Tóquio com maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido ao calor

Tóquio registou na quarta-feira o maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido à onda de calor, com um morto e quatro pessoas em estado crítico, anunciaram ontem os serviços de emergência.

Os bombeiros da capital japonesa informaram que 453 pessoas foram hospitalizadas em Tóquio na quarta-feira, um recorde desde que os registos começaram em 2010, e que o accionamento dos serviços de emergência atingiu um nível que não se via há pelo menos 63 anos. “Instamos o público a manter-se hidratado e a usar ar condicionado”, disse ontem um porta-voz do corpo de bombeiros.

Os bombeiros de Tóquio também responderam a 3.612 chamadas na quarta-feira, um número recorde desde que os registos começaram em 1963, segundo o porta-voz. Das pessoas hospitalizadas na quarta-feira, uma morreu, quatro estavam em estado crítico e 18 em estado grave.

Dia cruel

Quatro localidades japonesas registaram temperaturas acima dos 40 graus Celsius, um dia apelidado de “kokushobi” pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), um neologismo que pode ser traduzido como “dia cruelmente quente”.

Pelo menos outras seis localidades registaram temperaturas de 39,8 graus na quarta-feira. Os alertas de ondas de calor estão em vigor em quase todo o país e os serviços de emergência informaram na quarta-feira que pelo menos 14 pessoas morreram por causas relacionadas com o calor na última semana.

Quase 11.000 pessoas procuraram cuidados médicos de emergência no Japão na última semana, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. No ano passado, o país viveu o Verão mais quente de que há registo, e a temperatura mais elevada foi registada a 05 de Agosto de 2025, atingindo os 41,8°C em Isesaki, a norte de Tóquio.

De acordo com os cientistas, as alterações climáticas provocadas pela actividade humana estão a aumentar a frequência e a intensidade dos eventos de calor extremo no Japão e noutros locais.

24 Jul 2026

Timor-Leste | Lançado projecto fotovoltaico para reduzir dependência de combustíveis

O primeiro-ministro de Timor-Leste lançou ontem a primeira pedra do Projecto Fotovoltaico Solar de Laleia, um dos maiores investimentos privado no país, que vai permitir reduzir a dependência de combustíveis para fornecer electricidade.

“Precisamos de diversificar as nossas fontes de energia e reduzir a nossa dependência dos combustíveis importados. É por isso que o Projecto Solar Fotovoltaico de Laleia é também extremamente importante”, disse Xanana Gusmão na cerimónia.

O projecto, que deverá ser construído durante 24 meses, terá uma capacidade de geração solar de 72 megawatts, com um sistema de armazenamento de energias em baterias com capacidade 36 megawatts-hora.

“Irá fornecer mais electricidade à rede nacional e ajudar a diversificar como Timor-Leste produz energia. Isto é particularmente importante porque vivemos num período de incerteza internacional”, salientou Xanana Gusmão.

“Timor-Leste não pode controlar os preços internacionais dos combustíveis. Não pode controlar as interrupções nas cadeias globais de energia. Mas pode tomar medidas para reduzir a nossa vulnerabilidade”, continuou o primeiro-ministro timorense.

O projecto de energia solar, segundo Xanana Gusmão, deverá reduzir os custos anuais de combustível em Timor-Leste em cerca de 25 a 30 milhões de dólares. “Isto permitirá utilizar mais recursos para apoiar a saúde, a educação, as infraestruturas e outras prioridades nacionais”, disse.

24 Jul 2026

Wuhan | Retomadas licenças para ‘robotáxis’ após incidente

A China retomou a emissão de licenças para ‘robotáxis’, suspensa desde Abril após um incidente com veículos autónomos da tecnológica Baidu em Wuhan, depois de concluir uma revisão de segurança em todo o sector, avançou ontem a Bloomberg.

Segundo a agência de notícias, que cita fontes próximas do processo, a retoma está a ocorrer de forma gradual em algumas cidades, após a conclusão, no final de Junho, de uma revisão de segurança.

Os reguladores chineses ordenaram essa revisão depois de mais de uma centena de ‘robotáxis’ da Apollo Go, o serviço de condução autónoma da Baidu, terem ficado imobilizados de forma repentina, no final de Março, em várias ruas de Wuhan.

O incidente motivou várias chamadas para a Polícia de Trânsito da cidade, deixou passageiros temporariamente retidos e perturbou a circulação rodoviária, embora não tenham sido registados acidentes nem feridos. As primeiras investigações, citadas na altura pelas autoridades locais, atribuíram o problema a um “erro de sistema”.

Na sequência do incidente, três organismos governamentais, entre os quais o ministério da Indústria e Tecnologias da Informação, reuniram-se com responsáveis de cidades que operam serviços de ‘robotáxis’ ou projectos-piloto de condução autónoma para exigir uma revisão completa e o reforço da supervisão em matéria de segurança, informou a Bloomberg.

A Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos distribuídos por mais de uma dezena de cidades. A Baidu anunciou, entretanto, acordos com a Lyft e a Uber para expandir estes serviços à Europa, Ásia e Médio Oriente.

24 Jul 2026

Diplomacia | China e Japão falam pela primeira vez desde disputa sobre Taiwan

Os chefes da diplomacia do Japão, Toshimitsu Motegi, e da China, Wang Yi, mantiveram esta semana uma breve conversa, a primeira desde o agravamento da disputa diplomática em torno de Taiwan, no ano passado, avançou ontem a imprensa japonesa.

O ministro japonês afirmou que ambos abordaram “as relações bilaterais”, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da conversa, segundo o diário japonês Nikkei. O breve encontro decorreu à margem da reunião anual dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila.

Além de Wang, Motegi reuniu-se também, durante um jantar, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, com quem discutiu “as relações bilaterais e questões regionais”, acrescentou o jornal.

As relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de forte tensão desde Novembro do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia representar uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando uma intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.

Em resposta, o Governo chinês impôs várias medidas de retaliação económica contra o Japão, incluindo a recomendação aos cidadãos chineses para evitarem viajar para o arquipélago e restrições às exportações para o Japão de bens de dupla utilização e minerais críticos.

24 Jul 2026

Eurodeputados querem esgotar negociações com Pequim para evitar guerra comercial

A União Europeia pretende evitar uma guerra comercial com a China e privilegiar o diálogo para resolver as actuais disputas económicas, afirmaram ontem eurodeputados europeus, que defenderam relações futuras baseadas na reciprocidade e na transparência.

Citado pela agência EFE, o eurodeputado espanhol Nicolás Pascual de la Parte (Partido Popular Europeu) disse que a UE “quer esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas de retaliação”. “Não queremos uma guerra comercial, queremos evitá-la”, afirmou.

O também espanhol Javi López (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) advertiu que “qualquer medida unilateral no domínio comercial desencadeará uma medida equivalente da outra parte”.

“Sabemos onde isso conduz: a uma escalada comercial com um país com o qual mantemos relações muito intensas e que, sendo honestos, tem uma grande capacidade de resistência e sofre menos pressão da opinião pública na tomada de decisões”, acrescentou, citado pela agência de notícias espanhola.

Apesar do que classificou como um “desequilíbrio insustentável” na balança comercial entre a UE e a China, Pascual de la Parte explicou que, nas reuniões com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, Pequim rejeitou as críticas. “Eles consideram que o desequilíbrio não resulta de práticas proteccionistas chinesas, mas da dinâmica dos mercados e, por isso, entendem que não têm qualquer responsabilidade”, afirmou.

Segundo López, as autoridades chinesas responderam que cumprem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e desafiaram Bruxelas a recorrer aos mecanismos da organização caso considere existirem violações.

O eurodeputado lamentou as “consequências de grande alcance” que o desequilíbrio comercial tem para as economias europeias e apelou às autoridades chinesas para serem “imaginativas” na procura de soluções.

Pascual de la Parte afirmou ainda que Wang Yi acusou Bruxelas de “politizar” as divergências comerciais. “Fazem uma selecção das regras que querem cumprir e das que não querem cumprir. É isso que tem de ser resolvido”, disse o eurodeputado, citando o ministro chinês.

Segundo Pascual de la Parte, Pequim mostra-se particularmente incomodada com a classificação da China como “rival sistémico” por parte da UE. “Não se vêem como rivais da União Europeia, mas como parceiros. No fundo, o objectivo final é afastar os Estados Unidos da Europa e aproximar a Europa da China”, afirmou.

Questionado sobre a multa de 500 milhões de euros aplicada pela UE à plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress, Pascual de la Parte considerou que a decisão constitui “um sinal de que a Europa leva as questões comerciais a sério”.

“Vamos analisar tudo com atenção e aplicar o princípio da reciprocidade. A partir de agora, as relações comerciais, económicas e políticas assentarão na transparência e na reciprocidade”, afirmou.

Benefícios tecnológicos

O eurodeputado defendeu ainda que o desenvolvimento tecnológico chinês beneficiou da transferência de tecnologia ocidental.

“A China chegou onde está graças à transferência maciça de tecnologia ocidental, sobretudo de empresas norte-americanas e alemãs. Hoje produz, por exemplo, comboios de alta velocidade mais baratos e vende-os aos antigos fornecedores”, disse, apontando casos semelhantes nos sectores do alumínio, painéis solares e veículos elétricos.

Outro dos temas abordados durante a visita foi a acusação, feita por líderes da França e da Alemanha, de que a China manipula a taxa de câmbio da sua moeda para reforçar a competitividade das exportações, uma crítica também repetidamente formulada pelos Estados Unidos.

López estimou que essa “desvalorização artificial” ronde entre 20 por cento e 30 por cento. Já Pascual de la Parte considerou que Pequim “está a perceber que esse modelo chegou aos seus limites”, tanto nas relações com os Estados Unidos como com a Europa.

Na sua opinião, após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, a segurança das cadeias de abastecimento passou a prevalecer sobre os ganhos económicos imediatos, mesmo que isso implique custos acrescidos para os consumidores. “A Europa tem de encontrar o seu lugar num mundo em mudança, hostil e incómodo. Não tínhamos o vocabulário nem as estruturas adequadas, mas acredito que aprenderemos rapidamente a lição”, apontou.

24 Jul 2026

ASEAN | Pequim defende que disputas marítimas não devem comprometer relações

A China defendeu ontem, que as disputas no mar do Sul da China não devem tornar-se um obstáculo às relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), numa altura de crescente tensão com as Filipinas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou ontem em conferência de imprensa que essa foi a mensagem transmitida na quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante a reunião ministerial China – ASEAN, realizada em Manila.

Segundo a versão divulgada por Pequim, Wang afirmou que o mar do Sul da China é a “casa comum” dos países da região e que a China e a ASEAN têm a sabedoria e a capacidade para gerir as divergências e preservar a paz e a estabilidade.

“A questão do mar do Sul da China não deve tornar-se um obstáculo às relações entre a China e a ASEAN”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, apelando a que a iniciativa para preservar a estabilidade nessas águas permaneça firmemente nas mãos dos países da região.

Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar factores de interferência” e acelerar as negociações sobre o Código de Conduta para o mar do Sul da China, segundo Lin.

Esse mecanismo, negociado há vários anos, visa estabelecer normas de conduta numa área marítima onde Pequim mantém disputas de soberania com vários países da região, entre os quais as Filipinas e o Vietname.

Tensões a subir

As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões entre a China e as Filipinas, que esta semana trocaram protestos diplomáticos na sequência de um incidente junto ao recife Second Thomas, onde Manila mantém encalhado o navio Sierra Madre e ambos os países se acusaram mutuamente de agressões.

Os dois países divergiram também sobre um outro incidente em águas próximas do atol de Scarborough, onde a Guarda Costeira chinesa afirmou ter expulsado dois navios oficiais filipinos.

A reunião da ASEAN contou igualmente com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que se reuniu com Wang Yi e recordou que Washington mantém um tratado de defesa com as Filipinas. A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, em sobreposição com as reivindicações territoriais das Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei.

24 Jul 2026

Trump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático

O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou ontem o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

“Vamos falar com eles sobre isso”, afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada. O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos “ocorreram há muito tempo” e admitiu que “a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura”.

“Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso”, declarou.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deveriam reunir-se ontem, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina.

O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”, alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos.

Negas de Pequim

A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como “calúnias completamente infundadas” e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

“A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal. Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de “assuntos delicados”.

O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos.

“Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuarem a dialogar e a manter uma relação”, afirmou.

23 Jul 2026

TSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA

O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona.

A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa.

Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população.

A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano.

Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos.

“Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário.

O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.

23 Jul 2026

China | Nike abandona distribuidores ‘online’ após anos de queda nas vendas

A Nike vai deixar de vender produtos através de distribuidores ‘online’ na China, concentrando as vendas digitais nos seus próprios canais, numa tentativa de reforçar a marca após uma queda de quase 30 por cento das receitas no mercado chinês.

Numa carta publicada no sítio oficial da empresa, a nova vice-presidente e diretora-geral da Nike para a China, Cathy Sparks, anunciou que, a partir de Janeiro de 2027, os consumidores chineses só poderão adquirir produtos da marca através do portal oficial, da aplicação da empresa e das lojas oficiais nas plataformas de comércio electrónico Tmall, JD.com e Douyin, a versão chinesa do TikTok.

“Não se trata de reduzir o acesso, mas de reduzir a fragmentação e reforçar a experiência dos consumidores. Quando a experiência é sólida, a marca fortalece-se”, afirmou a responsável.

Segundo Sparks, a Nike pretende criar um “destino único e premium” para os consumidores, proporcionando uma apresentação “mais clara” dos produtos e uma comunicação da marca “mais forte”.

A cadeia norte-americana CNBC indicou que a estratégia anterior da Nike na China, baseada na venda através de múltiplos distribuidores, gerava inconsistências ao nível da imagem da marca e dos preços, embora tenha alertado que a mudança poderá ter um impacto negativo nas vendas no país.

Além da fraca procura, a empresa enfrenta a crescente concorrência de marcas chinesas como a Li Ning e a Anta Sports.

Após o anúncio, a Topsports, principal distribuidora da Nike na China, confirmou que deixará de vender produtos da marca através da internet a partir do próximo ano, mas manifestou apoio à decisão e assegurou que continuará a cooperar com a empresa norte-americana através da rede de lojas físicas, mantendo uma parceria com 27 anos.

23 Jul 2026

Ciência | Operações em megaacelerador de partículas para simular Big Bang

A China iniciou operações num acelerador de partículas de grande escala que pretende explorar os limites dos núcleos atómicos e desvendar os processos fundamentais da matéria e do universo.

Segundo a agência Xinhua, na terça-feira foi iniciada a fase de operações experimentais do Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, na província de Guangdong, que visa explorar os limites dos núcleos atómicos, revelar processos de astrofísica nuclear e impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e das suas aplicações.

O professor Yang Jiancheng, vicedirector do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheirochefe do projecto, indicou à Xinhua que esta instalação dispõe da maior intensidade de feixe pulsado de iões pesados do mundo e do espetrómetro de anel mais preciso para medição de massas nucleares.

Aceleradores de partículas são equipamentos complexos que utilizam campos electromagnéticos para impulsionar partículas carregadas — como electrões, protões e iões — a velocidades próximas à da luz. Segundo Yang, os iões pesados de alta velocidade funcionam como “balas microscópicas” que colidem com alvos, criando condições extremas de temperatura e pressão.

Toca a acelerar

Construído pelo Instituto de Física Moderna, o HIAF gerou o seu primeiro feixe em Outubro de 2025, após sete anos de obras. A estrutura estende-se por 80 acres e inclui uma linha de feixe de dois quilómetros situada a 13 metros de profundidade.

Tratase de um dos maiores aceleradores de iões do mundo, capaz de acelerar todos os tipos de iões, com uma linha de feixe total de dois quilómetros, mais de 6.000 conjuntos de equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes.

Na fase de testes, a instalação atingiu níveis inéditos de intensidade para feixes de oxigénio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em três vezes e 7,5 vezes, respectivamente.

Em termos de investigação fundamental, o HIAF permitirá simular ambientes extremos como o interior das estrelas, explosões de supernovas e os primeiros instantes do Big Bang, ajudando a explorar a estrutura profunda da matéria.

No plano das aplicações, o acelerador poderá testar a resistência à radiação de naves espaciais, apoiar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a investigação de materiais funcionais. Na área médica, por exemplo, deverá contribuir para avanços significativos na terapia contra o cancro com iões pesados e na criação de novos radiofármacos.

23 Jul 2026

China condena multa da União Europeia à AliExpress e promete “medidas firmes”

O Governo chinês condenou ontem a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio electrónico AliExpress e prometeu adoptar “medidas firmes” para defender os interesses da empresa.

“A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio electrónico na Europa”, afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês.

O porta-voz instou a União Europeia a “deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas “de forma justa e imparcial”. Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adoptará “medidas firmes” para salvaguardar os seus interesses, acrescentou.

Castigo europeu

A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos.

Bruxelas acusou ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios. A empresa chinesa respondeu que “esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores” e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como “desproporcionada”.

A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica.

Entre Março e Abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital.

Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada.

A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em Maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em Dezembro de 2025, por falta de transparência.

23 Jul 2026

AliExpress vai recorrer da “desproporcionada” multa europeia de 550 milhões de euros

A plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress anunciou ontem que vai recorrer da multa recorde de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia, classificando como “desproporcionada” a sanção por alegado incumprimento no combate à venda de produtos ilegais.

“Estamos surpreendidos com a decisão da União Europeia (UE) e com a multa desproporcionada, e não concordamos com ela. (…) O AliExpress tem estado e continua comprometido com as suas obrigações para com os consumidores”, afirmou a empresa, num comunicado publicado no portal de notícias corporativas da sua casa-mãe, o grupo Alibaba.

“A decisão (…) ignora o nosso sólido quadro de gestão de riscos e as melhorias significativas e proactivas que implementámos. Vamos recorrer da decisão”, acrescentou a plataforma.

Segundo o comunicado, o AliExpress “trabalhou de forma construtiva” com a Comissão Europeia para introduzir “muitas melhorias e compromissos voluntários”, respeitando um “espírito de cooperação e transparência”.

A empresa sublinhou ainda ter investido “recursos consideráveis” na gestão e mitigação de riscos, na segurança dos produtos e na protecção dos consumidores.

Falta de controlo

A Comissão Europeia anunciou ontem a aplicação da multa, por considerar que o AliExpress não dispõe de pessoal suficiente para fiscalizar a presença de produtos ilegais na plataforma, como artigos contrafeitos ou que violam normas de segurança, acusando ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detectar e remover esse tipo de anúncios.

Segundo Bruxelas, muitos dos produtos identificados continuam disponíveis durante “várias semanas”, os vendedores podem manter as lojas activas apesar de terem sido sancionados e os mecanismos de controlo da plataforma podem ser contornados “com facilidade”.

De acordo com o executivo comunitário, esta situação prejudica não só os consumidores, mas também as “empresas legítimas que investem em design, testes de segurança e inovação, obrigando-as a competir com produtos que evitam esses custos”.

“A proliferação de roupa contrafeita, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e nocivos não é um custo inevitável das compras ‘online’, mas sim um incumprimento, por parte do AliExpress, das suas obrigações”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen.

Multa pesada

O AliExpress tem agora até 20 de outubro para apresentar à Comissão Europeia um plano com as medidas que pretende adoptar para corrigir estas práticas. Bruxelas disporá depois de um mês para o avaliar e propor um calendário “razoável” para a sua implementação.

Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a do AliExpress é a mais elevada.

Em Maio, Bruxelas multou a também chinesa Temu em 200 milhões de euros por não impedir a venda de produtos ilegais e, em Dezembro do ano passado, aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por falta de transparência.

22 Jul 2026

Comércio | China rejeita críticas da Alemanha e de França sobre desequilíbrio comercial

Enquanto uma delegação da União Europeia visita Pequim para discutir questões como as fricções comerciais, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica, entre outras, as autoridades chinesas rejeitam as críticas de Merz e Macron e dizem estar abertas a um diálogo construtivo

Pequim rejeitou ontem críticas da Alemanha e de França sobre os desequilíbrios comerciais com a União Europeia, assegurando que não manipula a moeda, não procura deliberadamente um excedente comercial nem concede subsídios proibidos pela Organização Mundial do Comércio.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que Pequim “atribui grande importância” às divergências económicas e comerciais com a União Europeia (UE), mas defendeu que estas podem ser resolvidas através do “diálogo e da consulta” e não devem tornar-se “um obstáculo” à confiança mútua nem um argumento para a “desvinculação económica”.

Lin garantiu ainda que não existe “compra ou venda forçada”, depois de Merz e Macron terem defendido recentemente, na Alemanha, um diálogo com Pequim para corrigir os desequilíbrios comerciais e abordar questões como as transferências de tecnologia, a política cambial e os subsídios.

“A China não procura deliberadamente um excedente comercial com a Europa”, afirmou o porta-voz, sustentando que a estrutura do comércio bilateral resulta da divisão internacional do trabalho, das vantagens comparativas de cada país e de outros factores.

O responsável acrescentou que a China cumpre as regras da OMC e os princípios do comércio livre, da concorrência leal, da abertura e da cooperação, negando a existência de subsídios proibidos por aquela organização.

Lin atribuiu a competitividade da indústria chinesa ao sistema produtivo do país, à dimensão do mercado interno, ao ecossistema de inovação e ao investimento sustentado das empresas chinesas.

O porta-voz rejeitou também as críticas relativas à taxa de câmbio, afirmando que a China, enquanto “grande potência responsável”, nunca manipulou a sua moeda, “não pratica desvalorizações competitivas” nem utiliza a taxa de câmbio como instrumento para responder a disputas comerciais ou perturbações externas.

Por outro lado

Na sexta-feira, Merz afirmou, ao lado de Macron, que nenhum país da UE mantém um saldo comercial positivo com a China e que o défice comercial anual do bloco ultrapassa os 300 mil milhões de euros. O Presidente francês defendeu igualmente a necessidade de “corrigir as disfunções” relacionadas com a taxa de câmbio e a relação monetária com a China.

Macron defendeu ainda que a Europa obtenha transferências de tecnologia da China, em vez de se limitar a importar produtos chineses.

A resposta de Pequim coincide com a visita à capital chinesa de uma delegação de eurodeputados, chefiada pelo alemão David McAllister, que está a discutir com as autoridades chinesas vários pontos de fricção entre Pequim e Bruxelas, incluindo o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica

 

Eurodeputados de visita

Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu iniciou ontem uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos. A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começou ontem a visita em Pequim, com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”. Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”. Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do sector e a governação global da inteligência artificial (IA).

 

 

22 Jul 2026

Importações | China reforça compras de soja ao Brasil

O Brasil vê reforçadas as suas vendas à China, enquanto se acentua o declínio das exportações de soja, e não só, dos Estados Unidos para o gigante asiático

As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7por cento em Junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6 por cento, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições.

Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em Junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses.

Em Junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas.

Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre Janeiro e Junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping.

No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1 por cento, para 34,75 milhões de toneladas.

O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de Junho reflectem compras efectuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano.

O objectivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em Maio.

Quadro alargado

A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22 por cento no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13 por cento, para 17,4 mil milhões de dólares.

No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afectar mais de 11 mil milhões de dólares em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China.

Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro.

Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares, mais 7 por cento do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2 por cento.

Por partes

A soja representou 34,7 por cento das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62 por cento, para 15,1 mil milhões de dólares, impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz.

As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares.

As exportações de carne bovina cresceram 50 por cento, para 4,8 mil milhões de dólares, à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55 por cento sobre os volumes que excedam esse limite.

22 Jul 2026

Diplomacia | Panamá e China negoceiam renovar acordo marítimo

Panamá e China “prosseguirão com os trâmites de renovação” do acordo marítimo após reunião entre autoridades dos dois países num momento de redução da escalada da tensão bilateral devido a conflito portuário e comercial, informou ontem o Governo panamiano.

“De 16 a 17 de Julho de 2026, delegações da República do Panamá e da República Popular da China realizaram negociações em Pequim sobre a renovação do Acordo de Transporte Marítimo China-Panamá e alcançaram um consenso sobre os temas pertinentes. Ambas as partes prosseguirão com os trâmites de renovação”, indicou, sem mais, um breve comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá.

O chamado Acordo de Transporte Marítimo foi assinado em 2017, meses depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Panamá e a China, em detrimento de Taiwan, e está prestes a expirar este ano após uma renovação anterior em 2021.

O acordo concede aos navios com bandeira panamiana, uma das maiores frotas mercantes do mundo, o estatuto de ‘Nação Mais Favorecida’ nos portos chineses, o que implica uma série de vantagens como tarifas portuárias preferenciais e procedimentos mais ágeis.

A renovação desse acordo ocorre depois do crescimento do número de navios panamianos retidos em portos na China, uma situação que surgiu após a saída, em Fevereiro passado, do operador chinês CK Hutchison de dois portos próximos ao Canal do Panamá porque a concessão foi anulada por ser considerada inconstitucional pelo Supremo do país.

A saída forçada, por sua vez, ocorreu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar retomar o Canal – que foi construído e administrado pelos EUA durante o século XX -, devido à “influência maligna” chinesa, e após anos de denúncias internas contra a concessão, qualificada pelo Supremo como lesiva para o Estado.

No bom caminho

O vice-chanceler panamiano Carlos Hoyos disse ontem à cadeia Telemetro que as detenções de navios de bandeira panamiana na China diminuíram desde Junho e já se encontram em números normais, uma tendência sobre a qual o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já tinha falado.

“Parece que [a situação com a China] tem uma volta positiva e vai no sentido de anular qualquer tipo de tensão que possa existir, o que certamente não é o que queremos”, acrescentou Hoyos.

Das 30 ou 40 detenções habituais de navios com bandeira panamiana, este ano aumentaram para 140, o que impactou directamente a marinha mercante do Panamá, com mais de 200 navios a abandonar a bandeira do Panamá, segundo Mulino.

22 Jul 2026

Grupo Jingye exige indemnização pela nacionalização da British Steel

A empresa chinesa que era proprietária da British Steel exigiu no domingo uma indemnização ao Governo britânico pelas perdas sofridas com a nacionalização da siderúrgica, concluída na semana passada.

O Governo do Reino Unido assumiu o controlo operacional da empresa no ano passado, depois de o grupo chinês Jingye ter admitido encerrar os altos-fornos da fábrica de Scunthorpe, no norte de Inglaterra, a última unidade do país a produzir aço primário a partir de matérias-primas.

Num comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat, o Grupo Jingye afirmou que a nacionalização prejudicou a credibilidade do Governo britânico, afastou investidores internacionais e provocou “grandes prejuízos” à empresa e aos contribuintes britânicos.

A empresa acusou ainda Londres de “pisotear as regras internacionais do investimento” e exigiu que o Governo britânico respeite os compromissos assumidos.

O grupo anunciou ter iniciado os procedimentos de negociação previstos nos acordos bilaterais de protecção do investimento, reservando todos os direitos, incluindo o recurso à arbitragem internacional.

Em nome do povo

O Jingye indicou também que irá representar os contribuintes britânicos na tentativa de responsabilizar judicialmente o Governo do Reino Unido e a administração da British Steel, embora não tenha explicado de que forma pretende fazê-lo.

“O Reino Unido ignorou o investimento contínuo e o contributo significativo do Jingye e apenas estava disposto a oferecer uma compensação praticamente nula”, afirmou a empresa.

O Governo britânico anunciou na semana passada que será realizada uma avaliação independente para determinar se será paga alguma compensação ao Grupo Jingye.

O ministério dos Negócios e Comércio britânico justificou a nacionalização, anunciada em 17 de Julho, com a necessidade de preservar milhares de postos de trabalho e proteger o interesse nacional, assegurando o fornecimento de aço produzido no país para grandes projectos de construção e para a indústria da defesa.

A British Steel produz aço em Scunthorpe há mais de 130 anos e emprega actualmente cerca de 2.700 trabalhadores.

O Grupo Jingye adquiriu a British Steel em 2020, afirmando então ter salvo a empresa da falência.

Credibilidade em causa

No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a forma como o Reino Unido gerir este processo influenciará directamente a percepção dos investidores chineses sobre o ambiente de investimento britânico e a credibilidade do Governo de Londres.

A diplomacia chinesa apelou ao Reino Unido para que respeite “os princípios do mercado e o espírito contratual” e encontre uma solução para a compensação e outras questões “aceitável para ambas as partes”.

Pequim acrescentou ainda que apoia as empresas na defesa dos seus direitos e interesses legítimos através dos meios legais.

21 Jul 2026

Mercados recuperam com intervenção de fundos públicos

As bolsas chinesas recuperaram ontem parte das fortes perdas da semana passada, após dois grandes fundos estatais anunciarem novas compras e o regulador dos mercados convocar uma reunião com os principais participantes do sector para reforçar a estabilidade financeira.

O índice de referência CSI 300 chegou a subir 2 por cento nas primeiras horas da sessão, depois de ter recuado 3,6 por cento na sexta-feira e acumulado uma perda semanal de 5,3 por cento, a maior desde Outubro de 2022, num contexto de forte correção das acções tecnológicas a nível mundial.

A recuperação ocorreu após a China Reform Holdings Corporation e a China Chengtong Holdings Group, duas gestoras estatais associadas à chamada “equipa nacional” (“national team”), anunciarem no domingo o reforço das suas posições em acções chinesas.

As duas entidades comprometeram-se igualmente a continuar a aumentar os investimentos, em particular em empresas estatais sob controlo do Governo central.

A China Reform Holdings revelou que uma das suas subsidiárias recorreu a mais de 50 mil milhões de yuan da facilidade de ‘swap’ do Banco Popular da China (banco central) para apoiar a estabilidade dos mercados.

Já a China Chengtong indicou que duas subsidiárias adquiriram recentemente activos acionistas chineses no valor de quase 10 mil milhões de yuan.

Preparar o futuro

Entretanto, a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China reuniu-se ontem com empresas cotadas, corretoras e gestoras de fundos para recolher propostas destinadas a promover “um desenvolvimento estável e saudável” dos mercados de capitais, segundo a imprensa estatal.

As medidas surgem depois de uma vaga de vendas iniciada pelas acções chinesas ligadas à inteligência artificial (IA), que acabou por alastrar ao conjunto do mercado.

O índice STAR 50, que agrega empresas tecnológicas cotadas em Xangai, caiu 17 por cento na semana passada, reflectindo também as preocupações dos investidores com a pressão da oferta antes da esperada entrada em bolsa da fabricante chinesa de memória ChangXin Memory Technologies (CXMT).

Na sexta-feira, os fundos negociados em bolsa (ETF) habitualmente associados à chamada “equipa nacional” registaram entradas líquidas de cerca de 28 mil milhões de yuan, o valor mais elevado desde Abril de 2025.

O reforço da intervenção estatal faz recordar as medidas adoptadas em Abril do ano passado, quando Pequim mobilizou vários fundos públicos para apoiar os mercados accionistas após a forte queda provocada pelo anúncio das tarifas globais impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Nessa altura, a China Reform Holdings, a China Chengtong Holdings e o fundo soberano Central Huijin Investment comprometeram-se igualmente a adquirir acções para restaurar a confiança dos investidores.

21 Jul 2026

Confrontos na Índia entre polícia e jovens que exigem demissões no Governo

Milhares de famílias e jovens indianos tentaram ontem marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, mas foram alvo de gás lacrimogéneo e bastonadas quando tentaram romper as barricadas de segurança.

Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi.

A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo.

Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e activista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.

O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.

Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor.

A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o activista à força para o hospital.

Antes da marcha de ontem, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras.

A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de Inverno, que começou ontem.

 

Divisões internas

Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião.

Líderes importantes do Governo de Modi adoptaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido.

Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, activistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood.

Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo activistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.

21 Jul 2026

Guterres agradece a Xi Jinping “apoio consistente” da China ao multilateralismo e à ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, agradeceu sexta-feira ao Presidente chinês, Xi Jinping, pelo “apoio consistente da China” ao multilateralismo e às Nações Unidas, incluindo às missões de manutenção da paz.

Num encontro em Xangai, para onde Guterres viajou para participar na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (IA), o líder da ONU e o chefe de Estado chinês discutiram uma série de assuntos internacionais e regionais de paz e segurança, incluindo questões relativas ao Médio Oriente, assim como à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, segundo o gabinete do secretário-geral.

“O secretário-geral reafirmou o seu firme compromisso com a reforma da ONU, em plena consonância com a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, e com o pleno respeito pelo equilíbrio entre os três pilares das actividades das Nações Unidas – paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos – e com o reforço da cooperação com a China em todas estas áreas”, disse o gabinete de Guterres em comunicado.

O ex-primeiro-ministro português aproveitou ainda o encontro com Xi para elogiar o envolvimento da China nas discussões globais sobre a governação da IA.

 

Poder nas pessoas

António Guterres chegou à China na quinta-feira. Na sexta-feira de manhã, participou na cerimónia de abertura da Conferência Mundial de IA, em Xangai, e posteriormente interveio na sessão de abertura do Fórum Meteorológico da Conferência Mundial.

Guterres apelou para que não se permita a “um punhado de países ou empresas” controlar o futuro da IA, sublinhando que deve ser a humanidade a “moldar” essa tecnologia.

“A IA pode ser uma das maiores oportunidades para a humanidade no século XXI, mas também poderá ser um dos seus maiores riscos. (…) A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário”, advertiu.

Na sua perspectiva, os riscos concentram-se na ameaça de “desigualdades ainda maiores” em matéria de rendimento, oportunidades ou segurança.

“Não podemos permitir que isso aconteça. O desafio que enfrentamos é garantir que a IA se torne uma força para maior inclusão e para o progresso comum”, afirmou o líder da ONU.

20 Jul 2026

Hong Kong | China saúda EUA por restaurarem privilégios comerciais

A China saudou a decisão dos Estados Unidos de não renovar uma ordem executiva que revogava o estatuto comercial especial de Hong Kong, considerando um passo importante na implementação do consenso alcançado durante encontros entre Pequim e Washington.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que não vai renovar a ordem executiva, assinada em Julho de 2020 durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump, em resposta à imposição pela China da lei de segurança nacional.

Decisão aplaudida na sexta-feira por um porta-voz do Ministério do Comércio da China que, citado pela agência de notícias Xinhua, confirmou a revogação, este ano, da ordem executiva.

Ainda de acordo com este ministério, durante as consultas económicas e comerciais entre a China e os EUA, realizadas em Madrid no ano passado, os Estados Unidos assumiram compromissos sobre questões que incluíram Hong Kong e o investimento.

O porta-voz indicou ainda que a manutenção da prosperidade e da estabilidade de Hong Kong serve os interesses comuns da China e dos Estados Unidos, e que o ajustamento da política dos EUA em relação a Hong Kong numa direcção positiva também vai ao encontro das expectativas da comunidade internacional.

 

Pela estabilidade

A China, afirmou ainda o responsável chinês do Ministério do Comércio, espera que os Estados Unidos honrem as convenções internacionais e o consenso alcançado pelas duas partes, respeitem a soberania da China e o Estado de direito na Região Administrativa Especial de Hong Kong, e restabeleçam e reforcem as relações económicas e comerciais com esta cidade vizinha de Macau.

Esses esforços contribuiriam para a construção de uma relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os Estados Unidos, acrescentou o porta-voz.

Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que continuarão em vigor as sanções previstas na Lei de Autonomia de Hong Kong de 2020, que penaliza autoridades que promovem a política chinesa de limitar a autonomia do território, acrescentando que a decisão de não renovar evita a duplicação de sanções.

A ordem executiva de 2020, justificada com a convicção de que Hong Kong deixou de ser suficientemente autónomo para merecer um tratamento diferenciado em relação à China continental sob certas leis, fora renovada pela última vez em Julho de 2025, por um ano.

O Governo de Hong Kong afirmou, em comunicado, ter notado uma “mudança positiva na política dos EUA” em relação à cidade.

“Salvaguardar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong atende aos interesses comuns da China e dos Estados Unidos e também se alinha com as expectativas gerais da comunidade internacional”, referiu.

20 Jul 2026

Activista indiano levado para hospital após 20 dias de greve de fome

O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força sábado para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.

Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em Maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.

De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.

Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.

“De acordo com as ordens do (…) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis”, declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.

Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.

“Embora cumprissem as ordens (…), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação”, acrescenta-se no comunicado.

 

Outras críticas

Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico ‘online’ Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.

Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reacção às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens “baratas” e “parasitas” que criticam o Governo.

Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em Março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.

Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos activistas estudantis.

O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do activista.

20 Jul 2026

Banguecoque | Numéro de mortos em incêndio de bar sobe para 34

O número de mortos no incêndio ocorrido num bar em Banguecoque subiu para 34, após a morte, ontem, de uma mulher de 20 anos que não resistiu aos ferimentos, anunciaram as autoridades de saúde da Tailândia.

O incêndio devastou rapidamente, no domingo passado, um popular bar-restaurante na zona norte da capital tailandesa, o Rong Beer Na Lat Phrao, onde decorria um concerto.

As autópsias revelaram que a maioria das vítimas morreu de intoxicação por monóxido de carbono e ácido cianídrico, após inalarem o fumo, enquanto outras morreram no hospital devido a queimaduras graves.

Os investigadores procuram determinar a causa do incêndio e as razões pelas quais este se revelou particularmente mortífero.

Os corpos de muitas vítimas foram encontrados perto das casas de banho, e as autoridades questionam-se se as saídas de emergência estariam obstruídas.

Um especialista em segurança de edifícios declarou anteriormente à agência France-Presse (AFP) que o Rong Beer Na Lat Phrao parecia não dispor dos sistemas de segurança necessários para acolher um vasto público e concertos.

As autoridades anunciaram que cerca de mil estabelecimentos em Banguecoque serão alvo de inspecção nas próximas semanas, tendo já ordenado o encerramento temporário de três bares que não cumpriam as normas de segurança.

Estas normas são frequentemente aplicadas de forma pouco rigorosa nos estabelecimentos nocturnos da Tailândia, onde um incêndio numa discoteca de Banguecoque já tinha causado 67 mortos e mais de 200 feridos em 2009.

20 Jul 2026

Importações | Mercado africano em alta após isenção de tarifas

A aplicação de zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes de 53 países africanos fez disparar as importações chinesas, com foco nos recursos minerais, nos últimos dois meses

As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos, mas também por um forte aumento das compras de produtos.

O crescimento superou o registado pelas importações chinesas no seu conjunto e foi impulsionado tanto pela procura de minerais críticos como pela entrada de novos produtos agrícolas africanos no mercado chinês.

A partir de 01 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia.

O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, num contexto em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial.

As compras de cobre bruto proveniente de África mais do que duplicaram em maio, aumentando mais de 110 por cento para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – um mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas.

As importações de petróleo bruto africano cresceram igualmente 21 por cento, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão.

O novo regime tarifário parece, contudo, estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas.

Outras matérias

Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes.

As compras de café e maçãs africanas cresceram 52 por cento e 85 por cento, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em maio de 2025.

A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea.

O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8 por cento, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5 por cento, para 123 mil milhões de dólares.

 

19 Jul 2026

Timor-Leste | Presidência da CPLP depende do “conselho consultivo”

Com Timor-Leste a preparar a presidência da ASEAN em 2029 e com eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028, a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deverá ser entregue ao Brasil ou à Guiné Equatorial

 

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a próxima presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) depende do “conselho consultivo”, tendo afirmado anteriormente que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização.

“Tudo depende do conselho consultivo da CPLP”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre o facto de o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defender que a presidência deveria ser entregue ao Brasil.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em Junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência actual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de Novembro de 2025.

Em entrevista à Lusa, o Presidente timorense defendeu que a próxima presidência da CPLP deve ser do Brasil, justificando a sua posição com o facto de Timor-Leste ir assumir a presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2029.

“Já estamos a trabalhar a todo o vapor nas agendas domésticas e na agenda ASEAN 2029. Portanto, não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP para além de 2027”, salientou o chefe de Estado.

Agenda preenchida

Timor-Leste vai também realizar eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028.

Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.

“Não chegámos a uma decisão. Houve oposição forte por parte do país anfitrião ao Brasil e a Guiné-Bissau apoiava a Guiné Equatorial. Mas eu creio que a Guiné Equatorial poderia concordar em que é preferível entregarmos ao Brasil e depois do Brasil, podíamos voltar a África e então para a Guiné Equatorial”, disse o Presidente timorense.

O assunto da próxima presidência da organização lusófona deverá ser abordado no Conselho de Ministros da CPLP, que vai realizar-se em Díli entre 18 e 19 de agosto.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

19 Jul 2026