Segurança | Timor-Leste quer reforçar cooperação com a China

O Governo timorense pretende reforçar com a China a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância das fronteiras e a preparação da presidência timorense da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A pretensão timorense foi transmitida às autoridades chinesas a semana passada durante a visita do ministro do Interior à China para participar no Fórum de Cooperação Global em Segurança Pública.

No âmbito daquela visita, o ministro do Interior “manteve encontros com responsáveis chineses para reforçar a cooperação nas áreas da segurança pública, combate ao crime transnacional, gestão e vigilância de fronteiras e preparação de Timor-Leste para a Presidência da ASEAN em 2029”, pode ler-se numa informação divulgada quarta-feira na página oficial do Governo.

Durante um encontro com o vice-ministro executivo da Segurança Pública da China, Qi Yanjun, foi analisada a “cooperação bilateral no domínio da segurança, incluindo o apoio ao desenvolvimento das capacidades da Polícia Nacional de Timor-Leste e a partilha de conhecimentos e experiências para a preparação das operações de segurança associadas à presidência timorense da ASEAN, em 2029”.

“O encontro abordou também a cooperação entre as autoridades dos dois países no combate à criminalidade transnacional e aos esquemas de fraude financeira e cibernética”, salienta a informação do Governo.

Naquele âmbito, foi igualmente discutida a “cooperação para a repatriação de cidadãos chineses envolvidos em atividades ilícitas de centros de fraude em Timor-Leste, após o cumprimento dos procedimentos judiciais”.

O ministro do Interior deverá deslocar-se à China entre 29 e 30 deste mês para participar no Fórum Internacional de Cooperação Policial em ‘Big Data’ entre a China e a ASEAN, que vai debater a cooperação internacional no combate à fraude, crimes relacionados com telecomunicações e burlas financeiras digitais.

18 Set 2026

Brasil | China pede reforço da coordenação entre os dois países

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ontem, numa reunião em Pequim com Celso Amorim, assessor especial do Presidente brasileiro, Lula da Silva, que China e Brasil devem “reforçar a comunicação estratégica” e “aprofundar a cooperação”.

Wang transmitiu a Amorim uma saudação do Presidente chinês, Xi Jinping, a Lula da Silva e afirmou que as relações entre China e Brasil avançaram nos últimos anos, segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim está disponível para trabalhar com o Brasil para “consolidar a confiança mútua estratégica” e “promover a cooperação em diferentes áreas”, destacando a importância de os dois países manterem a coordenação em questões internacionais.

Wang afirmou que China e Brasil devem cooperar para “melhorar o sistema de governação global” e contribuir para a estabilidade num cenário internacional marcado por mudanças e desafios, segundo a nota oficial.

China e Brasil devem “liderar o Sul Global rumo à unidade e à autossuficiência”, afirmou Wang. Amorim defendeu que o Brasil atribui “grande importância” às relações com a China e está disponível para “aprofundar a cooperação em diversas áreas” com o país asiático, segundo o comunicado chinês.

“Na actual situação internacional complexa e volátil, as relações entre Brasil e China transcendem o âmbito bilateral e assumem uma importância cada vez maior”, afirmou o assessor presidencial brasileiro. A China e o Brasil intensificaram os contactos diplomáticos e económicos nos últimos meses, num contexto marcado pelas tensões comerciais entre Brasília e Washington.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um recorde de 171 mil milhões de dólares. O Brasil foi ainda o principal destino do investimento chinês em 2025, com 6,1 mil milhões de dólares.

18 Set 2026

EUA | Ponderado encontro sobre IA durante visita presidencial

Washington prepara-se para receber a visita do Presidente chinês na próxima semana. Na agenda, poderá estar um encontro com líderes tecnológicos como o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang

A administração norte-americana está a ponderar reunir líderes das principais empresas de inteligência artificial (IA) durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, na próxima semana, informou ontem a cadeia televisiva CNN.

Responsáveis da administração de Donald Trump estão a discutir a logística de um eventual encontro sobre o futuro da IA e os riscos associados à tecnologia, embora nada tenha ainda sido fechado ou agendado, disseram à estação norte-americana fontes conhecedoras dos preparativos. Não está claro se Trump participará no encontro, caso este se realize, enquanto Xi não deverá, à partida, estar presente, detalhou a CNN.

“A administração mantém contactos regulares com os laboratórios de IA mais avançados e continuará a trabalhar com a indústria tecnológica para consolidar o domínio dos Estados Unidos na IA, mantendo simultaneamente os norte-americanos seguros”, afirmou à CNN um responsável da administração Trump.

Entre os líderes tecnológicos que deverão deslocar-se a Washington para a visita de Estado de Xi estão o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o presidente executivo da fabricante de chips Nvidia, Jensen Huang.

Ambos deverão participar no jantar de Estado oferecido por Trump ao líder chinês e poderão estar presentes na eventual reunião sobre IA, segundo as fontes citadas pela CNN.

Debate aceso

A preparação do eventual encontro ocorre num momento de debate nos Estados Unidos sobre os riscos colocados pelo rápido desenvolvimento da IA e sobre até que ponto Washington deve impor limites a uma tecnologia considerada central na competição com a China.

Altman, o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, e Elon Musk, da xAI, têm manifestado publicamente preocupação com os perigos associados ao desenvolvimento da tecnologia sem mecanismos de controlo.

Trump rejeitou, no entanto, estes alertas e argumentou que limitar o desenvolvimento da IA poderia favorecer a China.

“A IA assumir o controlo do mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas más é uma farsa”, escreveu o Presidente norte-americano na segunda-feira nas redes sociais, classificando os apelos a maiores salvaguardas como parte de uma “conspiração doentia”.

Trump voltou ao tema no mesmo dia durante uma conversa telefónica com Huang, quando o presidente executivo da Nvidia participava numa conferência em Los Angeles. “Os robôs não vão assumir o controlo. A IA não vai assumir o controlo do resto do mundo. Tudo isto é uma farsa”, afirmou Trump, depois de Huang ter colocado a chamada em alta-voz perante a audiência.

A realização de uma reunião sobre IA durante a visita de Xi colocaria em evidência uma das principais áreas de competição estratégica entre Washington e Pequim, numa altura em que os dois países procuram reforçar a capacidade tecnológica própria.

Desbravar caminho

Alguns responsáveis norte-americanos esperam, contudo, que os contactos possam abrir caminho a algum tipo de entendimento entre as duas maiores potências sobre o desenvolvimento seguro da tecnologia, segundo a CNN.

Altman defendeu na semana passada, em declarações à revista Fortune, que um acordo entre Trump e Xi sobre IA teria uma importância histórica.

“Mesmo que apenas os Estados Unidos e a China conseguissem chegar a acordo sobre algumas normas comuns e testes para o desenvolvimento desta tecnologia, penso que seria uma conquista extraordinária que ambos poderiam alcançar”, afirmou. Xi tem previsto deslocar-se a Washington na próxima semana para uma visita de Estado.

18 Set 2026

Mar do Sul | ASEAN e Vietname pedem contenção e regras face a tensões

A ASEAN e o Vietname pediram ontem, em Pequim, respeito pelo direito internacional, contenção militar e mecanismos eficazes de gestão de disputas, num contexto de tensões no mar do Sul da China.

O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, e o ministro da Defesa vietnamita, Phan Van Giang, intervieram na primeira sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro anual de diplomacia militar organizado pela China. Kao afirmou que a estabilidade estratégica não pode assentar apenas no equilíbrio militar, mas exige confiança de que a competição será gerida de forma “responsável”.

“A competição entre Estados é uma característica das relações internacionais, não uma anomalia”, afirmou o responsável da ASEAN, que defendeu um diálogo sustentado, respeito pelo direito internacional e mecanismos eficazes para reduzir riscos.

Sem mencionar expressamente o mar do Sul da China, Kao sublinhou que o Sudeste Asiático se encontra no centro de grandes correntes estratégicas e económicas, ligado a rotas marítimas vitais, cadeias globais de abastecimento e redes tecnológicas em rápida evolução.

Phan referiu-se directamente àquela zona, ao afirmar que o Vietname pretende acelerar a negociação e assinatura de um Código de Conduta para aquelas águas que seja “eficaz, efectivo e viável”.

O ministro vietnamita da Defesa defendeu ainda que as disputas no mar do Sul da China sejam resolvidas por meios pacíficos e em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

As declarações surgem num momento de frequentes tensões naquela zona, onde Pequim reivindica soberania sobre a maior parte das águas e países como Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei mantêm reivindicações sobrepostas.

Kao defendeu que as grandes potências têm uma “responsabilidade particular”, uma vez que as suas decisões moldam o ambiente estratégico dos restantes países, e apontou como medidas práticas canais fiáveis de comunicação em situações de crise, transparência sobre actividades militares, a notificação prévia de grandes exercícios e uma conduta profissional durante encontros entre forças militares.

O secretário-geral da ASEAN sustentou que a ordem regional deve assentar na igualdade soberana, na não ingerência, na resolução pacífica de disputas e na renúncia à ameaça ou ao uso da força. “O Indo-Pacífico deve ser uma região definida pelo diálogo e pela cooperação, não pela rivalidade”, afirmou Kao, que defendeu a “autonomia estratégica” da ASEAN.

Na mesma sessão, o ministro da Defesa de Singapura, Chan Chun Sing, alertou para a aceleração da corrida tecnológica em áreas como a inteligência artificial, o espaço e a robótica, salientando que a tecnologia militar “avança todos os dias, não todos os anos”, o que gera “novas incertezas” sobre o equilíbrio de poder.

17 Set 2026

IA | Huawei quer competir com Nvidia nas infraestruturas

A chinesa Huawei estabeleceu como objectivo competir com a Nvidia nas infraestruturas para inteligência artificial, recorrendo aos seus próprios chips e sistemas de computação para tentar compensar a desvantagem da China face aos Estados Unidos em capacidade de processamento.

Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, afirmou, num encontro com novos funcionários, que desenvolver agentes de IA competitivos a nível mundial representa uma “oportunidade importante” para a empresa.

O responsável reconheceu que a China está atrás dos Estados Unidos em capacidade de processamento, embora tenha considerado que o país possui vantagens na aplicação de dados e em cenários industriais e dispõe de uma reserva de talento aproximadamente ao mesmo nível da norte-americana, segundo noticiou ontem o portal económico Yicai.

A Huawei procura reduzir esta diferença através dos processadores Ascend e de uma arquitectura que permita agrupar grandes quantidades de chips em sistemas como os SuperPoD, em vez de tentar competir apenas pela capacidade individual de cada semicondutor.

Guo mencionou especificamente os Ascend 950 e afirmou que a empresa pretende obter vantagem através de inovações na arquitectura e de grandes aglomerados de computação, visando resolver problemas práticos e melhorar a experiência dos clientes.

A estratégia também não passa pelo desenvolvimento de um modelo próprio de IA, mas por fornecer a infraestrutura necessária para executar modelos de diferentes programadores através dos sistemas Ascend, Kunpeng e SuperPoD.

Lei da concorrência

Guo afirmou ainda que a Huawei “não tem planos para alargar as suas áreas de negócio” e pretende “oferecer opções diversificadas para o desenvolvimento da IA”.

A aposta assume particular relevância perante as restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso da China a chips avançados, que levaram Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais. Os processadores Ascend da Huawei tornaram-se um dos principais concorrentes chineses dos processadores da Nvidia.

As declarações surgem ainda em pleno debate internacional sobre a IA, depois de responsáveis como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, ou Elon Musk, da xAI, terem defendido nos últimos dias um abrandamento do desenvolvimento desta tecnologia por razões de segurança, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou essa possibilidade, considerando que poderia favorecer a China na corrida tecnológica.

O debate voltou a colocar a competição entre Pequim e Washington no centro da discussão sobre o futuro da IA, tanto em relação à liderança tecnológica como à possibilidade de estabelecer mecanismos comuns para controlar os riscos associados à tecnologia.

17 Set 2026

Irão | Pequim diz estar pronto para defender “interesses legítimos” de Teerão

A China está disponível para defender os “interesses legítimos” do Irão no contexto do conflito no Médio Oriente e pediu ontem a Teerão e Washington que actuem com “racionalidade” e “contenção”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

“A China e o Irão estão ligados por uma parceria estratégica abrangente. A China está disponível para reforçar o diálogo e a cooperação com o Irão e defender eficazmente os seus direitos e interesses legítimos”, disse Wang Yi, citado num comunicado do ministério.

O chefe da diplomacia chinesa reuniu-se em Pequim com o homólogo iraniano, Abbas Araqchi, pouco antes de uma visita prevista do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, no final de Setembro, durante a qual deverá reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

O conflito no Médio Oriente deverá estar entre os temas em discussão. A China é um dos principais parceiros económicos do Irão, ao qual compra grande parte do petróleo exportado pelo país, e um importante aliado diplomático de Teerão.

“Encorajamos o Irão e os Estados Unidos a agirem de forma racional e a mostrarem contenção”, a regressarem rapidamente ao memorando de entendimento alcançado em Junho sob mediação do Paquistão e a “reestruturarem os mecanismos de negociação”, afirmou Wang.

“Não queremos ver as tensões regionais alastrarem ao Iémen e ao mar Vermelho”, acrescentou. O Iémen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em Julho para o conflito desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, iniciada no final de Fevereiro.

No início de Setembro, os rebeldes houthis lançaram uma grande ofensiva e apoderaram-se de toda a costa iemenita voltada para o mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.

17 Set 2026

Ctrip | Voos de turismo espacial por 660 mil euros

A maior agência de viagens da China, a Ctrip, incluiu ontem no seu catálogo um pacote de turismo espacial da Virgin Galactic para 2027 por 5,1 milhões de yuan por pessoa.

A oferta, disponível na aplicação da Ctrip, tem como ponto de partida Las Cruces, no estado norte-americano do Novo México, e reserva os primeiros quatro dias para actividades e preparação antes do voo, previsto para o quinto dia. O itinerário inclui uma visita ao Spaceport America, o porto espacial a partir do qual opera a Virgin Galactic, treino numa cabine simulada e um ensaio geral antes da descolagem, ficando o sexto dia reservado para o regresso.

O preço inclui, entre outros serviços, cinco noites de alojamento, actividades de preparação e o voo espacial, mas não abrange as viagens de avião para os Estados Unidos, o visto e outras despesas pessoais, segundo a informação disponibilizada pela Ctrip. A plataforma apresenta ainda um contador que indica 681 unidades vendidas.

17 Set 2026

Gaza | ONU pede acesso para investigadores internacionais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos pediu ontem acesso para investigadores internacionais à Faixa de Gaza “para ajudar na recolha de provas”, que poderão indicar possíveis violações e crimes de guerra cometidos por Israel.

“Estão a ser exumados, actualmente, em locais devastados pelos ataques israelitas, os restos mortais do que parecem ser famílias inteiras”, declarou Volker Turk, em comunicado, sublinhando que “a descoberta de um grande número de corpos sob os escombros na cidade de Gaza reacende as preocupações sobre crimes de guerra e outros crimes atrozes”.

“Temo que os restos mortais encontrados até agora representem apenas a ponta do icebergue. Grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeamentos israelitas ou por operações de demolição e remoção de escombros com recurso a maquinaria pesada e explosivos. Ainda hoje, muitas zonas de Gaza onde o Exército israelita está posicionado continuam a ser niveladas por tratores, sem qualquer respeito pelos mortos que jazem sob os escombros”, acrescentou.

Assim, para “preservar as provas de violações, incluindo nos locais destruídos”, Turk pediu “que os investigadores internacionais tenham permissão para aceder a todas as zonas de Gaza de forma a ajudar na recolha de provas”.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos referiu que “Israel recusa a entrada de maquinaria pesada destinada à remoção de escombros”.

Cuidar dos mortos

Segundo o órgão da ONU, a Defesa Civil palestiniana recuperou mais de 630 corpos e outros restos humanos dos escombros de edifícios destruídos em toda a Faixa de Gaza entre Novembro de 2025 e Setembro de 2026. A Defesa Civil palestiniana estimou que mais de 8.000 pessoas dadas como desaparecidas estejam sob os escombros.

“É necessário fazer todo o possível para documentar e identificar estas vítimas, preservar os dados médico-legais e as amostras biológicas, registar os locais de sepultamento e informar as famílias”, indicou Turk.

Entre 27 de Junho e 27 de Agosto, a Defesa Civil palestiniana retirou de 233 corpos dos escombros de 20 edifícios destruídos, sobretudo na cidade de Gaza. Entre estes corpos, foram contabilizadas 74 crianças e 106 mulheres.

“O direito das famílias a saber o destino dos seus entes queridos não se limita à identificação e a um enterro digno. Elas merecem saber toda a verdade”, declarou o alto-comissário da ONU.

16 Set 2026

Mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas após inundações

O Nepal declarou ontem que mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas no país, incluindo 610 estrangeiros, quase três semanas depois de uma enxurrada ter atingido o país e a vizinha região chinesa do Tibete.

O balanço mais recente da Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA, na sigla em inglês) situa em 1.399 o número de corpos e restos mortais recuperados e em 4.089 o número de desaparecidos. Entre os desaparecidos, há duas portuguesas.

Apenas 103 mortos foram entregues às suas famílias até à data, enquanto as autoridades prosseguem uma grande operação para identificar os restos mortais recuperados. Muitos corpos foram sepultados temporariamente em locais como Gokarna ou Pokhara, após a recolha de amostras genéticas.

Segundo a polícia nepalesa, as autoridades recolheram cerca de 3.200 amostras de ADN, dos quais 1.300 referem-se aos restos mortais recuperados e 1.900 de familiares que procuram os seus entes queridos, incluindo amostras obtidas no estrangeiro para ajudar na identificação de turistas desaparecidos.

Pensar o futuro

Na segunda-feira, o primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, reuniu-se com os responsáveis dos governos locais dos distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Tanahun — as zonas mais afectadas pelas cheias — para discutir as operações de busca em curso e o futuro plano de reconstrução, cujo custo estimado pelo Governo ultrapassa 4,7 mil milhões de dólares.

“Os representantes da população manifestaram o seu compromisso em desenvolver áreas verdes nas regiões ribeirinhas afectadas pelas cheias e em avançar com o realojamento das comunidades para locais seguros nas proximidades”, escreveu na segunda-feira, na rede social Facebook, o director da NDRRMA, Dharam R. Uprety.

As análises realizadas até ao momento indicam que as enxurradas de 26 de aAosto começaram com o colapso de um glaciar a grande altitude, em território nepalês — uma explicação aceite pela China e posteriormente corroborada pelas análises de satélite internacionais.

A avalanche de gelo, rochas e lama atingiu também o Tibete, onde as autoridades chinesas contabilizam 43 mortos e 519 desaparecidos. Entre as pessoas ainda não localizadas, 261 são estrangeiros oriundos de 23 países.

16 Set 2026

Idosos | Promovido uso de robôs domésticos na China

As autoridades chinesas estão a promover robôs domésticos, dispositivos de monitorização da saúde e soluções inteligentes de cuidados para idosos, com o objectivo de estimular o “consumo de casas inteligentes”.

O Ministério do Comércio e outros sete departamentos emitiram na segunda-feira um aviso que delineia o Plano de Acção para a Promoção do Consumo Doméstico Inteligente.

O plano apoia a “remodelação adaptada aos idosos” e as “modernizações inteligentes de imóveis mais antigos”, e tem como objectivo “expandir a oferta de produtos de alta qualidade para satisfazer as necessidades de consumo de diferentes grupos”.

“Promover produtos adaptados aos idosos, tais como robôs de serviço doméstico, dispositivos de monitorização da saúde e soluções de cuidados inteligentes, e incentivar as empresas a adoptarem princípios de design adaptados aos idosos em áreas como o tamanho dos produtos, a facilidade de utilização, o reconhecimento de dialectos e as funcionalidades de segurança”, refere o comunicado.

O plano apela também à promoção da certificação de produtos para idosos no sector das casas inteligentes adaptadas aos idosos, com o Governo chinês a afirmar que irá subsidiar a aquisição de novos produtos para casas inteligentes, destinados a substituir mobiliário tradicional.

No final de 2025, a população chinesa com 60 anos ou mais tinha atingido os 323 milhões, representando aproximadamente 23 por cento da população total do país, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas.

16 Set 2026

Visita | MNE iraniano chega hoje a Pequim

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniana vai reunir-se hoje, em Pequim, com o homólogo chinês, Wang Yi, anunciou onten a diplomacia chinesa, num breve comunicado sem mais pormenores sobre o encontro.

A visita de Abbas Araghchi ocorre num momento de incerteza no conflito que opõe, desde Fevereiro, Estados Unidos, Israel e Irão, depois de Teerão ter sublinhado ontem de manhã (hora local) que não negociará com Washington enquanto não forem cumpridas as suas condições.

A posição iraniana surgiu em resposta às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou na segunda-feira estar disponível para dialogar com Teerão.

No domingo, Araghchi disse que os Estados Unidos devem regressar aos “compromissos estipulados no Memorando de Islamabad”, assinado em Junho entre Teerão e Washington, sob mediação do Paquistão, como condição para o Irão reabrir o estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra, em 28 de Fevereiro.

Desde o início do conflito, a China tem defendido uma solução negociada e feito repetidos apelos para o fim das hostilidades e o início do diálogo entre as partes, posição reiterada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun.

Pequim condenou repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que pediu respeito pela soberania e pela segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitos laços políticos.

A visita coincide ainda com a abertura, hoje, do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China (ver texto principal).

A instabilidade no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz deverão estar entre os temas em debate no encontro, juntamente com a guerra na Ucrânia e a competição tecnológica e militar entre Pequim e Washington.

16 Set 2026

China defende uso pacífico do cosmos após EUA reconhecerem ter armas em órbita

A China defendeu ontem o uso pacífico do espaço e pediu aos Estados Unidos para deixarem de expandir a presença militar naquele domínio, depois de Washington ter reconhecido, pela primeira vez, manter armas em órbita.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Pequim sempre defendeu a segurança espacial e opôs-se à militarização e à transformação do espaço num campo de batalha.

“Pedimos aos Estados Unidos que deixem de expandir a presença militar no espaço e salvaguardem, através de acções concretas, a estabilidade estratégica global”, afirmou o porta-voz, que não esclareceu se a China dispõe deste tipo de armamento em órbita.

Guo disse que Pequim espera que o espaço se torne “uma plataforma de cooperação e benefício mútuo para a humanidade” e afirmou que a China está disposta a trabalhar com todos os países na exploração e utilização pacíficas daquele domínio.

O diplomata reiterou ainda a oposição chinesa à militarização do espaço e defendeu a promoção do progresso científico e tecnológico no sector.

Agarrados às armas

Na segunda-feira, o secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, afirmou estar em curso um reforço da “preparação perante as ameaças existentes”, acrescentando que os Estados Unidos “têm armas de controlo espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra acções hostis dos adversários”.

Meink referiu que estas armas destinam-se a proteger as forças norte-americanas de acções hostis, embora a Força Aérea não tenha especificado que sistemas estão actualmente em órbita, quantos existem ou quando foram colocados no espaço.

O responsável anunciou, na conferência Air, Space and Cyber, realizada no estado de Maryland (costa leste), também progressos noutros programas espaciais norte-americanos, incluindo o desenvolvimento de um sistema de interceptores baseados no espaço e de uma constelação de satélites destinada a detectar e acompanhar alvos móveis a partir da órbita.

A China, por sua vez, estabeleceu como objectivo realizar uma missão tripulada à Lua antes de 2030 e avançar com a construção de uma futura base de investigação no polo sul lunar.

16 Set 2026

IA | Fórum chinês defende controlo mas rejeita lógica de blocos entre China e EUA

Governação das tecnologias emergentes, estabilidade estratégica e competição entre grandes potências, são temas em debate a partir de hoje em Pequim na 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China

Especialistas reunidos ontem em Pequim defenderam o reforço da supervisão humana, dos mecanismos de segurança e da cooperação internacional perante os riscos da inteligência artificial, rejeitando que outros países tenham de escolher entre China e Estados Unidos nesta tecnologia.

O debate decorreu no âmbito da 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, que será formalmente inaugurado hoje. A agenda deste ano inclui entre os principais temas a governação das tecnologias emergentes, a estabilidade estratégica e a competição entre grandes potências.

O antigo secretário-geral da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Vladimir Norov afirmou que os riscos associados à IA são “sérios” e defendeu que os governos reforcem a capacidade de supervisão, em conjunto com empresas tecnológicas e centros de estudos.

Norov alertou que a tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das instituições para a regular, defendendo a criação de mecanismos de partilha de informação sobre riscos e incidentes graves relacionados com a IA.

O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão e presidente da Associação de Inteligência Artificial da Ásia Central afirmou que os sistemas de IA estão a evoluir rapidamente e que “nenhum país consegue geri-los sozinho”.

O general reformado dos Emirados Árabes Unidos Obaid Al Ketbi, antigo alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros do país, afirmou que o avanço dos agentes de IA, capazes de planear, coordenar e executar tarefas complexas, obriga a colocar o controlo humano no centro das prioridades.

“Se deixarmos as coisas nas mãos da IA sem controlo humano, será realmente duro e difícil”, afirmou Al Ketbi, que defendeu uma regulamentação proporcional aos riscos.

Outra lógica

Os dois participantes rejeitaram também uma lógica de blocos entre Pequim e Washington. Norov afirmou que os países da Ásia Central não querem ser “consumidores passivos” de IA nem ser obrigados a escolher entre China e Estados Unidos, mas procuram uma “parceria, não dependência” e transferência de tecnologia.

Al Ketbi defendeu uma posição semelhante para o Médio Oriente, afirmando que a região deve poder cooperar com ambas as potências e, simultaneamente, desenvolver capacidades próprias.

O debate ocorre depois de responsáveis do sector tecnológico norte-americano terem defendido um abrandamento do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados devido aos riscos de segurança, posição rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera que uma maior regulamentação poderá beneficiar a China.

Pequim tem defendido nos últimos dias uma IA “orientada para o bem”, ao mesmo tempo que acusa Washington de utilizar argumentos relacionados com a segurança para limitar o desenvolvimento tecnológico chinês.

16 Set 2026

Japão | Dirigentes de operadora nuclear demitem-se após falsificação de dados

Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se ontem na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reactivação de dois reactores.

A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de “mega-sismo”, estava sujeita a controlos de segurança para retomar actividade. Em Janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos.

Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício. Hayashi declarou sentir “um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso”, lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas.

Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direcção para acelerar o reinício dos reactores colocaram o pessoal sob pressão e foram “um dos factores que contribuíram para as falhas” registadas.

O Japão encerrou todos os reactores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano.

No centro das avaliações de segurança está a estimativa de “movimento sísmico máximo à superfície”, crucial para o desenho antisísmico das centrais.

Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em Fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em Dezembro.

15 Set 2026

Filipinas | Tiroteio mortal a poucas horas de votação em região autónoma

As mesas de voto abriram ontem em Bangsamoro, região de maioria muçulmana, para eleger, pela primeira vez, o parlamento local, poucas horas após a morte de três pessoas num tiroteio entre facções de um grupo rebelde

 

A votação constitui o culminar de um processo de paz intermitente, iniciado no final da década de 1990, que resultou na criação da região autónoma de Bangsamoro, no sul do país de maioria católica. Mais de dois milhões de eleitores são chamados a eleger 80 assentos, disputados por 13 formações políticas. Até agora, os parlamentares eram nomeados.

Em Marawi, cidade devastada em 2017 por cinco meses de confrontos entre fundamentalistas islâmicos e forças governamentais, um jornalista da agência France-Presse (AFP) observou longas filas de espera em frente às mesas de voto, sob a vigilância de membros das forças de segurança e de veículos blindados.

“Estamos ansiosos, viemos para cá logo esta manhã”, exclamou Mohammad Actar Macabada, de 18 anos, logo após ter votado. “Estou nervoso porque talvez venha a ser o caos. Antes, era o caos. Agora, está tudo tranquilo”, acrescentou o eleitor, que está “ansioso por saber os resultados”, realçou.

Nesta região marcada pela violência política e pelas vinganças familiares, uma eleição sem incidentes seria considerada um sucesso, revelaram recentemente líderes partidários a jornalistas da AFP. Esta paz foi, no entanto, abalada apenas algumas horas antes do início das eleições. Três pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas no domingo, pouco antes da meia-noite, durante um tiroteio em Cotabato, a capital da região autónoma.

Elevada contagem

De acordo com o chefe da polícia local, Jibin Bongcayao, o tiroteio ocorreu quando membros de facções políticas rivais disputavam o direito de votar em primeiro lugar. “Inicialmente, tratava-se de uma disputa entre dois grupos pelas vagas na fila” em frente a uma escola que servia de secção de voto na capital regional, explicou o responsável policial. A disputa “provocou empurrões que degeneraram numa briga e, por fim, foram disparados tiros numa zona lotada”.

O agente acrescentou que os homens envolvidos no tiroteio pertenciam a facções rivais do maior grupo rebelde das Filipinas, a Frente Islâmica de Libertação Moro (Milf), que luta há décadas pela autonomia da região.
No total, a violência separatista já causou 150 mil mortos desde a década de 1970.

A segurança foi reforçada em toda a região, parcialmente situada na ilha de Mindanau, com a mobilização de mais de 20 mil membros das forças de segurança. No mês passado, uma comitiva que transportava o chefe interino do governo local — nomeado pelo presidente Ferdinand Marcos Jr. — foi atacado.

Além disso, um homem morreu no hospital na madrugada de ontem, na sequência de uma explosão ocorrida perto de uma secção de voto, numa ocorrência que a polícia está a investigar.

15 Set 2026

Aviação | Pequim vai activar zona de exclusão aérea após acidente

A China vai colocar em funcionamento, em 20 de Setembro, uma zona de exclusão aérea em Pequim e arredores, quase três meses após uma avioneta ter embatido no arranha-céus mais alto da capital, causando um morto e 13 feridos.

A medida vai restringir determinadas actividades aéreas, com excepções para voos da aviação civil e operações de emergência e salvamento, entre outras, e não afectará as viagens de passageiros de avião, segundo o jornal Beijing Daily. O jornal indicou que a delimitação visa “reforçar a gestão da segurança do espaço aéreo” da capital, “manter a ordem das operações” e “proteger instalações importantes em terra, assim como a vida e os bens da população”.

Os voos no interior da zona terão de cumprir rigorosamente os requisitos relativos a autorizações, comunicações, identificação e notificação das condições de segurança. O texto não especifica a extensão geográfica da zona nem relaciona expressamente a decisão com o acidente ocorrido em Junho.

Em 26 de Junho, uma aeronave desportiva ligeira embateu no China Zun, também conhecido como CITIC Tower, com 528 metros de altura, no distrito financeiro de Guomao. O piloto morreu e outras 13 pessoas ficaram feridas.

O incidente ocorreu numa cidade sujeita a rigorosos controlos de segurança, por albergar as sedes do Governo Central e do Partido Comunista Chinês (PCC). Desde Maio, Pequim proíbe também a venda e o aluguer de drones, restringe a entrada destes aparelhos na cidade e exige autorização para os operar no exterior.

15 Set 2026

Pequim diz que encontro entre Xi e Modi reafirma impulso das relações

O Governo chinês afirmou ontem que a reunião realizada no sábado entre o Presidente chinês e o primeiro-ministro indiano à margem da cimeira dos BRICS, em Nova Deli, constituiu “uma reafirmação” do impulso das relações.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Xi Jinping e Narendra Modi reuniram-se três vezes nos últimos três anos, em Nova Deli, em Tianjin (2025) e em Kazan (2024), marcando “um novo ponto de partida e uma nova direcção para as relações sino-indianas”.

Guo indicou que os dois líderes concordaram que, enquanto países mais populosos do mundo e importantes membros do Sul Global, devem “centrar-se no desenvolvimento como o maior denominador comum, reforçar os intercâmbios de amizade e a cooperação de benefício mútuo e melhorar a base da opinião pública que sustenta a relação bilateral”.

O porta-voz disse ainda que Xi e Modi concordaram em resolver “de forma equilibrada” as respectivas preocupações económicas e comerciais e em salvaguardar conjuntamente a paz e a tranquilidade na zona fronteiriça que partilham nos Himalaias. Em 2020, um confronto militar no vale de Galwan provocou mortes entre soldados dos dois países e desencadeou a pior crise diplomática entre Pequim e Nova Deli em décadas.

“A melhoria e o desenvolvimento das relações sino-indianas não só são bem recebidos pelos mais de 2.800 milhões de habitantes dos dois países, como também respondem à necessidade de reforçar a cooperação do Sul Global”, afirmou Guo.

Amor e tropas nas fronteiras

Segundo o porta-voz, Xi defendeu durante o encontro que os dois países devem orientar as relações bilaterais com um “entendimento estratégico objectivo e racional” e “ajudar-se mutuamente a alcançar o sucesso através de uma filosofia de cooperação de benefício mútuo”.

Apesar da melhoria gradual das relações, incluindo o restabelecimento dos voos directos e a flexibilização dos vistos, os dois países mantêm elevados contingentes militares ao longo da linha de controlo nos Himalaias, enquanto a Índia mantém restrições aos investimentos chineses.

15 Set 2026

Irão | Trump desvaloriza alegado fornecimento de informações chinesas

O Presidente norte-americano, Donald Trump, desvalorizou ontem informações de que entidades chinesas terão fornecido a Teerão imagens de satélite de uma base militar na Jordânia antes e após um ataque iraniano que matou três soldados norte-americanos.

“Quando dizem que a China nos espia, eu digo: têm razão, e nós também os espiamos”, afirmou Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, um dia depois de o jornal Wall Street Journal noticiar a alegada partilha de informações entre entidades chinesas e iranianas. “É isso que fazemos. Basicamente, eles fazem o que nós fazemos”, acrescentou o Presidente norte-americano.

Em 17 de Julho, o Irão lançou mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, onde estão estacionadas forças norte-americanas. Três soldados dos Estados Unidos morreram no ataque.
Responsáveis norte-americanos não identificados citados pelo Wall Street Journal não especificaram quais as entidades chinesas envolvidas nem sugeriram que o Governo chinês fosse directamente responsável.

15 Set 2026

Estudo | “Economia da solidão” superou um bilião de dólares na China em 2025

Os consumidores solteiros na China gastaram mais de um bilião de dólares em 2025, mais 50 por cento do que dois anos antes, impulsionando uma crescente “economia da solidão”, indica um relatório divulgado ontem

 

O documento, da autoria de Y. Tony Yang, professor da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, aponta, no entanto, que o fenómeno deve ser entendido não apenas como um novo mercado de consumo, mas como resultado da desagregação de funções tradicionalmente asseguradas pelas famílias.

Durante grande parte da história moderna as famílias partilharam despesas como habitação e alimentação, além de assegurarem cuidados a crianças e idosos, companhia e protecção perante imprevistos, observa o autor. “Em toda a Ásia Oriental, esse modelo está a perder peso, levando cada vez mais pessoas a recorrer a serviços pagos para satisfazer necessidades antes asseguradas no seio da família”, escreve Yang.

Na China, o censo de 2020 contabilizou 125 milhões de pessoas a viver sozinhas, o equivalente a uma em cada quatro famílias, enquanto tendências semelhantes são observadas noutros países da região. Na Coreia do Sul, 36 por cento dos agregados familiares são constituídos por uma única pessoa, enquanto no Japão a proporção deverá atingir 44 por cento em 2050.

Segundo dados da empresa chinesa de investigação Discovery Reports, citados pelo autor, os gastos dos solteiros chineses ultrapassaram um bilião de dólares em 2025, aumentando cerca de 50 por cento em apenas dois anos. Yang considera, contudo, que parte desse crescimento não representa necessariamente nova actividade económica, mas a “transformação em transacções comerciais de funções anteriormente desempenhadas dentro do agregado familiar”.

Quando uma família prepara uma refeição em casa, exemplifica, essa actividade não é contabilizada no produto interno bruto (PIB), mas quando alguém que vive sozinho encomenda uma refeição individual ou paga por entretenimento ou companhia, essas mesmas necessidades passam a surgir nas estatísticas económicas.

O autor alerta ainda que parte das despesas associadas à chamada “economia da solidão” não corresponde a consumo discricionário, mas a custos que quem vive sozinho não pode partilhar, incluindo renda, electricidade ou electrodomésticos.

Família de um

A tendência está também a criar produtos e serviços na China, desde refeições para uma pessoa a aplicações destinadas a verificar o bem-estar de quem vive sozinho. Uma aplicação chinesa cujo nome pode ser traduzido como “Estás morto?” chegou ao primeiro lugar entre as aplicações pagas no país em Janeiro. O serviço alerta um contacto de emergência caso o utilizador falhe duas verificações diárias consecutivas.

Para Yang, trata-se de “um substituto pago para uma tarefa que, até recentemente, não precisava de um produto”.

O relatório destaca igualmente o crescimento dos serviços de companhia baseados em inteligência artificial (IA), numa altura em que Pequim começou a regulamentar este mercado. Novas regras chinesas para serviços de IA “antropomórfica”, em vigor desde 15 de Julho, proíbem relações românticas virtuais com menores, exigem consentimento dos encarregados de educação para utilizadores com menos de 14 anos e obrigam as empresas a intervir perante sinais de automutilação ou dependência emocional excessiva, segundo o documento.

Yang defende que o crescimento das famílias unipessoais obrigará também os governos a repensar sistemas de saúde e assistência social ainda construídos em torno da existência de cônjuges, filhos ou outros familiares capazes de prestar cuidados. “A economia da solidão é três coisas ao mesmo tempo: um mercado real, um artefacto estatístico e uma perda de eficiência”, resume.

O académico considera a Ásia um “local piloto” para uma transformação que deverá alastrar posteriormente a outras regiões do mundo, à medida que aumenta o número de pessoas que vivem sozinhas.

15 Set 2026

Filipinas | 76 mortos em incêndio em ‘ferry’

O número de mortos no incêndio que atingiu um ‘ferry’ filipino subiu para 76, depois de terem sido encontrados mais 41 corpos a bordo do navio, disse sábado a guarda costeira.

Os corpos vão ser transportados para um porto da estância turística de Coron, na província de Palawan, declarou a porta-voz da guarda costeira, comodoro Noemie Cayabyab, em comunicado.

As autoridades das Filipinas disseram que estão à procura do comandante do ‘ferry’ onde deflagrou na quarta-feira, perto da ilha de Coron. A porta-voz da Guarda Costeira, Noemie Cayabyab, referiu anteriormente em conferência de imprensa que, de acordo com a investigação em curso, o comandante poderá estar entre os 43 sobreviventes.

As autoridades pretendem ouvir o capitão da embarcação para determinar a eventual responsabilidade no acidente. Cayabyab referiu antes que não se descarta a possibilidade de um crime de negligência por parte da tripulação.

“Sem dúvida, o capitão tem uma responsabilidade e uma obrigação legal”, afirmou Cayabyab numa intervenção transmitida através das redes sociais.

De acordo com as investigações, o incêndio começou no porão de carga do ‘ferry’, que partiu na terça-feira de Manila para uma viagem que devia demorar cerca de 12 horas. As causas do acidente ainda não foram determinadas, mas, em poucos minutos, as chamas envolveram a embarcação, onde viajavam 115 passageiros e 17 tripulantes.

Tragédias recorrentes

Na sexta-feira, as autoridades conseguiram aceder, pela primeira vez, ao navio de passageiros e recuperar os restos mortais de 30 pessoas, elevando o número de mortos confirmados para 35.

As equipas de emergência continuam ainda o trabalho de recuperação de corpos no interior do navio, que foi rebocado para perto da costa de Corón, na província turística de Palawan, no mar do Sul da China, para facilitar as operações.

Os acidentes marítimos nas Filipinas causam todos os anos dezenas de vítimas, a maioria em naufrágios causados por mau tempo, incumprimento das normas de segurança, manutenção deficiente dos equipamentos ou sobrecarga.

14 Set 2026

Ucrânia | Encontro Putin-Zelensky no G20 em Miami “é impossível”, diz Kremlin

Um encontro entre os Presidentes russo e ucraniano, na cimeira do G20 em Miami, nos Estados Unidos, em Dezembro, “é impossível”, disse sábado o porta-voz do Kremlin, em Nova Deli. “É impossível”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência de notícias France-Presse (AFP), rejeitando assim uma proposta do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O porta-voz da presidência russa reiterou a exigência de Moscovo de que tal encontro se realize na capital russa, depois de ter declarado antes à agência de notícias estatal russa Tass que a decisão sobre a deslocação de Vladimir Putin a Miami ainda não tinha sido tomada.

“Ainda não sabemos se iremos ou não a Miami”, referiu Peskov. Numa entrevista à rádio alemã Deutsche Welle, o Presidente ucraniano disse estar disponível para se encontrar com o homólogo russo durante a cimeira do G20, em Dezembro.

Questionado sobre se se encontraria com Putin nessa reunião, caso os dois dirigentes fossem convidados, Zelensky respondeu: “Sim, claro. Temos de ir. Temos de nos encontrar, falar e tomar decisões”. “Não são as palavras que contam. O que eu lhe vou dizer ou o que ele me quer dizer não tem importância. (…) Só o resultado conta”, acrescentou.

Washington tentou recentemente relançar os esforços diplomáticos, há muito estagnados, para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com a visita dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e Kiev no início do mês. Putin e o Presidente norte-americano, Donald Trump, também discutiram a guerra na semana passada, numa conversa telefónica “de extrema franqueza”, disse o Kremlin.

Zelensky declarou na entrevista que a visita dos enviados norte-americanos era um “bom sinal” e que era importante a dupla ter-se deslocado tanto a Kiev como a Moscovo. “É uma marca de respeito pelo nosso povo”, salientou. Os Estados Unidos assumem este ano a presidência do G20.

14 Set 2026

Guterres diz que mundo “precisa de paz” perante líderes da Rússia e do Irão

O secretário-geral da ONU sublinhou ontem a necessidade de pôr fim aos conflitos mundiais, perante os líderes da Rússia, Irão, Emirados Árabes Unidos e da China, reunidos na cimeira dos BRICS, na Índia. “De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até à Ucrânia, ao Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz”, afirmou António Guterres, durante a sua intervenção, citado pela Efe.

A sessão plenária na capital indiana, Nova Deli, a segunda e última da cimeira do bloco, juntou Guterres a líderes como o russo Vladimir Putin, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan.

As palavras de Guterres surgem após os membros terem assinado no sábado uma declaração conjunta com 140 pontos, que dedicou vários capítulos a Gaza, à Palestina e ao Líbano e mencionou expressamente Israel, mas que não incluiu qualquer referência à Ucrânia.

No seu apelo, o português defendeu a liberdade de navegação internacional, o respeito pela integridade territorial e pela independência política dos Estados ao abrigo do direito internacional.

“À medida que avançamos de forma irreversível para um mundo multipolar, os países devem trabalhar para reforçar e salvaguardar um sistema multilateral que responda às necessidades de todos”, acrescentou Guterres.

Reformas urgentes

O líder da ONU voltou a exigir uma reforma abrangente do seu Conselho de Segurança e das instituições financeiras internacionais que, no seu entender, já não reflectem a realidade do planeta, por terem sido criadas no âmbito de uma ordem hoje obsoleta.

“As realidades económicas, demográficas e geopolíticas de hoje não são as de 1945 (…). Isto exige a reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e o sistema de Bretton Woods, para reflectir o mundo actual”, acrescentou.

A propósito da adopção, este Setembro, de um novo mapa-mundo na Assembleia Geral, que corrige as distorções do tradicional mapa de Mercator, Guterres instou as instituições a “fazer o mesmo” perante uma nova realidade de poderes.

Putin e o Novo Banco

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu ontem o fortalecimento das capacidades do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, já que as necessidades de financiamento superam significativamente os volumes que actualmente a instituição financeira fornece.

“Fortalecer ainda mais o potencial do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e actualizar o seu modelo de negócio parece ser uma tarefa urgente. O banco já financiou 123 projectos no valor de quase 40.000 milhões de dólares. Isso é, sem dúvida, um bom resultado, mas as necessidades de financiamento são muito maiores”, declarou Putin durante a cimeira alargada dos membros do BRICS em Nova Deli. Segundo o líder russo, uma nova plataforma de investimento poderia ajudar a satisfazer aquelas necessidades.

14 Set 2026

Médio Oriente | Líderes pedem máxima contenção face a escalada na guerra

Os líderes dos BRICS, entre os quais o Presidente chinês Xi Jinping, pediram sábado máxima contenção perante a escalada na guerra no Médio Oriente, a manutenção do movimento do comércio e energia e rejeitaram sanções unilaterais contrárias ao direito internacional.

“Manifestamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Médio Oriente e, recordando as nossas respectivas posições nacionais, apelamos para a máxima contenção e que se evitem acções que possam agravar ainda mais a situação”, de acordo com a Declaração de Nova Deli, assinada pelos 11 líderes dos BRICS e citada pela agência de notícias espanhola EFE.

O documento, aprovado por unanimidade na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, exige também a protecção dos civis e das infraestruturas civis, assim como o respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados.

Entre os 140 pontos da Declaração de Nova Deli, os líderes dos BRICS sublinharam, ainda que sem mencionar o estreito de Ormuz, que é fundamental “manter o fluxo constante do comércio global, das cadeias de abastecimento e de energia”.

Outros dos pontos da declaração, refere-se à exigência de eliminar medidas que estes países consideram ilegais: “Condenamos a imposição de medidas coercivas unilaterais contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, incluindo, entre outras formas, sanções económicas unilaterais e secundárias, têm profundas implicações negativas para os direitos humanos”.

A aprovação deste documento pôs fim a algumas questões que estavam ainda em aberto antes da reunião de líderes, sendo o consenso o principal desafio deste encontro, uma vez que estiveram representados 11 países com posições distintas sobre os principais conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente e na Ucrânia.

14 Set 2026

BRICS | Xi dá apoio para acelerar desenvolvimento tecnológico

O Presidente da China discursou na cimeira de líderes dos BRICS em Nova Deli onde apelou ao desenvolvimento do Sul Global

O Presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu ontem o apoio da China para acelerar o desenvolvimento tecnológico e industrial dos países que fazem parte dos BRICS, com especial ênfase na Inteligência Artificial (IA).

Xi fez a proposta durante a sua intervenção na segunda e última sessão da cimeira de líderes dos BRICS deste fim de semana em Nova Deli, onde o mandatário chinês apresentou cinco iniciativas de cooperação que impulsionem o crescimento do chamado Sul Global nos campos da IA, comércio e investimento, indústria digital, manufactura inteligente e desenvolvimento de talentos, segundo a agência oficial Xinhua.

Entre as ofertas do governante da segunda maior economia do mundo, destacam-se a de ajudar os países do bloco a implementar modelos abertos de linguagem que permitam estabelecer uma zona de IA “aberta e inclusiva” para os BRICS, construir fábricas inteligentes, habilitar uma plataforma na nuvem para a indústria digital dos membros do bloco e formar jovens talentos em inovação e tecnologia avançada.

Segundo Xi, o 15.º Plano Quinquenal aprovado este ano não é apenas o roteiro do desenvolvimento da China, mas também “uma lista de oportunidades de cooperação para o mundo” com a qual o gigante asiático continuará a promover “o desenvolvimento de alta qualidade”, a abertura de alto nível, a iniciativa das Novas Rotas da Seda e “criando prosperidade juntamente com outros países do mundo”.

Unidos venceremos

Na mesma sessão, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, tinha advertido que o uso da tecnologia e dos minerais críticos como armas geopolíticas pode fraturar a coesão do bloco, em plena corrida de desenvolvimento tecnológico mundial.

Por outro lado, e como já fez no seu discurso no primeiro dia da cimeira, o líder chinês voltou a pedir ao bloco e ao Sul Global que unam forças em torno do multilateralismo, da autoridade e do papel das Nações Unidas e da reforma das instituições multilaterais para as tornar mais eficientes, incluindo a da Organização Mundial do Comércio (OMC) “na direcção certa”.

Também sustentou que os BRICS, e sobretudo as maiores economias do grupo, devem manter estáveis e sem obstáculos as cadeias de fornecimento, assim como fomentar a integração dos mercados.

“Um mundo sem regras é como um cruzamento sem semáforos onde o caos e a desordem seriam inevitáveis”, considerou Xi, que defendeu que as regras globais sejam estabelecidas com consenso comum e aplicadas com igualdade e sem duplo padrão.

Depois da Índia neste ano, a China assumirá em 2027 a presidência dos BRICS, bloco que integra Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

Esta foi a primeira viagem de Xi à Índia em sete anos, uma visita que incluiu uma reunião com Modi e que representa um novo passo na normalização das relações bilaterais iniciada em 2024.

14 Set 2026