UM | Empresa em Hengqin com perdas de 286 renminbis

No ano passado, a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development apresentou um prejuízo de 286 renminbis, de acordo com os resultados publicados ontem portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Apesar das perdas, a empresa responsável pela construção do campus em Hengqin da Universidade de Macau apresentou uma franca melhoria nas contas, dado que em 2024 o prejuízo tinha sido de 47 mil renminbis. A Guangdong Hengqin UM Higher Education Development tem como accionistas a Universidade de Macau e a UMTEC, outra empresa controlada pela principal instituição de ensino superior da RAEM.

Numa altura em que avançam as obras de construção do futuro campus, os resultados negativos só não foram maiores, porque a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development recebeu 1,46 mil milhões de renminbis da Universidade de Macau e 122 milhões de renminbis, por parte da UMTEC. Caso contrário, os prejuízos teriam sido maiores devido ao investimento em curso.

Com a apresentação dos resultados, os administradores da empresa garantiram que a construção do campus está em curso, como tinha sido planeado, e que os trabalhos se encontram na fase de construção das fundações dos vários edifícios. As obras vão ter uma duração de três anos, com as previsões a apontar para uma abertura parcial do campus para 2028. No ano seguinte, a infra-estrutura deverá ficar totalmente terminada com a abertura de todo o espaço.

5 Mai 2026

Análise | Receitas deverão crescer pelo menos 6,6% em Maio

Analistas esperam que em Maio o crescimento das receitas dos casinos seja alavancado por uma forte procura pós-Semana Dourada, que termina hoje. Uma das principais forças deste crescimento é o segmento mais alto do mercado de massas

Ao longo deste mês, as receitas dos casinos deverão crescer anualmente entre 6,6 por cento e 8,5 por cento, para valores que devem rondar 22,6 milhões de patacas e 23,0 milhões de patacas. As previsões constam de dois relatórios dos bancos de investimento CLSA e Seaport Research Partners, citados pelo portal GGRAsia.

A estimativa mais conservadora consta no relatório do banco de investimento CLSA, assinado pelo analista Jeffrey Kiang. “Actualmente, prevemos que as receitas brutas do jogo de Maio de 2026 cresçam 6,6 por cento em termos homólogos, atingindo 22,6 mil milhões de patacas, o que consideramos exequível”, escreveu o analista da CLSA, num relatório emitido após uma visita a Macau. “Isto implica que a média diária das receitas brutas do jogo vai ser de 729 milhões de patacas, semelhante à média de Março de 2026”, foi acrescentado.

De acordo com os resultados de Abril, divulgados na semana passada, as receitas brutas do jogo apresentaram uma redução mensal de 12 por cento, face a Março. No entanto, a análise anual mostrou um crescimento de 5,5 por cento, para 22,6 mil milhões de patacas.

O banco de investimento apontou também que actualmente existe uma “grande tendência” para os jogadores do segmento mais elevado do mercado de massas, que podem apostar valores por jogada de 100 mil dólares de Hong Kong, preferirem visitar os casinos de Macau durante as épocas mais baixas do turismo. Devido a esta lógica, mesmo após o fim da Semana Dourada, que termina hoje, os analistas acreditam que as receitas vão continuar durante mais alguns dias a apresentar valores elevados.

Maior optimismo

Já a empresa Seaport Research Partners mostra-se mais optimista em relação às receitas de Maio. “Prevemos que as receitas brutas do jogo no mês de Maio aumentem 8,5 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior”, pode ler-se no documento. “Embora nem sempre seja um indicador da solidez das receitas brutas, o feriado de cinco dias da Semana Dourada (…) mostra um forte fluxo de visitantes e uma elevada ocupação hoteleira”, escreveu o analista Vitaly Umansky.

A Seaport Research Partners considera também que houve vários visitantes que optaram por adiar as viagens planeadas do final de Abril para o início de Maio, de forma a coincidirem com os feriados no Interior.

5 Mai 2026

Empresas tecnológicas | Abertas candidaturas a certificação

Está aberta uma nova ronda de candidaturas ao Programa de Certificação de Empresas Tecnológicas, que começou oficialmente ontem, e se prolonga até Novembro. A iniciativa é da responsabilidade da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e visa “identificar, através de um sistema de avaliação, as empresas tecnológicas locais que reúnam os requisitos necessários, construindo para as mesmas uma escada de crescimento e auxiliando o seu desenvolvimento”, destaca uma nota.

Às empresas qualificadas será atribuída, “consoante a pontuação obtida e por ordem crescente, a certificação de “Empresa tecnológica potencial”, “Empresa tecnológica em crescimento” ou ainda “Empresa tecnológica de referência”, que será válida por 3 anos. A primeira ronda de candidaturas vai até 1 de Junho, podendo estas serem apresentadas no sistema digital “Plataforma para Empresas e Associações”.

A DSEDT informa que, desde o seu lançamento em 2023, foram abertas seis rondas de candidaturas, existindo 51 empresas tecnológicas locais certificadas. Dessas, sete são de referência, uma é “empresa tecnológica em crescimento” e as restantes 43 são “empresas tecnológicas potenciais”. Além disso, outras nove empresas foram incluídas na lista preliminar das empresas certificadas (incluindo empresas que se candidataram pela primeira vez e empresas que solicitaram a actualização do seu nível). O âmbito de actividade das empresas certificadas abrange diversas áreas como circuitos integrados, tecnologias de informação, medicina tradicional chinesa, novos materiais e biotecnologia.

5 Mai 2026

Orçamento | 7.000 patacas para titulares da previdência

O Governo irá atribuir este ano 7.000 patacas, a título de repartição extraordinária de saldos orçamentais, aos titulares de conta individual do regime de previdência central não obrigatório que preencham os requisitos legais. Segundo um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem no Boletim Oficial, a Direcção dos Serviços de Finanças foi ouvida no processo.

A publicação do despacho oficializa a decisão que o Governo de Sam Hou Fai já havia indicado durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa. Recorde-se que o Governo liderado por Ho Iat Seng suspendeu a atribuição da verba, destinado a residentes idosos, durante três anos marcados pela pandemia da covid-19. Na altura, o Executivo justificou a medida com a falta de saldos financeiros devido à descida das receitas fiscais.

Passes | Primeira via gratuita para idosos e estudantes

As primeiras vias dos passes para autocarros públicos para estudantes, idosos e pessoas portadoras de deficiência, emitidas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego passaram a ser gratuitas. De acordo com um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem no Boletim Oficial, os encargos com a produção dos cartões para as pessoas elegíveis passam a ser suportados pela RAEM. A medida entra hoje em vigor.

5 Mai 2026

Líbano | Israel ordena novas evacuações para lá da zona que controla

O exército israelita emitiu ontem novas ordens de evacuação “urgentes” para localidades situadas para além da zona que controla no sul do Líbano e que designa como uma “zona de segurança”. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em língua árabe, Avichai Adraee, publicou na rede social X um aviso dirigido aos habitantes de várias localidades, incluindo Nabatiyé.

Esta cidade situa-se vários quilómetros a norte da chamada “linha amarela”, que delimita a “zona de segurança” com cerca de dez quilómetros de profundidade, no interior da qual Israel se autoriza a operar desde a entrada em vigor, a 17 de Abril, de um frágil cessar-fogo com o Hezbollah, aliado do Irão no Líbano.

“Qualquer ameaça (…) mesmo para além da linha amarela e a norte do rio Litani [a cerca de 30 quilómetros da fronteira] será eliminada”, advertiu na quarta-feira o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, durante uma visita a esta zona do território libanês. Dois soldados israelitas e um contratado do exército foram mortos, e dezenas de militares ficaram feridos no espaço de uma semana, devido a ataques com drones explosivos no sul do Líbano.

O movimento xiita libanês passou recentemente a recorrer a este tipo de aparelhos, guiados por fibra óptica, praticamente indetectáveis e com um alcance de várias dezenas de quilómetros, para realizar ataques diários contra as tropas israelitas no Líbano.

Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, continuam a trocar ataques apesar da trégua em vigor desde 17 de Abril, tendo o exército israelita já realizado bombardeamentos além da “linha amarela”. O Presidente libanês, Joseph Aoun, apelou na quarta-feira a Israel para que cumpra “plenamente o cessar-fogo”, antes do arranque das negociações de paz previstas entre os dois países, sob mediação dos Estados Unidos.

De acordo com os termos do acordo de cessar-fogo, Israel reserva-se “o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa” contra o Hezbollah.

4 Mai 2026

Taiwan | William Lai criticado por abandonar a ilha Taiwan após sismo

A China criticou a viagem do líder taiwanês a Essuatíni, acusando William Lai Ching-te de abandonar a população após um sismo e de sair da ilha de “forma dissimulada”, num avião estrangeiro.

Num comunicado divulgado no sábado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que Lai deixou Taiwan poucas horas após um sismo no nordeste taiwanês, “abandonando a população” e “desperdiçando fundos públicos”, numa atitude que, segundo Pequim, o torna um “alvo de troça internacional”.

O Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (executivo) chinês classificou a viagem como “um artifício”, sem valor diplomático e acusou o governante de agir de forma furtiva, para chegar a Essuatíni. Também este gabinete, questionou a gestão de Lai ao não ter prestado atenção à situação decorrente do sismo. Os dois organismos reiteraram a rejeição às iniciativas de Taiwan no âmbito internacional e defenderam que as acções não alteram a posição da comunidade internacional sobre a ilha.

4 Mai 2026

Irão | Pequim trava sanções dos EUA contra empresas chinesas

Pequim bloqueou a aplicação das sanções de Washington contra cinco empresas chinesas devido às alegadas ligações com o comércio de petróleo iraniano, através de uma ordem que proíbe pessoas e entidades de cumprir, reconhecer ou executar essas medidas. O Ministério do Comércio explicou, no sábado, que a ordem, conhecida como “blocking ban”, visa neutralizar dentro da China o efeito das sanções norte-americanas, impedindo que empresas ou indivíduos adiram às mesmas ou colaborem na aplicação.

De acordo com o comunicado oficial, as medidas adoptadas por Washington, que envolvem a inclusão em listas de sanções, o congelamento de activos e a proibição de transações, interferem nas “actividades comerciais normais” entre empresas chinesas e países terceiros e violam “o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais”.

A ordem baseia-se no quadro jurídico chinês contra a aplicação extraterritorial de leis estrangeiras, desenvolvido nos últimos anos e reforçado recentemente, em Abril, com novas normas que ampliam a capacidade de Pequim para contrariar sanções adoptadas por outros países.

As autoridades chinesas reiteraram a oposição às sanções unilaterais sem o apoio das Nações Unidas e sublinharam que a medida não afecta o cumprimento das obrigações internacionais do país nem a protecção dos direitos das empresas estrangeiras na China.

Rota da crise

A decisão surge depois de Washington ter sancionado — na semana passada — dezenas de entidades e indivíduos pela alegada participação em redes financeiras ligadas ao petróleo iraniano, no âmbito da política de pressão sobre Teerão.

Entre as empresas afectadas, encontram-se várias refinarias e grupos petroquímicos chineses, apontados pelos Estados Unidos pelo suposto papel na comercialização de petróleo iraniano, um fluxo que Washington considera fundamental para o financiamento de actividades militares e de grupos aliados da República Islâmica.

A medida de Pequim coincide com a preocupação expressa pela China quanto ao impacto do conflito no Irão na estabilidade energética global, com especial atenção para o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento de petróleo bruto.

4 Mai 2026

Korean Air proíbe galos a bordo dos EUA para as Filipinas

Organizações de defesa dos direitos dos animais congratularam-se ontem com a decisão da companhia aérea Korean Air de proibir o transporte de galos dos Estados Unidos apara as Filipinas, onde as lutas com estes animais constituem uma indústria lucrativa.

As autoridades estimam receitas na ordem das dezenas de milhões de dólares por semana geradas por lutas entre galos equipados com esporões metálicos afiados, dinheiro que alegadamente alimenta o crime organizado. Activistas e um criador filipino, Eduardo Eugenio, indicaram à AFP que os Estados Unidos da América (EUA) fornecem um grande número de galos destinados a estas lutas, pelo que a proibição da companhia aérea Korean Air promete ter um “impacto enorme”.

A companhia sul-coreana confirmou, num comunicado enviado ontem à AFP, ter “suspendido o transporte de galos de qualquer idade nas ligações entre os Estados Unidos e as Filipinas”. “A Korean Air compromete-se a garantir o transporte legal e seguro de animais vivos, em conformidade com as leis e regulamentos em vigor”, acrescentou.

A organização não-governamental (ONG) americana de defesa dos animais Animal Wellness Action declarou que a Korean Air era, na sua opinião, “a maior companhia aérea do mundo envolvida no transporte ilegal de galos de combate”. Embora a transportadora não tenha mencionado explicitamente os galos de combate no seu comunicado, várias organizações afirmaram que esta proibição é o resultado da sua campanha destinada a proibir uma prática que consideram cruel.

Por ar e por terra

Jana Sevilla, porta-voz da organização PETA nas Filipinas, declarou à AFP que a decisão, aplaudida pelo grupo, visa “certamente” as lutas de galos. “Esperamos […] que outras companhias aéreas sigam este exemplo”, acrescentou Jana Sevilla, recordando que as Filipinas fazem parte dos países onde as lutas de galos ainda são autorizadas.

Esta semana, a ONG Animal Wellness Action reivindicou, num comunicado, o mérito desta medida, que surge na sequência de vários meses de investigação e troca de correspondência. “A Korean Air concordou em atender ao nosso pedido de pôr fim a todos os envios de galos para as Filipinas”, indicou a organização, referindo que criadores americanos fornecedores destas aves se fazem frequentemente passar por agricultores ou criadores inofensivos e enviam todos os anos “dezenas de milhares” de animais para as Filipinas.

Outros galos criados nos EUA são transportados por via terrestre e aérea para o México, onde as lutas continuam a ser autorizadas em alguns estados. Segundo Eduardo Eugenio, responsável por uma exploração de 300 aves na cidade de Tagum, no sul do país, “a actividade nas Filipinas depende muito” dos criadores americanos.

4 Mai 2026

Importações de vinho na China caíram para metade face a 2018

O director-geral de uma das maiores importadoras de vinho na China descreveu à Lusa uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra de 50 por cento nas importações face a 2018 e maior sofisticação dos consumidores. “O mercado que existia em 2018, hoje, é menos de metade”, afirmou à Lusa o português Francisco Henriques, director-geral da China Wines & Spirits, com sede em Xangai, a “capital” económica da China, que celebrou esta semana o seu 20.º aniversário.

Em entrevista à Lusa, o responsável, que está há quase duas décadas na China, descreveu uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra “brutal” do consumo, associada a uma combinação de factores, desde a campanha anticorrupção e de austeridade promovida por Pequim, que inclui restrições ao consumo de álcool em eventos oficiais, até ao impacto da crise no sector imobiliário, que reduziu o apetite por bens considerados de luxo.

Dados recentes indicam que, só no último ano, as importações chinesas de vinho recuaram 11 por cento, situando-se agora em cerca de metade dos níveis registados em 2018, quando o país comprou vinho estrangeiro no valor de quase 3 mil milhões de dólares.

Durante anos, a China foi um dos principais motores do sector vinícola global, com produtores de regiões como Bordéus ou Austrália a dependerem fortemente da procura chinesa. Em 2019, cerca de um quarto das exportações de Bordéus tinham como destino o país asiático.

Mas a quebra recente está a ter impacto global. Produtores enfrentam excesso de oferta, queda de preços e, em alguns casos, estão a arrancar vinhas ou a deixar uvas por colher. Além do contexto económico e político, Henriques apontou também para uma transformação cultural, sobretudo entre os mais jovens, que “bebem menos e bebem diferente”.

Segundo o responsável, há duas décadas o vinho era consumido sobretudo por uma elite e dominado quase exclusivamente por França, sendo muitas vezes associado a ofertas e banquetes oficiais. Hoje, disse, o mercado está “em vias de maturidade”, com maior diversidade de origens e um consumo mais individualizado. “Há 20 anos bebia-se uma garrafa por pessoa, hoje as pessoas preferem beber um copo, mas melhor”, explicou.

Tempos modernos

O consumo deslocou-se também para novos contextos, com o crescimento das entregas ao domicílio e das compras através de aplicações móveis. “Os consumidores podem encomendar uma garrafa no telemóvel e recebê-la meia hora depois”, disse, sublinhando a necessidade de adaptação do sector a estes novos hábitos.

Apesar da contracção do mercado, Henriques considerou que a China continua a ser uma aposta estratégica para países como Portugal, embora exija um trabalho de longo prazo. “Quando o consumidor prova, gosta”, afirmou, destacando a tipicidade das castas portuguesas como uma vantagem competitiva.

O principal desafio, disse, é garantir presença consistente no mercado, nomeadamente na restauração, hotéis e canais de distribuição. “É preciso que o vinho esteja disponível (…) e esse é o trabalho difícil”, afirmou.

Henriques alertou que muitos produtores falham ao encarar a China como um mercado de oportunidades rápidas, sem investimento continuado. “Aquele produtor que vem à China, exporta um contentor e depois fica à espera (…) não resulta”, disse, defendendo a importância de parcerias estáveis com importadores locais.

Num mercado que descreveu como “muito dinâmico”, onde empresas entram e saem com frequência, encontrar o parceiro certo pode ser “como uma agulha no palheiro”. O responsável sublinhou que a dimensão e evolução do mercado justificam o esforço. “É um trabalho que demora anos, mas que traz frutos”, afirmou.

4 Mai 2026

ONU | MNE chinês presidirá debate do Conselho de Segurança

A China, que preside este mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, anunciou sexta-feira que organizará um debate de nível ministerial visando “defender a Carta da ONU”, que será presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

O representante permanente da China junto das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, apresentou sexta-feira à imprensa a agenda mensal de Pequim, indicando que o ministro Wang Yi presidirá ao debate de alto nível subordinado ao tema “Defender os Propósitos e Princípios da Carta da ONU e Fortalecer o Sistema Internacional Centrado na ONU”, agendado para 26 de Maio.

“Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente turbulência no panorama internacional. Os conflitos estão a aumentar, as divisões estão a aprofundar-se e o sistema multilateral — juntamente com o direito internacional — está sob considerável restrição”, afirmou o diplomata, em Nova Iorque.

“Tudo isto aconteceu não porque a ONU esteja desactualizada ou tenha falhado. Pelo contrário, isto acontece porque os propósitos e os princípios da Carta não são efectivamente respeitados e o sistema internacional centrado na ONU não é mantido com afinco”, acrescentou Cong.

Nesse sentido, o embaixador defendeu que a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes para defender a autoridade da Carta e reforçar o papel das Nações Unidas, a fim de evitar que o “mundo recaia na lei da selva” e “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”. A segunda prioridade da presidência rotativa chinesa será promover a solução política no Médio Oriente, região que classificou como o lugar do mundo “onde se desenrolam a maioria dos problemas críticos”.

“O Conselho de Segurança deve instar as partes relevantes, em particular Israel, a observarem integralmente o acordo de cessar-fogo em Gaza, a garantirem o acesso humanitário, a interromperem as actividades de colonato e a trabalharem para revitalizar a perspetiva da solução de dois Estados”, instou Fu Cong.

Ainda sobre Gaza, o diplomata afirmou que a “negação dos legítimos direitos nacionais do povo palestiniano é a maior injustiça dos nossos tempos”. Em relação ao Líbano, o diplomata notou que a situação continua muito instável e frágil, frisando que os ataques contra civis libaneses e contra as forças de manutenção da paz da ONU “são inaceitáveis”.

O Conselho de Segurança deve enviar uma mensagem clara de apoio à soberania, segurança e integridade territorial do Líbano, apelou o representante de Pequim, defendendo ainda apoio ao Governo libanês na estabilização da situação interna e na garantia da paz.

Questão iraniana

Questionado sobre o papel da China nas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerão e sobre o que Pequim está disposto a fazer para reabrir o Estreito de Ormuz, Cong optou por sublinhar que a causa principal da situação actual é a “guerra ilegítima dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão”.

“Francamente, estamos muito preocupados com algumas das declarações que temos ouvido recentemente sobre este cessar-fogo ser temporário, sobre a necessidade de iniciar outra ronda de ataques. Penso que a comunidade internacional deve mobilizar-se e elevar a voz contra o retomar dos combates naquela parte do mundo”, declarou.

“Sobre o papel da China, temos defendido a paz e estamos a falar com todos os lados. O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tem estado ao telefone quase constantemente e também apoiamos totalmente os esforços do Paquistão de mediação entre as partes. Esperamos que estes esforços possam trazer resultados positivos”, adicionou.

Sobre a situação no Estreito de Ormuz, Fu Cong disse estar certo de que, se esse bloqueio ainda se mantiver quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, visitar a China nos dias 14 e 15 de Maio, essa questão estará entre os principais temas da agenda das conversações bilaterais.

A terceira prioridade apontada por Cong para este mês diz respeito à estabilidade e ao desenvolvimento dos países africanos, garantindo que Pequim apoiará os esforços para “resolver as questões africanas de forma africana”. Este mês, o Conselho de Segurança vai também realizar o seu debate anual sobre a protecção de civis em conflitos armados.

4 Mai 2026

Bienal de Veneza | Macau participa com obras sobre Wu Li

Macau vai estar representada na Bienal de Veneza este ano com uma exposição inspirada na vida do pintor e poeta católico chinês, Wu Li (1623-1718), também conhecido como Jacone.

Com curadoria conjunta de Feng Yan e Ng Sio Ieng, a exposição organizada pelo Instituto Cultural de Macau (IC) e implementada pelo Museu de Arte de Macau reúne os artistas locais Eric Fok Hoi Seng, O Chi Wai e Veronica Lei Fong Ieng, sendo inaugurada em Veneza a 8 de Maio.

Segundo o IC, o projecto integra instalação, pintura e vídeo, e inspira-se na figura do pintor e poeta Wu Li, que viveu entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, para reinterpretar a sua “viagem criativa transcultural e espiritual”.

Wu Li residiu em Macau em 1681, durante o reinado do imperador Kangxi, onde estudou teologia e registou na coletânea Sanba Ji a convergência das culturas chinesa e ocidental. Tendo estudado latim e teologia no Colégio de São Paulo, a primeira escola de estilo Ocidental na China, Wu converteu-se ao catolicismo e foi missionário jesuíta na província chinesa de Jiangsu, referindo-se a si mesmo como “Jacone”.

A exposição recria, através da arte contemporânea, a viagem à Europa que o “poeta nunca realizou”, celebrando as “raízes culturais de Macau e a sua herança multicultural”. A mostra estará patente de 9 de Maio a 22 de Novembro de 2026 no Arsenale, Campo della Tana, em Veneza, com entrada gratuita.

Macau participou pela primeira vez na Bienal de Veneza em 2007, sendo esta a décima participação do território no maior e mais antigo palco internacional de arte.

4 Mai 2026

Mostras sobre José Saramago em Timor-Leste

A inauguração de uma exposição sobre José Saramago em Díli, hoje, marca o arranque das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa em Díli, Timor-Leste, que decorrem durante toda a semana.

A semana da língua portuguesa – para assinalar a data (5 de Maio) instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) -, foi organizada pelo grupo dos embaixadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na capital timorense, nomeadamente Angola (que preside), Brasil e Portugal, em parceria com as instituições timorenses.

“Esta exposição é organizada em sete núcleos expositivos, cada um corresponde a um subtema dentro da lógica de Saramago e nós quisemos destacar uma faceta de Saramago muito menos conhecida, que é o Saramago poeta”, afirmou à Lusa o embaixador de Portugal em Díli, Duarte Bué Alves.

A inauguração da exposição, com o título “Que lembrança ficou no mundo que tiveste” (um verso da poesia de Saramago), vai contar com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que se encontra em Díli para participar na reunião de ministros da Cultura da CPLP, a realizar esta terça-feira.

Outros destaques

O embaixador de Portugal destacou também a exposição que vai ser levada ao município de Aileu, no sábado, sobre o poeta António Gedeão, que era professor e físico. “É sobre a física do dia a dia, uma forma de as crianças aprenderem física, a ciência, mas também a literatura e poesia de António Gedeão”, disse o embaixador Duarte Bué Alves.

As celebrações vão também contar com a participação da secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira, que chega quarta-feira a Díli para participar na reunião dos ministros da Educação da CPLP, que se realiza na quinta-feira. Segundo o embaixador, na sexta-feira, os três embaixadores da CPLP, em conjunto com a secretária de Estado da Administração Escolar, vão ao Externato de São José, em Díli, oferecer livros de autores portugueses, brasileiros e angolanos.

A semana de celebração do Dia Mundial de Língua Portuguesa vai incluir também oferta de livros ao Ministério da Educação, a cerimónia de entrega de prémio de Língua Portuguesa (na Fundação Oriente) e a apresentação do coro da Escola Portuguesa de Díli no parlamento timorense, entre outros eventos.

4 Mai 2026

IPOR | Festival traz escritos de Coco Cheong e de autores portugueses

Começa amanhã mais uma edição do festival “Letras & Companhia”, promovido pelo Instituto Português do Oriente, e que este ano tem como tema “A Minha Cidade”. De Macau, a escritora Coco Cheong apresenta o livro “Our Precious Moments”, estando também convidada a escritora de livros infantis e jornalista Inês Cardoso. Decorrem ainda actividades de leitura com a ilustração em destaque

O Instituto Português do Oriente (IPOR) apresenta amanhã, com o apoio do grupo Galaxy, mais uma edição do festival “Letras&Companhia – Festival Literário e Cultural para Pais e Filhos”, que se dedica ao universo da literatura infantil e ilustração. O tema deste ano é “A Minha Cidade”, sendo que o evento conta também com apoio do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, prolongando-se até ao dia 24 de Maio.

Do programa, destaca-se a presença da escritora local Coco Cheong, com a apresentação da obra “Our Precious Moments”, em chinês e inglês, seguindo-se “uma oficina para os mais novos com jogos de quebra-gelo, momentos de desenho e contos”, descreve um comunicado de imprensa.

Outro dos nomes constantes no programa, é o de Inês Cardoso, jornalista e directora do Jornal de Notícias, e também autora de livros infantis. Será lançado o livro “Londres ao Porto numa gaivota”, além de que Inês Cardoso vai também protagonizar uma sessão de formação para professores “sobre desinformação, partilhando ferramentas pedagógicas para desenvolver o pensamento crítico e a verificação de informação junto dos alunos”. Inês Cardoso estará também presente para uma conversa aberta ao público no Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong.

O festival arranca amanhã na Escola Portuguesa de Macau, com a entrega de minibibliotecas escolares a instituições de ensino não superior de Macau onde se ensina a língua portuguesa. No cartaz consta também a presença de Afonso Cruz, que apresenta o livro “Assim, mas sem ser assim: Considerações de um Misantropo”, sendo que o autor também dará um workshop de escrita criativa aberto ao público.

Imagens que nos ligam

André Letria, ilustrador português, apresenta o projecto “A Minha Cidade”, que chega agora a Macau graças ao “Letras & Companhia”. Segundo a mesma nota, este projecto nasceu de uma colaboração com várias escolas locais, onde “os alunos criaram mapas ilustrados da cidade, revelando o seu olhar íntimo e quotidiano”.

Os trabalhos estarão expostos no IPOR após a inauguração da exposição, na qual André Letria falará sobre o projecto numa mesa-redonda e lançará o seu próprio mapa de Macau. O ilustrador e criador da editora Pato Lógico dinamizará ainda várias oficinas pedagógicas nas escolas, explorando a ilustração como meio de criatividade e expressão artística, bem como uma formação de professores sobre literacia visual.

O IPOR exibe ainda, no contexto do festival, quatro curtas-metragens de animação infantis, escolhidas a partir do programa do Festival lisboeta de Animação “Monstra” (edição de 2025). Andrea Magalhães, por sua vez, realizará diferentes oficinas dirigidas a públicos jovens de várias faixas etárias. Haverá também três momentos de teatro, sendo que um deles acontece em parceria com a associação Sílaba, que apresenta “A Revolta dos Lusecos”, “peça que transporta o público para os acontecimentos marcantes do 25 de abril de 1974 em Portugal”. Já a Joyful, companhia de teatro de Hong Kong, apresenta “The Secret Magic Recipe: Enemy Pie”, uma peça interativa inspirada em livros infantis, seguida de uma oficina de fantoches e storytelling para pais e filhos.

O festival encerra na Fundação Rui Cunha com o espectáculo musical “(En)Cantar com Alice e Sebastião”, com Sara Meireles, que começa às 15h e que também vai ser apresentado nas escolas locais.

A sexta edição do festival procura “abordar a relação intrínseca entre a cidade enquanto espaço físico e a comunidade que nela habita, tópico que guiará todas as actividades que integram o programa”.

“Esta relação é retratada etimologicamente – a palavra cidade deriva do termo latino ‘civitas’, que significa “cidadania” ou “membro da comunidade”. A cidade não é só um ‘habitat’, porque não se cumpre na sobrevivência material da espécie, mas é um todo orgânico que envolve os vestígios urbanísticos do passado e a comunidade do presente que, ao preservar e atualizar o legado de que faz parte, aponta para o futuro”, descreve a organização do evento.

4 Mai 2026

Economia | PIB cresceu de 7,1% no primeiro trimestre

No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 108,01 mil milhões de patacas, o que significou um crescimento anual de 7,1 por cento, de acordo com os dados preliminares divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo a DSEC, estes números mostram “um crescimento estável” porque “as exportações de serviços continuaram a subir a um ritmo acelerado, impulsionadas pelo aumento significativo do número de visitantes”. As exportações globais de serviços aumentaram 13,9 por cento no primeiro trimestre de 2026, visto que o número de entradas de visitantes na RAEM subiu 13,7 por cento, em termos homólogos.

Em relação à procura interna, a despesa de consumo privado cresceu 2,8 por cento, em termos anuais, ao passo que a despesa de consumo final do Governo e a formação bruta de capital fixo desceram 4,8 por cento e 21,9 por cento, respectivamente. Segundo a mesma fonte, o PIB encontra-se ao nível de 90,3 por cento da economia do primeiro trimestre de 2019, antes da pandemia da covid-19.

4 Mai 2026

Melco | Lucros mais do que duplicam até Março

A operadora de jogo em Macau Melco Resorts and Entertainment anunciou lucros líquidos de 76,8 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, um aumento de 136 por cento em termos anuais. Em igual período de 2025, a Melco, com três casinos no território, registou lucros líquidos de 32,5 milhões de dólares, indicou a companhia, em comunicado divulgado na quinta-feira à noite.

As receitas operacionais do grupo, no período em análise, foram de 1,37 mil milhões de dólares, subindo cerca de 11 por cento comparativamente ao primeiro trimestre do ano passado, quando registou 1,23 mil milhões de dólares, indicou a empresa liderada por Lawrence Ho, filho do magnata do jogo Stanley Ho.

Os lucros operacionais entre Janeiro e Março deste ano alcançaram 179 milhões de dólares, representando uma subida de 23,5 por cento em relação ao mesmo período de 2025 (144,9 milhões de dólares), lê-se ainda no comunicado.

4 Mai 2026

Jogo | Lucros da MGM China descem 4% no primeiro trimestre

A operadora de jogo MGM China anunciou que o primeiro trimestre deste ano ficou marcado por uma descida dos lucros, apesar da subida das receitas.

A empresa reportou lucros operacionais de 273 milhões de dólares, menos 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
Este resultado foi pressionado pelo aumento das despesas de licenciamento de marca, que duplicaram para 41 milhões de dólares, na sequência de um novo acordo de longo prazo entre a MGM China e a companhia mãe, a operadora de jogo norte-‑ americana MGM Resorts.

O encargo adicional acabou por limitar a rentabilidade, mesmo com o crescimento das receitas líquidas, que subiram 9 por cento para 1,1 mil milhões de dólares. Mesmo assim, Bill Hornbuckle, presidente e CEO da MGM Resorts, afirmou que o grupo está “satisfeito por reportar receitas consolidadas recorde no primeiro trimestre, impulsionadas sobretudo pela MGM China e pela MGM Digital, bem como pelo crescimento da BetMGM na América do Norte”.

No total, a MGM Resorts registou receitas de 4,5 mil milhões de dólares, um aumento de 4 por cento face ao período homólogo. Contudo, os lucros operacionais caíram para 580 milhões de dólares, contra 637 milhões de dólares no ano anterior.

4 Mai 2026

Jogo | Receitas de Abril foram as mais baixas dos últimos sete meses

Nem tudo foram más notícias para a principal indústria de Macau. Apesar dos resultados mensais mais baixos desde Setembro, Abril trouxe um crescimento anual de 5,5 por cento das receitas brutas dos casinos

As receitas do jogo registaram em Abril uma queda de 12 por cento, em termos mensais, alcançando o valor mais baixo dos últimos sete meses, de acordo com dados anunciados na sexta-feira. Os casinos arrecadaram 19,9 mil milhões de patacas em Abril, contra 22,6 mil milhões de patacas no mês anterior, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

Trata-se do valor mais baixo desde Setembro de 2025, quando as receitas dos casinos totalizaram 18,3 mil milhões de patacas.
No entanto, em termos homólogos, as receitas apresentaram um crescimento de 5,5 por cento, dado que em Abril do ano passado as receitas tinham alcançado 18,9 mil milhões de patacas. Em 2025, as receitas de 18,9 mil milhões de patacas foram as terceiras mais baixas desse ano, ficando apenas a cima do mês de Setembro, quando o valor foi de 18,3 mil milhões de patacas e do mês de Janeiro, que teve receitas de 18,2 mil milhões de patacas.

Os número revelado na sexta-feira ainda está longe da realidade pré-pandemia. Em Abril de 2019, as receitas do jogo atingiram 23,6 mil milhões de patacas, uma diferença de 18,6 por cento ou 3,7 milhões de patacas.

Carteira mais pesada

Em termos de receita bruta acumulada, os primeiros quatro meses deste ano registaram uma subida de 12,1 por cento em relação ao ano anterior, com um total de 85,8 mil milhões de patacas contra 76,5 mil milhões de patacas entre Janeiro e Abril de 2025.

Também neste aspecto os números estão distantes da realidade pré-covid-19. Em 2019, nos primeiros quatro meses do ano, as receitas do jogo atingiram 99,7 mil milhões de patacas, uma diferença de 23,2 mil milhões de patacas para os números mais recentes. Apesar disso, as receitas continuam a crescer ano após ano, com os primeiros quatro meses de 2026 a atingirem as maiores receitas desde a pandemia.

Macau fechou o ano passado com receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas).

4 Mai 2026

Turismo | Hóspedes internacionais sobem 16% em três meses

O número de hóspedes internacionais que ficaram em hotéis de Macau aumentou 16 por cento no primeiro trimestre deste ano para 338 mil, em comparação com mesmo período do ano passado. Segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) do território, a maioria desses hóspedes veio da Coreia do Sul, cerca de 106 mil, mais 15,1 por cento que em 2025.

Registaram-se aumentos também no número de hóspedes da Tailândia (28 mil, +61,3 por cento), da Malásia (22 mil, +1,2 por cento) e da Índia (19 mil, +51,0 por cento). Em contrapartida, o número de visitantes do Japão (25 mil) e da Indonésia (14 mil) registou quedas de 2,9 por cento e 18,2 por cento, respectivamente.

As autoridades de turismo de Macau estão a tentar atrair mais turistas internacionais para a cidade, para reduzir a dependência do território dos turistas oriundos do Interior da China. Estes esforços têm incluído maior oferta de produtos turísticos, a organização de grandes eventos e actividades de promoção em diferentes países, incluindo Portugal.

Mais de 3 milhões

No total, os hotéis acolheram 3,67 milhões de hóspedes entre Janeiro e Março, mais 2,6 por cento em termos anuais. O Interior da China continua a representar a maior fatia do número total, com 2,74 milhões de visitantes, um aumento de apenas 0,6 por cento, com hóspedes de Hong Kong a aumentar 4,3 por cento até 390 mil.

A taxa de ocupação média dos quartos fixou-se em 92,3 por cento, mais 2,1 pontos percentuais face ao primeiro trimestre de 2025. Existem actualmente 147 hotéis em Macau, que disponibilizam 45.400 quartos. Os hotéis de cinco estrelas registaram uma taxa de ocupação de 95,4 por cento, os de quatro estrelas 88,7 por cento e os de três estrelas 87,5 por cento.

No mesmo período, o número de entradas de visitantes em excursões caiu 14 por cento, para 475 mil, com o número visitantes internacionais em excursões a crescer 16,1 por cento para 61 mil. As excursões provenientes do Interior da China (385 mil) diminuíram 20,4 por cento, com as autoridades de Macau a indicarem que mais turistas chineses estão a escolher viajar sozinhos.

4 Mai 2026

Balança Comercial | Registado défice de 33 mil milhões

O valor exportado de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 situou-se em 4,18 mil milhões de patacas, mais 19,7 por cento do que no primeiro trimestre de 2025. Os valores da reexportação (3,78 mil milhões de patacas) e o da exportação doméstica (396 milhões de patacas) subiram 20,2 por cento e 14,7 por cento, respectivamente.

No primeiro trimestre do corrente ano o valor importado de mercadorias foi de 37,26 mil milhões de patacas, mais 25,1 por cento, em termos anuais. Como resultado, o valor total do comércio externo de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 correspondeu a 41,44 mil milhões de patacas e o défice da balança comercial cifrou-se em 33,08 mil milhões de patacas.

O Interior (559 milhões de patacas), Hong Kong – RAEHK (2,88 mil milhões de patacas) e para a União Europeia (65 milhões de patacas) foram os principais destinos das exportações, com aumentos de 221,6 por cento, 7,1 por cento e 15,1 por cento, respectivamente, face ao trimestre homólogo do ano transacto.

4 Mai 2026

Dia do Trabalhador | Sétimo ano sem manifestações

As manifestações do Dia do Trabalhador, que chegaram a reunir milhares de participantes em Macau, não se realizaram pelo sétimo ano consecutivo, de acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública. Este ano, as autoridades não receberam avisos prévios de reunião ou manifestação

As manifestações que durante anos foram uma tradição na celebração do Dia do Trabalhador, a 1 de Maio, desapareceram do panorama político de Macau. Segundo informações avançadas na véspera do feriado pelas autoridades policiais à Lusa, não foram recebidos avisos “prévios de reunião ou manifestação” para 1 de Maio, data que antes de 2020 registava regularmente iniciativas públicas.

Segundo a Lei Básica de Macau, todos os residentes de Macau têm o “direito de se reunir, pacificamente e sem armas, em lugares públicos, abertos ao público ou particulares”. No entanto, é necessário entregar um aviso prévio ao Corpo de Polícia de Segurança Pública por qualquer entidade que planeie realizar uma demonstração, com qualquer recusa ou restrição a ter de ser justificada pelas autoridades policiais.

Durante a pandemia de covid-19, as forças de segurança recusaram-se a aprovar o percurso de qualquer manifestação, invocando razões de “ordem e segurança” ou de saúde pública.

Estas proibições chegaram ao Comité dos Direitos Humanos da ONU que, em 2022, avaliou “um crescente número de informações de restrições indevidas ao exercício da liberdade de manifestações pacíficas”. As autoridades levantaram as restrições antipandémicas no final de 2023, mas as manifestações não voltaram às ruas da cidade.

Ruas só com turistas

No ano passado, o grupo Poder Popular de Macau cancelou uma manifestação planeada para 1 de Maio, a exigir a redução do número de trabalhadores migrantes, devido à “pressão da polícia”, que alegou que o protesto poderia violar a lei de Segurança Nacional, reportou na altura o jornal All About Macau.

O Governo indicou então que a realização de manifestações pode ameaçar a segurança da China, mas negou que a polícia tivesse pressionado a associação a cancelar a iniciativa. “As manifestações podem trazer conflitos à sociedade, à segurança de Estado”, defendeu o então secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa.

Um homem que protestava contra o número de trabalhadores migrantes em Macau, viria a ser detido no 1 de Maio do ano passado, com as autoridades a invocarem uma violação da lei do Direito de Reunião e Manifestação. Este foi o primeiro protesto público no Dia do Trabalhador desde 1 de Maio de 2019, antes da pandemia da covid-19, quando duas associações organizaram acções. Em 2018, por exemplo, a Nova Associação dos Direitos de Trabalhadores da Indústria de Jogos levou cerca de três centenas de membros a percorrer as ruas de Macau, exigindo melhores condições laborais.

ATFPM | 1 de Maio assinalado com eventos desportivos

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) organizou no Dia do Trabalhador, 1 de Maio, uma série de actividades desportivas. Segundo um comunicado da associação, a participação este ano bateu o recorde, com “mais de 1.000 funcionários públicos e seus familiares” a participarem no evento. As competições abrangeram desportos como atletismo, futebol de sete, ténis de mesa e badminton.

Além dos funcionários de mais 28 serviços públicos, participaram também docentes e funcionários da Universidade de Macau e da Universidade Politécnica de Macau, bem como trabalhadores da Companhia de Electricidade de Macau. As provas desportivas realizaram-se no Estádio Olímpico e no Pavilhão Desportivo dos Jogos da Ásia Oriental de Macau, e à noite realizou-se uma cerimónia de entrega de prémios.

4 Mai 2026

Criminalidade | Jornal Ou Mun critica fim de conferências de imprensa

O maior jornal diário em língua chinesa de Macau criticou as autoridades por “fecharem as portas ao público”, depois de o Governo ter terminado as conferências de imprensa trimestrais sobre relatórios de criminalidade. O Executivo acrescentou que o fim das conferências de imprensa tem como objectivo “aumentar a transparência”

O jornal Ou Mun publicou um artigo de opinião onde critica o fim das conferências de imprensa, organizadas pela secretaria para a Segurança, de apresentação dos dados estatísticos da criminalidade em Macau.

O relatório de criminalidade 2025 foi divulgado na passada terça-feira, apenas na página do gabinete do secretário para a Segurança, Chan Tsz King, na Internet, e sem a realização da habitual conferência de imprensa. Em comunicado, o gabinete confirmou que irá deixar de realizar conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”.

A divulgação regular dos dados estatísticos criminais vai passar a ser efectuada por “meios electrónicos” e apenas presencialmente quando “necessário”.

Na edição de quinta-feira do jornal Ou Mun, um jornalista escreveu uma opinião, em que considerou que a “verdadeira transparência da informação não “significa simplesmente ‘colocar dados online de forma transparente’ mas “ter coragem para enfrentar as críticas e aceitar activamente a supervisão pública”.

O mesmo jornalista afirmou que o ajuste “pode fechar uma das poucas janelas de diálogo que ainda restam” entre as autoridades do território e o público. “Quando um Governo escolhe fechar os canais de comunicação com os ‘media’ e reduzir a interacção directa com os jornalistas, pode parecer que evita o incómodo de lidar com perguntas difíceis, mas ao fazê-lo, também fecha voluntariamente a porta para resolver mal-entendidos e manter a credibilidade pública”, sublinhou o jornalista.

Na mesma opinião, o jornalista aponta que, no passado, as conferências de imprensa “não eram apenas ocasiões para divulgar estatísticas criminais, mas também canais importantes através dos quais os cidadãos podiam comunicar com as autoridades através dos ‘media'”. “Durante as conferências, os responsáveis tinham de responder aos jornalistas em frente às câmaras, mesmo que as suas explicações nem sempre fossem satisfatórias, e pelo menos havia um diálogo aberto”, alertou o jornalista.

Papel com poder

Para o mesmo autor, “por mais detalhados que sejam os dados ou bem organizadas que estejam as tabelas” fornecidas ‘online’, “sem as perguntas de seguimento dos jornalistas, sem as respostas e esclarecimentos imediatos dos responsáveis, e sem um debate interactivo em tempo real” deixa de ser possível informar correctamente o público.

Fundado em 1958 com o apoio do Partido Comunista Chinês, o jornal Ou Mun possui a maior tiragem do território, representando de 70 a 80 por cento da circulação de jornais da cidade.

A publicação tem mantido desde sempre relações muito próximas com o poder político local e nacional. O histórico director da publicação, Lok Po foi membro de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) entre 2003 e 2008, e mais tarde representante de Macau na Assembleia Popular Nacional (APN) entre 2008 e 2022. Antes da entrada nos dois principais órgãos consultivos e legislativos a nível nacional, Lok Po foi membro da CCPPC da província de Guangdong. Quando saiu do cargo na APN, foi substituído pelo director-geral do jornal Ou Mun, Wan Nang Hon. João Luz / Lusa

4 Mai 2026

China | Descobertos jazigos de petróleo com reservas estimadas em 100 milhões de toneladas

A China anunciou a descoberta de vários jazigos de petróleo e gás de grande e média dimensão, com reservas de crude superiores a 100 milhões de toneladas, no âmbito de uma estratégia para reforçar a segurança energética. O ministério dos Recursos Naturais da China indicou que foram identificados 225 jazigos nas bacias de Tarim (noroeste), Ordos (norte) e na baía de Bohai (nordeste), segundo órgãos de comunicação locais.

Desde o início desta nova ronda de exploração, Pequim deu prioridade ao petróleo e ao gás, com um investimento total próximo de 450 mil milhões de yuan, acrescentou um porta-voz. Entre as descobertas, incluem-se 13 campos petrolíferos com reservas superiores a 100 milhões de toneladas e 26 campos de gás com reservas acima de 100 mil milhões de metros cúbicos.

O ministério destacou também avanços na exploração em profundidade, tanto em terra como no mar. Em terra, a China desenvolveu o seu primeiro poço de exploração até 10.000 metros de profundidade, denominado “Deep Earth Tak 1”, que permitiu detectar petróleo em camadas profundas.

No mar, o campo de gás em águas ultraprofundas “Deep Sea One” entrou em fase de produção, colocando o país entre os mais avançados na exploração e extração de hidrocarbonetos em águas profundas, segundo as autoridades. O porta-voz sublinhou que os recursos de petróleo e gás são “cruciais” para a economia nacional, o bem-estar da população e a segurança energética.

30 Abr 2026

Wuhan | Suspensas novas licenças para ‘robotáxis’

A China suspendeu a emissão de novas licenças para veículos autónomos após mais de uma centena de ‘robotáxis’ da gigante tecnológica Baidu ficarem imobilizados na cidade de Wuhan, informou ontem a agência Bloomberg.

A medida impede as empresas de condução autónoma de acrescentarem novos veículos às frotas, iniciarem novos projectos-piloto ou expandirem-se para outras cidades, segundo a agência, que cita fontes com conhecimento do caso e não especifica a duração da suspensão. A medida ocorreu depois de as autoridades se mostrarem alarmadas com um incidente registado em 31 de Março em Wuhan, onde vários veículos do serviço Apollo Go, da Baidu, pararam subitamente, deixando passageiros temporariamente presos e perturbando o tráfego.

A polícia de trânsito local indicou que o centro de emergências recebeu chamadas a reportar múltiplos veículos parados no meio da estrada, sem capacidade de se mover. Segundo investigações preliminares citadas pelas autoridades, o problema terá sido causado por um “erro de sistema”. Não foram registados acidentes nem feridos, e os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança.

Após o incidente, três organismos, incluindo o ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, reuniram-se este mês com responsáveis de cidades com projcetos de ‘robotáxis’ ou testes de condução autónoma, de acordo com as fontes citadas pela Bloomberg. Os reguladores pediram aos governos locais uma revisão completa e o reforço da supervisão de segurança, para evitar episódios semelhantes.

Em expansão

O Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos em mais de uma dezena de cidades, e anunciou em Agosto um acordo com a norte-americana Lyft para lançar este ano serviços na Europa, começando pelo Reino Unido e Alemanha. Um mês antes, a Baidu tinha também estabelecido uma parceria com a Uber para disponibilizar táxis autónomos noutras regiões da Ásia e no Médio Oriente.

A empresa, frequentemente apelidada de “Google chinês” por operar um motor de busca dominante num país onde o acesso ao Google é bloqueado, vinha a expandir os testes do Apollo Go a um número crescente de cidades, com o objectivo de atingir cerca de 100 até 2030. Segundo previsões da própria Baidu, o mercado de ‘robotáxis’ na China poderá ultrapassar 1,3 biliões de yuan nos próximos anos.

30 Abr 2026

Ormuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático”

O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK.

“A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”.

Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou.

Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio.

A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.

30 Abr 2026