UE considera Estado de direito vital para o sucesso económico de Macau

O representante da União Europeia em Hong Kong e Macau, Harvey Rouse, declarou que é vital para o sucesso económico de Macau “manter uma sociedade aberta, vibrante, e assente no Estado de direito”. Num evento de celebração do Dia da Europa no território, Rouse sublinhou a importância das relações económicas entre os dois lados.

“No ano passado, a União Europeia (UE) foi o segundo maior parceiro comercial de Macau, responsável por cerca de 26 por cento de todas as trocas, apenas atrás da China continental, com 29 por cento. Somos também a terceira maior fonte de investimento directo estrangeiro, depois de Hong Kong e da China”, descreveu.

O comércio de mercadorias entre a UE e Macau atingiu um valor de 36,04 mil milhões de patacas em 2025. No caso de Hong Kong, o comércio bilateral de mercadorias atingiu 55,7 mil milhões de euros no mesmo ano, com o bloco económico a assumir-se como o 6.º maior parceiro comercial de Hong Kong.

Rouse recordou as visitas do Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bélgica em Abril, destacando que nos “encontros em Bruxelas, ambas as partes concordaram na importância de promover e reforçar os (…) laços económicos”.

“Manter uma sociedade aberta e vibrante, assente no Estado de direito, é vital para uma economia diversificada e inovadora, e também crucial para sustentar o sucesso económico e reforçar o papel de Macau como conector global”, declarou Rouse.

Erosões e preocupações

No seu relatório anual sobre Macau em 2025, a UE expressou preocupação com a erosão da autonomia, das liberdades fundamentais e do pluralismo político na Região Administrativa Especial de Macau. A instituição criticou especificamente a revisão das leis eleitorais que avalia o “patriotismo” dos candidatos.

O Governo de Macau contestou as avaliações da UE, considerando-as tendenciosas e uma intromissão nos assuntos internos, e garantiu que os direitos dos residentes continuam plenamente salvaguardados pela Lei Básica, a miniconstituição do território.

Referindo-se à prioridade do Chefe do Executivo de Macau de diversificar a economia da cidade chinesa semiautónoma, Rouse afirmou que as “empresas europeias estão excelentemente posicionadas e comprometidas em contribuir para essa diversificação”. “Queremos também cooperar com Macau no desenvolvimento verde e na sustentabilidade. Partilhamos a meta de 2050 para alcançar a neutralidade carbónica”, sublinhou.

No plano académico e cultural, o representante europeu destacou o programa de apoio à educação e formação Erasmus+, acrescentando que a UE quer “atrair mais estudantes de Macau para universidades europeias, seja em intercâmbio ou em programas de licenciatura”.

1 Jun 2026

Turismo | Hotéis com quase 4,9 milhões de hóspedes até Abril

Desde que há estatística, os hotéis de Macau nunca tinham recebido tantos hóspedes. A taxa de ocupação entre Janeiro a Abril atingiu 91,8 por cento

Os estabelecimentos hoteleiros de Macau acolheram 4,87 milhões de hóspedes até Abril, um novo recorde máximo para os primeiros quatro meses de um ano, foi anunciado na sexta-feira. De acordo com dados oficiais da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), este valor representa um aumento de 1,9 por cento em comparação com igual período de 2025.

Além disso, é o número mais elevado desde que a DSEC começou a compilar estes dados, em 1998, ainda antes da transição de Portugal para a China. O anterior recorde máximo para os primeiros quatro meses de um ano (4,66 milhões de hóspedes) tinha sido fixado em 2019, antes do início da pandemia de covid-19.

Com mais hóspedes, os estabelecimentos hoteleiros do território tiveram 91,8 por cento dos quartos ocupados entre Janeiro e Abril, mais 2,2 pontos percentuais do que no mesmo período de 2025. No final de Abril, Macau tinha 147 hotéis e pensões, um máximo histórico, disponibilizando cerca de 45.400 quartos, mais 500 do que um ano antes, referiu a DSEC.

Também no mês passado, a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana de Macau disse que estavam a ser construídos três hotéis, com um total de 204 quartos, e em fase de projecto mais 10, que poderão disponibilizar 1.310 quartos.

Toca a subir

Só em Abril, a taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros subiu 2,4 pontos percentuais, para 90,2 por cento, enquanto o número de hóspedes recuou 0,8 pontos percentuais em comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,19 milhões.

Isto depois de os hotéis terem aumentado em 1,7 por cento, para 1.323 patacas, os preços médios em Abril, de acordo com dados da Associação de Hotéis de Macau, que reúne 48 estabelecimentos locais.

Segundo o relatório divulgado pela Direcção dos Serviços de Turismo na semana passada, a maior subida registou-se nos hotéis de quatro estrelas, cujo preço médio aumentou 4,1 por cento, para 1.043 patacas.

Em 2025, os estabelecimentos que fazem parte da Associação de Hotéis de Macau tinham cortado em 3,5 por cento os preços médios. A região recebeu nos primeiros quatro meses 14,7 milhões de visitantes, mais 13,1 por cento do que no mesmo período de 2025 e o valor mais elevado de sempre para um arranque de ano.

No entanto, 62,1 por cento dos visitantes (14,7 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade.

1 Jun 2026

UM | João Veloso sai do departamento de português

João Veloso, com formação na área da linguística e vindo da Universidade do Porto, era director do departamento de português da Universidade de Macau desde 2022. Está agora de saída e, em entrevista à Lusa, falou das reformulações levadas a cabo durante o seu mandato e na necessidade de maior internacionalização desta área

O director do departamento de Português da Universidade de Macau, João Veloso, disse à agência Lusa que deixa o cargo, após quatro anos, com uma “forte renovação do corpo docente” e a reformulação dos cursos de pós-graduação.

João Veloso chegou a Macau em 2022 para dirigir o departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), que conta hoje com mais de 30 docentes e cerca de 400 alunos. Deixa a direcção “por motivos pessoais” e regressa dentro de dois meses à Universidade do Porto, onde é o único professor catedrático de Linguística.

Sobre o percurso profissional em Macau, o responsável admitiu deixar a instituição com sentido de dever cumprido, nomeadamente no que diz respeito à “forte renovação do corpo docente”.

“Quer da parte da faculdade, quer da parte da universidade, houve sempre um apoio total a esta vontade de trazer professores novos, altamente qualificados, todos com doutoramento, e que vêm dar uma força muito grande ao ensino pós-graduado e à investigação”, disse.

Outra das “principais inovações” destes quatro anos foi a reformulação dos cursos de pós-graduação, quer dos mestrados, quer dos doutoramentos, com um “reforço da formação curricular”, a partir do próximo ano lectivo.

“Em grande medida, porque, neste momento, temos recursos humanos para isso. Isso também foi um esforço muito grande que eu fiz e é o resultado da forma como procurei responder o mais profissionalmente possível àquilo que foram as determinações superiores”, indicou à agência Lusa.

Mais dinamismo

Num balanço à liderança do maior departamento de Português na Ásia, fundado em 1990, o responsável notou ainda que “o dinamismo do ensino do português sofreu também uma melhoria”. Neste sentido, especificou, aumentou o número de universidades com as quais a UM estabeleceu protocolos para um período de estudo num país de língua portuguesa.

O departamento passou a ser também um “local de estágio para estagiários do mestrado em Português Língua Estrangeira da Universidade do Porto”, adiantou o responsável, dizendo tratar-se de outra das “mudanças positivas” da direcção.

Os cursos do departamento de Português chegam a mais de mil alunos em toda a UM, entre estudantes de licenciatura, mestrados e doutoramentos deste departamento da faculdade de Letras, alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior.

Internacionalização precisa-se

João Veloso defendeu também, na mesma entrevista, uma maior internacionalização do Departamento de Português, que pode passar pelo contacto com países que não são de língua portuguesa, mas com “investigação de ponta”.

O responsável considerou que o futuro do departamento deve passar por uma aposta mais firme na internacionalização, até em regiões fora do circuito tradicional dos países de língua portuguesa. O departamento que dirige conta neste momento com cerca de 20 alunos internacionais, sendo a maioria dos cerca de 400 estudantes oriundos de Macau e do interior da China.

Seria “muito interessante” trazer alunos de outras geografias, como Tailândia, Coreia do Sul ou Vietname, declarou Veloso. Mas admite: “sabemos que estudar em Macau é caro, os alunos que vêm normalmente são alunos que estão dependentes de uma bolsa e o número de bolsas é limitado”.

No entanto, Veloso aponta para o outro lado do mundo, onde “alunos de países que não são de língua portuguesa querem estudar Linguística do português ou Literatura em português”.

“Os estudos sobre o português são uma área de estudos muito importante na academia internacional. Se nós formos ao Canadá, aos Estados Unidos, à França ou à Alemanha, há muitas pessoas que não são falantes nativas do português e que estão ali a fazer ensino e investigação de ponta na área da linguística,” disse.

E Macau tem-se esquecido deste vector, constatou o responsável, notando que no território persiste “a ideia de que o português é algo que interessa sobretudo aos falantes nativos da língua – portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos – [e] aos alunos das universidades da China”, onde “o português tem uma projecção muito grande”.

Nos cursos de Verão, porém, “houve avanços”, com a presença de estudantes da Austrália e de países asiáticos, em parte devido à promoção do “curso em circuitos que não são os mais habituais”.

Ainda no que diz respeito à internacionalização, o responsável considera que a aposta em línguas estrangeiras por parte da Universidade de Macau continua “pouco diversificada”. “Há uma visão um bocadinho fechada do ensino de línguas estrangeiras em Macau”, observou à Lusa, notando que a UM tem potencial para ensinar línguas asiáticas.

A Faculdade de Letras não tem departamentos específicos para o ensino de línguas como espanhol, alemão, italiano, russo ou francês, tendo o Departamento de Português, por exemplo, duas disciplinas opcionais de espanhol.

Veloso interpreta esta opção com a preocupação que a instituição de ensino superior tem “com a qualidade e a presença nos ‘rankings'”, o que “implica direcionar muitos recursos para áreas específicas”.

1 Jun 2026

Atropelamento | Governo envia condolências à família da criança

A mensagem de condolências após a morte do menino de 10 anos foi enviada pelo Chefe do Executivo, através de Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça e porta-voz do Conselho Executivo. Sam Hou Fai pediu uma revisão rápida da lei do trânsito, com o lançamento para breve de uma consulta pública

Com a cidade de luto, após a morte de um menino de 10 anos atropelado numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja, o Chefe do Executivo enviou condolências à família, numa conferência do Conselho Executivo, através do porta-voz Wong Sio Chak. A mensagem foi deixada na sexta-feira, numa altura em que as críticas às políticas de trânsito e à desvalorização da governação de Macau se propagavam online.

“Através de mim, o Chefe do Executivo pretende apresentar as condolências à família do rapaz”, afirmou Wong Sio Chak.

Embora Sam Hou Fai não tenha estado presente nem tenha dado a cara após o acidente, a ocasião foi utilizada por Wong para revelar as “ordens” do líder do Governo. “O Chefe do Executivo dá grande importância ao acidente, pediu imediatamente ao secretário para a Segurança para organizar as entidades e ir ao local tratar do caso e investigar rigorosamente”, leu o porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça. “Também pediu à DSEDJ [Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] para prestar as condolências do Governo da RAEM”, acrescentou.

Sam Hou Fai terá ainda indicado à DSEDJ e ao Instituto de Acção Social para “prestarem todo o apoio necessário” e “acompanharem” a família a “ultrapassar este momento difícil”. A missiva revelou igualmente que Sam Hou Fai “ordenou” às entidades governamentais que “tomem medidas preventivas para evitar o acontecimento destas tragédias”.

“Falta de consenso”

Durante a conferência de imprensa Wong Sio Chak foi também confrontado com o facto de a Assembleia Legislativa ter deixado cair a proposta do Governo para alterar a lei de trânsito. Na altura, os deputados afirmaram que não havia condições para aprovar o diploma devido a “problemas técnicos”, “operacionais” e “por falta de maturidade”.

Segundo o secretário, a queda do diploma no hemiciclo ficou a dever-se à falta de consenso da sociedade. “Como sabem a Lei de Trânsito Rodoviário, por vários motivos, não conseguiu obter o consenso da sociedade. Durante o processo de revisão legislativa houve certas dificuldades, por isso, no final, com muita pena, não se conseguiu avançar [com a aprovação do diploma]”, apontou.

E face às críticas da sociedade face à inacção na revisão da lei, Wong Sio Chak revelou que Sam Hou Fai quer lançar uma nova consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a legislação: “No início o nosso plano era de abrir uma consulta pública fazer rever a lei em 2028”, confessou Wong. “Mas, o Chefe do Executivo pediu que se faça a revisão o mais rapidamente possível. Não vamos esperar por 2028, mas ainda não consigo adiantar uma data para o início da consulta”, contou.

Doadas mais de 700 mil patacas

Uma campanha de doações do jornal Ou Mun arrecadou mais de 700 mil patacas para a família da criança falecida. Segundo a publicação, foram recebidos donativos que totalizaram 667.909 patacas, 52.630 dólares de Hong Kong e 2.000 renminbis.

O jornal Ou Mun informou, na noite da sexta-feira, que entregou o dinheiro à Escola Lin Fong Pou Chai, onde a criança estudava. O director da escola, Ho Man Fai, confirmou ter recebido o dinheiro e prometeu entregá-lo à família. Os donativos foram recolhidos, apesar de a família enlutada ter comunicado a partir da escola que não tem dificuldades financeiras. Ainda assim, agradeceu o dinheiro recolhido.

1 Jun 2026

Tabaco | Proibido fumar em “áreas de grande concentração de pessoas”

A proposta de lei da prevenção e controlo do tabagismo contempla a proibição de fumar em “áreas de grande concentração de pessoas” e reforça as proibições junto a escolas e hospitais. Já os cigarros electrónicos só vão poder ser usados em casa

O Conselho Executivo terminou a discussão sobre as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, cuja nova proposta de lei será agora submetida à Assembleia Legislativa (AL). Uma das principais mudanças prende-se com a chegada das proibições em ruas muito movimentadas. “A proposta de lei prevê igualmente a criação, por despacho do Chefe do Executivo, de áreas de proibição de fumar em determinadas áreas de grande concentração de pessoas”, pode ler-se na nota do Conselho Executivo, divulgada na sexta-feira.

Outra alteração prende-se com o consumo de tabaco electrónico, propondo a proibição “do consumo ou a posse de cigarros electrónicos e dos respectivos componentes e acessórios nos locais de utilização colectiva onde seja proibido ou excepcionalmente permitido fumar”. Esse consumo é ainda proibido “em quaisquer áreas ao ar livre de utilização colectiva, sendo estabelecido um período transitório de seis meses”, mas pode ser feito em casa.

Outra proposta do Executivo passa pela proibição de fumar em “áreas a menos de dez metros de distância de entradas e saídas de hospitais, centros de saúde, infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, bem como de estabelecimentos de ensino primário e secundário”. Estas áreas passam a ser classificadas “como locais onde é proibido fumar”.

Ficam também proibidos “produtos de tabaco emergentes como as bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e narguilés”, tendo em conta a “crescente popularidade entre adolescentes e “malefícios para a saúde”.

Impacto visual

É também proposta que “a área de rotulagem de advertência sanitária nas embalagens de produtos do tabaco seja aumentada para 85 por cento nas duas faces maiores da unidade da embalagem”. Quanto a charutos e cigarrilhas, “a área de rotulagem de advertência sanitária deve cobrir, pelo menos, 70 por cento de uma das faces maiores e 100 por cento da outra face maior”.

“Além disso, a proposta de lei prevê o estabelecimento de um período transitório de 18 meses, por forma a permitir que os sectores se adaptem às novas disposições”, lê-se ainda.

O Governo pretende também permitir a utilização de “câmaras portáteis pelos agentes de fiscalização do controlo do tabagismo no exercício das suas funções”, para garantir “a segurança dos agentes de fiscalização do controlo do tabagismo e elevar a eficiência do seu trabalho”.

1 Jun 2026

Consulta pública | Aumento da licença de maternidade quase unânime

O relatório da consulta pública sobre as alterações à lei laboral indica que mais de 94 por cento das opiniões vão de encontro à proposta do Executivo para alargar a licença de maternidade de 70 para 90 dias. Também o aumento dos dias de férias anuais, de seis para 12, mereceu a concordância dos consultados

Foi divulgado na sexta-feira o relatório da consulta pública relativo à revisão da lei laboral, no que diz respeito à actualização dos dias de licença de maternidade e dias de férias anuais.

Relativamente à licença de maternidade, lê-se no documento que 94,3 por cento dos participantes na consulta concorda com o aumento dos dias de licença de maternidade de 70 para 90 dias, representando 9.420 posições concordantes. Destaca-se o facto de a proposta prever ainda que, dos 90 dias, 30 poderem ser gozados antes ou depois do parto, sendo pago um subsídio às empresas para cobrir o salário das trabalhadoras, no máximo de 20 dias.

O relatório dá conta que o aumento dos dias de licença “vai garantir que as trabalhadoras tenham mais tempo suficiente para descanso, beneficiando a recuperação da saúde física e o ajustamento psicológico para adaptação”, dando também resposta “às necessidades de apoio familiar, criando um ambiente mais amigável à natalidade para as trabalhadoras”.

Destaca-se o facto de, das opiniões discordantes, 276, apenas 2,8 por cento, a maioria considerar que a proposta do Governo de aumento dos dias é ainda tímida tendo em conta as necessidades sociais.

Assim, 71 por cento dos que discordam fazem-no por considerar que 90 dias “continua a ser inferior aos padrões das regiões vizinhas”, sendo “insuficiente para satisfazer as necessidades das trabalhadoras na recuperação do estado de saúde após o parto e na prestação de cuidados com o recém-nascido, sendo melhor aumentá-la para 98 dias ou mais”.

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) destaca, no relatório, que foram proferidas opiniões “atentas à viabilidade de um aumento gradual do número de dias da licença de maternidade no futuro, esperando-se que seja promovido o melhoramento dos direitos e interesses laborais de Macau e da articulação com os padrões das regiões vizinhas ou com os padrões internacionais”, ou seja, além dos 98 dias.

Ai os homens

Porém, foram expressas “opiniões com a questão dos custos operacionais das empresas e pressões na alocação de recursos humanos”. Foi assim dito que as empresas, “além de terem de pagar a remuneração durante a licença de maternidade, têm ainda de suportar o custo de pessoal substituto, o que agrava a pressão financeira e, consequentemente, afectando a operação das empresas”.

Outro alerta dado prende-se com a preocupação de as empresas se tornarem “mais conservadoras no recrutamento, podendo dar prioridade à contratação do sexo masculino ou do sexo feminino que já não se esteja em idade fértil”. Tal trará “prejuízo às oportunidades de desenvolvimento profissional das trabalhadoras”.

O Executivo mantém, para já, uma atitude prudente, considerando que, nesta fase, “é mais adequado proceder, prioritariamente, ao aumento do número de dias da licença de maternidade para 90 dias, permitindo reforçar as garantias às trabalhadoras e atender às necessidades de operação das empresas”.

No tocante às políticas de apoio à família, foram apresentadas 502 opiniões sobre a necessidade do aumento da licença de paternidade, considerando “insuficiente o actual número de dias de licença”; enquanto 255 considera que deveriam ser criadas outros tipos de licença, como parental, para consultas pré-natais, ou ainda a “consideração das consultas pré-natais como faltas justificadas”, ou a “licença para acompanhar a criança a consultas médicas ou vacinação, de modo a aliviar a pressão parental sobre os pais”.

Pede-se ainda, às empresas, a adopção de “mecanismos como horários flexíveis, teletrabalho e dispensa do turno nocturno, para permitir que as trabalhadoras possam cuidar do recém-nascido”.

O Governo deixa para depois as mudanças na licença de paternidade. “Relativamente às opiniões sobre a licença de paternidade, medidas favoráveis à família e ajustamento do tempo de trabalho, embora estas matérias não se insiram no âmbito da presente revisão legislativa, (…) as mesmas foram devidamente registadas e servirão de referência para futuras revisões do regime laboral.”

“Falta de equidade”

No tocante aos dias de férias anuais, o Governo quer que se passe dos actuais seis previstos na lei para “um mecanismo de aumento do número de férias anuais em função da antiguidade do trabalhador”. O objectivo é aumentar “um dia útil de férias anuais remuneradas por cada dois anos de trabalho completo”, passando assim a “12 dias úteis de férias anuais para os trabalhadores com antiguidade igual ou superior a 12 anos”.

Das 9.973 opiniões apresentadas sobre este tópico, 9.150 concorda com o aumento de seis para 12 dias. Apenas 5,1 por cento discorda, num total de 509 opiniões. Destas, 63,7 por cento entende que “os dias de férias anuais deveriam ser aumentados directamente para um determinado número de dias, em vez de estarem vinculados à antiguidade, de modo a garantir que os trabalhadores recém-contratados também gozam do mesmo direito ao descanso”.

Além disso, defende-se que a proposta do Executivo não atinge “grupos mais jovens, com maior probabilidade de mudarem de emprego, e os sectores de alta mobilidade profissional”, havendo “falta de equidade”.

Férias geram debate

O relatório demonstra que “cerca de 50 por cento das opiniões são discordantes” quanto à proposta do Executivo em não ir além dos 12 dias de férias anuais. Os que não concordam declaram que este número de dias é “insuficiente”, havendo “algumas opiniões a sugerir o aumento do número de dias de férias iniciais e do número máximo de dias de férias, o que reflecte uma solicitação relativamente forte por parte dos trabalhadores”.

Porém, o Executivo chama a atenção para o facto de “a grande maioria das empresas em Macau serem PME [pequenas e médias empresas]”, com a “elaboração da política laboral a abranger diferentes sectores de actividade”, pelo que “é necessário ponderar com cuidado as solicitações das diversas partes interessadas, bem como o impacto sobre o a economia em geral de Macau”.

“Partindo dos actuais seis dias de férias anuais previstos na lei, um aumento significativo do número de dias afectaria não só o funcionamento das PME, como também teria um impacto considerável na gestão de recursos humanos nos sectores dos serviços e naqueles com elevada intensidade de mão-de-obra”, declara o Governo no relatório.

É referido ainda que é importante “ponderar se tal ajustamento poderia vir a afectar os direitos laborais dos trabalhadores com maior antiguidade”, pelo que se considera “mais adequado, nesta fase, manter o número de dias de férias anuais proposto no documento de consulta”.

Houve ainda posições e “dúvidas sobre o âmbito de aplicação, o cálculo e as formas de compensação” dos dias de férias, mas o Governo declara que esta alteração se aplica “tanto a trabalhadores residentes como a trabalhadores não residentes, constituindo apenas a garantia mínima prevista na lei, sem prejuízo de acordos mais favoráveis entre as partes empregadora e trabalhadora”.

Neste contexto, “o calculo da antiguidade conta-se de forma contínua a partir da data do início de funções e, para assegurar o direito ao descanso do trabalhador, o empregador é obrigado a conceder o gozo efectivo das férias, não podendo substituí-lo por dinheiro ou outra compensação”.

A consulta pública foi realizada entre 31 de Janeiro e 16 de Março, com seis sessões de consulta e ainda recolha de opiniões online. Foram recolhidas 10.025 opiniões e sugestões, sendo que 98,8 por cento foram apresentadas de forma digital. O relatório descreve que 88 por cento das opiniões são de trabalhadores, seguindo-se 4,4 por cento do patronato.

Na sexta-feira o Conselho Executivo terminou a discussão em torno desta proposta de lei, que está agora pronta para seguir para o hemiciclo para votação e discussão.

1 Jun 2026

Acidente | Criança de 10 anos é atropelada na passadeira e morre

A morte mais recente por atropelamento em passadeiras mobilizou grande parte da população, que se deslocou ao local para deixar coroas de flores, guloseimas, refeições e chorar. Desde 2013, esta é a segunda morte de crianças em idades escolar em passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja

Um menino com 10 anos morreu na noite de quarta-feira, depois de ter tentado atravessar a Avenida do Conselheiro Borja, numa passadeira. A criança, atropelada por uma viatura com sete lugares, por volta das 20h18, foi transportada para o hospital, mas declarada sem vida minutos depois.

Segundo um vídeo partilhado online, que terá captado parte do atropelamento, é possível ver o veículo a atingir a criança e a passar-lhe por cima, embora, nesse momento, a criança não seja atingida por qualquer roda da viatura.

Após o embate, o menino ficou estendido na estrada, enquanto o veículo pára e o condutor se aproxima da criança para verificar o seu estado. Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram a vítima no chão, numa grande poça de sangue, pelo que fecharam a via ao trânsito, enquanto eram realizadas as operações de salvamento.

A criança foi assistida pelo Corpo de Bombeiros (CB) e transportada, de urgência, para o Hospital Kiang Wu. No entanto, os esforços das equipas de salvamento mostraram-se inglórios, com o menino a ser declarado morto por volta das 20h42.

Segundo os dados divulgados pela polícia, tanto a vítima mortal como o condutor são residentes de Macau. O condutor, que tem cerca de 40 anos, realizou o teste do álcool e o resultado foi negativo, o que as autoridades indicaram corresponder às declarações prestadas no local.

Segundo as imagens que circularam ontem nas redes sociais, o veículo envolvido no embate é um monovolume com sete lugares, da marca Honda e modelo Stepwgn, com cor preta.

Ontem, as autoridades comunicaram que o homem foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência, e que o caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP). Também foi divulgado que o condutor confessou não ter reparado que havia uma pessoa a tentar atravessar a passadeira.

Homenagem geral

Ontem, depois das notícias do acidente se terem espalhado nas redes sociais, várias pessoas deslocaram-se ao lugar do atropelamento para prestarem homenagem à vítima.

Com o passar das horas, acumularam-se junto do local do atropelamento coroas de flores, doces, brinquedos e até refeições. No local, era ainda possível ver alguns cidadãos emocionados com lágrimas nos olhos. A escola frequentada pela vítima também teve uma reacção pública, ao mudar a cor do portal da escola para tons de cinzento.

Ao mesmo tempo nas redes sociais surgiram várias reacções a criticar o condutor por estar ao telemóvel, momento depois do acidente. A matrícula do veículo, que acabou rebocado pelas autoridades para investigação, foi igualmente amplamente partilhada, assim como alegados dados do condutor.

As autoridades também foram alvo das críticas, pela complacência face aos condutores ao telemóvel e aos casos de não cedência de passagem nas passadeiras.

Histórias repetidas

Esta não é a primeira criança a morrer na Avenida do Conselheiro Borja ao tentar atravessar na passadeira. Em Junho de 2013, a cerca de 300 metros do local do acidente de ontem, também um menino com nove anos perdeu a vida.

As circunstâncias do acidente são bastantes semelhantes, porque o atropelamento se deveu igualmente ao facto do condutor de uma carrinha não ter cedido a passagem na passadeira e de a criança também estar vestida com o uniforme escolar. O embate aconteceu por volta das 18h30, o menino foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde minutos depois foi declarado morto.

Multas a aumentar

No ano passado, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) passou 619 multas por não cedência de passagem nas passadeiras. No entanto, este ano, o número multas está a aumentar. Entre Janeiro e Abril deste ano o número de multas foi de 247, uma subida face ao período homólogo de 17,62 por cento, dado que entre Janeiro e Abril de 2025 o número tinha sido de 210.

No ano passado, houve ainda 7.651 pessoas multadas por atravessarem a estrada fora da passadeira. Entre Janeiro e Abril de 2025, houve 3.252 pessoas multadas por este motivo, um número que registou uma queda de 46,43 por cento nos primeiros quatro meses deste ano, com um total de 1.742 multas por esse motivo.

30 Mai 2026

Assiduidade | Detectado caso suspeito de falsificação

A situação foi verificada numa escola pública, não identificada, e envolve três professores e um técnico informático. Durante a investigação, dois dos suspeitos tentaram destruir provas

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou um caso em que três professores e um técnico informático de uma escola pública falsificaram o registo de assiduidade, entre 2019 e 2024. As conclusões da investigação tornada pública ontem foram divulgadas através de um comunicado.

“Segundo o que foi apurado, entre 2019 e 2024, três professores e um técnico informático ajudaram-se mutuamente, a picar o ponto, a fim de encobrir os seus atrasos e saídas antecipadas, com vista a falsificar os registos de assiduidade”, foi comunicado. “Durante a investigação, o CCAC descobriu ainda que o técnico informático em causa e um dos professores actuaram em conluio, alterando parcialmente os registos de gravação de vídeo, para evitar a descoberta do facto de ‘ajudarem’ outras pessoas a picar o ponto”, foi acrescentado.

O comunicado não permite saber como é que foi iniciada a investigação e se terá havido uma denúncia por parte da instituição, com base nas imagens de videovigilância. Também o nome da instituição pública onde aconteceu a alegada ilegalidade não foi revelado.

Os quatro indivíduos foram indiciados pelos crimes de falsificação informática, que de acordo com a lei de combate à criminalidade informática tem uma moldura penal que pode chegar aos três anos de prisão. No entanto, como nesta situação o ilícito é cometido por funcionários no exercício das funções existe a possibilidade de a moldura penal aplicada obrigar a uma pena mínima de um ano de prisão e uma máxima de cinco anos.

Encaminhado para o MP

Em relação à responsabilidade penal, o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Contudo, foi igualmente comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Em reacção, a DSEDJ, através de comunicado, revelou que vai instaurar um processo disciplinar aos visados e que qualquer decisão tomada vai ser “justa e rigorosa, de acordo com as leis em vigor”. A DSEDJ pediu também às escolas para que reforcem os mecanismos de supervisão e pediu ao estabelecimento de ensino onde ocorreu o caso, um relatório sobre o incidente.

Por sua vez, o CCAC alertou ainda os funcionários para evitarem a falsificação da assiduidade. “Nos últimos anos, têm sido descobertos casos de trabalhadores da função pública suspeitos de falsificação de registos de assiduidade, o CCAC vem advertir todos os trabalhadores da função pública de que a assiduidade e pontualidade são deveres que devem ser cumpridos rigorosamente, e que a falsificação dos registos de assiduidade constitui um crime, pelo que não devem infringir a lei”, foi indicado.

O CCAC pediu também aos serviços públicos para serem pró-activos na fiscalização: “Os serviços públicos devem estar atentos e empenhar-se no aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização da assiduidade”, pode ler-se na mensagem.

30 Mai 2026

Violência doméstica | Apenas 2% dos casos considerados crime

Somente 2,22 por cento das mais de 2.150 denúncias registadas em Macau em 2025 foram consideradas pela polícia como casos suspeitos de violência doméstica, de acordo com dados oficiais. Num relatório divulgado na semana passada, o Instituto de Acção Social revelou que recebeu no total 2.158 denúncias de violência doméstica no ano passado, menos 8 por cento do que em 2024.

Após a exclusão das denúncias repetidas (efectuadas pelas mesmas vítimas a diferentes entidades), o sistema registou 1.518 casos, uma diminuição de 10,5 por cento em comparação com o ano anterior. No entanto, após investigação, a Polícia Judiciária (PJ) decidiu que apenas 48 casos são suspeitos do crime de violência doméstica, menos sete do que em 2024.

O relatório mostra que metade dos casos (24, mais seis do que no ano anterior) enviados pela PJ para a justiça envolveu violência contra menores, com crianças entre os sete e os 12 anos as maiores vítimas (14 casos). Dos restantes, 18 referem-se a casos de violência doméstica contra cônjuges, menos 12 do que em 2024, sendo que apenas um caso envolveu violência contra um homem.

Mais de metade dos casos (27, menos 17 do que no ano anterior) deveu-se a violência física, enquanto o relatório menciona ainda nove casos de violência sexual. Em 2024, tinha sido registado apenas um caso de violência sexual.

30 Mai 2026

Turismo | Registado aumento de visitas de estudo para Macau

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau considera que o aumento das viagens de estudo na China e em Macau levou à expansão do sector do turismo. Andy Wu realça a subida anual entre 20 a 30 por cento de estudantes que viajam até Macau

As viagens de estudo têm um grande potencial para o sector do turismo e Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, destaca como os números têm registado um aumento.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o mercado de viagens de estudo dos estudantes do Interior da China em Macau registou um aumento, com o número de visitantes deste segmento a crescer 20 a 30 por cento em 2025, face a 2024.

Andy Wu explicou que as viagens de estudo a Macau são de curta duração, não indo além de quatro dias, focando-se nos elementos de história, cultura e experiências. Apesar de serem em menor número face às viagens de estudo feitas pelos estudantes de Macau para o exterior, existe, segundo o dirigente associativo, um óbvio potencial que pode ser explorado noutras épocas do ano, nomeadamente durante a semana ou férias de Inverno.

Andy Wu destacou também que as visitas de estudo para cidades chinesas ocupam já cerca de 50 por cento da procura, com foco em destinos como Pequim, Xangai ou Xi’an. Antes, no período de Verão, os estudantes optavam mais por países estrangeiros como Reino Unido, Austrália ou Canadá, entre outros.

Mais agências de serviço

Nas visitas às cidades chinesas, o foco faz-se nas últimas tecnologias, como é o caso de voos espaciais e inteligência artificial, tendo Andy Wu destacado que o conteúdo das viagens está relacionado com as necessidades de aprendizagem dos alunos.

Quanto ao preço das viagens de estudo, o representante e empresário de agências de turismo apontou que é mais elevado do que excursões normais dado que estas viagens exigem mais mão-de-obra, nomeadamente guias turísticos e tutores, para garantir uma melhor experiência educativa.

Ainda no que diz respeito ao preço, as viagens ao Interior da China continuam a ser mais baratas do que ao estrangeiro, tendo Andy Wu apontado que se deu um aumento ligeiro devido à sobretaxa de combustível nos voos.

O responsável contou ainda que a popularidade das visitas de estudo beneficiou o sector turístico. Isto porque, no ano passado, apenas duas agências de viagens, com capitais de Macau e Hong Kong, se dedicavam a este tipo de serviço. Actualmente, já são entre oito a dez agências que organizam visitas de estudo, o que leva a um enriquecimento da oferta, disse.

30 Mai 2026

DSEDT | Governo não diz quantos turistas usam autocarros de lazer

Em resposta à questão de quantos turistas usaram os Autocarros de Turismo e Lazer e saíram em paragens em bairros comunitários, o Governo indicou que “foi registado um determinado número de visitantes”. Porém, o Executivo indicou valorizar os benefícios a longo prazo do programa

Entre 25 de Abril e 5 Maio, “mais de 3.000 passageiros utilizaram o Autocarro de Turismo e Lazer, sendo que 1.100 dos mesmos optaram por desembarcar nas paragens dos bairros comunitários”, indicou um comunicado conjunto das direcções de serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), de Turismo (DST) e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos no dia 6 de Maio.

O HM procurou saber, através de questões enviadas à DSEDT e DST, como evoluiu a taxa de utilização destes autocarros, assim como o número de turistas que desembarcaram em paragens localizadas em bairros comunitários. “Durante o período experimental, foi registado um determinado número de visitantes que se deslocaram aos bairros comunitários por uso dos referidos autocarros, tendo participado em consumos e experiências, alcançando-se preliminarmente o efeito de atrair visitantes”, foi indicado pelas direcções de serviços.

Quanto ao facto de nos primeiros dias de operações, apenas 36,6 por cento dos turistas que usaram o transporte (que tem como destino final os resorts das concessionárias que operam os autocarros) terem saído em paragens nos bairros comunitários, o HM não obteve resposta.

Recorde-se que o programa de rotas de Autocarros de Turismo e Lazer foi lançado pelo Governo, em coordenação com as seis empresas integradas de resorts e lazer, de forma a aproveitar os shuttles para levar turistas a zonas menos turísticas e fomentar os negócios nos bairros comunitários.

Mais informação

Apesar de não ser conhecido o impacto do programa ao nível das visitas e incremento de negócios nos bairros residenciais, o Governo está apostado em melhorar as informações dirigidas à atracção de turistas. Recorde-se que as cinco carreiras que se mantém em funcionamento depois dos feriados do 1.º de Maio têm paragens no Iao Hon, Centro de Comidas do Patane, Pagode do Bazar, Rotunda de Carlos da Maia, Barra e Nam Van e San Kio.

A DSEDT criou um website com informações sobre horários, frequências e paragens, destacando os pontos de interesse nos bairros, apresentando aos turistas lojas classificadas como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau”, “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. A ideia é aproveitar o possível fluxo de turistas, canalizando-os para zonas menos visitadas.

Sobre os efeitos alcançados pelo programa foi indicado que “o Governo da RAEM valoriza os benefícios a longo prazo do plano ‘Autocarro de Turismo e Lazer: Explorar o Encanto dos Bairros’, pelo que continuará a recolher o feedback dos turistas e as opiniões dos comerciantes, a optimizar de forma adequada o conteúdo do plano e a reforçar as informações de orientação e os elementos de experiência de cada bairro comunitário”. O objectivo é “promover de forma estável a integração do turismo de lazer com o desenvolvimento económico comunitário”, foi acrescentado pelo Governo.

30 Mai 2026

Xavier Garcia, jornalista e autor: “O domínio mundial do Ocidente acabou”

“China, ameaça ou esperança – A realidade de uma revolução pragmática” é o nome do mais recente livro de Xavier Garcia, editado em português pela Tempo Galiza Editora. O autor, que foi correspondente da EFE em Pequim, explica algumas ideias construídas pelo Ocidente em relação ao país e diz que Portugal deve aproveitar a ligação a Macau para estreitar laços com a China

Tem vasta experiência na China, na qualidade de repórter. Como começou a sua relação com o país, e de que forma está demonstrada neste livro?

A minha relação com a China começou em 2018 porque fui destacado como director da delegação da agência de imprensa EFE em Pequim. Vivi sete anos na China e desde o princípio que me surpreendeu o desenvolvimento, capacidade para organizar a vida de tantos milhões de pessoas, as mudanças rápidas, políticas orientadas a longo prazo e questões realmente decisivas, como a eliminação da pobreza, a distribuição de riqueza ou a questão ecológica. Também me surpreendeu o carácter pacífico das pessoas e, digamos, mediterrâneo, festivo, bem como o gosto pela comida ou a importância da família, a maneira simples de viver e de fazer as coisas de uma forma prática.

A China é uma ameaça, uma esperança ou um pouco das duas coisas, e porquê?

Considero que a China representa, acima de tudo, uma esperança para o mundo, pois demonstrou a eficácia das suas políticas contra os problemas mais graves da humanidade, como a pobreza ou a crise climática. Também porque defende uma relação internacional pacífica entre países, diferente daquela a que estamos habituados, uma relação baseada no comércio, na cooperação, no ganho mútuo e não na imposição de um país sobre o outro. A China não procura impor o seu modelo a ninguém e defende um mundo multipolar onde as diferentes culturas e civilizações possam coexistir na sua diversidade.

Quando se fala de revolução pragmática, entende que o Ocidente deve olhar para a relação com a China de outra forma, com mais pragmatismo?

O Ocidente, pragmaticamente, deveria tentar aprender com algumas das coisas que a China faz bem, aprendendo com os outros. Deveria deixar de tentar impor os seus valores e formas de organização política ao resto do mundo. Deveria olhar para outras civilizações e países com mais humildade, procurando aprender com o que pode servir para melhorar a vida das populações. O Ocidente precisa de aceitar que o tempo do seu domínio mundial acabou, mas que pode coexistir em paz com o resto do mundo, respeitando as outras culturas sem ter de abdicar dos seus valores.

Na obra, faz uma espécie de “denúncia das campanhas mediáticas ocidentais” criadas para “desprestigiar a China”. Quais as mais evidentes? Por que razão são criadas estas campanhas e quais são os seus principais objectivos?

Para as potências económicas, corporativas e mediáticas ocidentais, um país que se define como comunista não pode servir de exemplo para o resto do mundo, muito menos para o chamado Sul Global. O objectivo é demonizar e denegrir a imagem da China para que nenhuma das suas políticas possa ser vista como positiva, sob pena de representar uma alternativa viável ao modelo capitalista neoliberal promovido pelo Ocidente. Qualquer medida chinesa, mesmo as claramente desejáveis, como a erradicação da pobreza ou a construção de uma civilização ecológica, deve ser apresentada de forma negativa. Para tal, são empregues todas as estratégias e manipulações mediáticas, se não mentiras descaradas, bem como um arsenal de palavras e expressões que contribuem para deixar uma impressão negativa no leitor. Estas estruturas descritivas são constantemente repetidas até serem inconscientemente aceites como verdadeiras. Toda a política chinesa é criticada, há sempre um custo que a invalida. Trata-se de informação altamente tendenciosa, que exige um leitor muito atento e perspicaz para reconhecer as armadilhas. Fala-se de propaganda chinesa, mas a propaganda ocidental é mais complexa de detectar. Requer um leitor atento.

Como vê a posição da Espanha em relação a Pequim? O primeiro-ministro espanhol tem assumido algumas posições contrárias a Washington em matéria de geopolítica que podem agradar mais à China. Considera que isso traz benefícios, sobretudo económicos?

Nos últimos tempos, Sánchez tem desempenhado um papel de destaque na política internacional e na União Europeia em questões cruciais como o genocídio em Gaza, a guerra do Irão e as relações com a China. A aproximação à China é recente, dado que Espanha tinha perdido terreno considerável para outros países europeus até há apenas quatro anos. Uma maior cooperação com a China trará, sem dúvida, benefícios para Espanha, graças à liderança da nação asiática em áreas-chave para o futuro, como a inovação tecnológica e a transição energética. Além disso, a China representa um aliado previsível e fiável numa altura em que a relação precária com os Estados Unidos parece cada vez mais instável.

Portugal está a perder terreno face à Espanha na relação com a China?

A relação da Espanha com a China tem crescido significativamente nos últimos meses. Recentemente, foi anunciado que a China ultrapassou a Alemanha e é agora o principal fornecedor da Espanha. Além disso, Pequim escolheu Espanha para acolher a sua maior fábrica de automóveis na Europa. Neste aspecto, Portugal tem vindo a perder terreno para Espanha economicamente. No entanto, mantém uma relação de longa data com a China, particularmente em territórios como Macau, algo que Espanha não possui. Isto representa uma vantagem que Portugal deve aproveitar para aprofundar laços a todos os níveis. Esse estreitamento não deve estar condicionado à filiação política do Governo em funções.

A China está a mudar o formato das relações internacionais e diplomáticas que temos vindo a conhecer até agora? De que forma?

Sim. A China propõe um novo modelo de relações internacionais regido pelos cinco princípios da coexistência pacífica que moldaram a sua política externa durante mais de 70 anos: essencialmente, não interferência nos assuntos internos de outros países, respeito pela soberania e integridade territorial e não agressão. Durante mais de 200 anos, estivemos habituados a uma forma de relações internacionais em que alguns países se impõem a outros, com vencedores e vencidos. A China promove uma política de ganho mútuo, na qual todos os países beneficiam da cooperação, seja ela económica, científica ou cultural. Além disso, defende uma ordem internacional muito mais justa do que aquela que emergiu da Segunda Guerra Mundial, com uma representação mais equitativa e proporcional do Sul Global em instituições como a ONU e outras. Apoia um mundo multipolar no qual não exista uma potência hegemónica dominante e todas as civilizações possam coexistir e colaborar pacificamente.

Como encara o conceito “Socialismo com características chinesas”? Existe ainda desconhecimento por parte dos outros países em relação a este modelo de governação?

Ainda existe muita ignorância em relação à China, pois há também o interesse em retratá-la como um país opaco, obscuro e desconhecido. O que não se conhece inspira medo, e o medo é um dos principais factores que quem detém poder utiliza para controlar os cidadãos. A China adopta um socialismo marxista adaptado às características históricas da sua antiga civilização, fortemente influenciado pelas suas principais escolas de pensamento filosófico, como o taoísmo e o confucionismo, e pragmático, muito ancorado na realidade, procurando sempre as melhores soluções para melhorar a qualidade de vida da população. É um sistema que só poderia ser aplicado na China e está intimamente ligado às idiossincrasias do país. No entanto, isso não nos impede de aprender muito com este modelo.

Em termos gerais, quais são as principais mensagens que este livro nos transmite?

Em poucas décadas, a China passou de um dos países mais pobres do mundo para se tornar na segunda maior economia global, sem praticamente disparar um único tiro fora das suas fronteiras. O seu desenvolvimento tem sido, e continua a ser, pacífico, tirando 800 milhões de pessoas (75 por cento dos pobres do mundo) da pobreza. Nos últimos 15 anos, o país tem demonstrado também uma grande consciência ambiental, procurando construir uma civilização ecológica. Agora, centra-se na redistribuição da riqueza gerada e na correção das desigualdades criadas pela economia de mercado, ao mesmo tempo que promove um desenvolvimento de alta qualidade baseado na inovação tecnológica. Tudo isto é feito de forma pragmática, fundamentada em princípios marxistas, mas rejeitando completamente o dogmatismo. A China experimenta diversas soluções para os problemas emergentes e adopta aquela que produz os melhores resultados para melhorar a vida das pessoas. É flexível, como o bambu. É um país que não é governado por elites económicas, mas por funcionários públicos excepcionalmente bem formados, que demonstraram a sua capacidade de gerir assuntos públicos ao longo dos anos, desde o nível local até aos mais altos escalões pelas mentes mais brilhantes entre 1,4 mil milhões de pessoas. Estes são apenas alguns dos factos que os meios de comunicação ocidentais nos escondem, obcecados em pintar um retrato de um país que pouco ou nada tem a ver com a realidade.

30 Mai 2026

Arraial de S. João | Da Torre para a Doca dos Pescadores

Há nova localização este ano para uma das festas mais icónicas das comunidades portuguesa e macaense no território. Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, o Arraial de São João regressa nos dias 20 e 21 de Junho na Doca dos Pescadores, deixando de se realizar na Torre de Macau. Mais concretamente o arraial realiza-se na zona exterior do restaurante Vic’s, no Hotel Rocks, localizado na Doca dos Pescadores.

A organização do evento está a cargo da Associação dos Macaenses (ADM), trazendo, como é habitual, petiscos portugueses e muita animação. De destacar que a localização do arraial tem sido um assunto debatido tendo em conta a saída da festa do bairro de São Lázaro, onde a festa se realizou desde 2007, em frente à igreja.

A edição deste ano conta ainda com apoios do Fundo de Desenvolvimento da Cultura da RAEM, tendo a colaboração na organização da Casa de Portugal, do Instituto Internacional e da Associação dos Jovens Macaenses. O HM contactou Miguel de Senna Fernandes, presidente da ADM, a fim de obter um comentário sobre a mudança de localização, mas até ao fecho da edição não foi possível estabelecer contacto.

Paragens e suspensões

Recorde-se que o arraial não se realizou durante quatro anos devido à pandemia e depois por restrições de trânsito no bairro de São Lázaro. Miguel de Senna Fernandes explicou ao Ponto Final, no ano passado, que “abrir a calçada de São Lázaro significaria cortar a festa em bocados, e isso não seria possível”.

“As pessoas ainda preferem São Lázaro, mas têm de compreender”, disse, explicando que a solução da Torre de Macau era a possível para manter a celebração com o parco orçamento atribuído. “Ainda bem que continuamos a contar com o apoio da Torre, que muito prontamente aceitou conceder-nos o mesmo espaço. Caso contrário, isto seria absolutamente irrealizável”, frisou.

A Associação dos Macaenses (ADM) já referiu que o arraial vai muito além da dimensão religiosa de homenagem ao padroeiro São João Baptista, constituindo um “esforço comunitário para manter a tradição de comemorar a data histórica de 24 de Junho de 1622”, em que as forças portuguesas derrotaram as tropas holandesas, mantendo a Administração portuguesa no território.

28 Mai 2026

10 de Junho sem recepção no Bela Vista, mas com ministro

O cartaz deste ano do “Junho – Mês de Portugal” não inclui a tradicional recepção consular no Bela Vista, que terá, no entanto, um Dia Aberto a toda a comunidade portuguesa e demais interessados, com destaque para uma mostra do artista local Eric Fok. Destaque ainda para a presença de Fernando Alexandre, ministro da Educação português.

Há um total de 37 eventos programados para as próximas semanas, sendo que esta sexta-feira será inaugurada a mostra “SOMOS – Imagens da Lusofonia 2025: O Hoje do Passado”, patente até ao dia 28 de Junho na Galeria de Exposições das Casas da Taipa.

Segundo uma nota da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP), a curadoria está a cargo de Francisco Ricarte, sendo que estará presente na inauguração o vencedor do primeiro prémio do mais recente concurso de fotografia promovido pela entidade, o fotógrafo moçambicano, Hamir Da Silva, autor da imagem “Resiliência da comunicação”.

Segundo a associação, a escolha do tema “O Hoje do Passado”, visa um foco “nas coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.

Desta forma, “as imagens expostas capturam os costumes, tradições e demais elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais que nunca caíram em desuso e continuam a ser transmitidas e dinamizadas”. Haverá ainda um concerto de Afonso Cabral, integrado no programa do “10 de Junho”, que este ano se prolonga até 3 de Julho.

Irão traz consequências

O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, alertou para os custos acrescidos das viagens devido à crise no estreito de Ormuz, o que teve um impacto directo na organização do programa.

“Os preços das viagens aumentaram significativamente a partir do início da chamada crise do estreito de Ormuz. Tudo isto pesa, torna a nossa vida mais difícil, mas fazemos sempre o evento com entusiasmo e motivação”, afirmou o diplomata.

A directora do Instituto Português do Oriente, Patrícia Ribeiro, sublinhou a dimensão do calendário, com “apenas cinco dias” sem eventos. Entre as iniciativas, estão previstas três cerimónias oficiais, três exposições, quatro eventos infantis, cinco oficinas com artistas, quatro concertos, cinco conferências e cinco momentos gastronómicos.

“Este será o panorama do nosso programa, que ainda poderá crescer com outros momentos, mas já é vasto e bonito”, acrescentou Patrícia Ribeiro.

Entretanto, o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Bernardo Pinho, destacou a vertente gastronómica, com a quarta edição do roteiro “Comer e Beber à Portuguesa”, que este ano reúne um número recorde de 35 estabelecimentos participantes.

“Pretendemos consolidar um maior número de visitantes. No ano passado alcançámos quase 2.000 participações, um crescimento de 300 por cento face à segunda edição”, disse.

Segundo Pinho, os restaurantes, cafés, bares e padarias envolvidos vão oferecer menus temáticos ou descontos de 10 por cento em celebração do Dia de Portugal.

A gastronomia surge como uma das âncoras do ciclo, com o Cônsul Alexandre Leitão a sublinhar que “os produtores portugueses traduzem no prato a cultura”.

“Muita gente viaja pela gastronomia ou acha indissociável de uma viagem o percurso gastronómico. Países como a Itália e a França exploram isto muito bem, e a possibilidade de apresentar em Macau 35 restaurantes portugueses é um grande motivo de satisfação”, disse o cônsul.

Recepção na EPM

A recepção à comunidade no 10 de Junho regressa à Escola Portuguesa de Macau, espaço que, segundo Leitão, “integra o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa em Macau”.

Apesar de este ano não acolher a recepção oficial, a residência consular da Bela Vista terá um Dia Aberto em Junho, permitindo ao público visitar a exposição do artista local Eric Fok, que irá decorar as paredes do edifício.

“Queremos abrir a casa o mais possível às comunidades, não só portuguesas, mas a todas as que devem conhecer aquele património magnífico”, sublinhou Leitão.

A Residência do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, antigo Hotel Bela Vista, é um emblemático edifício histórico do século XIX na Colina da Penha, classificado como património do território. O diplomata recordou que a última jornada de portas abertas na Bela Vista, em 2023, “surpreendeu” pela adesão.

O programa inclui ainda cerimónias no ConsuladoGeral e na Gruta de Camões, com a participação dos escuteiros lusófonos, da banda da Polícia de Segurança Pública e da Escola Portuguesa, além de palestras e workshops.

28 Mai 2026

Gongbei | Novo supermercado ameaça comércio local

No domingo, será inaugurado o novo Freshippo, um supermercado do grupo Alibaba, a escassos 300 metros da fronteira com Macau. A cadeia lançou uma campanha de publicidade dirigida a residentes da RAEM. Um académico da Universidade de Macau defende que os supermercados locais devem melhorar a oferta

A concorrência ao comércio e aos supermercados de Macau vai apertar, com a inauguração no domingo do supermercado Freshippo no centro comercial Parkside Mall, a cerca de 300 metros da fronteira entre Gongbei e as Portas do Cerco. Este é o segundo supermercado da cadeia ligada ao grupo Alibaba em Zhuhai, mas desta vez a empresa lançou mesmo uma campanha publicitária onde é visto um residente da RAEM a elogiar o centro comercial a outros residentes, segundo avançou a Macau News Agency.

A abertura de mais uma grande superfície em Zhuhai, perto da fronteira, aumenta a pressão sobre o comércio e os supermercados de Macau. Recorde-se que no primeiro trimestre deste ano, o volume de negócios dos supermercados diminuiu 5,2 por cento em termos anuais, apesar do crescimento de 23 por cento de todo o comércio a retalho, segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

O professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau Matthew Liu Ting Chi explica este fenómeno com o aumento dos turistas, que quando visitam Macau não procuram bens de primeira necessidade e pelo facto de os residentes da RAEM serem atraídos pelos preços baixos do comércio em Zhuhai. O académico estima que no segundo trimestre deste ano o volume de negócios dos supermercados recupere graças ao Grande Prémio para o Consumo.

Luta pela sobrevivência

Há sensivelmente um ano, quando a abertura do Freshippo foi avançada na comunicação social, o presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau, Wong Man Wai considerou a possibilidade como a “gota d’água” para muitas superfícies em Macau. Já então, o representante do sector apontava para ajustes operacionais para conseguir sobreviver à concorrência, mas também para uma adaptação aos novos padrões de consumo da população.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Matthew Liu também entende que os supermercados têm de agir e diferenciar o seu posicionamento de mercado, onde não só concorrem com preços mais apetecíveis em Zhuhai, mas também com o crescente comércio online com entregas ao domicílio.

O académico salientou que, ao mesmo tempo que nada parece mudar nas operações dos supermercados de Macau, do outro lado da fronteira há zonas de degustação nas superfícies, assim como venda de refeições preparadas no local.

É também essencial para o futuro dos supermercados de Macau apostar em força nas compras online, oferecer produtos diferentes que não se possam adquirir em Zhuhai e ir de encontro a uma clientela mais especializada que, por exemplo, procura alimentos saudáveis.

28 Mai 2026

Construção | Empresas locais com mais de 500 milhões por receber

A revelação foi feita pelo deputado José Pereira Coutinho, e decorreu de uma reunião com representantes das empresas locais. As empresas foram subcontratadas para trabalhos públicos na prisão de Coloane, neste caso realizada por uma empresa estatal, e nos dormitórios da Universidade de Macau

Nove empresas locais de construção subcontratadas para obras públicas e em concessionárias de jogo estão com dificuldades em receber mais de 500 milhões de patacas pelos serviços prestados. A situação foi revelada pelo deputado José Pereira Coutinho, depois de uma reunião com representantes das empresas, na terça-feira.

“Ontem [terça-feira], dia 26 de Maio de 2026, recebi representantes de nove empresas de construção locais que actuam como empresas directamente subcontratadas para tratar da questão da cobrança de mais de 500 milhões de patacas em pagamentos de obras”, relatou o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “A situação é extremamente grave e já está a causar uma enorme pressão de liquidez (especialmente no que diz respeito a despesas correntes)”, acrescentou.

O deputado apontou que “obras em questão incluem os dormitórios da Universidade de Macau, a terceira fase da prisão de Coloane e obras referentes a uma das concessionárias de jogos”.

Segundo José Pereira Coutinho a responsabilidade destes atrasos nos pagamentos também recai nos serviços públicos, que assinam contratos que permitem às empresas subcontratar outras para a prestação de serviços, sem acautelarem os interesses de todas as partes envolvidas. “Os serviços públicos competentes que atribuíram estas obras têm uma responsabilidade de garantir que as empresas subcontratadas estão protegidas no pagamento das obras realizadas”, vincou. “Esta situação continua a ser comum em Macau, devendo ser melhoradas as cláusulas contratuais dos contratos de construção e empreitadas”, destacou.

Novos contratos

Ainda na perspectiva do deputado, os serviços públicos têm de alterar os contratos que assinam como resultado de concursos públicos ou adjudicações directas para incluírem cláusulas a obrigar as empresas a pagarem os serviços prestados pelas subempreiteiras.

De acordo com a informação da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, a 3.ª fase da Prisão de Coloane foi construída pela Sociedade de Construção e Engenharia – Grupo de Construção de Xangai – SCG (Macau), a sucursal na RAEM do Grupo de Construção de Xangai, uma empresa estatal. A empresa estatal recebeu 739,8 milhões de patacas pelas obras.

A restante informação divulgada pelo deputado não permite apurar as outras empresas envolvidas nos projectos, nem a identidade da concessionária. O HM tentou entrar em contacto com José Pereira Coutinho, mas até ao fecho da edição o deputado mostrou-se incontactável.

28 Mai 2026

Administração | Renovadas lideranças do IAM, Obras Públicas e Solos e Construção

O Governo renovou a nomeação de Chao Wai Ieng como presidente do Conselho de Administração do IAM, de Lai Weng Leong à frente dos Serviços de Solos e Construção Urbana e de Lam Wai Hou nos Serviços de Obras Públicas. As comissões de serviços do trio foram renovadas por um ano

O Chefe do Executivo renovou a comissão de serviço de Chao Wai Ieng à frente do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) por mais um ano. A renovação foi oficializada por um despacho assinado por Sam Hou Fai, publicado ontem no Boletim Oficial.

Chao Wai Ieng substituiu José Tavares na liderança do IAM no início do ano passado, depois de ter dirigido por cerca de um ano e meio os Serviços de Identificação.

Ainda no IAM, destaque para ascensão de Tam Wai Fong a vice-presidente do conselho de administração, para onde foi nomeada administradora em Fevereiro do ano passado. A responsável passa a exercer o cargo que estava ocupado por Mak Kim Meng desde o início de 2025. Tam Wai Fong foi nomeada número dois do IAM por um ano.

Sam Hou Fai renovou também os mandatos das administradoras Ung Sau Hong, que está no conselho de administração desde os tempos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais em 2013, e de To Sok I, que tem mais de nove anos no conselho de administração. As administradoras viram os seus cargos renovados também por um ano.

Se cá nevasse

Também a comissão de serviços de Lai Weng Leong enquanto director dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) foi renovada por um ano, a contar da próxima segunda-feira, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man.

Lai Weng Leong está à frente da DSSCU desde Abril de 2022, ou seja, desde a criação da entidade, após a reestruturação da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

Raymond Tam renovou ainda o cargo de Mak Tat Io enquanto subdirector da DSSCU, que também ocupa a posição desde Abril de 2022. Também Chan Hoi Ieng foi reconduzida como subdirectora dos serviços de solos e construção urbana, cargo que ocupa desde o passado mês de Outubro.

Outro cargo de direcção que se mantém desde a extinção da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes é o de Lam Wai Hou, à frente da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) desde a sua génese em Abril de 2022. Lam Wai Hou começa igualmente a nova comissão de serviço na próxima segunda-feira. À semelhança da DSSCU, Raymond Tam manteve cargos dos subdirectores da DSOP Luís Carvalho e Sam Weng Chon.

28 Mai 2026

Plano Director | Consulta Pública sobre novas alterações arranca amanhã

Os detalhes sobre as alterações só deverão ser conhecidos amanhã, com a divulgação do documento de consulta. Porém, visam os chamados “grandes projectos” como a zona cultural e turística, o pólo de ciência e investigação e o hub de cargas em Hengqin

Começa amanhã a consulta pública sobre as alterações ao Plano Director da RAEM que visam promover a integração no “desenvolvimento nacional”. A informação foi anunciada ontem, através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

A consulta vai decorrer entre sexta-feira e 27 de Agosto e tem como objectivo o “aprofundamento da integração e do serviço à conjuntura do desenvolvimento nacional”, permitir “a concretização dos projectos de grandes empreendimentos públicos” do Governo da RAEM e garantir “a disponibilização de reservas territoriais” para o desenvolvimento do território.

As alterações propostas pelo Executivo só vão ser tornadas públicas amanhã, e a informação divulgada ontem foi limitada. Contudo, o comunicado aponta que as alterações ao Plano Director vão ser desenvolvidas em duas vertentes. A primeira inclui as alterações para concretizar os chamados grandes projectos que incluem a “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, o “Parque Ciên-Tec de Macau” e o “Hub de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas”.

Em relação à zona de turismo e cultura, o projecto foi alvo de consulta pública no final do ano passado e vai incluir a três projectos: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

Ciência e cargas

O Parque Ciên-Tec de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção foi adjudicado no mês passado, e vai ser um espaço para empresas tecnológicos do Interior da China se instalarem em Macau a pensar na internacionalização. Segundo a informação revelada anteriormente pelo Executivo, o objectivo é atrair empresas que operam em áreas como os circuitos integrados, biomedicina, tecnologia digital e tecnologia aeroespacial.

Já o Porto de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas vai ficar na Ilha da Montanha, e tem como objectivo facilitar as companhias que transportam cargas do Interior da China através do Aeroporto Internacional de Macau.

O comunicado do Governo foi críptico no que diz respeito à segunda vertente das alterações, limitando-se a indicar que envolvem “alterações decorrentes de outras actualizações” relacionadas com “os planos de nível superior, diplomas legais e regulamentares, avisos e despachos do Chefe do Executivo” assim como “projectos e estudos, publicados nos últimos anos”.

28 Mai 2026

Bombeiros | Saídas para incêndios sobem 15%

Dados do Corpo de Bombeiros (CB) mostram que o número de saídas para casos de incêndios aumentou, em termos anuais, 15,35 por cento, tendo-se registado, entre os meses de Janeiro e Março deste ano, 248 casos, face aos 215 casos registados em igual período do ano passado.

O CB explica que em 194 saídas não foram usadas mangueiras, sendo que “as principais causas dos incêndios deveram-se ao esquecimento de desligar os fogões, a chamas que não foram totalmente extintas, à queima de incensos e velas/papéis votivos, ao curto-circuito das instalações eléctricas e às falhas mecânicas/de equipamentos”, com um total de 166 casos. Tal representou 66,94 por cento do número total de saídas de incêndio.

No caso das saídas com ambulâncias, houve um ligeiro aumento de 0,93 por cento, com 11.515 casos a registarem-se no primeiro trimestre deste ano. Registaram-se, portanto, mais 106 casos em termos anuais, sendo que os casos gerais de socorro estiveram relacionados, na sua maioria, com episódios de tontura, dor abdominal, febre e vários tipos de ferimentos.

Destacam-se ainda, nos dados ontem divulgados, um aumento de 55,16 por cento de ocorrências de “serviços especiais”. No primeiro trimestre deste ano, registaram-se 1.775 casos face aos 1.144 casos dos primeiros três meses de 2025.

27 Mai 2026

Ébola | Autogestão de 21 dias para 12 países africanos

Pessoas vindas de 12 países africanos, incluindo Angola, vão fazer 21 dias de autogestão de saúde após chegarem a Macau, com acompanhamento dos Serviços de Saúde. Foi também reforçado o controlo sanitário e avaliação de risco de quem vem dos 12 países de risco e de quem tem passaporte destas regiões

A expressão “autogestão de saúde” voltou a entrar no léxico do Governo, desta vez devido à epidemia da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda. O Executivo de Sam Hou Fai impôs, desde ontem, um período de 21 dias de autogestão de saúde para quem chega à RAEM vindo de 12 países africanos.

A vigilância que começou por incindir sobre indivíduos vindos da República Democrática do Congo e no Uganda, onde persistem surtos de Ébola, foi alargada a mais 10 países, entre os quais Angola, considerados de “alto risco” de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde. O reforço da vigilância será alargado ao Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, República do Congo (Brazzaville) e Burundi.

Logo na fronteira, “será reforçado o controlo sanitário e a avaliação de risco para os indivíduos que tenham visitado as regiões relevantes nos últimos 21 dias ou titulares de passaporte das respectivas regiões”.

A medida anunciada na noite de segunda-feira pelos Serviços de Saúde, tem como referência as “Recomendações para a Prevenção e Controlo da Doença por vírus Ébola” emitidas pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China.

Três semanas de gestão

Quem chegue a Macau com sintomas suspeitos da doença por vírus Ébola, e tenha estado nas regiões consideradas de alto-risco, será transferido de imediato para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para avaliação e exames mais aprofundados. Já os “indivíduos assintomáticos” serão sujeitos ao acompanhamento e gestão da saúde, durante 21 dias a contar do dia de entrada na RAEM, o mesmo período de incubação do vírus do Ébola.

As pessoas abrangidas pela medida terão de “proceder à observação do seu estado de saúde diariamente”, e os Serviços de Saúde vão “monitorizar e acompanhar a saúde” dos mesmos.

Se surgirem sintomas, “como febre, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta, vómitos, diarreia ou hemorragia de causa desconhecida, devem recorrer imediatamente ao médico”. Se tiverem de se deslocar a instituições médicas por conta própria, as autoridades ressalvam que devem evitar os transportes públicos e “tomar medidas de protecção individual, evitando contactos físicos com outras pessoas”. Além disso, devem “informar, por iniciativa própria, os profissionais de saúde sobre o seu historial de viagens e eventuais contactos de risco”

“Os Serviços de Saúde salientam que, actualmente, a avaliação do risco de ameaça da doença por vírus Ébola para Macau continua a ser considerada de baixo risco, sendo o risco geral para a saúde pública controlável”.

27 Mai 2026

Cáritas Macau | Enviados 20 mil euros para ajudar Portugal e Espanha

A revelação foi feita pelo secretário-geral Paul Pun Chi Meng, que considera que apesar do montante não ser elevado é uma forma de mostrar “preocupação e solidariedade”

A Cáritas Macau doou 20 mil euros para ajudar as populações afectadas pelas tempestades que atingiram a Península Ibérica em Fevereiro, disse ontem à Lusa o secretário-geral da organização, Paul Pun Chi Meng.

Em Fevereiro, a Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, que decorreu durante três meses, para ajudar as vítimas da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Paul Pun disse que a organização enviou 10 mil euros para a Cáritas Espanha e outros 10 mil euros para a Cáritas Portugal, com quem a Cáritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral.

A organização católica foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa de Macau. “O dinheiro que recolhemos não é muito, mas mesmo assim tentamos demonstrar a nossa preocupação e solidariedade”, disse Pun. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. Na sequência do mau tempo, o Governo de Portugal anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Viagem a Portugal

Paul Pun visitou Portugal entre 14 e 17 de Abril, numa deslocação que já tinha sido marcada antes das tempestades, mas que permitiu ao secretário-geral da Cáritas Macau ver “enormes danos causados às infra-estruturas e às florestas”.

A passagem por Portugal permitiu também à Cáritas Portugal e à Cáritas Macau assinar um acordo para renovar a parceria iniciada em 2019 em áreas como a ajuda humanitária e a resposta a emergências, revelou o dirigente.

Mas o novo acordo acrescenta um outro ponto, a integração de pessoas em mobilidade, sublinhou Pun. “Caso um português tenha problemas em Macau, podemos colaborar com ele. No caso de os residentes de Macau enfrentarem problemas em Portugal, eles ajudam-nos”, explicou o secretário-geral.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

A Cáritas Portugal e a Cáritas Macau discutiram também como “unir recursos financeiros” para ajudar os mais desfavorecidos em outros países lusófonos, referiu Pun, que deu como exemplo as inundações que afectaram Moçambique.

27 Mai 2026

Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano.

A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes.

Celebrar o património

Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias.

Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias.

Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas.

Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.

27 Mai 2026

Orçamento | Sam Hou Fai pede contenção de despesas

Nas orientações para as propostas orçamentais de 2027, o Chefe do Executivo voltou a pedir aos serviços públicos que não ultrapassem as despesas orçamentadas para este ano. Sam Hou Fai pediu prudência e razoabilidade na avaliação da necessidade de despesas

As despesas dos serviços públicos para 2027 não devem ser superiores às orçamentadas para este ano. Esta é uma das principais orientações para a elaboração de propostas orçamentais para o ano económico de 2027, de acordo com um despacho assinado por Sam Hou Fai e publicado ontem no Boletim Oficial.

O Chefe do Executivo lançou orientações semelhantes no ano passado, seguindo o caminho também já trilhado pelo Governo liderado por Ho Iat Seng.

É indicado que os “serviços e organismos que adoptam o regime de contabilidade de caixa” não devem orçamentar despesas que excedam as despesas constantes no Orçamento do ano económico de 2026. Os serviços e organismos em regime de contabilidade de acréscimo devem seguir a mesma recomendação. Porém, não é aplicável o mesmo limite das despesas relativas a “provisões para riscos diversos”, depreciações e amortizações, ao regime de aposentação e sobrevivência, “bem como às dos custos de venda de bens e de prestação de serviços”.

Com tranquilidade

Em relação às estimativas de despesas com pessoal, à semelhança das orientações anteriores, Sam Hou Fai refere que terão por referência o índice salarial dos trabalhadores da Administração Pública em vigor. Além disso, os serviços que estejam “no âmbito de controlo sobre a quota de pessoal total”, não devem exceder a sua quota.

Relativamente aos valores de funcionamento ou orçamentos privativos de serviços e organismos, caso se preveja aumentos orçamentais, as propostas devem referir a “base de cálculo do montante orçamentado das respectivas classificações económicas e aos fundamentos da variação do orçamento”.

O despacho indica também que a Direcção dos Serviços de Finanças é a entidade que define os limites máximos relativos a despesas de representação, de forma a “cumprir os princípios de poupança rigorosa e de gestão prudente das finanças”. Neste capítulo, mais uma vez, “os serviços que pretendam aumentar o orçamento vão ter de justificar a subida, indicando a base de cálculo utilizada e as razões da variação”. As propostas de orçamento têm de chegar ao gabinete do Chefe do Executivo até 8 de Outubro.

PIDDA | Taxa de execução de 20 % no primeiro trimestre

No primeiro trimestre do ano, a taxa de execução do Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) foi de 20,6 por cento, tendo sido apresentadas, pelo Governo, despesas na ordem das 3,72 mil milhões de patacas. Os dados foram noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau e divulgados pela deputada e também presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, Song Pek Kei.

A legisladora acrescentou que 70 dos 199 projectos não recorreram à verba prevista, num total de 10 mil milhões de patacas. Destes 70 projectos, 12 são do Instituto para os Assuntos Municipais, 11 da Universidade de Macau e nove da Direcção dos Serviços de Obras Públicas. O orçamento do PIDDA para este ano é de 18 mil milhões de patacas.

AL | Sam Hou Fai responde a perguntas dia 16 de Junho

O Chefe do Executivo vai deslocar-se à Assembleia Legislativa a 16 de Junho para responder às perguntas dos deputados, de acordo com a informação divulgada ontem. Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social, Sam vai ainda fazer “uma retrospectiva sobre a acção governativa” dos últimos seis meses, e apresentar “as prioridades de trabalho para o segundo semestre” deste ano.

O comunicado indica também que as perguntas focam áreas como “a economia, a sociedade e os assuntos ligados ao bem-estar da população”. Como parte da tradição, as perguntas são enviadas ao Executivo antes de ser feitas na Assembleia Legislativa. O comunicado do Governo considera que este tipo de interacção de resposta às perguntas tem como “objectivo de reforçar a boa comunicação a nível executivo e legislativo” e fazer com que “haja uma melhor compreensão, por parte da população, sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Governo”.

27 Mai 2026

Glenn Mccartney, académico: “É importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade”

O que leva a boicotes turísticos, seja de turistas que rejeitam destinos, ou populações com atitudes negativas face a visitantes? O docente da Universidade de Macau Glenn Mccartney analisou as causas destes boicotes e alerta: “É algo a que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas”

No artigo “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts” cita o trabalho de outros estudiosos sobre o boicote turístico que ocorreu em Hong Kong durante os protestos em Central. Terá sido este um ponto de viragem para o sector do turismo, deixando uma marca na região?

Os boicotes turísticos têm um efeito imediato e subsequente de longa duração. A questão reside em quanto tempo o sentimento negativo permanece, e também nas intervenções das autoridades de turismo para restaurar esse sentimento positivo – algo que vimos em boicotes anteriores, onde o número de visitantes foi restaurado. Embora o boicote deva ser evitado, naturalmente que a tarefa do destino e das autoridades turísticas é agir rapidamente, por exemplo, através de campanhas de comunicação, para evitar que qualquer sentimento negativo se enraíze.

Estará Macau preparada, em termos de gestão da comunicação, imagem e apoio ao sector, para um boicote turístico?

A questão do comportamento em torno do boicote turístico é a animosidade ou retaliação do potencial visitante. A acção tomada pode ser cancelar reservas (se for possível), mudar a viagem para outro local e partilhar opiniões nas redes sociais. Constatei que existem múltiplas razões pelas quais surgem boicotes e animosidade por parte dos turistas. O viajante pode perceber algo que aconteceu no destino como sendo antiético ou errado, e contrário à sua própria imagem, ou ser influenciado por outros, como, por exemplo, através de redes sociais. Os viajantes podem continuar a achar que ocorreram irregularidades, mas mesmo assim viajar, considerando o boicote desnecessário, pensando que são outros que estão a aderir ao boicote. [Podem ainda pensar] que o boicote poderá prejudicar comunidades que dependem do turismo, como as pequenas e médias empresas, ou que a acção terá, de qualquer forma, um impacto limitado, mas é importante ter em conta que pode continuar a existir um sentimento negativo. Avaliar a probabilidade de um boicote é válido, mas a comunicação, e especialmente o envolvimento nas redes sociais, é uma acção fundamental para mitigar consequências a longo prazo. Na verdade, a gestão da comunicação também faz parte de uma estratégia de resposta à gestão de crises no turismo. É necessário evitar comportamentos arraigados e trabalhar em intervenções como a comunicação eficaz junto desses visitantes, quer estejam, ou não, a boicotar [o destino], e também da comunidade, funcionários do turismo e hotelaria, e meios de comunicação, incluindo as redes sociais, ligadas também a questões como a imagem da cidade como destino. Dada a importância significativa do turismo para Macau, o comportamento de boicote ou qualquer tipo de animosidade em relação ao turismo de massa que gere maior atenção poderia ser tido em conta na preparação para a gestão de crises turísticas.

Tendo em conta as conclusões do seu estudo, que factores poderiam levar a um boicote a Macau como destino turístico?

Quando escrevi este estudo, analisei os boicotes turísticos a nível global, bem como as suas razões e consequências. No que diz respeito à sua questão, o foco poderia estar no sentimento dos residentes ou análise das publicações nas redes sociais partilhadas por visitantes, na sua maioria provenientes da China continental e de Hong Kong. [O potencial boicote] poderia dever-se, por exemplo, a um incidente de falha no serviço ou a uma experiência negativa que pudesse escalar em discussões nas redes sociais. Não se trata de uma acção de boicote turístico, como refiro no documento, mas sim de expressão de um sentimento negativo, que, no entanto, poderia prejudicar a imagem do destino. Esta perspectiva é particularmente importante devido à estratégia de Macau de se posicionar como Centro Mundial de Turismo e Lazer, pelo que monitorizar o sentimento dos visitantes estaria intimamente ligado à avaliação contínua e ao investimento nesta declaração de posicionamento da marca.

Pode a guerra no Médio Oriente dar origem a cenários de boicote, especialmente em regiões onde existem investimentos no turismo e no jogo? Será que Macau poderá tirar partido desta situação, e como se deve posicionar tendo em conta esse panorama?

A guerra no Médio Oriente poderá dar origem a cenários de boicote. Há quem seja afectado na região, bem como pessoas que formam opiniões ao ver televisão, programas de opinião e publicações nas redes sociais. Os boicotes podem significar que os turistas procurem ou lhes sejam apresentados destinos alternativos, e esta mudança pode ser a curto ou a longo prazo. Uma estratégia turística para Macau neste momento consiste em alargar os segmentos turísticos além da China continental e de Hong Kong. Por exemplo, houve recentemente uma delegação de alto nível a Portugal e Espanha, com o objectivo de reforçar laços turísticos. Por isso, o foco deve permanecer nestas acções de desenvolvimento turístico, como consolidar a imagem de marca da cidade de Macau nos potenciais mercados turísticos estrangeiros, desenvolver ligações de transporte, como companhias aéreas, infra-estruturas e desenvolvimento de produtos turísticos em Macau, e estratégias de marketing e promoção para viajantes de lazer e de negócios no estrangeiro, com uma perspectiva mais ampla do turismo internacional para Macau e Grande Baía.

Poderá ocorrer em Macau um boicote turístico inverso, com os locais a “boicotar” turistas, evitando-os ou adoptando atitudes menos acolhedoras?

Sim, é possível que os habitantes locais adoptem uma atitude menos acolhedora em relação ao turismo. Isso já está bem documentado em estudos sobre turismo e a atitude dos residentes. Há casos em que os residentes se sentem incomodados e irritados com o aumento do número de visitantes, especialmente quando se considera que os custos superam os benefícios. Temos assistido, nos últimos anos, a protestos em ruas e locais turísticos. Isto deve-se a grandes aumentos dos preços da habitação e rendas, à sobrelotação, que também se designa por “turismo excessivo”, e ainda à pressão sobre as infra-estruturas e o ambiente local. Penso que é algo de que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas. Os resorts integrados no Cotai foram concebidos para grandes volumes de visitantes, pelo que o foco recairia sobre os bairros e comunidades locais. Tudo para que os benefícios económicos positivos, directos ou indirectos, sejam sentidos e superem as percepções negativas. Por isso, será importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade, fazendo investigação sobre a economia, mas incluindo, também, as perspectivas sociais e ambientais. Isso iria proporcionar uma visão mais abrangente das atitudes dos residentes, não apenas no presente, mas também com vista a possíveis acções futuras para manter um sentimento positivo. Existem formas de as autoridades planearem, gerirem e definirem estratégias para o desenvolvimento do turismo de forma sustentável, o que implica, essencialmente, adoptar uma visão de planeamento a longo prazo e uma maior consulta à comunidade – mantendo-a informada. Ou seja, um bom canal de comunicação. Vimos isso, por exemplo, no programa de consulta pública sobre a revisão da lei do jogo de Macau em 2021. Outras acções comuns incluem, por exemplo, reuniões comunitárias abertas ao público.

Glenn Mccartney destaca a importância da capacidade de resiliência

Em “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts”, Glenn Mccartney destaca a importância de perceber quando vem aí uma crise no turismo “tendo em conta a proximidade e incerteza sentidas na fase de recuperação pós-pandémica, a influência das redes sociais e maior sensibilização dos turistas, bem como a sua reacção emocional a questões globais”.

Nas conclusões do estudo lê-se que “o sentimento inicial de boicote pode ser um prenúncio de piores tempos por vir (especialmente se o que motivou o boicote persistir)”, sendo que o estudo de causas e impactos pode ajudar as autoridades a elaborar “respostas e intervenções adequadas para dissuadir acções de boicote e mitigá-lo a longo prazo”.

Torna-se, assim, fundamental analisar “quais os motivos de boicote que resultam em comportamentos de viagem mais ou menos arraigados e em que cenários”, ou ainda “acompanhar a evolução do sentimento de boicote”. Outro critério importante é “examinar a resiliência do destino durante e após o boicote”, criando-se uma “projecção de recuperação que inclua factores sociais e internos”. Essa recuperação deve ainda incluir “a cooperação entre sectores público e privado e uma resposta colectiva apoiada por dados”.

Causa e efeito

No estudo do docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, destaca-se que “a animosidade e impactos variam consoante o evento que deu origem ao boicote e a resposta das autoridades”, sendo citado um estudo sobre o impacto dos protestos em Hong Kong, de 2020.

“Ao investigar boicotes turísticos por parte de turistas chineses decorrentes de animosidade política (por exemplo, o protesto Occupy Central em 2014) ou não política (por exemplo, o sequestro de um autocarro em Manila em 2010), verificou-se que os boicotes por animosidade não política exerceram impactos imediatos a curto prazo, enquanto os boicotes por animosidade política se prolongaram.”

Glenn Mccartney cita também o caso ocorrido durante o Ano Novo Chinês, no ano passado, quando a “Tailândia registou um declínio dramático no número de viajantes chineses devido a preocupações de segurança relacionadas com o rapto e posterior resgate de um actor chinês, Wang Xing”.

27 Mai 2026