Hoje Macau Eventos“Batida. Respiração”, um concerto para ouvir no CCM esta sexta-feira A Orquestra Chinesa de Macau (OCM) sobe esta sexta-feira ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) no âmbito do espectáculo “Batida. Respiração”, onde se destaca “o fascínio singular dos instrumentos de sopro e percussão”. Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), o espectáculo desta sexta-feira, que arranca às 19h45, será dirigido pelo director musical e maestro principal da OCM, Zhang Lie, e contará com a participação do intérprete de dizi, Zhang Weiliang, na qualidade de director artístico. Promete-se “um hábil diálogo entre os naipes de sopros e percussão da orquestra” neste concerto onde se apresenta “uma mescla de percussão ressonante e sopros fluidos, revelando o fascínio da música instrumental chinesa”. Zhang Weiliang é descrito como um “verdadeiro mestre da actuação em palco, da composição e da educação musical, sendo também um pioneiro da ‘nova música folclórica'”. Além disso, trata-se de uma personalidade do mundo da música que já interpretou “algumas das bandas sonoras mais acarinhadas pelo público” de filmes clássicos chineses, como é o caso de “Adeus Minha Concubina”, “Ju Dou” e “Lanterna Vermelha”. Elogio tradicional O concerto será composto por um repertório de canções folclóricas tradicionais e peças modernas com novos arranjos musicais, onde se incluem composições como “Pendurando as Lanternas Vermelhas”, “Festival das Lanternas”, “Despedida Festiva”, “Lágrimas pelas Flores e Felicitações”, que fazem a sua estreia no território. Os naipes de sopros e percussão da OCM apresentam ainda “O Rio Amarelo Jorra do Céu”, uma peça original de Zhang Lie, enquanto que o intérprete de suona da OCM, Tian Ding, vai executar “Ao Nascer do Sol”, uma obra da sua autoria. Os bilhetes já estão à venda e custam entre 150 a 200 patacas. Este concerto está integrado na Temporada de Concertos da OCM 2025-26.
Andreia Sofia Silva EventosExposição | A paixão pela arte de Luís Pessanha, Chao Iok Leng e José Duarte É inaugurada esta quarta-feira uma nova exposição na Associação Cultural da Vila da Taipa, a “Show-Off 4.0”, que mostra as colecções de arte de residentes e personalidades de Macau. Dando continuidade a uma série de mostras já realizadas, desta vez revelam-se as obras adquiridas pelo jurista Luís Pessanha, a artista Chao Iok Leng e o economista José Duarte A Associação Cultural da Vila da Taipa, situada no coração desta zona pitoresca de Macau, prepara-se para receber mais uma mostra baseada no coleccionismo de obras de arte, proporcionando a visão de diversas perspectivas artísticas. A “Show-Off 4.0” apresenta as obras que figuras radicadas em Macau, ou naturais do território, adquiriram e têm coleccionado em casa, mostrando-se ao público as colecções do jurista Luís Pessanha, o economista José Isaac Duarte e a artista Chao Iok Leng. A mostra fica patente até ao dia 15 de Maio. Segundo um comunicado da associação, esta exposição é um “verdadeiro tesouro artístico, reunindo obras adquiridas por três renomados coleccionadores com percursos marcados pela diversidade”, sendo que se podem ver “obras provenientes tanto do contexto local, como internacional”. A “Show-Off 4.0” revela “ideias relacionadas com o coleccionismo de arte e pretende promover o acto de coleccionar como um activo cultural impulsionado pela iniciativa individual”, podendo-se também “ampliar o sentido do património comum” ou ainda “fomentar a vitalidade da sociedade e acrescentar diversidade às economias locais, incluindo através de actividades como o comércio de arte”, sem esquecer a possibilidade de “apoiar talentos locais e internacionais”. Questão de personalidade Os organizadores desta mostra dizem que “cada colecção apresentada revela traços de personalidade do seu coleccionador”, e no caso de José Duarte, já com um longo percurso ligado à arte e à organização de exposições, essa característica é bem evidente. De frisar, que José Duarte foi fundador e sócio-gerente da Galeria Amagao, localizada no hotel Artyzen Grand Lapa Macau. Desta forma, José Duarte trouxe para a “Show-Off 4.0” obras de Malangatana Valente Ngwenya, um dos mais importantes artistas moçambicanos, tendo sido também poeta, muralista, activista cultural e figura política. Já Luís Pessanha, tem ligações familiares à arte, já que a sua mãe é a pintora Ana Maria Pessanha. Segundo a mesma nota, Luís tem coleccionado obras de arte em conjunto com a sua companheira, sendo que a colecção enche já as paredes da sua casa. No caso de Chao Iok Leng, vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, o percurso ligado às artes já vai longo, já que, nos anos 80, fundou a Livraria Ngai Chi Hin no território. Este espaço fornecia “os quatro tesouros do estúdio”, nomeadamente materiais como pincel, tinta, papel e tinteiro, e ainda materiais de artesanato, “beneficiando artistas locais e conquistando amplo reconhecimento na comunidade artística”. Em 2000 criou a loja de leques Nam Fan Lou. Nesta exposição, Chao apresenta duas placas com os nomes dos seus antigos estabelecimentos, juntamente com objectos pessoais que guardou em casa com grande orgulho e profunda ligação emocional. As placas, com o nome zhāopái, “possuem uma longa tradição cultural e foram outrora um elemento marcante da paisagem urbana chinesa”. Citado pela mesma nota, João Ó, arquitecto e presidente da associação, descreveu ser “uma honra convidar estes três coleccionadores de arte a apresentar as suas diversas colecções na Vila da Taipa, na sequência do sucesso das exposições experimentais realizadas nos últimos três anos”. Trata-se de uma “exposição rara e especial”, que visa “explorar a natureza do coleccionismo e estimular conversas visualmente inspiradoras em torno dos bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e profundamente pessoais”. acrescentou. A entrada para esta exposição é gratuita.
Hoje Macau EventosCoro Gulbenkian actua no Festival de Artes de Hong Kong e vem a Macau O Coro Gulbenkian de Portugal participa este ano no Hong Kong Arts Festival (HKAF) com actuações em Hong Kong e uma passagem por Macau, um evento que se pauta pelo “encontro das culturas chinesa e portuguesa”, segundo a organização. Esta quarta-feira, no auditório do Kwai Tsing Theatre, em Hong Kong, o coro de 40 elementos apresentará o espectáculo “Os dias mais longos e os mais curtos”, uma “cantata tecnológica” que se desenrola numa espécie de dueto do coro consigo próprio em versão virtual projectada num ecrã, com as duas versões do coro a cantarem juntas e separadamente. Este espectáculo conta com o acompanhamento da soprano Camila Mandillo, do contratenor David Hackston e da pianista de Hong Kong Rachel Cheung, sob a batuta do maestro Jorge Matta em carne e osso, ou talvez em formato digital. “Os dias mais longos e os mais curtos” (The Longest Days and the Shortest Days) “desafia as nossas percepções, esbatendo a linha entre o real e o digital”, descreve a organização. Escrita pelo compositor americano Eugene Birman, vencedor do prémio Guggenheim e radicado em Hong Kong, e encenada por Giorgio Biancorosso, “a obra tem o título de um poema encomendado para a ocasião pela escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida”, é ainda descrito. “A ‘cantata tecnológica’ usa a alienação da pandemia, a solidão e a ansiedade vividas como ponto de partida para reflectir sobre a passagem do tempo. Inverte o paradigma da era covid de assistir a apresentações ao vivo ‘online’, trazendo uma apresentação virtual para um público ao vivo”, explica ainda o HKAF. Segundo concerto Outro concerto do Coro Gulbenkian em Hong Kong – Tesouros corais de Portugal (Choral Treasures from Portugal) – integra obras à capela de compositores portugueses do século XVII até hoje, bem como de Bach e Brahms. O espectáculo, que decorre no Concert Hall, no Hong Kong City Hall, na quinta-feira, será conduzido por Martina Batič, maestrina principal do coro. O HKAF organizou com a Diocese de Macau uma visita cultural de um dia do coro a esta cidade na próxima sexta-feira para “aprofundar a cultura sino-portuguesa, a gastronomia e o desenvolvimento da música religiosa”. Está agendada para o fim da tarde uma actuação breve de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, em Macau.
Andreia Sofia Silva EventosCreative | A Casa da Música do Porto sob o olhar de Lúcia Lemos “White Diamond” [Diamante Branco] é o nome da nova exposição patente na Creative Macau, um espaço onde Lúcia Lemos, antiga directora desta galeria, aproveita para mostrar a sua visão muito própria sobre um dos mais icónicos edifícios do Porto, a Casa da Música. O fascínio sobre o preto e branco permanece Inaugurado em 2005, o edifício da Casa da Música, no Porto, sempre esteve no radar de Lúcia Lemos, fotógrafa e ex-directora da Creative Macau. E é com as imagens deste edifício, da autoria do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que a responsável regressa às exposições em seu nome, e logo na galeria que dirigiu durante tantos anos. “White Diamond” é o nome dado à nova mostra da Creative Macau, inaugurada a partir desta quinta-feira. Numa nota a propósito da exposição, a autora descreve “o fascínio incontrolável” que tem sobre a fotografia a preto e branco, feita com filme. Há “um breve momento entre o enquadrar e clicar, uma felicidade repentina e indecifrável toma conta de mim”, conta. No caso da Casa da Música, que intitula de “magnífica”, o que ocorreu foi uma “curiosidade excepcional para fotografá-la em filme”. “Em 2006, fiquei em frente àquele enorme edifício ‘diamante’ em cimento branco e tirei algumas fotos com a minha velha câmara Rolleiflex. Sob a intensa luz do sol do dia, o seu corpo branco, rodeado por casas escuras de granito de três andares do século XX, brilha em todas as faces, glorificando a cidade. Isso torna a Casa da Música ainda mais resplandecente”, descreve-se na mesma nota. Ao HM, Lúcia Lemos conta que o que mais a fascinou na Casa da Música foi a “originalidade da estrutura física não usual e o que provocou nas gentes do Porto”, nomeadamente “sentimentos antagónicos, quer de repúdio, quer de admiração”. Ainda em 2006, Lúcia Lemos digitalizou alguns negativos e imprimiu as imagens, já em Hong Kong, já a pensar numa futura exposição, que ganha agora corpo. “Para mim, Rem Koolhaas fez a Casa da Música com carne e osso, deu-lhe substância e função, forma e dinamismo, inclinação e verticalidade. É um volume de uma escala fantástica, com inclinação e declive vertiginosos. Porém, exprime o espírito e a plenitude de significado que é servir a MÚSICA”, conta. As causas Lúcia Lemos deu a este “conjunto fotográfico” o nome de “Diamante Branco” porque encara “essa estrutura como um diamante esculpido a cimento branco, rodeado por casas de três andares de granito escuro”. Na Avenida da Boavista, onde o edifício está situado, “a Casa da Música emerge iluminada do chão quase plano, com todas as faces a espelhar o sol e as nuvens, oferecendo felicidade a quem ama a música”. O amor pelo preto e branco mantém-se como sempre. “Todo o meu trabalho fotográfico que tenho vindo a publicar e a exibir desde 2001 provem do filme analógico a preto e branco. Talvez, um dia, publique fotografia colorida, mas se me decidir por um projecto específico em que a cor seja absolutamente identitária do objectivo afim”, explicou. Lúcia Lemos diz estar muito feliz por poder voltar a mostrar o seu trabalho na Creative. “A primeira vez foi em Fevereiro de 2010, com sete fotografias monumentais, com um formato quadrado de dois metros, o que salientou a estrutura monumental de alguns casinos em construção. O grupo de 23 fotografias que agora apresento do exterior da Casa da Música são impressões únicas, sem repetição, com o tamanho de 41 por 51 centímetros.” Em relação ao projecto da Creative Macau, Lúcia Lemos é convidada a analisá-lo de fora, sentindo “um orgulho e emoção indescritíveis por ter vivido o Creative Macau desde a concepção”. “Foram mais de duas décadas de entusiasmo, paixão, amor e dedicação tentando criar uma imagem inovadora e de abertura à qualidade. Pelo caminho houve avanços e recuos, não obstante ajustamentos e contenções, o nosso objectivo era oferecer algo novo e diferente”, aponta. A responsável recorda ainda os “projectos inovadores lançados e que foram prestigiantes para a instituição fundadora”, nomeadamente o Instituto de Estudos Europeus de Macau. “Claro que a realização conseguida só foi possível tendo a confiança e apoio daqueles que, ao meu lado, trabalhavam para esse objectivo com orgulho. Emociona-me ver que o Creative Macau continua dinâmico e no mesmo formato artístico e cultural”, concluiu.
Hoje Macau EventosLíngua | Crioulos de base portuguesa na Ásia resistem como “símbolos de identidade” Hugo Cardoso, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chama a atenção para a importância da preservação dos crioulos de língua portuguesa na Ásia como “símbolos de identidade” das povoações. Falamos, por exemplo, dos modos de falar associados à presença do Cristianismo, como é o caso do “papiá kristáng”, em Singapura Do ressurgimento em Singapura, ao isolamento na Índia, os crioulos de base portuguesa na Ásia sobrevivem hoje como uma língua simbólica das comunidades luso-asiáticas que recusam esquecer a sua identidade linguística, defendeu o linguista Hugo Cardoso. Em entrevista à Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa explicou que, ao contrário do que aconteceu em África, os crioulos no continente asiático nunca “se chegaram a impor como língua de grande difusão”, enfrentando uma constante competição de línguas locais estabelecidas, como o malaio e o gujarati, e, durante o período colonial, competiam com o português. “As línguas locais são línguas que estavam estabelecidíssimas muito antes sequer destas línguas crioulas se formarem. E, portanto, o crioulo nunca chegou a tomar o seu lugar”, sublinhou, acrescentando que as línguas ficaram circunscritas até e durante o período colonial e pós-colonial. Em Singapura, o ‘papiá kristáng’ (língua cristã ou língua dos cristãos), que tem base lexical portuguesa, está a ser alvo de um processo de revitalização através do projecto ‘Kodrah Kristang’ (Acordar o Cristão), co-fundado pelo linguista Kevin Martens Wong. Sobre esta língua neste local do mapa, Hugo Cardoso explicou que, no século XIX, “houve uma transferência de pessoas malacas [habitantes da cidade de Malaca, na Malásia] para Singapura, para trabalharem nas estruturas coloniais britânicas”, levando, assim, o ‘papiá kristáng’ para este país asiático, acabando depois por desaparecer da “comunidade luso-asiática de Singapura, mas nos últimos anos tem estado a ser reavivada, revitalizada”. Segundo o especialista, a língua já não é vista como materna ou do dia a dia, mas sim como uma “língua simbólica da comunidade luso-asiática de Singapura”, sendo que o mesmo fenómeno de afirmação ocorre em Macau. “A comunidade macaense, ao longo dos tempos, foi-se apercebendo de que o crioulo [patuá] era um activo importante da sua identidade e da sua especificidade por oposição à população portuguesa e chinesa, e a todos os outros grupos”, referiu, acrescentando que, nos dias de hoje, o patuá serve para constituir laços de solidariedade e “projectar essa identidade própria que não é portuguesa, não é chinesa, é muitas coisas misturadas”. Esta resistência em Macau manifesta-se em peças de teatro anuais [com os Doci Papiaçam di Macau], projectos editoriais e aulas para aprender os “rudimentos” da língua. Os casos da Índia No oeste da Índia, em Diu e Damão, também se fala crioulos de base portuguesa, variedades linguísticas urbanas, e o cenário é de fragilidade devido à migração das comunidades, especificamente católicas e hindu-portuguesas, para Portugal ou para o Reino Unido, levando, assim, a um declínio do número de falantes. Hugo Cardoso destacou ainda a existência de um território pouco estudado, o Dadrá e Nagar Aveli, no oeste da Índia e que foi administrado por Portugal, onde também se fala um crioulo que é “muito parecido com o crioulo de Damão”, algo que “nunca tinha sido recolhido” e que é quase ou nada estudado. Mais a sul de Bombaim, na Índia, em Korlai, a língua sobreviveu graças ao isolamento geográfico após a queda da antiga cidade de Xaú no século XVIII. “Esta é uma situação um bocadinho diferente de Diu e Damão, porque o crioulo ainda é falado aí, também está num processo de declínio, mas ainda é falado. E é falado, essencialmente, porque aquela comunidade esteve durante muito tempo praticamente isolada”, referiu. O linguista também trabalha com uma das maiores línguas de base lexical portuguesa na região asiática, que se situa no Sri Lanka. “O crioulo do Sri Lanka é falado por uma comunidade luso-asiática, que ali é conhecida pelo nome de ‘Burger’, em holandês significa cidadão, e eles são conhecidos como os ‘Burgers’ portugueses, e é falado por várias centenas de pessoas, sobretudo na costa oriental do Sri Lanka”, referiu. Até ao século XIX, o crioulo do Sri Lanka era falado em toda a ilha, sendo “uma língua com uma difusão tão grande” que “começaram a ser produzidas obras sobre essa língua como, por exemplo, gramáticas, dicionários, traduções de textos bíblicos ou de textos litúrgicos, que estavam disponíveis na igreja”. Apesar da riqueza histórica, o professor alertou para a falta de salvaguarda jurídica, lamentando que nos casos asiáticos as “línguas não têm um estatuto de proteção nos Estados onde são faladas” e notando que a valorização pública é apenas pontual. Para Hugo Cardoso, a sobrevivência destes falares deve-se à memória colectiva das comunidades, que “entendem ter algum tipo de ligação ancestral a Portugal” e que utilizam a língua para preservar uma identidade luso-asiática única no mundo.
Andreia Sofia Silva EventosRecital de Naamyam amanhã na Mansão de Lou Kau O mestre Au Kuan Cheong será o protagonista do “Recital de Naamyam do Património Cultural 2026 – Especial Festival das Lanternas, apresentado este sábado à tarde pela Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong. O evento decorre na Mansão de Lou Kau, situada na Travessa da Sé, entre as 14h30 e as 17h. O Naamyam cantonês, um tipo de canção narrativa chinesa que foi classificado como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, ganha neste espectáculo todo o protagonismo, apresentando-se oito peças clássicas, interpretadas pelos alunos do mestre. “Além de peças que exaltam a lealdade, o programa apresenta várias obras que exploram temas de afecto duradouro e obras humorísticas que capturam o espírito festivo”, destacando-se ainda a “preservação dinâmica e a vitalidade contínua da escola Naamyam”, aponta uma nota oficial sobre o evento. A escolha da Mansão Lou Kau também não aconteceu por acaso, dado tratar-se de um local classificado como Património Mundial da UNESCO, “oferecendo-se [ao público] uma combinação perfeita de artes tradicionais e arquitectura histórica”. Uma das peças apresentadas amanhã, e que inaugura a performance, é “Guan Yu escolta as suas cunhadas”, com as artistas Chan Sai Peng e Leong Kin Teng. Trata-se de uma história baseada “no Romance dos Três Reinos”, um “clássico épico histórico”. “Depois de o senhor da guerra Liu Bei ser derrotado e separado da sua família, o seu irmão jurado Guan Yu rende-se temporariamente ao rival Cao Cao para proteger as esposas de Liu. Apesar do tratamento generoso de Cao Cao, a lealdade de Guan Yu nunca vacila. Ao saber do paradeiro de Liu Bei, ele escolta as suas cunhadas numa viagem perigosa, superando imensos obstáculos para reunir a família. Face ao caos, proteger os entes queridos continua a ser a forma mais pura de lealdade”, descreve-se na mesma nota. Para fechar O espectáculo encerra com a sétima apresentação, “Uma Família Feliz”, com o próprio Au Kuan Cheong e Wong Tsz Kuan, um “dueto alegre e bem-humorado que retrata as calorosas celebrações do Ano Novo Lunar de um casal”. O público pode assistir “a brincadeiras sobre maquilhagem pesada até negociações divertidas sobre ‘Lai Si’ (envelopes vermelhos da sorte)”, capturando-se na peça “a intimidade da vida conjugal”.
Andreia Sofia Silva EventosClube Militar | Pianista Rui Filipe dá hoje concerto O Clube Militar de Macau acolhe hoje um concerto intimista integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, com o pianista e compositor português Rui Filipe, que assina com o nome artístico de Barqueiro de Oz Acontece hoje, no Clube Militar de Macau (CMM), um concerto que revela a magia do piano, ao mesmo tempo que celebra a quadra festiva do Ano Novo Chinês. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, de Rui Filipe, pianista e compositor que também se assume como “Barqueiro de Oz”, o seu nome artístico. Integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”, este espectáculo começa às 19h e abre com um primeiro “Ciclo de Vida”, a que pertencem as composições “Ambiente Uterino”, “Habitar Inóspito”, “Fluxo da Vida”, “Ainda há Esperança” e “Passar do Tempo”. Depois, em “Utopia e Delírios”, é tempo de ouvir “Despertar do tempo”, “Mariana”, “Jogo…Karmen” e “Asa de Poleiro”. O espectáculo encerra com um terceiro capítulo, intitulado “Além do Horizonte”, com as composições “Que no te Vayas Corpo”, “Pulsação”, “Dança da Sedução”, “Mares de Seda” e “Ascender of Time”. Segundo uma nota do CMM, Rui Filipe “é um músico de destaque com uma carreira abrangente nas artes”, tendo já mais de 20 obras de teatro musical e dança com a sua assinatura, o que demonstra “versatilidade e inovação” ao piano. Experiência na Eurovisão Um dos trabalhos de mais destaque na carreira do pianista terá sido a direcção musical de Portugal no festival Eurovisão, entre os anos de 2001 e 2003, tendo inclusivamente trabalhado em diversos programas de televisão durante 12 anos, sempre na área da produção musical. Rui Filipe trabalhou com músicos e cantores consagrados como Dulce Pontes, tendo fundado ainda os projectos “Rosa Negra” e “Xaile”, reconhecidas com os Prémios Carlos Paredes e BBC. Com o seu trio “Caixa de Pandora”, o Barqueiro de Oz lançou ainda quatro álbuns de estúdio com editoras discográficas de renome como a Sony, Universal Music e Lemon Music. Não falta também uma parceria com Chinesa One Country. Em 2019, Rui Filipe fundou o dueto “La Barca” em parceria com a cantora espanhola Mili Vizcaíno, com quem gravou dois álbuns. Em 2020, dirigiu o documentário “A Lusofonia no Mundo” para a Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Desde 2024 que é membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, estando actualmente envolvido em diversos projectos de concertos. Alguns deles decorrem a solo, como é o caso de “É com Certeza uma Casa Portuguesa” e “As Danças do Barqueiro”. Porém, o pianista tem também colaborações com a poetisa Sofia do Mar, no projecto “A Vida em Poesia”, e com a bailarina de dança contemporânea Maria Barreto, no projeto ‘Uncaged – Concerto Dançante’.
Andreia Sofia Silva EventosAlbergue SCM | Ano Novo Chinês celebrado com exposição e festa São muitos os eventos que chegam ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau na próxima semana. Em nome de um novo ano que acaba de chegar, apresenta-se, a partir de terça-feira, a mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Choi Chun Heng e as suas Colecções Preciosas”, decorrendo também, nesse dia, actividades no pátio Terça-feira é dia de celebrar um novo ano no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM). A “Celebração do Ano Novo Chinês do Cavalo”, organizada pelo CAC – Círculo de Amigos da Cultura, começa às 18h30 e estende-se pelas horas seguintes. Todos estão convidados a participar. Segundo um comunicado da organização, o tema desta celebração será o Cavalo, e para tal estão à disposição do público petiscos e uma série de actividades, nomeadamente o “Poço dos Desejos”, a “Árvore do Amor”, adivinhas com lanternas e ainda uma actuação musical. Além disso, o mestre Choi Chuen Heng, conhecido pela arte da caligrafia, estará presente para escrever os tradicionais fai-chun da época, “transmitindo os votos sinceros de Ano Novo”. “O CAC convida o público a desfrutar da atmosfera encantadora do Albergue SCM, reunindo-se com familiares e amigos” sendo que “os participantes poderão saborear petiscos festivos e envolver-se na música cativante”, é descrito. Uma parceria, uma mostra No dia em que se celebra a chegada do Ano do Cavalo, é a vez de dar as boas-vindas a uma nova exposição. Trata-se da mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Caligrafia e Colecções de Choi Chun Heng”, patente de terça-feira, 3 de Março, até 16 de Abril deste ano, e que nasce de uma parceria com a Tai Fung Tong Art House. O objectivo desta iniciativa é “preservar e promover a cultura tradicional chinesa e estender as bênçãos festivas ao público no Ano do Cavalo”. ” Utilizando a caligrafia como meio de transmissão cultural, a exposição permitirá ao público apreciar o profundo encanto estético da caligrafia tradicional chinesa. Com pinceladas elegantes e um estilo pessoal distintivo, a caligrafia do mestre Choi Chun Heng capta o espírito e o ritmo dos caracteres chineses, revelando a sua beleza intemporal e essência cultural”, lê-se ainda. O CAC foi fundado em Macau em 1985 pelos membros fundadores Carlos Marreiros, Mio Pang Fei, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros. Reunindo um grupo de artistas e académicos, o CAC tem-se dedicado à promoção da cultura, artes, património, arquitectura, literatura e outras atividades culturais de Macau, bem como à divulgação das criações de talentos locais.
Andreia Sofia Silva EventosHong Kong | Festival de Artes arranca esta semana com muitas estrelas O maestro John Eliot Gardiner, Yuen Siu-fai, veterano de ópera cantonense, e a coreógrafa Anne Teresa de Keermaesker, são alguns dos nomes bem conhecidos do panorama das artes que marcam presença na edição deste ano do Festival de Artes de Hong Kong, que começa oficialmente esta sexta-feira. Até Março, podem ser vistos mais de 170 apresentações integradas em 45 programas artísticos, onde não falta o Coro da Gulbenkian, de Portugal Começa esta sexta-feira a 54.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, um dos maiores eventos anuais da região vizinha. E como já é habitual, é de esperar uma diversidade de programas artísticos, que vão desde a música à performance teatral, com nomes bem conhecidos como o maestro Sir John Eliot Gardiner, tido como uma “lenda da música”; o “veterano da ópera cantonense” Yuen Siu-fai; a “coreógrafa consagrada” Anne Teresa De Keersmaeker, o tenor Benjamin Bernheim, a grande estrela de ballet Roberto Bolle e ainda o dramaturgo Meng Jinghui. Estes nomes servem de grande aperitivo para um cartaz que traz mais de 1.100 artistas internacionais, 170 apresentações ligadas a mais de 45 programas, e ainda “300 eventos PLUS, actividades educativas e de extensão comunitária”, revela um comunicado oficial do evento. O espectáculo de abertura do festival é protagonizado pelo Ballet Nacional de Espanha, acontecendo esta sexta-feira. “La Bella Otero” é descrita como uma “produção de grande escala que conta a história da sedutora artista espanhola do século XIX, Carolina Otero, outrora uma das mulheres mais famosas do mundo”. Neste espectáculo, dirigido por Rubén Olmo, foi reimaginada “a vida extraordinária de Otero através da coreografia, estabelecendo paralelos intrigantes com ‘Carmen’, de Bizet”, apresentando-se também “uma variedade de danças espanholas”. Destaque ainda para o “Teatro-Dança” de nome “Dream in The Peony Pavillion”, marcado para 27 de Março, uma “produção de dança chinesa deslumbrante e emocionalmente comovente”, e que tem direcção e coreografia assinadas por Li Xing, “um dos mais procurados directores da nova geração” na China. “Dream in The Peony Pavillion” traz uma nova interpretação da peça da dinastia Ming, de Tang Xianzu, com uma roupagem contemporânea. Aqui “homenageia-se a clássica história de amor chinesa num estilo etéreo e surreal”. A 54ª edição do festival traz ainda ópera, nomeadamente “Eugene Onegin”, romance em verso de Alexandre Pushkin, publicado em 1831, e que foi adaptado para uma versão musical por Tchaikovsky. O que se poderá ver em Hong Kong é uma “obra-prima clássica da ópera romântica russa, raramente encenada no território, com um notável elenco de solistas, orquestra e coro de uma das mais prestigiadas instituições culturais da República Checa e um pilar da vida operática da Europa Central”. Esta é “a história de um amor não correspondido, de uma amizade destruída e do arrependimento assombroso”, que ganha nova vida com a encenação do Teatro Nacional de Brno. Gulbenkian marca presença A programação musical está em destaque “com actuações únicas que abrangem a música clássica, jazz e músicas do mundo”, com foco em “dois recitais de tirar o fôlego, com dois recentes vencedores do Concurso Internacional de Piano Van Cliburn”. O maestro Sir John Eliot Gardiner vai dirigir, com o recém-criado “Constellation Choir & Orchestra”, com obras-primas de Mozart e Bach. Haverá ainda um concerto cinematográfico de Cameron Carpenter, juntamente com o clássico do cinema mudo chinês “Sports Queen”, enquanto Roberto Fonseca traz “La Gran Diversión”, em celebração “da era dourada do jazz cubano”. De Portugal, chega o Coro da Fundação Calouste Gulbenkian, “com obras contemporâneas e repertório de Bach e Brahms”. Lo Kingman, presidente do festival, declarou, citado pela mesma nota, que organizar um evento desta dimensão exige apoios públicos e também grandes receitas de bilheteira. “Organizar um festival internacional de artes desta dimensão exige uma enorme quantidade de recursos, especialmente num contexto de custos em rápida e constante ascensão. Este ano, o Festival precisa gerar um total de, pelo menos, 159 milhões de dólares de Hong Kong, dos quais cerca de 24 por cento terão de provir da bilheteira.” O responsável lembrou o subsídio de 18,34 milhões de dólares de Hong Kong concedido pelo Governo, o que representa 12 por cento da receita anual do evento. Da programação deste festival destaca-se ainda a iniciativa “KAGAMI”, da série Jockey Club InnoArts, e que recorda o falecido pianista e compositor Ryuichi Sakamoto. Juntamente com Tin Drum, o que o público poderá ver e ouvir é uma expansão “das fronteiras criativas através da magia da realidade mista”, tudo isso num recital de piano fora do comum. Na parte da conexão do festival aos bairros comunitários, destaca-se o programa “PLUS”, com visitas culturais guiadas, uma delas à comunidade piscatória de Hong Kong e ao bairro de Sheung Wan, “proporcionando um vislumbre da Hong Kong literária e retro da década de 1960”. Fundado em 1973, o Festival é um dos principais eventos artísticos da região e um importante festival internacional. Este ano apresenta-se ainda o festival No Limits Hong Kong, que, com o apoio do The Hong Kong Jockey Club Charities Trust, promove a inclusão no mundo das artes para pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.
Hoje Macau EventosPrémios Macau | Studio City acolhe em Maio edição de 2026 Decorre a 12 de Maio deste ano a nona edição dos Prémios Macau 2026, promovidos pela revista Macau Business e que visam premiar figuras e projectos locais que se destacam nas mais variadas áreas. A cerimónia de entrega dos prémios será acolhida pelo Studio City. Paulo Azevedo, empresário de media e fundador do grupo Project Asia Corp., e que preside a esta iniciativa, refere, citado num comunicado, que “os Prémios Macau são reconhecidos como o maior evento multisectorial, intercomunitário e multilingue do género em Macau”. O responsável acredita ainda que “este programa anual de enorme prestígio continuará a celebrar as notáveis conquistas de instituições, empresas e indivíduos que contribuem excepcionalmente para o desenvolvimento da cidade”. A cerimónia de entrega dos prémios, transmitida em directo no ano passado, alcançou uma audiência de mais de 110.000 pessoas através de notícias online e plataformas de transmissão em directo, refere a mesma nota oficial. Para este ano, estão já abertas as candidaturas, com data limite de submissão de 31 de março. A novidade reside na criação de duas novas categorias: os prémios “Minha Cidade – Minha Marca”, que “celebra o contributo daqueles que, durante gerações, mantiveram viva uma ideia, um negócio ou um sonho, enfrentando muitas vezes desafios económicos e sociais”. Já os prémios “Sustentabilidade” reconhecem “aqueles que se destacam por ajudar Macau a tornar-se mais sustentável, agindo de forma mais de acordo com a energia ‘verde'”. Além disso, há 11 categorias a concurso, nomeadamente “Liderança pelo Exemplo”, “Empreendedorismo” ou “Grande Baía, entre outras. A votação do júri decorre em Abril.
Andreia Sofia Silva EventosHong Kong | “The Nature of Why”, da Paraorchestra em estreia na Ásia O No Limits Festival, em Hong Kong, acolhe este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, o espectáculo “The Nature of Why”, da Paraorchestra, naquela que é a estreia asiática deste espectáculo consagrado. Trata-se de uma combinação de teatro, música de orquestra e dança, num espectáculo que se pauta pela inclusão A região vizinha de Hong Kong prepara-se para acolher, este fim-de-semana, de 27 de Fevereiro a 1 de Março, o espectáculo “The Nature of Why”, da Paraorchestra, integrado no No Limits Festival. O público pode desfrutar de sessões que combinam “de forma divertida” diferentes expressões artísticas como “teatro, música de orquestra ao vivo e dança contemporânea”, num espectáculo “totalmente inclusivo e imersivo”, descreve uma nota oficial da organização. Naquela que promete ser uma “peça única e intimista”, há nomes importantes a ter em conta: o conhecido maestro britânico e director artístico da Paraorchestra, Charles Hazlewood, e a “aclamada” coreógrafa australiana Caroline Bowditch. Em palco, os músicos e bailarinos da Paraorchestra, que já recebeu vários prémios pelas suas performances, “entrelaçam-se entre o público ao som de uma banda sonora cinematográfica ao vivo”, composta por Will Gregory, dos Goldfrapp. “The Nature of Why” inspira-se “na curiosidade sem limites do físico teórico Richard Feynman, vencedor do Prémio Nobel, e na sua busca pelo significado do mundo”, sendo descrita como uma “obra inspiradora e instigante que experimenta com a natureza da performance”. “À medida que interacções inesperadas e momentos de alegria surgem no cenário suavemente iluminado, os artistas, músicos e público tornam-se um só numa aventura sonora em que cada momento é uma surpresa”, refere a mesma nota. Percepciona-se, portanto, que o público é convidado a participar no espectáculo, num “formato único”. Quem assiste “é convidado a subir ao palco para ficar mais perto da acção, livre para andar, andar de cadeira de rodas ou sentar-se onde quiser”. Será possível “observar à distância ou aproximar-se o quanto quiser dos músicos virtuosos e dos bailarinos incrivelmente ágeis, criando a própria experiência desta apresentação mágica”. Da integração A Paraorchestra é a primeira orquestra profissional do mundo composta por músicos com e sem deficiência, tendo feito a sua estreia na cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012. No ano passado, o grupo venceu o prémio “Ensemble Award”, da Royal Philharmonic Society. O grupo está sediado em Bristol, no Reino Unido, descrevendo-se como um “colectivo destemido de músicos com e sem deficiência”, e que juntos apresentam “experiências musicais inovadoras, ultrapassando os limites da criação musical para criar arte com paixão e propósito”. A direcção artística está a cargo de Charles Hazlewood. O espectáculo acontece no auditório do Kwai Tsing Theatre. De todos e com todos O cartaz deste ano do No Limits Festival – que acontece até Maio – está recheado de apresentações que pretendem demonstrar que todos podem participar e criar arte. O tema deste ano, a oitava edição, é “Todos nós, de todas as formas”, sendo “um apelo para repensar o valor da diversidade através da inclusão”. O objectivo da organização, segundo se lê no website do festival, é procurar estabelecer “um compromisso na transformação da diferença e diversidade em possibilidades e conexões”, ficando a ideia de que “as artes inclusivas podem criar um espaço para o entendimento”, ou seja, “um espaço onde o potencial imaginativo da diversidade pode ser visto e partilhado”. Outro espectáculo integrado no No Limits Festival, é a performance teatral “Two Blind Women in the Snowy Tokugawa Nights – Sleeping Fires by Kuro Tanino”, apresentada no final do mês de Março no Teatro Estúdio do Centro Cultural de Hong Kong, Esta obra comissionada “conta a história da massagista cega Iku e da jovem-aprendiz Saya”, revelando-se “através de uma combinação poética de paisagens sonoras, diálogos, gestos e aromas”. “Esta nova peça teatral encomendada retrata as dificuldades e os prazeres do quotidiano das mulheres, bem como as complexas questões de confiança, sigilo e suspeita vividas pelos habitantes da remota aldeia montanhosa coberta de neve onde vivem. Contrastando os laços da tradição e a busca das mulheres pela independência e pertencimento, a peça retrata a sua amizade e lutas, bem como a dureza e beleza do mundo natural que as rodeia”, descreve a nota oficial sobre este evento. Este é o mais recente trabalho do director de teatro Kuro Tanino, sendo encenada pela companhia de teatro Niwa Gekidan Penino, de Tanino.
Hoje Macau EventosMais espectáculos de Ano Novo Chinês nos próximos dias A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) continua a organizar, nos próximos dias, espectáculos de celebração da chegada do Ano do Cavalo com fogo-de-artifício. Uma das iniciativas é a realização de três edições de “2026 – Espectáculos de Drones e Fogo-de-Artifício”, onde se introduz, pela primeira vez, os drones neste tipo de apresentação, numa combinação de “tecnologia com arte, aumentando-se a sensação e apreciação dos espectáculos de fogo-de-artifício”, a fim de “enriquecer as experiências festivas”. Uma dessas apresentações decorre hoje, sétimo dia do Ano Novo Chinês, e depois a 3 de Março, décimo quinto dia do primeiro mês do Ano Novo Chinês. Estes espectáculos acontecem na baía junto à Torre de Macau. Destaque ainda para a realização sábado, dia 28, o 12.º dia do Ano Novo Lunar, do “Segundo desfile de carros alegóricos com actuações culturais”. Entre as 20h e as 21h30, e com ponto de partida na Rua Norte do Patane, o desfile inclui ainda um espectáculo cultural no Jardim do Mercado Municipal do Iao Hon. Haverá 17 carros alegóricos neste desfile, oito deles em representação de departamentos do Governo e os restantes nove de entidades turísticas locais. O público poderá assistir a este desfile desde o seu início, na Rua Norte do Patane, e junto aos passeios pedonais no percurso do desfile até ao ponto de chegada, no Jardim do Mercado Municipal de Iao Hon. A galope no ZAPE No ZAPE, decorre a iniciativa “Gala a galope no ZAPE” até ao dia 1 de Março, “em articulação com o Ano Novo Chinês e o Dia dos Namorados”, mais concretamente na zona circundante entre a Rua de Cantão e Rua de Pequim. Segundo uma nota da DST, o que se pretende é, “através de instalações características da quadra festiva, aumentar a atmosfera festiva dos bairros e a atracção turística, atraindo pessoas para os bairros comunitários”. Esta “Gala a galope no ZAPE” conta com “a participação dos comerciantes do ZAPE e de várias empresas de turismo e lazer integrado”, e integra o lançamento de pacotes promocionais para atrair mais turistas.
Andreia Sofia Silva EventosConcerto | “Clássicos em Cordas” em Março no CCM Março será tempo de receber o concerto “Clássicos em Cordas”, protagonizado pela Orquestra de Macau, e que traz ao território dois violinistas: Julian Rachlin e Sarah McElravy. Eis a oportunidade para ouvir interpretações das composições de Beethoven e Felix Mendelssohn Bartholdy A Orquestra de Macau (OM) será protagonista de mais um concerto de música clássica agendado para Março, nomeadamente no dia 14, e que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). O concerto será dirigido por Julian Rachlin, tido como “violinista de renome mundial”, segundo descreve uma nota do Instituto Cultural (IC), que apoia o espectáculo. Junta-se ainda ao palco a violinista Sarah McElravy. “Clássicos de Cordas” é o nome deste espectáculo, que apresenta “um verdadeiro festim de fascinantes obras para cordas”, tal como “Abertura Coriolano” de Beethoven, a “Sinfonia Concertante em Mi-bemol Maior” de Mozart e a “Sinfonia nº 3 em Lá Menor ‘Escocesa'” de Feliz Mendelssohn Bartholdy, compositor e pianista alemão. Esta última composição data dos anos de 1829 e 1841, tendo sido estreada na cidade de Leipzig a 3 de Março de 1842. Trata-se de uma das últimas obras de grande envergadura compostas por este mestre do Romantismo, tendo a sua composição tido início numa viagem à Escócia. No caso de “Abertura Coriolano”, de Beethoven, tem a duração de oito minutos e teve a sua estreia em Viena, em Março de 1807, sendo conhecida por ter inaugurado dois formatos de concertos no período de Oitocentos, nomeadamente a abertura de concerto e o poema sinfónico. Nomes distintos Numa nota do IC, descreve-se a carreira de Julian Rachlin, natural de Viena, sendo um “violinista e violista austríaco aclamado internacionalmente”. Rachlin colaborou ainda “com inúmeras orquestras e diversos maestros de renome internacional durante mais de três décadas”, sendo que, nos últimos anos, foi Maestro Convidado Principal da Royal Northern Sinfonia, no Reino Unido. Dirigiu ainda várias orquestras internacionais, como a Orquestra Filarmónica de Oslo e a Filarmónica de Munique. Já Sarah McElravy, instrumentista canadiana também de violino e viola, conta com várias actuações em palco na Europa, América e Ásia. É “reconhecida pela sua técnica excepcional, tendo colaborado com orquestras de renome e participou em diversos festivais de música”. McElravy é tida como alguém com uma “profunda experiência performativa”, dedicando-se também “à promoção da educação musical, tendo fundado uma associação de música de câmara no México para levar concertos de nível internacional às comunidades locais”. O concerto “Clássicos em Cordas” terá a duração aproximada de uma hora e meia, incluindo um intervalo. Os bilhetes já estão à venda, com preços que variam entre 150 e as 300 patacas.
Hoje Macau EventosTimorense Maria do Céu Lopes protege património de ‘tais’, tecidos tradicionais A timorense Maria do Céu Lopes descobriu a importância cultural do ‘tais’, panos tecidos por mulheres, em Timor-Leste durante a guerra e a cooperação com a resistência e hoje protege quase 400 exemplares, enquanto espera por um museu. Apesar de durante a meninice utilizar ‘tais’ em algumas cerimónias, só mais tarde, com a sua cooperação com a resistência e com a sua curiosidade, foi descobrindo o seu profundo valor cultural. Depois surge o desafio de um colega de infância, António Coelho, especializado em tecidos, para preservar o ‘tais’. É com o colega que inicia estudos para recolher informação sobre aqueles panos associados a todos os momentos importantes da vida de um timorense, mas pelo caminho criou, em 1999, a Timor Aid, uma organização não-governamental para proteger o património cultural timorense. “A Timor Aid conseguiu fazer, temos uma coleção de quase 400 peças, umas antigas, outras cópias das antigas que vimos no livro que o António nos deu”, disse à Lusa Maria do Céu Lopes. Além da recolha de informação oral, a Timor Aid também documentou em audiovisual todo o processo tradicional de produção de um ‘tais’, incluindo como se tinge o algodão, a partir de plantas naturais, estabeleceu uma rede de tecedeiras para proteger a tradição da confeção e também uma loja em Díli. Reconhecimento da UNESCO O seu esforço, por “fé e convicção”, foi reconhecido quando o ‘tais’ foi inscrito em 2021 na Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). “O reconhecimento, o mérito, não é nosso, é das tecedeiras e dos nossos ancestrais”, afirmou. Maria do Céu Lopes explicou que aquele têxtil tem um “papel muito importante na vida doméstica timorense”, além de identificar o grupo linguístico de quem o usa e a comunidade a que pertence. “O ‘tais’ é usado desde a vida até à morte, quando uma criança nasce a primeira coisa que se faz é envolvê-la num ‘tais’ e depois por aí fora: ‘barlaques’ [uma espécide de dote], funerais, as cerimónias rituais de ‘uma lulik’ [casa sagradas]”, disse. “Uma mulher, nos tempos antigos, a sua dignidade, a sua posição social, era pelo ‘tais’ que tecia, porque hoje em dia o ‘tais’ tem valor em dinheiro, mas antigamente era em búfalos, ‘morten’, os colares tradicionais, ‘belak’ [usado nos colares] e ouro”, salientou. Questionada pela Lusa sobre se o ‘tais’ pode perder-se, Maria do Céu Lopes considerou que não. “Mas, a qualidade do ‘tais’ moderno, poucos são bons”, lamentou, salientando que é necessário fazer a certificação do produto devido aos preços e para as pessoas terem a garantia do que estão a comprar. Maria do Céu Lopes lamentou também a falta de um museu para mostrar aquele património timorense, que é visto em museus no exterior, dando o Louvre como exemplo. “Tu queres um museu, eu quero um museu porque tenho o material para pôr, não é para mim é para Timor-Leste, não temos um centro cultural decente, nem em Díli”, lamentou. “Nós aqui não fazemos nada. Eu não posso construir um museu, não tenho dinheiro”, acrescentou. Enquanto espera pelo museu, a colecção da Timor Aid vai continuar protegida e à espera de dignidade para ser vista pelos turistas, que Timor-Leste pretende atrair.
Andreia Sofia Silva EventosK-Pop | Mark Tuan actua no Studio City em Março Mark Tuan, cantor do grupo de K-Pop GOT7, actua em Macau a 28 de Março no concerto “Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, apresentando as canções do novo álbum com o mesmo nome. Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira O Studio City Event Center acolhe, no dia 28 de Março, aquele que promete ser um grande espectáculo para os amantes de K-Pop. Trata-se da actuação de Mark Tuan, membro do famoso grupo GOT7, que vem apresentar o concerto “MARK TUAN – Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, que visa “celebrar a evolução musical de Mark, oferecendo uma visão intimista de uma jornada pessoal de crescimento” do músico no universo dos espectáculos e dos discos, descreve um comunicado do Studio City. Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, 13, com valores a variar entre as 899 e 2.199 patacas, sendo que todos os titulares dos ingressos podem ter acesso a uma oferta adicional, nomeadamente um poster autografado e “a oportunidade de participar numa sessão ‘Hi-Bye’, oferecendo uma experiência interactiva que vai além das expectativas”, é revelado. O espectáculo, num formato mais próximo dos fãs, mostrará como Mark Tuan tem, na qualidade de cantor e compositor, “continuado a expandir as fronteiras musicais”, desenvolvendo “um estilo distinto nos últimos anos que combina rock alternativo com influências pop”. Há muito que Mark Tuan anda com esta digressão na estrada, terminando agora em Macau. Tal espectáculo irá “enriquecer ainda mais o panorama do entretenimento ao vivo da cidade, proporcionando ao público experiências culturais de alta qualidade”, descreve o Studio City. Canções na berra Esta constitui também uma oportunidade para Mark Tuan apresentar o seu segundo miniálbum, “Silhouette”, que traz o single principal carregado de emoção, “Sunsets and Cigarettes”; e uma “terna serenata” de nome “Pretty Little Picture”. Segue-se a música “visionária” de nome “Autopilot”. Este disco é como “um diário privado”, captando “a transição [de Mark Tuan] e a transformação através da música e das imagens, oferecendo um vislumbre do caminho a seguir na sua evolução musical”. Os GOT7 nasceram na Coreia do Sul em 2014, sob alçada da JYP Entertainment, e contam com sete cantores, um deles Mark Tuan, que se tem destacado numa carreira a solo.
Andreia Sofia Silva EventosExpressões artísticas da Rota Marítima da Seda em exposição Pode ser visitada até ao dia 8 de Março, na zona da Barra, a mostra “Talent Training on the Cultural and Creative Design of Maritime Silk Road” [Formação de Talentos em Design Cultural e Criativo da Rota Marítima da Seda”, que nasce de um projecto com o mesmo nome levado a cabo pelo Poly MGM Museum. Este projecto foi financiado pelo Fundo Nacional para as Artes da China. A mostra revela as obras criativas de 30 participantes no referido programa, que decorreu no museu ao longo de um ano e, segundo um comunicado oficial, está dividida em seis capítulos temáticos, revelando “diversas explorações da Rota Marítima da Seda através da interpretação cultural, tradução de design e expressão artística contemporânea”. O público pode ver “30 obras originais que abrangem produtos culturais e criativos, design de moda, pintura, escultura e instalações multimédia”, demonstrando “a transformação criativa da tradição para a contemporaneidade, ao mesmo tempo que injectam uma renovada vitalidade artística no historicamente rico distrito de Barra”. O programa desenvolvido no Poly MGM Museum contou com a colaboração da equipa docente do Museu do Palácio e do Instituto de Tecnologia da Moda de Pequim. Tratou-se de um programa que juntou “teoria cultural, estudos de campo e prática do design”, trazendo “um novo impulso na formação de talentos culturais e criativos” locais. Um certo espírito Citada pela mesma nota, Pansy Ho, presidente e directora-executiva da MGM China Holdings, disse que “os participantes [deste projecto] abraçaram o espírito da Rota Marítima da Seda, traduzindo a história e a cultura em obras de valor estético contemporâneo e confiança cultural”. O que aconteceu nesta mostra, na sua visão, foi uma fusão do “património tradicional” com a “expressão moderna”, sendo que Pansy Ho garantiu que a operadora de jogo “vai continuar a aproveitar Macau como uma ponte para promover a cultura chinesa, não apenas como uma encantadora ‘visão do Oriente’, mas como um estilo de vida e uma escolha estética que realmente entra nos corações, permitindo que a civilização chinesa irradie um novo brilho na nossa era moderna”. Jia Ronglin, vice-presidente do Instituto de Tecnologia da Moda de Pequim, declarou que Macau “exemplifica o encontro e a coexistência das civilizações oriental e ocidental”. “Com base no seu papel como encruzilhada cultural, este programa aprofunda o entendimento mútuo ao longo da Rota Marítima da Seda, promove a inovação em design e a formação de talentos e revitaliza a sabedoria e a estética antigas num contexto contemporâneo”, adiantou.
Hoje Macau EventosAno Novo Chinês | FRC apresenta mostra com Cavalo como protagonista “A Galope do Ano do Cavalo de Fogo” é o nome da exposição que a Fundação Rui Cunha apresenta na sua galeria, desde terça-feira, e que celebra a chegada de um novo ano no calendário chinês. O público pode ver, durante quatro semanas, 26 obras de arte da autoria de artistas chineses e portugueses numa mostra organizada em parceria com a Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora A galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) tem patente a exposição “A Galope do Ano do Cavalo de Fogo”, que visa celebrar a chegada do Ano do Cavalo com 26 trabalhos artísticos. Segundo um comunicado oficial, a mostra está disponível para visita do público desde terça-feira, contando com “26 eclécticas obras” realizadas por artistas portugueses e chineses, nomeadamente Lei Iat Po, Natalie Lao, Lee Chau Ping, He Jianguo, Liu Shengli, Wilson Lam, Li Jinxiang, Meng Li, ou Lei Pui Seong, a que se juntam nomes como Paulo Valentim, Arlinda Frota, Rui Calado, Vasco d’Orey Bobone. Trata-se de um conjunto de obras realizadas anteriormente por artistas “que passaram pela Galeria [da FRC] ao longo de quase catorze anos”, fazendo parte do acervo da FRC. A iniciativa foi organizada em parceria com a Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora, “que dedicou a este evento versos caligrafados de bons auspícios”. Os trabalhos expostos consistem num “conjunto diversificado de obras de influência oriental”, propondo-se, com esta mostra, “uma viagem visual e cultural através de diferentes expressões artísticas, como a caligrafia, a pintura, a escultura e a cerâmica, explorando temas como movimento, energia, espiritualidade e renovação, valores intrinsecamente ligados a esta celebração milenar”. Um diálogo permanente A FRC descreve que este conjunto de trabalhos artísticos reflecte “o diálogo entre culturas, tradições, linguagens artísticas e materiais diversos, destacando-se a fusão desta riqueza simbólica associada à quadra festiva do calendário lunar”. Com esta mostra, a FRC diz querer “reforçar o seu compromisso com a divulgação da arte e com a promoção do encontro entre artistas locais de diferentes culturas, assinalando de forma emblemática a união da sociedade de Macau em torno das celebrações de cada data histórica ou efeméride local”.
Hoje Macau EventosBruno Pernadas edita álbum “unlike,maybe” O guitarrista e compositor Bruno Pernadas, que já actuou em Macau e na região da Grande Baía, edita esta semana “unlike, maybe”, álbum com parte dos temas criados em colaboração com os músicos que o acompanham, algo que pretende fazer mais no futuro. Depois de “Private Reasons”, editado em 2021 e que encerra uma trilogia, Bruno Pernadas apresenta “um disco de transição”. “Ainda não estou a conseguir concretizar aquilo que queria, mas este é um passo necessário para que isso aconteça no futuro”, afirmou, em entrevista à agência Lusa, a propósito de “unlike, maybe”, a ser editado esta sexta-feira. O processo de criação do álbum serviu para o músico se tentar “desvincular de certas coisas que podem ser consideradas vícios de recursos e ferramentas”, algo que “não é assim um processo tão imediato”, por estar dentro de si. As gravações dividiram-se entre Lisboa, onde o músico vive, e o Porto. Na ‘cidade invicta’, os músicos passaram alguns dias na mesma casa “e esse processo foi colaborativo”. “Já aconteceu mais [neste disco], mas eu quero que aconteça só isso, no futuro, só mesmo isso. Nem é preciso haver demos. Às vezes não tenho demos, meto tudo em pautas”, afirmou. Outras linguagens O processo colaborativo permitiu a Bruno Pernadas aproximar-se mais da linguagem que para ele “é mais próxima do jazz, ideia que foi deixada pelas tendências do Sun Ra, Don Cherry, Alice Coltrane, Art Ensemble of Chicago, The Last Poets – que não é bem jazz, mas está próximo”. “Queria aproximar-me dessa linguagem, com que tenho muita relação e que não aconteceu nos outros discos. Mesmo no meu disco de jazz ‘worst summer ever’ [de 2016 e que abriu a trilogia] essa forma de pensar assim não foi concretizada. Neste disco [‘unlike, maybe’] já existe parcialmente”, disse. O novo álbum conta com a participação dos músicos Margarida Campelo, António Quintino, João Correia, Diogo Alexandre, José Soares, Teresa Costa, Jéssica Pina e Eduardo Lála. Margarida Campelo também canta, e à sua voz juntam-se as das convidadas Leonor Arnaut, Lívia Nestrovski e Maya Blandy. Alguns já fazem parte do grupo que o acompanhou em trabalhos anteriores, para outros foi uma estreia. “É como se fosse um elenco. No cinema há muitos realizadores que têm um elenco fixo, mas às vezes é preciso outro tipo de abordagem ao objeto artístico e fazem colaborações”, referiu. Além de tocar, Bruno Pernadas é compositor, autor e produtor de “unlike, maybe”, partilhando apenas a autoria de uma das letras com Rita Westwood. Quando vai com os músicos para estúdio, “as coisas vão mais ou menos pensadas”. “Há secções que deixo em aberto para os improvisos, a pensar nos músicos que vão gravar. Já sei como é que as pessoas reagem e há certas coisas são feitas a pensar nessa pessoa. Há outras melodias e coisas que faço para as pessoas que convido a participar em determinadas músicas”, partilhou. Além das gravações em estúdio, Bruno Pernadas incorpora nos álbuns também gravações feitas em casa, durante o dia e sem isolamento acústico. “Gravo sempre coisas em casa. No primeiro regravei, mas depois deixei-me de isso, os sons não estão maus, é uma perspectiva clínica, cirúrgica de as pessoas ouvirem a música. Não está mal, é assim que ficou”, disse.
Hoje Macau EventosFRC | Desafios da gastronomia macaense hoje em debate A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, mais uma sessão do novo ciclo de conferências subordinadas ao tema “Ser Macaense no Século XXI – Cultura, Tradição, Identidade, Desafios”, com a terceira mesa-redonda intitulada “Gastronomia Macaense e os Desafios da sua Divulgação”. A sessão será conduzida por José Luís de Sales Marques, Presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, reunindo como oradoras convidadas as chefs Antonieta Manhão (Neta), professora de culinária macaense na Universidade de Turismo de Macau; Florita Alves, do Restaurante La Famiglia; Marina Senna Fernandes, do Restaurante Macaísta; e Sónia Palmer, da Cozinha D. Aida, quatro distintas representantes locais das artes de confecção da culinária tradicional. A gastronomia macaense é descrita num comunicado sobre o evento por ter “originalidade, transportando os seus sabores e aromas aos quatro cantos do Mundo, por onde viajaram os portugueses”, sendo resultado da “colheita do mundo global e, por isso, merecidamente considerada a primeira cozinha de fusão do Mundo”. “É, por esta razão, também um marco singular da identidade Macaense, e património intangível de Macau e da República Popular da China, prestando um significativo contributo para a classificação de Macau, pela Unesco em 2017, como Cidade Criativa da Gastronomia. Todavia, vai ainda uma grande distância entre o reconhecimento e a sua divulgação, tornando-a acessível ao grande público”, refere a organização do evento A sessão pretende abordar “o modo de vida dos macaenses, a comunidade ou as comunidades, em Macau e na diáspora, e os seus desafios diários para manter o ser e o sentir da realidade macaense”. O propósito da conferência é promover uma “discussão construtiva a olhar para o presente e o futuro, sem esquecer a tradição e os diferenciados marcos identitários, em especial a Gastronomia e o Teatro em Patuá, ambos Património Imaterial da RAEM e da República Popular da China”.
Hoje Macau EventosAren Noronha recolheu testemunhos que remetem para o período colonial em Goa Aren Noronha frequenta o mestrado em Português e Estudos Lusófonos na Universidade de Goa e lembrou-se de recolher testemunhos de pessoas que tivessem alguma ligação à língua; esta quinta-feira apresenta um livro que dava 45 filmes, intitulado “Lusophone Goa”. Quando, no ano passado, o jovem de 22 anos, então no primeiro ano do mestrado, visitou a Biblioteca Central de Goa, deparou-se com “livros extremamente interessantes de Goa e de Macau, todos em português e datados do período colonial”, que o confrontaram com “questões sobre a história da língua portuguesa em Goa de hoje”, disse à Lusa. “Tal como outros da minha geração, tinha apenas uma ideia superficial sobre a situação em Goa e o declínio da língua”, reconheceu Aren, quando se deparou com aquele espólio bibliográfico, que mal conseguia ler. Os pais sugeriram-lhe que aprofundasse “essas questões” e foram eles que lhe deram a ideia de recolher “relatos na primeira pessoa, que poderiam vir a tornar-se um livro, caso houvesse respostas suficientes”, diz o mestrando, explicando que o pai tem uma pequena editora independente em Pangim, capital do estado de Goa. Boa surpresa Em Fevereiro de 2025, Aren enviou “uma nota conceptual” a “muitas pessoas que tinham alguma ligação à língua, perguntando se gostariam de partilhar os seus testemunhos” e recebeu “um número surpreendente de respostas positivas”, 45 no total, que depois organizou num igual número de capítulos ao longo das 294 páginas do “Lusophone Goa”, escrito em inglês. Os testemunhos recolhidos são tão diversos quanto dispersas são as fontes, tanto em termos geográficos, como pela ocupação de cada uma das vozes ou faixa etária dos relatores, unindo-as apenas o facto de serem goesas ou descendentes de goeses e terem uma história para contar sobre a “relação com a língua”, que em todos os casos ultrapassa largamente as fronteiras da linguística. Aren Noronha recolheu 45 histórias de vida e cada uma dava um filme. O cardiologista e escritor radicado nos Estados Unidos, Anthony Gomes, e a antiga curadora da Biblioteca Central de Goa, Pia Rodrigues, falam da vida escolar e universitária na antiga colónia portuguesa antes de 1961, bem como dos livros e revistas que então circulavam. Estórias de vida O médico goês no Brasil Carlos Peres da Costa, também recorda os tempos de estudante, mas sublinha que os manuais que usou para concluir o curso na então Escola Médico-Cirúrgica de Goa eram escritos em francês, espanhol e inglês. O escritor Ben Antão, radicado no Canadá, enfrentou dificuldades na aprendizagem do português na escola, antes de 1961, porque o método assentava no recurso à memória. O músico Dilip Chico, radicado na Austrália, recorda que a família lia o diário “O Heraldo” em português e escrevia cartas e postais em português a familiares em Bombaim, corrigidos pela avó. O pretexto de cada uma das histórias é a língua, mas todas revelam intimidade, mesmo as de teor mais científico, como a de Sandra Ataíde Lobo, investigadora do Centro de Humanidades, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que, com base nos escritos da avó, analisa o papel que os jornais e periódicos em língua portuguesa desempenharam em Goa enquanto espaço intelectual, e a forma como a literacia em português contribuiu para o desenvolvimento da escrita do concani em carateres romanos. “Uma língua não é apenas palavras e frases”, escreve Sharmila Pais, professora de História no St Xavier’s College, em Mapuçá, no estado de Goa. “O português faz de mim eu”, parece responder Omar de Loiola Pereira, um músico de Goa. Aren Noronha não é descendente de portugueses. Faz parte de uma família de “convertidos locais de Goa” há umas “oito ou dez gerações”. “Venho de uma família maioritariamente anglófona, mas multilingue. Os meus pais não falam português; os meus avós, porém, falavam português do Brasil, pois viveram em Cubatão [município do estado de São Paulo] durante uma década”, diz à Lusa, ou melhor, escreve, porque consegue “pensar melhor e responder”. Aren também nunca visitou qualquer país lusófono. Está a pensar “ir a Damão” em breve” – diz -, mas está “em contacto com a Universidade Aberta e com a Universidade de Macau para explorar possibilidades de realizar um doutoramento em Estudos Lusófonos” numa das duas instituições, acrescenta. “Se tiver oportunidade, gostaria muito de ir a um país lusófono”, solta.
Andreia Sofia Silva EventosCinema | Concerto celebra “In the Mood for Love”, de Wong Kar Wai Abril é tempo de uma nova edição do Festival de Cinema de Hong Kong e este ano conta com um concerto muito especial. “In the Mood for Love In Concert” é a forma de homenagear um dos filmes mais icónicos do realizador Wong Kar Wai, e acontece nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong. A iniciativa tem a participação da Orquestra Filarmónica de Hong Kong Um homem e a uma mulher, cada um com o seu parceiro ausente, deambulam pelas ruas estreitas e chuvosas de Hong Kong envoltos na solidão e nas tarefas rotineiras do dia-a-dia. Aos poucos vão percebendo que o amor se escapa por entre os dedos de um lado, mas ganha-se com toda a força noutro, e subitamente aquela pensão em que ambos estão hospedados potencia um forte sentimento. Esta é a história central de “In the Mood for Love”, um dos mais conhecidos filmes do realizador de Hong Kong Wong Kar Wai, que será alvo de um concerto de homenagem em Abril, no âmbito de mais uma edição do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, a 50ª. O espectáculo será conduzido pelo maestro Joshua Tan e conta com música da Orquestra Filarmónica de Hong Kong, decorrendo nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong. O filme, realizado em 2000, integra grandes estrelas do cinema vizinho no elenco: Tony Leung Chiu-wai faz de funcionário cansado e abandonado pela esposa, enquanto Maggie Cheung é a esposa que espera eternamente o marido que anda sempre em viagens de negócios. No website oficial do festival lê-se que o filme “é uma obra-prima sublime que encarna a solidão, os segredos e o arrependimento”, sendo uma “comovente história de amor que evoca uma nostalgia inebriante, mas também um fervoroso desejo romântico, na perfeição da sua dolorosa banda sonora e da sua cinematografia deslumbrante”. Com o concerto de homenagem, 26 anos depois da estreia, o filme fica “ainda mais fascinante com a apresentação musical”, pode ler-se. “In the Mood for Love” será exibido ao mesmo tempo que a música da orquestra ecoa do palco. Os bilhetes estão à venda a partir de hoje. Uma mostra no City Hall Entretanto, os amantes de cinema podem esperar mais uma edição do festival que, este ano, celebra 50 anos de existência. Entre os dias 1 e 12 de Abril, o evento traz uma exposição especial que decorre no Salão de Exposições da Câmara Municipal de Hong Kong, e que se intitula “50 and Beyond: The Hong Kong International Film Festival Golden Jubilee Exhibition”. Segundo um comunicado oficial da iniciativa, o público poderá saber mais sobre “as conquistas do HKIFF [Hong Kong International Film Festival] nos últimos 50 anos na promoção da arte cinematográfica e no fomento do intercâmbio cultural”. Albert Lee, director-executivo da empresa que organiza o festival, a Sociedade do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, disse que é importante organizar esta mostra no City Hall, onde se realizou a primeira edição do festival, em 1977. “Desde aí que o HKIFF se tornou num dos destaques culturais do ano em Hong Kong, ganhando reputação como um dos festivais de cinema mais antigos e prestigiados da Ásia”, disse, citado pela mesma nota. Albert Lee espera que esta exposição, composta por “fotografias raras de mestres cineastas, realizadores de renome e estrelas de cinema que apareceram no festival nas últimas cinco décadas”, funcione “tanto como uma retrospectiva quanto como uma visão voltada para o futuro”. O cartaz completo do festival será conhecido no início do próximo mês de Março.
Andreia Sofia Silva EventosLivro de Rui Leão e Carlotta Bruni lançado em Lisboa esta semana Decorre esta sexta-feira, 13, em Lisboa, o lançamento do livro da autoria dos arquitectos locais Rui Leão e Carlotta Bruni, “Layering The City”, na Fundação Calouste Gulbenkian. A sessão começa às 11h30 e integra-se no terceiro Congresso Internacional Paisagens, Arquitectura, Cidades e Trabalho Coloniais e Pós-Coloniais, contando com apresentação dos próprios autores. “Layering The City” é uma investigação sobre infra-estruturas e espaços públicos em Macau, revelando as perspectivas que Rui Leão e Carlotta Bruni colocam em cada projecto que fazem, com foco para projectos como a habitação social no bairro do Fai Chi Kei, a estação da Barra e a zona Intermodal, relacionadas com o Metro Ligeiro. Segundo explicou Rui Leão numa entrevista concedida ao HM, o livro é composto ” por textos de alguns críticos sobre a nossa obra”, nomeadamente de Jorge Figueira, e uma entrevista conduzida pela académica Ana Vaz Milheiro, também autora do prefácio. Há, neste livro, a ideia de construção por camadas, revelando-se as diferentes perspectivas dos dois arquitectos em cada projecto que fazem. “Há um trabalho trazido por cada um para o projecto, e que passa por dar uma resposta ao pedido programado, aquilo que o cliente pede, ao que vive na planta de alinhamento [do projecto], ou uma série de questões a nível cívico, do espaço público ou do direito à qualidade de vida. Há uma série de dimensões sociais [a ter em conta para] fazer espaços para as pessoas, mesmo quando são impossíveis [em termos] de política e na cidade. São essas camadas que vão entrando nos projectos e que, no fundo, passam por criar oportunidades para qualificar a vida da cidade, da pessoa, da rua”, disse Rui Leão na mesma entrevista. Casas portuguesas Entretanto, o arquitecto Rui Leão participa também, na qualidade de co-curador, da exposição “Habitar Portugal 1974-2924″, inaugurada esta quarta-feira, a partir das 19h, no Centro de Arquitectura – Garagem Sul, do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Trata-se de uma iniciativa que assinala os 50 anos de Democracia através de uma selecção de cem obras de Arquitectura Portuguesa, construídas em Portugal e no mundo entre 1974 e 2024”, estando na equipa de curadores Alexandra Saraiva e Célia Gomes. Segundo a descrição oficial da mostra, disponível no website do CCB, o que se procura é olhar a arquitectura “enquanto gesto político; o evidenciar de posições de ruptura; o potenciar da persistência de memórias”. Podem ver-se projectos como o Hotel Dom Henrique, no Porto, da autoria de José Carlos Loureiro, ou ainda o Complexo das Amoreiras, de Tomás Taveira. Destaque ainda para obras como o Museu do Côa, de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, ou o projecto de requalificação da Casa do Passal – Museu Aristides de Sousa Mendes, pelo atelier Rosmaninho + Azevedo. Esta é a sétima edição da exposição “Habitar Portugal”, tendo sido escolhidas cem obras “com distintos programas e escalas diferentes, orientadas pela representatividade nacional e internacional (incluindo a expressão portuguesa construída fora do país)”. Segundo a mesma nota, “trata-se de um registo significativo e valioso que não só oferece um olhar panorâmico sobre o último quartel do século XX e o primeiro do século XXI, como também procura projectar o futuro da arquitectura contemporânea portuguesa, e consequentemente o desenvolvimento social, económico e territorial de Portugal no mundo”.
Andreia Sofia Silva EventosConcerto | Grupo sul-coreano Treasure em Macau no próximo mês A Venetian Arena prepara-se para receber, a 6 de Março, mais um concerto de K-Pop, desta vez da boys band Treasure. O grupo da Coreia do Sul, formado por dez membros, foi criado em 2019 e nasceu no contexto de um programa de televisão feito para descobrir talentos musicais São poucos os anos de vida da banda Treasure, oriunda da Coreia do Sul, mas o sucesso parece já estar garantido. Prova disso, é o espectáculo do grupo que Macau vai acolher no próximo dia 6 de Março na Venetian Arena, no Cotai, a partir das 20h, integrado na “Treasure Tour [Pulse On] in Macao”. Os Treasure são uma boys band formada em 2019 através do programa de caça talentos YG Treasure Box, que tinha por objectivo formar este grupo de jovens cantores. Dos mais de 20 candidatos, que tiveram de passar por diversas provas desafiantes para demonstrar o seu talento, escolheram-se as dez melhores vozes. Actualmente, o grupo é composto por Choi Hyun-suk, Jihoon, Yoshi, Junkyu, Yoon Jae-hyuk, Asahi, Doyoung, Haruto, Park Jeong-woo e So Jung-hwan. A receita de aliar a criação de um grupo de rapazes cantores a um programa de televisão parece ter funcionado, e a verdade é que o sucesso se fez sentir assim que começaram a compor canções e a editá-las no mercado. Em Agosto de 2020 saiu “BOY”, o primeiro single, sendo que nesse ano foi também editado “The First Step: Chapter One”. Este trabalho discográfico fazia parte de uma trilogia de discos que, no seu conjunto, venderam mais de um milhão de cópias em apenas cinco meses. Segundo a descrição do espectáculo em Macau, disponível no website da Venetian Arena, lê-se que o concerto é revelador de como os Treasure estão “a expandir a sua influência global”, já que a primeira digressão, apenas no Japão no ano de 2023, incluiu oito cidades e 26 espectáculos. Nessa altura, a digressão atraiu “quase 300 000 espectadores e estabeleceu o recorde de maior audiência numa digressão de estreia por parte de um artista coreano”. Seguiu-se a primeira digressão na Ásia, desta vez com 17 cidades incluídas e um total de 40 concertos. Em 2024, o Japão voltou a acolher uma digressão dos Treasure, que incluiu dois encontros com fãs, enquanto que, no ano passado, aconteceu o “Treasure Fan Concert [Special Moment]. Estes momentos foram também reveladores do sucesso do grupo, pois em conjunto “ultrapassaram um público acumulado de um milhão [de pessoas], demonstrando o seu estatuto e potência da banda nas apresentações ao vivo”. Na estrada desde 2025 Os Treasure vêm a Macau com novas canções na bagagem. O terceiro mini-álbum, intitulado “Love Pulse”, foi lançado a 1 de Setembro, e já em Março tinha sido a vez de o mercado discográfico receber “Pleasure”, um “mini-álbum especial”. O concerto na Venetian Arena integra-se na digressão do grupo que tem marcado a agenda dos Treasure desde a segunda metade do ano de 2025. Em Outubro, o grupo deu três concertos consecutivos em Seul, e depois actuou novamente no Japão.
Hoje Macau EventosArquivo em Lisboa ajuda brasileiros a confirmar posse de terras O Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) de Portugal ainda hoje é consultado por brasileiros que procuram provas de que são os donos das suas terras no Brasil, distribuídas pelos portugueses há cinco séculos, indica a responsável por esta instituição. “De tempos a tempos, recebemos pedidos de cedência de um documento autenticado para um tribunal, ou para dirimir um litígio ou um conflito a esse nível, apesar de ser documentação histórica”, disse à agência Lusa Ana Canas, investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa e que tem desempenhado funções de direcção do AHU. Esta documentação, fisicamente presente no AHU, mas já disponível nos meios digitais, inclui documentos da concessão de sesmarias no Brasil, um sistema de distribuição de terras adoptado pela Coroa portuguesa, no século XVI, em que eram doadas terras aos sesmeiros, para que estes as ocupassem e nelas produzissem. E é esta prova de concessão da terra que os seus proprietários ainda hoje procuram no AHU, pois é lá que reside a documentação resultante do relacionamento entre o Brasil e a administração portuguesa, durante o período colonial. Quilómetros de papéis O AHU, criado em 1931 com o objectivo de salvaguardar os repositórios da administração colonial portuguesa, guarda cerca de 17 quilómetros de documentação, a qual retrata o relacionamento entre os vários territórios (antigas colónias portuguesas) e os organismos sediados em Lisboa. Documentos que se têm revelado fontes de informação sobre estes territórios e as suas vivências: Índia, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau. O acervo do Brasil, localizado nas instalações do AHU, que fica no Palácio do Ega, em Lisboa, foi objecto do “Projecto Resgate Barão do Rio Branco”, um programa de cooperação arquivística internacional, que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente a este país, até à independência, em 1822. Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e a ocupação das terras arrancou em 1530. É a história desta presença e o relacionamento com a Coroa, em Portugal, até à independência, que a documentação relata. Durante mais de 10 anos, cerca de 120 investigadores envolvidos neste projecto trabalharam os 300.000 documentos que se encontram no AHU e que envolvem o Brasil, os quais estão agora devidamente identificados e distribuídos em mais de 2.000 caixas, além de disponíveis nos meios digitais.