João Luz Manchete SociedadeTaiwan | Recurso de Levo Chan novamente negado A justiça de Taiwan voltou a negar um recurso interposto pelo antigo líder da Tak Chun, após a sua esposa ter tentado levantar dinheiro de uma conta de um banco de Taipé. O tribunal da Formosa citou a sentença de Macau que o condenou por branqueamento de capitais, entre outros crimes Um tribunal em Taiwan voltou a julgar improcedente um recurso interposto por Levo Chan, ex-líder da Tak Chun, que tentou aceder a dinheiro depositado no Banco Taipei Fubon, onde o empresário que cumpre pena de prisão em Macau terá depositados 200 mil dólares americanos e 50 milhões de dólares de Hong Kong, segundo órgãos de comunicação social de Taiwan. O recurso agora negado confirma a sentença da primeira instância, num processo que começou com a esposa do ex-líder do grupo junket a tentar levantar pouco mais de 64.500 dólares americanos de uma conta no Banco Taipei Fubon. Segundo a defesa de Levo Chan, o residente de Macau assinou um acordo com o banco para a abertura de uma conta bancária no dia em 26 de Junho de 2020. Porém, quando este encarregou a esposa de levantar parte dos depósitos, munida da caderneta bancária, o pedido foi recusado. Segundo as explicações do banco, como Levo Chan foi condenado pelos crimes de associação criminosa, sociedade secreta, exploração ilícita de jogo e branqueamento de capitais pelos tribunais de Macau, as sentenças proferidas na RAEM provam que Chan não usou a conta bancária para o uso proposto. Além das questões legais ligadas à proveniência dos fundos, o banco de Taipé argumentou que como Levo Chan não é residente de Taiwan, não poderia mandatar alguém para fazer levantamentos em seu nome, sendo necessário apresentar-se pessoalmente no balcão da instituição. Várias injecções Os representantes do Banco Taipei Fubon indicaram ainda que a conta do antigo junket terá recebido várias vezes grandes quantias de dinheiro provenientes de fontes desconhecidas e oriundas do Banco da China. Parte desses fundos terão sido trocados por obrigações, levantando suspeitas de branqueamento de capitais. As suspeitas adensaram-se a partir do momento em que Levo Chan não forneceu provas da origem de dinheiro e a conta foi congelada. Neste capítulo, o tribunal de primeira instância deu como provado que a conta no Taipe Fubon terá misturado dinheiro limpo com lucros ilegítimos. A conta no Banco Taipei Fubon terá recebido três transferências 116,77 milhões de dólares de Hong Kong, entre Outubro de 2020 e Dezembro de 2021. Em Novembro de 2024, Levo Chan foi condenado a 13 anos de prisão por ter sido considerado culpado de 27 crimes: 24 crimes de exploração ilícita de jogo em local autorizado, um crime de associação ou sociedade secreta, um crime de exploração ilícita de jogo e um crime agravado de branqueamento de capitais.
João Luz Manchete PolíticaGoverno Central | Gabinetes aplaudem plano quinquenal Os gabinetes de Ligação do Governo Central na RAEM e para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado elogiaram o plano quinquenal apresentado pelo Executivo na terça-feira. As entidades indicaram que é “um plano que guia o futuro”, estabelecendo um novo modelo de governação Os gabinetes de Ligação do Governo Central na RAEM e para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado emitiram comunicados na noite de terça-feira a elogiar o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico, apresentado horas antes por Sam Hou Fai e os secretários do seu Executivo. O porta-voz do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau afirmou o novo plano quinquenal é “um plano que orienta o futuro”, expressão que o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado também mencionou. O Gabinete de Ligação indicou que o programa estratégico para os próximos cinco anos estabelece um novo modelo de governação que privilegia a proactividade e eficiência. O organismo salienta como trunfos a “salvaguarda da segurança nacional e da estabilidade social, reforço da eficiência da governação da RAEM”, promoção da diversificação da economia, construção da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin, aceleramento da renovação urbana, garantia do bem-estar da população e integração e servir o desenvolvimento nacional. O porta-voz do Gabinete de Ligação acrescentou que espera que todos os cidadãos de Macau se envolvam e participem na implementação das medidas previstas no plano quinquenal e garantiu que o gabinete irá apoiar no Executivo a cumprir as suas responsabilidades. Manual de instruções Ambos os organismos apontam para um futuro mais brilhante de Macau, tendo como ponto de partida o terceiro plano quinquenal da RAEM. Por seu turno, um comunicado assinado pelo porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado refere que o programa para os próximos cinco anos “é um importante passo para a implementação com sucesso do princípio ‘um país, dois sistemas’ com características de Macau”, e “um plano que guia o futuro”. O organismo liderado por Xia Baolong destaca que o plano quinquenal “aplica com empenho o espírito das importantes instruções do Presidente Xi Jinping, com uma perspectiva mais ampla e uma orientação clara”. Além disso, indica que o plano “é pragmático, progressista, focado, preciso nos seus objectivos e eficaz nas suas medidas, apresentando uma forte pertinência e exequibilidade”. O porta-voz salienta aplaude também a prioridade dada pelo Executivo aos quatro grandes projectos que Pequim atribuiu à RAEM: Cidade Universitária Internacional Macau-Hengqin, Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, Centro Internacional de Transporte Aéreo da Margem Oeste do Rio das Pérolas e Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau. Além disso, foi destacado que durante o período de consulta, foram recebidas, 1.716 propostas e 8.230 comentários, dos quais mais de 90 por cento foram positivos. O gabinete conclui que o resultado da consulta pública sobre o plano quinquenal “é mais um exemplo claro da democracia de elevada qualidade com características próprias de Macau, que reúne o consenso de toda a sociedade”
João Luz Manchete SociedadeTrânsito | Kaifong pedem suspensão de cartas e penas pesadas A vice-presidente dos Moradores pede acção para responder aos cinco acidentes mortais deste ano. Cheong Sok Leng sugere um mecanismo de sanções progressivas, suspensão da carta de condução, formação obrigatória e aumento das multas em especial para infractores reincidentes Os cinco acidentes que provocaram mortes este ano constituem um sinal de alerta que não pode ser ignorado, sem a tomada de medidas, segundo Cheong Sok Leng, vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Num artigo publicado no jornal Cidadão, a responsável, também membro do Conselho Consultivo do Trânsito defende a revisão da lei do trânsito rodoviário e o reforço da formação dos motoristas de autocarros públicos e de turismo. Em termos legais, Cheong Sok Leng sugere a introdução de um mecanismo de sanções progressivas, que inclua suspensão da carta de condução, formação obrigatória e aumento das multas a infractores reincidentes. Para reforçar o efeito dissuasor, a conselheira pede também o agravamento das sanções por condução sob o efeito do álcool, drogas e por excesso de velocidade grave. Direito e respeito A conselheira e dirigente dos Moradores salienta que os “condutores devem respeitar rigorosamente as regras de cedência de passagem aos peões nas passadeiras e estar atentos aos ângulos mortos causados por veículos de grandes dimensões”. Cheong Sok Leng recordou o caso do rapaz de 10 anos que morreu atropelado quando atravessava a rua numa passadeira como um exemplo que chocou a opinião pública, mas que representou o desrespeito pela prioridade a peões. Apesar dos esforços para relocalizar passadeiras, instalar ilhas de segurança e sinais fluorescentes e fazer marcações longitudinais de redução de velocidade, a conselheira afirma que as “melhorias nas infra-estruturas não podem substituir a consciência de segurança tanto dos condutores como dos peões”. Neste aspecto, Cheong Sok Leng destaca a situação dos idosos, que têm tempos de reacção mais lentos e são facilmente ignorados ao atravessarem as vias, defendendo a instalação de lombas, postes de aviso intermitentes e espelhos convexos de ângulo amplo perto de escolas e instituições para idosos A dirigente dos Moradores alerta também para importância de se prestar maior atenção à saúde dos motoristas profissionais e às suas condições de trabalho. Como tal, sugere ao Governo que estude a possibilidade instalar “sistemas de detecção de ângulos mortos, câmaras de visão panorâmica ou dispositivos de aviso de colisão lateral em todos os veículos de grande porte”. Além disso, os motoristas devem ser submetidos a exames médicos que atestem a condição física e mental para trabalhar.
João Luz Manchete SociedadeRenovação urbana | Wu Chou Kit quer dar prioridade à manutenção e beleza Face ao panorama económico pouco risonho, Wu Chou Kit acha que os esforços de renovação urbana se devem focar em obras de manutenção e embelezamento das ruas de Macau. O ex-deputado considera também que o futuro da indústria da construção está na renovação dos prédios antigos A manutenção de edifícios degradados e dar uma roupagem mais bela às rudas da cidade deveriam estar entre as prioridades dos esforços do Governo no que toca à renovação urbana. Esta é a ideia do ex-deputado e membro do Conselho para a Renovação Urbana, Wu Chou Kit, que apontou para a recuperação e valorização do tecido urbano de Macau, numa altura em que Sam Hou Fai prometeu acelerar a renovação urbana. Em declarações ao jornal do Cidadão, Wu Chou Kit vincou o ambiente económico complicado que Macau atravessa, com a continuidade da queda dos preços dos imóveis, mercado cuja recuperação continua sem se vislumbrar. Como tal, o foco deveria ser o prolongamento da vida dos edifícios antigos e o aumento do seu valor. O equilíbrio entre habitação privada e pública também foi mencionado pelo ex-deputado, que indicou que mais 85 por cento dos residentes têm imóvel próprio e, com a inauguração de mais edifícios de habitação económica, a vontade para reconstruir pode não parecer vantajosa economicamente para proprietários devido à falta de procura no mercado. Wu Chou Kit separou a situação de Macau e de Hong Kong, onde os preços dos imóveis aumentaram devido a factores externos como investimento imobiliário e a entrada de quadros qualificados na cidade vizinha, que impulsionou os preços e a construção de edifícios de qualidade. A única saída Como o Plano Director prevê o crescimento da população, Wu Chou Kit considera que o Governo deve antecipar essa tendência demográfica beneficiando as habitações privadas e a reconstrução dos bairros antigos. Além do jogo e do turismo, o ex-deputado sublinhou a importância económica do sector da construção, que sofre com a redução do volume de obras terminadas as construções na Zona A dos Novos Aterros Urbanos. Assim sendo, a renovação urbana pode servir como balão de oxigénio para o sector, multiplicando os projectos de obras privadas. O também engenheiro sugeriu ainda a implementações de políticas que aliviem a pressão económica dos proprietários com benefícios fiscais e isenção de pagamento de taxas na transmissão de bens imóveis.
João Luz Manchete SociedadeHospital das Ilhas | Queixas sobre médicos que só falam mandarim As consultas no Hospital das Ilhas por médicos que só falam mandarim, sem que haja tradução, está a dificultar o acesso a cuidados médicos, em particular a idosos. Uma residente queixou-se da falta de tradução e do prolongado tempo de espera Quando Sio levou a mãe a uma consulta no Centro Médico de Macau Union, também designado como Hospital das Ilhas, não imaginou que deveria ter entrado na sala do médico. Porém, terminada a consulta e face à confusão da mãe, a residente percebeu que deveria ter tomado uma postura mais proactiva. A queixa foi feita no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, com a ouvinte a indicar que são necessários serviços de tradução no Hospital das Ilhas para quem não fala mandarim, depois de ter recorrido aos serviços médicos na semana passada. “O médico só falou mandarim durante toda a consulta. Não estou a dizer que falar mandarim é um problema, temos muitos médicos de qualidade vindos do Interior da China, devemos estar contentes por isso. No entanto, acho que deve haver pessoal para auxiliar na tradução, porque os idosos podem não conseguir falar mandarim e os médicos podem não perceber cantonês” explicou. A residente indicou que a consulta acabou por ser afectada porque não só a mãe não compreendeu algumas ideias deixadas pelo médico, como também não conseguiu expressar claramente a sua situação. Na próxima consulta, em vez de ficar na sala de espera, Sio afirmou que irá acompanhar a mãe quando esta for chamada, mas que mesmo assim isso pode não ser suficiente. “Na verdade, não estou muito confiante que consiga compreender e expressar-me com clareza durante a consulta”, indicou. Tempo é relativo Sio não revelou se durante a consulta estaria uma enfermeira presente para ajudar a explicar em cantonês o que o médico estaria a dizer. Porém, a própria apresentadora do programa referiu ter acompanhado um familiar a uma consulta no Hospital das Ilhas onde o mesmo se terá passado, obrigando-a a fazer o papel de tradutora. A ouvinte lamentou também a longa espera para a sua mãe ser atendida. “Consultei a aplicação móvel do hospital para ver os doentes em espera. Primeiro estavam 20, mas um pouco antes da noite fomos para o hospital e estavam seis pessoas à espera. Mesmo assim, acabámos por esperar mais de duas horas, ou seja, cerca de meia hora por cada doente”, contou. A consulta da mãe teve a mesma duração, tempo que Sio explicou com a necessidade de fazer testes à mãe por suspeitas de estar infectada com gripe, situação que alarga o tempo de espera. “Este procedimento tem de melhorar. Isto não acontece nos outros hospitais de Macau, onde os testes ou análises são separados da consulta”, rematou a residente.
João Luz Manchete SociedadeEmprego | Coutinho sugere a jovens oportunidades em Hengqin A ATFPM organizou um seminário sobre oportunidades de trabalho para os jovens. Depois de retratar um cenário complexo, que não se reflecte nas estatísticas, Pereira Coutinho destacou as oportunidades criadas pelo Centro de Serviços Económicos e Comerciais em Hengqin A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) organizou no sábado à tarde um seminário sobre as oportunidades de emprego para jovens. Depois de traçar um cenário das dificuldades que os mais novos, em especial os recém-licenciados, sentem na entrada no mercado de trabalho, o deputado Pereira Coutinho apontou como uma das soluções o Centro de Serviços Económicos e Comerciais dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola em Hengqing. O orador do seminário começou por referir que “Macau atravessa uma fase de bom desenvolvimento económico, com um PIB bastante promissor” e que nos próximos anos a diversificação da economia irá proporcionar “novos rumos no futuro, tanto na área empresarial como na procura de emprego qualificado”. Assim sendo, o deputado refere que o “centro representa uma mais-valia única para os jovens de Macau, pois permite o acesso a estágios profissionais internacionais, programas de formação especializada, redes de contactos empresariais e oportunidades de intercâmbio cultural e económico”. O deputado salientou a vantagem dos jovens de Macau por dominarem a língua portuguesa, conhecerem a realidade dos países lusófonos e possuírem formação multicultural. Estas capacidades tornam os jovens de Macau aptos para “projectos de cooperação comercial, negociação internacional, tradução e consultadoria empresarial entre a Grande Baía, Hengqing e os mercados de língua portuguesa e espanhola”, salientou. Ponto de partida Coutinho frisou também que o centro em Hengqin apoia a criação de pequenos negócios e start-ups de jovens, facilitando o acesso a financiamento, orientação técnica e mercados externos, e permitindo uma escapatória à dependência dos sectores tradicionais do turismo e do jogo. O deputado começou por referir que a realidade do emprego jovem fica oculta entre os valores estatísticos, em particular os recém-licenciados das universidades locais. Coutinho citou dados dos Serviços de Estatística e Censos do terceiro trimestre de 2025, quando “a taxa de desemprego dos residentes com idades entre os 16 e os 24 anos atingiu os 11,7 por cento, bastante superior à média local de 2,4 por cento”. O legislador indicou que “metade destes desempregados possui formação superior, carecendo de experiência profissional” e que o mercado laboral passou a pedir “cada vez mais qualificações académicas e experiência acumulada durante o percurso escolar, nomeadamente através de estágios profissionais”. Outro problema identificado por José Pereira Coutinho, é a própria estrutura económica, que “continua excessivamente concentrada nos sectores do turismo e do jogo, que absorvem 44 por cento da mão-de-obra”. Como tal, jovens com licenciaturas em “medicina, engenharia, construção civil, direito ou ciência e tecnologia têm grandes dificuldades em encontrar postos de trabalho relacionados com a sua formação. Muitos acabam por aceitar funções não especializadas e desligadas dos seus cursos”, conclui.
João Luz Manchete PolíticaTerminal da Taipa | CAM fica com gestão de áreas aeroportuárias A gestão e exploração das áreas aeroportuárias no Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa vai estar a cargo da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. A decisão foi anunciada através de despacho do Chefe do Executivo que dispensou a realização de concurso público A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau vai ficar com a gestão e exploração das áreas operacionais aeroportuárias no Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa. A decisão foi oficializada ontem com a publicação de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo no Boletim Oficial, que dispensou “a realização de concurso público para atribuição da concessão do serviço público” por ajuste directo. O despacho de Sam Hou Fai justifica a tomada de posição tendo em conta a “especial qualificação técnica no domínio da gestão e exploração de aeródromos” da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. Além disso, a gestão e exploração das áreas aeroportuárias do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa pela CAM “traz benefícios significativos para a RAEM”, é indicado. Assim sendo, Sam Hou Fai delegou no secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, “todos os poderes necessários para representar a RAEM, na qualidade de outorgante, na escritura pública do contrato de concessão. Prática corrente Em meados do mês de Junho, o Governo tomou uma decisão semelhante em relação à “concessão do serviço público da gestão e exploração do Heliporto do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa”. Um despacho assinado por Sam Hou Fai também dispensou a realização de concurso público e atribuiu, por ajuste directo, a gestão e exploração do heliporto à sociedade Heliporto de Macau, Limitada. Também as justificações foram as mesmas, sendo inclusive usados os mesmos termos. Na altura, o Chefe do Executivo referiu que a concessão foi atribuída por ajuste directo à sociedade Heliporto de Macau, Limitada, por ter “especial qualificação técnica no domínio da gestão e exploração de aeródromos” acrescentando que a concessão “traz benefícios significativos para a Região Administrativa Especial de Macau”. Mais de 11 anos depois do início das obras, o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa foi inaugurado em Maio de 2017. A infra-estrutura custou aos cofres do Governo 3,8 mil milhões de patacas, seis vezes mais do que havia sido orçamentado à partida.
João Luz EventosConcerto | The Pains of Being Pure At Heart em Hong Kong em Novembro A banda de indie-pop The Pains of Being Pure At Heart vão actuar no Portal, em Hong Kong, no dia 10 de Novembro. A primeira parte estará a cargo da banda local Lucid Express. Os bilhetes já estão à venda e custam 510 dólares de Hong Kong “Vamos actuar em Hong Kong no dia 10 de Novembro. As lendas locais Lucid Express vão fazer a abertura. Eles são uma banda fixe, portanto, será uma grande noite”, anunciou a banda The Pains of Being Pure at Heart numa publicação nas redes sociais. O concerto está marcado para as 20h do dia 10 de Novembro, uma terça-feira, na sala Portal, em San Po Kong, em Kowloon. Os bilhetes foram postos à venda ontem e custam 510 dólares de Hong Kong. Esta será a quarta vez que a banda de Brooklyn actua na região vizinha, depois de duas participações no festival Clockenflap em 2011 e 2015, e depois em Janeiro de 2018 em nome próprio. A produtora de concertos Clockenflap, no anúncio do espectáculo nas redes sociais descreveu os The Pains of Being Pure at Heart como uma banda lendária de indie-pop. “Desde a estreia em 2019 com um álbum homónimo, a banda de Nova Iorque impôs-se como a definitiva banda sonora da vida dos fans de indie em todo o mundo. Misturando a distorção típica do shoegaze dos anos 90 com melodias agridoces, poucas músicas conseguiram materializar as dores e exuberância da juventude como ‘Young Adult Friction’, ‘Belong’ e ‘Come Saturday’”, descreve a organização. Nas redes sociais, a banda de Brooklyn referiu ainda que foram feitas t-shirts para celebrar o regresso a Hong Kong e publicou uma foto de uma cena do clássico filme de Wong Kar-wai “Chungking Express”, em que Faye Wong tem vestida uma t-shirt de The Pains of Being Pure at Heart. Obviamente, o filme foi lançado cerca de 15 anos antes de sair o primeiro disco da banda, e a imagem é gerada por inteligência artificial. Mesmo assim, a banda volta a fazer alusão ao filme protagonizado por Tony Leung e Faye Wong brincando que “talvez venham a comer ananás fora do prazo”. Revisão da matéria Sem discos novos desde o hiato que começou em 2019, e apenas com uma compilação lançada no ano passado, a banda chega de novo a Hong Kong com a bagagem cheia de músicas para fazer três reportórios diferentes, ao longo de cinco discos. Formados em 2007, os The Pains of Being Pure at Heart começaram com Kip Berman na voz e guitarra, Peggy Wang nas teclas e voz, Alex Naidus no baixo e Kurt Feldman na bateria. Ao longo dos anos, a formação foi flutuando com mais dois guitarristas que acompanharam a banda ao vivo, assim como outro baterista. Cerca de dois anos depois da formação, o grupo de Nova Iorque lança o primeiro disco, homónimo, entrando no radar de portais de música como a Pitchfork e Stereogum. Volvidos mais dois anos, em 2011, os The Pains of Being Pure at Heart lançam o disco que lhe valeu o maior sucesso comercial e salto de popularidade, entrando nos tops de vendas dos Estados Unidos, Bélgica, França, Reino Unido e Espanha. Após o sucesso comercial, Kip Berman tornou-se único membro original da banda, com os restantes músicos a abraçarem outras oportunidades de trabalho fora da indústria da música. Há quase dois anos, em Agosto de 2024, os The Pains of Being Pure at Heart reuniram-se para celebrar o 15.º aniversário do álbum de estreia, com uma digressão por Espanha e Portugal em Fevereiro de 2025. O alinhamento da digressão incluiu todos os membros originais, excepto o baixista.
João Luz Manchete SociedadeSeac Pai Van | Queixas de infiltrações em habitação social Um residente denunciou a inoperância do Instituto de Habitação para resolver infiltrações e bolor no apartamento da sogra, num prédio de habitação social em Seac Pai Van. Foi sugerido ao residente que a idosa mudasse para sua casa, depois de adiamentos sucessivos de reparações “A minha sogra mora numa fracção da habitação social em Seac Pai Van. A casa tem sérios problemas de infiltrações nas paredes e no tecto, mesmo quando não chove. Quando chove, o problema torna-se muito mais grave”. Foi desta forma que um ouvinte do programa “Fórum Macau”, do canal chinês da Rádio Macau começou por relatar a embrulhada em que está envolvido com o Instituto de Habitação (IH) há cerca de dois meses. Numa tentativa desesperada de resolver a situação da sogra, uma idosa de 70 anos com problemas de saúde que mora sozinha, o residente de apelido Mak ligou para emissora pública. “Não sei a quem posso pedir ajuda, por isso liguei-vos. Os contactos com o IH são sempre um problema, as chamadas são sempre reencaminhadas para o correio de voz. Por exemplo, se ligo de manhã, só me respondem à tarde”, contou. Os contactos com o IH começaram em Junho. Depois das queixas de infiltrações, foram ao local agentes do instituto para verificar a situação e tirar fotografias dos estragos na habitação. Nessa altura, os agentes explicaram que não podiam começar os trabalhos de manutenção porque Macau estava a ser assolada por chuvadas fortes e que teriam de esperar por melhores condições meteorológicas. Casa de acolhimento O impasse manteve-se sem solução à vista. Mak voltou a contactar o IH para saber quando poderia avançar a obra de manutenção. Mais uma vez, o IH enviou agentes ao prédio para tirar fotografias dos danos, que informaram tratar-se de um problema estrutural das paredes exteriores e que administração do condomínio não seria responsável. Esta informação deixou o residente sem saber a quem recorrer. “Os funcionários do departamento de manutenção do IH recomendaram-me continuar para a linha que trata de queixas, ou escrever uma carta ao presidente do IH a solicitar a troca para outra fracção”, indicou. Após inúmeras tentativas, as obras de manutenção ficaram acertadas para começar no dia 31 de Julho, para de seguida serem adiadas para esta semana. Até ontem, o residente ainda aguardava resposta às chamadas telefónicas. Além disso, o ouvinte relatou que lhe foi sugerido que a idosa se mudasse para sua casa. “Se tivesse lugar em casa, claro que essa seria a solução mais óbvia. Mas não tenho”, acrescentou. Mak contou ainda que, devido ao bolor e às infiltrações, a sogra sente-se mal fisicamente, tendo inclusivamente recorrido a um médico.
João Luz Manchete PolíticaÓbito | Sam Hou Fai expressa pesar por falecimento de Zhu Rongji O Chefe do Executivo manifestou profundo pesar pelo falecimento Zhu Rongji. Sam Hou Fai recordou os contributos do ex-primeiro-ministro para a reforma e abertura da China, assim como a sua presença na tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo na cerimónia do estabelecimento da RAEM “O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em nome do governo da RAEM, expressou o mais profundo pesar pelo falecimento do Senhor Zhu Rongji, e endereçou as mais sentidas condolências à sua família”. Foi desta forma que o Executivo se juntou aos votos de pesar nacionais e internacionais após a notícia de que o ex-primeiro ministro teria falecido. O antigo dirigente chinês estava doente e morreu ao fim da manhã de quarta-feira, de acordo com um obituário publicado pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, pelo Governo e por outros órgãos estatais. Por cá, Sam Hou Fai sublinhou o papel “excepcional” que Zhu Rongji desempenhou na liderança do Estado, contribuindo “de forma significativa para a reforma, a abertura e a construção da modernização do país”. O governante local relembrou que Zhu Rongji, então primeiro-ministro, assistiu à Cerimónia de Transferência de Poderes Políticos de Macau, realizada pelos governos da China e de Portugal, no dia 20 de Dezembro de 1999 (ver caixa). Nesse dia, “testemunhou o juramento e a tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos da RAEM na cerimónia do estabelecimento da RAEM, o que representa uma memória partilhada e eterna para todos os compatriotas de Macau”, recorda Sam Hou Fai. Além disso, o Chefe do Executivo afirmou que “Zhu Rongji demonstrou sempre a sua atenção e apoio incondicional ao desenvolvimento do princípio ‘um país, dois sistemas’ e da RAEM acrescentando que, apesar do seu falecimento, a dedicação e apoio para com a RAEM, os seus contributos ao país e ao povo irão manter-se perpetuamente na memória de todos”. Região enlutada Na cidade vizinha de Hong Kong, o líder do Governo, John Lee reagiu ao falecimento de Zhu Rongji, com um comunicado divulgado quase em simultâneo com Macau. Lee afirmou que o ex-primeiro-ministro sempre teve o desenvolvimento de Hong Kong no coração e apoiou o crescimento da cidade, visitando-a “em várias ocasiões, estabelecendo contacto com cidadãos de Hong Kong de todas as esferas da sociedade. O líder do Executivo da RAEHK referiu que durante o seu mandato como primeiro-ministro, Zhu apoiou a união de Hong Kong, defendendo com determinação a prosperidade e a estabilidade da cidade enquanto centro financeiro internacional. Além disso, John Lee salienta o empenho firme de Zhu Rongji na defesa dos princípios “um país, dois sistemas”, “cidadãos de Hong Kong a administrar Hong Kong” com elevado grau de autonomia, e na preservação da “prosperidade e a estabilidade a longo prazo” da região. Escritos do jornal Ou Mun O jornal Ou Mun publicou ontem uma cronologia da ligação de Zhu Rongji a Macau, começando a 2 de Novembro de 1997 quando era vice-primeiro-ministro. Nesse dia, Zhu encontrou-se em Xangai com uma delegação dos empresários de Macau. Durante a reunião, o responsável descreveu Macau como a “Joia do Oriente” e garantiu que as dificuldades económicas que Macau sentia na altura seriam rapidamente ultrapassadas. A 20 de Maio de 1999, já no cargo de primeiro-ministro, Zhu Rongji, assinou oficialmente um decreto do Conselho de Estado, em que nomeou Edmund Ho o primeiro Chefe do Executivo. O jornal Ou Mun obviamente mencionou a participação nas cerimónias de transferência de Macau e Hong Kong, enquanto acontecimentos históricos para a China, em que Zhu Rongji foi um dos protagonistas. No dia 15 de Março de 2001, na conferência de imprensa da quarta sessão da 9.ª Assembleia Popular Nacional, em resposta a uma questão sobre a posição económica de Macau, Zhu afirmou que mesmo com uma área pequena, e escala económica limitada, Macau tinha várias vantagens. O político destacou o elevado grau de abertura, e a capacidade para ser um importante elo económico entre o Interior da China e Taiwan.
João Luz Manchete SociedadeGalaxy | Receitas cresceram para 24,2 mil milhões no primeiro semestre A Galaxy apurou nos primeiros seis meses do ano uma receita líquida de 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que representou uma subida de 4,2 por cento em termos anuais. O grupo anunciou a distribuição de dividendos de 0,9 dólares de Hong Kong por acção no dia 15 de Setembro O Grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem ter apurado 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em receitas líquidas na primeira metade deste ano, resultado que ficou 4,2 por cento acima do registo no período homólogo. Numa nota dirigida à bolsa de valores da região vizinha, o presidente do grupo, Francis Lui, categorizou os resultados da Galaxy como “sólidos”. “Apesar dos desafios macroeconómicos externos, incluindo as tensões geopolíticas no Médio Oriente, Macau manteve-se resiliente durante o trimestre, apoiada pelo fluxo robusto de visitantes, ocupação hoteleira satisfatória e procura sustentada tanto nas ofertas relacionadas com o jogo como nas não relacionadas com o jogo”, afirmou. Ainda no primeiro semestre, a Galaxy registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 7 mil milhões HKD, mais 1,3 por cento face ao mesmo período de 2025. Os lucros que serão atribuídos aos accionistas subiram ligeiramente, 0,8 por cento, no primeiro semestre para 5,28 mil milhões HKD. O grupo anunciou ontem também que irá distribuir dividendos intercalares de 0,9 HKD por acção, em comparação com aos 0,7 HKD por acção do ano anterior. Estes pagamentos estão previstos para o dia 15 de Setembro. Efeito mundial Os resultados da Galaxy revelam ainda que a receita líquida do segundo trimestre caiu 2 por cento em termos anuais, para 11,8 mil milhões HKD. Face aos primeiros três meses de 2026, as receitas líquidas diminuíram 5 por cento, decréscimo que Francis Lui atribuiu ao Campeonato do Mundo de Futebol. “Conforme referimos no relatório do primeiro trimestre, os grandes eventos desportivos têm, historicamente, influenciado o comportamento dos clientes e as receitas do jogo em Macau, devido ao desvio de atenção e ao aumento da concorrência por parte das apostas desportivas. O calendário alargado de jogos do torneio deste ano afectou temporariamente o fluxo de clientes e as receitas. É importante referir que Macau registou uma recuperação das receitas de jogo no final do Campeonato do Mundo, e esta dinâmica manteve-se até Agosto”, indica o presidente da Galaxy.
João Luz Manchete SociedadeTurismo | Organizada visita de operadores espanhóis à RAEM No final de Julho, o Governo organizou uma visita de familiarização a Macau destinada a operadores espanhóis, para criar pacotes turísticos multidestinos. Em Outubro, a operação de charme prossegue com a visita de 20 representantes de agências de viagens de órgãos de comunicação espanhóis Além das campanhas para atrair turistas portugueses, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) está a lançar uma operação de charme dirigida ao mercado espanhol, com visitas de familiarização para operadores, agências e órgãos de comunicação social de Espanha, num esforço para expandir a marca Macau em mercados internacionais. Num comunicado divulgado ontem, o organismo liderado por Helena de Senna Fernandes revela que em Outubro a “Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), a mais representativa organização da indústria em Espanha”, irá “liderar uma comitiva de cerca de 20 representantes de agências de viagens e órgãos de comunicação social a Macau”. Além da visita aos locais mais emblemáticos da cidade, os convidados vão assistir ao Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício e participar em encontros de intercâmbio com os operadores locais. Já no final de Julho, entre os dias 22 e 25, foi organizada uma visita de familiarização a Macau de uma delegação de representantes espanhóis do sector, em colaboração com uma das maiores agências de viagens online de Espanha, a DESTINIA. Durante quatro dias, a delegação visitou o centro histórico de Macau, “novas instalações culturais e turísticas” e provou iguarias da gastronomia local. Além disso, foram organizados encontros de intercâmbio com os operadores de Macau que participaram na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR)”. Já que estamos aqui A DST aposta numa estratégia de pacotes multidestinos para o mercado espanhol, à semelhança do que tem feito com Portugal. As visitas de representantes espanhóis têm como objectivo “conceber produtos de turismo aprofundado” multidestinos, “tendo Macau como destino central e em articulação com cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong, prolongando a estadia dos visitantes e dinamizando o consumo turístico”. Em simultâneo, a DST irá lançar uma ronda de acções promocionais no mercado espanhol, com campanhas na imprensa, redes sociais e através de convite a criadores de conteúdo de viagens espanhóis. Além disso, a DST irá participar na FITUR 2027, que se realiza em Madrid entre 20 e 24 de Janeiro, “intensificando os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longo curso atractivo para o mercado espanhol”. O mercado ibérico tem sido uma prioridade do Governo na atracção de visitantes internacionais. Entre Agosto do ano passado e o passado mês de Fevereiro, a DST em parceria com a agência Abreu, lançou uma campanha com vários produtos turísticos, que incluíram Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Interior da China. A DST realça ainda que na primeira metade deste ano, o número de visitantes vindos de “Espanha, Portugal e da Europa em geral registou um crescimento de dois dígitos face ao mesmo período de 2025”.
João Luz Manchete PolíticaAcessibilidade | Deputadas dizem que tecnologia é a chave O plano de acção para os serviços de reabilitação mereceu o aplauso de Wong Kit Cheng e Loi I Weng. No entanto, as deputadas sugerem prioridade nas acessibilidades perto de hospitais, escolas e centros de transportes e que pessoas com deficiência testem e avaliem as várias fases de planeamento e construção de estruturas Antes e durante a construção de uma rampa para cadeira de rodas, da instalação de uma faixa de piso táctil, as autoridades deveriam consultar as opiniões de pessoas portadoras de deficiência. A ideia foi sugerida pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, num comunicado divulgado na noite de terça-feira. “Nas fases inicial, intermédia e no final do plano, devem ser convidadas pessoas com deficiência para experimentarem pessoalmente e darem as suas opiniões, assegurando que as instalações sejam bem construídas e efectivamente utilizáveis”, indicam as deputadas da Associação Geral das Mulheres de Macau. O comunicado surge na sequência do anúncio do Governo dos planos decenais de acção para serviços de reabilitação e de apoio a idosos. As deputadas defendem que autoridades devem concentrar-se na melhoria das acessibilidades nas imediações de hospitais, escolas e centros de transportes, “criando passagens pedonais e instalações acessíveis contínuas, integrando a distribuição destas infra-estruturas nos futuros planos detalhados de cada área de Macau”. A ideia de continuidade é prevalente ao longo do comunicado das deputadas, que defendem o fim do antigo modelo de “melhorias pontuais”, para apostar numa abordagem de “conexão em áreas amplas”. As legisladoras destacam “experiências passadas” em que rampas, faixas de piso táctil, ou outra qualquer estrutura para eliminar barreiras, eram instaladas numa secção isolada. Soluções inteligentes As duas deputadas enfatizam que a tecnologia é a chave para ultrapassar a “última milha” da acessibilidade. Como tal, sugerem que as autoridades recorram ao uso de “sensores e tecnologias inteligentes”, aprendendo com experiências vizinhas. É dado o exemplo do sistema de análise a infra-estruturas rodoviárias lançado em Shenzhen, que usa inteligência artificial para detectar falhas na estrada e faixas tácteis, assim como passagens obstruídas. É também mencionado a aplicação móvel do Aeroporto de Hong Kong que permite ter acesso a orientações sonoras, indicando a localização de elevadores e casas de banho acessíveis. A aplicação planeia rotas planas sem escadas. As deputadas sugeriram que Macau use este tipo de tecnologia para edifícios públicos, centros de transporte ou centros comerciais, mas também traduções automáticas entre texto e língua gestual em balcões de serviços públicos. Além disso, defenderam a adoptação uma postura mais flexível das autoridades, por exemplo, criando zonas exclusivas de embarque e desembarque ou lugares de estacionamento acessíveis perto de instituições de reabilitação, ou para a instalação de rampas de acesso.
João Luz Manchete SociedadeJogo | Primeiros dias de Agosto mostram recuperação Os primeiros nove dias de Agosto foram “encorajadores” em termos de receitas brutas nos casinos de Macau, com aumentos mensais de 12 por cento, segundo analistas do banco de investimento Citi. As estimativas apontam para receitas brutas diárias a rondar 733 milhões de patacas Os primeiros nove dias deste mês parecem apontar para a recuperação das receitas brutas da indústria do jogo. Segundo as previsões dos analistas do banco de investimento Citi, com base nas fontes do sector, as receitas brutas apuradas pelos casinos no período mencionado atingiram cerca de 6,6 mil milhões de patacas. Resultado que os analistas categorizam como “encorajador”, alicerçado numa “recuperação sequencial” nas performances diárias face às receitas diárias apuradas em Julho, indicam os analistas citados por portal GGR Asia. No início de Agosto, os casinos de Macau arrecadaram, numa média diária, 733 milhões de patacas, o que representa “um aumento de aproximadamente 12 por cento em relação ao registo diário médio de Julho, que se ficou pelos 654 milhões de patacas por dia. Feitas as contas, as mesas de jogo dos casinos estão a registar quase 80 milhões de patacas a mais por dia, face ao mês passado. “Em relação às nossas previsões para Agosto, mantemos inalterada a estimativa de receitas brutas de 23,5 mil milhões de patacas”, o que representa uma subida anual de 6 por cento. Nos dois campos “Estamos optimistas com a recuperação sequencial da taxa de crescimento das receitas brutas, provavelmente impulsionada pela procura reprimida e pelos grandes concertos realizados até agora este mês”, acrescentaram os analistas o banco. O relatório do Citi destaca também que, até agora, este mês tem sido sinónimo de crescimento do segmento VIP entre 12 a 15 por cento, em relação a Julho. Também o segmento de massas parece apresentar crescimentos de receitas brutas entre 10 a 12 por cento, face ao mês transacto. Recorde-se que os casinos de Macau facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representou uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho. A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025. Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.
João Luz Manchete PolíticaConselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong. O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China. É a brincar Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01. Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas. Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior. Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas. Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo. Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.
João Luz Manchete PolíticaDiversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin “A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal. No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território. Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”. Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica. O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai. De olhos na meta Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave. O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia. O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030. Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.
João Luz Manchete SociedadeSão Lázaro | Pedido ponto de situação sobre plano cultural No ano passado, durante a apresentação das LAG, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura indicou que este ano seria lançado um estudo para aproveitar melhor os elementos culturais do Bairro de São Lázaro. A deputada Song Pek Kei pediu uma actualização sobre o que vai ser feito Que vida terá o Bairro de São Lázaro e o que o Governo pretende fazer na histórica zona do centro de Macau? Estas questões resumem as dúvidas que a deputada Song Pek Kei tem em relação aos planos do Governo. Numa interpelação escrita, divulgada no portal da Aliança de Povo de Instituição de Macau, a deputada recordou que no passado, O Lam revelou na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) que ia lançar um plano de investigação sobre o Bairro de São Lázaro para “aprofundar a ‘cultura+’ e a integração e actualização industriais”. O conceito de “cultura+” tem sido usado pelo Governo para designar o aproveitamento dos elementos culturais da cidade para vertentes turísticas, desportivas, ou, por exemplo, ligadas ao sector das exposições e convenções. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura prometeu na Assembleia Legislativa que o plano de revitalização de São Lázaro iria integrar as “indústrias” do bairro. Com o ano de 2026 já bem avançado, a deputada ligada à comunidade de Fujian pede ao Governo um ponto de situação sobre os planos de revitalização do bairro. Visão mercantil Song Pek Kei destacou que a revitalização dos bairros comunitários e o impulso à economia local e do comércio situado nas proximidades de zonas históricas são elementos essenciais para o desenvolvimento de Macau no futuro. Neste capítulo, a legisladora sublinha o carácter único do Bairro de São Lázaro, numa cidade com “um rico património histórico e cultural”, com “vários grupos de edifícios com grande valor cultural e arquitectónico de estilo ocidental, de grande dimensão”, que dão a Macau uma identidade única. A deputada mencionou também que o Governo afirmou estar a planear dois percursos culturais e turísticos que ligam às construções históricas em vários bairros comunidades, e perguntou quando serão efectivamente lançados. Song Pek Kei solicitou também detalhes e a calendarização do estudo que o Governo pediu à Academia Chinesa de Ciências Sociais para o planeamento das indústrias culturais e criativas de Macau para os próximos 10 anos.
João Luz Manchete PolíticaObrigações | Governo Central emite mais 6 mil milhões RMB em Macau O Ministério das Finanças da República Popular da China e o Governo da RAEM anunciaram ontem que o Governo Central vai emitir, no dia 20 de Agosto, em Macau, obrigações nacionais, no valor de 6 mil milhões de RMB, direccionadas a investidores profissionais. Como tem sido habitual quando são anunciadas emissões de obrigações ou títulos de dívida, o Executivo saudou a iniciativa. “A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau é uma importante manifestação do apoio do Governo Central ao aceleramento do desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau, à promoção contínua do desenvolvimento qualitativo do sector financeiro com características próprias e ao reforço da diversificação adequada da economia de Macau”. O Gabinete de Comunicação Social acrescenta que “a emissão contínua de obrigações nacionais contribuirá para atrair mais emitentes de qualidade e investidores internacionais a participarem no mercado obrigacionista de Macau, potenciando as vantagens e o papel de Macau no âmbito da abertura ao exterior do país”.
João Luz Manchete PolíticaAssociações | Comissão da Segurança do Estado pode sugerir extinções Começou ontem a consulta pública sobre a lei das associações. A extinção, ou recusa de constituição, pode ser sugerida pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Associações que recebam fundos do exterior terão de notificar esse facto à Direcção dos Serviços de Identificação, a entidade que irá fiscalizar a vida associativa Está em curso o período de consulta pública relativa à lei das associações, até 23 de Setembro, que irá contar com três sessões públicas. De acordo com o documento de consulta, divulgado ontem, o quadro regulatório que rege a vida associativa na RAEM será profundamente alterado. Um dos pontos de maior relevo na proposta do Governo é a ênfase dada à segurança nacional. Para prevenir actos que “ponham em perigo a ordem pública ou os direitos e liberdades de outrem”, o Executivo tomou como referência o quadro legal de Hong Kong, Interior da China, Singapura, Malásia e Portugal. Assim sendo, foi proposto que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) “possa recusar a constituição de uma associação com base nas necessidades de defesa da segurança do Estado, da ordem pública ou dos direitos e liberdades de terceiros”. Para tal, a DSI poderá “requerer à Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM que proceda à apreciação da associação em causa”. Além da recusa de constituição, o Governo propõe também que a DSI tenha a competência para decidir a extinção de associações “de acordo com o parecer de verificação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM”, por serem “consideradas associações que põem em perigo a segurança do Estado”. Estas decisões não serão passíveis de recurso judicial. Recorde-se que a comissão em questão é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central. É também proposta a exclusão, como fundadores e titulares dos órgãos da associação, de pessoas condenadas, com trânsito em julgado, a uma pena de prisão por violação da lei de defesa da segurança do Estado, ou condenadas a pena de prisão igual ou superior a cinco anos. O que está lá fora O financiamento de associações por entidades fora de Macau é outro dos focos de fiscalização proposta. Para “prevenir que forças externas desenvolvam ilegalmente actividades em Macau através de associações, propõe-se que, se uma associação receber financiamento de uma entidade situada fora de Macau, além de ter de comunicar esse facto à DSI, esta última, após avaliação”, pode exigir a apresentação de documentos e informações, “tais como relatórios de actividades, contas e outros elementos.” Durante a apresentação do documento de consulta, a directora da DSI, Sonia Chan, afirmou que as associações podem ser sujeitas a sanções administrativas se não notificarem a DSI, dentro do prazo legal, sobre alterações aos seus estatutos, mudanças nos órgãos de gestão, adesão ou saída de organizações ou grupos estabelecidos fora de Macau, ou financiamento de entidades fora de Macau. O mesmo pode acontecer se não apresentarem documentos ou informações exigidas dentro dos prazos legais. É ainda referido que as informações que o Governo dispõe sobre as associações locais são insuficientes, em particular nos casos em que a associação aderiu a organizações ou grupos constituídos no exterior da RAEM, se a associação é filial constituída por associação do exterior da RAEM ou se a associação recebe financiamento proveniente de organizações, grupos ou indivíduos de fora da RAEM. “Esta insuficiência de informação não satisfaz os requisitos do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, acarretando riscos para a segurança do Estado e da RAEM”, é acrescentado. Num só lugar Outra alteração sugerida, poderá afectar as associações de trabalhadores não-residentes. Será exigida às associações em que metade dos titulares de órgãos e restantes associados não sejam residentes da RAEM que apresentem à DSI “dados essenciais de todos os seus associados”. Estes organismos terão ainda de actualizar todos os anos, em Janeiro, os dados dos titulares dos órgãos e dos restantes associados. A DSI terá também o poder para solicitar “relatórios de actividades, contas e demais documentos e informações”. Esta medida será aplicada também a associações constituídas antes da entrada em vigor da lei, que serão obrigadas a submeter os dados referidos após notificação da DSI. A referência constante ao papel da DSI foi um dos destaques mencionados ontem pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. O organismo liderado por Sonia Chan será a “única entidade responsável pela fiscalização de todo o procedimento de constituição e funcionamento das associações”. O novo modelo de regulação elimina o circuito burocrático actual, que obriga à passagem pelos Cartórios Notariais para outorga de escritura pública, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pela verificação de legalidade do Ministério Público. Wong Sio Chak salientou o aumento exponencial de associações em Macau, de cerca de 2.000 antes da transição, para cerca de 12.400 hoje em dia. Porém, o governante salientou que “apenas cerca de 60 por cento mantêm um certo nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou não chegaram sequer a funcionar após a sua constituição”. Aliás, do universo total de associações actualmente constituídas em Macau, “apenas cerca de 8.500 submeteram os dados dos titulares dos seus órgãos à DSI, o que demonstra que muitas delas não cumprem as exigências básicas para o funcionamento legal, não se excluindo a eventual existência de ‘associações fantasmas’”, acrescentou o secretário.
João Luz Manchete SociedadeDemografia | Natalidade volta a cair pelo sétimo ano consecutivo No final do primeiro semestre, a população da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais, apesar do corte para quase metade das autorizações de residência e dos nascimentos que continuam a diminuir todos os anos desde 2019. Na primeira metade de 2026, os nascimentos (1.340) foram quase tantos quantos os óbitos Apesar dos incentivos do Governo para aumentar a natalidade, os números não enganam. As estatísticas demográficas referentes ao primeiro semestre deste ano revelam que nasceram em Macau 1.340 bebés, prosseguindo as sucessivas quebras de ano para ano desde 2019, quando nasceram 2.875 crianças, o que representa uma diminuição de 53,4 por cento. Em relação à primeira metade de 2025, este ano nasceram menos 81 bebés, o que corresponde a uma quebra de nascimentos na ordem dos 5,7 por cento. Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que os 1.340 bebés nascidos nos primeiros seis meses do ano, 52,5 por cento eram do sexo masculino. No semestre de referência, foram registados 1.447 casamentos, mais cinco, face ao semestre homólogo de 2025. Porém, face à primeira metade de 2024, o número de matrimónios apresentou este ano uma quebra de 13 por cento. Do outro lado da equação, no primeiro semestre de 2026, o número de óbitos foi de 1.329. A DSEC salienta “que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores” (473 óbitos, 35,6 por cento do total), seguindo-se o de “doenças do aparelho circulatório” (362 óbitos, 27,2 por cento) e o de “doenças do aparelho respiratório” (138 óbitos, 10,4 por cento). Contas de cá A contabilidade da DSEC revela que no fim do primeiro semestre deste ano, a população total da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais. Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a DSEC indica que a população feminina (371.000) era superior à masculina (315.500), representando 54 por cento da população total. Apesar do salto demográfico, com o aumento da população em cerca de 600 pessoas, foram concedidos menos salvos-conduto singulares a indivíduos do Interior da China e as novas autorizações de residência diminuíram para quase metade. No primeiro semestre deste ano, a RAEM concedeu nova autorização de residência a 471 pessoas, o que representa uma quebra de 47,4 por cento em comparação com os primeiros seis meses de 2025, quando as novas autorizações totalizaram 895 casos. Também o número de indivíduos do Interior da China recém-chegados à RAEM titulares de “Salvo-Conduto Singular” diminuiu 9,3 por cento face à primeira metade de 2025 para um total de 1.466.
João Luz Manchete SociedadeCrime | Acusado de tentativa de homicídio em prisão preventiva O indivíduo detido por ter esfaqueado a namorada está em prisão preventiva acusado de tentativa de homicídio. O suspeito, um homem de 41 anos, comprou dois x-actos na Taipa na tarde antes do ataque. A vítima foi submetida a uma cirurgia e encontra-se em estado estável Foto: Jornal Ou Mun O Ministério Público (MP) confirmou no sábado que o indivíduo suspeito do ataque à namorada com armas brancas à porta de um hotel no Cotai foi presente a juiz de Instrução Criminal e irá aguardar julgamento em prisão preventiva. A medida de coação foi aplicada devido à “existência de fortes indícios da prática, na forma tentada, do crime de homicídio”, e tendo em conta “a natureza e a gravidade dos factos, o modus operandi, a motivação e a sua eventual fuga de Macau”. “Finda a investigação preliminar, verifica-se que o arguido e a ofendida se conheceram em Macau em Maio de 2025, altura em que iniciaram uma relação amorosa. Em Julho do corrente ano, o arguido sentiu que a ofendida começou a afastar-se dele e a relacionar-se com outro indivíduo”, descreve o MP em comunicado. O organismo acrescenta que o afastamento da vítima fez com que o arguido, um homem de 41 anos do Interior da China, se sentisse enganado a nível sentimental, mas também patrimonial. O MP descreve que na tarde do ataque, por volta das 15h, o suspeito dirigiu-se a uma loja na Taipa onde comprou dois x-actos usados no crime. Além disso, o arguido terá recolhido uma faca e um garfo no quarto de hotel. Em estado estável Na noite do ataque, cerca das 22h de quarta-feira, o arguido seguiu a vítima até esta entrar num veículo de sete lugares junto à entrada do hotel. No interior do veículo estavam mais duas mulheres e o motorista, que saíram do veículo assim que o ataque começou, e alertaram as autoridades e seguranças do hotel. Segundo informações avançadas pela Polícia Judiciária (PJ), o exame forense revelou múltiplas lacerações no lado esquerdo e parte de trás do pescoço, lábio inferior, maxilar e mão direita da vítima. Alguns cortes chegaram a 20 centímetros de comprimento. As autoridades acrescentaram que as lesões resultaram em choque hemorrágico, com significativa perda de sangue, colocando em perigo a vida da vítima. Na conferência de imprensa sobre o caso, que se realizou na sexta-feira, a PJ indicou que a vítima se encontrava num estado clínico estável, depois de ter sido submetida a uma cirurgia. Porém, na sexta-feira a mulher ainda se encontrava inconsciente, devido à medicação, o que impediu as autoridades de recolherem o seu depoimento. Até ao fecho desta edição não foram avançados mais detalhes. Apesar disso, a PJ indicou na sexta-feira que a investigação apontava para fortes indícios de que o arguido terá agido de forma premeditada, ao comprar as armas usadas no crime, e com intenção de matar por ter golpeada a vítima intencionalmente em partes vitais do corpo repetidamente. Neste aspecto, o MP salienta que “o arguido foi imobilizado a tempo por agentes de segurança, evitando a consumação do homicídio contra a ofendida”. O MP alertou os cidadãos para não recorrerem à violência para resolver problemas amorosos e pessoais nem praticar actos ilícitos por mero impulso.
João Luz Manchete SociedadeSMG | El Niño poderá provocar anomalias climáticas O El Niño deste ano pode desenvolver-se para uma intensidade forte a superforte. Os SMG alertam para a probabilidade de “anomalias climáticas à escala global”. Entretanto, um ciclone tropical que se move em direcção ao Japão irá trazer sol e temperaturas altas este fim-de-semana em Macau Estamos a viver a época de crescimento do El Niño deste ano, que poderá rivalizar em impetuosidade com “os anos de super El Niño clássicos, como os de 1997/1998 e 2015/2016”, apontam os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) em comunicado. As autoridades indicam que o “Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental entrou no estado de El Niño em Maio”, “de acordo com as mais recentes monitorizações e avaliações da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China”, mas que é esperado que o fenómeno de intensifique “gradualmente do Verão ao Outono, existindo a possibilidade de evoluir para um evento de El Niño de intensidade ‘forte a superforte’”. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental tornou-se um “um dos interruptores climáticos mais importantes a influenciar a tendência do clima anual a nível global”, destacam os SMG. De acordo com os dados de previsão mais recentes, os SMG apontam que é provável que o pico do presente El Niño ocorra no final deste ano, provocando chuvas intensas e frequentes, acompanhadas de inundações urbanas nalgumas regiões, enquanto outras vão sofrer com a falta prolongada de chuva e secas severas. Mercúrio ao alto Enquanto o El Niño ganha intensidade, com uma projecção temporal de médio-prazo, Macau vai estar nos próximos dias sob a influência decrescente de um vale depressionário que tem afectado a costa de Guangdong e que, à medida que vai enfraquecendo, com o sol e as temperaturas elevadas a regressarem no fim da semana. A juntar-se ao enfraquecimento do vale depressionário, Macau irá estar “sob a influência da subsidência externa de um ciclone tropical”, que trará à região do Sul da China “tempo soalheiro e muito quente durante o dia, sendo que as elevadas temperaturas poderão desencadear aguaceiros acompanhados de trovoadas no período da tarde”. As previsões dos SMG apontam para períodos dispersos trovoadas ao longo do dia de hoje, céu muito nublado intervalado de abertas e aguaceiros ocasionais. A partir de amanhã, os SMG estimam que a chuva dará lugar ao sol e as temperaturas vão subir progressivamente até chegarem aos 34 graus no sábado e domingo. Julho recordista Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos indicaram ontem que “precipitação total em Julho” atingiu os 962,0 milímetros, 2,3 vezes superior ao valor climático, constituindo o valor mais elevado registado no mês de Julho desde 1952”, ou seja, desde que começaram a ser registados estes dados em Macau. As autoridades acrescentam que, “simultaneamente, devido ao número elevado de dias de chuva, a temperatura média mínima mensal, a temperatura mínima mensal e o total de horas de insolação também atingiram novos mínimos históricos para o mesmo período”. É especificado que “a temperatura média mensal” empatou com os valores de 1955, 2001 e 2013 como a mais baixa de sempre para o mês de Julho. Já a humidade relativa média mensal, empatou com os valores de 1959 e 1997 como a mais elevada de sempre para o mês de Julho”. A sucessão de recordes batidos no mês passado deveu-se à influência de uma depressão, correntes de ar do sudoeste e um ciclone tropical.
João Luz Manchete SociedadeConcerto | Organização queixa-se de vestidos desaparecidos em Macau A empresa que organizou dois concertos da cantora e actriz chinesa Rosy Zhao em Macau apresentou queixa à polícia na sequência do desaparecimento de “vários” vestidos usados no mês passado em Macau. A empresa pediu desculpas à artista e aos fãs pela falha de segurança No domingo, a empresa promotora de dois concertos em Julho na Galaxy Arena divulgou um comunicado na rede social Weibo a revelar que várias peças de guarda-roupa usadas pela famosa cantora e actriz Rosy Zhao (ou Zhao Lusi) desapareceram na passagem por Macau da tournée “Stay Romantic”. Durante a performance, a mega-estrela chinesa usou 16 indumentárias diferente. A promotora, Beijing Show City Times Entertainment, não revelou quantas peças desapareceram, mas revelam ter recorrido às autoridades. “Quando terminámos o inventário do material após o espectáculo, apercebemo-nos que não sabíamos onde estavam vários trajes de alta-costura feitos à medida, usados pela Rosy Zhao no palco nessa noite”, é indicado. A empresa salienta que os vestidos desaparecidos foram concebidos com designs exclusivos para a artista e têm um valor que vai além do dinheiro, representando o esforço e as memórias da tournée. “Na sequência do incidente, analisámos imediatamente todas as imagens de vigilância dos bastidores do recinto e das áreas circundantes, mas não obtivemos quaisquer pistas úteis. Dada a especial importância destas peças de vestuário, a nossa empresa comunicou formalmente o caso à polícia e irá cooperar plenamente com a investigação policial que se seguirá”, foi indicado. Apelo ao público A empresa que organizou os concertos de Rosy Zhao pediu ao público para estar atento e contactar a sua conta oficial de Weibo caso conheça alguém que tenha “encontrado ou aceite por engano” as peças de vestuário desaparecidas. “Se devolver os vestidos voluntariamente, a nossa empresa não atribuirá qualquer responsabilidade à pessoa que os encontrou e expressará a nossa sincera gratidão”, é indicado. Porém, é ressalvado que caso os “trajes de espectáculo feitos à medida circulem no mercado de segunda mão, em plataformas de leilões ou noutros canais públicos”, a promotora afirma que irá fazer valer “todos os direitos de propriedade, em conformidade com a lei, e recorrerá a todos os meios legais, tais como a denúncia à polícia ou a acção judicial”. A Beijing Show City Times Entertainment termina o comunicado pedindo desculpas a Rosy Zhao e aos fãs, assumindo que a perda de “valiosos materiais de palco” se deveu a “graves falhas e incumprimento de deveres na gestão de materiais no local e nos trabalhos de verificação final”. A empresa garante ainda que irá fazer uma análise interna para corrigir os erros no sistema de gestão dos materiais de palco, inventário e supervisão de segurança, para que a situação não se repita. Os concertos em questão realizaram-se nos dias 11 e 12 de Julho no Galaxy Arena, com os bilhetes esgotados escassos minutos depois de terem sido postos à venda. Mais de 400 mil fãs tentaram comprar bilhetes para os concertos da artista chinesa nas várias plataformas de venda online.
João Luz Manchete PolíticaZona A | Metro quadrado de habitação económica a partir de 31 mil patacas O Governo anunciou ontem os preços dos apartamentos em cinco torres de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros. O custo de base do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas. No total, os cinco edifícios oferecem 5,254 fracções Os preços de venda das fracções da habitação económica nos Lotes A1 a A4 e A12 da Zona A dos Novos Aterros foram publicados ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado por Sam Hou Fai. O Governo indicou que o preço do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas, ou 2.905,05 e 3.142,7 patacas por pé quadrado. Num comunicado que acompanha a publicação do despacho, o Instituto de Habitação (IH) realça que “na fixação do preço de venda das fracções são tidos em consideração, nomeadamente: o prémio de concessão do terreno, o custo de construção e os custos administrativos”, de acordo com a alteração legal introduzida em 2021, ano em que foi aberto o concurso público para compra das fracções. Para estes factores de cálculo do preço, o prémio de concessão do terreno foi fixado em 9.450 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação, enquanto o custo de construção varia entre 12.446,28 e 14.088,52 patacas. Os custos administrativos foram avaliados em 154,55 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação. O IH acrescenta que “o preço concreto de venda de cada fracção pode ser aumentado ou diminuído, dependendo da localização do edifício, a orientação e localização na estrutura global do edifício, área e tipologia da fracção”. Viver de facto As 5.254 fracções estão dividias entre os edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, com tipologias de T1, T2 e T3. Recorde-se que a Zona A está localizada a leste da Península de Macau. Os edifícios de habitação económica dos cinco lotes em questão encontram-se junto ao mar, beneficiam de vantagens ao nível da localização e da paisagem. O Governo sublinha que o concurso em questão está enquadrado pela nova “Lei da habitação económica”, o que significa que a habitação económica tem sempre de manter a natureza e após a sua aquisição, só pode ser vendida ao IH. Além das limitações à revenda, o IH lembra que a lei estabelece que as 5.254 “fracções destinam-se exclusivamente a habitação própria com carácter permanente, o candidato e os elementos do agregado familiar incluídos no momento da candidatura têm de residir permanentemente na fracção”. Se os moradores não residirem no apartamento, pelo menos, 183 dias por ano, são punidos com multa de 5 a 15 por cento do preço da venda inicial da fracção, se não justificarem devidamente os motivos para a ausência. “Se a situação não for rectificada, o contrato-promessa será resolvido”, salienta o IH.