Hoje Macau China / ÁsiaFrança | China exige suspensão de taxas sobre ‘moda ultrarrápida’ O ministério do Comércio chinês exigiu ontem à França que suspenda “de imediato” as penalizações, entre 0,5 e 12 euros, aplicadas desde este mês à chamada ‘moda ultrarrápida’, que atingem plataformas chinesas como Shein ou Temu. Na conferência de imprensa semanal do ministério, a porta-voz Huang Ling exigiu que França “resolva adequadamente as divergências entre as duas partes no domínio do comércio têxtil sustentável, de forma a criar um ambiente empresarial justo e não discriminatório para as empresas chinesas”, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. “Se França insistir em avançar, a China adoptará as medidas necessárias para defender os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e França assumirá todas as consequências daí resultantes”, advertiu. Segundo o ministério do Comércio, a nova regulamentação francesa “aplica dois pesos e duas medidas e poderá violar o princípio da não discriminação” da Organização Mundial do Comércio (OMC), “sob o pretexto de estabelecer alegados critérios ecológicos e de sustentabilidade”. Na terça-feira, 01 de Setembro, Paris começou a aplicar um sistema de penalizações baseado na dimensão da gama de produtos oferecida pelas empresas de ‘moda ultrarrápida’, mas também na ausência de incentivos à reparação das peças de vestuário, devido aos preços reduzidos ou à falta de serviços para esse efeito. Embora o mecanismo não vise formalmente empresas asiáticas, em nome do princípio da não discriminação, mas antes as companhias que recorrem às práticas associadas à ‘moda ultrarrápida’, na prática afecta sobretudo as grandes plataformas chinesas. A Shein disponibiliza cerca de 1,7 milhões de referências, contra cerca de 20.000 no caso da espanhola Zara ou da sueca H&M.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHong Kong | Confirmada condenação do cardeal Joseph Zen Um tribunal de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por um cardeal católico de 94 anos e outras quatro pessoas contra as condenações pelo registo de um fundo destinado a apoiar detidos nos protestos antigovernamentais de 2019. O cardeal Joseph Zen, bispo emérito e destacado defensor da democracia no território, era administrador do Fundo de Ajuda Humanitária 612, que ajudava a pagar despesas médicas e judiciais de manifestantes detidos, até encerrar as operações em Outubro de 2021. Os restantes arguidos – a cantora Denise Ho, o académico Hui Po Keung e as antigas deputadas Margaret Ng e Cyd Ho – também integravam a administração do fundo. Os cinco foram considerados culpados, em 2022, de violarem a Lei das Sociedades e condenados ao pagamento de uma multa de 4.000 dólares de Hong Kong cada. A legislação exige que as organizações locais se registem ou solicitem uma isenção no prazo de um mês após a respectiva criação. As condenações foram as primeiras deste tipo.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Parlamento declara alterações climáticas como ameaça à segurança O Parlamento do Nepal declarou quarta-feira as alterações climáticas como uma ameaça à segurança nacional, na sequência da enxurrada na semana passada, na qual morreram mais de 1.100 pessoas e quase 4.000 desapareceram. A proposta, agora aprovada, foi apresentada pelo presidente da câmara, Dol Prasad Aryal, e pede ao Governo para afirmar a posição do Nepal no palco internacional face aos crescentes riscos que a região enfrenta, para evitar futuras tragédias. “O Nepal deve erguer a sua voz de forma mais clara e enérgica no debate internacional sobre os danos e perdas causados pelas alterações climáticas”, de acordo com a proposta, que pede ao governo para que aborde a questão com mais firmeza. Recordando que o Nepal é “extremamente propenso a desastres, vulnerável tanto a desastres naturais como causados pelo homem”, o texto refere que “a sua diversidade geográfica, estrutura geológica frágil, desenvolvimento não planeado e propenso a riscos, infraestruturas deficientes, escassez de recursos e alterações climáticas contribuíram para a recorrência de vários desastres”. Mais de 500 desastres ocorrem no Nepal todos os anos, causando perdas humanas e materiais significativas, de acordo com o parlamento. Aryal disse que os efeitos das alterações climáticas são debatidos há décadas, mas defendeu que as condições em mudança nos Himalaias exigem maior atenção internacional. O documento também pede uma mudança da resposta pós-desastre para a preparação, notando que o recente desastre evidenciou a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização e alerta precoce. Pior de sempre O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, compareceu perante os deputados para alertar que a recente crise no distrito de Rasuwa (norte), desencadeada por uma avalanche de pedras e neve no rio Bhote Koshi, é o pior desastre do género registado historicamente na região. “Este evento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, disse Shah. O chefe do governo sublinhou que o Nepal não pode enfrentar esta crise sozinho e anunciou que vai exigir que a comunidade internacional assuma um papel no que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático. De acordo com o mais recente balanço das autoridades de gestão de emergências do Nepal, as cheias provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos. Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afectadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.
Hoje Macau China / ÁsiaPIF | Pequim acusa Palau de mobilizar Pacífico contra teste de míssil chinês A China acusou ontem Palau de tentar arrastar outros países do Pacífico para uma condenação do teste de um míssil balístico intercontinental realizado por Pequim em Julho, após o arquipélago ter pedido uma posição regional conjunta. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que Palau tem “exagerado repetidamente” a questão e acusou o país de tentar levar outros membros do Fórum das Ilhas do Pacífico (PIF, na sigla em inglês) a apoiar a sua posição. “As suas intenções são maliciosas e a tentativa não terá sucesso”, afirmou Guo, questionado sobre as declarações do Presidente de Palau, Surangel Whipps, que exerce este ano a presidência rotativa do PIF. O porta-voz defendeu que a China está comprometida com “o caminho do desenvolvimento pacífico”, segue uma política de defesa nacional de carácter defensivo e “nunca levou a cabo uma expansão militar”. Guo assegurou ainda que Pequim está disposta a trabalhar com os países do Pacífico Sul para contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento da região. Whipps pediu unidade aos membros do PIF para condenarem o lançamento realizado pela China em 06 de Julho e afirmou que “uma voz unificada do Pacífico é fundamental” para garantir que Pequim respeite a soberania e a transparência. A China lançou então, a partir de um submarino, um míssil balístico com capacidade nuclear que percorreu cerca de 7.300 quilómetros sobre o Pacífico antes de cair em águas próximas da zona económica exclusiva de Tuvalu e de Naoero (antiga Nauru). O Presidente de Palau afirmou que o projéctil atravessou o espaço aéreo do país e criticou Pequim por não ter explicado previamente o que estava a acontecer. A questão regressa agora à agenda da cimeira de líderes do PIF, que decorre esta semana em Palau e na qual participam representantes da China e dos Estados Unidos enquanto parceiros de diálogo.
Hoje Macau China / ÁsiaChina liquida dívida à ONU e 625,7 ME dos EUA ainda “em processo” de pagamento A ONU indicou ontem que a China liquidou a sua dívida com a organização e observou que os Estados Unidos (EUA) ainda estão “em processo” de pagamento da sua parte, equivalente a 625,7 milhões de euros. A informação foi avançada à imprensa por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, explicando que Pequim concluiu o pagamento da última parcela prevista para 2026, cujo valor total ultrapassa 641 milhões de dólares. “Agradecemos à China por esse dinheiro, que será muito útil”, disse o porta-voz, aludindo à grave crise financeira das Nações Unidas. “A China já tinha pago parcialmente as suas contribuições para o orçamento [regular da ONU]. O pagamento de hoje (ontem) regulariza a situação para este ano. (…) Ter o valor total disponível agora é uma grande ajuda na actual crise de liquidez”, acrescentou. Após a contribuição de Pequim, que é “o segundo maior contribuinte para o orçamento da ONU”, o número de países que concluíram os pagamentos chegou a 133. Em andamento Questionado sobre o pagamento dos Estados Unidos, após o secretário-geral, António Guterres, ter afirmado na semana passada que esse dinheiro chegaria “muito em breve”, o porta-voz declarou que ainda está “em processo”. “Está em processo. Estamos a acompanhar o andamento. Tudo indica que será aprovado e ficaremos muito felizes assim que o dinheiro for confirmado no banco”, disse Dujarric sobre a dívida de Washington. O pagamento planeado inclui 725 milhões de dólares referentes às contribuições dos Estados Unidos para o orçamento regular da ONU e mais 125 milhões de dólares para operações de manutenção da paz no Haiti e na República Democrática do Congo, de acordo com notificações enviadas recentemente pelo Departamento de Estado ao Congresso norte-americano, segundo a agência norte-americana Associated Press (AP). Os EUA devem à ONU cerca de cinco mil milhões de dólares, segundo dados da própria organização, dos quais mais de dois mil milhões de dólares correspondem ao orçamento regular e cerca de três mil milhões de dólares a operações de manutenção da paz.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi Jinping intensifica contactos antes de cimeira com Trump Antes da reunião com Donald Trump no final do mês em Washington, o Presidente chinês promove uma série de encontros com líderes internacionais O Presidente chinês, Xi Jinping, intensificou nas últimas semanas a actividade diplomática no estrangeiro, numa tentativa de projectar Pequim como parceiro mais previsível para países emergentes e do Médio Oriente, antes de uma prevista cimeira com Donald Trump. Xi reuniu-se na quarta-feira, no Cairo, com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, naquela que é a primeira visita do líder chinês ao Egipto desde 2016 e mais uma etapa da sua mais intensa sequência de deslocações internacionais desde 2019. A ofensiva diplomática ocorre numa altura em que as tarifas impostas pela administração norte-americana, a guerra contra o Irão e sinais contraditórios de Washington aos seus tradicionais parceiros de segurança provocaram tensões nas relações dos Estados Unidos com vários países. Numa mensagem publicada na imprensa egípcia, Xi afirmou que a China está disposta a trabalhar com o Egipto e a tirar partido da “localização única” do país, que estabelece uma ligação entre o mundo árabe e o continente africano. Perante aquilo que Pequim descreve como “profundas mudanças nunca vistas num século”, expressão utilizada pelas autoridades chinesas para caracterizar uma alegada perda de influência dos Estados Unidos, Xi defendeu que China e Egipto devem salvaguardar “vigorosamente a paz e a estabilidade mundiais” e promover “a equidade e a justiça internacionais através da prática de um verdadeiro multilateralismo”. Pequim tem aprofundado a presença económica no Egipto, participando na construção da nova capital administrativa do país. A tecnológica chinesa Huawei lançou também, em 2024, um serviço de computação em nuvem destinado ao mercado egípcio, incluindo ferramentas de inteligência artificial (IA), modelos de linguagem em árabe e bases de dados. Próxima paragem A visita ao Cairo sucede à participação de Xi numa cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada esta semana em Bisqueque, capital do Quirguistão. O Presidente chinês deverá deslocar-se na próxima semana à Índia para participar na cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, em Nova Deli, com líderes de países como Rússia, Brasil, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A série de deslocações antecede uma prevista visita de Estado de Xi a Washington, em Setembro, retribuindo a deslocação de Trump a Pequim, em Maio. Desde a pandemia, o líder chinês reduziu significativamente as viagens ao estrangeiro, privilegiando a recepção de dirigentes internacionais na capital chinesa. Na cimeira da OCX, Xi defendeu que os Estados-membros devem impedir “forças externas” de interferirem nos seus assuntos internos, ameaçarem a sua segurança política ou prejudicarem a estabilidade regional. O líder chinês procurou ainda apresentar os avanços do país na inteligência artificial como um instrumento de cooperação internacional, anunciando a criação de um centro internacional para a aplicação de IA e 100 projectos de cooperação tecnológica com os membros da OCX nos próximos três anos. A aproximação diplomática chinesa enfrenta, no entanto, reservas em vários países, devido sobretudo ao impacto dos elevados excedentes comerciais chineses sobre as indústrias locais. Esta semana, uma reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 terminou sem um comunicado conjunto, após divergências sobre os desequilíbrios comerciais globais. A China lamentou a ausência de consenso e pediu aos Estados Unidos, que exercem este ano a presidência do grupo, que respeitem as preocupações de todos os membros.
Hoje Macau China / ÁsiaG20 | Pequim lamenta ausência de comunicado conjunto A China lamentou ontem que a reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 tenha terminado sem um comunicado conjunto e pediu a Washington que respeite as preocupações de todos os membros. “A China lamenta profundamente que a reunião não tenha conseguido emitir um comunicado”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Guo respondia a uma pergunta que atribuía a falta de consenso às divergências da China sobre a questão dos desequilíbrios comerciais globais, algo que o porta-voz não confirmou. O representante da diplomacia chinesa limitou-se a afirmar que as diferentes partes manifestaram “pontos de vista distintos sobre as questões relevantes” durante a reunião, realizada entre segunda e terça-feira em Asheville, no estado norte-americano da Carolina do Norte. Guo defendeu que o G20, enquanto principal fórum de cooperação económica internacional, deve abordar as grandes questões económicas mundiais de forma “objectiva, imparcial e equilibrada”, com base no consenso e na participação em condições de igualdade. “A China espera que os Estados Unidos, enquanto presidência, trabalhem com todos os membros de acordo com estes princípios e respeitem plenamente as preocupações legítimas de todas as partes”, acrescentou. A reunião de Asheville centrou-se, entre outros temas, no crescimento económico e na dívida soberana, com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, a defender uma redução dos obstáculos regulatórios e um maior crescimento económico como forma de conter os elevados níveis de endividamento.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio | Japão rejeita acusação de Putin sobre degradação de relações O Japão considerou ontem inaceitável que o Presidente da Rússia tivesse responsabilizado as autoridades japonesas pela degradação das relações bilaterais, no âmbito da guerra na Ucrânia e após uma visita a ilhas disputadas com Tóquio. Vladimir Putin afirmou na terça-feira no Quirguizistão que o surpreendia a postura de Tóquio “sobre a Rússia em geral”, embora não a reacção à deslocação a Iturup (Etorofu, para o Japão), a principal ilha das Curilas, administradas por Moscovo e reivindicadas por Tóquio. “A difícil situação das relações bilaterais deve-se à agressão russa contra a Ucrânia, pelo que é inaceitável qualquer afirmação que pretenda atribuir a responsabilidade à parte japonesa”, reagiu o porta-voz governamental, numa conferência de imprensa em Tóquio. Minoru Kihara considerou, no entanto, ser “vital gerir adequadamente as relações bilaterais” por a Rússia ser um país vizinho, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE. Assegurou ainda que o executivo da primeira-ministra Sanae Takaichi vai continuar a responder a Moscovo “da forma mais conveniente, tendo sempre em conta o interesse nacional”. Dedos apontados Nas declarações que proferiu em Bishkek, Putin afirmou que a Rússia não deu “nem um único passo para piorar as relações russo-japonesa” e que as tratou “com o máximo cuidado”. “O deteriorar das nossas relações é inteiramente culpa do executivo japonês. O que fizemos contra o Japão? Absolutamente nada”, declarou, citado pela agência de notícias russa TASS. As relações bilaterais agravaram-se após o início da invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, quando o Japão se juntou às sanções contra a Rússia e Moscovo incluiu Tóquio na lista de países hostis. A tensão aumentou no início de Agosto, quando Putin realizou a primeira visita desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai, nas Curilas). As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Na altura, Takaichi classificou a deslocação de Putin como “absolutamente inaceitável” e afirmou que a acção feria os sentimentos do povo japonês. Em sinal de protesto, Moscovo e Tóquio convocaram os respectivos embaixadores. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo. Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas. Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Hoje Macau China / Ásia MancheteBalanço geral das cheias sobe para 1.114 mortos e 3.916 desaparecidos As cheias que atingiram há uma semana o Nepal, junto à fronteira com a China, provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas, segundo um balanço provisório divulgado ontem pelas autoridades de gestão de emergências. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos. Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias. Entre as vítimas no Nepal contam-se dezenas de crianças, enquanto centenas de restos mortais foram recuperados pelas equipas de emergência. Centenas de cidadãos estrangeiros continuam também desaparecidos. Segundo um balanço anterior das autoridades nepalesas, pelo menos 583 estrangeiros estavam por localizar. As equipas de emergência resgataram mais de 6.500 pessoas, entre as quais cerca de 580 estrangeiros. Na segunda-feira, o Governo nepalês enviou um pedido urgente de assistência financeira ao conselho do Fundo de Resposta a Perdas e Danos, mecanismo internacional criado para apoiar países vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Nunca visto A inundação, descrita por observadores locais como a maior de que há memória na região, terá feito subir o nível das águas entre 15 e 18 metros acima do habitual, devastando localidades ao longo de cerca de 72 quilómetros do rio Trishuli. As cheias destruíram também o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, entre o Nepal e a China, uma das principais vias de comércio bilateral, e afectaram dezenas de localidades. A catástrofe atingiu igualmente o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete, onde as autoridades mobilizaram equipas de emergência para procurar desaparecidos e retirar residentes e turistas das áreas afetadas.
Hoje Macau China / ÁsiaChina beneficia cada vez mais do regresso de cientistas formados no estrangeiro O número de cientistas chineses que regressam do estrangeiro aumentou mais de 40 vezes em menos de duas décadas, contribuindo para a crescente presença da China na investigação científica de elite, segundo um estudo divulgado pela Universidade de Stanford. O número anual de investigadores que regressaram à China passou de 31, em 2004, para 1.409, em 2022, totalizando quase 10.000 cientistas durante o período analisado, mais de metade proveniente dos Estados Unidos. A investigação, divulgada pelo Stanford Center on China’s Economy and Institutions (SCCEI), um centro de estudos da Universidade de Stanford especializado na economia chinesa, concluiu que o regresso destes investigadores está a contribuir não apenas para a produção científica individual, mas também para melhorar o desempenho dos colegas e instituições onde passam a trabalhar. “Os cientistas que regressaram alimentaram a ascensão da China na ciência”, lê-se no relatório, intitulado “Brain Circulation and Knowledge Creation: Evidence from Elite Chinese Scientists”. O estudo foi realizado pelos investigadores Shihang Ru, Heiwai Tang, Bernard Yeung e Xinbei Zhou e analisou mais de 600.000 artigos publicados entre 2003 e 2022 em algumas das revistas científicas mais selectivas do mundo, nas áreas da química, física e ciências da vida, além de várias publicações científicas generalistas. A amostra abrange mais de 1,2 milhões de investigadores ligados a cerca de 65.000 instituições. Os autores consideraram como “regressado” um cientista de origem chinesa cuja afiliação profissional passou de uma instituição no estrangeiro para outra na China. Durante o período analisado, a proporção de artigos publicados nas revistas científicas selecionadas com pelo menos um autor baseado na China passou de cerca de 4 por cento, em 2003, para 27 por cento, em 2022. Mais citações O peso científico da China aumentou também quando medido através das citações recebidas pelos trabalhos publicados: a percentagem atribuída a cientistas chineses baseados na China aumentou de cerca de 2 por cento para 25 por cento do total nas áreas analisadas. Para os autores, isto significa que a crescente presença chinesa “reflecte cada vez mais influência real, e não apenas volume”. O estudo identificou ainda efeitos sobre os investigadores que já trabalhavam na China. “Colaborar com um investigador regressado proporciona um impulso duradouro ao trabalho dos próprios cientistas locais”, segundo o relatório. Entre cientistas que já tinham colaboradores internacionais antes de trabalharem pela primeira vez com um investigador regressado, a qualidade da investigação, medida através de um indicador baseado em citações, aumentou cerca de 8 por cento no ano dessa primeira colaboração e aproximadamente 15 por cento três anos depois. Segundo os autores, os resultados sugerem que a melhoria resulta de capacidades específicas trazidas pelos regressados, entre as quais “conhecimentos especializados, familiaridade com o funcionamento das revistas de elite e acesso a redes internacionais”. “Até os cientistas que nunca trabalham com um regressado beneficiam de ter mais deles por perto”, realça o documento. A China começou a lançar programas específicos de recrutamento de talentos no estrangeiro em 2006, incluindo o programa Mil Talentos, em 2008, e uma iniciativa semelhante destinada a investigadores mais jovens, em 2011. “O valor de recrutar cientistas de volta ao país reside apenas parcialmente na produtividade dos próprios regressados”, indica o relatório. “Uma parte substancial resulta da forma como a sua presença transforma os laboratórios, as colaborações e as culturas de investigação à sua volta”, acrescenta.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | China pronta para ajudar a proteger transporte marítimo A China está disponível para trabalhar com os países do Médio Oriente para proteger o transporte marítimo, declarou ontem o Presidente chinês ao homólogo egípcio durante um encontro no Cairo. “A China está pronta para trabalhar com os países da região para salvaguardar a segurança das vias marítimas internacionais”, disse Xi Jinping a Abdel Fattah al-Sisi, informou a agência estatal chinesa Xinhua. A declaração de Xi surge numa altura em que a guerra entre os Estados Unidos e o Irão perturba a logística na região rica em energia, de que a China é cliente. Xi também defendeu que as “ingerências externas” no Médio Oriente devem ser combatidas, referiu a Xinhua, citada pela agência de notícias AFP. “Devemos defender o princípio de que os povos do Médio Oriente são mestres do próprio destino, opor-nos às ingerências externas e apoiar os países da região no reforço do diálogo para a paz e a segurança”, afirmou Xi. O Presidente da China chegou ao Cairo na terça-feira para uma visita de três dias, a primeira numa década.
Hoje Macau China / ÁsiaViagem | Xi visita Egipto e procura ampliar influência no Médio Oriente O Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou uma visita de três dias ao Egipto, a primeira em uma década, numa altura em que Pequim procura aprofundar a influência económica e diplomática no Médio Oriente. Xi chegou na terça-feira à noite ao aeroporto do Cairo, decorado com bandeiras chinesas e egípcias, onde foi recebido pelo Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. Os dois líderes tinham previsto uma reunião e uma visita de Xi ao Grande Museu Egípcio. A deslocação é a primeira do Presidente chinês ao Egipto em dez anos e a primeira ao Médio Oriente desde a visita à Arábia Saudita, em 2022. Sisi deslocou-se várias vezes à China nos últimos anos. A visita ocorre numa altura em que Pequim procura apresentar-se como um factor de estabilidade no Médio Oriente, em contraste com os Estados Unidos, envolvidos militarmente na região durante décadas e, mais recentemente, na guerra com o Irão. “A China continua a acumular reservas de ‘soft power’, enquanto os Estados Unidos sabotam as suas próprias”, escreveram este ano Amr Hamzawy, director do programa para o Médio Oriente do grupo de reflexão Carnegie Endowment for International Peace, e Kathryn Selfe, antiga investigadora da instituição. Por ocasião dos 70 anos de relações diplomáticas entre os dois países, Xi e Sisi publicaram na terça-feira artigos na imprensa estatal egípcia. Xi defendeu que Pequim e Cairo devem “alargar o âmbito da cooperação pragmática”, enquanto Sisi destacou os investimentos chineses no Egipto e reiterou o apoio do Cairo à posição de Pequim de que Taiwan faz parte da China. O Egipto tem encarado o aprofundamento das relações com Pequim como forma de diversificar as parcerias estratégicas. O país aderiu em 2024 ao bloco de economias emergentes BRICS, visto como contrapeso às instituições internacionais dominadas pelas potências ocidentais. No mesmo ano, Cairo assinou acordos com Pequim no âmbito da iniciativa chinesa Faixa e Rota, lançada por Xi para financiar e construir infraestruturas de transporte, energia e outras obras em dezenas de países. Falam os números A China investiu mais de 10 mil milhões de dólares no Egipto, incluindo na construção de um polo empresarial a leste do Cairo e de uma linha ferroviária eléctrica destinada à indústria no delta do Nilo. O comércio bilateral ronda 20 mil milhões de dólares anuais, segundo dados oficiais, contra 15,7 mil milhões de dólares nas trocas entre Estados Unidos e Egipto em 2025. O Egipto continua, no entanto, a ser um parceiro fundamental de Washington na política de segurança para o Médio Oriente. Pequim tem procurado simultaneamente assumir um papel diplomático mais relevante na região. Em 2023, mediou o acordo para o restabelecimento das relações diplomáticas entre o Irão, importante fornecedor de petróleo da China, e a Arábia Saudita, tradicional aliado dos Estados Unidos. As relações entre Riade e Teerão deterioraram-se desde então, na sequência da guerra iniciada em Fevereiro entre o Irão, por um lado, e Estados Unidos e Israel, por outro. Dois Estados A China tem também defendido uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e, em 2023, Xi anunciou uma “parceria estratégica” com a Autoridade Palestiniana durante uma visita do Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, a Pequim. A importância estratégica do Egipto aumentou ainda devido às perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz provocadas pela guerra com o Irão. O canal do Suez, controlado pelo Egipto, constitui uma rota alternativa fundamental para o transporte de energia para fora da região. “A China tem boas razões para reforçar os laços com o país que controla a rota que permanece aberta”, afirmou Muhammad Zulfikar Rakhmat, especialista em Médio Oriente do Centro de Estudos Económicos e Jurídicos, com sede em Jacarta, citado pela agência Associated Press. China e Egito realizaram, em Agosto, exercícios aéreos durante vários dias em diversas bases egípcias, que incluíram caças chineses J-16 e Rafale de fabrico francês ao serviço das forças egípcias. Xi chegou ao Cairo após participar numa cimeira de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai, em Bisqueque, no Quirguistão, que reuniu, entre outros, os líderes da Rússia, Índia, Paquistão e Irão.
Hoje Macau China / ÁsiaMoody’s | China reforça papel de empresas estratégicas para garantir segurança energética A agência de notação financeira Moody’s indicou que Pequim está a atribuir importância estratégica crescente a empresas consideradas essenciais para garantir a segurança energética, perante as tensões geopolíticas e expansão de sectores com elevado consumo de electricidade. Num relatório recente, a agência destacou os riscos decorrentes da “forte dependência de combustíveis importados e das infraestruturas energéticas tradicionais”, apontando especificamente para o impacto da guerra no Médio Oriente e o consequente encerramento do estreito de Ormuz. Antes do conflito, passavam por aquela via marítima cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás, segundo a Moody’s. A agência afirmou ainda que a “rápida expansão” da inteligência artificial (IA), dos centros de dados, dos veículos eléctricos e da indústria transformadora avançada torna o acesso a energia “fiável, acessível e segura ainda mais vital para o crescimento económico e a competitividade tecnológica”. “O objectivo da China é garantir a resiliência geral do seu ecossistema energético, capaz de apoiar a descarbonização, a competitividade industrial, a liderança tecnológica e um crescimento impulsionado pela IA”, resumiu. Neste contexto, Pequim está a alargar o conceito de sectores estratégicos para além dos combustíveis, produtores de energia e operadores das redes eléctricas, passando a incluir também minerais críticos, equipamento nuclear, armazenamento de energia e construção de infraestruturas. Entre as empresas que poderão beneficiar desta estratégia, a Moody’s destacou o grupo de infraestruturas energéticas PowerChina, o fabricante de baterias para veículos eléctricos CATL, o grupo mineiro Minmetals e a Shanghai Electric Holdings, um dos poucos fabricantes chineses de equipamento nuclear. A agência ressalvou que a emergência de novas empresas consideradas estratégicas não deverá reduzir a importância dos grupos estatais que tradicionalmente dominam o sector energético chinês. “As empresas de petróleo e gás continuam a ser fundamentais para a segurança dos combustíveis, a resiliência do abastecimento e a diversificação das importações, enquanto os produtores de eletricidade e operadores das redes continuam a sustentar a fiabilidade do sistema e o acesso a energia a preços comportáveis”, indicou. Sol que brilha Esta semana, o portal financeiro chinês Cailian informou que a capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão, assinalando uma mudança significativa na transformação do sistema eléctrico do país. A China continua fortemente dependente do carvão em termos de produção efectiva de eletricidade, mas as fontes renováveis têm vindo a dominar cada vez mais a nova capacidade instalada. A segurança energética ganhou particular importância para Pequim desde o início da guerra no Irão. Em Abril, semanas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das posteriores represálias de Teerão, incluindo contra outros países da região, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) apelou a uma melhoria da “segurança energética e dos recursos” e à preparação para “perturbações e desafios provenientes do exterior”. O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20 por cento do petróleo e gás comercializados mundialmente antes do início do conflito, afetou particularmente a Ásia, principal destino das exportações energéticas que atravessavam aquela rota. A guerra chegou a provocar uma subida dos preços dos combustíveis na China e levou as autoridades a intervirem temporariamente, limitando os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual de cálculo. O conflito trouxe, contudo, algumas vantagens comerciais para a China. As exportações chinesas de tecnologias ‘verdes’, setores em que o país ocupa uma posição dominante a nível mundial, incluindo painéis solares, baterias e veículos eléctricos, dispararam nas últimas semanas, perante o impacto global da subida dos preços do petróleo.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Energia solar supera pela primeira vez carvão A capacidade instalada de energia solar na China ultrapassou, pela primeira vez, a do carvão no final de Julho, tornando a fotovoltaica a maior fonte de electricidade do país em termos de potência instalada, segundo o portal financeiro Cailian. A capacidade fotovoltaica acumulada atingiu 1.286 gigawatts (GW), ligeiramente acima dos 1.285 GW de capacidade de geração a carvão, de acordo com os dados citados pelo órgão chinês. Do total da capacidade solar, 704 GW correspondiam a instalações centralizadas e 582 GW a geração distribuída, modalidade que inclui projectos de menor dimensão ligados à rede junto dos locais de consumo. Os dados representam um ponto de viragem na transformação do sistema eléctrico chinês, ainda dependente do carvão em termos de produção efectiva de electricidade, mas cada vez mais dominado pelas energias renováveis no que respeita à nova capacidade instalada. Ganhar terreno Entre Janeiro e Julho, a China acrescentou 85,65 GW de capacidade fotovoltaica, uma queda homóloga de 62 por cento, que o Cailian atribuiu sobretudo à elevada base de comparação criada pela vaga de novas instalações registada entre Janeiro e Maio de 2025. Apesar da redução das novas ligações à rede, a produção de energia solar continuou a aumentar e atingiu 802.400 milhões de quilowatts-hora nos primeiros sete meses do ano, mais 15,5 por cento em termos homólogos. A energia solar representou já 13 por cento de todo o consumo de electricidade do país, mais 1,7 pontos percentuais do que a média registada em 2025. A evolução acompanha a tendência observada no conjunto das energias renováveis. No primeiro semestre, estas fontes foram responsáveis por 41,2 por cento de toda a electricidade produzida na China, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos 40, segundo dados recentes da Administração Nacional de Energia. Pequim prevê que as fontes não fósseis sejam responsáveis por metade da produção nacional de electricidade em 2030, no âmbito de uma estratégia que combina energias renováveis, nuclear e armazenamento para reduzir as emissões de carbono. Relatórios recentes do grupo de reflexão britânico Ember e da organização ambientalista Greenpeace indicaram que o crescimento das energias eólica e solar e do armazenamento está a aproximar a China de um ponto de viragem no sistema eléctrico. As organizações advertiram, no entanto, que o desafio passa agora por integrar melhor aquela capacidade na rede eléctrica e conter o papel do carvão, que continua a ser fundamental para garantir a segurança do abastecimento. A China, maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, estabeleceu como objectivos atingir o pico das emissões de dióxido de carbono (CO2) antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060.
Hoje Macau China / Ásia MancheteNepal | Um dos três portugueses desaparecidos foi localizado e resgatado Um dos três portugueses desaparecidos na sequência da inundação devastadora no Nepal e no Tibete foi localizado e resgatado, anunciou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros. “De acordo com as autoridades do Nepal, um cidadão nacional terá sido resgatado”, indicou o ministério, acrescentando que “permanecem desaparecidas duas portuguesas”. De acordo com o mais recente balanço, o número total de mortos já ultrapassou os 1.000. A agência nepalesa de gestão de catástrofes informou que foram contabilizados 987 mortos no país e que 3.916 pessoas continuam desaparecidas, entre as quais 583 estrangeiros. As autoridades chinesas tinham contabilizado 16 mortos na atualização mais recente, divulgada no domingo, elevando para pelo menos 1.003 o número de vítimas mortais nos dois países. Pelo menos 11.814 pessoas foram até agora resgatadas, de acordo com as autoridades nepalesas. A catástrofe de 26 de Agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias. O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias a jusante. A vaga de água e lama atingiu por volta das 09:15 locais o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana e afectou com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, segundo fontes oficiais. A água atingiu também o território chinês. Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio que as atravessa sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações. A cheia atingiu com especial intensidade o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a massa de água varreu as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, junto a uma das principais passagens terrestres para o Tibete.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul | Cimeira entre Kim e Trump é possível “a qualquer momento” Os serviços secretos da Coreia do Sul consideram possível “a qualquer momento” uma cimeira entre os líderes do Norte e dos EUA, porque existem “sinais de diálogo” entre os dois países, afirmou hoje um deputado. “No que diz respeito à cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, uma análise considera que se deve partir do princípio de que esta pode ocorrer a qualquer momento”, declarou aos jornalistas o deputado Youn Kun-young, à saída de uma reunião com os serviços secretos. “Embora não tenham sido apresentados factos relativos a contactos concretos entre as duas partes, existem sinais de diálogo”, acrescentou Youn, após a reunião, à porta fechada, com dirigentes do Serviço Nacional de Informações sul-coreano. O Presidente norte-americano, Donald Trump, que se encontrou com Kim Jong-un por três vezes durante o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021), surpreendeu todos a 19 de Agosto, ao afirmar que se iria reunir novamente com o líder norte-coreano até ao final do ano. Além disso, encurtou os exercícios militares conjuntos anuais com a Coreia do Sul, que, segundo Trump, enviam “um sinal totalmente inadequado e hostil” a Pyongyang. Trump orgulha-se de ter uma relação privilegiada com Kim Jong-un, cujo país é considerado uma grande ameaça à segurança dos Estados Unidos pelos serviços secretos norte-americanos. Por enquanto, a Coreia do Norte não deu publicamente qualquer sinal de aceitar este convite ao diálogo. Pouco depois do anúncio do Presidente norte-americano, Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, afirmou que “não tinha qualquer conhecimento” de qualquer comunicação entre o irmão e Donald Trump. A Coreia do Norte realizou posteriormente testes de lançamento de cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance e condenou, esta semana, como uma ameaça, as manobras navais programadas para este mês entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaCimeira | Xi Jinping pede maior destaque global da Organização de Cooperação de Xangai O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem um maior papel global da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), sobretudo nas áreas da segurança e tecnologia, destacando o “enorme potencial” do bloco euroasiático. Durante a cimeira da OCX em Bisqueque, no Quirguistão, Xi afirmou que a organização demonstrou uma “forte vitalidade” desde a criação, há 25 anos, na sequência das “profundas lições da Guerra Fria”. Numa aparente referência ao sistema de alianças militares liderado pelos Estados Unidos, o chefe de Estado chinês afirmou que uma das principais lições retiradas de 25 anos de cooperação foi a necessidade de “encontrar a forma correcta de coexistir sem alianças, confrontos ou visar terceiros”. “A conquista mais significativa foi o crescimento constante até se tornar num novo tipo de organização de cooperação regional, que abrange hoje um território mais vasto, engloba a maior população e possui o maior potencial de desenvolvimento do mundo”, afirmou Xi, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua. O líder chinês considerou que “a sombra da guerra persiste” e que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, entre diálogo e confronto, cooperação de benefício mútuo e competição de ‘tudo ou nada’, e multilateralismo e unilateralismo. “Perante uma encruzilhada que diz respeito ao futuro e ao destino da humanidade, a Organização de Cooperação de Xangai deve assumir corajosamente as suas responsabilidades e orientar de forma proativa o curso da história”, afirmou. Segurança prioritária Ao apresentar as suas propostas para o futuro da organização, Xi Jinping defendeu que os países devem “dar prioridade à segurança e criar um ambiente de segurança universal”. O Presidente chinês apelou ainda aos membros da OCX para “impedirem firmemente” a interferência de forças externas nos assuntos internos de outros países, com o objectivo de preservar a estabilidade regional. Na área tecnológica, Xi anunciou que a China vai executar 100 projectos científicos e tecnológicos com os países membros da organização nos próximos três anos. A cimeira reúne, entre outros líderes, o Presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O encontro decorre num contexto de crescente instabilidade internacional, marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Irão. Fundada em 2001 por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, a OCX expandiu-se posteriormente para incluir Índia, Paquistão, Irão e Bielorrússia. Pequim tem procurado reforçar o papel da organização como plataforma para promover uma ordem internacional multipolar e aumentar a influência da China entre os países do chamado Sul Global.
Hoje Macau China / ÁsiaChina exige protecção dos seus interesses na Venezuela após acordo com os EUA A China exigiu ontem que os seus interesses na Venezuela sejam salvaguardados, após notícias de que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderá afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC. “Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. Guo respondia a uma pergunta sobre informações segundo as quais, no âmbito do novo acordo petrolífero promovido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, uma empresa dos Estados Unidos assumiria o controlo de vários campos venezuelanos anteriormente nas mãos de companhias chinesas, entre as quais a Sinopec e a CNPC. O porta-voz não confirmou as mudanças de controlo e limitou-se a afirmar que Pequim “tomou nota das informações”. Guo sublinhou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países” e defendeu que a cooperação económica e comercial entre países deve reger-se pelos princípios da igualdade e do benefício mútuo. A China mantém há vários anos importantes interesses no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais como a CNPC e a Sinopec participaram em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas. Saque americano Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram, na sexta-feira, um acordo através do qual Washington passará a controlar mais de 20 por cento das reservas de petróleo venezuelanas, quase oito meses após a aproximação entre o Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, e a administração Trump, na sequência da captura de Nicolás Maduro, em Janeiro. Rodríguez detalhou, no sábado, que o acordo terá uma duração de 25 anos e prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com reservas comprovadas de 65 mil milhões de barris de petróleo e um objectivo de produção superior a 1,5 milhões de barris por dia. Desde a captura de Maduro, Washington tem tutelado o Governo liderado por Rodríguez e restabeleceu as relações diplomáticas com Caracas, após mais de duas décadas de afastamento bilateral.
Hoje Macau China / ÁsiaTibete | Pequim invoca riscos de segurança para restringir acesso de jornalistas a zona das cheias O Governo chinês invocou ontem riscos de segurança e a possibilidade de novos “desastres secundários” para justificar as restrições no acesso de jornalistas estrangeiros à zona do Tibete atingida pelas cheias da semana passada. “Neste momento, as estradas e as comunicações na zona afectada pelo desastre estão cortadas e existem riscos consideráveis de desastres secundários”, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. O porta-voz acrescentou que as operações de resgate decorrem “de forma intensa e ordenada” e garantiu que as autoridades vão continuar a divulgar informações sobre a situação e as operações de busca. Guo respondia a uma pergunta sobre as razões pelas quais as autoridades chinesas ainda não permitiram o acesso de órgãos de comunicação social estrangeiros à zona afectada, enquanto jornalistas da imprensa estatal chinesa têm feito reportagens a partir do local. Após as cheias, as autoridades suspenderam temporariamente a emissão de autorizações para as áreas fronteiriças sujeitas a controlo especial no município de Shigatse, incluindo Gyirong, e pediram às pessoas que já dispunham de autorizações válidas que evitassem deslocações à região. As autoridades justificaram a medida com os riscos para a população e para as operações de resgate, bem como com a possibilidade de ocorrência de novos desastres.
Hoje Macau China / ÁsiaGuangzhou Evergrande | Tribunal chinês abre processo de liquidação Um tribunal de Cantão, no sudeste da China, abriu formalmente o processo de liquidação por insolvência do Guangzhou FC, antigo Guangzhou Evergrande e um dos clubes mais bem-sucedidos do futebol chinês, após anos de dificuldades financeiras. O Tribunal Popular Intermédio de Cantão anunciou que aceitou, na segunda-feira, o pedido de liquidação apresentado pela Guangzhou Zhonghang Service Management contra o clube e nomeou uma equipa de liquidação como administradora da instituição. Os credores têm até 30 de Novembro para reclamar os respectivos créditos, estando a primeira assembleia de credores marcada para 08 de Dezembro. A decisão surge depois de o clube não ter obtido, no início de 2025, a licença necessária para participar nas competições profissionais chinesas, por não ter conseguido reunir fundos suficientes para liquidar as dívidas, situação que o deixou então à beira do desaparecimento. O Guangzhou FC viveu o período de maior sucesso sob a designação Guangzhou Evergrande, após o gigante imobiliário com o mesmo nome ter adquirido o clube em 2010. A equipa conquistou oito títulos da Superliga chinesa e venceu por duas vezes a Liga dos Campeões asiática, em 2013 e 2015. Pelo clube passaram futebolistas como os brasileiros Robinho e Paulinho, o colombiano e antigo jogador do FC Porto Jackson Martínez e o argentino Darío Conca, enquanto entre os treinadores estiveram os italianos Fabio Cannavaro e Marcello Lippi e o brasileiro Luiz Felipe Scolari. Os problemas do clube agravaram-se em paralelo com a crise da Evergrande, que entrou em incumprimento em 2021, após acumular um passivo de centenas de milhares de milhões de dólares. A equipa desceu da primeira divisão em 2022 e tentou posteriormente manter-se no segundo escalão, antes de ficar afastada do futebol profissional.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Governo propõe orçamento de defesa recorde centrado na IA O Ministério da Defesa japonês pediu ontem um orçamento recorde de 8,9 biliões de ienes (48 mil milhões de euros) focado na inteligência artificial (IA) para acelerar a tomada de decisões num contexto de tensão. Uma fonte parlamentar da coligação no poder admitiu ao jornal Nikkei, sob condição de não ser identificada, que o orçamento final da defesa para o ano fiscal que começa em Abril de 2027 poderá atingir os 10 biliões de ienes, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP). Os valores exactos atribuídos a cada rubrica deverão ser finalizados assim que o Governo concluir, até ao final do ano, a revisão dos principais documentos relativos à segurança nacional, disseram responsáveis do Ministério da Defesa. Com a proposta, o Governo pretende realizar uma ampla modernização das forças armadas para enfrentar as crescentes tensões com vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia. A proposta orçamental foca-se no combate a “novas formas de guerra”, como a IA, drones (aparelhos telecomandados) e mísseis de longo alcance. O Ministério da Defesa espera implementar um sistema de apoio à tomada de decisões baseado em IA e adquirir drones de baixo custo capazes de atuar em conjunto com mísseis de longo alcance para neutralizar alvos inimigos. Planeia igualmente desenvolver mísseis hipersónicos lançados a partir de plataformas submarinas e criar uma nova unidade para reforçar as capacidades de defesa contra a guerra cognitiva. Trata-se de uma ameaça crescente que visa moldar a opinião pública através de campanhas de desinformação e de outras operações de influência. Com o pedido orçamental para o novo ano fiscal, o Japão prossegue os esforços para reforçar as capacidades militares de modo a responder a uma realidade geopolítica instável. O país afasta-se assim progressivamente da postura pacifista tradicional, que limitava o uso da força à estrita legítima defesa.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal enterra mortos após devastadoras inundações O Nepal enterra as vítimas da inundação devastadora ocorrida na fronteira com a China, sem esperar pela identificação de cadáveres nem pelo fim das operações de socorro, devido à magnitude do desastre. Mais de quatro mil pessoas, incluindo estrangeiros, continuam desaparecidas de ambos os lados da fronteira, nesta região dos Himalaias, isolada e muito procurada por alpinistas e peregrinos. A catástrofe já causou cerca de 900 mortos e danos consideráveis. As equipas de socorro trabalham incansavelmente, em condições perigosas e apesar dos riscos causados por uma nova subida das águas, na esperança, em particular, de salvar cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel, escreveu a agência de notícias France-Presse (AFP). Mas cinco dias depois, a esperança de encontrar sobreviventes no mar de lama e detritos que devastou aldeias inteiras vai-se desvanecendo. Famílias e pessoas próximas dos desaparecidos acorrem aos hospitais e morgues na tentativa de encontrar sobreviventes, nomeadamente em Bharatpur, no sul do Nepal, onde imagens de cadáveres são exibidas num ecrã. A força das águas levou cerca de 250 cadáveres até á área de Chitwan, a mais de cem quilómetros a jusante do local da catástrofe. Shobha Adhikary está convencida que o corpo sem vida deitado junto a um rio é de um amigo de infância. “Parece-se com ele”, afirma a um voluntário. Mas só uma identificação por ADN permitirá confirmar a identidade da vítima, adverte o voluntário. Contra o relógio Um trabalho longo e difícil realizado sob pressão do tempo: no domingo, por razões sanitárias, as autoridades nepalesas começaram a enterrar vítimas sem sequer esperar pela identificação dos corpos, por motivos de saúde pública. Estes enterros ocorrem após a recolha de uma amostra de ADN, precisaram as autoridades, e têm carácter provisório para as vítimas de confissão hindu. Isto permitirá que as famílias, após a identificação formal, exumem os corpos e procedem à cremação, conforme manda a tradição. “Foram recuperados muitos corpos e estes começaram a decompor-se”, justificou o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Amrit Bahadur Rai. Entre as causas, destacam-se: infraestruturas insuficientes face ao número de corpos. Como a morgue de Bharatpur só tem capacidade para cerca de vinte, as autoridades tiveram de armazenar os cadáveres em instalações com ar condicionado da associação de comerciantes. Em Devghat, na mesma região, onde foram enterradas vítimas ainda não identificadas, a polícia colocou números nos locais de sepultamento, de acordo com imagens da AFP. Várias dezenas estavam armazenados e prontos a serem utilizados. Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades nepalesas e chinesas continuam sem notícias de mais de quatro mil outras, entre as quais centenas de estrangeiros. O trabalho das equipas de salvamento está ameaçado por uma nova catástrofe: no lado chinês, os socorristas que intervêm no Tibete foram “transferidos para um local seguro” após a formação de um novo lago de barragem, provocado por um deslizamento de terra, segundo meios de comunicação estatais. No Nepal, as autoridades apelaram à prudência devido ao aumento do caudal do rio Bhotekoshi, no zona de Rasuwa (norte).
Hoje Macau China / ÁsiaQuirguistão | Xi aborda cooperação com Zhapárov O Presidente chinês está na capital do Quirguistão para reforçar laços bilaterais, participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai e encontrar-se com Putin para discutir projecto do gasoduto Força da Sibéria-2 O Presidente chinês chegou ontem ao Quirguistão para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e realizar uma visita oficial ao país, com uma agenda marcada pelas guerras na Ucrânia e no Irão. Após a chegada a Bisqueque, Xi Jinping teve uma reunião informal com o homólogo quirguiz, Sadir Zhapárov, na qual “abordaram questões actuais da cooperação bilateral e os principais temas que serão tratados durante as próximas reuniões oficiais”, segundo a agência Sputnik no Quirguistão. O Presidente chinês participará em Bishkek na cimeira da SCO, organização fundada em 2001 e que reúne actualmente China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. O bloco centra grande parte da sua actividade na cooperação política, económica e de segurança, incluindo o combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo, embora, ao contrário da NATO (aliança atlântica), não disponha de uma cláusula de defesa mútua e tome as suas decisões por consenso. Durante a cimeira, o Presidente chinês deverá trocar opiniões com os líderes participantes sobre o aprofundamento da cooperação nos diferentes domínios da organização, além de abordar o papel da SCO na reforma da governação global. Acordos pendentes Por seu lado, o Kremlin adiantou que os membros deverão assinar cerca de uma vintena de acordos e emitir uma declaração conjunta. Além disso, está previsto que Xi tenha uma reunião bilateral com o Presidente russo, Vladimir Putin, na qual será abordado o projecto do gasoduto Força da Sibéria-2, um acordo que não chegou a ser fechado durante a visita à China do líder russo em Maio passado. O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, confirmou ontem que Xi e Putin se reunirão em Bishkek e salientou que “o tema da interacção e cooperação no sector energético está sempre presente na agenda russo-chinesa”. “Trata-se de uma cooperação mutuamente benéfica. Cada país defende, naturalmente, os seus próprios interesses. Nós, pelo menos, continuaremos a fazê-lo. Os nossos amigos chineses farão o mesmo”, sublinhou. Guerras e cooperação As guerras na Ucrânia e no Irão estarão também presentes como pano de fundo, uma vez que a Rússia e o Irão são membros da SCO. A China defende, relativamente à Ucrânia, que a solução deve passar pelo diálogo e pelas negociações, tendo em conta as “preocupações legítimas” de todas as partes, enquanto, relativamente ao Irão, condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel e rejeitou as sanções e a “máxima pressão” sobre Teerão. Além da cimeira, Xi procurará reforçar os laços com o Quirguistão, país que visitará oficialmente e que ocupa um lugar de destaque nos projectos chineses de conectividade terrestre na Ásia Central. Xi e Zhapárov reuniram-se três vezes durante 2025, enquanto avança a construção da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, um dos principais projectos regionais promovidos por Pequim para abrir novas rotas para a Ásia Central e, a partir daí, para o Médio Oriente e a Europa. Após participar na cimeira da SCO e realizar a visita oficial ao Quirguistão, Xi seguirá para o Egipto, onde está previsto que se reúna com o Presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também marcará presença na cimeira em Bishkek, adiantou na sexta-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O líder da Organização das Nações Unidas (ONU) tem previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Plus, um formato alargado que reúne os membros da OCX e convidados, observadores e outros parceiros. “Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, disse Dujarric aos jornalistas. À margem da cimeira, Guterres deverá ter encontros bilaterais, nomeadamente com o Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, bem como “com outros líderes presentes”.
Hoje Macau China / ÁsiaFabricante automóvel BYD aumenta lucros graças às exportações A fabricante automóvel chinesa BYD, maior vendedora mundial de veículos eléctricos, aumentou os lucros em 30 por cento entre Abril e Junho, a primeira subida em cinco trimestres, num contexto de fraqueza do mercado interno que tornou as exportações prioritárias. Segundo cálculos efetuados com base nas contas apresentadas na sexta-feira à noite à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa registou no segundo trimestre um lucro líquido atribuível de cerca de 8.241 milhões de yuan. As vendas no estrangeiro cresceram 33,9 por cento, para o equivalente a 26.947 milhões de dólares, e representaram 52,6 por cento do total, enquanto as vendas na China caíram 30,7 por cento, levando a facturação operacional total a recuar 7,1 por cento. “Apesar da fraqueza das vendas na China, o lucro trimestral da BYD poderá representar um impulso para o sector automóvel chinês. As vendas no estrangeiro poderão aumentar, tirando partido da sua força tecnológica e produtiva”, afirmou Ivan Li, analista da Loyal Wealth Management, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. Segundo o jornal, apenas no segundo trimestre, a BYD aumentou em 82,5 por cento as vendas de veículos no estrangeiro, para mais de 471.000 unidades. Nas contas apresentadas, a fabricante descreveu uma conjuntura marcada por “uma fase de profundos ajustamentos e divergências, caracterizada por uma procura fraca a nível nacional e um sólido crescimento das exportações”, acrescentando que “continuará a reforçar a dinâmica de crescimento no estrangeiro”. Perante uma conjuntura marcada, no mercado interno, pela fraca procura, excesso de capacidade produtiva e forte concorrência, que resultou numa prolongada guerra de preços, muitos fabricantes chineses de veículos eléctricos procuraram mercados alternativos. Fintar tarifas A expansão levou também à imposição de tarifas em mercados como os Estados Unidos ou a Europa, perante preocupações com o impacto dos fabricantes chineses na quota de mercado dos produtores locais. Em resposta, empresas como a BYD, SAIC, Leapmotor e Chery estão a optar pela abertura de fábricas locais, que lhes permitem contornar as novas tarifas, embora críticos apontem que algumas destas unidades funcionam sobretudo como linhas de montagem de componentes produzidos na China. Segundo estimativas do banco de investimento norte-americano JPMorgan, a margem líquida de lucro dos fabricantes chineses por cada veículo vendido na China continental é de apenas cerca de 744 dólares, enquanto nos mercados estrangeiros esse valor pode ser quatro vezes superior. Esta semana, na sequência da maior recolha de veículos para reparação da história do país, as autoridades chinesas anunciaram ainda uma campanha de um ano destinada a reforçar a segurança e a qualidade dos automóveis. A associação do sector alertou que as guerras de preços poderão resultar numa redução da segurança e da qualidade dos veículos.