Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Dirigentes de operadora nuclear demitem-se após falsificação de dados Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se ontem na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reactivação de dois reactores. A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de “mega-sismo”, estava sujeita a controlos de segurança para retomar actividade. Em Janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos. Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício. Hayashi declarou sentir “um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso”, lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas. Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direcção para acelerar o reinício dos reactores colocaram o pessoal sob pressão e foram “um dos factores que contribuíram para as falhas” registadas. O Japão encerrou todos os reactores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano. No centro das avaliações de segurança está a estimativa de “movimento sísmico máximo à superfície”, crucial para o desenho antisísmico das centrais. Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em Fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em Dezembro.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Revisão em alta de crescimento do PIB do segundo trimestre O Governo japonês reviu ontem em alta o crescimento do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, entre Abril e Junho, para 0,4 por cento face aos três meses anteriores. O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento da economia do país asiático e que, nos dados preliminares divulgados em Agosto, permaneceu inalterado, cresceu 0,1 por cento, segundo os dados revistos publicados pelo Governo japonês. As exportações, que nos números preliminares registaram um aumento de 0,5 por cento, foram, no entanto, revistas em baixa, para um crescimento de 0,4 por cento, enquanto as importações passaram de uma queda inicialmente estimada em 1,5 por cento para uma contração de 1,7 por cento. No quinto trimestre consecutivo de crescimento da economia japonesa, a despesa pública foi ligeiramente revista em alta, para 1,7 por cento, face aos 1,6 por cento anteriormente anunciados. Em termos homólogos, a economia japonesa cresceu 1,4 por cento, três décimas acima dos 1,1 por cento estimados inicialmente. Os dados são divulgados pouco mais de uma semana antes da reunião mensal de política monetária do Banco do Japão (BoJ), numa altura em que os mercados antecipam uma nova subida das taxas de juro, para o nível mais elevado em décadas.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Mobilizados caças pelo quarto dia consecutivo Tóquio mobilizou aviões de combate após serem avistadas aeronaves chinesas e russas nas zonas fronteiriças O Japão mobilizou no domingo caças de combate pelo quarto dia consecutivo após detectar um avião militar chinês de recolha de informações, anunciaram as autoridades japonesas, num momento de tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim. O aparelho, um Shaanxi Y-9, sobrevoou o mar da China Oriental até um ponto a sul das ilhas Danjo, um arquipélago desabitado da prefeitura de Nagasaki, antes de se deslocar para sudoeste, em frente à costa de Okinawa, e regressar à China. Em incidentes semelhantes registados na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado, os Y-9 chineses realizaram voos parecidos e, em todos os casos, a Força Aérea de Autodefesa japonesa mobilizou aviões de combate. No sábado, as autoridades japonesas identificaram também uma aeronave russa de recolha de informações que sobrevoou o Pacífico em direcção à costa de Miyagi, no nordeste do arquipélago, antes de se dirigir para o mar do Japão através do mar de Okhotsk. As forças japonesas também mobilizaram aviões de combate em resposta ao incidente com a aeronave russa. Os incidentes com aviões chineses nas zonas fronteiriças são relativamente frequentes no arquipélago japonês, mas ocorrem num momento de renovadas tensões com a China devido a Taiwan. O Y-9 é originalmente um avião de transporte da força aérea chinesa, mas tem diferentes versões, incluindo a de recolha de informações ou a de guerra electrónica. Tensões e disputas As relações de Tóquio com Moscovo também atravessam momentos de tensão devido ao alinhamento do Japão com o Ocidente no apoio à Ucrânia, que combate uma invasão russa desde fevereiro de 2022. As tensões russo-japonesas agravaram-se no início de agosto após uma visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às disputadas ilhas Curilas, que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou de “absolutamente inaceitável”. Putin foi pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio | Japão rejeita acusação de Putin sobre degradação de relações O Japão considerou ontem inaceitável que o Presidente da Rússia tivesse responsabilizado as autoridades japonesas pela degradação das relações bilaterais, no âmbito da guerra na Ucrânia e após uma visita a ilhas disputadas com Tóquio. Vladimir Putin afirmou na terça-feira no Quirguizistão que o surpreendia a postura de Tóquio “sobre a Rússia em geral”, embora não a reacção à deslocação a Iturup (Etorofu, para o Japão), a principal ilha das Curilas, administradas por Moscovo e reivindicadas por Tóquio. “A difícil situação das relações bilaterais deve-se à agressão russa contra a Ucrânia, pelo que é inaceitável qualquer afirmação que pretenda atribuir a responsabilidade à parte japonesa”, reagiu o porta-voz governamental, numa conferência de imprensa em Tóquio. Minoru Kihara considerou, no entanto, ser “vital gerir adequadamente as relações bilaterais” por a Rússia ser um país vizinho, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE. Assegurou ainda que o executivo da primeira-ministra Sanae Takaichi vai continuar a responder a Moscovo “da forma mais conveniente, tendo sempre em conta o interesse nacional”. Dedos apontados Nas declarações que proferiu em Bishkek, Putin afirmou que a Rússia não deu “nem um único passo para piorar as relações russo-japonesa” e que as tratou “com o máximo cuidado”. “O deteriorar das nossas relações é inteiramente culpa do executivo japonês. O que fizemos contra o Japão? Absolutamente nada”, declarou, citado pela agência de notícias russa TASS. As relações bilaterais agravaram-se após o início da invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, quando o Japão se juntou às sanções contra a Rússia e Moscovo incluiu Tóquio na lista de países hostis. A tensão aumentou no início de Agosto, quando Putin realizou a primeira visita desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai, nas Curilas). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Na altura, Takaichi classificou a deslocação de Putin como “absolutamente inaceitável” e afirmou que a acção feria os sentimentos do povo japonês. Em sinal de protesto, Moscovo e Tóquio convocaram os respectivos embaixadores. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Governo propõe orçamento de defesa recorde centrado na IA O Ministério da Defesa japonês pediu ontem um orçamento recorde de 8,9 biliões de ienes (48 mil milhões de euros) focado na inteligência artificial (IA) para acelerar a tomada de decisões num contexto de tensão. Uma fonte parlamentar da coligação no poder admitiu ao jornal Nikkei, sob condição de não ser identificada, que o orçamento final da defesa para o ano fiscal que começa em Abril de 2027 poderá atingir os 10 biliões de ienes, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP). Os valores exactos atribuídos a cada rubrica deverão ser finalizados assim que o Governo concluir, até ao final do ano, a revisão dos principais documentos relativos à segurança nacional, disseram responsáveis do Ministério da Defesa. Com a proposta, o Governo pretende realizar uma ampla modernização das forças armadas para enfrentar as crescentes tensões com vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia. A proposta orçamental foca-se no combate a “novas formas de guerra”, como a IA, drones (aparelhos telecomandados) e mísseis de longo alcance. O Ministério da Defesa espera implementar um sistema de apoio à tomada de decisões baseado em IA e adquirir drones de baixo custo capazes de atuar em conjunto com mísseis de longo alcance para neutralizar alvos inimigos. Planeia igualmente desenvolver mísseis hipersónicos lançados a partir de plataformas submarinas e criar uma nova unidade para reforçar as capacidades de defesa contra a guerra cognitiva. Trata-se de uma ameaça crescente que visa moldar a opinião pública através de campanhas de desinformação e de outras operações de influência. Com o pedido orçamental para o novo ano fiscal, o Japão prossegue os esforços para reforçar as capacidades militares de modo a responder a uma realidade geopolítica instável. O país afasta-se assim progressivamente da postura pacifista tradicional, que limitava o uso da força à estrita legítima defesa.
Hoje Macau China / ÁsiaIlhas Curilas | China apoia Rússia na disputa com Japão A China apoiou ontem as críticas da Rússia ao Japão no âmbito da disputa pelas ilhas Curilas e voltou a acusar a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, de procurar “acelerar a remilitarização” do país. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim concorda com as recentes declarações do chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que criticou a reacção de Tóquio à visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às ilhas Curilas. Lavrov tinha apelado ao respeito pela ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, posição que recebeu agora o apoio das autoridades chinesas. Lin acusou Takaichi de se recusar a reflectir sobre o passado militarista japonês, de tentar “encobrir a invasão japonesa da China” e de procurar “abandonar o pacifismo”, contornando as restrições estabelecidas pela Constituição japonesa e pela ordem internacional do pós-guerra. Pequim apoiou também a referência de Lavrov às chamadas cláusulas dos “Estados inimigos” incluídas na Carta das Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial, defendendo que recordar estas disposições contribui para preservar os resultados do conflito e a ordem internacional estabelecida posteriormente. A troca de acusações surgiu depois de Putin ter visitado, na quinta-feira, Iturup, a maior das quatro ilhas Curilas do Sul reivindicadas pelo Japão, que designa o arquipélago como Territórios do Norte. Takaichi classificou a visita do chefe de Estado russo como “absolutamente inaceitável” e Tóquio apresentou um protesto formal junto de Moscovo. A Rússia respondeu convocando o embaixador japonês e reiterando na terça-feira que considera inviolável a sua soberania sobre as ilhas, incorporadas pela antiga União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial. A disputa territorial impede há décadas que Rússia e Japão assinem formalmente um tratado de paz relativo ao fim daquele conflito.
Hoje Macau China / ÁsiaExportações ajudam economia japonesa a subir 0,3% no segundo trimestre A economia japonesa cresceu, mas menos do que o esperado, no segundo trimestre de 2026, com medidas de apoio de Tóquio e exportações sólidas a atenuarem o impacto da guerra no Médio Oriente. O Produto Interno Bruto (PIB) da quarta maior economia mundial aumentou 0,3 por cento entre Abril e Junho face ao trimestre anterior, segundo dados oficiais divulgados ontem. Trata-se, contudo, de uma desaceleração face ao crescimento de 0,5 por cento registado no primeiro trimestre e às previsões dos analistas consultados pela agência Bloomberg, que apontavam para uma expansão estável de 0,5 por cento. “A subida dos salários reais e a redução dos impostos sobre os combustíveis terão provavelmente sustentado o consumo das famílias”, observou o especialista da Bloomberg Economics Taro Kimura, antes da publicação dos novos dados económicos. A economia nipónica “resistiu bem, mesmo com o peso das perturbações no abastecimento de petróleo bruto ligadas ao conflito envolvendo o Irão”, acrescentou. A inflação, excluindo produtos frescos, acelerou ainda para 1,6 por cento em Junho, em termos homólogos, impulsionada pela escalada dos preços da energia, numa economia fortemente dependente das importações de hidrocarbonetos. A queda do iene, que atingiu mínimos de 40 anos face ao dólar antes da recente intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão para o reforçar, aumentou também o custo das importações. Mas esta fraqueza da moeda nipónica constituiu uma vantagem para os grupos exportadores japoneses, ajudando-os a ser mais competitivos no mercado internacional e a beneficiar da explosão da procura de componentes electrónicos ligados à inteligência artificial. Sinal mais As exportações do país registaram em Junho o crescimento mais rápido desde Novembro de 2022, com uma subida de 19,3 por cento em termos homólogos, impulsionadas tanto pelas vendas de equipamentos para semicondutores como pela desvalorização do iene. No plano interno, Tóquio procurou contrariar as pressões inflaccionistas. Após um vasto plano de relançamento aprovado no final de 2025 e reduções fiscais significativas na energia, novas ajudas foram adoptadas na Primavera pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, para apoiar o consumo das famílias. Takaichi anunciou ainda no final de Julho que o executivo iria reduzir drasticamente a taxa de consumo sobre produtos alimentares, dos actuais 8 por cento para 1 por cento a partir de Abril próximo, para combater mais eficazmente a inflação. Outro factor favorável no segundo trimestre foi a manutenção do crescimento dos salários, sustentado por bons resultados empresariais e por um mercado de trabalho apertado. Os salários nominais aumentaram 3,4 por cento em Junho em termos homólogos, após um crescimento de 3,3 por cento em Maio, muito acima da inflação. Para Taro Kimura, “este número sólido” de crescimento “vai reforçar as expectativas de que o BoJ possa antecipar a próxima subida das taxas para Setembro ou Outubro”, sublinha Taro Kimura. A autoridade monetária tinha decidido no final de Julho manter os juros inalterados, após ter elevado em Junho a taxa de juro directora para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas. Mas os especialistas antecipam novas subidas no Outono, num contexto de inflação persistente e de forte divergência face às taxas muito mais elevadas da Reserva Federal norte-americana (Fed), que penaliza o iene face ao dólar. A moeda japonesa sofre também com as crescentes preocupações em torno da política orçamental expansiva de Tóquio, assente em planos de relançamento e reduções fiscais, enquanto a dívida pública ultrapassa o dobro do PIB. “Com a despesa em Defesa a ser definido até ao final do ano, as preocupações com um novo aumento das despesas deverão intensificar-se”, assinalam especialistas do banco UBS.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim apresenta queixa ao Japão após visita de ministros a polémico santuário O Governo da China apresentou sábado uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões. O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda. O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial. Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”. As visitas de autoridades japonesas a Yasukuni provocam frequentemente indignação em Pequim e Seul, uma vez que a China e a península coreana foram palco de atrocidades cometidas pelas forças militares japonesas na primeira metade do século XX. “Nenhum pretexto pode ocultar a verdadeira intenção dos políticos japoneses, que é anular o veredicto sobre os criminosos de guerra, encobrir os crimes de guerra do Japão, distorcer os factos históricos e abrir caminho para a aceleração da remilitarização”, enfatizou o porta-voz chinês. “Isto constitui uma afronta à justiça histórica, um desafio às normas fundamentais da civilização e uma provocação contra a ordem internacional do pós-guerra. Tal conduta foi firmemente rejeitada pela vasta maioria da comunidade internacional”, acrescentou. Olhar para a História Na visão de Pequim, reflectir sobre a história e abordá-la “de forma correcta” era um “requisito importante” para o regresso do Japão à comunidade internacional após o conflito, constitui a base política das relações de Tóquio com os países vizinhos e é, acima de tudo, uma “medida fundamental” para o compromisso do arquipélago com o “desenvolvimento pacífico”. “Instamos o lado japonês a reflectir seriamente sobre o seu historial de agressão, a romper decisivamente com o militarismo e a conquistar a confiança dos seus vizinhos asiáticos e do resto do mundo através de acções concretas”, concluiu o porta-voz chinês. Nenhum primeiro-ministro japonês em exercício visitou Yasukuni desde 2013, quando uma deslocação de Shinzo Abe ao santuário provocou uma reprimenda do aliado mais próximo de Tóquio, os Estados Unidos. As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Grupo acusa Governo de querer alterar princípios não nucleares A contestação às alterações à segurança nacional anunciadas pelo Executivo japonês fez-se sentir através de um grupo de sobreviventes do massacre nuclear de Hiroshima O principal grupo japonês contra as armas nucleares, formado por sobreviventes dos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki, assinalou ontem o seu 70.º aniversário com críticas ao actual Governo por tentar “alterar” princípios não nucleares do país. Segundo uma declaração do Nihon Hidankyo, divulgado pelo jornal japonês Nikkei, a Administração da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, está a tentar alterar as regras que impedem o Japão de possuir, produzir ou permitir a introdução destas armas no seu território “sem realizar os debates necessários”. Na sua declaração, o grupo pediu ainda ao Executivo japonês que assine e ratifique o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW, na sigla em inglês), e afirmou que é responsabilidade de todos “construir uma sociedade livre de armas nucleares e de guerras”. O grupo, que ganhou o Prémio Nobel em 2024, foi criado em 10 de Agosto de 1956, um dia após o 11.º aniversário do bombardeamento atómico de Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Os princípios não nucleares do Japão foram adoptados como resolução pelo Parlamento japonês em 1971, mas nunca foram incorporados na lei japonesa, e Takaichi tem recusado até agora esclarecer se o seu Governo continuará a respeitá-los. Em revisão O Executivo japonês prepara para este ano uma revisão dos seus acordos e compromissos de segurança nacional, a qual tem gerado dúvidas sobre se os princípios nucleares permanecerão intactos, especialmente depois de o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, ter defendido recentemente um debate nuclear “sem tabus”. Takaichi, nos seus discursos por ocasião do 81.º aniversário dos bombardeamentos atómicos em Hiroshima e Nagasaki, afirmou que o Governo “defende” os três princípios, mas garantiu também que o seu Executivo proporá medidas “realistas e práticas” para alcançar um mundo livre de armas nucleares, sem se comprometer a manter intacta a postura antinuclear do país asiático.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Morte de três leões devido ao calor gera críticas A morte de três leões num jardim zoológico japonês, possivelmente devido ao calor, gerou críticas por parte de organizações de defesa dos direitos dos animais, noticiaram ontem meios de comunicação internacionais. “Esta tragédia é um lembrete contundente de que os jardins zoológicos nunca poderão proporcionar aos animais selvagens o controlo e a liberdade de que necessitam para se protegerem”, afirmou a associação de defesa de animais PETA, num comunicado enviado à agência de notícias EFE. Estas declarações surgiram depois de o jardim zoológico de Tama, localizado nos arredores de Tóquio, ter noticiado na segunda-feira a morte de três dos seus leões, que apresentaram sintomas como perda de apetite e fadiga durante vários dias. Num comunicado, o zoo explicou que vários leões começaram a apresentar sinais de fraqueza a partir de 18 de Julho e, em 22 de Julho, o número de animais afectados tinha chegado aos 10. “A causa da morte não será determinada até que os resultados dos exames estejam disponíveis, no entanto, os resultados da autópsia patológica revelaram desidratação generalizada e falência múltipla de órgãos nos três leões, sugerindo que o ‘stress’ térmico foi um factor contribuinte”, explicou a instituição. O Japão passou por uma forte onda de calor em meados de Julho, que entre 13 e 26 de Julho fez pelo menos 59 mortos e milhares de hospitalizados, com várias cidades a atingirem temperaturas superiores aos 40 graus Celsius. No seu comunicado, o Jardim Zoológico de Tama disse que, dos 10 leões afectados, três ainda estão muito fracos e incapazes de se manter de pé, enquanto quatro recuperaram ou estão a mostrar sinais de recuperação. Outros seis leões que residem no zoo nunca apresentaram sinais de doença.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sobe para 18 o número de mortos no sismo Pelo menos 18 pessoas morreram devido ao sismo que atingiu o sudoeste do Japão na terça-feira, segundo um novo balanço das autoridades, enquanto as equipas de resgate trabalham para encontrar sobreviventes presos sob escombros de edifícios. Além das 13 mortes anteriormente relatadas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, outras cinco pessoas morreram no colapso de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries, em Yatsushiro, declarou ontem um porta-voz da câmara municipal de Kumamoto numa conferência de imprensa. Outras quatro pessoas podem ainda estar soterradas sob os escombros, acrescentou o porta-voz. Cerca de 36.900 casas ainda estavam sem electricidade, 9.500 sem gás e as redes de comunicação não funcionavam em algumas áreas, disse o porta-voz do Governo, Minoru Kihara, aos jornalistas. Mais de 9.000 pessoas deixaram as suas casas para se abrigarem em mais de 500 centros de acolhimento, onde foram instaladas fontes de energia para que estes locais tivessem ar condicionado. O Japão tem enfrentado uma onda de calor contínua e as temperaturas na região deverão ultrapassar os 32º graus Celsius. Os serviços de comboio de alta velocidade e algumas operações aeroportuárias permanecem suspensos. As Forças de Autodefesa do Japão juntaram-se às equipas de resgate nas operações de busca e salvamento no centro comercial Aeon, gravemente danificado devido a uma explosão depois do sismo, na cidade de Kashima. O sismo atingiu Kyushu, a ilha mais a sul das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, às 08:27 de terça-feira, com uma magnitude de 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), e de magnitude 6,8 na escala de Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu na terça-feira que as equipas de resgate trabalhariam “incansavelmente” durante à noite, dando prioridade “ao resgate e à segurança dos afectados”.
Hoje Macau China / ÁsiaPopulação do Japão diminuiu para menos de 120 milhões de habitantes A população do Japão caiu para menos de 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, segundo dados governamentais divulgados ontem, numa altura em que o país enfrenta uma baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população. A 01 de Janeiro de 2026, o número de cidadãos japoneses residentes no país (excluindo os estrangeiros) era de 119.736.483 — uma queda de 0,76 por cento face ao ano anterior —, segundo dados governamentais. A população do Japão tem vindo a diminuir há 17 anos consecutivos, após ter atingido um valor máximo em 2009. Em contrapartida, o número de residentes estrangeiros no Japão atingiu o nível mais elevado desde o início dos registos, segundo o Ministério dos Assuntos Internos do Executivo de Tóquio. Incluindo o grupo de cidadãos estrangeiros, a população total do Japão é de 123,76 milhões. O Japão tem a segunda população mais idosa do mundo (com uma idade média de 49,9 anos), ficando apenas atrás do Mónaco, segundo o Banco Mundial. Dados oficiais anteriores, divulgados no início do mês de Junho, mostraram que a taxa de natalidade do Japão desceu para um nível recorde de 1,14 filhos por mulher em 2025, evidenciando a crise demográfica que afecta a quarta maior economia do mundo. Crise e preconceitos O Japão apresenta também uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, o que gera uma série de problemas, incluindo escassez de mão-de-obra, custos crescentes da segurança social e uma redução do número de trabalhadores contribuintes. O número de recém-nascidos no Japão foi de 671.236 em 2025 — quase menos 15 mil do que no ano anterior e o índice mais baixo desde o início dos registos, em 1899, sendo que os dados abrangem apenas as crianças japonesas nascidas no país. Embora a imigração seja frequentemente apontada como uma solução para o declínio demográfico, a primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi defende medidas mais rigorosas em relação à entrada de estrangeiros. Nos últimos anos, os líderes japoneses — tanto a nível nacional como local — tentaram, com sucesso limitado, promover o casamento e a natalidade através do aumento das ajudas para a educação dos filhos, dos subsídios para a licença parental e até do lançamento de aplicações digitais para encontros. Dados oficiais divulgados este mês revelaram que 265 casais se juntaram após se terem conhecido numa aplicação digital de encontros, lançada pelo Governo de Tóquio em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Sonda espacial sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, domingo, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais. A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). O objectivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra. Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior. A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune. Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajectória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efectuar uma manobra de desvio. “Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato. Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo. “Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA. Se se confirmar que a sonda passou efectivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra. Maravilhas tecnológicas As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária. “Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia. Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras. Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Aprovada polémica lei para criar agência de inteligência O Parlamento do Japão aprovou ontem a versão final da lei que cria uma agência nacional de inteligência, criticada por falta de controlos e eventuais violações da privacidade, no âmbito dos planos do Governo para elaborar uma lei anti-espionagem. A legislação, uma das promessas eleitorais da primeira-ministra, a conservadora Sanae Takaichi, foi promulgada ontem pela câmara baixa do Parlamento, após ter recebido o voto favorável da câmara alta há uma semana, informou a agência de notícias local Kyodo. A legislação prevê a criação de um novo Conselho Nacional de Inteligência, presidido pelo primeiro-ministro e por outros nove membros do Gabinete, e destinado a centralizar a recolha de informações no arquipélago. Segundo a Kyodo, o Governo de Takaichi poderá criar o organismo ainda este mês de Julho e elaborar um projecto de lei de contraespionagem no próximo ano. A lei para criar a nova agência de inteligência foi criticada pelo Partido Democrático Constitucional (PDC), da oposição. “Se for permitido que actue sem controlo, poderá violar grave e injustamente os direitos humanos da população. Este projecto de lei apresenta graves deficiências”, afirmou Makoto Oniki, do PDC, num debate parlamentar, segundo a publicação Nikkei. A estas críticas à legislação recém-aprovada junta-se a preocupação de numerosas organizações relativamente à lei antiespionagem. A Human Rights Watch (HRW), a Amnistia Internacional (AI) e mais de uma dezena de ONG instaram Takaichi na terça-feira através de uma carta a adaptar a legislação de forma a que esta seja “consistente” com as leis internacionais de direitos humanos e com a Constituição japonesa. Concretamente, as organizações solicitaram que a lei evite termos “vagos e excessivamente amplos” e inclua disposições que garantam a liberdade de expressão.
Hoje Macau China / ÁsiaCimeira | Xi criticou duramente “remilitarização” do Japão O Presidente chinês, Xi Jinping, criticou duramente a primeira ministra japonesa, Sanae Takaichi, pela “remilitarização” do Japão durante a cimeira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de Maio, reportou o jornal Financial Times (FT). Citando várias fontes não identificadas com conhecimento da cimeira, o jornal apontou que, durante o encontro, Xi se tornou particularmente vocal e agitado ao abordar o Japão, surpreendendo responsáveis norteamericanos, já que o tema não tinha surgido nas conversações anteriores com os homólogos chineses. Após Xi ter criticado Takaichi e o aumento das despesas de defesa japonesas, Trump respondeu que Tóquio precisava de assumir uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte. As relações entre Pequim e Tóquio deterioraramse desde Novembro, quando a China reagiu com indignação às declarações de Takaichi no Parlamento nipónico de que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “ameaça existencial” para o Japão, justificando o recurso às suas forças armadas. Desde então, Pequim tem mantido um tom constante de ataques ao Japão, combinando retórica com medidas concretas, como restrições às exportações de terras raras.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Softbank quadruplica lucro para 27.045 ME O grupo japonês Softbank quadruplicou o lucro líquido, atingindo 5.002 mil milhões de ienes (cerca de 27,045 mil milhões de euros), no exercício fiscal de 2025, encerrado em Março passado, anunciou ontem o grupo. O Softbank, que tem apostado fortemente na Inteligência Artificial (IA), registou 7,3 biliões de ienes (cerca de 39.463 milhões de euros) em ganhos de investimentos durante o último exercício, que decorreu de Abril de 2025 a 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro do grupo. O resultado operacional líquido (EBIT) da empresa foi de 6,1 biliões de ienes (cerca de 32.990 milhões de euros), o que representa um aumento de 259,9 por cento. O volume de negócios do conglomerado aumentou 7,7 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 7,8 biliões de ienes (cerca de 41.650 milhões de euros). O aumento dos lucros em 334 por cento é justificado pelo grupo principalmente com os investimentos multimilionários na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que ascenderam a 6,7 biliões de ienes (cerca de 36.220 milhões de euros). A SoftBank, cuja participação na OpenAI estaria avaliada em cerca de 55.000 milhões de dólares, tem centrado os seus investimentos em indústrias de inteligência artificial, como o sector dos semicondutores e os centros de dados.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais. Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate. Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo. Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio insiste na deslocalização da base dos EUA na ilha japonesa de Okinawa O governo japonês pretende finalizar a devolução da base aérea norte-americana de Futenma, província de Okinawa, trinta anos depois de o acordo entre Washington e Tóquio ter estipulado a deslocalização para a zona sul da ilha. O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara disse sexta-feira em conferência de imprensa que o Executivo de Tóquio encara de forma “muito séria” o facto de, trinta anos depois, “a devolução ainda não se ter concretizado”. Kihara afirmou ainda que Tóquio defendeu a mudança da base militar para Henoko, também na ilha de Okinawa, como a única solução viável. Recentemente, Washington indicou que não devolveria Futenma a não ser que lhe fosse garantida uma pista de aterragem com o mesmo comprimento em Henoko, argumentando que as pistas planeadas, por serem mais curtas do que a atual, reduziriam a capacidade operacional do Corpo de Fuzileiros. No entanto, enquanto a pista de aterragem de Futenma, na cidade de Ginowan, tem 2.700 metros de comprimento, Henoko, em Nago, vai ser dotada de duas pistas dispostas em forma de V, cada uma com 1.800 metros de comprimento, segundo a estação de televisão japonesa NHK. Invasão americana O acordo inicial ocorreu nos anos 90 após pressão pública no sentido da redução da presença militar dos Estados Unidos na ilha, na sequência da violação de uma estudante local por um militar norte-americano e que desencadeou protestos em todo o país. A base de Futenma, uma herança da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), situa-se no centro de Ginowan, numa zona onde se registaram inúmeros incidentes e onde são frequentes protestos por parte da população local. As autoridades japonesas defenderam a transferência para uma zona menos povoada no norte da ilha. Aproximadamente um quinto da área da ilha principal de Okinawa é território militar dos Estados Unidos sendo que a região alberga quase dois terços dos cerca de 50 mil militares norte-americanos estacionados no Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaTurismo | Número chineses a viajar para o Japão caiu 45% O número de turistas chineses no Japão caiu 45,2 por cento em Fevereiro, em comparação com fevereiro de 2025, apesar dos feriados do Ano Novo Lunar, segundo dados oficiais publicados ontem, num contexto de fortes tensões entre Tóquio e Pequim. O arquipélago recebeu no mês passado 396.400 visitantes da China continental, indicou a Agência Japonesa de Turismo, apesar do período supostamente próspero do Ano Novo chinês, que este ano calhou em Fevereiro. A China é, de longe, o maior mercado emissor de turistas para o Japão, representando aproximadamente um quarto de todas as chegadas no ano até ao final de Novembro, mas com expressivas quedas sucessivas desde então. As relações entre os dois países deterioraram-se desde as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, no parlamento nipónico em Novembro último, na sequência das quais Pequim instou os seus cidadãos a evitarem qualquer viagem ao Japão. Takaichi sugeriu na altura que uma intervenção militar do país seria possível em caso de ataque chinês contra Taiwan, ilha que Pequim considera território chinês inalienável. Em Fevereiro anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 das quais de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão liberta reservas estratégicas e não prevê operação no estreito de Ormuz O Japão vai libertar as reservas estratégicas de petróleo, dando início a uma operação global coordenada pela Agência Internacional de Energia, mas não considera enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, como pediu Donald Trump. Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na quarta-feira a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão. Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos. A agência tinha dito no domingo que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas “de imediato” enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam “no final de Março”. O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou ontem que iria recorrer – desde ontem – às suas reservas estratégicas. O Governo reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo nacional. Na semana passada, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou a intenção de libertar também ‘stock’ proveniente das reservas do Estado, representando um mês de consumo. Tal poderá ocorrer no final de Março. Em Dezembro, as reservas estratégicas de petróleo do Japão, estatais e privadas, ascendiam a mais de 400 milhões de barris, representando 254 dias de consumo nacional. “As importações de petróleo bruto para o Japão deverão registar uma queda significativa a partir do final de Março, enquanto persiste uma situação em que os petroleiros se encontram, na prática, impossibilitados de atravessar o Estreito de Ormuz”, referiu ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara. Cerca de 95 por cento das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70 por cento transitava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito. “Para garantir que nenhuma perturbação venha a comprometer o abastecimento de produtos petrolíferos, como a gasolina, decidimos que o Japão tomaria a iniciativa de recorrer às reservas estratégicas nacionais, em coordenação com as nações do G7 e a AIE”, acrescentou Kihara. Mercado critico A guerra “está a provocar a maior perturbação no abastecimento de petróleo da história do mercado mundial do petróleo”, sublinhou a AIE no domingo. De acordo com a agência internacional, “esta acção colectiva de emergência constitui um amortecedor importante e bem-vindo”. “No entanto, o factor mais importante para um regresso à estabilidade dos fluxos é a retoma (…) da navegação através do Estreito de Ormuz”, por onde transita habitualmente 20 por cento do petróleo bruto mundial, continuou. O Japão indicou também ontem que “não prevê” uma operação de segurança marítima, numa reação ao apelo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que no domingo pressionou países aliados, entre os quais os membros da Aliança Atlântica, mas também a China, a juntarem esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. “Na situação actual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou no Parlamento nipónico o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi. A própria Sanae Takaichi considerou ontem que qualquer operação de segurança marítima seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.
Hoje Macau China / ÁsiaEmpresa japonesa falha lançamento de primeiro satélite privado do país A Space One falhou ontem pela terceira vez consecutiva a tentativa de se tornar a primeira empresa japonesa a colocar satélites em órbita. O foguetão Kairos III conseguiu descolar às 11:10 locais, conforme previsto, a partir da prefeitura de Wakayama, no oeste do Japão, mas foi obrigado a abortar a missão de lançamento pouco após a descolagem. Apenas cinco minutos depois da descolagem, a empresa nipónica anunciou a decisão de abortar a missão, sem fornecer por enquanto mais informações, enquanto continua a “investigar os detalhes” do ocorrido, de acordo com comunicado da Space One. O lançamento do foguetão, com 18 metros de altura, já tinha sido adiado três vezes, a última na quarta-feira, devido a uma falha nas ligações com os satélites que transportava. O objectivo da missão era colocar em órbita cinco satélites a cerca de 500 quilómetros, segundo detalhou a emissora pública japonesa NHK. Caso tivesse conseguido, a empresa tornar-se-ia a primeira do país a colocar um satélite em órbita, um marco que, por agora, continua por alcançar. Histórial de falhanços A Space One lançou o primeiro foguetão Kairos em Março de 2024, mas o aparelho explodiu cerca de cinco minutos após a descolagem devido a um erro na previsão do impulso. Em Dezembro do mesmo ano, lançou o segundo aparelho, o Kairos II, que se autodestruiu depois de os responsáveis do projecto concluírem que seria difícil cumprir a missão devido a problemas nos sensores. Fundada em 2018, a empresa procura comercializar serviços de transporte espacial de baixo custo e oferecer lançamentos regulares de foguetões exclusivamente com fundos privados. O fracasso representa um novo revés para os esforços e ambições da indústria espacial japonesa de competir a nível global com empresas como a norte-americana SpaceX.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi. No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses. Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento. De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio. Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias. Sem sucesso Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres. Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se. “A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento. O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho. Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro. Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos. A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025. Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”. Também tu, Takaichi? O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo. Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos. Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”. A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão pede tratamento justo face à nova tarifa global de 15% dos EUA O Japão pediu aos Estados Unidos que garantam que o impacto da nova tarifa global de 15 por cento, que deverá entrar agora em vigor, não seja superior ao do acordo comercial bilateral assinado em 2025. O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, insistiu, numa conversa telefónica com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que “o tratamento dado ao Japão seja garantido como não menos favorável” do que o previamente acordado, informou o ministério, em comunicado. O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, declarou em conferência de imprensa que o arquipélago vai estudar “de forma minuciosa” a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que na sexta-feira travou a anterior política comercial da Casa Branca. Kihara acrescentou que o Japão está a seguir “de perto e com interesse” as ramificações da nova tarifa global sobre o acordo comercial bilateral assinado em Julho. O acordo prevê compromissos de investimento japoneses avaliados em 550 mil milhões de dólares e a redução de 25 por cento para 15 por cento das tarifas sobre produtos japoneses, incluindo automóveis. Os primeiros projectos anunciados na semana passada, avaliados em 36 mil milhões de dólares, incluem a maior infraestrutura de gás natural no estado de Ohio, no oeste dos EUA, uma instalação de exportação de petróleo bruto e uma unidade de diamantes sintéticos. Donald anuncia No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10 por cento para 15 por cento, “com efeito imediato”. Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou o Presidente republicano, acrescentando que “todos os acordos” continuam válidos e que Washington apenas vai “proceder de forma diferente”. O anúncio aconteceu um dia depois de Trump ter anunciado uma tarifa global de 10 por cento sobre todos os países, por um período de 150 dias. Horas antes, o Supremo Tribunal dos EUA determinou, por seis votos contra três, que o Governo norte-americano excedeu os poderes invocados para impor as chamadas “tarifas recíprocas” aos parceiros comerciais de Washington.