Disponibilizados 1.000 estágios para recém-licenciados no Interior

O Governo vai disponibilizar cerca de 1.000 estágios para recém-licenciados locais este ano no Interior, no âmbito de um esforço mais amplo para aliviar a pressão sobre o emprego jovem. Os estágios, coordenados pelo Grupo de Trabalho para a Promoção do Emprego do Governo do território, tem como objectivo proporcionar aos jovens experiência prática em sectores industriais e profissionais.

Apesar da taxa de desemprego local continuar baixa, em anos recentes tem sido difícil aos recém-licenciados do território entrar no mercado de trabalho, com as autoridades locais a referir repetidamente aos jovens locais que procurem oportunidades de trabalho no interior da China, especialmente na província vizinha de Guangdong.

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego entre os detentores de um diploma universitário era de 3,3 por cento no segundo trimestre de 2025, acima da taxa global de 1,9 por cento para toda a população de Macau. No ano passado, cerca de 62.463 estudantes estavam registados em universidades de ensino superior do território.

Após uma reunião na sexta-feira, o Grupo de Trabalho descreveu que a maioria dos diplomados deste ano da cidade concluiu cursos nas áreas de Humanidades e Comércio, com os estágios oferecidos complementados por sessões de recrutamento em larga escala e programas de formação, agendados para coincidir com a época de graduação.

O secretário para a Economia e Finanças e coordenador do Grupo de Trabalho, Tai Kin Ip, afirmou que o ligeiro aumento no número de licenciados em comparação com o ano passado torna essencial expandir as oportunidades para além de Macau, incluindo a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin (Ilha da Montanha), a Grande Baía e outras cidades do interior da China.

Outros planos

No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL)de Macau iniciou também um plano de estágios na China Continental para estudantes locais com a duração de três meses e um subsídio mensal de 8.000 patacas. Dentro deste plano, cerca de 42 vagas são destinadas a oportunidades no Interior, especialmente em Zhuhai e na Zona de Cooperação da Ilha da Montanha, com foco em tecnologia e finanças.

No mesmo encontro, Tai realçou também a necessidade de aperfeiçoar as estratégias de correspondência entre oferta e procura de emprego e de mobilizar apoios em toda a sociedade para garantir um ambiente laboral estável. Para responder à procura, prevê-se que mais de 2.000 vagas sejam oferecidas nas próximas feiras de emprego, enquanto outras 600 posições estarão disponíveis através de um programa “Emprego+Formação”, em parceria com empresas privadas.

O Grupo de Trabalho acrescentou que já organizou sessões de recrutamento específicas para os sectores da aviação, tecnologia e banca, que, segundo afirmou, despertaram grande interesse tanto entre recém-licenciados como entre trabalhadores activos.

Óbito | Família anuncia morte da empresária Maisy Ho

Filha de Stanley Ho e Lucina Laam, Maisy tinha 59 anos e os motivos da morte não foram revelados pela família. A empresária estava principalmente ligada à empresa Shun Tak, onde era uma das administradoras

Maisy Ho, empresária e filha de Stanley Ho, morreu ontem, de acordo com um comunicado divulgado pela SJM e assinado pelos irmãos Pansy, Daisy, Lawrence e Josie Ho. Maisy era fruto da relação entre Stanley e a segunda mulher Lucina Laam. Os motivos da morte da empresária não foram divulgados através do comunicado de ontem, que se limita a revelar que Maisy morreu “em paz” e “rodeada pela família”. A mensagem partilhada com os órgãos de comunicação social pede ainda que se respeite a privacidade da família.

Maisy nasceu em 1967 e era licenciada em Telecomunicações e Psicologia, pela Universidade de Pepperdine, na Califórnia. À altura da morte, desempenhava funções de directora executiva na Shun Tak Holdings Limited, empresa fundada pelo seu pai e que é responsável pelas ligações marítimas entre Hong Kong e Macau, além de estar ligada a vários investimentos imobiliários. A empresária juntou-se à empresa em 1996, tendo sido promovida a directora executiva em 2001, cargo que desempenhou até ontem e onde era proprietária de 2,39 por cento do capital social, através da empresa LionKing Offshore Limited.

Cargos variados

Segundo os resultados anuais de 2024 da Shun Tak, em Macau, a filha de Stanley Ho desempenhava funções como Cônsul-Honorária da República da Tanzânia, membro da Comissão das Mulheres de Associação Comercial de Macau, vice-presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, vice-presidente da Macao International Brand Enterprise Commercial Association e ainda directora da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu.

Maisy era ainda uma das directoras da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, empresa fundado por Stanley Ho que durante vários anos foi detentora do monopólio do jogo em Macau. Em Hong Kong, Maisy surgia frequentemente em iniciativas de caridade e em 2016 recebeu a Estrela da Bauínia de Bronze do Governo de Hong Kong, devido às actividades relacionadas com o Grupo de Hospitais Tung Wah.

Urbanismo | Wong Kit Cheng quer mais construção

A deputada Wong Kit Cheng defende que o Governo deve seguir o exemplo do sucedido com o prédio Soi Lei, no Iao Hon. O edifício viu recentemente aprovada uma nova planta de condições urbanas que vai permitir avançar com os trabalhos de renovação.

Segundo a legisladora, actualmente existem mais de 5.000 edifícios com mais de 30 anos no território pelo que é necessário “prestar maior atenção à questão do envelhecimento dos edifícios”.

“Os residentes dos bairros antigos queixam-se frequentemente das más condições de higiene e das instalações obsoletas, bem como dos riscos de infiltrações de água e de danos estruturais nas fachadas decorrentes do envelhecimento dos edifícios, o que afecta a qualidade de vida e a segurança na zona”, afirmou. Wong Kit Cheng destacou ainda o facto de a nova planta ir permitir aumentar o número de habitações do edifício e considerou que o exemplo deve ser seguido.

Combustíveis | Associação de motoristas pede subsídio

A Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau e a Associação dos Profissionais de Macau no Transporte de Mercadorias em Camiões pedem subsídios para lidar com o aumento do preço dos combustíveis, tendo, segundo o jornal Ou Mun, realizado uma “reunião urgente” sobre o assunto.

Os dirigentes explicaram que os preços de combustíveis têm aumentado, com os valores do gasóleo a registaram o aumento mais significativo. Desta forma, persiste a preocupação com o consequente aumento do preço dos transportes, sobretudo marítimos e terrestres, que pode ter impacto junto dos consumidores.

Nesta reunião foi, assim, sugerido que o Governo de Macau adopte medidas semelhantes às aplicadas na região vizinha de Hong Kong, de concessão de um subsídio de três dólares de Hong Kong por litro de gasóleo durante dois meses. Já o deputado Leong Sun Iok, referiu que Macau deve ter um apoio financeiro semelhante, criticando o maior aumento dos preços em Macau, esperando que o Governo reforce a supervisão a este nível. Tudo para prevenir que alguns comerciantes aumentem os preços junto dos consumidores de forma abusiva.

Visita a Portugal | Sam Hou Fai quer assinar 39 protocolos

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, chega a Lisboa este sábado para a primeira visita oficial ao país nessa condição. Em entrevista à TDM, disse que serão assinados 39 protocolos numa viagem marcada por encontros com os mais altos dirigentes políticos portugueses e com o México debaixo de olho

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, leva a agenda cheia naquela que é a sua primeira viagem a Portugal e Espanha na condição de governante máximo de Macau. Na sua deslocação à Europa, não faltarão passagens por Bruxelas e Genebra. O itenerário foi referido pelo próprio em entrevista à TDM, descrevendo que, consigo, leva uma delegação de 120 empresários e representantes de mais 20 empresas da região da Grande Baía, onde Macau se integra.

Segundo foi noticiado pelo Canal Macau e Rádio Macau da TDM, Sam Hou Fai adiantou que haverá encontros políticos, abordando-se ainda a cooperação económica e comercial, devendo ser assinados 39 protocolos “com entidades ou empresas de Portugal, abrangendo-se diversos domínios como o comércio e a economia, a plataforma sino-portuguesa, a educação, a cultura, o turismo, a formação de quadros qualificados, a Big Health e a tecnologia de ponta”, disse o governante.

Ainda não é conhecida a agenda da visita em Lisboa, mas a TDM noticiou que estão previstas reuniões ou encontros com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro Luís Montenegro e José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.

Tribunais mais próximos

Sam Hou Fai não quis adiantar na entrevista a data da realização da nova reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, que será a sétima. “Os trabalhos preparatórios foram iniciados no ano passado, mas a sua realização foi adiada devido a vários factores. O Governo da RAEM está a coordenar estreitamente os trabalhos com as autoridades portuguesas, a data exacta e a agenda serão anunciadas oportunamente”, disse.

Nesta viagem, está presente o objectivo de reforçar a cooperação judiciária com Portugal, estando na calha encontros com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

“Vamos discutir o reforço contínuo do intercâmbio e da cooperação bilateral no domínio judicial. A par disso, esperamos ainda obter um maior progresso na assinatura do acordo de cooperação judiciária”, referiu. Sam Hou Fai, que durante mais de 20 anos presidiu ao Tribunal de Última Instância, descreveu que “os tribunais de Macau têm tido um bom funcionamento, sendo a independência judicial amplamente reconhecida e o contributo dos juízes portugueses tem sido importante”.

Olhar a América Latina

“Para além de empresas de Macau e de Hengqin, participam mais de 20 empresas de renome da Grande Baía e de outras províncias da China. Sendo esta a primeira vez que o Governo organiza uma visita com um formato mais abrangente, estou convicto de que podemos apoiar e potenciar melhor a função de Macau como ‘elo de ligação infalível’ entre a China e os países de língua portuguesa”, acrescentou na entrevista.

Tendo em conta que os países de língua espanhola já fazem parte da equação política no que diz respeito à cooperação económica de Macau está na calha o aprofundar de relações com Espanha, tendo o México e o Brasil no horizonte.

Madrid, capital espanhola, entra nesta viagem entre os dias 21 e 23. “Tanto a Espanha como Macau são destinos turísticos de renome a nível internacional e ambos têm um grande espaço de cooperação na área do turismo”, disse, estando prevista a realização de “uma grande campanha de promoção turística em Madrid, com o objectivo de atrair turistas espanhóis e internacionais a visitarem Macau”. Contar-se-ão também dez protocolos assinados com empresas e entidades espanholas. Em relação ao México, Sam Hou Fai disse que “a população total de todos os países de língua espanhola é de aproximadamente 600 milhões, o que representa um mercado de grande potencial”, sendo que “o reforço do intercâmbio e da cooperação com Espanha é apenas o início”.

“Posteriormente será alargado a outros países de língua espanhola, como por exemplo o México”, frisou, admitindo que pode ainda acontecer uma viagem ao Brasil.

Cooperação | Aguiar-Branco deixou Macau com “pensamento construtivo”

O presidente do parlamento português vê grande margem de progressão na cooperação entre Macau e Portugal para reforçar o desígnio da RAEM como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. Também os deputados portugueses querem fortalecer a parceria com Pequim, para fazer face à incerteza que vem de Washington

José Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República (AR), disse no sábado que deixou Macau com “um pensamento construtivo” sobre o trabalho que ainda pode ser desenvolvido por Portugal no aproveitamento do território como plataforma entre China e lusofonia.

Questionado pela Lusa sobre como tem sido aproveitada esta plataforma por Lisboa e se há mais a fazer, José Pedro Aguiar-Branco notou que “são diversas as áreas em que ela se pode reflectir, quer na dimensão comercial, cultural, desportiva (…) e do direito”. “Temos uma visão de balanço em relação aos anos que a Declaração Conjunta já tem, em relação àquilo que foi feito, e do que no futuro” se possa fazer, disse aos jornalistas o responsável, que terminou em Hong Kong a visita à China.

O líder da AR passou por Macau, com uma delegação que integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP), depois de ter passado por Pequim e Xangai.

“Portanto, diria, um pensamento construtivo, um pensamento positivo naquilo que temos que fazer e é com esse espírito que nós, enquanto deputados da Assembleia da República, prosseguimos também neste balanço que fazemos da nossa visita”, indicou. Na sexta-feira, primeiro dia em Macau, Aguiar-Branco visitou a Exposição Internacional de Turismo, reuniu-se com o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong e passou ainda pela Escola Portuguesa de Macau.

O político português fez um “balanço muito positivo” da visita, quer com as entidades oficiais, quer com instituições como a Santa Casa da Misericórdia [de Macau, SCMM], onde testemunhou “uma obra importantíssima, secular”. “Saio com um reforço da importância que significa Macau nas relações entre Portugal e a República Popular da China”, resumiu aos jornalistas.

Na SCMM, o responsável agradeceu o apoio dado às vítimas da depressão Kristin – a instituição em Macau fez um donativo no valor de 300 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas. “Isto significa que a expressão da solidariedade atravessa os milhares de quilómetros que fisicamente nos separam, mas não separam nos valores”, disse o líder do parlamento português ao provedor da Santa Casa, António José de Freitas.

Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco (C) nas Ruínas de São Paulo, durante um passeio por Macau, 11 de abril de 2026. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Marco histórico

Aguiar-Branco foi o primeiro presidente da Assembleia da República de Portugal a visitar Macau. Depois de uma breve passagem pelas Ruínas de São Paulo e pela Livraria Portuguesa, no centro histórico de Macau, a delegação parlamentar, acompanhada do embaixador em Pequim, Manuel Cansado de Carvalho, e do cônsul-geral em Macau, Alexandre Leitão, reuniu-se à porta fechada com membros da comunidade jurídica portuguesa local.

Sobre a reunião, Aguiar-Branco disse apenas que “o objectivo foi ouvir” a comunidade e que deixa Macau “com informação importante para poder colocar à Comissão Mista, que tem como função ir resolvendo e aprofundando os temas que sejam necessários resolver para que essa relação seja melhor”.

“É essa riqueza de informação que levamos e poderemos também, enquanto Assembleia da República, fazer o nosso papel de acompanhamento e fiscalização também da actividade do Governo nesta matéria, da acção externa”. A sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, está prevista para este mês em Lisboa. Vai contar com a presença do Chefe do Executivo, que estará em Portugal a partir de 17 de Abril.

Tempos de incerteza

Também os restantes deputados que integraram a comitiva liderada pelo presidente da AR defenderam um reforço da parceira com Pequim.

“Nestes tempos bastante sombrios, em que a guerra voltou à Europa e em que temos também num parceiro tradicional, como eram os Estados Unidos, uma grande instabilidade, acho que a China é uma referência de estabilidade”, disse à Lusa a deputada Edite Estrela. “Estamos a viver num mundo de grande incerteza e o que é importante é que na China não há instabilidade”, reforçou.

“Não quero com isto dizer que a China deve ser um parceiro privilegiado, digo que tem de ser tido em conta”, continuou a deputada, em declarações à Lusa num passeio com a comitiva pelo centro histórico de Macau. Edite Estrela notou ainda que se a relação Bruxelas-Pequim “não tem sido aprofundada, deve “ser, não apenas por motivos geoestratégicos”, mas “por questões que têm a ver com recursos energéticos, a questão digital e da inteligência artificial”.

“Uma das coisas de que me apercebi, ao nível do discurso das autoridades chinesas, é a grande preocupação com questões ambientais, coisa que não havia no passado. Quando eu cá estive, quando era deputada europeia, não havia essa preocupação”, referiu.

A delegação, que acompanha a segunda figura do Estado português na visita, integrava os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP). Hugo Carneiro, presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China, declarou à Lusa que a visita do líder da AR foi “muito oportuna” e sublinhou as “relações históricas com a China”

“Essas relações são firmadas e comprovadas ao longo dos tempos pela interacção dos vários agentes culturais, sociais, políticos, económicos, e eu também tenho a oportunidade de testemunhar isso em Portugal com os contactos que mantemos com a comunidade chinesa”, reforçou, ao descer a escadaria das Ruínas de São Paulo, ex-líbris do território chinês.

Sobre Macau, onde se encontra pela primeira vez, o deputado do PSD disse ter constatado que os portugueses “estão plenamente integrados” e “são bem tratados pela comunidade local”: “isso é muito bom, quando dois povos podem interagir e manter esta relação de amizade só nos deve deixar orgulhosos.”

Questionado sobre o papel de Macau enquanto plataforma entre o universo lusófono e a China, estabelecida por Pequim em 2003, com a criação do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Carneiro notou que, no caso de Portugal, “os contactos que em cada momento os diferentes actores têm mantido, sejam eles políticos ou empresários, agentes culturais, devem permanecer e ser alimentados”.

Edite Estrela defendeu, por sua vez, “que é sempre possível fazer mais e melhor”, e que espera que haja a preservação da língua portuguesa, “um património inestimável”

Também Feliciana Vital notou que há mais a fazer. “É importante e é um bom exemplo – até em comparação com o que aconteceu, por exemplo, em África – que aqui estamos a conseguir ficar com, digamos, um pé dentro, deixar a nossa marca e ter alguma influência”, disse à Lusa.

MUST | Inaugurado laboratório sino-português de optoelectrónica

Um novo laboratório sino-português inaugurado ontem em Macau quer ajudar a desenvolver tecnologia que pode levar à criação de um “avião eléctrico” e supercomputadores sustentáveis.

O novo laboratório sino-português de optoelectrónica vai juntar o Instituto de Nano-estruturas, Nano-modelação e Nano-fabricação (i3N) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).

Segundo Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA e Presidente da Academia Europeia de Ciências, a iniciativa pretende impulsionar uma tecnologia emergente capaz de transformar sectores estratégicos, desde a aviação eléctrica até aos supercomputadores de baixo consumo energético, enquanto reforça a ligação científica entre Portugal, Macau e a China.

A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas. Entre os projectos em desenvolvimento, Martins apontou o sonho de criar um avião eléctrico, dependente de sistemas de armazenamento ultraleves, como baterias feitas de papel.

“Com as baterias actuais seria impossível levantar voo. Estamos a desenvolver sistemas ultraleves, incluindo baterias feitas de papel, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, destacou o cientista. Martins referiu também a necessidade de repensar os supercomputadores, que hoje consomem “mais energia do que a cidade de Lisboa”, destacando que o “caminho não é a energia nuclear, mas sim novos componentes electrónicos de ultra-baixo consumo.”

Coreias | Seul vai reduzir militares na fronteira até 2040

As autoridades sul-coreanas vão reduzir gradualmente o destacamento militar ao longo da fronteira intercoreana até 2040, apesar das preocupações com a diminuição da presença de tropas num período de tempo muito curto.

O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu Back, afirmou em conferência de imprensa que os planos incluem a redução do contingente nos postos de controlo fronteiriços com a Coreia do Norte para aproximadamente 5.000 soldados, face aos actuais 22.000. O plano é substituir a presença militar por sistemas de monitorização e vigilância que incorporarão inteligência artificial, uma medida que gerou controvérsia dentro das Forças Armadas, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

As suas declarações suscitaram acusações de uma possível redução das capacidades de vigilância militar nestas áreas. “Espera-se que este plano esteja concluído até 2040”, apesar de estar previsto que tenha revisões frequentes, explicou Ahn numa mensagem publicada nas redes sociais.

“Isto não deve ser interpretado como uma medida que levará a uma redução significativa do número de militares amanhã”, observou, esclarecendo que o plano “será eficiente” e adaptado “às mudanças demográficas”, dado que o país se prepara para um declínio populacional. No entanto, o ministro sublinhou a importância de reforçar a estrutura militar através de sistemas de recrutamento selectivo para fazer face à diminuição de natalidade no futuro.

Hong Kong | Restaurantes com cláusulas de segurança nacional

Todas as licenças de restaurantes de Hong Kong vão incluir cláusulas de segurança nacional até Setembro, anunciaram as autoridades da região.

O anúncio foi feito pelo secretário do Ambiente e da Ecologia de Hong Kong, Tse Chin-wan, quase um ano após o Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD, na sigla em inglês) ter introduzido, em Maio, estas disposições nos processos de renovação de licenças, de acordo com a emissora pública de Hong Kong RTHK. “Com os restaurantes a renovar as licenças gradualmente, esperamos que, até Setembro deste ano, todas as licenças dos restaurantes contenham as cláusulas”, disse Tse numa entrevista na terça-feira.

Essas cláusulas, acrescentou o dirigente, servem como um lembrete constante aos gerentes e funcionários dos restaurantes para que protejam a segurança nacional. Até hoje, não foram detectadas quaisquer violações das cláusulas de segurança nacional, referiu ainda Tse, ainda de acordo com a emissora pública de Hong Kong, cidade vizinha de Macau.

Numa carta enviada no ano passado pelo FEHD a restaurantes, estabelecimentos de lazer e outros negócios, titulares de licenças e “pessoas relacionadas” que se envolvam em “condutas ofensivas” à segurança nacional ou ao interesse público podem ver as licenças revogadas, escreveu ontem o portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP). As “pessoas relacionadas”, explica-se na carta, incluem directores, gestores, empregados, agentes e subcontratados.

Pontos de esclarecimento

Este jornal ‘online’ referiu ainda declarações de proprietários de estabelecimentos de restauração ao jornal Ming Pao, no ano passado, que temiam que as novas condições fossem demasiado vagas e que pudessem perder as licenças devido a falsas acusações. No entanto, diz a HKFP, o Chefe do Executivo, John Lee, afirmou que a FEHD está obrigada por lei a salvaguardar a segurança nacional e que a “conduta ilícita” contra a segurança nacional está “claramente definida” nas condições.

“Conduta ilícita significa qualquer ofensa que ponha em risco a segurança nacional, ou actos e eventos que sejam contrários à segurança nacional e ao interesse público em Hong Kong. É muito claro”, afirmou o líder do Governo da região em Junho.

Ainda de acordo com o HKFP, o conselheiro do Governo Ronny Tong disse em entrevista ao HK01, no ano passado, que é “difícil dizer” se as novas condições visam as “lojas amarelas” (‘yellow shops’), um termo que se refere a negócios que expressaram posições pró-democracia. Pequim impôs uma lei de segurança nacional a Hong Kong em Junho de 2020, após um ano de protestos, por vezes violentos.

22% ao abandono

Este ano, o Dia de Cheng Ming (Dia de Finados) e o Domingo de Páscoa calharam na mesma altura, por isso muitos residentes de Macau aproveitaram os feriados consecutivos para irem para fora, enquanto muitos turistas chegavam à cidade. Como é lógico, a actividade comercial em Macau durante este período deveria ser mais intensa do que em dias normais. Ao fim da tarde do dia que se seguiu ao Domingo de Páscoa, que também era feriado, fui a um restaurante chinês perto da Praça Flor de Lodão, na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) com alguns amigos e reparei que o restaurante tinha menos clientes do que seria esperado. Nos restaurantes circundantes a situação era semelhante, chegando a ser fácil encontrar lugar para estacionar os carros. No tempo em que os casinos-satélite estavam abertos os comerciantes desta zona enfrentavam muito menos dificuldades.

Por acaso, vi uma reportagem na televisão sobre a situação do comércio na ZAPE. O Governo da RAEM está a estudar uma forma de implementar medidas para apoiar e subsidiar os lojistas de certos bairros comunitários e para tentar transformar sua abordagem comercial, planeando introduzir e promover a instalação de esplanadas como ponto de partida. As autoridades responsáveis já avançaram com alguns projectos turísticos na ZAPE para mitigar os impactos negativos do encerramento dos casinos-satélite no comércio da zona que tiveram resultados positivos consideráveis. No entanto, segundo os proprietários de restaurantes locais, após a conclusão dos projectos para atrair turistas e locais, os seus negócios voltaram a regredir, contando quase exclusivamente com a clientela habitual que frequenta os restaurantes ocasionalmente. Mesmo com a oferta de bebidas e de petiscos não conseguiram ser atractivos, porque muitos dos jogadores deixaram de considerar a ZAPE como um destino a visitar.

Os donos dos estabelecimentos da ZAPE acreditam que a iniciativa do Governo da RAEM para introduzir esplanadas permitirá pelo menos colocar mais mesas em redor dos restaurantes, o que pode aumentar o fluxo de pessoas e melhorar a situação actual, evitando ao mesmo tempo que a ZAPE pareça tão deserta. Além disso, o responsável de uma associação situada nesta zona declarou que das cerca de 580 lojas locais, 22% fecharam. Também afirmou que as esplanadas terão de ter características especiais e que a forma de as rentabilizar irá depender do apoio aos restaurantes no seu todo.

22% de lojas ao abandono é uma quantidade significativa, que eu testemunhei pessoalmente. Mencionei previamente que o Governo da RAEM teria de ser cuidadoso nos ajustes feitos ao sector do jogo de Macau, porque a reestruturação “1+4” dos sectores económicos ainda está em curso, e actualmente a economia de Macau é dominada pelas áreas do jogo e do turismo. Com um poder de consumo limitado e perante a competição da área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, as pessoas de Macau foram-se acostumando progressivamente a comprar, a abastecer o carro e a morar em Zhuhai, na Grande Baía, aumentando assim a pressão e os desafios dos sectores comerciais de Macau. Os casinos- satélite foram um problema decorrente da liberalização do sector do jogo. Embora gerassem menos receitas para o Governo da RAEM, mantinham desde há muito uma relação simbiótica com os negociantes das proximidades. Por isso, desde que não continuassem a aumentar, a sua gradual transformação, que, a seu tempo, levaria à extinção teria sido a melhor abordagem, muito melhor do que esta mudança drástica que foi “dolorosamente rápida”.

Na varanda de minha casa, crescem muitas vezes ervas daninhas nos vasos das plantas. Quando a minha mulher pede para as tirar, insiste que tenho de “cortá-las rentes” em vez de “arrancá-las”. Para mim, arrancá-las garantiria a sua completa remoção; de outra forma, voltariam a crescer. No entanto, a minha mulher afirma que se as arrancar também vou danificar as raízes das nossas plantas. Se o crescimento das ervas daninhas for controlado, não há necessidade de optar pela técnica da “destruição mútua”.

Nos anos que se seguiram à fundação da República Popular da China, houve uma campanha nacional para a eliminação dos pardais, que eram considerados transmissores de doenças. No entanto, a eliminação em larga escala dos pardais levou ironicamente ao aumento drástico de outras doenças, que acabou por conduzir ao fim da campanha. As leis da natureza são realmente maravilhosas, e as lições que aprendemos no nosso quotidiano e com a nossa História ilustram o que acabámos de dizer.

Existem muito modelos que vale a pena considerar para melhorar os negócios da ZAPE, como a rua Sanlitun, em Pequim, Lan Kwai Fong em Hong Kong e os antigos bares de rua da Zona Nova de Aterros do Porto Exterior (NAPE). Sugiro um modelo comercial que combine esplanadas com espectáculos de rua gratuitos, que funcionem desde o pôr do sol até às 22 h, sem perturbar a vida dos residentes, mas que tragam animação e entretenimento à ZAPE. Esta será uma das opções viáveis? E por fim, os 22% de lojas ao abandono passará a ser coisa do passado ou o início de uma nova fase.

Pyongyang confirma realização de vários testes com mísseis

A Coreia do Norte reconheceu ontem ter realizado vários testes com mísseis nos últimos dias, incluindo um com um míssil balístico equipado com uma ogiva de fragmentação, confirmando as denúncias feitas anteriormente pela Coreia do Sul e Japão.

Segundo a agência noticiosa estatal norte-coreana, KCNA, os testes foram realizados nos dias 06, 07 e 08 de Abril sob a direcção do general Kim Jong Sik, vice-director de departamento do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Um dos testes serviu para “avaliar as aplicações de combate” do míssil balístico Hwasongpho-11 Ka, equipado com uma ogiva de fragmentação.

O armamento “pode reduzir a cinzas qualquer alvo que cubra uma área de 6,5 a 7 hectares com a potência máxima”, detalhou o meio de comunicação estatal norte-coreano. Além disso, as autoridades do regime norte-coreano testaram um “sistema de armamento electromagnético e bombas de fibra de carbono” e um sistema móvel de mísseis antiaéreos de curto alcance.

Mar de enganos

O Exército sul-coreano informou esta quarta-feira do lançamento de vários projécteis da Coreia do Norte em direção ao Mar do Japão, e afirmou que também foi registado um lançamento a partir da zona de Pionyang na terça-feira.

Estes ensaios ocorreram depois de o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Jang Kum-chol, ter minimizado o recente optimismo de Seul, na sequência dos elogios da liderança de Pionyang ao Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, pelas suas palavras conciliatórias sobre as incursões de drones civis sul-coreanos em território norte-coreano entre Setembro de 2025 e janeiro de 2026.

A Coreia do Sul tinha interpretado como um sinal positivo uma mensagem invulgar emitida esta semana por Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, Kim Jong-un, na qual ela afirmava que o líder considerava que Lee demonstrou uma atitude “honesta e de mente aberta” ao expressar pesar pelas incursões dos drones.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano sublinhou, no entanto, que a mensagem de Kim Yo-jong não era conciliadora, mas sim um aviso para se evitar novas provocações. Antes do teste de terça-feira, o último lançamento de mísseis balísticos norte-coreanos ocorreu a 14 de Março, quando em simultâneo decorriam exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington.

Xangai | Aguiar-Branco sublinha convergência com a China na defesa do multilateralismo

O presidente da Assembleia da República deu seguimento à sua visita à China com encontros em Pequim e Xangai, onde destacou a importância da visão de ambos os países sobre a ordem internacional

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destacou ontem, em Xangai, a importância do multilateralismo e da cooperação internacional, sublinhando que Portugal e China partilham uma visão comum sobre o papel das instituições internacionais.

Em declarações à agência Lusa, após um almoço com membros da comunidade portuguesa em Xangai, no segundo dia de uma visita oficial à República Popular da China, Aguiar-Branco afirmou que “há uma ideia comum da importância do multilateralismo” e da necessidade de respeitar o direito internacional na resolução de conflitos.

“A nova ordem internacional que, eventualmente, possa querer ser construída com a desvalorização do papel da Organização das Nações Unidas, não deve acontecer”, disse, acrescentando que Portugal defende o reforço do papel da ONU como “plataforma multilateralista” para alcançar consensos.

O presidente do parlamento português referiu ainda ter agradecido o apoio chinês à candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028. A visita decorre no âmbito da diplomacia parlamentar e inclui encontros institucionais e contactos com autoridades chinesas, sendo acompanhada pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – China, composto por deputados de cinco partidos.

Segundo Aguiar-Branco, esta presença multipartidária demonstra “o reconhecimento da importância da relação de Portugal com a China”, que classificou como “uma relação que deve ser estimulada e desenvolvida em benefício de ambos”. O responsável sublinhou que os laços bilaterais têm vindo a consolidar-se nas últimas duas décadas, após a assinatura da parceria estratégica entre os dois países, com crescimento “brutal” das exportações e do investimento chinês em Portugal.

Em 2025, o comércio bilateral atingiu 9,4 mil milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 8,2 por cento. Até ao terceiro trimestre de 2025, a China foi o quinto maior país de origem do investimento estrangeiro em Portugal, com um investimento direto acumulado de 14,4 mil milhões de euros, desde 2012, segundo dados oficiais.

Confiança reforçada

Aguiar-Branco destacou também a relevância de Macau, considerando que o modelo “um país, dois sistemas” na região semiautónoma da China continua a ser reconhecido como uma base importante da relação bilateral. A 20 de Dezembro de 1999, a administração de Macau passou de Portugal para a China, sob o princípio “um país, dois sistemas”, que garante à região alto grau de autonomia, sistema jurídico próprio, moeda e passaporte próprios, distintos da China continental.

“Senti, do lado chinês, uma grande confiança no que diz respeito às relações com Portugal”, afirmou Aguiar-Branco, referindo ainda a disponibilidade para aprofundar a cooperação parlamentar e económica, nomeadamente em áreas como a transição energética e as energias renováveis. Questionado sobre a posição chinesa face à guerra na Ucrânia, reiterou que a posição portuguesa é diferente da de Pequim, mantendo-se “inequívoca” desde o início do conflito.

“Condenamos a invasão e a violação do direito internacional e defendemos o respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia”, disse, sublinhando que Portugal mantém essa posição “sem desvio de um milímetro”. Pequim tem defendido que é neutra no conflito, mas intensificou a sua relação política e económica com Moscovo, desde a invasão da Ucrânia.

De Pequim a Macau

A visita de Aguiar-Branco ocorre num contexto de retoma dos contactos políticos presenciais de Portugal com a China após a pandemia, incluindo recentes deslocações ao mais alto nível, como a do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve em Pequim em Setembro passado. Em Pequim, Aguiar-Branco reuniu-se com o vice-presidente chinês, Han Zheng, e com o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji.

Ontem, em Xangai, Aguiar-Branco participou em encontros com autoridades locais e visitou instituições culturais e de planeamento urbano, seguindo depois para Macau e Hong Kong, para contactos com as comunidades portuguesas e autoridades locais.

Coreia do Norte | Wang Yi de visita a Pyongyang

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, iniciou ontem uma visita de dois dias à Coreia do Norte, na mesma semana em que Pyongyang realizou vários testes com mísseis balísticos, incluindo um com uma ogiva de fragmentação.

A visita de Wang “é um passo importante para que ambas as partes ajam conforme os entendimentos comuns entre os mais altos líderes dos dois partidos e dos dois países e para impulsionar o desenvolvimento” das relações, afirmou na quarta-feira a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning.

Esta será a primeira visita de Wang à Coreia do Norte desde 2019, e ocorre a convite do ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, segundo informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem avançar detalhes sobre a agenda ou encontros previstos.

A viagem tinha sido já anunciada pela agência estatal norte-coreana KCNA, que ontem revelou que Pyongyang realizou esta semana vários testes de mísseis (ver página 13).

A visita ocorre também num contexto em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a intenção de voltar a tentar organizar uma reunião com Kim Jong-un, após a tentativa falhada do ano passado, o que aumentou as expectativas de que o líder norte-americano possa aproveitar a sua passagem pela China, prevista para meados de Maio, para uma cimeira bilateral.

A visita de Wang surge após o reforço dos laços bilaterais resultante da cimeira entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e Kim, em Setembro de 2025, após a qual os países expandiram os seus intercâmbios comerciais e reativaram ligações ferroviárias e voos que ligam ambas as nações, depois de cerca de seis anos de encerramento.

Médio Oriente | Pequim pede “calma e contenção” após ataques israelitas no Líbano

A China pediu ontem “calma e contenção” após ataques de Israel no Líbano que causaram centenas de vítimas, sublinhando, em plena trégua entre Estados Unidos e Irão, que a soberania e segurança dos países não devem ser violadas. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “as vidas e os bens dos civis devem ser protegidos” e apelou às partes envolvidas para “promoverem um arrefecimento da situação regional”.

A responsável reiterou ainda que a China mantém contactos com as partes desde o início do conflito e manifestou o desejo de que a trégua seja aproveitada para resolver as divergências “através do diálogo e da negociação”.

As declarações surgem depois de Israel ter lançado, na quarta-feira, bombardeamentos em larga escala contra mais de uma centena de alvos no Líbano em apenas dez minutos, dos quais resultaram pelo menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos, a maioria civis, segundo as autoridades libanesas, que decretaram um dia de luto nacional.

O ataque intensificou a tensão na frente libanesa, onde o grupo xiita Hezbollah denunciou a violação do cessar-fogo e retomou os ataques contra Israel.

A ofensiva coincide com uma trégua de duas semanas acordada entre Washington e Teerão para facilitar negociações de paz no Paquistão, com base num plano de dez pontos apresentado pelo Irão, após mais de um mês de guerra iniciada no final de Fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra alvos iranianos. O acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, essencial para o comércio energético global, embora persistam dúvidas quanto ao seu alcance e sobre se a frente no Líbano está abrangida pelo cessar-fogo.

Poemas de Meng Haoran traduzidos

Tradução de Rui Cascais

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

示孟郊

蔓草蔽極野

蘭芝結孤根

眾音何其繁

伯牙獨不喧

當時高深意

舉世無能分

鐘期一見知

山水千秋聞

爾其保靜節

薄俗徒云云

MENG HAORAN (689–740)

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Para Mostrar a Meng Jiao 1

Heras e ervas infestam tudo pela remota província,

Mas o eupatório e o cogumelo crescem a sós. 2

Emaranhadas, as melodias criam igual cacofonia.

Porém, a sós, Bo Ya nunca destoa. 3

Quando o seu sentido profundo

Ainda não era acessível ao mundo,

Zhong Ziqi logo discerniu

Mil Outonos de montanhas e rios.

Que possas suster a tua sóbria serenidade

Entre o zum-zum dos reles e vulgares.

NOTAS:

A autenticidade/autoria do poema é duvidosa, pois o poeta Meng Jiao (751–814) só nasceria onze anos após a morte de Meng Haoran.

O Eupatorium cannabinum e os cogumelos políporos são, curiosamente, uma planta e um tipo de fungos, usados na medicina tradicional pelas suas potentes qualidades purgativas. A sua presença aqui, em comparação à desarmonia, ou cacofonia, das infestantes, serve para exemplificar os aspectos virtuosos de solidão e amargura (ou “melancolia”) em que se pode fundar um encontro salubre e profícuo entre duas pessoas embebidas no remédio da rectidão. Também é interessante que Meng Jao tenha ficado conhecido como um dos poetas “amargos” (juntamente com Li He, apesar deste ser tudo menos sóbrio), o que reforça não só a natureza anacrónica e espúria do poema – um provável acrescento ao cânone de Meng Haoran–, mas também a sua singularidade. Alguém, seguramente apreciador dos dois poetas, terá tentado, assim, estabelecer um elo/diálogo entre eles através do tempo, “gizando” este poema.

Bo Ya, o lendário tocador de cítara (qin), e o seu amigo e auditor ideal, Zhong Ziqi (figura lendária do fertilíssimo Período da Primavera e Outono e um simples lenhador conhecido por distinguir as mais finas nuances da musicalidade natural das montanhas e torrentes); o entendimento entre os dois daria origem à expressão 知音 (zhīyīn), “conhecer o tom”, que descreve a mais intima, imediata compreensão entre amigos.

(五言古體詩)

遊雲門寺寄越府包戶曹徐起居

我行適諸越

夢寐懷所歡

久負獨往願

今來恣遊盤

台嶺踐嶝石

耶溪溯林湍

捨舟入香界

登閣憩旃檀

晴山秦望近

春水鏡湖寬

遠行佇應接

卑位徒勞安

白雲去久滯

滄海竭來觀

故國眇天末

朋在朝端

遲爾同攜手

何時方挂冠

Visita ao Templo da Porta da Nuvem; Enviado ao Oficial de Finanças Bao e ao Tabelião Xu da Administração Yue1

As minhas viagens trouxeram-me agora a Yue,

Onde mesmo a sonhar recordo quem me é querido.

Há muito desejava viver a expensas próprias;

Hoje posso partir e vaguear à vontade.

Numa crista de Tiantai vou pelas pedras marcadas;

No Ribeiro de Ruoye subi contra a corrente veloz pelo bosque.

Deixando o barco, entrei num reino de incenso;

Após subir a um pavilhão, descansei entre volutas de sândalo.

Eis os gentis montes, onde a vista de Qin parece já ali,

E as águas primaveris, onde o Lago do Espelho se espraia.

Nesta viagem longínqua anseio pelo nosso encontro;

Apesar de baixa condição, posso entretê-los relativamente bem.

As nuvens brancas foram-se, estão há muito presas algures;

Ao mar vigiado cheguei por fim para divisar.

O meu velho estado natal, demasiado longe para avistar, fica no fim do céu,

Mas velhos amigos estão aqui, à beira da manhã.

Há muito de devíamos estar já de braço dado,

Pendurando os chapéus de oficial quando aprouver.

O mosteiro situava-se na Montanha da Porta da Nuvem, algumas léguas a sul de Shaoxing, no Zhejiang.

Creative Macau | Nova exposição de fotografia a partir de domingo

É inaugurada este domingo, dia 12, uma nova exposição de fotografia na Creative Macau. “Human Presence” é organizada pela Halftone – Associação Fotográfica de Macau, e pode ser visitada até ao dia 5 de Maio, reunindo trabalhos de 14 membros da associação que se dedicam à fotografia de forma profissional ou amadora. Na mostra constam nomes como Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Henry – Chao Kai Hang, Inela Kovacevic ou João Palla, entre outros.

Segundo uma nota oficial, é oferecida ao público “a interpretação [dos fotógrafos] do tema, contribuindo para uma colecção rica e visualmente diversificada”. Neste caso, o tema é a “presença humana” nomeadamente em “sociedades caracterizadas por uma variedade de expressões e representações culturais”.

Desta forma, o “foco [das imagens] vai desde a individualidade da figura humana até às formas como os indivíduos pertencem a comunidades, ambientes ou paisagens urbanas”. Esta exposição traz, assim, “um amplo espectro visual e estético, apresentando fotografia tradicional, contemporânea e conceptual, tanto a preto e branco como a cores”.

Convida-se, assim, o público a “reflectir sobre a importância da ‘Presença Humana’ na formação das sociedades e das identidades culturais”.

Livro | Obra de Huang Qichen sobre História de Macau editada em português

“História Geral de Macau” é a tradução para português de um livro editado nos anos 90 e agora revista. O académico Huang Qichen imprimiu nela os principais acontecimentos da história do território desde o tempo das dinastias imperiais até 2019, contando-se, sob a perspectiva chinesa, muitos detalhes da administração portuguesa e do relacionamento com os chineses. A obra, editada pela Caminho, foi lançada no CCCM esta quarta-feira

O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolheu esta quarta-feira o lançamento de “História Geral de Macau – Desde a Antiguidade até 2019”, da autoria de Huang Qichen, e que ganha agora tradução para português graças ao trabalho de seis anos da professora Hu Jing. A edição no mercado editorial português esteve a cargo da Caminho, na figura de Zeferino Coelho, contando com revisão do professor Carlos Ascenso André.

Na apresentação, Zeferino Coelho, editor das obras do Prémio Nobel José Saramago, destacou a importância de ter uma obra deste género no mercado português. “Talvez há cinco anos recebemos na Leya [grupo editorial a que pertence a Caminho] uma proposta de edição da História Geral de Macau. Perguntaram-me se me interessava por isso, e eu disse que sim, sobretudo porque era um chinês a escrever sobre a história de Macau. Nunca tinha visto o que os chineses escrevem acerca da história de Macau”, descreveu.

Zeferino Coelho disse que “as coisas levaram o seu tempo, pois queria fazer uma coisa bem feita, e não em cima do joelho”, tendo o processo sido “acompanhado quase linha a linha”. “Estou muito feliz com a edição deste livro, porque não sendo historiador ou competente para falar do [conteúdo do] livro, li-o com muito gosto e parece-me de fácil leitura. É um livro de divulgação e não propriamente de investigação histórica, dando-nos aquilo que precisamos de saber, com os aspectos mais e menos agradáveis da nossa passagem por Macau. A verdade é para ser dita e deve ser entendida por todos nós”, apontou.

A sessão contou com comentários do professor Jorge Santos Alves, coordenador do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Este descreveu uma obra que “está a meio caminho entre o que costumo chamar de divulgação séria e trabalho académico”, estando também “muito satisfeito com o trabalho de tradução”, pois não se trata “de uma tradução literal ou trabalhada para um público português/ocidental”.

Novas perspectivas

Jorge Santos Alves referiu ter conhecido Huang Qichen em 1992, numa conferência que procurou reunir, na Casa Garden, em Macau, historiadores e académicos portugueses e chineses em torno da história do território.

“Não me surpreende que mais tarde, em 1999, Huang Qichen tenha editado uma história geral de Macau”, destacando esta edição agora, que constitui “o regresso de Macau ao panorama editorial comercial de Portugal”. “Na perspectiva do utilizador, é muito interessante poder contar com uma perspectiva historiográfica completamente diferente das perspectivas historiográficas ocidentais e, em particular, a portuguesa”, adiantou o docente da UCP. “Acho muito bom que os historiadores portugueses tenham contacto com a cultural dos colegas chineses, e se a tradução for como esta, tanto melhor.”

Contra mitos

Jorge Santos Alves elencou oito pontos importantes desta obra, que faz o leitor reflectir sobre a questão de Macau, as questões de soberania ou mera transferência de poderes de Portugal para a China, em 1999; ou ainda o relacionamento entre as comunidades portuguesa, macaense e chinesa.

O docente da UCP destacou, desde logo, a cronologia escolhida por Huang Qichen, focada nas dinastias do antigo império. A obra passa, portanto, pela posição de Macau no tempo das dinastias Ming e Qing, indo depois ao período republicano e até 1949, quando é fundada a República Popular da China. Seguem-se os meados do século XX e depois os anos posteriores à transição de 1999.

Jorge Santos Alves referiu outro ponto importante do livro, pelo facto de este apontar para a questão da “fundação de Macau”. “Uma das coisas que a academia chinesa faz há vários anos é recusar a ideia do mito fundacional de Macau, a ideia de que Macau não existia e que era, portanto, um pequeno porto piscatório que, de repente, foi projectado como um porto a partir do momento em que os portugueses chegam a Macau, vamos dizer por volta de 1555 ou 1557. Ora, o que o professor Huang nos mostra, e que está dentro da linha historiográfica chinesa, e que sabemos que, historiograficamente está correto, é que não há nenhuma fundação de Macau e que há, sim, toda uma linha de continuidade da presença humana, rural, comercial e também cosmopolita naquilo a que hoje chamamos Macau”, desde os tempos da antiguidade.

Deu-se depois um grande desenvolvimento no território a partir dos séculos XII e XIII, sobretudo na dinastia Ming, com Macau a tornar-se, nesses anos, “um ponto de apoio e de espera de todos os comerciantes que iam fazer negócio a Cantão”, sendo “oficialmente o porto aberto para o comércio com o grande império”.

A obra de Huang Qichen explora ainda “a ideia de que Macau é um território chinês sob administração portuguesa”, enfatizando que “Macau foi sempre, na sua essência, um território chinês”.

“Sabemos que, até do ponto de vista arquitectónico, Macau foi sempre uma cidade chinesa, e até ao século XIX falamos de uma cidade de matriz chinesa, cuja população era maioritariamente chinesa”, descreveu o docente, lembrando que o dinheiro que circulava também era chinês e onde “os principais agentes e grupos sociais e políticos eram chineses, em estreita ligação com a comunidade macaense, que foi absolutamente decisiva”.

Houve, depois, “outros agentes, a que chamaríamos metropolitanos, e que, na altura, se chamavam reinóis”. Jorge Santos Alves lembrou que “os macaenses foram, juntamente com os agentes chineses, absolutamente extraordinários para a sobrevivência de Macau”, sendo um ponto que sobressai da leitura de “História Geral de Macau”.

Que soberania?

O docente da UCP lembrou também que esta obra faz referência “à ideia de que Portugal exerceu apenas um direito de administração”, sobre o território, não sendo, portanto, uma “soberania colectiva”.

“Uma das coisas interessantes é o facto de, ao longo da obra, o professor Huang Qichen insistir na ideia de que tudo se fez através do pagamento de uma taxa de aluguer (palavras dele) no arrendamento [territorial]. Sabemos, pela documentação portuguesa, do chamado pagamento do foro de chão”, referiu Jorge Santos Alves. Foram estes pagamentos que cimentaram as relações comerciais entre os portugueses e as autoridades imperiais da dinastia Ming, algo que pode ser analisado à lupa na “História Geral de Macau”.

O livro de Huang Qichen olha ainda para outras matérias, nomeadamente os vários acordos comerciais que portugueses e chineses tentaram assinar a propósito do estabelecimento dos portugueses em Macau, incluindo o Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, a 1 de Dezembro de 1887.

Na visão de Jorge Santos Alves, “é muito interessante ver que também na perspectiva chinesa é a partir do século XIX que a presença portuguesa [em Macau] adquire uma outra característica ou modalidade, devendo ser vista no contexto mais amplo daquilo que foi o século da humilhação da China, iniciado após a Primeira Guerra Mundial, como talvez já tenham ouvido”, considerou.

Houve, depois, “um conjunto de tratados desiguais impostos à China por potências identitárias, incluindo os EUA, para poder, digamos, exercer direitos de soberania e outros relativamente a alguns territórios circunscritos”, adiantou o professor.

Essencialmente, o que Huang Qichen faz na sua “História Geral de Macau”, agora traduzida, é referir “que há uma continuidade de relações pacíficas e harmoniosas entre Portugal e a China em Macau”, tirando alguns momentos “de maior tensão”.

“Ele fala, o que me parece muito bem, do destaque da comunidade macaense, da qual muitas vezes nos esquecemos, e fazemos muito mal em nos esquecermos dela”, disse Jorge Santos Alves, que destacou também o facto de o autor da obra encarar como “aspecto positivo” Macau ser “um espaço de intercâmbio”, de “expressão sino-ocidental”.

O que os leitores podem encontrar “é uma leitura muito equilibrada da parte do professor Huang Qichen, que vê Macau como uma espécie de laboratório de interacção cultural”. Sobre a transição propriamente dita, em 1999, Huang Qichen interpreta-o como sendo “o evento da como a restauração da soberania chinesa e não como uma simples transferência de soberanias”, quando Macau “regressou à terra”.

“Repare-se no termo usado pela professora Hu Jiang [na tradução], o regresso de Macau à terra-mãe chinesa. Este ponto é essencial na narrativa contemporânea e, também, de Huang Qichen, do regresso de Macau à China após, segundo palavras dele, um período histórico anónimo, mas longo.”

Contrabando | Mulher fez-se passar por grávida em Hengqin

As autoridades de Gongbei anunciaram um caso de contrabando em que uma mulher se fez passar por uma grávida, para tentar entrar em Hengqin, vinda de Macau, com 19 quilos de grãos de prata.

O caso foi registado a 13 de Março por volta das 10h59, embora apenas tenha sido divulgado ontem. Segundo o relato citado pelo jornal Ou Mun, as autoridades na fronteira de Hengqin suspeitaram da mulher, que se encontrava ao volante de uma viatura, por considerarem que estava demasiado nervosa. Além disso, os agentes suspeitaram das formas físicas pouco naturais da interceptada.

Quando procederam à revista da mulher, aperceberam-se que não estavam diante de uma grávida, mas antes de uma pessoa que carregava 19 quilos de grãos de prata numa bolsa que simulava a barriga de uma grávida. O objectivo deste tipo de contrabando visa evitar o pagamento de impostos à entrada no Interior.

Incêndio | Fogo em residencial leva duas pessoas ao hospital

As chamas na Rua de São Paulo deflagraram por volta das 21h40 de quarta-feira, causaram dois feridos ligeiros, que tiveram de ser hospitalizados, e obrigaram a que cerca de 31 moradores tivessem de abandonar as suas habitações

Um homem e uma mulher tiveram de ser levados para o hospital, em condição estável, depois de um incêndio ter deflagrado na noite de quarta-feira, na Rua de São Paulo. Além dos feridos, houve ainda 31 pessoas que tiveram de abandonar as habitações e esperar na rua que o Corpo de Bombeiros extinguisse as chamas.

Segundo as autoridades, citadas pelo jornal Ou Mun, os feridos têm nacionalidade filipina e não correm perigo de vida. O homem, com 26 anos, transportado para o hospital apresentava feridas numa mão, que se terão ficado a dever a cortes causados por um vidro, enquanto a mulher, com 41 anos, apresentava sintomas de inalação de fumo e ainda ferimentos nas pernas. Os dois apenas conseguiram deixar o edifício devido à intervenção dos bombeiros.

As chamas deflagraram por volta das 21h40, altura em que o Corpo de Bombeiros recebeu o alerta para o incêndio. Quando chegaram ao local, os bombeiros verificaram que as chamas se encontravam activas ao nível do rés-do-chão do edifício. Durante o combate ao fogo, os bombeiros tiveram ainda de retirar da fracção três botijas de gás, que foram colocadas de forma temporária na rua enquanto decorreram as operações das autoridades.

Curto-Circuito

As investigações preliminares apontam para que o incêndio tenha tido origem num curto-circuito nos fios eléctricos, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. A fracção afectada era utilizada como armazém e as chamas atingiram uma área com 8 metros de comprimento e 10 metros de largura.

As chamas apanharam de surpresa cerca de 31 pessoas do edifício afectado e dos adjacentes, o que levou a que tivessem de abandonar as suas casas. Na rua, enquanto decorria o combate às chamas, era possível ver várias pessoas vestidas de pijamas, roupas de noite, algumas enroladas em toalhas, sendo que também houve moradores se fizeram acompanhar pelos animais de estimação.

No local, as equipas de salvamento disponibilizaram assistência a quem necessitou, mas apenas duas pessoas foram transportadas para o hospital.

Metro | Compras de peças custam quase 80 milhões

O Metro Ligeiro vai comprar peças à representação de Macau da Mitsubishi Heavy Industries no valor de 79,3 milhões de patacas. A informação foi revelada através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e o contrato foi atribuído por ajuste directo.

As peças são indicadas como “necessárias” para a operação de manutenção dos equipamentos de grande porte do Metro Ligeiro. O contrato assinado entre as partes entrou em vigor a 27 de Março e vai prolongar-se até 31 de Março de 2028. A Mitsubishi Heavy Industries é representada em Macau pela MHI Mobilidade Macau, Sociedade Unipessoal Limitada.

Zona Sul | Obras de aterro a partir de Julho

A obra de aterro e diques no Aterro para Resíduos de Materiais de Construção, localizada na Zona Sul, vai arrancar a partir de Julho. O Governo procedeu ontem à abertura das 21 propostas recebidas para a realização das obras no âmbito do concurso público. A obra está a ser executada em duas fases, a primeira fase, na zona sudoeste, foi iniciada em Outubro de 2025.

A segunda fase que está agora a ser atribuída, fica localizada na zona sul e tem uma área de cerca de 81 mil metros quadrados. Após a conclusão das duas fases da obra, prevê-se que o aterro fique com capacidade para suportar cerca de um total de 711 mil metros quadrados de solo mole. A obra abrange a construção de canais de drenagem, de ensecadeira e de muros de contenção.

Calçada portuguesa | Defendida mudança mantendo traços originais

O arquitecto Tiago Aleixo, que na Câmara Municipal de Lisboa esteve ligado a projectos de renovação da calçada portuguesa, defende que é possível uma substituição em prol de maior segurança sem que se alterem traços históricos e fala dos casos bem-sucedidos em Lisboa

“Macau quer substituir calçada portuguesa por ser perigosa quando molhada. Este assunto não é novidade em Lisboa, pois na altura em que entrei para a Equipa do Plano de Acessibilidades, já se falava deste assunto.” Foi desta forma que o arquitecto Tiago Aleixo comentou, nas redes sociais, uma notícia de que, em Macau, se pretende substituir a calçada portuguesa em algumas zonas por questões de segurança.

A notícia foi avançada pela Lusa e data de Março. Para o arquitecto, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa (CML) e esteve envolvido em projectos de renovação da calçada portuguesa na capital, é possível uma substituição sem que se destruam os traços históricos e criativos deste tipo de pavimento tipicamente português.

“Continuo a dizer que a estrada evoluiu dos cubos de basalto para os betuminosos, e porque não evoluem os passeios das calçadas para lajetas, por exemplo?”, questionou na mesma publicação, feita na rede social Linkedin. Contactado pelo HM, o arquitecto adiantou que “a calçada portuguesa é um tema muito interessante e controverso”, existindo a calçada artística portuguesa, com “a mistura de duas pedras cromaticamente diferentes, e que são colocadas com mestria” e depois a calçada regular, “sem desenhos ou padrões”.

“Calçada é escorregadia”

No caso de Lisboa, o arquitecto descreve que “não se pretende radicalizar a calçada artística, que deve ser mantida e preservada”, mas cita dados que falam da perigosidade deste tipo de pavimento. “A calçada é escorregadia e provoca quedas gravíssimas, principalmente na geração mais idosa. Também para quem anda de cadeira de rodas a trepidação traz um desconforto imenso e dores. Vê-se regularmente pessoas em cadeira de rodas a preferirem o perigo de andarem na estrada em vez de andarem nos passeios pelo desconforto que a calçada produz. Temos, portanto, um problema que tem de ser resolvido”, disse.

Tiago Aleixo citou ainda dados do Plano de Acessibilidade Pedonal, da CML, quando se ouviram cerca de 200 pessoas com mais de 55 anos. Verificou-se que “metade destes já tinham caído no passeio e 92 por cento tinham medo de cair e achavam que o passeio era desconfortável”, segundo o documento.

Assim, Tiago Aleixo explica que o que foi feito em Lisboa, nomeadamente na Avenida da República, foi “criar um percurso confortável e seguro com uma largura de 1,5 metros”, sendo usados “materiais que não escorregam, como lajetas com inerte à vista ou betão branco desactivado”. Depois, “à volta deste percurso a calçada pode coexistir”, descreveu.

“Este percurso confortável é também um percurso acessível, querendo isto dizer que não pode ter qualquer obstáculo ou degrau em toda a sua extensão. Quando existe este tipo de percurso, vemos recorrentemente as pessoas a preferirem andar nele em vez de andar na calçada”, adiantou ao HM.

Para Tiago Aleixo, tanto nos casos de Lisboa como de Macau “há muitas alternativas à calçada”, mas “o mais difícil será aceitar a primeira troca por outros materiais com maior aderência e superfícies mais regulares”. O arquitecto acredita mesmo que “a calçada pode sempre coexistir com os outros materiais”.

Tiago Aleixo descreve que o padrão da calçada artística portuguesa mais conhecida é o “Mar Largo”, replicado no “Calçadão” do Rio de Janeiro e também em Macau. O arquitecto considera que existe “muita informação” sobre a calçada portuguesa, escrevendo-se “pouco sobre o quanto pode ser perigoso andar nela e quanto é desconfortável andar” nela.

No que diz respeito à notícia adiantada pela Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais adiantou que a calçada poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. Este organismo diz que vai proceder a alterações depois de avaliar a “utilização das rodovias e os fatores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau.

A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral. O IAM disse ainda que irá seleccionar os materiais de “acordo com diferentes situações”.

Consumo | Grande Prémio arranca hoje

A partir de hoje, tem lugar a nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias 2026 que vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos, durante 10 semanas. A iniciativa foi justificada pelo Governo com o objectivo de promover o consumo e incentivar os residentes a permanecerem e a consumirem em Macau durante os fins-de-semana.

Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real. No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira.

Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas.

TurboJet | Reduzido horário de viagens para Hong Kong

A Turbojet anunciou uma redução do horário das ligações marítimas entre Macau e Hong Kong, a começar a partir de 15 de Abril, de acordo com o portal Macao News. Segundo os novos horários, a última partida do jacto-planador de Hong Kong para Macau (Porto Exterior) vai ser antecipada para as 22h30, quando actualmente a última viagem acontece às 23h.

No caso da última partida do Porto Exterior para Hong Kong, não há alterações, mantendo-se o horário das 23h. No caso das ligações para a Taipa, as alterações são mais significativas. As actuais três viagens diurnas de Hong Kong para Taipa vão ser reduzidas para duas, e as duas viagens diárias de Taipa para Hong Kong vão ser reduzidas para uma.

Estacionamento | Edifício Mong Son com entrada suspensa

A entrada do parque de estacionamento do Edifício Mong Son vai estar encerrada à circulação no sábado, entre das 14h e as 17h, de acordo com a informação divulgada ontem pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O encerramento temporário foi justificado com a obra de instalação e substituição das placas informativas na entrada.

“Durante este período, o respectivo parque de estacionamento adoptará medidas provisórias de trânsito que permitem apenas as saídas e proíbem as entradas. Solicita-se a atenção dos condutores e que estes utilizem, conforme a necessidade, outras instalações de estacionamento nas proximidades. Agradece-se a compreensão pelas quaisquer inconveniências causadas”, foi comunicado pela DSAT.

Aviação | Aeroporto e Air Macau com práticas opostas

Enquanto o Aeroporto Internacional de Macau comunica o aumento de ligações no Verão, a companhia de bandeira do território tem estado a cancelar voos nos últimos dias, e a suspender rotas, justificando a acção com “razões comerciais”

O aeroporto de Macau quer expandir este Verão a rede de destinos, apesar do “desafio dos preços elevados dos combustíveis”, indicou a infra-estrutura aeroportuária.

“Perante o desafio dos elevados preços dos combustíveis, o Aeroporto Internacional de Macau [AIM] mantém uma comunicação estreita com as companhias aéreas para avançarem os planos de lançamento de rotas para a China Continental e o Nordeste Asiático em Junho e Julho deste ano, reforçando assim ainda mais a rede de rotas nacionais e internacionais”, lê-se num comunicado divulgado na quarta-feira pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

Apesar da intenção de expansão manifestada, a Air Macau, companhia de bandeira do território, tem estado a cancelar voos e a suspender rotas, de acordo com uma notícia divulgada esta semana pela emissora pública local.

A companhia de bandeira do território não avança os motivos dos cancelamentos, justificando-os apenas com “razões comerciais”, segundo “relatos de passageiros”, informou a Teledifusão de Macau (TDM), que deu conta de publicações “nas redes sociais onde têm sido publicadas as mensagens que a Air Macau tem enviado aos passageiros”. De acordo com os relatos, passageiros foram informados sobre o cancelamento das ligações e “aconselhados a contactar a transportadora para assistência”, noticiou ainda a TDM.

A TDM simulou a marcação de um voo para Jacarta, mas as ligações para a capital indonésia estão “suspensas sem aviso adicional”. A Lusa, que se deparou com o mesmo problema ao tentar marcar um voo para o mesmo destino, questionou a Air Macau sobre estes cancelamentos, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

Política de cancelamentos

Numa pesquisa ao ‘website’ do aeroporto de Macau foi possível observar por volta das 12h00 que, para o dia de ontem, estavam canceladas 13 ligações – para vários destinos no interior da China e ainda Taiwan, Filipinas, Singapura e Malásia – sendo seis voos operados pela Air Macau, dois pela Air Asia, dois pela Shenzhen Airlines, outros dois pela China Eastern e um pela Xiamen Air.

De acordo com dados divulgados ontem pela CAM, o aeroporto de Macau registou, entre Janeiro e Março de 2026, um movimento de 2,1 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 15 por cento face ao mesmo período do ano passado.

O número de movimentos de aeronaves alcançou 15.952, um acréscimo de 10 por cento em termos homólogos, “reflectindo um desempenho sólido” da infra-estrutura aeroportuária, lê-se ainda no comunicado. Em termos de mercado, acrescentou a CAM na nota, os passageiros oriundos do interior da China representaram 41 por cento do total, os de Taiwan corresponderam a 19 por cento e do Sudeste Asiático e Nordeste Asiático somaram 40 por cento.

No que diz respeito aos passageiros internacionais, o movimento alcançou 224 mil clientes nos dois primeiros meses do ano, um acréscimo de 11 por cento em relação ao mesmo período de 2025. Durante as férias da Páscoa e do festival de Ching Ming, entre 3 e 7 de Abril, o aeroporto registou 115 mil passageiros e 856 movimentos de aeronaves, representando aumentos de 2,6 por cento e 9,1 por cento, respectivamente, refere-se ainda no comunicado.