Música | Burnie, DJ local, lança EP em editora britânica este Verão

Há 10 anos a produzir música electrónica e a animar pistas de dança, Burnie é um dos bravos DJs locais que tentam trazer ritmo a uma Macau sem grande cultura de clubbing. Na calha tem um disco, que deverá ser lançado por uma editora de Macau, e um EP através de uma label britânica

 

As ruelas estreitas do Porto Interior são o habitat de Burnie, um DJ local apaixonado pela música electrónica desproporcional à popularidade do género em Macau.
Durante a adolescência, os sons alternativos do Indie Rock praticamente monopolizaram as colunas e headphones do jovem residente.

Entretanto, chegou a altura de ir para a universidade e, com toda a sociabilização que esses tempos implicam, foi apresentado ao mundo da música electrónica por um grupo de amigos. Burnie estudou na Universidade de Macau e, apesar de nunca ter vivido no Reino Unido, a ligação à onda electrónica britânica foi-se aprofundando, disco após disco.

“Comecei a conhecer a cena dos clubes de música de dança com amigos e apaixonei-me pela electrónica, em especial house, garage, breaks e drum & bass”, recorda o músico ao HM.

Aos poucos, a vontade de fazer a sua própria música foi crescendo até que em 2010 começou a produzir as primeiras faixas no MacBook. As músicas foram ocupando cada vez mais espaço no computador, sem nunca saírem da esfera privada, além de partilhas no portal Soundcloud.

Havia chegado à altura de procurar formas para editar as faixas que produzira. “Fiz uma pesquisa sobre lojas online e uma lista de editoras discográficas que poderiam estar interessadas no meu som e comecei a enviar demos”, recorda. Muitas vezes, o DJ local não recebia resposta, ou então a réplica vinha com bónus pedagógicos e conselhos ao nível da produção.

Trabalho árduo

“Obviamente, não sou um génio. Tive de reeditar algumas demos incessantemente, desde a primeira vaga de faixas que enviei a editoras”, refere. O trabalho deu frutos e, um ano e meio depois, voltou à carga no contacto com labels que poderiam dar outra visibilidade à música que tinha o computadore e no Soundcloud.

A aposta resultou na primeira hipótese para editar um EP pela britânica Slime Recordings e, assim, nasceu “Atlantic EP” em 2013.

“Depois da edição do meu primeiro EP, voltei a tentar melhorar as faixas que tinha composto e a bombardear editoras com novas versões. Um método que me ajudou a melhorar”. O resultado foi a edição de mais quatro EPs.

Depois de vários anos a produzir batidas inspiradas em estilos musicais que rebentaram em pistas longe de Macau, Burnie decidiu remisturar, dar novas roupagens e ritmos, a alguns temas de cantopop muito populares na região. “Vivo nesta cidade. Como poderei mostrar a um público global que sou de Macau. Além disso, de que forma posso chegar às pessoas de Macau, que apenas ouvem pop, através da minha música como DJ?”

Apesar da ponte sonora através da introdução de remixes de músicas mais populares de Macau e Hong Kong nos seus sets, Burnie, como tantos outros DJs locais, vive as dificuldades de estar situado num mercado pequeno para o tipo de música que faz. “Algumas pessoas conseguem ser DJ a tempo inteiro em Macau, mas é algo muito difícil de manter. Portanto, para mim, ser DJ e produzir música é um hobby, algo que faço por prazer nos tempos livres”, conta.

Burnie tem um emprego a tempo inteiro, o que significa que não depende monetariamente da música, algo que o liberta em termos criativos.

“Só toco aquilo que gosto de tocar, não preciso de me preocupar com dinheiro, não tenho essa pressão e assim posso focar-me na música apenas como forma de me expressar livremente, e de partilhá-la com quem quiser. Sinto-me muito confortável com este método.”

Em relação a projectos que tem na calha, Burnie prepara-se para lançar um novo EP pela label britânica Downplay Recordings, enquanto trabalha num disco para o próximo ano. “Estou em conversações com uma editora de Macau, a 4daz-le Records, mas também tenho algumas datas este ano em Macau, Hong Kong e noutros sítios, mas tudo depende da evolução da pandemia da covid-19”.

22 Mai 2020

Teto Preto – “Gasolina”

“Gasolina”

Gasolina, gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles
Gasolina, gasolina neles

Quando eu voltei para El Dourado
Não sei se antes ou depois
Quando eu vi a paisagem mutável, a natureza
A mesma gente perdida em sua infinita grandeza
Eu trazia uma forte amargura dos encontros perdidos
E outra vez me perdia no fundo dos meus sentidos
Eu não acreditava em sonhos, em mais nada
Apenas a carne me ardia
E eu não me encontrava
Apenas a carne me ardia

Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles
Gasolina, gasolina neles

Eu sou o pão vivo que desceu do céu
E quem comer deste pão para sempre viverá
E esse, esse é o meu sangue
Eu andarei por aí
Pela vida a fundo
E quem come da minha carne e bebe do meu sangue
permanece em mim e eu nele

Gasolina, gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina, gasolina neles
Gasolina neles!

Eu sou uma metralhadora em estado de graça

Teto Preto

ZOPELAR, ANGELA CARNEOSO, BICA

6 Jun 2019

Festival | Shi Fu Miz 2019 este fim-de-semana na ilha de Cheung Chau

Música electrónica underground, sessões de percussão, workshops, instalações artísticas e yoga são alguns dos ingredientes do Festival Shi Fu Miz 2019, que acontece no sábado e domingo em Hong Kong, na ilha de Cheung Chau. O evento terá lugar na bela Sai Yuen Farm, que se situa na ponta sudoeste da ilha, e que, segundo a organização “é o sítio perfeito para relaxar e entrar em contacto com a natureza”.

Dos nomes que compõem o cartaz, destaque para a dupla Shuya Okino, formada pelos irmãos Shuya e Yoshi Okino, que constituem também os Kyoto Jazz Massive. A dupla aquece pistas de dança desde o início dos anos 90 e é conhecida como um dos projectos mais inovadores que ajudou a dar vida à mistura entre Jazz e música electrónica. Aliás, Shuya é um também o rosto do The Room Club em Shibuya, um espaço de eleição para as sonoridades de fusão na música de dança japonesa.

Outro dos destaques é o projecto Palms Trax, nome de guerra de Jay Donaldson, um DJ baseado em Berlim que se dedica ao house.

Os bilhetes para o festival custam para os dois dias 680 HKD, no próprio dia 880 HKD. Os ingressos para um dia custam 480 HKD e para um dia 580 HKD. O campismo custa 300 HKD para quem levar a sua própria tenda.

3 Mai 2019

Música | Bonobo e John Talabot na terceira edição do Sónar Hong Kong

O alinhamento do Sónar Hong Kong 2019 traz 35 actuações aos cinco palcos espalhados pelo Hong Kong Science Park, nos Novos Territórios. A terceira edição do festival está marcada para 13 de Abril e tem como principais nomes Bonobo, John Talabot e Thundercat

 

A festa está marcada para dia 13 de Abril no Hong Kong Science Park, nos Novos Territórios. A terceira edição do Sónar Hong Kong 2019 já tem cartaz completo, com 35 actos musicais distribuídos por cinco palcos ao longo de 15 horas (das 12h às 3h).

Um dos destaques do cartaz deste ano é Bonobo, nome de palco de Simon Green, o músico britânico baseado em Los Angeles que trouxe o trip hop para o século XXI. Os ambientes tranquilos da sonoridade de Bonobo são um cozinhado que mistura o tradicional downtempo narcótico do estilo musical que nasceu em Bristol, com bandas como Massive Attack e Portishead, com fragmentos de jazz e música do mundo.

Normalmente, a música de Bonobo ganha em vida em palco com uma banda. Porém, a performance do britânico no Sónar será em formato DJ set.

Bonobo tem seis discos lançados pela editora de culto Ninja Tunes que agrega um conjunto de DJs e projectos como The Cinematic Orchestra, Amon Tobim e Funki Porcini.

Recentemente, o britânico lançou “Ibrik”, um single repleto de tropicalismo, linha de baixo poderosa e batida contagiosa. O último registo longo da carreira de Bonobo, “Migration”, lançado em 2017, foi nomeado para melhor disco de dança e electrónica na 60ª edição dos Grammys.

Batidas fortes

Vindo de Barcelona, a cidade natal do Sónar, e em estreia absoluta em Hong Kong chega-nos John Talabot, o DJ que rebenta pistas de dança com a sua peculiar visão do que deve ser o house. Apesar de só ter um álbum no currículo, o espanhol não tem parado de lançar singles, remisturado outros artistas e multiplicado em colaborações várias, onde se destaca a participação em 2012 na digressão dos The xx.

Caberá a Talabot encerrar o festival com um DJ set marcado para a 1 da manhã no SonarClub. Será muito difícil ficar parado ou som da electrónica progressiva do espanhol que combina elementos de deep house e synth-pop.

Outro dos nomes incontornáveis do cartaz deste ano é Thundercat, um veterano que atravessa géneros musicais com toda a naturalidade. O norte-americano começou a carreira como baixista dos históricos Suicidal Tendencies, lançou quatro discos a solo e colaborou com artistas como Kendrick Lamar, Kamasi Washington, Erykah Badu e Flying Lotus. Thundercat é mais uma das estreias absolutas em Hong Kong.

Com uma sonoridade tão ecléctica que se torna difícil de definir, Thundercat situa-se algures entre o funk dos anos 1970, R&B, soul, jazz e electrónica. O concerto está marcado para as 20h no palco do anfiteatro SonarVillage, e promete ser um dos concertos do ano.

Outros palcos

A seguir a Thundercat, o palco do SonarVillage recebe MØ, a dinamarquesa que conquistou o público de Hong Kong durante o Clockenflap 2017.

Frequentemente comparada e artistas como Grimes e Twin Shadow, MØ regressa à região vizinha com dois discos na bagagem e uma fama crescente no Spotify e YouTube graças ao viciante electropop que caracteriza a sua sonoridade.

O cartaz do festival tem ainda mais de três dezenas de artistas. A saber: Alexmalism, AlunaGeorge, Anja Schneider, Art Department, Benjamin Damage, CLON x NWRMNTC, Club Kowloon, DJ Mengzy, Fergus Heathcote, Finsent C, Gaika, Ghostly Park, Hong Qile, Hyph11E, Ivan Sit, JayMe, Marco Yu, Mean Gurls Club, Meuko! Meuko! featuring NAXS Corp., Mileece, Miss Yellow, Nerve x pink;money, Object Blue, Rewind, Ryan Hemsworth ft. Yurufuwa Gang, Sam Giles, Scintii, Sonia Calico, Visaal, Yiannis, Youry, Zuckermann

Como é tradição, nem só de música se faz o Sónar Hong Kong. Como tal, os festivaleiros vão poder repartir a atenção por um programa dedicado à criatividade tecnológica, performances audiovisuais, palestras sobre Realidade Virtual, Inteligência Artificial e tudo o resto que anuncia o futuro. Os bilhetes já se encontram à venda e custam entre 580 e 780 dólares de Hong Kong.

18 Fev 2019

Músico e produtor português Branko edita segundo álbum

O músico e produtor português Branko edita em Março o segundo álbum, “Nosso”, que apresentará numa série de actuações a partir de Fevereiro em Portugal e em vários palcos da Europa.

“Nosso”, que sucede a “Atlas”, de 2015, tem edição marcada para 1 de Março, tendo sido divulgado ontem o tema “Hear from you”, que conta com a participação do produtor Sango e da cantora Cosima.

De acordo com informação na página oficial, Branko apresentará o novo álbum a 28 de Fevereiro no B.Leza, em Lisboa, seguindo-se uma série de actuações ao longo das próximas semanas entre salas e clubes portugueses e estrangeiros.

A 1 de Março, o músico estará no Razzmatazz, em Barcelona, no dia 2 nos Maus Hábitos, no Porto, no dia 8 no The Jazz Café, em Londres, e no dia seguinte no The Sugar Club, em Irlanda. Estão previstas ainda actuações em Berlim, Estocolmo, Lund, Berna, Viena, Castelo Branco, Aveiro e Braga.

Sobre “Nosso”, Branko contou à revista norte-americana Rolling Stone que utilizou a cena musical de Lisboa como “ponto de partida para todas as canções do álbum. Seja pelos instrumentais e pelas batidas, tudo nasceu de um género no universo da língua portuguesa”.

Branko, ou João Barbosa, é músico, produtor, DJ, editor, tendo o nome ligado à mais recente cena de música electrónica e de dança em Lisboa, com pontos de ligação com a música lusófona e numa escala global.

Duas das pontes desse trabalho foram a criação dos Buraka Som Sistema e da editora Enchufada, à qual estão associados nomes como Rastronaut, Riot, Dengue Dengue Dengue, Dotorado Pro e PEDRO.

Em 2015 editou o primeiro álbum, “Atlas”, que resultou de uma viagem por várias cidades em busca de uma nova sonoridade na música eletrónica.

Na altura, João Barbosa esteve em Amesterdão, São Paulo, Nova Iorque, Cidade do Cabo e Lisboa, em gravações com mais de vinte artistas, para compor uma espécie de mapa musical com a mais recente música nascida em ambiente urbano.

24 Jan 2019

Dança | Festival de música electrónica esta noite no LMA

OOutlook Festival, evento dedicado à música electrónica vai ter a sua primeira edição em Macau. O evento é esta noite, no Live Music Association (LMA) e tem início marcado para as 21h estendendo-se pela noite dentro. O cartaz é composto pelos Calculon ( Shoot / Rubik / San Diego ), Saiyan, Lobo e Zuju.
O Outlook Festival é uma iniciativa que reúne um grupo de pessoas que se têm dedicado à divulgação da música electrónica, há mais de 20 anos, revelou Vincent Cheang, gerente do LMA, ao HM. O evento em Macau traz ao território a organização que se tem dedicado à produção de festas essencialmente em Hong Kong. “Deslocaram-se ao território para “escolher os djs mais experientes”, disse o responsável.
Os DJs que vão dar música ao evento já marcaram presença no LMA separadamente. Desta vez vão juntar-se para dar corpo a esta edição do Outlook.
Em linha com o que o LMA tem vindo a habituar o seu público, esta não vai ser uma iniciativa que se possa de rotular de comercial. “É música de dança electrónica, mas ainda assim alternativa”, explicou Cheang.
As influências são múltiplas nos sons que são vão ouvir esta noite no LMA mas uma coisa é certa: “não são o tipo de Djs que estamos habituados a ouvir”, sublinhou.
Em suma, do concerto desta sexta feira podemos esperar um mistura de sons para quem queira passar a noite a dançar, frisou. Neste caso estamos a falar de pessoas que gostam de música de dança e que podem estar mais abertas à cena alternativa dentro deste género”, apontou Vincent Cheang.
Já amanhã, o mesmo espaço recebe Elbis Rever, uma banda que nasceu em 2017 e que tem marcado presença em muitos dos mais importantes festivais na Europa. O concerto começa às 22h

10 Ago 2018

TIMC | Duo de música electrónica Faslane actua este sábado

Antony Sou e Matthew Ho, dos Faslane, acabam de lançar o primeiro disco da sua carreira. “War Broadcasting Service” está repleto de sonoridades da música electrónica que nos remetem para a guerra nos tempos modernos. No Sábado, os Faslane dão um concerto no âmbito do festival This is My City onde o vídeo também será protagonista

A sala estava às escuras, à espera que os sons acontecessem. Subitamente um vídeo agitou as mentes de quem ali estava a ouvir o concerto de música electrónica que era mais do que isso. O vídeo, cheio de imagens que remetiam para uma nova guerra nuclear, continha uma mensagem. À medida que as imagens se sucediam, os sons iam acontecendo, quase agressivos, sem uma ordem.

Este foi um dos primeiros concertos que o duo electrónico Faslane, de Macau, deu no território, no Café Che Che. O álbum de estreia “War Broadcasting Service” volta a revelar-se ao público no próximo Sábado, num concerto a decorrer no espaço “What’s Up Pop Up” e inserido no festival This is My City (TIMC). Em Shenzen, China, o concerto tem lugar na sexta-feira.

“War Broadcasting Service” não é sobre a época em que o nuclear era uma ameaça real, mas sim sobre uma guerra dos tempos modernos, onde a tecnologia tem o poder de revolucionar.

“Vai ser um concerto de música electrónica com uma onda muito experimental. Neste projecto eu e o Mathew vamos passar sonoridades da música electrónica para criar uma atmosfera de um mundo moderno. Vamos ter uma performance de música e vídeo para o público”, contou Antony Sou ao HM.

O nome do álbum surgiu do momento em que os membros da banda ouviram uma transmissão radiofónica do período da II Guerra Mundial, que o Governo britânico transmitia aos seus cidadãos.

“As sonoridades que colocamos nas músicas estão associadas ao barulho e à distracção. Dá-nos a ideia de estarmos na guerra. Ouvi o programa que o Governo do Reino Unido costumava transmitir aos cidadãos durante a II Guerra Mundial e encontramos algumas semelhanças com aquilo que queríamos fazer”, acrescentou o músico.

O álbum, lançado em Julho, contém apenas três músicas e foi gravado em Macau. “Preparámos este álbum nos últimos dois anos e inclui gravações que eu e o meu parceiros gravámos. Escolhemos as que gostávamos mais. Uma das músicas vamos passar no concerto do TIMC e outras duas gravações são de concertos que demos no passado. Gostaríamos de apresentar o álbum como parte de uma performance em desenvolvimento”, adiantou Antony Sou.

O vídeo que será transmitido será semelhante ao que foi revelado ao público no concerto do Café Che Che. “A música que mostrámos aí era algo violenta, havia barulho e sons que distraíam. Era a nossa visão da música a entrar na realidade, de como as pessoas reagiam às máquinas. É a nossa visão de uma guerra no mundo moderno. Não tem de facto uma mensagem política, é uma visão nossa caso houvesse uma guerra nuclear nos dias de hoje”, explicou o músico.

Do piano para a electrónica

Antony Sou descobriu tarde a música electrónica, mas depressa percebeu que, com ela, podia criar novas sonoridades.

“Cresci a tocar instrumentos acústicos. Aprendi piano em criança e toquei até há cinco anos. Depois descobri a flexibilidade dos instrumentos electrónicos e como me permitem a experimentar sons, em vez de tocar canções mais convencionais.”

“A música electrónica ajuda-me a explorar algumas ideias, efeitos sonoros e como incorporar outros elementos na minha música. Comecei a achar fascinante a possibilidade de poder tocar outras coisas que não a guitarra ou o piano”, acrescentou.

Com meses de existência, a reacção do público ao “War Broadcasting Service” tem sido positiva.

“A reacção ao álbum tem vindo a crescer nos últimos tempos junto de pequenas comunidades. Depois de Agosto demos um concerto na Suíça, em Lausanne, num festival, e também tivemos um feedback positivo da parte dos organizadores do festival e do público.”

Sobre a participação no TIMC, Antony Sou revela-se optimista. “Estou feliz por ter a oportunidade de tocar neste festival e espero que nos dê mais exposição junto do público de Macau”, concluiu.

13 Dez 2017

Electrónica | DJ Marfox estreia-se em Macau no sábado

Marlon Silva é a personificação das origens humildes que chegam ao estrelato. Desde criança que quis ser DJ. Viu o primo mais velho animar festas de bairro, baptizados e casamentos, e cedo começou a cozinhar remixes. Hoje, as suas batidas já ecoaram por todo o mundo, e chegam ao Kampek no sábado

Da Portela de Sacavém para o mundo. Podia ser um título alternativo para este artigo. DJ Marfox, ou Marlon Silva no cartão do cidadão, é hoje um fenómeno internacional. Tocou no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, em festas em Los Angeles, Tóquio, Xangai, Seul e por toda a Europa. Apareceu na Rolling Stone e um pouco por todas as publicações de música de dança com renome mundial.

Há um bom punhado de anos, num vídeo de uma actuação dos Buraka Som Sistema no conhecido Festival de Coachella, na Califórnia, podiam ver-se caras de espanto. As expressões pareciam trazer a interrogação “o que é isto?”. Internacionalizava-se a mistura de kuduro que nascia nas periferias de Lisboa.

DJ Marfox já andava por aí antes dessa explosão, a fazer corpos abanarem-se em festas que não chegavam ao centro de Lisboa, apesar de já marcar presença em várias cidades europeias. “A música já era internacional, os putos já a faziam, chegava a Londres, Nice, Paris, mas sempre para as comunidades emigrantes de Cabo-Verde e Angola”, conta o DJ.

Até que a Príncipe Discos e a produtora Filho Único chegam à história de Marfox, e levaram as sonoridades de inspiração africana da periferia para o Cais do Sodré, mais propriamente para o Musicbox. Começavam as “Noites Príncipe”, que foram ganhando notoriedade no underground lisboeta.

“Deram-nos uma casa no centro da cidade e, com isso, deram-nos consistência”, revela. O artista tem uma relação umbilical com a sua editora, que considera uma família. O suporte da ‘label’ chegou ao ponto de levar artistas ao SEF para tratarem de documentação, assim como tratar de problemas familiares. Também mantinham uma relação estreita com os pais de Marlon, ligando-lhes para reiterar o talento do jovem e que tudo fariam para lhe dar uma carreira como DJ.

Rumo ao Oriente

Com cinco discos editados na bagagem e participação em quatro compilações, Marfox não perde o pé. O miúdo que cresceu na Quinta da Vitória, na Portela de Sacavém, tem um sentido de responsabilidade que nem sempre se encontra no mundo da música.

Chegar aos palcos internacionais “é uma responsabilidade muito grande porque muita gente depositou confiança em mim”, releva o DJ. Quando pensa no sucesso e reconhecimento internacional que conseguiu, Marfox pensa no pai e na mãe, “nos sacrifícios que fizeram” para lhe darem a melhor vida possível.

Ao sentido de responsabilidade junta-se a satisfação que tem em tocar e em fazer correr suor nas pistas por onde passa. Um sentimento de compromisso que cresceu há três semanas com o nascimento do seu primeiro rebento. “Os meus pais cumpriram o seu papel, agora falto eu cumprir o meu e melhorar a vida do meu filho”, conta. Este ciclo que lhe dá força, firmeza, que faz com que encare todos os públicos sem medos e com que dê tudo o que tem, mesmo que esteja cansado.

Além disso, toca com prazer. Quando à definição do seu som, Marfox caracteriza-o como “uma ponte entre tudo o que é feito de melhor em África e tudo o que é feito de melhor em Lisboa”, em termos de música electrónica.

Mistura as batidas africanas do kizomba, kuduro, funaná, tarraxinha aos sons urbanos do techno, house e electrónica. Ainda assim, classifica a sua música como sendo “80 por cento lisboeta”. Acrescenta que “é uma música da nova Lisboa, não Huambo, mas das periferias de Lisboa que abraça a velha Lisboa do centro”.

Quanto a Macau, Marfox sente que tem “bom vibe”. Além disso, achou muita piada à forma como se nota nalgumas pessoas, e na própria cidade, a mistura que houve entre portugueses e chineses. Definitivamente, um bom remix.

24 Mar 2017

Organizadores do Clockenflap trazem Sonar, festival de música electrónica, a Hong Kong

Hong Kong recebe, em Abril, a primeira edição do Sónar, um festival criado há mais de 20 anos em Barcelona. A iniciativa é sobretudo para quem gosta de música electrónica, mas não só. As novas tecnologias vão ser tema de conversa

Em Barcelona dura três dias; a estreia em Hong Kong é mais modesta. No próximo dia 1 de Abril, realiza-se na região vizinha o festival Sónar, um evento que junta música, criatividade e tecnologia. A organização está a cargo dos responsáveis pelo Clockenflap.

“Respeitado por fãs de música de todo o mundo devido ao seu alinhamento ecléctico, a produção de grande qualidade e o apoio de artistas importantes da música electrónica, o Sónar representa mais um marco no panorama cultural de Hong Kong”, escrevem os organizadores na apresentação do festival.

Através da ligação entre música, criatividade e tecnologia, “o Sónar ganhou uma merecida reputação por juntar os amantes da música electrónica e pessoas criativas de diferentes disciplinas e comunidades, oferecendo uma plataforma única de colaboração cultural”, diz-se também.

O festival foi lançado em Barcelona em 1994. Desde então que tem recebido uma diversidade de músicos e de criativos. No ano passado, contou com a presença de 115 mil pessoas de mais de cem países.

Aqui ao lado, o Sónar vai ser realizado no Hong Kong Science Park, em cinco palcos diferentes, ao ar livre mas também em recintos fechados. Começa às 11h de sábado e prolonga-se pelas primeiras horas de domingo. A organização ainda não divulgou o cartaz, mas promete desde já que o público pode contar com “uma curadoria experiente que junta artistas de renome e novos talentos”. O festival vai ser composto por performances de diferentes géneros, de concertos a actuações de DJs, com sets para quem gosta de dançar, mas também com abordagens à música electrónica experimental.

O espaço dos criativos

À semelhança do que acontece com o festival espanhol, o Sónar de Hong Kong integra o Sónar +D, um congresso de tecnologias criativas que junta uma série de actividades ligadas à inovação. Assim, estão programados workshops, palestras e uma exposição. A organização promete ainda oferecer experiências de realidade virtual. “É uma oportunidade única para as pessoas trocarem ideias e explorarem o espaço onde a criatividade e a tecnologia se encontram, num ambiente divertido e inspirador”, prometem os responsáveis pelo evento.

Ainda sem um alinhamento divulgado ao público, os organizadores do festival, que se realiza em Tai Po, garantem desde já que vai haver um sistema de transportes para tornar o destino mais conveniente a todos aqueles que se queiram juntar ao primeiro Sónar de Hong Kong.

2 Fev 2017