Será assim tão difícil?

Não me preocupo muito por um professor universitário, com vasto currículo académico, proferir declarações racistas contra “brancos”. Não perco o sono face à repetida constatação do sentimento “anti ocidente”, mesmo numa área da China habituada ao contacto com culturas diferentes e ocidentais. Não é isso que me aflige, porque sei que existe. Preocupa-me o silêncio e a cobardia de quem tem poder face a estas alarvidades.

O povo costuma dizer que quem “cala consente”. Nem mais. Alexis Tam recusou fazer comentários, Agnes Lam escudou-se num protocolo para não se pronunciar sobre as declarações proferidas numa conferência de um centro académico que dirige. A universidade muda e calada, impenetrável sem responder a emails ou atender telefones.

Será assim tão difícil dizer que as palavras do académico não pertencem a este século, nem pertencem a um lugar que ministra conhecimento? Será assim tão complicado condenar declarações racistas? Onde está o limite? Serão capazes de condenar um académico que negue o holocausto, que defenda o extermínio de judeus, negros, gays, muçulmanos, católicos, vegans? O silêncio do poder dá força ao ódio, permite que cresça sem amarras. Será assim tão difícil assumir um pingo de responsabilidade nesta terra?

Aqui apetece-se repetir o grito de Vítor Espadinha num popular vídeo de Youtube (procurar Vítor Espadinha indignado, 31 segundos). A sério, isto não foi um discurso de um bêbedo numa taberna antes de cair com a cara numa tijela de noodles, mas de um académico num evento oficial da maior universidade de Macau, perante figuras de relevo. É assim tão difícil? Têm medo do quê?

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