Seul | Autoridades investigam caso de drones enviados para o Norte

As autoridades sul-coreanas declararam ter ontem feito buscas nos serviços secretos civis e militares do país no âmbito de uma investigação sobre o roubo de um drone que atravessou a fronteira com o Norte em Janeiro.

A Coreia do Norte acusou o Sul de ter enviado um drone no início de Janeiro para o seu território e afirmou ter abatido o aparelho perto da cidade de Kaesong, não muito longe da fronteira intercoreana. A KCNA, agência oficial da Coreia do Norte, estabeleceu uma ligação com outro voo de drones sul-coreanos realizado, segundo Pyongyang, perto da cidade fronteiriça de Paju, em Setembro.

Seul negou qualquer envolvimento do Governo ou do exército, sugerindo que civis poderiam ser os responsáveis, mas ontem as autoridades sul-coreanas anunciaram que estão a investigar três soldados e um funcionário dos serviços de inteligência suspeitos de envolvimento.

Mandados de busca e apreensão foram executados “em 18 locais no total, incluindo o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência”, de acordo com um comunicado.

Três civis foram acusados por suposto papel no escândalo do drone. Um deles reivindicou publicamente a responsabilidade, afirmando ter pilotado o aparelho para medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados em torno de uma fábrica de processamento de urânio no Norte.

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung denunciou esse sobrevoo, alertando que se tratava de uma iniciativa que poderia desencadear uma guerra.

O seu antecessor deposto, Yoon Suk-yeol, está actualmente a ser julgado por ter ordenado ilegalmente sobrevoos de drones sobre a Coreia do Norte, na esperança de provocar uma reacção de Pyongyang e usá-la como pretexto para uma tentativa, entretanto frustrada, de impor a lei marcial. Yoon Suk-yeol foi destituído em Abril passado por essa tentativa.

11 Fev 2026

Japão | Partido de Takaichi assegura dois terços do Parlamento

O partido ultraconservador de Sanae Takaichi obteve uma vitória categórica nas eleições de domingo, esmagando as representações centristas e da esquerda nipónicas. O amigo Donald já enviou felicitações

O Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, conquistou 315 assentos nas eleições legislativas antecipadas de domingo, obtendo sozinho uma maioria de dois terços na Câmara Baixa do Parlamento, segundo os resultados oficiais publicados ontem.

Este resultado é o melhor da história do PLD e permite à líder ultraconservadora consolidar o seu mandato para implementar o programa económico expansivo no arquipélago de 123 milhões de habitantes durante os próximos quatro anos.

Tornada em Outubro a primeira mulher a liderar o Governo japonês e aproveitando desde então um estado de graça, Takaichi dissolveu no final de Janeiro a Câmara Baixa do Parlamento, onde a sua coligação governamental tinha a maioria.

Aposta amplamente ganha: a coligação formada pelo PLD e o Ishin (Partido para a Inovação, centro-direita) obteve um total de 351 cadeiras das 465 que compõem a Câmara Baixa, de acordo com dados do Ministério do Interior.

Na legislatura anterior, o PLD tinha apenas 198 cadeiras, enquanto o Ishin detinha 34. As eleições também viram o partido anti-imigração Sanseito aumentar o número de assentos, passando de dois para quinze, segundo os resultados.

A nova Aliança Centrista para a Reforma, formada pelo principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional (centro-esquerda), e pelo antigo parceiro do PLD, o pequeno partido budista Komeito, sofreu uma derrota esmagadora, com o número de assentos a cair de 167 para 49.

Takaichi foi calorosamente felicitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem deverá encontrar-se em meados de Março, em Washington.

Desordem regional

A vitória coloca-a na esteira do seu mentor, Shinzo Abe (primeiro-ministro em 2006-2007 e depois em 2012-2020), que marcou profundamente o país com posições nacionalistas e um programa económico, que incluía, nomeadamente, medidas de relançamento orçamental.

Do ponto de vista externo, a região Ásia-Pacífico estará atenta ao desenvolvimento das tensões sino-japonesas, que assumiram uma nova dimensão desde que Sanae Takaichi sugeriu, em Novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque da China a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Os mercados financeiros também podem ficar preocupados com o desequilíbrio das finanças públicas nipónicas e, sobretudo, com a escalada da já enorme dívida pública, se Takaichi continuar a reforçar as medidas de estímulo orçamental para impulsionar a quarta maior economia mundial.

Fortalecida pela perspectiva de maiores gastos orçamentais e benefícios fiscais, a Bolsa de Tóquio subiu mais de 5 por cento na sessão de segunda-feira e voltou ontem a abrir em ganhos e novos níveis recordes.

11 Fev 2026

Automóveis | China ultrapassa Argentina como maior exportador de veículos para o Brasil

As fabricantes chinesas consolidam a sua presença no maior mercado automóvel da América do Sul, deixando para trás a Argentina

A China ultrapassou a Argentina em Janeiro para se tornar o maior exportador de automóveis para o Brasil, consolidando o domínio das marcas chinesas no maior mercado automóvel da América do Sul, segundo dados divulgados por fontes do sector.

De acordo com a plataforma especializada Autoweb, a China exportou 16.800 veículos para o Brasil em Janeiro, face a 13.400 unidades oriundas da Argentina. Trata-se de uma inversão histórica na balança automóvel entre os dois principais parceiros do Mercosul, que já se vinha a esboçar desde o primeiro trimestre de 2024.

Ao contrário dos carros argentinos, que geralmente incluem uma percentagem elevada de peças produzidas no Brasil, os automóveis chineses chegam totalmente montados, contornando a cadeia de fornecimento local.

Em valor, as importações de automóveis da China para o Brasil atingiram os 375 milhões de dólares (cerca de 315 milhões de euros) em Janeiro – mais de dez vezes o valor registado no mesmo mês do ano anterior – e representaram cerca de 65 por cento do total das importações do sector.

Este padrão segue a estratégia global das marcas chinesas, que iniciam a presença através da exportação e, posteriormente, investem em unidades de montagem e produção local. No Brasil, os fabricantes Great Wall Motors e BYD têm liderado este processo. A BYD investiu 5,5 mil milhões de reais (cerca de 890 milhões de euros) na conversão da antiga fábrica da Ford em Camaçari, no estado da Bahia, onde pretende produzir veículos com base no modelo “semi-knocked down” – em que os automóveis chegam quase prontos da China e são finalizados localmente, maioritariamente com peças importadas.

Críticas e elogios

A prática tem gerado críticas por parte da associação nacional dos fabricantes de veículos (Anfavea), que alerta para a menor geração de emprego nas cadeias de valor locais face ao modelo tradicional de produção completa. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, elogiou recentemente a decisão do Governo brasileiro de não renovar a isenção fiscal para a importação de ‘kits’ desmontados, medida que expirou em Janeiro e visa incentivar uma produção nacional mais sofisticada.

Segundo dados da Anfavea, a produção automóvel brasileira caiu 12 por cento em Janeiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto as vendas registaram uma ligeira descida. A quota de mercado dos veículos electrificados atingiu um máximo histórico de 16,8 por cento, embora apenas cerca de 35 por cento destes tenham sido produzidos no Brasil. As exportações recuaram 18 por cento, afectadas sobretudo pela menor procura argentina.

Apesar da forte expansão das marcas chinesas no mercado brasileiro, o Brasil ocupa apenas o quinto lugar entre os principais destinos das exportações automóveis da China, atrás de México, Rússia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. Segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros, a China exportou 8,32 milhões de veículos em 2025, um aumento de 30 por cento face ao ano anterior, confirmando a tendência de crescimento global do sector.

11 Fev 2026

Ex-dirigente da indústria de Defesa acusado de corrupção

Pequim anunciou ontem acusações de corrupção contra Zhang Jianhua, ex-dirigente da indústria de defesa, e uma investigação a Yi Lianhong, alto responsável do órgão legislativo, no mais recente desenvolvimento da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.

De acordo com a televisão estatal CCTV, o Ministério Público da China apresentou acusações contra Zhang Jianhua, antigo subdirector na Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional, por subornos, alegando que o ex-funcionário terá usado os cargos que ocupou no organismo responsável pela indústria de defesa para beneficiar terceiros em troca de vantagens indevidas.

Segundo a mesma fonte, Zhang terá abusado da sua posição em áreas como avaliação de projectos, finanças e auditoria para receber “bens de valor especialmente elevado”. Após abandonar funções públicas, terá continuado a explorar a influência dos cargos anteriormente exercidos para obter benefícios através de outros funcionários.

Olhos na Defesa

Este processo surge num momento de maior escrutínio sobre o sector da defesa na China, alvo de várias investigações a altos quadros militares nos últimos meses, embora as autoridades não tenham estabelecido qualquer ligação entre essas investigações e o caso de Zhang.

Num anúncio separado, a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) e a Comissão Nacional de Supervisão – os principais organismos anticorrupção do país – informaram que Yi Lianhong, vice-presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional Popular, está a ser investigado por “graves violações da disciplina e da lei”.

A nota oficial, divulgada ontem no portal da comissão partidária, não especifica a natureza das infrações, o que é habitual nas fases iniciais deste tipo de investigações.

Ambos os casos inscrevem-se na vasta campanha anticorrupção, contra “tigres” e “moscas” lançada por Xi Jinping desde que assumiu o poder em 2012, e que já atingiu dirigentes de todos os níveis – de quadros locais a líderes provinciais, chefias militares e responsáveis por grandes empresas públicas – tigres – a funcionários de baixo estatuto, moscas.

11 Fev 2026

APEC | Defendidos “consensos a favor da integração” na Ásia-Pacífico

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu ontem o reforço da integração económica na região Ásia-Pacífico, ao discursar na primeira reunião de altos funcionários do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), realizada em Cantão.

Wang apelou à construção de consensos em favor da integração e à expansão dos caminhos para o estabelecimento da Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico, uma das principais ambições do bloco, que reúne 21 economias da região.

“A coordenação das políticas macroeconómicas deve ser reforçada e a liberalização e facilitação do comércio e investimento promovida”, afirmou Wang Yi, sublinhando também a importância de proteger o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como “núcleo”.

A defesa do papel da OMC tem sido uma posição recorrente da diplomacia chinesa, face às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos, exacerbadas desde a presidência de Donald Trump.

De acordo com o chefe da diplomacia chinesa, o trabalho da APEC em 2026 girará em torno de três prioridades: abertura, inovação e cooperação. A reunião ontem inaugurada marca o início formal dos trabalhos do APEC neste ano, em que a China assume, pela terceira vez, o papel de economia anfitriã do fórum.

A cimeira de líderes da APEC está marcada para Novembro, na cidade de Shenzhen, e contará, segundo o Governo chinês, com a presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que já aceitou o convite do homólogo chinês, Xi Jinping.

As preparações do encontro decorrem num contexto internacional tenso, marcado por disputas comerciais e rivalidades geopolíticas. Pequim tem procurado destacar a APEC como uma plataforma essencial para garantir um ambiente económico regional estável e previsível.

11 Fev 2026

HK | Classificada como ingerência externa críticas à condenação de Jimmy Lai

A China classificou ontem como ingerências externas as críticas dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países à condenação do activista Jimmy Lai a 20 anos de prisão, em Hong Kong.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian acusou, em conferência de imprensa, “certos países e instituições” de aproveitarem casos judiciais em Hong Kong para “difamarem maliciosamente” a cidade, desacreditarem o seu sistema judicial e interferirem nos assuntos internos da China.

“Hong Kong é regido pelo Estado de direito, e este não deve ser questionado. Nenhum país estrangeiro tem o direito de fazer comentários irresponsáveis”, declarou o porta-voz, apelando aos governos envolvidos para que respeitem a soberania chinesa, cumpram o direito internacional e cessem qualquer forma de interferência.

As declarações surgem um dia depois de um tribunal de Hong Kong ter condenado Lai, de 78 anos, a 20 anos de prisão por conspiração com forças estrangeiras e por divulgar publicações consideradas sediciosas – uma sentença que motivou apelos à sua libertação por parte de governos ocidentais, da União Europeia e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Em resposta a essas críticas, Pequim vincou que os tribunais de Hong Kong actuam de forma independente e em conformidade com a lei, no âmbito da Lei de Segurança Nacional imposta em 2020, após os protestos em massa de 2019.

Também ontem, o Governo chinês reforçou essa posição com a publicação de um livro branco, no qual defende a legislação de segurança e rejeita as acusações de deterioração das liberdades na ex-colónia britânica.

A China afirmou que a aplicação da lei permitiu restaurar a estabilidade em Hong Kong e sublinhou que a segurança nacional e os direitos e liberdades “não são incompatíveis” – uma formulação que tem sido contestada pelas Nações Unidas e por diversas organizações internacionais.

11 Fev 2026

Irão | Líder pede demonstração de força nas ruas contra EUA

O líder supremo do Irão apelou ontem aos iranianos para que usem o 47.º aniversário da Revolução Islâmica na quarta-feira para uma demonstração de força contra o inimigo, num contexto de tensões com os Estados Unidos.

Desde 1979, “as potências estrangeiras procuraram sempre restabelecer a situação anterior”, declarou Ali Khamenei, numa referência à influência externa durante a dinastia Pahlavi (1925-1979), aliada dos norte-americanos, que foi afastada do poder pela revolução.

Liderados pelo então ‘ayatollah’ Ruhollah Khomeini, fundamentalistas xiitas instauraram a República Islâmica na sequência da revolução de 1979, que depôs Mohammad Reza Pahlavi, o último xá do Irão, formalmente denominado Pérsia até 1935.

“A potência de uma nação não reside tanto nos seus mísseis e aviões, mas na vontade e na resiliência do seu povo”, disse Khamenei, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Mostrem-no novamente e frustrem os planos do inimigo”, afirmou o líder supremo, ao apelar à participação dos iranianos no aniversário da revolução.

“A presença do povo na marcha e a expressão de lealdade à República Islâmica farão com que o inimigo recue na ambição contra o Irão e os interesses nacionais”, disse Khamenei, também citado pela agência espanhola EFE.

A máxima autoridade política e religiosa do país assegurou que a demonstração de “poder nacional” através da unidade levará ao “desânimo do inimigo”.

Khamenei avisou que, enquanto o inimigo não estiver desalentado, “não deixará de causar incómodos” aos iranianos. Referiu ainda que o povo iraniano alcançou em 11 de Fevereiro de 1979 uma “grande vitória ao libertar o país da intervenção estrangeira”.

Khamenei não participou no domingo no encontro anual com os comandantes da Força Aérea, o primeiro corpo militar a aderir à revolução de 1979.

Sangue nas ruas

O discurso surge num dos momentos de maior fragilidade da República Islâmica, após a repressão violenta de protestos contra o regime e perante a ameaça de uma intervenção militar norte-americana caso não se alcance um acordo nuclear.

As manifestações, iniciadas em 28 de Dezembro devido à desvalorização da moeda em Teerão, estenderam-se a todo o país e foram esmagadas em 08 e 09 de Janeiro. O Governo iraniano admitiu a morte de 3.117 pessoas, atribuindo a violência aos Estados Unidos e a Israel.

A organização não-governamental HRANA, sediada em território norte-americano, contabilizou 6.961 mortos, estando ainda a verificar mais de 11 mil possíveis óbitos e 51 mil detenções.

A relatora especial da ONU para o Irão, Mai Sato, disse que relatórios médicos apontam para a possibilidade de terem ocorrido até 20 mil mortes, embora as Nações Unidas sublinhem a dificuldade de corroborar os dados. Após a repressão, as autoridades lançaram uma vaga de detenções de figuras políticas moderadas e ativistas.

Simultaneamente, o Irão e os Estados Unidos retomaram na semana passada as negociações para um acordo nuclear, no primeiro encontro após a guerra de 12 dias entre Teerão e Telavive. Os Estados Unidos participaram no conflito com o bombardeamento de instalações nucleares iranianas.

10 Fev 2026

Nuclear | Reactivada maior central nuclear do mundo

A eléctrica japonesa TEPCO (Tokyo Electric Power Company) reactivou ontem a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa (KK), a maior do mundo em capacidade e fechada em 2011 após o acidente em Fukushima.

“Às 14:00, hora, as barras de controlo foram retiradas e o reactor número 6 da central nuclear foi colocado em funcionamento”, indicou a TEPCO num comunicado. O reinício do reactor tinha sido suspenso em Janeiro último depois de um alarme ter disparado. A empresa acrescentou que continuará a verificar “a integridade dos equipamentos da central” e afirmou que responderá “com sinceridade” às inspecções da Autoridade Reguladora Nuclear.

A empresa planeia aumentar gradualmente a quantidade de energia gerada em Kashiwazaki-Kariwa até retomar as operações comerciais a partir de 18 de Março.

Com uma capacidade superior a 8.000 megawatts (MW), a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês de Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.

10 Fev 2026

Japão | PM com poder reforçado aberta ao diálogo com a China

Sanae Takaichi, que saiu com poderes reforçados após as eleições de domingo, admite dialogar com a China após as declarações sobre Taiwan que incendiaram as relações entre as duas nações

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, vencedora das eleições no domingo, admitiu ontem dialogar com Pequim, depois de ter suscitado a ira chinesa ao admitir uma reacção militar do Japão se a China atacar Taiwan.

“O nosso país está aberto a diversos diálogos com a China. Já temos trocas de pontos de vista. Prosseguiremos com essas trocas. Mas fá-lo-emos de forma ponderada e apropriada”, declarou Takaichi, citada pela agência France-Presse (AFP).

A declaração foi feita um dia depois de o Partido Liberal Democrático (LDP, como é conhecido internacionalmente), liderado por Takaichi, ter conseguido uma vitória expressiva nas eleições legislativas antecipadas. O resultado vai permitir a Takaichi prosseguir com o programa do Governo que chefia desde 0utubro de 2025, incluindo um forte investimento na defesa.

Takaichi afirmou em Novembro que o exército japonês poderia intervir em caso de um ataque militar chinês contra Taiwan, por considerar que estaria em causa a segurança do Japão. A declaração, durante um debate no parlamento, gerou um forte protesto por parte da China e represálias tanto económicas como políticas, mas Takaichi recusou retratar-se.

O porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou ontem que as autoridades do Japão devem seguir uma agenda pacifista na região e reafirmou a exigência de que a primeira-ministra retirasse as “declarações erradas” sobre Taiwan. Lin pediu também a Takaichi que demonstrasse com “acções concretas” a intenção de manter a base política das relações bilaterais, segundo declarações citadas pela agência espanhola Europa Press (EP).

Maioria absoluta

A líder conservadora, de 64 anos, obteve uma vitória histórica no domingo ao conquistar 316 dos 465 assentos que compõem a câmara baixa do parlamento, segundo dados oficiais divulgados pela televisão NHK. A primeira mulher a liderar o Japão garantiu assim uma maioria absoluta de dois terços, que totaliza 352 assentos quando contabilizado o apoio do aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin).

Em conferência de imprensa em Tóquio, Takaichi descreveu ontem a vitória eleitoral como um “impulso forte” dado pelo povo japonês “para realizar mudanças políticas independentemente do custo”, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

A primeira-ministra reiterou que os resultados permitirão à coligação implementar “mudanças importantes”, incluindo uma “política fiscal proactiva e responsável”, bem como um “reforço fundamental das políticas de segurança”. Entre as metas anunciadas, está a promessa de reduzir a zero, durante dois anos, o imposto sobre alimentos e bebidas para aliviar a pressão da inflação sobre as famílias.

Prometeu também um pacote de estímulos de 21,3 biliões de ienes (cerca de 115 mil milhões de euros, ao câmbio actual). Esta postura favorável ao aumento da despesa pública gera preocupação sobre a saúde financeira da potência desenvolvida mais endividada do mundo.

Desde que Takaichi assumiu o poder em Outubro, o iene tem registado uma trajectória de desvalorização, situando-se actualmente nas 156 unidades por dólar no mercado de Tóquio. Já o rendimento das obrigações da dívida, atingiu máximos de várias décadas, segundo a EFE.

O amigo americano

No plano externo, Takaichi disse também que pretende consolidar a “unidade inabalável” entre Tóquio e Washington, quando visitar os Estados Unidos em 19 de Março, para se reunir com o Presidente Donald Trump.

“Relativamente ao encontro com o Presidente Trump, reafirmaremos a unidade inabalável entre o Japão e os Estados Unidos e reforçaremos ainda mais a cooperação num amplo leque de áreas, nomeadamente a diplomacia, a economia e a segurança”, afirmou ontem. “Abriremos, depois, um novo capítulo na história da aliança nipo-americana”, acrescentou, citada pela AFP.

Trump, que visitou o Japão em Outubro, anunciou na semana passada que Takaichi visitará Washington em 19 de Março, e descreveu a líder japonesa como “uma dirigente forte, poderosa e sábia, que ama verdadeiramente o seu país”.

10 Fev 2026

HK | Pequim defende “castigo severo” para Jimmy Lai

A pesada pena aplicada ao antigo magnata da imprensa recebeu o aplauso de Pequim por concluir que Jimmy Lai pôs seriamente em perigo a segurança nacional

O Governo chinês defendeu ontem que o empresário e activista Jimmy Lai merece um “castigo severo” por ter colocado “gravemente em perigo” a segurança nacional, após a sua condenação a 20 anos de prisão em Hong Kong.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou que Lai “foi um dos principais organizadores e participantes de uma série de incidentes anti-China que desestabilizaram Hong Kong”, numa referência às manifestações antigovernamentais de 2019.

Segundo Lin, as acções do fundador do jornal Apple Daily, entretanto encerrado, “prejudicaram gravemente a prosperidade, estabilidade e bem-estar de Hong Kong”. O Governo central “apoia firmemente” as autoridades da Região Administrativa Especial “na salvaguarda da segurança nacional, conforme a lei, e na punição de crimes que a ponham em risco”, acrescentou.

Em resposta às críticas internacionais à sentença, Lin Jian exortou “a respeitar a soberania da China e o Estado de direito em Hong Kong”, pedindo que “se evitem declarações irresponsáveis” e “se deixe de interferir nos assuntos judiciais de Hong Kong e internos da China”.

Críticas e apelos

A organização de defesa dos direitos humanos Chinese Human Rights Defenders (CHRD) reagiu à decisão classificando a condenação como “política” e sublinhando que Jimmy Lai, de 78 anos, foi alvo de um processo judicial longo, tendo sido declarado culpado em Dezembro de 2025.

A CHRD recordou que peritos das Nações Unidas consideraram, em 2024, a detenção de Lai como “arbitrária” e apelaram à sua libertação por razões humanitárias após o veredicto de Dezembro.

O julgamento decorreu perante três juízes designados especificamente para casos relacionados com a Lei de Segurança Nacional. A acusação atribuiu ao empresário uma campanha sustentada para promover sanções internacionais contra a China e Hong Kong, através do Apple Daily e da sua rede de contactos.

A defesa argumentou que os conteúdos publicados se inseriam no debate público protegido pelo direito à liberdade de expressão.

UE condena sentença

A União Europeia (UE) condenou ontem a sentença de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, empresário ligado aos meios de comunicação, por um tribunal de Hong Kong e exigiu a sua libertação imediata. “A UE deplora a severa pena de prisão de 20 anos imposta ao cidadão britânico e empresário dos ‘media’ Jimmy Lai pelo Superior Tribunal de Hong Kong, em 9 de Fevereiro de 2026”, lê-se no comunicado publicado pelo Serviço de Ação Externa da União Europeia.

Segundo o serviço diplomático do bloco europeu, “a UE reitera o seu apelo à libertação imediata e incondicional de Jimmy Lai, tendo também em conta a sua idade avançada e o seu estado de saúde”. “A perseguição política de Jimmy Lai e dos ex-executivos e jornalistas do [jornal] Apple Daily prejudica a reputação de Hong Kong”, sublinhou o comunicado.

Pena “merecida”

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, afirmou ontem que o fundador do jornal Apple Daily, Jimmy Lai, “mereceu” a pena de 20 anos de prisão que lhe foi imposta. Lai foi condenado por três crimes de conspiração para conluio com forças estrangeiras e publicação de material sedicioso. Outros oito arguidos no mesmo processo receberam penas que variam entre seis anos e três meses e dez anos de prisão.

Em comunicado, John Lee afirmou que os 156 dias de audiências públicas “com grande volume de provas apresentadas” comprovaram que Jimmy Lai foi “um cabecilha desprezível e sem escrúpulos anti-China”. “O arguido cometeu vários crimes hediondos e os seus actos maliciosos não têm medida”, acrescentou o responsável.

Para Lee, a pena pesada “demonstra que o Estado de Direito é respeitado e que a justiça foi feita”, o que “traz alívio a todos”. O Chefe do Executivo admitiu, no entanto, que Hong Kong “já pagou um preço elevado”, afirmando que muitos residentes, especialmente jovens, foram “enganados” pelo Apple Daily durante os protestos de 2019, tornando-se “radicais”.

10 Fev 2026

Taiwan | Rejeitada transferência de 40% da produção de ‘chips’ para os Estados Unidos

A vice líder de Taiwan afirmou ontem ser “impossível” transferir 40 por cento da produção de semicondutores da ilha para os Estados Unidos, defendendo que a investigação e desenvolvimento de tecnologias avançadas deve continuar a ser feita em Taiwan.

As declarações de Cheng Li-chiun surgem após o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, ter indicado no mês passado que a Administração do Presidente Donald Trump pretende deslocar para os Estados Unidos cerca de 40 por cento da cadeia de fornecimento de semicondutores de Taiwan, no seguimento de um acordo comercial assinado entre Washington e Taipé.

“Disse claramente à parte norte-americana que isso é impossível”, declarou Cheng no domingo, durante uma entrevista ao canal de televisão CTS.

A governante salientou que os processos avançados de fabrico de ‘chips’ em Taiwan, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, representam cerca de 90 por cento do valor da produção mundial. Este domínio resulta de um ecossistema de semicondutores construído ao longo de décadas e “não pode ser transferido”.

Cheng sublinhou que, embora não seja possível “redistribuir a capacidade”, poderá haver expansão da presença industrial nos Estados Unidos. Para que a cooperação bilateral na construção da cadeia de fornecimento seja viável, o modelo taiwanês deve ser adoptado, algo que, segundo afirmou, foi bem acolhido por Washington.

A responsável garantiu também que os parques científicos existentes em Taiwan não terão equivalente nos Estados Unidos, assegurando que a capacidade da indústria taiwanesa de fabrico e embalagem avançada de ‘chips’ será “muito superior” às instalações nos Estados Unidos ou noutros países.

“É essencial primeiro estabelecer fábricas em Taiwan e confirmar a viabilidade da produção em massa. Só depois as empresas expandirão com novos investimentos no estrangeiro”, defendeu Cheng, reiterando que a inovação tecnológica deve continuar a ser feita em solo taiwanês.

10 Fev 2026

CNRS | Descoberto dinossauro com 125 milhões de anos e picos idênticos ao porco-espinho

Uma nova espécie de dinossauro herbívoro, que viveu há 125 milhões de anos e possuía espinhos comparáveis aos de um porco-espinho moderno, foi descoberta na China, anunciou na sexta-feira o Centro Nacional Francês de Investigação Científica (CNRS).

Em comunicado, o CNRS afirmou que “até então, não existiam provas que comprovassem a existência de tais espinhos nos dinossauros” e explicou que os cientistas baptizaram a nova espécie de ‘Haolong dongi’ em homenagem a Dong Zhiming, pioneiro da paleontologia chinesa.

A investigação sobre a descoberta foi publicada na sexta-feira na revista Nature Ecology & Evolution, noticiou a agência Efe.

A descoberta na China da pele fossilizada excepcionalmente bem preservada de um jovem iguanodonte do Cretácico levou os cientistas do CNRS e os seus parceiros internacionais a utilizarem tomografias de raios X de alta resolução e cortes histológicos.

Os investigadores conseguiram então observar células da pele preservadas durante 125 milhões de anos, que indicaram a presença de espinhos ocos e córneos em grande parte do corpo, comparáveis aos dos porcos-espinhos modernos na sua função de defesa.

Estas protuberâncias demonstram também um mecanismo de defesa evolutivo até então desconhecido nos iguanodontes, um grupo de dinossauros que, dependendo da espécie, podiam medir entre 6 e 10 metros de comprimento e pesar várias toneladas.

O estudo sugere que os espinhos desempenhavam um papel na termorregulação (por serem ocos, poderiam ter ajudado a dissipar ou absorver calor) ou na percepção sensorial (para detectar movimentos ou alterações no ambiente).

“Como o espécime ‘Haolong dongi’ é um juvenil, ainda não se sabe se estes espinhos também estavam presentes nos adultos”, observou ainda o CNRS.

9 Fev 2026

Mar do Sul | Pequim realiza patrulhas aéreas e navais

Pequim revelou ontem que realizou patrulhas aéreas e navais no disputado mar do Sul da China, em resposta aos exercícios conjuntos realizados em Janeiro pelas Filipinas e pelos Estados Unidos nestas águas disputadas.

O porta-voz do Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) disse que as patrulhas decorreram entre 02 e 6 de Fevereiro, sem fornecer mais detalhes sobre os meios aéreos e navais envolvidos.

“Numa tentativa de provocar instabilidade no mar do Sul da China, o lado filipino aliou-se a países de fora da região e realizou as chamadas ‘patrulhas aéreas bilaterais’, o que mina a paz e a estabilidade regional”, lamentou Zhai Shichen.

Em comunicado, o porta-voz realçou que as forças chinesas “permanecerão em alerta máximo” e “defenderão firmemente a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos da China”. As manobras seguiram-se às realizadas por Pequim, nas mesmas águas, em 25 e 26 de Janeiro, depois de as Filipinas e os Estados Unidos terem organizado um exercício conjunto de navegação no Atol de Scarborough.

Este atol é conhecido como Huangyan na China e como Bajo de Masinloc, nas Filipinas, que garantem que a zona se encontra dentro da zona económica exclusiva de Manila.

A China reivindica a soberania sobre praticamente todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa aproximadamente 30 por cento do comércio marítimo global e que contém importantes áreas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos.

9 Fev 2026

Justiça | Anulada pena de morte de um canadiano num caso de droga

A aproximação entre a China e o Canadá, reflectida na recente viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, parece ter impactado no cancelamento da sentença de morte aplicada ao cidadão canadiano

A China cancelou a pena de morte de um canadiano acusado de tráfico de droga por Pequim, disse sexta-feira uma fonte governamental canadiana, marcando um novo sinal de redução da tensão diplomática entre os dois países.

Detido por tráfico de droga, Robert Lloyd Schellenberg tinha sido condenado à morte em Janeiro de 2019, altura em que as tensões eram muito fortes entre Pequim e Ottawa, após a detenção, em Vancouver (oeste do Canadá), de Meng Wanzhou, directora financeira da Huawei, a pedido dos Estados Unidos.

Mas as relações desde então têm-se acalmado com a libertação de Meng Wanzhou e porque as políticas proteccionistas do Presidente americano Donald Trump e a sua diplomacia por vezes errática levaram o Canadá a aproximar-se da China.

Em meados de Janeiro, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, discutiram em Pequim uma nova parceria, após anos de desentendimentos.

Uma porta-voz do Ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros precisou que Ottawa tinha sido informado da “decisão do Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso de Robert Schellenberg”.
“O Canadá defendeu clemência neste caso, como faz para todos os canadianos condenados à pena de morte”, acrescentou.

Detido em 2014 por tráfico de droga e condenado em primeira instância a 15 anos de prisão, Robert Lloyd Schellenberg foi novamente julgado e condenado à morte em 2019. Na altura, a justiça tinha considerado a pena inicial demasiado “branda”.

O tribunal tinha-o acusado de ter desempenhado um “papel chave” num tráfico de droga destinado a enviar cerca de 222 quilos de metanfetamina para a Austrália. Já condenado no passado no Canadá por tráfico de estupefacientes, Schellenberg afirmava, por sua vez, ser apenas um turista que teria sido apanhado.

A confirmação da sua pena ocorreu no momento em que Meng Wanzhou se encontrava perante um tribunal canadiano para audiências dedicadas à sua possível extradição para os Estados Unidos.

A directora financeira da Huawei e filha do fundador do gigante chinês das telecomunicações era acusada de ter mentido para contornar as sanções americanas contra o Irão. Ao mesmo tempo, a China tinha também colocado atrás das grades dois cidadãos canadianos, Michael Kovrig e Michael Spavor, acusados de espionagem.

Embora os três tenham sido, entretanto, libertados, as tensões persistiram, com Pequim a culpar Ottawa pelo seu suposto alinhamento com a política chinesa de Washington, até ao regresso de Donald Trump ao poder e sua ingerência nas eleições canadianas.

Virar a página

Ao deslocar-se a Pequim em meados de Janeiro, o primeiro-ministro Mark Carney quis virar a página de anos de atrito entre os dois países. Esta foi a primeira visita de um chefe de governo canadiano a Pequim desde a de Justin Trudeau, em Dezembro de 2017.

Embora o Canadá tenha, historicamente, económica e politicamente, laços muito mais fortes com o seu vizinho americano, o Canadá e a China têm em comum sofrer, directa ou indirectamente, nos últimos anos, os efeitos das políticas agressivas do Presidente Donald Trump, tanto contra os seus rivais como contra os seus aliados.

Carney assumiu o compromisso de ver o Canadá duplicar as suas exportações para países além dos Estados Unidos até 2035. E destacou o peso da China: segunda potência económica representando um terço do crescimento global e com a qual o comércio sustenta centenas de milhares de canadianos.

A China é o segundo parceiro comercial do Canadá, atrás dos Estados Unidos. O volume de trocas de bens entre o Canadá e a China atingiu 89,62 mil milhões de dólares americanos em 2025.

9 Fev 2026

Economia | Aliados históricos dos EUA cedem influência à China

Os líderes do Reino Unido e do Canadá “inclinaram-se perante Pequim”, observou ontem o analista Bill Bishop, numa análise aos recentes contactos diplomáticos com a China, que reflectem um distanciamento em relação aos Estados Unidos.

“Tivemos dois dos mais firmes aliados históricos dos Estados Unidos, dois membros da NATO […] efectivamente, de certa forma, a inclinarem-se perante Pequim”, comentou o analista no seu boletim diário Sinocism.

A visita realizada na semana passada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à República Popular da China – a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018 – ocorre num momento em que outros líderes ocidentais, como os da França, Finlândia e Canadá, também procuram reforçar os laços com Pequim, numa tendência de diversificação de alianças face à imprevisibilidade da política externa norte-americana.

Apesar de Pequim não ter anunciado concessões de relevo à delegação britânica, Starmer regressou ao Reino Unido com a redução das tarifas sobre o whisky britânico de 10 por cento para 5 por cento e com a promessa de novas parcerias comerciais. Uma delegação empresarial de cerca de 50 empresas, incluindo a AstraZeneca, acompanhou o chefe do Governo, tendo sido anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares na China até 2030.

A visita foi precedida pela aprovação, por parte das autoridades britânicas, de um projecto para uma nova embaixada chinesa em Londres, bloqueado durante vários anos, bem como pelo abandono de um processo judicial por espionagem que envolvia cidadãos chineses.

Para Bishop, a estratégia de Pequim não visa substituir os Estados Unidos como aliado principal destes países, mas sim “explorar o espaço deixado por fissuras” nas relações tradicionais com Washington. A visita de Starmer, tal como a do primeiro-ministro canadiano, é interpretada como um sinal de abertura para relações mais pragmáticas com dois membros da NATO e da aliança de informação “Cinco Olhos”.

“A China continua a ter uma enorme vantagem em cadeias de abastecimento críticas, como as terras raras”, lembrou Bishop, referindo-se ao controlo chinês sobre minerais essenciais para a indústria.

Um relatório recente do grupo de reflexão European Council on Foreign Relations (ECFR) apontou num sentido semelhante. O documento concluiu que a política externa unilateral e transacional de Donald Trump está a provocar um realinhamento global, com vários países a considerar a China um actor mais previsível e, em certos casos, mais confiável do que os Estados Unidos.

Mapas de influência

Segundo o ECFR, apenas 16 por cento dos europeus vêem hoje os EUA como um aliado confiável. Entre os inquiridos em 21 países, apenas 10 por cento acreditam que os EUA terão mais influência no mundo dentro de 10 anos, enquanto 36 por cento apostam na China. O relatório sublinhou ainda que muitos cidadãos, tanto na Europa como no chamado Sul Global, já não vêem o mundo dividido entre dois blocos rivais, mas sim como um espaço multipolar, onde é possível manter boas relações com ambas as potências.

Para Bishop, o objectivo da China não é virar aliados ocidentais contra Washington, mas sim aproveitar as divisões que se alargaram. “Não se trata de os virar contra os Estados Unidos, mas sim de expandir o espaço de influência e negociação”, afirmou.

6 Fev 2026

Comércio de minerais | Pequim rejeita fragmentação após iniciativa dos EUA

A China rejeitou ontem a criação de “pequenos círculos” exclusivos no comércio internacional de minerais críticos e defendeu um ambiente comercial “aberto, inclusivo e universalmente benéfico”, em resposta a iniciativas lideradas pelos Estados Unidos.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “manter um ambiente de comércio internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico serve os interesses comuns de todos os países”.

Lin sublinhou ainda que “todas as partes têm a responsabilidade de desempenhar um papel construtivo” para salvaguardar a estabilidade e a segurança das cadeias globais de produção e abastecimento de minerais críticos.

O porta-voz acrescentou que a China “opõe-se a que qualquer país prejudique a ordem económica e comercial internacional através de regras de ‘pequenos círculos’ exclusivos”, numa referência indirecta aos mecanismos de cooperação promovidos por Washington com parceiros e aliados para reduzir a dependência da China neste sector.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos anunciarem a criação de uma aliança comercial para minerais críticos e de Washington e a União Europeia terem acordado um primeiro plano de acção conjunto para coordenar políticas de abastecimento destas matérias-primas, consideradas essenciais para indústrias como a dos semicondutores, baterias avançadas e defesa.

Pequim reiterou nos últimos dias que a sua posição quanto à estabilidade das cadeias globais de abastecimento “não se alterou” e defendeu o reforço da comunicação e do diálogo entre países, em detrimento de fórmulas que “fragmentam o comércio internacional”.

6 Fev 2026

Relatório | Investimento directo no exterior atinge máximo desde 2018

A China investiu cerca de 124 mil milhões de dólares no estrangeiro em 2025, o valor mais elevado em novos acordos desde 2018, indicou ontem a consultora norte-americana Rhodium Group.

Apesar de continuar longe do recorde histórico de 287 mil milhões de dólares registado em 2016, o valor total foi impulsionado por projectos de nova geração nos sectores da mineração, centros de dados e energia, que representaram, em conjunto, cerca de 100 mil milhões de dólares no último ano.

O relatório assinala ainda que as operações efectivamente concluídas ascenderam a 73 mil milhões de dólares – o valor mais elevado desde 2019 –, reflectindo o habitual desfasamento entre o anúncio e a concretização dos investimentos, bem como o cancelamento de alguns projectos.

Segundo a Rhodium, embora a China continue a investir fortemente em fábricas no exterior, a tendência está em declínio. Ao contrário, as exportações continuam a ser o principal motor da globalização económica chinesa.

“As empresas chinesas podem estar a localizar parte da produção através de investimento direto externo, mas a estratégia de globalização da China continua a centrar-se nas exportações”, afirma o relatório, que acrescenta que “a capacidade produtiva doméstica cresceu muito mais rapidamente do que fora da China desde a pandemia”.

O norte de África foi a única região do mundo a registar um aumento no investimento chinês em novas unidades fabris durante 2025, o que poderá representar “uma decepção” para países que esperavam revitalizar a indústria com capital proveniente da China.

Papel principal

A Ásia manteve-se, em 2025, como o principal destino do investimento externo chinês, seguida por mercados como a América Latina, impulsionada por projectos mineiros e de infraestruturas. Em contraste, a fatia de investimentos na América do Norte, Europa e Oceânia caiu de cerca de 70 por cento do total em 2016 para menos de 20 por cento.

A quebra foi particularmente acentuada na Europa Central e de Leste, sublinha a consultora, que associa a retração à relutância de Pequim em permitir que tecnologias avançadas chinesas sejam transferidas para o estrangeiro.

O sector automóvel representou 13 por cento do investimento, a menor quota desde 2020, devido à desaceleração nas cadeias de produção de veículos eléctricos. Em sentido oposto, aumentaram os investimentos em projectos de exploração de ferro, lítio e ouro, bem como em energia fóssil e renovável.

O relatório destaca ainda o crescimento dos serviços digitais, o segundo maior da série histórica, com destaque para o “boom” de centros de dados no Sudeste Asiático, e o sector dos bens de consumo, impulsionado pela aquisição de marcas históricas europeias e redes de retalho.

A estimativa da Rhodium Group difere dos dados oficiais divulgados por Pequim, que apontam para 174,4 mil milhões de dólares investidos no estrangeiro em 2025, mais 7,1 por cento do que no ano anterior.

A diferença, segundo a consultora, deve-se a empresas chinesas que mantêm receitas em dólares nas suas filiais no exterior, evitando repatriar os lucros e convertê-los em activos denominados em renmimbi.

6 Fev 2026

China | Detido veterano repórter de investigação

Um veterano jornalista de investigação chinês foi detido pelas autoridades da província de Sichuan, no sudoeste da China, após publicar um artigo crítico da actuação de dirigentes locais, informou ontem a imprensa local.

A polícia do distrito de Jinjiang, em Chengdu, capital da província, informou na segunda-feira, através das redes sociais, que duas pessoas, identificadas apenas pelos apelidos Liu (50 anos) e Wu (34 anos), foram colocadas sob “medidas coercivas criminais de acordo com a lei”, por suspeitas de “falsas acusações” e “operações comerciais ilegais”.

De acordo com o jornal chinês Caixin, os detidos são o jornalista Liu Hu e a assistente, Wu Lingjiao.

Liu Hu é conhecido pelo trabalho como repórter de investigação no jornal New Express, sediado em Cantão. Nos últimos anos, tem mantido uma conta nas redes sociais onde publica reportagens independentes, sobretudo sobre conflitos entre empresas privadas e autoridades locais.

Na quinta-feira passada, Liu publicou um artigo, que foi, entretanto, apagado, no qual citava uma fonte que acusava Pu Fayou, secretário do Partido Comunista na vila de Pujiang (sob jurisdição de Chengdu), de abuso de poder e repressão a empresários locais.

O artigo também referia a alegada ligação de Pu à demolição forçada de duas propriedades do professor universitário Tuo Jiguang, que se suicidou em 2021 após um prolongado litígio com as autoridades.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um funcionário do comité do Partido em Pujiang confirmou que foi criada uma equipa de investigação conjunta entre Chengdu e Pujiang, afirmando que as autoridades “estão a dar grande prioridade” às alegações feitas por Liu. No entanto, recusou fornecer mais detalhes.

5 Fev 2026

Depressão Kristin | Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal

O Governo de Timor-Leste aprovou ontem, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin.

“Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afectadas”, pode ler-se no comunicado do conselho de ministros.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Protecção Civil contabilizou cinco mortes directamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

5 Fev 2026

Japão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais

Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura.

Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro.

Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve.

Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata.

Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas.

Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve.

O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias.

“Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas.

Eleições no caminho

O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro.

Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo.

A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada.

De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.

5 Fev 2026

UE | Pequim denuncia “proteccionismo” após investigação ao fabricante eólico Goldwind

A China acusou ontem a União Europeia de protecionismo por abrir uma investigação ao fabricante de energia eólica Goldwind por alegados subsídios estatais, advertindo que este tipo de medidas “mina a confiança” das empresas chinesas na Europa.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do “abuso de instrumentos comerciais unilaterais”, ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial “justo, transparente e não discriminatório” para empresas de todos os países.

Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as “autoridades competentes” chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas “discriminatórias e restritivas” contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afecta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa.

O porta-voz reiterou ainda que Pequim “salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas”, em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em sectores considerados estratégicos.

A reacção chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim –como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis – possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE.

A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE actividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.

5 Fev 2026

Diplomacia | Xi conversa por videoconferência com Putin

O Presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa por videoconferência com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem adiantar, para já, o conteúdo do encontro.

China e Rússia mantêm fortes laços económicos, diplomáticos e militares, que se intensificaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

Xi Jinping e Vladimir Putin trocaram, em 31 de Dezembro, mensagens de felicitações por ocasião do Ano Novo. Os dois líderes encontraram-se no início de Setembro, em Pequim, à margem do desfile militar organizado pela China para assinalar os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial.

Esta nova conversa entre Xi e Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos afirmam estar próximos de alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Russos e ucranianos continuam hoje com as reuniões iniciadas ontem para novas rondas de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

A China apresenta-se como uma parte neutra neste conflito e afirma não fornecer ajuda letal a nenhum dos lados, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.

5 Fev 2026

Encontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum

O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim

O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim.

O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé.

Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito.

“Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou.

Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito.

“A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim.

Um só país

O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano.

O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha.

A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.

5 Fev 2026

Sondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses

Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus.

O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento.

O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento).

Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica.

O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”.

Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.

4 Fev 2026