Seac Pai Van | Queixas de infiltrações em habitação social

Um residente denunciou a inoperância do Instituto de Habitação para resolver infiltrações e bolor no apartamento da sogra, num prédio de habitação social em Seac Pai Van. Foi sugerido ao residente que a idosa mudasse para sua casa, depois de adiamentos sucessivos de reparações

“A minha sogra mora numa fracção da habitação social em Seac Pai Van. A casa tem sérios problemas de infiltrações nas paredes e no tecto, mesmo quando não chove. Quando chove, o problema torna-se muito mais grave”. Foi desta forma que um ouvinte do programa “Fórum Macau”, do canal chinês da Rádio Macau começou por relatar a embrulhada em que está envolvido com o Instituto de Habitação (IH) há cerca de dois meses.

Numa tentativa desesperada de resolver a situação da sogra, uma idosa de 70 anos com problemas de saúde que mora sozinha, o residente de apelido Mak ligou para emissora pública. “Não sei a quem posso pedir ajuda, por isso liguei-vos. Os contactos com o IH são sempre um problema, as chamadas são sempre reencaminhadas para o correio de voz. Por exemplo, se ligo de manhã, só me respondem à tarde”, contou.

Os contactos com o IH começaram em Junho. Depois das queixas de infiltrações, foram ao local agentes do instituto para verificar a situação e tirar fotografias dos estragos na habitação. Nessa altura, os agentes explicaram que não podiam começar os trabalhos de manutenção porque Macau estava a ser assolada por chuvadas fortes e que teriam de esperar por melhores condições meteorológicas.

Casa de acolhimento

O impasse manteve-se sem solução à vista. Mak voltou a contactar o IH para saber quando poderia avançar a obra de manutenção. Mais uma vez, o IH enviou agentes ao prédio para tirar fotografias dos danos, que informaram tratar-se de um problema estrutural das paredes exteriores e que administração do condomínio não seria responsável. Esta informação deixou o residente sem saber a quem recorrer.

“Os funcionários do departamento de manutenção do IH recomendaram-me continuar para a linha que trata de queixas, ou escrever uma carta ao presidente do IH a solicitar a troca para outra fracção”, indicou.

Após inúmeras tentativas, as obras de manutenção ficaram acertadas para começar no dia 31 de Julho, para de seguida serem adiadas para esta semana. Até ontem, o residente ainda aguardava resposta às chamadas telefónicas.

Além disso, o ouvinte relatou que lhe foi sugerido que a idosa se mudasse para sua casa. “Se tivesse lugar em casa, claro que essa seria a solução mais óbvia. Mas não tenho”, acrescentou. Mak contou ainda que, devido ao bolor e às infiltrações, a sogra sente-se mal fisicamente, tendo inclusivamente recorrido a um médico.

14 Ago 2026

Óbito | Sam Hou Fai expressa pesar por falecimento de Zhu Rongji

O Chefe do Executivo manifestou profundo pesar pelo falecimento Zhu Rongji. Sam Hou Fai recordou os contributos do ex-primeiro-ministro para a reforma e abertura da China, assim como a sua presença na tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo na cerimónia do estabelecimento da RAEM

“O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em nome do governo da RAEM, expressou o mais profundo pesar pelo falecimento do Senhor Zhu Rongji, e endereçou as mais sentidas condolências à sua família”. Foi desta forma que o Executivo se juntou aos votos de pesar nacionais e internacionais após a notícia de que o ex-primeiro ministro teria falecido.

O antigo dirigente chinês estava doente e morreu ao fim da manhã de quarta-feira, de acordo com um obituário publicado pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, pelo Governo e por outros órgãos estatais. Por cá, Sam Hou Fai sublinhou o papel “excepcional” que Zhu Rongji desempenhou na liderança do Estado, contribuindo “de forma significativa para a reforma, a abertura e a construção da modernização do país”.

O governante local relembrou que Zhu Rongji, então primeiro-ministro, assistiu à Cerimónia de Transferência de Poderes Políticos de Macau, realizada pelos governos da China e de Portugal, no dia 20 de Dezembro de 1999 (ver caixa). Nesse dia, “testemunhou o juramento e a tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos da RAEM na cerimónia do estabelecimento da RAEM, o que representa uma memória partilhada e eterna para todos os compatriotas de Macau”, recorda Sam Hou Fai.

Além disso, o Chefe do Executivo afirmou que “Zhu Rongji demonstrou sempre a sua atenção e apoio incondicional ao desenvolvimento do princípio ‘um país, dois sistemas’ e da RAEM acrescentando que, apesar do seu falecimento, a dedicação e apoio para com a RAEM, os seus contributos ao país e ao povo irão manter-se perpetuamente na memória de todos”.

Região enlutada

Na cidade vizinha de Hong Kong, o líder do Governo, John Lee reagiu ao falecimento de Zhu Rongji, com um comunicado divulgado quase em simultâneo com Macau.

Lee afirmou que o ex-primeiro-ministro sempre teve o desenvolvimento de Hong Kong no coração e apoiou o crescimento da cidade, visitando-a “em várias ocasiões, estabelecendo contacto com cidadãos de Hong Kong de todas as esferas da sociedade.

O líder do Executivo da RAEHK referiu que durante o seu mandato como primeiro-ministro, Zhu apoiou a união de Hong Kong, defendendo com determinação a prosperidade e a estabilidade da cidade enquanto centro financeiro internacional.

Além disso, John Lee salienta o empenho firme de Zhu Rongji na defesa dos princípios “um país, dois sistemas”, “cidadãos de Hong Kong a administrar Hong Kong” com elevado grau de autonomia, e na preservação da “prosperidade e a estabilidade a longo prazo” da região.

Escritos do jornal Ou Mun

O jornal Ou Mun publicou ontem uma cronologia da ligação de Zhu Rongji a Macau, começando a 2 de Novembro de 1997 quando era vice-primeiro-ministro. Nesse dia, Zhu encontrou-se em Xangai com uma delegação dos empresários de Macau. Durante a reunião, o responsável descreveu Macau como a “Joia do Oriente” e garantiu que as dificuldades económicas que Macau sentia na altura seriam rapidamente ultrapassadas.

A 20 de Maio de 1999, já no cargo de primeiro-ministro, Zhu Rongji, assinou oficialmente um decreto do Conselho de Estado, em que nomeou Edmund Ho o primeiro Chefe do Executivo. O jornal Ou Mun obviamente mencionou a participação nas cerimónias de transferência de Macau e Hong Kong, enquanto acontecimentos históricos para a China, em que Zhu Rongji foi um dos protagonistas.

No dia 15 de Março de 2001, na conferência de imprensa da quarta sessão da 9.ª Assembleia Popular Nacional, em resposta a uma questão sobre a posição económica de Macau, Zhu afirmou que mesmo com uma área pequena, e escala económica limitada, Macau tinha várias vantagens. O político destacou o elevado grau de abertura, e a capacidade para ser um importante elo económico entre o Interior da China e Taiwan.

14 Ago 2026

Galaxy | Receitas cresceram para 24,2 mil milhões no primeiro semestre

A Galaxy apurou nos primeiros seis meses do ano uma receita líquida de 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que representou uma subida de 4,2 por cento em termos anuais. O grupo anunciou a distribuição de dividendos de 0,9 dólares de Hong Kong por acção no dia 15 de Setembro

O Grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem ter apurado 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em receitas líquidas na primeira metade deste ano, resultado que ficou 4,2 por cento acima do registo no período homólogo.

Numa nota dirigida à bolsa de valores da região vizinha, o presidente do grupo, Francis Lui, categorizou os resultados da Galaxy como “sólidos”.

“Apesar dos desafios macroeconómicos externos, incluindo as tensões geopolíticas no Médio Oriente, Macau manteve-se resiliente durante o trimestre, apoiada pelo fluxo robusto de visitantes, ocupação hoteleira satisfatória e procura sustentada tanto nas ofertas relacionadas com o jogo como nas não relacionadas com o jogo”, afirmou.

Ainda no primeiro semestre, a Galaxy registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 7 mil milhões HKD, mais 1,3 por cento face ao mesmo período de 2025. Os lucros que serão atribuídos aos accionistas subiram ligeiramente, 0,8 por cento, no primeiro semestre para 5,28 mil milhões HKD. O grupo anunciou ontem também que irá distribuir dividendos intercalares de 0,9 HKD por acção, em comparação com aos 0,7 HKD por acção do ano anterior. Estes pagamentos estão previstos para o dia 15 de Setembro.

Efeito mundial

Os resultados da Galaxy revelam ainda que a receita líquida do segundo trimestre caiu 2 por cento em termos anuais, para 11,8 mil milhões HKD. Face aos primeiros três meses de 2026, as receitas líquidas diminuíram 5 por cento, decréscimo que Francis Lui atribuiu ao Campeonato do Mundo de Futebol.

“Conforme referimos no relatório do primeiro trimestre, os grandes eventos desportivos têm, historicamente, influenciado o comportamento dos clientes e as receitas do jogo em Macau, devido ao desvio de atenção e ao aumento da concorrência por parte das apostas desportivas. O calendário alargado de jogos do torneio deste ano afectou temporariamente o fluxo de clientes e as receitas. É importante referir que Macau registou uma recuperação das receitas de jogo no final do Campeonato do Mundo, e esta dinâmica manteve-se até Agosto”, indica o presidente da Galaxy.

13 Ago 2026

Turismo | Organizada visita de operadores espanhóis à RAEM

No final de Julho, o Governo organizou uma visita de familiarização a Macau destinada a operadores espanhóis, para criar pacotes turísticos multidestinos. Em Outubro, a operação de charme prossegue com a visita de 20 representantes de agências de viagens de órgãos de comunicação espanhóis

Além das campanhas para atrair turistas portugueses, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) está a lançar uma operação de charme dirigida ao mercado espanhol, com visitas de familiarização para operadores, agências e órgãos de comunicação social de Espanha, num esforço para expandir a marca Macau em mercados internacionais.

Num comunicado divulgado ontem, o organismo liderado por Helena de Senna Fernandes revela que em Outubro a “Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), a mais representativa organização da indústria em Espanha”, irá “liderar uma comitiva de cerca de 20 representantes de agências de viagens e órgãos de comunicação social a Macau”.

Além da visita aos locais mais emblemáticos da cidade, os convidados vão assistir ao Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício e participar em encontros de intercâmbio com os operadores locais.

Já no final de Julho, entre os dias 22 e 25, foi organizada uma visita de familiarização a Macau de uma delegação de representantes espanhóis do sector, em colaboração com uma das maiores agências de viagens online de Espanha, a DESTINIA. Durante quatro dias, a delegação visitou o centro histórico de Macau, “novas instalações culturais e turísticas” e provou iguarias da gastronomia local. Além disso, foram organizados encontros de intercâmbio com os operadores de Macau que participaram na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR)”.

Já que estamos aqui

A DST aposta numa estratégia de pacotes multidestinos para o mercado espanhol, à semelhança do que tem feito com Portugal.

As visitas de representantes espanhóis têm como objectivo “conceber produtos de turismo aprofundado” multidestinos, “tendo Macau como destino central e em articulação com cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong, prolongando a estadia dos visitantes e dinamizando o consumo turístico”.

Em simultâneo, a DST irá lançar uma ronda de acções promocionais no mercado espanhol, com campanhas na imprensa, redes sociais e através de convite a criadores de conteúdo de viagens espanhóis. Além disso, a DST irá participar na FITUR 2027, que se realiza em Madrid entre 20 e 24 de Janeiro, “intensificando os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longo curso atractivo para o mercado espanhol”.

O mercado ibérico tem sido uma prioridade do Governo na atracção de visitantes internacionais. Entre Agosto do ano passado e o passado mês de Fevereiro, a DST em parceria com a agência Abreu, lançou uma campanha com vários produtos turísticos, que incluíram Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Interior da China.

A DST realça ainda que na primeira metade deste ano, o número de visitantes vindos de “Espanha, Portugal e da Europa em geral registou um crescimento de dois dígitos face ao mesmo período de 2025”.

13 Ago 2026

Acessibilidade | Deputadas dizem que tecnologia é a chave

O plano de acção para os serviços de reabilitação mereceu o aplauso de Wong Kit Cheng e Loi I Weng. No entanto, as deputadas sugerem prioridade nas acessibilidades perto de hospitais, escolas e centros de transportes e que pessoas com deficiência testem e avaliem as várias fases de planeamento e construção de estruturas

Antes e durante a construção de uma rampa para cadeira de rodas, da instalação de uma faixa de piso táctil, as autoridades deveriam consultar as opiniões de pessoas portadoras de deficiência. A ideia foi sugerida pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, num comunicado divulgado na noite de terça-feira.

“Nas fases inicial, intermédia e no final do plano, devem ser convidadas pessoas com deficiência para experimentarem pessoalmente e darem as suas opiniões, assegurando que as instalações sejam bem construídas e efectivamente utilizáveis”, indicam as deputadas da Associação Geral das Mulheres de Macau.

O comunicado surge na sequência do anúncio do Governo dos planos decenais de acção para serviços de reabilitação e de apoio a idosos.

As deputadas defendem que autoridades devem concentrar-se na melhoria das acessibilidades nas imediações de hospitais, escolas e centros de transportes, “criando passagens pedonais e instalações acessíveis contínuas, integrando a distribuição destas infra-estruturas nos futuros planos detalhados de cada área de Macau”.

A ideia de continuidade é prevalente ao longo do comunicado das deputadas, que defendem o fim do antigo modelo de “melhorias pontuais”, para apostar numa abordagem de “conexão em áreas amplas”. As legisladoras destacam “experiências passadas” em que rampas, faixas de piso táctil, ou outra qualquer estrutura para eliminar barreiras, eram instaladas numa secção isolada.

Soluções inteligentes

As duas deputadas enfatizam que a tecnologia é a chave para ultrapassar a “última milha” da acessibilidade. Como tal, sugerem que as autoridades recorram ao uso de “sensores e tecnologias inteligentes”, aprendendo com experiências vizinhas. É dado o exemplo do sistema de análise a infra-estruturas rodoviárias lançado em Shenzhen, que usa inteligência artificial para detectar falhas na estrada e faixas tácteis, assim como passagens obstruídas.

É também mencionado a aplicação móvel do Aeroporto de Hong Kong que permite ter acesso a orientações sonoras, indicando a localização de elevadores e casas de banho acessíveis. A aplicação planeia rotas planas sem escadas. As deputadas sugeriram que Macau use este tipo de tecnologia para edifícios públicos, centros de transporte ou centros comerciais, mas também traduções automáticas entre texto e língua gestual em balcões de serviços públicos.

Além disso, defenderam a adoptação uma postura mais flexível das autoridades, por exemplo, criando zonas exclusivas de embarque e desembarque ou lugares de estacionamento acessíveis perto de instituições de reabilitação, ou para a instalação de rampas de acesso.

13 Ago 2026

Jogo | Primeiros dias de Agosto mostram recuperação

Os primeiros nove dias de Agosto foram “encorajadores” em termos de receitas brutas nos casinos de Macau, com aumentos mensais de 12 por cento, segundo analistas do banco de investimento Citi. As estimativas apontam para receitas brutas diárias a rondar 733 milhões de patacas

Os primeiros nove dias deste mês parecem apontar para a recuperação das receitas brutas da indústria do jogo. Segundo as previsões dos analistas do banco de investimento Citi, com base nas fontes do sector, as receitas brutas apuradas pelos casinos no período mencionado atingiram cerca de 6,6 mil milhões de patacas. Resultado que os analistas categorizam como “encorajador”, alicerçado numa “recuperação sequencial” nas performances diárias face às receitas diárias apuradas em Julho, indicam os analistas citados por portal GGR Asia.

No início de Agosto, os casinos de Macau arrecadaram, numa média diária, 733 milhões de patacas, o que representa “um aumento de aproximadamente 12 por cento em relação ao registo diário médio de Julho, que se ficou pelos 654 milhões de patacas por dia. Feitas as contas, as mesas de jogo dos casinos estão a registar quase 80 milhões de patacas a mais por dia, face ao mês passado.

“Em relação às nossas previsões para Agosto, mantemos inalterada a estimativa de receitas brutas de 23,5 mil milhões de patacas”, o que representa uma subida anual de 6 por cento.

Nos dois campos

“Estamos optimistas com a recuperação sequencial da taxa de crescimento das receitas brutas, provavelmente impulsionada pela procura reprimida e pelos grandes concertos realizados até agora este mês”, acrescentaram os analistas o banco.

O relatório do Citi destaca também que, até agora, este mês tem sido sinónimo de crescimento do segmento VIP entre 12 a 15 por cento, em relação a Julho. Também o segmento de massas parece apresentar crescimentos de receitas brutas entre 10 a 12 por cento, face ao mês transacto.

Recorde-se que os casinos de Macau facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representou uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho.

A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025. Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.

12 Ago 2026

Conselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK

Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong

As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong.

O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China.

É a brincar

Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01.

Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas.

Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior.

Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas.

Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo.

Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.

12 Ago 2026

Diversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse

O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin

“A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal.

No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território.

Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”.

Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica.

O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai.

De olhos na meta

Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave.

O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia.

O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030.

Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.

12 Ago 2026

São Lázaro | Pedido ponto de situação sobre plano cultural

No ano passado, durante a apresentação das LAG, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura indicou que este ano seria lançado um estudo para aproveitar melhor os elementos culturais do Bairro de São Lázaro. A deputada Song Pek Kei pediu uma actualização sobre o que vai ser feito

Que vida terá o Bairro de São Lázaro e o que o Governo pretende fazer na histórica zona do centro de Macau? Estas questões resumem as dúvidas que a deputada Song Pek Kei tem em relação aos planos do Governo.

Numa interpelação escrita, divulgada no portal da Aliança de Povo de Instituição de Macau, a deputada recordou que no passado, O Lam revelou na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) que ia lançar um plano de investigação sobre o Bairro de São Lázaro para “aprofundar a ‘cultura+’ e a integração e actualização industriais”. O conceito de “cultura+” tem sido usado pelo Governo para designar o aproveitamento dos elementos culturais da cidade para vertentes turísticas, desportivas, ou, por exemplo, ligadas ao sector das exposições e convenções.

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura prometeu na Assembleia Legislativa que o plano de revitalização de São Lázaro iria integrar as “indústrias” do bairro. Com o ano de 2026 já bem avançado, a deputada ligada à comunidade de Fujian pede ao Governo um ponto de situação sobre os planos de revitalização do bairro.

Visão mercantil

Song Pek Kei destacou que a revitalização dos bairros comunitários e o impulso à economia local e do comércio situado nas proximidades de zonas históricas são elementos essenciais para o desenvolvimento de Macau no futuro. Neste capítulo, a legisladora sublinha o carácter único do Bairro de São Lázaro, numa cidade com “um rico património histórico e cultural”, com “vários grupos de edifícios com grande valor cultural e arquitectónico de estilo ocidental, de grande dimensão”, que dão a Macau uma identidade única.

A deputada mencionou também que o Governo afirmou estar a planear dois percursos culturais e turísticos que ligam às construções históricas em vários bairros comunidades, e perguntou quando serão efectivamente lançados.

Song Pek Kei solicitou também detalhes e a calendarização do estudo que o Governo pediu à Academia Chinesa de Ciências Sociais para o planeamento das indústrias culturais e criativas de Macau para os próximos 10 anos.

11 Ago 2026

Obrigações | Governo Central emite mais 6 mil milhões RMB em Macau

O Ministério das Finanças da República Popular da China e o Governo da RAEM anunciaram ontem que o Governo Central vai emitir, no dia 20 de Agosto, em Macau, obrigações nacionais, no valor de 6 mil milhões de RMB, direccionadas a investidores profissionais.

Como tem sido habitual quando são anunciadas emissões de obrigações ou títulos de dívida, o Executivo saudou a iniciativa. “A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau é uma importante manifestação do apoio do Governo Central ao aceleramento do desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau, à promoção contínua do desenvolvimento qualitativo do sector financeiro com características próprias e ao reforço da diversificação adequada da economia de Macau”.

O Gabinete de Comunicação Social acrescenta que “a emissão contínua de obrigações nacionais contribuirá para atrair mais emitentes de qualidade e investidores internacionais a participarem no mercado obrigacionista de Macau, potenciando as vantagens e o papel de Macau no âmbito da abertura ao exterior do país”.

11 Ago 2026

Associações | Comissão da Segurança do Estado pode sugerir extinções

Começou ontem a consulta pública sobre a lei das associações. A extinção, ou recusa de constituição, pode ser sugerida pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Associações que recebam fundos do exterior terão de notificar esse facto à Direcção dos Serviços de Identificação, a entidade que irá fiscalizar a vida associativa

 

Está em curso o período de consulta pública relativa à lei das associações, até 23 de Setembro, que irá contar com três sessões públicas. De acordo com o documento de consulta, divulgado ontem, o quadro regulatório que rege a vida associativa na RAEM será profundamente alterado.

Um dos pontos de maior relevo na proposta do Governo é a ênfase dada à segurança nacional. Para prevenir actos que “ponham em perigo a ordem pública ou os direitos e liberdades de outrem”, o Executivo tomou como referência o quadro legal de Hong Kong, Interior da China, Singapura, Malásia e Portugal.

Assim sendo, foi proposto que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) “possa recusar a constituição de uma associação com base nas necessidades de defesa da segurança do Estado, da ordem pública ou dos direitos e liberdades de terceiros”. Para tal, a DSI poderá “requerer à Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM que proceda à apreciação da associação em causa”.

Além da recusa de constituição, o Governo propõe também que a DSI tenha a competência para decidir a extinção de associações “de acordo com o parecer de verificação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM”, por serem “consideradas associações que põem em perigo a segurança do Estado”. Estas decisões não serão passíveis de recurso judicial.

Recorde-se que a comissão em questão é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central.

É também proposta a exclusão, como fundadores e titulares dos órgãos da associação, de pessoas condenadas, com trânsito em julgado, a uma pena de prisão por violação da lei de defesa da segurança do Estado, ou condenadas a pena de prisão igual ou superior a cinco anos.

O que está lá fora

O financiamento de associações por entidades fora de Macau é outro dos focos de fiscalização proposta. Para “prevenir que forças externas desenvolvam ilegalmente actividades em Macau através de associações, propõe-se que, se uma associação receber financiamento de uma entidade situada fora de Macau, além de ter de comunicar esse facto à DSI, esta última, após avaliação”, pode exigir a apresentação de documentos e informações, “tais como relatórios de actividades, contas e outros elementos.”

Durante a apresentação do documento de consulta, a directora da DSI, Sonia Chan, afirmou que as associações podem ser sujeitas a sanções administrativas se não notificarem a DSI, dentro do prazo legal, sobre alterações aos seus estatutos, mudanças nos órgãos de gestão, adesão ou saída de organizações ou grupos estabelecidos fora de Macau, ou financiamento de entidades fora de Macau. O mesmo pode acontecer se não apresentarem documentos ou informações exigidas dentro dos prazos legais.

É ainda referido que as informações que o Governo dispõe sobre as associações locais são insuficientes, em particular nos casos em que a associação aderiu a organizações ou grupos constituídos no exterior da RAEM, se a associação é filial constituída por associação do exterior da RAEM ou se a associação recebe financiamento proveniente de organizações, grupos ou indivíduos de fora da RAEM. “Esta insuficiência de informação não satisfaz os requisitos do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, acarretando riscos para a segurança do Estado e da RAEM”, é acrescentado.

Num só lugar

Outra alteração sugerida, poderá afectar as associações de trabalhadores não-residentes. Será exigida às associações em que metade dos titulares de órgãos e restantes associados não sejam residentes da RAEM que apresentem à DSI “dados essenciais de todos os seus associados”. Estes organismos terão ainda de actualizar todos os anos, em Janeiro, os dados dos titulares dos órgãos e dos restantes associados. A DSI terá também o poder para solicitar “relatórios de actividades, contas e demais documentos e informações”.

Esta medida será aplicada também a associações constituídas antes da entrada em vigor da lei, que serão obrigadas a submeter os dados referidos após notificação da DSI.

A referência constante ao papel da DSI foi um dos destaques mencionados ontem pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. O organismo liderado por Sonia Chan será a “única entidade responsável pela fiscalização de todo o procedimento de constituição e funcionamento das associações”.

O novo modelo de regulação elimina o circuito burocrático actual, que obriga à passagem pelos Cartórios Notariais para outorga de escritura pública, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pela verificação de legalidade do Ministério Público.

Wong Sio Chak salientou o aumento exponencial de associações em Macau, de cerca de 2.000 antes da transição, para cerca de 12.400 hoje em dia. Porém, o governante salientou que “apenas cerca de 60 por cento mantêm um certo nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou não chegaram sequer a funcionar após a sua constituição”.

Aliás, do universo total de associações actualmente constituídas em Macau, “apenas cerca de 8.500 submeteram os dados dos titulares dos seus órgãos à DSI, o que demonstra que muitas delas não cumprem as exigências básicas para o funcionamento legal, não se excluindo a eventual existência de ‘associações fantasmas’”, acrescentou o secretário.

11 Ago 2026

Demografia | Natalidade volta a cair pelo sétimo ano consecutivo

No final do primeiro semestre, a população da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais, apesar do corte para quase metade das autorizações de residência e dos nascimentos que continuam a diminuir todos os anos desde 2019. Na primeira metade de 2026, os nascimentos (1.340) foram quase tantos quantos os óbitos

Apesar dos incentivos do Governo para aumentar a natalidade, os números não enganam. As estatísticas demográficas referentes ao primeiro semestre deste ano revelam que nasceram em Macau 1.340 bebés, prosseguindo as sucessivas quebras de ano para ano desde 2019, quando nasceram 2.875 crianças, o que representa uma diminuição de 53,4 por cento. Em relação à primeira metade de 2025, este ano nasceram menos 81 bebés, o que corresponde a uma quebra de nascimentos na ordem dos 5,7 por cento.

Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que os 1.340 bebés nascidos nos primeiros seis meses do ano, 52,5 por cento eram do sexo masculino.

No semestre de referência, foram registados 1.447 casamentos, mais cinco, face ao semestre homólogo de 2025. Porém, face à primeira metade de 2024, o número de matrimónios apresentou este ano uma quebra de 13 por cento.

Do outro lado da equação, no primeiro semestre de 2026, o número de óbitos foi de 1.329. A DSEC salienta “que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores” (473 óbitos, 35,6 por cento do total), seguindo-se o de “doenças do aparelho circulatório” (362 óbitos, 27,2 por cento) e o de “doenças do aparelho respiratório” (138 óbitos, 10,4 por cento).

Contas de cá

A contabilidade da DSEC revela que no fim do primeiro semestre deste ano, a população total da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais. Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a DSEC indica que a população feminina (371.000) era superior à masculina (315.500), representando 54 por cento da população total.

Apesar do salto demográfico, com o aumento da população em cerca de 600 pessoas, foram concedidos menos salvos-conduto singulares a indivíduos do Interior da China e as novas autorizações de residência diminuíram para quase metade.

No primeiro semestre deste ano, a RAEM concedeu nova autorização de residência a 471 pessoas, o que representa uma quebra de 47,4 por cento em comparação com os primeiros seis meses de 2025, quando as novas autorizações totalizaram 895 casos.

Também o número de indivíduos do Interior da China recém-chegados à RAEM titulares de “Salvo-Conduto Singular” diminuiu 9,3 por cento face à primeira metade de 2025 para um total de 1.466.

10 Ago 2026

Crime | Acusado de tentativa de homicídio em prisão preventiva

O indivíduo detido por ter esfaqueado a namorada está em prisão preventiva acusado de tentativa de homicídio. O suspeito, um homem de 41 anos, comprou dois x-actos na Taipa na tarde antes do ataque. A vítima foi submetida a uma cirurgia e encontra-se em estado estável

Foto: Jornal Ou Mun

O Ministério Público (MP) confirmou no sábado que o indivíduo suspeito do ataque à namorada com armas brancas à porta de um hotel no Cotai foi presente a juiz de Instrução Criminal e irá aguardar julgamento em prisão preventiva.

A medida de coação foi aplicada devido à “existência de fortes indícios da prática, na forma tentada, do crime de homicídio”, e tendo em conta “a natureza e a gravidade dos factos, o modus operandi, a motivação e a sua eventual fuga de Macau”.

“Finda a investigação preliminar, verifica-se que o arguido e a ofendida se conheceram em Macau em Maio de 2025, altura em que iniciaram uma relação amorosa. Em Julho do corrente ano, o arguido sentiu que a ofendida começou a afastar-se dele e a relacionar-se com outro indivíduo”, descreve o MP em comunicado. O organismo acrescenta que o afastamento da vítima fez com que o arguido, um homem de 41 anos do Interior da China, se sentisse enganado a nível sentimental, mas também patrimonial.

O MP descreve que na tarde do ataque, por volta das 15h, o suspeito dirigiu-se a uma loja na Taipa onde comprou dois x-actos usados no crime. Além disso, o arguido terá recolhido uma faca e um garfo no quarto de hotel.

Em estado estável

Na noite do ataque, cerca das 22h de quarta-feira, o arguido seguiu a vítima até esta entrar num veículo de sete lugares junto à entrada do hotel. No interior do veículo estavam mais duas mulheres e o motorista, que saíram do veículo assim que o ataque começou, e alertaram as autoridades e seguranças do hotel.

Segundo informações avançadas pela Polícia Judiciária (PJ), o exame forense revelou múltiplas lacerações no lado esquerdo e parte de trás do pescoço, lábio inferior, maxilar e mão direita da vítima. Alguns cortes chegaram a 20 centímetros de comprimento.

As autoridades acrescentaram que as lesões resultaram em choque hemorrágico, com significativa perda de sangue, colocando em perigo a vida da vítima.

Na conferência de imprensa sobre o caso, que se realizou na sexta-feira, a PJ indicou que a vítima se encontrava num estado clínico estável, depois de ter sido submetida a uma cirurgia. Porém, na sexta-feira a mulher ainda se encontrava inconsciente, devido à medicação, o que impediu as autoridades de recolherem o seu depoimento. Até ao fecho desta edição não foram avançados mais detalhes.

Apesar disso, a PJ indicou na sexta-feira que a investigação apontava para fortes indícios de que o arguido terá agido de forma premeditada, ao comprar as armas usadas no crime, e com intenção de matar por ter golpeada a vítima intencionalmente em partes vitais do corpo repetidamente. Neste aspecto, o MP salienta que “o arguido foi imobilizado a tempo por agentes de segurança, evitando a consumação do homicídio contra a ofendida”.

O MP alertou os cidadãos para não recorrerem à violência para resolver problemas amorosos e pessoais nem praticar actos ilícitos por mero impulso.

10 Ago 2026

SMG | El Niño poderá provocar anomalias climáticas

O El Niño deste ano pode desenvolver-se para uma intensidade forte a superforte. Os SMG alertam para a probabilidade de “anomalias climáticas à escala global”. Entretanto, um ciclone tropical que se move em direcção ao Japão irá trazer sol e temperaturas altas este fim-de-semana em Macau

Estamos a viver a época de crescimento do El Niño deste ano, que poderá rivalizar em impetuosidade com “os anos de super El Niño clássicos, como os de 1997/1998 e 2015/2016”, apontam os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) em comunicado.

As autoridades indicam que o “Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental entrou no estado de El Niño em Maio”, “de acordo com as mais recentes monitorizações e avaliações da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China”, mas que é esperado que o fenómeno de intensifique “gradualmente do Verão ao Outono, existindo a possibilidade de evoluir para um evento de El Niño de intensidade ‘forte a superforte’”.

O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental tornou-se um “um dos interruptores climáticos mais importantes a influenciar a tendência do clima anual a nível global”, destacam os SMG.

De acordo com os dados de previsão mais recentes, os SMG apontam que é provável que o pico do presente El Niño ocorra no final deste ano, provocando chuvas intensas e frequentes, acompanhadas de inundações urbanas nalgumas regiões, enquanto outras vão sofrer com a falta prolongada de chuva e secas severas.

Mercúrio ao alto

Enquanto o El Niño ganha intensidade, com uma projecção temporal de médio-prazo, Macau vai estar nos próximos dias sob a influência decrescente de um vale depressionário que tem afectado a costa de Guangdong e que, à medida que vai enfraquecendo, com o sol e as temperaturas elevadas a regressarem no fim da semana.

A juntar-se ao enfraquecimento do vale depressionário, Macau irá estar “sob a influência da subsidência externa de um ciclone tropical”, que trará à região do Sul da China “tempo soalheiro e muito quente durante o dia, sendo que as elevadas temperaturas poderão desencadear aguaceiros acompanhados de trovoadas no período da tarde”.

As previsões dos SMG apontam para períodos dispersos trovoadas ao longo do dia de hoje, céu muito nublado intervalado de abertas e aguaceiros ocasionais.

A partir de amanhã, os SMG estimam que a chuva dará lugar ao sol e as temperaturas vão subir progressivamente até chegarem aos 34 graus no sábado e domingo.

Julho recordista

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos indicaram ontem que “precipitação total em Julho” atingiu os 962,0 milímetros, 2,3 vezes superior ao valor climático, constituindo o valor mais elevado registado no mês de Julho desde 1952”, ou seja, desde que começaram a ser registados estes dados em Macau.

As autoridades acrescentam que, “simultaneamente, devido ao número elevado de dias de chuva, a temperatura média mínima mensal, a temperatura mínima mensal e o total de horas de insolação também atingiram novos mínimos históricos para o mesmo período”.

É especificado que “a temperatura média mensal” empatou com os valores de 1955, 2001 e 2013 como a mais baixa de sempre para o mês de Julho. Já a humidade relativa média mensal, empatou com os valores de 1959 e 1997 como a mais elevada de sempre para o mês de Julho”. A sucessão de recordes batidos no mês passado deveu-se à influência de uma depressão, correntes de ar do sudoeste e um ciclone tropical.

5 Ago 2026

Concerto | Organização queixa-se de vestidos desaparecidos em Macau

A empresa que organizou dois concertos da cantora e actriz chinesa Rosy Zhao em Macau apresentou queixa à polícia na sequência do desaparecimento de “vários” vestidos usados no mês passado em Macau. A empresa pediu desculpas à artista e aos fãs pela falha de segurança

No domingo, a empresa promotora de dois concertos em Julho na Galaxy Arena divulgou um comunicado na rede social Weibo a revelar que várias peças de guarda-roupa usadas pela famosa cantora e actriz Rosy Zhao (ou Zhao Lusi) desapareceram na passagem por Macau da tournée “Stay Romantic”.

Durante a performance, a mega-estrela chinesa usou 16 indumentárias diferente. A promotora, Beijing Show City Times Entertainment, não revelou quantas peças desapareceram, mas revelam ter recorrido às autoridades.

“Quando terminámos o inventário do material após o espectáculo, apercebemo-nos que não sabíamos onde estavam vários trajes de alta-costura feitos à medida, usados pela Rosy Zhao no palco nessa noite”, é indicado. A empresa salienta que os vestidos desaparecidos foram concebidos com designs exclusivos para a artista e têm um valor que vai além do dinheiro, representando o esforço e as memórias da tournée.

“Na sequência do incidente, analisámos imediatamente todas as imagens de vigilância dos bastidores do recinto e das áreas circundantes, mas não obtivemos quaisquer pistas úteis. Dada a especial importância destas peças de vestuário, a nossa empresa comunicou formalmente o caso à polícia e irá cooperar plenamente com a investigação policial que se seguirá”, foi indicado.

Apelo ao público

A empresa que organizou os concertos de Rosy Zhao pediu ao público para estar atento e contactar a sua conta oficial de Weibo caso conheça alguém que tenha “encontrado ou aceite por engano” as peças de vestuário desaparecidas. “Se devolver os vestidos voluntariamente, a nossa empresa não atribuirá qualquer responsabilidade à pessoa que os encontrou e expressará a nossa sincera gratidão”, é indicado.

Porém, é ressalvado que caso os “trajes de espectáculo feitos à medida circulem no mercado de segunda mão, em plataformas de leilões ou noutros canais públicos”, a promotora afirma que irá fazer valer “todos os direitos de propriedade, em conformidade com a lei, e recorrerá a todos os meios legais, tais como a denúncia à polícia ou a acção judicial”.

A Beijing Show City Times Entertainment termina o comunicado pedindo desculpas a Rosy Zhao e aos fãs, assumindo que a perda de “valiosos materiais de palco” se deveu a “graves falhas e incumprimento de deveres na gestão de materiais no local e nos trabalhos de verificação final”.

A empresa garante ainda que irá fazer uma análise interna para corrigir os erros no sistema de gestão dos materiais de palco, inventário e supervisão de segurança, para que a situação não se repita.

Os concertos em questão realizaram-se nos dias 11 e 12 de Julho no Galaxy Arena, com os bilhetes esgotados escassos minutos depois de terem sido postos à venda. Mais de 400 mil fãs tentaram comprar bilhetes para os concertos da artista chinesa nas várias plataformas de venda online.

4 Ago 2026

Zona A | Metro quadrado de habitação económica a partir de 31 mil patacas

O Governo anunciou ontem os preços dos apartamentos em cinco torres de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros. O custo de base do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas. No total, os cinco edifícios oferecem 5,254 fracções

Os preços de venda das fracções da habitação económica nos Lotes A1 a A4 e A12 da Zona A dos Novos Aterros foram publicados ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado por Sam Hou Fai. O Governo indicou que o preço do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas, ou 2.905,05 e 3.142,7 patacas por pé quadrado.

Num comunicado que acompanha a publicação do despacho, o Instituto de Habitação (IH) realça que “na fixação do preço de venda das fracções são tidos em consideração, nomeadamente: o prémio de concessão do terreno, o custo de construção e os custos administrativos”, de acordo com a alteração legal introduzida em 2021, ano em que foi aberto o concurso público para compra das fracções.

Para estes factores de cálculo do preço, o prémio de concessão do terreno foi fixado em 9.450 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação, enquanto o custo de construção varia entre 12.446,28 e 14.088,52 patacas. Os custos administrativos foram avaliados em 154,55 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação.

O IH acrescenta que “o preço concreto de venda de cada fracção pode ser aumentado ou diminuído, dependendo da localização do edifício, a orientação e localização na estrutura global do edifício, área e tipologia da fracção”.

Viver de facto

As 5.254 fracções estão dividias entre os edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, com tipologias de T1, T2 e T3.

Recorde-se que a Zona A está localizada a leste da Península de Macau. Os edifícios de habitação económica dos cinco lotes em questão encontram-se junto ao mar, beneficiam de vantagens ao nível da localização e da paisagem.

O Governo sublinha que o concurso em questão está enquadrado pela nova “Lei da habitação económica”, o que significa que a habitação económica tem sempre de manter a natureza e após a sua aquisição, só pode ser vendida ao IH.

Além das limitações à revenda, o IH lembra que a lei estabelece que as 5.254 “fracções destinam-se exclusivamente a habitação própria com carácter permanente, o candidato e os elementos do agregado familiar incluídos no momento da candidatura têm de residir permanentemente na fracção”.

Se os moradores não residirem no apartamento, pelo menos, 183 dias por ano, são punidos com multa de 5 a 15 por cento do preço da venda inicial da fracção, se não justificarem devidamente os motivos para a ausência. “Se a situação não for rectificada, o contrato-promessa será resolvido”, salienta o IH.

4 Ago 2026

TVDE | Governo diz que vai legislar este ano plataformas

Vem aí legislação que permitirá a entrada em Macau de plataformas de TVDE, como Uber e DiDi. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou que o Governo pretende entregar a nova lei à Assembleia Legislativa ainda este ano

Parece que é desta que os TVDE (Transporte em Veículos Descaracterizados) vão poder operar na RAEM, depois do regresso, com características de Macau, da Uber no território (em que só se pode chamar táxis pretos). Na sexta-feira, no plenário para responder a interpelações orais, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou deverá dar entrada na Assembleia Legislativa ainda este ano um diploma que irá regular as operações deste tipo de plataformas. De momento, existem apenas duas aplicações para chamada de táxis pretos: a Uber e AMAP no MPay.

Em resposta a uma interpelação oral do deputado Ho Ion Sang, o secretário ressalvou que ainda é preciso algum tempo para ultimar os detalhes da proposta de lei, que já está “numa fase muito concreta”. Raymond Tam realçou também que este é um tema que suscita grandes expectativas da população.

Em comunicado, o gabinete do secretário acrescenta que os serviços de táxis por marcação através de plataformas electrónicas serão alvo fiscalização reforçada “com vista a elevar a eficiência no atendimento”.

Cobrir ângulos mortos

O secretário endereçou também o problema dos acidentes rodoviários que envolvem autocarros públicos, em resposta a interpelação oral de Lam Lon Wai. O deputado pediu intervenção do Executivo face às estatísticas que mostram que o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025.

Raymond Tam garantiu que “o Governo atribui elevada importância a esta matéria” e elencou medidas como a construção de instalações pedonais tridimensionais, a introdução de novos tipos de sinalização rodoviária, instalação de vedações de separação e painéis de aviso nos locais com maior incidência de infracções cometidas por peões.

O governante indicou ainda que as duas operadoras de autocarros foram “incentivadas” a “introduzir diversas tecnologias inteligentes e de defesa activa, incluindo câmaras de monitorização anti-fadiga na condução, câmaras de 360 graus para monitorização de ângulos mortos e funções de alerta baseadas no posicionamento GPS”. A ideia é permitir que os motoristas sejam alertados, em tempo real, das condições rodoviárias em troços com maior incidência de acidentes. O governante indicou também a importância de apostar na formação baseada em “casos típicos de acidentes”, e assegurar que os horários de trabalho e descanso são cumpridos com rigor.

3 Ago 2026

Casamento | Indústria continua em crise com quebra de despesas

Começa hoje a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento dedicado à indústria do matrimónio. O director da empresa organizadora dá conta de uma nova redução (10 por cento) dos orçamentos dos casais, mas encara o turismo para celebrar casamentos como oportunidade de negócio

O declínio demográfico que Macau enfrenta não se afere apenas nas taxas de natalidade. Também o número de casamentos tem vindo cair desde a crise provocada pela crise pandémica. Com os registos de matrimónios em quebra nos últimos anos, aqueles que planearam dar o nó este ano estão a fazê-lo gastando menos 10 por cento, face aos orçamentos de 2025. Quem o diz é Wong U Peng, director da A Plus Internacional Limited, empresa que organiza a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento que se realiza entre hoje a domingo no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores de Macau.

A exposição desde ano conta com a participação de marcas de Macau, Hong Kong e Taiwan e, segundo a organização, foram feitas 300 reservas online para marcar serviços de casamento durante o certame.

Neste momento, o sector procura adaptar-se à nova realidade, conduzida pela crise económica, assim como a própria exposição. Apesar de contar com o mesmo número de marcas do que no ano passado, os serviços de fotografia e banquetes sofreram uma redução entre 20 a 30 por cento face ao evento do ano passado. Do outro lado da balança, está o aumento de expositores que vendem lembranças, bolos de casamento, decorações e convites, ou seja, produtos culturais e criativos mais baratos.

Quem vem de fora

Em relação às perspectivas de futuro, Wong U Peng considera que mesmo com a diminuição dos matrimónios celebrados em Macau, a cidade está bem equipada para ser um destino de excelência para o turismo de casamento. Atracções turísticas de nível mundial e resorts de luxo são vantagens únicas para o desenvolvimento do sector, que já conta com políticas públicas, como a simplificação dos procedimentos de emissão de vistos.

Porém, Wong U Peng entende que a fotografia turística de casamentos é um sector que poderia ser aproveitado, sendo necessárias alterações legais para reduzir os obstáculos colocados às sessões fotográficas de turistas e atrair mais casais estrangeiros para festas de casamento em Macau.

31 Jul 2026

Obras ilegais | Mais de 500 demolições voluntárias até Junho

Nos primeiros seis meses deste ano, o Governo contou 533 demolições voluntária de obras ilegais, mais do dobro do registo de todo o ano de 2025. A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana salienta o agravamento das sanções aplicáveis às obras ilegais, e de processos que acabaram na esfera penal devido ao crime de desobediência

A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) revelou ontem que na primeira metade deste ano “registaram-se 533 casos de demolições voluntárias, número que representa um aumento significativo face aos anos anteriores”. No mesmo período no ano passado, as demolições voluntárias por proprietários somaram uma centena e mais do dobro dos 241 casos registados em todo o ano de 2025. Na primeira metade de 2024, as demolições voluntárias de obras ilegais chegaram às 127.

Os dados divulgados ontem pela DSSCU revelam que foram instaurados menos 100 processos relativos a obras ilegais do que demolições, com 433 processos.

Foram também instaurados 59 processos sancionatórios relativos à aplicação de multas pela execução de obras ilegais, no valor total de cerca de 2,87 milhões de patacas. Em nove casos, os proprietários não pagaram as multas dentro do prazo, levando as autoridades a proceder à cobrança coerciva.

A DSSCU salienta a reforma da lei da construção urbana como uma ferramenta que simplificou procedimentos, facilitou e incentivou infractores a cooperarem com a Administração na demolição de obras ilegais. O novo quadro legal dispensou também a apresentação de comunicação prévia de demolições “cujo prazo de execução não exceda cinco dias”.

Ir ao fundo

A DSSCU salienta que as obras ilegais podem afectar a segurança dos edifícios e a segurança contra incêndios, bem como originar problemas de salubridade, devido à acumulação de resíduos, infiltrações de água, afectando “as relações de vizinhança e a qualidade vida dos cidadãos”.

Além das multas, o Governo sublinha que os infractores que ignorarem a ordem de embargo e continuarem as obras ilegais, podem incorrer na prática do crime de desobediência, uma novidade trazida pela alteração da lei. Neste caso, a DSSCU indica que o caminho a seguir é a denúncia ao Ministério Público para apurar a responsabilidade penal dos infractores.

“Em alguns desses casos, já foi concluída a fase de instrução, tendo o tribunal proferido o respectivo despacho de pronúncia. Paralelamente, os respectivos infractores foram sancionados pela DSSCU com multas elevadas devido à execução de obras ilegais”, é acrescentado pela direcção de serviços.

30 Jul 2026

Japão | DST sem pedidos de assistência devido a sismo

A linha aberta do turismo não recebeu pedidos de assistência de residentes devido ao sismo de magnitude 7.1 em Kumamoto, perto de Fukuoka, para onde partiu ontem um voo de Macau. Andy Wu revela que apenas um grupo de turistas de Hong Kong ficou meio dia sem transportes em Kumamoto

O sismo que abalou a cidade de Kumamoto, no sul do Japão, e que resultou na morte de, pelo menos, 13 pessoas, parece não ter afectado residentes de Macau.

Ontem à tarde, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicava não ter recebido, através da linha aberta, pedidos de assistência de residentes nas zonas afectadas pelo sismo. As autoridades recomendaram aos residentes da RAEM que se encontrem no Japão para manterem uma postura de vigilância e prestarem atenção aos anúncios das autoridades japonesas.

No final da tarde de terça-feira, a DST indicou também não ter recebido pedidos de assistência de residentes na sequência de dois sismos de magnitude 5,7 e 5,8 que atingiram o condado de Xinghai, na província de Qinghai na manhã de terça-feira. Na terça-feira à noite, as autoridades nacionais davam conta de 43 mil pessoas desalojadas, mas não indicavam o registo de mortos ou feridos.

Viagens sem problemas

Ontem de manhã partiram três voos para destinos no Japão, como Tóquio e Osaka, também com um voo da Air Macau a sair do Aeroporto de Macau para Fukuoka às 08h40. Este último voo levou a bordo uma excursão de residentes da RAEM, cujo itinerário não foi afectado pelo sismo, de acordo com declarações ao canal chinês da Rádio Macau feitas por Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau.

O também empresário de agência de viagens revelou que um grupo de turistas de Hong Kong ficou retido durante meio dia em Kumamoto devido a perturbações nos transportes. Andy Wu apelou aos residentes da RAEM que viajam por conta própria no Japão a familiarizarem-se com as medidas de preparação para sismos e a estarem atentos às vias de evacuação.

A directora-geral da agência de viagens EGL Tours, Iong Ut Iong, afirmou à mesma fonte que a maioria das excursões que partem de Macau para o Japão tem como destinos mais comuns Kitakyushu, Fukuoka e Oita, não existindo, de momento, itinerários com destino a Kumamoto. Porém, importa indicar que Kumamota fica a pouco mais de 100 quilómetros de Fukuoka, assim como Oita.

A responsável acrescentou que, de modo geral, o impacto do sismo não foi significativo nas operações da agência, mas que se for necessário serão ajustados itinerários de excursões para garantir a segurança dos viajantes.

30 Jul 2026

Air Macau | Mais de 60 passageiros saíram de Nanning por meios próprios

Dos 166 passageiros que aterraram de emergência no aeroporto de Nanning, no início da noite de sábado, 64 decidiram regressar a casa pelos seus próprios meios, enquanto o voo de regresso a Macau aterrou às 20h40 de domingo. Governo não explica porque foi negada entrada no Interior a residentes com passaporte da RAEM

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) confirmou a chegada a Macau de 102 passageiros do voo da Air Macau que foi desviado no sábado à tarde para o Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, devido a condições meteorológicas adversas em Macau, afectado pelo tufão Noul. Recorde-se que nessa altura, estava içado o sinal 3 de tempestade tropical.

Num e-mail enviado ao HM, a DST confirma que o voo partiu de Nanning às 19h37 de domingo, cerca de 24 horas depois de lá ter aterrado, e os “102 passageiros a bordo concluíram todas as formalidades de entrada [na RAEM] até às 20h55”.

A DST ressalva que dos 166 passageiros que partiram de Osaka, “64 optaram por deixar Nanning pelos seus próprios meios”. O organismo público acrescenta que “recebeu um total de 13 pedidos de assistência”, que “encaminhou para os departamentos competentes para o devido acompanhamento”.

A resposta enviada ao HM, igual à reproduzida pelo canal chinês da TDM, não menciona o facto de a DST ter afirmado no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros”, apesar de publicações nas redes sociais de passageiros que se queixaram de ter ficado 10 horas retidos no avião e aeroporto só com água e noodles instantâneos.

Poucas palavras

Um residente da RAEM publicou no Xiaohongshu que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de estar munido do passaporte da RAEM.

Tanto no comunicado de domingo, como no e-mail enviado ao HM, a DST não menciona uma única vez as dificuldades que os residentes da RAEM enfrentaram para entrar no território chinês no aeroporto de Nanning. Apesar disso, vários internautas referiram que o problema com as autoridades alfandegárias nacionais se prendeu com o facto de os residentes não terem consigo Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de serem cidadãos chineses. Além disso, esta não é a primeira vez que um avião que devia aterrar em Macau, vindo do estrangeiro, é desviado para o mesmo aeroporto de Nanning.

29 Jul 2026

Pearl Horizon | Lesados pedem respeito pela decisão do tribunal

Os lesados do Pearl Horizon, que viram o Tribunal de Última Instância condenar a Polytex a pagar-lhes indemnizações milionárias, pedem atenção do Governo para o cumprimento da decisão judicial. Numa carta colectiva, referem que a imagem do Estado de Direito de Macau está em causa

Em meados deste mês, o Tribunal de Última Instância (TUI) divulgou o acórdão que colocou um ponto final na batalha judicial entre o grupo de pessoas que tentou comprar apartamentos no complexo de luxo Pearl Horizon e a Polytex, a empresa responsável pela construção e venda de fracções do empreendimento. A Polytex acabou condenada a pagar indeminizações num valor total de 91,2 milhões de dólares de Hong Kong a 14 compradores, uma vez que o TUI decidiu que os contratos-promessa não foram cumpridos pela empresa, condenando-a a pagar o dobro do sinal prestado pelos compradores.

Volvidas duas semanas da decisão judicial, 14 pessoas assinaram uma carta publicada ontem no jornal Ou Mun a pedir o cumprimento do acórdão do TUI, argumentando que se a Polytex conseguir escapar às responsabilidades, a imagem do Estado de direito de Macau ficará manchada.

A missiva denota o cepticismo dos lesados, que acusam a empresa de não cumprir as decisões judiciais anteriores, apesar do direito a recurso até à última instância. Como tal, pedem atenção para a actuação da Polytex ao Chefe do Executivo, aos vários serviços do Governo, aos deputados da Assembleia Legislativa, assim como à sociedade em geral.

Os autores da acção acusam a Polytex de “atrasar durante muito tempo” o cumprimento das suas responsabilidades e de “flagrante desprezo” dos órgãos judiciais.

Tudo por tudo

O grupo recorda que a empresa protegeu ao longo da batalha judicial muitos activos do grupo contra acções de penhora ou apreensão de bens.

Além disso, é argumentado que a Polytex pode não ter bens ou dinheiro para pagar as indeminizações, e que se os lesados forem obrigados a executar coercivamente activos do grupo, estes podem já ter sido dissipados, devido ao longo tempo que os processos demoraram.

Como tal, pediram a intervenção do Governo, e dos serviços da Administração, para contactar os quadros responsáveis da Polytex exigindo o pagamento imediato das indemnizações segundo a decisão do TUI.

Os autores da carta pedem também que o Governo esteja atento a tentativas de Polytex de passar a propriedade de bens para outras empresas, até ao pagamento integral das indeminizações.

29 Jul 2026

Air Macau | Passageiros queixam-se de ficarem retidos 10 horas

Os passageiros do voo da Air Macau desviado para Nanning indicaram ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas, só com água e noodles instantâneos, por não terem consigo o salvo-conduto e apenas o passaporte da RAEM. Depois da odisseia, os residentes voltaram no domingo a Macau

 

Na tarde de domingo, a Direcção dos Serviços de Turismo revelou que estava a acompanhar com “grande preocupação” a situação do voo da Air Macau que, devido ao tufão Noul, aterrou em Nanning, na província de Guangxi, no sábado por volta das 19h30. O voo que tinha partido de Osaka, no Japão, com destino ao Aeroporto Internacional de Macau levava a bordo 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Apesar de não haver confirmação por parte do Governo, ou da Air Macau, um passageiro indicou ontem ao HM que tinha regressado a Macau, confirmando publicações divulgadas na madrugada de ontem.

Nas redes sociais, começaram a ser partilhados relatos do que se passava a bordo da aeronave da companhia aérea local, com residentes a revelarem ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas.

Um residente publicou no Xiaohongshu um pedido de ajuda, afirmando que os passageiros estavam retidos no avião, sem água ou mantimentos e que a sua criança estava a chorar. Mais tarde, o internauta revelou que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China. Recorde-se que estes passageiros vinham do Japão, onde entraram com passaporte.

Noutras publicações no Facebook, foi indicado que durante as quase 10 horas de espera, os passageiros apenas receberam água e noodles instantâneos. Importa referir que a DST indicou no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros” durante o período em que ficaram retidos.

Entrada difícil

É descrito num grupo de Facebook dedicado transportes em Macau que vários passageiros procuraram ajuda à Gabinete de Gestão de Crise da DST, assim como à Autoridade da Aviação Civil da RAEM, ao Corpo de Polícia de Segurança Público e à Air Macau. No domingo, a DST indicou ter recebido nove pedidos de assistência e queixas de residentes.

A situação gerou debates nas redes sociais sobre a impossibilidade de residentes de Macau entrarem no Interior da China mediante a apresentação do Passaporte da RAEM, apesar de serem cidadãos chineses. Outros internautas focaram mais as suas críticas na forma como a Air Macau tratou o problema.

Outra crítica apontada às autoridades alfandegárias de Guangxi, prende-se com o facto de esta não ter sido a primeira vez que um voo que tinha Macau como destino acabou por aterrar de emergência no aeroporto em questão. Como tal, os internautas questionam a razão para a confusão e lentidão das autoridades do Interior. O HM enviou questões à DST sobre o incidente, mas até ao fecho da edição não recebeu respostas.

28 Jul 2026

Coutinho crítica lentidão na resposta a burlas por leitura de códigos QR

Pereira Coutinho divulgou ontem uma interpelação escrita onde critica a forma lenta e pouco eficaz como as autoridades responderam ao surgimento de um tipo de burla nova, onde os criminosos lesam clientes de carteiras electrónicas através da leitura de códigos QR.

Neste esquema, os burlões criam páginas falsas de comércios nas redes sociais, como agências de viagem ou lojas de desporto, prometendo cupões de desconto. Um dos métodos passa por pedir às vítimas pequenas transferências para aceder a descontos ou vouchers para produtos que depois os falsos comerciantes dizem estar esgotados. Outra táctica mais perigosa, envolve o pedido para que as vítimas façam leituras de códigos QR para ligar as contas de MPay e completar uma reserva. Desta forma, os criminosos conseguem usar as contas das vítimas para fazer compras e retirar dinheiro das contas.

Face a esta realidade, o deputado perguntou que “medidas correctivas foram ordenadas pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) ao operador em falta para colmatar estas falhas de segurança e qual o prazo estabelecido para a sua resolução integral e de que forma foram as vítimas ressarcidas dos prejuízos”.

Falhas do sistema

Pereira Coutinho lembra que a 24 de Junho a Polícia Judiciária (PJ) emitiu um alerta ao público para burlas publicadas no Facebook em que os criminosos usaram a leitura de códigos QR para lesar pessoas. Nos primeiros 10 casos, que motivaram o alerta, as perdas foram de cerca de 52 mil patacas.

Vinte dias depois, a PJ anunciava que, entre 7 e 13 de Julho, tinham sido registados mais 36 casos, com prejuízos totais de mais de 240 mil patacas.

Nessa conferência de imprensa, foi revelado que a operadora da MPay apenas incluiu um “aviso de alerta aquando da vinculação das contas a plataformas terceiras, sem qualquer mecanismo de bloqueio automático de operações suspeitas”.

O deputado questiona porque foram precisas quase três semanas para colocar apenas um aviso, sem terem sido implementadas “de imediato medidas mais eficazes, como a suspensão temporária de novas vinculações a plataformas terceiras suspeitas ou o reforço da validação por palavra-chave para transacções de alto valor”.

28 Jul 2026