Chengdu | Antigo presidente da câmara acusado de corrupção

A Procuradoria chinesa acusou de corrupção o antigo presidente da câmara de Chengdu, Wang Fengchao, suspeito de utilizar os cargos que ocupou em empresas estatais e na administração pública para favorecer terceiros em troca de subornos avultados.

A Procuradoria Popular Suprema anunciou ontem que a Comissão Nacional de Supervisão concluiu a investigação e remeteu o processo para o ministério público, que ordenou a detenção de Wang por suspeitas de corrupção.

O processo foi atribuído à Procuradoria de Changsha, capital da província de Hunan, no centro do país, que apresentou recentemente a acusação junto do Tribunal Popular Intermédio daquela cidade. Segundo a acusação, Wang aproveitou os poderes e a influência associados aos diferentes cargos que desempenhou para conceder benefícios a terceiros, recebendo em troca bens de forma ilícita.

Antes de assumir a presidência da câmara de Chengdu, Wang ocupou cargos de direcção no grupo estatal de electrónica Sichuan Changhong, foi vice-presidente da câmara de Neijiang e vice-director do organismo provincial de supervisão dos activos estatais, entre outras funções.

Exerceu também o cargo de vice-governador da província de Sichuan e, posteriormente, de vice-secretário local do Partido Comunista Chinês (PCC) e presidente da câmara de Chengdu, uma das principais cidades do centro-oeste da China, com mais de 20 milhões de habitantes. A Procuradoria não especificou o montante dos alegados subornos nem as datas em que terão ocorrido as irregularidades.

Wang estava sob investigação desde Novembro de 2025 por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão habitualmente utilizada pelas autoridades chinesas em processos relacionados com corrupção.

16 Out 2026

Viagem | PM visita Uzbequistão, Tajiquistão e Rússia entre 17 e 22 de Outubro

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, vai visitar o Uzbequistão, o Tajiquistão e a Rússia entre 17 e 22 de Outubro, onde vai participar numa reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e manter conversações com o homólogo russo, anunciou ontem Pequim.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning precisou, em conferência de imprensa, que Li visitará o Uzbequistão entre 17 e 18 de Outubro, o Tajiquistão entre 18 e 20 e a Rússia entre 20 e 22, a convite dos respectivos chefes de Governo.

No Tajiquistão, o governante participará na 25.ª reunião do Conselho de Chefes de Governo da OCX, organização que celebra este ano o 25.º aniversário e reúne 10 países, incluindo a China, a Rússia, a Índia e o Irão.

Segundo Mao, o encontro permitirá abordar a aplicação dos acordos alcançados nas recentes cimeiras da organização, realizadas nas cidades de Tianjin, no nordeste da China, e Bisqueque, capital do Quirguistão, e “reforçar a cooperação regional”.

A última etapa da viagem leva Li à Rússia, onde participará, juntamente com o homólogo russo, Mikhail Mishustin, na 31.ª reunião periódica entre os primeiros-ministros dos dois países, um mecanismo destinado a coordenar a cooperação bilateral.

A visita coincide com o 30.º aniversário da parceria estratégica sino-russa e o 25.º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, num contexto de crescente coordenação política, comercial e energética entre Pequim e Moscovo, perante a guerra na Ucrânia, os conflitos no Médio Oriente e as perturbações no comércio mundial.

A deslocação antecede a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, no sudeste da China.

O Kremlin confirmou um encontro entre os Presidentes russo e chinês, Vladimir Putin e Xi Jinping, à margem da cimeira, enquanto Moscovo admitiu também a possibilidade de uma reunião trilateral com o Presidente norte-americano, Donald Trump, embora não existam preparativos confirmados para esse encontro.

16 Out 2026

Inteligência Artificial | China e EUA preparam acordo sobre IA antes de encontro

A China e os Estados Unidos estão a negociar um mecanismo de cooperação em inteligência artificial, que poderá ser anunciado no encontro entre os Presidentes Xi Jinping e Donald Trump, em Novembro, noticiou ontem a imprensa de Hong Kong.

Segundo o jornal South China Morning Post (SCMP), que cita várias fontes próximas das negociações, equipas técnicas dos dois países mantêm contactos regulares para definir os detalhes de um mecanismo de gestão de incidentes relacionados com a IA e institucionalizar o diálogo bilateral nesta área.

O objectivo é apresentar resultados concretos durante a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para 18 e 19 de Novembro, na cidade chinesa de Shenzhen, onde Xi e Trump deverão reunir-se pela terceira vez este ano.

As negociações intensificaram-se após a visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos, em Setembro, durante a qual os dois países anunciaram a criação de um canal bilateral para gerir incidentes relacionados com a IA e de um mecanismo de diálogo sobre a tecnologia.

Segundo os comunicados divulgados pelos dois governos, os líderes concordaram em trocar opiniões sobre os “riscos e benefícios” da inteligência artificial e estabelecer um canal de comunicação para situações de crise. No entanto, as iniciativas continuam, por enquanto, limitadas a compromissos políticos, sem mecanismos operacionais definidos.

Uma das fontes citadas pelo SCMP afirmou que Washington e Pequim pretendem estabelecer um quadro básico para responder a crises relacionadas com a IA até à cimeira de Shenzhen, deixando os detalhes de funcionamento para uma fase posterior.

Outra possibilidade, é o anúncio de um mecanismo permanente de cooperação, envolvendo responsáveis governamentais, instituições de investigação e representantes da indústria tecnológica.

Nova oportunidade

As duas potências concordaram em iniciar negociações formais sobre a governação da IA após o encontro entre Xi e Trump, em Pequim, em Maio, mas as conversações foram sucessivamente adiadas devido a divergências sobre o seu âmbito e dificuldades de calendário.

O primeiro diálogo acabou por ser integrado nas negociações económicas e comerciais entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, realizadas em Nova Iorque, poucos dias antes da cimeira de Setembro.

“A reunião da APEC em Novembro proporciona uma boa oportunidade para dar ao diálogo sobre IA uma dimensão política e institucional mais substancial”, afirmou uma fonte familiarizada com as negociações.

Segundo a mesma fonte, a inteligência artificial tornou-se uma das áreas em que Washington e Pequim poderão demonstrar que a concorrência estratégica não impede uma cooperação razoável. Contudo, um acordo mais abrangente sobre cooperação económica em IA seria “consideravelmente mais ambicioso” do que o mecanismo de segurança e gestão de incidentes atualmente em discussão.

Outra fonte, alertou que a institucionalização do diálogo não será uma “tarefa fácil”, devido às diferenças entre os sistemas de regulamentação dos dois países e à crescente rivalidade tecnológica.

Corrida acesa

As negociações decorrem num contexto de intensificação da corrida pela liderança mundial da IA, com Washington preocupado com os rápidos avanços das empresas chinesas no desenvolvimento de modelos avançados.

Apesar dos receios relacionados com a segurança da tecnologia, a administração Trump tem rejeitado propostas para abrandar o desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados, defendendo a necessidade de manter a vantagem norte-americana sobre a China.

As tensões agravaram-se também devido às acusações norte-americanas de que empresas chinesas utilizam capacidades de modelos desenvolvidos nos Estados Unidos para acelerar o treino dos seus próprios sistemas.

Bessent acusou, em Setembro, a China de recorrer à chamada “destilação” de modelos, uma técnica de treino em que um sistema mais pequeno aprende a partir das respostas de outro mais avançado.

Pequim rejeitou as acusações, classificando a destilação como uma “prática comum no sector da inteligência artificial”.

16 Out 2026

Índia | Treze crianças morrem em naufrágio no rio Ganges

Pelo menos 13 crianças morreram afogadas na terça-feira à noite quando um barco, alegadamente sobrecarregado segundo testemunhas, virou no rio Ganges, nordeste da Índia, informaram as autoridades locais. A embarcação virou ao anoitecer enquanto atravessava o rio para levar passageiros a um festival religioso numa aldeia do estado de Bihar.

“As buscas foram retomadas hoje (ontem) de manhã, depois de terem sido suspensas devido à escuridão”, disse Varsha Singh, uma autoridade do distrito de Vaishali, acrescentando que várias pessoas ainda estavam desaparecidas. Seis passageiros também foram hospitalizados, disse o médico Nirmal Kumar.

“Estava escuro quando de repente ouvimos crianças a gritar e a pedir ajuda. Só conseguimos salvar três crianças graças à luz dos nossos telemóveis e lanternas”, disse Radi Yadav, um residente que participou no resgate.

Segundo outro residente da aldeia, Ramlakhan Rai, o barco foi concebido apenas para seis pessoas, mas transportava pelo menos 20 a 25.

“Mesmo sabendo das péssimas condições deste pequeno barco, as autoridades locais não fizeram nada para o substituir ou reparar”, acusou. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, manifestou o seu “profundo pesar” após o acidente e prometeu assistência financeira às famílias das vítimas.

Os naufrágios são frequentes na Índia, devido a embarcações sobrecarregadas, incumprimento das normas de segurança ou falta de equipamento de segurança.

15 Out 2026

Fujian | Condenados três membros de rede de fraudes à pena de morte

Dois tribunais da província chinesa de Fujian, no sudeste do país, condenaram à morte três membros de uma rede criminosa ligada a fraudes transnacionais cometidas a partir de Myanmar (antiga Birmânia), noticiou ontem a imprensa local.

No mesmo processo, julgado pelos tribunais de Quanzhou e Nan’an, outros três arguidos foram condenados a prisão perpétua e 55 receberam penas de prisão entre três e 24 anos, segundo o jornal oficial Global Times.

As sentenças, anunciadas na terça-feira, incluem ainda multas, confisco de bens e, em alguns casos, deportação. Todos os condenados pertencem ao chamado clã Wei, considerado uma das principais famílias criminosas da região de Kokang, no norte de Myanmar, junto à fronteira com a China.

Os condenados à morte são Wei Huairen, Chen Dawei e Liao Jingfang, enquanto Wei Qingtao, Kang Min e Xiong Hengxing receberam penas de prisão perpétua.

Segundo os tribunais, dois grupos criminosos aproveitaram, desde 2019, a influência do clã Wei em Kokang para estabelecer vários complexos dedicados a actividades ilegais na cidade de Laukkaing e fornecer protecção armada aos responsáveis pelas operações.

As organizações estiveram envolvidas em crimes como burlas ‘online’, exploração de casinos ilegais, extorsão, organização de prostituição, tráfico de droga e tráfico de pessoas. Os lucros destas actividades ultrapassaram 12 mil milhões de yuan, segundo a sentença.

Redes desmanteladas

Os tribunais consideraram ainda que o clã Wei colaborou com redes de fraude no homicídio de pessoas que se recusaram a cumprir ordens nos complexos criminosos, incluindo quatro cidadãos chineses. Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas anunciaram o desmantelamento dos clãs Ming, Wei e Liu, considerados entre as principais organizações criminosas de Kokang.

O processo insere-se na campanha lançada por Pequim contra as redes de burlas informáticas sediadas em Myanmar, onde grupos armados de origem chinesa controlaram durante anos complexos dedicados a fraudes ‘online’, prostituição e jogo ilegal.

Até ao final de 2025, os tribunais chineses julgaram mais de 27 mil processos relacionados com fraudes através de telecomunicações cometidas a partir do norte de Myanmar e condenado mais de 41 mil pessoas repatriadas daquele país, segundo um relatório do Supremo Tribunal Popular da China.

Os centros de fraude proliferaram nas regiões fronteiriças de Myanmar após o golpe de Estado militar de Fevereiro de 2021, que agravou a instabilidade no país e favoreceu a expansão de redes de crime organizado.

Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas encontram-se retidas em centros de Myanmar, onde são obrigadas a cometer burlas informáticas.

As vítimas são frequentemente atraídas por falsas ofertas de emprego e depois mantidas em complexos fechados, semelhantes a prisões, onde são forçadas a realizar fraudes através da Internet, sob ameaças e sujeitas a “violência extrema”, de acordo com autoridades internacionais.

15 Out 2026

Pacífico ocidental | Porta-aviões Liaoning em exercícios militares

A Marinha chinesa anunciou ontem o envio de um grupo de combate liderado pelo porta-aviões Liaoning para o Pacífico ocidental, onde realizará exercícios militares destinados a reforçar a preparação das suas unidades em condições reais de combate.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP, Forças Armadas chinesas) indicou que as manobras integram o plano anual de treino militar e visam melhorar a capacidade operacional das unidades em “condições reais de combate”.

O organismo militar assegurou que os exercícios respeitam o direito internacional e “não são dirigidos contra qualquer país ou alvo específico”. O anúncio não especifica a composição do grupo de combate, as águas do Pacífico ocidental onde decorrerão as manobras, a sua duração ou as actividades previstas.

O Liaoning, o mais antigo dos três porta-aviões operacionais da China, já foi destacado para a mesma região em Maio, quando a Marinha anunciou exercícios que incluíram voos tácticos em alto-mar, exercícios de fogo real e operações de busca e salvamento.

Um ano antes, em Junho de 2025, o Liaoning e o porta-aviões Shandong realizaram um destacamento simultâneo de mais de um mês no Pacífico ocidental, durante o qual conduziram exercícios de combate e operações conjuntas com outras unidades militares.

15 Out 2026

Pequim aprova preparativos da VISA para entrar no mercado de cartões bancários

O Banco Popular da China (banco central) autorizou ontem a norte-americana Visa a iniciar os preparativos para estabelecer uma entidade de compensação de cartões bancários no país, primeiro passo para operar uma rede própria de processamento de pagamentos.

De acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a Visa Information Technology (Pequim), sociedade constituída na China pela multinacional norte-americana, terá um ano para concluir os preparativos e solicitar a autorização definitiva para iniciar operações.

A licença terá de ser aprovada conjuntamente pelo Banco Popular da China (BPC) e pela Administração Nacional de Regulação Financeira, pelo que a autorização anunciada ontem ainda não permite à Visa prestar estes serviços.

Caso obtenha a licença, a empresa poderá processar pagamentos na moeda chinesa, o yuan, com cartões emitidos por bancos chineses para operações na China, uma actividade distinta dos serviços que já disponibiliza para cartões estrangeiros utilizados no país asiático.

Na mesma rota

A Visa seguirá assim os passos das concorrentes norte-americanas American Express e Mastercard, que já receberam autorização para operar redes de compensação de cartões bancários no mercado chinês.

A American Express obteve a licença em 2020, enquanto a Mastercard recebeu a aprovação definitiva em Novembro de 2023 e iniciou operações em Maio de 2024, através de uma empresa conjunta com a chinesa NetsUnion.

A Visa confirmou, em Novembro de 2018, que solicitou autorização para estabelecer uma entidade de compensação de cartões na China, pelo que a aprovação anunciada ontem surge quase oito anos depois do pedido inicial.

As duas concorrentes entraram num mercado historicamente dominado pela rede nacional UnionPay, no âmbito da abertura do sector chinês dos pagamentos a operadores estrangeiros.

Ao contrário da American Express e da Mastercard, que recorreram a empresas conjuntas com parceiros chineses, a Visa obteve a autorização preparatória através de uma sociedade constituída no país pela própria multinacional.

Se receber a licença definitiva, a Visa poderá alargar as opções disponíveis aos bancos chineses para a emissão de cartões e o processamento de pagamentos, além de oferecer novas alternativas aos comerciantes e consumidores, dependendo dos serviços autorizados.

14 Out 2026

Guerras de preços na China reforçam domínio mundial das tecnologias verdes

O Instituto Mercator de Estudos sobre a China indicou que a concorrência excessiva entre empresas chinesas de tecnologias verdes está a provocar prejuízos mas também a reforçar o domínio mundial chinês, aumentando a pressão sobre a indústria europeia.

Num relatório publicado na sexta-feira, o Instituto Mercator de Estudos sobre a China (MERICS) analisa as consequências das guerras de preços nos sectores dos painéis solares, veículos eléctricos e turbinas eólicas, que beneficiaram durante anos de forte apoio estatal.

Em 2025, as empresas chinesas forneceram pelo menos três quartos dos painéis solares, turbinas eólicas e veículos eléctricos vendidos em todo o mundo, enquanto a China representou pelo menos 57 por cento da procura mundial destes produtos, segundo o ‘think tank’ com sede em Berlim.

Paradoxos asiáticos

Os investigadores identificaram um paradoxo: apesar do sucesso internacional, muitas das empresas chinesas enfrentam margens de lucro reduzidas ou acumulam prejuízos, devido à concorrência intensa e ao excesso de capacidade de produção.

Na China, este fenómeno é conhecido como “involução”, um termo utilizado para descrever uma competição em que as empresas investem cada vez mais recursos para preservar ou conquistar quotas de mercado, sem obterem benefícios proporcionais.

“Trata-se de uma corrida para o fundo, na qual todos os participantes de um sistema trabalham mais e gastam mais recursos, mas sem obterem maiores ganhos”, lê-se no relatório, intitulado Survival of the fiercest: How involution helps China dominate green tech globally.

Segundo o MERICS, esta dinâmica tornou-se parte integrante da estratégia industrial chinesa, uma vez que a pressão sobre os preços reforça a competitividade das empresas nacionais face aos concorrentes estrangeiros.

“Isso significa que o domínio da China nas tecnologias verdes está a tornar-se ainda mais forte”, apontaram os investigadores. O MERICS considerou que a concorrência excessiva no mercado chinês está a acelerar a expansão internacional das empresas, que procuram margens de lucro superiores. Em alguns casos, o mesmo modelo de automóvel eléctrico pode ser vendido na Europa por um preço até duas vezes superior ao praticado na China, segundo o relatório.

Destino de eleição

A Europa tornou-se o principal destino das exportações chinesas de tecnologias verdes, ultrapassando a Ásia em 2021. Actualmente, os produtos chineses são entre 30 por cento e 50 por cento mais baratos do que os equivalentes europeus de qualidade comparável, dependendo da tecnologia.

“Para muitas empresas estrangeiras, a única estratégia viável parece ser transferir uma parte maior da sua produção para a China, para beneficiarem das mesmas vantagens de custos que os concorrentes”, referiu o estudo.

Esta tendência coloca em causa as ambições industriais europeias, incluindo os objectivos da legislação comunitária destinada a reforçar a produção de tecnologias com emissões líquidas nulas.

Apesar de o Governo chinês ter elevado o combate à chamada “involução” a prioridade política, o MERICS considerou que as medidas adoptadas até agora não resolvem as causas estruturais do problema.

Segundo o estudo, as autoridades locais continuam a ter incentivos para apoiar empresas estratégicas, mesmo quando estas acumulam prejuízos, uma vez que contribuem para o crescimento económico, o emprego e as receitas fiscais.

“Enquanto a concorrência implacável ajudar as empresas chinesas a conquistar quotas de mercado mundiais e a assegurar a posição da China no centro de indústrias fundamentais, Pequim continuará a considerar esta abordagem política um sucesso global”, lê-se no relatório.

14 Out 2026

Cooperação | China trabalha com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético

As parcerias entre os dois vizinhos ganham novos contornos face à crise global desencadeada pelas guerras no Irão e na Ucrânia

A China defendeu o reforço da cooperação com a Rússia para garantir a segurança das principais rotas marítimas internacionais e a estabilidade do abastecimento energético, num contexto de perturbações no transporte mundial de petróleo e tensões geopolíticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim está disposta a coordenar as estratégias marítimas com Moscovo, durante um encontro realizado na segunda-feira na capital chinesa com Nikolai Patrushev, assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

“A China está disposta a trabalhar com a Rússia para reforçar a coordenação das estratégias marítimas, aproveitar as vantagens complementares de ambos os países e proteger os respectivos interesses marítimos legítimos”, afirmou Wang, segundo um comunicado divulgado ontem pela diplomacia chinesa.

O ministro defendeu que os dois países devem “salvaguardar a segurança marítima na região Ásia-Pacífico e garantir a circulação normal nos principais corredores marítimos mundiais”.

Wang sublinhou a necessidade de respeitar a soberania e a segurança dos Estados costeiros e de assegurar a estabilidade do abastecimento de energia e matérias-primas, bem como o funcionamento das cadeias de produção e abastecimento.

As declarações surgem num contexto de fortes perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento energético mundial, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

As sanções ocidentais impostas à Rússia têm também aumentado a importância de rotas comerciais alternativas para Moscovo e Pequim.

Durante o encontro, Wang destacou a convergência entre a iniciativa chinesa da “Rota da Seda Polar” e os planos russos para desenvolver as rotas marítimas do Ártico. “Ambas as partes devem alargar os intercâmbios nos assuntos marítimos e do Ártico, atcivando um ‘motor azul’ para o desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, acrescentou.

Do outro lado

Patrushev, que preside ao Conselho Marítimo da Rússia, manifestou a disponibilidade de Moscovo para reforçar a cooperação com Pequim na construção de um corredor internacional de transporte através do Ártico e na governação marítima multilateral.

Segundo um comunicado do organismo russo, o assessor de Putin considerou que o crescimento das relações comerciais e energéticas entre os dois países exige rotas de transporte fiáveis e resistentes a perturbações.

“Com a concretização destas iniciativas, os nossos países podem transformar o mapa geoeconómico mundial, tornando o comércio marítimo mais barato, acessível e seguro face a quaisquer riscos, incluindo a escalada militar, a pirataria e as sanções”, afirmou Patrushev.

A Rússia procura desenvolver o potencial económico das regiões árticas, através da criação de uma rede integrada de transportes que ligue portos, caminhos de ferro, vias fluviais e instalações industriais no norte do país, na Sibéria e no Extremo Oriente.

A China considera as rotas marítimas do Ártico uma alternativa aos corredores comerciais tradicionais, particularmente num contexto de agravamento das tensões internacionais. Em Agosto, a transportadora Sea Legend lançou o primeiro serviço regular chinês de transporte de contentores para a Europa através do Ártico.

Em Xangai, “capital” económica da China, o assessor presidencial russo visitou o estaleiro Waigaoqiao Shipbuilding, um dos maiores do país, e defendeu a construção conjunta de navios preparados para navegar em águas geladas, incluindo embarcações destinadas ao transporte marítimo no Ártico.

Patrushev reuniu-se também em Pequim com o ministro chinês dos Transportes, Liu Wei, para discutir o desenvolvimento conjunto de novas ligações marítimas e fluviais, sobretudo nas regiões polares.

Patrushev considerou que a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim é “mais importante do que nunca” perante a instabilidade internacional.

14 Out 2026

FMI | Apontado crescimento da China para 4,5% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações.

Nas previsões atualizadas, o FMI antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.

“A fraqueza do consumo interno e o abrandamento do investimento, num contexto de tensões persistentes no sector imobiliário, foram apenas parcialmente compensados pelo dinamismo das exportações”, explicou a instituição.

O FMI considera, contudo, que “o apoio das políticas públicas deverá evitar um abrandamento mais acentuado” da segunda maior economia mundial. As novas previsões situam-se no limite inferior do objectivo oficial de crescimento fixado por Pequim para este ano, entre 4,5 por cento e 5 por cento, o mais baixo em décadas.

14 Out 2026

Hong Kong | Polícia procura cinzas desaparecidas da diva da pop Anita Mui

A polícia de Hong Kong prometeu “dar seguimento ao caso” do desaparecimento das cinzas de Anita Mui (1963–2003), diva da música pop de Hong Kong, que a família suspeita terem sido roubadas, de acordo com a comunicação social estatal chinesa.

Anita Mui Yim-fong, descrita como a “Madona asiática” e também como “Big Sister” (‘Irmã Mais Velha’) no mundo artístico de Hong Kong, iniciou a carreira em 1968 e, aos cinco anos de idade, já cantava óperas chinesas e canções pop em teatros locais.

“Ainda não foram efectuadas detenções. Continuaremos a manter contacto com o queixoso e as partes relevantes e a tomar as medidas de acompanhamento necessárias”, disse a polícia de Hong Kong. Numa resposta à agência de notícias oficial chinesa China News Service, no domingo, as forças de segurança indicaram que receberam uma denúncia em 18 de Julho.

Em Julho, um admirador que visitava o túmulo de Anita Mui descobriu que os parafusos da placa que guardava as cinzas se tinham soltado e que “as cinzas não se encontravam no interior”, disse o clube de fãs internacional, nas redes sociais, no sábado, dia do aniversário de Mui.

A família da cantora lamentou que a polícia não fez “nenhum progresso” na investigação e disse que o incidente causou “imensa angústia”. O nicho memorial de Anita Mui encontra-se no Pagode Hoi Wu, no Mosteiro Po Lin, na ilha de Lantau.

Não ostenta qualquer fotografia nem nome, mas a placa do nicho indica que se trata do nicho memorial de “Chu Neoi”, apelido da família, natural de Taishan, na província de Guangdong, com as datas de nascimento e morte registadas de acordo com o calendário lunar.

“A família de Mui espera que as suas cinzas possam ser recuperadas o mais rapidamente possível, para que ela possa descansar em paz”, escreveu a família.

13 Out 2026

Alimentação | China reforça fiscalização após incidentes graves

A China anunciou novas medidas para reforçar o combate aos crimes relacionados com a segurança alimentar e a fiscalização das vendas pela Internet, após vários escândalos que reacenderam a preocupação com a qualidade dos alimentos.

Entre os incidentes registados nos últimos anos estão uma intoxicação em massa por chumbo num jardim-de-infância, em 2025, e a descoberta, em 2024, do transporte de óleo alimentar em veículos anteriormente utilizados para transportar produtos químicos.

A Comissão dos Assuntos Políticos e Jurídicos do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) publicou uma directiva que exige penas mais severas para as infracções graves e uma maior coordenação entre os organismos responsáveis pela segurança alimentar e as autoridades judiciais.

Um representante do organismo, citado ontem pela agência noticiosa oficial Xinhua, afirmou que a situação da segurança alimentar na China permanece “globalmente estável”, embora tenha advertido que os crimes neste domínio são cada vez “mais sofisticados”.

Segundo o responsável, estas práticas recorrem com maior frequência às plataformas digitais e podem abranger várias etapas da cadeia de abastecimento.

A directiva identifica como áreas prioritárias os produtos à base de carne, as refeições escolares, os alimentos destinados a fins de saúde, os legumes e a fruta. O documento exige ainda controlos mais rigorosos sobre a produção, as vendas pela Internet, os serviços de restauração e as importações.

As autoridades pretendem também acelerar a revisão da Lei de Segurança Alimentar, de forma a clarificar as responsabilidades das empresas que comercializam produtos frescos através de plataformas electrónicas, dos serviços de entrega de refeições e dos vendedores que recorrem a transmissões em directo.

A directiva recomenda igualmente a actualização das listas de aditivos proibidos sempre que as investigações identifiquem novas substâncias ilegais.

Últimos casos

As medidas surgem após vários incidentes recentes que levantaram dúvidas sobre a fiscalização da cadeia alimentar chinesa.

Em Agosto, as autoridades ordenaram inspecções a produtos hortícolas perecíveis, depois de ter sido confirmado o uso ilegal de formaldeído – uma substância química tóxica – para conservar couves durante o transporte no norte do país.

Em Julho de 2025, 201 crianças foram hospitalizadas devido a uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no oeste da China. Já em 2024, sete empresas foram multadas por transportarem óleo alimentar em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos.

O escândalo mais grave das últimas décadas ocorreu em 2008, quando leite infantil adulterado com melamina provocou a morte de pelo menos seis bebés e afectou cerca de 300 mil crianças.

13 Out 2026

UE | Acordo sobre híbridos garante crescimento às empresas chinesas

A China defendeu ontem que o entendimento alcançado com a União Europeia (UE) sobre automóveis híbridos garante “espaço para as exportações” e um “crescimento estável” às empresas chinesas, apesar das restrições previstas por Bruxelas.

O ministério do Comércio chinês respondeu assim a uma pergunta sobre notícias relativas aos limites quantitativos previstos no acordo, depois de a agência de notícias Bloomberg ter avançado que Bruxelas vai limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades anuais.

A tutela afirmou que as duas partes mantiveram negociações “intensas” sobre veículos híbridos e eléctricos, no âmbito do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento, e que o resultado permitiu “evitar uma escalada” das tensões comerciais.

Relativamente aos automóveis híbridos, o ministério destacou três princípios fundamentais: respeito pelos factos, não discriminação e cumprimento das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Pequim, as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram de 107 mil unidades, em 2024, para 302 mil, em 2025.

O entendimento toma como referência os valores de 2025 para estabelecer um mecanismo que permita aumentar as exportações e preservar as perspetivas de crescimento das empresas chinesas, acrescentou.

O ministério do Comércio sublinhou que nenhuma medida deverá visar especificamente os produtos chineses ou tratar as empresas do país de forma “discriminatória”, garantindo que a quota atribuída à China “não será inferior” à de qualquer outro país exportador.

Pequim advertiu ainda que reserva todos os seus direitos no âmbito da OMC, incluindo o recurso aos mecanismos de resolução de litígios ou a apresentação de pedidos de compensação comercial.

Lei dos números

A Bloomberg noticiou ontem que a UE prevê limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades no primeiro ano, numa medida que poderá entrar em vigor em 01 de Dezembro. A partir do segundo ano, o limite aumentará 6 por cento anualmente, segundo a agência.

O plano vigoraria durante quatro anos e abrangeria todos os automóveis híbridos importados, e não apenas os chineses, para respeitar o princípio da não discriminação previsto nas regras da OMC.

Na sexta-feira, após reuniões em Pequim com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que o entendimento sobre os híbridos abre a possibilidade de reduzir as exportações chinesas destes veículos para a UE “em mais de metade”. O responsável esclareceu, contudo, que o cálculo tem como referência um cenário sem alterações nas actuais tendências comerciais e abrange um período de quatro anos.

Segundo Sefcovic, o acordo permitiria evitar a entrada de “vários milhões” de automóveis chineses no mercado europeu durante esse período, um número que considerou “significativo” para uma indústria automóvel europeia sob pressão.

O comissário não revelou os detalhes do mecanismo, explicando que precisava primeiro de apresentar os seus parâmetros à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos Estados-membros e aos líderes europeus, que deverão analisar o entendimento este mês, durante o Conselho Europeu.

13 Out 2026

Diplomacia | Wang Yi visita Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, vai realizar visitas oficiais ao Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária entre 14 e 20 de Outubro, anunciou ontem a diplomacia chinesa.

A deslocação terá início no Azerbaijão, onde Wang participará, na qualidade de representante especial do Presidente chinês, Xi Jinping, na sétima cimeira da Conferência sobre Interação e Medidas de Confiança na Ásia (CICA), marcada para 15 de Outubro, em Baku.

Posteriormente, o chefe da diplomacia chinesa visitará a Croácia, o Montenegro e a Bulgária, embora Pequim ainda não tenha divulgado a agenda dos encontros previstos nestes três países.

A China mantém boas relações com os três Estados europeus, que considera importantes para o desenvolvimento dos seus laços com a União Europeia (UE), embora Montenegro não integre o bloco comunitário.

A deslocação de Wang ocorre uma semana depois de a China e a UE terem realizado, em Pequim, uma ronda de diálogo comercial que resultou em “entendimentos” sobre automóveis híbridos, terras raras e acesso ao mercado.

Bruxelas considera, contudo, que estes resultados representam apenas o início de um processo mais abrangente destinado a corrigir os desequilíbrios económicos nas relações com a China.

13 Out 2026

Taiwan | Pequim defende sanções contra ministros do Paraguai e Belize

A China defendeu ontem as sanções impostas a ministros do Paraguai e do Belize pelas suas ligações a Taiwan, acusando ambos de interferirem nos assuntos internos chineses e divulgarem “informações falsas” sobre alegados ciberataques de Pequim.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que a questão de Taiwan “é um assunto de princípio de grande importância, relacionado com a soberania e a reunificação nacional da China”, constituindo “o núcleo dos interesses fundamentais” do país.

Mao acusou determinados políticos paraguaios e do Belize de actuarem como peões das autoridades taiwanesas nas suas tentativas de alcançar a “independência” com apoio externo, de visitarem a ilha e de receberem o que Pequim chama separatistas taiwaneses.

A porta-voz acrescentou que estes responsáveis “divulgaram informações falsas sobre ciberataques chineses” e “atacaram e difamaram a China”, provocando, segundo Pequim, um “impacto internacional negativo”.

“Perante a conduta das pessoas envolvidas, a China adoptou contramedidas ao abrigo da Lei contra as Sanções Estrangeiras, para as punir e servir de advertência”, afirmou Mao. O Governo chinês anunciou sanções contra o ministro paraguaio das Tecnologias da Informação e Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca.

As medidas incluem o congelamento dos bens que ambos possuam na China, a proibição de transações com organizações e particulares chineses e a interdição de entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau.

O Paraguai e o Belize integram o grupo de 12 países que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan.

13 Out 2026

Manuscrito da dinastia Tang vendido por 177 milhões em Hong Kong

Uma obra de caligrafia da dinastia Tang, que reapareceu 81 anos depois de ser dada como desaparecida, foi vendida em Hong Kong por 177,45 milhões de dólares de Hong Kong. A peça, intitulada Jishi Tie (“Carta do Tempo Acumulado”), é um manuscrito de Yu Shinan (558-638), um dos quatro grandes mestres de caligrafia dos primórdios da dinastia Tang (618-907), reportou o jornal South China Morning Post.

O lote tornou-se na principal atracção dos leilões de Outono da leiloeira China Guardian, realizados na quarta-feira no Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong, alcançando um valor de 155 milhões de dólares de Hong Kong antes de taxas e prémios.

Segundo a descrição, a importância da obra reside no seu carácter íntimo, uma vez que, ao contrário do estilo rígido e contido dos documentos oficiais imperiais de Yu, a carta privada revela uma caligrafia mais natural e espontânea.

No texto, o mestre pergunta a um amigo como está a lidar com o frio, faz referência ao agravamento do seu estado de saúde e pede para ver os seus trabalhos mais recentes. Até ao reaparecimento do manuscrito, o ‘Epitáfio da Princesa Runan’, conservado no Museu de Xangai, era considerado o único exemplo sobrevivente da escrita original do autor.

Pequenos detalhes

O rolo, com 27 por 52,5 centímetros, apresenta inscrições e selos das colecções imperiais das dinastias Ming e Qing, incluindo os dos imperadores Qianlong, Jiaqing e Xuantong, também conhecido como Puyi, o último imperador chinês.

Destaca-se igualmente uma anotação datada de 1598 do célebre crítico de arte Dong Qichang, que elogiou o seu traço como “fino, mas poderoso”, embora os especialistas continuem a debater se se trata de um original ou de uma cópia posterior realizada por Mi Fu, mestre da dinastia Song.

O rasto do manuscrito perdeu-se na década de 1930, quando Puyi transferiu parte da colecção imperial para Changchun.

Após o colapso da ocupação japonesa em 1945, o último imperador fugiu e o palácio foi saqueado por soldados, num episódio em que inúmeros tesouros foram queimados ou destruídos, levando os especialistas a considerar durante décadas que a obra tinha desaparecido.

A inesperada redescoberta da peça, em Setembro de 2025, gerou grande entusiasmo entre académicos e especialistas, obrigando os organizadores da sua exposição prévia em Pequim a limitar as visitas a um máximo de dois minutos por pessoa devido à enorme afluência de público.

12 Out 2026

Automóveis | Normas mais rigorosas no design face a problemas de segurança

Após a recolha de mais de sete milhões de veículos para revisão de regras de segurança, a China anuncia novos procedimentos a partir de Janeiro de 2027

A China está a preparar-se para tornar mais rigorosos os requisitos de concepção e os testes dos automóveis, depois de considerar que alguns fabricantes lançam novos modelos “seguindo a moda” e sem os testar suficientemente.

É o que se depreende de um projecto elaborado em conjunto pelos ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação, da Segurança Pública e da Ecologia e Ambiente, bem como pela Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR, na sigla em inglês).

A proposta, aberta a consulta pública até ao próximo dia 10 de Novembro, visa impedir que cheguem ao mercado “designs inovadores com riscos de segurança” e “produtos que não tenham sido submetidos a testes e verificações de I&D suficientes”.

“Nos últimos anos, a inovação tecnológica na indústria automóvel do nosso país tem sido muito dinâmica (…). No entanto, surgiram também problemas, como o facto de alguns fabricantes lançarem novos produtos apenas por seguirem a moda ou de os testes e verificações serem insuficientes, o que aumentou os riscos de segurança e ambientais dos veículos”, refere o texto.

Para além proibições como maçanetas de porta totalmente ocultas e de ecrãs dobráveis e flexíveis, o documento estabelece que, a partir de 01 de Janeiro de 2027, os fabricantes que solicitarem a aprovação de novos modelos deverão apresentar mais detalhes técnicos sobre os “projectos inovadores”.

No caso dos modelos deste tipo já aprovados, os fabricantes terão de enviar ao Ministério da Indústria os parâmetros técnicos e os materiais de verificação complementares antes de 01 de julho de 2027.

“Se, após essa data, um produto continuar sem ter declarado esses parâmetros nem entregue esses materiais (…) e implicar riscos de segurança, o fabricante deverá suspender imediatamente a produção, registar sem demora um plano de recolha junto da SAMR e levá-lo a cabo por iniciativa própria”, adverte o projecto de lei.

Além disso, o texto obriga à inclusão de comandos físicos nas funções “críticas para a segurança da condução” e nas funções de emergência, e estabelece testes de fiabilidade de, pelo menos, 30.000 quilómetros e ensaios de adaptação ambiental de, no mínimo, um ano, entre outros aspetos.

Campanha securitária

A iniciativa surge um mês e meio depois de as autoridades chinesas terem lançado uma campanha para melhorar a qualidade e a segurança dos automóveis de fabrico nacional, poucos dias após a SAMR ter anunciado a maior campanha de recolha da história do país, que abrangeu mais de 7 milhões de veículos.

A Tesla, a empresa norte-americana liderada por Elon Musk, foi a mais afectada, com mais de 5,7 milhões de unidades sujeitas a ‘recall’, devido a dificuldades na identificação dos mecanismos de abertura de emergência das portas e falhas nos sistemas de assistência à condução.

12 Out 2026

Fãs chineses continuam do lado de Cristiano apesar da ‘deserção’

Adeptos chineses disseram sábado à Lusa que perdoam Cristiano Ronaldo por abandonar o estágio da selecção portuguesa e acusam o seleccionador Jorge Jesus de faltar ao respeito ao “melhor marcador da história do futebol”.

Dezenas de milhares de pessoas têm passado pelo empreendimento Venetian Macau, que está a acolher dois jogos da pré-época da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA) entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets.

“Eu também gosto de basquetebol, mas quem me tirasse o futebol tirava-me tudo”, disse Louis Chan, de 28 anos, que viajou de Zhaoqing, a 200 quilómetros de Macau.

Tudo com a esperança de conseguir um autógrafo de David Beckham, antigo futebolista internacional inglês que tem uma parceria com a empresa que gere o Venetian Macau. “C Luo [Cristiano Ronaldo em chinês] é já o melhor marcador de sempre na história do futebol”, lembrou Chan, que vestia uma camisola do Al Nassr com o nome do capitão da selecção portuguesa

“É uma completa falta de respeito [por parte do seleccionador]. Não se manda uma estrela com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi aquecer e depois não joga”, disse Tessie Fang. A adepta de 35 anos, que vestia uma camisola do Real Madrid com o nome do português, tinha em 2024 comprado bilhetes para ver o Al Nassr jogar em Shenzhen, no sudeste da China.

Na altura, Cristiano Ronaldo lesionou-se e os dois particulares do Al Nassr foram cancelados, decisão que levou adeptos chineses a invadir o hotel onde a equipa saudita estava hospedada, para tentar ver o português.

“Foi uma grande desilusão, porque eu tinha passado horas em frente ao computador para comprar bilhetes para o jogo com o Shanghai Shenhua. Mas espero um dia ter a oportunidade de o ver jogar ao vivo”, disse Fang.

Fé na despedida

Uma oportunidade que Hazhel Galgao já teve, quando o cozinheiro filipino de 47 anos, agora a trabalhar num restaurante português em Macau, vivia na Arábia Saudita. “A liga [saudita] já tinha alguns jogadores conhecidos, mas quando contrataram o Ronaldo, foi uma enorme euforia”, recordou Galgao, que vestia uma camisola da selecção portuguesa.

O filipino prosseguiu: “Acho que o treinador [Jorge Jesus] esteve mal ao não respeitar o estatuto do Ronaldo, mas espero que ele ainda possa regressar. Afinal, ele merece uma despedida digna, como a do Messi”.

12 Out 2026

Guarda Costeira | Realizada “patrulha” em torno de ilhas disputadas com o Japão

Uma formação de navios da Guarda Costeira da China (CCG) realizou no sábado uma “patrulha” nas imediações das ilhas Diaoyu, arquipélago administrado pelo Japão e cuja soberania é reivindicada por Pequim, informaram fontes oficiais da gigante asiática.

Num comunicado, a CCG indicou que a frota, liderada pelo navio Xiamen, iniciou, em 10 de Outubro, uma “patrulha de defesa dos direitos nas águas territoriais” das ilhas Diaoyu.

“Trata-se de uma patrulha de defesa de direitos realizada pela Guarda Costeira da China em conformidade com a lei”, assinalou a autoridade marítima, sem fornecer outros detalhes sobre a operação.

A CCG tem sublinhado repetidamente que os guardas costeiros chineses continuarão a desenvolver “actividades de aplicação da lei” em torno das ilhas Diaoyu para proteger a soberania em águas que Pequim considera estarem sob a sua jurisdição.

A disputa por este arquipélago, que o Japão conquistou durante a guerra travada com a China entre 1894 e 1895, intensificou-se nos últimos anos, sobretudo desde que Tóquio nacionalizou três destas ilhas em setembro de 2012.

Para o Japão, as ilhas Diaoyu pertencem à prefeitura de Okinawa, enquanto a China as reivindica como parte “histórica e inerente” do seu território.

Situadas no Mar da China Oriental, a cerca de 150 quilómetros a nordeste de Taiwan, estas ilhas desabitadas ocupam uma superfície de cerca de sete quilómetros quadrados, e acredita-se que as águas circundantes possuem importantes jazidas de gás e petróleo.

Esta última “patrulha” ocorreu num contexto de atritos diplomáticos entre Pequim e Tóquio, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter afirmado, em Novembro do ano passado, que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia justificar a intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.

12 Out 2026

UE | Indústria automóvel saúda “avanço positivo” em negociações com China

Os construtores automóveis europeus saudaram quinta-feira um “avanço positivo para atenuar as tensões comerciais”, na sequência das negociações entre a União Europeia (UE) e a China para reduzir a entrada na Europa de veículos híbridos chineses.

A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) disse que “saúda o anúncio pela Comissão Europeia e pela China de um acordo provisório destinado a corrigir desequilíbrios comerciais críticos”, segundo um comunicado.

“Enquanto aguarda uma análise detalhada do conteúdo deste acordo, este anúncio constitui um avanço positivo para atenuar as tensões comerciais entre as duas partes”, acrescentou.

“Uma desestabilização súbita e acentuada do mercado europeu, acompanhada de guerras de preços semelhantes às que caracterizam actualmente o mercado chinês, teria efeitos altamente perturbadores para a economia europeia no seu conjunto”, afirmou Sigrid de Vries, directora-geral da ACEA, citada na mesma nota.

“O anúncio de quinta-feira pode ajudar a facilitar, de forma ordenada, a transição para uma nova era de presença chinesa no mercado europeu, o que é do interesse de todas as partes a longo prazo”, acrescentou.

A China aceitou reduzir significativamente as exportações de veículos híbridos para a UE o que deverá impedir a chegada de milhões destes veículos ao mercado europeu nos próximos anos, anunciou quinta-feira, em Pequim, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic.

12 Out 2026

Coreia do Norte | Exigido “maior respeito” de Seul para retoma do diálogo

A irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Yo-jong, exigiu que a Coreia do Sul demonstre “mais respeito” por Pyongyang caso pretenda retomar o diálogo entre os dois países.

“Se realmente desejam restabelecer as relações entre a RPDC e a Coreia do Sul, devem ter em consideração os sentimentos da outra parte em cada palavra e em cada acção, começando por demonstrar mais respeito, maior consideração sinceridade”, declarou Kim Yo-jong num comunicado divulgado pelos meios de comunicação oficiais, utilizando o nome oficial da Coreia do Norte – República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

A declaração surge depois de as Forças Armadas sul-coreanas terem exigido um pedido de desculpas a Pyongyang na sequência de explosões de minas que feriram três soldados sul-coreanos a 21 de Setembro na Zona Desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias. Seul acusa a Coreia do Norte de ter colocado as minas no lado sul da linha de demarcação, em violação do armistício que pôs termo à Guerra da Coreia (1950-1953).

Apesar deste incidente, o Governo sul-coreano liderado pelo Presidente Lee Jae-myung apelou, a 1 de Outubro, à Coreia do Norte para que “restabeleça a confiança e retome o diálogo”.

Pyongyang negou qualquer responsabilidade pelas explosões na DMZ. Kim Yo-jong, considerada uma das figuras mais influentes do regime norte-coreano, classificou o incidente como uma “encenação organizada pelo próprio Sul”. “À luz das acções das autoridades de Seul, tudo está repleto de julgamentos unilaterais, decisões unilaterais e anúncios unilaterais”, afirmou a irmã de Kim Jong-un. “Ou são politicamente imaturos, ou são verdadeiramente incorrigíveis, tolos por natureza”, acrescentou.

Posições imutáveis

Os contactos entre Seul e Pyongyang estão totalmente interrompidos desde o final de 2023, quando Kim Jong-un renunciou oficialmente a qualquer perspectiva de reunificação da Península Coreana e passou a designar a Coreia do Sul como o “principal inimigo”.

Desde então, a Coreia do Norte reforçou a posição na DMZ, uma zona-tampão com quatro quilómetros de largura e cerca de 250 quilómetros de comprimento. Pyongyang passou a considerar a linha de demarcação que atravessa a zona não como uma divisão provisória, mas como uma fronteira com um Estado hostil.

Desde que assumiu o poder em Seul, em Junho de 2025, Lee Jae-myung tem procurado reabrir canais de diálogo com o Norte, mas sem sucesso até ao momento. A “posição absoluta e imutável” da Coreia do Norte é que “não haverá qualquer intercâmbio, qualquer compromisso, nem sequer qualquer contacto presencial com a Coreia do Sul”, reiterou Kim Yo-jong.

9 Out 2026

Pequim rejeita pedido da UE para limitar exportações de automóveis híbridos

A China rejeitou um pedido da União Europeia (UE) para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos para o mercado europeu, numa altura em que Bruxelas e Pequim procuram evitar uma nova escalada das tensões comerciais.

Segundo avançou ontem o jornal Financial Times (FT), citando dois diplomatas informados sobre as negociações, a Comissão Europeia pondera agora impor unilateralmente limites temporários às importações de veículos híbridos chineses. O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, iniciou ontem uma visita de dois dias a Pequim, durante a qual procurará alcançar, pelo menos, um acordo que permita reduzir o crescente excedente comercial da China com a UE e evitar a adopção de medidas punitivas.

A proposta inicial de Bruxelas previa que Pequim aceitasse limitar as exportações de automóveis híbridos a cerca de 15 por cento do mercado europeu, contra mais de um terço actualmente, sob pena de enfrentar medidas de retaliação, incluindo um aumento das tarifas. No entanto, responsáveis europeus informaram na quarta-feira os Estados-membros de que a China rejeitou a proposta, segundo o FT.

A Comissão Europeia está agora a estudar a aplicação de uma medida temporária de salvaguarda comercial, que pode ser adoptada mesmo sem provas de práticas comerciais abusivas. O mecanismo permitiria estabelecer uma quota de importação de veículos chineses, sujeitando os automóveis que ultrapassassem esse limite a tarifas adicionais elevadas.

Efeito colateral

O objectivo de Bruxelas é definir um volume de importações que Pequim possa aceitar informalmente, evitando uma resposta retaliatória. Contudo, a medida teria também de abranger outros parceiros comerciais, incluindo o Reino Unido, a Coreia do Sul e o Japão, que receberiam quotas proporcionais aos respectivos volumes históricos de exportação para a UE.

O aumento das exportações chinesas de veículos híbridos ocorreu depois de Bruxelas ter imposto direitos compensatórios de até 35 por cento sobre os automóveis eléctricos fabricados na China, acrescidos da tarifa habitual de 10 por cento. Pequim respondeu com medidas comerciais sobre produtos europeus, incluindo conhaque, carne de porco e laticínios.

9 Out 2026

TSMC | Receitas crescem 50,9% graças à procura de ‘chips’ para IA

As receitas da TSMC, maior fabricante mundial de semicondutores, aumentaram 50,9 por cento no terceiro trimestre, para 1,48 biliões de dólares taiwaneses (41.385 milhões de euros), impulsionadas pela forte procura de ‘chips’ destinados a aplicações e dispositivos de inteligência artificial.

O valor compara com os 989.918 milhões de dólares taiwaneses (27.410 milhões de euros) facturados entre Julho e Setembro de 2025. Num comunicado divulgado ontem, a tecnológica indicou que as receitas de Setembro atingiram 511.857 milhões de dólares taiwaneses (14.172 milhões de euros), um aumento homólogo de 54,6 por cento, mas uma descida de 0,6 por cento face a Agosto, quando facturou 514.806 milhões de dólares taiwaneses (14.254 milhões de euros).

Entre Janeiro e Setembro, a facturação acumulada da empresa atingiu 3,9 biliões de dólares taiwaneses (107.961 milhões de euros), um aumento de 41,1 por cento em comparação com os primeiros nove meses do ano anterior.

As receitas acumuladas até Setembro ultrapassaram já os 3,81 biliões de dólares taiwaneses (105.507 milhões de euros) facturados pela TSMC durante todo o ano de 2025, quando a empresa registou um recorde anual de vendas.

Responsável pelo fabrico dos semicondutores utilizados nos produtos mais avançados da Apple, Nvidia e AMD, a TSMC ocupa uma posição central na cadeia de abastecimento da indústria tecnológica e tem beneficiado da expansão da inteligência artificial e da crescente procura por semicondutores avançados.

9 Out 2026

UM | Migrantes e tecnologia são apostas para enfrentar envelhecimento

Um investigador da Universidade de Coimbra afirmou ontem num seminário na Universidade de Macau que a China está a desenvolver uma resposta própria ao envelhecimento da população, combinando mão-de-obra migrante interna e tecnologia

 

Num seminário realizado na Universidade de Macau (UM), o professor de Antropologia Sócio-Cultural, Gonçalo Santos, afirmou que a situação demográfica chinesa é muito diferente da de países como o Japão, que se tornou uma das sociedades mais envelhecidas do mundo. “A um nível macroestrutural, a situação chinesa é muito diferente”, afirmou Santos. “Para começar, a China tem a vantagem de beneficiar da experiência dos outros. O Japão não teve realmente essa vantagem”, indicou o investigador em resposta a perguntas da Lusa.

No final de 2025, a população chinesa com 60 anos ou mais tinha atingido os 323 milhões, representando aproximadamente 23 por cento da população total do país, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas, prevendo-se que mais de 30 por cento da sua população tenha 60 anos ou mais até 2035.

Apesar dos desafios, Santos considera que a resposta chinesa ao envelhecimento populacional está a dar origem a um modelo próprio, que combina mão-de-obra migrante, orientação estatal, incentivos de mercado e tecnologia.

Segundo o investigador, ao contrário do Japão, a China ainda não se tornou uma sociedade plenamente envelhecida e continua a poder contar com uma força de trabalho migrante interna “quase infinita” para apoiar os cuidados à população idosa.

Os trabalhadores migrantes provenientes das zonas rurais representam actualmente a maioria dos funcionários em muitas instituições de cuidados para idosos na China continental, com Santos a destacar que o principal desafio não é a escassez de trabalhadores, mas sim a melhoria das suas qualificações, estatuto e condições de trabalho. “Estes trabalhadores vêm das zonas rurais e são muitas vezes menosprezados pelos empregadores ou pelos filhos dos idosos”, afirmou, acrescentando que estas tensões acabaram por se transformar numa questão política centrada na melhoria das qualificações profissionais do sector.

Visão prática

Ao mesmo tempo, Pequim está a apostar num modelo que Santos descreveu como “tecno-solucionista”, colocando a tecnologia no centro da sua estratégia para responder ao envelhecimento da população. “A tecnologia é uma componente fundamental da estratégia de desenvolvimento do Governo, e não apenas no sector dos cuidados”, afirmou. “A robótica aplicada aos cuidados faz parte deste processo”, acrescentou.

Na sua opinião, o modelo chinês distingue-se dos seguidos no Japão ou na União Europeia, onde o investimento público se concentrou fortemente na investigação. A China optou, em grande medida, por delegar o desenvolvimento tecnológico em empresas privadas, orientadas por prioridades definidas pelo Estado.

“Desde o início, a China fez aquilo que o Japão começou a fazer nos anos 2000, externalizando o desenvolvimento da robótica para empresas privadas, de acordo com orientações e especificações definidas a nível nacional”, explicou. Em troca, as empresas obtêm acesso ao mercado e apoio político, enquanto as autoridades mantêm uma forte capacidade de intervenção.

“O Partido Comunista Chinês pode implementar políticas com um nível de controlo do mercado que nenhum país da União Europeia ou o Japão possui”, afirmou Santos. Ao mesmo tempo, o académico considera que a China está a concentrar-se no desenvolvimento de tecnologias de assistência acessíveis e orientadas para o uso doméstico, em vez de privilegiar os lares e outras instituições. “Acho que a China está a ser mais pragmática”, avaliou.

Apesar disso, o investigador alertou para o risco de as zonas rurais continuarem a ser negligenciadas nas políticas de envelhecimento. “Quase todas as políticas estatais que vejo centram-se nos residentes urbanos. Os residentes das zonas rurais da China não têm praticamente qualquer voz na implementação das políticas e as suas necessidades não estão a ser contabilizadas”, afirmou.

9 Out 2026