Hoje Macau China / ÁsiaEmpresa japonesa falha lançamento de primeiro satélite privado do país A Space One falhou ontem pela terceira vez consecutiva a tentativa de se tornar a primeira empresa japonesa a colocar satélites em órbita. O foguetão Kairos III conseguiu descolar às 11:10 locais, conforme previsto, a partir da prefeitura de Wakayama, no oeste do Japão, mas foi obrigado a abortar a missão de lançamento pouco após a descolagem. Apenas cinco minutos depois da descolagem, a empresa nipónica anunciou a decisão de abortar a missão, sem fornecer por enquanto mais informações, enquanto continua a “investigar os detalhes” do ocorrido, de acordo com comunicado da Space One. O lançamento do foguetão, com 18 metros de altura, já tinha sido adiado três vezes, a última na quarta-feira, devido a uma falha nas ligações com os satélites que transportava. O objectivo da missão era colocar em órbita cinco satélites a cerca de 500 quilómetros, segundo detalhou a emissora pública japonesa NHK. Caso tivesse conseguido, a empresa tornar-se-ia a primeira do país a colocar um satélite em órbita, um marco que, por agora, continua por alcançar. Histórial de falhanços A Space One lançou o primeiro foguetão Kairos em Março de 2024, mas o aparelho explodiu cerca de cinco minutos após a descolagem devido a um erro na previsão do impulso. Em Dezembro do mesmo ano, lançou o segundo aparelho, o Kairos II, que se autodestruiu depois de os responsáveis do projecto concluírem que seria difícil cumprir a missão devido a problemas nos sensores. Fundada em 2018, a empresa procura comercializar serviços de transporte espacial de baixo custo e oferecer lançamentos regulares de foguetões exclusivamente com fundos privados. O fracasso representa um novo revés para os esforços e ambições da indústria espacial japonesa de competir a nível global com empresas como a norte-americana SpaceX.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi. No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses. Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento. De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio. Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias. Sem sucesso Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres. Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se. “A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento. O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho. Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro. Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos. A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025. Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”. Também tu, Takaichi? O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo. Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos. Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”. A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão pede tratamento justo face à nova tarifa global de 15% dos EUA O Japão pediu aos Estados Unidos que garantam que o impacto da nova tarifa global de 15 por cento, que deverá entrar agora em vigor, não seja superior ao do acordo comercial bilateral assinado em 2025. O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, insistiu, numa conversa telefónica com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que “o tratamento dado ao Japão seja garantido como não menos favorável” do que o previamente acordado, informou o ministério, em comunicado. O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, declarou em conferência de imprensa que o arquipélago vai estudar “de forma minuciosa” a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que na sexta-feira travou a anterior política comercial da Casa Branca. Kihara acrescentou que o Japão está a seguir “de perto e com interesse” as ramificações da nova tarifa global sobre o acordo comercial bilateral assinado em Julho. O acordo prevê compromissos de investimento japoneses avaliados em 550 mil milhões de dólares e a redução de 25 por cento para 15 por cento das tarifas sobre produtos japoneses, incluindo automóveis. Os primeiros projectos anunciados na semana passada, avaliados em 36 mil milhões de dólares, incluem a maior infraestrutura de gás natural no estado de Ohio, no oeste dos EUA, uma instalação de exportação de petróleo bruto e uma unidade de diamantes sintéticos. Donald anuncia No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10 por cento para 15 por cento, “com efeito imediato”. Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou o Presidente republicano, acrescentando que “todos os acordos” continuam válidos e que Washington apenas vai “proceder de forma diferente”. O anúncio aconteceu um dia depois de Trump ter anunciado uma tarifa global de 10 por cento sobre todos os países, por um período de 150 dias. Horas antes, o Supremo Tribunal dos EUA determinou, por seis votos contra três, que o Governo norte-americano excedeu os poderes invocados para impor as chamadas “tarifas recíprocas” aos parceiros comerciais de Washington.
Hoje Macau Manchete SociedadeConcertos | Polícia nega estar a recusar vistos a artistas japoneses O Corpo de Polícia de Segurança Pública afirma não ter recebido qualquer pedido de visto para artistas japoneses, pelo que nega ter recusado qualquer autorização de trabalho O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) negou estar a recusar vistos a artistas japoneses, afirmando que “não recebeu qualquer pedido” oficial, após o cancelamento de um festival de música na região. Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento. O festival estava marcado para 7 e 8 de Fevereiro, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”. Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau. Em resposta às questões colocadas pela Lusa, a polícia esclareceu que o processo dos artistas japoneses nunca chegou à sua alçada. “Este serviço não recebeu qualquer pedido ou consulta por parte da entidade competente”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), na resposta emitida pelo CPSP à Lusa. Nos termos da lei, explicam as autoridades, as entidades patronais que pretendam contratar trabalhadores sem estatuto de residente para funções em Macau, incluindo pessoal para espectáculos, “devem apresentar, em primeiro lugar”, um pedido de autorização de trabalho à DSAL. “Caso o pedido seja autorizado, a entidade patronal deve posteriormente solicitar ao Corpo de Polícia de Segurança Pública a emissão de título de residência para o trabalhador não residente, conferindo-lhe o estatuto de trabalhador não residente. O não residente só pode iniciar o exercício de funções em Macau após a emissão desse título de residência”, acrescenta. Calados e a ignorar A Lusa pediu, em 26 de Janeiro, esclarecimentos junto da DSAL e Instituto Cultural (IC) de Macau para os Assuntos Laborais, mas até agora, não obteve qualquer resposta. Em 7 e 8 de Fevereiro, o grupo masculino sul-coreano Riize actuou na cidade sem um dos seus membros, o cantor japonês Shotaro, devido a “circunstâncias imprevisíveis”, disse a organização dos dois concertos, a empresa IME Macau. Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador”. Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Governo de Hong Kong exige que Japão proteja residentes após ataque em Sapporo O Governo de Hong Kong disse que exigiu a Tóquio que proteja os residentes da região chinesa que visitem o Japão, após um morador ter sido alvo de um ataque em Sapporo. O executivo de Hong Kong “manifestou preocupação” ao cônsul-geral japonês no território, Jun Miura, e instou as autoridades nipónicas a “garantir a segurança pessoal” dos viajantes de Hong Kong no Japão. Num comunicado divulgado na quinta-feira à noite, as autoridades do território disseram que estão a colaborar com a representação diplomática de Pequim em Hong Kong e com o consulado da China em Sapporo, no norte do Japão. O objectivo, explicou o Governo de Hong Kong, é “compreender a situação, dar seguimento ao caso e prestar assistência prática de acordo com os desejos” do residente alvo do ataque. O consulado chinês em Sapporo disse que o homem foi atingido na cabeça por uma garrafa de cerveja num restaurante, na madrugada de quarta-feira, e que a polícia japonesa já tinha detido um suspeito. A representação diplomática da China voltou a recomendar aos turistas que não viajem para o Japão, porque “a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”. No entanto, operadores turísticos de Hong Kong disseram ao jornal South China Morning Post que o ataque foi provavelmente um incidente isolado que não afectaria o interesse dos residentes em visitar o Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | PM com poder reforçado aberta ao diálogo com a China Sanae Takaichi, que saiu com poderes reforçados após as eleições de domingo, admite dialogar com a China após as declarações sobre Taiwan que incendiaram as relações entre as duas nações A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, vencedora das eleições no domingo, admitiu ontem dialogar com Pequim, depois de ter suscitado a ira chinesa ao admitir uma reacção militar do Japão se a China atacar Taiwan. “O nosso país está aberto a diversos diálogos com a China. Já temos trocas de pontos de vista. Prosseguiremos com essas trocas. Mas fá-lo-emos de forma ponderada e apropriada”, declarou Takaichi, citada pela agência France-Presse (AFP). A declaração foi feita um dia depois de o Partido Liberal Democrático (LDP, como é conhecido internacionalmente), liderado por Takaichi, ter conseguido uma vitória expressiva nas eleições legislativas antecipadas. O resultado vai permitir a Takaichi prosseguir com o programa do Governo que chefia desde 0utubro de 2025, incluindo um forte investimento na defesa. Takaichi afirmou em Novembro que o exército japonês poderia intervir em caso de um ataque militar chinês contra Taiwan, por considerar que estaria em causa a segurança do Japão. A declaração, durante um debate no parlamento, gerou um forte protesto por parte da China e represálias tanto económicas como políticas, mas Takaichi recusou retratar-se. O porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou ontem que as autoridades do Japão devem seguir uma agenda pacifista na região e reafirmou a exigência de que a primeira-ministra retirasse as “declarações erradas” sobre Taiwan. Lin pediu também a Takaichi que demonstrasse com “acções concretas” a intenção de manter a base política das relações bilaterais, segundo declarações citadas pela agência espanhola Europa Press (EP). Maioria absoluta A líder conservadora, de 64 anos, obteve uma vitória histórica no domingo ao conquistar 316 dos 465 assentos que compõem a câmara baixa do parlamento, segundo dados oficiais divulgados pela televisão NHK. A primeira mulher a liderar o Japão garantiu assim uma maioria absoluta de dois terços, que totaliza 352 assentos quando contabilizado o apoio do aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin). Em conferência de imprensa em Tóquio, Takaichi descreveu ontem a vitória eleitoral como um “impulso forte” dado pelo povo japonês “para realizar mudanças políticas independentemente do custo”, segundo a agência de notícias espanhola EFE. A primeira-ministra reiterou que os resultados permitirão à coligação implementar “mudanças importantes”, incluindo uma “política fiscal proactiva e responsável”, bem como um “reforço fundamental das políticas de segurança”. Entre as metas anunciadas, está a promessa de reduzir a zero, durante dois anos, o imposto sobre alimentos e bebidas para aliviar a pressão da inflação sobre as famílias. Prometeu também um pacote de estímulos de 21,3 biliões de ienes (cerca de 115 mil milhões de euros, ao câmbio actual). Esta postura favorável ao aumento da despesa pública gera preocupação sobre a saúde financeira da potência desenvolvida mais endividada do mundo. Desde que Takaichi assumiu o poder em Outubro, o iene tem registado uma trajectória de desvalorização, situando-se actualmente nas 156 unidades por dólar no mercado de Tóquio. Já o rendimento das obrigações da dívida, atingiu máximos de várias décadas, segundo a EFE. O amigo americano No plano externo, Takaichi disse também que pretende consolidar a “unidade inabalável” entre Tóquio e Washington, quando visitar os Estados Unidos em 19 de Março, para se reunir com o Presidente Donald Trump. “Relativamente ao encontro com o Presidente Trump, reafirmaremos a unidade inabalável entre o Japão e os Estados Unidos e reforçaremos ainda mais a cooperação num amplo leque de áreas, nomeadamente a diplomacia, a economia e a segurança”, afirmou ontem. “Abriremos, depois, um novo capítulo na história da aliança nipo-americana”, acrescentou, citada pela AFP. Trump, que visitou o Japão em Outubro, anunciou na semana passada que Takaichi visitará Washington em 19 de Março, e descreveu a líder japonesa como “uma dirigente forte, poderosa e sábia, que ama verdadeiramente o seu país”.
Hoje Macau Manchete SociedadeConcertos | Grupo sul-coreano sobe ao palco sem cantor japonês O cantor japonês Shotaro ficou de fora dos dois concertos do grupo Riize em Macau, o que foi justificado com “circunstâncias imprevisíveis”. As autoridades de Macau não se pronunciaram oficialmente, mas na Coreia do Sul as notícias indicam a existência de um boicote a artistas do país nipónico A organização dos dois concertos dos Riize em Macau, que decorreram no fim-de-semana, confirmou que o grupo masculino sul-coreano actuou sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio. Os Riize, que actualmente têm seis elementos, subiram ao palco da Galaxy Arena, no hotel-casino Galaxy Macau, com apenas cinco artistas, disse a empresa IME Macau. Num comunicado publicado nas redes sociais e citado pelo canal em língua portuguesa da televisão pública TDM – Teledifusão de Macau, a empresa justificou a decisão com “circunstâncias imprevisíveis”, sem mais detalhes. Questionada na terça-feira sobre o cancelamento de espectáculos com artistas japonesas, a directora dos Serviços de Turismo de Macau disse não ter “informação concreta sobre a situação”. Maria Helena de Senna Fernandes falava à margem da apresentação do desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão. Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento. O festival estava marcado igualmente para o passado fim-de-semana, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo da RAEM. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”. Pelos vistos Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau. A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta. Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores. “Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou. Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador” “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente. Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong. Ao contrário do habitual, o Governo de Hong Kong não enviou qualquer representante a um evento organizado pelo consulado do Japão na quinta-feira, para assinalar o aniversário do imperador nipónico Naruhito, avançou o portal de notícias Hong Kong Free Press.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro. Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve. Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata. Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias. “Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas. Eleições no caminho O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro. Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.
Hoje Macau China / Ásia MancheteReino Unido e Japão reforçam cooperação em defesa e segurança O Reino Unido e o Japão chegaram sábado a acordo para reforçar a cooperação em defesa e segurança, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, após uma visita de Keir Starmer à China criticada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. O primeiro-ministro britânico anunciou em Tóquio ter alcançado um entendimento com a sua homóloga japonesa, Sanae Takaichi, para aprofundar a parceria bilateral nos próximos anos, abrangendo a segurança colectiva nas regiões euro-atlântica e indo-pacífica. “Definimos claramente como prioridade aprofundar ainda mais a nossa parceria nos próximos anos”, declarou Keir Starmer ao lado de Sanae Takaichi, no final de uma reunião no Japão. “Isso implica trabalharmos em conjunto para reforçar a nossa segurança colectiva, tanto no espaço euro-atlântico como na região indo-pacífica”, acrescentou. Os dois líderes deverão aprofundar a questão da “cooperação com vista à concretização de uma região Indo-Pacífica livre e aberta, bem como a situação no Médio Oriente e na Ucrânia”, indicou Sanae Takaichi. A primeira-ministra japonesa precisou ainda que Londres e Tóquio acordaram a realização, ainda este ano, de uma reunião entre os seus ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros. No plano da segurança económica, Londres e Tóquio concordaram na importância de reforçar as cadeias de abastecimento entre países com valores comuns, nomeadamente no acesso a matérias-primas críticas como as terras raras, essenciais para sectores estratégicos. Paralelamente, Starmer e Takaichi anunciaram uma nova aliança estratégica nos domínios da cibersegurança, da energia eólica e da energia nuclear, com o objectivo de impulsionar o crescimento económico e a resiliência industrial, incluindo a diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos. O primeiro-ministro britânico destacou ainda o potencial de cooperação na energia eólica ‘offshore’ – em águas profundas – e na energia nuclear, enquanto o Japão tem vindo a reforçar o peso desta última no seu mix energético para reduzir a dependência de importações e cumprir metas de descarbonização. Oriente concorrido A visita de um dia ao Japão ocorreu após uma deslocação de quatro dias à China, onde Starmer se reuniu com o Presidente Xi Jinping e outros dirigentes chineses. Nas últimas semanas, dirigentes franceses, canadianos e finlandeses deslocaram-se em grande número a Pequim, indignados com a tentativa de Donald Trump de se apoderar da Gronelândia e com as suas ameaças de imposição de direitos aduaneiros contra os aliados da NATO. Na quinta-feira, o Presidente norte-americano advertiu que era “muito perigoso” para Londres lidar com a China. Declarações que Keir Starmer desvalorizou, sublinhando que Donald Trump também deverá deslocar-se à China nos próximos meses. Paralelamente, as relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se após declarações de Sanae Takaichi, em Novembro, que deixaram entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque chinês contra Taiwan.
Hoje Macau Eventos MancheteHong Kong | Banda japonesa Silent Siren actuou em Kowloon O trio do pop-rock japonês Silent Siren actuou na sexta-feira na sala Tides, em Kowloon. As Silent Siren nasceram para a música em 2010, sob a égide da empresa de talentos Platinum Production, formadas por três modelos: Sumire Yoshida na voz e guitarra, Aina Yamauchi no baixo, a bateria a cargo de Hinako Umemura e Yukako Kurosaka atrás dos sintetizadores a partir de 2012, depois de Ayana Sōgawa ter abandonado a banda. Dois anos depois da formação da banda, as Silent Siren estrearam-se nos registos discográficos com dois EPs, “Sai Sai” e “Love Shiru”. Já com contrato assinado com a Dreamusic, a banda deu o seu primeiro concerto a sério no Nippon Budokan em Tóquio no início de 2015. A ganhar notoriedade, as Silent Siren chegaram a um público mais vasto compondo temas para bandas sonoras de várias séries de Anime, cinema e até para uma publicidade a uma conhecida cadeia de restaurantes de ramen. Chegada à Universal A banda continuou a lançar discos, com destaque para “S” e “Girls Power”, este último registo já pela Universal Music Japan. Durante a pandemia, as Silent Siren interromperam a carreira, suspendendo tournées e a actividade discográfica, regressando no fim de 2023 já em formato de trio. A sonoridade das Silent Siren agrega as diversas características estilísticas e rítmicas do pop-rock japonês. Melodias animadas e aceleradas por ritmos rápidos e dançáveis de bateria, vocalizações ingénuas a evocar o universo da anime, mas riffs de guitarras e baixo a abeirarem-se do punk mais pop e pastilha elástica. O concerto da banda japonesa na região vizinha, onde ainda existem promotoras independentes de concertos, contrasta com o boicote não oficial que se verifica em Macau a espectáculos que envolvam cidadãos japoneses, que começou em Dezembro com o cancelamento da rainha da pop nipónica Ayumi Hamasaki, que tinha um concerto marcado no Venetian. O cancelamento, o primeiro de muitos que se seguiriam, foi anunciado depois do mesmo ter acontecido em Xangai na sequência de tensões políticas entre a China e o Japão, apesar do Governo da RAEM negar qualquer envolvimento no boicote.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países. A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”. O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”. Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”. O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim. Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.
João Santos Filipe EventosCancelados mais dois espectáculos com artistas japoneses Os espectáculos da boys band Nexz, constituída por artistas japoneses e coreanos, foram cancelados na sexta-feira, sem qualquer explicação oficial, de acordo com um comunicado da concessionária Sands China. Os dois concertos estavam agendados para sábado e domingo e tinham lotação esgotada. Inicialmente, a banda gerida pela JYP, uma das principais empresas coreanas de entretenimento, só tinha previsto um concerto em Macau. Todavia, a grande procura, logo em Dezembro, levou a que fosse agendado um segundo espectáculo, no dia seguinte. Na sexta-feira, a um dia do primeiro concerto, surgiu o cancelamento. “Informamos que o concerto “NEXZ SPECIAL CONCERT in MACAO”, originalmente agendado para os dias 17 e 18 de Janeiro de 2026, foi cancelado”, comunicou a concessionária, através das redes sociais. “Pedimos as mais sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado e agradecemos a compreensão e apoio contínuo”, foi acrescentado. Os espectáculos com a participação de artistas japoneses em Macau começaram a ser cancelados, depois de um agravar das tensões diplomáticas entre o Japão e a China relacionado com Taiwan. Cultura de cancelamento A vaga de cancelamento dos espectáculos com artistas japoneses na China começou no Interior. No entanto, a tendência estendeu-se a Macau. A primeira visada na RAEM foi a cantora pop Ayumi Hamasaki, cujo concerto, agendado para 10 de Janeiro, foi cancelado a 9 de Dezembro. Dias antes, a 29 de Novembro o concerto de Hamasaki em Xangai também tinha sido cancelado. Os cancelamentos não se ficaram por aqui, e no início do ano foi a vez do concerto da cantora japonesa Mika Nakashima ser cancelado. Na altura, foi apresentada como justificação a existência de “circunstâncias incontornáveis”. O cancelamento de espectáculos não é novo. Em Janeiro de 2024, as pressões dos IC levaram ao cancelamento do espectáculo “Made by Beauty” devido à participação de drag queens. No entanto, a presidente do IC, Deland Leong, negou qualquer envolvimento com a vaga de cancelamentos recentes.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região. “Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times. Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN. Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio. “Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião. Pontos comuns A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”. Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”. “Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”. “Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi. O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano. “A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Missão em águas profundas para extrair terras raras A viagem do navio de perfuração científica, Chikyu, em direcção à remota ilha Minami Torishima no arquipélago japonês, onde se estima existir mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, visa diminuir a dependência do país nipónico do fornecimento chinês Um navio de investigação japonês iniciou ontem uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China. O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00 de ontem, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos. Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho. A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, director de programas do Gabinete do primeiro-ministro. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir. Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo. As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para sectores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos. Tensões regionais A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92 por cento da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o Japão depende da China para 70 por cento das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses. Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim. Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de Fevereiro.
Hoje Macau China / ÁsiaLíder do Japão pondera dissolver parlamento e convocar eleições, revela imprensa A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está a considerar dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, já em Janeiro, avançou a imprensa japonesa. De acordo com a agência de notícias nipónica Kyodo, que cita fontes próximas das discussões, a dissolução poderá ocorrer no início da sessão ordinária da Dieta (o parlamento japonês), que começa a 23 de Janeiro. Caso o parlamento seja dissolvido, a campanha para as eleições gerais poderá começar já a 27 de Janeiro ou 03 de Fevereiro, ficando a votação marcada para 08 ou 15 de Fevereiro, dependendo de quando a campanha começar. De acordo com o jornal japonês Yomiuri Shimbun, que cita as mesmas datas, Takaichi pondera dissolver a Dieta devido às elevadas taxas de aprovação de que o Governo tem gozado desde que assumiu o poder, em Outubro, após a demissão do seu antecessor, Shigeru Ishiba, como chefe do Governo e líder do partido no poder no Japão. Devido a uma série de resultados eleitorais desfavoráveis, o Partido Liberal Democrático de Takaichi e os parceiros de coligação detêm uma pequena maioria de um lugar na Câmara dos Representantes (a mais importante das duas câmaras da Dieta) e estão em minoria na Câmara dos Conselheiros. Até à data, Takaichi tem rejeitado consistentemente a possibilidade de convocar eleições antecipadas, sublinhando, em vez disso, a importância de aprovar medidas para lidar com o impacto para as famílias da inflação persistente e dos salários estagnados. Tensão regional O Governo da primeira-ministra tem elevadas taxas de aprovação apesar do agravamento das tensões entre Tóquio e Pequim. Na quarta-feira, a China anunciou um veto à exportação de produtos de uso dual para o Japão, medida que pode incluir certos elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de componentes para alta tecnologia. Isto após, em Novembro, a primeira-ministra ter admitido, no parlamento japonês, uma eventual resposta militar do Japão a um ataque chinês contra Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Pequim anuncia nova medida contra o Japão A China agravou ontem a tensão comercial com o Japão ao anunciar uma investigação ‘antidumping’ sobre importações dum gás químico usado na produção de semicondutores, depois de impor restrições à exportação de produtos de uso dual. O ministério do Comércio chinês justificou a medida com base numa queixa da indústria doméstica, que alegou uma queda de 31 por cento nos preços das importações japonesas de dicloro silano entre 2022 e 2024. “O ‘dumping’ de produtos importados do Japão prejudicou a produção e as operações da nossa indústria nacional”, lê-se no comunicado. A decisão surge após Pequim ter proibido na terça-feira a exportação para o Japão de bens considerados de uso dual – com possíveis fins civis e militares. As relações entre os dois países deterioraram-se nas últimas semanas, depois de a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido que as Forças Armadas do Japão poderiam intervir caso a China tomasse medidas contra Taiwan. As tensões aumentaram ainda mais na terça-feira, quando o deputado japonês Hei Seki – sancionado anteriormente por Pequim por “espalhar falsidades” sobre Taiwan – visitou a ilha e declarou que Taiwan é um país independente. “Vim a Taiwan para demonstrar isso e dizer ao mundo que Taiwan é um país independente”, afirmou, segundo a agência oficial de notícias de Taiwan, CNA. Questionada sobre estas declarações, a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, respondeu: “Palavras odiosas de um vilão insignificante não merecem comentário”. O director para os Assuntos da Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Masaaki Kanai, apelou à China para levantar as restrições comerciais e classificou como “inaceitável” qualquer medida dirigida exclusivamente ao Japão e fora das práticas internacionais. Tóquio, no entanto, ainda não anunciou retaliações. Trunfos raros Cresce, entretanto, a especulação de que a China poderá impor restrições à exportação de terras raras para o Japão, à semelhança do que já fez com os Estados Unidos no contexto da guerra comercial entre os dois países. A China detém a maior parte da produção mundial de terras raras pesadas, essenciais para a produção de ímanes resistentes ao calor utilizados nas indústrias de defesa e veículos eléctricos. Embora o ministério não tenha mencionado novas restrições neste sector, o jornal oficial China Daily citou fontes anónimas segundo as quais Pequim está a considerar limitar exportações de certos metais raros para o Japão – informação não confirmada de forma independente. Enquanto as relações com o Japão se agravam, a China tem procurado estreitar laços com a Coreia do Sul. O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, concluiu ontem uma visita de quatro dias à China – a primeira desde que assumiu funções, em Junho – durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping, e supervisionou a assinatura de acordos nas áreas da tecnologia, comércio, transportes e proteção ambiental. Durante a visita, foram assinados 24 contratos de exportação, no valor total de 44 milhões de dólares, segundo o ministério sul-coreano do Comércio e Indústria. A imprensa chinesa assinalou ainda que, durante o feriado de Ano Novo, a Coreia do Sul ultrapassou o Japão como principal destino de voos internacionais a partir da China continental. Pequim tem desaconselhado as viagens ao Japão, alegando que as declarações das autoridades japonesas sobre Taiwan representam “riscos significativos” para a segurança dos cidadãos chineses no país.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Forte sismo mas sem alerta de tsunami A zona oeste do arquipélago nipónico foi ontem abalada por um sismo de 6,2 na escala de Richter, que, no entanto, não levou à emissão de um sinal de alerta de tsunami, nem parece ter provocado danos de grande monta Um sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter atingiu ontem a costa oeste do Japão, informou a agência meteorológica japonesa (JMA, na sigla em inglês), que não emitiu alerta de tsunami. O sismo foi registado às 10:18 no departamento de Shimane, informou a JMA, indicando que a mesma área foi atingida por vários tremores mais fracos, de magnitudes entre 3,8 e 5,4, nos minutos seguintes. As primeiras imagens da cidade de Matsue, próxima ao epicentro, e dos arredores, transmitidas pela NHK, mostravam pessoas que foram retiradas dos edifícios e se reuniram nas ruas, mas sem danos aparentes. De acordo com a emissora pública japonesa, os bombeiros de Matsue receberam chamadas de emergência para atender feridos, sem dar mais detalhes. Citado pela NHK, a empresa Chugoku Electric, que gere a central nuclear de Shimane, afirmou não ter detectado qualquer anomalia até às 10:45. A circulação de comboios de alta velocidade, os Shinkansen, foi interrompida na região devido a uma falha de energia, anunciou a companhia ferroviária JR West, sem estabelecer uma ligação directa com o terramoto. Outros valores O Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos registou, por sua vez, uma magnitude ligeiramente inferior para o primeiro tremor, de 5,7. Em 08 de Dezembro, um sismo de magnitude 7,5 atingiu o Japão ao largo da costa norte, provocando ondas de tsunami que atingiram 70 centímetros e feriram mais de 40 pessoas, sem causar danos elevados. Na sequência deste tremor, a JMA emitiu um raro aviso sobre o risco acrescido de um mega-sismo – definido como um tremor de magnitude igual ou superior a 8 – no norte do país. Os cientistas estimam que, após um abalo de magnitude 7 ou superior, há 1 por cento de probabilidade de ocorrer um mega-terramoto nos sete dias seguintes. O país ainda vive o trauma do sismo de magnitude 9, em Março de 2011, que provocou um tsunami, causando cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos. Este abalo ocorreu na costa do Pacífico do Japão, ao longo da fossa de Nankai, ao largo do país.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Taxa de juro sobe para valor mais elevado em 30 anos O combate à estagnação da economia japonesa prossegue com novas medidas para tentar travar o crescimento da inflação O banco central do Japão aumentou ontem a taxa de juro referência para 0,75 por cento, o nível mais elevado desde 1995, numa decisão já esperada pelos analistas, dada a inflação persistente e a crónica desvalorização do iene. “A economia japonesa recuperou moderadamente, embora se tenham observado algumas fragilidades em certas áreas”, observou o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), em comunicado. O aperto monetário no Japão começou em Março de 2024, após uma década de taxas de juro ultrabaixas. No final da reunião mensal de política monetária, o BoJ optou por elevar a taxa pela primeira vez desde Janeiro, referindo, em comunicado, que a incerteza em torno das tarifas norte-americanas diminuiu e há sinais de um crescimento salarial estável em 2026. O aumento da taxa ocorre numa altura em que a inflação anual no Japão permanece longe da meta de 2 por cento fixada pelo banco central. Os preços registaram uma subida homóloga de 3 por cento em Novembro, o mesmo valor que no mês anterior, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações. “Espera-se que as taxas de juro reais permaneçam significativamente negativas e que as condições financeiras acomodativas continuem a apoiar fortemente a actividade económica”, afirmou o BoJ. O banco central deixou ainda em aberto a possibilidade de futuros aumentos da taxa de juro directora, “dependendo da melhoria da actividade económica e dos preços”. Medidas de combate Após décadas de deflação na quarta maior economia do mundo, o ciclo de crescimento está a pesar sobre as famílias do arquipélago, e tanto o BoJ como o Governo da primeira-ministra Sanae Takaichi prometeram combater a inflação. O parlamento aprovou recentemente um orçamento suplementar para 2025 no valor de 18,3 biliões de ienes, com um pacote de estímulo da economia estagnada do Japão. Os analistas alertaram, no entanto, que um aumento da taxa de juro no Japão poderia afectar o chamado ‘carry trade’, o empréstimo em ienes por parte de investidores para comprar activos mais rentáveis em outras moedas.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeTurismo | Visitantes do Japão sobem quase 40% Dados estatísticos oficiais revelam que Macau recebeu, em termos anuais, mais turistas internacionais em Novembro, sendo que uma das maiores subidas, de 38,1 por cento, se refere a turistas oriundos do Japão. Novembro, representou o ultrapassar da fasquia dos três milhões de turistas, uma subida anual de 18,1 por cento O Japão foi o país de origem de turistas internacionais com uma das maiores expressões nos dados estatísticos relativos a Novembro, sendo apenas ultrapassado pela Tailândia. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, no mês de Novembro, Macau recebeu 16.187 pessoas do Japão, uma subida de 38,1 por cento face a igual mês do ano passado. No caso da Tailândia, de onde vieram 15.140 turistas, a subida foi de 49,4 por cento. De destacar os cancelamentos recentes de concertos de artistas japoneses no território, não obstante os números positivos do turismo oriundo do país. Um deles, foi da cantora pop japonesa Ayumi Hamasaki, agendado para o dia 10 de Janeiro, e que ocorreu depois do cancelamento da actuação da mesma artista em Xangai, marcada para o dia 29 de Novembro. Também cancelado, foi o espectáculo de Natal com a banda Say My Name, que integra as artistas japonesas Hitomi Honda, a líder do grupo, e Terada Mei. O Governo negou qualquer interferência nestes cancelamentos por questões políticas, tendo a presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, referido que “diferentes partes têm os seus factores de ponderação”. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou. No que diz respeito a outros países de origem de visitantes internacionais, no caso da Indonésia registou-se também uma subida de 23,1 por cento, enquanto que relativamente aos turistas vindos de Singapura foram de 12.920 em Novembro, uma quebra de 6,6 por cento. No caso dos turistas oriundos da Índia, a subida foi de 3,1 por cento, num total de 8.766 visitantes. Em termos gerais, e ainda relativamente a Novembro, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 273.950, mais 13,6 por cento, em termos anuais. Mais turistas de Zhuhai Olhando para os restantes números do turismo, os dados da DSEC mostram a vinda de 3.345.683 de turistas em Novembro, mais 18,1 por cento em termos anuais. Realça-se que o número de entradas de excursionistas (2.035.555) e de turistas (1.310.128) aumentaram 31,5 e 2,1 por cento, respectivamente, em termos anuais. Os turistas oriundos do Interior da China foram 2.397.043, mais 21,9 por cento, em termos anuais, destacando-se o número de entradas de visitantes com visto individual, 1.262.722, com uma subida de 36,1 por cento. Outro número positivo, prende-se com a subida de 33 por cento nas entradas de visitantes oriundos de nove cidades da região da Grande Baía, num total de 1.279.819, em relação a Novembro de 2024. Para este número, contribuiu o aumento de 71,2 por cento de entradas com origem em Zhuhai, descreve a DSEC. Nos 11 meses do ano, Macau recebeu 36.489.230, mais 14,4 por cento face a igual período de 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Turismo chinês no Japão desacelera em Novembro A chegada de turistas chineses ao Japão abrandou em Novembro, em plena tensão diplomática entre Tóquio e Pequim, apesar de o arquipélago ter registado um número recorde de visitantes estrangeiros, segundo dados oficiais ontem divulgados. O número total de entradas de turistas internacionais em Novembro foi de 3.518.000, uma subida de 10,4 por cento face ao mesmo mês de 2024, indicou a Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO, na sigla em inglês). Entre os visitantes, 562 mil eram provenientes da China continental – um aumento homólogo de 3 por cento, mas bastante abaixo dos meses anteriores. Em Outubro, o Japão tinha recebido 715 mil turistas chineses e, em Setembro, 775 mil – crescimentos próximos dos 20 por cento em termos homólogos. “Para além da procura por viagens ao Japão abrandar nesta época do ano, o Governo chinês advertiu a população para evitar deslocações ao país”, referiu a JNTO, sublinhando que o aumento homólogo se deveu também à maior oferta de lugares em voos. O abrandamento coincidiu com a recomendação emitida pelas autoridades chinesas após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, que reacenderam tensões diplomáticas entre os dois países. Ainda assim, entre Janeiro e Novembro, a China manteve-se como principal emissor de turistas para o Japão, com 8,7 milhões de visitantes, seguida pela Coreia do Sul (8,4 milhões). Nos primeiros onze meses de 2025, o Japão recebeu 39.065.600 visitantes internacionais – mais 17 por cento do que no mesmo período do ano anterior –, superando já o recorde de 36,87 milhões registado em 2024 e aproximando-se da meta de 40 milhões até ao final deste ano. O crescimento contínuo do turismo tem alimentado um debate nacional sobre os impactos da massificação turística, com alguns partidos conservadores a exigir novas restrições à entrada de estrangeiros e regras mais rígidas para preservar a convivência nas comunidades locais.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Alerta para perigos de rearmamento nipónico As declarações provocatórias da nova primeira-ministra japonesa sobre Taiwan, aliadas à mudança de atitude nipónica em matéria de Defesa fizeram soar os alarmes no país do Meio Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse esta quarta-feira que a China convoca todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver o militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço, indica o Diário do Povo. O porta-voz Guo Jiakun prestou as declarações numa conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre comentários recentes de alguns órgãos de media estrangeiros de que o Japão está a transformar-se de um Estado constitucionalmente pacifista numa potência militar moderna, e que o país está a tentar reviver o militarismo, o que pode ameaçar a paz e a estabilidade regionais e globais e merece vigilância. Guo observou que, nos últimos anos, o Japão tem vindo a reformular as suas políticas de segurança e defesa, acelerando a revisão de sua constituição pacifista e violando o princípio exclusivamente orientado para a defesa. Além disso, o país removeu a proibição do exercício do direito à autodefesa colectiva, flexibilizou as restrições à exportação de armas, tentou alterar os seus três princípios não nucleares e desenvolveu a chamada “capacidade de ataque à base inimiga”. O responsável destacou que altos funcionários japoneses chegaram a declarar que o Japão não descarta a possibilidade de possuir submarinos nucleares. “Estas medidas colocaram os países vizinhos do Japão e a comunidade internacional em estado de alerta”, afirmou Guo. “Observamos que, após aumentar o seu orçamento de defesa em 13 anos consecutivos, o Japão agora tem o segundo maior orçamento militar entre os países ocidentais. De acordo com um think tank europeu, as receitas das cinco maiores empresas de defesa do Japão aumentaram 40 por cento anualmente em 2024”, apontou Guo. “Para um país que se autodenomina constitucionalmente pacifista, fala em reflectir sobre seu passado bélico e afirma seguir o princípio exclusivamente orientado para a defesa, como é que o Japão justifica o seu aumento militar?”, questionou Guo. Olhares distorcidos O representante do MNE continuou dizendo que, na verdade, após a Segunda Guerra Mundial, o governo japonês nunca reflectiu plenamente sobre as suas guerras de agressão, muitos criminosos de guerra japoneses retornaram como figuras políticas activas e membros das Forças de Autodefesa, alguns primeiros-ministros e dignitários políticos têm insistido em visitar e prestar homenagem ao Santuário Yasukuni, onde criminosos de guerra da Classe A são honrados. Os factos históricos têm sido minimizados e encobertos em livros didáticos distorcidos, acrescentou Guo. “As forças de direita japonesas reflectiram sobre o passado da guerra. No entanto, não reflectiram sobre os crimes de guerra do Japão, mas sobre a razão pelo qual o Japão foi derrotado”, notou Guo. O porta-voz do MNE afirmou que o acerto de contas com o militarismo japonês nunca foi concluído. Em vez disso, as pessoas verão uma tendência crescente de ressurgimento do militarismo. É imperativo que a comunidade internacional lembre ao Japão que a Declaração de Potsdam, nos artigos 6, 7, 9 e 11, afirmava que o militarismo japonês e o seu terreno fértil devem ser eliminados para sempre, pois insistimos que uma nova ordem de paz, segurança e justiça será impossível até que haja provas convincentes de que o poder do Japão de travar guerras foi destruído política e legalmente e que as ideias belicosas foram fundamentalmente eliminadas, afirmou Guo. O representante salientou ainda que a Proclamação de Potsdam também exige que o Japão seja completamente desarmado e não mantenha indústrias que lhe permitam rearmar-se para a guerra, e que está prometido no Instrumento de Rendição do Japão que o país cumprirá fielmente as disposições da Proclamação de Potsdam. Esses instrumentos com efeito jurídico sob a lei internacional e reconhecidos pelo Japão esclareceram as suas obrigações internacionais como país derrotado, constituem a importante pedra angular da ordem internacional do pós-guerra e servem como pré-requisito político e jurídico para o retorno do Japão à comunidade internacional, observou o porta-voz. “A tentativa do Japão de se ‘remilitarizar’ através do fortalecimento acelerado de suas forças armadas só fará com que o mundo volte a questionar para onde o Japão está a caminhar e exija outro acerto de contas com os seus crimes de guerra. A China apela a todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço”, indicou Guo.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim acusa Tóquio de divulgar “informações falsas” após incidente com caças chineses O Governo chinês acusou ontem o Japão de divulgar “informações falsas” e interferir nos seus exercícios militares no mar e no espaço aéreo próximo ao arquipélago, após incidente com caças chineses. As acusações do Governo chinês surgem na sequência de Tóquio ter denunciado que caças chineses iluminaram com o seu radar duas aeronaves japonesas num incidente ocorrido no sábado a sudeste de Okinawa. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que “a verdade dos factos é muito evidente”, ao apontar que as manobras chinesas foram realizadas em zonas marítimas e aéreas designadas com antecedência e que cumprem “o direito internacional e as práticas habituais”. Guo Jiakun sublinhou que a activação do radar de busca por aviões embarcados durante um treino “é uma operação normal” utilizada por “todos os países” para garantir a segurança do voo. “O Japão entrou sem autorização na área de treino e aproximou-se das actividades chinesas para realizar reconhecimentos”, afirmou o porta-voz, ao mesmo tempo que expressou a “firme oposição” de Pequim. Exigiu ainda a Tóquio que cesse “imediatamente os comportamentos perigosos que perturbam os exercícios normais da China” e ponha fim “a toda a manipulação política e falsa exageração”. Discursos inflamáveis O incidente, segundo Tóquio, ocorreu no sábado, quando caças chineses direccionaram intermitentemente o seu radar contra dois caças japoneses, que o Japão descreveu como “águas internacionais a sudeste de Okinawa”. Tóquio apresentou um protesto formal à China e convocou o embaixador chinês na capital japonesa, enquanto Pequim acusou os aviões japoneses de se aproximarem de forma hostil da zona onde operava o porta-aviões Liaoning. O incidente ocorre num momento de especial tensão bilateral após as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no mês passado, afirmando que um ataque chinês contra Taiwan poderia colocar o Japão numa “situação de crise” e justificar a intervenção das suas Forças de Autodefesa. Pequim classificou essas declarações como “extremamente graves” e respondeu com medidas de pressão económica e cultural, incluindo avisos de viagem para cidadãos chineses, novos controlos aos produtos do mar japoneses e críticas ao previsto destacamento de sistemas antimísseis nas ilhas Nansei.
Hoje Macau China / ÁsiaRendimento dos títulos da dívida do Japão sobe para nível mais alto desde 2007 O rendimento dos títulos da dívida japonesa a 10 anos atingiu ontem 1,91 por cento, o nível mais alto desde julho de 2007, devido às expectativas de que o Banco do Japão (BoJ) suba as taxas de juros. O governador do banco central do Japão, Kazuo Ueda, desencadeou na segunda-feira especulações sobre um eventual aumento das taxas, ao sugerir num discurso perante líderes empresariais que as condições económicas são propícias para continuar com a normalização da política monetária, que o organismo suspendeu em Janeiro para avaliar o impacto das novas tarifas dos Estados Unidos. Sem antecipar o resultado da próxima reunião sobre política monetária do BoJ, em meados deste mês, Ueda disse que “ajustar adequadamente o nível de flexibilização monetária, nem muito tarde nem muito cedo, é necessário para alcançar sem problemas o objectivo de estabilidade de preços, garantindo ao mesmo tempo a estabilidade dos mercados financeiros e de capitais”. As palavras provocaram fortes quedas na Bolsa de Tóquio e os títulos da dívida, que vinham já a registar máximos desde a crise financeira de 2008 devido à preocupação com a saúde fiscal do arquipélago, dispararam. Aconteceram também depois do anúncio do novo Executivo nipónico da primeira-ministra Sanae Takaichi, na passada quinta-feira, do projecto para o esperado orçamento suplementar de 2025, avaliado em 18,3 biliões de ienes (mais de 100 mil milhões de euros), que será financiado em grande parte com a emissão de títulos do Estado, e destinado sobretudo a um ambicioso pacote de estímulos. Cautelas centrais O BoJ é, de longe, o maior investidor em títulos do país mais endividado entre as economias mais avançadas, cujo rendimento é barómetro por excelência sobre as taxas de longo prazo. O banco central manteve as taxas de juro de referência em 0,5 por cento nas últimas seis reuniões sobre política monetária, desde o aumento de 25 pontos base em Janeiro. A última reunião do ano gerou grande expectativa, depois da mudança de Governo no Japão, em Outubro, mas o BoJ manteve uma postura cautelosa, antes de conhecer a posição financeira da nova primeira-ministra – que se mostrou crítica em relação à subida dos juros – e também de ter uma visão estabilizada sobre as negociações tarifárias com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Japão, depois da China.