Paris | Morte de um jovem pela polícia causou distúrbios nos arredores

A morte de um jovem, pela polícia, na cidade francesa de Nanterre durante uma tentativa de fuga originou uma série de distúrbios ontem nos arredores de Paris, levando as forças de segurança a deterem 24 pessoas.
O responsável pela polícia de Paris, Laurent Núñez, explicou ontem ao canal CNews que os manifestantes incendiaram 42 veículos, além de máquinas utilizadas na construção, e insistiu que os 350 policiais destacados durante a noite impediram roubos em lojas e noutros edifícios.
“O dispositivo durará o tempo que for necessário”, disse Núñez sobre a manutenção do aparato policial nos próximos dias, acrescentando que 24 elementos das forças de segurança ficaram feridos nos confrontos.
A mesma fonte adiantou que já estes tumultos já eram esperados, após o incidente da manhã de terça-feira, em Nanterre, aludindo à morte de Naël, um jovem com alegados antecedentes criminais que conduzia sem documentos e que, após ser mandado parar pela polícia, tentou fugir com o veículo e acabou por ser morto a tiro.
Um vídeo dos acontecimentos registado por uma testemunha mostra como um dos agentes, um brigadeiro de 38 anos, apontou a arma directamente para o jovem junto à janela do motorista enquanto o outro falava com ele do mesmo lado. Ambos os agentes foram detidos.

Indignação pública
A Justiça abriu duas investigações, uma delas por homicídio voluntário. A segunda por causa da fuga da vítima. Esta decisão tem provocado a indignação da família do jovem que, de acordo com a sua advogada “em França não se pode julgar um morto”.
Em declarações à estação France Info, Cambla indicou que a família pretende apresentar queixa por falsificação, considerando que os agentes envolvidos no incidente mentiram no seu primeiro depoimento.
Insistiu que a reacção da polícia foi “absolutamente ilegítima” e que “não se enquadra no quadro da legítima defesa” porque “sentir-se ameaçado não basta para disparar uma bala no peito”.
Este incidente gerou uma reacção política, especialmente de alguns dirigentes de esquerda, que denunciaram o grande número de mortes às mãos de elementos policiais, que contam com a legítima defesa, principalmente quando o condutor foge a um posto de controlo.
A estrela da selecção francesa Kylian Mbappé também reagiu, escrevendo numa mensagem, na sua conta no Twitter: “A França magoa-me. Uma situação inaceitável. Estou com a família e parentes de Naël, esse anjinho que se foi cedo demais”.

29 Jun 2023

Rússia | Retiradas acusações contra grupo Wagner

As autoridades russas anunciaram ontem a retirada das acusações contra o grupo de combatentes a soldo da empresa Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, cuja rebelião se prolongou durante 24 horas no passado fim de semana.
“Ficou estabelecido” que os participantes no motim “puseram termo às acções que visavam directamente a prática de um crime”, afirmaram ontem os serviços de segurança russos (FSB), citados pelas agências noticiosas de Moscovo.
Nestas circunstâncias, “a decisão de retirar as acusações foi tomada a 27 de Junho [ontem]”, acrescentou o FSB.
No fim de semana, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo Wagner, conduziu uma rebelião armada de 24 horas, com os mercenários a tomarem a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e a avançar até 200 quilómetros de Moscovo.
A rebelião terminou com um acordo mediado pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que, segundo o Kremlin, estabelece que Prigozhin fique exilado na Bielorrússia, em troca de imunidade para si e para os seus mercenários.
Yevgeny Prigozhin justificou na segunda-feira a “rebelião” do grupo com a necessidade de “salvar” a organização, rejeitando ter tentando um golpe de Estado e adiantando que 30 dos seus mercenários morreram em confrontos com militares russos.
Por seu lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, num discurso transmitido na segunda-feira pela televisão russa, acusou os responsáveis pela rebelião de serem traidores e disse que as suas acções só beneficiaram a Ucrânia e os seus aliados.

28 Jun 2023

Rússia | Retiradas acusações contra grupo Wagner

As autoridades russas anunciaram ontem a retirada das acusações contra o grupo de combatentes a soldo da empresa Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, cuja rebelião se prolongou durante 24 horas no passado fim de semana.
“Ficou estabelecido” que os participantes no motim “puseram termo às acções que visavam directamente a prática de um crime”, afirmaram ontem os serviços de segurança russos (FSB), citados pelas agências noticiosas de Moscovo.
Nestas circunstâncias, “a decisão de retirar as acusações foi tomada a 27 de Junho [ontem]”, acrescentou o FSB.
No fim de semana, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo Wagner, conduziu uma rebelião armada de 24 horas, com os mercenários a tomarem a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e a avançar até 200 quilómetros de Moscovo.
A rebelião terminou com um acordo mediado pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que, segundo o Kremlin, estabelece que Prigozhin fique exilado na Bielorrússia, em troca de imunidade para si e para os seus mercenários.
Yevgeny Prigozhin justificou na segunda-feira a “rebelião” do grupo com a necessidade de “salvar” a organização, rejeitando ter tentando um golpe de Estado e adiantando que 30 dos seus mercenários morreram em confrontos com militares russos.
Por seu lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, num discurso transmitido na segunda-feira pela televisão russa, acusou os responsáveis pela rebelião de serem traidores e disse que as suas acções só beneficiaram a Ucrânia e os seus aliados.

28 Jun 2023

G7 | Acordados sistemas para erradicar violência de género

Os ministros da Igualdade do G7 acordaram estabelecer uma série de sistemas para erradicar a violência de género contra mulheres e meninas, incluindo a prevenção da violência e o apoio às vítimas, segundo um comunicado conjunto divulgado ontem.
A “Declaração de Nikko”, assinada após um encontro de dois dias na cidade com o mesmo nome (a nordeste de Tóquio), inclui uma série de propostas para prevenir a violência e facilitar o acesso à justiça, saúde e habitação para as vítimas.
“Para eliminar todas as formas de violência de género, devemos estabelecer sistemas multissectoriais integrados com ênfase na prevenção da violência, apoio e proteção de sobreviventes e vítimas e garantia de acesso à justiça e responsabilização dos perpetradores”, lê-se no texto ontem publicado.
O documento também faz referência aos casos de assédio ‘online’, assim como a discursos de ódio e misoginia encontrados nas redes sociais e que se intensificaram nos últimos anos contra vítimas, jornalistas e defensores de direitos humanos, entre outros.
A declaração considera ainda essencial a participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões a todos os níveis, sustentando tratar-se de “uma questão de direitos humanos, que contribuiria positivamente para as condições económicas, sociais e políticas globais”.
Outra das propostas do documento é a criação de um melhor ambiente de trabalho para as mulheres trabalhadoras nos sectores do turismo, restauração e cuidados a idosos ou crianças, cargos tradicionalmente desempenhados por mulheres.

26 Jun 2023

G7 | Acordados sistemas para erradicar violência de género

Os ministros da Igualdade do G7 acordaram estabelecer uma série de sistemas para erradicar a violência de género contra mulheres e meninas, incluindo a prevenção da violência e o apoio às vítimas, segundo um comunicado conjunto divulgado ontem.
A “Declaração de Nikko”, assinada após um encontro de dois dias na cidade com o mesmo nome (a nordeste de Tóquio), inclui uma série de propostas para prevenir a violência e facilitar o acesso à justiça, saúde e habitação para as vítimas.
“Para eliminar todas as formas de violência de género, devemos estabelecer sistemas multissectoriais integrados com ênfase na prevenção da violência, apoio e proteção de sobreviventes e vítimas e garantia de acesso à justiça e responsabilização dos perpetradores”, lê-se no texto ontem publicado.
O documento também faz referência aos casos de assédio ‘online’, assim como a discursos de ódio e misógina encontrados nas redes sociais e que se intensificaram nos últimos anos contra vítimas, jornalistas e defensores de direitos humanos, entre outros.
A declaração considera ainda essencial a participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões a todos os níveis, sustentando tratar-se de “uma questão de direitos humanos, que contribuiria positivamente para as condições económicas, sociais e políticas globais”.
Outra das propostas do documento é a criação de um melhor ambiente de trabalho para as mulheres trabalhadoras nos sectores do turismo, restauração e cuidados a idosos ou crianças, cargos tradicionalmente desempenhados por mulheres.

26 Jun 2023

JMJ | Papa diz-se preparado e “com tudo à mão” para rumar a Lisboa

O Papa Francisco garantiu ontem, num vídeo dirigido aos jovens que vão participar na Jornada Mundial da Juventude, que está “preparado e com tudo à mão” para rumar a Lisboa em Agosto.
O Papa aproveita para desafiar os jovens de todo o mundo a comparecerem “à chamada da JMJ”, considerando que o encontro “é um ponto de atracção para todos”.
Prometendo estar presente em Portugal, Francisco foi claro: “Alguns pensam que por causa da doença não posso ir. Mas o médico disse-me que podia ir para estar convosco”, afirmou.
No vídeo, o Papa Francisco diz ter “tudo à mão” e exibiu a mochila da JMJ que será o ‘kit’ do peregrino.
Numa outra mensagem também divulgada ontem, e dirigida aos trabalhadores das forças de segurança, saúde, alimentação e limpeza, o pontífice agradece “a generosidade e o trabalho” de tantos que “possibilitam toda a infra-estrutura” e “sustentam a JMJ”, “queimando horas e horas de trabalho”, mas que “não aparecem como protagonistas”.
Lisboa foi a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a próxima edição da Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer entre os dias 1 e 6 de Agosto deste ano.
As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
A edição deste ano esteve inicialmente prevista para 2022, mas foi adiada devido à pandemia de covid-19.
O Papa Francisco foi a primeira pessoa a inscrever-se na JMJ Lisboa 2023, no dia 23 de Outubro de 2022, no Vaticano, após a celebração do Angelus. Este gesto marcou a abertura mundial das inscrições para o encontro mundial de jovens com o Papa.
Até ao momento já iniciaram o processo de inscrição mais de 650 mil jovens.

25 Jun 2023

Timor-Leste/Eleições | Ramos-Horta exige auditoria internacional a falhas na divulgação de resultados

As falhas na contagem dos votos motivaram o desagrado de Presidente timorense que vai promover uma auditoria internacional para apurar o que se passou.
O Presidente timorense vai exigir uma auditoria internacional para investigar as falhas na divulgação dos resultados das eleições legislativas de domingo, disse ontem o chefe de Estado à Lusa.
José Ramos-Horta acusou ainda o Governo de ter partidarizado o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) nos últimos dois anos, retirando pessoas com experiência e capacidade da entidade que está a ser visada pelas falhas na divulgação dos resultados.
“Não compreendo porquê, já estamos no segundo dia, e não há actualização permanente da tabulação, não está sendo feita. O STAE apresenta a desculpa falaciosa de que o problema é da internet, [mas] não é problema da internet”, afirmou o chefe de Estado, após uma reunião com o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Timor-Leste.
“O problema é que ao longo destes dois anos partidarizaram o STAE, retiraram todo o pessoal com experiência durante muitos anos, e que foram objecto de elogios de todos, que trabalharam na Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e República Centro Africana. Retiraram e puseram pessoas que são políticos”, acusou.
Por uma questão “de transparência”, Ramos-Horta quer explicações, que entende só poderem ser garantidas através de uma auditoria internacional: “Eu vou exigir primeiro uma auditoria, [uma] auditoria aprofundada. E não vai ser uma auditoria nacional. Vai ser uma auditoria internacional, com gente competente, com capacidade de investigação criminal para ver o que se passou”, prometeu.

A culpa é da internet
O STAE admitiu algumas falhas, devido a problemas técnicos e de internet, que estão a atrasar a divulgação dos resultados.
O director-geral, Acilino Manuel Branco, disse à Lusa que tem havido problemas nas comunicações por internet dos municípios para Díli, para que a tabulação dos resultados possa ser inserida.
Quase 19 horas depois do fecho das urnas, no domingo, o STAE ainda só tinha divulgado dados correspondentes a cerca de 48 por cento dos centros de votação, o que equivale a cerca de 258 mil votantes, num universo de mais de 890 mil eleitores recenseados.
As únicas formas de conhecer a contagem progressiva do resultado é visitar o próprio STAE, em Díli, e consultar duas televisões disponibilizadas no local ou, em alternativa, acompanhar o quadro da contagem, que é retransmitido pela Rádio Televisão de Timor-Leste (RTTL).
Ainda assim, o sinal para a RTTL não é sempre em tempo real e, em vários momentos há um atraso significativo. Não há qualquer site ‘online’ para consulta, e o STAE optou, este ano, e ao contrário do que fez nas eleições anteriores, de só divulgar os dados da contagem nacional, sem publicar os quadros com as contagens nos municípios e na diáspora, apesar de já estarem fechadas em alguns locais.
Os dados dessa votação nos municípios passam num longo rodapé nos ecrãs, não sendo possível conhecer os votos de cada partido, nem outros dados sobre a votação, como participação, indicando-se apenas as percentagens obtidas pelas forças políticas.
Apesar das falhas na contagem, o STAE tem sido aplaudido, incluindo pelo próprio José Ramos-Horta, pelo trabalho eleitoral realizado no terreno, com mais de 20 mil pessoas destacadas em todo o país.

23 Mai 2023

Desastres climáticos causaram perdas de quase 4.000M€ nos últimos 50 anos

Os eventos climáticos extremos causaram perdas de quase 4.300 milhões de dólares na economia global nos últimos 50 anos, segundo dados actualizados ontem pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A OMM, com sede em Genebra, informou que os 11.788 desastres climáticos e hidrológicos ocorridos no último meio século causaram a morte de pelo menos dois milhões de pessoas em todo o mundo.
“Infelizmente, as comunidades mais vulneráveis suportam o peso dos riscos climáticos”, lamentou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado.
Segundo dados da organização, 90 por cento das mortes ocorreram em países em desenvolvimento.
No entanto, mais de 60 por cento das perdas económicas registadas – e em grande parte cobertas por seguros – afectaram as economias mais desenvolvidas do planeta, com destaque para os Estados Unidos, que perderam 1,7 mil milhões de euros devido a catástrofes climáticas nos últimos 50 anos.
No entanto, para os países com as economias mais fortes, quase nenhuma catástrofe por si só causou perdas económicas superiores a 0,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Liderança asiática
Por continentes, a Ásia foi o que sofreu o maior número de mortes associadas a eventos climáticos extremos, com 984.263 óbitos (47por cento do total) no período analisado.
Na maioria das vezes, as mortes foram causadas por ciclones tropicais, como o Nargis, que matou mais de 130.000 pessoas no Bangladesh, em 2008.
Em África, os eventos climáticos mataram 733.585 pessoas, na Europa 166.492, principalmente devido às temperaturas extremas, e na América do Norte e Central e no Caribe causaram 77.454 mortes.
No sudoeste do Pacífico, o número de mortos devido a desastres meteorológicos entre 1970 e 2021 atingiu os 66.951.
O ranking por continentes fecha com a América do Sul, onde 58.484 pessoas morreram e mais de 115.200 milhões de dólares de prejuízos foram registados em 943 desastres, principalmente enchentes de rios.
Apesar destes dados, a OMM reconhece que o número de mortes registadas por desastres meteorológicos tem vindo a diminuir década após década e atribui estes resultados à melhoria dos protocolos de alerta precoce.

23 Mai 2023

Bakhmut | Zelensky nega conquista e compara destruição à de Hiroxima

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reafirmou ontem que Bakhmut não está ocupada pela Rússia e comparou o nível de destruição da cidade do leste da Ucrânia ao provocado pelo bombardeamento atómico de Hiroxima, em 1945.
Bakhmut “não está ocupada pela Rússia a partir de hoje (ontem)”, disse Zelensky durante uma conferência de imprensa no Parque da Paz em Hiroxima, no final da cimeira do G7.
Zelensky disse que não podia partilhar informações exactas devido a tácticas militares e que o mais grave seria as tropas ucranianas serem cercadas “se houvesse um erro táctico em Bakhmut”.
Reafirmou que a Ucrânia tem tropas de apoio em Bakhmut e que testemunhas asseguram que a cidade “não está ocupada pela Federação Russa”.
“Não há várias formas de interpretar isto”, respondeu, citado pela agência espanhola EFE, quando questionado sobre a confusão causada por comentários que tinha feito anteriormente em Hiroxima.
No final de um encontro com o homólogo norte-americano, Joe Biden, Zelensky respondeu de uma forma ambígua à pergunta sobre se as tropas de Kiev ainda estavam a lutar em Bakhmut ou se a cidade tinha sido conquistada pela Rússia.
“Para já, Bakhmut existe apenas nos nossos corações”, disse também, na altura.
A conquista total de Bakhmut foi anunciada, no sábado, pelo chefe do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigojin.
A informação foi confirmada posteriormente pelo Ministério da Defesa da Rússia e saudada pelo Presidente Vladimir Putin.
Zelensky insistiu, na conferência de imprensa, que Bakhmut está totalmente destruída após oito meses de combates, naquela que é considerada a batalha mais longa e sangrenta da guerra russa contra a Ucrânia.
“Posso dizer honestamente que as imagens de Hiroxima destruída me fazem lembrar Bakhmut. Não resta absolutamente nada vivo, todos os edifícios estão destruídos (…), destruição absoluta e total”, disse Zelensky, citado pela agência francesa AFP.

22 Mai 2023

Alemanha |Suspeitas de envenenamento de russos no exílio

A polícia alemã informou ontem que abriu uma investigação por suspeitas de envenenamento após problemas de saúde mencionados por um jornalista e activista russo no exílio.
“Foi aberta uma investigação. O caso está em andamento”, disse um porta-voz da polícia de Berlim à agência de notícias AFP, confirmando informações do diário Die Welt publicadas na noite de sábado.
O responsável não deu mais pormenores sobre a investigação em curso.
A publicação russa Agentstvo publicou esta semana uma reportagem na qual relata os problemas de saúde reportados por dois participantes numa reunião de dissidentes russos, nos dias 29 e 30 de Abril.
Um participante, que é descrito como um jornalista que tinha deixado a Rússia recentemente, apresentou sintomas não especificados durante o evento e disse que pode ter começado antes.
Segundo a Agentstvo, o jornalista terá ido ao hospital Berlin Charité, onde havia sido tratado o russo Alexei Navalny, vítima de envenenamento em Agosto de 2020.
A segunda participante é Natalia Arno, directora da Organização Não-Governamental Free Russia Foundation, nos Estados Unidos, onde vive há 10 anos depois de ter deixado a Rússia.
Ainda de acordo com a reportagem, Arno esteve em Berlim no final de Abril, de onde viajou para Praga.
Foi lá, relata a Agentstvo, que apresentou sintomas e também descobriu que o seu quarto de hotel tinha sido aberto.
Arno publicou uma mensagem na rede social Facebook esta semana, onde mencionou os problemas que sentia, nomeadamente “dor aguda” e “dormência”, dizendo que os primeiros “sintomas estranhos” apareceram antes de chegar a Praga.
Nos últimos anos, vários ataques com veneno foram realizados no exterior e na Rússia contra opositores russos.
Moscovo nega qualquer responsabilidade dos seus serviços secretos.

22 Mai 2023

ONU | Lula critica divisão sobre Conselho de Segurança

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva, criticou sábado a divisão dos países em “dois blocos antagónicos” a propósito da reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Para Lula, a solução para as actuais ameaças sistémicas “não passa pela formação de blocos antagónicos ou por respostas que contemplem um pequeno número de países”.
O chefe de Estado brasileiro fez estas declarações durante o seu primeiro discurso em Hiroxima, onde decorre a cimeira dos países do G7, num evento sobre cooperação internacional para enfrentar crises globais, segundo a imprensa brasileira.
O líder brasileiro referiu-se a um retrocesso na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora sem citar expressamente os Estados Unidos. “Não faz sentido chamar os (países) emergentes para resolver as crises mundiais sem responder às suas preocupações” e “sem estarem adequadamente representados nos principais órgãos de governação global”, frisou Lula da Silva.
O Presidente do Brasil defendeu, assim, uma reforma profunda de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Conselho de Segurança da ONU.
Para isso, deu como exemplo a Argentina. “A dívida externa que afectou o Brasil no passado está agora a destruir a Argentina e a causar desigualdade. O FMI deve considerar as consequências sociais de suas políticas de ajuste”, apontou.

Cumprir promessas
A segunda intervenção de Lula foi numa sessão de trabalho sobre sustentabilidade, na qual atacou os países desenvolvidos pelas suas promessas não cumpridas.
Para o chefe de Estados brasileiro, o Protocolo de Quioto contra as alterações climáticas “é uma referência à falta de acção colectiva”.
“Os países ricos têm de cumprir a promessa de atribuir 100 mil milhões por ano à acção climática”, exigiu, referindo-se ao compromisso assumido na cimeira de Copenhaga, na Dinamarca.
O Presidente da Comissão Europeia apresentou o Brasil como um líder em questões ambientais. “As credenciais do Brasil são sólidas”, frisou, lembrando que a matriz energética brasileira está “entre as mais limpas do planeta”. “Queremos liderar o processo que nos permitirá salvar o planeta”, afirmou.

22 Mai 2023

Portugal | Lula diz que protesto do Chega foi “cena de ridículo” e “papelão”

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, desvalorizou ontem o protesto do Chega durante o seu discurso no parlamento, considerando que as “pessoas quando não têm uma coisa boa para aparecer” fazem “essa cena de ridículo”, um “papelão”.

“Quem faz política está habituado a isso. Eu acho que essas pessoas quando voltarem para casa e deitarem a cabeça no travesseiro vão falar: que papelão nós fizemos”, disse Lula da Silva aos jornalistas, à saída da sala das sessões da Assembleia da República.

O chefe de Estado brasileiro disse que não viu um incidente, mas apenas “10 pessoas ou meia dúzia de pessoas protestarem, o que é a coisa mais natural na democracia”.

“Eu às vezes lamento porque as pessoas quando não têm uma coisa boa para fazer, para aparecer, as pessoas fazem essa cena de ridículo. Eu sinceramente não sei como é que estas pessoas vão chegar em casa, olhar nos seus filhos, nos seus pais e falar que estiveram na assembleia a participar num evento praticamente de homenagem à revolução dos cravos, porque foi para isso que eu vim aqui a convite do Presidente Rebelo”, afirmou.

Depois da sessão de cumprimentos, Lula da Silva considerou que a forma como a delegação brasileira foi recebida em Portugal “é uma coisa extraordinária”. “Eu só tenho que agradecer ao presidente da Assembleia [da República], ao Presidente Marcelo e ao primeiro-ministro António Costa pelo carinho e tratamento”, afirmou.

Insultos e vergonha

O presidente da Assembleia da República avisou ontem que “chega de insultos e de porem vergonha no nome de Portugal”, depois dos deputados do partido liderado por André Ventura terem levantado cartazes durante o discurso do chefe de Estado brasileiro.

Mal Lula da Silva iniciou a sua intervenção na sessão solene de boas vindas, os deputados do Chega levantaram-se e empunharam três tipos de cartazes, onde se liam “Chega de corrupção”, “Lugar de ladrão é na prisão” e outros com as cores das bandeiras ucranianas.

O Presidente do Brasil continuou o seu discurso durante mais alguns minutos, mas mal houve uma pausa, as bancadas à esquerda e do PSD aplaudiram entusiasticamente, enquanto os deputados do Chega batiam na mesa, em jeito de pateada, o que levou Augusto Santos Silva a intervir.

“Os deputados que querem permanecer na sala têm de se comportar com urbanidade, cortesia e a educação exigida a qualquer representante do povo português. Chega de insultos, chega de degradarem as instituições, chega de porem vergonha no nome de Portugal”, afirmou Santos Silva, visivelmente irritado.

26 Abr 2023

Lula da Silva ganha as eleições e diz que país “está de volta”

É um país dividido, mas o fim da era Bolsonaro significa o regresso da normalidade e da democracia. O presidente eleito tem pela frente a tarefa gigantesca de unir o país, acabar com a fome, fomentar a educação e parar com a destruição da Amazónia. O mundo está do seu lado.

 

O vencedor das eleições presidenciais brasileiras, Lula da Silva, afirmou que “o Brasil está de volta” e avisou que “não existem dois ‘Brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação”, defendendo que o país precisa “de paz e união”. “O mundo sente saudade do Brasil, saudade daquele Brasil soberano, que falava de igual para igual com os países mais ricos e poderosos, e que ao mesmo tempo contribuía para o desenvolvimento dos países mais pobres. (…) Hoje, estamos a dizer ao mundo que o Brasil está de volta, que o Brasil é grande de mais para ser relegado a esse triste papel de pária no Mundo”, declarou, no seu primeiro discurso após a confirmação da sua vitória.

 

Presidente de todos

A partir de 1 de janeiro de 2023, data em que tomará posse como chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva afirmou que vai governar “215 milhões de brasileiros e brasileiras e não apenas aqueles” que votaram na sua candidatura. O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) defendeu que “não interessa a ninguém viver numa família onde reina a discórdia”. “É hora de reunir de novo as famílias, refazer os laços de amizade rompidos pela propagação criminosa do ódio. A ninguém interessa viver num país dividido e em permanente estado de guerra. Este país precisa de paz e união, este povo não quer mais brigar (…), é hora de baixar as armas que jamais deveriam ter sido empunhadas”, disse.

Lula da Silva reconheceu que “o desafio é imenso”. “É preciso reconstruir este país com todas as suas dimensões: na política, na economia, na gestão pública, na harmonia institucional, nas relações internacionais, e sobretudo no cuidado com os mais necessitados. É preciso reconstruir a alma deste país”, afirmou. O Presidente eleito acrescentou: “Trazer de volta a alegria de sermos brasileiros e o orgulho que sempre tivermos no verde de amarelo e a bandeira do nosso país. Esse verde e amarelo e essa bandeira não pertencem a ninguém, a não ser ao povo brasileiro”, sublinhou, recebendo fortes aplausos.

 

Fome e Amazónia

Lula apontou o combate à fome como “o compromisso número um” do seu futuro Governo e prometeu lutar pelo “desmatamento zero” da Amazónia. “O nosso compromisso mais urgente é acabar com a fome outra vez”, disse Lula. “Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário”, considerou.

Lula da Silva recordou que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de alimentos e o primeiro de proteína animal. “Se somos capazes de exportar para o mundo inteiro, temos o dever de garantir que todo o brasileiro possa tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. Este será o compromisso número do meu Governo”, prometeu.

No seu discurso, comprometeu-se também a retomar o combate às alterações climáticas e a defender a floresta amazónica. “O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a floresta amazónica. No nosso governo, fomos capazes de reduzir em 80% o desmatamento. Agora, vamos lutar pelo desmatamento zero da Amazónia”, afirmou.

Lula da Silva sublinhou que o Brasil e o planeta “precisam de uma Amazónia viva”. “Uma árvore em pé vale mais do que uma tonelada de madeiras extraídas ilegalmente. (…) Um rio de águas límpidas vale muito mais que todo o ouro extraído (…). Quando uma criança indígena morre, uma parte da humanidade morre junto com ela”, lamentou.

Lula da Silva deixou um apelo: “Convido a cada brasileiro e cada brasileira, mais do que nunca, vamos juntos pelo Brasil, olhando mais para aquilo que nos une do que as nossas diferenças”. “Sei a magnitude da missão que a História me reservou e sei que não poderei cumpri-la sozinho. Vou precisar de todos, partidos políticos, trabalhadores, empresários, parlamentares, governadores, prefeitos, gente de todas as religiões, brasileiros e brasileiras que sonham com um Brasil mais desenvolvido, mais justo e mais fraterno”, acrescentou.

A terminar o seu discurso, de cerca de 30 minutos, Lula da Silva transmitiu uma mensagem de esperança: “O Brasil tem jeito, todos juntos seremos capazes de consertar esse país e construir um Brasil do tamanho dos nossos sonhos”.

 

2 Nov 2022

Clima | Níveis de gases com efeito de estufa com novos recordes

Os níveis dos principais gases com efeito de estufa na atmosfera registaram novos recordes em 2021, indica um relatório publicado ontem pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alerta especialmente para um aumento sem precedentes da concentração de metano.
Os níveis de metano na atmosfera registaram o seu maior aumento anual desde que a sua presença começou a ser medida sistematicamente há quase 40 anos e, de acordo com a OMM, que diz não ser ainda claro o motivo, pode dever-se a uma combinação de causas naturais e à actividade humana.
Diz a organização que o aumento dos níveis de metano acontece principalmente em zonas tropicais e, sobretudo, em zonas pantanosas, onde o aquecimento global poderá estar a acelerar a decomposição da matéria orgânica, aumentando assim as emissões de metano.
Outras fontes importantes de metano são culturas de arroz e as explorações pecuárias, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em conferência de imprensa citada pela agência Efe.
Os níveis de dióxido de carbono – o principal gás com efeito de estufa responsável por 80 por cento do aquecimento global – aumentaram entre 2020 e 2021 acima da média da última década, e as medições feitas nos últimos meses sugerem que este aumento continuou em 2022.
De acordo com Petteri Taalas, os cortes de emissões observados em muitos países – tanto permanentes como devido aos confinamentos provocados pela pandemia de covid-19 – não se reflectiram até agora na atmosfera.
Os níveis de óxido nitroso, o terceiro gás mais importante em matéria de alterações climáticas, também continuaram a aumentar.

Mau caminho
Em 2021, as concentrações de dióxido de carbono eram de 415,7 partes por milhão (ppm), as concentrações de metano eram de 1.908 partes por mil milhões (ppmm) e as concentrações de óxido nitroso eram de 334,5 ppmm, que são respectivamente 149 por cento, 262 por cento e 124 por cento dos níveis pré-industriais.
O documento apresentado ontem servirá de base para as discussões na próxima cimeira do clima, que se realiza em Novembro na cidade egípcia de Sharm El Sheikh.
A OMM advertiu que o aumento dos níveis de gases com efeito de estufa mostra que o mundo continua na direcção errada e indica mais uma vez que é necessária mais ambição para conter as alterações climáticas.

28 Out 2022

Israel | Jihad Islâmica lança 600 ‘rockets’. Jerusalém ataca 140 alvos

A Jihad Islâmica Palestiniana lançou quase 600 ‘rockets’ contra Israel desde sexta-feira, segundo dados divulgados ontem pelo exército israelita, que, por sua vez, atacou cerca de 140 alvos do grupo na Faixa de Gaza.

O exército israelita informou ontem que pelo menos 585 ‘rockets’ foram lançados de Gaza pelo grupo Jihad Islâmica desde que teve início o actual pico de tensão, tendo provocado, até ontem, 29 mortos – todos palestinianos – e mais de 250 feridos.

Do total de projécteis lançados de Gaza, 470 atravessaram Israel e 115 caíram dentro da própria Faixa antes de cruzarem a cerca que separa os territórios.

Até agora, Israel sofreu poucos ataques em áreas povoadas, até porque, de acordo com o exército, o sistema de defesa antiaérea ‘Iron Dome’ tem uma taxa de sucesso de 97 por cento, interceptando 185 dos foguetes lançados. Os restantes caíram em áreas despovoadas do país.

Embora a maioria dos projécteis disparados tenham sido dirigidos às comunidades israelitas da fronteira com Gaza, foram também disparados tiros em direcção a Telavive no sábado e a Jerusalém no domingo, apesar de terem sido todos interceptados antes de chegarem ao seu destino.

O exército informou também ter bombardeado 139 alvos da Jihad Islâmica em Gaza, incluindo instalações onde o grupo palestiniano disse que as armas eram fabricadas e armazenadas, locais de onde os ‘rockets’ foram lançados e uma rede de túneis supostamente usada pelo grupo.

Esses ataques causaram a morte de pelo menos nove membros da milícia da Jihad, incluindo Khaled Mansur e Taysir al-Jabari, os principais comandantes do seu braço armado.

Por sua vez, o Ministério da Saúde palestiniano especificou que entre os mortos contam-se seis crianças e quatro mulheres.

Cinco dos menores morreram no sábado à noite após o impacto de um projéctil no norte de Gaza, num incidente que, segundo Israel, foi um lançamento de foguete fracassado pela Jihad Islâmica, que, por seu lado, culpou o exército israelita pelo ataque.

Das origens

O actual pico de tensão começou após a detenção, na segunda-feira passada, do alto dirigente da organização Jihad Islâmica na Cisjordânia, Bassem Saadi.

Face a rumores sobre a possibilidade de acções armadas de retaliação a partir do enclave palestiniano, Israel lançou um ataque preventivo contra alvos da Jihad em Gaza.

O movimento palestiniano Hamas mantém-se, por enquanto, à margem do conflito, o que conseguiu conter a sua intensidade, mas já condenou Israel, considerando que está “novamente a cometer crimes”.

Israel e grupos armados em Gaza têm travado vários conflitos, o último dos quais aconteceu em Maio de 2021 e durou 11 dias, causando a morte de 260 palestinianos e 13 israelitas.

8 Ago 2022

Espaço | Restos de foguetão chinês desintegraram-se sobre o Índico

Um segmento do foguetão chinês que reentrou sábado sem controlo na atmosfera terrestre desintegrou-se sobre o oceano Índico, indicaram militares norte-americanos, sem especificar se os destroços causaram danos.
“O comando da Força Espacial confirma que o foguete Long March-5B da República Popular da China reentrou na atmosfera sobre o oceano Índico a 30 de Julho”, às 16:45 GMT, escreveu o Exército dos Estados Unidos da América (EUA) na rede social Twitter.
Os detalhes sobre a dispersão dos destroços e o local exacto do impacto foram enviados às autoridades chinesas, que lançaram o foguetão no espaço a 24 de Julho, o segundo de três módulos da estação espacial Tiangong, que deverá estar plenamente operacional no final do ano.
Com um peso estimado entre 17 e 22 toneladas e a viajar no espaço sem controlo a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora, o foguetão não foi concebido para controlar a sua descida, o que suscitou críticas.
A China “não deu informações precisas sobre a trajectória do seu foguetão”, apontou o administrador da NASA, Bill Nelson, numa mensagem no Twitter.
“Todos os países que desenvolvem actividades espaciais deveriam respeitar as práticas exemplares”, porque a queda de objectos desta dimensão “representa riscos importantes de provocar perdas humanas ou materiais”, acrescentou.
A entrada na atmosfera provoca um calor e fricção imensos, e os segmentos podem queimar-se ou desintegrar-se, mas os de maiores dimensões, como este foguetão, podem não ser totalmente destruídos.
A trajectória do Long March-5B estava a ser monitorizada, uma vez que podia interferir com o espaço aéreo, de acordo com um alerta feito na quinta-feira pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação.
Numa informação dirigida aos Estados-membros, às companhias aéreas e às autoridades de aviação, a agência listava Portugal, Bulgária, França, Grécia, Itália, Malta e Espanha como os países cujo espaço aéreo poderia eventualmente ser afectado.

Do mesmo

Em 2020, os destroços de outro foguetão Long March caíram em aldeias da Costa do Marfim, provocando danos, mas sem provocar feridos.
Em Maio de 2021, um outro foguetão, também Long March, desintegrou-se quase totalmente na atmosfera terrestre e os detritos caíram no oceano Índico sem causar danos.
O foguetão Long March-5B foi lançado no passado domingo da ilha de Hainan para transportar um módulo da nova estação espacial chinesa.
A China enviou o seu primeiro astronauta para o espaço em 2003, e em 2021 fez aterrar um pequeno robot em Marte.

1 Ago 2022

Ucrânia | China considera que Rússia tem “preocupações razoáveis”

A China disse ontem compreender as “preocupações razoáveis” de Moscovo em relação à Ucrânia, que os Estados Unidos receiam que seja alvo de um eventual ataque russo em meados de Fevereiro.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, falou ontem por telefone com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, sobre a Ucrânia.

O país asiático absteve-se, até à data, de tomar explicitamente partido na crise entre a Rússia e o Ocidente, que acusa Moscovo de ter reunido 100.000 soldados junto à fronteira com a Ucrânia.

“As preocupações razoáveis de segurança da Rússia devem ser levadas a sério e abordadas”, disse Wang a Blinken, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

A posição de Wang surge um dia após a rejeição formal por parte dos Estados Unidos e da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) do principal pedido de Moscovo: recusar a adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica.

O chefe da diplomacia chinesa argumentou que a “segurança regional não pode ser garantida pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares”.

“Pedimos calma a todas as partes, que se abstenham de aumentar as tensões e de escalar a crise”, afirmou Wang, ecoando a posição de Moscovo, que acusou o Ocidente de “histeria” em relação à Ucrânia e negou quaisquer planos para invadir o país.

Travão olímpico

 De acordo com o comunicado do Departamento de Estado norte-americano, Blinken sublinhou ao homólogo chinês os “riscos globais de segurança e económicos apresentados por uma nova agressão russa contra a Ucrânia”.

Washington continua convencido do risco de um ataque russo contra Kiev.

“Tudo indica” que Putin “vai usar a força militar em qualquer altura, talvez entre agora e meados de Fevereiro”, disse a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, na quarta-feira.

Destacou que a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 4 de Fevereiro, pode influenciar o “calendário” russo, para evitar ofender o Presidente chinês, Xi Jinping, durante este evento importante para a China.

Na segunda-feira, Pequim descartou informações da imprensa norte-americana que afirmaram que Xi pediu a Putin para não invadir a Ucrânia durante os Jogos Olímpicos.

Durante a sua reunião com Blinken, Wang Yi também pediu a Washington que pare de “perturbar” os Jogos de Inverno.

Os países ocidentais acusam a Rússia de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia, em 2014, e de patrocinar, desde então, um conflito em Donbass, no leste da Ucrânia.

A Rússia nega quaisquer planos para uma invasão, mas associa uma diminuição da tensão a tratados que garantam que a NATO não se expandirá para países do antigo bloco soviético.

28 Jan 2022

UE | Mobilizados 700 mil euros em ajuda humanitária para fronteira bielorrussa-polaca

A Comissão Europeia anunciou ontem a mobilização de 700 mil euros da União Europeia (UE) em ajuda humanitária para “aliviar o sofrimento” dos migrantes em situação vulnerável na fronteira bielorrussa-polaca, numa altura de forte pressão migratória.

“Respondendo imediatamente a um apelo, a Comissão Europeia atribuiu 200 mil euros de financiamento humanitário ao Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho”, anuncia o executivo comunitário em comunicado, especificando que esta verba será gerida pela Cruz Vermelha bielorrussa para “fornecer a tão necessária assistência de socorro, incluindo alimentos, ‘kits’ de higiene, cobertores e ‘kits’ de primeiros socorros” aos milhares de migrantes concentrados na fronteira.

Além disso, “a UE mobilizou mais 500 mil euros em financiamento humanitário e está actualmente em contacto com as organizações humanitárias parceiras para a implementação dos fundos”, acrescenta a Comissão Europeia.

Citado pela nota de imprensa, o comissário europeu responsável pela Gestão de Crises, Janez Lenarčič, observa que “a UE está a apoiar os seus parceiros humanitários para ajudar a aliviar o sofrimento das pessoas presas na fronteira e em outras partes da Bielorrússia”.

“Apelo ao acesso contínuo das organizações humanitárias de ambos os lados para que cheguem a este grande grupo de refugiados e migrantes para lhes prestar assistência urgente”, exorta o responsável.

A Comissão Europeia adianta na informação ontem divulgada estar “pronta a fornecer financiamento humanitário adicional em resposta a necessidades humanitárias claramente definidas caso o acesso das organizações parceiras humanitárias na Bielorrússia melhore”.

“Toda a ajuda humanitária da UE é baseada em princípios humanitários internacionais. A UE fornece assistência humanitária baseada nas necessidades às pessoas atingidas por catástrofes naturais e provocadas pelo homem, com particular atenção às vítimas mais vulneráveis [sendo que] a ajuda é canalizada de forma imparcial às populações afectadas, independentemente da sua raça, grupo étnico, religião, sexo, idade, nacionalidade ou filiação política”, adianta a instituição.

Resposta europeia

O anúncio surge depois de, na segunda-feira, o Conselho da UE ter alterado o seu regime de sanções à Bielorrússia, alargando os critérios de listagem a cooperantes do regime, para responder à instrumentalização de migrantes e aos ataques híbridos de Minsk.

Com o alargamento dos critérios, as sanções da UE podem agora “visar indivíduos e entidades que organizam ou contribuem para actividades do regime de (Presidente bielorrusso, Alexander) Lukashenko, que facilitam a passagem ilegal das fronteiras externas” do bloco.

Com esta alteração, a UE poderá incluir as pessoas e empresas, como companhia aéreas, que colaboram com a Bielorrússia na condução de migrantes para as fronteiras com o bloco europeu, nomeadamente a da Polónia.

A decisão segue-se às conclusões do Conselho Europeu de 21 e 22 de Outubro, nas quais os líderes da UE declararam que não aceitariam qualquer tentativa de países terceiros de instrumentalizar os migrantes para fins políticos, condenaram todos os ataques híbridos nas fronteiras da UE e afirmaram que responderiam em conformidade.

As sanções à Bielorrússia têm sido ampliadas progressivamente, desde Outubro de 2020, acompanhando a situação no país, depois de terem sido adoptadas em resposta às eleições presidenciais de Agosto do ano passado, que a UE considera terem sido fraudulentas e manipuladas, não reconhecendo a reeleição de Lukashenko.

 

18 Nov 2021

Militares usam gás lacrimogéneo para repelir migrantes na fronteira da Polónia

As forças de segurança polacas usaram ontem gás lacrimogéneo e granadas atordoantes contra um grupo de migrantes concentrados na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia, segundo imagens divulgadas pela televisão bielorrussa e pela agência estatal Belta.

De acordo com as mesmas fontes, os migrantes romperam as cercas na zona de passagem da fronteira de Bruzgui-Kuznica para tentar entrar na Polónia, ou seja, no espaço da União Europeia (UE), e atiraram pedras contra os militares polacos.

A situação também foi divulgada pelo Ministério da Defesa polaco, que, numa declaração divulgada através da rede social Twitter, descreveu os acontecimentos em Kuznica.

“Kuznica: Os migrantes estão a atacar os nossos soldados e oficiais com pedras e a tentar destruir a cerca para entrar na Polónia”, escreveu o ministério, acrescentando que “as forças [polacas] usaram gás lacrimogéneo e granadas atordoantes para repelir o ataque dos migrantes”.

Depois do confronto, a situação acabou por acalmar e os migrantes regressaram ao seu acampamento improvisado, em território bielorrusso.

A generalização dos confrontos com os seus vizinhos europeus foi precisamente o que o Presidente bielorrusso afirmou ontem que quer evitar.

Alexander Lukashenko garantiu que quer evitar a escalada da crise migratória na fronteira com a Polónia, da qual é acusado de ser responsável, e adiantou ter conversado com a chanceler alemã sobre uma possível solução.

Segundo o regime de Minsk, o Presidente bielorrusso propôs, durante uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com a chanceler alemã, Angela Merkel, uma forma de resolver a crise migratória na fronteira, mas escusou-se a referir pormenores.

“Decidimos com Merkel que, para já, não vamos falar especificamente sobre isso. Ela pediu tempo, uma pausa, para discutir essa proposta com os membros da UE”, justificou.

Lukashenko adiantou que aguarda um novo telefonema de Merkel para continuar a discutir uma possível solução e sublinhou que o maior problema é a situação dos mais de 2.100 migrantes que se reuniram perto da passagem da fronteira em Bruzgui-Kuznica, no lado bielorrusso da fronteira com a Polónia.

“O problema, como disse Merkel, é que se não salvarmos estas pessoas, todos perderemos: a Bielorrússia, mas também e ainda mais a UE, que não permitiu a entrada destes refugiados. É por isso que a situação dos refugiados deve ser resolvida imediatamente”, referiu.

 

Troca de acusações

Varsóvia tem acusado a Bielorrússia de usar migrantes, maioritariamente oriundos do Médio Oriente, para desestabilizar a UE, atraindo-os com vistos e facilitando-lhes a chegada à fronteira com países do bloco comunitário.

Na semana passada, Merkel conversou telefonicamente com o Presidente russo, Vladimir Putin, tendo afirmado considerar “inaceitável e desumana a instrumentalização de migrantes” na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia, onde milhares de pessoas estão concentradas em acampamentos precários, sem alimentos e expostas a baixas temperaturas, à espera de uma oportunidade para entrar no espaço da UE.

Na segunda-feira, Bruxelas e Washington anunciaram querer ampliar, nos próximos dias, as sanções ao regime de Minsk, já sancionado devido à repressão contra a oposição desde as eleições de 2020.

“O principal hoje é defender o nosso país, o nosso povo e evitar confrontos”, disse Lukashenko, citado esta terça-feira pela agência Belta.

“Este problema não deve transformar-se num confronto feroz”, concluiu.

17 Nov 2021

Tribunal russo rejeita recurso de norte-americano condenado por espionagem

Um tribunal de apelação russo rejeitou ontem o recurso do preso norte-americano Paul Whelan contra a decisão de recusa do seu pedido de transferência para o cumprimento da pena de 16 anos nos Estados Unidos. Paul Whelan foi condenado por espionagem.

O serviço de imprensa da quarta câmara do tribunal de apelação de Nizhny Novgorod declarou à agência de notícias EFE que o juiz Nikolai Volkov confirmou a decisão do supremo tribunal da República da Mordóvia, onde Whelan está a cumprir a pena de 16 anos de prisão, que em Setembro não aceitou o pedido da defesa do norte-americano.

Os advogados do norte-americano, um ex-fuzileiro naval, disseram que vão apelar da sentença junto de um tribunal de cassação e não descartaram recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH).

Whelan foi preso em 28 de Dezembro de 2018 por agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KBG) num hotel de Moscovo por supostas “actividades de espionagem” em favor dos Estados Unidos.

As autoridades russas acusaram-no de ter recebido de um conhecido uma ‘pen’ de memória, que alegadamente “continha a lista completa dos trabalhadores de um serviço secreto”.

Whelan negou todas as acusações e descreveu o caso como “sequestro político”, enquanto a sua família garantiu que o norte-americano viajou a Moscovo como convidado de um casamento.

O procurador-geral indicou na audiência de ontem que o norte-americano, que também tem nacionalidade britânica, irlandesa e canadiana, pertencia ao “pessoal do serviço de informações do Departamento de Defesa e tentou obter dados sobre alunos da academia do Serviço Federal de Segurança”.

Para ficar

O advogado de Whelan, Vladimir Zherebenkov, disse à imprensa que o ex-fuzileiro naval recebeu informações falsas sobre alunos da academia do FSB, pois havia dados na ‘pen’ de memória de pessoas “que não existem”, sugerindo que se tratava de uma armadilha.

Actualmente, dezassete cidadãos norte-americanos, muitos deles com dupla cidadania, estão detidos em prisões russas, de acordo com uma lista do Serviço Prisional Federal da Rússia.

O advogado de Whelan disse ontem que não há negociações entre a Rússia e os Estados Unidos sobre este assunto.

9 Nov 2021

Literatura | Prémio Nobel para o tanzaniano Abdulrazak Gurnah

A Academia Sueca distinguiu com o Nobel da Literatura o escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah “pela sua penetração compassiva e intransigente dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no fosso entre culturas e continentes”. Hoje é conhecido o Nobel da Paz, depois de já terem sido revelados os prémios da Química, Física e Medicina

[dropcap]O[/dropcap] Comité do Nobel da Literatura anunciou ontem que o prémio deste ano foi para o escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, autor de “Paradise” e “Desertion” e de obras que reflectem as consequências do colonialismo e a condição dos refugiados.

Nascido em 1948 na ilha de Zanzibar, na Tanzânia, Abdulrazak Gurnah mudou-se para o Reino Unido nos anos 60 com o estatuto de refugiado. Apesar do Swahili ser a sua primeira língua, Gurnah cedo começou a escrever em inglês, fazendo desta a sua ferramenta literária.

Esta foi a primeira vez desde 2012 que o Nobel é atribuído a um escritor não europeu ou americano: nesse ano foi Mo Yan, escritor chinês, a receber o prémio.

O autor, nascido na Tanzânia, foi assim distinguido este ano com o prémio literário, depois de este ter sido atribuído em 2020 à poetisa Louise Glück, em 2019 ao romancista, poeta e dramaturgo Peter Handke e em 2018 à romancista e contista Olga Tokarczuk.

De acordo com a Academia Sueca, o grosso da obra de Gurnah — consistente em 10 romances e vários contos — debruça-se sobre a condição do refugiado, da dificuldade entre manter a identidade que se carrega e a que é preciso criar numa nova terra.

Abdulrazak Gurnah não tem actual obra traduzida disponível em Portugal. O seu único título trazido para o mercado nacional é “Junto ao Mar”, editado pela defunta Difel, em 2003.

Tal como ocorreu em 2020, o Comité do Nobel da Literatura anunciou que os vencedores das diferentes categorias do Nobel não tomarão parte no tradicional jantar que ocorre em Dezembro em Estocolmo devido à situação pandémica. Por isso mesmo, a cerimónia de entrega e os discursos dos vencedores são transmitidos.

Ciências da natureza

Na quarta-feira foi a vez do prémio Nobel da Química, entregue ao alemão Benjamin List e ao escocês David MacMillan “pelo desenvolvimento de organocatálises assimétricas”. Os dois cientistas, apesar de manterem investigações em separado, chegaram a uma maneira de desenvolver moléculas de forma mais rápida e que possibilita maiores avanços no ramo farmacêutico.

Segundo a Academia Sueca, os dois laureados desenvolveram “uma nova e engenhosa ferramenta para o fabrico de moléculas” através de “organocatálise”, o que permite a “investigação de novos fármacos e já permitiu começar a tornar o ramo da química mais verde”.

A descoberta consiste no facto de que, à data, se acreditar que apenas metais e enzimas fossem capazes de catalisar a formação de moléculas. No entanto, o seu processo de “organocatálise assimétrica” permite que se criem “pequenas moléculas orgânicas”, o que facilita avanços em múltiplas indústrias.

A criação molecular é uma parte fundamental da química, o que, por sua vez, alimenta muitos dos avanços científicos já realizados e ainda por realizar. Até agora, a formação de moléculas estava a cargo de enzimas, isoladas pelos cientistas e sujeitas a experiências para provocar reações químicas.

Agora, porém, houve avanços. Se List conseguiu catalisar a criação de moléculas não através de uma enzima, mas de um aminoácido chamado prolina, já MacMillan chegou à conclusão que os catalisadores metálicos se destruíam através da mistura e que talvez fosse necessário criar um tipo de catalisador mais duradouro.

O estudo do caos

O Nobel da Física deste ano foi atribuído a Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi “pelas suas contribuições para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos”.

A Real Academia Sueca de Ciências explica que os três laureados foram distinguidos “pelos seus estudos de fenómenos caóticos e aparentemente aleatórios. Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann estabeleceram a base de nosso conhecimento sobre o clima da Terra e como a humanidade o influencia. Giorgio Parisi é distinguido pelo seu contributo revolucionário para a teoria de materiais desordenados e processos aleatórios”.

O primeiro prémio do ano a ser conhecido foi o Nobel da Medicina, atribuído conjuntamente a David Julius e Ardem Patapoutian pelas “descobertas de receptores de temperatura e tacto”. As suas descobertas explicam como o calor, o frio e o tacto enviam sinais ao sistema nervoso.

“A nossa capacidade de sentir calor, frio e o tacto são essenciais para a sobrevivência e para a interação com o mundo à nossa volta. No nosso dia-a-dia tomamos essas sensações como garantidas, mas como é que os impulsos nervosos são iniciados, para que a temperatura e a pressão sejam percepcionados? Esta foi a resposta que os laureados pelo Nobel [da Medicina de 2021] encontraram”, explica o comité Nobel.

David Julius utilizou a capsaicina, um composto químico e o componente activo das pimentas que induz uma sensação de ardor para identificar um sensor nas terminações nervosas da pele que respondem ao calor. Já Ardem Patapoutian utilizou células sensíveis à pressão para descobrir um novo tipo de sensores que respondem ao estímulo mecânico na pele e nos órgãos internos.

Como resultado destas descobertas, passou a ser possível compreender melhor como o calor, o frio e o toque são processados pelo sistema nervoso, sendo que os canais iónicos identificados são importantes para muitos processos fisiológicos e situações de doença.

O conhecimento adquirido está já a ser utilizado no desenvolvimento de tratamentos para uma série de patologias, incluindo dor crónica. “Os laureados identificaram os elos essenciais que faltavam à nossa compreensão sobre a complexa interacção entre os nossos sentidos e o meio ambiente”, conclui o comité Nobel.

Até às descobertas alcançadas por David Julius e Ardem Patapoutian, a compreensão do funcionamento do sistema nervoso e a interpretação do ambiente à sua volta desconhecia ainda como é que a temperatura e os estímulos mecânicos eram convertidos em impulsos eléctricos no sistema nervoso.

David Julius nasceu em Nova Iorque, em 1955, e é atualmente professor na Universidade da Califórnia. Ardem Patapoutian nasceu em Beirute, no Líbano, em 1967, mas mudou-se durante a juventude para os Estados Unidos e é agora cientista no instituto Scripps Research, em La Jolla, na Califórnia.

10 Out 2021

Pedofilia | Papa Francisco manifesta vergonha pela “longa incapacidade da igreja”

[dropcap]O[/dropcap] Papa Francisco expressou ontem a sua “vergonha” pela “longa incapacidade da Igreja” para lidar com casos de padres pedófilos, após a publicação do relatório sobre os 330.000 casos de abuso ou violência sexual por parte do clero francês.

“É um momento de vergonha”, disse o Papa Francisco durante a audiência geral ao saudar os fiéis franceses, expressando às vítimas a sua “tristeza e dor pelos traumas que sofreram”.

De acordo com o relatório publicado na terça-feira por uma comissão independente, desde 1950 houve pelo menos 330.000 casos de abuso ou violência sexual contra menores ou pessoas vulneráveis e foram identificados entre 2.900 e 3.200 pedófilos religiosos.

De acordo com o relatório, cerca de 216 mil crianças ou adolescentes foram abusados ou agredidos sexualmente por clérigos católicos ou religiosos. O número de vítimas sobe para 330 mil quando considerados “agressores leigos que trabalham em instituições da Igreja Católica”, nomeadamente nas capelanias, professores nas escolas católicas ou em movimentos juvenis.

“Infelizmente são números enormes”, disse o Papa, referindo-se ao relatório em que emergia um panorama desolador para a Igreja Católica, “muito acima do esperado”, como reconheceu o presidente da Conferência Episcopal Francesa, Éric de Moulins-Beaufort .

“Desejo exprimir às suas vítimas a minha tristeza e a minha dor e pelos traumas que sofreram, a minha vergonha, a nossa vergonha, pela longa incapacidade da Igreja em colocá-los no centro das suas preocupações”, sublinhou o Papa.

E acrescentou: “Rezemos, Senhor, a Ti a glória e a nós a vergonha”.

Feridas e coragem

Francisco também encorajou “os bispos, fiéis, superiores e religiosos a continuarem todos os esforços para que dramas semelhantes não se repitam” e expressou apoio aos religiosos franceses para superar “esta provação”.

O Papa Francisco convidou também os católicos franceses a assumirem “suas responsabilidades para que a Igreja seja um lar seguro para todos”.

Após a publicação do relatório, a assessoria de imprensa do Vaticano publicou uma nota na qual o Papa expressava sua “dor” e se dizia que os seus pensamentos se dirigiam “em primeiro lugar às vítimas, com grande dor, pelas suas feridas”, agradecendo pela coragem de denunciar os factos.

Francisco foi informado da publicação do relatório pelos bispos franceses, que recebeu nos últimos dias durante as visitas ‘ad limina’ (que se realizam a cada cinco anos).

“O seu pensamento dirige-se em primeiro lugar às vítimas, com grande dor, pelas suas feridas, e gratidão, pela sua coragem na denúncia, e à Igreja da França, porque, na consciência desta terrível realidade, (…) é possível embarcar num caminho de redenção “, referia o comunicado.

O relatório surge depois do escândalo que envolveu o agora ex-padre Bernard Preynat, condenado, no ano passado, por abuso sexual a uma pena de prisão de cinco anos, por ter abusado de mais de 75 rapazes durante décadas.

7 Out 2021

Filipinas | Filho de Ferdinand Marcos candidato à presidência

Ferdinand “Bongbong” Marcos, filho do ditador filipino Ferdinand Marcos, anunciou ontem que se candidatará à presidência em 2022, 35 anos após o seu pai ter sido deposto por uma revolução popular pacífica.

“Anuncio hoje a minha intenção de concorrer à presidência das Filipinas nas eleições de Maio de 2022. Trarei essa forma de liderança unificadora ao nosso país”, anunciou Marcos num vídeo gravado na sua página do Facebook.

Marcos, que foi senador e perdeu a vice-presidência em 2016 por alguns milhares de votos, especulava há meses sobre a candidatura ao tão esperado regresso ao poder da sua família, que teve de se exilar no Havai após a deposição do seu pai em 1986.

Num discurso de três minutos em inglês e tagalo, que se centrou na devastação da pandemia da covida-19, Marcos salientou a necessidade de unidade nacional e “uma visão partilhada” para que o país saia da crise.

“Junta-te a mim na mais nobre das causas e teremos sucesso”, disse Marcos “Bongbong” diante de um grupo de apoiantes no final do vídeo, gravado em Manila.

A candidatura surge após meses de rumores na imprensa e nas redes sociais, sobre a possível escolha de Sara Duterte, a filha do actual presidente, que também está a considerar concorrer à presidência, como sua companheira de candidatura à vice-presidência.

Desafio maior

Aos 64 anos, o filho do ditador que governou as Filipinas durante mais de duas décadas enfrenta o seu maior desafio político numa eleição em que defrontará, entre outros, o doze vezes campeão mundial de boxe, Manny Pacquiao, e o actual presidente da câmara de Manila, Isko Moreno.

Segundo as últimas sondagens, os seus índices de popularidade permitem-lhe sonhar em imitar o seu pai, cuja figura permanece controversa e atrai um número crescente de nostálgicos.

Marcos fez a sua estreia política em 1980 quando, aos 23 anos de idade, se tornou vice-governador da província de Ilocos Norte, o feudo dos Marcos, onde também serviu como governador antes de se tornar senador de 2010 a 2016.

A recuperação do poder, que consideram usurpado após a revolução pacífica do povo apoiada pela Igreja Católica e algumas elites em 1986, tem sido desde então uma obsessão da dinastia, cuja matriarca, Imelda Marcos, também concorreu à presidência em 1992.

Agora, com 92 anos e reformada da política, depois de ter ocupado o seu lugar no Congresso até 2019, a chamada “Borboleta de Ferro” tem sido a defensora mais tenaz do legado do seu marido, que morreu no exílio no Havai em 1989.

O revisionismo sobre o ditador Ferdinand Marcos, que impôs uma Lei Marcial com mão de ferro em 1972 e suprimiu qualquer indício de dissidência, foi impulsionado nos últimos anos pelo actual presidente, Rodrigo Duterte, que autorizou a transferência dos seus restos mortais para o Cemitério dos Heróis em Manila, em 2016, e chamou a Bongbong um “sucessor adequado”.

Bongbong e a sua irmã Imee também sugeriram que se retirassem dos livros de história as referências aos abusos dos direitos humanos durante o governo do seu pai, um período de estabilidade e prosperidade de acordo com eles, e encorajaram os seus detratores a “virar a página”.

6 Out 2021

Morreu Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril

Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril de 1974, morreu ontem de madrugada aos 84 anos, no hospital militar. O Presidente da República destacou “a importância capital” de Otelo Saraiva de Carvalho na revolução dos cravos, evocando-o como o capitão “protagonista cimeiro num momento decisivo da história contemporânea portuguesa”.

“O Presidente da República, consciente das profundas clivagens que a sua personalidade suscitou e suscita na sociedade portuguesa, evoca-o, neste momento como o Capitão que foi protagonista cimeiro num momento decisivo da história contemporânea portuguesa”, refere Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada na página da Presidência da República.

O chefe de Estado considera que “ainda é cedo para a história o apreciar com a devida distância”, no entanto salienta que “parece inquestionável a importância capital que teve no 25 de Abril, o símbolo que constituiu de uma linha político-militar durante a revolução, que fica na memória de muitos portugueses associado a lances controversos no início” da democracia, “e que suscitou paixões, tal como rejeições”.

Marcelo Rebelo de Sousa relembra o que disse no último 25 de Abril “acerca da aceitação que os portugueses devem procurar construir, todos os dias, relativamente a sua história pátria”.

Na nota, o Presidente da República apresenta à família de Otelo Saraiva de Carvalho e à Associação 25 de Abril os seus sentimentos, realçando o “papel central de comando no 25 de Abril”. “Um dos mais activos capitães de Abril, exerceu funções muito relevantes durante a revolução e candidatou-se à Presidência da República em 1976. Afastado do poder na sequência do 25 de Novembro de 1975, viria a ser considerado, pela Justiça, envolvido nas FP25, condenado e amnistiado”, escreve ainda Marcelo Rebelo de Sousa.

Vida de militar

Nascido em 31 de Agosto de 1936 em Lourenço Marques, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

No Movimento das Forças das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por vários atentados e mortes, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado anos depois.

26 Jul 2021