Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais. Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate. Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo. Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul. O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia. “Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou. Abertura total Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh. Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.
Hoje Macau China / ÁsiaRússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia. “A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição. O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”. “A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia. Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | DeepSeek lança novo modelo de IA A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA. No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat. O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa. Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia. A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw. “Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil. Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países. Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções. As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China. Riscos persistentes Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes. Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”. O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.
Hoje Macau China / ÁsiaCooperação | Coreia do Norte e Rússia concluem ligação de ponte A Coreia do Norte e a Rússia concluíram as obras para ligar a ponte que une os dois territórios, com vista à inauguração “o mais rapidamente possível”, afirmou ontem a imprensa estatal norte-coreana. As obras terminaram na terça-feira, de acordo com a agência de notícias KCNA, que escreve que o importante projecto se destina a “reforçar e fortalecer a infraestrutura vital para a cooperação económica” bilateral. A agência acrescentou que ambos os países estão a “trabalhar intensamente” para concluir e inaugurar o mais rapidamente possível a ponte rodoviária, que permitirá atravessar o rio Tumen, na fronteira terrestre de apenas 20 quilómetros que ambos os países partilham. As obras de construção da ponte começaram em Março de 2025, e o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a ponte vai ser inaugurada até ao final do ano. À ponte junta-se o reinício dos voos e da ligação ferroviária com Pyongyang, em 2025, embora, segundo afirmaram em Março os meios de comunicação russos, a ligação aérea entre Moscovo e Pyongyang não tenha atingido a ocupação desejada. A Rússia e a Coreia do Norte reforçaram a cooperação desde o início da guerra na Ucrânia, durante a qual Pyongyang forneceu armamento e tropas a Moscovo. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu divisas, bens e tecnologia russa. Ainda esta semana, o ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokoltsev, acordou reforçar a cooperação policial com o homólogo norte-coreano, Pang Tu-Sop, numa reunião bilateral realizada em Pyongyang.
Hoje Macau China / ÁsiaSamsung | Milhares de trabalhadores pedem bónus e ameaçam com greve Milhares de trabalhadores da Samsung Electronics protestaram ontem em Seul para pedirem bónus mais elevados à multinacional sul-coreana, tendo ameaçado com uma greve de 18 dias caso as negociações falhem. Segundo as estruturas sindicais, esta manifestação, junto ao complexo de Pyeongtaek, deverá ter sido o maior protesto dos trabalhadores da fabricante sul-coreana de ‘chips’. O protesto foi convocado por uma plataforma conjunta de três sindicatos e decorreu junto ao maior centro de fabrico de semicondutores do mundo, no sul de Seul, noticia a Efe. De acordo com as autoridades, estiveram presentes 34.000 participantes – abaixo da estimativa de 39.000 da organização –, diz a Efe, que remete para os locais JoongAng Daily e Chosun Daily. Os trabalhadores exigem a eliminação actual do limite para o bónus de desempenho, fixado em até 50 por cento do salário anual, e pedem a substituição por um sistema que aloque 15 por cento do lucro operacional a incentivos. O jornal local JoongAng Daily aponta que se a empresa obtivesse este ano um lucro operacional de 300 biliões de wons (173.400 milhões de euros), o fundo para bónus seria de 45 biliões de wons (26.010 milhões de euros). O dirigente sindical Choi Seung-ho alertou que se a produção for interrompida durante 18 dias, tal terá um impacto próximo de 18 biliões de wons (10.404 milhões de euros). À falta de acordo, a greve deverá ocorrer entre 21 de Maio e 07 de Junho.
Hoje Macau China / ÁsiaTPI | Ex-Presidente filipino Duterte vai ser julgado O antigo Presidente filipino Rodrigo Duterte vai ser julgado por crimes contra a humanidade, anunciou ontem o Tribunal Penal Internacional, confirmando as acusações de violência na guerra contra a droga e de autorização de milhares de execuções extrajudiciais. Segundo o painel de três juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), cuja decisão foi unânime, há “razões substanciais” para acreditar que o antigo líder foi responsável por dezenas de assassinatos, primeiro como presidente da câmara da cidade de Davao, no sul das Filipinas, e depois como Presidente. Duterte, de 80 anos, foi detido nas Filipinas no ano passado e nega as acusações que lhe são imputadas. Na sua decisão de 50 páginas, os juízes concluíram que as provas mostram que Duterte “desenvolveu, disseminou e implementou” uma política “para ‘neutralizar’ os alegados criminosos”. De acordo com os procuradores que o acusam, a polícia e os membros dos esquadrões da morte realizaram dezenas de assassínios a mando de Duterte, motivados pela promessa de dinheiro ou para evitar tornarem-se alvos. “Para alguns, matar atingiu o nível de uma forma perversa de competição”, disse a procuradora-adjunta Mame Mandiaye Niang ao tribunal, em audiências preliminares realizadas em Fevereiro. A data para o início do julgamento ainda não está definida. O advogado principal de defesa de Duterte, Nick Kaufman, disse aos juízes, durante as audiências de fevereiro, que o ex-Presidente filipino “defende resolutamente o seu legado e mantém a sua [declaração de] absoluta inocência”. Kaufman argumentou que a acusação “seleccionou a dedo” exemplos da “retórica bombástica” de Duterte e que as palavras do seu cliente nunca tiveram a intenção de incitar à violência. Contabilidade trágica As estimativas do número de mortos durante o mandato presidencial de Duterte variam, desde os mais de 6.000 reportados pela polícia nacional até aos 30.000 alegados por grupos de defesa dos direitos humanos. A maioria dos mortos eram pessoas pobres, muitas vezes sem ligação comprovada ao tráfico, incluindo crianças e opositores políticos. Duterte não esteve presente no tribunal em qualquer audiência porque renunciou ao seu direito de comparecer. No mês passado, os juízes consideraram-no apto para ser julgado, depois de terem adiado uma audiência anterior devido a preocupações com a sua saúde. Os procuradores do TPI avançaram, em 2018, que iriam abrir uma investigação preliminar sobre as violentas repressões das drogas. Numa manobra que, segundo os activistas dos direitos humanos, visava evitar a responsabilização, Duterte, que era Presidente na altura, anunciou que as Filipinas iriam abandonar o TPI. Na quarta-feira, os juízes de recurso rejeitaram um pedido da equipa jurídica de Duterte para arquivar o caso, alegando que o tribunal não tinha jurisdição devido à retirada das Filipinas. Contudo, o tribunal mantém a sua posição, justificando que os crimes foram cometidos enquanto o país era membro o TPI.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Dois estados-chave da Índia vão às urnas Dois importantes estados indianos, Bengala Ocidental (leste) e Tamil Nadu (sul), votaram ontem para eleger os parlamentos locais, que até agora se mantiveram fora do controlo do partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi. Mais de 36 milhões de eleitores — de uma população de quase 100 milhões — estão aptos a eleger 294 representantes em Bengala Ocidental, onde a chefe do governo Mamata Banerjee e o partido All India Trinamool Congress estão no poder desde 2011. A votação decorre em duas fases: 152 lugares serão agora preenchidos e os restantes 142 a 29 de Abril. A campanha eleitoral tem sido turbulenta em Bengala Ocidental, onde a exclusão de nove milhões de pessoas dos registos eleitorais gerou um debate aceso entre os partidos. A eleição é considerada “muito sensível”, disse o chefe local da comissão eleitoral, Manoj Agarwal. Mais a sul, ao longo da baía de Bengala, os eleitores de Tamil Nadu, cuja população ultrapassa os 80 milhões, elegem 234 representantes. Neste estado, um dos mais ricos da Índia, o partido no poder, Dravida Munnetra Kazhagam, enfrenta a concorrência do principal rival, o All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam, aliado ao Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi. Os resultados das duas eleições são esperados em 04 de Maio.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar prevê “coisas boas” para ex-líder detida Aung San Suu Kyi O chefe da diplomacia tailandesa declarou, após reunir-se com o líder birmanês, que Myanmar (antiga Birmânia) prevê “coisas boas” para a ex-líder Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de Estado. O general birmanês, que se tornou Presidente, Min Aung Hlaing, afirmou que Aung San Suu Kyi está a ser “bem tratada” e que planeia “coisas boas” para a ex-líder, sem dar mais detalhes, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow. “Deve ser um bom sinal”, acrescentou o diplomata, numa mensagem de vídeo, antes de regressar à Tailândia na quarta-feira à noite. Min Aung Hlaing, na altura chefe das forças armadas birmanesas, derrubou em 2021 o governo eleito da Prémio Nobel da Paz, mergulhando o país do Sudeste Asiático numa guerra civil. Assumiu a presidência no início do mês, na sequência das eleições no país, denunciadas no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob um disfarce civil. Esta transição foi acompanhada por recuos em certas medidas repressivas implementadas pela junta nos últimos cinco anos. Questão de imagem O antigo presidente Win Myint, braço direito de Aung San Suu Kyi, também detido durante o golpe de Estado, foi libertado na semana passada, no âmbito de uma ampla amnistia. Um gesto apresentado como um esforço de reconciliação, mas que os observadores consideram destinado a melhorar a imagem do novo Governo, composto maioritariamente por antigos militares. A amnistia concedida a Win Myint reacendeu, no entanto, os apelos diplomáticos para a libertação de Aung San Suu Kyi, detida num local mantido em segredo, aos 80 anos de idade. Os defensores de Suu Kyi consideram que as acusações contra a antiga dirigente, nomeadamente de fraude eleitoral, foram forjadas para permitir que os militares regressassem ao poder, pondo fim a uma década de experiência democrática no país.
Hoje Macau China / ÁsiaCombustíveis | Exportações chinesas de energia alternativa disparam A crise energética, provocada pelo ataque conjunto de israelitas e americanos ao Irão, está a fazer com que exportações chinesas de produtos solares alcancem valores nunca antes atingidos As exportações chinesas de energias alternativas aos combustíveis fósseis dispararam com a subida dos preços do petróleo e do gás após a guerra no Irão, com a energia solar a atingir níveis recorde. Segundo a consultora Ember, as exportações de produtos solares atingiram 68 gigawatts (GW) em Março, duplicando face a Fevereiro. O aumento foi impulsionado sobretudo por países de África e da Ásia, regiões mais afectadas pelo bloqueio “de facto” do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito. Estas duas regiões concentraram três quartos do aumento das vendas, com destinos como Índia, Malásia, Laos, Nigéria, Quénia ou Etiópia, embora também tenham sido registados níveis recorde de compras na Austrália e União Europeia. No total, 50 países bateram recordes de importações e outros 60 registaram máximos semestrais, enquanto o Médio Oriente foi a única região sem crescimento, devido às dificuldades logísticas. A Ember sublinha que alternativas como a energia solar, baterias e veículos eléctricos serão essenciais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, num contexto de preços elevados e incerteza geopolítica. Por partes Por categorias, a China exportou 32 GW de painéis solares em Março, mais 91 por cento do que em Fevereiro, enquanto as vendas de células e lâminas de silício mais do que duplicaram (108 por cento), atingindo cerca de 36 GW. “À medida que os efeitos dos preços elevados do petróleo e do gás se fazem sentir no mercado global de energia, alternativas como a solar, as baterias e os veículos eléctricos serão fundamentais para ajudar os países a tornarem-se mais resilientes e a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis”, indica a Ember. As vendas combinadas destes três segmentos aumentaram 70 por cento em termos homólogos em março e 38 por cento face ao mês anterior. No caso dos veículos eléctricos, a frota global destes automóveis representou uma procura equivalente a 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 13 por cento da produção dos Estados Unidos. Segundo a analista Leah Fahy, da Capital Economics, a China representa cerca de 25 por cento das exportações globais de veículos eléctricos (em valor) e mais de metade das exportações de células solares e baterias de iões de lítio, três sectores que, embora representem apenas 4,5 por cento do total das exportações chinesas, contribuíram com quase 20 por cento do crescimento no ano passado. A analista estima que, se estas vendas crescerem 50 por cento este ano, poderão acrescentar dois pontos percentuais ao crescimento total das exportações chinesas, podendo chegar a cinco pontos caso dupliquem.
Hoje Macau China / ÁsiaChina apela ao Camboja para “erradicar totalmente” centros de burla O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ontem ao Camboja para “erradicar totalmente” os centros de fraude ‘online’ que proliferam no país, durante um encontro com o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, em Phnom Penh. O Camboja tornou-se, nos últimos anos, um dos principais polos de cibercriminalidade, onde burlões, por vezes a trabalhar sob coação, enganam internautas em todo o mundo, nomeadamente através de falsas relações amorosas ou investimentos em criptomoedas. Sob pressão de vários países, incluindo a China, de onde são oriundos muitos dos autores e vítimas, as autoridades cambojanas, acusadas de durante anos terem fechado os olhos ao fenómeno, dizem estar agora a combater com firmeza esta indústria, avaliada em milhares de milhões de euros. “As actividades criminosas transfronteiriças relacionadas com jogos de azar e burlas comprometem a segurança das pessoas e dos seus bens”, afirmou Wang Yi a Hun Manet, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “É preciso combatê-las com firmeza e erradicá-las completamente”, acrescentou Wang Yi, ao lado do ministro da Defesa chinês, Dong Jun. Amigos inseparáveis Pequim e Phnom Penh mantêm estreitas relações comerciais, diplomáticas e militares, tendo Wang Yi voltado a elogiar uma amizade “verdadeiramente inabalável”. O Camboja tem vindo a intensificar esforços para não comprometer os laços com a China, o seu principal parceiro comercial. Em Fevereiro, Hun Manet prometeu “limpar tudo isto”, referindo-se aos centros de burla, e, no mês seguinte, o Governo aprovou um projecto de lei que prevê penas severas para os envolvidos em cibercrimes. O líder cambojano indicou ainda ter discutido com os responsáveis chineses temas como política, comércio, investimento, defesa e infraestruturas de transporte. Relativamente ao conflito com a Tailândia, Wang Yi manifestou apoio à normalização das relações bilaterais, após confrontos mortais em 2025 na fronteira comum. A China “está disposta a oferecer uma plataforma para uma comunicação mais abrangente e eficaz entre os dois países” e a prestar ajuda humanitária para a reinstalação de populações nas zonas fronteiriças cambojanas, acrescentou. Um cessar-fogo foi alcançado a 27 de Dezembro, mas a situação permanece frágil, com Camboja e Tailândia a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | Pequim define ilhas que reclama como eixo estratégico A China definiu as ilhas que reivindica no mar do Sul da China como um eixo estratégico para o desenvolvimento e a segurança, sublinhando o seu valor económico, ecológico e militar, segundo um documento oficial divulgado ontem. O texto, publicado pelo Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, e assinado por um grupo dirigente do ministério dos Recursos Naturais, indica que o país conta com mais de 11.000 ilhas, que constituem uma “fronteira estratégica para salvaguardar os direitos e interesses nacionais e garantir a segurança”. O documento descreve ainda estes territórios como um suporte essencial para “expandir o espaço de desenvolvimento da economia marinha”, em linha com o objectivo de transformar a China numa potência marítima. O documento defende a necessidade de “coordenar o desenvolvimento de alta qualidade e a protecção de alto nível das ilhas”, propondo melhorias na infraestrutura, conectividade e gestão destes territórios, e sublinhando o seu papel como “importante plataforma para participar na governação oceânica global”. O texto acrescenta que “as grandes potências competem para deslocar o seu foco de desenvolvimento para o oceano”, num contexto de reajustamentos na economia marítima global, e sustenta que o desenvolvimento insular deve conciliar a exploração de recursos com a preservação ambiental.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | PwC multada em 142 ME e imposta proibição após caso Evergrande Hong Kong aplicou à PwC uma multa de 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong e proibiu a aceitação de novos clientes por seis meses, após uma investigação à auditoria no caso Evergrande. A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros (SFC) indicou que a firma das “Big Four” cometeu “graves violações dos deveres profissionais de auditoria” nas contas da construtora Evergrande em 2019 e 2020. Numa decisão separada, o regulador contabilístico de Hong Kong proibiu a PwC de aceitar novos clientes durante seis meses, classificando as falhas como “particularmente graves”. O Conselho de Relato Financeiro e Contabilidade (AFRC) multou ainda dois antigos sócios da PwC em 10 milhões de dólares de Hong Kong por irregularidades nas auditorias. Segundo a SFC, a operação da PwC em Hong Kong irá reservar mil milhões de dólares de Hong Kong para compensar accionistas minoritários da Evergrande. O incumprimento da Evergrande, em 2021, expôs uma crise de liquidez no sector imobiliário chinês, altamente endividado, e teve impacto na economia, onde grande parte da riqueza das famílias está concentrada no imobiliário. Reguladores chineses concluíram em 2024 que a operação da PwC na China continental “ocultou ou até tolerou” fraudes na Evergrande nos anos anteriores ao colapso, agravando as consequências financeiras para a auditora. A PwC China reconheceu que o seu trabalho nas auditorias à Evergrande “ficou muito aquém” das suas elevadas expectativas e das expectativas das partes interessadas, considerando que a resolução destes processos “é um passo importante” para a empresa.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Emitido alerta devido a onda de calor com temperaturas até 45°C O Serviço Meteorológico da Índia (IMD) emitiu um alerta devido a uma intensa onda de calor e avisou que nos próximos três dias, as temperaturas podem atingir valores entre os 40 e os 45 graus. De acordo com o último relatório do IMD, os termómetros já registaram “valores entre 40°C e 45°C em grande parte do centro e do norte do país, afectando especialmente regiões como Vidarbha, Marathwada e Madhya Pradesh, além de zonas de Uttar Pradesh”. A temperatura mais elevada do país foi registada na cidade de Allahabad, que chegou aos 44,4 °C. O IMD informou que esta onda de calor teve início a 18 de Abril no estado de Haryana e já afecta a capital, Nova Deli, para onde se tem deslocado progressivamente. Segundo o organismo, a expansão do fenómeno não se limita à zona metropolitana e continua a avançar para o leste e o centro do subcontinente. Esta trajectória colocou em alerta as autoridades da capital e dos estados vizinhos, que prevêem que o ambiente sufocante na região de Nova Deli e arredores se mantenha de forma persistente pelo menos até ao próximo dia 24 de Abril. Nos últimos anos, a Índia tem enfrentado verões cada vez mais intensos e prolongados, com ondas de calor que têm causado graves problemas de saúde pública e um aumento significativo da mortalidade. O Centro Nacional de Controlo de Doenças (NCDC) registou 3.812 mortes devido ao calor entre 2015 e 2022, enquanto o Gabinete Nacional de Registos Criminais (NCRB) contabilizou 8.171 no mesmo período e o Serviço Meteorológico (IMD) calculou 3.436.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Aplicadas tarifas zero aos países africanos A visita do Presidente moçambicano à China terminou com acordos de cooperação entre os dois países reforçados e a manifestação de solidariedade das autoridades chinesas para com o continente africano, face à turbulência internacional A China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês, anunciou Pequim. A medida consta de um comunicado oficial divulgado ontem no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento, durante um encontro com o homólogo moçambicano. Citado no comunicado oficial enviado à agência Lusa, Xi afirmou que o aprofundamento da cooperação entre Pequim e Maputo responde às expectativas dos dois povos e acompanha a tendência de maior coordenação entre os países do Sul Global face a desafios comuns. “O reforço da solidariedade e da cooperação é essencial num contexto internacional em mudança”, afirmou Xi, citado na nota. O Presidente chinês defendeu o reforço do apoio mútuo em questões de interesse central e a intensificação dos contactos entre governos, partidos e instituições, bem como a troca de experiências de governação. Xi destacou ainda a “forte complementaridade económica” entre os dois países e apontou para novas oportunidades de cooperação em áreas como infraestruturas, energia, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial. Pequim está disponível para alinhar estratégias de desenvolvimento com Moçambique, explorar novos modelos de cooperação e promover um crescimento “de alta qualidade e sustentável”, acrescentou. Num contexto internacional descrito como “turbulento”, o líder chinês apelou ao reforço da coordenação em organismos multilaterais, incluindo as Nações Unidas, defendendo um mundo “multipolar”, uma globalização económica “inclusiva” e a salvaguarda da “equidade e justiça internacionais”. Xi sublinhou também que China e África, juntamente com outros países do Sul Global, constituem “uma força de justiça” no atual cenário internacional. Apelos e acordos Sobre a situação no Médio Oriente, o Presidente chinês manifestou preocupação com o impacto do conflito na região africana e apelou ao cessar das hostilidades e à resolução de divergências através do diálogo. O líder chinês defendeu ainda o respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e apelou à prática de um “verdadeiro multilateralismo”. No plano económico, anunciou que a China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero a todos os países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, como forma de ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. Durante o encontro, os dois chefes de Estado acordaram elevar as relações bilaterais a uma “comunidade de futuro partilhado na nova era”. Daniel Chapo destacou o papel da China como “verdadeiro amigo” de Moçambique e reiterou o apoio ao princípio de “uma só China”, manifestando disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral. Após as conversações, os dois líderes assistiram à assinatura de mais de 20 acordos de cooperação em áreas como comércio, segurança, saúde e intercâmbio cultural.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCarros chineses lideram inovação e invertem papéis face à Europa À imagem da BYD, que alugou a Opéra de Paris para um espectáculo de grande dimensão, as marcas automóveis chinesas estão a entrar sem complexos na Europa, apoiadas em tecnologia que os europeus tentam replicar, numa inversão de papéis. Em grande parte desconhecidas na Europa há três anos, marcas como BYD, MG, Chery, Geely, Leapmotor, Jaecoo e Xpeng atingiram em conjunto 9 por cento das vendas na Europa em março, e mesmo 14 por cento no segmento dos veículos eléctricos, segundo a consultora Dataforce – o dobro face ao ano anterior. Alguns modelos já figuram entre os mais vendidos em países como Itália, Espanha ou Reino Unido. O seu sucesso está a abalar construtores europeus fragilizados por um mercado interno em queda desde 2019, e surpreendidos pelo plano da União Europeia para atingir 90 por cento de carros elcétricos até 2035. Em contrapartida, a política europeia acabou por beneficiar os fabricantes chineses, muito mais avançados no sector eléctrico e apoiados pelo Estado nos seus mercados de origem. “A Europa, um dos poucos grandes mercados mundiais, é um destino natural para os construtores chineses. O plano da UE para o carro eléctrico foi praticamente feito para eles, abrindo-lhes o mercado europeu em muito pouco tempo”, resumiu Jamel Taganza, responsável da consultora Inovev, citado pela agência France Presse. A exportação é ainda mais necessária para estes fabricantes do que para os europeus, dado o excesso de capacidade: as fábricas chinesas operam a cerca de 50 por cento do seu potencial, face a cerca de 60 por cento na Europa, sublinhou Alexandre Marian, analista da AlixPartners, citado pela AFP. “Os pontos fortes dos construtores chineses não se limitam aos custos laborais, passam também pela inovação”, disse Michael Foundoukidis, analista automóvel da Oddo. “Na China, oferecem hoje veículos duas vezes mais eficientes por metade do preço” face aos europeus, explicou. O próximo passo é produzir localmente. “Todos os construtores consideram que, para se implantarem num mercado, é mais simples produzir no local, evitando tarifas aduaneiras e problemas logísticos”, afirmou Lionel French Keogh, diretor comercial da Chery em França, que pretende fabricar na Europa um pequeno veículo elétrico urbano. “Se quiserem ultrapassar de forma sustentável os 10 por cento de quota de mercado na Europa, não terão outra escolha senão montar veículos no continente”, acrescentou o analista da Oddo. Em expansão As barreiras aduaneiras impostas pela União Europeia em 2024 aos veículos eléctricos importados reforçam esta tendência. A BYD vai abrir uma fábrica na Hungria. A Leapmotor, parceira da Stellantis, prevê produzir dois modelos numa fábrica do grupo em Saragoça, Espanha. Segundo a imprensa, a Stellantis equaciona também produzir modelos Leapmotor sob a marca Opel em Espanha. Já a Xpeng monta veículos na Áustria. Para responder, os construtores europeus estão a adoptar a estratégia chinesa dos anos 2000: aprender com o concorrente através de parcerias. Exemplos incluem a Stellantis com a Leapmotor e a Volkswagen com a Xpeng, que lançaram um primeiro modelo eléctrico conjunto para o mercado chinês. Outro caso é a Renault, que se aliou à Geely no desenvolvimento de motores térmicos e híbridos.
Hoje Macau China / ÁsiaGuerra da Coreia | Recebidos restos mortais de 12 soldados chineses mortos no conflito A China repatriou ontem os restos mortais de 12 soldados mortos na Guerra da Coreia, transportados num avião militar desde a Coreia do Sul, no âmbito de um acordo bilateral entre os dois países. Um avião militar Xian Y-20B aterrou na cidade de Shenyang, no nordeste do país, com os restos mortais e 146 objetos pessoais, segundo órgãos de comunicação estatais chineses. Trata-se da 13.ª repatriação conjunta desde 2014, elevando para 1.023 o número total de restos recuperados ao abrigo do acordo entre Pequim e Seul. A cerimónia de entrega decorreu no aeroporto internacional de Incheon, na Coreia do Sul, onde os caixões foram cobertos com a bandeira chinesa e escoltados com honras militares. Após a entrada no espaço aéreo chinês, o avião foi acompanhado por quatro caças Chengdu J-20, numa escolta simbólica. Os restos mortais serão agora trasladados para um cemitério de mártires em Shenyang, construído em 1952 para acolher soldados chineses mortos no conflito. Mais de dois milhões de combatentes chineses participaram na guerra em apoio à Coreia do Norte, segundo dados oficiais, com cerca de 197.600 mortos, embora estimativas ocidentais apontem para números mais elevados. A maioria dos soldados chineses que morreram na guerra permanece enterrada em território norte-coreano. O conflito, conhecido na China como “Guerra para Resistir à Agressão dos Estados Unidos e Ajudar a Coreia”, tem ganho nova visibilidade nos últimos anos, num contexto de tensões com Washington e através de produções como o filme ‘The Battle at Lake Changjin’, um dos maiores êxitos de bilheteira no país.
Hoje Macau China / ÁsiaAI | UE e líderes mundiais acusados de serem submissos A Amnistia Internacional acusou a União Europeia e os líderes mundiais de serem submissos e mostrarem relutância em denunciar actos predatórios dos EUA, da Rússia, de Israel ou da China relativamente aos direitos humanos. “A União Europeia e a maioria dos Estados europeus apaziguaram os ataques dos EUA ao direito internacional e aos mecanismos multilaterais”, criticou a organização de defesa dos direitos humanos no seu relatório anual, ontem publicado. Segundo a organização, nem a União Europeia nem a maioria dos Estados tomaram “medidas significativas para travar o genocídio de Israel ou pôr fim às transferências irresponsáveis de armas e tecnologia que alimentam crimes ao abrigo do direito internacional em todo o mundo”. “Os líderes mundiais têm sido demasiado submissos face aos ataques ao direito internacional e ao sistema multilateral. O seu silêncio e inação são imperdoáveis”, acusou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, que apresentou o relatório aos jornalistas na segunda-feira. O comportamento mostra “uma falência moral e não trará nada mais do que recuo, derrota e o apagamento de décadas de conquistas de direitos humanos duramente alcançadas”, avisou. Para a responsável da organização, “apaziguar os agressores é deitar gasolina no fogo que nos queimará a todos e devastará o futuro das gerações vindouras”. “Alguns podem sentir-se tentados a descartar o sistema construído ao longo dos últimos 80 anos”, mas isso significa “ignorar conquistas duramente alcançadas no sentido do reconhecimento dos direitos universais “que protegem contra a discriminação racial e a violência contra as mulheres, consagrando os direitos dos trabalhadores e dos sindicatos e reconhecendo os direitos dos povos indígenas”, defendeu Agnès Callamard. “Os predadores políticos e económicos, e aqueles que lhes dão apoio, estão a declarar o sistema multilateral morto, não porque seja ineficiente, mas porque não serve a sua hegemonia e controlo, disse.
Hoje Macau China / Ásia MancheteGuangdong | Inaugurada nova central nuclear em Huizhou Uma nova central nuclear com capacidade de produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora (kWh) por ano foi inaugurada na província chinesa de Guangdong. Segundo meios de comunicação chineses, uma unidade nuclear Hualong One desenvolvida pelo Grupo Nuclear Geral da China (CGN, na sigla em inglês), o maior operador nuclear do país, entrou oficialmente em operação comercial na segunda-feira em Huizhou, uma cidade a cerca de 150 quilómetros de Macau e Hong Kong. Esta unidade tem capacidade para produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora por ano, suficiente para abastecer milhões de residentes da região. Segundo o jornal estatal China Daily, o Hualong One é a primeira tecnologia nuclear de terceira geração desenvolvida de forma independente pela China e já está em operação em várias províncias, incluindo Fujian e Zhejiang. O presidente da CGN Huizhou Nuclear Power, Zhang Guoqiang, indicou ao jornal Global Times, a unidade passou por todos os testes de desempenho e funcionou durante 168 horas consecutivas em carga máxima, apresentando resultados “estáveis e seguros”. Ao mesmo jornal, o director do Instituto Sino-Francês de Tecnologia Nuclear da Universidade Sun Yat-sen, Wang Wei, considerou que a unidade nuclear será uma fonte de energia estável para apoiar o desenvolvimento económico de alta qualidade na Grande Baía. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros. Segundo o jornal, a procura por energia limpa e estável na região tem vindo a aumentar, com o consumo total de electricidade da província de Guangdong a atingir 958,97 mil milhões de kWh em 2025, um crescimento de 4,93 por cento em relação ao ano anterior, colocando a província no topo do consumo energético nacional. A província de Guangdong já é um importante polo de energia nuclear na China, e detém várias centrais nucleares de grande dimensão, incluindo Daya Bay, Yangjiang e Taishan. O projecto Taipingling, entretanto, prevê a construção de seis unidades Hualong One em três fases. Quando concluído, espera-se que produza mais de 55 mil milhões de kWh por ano, o que permitirá poupar cerca de 16,65 milhões de toneladas de carvão padrão e reduzir aproximadamente 50,82 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono. Base energética Com a entrada em funcionamento da Unidade 1, a CGN passa a operar 29 unidades nucleares com uma capacidade total de 33,04 milhões de quilowatts. A empresa tem ainda 19 unidades em construção, das quais 17 utilizam a tecnologia Hualong One, consolidando a tecnologia como uma “pedra basilar da futura matriz energética da China”. O China Daily acrescentou que o Hualong One já está em operação em outras províncias, como Fujian e Zhejiang, e que a CGN está a investir fortemente em digitalização e inteligência artificial para melhorar a segurança e eficiência das centrais nucleares. Estes esforços fazem parte da estratégia nacional para atingir a neutralidade carbónica até 2060, na qual a energia nuclear foi incluída como “pilar essencial”.
Hoje Macau China / ÁsiaDesemprego jovem na China sobe para 16,9% A taxa de desemprego jovem na China, um dos principais desafios sociais do país, subiu em Março de 16,1 por cento para 16,9 por cento, após seis meses de descidas, num contexto de número recorde de licenciados. Dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatística da China mostram que este indicador, que mede o desemprego entre jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos nas zonas urbanas, regressou ao nível de Novembro e atingiu o valor mais elevado desde Outubro. Em Agosto, o desemprego jovem tinha voltado a máximos (18,9 por cento) desde que, em 2023, as autoridades suspenderam temporariamente a divulgação destes dados após um pico histórico de 21,3 por cento. A publicação foi retomada com um novo método, que exclui estudantes do cálculo para “reflectir de forma mais precisa” que a procura de emprego “não era uma prioridade” para este grupo. Segundo dados oficiais publicados na semana passada, a taxa de desemprego urbano a nível nacional – excluindo zonas rurais – passou de 5,3 por cento para 5,4 por cento. A redução gradual do desemprego jovem nos últimos meses foi atribuída, segundo órgãos locais, à absorção progressiva pelo mercado de trabalho de um número recorde de 12,2 milhões de licenciados, cuja limitada experiência profissional constitui um obstáculo num mercado afectado por riscos de deflação e incertezas externas. Perante a dificuldade em encontrar empregos adequados à sua formação, muitos jovens optam por prolongar os estudos com pós-graduações, enquanto outros acabam por aceitar empregos de menor qualificação, como o de estafeta. As autoridades chinesas colocaram o emprego jovem entre as principais prioridades, devido ao impacto potencial no consumo e aos riscos para a estabilidade social, considerada essencial por Pequim.
Hoje Macau China / ÁsiaMoçambique | PR quer “nova página” na cooperação com a China Daniel Chapo, de visita à China, quer dar mais um impulso às relações económicas e comerciais entre os dois países O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou a intenção de abrir uma nova página para a cooperação económica e comercial com a China, visando uma transformação económica “real, tangível e mensurável” nos dois países. “Moçambique está, neste momento, num momento de viragem. Cinquenta anos depois da independência, 50 anos de cooperação China-Moçambique, as nossas relações políticas e diplomáticas são excelentes, agora queremos abrir uma nova página para a cooperação económica e comercial”, declarou Daniel Chapo, durante uma mesa redonda na China, indica informação enviada ontem pela Presidência de Moçambique. Durante a mesa redonda, na segunda-feira, sobre desenvolvimento e investimento Moçambique-China, na província chinesa de Qinghai, o chefe de Estado moçambicano disse que os dois países estão ligados por uma história que atravessa séculos e geografias, numa relação forjada na solidariedade, confiança e respeito mútuo. É na continuidade dessa cooperação que o estadista africano espera transformar, junto do país asiático, “oportunidades em decisões, intenções em compromisso”, com a assinatura de compromissos em investimentos concretos em Moçambique. “Estamos aqui para falar de projectos, parcerias e resultados. Mais do que isso, estamos aqui para transformar confiança em investimentos, investimento em transformação económica real, tangível e mensurável para o bem do povo moçambicano e o bem do nosso povo irmão da China e, em particular, desta província de Qinghai”, acrescentou o Presidente de Moçambique. Riquezas por explorar Segundo Chapo, Moçambique oferece, entre outros, oportunidades nas áreas da agricultura, tecnologia, mineração, exploração de gás, petróleo e também na exploração de todos os tipos de minerais que existem no país. “É um país rico em minerais, um país rico em agricultura, um país rico em turismo, um país que está neste momento a conceber as zonas económicas especiais para criar incentivos, abrir as portas para investimentos dos nossos irmãos da China e em particular daqui de Qinghai”, assinalou o dirigente. O chefe do Estado moçambicano afirmou que investidores chineses podem encontrar em Moçambique um ambiente propício para investir e estabelecer parcerias, aproveitando as oportunidades existentes no país e o enquadramento criado pela iniciativa de tarifa zero anunciada pelo Presidente Xi Jinping, que pode impulsionar as exportações moçambicanas para a China, promover o crescimento conjunto e gerar valor acrescentado para ambas as economias. “Estamos a fazer muitas reformas no Estado para abrir o país ao negócio e, em especial, aos nossos irmãos da China e, muito em especial, de Qinghai, que demonstra que é possível crescermos juntos, reduzirmos a pobreza juntos e construirmos uma economia sustentável baseada em energia limpa e inovação”, concluiu o Presidente. Daniel Chapo encontra-se em Pequim desde a semana passada para uma visita de Estado, num contexto em que Moçambique e a China assinalam 50 anos de relações diplomáticas e procuram aprofundar a cooperação estratégica.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Onda de tsunami após sismo de magnitude 7,7 Uma onda de tsunami de 80 centímetros atingiu ontem um porto no norte do Japão, após um sismo de magnitude 7,7 ter abalado o norte do país, anunciou a Agência Meteorológica Japonesa (JMA). A onda foi observada às 17:34 no porto de Kuji, na prefeitura de Iwate, dois minutos após uma primeira vaga de 70 centímetros e 41 minutos depois do sismo, precisou a JMA. “Por favor, saiam imediatamente das zonas” assinaladas, pediu a primeira-ministra, Sanae Takaichi, numa mensagem em vídeo divulgada pela televisão NHK. O sismo ocorreu nas águas do Pacífico, ao largo da costa norte da prefeitura de Iwate, a cerca de 100 quilómetros do porto de Kuji, na costa de Sanriku, a uma profundidade de 10 quilómetros, segundo dados preliminares. A JMA emitiu alertas de tsunami para as zonas costeiras desde Hokkaido até à prefeitura de Fukushima, com ondas que poderiam atingir os três metros. Takaichi informou em declarações à imprensa que o seu gabinete estava a “confirmar a extensão dos danos humanos e materiais”. A JMA alertou que eram de esperar danos causados pelas ondas do tsunami. “Abandonem imediatamente as regiões costeiras e as zonas ribeirinhas para um local mais seguro, como um terreno elevado ou um edifício de evacuação”, declarou a agência. “Prevê-se que as ondas do maremoto atinjam a costa repetidamente. Não abandonem os locais seguros enquanto o alerta não for levantado”, acrescentou. A NHK, que interrompeu de imediato a programação normal para dar informações sobre o sismo e o tsunami, divulgou imagens da zona afectada, sem que se vissem estragos significativos. “Vão para locais seguros, não arrisquem a vida”, pediu diversas vezes uma locutora de serviço de acordo com o serviço em inglês da NHK, enquanto se viam imagens em directo das ondas de tsunami em zonas portuárias. Outros perigos As autoridades alertaram que ondas superiores às já observadas poderão atingir a costa japonesa. O centro de avisos de Honolulu alertou para a possibilidade de ondas de tsunami atingirem países e territórios como Rússia, Coreia do Norte, Guam, Ilhas Marshall, Marinas do Norte e Filipinas. O diretor da Divisão de Observação de Terremotos e Tsunamis da JMA, Shinji Kiyomoto, alertou para a possibilidade de ocorrerem sismos de escala semelhante na mesma zona nos próximos dias, como aconteceu em ocasiões anteriores. Os operadores nucleares não detectaram anomalias nem níveis invulgares de radioactividade em torno das centrais nucleares, noticiou a NHK, citada pela agência de notícias espanhola EFE. A empresa de energia TEPCO anunciou que “não foi confirmado qualquer impacto” nas instalações nem na infraestrutura das suas centrais nucleares, mas confirmou que ordenou a saída dos trabalhadores em Fukushima Daiichi e Fukushima Daini. Devido aos cortes de electricidade e à activação do sistema de prevenção, o serviço de comboios, incluindo o comboio de alta velocidade, foi suspenso em vários pontos do país, como no trajecto entre Tóquio e Shizuoka. No início de dezembro de 2025, um sismo de 7,5 ao largo da costa da prefeitura de Aomori causou mais de trinta feridos e provocou ondas de até 70 centímetros, mas não foram reportados danos maiores. O Japão situa-se sobre o chamado Anel de Fogo, uma das zonas sísmicas mais activas do mundo, e sofre sismos com relativa frequência, pelo que as infraestruturas do país estão especialmente desenhadas para resistir aos abalos. Possibilidades catastróficas O Japão emitiu um alerta de um sismo de magnitude superior a 8,0, depois de um violento abalo ter atingido o norte do arquipélago e desencadeado um aviso de tsunami. “Embora não seja certo que um sismo de grandes proporções venha efectivamente a ocorrer, pedimos que tomem medidas de preparação para catástrofes”, declarou um representante do Governo perante a imprensa. O abalo ocorrido ontem foi reavaliado para 7,7, depois de inicialmente ter sido avaliado com uma magnitude 7,4. Os abalos foram tão violentos que fizeram tremer, durante mais de um minuto, grandes edifícios até Tóquio, a várias centenas de quilómetros de distância.