Mundo estranho

No âmbito das comemorações do 70.º aniversário da criação da República Popular da China está a ser organizada uma exposição sobre Mao Tsé-Tung. Sobre o líder chinês pouco tenho a dizer, tem tanto de marcante como de polémico, mas é sem dúvida a grande figura da Histórica recente chinesa e é uma individualidade incontornável da História mundial.

Lançou as bases ideológicas para a emergência da China como potência moderna. No entanto, a exposição permite-nos viver uma daquelas realidades paralelas. Um dos traços que sempre marcou o pensamento de Mao foi o combate ao capitalismo. Na visão de Mao, o capital corrompia o proletariado e era por isso um inimigo natural.

É neste contexto, pelo menos ao nível ideológico, que surge a Revolução Cultural. Claro que a história avança, mas Mao manteve-se sempre muito persistente na oposição ao capital. Todavia o que me deixa mesmo perplexo é que mais de 40 anos depois da morte do fundador a sua criação seja celebrada com visitas organizadas por empresas que exploram o jogo.

Todos percebemos que as visitas são políticas e que a vontade é mostrar que se é patriótico e se apoia o regime. Muito bem, é compreensível. Mas mesmo assim não posso deixar de me questionar: O que pensaria Mao se soubesse que está a ser celebrado por pessoas que vivem daquilo que ele sempre condenou e combateu? É mesmo caso para dizer que a vida dá muitas voltas e o mundo é um lugar muito estranho…

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