João Luz Manchete SociedadeNovo Bairro Hengqin | Menos de 40% das casas vendidas Até ao passado mês de Janeiro, tinham sido vendidos 1.610 apartamentos a residentes no Novo Bairro de Macau em Hengqin, segundo dados revelados ao HM. Entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções, menos do que os apartamentos vendidos em Macau apenas em Novembro A venda de apartamentos no Novo Bairro de Macau em Hengqin continua a seguir um ritmo muito abaixo do mercado local, mesmo com a crise que o sector do imobiliário atravessa. Segundo dados revelados pela Macau Renovação Urbana ao HM, até Janeiro de 2026 tinham sido vendidos 1.610 apartamentos no Novo Bairro de Macau a residentes da RAEM, o que representa uma proporção de 39,5 por cento do total das fracções disponíveis. No fim de Maio do ano passado, o relatório anual da Macau Renovação Urbana revelava terem sido comprados 1.388 apartamentos no complexo habitacional da Ilha da Montanha desde que foram colocados à venda em Novembro de 2023, o que representava apenas 34 por cento do volume total de fracções (4.070). Feitas as contas, entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções no Novo Bairro de Macau em Hengqin, um volume inferior às vendas registadas em Macau apenas no passado mês de Novembro, quando dados da Direcção dos Serviços de Finanças revelam 238 fracções vendidas, apesar da crise que afecta o sector imobiliário na RAEM. Casa dos talentos O anémico registo de vendas no complexo habitacional para residentes de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin ganha contornos mais graves tendo em conta o levantamento de restrições que as autoridades de Hengqin têm introduzido desde 2024. Esta semana, foi anunciado que residentes de Macau podem comprar duas fracções no complexo habitacional. Porém, as autoridades de Hengqin foram implementando sucessivas medidas para impulsionar as vendas. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a restrição de revenda nos cinco anos após a compra foi removida, assim como o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais. Além disso, em Setembro de 2025, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos. A empresa de capitais públicos indicou também ao HM que foram reservados 200 apartamentos arrendados a “entidades que preencham os critérios” para alojar talentos não-residentes. O arrendamento destas fracções no Novo Bairro de Macau foi estabelecido no contrato de transferência do direito de uso do solo assinado a 21 de Abril de 2020 para o projecto. O alojamento destes quadros qualificados ficou reservado nas torres 17 e 18 do complexo habitacional.
João Luz Manchete PolíticaPresidenciais | Portugueses escolhem Presidente no fim-de-semana Amanhã e domingo, os portugueses que residem em Macau vão poder votar no Consultado-Geral para escolher o próximo Presidente da República portuguesa. As urnas vão estar abertas nos dois dias, das 08h às 19h, depois de três dias de votação antecipada em que participaram 78 eleitores, mais do triplo da primeira volta Os portugueses vão voltar a ser chamados a votar na segunda volta das eleições para eleger o próximo Presidente da República, num sufrágio disputado entre os candidatos do Partido Socialista (António José Seguro) e do Chega (André Ventura). Na RAEM, os portugueses vão poder votar no sábado e domingo, das 08h às 19h, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, à semelhança dos eleitores que vão votar no estrangeiro nas várias missões diplomáticas espalhadas pelo mundo. Recorde-se que só poderão votar os cidadãos nacionais que se encontrem recenseados no estrangeiro. Para escolher o próximo Presidente da República, os eleitores devem apresentar cartão de cidadão, bilhete de identidade, ou documento que tenha fotografia actualizada e que seja habitualmente utilizado para identificação (passaporte ou carta de condução). Nos passados dias 27, 28 e 29 de Janeiro, o consulado-geral recebeu os eleitores que votaram antecipadamente. Esta modalidade de sufrágio esteve aberta para eleitores por “inerência do exercício de funções públicas ou privadas, em representação de selecção nacional. Além disso, puderam votar antecipadamente estudantes, investigadores, docentes e bolseiros de investigação em instituição de ensino superior, doentes em tratamento, ou eleitores que acompanhem cidadãos mencionados. Segundo informação revelada pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong ao HM, votaram antecipadamente na segunda volta 78 eleitores, mais do triplo dos votos antecipados na primeira volta, quando foram apurados 25 votos antecipados. Local vs Nacional Na primeira volta, os votos apurados em Macau deram vantagem ao candidato do PSD, Luís Marques Mendes, com 47,19 por cento dos votos, seguido do socialista António José Seguro (20,98 por cento) e André Ventura com 12,4 por cento. A nível nacional, António José Seguro venceu a primeira volta com 1.755.563 votos (31,11 por cento), seguido de André Ventura, com 1.327.021 votos (23,52 por cento) e João Cotrim Figueiredo, com 903.057 votos (16 por cento). Luís Marques Mendes acabou por ficar em quinto lugar, afastado da segunda volta com 637.442 votos (11,3 por cento).
João Luz Manchete SociedadeUber | Deputado pede regulação e questiona tratamento de dados Leong Sun Iok está preocupado com a falta de regulamentação dos serviços de táxis online, em resposta à reentrada da Uber em Macau, e defende a criação de uma lei específica para proteger direitos de passageiros e motoristas. O deputado questiona também a localização dos servidores da Uber O uso de aplicações móveis para chamar táxis é uma realidade consensual em todo o mundo há muitos anos, à excepção de Macau. O reinício de operações da Uber em Macau, anunciado na terça-feira, motivou de imediato reacções para o retorno à velha ordem, ou preocupações sobre a abertura dos serviços. Uma das vozes da consternação é o deputado Leong Sun Iok. O legislador dos Operários está preocupado com a falta de regulamentação das aplicações para pedir serviços de táxi, e de uma lei específica que garanta os direitos de passageiros e motoristas. Como tal, espera que o Governo avance com legislação em breve. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado argumentou que se um passageiro cancelar uma reserva, o taxista não terá força para compensar a perda. O mesmo pode acontecer ao cliente, se a plataforma tiver problemas temporários que levem ao cancelamento do pedido. Apesar de a Uber ter garantido que as tarifas cobradas são as mesmas, “de acordo com o taxímetro oficial”, Leong Sun Iok afirmou que a legislação em vigor proíbe a cobrança de tarifas adicionais, mas que há plataformas que as cobram de qualquer das formas. À procura de problemas Também o serviço de transporte entre Macau e Hong Kong facultado pela Uber preocupa o deputado, que destacou que a lei obriga o veículo estar licenciado e o motorista a ter cartão de identificação de condutor de táxi para evitar infracções. Recorde-se que neste aspecto, a Uber indicou que o serviço estará a cargo de um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings. Na óptica do deputado, apesar de a Uber usar exclusivamente táxis licenciados de Macau, o cliente deve estar alerta e confirmar a legalidade do veículo, porque em caso de acidente de viação pode não estar coberto por seguro. Nesse sentido, Leong Sun Iok também apelou ao Governo para combater táxis ilegais. A localização “incerta” dos servidores de dados da Uber representa outro receio de Leong Sun Iok, uma vez que a legislação da RAEM obriga à instalação de servidores em Macau, exigência que quatro plataformas de táxi online cumprem.
João Luz Manchete PolíticaNovo Bairro Hengqin | Residentes já podem comprar dois apartamentos A partir de agora, os residentes da RAEM passam a poder comprar dois apartamentos no Novo Bairro de Macau em Henqgin. A decisão foi anunciada pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada, que justificou a medida com a “optimização do parque habitacional” As autoridades políticas da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin voltaram a diminuir as restrições na compra de apartamentos no Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha. Desta feita, a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada anunciou que os residentes da RAEM podem comprar dois apartamentos no complexo habitacional construído para a população de Macau. A medida foi apresentada como uma forma de “implementar o espírito das directivas das autoridades nacionais e provinciais de Guangdong para optimizar o parque habitacional existente, ajustar as políticas de restrição à compra de habitação” e “expandir eficazmente o espaço de vida de qualidade para os residentes de Macau”. A comissão executiva acrescenta ainda que a possibilidade de comprar dois apartamentos visa “responder às preocupações do público”. Além disso, é indicado que se ocorrerem problemas na implementação da medida, a Direcção dos Serviços de Planeamento Urbanístico e Construção de Hengqin é a entidade que deve ser contactada directamente. A comissão executiva cita também o “desenvolvimento actual da zona de cooperação” e a “resposta a exigências do sector empresarial” como motivos para alterar as restrições na compra de habitação no Novo Bairro de Macau. Menos barreiras No passado mês de Setembro, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos. Desde que começaram as vendas de fracções no complexo habitacional, foram levantadas várias restrições a transacções. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a remoção da restrição de revenda nos cinco anos após a compra e o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais. Além disso, em meados de 2024, em plena crise do sector imobiliário, o conceito inicial do Novo Bairro de Macau em Hengqin foi alterado para aumentar a ocupação. Em vez de compra por residentes da RAEM, as autoridades da zona de cooperação passaram a permitir arrendamento de fracções a estudantes do Interior da China, assim como a funcionários da Universidade de Macau, da Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong e do Posto Médico do Novo Bairro de Macau. O Novo Bairro de Macau é composto por 27 torres residenciais, com aproximadamente 4.000 fracções habitacionais.
João Luz Manchete SociedadeUber | Serviços locais de táxi e transporte entre HK lançados A Uber anunciou ontem a oferta de serviços de táxi em Macau, através de carros já licenciados, assim como transportes entre a RAEM e Hong Kong. A confirmação surge depois de a empresa ter divulgado estar a recrutar em Macau motoristas de táxi licenciados A Uber está de regresso a Macau, depois de ter operado no território por menos de dois anos, entre 2015 e 2017. Na segunda-feira, a empresa publicou um anúncio de recrutamento de condutores entre taxistas licenciados e ontem confirmou o lançamento do serviço de táxis na cidade e entre Macau e Hong Kong. “A Uber está a introduzir viagens de táxi em Macau através da aplicação Uber. Os passageiros podem solicitar táxis licenciados de Macau, com tarifas cobradas de acordo com o taxímetro oficial e pagas directamente na aplicação. A aplicação permite o uso de vários idiomas e elimina a necessidade de pagamentos em dinheiro ou aplicações adicionais, oferecendo uma experiência consistente para visitantes e residentes”, indicou a empresa em comunicado. Como é habitual nas aplicações de táxis, os passageiros vão poder acompanhar o itinerário, a hora estimada de chegada, assim como aceder a um serviço de assistência em casos de emergência. Entre A e B A outra novidade em termos de serviços de transporte, é a ligação entre Macau e Hong Kong, permitindo a ligação de ponto a ponto nos dois sentidos, através da marcação de “limousines”, indicando o preço da viagem antecipadamente, incluindo portagens de Ponte do Delta e túneis. Este serviço privado será fornecido por um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings, sem a necessidade de mudar de veículo. Para aceder a este serviço, os passageiros precisam marcar a viagem na aplicação com, pelo menos, 24 horas de antecedência. As reservas podem ser feitas até um máximo de 90 dias antes da viagem e podem ser canceladas gratuitamente até seis horas antes da hora designada para a partida. “Temos o prazer de introduzir uma nova forma de viajar facilmente entre Hong Kong e Macau, assim como dentro de Macau. É óptimo poder contribuir para os objectivos do turismo de Macau, assim como ajudar os residentes locais a movimentarem-se pela cidade e proporcionar novas oportunidades aos condutores de Macau”, afirmou o director-geral da Uber Hong Kong, Estyn Chung. Obrigatório usar táxis registados Após o anúncio da entrada em Macau da Uber, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) emitiu um comunicado a recordar que as aplicações têm de contratar táxis oficiais para a prestação do serviço. “A exploração dos serviços de táxis deve cumprir as disposições do ‘Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer’, designadamente através da utilização de táxis com alvará válido e da condução”, foi comunicado. “Paralelamente, caso os condutores de táxi não cobrem as tarifas de acordo com a lei ou faltem ao serviço após aceitação da chamada, poderão incorrer em infracção relativamente às normas supramencionadas sobre cobrança abusiva ou recusa de prestação de transporte, sendo que as duas entidades procederão nos termos da lei”, foi acrescentado. No anúncio do regresso a Macau, a empresa Uber comprometeu-se a utilizar os táxis licenciados. O serviço vai incluir travessias entre Macau e Hong Kong, outro aspecto visado pelas autoridades. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) constataram que, recentemente, algumas empresas de plataforma lançaram os serviços dos ‘veículos especiais transfronteiriços entre Hong Kong e Macau’ e ‘táxis com taxímetros’ de Macau”, foi apontado. “A DSAT e o CPSP recordam que a exploração dos serviços de veículos de aluguer de transporte transfronteiriço entre Hong Kong e Macau e de táxis de Macau carece de autorização nos termos da lei, devendo as respectivas plataformas cooperar com veículos legalmente autorizados para o efeito”, foi vincado. O comunicado indica ainda que o “Governo está a promover, de forma activa, os trabalhos de revisão da lei para a supervisão das plataformas de serviços de táxis online, planeando introduzir uma gestão normalizada de modo a salvaguardar de forma mais eficaz os direitos e interesses dos passageiros e condutores”.
João Luz Manchete PolíticaTJB | Testemunhas negaram assinar formulário da lista Ou Mun Kong I Na última sessão do julgamento em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições de 2021, 13 testemunhas negaram ter assinado o reconhecimento da lista Ou Mun Kong I, apesar do formulário conter os seus números de cartão de residente. Uma testemunha confirmou a entrega de detergente para a roupa e guarda-chuvas durante uma excursão Na sessão de julgamento de segunda-feira em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições legislativas de 2021, e que envolve mais 17 arguidos, 13 testemunhas negaram alguma vez ter assinado os documentos de pedido de reconhecimento da lista de candidatura Ou Mun Kong I. Isto, apesar de na sessão no Tribunal Judicial de Base (TJB) o delegado do Ministério Público ter mostrado o documento de reconhecimento da lista, contendo assinaturas e o número do bilhete de identidade de residente das testemunhas, de acordo com o relato do canal chinês da Rádio Macau. Logo na primeira sessão do julgamento, outras testemunhas negaram assinar documentos semelhantes, com a acusação também a mostrar em tribunal pedidos com as suas assinaturas e número do bilhete de identidade de residente. Recorde-se que o Lee Sio Kuan é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Na audiência de segunda-feira, foi ouvida uma testemunha que confirmou ter sido contratada para serviços de guia turístico numa viagem, com duração de meio dia, organizada pelo mandatário da lista Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan. A testemunha confirmou ter recebido 300 patacas pelo trabalho e ter visto pessoas que iriam participar na viagem a assinar documentos no local de encontro antes do arranque da excursão. Porém, a guia ressalvou não ter visto o conteúdo dos documentos, não confirmando tratarem-se de pedidos de reconhecimento de candidatura para as eleições legislativas. Pequenos delitos A guia turística que testemunhou no TJB, uma de oito outros profissionais que diz terem trabalhado no mesmo serviço, afirmou ainda que durante a excursão os organizadores distribuíram detergente para lavar a roupa e guarda-chuva entre os participantes. O processo chegou ao TJB depois de uma investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), concluída em Dezembro de 2022. “Na sequência do encaminhamento do caso pelo Ministério Público, o CCAC procedeu à instauração de um processo de inquérito e descobriu que o referido mandatário e um guia turístico se responsabilizavam pela organização de um passeio turístico de meio dia, tendo providenciado refeições e distribuído prendas tais como detergentes líquidos para roupa e guarda-chuvas com os dizeres “votem nesta lista de candidatura” impressos nos mesmos. Tais actividades e prendas foram todas financiadas pelo referido mandatário, tendo conseguido angariar mais de 200 eleitores para preencherem os seus dados de identificação pessoal e assinarem os respectivos boletins de propositura da lista em causa”, foi indicado à altura.
João Luz Eventos MancheteRota das Letras com tributo a Camilo Pessanha e concerto de Rodrigo Leão O festival literário Rota das Letras estará de volta entre os dias 5 e 15 de Março, com uma programação variada que irá além da literatura, apresentando ao público uma panóplia de eventos de fotografia, teatro e música ao vivo, com destaque para o regresso de Rodrigo Leão aos palcos do território. A edição deste ano do festival, a 15.ª, terá como palco principal a Casa Garden. Este ano, será prestado um tributo especial a Camilo Pessanha, no centenário do seu falecimento. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos. António Carlos Cortez, Carlos Morais José e Christopher Chu são alguns dos autores envolvidos na celebração”, apontou ontem a organização do Rota das Letras em comunicado. No dia da abertura do festival, 5 de Março, destaque para a inauguração da exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reúne os olhares distintivos do fotógrafo português Alfredo Cunha e do fotógrafo chinês Liu Zheng. Entre os autores do mundo lusófonos, a organização do festival confirma a presença em Macau dos jornalistas e escritores João Miguel Tavares e Miguel Carvalho, que publicaram recentemente trabalhos de investigação sobre o ex-primeiro ministro José Sócrates e o Partido Chega. Outras duas jornalistas portuguesas, Filipa Queiroz e Andreia Sofia da Silva, estarão de regresso a Macau, a primeira para exibir o documentário “Salatinas”, sobre um caso histórico de ameaça ao património arquitectónico em Coimbra, a segunda para apresentar o livro “Lápis Vermelho”, sobre a censura à imprensa em Macau ao tempo do Estado Novo. Continuando a valorização do panorama literário local, o Rota das Letras de 2026 irá contar com autores de Macau como Yao Feng, Rai Matsu, Zita Si Tou Chi U, Cheung Wai Man, Ka Lo, Kam Um Loi, Nick Groom, Konstantin Bessmertny e Veiga Jardim. Também a obra do arquitecto macaense José Maneiras, recentemente falecido, será recordada por Rui Leão e Maria José de Freitas. Como tem sido tradição no festival literário, a música será um dos momentos mais marcantes da programação, desta feita com o concerto de Rodrigo Leão, no Centro Cultural de Macau, na noite de 11 de Março. Outro dos regressos deste ano será protagonizado pela actriz Margarida Vila-Nova, que volta a Macau para a representação na peça de teatro “À Primeira Vista”, encenada pelo realizador Tiago Guedes, que irá apresentar também dois dos seus filmes (“A Herdade” e “Restos do Vento”). Do mundo e arredores Entre os autores internacionais que vão participar no Rota das Letras deste ano, destaque para Amitav Ghosh, autor de uma trilogia de romances centrada no tempo e no espaço das Guerras do Ópio e para Hernán Diaz, o mais recente vencedor do Prémio Pulitzer. Entre a sexta e a sétima arte, participam no festival deste ano Lawrence Osborne e Mike Goodridge, associados ao romance e à adaptação cinematográfica de “Ballad of Small Players”, filme rodado em Macau e estreado em 2025. A lista de convidados internacionais confirmados inclui ainda o biógrafo Adam Sisman, romancista franco-suiça de origem coreana Elisa Shua Dusapin, o cartoonista de viagens Guy Delisle e o poeta e artistas de spoken word Carlos Andrés Gomez. Na literatura chinesa, destaque para a confirmação de Bi Feiyu, um dos nomes maiores da sua geração, vencedor do Prémio Lu Xun e do Man Asia Literary Prize com o romance “Three Sisters”. A programação deste ano conta ainda com outro vencedor do Prémio Lu Xun: Xiao Bai, jornalista e mestre do thriller. A lista de autores chineses inclui ainda Gu Shi, uma das principais vozes da nova geração da ficção científica, o poeta Lu Jian e especialista em literatura chinesa contemporânea Xie Youshun.
João Luz EventosFRC | Impacto psicológico da Inteligência Artificial hoje em discussão O professor Christian Montag, da Universidade de Macau, apresenta hoje na Fundação Rui Cunha uma sessão do ciclo Roda de Ideias, intitulada “O Impacto da Inteligência Artificial na Sociedade: Uma Perspectiva Psicológica”. Em discussão, estará a intersecção entre psicologia, neurociência e tecnologias digitais Apesar de ainda não ser um diagnóstico clínico reconhecido, expressões como “psicose de chatbot”, ou “psicose de inteligência artificial” começaram a entrar no léxico da área da psicologia e psiquiatria. Vagas de paranoia e delírio provocadas pelo uso de ferramentas de inteligência artificial com implicações sérias na sociedade começaram a fazer manchetes e a originar discussões entre profissionais de saúde. Uma dessas conversas está marcada para hoje, às 18h30, na Fundação Rui Cunha (FRC) numa sessão do ciclo Roda de Ideias, intitulada “O Impacto da Inteligência Artificial na Sociedade: Uma Perspectiva Psicológica”. A palestra será conduzida pelo professor Christian Montag, do Centro de Ciências Cognitivas e Cerebrais (CCBS) da Universidade de Macau. A partir do momento em que o ChatGPT foi lançado, as questões sobre a forma como a inteligência artificial poderia moldar o mundo começaram a multiplicar-se em vários ramos do saber. “Estas discussões carecem frequentemente de critérios de avaliação quantificáveis, não indo além de opiniões entre os pessimistas e os optimistas da Inteligência Artificial. A realidade é muito mais complexa. Neste contexto, o sistema de referência IMPACT será apresentado como um guia para avaliar com maior precisão o impacto da Inteligência Artificial nas sociedades”, refere o académico, citado por um comunicado da FRC. A sigla IMPACT refere-se à Interacção entre a Modalidade, a Pessoa, a Área, o País/Cultura e a Transparência. Christian Montag acrescenta que “todas variáveis devem ser consideradas para compreender como a Inteligência Artificial, uma tecnologia de uso geral comparável à electricidade, pode ser medida e calculada”. Entre os melhores Christian Montag juntou à Universidade de Macau em Abril de 2025 como director associado do Instituto de Inovação Colaborativa (ICI). O seu trabalho centra-se na intersecção entre a psicologia, a neurociência e as tecnologias digitais, incluindo o impacto da Inteligência Artificial no comportamento e a fenotipagem digital. É formado em Psicologia pela Universidade de Giessen, na Alemanha (2006), e fez o doutoramento também em Psicologia pela Universidade de Bona, Alemanha (2009), onde fez a dissertação de habilitação “vénia legendi” (permissão para leccionar) em 2011. No ano passado, Christian Montag foi nomeado para a prestigiada lista dos 2 por cento melhores cientistas do mundo. Este ranking, compilado pela Universidade de Stanford (Califórnia, EUA), avalia os cientistas com base em indicadores padronizados e amplamente reconhecidos. Publicou mais de 400 publicações revistas por pares, o seu trabalho aborda questões urgentes, como as perturbações do uso da internet e a influência da IA na saúde mental. Como é habitual nos eventos realizados na FRC, a sessão tem entrada livre e, desta feita, será conduzida em inglês.
João Luz SociedadeCrime | Apanhado no aeroporto com mais de 4,5 quilos de heroína A Polícia Judiciária deteve no sábado um homem do Interior da China no aeroporto de Macau suspeito de transportar mais de 4,5 quilogramas de heroína. Segundo as autoridades, a droga apreendida vale 6,38 milhões de patacas no mercado negro No sábado passado, a Polícia Judiciária deteve um indivíduo do Interior da China, com 20 anos de idade, no Aeroporto Internacional de Macau por suspeitas de tráfico de droga. Segundo avançaram ontem as autoridades policiais, o homem trazia na bagagem dois sacos de plástico, com o exterior tingindo por óleo de chilis e café moído, uma táctica usada para ocultar cheiro de estupefacientes. No interior dos sacos estavam 4.559 gramas de heroína, que a Polícia Judiciária indica ter um valor no mercado negro de 6,38 milhões de patacas. Comentando os materiais que manchavam os sacos onde era transportada a heroína, as autoridades indicaram que a utilização de substâncias com forte cheiro é usada para diluir o cheiro das drogas e escapar à detecção de cães farejadores de droga. Com a investigação ainda em curso, a Polícia Judiciária referiu que a origem e o destino final da heroína ainda não foram apurados, mas que Macau seria um ponto de passagem. As autoridades ainda desconhecem o envolvimento de mais pessoas suspeitas. Armadilha pronta Segundo o relato das autoridades, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, a Polícia Judiciária recebeu informações de que iria aterrar no aeroporto de Macau, vindo do estrangeiro, um passageiro suspeito de estar a traficar droga. A operação que conduziu à detenção do jovem desempregado foi montada em conjunto com os Serviços de Alfândega e o Corpo de Polícia de Segurança Pública. O suspeito foi detido quando se preparava para recolher a mala no cinto de bagagem. Durante a inspecção, os agentes policiais repararam que apesar de estar vazia, a mala apresentava um peso anormalmente excessivo. Como tal, cortaram o forro de tecido da bagagem, onde encontraram os sacos com estupefacientes. As autoridades apuraram ainda que o suspeito terá sido recrutado por uma organização criminosa que se dedica ao tráfico de droga, e que terá confessado que receberia 5.000 renminbis após a entrega da heroína. O indivíduo foi encaminhado para o Ministério para a continuação da investigação, suspeito da prática do crime de tráfico de drogas. A Polícia Judiciária alertou ontem a população para a gravidade do crime de tráfico de drogas, que pode ser punido com pena de prisão até 15 anos, e para não aceitarem transportar encomendas com artigos de origem desconhecida para Macau.
João Luz EventosCinemateca Paixão | Filmes de Fevereiro baseados em dramas familiares A programação deste mês da Cinemateca Paixão oferece aos cinéfilos um conjunto de filmes que contam estórias de famílias, com produções europeias, uma norte-americana e uma chinesa. “If I Had Legs I’d Kick You”, “Sentimental Value”, “Jimpa” e “As the Water Flows” são as propostas para este mês O desfile de bons filmes continua a marcar a agenda da Cinemateca Paixão, com a programação “Encantos de Fevereiro”. Amanhã é exibido o filme “As the Water Flows”, do realizador chinês Zhuo Bian. A narrativa de “As the Water Flows” é centrada nas visões distintas de três gerações de uma família que vive na província de Yunnan, tendo como foco principalmente as vidas das pessoas mais velhas, um tema cada vez mais comum no cinema chinês, à medida que o envelhecimento populacional se torna um desafio não só na China. O filme segue a vida de Shu-wen, um professor universitário na reforma, que tenta reagrupar as “peças” da sua vida um ano depois da morte da esposa. As ligações com as três filhas e os netos, e a vontade de prosseguir a sua vida forjando uma nova relação com uma amiga da família, estão no centro de um conflito familiar. A exploração dramática de disputas familiares é reforçada no filme de Zhuo Bian com tocantes retratos de humanismo e amor e fortes representações do elenco. O filme arrebatou os prémios de melhor filme e melhor realizador na categoria que reconhece os novos talentos asiáticos do Festival Internacional de Cinema de Xangai. Zhuo Bian, mestrado em Belas Artes na Universidade de São Francisco, regressou à China em 2017 onde ganhou “calo” em fotografia de cinema em filmes independentes. Em 2021, começou a escrever e realizar três curtas-metragens, que lhe deram visibilidade e reconhecimento da crítica. “As the Water Flows” é exibido amanhã às 19h30, na sexta-feira à mesma hora, e depois no domingo, dia 8, às 16h30 e no dia 11 de Fevereiro às 19h30. Para rir e chorar Na quarta-feira, é a vez de “If I Had Legs I’d Kick You” ser exibido na Cinemateca Paixão. Realizado por Mary Bronstein, a comédia dramática tem um elenco de luxo, a começar pela protagonista Rose Byrne, onde se destacam também Conan O’Brien, Danielle Macdonald, Delaney Quinn, Christian Slater e A$AP Rocky. A actuação de Rose Byrne valeu-lhe o prémio de melhor actriz no Festivel Internacional de Cinema de Berlim, e um Globo de Ouro para Melhor Actriz. Rose Byrne dá corpo a Linda, uma psicoterapeuta que vai até aos limites para ajudar a filha a ultrapassar um distúrbio alimentar, que a obriga a ser alimentada através de uma sonda para ganhar peso e recuperar. Aclamado pela crítica e muito bem-recebido no circuito de festivais de cinema, “If I Had Legs I’d Kick You” marca o regresso de Mary Bronstein à realização depois da estreia em 2008 com a comédia “Yeast”. O filme é exibido na quarta-feira, às 19h30, e depois no sábado e no dia 22 de Fevereiro, das duas vezes às 21h30. Ainda esta semana, a qualidade do cinema escandinavo regressa à Travessa da Paixão com a exibição na quinta-feira de “Sentimental Value”, um drama de Joachim Trier, que começou a carreira com uma trilogia que o catapultou imediatamente para a vanguarda da sétima arte de Dinamarca e Noruega. “Reprise”, “Oslo, August 31st” e “The Worst Person in the World” são as fundações de onde se erige a película exibida este mês em três sessão na Cinemateca Paixão. A narrativa segue o reencontro de duas irmãs (interpretadas por Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas) com o pai, que ganha vida na tela pelo incontornável Stellan Skarsgård. O elenco de “Sentimental Value” conta também com Elle Fanning e Anders Danielsen Lie. O filme de Joachim Trier chega à próxima cerimónia de entrega dos Óscares com nove nomeações, incluindo melhor filme, melhor realizador, melhor actriz, melhor actor secundário e melhor actriz secundária. “Sentimental Value” é exibido na próxima quinta-feira às 19h30, no sábado às 19h e na terça-feira dia 10 às 19h30. Finalmente, o outro destaque do cartaz de Fevereiro da Cinemateca Paixão é “Jimpa”, uma produção australiana, finlandesa e holandesa. Realizado por Sophie Hyde, o drama tem no elenco o trio formado por Olivia Colman, Aud Mason-Hyde e John Lithgow. O filme tem como ponto de partida a visita de uma mulher, e sua filha não-binária, ao ex-marido e pai, um homem gay que vive em Amesterdão (interpretado por John Lithgow, um actor mais conhecido pelos papéis em comédias, como “O Terceiro Calhau a Contar do Sol”). “Jimpa” será exibido no domingo, 8 de Fevereiro, às 19h30, e nos dias 17 (às 21h30), no dia 22 às 16h30, 25 às 19h30 e finalmente no dia 28 de Fevereiro às 19h. Os bilhetes para todas as sessões custam 60 patacas.
João Luz EventosGalaxyArt acolhe exposição de esculturas em bronze de Zhu Bingren “A Fortuna Dourada: A Estreia em Macau da Arte do Cobre de Zhu Bingren” é o nome da exposição que está exibição na GalaxyArt até ao próximo dia 12 de Abril. A mostra apresenta uma série de obras do mestre do cobre Zhu Bingren, que deu continuidade ao legado do seu pai, Zhu Junmin, através de 68 obras. Com o Ano do Cavalo à porta, a exposições reúne 38 esculturas centradas no tema equestre, algumas criadas especialmente para a exposição que apresenta a obra do mestre do cobre a Macau. Esculpidas com esmalte de alta temperatura, as obras em exibição “entrelaçam o estilo arrojado e dinâmico dos cavalos da dinastia Tang com o realismo ocidental e influências contemporâneas”, aponta a Galaxy em comunicado. A figura equestre tem uma dimensão de grande simbolismo na cultura chinesa, com a sua forma em galope representando boa sorte, vitalidade e progresso. Prosseguindo o legado centenário da sua família, Zhu Bingren não se limitou a seguir as linhas traçadas pela tradição das técnicas gengcai, trilhando novas rotas na arte de moldar cobre derretido. A organização da mostra salienta que o artista expandiu as formas da arte estrutural para a arte moderna, “revigorando o antigo ofício com talento e destreza”. “As suas obras combinam técnicas modernas com o artesanato tradicional, transmitindo simbolismo auspicioso e ganhando reconhecimento de muitos dos principais museus de arte da China, onde as suas criações são exibidas”, indica a Galaxy. Memória que permanece Ao longo da sua carreira, Zhu recebeu vários títulos e condecorações. Reconhecido oficialmente como um mestre nacional da arte do cobre, Zhu Bingren é investigador da Academia Nacional de Artes da China, e consultor cultural e criativo do Museu do Palácio em Pequim. “Há nove anos atrás, vim pela primeira vez a esta terra. Desde então, a abertura e inclusão de Macau ficaram profundamente gravadas na minha memória. Daí criei ‘Confluência dos Três Rios’ e ‘Plumas Esmeraldas, Graça Florescente’. Espero que estes reflexos fluídos do cobre sirvam de ponte cultural, ligando a florescente comunidade artística da Grande Baía”, afirmou o artista, citado pela Galaxy. A exposição é realizada com o apoio da Direcção dos Serviços de Turismo e o Instituto Cultural.
João Luz Manchete SociedadeVírus Nipah | Governo apela à calma e prepara medidas de prevenção “Em relação aos recentes casos de infecção pelo vírus Nipah registados no Bengala Ocidental, Leste da Índia, os Serviços de Saúde têm prestado estreita atenção à situação local. Até ao momento, a situação epidemiológica ainda se limita ao local, pelo que se apela aos residentes para não entrarem em pânico.” Foi desta forma que o Governo pediu calma à população, em relação ao surto do vírus, extremamente contagioso, que se alastra na Índia, e que está a trazer recordações dos primeiros tempos da covid-19. Apesar de apelar à calma, os Serviços de Saúde (SS) garantem ter reforçado medidas de prevenção, como a “avaliação e exame médico nos postos fronteiriços para indivíduos com historial de viagem relevante e que apresentam sintomas, aumento da capacidade de detecção do vírus, preparação das instalações de isolamento, assim como planos de tratamento médico”. Com os planos de prevenção e controlo a prontos, as autoridades de saúde organizaram na quarta-feira um colóquio, que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas, entre representantes de associações de saúde e organizações e instituições sem fins lucrativos que prestam serviços médicos. O objectivo foi aumentar a vigilância do sector da saúde relativamente a infecções pelo vírus Nipah, a sua detecção precoce e a comunicação de casos suspeitos Tão longe e tão perto Durante o colóquio, o director dos SS, Alvis Lo, referiu que apesar da distância entre a Índia e Macau, a normal circulação de pessoas e a conveniência do transporte internacional não só aproximam regiões, como tornam doenças de elevado grau contágio num problema global. Para já, o Governo reforçou a “linha de defesa” nas fronteiras, com orientações para o “envio de casos suspeitos detectados nos postos fronteiriços para avaliação hospitalar”. Foram também afixados nos átrios de entrada dos postos fronteiriços “avisos sobre a declaração voluntária de saúde por parte de viajantes assintomáticos com histórico de permanência ou contacto relevante”. As autoridades de saúde indicam manter “uma comunicação estreita com o sector de aviação civil de Macau”, para sensibilizar o pessoal da linha da frente em relação a infeções por vírus Nipah e notificar atempadamente os casos suspeitos. A reserva de reagentes de teste e equipamentos de protecção individual também está entre as prioridades do Governo, assim como o reforço da divulgação pública. O vírus Nipah constitui um agente zoonótico potencialmente fatal, identificado em 1999. Nos últimos 20 anos, foram registados vários casos de infecção humana no Bangladesh e na Índia. As autoridades desaconselharam também deslocações às regiões afectadas.
João Luz EventosOrquestra de Macau | Concertos contaram história de Pedro e o Lobo em escolas A Orquestra de Macau apresentou um ciclo de concertos “Música para o Futuro – Música no Campus” em 13 escolas do território. Os espectáculos narraram a história de Pedro de o Lobo. O Governo espera que o contacto com a obra de Prokofiev desperte nos alunos o gosto pela música clássica “Pedro e o Lobo”, a composição sinfónica de autoria do compositor russo Sergei Prokofiev, foi o ponto de entrada nos prazeres da música clássica para muitos jovens do território. Pelo menos, foi essa a intenção do Instituto Cultural (IC), através da iniciativa “Música para o Futuro – Música no Campus”, que levou a 13 escolas de Macau uma série de concertos interpretados pela Orquestra de Macau. Num comunicado divulgado ontem em português, 12 dias depois da publicação em chinês, o IC salienta que o ciclo de concertos faz parte da política de promoção da educação musical clássica na cidade, nomeadamente nos “jardins de infância e escolas primárias e secundárias locais, para plantar sementes musicais nas mentes dos mais jovens”. A segunda fase dos concertos de “Música para o Futuro – Música no Campus” da Temporada 2025-2026 teve lugar em 13 escolas, entre Dezembro de 2025 e Janeiro deste ano, apresentando a obra clássica “Pedro e o Lobo” e despertando o interesse dos alunos pela música clássica de forma lúdica e descontraída, refere o IC. Sob a batuta do maestro Tony Cheng-Te Yeh, a Orquestra de Macau actuou perante cerca de 3.000 alunos do ensino primário. As escolas que aderiram ao programa soram a Escola Oficial de Seac Pai Van, Escola Pui Tou (Sucursal da Taipa), Escola Luso-Chinesa da Taipa, Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Sheng Kung Hui Escola Choi Kou (Macau), Escola Tak Meng, Escola Internacional de Macau, Escola Secundária Sam Yuk de Macau, Escola Pui Tou, Colégio Diocesano de São José N.º 1 e N.º 2, Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung” e Colégio do Sagrado Coração de Jesus. Alargar horizontes A sinfonia infantil de Sergei Prokofiev tem “uma narração envolvente da história e de uma interpretação orquestral de excelência”, indica o IC, e tem a capacidade para apresentar instrumentos, com cada um a representar uma personagem da história. Pedro costuma ser representado por um quarteto de cordas, o Lobo por três trompas, o Avô ganha som através de um fagote, o clarinete dá voz ao Gato, o Pato é um oboé, enquanto o Passarinho é representado por uma flauta transversal. O IC salienta que este ciclo de concertos “é um dos principais projectos educativos da Orquestra de Macau”, que “organiza actuações musicais adaptadas a alunos de diferentes faixas etárias, com um repertório cuidadosamente seleccionado e interpretado por agrupamentos de diversas dimensões”. “Através de interacções dinâmicas e lúdicas, o programa contribui não só para aprofundar o conhecimento e a apreciação musical dos alunos, como também para alargar os seus horizontes e refinar o seu temperamento, incentivando a exploração da música clássica”, acrescenta o IC. O Governo indica também que estão abertas inscrições para escolas, bastando para tal contactar a Orquestra de Macau. O ciclo de concertos em escolas está inserido na temporada 2025-2026 da Orquestra de Macau, que conta com a organização conjunta do IC, das seis concessionárias de jogo, e com o apoio da sucursal de Macau do Banco da China.
João Luz Manchete SociedadeTabaco e álcool | Infracções aumentaram quase 28% em 2025 As infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram 27,9 por cento no ano passado, face a 2024, com quase 5.500 violações da lei detectadas, a larguíssima maioria incindindo em fumadores. As autoridades atribuem a subida à optimização das inspecções e ao aumento do fluxo de turistas em 2025 No ano passado, o número de infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, face os casos detectados em 2024, para um total de 5.474 casos, mais 1.194 em termos anuais. A esmagadora maioria das violações da lei foram cometidas por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia. Aliás, em todas as categorias relativas ao combate ao tabagismo 2025 foi um ano de crescimento em todas as vertentes. Os casos de pessoas apanhadas a atravessar a fronteira para entrar em Macau com cigarros electrónicos mais que duplicou face a 2024 (+102,6 por cento) para um total de 316 casos. Em relação aos locais onde é proibido fumar, os mais frequentes continuam a ser os casinos, onde foram identificados 1.111 casos, seguidos por restaurantes (780 casos) e finalmente parques, jardins e espaços recreativos com 414 casos identificados no ano passado. Sempre a subir Os Serviços de Saúde (SS) atribuem “o aumento dos casos de fumo ilegal a uma conjugação de factores, incluindo a contínua optimização dos métodos de inspecção, assim como a sua frequência”. Para dar uma ideia da dimensão da caça ao fumador, em 2025 foram realizadas mais de 240.700 inspecções ao consumo ilegal de tabaco, o que dá uma média de quase 600 inspecções diárias. Outro dado que fez subir as estatísticas, de acordo com as autoridades, foi o aumento de turistas que visitaram Macau em 2025. O número de turistas apanhados a violar as leis de controlo do tabaco aumentou 48 por cento, de 2.063 casos em 2024, para 3.050 no ano passado. Os SS justificam também a subida de infracções com a falta de capacidade para cumprir as responsabilidades estabelecidas pela lei de controlo do tabaco. Os esforços do Governo para apertar o cerco ao tabagismo e consumo de álcool envolvem a cooperação de vários departamentos e serviços públicos. No caso do controlo do tabagismo, o território é inspeccionado por pessoal dos Serviços de Saúde, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e Serviços de Alfândega. Em relação ao controlo do consumo de álcool, as autoridades detectaram no ano passado apenas 16 casos, seis dos quais relativos à venda de bebidas alcoólicas a menores, ou a permitir o seu consumo. As restantes infracções relacionaram-se com a falta de sinalização da proibição de bebidas alcoólicas a menores, ou de identificação destes produtos nos espaços comerciais.
João Luz Manchete SociedadeAnálise | Pedidos mais feriados e benefícios familiares O académico e presidente da Associação de Segurança Social Chan Kin Sun considera que Macau deve acompanhar o mundo em matéria de licenças de maternidade e paternidade, assim como aumentar os feriados obrigatórios e férias anuais O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é uma aspiração dos países mais ricos, algo que está longe de acontecer em Macau, apesar dos esforços positivos do Governo, de acordo com o académico e presidente da Associação de Segurança Social de Macau Chan Kin Sun. Num artigo de opinião publicado ontem no jornal Ou Mun, o responsável indica que existe uma forte vontade na sociedade por políticas que beneficiem as famílias, indo além do aumento dos dias de férias individuais. Chan Kin Sun, que coordena o programa de mestrado em Administração Pública da Universidade de Macau, entende que os cidadãos esperam melhorias no sistema de licenças parentais. Depois de em 2019 o Governo ter introduzido a licença de paternidade e alargado a licença de maternidade, ficou a faltar o estabelecimento de folgas pagas quando um dos progenitores tem de se ausentar do trabalho para, por exemplo, acompanhar um filho numa ida ao médico. Além disso, o académico defende que o Governo deveria criar mais feriados obrigatórios, bastando para tal escolher entre os vários festivais tradicionais que se celebram no território. Socialismo do patronato Chan Kin Sun focou a sua análise também no número de dias de férias anuais pagas praticadas na região. Em Macau, depende do tempo de serviço do trabalhador. Um recém-contratado tem seis dias de férias anuais pagas, requerimento que se mantém inalterado há quatro décadas. Na China, os dias de férias também variam consoante a antiguidade, entre cinco e 15 dias por ano, enquanto em Hong Kong variam entre sete e 14 dias. A Organização Internacional de Trabalho recomenda, pelo menos, três semanas anuais de férias. O académico realçou a discrepância o desenvolvimento económico de Macau, o seu posicionamento como cidade internacional e as expectativas dos trabalhadores em relação à qualidade de vida”. Por fim, Chan Kin Sun elogiou o Governo pelo lançamento dos planos de subsídio de assistência na infância e subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade.
João Luz EventosOrquestra de Macau | Dia dos Namorados celebrado com bandas sonoras e circo No próximo dia 14 de Fevereiro, a Orquestra de Macau apresenta o espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes” no Broadway Theatre. Além da orquestra local, a actuação será abrilhantada pelo Cirque de la Symphonie, aliando música e artes circenses. Os bilhetes já estão à venda O grupo Galaxy Entertainment e o Instituto Cultural (IC) anunciaram ontem uma proposta para o Dia dos Namorados. No dia 14 de Fevereiro, às 20h, o Broadway Theatre será palco do espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, um evento que irá juntar música e artes circenses com a actuação conjunta da Orquestra de Macau e o Cirque de la Symphonie. Os bilhetes para o espectáculo, que tem duração de uma hora e meia, estão à venda na bilheteira online de Macau em macauticket.com e através da linha directa 2855 5555. Os preços variam entre 300 e 150 patacas Segundo um comunicado divulgado ontem pelo IC, o evento irá proporcionar ao público uma experiência “emocionante que entrelaça música sinfónica com actuações circenses e de malabarismo”. Em termos musicais, a actuação da Orquestra de Macau irá brindar os espectadores com um reportório especial para comemorar o Dia dos Namorados, incluindo “obras musicais clássicas de diferentes épocas, abarcando vários séculos e diversos géneros, incluindo ballet, ópera e bandas sonoras de filmes de Hollywood”. De cortar a respiração Por sua vez, “os artistas do Cirque de la Symphonie apresentarão uma série de actuações de cortar a respiração, coreografadas ao sabor da música, complementando o concerto com actuações aéreas, acrobacias, magia, palhaços, mímica e dança”. O Cirque de la Symphonie é constituído por ginastas e artistas circenses de diversos países, incluindo atletas olímpicos medalhados e recordistas mundiais. Desde a sua fundação, já colaborou com mais de uma centena de orquestras sinfónicas de todo o mundo. O Cirque de la Symphonie é uma trupe circense itinerante sediada em Athens, no estado norte-americano da Geórgia, fundada em 2005 por William H. Allen e Alexander Streltsov. As suas apresentações envolvem uma variedade de números circenses contemporâneos minimalistas sincronizados com a música sinfónica ao vivo. No espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, a Orquestra de Macau será dirigida pelo maestro Tony Cheng-Te Yeh.
João Luz Manchete SociedadeJP Morgan | Jogo com receitas brutas sólidas em Janeiro Os analistas do banco JP Morgan estimam que nos primeiros 25 dias do ano, os casinos de Macau tenham apurado 17,8 mil milhões de patacas em receitas brutas, uma performance “estável e sólida”. A instituição prevê que o mês feche com subidas anuais das receitas de, pelo menos, 15 por cento O ano começou bem para os casinos de Macau, pelo menos de acordo com as estimativas dos analistas do JP Morgan. Segundo a mais recente nota de análise à indústria do jogo, divulgada na segunda-feira, é indicado que os casinos do território poderão ter amealhado nos primeiros 25 dias de Janeiro cerca de 17,8 mil milhões de patacas. O resultado é descrito como “estável e sólido”. “Isto significa que a performance da semana passada se manteve estável face à semana anterior, com receitas brutas diárias de 693 milhões de patacas, apesar dos fracos resultados do segmento VIP. Estes resultados são bastante sólidos quando comparados com os 624 milhões de patacas por dia registados em Dezembro”, referem os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian, citados pelo portal GGR Asia. Face às perspectivas, os analistas esperam que o mês encerre em grande. “Continuamos confiantes com a estimativa de que as receitas brutas cresçam anualmente em Janeiro entre 15 a 20 por cento, com a tendência a aproximar-se mais dos 20 por cento. O resultado abre perspectivas a aumentos anuais a rondar os 13 por cento nos primeiros dois meses e no primeiro trimestre de 2026”, é acrescentado. A longo prazo O ano de 2026 começou com um novo panorama na principal indústria do território, com Janeiro a ser o primeiro mês sem casinos-satélite, alterando a estrutura do mercado. Em Junho do ano passado, quando se soube que a larga maioria dos casinos-satélite iria fechar, a JP Morgan Securities indicava que o impacto do encerramento das operações dos casinos-satélite que operavam com as licenças da Melco e Galaxy seria “insignificante” para as concessionárias. Na realidade, no início do ano, os analistas do banco cortaram as previsões de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) para o ano de 2026 para 71,9 mil milhões de patacas para o total das seis concessionárias de jogo. Apesar da redução, a estimativa para os resultados EBITDA deste ano representa uma melhoria face à previsão de 68,5 mil milhões de patacas do ano passado. Os resultados EBITDA de 2025 ainda estão no campo das estimativas uma vez que as concessionárias de jogo ainda não reportaram aos accionistas os resultados finais.
João Luz Manchete SociedadeTrabalho ilegal | Nick Lei diz que combate não é eficaz Nick Lei não está satisfeito com a eficácia do combate ao trabalho ilegal. O deputado sugeriu a criação de grupos de WeChat com associações, DSAL e empresas de sectores que normalmente empregam trabalhadores ilegais para que a actuação das autoridades se torne mais ágil Apesar do bom caminho trilhado, Nick Lei considera que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) podia ser mais eficaz no combate ao trabalho ilegal. O Governo apresentou na segunda-feira os resultados do combate aos trabalhadores ilegais referentes ao ano passado. Em 2025, a DSAL realizou 683 inspecções, 62 das quais visaram motoristas. Um total de 668 pessoas foram punidas administrativamente por terem sido encontradas a trabalhar ilegalmente com multas totais de quase 6,09 milhões de patacas. Foram identificados 157 motoristas ilegais, que resultaram na aplicação de multas de quase 1 milhão de patacas. Em resposta aos resultados, Nick Lei enalteceu os esforços da DSAL, mas indicou que a entidade é pouco eficaz no combate ao fenómeno. Em declarações ao jornal do Cidadão, o deputado ligado à comunidade de Fujian argumentou que a actuação da DSAL continua a não ter correspondência com as expectativas da população, de acordo com as opiniões recolhidas pela sua equipa. Novas mensagens Apesar de defender a continuação de inspecções a locais de trabalho, assim como investigações a anúncios nas redes sociais a oferecer trabalho ilegal, Nick Lei recomenda uma comunicação próxima entre as autoridades, associações e responsáveis de empresas em ramos mais afectados pelo trabalho ilegal. Para tal, o deputado afirma que o método mais simples é criar um grupo de WeChat com todos agentes envolvidos, assim como responsáveis da DSAL para que a resposta e o combate ao trabalho ilegal sejam instantâneos. A falta de eficácia das autoridades é demonstrada, segundo Nick Lei, pelo número reduzido de motoristas ilegais apanhados pelas autoridades, que estão longe da realidade. Por esta razão, Nick Lei defende que a DSAL precisa de rever as actuais penalizações no âmbito de trabalho ilegal e, se o efeito dissuasor não for suficiente, será necessário alterar as leis. O deputado, que por inerência do seu trabalho tem o direito e obrigação de legislar, salienta que os regulamentos sobre o trabalho ilegal entraram em vigor há mais de 20 anos, não correspondendo assim aos tempos actuais. Nick Lei alertou ainda para novos sectores da economia que começaram a empregar trabalhadores ilegais, depois da pandemia, como fotógrafos, ou obras de remodelação para os prédios da Zona A nos novos aterros, com a divulgação de anúncios nas redes sociais a oferecerem trabalho ilegal. O deputado exemplificou ser comum surgirem publicações de empresas do Interior da China a oferecer serviços de “obra de remodelação na habitação económica da Zona A” na aplicação Xiaohongshu (little red book).
João Luz EventosFotografia | Concurso “Somos Imagens da Lusofonia” aberto a candidaturas A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do concurso de fotografia “Somos Imagens da Lusofonia. Com o tema “O Hoje do Passado”, os concorrentes são desafiados a retratar aquilo que perdura no tempo, entre modernidade e história A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do Concurso de Fotografia “Somos Imagens da Lusofonia”, este ano com o tema “O Hoje do Passado”, que irá decorrer até 28 de Fevereiro. O concurso tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura. À semelhança do ano passado, o primeiro classificado será contemplado com uma viagem e estadia em Macau, para quem não resida no território, para participar na cerimónia de inauguração da exposição subsequente e em workshops organizados localmente. Segundo um comunicado divulgado pela associação, o tema desta edição propõe uma reflexão sobre as “coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”. “Nos dias que correm, com o rápido desenvolvimento socioeconómico e tecnológico, o nosso foco tende a virar-se para o que é mais moderno, evoluído, para o que é novo. E, num contexto de acelerada transformação urbana, as províncias, cidades, e até vilas e aldeias têm sofrido mudanças que as levam a perder algumas caraterísticas distintivas. No entanto, há símbolos, instrumentos, ofícios, etc., que têm desafiado o tempo, as novas tecnologias e a homogeneização cultural. Alguns deles poderão até ser transversais ao universo lusófono”, indica a Somos. Alimentar o espírito O tema deste ano do concurso de fotografia da Somos convida à reflexão dos participantes sobre as realidades dos seus países e à expressão, através da fotografia, de pontos de vista sobre o valor dos costumes, práticas e tradições antigas nas sociedades actuais do universo lusófono. Assim sendo, a associação propõe uma análise à importância do património histórico, artístico, etnográfico e imaterial de cada território geográfico da Lusofonia, assim como valores culturais e elementos históricos “enquanto veículos de cariz social, reforços da identidade comunitária e portais para a evocação de tempos passados”. Através de trabalhos com dimensões artísticas, históricas e simbólicas, os participantes são desafiados a cristalizar numa imagem “testemunhos materiais da interação entre o passado e o presente”, refere a associação. Questões práticas As fotografias submetidas devem ser acompanhadas de título e de uma breve legenda descritiva de contextualização. O concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia ou residentes de Macau que possuam fotografias de qualidade, e enquadradas com o tema seleccionado, tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu. Um júri composto por profissionais da área da fotografia irá seleccionar três vencedores, que vão receber prémios pecuniários, havendo também a possibilidade de atribuição de menções honrosas. Os vencedores serão escolhidos seguindo critérios de criatividade e originalidade, composição fotográfica, qualidade artística, e relevância e qualidade em relação ao tema do concurso. Os três vencedores vão receber 10 mil patacas, enquanto as menções honrosas serão premiadas com 7 mil e 5 mil patacas. Além dos prémios pecuniários, o vencedor do primeiro lugar ganha uma viagem a Macau, e estadia. O júri é composto por Gonçalo Lobo Pinheiro (Macau) – presidente do júri em representação da Somos -, Lei Heong Ieong (Macau), Bruno Santos e Levi Bianco (Brasil), Luísa Nhantumbo (Moçambique) e César Mourão (Portugal).
João Luz Manchete SociedadeCasamentos | Crise força a cerimónias simples e menos gastos Os negócios dos casamentos nunca recuperaram da pandemia. Cerimónias simplificadas, banquetes e orçamentos cortados obrigam a transformações na forma como se celebram os matrimónios. O papel da acompanhante de noiva nos casamentos tradicionais chineses também tem menos procura Menos complicações e despesas são as palavras de ordem na forma como se celebram casamentos em Macau nos dias de hoje. Depois da razia absoluta a que a pandemia da covid-19 votou as empresas que operam negócios na área dos casamentos, o sector nunca voltou a recuperar a dimensão de outros dias. O ano de 2025 tinha tudo para resultar na retoma da indústria, por ser considerado um ano auspicioso para casar, de acordo com as superstições do zodíaco chinês. A expectativa para o Ano da Serpente apontava para bons negócios. No entanto, houve uma redução de 13 por cento nos primeiros três trimestres do ano passado. Na semana passada, o fluxo de pessoas que participaram numa feira dedicada a casamentos, com stands de empresas que catering, maquilhagem, vestuário e joalharia, deixou os empresários optimistas. Em declarações ao jornal Ou Mun, um empresário de planeamento de casamentos, de apelido Pang, notou o aumento de afluência de noivos em relação ao ano passado. Apesar disso, o empresário afirmou que o ambiente de negócios continua mau, com o tamanho dos banquetes de casamento a ficarem mais pequenos, passando de 20 a 30 mesas no passado, para pouco mais de 10 mesas actualmente. Também os orçamentos dos noivos caíram cerca de 10 por cento, em comparação com o ano passado. Além disso, Pang salientou que os tradicionais banquetes de casamento caíram um pouco em desuso, com cada vez mais casais a optarem por fazer cerimónias ao ar livre após o registo do matrimónio. A festa fica muitas vezes reduzida a um jantar de família para encerrar a cerimónia. Ajustar à realidade Para fazer face às mudanças no mercado, o empresário confessou ter alterado a tabela de preços e oferecer um serviço único e simples que reúne todas valências, do catering, à maquilhagem e roupa dos noivos. Uma das esperanças de Pang é a entrada na idade de casar dos jovens que nasceram no virar do século, assim como o aumento do subsídio de casamento e permite os notários privados celebrarem o casamento. Também uma acompanhante de noiva, que tem as funções de ajudar a noiva e actuar como uma gerente de todos os rituais do casamento tradicional chinês, deu conta da vontade de simplificar os matrimónios. Como tal, a procura pelos seus serviços também tem diminuído.
João Luz PolíticaCCPPC | Sam Hou Fai recebe presidente do Partido Zhi Gong O Chefe do Executivo recebeu no sábado, em Santa Sancha, o vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e presidente do Comité Central do Partido Zhi Gong da China, Jiang Zuojun. O Gabinete de Comunicação Social não adiantou muitos detalhes sobre a reunião, apenas que foram trocadas “opiniões sobre temas de interesse comum”. Ainda assim, é referido que Sam Hou Fai “indicou que, desde o regresso de Macau à pátria, o desenvolvimento socioeconómico mantém-se estável, facto indissociável do forte apoio do Governo Central, das províncias e cidades do Interior da China, e dos partidos democráticos do País, incluindo o Partido Zhi Gong”. O Partido Zhi Gong é um dos oito partidos políticos minoritários não oposicionistas do Governo Central, oficialmente denominados “partidos democráticos”, mas que operam sob a direcção do Partido Comunista Chinês. Depois de repetir os vários princípios políticos que orientam a governação da RAEM, como “um país, dois sistemas”, “Macau governada pelas suas gentes” com alto grau de autonomia, “um centro, uma plataforma, uma base”, Sam Hou Fai apresentou o panorama actual do desenvolvimento da RAEM, na óptica do Governo. O Chefe do Executivo “indicou que o resultado do sector de turismo de Macau em 2025 foi brilhante, o número de visitantes alcançado foi de 40 milhões e o Executivo continuará a reforçar a imagem de Macau como um centro mundial de turismo e lazer”. O governante garantiu que irá acelerar “o desenvolvimento da indústria cultural e desportiva, aproveitar as vantagens tradicionais da fusão da cultura oriental e da ocidental e promover, de forma diversificada, o desenvolvimento cultural e turístico de Macau”.
João Luz Manchete SociedadeAno Novo Chinês | Apelos a preços estáveis na restauração Associações apelaram a empresários da restauração para não aumentarem preços nos feriados do Ano Novo Chinês. Apesar da subida dos custos de operação, para compensar empregados que trabalham nos feriados obrigatórios, as associações sugerem a criação de menus com ofertas mais em conta Com os feriados do Ano Novo Chinês a aproximarem-se, associações que representam o sector da restauração apelam aos empresários e gerentes de restaurantes para não aumentarem os preços durante o período festivo, ou, se não tiverem alternativa, serem contidos na subida dos preços das refeições. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Lei U Weng, referiu que os empresários do sector estão a aplicar todos os esforços para que os residentes fiquem e gastem dinheiro na cidade, de forma a impulsionar a economia local. Sob o actual ambiente económico, Lei U Weng defende que os gerentes e donos de restaurantes não devem aumentar os preços durante os feriados do Ano Novo Chinês. Mas, se não se conseguir evitar a tendência devido ao aumento da taxa de serviço, o representante recomendou que devem ser seguidos os princípios de moderação, razoabilidade, abertura e transparência. Recorde-se que a lei que regula as relações de trabalho obriga os empregadores a compensarem os funcionários que trabalhem em dias de feriado obrigatório, com o triplo do salário ou o dobro (acrescido de um dia de folga adicional). Soluções criativas Lei U Weng salientou a necessidade de recorrer à criatividade comercial para contornar os custos acrescidos. Para tal, sugeriu a criação de menus especiais para os feriados, de forma a incentivar a permanência em Macau dos residentes. Também o presidente da Associação dos Comerciantes da Boa Cozinha de Macau, Ho Tsz Kit, apoiou a ideia, lembrando que muitos restaurantes criaram em anos anteriores menus especiais com descontos para atrair os clientes durante o Ano Novo Chinês. Este ano, os feriados obrigatórios calham a 17, 18 e 19 de Fevereiro. Para desviar o impacto do aumento dos custos, o representante afirmou que os empresários do ramo não têm alternativa. Ou encerram os restaurantes durante os feriados (solução visível para quem fica em Macau durante estes períodos), ou cobram até 30 por cento da taxa de serviço aos clientes. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que entre o Natal e o Ano Novo, cerca de 400 estabelecimentos de bebidas e comidas emitiram declarações para utilizar novas tabelas de preços, com aumentos de preços que variaram entre 10 por cento e 40 por cento. Se os restaurantes não pedirem ao IAM novas tabelas de preços ou cobrarem taxas de serviço adicional, nem avisarem os clientes destas mudanças, podem ser multados em 2.500 patacas e 5.000 patacas, respectivamente.
João Luz EventosUSJ | Nova biblioteca vai apoiar investigação de missões católicas na Ásia A Universidade de São José vai lançar este ano uma biblioteca para dar apoio à investigação da história das missões católicas na Ásia e da Diocese de Macau, que celebrou 450 anos. O projecto conta com a colaboração da Universidade do Minho A investigação histórica das missões católicas na Ásia e o papel da Diocese de Macau são pontos de partida para a criação de nova biblioteca da Universidade de São José (USJ), cuja inauguração, prevista para este ano, se enquadra no 450.º aniversário da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576. “Este marco é uma celebração da história da região e um compromisso com a preservação e compreensão do seu património cultural”, lê-se num comunicado divulgado na sexta-feira pela USJ. A Bibliotheca Diocesis Macaonensis “é um projecto ambicioso e de longo prazo na área das humanidades digitais”, que tem como objectivo “apoiar a investigação sobre a história da Diocese de Macau e das missões católicas no Leste e Sudeste Asiático”, é referido. “Adoptando uma perspectiva multidisciplinar, o projecto é apoiado por uma robusta infra-estrutura de investigação histórica que utiliza análise de dados computadorizada, aprimorada por tecnologias de inteligência artificial, ‘big data’ e aprendizagem automática”, refere-se na nota. Com a ajuda de amigos Para este projecto, a Faculdade de Letras e Humanidades da USJ está a colaborar com a Universidade do Minho, através do Centro ALGORITMI e do LASI – Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes, na sequência de um memorando de entendimento assinado em Março de 2025. O acordo entre as duas universidades teve como objectivo expandir reforçar a rede de cooperação da USJ, promover intercâmbios de ensino e investigação e fomentar o cultivo de talentos inovadores com competitividade global. Além disso, as instituições acordaram em estreitar o intercâmbio de professores e investigadores, estudantes de pós-graduação e de licenciatura entre Macau e Braga e estabelecer parcerias em iniciativas de ensino, investigação, tecnologia de inovação e empreendedorismo. A instituição de ensino superior de Macau, lê-se ainda no comunicado divulgado na sexta-feira, tem “trabalhado sistematicamente com colecções de vários arquivos e bibliotecas em todo o mundo”, nomeadamente as “colecções excepcionais” de dois parceiros colaborativos: o arquivo diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e a biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda. “Esta parceria valiosa permitiu um progresso significativo na concretização deste projecto”, sublinha o comunicado. A USJ diz ainda esperar atrair outras instituições e investigadores para o projecto, acolhendo ainda a participação de voluntários. Com Lusa
João Luz EventosCURB lança livro sobre néons de Macau, da autoria de Filipa Simões Na próxima semana, o CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo acolhe o lançamento oficial do “Guia dos Sinais de Néon de Macau”, de Filipa Simões. Depois de se debruçar sobre a arte urbana da cidade, a autora lança a primeira obra que documenta e celebra uma das características mais icónicas da paisagem de Macau No próximo dia 29 de Janeiro, quinta-feira, será lançado oficialmente o “Guia dos Sinais de Néon de Macau”, da autoria de Filipa Simões. O livro, cuja publicação está a cargo do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, será apresentado às 18h30 na Plataforma Criativa – Ponte 9. A sessão contará com a participação da autora e investigadora Filipa Simões, o coordenador do projecto e presidente do CURB Nuno Soares, e o responsável pela fotografia Wilson Kam. O “Guia dos Sinais de Néon de Macau” é descrito pelo CURB como a primeira publicação totalmente dedicada à documentação e celebração de um dos mais apreciados elementos do imaginário estético do tecido urbano da cidade. “Ao longo de gerações, os sinais de néon têm iluminado as ruas de Macau, moldando a paisagem nocturna e enraizando-se profundamente na memória colectiva da cidade. Muito além de meros efeitos visuais, tornaram-se símbolos culturais que representam orgulhosamente a identidade local e o seu quotidiano. Contam as histórias dos bairros, dos negócios, das gerações, de uma forma familiar, emocional e inconfundivelmente de Macau”, descreve o CURB em comunicado. O guia tem uma base uma recolha fotográfica feita ao longo do ano passado, que captura retratos únicos da paisagem iluminada da península de Macau. Porém, o projecto vai além das imagens de ambientes nocturnos pintados a néon presentes no guia, incorporando um trabalho amplo de investigação e documentação focado na preservação das instalações de néon de Macau, muitas das quais estão a ser removidas ou perdidas devido à reabilitação urbana. Do etéreo ao material O guia, cuja publicação foi financiada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura, materializa a vontade de garantir a sobrevivência do brilho das instalações de néon, além das ruas que costumavam iluminar, transformando a extensiva investigação e documentação visual da autora num registo tangível e de fácil acesso. Filipa Simões é designer, professora e residente em Macau desde 2004. É licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e tirou o mestrado em Administração de Empresas na Universidade de São José, onde lecciona desde 2013 e supervisiona o curso de Licenciatura em Design da Faculdade de Artes e Humanidade. A académica, que lançou em 2024 o “Guia para a Arte de Rua de Macau”, desenvolve o seu trabalho criativo em diferentes plataformas – como artista gráfica, directora criativa e professora. É directora criativa e fundadora da WHYDESIGN e directora da PONTE 9 Creative Platform. Os seus trabalhos foram reconhecidos com vários prémios, publicados e expostos internacionalmente na Experimentadesign, Salone Satellite, HKSZ Biennale e na Bienal de Arquitectura de Veneza. Segundo a biografia de Filipa Simões divulgada pelo CURB, a académica tem a cultura urbana e as actividades de rua em Macau como epicentro da sua investigação, através da exploração das expressões gráficas no domínio público que moldam a identidade, memória e vida quotidiana da cidade.