Automobilismo | Célio Alves Dias faz pausa, com regresso apontado para o ano que vem

Célio Alves Dias, um dos nomes históricos do automobilismo do território, não vai competir esta temporada por opção. Ainda assim, o piloto macaense não pensa pendurar o capacete e já tem planos para regressar às corridas em 2027.

O vencedor da Taça de Carros de Turismo de Macau no Grande Prémio de Macau de 2021 esteve afastado da competição em 2023 por motivos pessoais. Nos dois últimos anos, contudo, participou no Macau Roadsport Challenge, a competição promovida pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que junta em pista os Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8). Esta temporada, porém, o piloto da Fu Lei Loi Racing Team decidiu fazer um interregno, já com o olhar no próximo passo da sua carreira no desporto.

Apesar da vasta experiência em corridas de Turismo, tendo conduzido várias gerações de carros da categoria, Célio Alves Dias nunca tinha pilotado os novos modelos antes de 2024. Nesse ano conseguiu qualificar-se para o Grande Prémio, mas em 2025 o piloto de matriz portuguesa ficou de fora da prova mais importante do ano, tendo sido uma das vítimas das corridas de apuramento realizadas no Circuito Internacional de Zhuzhou.

“Vou parar este ano, mas não vou parar definitivamente”, esclareceu Célio Alves Dias ao HM, acrescentando que durante o ano “terei de estar ausente de Macau durante algum tempo”, o que o impede de assumir compromissos competitivos. Ainda assim, garante que pretende “manter-se activo”, recorrendo “a treinos no karting” para continuar a rodar e preservar a forma. E o Toyota GR86 não será, por agora, vendido.

O passo seguinte

Presença habitual no Grande Prémio de Macau e no automobilismo local desde a transferência de administração, Célio Alves Dias estreou-se no Circuito da Guia em 2000. A partir daí, marcou presença de forma consecutiva na prova até 2023. O ponto mais alto da carreira chegou em 2021, com a vitória na Taça de Carros de Turismo de Macau. Curiosamente, não pôde subir ao lugar mais alto do pódio, pois estava a ser assistido no Centro Hospitalar Conde de São Januário após um violento acidente na última volta da corrida, num dos finais mais insólitos da história do evento.

Para a temporada de 2027, apesar de nunca ter competido em carros de Grande Turismo, Célio Alves Dias admite que “talvez se prepare para competir na classe GT4”, por considerar que “esta categoria pode ser a mais adequada para mim, já que existe um maior equilíbrio entre os carros”.

Apesar de a Macau Roadsport Challenge ter actualmente um regulamento mais restritivo, pensado para conter custos, a categoria GT4, que segue padrões internacionais e utiliza o sistema de Balance of Performance (BoP), também apresenta um forte controlo de despesas, não permitindo evoluções significativas nos carros adquiridos aos construtores. Em paralelo, a competição organizada pela AAMC admite a participação de viaturas cuja homologação GT4 já expirou, como os BMW M4 GT4 (F82), McLaren 570S GT4 e Ginetta G55, e que estão disponíveis no mercado a preços bastante interessantes.

1 Abr 2026

Ténis de mesa | Fu Yu perde jogo inaugural da Taça do Mundo

A atleta luso-chinesa, Fu Yu, perdeu ontem o seu encontro inaugural da Taça do Mundo de ténis de mesa, organizado em Macau, contra a chinesa Wang Manyu, segunda do ranking mundial. A mesa-tenista de 47 anos e atual 48.º no ranking mundial feminino, perdeu os três sets contra Wang por 11-5, 11-4, e 11-6. A única representante de Portugal joga na quarta o segundo e último jogo do seu grupo contra a indiana Sreeja Akula.

O torneio inclui 16 grupos de três jogadores no escalão feminino, e apenas os primeiros de cada grupo passam à próxima fase. Nascida na província chinesa de Hubei em 1978, Fu foi jogar para Portugal em 2001, naturalizando-se em 2013 quando começou a competir pelo país.

Conquistou a medalha de ouro no torneio individual feminino dos Jogos Europeus de 2019, em Minsk, a primeira de Portugal na modalidade, e esteve presente nas olimpíadas no Rio 2016, Tóquio 2020, e Paris 2026. Em Fevereiro deste ano foi eliminada na segunda ronda do Smash de Singapura, depois de perder com a alemã Sabine Winter.

A Taça do Mundo organizada na Galaxy Arena vai decorrer até 05 de Abril pelo terceiro ano consecutivo, depois de uma pausa de quatro anos devido à pandemia de covid-19. O torneio irá distribuir prémios totais no valor de um milhão de dólares.

A competição reúne 48 dos melhores atletas masculinos e femininos da modalidade, incluindo o chinês Wang Chuqin, actual líder do ranking, o brasileiro Hugo Calderano que em 2025 se tornou o primeiro não asiático ou europeu a vencer a Copa do Mundo, e a chinesa Sun Yingsha, também a defender o seu título na edição deste ano. A atleta de Macau, Leong On Na, perdeu o seu jogo inaugural contra a mesa-tenista taiwanesa, Cheng I-ching, por 3-1.

31 Mar 2026

Futebol | Selecção de Macau sofre 14.ª derrota seguida

A sequência negativa da selecção local mantém-se após a derrota pesada de 6-0 sofrida contra a Tanzânia

A selecção de futebol masculina de Macau perdeu com a Tanzânia, por 6-0, para a segunda edição da FIFA Series, e continua sem vencer em jogos oficiais há quase sete anos. Num jogo disputado no domingo à noite, na capital do Ruanda, a equipa africana marcou logo aos 16 minutos, num autogolo de Amâncio Goitia, jogador do Benfica de Macau.

Kigali está a acolher duas séries da FIFA Series, uma competição amigável para selecções. No Estádio Amahoro, a Tanzânia voltou a marcar aos 26 minutos, pelo defesa Bakari Nondo Mwamnyeto, com o médio Mudathir Yahya a apontar o terceiro golo mesmo em cima do intervalo.

A toada manteve-se na segunda parte, com o avançado Paul Peter a bater o guarda-redes de Macau Lei Wa Si pela quarta vez, aos 56 minutos, antes do médio Novatus Miroshi marcar aos 74 minutos. A selecção africana – no 112.º lugar do ranking da FIFA – fechou o marcador em 6-0 a três minutos do final do tempo regulamentar, através do avançado Tarryn Allarakhia.

Não sou o último

Macau está na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás do território chinês, em 198.º.

Macau contou no onze titular com Nuno Pereira, jogador do Portimonense, da II Liga, que foi o único futebolista a actuar no estrangeiro entre os 25 jogadores convocados. Este foi o 14.º jogo oficial sem vencer para Macau, desde Junho de 2019, quando Filipe Duarte, formado no Benfica, garantiu a primeira vitória da selecção em qualificações para campeonatos do mundo, ao bater o Sri Lanka por 1-0, em casa.

Mas a equipa acabou desqualificada, uma vez que a Associação de Futebol de Macau decidiu não disputar a segunda mão no Sri Lanka, após mais de 250 pessoas terem morrido em ataques bombistas, em Abril de 2019. Depois da pandemia, Macau foi das últimas selecções a regressar aos jogos, em Março de 2023, após uma pausa de quase quatro anos imposta pela política de ‘zero covid’, que incluía a restrição das entradas e quarentenas que chegaram a ser de 28 dias.

O treinador luso-angolano Lázaro Oliveira deixou a equipa em Setembro de 2024, após duas derrotas contra Brunei, que eliminou Macau da qualificação para a Taça Asiática de 2027. Desde Agosto de 2024 que a FIFA proibiu jogadores sem o passaporte de Macau – apenas atribuído a cidadãos chineses com estatuto de residente permanente – de representarem a região semiautónoma.

A decisão impediu pelo menos cinco portugueses de continuarem a jogar por Macau, incluindo o capitão da seleção, o luso-sul-africano Nicholas Torrão, e Filipe Duarte, formado no Benfica e antigo internacional jovem por Portugal. Na altura, uma porta-voz da Associação de Futebol de Macau disse à Lusa que iria “de certeza voltar a tentar” reverter a decisão, mas excluiu a possibilidade de levar o caso ao Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça.

31 Mar 2026

Justiça | Futebol chinês tenta limpar imagem após esquema ilícito

O futebol chinês procura recuperar credibilidade, afetado por um esquema de manipulação de resultados e apostas ilegais, que irradiou 73 pessoas da modalidade e deduziu pontos a 13 clubes, incluindo o Henan, treinado pelo português Daniel Ramos.

“Foi uma intervenção em grande escala. Decidiram punir os clubes em pontos, multá-los e penalizar desportivamente muita gente. Houve grande rigor para limpar a imagem do futebol chinês”, referiu à agência Lusa o técnico, de 55 anos. Em Janeiro, a um mês do arranque da época, as autoridades desportivas chinesas sancionaram nove emblemas do escalão principal e quatro do segundo, com três a 10 pontos de dedução e coimas dos 25.000 aos 126.000 euros.

“Há recomendações bastante claras para não se falar sobre arbitragens e criar um ambiente mais positivo em redor do futebol. Existem tectos salariais e nos prémios por jornada, de forma que os clubes não incorram em orçamentos desmedidos nem falhem pagamentos e fechem portas. Há um esforço grande para que o controlo orçamental seja cumprido e o campeonato cresça em credibilidade e melhore ano após ano”, explicou Daniel Ramos.

O Henan iniciou a 13.ª época seguida na elite com seis pontos negativos, mas inverteu-os nas três primeiras jornadas, fruto de duas vitórias – bateu fora o tricampeão Shanghai Port logo a abrir – e um empate, chegando à paragem para os compromissos das selecções nacionais na nona posição.

Sentindo uma maior conexão entre adeptos e clube desde a sua chegada, Daniel Ramos admite que as saudades da família e dos amigos têm sido contornadas “por uma estrutura em simbiose e um processo em ascensão”.

“Tinha conhecimento dos anos dourados da China [ao nível da contratação de jogadores], mas sabia que isso não acontece nesta altura. Falei com o Ricardo Soares, que esteve no Beijing Guoan e disse-me que eu ia gostar. Como somos treinadores disciplinados, com uma ideia de jogo definida e organizados no processo, havia muitas possibilidades de ter sucesso. Isso atraiu-me. O nível de vida é bom num país culturalmente rico”, descreveu.

25 Mar 2026

Futebol | Daniel Ramos na China para melhorar perfil do Henan

O treinador português foi eleito o melhor técnico de 2025 e conseguiu o feito inédito de levar o Henan à final da Taça da China

Ricardo Tavares Ferreira, Lusa

O português Daniel Ramos assumiu a missão de melhorar a identidade futebolística, os resultados e a qualidade exibicional do Henan, juntando o estatuto de finalista da Taça da China à distinção de melhor treinador do ano em 2025.

“Há um projecto de melhoria do clube, das dinâmicas e dos seus departamentos, principalmente do futebol de formação, que estava um pouco distante do plantel principal. Agradou-me bastante ter tido liberdade para dar ideias. Foi uma óptima escolha vir para a China, porque, além dos resultados, sentimo-nos bem, acarinhados e valorizados”, disse à agência Lusa o técnico, de 55 anos e desde Abril de 2025 na equipa de Zhengzhou.

Aposta do director desportivo espanhol Pere García, Daniel Ramos chegou ao segundo país mais populoso do mundo com o Henan no 13.º lugar do campeonato, mas fê-lo subir três posições e garantiu a permanência, por entre a inédita chegada à final da Taça da China, perdida frente ao Beijing Guoan (3-0), num “marco significativo” em 31 anos de existência do clube.

“A equipa jogava num sistema táctico defensivo, com uma linha de cinco rígida e à espera do contra-ataque. Neste momento, estamos a arriscar muito mais, a ter bola e a jogar para a frente. Foi exigente trabalhar neste contexto, porque a equipa estava em dificuldade. Felizmente, à medida que o tempo foi passando, tudo ficou mais natural e fizemos 23 pontos só na segunda volta, acima da pontuação obtida no campeonato inteiro pelas equipas que desceram. Há um sentimento de dever cumprido”, analisou.

Daniel Ramos vê a ida à final da Taça da China como um “feito valioso e ao nível dos melhores trabalhos” em Portugal, onde promoveu Trofense (2005/06), União da Madeira (2010/11) e Famalicão (2014/15) à II Liga e qualificou Marítimo (2016/17) e Santa Clara (2020/21) para as competições europeias.

“Eliminámos o Zhejiang, que tem uma equipa forte. Depois, fora de casa, afastámos dois candidatos ao título, o Shanghai Shenhua e o Chengdu Rongcheng [ambos no desempate por penáltis], que foram segundo e terceiro classificados no campeonato. Tivemos muito mérito. Repetir é sempre uma incógnita, porque, tratando-se de uma prova a eliminar, é preciso competência em cada jogo e alguma sorte no sorteio”, admitiu.

O treinador foi abordado por outros clubes, mas renovou em Novembro por mais uma temporada, com outra de opção, na perspectiva de continuar a redimensionar o Henan, ainda longe do orçamento, condições e historial dos “favoritos ao título”, tais como o tricampeão Shanghai Port, o Shanghai Shenhua, o Beijing Guoan, o Chengdu Rongcheng e o Shandong Taishan.

“É um campeonato com equilíbrio. Algumas equipas são mais fortes e têm outro potencial, mas é natural que o primeiro classificado ceda pontos com os últimos, pois também há valor nos outros clubes”, ilustrou, lembrando que vários jogos “ficam mais partidos nos minutos finais e têm um número considerável de golos” em função dos espaços concedidos pelas equipas.

Tradução decisiva

Cada equipa só pode inscrever cinco estrangeiros, mas Daniel Ramos crê que os melhores jogadores locais fazem mais a diferença e serão decisivos para o país recuperar credibilidade futebolística e reerguer-se de um esquema de manipulação de resultados e apostas ilegais, que irradiou 73 pessoas da modalidade e deduziu pontos a 13 clubes, incluindo o Henan.

“Fica complicado depender só ou muito dos estrangeiros, pelo que importa potenciar o valor do jogador chinês. Procuro ter um plantel competitivo, no qual todos sintam que têm hipótese de disputar a próxima partida”, referiu, na presença de quatro brasileiros – Iago Maidana e Gustavo actuaram em Portugal – e do espanhol Jordi Mboula, ex-avançado de Estoril Praia e Gil Vicente.

Assentando no “trabalho de equipa” o prémio de melhor treinador do ano, recebido com base nas votações de homólogos, capitães, imprensa e adeptos, Daniel Ramos mostra-se agradecido aos quatro tradutores do Henan, “sempre disponíveis e fundamentais” na transmissão eficaz da mensagem.

“É uma questão de dinâmica e entendimento. É importante que traduzam bem e haja confiança a todos os níveis, porque dependemos muito deles para quase tudo”, concluiu o técnico natural de Vila do Conde, pela segunda vez no estrangeiro, após ter orientado os sauditas do Al Faisaly em 2021/22.

25 Mar 2026

Associação Automóvel de Macau e Circuito de Zhuhai celebram parceria estratégia

A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e o Circuito Internacional de Zhuhai, o primeiro traçado permanente construído na República Popular da China, assinaram no passado sábado um Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica, reactivando a ligação entre duas instituições históricas e pilares fundamentais do desporto automóvel no Delta do Rio das Pérolas.

Numa breve nota divulgada por ambas as entidades, foi revelado que o Presidente da Assembleia Geral da AAMC, Chong Cok Veng, e Lü Pinde, o Director-Geral da empresa responsável pela gestão do circuito, a Zhuhai International Circuit Co., formalizaram o entendimento numa pequena cerimónia realizada no Kartódromo de Coloane.

Segundo o comunicado oficial, “as duas partes chegaram a um entendimento para cooperar no desenvolvimento conjunto de actividades de automobilismo entre os circuitos de Macau e Zhuhai”. Embora não tenham sido avançados objetivos concretos nem prazos definidos, as entidades manifestaram a intenção de reforçar a colaboração na organização de competições, bem como no intercâmbio e formação de oficiais e equipas de apoio às provas.

Inaugurado em 1996, com o objectivo de receber o primeiro Grande Prémio da China de Fórmula 1, algo que nunca chegou a concretizar-se, o Circuito Internacional de Zhuhai possui actualmente homologação Grau 2 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e Grau A da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Apesar de ter praticamente desaparecido do calendário internacional durante vários anos, o traçado voltou a acolher eventos nacionais e regionais com maior regularidade nos últimos dois anos.

Dada a sua localização privilegiada e um modelo de negócio assente na utilização frequente da infraestrutura, o Circuito Internacional de Zhuhai foi, ao longo dos últimos trinta anos, um dos principais impulsionadores do desporto motorizado no sul da China. Diversas estruturas e equipas passaram a utilizar o recinto como base operacional, contribuindo para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento de um ecossistema singular e difícil de replicar no continente asiático. Contudo, a expansão urbana em torno do circuito e as crescentes restrições de ruído têm vindo a representar uma ameaça ao seu futuro.

Novo capítulo em Zhuhai

A assinatura deste acordo surge na sequência da decisão da AAMC de escolher a infraestrutura da cidade vizinha para acolher as suas competições de automobilismo em 2026. À semelhança de temporadas anteriores, o mini-campeonato promovido pela associação do território, que integra as categorias Macau Roadsport Challenge e GT4, será disputado em duas jornadas duplas. Depois de vários anos em Zhuzhou e Zhaoqing, as provas organizadas pela AAMC regressam ao circuito de Zhuhai pela primeira vez desde 2018.

Ambas as rondas terão lugar durante o mês de Maio. A primeira está marcada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio. A título provisório, as corridas do Macau Roadsport Challenge servirão para definir os pilotos apurados para a prova homónima integrada no 73º Grande Prémio de Macau, enquanto as corridas reservadas às viaturas GT4 determinarão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía.

24 Mar 2026

F1 | Construtores chineses avaliam entrada

Nas vésperas do décimo nono Grande Prémio da China de Fórmula 1, a disputar no Circuito Internacional de Xangai, surgiu na imprensa internacional o rumor de que o gigante chinês de veículos eléctricos BYD está a analisar opções para entrar no automobilismo, tendo como hipóteses o Mundial de Formula 1 ou o Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC).

 

Segundo a Bloomberg, a BYD estará “a analisar várias opções após o seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e perante a contínua mudança das corridas de competição para motores híbridos”, citando fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato. Até ao momento, não surgiu qualquer comentário oficial da BYD Auto Company Limited sobre estas informações.

O momento é significativo. Os regulamentos da Fórmula 1 para 2026, apesar de controversos aos olhos de alguns pilotos, conseguiram atrair a alemã Audi e a norte-americana Cadillac para a grelha de partida. A Fórmula 1 vive actualmente um dos períodos de maior crescimento da sua história, conquistando novos mercados, incluindo o chinês, sobretudo junto das gerações mais jovens.

O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, não esconde a ambição de ver um construtor chinês no campeonato. Em declarações ao jornal francês Le Figaro, afirmou: “Tem sido o meu sonho, nos últimos dois anos, que os grandes países estejam representados na Fórmula 1. Os Estados Unidos estarão presentes com a General Motors. O passo seguinte é acolher um construtor chinês. Já temos um piloto”, acrescentou, numa referência ao piloto de reserva da Cadillac, Guanyu Zhou.

Entre as opções em análise pela BYD estará tanto a criação de uma equipa de raiz como a aquisição de uma das onze existentes. Qualquer das vias implicaria um investimento considerável: a Cadillac pagou uma taxa anti-diluição de cerca de 3,6 mil milhões de patacas às equipas actuais apenas para entrar na grelha este ano. Além disso, o processo de entrada na Fórmula 1 é longo e complexo. O mais recente “Concorde Agreement”, em vigor até 2030, deixa, contudo, espaço para uma 12ª equipa.

Passado nos ralis

Fundada em 1995 na cidade de Shenzhen, a BYD ultrapassou recentemente a Tesla como principal fornecedora mundial de veículos eléctricos e tem vindo a expandir-se de forma agressiva na Europa, na América Latina e noutros mercados automóveis importantes. Ainda assim, existe a consciência de que falta à marca um historial de vitórias no automobilismo capaz de rivalizar com o prestígio das construtoras europeias, norte-americanas e japonesas.

Tal como a compatriota Chery, o interesse da BYD no WEC, incluindo a possibilidade de desenvolver um protótipo Hypercar para as 24 Hours of Le Mans. já tinha sido noticiado no final do ano passado. Esta poderia ser uma forma relativamente mais acessível de entrar no automobilismo de alto nível, evitando um investimento demasiado elevado numa fase inicial.

A BYD nunca esteve presente no Grande Prémio de Macau, mas possui algum historial no automobilismo chinês, sobretudo em provas de ralis. Em 2016, muito antes de o mundial de ralis (WRC) adoptar sistemas híbridos, a marca participou no Campeonato de Ralis da Ásia-Pacifico com um veículo híbrido, tornando-se o primeiro construtor automóvel a competir num rali sob a égide da FIA com uma viatura de motorização híbrida.

Geely também está atenta

Não é a primeira vez que um construtor chinês manifesta ambições de chegar à Fórmula 1. Ainda no ano passado, delegações do poderoso grupo Geely marcaram por diversas vezes presença no paddock do “Grande Circo”. A empresa, que mantém ligações estreitas com a Aston Martin e com a Mercedes-Benz, terá avaliado a possibilidade de entrar no campeonato através do “rebranding” de uma equipa já existente.

Contudo, os representantes da Geely, cujo portefólio inclui a histórica Lotus, marca com um enorme legado na Fórmula 1, não conseguiram concretizar qualquer parceria que viabilizasse essa estratégia.

G.P. China – Estatísticas

A edição deste ano será a décima nona edição do Grande Prémio da China disputado no circuito de Xangai. A primeira corrida, vencida pelo brasileiro Rubens Barrichello, teve lugar em 2004. O evento manteve-se no calendário de forma ininterrupta até 2019, regressando posteriormente em 2024. Lewis Hamilton e a Mercedes detêm o recorde de vitórias no circuito chinês, com seis triunfos cada. O piloto britânico, agora a defender as cores da Scuderia Ferrari, é também o recordista de presenças no pódio, com nove, seguido por Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel, ambos com seis.

15 Mar 2026

GP | FIA confiante no regresso da Taça do Mundo de F4 à Guia

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) manifestou confiança na integração da segunda edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA no programa da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, encontrando-se actualmente em negociações com a Comissão Organizadora com vista à concretização desse objectivo

O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA confirmou, ainda no final do ano transacto, a nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA integrada no programa do Grande Prémio de Macau, bem como a permanência do evento desportivo da RAEM no calendário da temporada de 2026 do Kumho TCR World Tour, não se tendo, contudo, pronunciado quanto ao futuro das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4. Porém, a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constituiu um êxito aos olhos do organismo internacional, sendo que a única competição de âmbito mundial do primeiro escalão da pirâmide do automobilismo deverá regressar ao Circuito da Guia entre 19 e 22 de Novembro.

“A FIA e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau encontram-se em discussões positivas relativamente ao futuro da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA”, declarou o porta-voz da FIA ao portal especializado português SportMotores.com. Segundo a mesma fonte, “a FIA ficou muito satisfeita com a edição de 2025 em Macau e está empenhada em proporcionar aos jovens pilotos a melhor preparação possível para enfrentarem o notável desafio do Grande Prémio de Macau. Acreditamos que a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constitui a plataforma ideal para alcançar esse objectivo.”

A lista de inscritos da primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 revelou um leque de pilotos de elevado nível, superando as expectativas iniciais, porquanto nada menos do que oito campeões de Fórmula 4 aceitaram o desafio. Por razões logísticas e operacionais, a FIA limitou a grelha de partida a vinte concorrentes.

Em que moldes

Um dos aspectos que a FIA deverá clarificar na próxima reunião do Conselho Mundial prende-se com a manutenção do modelo adoptado em 2025, no qual a empresa chinesa Mintimes, promotora do Campeonato Chinês de F4, assumiu o papel de “Operador Único” da prova, em articulação com a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), responsável pelo apoio técnico à Taça do Mundo. Todos os concorrentes utilizaram monolugares Mygale M21-F4, entretanto rebaptizados como Ligier JS F422, provenientes do campeonato chinês.

Estes fórmulas, equipados com motores Renault 1.3 litros turbo, foram alugados a equipas do Interior da China e operados por uma única estrutura técnica, a mesma que organiza o Campeonato Francês de F4. Tratando-se de um conceito relativamente invulgar, diversos pilotos fizeram-se acompanhar, no Grande Prémio de Macau, por elementos das suas próprias equipas, com o intuito de supervisionar o trabalho desenvolvido pelos técnicos franceses.

Roussel ficou para a história

Jules Roussel tornou-se o primeiro vencedor de uma Taça do Mundo de Fórmula 4, após uma das corridas mais emocionantes do programa da edição de 2025, protagonizando um animado duelo com o compatriota Rayan Caretti. Apesar da disciplina evidenciada durante grande parte da contenda, ambos acabaram por se envolver num toque que afastou Caretti da corrida e decidiu a mesma.

Macau esteve representada por dois pilotos, tendo Cheong Man Hei sido o melhor classificado, ao concluir na 9.ª posição. O antigo campeão da Fórmula 4 chinesa, Tiago Rodrigues, terminou no 11.º lugar, resultado que não espelhou a sua competitividade, uma vez que comprometeu uma melhor classificação na decisiva corrida de domingo devido a um acidente na corrida de qualificação de sábado. Nenhum país lusófono esteve representado na prova, pois o brasileiro Ethan Nobels lesionou-se no fim-de-semana anterior ao Grande Prémio, não tendo sequer viajado para a Ásia.

Existe a possibilidade de Portugal vir a contar com um piloto na grelha de partida este ano, atendendo a que Noah Monteiro é um sério candidato ao título do Campeonato de Espanha de Fórmula 4. Acresce o facto de ser filho de Tiago Monteiro, primeiro piloto português a vencer a Corrida da Guia e reconhecido entusiasta do Grande Prémio, beneficiando ainda do patrocínio da KCMG, estrutura liderada pelo empresário de Hong Kong Paul Ip.

2 Mar 2026

Superbikes | Miguel Oliveira de último a sétimo na segunda corrida na Austrália

O piloto português Miguel Oliveira (BMW) terminou a segunda corrida deste fim de semana de estreia do Mundial de Superbikes na sétima posição, depois de ter largado do 21.º e último lugar e de um oitavo lugar no sábado.

Numa prova disputada debaixo de chuva, Miguel Oliveira terminou a 32,135 segundos do vencedor, o italiano Niccolo Bulega (Ducati), que bateu o compatriota Axel Bassani (Bimota) por 11,336 segundos, com o espanhol Alvaro Bautista (Ducati) em terceiro, a 17,790.

O piloto português largou da cauda do pelotão depois de ter tido problemas mecânicos nas últimas voltas da corrida superpole, disputada três horas antes, que o relegaram do nono lugar que ocupava na penúltima volta para o 18.º posto final.

A segunda corrida ficou marcada pela chuva, que caiu em força e provocou seis quedas. O piloto natural de Cascais, que habitualmente se dá bem com as pistas molhadas, a meio da prova já era 10.º classificado.

Miguel Oliveira, que fez a sua estreia este fim de semana no Mundial de Superbikes, depois de 14 anos nas MotoGP, ainda recuperou até ao sétimo posto na última volta, após ultrapassar o espanhol Iker Lecuona (Ducati) a poucos metros de cruzar a linha de meta.

O italiano Nicollo Bulega, favorito à partida deste campeonato com 12 rondas, completou o fim de semana perfeito, juntando a vitória na corrida principal deste domingo, a 23.ª da sua carreira, às vitórias na superpole e na primeira corrida, no sábado. Foi o sexto triunfo consecutivo na Austrália do piloto italiano.

O piloto luso, de 31 anos, é o oitavo classificado do Mundial após esta primeira das 12 rondas previstas, a 45 do comandante, Bulega, que soma a pontuação máxima (62) após esta primeira ronda. A próxima prova do campeonato será em Portugal, no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, a 29 de Março.

23 Fev 2026

Karting: nova competição IAME nasce em Macau

É já no próximo fim-de-semana que o Kartódromo de Coloane recebe a primeira das sete jornadas do mais recente campeonato integrado na família internacional de competições de karting IAME, a IAME Series Macau

Depois de a RAEM se ter afirmado como paragem obrigatória no calendário da IAME Series Asia e de o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau ter acolhido a Final da IAME Asia, foi confirmado, ainda antes do Novo Ano Lunar, o lançamento da IAME Series Macau, composta por sete provas a disputar em Coloane. O calendário apresentado acompanha o já estabelecido Campeonato de Karting da AAMC.

Segundo a breve comunicação divulgada nas redes sociais pela IAME Asia Series, “a herança do desporto automóvel de Macau é profunda e a sua paixão pelas corridas é reconhecida mundialmente”. Para o promotor da IAME no continente asiático, com base em Singapura, levar a competição para a RAEM constitui “mais um passo decisivo no crescimento do karting na Ásia-Pacífico, criando mais percursos, mais oportunidades e uma comunidade mais forte para os jovens talentos”.

Todos iguais

As IAME Series são campeonatos de karting organizados sob a égide da italiana IAME (Italian American Motor Engineering), um dos maiores fabricantes mundiais de motores para a modalidade. O calendário da IAME Series Asia conhecerá igualmente um alargamento no próximo ano: além das jornadas na Malásia e na Tailândia, Macau receberá a quarta de seis provas da temporada, agendada para 23 e 24 de Maio.

Independentemente do país ou da região, todos os participantes competem com motores IAME, ao abrigo de regulamentos técnicos uniformes que asseguram igualdade de condições em pista. O modelo privilegia o controlo de custos e a sustentabilidade da competição, colocando a tónica no talento individual e na equidade desportiva.

Para além de Macau e do campeonato asiático, a IAME já promove competições no Interior da China, Japão, Malásia, Tailândia, Sri Lanka, Índia e Filipinas. Nesse contexto, a organização acredita que “juntos, continuamos a construir uma plataforma interligada em toda a região”.

Conforme anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, abrangendo todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A edição deste ano está marcada para decorrer entre 11 e 14 de Dezembro.

Como anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, para todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A data já está marcada, com o evento a decorrer entre 11 e 14 de Dezembro.

Calendário de provas de 2026:*

Ronda 1 – 1 de Março

Ronda 2 – 22 de Março

Ronda 3 – 26 de Abril
Ronda 4 – 17 de Maio
Ronda 5 – 28 de Junho
Ronda 6 – 6 de Setembro
Ronda 7 – 27 de Setembro

*todas as provas serão disputadas no Kartódromo de Coloane

23 Fev 2026

Japonês Toshikazu Yamanishi bate recorde mundial da meia maratona de marcha

O japonês Toshikazu Yamanishi estabeleceu hoje um novo recorde mundial da meia maratona de marcha, ao completar a prova, que decorreu em Kobe, com o tempo de 01:20.30 horas.

A marca conseguida hoje por Yamanishi é a primeira a ultrapassar o recorde mundial inaugural de 01:21.30 horas, aprovado pelo Conselho Mundial de Atletismo em dezembro, após o anúncio de que a meia maratona e a maratona se tornariam as distâncias oficiais de estrada para eventos de marcha.

Assim, desde 01 de janeiro deste ano, que se substituiu as distâncias de 20 quilómetros e 35 quilómetros na marcha pela meia maratona (21,1 quilómetros) e maratona (42,2 quilómetros)

Toshikazu Yamanishi, de 30 anos, afastou-se do grupo da frente um pouco depois dos 17 quilómetros e acabou por passar aos 20 quilómetros com o tempo de 01:16.26 horas, apenas 16 segundos mais do que o recorde mundial desta distância que o próprio estabeleceu em 2025 no mesmo circuito.

Com mais uma volta adicionada, o bicampeão mundial acelerou novamente para vencer por uma margem clara, em 01:20.34, com o tempo que constitui o novo recorde a aguardar agora o processo de ratificação habitual.

16 Fev 2026

GP | Corridas de apuramento regressam a Zhuhai

Antes do Ano Novo Lunar, a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) deu a conhecer o calendário da próxima temporada das suas competições de velocidade, Macau Roadsport Challenge e GT4, que voltam a servir de processo de apuramento para as corridas de suporte do 73.º Grande Prémio de Macau.

À semelhança das épocas anteriores, o mini-campeonato será disputado em duas jornadas duplas. O Circuito Internacional de Zhuhai regressa assim ao programa, acolhendo estas provas pela primeira vez desde 2018. Será igualmente a estreia absoluta, neste traçado, dos modelos utilizados na Macau Roadsport Challenge, Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8), que se confrontarão pela primeira vez fora do habitual contexto competitivo.

A temporada de 2026 apresenta ainda uma novidade relevante: a realização de uma corrida de teste extra-campeonato no Circuito Internacional de Zhuzhou. O traçado permanente da província de Hunan, que no ano transacto recebeu as corridas de qualificação organizadas pela AAMC, será palco de uma prova de preparação facultativa. Recorde-se que, já em 2025, a associação promoveu uma competição extra-campeonato após a definição do apuramento, então no Circuito Internacional da Cidade do Lago Ruyi, em Pingtan.

As duas jornadas pontuáveis terão lugar na cidade vizinha de Zhuhai, ambas no mês de Maio. A primeira está agendada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio de 2026. As corridas da Macau Roadsport Challenge determinarão os apurados para a prova homónima do Grande Prémio de Macau, ao passo que as competições reservadas às viaturas GT4 definirão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía.

A competição manterá um fornecedor exclusivo de pneus, continuando a confiar na Pirelli, que assegurará a venda directa e centralizada dos compostos. Durante a corrida de teste será permitido o uso de pneus adquiridos em 2025, mas nas provas de apuramento será obrigatório recorrer a pneus novos adquiridos em 2026.

Inscrições com aumento significativo

A taxa de inscrição registou um aumento expressivo, passando de 15.000 para 55.000 yuans. Este valor passa a incluir não apenas as duas provas de apuramento, mas também a corrida de teste, representando um acréscimo substancial face às temporadas anteriores.

Em contrapartida, a organização assegura o transporte unificado das viaturas participantes e de oito conjuntos de pneu/jante entre o Circuito Internacional de Guangdong, onde se encontra sediada uma parte significativa das equipas de Macau, e o Circuito Internacional de Zhuzhou, em ambos os sentidos. Durante o evento de preparação, cada concorrente inscrito terá igualmente direito a três noites de alojamento em Zhuzhou, em hotel de três ou quatro estrelas.

Adicionalmente, cada concorrente beneficiará de um apoio em pneus oficiais da Pirelli, correspondente a um valor aproximado de 10.000 yuans.

16 Fev 2026

Lamborghini | Estreia asiática do Temerario GT3 poderá ser em Macau

A Lamborghini despediu-se do Huracán GT3 no Grande Prémio de Macau de 2025 e aponta agora à estreia asiática do recém-lançado Temerario GT3, prevista para o mês de Novembro, nas ruas da nossa cidade

A nona edição da Taça do Mundo FIA GT, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro no Circuito da Guia, surge como o palco provável para a estreia no continente asiático do mais recente carro de competição da marca de Sant’Agata Bolognese, numa temporada em que o novo modelo de motor V8 biturbo estará sobretudo em fase de consolidação competitiva na Europa e nos Estados Unidos da América.

Devido às limitações inerentes à produção e entrega dos novos carros, a Lamborghini Squadra Corse nunca equacionou seriamente a introdução do Temerario GT3 no mercado Ásia-Pacífico no seu ano de lançamento, apesar do interesse manifestado por várias equipas, incluindo a JLOC, formação do campeonato japonês Super GT que o piloto local André Couto chegou a representar. Ainda assim, existe uma clara vontade por parte do departamento de competição da Automobili Lamborghini em colocar o seu novo GT3 em pista na Ásia já este ano, precisamente no contexto do Grande Prémio de Macau.

“Posso confirmar que nenhum Temerario será inscrito no GT World Challenge Asia ou noutros campeonatos regionais”, explicou um porta-voz da marca italiana ao portal português SportMotores.com. “No entanto, estamos a trabalhar na Taça do Mundo FIA GT, em Macau, uma prova de enorme importância para nós, onde pretendemos marcar presença da melhor forma possível. Nesta fase, não podemos adiantar mais pormenores.”

A possibilidade de a Lamborghini alinhar este ano na prova da RAEM com o antigo Huracán GT3 está afastada. O modelo enfrentou dificuldades em 2024 relacionadas com a introdução dos obrigatórios e polémicos sensores de binário. Edoardo Mortara viveu um fim-de-semana particularmente ingrato, ao ver o seu terceiro melhor tempo na Super Pole anulado por exceder o limite máximo de potência, acabando mais tarde por abandonar a corrida principal quando o seu carro se desligou.

Limitações de produção

Ao contrário de outros departamentos de competição de grandes construtores, a Lamborghini Squadra Corse é uma estrutura relativamente reduzida. O principal factor limitativo na implementação do Temerario GT3 esta temporada, especialmente fora da Europa, prende-se não só com a disponibilidade de unidades, mas sobretudo com a prioridade dada a um apoio técnico adequado por parte da fábrica.

Os Estados Unidos da América, onde o carro fará a sua estreia em competição nas 12 Horas de Sebring, em Março, continuam a assumir um papel estratégico para a Lamborghini, daí a presença a tempo inteiro da marca no IMSA SportsCar Championship através da equipa Pfaff Motorsports. Para a presente época, a Lamborghini Squadra Corse alocou sete exemplares do Temerario GT3 à competição na Europa, repartidos entre o GT World Challenge Europe e o DTM. O construtor italiano planeia alinhar com três carros no GT World Challenge Europe e quatro no DTM.

Mercedes-AMG avalia regresso

A ausência da Mercedes-AMG na edição do ano passado foi um dos temas mais comentados no paddock. Tal decisão foi justificada pela falta de oportunidades para as equipas clientes asiáticas testarem os complexos sensores de binário, numa fase em que a marca de Estugarda atravessa um exigente processo de transição das suas actividades desportivas da HWA para a nova subsidiária Affalterbach Racing.

“Nesta fase, não é possível afirmar se um Mercedes-AMG GT3 irá competir na Taça do Mundo FIA GT em Macau, em 2026”, afirmou ao Hoje Macau uma fonte oficial do construtor alemão, que mantém elevado interesse no evento da RAEM. “A prova é extremamente apelativa, tanto do ponto de vista desportivo como estratégico. Iremos analisar cuidadosamente as condições no momento oportuno e avaliá-las em conjunto com as equipas interessadas.”

Refira-se ainda que o Grande Prémio de Macau poderá simbolizar o adeus definitivo do actual Mercedes-AMG GT3, uma vez que a marca da estrela está já a desenvolver a próxima geração do seu carro para a categoria, cuja estreia em competição poderá ocorrer em 2027.

9 Fev 2026

GP | Faleceu o piloto com mais vitórias da história da prova

Faleceu na passada semana o britânico John Macdonald, aos 89 anos, vítima de doença prolongada. Foi o piloto mais vitorioso da história do Grande Prémio de Macau e o único a triunfar no Circuito da Guia tanto em provas de automóveis como de motos

A notícia foi divulgada nas redes sociais pelo seu amigo Eli Solomon, historiador e escritor radicado em Singapura, que nos últimos anos trabalhou, em conjunto com Angus Lamont, na produção do livro “King of Macau”. A obra retrata a vida e a carreira de Macdonald, que residiu durante décadas em Hong Kong e foi uma das figuras centrais do automobilismo no Sudeste Asiático nas décadas de 1960 e 1970.

“É com profunda tristeza que comunico o falecimento de John Macdonald, ocorrido no domingo, 25 de Janeiro, aos 89 anos de idade, após doença prolongada. A sua mente permanecia tão lúcida como sempre, e ele e Angus Lamont continuaram a trabalhar em King of Macau até ao final do ano passado”, escreveu Eli Solomon, acrescentando que “o texto final foi-lhe apresentado para aprovação no final do ano passado, esperando-se que o livro esteja pronto para distribuição ainda durante este trimestre, possivelmente a tempo das entregas no Reino Unido para o Goodwood Members’ Meeting, em Abril”.

John Macdonald permanece como o único concorrente a ter vencido todas as principais provas disputadas no Circuito da Guia: quatro vitórias no Grande Prémio de Macau (1965, 1972, 1973 e 1975), o triunfo no Grande Prémio de Motociclismo de Macau de 1969 e a vitória na edição inaugural da Corrida da Guia de Macau, em 1972. Contudo, a sua paixão pelo desporto motorizado não se limitou às corridas em circuito. Após se iniciar nas motos no Reino Unido, participou em 1962 no Rali da África Central, ao volante de um Lancia B20, e em 1963 no Rali Internacional da Escócia, num Land Rover. Nesse mesmo ano mudou-se para Hong Kong, onde ingressou na polícia local. Ao longo da carreira venceu três ralis internacionais, dois em Hong Kong e um nas Filipinas, país onde se sagrou Campeão Nacional em 1974.

Durante a sua permanência em Hong Kong, foi proprietário da Camlex Garage, em Kowloon, depois de ter deixado a Hutchinson, onde desempenhava o cargo de Director de Serviços do Grupo da Far East Motors, no final de 1967. Após se retirar da actividade empresarial, vendeu a Camlex Garage, em 1981, à German Motors, propriedade do empresário e também piloto Herbert Adamczyk.

Eternizado com a estátua de cera no Museu do Grande Prémio de Macau, Macdonald ficou igualmente associado à célebre frase: “O desporto motorizado é o único desporto verdadeiramente emocionante que se pode praticar sentado”.

Somatório de sucessos em Macau

A estreia no Grande Prémio de Macau ocorreu em 1964, com um sexto lugar ao volante de um Lotus Elan, naquela que foi a sua primeira experiência em corridas de velocidade com automóveis. No ano seguinte regressou com um Lotus 18, um fórmula adquirido por 7.000 patacas ao conceituado Team Harper, e a sua prestação ao volante de um monolugar já envelhecido foi amplamente elogiada. Após uma corrida marcada por incidentes e alguma confusão, recebeu a bandeira de xadrez no primeiro lugar e conquistou a primeira das suas seis vitórias no Circuito da Guia.

Com a introdução do Grande Prémio de Motos de Macau no programa, em 1967, Macdonald não resistiu a participar, beneficiando também da experiência adquirida nas corridas de duas rodas que disputara no Reino Unido no final da década de 1950. Nesse ano de estreia, marcado pelo domínio japonês, não se destacou, mas viria a vencer a prova em 1969.

A segunda vitória no Grande Prémio de Macau chegou em 1972, ao volante de um Brabham BT36 ex-Graham Hill, após uma exibição absolutamente dominadora, cortando a linha de meta com 30 segundos de vantagem sobre o segundo classificado. No mesmo fim de semana venceu ainda a primeira edição da Corrida da Guia de Macau, num Austin Mini Cooper S, cuja réplica se encontra hoje em exposição no Museu do Grande Prémio de Macau.

Com patrocínios e equipamento à altura do seu talento, regressou em 1973 para defender o título do Grande Prémio de Macau, desta vez num Brabham BT40, com o qual havia vencido nas Filipinas e no circuito citadino malaio de Penang, além de ter alcançado um terceiro lugar em Singapura. Depois de conquistar a pole position, tornou-se o primeiro piloto a vencer a prova por três vezes, estabelecendo ainda um novo recorde da volta.

A quarta e última vitória no Grande Prémio de Macau aconteceu em 1975, nove anos antes de a corrida adoptar os regulamentos de Fórmula 3, ao volante de um Ralt RT1. Frente à mais forte oposição até então, Macdonald voltou a impor-se, somando o seu derradeiro triunfo na prova. A sua última participação no Grande Prémio de Macau ocorreu em 1976. A despedida das corridas de Grande Prémio enquanto piloto deu-se em Maio de 1977, no Grande Prémio de Penang, embora nesse mesmo ano tenha continuado ligado a Macau como patrocinador, cedendo o seu Ralt RT1 a Vern Schuppan. Deixou Hong Kong em 1983 e mudou-se com a esposa para Andorra. Os seus últimos anos de vida foram passados nas Maurícias.

2 Fev 2026

Automobilismo | Nova alternativa vai ser criada em Foshan

O automobilismo no núcleo urbano do Delta do Rio das Pérolas vai contar com uma nova infraestrutura permanente, após ter sido anunciado o primeiro circuito fixo na cidade de Foshan, situada a cerca de 120 quilómetros de Macau

O anúncio oficial foi divulgado na primeira semana do ano. Fruto de um investimento liderado pelo Benchmark Global Group, o projecto visa assinalar um marco relevante para Guicheng, o centro urbano do distrito de Nanhai, consolidando Foshan como um polo internacional de consumo desportivo e estimulando o desenvolvimento de elevado nível nas áreas da cultura, do desporto e do turismo. O Benchmark Global Group já havia desenvolvido, em Sanshan, projectos de referência em parceria com a Key Capital, RDM e outras entidades, incluindo o Guangfo Florentia Village, a Zona Artística One Times, o Hilton Hampton Hotel e a Chimei Art School.

Segundo o comunicado, “o circuito pretende atrair um público mais jovem e dinamizar a zona envolvente”. Inspirado na experiência bem-sucedida do Tianjin V1 Auto World, cujo traçado é utilizado em competições locais, o Circuito Internacional V1 Guangfo ambiciona criar um parque automóvel integrado, combinando a pista de corridas, a cultura motorizada e entretenimento temático. O complexo ocupará cerca de 141.666,7 m² e contará com todas as infraestruturas de apoio necessárias.

Conforme os documentos do concurso, o terreno situa-se na Avenida Sanlongwan, na zona sul, e na Rua Gangzhong, a oeste, com um período de arrendamento de vinte anos e destinação prevista para parque automóvel ecológico e desportivo. O projecto inclui também uma pista de kart com pelo menos 1,1 km, enquanto o circuito principal deverá atingir o Grau 2 da FIA, permitindo receber competições promovidas pela Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC).

O empreendimento pretende “reforçar o ecossistema emergente de consumo e entretenimento de Guicheng”, complementando os polos comerciais circundantes e potenciando as funções urbanas da Zona Internacional de Cooperação em Inovação Científica e Tecnológica do Lago Wenhan. Os residentes e visitantes beneficiarão de experiências de lazer mais diversificadas e sofisticadas.

Foshan integra-se entre as cidades-piloto nacionais dedicadas a novos formatos e modelos de consumo, promovendo inovação e dinamização económica. O Circuito Internacional V1 Guangfo representará um exemplo concreto da aplicação destas directrizes, apostando em cenários de consumo diversificados e no crescimento sustentável do sector.

 

Outras opções

Na Grande Baía, o desporto motorizado tem-se centrado no Circuito Internacional de Zhuhai (ZIC) e no Circuito Internacional de Guangdong (GIC), em Zhaoqing, mas diversos projectos recentes indicam um esforço crescente para expandir a rede de infraestruturas, incluindo a possível construção do Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue, em Doumen, com investimento inicial de 250 milhões de renminbis e certificação FIA de Grau 3.

Em 2024, antes do regresso do Grande Prémio da China de Fórmula 1 em Xangai, Guangzhou anunciou planos de construir um circuito de Grau 1, apto a receber provas da disciplina rainha. Até agora, não surgiram novas informações sobre este projeto, que se pretendia ser o segundo circuito de Fórmula 1 na China, O primeiro, em Xangai, foi inaugurado em 2004, pois o Circuito Internacional Zhuhai, o primeiro circuito permanente chinês e idealizado para receber a Fórmula 1, nunca recebeu a homologação máxima da FIA. Outros projectos idealizados em Hong Kong e Shenzhen não ganharam forma até agora.

26 Jan 2026

GP | Rui Valente questiona permanência no automobilismo

Rui Valente viveu um 72.º Grande Prémio de Macau para esquecer. A tal ponto que o piloto com mais anos de actividade no automobilismo do território admite seriamente a hipótese de pendurar o capacete e arrumar as luvas, ou, pelo menos, deixar de alinhar na prova rainha de Macau, seja na Macau Roadsport Challenge ou mesmo em todo o evento

 

 

“Há um conjunto de factores que me levam a questionar se faz sentido continuar”, afirmou Rui Valente ao HM. O experiente piloto de carros de Turismo aponta várias razões para essa reflexão, nomeadamente “o facto de as corridas do Grande Prémio terem hoje muito menos interesse, por serem disputadas quase sempre atrás do Safety-Car, o actual sistema de pontuação para a qualificação de Macau e a atitude de alguns pilotos em pista”.

A mais recente edição do Grande Prémio não deixou boas recordações a quem se estreou no Circuito da Guia em 1988. O fim de semana da Macau Roadsport Challenge começou de forma negativa para o piloto português, que não evitou um toque nos rails na zona do Paiol durante o treino livre de quinta-feira, um incidente que condicionou toda a sua prestação. Depois de alcançar o 25.º tempo na sessão de qualificação, o infortúnio voltou a manifestar-se na corrida, quando a tentativa de recuperação aos comandos do Subaru BRZ n.º 16 terminou prematuramente na abordagem à Curva de São Francisco. No recomeço após o primeiro Safety-Car, Rui Valente foi abalroado por Li Kwok Chuen, numa manobra em que o piloto de Hong Kong tentou uma ultrapassagem pelo interior, num local onde não existia espaço disponível.

“Ainda hoje não consigo perceber o que lhe passou pela cabeça. Não sei como é que viu um espaço que simplesmente não existia. Talvez tenha pensado que eu iria levantar o pé para o deixar passar”, recordou o piloto, que soma trinta e seis participações no Grande Prémio de Macau e foi um dos nove representantes da RAEM na edição de 2025 da Macau Roadsport Challenge.

 

Lotaria do apuramento

Rui Valente tem sido uma das vozes mais críticas do actual modelo de qualificação para o Grande Prémio, que beneficia sobretudo quem termina uma das corridas entre os dez primeiros classificados. A utilização de viaturas idênticas por todos os concorrentes, Toyota GR86 (ZN8) ou Subaru BRZ (ZD8), acentua o equilíbrio de andamento em pista. A este factor junta-se o facto de apenas quatro provas contarem para o apuramento e de as grelhas ultrapassarem frequentemente as três dezenas de participantes, transformando cada corrida numa autêntica “batalha campal”, em que o objectivo passa por alcançar um resultado de topo numa única prova para garantir os pontos necessários à presença na grelha de partida do evento do mês de Novembro.

“Com tantos carros em pista ao mesmo tempo, há muitos pilotos sob enorme pressão para pontuar, o que acaba por provocar um número elevado de incidentes”, admite o piloto português. “Desta forma, o apuramento aproxima-se mais de uma lotaria do que de um processo verdadeiramente assente no mérito”, acrescenta o representante da Premium Racing Team.

Por outro lado, Rui Valente reconhece que os mais jovens são os principais prejudicados. Com uma experiência claramente superior à dos estreantes, que dispõem de menos quilómetros de pista e menor bagagem competitiva, o piloto sublinha, ainda assim, que a dificuldade não se restringe aos novatos. “Mesmo para quem tem muitos anos de corridas, como eu, a qualificação é extremamente complicada. Se assim é para os mais experientes, torna-se evidente que os jovens acabam por ser os mais penalizados por este modelo”, concluiu.

 

Próximo passo

Quanto ao futuro, Rui Valente – que recebeu o prémio de terceiro classificado entre os pilotos de Macau no Grupo A do MTCS Macau Roadsport Challenge, na Cerimónia de Entrega de Prémios de 2025 da Associação Geral Automóvel de Macau-China – ainda não tomou uma decisão definitiva. As alternativas em cima da mesa passam por manter-se em competição nos mesmos moldes, equacionar uma mudança de categoria, opção condicionada por limitações orçamentais, ou, em última instância, colocar um ponto final nas suas participações no Grande Prémio, ou mesmo na carreira.

O segundo piloto com mais participações na história do Grande Prémio de Macau, apenas atrás de Albert Poon, confessa que não perdeu o gosto pelo automobilismo, actividade que o mantém em excelente forma física aos 64 anos. No entanto, admite que “se calhar está a chegar a altura de deixar Macau. É uma pena, porque gosto mesmo muito disto. Aliás, o problema é que gosto muito disto”.

17 Jan 2026

Coloane | Kartódromo recebe o Champions of the Future Academy Program

O Kartódromo de Coloane vai começar o ano em alta velocidade, recebendo de 16 a 18 de Janeiro a primeira edição no território da nova competição Champions of the Future Academy Program, organizada e promovida pela empresa suíça RGMMC Group

O Champions of the Future Academy Program é uma competição internacional de karting Arrive and Drive, concebida para desenvolver a próxima geração de talentos do desporto automóvel. De acordo com o promotor, a prova está alinhada “com os padrões desportivos da FIA e combina competição de elite com uma formação abrangente para os pilotos, oferecendo aos jovens a experiência e a visibilidade internacional necessárias para iniciar carreiras profissionais, ao mesmo tempo que se mantêm os custos controlados”.

Com três categorias competitivas — Mini, OK-N Júnior e OK-N Sénior — o conceito ambiciona reunir talentos emergentes de várias partes do mundo para competir em eventos de classe mundial. Segundo a organização, esta prova em Macau “tem como objectivo expandir o Champions of the Future Academy Program para séries nacionais”, reforçando a presença do conceito fora do seu calendário principal.

Para além do evento na RAEM, a RGMMC, fundada em 2004, tem ainda planeada uma prova extra-campeonato nos Emirados Árabes Unidos, em Fevereiro. O campeonato regular é composto por seis etapas, decorrendo entre Fevereiro e Dezembro, com passagens por Espanha, Grécia, Itália, Omã e Emirados Árabes Unidos. A mesma entidade promove igualmente uma série nos mesmos moldes no Reino Unido.

O Champions of the Future Academy Program Macau, que conta com o apoio da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e do Instituto do Desporto da RAEM, decorrerá ao longo de três dias competitivos, com duas corridas finais que determinam classificação do vencedor do evento para cada categoria. O paddock abrirá às equipas na quinta-feira, seguindo-se um dia inteiro de treinos-livres na sexta-feira, enquanto os treinos cronometrados e as corridas terão lugar no sábado e no domingo.

Igual para todos

Cada categoria admite um máximo de 24 concorrentes, um limite que se mantém em todos os eventos. A categoria Mini Group 3, destinada a pilotos entre os 9 e os 12 anos, utilizará chassis Parolin e motores TM, com um custo de inscrição aproximado de 32.750 patacas. As categorias OK-N Júnior, para idades entre os 12 e os 14 anos, e OK-N Sénior, dos 14 aos 17 anos, competirão com chassis Kart Republic e motores IAME, sendo o valor de inscrição de cerca de 42.125 patacas por fim-de-semana.

Tal como indica a designação Arrive & Drive, estes valores incluem o kart e o respectivo motor, espaço na tenda, ferramentas necessárias, pneus — fornecidos em todas as classes pela LeCont Pneumatici —, combustível, lubrificantes e toda a logística associada. Desta forma, os pilotos podem concentrar-se exclusivamente na condução e, graças à igualdade mecânica, antevêem-se corridas competitivas e animadas num dos melhores kartódromos do Sudeste Asiático.

Em 2026, o Kartódromo de Coloane terá um calendário particularmente preenchido. Para além das competições de karting e motociclismo organizadas pela AAMC, o traçado desenhado pelo arquitecto Carlos Couto acolherá o Campeonato da China de Karting, nos dias 11 e 12 de Abril, a IAME Series Asia, no fim-de-semana de 23 e 24 de Maio, e o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau, agendado para o período entre 11 e 14 de Dezembro.

9 Jan 2026

Taça Davis | Tiago Pereira estreia-se pela selecção com a China

Tiago Pereira é a novidade da selecção nacional de ténis para o encontro da Taça Davis com a China, em 06 e 07 de Fevereiro, que inclui ainda Nuno Borges, Francisco Cabral, Jaime Faria e Henrique Rocha, foi ontem anunciado. “O Tiago Pereira tem vindo a evoluir bastante e, nos últimos meses, tem obtido bons resultados não só em singulares como em pares, o que faz dele uma opção para as duas variantes”, referiu o capitão Rui Machado sobre o estreante.

Além do algarvio, de 21 anos, classificado na 265.ª posição do ranking mundial, a aposta de Rui Machado recaiu em Nuno Borges (45.º) e Francisco Cabral (20.º), os melhores tenistas lusos da actualidade em singulares e pares, respectivamente, além de Henrique Rocha (157.º) e Jaime Faria (151.º).

Portugal não compete em casa desde Setembro de 2022, então frente ao Brasil, e a condição de visitante tem sido favorável, mas Rui Machado confia no grupo que vai levar para a China.

“Temos noção que vai ser uma eliminatória bastante difícil frente a uma equipa com jogadores experientes, com bastante potencial e que já provaram conseguir jogar a um nível muito alto”, considerou sem saber ainda os escolhidos do homólogo Di Wu. Portugal vai visitar a China no play-off do Grupo I da Taça Davis em ténis, no qual tentará evitar a descida ao Grupo II, onde não está desde 2015.

9 Jan 2026

Hong Kong | Nuno Borges segue para os quartos de final após bater Marin Cilic

O número um português Nuno Borges qualificou-se ontem para os quartos de final do Open de Hong Kong em ténis após bater o croata Marin Cilic em dois parciais.

O primeiro parcial foi mais equilibrado, com o jogador natural da Maia, 47.º do ranking ATP, a ser o primeiro a quebrar o serviço do veterano de 37 anos, número 70 do mundo. O vencedor do Open dos Estados Unidos em 2014 ainda respondeu na mesma moeda, mas Borges voltou a quebrar o jogo do veterano bósnio para conquistar o primeiro parcial por 7-5.

O português entrou melhor no segundo ‘set’, vencendo os três primeiros jogos, vantagem que manteve para fechar o parcial em 6-3 e vencer a partida ao fim de apenas 47 minutos. Nos quartos de final, Borges vai defrontar o vencedor do encontro entre o terceiro cabeça de série do torneio e 16.º mundo, o russo de 28 anos Andrey Rublev, e o chinês de 26 anos Wu Yibing, o número 179 do mundo, que veio da qualificação.

Borges é o oitavo cabeça de série do torneio da região chinesa, que serve também de preparação para o Open da Austrália – um dos quatro Grand Slam, os principais torneios do ténis mundial – que arranca a 12 de Janeiro.

Na temporada de 2025, o maiato bateu, pela primeira vez na carreira, um jogador do top 10, o número oito mundial, o norueguês Casper Ruud, na segunda ronda de Roland Garros, em Maio. Borges chegou também à quarta ronda no Open da Austrália, em Janeiro de 2025, e no Open dos Estados Unidos, em Agosto, sendo ainda o primeiro português a atingir os oitavos de final do Masters 1.000 de Xangai, na China, em Outubro.

8 Jan 2026

GP | Data e duas competições confirmadas

A reunião final do Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA de 2025 realizou-se na passada quarta-feira, durante a Semana das Assembleias Gerais da FIA, em Tashkent, no Uzbequistão. A sessão contou com a presença de delegados das várias Autoridades Desportivas Nacionais (ASNs), de onde saíram decisões importantes, algumas das quais dizem respeito a Macau

A data do 73.º Grande Prémio de Macau foi oficialmente revelada, ficando confirmado que o maior evento desportivo de carácter anual da RAEM terá lugar de 19 a 22 de Novembro do próximo ano. A federação internacional aproveitou igualmente para anunciar que a data e a localização da nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA, que desde a sua criação se disputa no Circuito da Guia, integrada no programa do Grande Prémio, foram aprovadas pela Comissão de GT. A mesma entidade não revelou as linhas mestras da corrida próximo ano, que na edição deste ano contou apenas com dezasseis concorrentes, mas é a primeira vez que a confirma tão cedo.

Por seu turno, a Comissão de Carros de Turismo confirmou o calendário da próxima temporada do Kumho TCR World Tour, que voltará a encerrar no Circuito da Guia, à semelhança dos anos anteriores. Destaca-se a forte presença da China no calendário: às provas de Macau e Zhuzhou junta-se uma estreia absoluta, o novo Circuito Internacional de Chengdu Tianfu. Com oito eventos – um no México e três na Europa, entre os quais a visita ao Circuito Internacional de Vila Real -, a Ásia ganha novo peso com um total de quatro jornadas.

Quatro dos eventos de 2026 do Kumho TCR World Tour manterão o formato tradicional de duas corridas, incluindo Macau, enquanto os restantes quatro – México, Espanha (Valência), Coreia do Sul (Inje) e China (Chengdu) – adoptarão o formato de três corridas por fim-de-semana, introduzido no ano passado, atingindo um total de vinte corridas na temporada.

O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA não se pronunciou publicamente sobre a continuidade, ou não, das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, ainda que o projecto desta última, que envolve igualmente o promotor chinês Mintime e a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), tenha sido concebido para três anos.

Aposta também no karting

O Conselho Mundial aprovou igualmente os regulamentos que sustentam a expansão do Karting sob a tutela da FIA, numa altura em que se inicia a próxima fase de implementação do “Global Karting Plan”, que, no próximo ano, integrará novos campeonatos “Arrive & Drive”, incluídos num dos calendários mais extensos de sempre.

Na sequência do auspicioso arranque da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA, realizada na Malásia no mês transacto, o formato inovador será alargado com novos campeonatos continentais, aproximando estes eventos acessíveis e económicos das comunidades em todo o mundo. O calendário de 2026, já aprovado, contará com um Campeonato da Europa e um Campeonato da Ásia-Pacífico, cada um composto por três rondas, cujos vencedores assegurarão um lugar na grelha da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA de 2026, a disputar no termo da temporada.

O Kartódromo de Coloane, ainda hoje um dos mais modernos do Sudeste Asiático, integrará esta primeira edição do Campeonato da Ásia-Pacífico “Arrive & Drive”, acolhendo a prova inaugural no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho. O calendário desta competição de baixo custo inclui ainda duas outras etapas: uma em Zhuzhou, na Província de Hunan, e outra em Madras, na Índia.

12 Dez 2025

Macau | Rosa Mota em segundo lugar na minimaratona

A portuguesa Rosa Mota ficou domingo em segundo lugar na minimaratona de Macau, prova de 4,5 quilómetros que integra a Maratona Internacional da região chinesa. A ex-campeã olímpica de 67 anos terminou a corrida em 17 minutos e 10 segundos, mais 54 segundos do que a primeira, a atleta local Kin I Chao.

Em Fevereiro, a portuguesa teve alta hospitalar, na sequência de uma intervenção cirúrgica programada, depois de ter ultrapassado um “grave problema”, um “aneurisma dissecante da aorta”. Rosa Mota, natural do Porto, foi campeã olímpica da maratona nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, após ter sido bronze em Los Angeles, em 1984. Do seu palmarés constam ainda três títulos europeus (1982, 1986 e 1990) e um mundial (1987).

Ainda é a recordista nacional da maratona, com o registo de 02.23,29 horas, marca conseguida em Chicago em 1985. Nos últimos anos, Rosa Mota tinha reaparecido ao mais alto nível e venceu várias provas de veteranos, tendo estabelecido em Barcelona, em 2024, o recorde do mundo da meia-maratona (1:24.27 horas), para o escalão dos 65 aos 69 anos.

Também no ano passado, a portuguesa venceu a minimaratona de Macau, repetindo os triunfos em 2018, 2019 e 2023. Este ano, a organização convidou vários atletas, indicados pela Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e o estado de Goa (Índia).

Lusofonia destacada

Os lusófonos estiveram em destaque na meia-maratona, com o cabo-verdiano Samuel Freire, do Sporting Clube de Portugal, a terminar em terceiro a corrida masculina, atrás do vencedor Martin Ndungu e de David Kipkorir Rono, ambos quenianos.

No quarto lugar surgiu o português Fábio Oliveira, 30.º na maratona da primeira edição dos Campeonatos da Europa de Estrada, em Abril, e parte da selecção de Portugal que terminou em quarto lugar. Logo a seguir veio o jovem moçambicano Pinto Victor Jequecene, de 22 anos, enquanto o angolano David Jundo Elias terminou na sétima posição.

Na prova feminina, a também angolana Lúcia Kawele Capingala ficou no terceiro lugar, atrás da vencedora, a queniana Lucy Ndambuki, e da chinesa Na Zhao. Já fora do pódio, na quarta posição, terminou a jovem portuguesa Joana Ferreira, que conquistou a medalha de prata na prova sub-23 dos campeonatos nacionais de atletismo em 10 mil metros, em Maio.

A moçambicana Domingas Ernesto Checane ficou no sexto lugar. Cerca de 12 mil participantes inscreveram-se nas três corridas da Maratona Internacional de Macau, com o título da prova rainha a ir para o queniano Victor Kipchirchir e para a etíope Senay Mastewal Birhanu.

Além do triunfo, Kipchirchir bateu o recorde da maratona de Macau, ao acabar em duas horas, nove minutos e 27 segundos, menos 34 segundos do que o anterior registo, fixado em 2017 pelo etíope Felix Kiptoo Kirwa.

9 Dez 2025

GP | Unanimidade quanto à “Super Pole” nos GT

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) deverá continuar a apostar no sistema de “Super Pole” para a nona Taça do Mundo FIA de GT, caso esta corrida volte a integrar o programa do 73.º Grande Prémio de Macau no próximo ano

Pela primeira vez, na edição do passado mês de Novembro, os dez mais rápidos da Qualificação 1 dispuseram de 20 minutos para se prepararem para a primeira “Super Pole” da história da Taça do Mundo de GT da FIA, na qual, pela ordem inversa dos tempos, cada piloto entrou sozinho em pista para uma volta de saída, duas voltas cronometradas e uma de regresso, com intervalos de um minuto entre concorrentes e a possibilidade de utilizar um novo jogo de pneus. O melhor tempo obtido entre as duas voltas cronometradas determinou a Qualificação 2 “Super Pole”, que definiu a grelha de partida da Corrida Classificativa.

Após o sucesso desta iniciativa, a federação internacional pretende continuar a aplicá-la na Taça GT Macau – Taça do Mundo FIA de GT, tendo inclusive produzido um vídeo promocional para o confirmar. Lutz Leif Linden, Presidente da Comissão de GT e da Comissão de Construtores da FIA, admite que se trata de algo “muito excitante para os espectadores, assim como para os pilotos”.

Presente em Macau durante o Grande Prémio, o influente Stéphane Ratel, CEO da SRO Motorsports Group, entidade co-organizadora da Taça GT Macau – Taça do Mundo FIA de GT, concorda igualmente com a medida, sublinhando que representa “um desafio adicional e que resulta. Na SRO fazemos isso a nível global. Nos maiores eventos, como as 24 Horas de Spa, temos uma ‘Super Pole’, e é algo de que gostamos.”

Pilotos e marcas concordam

Pilotos e marcas ficaram igualmente impressionados com esta primeira experiência nas ruas do território. “Macau já é especial e acho que, com este formato, tivemos algo ainda mais especial”, recordou Antonio Fuoco, o piloto que deu à Ferrari o seu primeiro em Macau desde 1995.

Ferdinando Cannizzo, responsável máximo da Competizioni GT da Ferrari, reforça a ideia, destacando a vantagem técnica quando o desafio se resume ao piloto e ao circuito, sem interferências externas. “Sem carros, sem trânsito, podes concentrar-te realmente nas tuas forças e tentar maximizar a performance do carro”, referiu o representante da marca do Cavallino Rampante.

Este sistema de qualificação, um momento importante do fim-de-semana dada a dificuldade de ultrapassar no Circuito da Guia, acrescenta também um elemento de incerteza e eleva o espectáculo. Stefan Gugger, responsável pelo desenvolvimento dos carros de competição da Lamborghini, afirmou que, na sua opinião, “é uma melhoria para os nossos fãs. Podemos realmente ver a performance do piloto e do carro, o que representa igualmente um bom desafio para a equipa.”

A Porsche, uma das marcas que mais defendeu a introdução obrigatória dos dispendiosos sensores de binário nesta corrida, foi também das principais impulsionadoras da “Super Pole”. “Acredito que o novo formato é realmente um passo em frente”, afirmou Thomas Laudenbach, Vice-Presidente da Porsche Motorsport. “Permite que os pilotos tenham voltas limpas. É um excelente avanço na direcção certa, talvez com alguma afinação, mas, no geral, para mim é positivo. Espero que mantenham este formato, porque é fantástico.”

Entretanto, a data da edição de 2026 do Grande Prémio de Macau deverá ser confirmada na próxima semana, durante o Conselho Mundial da FIA, que terá lugar antes da cerimónia de entrega dos prémios da FIA referentes a 2025, na cidade de Tashkent, no Uzbequistão.

5 Dez 2025

GP | FIA vai continuar a apostar na Formula Regional em Macau

O facto de a FIA ter trocado a Fórmula 3 pela Fórmula Regional (FR) continua a ser um tema recorrente quando o tópico é o Grande Prémio de Macau. Apesar da prova rainha do programa não ter desapontado na edição deste ano, apagando um pouco a má imagem deixada no ano passado, ainda existe um sentimento generalizado de que a federação internacional privou o Grande Prémio da sua prova preferida

No final da 72.ª edição, a Coordenadora da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Lei Si Leng, quando questionada novamente pela imprensa local sobre um eventual regresso da Fórmula 3, afirmou que a organização vai continuar a cooperar com a FIA para escolher as corridas que mais se adequam a Macau. Ao mesmo tempo, a dirigente do Instituto do Desporto de Macau deixou a garantia que o plano passa por continuar a receber pilotos em idade de formação e que se afirmem como o futuro do automobilismo.

“Nós temos vindo a comunicar de forma estreita com a FIA para sabermos quais as provas que podem ser realizadas em Macau e a FIA tem seleccionado os melhores pilotos para virem cá competir”, disse, acrescentando que espera “que possam vir os melhores pilotos a Macau e que continuemos a colaborar com a FIA para organizar as provas mais adequadas para Macau”.

Do lado da FIA, existe a convicção de que a FR é a disciplina que melhor se adapta às características do Circuito da Guia, um traçado que permanece praticamente inalterado após sete décadas de existência. O descontentamento que ainda subsiste é considerado natural. “O desporto motorizado é tradicional, e não me recordo de alguma mudança que tenha sido bem recebida no início, mesmo as boas mudanças” admitiu Emanuele Pirro, o actual presidente da Comissão de Monolugares da FIA, em conversa com os jornalistas em Macau.

O ex-piloto italiano, um conhecedor do Circuito da Guia e vencedor da Corrida da Guia pela BMW, aproveitou a passagem pela RAEM para recordar que “se olharmos para a história de Macau, começou com a Fórmula 2, ou Fórmula Pacific, e depois passou para a Fórmula 3. Em 1984, um jornalista podia ter perguntado: ‘porque já não corremos com Fórmula 2?’ Acho que é inevitável. Tudo tem um preço. Para termos o privilégio de contar com um circuito que permaneceu inalterado ao longo da sua história, o preço a pagar é utilizarmos carros que continuem a ser razoavelmente seguros. E penso que a Fórmula Regional oferece um bom equilíbrio em termos de velocidade.”

Numa rara entrevista à revista especializada INSIDE, o ex-coordenador do Grande Prémio, José Manuel Costa Antunes, alertou para que não se deixe cair o nível da prova. “Hoje, com a transição para a Fórmula Regional e a Fórmula 4, o que não é um problema, são apenas carros diferentes, vemos mais pilotos inexperientes”, referiu o homem que esteve ao leme do evento por mais tempo, tocando num tema sensível: “Algumas pessoas podem simplesmente comprar um lugar. Isso é preocupante. Como fãs, queremos corridas a sério, não bandeiras vermelhas. Devemos à história do Grande Prémio recuperar esse processo selectivo, para garantir que apenas os melhores competem aqui.”

Números apoiam a decisão

Olhando para as folhas de tempos, conclui-se que os registos por volta da corrida principal da FR se situaram na casa dos 2m16s, cerca de dez segundos mais lentos do que os tempos verificados no último ano dos monolugares FIA F3, em 2023. Em termos históricos, estes cronos colocam os carros da FR num patamar semelhante ao dos Fórmula 3 do final da década de 1990. No entanto, do ponto de vista da segurança, as velocidades atingidas no “sprint” para a Curva Lisboa continuam a ser a principal preocupação desde o acidente de Sophia Flörsch em 2018. Com o cone de aspiração, velocidades superiores a 290 km/h eram frequentes em 2023 com os Dallara F3, mas a mudança para os carros da FR reduziu esses valores para a ordem dos 260 km/h.

Em 2026, espera-se a chegada a Macau do novo carro da Fórmula Regional, o Tatuus T-326, que está equipado com um motor Toyota ATM163T de três cilindros e 1.6 litros, preparado pela Autotecnica Motori, mais potente e eficiente. O chassis foi concebido segundo as últimas especificações da FIA, de forma a proporcionar melhorias ao nível do desempenho, da segurança e da aerodinâmica, facilitando as ultrapassagens e promovendo corridas mais animadas. Todavia, apesar de ser expectável que os tempos por volta voltem a descer, provavelmente as velocidades de ponta não serão dramaticamente mais altas.

Convém referir que a mudança para a FR não foi motivada apenas por questões de segurança. Quando a FIA concedeu à Formula One Management (FOM) os direitos comerciais e promocionais da Fórmula 3, a prova do território passou a ser uma corrida extra-campeonato de uma competição internacional, limitada à participação das mesmas equipas que disputavam o campeonato. Esta alteração foi recebida de forma desfavorável pelo próprio promotor, uma vez que o mesmo nunca desempenhou um papel verdadeiramente interventivo no âmbito do Grande Prémio. Acresce que a realização da prova em Macau, no mês de Novembro, implicava uma logística particularmente exigente, com impacto negativo no planeamento e execução dos testes de pré-temporada.

24 Nov 2025

Automobilismo | GP continuará no TCR World Tour em 2026

O Grande Prémio de Macau irá novamente fazer parte do calendário do Kumho FIA TCR World Tour na próxima temporada e, mais uma vez, como a prova de encerramento de temporada de uma competição que irá aumentar a sua presença na Ásia em 2026

Marcelo Lotti, presidente do WSC Group, confirmou à imprensa, durante o fim de semana do 72.º Grande Prémio de Macau, que o calendário do próximo ano deverá incluir uma prova na Coreia do Sul – país natal da marca de pneus e patrocinador do campeonato, Kumho, assim como da Hyundai, a marca com mais carros nas grelhas de partida da competição mundial -, uma segunda prova na República Popular da China e a tradicional ronda de fim de temporada no Circuito da Guia.

Para aumentar a presença no continente asiático, sem afectar os orçamentos das equipas, de fora do calendário irá ficar a Austrália. O promotor do campeonato também não irá avançar com a possibilidade de organizar uma segunda prova no continente americano, sendo que a visita ao México é uma certeza. Já no “velho continente”, o Kumho FIA TCR World Tour manterá as suas três provas, com o circuito citadino português de Vila Real a receber um destes eventos no mês de Julho.

Para Marcello Lotti, “o Grande Prémio de Macau é o nosso equivalente ao Mónaco”, e para o empresário italiano, “todos os campeonatos precisam de um evento assim”. Apesar do número menor de inscritos que a prova deste ano reuniu no território, “sair de Macau está obviamente fora de questão”.

O calendário da temporada de 2026 do Kumho FIA TCR World Tour deverá ser revelado ao público no dia 13 de Dezembro, quando o Conselho Mundial da FIA reunir em Tashkent, na República do Usbequistão, na mesma altura da cerimónia de entrega anual de prémios da FIA.

Questões de números

A lista de participantes da Corrida da Guia Macau – Kumho FIA TCR World Tour Event of Macau teve apenas dezassete dos vinte e quatro carros inicialmente inscritos. Esta terá sido uma das grelhas de partida mais reduzidas de sempre da altamente popular Corrida da Guia, cuja primeira edição decorreu em 1972. Em parte, este número aquém das expectativas deveu-se à ausência, por razões desconhecidas, de equipas e pilotos oriundos do TCR China, um dos mais fortes campeonatos nacionais de Turismo a nível mundial.

Entretanto, Marcello Lotti disse durante o fim de semana do Grande Prémio que o TCR se prepara para dar as boas-vindas a uma nova marca no campeonato. Porém, não se espera que este anúncio, previsto para a próxima sexta-feira, tenha impacto nas grelhas de partida do Kumho FIA TCR World Tour, pois será um grupo automóvel que já tem presença no campeonato e irá substituir uma das suas marcas por outra. O empresário italiano também referiu estar em negociações com uma segunda marca.

A influência da Ásia no maior campeonato de Turismos da actualidade não se cinge só aos coreanos da Kumho e da Hyundai, pois a competição também conta com a marca chinesa Link & Co, a nível oficial, e com a congénere japonesa Honda. Numa altura em que os carros eléctricos, os SUV e os citadinos são as apostas das grandes marcas, os construtores asiáticos ainda são dos poucos que apostam em carros, com motorizações a combustível, com as dimensões adequadas para as provas de Turismo.

19 Nov 2025