Hoje Macau China / ÁsiaChina | Detido veterano repórter de investigação Um veterano jornalista de investigação chinês foi detido pelas autoridades da província de Sichuan, no sudoeste da China, após publicar um artigo crítico da actuação de dirigentes locais, informou ontem a imprensa local. A polícia do distrito de Jinjiang, em Chengdu, capital da província, informou na segunda-feira, através das redes sociais, que duas pessoas, identificadas apenas pelos apelidos Liu (50 anos) e Wu (34 anos), foram colocadas sob “medidas coercivas criminais de acordo com a lei”, por suspeitas de “falsas acusações” e “operações comerciais ilegais”. De acordo com o jornal chinês Caixin, os detidos são o jornalista Liu Hu e a assistente, Wu Lingjiao. Liu Hu é conhecido pelo trabalho como repórter de investigação no jornal New Express, sediado em Cantão. Nos últimos anos, tem mantido uma conta nas redes sociais onde publica reportagens independentes, sobretudo sobre conflitos entre empresas privadas e autoridades locais. Na quinta-feira passada, Liu publicou um artigo, que foi, entretanto, apagado, no qual citava uma fonte que acusava Pu Fayou, secretário do Partido Comunista na vila de Pujiang (sob jurisdição de Chengdu), de abuso de poder e repressão a empresários locais. O artigo também referia a alegada ligação de Pu à demolição forçada de duas propriedades do professor universitário Tuo Jiguang, que se suicidou em 2021 após um prolongado litígio com as autoridades. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um funcionário do comité do Partido em Pujiang confirmou que foi criada uma equipa de investigação conjunta entre Chengdu e Pujiang, afirmando que as autoridades “estão a dar grande prioridade” às alegações feitas por Liu. No entanto, recusou fornecer mais detalhes.
Hoje Macau China / ÁsiaDepressão Kristin | Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal O Governo de Timor-Leste aprovou ontem, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin. “Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afectadas”, pode ler-se no comunicado do conselho de ministros. Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Protecção Civil contabilizou cinco mortes directamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro. Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve. Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata. Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias. “Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas. Eleições no caminho O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro. Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | Pequim denuncia “proteccionismo” após investigação ao fabricante eólico Goldwind A China acusou ontem a União Europeia de protecionismo por abrir uma investigação ao fabricante de energia eólica Goldwind por alegados subsídios estatais, advertindo que este tipo de medidas “mina a confiança” das empresas chinesas na Europa. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do “abuso de instrumentos comerciais unilaterais”, ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial “justo, transparente e não discriminatório” para empresas de todos os países. Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as “autoridades competentes” chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas “discriminatórias e restritivas” contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afecta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa. O porta-voz reiterou ainda que Pequim “salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas”, em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em sectores considerados estratégicos. A reacção chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim –como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis – possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE. A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE actividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi conversa por videoconferência com Putin O Presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa por videoconferência com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem adiantar, para já, o conteúdo do encontro. China e Rússia mantêm fortes laços económicos, diplomáticos e militares, que se intensificaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Xi Jinping e Vladimir Putin trocaram, em 31 de Dezembro, mensagens de felicitações por ocasião do Ano Novo. Os dois líderes encontraram-se no início de Setembro, em Pequim, à margem do desfile militar organizado pela China para assinalar os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Esta nova conversa entre Xi e Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos afirmam estar próximos de alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Russos e ucranianos continuam hoje com as reuniões iniciadas ontem para novas rondas de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A China apresenta-se como uma parte neutra neste conflito e afirma não fornecer ajuda letal a nenhum dos lados, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.
Hoje Macau China / ÁsiaEncontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim. O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé. Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito. “Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou. Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito. “A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim. Um só país O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano. O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha. A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.
Hoje Macau China / ÁsiaSondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus. O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento. O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento). Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica. O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”. Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.
Hoje Macau China / ÁsiaFortes nevões no Japão causam pelo menos 30 vítimas mortais nas últimas duas semanas Fortes nevões mataram 30 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, incluindo uma mulher de 91 anos encontrada soterrada na neve em frente à sua casa, anunciaram ontem as autoridades. A maioria das mortes, 12, ocorreu na província de Niigata, na região central do arquipélago. Outras 324 pessoas ficaram feridas em todo o país, algumas com gravidade, enquanto nove mortes, possivelmente relacionadas com a neve, ainda não foram oficialmente registadas, aguardando investigação. O Governo japonês mobilizou militares para auxiliar os residentes da província de Aomori, a zona mais atingida, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. A primeira-ministra Sanae Takaichi convocou ontem uma reunião de emergência do seu gabinete, instando os ministros a fazerem todo o possível para proteger vidas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. De 20 de janeiro até ontem, 30 pessoas morreram na sequência do mau tempo, segundo a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Desastres. Entre elas estava Kina Jin, de 91 anos, cujo corpo foi encontrado debaixo de três metros de neve, em frente à sua casa em Aomori, no norte de Honshu, a maior ilha do arquipélago, disse um agente da polícia local à agência de notícias France-Presse. A polícia acredita que foi soterrada pela neve que caiu do telhado e morreu por asfixia, disse o agente. Uma pá foi encontrada junto ao corpo. O governador de Aomori, Soichiro Miyashita, disse na segunda-feira que pediu ao exército que oferecesse assistência em caso de desastre e ajudasse os idosos a limpar a neve das suas casas. Paredes de neve que atingem os 183 centímetros de altura cobrem o solo na capital da província — também chamada Aomori —, acrescentou Miyashita, referindo que as equipas de remoção de neve estavam sobrecarregadas. “O risco de acidentes potencialmente fatais, por exemplo, devido à queda de neve dos telhados ou ao colapso de edifícios, é iminente”, alertou o governador, em conferência de imprensa. Sobe e desce As autoridades meteorológicas esperam que as temperaturas subam ligeiramente a partir de hoje, mas voltem a descer durante o fim de semana em todo o arquipélago. A neve poderá regressar à costa do mar do Japão já no domingo, o mesmo dia em que o país realiza eleições gerais antecipadas. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições em Fevereiro.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com PR do Uruguai A viagem do Presidente uruguaio à China fica assinalada pela assinatura de vários acordos e o reforço das relações entre as duas nações O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem à promoção de um mundo “multipolar e equitativo” e a uma “globalização económica inclusiva”, durante um encontro com o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Durante a reunião, Xi reafirmou que a China “atribui sempre grande importância às relações com a América Latina” e reiterou o apoio de Pequim aos países da região “na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento”. “A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China – América Latina”, declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. O líder chinês manifestou ainda o apoio à actuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul. Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de “complexidade e turbulência crescentes”, com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês. O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização “inclusiva e benéfica para todos”, como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento. Entre amigos No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação. O líder chinês mencionou ainda oportunidades em sectores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais. Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu “melhor momento histórico”, sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai. O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de ‘Uma Só China’. Parceiro principal Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26 por cento das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais. A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de carácter económico e comercial.
Hoje Macau China / ÁsiaPC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto. “Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA. “O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou. Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo. Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo. Todos juntos As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV. Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”. A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores. O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.
Hoje Macau China / ÁsiaSegurança | Proibidas maçanetas embutidas em carros a partir de 2027 A China vai proibir, a partir de 2027, a venda de veículos equipados unicamente com pegas embutidas na carroçaria, populares por razões estéticas, mas consideradas perigosas em caso de acidente, anunciou o Governo chinês. Estas maçanetas, comuns em muitos veículos eléctricos vendidos no país, têm ganho popularidade ao longo da última década pelo seu design aerodinâmico e minimalista. No entanto, podem tornar-se um risco mortal se o sistema eléctrico falhar, impedindo a abertura manual das portas. Segundo as novas regras divulgadas na segunda-feira pelo ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, os veículos vendidos no mercado chinês deverão, a partir de 01 de Janeiro de 2027, estar obrigatoriamente equipados com mecanismos mecânicos de abertura, tanto exteriores como interiores. Os modelos já homologados terão um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à nova norma, indicou o ministério, sublinhando que a medida visa “melhorar o nível de segurança”. A decisão surge na sequência de crescente preocupação na China com a segurança destas maçanetas embutidas. Um caso mediático ocorreu em Outubro, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo eléctrico da marca Xiaomi que se incendiou após um acidente em Chengdu, no sudoeste do país. O condutor, que estaria alcoolizado, morreu no local. As novas regras determinam ainda que os fabricantes reforcem a visibilidade das maçanetas interiores, exigindo sinalização obrigatória dentro do veículo. A China é actualmente o maior mercado mundial de veículos elétricos, com dezenas de construtores a operar no sector e a expandir as suas actividades para o exterior. Segundo estatísticas divulgadas em Janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou, pela primeira vez, a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos eléctricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial deste segmento.
Hoje Macau China / ÁsiaMoeda | Xi Jinping quer renmimbi com estatuto de divisa de reserva mundial Xi quer que o renmimbi deixe de ser visto como uma “moeda grande” e passa a ser usado como uma “moeda forte” O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que a China deve construir uma “moeda forte” com utilização alargada no comércio internacional, investimento e mercados cambiais, capaz de atingir o estatuto de divisa de reserva global. O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês. Na intervenção dirigida a quadros provinciais e ministeriais, Xi traçou os atributos essenciais de uma potência financeira: uma base económica sólida, força tecnológica de topo, instituições financeiras competitivas, centros financeiros internacionais influentes e uma moeda credível e amplamente utilizada. “A economia da China já se encontra entre as maiores do mundo em activos bancários, reservas cambiais e dimensão dos mercados de capitais, mas continua a ser ‘grande, mas não forte’”, afirmou o líder chinês, sublinhando que transformar o país numa potência financeira será uma tarefa de longo prazo. A divulgação do discurso surge num momento em que Pequim intensifica os esforços para internacionalizar o renmimbi e reforçar a sua estabilidade, numa conjuntura marcada por incerteza nos mercados globais e crescentes dúvidas sobre a força do dólar norte-americano. Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado – até 25 por cento abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de Janeiro. A posição de Pequim é de cautela: o banco central prefere uma moeda estável, mas evita valorizações rápidas. Apesar disso, a utilização internacional do renmimbi continua limitada. A compensação diária de pagamentos transfronteiriços ronda os 100 mil milhões de dólares, muito abaixo dos cerca de dois biliões movimentados pelo sistema interbancário em dólares. Sinais de avanço Um sinal recente da expansão do uso do renmimbi foi dado pela Zâmbia, que começou, em Janeiro, a cobrar impostos e dividendos a empresas mineiras chinesas directamente em moeda chinesa, canalizando-a depois para o financiamento de importações e pagamento de dívida a Pequim. Especialistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post afirmaram que a decisão reflecte, sobretudo, a necessidade urgente da Zâmbia de mitigar a escassez de dólares e gerir melhor a sua dívida. No entanto, representa também um avanço silencioso na estratégia chinesa de promover o renmimbi como alternativa em países com forte dependência comercial da China. “Ao aceitar a moeda do seu maior credor e parceiro comercial, o governo dá um passo racional para reduzir custos de transação e aliviar pressões na balança de pagamentos”, comentou Charles Mak, docente da Universidade de Bristol. Xi defendeu que uma verdadeira potência financeira requer, além de estabilidade macroeconómica, “um sistema legal sólido, regulamentação eficaz e um número suficiente de profissionais financeiros com elevada competência”. Acrescentou ainda que o país deve “melhorar continuamente a capacidade de regular os mercados, prevenir riscos sistémicos e manter a estabilidade financeira global”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteReino Unido e Japão reforçam cooperação em defesa e segurança O Reino Unido e o Japão chegaram sábado a acordo para reforçar a cooperação em defesa e segurança, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, após uma visita de Keir Starmer à China criticada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. O primeiro-ministro britânico anunciou em Tóquio ter alcançado um entendimento com a sua homóloga japonesa, Sanae Takaichi, para aprofundar a parceria bilateral nos próximos anos, abrangendo a segurança colectiva nas regiões euro-atlântica e indo-pacífica. “Definimos claramente como prioridade aprofundar ainda mais a nossa parceria nos próximos anos”, declarou Keir Starmer ao lado de Sanae Takaichi, no final de uma reunião no Japão. “Isso implica trabalharmos em conjunto para reforçar a nossa segurança colectiva, tanto no espaço euro-atlântico como na região indo-pacífica”, acrescentou. Os dois líderes deverão aprofundar a questão da “cooperação com vista à concretização de uma região Indo-Pacífica livre e aberta, bem como a situação no Médio Oriente e na Ucrânia”, indicou Sanae Takaichi. A primeira-ministra japonesa precisou ainda que Londres e Tóquio acordaram a realização, ainda este ano, de uma reunião entre os seus ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros. No plano da segurança económica, Londres e Tóquio concordaram na importância de reforçar as cadeias de abastecimento entre países com valores comuns, nomeadamente no acesso a matérias-primas críticas como as terras raras, essenciais para sectores estratégicos. Paralelamente, Starmer e Takaichi anunciaram uma nova aliança estratégica nos domínios da cibersegurança, da energia eólica e da energia nuclear, com o objectivo de impulsionar o crescimento económico e a resiliência industrial, incluindo a diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos. O primeiro-ministro britânico destacou ainda o potencial de cooperação na energia eólica ‘offshore’ – em águas profundas – e na energia nuclear, enquanto o Japão tem vindo a reforçar o peso desta última no seu mix energético para reduzir a dependência de importações e cumprir metas de descarbonização. Oriente concorrido A visita de um dia ao Japão ocorreu após uma deslocação de quatro dias à China, onde Starmer se reuniu com o Presidente Xi Jinping e outros dirigentes chineses. Nas últimas semanas, dirigentes franceses, canadianos e finlandeses deslocaram-se em grande número a Pequim, indignados com a tentativa de Donald Trump de se apoderar da Gronelândia e com as suas ameaças de imposição de direitos aduaneiros contra os aliados da NATO. Na quinta-feira, o Presidente norte-americano advertiu que era “muito perigoso” para Londres lidar com a China. Declarações que Keir Starmer desvalorizou, sublinhando que Donald Trump também deverá deslocar-se à China nos próximos meses. Paralelamente, as relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se após declarações de Sanae Takaichi, em Novembro, que deixaram entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque chinês contra Taiwan.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim reage a decisão sobre portos no Panamá e promete tomar medidas A China afirmou sexta-feira que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger os interesses das suas empresas, após o Supremo Tribunal do Panamá anular a concessão portuária atribuída à subsidiária do grupo de Hong Kong CK Hutchison. Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun recordou que a empresa afectada já se pronunciou sobre o caso e que considera a decisão judicial panamiana “contrária à base legal” sob a qual os direitos de concessão foram aprovados. “A CK Hutchison reserva todos os seus direitos, incluindo o recurso à via judicial”, afirmou o porta-voz, acrescentando que “o Governo chinês tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”. Guo Jiakun evitou comentar o conteúdo do acórdão ou as decisões do sistema judicial panamiano. Na quinta-feira, o Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a renovação, em 2021, da concessão de 25 anos atribuída à Panama Ports Company para operar os portos localizados nas duas extremidades do Canal do Panamá. A decisão seguiu-se a uma auditoria que apontou graves irregularidades, pagamentos em falta, erros contabilísticos e até a existência de uma alegada “concessão fantasma” em operação desde 2015. As autoridades panamianas estimam perdas de 300 milhões de dólares desde a renovação do contrato e um total de 1,2 mil milhões de dólares ao longo da vigência do contrato original, iniciado em 1997. A decisão judicial não especifica, para já, o destino das operações portuárias afectadas. Donald ataca A questão tornou-se altamente sensível a nível geopolítico. A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, fez da contenção da influência chinesa sobre o Canal do Panamá uma prioridade estratégica na região. O actual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escolheu o Panamá como primeira deslocação internacional no cargo, sinalizando a importância do dossiê para Washington. Apesar das garantias do Governo panamiano e da Autoridade do Canal de que a China não interfere na operação da infraestrutura, Rubio reiterou que o controlo dos portos constitui uma questão de segurança nacional para os EUA. Trump chegou mesmo a declarar publicamente que o Panamá deveria “devolver o canal aos Estados Unidos”. Em paralelo, a CK Hutchison anunciou no ano passado um acordo para vender a sua participação maioritária nos portos panamianos – e noutros activos internacionais – a um consórcio que inclui a norte-americana BlackRock Inc., mas o negócio terá sido travado devido à oposição do Governo chinês.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCuba | Pequim condena medidas dos EUA contra abastecimento energético Donald Trump lançou mais um ataque contra a ilha ameaçando impor ou aumentar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, país que já sofre há anos com o embargo norte-americano A China expressou sexta-feira o seu apoio a Cuba e condenou as medidas adoptadas pelos Estados Unidos contra o fornecimento de petróleo à ilha, considerando que priva a sua população do direito ao desenvolvimento. O portavoz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que Pequim “apoia firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania e segurança nacionais” e se opõe à “ingerência externa” e a “práticas inumanas que privam o povo cubano do direito à sobrevivência e ao desenvolvimento”. As declarações de Pequim surgem após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que permite impor tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, enquadrando a situação em Havana como uma “ameaça extraordinária” para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos. A ordem confere aos departamentos do Comércio e de Estado dos EUA poderes para determinar que países podem ser alvo de taxas alfandegárias, num contexto em que Washington apontou China, Rússia e Irão entre os actores com ligações energéticas a Cuba. Pequim evitou comentar eventuais impactos concretos destas medidas nas relações comerciais com os Estados Unidos, mas reiterou o seu veto às sanções unilaterais e a qualquer política de pressão que, na sua perspectiva, agrave a situação humanitária na ilha. Derrubar barreiras A China tem defendido de forma reiterada o levantamento do embargo económico dos EUA a Cuba e criticado o uso de sanções como instrumento de política externa, instando Washington a pôr fim às barreiras que, segundo Pequim, impedem o desenvolvimento do povo cubano e minam a paz e a estabilidade regional. Nos últimos anos, os dois países têm mantido cooperação em áreas como assistência financeira e fornecimento de bens essenciais, e, segundo analistas, Cuba revendia parte do petróleo subvencionado que recebia da Venezuela, ajuda energeticamente essencial para o funcionamento da ilha, situação que se complicou após a intervenção dos EUA na Venezuela em Janeiro.
Hoje Macau China / Ásia MancheteVisita | Starmer defende “parceria estratégica e de longo prazo” com a China A visita do primeiro-ministro britânico à China visa relançar as relações entre os dois países e projectar parcerias sólidas para os próximos anos O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu que Londres e Pequim “precisam de uma parceria estratégica, consistente e de longo prazo”, na sua primeira visita oficial à China, que visa reatar relações bilaterais e reforçar laços económicos. Na primeira deslocação de um chefe de Governo britânico ao país asiático em oito anos, Starmer defendeu a construção de uma relação “consistente, estratégica e abrangente” com Pequim. “A China é um actor vital à escala global. O Reino Unido e a China precisam de uma parceria de longo prazo”, disse Starmer ao Presidente chinês, Xi Jinping, sublinhando a importância de trabalhar em conjunto em áreas como a estabilidade global, o crescimento económico e as alterações climáticas. Xi Jinping reconheceu que as relações bilaterais “passaram por altos e baixos” nos últimos anos, o que “não serviu os interesses de ambos os países”. Antes do encontro com Xi, Starmer foi recebido pelo presidente da Assembleia Nacional Popular chinesa, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. O líder britânico classificou a visita como “histórica” e disse esperar “dias produtivos” de diálogo sobre segurança global e cooperação económica. A visita inclui também um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com quem deverá presidir à assinatura de vários acordos bilaterais centrados em áreas como energias limpas, saúde, indústrias criativas e fabrico inteligente, segundo o ministério do Comércio da China. A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, com um saldo favorável de 42 mil milhões de libras para Pequim, segundo dados do Departamento de Comércio britânico. Starmer chegou à China acompanhado de membros do seu gabinete e de uma comitiva de cerca de 60 empresários e representantes culturais, incluindo executivos do HSBC, da farmacêutica GSK e das construtoras automóveis Jaguar e Land Rover. Novo ciclo O objectivo declarado da visita é reforçar os laços económicos e atrair investimento estrangeiro num momento em que a economia britânica enfrenta dificuldades. Fontes de Downing Street indicaram também que Londres procura discutir com as autoridades chinesas a renovação das instalações da sua embaixada em Pequim e temas como a imigração ilegal. A visita de Starmer insere-se num novo ciclo de contactos diplomáticos com Pequim por parte de aliados ocidentais. Só este mês, a capital chinesa recebeu os líderes da Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, e o chanceler alemão deverá visitar a China em Fevereiro. Esta reaproximação coincide com o arrefecimento das relações de várias capitais com Washington, após a chegada ao poder de Donald Trump.
Hoje Macau China / Ásia InternacionalPCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. “O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial. O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação. Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais. De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação. O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais. Áreas de interesse O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional. “A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou. O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa. Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”. Mais perto A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump. Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos. “A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial. A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado. Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Pequim recebe Starmer com boas expectativas sobre as relações com Londres O primeiro-ministro inglês está de visita à China esta semana. A primeira viagem, em oito anos, de um líder britânico ao país reflecte uma maior aproximação entre as duas nações face à instabilidade internacional A China destacou ontem a necessidade de reforçar a “confiança política” e aprofundar a cooperação com o Reino Unido, face à visita oficial que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, realizará ao país asiático esta semana. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, afirmou em conferência de imprensa que Pequim está disposta a aproveitar a viagem para “melhorar a confiança política mútua”, aprofundar a cooperação prática e “abrir um novo capítulo” no desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais. Guo lembrou que o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com Starmer em Agosto de 2024 e reuniu-se com ele em Novembro durante a cimeira do G20 no Rio de Janeiro, contactos que “colocaram as relações bilaterais no caminho da melhoria”. A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre entre quarta-feira e sábado. O porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que a China e o Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm interesses comuns em manter a comunicação e reforçar a cooperação num cenário internacional marcado pela instabilidade. Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai. Segundo Guo, ambas as partes abordarão as relações bilaterais e assuntos de interesse comum. Quente e frio O porta-voz destacou ainda que o actual governo trabalhista britânico manifestou a sua vontade de desenvolver uma relação “coerente, duradoura e estratégica” com a China e de promover o diálogo e a cooperação entre os dois países. Questionado sobre informações relativas a um possível endurecimento do escrutínio britânico sobre as actividades chinesas no Reino Unido, Guo limitou-se a reiterar que reforçar os intercâmbios, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação “responde aos interesses de ambos os países e do mundo”. A visita de Starmer ocorre num momento de reajuste da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o arrefecimento das relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países. A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”. O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”. Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”. O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim. Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Número de professores portugueses bate recorde em 2026 O número de professores portugueses a leccionar nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste (Escolas CAFE) vai atingir este ano o recorde de 145 docentes, disse ontem o embaixador de Portugal em Díli. “No quadro das escolas CAFE vamos ter em 2026 um número sem precedentes de professores aqui em Timor-Leste. Em 2026, vamos atingir o número de 145 professores portugueses a leccionar em Timor-Leste ao abrigo do programa CAFÉ”, disse Duarte Bué Alves. Duarte Bué Alves falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli. Segundo o diplomata, o primeiro grupo de professores chegou no sábado e até ao início de Fevereiro vai atingir-se “um número recorde e sem precedentes de 145 professores portugueses”, que se vão juntar aos cerca de 200 professores timorenses, que também leccionam nas Escolas CAFE. Duarte Bué Alves disse também que este ano se prevê iniciar a expansão e alargamento do projeto. “O CAFE já está em 14 municípios e agora queremos ir mais além e penso que em 2026 estaremos em condições de crescer para além dessas 14 escolas”, salientou. Pilares de qualidade O projecto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE teve início em 2014 e já está presente nos 14 municípios timorenses, prevendo-se a extensão daqueles estabelecimentos de ensino para os postos administrativos do país. Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, actualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses. O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses. Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste. O ano lectivo em Timor-Leste começa em Janeiro e termina em Dezembro. Portugal e Timor-Leste assinaram, em 2024, o Programa Estratégico de Cooperação (PEC) para o período entre 2024 e 2028 com um valor de 75 milhões de euros e mais dois acordos relativos à reabilitação de património e infraestruturas. Sobre o encontro com o Presidente José Ramos-Horta, Duarte Bué Alves afirmou que foram discutidos vários assuntos, entre as quais a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por Timor-Leste e a crise na Guiné-Bissau.
Hoje Macau China / ÁsiaEmpréstimos a África caem para metade em 2024 Angola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo. Os dados, divulgados esta semana num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Luanda a liderar. A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos. Energia, estradas e portos No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão elétrica (641 milhões de euros) e a um projeto de infraestruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (582 milhões de euros). Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente. A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares. “O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco”. Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egito – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares. O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento direto, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue. Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento direto para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado. “À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim retira apoio estatal aos mercados de valores para conter a euforia bolsista A agência Bloomberg noticiou ontem que os fundos e instituições estatais usados por Pequim para injectar capital nos mercados de valores, para os estabilizar, parece estar agora a liquidar investimentos para refrear a euforia bolsista. Estimativas da Bloomberg indicam que a Huijin Investment, subsidiária do fundo soberano CIC, que faz parte do grupo utilizado por Pequim para intervir nos mercados, vendeu o equivalente a cerca de 67,5 mil milhões de dólares em participações em 14 fundos cotados (ETF) em apenas seis sessões até à última quinta-feira. Embora a China não tenha um fundo oficial de estabilização, a “equipa nacional”, como é designada, desempenha esse papel desde 2015, quando Pequim ordenou à Huijin Investment e a outros organismos estatais de investimento que resgatassem os mercados perante uma queda que acabou por ascender a cerca de cinco biliões de dólares. As autoridades recorreram novamente a essa fórmula em 2023, após atingirem os mínimos em cinco anos. Em agosto de 2025, após uma campanha agressiva de investimento, a Central Huijin contava com cerca de 180 mil milhões de dólares em ETF, pelo que alguns analistas apontam agora que a escala da liquidação “aponta para um esforço proativo para facilitar uma correção de preços em setores sobreaquecidos”. As vendas podem ter como objetivo drenar os “excessos especulativos” de certas áreas do setor tecnológico, como aplicações de inteligência artificial, que dispararam nos últimos meses, apesar de ainda não oferecerem garantias de rentabilidade. Apesar dessa aparente intenção específica, especialistas e gestores apontam que a mudança de rumo poderia “alterar as expectativas” dos mercados em geral e consideram que a estratégia agora deve concentrar-se em valores em que o peso do investimento da “equipa nacional” seja menor, para evitar o impacto das vendas. Outros investidores acreditam que a retirada do apoio estatal é “um passo para promover um mercado em alta de forma gradual”, ou seja, que as autoridades não pretendem acabar com a tendência positiva dos mercados, mas sim garantir que o ritmo das subidas não seja excessivo. O facto de a volatilidade do CSI 300, o índice que mede a valorização das trezentas principais ações das bolsas de Xangai e Shenzhen, estar em mínimos desde maio, é visto por fontes do setor como uma demonstração da forte procura institucional por ações da China continental. Além disso, de acordo com Zhu Zhenxin, da Asymptote Investment Research, “vender agora libertará posições [de investimento] para que [os membros da ‘equipa nacional’] possam oferecer um impulso noutro momento de risco no futuro”, evitando assim uma bolha – e a sua consequente explosão – como a de 2015.
Hoje Macau China / ÁsiaAcordo com Canadá não visa terceiros A China afirmou ontem que o seu recente acordo comercial com o Canadá não visa “nenhuma terceira parte”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado retaliar e impor tarifas de 100% sobre produtos canadianos. Perante a guerra comercial iniciada por Trump, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tem apostado na procura de novos mercados na Ásia e na Europa. No início de janeiro selou, segundo os seus termos, “um acordo comercial preliminar, mas histórico, visando eliminar os obstáculos ao comércio e reduzir as taxas alfandegárias” com a China. Donald Trump afirmou no sábado que pode impor “taxas de 100%” sobre as importações canadianas nos Estados Unidos, caso se concretize um acordo comercial entre o Canadá e a China. “Para a China, as relações entre Estados devem basear-se numa lógica de ganhos mútuos, não de jogos de ‘tudo ou nada’, e na cooperação, não no confronto”, reagiu Guo Jiakun, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa. “A China e o Canadá estão a construir uma parceria estratégica de novo tipo (…). Isso não visa nenhuma terceira parte, serve os interesses comuns dos dois povos e contribui também para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, salientou. O acordo preliminar entre Pequim e Otava prevê, nomeadamente, deixar entrar no Canadá 49.000 veículos elétricos fabricados na China com taxas preferenciais de 6,1%, segundo Mark Carney. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a sobretaxa de 100% mencionada por Donald Trump será imposta “se eles [os canadianos] fizerem um acordo de livre-comércio” com a China. Isto é, “se forem mais longe e se vir que eles estão a deixar os chineses inundarem com os seus produtos” a América do Norte, declarou Bessent numa entrevista à cadeia de televisão ABC.
Hoje Macau China / ÁsiaConselho Legislativo de Hong Kong rejeita resolução do Parlamento Europeu a propósito de Jimmy Lai O Conselho Legislativo de Hong Kong rejeitou ontem “de forma veemente” uma resolução do Parlamento Europeu a apelar a sanções contra o Governo local devido ao julgamento do activista Jimmy Lai Chee-ying. Num comunicado, o parlamento da região, conhecido como Legco, sublinhou que “todos os membros” condenam a resolução europeia, “que difamou maliciosamente a lei de segurança nacional de Hong Kong e o poder judicial”. Em dezembro, Jimmy Lai foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que pode acarretar a prisão perpétua. Em 12 de janeiro, um tribunal iniciou as chamadas audiências de atenuação, que se prolongaram por quatro dias e onde os arguidos, incluindo Lai, podem pedir penas mais leves. A sentença final será proferida numa data ainda por anunciar. O parlamento de Hong Kong garantiu que a decisão dos três juízes designados pelo Governo – um dos quais a lusodescendente Susana D’Almada Remedios – é “livre de qualquer interferência e de quaisquer considerações políticas”. O Legco disse ainda que o Parlamento Europeu “interferiu flagrantemente nos assuntos internos da China e violou gravemente os princípios do direito internacional”. Na quinta-feira, os eurodeputados disseram que Lai “é um exemplo de como as leis de segurança do Estado estão a ser utilizadas para eliminar os meios de comunicação independentes, a liberdade de expressão e a oposição política em Hong Kong”. “Qualquer sugestão de que certos indivíduos devem ser imunes às consequências legais pelos seus actos ilegais equivale a defender um privilégio especial para infringir a lei”, respondeu o Legco. A resolução do Parlamento Europeu instou o Conselho Europeu a adoptar sanções contra o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, “e todos os dirigentes responsáveis pela repressão das liberdades”. No documento, aprovado por 503 votos a favor, nove contra e 100 abstenções, os eurodeputados solicitaram ainda à Comissão Europeia que inicie o processo de suspensão do estatuto de Hong Kong na Organização Mundial do Comércio. Além disso, o Parlamento Europeu apelou a todos os Estados-membros da União Europeia (UE) que suspendam os tratados de extradição com a China continental e com a região administrativa especial de Hong Kong. Portugal e a República Checa são os únicos dois países da UE que ainda têm acordos de extradição em vigor com Hong Kong. Em dezembro de 2022, a Assembleia da República chumbou, pela terceira vez em três anos, uma recomendação proposta pela Iniciativa Liberal para que o Governo português suspendesse os acordos de extradição com a China e Hong Kong. A região vizinha de Macau assinou em 2019 com Portugal um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos no parlamento.