Hoje Macau China / ÁsiaÓbito | Morreu Tung Chee-hwa, primeiro líder de Hong Kong após transição Tung Chee-hwa, o primeiro líder de Hong Kong após a transferência da antiga colónia britânica para a China, em 1997, morreu aos 89 anos, anunciou ontem o seu gabinete. O antigo magnata do sector dos transportes marítimos, nascido em Xangai, foi escolhido por Pequim para assumir o cargo de Chefe do Executivo do território, função na qual enfrentou uma série de crises. Tung Chee-hwa “faleceu pacificamente na presença dos seus amados familiares” na terça-feira, segundo um comunicado. Ele “dedicou a sua vida, com um compromisso inabalável, a servir a Nação e a RAE [Região Administrativa Especial] de Hong Kong. Os seus contributos, marcados pela integridade, compaixão e dignidade, serão recordados por muito tempo”, acrescentou o seu gabinete. Tung nasceu em Xangai, a 29 de Maio de 1937, numa das famílias mais ricas da China no sector do transporte marítimo. Segundo a sua biografia oficial, a família mudou-se para Hong Kong em 1947. Depois de se ter licenciado em engenharia naval pela Universidade de Liverpool, no Reino Unido, em 1960, trabalhou nos Estados Unidos antes de se juntar ao negócio da família em Hong Kong, em 1969. Tung assumiu o negócio da família após a morte do pai, em 1981. Quatro anos depois, a empresa estava à beira da falência, mas foi salva graças à intervenção do Governo chinês, em 1986. Em 1985, Tung integrou um comité encarregado de ajudar a redigir a Lei Básica — a ‘miniconstituição’ de Hong Kong, que rege a antiga colónia britânica desde a transferência para a China em 1997. Ascendeu na carreira política, trabalhando tanto no órgão consultivo político de Pequim como no governo de Hong Kong. Lançado com relutância à liderança de Hong Kong no momento crucial da transferência de soberania, devido aos seus laços estreitos com Pequim, viveu um mandato tumultuoso de oito anos à frente da cidade. Tung deixou o cargo em 2005, dois anos antes do final do segundo mandato, alegando problemas de saúde, e foi sucedido pelo adjunto, Donald Tsang Yam-kuen.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Revisão em alta de crescimento do PIB do segundo trimestre O Governo japonês reviu ontem em alta o crescimento do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, entre Abril e Junho, para 0,4 por cento face aos três meses anteriores. O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento da economia do país asiático e que, nos dados preliminares divulgados em Agosto, permaneceu inalterado, cresceu 0,1 por cento, segundo os dados revistos publicados pelo Governo japonês. As exportações, que nos números preliminares registaram um aumento de 0,5 por cento, foram, no entanto, revistas em baixa, para um crescimento de 0,4 por cento, enquanto as importações passaram de uma queda inicialmente estimada em 1,5 por cento para uma contração de 1,7 por cento. No quinto trimestre consecutivo de crescimento da economia japonesa, a despesa pública foi ligeiramente revista em alta, para 1,7 por cento, face aos 1,6 por cento anteriormente anunciados. Em termos homólogos, a economia japonesa cresceu 1,4 por cento, três décimas acima dos 1,1 por cento estimados inicialmente. Os dados são divulgados pouco mais de uma semana antes da reunião mensal de política monetária do Banco do Japão (BoJ), numa altura em que os mercados antecipam uma nova subida das taxas de juro, para o nível mais elevado em décadas.
Hoje Macau China / ÁsiaPyongyang | Destacada “aliança invencível” com a Rússia A inauguração de uma ponte rodoviária entre as duas nações foi o pretexto para a propaganda norte-coreana enaltecer a relação entre Pyongyang e Moscovo A Coreia do Norte qualificou ontem a aliança com a Rússia como “invencível”, após a inauguração da primeira ponte rodoviária entre os dois países, num contexto do reforço das relações bilaterais económicas e militares. “Com base numa sólida parceria estratégica abrangente e numa aliança invencível, foi concluída com sucesso a ponte rodoviária sobre o rio Tumen, que liga as localidades fronteiriças de Rason [Coreia do Norte] e Khasan [Rússia]”, informou ontem a agência estatal norte-coreana KCNA, com referência a uma cerimónia realizada na véspera. A infraestrutura, com pouco mais de um quilómetro de comprimento, foi construída sobre o rio Tumen, na região russa de Primorsky, no Extremo Oriente russo e, segundo a Rússia, permitirá a passagem diária do posto fronteiriço de até 300 veículos. A KCNA salientou que a nova via facilitará a circulação de pessoas, o turismo e o transporte de mercadorias, além de reforçar a cooperação económica. O evento decorreu simultaneamente em Rason e Khasan, com a participação por videoconferência, a partir de Pyongyang, do primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, e, a partir de Moscovo, do homólogo russo, Mikhail Mishustin, informou a agência. As obras tiveram início em Abril do ano passado, depois de receberem, em 2024, a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin, e do homólogo norte-coreano, Kim Jong-un. Até agora, os dois países apenas estavam ligados por via terrestre através da ferrovia. Laços reforçados Moscovo e Pyongyang têm vindo a reforçar laços desde 2024, na sequência da assinatura de um acordo entre os líderes dos dois países, que inclui uma cláusula de defesa mútua em caso de agressão. As autoridades sul-coreanas estimam que, desde Outubro de 2024, Pyongyang tenha destacado cerca de 15.000 soldados de combate para apoiar Moscovo na guerra contra a Ucrânia, além de ter fornecido armamento e equipamento militar.
Hoje Macau China / ÁsiaQatar | China reforça laços e apoia papel no Médio Oriente Pequim manifestou ontem disponibilidade para aprofundar a cooperação energética com o Qatar e apoiou o papel de mediação de Doha no Médio Oriente, face aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões e garantir a navegação no Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu estas posições durante uma reunião realizada em Pequim com o homólogo do Qatar e ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que efectua uma visita oficial de dois dias à China. Li afirmou que Pequim pretende aprofundar com Doha a cooperação nas áreas da energia tradicional e renovável, infraestruturas, inteligência artificial (IA) e finanças, assim como promover os investimentos entre os dois países, segundo um comunicado oficial chinês. No plano diplomático regional, o dirigente chinês afirmou que a China “apoia o Qatar no seu papel de mediação” perante a situação no Médio Oriente e manifestou a disponibilidade de Pequim para trabalhar com Doha, outros países da região e a comunidade internacional para favorecer “o rápido restabelecimento da paz e da tranquilidade” na região. Diplomacia activa Mohammed manifestou a vontade do Qatar de aprofundar com a China a cooperação nas áreas do comércio, alta tecnologia e indústria transformadora avançada e defendeu a abertura de uma nova “década dourada” nas relações bilaterais, segundo o comunicado chinês. Antes da viagem, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, adiantou à agência oficial QNA que a visita abordaria os principais desenvolvimentos regionais e os esforços diplomáticos para reduzir as tensões, além da necessidade de garantir a segurança e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. A visita coincide com os esforços diplomáticos de Doha para reduzir as tensões entre os Estados Unidos e o Irão e manter aberto o estreito, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial. O Irão afirmou na segunda-feira que as conversações com Omã sobre um mecanismo temporário destinado a permitir a passagem segura pelo estreito se encontravam na fase final, enquanto Teerão confirmou que uma delegação do Qatar tinha visitado o país no domingo, no âmbito dos esforços de desanuviamento. A crise afecta particularmente o Qatar, que afirmou na segunda-feira que a guerra provocou uma queda de 90 por cento no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos países do Golfo e de 77 por cento no fornecimento de petróleo. O Estreito de Ormuz é também crucial para Pequim, uma vez que cerca de 45 por cento do petróleo e do gás importados pela China atravessavam esta rota marítima em tempos de paz.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Exportações crescem 25% em Agosto As exportações chinesas cresceram 25 por cento em agosto, em termos homólogos, impulsionadas pela procura de produtos tecnológicos e pelas encomendas antes do Natal, apesar das persistentes tensões comerciais e de perturbações causadas por tufões. Segundo dados divulgados ontem pelas alfândegas chinesas, as exportações atingiram 401,44 mil milhões de dólares, superando a previsão média de crescimento de 21,93 por cento dos economistas consultados pela plataforma de informação financeira Wind. As importações aumentaram 28,2 por cento, em termos homólogos, para 282,36 mil milhões de dólares, também ligeiramente acima dos 28,07 por cento antecipados pelos analistas. O excedente comercial da segunda maior economia mundial atingiu assim 119,09 mil milhões de dólares em Agosto, contra 112,5 mil milhões de dólares no mês anterior. O sector exportador chinês tem mantido um forte desempenho este ano, beneficiando da expansão mundial da Inteligência Artificial (IA) e do aumento das preocupações com a segurança energética associado aos conflitos regionais, incluindo a guerra no Irão, que impulsionaram as vendas externas de produtos como baterias e semicondutores.
Hoje Macau China / ÁsiaVenezuela garante respeitar acordos petrolíferos assinados com China e Rússia A Venezuela garantiu respeitar os acordos petrolíferos assinados com a China e a Rússia, num contexto marcado pela agitação gerada pelo acordo com Washington para explorar um quinto das reservas de petróleo bruto do país. “Temos acordos com a China e a Rússia e trata-se de empresas mistas com autorização para exercer atividades primárias em vigor. Respeitamos muito esses acordos”, esclareceu a ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, numa entrevista ao canal privado venezuelano Venevisión, no domingo. Henao, que foi questionada sobre se a China e a Rússia ficariam de fora do negócio petrolífero venezuelano na sequência do acordo entre Caracas e Washington, garantiu também que as empresas mistas nas quais esses dois países têm participação “continuarão a exercer as suas actividades”. A Casa Branca afirmou recentemente que a maioria dos jazigos petrolíferos abrangidos pelo acordo bilateral “eram anteriormente controlados ou operados por empresas russas e chinesas, ou por comparsas corruptos de [Nicolás] Maduro e [Hugo] Chávez”. Hugo Chávez, Presidente da Venezuela desde 2022 até morrer, em 2013, foi sucedido por Nicolás Maduro, que em Janeiro passado foi capturado em Caracas por forças militares norte-americanas. Washington afirmou que “estes actores estrangeiros mal-intencionados saquearam os recursos da Venezuela em benefício de adversários dos Estados Unidos, como Cuba, a Rússia e a China, e não investiram na infraestrutura nem no desenvolvimento” da nação sul-americana. Direitos salvaguardados Na terça-feira, a China exigiu que os seus interesses na Venezuela fossem salvaguardados, depois de alguns meios de comunicação terem noticiado que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderia afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC. “Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, numa conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun. O porta-voz salientou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países”. A China mantém, há anos, interesses importantes no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais têm participado em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas.
Hoje Macau China / ÁsiaEstreito de Ormuz | Teerão alerta Seul contra participação em operações dos EUA O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão alertou ontem a Coreia do Sul contra qualquer mobilização militar ou participação em operações dos EUA no estreito de Ormuz, avisando que tal acção terá “graves consequências”. Na sexta-feira, Seul indicou que estava a considerar contribuir para garantir a segurança da navegação no estratégico estreito de Ormuz, que está interrompida desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, no final de Fevereiro. A Coreia do Sul esclareceu, no entanto, que nenhuma decisão tinha sido tomada e que qualquer participação estaria condicionada à manutenção das suas próprias capacidades de defesa. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, instou Seul a não ceder à “pressão e intimidação norte-americanas”, referindo que “qualquer mobilização militar ou participação de outros países em operações no golfo Pérsico ou no estreito de Ormuz pode ser considerada um apoio direto à parte responsável por esta agressão e terá consequências graves”. Teerão e Washington continuam a trocar tiros no estreito de Ormuz e arredores, apesar do cessar-fogo estabelecido em Abril, que suspendeu a primeira fase de intensos bombardeamentos. As negociações diplomáticas continuam paralisadas, enquanto os dois lados disputam o controlo deste ponto de estrangulamento marítimo por onde costumava passar cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural. Desde o início da guerra, o tráfego ali está praticamente paralisado, perturbando os mercados globais de energia e fazendo disparar os preços dos combustíveis. Teerão afirma que não haverá regresso ao regime de livre navegação que prevalecia antes da guerra e exige que os navios obtenham autorização para transitar pelo estreito, uma medida firmemente rejeitada por Washington e por vários países da região.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Mobilizados caças pelo quarto dia consecutivo Tóquio mobilizou aviões de combate após serem avistadas aeronaves chinesas e russas nas zonas fronteiriças O Japão mobilizou no domingo caças de combate pelo quarto dia consecutivo após detectar um avião militar chinês de recolha de informações, anunciaram as autoridades japonesas, num momento de tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim. O aparelho, um Shaanxi Y-9, sobrevoou o mar da China Oriental até um ponto a sul das ilhas Danjo, um arquipélago desabitado da prefeitura de Nagasaki, antes de se deslocar para sudoeste, em frente à costa de Okinawa, e regressar à China. Em incidentes semelhantes registados na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado, os Y-9 chineses realizaram voos parecidos e, em todos os casos, a Força Aérea de Autodefesa japonesa mobilizou aviões de combate. No sábado, as autoridades japonesas identificaram também uma aeronave russa de recolha de informações que sobrevoou o Pacífico em direcção à costa de Miyagi, no nordeste do arquipélago, antes de se dirigir para o mar do Japão através do mar de Okhotsk. As forças japonesas também mobilizaram aviões de combate em resposta ao incidente com a aeronave russa. Os incidentes com aviões chineses nas zonas fronteiriças são relativamente frequentes no arquipélago japonês, mas ocorrem num momento de renovadas tensões com a China devido a Taiwan. O Y-9 é originalmente um avião de transporte da força aérea chinesa, mas tem diferentes versões, incluindo a de recolha de informações ou a de guerra electrónica. Tensões e disputas As relações de Tóquio com Moscovo também atravessam momentos de tensão devido ao alinhamento do Japão com o Ocidente no apoio à Ucrânia, que combate uma invasão russa desde fevereiro de 2022. As tensões russo-japonesas agravaram-se no início de agosto após uma visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às disputadas ilhas Curilas, que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou de “absolutamente inaceitável”. Putin foi pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Hoje Macau China / ÁsiaÁsia Central | Concluído primeiro túnel de ferrovia que contorna Rússia O projecto completo deverá estar terminado em 2031, mas há quem aponte para a conclusão já em 2028 A China anunciou ontem a conclusão da perfuração do primeiro túnel da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, projecto estratégico que deverá criar a rota terrestre mais curta entre o país asiático, o Médio Oriente e a Europa. O túnel, com 210 metros de extensão, é o primeiro a ser perfurado no troço quirguiz desde o início das obras em grande escala, em Junho de 2025, informou a televisão estatal chinesa CCTV. As obras no segmento localizado no Quirguistão estão agora 17 por cento concluídas, segundo a mesma fonte. Com mais de 500 quilómetros de extensão, a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão (CKU, na sigla em inglês) parte de Kashgar, na região chinesa de Xinjiang, atravessa as montanhas do Quirguistão e termina em Andijan, no Uzbequistão. Cerca de 305 quilómetros da linha atravessam território quirguiz. Quando estiver concluída, a ferrovia deverá constituir a rota terrestre mais curta entre a China, o Médio Oriente e a Europa e reduzir em até oito dias o tempo de transporte face aos actuais serviços ferroviários de mercadorias China-Europa. As três principais rotas ferroviárias que actualmente ligam a China à Europa atravessam a Rússia ou o Cazaquistão. O projecto permitirá assim a Pequim diversificar as ligações comerciais terrestres e dispor de um corredor que contorna território russo, ao mesmo tempo que cria uma nova saída para as exportações da parte sul de Xinjiang. Para o Quirguistão e o Uzbequistão, dois países sem acesso ao mar, a linha deverá proporcionar uma ligação terrestre direta aos mercados chinês e da região Ásia-Pacífico. Em construção Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, estão actualmente em construção 27 túneis, 43 pontes e 88 troços de plataforma ferroviária, além de 20 estações. O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou na semana passada uma visita de Estado ao Quirguistão, durante a qual Pequim e Bisqueque se comprometeram, numa declaração conjunta, a garantir o avanço sem entraves da construção da ferrovia. O projecto, concebido em 1997 e integrado na iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota, esteve bloqueado durante décadas devido às dificuldades de engenharia associadas ao terreno montanhoso, divergências sobre a bitola da linha e questões geopolíticas. O corredor permite contornar a Rússia, cuja influência tradicional na Ásia Central tem sido desafiada pela crescente presença económica chinesa na região. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e as consequentes sanções ocidentais contribuíram também para reforçar a dependência económica de Moscovo em relação a Pequim. Para ultrapassar as divergências técnicas, o projeto adoptou uma solução com duas bitolas diferentes. Um troço de 167,5 quilómetros entre a fronteira chinesa e Makmal, no Quirguistão, utilizará a bitola padrão usada na China, enquanto os quase 140 quilómetros restantes em direção ao Uzbequistão manterão a bitola larga herdada do período soviético. Makmal acolherá um centro de transbordo para permitir a transferência das mercadorias entre comboios das duas bitolas. “A importância desta solução é que a bitola padrão da China entra pela primeira vez no coração da Ásia Central”, afirmou à CCTV Li Lifan, director do Centro de Estudos da Organização de Cooperação de Xangai da Academia de Ciências Sociais de Xangai. China, Quirguistão, Uzbequistão e Rússia integram a Organização de Cooperação de Xangai (SCO), que assinalou na semana passada o 25.º aniversário durante uma cimeira de líderes realizada em Bisqueque. O engenheiro-chefe do projecto, Xi Jihong, estimou que a ferrovia estará pronta para entrar em funcionamento em Junho de 2031. O Uzbequistão pretende, no entanto, acelerar os trabalhos. O vice-ministro dos Transportes uzbeque, Jasurbek Choriev, afirmou em Junho que o objectivo é concluir a linha já em 2028.
Hoje Macau China / ÁsiaAplicados quase 46,5 mil milhões de euros em oito instituições financeiras A China anunciou um pacote de injecções de capital de quase 54 mil milhões de dólares em oito dos principais bancos e seguradoras do país, numa iniciativa pouco habitual, que visa reforçar o setor financeiro. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, o plano ascende a 360 mil milhões de yuan e abrange oito instituições: os bancos ICBC – o maior do país –, ABC e Eximbank, e as seguradoras China Life, PICC, Sinosure, China Taiping e China Reinsurance. Segundo analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), o Ministério das Finanças chinês, que lidera a operação, raramente realiza injecções de capital desta dimensão em instituições financeiras, enquadrando a medida na ambição de Pequim de transformar o país numa “superpotência financeira”. No entanto, a agência de notação financeira S&P estimou anteriormente que os quatro maiores bancos chineses – ICBC, CCB, ABC e Bank of China – precisariam de mais de 551 mil milhões de dólares em capital adicional para cumprirem os requisitos internacionais destinados a garantir que conseguem suportar perdas em caso de crise, sem recorrer a resgates públicos. “As últimas reuniões de alto nível [das autoridades chinesas] avançaram com uma política orçamental mais proactiva para contrariar as pressões sobre o crescimento, e a injecção de capital nas instituições financeiras faz parte desse conjunto de instrumentos”, explicou Shen Meng, da empresa de investimento Chanson & Co., sediada em Pequim. Maior estímulo Na opinião do analista, o plano anunciado no domingo “não só reduz os riscos operacionais e regulatórios para estas instituições, como também estimula o investimento e o consumo através do efeito multiplicador do setor financeiro”. Um especialista citado pelo jornal oficial Global Times defendeu igualmente esta perspectiva, considerando que “as empresas, especialmente as privadas, necessitam urgentemente de apoio sob a forma de crédito”, situação em que os bancos “desempenham um papel de liderança”. Shen salientou que o Ministério das Finanças realizou injecções de capital apenas em algumas ocasiões e que, nesses casos, “o objectivo era sobretudo corrigir os balanços e reduzir os riscos”. Os seis principais bancos estatais chineses registaram, no primeiro trimestre, o primeiro aumento simultâneo das receitas e dos lucros desde 2022, beneficiando da recuperação das margens financeiras líquidas.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Alerta contra “pseudo-história” que ameaça segurança cultural e ideológica A principal publicação teórica oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) alertou ontem que teorias que reescrevem radicalmente a história mundial estão a prejudicar a imagem internacional da China e ameaçam a sua segurança cultural e ideológica. Num artigo, a Qiushi, principal publicação teórica oficial do Comité Central do PCC, criticou a crescente difusão na Internet de teorias que questionam as origens da civilização ocidental ou atribuem à China alguns dos principais avanços científicos e tecnológicos da história. “As alegações pseudo-históricas extremas que proliferam ‘online’ continuam a espalhar-se no estrangeiro e já prejudicaram o ‘poder do discurso académico’ e a imagem cultural do nosso país”, afirmou a publicação. Nos últimos anos, ganharam visibilidade nas redes sociais chinesas teorias segundo as quais Aristóteles nunca existiu, a Grécia Antiga não poderia ter sustentado uma civilização avançada ou alguns dos principais progressos associados à Revolução Industrial tiveram origem na China. A Qiushi classificou algumas destas teses como “narrativas rebuscadas e absurdas”, citando alegações de que o monte Emei, na província chinesa de Sichuan, “é os Alpes” ou de que a Enciclopédia Yongle “deu origem à civilização ocidental moderna”. A semelhança fonética entre os nomes chineses do monte Emei e dos Alpes tem sido usada por alguns defensores destas teorias como suposta prova de que elementos da civilização ocidental tiveram origem na China. Outra tese sustenta que a Enciclopédia Yongle, uma vasta obra compilada por ordem do imperador Yongle no século XV, continha conhecimentos posteriormente apropriados pelo Ocidente, incluindo princípios do cálculo matemático e da máquina a vapor. As autoridades chinesas nunca apoiaram oficialmente estas teorias e, nos últimos meses, vários órgãos de comunicação social estatais intensificaram as críticas à sua crescente popularidade nas plataformas digitais. A Qiushi alertou também para as consequências internas destas interpretações, considerando que algumas podem ameaçar a narrativa oficial sobre a unidade histórica e territorial do país. “Algumas narrativas pseudo-históricas apresentam tendências separatistas étnicas e podem fornecer uma base teórica para negar a unidade da nação chinesa”, afirmou. Sentido de identidade A publicação criticou, em particular, interpretações que avaliam a legitimidade das diferentes dinastias chinesas com base na origem étnica dos seus governantes. A Qiushi criticou, em particular, correntes nacionalistas Han que consideram a dinastia Qing (1644-1911), fundada pelos manchus após a queda da dinastia Ming (1368-1644), um regime estrangeiro que conquistou e colonizou a China. Esta interpretação contraria a narrativa oficial chinesa, segundo a qual o actual Estado é sucessor das diferentes dinastias que governaram o território e herdou a soberania sobre regiões como Xinjiang e o Tibete, assim como sobre Taiwan. “O resultado prático destas alegações é desconstruir a identidade nacional, enquanto o consenso histórico que sustenta a comunidade da nação chinesa corre o risco de ser fragmentado”, advertiu a Qiushi. O Presidente chinês, Xi Jinping, tem colocado a construção de “um forte sentido de comunidade para a nação chinesa” no centro da política do PCC para as minorias étnicas e para a defesa da integridade territorial. No ano passado, as autoridades chinesas bloquearam várias contas influentes nas redes sociais que promoviam teorias pseudo-históricas e posições associadas ao nacionalismo Han. Segundo a Qiushi, apesar da eliminação dessas contas, os conteúdos continuaram a circular de forma mais descentralizada. A publicação alertou ainda para o papel da inteligência artificial (IA) generativa na produção em massa deste tipo de conteúdos, considerando que pode distorcer a percepção da história entre a população, sobretudo entre os mais jovens. “Não se pode permitir que os algoritmos se tornem um megafone para estas narrativas”, defendeu a Qiushi.
Hoje Macau China / ÁsiaIndonésia | Voos suspensos em seis aeroportos após erupção vulcânica As autoridades indonésias suspenderam ontem a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes. Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa. Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados. O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções ontem, precisou a agência. As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura logo a partir da 01:30. Anel de risco O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado actividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883. Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos. A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa actividade vulcânica e sísmica.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul | Cinco anos de prisão para sul-coreano por espionagem a favor de Pyongyang Um homem sul-coreano foi condenado em Seul a cinco anos de prisão por espionagem a favor da Coreia do Norte, noticiou sábado a agência de notícias da Coreia do Sul Yonhap. O homem, de 43 anos, foi recrutado em 2021 por um agente norte-coreano para recolher informações sobre desertores críticos de Pyongyang e sobre vários oficiais do Exército sul-coreano, que deveria tentar recrutar. O Tribunal do Distrito Central de Seul salientou no acórdão que as informações relativas aos desertores norte-coreanos devem ser protegidas para evitar que estes ou as famílias sejam prejudicados. Ainda de acordo com a Yonhap, o condenado recebeu cerca de 660 milhões de wons (423 mil euros) em criptomoedas para financiar as actividades. O homem contratou uma agência de detectives privados para investigar um dos oficiais e conseguiu obter dados como a morada ou a unidade do Exército à qual pertencia. Também contactou o líder de um grupo de desertores norte-coreanos, oferecendo-se para financiar actividades, e conseguiu imagens do grupo a distribuir panfletos críticos em relação a Pyongyang. O homem já tinha sido condenado em Dezembro do ano passado pelo Supremo Tribunal por outro incidente relacionado com a Coreia do Norte.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Papa pede fim da violência O Papa Leão XIV manifestou ontem a sua preocupação pelos recentes ataques em várias cidades da Ucrânia, pedindo uma oportunidade ao diálogo entre as partes envolvidas no conflito. “De coração apertado acompanhei as notícias dos violentos ataques que afetaram recentemente várias cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, provocando a morte de pessoas inocentes”, disse o Papa após a oração dominical do Angelus, na Praça de São Pedro. Leão XIV fez um novo apelo para “acabar com a violência”, “travar a destruição” e abrir os corações “ao diálogo e à paz”. O Papa manifestou ainda a esperança de que os esforços empreendidos nos últimos dias para o retomar das negociações de paz produzam “frutos concretos”. “Espero que os esforços empreendidos nestes dias para o retomar das negociações abram espaço à diplomacia”, concluiu. Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, estiveram em Moscovo no sábado, reunidos com o Presidente russo, Vladimir Putin, e chegaram ontem a Kiev, numa tentativa de reduzir a tensão e a escalada da guerra. As palavras do Papa surgem quando ocorre uma nova escalada da guerra, marcada pela intensificação dos ataques russos contra zonas urbanas e infraestruturas e por um elevado número de vítimas civis. A Ucrânia também tem aumentado os seus ataques ao território russo.
Hoje Macau China / ÁsiaDíli | Francisco “Maukura” anuncia intenção de concorrer às presidenciais O veterano da resistência timorense Francisco Dionísio F. “Maukura” manifestou sábado intenção de concorrer às eleições presidenciais, no próximo ano, para promover o desenvolvimento do país e o respeito pela Constituição. Timor-Leste realizará eleições presidenciais em 2027 e o novo Presidente da República tomará posse em 20 de Maio desse ano, data em que o país celebra 25 anos da restauração da independência. “Com esta candidatura, quero devolver ao Presidente da República o seu verdadeiro papel. O seu dever é ser totalmente leal à pátria e ao povo, sujeitando-se à Constituição da República Democrática de Timor-Leste”, afirmou Francisco Dionísio F. “Maukura” ao anunciar, em Díli, a pré-candidatura à Presidência da República para o período 2027-2032. Francisco Dionísio explicou que o Presidente deve ser o guardião da Constituição e um elemento unificador capaz de representar todos os timorenses, apoiando qualquer Governo no cumprimento das suas funções. O candidato, de 53 anos, destacou que Timor-Leste precisa de avançar com base na tecnocracia, meritocracia e transparência na gestão orçamental. “Ser Presidente significa também promover o desenvolvimento económico do país. Timor-Leste já aderiu a várias organizações internacionais e não pode permitir que apenas uma ou duas pessoas usufruam dos benefícios do desenvolvimento”, afirmou Francisco “Maukura”. Por fim, salientou que a disputa nas eleições presidenciais é um exercício democrático, no qual se devem confrontar visões, ideias, experiências, capacidades de organização e de mobilização, ajudando a população a compreender os objectivos comuns da nação. Francisco Dionísio F. “Maukura” junta-se ao embaixador Joaquim da Fonseca e a Rui Araújo, ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, que também já anunciaram a intenção de se candidatarem às eleições presidenciais do próximo ano.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Registados mais de mil casos de violência doméstica até Agosto A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) registou mais de mil casos de violência doméstica até Agosto, disse sexta-feira o chefe da Secção de Prevenção, Socialização e Sensibilização da Unidade de Pessoas Vulneráveis (VPU), inspector-chefe Ricardo da Costa. “Este ano, desde Janeiro até 31 de Agosto, foram registados 1.084 casos de violência doméstica e 180 casos de violação sexual”, afirmou o inspector-chefe Ricardo da Costa, em Díli. O responsável da PNTL explicou que, em 2025, entre Janeiro e Dezembro, foram registados 1.310 casos de violência doméstica e 110 casos de violação sexual. Ricardo da Costa salientou que o elevado número de casos de violência doméstica está frequentemente relacionado com situações de desconfiança entre casais, associados à suspeita de relações extraconjugais. Entre os outros factores apontados, estão também os problemas económicos, como o desemprego, e questões sociais e culturais. “Os casos de violência sexual aumentam porque muitas crianças e jovens têm acesso livre a telemóveis e à Internet”, alertou o responsável. Segundo o inspector-chefe, Timor-Leste entrou plenamente na era digital e um número crescente de crianças possui telemóvel. Como consequência, têm surgido diversos crimes cometidos através da internet, incluindo práticas como o aliciamento de menores online e o ‘cyberbullying’. Os casos de violência sexual e de violência doméstica registam-se em maior número no município de Díli, em comparação com os restantes municípios do país.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Primeiro-ministro vai discursar na ONU Um mês depois da enxurrada que abalou o país e fez mais de 1.300 mortos, o primeiro-ministro nepalês vai discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas em busca de apoio internacional O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, intervém a 24 de Setembro na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sequência das cheias de Agosto. Naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que assumiu o cargo, a 27 de Março passado, a decisão de Shah de liderar pessoalmente a delegação nepalesa responde à urgência de procurar apoio internacional após inundações ocorridas a 26 de Agosto, indicou sábado o jornal local Kathmandu Post. O próprio Shah compareceu na quarta-feira perante o parlamento nepalês para alertar que a crise no distrito de Rasuwa, desencadeada por um colapso glaciar no rio Bhote Koshi, é o pior desastre deste tipo registado na região. “Este acontecimento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, afirmou o líder. Durante a sessão, Shah salientou que o Nepal é incapaz de fazer face a esta escala de destruição sozinho e anunciou que exigiriam que a comunidade internacional assumisse a sua parte naquilo que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático. O debate geral desta 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 22 a 28 de Setembro sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que cumpre para todos”. Neste fórum multilateral, que concede um voto igualitário a cada um dos seus 193 Estados-membros, a intervenção do primeiro-ministro nepalês está agendada para 24 de Setembro, de acordo com o calendário divulgado pela imprensa local. O último balanço divulgado sábado pelas autoridades nepalesas elevou para mais de 1.300 o número de mortos devido às inundações devastadoras ocorridas a 26 de Agosto, enquanto o total de desaparecidos ronda os 5.000, entre os quais pelo menos 606 cidadãos estrangeiros. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas e mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, tendo permitido, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas. Catástrofe inédita As cheias repentinas de 26 de Agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens. Causaram também danos significativos em centrais hidroeléctricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos. Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações. A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete. Resgates continuam As equipas de resgate no Nepal retiraram sábado com vida um cidadão chinês de um túnel de uma central hidroeléctrica e uma mulher retida em casa desde as cheias de 26 de Agosto, informaram sábado as autoridades nepalesas. O exército do Nepal informou que o homem foi resgatado com vida de um túnel de 225 metros (e está a ser submetido a uma avaliação médica. As imagens mostraram-no a ser evacuado de helicóptero, com um médico do exército a examiná-lo durante o voo. Já a mulher, encontrada numa casa na cidade de Nuwalot, estava a ser transportada de helicóptero para Katmandu, segundo as autoridades. O resgate do cidadão chinês eleva para três o número total de trabalhadores retirados com vida do projecto hidroeléctrico de Trishuli. Na sexta-feira, dois trabalhadores nepaleses tinham sido resgatados de um túnel naquela central hidroeléctrica. Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projectos hidroeléctricos em todo o Nepal, acreditando-se que cerca de 500 estejam presos em vários túneis, segundo as autoridades.
Hoje Macau China / ÁsiaDonativos da China para vítimas das inundações no Tibete ultrapassam 84 milhões de euros A ajuda da China às vítimas da enxurrada que atingiu, na semana passada, o condado tibetano de Gyirong, ultrapassa os 660 milhões de yuan, de acordo com dados divulgados sábado pelas autoridades do país. O Ministério dos Assuntos Civis da China indicou que, na sequência da catástrofe, coordenou 29 plataformas de angariação de fundos ‘online’ e organizações de caridade para canalizar as contribuições destinadas aos trabalhos de emergência, de acordo com as necessidades da zona afectada. Do total angariado, 50,16 milhões de yuan resultaram de 1,47 milhões de contribuições efectuadas através de plataformas públicas de angariação de fundos na Internet, de acordo com dados ainda provisórios do ministério. Os donativos somam-se aos fundos públicos mobilizados por Pequim para fazer face à catástrofe. O Governo central destinou 120 milhões de yuan para trabalhos de resgate e assistência no Tibete e outros 100 milhões de yuan para tarefas de recuperação e reconstrução. Seis operadoras de jogo de Macau também anunciaram na sexta-feira que vão doar o equivalente a 4,8 milhões de euros para apoiar as vítimas afectadas pela enxurrada na região autónoma chinesa do Tibete. A China também enviou ajuda ao Nepal, onde as inundações causaram a maior parte das vítimas, com contribuições financeiras, vários lotes de material de emergência e equipas especializadas em resgate e identificação por ADN. Resposta global A resposta internacional também se intensificou no Nepal, onde as Nações Unidas e os parceiros humanitários lançaram, na sexta-feira, um apelo de emergência no valor de 49,6 milhões de dólares para prestar assistência, durante os próximos quatro meses, a mais de 84 mil pessoas afetadas pela catástrofe. A ONU já tinha destinado anteriormente 2,5 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências, enquanto o Fundo de Ajuda em caso de Catástrofes do Primeiro-Ministro nepalês ultrapassou as 10 mil milhões de rupias (cerca de 64,1 milhões de euros) angariadas, depois de receber, entre outras contribuições, um donativo de 10 milhões de dólares do director executivo da Nvidia, Jensen Huang. A inundação de 26 de Agosto, desencadeada por um enorme desmoronamento de gelo e rocha na bacia alta do rio Bhote Koshi, perto da fronteira com a China, arrasou habitações, infraestruturas e povoações no Nepal e atingiu o condado tibetano vizinho de Gyirong. Os últimos balanços oficiais apontam para 1.295 mortos e 4.898 desaparecidos no Nepal, enquanto a China regista 31 mortos e 531 pessoas desaparecidas no lado tibetano, o que eleva o balanço conjunto para 1.326 mortos e 5.429 desaparecidos.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | Trump diz que receberá Xi Jinping com jantar de Estado A visita de Xi Jinping a Washington deverá acontecer a 24 de Setembro. Trump antecipa o encontro enquanto elogia o homólogo chinês O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sábado que vai receber Xi Jinping, com um jantar de Estado, durante a visita do homólogo chinês à Casa Branca prevista para 24 de Setembro. “Vamos ter um jantar de Estado e vamos fazer grandes coisas com a China”, disse o Presidente norte-americano aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca. “Estamos ansiosos por isso. Ele é um grande cavalheiro. Damo-nos muito bem”, disse Trump sobre Xi. “Temos uma relação comercial muito boa. E, sabem, eles são concorrentes e tudo isso. Mas temos uma relação muito boa com o Presidente Xi”, acrescentou. Trump referiu que o novo heliporto da Casa Branca que está a ser construído no relvado da Casa Branca estará pronto a tempo da visita de Xi Jinping. “Temos tido muito sucesso com a China”, disse ainda. Trump tinha convidado o homólogo chinês para visitar os Estados Unidos durante uma visita oficial à China, em Maio passado. Segurança e tamales Nas mesmas declarações à imprensa, comentou que os trabalhos para reforçar a segurança do avião Air Force One doado pelo Qatar começam em Outubro e deverão demorar mais do que o esperado inicialmente (cerca de um mês), depois de uma ameaça à segurança em Julho na Turquia o ter obrigado a pedir emprestada outra aeronave. “Vai demorar cerca de 60 dias e será enviado em Outubro para ser aperfeiçoado”, disse o Presidente dos EUA. Trump também comentou a relação da sua administração com o México, considerando que este país não tem nada para oferecer aos EUA, além de “tamales [prato típico azteca] picantes e tomates”. Explicou, no entanto, que não pretende interromper a relação comercial porque se dá “muito bem” com a homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum. Trump referiu-se ao seu vizinho do sul enquanto respondia a perguntas de jornalistas sobre a sua ameaça de cortar o comércio com nações que mantêm um excedente comercial com os Estados Unidos. “Se eu deixasse de negociar com eles, não perderíamos nada. Uma única empresa bastava. Perdemos 195.000 milhões de dólares por ano com o México. Eles não têm nada do que realmente precisemos. Ou seja, (eles têm) tamales picantes, tomates, algumas coisas… mas, basicamente, eles não têm nada do que precisamos”, considerou. O Presidente insistiu que os Estados Unidos têm todos os recursos necessários: “Temos petróleo, temos tudo”.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Mais de 3.900 milhões de euros para despesas de Defesa em 2026 O Governo de Taiwan propôs na quinta-feira um aumento adicional de 145.700 milhões de dólares taiwaneses (3.950 milhões de euros) nas despesas de Defesa deste ano, para “reforçar a capacidade de combate defensivo” da ilha. Em comunicado divulgado após a reunião semanal do Governo, o executivo recordou que já apresentou um orçamento especial para a Defesa de 1,25 biliões de dólares taiwaneses (33.883 milhões de euros) para o período entre 2026 e 2033. A proposta foi, no entanto, reduzida em 470.000 milhões de dólares taiwaneses (12.739 milhões de euros) pelo parlamento, actualmente controlado pela oposição. A iniciativa prevê ainda financiamento para adquirir, já em 2027, mais de 600 drones de vigilância e reconhecimento costeiro, mais de 40.000 drones de ataque costeiro e um primeiro lote de mais de 100 pequenas embarcações não tripuladas de ataque suicida. A medida integra um pacote mais amplo de reforço orçamental para o actual exercício, no valor de 607.600 milhões de dólares taiwaneses (16.473 milhões de euros). O pacote prevê também novas verbas para controlar o aumento dos preços dos combustíveis, reforçar subsídios sociais e aumentar os suplementos remuneratórios de militares, funcionários públicos e professores, entre outras medidas.
Hoje Macau China / ÁsiaCooperação | China e Singapura lançam exercício marítimo conjunto Um exercício marítimo conjunto entre China e Singapura teve início no sábado na Província de Guangdong, no sul da China, marcando a quinta cooperação do tipo realizada pelos dois países, indicou a Xinhua. A cerimónia de abertura foi realizada no porto naval em Zhanjiang. O exercício, realizado nas águas e no espaço aéreo ao redor da cidade, inclui exercícios de fogo real, reabastecimento no mar e operações conjuntas de busca e resgate, acrescenta a agência estatal. Dois navios de guerra participaram no exercício — a fragata chinesa de mísseis guiados Dali e a fragata RSS Steadfast de Singapura. O exercício visa aprofundar a confiança mútua, fortalecer a cooperação prática e aumentar sua capacidade de salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade regionais, informou o Ministério da Defesa Nacional da China no início da semana passada. Os dois lados trocarão experiências sobre operações de mergulho, busca e resgate de submarinos, e medicina subaquática, além de realizarem exercícios de comunicações, reabastecimento no mar, ataques marítimos conjuntos e busca e resgate conjuntos. China e Singapura realizaram seu primeiro exercício marítimo bilateral em 2015. Esses exercícios conjuntos tornaram-se parte regular dos intercâmbios militares entre os dois países nos últimos anos. Em Maio de 2025, a Marinha chinesa enviou uma fragata de mísseis guiados e um navio de contramedidas de minas a Singapura para um exercício conjunto. Além dos exercícios marítimos conjuntos regulares com Singapura, a China também realiza exercícios e treinos conjuntos rotineiros com países vizinhos, incluindo Tailândia e Camboja.
Hoje Macau China / ÁsiaFrança | China exige suspensão de taxas sobre ‘moda ultrarrápida’ O ministério do Comércio chinês exigiu ontem à França que suspenda “de imediato” as penalizações, entre 0,5 e 12 euros, aplicadas desde este mês à chamada ‘moda ultrarrápida’, que atingem plataformas chinesas como Shein ou Temu. Na conferência de imprensa semanal do ministério, a porta-voz Huang Ling exigiu que França “resolva adequadamente as divergências entre as duas partes no domínio do comércio têxtil sustentável, de forma a criar um ambiente empresarial justo e não discriminatório para as empresas chinesas”, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. “Se França insistir em avançar, a China adoptará as medidas necessárias para defender os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e França assumirá todas as consequências daí resultantes”, advertiu. Segundo o ministério do Comércio, a nova regulamentação francesa “aplica dois pesos e duas medidas e poderá violar o princípio da não discriminação” da Organização Mundial do Comércio (OMC), “sob o pretexto de estabelecer alegados critérios ecológicos e de sustentabilidade”. Na terça-feira, 01 de Setembro, Paris começou a aplicar um sistema de penalizações baseado na dimensão da gama de produtos oferecida pelas empresas de ‘moda ultrarrápida’, mas também na ausência de incentivos à reparação das peças de vestuário, devido aos preços reduzidos ou à falta de serviços para esse efeito. Embora o mecanismo não vise formalmente empresas asiáticas, em nome do princípio da não discriminação, mas antes as companhias que recorrem às práticas associadas à ‘moda ultrarrápida’, na prática afecta sobretudo as grandes plataformas chinesas. A Shein disponibiliza cerca de 1,7 milhões de referências, contra cerca de 20.000 no caso da espanhola Zara ou da sueca H&M.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHong Kong | Confirmada condenação do cardeal Joseph Zen Um tribunal de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por um cardeal católico de 94 anos e outras quatro pessoas contra as condenações pelo registo de um fundo destinado a apoiar detidos nos protestos antigovernamentais de 2019. O cardeal Joseph Zen, bispo emérito e destacado defensor da democracia no território, era administrador do Fundo de Ajuda Humanitária 612, que ajudava a pagar despesas médicas e judiciais de manifestantes detidos, até encerrar as operações em Outubro de 2021. Os restantes arguidos – a cantora Denise Ho, o académico Hui Po Keung e as antigas deputadas Margaret Ng e Cyd Ho – também integravam a administração do fundo. Os cinco foram considerados culpados, em 2022, de violarem a Lei das Sociedades e condenados ao pagamento de uma multa de 4.000 dólares de Hong Kong cada. A legislação exige que as organizações locais se registem ou solicitem uma isenção no prazo de um mês após a respectiva criação. As condenações foram as primeiras deste tipo.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Parlamento declara alterações climáticas como ameaça à segurança O Parlamento do Nepal declarou quarta-feira as alterações climáticas como uma ameaça à segurança nacional, na sequência da enxurrada na semana passada, na qual morreram mais de 1.100 pessoas e quase 4.000 desapareceram. A proposta, agora aprovada, foi apresentada pelo presidente da câmara, Dol Prasad Aryal, e pede ao Governo para afirmar a posição do Nepal no palco internacional face aos crescentes riscos que a região enfrenta, para evitar futuras tragédias. “O Nepal deve erguer a sua voz de forma mais clara e enérgica no debate internacional sobre os danos e perdas causados pelas alterações climáticas”, de acordo com a proposta, que pede ao governo para que aborde a questão com mais firmeza. Recordando que o Nepal é “extremamente propenso a desastres, vulnerável tanto a desastres naturais como causados pelo homem”, o texto refere que “a sua diversidade geográfica, estrutura geológica frágil, desenvolvimento não planeado e propenso a riscos, infraestruturas deficientes, escassez de recursos e alterações climáticas contribuíram para a recorrência de vários desastres”. Mais de 500 desastres ocorrem no Nepal todos os anos, causando perdas humanas e materiais significativas, de acordo com o parlamento. Aryal disse que os efeitos das alterações climáticas são debatidos há décadas, mas defendeu que as condições em mudança nos Himalaias exigem maior atenção internacional. O documento também pede uma mudança da resposta pós-desastre para a preparação, notando que o recente desastre evidenciou a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização e alerta precoce. Pior de sempre O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, compareceu perante os deputados para alertar que a recente crise no distrito de Rasuwa (norte), desencadeada por uma avalanche de pedras e neve no rio Bhote Koshi, é o pior desastre do género registado historicamente na região. “Este evento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, disse Shah. O chefe do governo sublinhou que o Nepal não pode enfrentar esta crise sozinho e anunciou que vai exigir que a comunidade internacional assuma um papel no que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático. De acordo com o mais recente balanço das autoridades de gestão de emergências do Nepal, as cheias provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos. Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afectadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.