Sérgio Fonseca Desporto ManchetePrimeira jornada de apuramento para GP Macau decorreu em Zhuhai O Circuito Internacional de Zhuhai acolheu, no passado fim-de-semana, a primeira de duas jornadas duplas do Macau Roadsport Challenge e do GT4, competições organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que servirão para apurar os pilotos locais para o 73.º Grande Prémio de Macau. O Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), voltou a juntar mais de meia centena de pilotos, o que levou a AAMC, a exemplo de anos anteriores, a separar a grelha em dois pelotões: Grupo A e Grupo B. Na primeira corrida do Grupo A, partindo da pole-position, Wong Chuck Pan dominou de princípio a fim e venceu à frente de Hu Zuoling e Leong Keng Hei, tendo este sido o melhor classificado de Macau. Na segunda prova, Damon Chan recuperou do quinto para o primeiro lugar, superando o companheiro de equipa Wong Chuck Pan, com Leong Keng Hei a completar novamente o pódio. No Grupo B, a vitória inaugural coube a Li Kwok Chuen, seguido de Bayern Yip e Leung Chi Ho, este o melhor entre os pilotos locais. Na segunda corrida, Su Jiangnan aproveitou um erro do favorito Li Kwok Chuen, que seguia na liderança, e triunfou, batendo Bayern Yip e Leung Tse Wa. Badaraco praticamente apurado Jerónimo Badaraco, que este ano regressa à competitiva disciplina dos carros de turismo ao volante de um Toyota GR86 da Flexible Speed, deixou praticamente garantida a qualificação para o Grande Prémio de Macau, agendado para Novembro. Depois de assegurar o sexto lugar da grelha para a primeira corrida do Grupo B na sessão de qualificação de sábado, tudo apontava para uma prova disputada em piso seco, até que, momentos antes do arranque, a chuva começou a cair ligeiramente sobre o traçado. Numa corrida particularmente movimentada, Badaraco conseguiu inclusive ascender provisoriamente ao quarto posto. Com o agravamento das condições meteorológicas e após uma intensa luta em pista, o piloto levou o seu Toyota até à bandeira de xadrez na quinta posição, somando pontos importantes no seu grupo. Na segunda corrida, partindo do quinto lugar da grelha e enfrentando condições extremamente difíceis devido à chuva forte, o piloto macaense manteve-se totalmente concentrado no objectivo de chegar ao fim entre os primeiros, apesar dos vários incidentes em pista e das intervenções do Safety Car. No final, garantiu um sólido sexto lugar, arrecadando novamente pontos preciosos para as contas do apuramento. Manhão estreou-se em GT4 As duas corridas da categoria GT4, que servirá para apurar os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, foram também pontuáveis para a SRO GT Cup. Assim, mais de duas dezenas de concorrentes alinharam à partida no circuito que este ano celebra trinta anos de existência. Han Lichao, piloto do Interior da China e que terminou em segundo no Circuito da Guia em 2025, venceu as duas corridas do fim de semana ao volante do seu Toyota GR Supra GT4 EVO2 da Toyota Gazoo Racing China. O melhor dos pilotos da RAEM foi Chan Ka Ping, que, com um Audi R8 LMS GT4, obteve um quinto lugar na segunda corrida. A estrear-se na categoria, Maximiano Manhão conduziu um dos dois McLaren 570S GT4 inscritos pela equipa LW World Racing Team. O jovem piloto macaense, que ainda conta poucos quilómetros no automobilismo, apesar de ter feito a sua formação no Kartódromo de Coloane, terminou a primeira corrida no 18.º lugar e a segunda no 17.º. A segunda jornada de apuramento decorrerá novamente entre 28 e 31 de Maio no Circuito Internacional de Zhuhai.
João Luz Manchete SociedadeIAM | Mais um caso de comida contaminada em restaurante O IAM encontrou listeria em carne vendida num restaurante na península, o segundo caso de alimentos contaminados em restaurantes em menos de uma semana. No primeiro trimestre, foram testadas mais de 700 amostras de comidas, com uma taxa de aprovação de 99 por cento O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou ontem ter detectado “níveis insatisfatórios de listeria monocytogenes em duas amostras de carne assada” no restaurante Chan Kwong Kei, na Estrada Adolfo Loureiro, em frente ao Jardim Lou Lim Ioc. O local em questão tem como especialidades “char siu” e “ganso assado com pimenta preta”, carnes onde foram encontradas as bactérias. As autoridades ordenaram que os produtos não fossem vendidos, que o processo de produção fosse corrigido e que as instalações e utensílios limpos e desinfectados. O IAM obrigou também o gerente do restaurante a providenciar formação para reforçar a sensibilização dos empregados “para a higiene no manuseamento e preparação de alimentos”. A infecção bacteriana provocada pela listeria pode resultar em problemas sérios de saúde, como septicemia, meningite, encefalite, ou mesmo a morte. Esta é a segunda vez em menos uma semana que o IAM revela um caso de alimentos contaminados em restaurantes, depois de na passada quarta-feira ter sido detectado. A grande perspectiva Apesar dos dois casos detectados, o IAM indicou no final de Abril, em antecipação dos feriados do 1º de Maio, ter testado 728 amostras de alimentos vendidos em lojas e restaurantes, com 99 por cento das amostras a serem aprovadas. Importa referir que tanto os três comunicados do IAM de onde foi retirada esta informação nunca foram traduzidos, nem para inglês. Aliás, um caso de infecção de alimentos com uma bactéria encontrada em peixes e marisco no final de Janeiro também apenas foi divulgado em chinês. Além das infecções bacterianas, ou falta de higiene na preparação ou manuseamento de ingredientes, as autoridades alfandegárias têm apanhado ingredientes ou refeições já confeccionadas nas fronteiras. No domingo, os Serviços de Alfândega anunciaram a apreensão de quase 3 toneladas de estômago de porco congelado num edifício industrial perto das Portas do Cerco, avaliadas em 110 mil patacas. A investigação conjunta entre as autoridades alfandegárias, elementos do Corpo de Polícia de Segurança Pública e dos Serviços para os Assuntos Laborais levou à identificação de nove suspeitos. Na semana passada, as autoridades revelaram outro caso que originou alguma polêmica quando foram encontrados mais de 50 quilos em refeições já prontas e embaladas nas traseiras de um automóvel que tentava entrar em Macau pelo posto fronteiriço de Hengqin.
Hoje Macau Manchete SociedadeSands China | Recuperação pós-pandemia “superou expectativas” A pandemia foi um período difícil, mas apesar de as receitas do jogo ainda não terem regressado aos valores de 2019, a recuperação está a ser considerada melhor do que o esperado A economia de Macau superou as expectativas com uma recuperação pós-pandemia impulsionada por “grandes eventos” culturais e desportivos, afirmou ontem o presidente da operadora de casinos Sands China. Num discurso na abertura do maior evento de jogo no território, a G2E Asia, o presidente da Sands China, Grant Chum, afirmou que Macau entrou numa “nova era”, onde o entretenimento, a cultura e o desporto são agora os principais motores de crescimento. “A pandemia foi um período realmente desafiante, mas Macau superou-o muito bem e recuperou para além das expectativas de qualquer pessoa”, disse Chum. Durante a pandemia, Macau foi afectado por várias restrições de circulação, entrada e saída para o Interior, devido à política ‘covid-zero’. No entanto, Chum destacou uma rápida transformação numa “economia de eventos” que abrange arte, música e desporto. Macau fechou 2025 com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior. A cidade atingiu também um novo recorde histórico no ano passado, recebendo cerca de 40,1 milhões de visitantes, um aumento de 14,7 por cento em relação a 2024. Apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia. Politicamente correcto Chum sublinhou ainda que todas as seis operadoras de casinos licenciadas na cidade têm vindo a “impulsionar proactivamente a diversificação” para remodelar a reputação global do território. Segundo o executivo, a “economia de eventos está verdadeiramente a florescer” no território, com novas infra-estruturas disponíveis, como a Galaxy Arena e o regresso de espectáculos emblemáticos como o The House of Dancing Water, da rival Melco. Como exemplo da nova direcção, Chum apontou o regresso da principal liga de basquetebol do mundo, a norte-americana, a NBA, à China, no ano passado, após uma ausência de seis anos. Os dois jogos de pré-época, em 10 e 12 de Outubro, trouxeram a Macau as equipas dos Brooklyn Nets e dos Phoenix Suns e encheram a Venetian Arena, com capacidade para 14 mil pessoas. “Embora os NBA China Games fossem tradicionalmente realizados em grandes centros do interior da China, como Xangai ou Pequim, a liga escolheu Macau para a sua mais recente série de dois jogos de pré-temporada” destacou. Em 09 e 11 de Outubro deste ano, os Houston Rockets irão defrontar, no mesmo local, os Dallas Marevicks, cujo dono é Patrick Dumont, director executivo da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCreche Smart | CCAC confirma investigação a diferendo com IAS O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) promete revelar publicamente os resultados ao diferendo entre o Instituto de Acção Social (IAS) e a associação Zonta Club de Macau O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) confirmou que tem a decorrer uma investigação ao caso do corte do financiamento do Instituto de Acção Social (IAS) à Creche Smart, gerida pela associação Zonta Club de Macau. A posição do CCAC foi relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, ontem, depois de nos dias mais recentes o caso ter gerado novos comunicados, na sequência dos procedimentos de admissão das creches subsidiadas. Segundo o organismo liderado por Ao Ieong Seong a investigação foi instaurada depois de uma queixa administrativa e os resultados vão ser divulgados assim que os procedimentos de averiguação “profunda” forem concluídos. O CCAC reconheceu também que “tomou nota” do comunicado mais recente da Zonta Club de Macau, em que esta prometia abdicar do processo a decorrer em tribunal, face aos resultados apurados pelo CCAC. Após a posição do CCAC ser divulgada, a Creche Smart partilhou nas redes sociais uma hiperligação para a notícia e escreveu que o CCAC está a investigar “se as autoridades cometeram abuso de poder”. Esta é a crença da associação Zonta Club de Macau, que não se tem coibido de pedir ao Governo para controlar as acções do presidente do IAS, Hon Wai. Apesar da polémica, e apesar do risco de a Creche Smart ficar sem instalações e financiamento público, a instituição de ensino revelou que recebeu 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027. Exigências de fiscalização Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. Posteriormente, o IAS revelou que a decisão estava relacionada com a fiscalização relacionada com os subsídios públicos atribuídos à creche. A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau. Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCartão de consumo | Executivo recusa nova ronda de 10 mil patacas Chan Hao Weng queria uma nova ronda de cartão de consumo devido ao impacto do aumento dos combustíveis, principalmente entre as famílias mais carenciadas, mas o Governo prefere rever os apoios existentes O Executivo afastou a possibilidade de distribuir um novo cartão de consumo no valor de 10 mil patacas. A posição foi tomada por Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), em resposta a interpelação do deputado Chan Hao Weng. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia que o Executivo lançasse uma nova ronda do cartão de consumo para fazer face ao aumento dos preços, devido ao impacto da subida dos combustíveis, e auxiliar as famílias mais vulneráveis. No entanto, Yau Yun Wah defende que o Governo tem várias medidas para famílias vulneráveis, não colocando a possibilidade de distribuir cartões de consumo, optando antes por rever as medidas em vigor: “Em relação à questão mencionada na interpelação sobre o cartão de consumo, o Governo da RAEM já promoveu uma série das medidas que beneficiam a vida da população, e continuará a rever a eficiência das mesmas”, escreveu Yau. Como parte das medidas, o director da DSEDT destacou que ao longo deste ano as famílias consideradas carenciadas, como as monoparentais, com membros com doenças crónicas ou membros com deficiências, vão receber 14 meses de subsídio de apoios aos mais carenciados. O director indicou que este apoio pode ser complementado com outros subsídios como a pensão para idosos, subsídio para idosos, comparticipação pecuniária, vales de saúde, repartição extraordinária de saldos orçamentais, cuidados de saúde gratuitos e isenção das tarifas dos autocarros públicos. Combustíveis controlados Sobre o controlo dos preços dos combustíveis, Yau Yun Wah realçou o trabalho do Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis na comunicação com o sector dos combustíveis, em que se pede aos agentes do mercado que assumam “responsabilidades sociais” para garantir um “abastecimento estável” e a estabilização dos preços. O director da DSEDT elogiou também a eficácia do mecanismo de divulgação de preços dos combustíveis do Conselho de Consumidores (CC), em que, em certos casos, passam meses sem actualizados. “A fim de tornar maior a transparência dos preços dos produtos combustíveis, o CC tem divulgado oportunamente, através da aplicação móvel ‘Posto das Informações de Preços dos Combustíveis’, as informações relativas aos preços de retalho, aos preços com desconto e aos benefícios de variados tipos de produtos combustíveis, para que os consumidores consultem e façam comparação”, apontou.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLivros | Guerra&Paz lança duas obras sobre a China em português A editora portuguesa Guerra&Paz lançou recentemente duas obras sobre a China em português. Uma delas, na área da ficção, intitula-se “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, onde se encontra o “prodigioso imaginário chinês”, segundo o editor, Manuel S. Fonseca. Segue-se a “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende Acabam de ser editados, no mercado português, duas obras que ajudam a explicar um pouco como é a China – tanto a nível literário como histórico. A Guerra&Paz editou recentemente, em português, “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, bem como, já no campo de não-ficção, “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende. Ao HM, o editor da Guerra&Paz, Manuel S. Fonseca, conta como “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” revela ao leitor o “prodigioso imaginário chinês”, sendo que a cultura chinesa, no seu entender, “marcou – e continuará a marcar – a história da humanidade”. Esta obra faz parte de uma colecção inaugurada pelo livro “Lendas e Contos de Fadas Japoneses”. Segundo Manuel S. Fonseca, o objectivo da editora é depois editar uma antologia de lendas e contos de fadas turcos, mas não só. “É nossa intenção publicar lendas e contos de fadas de várias origens, da Europa à Ásia, passando por outros continentes. A intenção da colecção é revisitar o imaginário infantil e tradicional de uma plêiade de países e continentes”, disse. Neste caso, foram escolhidos contos do “The Chinese Fairy Book”, organizado por R. Wilhelm, editado em 1921 pela Frederick A. Stokes Company. Manuel S. Fonseca explicou ainda que foi feito um confronto “com a vária bibliografia para chegarmos à selecção que deu lugar a esta edição, que é variada, contemplando diferentes estilos e géneros”. Com uma tradução feita a partir do inglês, pediu-se à tradutora e respectivas revisoras para “manter a linguagem encantatória típica do género [do conto], muito concreta e precisa”. “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” contém histórias como “O Pássaro de Nove Cabeças”, “O Grande Dilúvio” ou ainda “A Rosa do Entardecer”, que encerra o livro. São 17 histórias que remetem para um imaginário muito específico que contam com ilustrações de Ilídio Vasco. A edição inglesa serviu de base à escolha das imagens, mas procurou-se “sempre ilustrar os temas de cada um dos contos, com alguma predominância com ilustrações dos séculos XVIII e XIX”. Para Manuel S. Fonseca, esta obra traz uma “mensagem de encantamento estético e lúdico” proporcionada pelo imaginário contido nestes contos. “Contornando o mistério que contos e lendas sempre terão, o outro objectivo é o de dar a conhecer a riqueza folclórica e mágica, o de abrir os leitores da Guerra&Paz – os leitores destes contos de fada do mundo – à revelação dos elementos sobrenaturais tão característicos do universo chinês.” “Há aqui fábulas de transformação, animais míticos, elementos que vêm do confucionismo, uma sabedoria que não deixa de nos passar uma mensagem a que os leitores portugueses jamais deixarão de ser sensíveis, a de que o amor, se não sempre, muitas vezes vence”, adiantou Manuel S. Fonseca. Guia histórico A Guerra&Paz colocou ainda no mercado a obra “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende, historiador e sinólogo francês especializado na história e historiografia da China antiga e medieval. Segundo a descrição da obra, trata-se de um “pequeno guia fundamental, complementado por cronologias, mapas e um glossário”, sendo um livro “essencial para os apaixonados pela China, assim como estudantes, aspirantes a sinólogos e todos aqueles que queiram saber mais sobre o Império do Meio”. Esta obra divide-se em oito capítulos, que vão desde o nascimento da escrita no país, por volta de 1200 a. c., até à queda do império sinomanchu dos Qing em 1912, já com a implementação da República. Fala-se ainda dos primeiros impérios dos Qin e dos Han (221 a. C.220 d. c.), passando pelos anos da Alta Idade Média, entre os séculos III a VII, pela dinastia Tang e depois pelas chamadas Cinco Dinastias (anos 618 a 960). O livro descreve também como era a China nos anos do império Mongol, de 1276 a 1368, passando depois para a dinastia Ming, dos anos 1368 a 1644. Segundo descrição da editora, “para cada um dos grandes períodos o autor apresenta o essencial do contexto histórico e o que é preciso reter para se compreender uma cultura rica e exuberante, destacando inúmeras curiosidades e figuras históricas, assim como as grandes obras que constituem a bagagem cultural comum da China dos dias de hoje”. Marcos do percurso Na introdução da obra “História da China Antiga e Imperial” pode ler-se que “escrever a história da China antiga e imperial significa, no fundo, olhar para um território da Ásia Oriental, para uma cultura específica – a dos Han e daqueles que se dizem seus herdeiros –, sem ignorar as que estiveram em contacto com ela, como as culturas das estepes do Norte ou as das populações das fronteiras interiores”. Mas este processo implica também “prestar atenção à forma como a história foi escrita – ou reescrita – nesta parte do mundo”. Desta forma, o livro de Damien Chaussende “tem como objectivo apresentar os grandes marcos históricos, institucionais e culturais da longa e rica história da China”, destacando o facto de “longevidade não significar imobilismo”. Bem pelo contrário. “Mesmo que o sistema imperial chinês tenha conseguido manter-se por mais de dois mil anos, cada período e cada dinastia teve as suas particularidades em termos de instituições e produções culturais. São essas singularidades que nos esforçámos por sublinhar”, pode ler-se. Na introdução do livro refere-se também que o autor quis “dar destaque aos elementos que, actualmente na China, são considerados parte da cultura geral de todos” e que proporcionam ao leitor “uma melhor compreensão das referências culturais que podem surgir, por exemplo, nos meios de comunicação social, nos discursos políticos ou, mais simplesmente, no decorrer de uma conversa”. O primeiro capítulo dá conta “dos vários berços de civilização na China”, nomeadamente o facto de “os vestígios de vida humana no território chinês” remontarem ao período do Paleolítico, com o “Homem de Yuanmou, datado de 1,7 milhões de anos”, sendo a “descoberta mais famosa” a do chamado “Homem de Pequim, que viveu há quinhentos mil anos num conjunto de cavernas em Zhoukoudian (a sul da actual Pequim)”. Descreve Damien Chaussende que “o Mesolítico é relativamente pouco conhecido devido à falta de descobertas arqueológicas”, mas o período do Neolítico “está bem representado, com berços localizados em muitas províncias da China actual, tanto no norte (bacia do rio Amarelo) como no sul (bacia do rio Yangtsé)”. Há ainda vestígios de civilizações antigas nas zonas costeiras: na actual Henan (cultura Yangshao, 5000-3000 a.c.) ou ainda em Zhejiang, com a cultura Hemudu, que remonta aos anos de 5500 a 3300 a.c. Por sua vez, existem também vestígios na vizinha província de Guangdong, com a cultura Shixia. Ainda assim, “o local retrospectivamente considerado como centro primitivo da civilização chinesa está situado na Planície Central, ou seja, na bacia inferior do rio Amarelo, em torno do rio Luo”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeRua dos Ervanários | “Fábrica das Bifanas” serve petiscos tradicionais Era para abrir em Lisboa, mas as raízes em Macau de Ricardo Rebelo de Almeida levaram-no a trazer o negócio da “Fábrica das Bifanas” para o território. A típica bifana à moda do Porto pode ser provada na Rua dos Ervanários, mas não falta a bifana semelhante à receita da cidade de Vendas Novas, no Alentejo Turistas e locais já têm um novo espaço para provar as típicas bifanas portuguesas, seja a receita do Porto, seja a de Vendas Novas. Na “Fábrica das Bifanas”, na Rua dos Ervanários, o sabor é sempre português num negócio trazido para Macau por Ricardo Rebelo de Almeida. Ao HM, o responsável confessou que Macau nem era o destino inicial deste investimento. “A Fábrica das Bifanas foi inicialmente pensada para ser desenvolvida na zona de Carcavelos, Grande Lisboa. Mas tenho uma ligação forte a Macau, onde cresci, e circunstâncias pessoais levaram-me a permanecer no território. Nesse contexto, fez sentido concretizar aqui o projecto, que já estava estruturado, adaptando-o à realidade local. A minha ligação a Macau foi determinante na decisão de avançar com o projecto aqui”, contou. Apesar de ter trazido para Macau a receita tradicional da bifana da zona do Porto, a verdade é que a “Fábrica das Bifanas” também trouxe este petisco na sua versão mais clássica, ou seja, “mais próxima da tão apreciada bifana de Vendas Novas em termos de sabor, mas diferenciada, porque usamos o mesmo corte ultrafino da carne, o que lhe confere uma textura e experiência distintas”. Além disso, a “Fábrica” tem também pão com chouriço “pleno de sabor e servido quente, que tem sido igualmente bem recebido pelo público”. Ricardo conta que o segredo das bifanas à moda do Porto baseia-se no “corte ultrafino e forma de confecção”, sendo uma iguaria “cozinhada lentamente num molho previamente preparado, o que permite uma melhor incorporação de sabores”. O pão utilizado em todos os petiscos é sempre “proveniente de Portugal, preservando o sabor tradicional”. Feedback “muito positivo” Com a casa aberta há poucas semanas numa das zonas mais turísticas da península de Macau, Ricardo Rebelo de Almeida destaca que “o feedback [do público] tem sido muito positivo”, tendo recebido “muitos clientes locais e também um volume significativo de visitantes e turistas de várias nacionalidades”. Questionado sobre os desafios de investir no sector da restauração em Macau nesta fase, o mentor da “Fábrica das Bifanas” frisou que houve “especial preocupação com a escolha do local para a abertura do espaço”. “Sobretudo acreditámos no produto diferenciado que oferecemos”, adiantou, querendo agora “consolidar a ‘Fábrica das Bifanas’ como uma marca reconhecida localmente”, nomeadamente “reforçar a presença junto do público de Macau e visitantes”. Contudo, e “num horizonte mais longo, faz parte da visão avaliar oportunidades de crescimento, sempre de forma sustentável e alinhada com a evolução do projecto”, revelou o empresário.
João Luz Manchete SociedadeHainan | Kevin Ho lamenta fraco investimento de empresas de Macau O deputado Kevin Ho lamenta que apenas a MGM marque presença em Sanya, numa zona de cooperação entre Hainan e Hong Kong. O também empresário lamenta as oportunidades desperdiçadas e destaca o projecto de desporto electrónico de Mário Ho, filho de Stanley Ho e de Angela Leong “Macau também é uma cidade internacional, mas será que não estamos a perder oportunidades? Além da MGM, mais nenhuma outra empresa de Macau tem presença em Sanya.” Foi desta forma que o deputado Kevin Ho lamentou a falta de ambição empresarial da RAEM durante uma visita da delegação dos membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) a Hainan e à zona de demonstração de Sanya para cooperação económica entre a província chinesa e Hong Kong. Tendo em conta a experiência do tecido empresarial de Macau no turismo, o deputado considera que as conquistas na área dos elementos não-jogo podem ser determinantes para colher os benefícios do desenvolvimento de Sanya. Porém, “as empresas de Macau não aproveitam as oportunidades”, indicou em declarações ao jornal Ou Mun. O também empresário destaca o projecto para um resort dedicado a desportos electrónicos (competições de jogos) a cargo da empresa de Mário Ho, filho de Stanley Ho e da deputada Angela Leong. Na passada sexta-feira, a empresa do NIP Group do jovem magnata, ganhou em leilão um lote em Sanya, com área de cerca de 74 mil metros quadrados, por 680 milhões de renminbis, onde será construído o resort. Mário Ho garantiu que vai investir mais de 1,4 mil milhões de renminbis no futuro. Em 2011, foi inaugurado o hotel MGM Grand Sanya e em 2025, o grupo anunciou que iria construir um segundo hotel, num investimento total de cerca de 2 mil milhões de renminbis. Então e Hengqin? À semelhança do desejo de investimento em Hainan, Kevin Ho apontou baterias à zona de cooperação aprofundada em Hengqin e no potencial do mercado de turismo para as marcas hoteleiras estabelecidas na RAEM. O deputado prometeu que, assim que voltar a Macau, vai usar a sua posição para convencer as concessionárias do jogo a contribuírem para o desenvolvimento turístico de Hengqin. Por seu turno, o membro de Macau na APN Dominic Sio Chi Wai, também durante a visita a Hainan, apontou a necessidade de atrair empresas de grande capital para Hengqin. Tendo em conta que uma parte fundamental do processo de investimento recair na confiança nas perspectivas económicas, o responsável apela à paciência e convicção no crescimento de Hengqin, da Grande Baía e do país. Durante a visita de estudo, a delegação de Macau visitou estaleiros de obras, um centro de promoção de investimento e hotéis em Sanya.
Hoje Macau Manchete PolíticaAngola | Câmara de Comércio diz que fecho de consulado “é retrocesso” O presidente da assembleia-geral da Câmara de Comércio de Angola em Macau considera que o encerramento do consulado vai prejudicar as relações comerciais entre os países e dificultar a assistência consular, que passa a ser feita em Cantão A Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO) defendeu que o encerramento anunciado do consulado-geral angolano no território representa “um retrocesso” que prejudica relações empresariais e “um contra-senso” face ao reforço da cooperação sino-africana. “Obviamente, na nossa perspectiva, é um retrocesso àquilo que nós tínhamos, até porque o consulado estava a fazer um trabalho relativamente importante, nomeadamente no estabelecimento de relações entre empresários angolanos e empresários locais”, reagiu à Lusa o presidente da assembleia-geral da CCAMO. Para Pedro Lobo, a decisão vai, “obviamente, prejudicar um pouco, este desenvolvimento que se está a ter com as relações entre China e África”. A notícia do encerramento da representação diplomática em Macau foi avançada pelo Jornal de Angola, na sequência do anúncio do Ministério das Relações Exteriores angolano, na sexta-feira, da redução do pessoal nas missões diplomáticas e fecho de quatro consulados, em Macau (China), Nova Iorque (Estados Unidos), Roterdão (Países Baixos) e Montevideu (Uruguai). “O processo surge na sequência de um excesso de pessoal diplomático e administrativo nas representações externas, aliado à insuficiência do orçamento atribuído pelo Ministério das Finanças para cobrir os encargos das missões diplomáticas”, escreveu o Jornal de Angola, citando declarações do secretário de Estado para Administração, Finanças e Património angolano, Osvaldo Varela, em Windhoek, na Namíbia. A medida, indica Pedro Lobo, torna “bastante complicado” o contacto com as autoridades de Luanda e qualquer apoio consular ou esclarecimento de dúvidas, que terá de ser tratado no consulado de Guangzhou (Cantão) ou na embaixada de Angola em Pequim. Avisos anteriores Em 2018, já tinha sido avançada a possibilidade de encerramento da representação diplomática angolana em Macau, o que acabou por não acontecer. “Deixa-nos um bocado preocupados, até porque a própria China, neste momento, abriu as taxas zero a vários países de África, o que parece um bocado contra-senso Angola neste momento estar a fechar consulados”, lembrou Pedro Lobo. A China começou a aplicar, a partir deste mês, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. A medida foi anunciada em comunicado oficial divulgado em Abril, no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento. Esta iniciativa de Pequim demonstra, reflectiu Lobo, “uma estratégia óbvia de ajuda não só aos países da África sobre o desenvolvimento económico, mas também uma estratégia de aposta no mercado africano”. Sobre o trabalho da CCAMO, o presidente da assembleia-geral referiu que a instituição tem procurado aproximar empresários de Macau e da China continental a parceiros em Angola e reactivar as relações que ficaram suspensas durante a pandemia. “As coisas estavam bastante avançadas antes da covid-19 e agora estamos a tentar recuperar as relações. Neste momento, este corte do nosso consulado torna as coisas um bocado mais complicadas”, lamentou.
Hoje Macau Manchete PolíticaAssociação quer ligar empreendedores lusófonos, hispanófonos e de Macau A recém-criada Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau quer fazer a ligação económica e comercial entre a China e os mercados lusófono e hispânico, destacaram os seus dirigentes. O presidente da Assembleia-Geral da associação, Rui Pedro Cunha, sublinhou à Lusa que a intenção original da associação é “construir uma plataforma regular de intercâmbio e cooperação para empresários de Macau, dos países de língua portuguesa e de língua espanhola”. Segundo Cunha, com uma “população combinada de mais de 800 milhões de pessoas”, os países de língua portuguesa e espanhola abrangem quatro continentes e representam “mercados ricos em recursos, talento e oportunidades”. A organização vai “acompanhar de perto o posicionamento estratégico de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa” e identificar necessidades dos empreendedores para “ajudar a fazer a ligação de recursos entre a Grande Baía, Macau, os países de língua portuguesa e de língua espanhola”. Rui Pedro Cunha acrescentou que Macau dispõe de vantagens únicas, como “a integração entre culturas chinesa e ocidental, sistema jurídico bilingue, redes empresariais internacionais e um ambiente de negócios aberto ao exterior”. Ao mesmo tempo, a associação vai realizar encontros económicos e comerciais, visitas empresariais e fóruns sectoriais, para “construir pontes para empresas de ambos os lados e abrir canais de cooperação no comércio, investimento, turismo cultural e indústria de exposições”. Em Abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Portugal e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto. O Chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola. Recomendações de investimento O secretário-geral da associação, Alan Ho Hoi Meng, afirmou à Lusa que a organização vai centrar-se em prioridades como “o reforço dos serviços aos membros, o fortalecimento da correspondência de recursos de alto nível e a apresentação de recomendações de políticas”. Alan Ho destacou que a associação irá expandir activamente a rede de cooperação com associações empresariais na China continental, bem como nos países de língua portuguesa e espanhola, para fortalecer “intercâmbios económicos e comerciais transfronteiriços” e facilitando fluxos de investimento. Ao mesmo tempo, será criado “um sistema de atracção e serviços empresariais de orientação internacional, de balcão único, para apoiar empresas estrangeiras a estabelecer operações em Macau e Hengqin e expandir para o mercado da Grande Baía”.
Hoje Macau Manchete PolíticaMaternidade | Patronato concorda com aumento de licença e férias Governo, patronato e representantes do sector laboral estão de acordo quanto ao aumento proposto de férias anuais e da licença de maternidade. O Governo apresentou os resultados de uma consulta pública que se alinham com as medidas propostas para combater a baixa natalidade Executivo, patrões, “sector laboral” e população estão de acordo em relação à necessidade de rever a lei das relações de trabalho para aumentar os dias de licença de maternidade e de férias anuais. Esta foi a conclusão retirada da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, que se realizou ontem. No final da reunião, o representante do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo, concordou com a proposta, assim como o representante do sector laboral Kuong Chi Fong, o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau. Os dois representantes defenderam também que o montante máximo da remuneração de base mensal utilizado para calcular a indemnização por despedimento vai permanecer em 21.500 patacas, valor fixado no final de 2024. Além disso, o Governo apresentou os resultados de uma consulta pública, que decorreu até 16 de Março, em que se refere que os residentes concordam com um aumento proposto das férias anuais e da licença de maternidade, para fazer frente à baixa natalidade do território. O Executivo acrescentou que, após a análise às mais de mil opiniões e sugestões recolhidas, ficou demonstrado que as propostas de revisão da lei foram “bem recebidas pela sociedade”. Metas para este ano Depois da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais, Chan Un Tong, indicou que a alteração à Lei das Relações de Trabalho será concluída até ao final do ano. Actualmente, apenas funcionárias públicas têm direito a uma licença de maternidade de 90 dias. No caso dos pais, a licença é de cinco dias úteis remunerados. Recorde-se que em Março, as seis concessionárias de jogo aumentaram a licença de maternidade oferecida às trabalhadoras para 90 dias, medida que acompanha os esforços do Governo para incentivar a natalidade na cidade. A indústria do jogo de Macau empregava cerca de 65.300 trabalhadores, segundo dados referentes a 2025, quase 10 por cento de toda a população do território. Em Janeiro deste ano, o Executivo propôs aumentar a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias, visando combater a baixa natalidade, e as férias anuais de seis para 12 dias “segundo a antiguidade do trabalhador”.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteInês Cardoso, jornalista e autora de livros infantis: “A desinformação joga com emoções” Inês Cardoso embrenha-se na escrita de livros para os mais novos quando a espuma frenética dos dias do jornalismo lhe dá algum descanso. A directora do Jornal de Notícias foi convidada pelo festival “Letras&Companhia” para apresentar o livro “De Londres ao Porto numa gaivota”, que foi traduzido para chinês Vem a Macau participar no festival “Letras&Companhia”. Como se sente por vir ao território neste contexto? É a primeira vez que vou a Macau e é particularmente entusiasmante perceber o trabalho que continua a ser feito para preservar a língua portuguesa. O festival tem muitos atractivos, e é uma honra estar ao lado de pessoas como Afonso Cruz ou André Letria, porque trabalham diferentes públicos e têm um trabalho muito conceituado. Vou falar de literatura juvenil e é bom poder estar directamente com o público escolar e perceber a sua ligação à língua. Apresenta na sexta-feira o livro que lançou em 2019, “De Londres ao Porto numa gaivota”. Porquê esta obra? Tem muito a ver com a temática do festival, centrada nas cidades. Este é um livro que trabalha muito no espaço urbano, portanto transporta-nos para alguns dos espaços emblemáticos de Londres e Porto na forma como a protagonista, Sofia, que viveu no Porto, mas se mudou para Londres, vai viajando mentalmente pelos locais que a saudade, no fundo, mantém activos. Não sendo o meu livro mais recente, acabou por estar em destaque nesta edição, e graças a uma parceria entre a Porto Editora e o IPOR [Instituto Português do Oriente, co-organizador do festival], o livro vai ter uma versão em português e chinês. Trata-se de algo que vai permitir trabalhar esta questão da língua e das viagens que fazemos através dela, tal como a própria história também reflecte. Quando sai a versão em chinês do livro? Será apresentada no festival, estando disponível na Livraria Portuguesa. A saudade é um sentimento muito português, é um desafio traduzir essa palavra para outra língua? Que expectativas têm em relação à tradução? Esta é uma das reflexões que fazemos no livro. Ao tentar traduzir a palavra saudade fazemos essa abordagem, quanto à importância e centralidade que a saudade tem para nós, portugueses. Muitas vezes tem um sentido excessivamente nostálgico, mas a verdade é que nos marca muito, tanto na literatura, na música ou no nosso imaginário. O livro aborda isso, a forma como nos entendemos e como, no fundo, podemos fazer corresponder a saudade a outras expressões que outras línguas têm para traduzir esse sentimento, que, de facto, nos marca muito colectivamente. O seu livro mais recente, também de literatura infantil, “As Mãos da Avó”, foi editado no ano passado. Há algum paralelismo com a obra que apresenta no “Letras&Companhia”? É uma história que tem um ritmo um pouco mais lento, por assim dizer, tem uma escrita mais pausada. Procuro que o próprio livro trabalhe a questão da espera e da paciência. É, num certo sentido, um livro que nos leva a viajar, também a nós adultos, pelas nossas memórias de infância. Quando se fala de literatura infantil, prefiro mais falar em livros e álbuns ilustrados, porque tenho percebido que “As Mãos da Avó” é, muitas vezes, um livro que sensibiliza os adultos que se identificam com aquela experiência da neta, que aprende com as mãos da avó e que partilha momentos com ela, e que, em contacto com a natureza, vai percebendo pequenas lições que a avó lhe transmite. Vivemos tempos muito acelerados, em sociedades que valorizam muito a rapidez. A capacidade de pararmos e percebermos a importância da espera é uma reflexão que nos interessa particularmente e da qual até estamos a precisar. Como se passa do jornalismo, precisamente dessa pressa das redacções, para a literatura infantil? Esse é um dos desafios e diria até que uma das razões que explica o facto de eu publicar com longos intervalos, exactamente porque o jornalismo é tão absorvente e a realidade tem estado tão acelerada. Sinto que somos arrastados no vórtice da actualidade e temos muita dificuldade em travar, sobretudo desde a altura da pandemia. Tivemos a crise, a invasão na Ucrânia, fomos tendo outros conflitos muito centrados no Médio Oriente, mas também a própria eleição de Donald Trump trouxe uma série de alterações na geopolítica internacional. Temos avanços na inteligência artificial que nos vão lançando desafios. Ou seja, vivemos tempos que constituem desafios colectivos e que se traduzem no nível de atenção permanente por parte dos media e de alteração do trabalho nos próprios media. Somos muito afectados pela alteração dos algoritmos, das redes sociais, da entrada da inteligência artificial em campo. Há uma rapidez que deixa muito pouco espaço para a criatividade e imaginação. Quando consigo esses espaços, importantes para mim, dá-me alguma respiração neste mundo que tem estado algo distópico nos últimos tempos. E, portanto, gosto de olhar para a literatura infantil ou juvenil como um caminho para alguma descompressão e até para alguma saída deste mundo às vezes pouco empático e pouco focado. Falando da inteligência artificial, ainda é possível pôr crianças a ler um livro físico? No caso particular da leitura para a infância, e com os álbuns ilustrados, acredito que o papel vai resistir, porque é de facto único na capacidade de nos transportar para o peso que as próprias ilustrações têm. Hoje temos formatos cada vez mais criativos, com livros que trazem novas abordagens, com desdobráveis [por exemplo] e uma criatividade que tem sabido evoluir num sentido que é tão único que, de facto, não pode ser substituído por nenhum ecrã. Vou às escolas com alguma regularidade e sinto que as crianças mantêm, pelo menos na primeira infância, um grande entusiasmo com as histórias e com os livros. Gostam de os sentir. Depois temos de fazer a nossa parte. Se olharmos para os exemplos da Suécia ou Noruega, que num determinado momento foram pioneiros no digital, pelas salas de aula dentro, e agora percebem que foi um erro e estão a regular e a incentivar cada vez mais o livro e a leitura, acho que temos de ir aprendendo com essas lições. Há medidas que têm de ser adoptadas por decisores e governantes, no sentido de ir protegendo e estimulando a leitura e percebendo que ela tem um espaço próprio que não deve ser alterado, apesar da competição gerada pelo digital e pelos ecrãs. Começou no jornalismo em 1998 e actualmente é directora do Jornal de Notícias (JN). Qual a mudança mais fracturante que assistiu na profissão nos últimos anos? Temos tido muitas mudanças muito rápidas. Quando comecei já estávamos a falar nos desafios que o digital nos iria trazer, e desde então fizemos muitas experiências e continuamos sem respostas, porque a todo momento temos novos desafios. Uma das grandes dificuldades é continuar a merecer a confiança dos leitores e, no fundo, a captar a atenção no meio de tanto ruído. Diria que o grande desafio é até mais social do que dos próprios jornalistas, que têm estado muitas vezes sozinhos a defender um espaço que é, na verdade, vital para a própria democracia. No nosso caso, no JN, tivemos um momento particularmente marcante que foi ao final de 2023 e início de 2024, um momento de luta que evitou um despedimento colectivo. Houve depois uma mudança de accionistas e de propriedade no grupo [Global Media]. Esse momento, em Portugal, foi particularmente importante e significativo na reflexão que, em Portugal, estamos a fazer sobre a propriedade dos media, o financiamento e a sustentabilidade, problema que também está a ser enfrentado pela revista Visão. Do ponto de vista tecnológico, creio que vamos continuar a assistir a mudanças constantes, em que ainda não sabemos muito bem o que a inteligência artificial vai provocar, nomeadamente nesta questão da confiança das pessoas, na disseminação cada vez maior e mais eficaz da desinformação e os riscos que, no fundo, acarreta para todos nós. Quando fala que a preservação do jornalismo também parte da sociedade civil, não sente que o perigo reside no facto de as pessoas terem muita desconfiança em relação aos media e terem até um tom acusatório em relação aos jornalistas? Como se combate isso? Sim, por isso é crucial que haja capacidade para, de forma colectiva, olharmos para este tema da desinformação como um problema da democracia, e não um problema dos jornalistas. É verdade que há essa desconfiança, e parece-me que os cidadãos ainda acreditam em muitos mitos relacionados com a informação, ou seja, que através das redes sociais conseguem obter a informação sem precisar de jornalismo, que conseguem ser eles a seleccionar as fontes, ou que seguem quem querem. Não percebem que estão constantemente a ser manipulados pela própria lógica do algoritmo, pelas bolhas que vão sendo criadas na sequência do seu próprio comportamento digital. Há uma série de mecanismos subtis que são perigosos do ponto de vista individual e do ponto de vista da popularização social, em relação aos quais os cidadãos ainda não estão plenamente atentos e dos quais não estão, sequer, muitas vezes conscientes. Sabemos muito bem a quem interessa essa desinformação, quem a trabalha e quem mais [promove] a disseminação alargada de informações falsas. Sabemos os riscos a que estamos sujeitos quando as opiniões são, cada vez mais, facilmente manipuladas e orientadas, nomeadamente em períodos de eleições. Já há diversos estudos que comprovam o quanto a desinformação aumenta em períodos eleitorais. Esta é uma reflexão que, apesar dessa má imagem que os jornalistas actualmente sofrem, vai ter de ser feita colectivamente. No sábado protagoniza uma oficia de literacia digital para professores intitulada “Combater a desinformação na era da IA”. E como se combate, afinal? Temos riscos cada vez maiores e as ameaças são muitas. Diria que se combate sobretudo com muita formação. Nesta acção de formação para professores vamos abordar algumas formas de tratar o tema, nomeadamente para crianças e adolescentes já ao nível do secundário, porque é essencial que todos possamos identificar alguns sinais em vídeos, imagens ou informações partilhadas. Para que saibamos identificar quem tem funções de particular responsabilidade, e o professor é sempre alguém que tem essa responsabilidade perante a sua própria sala de aula e aqueles que estão, no fundo, entregues e confiados. O professor tem essa missão com uma maior exigência, porque pode ter um efeito multiplicador na transmissão de ferramentas que são úteis em todas as idades. Temos de estar atentos e saber como verificar a informação e, sobretudo, como não agir por impulsividade ou emotividade, que é um dos grandes problemas da desinformação. Esta joga muito com as emoções, com a confirmação de preconceitos e esse, no fundo, é o trabalho mais difícil de fazer.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteGP Macau: FIA confirma continuidade de Taças do Mundo de FR e F4 No final da passada semana, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmou a continuidade das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, juntando-se ambas à já confirmada Taça do Mundo de GT da FIA e à derradeira ronda da temporada do FIA TCR World Tour Na sequência de uma votação electrónica do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA, ficou decidido que as duas Taças do Mundo de monolugares integrarão a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro. Foi igualmente definido o quadro de selecção de participantes para a Taça do Mundo da FIA de FR, permanecendo ainda por revelar os detalhes relativos ao processo de inscrição e selecção para a corrida de Fórmula 4. Disputada pela primeira vez em 2024, a Taça do Mundo da FIA de FR marcou o início de uma nova era para o Grande Prémio de Macau, com os monolugares da Fórmula Regional a assumirem o estatuto de categoria principal do evento, após quatro décadas em que a Fórmula 3 reinou no Circuito da Guia. A edição de 2026 contará já com o novo Tatuus T-326, modelo recentemente introduzido nos campeonatos internacionais da especialidade. Tanto os Fórmula Regional como os Fórmula 4 utilizarão pneus Pirelli. Para o Presidente da Comissão de Monolugares da FIA, Emanuele Pirro, a “Taça do Mundo da FIA de FR tem vindo a crescer de forma sustentada desde a sua introdução em 2024 e assumirá ainda maior relevância este ano com a chegada do Tatuus T-326 de segunda geração”. O italiano, antigo vencedor da Corrida da Guia pela BMW, salientou igualmente que a introdução da Taça do Mundo de F4 no ano passado “proporcionou a oportunidade ideal para os pilotos em início de carreira adquirirem conhecimento e compreensão do circuito de Macau antes de, futuramente, evoluírem para a Taça do Mundo da FIA de FR”. Quadro de convites conhecido A FIA, em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, revelou igualmente o quadro de convites para a edição deste ano da Taça do Mundo da FIA de FR. Segundo o organismo sediado em Paris, o modelo “foi concebido com o objectivo de conjugar mérito desportivo, representação internacional e excelência competitiva, preservando simultaneamente o prestígio e o carácter selectivo que historicamente distinguem o Grande Prémio de Macau”. O objectivo passa por reunir um lote de participantes de nível mundial, composto pelas mais competitivas equipas de Fórmula Regional, dentro de um número de carros ajustado, segundo a FIA, às características únicas do Circuito da Guia. Assim, todas as equipas participantes no Campeonato Europeu de Fórmula Regional da FIA (FREC) de 2026 serão elegíveis para integrar a grelha. Será igualmente seleccionada a equipa mais bem classificada no campeonato japonês de Fórmula Regional de 2025. O comunicado da FIA esclarece ainda que apenas 26 carros serão admitidos à partida na edição deste ano, menos um que na edição de 2025, número que aumentará para 28 a partir de 2027. Foi igualmente confirmada a estrutura de dois carros por equipa, solução que, segundo a FIA, “garante consistência operacional em toda a grelha” e alinha esta Taça do Mundo “com os formatos habitualmente utilizados nas competições internacionais de formação em monolugares promovidas pela FIA, assegurando simultaneamente eficiência logística e desportiva dentro das limitações do Circuito da Guia”. Mais carros em 2027 A partir de 2027, a grelha crescerá com a adição de uma equipa proveniente do Formula Regional Oceania Trophy, sendo esta escolhida pelo promotor regional entre os melhores classificados do seu campeonato. Segundo a FIA, a inclusão da Oceânia “reflecte a contínua internacionalização do percurso competitivo da Fórmula Regional e reforça a representação de regiões com elevado nível competitivo”. Para além destas vagas, poderão ainda ser seleccionadas até duas equipas adicionais, escolhidas conjuntamente pela FIA e pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau com base no mérito desportivo. Entre os critérios adicionais de selecção previstos para as vagas remanescentes, destacam-se dois particularmente relevantes: o “legado histórico, incluindo contributos relevantes para o Grande Prémio de Macau ou para o desenvolvimento do automobilismo de formação em monolugares”, bem como os “resultados anteriores no Grande Prémio de Macau”, factores que poderão abrir novamente as portas do Circuito da Guia a equipas afastadas após o desaparecimento da Fórmula 3 do evento. Refira-se igualmente que, até à data, nenhuma equipa chinesa foi convidada a participar na Taça do Mundo da FIA de FR.
Hoje Macau Manchete SociedadeSuicídio | Casos fatais caem até Março após recorde em 2025 Macau registou menos mortes por suicídio no primeiro trimestre de 2026, depois de ter terminado 2025 com um número recorde de suicídios. Nos primeiros três meses deste ano, 15 pessoas tomaram a sua própria vida, menos duas em relação ao mesmo período do ano passado Durante os primeiros três meses deste ano, o número de mortes por suicídio em Macau caiu para 15, menos duas face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Macau, que tem uma população de cerca de 689 mil habitantes, registou 91 casos de suicídio em 2025, mais cinco do que no ano anterior e o número mais elevado desde que começaram os registos, em 1990. No final de Março, os Serviços de Saúde (SS) incentivaram a população a procurar apoio de saúde mental, chamando a atenção para o estigma que continua a afastar os residentes do acesso a tratamento psicológico. O director do hospital público Conde de São Januário, Tai Wa Hou, explicou que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes. Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Não vejo, não existe Citando a Organização Mundial da Saúde, os SS referiram que uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre de problemas de saúde mental, e que a ansiedade e a depressão causadas pelo stress aumentam ano após ano. Desde Maio do ano passado que os SS deixaram – sem aviso prévio – de divulgar publicamente dados oficiais sobre suicídio, que anteriormente eram publicados de forma trimestral. De acordo com os dados mais recentes do gabinete do secretário para a Segurança, na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, menos 24 do que em igual período do ano anterior. Os dados mostram que pelo menos 14 crianças dos 5 aos 14 anos tentaram pôr fim à vida entre Janeiro e Junho do ano passado em Macau, o dobro do registado no mesmo período de 2024. Segundo a emissora pública TDM, o maior número de tentativas de suicídio (30) aconteceu na faixa etária entre os 15 e os 24 anos, enquanto dois terços (67) foram levadas a cabo por mulheres. Em 28 de Abril, também o gabinete do secretário para a Segurança anunciou que irá deixar de realizar as habituais conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados da criminalidade, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. O balanço da criminalidade em 2025 em Macau não inclui quaisquer dados sobre tentativas de suicídio. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 para obter aconselhamento emocional.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHantavírus | SS consideram risco de contágio em Macau “baixo” Os Serviços de Saúde (SS) estão a acompanhar o cruzeiro MV Hondius, actualmente atracado em Espanha, onde surgiu um surto de Hantavírus. As autoridades de saúde aconselham os residentes a tomar precauções, embora não esperem contágios em Macau Os Serviços de Saúde (SS) estão a acompanhar os desenvolvimentos mais recentes do surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius, mas consideram o risco de transmissão em Macau “baixo”. A posição foi tomada antes do fim-de-semana, através de um comunicado, primeiramente difundido apenas em chinês. Na mensagem, os SS indicaram “estarem a acompanhar de perto o caso” e não haver qualquer registo de ocorrências em Macau “nos últimos 30 anos”, o que levou a que o “risco de transmissão do hantavírus” no território fosse considerado em “baixo”. Apesar deste dado, as autoridades pediram aos residentes, principalmente os que pretendem sair da China, que se mantenham atentos e tomem as cautelas necessárias. “Os residentes, especialmente aqueles que planeiam viajar para o estrangeiro, devem continuar a prestar atenção à higiene pessoal e ambiental, evitando o contacto com roedores, como ratos e ratazanas, para reduzir o risco de infecção”, foi aconselhado. As autoridades explicaram ainda que a doença por hantavírus é causada pela infecção pelo hantavírus e divide-se em síndrome hemorrágica renal e síndrome pulmonar por hantavírus. No caso da síndrome hemorrágica renal, após a infecção, o período de incubação é geralmente de 12 a 16 dias, podendo ir até 56 dias. Na síndrome pulmonar por hantavírus, o período de incubação é geralmente de seis dias a várias semanas, com uma média de cerca de 14 dias. A transmissão ocorre através da saliva, urina ou fezes de roedores infectados com o vírus. As pessoas podem ainda infectar-se através do contacto com objectos contaminados ou da inalação de aerossóis, sendo a transmissão entre pessoas rara. Surto activo De acordo a Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 4 de Maio que há um surto de infecção pelo vírus Hantavirus no cruzeiro MV Hondius, que tem bandeira neerlandesa, e está atracado em Espanha, onde decorre quarentena. Até 6 de Maio, registavam-se três casos confirmados de infecção e cinco suspeitos, com o registo de três mortes. Além disso, as autoridades de saúde de todo o mundo procuravam descobrir vários passageiros, com diferentes naturalidades, como Estados Unidos, Taiwan, Espanha ou Holanda, que tinham deixado o cruzeiro, ainda antes de ser declarada a situação de emergência. Segundo os SS, existem casos de hantavírus em todo o mundo com a febre hemorrágica com síndrome renal a ser mais comum na Ásia, Europa e África, enquanto a síndrome pulmonar por hantavírus ocorre principalmente na América do Norte e na América do Sul.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTurismo | Sobrinho de Edmundo Ho diz que bifana é melhor em Hong Kong Adrian Pedro Ho King Hong considera que a comida em Macau é “extremamente normal” e que em Hong Kong a qualidade é melhor. Ainda assim, o deputado em Hong Kong elogia a estratégia de promoção turística da RAEM O sobrinho de Edmundo Ho e deputado em Hong Kong Adrian Pedro Ho King Hong afirmou que a bifana da RAEHK é superior à de Macau e pediu uma maior aposta na gastronomia em Hong Kong ao Executivo da região vizinha. As declarações foram prestadas durante uma sessão do Conselho Legislativo, na semana passada, pelo também neto do falecido Ho Yin. Segundo Adrian Ho, os residentes de Hong Kong que visitem a Rua do Cunha percebem facilmente que a qualidade da bifana de Hong Kong é superior à de Macau. Contudo, o legislador afirmou que os residentes da RAEHK preferem comer em Macau este tipo de comida, porque se deixaram atrair pela “fama” da gastronomia. Apesar da crítica à qualidade da comida de Macau, o legislador elogiou a aposta local no turismo, na criação de um ambiente atractivo para os turistas: “Tudo isto se pode comer em Hong Kong, mas não sei por que razão é apresentado como uma iguaria”, afirmou Adrian Ho. “Atrevo-me a dizer que a bifana de Hong Kong é mais saborosa que a de Macau. Por que razão os turistas vão a Macau para comer aquela bifana? Por foi criado um certo ambiente propício”, vincou. Os comentários de Ho não se limitaram à bifana, com o deputado a lançar dúvidas sobre a qualidade dos pastéis de nata, carne seca e bolos de amêndoa em Macau, categorizando-os como “extremamente normal” e abaixo da qualidade de Hong Kong. Uma cara nova Adrian Ho é deputado em Hong Kong desde Dezembro de 2022, tendo sido eleito pelo partido Novo Poder Popular, liderado por Regina Ip. Apesar das ligações a Macau, e do facto de ter como avô paterno Ho Yin, ser sobrinho do ex-Chefe do Executivo da RAEM e filho do empresário Ho Hao Veng, Adrian Ho nasceu em Hong Kong, onde frequentou a escolaridade, antes de se mudar para o Reino Unido. Antes de regressar a Hong Kong, licenciou-se nos Estados Unidos na prestigiada Escola de Gestão de Wharton na Universidade da Pensilvânia. Como político, destacou-se durante os protestos de Hong Kong de 2019, depois de ter criado um grupo na rede social Facebook com o nome “Save HK”, atraindo mais de 200 mil utilizadores. A nível profissional, depois de regressar a Hong Kong, trabalhou em bancos de investimento, focando a sua atenção na indústria eólica, ao investir no Interior da China, na província de Xinjiang.
Hoje Macau Manchete PolíticaDSF | Despesa pública cai 3,9% até Abril apesar de apoios sociais As despesas públicas de Macau caíram 3,9 por cento nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período de 2025. Até Abril, foram gastos dos cofres públicos mais de um quinto das despesas previstas para o ano corrente Entre Janeiro e Abril deste ano, a despesa pública da RAEM diminuiu 3,9 por cento em termos homólogos, de acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), apesar da aposta do Governo em apoios sociais. Até ao final de Abril, Macau gastou 23,1 mil milhões de patacas, 21,2 por cento do previsto para todo o ano, apesar dos gastos em apoios e subsídios sociais terem crescido quase 9 por cento, para 12,7 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Em Julho, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento de 2025, para reforçar os apoios sociais. Bicos de obra A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 17,4 por cento até Abril, para 4,66 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro. As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 2,1 por cento, para 4,83 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo. Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 17,6 por cento nos primeiros quatro meses de 2026, para 40,3 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 16,9 por cento, para 34,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,5 por cento do total. Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,2 mil milhões de patacas, mais 72,1 por cento do que até Abril de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteDaniel Pires, académico, sobre Camilo Pessanha: “Um homem que atraía muitas invejas” “Pairo na Luz, suspenso…” – Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926) é o nome do congresso, que se realiza hoje e amanhã na Universidade de Coimbra, para celebrar a vida e a obra do poeta. Daniel Pires, académico e editor de Pessanha, irá desvendar detalhes sobre as colecções de arte que o poeta deixou e os seus contributos a nível jurídico Apresenta hoje “O percurso cívico de Camilo Pessanha”. São muitas as valências desse civismo. Vou falar da doação que fez de peças de arte chinesa ao Estado português, e também da sua biblioteca. Também vou falar sobre a sua actividade jurídica, pois esteve ligado a vários regulamentos publicados em Macau, tendo sido ele que os fez, na sua grande maioria, e que têm a ver também com a interacção entre portugueses e chineses. Falemos das colecções doadas ao Estado português. O que encontramos nestes espólios? Uma das colecções é imensa, com mais de 300 peças de grande valor, e que foi primeiramente exposta em Macau em 1915. Depois, pouco antes de falecer, ofereceu uma segunda parte da colecção, pedindo que viesse para Coimbra, para o Museu Nacional Machado de Castro. Como descreve a relação de Camilo Pessanha com a arte chinesa? Ele era um admirador da civilização e cultura chinesas, sem dúvida, e escreveu sobre isso, embora não tenha escrito muito. Aliás, ele não escreveu muito sobre nada, mas há artigos de jornais sobre arte e língua chinesa, o mandarim, e a estética que nela está implícita. Há notícias de que logo no início da sua estada em Macau, Camilo Pessanha começou a aprender e a falar cantonense. Depois fez traduções, e era de facto um sinólogo, uma pessoa que admirava bastante a filosofia e arte milenares, os caracteres chineses, e por aí fora. Como era a relação destes intelectuais portugueses em Macau com a comunidade chinesa, numa altura em que eram muito poucos os livros que juntassem as duas línguas. Não havia, de facto, grandes meios para se estudar a civilização chinesa. Macau estava fechadíssimo e poucas coisas lá chegavam, praticamente só tinha relações com Hong Kong. Ir à China era quase impossível. Mas havia o que chamamos de sinólogos, e os dois principais eram Camilo Pessanha e Manuel da Silva Mendes. Depois temos o aluno de Camilo Pessanha que, em termos de sinologia, suplantava tudo, o Luís Gonzaga Gomes. Além da doação de Pessanha, e que foi exposta em 1915, há uma segunda doação… Ele [Camilo Pessanha] foi convidado por um grande Governador de Macau, que depois veio a ser morto na “Noite Sangrenta”, em 1921… Carlos da Maia. Exactamente, eram grandes amigos. Carlos da Maia convidou Pessanha para expor parte da sua colecção no Palácio [do Governador], e expor 100 peças de uma variedade e ecletismo incríveis, desde vestuário passando por objectos japoneses, etnografia, linguística, com os caracteres chineses artisticamente tratados. Antes de falecer, Camilo Pessanha contactou o Governador na altura, Maia Magalhães, oferecendo a sua colecção com a condição de vir para Portugal. Entretanto, a primeira doação tinha sido recusada por vários museus, por se entenderem tratar-se de pechisbeques. Ao fim e ao cabo tratava-se de ignorância, porque a colecção é excelente mesmo. Camilo Pessanha adquiriu todas essas peças em Macau? Ele andava pelos tintins [zona de mercado de rua no Porto Interior], mas também foi a Cantão mais do que uma vez e até a Hong Kong. Mas, de facto, a base dele era mesmo Macau. Ele aprendeu chinês também com o objectivo de poder comprar melhor. Pelas contas que fiz para o livro “Camilo Pessanha – Prosador e Tradutor” ele reuniu um acervo de 370 peças. Relativamente ao trabalho jurídico de Pessanha, que legado deixou em Macau? Muito forte, quer como bom jurista, quer como, digamos, juiz substituto. Esteve ligado à promulgação de várias leis e regulamentos. Mexeu bastante em leis que vinham do tempo da monarquia e que não tinham sido mudadas. Como juiz, optou sempre pelas penas mais baixas, tendo um tom humanista. Macau gerou, ao longo da sua história, diversos intelectuais portugueses que se preocuparam com o território e não estiveram apenas de passagem. Pessanha foi dos mais importantes? Sem dúvida. Há quem diga que era abúlico, mas [Camilo Pessanha] era uma pessoa doente, o que é diferente, e tinha também alguma depressão à mistura. Nessas crises obviamente que não podia ser muito activo. Ele nunca teve muita saúde, mas quando a teve fartou-se de mexer em coisas, sempre com o objectivo de aperfeiçoar, melhorar, alterar. Só que também é preciso dizer que Macau era muito conservadora, a sociedade macaense. Nem toda a gente aceitava pessoas que não iam à missa, por exemplo. E Camilo Pessanha não ia à missa. Não. Ele teve uma educação muito católica mesmo. As duas irmãs dele chamavam-se Madalena e isso não é por acaso, não é? Mas nos anos pré-República o catolicismo foi muito forte e houve ali uma pressão fortíssima. E isso repercutiu-se na mentalidade de muitos intelectuais, muitos deles que eram inicialmente católicos e que depois se confrontaram com o compadrio que existia na alta hierarquia católica e a monarquia. Claro que nem todos seriam assim. Falo do apoio que o alto clero dava aos monárquicos, com alguma corrupção, alguns escândalos de cariz sexual também, e que foram denunciados na imprensa. Tudo isso afastou uma série de pessoas que, inicialmente, eram católicas, e terá sido o caso de Camilo Pessanha também. Estes casos ocorreram em Portugal. Sim, mas chegavam a Macau através dos jornais e… Contaminavam a opinião pública. Exactamente. Camilo Pessanha também era mal visto por consumir ópio? A doença tornava-o propenso à droga, mas não era uma coisa que não o impedia de concretizar o seu trabalho diário. Digamos que seria uma coisa que ele faria em casa [fumar ópio]. Obviamente que as pessoas mais conservadoras olhavam para isso de lado, daí terem surgido uma série de histórias sobre Pessanha da parte de pessoas extremamente conservadoras que não hesitaram em caluniá-lo e até denegri-lo. Muita gente disse que a colecção de arte chinesa dele não valia nada. Silva Mendes, por exemplo, era um inimigo de Camilo Pessanha, misturou ideologia com falta de ética e usou todos os meios possíveis para o denegrir. Chegou a sair um artigo de Silva Mendes dizendo que a poesia de Camilo Pessanha era de muita fraca qualidade. Imagine, onde ele foi tocar. Naquilo onde Camilo Pessanha é intocável é, exactamente, na poesia. Mas era um homem que atraía muitas invejas. Por ser genial, digamos assim? Sim. O meio de Macau era muitíssimo fechado. Os portugueses seriam uns mil, isto no princípio do século. Estavam ali encafuados, claustrofóbicos, numa paranóia – no sentido do termo, mesmo – relativamente à China, que estava ali ao lado, e as pessoas sabiam o que tinha acontecido ao Ferreira do Amaral [Governador assassinado em 1849]. Isso foi um trauma muito forte para os habitantes de Macau, e na época de Pessanha esse trauma ainda era visível. Quando Pessanha vai para Macau tem consciência das suas especificidades sociais e políticas? Não. Terá tido dificuldades na adaptação ao clima, e são sempre duas culturas díspares, não é? Houve a questão da língua, porque ninguém falava português, o corte radical com a família. Ele tinha problemas familiares, com um irmão que enlouqueceu. Portanto, acho que teve uma capacidade de adaptação bastante grande, porque ele chega e começa a estudar de imediato cantonês. A relação de Pessanha com a comunidade macaense era também próxima. Havia, de facto, uma interacção com a comunidade, mas não só. Houve uma interacção de Camilo Pessanha com o primeiro Presidente da República chinês. Sun Yat-sen. Exacto. Há várias fotografias dele com o Sun Yat-sen. Portanto, era bem mais republicano do que monárquico, além de maçom. Sem dúvida, Camilo Pessanha era mesmo republicano e escreveu vários textos de apoio à República. A implantação da República deu-se a 5 de Outubro [de 1910], mas em Macau não. As autoridades locais eram todas monárquicas e a transição foi difícil. O novo Governador, Eduardo Marques, só foi proclamado dias depois. Pois. Eles não cediam. O secretário do Governo era um tipo completamente monárquico, e Camilo Pessanha também desempenhou aí um papel interessante. O mesmo quando a Constituição de 1911 foi aprovada. [Ele questionou]: “E aqui, como é? Não há Constituição?”. O ensino também demorou a mudar, porque os republicanos tentaram reformar o ensino em Macau, que tinham as missões católicas, e isso foi difícil. Disse que Camilo Pessanha escreveu pouco ao longo da vida. Talvez se não fosse Ana de Castro Osório não teria sido editada “Clepsydra”. Como explica esta dispersão poética? É verdade. Mas o grande problema prende-se também um pouco com a doença do Camilo Pessanha. Ele esteve quatro anos em Portugal, de 1905 a 1909, quando foi operado a um tumor. A inspiração poética também dependia do seu estado de saúde. Na realidade a “Clepsydra” é composta por 56 poemas apenas, e também fiz uma edição de “Clepsydra” em que reuni a prosa dele, e tudo isso cabe num livro. Houve também muita coisa que ele vivenciou e não escreveu, o que foi pena. Tem a ver com o temperamento dele, era uma pessoa fechada, tímida, na realidade. Ao fim e ao cabo isso reflectiu-se na sua escrita. A partir do momento em que Pessanha vai para Macau, como ficou a sua relação com Portugal? Ele foi para Macau por duas razões. Uma delas é que se formou em Direito, e na altura os juristas, para terem uma carreira como juiz ou procurador régio, tinham de servir nas colónias. Foi o que aconteceu ao seu grande amigo, Alberto Osório de Castro, que esteve em Goa e Timor. Depois houve outro detonador, que foi o facto de ele ter pedido Ana de Castro Osório em casamento e ela não ter aceite por já estar comprometida. Depois ela desentendeu-se com o, chamemos, namorado, e há uma carta de Alberto Osório de Castro perguntando a Camilo se ainda gostava da irmã, se havia alguma perspectiva no horizonte, mas ele já estava acomodado a Macau. Tinha de ganhar dinheiro para mandar a um irmão que estava a estudar em Coimbra, e a outro que tinha enlouquecido. Nessa altura, já estava com a mãe do filho, Águia de Prata. Como olha a forma como Camilo Pessanha é recordado hoje em dia em Portugal? Digamos que está um pouco esquecido nas escolas básicas e secundárias, mas também lhe digo que não é fácil a poesia de Camilo Pessanha. Quase precisa de um guia. Mas nos meios intelectuais, digamos, não me parece que ele seja esquecido. Antes do 25 de Abril, Camilo Pessanha não era muito conhecido, e ganhou um grande impulso depois. O mesmo aconteceu com Fernando Pessoa. Só por volta da década de 1980 começaram a ser publicadas edições de “Clepsydra” e se impôs Camilo Pessanha. Digamos que, neste momento, Camilo Pessanha não é um poeta esquecido.
Hoje Macau Manchete SociedadeSJM | Operadora com prejuízos no primeiro trimestre A operadora de jogo de Macau SJM Holdings registou um prejuízo de 62 milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre deste ano. Segundo um comunicado publicado ontem pela empresa, as receitas líquidas caíram 21,1 por cento, para 5,9 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre completo após o fecho definitivo dos ‘casinos-satélite’ do território em Dezembro passado. As receitas brutas do jogo da operadora também recuaram 18,8 por cento para 6,1 mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais a caírem 4,3 por cento para 917 milhões de dólares de Hong Kong. A quota de mercado da operadora de jogo em Macau encolheu também para 9,6 por cento, face aos 13,5 por cento registados no mesmo período de 2025. A empresa teve de fechar oito casinos no ano passado, devido a alterações legislativas em Macau que acabaram com o antigo modelo de casinos geridos por terceiros, conhecidos como ‘casinos-satélite’. Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada das concessionárias, eram geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002. Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo. A presidente da SJM, Daisy Ho Chiu-fung, sublinhou em comunicado que o grupo demonstrou “disciplina operacional rigorosa” no primeiro trimestre sob o novo modelo de gestão directa. Por partes O Grand Lisboa Palace, a maior propriedade da operadora, viu as receitas aumentaram para 2,07 mil milhões de dólares de Hong Kong, no entanto, os lucros operacionais caíram para 58 milhões de dólares de Hong Kong, devido ao aumento dos custos. O Grand Lisboa registou receitas de dois mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais estáveis em 425 milhões de dólares de Hong Kong. Já os outros casinos da operadora, Casino Lisboa, Casino L’Arc Macau e Casino Oceanus, viram as receitas do jogo disparar 83,6 por cento, quando comparados com o mesmo período do ano passado, para 2,47 mil milhões de dólares de Hong Kong, com os lucros operacionais a subirem 44,4 por cento, para 494 milhões de dólares de Hong Kong. A empresa adquiriu, por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong um dos ‘casinos-satélite’ que teria de fechar, o Casino Royal Arc, e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço. Nos primeiros quatro meses deste ano os casinos do território registaram uma subida de 12,1 por cento nos resultados brutos de jogo em relação ao ano anterior, reportando um total de 85,8 mil milhões de patacas.
João Luz Manchete SociedadeHospital São Januário | Morte de feto leva a acusação de negligência Uma grávida seguida no Hospital São Januário sofreu um aborto no dia seguinte a uma consulta. O pai questiona se não terá ocorrido negligência médica e protesta a falta de respostas à queixa que apresentou ao hospital público há cerca de três meses O programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, foi ontem “palco” de um caso trágico quando um ouvinte contou aos microfones da emissora pública a forma como a sua mulher perdeu o bebé depois de uma consulta no Centro Hospitalar Conde de São Januário. O residente, de apelido Ng, revelou que o incidente aconteceu no final de Outubro do ano passado, quando a sua esposa estava grávida de 30 semanas. Nessa altura, a grávida começou a sentir dores na zona abdominal, obrigando o casal a recorrer ao hospital público. “Quando fomos à consulta, o médico observou a minha mulher e disse-nos que não havia qualquer problema. Em relações às dores abdominais, concluiu que se deviam à pressão exercida pelo crescimento do bebé no estômago”, contou com em tom agastado. Pouco depois de saírem do hospital, e com medicamentos prescritos, o casal foi surpreendido com um telefonema. “Deram-nos um medicamento ao qual a minha mulher é alérgica, tal como consta no seu processo clínico. Ela não chegou a tomar o medicamento porque tínhamos acabado de sair do hospital, mas voltámos atrás para levantar outro fármaco”. Apesar da rectificação, no dia seguinte o bebé estava morto. “A minha mulher deixou de sentir batimentos cardíacos ou movimento e regressámos de imediato ao hospital.” Questões dolorosas No hospital, foi dito ao casal que a “situação era crítica” e que só podiam sair do hospital depois de assinarem um documento. Ng não especificou exactamente o tipo de documento em causa, mas todo o processo lhe pareceu irregular. “Porque não nos pediram para assinar o documento no dia anterior? Porque prescreveram ao início um medicamento que resultaria em reacção alérgica? Não será isto negligência médica”, questionou. O ouvinte confessou ainda que o casal chegou a ponderar recorrer ao Hospital Kiang Wu, mas decidiram não o fazer porque a esposa de Ng enfrentava uma gravidez de alto risco, com um historial de abortos espontâneos, e não quiseram interromper o acompanhamento que já seguia no Hospital São Januário. Face ao risco, o casal pensou que teriam acesso a cuidados de saúde redobrados, mas acabaram por enfrentar desleixo clínico, exemplificado na prescrição de um medicamento que facilmente se poderia ver no processo clínico que poderia resultar em alergia. A autópsia viria a concluir que a causa da morte foi hipóxia intrauterina, uma condição em que o feto recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio durante a gestação. Inconformado, Ng apresentou uma queixa no hospital público em meados de Fevereiro e só na terça-feira recebeu uma resposta a referir apenas que “o caso está a ser acompanhado”. Face à resposta insatisfatória, a apresentadora do Fórum Macau garantiu que iria consultar as autoridades sobre o caso da família de Ng e contactar o residente directamente se tivesse novidades.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Inaugurada primeira fábrica de baralhos A Bee Macau abriu uma fábrica em Macau, que corresponde a um investimento de cerca de 500 milhões de dólares de Hong Kong. Apesar de ser a capital mundial do jogo, o território não tinha qualquer fábrica de baralhos de cartas Um grupo da Bélgica e uma empresa de Macau anunciaram ontem o arranque da primeira fábrica de baralhos de cartas de jogo na capital mundial dos casinos. Num comunicado, a Bee Macau indicou que a unidade nasce de um investimento de cerca de 500 milhões de dólares de Hong Kong. A Bee Macau resulta de uma parceria entre o grupo belga Cartamundi, um dos maiores fabricantes de baralhos de cartas do mundo e a empresa local Asia Pioneer Entertainment (APE), que está cotada na bolsa da vizinha região de Hong Kong. Uma porta-voz da APE disse ontem à Lusa que os testes de produção de baralhos de cartas tinham começado em 2025, mas que a produção em grande escala só arrancou no primeiro trimestre de 2026. A APE e o Cartamundi assinaram um acordo de cooperação, que previa a “introdução de tecnologias avançadas de produção sustentável”, em 27 de Março, durante o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026. O comunicado de ontem refere que o início oficial da produção em grande escala acontece “após testes bem-sucedidos e exportações iniciais” para operadoras de jogo em outras regiões asiáticas. A porta-voz da APE recusou-se a revelar o local da fábrica, alegando ser “segredo comercial”. Riscos de importação Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Mas o território “dependeu durante muito tempo de cartas de jogar importadas, o que gerava riscos na cadeia de abastecimento”, sublinhou o director geral da Cartamundi para a Ásia-Pacífico, Jason Pearce. O executivo disse no comunicado que a abertura da fábrica “posiciona Macau não só como um centro global de jogo, mas também como produtor de material de alta qualidade para jogos”. “O mercado ganha finalmente uma opção local no fabrico de baralhos de cartas, abrindo as portas a uma verdadeira diversificação”, disse o director executivo da APE, Herman Ng Man Ho. Citado no comunicado, o empresário afirmou que os baralhos cumprem os requisitos regulatórios para poderem também ser exportados e usados em casinos de todo o mundo. De acordo com a mesma nota, o presidente da Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau, Alan Ho, disse que a nova fábrica poderá “abrir em conjunto os vastos mercados” dos dois blocos. Em Janeiro, a empresa da Malásia Mega Fortris abandonou planos, anunciados em Outubro, para produzir baralhos de cartas de jogo em Macau e lamentou a dificuldade em encontrar instalações e as elevadas rendas.
Hoje Macau Manchete PolíticaCombustíveis | Subsídio de 3,3 patacas por litro de gasóleo O Governo vai subsidiar a subida do preço do gasóleo e ajudar empresas a contornar despesas com combustível e inflação. O plano terá uma duração de dois meses, a começar na segunda-feira, implicando um investimento de 80 milhões de patacas para minorar o impacto da guerra no Irão O Governo anunciou ontem um plano para subsidiar a compra gasóleo e atenuar o impacto da escalada dos preços dos combustíveis nas empresas locais. O plano entra em vigor na próxima segunda-feira, estendendo-se até 10 de Julho e irá apoiar a compra de gasóleo em 3,3 patacas por litro. O director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, indicou ontem que o “plano visa aliviar a pressão sobre os custos e evitar que o aumento do preço do diesel seja repercutido nos preços de bens de consumo”. No total, o Governo irá disponibilizar 80 milhões de patacas aos cinco operadores petrolíferos do território, que vão ficar obrigados a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, com auditores independentes a analisar as informações oferecidas e a verificar eventuais irregularidades, como registos falsos. A medida apresentada ontem foi tomada na sequência da “instabilidade geopolítica internacional dos últimos tempos, que tem provocado flutuações contínuas nos preços globais dos produtos petrolíferos”. A decisão de apenas subsidiar o gasóleo, deixando de fora a gasolina sem chumbo e a gasolina premium, foi explicada pelo facto de ser “o principal combustível para as empresas industriais e comerciais de Macau, constitui um bem de consumo essencial para as actividades industriais e comerciais”. Além disso, o Executivo acrescenta que “embora o preço da gasolina tenha subido em relação ao início de Março, o aumento tem sido significativamente mais moderado do que o do diesel e tem-se mantido relativamente estável”. Próximos capítulos De acordo com Yau Yun Wah, os utilizadores de gasóleo em Macau consomem cerca de 11 milhões de litros de gasóleo por mês, com aproximadamente 8.600 veículos movidos por esse combustível registados na cidade. “Os fornecedores de combustíveis aderentes deverão manter os descontos já praticados, aplicando o subsídio governamental sobre o preço depois do desconto. Os recibos terão de indicar o preço original e o montante do subsídio. E os postos de abastecimento vão afixar cartazes informativos sobre a medida”, indicou Yau. Questionado sobre se o plano será mantido no caso de os preços dos combustíveis se manterem ou aumentarem, Yau sublinhou que se trata de uma medida “provisória, específica e limitada no tempo”, destinada a apoiar imediatamente os utilizadores de gasóleo e ajudar o sector a superar dificuldades. “Vamos continuar a monitorizar e a comunicar com o sector petrolífero e de acordo com a situação internacional”, acrescentou. Actualmente, existe uma grande disparidade nos preços de combustíveis entre Macau e o Interior da China. Por exemplo, as gasolineiras de Zhuhai praticam preços máximos de gasóleo na ordem dos 8,14 yuan, metade do preço praticado em Macau. Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no Interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais. João Luz / Lusa
João Santos Filipe Manchete PolíticaCreche Smart | IAS insiste na falta de fiscalização financeira O Instituto de Acção Social defende que a decisão de cessar a cooperação com a Creche Smart e recuperar as instalações se prende com a fiscalização do financiamento da instituição. Além disso, promete mais explicações após os processos em tribunal Em reacção ao mais recente comunicado da associação Zonta Club de Macau sobre a Creche Smart, o Instituto de Acção Social (IAS) insiste que não foram cumpridas as exigências de fiscalização financeiras relativas à instituição de ensino. Este motivo levou a que o IAS avançasse para o corte do financiamento e recuperasse as instalações da creche, decisão que está a ser contestada pela associação nos tribunais. “Há já algum tempo que o Zonta Club de Macau não satisfazia as exigências de fiscalização de apoio financeiro do IAS em termos da aplicação dos seus recursos financeiros. Em virtude da persistência da situação durante um período prolongado, o IAS avançou com a cessação da cooperação em conformidade com a lei, nomeadamente cessar o financiamento e exigir a devolução das instalações da creche”, afirmou o IAS, numa resposta ao HM. No entanto, o facto de ainda recorrerem alguns processos administrativos leva a que o IAS opte por não comentar mais detalhes sobre o caso. “Tendo a cessação da relação de cooperação entre as partes envolvido vários processos administrativos, alguns dos quais ainda se encontram a ser apreciados no tribunal, o IAS, neste momento, não tem mais informações a divulgar”, foi apontado. Acusações de perseguição Na segunda-feira a associação Zonta Club de Macau pediu ao Governo para controlar o presidente do IAS, Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela Creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do relatório do IAS sobre a creche e da publicação no portal da entidade pública sobre admissões em creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais. Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau. Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação
Andreia Sofia Silva Grande Plano ManchetePatuá | “Extinção parece ser irreversível”, conclui estudo da UPM Um estudo de três académicas da Universidade Politécnica de Macau conclui que se “mantém robusto o sentimento de pertença e orgulho macaense”. Porém, a extinção do patuá é “irreversível”, com os jovens a sentirem-se “impotentes perante a fatalidade da perda deste património” O patuá está praticamente extinto. Esta é uma das conclusões do estudo “Identidade e dinâmicas linguísticas da comunidade macaense em Macau: um estudo de caso”, da autoria de Maria Gomes Fernandes, Xiaoyan Wang e Meng Ye, três académicas da Faculdade de Línguas e Tradução da Universidade Politécnica de Macau (UPM). O trabalho consta da mais recente edição da Diacrítica, revista do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, dedicada à temática “A língua portuguesa na China: ensino, literatura, cultura e tradução”. Lê-se no estudo, feito com base num inquérito à comunidade macaense, que “a extinção do patuá parece ser irreversível, não obstante os esforços de revitalização empreendidos”. “Os dados falam por si: os jovens inquiridos não falam nem transmitem esta língua aos descendentes”, é indicado. Num trabalho que olha “como os jovens macaenses se inserem social e culturalmente na sociedade de Macau”, tendo em conta que “subsistem muitas dúvidas quanto às formas de preservar a comunidade macaense da RAEM enquanto identidade cultural única”, conclui-se que “o sentimento de pertença e orgulho macaense mantém-se robusto”. Tudo graças a “hábitos e costumes associados à gastronomia, à religião católica e à língua portuguesa”, verificando-se “um elevado grau de plurilinguismo”, com a manutenção “do papel de elo entre a comunidade chinesa e portuguesa”. O português constitui, por sua vez, “um pilar fundamental que ajuda a contrariar a tendência de identidade cada vez mais fluida e hibrida, que tende a ser diluída na etnia chinesa maioritária”, destaca-se no artigo. O estudo reflecte mesmo que “a língua portuguesa continua a ser parte integrante da identidade macaense de Macau”. À questão sobre o que significa ser macaense, a maioria, 66 por cento, responde que é macaense quem é natural de Macau, enquanto que 52 por cento diz que é possível ser-se macaense, ou identificar-se como macaense, graças à “partilha dos mesmos hábitos e costumes”. As académicas recolheram recolhidos 58 inquéritos válidos, sendo que “a idade da grande maioria dos respondentes situa-se entre os 25 e 40 anos”. Foi feito um “questionário junto da comunidade macaense, com especial enfoque em jovens anónimos”, tendo sido “estabelecido um primeiro contacto através das redes sociais com ex-alunos macaenses do curso de Licenciatura em Tradução e Interpretação da Universidade Politécnica de Macau, que, por sua vez, divulgaram a ligação do Google Forms para que outros elementos da comunidade respondessem”. Patuá a desaparecer Em relação ao uso do patuá, o estudo confirma que “este crioulo se encontra, hoje, praticamente moribundo, pois 90 por cento destes jovens inquiridos não falam esta língua”. Porém, as respostas denotam uma consciencialização sobre a necessidade da sua preservação, tendo os inquiridos “a perfeita consciência de que, com o seu desaparecimento, parte da unicidade da comunidade macaense irá desaparecer também”. O estudo aponta para 93 por cento das respostas a considerar “importante preservar este crioulo”, enquanto 57 por cento acha que “a preservação passa pelo ensino”. Já 69 por cento dos participantes entende que se devem desenvolver actividades culturais para promover o patuá. Com a grande excepção de eventos como a peça de teatro anual do grupo Dóci Papiaçam di Macau, apresentada no Festival de Artes de Macau, ou de cursos organizados no Centro Científico e Cultural de Macau, têm sido poucas as iniciativas desenvolvidas. As autoras denotam que se “registam algumas manifestações culturais”, mas “que a produção literária perdeu o fulgor registado no século XX”. “Ainda que ciosos e orgulhosos da sua herança, estes jovens sentem-se algo impotentes perante a fatalidade da perda deste património”, acrescenta-se. Mais mandarim Tendo em conta a conexão com a comunidade tendo por base valores como a gastronomia ou a língua, o inquérito deixa “claro que a língua portuguesa predomina como língua de escolarização do público inquirido, e a todos os níveis de ensino”. Porém, “a língua portuguesa deixa de ser a língua forte no que respeita à educação escolar dos filhos destes jovens macaenses”, passando “a partilhar a primazia com o inglês, cantonês e mandarim, o que revela uma viragem drástica quando comparada com a geração anterior”. O inquérito não explorou mais esta questão, denotam as autoras, mas conclui-se que “o cantonês tende a ganhar terreno como língua mãe”. “Enquanto língua oficial e de prestígio, o mandarim também se vai instalando gradualmente. Particular relevo é dado ao inglês como segunda escolha para a língua de escolarização, muito provavelmente por ser língua franca internacional, mas também pelo facto de se terem instalado, nesta Região Administrativa Especial, escolas internacionais de renome nas últimas duas décadas criando, assim, uma alternativa em relação à Escola Portuguesa de Macau, permitindo o ingresso em universidades de vários países anglo-saxónicos”, pode ler-se. O inquérito aponta ainda que “o português mantém, também, uma forte oposição”, apesar de se “registar a vantagem por parte do cantonês enquanto língua de comunicação e socialização”. O português foi, “para a grande maioria, a língua veicular de Identidade e dinâmicas linguísticas da comunidade macaense em Macau”, sendo que “muitos dos inquiridos têm uma actividade profissional em que a língua portuguesa é ferramenta de trabalho”. Entre dentro e fora É certo que a comunidade macaense se sente interligada pela comida, usos e costumes e ainda a língua, e a verdade é que muitos inquiridos “se identificam com o cantonês”, mas acabam sempre por serem “vistos como ‘outsiders’ aos olhos de muitos membros da etnia chinesa”. Segundo as autoras, “esta distinção também passa pelo uso da língua nas mais variadas situações do quotidiano”, já que “a língua portuguesa funciona como se de um código secreto se tratasse”. Isto porque, dos inquiridos, 43 por cento diz que falam português “para não serem entendidos pelos outros”, pelo que se pressupõe “que não existe uma vontade intrínseca de integração na comunidade maioritária e o vínculo com Portugal continua forte”, com 74 por cento “dos inquiridos a manterem o contacto com familiares e amigos”. Assim, “para estes inquiridos o uso do português é algo de natural e espontâneo, sendo que 78 por cento fala ou pensar falar em português com os seus descendentes”. Uma questão de simpatia Os participantes no questionário foram confrontados sobre o que pensam dos membros da etnia chinesa, sejam de Macau ou do continente. “Os chineses provenientes do Continente são os que mais somam características negativas. Considerados mal-educados, rudes, egoístas, antipáticos, fechados, arrogantes ou ainda estranhos. Por sua vez, embora fechados, os chineses de Macau são considerados trabalhadores e bem mais simpáticos e educados.” Porém, os macaenses e portugueses são tidos como “simpáticos, bem-educados, faladores e abertos”, tratando-se de “atributos que parecem unir as duas comunidades”. Desta forma, as autoras destacam que “a forma de estar dos macaenses se aproxima significativamente mais da portuguesa do que da chinesa”. Estas entendem que este panorama ajuda a explicar o facto de apenas “19 por cento dos inquiridos estranharem os chineses do Continente, que tiveram pouco ou nenhum contacto com a comunidade portuguesa — ao contrário dos chineses de Macau, cuja convivência com os portugueses remonta a quatro séculos de proximidade”. As académicas indicaram razões para este cenário: “A massificação do turismo proveniente da Grande China, registada nos últimos anos, com a nova política do Governo Central de concessão de vistos individuais, talvez tenha evidenciado, de forma brusca, as diferenças de hábitos e costumes entre as comunidades.” Em relação ao futuro da comunidade macaense, esta continua a ser, no actual século, “um vínculo significativo entre a comunidade chinesa e a portuguesa”, sendo que “a esmagadora maioria dos inquiridos demonstrou ter plena consciência desta mais-valia, não apenas por falar as duas línguas (69 por cento) como também por entender as duas culturas (83 por cento)”.