GP | Faleceu o piloto com mais vitórias da história da prova

Faleceu na passada semana o britânico John Macdonald, aos 89 anos, vítima de doença prolongada. Foi o piloto mais vitorioso da história do Grande Prémio de Macau e o único a triunfar no Circuito da Guia tanto em provas de automóveis como de motos

A notícia foi divulgada nas redes sociais pelo seu amigo Eli Solomon, historiador e escritor radicado em Singapura, que nos últimos anos trabalhou, em conjunto com Angus Lamont, na produção do livro “King of Macau”. A obra retrata a vida e a carreira de Macdonald, que residiu durante décadas em Hong Kong e foi uma das figuras centrais do automobilismo no Sudeste Asiático nas décadas de 1960 e 1970.

“É com profunda tristeza que comunico o falecimento de John Macdonald, ocorrido no domingo, 25 de Janeiro, aos 89 anos de idade, após doença prolongada. A sua mente permanecia tão lúcida como sempre, e ele e Angus Lamont continuaram a trabalhar em King of Macau até ao final do ano passado”, escreveu Eli Solomon, acrescentando que “o texto final foi-lhe apresentado para aprovação no final do ano passado, esperando-se que o livro esteja pronto para distribuição ainda durante este trimestre, possivelmente a tempo das entregas no Reino Unido para o Goodwood Members’ Meeting, em Abril”.

John Macdonald permanece como o único concorrente a ter vencido todas as principais provas disputadas no Circuito da Guia: quatro vitórias no Grande Prémio de Macau (1965, 1972, 1973 e 1975), o triunfo no Grande Prémio de Motociclismo de Macau de 1969 e a vitória na edição inaugural da Corrida da Guia de Macau, em 1972. Contudo, a sua paixão pelo desporto motorizado não se limitou às corridas em circuito. Após se iniciar nas motos no Reino Unido, participou em 1962 no Rali da África Central, ao volante de um Lancia B20, e em 1963 no Rali Internacional da Escócia, num Land Rover. Nesse mesmo ano mudou-se para Hong Kong, onde ingressou na polícia local. Ao longo da carreira venceu três ralis internacionais, dois em Hong Kong e um nas Filipinas, país onde se sagrou Campeão Nacional em 1974.

Durante a sua permanência em Hong Kong, foi proprietário da Camlex Garage, em Kowloon, depois de ter deixado a Hutchinson, onde desempenhava o cargo de Director de Serviços do Grupo da Far East Motors, no final de 1967. Após se retirar da actividade empresarial, vendeu a Camlex Garage, em 1981, à German Motors, propriedade do empresário e também piloto Herbert Adamczyk.

Eternizado com a estátua de cera no Museu do Grande Prémio de Macau, Macdonald ficou igualmente associado à célebre frase: “O desporto motorizado é o único desporto verdadeiramente emocionante que se pode praticar sentado”.

Somatório de sucessos em Macau

A estreia no Grande Prémio de Macau ocorreu em 1964, com um sexto lugar ao volante de um Lotus Elan, naquela que foi a sua primeira experiência em corridas de velocidade com automóveis. No ano seguinte regressou com um Lotus 18, um fórmula adquirido por 7.000 patacas ao conceituado Team Harper, e a sua prestação ao volante de um monolugar já envelhecido foi amplamente elogiada. Após uma corrida marcada por incidentes e alguma confusão, recebeu a bandeira de xadrez no primeiro lugar e conquistou a primeira das suas seis vitórias no Circuito da Guia.

Com a introdução do Grande Prémio de Motos de Macau no programa, em 1967, Macdonald não resistiu a participar, beneficiando também da experiência adquirida nas corridas de duas rodas que disputara no Reino Unido no final da década de 1950. Nesse ano de estreia, marcado pelo domínio japonês, não se destacou, mas viria a vencer a prova em 1969.

A segunda vitória no Grande Prémio de Macau chegou em 1972, ao volante de um Brabham BT36 ex-Graham Hill, após uma exibição absolutamente dominadora, cortando a linha de meta com 30 segundos de vantagem sobre o segundo classificado. No mesmo fim de semana venceu ainda a primeira edição da Corrida da Guia de Macau, num Austin Mini Cooper S, cuja réplica se encontra hoje em exposição no Museu do Grande Prémio de Macau.

Com patrocínios e equipamento à altura do seu talento, regressou em 1973 para defender o título do Grande Prémio de Macau, desta vez num Brabham BT40, com o qual havia vencido nas Filipinas e no circuito citadino malaio de Penang, além de ter alcançado um terceiro lugar em Singapura. Depois de conquistar a pole position, tornou-se o primeiro piloto a vencer a prova por três vezes, estabelecendo ainda um novo recorde da volta.

A quarta e última vitória no Grande Prémio de Macau aconteceu em 1975, nove anos antes de a corrida adoptar os regulamentos de Fórmula 3, ao volante de um Ralt RT1. Frente à mais forte oposição até então, Macdonald voltou a impor-se, somando o seu derradeiro triunfo na prova. A sua última participação no Grande Prémio de Macau ocorreu em 1976. A despedida das corridas de Grande Prémio enquanto piloto deu-se em Maio de 1977, no Grande Prémio de Penang, embora nesse mesmo ano tenha continuado ligado a Macau como patrocinador, cedendo o seu Ralt RT1 a Vern Schuppan. Deixou Hong Kong em 1983 e mudou-se com a esposa para Andorra. Os seus últimos anos de vida foram passados nas Maurícias.

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