HK | Tribunal condena jornal por impedir repórter de assumir cargo sindical

A justiça de Hong Kong condenou ontem a empresa que detém o jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) por impedir uma repórter de assumir um cargo sindical, mas rejeitou a acusação de despedimento injustificado.

A ex-repórter do WSJ Selina Cheng Kar-yue, também presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla em inglês), iniciou uma acção judicial privada contra a Dow Jones Publishing Co. (Asia) Inc. após ter perdido o emprego em Julho de 2024.

O juiz David Cheung condenou a Dow Jones por impedir ou desencorajar Selina Cheng de exercer o direito de participação sindical, mas afirmou que a defesa levantou dúvidas razoáveis suficientes em relação à segunda acusação, de que a empresa rescindiu o contrato de trabalho da repórter em retaliação.

Sem apoio

Selina Cheng tinha declarado em tribunal que a sua supervisora, Deborah Ball, editora do WSJ para a Ásia, lhe disse que a candidatura à liderança da HKJA era problemática e que precisava de discutir a questão com a direcção do jornal, em Nova Iorque, e com os advogados internos da Dow Jones.

A jornalista afirmou ter sido informada, mais tarde, por e-mail, por Kerene Ko, então directora de recursos humanos da Dow Jones, de que não teria “a aprovação da empresa” para assumir o cargo de presidente da HKJA.

Numa conferência de imprensa realizada em Julho de 2024, no dia em que foi despedida, Selina Cheng disse que o WSJ lhe tinha comunicado que os funcionários do jornal não deveriam ser vistos como defensores da liberdade de imprensa “num lugar como Hong Kong”.

Em 2025, a Dow Jones declarou-se inocente das duas acusações, sendo que cada uma pode acarretar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong.

Durante o julgamento, a empresa tentou convencer o tribunal de que Selina Cheng foi despedida devido a uma redução de pessoal, numa altura em que o WSJ mudou a base asiática de Hong Kong para Singapura, e argumentou que a acusação não tinha provado que a administração do jornal tinha dado quaisquer ordens a Deborah Ball.

A defesa da Dow Jones acusou ainda a jornalista de agir de má-fé, numa outra audiência. A sentença será proferida em data posterior.

11 Set 2026

Automóveis | Exportações chinesas ultrapassam até Agosto total de 2025

As exportações chinesas de automóveis de passageiros nos primeiros oito meses do ano já superaram o total de 2025, apesar de as vendas no mercado interno continuarem em queda, indicou ontem uma associação do sector.

As exportações de automóveis de passageiros aumentaram 67,1 por cento em Agosto, face ao mesmo mês do ano anterior, para cerca de 890.000 unidades, impulsionadas pelos veículos híbridos e totalmente eléctricos, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, na sigla em inglês).

Entre Janeiro e Agosto, a China exportou mais de 6,2 milhões de automóveis de passageiros. No conjunto de 2025, o país exportou 7,1 milhões de veículos de todos os tipos, incluindo cerca de seis milhões de automóveis de passageiros, de acordo com dados da CAAM.

A China, o maior exportador mundial de automóveis, deverá registar este ano um crescimento entre 50 por cento e 70 por cento nas exportações de veículos de passageiros, segundo a agência de notação financeira S&P Global Ratings.

As exportações chinesas de automóveis têm apresentado um desempenho superior ao esperado este ano, beneficiando de preços competitivos e da qualidade dos veículos, afirmou Stephen Chan, diretor associado da S&P Global Ratings. “É provável que o forte crescimento das exportações compense em grande medida a fraqueza do mercado interno”, afirmou.

Nos últimos meses, o choque energético provocado pela guerra no Irão e a subida dos preços dos combustíveis levaram mais condutores de veículos a gasolina e gasóleo a optar por veículos eléctricos.

As elevadas taxas alfandegárias têm, na prática, mantido a maioria dos automóveis de passageiros fabricados na China fora do mercado norte-americano. Os fabricantes chineses têm, porém, aumentado as exportações e vendas para a Europa, América Latina, África e Sudeste Asiático. As marcas chinesas estão também a instalar um número crescente de fábricas no estrangeiro.

11 Set 2026

Huawei | China critica repressão dos EUA

A China manifestou-se ontem contra a “repressão e contenção” de empresas chinesas pelos Estados Unidos, após ter começado esta semana, em Nova Iorque, um processo penal contra a tecnológica Huawei.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa breve declaração durante a conferência de imprensa diária do ministério, que Pequim “apoia firmemente” as empresas chinesas na defesa dos direitos e interesses legítimos e legais.

Segundo o processo judicial, a Huawei, com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, e algumas das subsidiárias fizeram negócios na Coreia do Norte apesar das sanções norte-americanas.

A tecnológica chinesa é também acusada de ter instalado equipamentos de vigilância que ajudaram as autoridades iranianas a espiar manifestantes durante os protestos antigovernamentais de 2009. A selecção do júri começou na terça-feira e o julgamento, presidido pela juíza federal Ann Donnelly deverá prolongar-se durante cerca de três meses, de acordo com o portal norte-americano Axios.

Os advogados da Huawei tentaram que o processo fosse arquivado, argumentando que as acusações são imprecisas e que os procuradores norte-americanos procuram estender indevidamente a jurisdição dos Estados Unidos a atcividades realizadas noutros países. A Huawei enfrenta acusações de, entre outros crimes, roubo de segredos comerciais e fraude bancária.

Nos últimos anos, os Estados Unidos impuseram restrições à empresa que limitaram o acesso a ‘chips’ e outras tecnologias, levando a Huawei a reforçar a capacidade de produção de semicondutores, em linha com os esforços de Pequim para reduzir a dependência tecnológica do exterior.

11 Set 2026

HK / Incêndio | Acusadas duas empresas e quatro pessoas

A tragédia que atingiu as torres residenciais em Tai Po causando mais de 160 mortos continua a ser investigada. Conclusões deverão ser apresentadas em Outubro

O Governo de Hong Kong acusou duas empresas e quatro pessoas de usarem materiais não-retardantes e violarem normas de segurança nas obras de reparação que causaram o pior incêndio registado na cidade desde 1948.

O Departamento de Edifícios apresentou na quarta-feira 259 acusações contra o empreiteiro principal das obras, Prestige Construction & Engineering, e a consultora Will Power Architects, assim como contra um inspector e três directores das duas empresas.

Os quatro, juntamente com outras três pessoas, já tinham sido, em 10 de Junho, acusados de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

As autoridades sublinharam que foram também removidas janelas resistentes ao fogo ao longo das escadas de emergência para criar aberturas de acesso temporárias, permitindo que o fumo e o fogo invadissem os sete edifícios do complexo de Wang Fuk.

Também na quarta-feira, o Departamento do Trabalho apresentou 25 acusações contra a Prestige Construction & Engineering, a Power Architects e uma pessoa devido à morte de cinco trabalhadores do empreiteiro durante o incêndio. A lei da região semiautónoma chinesa prevê que a negligência na execução de obras pode ser punida com uma multa de até 500 mil dólares de Hong Kong e uma pena máxima de 18 meses de prisão.

O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro e se prolongou por mais de 44 horas, matou 168 pessoas no complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas.

Em Dezembro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou um comité independente de investigação, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”.

Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. Em 18 de Agosto, o comité liderado por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final.

O comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

11 Set 2026

Importações africanas de motociclos eléctricos chineses disparam

As importações africanas de motociclos e veículos eléctricos de três rodas provenientes da China aumentaram fortemente no primeiro semestre de 2026, uma evolução que evidencia diferenças na transição para a mobilidade eléctrica no continente.

Os veículos de duas e três rodas representam uma parcela significativa dos veículos que circulam nas estradas africanas e são amplamente utilizados para fins comerciais. A substituição dos motores a gasolina e gasóleo por eléctricos poderá, assim, reduzir o consumo de combustíveis e a poluição atmosférica nas cidades.

Países do Norte de África como Marrocos, Egipto e Argélia lideraram o aumento de 60 por cento das importações africanas, que atingiram 114,6 milhões de dólares no primeiro semestre. A região tornou-se um importante destino para ‘scooters’ eléctricas chinesas totalmente montadas.

Os investimentos em empresas emergentes de veículos eléctricos estão, por outro lado, concentrados na África Oriental e Central, onde várias empresas estão a construir unidades locais de montagem, redes de troca de baterias e estruturas destinadas ao mercado de motociclos comerciais.

Marrocos liderou as importações no primeiro semestre, com 80.188 unidades, no valor de 21,7 milhões de dólares, seguido pelo Egipto e pela Argélia.

Mudanças em curso

A Spiro, maior empresa africana de motociclos eléctricos, captou mais de 348 milhões de dólares em investimentos no último ano, enquanto outras empresas estão a investir na montagem local e em redes de troca e carregamento de baterias destinadas aos mercados de mototáxis e entregas.

Tom Courtright, investigador não residente do African Tech Futures Lab, um centro de investigação dedicado às tecnologias emergentes em África, explicou que fabricantes chineses fornecem muitos dos motociclos eléctricos utilizados na África Oriental e Ocidental, mas empresas locais adaptam-nos às necessidades comerciais e gerem as infraestruturas energéticas.

A troca de baterias permite aos condutores substituir uma bateria descarregada em vez de esperar pelo carregamento do veículo, tornando o sistema mais adequado para quem depende dos motociclos para obter o rendimento diário.

Courtright considerou que os motociclos eléctricos deverão sobretudo substituir modelos a gasolina, em vez de expandirem significativamente o mercado total, embora os menores custos de utilização e manutenção possam aumentar a procura em cerca de 20 por cento.

11 Set 2026

Sudeste asiático | Países reforçam acção contra a tuberculose

Os países da região do sudeste asiático da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunidos em Díli, comprometeram-se ontem a reforçar a acção para eliminar a tuberculose, que afecta mais de quatro milhões de pessoas nesta zona do mundo.

“A tuberculose pode ser tratada e prevenida, mas continua a tirar, todos os anos, centenas de milhares de vidas na nossa região e a empurrar famílias para a pobreza”, afirmou o responsável interino da OMS para a região do sudeste asiático, Nilesh Buddha.

O acordo foi decidido durante a 79.ª sessão do comité regional da OMS para o Sudeste Asiático, que decorre até hoje em Díli, capital de Timor-Leste.

“Temos as ferramentas para mudar esta trajectória. O que precisamos é de garantir que essas ferramentas cheguem a todas as pessoas que necessitam, de forma mais precoce, equitativa e integrada em cuidados primários de saúde de qualidade”, salientou o responsável da organização das Nações Unidas.

Dados da OMS, indicam que a região do sudeste asiático foi responsável por 34 por cento dos novos casos de tuberculose no mundo em 2024. Em 2024, foram registados 3,68 milhões de novos casos e 433 mil mortes.

Na sessão do comité, os países concordaram reforçar a detecção precoce e completa dos casos de tuberculose através dos serviços de saúde, do rastreio sistemático e da procura activas de casos entre as populações de alto risco e de grupos com menos acesso aos serviços de saúde e a introdução da vacina.

Segundo a OMS, a introdução da vacina contra a tuberculose em 2028 poderá evitar cerca de 1,45 milhões de novos casos e evitar 300 mil mortes até 2030.

No Relatório Global da Tuberculose de 2024 da OMS indica-se que Timor-Leste registou 6.171 casos em 2023, o que reflecte o impacto do reforço da vigilância epidemiológica, o que permitiu reduzir em 55 por cento o número de mortes relacionados com a doença.

10 Set 2026

Timor-Leste em negociações da fronteira marítima com Indonésia

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a quinta ronda de negociações sobre a delimitação da fronteira marítima com a Indonésia será realizada em Singapura.

“Relativamente à fronteira marítima, seguimos o direito internacional. Eles [Indonésia] pediram para concluir o processo em Dezembro. Nós voltaremos a analisar a questão e eles solicitaram que as negociações decorram em Singapura. Estamos à espera de chegar a Singapura para avaliar melhor a situação”, afirmou Xanana Gusmão.

O líder timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, após regressar da Indonésia, onde decorreu na semana passada quarta ronda de negociações. Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, divulgado na semana passada, indicava que a quinta ronda de negociações estava marcada para Díli.

A delimitação da fronteira marítima com a Indonésia é uma prioridade nacional para Timor-Leste para completar a definição permanente das suas fronteiras marítimas, após ter alcançado em Março de 2018 um acordo com a Austrália.

Com a Indonésia estão em discussão quatro segmentos marítimos, nomeadamente no sul, no Mar de Timor, nas partes oeste e leste, e no norte, junto ao enclave de Oecusse, que apresenta questões específicas por estar totalmente rodeado pelo território da Indonésia.

As negociações incluem também dois troços marítimos na zona norte de Timor-Leste, nomeadamente nas águas entre Batugade e a ilha de Ataúro, bem como através do Estreito de Wetar até à ilha de Jaco.

“Por vezes queremos avançar rapidamente, mas a fronteira marítima não é uma questão simples. É por isso que continuamos as discussões, procurando compreender os fundamentos de cada lado e apresentando também os nossos argumentos”, afirmou Xanana Gusmão.

Por terra

Paralelamente às negociações sobre a fronteira marítima, Timor-Leste e Indonésia continuam também as negociações relativas à fronteira terrestre, com especial atenção à área de Citrana-Naktuka, no enclave de Oecusse.

“Sobre a fronteira terrestre, nós ainda não concordamos em alguns pontos e eles também não concordam em outros. Por isso, ainda não foi assinado nenhum acordo”, declarou Xanana Gusmão. Mas, o primeiro-ministro salientou que Timor-Leste prefere seguir os acordos históricos estabelecidos entre Portugal e a Holanda. As fronteiras terrestres também deverão voltar à mesa das negociações em Dezembro.

10 Set 2026

Peru | Pequim responde a Rubio e defende transparência dos investimentos

O Governo chinês afirma que todos os investimentos realizados no país sul-americano são transparentes e cumprem as leis locais

A China defendeu ontem que os investimentos no Peru são “transparentes” e respeitam a legislação local, após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusado projectos apoiados por Pequim de ameaçarem a transparência e segurança dos dados.

A missão diplomática chinesa reagiu a um artigo de opinião de Rubio publicado no mesmo dia no jornal peruano El Comercio, no qual afirmou que “os projectos apoiados pelo Partido Comunista Chinês ignoram os quadros jurídicos do Peru e ameaçam a transparência e a segurança dos dados”.

O secretário de Estado da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, referia-se ao litígio iniciado contra o Estado peruano pela transportadora marítima estatal chinesa Cosco, proprietária do porto de Chancay, construído no Peru com um investimento de 1,3 mil milhões de dólares.

A empresa pretende ficar excluída da supervisão e controlo das tarifas, argumentando que se trata de um porto privado e não de uma concessão estatal.

A embaixada chinesa em Lima afirmou através das redes sociais que o investimento da China no Peru “é transparente e está em conformidade com a lei”, com uma carteira de 30 mil milhões de dólares que, segundo a representação diplomática, “traz oportunidades de desenvolvimento, emprego, receitas fiscais, excedente comercial e reservas internacionais, sem gerar um único cêntimo de dívida”.

“Os investimentos e as operações de todos os países no Peru devem estar sob a jurisdição do Estado peruano. Em particular, se as vendas recentes geraram níveis significativos de endividamento para o Peru, deveriam estar sujeitas ao mesmo padrão de transparência”, sustentou a embaixada.

Parceiros de longa data

A missão diplomática destacou ainda que “a China se mantém há 12 anos consecutivos como o maior parceiro comercial do Peru e o Peru é o terceiro maior país exportador da América Latina para a China”, acrescentando que “a cooperação comercial bilateral assenta no princípio do benefício mútuo e dos ganhos partilhados”.

Segundo a embaixada, o excedente comercial acumulado pelo Peru nas trocas com a China atingiu 52 mil milhões de dólares desde a entrada em vigor, em 2010, do acordo de comércio livre entre os dois países, citando dados do Ministério do Comércio Externo e Turismo peruano.

“Espera-se que o Protocolo de Atualização do Acordo de Comércio Livre China-Peru entre em vigor em breve. O mercado chinês abre as portas aos produtos peruanos que cumprem os requisitos”, acrescentou.

Sobre a política migratória, a embaixada lembrou que “os cidadãos peruanos com passaportes comuns podem visitar a China sem visto e permanecer durante 30 dias” para fins de comércio, turismo, visitas familiares, intercâmbios ou trânsito.

“A China abre as portas e recebe o povo peruano de braços abertos. Então, por que razão os peruanos, ao solicitarem um visto para determinado país, têm de se submeter a controlos rigorosos e até enfrentar ameaças de cancelamento dos vistos de toda a família?”, questionou a missão diplomática, numa referência aos Estados Unidos.

Rubio chegou ontem a Lima e reúne-se hoje com a Presidente peruana, Keiko Fujimori, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Espá, no âmbito de uma visita que inclui também Colômbia e Equador, entre 08 e 10 de Setembro.

10 Set 2026

Jiangxi | Sobe para 13 o número de mortos em deslizamentos de terra

O número de mortos numa série de deslizamentos de terra que atingiram no sábado a província de Jiangxi, no sudeste da China, aumentou para 13, enquanto três pessoas continuam desaparecidas, noticou ontem a agência oficial Xinhua.

Um dos deslizamentos ocorreu cerca das 04:00 de sábado, na localidade de Gaoping, no distrito de Suichuan, após vários dias de chuvas intensas associadas ao tufão Saudel, e causou até agora 12 mortos e um desaparecido.

As chuvas fortes e persistentes provocaram também deslizamentos nas localidades de Zuo’an e Tanghu, no mesmo distrito, onde uma pessoa morreu e outras duas estão desaparecidas. O deslizamento em Gaoping envolveu mais de 30.000 metros cúbicos de terras e afectou 12 habitações, oito das quais ficaram completamente destruídas, enquanto as restantes quatro sofreram danos.

As operações de socorro avançaram na madrugada de domingo, quando as equipas conseguiram reabrir por completo a estrada de acesso à aldeia de Mingkeng, onde ocorreu o deslizamento, permitindo a entrada progressiva de maquinaria pesada.

As buscas prosseguem na zona da catástrofe, actualmente dividida em quatro áreas para optimizar os trabalhos, com 170 elementos das equipas de socorro mobilizados. Além da procura pelos desaparecidos, as autoridades estão a reforçar as vias de acesso e a adoptar medidas para prevenir novos deslizamentos.

O portal noticioso Yicai informou ontem que, até ao final da tarde de terça-feira, mais de 15.000 residentes do distrito de Suichuan tinham sido retirados para locais seguros. Saudel, cujos remanescentes provocaram fortes precipitações depois de o ciclone ter perdido intensidade, afectou um total de 161.500 pessoas em Jiangxi.

As chuvas associadas ao sistema provocaram também esta semana inundações na vizinha província de Fujian, onde mais de uma centena de habitações ruíram.

10 Set 2026

Óbito | Morreu Tung Chee-hwa, primeiro líder de Hong Kong após transição

Tung Chee-hwa, o primeiro líder de Hong Kong após a transferência da antiga colónia britânica para a China, em 1997, morreu aos 89 anos, anunciou ontem o seu gabinete.

O antigo magnata do sector dos transportes marítimos, nascido em Xangai, foi escolhido por Pequim para assumir o cargo de Chefe do Executivo do território, função na qual enfrentou uma série de crises. Tung Chee-hwa “faleceu pacificamente na presença dos seus amados familiares” na terça-feira, segundo um comunicado.

Ele “dedicou a sua vida, com um compromisso inabalável, a servir a Nação e a RAE [Região Administrativa Especial] de Hong Kong. Os seus contributos, marcados pela integridade, compaixão e dignidade, serão recordados por muito tempo”, acrescentou o seu gabinete.

Tung nasceu em Xangai, a 29 de Maio de 1937, numa das famílias mais ricas da China no sector do transporte marítimo. Segundo a sua biografia oficial, a família mudou-se para Hong Kong em 1947.

Depois de se ter licenciado em engenharia naval pela Universidade de Liverpool, no Reino Unido, em 1960, trabalhou nos Estados Unidos antes de se juntar ao negócio da família em Hong Kong, em 1969. Tung assumiu o negócio da família após a morte do pai, em 1981. Quatro anos depois, a empresa estava à beira da falência, mas foi salva graças à intervenção do Governo chinês, em 1986.

Em 1985, Tung integrou um comité encarregado de ajudar a redigir a Lei Básica — a ‘miniconstituição’ de Hong Kong, que rege a antiga colónia britânica desde a transferência para a China em 1997.

Ascendeu na carreira política, trabalhando tanto no órgão consultivo político de Pequim como no governo de Hong Kong. Lançado com relutância à liderança de Hong Kong no momento crucial da transferência de soberania, devido aos seus laços estreitos com Pequim, viveu um mandato tumultuoso de oito anos à frente da cidade.

Tung deixou o cargo em 2005, dois anos antes do final do segundo mandato, alegando problemas de saúde, e foi sucedido pelo adjunto, Donald Tsang Yam-kuen.

10 Set 2026

Japão | Revisão em alta de crescimento do PIB do segundo trimestre

O Governo japonês reviu ontem em alta o crescimento do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, entre Abril e Junho, para 0,4 por cento face aos três meses anteriores.

O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento da economia do país asiático e que, nos dados preliminares divulgados em Agosto, permaneceu inalterado, cresceu 0,1 por cento, segundo os dados revistos publicados pelo Governo japonês.

As exportações, que nos números preliminares registaram um aumento de 0,5 por cento, foram, no entanto, revistas em baixa, para um crescimento de 0,4 por cento, enquanto as importações passaram de uma queda inicialmente estimada em 1,5 por cento para uma contração de 1,7 por cento.

No quinto trimestre consecutivo de crescimento da economia japonesa, a despesa pública foi ligeiramente revista em alta, para 1,7 por cento, face aos 1,6 por cento anteriormente anunciados. Em termos homólogos, a economia japonesa cresceu 1,4 por cento, três décimas acima dos 1,1 por cento estimados inicialmente.

Os dados são divulgados pouco mais de uma semana antes da reunião mensal de política monetária do Banco do Japão (BoJ), numa altura em que os mercados antecipam uma nova subida das taxas de juro, para o nível mais elevado em décadas.

9 Set 2026

Pyongyang | Destacada “aliança invencível” com a Rússia

A inauguração de uma ponte rodoviária entre as duas nações foi o pretexto para a propaganda norte-coreana enaltecer a relação entre Pyongyang e Moscovo

A Coreia do Norte qualificou ontem a aliança com a Rússia como “invencível”, após a inauguração da primeira ponte rodoviária entre os dois países, num contexto do reforço das relações bilaterais económicas e militares.

“Com base numa sólida parceria estratégica abrangente e numa aliança invencível, foi concluída com sucesso a ponte rodoviária sobre o rio Tumen, que liga as localidades fronteiriças de Rason [Coreia do Norte] e Khasan [Rússia]”, informou ontem a agência estatal norte-coreana KCNA, com referência a uma cerimónia realizada na véspera.

A infraestrutura, com pouco mais de um quilómetro de comprimento, foi construída sobre o rio Tumen, na região russa de Primorsky, no Extremo Oriente russo e, segundo a Rússia, permitirá a passagem diária do posto fronteiriço de até 300 veículos. A KCNA salientou que a nova via facilitará a circulação de pessoas, o turismo e o transporte de mercadorias, além de reforçar a cooperação económica.

O evento decorreu simultaneamente em Rason e Khasan, com a participação por videoconferência, a partir de Pyongyang, do primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, e, a partir de Moscovo, do homólogo russo, Mikhail Mishustin, informou a agência.

As obras tiveram início em Abril do ano passado, depois de receberem, em 2024, a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin, e do homólogo norte-coreano, Kim Jong-un. Até agora, os dois países apenas estavam ligados por via terrestre através da ferrovia.

Laços reforçados

Moscovo e Pyongyang têm vindo a reforçar laços desde 2024, na sequência da assinatura de um acordo entre os líderes dos dois países, que inclui uma cláusula de defesa mútua em caso de agressão.

As autoridades sul-coreanas estimam que, desde Outubro de 2024, Pyongyang tenha destacado cerca de 15.000 soldados de combate para apoiar Moscovo na guerra contra a Ucrânia, além de ter fornecido armamento e equipamento militar.

9 Set 2026

Qatar | China reforça laços e apoia papel no Médio Oriente

Pequim manifestou ontem disponibilidade para aprofundar a cooperação energética com o Qatar e apoiou o papel de mediação de Doha no Médio Oriente, face aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões e garantir a navegação no Estreito de Ormuz.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu estas posições durante uma reunião realizada em Pequim com o homólogo do Qatar e ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que efectua uma visita oficial de dois dias à China.

Li afirmou que Pequim pretende aprofundar com Doha a cooperação nas áreas da energia tradicional e renovável, infraestruturas, inteligência artificial (IA) e finanças, assim como promover os investimentos entre os dois países, segundo um comunicado oficial chinês.

No plano diplomático regional, o dirigente chinês afirmou que a China “apoia o Qatar no seu papel de mediação” perante a situação no Médio Oriente e manifestou a disponibilidade de Pequim para trabalhar com Doha, outros países da região e a comunidade internacional para favorecer “o rápido restabelecimento da paz e da tranquilidade” na região.

Diplomacia activa

Mohammed manifestou a vontade do Qatar de aprofundar com a China a cooperação nas áreas do comércio, alta tecnologia e indústria transformadora avançada e defendeu a abertura de uma nova “década dourada” nas relações bilaterais, segundo o comunicado chinês.

Antes da viagem, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, adiantou à agência oficial QNA que a visita abordaria os principais desenvolvimentos regionais e os esforços diplomáticos para reduzir as tensões, além da necessidade de garantir a segurança e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

A visita coincide com os esforços diplomáticos de Doha para reduzir as tensões entre os Estados Unidos e o Irão e manter aberto o estreito, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial.

O Irão afirmou na segunda-feira que as conversações com Omã sobre um mecanismo temporário destinado a permitir a passagem segura pelo estreito se encontravam na fase final, enquanto Teerão confirmou que uma delegação do Qatar tinha visitado o país no domingo, no âmbito dos esforços de desanuviamento.

A crise afecta particularmente o Qatar, que afirmou na segunda-feira que a guerra provocou uma queda de 90 por cento no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos países do Golfo e de 77 por cento no fornecimento de petróleo.

O Estreito de Ormuz é também crucial para Pequim, uma vez que cerca de 45 por cento do petróleo e do gás importados pela China atravessavam esta rota marítima em tempos de paz.

9 Set 2026

China | Exportações crescem 25% em Agosto

As exportações chinesas cresceram 25 por cento em agosto, em termos homólogos, impulsionadas pela procura de produtos tecnológicos e pelas encomendas antes do Natal, apesar das persistentes tensões comerciais e de perturbações causadas por tufões.

Segundo dados divulgados ontem pelas alfândegas chinesas, as exportações atingiram 401,44 mil milhões de dólares, superando a previsão média de crescimento de 21,93 por cento dos economistas consultados pela plataforma de informação financeira Wind.

As importações aumentaram 28,2 por cento, em termos homólogos, para 282,36 mil milhões de dólares, também ligeiramente acima dos 28,07 por cento antecipados pelos analistas. O excedente comercial da segunda maior economia mundial atingiu assim 119,09 mil milhões de dólares em Agosto, contra 112,5 mil milhões de dólares no mês anterior.

O sector exportador chinês tem mantido um forte desempenho este ano, beneficiando da expansão mundial da Inteligência Artificial (IA) e do aumento das preocupações com a segurança energética associado aos conflitos regionais, incluindo a guerra no Irão, que impulsionaram as vendas externas de produtos como baterias e semicondutores.

9 Set 2026

Venezuela garante respeitar acordos petrolíferos assinados com China e Rússia

A Venezuela garantiu respeitar os acordos petrolíferos assinados com a China e a Rússia, num contexto marcado pela agitação gerada pelo acordo com Washington para explorar um quinto das reservas de petróleo bruto do país.

“Temos acordos com a China e a Rússia e trata-se de empresas mistas com autorização para exercer atividades primárias em vigor. Respeitamos muito esses acordos”, esclareceu a ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, numa entrevista ao canal privado venezuelano Venevisión, no domingo.

Henao, que foi questionada sobre se a China e a Rússia ficariam de fora do negócio petrolífero venezuelano na sequência do acordo entre Caracas e Washington, garantiu também que as empresas mistas nas quais esses dois países têm participação “continuarão a exercer as suas actividades”.

A Casa Branca afirmou recentemente que a maioria dos jazigos petrolíferos abrangidos pelo acordo bilateral “eram anteriormente controlados ou operados por empresas russas e chinesas, ou por comparsas corruptos de [Nicolás] Maduro e [Hugo] Chávez”.

Hugo Chávez, Presidente da Venezuela desde 2022 até morrer, em 2013, foi sucedido por Nicolás Maduro, que em Janeiro passado foi capturado em Caracas por forças militares norte-americanas.

Washington afirmou que “estes actores estrangeiros mal-intencionados saquearam os recursos da Venezuela em benefício de adversários dos Estados Unidos, como Cuba, a Rússia e a China, e não investiram na infraestrutura nem no desenvolvimento” da nação sul-americana.

Direitos salvaguardados

Na terça-feira, a China exigiu que os seus interesses na Venezuela fossem salvaguardados, depois de alguns meios de comunicação terem noticiado que o novo acordo petrolífero entre Caracas e Washington poderia afectar campos onde operavam empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC.

“Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, afirmou, numa conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

O porta-voz salientou que a cooperação entre a China e a Venezuela “está protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países”.

A China mantém, há anos, interesses importantes no sector petrolífero venezuelano, onde empresas estatais têm participado em projectos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação económica desenvolvida entre Pequim e Caracas durante os governos chavistas.

8 Set 2026

Estreito de Ormuz | Teerão alerta Seul contra participação em operações dos EUA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão alertou ontem a Coreia do Sul contra qualquer mobilização militar ou participação em operações dos EUA no estreito de Ormuz, avisando que tal acção terá “graves consequências”.

Na sexta-feira, Seul indicou que estava a considerar contribuir para garantir a segurança da navegação no estratégico estreito de Ormuz, que está interrompida desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, no final de Fevereiro.

A Coreia do Sul esclareceu, no entanto, que nenhuma decisão tinha sido tomada e que qualquer participação estaria condicionada à manutenção das suas próprias capacidades de defesa.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, instou Seul a não ceder à “pressão e intimidação norte-americanas”, referindo que “qualquer mobilização militar ou participação de outros países em operações no golfo Pérsico ou no estreito de Ormuz pode ser considerada um apoio direto à parte responsável por esta agressão e terá consequências graves”.

Teerão e Washington continuam a trocar tiros no estreito de Ormuz e arredores, apesar do cessar-fogo estabelecido em Abril, que suspendeu a primeira fase de intensos bombardeamentos.

As negociações diplomáticas continuam paralisadas, enquanto os dois lados disputam o controlo deste ponto de estrangulamento marítimo por onde costumava passar cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural.

Desde o início da guerra, o tráfego ali está praticamente paralisado, perturbando os mercados globais de energia e fazendo disparar os preços dos combustíveis.

Teerão afirma que não haverá regresso ao regime de livre navegação que prevalecia antes da guerra e exige que os navios obtenham autorização para transitar pelo estreito, uma medida firmemente rejeitada por Washington e por vários países da região.

8 Set 2026

Japão | Mobilizados caças pelo quarto dia consecutivo

Tóquio mobilizou aviões de combate após serem avistadas aeronaves chinesas e russas nas zonas fronteiriças

O Japão mobilizou no domingo caças de combate pelo quarto dia consecutivo após detectar um avião militar chinês de recolha de informações, anunciaram as autoridades japonesas, num momento de tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim.

O aparelho, um Shaanxi Y-9, sobrevoou o mar da China Oriental até um ponto a sul das ilhas Danjo, um arquipélago desabitado da prefeitura de Nagasaki, antes de se deslocar para sudoeste, em frente à costa de Okinawa, e regressar à China.

Em incidentes semelhantes registados na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado, os Y-9 chineses realizaram voos parecidos e, em todos os casos, a Força Aérea de Autodefesa japonesa mobilizou aviões de combate.

No sábado, as autoridades japonesas identificaram também uma aeronave russa de recolha de informações que sobrevoou o Pacífico em direcção à costa de Miyagi, no nordeste do arquipélago, antes de se dirigir para o mar do Japão através do mar de Okhotsk. As forças japonesas também mobilizaram aviões de combate em resposta ao incidente com a aeronave russa.

Os incidentes com aviões chineses nas zonas fronteiriças são relativamente frequentes no arquipélago japonês, mas ocorrem num momento de renovadas tensões com a China devido a Taiwan. O Y-9 é originalmente um avião de transporte da força aérea chinesa, mas tem diferentes versões, incluindo a de recolha de informações ou a de guerra electrónica.

Tensões e disputas

As relações de Tóquio com Moscovo também atravessam momentos de tensão devido ao alinhamento do Japão com o Ocidente no apoio à Ucrânia, que combate uma invasão russa desde fevereiro de 2022.

As tensões russo-japonesas agravaram-se no início de agosto após uma visita do Presidente russo, Vladimir Putin, às disputadas ilhas Curilas, que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, classificou de “absolutamente inaceitável”.

Putin foi pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai).

As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros. Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo.

Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco. Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas.

Os territórios em disputa situam-se no Oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.

8 Set 2026

Ásia Central | Concluído primeiro túnel de ferrovia que contorna Rússia

O projecto completo deverá estar terminado em 2031, mas há quem aponte para a conclusão já em 2028

A China anunciou ontem a conclusão da perfuração do primeiro túnel da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, projecto estratégico que deverá criar a rota terrestre mais curta entre o país asiático, o Médio Oriente e a Europa.

O túnel, com 210 metros de extensão, é o primeiro a ser perfurado no troço quirguiz desde o início das obras em grande escala, em Junho de 2025, informou a televisão estatal chinesa CCTV. As obras no segmento localizado no Quirguistão estão agora 17 por cento concluídas, segundo a mesma fonte.

Com mais de 500 quilómetros de extensão, a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão (CKU, na sigla em inglês) parte de Kashgar, na região chinesa de Xinjiang, atravessa as montanhas do Quirguistão e termina em Andijan, no Uzbequistão. Cerca de 305 quilómetros da linha atravessam território quirguiz.

Quando estiver concluída, a ferrovia deverá constituir a rota terrestre mais curta entre a China, o Médio Oriente e a Europa e reduzir em até oito dias o tempo de transporte face aos actuais serviços ferroviários de mercadorias China-Europa.

As três principais rotas ferroviárias que actualmente ligam a China à Europa atravessam a Rússia ou o Cazaquistão.

O projecto permitirá assim a Pequim diversificar as ligações comerciais terrestres e dispor de um corredor que contorna território russo, ao mesmo tempo que cria uma nova saída para as exportações da parte sul de Xinjiang.

Para o Quirguistão e o Uzbequistão, dois países sem acesso ao mar, a linha deverá proporcionar uma ligação terrestre direta aos mercados chinês e da região Ásia-Pacífico.

Em construção

Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, estão actualmente em construção 27 túneis, 43 pontes e 88 troços de plataforma ferroviária, além de 20 estações.

O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou na semana passada uma visita de Estado ao Quirguistão, durante a qual Pequim e Bisqueque se comprometeram, numa declaração conjunta, a garantir o avanço sem entraves da construção da ferrovia.

O projecto, concebido em 1997 e integrado na iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota, esteve bloqueado durante décadas devido às dificuldades de engenharia associadas ao terreno montanhoso, divergências sobre a bitola da linha e questões geopolíticas.

O corredor permite contornar a Rússia, cuja influência tradicional na Ásia Central tem sido desafiada pela crescente presença económica chinesa na região. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e as consequentes sanções ocidentais contribuíram também para reforçar a dependência económica de Moscovo em relação a Pequim. Para ultrapassar as divergências técnicas, o projeto adoptou uma solução com duas bitolas diferentes.

Um troço de 167,5 quilómetros entre a fronteira chinesa e Makmal, no Quirguistão, utilizará a bitola padrão usada na China, enquanto os quase 140 quilómetros restantes em direção ao Uzbequistão manterão a bitola larga herdada do período soviético. Makmal acolherá um centro de transbordo para permitir a transferência das mercadorias entre comboios das duas bitolas.

“A importância desta solução é que a bitola padrão da China entra pela primeira vez no coração da Ásia Central”, afirmou à CCTV Li Lifan, director do Centro de Estudos da Organização de Cooperação de Xangai da Academia de Ciências Sociais de Xangai.

China, Quirguistão, Uzbequistão e Rússia integram a Organização de Cooperação de Xangai (SCO), que assinalou na semana passada o 25.º aniversário durante uma cimeira de líderes realizada em Bisqueque.

O engenheiro-chefe do projecto, Xi Jihong, estimou que a ferrovia estará pronta para entrar em funcionamento em Junho de 2031. O Uzbequistão pretende, no entanto, acelerar os trabalhos. O vice-ministro dos Transportes uzbeque, Jasurbek Choriev, afirmou em Junho que o objectivo é concluir a linha já em 2028.

8 Set 2026

Aplicados quase 46,5 mil milhões de euros em oito instituições financeiras

A China anunciou um pacote de injecções de capital de quase 54 mil milhões de dólares em oito dos principais bancos e seguradoras do país, numa iniciativa pouco habitual, que visa reforçar o setor financeiro.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, o plano ascende a 360 mil milhões de yuan e abrange oito instituições: os bancos ICBC – o maior do país –, ABC e Eximbank, e as seguradoras China Life, PICC, Sinosure, China Taiping e China Reinsurance.

Segundo analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), o Ministério das Finanças chinês, que lidera a operação, raramente realiza injecções de capital desta dimensão em instituições financeiras, enquadrando a medida na ambição de Pequim de transformar o país numa “superpotência financeira”.

No entanto, a agência de notação financeira S&P estimou anteriormente que os quatro maiores bancos chineses – ICBC, CCB, ABC e Bank of China – precisariam de mais de 551 mil milhões de dólares em capital adicional para cumprirem os requisitos internacionais destinados a garantir que conseguem suportar perdas em caso de crise, sem recorrer a resgates públicos.

“As últimas reuniões de alto nível [das autoridades chinesas] avançaram com uma política orçamental mais proactiva para contrariar as pressões sobre o crescimento, e a injecção de capital nas instituições financeiras faz parte desse conjunto de instrumentos”, explicou Shen Meng, da empresa de investimento Chanson & Co., sediada em Pequim.

Maior estímulo

Na opinião do analista, o plano anunciado no domingo “não só reduz os riscos operacionais e regulatórios para estas instituições, como também estimula o investimento e o consumo através do efeito multiplicador do setor financeiro”.

Um especialista citado pelo jornal oficial Global Times defendeu igualmente esta perspectiva, considerando que “as empresas, especialmente as privadas, necessitam urgentemente de apoio sob a forma de crédito”, situação em que os bancos “desempenham um papel de liderança”.

Shen salientou que o Ministério das Finanças realizou injecções de capital apenas em algumas ocasiões e que, nesses casos, “o objectivo era sobretudo corrigir os balanços e reduzir os riscos”.

Os seis principais bancos estatais chineses registaram, no primeiro trimestre, o primeiro aumento simultâneo das receitas e dos lucros desde 2022, beneficiando da recuperação das margens financeiras líquidas.

8 Set 2026

PCC | Alerta contra “pseudo-história” que ameaça segurança cultural e ideológica

A principal publicação teórica oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) alertou ontem que teorias que reescrevem radicalmente a história mundial estão a prejudicar a imagem internacional da China e ameaçam a sua segurança cultural e ideológica.

Num artigo, a Qiushi, principal publicação teórica oficial do Comité Central do PCC, criticou a crescente difusão na Internet de teorias que questionam as origens da civilização ocidental ou atribuem à China alguns dos principais avanços científicos e tecnológicos da história.

“As alegações pseudo-históricas extremas que proliferam ‘online’ continuam a espalhar-se no estrangeiro e já prejudicaram o ‘poder do discurso académico’ e a imagem cultural do nosso país”, afirmou a publicação.

Nos últimos anos, ganharam visibilidade nas redes sociais chinesas teorias segundo as quais Aristóteles nunca existiu, a Grécia Antiga não poderia ter sustentado uma civilização avançada ou alguns dos principais progressos associados à Revolução Industrial tiveram origem na China.

A Qiushi classificou algumas destas teses como “narrativas rebuscadas e absurdas”, citando alegações de que o monte Emei, na província chinesa de Sichuan, “é os Alpes” ou de que a Enciclopédia Yongle “deu origem à civilização ocidental moderna”.

A semelhança fonética entre os nomes chineses do monte Emei e dos Alpes tem sido usada por alguns defensores destas teorias como suposta prova de que elementos da civilização ocidental tiveram origem na China.

Outra tese sustenta que a Enciclopédia Yongle, uma vasta obra compilada por ordem do imperador Yongle no século XV, continha conhecimentos posteriormente apropriados pelo Ocidente, incluindo princípios do cálculo matemático e da máquina a vapor.

As autoridades chinesas nunca apoiaram oficialmente estas teorias e, nos últimos meses, vários órgãos de comunicação social estatais intensificaram as críticas à sua crescente popularidade nas plataformas digitais.

A Qiushi alertou também para as consequências internas destas interpretações, considerando que algumas podem ameaçar a narrativa oficial sobre a unidade histórica e territorial do país. “Algumas narrativas pseudo-históricas apresentam tendências separatistas étnicas e podem fornecer uma base teórica para negar a unidade da nação chinesa”, afirmou.

Sentido de identidade

A publicação criticou, em particular, interpretações que avaliam a legitimidade das diferentes dinastias chinesas com base na origem étnica dos seus governantes.

A Qiushi criticou, em particular, correntes nacionalistas Han que consideram a dinastia Qing (1644-1911), fundada pelos manchus após a queda da dinastia Ming (1368-1644), um regime estrangeiro que conquistou e colonizou a China.

Esta interpretação contraria a narrativa oficial chinesa, segundo a qual o actual Estado é sucessor das diferentes dinastias que governaram o território e herdou a soberania sobre regiões como Xinjiang e o Tibete, assim como sobre Taiwan. “O resultado prático destas alegações é desconstruir a identidade nacional, enquanto o consenso histórico que sustenta a comunidade da nação chinesa corre o risco de ser fragmentado”, advertiu a Qiushi.

O Presidente chinês, Xi Jinping, tem colocado a construção de “um forte sentido de comunidade para a nação chinesa” no centro da política do PCC para as minorias étnicas e para a defesa da integridade territorial.

No ano passado, as autoridades chinesas bloquearam várias contas influentes nas redes sociais que promoviam teorias pseudo-históricas e posições associadas ao nacionalismo Han. Segundo a Qiushi, apesar da eliminação dessas contas, os conteúdos continuaram a circular de forma mais descentralizada.

A publicação alertou ainda para o papel da inteligência artificial (IA) generativa na produção em massa deste tipo de conteúdos, considerando que pode distorcer a percepção da história entre a população, sobretudo entre os mais jovens.

“Não se pode permitir que os algoritmos se tornem um megafone para estas narrativas”, defendeu a Qiushi.

8 Set 2026

Indonésia | Voos suspensos em seis aeroportos após erupção vulcânica

As autoridades indonésias suspenderam ontem a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes.

Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa. Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados.

O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções ontem, precisou a agência.

As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura logo a partir da 01:30.

Anel de risco

O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado actividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883.

Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos. A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa actividade vulcânica e sísmica.

7 Set 2026

Seul | Cinco anos de prisão para sul-coreano por espionagem a favor de Pyongyang

Um homem sul-coreano foi condenado em Seul a cinco anos de prisão por espionagem a favor da Coreia do Norte, noticiou sábado a agência de notícias da Coreia do Sul Yonhap.

O homem, de 43 anos, foi recrutado em 2021 por um agente norte-coreano para recolher informações sobre desertores críticos de Pyongyang e sobre vários oficiais do Exército sul-coreano, que deveria tentar recrutar.

O Tribunal do Distrito Central de Seul salientou no acórdão que as informações relativas aos desertores norte-coreanos devem ser protegidas para evitar que estes ou as famílias sejam prejudicados.

Ainda de acordo com a Yonhap, o condenado recebeu cerca de 660 milhões de wons (423 mil euros) em criptomoedas para financiar as actividades. O homem contratou uma agência de detectives privados para investigar um dos oficiais e conseguiu obter dados como a morada ou a unidade do Exército à qual pertencia.

Também contactou o líder de um grupo de desertores norte-coreanos, oferecendo-se para financiar actividades, e conseguiu imagens do grupo a distribuir panfletos críticos em relação a Pyongyang. O homem já tinha sido condenado em Dezembro do ano passado pelo Supremo Tribunal por outro incidente relacionado com a Coreia do Norte.

7 Set 2026

Ucrânia | Papa pede fim da violência

O Papa Leão XIV manifestou ontem a sua preocupação pelos recentes ataques em várias cidades da Ucrânia, pedindo uma oportunidade ao diálogo entre as partes envolvidas no conflito.

“De coração apertado acompanhei as notícias dos violentos ataques que afetaram recentemente várias cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, provocando a morte de pessoas inocentes”, disse o Papa após a oração dominical do Angelus, na Praça de São Pedro.

Leão XIV fez um novo apelo para “acabar com a violência”, “travar a destruição” e abrir os corações “ao diálogo e à paz”. O Papa manifestou ainda a esperança de que os esforços empreendidos nos últimos dias para o retomar das negociações de paz produzam “frutos concretos”.

“Espero que os esforços empreendidos nestes dias para o retomar das negociações abram espaço à diplomacia”, concluiu.

Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, estiveram em Moscovo no sábado, reunidos com o Presidente russo, Vladimir Putin, e chegaram ontem a Kiev, numa tentativa de reduzir a tensão e a escalada da guerra.

As palavras do Papa surgem quando ocorre uma nova escalada da guerra, marcada pela intensificação dos ataques russos contra zonas urbanas e infraestruturas e por um elevado número de vítimas civis. A Ucrânia também tem aumentado os seus ataques ao território russo.

7 Set 2026

Díli | Francisco “Maukura” anuncia intenção de concorrer às presidenciais

O veterano da resistência timorense Francisco Dionísio F. “Maukura” manifestou sábado intenção de concorrer às eleições presidenciais, no próximo ano, para promover o desenvolvimento do país e o respeito pela Constituição.

Timor-Leste realizará eleições presidenciais em 2027 e o novo Presidente da República tomará posse em 20 de Maio desse ano, data em que o país celebra 25 anos da restauração da independência.

“Com esta candidatura, quero devolver ao Presidente da República o seu verdadeiro papel. O seu dever é ser totalmente leal à pátria e ao povo, sujeitando-se à Constituição da República Democrática de Timor-Leste”, afirmou Francisco Dionísio F. “Maukura” ao anunciar, em Díli, a pré-candidatura à Presidência da República para o período 2027-2032.

Francisco Dionísio explicou que o Presidente deve ser o guardião da Constituição e um elemento unificador capaz de representar todos os timorenses, apoiando qualquer Governo no cumprimento das suas funções.

O candidato, de 53 anos, destacou que Timor-Leste precisa de avançar com base na tecnocracia, meritocracia e transparência na gestão orçamental.

“Ser Presidente significa também promover o desenvolvimento económico do país. Timor-Leste já aderiu a várias organizações internacionais e não pode permitir que apenas uma ou duas pessoas usufruam dos benefícios do desenvolvimento”, afirmou Francisco “Maukura”.

Por fim, salientou que a disputa nas eleições presidenciais é um exercício democrático, no qual se devem confrontar visões, ideias, experiências, capacidades de organização e de mobilização, ajudando a população a compreender os objectivos comuns da nação.

Francisco Dionísio F. “Maukura” junta-se ao embaixador Joaquim da Fonseca e a Rui Araújo, ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, que também já anunciaram a intenção de se candidatarem às eleições presidenciais do próximo ano.

7 Set 2026