China / ÁsiaChina pede aos Países Baixos estabilidade na cadeia dos semicondutores Hoje Macau - 9 Jul 20269 Jul 2026 A China apelou ontem aos Países Baixos para preservarem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promoverem uma resolução adequada dos litígios empresariais, numa referência ao caso da fabricante de ‘chips’ Nexperia. O pedido foi feito pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, durante um encontro em Pequim com o homólogo neerlandês, Sjoerd Sjoerdsma, que iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado por uma delegação empresarial. Segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério do Comércio chinês, a reunião decorreu no âmbito da Comissão Mista China – Países Baixos para a Cooperação Económica e Comercial. Wang manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral em áreas como o fabrico avançado, a inovação tecnológica, a transição ecológica e os serviços modernos. O ministro chinês afirmou ainda esperar que os Países Baixos “criem um ambiente justo, equitativo e previsível para as empresas chinesas que investem no país, preservem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promovam uma resolução adequada dos litígios empresariais relevantes”. Wang referiu igualmente a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE), realizada na semana passada em Bruxelas, manifestando a expectativa de que Haia desempenhe “um papel positivo e construtivo” junto de Bruxelas para que ambas as partes “trabalhem na mesma direcção”. Sjoerdsma classificou o encontro como “construtivo”, numa mensagem publicada na rede social X, e defendeu a necessidade de manter o diálogo com a China “precisamente devido às diferenças” entre os dois países. No final da reunião, as duas partes assinaram um memorando de entendimento para a criação do Conselho Empresarial China – Países Baixos e participaram na sessão inaugural do novo organismo. Ultrapassar tensões A primeira missão empresarial liderada por um ministro neerlandês à China desde 2018 decorre numa altura de crescente tensão em torno da indústria mundial dos semicondutores e das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia avançada para a China. Um dos principais focos de atrito é o caso da Nexperia, fabricante de semicondutores sediada nos Países Baixos e controlada pela chinesa Wingtech. No ano passado, o Governo neerlandês interveio na empresa, alegando a necessidade de proteger a produção europeia de semicondutores, desencadeando uma disputa diplomática que continua a ter repercussões judiciais e comerciais. Apesar disso, a Nexperia não integra a delegação empresarial que acompanha Sjoerdsma. Já a ASML, fabricante de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores e afectada pelas restrições norte-americanas à exportação de tecnologia para a China, participa na missão. A visita prossegue até sexta-feira em Xangai, a “capital” económica da China, onde Sjoerdsma se reunirá com o vice-presidente da câmara municipal e visitará empresas chinesas e neerlandesas.