EUA e Trump vistos de forma mais negativa do que China e Xi em 25 países – estudo

Um novo estudo do Pew Research Center indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos Estados Unidos do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos.

A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 22 dos 36 territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respectivas populações em ambos os chefes de estado ser reduzida.

Nos cerca de 20 anos em que o Pew monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos, afirmou Laura Silver, uma das investigadoras envolvidas no estudo realizado entre Fevereiro e Maio pela instituição sediada em Washington.

As perspectivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou.

A directora da unidade de investigação em Atitudes Globais do Pew referiu ainda que a imagem global norte-americana se tem deteriorado na sequência da guerra movida, em conjunto com Israel, contra o Irão, em 28 de Fevereiro.

“Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os Estados Unidos não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou.

Achas na fogueira

As exigências de Trump quanto ao eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 03 de Janeiro, e a forma como o chefe de estado norte-americano tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos norte-americanos em vários países, detalhou.

A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia de covid-19 se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais confiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”, esclareceu.

O Canadá é um dos países em que a opinião pública face aos Estados Unidos mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho desceu de 57 por cento, em 2023, para 33 por cento, em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51.º estado norte-americano”.

Já a opinião favorável relativamente à China subiu de 14 por cento para 44 por cento em solo canadiano, no mesmo período.

A França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Suécia e os Países Baixos também mudaram de opinião em relação às duas maiores economias do mundo, enquanto os habitantes do Reino Unido têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60 por cento dos britânicos tinham uma opinião favorável dos Estados Unidos e 28 por cento atribuía um olhar positivo à China.

Da meia dúzia

Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos Estados Unidos, Israel destaca-se, com 80 por cento dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19 por cento com opinião semelhante da China.

Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos Estados Unidos do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído.

Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença entre os dois países esteja a diminuir, esclarece o relatório.

Para elaborar o estudo, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre os 2,3 e os 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.

19 Jul 2026

Taiwan | Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês

As autoridades de Taiwan afirmaram na terça-feira que vão investigar qualquer suspeita de “repressão transnacional”, após notícias avançarem que a agressão contra um comentador político japonês poderá ter envolvido membros de uma tríade de Hong Kong.

As declarações surgem depois de a revista taiwanesa Mirror Media ter noticiado que o ataque teria sido orquestrado por elementos da organização criminosa Wo Shing Wo, sediada em Hong Kong.

Segundo a agência central taiwanesa CNA, a porta-voz das autoridades de Taiwan, Karen Kuo, disse que o caso continua sob investigação por procuradores e polícia.

“O Governo leva muito a sério qualquer repressão transnacional levada a cabo por grupos autoritários contra vozes dissidentes em todo o mundo”, afirmou Kuo na terça-feira, acrescentando que as autoridades apoiam uma investigação completa e trabalham com países afins para combater crimes transfronteiriços.

Yaita, o director executivo do Indo-Pacific Strategy Thinktank em Taipé, foi agredido no rosto por um homem de Hong Kong após uma palestra num hotel na cidade taiwanesa de Taichung, a 07 de Julho.

A polícia deteve o suspeito, de apelido Liu, nesse mesmo dia no aeroporto internacional de Taichung, quando tentava deixar Taiwan.

16 Jul 2026

Inclusão de yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa maturidade das relações

O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou terça-feira a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países.

Luís Cupenala reagia, em declarações à Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para inclusão do Renmimbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países.

Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores.

“Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.

Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transacção o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand (moeda sul-africana).

“Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.

O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático.

“Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.

 

Ganhos gerais

Além da classe empresarial, a inclusão do Yuan nas reservas obrigatórias vai beneficiar pessoas individuais, como estudantes e mulheres de negócios.

“A liberalização desta nova etapa nas trocas comerciais abre um novo capítulo para facilitar também pessoas individuais além das empresas, com certeza”, referiu.

Em 2025, as trocas comerciais entre Angola e a China superaram os 20 mil milhões de dólares, representando uma desaceleração de 16 por cento devido a choques externos do mercado global, observou Luís Cupenala, convencido que 2026 será “muito melhor” que o ano passado.

O BNA passou a permitir, na semana passada, que as instituições financeiras bancárias constituam reservas obrigatórias nas quatros moedas através da Directiva que estabelece os procedimentos para a constituição e desmobilização das reservas obrigatórias em moeda estrangeira

As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central, constituindo um dos instrumentos utilizados pelo BNA para gerir a liquidez do sistema financeiro e apoiar a execução da política monetária.

16 Jul 2026

Detidos 28 cidadãos estrangeiros em Díli suspeitos de actividade ilegal ‘online’

A Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) de Timor-Leste deteve ontem, em Díli, 28 estrangeiros, a maioria dos quais chineses, por suspeita de actividade ilegal de jogo ‘online’ e burla informática.

“A operação, realizada em conjunto com o Serviço Nacional de Inteligência Estratégica começou às 02h00 e permitiu identificar e deter os 28 suspeitos, indiciados por desenvolverem actividades num centro de burla informática e jogo ‘online’ na referida área da cidade de Díli”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa.

No comunicado, a PCIC explica que os cidadãos chineses suspeitos de praticarem jogo ilícito em Timor-Leste já têm um “historial de envolvimento em actividades semelhantes no Myanmar, Camboja e Laos”.

“A operação da madrugada de hoje (ontem) insere-se no âmbito da investigação e dos esforços contínuos da PCIC no combate a redes de crime organizado transnacional suspeita de desenvolver atividades de burla informática e jogo ilegal ‘online’ em território nacional”, acrescenta-se no comunicado.

As autoridades policiais de Timor-Leste detiveram nas últimas semanas mais de 300 pessoas, na sua maioria cidadãos da China, do Camboja e da Indonésia, por suspeitas de envolvimento em actividades ilegais ‘online’, sobretudo relacionadas com jogo ilegal e fraude.

 

Más influências

Em Setembro do ano passado, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou para o aumento da presença de redes criminosas em Oecusse, o enclave timorense situado em território indonésio, na ilha de Timor. Segundo o UNODC, investigações recentes demonstram que a região começou a ser influenciada por actividades criminosas organizadas.

Na sequência desse alerta público, o Governo de Timor-Leste decidiu cancelar todas as licenças anteriormente concedidas para operações de jogos e apostas ‘online’, bem como suspender a atribuição de novas licenças, devido aos riscos para a segurança e a estabilidade social.

Segundo o UNODC, quando redes criminosas digitais se instalam numa determinada região, “essa região torna-se frequentemente um centro de fraude cibernética, bem como de tráfico de droga e de seres humanos”.

 

16 Jul 2026

ONU | Conselho de Segurança prolonga exigência de relatórios sobre ataques Huthis

O Conselho de Segurança da ONU renovou terça-feira, por mais seis meses, a resolução que exige relatórios mensais do secretário-geral sobre os ataques dos rebeldes Huthis no mar Vermelho.

A resolução, redigida pelos Estados Unidos e pela Grécia, foi aprovada com 13 votos favoráveis dos 15 Estados-membros do Conselho, com a abstenção da China e da Rússia. A representação russa argumentou que os rebeldes xiitas do Iémen não realizaram nenhum ataque a embarcações no mar Vermelho nos últimos meses.

A Organização Marítima Internacional (OMI) indicou, num comunicado de 06 de julho, que os riscos de segurança no mar Vermelho e no golfo de Aden têm aumentado, com “24 tentativas e incidentes consumados de pirataria e roubo armado contra navios na região” ao longo dos últimos três meses.

Além disso, em 05 de Julho, a organização de segurança marítima britânica United Kingdom Maritime Trade Operations relatou um ataque a um navio cargueiro por “agressores armados desconhecidos” ocorrido a 30 milhas náuticas [cerca de 55 quilómetros] da costa de Hodeidah, controlada pelos Huthis. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

Depois da votação, o embaixador norte-americano junto da ONU considerou cristalino que os Huthis “são acólitos de Teerão” e “estudaram o manual da Guarda Revolucionária Islâmica”.

“Quando o Irão rapta civis, os Huthis também o fazem. Quando o Irão se esconde atrás de escudos humanos, os Huthis também o fazem. Quando o Irão ataca as infraestruturas civis do outro lado do golfo, os Huthis fazem o mesmo. Quando o Irão grita ‘Morte a Israel’ e ‘Morte à América’, os Huthis repetem palavra por palavra”, defendeu Mike Waltz.

“Então, se o Irão está disposto a ameaçar o estreito de Ormuz, quanto tempo levará até que os Huthis decidam mais uma vez espelhar os seus mentores, os seus ídolos em Teerão, e tentar fechar o mar Vermelho?”, questionou.

Waltz recordou ainda que foi aprovada uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs um embargo de armas, proibindo o fornecimento, a venda ou a transferência de armamento e componentes para os Huthis, incluindo tecnologia e artigos de dupla utilização que alimentam os programas de mísseis, drones e vigilância dos rebeldes.

Troca de acusações

O diplomata norte-americano acusou então empresas e entidades na China de violarem essa resolução e de sofrerem “poucas consequências”, o que gerou indignação do lado de Pequim e um novo momento de tensão no Conselho de Segurança.

Os representantes norte-americano e chinês entraram numa troca de palavras, acusando-se mutuamente de responsabilidade pela crise no Médio Oriente.

“As acusações feitas pelo representante dos EUA contra a China são completamente infundadas. A China opõe-se firmemente e rejeita categoricamente estes ataques. A China cumpre e implementa rigorosamente as resoluções do Conselho e mantém uma postura cautelosa e responsável em relação à exportação de artigos militares e de dupla utilização”, garantiu o representante de Pequim.

Contudo, Mike Waltz alegou que estava apenas a citar dados do Mecanismo de Verificação e Inspeção da ONU, nos quais é indicado que mais de 70 por cento dos artigos de dupla utilização proibidos ou restritos apreendidos entre Janeiro de 2025 e Abril de 2026 tiveram origem na China.

O diplomata chinês pediu a palavra novamente para afirmar que a “conclusão aparente é que os EUA têm uma responsabilidade incontestável sobre a situação actual no Iémen e no mar Vermelho”.

“São os EUA que estão a obstruir os esforços deste Conselho para pôr fim às hostilidades e que permitem o prolongamento da crise em Gaza e a expansão das tensões (…). E no meio das negociações entre os EUA e o Irão, os EUA lançaram grandes ataques contra o Irão, mergulhando mais uma vez a situação da região num precipício perigoso”, acrescentou Pequim.

A votação ocorreu num momento em que o reinício das hostilidades entre Irão e EUA levanta novamente questões sobre a possibilidade de os Huthis retornarem ao conflito.

O Irão negou repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo xiita iemenita.

16 Jul 2026

Banguecoque | Maioria das vítimas de incêndio em bar presa em WC

A maioria das 27 vítimas mortais do incêndio que deflagrou num bar com música ao vivo em Banguecoque foi encontrada encurralada em casas de banho sem janelas, onde terão procurado escapar às chamas, anunciaram as autoridades.

O fogo no bar Rong Beer Na Ladprao – o mais mortífero na cidade em 17 anos – deflagrou na noite de domingo, na zona norte da capital tailandesa, com os bombeiros a demorarem meia hora a controlá-lo.

Segundo responsáveis municipais, 25 pessoas permanecem hospitalizadas em estado crítico. O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, afirmou que a maioria das mortes resultou da inalação de fumo.

Na segunda-feira, o local estava isolado com dezenas de peritos forenses que procuravam pistas sobre a origem do incêndio.

As janelas viradas para a rua estavam destruídas e os passeios cobertos de destroços, incluindo televisores, colunas e uma guitarra elétrica carbonizados.

Jornalistas da Associated Press observaram garrafas de cerveja intactas sobre mesas queimadas através dos vidros partidos.

O bar, que se apresenta como cervejaria, dizia poder receber até 600 clientes. Não se sabe quantas pessoas estavam presentes na noite de domingo.

O centro de emergência Erawan indicou que 73 pessoas ficaram feridas, com pelo menos 27 mortos confirmados.

O chefe da Polícia da Tailândia, Kittharath Punpetch, disse que a maioria dos mortos foi encontrada em casas de banho sem janelas, junto a uma saída traseira, onde terão procurado refúgio.

Essa saída não foi utilizada, e estaria possivelmente bloqueada por uma mesa de venda de doces, com outra saída, perto da cozinha, talvez bloqueada por prateleiras e cacifos. Havia sinais de que algumas portas de emergência poderiam estar trancadas.

 

Investigação em curso

Os investigadores concentraram-se no tecto acima do palco, onde foram encontrados materiais decorativos. A polícia vai analisar se foram usados elementos inflamáveis e como estavam instalados os cabos eléctricos.

O primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, disse que um músico relatou ter visto fumo sair de um disjuntor antes de a energia falhar, seguido de uma explosão e da rápida propagação de fumo espesso.

Vídeos nas redes sociais mostram pessoas a fugir enquanto as chamas saíam do edifício de um andar e o fumo negro subia ao céu.

Em comunicado publicado na rede social Facebook, o bar fez um pedido de desculpas e apresentou condolências, garantindo estar a cooperar com as autoridades. O proprietário ficou gravemente ferido e está nos cuidados intensivos.

Familiares reuniram-se no Instituto de Medicina Forense de Banguecoque para identificar os corpos, com Keo Oudone Poungpany, de 24 anos, a reconhecer o irmão mais novo, ambos trabalhadores migrantes do Laos empregados no bar.

Poungpany disse que estava numa casa de banho exterior quando o fogo começou e descreveu o caos ao regressar: “O calor era insuportável, não consegui voltar a entrar. Agora só quero levar o corpo do meu irmão para casa, para os meus pais”.

Em 2022, um incêndio num bar de música no leste da Tailândia matou 14 pessoas.

Mais de uma década antes, em 2009, 67 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas num fogo durante a celebração de Ano Novo no clube Santika, em Banguecoque, aparentemente provocado por fogo de artifício no interior.

15 Jul 2026

Físico quântico chinês recebe maior distinção da ONU para as ciências básicas

O físico quântico chinês Pan Jianwei tornou-se o primeiro cientista chinês a receber o Prémio Internacional Mendeleev para as Ciências Básicas, a mais alta distinção das Nações Unidas nesta área, anunciou a UNESCO.

Pan foi distinguido pela terceira edição do Prémio Internacional UNESCO – Rússia Mendeleev para as Ciências Básicas, atribuído anualmente a dois cientistas cujas descobertas e inovações tenham contribuído para avanços transformadores na ciência fundamental.

Segundo um comunicado divulgado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o investigador foi reconhecido pelas suas “contribuições pioneiras para as comunicações quânticas seguras em grande escala e para a computação quântica escalável”.

Professor de Física na Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), Pan partilha o prémio deste ano com o químico Sergei Sheiko, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, distinguido pelos seus trabalhos na área da física dos polímeros.

A UNESCO destacou que a equipa liderada por Pan desenvolveu o satélite quântico Micius, lançado em 2016, que tornou possível a distribuição de chaves quânticas e a teleportação quântica ao longo de milhares de quilómetros.

A organização acrescentou que os trabalhos do cientista chinês permitiram demonstrar a chamada “vantagem quântica” na computação, aproximando a criação de uma rede global de comunicações quânticas.

Pan lidera igualmente a equipa responsável pelo Jiuzhang 4.0, o mais recente computador quântico fotónico desenvolvido na China.

 

Redes do amanhã

Em Maio, os investigadores anunciaram que o sistema fez um cálculo em 25 microssegundos que o El Capitan – actualmente o supercomputador mais potente do mundo – demoraria 10⁴² anos a completar.

No ano passado, a tecnologia de comunicação quântica desenvolvida pela equipa foi utilizada para estabelecer uma ligação segura de distribuição de chaves quânticas entre a China e a África do Sul, considerada um passo importante para futuras comunicações intercontinentais altamente seguras.

Pan revelou também que a equipa está a desenvolver o primeiro satélite de comunicações quânticas em órbita alta, cujo lançamento está previsto para o próximo ano e que deverá permitir a criação de redes quânticas globais mais eficientes.

Em comunicado, a USTC afirmou que a distinção “evidencia a posição de liderança internacional da China nos domínios de ponta da comunicação e da computação quânticas” e sublinhou que Pan é o primeiro cientista chinês a receber este prémio.

A Delegação Permanente da Federação Russa junto da UNESCO considerou que o trabalho de Pan constitui “um exemplo brilhante da ligação entre investigação científica fundamental e inovação tecnológica em grande escala”.

Além desta distinção, Pan foi também anunciado este mês como vencedor do Prémio de Electrónica Quântica da IEEE Photonics Society, atribuído pelo Instituto de Engenheiros Electrotécnicos e Electrónicos (IEEE), a maior organização técnica profissional do mundo.

A IEEE distinguiu o cientista pelo seu “trabalho pioneiro em fontes de fotões únicos e computação quântica óptica”.

15 Jul 2026

Economia | Exportados mais de um milhão de automóveis em Junho

A China exportou pela primeira vez mais de um milhão de automóveis num único mês, em Junho, consolidando a liderança mundial no sector e aumentando a pressão comercial sobre parceiros comerciais como a União Europeia.

Segundo dados divulgados ontem pela Administração-Geral das Alfândegas da China, o país exportou 1,06 milhões de automóveis em Junho, mais 71,2 por cento do que no mesmo mês do ano passado.

Ao ritmo actual, a China deverá ultrapassar os 10 milhões de veículos exportados este ano, acima dos 7,1 milhões registados em 2025 e mais do dobro dos 4,9 milhões de 2023.

O desempenho das exportações automóveis contribuiu para um aumento global de 27 por cento das exportações chinesas em Junho, acima dos 19,4 por cento observados em Maio, enquanto as importações cresceram 36 por cento.

O excedente comercial da China atingiu 576 mil milhões de dólares no primeiro semestre, embora tenha recuado 4,7 por cento face ao mesmo período do ano passado.

O vice-director do Gabinete Nacional de Estatísticas, Wang Jun, atribuiu o crescimento das exportações de veículos eléctricos à transição mundial para uma economia de baixo carbono, afirmando que esta está a impulsionar a procura pelos “produtos verdes” chineses.

Além dos automóveis eléctricos, as exportações de baterias de lítio e de turbinas eólicas cresceram, respectivamente, 37,6 por cento e 35,6 por cento no primeiro semestre.

Em sentido contrário, as exportações de terras raras diminuíram 34 por cento em Junho, face ao mesmo mês do ano passado, e 6,4 por cento no conjunto do semestre, depois de Pequim ter reforçado os controlos à exportação destes minerais estratégicos, essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia.

As importações foram impulsionadas sobretudo pela procura de semicondutores. A China importou 53,7 mil milhões de circuitos integrados em Junho, mais 6,8 por cento do que um ano antes, elevando o crescimento acumulado no semestre para 8,1 por cento.

 

Mudança de direcção

A aceleração das exportações automóveis ocorre num contexto de abrandamento das vendas no mercado interno, após o fim parcial dos incentivos à compra de veículos eléctricos e à quebra da procura por automóveis com motor de combustão.

A redução da procura doméstica levou fabricantes chineses e estrangeiros instalados no país a direccionarem uma parte crescente da produção para os mercados externos, uma estratégia que motivou a imposição de tarifas adicionais por parte da União Europeia sobre veículos eléctricos fabricados na China.

As autoridades chinesas rejeitam as acusações de que o sector beneficia de subsídios desleais, defendendo que a competitividade da indústria resulta da inovação tecnológica e das economias de escala.

 

No topo da lista

Entre os principais fabricantes, a fabricante BYD vendeu 175 mil veículos no estrangeiro em Junho, mais 95 por cento do que no mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas internacionais representaram um recorde de 43 por cento da produção da empresa.

A Geely exportou pela primeira vez mais de 100 mil veículos num único mês, ao vender 102.874 unidades no exterior, um aumento homólogo de 157 por cento.

Já a Chery, exportou 191.062 automóveis em Junho, mais 80 por cento do que há um ano, estabelecendo pelo quarto mês consecutivo um novo máximo mensal entre os fabricantes chineses.

15 Jul 2026

Mar do Sul da China | Catorze países reafirmam validade de decisão arbitral

Dez anos depois da decisão do Tribunal Arbitral que deu razão às Filipinas, a luta pela soberania de diversas áreas no Mar do Sul da China continua acesa

Catorze países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Filipinas, reiteraram no domingo que as reivindicações marítimas de Pequim no mar do Sul da China não têm base legal, invocando uma decisão arbitral internacional de 2016.

Numa declaração conjunta divulgada por ocasião do décimo aniversário da decisão, os signatários rejeitaram acções “desestabilizadoras” ou unilaterais, incluindo o recurso à força ou à coerção, que ameacem a paz e a estabilidade na região.

Além dos Estados Unidos, Reino Unido, Filipinas e Japão, subscreveram o documento Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Alemanha, Itália, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia e Eslovénia.

“Reafirmamos a decisão do Tribunal Arbitral de que não existe qualquer base jurídica para as reivindicações marítimas expansivas da China no mar do Sul da China, incluindo as baseadas em ‘direitos históricos’”, lê-se na declaração.

Os 14 países consideraram que a decisão emitida há dez anos constitui “um marco significativo” e é “definitiva, juridicamente vinculativa e conclusiva” para a China e as Filipinas.

A União Europeia (UE) divulgou uma declaração separada, na qual classificou o acórdão como uma “decisão histórica na resolução pacífica de litígios” e reiterou que as disputas marítimas devem ser resolvidas através do diálogo e em conformidade com o direito internacional.

O bloco comunitário recordou que a decisão foi emitida por um tribunal arbitral constituído ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e vincula as partes envolvidas no processo.

Filipinas congratulam-se

A decisão, emitida em 12 de Julho de 2016, deu razão às Filipinas em vários dos argumentos apresentados contra a China e concluiu que não existia base jurídica para Pequim reivindicar direitos históricos sobre recursos situados além das zonas marítimas previstas pela convenção.

O processo foi iniciado pelas Filipinas em 2013, na sequência de um confronto ocorrido no ano anterior em torno do atol de Scarborough, que terminou com a China a assumir o controlo efectivo daquela formação marítima.

Pequim recusou participar no processo e rejeitou a decisão, mantendo desde então que o tribunal não tinha jurisdição sobre o caso.

Na declaração conjunta, os países manifestaram ainda “forte oposição” à utilização de guardas costeiras, forças militares e milícias marítimas para “assediar, obstruir ou intimidar” operações legítimas de outros Estados no mar ou no espaço aéreo.

Estas acções colocam em risco a segurança de militares e pescadores e prejudicam gravemente a paz e a segurança regionais, acrescentaram.

Os signatários defenderam igualmente a preservação da liberdade de navegação e de sobrevoo, assim como de outras utilizações legítimas do mar previstas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

China condena

A China rejeitou as declarações, reiterando que a decisão arbitral é “ilegal, nula e sem força vinculativa” e que Pequim “não a aceita nem reconhece”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que o tribunal e a respectiva decisão “contrariam gravemente a prática geral da arbitragem internacional” e violam os direitos legítimos da China enquanto Estado soberano e parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

“A China opõe-se e nunca aceitará qualquer reivindicação ou ação baseada nessa decisão”, indicou a diplomacia chinesa, acrescentando que Pequim não aceita “qualquer meio de resolução de litígios por terceiros” nem soluções que lhe sejam impostas.

A China reivindica soberania sobre quase todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa uma parte significativa do comércio marítimo mundial e que possui importantes zonas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos.

As reivindicações chinesas sobrepõem-se às das Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan.

Nos últimos anos, as águas disputadas têm sido palco de confrontos cada vez mais frequentes, sobretudo entre embarcações chinesas e filipinas, envolvendo canhões de água, bloqueios e manobras consideradas perigosas.

Os Estados Unidos têm instado repetidamente Pequim a cumprir a decisão arbitral e advertido que o tratado de defesa mútua com as Filipinas poderá ser acionado caso forças, navios ou aeronaves filipinas sejam alvo de um ataque armado no mar do Sul da China.

14 Jul 2026

MNE | Defendidas inspecções a navios panamianos após “múltiplos incidentes”

A China defendeu ontem inspecções a navios de bandeira panamiana nos seus portos, atribuindo-as a anteriores “incidentes de segurança”, sem confirmar reuniões anunciadas pelo Panamá para discutir as detenções e um acordo bilateral de transporte marítimo.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem em conferência de imprensa que segundo dados das autoridades chinesas, navios de bandeira panamiana estiveram envolvidos desde o início do ano em “múltiplos incidentes de segurança” em águas chinesas.

Lin indicou que entre Janeiro e Julho, os navios panamianos representaram cerca de 20 por cento das escalas de embarcações estrangeiras em portos chineses, mas concentraram aproximadamente metade dos acidentes, bem como das mortes e desaparecimentos registados nesses incidentes.

“As inspecções de supervisão portuária constituem uma medida importante para garantir a segurança da navegação e a protecção do ambiente marítimo”, afirmou o porta-voz, acrescentando que a China realiza esses controlos “em conformidade com a lei e os regulamentos” e no cumprimento das convenções internacionais.

Lin respondia a uma questão sobre as críticas formuladas pelos Estados Unidos e pelo Panamá durante a 137.ª reunião do Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI), na qual ambos os países acusaram a China de adoptar medidas punitivas contra navios panamianos por motivos políticos e apelaram ao reforço dos mecanismos destinados a evitar a politização do comércio marítimo.

O Governo panamiano anunciou, no início de Julho, que representantes dos dois países se reunirão entre 16 e 18 deste mês na China para discutir a retenção de navios de bandeira panamiana e a renovação do acordo bilateral de transporte marítimo, embora Pequim ainda não tenha confirmado esses contactos.

O acordo, assinado em 2017, pouco depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, e renovado em 2021 por mais cinco anos, concede à frota mercante panamiana o estatuto de “Nação Mais Favorecida” nos portos chineses, com vantagens como tarifas preferenciais e procedimentos administrativos simplificados.

Pressões americanas

As tensões surgem depois de o Supremo Tribunal do Panamá ter anulado, em Janeiro, a concessão dos portos de Balboa e Cristóbal, explorados desde 1997 pela Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, numa decisão tomada em plena pressão de Washington sobre a alegada influência chinesa em torno do Canal do Panamá.

Na altura, Pequim advertiu que defenderia os direitos e interesses das suas empresas, enquanto a PPC avançou com processos de arbitragem internacional contra o Estado panamiano, reclamando indemnizações superiores a dois mil milhões de dólares.

O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou no início de Julho que o número de detenções de navios de bandeira panamiana na China “está a diminuir”, embora tenha reconhecido que a situação poderá afectar a classificação do registo marítimo panamiano no sistema regional de controlo portuário da Ásia-Pacífico.

14 Jul 2026

China-Coreia do Norte | Xi Jinping e Kim Jong-un sublinham solidez dos laços bilaterais

O 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países deu o mote para ambos os líderes passarem mensagens de união e cooperação

O Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, sublinharam sábado a solidez dos laços bilaterais por ocasião do 65.º aniversário do tratado de amizade entre os dois países.

Xi sublinhou que o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, assinado em 1961, estabeleceu uma “importante base política e jurídica” para consolidar uma amizade “selada com sangue” entre ambos os povos, numa referência à Guerra da Coreia, na qual participaram dois milhões de soldados chineses em apoio à Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

O líder chinês afirmou ainda que, ao longo dos últimos 65 anos, ambas as partes seguiram o espírito do tratado, apoiaram-se mutuamente e cooperaram “ombro a ombro”, de acordo com a agência estatal Xinhua.

O Presidente chinês recordou ainda que em Junho realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, durante a qual alcançou com Kim “consensos importantes”.

“Estou disposto a estreitar ainda mais a comunicação estratégica” com Kim, afirmou Xi, reiterando que, “independentemente de como a situação internacional venha a mudar”, não se alterará a posição do Partido Comunista da China (PCC, no poder) e do Governo chinês de atribuir grande importância à “amizade tradicional” com a Coreia do Norte.

Por seu lado, Kim Jong-un afirmou que o tratado estabeleceu uma base jurídica sólida para o desenvolvimento permanente da “amizade de combate” e da cooperação entre ambos os países, forjadas na luta pela “independência anti-imperialista, pela paz e pela causa socialista”, segundo a Xinhua.

O líder norte-coreano assegurou que a amizade entre a Coreia do Norte e a China resistiu às mudanças históricas e descreveu-a como uma relação “inquebrável”.

Kim acrescentou, por outro lado, que os laços bilaterais estão a atingir um novo patamar estratégico num contexto internacional “complexo”.

 

Laços reforçados

A troca de mensagens ocorre um dia depois de Xi ter recebido em Pequim o primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, que se deslocou à China para participar nas cerimónias comemorativas do aniversário do tratado.

Este novo contacto surge na sequência da viagem de Estado de Xi à Coreia do Norte em Junho, num contexto marcado pelo aprofundamento dos laços entre Pyongyang e Moscovo e pelos esforços de Pequim para reafirmar a sua influência sobre o vizinho.

Durante essa visita, Pequim propôs também reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte.

Os dois países têm uma fronteira comum de mais de 1.400 quilómetros e a China é o principal parceiro político e económico da Coreia do Norte, com um papel central nas trocas comerciais e fornecimento de alimentos e energia.

13 Jul 2026

Coreia do Sul emite alerta de calor extremo pela primeira vez

A Coreia do Sul emitiu ontem o primeiro alerta para calor extremo, um novo nível criado este ano em antecipação de eventos climáticos extremos ligados às alterações climáticas, devido a uma forte onda de calor no sudeste do país.

“A Administração Meteorológica da Coreia (KMA) emitiu um aviso de calor extremo hoje (ontem) para duas cidades na parte sul da província de Gyeongsang do Norte: Gyeongsan e Pohang”, disse a directora da agência, Lee Mi-seon, em conferência de imprensa.

Enquanto o alerta estiver em vigor, recomenda-se a suspensão de “todas as actividades ao ar livre, incluindo o trabalho e o desporto, na medida do possível”, acrescentou.

De acordo com o novo sistema, é accionado um alerta máximo quando uma região regista temperaturas máximas de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos e a previsão indica temperaturas acima dos 39°C durante pelo menos um dia.

“Esta é a primeira vez que este alerta é emitido” desde a sua implementação, explicou Lee. Segundo a directora, as zonas afectadas registaram temperaturas acima dos 35°C na sexta-feira e no sábado, e a previsão é que atinjam hoje pelo menos 38°C.

O alerta máximo “indica condições em que mesmo pessoas saudáveis correm risco significativamente maior de desenvolver problemas de saúde graves”, alertou.

Cada vez mais quente

Embora o alerta máximo esteja actualmente em vigor em apenas duas cidades, grande parte do país está sob alertas de calor de nível inferior, emitidos quando a previsão é de uma temperatura de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos.

De acordo com a KMA, o número médio de dias de ondas de calor no país aumentou de oito na década de 1970 para 19 nos últimos cinco anos.

Um dia de onda de calor é definido como aquele em que a temperatura máxima é de, pelo menos, 33°C.

Em todo o mundo, as ondas de calor estão a tornar-se mais intensas e frequentes devido às alterações climáticas.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 44 milhões de pessoas estão a sofrer com uma onda de calor, com temperaturas máximas previstas entre os 38°C e os 43°C em vários estados.

A Europa Ocidental enfrenta a sua terceira onda de calor, depois de ter registado o Junho mais quente da sua história.

O calor extremo na região já provocou pelo menos 1.300 mortes desde 21 de Junho, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em França, 24 milhões de pessoas estão actualmente sob alerta máximo de onda de calor, de acordo com um cálculo da agência de notícias AFP baseado em dados anuais do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE).

13 Jul 2026

CPLP/30 anos| Brasil diz que português é questão de soberania na era da IA

O Brasil defendeu que a língua portuguesa deve ser tratada como um activo estratégico na era da inteligência artificial e afirmou que a CPLP pode desempenhar um papel central na defesa da soberania tecnológica dos países lusófonos.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, alertou para os desafios colocados pelos actuais modelos de inteligência artificial.

Segundo o diplomata, a concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em poucos países faz com que os grandes modelos sejam treinados sobretudo em inglês e chinês.

“Quando o português é tratado como língua secundária no treinamento dos modelos, enfraquece-se a soberania das sociedades lusófonas e sua capacidade de desenvolver soluções próprias”, afirmou por ocasião dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se assinalam em 17 de Julho.

“Para reverter esse quadro, precisamos tratar a língua portuguesa não apenas como património cultural, mas como activo estratégico. E aqui a CPLP tem um papel central a desempenhar”, completou.

Carlos Duarte defendeu que a CPLP promova bases de dados linguísticos partilhados que representem adequadamente todas as variedades da língua portuguesa.

Também propôs o reforço da cooperação científica e universitária entre os países da comunidade para ampliar a investigação em inteligência artificial.

Segundo o diplomata, as comunidades lusófonas produzem dados relevantes, mas ainda não têm capacidade suficiente para extrair deles maior valor económico.

“No plano internacional, a CPLP tem peso suficiente para levar a foros como as Nações Unidas, a UNESCO e a UNCTAD a exigência de que os sistemas de inteligência artificial respeitem a diversidade linguística e cultural”, declarou.

O diplomata acrescentou que a integração da CPLP não depende da uniformização da língua, mas da capacidade de transformar a diversidade das variantes do português num património comum.

“Em última análise, defender o português no mundo digital é defender a nossa soberania tecnológica, científica e cultural”, concluiu.

Mais fortes

Ao abordar a convivência entre as diferentes variantes do português, Carlos Duarte afirmou que a diversidade linguística fortalece, e não enfraquece, a comunidade lusófona.

“As diferenças entre as variedades do português faladas nos países da CPLP são reais. E não falo apenas de sotaques. Há diferenças de vocabulário, construções gramaticais, expressões idiomáticas, referências culturais e posição do idioma em cada sociedade”, avaliou.

“Seria um erro interpretar essas diferenças como um obstáculo à integração. Pelo contrário, o grande desafio da CPLP não é superar a diversidade, mas aprender a valorizá-la”, disse.

O responsável considerou que talvez o maior desafio actual da CPLP não seja propriamente linguístico, mas sociopolítico.

“Os países da CPLP ainda têm níveis relativamente modestos de circulação de pessoas, estudantes, pesquisadores, livros, produtos audiovisuais e conteúdos digitais”, disse, referindo que brasileiros e africanos lusófonos, por exemplo, conhecem pouco a literatura contemporânea uns dos outros.

“A integração da CPLP não depende da uniformização do português, mas da capacidade de transformar a diversidade das variedades lusófonas num património comum”, realçou.

13 Jul 2026

Timor-Leste | Comunidade portuguesa pede médico e enfermeiro

O conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva, enviou uma carta às autoridades de Portugal a pedir o destacamento para aquele país de um médico e de um enfermeiro, após preocupações manifestadas por dezenas de portugueses.

“O propósito da carta é esse, é pedir ao Governo que olhe para a comunidade portuguesa aqui com alguma atenção no que toca aos cuidados de saúde, porque nós sabemos que Timor-Leste ainda é um país que tem muitos constrangimentos na área”, disse à Lusa Filipe Silva.

As preocupações da comunidade aumentaram com o encerramento da clínica privada Stanford, que abriu em Timor-Leste em 2012 e que fechou este ano.

“Obviamente que há outras clínicas privadas, mas que, eventualmente, não terão a mesma capacidade de resposta que tinha a Stanford e tenho recebido da parte de algumas pessoas da comunidade uma série de preocupações relativamente à questão dos cuidados de saúde”, explicou o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

Filipe Silva explicou que até 2012 estiveram em Díli um médico e uma enfermeira portugueses.

A proposta, segundo Filipe Silva, não é ter um médico e uma enfermeira para resolver “todos os assuntos”, mas para aconselhar não só no que diz respeito à oferta local, mas também que recomende a saída do país, caso seja necessário um tratamento mais específico.

“Portanto, o facto de termos alguém que pudesse aconselhar-nos e dar algum apoio numa primeira fase, acho que tranquilizava as pessoas e é nesse sentido que estamos a apelar ao Governo”, afirmou.

 

Custos mínimos

Filipe Silva destacou também a possibilidade de a comunidade pagar as consultas.

“Ter cá essas pessoas que falam a nossa língua e que nós sabemos que são pessoas qualificadas, que nos possam ajudar, era muito importante o Estado pensar nisso”, salientou.

Para o conselheiro da comunidade portuguesa, o custo não seria tão grande assim, porque aquelas pessoas podiam também colaborar em alguns projectos que a cooperação queira na área da saúde.

A carta dirigida ao secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, é acompanhada por quase duas centenas de assinaturas de elementos da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

12 Jul 2026

Interpol | Detidas 5.800 pessoas ligadas a fraudes

Cerca de 5.800 pessoas foram detidas e cerca de 300 milhões de dólares apreendidos no âmbito de uma operação mundial de combate à fraude com manipulação psicológica, anunciou ontem a Interpol.

A operação, realizada entre Janeiro e Abril, que envolveu forças policiais de 97 países, visou especialmente os esquemas fraudulentos que se aproveitam da confiança das pessoas para obter dinheiro ou informações confidenciais.

Trata-se, por exemplo, do desvio de e-mails profissionais, da ‘sextorsão’, de fraudes sentimentais online, da usurpação de identidade ou de fraudes relacionadas com investimentos, detalhou num comunicado a Interpol, que coordenou esta acção denominada “First Light 2026”.

O número muito elevado de vítimas identificadas (142.000) “salienta até que ponto” este tipo de fraude “se tornou uma ameaça transnacional de grande dimensão, afectando indivíduos, empresas e governos”, assinala a Interpol.

A organização internacional de polícia criminal sediada em Lyon relata, por exemplo, ter detido 82 pessoas em Eswatini (antiga Suazilândia) e “desmantelado uma rede criminosa que geria jogos de azar online ilegais e lavava dinheiro” proveniente de fraudes “sofisticadas por usurpação de identidade”.

Cenários realistas

A operação levou ainda à apreensão de “uma réplica realista de uma esquadra de polícia brasileira, com uniformes falsos”: “fazendo-se passar pela Polícia Federal do Brasil através de videochamadas, os burlões convenciam as vítimas de que estas eram alvo de um crime, levando-as a transferir fundos para os colocar ‘em segurança’, fundos esses que eram posteriormente desviados”.

Outro caso citado: uma empresa de comercialização de matérias-primas sediada em Singapura, alvo de criminosos que se faziam passar por um fornecedor; ou também, em Macau, falsos funcionários públicos que convenceram uma vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação por fraude, tendo sido detidos pouco antes de esta lhes transferir cerca de 372.000 dólares norte-americanos.

12 Jul 2026

Cuba | China pede “fim imediato” do bloqueio dos Estados Unidos

A China pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que acabe com o bloqueio e sanções contra Cuba, após a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aceitado realizar um debate sobre o embargo norte-americano à ilha.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que os Estados Unidos mantêm há mais de 60 anos um bloqueio e sanções contra Cuba, medidas que “foram repetidamente reforçadas” e que, segundo Pequim, “provocaram uma crise energética” no país das Caraíbas.

Mao sustentou que essas medidas “violam gravemente” os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “comprometerem seriamente” os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e de causarem “profundo sofrimento” ao povo cubano.

“A decisão da Assembleia Geral da ONU, aprovada por uma maioria esmagadora, de realizar um debate sobre esta questão demonstra, uma vez mais, o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa da soberania nacional e a oposição à ingerência externa e ao bloqueio”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as práticas “unilaterais” e de “intimidação” de Washington carecem de apoio internacional.

Mao acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para “defender firmemente a equidade e a justiça internacionais” e apoiar Cuba na defesa da sua soberania e dignidade nacionais, bem como na rejeição da ingerência estrangeira.

 

Debate capital

A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou na terça-feira realizar o debate solicitado por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, uma iniciativa à qual Washington se opôs.

Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde Janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos e, desde Maio, por sanções contra pessoas e entidades que apoiem o Governo cubano ou operem em sectores como energia, defesa, finanças e mineração.

A China, um dos principais aliados políticos e económicos de Cuba, tem reiterado nos últimos meses o apoio a Havana e aprovou este ano um pacote de ajuda que inclui assistência financeira no valor de 80 milhões de dólares e a doação de 60.000 toneladas de arroz.

12 Jul 2026

Tempestades | Pequim distribui milhões em novos apoios para zonas afectadas

A China atribuiu na quinta-feira dezenas de milhões de yuan em fundos adicionais para apoiar regiões afectadas por tempestades e deslizamentos de terras, depois de fenómenos meteorológicos extremos terem provocado milhares de desalojados e a morte de 21 pessoas.

O Governo central disponibilizou 50 milhões de yuan para restaurar estradas, escolas e outras infraestruturas na província de Hubei (centro), bem como mais 20 milhões de yuan destinados à reconstrução de habitações e ao realojamento da população, noticiou a imprensa estatal.

Na segunda-feira à noite, tempestades violentas e tornados, um fenómeno raro na China, causaram 11 mortos e centenas de feridos naquela província.

Pequim atribuiu ainda 30 milhões de yuan à província de Gansu (noroeste), onde um deslizamento de terras soterrou 21 trabalhadores florestais.

Estas verbas somam-se aos 100 milhões de yuan anunciados anteriormente para reparar escolas, hospitais, infraestruturas de transporte e outros equipamentos públicos na região autónoma de Guangxi (sul), atingida por inundações após chuvas intensas associadas a uma tempestade tropical.

Em Guangxi, a passagem da tempestade tropical Maysak provocou a ruptura ou transbordo de reservatórios, inundando localidades e deixando habitantes isolados (ver texto secundário).

Segundo as autoridades regionais, seis pessoas morreram, cerca de 130 mil foram retiradas e mais de 8.000 operacionais, apoiados por cerca de 5.700 embarcações, participam nas operações de socorro.

Nas redes sociais multiplicam-se os pedidos de ajuda acompanhados por vídeos das zonas inundadas.

O Centro Meteorológico Nacional indicou que Guangxi regista chuva intensa desde sábado, com precipitação acumulada entre 100 e 400 milímetros em algumas zonas e superior a 900 milímetros nas áreas mais afectadas.

 

Mais a caminho

Entretanto, o tufão Bavi atingiu o sudeste da China durante o fim de semana. Em Taiwan, alguns agricultores apressaram a colheita do arroz antes da chegada da tempestade, que seguia para oeste-noroeste sobre o mar das Filipinas.

O mau tempo afectou também outros países asiáticos. No sudeste do Bangladesh, deslizamentos de terras provocados pelas chuvas das monções mataram vários refugiados rohingya, incluindo cinco crianças. Na vizinha Índia, as chuvas intensas causaram igualmente mais de uma dezena de mortos nos últimos dias.

12 Jul 2026

China pede aos Países Baixos estabilidade na cadeia dos semicondutores

A China apelou ontem aos Países Baixos para preservarem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promoverem uma resolução adequada dos litígios empresariais, numa referência ao caso da fabricante de ‘chips’ Nexperia.

O pedido foi feito pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, durante um encontro em Pequim com o homólogo neerlandês, Sjoerd Sjoerdsma, que iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado por uma delegação empresarial.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério do Comércio chinês, a reunião decorreu no âmbito da Comissão Mista China – Países Baixos para a Cooperação Económica e Comercial.

Wang manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral em áreas como o fabrico avançado, a inovação tecnológica, a transição ecológica e os serviços modernos.

O ministro chinês afirmou ainda esperar que os Países Baixos “criem um ambiente justo, equitativo e previsível para as empresas chinesas que investem no país, preservem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promovam uma resolução adequada dos litígios empresariais relevantes”.

Wang referiu igualmente a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE), realizada na semana passada em Bruxelas, manifestando a expectativa de que Haia desempenhe “um papel positivo e construtivo” junto de Bruxelas para que ambas as partes “trabalhem na mesma direcção”.

Sjoerdsma classificou o encontro como “construtivo”, numa mensagem publicada na rede social X, e defendeu a necessidade de manter o diálogo com a China “precisamente devido às diferenças” entre os dois países.

No final da reunião, as duas partes assinaram um memorando de entendimento para a criação do Conselho Empresarial China – Países Baixos e participaram na sessão inaugural do novo organismo.

 

Ultrapassar tensões

A primeira missão empresarial liderada por um ministro neerlandês à China desde 2018 decorre numa altura de crescente tensão em torno da indústria mundial dos semicondutores e das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia avançada para a China.

Um dos principais focos de atrito é o caso da Nexperia, fabricante de semicondutores sediada nos Países Baixos e controlada pela chinesa Wingtech. No ano passado, o Governo neerlandês interveio na empresa, alegando a necessidade de proteger a produção europeia de semicondutores, desencadeando uma disputa diplomática que continua a ter repercussões judiciais e comerciais.

Apesar disso, a Nexperia não integra a delegação empresarial que acompanha Sjoerdsma. Já a ASML, fabricante de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores e afectada pelas restrições norte-americanas à exportação de tecnologia para a China, participa na missão.

A visita prossegue até sexta-feira em Xangai, a “capital” económica da China, onde Sjoerdsma se reunirá com o vice-presidente da câmara municipal e visitará empresas chinesas e neerlandesas.

9 Jul 2026

Hong Kong | Comité que vai escolher líder do Governo eleito em Novembro

Com o mandato de John Lee como Chefe do Executivo a terminar em Junho de 2027, as autoridades chinesas preparam o caminho para a sucessão

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que será decidida a composição do colégio eleitoral que irá escolher o próximo líder da região semiautónoma chinesa, numa votação que ocorrerá em 22 de Novembro.

De acordo com o Gabinete para os Assuntos Constitucionais e do Continente (CMAB, na sigla em inglês) de Hong Kong, a votação irá escolher 982 dos 1.500 membros do Comité Eleitoral.

Os restantes lugares já estão ocupados por nomeação directa, para um mandato com a duração de cinco anos, que terá início a 01 de Fevereiro de 2027 e terminar em Faneiro de 2032.

Os 982 membros serão eleitos por representantes de grupos de interesse e por membros de órgãos distritais e nacionais, incluindo o parlamento da China e o principal órgão consultivo chinês.

Nas últimas eleições, realizadas em 2021, apenas 4.889 dos 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong tiveram direito a votar, sendo que quase 90 por cento (4.389) foram às urnas.

Num documento enviado ao parlamento local, o CMAB disse que irá recrutar cerca de mil funcionários públicos com experiência “para desempenhar diversas funções eleitorais no dia da votação”.

Por outro lado, o horário de votação será reduzido, de 15 horas há cinco anos para nove horas, seguindo sugestões dos deputados, sublinharam as autoridades de Hong Kong.

A votação de 2021 foi a primeira depois de uma reforma eleitoral imposta por Pequim.

Processos e princípios

Tal como há cinco anos, todos os candidatos terão de passar por um processo de veto, descrito pelas autoridades como essencial para proteger o princípio “Hong Kong governado por patriotas”.

Em 2021, apenas um dos dois candidatos vistos como simpatizantes da oposição pró-democracia, Tik Chi-yuen, de 63 anos, conseguiu ser eleito para o Comité Eleitoral.

Tik, um antigo membro do Partido Democrata que agora dirige o partido centrista Third Way (‘Terceira Via’), ficou empatado com outros dois candidatos e, após um sorteio, conseguiu um dos lugares disponíveis.

“Pelo menos ainda há algum espaço para nós”, comentou Tik.

“Não importa se há um ou dois de nós. Vale a pena participar, desde que possamos representar os pensamentos íntimos de alguns ‘hongkongers’ [residentes de Hong Kong] e as suas opiniões”, afirmou.

O comité eleitoral irá escolher o líder do Governo, entre candidatos previamente seleccionados pelo Governo chinês, e seleccionar 40 dos 90 membros do Conselho Legislativo, o parlamento local.

O actual chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, eleito como candidato único em 2022, termina o mandato a 30 de Junho de 2027 e pode concorrer a um segundo mandato.

Já as eleições para o Conselho Legislativo da antiga colónia britânica estão previstas para 2029.

9 Jul 2026

Hong Kong | Associações apontam falhas em reforma da lei sobre crimes sexuais

Hong Kong lançou ontem uma consulta pública sobre uma reforma legal para agravar as penas para crimes sexuais, mas associações disseram à Lusa que a proposta tem falhas que podem prejudicar as vítimas, incluindo crianças.

Com a proposta, que estará em consulta pública até 05 de Agosto, o Governo quer criminalizar casos de violação envolvendo pessoas do mesmo sexo, punir o aliciamento sexual e adoptar uma idade de consentimento uniforme, 16 anos, independentemente do género.

De acordo com a legislação em vigor, relações sexuais com uma menor de 13 anos são puníveis com pena máxima de prisão perpétua, mas se a vítima for menor de 16 anos, a pena máxima é de cinco anos de prisão.

Obrigar um menor a testemunhar actos sexuais, ver imagens de teor sexual ou enviar imagens passará a ser punido com uma pena de prisão de cinco a dez anos, segundo a proposta, apresentada aos deputados em 29 de Junho.

A líder de um grupo de apoio a crianças vítimas de crimes sexuais disse ontem à Lusa que “a falha em reconhecer o abuso sexual infantil persistente como um crime distinto inflige uma profunda injustiça às crianças”.

A fundadora da TALK Hong Kong, Taura Edgar, explicou que os tribunais tratam “o abuso prolongado e repetitivo como uma colecção de incidentes isolados”, algo que “entra directamente em conflito com as realidades psicológicas do trauma”.

“O trauma grave fragmenta naturalmente a memória, tornando a recordação meticulosa e cronológica de detalhes específicos ao longo de um período, muitas vezes extenso, de abuso, biologicamente improvável”, alertou Edgar.

“Confrontados com interrogatórios exaustivos, elaborados para dissecar acusações individuais, muitos sobreviventes sofrem um intenso trauma secundário que os impede completamente de depor”, lamentou a activista.

Lacunas de memória “são rotineiramente utilizadas como arma” contra as vítimas, transformando “um sintoma médico de abuso numa barreira probatória intransponível” e permitindo que agressores não sejam condenados, disse Edgar.

Pontos a favor

A presidente da TALK Hong Kong recordou que, de acordo com estudos, o abuso sexual afecta cerca de 16 por cento das crianças de Hong Kong.

Já a Associação para o Combate à Violência Sexual contra as Mulheres, (ACSVAW, na sigla em inglês), de Hong Kong, elogiou a proposta por incluir uma definição legal explícita de consentimento.

O grupo destacou ainda a expansão do crime de violação para abranger outras formas de agressão sexual com penetração e o ‘stealthing’, a remoção não consensual do preservativo.

No entanto, num comunicado enviado à Lusa, a ACSVAW alertou que a inclusão na proposta do conceito do “equívoco” pode tornar-se uma “falha legal” utilizada por agressores.

“Um arguido ainda poderia usar desculpas para escapar à responsabilidade, alegando: ‘Não houve resistência física, por isso acreditei erradamente que havia consentimento’ ou ‘Estávamos a rir e a conversar enquanto bebíamos, por isso interpretei a situação como uma vontade de ter relações sexuais'”, sublinhou a directora executiva do grupo, Doris Chong Tsz-wai.

A associação recordou que, dos 807 casos denunciados à polícia entre 2019 e 2023, apenas 51 resultaram em condenação no primeiro julgamento.

8 Jul 2026

China rejeita “conclusões exageradas” sobre lançamento de míssil no Pacífico

Pequim rejeitou ontem “conclusões exageradas” pelo lançamento de um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para o Oceano Pacífico, após o ensaio ter suscitado críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que o ensaio constituiu “um exercício militar de rotina” e que “não é dirigido contra qualquer país ou alvo específico”.

Mao afirmou que a China informou previamente os “países pertinentes” e que o teste “está em conformidade com a prática internacional”.

“As actividades de lançamento decorreram sempre de forma segura, regulamentada e profissional”, acrescentou a porta-voz, manifestando a esperança de que “os países relevantes não tirem conclusões exageradas”.

A porta-voz recusou-se a fornecer mais pormenores sobre o ensaio, depois de a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua ter noticiado, horas antes, que a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP) lançou com êxito um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para “águas internacionais relevantes” do Oceano Pacífico.

Segundo a Xinhua, o projéctil, equipado com uma ogiva simulada de treino, atingiu com precisão a zona marítima prevista.

A agência indicou que o ensaio, realizado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa), integrou o plano anual de treino militar e que a China notificou previamente os países pertinentes.

 

Águas agitadas

O comunicado oficial não especificou o modelo do míssil, a classe do submarino nem a localização exata da zona de impacto.

Segundo o jornal South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado a partir de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado, de que há registo público, a partir de um submarino de propulsão nuclear.

O teste ocorre numa altura de crescente actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, onde Taiwan afirmou ontem que a Marinha chinesa mantém destacadas quatro agrupações navais: uma no Pacífico Sul, duas a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e outra a nordeste das Filipinas.

O lançamento coincide também com novas fricções entre Pequim e Tóquio, depois de o Japão ter protestado nos últimos dias contra manobras de navios chineses em águas próximas da ilha de Yonaguni, situada a pouco mais de 150 quilómetros de Taipé.

7 Jul 2026

Defesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico

A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo.

Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar.

A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial.

O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real.

O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov.

Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte.

As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval.

 

Plano de cooperação

O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico.

Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”.

Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário).

A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.

7 Jul 2026

Índia | Fortes chuvas fizeram pelo menos 13 mortos

Pelo menos 13 pessoas morreram na Índia nos últimos dias devido às intensas chuvas que atingiram Mumbai e distritos vizinhos, onde foi decretado o encerramento de escolas e restrições ao trabalho.

As autoridades de Mumbai (Bombaim) também recomendaram à população que evitasse deslocações não essenciais.

Mumbai e os distritos de Palghar e Raigad registaram fortes chuvas nos últimos três dias, resultando em treze mortes associadas a incidentes provocados pelo mau tempo, disseram ontem fontes oficiais citadas pela agência de notícias local PTI.

O Departamento Meteorológico da Índia elevou o aviso de chuva para vermelho em Mumbai e arredores, prevendo chuvas muito fortes, ventos intensos e riscos de inundações repentinas, deslizamentos de terra e queda de árvores.

A Autoridade Estadual de Gestão de Desastres solicitou que as empresas privadas em Mumbai permitissem o trabalho remoto sempre que possível, enquanto os funcionários de organismos governamentais de serviços não essenciais foram dispensados do expediente a partir da tarde de ontem.

Escolas e universidades — públicas, municipais e privadas — suspenderam as aulas por motivos de segurança.

As chuvas afectaram também o funcionamento das ligações ferroviárias, das auto-estradas e de outros serviços de transporte em Mumbai, uma cidade com mais de vinte milhões de habitantes que enfrenta frequentemente graves transtornos durante a época das monções.

Há poucas semanas, Mumbai enfrentou uma grave escassez de água nos sete reservatórios que abastecem a cidade.

7 Jul 2026

Japão | Sonda espacial sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária

Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, domingo, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais.

A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

O objectivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra.

Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior.

A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune.

Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajectória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efectuar uma manobra de desvio.

“Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato.

Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo.

“Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA.

Se se confirmar que a sonda passou efectivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra.

 

Maravilhas tecnológicas

As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária.

“Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia.

Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras.

Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.

7 Jul 2026