PCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global

A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global

 

Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

“O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial.

O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação.

Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais.

De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação.

O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Áreas de interesse

O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional.

“A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou.

O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa.

Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”.

Mais perto

A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos.

“A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.

29 Jan 2026

EUA | Bill Clinton insta americanos a manifestarem-se

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as “cenas horríveis” em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia.

“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos”, disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o Governo do Presidente Donald Trump de mentir sobre as duas mortes.

Também o antigo presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma “tragédia desoladora” e apelando a uma reacção face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.

“Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo”, refere Barack Obama, num comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar “ansiosa por agravar a situação”.

Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos antigos militares.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de Janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, exceptuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e “possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”.

Versão Bovino

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado”, chamado José Huerta Chuma, que “tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública”.

Durante a operação, “um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa”.

Vários vídeos analisados pela AP, que mostram um agente ICE a disparar contra Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

Tensão máxima

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de Janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando conduzia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo interno”.

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.

27 Jan 2026

Gronelândia | EUA vão renegociar com Dinamarca acordo de 1951

Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse ontem uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.
A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).
A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.
Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse ontem que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.
A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.
O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.
O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece actualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.
A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
O projecto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares.
Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do actual mandato de Trump, em 2029.
O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

Pilares das negociações
A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.
A ameaça de taxas, inicialmente de 10 por cento e depois de 25 por cento, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.
A UE deve ainda discutir a questão numa cimeira europeia extraordinária agendada para ontem em Bruxelas, com a participação do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.
Outro ponto do entendimento NATO-EUA, é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.
A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.
Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.
O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.
Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.
O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

25 Jan 2026

Confirmada óbito de cidadão chinês em explosão

A China confirmou ontem a morte de um cidadão chinês e ferimentos em outros cinco na sequência da explosão ocorrida na segunda-feira nas imediações de um restaurante chinês em Cabul, capital do Afeganistão.

Pequim apelou às autoridades afegãs para reforçarem as garantias de segurança a fim de proteger os seus cidadãos, projectos e instituições no país.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, expressou condolências à família da vítima mortal e solidariedade para com os feridos, sublinhando que foram feitas “diligências diplomáticas urgentes” junto das autoridades afegãs.

A China exige tratamento médico adequado para os feridos, o esclarecimento dos factos e a responsabilização dos autores do ataque.

A Embaixada da China em Cabul já visitou os feridos no hospital, tendo transmitido o apoio oficial de Pequim e prestado assistência consular, informou Guo.

O porta-voz reiterou que a China “condena veementemente e opõe-se firmemente ao terrorismo em todas as suas formas” e manifestou o apoio de Pequim ao Afeganistão e aos países da região na luta conjunta contra o extremismo violento.

Alguns órgãos de comunicação locais noticiaram que o ataque poderá ter sido reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico da Província do Khorasan (ISIS-K), embora esta informação não tenha sido confirmada oficialmente pelas autoridades afegãs.

A explosão ocorreu no interior ou nas imediações de um restaurante chinês localizado no bairro de Shahr-e-Naw, no centro de Cabul, tendo causado pelo menos sete mortos – entre os quais um cidadão chinês – e cerca de 20 feridos, de acordo com fontes hospitalares e policiais.

 

Segurança em causa

Face ao actual contexto de segurança, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou a recomendar aos seus cidadãos que evitem deslocações ao Afeganistão “por enquanto” e pediu àqueles que já se encontram no país, bem como às empresas chinesas ali presentes, que aumentem a vigilância, reforcem as medidas de protecção e abandonem as zonas de maior risco sempre que possível.

O incidente insere-se numa relação pragmática entre a China e as autoridades talibãs desde o regresso destas ao poder em 2021, com enfoque na protecção de cidadãos e interesses chineses no país.

Nos últimos anos, Pequim tem insistido na obtenção de garantias de segurança para os seus projectos e cidadãos, sobretudo nos sectores da mineração e energia. Esta questão tem sido discutida diretamente com responsáveis da segurança afegã, numa altura em que se têm multiplicado os incidentes que afectam trabalhadores e empresas chinesas, tanto no território afegão como nas regiões fronteiriças.

 

21 Jan 2026

UE / EUA | Macron pedirá mecanismo anti-coerção se Trump impuser sobretaxas

Emmanuel Macron, que esteve ontem “em contacto o dia todo com os homólogos europeus”, pedirá “a activação do instrumento anti-coerção” da UE se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, informou fonte próxima do Presidente francês.
Esta ferramenta, cuja implementação requer a maioria qualificada dos países da União Europeia, permite, entre outras medidas, o congelamento do acesso aos mercados públicos europeus ou o bloqueio de certos investimentos.
As ameaças comerciais norte-americanas “levantam a questão da validade do acordo” sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em Julho passado, observou fonte próxima do líder gaulês.
Entretanto, Berlim anunciou que irá coordenar com os parceiros europeus a reacção da UE, caso as sobretaxas de Trump se concretizem.
O porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha “tomou nota” do anúncio de Trump de impor tarifas aos países europeus que enviaram soldados para a Gronelândia e que coordenará a sua reacção com os outros parceiros europeus.
O Governo alemão tomou nota do que foi expresso pelo Presidente dos EUA. O Governo está em contacto próximo com os parceiros europeus. “No seu momento decidiremos sobre as sanções adequadas”, disse Kornelius na sua conta do X.
Até ontem, no fecho desta edição, nem o chanceler, Friedrich Merz, nem nenhum dos seus ministros se tinham pronunciado.

Muda de rumo
Na Alemanha, da parte das empresas privadas, houve reacções e, por exemplo, o presidente da Patronal, Dirk Jandura, disse, em declarações recolhidas pelo jornal Handelsblatt, que se a imposição de tarifas se tornar uma arma política, no final só haverá perdedores.
O director do Instituto de Estudos Económicos de Berlim, Marcel Fratzscher, defendeu que era hora de a UE e a Alemanha fortalecerem as cooperações globais com a China e outros parceiros para enfrentar Trump.
“A Europa cedeu permanentemente a Trump no conflito comercial em vez de defender os seus próprios interesses e o multilateralismo. O erro está a ser pago agora porque Trump viu a fraqueza da Europa”, disse ao Handelsblatt.

Donald ameaça
O líder americano, Donald Trump, ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”.
Esta sobretaxa de 10 por cento, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 01 de Fevereiro e poderá subir para 25 por cento em 01 de Junho, disse Trump.
Donald tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, “a bem ou a mal”.
A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.

19 Jan 2026

Consumo | Incentivo gerou mais de mil milhões de patacas

Entre o início de Setembro e o passado dia 2 de Novembro, o Grande Prémio do Consumo gerou negócios no 1,06 mil milhões de patacas no comércio de restauração nos bairros comunitários, a partir de 260 milhões de patacas em cupões de desconto. A iniciativa termina no final deste mês

 

Em cerca de dois meses, a edição corrente do Grande Prémio do Consumo gerou cerca de 1,06 mil milhões de patacas em negócios no comércio e restauração nos bairros residenciais de Macau. As contas foram apresentadas ontem pelo director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, aos microfones do programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

O responsável acrescentou que entre 1 de Setembro (quando começou a iniciativa) e 2 de Novembro, o programa desenhado para impulsionar o comércio local e o consumo no território distribuiu um total de 260 milhões do montante de benefícios electrónicos.

Em resposta a ouvintes do programa matinal, que se queixaram do valor baixo dos descontos, Yau Yun Wah revelou que a taxa de utilização dos cupões é elevada para os descontos mais avultados, mas que mesmo os descontos de 10 e 20 patacas têm uma taxa de utilização superior a 80 por cento.

 

Música, maestro

Para responder às dificuldades que os comerciantes da zona norte da península enfrentam, o Governo lançou outro programa, entre 20 de Março e 13 de Outubro, para atrair turistas para os bairros residenciais. Segundo o director da DSEDT, a iniciativa que espalhou bonecos da marca Sanrio pela zona norte atraiu “mais de 400 mil visitantes para tirar fotografias,” afirmou.

Yau Yun Wah acrescentou ainda que os comerciantes da zona ficaram “satisfeitos” com a actividade.

O responsável mencionou também o papel dos concertos na atracção de turistas para Macau. “Muitos turistas visitam Macau para assistir a concertos, motivo pelo qual estabelecemos um acordo de cooperação com uma plataforma de venda de bilhetes do Interior da China. Desde o fim de Outubro, lançámos uma iniciativa promocional que oferece descontos no comércio local e bilhetes para o Museu do Grande Prémio. Até agora, contamos com a participação de 30 comerciantes nesta iniciativa”, revelou Yau Yun Wah. O director mostrou-se confiante quanto ao aumento de negócios aderentes à medida, podendo ultrapassar uma centena até ao final deste mês, mas realçou que é preciso estudar a eficácia dos descontos, em coordenação com os comerciantes.

Quanto à segunda fase dos serviços de apoio à digitalização de pequenas e médios empresas, Yau Yun Wah apontou que nas duas fases foram disponibilizadas 2.000 vagas. Na primeira fase, as autoridades receberam 1.691 candidaturas.

11 Nov 2025

Varoufakis decreta fim do capitalismo e início do tecnofeudalismo

O antigo ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis considera que o capitalismo chegou ao fim, com as rendas das empresas tecnológicas a substituírem o lucro como motor das economias, dando origem a um sistema a que chamou tecnofeudalismo.
Este regresso a um passado feudal na era da tecnologia e da Inteligência Artificial é a ideia central do novo livro do economista grego, “Tecnofeudalismo – Ou o fim do capitalismo”, agora lançado em Portugal pela editora Objectiva (Penguim Random House).
“Observada no seu conjunto, torna-se evidente que a economia mundial é cada vez menos movida pelo lucro e cada vez mais pela renda da nuvem”, escreve Varoufakis, fazendo depois a distinção entre os conceitos de renda e lucro, no último caso um bem ou mercadoria ao qual é acrescentado valor.
As empresas detentoras do poder tecnológico, a quem chama os “cloudalistas”, são os novos suseranos do sistema político a quem os capitalistas tradicionais prestam vassalagem, sob a forma do pagamento de rendas.
Na base na pirâmide estão os proletários e os servos do sistema, utilizadores das plataformas e redes sociais que, simultaneamente, as alimentam e lhes dão pistas e informações para os algoritmos trabalharem depois as melhores formas para captar a sua atenção, colocando-se ao serviço dos vassalos-capitalistas para venderem as suas mercadorias.
Para o antigo ministro das Finanças grego dos tempos da ‘troika’, “o capitalismo definha como resultado da actividade capitalista em expansão”.
“Foi através da própria actividade capitalista que nasceu o tecnofeudalismo, e é assim que está a conquistar o poder. Afinal, como poderia ser de outro modo”, questiona.
Num registo de diálogo com o seu falecido pai, com referências que vão da mitologia grega à cultura pop, Varoufakis vai buscar as mudanças tecnológicas das últimas duas décadas para mostrar como conduziram ao predomínio das plataformas tecnológicas sobre os mercados tradicionais.

Nas mãos dos ‘cloudistas’
São dados inúmeros exemplos na economia norte-americana, apontados casos de empresas como a Apple, Google, Tesla ou Amazon, mas também, no caso chinês, do Tik-Tok, Alibaba, Tencent, Baidu, Ping An ou JD.com.
“Desde os donos de fábricas no Midwest dos Estados Unidos aos poetas que lutam para vender a sua mais recente antologia, dos motoristas da Uber em Londres aos vendedores ambulantes na Indonésia, todos dependem agora de algum feudo da nuvem para aceder aos seus clientes. É um progresso, de certo modo”, escreve.
Varoufakis nota que “ficou para trás o tempo em que, para cobrar a renda, os senhores feudais mandavam os rufias partir as pernas ou derramar o sangue dos seus vassalos”.
Na sua opinião, “os cloudalistas não precisam de recorrer a agentes de execução para confiscar bens ou proceder a despejos. Basta removerem uma ligação da página do vassalo na nuvem para este perder o acesso à maioria dos seus clientes. E bastaria a remoção de uma ou duas hiperligações do motor de busca da Google ou de alguns sites de redes sociais e de comércio electrónico para desaparecerem por completo do mundo online”.
“O tecnofeudalismo assenta num terror higienizado e tecnológico”, remata o ex-ministro grego, depois de apontar o poder de determinadas empresas, como a Tesla, de desligar o sistema operativo dos seus automóveis, ou da Google ou Apple, ao retirarem os seus sistemas operativos de determinada marca de telemóveis.

10 Nov 2025

Rússia | Kremlin pede aos EUA que pressionem Kiev para nova ronda negocial

O Kremlin pediu ontem aos Estados Unidos para pressionarem a Ucrânia a aceitar realizar uma terceira ronda de negociações, em Istambul.

“O principal são os esforços de mediação dos Estados Unidos, do Presidente Donald Trump e da sua equipa. Foram feitas muitas declarações com muitas palavras sobre decepção, mas esperamos que, ao mesmo tempo, seja exercida pressão sobre a parte ucraniana”, declarou o porta-voz presidencial, Dmitri Peskov, à imprensa local.

Peskov, por outro lado, acusou a União Europeia (UE) de se militarizar e de “gastar grandes somas de dinheiro para comprar armas para continuar a instigar a continuação da guerra”.

“É difícil prever qualquer coisa diante desse estado de impertinência emocional”, acrescentou.

Paralelamente, comentou que a decisão de Trump de vender armas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) tendo como destino final a Ucrânia não lhe parece uma novidade, mas uma política que se prolonga no tempo.

“É um negócio”, argumentou, pelo qual “alguns europeus pagarão agora”.

Peskov admitiu que a questão do envio de armas é um tema que Moscovo acompanha de perto.

Na segunda-feira, Trump deu à Rússia um prazo de 50 dias para chegar a um acordo com a Ucrânia, caso contrário os Estados Unidos tomarão medidas de retaliação, como a imposição de tarifas, que também poderão afectar os principais importadores de petróleo russo: China e Índia.

17 Jul 2025

Espanha | Extremistas de direita perseguiram jornalistas em Torre Pacheco

Cerca de uma centena de elementos da extrema-direita perseguiram e insultaram jornalistas, durante a manifestação na terça-feira à noite junto da câmara de Torre Pacheco, na região espanhola de Múrcia, que foi acompanhada pelas forças de segurança.

Os insultos, segundo a agência Efe, foram particularmente intensos contra Esther Yáñez, jornalista da estação TVE, que teve de ser escoltada pela Guarda Civil, durante a manifestação contra a agressão a um residente da cidade espanhola, alegadamente por três jovens do Magrebe.

Os membros das forças de segurança presentes tiveram de pedir a Yáñez que parasse de fazer reportagens para não incitar a multidão a continuar o assédio, enquanto alguns jornalistas tiveram de retirar as esponjas dos microfones para que não ficasse claro qual o meio de comunicação social que representavam, por medo de represálias.

Embora fontes próximas das forças armadas citadas pela Efe tenham inicialmente indicado que os polícias estavam a incentivar os participantes a abandonar o local, onde se concentraram dezenas de pessoas sob o lema “Só o povo salva o povo”, o protesto acabou por juntar cerca de 100 pessoas.

Por volta das 22:00 de terça-feira, não se registava qualquer movimento no bairro predominantemente habitado por magrebinos, a cerca de 10 minutos a pé do centro e que estava protegido por numerosos polícias de choque das forças armadas, ainda de acordo com a agência de notícias espanhola.

 

Caça ao imigrante

O protesto aumentou a presença de agentes da Guarda Civil neste dia, com mais de 100 elementos de grupos especiais, na expectativa de mais uma noite de tumultos, semelhante aos dos últimos dias.

As forças de segurança espanholas já tinham divulgado na terça-feira que o número de em Torre Pacheco, na sequência de distúrbios desencadeados por mobilizações contra imigrantes subiu para 13, após mais três detenções na última madrugada.

Os distúrbios e os confrontos entre grupos alegadamente de extrema-direita e residentes em Torre Pacheco, onde 30 por cento da população de 40 mil pessoas é imigrante ou de origem estrangeira, ocorreram nas últimas quatro noites e surgiram após um homem de 68 anos da localidade ter sido agredido por jovens sem razão aparente, segundo contou a própria vítima, na quinta-feira passada, a meios de comunicação social.

Segundo as autoridades, três dos 13 detidos nos últimos dias estão relacionados com esta agressão e os restantes são suspeitas de crimes de ódio, agressões e desordem pública.

 

17 Jul 2025

Presidente Yoon Suk Yeol indiciado por rebelião

A procuradoria sul-coreana indiciou ontem o Presidente deposto Yoon Suk Yeol de rebelião pela imposição da lei marcial, relatou a imprensa local, uma acusação criminal que pode levá-lo à morte ou a prisão perpétua se for condenado.

A agência de notícias Yonhap informou que a acusação a Yoon está relacionada com o decreto de 03 de Dezembro que mergulhou o país numa enorme turbulência política. Outros meios de comunicação sul-coreanos publicaram relatos semelhantes.

Yoon foi acusado e preso anteriormente por causa do decreto da lei marcial.

O Tribunal Constitucional está a deliberar separadamente se deve demitir formalmente Yoon como Presidente ou restabelecê-lo.

Os magistrados acompanharam a decisão de ontem com uma ordem para manter Yoon detido. O Presidente sul-coreano foi preso na semana passada numa operação durante a madrugada.

Yoon, um conservador, negou firmemente junto do Gabinete do Promotor Distrital Central de Seul qualquer irregularidade, considerando que a imposição da lei marcial foi um acto legítimo de governação destinado a aumentar a conscientização pública sobre o risco de a Assembleia Nacional, controlada pelos liberais, obstruir a sua agenda e a demissão de altos funcionários.

Durante o anúncio da lei marcial, Yoon considerou o Parlamento como “um covil de criminosos” e prometeu eliminar “seguidores descarados da Coreia do Norte e forças anti-Estado”.

Após declarar lei marcial, Yoon enviou tropas e polícias para o Parlamento, mas os deputados conseguiram ainda assim entrar no plenário e votar por unanimidade a anulação do decreto, obrigando o seu governo a revogá-lo.

A imposição da lei marcial, a primeira do género na Coreia do Sul em mais de 40 anos, durou apenas seis horas. Contudo, evocou memórias dolorosas de regimes ditatoriais das décadas de 1960 a 1980, quando líderes apoiados pelos militares usavam leis marciais e decretos de emergência para suprimir opositores.

 

Sem condições

A constituição sul-coreana concede ao Presidente o poder de declarar lei marcial para manter a ordem em tempos de guerra ou situações de emergência comparáveis, mas muitos especialistas afirmam que o país não estava sob tais condições quando Yoon fez a declaração.

Yoon insiste que não teve intenção de perturbar o trabalho da assembleia, incluindo a votação do seu decreto, e que o envio de tropas e forças policiais visava apenas manter a ordem.

Contudo, comandantes de unidades militares enviadas à assembleia declararam, em audiências parlamentares ou a investigadores, que Yoon ordenou que retirassem os deputados à força.

Após um tribunal local, a 19 de Janeiro, aprovar um mandado de prisão formal para prolongar a detenção de Yoon, dezenas de apoiantes do ex-presidente invadiram o edifício do tribunal, destruindo janelas, portas e outros bens.

Yoon resistiu anteriormente aos esforços das autoridades para o questionarem ou deterem. Foi, no entanto, capturado a 15 de Janeiro numa operação policial de grande envergadura na sua residência presidencial.

A investigação contra Yoon foi liderada pelo Gabinete de Investigação de Corrupção para Altos Funcionários (CIO), mas, desde a sua detenção, o ex-presidente tem recusado comparecer às audições do CIO, alegando que este não tem autoridade legal para investigar as acusações de rebelião.

O CIO entregou o caso de Yoon ao gabinete de procuradores de Seul na sexta-feira, pedindo que o acuse de rebelião, abuso de poder e obstrução dos trabalhos da Assembleia Nacional. Por lei, na Coreia do Sul, o líder de uma rebelião pode enfrentar prisão perpétua ou pena de morte.

27 Jan 2025

Sudão | Encontradas valas comuns com pelo menos 87 mortos

Pelo menos 87 pessoas foram enterradas em duas valas comuns na região de Darfur, no Sudão, depois de mortos pelos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF), anunciaram ontem as Nações Unidas.
“Os habitantes locais foram obrigados a desfazer-se dos corpos em valas comuns, negando aos mortos um enterro decente num dos cemitérios da cidade”, diz a ONU num comunicado emitido ontem a partir de Genebra.
Segundo a mesma fonte, 87 pessoas de etnia Masalit, incluindo sete mulheres e sete crianças foram enterradas em duas valas comuns, depois de terem sido mortas em Junho pelas RSF e pelas milícias que apoiam este grupo paramilitar que tem combatido o exército desde que a violência eclodiu neste país africano, a 15 de Abril.
“Condeno, nos termos mais fortes, a morte destes civis, e estou ainda mais chocado pela maneira desrespeitosa como os mortos, juntamente com as suas famílias e comunidades, foram tratados”, disse o alto-comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, citado no comunicado.
“Tem de haver uma investigação independente, rápida e exaustiva a estas mortes, e os mandantes têm de ser responsabilizados”, acrescentou.
De acordo com os relatos recolhidos pela ONU, que os considera credíveis, os corpos dos combatentes mortos são deixados nas ruas e os familiares são proibidos de os recolher pelas RSF, por vezes durante mais de uma semana, ao mesmo tempo que os feridos são impedidos de receber assistência médica.
As regras humanitárias internacionais e de direitos humanos definem que todas as partes num conflito têm de garantir que os feridos recebem assistência médica, lembra a ONU, concluindo que a liderança das RSF tem de imediata e inequivocamente condenar e parar a matança de pessoas, a violência e o discurso de ódio com base na sua etnicidade.

14 Jul 2023

Itália | Autoridades bloqueam navio de resgate Ocean Viking

O navio Ocean Viking, da Organização Não Governamental (ONG) Sos Mediterranee, foi retido ontem pela guarda costeira italiana por “irregularidades relacionadas com a segurança da navegação”, após desembarcar no porto de Civitavecchia com 57 migrantes resgatados.
A ONG francesa, que se dedica à busca e resgate de migrantes no Mediterrâneo central, explicou ontem em comunicado que está “a trabalhar para levantar o bloqueio o mais rapidamente possível”.
A guarda costeira afirma que o bloqueio do navio ocorreu devido a “irregularidades relacionadas com a segurança da navegação, verificadas após actividades de verificação a bordo realizadas por inspectores especializados”.
“Parte da tripulação não tinha as qualificações necessárias para a gestão dos dispositivos de salvamento a bordo”, que “são essenciais para fazer face a uma eventual situação de emergência como o abandono do navio”, segundo a guarda costeira italiana.
A ONG francesa chegou na terça-feira ao porto da região de Lácio depois de resgatar 57 migrantes e denunciar que foram atacados com tiros de metralhadora pela Guarda Costeira da Líbia.
“A detenção do Ocean Viking ocorre cinco dias após um incidente de segurança enfrentado pela sua tripulação. Na sexta-feira, 7 de Julho, a guarda costeira da Líbia disparou tiros a 100 metros da equipa de resgate humanitário e dos náufragos, incluindo uma mulher e cinco crianças desacompanhadas, quando tentavam regressar ao barco”, denunciou a ONG.

Mar vermelho
A co-fundadora e CEO da ONG, Sophie Beau, disse que a situação no Mediterrâneo é muito preocupante com ataques a trabalhadores humanitários e taxas de mortalidade alarmantes.
“A actual detenção está a afectar significativamente a nossa capacidade de salvar vidas em águas internacionais”, salientou Sophie Beau.
Já em Janeiro de 2022, o Ocean Viking tinha ficado retido no porto de Trapani após uma inspecção de 11 horas pela guarda costeira devido a problemas estruturais na popa do navio.
Desde o início do ano já desembarcaram nas costas italianas 72.387 migrantes, mais do dobro dos 30.939 que o fizeram no mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais.

14 Jul 2023

Portugal perdeu 1,2 MME com benefícios e isenções a companhias aéreas

Portugal perdeu 1,2 mil milhões de euros (MME) em receitas fiscais por “subtributação” das companhias aéreas em 2022, segundo um estudo ontem divulgado pela organização ambientalista Zero, que defende que se aplique ao sector o princípio do poluidor-pagador.
Segundo os mesmos dados, além da perda de receita fiscal, a concessão de isenções e benefícios fiscais ao sector da aviação levam ainda a um acréscimo de 34,8 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.
“Em 2025, caso os governos nacionais e da UE não acabem com estes benefícios, o buraco fiscal aumentará para 47,1 mil milhões de euros na Europa, e 35,7 mil milhões de euros na UE”, refere, acentuando que isto significa também um “buraco crescente na redução de emissões de dióxido de carbono”.
No caso de Portugal, refere a Zero, a “borla fiscal” que em 2022 ascendeu a 1,2 mil milhões de euros, irá atingir mais de 1,4 mil milhões de euros, caso não haja uma revisão dos benefícios atribuídos às companhias aéreas que operam no país.
Num apanhado da situação em Portugal, a Zero aponta à isenção fiscal no combustível dos aviões, a isenção do IVA nos bilhetes ou a aplicação da taxa reduzida de 6 por cento nos voos domésticos continentais ou a “inexpressiva taxa de carbono fixa de dois euros por bilhete”.

Contas mal feitas
Segundo a Zero, só a TAP beneficiou em 2022 de 450 milhões de euros em isenções e subsídios fiscais, sendo “270 milhões de euros por via directa de impostos sobre o combustível e sobre o preço do carbono e 180 milhões por via indirecta do IVA e taxas de que os seus passageiros beneficiam”.
Para a associação ambientalista é, por isso, urgente aplicar o princípio do poluidor-pagador na aviação, colocando as companhias e os passageiros “a custear todos os prejuízos climáticos e ambientais que originam”.
Assim, defende, no curto prazo, Portugal deve aplicar taxas que lhe permitam reduzir o ‘buraco’ fiscal, com a Zero a precisar que a taxa deveria rondar, em média, os 20 euros por viagem doméstica, os 48 euros por viagem intraeuropeia e os 281 nos voos intercontinentais, e equacionando uma diferenciação no valor consoante o número de viagens por passageiro.

13 Jul 2023

Pelo menos 1.350 migrantes chegaram à ilha entre domingo e segunda-feira

Cerca de 1.350 migrantes chegaram à ilha italiana de Lampedusa entre domingo e segunda-feira sendo que o centro de acolhimento aloja mais de duas mil pessoas depois dos contínuos desembarques dos últimos dias.

De acordo com a imprensa italiana, durante a noite a Guarda Costeira localizou sete embarcações precárias com cerca de 350 pessoas e que foram desembarcadas em Lampedusa.

Na segunda-feira ocorreram 23 desembarques com 1.007 pessoas no total.

Nas últimas barcaças resgatadas durante a última noite, as autoridades referem que foram desembarcadas entre 45 a 70 pessoas de origem síria, marroquina, tunisina, senegalesa além de cidadãos da Costa do Marfim e da Libéria.

Alguns grupos informaram que partiram de Sfax, em Tunes e uma outra embarcação com 70 pessoas a bordo, entre as quais nove mulheres e 11 menores de idades, zarparam da localidade de Kerkennah, também na Tunísia.

O centro de acolhimento da ilha italiana volta a encontrar-se lotado.

De acordo com o Ministério da Administração Interna italiano, a delegação regional do governo em Agrigento, a que pertence Lampedusa, ordenou a transferência de 600 migrantes para os portos de Messina e Reggio Calabria e outros 300 embarcaram num ferry em direção a Porto Empedocle.

A subir

No domingo, chegou ao ancoradouro de Brindisi, região da Apulia (sul de Itália), o navio da organização não-governamental espanhola Open Arms que nos dias anteriores resgatou, em seis operações, 299 pessoas, entre as quais 90 menores de idade e 23 mulheres.

Os migrantes resgatados pela Open Arms são oriundos do Sudão, Eritreia, Egipto, Etiópia, Síria, Tunísia, Costa do Marfim, Senegal, Nigéria, Burkina Faso e Mali.

Dados actualizados na segunda-feira, publicados pelo Governo de Itália, indicam que 71.601 migrantes chegaram às costas italianas desde o princípio do ano.

Em igual período do ano passado desembarcaram 30.939 pessoas em Itália.

12 Jul 2023

Tóquio | Assinalado um ano do assassinato de Shinzo Abe

Líderes políticos e empresariais do Japão assinalaram sábado um ano do assassinato do antigo chefe do governo Shinzo Abe, com o actual primeiro-ministro, Fumio Kishida, a defender objectivos políticos urgentes como forma de honrar a vontade do antecessor.
No templo budista Zojoji, em Tóquio, Fumio Kishida e os deputados do Partido Liberal Democrático, no poder, bem como representantes dos partidos da oposição e líderes empresariais, assistiram a uma cerimónia fechada, organizada pela viúva de Shinzo Abe, Akie Abe, e família.
No local, foram colocadas mesas para o público depositar flores.
Fumio Kishida, ao falar aos jornalistas na sexta-feira enquanto prestava tributo, disse que adoptou políticas que não podiam ser adiadas, “como forma de honrar os últimos desejos de Abe”.
“Continuarei a trabalhar nisso para cumprir as minhas responsabilidades”, afirmou.
No meio de um protesto nacional sobre falta de segurança, a polícia reforçou as medidas de protecção, na sequência de uma investigação que encontrou falhas na forma como Abe era protegido.
Em Nara, perto do local onde Abe foi assassinado, dezenas de pessoas alinharam-se para depositarem flores.
O suspeito do assassinato, Tetsuya Yamagami, foi detido no local, tendo sido acusado de homicídio e vários outros crimes, incluindo de violar a lei de controlo de armas. A data de início do julgamento está ainda por marcar.
Yamagami disse aos investigadores que matou Abe, um dos políticos mais influentes e criticados do Japão, por alegadamente estar ligado a um grupo religioso que odiava.

10 Jul 2023

Israel | Milhares voltam a sair às ruas contra reforma judicial

Dezenas de milhares de israelitas protestaram sábado contra a polémica reforma judicial do Governo em manifestações semanais que acontecem todos os sábados, e um “dia de resistência”, em que esperam uma participação em massa, foi agendado para terça-feira.
Uma multidão de manifestantes saiu sábado à tarde em todo o país para se opor ao plano do executivo liderado por Benjamin Netanyahu, e pelo menos, de acordo com a agência EFE, 143.000 pessoas protestaram na capital, Telavive, o principal centro das mobilizações, que acontecem desde Janeiro e são as mais expressivas de Israel em décadas.
A coligação do Governo espera hoje votar em primeira instância plenária o projecto de lei que faz parte do pacote legislativo da polémica reforma, que, segundo os críticos, enfraqueceria a independência da justiça e as bases democráticas formais de Israel.
A lei eliminaria a “doutrina da razoabilidade” que permite que o Tribunal Supremo reveja e anule decisões executivas com base na sua razoabilidade. Se aprovado na primeira apreciação, o documento deve passar as próximas semanas em votações nas duas instâncias subsequentes em plenário para ser aprovado definitivamente.
Face às pretensões do Governo – que juntamente com o partido de Netahyahu, o Likud, de direita, inclui uma coligação ultraortodoxa e a extrema-direita -, que tenta promover a reforma unilateralmente depois de não conseguir chegar a um acordo com as forças de oposição, o movimento de protesto de cidadãos pretende “intensificar a luta” e convocou uma jornada de mobilizações para amanhã, na qual espera conseguir uma presença massiva.

Contra a ditadura
De acordo com o plano, os protestos começarão às 08:00 hora local com marchas, caravanas de carros e acções como bloqueios de estradas, seguidas de uma manifestação junto do Aeroporto Internacional Ben Gurion em Telaviv às 16:00 e manifestações em massa nas principais cidades israelitas a partir das 20:00.
“Israel não quer uma ditadura” nem “uma legislação ditatorial unilateral e perigosa que derrube a economia, prejudique a segurança e leve à ruptura da nação”, disseram os organizadores das marchas em comunicado, que nas últimas semanas tentaram acelerar a intensidade das mobilizações como medida de pressão para travar a reforma judicial.

10 Jul 2023

Clima | Mês de Junho foi o mais quente desde que há registo

O mês de Junho foi globalmente o mais quente desde que há registo, superando em muito o recorde de 2019, segundo um estudo do Copernicus, um programa da Comissão Europeia que estuda alterações climáticas e ambientais.

“Junho foi o mês mais quente globalmente, pouco mais de 0,5 graus Celsius acima da média de 1991-2020, muito acima do recorde anterior de Junho de 2019″, segundo dados do observatório.

As temperaturas quebraram recordes no noroeste da Europa, enquanto partes do Canadá, Estados Unidos, México, Ásia e leste da Austrália “estiveram significativamente mais quentes que o normal”, observa Copernicus.

Por outro lado, foi mais frio do que o normal no oeste da Austrália, oeste dos Estados Unidos e oeste da Rússia.

Durante 15 anos, o mês de Junho esteve consistentemente acima das médias do período de referência 1991-2020, mas “Junho de 2023 está muito acima dos outros, é o tipo de anomalia a que não estamos acostumados”, explicou à Agência France Presse o cientista Julien Nicolas.

A temperatura média global foi de 16,51 graus Celsius em Junho, 0,53 graus acima da média das três décadas anteriores. O recorde anterior, em Junho de 2019 foi de 0,37 graus.

“O recorde de Junho de 2023 deve-se em grande parte às temperaturas muito altas da superfície do oceano”, que representam 70 por cento da superfície do globo”, explicou o cientista.

As temperaturas tinham atingido níveis recordes em Maio no Oceano Pacífico devido ao início do fenómeno climático El Niño.

Em Junho, por sua vez, o Atlântico Norte foi afectado por ondas de calor no mar “que surpreenderam muita gente ao atingirem níveis verdadeiramente sem precedentes”, disse o especialista.

“Ondas de calor marinhas extremas” foram medidas no Mar Báltico, bem como em torno da Irlanda e da Grã-Bretanha, que já confirmaram há alguns dias o seu mês recorde de temperaturas de Junho.

 

A estufa continua

A tendência continua em Julho: terça-feira foi o dia mais quente já medido globalmente, de acordo com dados preliminares da Universidade do Maine, nos Estados Unidos.

Os cientistas alertam há meses que 2023 poderá registar recordes de calor à medida que as mudanças climáticas causadas pelo homem, impulsionadas em grande parte pela queima de combustíveis fósseis como carvão, gás natural e petróleo, aquecem a atmosfera.

Estas observações são provavelmente uma antecipação do que aí vem com o fenómeno designado El Niño – geralmente associado a um aumento das temperaturas à escala mundial -, complementado com os efeitos do aquecimento climático causado pela atividade humana.

9 Jul 2023

Unicef pede o fim das hostilidades em Jenim e protecção para as crianças

A Unicef apelou à “cessação imediata da violência armada” no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, e exortou as partes a proporcionarem às crianças “a protecção a que têm direito”, após a operação militar lançada terça-feira.
“De acordo com os últimos relatórios, pelo menos três crianças morreram ontem [na terça-feira] e muitas outras ficaram feridas, enquanto centenas de famílias foram deslocadas devido aos combates em curso”, disse ontem a directora regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Oriente e Norte da África, Adele Khodr, referindo-se à violência em Jenin.
Em comunicado, Adele Khodr lamentou que serviços básicos, como água e electricidade, tenham sido interrompidos no campo de refugiados local e pediu “a cessação imediata da violência armada”, uma vez que “as crianças devem ser sempre protegidas de todas as formas de violência e violações graves”.
A esse respeito, recordou que “todas as partes têm a obrigação de proteger os civis – especialmente as crianças – de acordo com o direito internacional humanitário e de direitos humanos”.

Ciclos de horror
Na mesma nota, destacou que nos últimos dois anos as crianças testemunharam ciclos recorrentes de violência, com três escaladas na Faixa de Gaza e arredores e numerosos incidentes relacionados com conflitos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.
Da mesma forma, expressou particular preocupação com o aumento da violência na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, onde desde “o início de 2023, 33 crianças – 27 palestinianos e 6 israelitas – foram mortas”, números que “são quase tão altos como os de todo o ano de 2022, que já foi considerado o ano mais mortal para crianças na Cisjordânia desde 2004”.
A responsável da Unicef instou “todas as partes a fornecer às crianças a protecção especial a que têm direito, a proteger o seu direito à vida e a abster-se de usar violência, especialmente contra crianças, não importa quem sejam ou onde estejam.”

6 Jul 2023

EUA | Secretária do Tesouro visita a China esta semana

A Secretária do Tesouro dos Estados Unidos desloca-se à China de quinta-feira a domingo para se encontrar com responsáveis chineses, anunciou o Departamento do Tesouro norte-americano.
Durante a estada em Pequim, Janet Yellen vai manter conversações com membros do Governo chinês “sobre a importância de [os dois] países, enquanto maiores economias do mundo, gerirem as relações de forma responsável”, indicou, no domingo, o Departamento do Tesouro dos EUA.
Yellen pretende também sublinhar a necessidade de “comunicar directamente sobre questões de interesse e trabalhar para enfrentar os desafios globais”.
“Não esperamos que esta viagem traga quaisquer avanços significativos” no relacionamento bilateral, disse um responsável do Departamento do Tesouro.
“No entanto, esperamos ter discussões construtivas e estabelecer canais de comunicação a longo prazo” com a China, acrescentou.
“Durante esta viagem, queremos aprofundar e reforçar a frequência da comunicação entre os nossos países e estabilizar as relações, para evitar mal-entendidos e expandir a nossa colaboração sempre que possível”, referiu.
As relações diplomáticas e económicas entre os dois países têm vindo a deteriorar-se gradualmente desde a administração do ex-Presidente norte-americano Donald Trump.
No ano passado, a administração Biden impôs restrições à exportação de semicondutores e componentes tecnológicos norte-americanos para a China.
Antes disso, tinha mantido em vigor as tarifas impostas por Donald Trump sobre centenas de milhares de milhões de dólares de produtos exportados pela China para os EUA.
Em Novembro, o Presidente dos EUA, Joe Biden, encontrou-se pessoalmente e pela primeira vez com o chefe de Estado da China, Xi Jinping, numa tentativa de aliviar as tensões.

4 Jul 2023

Religião | Papa considera inaceitável queima do Alcorão

O Papa Francisco considera que a recente queima do Alcorão em Estocolmo é um acontecimento “inaceitável” e “condenável” e pediu que a liberdade de expressão não seja usada como “desculpa para ofender outros”.
Numa entrevista exclusiva ao jornal estatal dos Emirados Árabes Unidos Al Ittihad, publicada ontem, o Papa afirma: “Permitir isso [queima do Alcorão] é inaceitável e condenável (…). A liberdade de expressão não deve ser usada como desculpa para ofender os outros (…). A nossa missão é transformar o sentido religioso em cooperação, fraternidade e obras tangíveis do bem”, afirmou.
Na entrevista, o Papa referiu-se ao documento Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Coexistência Comum, que assinou em Fevereiro de 2019 com o xeque da mais importante instituição do islamismo sunita (Al Azhar), Ahmed al Tayeb, durante a visita aos Emirados Árabes Unidos.
“Agora precisamos de construtores da paz, não de fabricantes de armas, não de instigadores de conflitos (…). Precisamos de bombeiros, não de incendiários, precisamos de defensores da reconciliação, não daqueles que ameaçam a destruição”, disse.
De acordo com o jornal, o Papa acrescentou: “Ou a civilização da fraternidade ou a inimizade retrógrada (…). Ou construímos o futuro juntos ou não haverá futuro”.
No dia 28 de Junho, primeiro dia da celebração do Eid al Adha, um homem de origem iraquiana queimou páginas de uma cópia do livro sagrado em frente à Grande Mesquita de Estocolmo, durante uma manifestação autorizada pelas autoridades suecas que contou com a presença de cerca de 200 pessoas.
Este acto foi condenado popular e oficialmente no mundo árabe e islâmico e países como Arábia Saudita, Marrocos, Jordânia e Emirados Árabes Unidos chamaram os embaixadores suecos dos seus respectivos países.

4 Jul 2023

Banco Mundial diz que sector privado deve ter “papel significativo” no financiamento climático

O Presidente do Banco Mundial defendeu que o sector privado tem de ter um “papel significativo” no combate às consequências das alterações climáticas e à pobreza, vincando que a escala dos desafios para os governos é enorme.
“Os governos, as instituições multilaterais e o sector da filantropia não são suficientes para fazermos um progresso adequado rumo aos objectivos climáticos e da pobreza nos mercados emergentes e nos países em desenvolvimento”, disse Ajay Banga.
“A escala dos nossos desafios requer que o sector privado desempenhe um papel significativo, ao lado do Banco Mundial e de outras instituições de desenvolvimento”, acrescentou.
As declarações do novo presidente do Banco Mundial surgem depois de uma reunião, esta semana, de várias instituições multilaterais financeiras, entre as quais participaram a directora-executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente designado da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP) 28 e o enviado especial das Nações Unidas para o Clima.
“Durante anos, tentámos (mas ficámos aquém) mobilizar investimento privado significativo nestes mercados”, admitiu o novo líder do maior banco multilateral do mundo, acrescentando que “dada a urgência e a escala” dos “desafios interligados” tem de se “tentar novas abordagens”.

Com história
O envolvimento do sector privado no financiamento de projectos transformadores que consigam implementar medidas de mitigação das alterações climáticas e potenciar o crescimento verde nas economias mais desfavorecidas tem sido um dos principais temas dos debates mundiais do sector financeiro no que diz respeito à ajuda aos países menos desenvolvidos, nomeadamente em África, o continente que sofre as piores consequências das alterações climáticas, apesar de ter sido o que menos contribuiu para a sua causa.
Entre as medidas defendidas pelos participantes na mesa-redonda de Paris, no âmbito da Cimeira para um Novo Pacto de Financiamento Global, está a decisão de pedir aos bancos multilaterais para o desenvolvimento e para os fundos climáticos especiais que “implementem medidas que simplifiquem e acelerem o acesso a financiamento climático e implementem medidas práticas de trabalhar em conjunto, num sistema, com o objectivo de acelerar e dar escala ao financiamento da transição climática nos mercados emergentes e nos países em desenvolvimento”.
De acordo com um comunicado divulgado pelo FMI, “os participantes reconheceram que o capital privado vai ter de desempenhar um papel decisivo sobre o défice de financiamento para a transição para economias de carbono zero, o que vai requerer uma acção concertada por parte de todos os participantes para posicionarem o financiamento da transição climática como uma óptima oportunidade de investimento”.

4 Jul 2023

França | Mais de 700 detidos na quinta noite consecutiva de distúrbios

Pelo menos 718 pessoas foram detidas e 45 polícias ficaram feridos na quinta noite consecutiva de distúrbios em França por causa da morte de um adolescente abatido na terça-feira pelas forças de segurança, indicou ontem o Ministério do Interior.

Numa publicação na conta pessoal na rede social Twitter, o ministro do Interior francês, Gérard Darmanin, indicou que, apesar dos incidentes, a noite de sábado para domingo foi mais calma que as anteriores, facto que, no seu entender, se deve a uma maior presença das forças de segurança nas ruas.

Às 08:00 locais de ontem, o Ministério do Interior francês actualizou os números, dando conta da detenção de 718 pessoas, quando no dia anterior, à mesma hora, tinham sido comunicadas 994. No entanto, ainda no sábado, pouco depois, esse número seria actualizado para 1.311.

Entre os incidentes registados na noite de sábado para domingo, reportou a agência noticiosa France-Presse (AFP), está um ataque à residência de um presidente de câmara de uma pequena cidade da região parisiense perpetrado por “desordeiros”, que provocou ferimentos na mulher e num dos dois filhos menores.

Vincent Jeanbrun, presidente da Câmara Municipal de L’Haÿ-les-Roses, nos arredores de Paris, denunciou numa declaração publicada no Twitter “uma tentativa de assassínio indescritível e cobarde”.

Por volta das 01:30, enquanto Jeanbrun se encontrava na Câmara Municipal, “tal como há três noites”, para fazer face à violência urbana, os desordeiros “atiraram um veículo blindado contra a sua casa antes de o incendiarem para incendiar a residência”, onde a mulher e os dois filhos menores dormiam, declarou, num comunicado publicado no Twitter.

Segundo Jeanbrun, depois de alertado, foi ao tentar “proteger” a família e “escapar aos agressores” que a mulher e uma das crianças ficaram feridas.

“Hoje à noite foi atingido um novo nível de horror e de ignomínia […] Embora a minha prioridade hoje seja cuidar da minha família, a minha determinação em proteger e servir a República é maior do que nunca”, disse ontem o presidente da câmara desta cidade de mais de 30.000 habitantes num comunicado.

 

Manter a força

O ministro do Interior francês anunciou no sábado que seria mantida a mobilização de 45.000 polícias e guardas nacionais para enfrentar uma potencial noite de protestos e tumultos pela morte de Nahel M., um jovem de 17 anos que foi na passada terça-feira alvejado à queima-roupa por um polícia durante um controlo de trânsito.

As cerimónias fúnebres de Nahel decorreram no sábado em Nanterre, nos arredores de Paris, com um velório privado, uma cerimónia na mesquita e o enterro num cemitério local, onde compareceram centenas de pessoas.

3 Jul 2023

Tsipras demite-se da direcção do Syriza após pesada derrota nas eleições

O líder da oposição grega, Alexis Tsipras, anunciou ontem a demissão da liderança do partido de esquerda Syriza, quatro dias depois da pesada derrota nas eleições legislativas de domingo frente à Nova Democracia (ND), de Kyriakos Mitsotakis.

“Há alturas em que é preciso tomar decisões cruciais”, disse Alexis Tsipras, emocionado, numa conferência de imprensa em Atenas, sublinhando que vai convocar eleições para a liderança do Syriza, às quais disse que não será candidato.

“Não escondo que esta é uma decisão dolorosa”, afirmou.

Tsipras, 48 anos, foi primeiro-ministro da Grécia de 2015 a 2019, durante anos politicamente tumultuosos, enquanto o país lutava para permanecer na zona euro e acabar com uma série de resgates internacionais.

Nas eleições gerais de domingo, o Syriza recebeu pouco menos de 18 por cento dos votos – perdendo quase metade do apoio nos últimos quatro anos –, enquanto a Nova Democracia, do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, ultrapassou os 40 por cento.

“O partido tem de tomar decisões difíceis e corajosas, que devem servir uma nova visão. É óbvio que isto também me preocupa. Por isso, decidi propor a eleição de uma nova direcção pelos membros do partido, como estipulado nos estatutos. É claro que não serei candidato”, afirmou. ”

Tsipras, que lidera o partido desde 2012, deverá manter-se como líder até que o seu sucessor seja eleito pelos membros do partido.

 

Más condições

Após a derrota eleitoral, nenhum membro proeminente do partido apelou publicamente a Tsipras para se demitir, embora Euclid Tsakalotos, antigo ministro das Finanças do Syriza, o tenha instado a reflectir sobre os resultados e a “tomar as medidas necessárias”.

Effie Achtsioglou, uma antiga ministra da Segurança Social, de 38 anos, recebeu apoio de uma secção do partido para procurar um papel de liderança, mas não discutiu publicamente os seus planos.

Os analistas gregos atribuíram o mau resultado eleitoral do Syriza à campanha amplamente negativa do partido, ao ressurgimento do Pasok, um partido socialista tradicionalmente forte, e ao aparecimento de partidos dissidentes liderados por antigos aliados de Tsipras.

Em grande parte devido aos ferozes confrontos políticos durante os resgates internacionais de 2010-2018, o Syriza e os socialistas não conseguiram chegar a qualquer acordo sobre uma potencial colaboração, apesar do apoio de alguns membros seniores de ambos os partidos.

2 Jul 2023

Costa Rica | Tribunal impõe protecção de espécies de tubarão

O Tribunal Constitucional da Costa Rica ordenou às autoridades que tomassem medidas para proteger três espécies de tubarão-martelo em grave perigo de extinção, soube-se de fonte judicial na terça-feira.
A primeira câmara do Tribunal Constitucional ordenou na segunda-feira ao “Sistema Nacional de Protecção que inscreva as espécies de tubarão-martelo comum (Sphyrna zygaena), recortado (Sphyrna lewini) e grande (Sphyrna mokarran) na lista das espécies em perigo de extinção”.
A decisão do Tribunal obriga as autoridades a “adoptar todas as medidas necessárias e apropriadas” para acabar com a captura, posse e comercialização destes tubarões.
Duas das três espécies mencionadas figuram na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), em situação de “risco crítico” e com a respectiva população “em baixa”.
O governo da Costa Rica tinha proibido em Janeiro a pesca de tubarões-martelo.
Este país possui ao largo das suas costas no Oceano Pacífico a reserva marítima da ilha do Coco, que abriga uma das maiores populações de tubarões-martelo.
A conferência sobre o comércio internacional das espécies ameaçadas, reunida no Panamá em Novembro, decidiu estender a protecção a uma cinquentena de espécies de tubarão requiem e tubarão-martelo ameaçados pelo tráfico de barbatanas de tubarão, muito desejadas na Ásia para confeccionar sopas.
Estas espécies de tubarão são vítimas de mais de metade do tráfico mundial de barbatanas de tubarão, que representa mais de 500 milhões de dólares por ano.
O preço destas barbatanas chega a atingir os mil dólares por quilo nos mercados da Ásia Oriental, cujo centro está em Hong Kong.

29 Jun 2023