Operários | Ella Lei defende mais apoios no acesso ao emprego

Os deputados da FAOM identificaram jovens e idosos como os grupos com maiores dificuldades de emprego. Os principais pedidos de apoio na última sessão legislativa visaram questões laborais

 

Os problemas no acesso ao emprego foram a principal preocupação manifestada pelos residentes aos deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). A revelação foi feita ontem pelos legisladores Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou U, numa conferência de imprensa de balanço da última sessão legislativa.

Segundo os dados apresentados, no ano legislativo de 2025/2026, a FAOM recebeu cerca de 4.500 pedidos de apoio e consultas. “Estes pedidos de ajuda visaram principalmente questões laborais, apoios sociais e o tema da habitação”, revelou Ella Lei.

A deputada garantiu ainda que o mercado laboral é a grande preocupação da bancada da FAOM. “O emprego é sempre a questão a que prestamos maior atenção”, vincou. “Os residentes de meia-idade e os mais velhos, próximos da idade de reforma, têm uma grande dificuldade em encontrar emprego ou em mudar de carreira devido ao encerramento de empresas. Já os jovens têm dificuldades de acesso ao emprego no início de carreira, por falta de experiência, pelo que precisam de mais formação”, explicou.

Face a esta situação, Ella Lei espera que o Governo lance mais medidas de apoio no acesso ao emprego destes grupos. A legisladora sugeriu, como exemplo de medidas, formações para ensinar os jovens a prepararem-se melhor para entrevistas de trabalho. A deputada salientou ainda que as pessoas de meia-idade e as mais velhas enfrentam problemas de adaptação quando tentam mudar de carreira.

Inteligência artificial

Ella Lei e Leong Sun Iok mostraram-se igualmente preocupados com o impacto da inteligência artificial no mercado laboral, que poderá vir a substituir alguns postos de trabalho. Leong Sun Iok destacou que o desenvolvimento tecnológico deve beneficiar o ser humano em vez de o substituir.

Em relação aos contratos públicos para a prestação de serviços por privados, Leong deixou o desejo de que as adjudicações feitas pelo Governo reservem sempre vagas de emprego para os grupos vulneráveis.
Por sua vez, Lam Lon Wai destacou que o apoio ao emprego dos jovens não deve focar-se apenas na quantidade de cursos de formação realizados, mas incidir sobre o aprofundamento do conhecimento e o desenvolvimento de capacidades que respondam às necessidades das empresas.

O deputado defendeu que as formações devem ser direccionadas para a realidade local, permitindo às empresas participar mais cedo na formação e selecção de quadros qualificados, com vista a garantir o acesso directo a estágios, a entrevistas e, em última análise, ao recrutamento.

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