Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Novas regras para centros de dados A Tailândia está a preparar novas regras relativas à localização, abastecimento de água e energia e gestão ambiental dos centros de dados, fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), seguindo o exemplo de outros países. O Governo tailandês anunciou esta semana que o Comité de Políticas para Centros de Dados da Tailândia aprovou, na última reunião, realizada na segunda-feira, um projecto com requisitos mínimos relativos à adequação dos locais, ligações às redes eléctricas e de água e boas práticas ambientais, que será apresentado na próxima semana ao Conselho de Ministros. O projecto faz parte de uma iniciativa mais ampla, sob a supervisão do Ministério da Economia, destinada a regulamentar as operações dos centros de dados, bem como as aprovações e licenças concedidas, indicou o Ministério do Interior nas redes sociais. O objectivo do projecto Centro Digital-Balcão Único (DC-OSS, na sigla em inglês) é garantir um fornecimento “mais eficiente” de electricidade e água a estas instalações, a fim de evitar “qualquer impacto indevido no modo de vida local, nos recursos naturais e no ambiente das comunidades afectadas”.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA | China condena restrições a empresas de genética A China condenou ontem as restrições impostas pelos Estados Unidos a três empresas chinesas de biotecnologia, acusadas de ligações ao trabalho forçado na região de Xinjiang, e ameaçou adoptar medidas para defender os seus interesses. O Ministério do Comércio chinês manifestou, em comunicado, a “firme oposição” à decisão de Washington, que acusou de utilizar os direitos humanos como pretexto para aplicar medidas proteccionistas contra empresas chinesas. “Estas inclusões na lista contrariam os consensos alcançados pelos chefes de Estado dos dois países e prejudicam gravemente a estabilidade das relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos”, afirmou o ministério. As autoridades chinesas rejeitaram as acusações de trabalho forçado em Xinjiang e advertiram que vão adoptar as “medidas necessárias” para proteger os interesses nacionais. A reacção surge depois de o Departamento de Segurança Interna norte-americano ter anunciado esta quarta-feira a inclusão da BGI Group, BGI Genomics e MGI Tech numa lista de entidades sujeitas a restrições de importação por alegadas ligações ao trabalho forçado. A decisão, que entrou ontem em vigor, impede a entrada dos produtos das três empresas nos Estados Unidos, salvo se os importadores demonstrarem que não foram produzidos com recurso a trabalho forçado. A MGI Tech também contestou a decisão e anunciou que vai recorrer da inclusão na lista norte-americana, que passa a abranger 190 entidades.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Terceiro caso de tráfico de droga do Brasil em 15 dias A polícia de Hong Kong anunciou ter detido no aeroporto um homem com 5,5 quilogramas de ‘crack’, no terceiro caso de tráfico proveniente de São Paulo detectado em menos de duas semanas. Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, a Alfândega de Hong Kong revelou que detectou um homem da China continental que chegou ao aeroporto da região chinesa proveniente de São Paulo, no Brasil, através de Adis Adeba, capital da Etiópia. Os agentes encontraram ‘crack’ (cristais de cocaína base), com um valor de mercado estimado em cerca de seis milhões de dólares de Hong Kong, na bagagem do passageiro de 33 anos, disse a Alfândega da região administrativa especial vizinha de Macau. O homem foi detido e a polícia sublinhou que a investigação está ainda a decorrer. A Alfândega de Hong Kong prometeu “continuar a aplicar uma abordagem de avaliação de risco e concentrar-se na selecção de passageiros de regiões de alto risco”. O crime de tráfico de droga é punido na região chinesa com uma multa de até cinco milhões de dólares de Hong Kong e uma pena de prisão que pode ser perpétua. Em 24 de Outubro, a polícia deteve um homem da China continental que transportava 5,4 quilogramas de cocaína, com um valor de mercado estimado em cerca de 3,3 milhões de dólares de Hong Kong. Sete dias antes, foi detido um outro chinês, com a mesma quantidade de cocaína. De acordo com imagens divulgadas pela força policial, em ambos os casos a droga encontrava-se escondida dentro de pacotes de chocolate em pó. No final de Junho, a polícia deteve um brasileiro que proveniente de São Paulo com quase três quilogramas de cocaína, no valor de 1,9 milhões de dólares de Hong Kong. Duas semanas antes, a Alfândega deteve uma passageira também vinda do Brasil com 3,4 quilogramas de cocaína, escondida no interior de duas estátuas, numa mala de porão.
Hoje Macau China / Ásia MancheteEspanha/Acidente | Xi envia condolências ao Rei Felipe VI O Presidente chinês, Xi Jinping, enviou ontem uma mensagem de condolências ao Rei de Espanha, Felipe VI, pelo acidente ferroviário ocorrido na quarta-feira na província espanhola de Toledo, que causou pelo menos 69 mortos e dezenas de feridos. Na mensagem, divulgada pela imprensa oficial chinesa, Xi manifestou pesar ao monarca espanhol pelo “acidente e descarrilamento de um comboio de alta velocidade em Espanha”. A embaixada da China em Espanha confirmou anteriormente aos órgãos de comunicação estatais chineses que quatro cidadãos chineses viajavam nos comboios envolvidos no acidente e que todos se encontram bem de saúde. Um dos passageiros disse à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua que alguns sofreram ferimentos ligeiros. O acidente ocorreu quando um comboio da operadora Iryo, que estava parado perto da localidade de Urda, na província de Toledo, com 147 passageiros a bordo, foi atingido pela retaguarda por um comboio de alta velocidade da Renfe, que transportava 378 passageiros, segundo o ministério dos Transportes espanhol. A violência do impacto provocou o descarrilamento de duas carruagens do segundo comboio, que caíram por uma encosta junto à linha férrea. Números actualizados O número de mortos no acidente ferroviário de Urda, em Espanha, subiu para 69 e permanecem internadas pelo menos 50 pessoas em diversos hospitais, disse ontem o presidente do governo regional de Castela-La Mancha. Durante a noite e madrugada foi encontrado mais um corpo nos escombros dos dois comboios que colidiram na quarta-feira em Urda, Toledo, a cerca de 150 quilómetros a sul de Madrid, pelo que o número de mortos confirmados até agora subiu para 69, revelou Emiliano Garcia-Page, em declarações aos jornalistas. Por outro lado, das 110 pessoas que foram atendidas em hospitais da região, 60 já tiveram alta e 50 permanecem internadas com “diferentes níveis de preocupação”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Concluído plenário sobre disciplina interna O Partido Comunista Chinês (PCC) concluiu ontem em Pequim a quinta sessão plenária do seu XX Comité Central, uma reunião de quatro dias dedicada ao reforço da disciplina interna, após as expulsões de altos responsáveis civis e militares. O encontro, que decorreu à porta fechada desde segunda-feira, analisou um projecto de resolução sobre a supervisão e o controlo do partido, apresentado na abertura pelo Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping. O líder chinês apresentou também um relatório de trabalho em nome do Politburo, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, que não divulgou o conteúdo detalhado do projecto de resolução. Durante os preparativos, a direcção do partido exigiu “padrões mais elevados” e “medidas mais concretas” para enfrentar os problemas internos do PCC, uma organização com mais de 100 milhões de militantes. Além do documento sobre disciplina, as atenções centram-se em possíveis substituições na liderança e na ratificação das expulsões anunciadas antes do plenário, incluindo as dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli. As destituições deixaram a Comissão Militar Central, o principal órgão de comando das Forças Armadas chinesas, reduzida a dois membros: o próprio Xi e o general Zhang Shengmin, contra os sete que integravam o organismo em 2022. Os investigadores Jonathan A. Czin e Allie Matthias, do Instituto Brookings, consideraram numa análise publicada antes da reunião que este plenário poderá constituir a “última oportunidade” de Xi para recompor a liderança militar antes do XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027. Segundo os analistas, a manutenção dos lugares vagos poderá reflectir a “falta de confiança” do líder chinês nos restantes oficiais superiores. Campanha em curso A reunião coincide com a divulgação de novos dados sobre a campanha anticorrupção: as autoridades chinesas anunciaram na terça-feira que puniram 680 mil pessoas entre Janeiro e Setembro, incluindo 105 altos responsáveis de nível provincial ou ministerial, ou superior. Xi Jinping, que promove a campanha anticorrupção desde que chegou ao poder, em 2012, reconheceu dificuldades na aplicação das directrizes da liderança central. Num discurso publicado este mês pela revista oficial Qiushi, o Presidente chinês criticou o facto de algumas ordens “não serem aplicadas ou serem aplicadas de forma incorrecta”.
Hoje Macau China / ÁsiaPR alemão pede à China que use influência sobre Rússia para acabar com guerra na Ucrânia O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, apelou ontem à China para utilizar os seus laços estreitos com a Rússia para ajudar a pôr fim à guerra na Ucrânia e defendeu relações comerciais equilibradas entre Pequim e a Europa. “A China é membro permanente do Conselho de Segurança [da ONU] e mantém laços estreitos com a Rússia. Trabalhemos em conjunto para conseguir que a Rússia ponha fim aos seus ataques e inicie negociações sérias”, afirmou Steinmeier, num discurso na Universidade de Pequim. O chefe de Estado alemão considerou que chegou o momento de acabar com o conflito, após quase cinco anos de guerra e centenas de milhares de mortos. “Já é tempo. Depois de quase cinco anos de guerra, mais do que a Primeira Guerra Mundial, depois de centenas de milhares de mortos, depois de ataques diários ao aquecimento, à água e à electricidade, precisamente quando o Inverno se aproxima, as pessoas anseiam pelo fim do sofrimento”, declarou. Steinmeier advertiu que a invasão russa ameaça a segurança de toda a Europa e sublinhou que os conflitos prolongados também prejudicam os interesses económicos chineses, nomeadamente devido às perturbações nas cadeias de abastecimento e no comércio internacional. Desde o início da invasão russa, Pequim tem procurado manter uma posição de neutralidade, ao defender o respeito pela soberania dos Estados, mas também a necessidade de atender às “legítimas preocupações de segurança” da Rússia. A China tem rejeitado repetidamente as acusações de que apoia militarmente Moscovo. Outras contas No plano económico, Steinmeier garantiu que a Europa não pretende desvincular-se da China, mas exigiu condições de concorrência “justas” e alertou para o risco de a crescente autonomia económica chinesa aumentar a dependência de outros países. “Não podemos permitir que a Europa perca a sua base industrial”, afirmou, apontando as dificuldades de acesso ao mercado chinês, os subsídios estatais e as restrições à exportação de matérias-primas estratégicas. Steinmeier encontra-se na China para uma visita de Estado de seis dias, que deverá culminar na sexta-feira com reuniões com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang. A deslocação coincide com uma digressão asiática do chanceler alemão, Friedrich Merz, por Singapura, Japão e Coreia do Sul, destinada a diversificar as parcerias económicas e de segurança de Berlim.
Hoje Macau China / ÁsiaMobilizados fundos estatais para travar descida de mercado bolsista A China está a mobilizar fundos de investimento ligados ao Estado para travar a queda dos mercados accionistas, depois de as acções de empresas tecnológicas terem sofrido fortes desvalorizações, segundo observadores. O índice CSI 300, que reúne as principais empresas cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, acumula uma queda de cerca de 20 por cento face ao máximo atingido em Junho, entrando num mercado tecnicamente em baixa. Desde o início do ano, o índice perdeu 10 por cento, num contexto de abrandamento da economia chinesa e de expectativas cada vez menores quanto à adopção de novos estímulos orçamentais de grande dimensão. A tendência negativa estendeu-se a Hong Kong, onde os investidores da China continental venderam acções no valor de 20 mil milhões de dólares de Hong Kong desde o início de Outubro. O território poderá registar a maior saída mensal de capitais provenientes da China continental desde Julho de 2021. Perante as desvalorizações, Pequim terá mobilizado a chamada “equipa nacional”, um conjunto de fundos de investimento e corretoras ligados ao Estado, para adquirir acções e desencorajar os investidores de abandonar o mercado. Analistas do banco Macquarie estimaram que as compras de fundos negociados em bolsa (ETF) realizadas na semana passada por entidades estatais terão sido as maiores desde o anúncio das tarifas comerciais do Presidente norte-americano, Donald Trump, em Abril de 2025. “As compras da equipa nacional visam estabelecer um limite de queda para o mercado”, escreveram os analistas, numa nota divulgada na terça-feira. Futuro em aberto O banco de investimento norte-americano Goldman Sachs estimou que os fundos ligados ao Estado chinês tenham adquirido cerca de 170 mil milhões de yuan em ETF durante Outubro. O Bank of America apresentou uma estimativa mais conservadora, apontando para compras superiores a 110 mil milhões de yuan. As intervenções contribuíram para uma valorização de 0,9 por cento do índice CSI 300 na quarta-feira, mas analistas de vários bancos de investimento advertiram que as compras estatais poderão apenas estabilizar temporariamente os mercados, sem garantir uma recuperação sustentada. Os analistas advertiram que uma recuperação sustentada das bolsas dependerá da retoma da procura interna, sobretudo quando a China deixar de poder contar com as exportações como principal motor do crescimento. As empresas associadas ao desenvolvimento de equipamentos para inteligência artificial (IA) estão entre as mais penalizadas. A pressão sobre as bolsas poderá estar também relacionada com o reforço da fiscalização das autoridades chinesas sobre patrimónios e fundos fiduciários detidos no estrangeiro. Alguns analistas admitem que investidores mais abastados estejam a vender acções para obter liquidez e fazer face a obrigações fiscais, particularmente em Hong Kong.
Hoje Macau China / ÁsiaFretilin felicita acordo para compra de parte australiana do Greater Sunrise O líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, felicitou ontem o acordo para aquisição pela Timor GAP da participação da empresa australiana Woodside no consórcio para explorar o campo de petróleo e gás Greater Sunrise. “Esta aquisição coloca Timor-Leste numa posição mais forte no que diz respeito ao desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, afirmou Mari Alkatiri, em comunicado divulgado à imprensa. O líder da oposição timorense salientou também que a aquisição é coerente com a exigência que fez enquanto primeiro-ministro de que, por uma questão de justiça, o gasoduto do Greater Sunrise deveria vir para Timor-Leste, depois de o gasoduto do Bayu-Undan ter sido construído para a Austrália. A petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram na terça-feira a celebração de um acordo no valor de 200 milhões de dólares para a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana (33,44 por cento) no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise. A Timor GAP, que detém uma participação de 56,56 por cento, anunciou em Setembro a aquisição dos 10 por cento da japonesa Ozaka Gas. Quando os dois acordos estiverem finalizados, a Timor GAP passará a deter 100 por cento do consórcio para exploração do Greater Sunrise. “Uma participação de 100 por cento significa 100 por cento de responsabilidade, mas isto não implica que Timor-Leste seja agora o único decisor no desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, salvaguardou Mari Alkatiri. O líder da Fretilin explicou que o Tratado de Fronteiras Marítimas de 2018 entre Timor-Leste e a Austrália no Regime Especial do Greater Sunrise estabelece que qualquer desenvolvimento daquele campo de gás está sujeito a aprovação do Conselho de Governação, onde estão representados os dois países, que decide por consenso. Ou seja, segundo Mari Alkatiri, apesar de a Timor GAP passar a ser a “única titular de interesses, com 100 por cento de participação no Greater Sunrise, não detém o poder exclusivo de decidir sobre o desenvolvimento do campo”. Perigos à espreita No comunicado, o secretário-geral da Fretilin alerta também para o “perigo real” de o país “cair num abismo fiscal” e pediu prudência ao Governo na utilização dos recursos financeiros para evitar que o Greater Sunrise se “torne num fardo e uma maldição”. “A Fretilin considera que este é o momento oportuno para o Governo envolver todas as partes interessadas, de modo a garantir que o Greater Sunrise sirva de pilar para a diversificação económica com vista ao desenvolvimento sustentável e que não seja transformado numa mera mercadoria eleitoral”, acrescentou. Localizado no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico. Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.
Hoje Macau China / ÁsiaReal Madrid pede desculpa à China por declarações de Mbappé O Real Madrid pediu ontem desculpa ao povo chinês pelas declarações do futebolista francês Kylian Mbappé sobre Mao Zedong, que desencadearam uma polémica na China e levaram à suspensão das transmissões da Liga espanhola. “O Real Madrid CF deseja apresentar as suas desculpas ao povo chinês pelo mal-estar que possam ter causado as recentes palavras do nosso jogador Kylian Mbappé”, afirmou o clube espanhol, num comunicado. O emblema madrileno reiterou o seu “profundo respeito pela China, pela sua história, cultura e cidadãos, bem como pelos milhões de adeptos chineses que nutrem carinho e admiração pelo Real Madrid”. O clube associou-se ainda às desculpas públicas apresentadas pelo internacional francês, que manifestou arrependimento pelas declarações e reiterou o respeito pelo povo chinês. “O Real Madrid reafirma o seu compromisso com os valores do respeito, da convivência e do entendimento entre culturas e expressa o desejo de continuar a reforçar os laços de amizade e afeto que o unem à China e aos seus cidadãos”, acrescentou. A polémica surgiu após a divulgação de uma entrevista ao programa francês ‘The Bridge’, na qual Mbappé foi questionado sobre a imagem humorística (‘meme’) da Internet que mais o fazia rir. “Aquele com que mais me ri é o que usa a minha cara num ditador chinês. Uso-o muito com os meus amigos”, afirmou o futebolista, numa referência a uma montagem em que o seu rosto aparece sobreposto ao de Mao Zedong, fundador da República Popular da China. Segundo o jornal chinês The Paper, que citou fontes oficiais, as declarações foram consideradas profundamente ofensivas para a China, por se referirem a Mao como um “ditador chinês”. Na sequência da polémica, a televisão estatal chinesa CCTV suspendeu as transmissões da Liga espanhola, bem como os jogos e anúncios publicitários relacionados com Mbappé. Fora-de-jogo A estação rejeitou inicialmente as explicações atribuídas ao Real Madrid, segundo as quais o jogador não tinha intenção de ofender e tinha o direito de expressar opiniões. Um porta-voz do Centro de Desporto e Juventude do Grupo de Media da China (CMG) considerou que as declarações do futebolista ultrapassavam os limites da liberdade de expressão e afirmou que, sem um pedido de desculpas satisfatório do clube espanhol, “não há nada a discutir”. Várias empresas chinesas, incluindo o grupo de bebidas Dongpeng e as empresas de laticínios Mengniu e Milkground, rescindiram também os contratos publicitários com o internacional francês. “Tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais”, afirmou a Dongpeng Beverage Group, num comunicado. A suspensão das transmissões da Liga espanhola levou também o presidente da competição, Javier Tebas, a apresentar desculpas ao povo chinês. Tebas lamentou “profundamente” as declarações do jogador, que causaram “mal-estar e ofensa na China”. “Compreendemos os danos causados e, em nome da LaLiga, quero transmitir as nossas sinceras desculpas ao povo chinês”, escreveu o dirigente na rede social X, acrescentando que compreende e respeita “plenamente a sensibilidade” da população chinesa. O presidente da Liga espanhola recordou que a competição e a China construíram, “ao longo de muitos anos”, uma relação de “respeito, confiança e cooperação”. “Não podemos permitir que uma acção individual manche essa relação ou prejudique os mais de 20 clubes das nossas competições profissionais e milhões de adeptos chineses”, acrescentou. Na terça-feira, o jornal oficial Global Times, ligado ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial no qual advertiu as celebridades internacionais de que não podem beneficiar comercialmente do mercado chinês sem respeitar as sensibilidades nacionais. “Respeitar não é opcional. Ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita”, escreveu o jornal, que sugeriu ainda a inclusão de cláusulas mais claras sobre a conduta pública de figuras internacionais nos contratos comerciais.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCooperação | China espera que Alemanha e UE sejam parceiros fiáveis e previsíveis O Presidente alemão prosseguiu o seu périplo asiático com uma visita à fábrica da Volkswagen em Hefei, enquanto uma delegação da UE também percorre território chinês A China afirmou ontem esperar que a Alemanha e a União Europeia “sigam na mesma direcção e sejam parceiros fiáveis e previsíveis”, enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, realiza uma visita à Ásia. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Pequim “sempre defendeu a abertura e a cooperação e esforça-se por salvaguardar a estabilidade e a segurança das cadeias industriais e de abastecimento globais”. “As economias da China e da Alemanha, bem como da China e da UE, são complementares e as suas indústrias estão interligadas. A base da cooperação pragmática é o benefício mútuo e os ganhos para ambas as partes”, considerou o porta-voz. Guo defendeu ainda que as duas partes devem resolver as divergências através do “diálogo e da consulta”. As declarações da diplomacia chinesa surgem depois de Merz ter iniciado, na terça-feira, uma visita à Ásia, com primeira paragem em Singapura, num contexto de crescentes tensões geopolíticas globais e da necessidade de diversificar as cadeias de abastecimento europeias. “A nossa prosperidade depende de rotas comerciais abertas. A nossa segurança também. É por isso que viajo a Singapura, Japão e Coreia do Sul: para promover o comércio, garantir o acesso a matérias-primas e criar empregos na Alemanha”, escreveu Merz na rede social X. Num comunicado divulgado antes da deslocação, o Governo alemão destacou que os três países asiáticos se caracterizam por “um elevado nível de inovação, especialmente em tecnologias avançadas e de ponta”. “A Alemanha partilha com os três países o compromisso com um comércio aberto e baseado em regras, bem como a vontade de reforçar a resiliência e a segurança económicas. Isto aplica-se particularmente às cadeias de abastecimento globais”, refere o documento. Em terras do meio O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, iniciou também na terça-feira uma visita oficial à China com uma visita às instalações da Volkswagen, na cidade de Hefei, no leste do país. Em paralelo, uma delegação de 12 eurodeputados, também de visita à China, defendeu ontem a necessidade de reequilibrar as relações comerciais com Pequim e manter um diálogo “directo” com as autoridades chinesas, após uma reunião, na terça-feira, com o ministro do Comércio, Wang Wentao, num contexto de tensões económicas entre as duas partes. A visita ocorre após um recente entendimento entre Bruxelas e Pequim sobre veículos híbridos, mas também depois de os líderes europeus terem defendido o reforço dos instrumentos de defesa comercial do bloco face aos desequilíbrios nas relações com a China e de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado novas propostas para Dezembro.
Hoje Macau China / ÁsiaFundador do TikTok atinge fortuna recorde na China impulsionado pela IA Zhang Yiming, fundador da ByteDance, empresa-mãe do TikTok, recuperou o primeiro lugar entre as maiores fortunas da China, com um património recorde de 670 mil milhões de yuan, segundo uma lista divulgada hoje. O empresário, de 43 anos, aumentou a fortuna em 200 mil milhões de yuan, graças à expansão dos negócios de inteligência artificial (IA) da ByteDance, que impulsionaram a avaliação da empresa e permitiram a Zhang liderar pela segunda vez a classificação nacional, depois de 2024. A lista da Hurun Report, conhecida como a ‘Forbes chinesa’, inclui 1.529 empresários com patrimónios superiores a cinco mil milhões de yuan, mais 95 do que no ano anterior e um máximo histórico. A riqueza conjunta dos integrantes da lista, calculada até 01 de setembro, aumentou 7%, para 32 biliões de yuan, enquanto o número de fortunas superiores a 100 mil milhões de yuan subiu para 43. Zhang ultrapassou Zhong Shanshan, fundador da empresa de águas engarrafadas Nongfu Spring, que caiu para o segundo lugar após perder 120 mil milhões de yuan, ficando com um património de 410 mil milhões de yuan. A queda deveu-se à desvalorização em bolsa de outra das suas empresas, a farmacêutica Wantai Biological Pharmacy. O terceiro lugar foi ocupado por Zeng Yuqun, fundador da fabricante de baterias CATL, cuja fortuna aumentou 17%, para 385 mil milhões de yuan, impulsionada pela procura de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, estreou-se diretamente na sétima posição, com um património de 280 mil milhões de yuan, após a expansão internacional dos modelos de IA de código aberto desenvolvidos pela empresa. Também entrou no grupo dos 10 mais ricos Chen Tianshi, fundador da fabricante de semicondutores para IA Cambricon Technologies, com uma fortuna de 205 mil milhões de yuan, um aumento de 14%. Segundo a Hurun, a inteligência artificial tornou-se o principal motor individual de criação de riqueza, com mais de 160 empresários ligados ao setor, aproximadamente um em cada dez integrantes da lista, enquanto a robótica representa cerca de 80 fortunas. Entre estas destaca-se Wang Xingxing, fundador da fabricante de robôs humanoides Unitree Robotics, que se estreou na classificação com um património de 69,5 mil milhões de yuan, após a entrada em bolsa da empresa, em agosto. O crescimento das fortunas associadas às novas tecnologias contrasta com as perdas registadas por outros empresários. Lei Jun, fundador da Xiaomi, sofreu a maior redução patrimonial da lista, com uma perda de 157 mil milhões de yuan. Ma Huateng, presidente da Tencent, perdeu 119 mil milhões de yuan e caiu para o quarto lugar, enquanto Colin Huang, fundador da Pinduoduo, empresa-mãe da plataforma de comércio eletrónico Temu, viu a fortuna diminuir 112 mil milhões de yuan, saindo do grupo dos dez mais ricos. No total, 911 empresários perderam riqueza ou mantiveram o património estagnado, enquanto 167 deixaram de integrar a classificação. A lista nacional, cujo limiar de entrada é de cinco mil milhões de yuan, difere da classificação mundial da Hurun, publicada em março, que identificou na China 1.110 pessoas com fortunas superiores a mil milhões de dólares, mais do que nos Estados Unidos.
Hoje Macau China / ÁsiaChina suspende transmissão da Liga espanhola após polémica com Mbappé A televisão estatal chinesa CCTV suspendeu, desde segunda-feira, as transmissões de jogos da Liga espanhola de futebol, após declarações do avançado do Real Madrid Kylian Mbappé sobre uma imagem humorística que o compara a Mao Zedong. Segundo noticiou ontem o órgão de comunicação social chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, a medida entrou em vigor na noite de segunda-feira e inclui também a retirada de todos os anúncios e vídeos protagonizados pelo futebolista francês. A decisão junta-se às anunciadas ontem por várias empresas chinesas, incluindo o grupo de bebidas Dongpeng e as empresas de laticínios Mengniu e Milkground, que comunicaram o fim da cooperação comercial com Mbappé, manifestando rejeição por comportamentos que firam os sentimentos do povo chinês. A Dongpeng Beverage Group, através da sua conta oficial e da marca Bu Shui La, divulgou comunicados na rede social chinesa Weibo, semelhante à plataforma X, bloqueada na China, nos quais anunciou a ruptura imediata das relações comerciais com o jogador, invocando uma política de “tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais”. A Mengniu e a Milkground também confirmaram o fim dos respectivos acordos comerciais com o avançado francês, embora nenhuma das empresas tenha especificado, nos comunicados, o incidente concreto que motivou a decisão. Nos últimos meses, anúncios protagonizados por Mbappé a promover as bebidas da marca Bu Shui La surgiram frequentemente em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores de cidades chinesas, sobretudo durante o Mundial de futebol de 2026. A Mengniu, um dos principais grupos de laticínios da China, tem uma presença significativa no patrocínio desportivo internacional, com acordos associados ao Mundial, ao Comité Olímpico Internacional (COI) e ao futebolista argentino Lionel Messi, enquanto a Milkground também utilizava a imagem de Mbappé nas suas campanhas publicitárias. A plataforma chinesa Xiaohongshu, conhecida internacionalmente como RedNote, informou ontem que a colaboração com Mbappé terminou em 31 de Dezembro de 2024, com o fim do contrato, e anunciou que está a rever e retirar conteúdos relacionados com o jogador. Pela boca morre o peixe A polémica começou depois de Mbappé ter sido questionado, numa entrevista recente, sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como ‘meme’. “Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos”, afirmou o jogador. Embora o futebolista não tenha mencionado especificamente qualquer dirigente, nos últimos meses tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o seu rosto a um retrato de Mao Zedong, fundador da República Popular da China. Na China, as sátiras dirigidas a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ser punidas ao abrigo da legislação que criminaliza a “difamação de heróis e mártires”, num contexto de forte censura de conteúdos políticos. A controvérsia junta-se a outros episódios recentes envolvendo clubes do futebol espanhol na China. Em Fevereiro, o Real Madrid divulgou um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen, após o jogador ter republicado no Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.
Hoje Macau China / ÁsiaFilipinas colocam aliança com os EUA no centro da agenda da ASEAN O Governo filipino assegurou ontem que o reforço da aliança com os Estados Unidos é “uma prioridade” para o arquipélago asiático, antes da visita do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, para a reunião ministerial da ASEAN. “A prioridade é reforçar a nossa aliança”, sublinhou ontem o porta-voz da Defesa Nacional filipina, Arsenio Andolong, referindo-se a Washington, que descreveu como um “parceiro-chave na modernização” das Forças Armadas filipinas e no desenvolvimento de capacidades futuras. A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) realiza em Cebu a 20.ª Reunião dos Ministros da Defesa, de entre hoje e amanhã, que contará com a presença da maioria dos oito parceiros de diálogo: Estados Unidos, Japão, Índia, Coreia do Sul e Nova Zelândia, faltando ainda a confirmação da Austrália, Rússia e China. Hegseth, cuja chegada está prevista para hoje, procura reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a “paz através da força” no Pacífico, reforçar a dissuasão e “alargar a partilha de responsabilidades”, segundo o Pentágono. China em dúvida “Foi enviado um convite formal [à China], mas até este momento não temos qualquer confirmação sobre os seus representantes”, afirmou ontem o porta-voz filipino durante uma conferência de imprensa. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, evitou esta semana esclarecer se Pequim enviará altos responsáveis e, embora tenha defendido o papel do fórum na promoção do diálogo e da confiança, advertiu contra aqueles que tentem utilizá-lo para “criar problemas”. O mar do Sul da China, palco frequente de disputas entre Manila e Pequim, que reclama praticamente a totalidade destas águas ricas em recursos, deverá figurar nos debates, uma vez que faz “quase sempre” parte das discussões, segundo Andolong. “Não prevemos que seja diferente desta vez”, acrescentou. O porta-voz filipino disse ainda que serão igualmente abordados temas como a segurança marítima, a resposta a catástrofes, o combate ao terrorismo, a desminagem humanitária e a cibersegurança, áreas que classificou como parte da “nova normalidade”, além de encontros bilaterais paralelos entre os participantes. As reuniões, que coincidem com o 50.º aniversário do Tratado de Amizade e Cooperação do Sudeste Asiático, terminam esta quinta-feira e antecedem a cimeira de líderes da ASEAN, agendada para a capital filipina entre 15 e 17 de Novembro, na qual deverão participar chefes de Estado e de Governo, incluindo o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Hoje Macau China / ÁsiaDíli | Timor GAP está mais forte para desenvolver Greater Sunrise O presidente da Timor GAP, Rui Soares, afirmou ontem que a empresa está numa posição mais forte para desenvolver o campo de gás Greater Sunrise, após o acordo de aquisição da parte da australiana Woodside. “Estamos, agora, numa posição mais forte do que nunca para acelerar o desenvolvimento do Greater Sunrise e avançar com a selecção do conceito de desenvolvimento do Timor Gás Natural Liquefeito”, disse Rui Soares, citado num comunicado enviado à imprensa. Segundo o presidente da Timor GAP, aquela aquisição aproxima Timor-Leste da concretização da “aspiração de longa data” de desenvolver o Greater Sunrise na costa sul do país. A petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram a celebração de um acordo para a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise por 200 milhões de dólares. “O Greater Sunrise representa muito mais do que o desenvolvimento de recursos de gás natural. Constitui uma oportunidade estratégica para transformar a costa sul de Timor-Leste num polo industrial e energético, desenvolvendo competências, criando empregos para timorenses, fortalecendo as empresas locais e impulsionando a actividade económica em toda a região sul”, disse Rui Soares. Após a conclusão da aquisição dos 33,44 por cento da Woodside, o consórcio para a exploração do Greater Sunrise passa a ser detido em 100 por cento Timor GAP, que já tinha anunciado em Setembro a aquisição dos 10 por cento da Osaca Gás. “Garantir a propriedade integral da participação no Greater Sunrise é uma conquista importante, mas acarreta também uma responsabilidade significativa. O nosso foco passa agora por transformar esta conquista em progressos concretos rumo ao desenvolvimento do projecto”, acrescentou o responsável pela petrolífera timorense. Por explorar O projecto Tasi Mane prevê a construção de infraestruturas para desenvolver a indústria petrolífera e que inclui uma base logística, uma refinaria e uma planta de gás natural liquefeito, a serem desenvolvidos na costa sul. Localizado no mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico. A sua exploração esteve durante anos envolta num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin. Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado. O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70 por cento das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80 por cento se o processamento for em Darwin.
Hoje Macau China / ÁsiaMoçambique | China alivia pressão da dívida sobre o Orçamento do Estado Na sequência dos encontros entre o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e o Presidente chinês, Xi Jinping, em Abril, foi agora assinado na capital africana um acordo que permite ao Governo uma margem de manobra mais favorável para gerir as finanças do país Moçambique prevê que o reperfilamento da dívida à China permita o “alívio das pressões imediatas sobre o Orçamento do Estado” e maior previsibilidade financeira, ao abrigo de um acordo assinado na segunda-feira, em Maputo, pelos dois governos. De acordo com informação do Ministério das Finanças moçambicano, trata-se de um Acordo-Quadro Complementar para o ajustamento do serviço da dívida pública, numa iniciativa que, segundo Maputo, visa adequar os pagamentos da dívida à capacidade financeira do país e reforçar a sustentabilidade das finanças públicas. O instrumento foi assinado pela ministra das Finanças, Carla Loveira, em representação do Governo moçambicano, e pela embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, na sequência dos encontros entre o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e o Presidente chinês, Xi Jinping, durante a visita de Estado que o chefe de Estado moçambicano realizou à China entre 16 e 22 de Abril deste ano. Segundo o Ministério das Finanças, o acordo enquadra-se na Estratégia de Gestão da Dívida Pública de Médio Prazo 2025-2029 e constitui “um passo importante para adequar os pagamentos da dívida à capacidade financeira do País, reforçando a sustentabilidade das finanças públicas”, mas sem mais detalhes. Citada no documento, a ministra Carla Loveira manifestou satisfação com a assinatura do acordo, afirmando que o principal impacto do entendimento será o “alívio das pressões imediatas sobre o Orçamento do Estado, permitindo maior previsibilidade na gestão dos recursos públicos e criando condições para reforçar o financiamento das prioridades económicas e sociais”. “Este ajustamento irá contribuir para preservar a capacidade do Estado de investir em infraestruturas, assegurar a prestação de serviços essenciais e responder às necessidades da população, conciliando o cumprimento dos compromissos financeiros com as exigências do desenvolvimento nacional”, afirmou. De acordo com o Ministério das Finanças, a implementação do acordo prosseguirá através da formalização dos instrumentos necessários junto do Banco de Importação e Exportação da China (Exim Bank). Ganhar tempo Na prática, o reperfilamento da dívida consiste na alteração das condições de reembolso, através da redistribuição dos pagamentos ao longo do tempo, permitindo aliviar encargos no curto prazo e criar maior margem orçamental sem implicar necessariamente uma redução do montante em dívida. Dados divulgados anteriormente pelo Ministério das Finanças mostram que o stock da dívida pública e garantida de Moçambique atingiu 1,146 biliões de meticais (15,2 mil milhões de euros) no final de Junho, correspondendo a 75,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A China é o principal credor bilateral de Moçambique e, segundo dados anteriores do Ministério das Finanças, o país pagou mais de 36 milhões de euros à China apenas nos primeiros três meses de 2025 em serviço da dívida. Os mesmos dados indicam que a dívida de Moçambique à China ascendia a 1.347 milhões de dólares no final de junho. O novo acordo surge também após Pequim ter anunciado outras medidas de apoio financeiro a Moçambique. O Governo considera ainda que, “para além da adequação dos calendários de pagamento”, o processo deverá criar “maior espaço fiscal para a prossecução das prioridades nacionais”, contribuindo para “uma gestão mais eficiente e sustentável das finanças públicas”.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Condenado à pena de morte suspensa antigo responsável do regulador bolsista Um tribunal chinês condenou ontem à pena de morte, suspensa por dois anos, um antigo dirigente do regulador bolsista do país, por receber subornos no valor de 436 milhões de yuan. Wang Huimin, antigo membro da direcção da Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China e ex-chefe da equipa de inspecção do organismo anti-corrupção naquela entidade, foi também privado dos direitos políticos para o resto da vida. O Tribunal Popular Intermédio de Chengdu, na província de Sichuan, ordenou ainda a confiscação de todos os bens pessoais do arguido e determinou que os activos obtidos ilegalmente, bem como os respectivos rendimentos, sejam entregues ao Tesouro estatal. Segundo a sentença, após o período de suspensão de dois anos e a comutação da pena de morte em prisão perpétua, Wang cumprirá a condenação até ao fim da vida, sem possibilidade de redução da pena ou liberdade condicional. O tribunal considerou provado que, entre 1998 e 2025, o antigo responsável aproveitou os cargos que ocupava para favorecer organismos e particulares na gestão de empresas e na obtenção de financiamento. Em contrapartida, recebeu ilegalmente, de forma directa ou através de terceiros, bens avaliados em mais de 436 milhões de yuan. O tribunal considerou que o montante envolvido nos crimes foi “especialmente elevado” e provocou prejuízos “especialmente graves aos interesses do Estado e do povo”. A favor No entanto, teve em conta várias circunstâncias atenuantes, incluindo o facto de grande parte dos crimes não ter sido consumada, Wang ter confessado os actos após a detenção, revelado factos até então desconhecidos dos investigadores e reconhecido a culpa. A recuperação de parte dos valores recebidos ilegalmente também foi considerada, pelo que o tribunal concluiu que “a pena de morte pode não ser executada imediatamente”. No final de Novembro do ano passado, as autoridades disciplinares chinesas anunciaram a expulsão de Wang do Partido Comunista Chinês (PCC), por “graves violações da disciplina e da lei”. A condenação surge após o Presidente chinês, Xi Jinping, ter apresentado, na segunda-feira, durante a abertura da quinta sessão plenária do XX Comité Central do PCC, um projecto de resolução visando reforçar a disciplina e a supervisão internas, acompanhado de advertências sobre o incumprimento das ordens da direcção. Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi promove uma campanha anti-corrupção que atingiu dirigentes políticos, responsáveis de empresas estatais e altos comandos militares.
Hoje Macau China / Ásia MancheteDemógrafo admite que declínio populacional da China é irreversível no curto prazo O declínio populacional da China é irreversível no curto prazo, mas poderá ser contrariado a longo prazo se Pequim reforçar significativamente os incentivos à natalidade, afirmou ontem à Agência Lusa o demógrafo independente chinês He Yafu. “A tendência de declínio da população chinesa é, de facto, irreversível no curto prazo. Mas, a longo prazo, se o Governo adoptar políticas de apoio à natalidade suficientemente fortes, ainda será possível inverter essa tendência”, considerou o especialista. He Yafu, que acompanha há vários anos a evolução demográfica do país, apontou a capacidade de execução do Governo chinês como um factor que poderá contribuir para essa inversão. “Afinal, o Governo chinês tem uma capacidade de execução muito forte”, observou. A China registou em 2025 o quarto ano consecutivo de diminuição da população, que caiu para 1.404,9 milhões de habitantes, num contexto de envelhecimento acelerado e redução persistente dos nascimentos. Segundo os dados oficiais, nasceram 7,92 milhões de crianças no ano passado, um novo mínimo histórico, depois dos 9,54 milhões registados em 2024. O demógrafo identificou vários factores estruturais que explicam a tendência. “As principais razões para o declínio da população chinesa são a taxa de fecundidade persistentemente baixa, a diminuição contínua dos nascimentos, a redução do número de mulheres em idade fértil, o adiamento significativo do casamento e da maternidade e os custos excessivamente elevados de criar filhos”, enumerou. Nos últimos anos, Pequim lançou várias medidas visando incentivar a natalidade, incluindo subsídios à criação dos filhos, o prolongamento das licenças parentais e o reforço dos serviços de apoio às famílias. No entanto, He Yafu considera que os incentivos continuam a ser insuficientes. “Creio que estas políticas seguem a direcção correcta, mas a sua dimensão não é suficientemente grande para inverter a tendência de diminuição dos nascimentos”, afirmou. O especialista defendeu um aumento substancial dos apoios financeiros, propondo que o subsídio mensal por criança passe dos actuais 300 yuan para 1.000 yuan. Discussão em Pequim As preocupações demográficas estiveram também em destaque numa reunião do Conselho de Estado, realizada na sexta-feira, durante a qual o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, apelou à estabilização do número de nascimentos. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, Li defendeu o reforço das políticas de apoio ao casamento, à natalidade, à educação e à habitação, bem como a utilização de benefícios fiscais e medidas de segurança social para aliviar os encargos das famílias. Apesar da tendência nacional, os dados do Anuário Estatístico da China 2026 revelam diferenças significativas entre as regiões. A província de Guangdong (sul), a maior economia regional do país, concentrou aproximadamente um em cada oito nascimentos registados em 2025, mantendo uma taxa de crescimento natural positiva de 2,26 por mil habitantes. Em contraste, a província de Heilongjiang, no nordeste, registou uma diminuição natural de sete habitantes por mil, a mais acentuada do país. He Yafu explicou que a capacidade de Guangdong para atrair trabalhadores jovens constitui um factor determinante para a manutenção de níveis de natalidade superiores à média nacional. “A vantagem demográfica de Guangdong resulta sobretudo da entrada de população, que lhe proporciona uma grande base de jovens em idade fértil”, afirmou. “Como Guangdong tem uma economia relativamente desenvolvida, continua a atrair jovens, o que mantém elevado o número de pessoas em idade de casar e ter filhos e, consequentemente, o número total de nascimentos”, acrescentou. Segundo o especialista, as diferenças regionais resultam da combinação entre estrutura etária, capacidade de atração económica, cultura familiar e políticas públicas. A migração interna desempenha um papel particularmente importante, beneficiando regiões como Guangdong, Zhejiang e Xangai, em detrimento de províncias como Henan, Hunan, Sichuan e as do nordeste. Mais velhos O envelhecimento constitui outro desafio para as autoridades chinesas. Em 2025, a China tinha 223,65 milhões de pessoas com 65 ou mais anos, equivalentes a 15,9 por cento da população, ultrapassando pela primeira vez o número de menores de 15 anos, que totalizavam 212,76 milhões. He Yafu citou um estudo publicado em Janeiro de 2025 pela Universidade de Finanças e Economia do Sudoeste e pela Universidade Tsinghua, que projeta uma redução da população chinesa para 1.190 milhões de habitantes em 2050, num cenário de fecundidade média de 1,05 filhos por mulher. Nesse cenário, a proporção de pessoas com 65 ou mais anos atingirá 29,5 por cento, quase o dobro dos 15,9 por cento registados em 2025. “Por conseguinte, nessa altura, o encargo associado ao apoio aos idosos será muito maior do que actualmente”, alertou o demógrafo.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Ex-primeiro-ministro Yasuo Fukuda morreu aos 90 anos O antigo primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda, que ocupou o cargo entre 2007 e 2008, morreu aos 90 anos, anunciou ontem um representante do Partido Liberal Democrata (PLD, conservador). Fukuda morreu no dia 22 de Outubro, informou o representante do PLD à agência de notícias AFP. O ex-primeiro-ministro governou o país durante um ano, a partir de Setembro de 2007, sucedendo a Shinzo Abe — cujo primeiro mandato à frente do governo durou apenas 12 meses. Durante o seu período no poder, Yasuo Fukuda procurou melhorar as relações com a China e convidou o então Presidente chinês, Hu Jintao, a visitar o Japão. A viagem de Hu, em Maio de 2008, fez dele o primeiro chefe de Estado chinês a visitar o Japão numa década. Na altura, os dois líderes divulgaram uma declaração conjunta, comprometendo-se a estabelecer uma “relação mutuamente benéfica, baseada em interesses estratégicos comuns”. Fukuda demitiu-se em Setembro de 2008, diante da queda da sua popularidade, e retirou-se da vida política em 2012. No entanto, numa altura em que as relações entre Tóquio e Pequim se estavam a deteriorar — devido a disputas territoriais num arquipélago e a divergências históricas —, Fukuda deslocou-se à China em 2014 para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping. A iniciativa abriu caminho a uma cimeira entre Xi e Shinzo Abe, durante o segundo mandato deste último. “Yasuo Fukuda era um velho amigo do povo chinês e deu um contributo positivo para promover a melhoria e o desenvolvimento das relações entre a China e o Japão”, declarou ontem Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, durante uma conferência de imprensa. Guo elogiou “a integridade e o sentido de responsabilidade da antiga geração de estadistas japoneses” e instou “a actual liderança japonesa” a “fazer uma autocrítica”.
Hoje Macau China / ÁsiaAlemanha | PR inicia visita à China em plena tensão comercial O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, chegou ontem à China para uma visita de Estado de seis dias, que decorrerá em paralelo com uma deslocação do chanceler Friedrich Merz à Ásia, destinada a reforçar alianças económicas e de segurança na região. A visita de Steinmeier culminará em Pequim com reuniões com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang, num contexto de tensões comerciais entre os dois países. Trata-se da primeira visita de Estado de um Presidente alemão à China desde 2018, enquadrada numa “análise aprofundada” das relações políticas, comerciais e económicas da Alemanha e da Europa com a segunda maior economia mundial. Enquanto o chefe de Estado alemão, que desempenha funções sobretudo representativas, cumpre a agenda na China, Merz deslocar-se-á a Singapura, Coreia do Sul e Japão, com o objectivo de promover uma nova posição europeia face a Pequim. O chefe do Governo alemão pretende reforçar os laços com países que defendem um comércio aberto e baseado em regras, com particular enfoque na cooperação militar e industrial. A agenda de Steinmeier inclui visitas à província chinesa de Anhui e a instalações ligadas à tecnologia e à ciência, antes dos encontros políticos previstos para sexta-feira, em Pequim. O Presidente alemão será acompanhado por uma delegação do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), bem como por representantes dos sectores económico, cultural e científico. As divergências entre Berlim e Pequim ocorrem num contexto de agravamento do défice comercial alemão com a China, que atingiu 42,8 mil milhões de euros entre Janeiro e Maio.
Hoje Macau China / ÁsiaSérvia | China aberta a trabalhar com novo Governo A China manifestou ontem disponibilidade para trabalhar com o novo Governo sérvio, após a derrota eleitoral do nacionalista populista Aleksandar Vucic, sob cuja liderança as relações entre Pequim e Belgrado se estreitaram. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “respeita sempre o princípio da não ingerência nos assuntos internos e a escolha autónoma dos povos de cada país”, numa referência aos resultados das eleições legislativas sérvias. “Atribuímos grande importância ao desenvolvimento das relações entre a China e a Sérvia e estamos dispostos a trabalhar com o novo Governo sérvio, com base no respeito mútuo, na igualdade e no benefício mútuo, para assegurar que as relações bilaterais avançam de forma estável e a longo prazo”, afirmou Guo. Vucic, figura dominante da política sérvia há 12 anos, reconheceu no domingo a derrota nas eleições legislativas perante a Lista de Estudantes, da oposição. Segundo dados ainda não oficiais nem definitivos do instituto de sondagens Ipsos, a Lista de Estudantes conquistou entre 135 a 140 lugares no parlamento, contra 105 do conservador Partido Progressista Sérvio (SNS), de Vucic, que perdeu 26 deputados face às eleições de 2023, quando alcançou a maioria absoluta. O combate à corrupção tem sido um dos principais objetivos declarados do movimento estudantil, que surgiu em Novembro de 2024, após a morte de 16 pessoas no desabamento de uma cobertura numa estação ferroviária renovada no âmbito de um contrato pouco transparente adjudicado a empresas chinesas. Amizade e investimento A China tem aumentado a sua presença económica na Sérvia, onde é já o segundo maior investidor, atrás da União Europeia. Vários projectos são adjudicados directamente a empresas chinesas através de acordos intergovernamentais. Vucic, primeiro-ministro entre 2014 e 2017, exerceu durante nove anos o cargo de Presidente da Sérvia, até se demitir, em Setembro passado, para poder candidatar-se à chefia do Governo. Durante a sua liderança, as relações entre o país balcânico e a China conheceram um aprofundamento significativo. Os dois governos classificam a relação bilateral como uma “amizade de ferro”, assente no apoio político mútuo em questões sensíveis: Pequim não reconhece a independência do Kosovo, enquanto Belgrado apoia a posição chinesa sobre Taiwan. No final de Maio, Vucic visitou Pequim, onde se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e acordou reforçar a cooperação bilateral. Durante a visita, o então Presidente sérvio recebeu a Medalha da Amizade, a mais elevada condecoração estatal chinesa atribuída a cidadãos estrangeiros.
Hoje Macau China / ÁsiaDandong | Pequim reafirma amizade com Pyongyang após visita de Kim Jong-un A China reafirmou ontem a amizade com a Coreia do Norte e defendeu o reforço das relações bilaterais, após uma visita do líder norte-coreano, Kim Jong-un, à cidade chinesa de Dandong, na fronteira entre os dois países. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou ontem que Pequim e Pyongyang são “vizinhos amigos” e que “o desenvolvimento saudável e estável das tradicionais relações de amizade e cooperação contribui para o bem-estar dos dois povos e favorece a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade da região”. Guo sublinhou que as relações bilaterais se desenvolvem segundo a orientação estratégica de “manter, consolidar e desenvolver as relações entre os dois países”. “A China está disposta a continuar a trabalhar com a Coreia do Norte para concretizar os importantes consensos alcançados pelos líderes dos dois países e promover o desenvolvimento contínuo das relações bilaterais”, afirmou. No sábado, Kim Jong-un reuniu-se com Wang Huning, um dos principais dirigentes do Partido Comunista Chinês, num encontro em que abordaram a cooperação económica e prestaram homenagem aos soldados chineses mortos durante a Guerra da Coreia (1950-1953). A visita ocorreu a menos de um mês da cimeira de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), que terá lugar na cidade chinesa de Shenzhen e deverá reunir os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. Não está excluída a possibilidade de Trump aproveitar a deslocação à Ásia para um eventual encontro com Kim Jong-un.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Pela primeira vez há mais idosos do que menores face à população activa A proporção de pessoas com 65 ou mais anos face à população chinesa em idade activa ultrapassou, em 2025, pela primeira vez, a dos menores de 15 anos, segundo dados do Anuário Estatístico da China 2026. A China terminou 2025 com 223,65 milhões de pessoas com 65 ou mais anos, equivalentes a 15,9 por cento da população, contra 212,76 milhões de menores entre os zero e os 14 anos, que representavam 15,1 por cento, segundo os dados do anuário, recentemente publicado. A chamada taxa de dependência dos idosos, que mede a proporção de pessoas com 65 ou mais anos relativamente à população entre os 15 e os 64 anos, atingiu 23,1 por cento, acima dos 22 por cento correspondentes aos menores. No conjunto, a taxa de dependência demográfica situou-se em 45,1 por cento, resultado da soma dos dois grupos em relação à população considerada em idade activa. A mudança ocorre após anos de rápido envelhecimento. A inversão coincide com uma queda prolongada da natalidade. A China registou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, um novo mínimo histórico, após a recuperação para 9,54 milhões em 2024, e acumulou o quarto ano consecutivo de diminuição da população. No final de 2025, o país contava com 323,38 milhões de pessoas com 60 ou mais anos, o equivalente a 23 por cento dos habitantes. As autoridades responderam à mudança demográfica com medidas destinadas a incentivar os nascimentos e aliviar os custos associados à criação dos filhos, incluindo um subsídio nacional para crianças com menos de três anos. Paralelamente, estão a alargar os serviços de apoio aos idosos e a aplicar desde 2025 um aumento gradual da idade da reforma.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Xi Jinping apresenta plano para reforçar disciplina interna A quinta sessão plenária do XX Comité Central foi inaugurada ontem em Pequim e decorre até quinta-feira. Até lá, o projecto do Presidente chinês de reforço da “governação integral e rigorosa” do partido vai ser analisado O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou ontem à cúpula do Partido Comunista Chinês (PCC) um projecto de resolução para reforçar a disciplina e a supervisão internas, após novas demissões de altos dirigentes e advertências sobre o incumprimento de ordens. Xi, também secretário-geral do partido, apresentou o projecto durante a quinta sessão plenária do XX Comité Central, inaugurada ontem em Pequim, e fez um relatório de trabalho em nome do Politburo, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. O documento aborda o reforço de uma “governação integral e rigorosa” do partido, expressão utilizada pela liderança chinesa para designar as medidas de disciplina, supervisão e combate à corrupção. A reunião, que decorrerá à porta fechada até quinta-feira, vai analisar o projecto de resolução, cujo conteúdo detalhado ainda não foi divulgado. Em Julho, o Politburo exigiu “padrões mais elevados” e “medidas mais concretas” para resolver os problemas internos do partido, reconhecendo que “profundas mudanças dentro e fora da China” colocam “novos desafios” ao controlo e à supervisão da organização. Segundo a descrição do projecto analisada pela direcção do partido em Setembro, o documento faz um balanço das medidas anteriores e estabelece as prioridades para os próximos anos. O debate envolve uma organização com mais de 100 milhões de militantes, que controla as instituições do Estado, as Forças Armadas e os principais centros de decisão da segunda maior economia mundial. Remover obstáculos Embora Xi tenha concentrado o poder desde que assumiu a liderança do PCC, em 2012, o próprio dirigente reconheceu a existência de obstáculos à aplicação das suas decisões. Num discurso proferido em Janeiro e publicado este mês pela revista oficial do PCC Qiushi, Xi criticou o facto de algumas orientações “não serem aplicadas ou serem aplicadas incorrectamente” e denunciou dirigentes que proclamam lealdade, mas que, “na prática, cumprem as ordens apenas na aparência e continuam a agir à sua maneira”. A reunião realiza-se numa altura em que as expulsões dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, anunciadas em Setembro por acusações de corrupção e outras infracções, aguardam ratificação pelo Comité Central. Os afastamentos deixaram a Comissão Militar Central, o principal órgão de comando das Forças Armadas chinesas, com apenas dois membros: Xi Jinping e o general Zhang Shengmin, contra os sete que integravam o organismo em 2022. Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi tem promovido uma campanha anticorrupção que atingiu dirigentes locais, ministros, responsáveis de empresas estatais e altos comandos militares. Os organismos disciplinares chineses sancionaram 412.000 pessoas no primeiro semestre de 2026, incluindo 74 dirigentes de nível provincial ou ministerial. O plenário realiza-se cerca de um ano antes do XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027, quando deverão ser renovados os principais órgãos dirigentes do partido, sem que tenha surgido até agora uma figura visível para suceder a Xi Jinping.
Hoje Macau China / ÁsiaCisjordânia | Realizador palestiniano denuncia aumento da violência por colonos O realizador palestiniano, Basel Adra, denunciou que a violência contra palestinianos na Cisjordânia tem aumentado sem precedentes, ainda mais do que aquela que o seu documentário vencedor de um Óscar retratava entre 2019 e 2023. “Hoje em dia, nem sequer é comparável ao ‘No Other Land’”, disse Adra, referindo-se ao seu filme, durante uma intervenção num painel no festival de cinema DocLisboa. Na Cisjordânia, recordou, agora é época da apanha da azeitona, mas os olivais foram transformados numa “zona de guerra”. Os colonos “estão mesmo a travar uma guerra contra os agricultores e contra as oliveiras”, continuou, acrescentando que também atacam jornalistas, activistas e pessoas de outros países que viajaram até à Cisjordânia para auxiliar os palestinianos a fazer a apanha em segurança. “Foram mortos palestinianos enquanto colhiam as suas oliveiras. Trata-se de milhares de oliveiras e algumas delas estão naquelas terras há milhares de anos — oliveiras muito, muito antigas —, ou foram queimadas pelos colonos para que estes pudessem, pela primeira vez, transformar em azeite a quantidade de azeitonas roubadas”, denunciou Basel Adra. O realizador palestiniano acusou ainda os colonos de esperarem que as famílias terminem a apanha da azeitona para depois então atacar e roubar os baldes. “Vão ter com as famílias que passaram horas a colher azeitonas, atacam-nas e levam-lhes os baldes. De noite ou de dia, acompanhados pelos soldados [israelitas] para roubar azeitonas”, adiantou, acrescentando que, ainda este ano, um grupo de colonos “chegou ao ponto de abrir uma fábrica para as transformar em azeite”. “E estão a vendê-lo em Telavive”, acrescentou.