Justiça | Senador pró-Duterte acusado de corrupção nas Filipinas

O Provedor de Justiça das Filipinas acusou o senador Rodante Marcoleta de corrupção, dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte. Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga.
Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que começa hoje.
As acusações contra o senador Rodante Marcoleta incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança. “As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”.
Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos.

Fé inabalável
Na semana passada, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital.
No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projectos falsos de combate às inundações.
Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte.
Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.

6 Jul 2026

Exercícios militares conjuntos com a Rússia marcados para este mês

A China anunciou que vai realizar, durante este mês, os exercícios navais anuais com a Rússia, desta vez ao largo da costa chinesa, seguindo-se patrulhas conjuntas numa zona não especificada do oceano Pacífico. Parte dos exercícios serão realizados no espaço aéreo e marítimo ao largo de Qingdao

Vão realizar-se ao longo do mês de Julho os exercícios militares conjuntos entre forças chinesas e russas deste ano, foi ontem anunciado pelo Ministério da Defesa chinês. Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial.

A China e a Rússia realizam há vários anos exercícios militares conjuntos, actualmente acompanhados com desconfiança por vários países, sobretudo ocidentais, no contexto da guerra na Ucrânia.

As marinhas dos dois países vão realizar os exercícios “Joint Sea-2026” “nos espaços aéreo e marítimo ao largo de Qingdao”, importante porto militar e estância balnear no leste da China, indicou o Ministério da Defesa chinês. “No final deste exercício conjunto, parte das forças dos dois países participará numa patrulha marítima conjunta numa zona marítima do oceano Pacífico”, acrescentou o ministério, em comunicado.

Segundo o documento, a iniciativa “visa responder em conjunto aos desafios de segurança e preservar a paz e a estabilidade na região”, sem especificar a dimensão dos meios militares envolvidos.

Em sintonia

Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na ocasião, o chefe de Estado russo classificou o nível das relações bilaterais como “sem precedentes”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jinping, as descreveu como “inquebrantáveis”.

Os exercícios “Joint Sea-2026” entre as marinhas da China e da Rússia realizam-se desde 2012. A edição de 2025 decorreu nas proximidades de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, tendo sido igualmente seguida por patrulhas conjuntas no oceano Pacífico.

A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, mas tem apelado à realização de negociações de paz. As capitais ocidentais acusam regularmente Pequim de prestar a Moscovo um apoio económico essencial ao esforço de guerra russo.

6 Jul 2026

China | Piloto que embateu no edifício mais alto de Pequim quis suicidar-se

As autoridades chinesas atribuíram o acidente de sexta-feira da semana passada, em que um pequeno avião embateu contra o edifício mais alto de Pequim, a “motivos pessoais” do piloto, que tinha ideias suicidas.

O homem de 66 anos morreu e 13 pessoas ficaram feridas. Nenhuma ficou em estado grave e uma das vítimas já teve alta hospitalar, acrescentaram as autoridades da área administrativa de Chaoyang, em Pequim, num comunicado divulgado nas redes sociais.

O relatório da investigação apontou que o piloto, identificado apenas pelo apelido Liu, não tinha emprego fixo, era divorciado e vivia sozinho, sofrendo de insónias e ansiedade. O diário do piloto continha várias referências à intenção de se suicidar.

O acidente ocorreu pelas 18h, numa zona de arranha-céus no centro da capital chinesa, numa altura em que muitas pessoas deixavam os locais de trabalho, levantando questões sobre a segurança em Pequim. O embate abriu um buraco na fachada envidraçada da Torre CITIC, com 108 andares, conhecida como edifício “Zun” devido ao formato inspirado num antigo recipiente chinês para vinho.

Na mesma nota, as autoridades referiram que o piloto realizou inicialmente um voo de treino acompanhado num avião de instrução de dois lugares e, posteriormente, descolou sozinho de um aeroporto privado nos arredores de Pequim. Durante o voo, desviou-se da rota prevista e as autoridades perderam contacto com a aeronave.

3 Jul 2026

Criança de 11 anos atropelou mortalmente nove monges na Tailândia

Pelo menos nove monges budistas morreram ontem e mais de dez ficaram feridos ao serem atropelados por uma carrinha conduzida por uma criança de 11 anos no nordeste da Tailândia, disse a polícia.

O chefe da polícia local, Pairoj Thaiphutsa, disse aos jornalistas que “o suspeito é uma criança” de 11 anos que conduzia o veículo dos pais sem autorização, acabando por atropelar um grupo composto por 35 monges e cinco fiéis numa estrada na província de Mukdahan. O mesmo responsável acrescentou que o veículo foi apreendido para perícias, “a fim de determinar a causa do acidente”.

Cinco monges morreram no local e quatro não resistiram aos ferimentos depois de terem sido transportados para o hospital da região. Os restantes feridos permanecem hospitalizados. Segundo as autoridades locais, os monges relataram ter visto o veículo a perder o controlo antes de sair da estrada e colidir com o grupo.

Os monges tinham iniciado, 30 minutos antes do acidente, uma peregrinação a pé de cerca de 260 quilómetros até à província de Ubon Ratchathani. A província de Mukdahan, a cerca de 600 quilómetros a nordeste da capital, Banguecoque, na região de Isan, uma zona rural no Delta do Mekong, na fronteira com o Laos. Isan é a região mais pobre da Tailândia e tem a menor densidade populacional do país, com cerca de 350 mil habitantes.

Na lista negra

O governador da província de Mukdahan, Worayan Bunnarat, afirmou que a tragédia deve servir de alerta sobre a segurança rodoviária na Tailândia.

O país tem um historial de sinistralidade rodoviária, porém, a segurança tem melhorado nos últimos anos, mas não o suficiente para tirar a Tailândia da lista de países com as estradas mais perigosas do mundo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Tailândia ocupa o nono lugar entre 175 países em termos de mortes no trânsito. Em 2021, o organismo da ONU registou mais de 18.200 mortes, cerca de 50 por dia, devido a acidentes rodoviários.

Embora as autoestradas e as estradas principais sejam relativamente bem conservadas e pavimentadas, os padrões de qualidade podem baixar consideravelmente nas vias mais rurais e secundárias.

3 Jul 2026

Comércio | Pequim convida UE para nova ronda de diálogo no Outono

A China convidou o comissário europeu para o Comércio e Segurança Económica para uma visita ao país no Outono, no âmbito da segunda reunião do mecanismo de diálogo bilateral criado para resolver as tensões comerciais, anunciou ontem Pequim.

O convite surge após o primeiro encontro, realizado na segunda-feira, em Bruxelas, entre o comissário Maroš Šefčovič e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, durante o qual ambos se comprometeram a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar que os desacordos evoluam para uma guerra comercial.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, confirmou ontem o convite, numa conferência de imprensa regular, na qual apresentou também os resultados da primeira reunião. He explicou que o mecanismo constitui um novo canal permanente de diálogo económico e comercial entre as duas partes, que acordaram realizar entre uma e duas reuniões ministeriais por ano.

Segundo o porta-voz, o primeiro encontro centrou-se em áreas emergentes, como a inteligência artificial (IA), sectores com potencial de cooperação e questões litigiosas, com o objectivo de promover um comércio mais equilibrado, através do seu crescimento e não da sua redução.

A aposta no diálogo surge após vários episódios que agravaram as tensões entre a China e a União Europeia nos últimos anos, marcados por investigações comerciais recíprocas, divergências em torno da guerra na Ucrânia e sanções impostas por Bruxelas a empresas chinesas por alegada colaboração com a Rússia.

3 Jul 2026

Shenzhen | CR New Energy estreia-se em bolsa a subir 114% após IPO recorde

A produtora de energias renováveis China Resources New Energy estreou-se ontem na Bolsa de Shenzhen com uma valorização superior a 113 por cento face ao preço inicial, na maior entrada em bolsa da história daquele mercado.

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) ficou avaliada em mais de 3,6 mil milhões de dólares. As ações da empresa abriram a 21,6 yuan, acima dos 10,11 yuan definidos para a IPO. Nos primeiros minutos da sessão, chegaram a registar uma subida de 198,32 por cento, antes de moderarem os ganhos para cerca de 124 por cento.

A operação, a maior realizada na Ásia desde o início de 2026, envolveu a venda de mais de 2,42 mil milhões de ações, permitindo à empresa angariar cerca de 24,5 mil milhões de yuan.

Na semana passada, a subsidiária do conglomerado estatal China Resources revelou que a parte destinada aos investidores de retalho registou uma procura 683 vezes superior ao número de ações disponíveis, mesmo após o aumento da alocação através de um mecanismo de redistribuição de ações aos investidores de retalho. Trata-se da maior IPO na China desde a realizada, em 2022, pela petrolífera estatal CNOOC, que angariou o equivalente a 5,1 mil milhões de dólares na Bolsa de Xangai.

A operação supera igualmente o anterior recorde da Bolsa de Shenzhen, estabelecido em 2020 pela produtora de óleos alimentares Yihai Kerry Arawana, que arrecadou cerca de dois mil milhões de dólares.

Vento e sol

No final de 2025, a China Resources New Energy dispunha de cerca de 41 gigawatts de capacidade instalada, o equivalente a 2,3 por cento do mercado chinês. Mais de 80 por cento da capacidade correspondia a projectos eólicos, embora a energia solar tenha vindo a ganhar peso no portefólio da empresa.

As receitas da IPO serão destinadas ao desenvolvimento de novos projectos eólicos e solares, que acrescentarão mais de 7,1 gigawatts de capacidade instalada, num investimento superior a 40 mil milhões de yuan. A operação atribui à empresa uma capitalização bolsista estimada em cerca de 135 mil milhões de yuan, semelhante à da Ganfeng Lithium, o maior produtor chinês de lítio.

A imprensa económica chinesa destacou que a operação permite também aferir o apetite dos investidores por sectores além da inteligência artificial e da robótica, que dominaram as maiores estreias bolsistas dos últimos meses.

3 Jul 2026

Bolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas

As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento

 

A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA).

Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos.

Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana.

A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado.

“Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório.

Só para aparecer

Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI.

“As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities.

Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados.

Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.

3 Jul 2026

EUA | Alibaba paga 600 milhões de dólares para encerrar processo

O conglomerado chinês Alibaba vai pagar 600 milhões de dólares para resolver uma disputa com o governo dos Estados Unidos da América (EUA) nascida de alegações de importação e venda de medicamentos ilegais, substâncias controladas, químicos regulados e equipamento de produção de comprimidos.

O Alibaba opera algumas das maiores plataformas mundiais de comércio electrónico, como a Alibaba.com e a AliExpress.com. Os EUA alegam que a empresa baseada no território norte-americano que processa os seus fluxos financeiros comerciais, a AUS Merchant Services, violou a lei federal ao não impedir os comerciantes de importarem e venderem produtos ilegais nos EUA através daquelas plataformas.

A Alibaba admitiu, em acordo com o Departamento de Justiça, que entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2024 não impediu que cerca de 80 mil produtos fossem vendidos, alguns dos quais importados, em violação de várias leis federais.

Agentes de vários serviços federais, sem revelar identidade oficial, fizeram mais de 40 compras de farmacêuticos e maquinaria cuja importação para os EUA era ilegal, segundo um comunicado.

O chefe das investigações criminais da agência tributária (IRS, na sigla em inglês), Jarod Koopman, considerou que o acordo alcançado com a Alibaba “realça o compromisso da IRS para seguir o dinheiro e garantir que as empresa a operarem nos EUA comprem a lei federal”.

3 Jul 2026

Wang Yi apela a Estados Unidos e Irão para manterem negociações

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu a manutenção do impulso negocial entre Estados Unidos e Irão, apesar da fragilidade do actual cessar-fogo, numa reunião, em Pequim, com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud.

Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang afirmou na terça-feira que a China “vê com bons olhos” o início das negociações entre Washington e Teerão.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que os acontecimentos demonstraram, uma vez mais, que “competir pela força não traz paz nem estabilidade” e que o diálogo é a única via para evitar nova escalada. Wang afirmou que, “embora o actual cessar-fogo continue frágil, é melhor dialogar do que combater, e o diálogo é preferível ao confronto”, apelando à preservação e aplicação do memorando de entendimento alcançado entre os Estados Unidos e o Irão.

“O essencial é manter e aplicar devidamente o memorando de entendimento, preservar o impulso das negociações, superar as dificuldades e interferências e esforçar-se por alcançar, o mais rapidamente possível, um acordo global aceite pelos Estados Unidos e pelo Irão, apoiado pelos países da região e bem acolhido pela comunidade internacional”, acrescentou.

Wang afirmou ainda que a China está disponível para trabalhar com a Arábia Saudita na redução das tensões e para contribuir para uma “paz e estabilidade duradouras” no Médio Oriente, além de apoiar um papel mais relevante de Riade nos assuntos internacionais e regionais.

Regresso à normalidade

Faisal bin Farhan afirmou que a Arábia Saudita aprecia o “papel construtivo” desempenhado pela China na promoção da redução das tensões no Médio Oriente e espera cooperar com Pequim para favorecer o regresso da paz e da estabilidade à região “o mais rapidamente possível”, segundo o mesmo comunicado. O ministro saudita acrescentou que Riade atribui grande importância às relações com a China e pretende aprofundar a cooperação bilateral.

A reunião realizou-se após a recente cessação das hostilidades entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, que permitiu aliviar as tensões na região e reabrir parcialmente o trânsito no estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial.

A China, que condenou repetidamente os ataques contra o Irão, apelou igualmente ao respeito pela soberania e segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e comerciais. Pequim tem defendido de forma consistente uma solução negociada para o conflito, reclamando um cessar-fogo e insistindo na necessidade de restabelecer a livre navegação no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.

2 Jul 2026

Segurança | Queda de avião poderá reforçar controlo sobre aviação

Analistas consideram que o embate de um avião ligeiro contra a Torre Citic, em Pequim, expôs uma rara falha de segurança na capital chinesa e poderá desencadear purgas e reforçar o controlo sobre a aviação privada.

O acidente ocorreu na semana passada, quando uma aeronave de pequena dimensão embateu na fachada leste do edifício mais alto de Pequim, a Torre Citic, também conhecida como “China Zun”, provocando a morte do piloto e ferimentos em 13 pessoas.

O incidente foi rapidamente envolvido por um forte dispositivo de segurança e por um apertado controlo da informação. Os funcionários do conglomerado estatal Citic receberam instruções para não falar sobre o acidente, enquanto as autoridades impuseram um perímetro policial em redor do edifício e limitaram a cobertura do caso nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

O voo levanta questões delicadas para as autoridades responsáveis pela segurança da capital, uma das cidades mais vigiadas do mundo, onde o Partido Comunista Chinês mantém uma política de tolerância zero em relação a incidentes que possam afectar a estabilidade.

Citado pelo Financial Times, o professor de Ciência Política da Claremont McKenna College, Minxin Pei, classificou o episódio como “sem precedentes”, considerando que revela “uma enorme falha de segurança” e poderá ter consequências para os responsáveis pelo dispositivo de proteção da capital.

Outro especialista ouvido pelo jornal, James Char, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, afirmou que o incidente terá impacto político por poder transmitir aos adversários da China a imagem de vulnerabilidades na defesa de Pequim, embora tenha salientado que as autoridades dispunham de muito pouco tempo para reagir.

2 Jul 2026

PCC | Xi sugere modelo chinês e sublinha que a China é “construtora da paz”

No discurso que marcou o 105º aniversário do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping afirmou que a China conseguiu em poucas décadas o que os países desenvolvidos demoraram séculos a atingir, exaltando o modelo chinês como exemplo a seguir. O Presidente defendeu ainda que o PCC esteve sempre do lado certo da história

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, propôs ontem a industrialização conseguida na China como novo modelo de progresso para os países em desenvolvimento. Xi, que cumpre o 14.º ano no poder, afirmou que a China alcançou “em poucas décadas” aquilo que os países desenvolvidos demoraram “séculos” a conseguir.

“Defendemos a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade, oferecendo a sabedoria, as soluções e a força da China para enfrentar os grandes desafios da humanidade”, afirmou Xi, durante a cerimónia que assinalou o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês (PCC), no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

A China, que há muito contesta a predominância dos Estados Unidos na ordem internacional, tem defendido que não pretende substituir o sistema internacional, mas reformá-lo de forma a reflectir melhor os interesses dos países em desenvolvimento.

No discurso, o Presidente chinês afirmou que o mundo entrou numa nova fase de turbulência e transformação, colocando a humanidade “numa encruzilhada”, e reiterou o compromisso de promover um “novo tipo de relações internacionais” para impulsionar a paz e o desenvolvimento mundiais.

As declarações retomaram vários dos temas centrais do discurso proferido por Xi no centenário do PCC, em 2021, incluindo a necessidade de reforçar as capacidades militares da China e de concretizar a “reunificação” com Taiwan.

O líder chinês defendeu ainda que “resolver a questão de Taiwan” e alcançar a “reunificação” da China constitui uma “tarefa histórica” do Partido Comunista Chinês. Além disso, apelou ao aprofundamento dos intercâmbios e da integração entre as duas margens do estreito de Taiwan e prometeu combater de forma “firme” as “forças separatistas” favoráveis à “independência de Taiwan” e a “ingerência externa”, numa referência indirecta aos Estados Unidos.

Eliminar vírus internos

O líder chinês defendeu a aceleração do processo de modernização das Forças Armadas para atingir “padrões de nível mundial”, reiterando, ao mesmo tempo, a necessidade de preservar a liderança absoluta do Partido Comunista sobre os militares. Nos últimos anos, vários generais de alta patente foram afastados no âmbito da campanha anticorrupção promovida por Xi, que analistas consideram também servir para reforçar a lealdade das Forças Armadas à liderança chinesa.

Xi Jinping afirmou que o PCC deve “eliminar todos os vírus” que corroem o “organismo saudável” e a pureza do partido, para que “nunca mude de natureza nem de cor”, numa passagem dedicada à disciplina interna. A mensagem surge após vários anos de campanha anticorrupção e de purgas que atingiram altos responsáveis civis e militares, incluindo antigos dirigentes do Exército de Libertação Popular e membros da cúpula do partido.

Numa nota mais positiva, o secretário-geral do PCC afirmou que a China é “construtora da paz mundial”, “contribuinte para o desenvolvimento global” e “defensora da ordem internacional”. O líder chinês argumentou que ao longo de 105 anos, o PCC “esteve sempre do lado certo da História e do progresso da civilização humana” e sustentou que a “modernização chinesa” ampliou as vias de desenvolvimento para os países do Sul Global.

2 Jul 2026

China | Regras duras para investimentos no estrangeiro devido a segurança nacional

A China reforçou ontem o controlo sobre os investimentos no estrangeiro, com a entrada em vigor de novas regras destinadas a salvaguardar a “segurança nacional” em sectores considerados sensíveis, num contexto de rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.

As novas disposições, anunciadas inicialmente em 1 de Junho, conferem às autoridades um quadro jurídico mais abrangente para orientar e controlar os fluxos de capitais e de trabalhadores qualificados da China para o exterior.

Pequim considera áreas como a inteligência artificial (IA), os semicondutores e as tecnologias verdes fundamentais do ponto de vista económico e estratégico, procurando acelerar o seu desenvolvimento no país. Em simultâneo, as medidas visam “melhorar a qualidade e o nível dos investimentos no exterior”, segundo o regulamento divulgado pelo Governo chinês.

Os investimentos internacionais deverão respeitar o conceito de “segurança nacional global”, procurando simultaneamente “equilibrar as considerações nacionais e internacionais”, refere o documento.

Na prática, o novo quadro permite ao Governo submeter a escrutínio investimentos ou transferências susceptíveis de afectar a “segurança nacional”, numa altura em que Pequim mantém uma postura cautelosa em relação às transações transfronteiriças.

Em Abril, o principal organismo de planeamento económico da China bloqueou a tentativa da empresa norte-americana Meta, proprietária do Facebook, de adquirir a ‘startup’ de inteligência artificial Manus, criada por uma empresa fundada na China, apesar de esta estar actualmente sediada em Singapura.

Ao abrigo das novas regras, as restrições às transações internacionais deixam de abranger apenas a transferência de bens e dados, passando também a incluir a exportação de serviços, como o envio de especialistas técnicos para o estrangeiro ou a realização de acções de formação fora da China.

Margem larga

As medidas suscitaram preocupações entre alguns investidores, que receiam que o reforço do controlo limite a capacidade do sector tecnológico chinês de aceder aos mercados internacionais.

A Comissão de Revisão Económica e de Segurança Estados Unidos–China (US-China Economic and Security Review Commission) considerou, esta semana, nas redes sociais, que o endurecimento das regras “reforça uma tendência” que acompanha “há vários meses”.

Em Maio, a comissão bipartidária norte-americana alertou que, “como acontece frequentemente com as leis chinesas relacionadas com a segurança nacional”, as autoridades dispõem de uma ampla margem para determinar o que constitui uma infração, aumentando os riscos para as empresas estrangeiras estabelecidas na China.

2 Jul 2026

EUA | Magnata Guo Wengui condenado a 30 anos de prisão por fraude

Foto: Guo Wengui via Twitter / X

O magnata chinês Guo Wengui, empresário exilado nos Estados Unidos e antigo crítico de Pequim, foi ontem condenado a 30 anos de prisão por um tribunal federal de Nova Iorque por fraude que lesou mais de mil investidores.

A juíza Analisa Torres proferiu a sentença num tribunal de Manhattan, onde afirmou que Guo “explorou pessoas que procuravam levar a democracia à China”, utilizando o dinheiro dos investidores para sustentar um estilo de vida luxuoso.

Antes da leitura da sentença, Guo queixou-se das condições de detenção, afirmando que foi transportado para um hospital de manhã devido a problemas de saúde. Contestou ainda a caracterização feita pela acusação de que estaria a fingir doença para atrasar o processo. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Tenho dores de barriga, preciso de ir à casa de banho, não me sinto bem'”, afirmou Guo, através de um intérprete.

Referindo-se ao processo criminal, limitou-se a defender as suas motivações políticas. E afirmou: “a razão pela qual vim para os Estados Unidos foi destruir o Partido Comunista Chinês”. Na leitura da sentença, a juíza citou cartas enviadas por vítimas que relataram ter perdido as poupanças de uma vida, sofrido ansiedade e vergonha e enfrentado conflitos familiares devido aos investimentos realizados.

Segundo Torres, Guo “não assume qualquer responsabilidade pelos seus actos e insiste, de forma inacreditável, que a sua conduta não causou perdas nem prejudicou ninguém”. A magistrada acrescentou que o empresário “incitou apoiantes a assediar e intimidar aqueles que ousaram denunciá-lo”. O tribunal ordenou ainda o confisco de 889 milhões de dólares para efeitos de restituição às vítimas.

1 Jul 2026

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

1 Jul 2026

Japão | Iene bate recordes e cai para o valor mais baixo em quase 40 anos

A moeda japonesa caiu ontem para 162 ienes por dólar, atingindo o nível mais baixo desde 1986, após uma intervenção falhada das autoridades japonesas que apenas teve efeitos temporários perante a valorização da divisa norte-americana

 

Desde 1986 que o iene não desvalorizava para o valor que atingiu ontem: 162 ienes por dólar. Mesmo com as medidas lançadas pelo Governo, a estabilidade cambial foi sol de pouca dura devido à valorização do dólar.
Durante a madrugada de ontem, o iene chegou a ser transaccionado a 161,98 por dólar, registando valores entre 161,90 e 162,36 mesmo após a abertura da bolsa de Tóquio, segundo a emissora pública NHK.

Este patamar representa a queda mais acentuada em 39 anos e meio, desde Dezembro de 1986, quando a moeda oscilava entre 158 e 163 por dólar no mercado cambial.

A desvalorização do iene reflecte as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos avance nos próximos meses com uma subida das taxas de juro, que em Junho se mantiveram inalteradas entre 3,5 e 3,75 por cento, acompanhadas da divulgação do relatório trimestral de projecções económicas.

Assim, a divisa nipónica apagou os ganhos obtidos após a intervenção no mercado cambial entre Abril e Maio pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e pelo Banco do Japão, que tinham levado a uma valorização do iene de 160 para 155 por dólar nos primeiros dias de Maio.

Firme e hirto

“Tomaremos as medidas adequadas em qualquer momento e conforme necessário”, afirmou ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, em conferência de imprensa, acrescentando que o Executivo pretende “construir uma estrutura económica resistente” às flutuações cambiais.

As autoridades japonesas não excluíram uma nova intervenção na semana passada, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, ter mantido conversações com o homólogo norte-americano, Scott Bessent, garantindo que ambos os países actuariam “com firmeza quando fosse necessário”.

A nova queda ocorreu apesar de o Banco do Japão ter aumentado a taxa de juro de referência de curto prazo para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas, prosseguindo os esforços para controlar os riscos inflaccionistas derivados da subida dos preços do petróleo e da fraqueza do iene.

1 Jul 2026

Partido Comunista ultrapassa 101 milhões de membros antes do 105º aniversário

O Partido Comunista Chinês (PCC) contabilizava 101,28 milhões de membros no final de 2025, mais 1 por cento do que um ano antes, segundo dados divulgados ontem, na véspera do 105º aniversário da fundação da organização.

De acordo com um relatório publicado pelo Departamento de Organização do Comité Central do partido, 31,91 milhões de militantes eram mulheres, o equivalente a 31,5 por cento do total, enquanto 7,87 milhões pertenciam a minorias étnicas, representando 7,8 por cento. O documento indica ainda que 59,76 milhões de membros, ou 59 por cento do total, possuíam formação superior.

Por faixas etárias, o maior grupo continuava a ser o dos militantes com 61 ou mais anos, com 29,91 milhões de membros, seguido pelos que tinham entre 36 e 40 anos, com 12,19 milhões, e pelos que tinham até 30 anos, com 12,09 milhões. O PCC admitiu em 2025 cerca de 2,08 milhões de novos membros, dos quais 1,75 milhões, ou 84 por cento, tinham 35 anos ou menos.

Muitos anos de vida

Fundado em 1921 e no poder desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, o partido assinala hoje o 105º aniversário, num contexto marcado pela crescente centralização do poder em torno do Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping.

Sob a liderança de Xi, o partido reforçou o controlo sobre as instituições do Estado, as Forças Armadas e o sector privado, num processo que incluiu a eliminação, em 2018, do limite constitucional de dois mandatos presidenciais, a obtenção de um terceiro mandato como secretário-geral do PCC, em 2022, e a recondução na Presidência da China, em 2023.

Xi, que também preside à Comissão Militar Central, o principal órgão dirigente das Forças Armadas chinesas, elevou o seu pensamento político a orientação ideológica central do partido, enquanto o PCC consolidou um modelo em que a autoridade se concentra cada vez mais na direcção da organização e na figura do líder. Este processo foi acompanhado por uma intensa campanha de disciplina interna e combate à corrupção, que serviu simultaneamente para afastar quadros do partido e consolidar a liderança de Xi.

1 Jul 2026

Indústria | Expansão em Junho, na China, graças às exportações de tecnologia

A actividade industrial na China acelerou em Junho, segundo um inquérito oficial divulgado ontem, impulsionada pela forte procura externa de equipamento relacionado com a inteligência artificial (IA).

O índice oficial de gestores de compras (PMI) da indústria transformadora subiu para 50,3 pontos, face aos 50 registados em Maio, superando as previsões dos economistas, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas. Numa escala de zero a 100, um valor acima de 50 indica expansão da actividade, enquanto um resultado inferior sinaliza contracção.

O subíndice de novas encomendas aumentou para 51,2 pontos em Junho, depois dos 49,9 de Maio, enquanto o indicador da produção avançou para 51,4 pontos, face aos 51,2 do mês anterior. “O dinamismo da economia chinesa recuperou algum ímpeto recentemente. Mas continua a depender fortemente das exportações e da tecnologia ligada à inteligência artificial”, escreveu ontem Julian Evans-Pritchard, economista para a China da consultora Capital Economics. “O principal motor de crescimento da indústria transformadora chinesa continua a ser a procura externa”, acrescentou.

Huo Lihui, estatístico do Gabinete Nacional de Estatísticas, afirmou, em comunicado, que os dados de Junho mostram que “o clima económico da China está a melhorar”. Ainda assim, vários economistas alertaram que os consumidores chineses continuam cautelosos, após vários anos de crise no sector imobiliário, e que a procura interna permanece fraca.

Os dirigentes chineses fixaram para este ano uma meta de crescimento económico entre 4,5 e 5 por cento, objectivo que, segundo os economistas, deverá ser alcançado com o apoio do forte crescimento das exportações relacionadas com a inteligência artificial.

1 Jul 2026

União Europeia | Pequim disponível para reforçar diálogo comercial

O Governo chinês manifestou-se ontem disponível para reforçar a comunicação com a União Europeia (UE) em matéria comercial, um dia depois de ambas as partes terem acordado manter abertos canais de diálogo para evitar uma guerra comercial.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que “a essência da cooperação económica e comercial entre ambas as partes é o benefício mútuo” e que Pequim e Bruxelas são “parceiros, não rivais”.

Guo sustentou que os problemas enfrentados pela UE “não têm origem na China” e defendeu que as questões nas relações económicas e comerciais entre as duas partes devem ser resolvidas através do aprofundamento da cooperação para alcançar um desenvolvimento comum.

“A China está disposta a reforçar a comunicação e as consultas com a parte europeia e, com base nos princípios da igualdade, do respeito mútuo e da reciprocidade, gerir adequadamente as divergências comerciais de forma construtiva”, acrescentou o porta-voz.

Na segunda-feira, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, comprometeram-se a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar uma guerra comercial, durante uma reunião realizada em Bruxelas.

Šefčovič e Wang participaram na primeira sessão das Consultas sobre Comércio e Investimento, o novo mecanismo criado para procurar “soluções práticas” em quatro áreas: o equilíbrio entre comércio e investimento, os controlos às exportações, a propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio.

1 Jul 2026

China | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa

A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento

 

O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento.

Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes.

A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”.

Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha.

A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada.

Poder de concentração

A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos.

Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas.

A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre.

A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.

1 Jul 2026

Irão | Suspensão de ataques, mas Teerão nega reuniões marcadas

Teerão e Washington aceitaram ontem suspender temporariamente qualquer ataque e planeiam reunir-se no Qatar, na terça-feira (30), para tentar resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz, noticiou o portal de notícias norte-americano Axios.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou, na Truth Social, que o “Irão solicitou uma reunião”, agendada para hoje em Doha. No entanto, Teerão já tinha negado a existência de reuniões com os EUA marcadas para esta semana. “Decidimos parar todas as actividades [militares]”, informou o Axios, citando um responsável norte-americano que não foi identificado.

Apesar do acordo assinado a 17 de Junho, os dois países trocaram ataques nos últimos dias, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo, com o controlo de Ormuz no centro das tensões.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse, entretanto, que não há reuniões previstas entre Irão e Estados Unidos esta semana no Qatar, negando notícias da imprensa norte-americana sobre um encontro.

“Não há nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho planeada para esta semana”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, segundo a televisão estatal, classificando as notícias como incorrectas.

30 Jun 2026

Hong Kong | Momenta estreia-se na bolsa em operação de 5,9 mil milhões

A tecnológica chinesa especializada em condução autónoma Momenta estreia-se na bolsa de Hong Kong no início de Julho, numa operação que deverá captar cerca de 5,894 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo o prospecto enviado ontem pela empresa à bolsa da antiga colónia britânica, a oferta pública inicial compreende cerca de 19,9 milhões de ações, ao preço unitário de 295,6 dólares de Hong Kong. De acordo com o documento, a estreia em bolsa está prevista para 8 de Julho.

A tecnológica prevê aplicar 60 por cento das receitas da operação em investigação e desenvolvimento (I&D), com o objectivo de “impulsionar soluções de condução autónoma de nova geração”, incluindo um reforço da capacidade para inteligência artificial (IA), armazenamento de dados e melhorias nos algoritmos. Outros 20 por cento serão destinados a acelerar a comercialização dos serviços de táxis autónomos (‘robotaxis’), incluindo a expansão de frotas com condução autónoma de nível 4, numa escala de cinco níveis, em que os veículos conseguem circular sem intervenção humana, embora mantenham comandos para permitir a tomada de controlo por um condutor.

Entre os investidores que apoiam a operação figuram a fabricante automóvel alemã Mercedes-Benz, já acionista relevante da Momenta, uma subsidiária da chinesa BYD, maior fabricante mundial de veículos eléctricos, e fundos como a BlackRock, a Boyu Capital e a GIC.

No final de 2025, mais de 680 mil veículos utilizavam ‘software’ de assistência à condução de nível 2 desenvolvido pela Momenta, que tinha estabelecido parcerias com 24 fabricantes internacionais, entre os quais a Mercedes-Benz, a BYD, a Toyota, a General Motors, a BMW, a Hyundai-Kia, a Volkswagen e a Honda.

30 Jun 2026

Coreia do Norte | EUA e Japão acusados de “ensaio de guerra”

As autoridades norte-coreanas criticaram as recentes manobras militares realizadas pelos Estados Unidos da América (EUA) e pelo Japão na região, descrevendo os exercícios como parte de um “ensaio de guerra” destinado a “fortalecer suas capacidades de invasão”.

Num artigo publicado pela agência de notícias estatal da Coreia do Norte, a KCNA, Pyongyang condena a participação do Japão nas manobras e acusa o país de “agravar a situação de segurança regional ao aprofundar seus laços militares com os Estados Unidos”. “O Japão tenta tornar-se uma potência militar e demonstra essas ambições de forma cada vez mais aberta”, lê-se, além de criticas a testes de mísseis balísticos de longo alcance destinados a “atacar países vizinhos”.

A Coreia do Norte acusou as autoridades japonesas de explorarem a “confusa situação geopolítica global para justificar a sua transformação numa nação beligerante”, que “pode levar a um fim trágico”.

“Eles querem tornar-se líderes da Ásia, mais cedo ou mais tarde, capitalizando a situação actual e o conceito de conter inimigos e rivais regionais para concretizar suas ambições hegemónicas”, continua o texto. As manobras militares começaram em 20 de Junho perto das ilhas de Okinawa e Kyushu, no sudoeste do Japão, e devem terminar hoje.

30 Jun 2026

IA | Coreia do Sul anuncia plano de mais de um bilião de euros

O Governo sul-coreano apresentou ontem um plano para dez anos, avaliado em mais de um bilião de euros, para construir fábricas de semicondutores e centros de dados destinados à inteligência artificial (IA).

Um primeiro projecto, no valor de 800 biliões de wons (455 mil milhões de euros), incluirá quatro fábricas de semicondutores – duas construídas pela gigante Samsung Electronics e as outras duas pela concorrente SK hynix –, além de outras infra-estruturas, anunciou o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan.

Outro projecto, avaliado em 568 mil milhões de euros, prevê até 2035 a construção de novos centros de dados dedicados à IA, elevando a capacidade total do país para 10 gigawatts (GW), acrescentou o ministro da Ciência, Bae Kyung-hoon, na mesma conferência de imprensa.

Trata-se do terceiro mega-investimento em IA anunciado na Coreia do Sul em menos de um ano, e de longe o mais significativo. O montante supera largamente os 450 biliões de wons (256 mil milhões de euros) prometidos pela Samsung e os 125 biliões de wons (71 mil milhões de euros) anunciados pela Hyundai Motor no final de 2025.

“Graças a isso, manteremos uma posição de liderança esmagadora no mercado e uma vantagem tecnológica decisiva no sector dos semicondutores de memória”, afirmou Kim Jung-kwan.

30 Jun 2026

Timor-Leste | Polícia deteve 61 pessoas por suspeita de burla ‘online’

A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) deteve na sexta-feira 61 cidadãos indonésios por suspeita de envolvimento em esquemas de burla ‘online”, disse ontem superintendente-chefe da Polícia João Belo dos Reis.

Segundo o porta-voz da PNTL, a detenção foi feita na sexta-feira no âmbito de uma operação na zona de Tibar, arredores de Díli, para desmantelar um ‘scam call center’, um centro de burla ‘online’.
Os 61 detidos foram ontem presentes ao Tribunal de Primeira Instância de Díli para um primeiro interrogatório e o processo de investigação prossegue.

“O centro de burla ‘online’ é um centro criado por criminosos para enganar pessoas, divulgando informações e propaganda para as ludibriar”, explicou João Belo dos Reis, citado num comunicado divulgado à imprensa. O porta-voz da polícia timorense precisou também que as pessoas detidas estão relacionadas com outro centro de burla ‘online’ desmantelado pelas autoridades do Camboja.

“Fugiram para realizar novamente estas operações no nosso país. Fizemos o rastreio das suas viagens e podemos afirmar que cerca de 90 por cento dos autores actualmente detidos são antigos membros provenientes do Camboja”, disse.

A PNTL voltou a alertar os timorenses para os riscos das compras ‘online’. “Não devem confiar nas informações divulgadas nas redes sociais sobre a venda de produtos”, salientou o porta-voz da polícia.

30 Jun 2026