e revela trabalhos de escultores locais que “utilizam a forma física e a presença espacial como meios de expressão, construindo um diálogo imersivo sobre a aprendizagem mútua entre civilizações e a identidade cultural”, lê-se num comunicado oficial sobre a exposição. O público poderá compreender mais sobre o “contexto histórico único de Macau, onde o Oriente se encontra com o Ocidente, e que deu origem a um conjunto distinto de escultura contemporânea local”. Na 5 de Outubro podem ver-se obras que “apresentam uma gama rica e diversificada de materiais”, e que combinam “o artesanato tradicional, como a escultura em madeira, a escultura em pedra e a cerâmica, com materiais modernos, como o aço inoxidável e a resina epóxi”. Desta forma, e recorrendo a “diversas texturas de diferentes materiais, os artistas condensam as características urbanas de Macau, o contexto histórico e as memórias pessoais em criações espaciais”. Mas “Formas da Luz na Água” reflectem ainda “a estética tradicional local” com recurso a “expressões de escultura modernas”. Com significado É certo que Macau e Portugal “partilham raízes históricas de longa data e laços culturais estreitos”, tendo em conta a presença secular de uma administração portuguesa desde meados do século XVI. Desta forma, revela a organização, o território transformou-se numa “ponte natural para a comunicação cultural sino-portuguesa”, e esta exposição parece ser sinónimo disso mesmo. Para a organização, trata-se de uma iniciativa “com um profundo significado, tanto a nível cultural como de intercâmbio, representando não só uma mostra de arte no estrangeiro, mas também uma profunda visita cultural bidirecional e um diálogo entre as duas regiões”. Desta forma, a mostra “tem como objectivo reforçar a influência internacional da escultura de Macau e aprofundar a compreensão da cultura plural”, do território, realizando uma “reflexão entre a arte e cultura regional”. Procura-se também “impulsionar o desenvolvimento inovador da escultura de Macau, apoiando o esforço da RAEM para se afirmar como uma plataforma de intercâmbio onde a cultura chinesa prevalece e as diversas culturas coexistem, contribuindo assim com a força artística para o intercâmbio entre as civilizações orientais e ocidentais”, lê-se ainda na mesma nota. A mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada entre segunda e quinta-feira, das 9h às 13h e das 14h30 às 17h45; e ainda sexta-feira das 9h às 13h e depois das 14h30 às 17h30.
Andreia Sofia Silva EventosIdentidade e linguagem na presença da RAEM na Bienal de Curitiba Macau participa, pela primeira vez, na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba, no Brasil, um evento que decorre até 15 de Novembro na capital do Estado do Paraná. Segundo uma nota de imprensa da Bienal, esta mostra resulta de uma “parceria inédita com o Museu de Arte de Macau (MAM) e o Instituto Cultural do Governo da RAEM”, revelando-se obras de três artistas locais que “investigam os desafios da condição humana na era digital”, ou seja, colocando “em perspectiva alguns dos principais dilemas do século XXI”. Trata-se da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem”, que ocupa uma sala no Museu Oscar Niemeyer e que reúne obras de Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan. A selecção das obras esteve a cargo de Margarida Saraiva, curadora do MAM, em parceria com Tereza de Arruda. Esta parceria constitui, para a Bienal, “um novo intercâmbio entre Brasil e Ásia e reafirma a vocação internacional da Bienal”. Três visões diferentes Em “Matéria, Corpo e Linguagem”, as três artistas tentam responder a uma mesma pergunta: “como permanecemos humanos quando a tecnologia passa a reorganizar a percepção, a linguagem e a identidade?” Desta forma, “mais do que apresentar respostas, as obras convidam o visitante a reflectir sobre os novos limiares da experiência humana”, observa Margarida Saraiva no texto de curadoria da exposição. Peng Yun explora, em “WU • Stone • Sardapass”, “a relação entre pessoas e máquinas, que aparece de forma delicada”. A artista realiza “um gesto aparentemente simples: escolhe uma pedra em uma montanha, limpa sua superfície e a cobre com folhas de ouro. Enquanto isso, um cão-robô observa a cena antes de seguir seu caminho”. Desta forma, “entre o cálculo da máquina e a contemplação humana, a artista propõe uma pausa, talvez um dos gestos mais raros do nosso tempo”. Por sua vez, Bianca Lei apresenta “Uma Miscelânea de “Cinco Língu-Língu”, uma instalação que “aproxima cinco idiomas que compõem a identidade cultural de Macau – cantonês, mandarim, português, patuá e inglês – aos cinco elementos da tradição chinesa”. Transforma-se “a fragilidade do patuá” num “admirável gesto de resistência cultural”. Já Gao Fuyan apresenta “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, uma “das experiências mais interactivas da Bienal”, em que “o visitante se torna parte da obra ao ter o seu rosto capturado, projectado, impresso e imediatamente triturado”. “A destruição acontece apenas sobre a imagem, mas basta para provocar uma pergunta inevitável: o que permanece da identidade humana numa sociedade marcada pela vigilância facial e pela circulação permanente de dados?”, é questionado. O IC encomendou estas obras “para importantes projectos realizados no MAM”, e que integram agora a Bienal. Nesta edição “convivem artistas de 38 países e regiões diferentes”, ampliando-se “o diálogo com a produção artística asiática”.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteDora Lyu, CEO da MedPHA, empresa sediada em Hengqin: “Passámos de startup a referência” A MedPHA Bioscience, sediada no Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau em Hengqin desde 2019, tem vindo a afirmar-se no mercado dos materiais biodegradáveis e suplementos alimentares de saúde cerebral. O HM conversou com Dora Lyu, CEO da empresa, que denuncia a “escassez” de talentos nesta área Abriram portas em Hengqin em 2019. Que balanço faz da presença na região? Em 2019 começámos do zero, dedicando-nos à investigação e desenvolvimento, fabrico e comercialização de novos materiais derivados da biologia sintéctica e de um suplemento alimentar para a saúde do cérebro: a molécula de beta-hidroxibutirato (D3HB). Após mais de sete anos de consolidação no mercado, a empresa passou de startup a interveniente de referência no seu sector, tanto a nível nacional como internacional, detendo a propriedade intelectual de novos materiais biofabricados, desenvolvida de forma independente. O 15º Plano Quinquenal inclui os biomateriais entre as quatro principais indústrias emergentes estratégicas e a biofabricação entre as seis indústrias do futuro. O foco do nosso negócio alinha-se precisamente com estes novos motores de crescimento económico. Que projectos concretos desenvolvidos nestes anos pode destacar? É particularmente digno de nota que a empresa tenha sido pioneira num primeiro suplemento alimentar do mundo para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, produzida e comercializada através da fermentação da glicose por meio da biofabricação. Trata-se de um exemplo clássico de [um produto] “desenvolvido em Hengqin, comercializado em Macau”. Actualmente, é produzido em escala e comercializado na base do Grupo Nam Yue em Macau, com receitas previstas de dezenas de milhões de patacas de Macau em 2026 e mais de 100 milhões em 2027. Têm apostado sobretudo em produtos ligados à área farmacêutica ou os que substituem artigos de plástico, como palhinhas ou copos de café. Nos últimos sete anos focámo-nos em três áreas-chave: biomateriais PHA de base biológica e totalmente biodegradáveis no sector ecológico e ambiental; materiais PHA biorreabsorvíveis de grau médico, líderes a nível mundial, no sector médico e de cuidados de saúde; e ainda o suplemento alimentar para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, D3HB, no sector da nutrição e saúde. Na prática, os nossos materiais PHA biodegradáveis desenvolvidos em Hengqin, através de fabricantes na Grande Baía, estão a ser utilizados em produtos como palhinhas, tampas de copos e cápsulas de café para marcas como a Starbucks, o McDonald’s, a Nespresso e a Saturnbird. A pequena molécula de beta-hidroxibutirato, ao que sabemos, é o primeiro produto do mundo obtido através da fermentação da glucose e da biofabricação, detendo patentes nacionais e internacionais em toda a cadeia industrial, desde as estirpes e a biofabricação até ao desenvolvimento de aplicações, oferecendo uma vantagem significativa em relação aos produtos sintetizados quimicamente, tanto em termos de pureza como de custo, com um enorme potencial de mercado. Os nossos materiais PHA de grau médico já estão a apoiar várias empresas líderes no desenvolvimento de aplicações tanto para produtos médicos de consumo como para dispositivos médicos. Como podem colocar estes produtos ou materiais biodegradáveis num grande mercado como o chinês, com milhões de consumidores? Ainda existem entraves à adesão a este tipo de produtos? O principal obstáculo é a diferença de preço significativa entre o PHA e os plásticos de base petroquímica, enquanto a implementação e o lançamento completos das políticas ambientais ainda levarão tempo. Estamos a trabalhar para reduzir os custos, garantindo financiamento industrial e capital de risco e investindo continuamente na inovação tecnológica e no aumento da produção, ao mesmo tempo que sensibilizamos a sociedade e o mercado. Que vantagens competitivas oferece Hengqin a empresas no geral, e em particular na vossa área de produção e investigação? O papel da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin na diversificação das indústrias de Macau está a tornar-se cada vez mais proeminente, particularmente nas áreas da biofarmácia, dos dispositivos médicos e dos novos aditivos alimentares. Tomemos, por exemplo, o Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau, onde estamos sediados. A indústria biofarmacêutica está aqui concentrada, com equipamento de teste avançado e plataformas de ampliação fornecidas pelo laboratório provincial de Medicina Tradicional Chinesa e pelas empresas farmacêuticas de Guangdong-Macau, bem como recursos de aplicação provenientes de clientes a jusante. Políticas altamente competitivas de atracção de talentos têm atraído um grande número de doutorados e investigadores de pós-doutoramento para Hengqin para se juntarem a nós, acelerando o desenvolvimento de tecnologias de ponta. Os principais projectos de investigação científica e tecnológica cuidadosamente definidos pelo Departamento de Desenvolvimento Económico também estão a produzir resultados positivos. Entretanto, o sistema universitário bem desenvolvido e robusto de Macau fornece a Hengqin talentos de engenharia de alto calibre. Em termos gerais, Hengqin fez grandes progressos nos últimos anos no âmbito da atracção de talentos, do investimento em financiamento para investigação científica e da construção de plataformas. De que forma a localização em Hengqin tem contribuído, ou pode contribuir, para o crescimento e desenvolvimento da vossa empresa? Essencialmente em três áreas: reforça a sinergia entre as redes comerciais de Macau e Guangdong; integra a empresa no polo de alta tecnologia da Grande Baía; e o excelente ambiente ecológico de Hengqin, combinado com a sua vantagem geográfica de estar adjacente a cidades centrais regionais como Guangzhou e Shenzhen, e oferece uma enorme conveniência para a investigação e desenvolvimento e os intercâmbios comerciais. Que oportunidades específicas encontram na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau que dificilmente existiriam noutras zonas da China? Há o papel da Grande Baía como base de fabrico avançado e mercado orientado para a exportação, com uma via rápida para os mercados internacionais através de Hong Kong e Macau. Em segundo lugar, há a vantagem política oferecida pelo Governo de Macau na aprovação de novos alimentos. Em terceiro lugar, e mais importante, há a ligação natural de Macau com os países de língua portuguesa. Podemos aceder ao mercado europeu através de Portugal, à América do Sul através do Brasil e a África através de Moçambique, expandindo assim rapidamente a nossa rede comercial global. Considera difícil atrair talentos na área? Deveria mudar a política de recursos humanos para atrair mais quadros qualificados na área das ciências para Hengqin? O talento neste domínio é, de facto, escasso, provindo actualmente principalmente de um pequeno número de instituições, tais como a Universidade de Tsinghua, a Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Tecnologia do Sul da China. No entanto, os programas relevantes da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau estão perfeitamente alinhados com as necessidades da empresa, e estamos a reforçar os nossos laços com estas instituições. Ao mesmo tempo, instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, a Universidade Sun Yat-sen, o Instituto CAS em Shenzhen e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão também a expandir o seu trabalho no campo da biologia sintética, lançando bases para o talento na indústria. A cidade universitária em Hengqin está a ser construída. Acha que pode ser uma mais valia para a vossa empresa? Sem dúvida. O campus universitário atrairá mais jovens profissionais e estagiários de gestão, ajudando a empresa a crescer e a aumentar a sua visibilidade e, mais importante ainda, promovendo uma colaboração mais estreita entre a indústria, o meio académico e a investigação, o que impulsiona o desenvolvimento tecnológico. Qual a vossa estratégia para chegar ao mercado, seja chinês, seja lusófono ou de língua espanhola? A proximidade de Macau e também Hong Kong é um factor diferenciador e privilegiado? Estar perto de Hong Kong e Macau é altamente vantajoso. Hong Kong já introduziu uma proibição do plástico, e o nosso negócio de PHA de grau industrial está a expandir-se por lá. As vendas da pequena molécula de beta-hidroxibutirato estão a prosperar em Hong Kong e Macau e podem ser alargadas ao Sudeste Asiático. Todas as três linhas de produtos visam o mercado global, e usar Macau como ponte para alcançar os países de língua portuguesa é uma vantagem singularmente favorável. Especificamente, o PHA de grau industrial está focado em entrar no mercado europeu, os dispositivos de PHA de grau médico estão prestes a passar pela certificação CE e a pequena molécula de beta-hidroxibutirato está destinada ao mercado brasileiro. À medida que o nosso negócio global se expande, a influência da empresa continua a crescer. Na China, os produtos das três linhas de negócio também ganharam reconhecimento dos clientes, com vendas a ultrapassarem os cem milhões de yuans. “Longa Marcha” rumo ao Sul Dora Lyu confessou ao HM que a vinda até Hengqin, desde que começou os estudos universitários, foi como uma espécie de ‘Longa Marcha’, uma viagem para sul para se dedicar à inovação e ao empreendedorismo na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Formada em Engenharia Química pela Universidade de Yantai e também em Ciência de Materiais na Universidade de Tecnologia Química de Pequim, Dora Lyu fez ainda um MBA na Universidade de Pequim e na Vlerick Business School, na Bélgica, onde teve acesso a “todo o espectro da gestão empresarial, estratégia de mercado, gestão financeira, recursos humanos e gestão da cadeia de abastecimento”.
Andreia Sofia Silva EventosLuís Represas morreu ontem aos 69 anos O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu ontem aos 69 anos vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava. O cantor Luís Represas comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo actuado em Março com a banda no MEO Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador. O músico actuou, em nome próprio, em Macau, no ano de 2013, no âmbito das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, tendo destacado à Lusa a portugalidade que ainda se sentia no território, anos depois de ter actuado nas cerimónias da transferência da administração portuguesa de Macau, em 1999. “Pouco falei e pouco se fala dessa sensação de pôr a chave à porta e fechá-la. Eu, o Rão Kyao e a Chen Jun Hua vimos a sala esvaziar-se e as pessoas a saírem pelo palco. Houve sensação enorme de nostalgia e de vazio à medida que as pessoas iam saindo”, contou. Luís Represas acrescentou, na altura, que “havia aqui qualquer coisa que estava a emperrar aquilo que podia ser este novo território”. “13 anos depois chego aqui e fiquei completamente perdido. Não é de todo o Macau que eu conheci. É se eu for outra vez lá para dentro e de repente começo a reconhecer coisas, mas há grandes alterações”, explicou ao salientar que “parece que estava tudo debaixo do chão à espera que saíssemos para vir tudo cá para cima”, acrescentou. O cantor disse ter sentido em Macau a existência de “uma eternidade da história e uma eternidade da cultura” portuguesa que espera que se preservem. “Em termos de portugalidade, de Camões e das comunidades continua em Macau a sentir-se esse lado bom da saudade. O nosso maior poeta andou por aqui, a nossa língua continua a andar por aqui e a nossa história e a nossa presença no Oriente continuam e poderão passar ainda mais por aqui”, afirmou. A voz dos êxitos Luís Represas nasceu em 1956 e foi um dos mais conhecidos nomes da música portuguesa, tendo ficado para sempre ligado ao grupo Trovante, que ajudou a criar em 1976 e que deixou também uma marca no panorama musical português. Decidiu dedicar-se a uma carreira a solo em 1992, tendo gravado êxitos como “Timor”, “Feiticeira” e “Perdóname”. De nome completo Luís Paulo Fontes Represas, comprou a sua primeira guitarra com 13 anos e no verão de 1976, em Sagres, criou os Trovante com o seu irmão, João Represas, e os músicos Manuel Faria, João Gil e Artur Costa. Luís Represas deu voz aos êxitos dos Trovante, como “125 Azul”, “Timor”, “Xácara das Pretas” e “Amor de Índio”, entre tantos outros. Separados em 1992, os Trovante voltaram a subir aos palcos em 1999 e, mais recente, com os dois concertos realizados este ano, que esgotaram.
Andreia Sofia Silva EventosOficinas Navais | Concerto de Martin Taylor em Agosto As Oficinas Navais nº 2, na zona da Barra, preparam-se para receber sonoridades jazz no evento “Legendary Jazz Guitar Night”, a 5 de Agosto. O conhecido guitarrista Martin Taylor sobe ao palco ao lado de músicos locais e da região, como é o caso de Eugene Pao, tido como pioneiro na divulgação do jazz em Hong Kong O festival “Barra Slow Fest” traz uma nova iniciativa cultural à zona da Barra. Trata-se do evento “Legendary Jazz Guitar Night”, que a 5 de Agosto conta com o conhecido guitarrista Martin Taylor, que vai actuar com músicos locais. É o caso de Eugene Pao, natural de Hong Kong, tido como um dos percursores deste género musical na região vizinha; bem como Hon Chong Chan, natural de Macau, que sobe ao palco com o seu quarteto. O concerto acontece entre as 18h30 e as 20h30 e integra a digressão mundial que o músico inglês, nascido em Harlow, Reino Unido, em 1956, está a levar a vários países e regiões. O espectáculo é organizado pelo Centro de Desenvolvimento do Distrito e, segundo um comunicado, “ao ter como pano de fundo a histórica zona ribeirinha da Barra, este concerto promete ser uma fusão encantadora de música com o espírito de ‘slow living'”, ou seja, promovendo uma forma de estar mais tranquila e em contacto com a natureza e o meio ambiente envolvente. Segundo a organização, Martin Taylor “é amplamente considerado um dos maiores expoentes mundiais do jazz a solo e da guitarra num estilo ‘fingerstyle'”, tendo actuado com outros músicos bastante conhecidos do grande público, como é o caso de Stephane Grappelli, Chet Atkins, Bill Wyman, George Harrison, Dionne Warwick, Sacha Distel, Bryn Terfel e Jamie Cullum. O estilo “fingerstyle” consiste em tocar a melodia, harmonia e o ritmo em simultâneo apenas com os dedos e sem uso da palheta, o que exige um elevado domínio da técnica musical. Martin Taylor foi sempre um autodidacta na música, tendo começado a tocar aos quatro anos. Com 15 anos deixou a escola para se dedicar à música de forma profissional, tendo realizado inúmeras digressões e gravações entre os anos de 1979 e 1990 com a “lenda” do violino de jazz Stéphane Grappelli. Martin Taylor “é conhecido pela sua notável técnica de ‘fingerstyle’ a solo, entrelaçando na perfeição elementos como a melodia, harmonia e linhas de baixo” que soam como uma composição completa. Com uma carreira que abrange cinco décadas e mais de 100 gravações no seu currículo, recebeu uma nomeação para os Grammy, detém o recorde de 14 British Jazz Awards e foi nomeado MBE [Member of the Order of the British Empire] pela Rainha Isabel II, já falecida, em 2002, pelos serviços que prestou ao jazz. Estrelas locais No palco do Barra Slow Fest actua, como convidado principal, Eugene Pao, considerado “um dos guitarristas de jazz mais emblemáticos de Hong Kong, combinando o jazz tradicional com o contemporâneo”. Eugene é, actualmente, um nome “activo no cenário internacional”, tendo actuado “com lendas como Herbie Hancock e lançado vários álbuns aclamados”. É hoje “amplamente considerado um pioneiro da cena jazzística de Hong Kong”, sobretudo desde que regressou ao território vizinho depois de estudos feitos nos EUA. Já gravou com nomes fundamentais do jazz como o Eddie Gomez, Jimmy Witherspoon e o saxofonista Michael Brecker. Por sua vez, Hon Chong Chan “é um renomado guitarrista de jazz de Macau”, que estudou em Nova Iorque e Pequim. Até à data lançou dois discos, “Travelling Coffee”, em 2020, considerado “o primeiro disco de jazz alguma vez produzido em Macau”; e, mais recentemente, “Stream”, editado em 2025. Os bilhetes para este concerto estão em pré-venda a um preço de 150 patacas até ao dia 31 de Julho. Depois dessa data, o preço é de 200 patacas, incluindo uma bebida e um bolo. Os bilhetes vendem-se online através do website do Centro de Desenvolvimento do Distrito (DDC, na sigla inglesa). O Barra Slow Fest é um evento que começou a realizar-se no ano passado e que visa revitalizar a zona da Barra com iniciativas culturais e criativas. Em Maio deste ano decorreu a segunda edição, que deu destaque ao património cultural e à cultura do chá.
Andreia Sofia Silva PolíticaTUI dá razão ao Governo sobre concessão de terreno na Zona Norte O Tribunal de Última Instância (TUI) deu razão ao Governo num processo judicial ligado ao fim da concessão de um terreno ao fim de 25 anos sem aproveitamento. O terreno situa-se na península de Macau, entre a Travessa do Laboratório e a Rua Marginal do Canal dos Patos, e tem uma área de 930 metros quadrados. Segundo o acórdão divulgado na sexta-feira, a primeira concessão do terreno, por arrendamento e com dispensa de hasta pública, foi feita em 1986. A 30 de Agosto de 1991 o então Secretário-Adjunto para os Transportes e Obras Públicas autorizou a troca de um lote, designado por B, pelo lote C, ficando os dois ligados. Posteriormente, a 2 de Outubro de 1996 o Governo enviou a minuta do contrato referente à troca do lote B pelo lote C. Este último “seria aproveitado para a construção de um edifício, em regime de propriedade horizontal, composto por 21 pisos, destinado a fins habitacionais, comerciais e de estacionamento”, num prazo de arrendamento de 25 anos, contado desde 20 de Outubro de 1986. Porém, o terreno nunca foi desenvolvido dentro do prazo, o que determinou a anulação da concessão. Respostas tardias Descreve-se no acórdão que “apenas em 2008 os concessionários enviaram uma carta à então Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), declarando aceitar as cláusulas contratuais”, não tendo existido resposta da parte do Executivo. A 14 de Abril de 2015, por despacho do então Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi declarada a caducidade da concessão do lote B do terreno, de que os concessionários recorreram para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), que acabou por lhes dar razão. O Governo, na figura do Chefe do Executivo, recorreu da decisão do TSI, tendo o TUI dado razão à Administração, anulando-se a anterior decisão judicial. Um dos argumentos do TUI é que “perante a falta de aproveitamento do terreno por culpa do concessionário no prazo de aproveitamento previamente estabelecido, bem como o decurso do prazo de arrendamento, a Administração está vinculada a praticar o acto administrativo”. Por isso, caberia sempre ao Chefe do Executivo, segundo o TUI, “declarar a caducidade de concessão do terreno”. “A declaração de caducidade da concessão teria necessariamente que ocorrer após decorrido o prazo de arrendamento de 25 anos, pelo que se impõe a manutenção da decisão de declaração de caducidade”, lê-se ainda no acórdão.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaJustiça | Rita Santos pondera avançar judicialmente contra membros do PS Rita Santos pondera agir judicialmente contra membros do Partido Socialista de Macau devido a denúncias de alegadas ilegalidades nas últimas eleições legislativas. A responsável diz ter sido ilibada pelo Ministério Público em Portugal com o arquivamento do processo criminal A presidente da assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), Rita Santos, anunciou na sexta-feira que o Ministério Público (MP) em Portugal arquivou um segundo processo criminal em que era acusada de irregularidades nas últimas eleições legislativas portuguesas por alegadas interferências no processo eleitoral e de votação. Em comunicado, Rita Santos indica que o MP proferiu “uma vez mais”, a 24 de Junho, “um despacho de arquivamento de um procedimento criminal instaurado na sequência de denúncias apresentadas por alguns militantes do Partido Socialista (PS) residentes em Macau, no dia 7 de Maio de 2025”. Em resposta, Rita Santos pondera avançar judicialmente contra os responsáveis do PS pelas denúncias. “Não posso deixar de assinalar que a sucessão de denúncias infundadas de que tenho sido alvo, promovidas por algumas pessoas residentes em Macau, ligadas ao Partido Socialista, me causou significativos prejuízos pessoais, profissionais e reputacionais.” Assim, a responsável diz ter instruído o seu “mandatário forense” para analisar “ambos os processos arquivados, com vista ao exercício dos meios legais adequados, designadamente a apresentação de participação criminal pela eventual prática do crime de denúncia caluniosa, caso se conclua estarem reunidos os respectivos pressupostos legais”. Rita Santos destaca, na mesma nota, que “o despacho de arquivamento veio confirmar, de forma absolutamente inequívoca, a inexistência de indícios da prática de qualquer ilícito criminal”. A responsável disse ainda que nunca houve “sustentação factual ou jurídica”, tendo o caso “assentado em meras alegações especulativas e difamatórias que, afinal, não lograram obter qualquer confirmação em sede de investigação criminal”. “Iniciativas infundadas” Recorde-se que o primeiro arquivamento do processo, relativo às eleições legislativas portuguesas de 2024, e também tornado público pela própria Rita Santos, ocorreu em Outubro do ano passado. No comunicado de sexta-feira, Rita Santos frisou que sempre pautou a sua actuação na esfera pública “pelo estrito respeito pela legalidade e pela defesa das liberdades fundamentais”, valores que, refere, continuam a orientar a sua “intervenção cívica e pública, bem como o compromisso na defesa dos interesses da comunidade portuguesa e todos os residentes em Macau”. Rita Santos adiantou que não vai permitir “que iniciativas infundadas ou motivadas por interesses político-partidários condicionem o compromisso para com os residentes e a comunidade portuguesa de Macau”.
Andreia Sofia Silva PolíticaPlano director | Primeira sessão de consulta pública acontece amanhã Decorre amanhã a primeira sessão destinada ao público da consulta pública relativa à alteração do Plano Director da RAEM (2020-2040), sendo que as inscrições vão estar abertas hoje até às 17h no portal da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). Esta é a primeira alteração ao Plano Director desde que este entrou em vigor, versando “as “estratégias nacionais de desenvolvimento e o posicionamento de desenvolvimento de Macau” e projectos de grande dimensão como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. A DSSCU refere ainda, numa nota que são propostas alterações ao plano a fim de “acompanhar a construção do novo quadro de desenvolvimento integrado Macau-Hengqin”, garantir o “reforço da cooperação regional e promoção da conexão das infra-estruturas”. Há ainda mudanças urbanísticas propostas tendo em conta “a evolução registada nos últimos anos”, com “planos de ordenamento de nível superior, diplomas legais e regulamentares, bem como projectos e estudos entretanto publicados”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaMetro Ligeiro | Maioria concorda com extensão da Linha de Seac Pai Van A grande maioria dos participantes na consulta pública sobre o desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau concorda com a extensão da Linha de Seac Pai Van até Coloane. Porém, alguns participantes manifestaram preocupações com impactos paisagísticos e ambientais Estender a Linha de Seac Pai Van do Metro Ligeiro até Coloane, sim, mas com que impactos? Estas são algumas das conclusões e questões do “Estudo estratégico para o Desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau – Relatório Estatístico e Compilação de Opiniões”, divulgado pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) na sexta-feira. O documento resulta da consulta pública realizada entre os dias 23 de Janeiro e 28 de Fevereiro deste ano, tendo sido recolhidas 805 opiniões e validadas 772. O relatório dá conta que o tópico “Extensão da Linha de Seac Pai Van” obteve uma “atitude positiva” por parte dos participantes da consulta na ordem dos 84 por cento, enquanto que a “atitude negativa” em relação a esse projecto foi de 16 por cento. Lê-se no relatório que a extensão deste segmento do Metro Ligeiro até Coloane “recebeu um maior grau de atenção nesta consulta, sendo que a maioria das opiniões manifestou apoio e expectativa de desenvolvimento”, embora “uma parte das opiniões tenha manifestado preocupações com os impactos”. Em termos concretos, “as opiniões favoráveis consideram que a extensão poderá resolver eficazmente [a ideia de] ‘ilha isolada’ ao nível do trânsito de Coloane”, com a “necessidade de implementação das Estações de Lai Chi Vun e do Pavilhão do Panda Gigante”. Além disso, reconhece-se “que a extensão até à Vila de Coloane poderá preencher a lacuna nos transportes e proporcionar aos visitantes uma opção de deslocação estável, conveniente e ecológica, revitalizando, assim, o desenvolvimento comunitário”. Porém, “a preocupação dos residentes sobre os métodos de construção e o ambiente comunitário é bastante acentuada”. Essencialmente, as preocupações centram-se no “impacto que a estrutura em viaduto poderá causar ao ambiente paisagístico e visual”, ou ainda nos “possíveis impactos ecológicos causados pelas obras”. Há ainda “o receio que o ruído produzido pela execução das obras e operação afecte seriamente a tranquilidade habitacional”. No olho do furacão No que diz respeito à “Extensão da Linha Leste”, o documento revela que “a maioria das opiniões reconhece que a extensão pode ter o efeito de sinergia na ligação entre os postos fronteiriços, esperando-se que o Posto Fronteiriço de Qingmao possa aliviar eficazmente a pressão do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”. Desta forma, “sugere-se que a sua extensão seja promovida com prioridade para reforçar a ligação entre os postos fronteiriços”. Pede-se que este projecto em concreto “facilite as deslocações diárias e movimentos turísticos, considerando-se o ‘acesso ao centro da cidade’ como a chave para melhorar o tráfego na zona central da Península”. O relatório explica que “algumas opiniões questionam o benefício da criação da Estação do Parque Desportivo para Cidadãos, considerando que a distância demasiado curta entre estações poderá diminuir a eficiência da circulação”, pelo que se sugere “a construção de um sistema pedonal para substituir a função desta estação”. Em termos gerais, a DSOP destaca que “diversos sectores da sociedade de Macau reconhecem o papel fulcral do Metro Ligeiro no aumento da eficiência dos transportes públicos, a melhoria das condições de deslocação interzonal, a promoção da mobilidade verde e apoio ao desenvolvimento urbano a longo prazo”. É revelado como, das 772 opiniões validadas, “a proporção global de atitudes positivas superou os 90 por cento”. O Governo argumenta que os dados mostram “um elevado consenso social quanto ao rumo de desenvolvimento do Metro Ligeiro”. Além disso, “a maioria das opiniões considera que, com as mudanças contínuas na estrutura demográfica de Macau, as necessidades de deslocações diárias, a dimensão do turismo e sinergia regional, a mera dependência da ampliação rodoviária e do sistema de autocarros já não é suficiente para responder à pressão do trânsito no futuro”. Assim, considera-se “imperativo reconstruir o modelo de mobilidade urbana através de um sistema de transportes ferroviários em rede, com grande capacidade de transporte e alta fiabilidade”.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteCasa Garden | Afonso Cabral encerra hoje programa do Mês de Portugal Afonso Cabral, da banda portuguesa You Can’t Win, Charlie Brown, protagoniza hoje um concerto na Casa Garden. O seu último disco a solo, “Demorar”, é o mote para a digressão asiática que passa por Macau, China, Hong Kong e Japão A Casa Garden, sede da Fundação Oriente em Macau, recebe hoje o evento de encerramento do programa de celebração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Trata-se do concerto de Afonso Cabral & Pedro Branco (guitarrista), que começa às 20h, cujo repertório deverá incidir sobre o seu último disco, “Demorar”, lançado em 2024. O concerto tem entrada gratuita. O espectáculo é promovido pela NOYB – None of Your Business, e integra a digressão asiática que o artista está a fazer, e que incluiu um concerto em Shenzhen; uma actuação no sábado no Antique 3000, em Zhuhai; e ainda este domingo no Chen Trente, em Hong Kong, fechando o périplo pela China. Porém, também o Japão será contemplado com três actuações de Afonso Cabral, nomeadamente no dia 8 de Julho em Osaka; 9 de Julho no Kyoto Submarine, em Quioto; e também no dia 10 de Julho no Stiff Slack, em Nagoya. A passagem do artista por terras do Sol Nascente não surpreende, tendo em conta que o seu mais recente disco conta com a participação do músico japonês Shugo Tokumaru, bem como da cantora Manuela Azevedo, vocalista dos portugueses Clã. Shugo Tokumaru é um compositor e multi-instrumentista que lançou o seu primeiro álbum em 2004, intitulado “Night Piece”, estando envolvido em todos os aspectos da produção dos seus álbuns. Os palcos de Afonso Afonso Cabral escreveu nas redes sociais em Maio que “entusiasmado é um eufemismo” sobre esta digressão asiática que agora se inicia. Nascido em Lisboa, em 1986, está ligado ao mundo da música há cerca de 15 anos com diversos projectos, um deles como vocalista com a banda You Can’t Win, Charlie Brown. Porém, Afonso Cabral deambula também nos palcos com o músico Bruno Pernadas, multi-instrumentista que também já actuou em Macau; ou ainda com os projectos Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. O músico tem uma carreira onde as colaborações criativas são uma constante, como por exemplo na composição de “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018. Esta música foi cantada por Joana Barra Vaz, tendo sido interpretada mais tarde por outros cantores, como Salvador Sobral e Tim Bernardes. Sobre “Demorar, é composto por nove canções, onde se incluem os singles “Indivisível” e “Confusão / ざわめき”. Segundo o portal Comunidade Cultura e Arte, Afonso Cabral disse que “nunca é fácil definir um disco”. “São peças de um puzzle construído entre 2019 e 2024 (demorado, sim, daí o título, em parte). É sobre aceitação, é sobre saber parar (ou pelo menos tentar), é sobre frustrações e é certamente sobre mais uma série de coisas que eu próprio não entendo ainda muito bem. É também um cumprir de sonhos com os duetos com Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo”, frisou. Outro dos destaques do concerto desta sexta-feira na Casa Garden será, certamente, o novo single de Afonso Cabral, “Dança Comigo na Ilusão”, editado em Maio. O espectáculo tem entrada livre e conta com os apoios da Casa de Portugal em Macau, Fundação Oriente e restaurante Lvsitanvs.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSegurança nacional | Secretário promete “construir barreiras” em Macau O 105º aniversário do PCC motivou reacções calorosas de todos os quadrantes do poder executivo, judicial e legislativo da RAEM. O secretário para a Segurança prometeu “construir barreiras na segurança nacional” e Sam Hou Fai garantiu que vai implementar o pensamento de Xi Jinping O estabelecimento do Partido Comunista da China (PCC) foi há 105 anos, efeméride que não passou ao lado da RAEM, com os titulares de todos os altos cargos nos poderes executivo, legislativo e judicial a reagirem com uma série de comunicados. Um deles foi Chan Tsz King, secretário para a Segurança, que prometeu “construir barreiras na segurança nacional”, para que “Macau seja ‘pioneiro da era e um pilar da nação chinesa'”. A ideia, referida pelo governante numa nota divulgada pela secretaria para a Segurança, é que o Executivo possa “fornecer uma sólida garantia de segurança para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e a implementação estável e duradoura do regime ‘um país, dois sistemas'”. “Perante a actual intricada conjuntura geopolítica externa, a nossa tutela continuará a persistir no ‘pensamento baseado em pressupostos de situações mais desfavoráveis’ e, de acordo com as novas exigências da perspectiva geral da segurança nacional, envidará todos os esforços para manter a estabilidade a longo prazo da RAEM”, adiantou o secretário. Já Tong Hio Fong, Procurador do Ministério Público (MP) da RAEM, referiu que “todo o pessoal do MP tomará o espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping como orientação da sua actuação”, um comentário partilhado por todos os titulares de altos cargos. Na nota oficial divulgada pelo seu gabinete, o Procurador assegurou também que o MP “reprimirá severamente os diversos actos ilícitos e criminosos que ponham em causa a segurança nacional e a ordem social”, além de “fazer valer a força do Estado de Direito para salvaguardar a equidade e a justiça sociais, bem como para proteger os direitos e interesses legítimos dos residentes”. Já Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, referiu, segundo uma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, que “no actual e futuro período o Governo da RAEM, todos os sectores sociais, irão trabalhar de mãos dadas para implementar plenamente o pensamento do Presidente Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”. Lembrando o discurso de Xi Jinping quanto à ideia de que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é essencial para a revitalização nacional”, o Chefe do Executivo prometeu “incentivar todos os residentes de Macau, sobretudo a geração mais jovem, a assumir a responsabilidade histórica do renascimento da nação chinesa, a par dos compatriotas, e a partilhar as grandes glórias da próspera e forte Pátria”. Além disso, apelou a que lutem “incansavelmente para realizar a construção de um país forte e a revitalização da grandiosa nação chinesa”. No caso do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), liderado por Ao Ieong Seong, sublinha-se, numa nota oficial, que esta entidade “irá atender às exigências do Presidente Xi Jinping e impulsionar o reforço da eficácia da governação da RAEM de acordo com a lei, através da construção de uma sociedade íntegra, proporcionando garantias de integridade no desenvolvimento económico e social”. Um dos exemplos de actuação dados por Ao Ieong Seong é o alinhamento, por parte do CCAC, “com a Lei de Combate à Corrupção Transfronteiriça, a ser implementada pelo País”. O objectivo é que o CCAC se articule “com a política nacional de combate à corrupção”, desenvolvendo “as suas funções para reforçar o mecanismo de cooperação com as instituições anti-corrupção do Interior da China e de Hong Kong”. Foco nas fronteiras Por sua vez, Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), declarou que o organismo que dirige irá focar-se no “posicionamento de desenvolvimento [da RAEM] na ‘Integração entre Macau e Hengqin’” e também na Grande Baía. Para isso, os SA prometem “utilizar meios tecnológicos como megadados e inteligência artificial para reforçar o trabalho de supervisão”. Também Leong Man Cheong, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), disse que “o importante discurso do Presidente Xi Jinping reflecte uma visão abrangente, profunda e significativa, que inspira e impulsiona em direcção à implementação do princípio ‘um país, dois sistemas'”. Neste contexto, as forças de segurança de Macau irão “absorver o espírito do discurso importante, transformando-o numa forte força motriz e em acções concretas para promover o trabalho policial”. O dirigente máximo dos SPU adiantou ainda que irá “aplicar com firmeza a visão geral da segurança nacional, aprofundar continuamente a cooperação regional na aplicação da lei policial e aperfeiçoar os mecanismos de resposta a emergências em matéria de protecção civil”. Ao Ieong U, dirigente máxima do Comissariado de Auditoria (CA), explicou que, “desde o início do mandato do actual Governo, o CA tem procurado responder de forma activa às orientações gerais da governação e planos estratégicos da RAEM, adoptado métodos de auditoria adequados e inovadores”, além de se procurar assegurar “que os resultados das auditorias reflectem fielmente a realidade”. A ideia, segundo a comissária, é que “eventuais problemas se agravem ou que surjam riscos sistémicos” em termos de gastos públicos em Macau, disse Ao Ieong U. O Presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, também afirmou que o discurso do Presidente Xi foi “altamente inspirador e motivador, para os cidadãos de Macau e todo o povo do País, que se sentem muito orgulhosos pelos feitos alcançados pelo País e por serem membros da nação chinesa”. André Cheong salientou a importância de “defender conscientemente o princípio da predominância do poder executivo” e assegurar que não falta apoio ao Governo, ou usurpação na fiscalização ao poder executivo.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Elisa Vilaça expõe obras feitas a partir de materiais reciclados É inaugurada hoje na Creative Macau a exposição “Everything is Created, Everything is Transformed”, que reúne trabalhos de Elisa Vilaça. A mostra da artista e directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau reforça a importância da reciclagem e da redução de desperdício A Creative Macau acolhe a partir de hoje uma nova exposição com obras de arte feitas a partir de materiais reciclados, da autoria de Elisa Vilaça, directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau (CPM). “Everything is Created, Everything is Transformed” [Tudo é Criado, Tudo é Transformado] é o nome da exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Julho, que revela o potencial artístico de objectos e materiais que, muitas vezes, ficam esquecidos no caixote do lixo. Ao HM, Elisa Vilaça contou que este projecto “tem como base a reciclagem de materiais”, algo que a artista, também ligada ao universo da criação de marionetas, já faz há algum tempo. “Desde que cheguei a Macau, nos anos 80, que o meu trabalho como educadora de infância sempre se focou muito na reciclagem de materiais, daí ser conhecida entre os professores chineses por Lap Sa Sim San, ou seja, professora do lixo”, disse. Para Elisa Vilaça, é fundamental “chamar a atenção dos mais jovens para a importância de reciclar e reaproveitar os materiais que são descartados diariamente”, sendo que o foco da artista até passou para a natureza, com o aproveitamento de sementes, folhas secas e até troncos de árvores. “Juntam-se também os fios de algodão e vários tipos de amostras adquiridas, principalmente nos mostruários dos casinos e, muitas vezes, materiais encontrados em contentores de lixo”, contou ainda. Tudo isto recebe um “tratamento especial para conservação e estético, para que se tornem mais apelativos”, sendo que a mostra na Creative Macau é o resultado destes anos de cuidado e conservação. “Espero que quem visite a exposição se possa aperceber do potencial que existem nestes materiais”, disse ainda. Elisa Vilaça considera que “o mais importante é ser criativo e olhar para a natureza com mais profundidade”. “Um ciclo infinito” Segundo uma nota da Creative Macau, a exposição chama a atenção para o facto de a natureza poder suscitar “um ciclo infinito de criação”, sendo importante reciclar tendo em conta as alterações climáticas e o seu impacto nefasto na sociedade. “O sol, a chuva e o vento moldam a vida todos os dias, embora estas coisas não sejam visíveis. Cegos pelo ritmo acelerado de uma sociedade que consome e deita fora em segundos, viramos as costas ao que realmente importa. Esquecemo-nos de olhar para o céu; ignoramos a beleza das folhas que caem, das sementes que voam, da madeira flutuante que o mar devolve pacientemente à costa. Mesmo nas suas tempestades ou no seu aparente declínio, a natureza oferece-nos sempre novos começos. Nós, no entanto, estamos a acelerar a morte do nosso planeta”, lê-se na mesma nota. Desta forma, o trabalho de Elisa Vilaça visa ser também “um manifesto pela mudança”, constituindo “um apelo urgente ao respeito pelo mundo que nos rodeia, uma tarefa que deve começar cedo, nas nossas casas, nas escolas e nas decisões daqueles que nos governam”. A CPM como elo de ligação Elisa Vilaça tem cerca de 40 anos de experiência em ensino, nomeadamente ao ensino das artes. Ao HM confessa que o seu trabalho na CPM também se interliga com a vontade de reciclar e criar ao mesmo tempo. “A partir do momento em que comecei a trabalhar na CPM que esse trabalho [de aproveitamento e reciclagem] se foi intensificando, primeiro para reduzir custos de trabalhos realizados, e depois porque [com a reciclagem] os trabalhos ficavam diferentes e mais criativos.” As aulas de cerâmica foram uma oportunidade para apostar ainda mais no reaproveitamento, sobretudo de “materiais naturais encontrados principalmente em praias, jardins”, ou objectos “recolhidos nos tufões mais severos que afectaram Macau”. “No meu trabalho na CPM, como formadora em várias áreas, o que sempre digo aos meus alunos é que, se houver criatividade e um olhar de reflexão perante os materiais que têm à frente, tenho a certeza que o trabalho vai ser fantástico. Ter amor no que se cria é o primeiro passo para o sucesso”, disse. Esta mostra não inclui, porém, marionetas, ainda que Elisa Vilaça tenha “bastantes construídas com materiais da natureza, ou que são descartados diariamente”, frisou.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeAnimais | Deputada quer combate à crueldade e abandono Loi I Weng defendeu a revisão da lei da protecção dos animais, que está em vigor há 10 anos, por não ser suficiente para travar abandonos e penalizar actos cruéis. A deputada sugere também a criação de mais zonas para animais na cidade Desde 2016 que a lei da protecção dos animais vigora em Macau, mas para a deputada Loi I Weng há ainda muito a melhorar na defesa dos direitos dos animais. Em declarações ao programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a deputada considerou ser necessário rever a legislação, referindo que o diploma está em vigor há dez anos, sem normas que desincentivem ao abandono de animais e o seu tratamento cruel. Além disso, Loi I Weng considera que é ainda difícil a criminalização de actos cruéis contra animais. “A lei não deve ser apenas uma ferramenta para punir depois de um episódio infeliz, deve também ser um guia para antes da ocorrência desses episódios”, disse. Ainda assim, a deputada ligada à Associação Geral de Mulheres defende que a protecção dos animais é um dos indicadores de uma sociedade civilizada. “Podemos ver que demos os primeiros passos no desenvolvimento desta área, mas temos ainda um caminho a percorrer até atingir um objectivo ideal. Tanto a lei como as instalações devem acompanhar esta mudança social, sendo necessário aumentar a consciencialização dos donos”, defendeu. Loi I Weng pede também melhorias nas infra-estruturas urbanas para o acolhimento de animais, como “a criação de zonas para passeio de cães com melhores condições de higiene”, bem como espaços para os animais beberem água ou ainda acções de incentivo para que comerciantes e negócios possam disponibilizar serviços a pensar nos animais de estimação dos clientes. A deputada diz que os donos têm de assumir as suas responsabilidades cívicas, nomeadamente na recolha dos excrementos dos animais, entre outras acções. Metro com cães Quem também participou no debate do programa Fórum Macau foi o vice-presidente do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais, Kou Ngon Fong. Este referiu que as autoridades de Hong Kong têm lançado várias medidas a pensar nos animais, nomeadamente a permissão da presença de cães em restaurantes e em transportes públicos. O responsável disse que o Metro Ligeiro poderá aceitar, de forma experimental, animais de estimação, mas é preciso haver consenso social sobre esta matéria, porque há pessoas que têm medo de animais. Kou Ngon Fong acrescentou que é importante pensar no equilíbrio da defesa de direitos de pessoas e animais. Por seu turno, Aeson Lei, presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, afirmou que actualmente cerca de 90 restaurantes em Macau permitem a entrada de animais de estimação. Há ainda 50 estabelecimentos que toleram animais de estimação. Aeson Lei acredita que a aceitação dos animais nestas situações contribui para melhorar a imagem internacional de Macau, além de trazer maior procura aos negócios.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteLusofonia | German Ku e Marta Miranda actuam hoje no Largo do Senado Depois dos primeiros concertos de ontem, sobem hoje ao palco montado no Largo do Senado artistas como o macaense German Ku, a portuguesa Marta Miranda, ex-vocalista dos OQueStrada, ou a cabo-verdiana Elly Paris. A música ouve-se entre as 18h e as 21h, mas há também uma mostra de artesanato na Galeria do IAM A lusofonia irá soar hoje em Macau com um espectáculo que começa às 18h com ritmos locais: o macaense Germano Guilherme, conhecido em palco como German Ku, irá actuar com a cantora Winifai inaugurando o segundo dia de concertos integrado na 18ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já ontem o Largo do Senado foi palco de música dos países de língua portuguesa e também de Macau. O programa traz hoje nomes como o brasileiro Maurício Tizumba, a cabo-verdiana Elly Paris, os artistas da Guiné-Bissau Patche Di Rima e Anderking Skididi ou ainda Az Khinera, artista moçambicano. O cartaz prossegue com a actuação da portuguesa Marta Miranda, os Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, e ainda os New Arquiris Band, oriundos de Timor-Leste. O capítulo final de todas estas actuações escreve-se com um “Carnaval Sino-Lusófono”, descreve o programa oficial. Voltando aos artistas que abrem os concertos de hoje, Germano Guilherme ficou conhecido depois de ganhar um concurso de talentos da estação televisiva TVB, de Hong Kong, o “Midlife, Sing and Shine 2”, em 2024. Germano Guilherme estudou na Escola Portuguesa de Macau e na Universidade Politécnica de Macau, e desde que venceu o concurso de canto não mais parou de subir aos palcos com a sua música, nomeadamente com o primeiro concerto em nome próprio, “I’m Home”, no Venetian Theatre em Agosto de 2024. Nos últimos meses o artista tem feito uma digressão na Malásia. Entretanto, Marta Miranda actua em Macau no contexto da digressão intitulada “Uma Mulher na Cidade”, fazendo-se acompanhar pelos músicos Jean Marc Pablo, Sérgio Prazeres e Ricardo Quinteira. Marta Miranda foi vocalista do grupo OQueStrada, com raízes na música tradicional portuguesa, tendo lançado o seu primeiro trabalho discográfico em nome próprio, “Mulher na Cidade”, em 2024, sobre Lisboa, Almada, e as raízes que tem entre os dois lugares e respectivas vivências. Destaque para o facto de estes artistas terem marcados concertos para este fim-de-semana, sábado e domingo, no palco da Praça Tangdao, na cidade de Xining, repetindo-se as actuações na próxima semana, nos dias 9 e 10 de Julho, em Pequim, na Praça da Concha Acústica (Praça Beike). Artesanato até domingo A 18ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa arrancou no sábado e irá prolongar-se até 10 de Julho, em Macau, Qinghai e Pequim, tendo como lema “Encontros Culturais Sino-Lusófonos, Amizade sem Fronteiras”. Outro ponto de destaque do programa deste ano é a “Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa ‘Policromia Lusófona'”, organizada pelo Fórum Macau. A mostra, que pode ser vista na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), apresenta peças oferecidas pelas delegações dos Países de Língua Portuguesa ao Fórum Macau “ao longo dos mais de vinte anos desde a sua criação”, destaca uma nota da organização. “Policromia Lusófona” divide-se em quatro secções, nomeadamente “Texturas do Som” ou “Histórias de Esculturas”, entre outras, revelando-se ao público objectos como “utensílios do quotidiano confeccionados em fibras naturais”, e que reflectem “modos de vida e tradições estéticas das diferentes regiões” com ligações à língua portuguesa. Apresentam-se também “instrumentos musicais tradicionais, acompanhados por projecções de performances, permitindo ao público vivenciar como a música transcende línguas e fronteiras”, destaca a organização. Não faltam ainda “peças em madeira e cerâmica que reflectem crenças religiosas e mitos populares” ou ainda “loiça de mesa e adornos”. A mostra estará aberta até este domingo, funcionando diariamente das 09h às 21h.
Andreia Sofia Silva SociedadeIdosos | Wong Chon Kit pede subsídio para ajudar a pagar a luz O deputado defende a criação de mais medidas de apoio para idosos que vivem sozinhos e sem apoio familiar, como um subsídio para ajudar a pagar a conta da electricidade nas épocas de maior calor O deputado Wong Chon Kit defende que devem ser implementadas mais medidas de apoio aos idosos que vivem sozinhos, tendo em conta a ocorrência de períodos de calor. O Instituto de Acção Social (IAS) revelou que há cerca de 20 mil idosos a viverem sozinhos no território, ou apenas com o cônjuge. Quando o calor aperta, estes idosos optam, muitas vezes, por não ligar o ar condicionado para poupar na factura de electricidade, ou não sentem as elevadas temperaturas por questões de saúde, o que faz com que ocorram muitos casos de exaustão por calor, ou outros problemas de saúde. Desta forma, Wong Chon Kit defende que as autoridades devem ser mais activas na resposta a estes casos, não devendo depender apenas dos pedidos de ajuda por parte dos idosos. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o deputado, e vice-presidente da Federação de Médicos e Saúde de Macau, alertou para a importância da prevenção, sugerindo que os funcionários do IAS meçam a temperatura dos idosos quando os visitam em casa. O responsável pede ainda que seja verificada a ventilação das habitações, devendo abrir-se as janelas ou ligar ares condicionados caso necessário. Wong Chon Kit sugeriu ainda que seja providenciado alojamento provisório para idosos que não tenham as devidas condições de habitabilidade devido ao calor. Mais subsídios Na opinião de Wong Chon Kit, as autoridades devem também equacionar a criação de um subsídio para as tarifas da electricidade, destinado apenas a idosos que vivem sozinhos, a ser pago nos períodos em que se registam elevadas temperaturas. Wong Chon Kit disse ainda ao Ou Mun que a atribuição do subsídio poderia ser activada assim que fosse emitido o sinal de temperatura elevada, numa medida com melhor relação custo-benefício e que teria carácter preventivo, ao invés de se esperar pela resolução após ocorrência de um problema de saúde. Além deste tipo de apoio, o deputado sugeriu que as empresas de gestão de condomínios peçam aos porteiros ou seguranças dos prédios que prestem mais atenção às fracções onde vivem idosos sozinhos, através de inspecções frequentes. A ideia é perceber se houve alguma mudança na rotina do morador, com vista a prevenir ocorrências devido ao calor. Wong Chon Kit sugere ainda o reforço da divulgação dos sintomas de exaustão por calor, nomeadamente fadiga ou falta de apetite, que obriga a idas aos centros de saúde ou instituições de prestação de serviços a idosos, para evitar atrasos no diagnóstico e de tratamento a problemas de saúde que daí possam advir.